O Papel do Capitalismo Monopolista 

de Estado no Império Americano 
por Joseph. R. Stromberg 
 
Em  1792,  Thomas  Paine  soou  uma  nota  de  advertência  sobre  a  economia  do 
império: 
 
O  menos  lucrativo  de  todo  comércio  é  aquele  conectado  com  o  domínio  externo. 
Para  uns  poucos  indivíduos,  ele  pode  ser  benéfico,  meramente  porque  é  comércio; 
mas  para  a  nação  é  uma  perda.  O  gasto  de  se  manter  o  domínio  mais  do   que 
1
absorve o lucro de qualquer troca.  
 
Tivessem  os  americanos  consistentemente  guardado  o  conselho  de  Paine,  os  Estados 
Unidos  poderiam  ter  evitado  muito  do  banho  de  sangue  no  exterior,  assim  como  a 
burocratização doméstica, que acompanharam a criação do império americano. 

Mercantilismo e ​
Laissez Faire 
Infelizmente,  as  ideias  liberais  clássicas  nunca  prevaleceram  completamente  em 
nenhum  lugar,  incluindo  a  Inglaterra   e  os  Estados  Unidos.  Grupos  de  interesses 
conscientes,  de  exportadores  a  fabricantes,  missionário  e  militaristas  utilizaram  o  poder  do 
estado  nacional  sempre  que  possível  para  servir metas que incluíam glória, poder, terra e  a 
absorção  de  mercados  externos,  julgados  essenciais  para  a  prosperidade  nacional.  Na 
prática,  isto  geralmente  significou  a  prosperidade  daqueles  que  faziam  o  julgamento, 
mesmo que invocassem a prosperidade da nação. 
 
Embora  os  radicais  na  coalizão  revolucionária  americana  tenham  sido  brevemente 
predominantes  (os  Artigos  da  Confederação  eram,  afinal,  o  programa  radical),  uma 
coalização  da  alta  classe  de  mercadores  do  Norte   e  fazendeiros  do  Sul,  ruidosamente 
proclamando  uma  "crise"  que  existia  primariamente em suas carteiras, logo ganharam o dia 
para uma nova constituição e um  estado  central  grandemente fortalecido. Desde a fundação 
deste  novo  estado  em  1789,  a  nobreza  desenvolveu  ativamente  uma  forma  americana  de 
mercantilismo  simbolizada  pela  cláusula  de  comércio  da  Constituição,  um  mercantilismo 
que  adotava  tarifas,  um  banco  nacional  e  outras  intervenções  econômicas. Seu programa  ­ 
embora  não  redutível  às  sobrevivências  feudais  que  Joseph  Schumpeter  considerava  a 
2
fonte  do  imperialismo   ­  eram  uma  continuação  consciente  da  perspectiva  mercantilista 
britânica.  James  Madison,  em  particular,  formou  a  justificativa  lógica   do  estado 
  Thomas  Paine,  “The   Rights  of  Man”,  in  ​
Selected  Writings  of Thomas Paine,​
 ed. R.E. Roberts  (New 
York: Everybody’s Vacation Publishing Company, 1945), p. 328. 
2
 Joseph Schumpeter, ​
Imperialism, Social Classes: Two Essays (New York: Meridian  Books, 1955), pp. 
65, 91–97. 
1

conscientemente  imperial  americano,  reafirmando  o  axioma  expansionista  básico  do  
mercantilismo.  Mesmo   Thomas  Jefferson,  com  suas  tendências  fisiocratas  ​
laissez­faire,​
  se 
3
tornou algo de um mercantilista quando no poder.  
 
Apesar  deste  estatismo  inicial,  a  "revolução"  Jacksoniana  produziu   ganhos 
significativos  para  o  livre  comércio  ­  ainda  mais  do  que  o  movimento  Jeffersoniano  havia  ­ 
incluindo  a  destruição  do  segundo  Banco  dos  Estados  Unidos,  e  as  decisões  do  Juiz 
Supremo  Taney  derrubando  muitas  formas  de  concessão  de monopólio.  O Jacksonianismo 
4
foi,   nas  palavras  de  Richard  Hofstadter,  "uma  fase  na  expansão  do  capitalismo  liberado" ​

Mas,  mesmo  em  uma  era  de  relativo  liberalismo,   muitos  interesses  definiram  ​
laissez  faire 
como  "ajuda  sem  responsabilidades".  Assim,  subsídios  eram  empreendidos  em   nome  do 
5
laissez faire​

 
Os  Jacksonianos   radicais,  como  os  Cobdenitas  na  Grã­Bretanha,  foram  incapazes 
de  varrer todos os privilégios existentes. O  liberalismo do período foi ainda mais desfigurado 
pela  escravidão  ­  uma  grande  violação  da  teoria  de  direitos  naturais  ­  e  pela  guerra 
imperialista  com  o  México,  que  foi  pouco  mais  do  que  grilagem  de   terras  sob  o  manto  do 
6
"destino manifesto".  

