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concreto armado - apostila - pilares

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Pilares de Concreto Armado - Henrique Longo

PILARES DE CONCRETO ARMADO
Henrique Innecco Longo
e-mail: hlongo@civil.ee.ufrj.br

3a edição maio de 2000

Pilares de Concreto Armado - Henrique Longo

1

1 - A importância dos pilares na estrutura Os pilares têm uma importância fundamental para a estrutura. Eles servem de apoio para as vigas, transmitem as cargas para as fundações e também participam do sistema estrutural de contraventamento. É preciso tomar bastante cuidado no projeto, no detalhamento das armaduras e na execução dos pilares, pois estes elementos podem romper por esmagamento do concreto de forma brusca e sem aviso prévio. Qualquer falha na execução ou mesmo um simples erro de cálculo poderá provocar a queda de uma edificação. O desabamento do Edifício Palace II na Barra da Tijuca (RJ), em fevereiro de 1998, mostrou mais uma vez a importância dos pilares na estrutura. Segundo as investigações realizadas por peritos, a deficiência nas armaduras de alguns pilares e a utilização de materiais de baixa qualidade teriam contribuído para a queda do edifício. É possível que este acidente não tivesse ocorrido se estas falhas tivessem acontecido localmente em uma laje ou em uma viga, que teriam sido reforçadas sem maiores problemas para a estrutura. Neste trabalho será feito o dimensionamento e a determinação das armaduras de um pilar piloto, que servirá como modelo de cálculo para melhor compreensão da teoria. Ao longo do texto, foram elaboradas perguntas para os leitores. A idéia é incentivar a postura questionadora, fundamental para o engenheiro e cidadão.

2 - Modelos para o cálculo dos pilares de edifício A escolha do modelo de cálculo para o pilar vai depender do tipo de edificação e dos carregamentos. Nas estruturas esbeltas e naquelas em que a ação do vento é considerável, o pilar dever ser considerado como um elemento de um pórtico tridimensional ou bidimensional (fig.1a). Nos edifícios usuais em que a ação do vento é desprezível, pode-se usar um modelo de elemento contínuo vertical apoiado nas vigas do pavimento (fig.1b) ou de um elemento isolado (fig.1c).

(a) pórtico plano

(b) elemento contínuo

(c) elementos isolados

fig.1 - Modelos estruturais de cálculo

Pilares de Concreto Armado - Henrique Longo

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Simplificações no cálculo de pilares de edifício Nas edificações em que não seja necessário considerar a ação do vento, a norma NBR-6118 permite as seguintes simplificações em pilares de edifícios, quando estes forem calculados isoladamente: a) os pilares intermediários poderão ser calculados sem a consideração de momentos fletores transmitidos pelas vigas. b) os momentos fletores nos nós dos pilares extremos, transmitidos pelas vigas, deverão obrigatoriamente ser considerados.

3 - Classificação dos pilares de acordo com a sua função estrutural • pilares de contraventamento - são elementos rígidos que garantem que os nós da estrutura do edifício fiquem praticamente indeslocáveis. Podem ser considerados de contraventamento, os pilares rígidos (e as paredes estruturais) em torno dos elevadores e escadas. • pilares contraventados - são pilares pouco rígidos mas com suas extremidades praticamente indeslocáveis devido ao efeito dos pilares de contraventamento. Estes pilares contraventados podem ser calculados isoladamente no trecho entre dois pisos.

4 - Classificação dos pilares de acordo com a sua posição em planta • pilares internos - localizados no interior do pavimento • pilares de extremidade - localizados nos contornos do pavimento • pilares de canto - localizados no canto do pavimento Na fig.2, podemos observar um trecho de um pavimento de uma edificação. Neste caso, o pilar P5 é considerado interno. Os pilares P2, P4, P6 e P8 são de extremidade e os pilares P1, P3, P7 e P9 são de canto.
P2 P1 P3 pilar de canto

P4 pilar de extremidade

P5 pilar interno

P6

P7

P8

P9

fig. 2 - Pilares de um pavimento

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5 - Classificação dos pilares de acordo com o índice de esbeltez • pilares curtos (λ ≤ 40) o efeito de segunda ordem pode ser desprezado • pilares médios (40 < λ ≤ 80) o efeito de segunda ordem deve ser considerado A NBR-6118 permite calcular o pilar pelo Método do Pilar Padrão • pilares esbeltos (80 < λ ≤ 140) o efeito de segunda ordem deve ser considerado De acordo com a NBR-6118, os pilares esbeltos podem ser calculado por um processo exato ou por um método aproximado devidamente justificado. O que é o efeito de segunda ordem? Como este efeito deve ser considerado nos cálculos? • pilares muito esbeltos (140 < λ ≤ 200) o efeito de segunda ordem deve ser considerado Segundo a NBR-6118, a segurança do pilar deve ser demostrada pelo processo exato e a carga normal de cálculo será determinada com o seguinte coeficiente de segurança: γf = 1,4 + (λ -140) / 100. Em nenhum caso, o índice de esbeltez poderá ultrapassar a 200. A NBR-6118 recomenda também que a deformação lenta deve ser considerada se λ > 80. O que significa deformação lenta? Como ela deve ser considerada? Índice de esbeltez λ le λ = ------i le - comprimento de flambagem i - raio de giração em uma dada direção

Os comprimentos de flambagem dependem do tipo de apoio (fig.3). Pela NBR-6118, nas estruturas de edifício com nós considerados indeslocáveis, o comprimento de flambagem le de um pilar será igual à distância entre os eixos das vigas entre os quais ele se situa.

l

le = l

le = 0,7 l

le = 2 l

fig.3 - Comprimentos de flambagem para diversos tipos de apoios

O raio de giração é dado pela seguinte relação: ____ i = √I/S Pilar piloto I - momento de inércia em relação a um determinado eixo S - área da seção transversal do pilar

