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Domingo, 17 de janeiro de 2016

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Comportamento t

AUTOESTIMA

Como fortalecer esta condição emocional tão atrelada ao modo como olhamos para nós mesmos e nos relacionamos com o mundo

Juliana Ribeiro

juliana.ribeiro@diariodaregiao.com.br

C omo você costuma tratar seus entes queri-

dos? Se essa pessoa precisa de cuidados, vo-

cê está sempre ali para ajudar? Se ela preci-

sa de um ombro amigo para desabafar, você se prontifica? Para seus amigos e familiares, você está sempre ali sem fazer julgamentos, rótulos ou cobranças? Se os magoa, pede desculpa, preo- cupa-se com seus sentimentos, quer o melhor para eles? Sim? Então por que será que temos tanto cuidado com os outros e esquecemos de cuidar de nós mesmos? Quando foi a última vez que você se convidou a sair? Preocupou-se se realmente es- tava bem? Pediu-se perdão? Alguma vez você foi capaz de se pedir perdão? Gostar de si mesmo e agir como tal é o que cha- mamos de autoestima. Precisamos tentar fazer co- nosco aquilo que somos capazes de fazer por quem amamos. E nos amar e nos conhecer é fun- damental para desenvolver uma boa autoestima. “Algumas pessoas têm uma sensação de infe- rioridade e estão sempre se comparando aos de- mais, como se existisse uma grande distância en- tre seu jeito de ser e o das outras pessoas, como se os outros fossem muito melhores”, explica a psicóloga e coach Márcia Dolores Resende. Segundo Márcia, nosso corpo e nossa mente respondem aos nossos pensamentos, e a forma co- mo organizamos esses dados farão grande diferen- ça para a construção de uma ótima autoestima.

O que leva à baixa autoestima?

Para Armando Ribeiro, psicólo- go e coordenador do Programa de Avaliação do Estresse do hospital Be- neficência Portuguesa, de São Pau- lo, a autoestima é resultado de uma combinação de inúmeros fatores, en- tre eles, personalidade, experiências de vida, estilo emocional e percep- ção subjetiva de como as situações são percebidas pela própria pessoa. “Apesar de todos viverem situa- ções que podem prejudicar a au- toestima, algumas pessoas são mais vulneráveis aos insucessos e cons- troem uma visão negativa de si mes- mas. A autocrítica exacerbada, uma criação dura e pouco afetuosa, baixa inteligência emocional tam- bém podem contribuir para uma autoestima baixa e instável”, diz. A queda da autoestima tem co- mo consequência uma baixa no ní- vel de energia e de motivação.

Pesquisas comprovam os efei- tos da falta de autoestima. Um estu- do da Gallup, em 2012, mostrou que de 11% a 17% das pessoas estão ativamente desengajadas, de 54% a 66% não estão engajadas - ou seja, estão só sobrevivendo - e de 22% a 27% estão realmente engajadas. Um problema sério da baixa au- toestima é o estado de entropia. “En- tropia é quando a pessoa se fecha pa- ra o mundo e para o outro porque não consegue resolver os problemas e enfrentar as situações. Assim, co- meça a sofrer, sentir emoções negati- vas, a demonstrar ansiedade, e como não consegue ter sucesso, ela foge, pe- de demissão, termina relacionamen- tos, entra em estado de apatia, come- ça a duvidar da sua capacidade de realização, até perder a crença em si mesma”, alerta a consultora da SB- Coaching, Ana Carnelossi. (JR)

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Não exagere na dose

Se ter baixa autoestima não faz bem, ter autoestima exageradamen- te elevada também não. É preciso saber dosar. Para Ana Carnelossi, quando a pessoa vive nesta condi- ção, ela assume a responsabilidade e a gestão pela vida dos outros. “É o herói, deixa de cuidar de si para cuidar dos outros. Impacien- te, não consegue esperar o tempo dos outros, propagando a incompe- tência por tirar a oportunidade de aprendizado dos demais, uma vez que se considera o melhor em tu- do. Assim, não sobra tempo para

cuidar de si, mas mesmo assim quer sempre a gratidão de todos. Consequentemente, acaba ficando exausto”, alerta Ana. Segundo a especialista, nessas situações de autoestima exacerba- da, a pessoa acredita que está indo bem, quando na verdade não conse- gue enxergar o verdadeiro preço disso: exaustão, estresse, doenças, etc. “Preço de não ter tempo para cuidar da sua saúde, preço de ter pessoas fazendo muito enquanto tem muitas fazendo pouco”, acres- centa a consultora. (JR)