O Declínio (Imposto) do ​
Laissez Faire 
O  conflito  seccional  sobre  o  controle  da  área   tomada  do  México  foi  um  fator  chave 
no  início   da  subsequente  Guerra  da  Independência Sulista, a Guerra Civil. Este período,  de 
1861 a 1865, levou a um ressurgimento gigantesco do estatismo Hamiltoniano. 
 
Primeiro,  ao  negar  aos  estados  o   direito  de  secessão,  Lincoln  transformou 
totalmente  a  união  federal,  dando  um  golpe  mortal  na  real  descentralização  e  abolindo  o 
7
contrapeso final no sistema de freios e contrapesos.  
 
Segundo,  o  abrangente  "poder  de  guerra"  executivo   de  Lincoln  ­  inventado  a  partir 
do  nada  ­  abriu  caminho  para  o  Cesarismo  presidencial   do  século  XX.  Similarmente,  seu 
recrutamento  estabeleceu  um  precedente  para a militarização em tempos de guerra e, mais 
8
tarde, em tempos de paz. A liberdades civis, naturalmente, sofreram.  
3

 Sobre a “crise”  percebida, vide  Charles  A. e Mary R. Beard,  ​
The Rise of American  Civilization (New 
York:  Macmillan,  1930),  pp.  302–7.  Para uma visão  calma do período, vide Merrill Jensen, ​
The Articles  
of  Confederation  (Madison:  University  of  Wisconsin  Press,  1959).  Sobre  os  ​
founding  fathers​
,  vide  
William  Appleman  Williams,  “The  Age  of  Mercantilism:  1740–1828”,  in  ​
The  Contours  of  American 
History​
 (New York: New Viewpoints, 1973), esp. pp. 150–62 e 185–92. 
4
 Richard Hofstadter, ​
The American Political Tradition​
 (New York: Vintage Books, 1948), pp. 56–67. 
5
 Vide Williams, ​
The Contours of American History​
, p. 212.  
6
  Sobre  o  liberalismo  do   século  XIX  em  ambos  os  lados  do  Atlântico,  vide  Robert  Kelley,  ​
The 
Transatlantic  Persuasion: The Liberal–Democratic  Mind  in the  Age of Gladstone (New York:  Alfred A. 
Knopf,  1969);  e Murray  N.  Rothbard,  “Left  and Right: The  Prospects  for  Liberty”, in ​
Egalitarianism as a  
Revolt Against Nature and Other Essays​
 (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2000), pp. 21–53.  
7
 Vide  David  Gordon,  ed., ​
Secession,  State, and Liberty (New  Brunswick, N.J.: Transaction Publishers, 
1998),  para  uma  discussão  sobre  a teoria  e  história  da secessão,  sobre as visões  de Lincoln  sobre a 
questão antes de se tornar presidente e sobre tópicos relacionados. 
8
 Arthur A. Ekirch, Jr., ​
The Decline of American Liberalism​
 (New York: Atheneum, 1969), pp. 116–31. 

 
No  que  diz  respeito  à  economia  política,  a  centralização  em  tempos  de   guerra  foi 
igualmente  prejudicial.  Com  o  Sul  livre­mercadista  fora  da  união,  a  administração 
republicana  de  Lincoln   assegurou  a aprovação de uma "Lei do Banco Nacional, um imposto 
de  renda  sem  precedentes  e  uma  variedade  de  impostos  especiais  sobre  o  consumo", 
9
beirando  "um  imposto  universal  de  vendas" ​
.  A  tarifa,  cuja  diminuição  os  nulificadores 
sulistas  haviam  forçado  em  1830,  foi   aumentada  a  quase  50  por  cento,  com  as   taxas  
pós­guerra  se  elevando constantemente. As ​
greenbacks do tempo da guerra estabeleceram 
um  precedente  para  a  futura  inflação.  Finalmente,  a  subjugação  da  Confederação  e  sua 
reintegração  à  união  em  termos  nortistas  tornaram  o  Sul  um  tipo  de  colônia  interna 
permanente  da   Metrópole  do  Nordeste,   assim  como  os  negros  permaneceram   uma  sub 
10
colônia dentro da região.  
 