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O pilar piloto será o P4 (fig. 2) de extremidade de dimensões 20cm x 60cm com 3 metros de altura e será considerado apoiado na base e no topo (fig.4). materiais : fck = 20 MPa aço CA-50 Os índices de esbeltez nas direções X e Y valem: _____________________ eixo X ix = √ [ 20 . 603 / 12 ] / 20 . 60 = 17,32 cm _____________________ eixo Y iy = √ [ 60 . 203 / 12 ] / 60 . 20 = 5,77 cm médio)

λx = 300 / 17,32 = 17 (pilar curto) λy = 300 / 5,77 = 52 (pilar

Desta maneira, podemos constatar que o pilar piloto é curto em relação ao eixo X e médio em relação ao eixo Y. Isto significa que o efeito de segunda ordem deve ser considerado apenas em uma direção.
N = 1.500 kN Seção Transversa l Y

3m

60cm 20cm

X

Z X 20cm

fig.4 - Exemplo de um pilar curto em uma direção e médio em outra.

Se o pilar for retangular, o raio de giração pode ser escrito da seguinte maneira: _____ ______________ ___ 3 i = √ I / S = √ (b. h /12) / b.h = h / √ 12 Neste caso, o índice de esbeltez será: ___ λ = le / i = le √ 12 / h Para que o efeito de segunda ordem não seja considerado em um pilar retangular de edifício com um comprimento de flambagem de 3m, é preciso que: ___ λ = 300 √ 12 / h ≤ 40 ou seja h ≥ 26 cm Assim sendo, os pilares retangulares de edifício com comprimento de flambagem igual a 3m devem ter no mínimo 26cm de lado para que o efeito de segunda ordem possa ser desprezado.

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6 - Dimensões mínimas dos pilares de edifício As dimensões dos pilares devem respeitar os valores mínimos dados pela NBR-6118 (fig.5) para os pilares usuais e para os que suportam lajes cogumelos. Nesta figura, l é a altura livre do pilar e l1 é a distância entre os eixos dos pilares da laje cogumelo. Se a dimensão b for maior do que 5a, o elemento será considerado como parede estrutural.

b ≥a ≤ 5a

b ≥a ≤ 5a

a ≥ 20 cm l / 25

a ≥ 30 cm l / 15 l1 / 20

(a) pilares usuais

(b) pilares de lajes cogumelos

fig.5 - Dimensões mínimas de pilares Casos especiais A NBR-6118, permite que se adote dimensões menores do que os valores mínimos anteriores desde que o pilar não suporte laje cogumelo e o coeficiente de majoração das cargas aumente de 1,4 para 1,8, nos seguintes casos (fig.6): a) No pilares de seção transversal com raio de giração maior do que 6cm (i ≥ 6cm), composta de retângulos (cantoneiras, zês, tês, duplos tês), cada um destes retângulos com largura não inferior a 10cm nem a 1/15 do respectivo comprimento (fig.6a). b) Nos pilares de seção transversal retangular (fig.6b) com largura não inferior a 12cm e comprimento não superior a 60cm, apoiados no elemento estrutural subjacente em toda a extensão de sua base, considerados no seu cálculo a flexão oriunda das ligações com lajes e vigas e a flambagem conjunta dos pilares superpostos.

b ≤ 60 cm a i ≥ 6cm

a ≥ 12 cm t ≥ 10 cm a / 15 (a ) (b )

fig.6 - Casos especiais de pilares Vale a pena adotar no projeto pilares com dimensões menores do que 20cm? Não seria arriscado adotar um pilar com apenas 12cm de lado?

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Paredes estruturais Pela NBR-6118, a espessura das paredes estruturais não deve ser inferior a 12cm nem a 1/25 da altura livre (fig.7). O comprimento da seção horizontal deve ser maior do que 5 vezes a espessura para que a peça seja considerada como parede estrutural.

a ≥ 12 cm l / 25 b≥ 5a

fig. 7 - Dimensões mínimas da parede estrutural

7 - Cargas nos pilares As cargas verticais nos pilares de cada pavimento são calculadas através das reações das vigas, da grelha ou do pórtico, dependendo do modelo estrutural adotado. Por exemplo, a carga vertical no pilar piloto P4 da figura 8 será a soma das reações nos apoios das vigas V2 e V4, ou seja: NP4 = RA + RB

P2 P1 V1

P3

P4

RA V2 RB

P5

P6

V4

V5

V6

P7

V3 P8

P9

fig.8 - Carga nos pilares de um pavimento devido à reação das vigas

Como avaliar se as cargas em cada pilar foram corretamente calculadas?

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A carga vertical N em uma determinada seção do pilar será a soma das cargas de todos os pavimentos acima desta seção mais o peso próprio do pilar até o nível considerado: N = Σ Ni + peso próprio do pilar

Os pilares também devem ser também projetados para resistir às cargas horizontais, provenientes da ação do vento (fig.9) ou de outras ações horizontais que atuam na estrutura.

VENTO

fig.9 - Pilares considerados como elementos de um pórtico

8 - Momentos fletores de solidariedade nos pilares de extremidade A norma NBR-6118 permite que os pilares de edifício sejam considerados como elementos isolados. No entanto, nos pilares de extremidade devem ser obrigatoriamente considerados os momentos fletores de solidariedade (fig.10) transmitidos pelas vigas do pavimento.