Além  da  proteção  de  fabricantes  americanos,   talvez  os  subsídios  mais  flagrantes  
durantes  e  após  a  guerra  consistia   de  fundos  emprestados   e  terra  dada  às  ferrovias  pelo 
governo  federal  para  encorajar  o  crescimento  ferroviário.  Entre  1862  e  1872,  as   ferrovias 
receberam  do  Congresso  cerca  de  100  milhões  de  acres  de  terra.  Similarmente,  a 
legislação  federal  cuidou  para   que  grandes  quantidades  de  terra  "pública"  no  Sul  ­  que 
poderia  ter  ido  para  escravos   libertos  e  brancos  pobres  ­  acabassem  principalmente  nas 
11
mãos de madeireiros Ianques e outros interesses.  
 
Tal  era   o  famoso,  mas   parcialmente  mítico,  ​
laissez  faire  que  o  historiador  William 
Appleman  Williams,  com  uma  divertida  falta  de  ironia,  vê  como  sintetizado   no  programa  
12
inflacionário­protecionista  de  uma  ala  dos  Republicanos  Radicais.   Na  verdade,  a  Era 
Dourada  testemunhou  um  "grande  churrasco",  para  usar  a  frase  de  Vernon  Louis 
Parrington,  enraizado  no  estatismo  violento  dos  anos  da  guerra,  cujos  participantes 
defendiam  a  si  mesmos  com  retórica Spenceriana enquanto  agarravam com as duas  mãos.
13
  Novilhos  para   este  churrasco  foram  fornecidos não só pelo governo federal, mas também 
pelos governos locais através de monopólios de franquia, etc. 

Raízes no Século XIX do Império Americano 
Regulamentação  de  ferrovias,  reforma  monetária  e  a  busca  por  mercados  externos 
(especialmente  para  excedentes  agrícolas)  estavam  entre  as  principais  questões  políticas 
 Ekirch, ​
The Decline of American Liberalism​
, p. 129. 
  B.B.   Kendrick,  “The  Colonial  Status  of  the  South”,  in  ​
The  Pursuit of Southern History: Presidential 
Addresses  of  the  Southern  Historical   Association,  1935­1963​
,  ed.  George  B.  Tindall  (Baton  Rouge: 
Louisiana State  University  Press, 1964), pp. 90–105; e C. Vann Woodward, “The Colonial Economy”, in 
A  History  of  the  South​
,  ​
vol.  9,   Origins  of  the  New  South  (Baton  Rouge:  Louisiana  State  University 
Press, 1951), pp. 291–320. 
11
 Ekirch, ​
The Decline  of American  Liberalism​
, pp. 153–54; e Paul Wallace Gates, “Federal Land Policy 
in the South, 1866–1888”, ​
Journal of Southern History​
 6, no. 3 (August 1940), pp. 303–30. 
12
 Williams, ​
The Contours of American History​
, pp. 300–1. 
13
  Ekirch,  ​
The  Decline  of  American   Liberalism​
,  cap.  10,   pp.  147–70.  Para  uma  crítica  individualista 
radical  do  Spencerianismo,   vide  James  J.  Martin,   ​
Men  Against  the  State:  The  Expositors  of 
Individualist  Anarchism  in  America,   1827–1908  (Colorado  Springs,  Colo.:  Ralph  Myles,   1970),  pp. 
239–41. 
9

10

de  1865  a  1896.  Fazendeiros  do  Sul  e  do  Oeste  buscavam  regulamentação  ­  e,  em  última 
instância,  sua   ala  radical  buscava  a  nacionalização  ­  das  ferrovias  para  garantir  sua 
operação  "equitativa".  Uma  outra  meta  agrária  era  a  cunhagem  de  prata  para  reverter  a 
desmonetarização  de  1873  e  1874  e  para  fornecer  dinheiro  "mais  fácil"  para  fomentar  o 
14
comércio  com  países  com  o  padrão  esterlino.   Acima  de  tudo,  muitos  fazendeiros 
buscavam  novos  escoamentos  para  suas  colheitas.  A  deflação  de  1873  a   1879  lhes  deu 
15
razões adicionais para olhar para o exterior.  
 
De acordo  com William Appleman Williams, uma "bonança de exportação" de 1877 a 
1881,  ocasionada  por  desastres  naturais  que  afetaram  a  agricultura  europeia,  ressaltou  as 
possibilidades  que   os  mercados  externos  tinham  para  a  prosperidade  americana.  O  fim  da 
bonança,  quando  os  fazendeiros  europeus  se  recuperaram,  apenas  reforçou  a  convicção 
crescente   de  que  mercados  de  exportação  maiores  para  os  fazendeiros  americanos  eram 
tanto  desejáveis  quanto  necessários.  Falhando,  a  princípio,  em  obter   assistência 
governamental  para  abrir  tais  mercados,  os  interesses  agrários  exerceram  uma  pressão 
16
substancial em favor da expansão.  
 
Com  o  Pânico  de  1893  e  a  subsequente  crise  econômica,  muitos  interesses 
metropolitanos  industriais  chegaram  à  visão  de  que  os  mercados externos eram essenciais 
17
para  sua  prosperidade.   O  ponto  da  virada  veio  quando  os  Republicanos  da  metrópole,  
liderados  pelo  Governador  de  Ohio  William  McKinley,  apresentaram  um  programa 
igualmente  atraente  para os interesses industriais e agrários. Isso preparou o terreno para a 
emergência de McKinley como líder de uma coalizão expansionista. 
 
Vários   interesses  e  indústrias  alegaram  que  a  "superprodução"  era  o  problema; 
McKinley  e  seus  colegas  generalizaram  esta  tese  para  a  economia  como  um  todo.  Sua 
plataforma  combinada  de  protecionismo  e  tratados  de  reciprocidade  para  abrir   mercados 
externos  se  provaram  atraentes  e  contribuíram  para  a  vitória  Republicana  de  1896.  De 
acordo  com   Williams,  "De  explicar  [o  Pânico]  como   uma  consequência  de  teorias 
monetárias   perigosas  ou  antiquadas,  [os  americanos]   vieram  a  explicá­la  em  termos  de 
18
superprodução e falta de mercados" ​

 

14

 William Appleman  Williams,  ​
The  Roots  of  the Modern American Empire  (New York: Random House,  
1969),  pp.  132–404.  Para  uma discussão das complexas questões  monetárias,  vide  Irwin Unger, ​
The 
Greenback  Era  (Princeton,  N.J.:   Princeton  University   Press,  1964).  Na  p.  127,  Unger  nota  "uma  
conexão  um  tanto  vaga  entre  princípios   protecionistas  e  ​
soft   money​
".  Sobre  faccionalismo  e  metas 
político­econômicas específicas dentro da  coalizão Republicana, vide Howard K. Beale,  “The Tariff and 
Reconstruction”,  ​
American  Historical  Review  35,  no.  2 (January  1930),  pp.  276–94;  e  Stanely Coben, 
“Northeastern  Business  and  Radical  Reconstruction”,  ​
Mississippi  Valley  Historical  Review  46,  no.  1  
(June 1959), pp. 67–90. Até o momento, não há nenhuma análise Austríaca completa deste período. 
15
 Para um  relato sobre  o Pânico  de 1893,  vide Robert C. Higgs, ​
Crisis  and Leviathan: Critical Episodes 
in the Growth of American Government​
 (New York: Oxford University Press, 1987), pp. 77–105.  
16
 Williams, ​
The Roots of the Modern American Empire​
, pp. 206–31. 
17
 Williams, ​
The Contours of American History​
, pp. 363–64. 
18
  William  Appleman  Williams,  “The  Acquitting  Judge”,   in  ​
For A  New  America: Essays in  History and 
Politics  from  STUDIES  ON  THE  LEFT,   1959–1967​
,  ed.  David  W.  Eakins  e  James  Weinstein  (New 
York: Random House, 1970), p. 44.  

O  consenso  expansionista,  do  qual  as  políticas  de  McKinley  eram  a  expressão 
madura,  há  muito  vinha  se  desenvolvendo.  Enraizado  em  uma  necessidade  sentida   de 
dominar  os  mercados  mundiais,   as  novas  políticas  evidenciaram  uma   concepção 
fundamentalmente  ​
imperial  do  papel  mundial  da  América.  Esta concepção  foi reforçada por 
uma  interpretação  "expansionista de fronteiras" da história, avançada por Frederick Jackson 
Turner  e Brooks Adams, que considerava a fronteira como sendo a fonte  de republicanismo, 
19
individualismo e prosperidade da América.  
 
Com  o  fechamento  da  fronteira  continental,  uma  "nova  fronteira"  tinha  que  ser 
encontrada  se  a  América  devesse  permanecer  livre  e   próspera.  Adams  e seus associados, 
incluindo  Theodore  Roosevelt,  vieram  a  ver  um  império  ultramarino  como  a  fronteira 
20
substituta  da  América.   À  América  Latina,  a   esfera  de  influência   americana  tradicional, 
deveriam  ser  adicionados  os  mercados  da  Ásia   ­  sobretudo,  da  China  ­  e  do  mundo. 
Consequentemente,  os  exportadores  se   agitaram   por  subsídios  e  por  uma  moderna 
marinha "de alto mar" (Oceano Pacífico). 
 