MVIG MSUP VIGA MINF PILAR MVIG = MSUP + MINF

fig.10 - Momentos fletores na ligação entre a viga e o pilar de extremidade

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8

Estes momentos fletores na seção inferior e superior no pilar (em relação ao pavimento considerado) podem ser calculados em função do momento de engastamento perfeito MENG da viga e do índice de rigidez de cada trecho: rINF MENG . ----------------------rVIG + rINF + rSUP

MINF =

momento fletor na seção inferior do pilar

rSUP MSUP = MENG . -----------------------rVIG + rINF + rSUP rINF + rSUP MVIG = MENG . -----------------------rVIG + rINF + rSUP

momento fletor na seção superior do pilar

momento fletor na viga

rINF = IINF / lINF - índice de rigidez do pilar na seção inferior rSUP= ISUP / lSUP - índice de rigidez do pilar na seção superior rVIG = IVIG/ lVIG - índice de rigidez da viga MENG - momento de engastamento perfeito na viga Pelo equilíbrio do nó (fig.10): MVIG = MSUP + MINF

Casos particulares a) No caso de pilares retangulares com o mesmo índice de rigidez na seção inferior e superior, ou seja, rINF = rSUP, os momentos no pilar serão iguais (MINF = MSUP). Assim sendo, pelo equilíbrio de momentos no nó, o momento que vai para o pilar será igual a metade do momento atuante na viga: MINF = MSUP = MVIG / 2 Substituindo o valor do momento MVIG , teremos: rINF MINF = MSUP = MENG --------------------rVIG + 2 rINF b) Se o índice de rigidez da viga for igual ao do pilar (rVIG = rINF = rSUP): MINF = MSUP = (1/3) MENG MVIG = (2/3) MENG

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Influência da superposição dos efeitos Considerando a superposição dos efeitos, o momento na extremidade MVIG de uma viga de um determinado pavimento transmite momentos para os pavimentos inferior e superior e assim sucessivamente. Para levar em conta este fato, FUSCO sugere que o momento de um pavimento i propague 50% de seu valor para o pavimento i-1 e vice-versa (fig.11). Para esta aproximação, podese adotar os seguintes momentos no topo e na base do pilar: MTOPO ≅ 1,5 Mi, INF MBASE ≅ 1,5 Mi-1, SUP

MTOPO = Mi, INF + 0,5Mi-1, SUP
pavimento i

pavimento i -1

MBASE = Mi-1, SUP + 0,5Mi, INF

fig. 11 - Superposição dos efeitos na transmissão dos momentos no pilar

Propagação dos momentos A propagação destes momentos no pilar de extremidade pode também ser feita considerando um modelo de uma estrutura linear contínua, apoiada nos pavimentos (fig.12).
PILAR DM

MSUP MVIG MINF

MVIG

VIGA

fig.12 - Propagação dos momentos nos pilares de extremidade

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Momentos fletores no pilar piloto A figura 13 está mostrando o pilar piloto P4 (20x60) e a viga V2 (12x40) de um pavimento do edifício.
PILAR P4 (20X60) pavimento i+1

3m

DM

VIGA V2 (12x40)

pavimento i MINF 3m

MSUP MVIG

20kN/m

18kN/m

4m

4m

pavimento i-1

fig. 13 - Momentos fletores no pilar piloto

Neste caso o momento de engastamento perfeito na viga será: MENG = 20 . 42 / 12 = 26,7 kNm Considerando os momentos de inércia em relação ao eixo Y, os momentos fletores no pilar no pavimento i, na seção inferior e superior, (rINF = rSUP) serão:
Y

(60. 20 /12) / 300 MINF = MSUP = 26,7 . -------------------------------------------------(12 .403 /12) / 400 + 2 .(60. 203 /12) / 300

3

60 cm

12 cm VIGA (12x40)

20 cm

MINF = MSUP = 26,7 . 0,31 = 8,3 kNm

MVIG = 2. MINF = 16,6 kNm Considerando a superposição dos efeitos, os momentos no topo e na base do pilar valem: MTOPO = MBASE ≅ 1,5 . MINF MTOPO = MBASE = 1,5 . 8,3

MTOPO = MBASE = 12,4 kNm

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9 - Excentricidade acidental (ea) Esta excentricidade deve ser considerada em todos os pilares para se levar em conta a incerteza da localização da força normal e um possível desvio do eixo da peça durante a construção, em relação à posição prevista no projeto. Esta excentricidade deve ser calculada da seguinte maneira: ea = h / 30 ≥ 2cm h (cm) - maior dimensão da seção na direção em que se considera a excentricidade

Na fig. 14, por exemplo, a excentricidade acidental na direção X será: eax = a / 30 ≥ 2cm.
N Y

ea

b eax

X

a

fig. 14 - Excentricidade acidental na direção X

Como considerar a excentricidade acidental no cálculo dos pilares?

Excentricidade acidental no pilar piloto A excentricidade acidental no pilar piloto (20x60) nas direções X e Y valem: direção X direção Y eax = 20 / 30 = 0,7 cm eay = 60 / 30 = 2 cm donde eax = 2cm

O momento fletor resultante desta excentricidade acidental será: M = 1.500 . 0,02 = 30 kNm

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10 - Excentricidade de segunda ordem pelo Método do Pilar Padrão (40 < λ ≤ 80) Quando o pilar se deforma (fig.15), aparece um momento de segunda ordem de cálculo igual a M2d = Nd . y. Como a carga normal é grande nas estruturas de edifícios, este momento de segunda ordem pode ser elevado. A NBR-6118 recomenda um método de cálculo simplificado denominado Método do Pilar Padrão para se determinar a excentricidade de segunda ordem quando 40 < λ ≤ 80, considerando as seguintes hipóteses: • barras retas com seção transversal simétrica constante (inclusive a armadura) • força normal constante ao longo do seu comprimento sob flexo-compressão • configuração fletida de forma senoidal De acordo com o Método do Pilar Padrão, a configuração do pilar deformado, considerada como senoidal (fig.15), pode ser escrita de acordo com a seguinte equação: y = e2 . sen (π x / le)