Dada  a  meta  de  abertura  de  mercados,  os  formuladores  de  políticas  dos  EUA 
buscavam  criar  condições  políticas  favoráveis  ao  comércio  e  investimento  em  todo  país 
considerado  um  mercado  potencial.  Uma  variedade  de  táticas,  indo  desde  tratados  de 
reciprocidade  a  intervenção  armada,  foram  empregadas  para  eliminar  as  barreiras  dos 
21
outros  países  ao  comércio  dos  EUA.  Esta  estratégia  não  colonial  de  império, dependente 
do  poder  preponderante  da  América  para   conseguir  "a  supremacia sobre toda a  região",  foi 
notavelmente  parecida  com  o  "imperialismo   de  livre  comércio"  da  Grã­Bretanha,   como 
22
Gallagher e Robinson a veem. ​
 Enquanto livre comércio, isso foi, claro, um tanto espúrio. 
 

19

  Vide  Brooks  Adams,   ​
America’s  Economic   Supremacy  (New  York:  Harper  &  Brothers,  1947);  e 
Frederick  Jackson  Turner,  ​
The  Frontier  in  American  History  (New  York:  Henry  Holt,  1920),  uma 
compilação de  ensaios  publicados  de 1893  a 1918.  Para o papel de Adams e Turner na formulação do 
pano  de  fundo  intelectual  do  imperialismo  dos  EUA,  vide  Walter   LaFeber,  ​
The   New  Empire  (Ithaca, 
N.Y.:  Cornell  University  Press,  1963),  pp.  63–72  e  80–95.  Sobre  Turner,  vide  também  Lee  Benson, 
Turner  and  Beard: American Historical Writing Reconsidered  (New York: The Free Press, 1960); Lloyd 
E.  Ambrosius,  “Turner’s  Frontier  Thesis  and  the  Modern  American  Empire: A  Review Essay”,  ​
Civil War 
History  17,   no.  4  (December  1971),  pp.  332–39;  e  Wilbur  R.  Jacobs, “National Frontiers, Great  World 
Frontiers,  and   the  Shadow  of  Frederick  Jackson  Turner”,   ​
International  History  Review  7,  no.  2  (May 
1985), pp. 261–70. 
20
 Williams, ​
The Contours of  American  History​
,  pp.  364–65;  e LaFeber, ​
The New Empire​
, pp. 62–101. 
Vide  também Thomas J.  McCormick, ​
China  Market: America’s  Quest for  Informal Empire, 1893–1901 
(Chicago:  Quadrangle,  1967);  Lloyd  C.  Gardner,  ​
A  Different  Frontier:  Selected  Readings  in  the 
Foundations  of  American  Economic  Expansion  (Chicago:  Quadrangle, 1966);  e William L.  Lander, “A 
Critique of Imperialism”,  in  ​
American  Imperialism  in 1898​
, ed. Theodore P. Green (Boston: D.C. Heath, 
1955), pp. 13–20, esp. 15–17. 
21
  Vide  Gabriel  Kolko,  ​
The  Roots  of  American  Foreign  Policy:  An  Analysis  of  Power   and  Purpose 
(Boston:  Beacon  Press, 1969); e Murray N. Rothbard, ​
Wall Street, Banks, and American Foreign Policy 
(Burlingame, Calif.: Center for Libertarian Studies, 1995). 
22
 John  Gallagher  e Ronald Robinson,  “The  Imperialism of  Free Trade”, ​
Economic History Review​
, 2nd 
ser.,  6,  no.  1  (1953), pp. 1–15,  frase  citada na  p.  3. Para  uma resposta  que  enfatiza a  diferença  entre 
“imperialismo  de  livre   comércio”  e  o  livre  comércio  de  verdade,  vide   Oliver   MacDonagh,  “The  Anti 
Imperialism of Free Trade”, ​
Economic History Review​
, 2nd ser., 14, no. 3 (1962), pp. 489–501. 

A  revolta  cubana  contra  a  Espanha  presenteou  McKinley  com  a  opção  ­  e 
23
oportunidade  ­  de  ir  para  guerra  para  lançar  o  programa  imperial.   Além  de  proteger  os 
investimentos  e  mercados  americanos em Cuba, a administração desejava pacificar a ilha a 
fim   de  concentrar  na  meta  mais  ampla  de  penetrar  os  mercados   asiáticos.  A  conjuntura de 
problema  e  oportunidade  levou  à  guerra  em  1898.  Os EUA não apenas estabilizaram Cuba 
como  uma  posse  informal,  mas  também  ganharam  um  ponto  de  apoio  na Ásia ao tomar as  
Ilhas Filipinas da Espanha. 
 
A  relutância  de  "nossos  irmãos  marronzinhos"  em  aceitar  a  suserania  americana 
provocou  nosso  primeiro  Vietnã,  a  Insurreição  Filipina,  cuja  supressão  foi  vigorosamente 
oposta  por  anti­imperialistas  tais  como  Edward  Atkinson,  magnata  têxtil  e  liberal  ​
laissez 
24
faire​
.  
 
Ao  afirmar   o  direito  dos  americanos de comerciar como concorrentes iguais em ​
toda 
a  China,   nas  ​
Open  Door  Notes  de  1899  e  1900,  os  Estados  Unidos  buscaram  impedir  ou  
reverter  a  divisão  da  China  (e  do  mundo)  em  esferas  exclusivas  de  comércio  por  parte  de 
25
outras  potências  imperiais  menos  sofisticadas.   Quando  potências  rivais  demarcaram 
impérios  e   quando  fortes  movimentos  nacionais  e  nacional­comunistas  surgiram em países 
subdesenvolvidos,  o  imperialismo  de  Portas  Abertas  envolveu a América em cada vez mais 
intervenções  e  grandes  guerras.  Desta  forma,  a  efetivação  do  direito  afirmado  das 
empresas  americanas  de  comerciar  em  todo  lugar  se  tornou  uma  estratégia  chave  e  tema 
consistente da política externa dos EUA no século XX. 

Fascismo Educado: Portas Fechadas em Casa 
Os  desenvolvimentos  sumarizados  acima  não  foram  consequências  naturais  ou 
inevitáveis  de  uma  sociedade  de  mercado.  Antes,  eles  se  encaixam  no  padrão  do 
"capitalismo   monopolista   dependente  de  exportações",  como  analisado  por  Joseph 
26
Schumpeter,  Ludwig   von  Mises  e  E.  M.  Winslow.   Rapidamente,  as  tarifas  dos  EUA 
elevaram  os  preços  americanos   bem  acima  dos  níveis  do  mercado  mundial.  Para  que  os 
fabricantes  americanos  alcançassem  economias  de  escala,  eles  tinham  que  produzir  bem 
mais  de  seus  produtos  do   que  poderia  ser  vendido  nos  EUA.  Contudo,  uma  vez  que  estes 
produtores  eram  protegidos  pela  tarifa,  eles  vendiam  seus  produtos   a  preços  mais altos do 
que  era  aceitável  nos mercados mundiais. Em suma, eles tinham excedentes não vendidos. 
23

  Para  mais  sobre  o  imperialismo  e  a  Guerra   Hispano­Americana,  vide  Joseph  Stromberg,  “The 
Spanish–American  War  as  a  Trial  Run,  or  Empire  as  its  Own Justification”, in ​
The Costs of War​
,  2nd 
ed., ed. John V. Denson (New Brunswick, N.J.:  Transaction Publishers, 1999), pp. 169–202. 
24
  Sobre  o  movimento  anti­imperialista,  vide  Wiliam  F.   Marina,  “Opponents  of  Empire”  (Ph.D.  diss., 
University  of  Denver,  1968);  e   Robert   L.  Beisner,  ​
Twelve  Against  Empire:  The  Anti­Imperialists, 
1898–1900​
 (New York: MacGraw­Hill, 1968). 
25
 Sobre a guerra, as Portas Abertas e o império informal, vide William Appleman Williams, ​
The Tragedy 
of  American  Diplomacy (New York:  Dell Publishing, 1972), pp. 18–57. Para maiores informações sobre 
a guerra, vide Williams, ​
The Roots of Modern American Empire​
, pp. 408–28. 
26
 Schumpeter, ​
Imperialism,  Social Classes: Two  Essays​
, pp. 79–80;  Ludwig von Mises,  “Autarky and 
its  Consequences”,  in  ​
Money,  Method,  and  the  Market  Process​
,  ed.  Richard  M.  Ebeling   (Norwell, 
Mass.:  Kluwer  Academic  Publishers,  1990),  pp. 137–54; e  E.M. Winslow, ​
The Pattern of Imperialism: A 
Study in the Theories of Power​
 (New York: Columbia University Press, 1948). 

Isto,  por  sua   vez,  levou  esses  mesmos  fabricantes  que  eram  "protegidos"  pela  tarifa  a 
clamar por mercados externos para seus excedentes não vendidos. 
 