Nd Y

y

l

=

e2 = yMAX

X

fig.15 - Configuração do pilar deformado A curvatura do eixo deste pilar deformado pode ser determinada por: y’’ (1/ r ) = ----------------- ≅ y’’ ( 1 + y’2 ) 3/2 Considerando que a curvatura pode ser aproximada pela deformada, teremos: (1/ r ) = ( π / le ) 2 e2 . sen (π x / le) A curvatura máxima será no ponto x = le / 2: (1/ r )max = ( π / le ) 2 e2 Desta equação podemos obter a excentricidade de segunda ordem: e2 = ( le / π ) 2 (1/ r )max derivada segunda da curva

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A NBR-6118 sugere que a excentricidade de segunda ordem seja igual a: le 2 e2 = --------- (1/ r )max 10 A curvatura pode ser obtida em função da deformação do concreto εc e do aço εs:  εc  +  εs  (1/ r ) = -------------------------d Pela NBR-6118, a curvatura máxima pode ser calculada fazendo-se εc = 3,5 o/oo e εs = εyd e introduzindo um fator de correção ν:

0,0035 + fyd / Es (1/ r )max = -------------------------h ( ν + 0,5) Nd sendo ν = ---------Ac fcd sendo ν + 0,5 ≥ 1

h - lado do retângulo circunscrito à seção paralelo à excentricidade acidental Es - módulo de elasticidade do aço (21 x 107 kN/m2)

Excentricidade de segunda ordem para o pilar piloto Como no pilar piloto o índice de esbeltez λ = 17 em relação ao eixo X e λ = 52 em relação ao eixo Y, haverá excentricidade de segunda ordem apenas na direção X. Coeficiente ν: 1,4 .1.500 ν = ------------------------------ = 1,2 0,2 .0,6 . 20.000 / 1,4 Curvatura do eixo do pilar deformado: 0,0035 + (500.000/ 1,15) / 21. 107 (1/ r )max = ------------------------------------------------- = 0,016 m-1 0,2 ( 1,2 + 0,5) A excentricidade de segunda ordem será: 32 e2 = --------- 0,016 = 0,014m 10 ν + 0,5 ≥ 1

donde

donde

e2 = 1,4cm

11 - Diagrama de momentos fletores para os pilares

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Nos pilares de edifício de nós considerados indeslocáveis, podemos ter momentos fletores MA e MB nas extremidades dos pilares provocando excentricidades eA e eB no mesmo sentido (fig.16a) ou em sentidos opostos (fig.16b). Além disso, poderá haver também momentos fletores de segunda ordem (fig.16c).
1o caso MA 2o caso

N N

MA

MC MC M2 = N . e2

MB

MB

(a)

(b)

(c)

(d)

fig.16 - Momentos de primeira ordem (a), (b), (c) e de segunda ordem (d)

Diagrama de momentos fletores para o pilar piloto A fig.17 está mostrando o diagrama de momentos para o pilar piloto. Estes momentos são de primeira ordem e são provenientes da solidariedade da viga com o pilar. Como as excentricidades estão em sentidos opostos, corresponde ao 2o caso (fig.16b) do item anterior.
MA =12,4 kNm

MB = 12,4 kNm

fig.17 - Diagrama de momentos fletores para o pilar piloto

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12 - Seções transversais a serem analisadas A seção crítica do pilar deve ser escolhida a partir da análise das seções extremas A ou B ou da seção interna C, conforme a NBR-6118. Seção extrema A ou B (a mais solicitada) Nesta seção, atuam apenas os momentos de primeira ordem, tendo em vista que o efeito de segunda ordem não aparece nas extremidades do pilar. Neste caso, teremos que considerar as seguintes excentricidades: • excentricidade inicial eA = MA / N ou • excentricidade acidental ea = h / 30 ≥ 2cm • excentricidade de segunda ordem e2 = 0 Seção interna C Nesta seção pode aparecer os efeitos de segunda ordem e de fluência. Se não houver carga transversal aplicada ao longo da barra, a NBR-6118 permite considerar as seguintes excentricidades: 1o caso - excentricidades eA e eB no mesmo sentido (fig.16a) • excentricidade inicial eC = 0,6 eA + 0,4 eB ≥ 0,4 eA sendo • excentricidade acidental ea = h / 30 ≥ 2cm le 2 • excentricidade de segunda ordem e2 = --------- (1/ r )max se λ > 40 10 2o caso - excentricidades eA e eB em sentidos opostos (fig.16b) • excentricidade inicial eC = 0,6 eA - 0,4 eB ≥ 0,4 eA sendo • excentricidade acidental ea = h / 30 ≥ 2cm le 2 • excentricidade de segunda ordem e2 = --------- (1/ r )max se λ > 40 10 Excentricidades na direção X para o pilar piloto (2o caso) SEÇÃO A = B (direção X) • excentricidade inicial eA = eB = MA / N = 12,4 / 1500 = 0,008 m = 0,8 cm • excentricidade acidental ea = 2cm • excentricidade de segunda ordem e2 = 0 SEÇÃO C (direção X) • excentricidade inicial eB = MB / N

eA > eB

eA > eB

ec = 0,6. eA - 0,4 eB = (0,6-0,4) 0,8 = 0,16 cm ≥ 0,4 eA = 0,4 . 0,8 = 0,32 cm (valor adotado) • excentricidade acidental ea = 2 cm • excentricidade de segunda ordem e2 = 1,4 cm Neste caso, podemos considerar que a seção crítica do pilar é a C (direção X). Por quê? 13 - Hipóteses de cálculo para pilares curtos e médios no estado limite último