Antes  de  perseguir  esta  linha   de  análise,  outras  tendências  artificiais  em  direção ao 
monopólio  merecem  ser  examinadas.  Gabriel  Kolko  mostrou  que,   apesar  do  estatismo  do 
final  do  século  XIX,  uma  vigorosa  concorrência  caracterizava  a  economia  dos   EUA  na 
virada  do século XX. No "​
merger movement​
" de 1897­1901, as Grandes Empresas falharam 
na  tentativa  de obter hegemonia sobre a economia. Derrotados pelo mercado, reformadores 
27
das  Grandes  Empresas  recorreram  ao  "capitalismo  político" ​
.  Indústria  por  indústria,  estes 
"liberais  corporativos"  buscaram  legislação  federal  para  bloquear  a  legislação populista nos 
estados  e  para "racionalizar", isto é, cartelizar seus setores da economia. A regulamentação  
de  uma  indústria  era  tipicamente  iniciada por suas maiores firmas, que então controlavam o 
subsequente  departamento  regulador  ­  em  detrimento dos concorrentes e do público. Desta 
forma,   "os  grandes  empacotadores  eram  calorosos  amigos  da  regulamentação, 
especialmente  quando  ela afetava primariamente seus inúmeros pequenos concorrentes" e, 
portanto,  defenderam  o  Meat  Inspection  Act  de  1906.  Similarmente,  os  bancos  maiores 
"administravam  sua  própria  regulamentação,  sob  a  égide  do  governo  federal"  através  do 
28
Federal Reserve System.  
 
O  Movimento  Progressista   foi  a  principal  manifestação  política  dessa  fase  inicial  de 
estatismo  corporativo.  Concomitantemente  com  a  reforma  Progressista,  os  americanos  
começaram  a  ver  a  si  mesmos  como  membros  dos  blocos  de  produtores,   não  como 
consumidores  e,  por  volta  de  1918,  o  sindicalismo   (ou  corporativismo)  de  um  tipo  havia  se 
tornado  a  perspectiva  dominante.  A  National  Civic  Federal,  um  grupo  político  liberal 
corporativo,  desempenhou  um  papel  central  nesta   transformação  intelectual.  A  NCF 
enfatizava  a  cooperação  com  sindicatos  não  socialistas,   favorecia  legislação  de  bem­estar 
social  e  se  opunha  a  empresas   "anarquistas"  que  levavam  a  concorrência  a  sério.  Ph.Ds 
treinados  na  Alemanha  que  admiravam   o  "socialismo  monárquico"  Bismarckiano 
29
contribuíram igualmente para o triunfo da ideologia liberal­corporativa.  
 
Não  muito  surpreendentemente,  dada  a  unidade  interna  da  "estabilização"  em  casa  
e  no  exterior,  muitos  liberais  corporativos  eram  expansionistas  e  vice­versa.  Como  J.  W. 
Burgess escreveu em 1915, 
 
Os  Jingos  e  os  Reformadores  Sociais  haviam  se  juntado;  e  formado  um  partido 
político  que  ameaçava   capturar  o  Governo  e  usá­lo  para  seu  programa  de 
27

 Gabriel Kolko,  ​
The Triumph of Conservatism (Chicago: Quadrangle, 1967),  p. 3. Para uma discussão 
empírica  da  falha  do  ​
merger  movement​
,  vide  Arthur  Stone  Dewing,  ​
The  Financial   Policy  of 
Corporations  (New York: Ronald  Press,  1934), pp. 738–75. Dewing vê duas ondas de ​
mergers no final 
do  século  XIX:   1888–1893  e  1897–1903.   Os  anos  que  faltam  correspondem   ao  Pânico  de  1893  e  a 
subsequente depressão. 
28
 Kolko, ​
The Triumph of Conservatism,​
 pp. 107 e 251. 
29
  James  Weinstein,  ​
The  Corporate  Ideal  in  the  Liberal  State,  1900–1918   (Boston:  Beacon  Press, 
1968).  Sobre   a  influência  intelectual  alemã,  vide  G.  William  Domhoff,  ​
The  Higher Circles  (New York: 
Vintage  Books, 1971), pp. 158–59. Para mais sobre o corporativismo liberal, vide os ensaios de William 
Appleman   Williams,   Martin  J.  Sklar,  James  Weinstein, e  Ronald  Radosh  em  ​
For  A  New America​
,  pp. 
37–193; e  Ronald  Radosh  e  Murray N. Rothbard, ed., ​
A  New History of Leviathan: Essays on the Rise 
of the American Corporate State ​
(New York: Dutton, 1972). 

paternalismo  Cesarista,  um  perigo  que  agora  parece  ter  sido  evitado  apenas  pelos 
outros  partidos  terem  adotado  seu  programa  em  um  grau  e  forma  um  tanto  mais 
30
brandos.  
 