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Carga centrada (fig.18) - caso de pilares internos Neste caso, o cálculo deverá ser feito separadamente nas duas direções principais da seção geométrica com as excentricidades nas direções X e Y, não se somando as armaduras. Nestes duas hipóteses de cálculo, o pilar será calculado à flexão composta reta. A excentricidade de segunda ordem somente deve ser considerada se λ > 40 em uma dada direção.
1a hipótese Y Y 2a hipótese Y

e2y b Nd X eax e2x X eay X

a

fig. 18 - Hipóteses de cálculo para a carga normal centrada Cálculo simplificado (carga centrada e λ < 40) Neste caso da carga centrada e pilar curto, a NBR-6118 apresenta uma alternativa simplificada em que o pilar é calculado com a carga de compressão aumentada na proporção de: γ = ( 1 + 6 /h) ≥ 1,1 sendo h (cm) - menor lado do retângulo mais estreito circunscrito à seção. Assim, a carga de ruptura para um pilar de seção transversal Ac será dada por: γ Nd = 0,85 fcd . Ac + As σSd A seção de ferro longitudinal do pilar pode então ser obtida: γ Nd - 0,85 fcd . Ac As = ---------------------------σSd σSd - tensão no aço para uma deformação específica de 2o/oo , sendo σSd = 420 MPa (CA-50) Como calcular a seção de ferro longitudinal para o caso de um pilar em que o efeito de segunda ordem for significativo?

Carga excêntrica agindo sobre um eixo principal (fig.19) - caso de pilares de extremidade

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Neste caso, a excentricidade inicial ei pode ser proveniente da carga normal ou então oriunda de um momento fletor atuando no pilar. O cálculo será feito separadamente em duas direções principais, acrescentando-se as excentricidade nas direções X e Y no sentido mais desfavorável para um lado ou outro do eixo. Na primeira hipótese o pilar será calculado à flexão composta reta e na segunda hipótese à flexão composta oblíqua. A excentricidade de segunda ordem somente deve ser levada em conta se λ > 40 em uma dada direção.
1a hipótese Y 2a hipótese Y

Y

e2y b Nd ei X ei eax e2x X ei X eay

a

fig. 19 - Hipóteses de cálculo para a carga normal excêntrica agindo sobre um eixo principal Este caso de uma carga excêntrica poderia também acontecer em um pilar interno? Carga excêntrica agindo fora dos eixos principais (fig.20) - pilares de canto O cálculo será feito separadamente para três hipóteses de cálculo. Na primeira hipótese, as excentricidades acidental e de segunda ordem são consideradas na mesma direção da excentricidade ei e nas demais hipóteses, ela é considerada nas direções X e Y. Em todas as três hipóteses, o pilar deve ser calculado à flexão composta oblíqua. A excentricidade de segunda ordem somente deve ser considerada se λ > 40 em uma dada direção.
1a hipótese Y e2 eax e2x ei X X ei X 2a hipótese Y 3a hipótese Y e2y eay

Y

Nd ei b X ei

ea

a

fig. 20 - Hipóteses de cálculo para a carga normal excêntrica agindo fora dos eixos principais

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No cálculo da excentricidade acidental para a primeira hipótese da fig.20, o valor de h é a maior dimensão da seção na direção em que se considera a excentricidade, ou seja, neste caso h é o lado de um retângulo circunscrito à seção e paralelo à excentricidade acidental. Hipóteses de cálculo para o pilar piloto O pilar piloto tem uma excentricidade inicial ei = 0,32cm em um dos eixos principais. As hipóteses de cálculo na seção interna C estão mostradas na figura 21. Neste caso, podemos observar que a excentricidade de segunda ordem somente deve ser considerada na direção X, pois na direção Y o índice de esbeltez é menor do que 40.
Y 1a hipótese Y 2a hipótese Y

0,32 60 cm

0,32 2 1,4 X

eay ei

2 X

ei

ei eax e2x X

20 cm

fig.21 - Hipóteses de cálculo para o pilar piloto

14 - Seções de ferro longitudinais para pilares curtos e médios As seções de ferro longitudinais dos pilares são geralmente calculadas através de ábacos com armaduras simétricas. Os ábacos de MONTOYA, por exemplo, calculam as seções de ferro para os casos de flexão composta reta (fig.22a) e oblíqua (fig.22b).
Myd

Md

h

Mxd

h

d' b b

fig.22 - Exemplos de armaduras para os ábacos para flexão composta reta e oblíqua

O momento fletor Md é o momento de cálculo, considerando todas as excentricidades calculadas em uma determinada direção: Md = Nd (ei + ea + e2)

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Os parâmetros de entrada destes ábacos para flexão composta reta são os seguintes para a obtenção do valor de w: ν= Nd ----------Ac . fcd

ábaco w donde d'/ h

Md µ = -------------Ac . h. fcd

Ac .fcd As total = w .-----------fyd

Para o caso de flexão composta oblíqua, devem ser considerados os parâmetros para os momentos nas duas direções X e Y: ν= Nd ----------Ac . fcd Mxd = -------------Ac . h. fcd ábaco w d'/ h Ac .fcd donde As total = w .---------fyd

µxd

µyd

Myd = -------------Ac . b. fcd

Seções de ferro longitudinais para o pilar piloto Os momentos fletores correspondentes às hipóteses de cálculo para o cálculo das seções de ferro estão mostradas na figura 23.
1a hipótese MYd 2a hipótese MYd

MXd b =60 cm h = 60 cm

h = 20 cm

b = 20 cm

fig. 23 - Momentos fletores para as hipóteses de cálculo para o pilar piloto Por que os valores de b e h foram considerados diferentes para cada uma destas hipóteses da figura 23?

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1a hipótese (fig.23a) Parâmetros de entrada para o ábaco do MONTOYA com armadura simétrica e distriubuída no contorno para flexão composta reta (aço CA-50): MY = 1.500 . (0,0032 + 0,02 + 0,014) = 55 kNm ν= 1,4 . 1500 ---------------------------- = 1,2 0,2 . 0,6 . 20.000 / 1,4

ábaco w = 0,94 d'/ h = 0,1

1,4 . 55 µyd = --------------------------------- = 0,2 0,2. 0,6 . 0,2 . 20.000 / 1,4 µxd = 0 2a hipótese (fig.23b)

Parâmetros de entrada para o mesmo ábaco para flexão composta oblíqua (aço CA-50): MX = 1.500 . 0,02 = 30 kNm MY = 1.500 . 0,0032 = 4,8 kNm ν = 1,2 µxd 1,4 . 30 = ---------------------------------- = 0,04 0,2 . 0,6 . 0,6 . 20.000 / 1,4 1,4 . 4,8 = ---------------------------------- = 0,02 0,2 . 0,6 . 0,2 . 20.000 / 1,4 ábaco w = 0,5 d'/ h = 0,1 µyd

Comparando os valores de w, podemos constatar que a 1a hipótese é mais desfavorável (w=0,94). Portanto, a seção de ferro longitudinal total será: 0.2. 0.6 . 20.000 / 1,4 As total = 0,94 ------------------------------- = 0,0037 m2 = 37 cm2 500.000 / 1,15 A seção de ferro longitudinal em cada face será: As / face = 37 / 4 = 9,2 cm2 . 15 - Pilares esbeltos (80 < λ ≤ 140) Pela NBR-6118, os pilares esbeltos devem ser calculados por um processo exato, conforme mostrado por FUSCO, que leve em consideração a relação momento-curvatura, baseada nos diagramas σ -ε do concreto e do aço, ou por um processo aproximado devidamente justificado. FUSCO apresenta ábacos de interação para cálculo dos pilares esbeltos, calculados a partir dos diagramas momento fletor - força normal - curvatura. Estes ábacos foram elaborados para pilares esbeltos submetidos à composta reta e o aço empregado é o CA-50. Neste caso, não é necessário calcular a excentricidade de segunda ordem pois os parâmetros de entrada do ábaco dependem da excentricidade de primeira ordem. 16 - Cobrimento de concreto em pilares

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O cobrimento de concreto, que é a distância entre a face externa do pilar e a face externa do estribo, tem uma importância fundamental para a durabilidade e para a segurança da obra. Um cobrimento deficiente pode deixar as barras expostas, causando a corrosão das armaduras. A NBR6118 recomenda que qualquer barra da armadura deve ter um cobrimento de concreto (fig.24) pelo menos igual ao seu diâmetro ( c ≥ φ) , mas não menor que: a) para concreto revestido com argamassa de espessura mínima de 1cm: • pilares no interior de edifícios c = 1,5 cm • pilares ao ar livre c = 2,0 cm b) para concreto aparente • pilares no interior de edifícios c = 2,0 cm • pilares ao ar livre c = 2,5 cm

17- Armadura mínima longitudinal para os pilares A armadura mínima longitudinal é calculada a partir da equação de equilíbrio no estado limite último entre a força normal centrada de cálculo Nd e a resultante das tensões no concreto e no aço: Nd = 0,85 fcd Ac + As σSd Considerando a seção de ferro As escrita em função da percentagem ρ de armadura: As = ρ Ac Nd = 0,85 fcd Ac + ρ Ac σSd Desta equação, obtemos a área de concreto necessária AC NEC para ρmin = 0,8%: Nd ACNEC = -------------------------0,85 fcd + 0,8% σSd σSd - tensão no aço para uma deformação específica de 2 %o σSd = 420 MPa (CA-50) De acordo com a NBR-6118, a armadura mínima para os pilares deve ser: AS MIN ≥ 0,8% AC NEC 0,5% AC

Armadura mínima para o pilar piloto A área de concreto necessária do pilar piloto será: 1,4 . 1500 ACNEC = ------------------------------------------ = 0,1355 m2 = 1355 cm2 0,85. 20.000/1,4 + 0,8%. 420.000 AS MIN ≥ 0,8% . 1355 = 10,8 cm2 0,5% . 20. 60 = 6,0 cm2 18 - Percentagem máxima de armadura longitudinal

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Pela NBR-6118, a percentagem máxima da armadura deve igual a 6%. No entanto, é preciso considerar que na região das emendas dos pilares, as barras são geralmente emendadas na mesma seção, dobrando a quantidade de armadura neste trecho. Assim sendo, deve-se considerar na prática: ρMAX = 3 % Além da questão do trecho de emendas, é recomendável não usar percentagens altas nos pilares para não sobrecarregar demasiadamente as armaduras. Se houver algum problema com as armaduras, como por exemplo os efeitos nocivos da corrosão, o concreto poderia não resistir. Percentagem de armadura do pilar piloto ρ = 37 / 20.60 = 3,08 % > ρMAX = 3 % O que o engenheiro deve fazer neste caso em que a percentagem de armadura é maior do que o valor máximo? 19- Espaçamento entre as barras longitudinais O espaçamento entre as barras longitudinais (fig.24) em uma determinada face do pilar será: e = ( b - 2c - 2 φt - n φ ) / (n -1)

b - largura da face do pilar c - cobrimento de concreto φt - diâmetro do estribo n - número de barras longitudinais na face φ - diâmetro da barra longitudinal

c ≥ φ
φt

e

fig.24- Seção transversal do pilar com as barras longitudinais De acordo com a NBR-6118, o espaçamento máximo entre as barras longitudinais das peças comprimidas deve ser o seguinte: pilares emax = 40 cm (na prática é melhor adotar 30 cm)

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paredes

emax = 2 x espessura da parede ou 30 cm

O espaçamento mínimo entre as barras longitudinais será: 2cm e ≥ φ 1,2 Dmax sendo Dmax dimensão máxima do agregado

20 - Barras longitudinais dos pilares O número de barras da armadura longitudinal deve ser feita levando-se em consideração a bitola φ e o espaçamento entre as barras. Por razões construtivas, a NBR-6118 recomenda adotar uma bitola mínima: φ ≥ 10 mm. A tabela 1 mostra os diâmetros φ das bitolas padronizadas em milímetros e em polegadas, bem como os valores nominais para cálculo das seções de ferro As (cm2) da norma EB-3/1980: φ (mm) 10 12,5 16 20 25 φ (pol) 3/8 1/2 5/8 3/4 1 As(cm2) 0,8 1,25 2,0 3,15 5,0

Tabela 1 - Seções de ferro (valores nominais) para as bitolas padronizadas

Escolha das barras longitudinais do pilar piloto Como a seção de ferro longitudinal calculada em cada face do pilar piloto foi de 9,2 cm2, poderíamos ter 5 φ 16 ou 3 φ 20 por face. No entanto, não seria possível colocar 5 φ 16 na face menor pois o espaçamento entre as barras seria menor do que o valor mínimo. Além disso, se colocássemos 3 φ 20 na face maior, o espaçamento entre as barras ficaria muito grande. Assim sendo, serão colocadas bitolas diferentes em cada face (5 φ 16 na face maior e 3 φ 20 na face menor) (fig.25). Se considerarmos um cobrimento c = 2cm e o diâmetro do estribo φt = 6,3 mm, teríamos o seguinte espaçamento (fig.25): face menor (3 φ 20) face maior (5 φ 16 + 2 φ 20) e = (20 - 2 .2,0 - 2 .0,63 - 3 . 2) / 2 = 4,3 cm e = (60 - 2 .2,0 - 2 . 0,63 - 5. 1,6 - 2 . 2,0) / 6 = 7,1 cm

Como podemos observar, estes espaçamentos atendem aos valores mínimos e máximo. É importante frisar que o ideal seria colocar a mesma bitola em todo o contorno do pilar. O que deveria ser feito se este espaçamento ficasse menor do que o valor mínimo? 3 φ 20

φ

φ

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fig. 25 - Seção transversal com a armadura do pilar piloto

21 - Emendas das barras longitudinais De acordo com a NBR-6118, as barras comprimidas podem ser emendadas na mesma seção transversal e não deverão ter ganchos. O comprimento do trecho de traspasse l1 das barras comprimidas será igual ao comprimento de ancoragem lb com os valores mínimos: l1 = lb ≥ 0,6 lb1 10 φ 15 cm

As barras do pilar de um determinado nível serão emendadas com as barras do trecho superior (fig.26). No trecho das emendas, as barras inferiores devem ser ligeiramente dobradas para absorver os momentos fletores. Neste trecho, o esforço devido à mudança de direção das barras deve ser absorvido por estribos. l1

VIGA

PILAR

l1

A

A

barras nascendo barras morrendo

fig.26 - Emendas das barras longitudinais O comprimento de ancoragem lb das barras comprimidas será calculado como no caso de tração com os seguintes valores mínimos: Ascal 0,6 lb1 lb = lb1 -------- ≥ 10 φ

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Ase sendo φ fyd lb1 = ------- . ---------4 τbu

15cm

Ascal - área da seção da armadura calculada Ase - área da seção da armadura existente A tensão τbu de aderência última para as zonas de boa aderência (barras dos pilares) será: ____ τbu = 0,28 √ fcd em MPa para ηb ≤ 1,0 (aços CA-25,32 e 40) 3 ____________ τbu = 0,42 √ fcd2 em MPa para ηb ≥ 1,5 (aços CA-50 e 60) Para zonas de má aderência, os valores τbu devem ser divididos por 1,5. No entanto, as barras (verticais) dos pilares estão em região de boa aderência. Na tabela 2 estão indicados os valores de lb1 para a região de boa aderência em função do diâmetro φ para alguns valores de fck : fck (MPa) 15 18 20 lb1 boa aderência 54φ 47φ 44φ

Tabela 2 - Valores do comprimento de ancoragem reta por traspasse Comprimento de emenda para as barras do pilar piloto Considerando a maior bitola temos: l1 = 44φ = 44 . 2,0 = 88 cm ≅ 90 cm

22 - Estribos dos pilares Os estribos dos pilares são dimensionados para absorver os esforços cortantes, tais como os provenientes da ação do vento. O diâmetro das barras dos estribos φt não deve ser inferior a 5 mm: φt ≥ 5 mm Os estribos devem ser colocados em toda a extensão da peça, cujo espaçamento s deve respeitar os seguintes limites (a categoria do aço é a da armadura longitudinal): s ≤ 30 cm menor dimensão da seção da peça 21 φ e 340 φt2 / φ para aço CA-25 e CA-32 12 φ e 190 φt2 / φ para aço CA-40, CA-50 e CA-60

s

Os ganchos dos estribos (fig.27) podem ser semi-circulares, em ângulo de 45o e em ângulo reto. 5φ 10φ

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fig. 27 - Tipos de ganchos para os estribos

23 - Proteção contra a flambagem das barras longitudinais A NBR-6118 recomenda que devem ser tomadas precauções para evitar a possibilidade de flambagem das barras da armaduras situadas junto à superfície da peça. Os estribos garantem contra a flambagem das barras longitudinais situadas em suas quinas e as por eles abrangidas e situadas no máximo à distância de 20 φt da quina, se nesse trecho de comprimento 20 φt não houver mais de duas barras, não contando a da quina (fig.28). Quando houver mais de duas barras neste trecho ou barra fora dele, deverá haver estribos suplementares, com diâmetro e espaçamento de acordo com o item anterior. Se o estribo suplementar for constituído por uma barra reta, terminada em ganchos, ele deverá atravessar a seção da peça e o seu gancho envolverá a barra longitudinal. Esta barra é conhecida na prática como “gancho de açougueiro” (fig.28). Se houver mais de uma barra longitudinal a ser protegida junto à mesma extremidade do estribo, o gancho deste envolverá um estribo principal em ponto junto a uma das barras. Ele garantirá contra a flambagem essa barra e mais duas para cada lado, não distantes dela mais do que 20 φt.
20 φt

gancho de açougueiro

20 φt

20 φt

fig. 28 - Proteção contra a flambagem das barras longitudinais

Em pilares mais largos, podem ser também empregados estribos duplos para proteção contra a flambagem das barras longitudinais, conforme mostrado na fig.29.

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fig. 29 - Estribos duplos

24 - Detalhe das armaduras dos pilares As armaduras dos pilares, sempre que possível, devem ser colocadas simetricamente para evitar erros de posicionamento. Nas plantas das armaduras dos pilares, são mostradas as barras longitudinais e os estribos em corte longitudinal e em corte transversal. São indicadas também nesta planta as posições das emendas das barras, normalmente localizadas em uma seção acima de cada pavimento, de tal modo que fiquem as chamadas barras de espera para emendar as barras do pavimento superior. Na figura 30, está sendo mostrado o detalhe das armaduras do pilar piloto, desde a fundação até o segundo pavimento. As barras das armaduras estão numeradas e com as respectivas quantidades e comprimentos. Por que as barras longitudinais dos pilares ficam geralmente distribuídas na periferia da seção transversal? Seria possível colocá-las no interior da seção transversal?

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PILAR PILOTO ( 20 X 60)

90
2o pavimento

N1 - 6 φ 20 - 390

N3 - 10 φ 16- 390 15 φ N5 c 20 CORTE AA

3 φ 20
90 1o pavimento

5 φ 16
6 φ N1 10 φ N3

5 φ 16

A

A
15 φ N5 c 20

3 φ 20
15

90 55 N2 - 6 φ 20 - 200 N4 - 10 φ 16- 200 N5 - 30 φ 6,3- 150

fig. 30- Armadura do pilar piloto

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25 - Pilares com mudança de seção transversal Na prática, pode-se adotar dimensões maiores nos andares de baixo e menores para os de cima, tendo em vista que a carga vertical é maior nos primeiros andares e menor nos últimos. Por exemplo, um pilar de um prédio com 12 andares pode ter 40cm x 60cm do 1o ao 4o pavimento, 30cm x 50cm do 5o ao 8o e 20cm x 40cm do 9o ao 12o pavimento. Em alguns edifícios, o projeto arquitetônico impede que os pilares fiquem na mesma posição do primeiro ao último andar. Certos pilares podem mudar de direção e outros ficam apoiados em vigas de transição. A figura 31 está mostrando as armaduras de pilares que mudam de seção transversal de um nível para outro, conforme detalhe sugerido por LEONHARDT. Algumas barras “morrem”, outras “nascem” e outras “continuam”. Nestes casos, além do cálculo do pilar propriamente dito, é preciso verificar a tensão para uma carga em uma área reduzida. No trecho de transição devem ser colocadas barras adicionais, além de estribos adicionais para absorver os esforços de tração oriundos da mudança da direção das tensões de compressão.

barras ‘morrendo’ barras ‘continuando’ barras ‘nascendo’

l1

barra adicional

l1

barra adicional

l1

estribos adicionais estribos adicionais

l1

fig.31 - Armaduras de pilares com mudança de seção transversal

É importante observar que a mudança de eixo do pilar (fig. 31b) irá provocar uma excentricidade da carga no andar inferior.

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A fig.32 está mostrando a seção transversal de um pilar com mudança de direção, mas mantendo o mesmo eixo. Neste caso, deve ser feita uma verificação da seção estrangulada (área hachurada da fig.32) e colocar barras adicionais neste trecho.

barras ‘morrendo’ barras ‘continuando’ barras ‘nascendo’

fig.32 - Seção transversal de um pilar com mudança de direção

O caso mais crítico é aquele em que o pilar se apoia em uma viga de transição (fig.33), tendo em vista que a carga do pilar costuma ser muito elevada. Neste caso, a viga de transição deve ser muito rígida para resistir a este carregamento e evitar deformações, que poderia comprometer a segurança da obra.

P1

N
viga de transição

P2

P3

fig.33 - Pilar descarregando em uma viga de transição

Determine as dimensões de uma viga de transição de vão igual a 5m que estivesse suportando o pilar piloto (N = 1500 kN) aplicada no meio do vão, conforme mostrado na fig.33.

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Bibliografia

[1] FUSCO Péricles B., "Estruturas de Concreto - Solicitações Normais", 1981, Ed. Guanabara. [2] FUSCO Péricles B., "Técnicas de Armar as Estruturas de Concreto", 1994, Ed. Pini. [3] FUSCO Péricles B., Martins A .R., Ishitani H., “Construções de Concreto”, 1990, apostila USP. [4] SUSSEKIND, José Carlos, "Curso de Concreto", vol. 2, 1983, Ed. Globo [5] MONTOYA, Jimenéz, Meseguer A., Cabré F.,“Hormigon Armado”,vols.1 e 2, Ed. Gustavo Gili. [6] LEONHARDT F., Mönnig E., "Construções de Concreto", vol. 3, 1977, Ed. Interciência [7] Norma NBR-6118/78 - "Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado", ABNT, 1978. [8] CEB-FIP Model Code 1990, Bulletin d'Information no 203, Final Draft, jul. 1991. [9] CEB/FIP Manual on Bending and Compression, 1982

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