A  combinação  do bem­estar paternalista com  a diplomacia das canhoneiras simbolizada por 
31
Teddy  Roosevelt  fornece  um  paralelo  revelador  com  o  "imperialismo  social"   britânico. 
Igualmente   importante  para  a  tendência  de  longo  prazo  foi  o  "coletivismo  de  guerra"  de 
1917­18,  quando  as Grandes Empresas,  os sindicatos trabalhistas e o governo alegremente 
fixaram  preços  e  quotas  para   toda  a  economia  através  do  War  Industries   Board.  Nos  anos  
posteriores,  muitos  liberais  corporativos  se  agitaram   para  que  um  Peace  Industries  Board 
32
planejasse a economia nos moldes corporativistas.  
 
Supostamente   o  último  obstinado  do  ​
laissez  faire​
,  Herbert  Hoover  foi  um  grande 
arquiteto  do  corporativismo  dos  tempos  de  paz.  Como  Secretário  do   Comércio  na   década 
de  1920,  ele   encorajou  as  associações  comerciais  (cartéis  incipientes)  e  sindicatos.  Como 
Presidente,  ele  foi  pioneiro  das  medidas  do  "New  Deal",  retomadas  por  FDR,  medidas  que 
tiveram  o  efeito  inesperado  de prolongar a Grande Depressão ­ ela mesma um resultado da 
33
política monetária federal.  
 
Na eleição de 1932, importantes liberais das Grandes Empresas mudaram seu  apoio 
para  Franklin  Roosevelt  quando   Hoover  se  recusou  a  adotar  uma  forma  completamente 
fascista  de  corporativismo.  Em  contraste,  os  defensores  do  New  Deal  fizeram   passar  o 
National  Recovery  Act  (NRA),  que  abertamente  sancionava   e  legalizava  a  cartelização, e o 
34
Agricultural  Adjustment  Act,  que  cartelizava  o   setor  agrícola.   O  Wagner  Act  de   1935 
35
integrava  os  sindicatos  no  nascente  sistema  corporativo.   Embora  a  Suprema  Corte  tenha 
derrubado  o  abertamente  fascista  NRA,  os  defensores  do  New  Deal  apertaram   os  grilhões 
do  estatismo  corporativista  sobre  a  sociedade  americana,  impondo   "reformas"  menos 
36
sistemáticas de cartelização setor a setor, através de cotas e "cartéis virtuais".  

30

  John  W.  Burgess,  ​
The  Reconciliation  of  Government  and  Liberty  (New  York:  Charles  Scribner’s 
Sons, 1915), p. 380. 
31
 Sobre a Inglaterra,  vide  Bernard  Semmel, ​
Imperialism and  Social  Reform  (Garden City: Doubleday, 
1968);  cf.   sobre  a  America,  Ekirch,  “The  Progressives  as  Nationalists”,  ​
The  Decline   of  American 
Liberalism​
, cap. 11, pp. 171–94.  
32
 Vide  o  pioneiro  ensaio de  Murray N. Rothbard, “War Collectivism  in  World  War  I”, in ​
New  History of 
Leviathan​
,  pp. 66–110. Também Weinstein, “War as Fulfillment”,  in ​
Corporate Ideal,​
 cap. 8, pp. 214–54; 
e Ferdinand Lundberg, ​
America’s Sixty Families​
 (New York: Halcyon House, 1939), pp. 133–48.  
33
 Vide  Murray  N.  Rothbard,  “The  Hoover Myth”, in ​
For A New America​
, pp.  162–79;  também Murray N. 
Rothbard,  “Herbert Hoover and  the  Myth  of  Laissez  Faire”,  in  ​
A New History of Leviathan​
, pp. 111–45. 
Sobre  as  causas   monetárias  da  Grande  Depressão,  vide  Murray   N.   Rothbard,   ​
America’s  Great 
Depression  (Los Angeles:  Nash Publishing,  1972),  esp. pp. 16–21.  Para um tratamento semi­austríaco 
de  um   jornalista   da  Old  Right,  vide  John  T.  Flynn,  ​
Country  Squire  in  the  White  House  (New  York:  
Doubleday,  Doran,  1940),  pp.  47–53;  vide  também  Garet  Garrett,  ​
A  Bubble  That  Broke  The  World  
(Boston: Little, Brown, 1932). 
34
 Rothbard, “The Hoover Myth,” pp. 176–79. Sobre  o caráter reacionário  e fascista do NRA, vide, Flynn, 
Country Squire in the White House​
, pp. 73–86. 
35
 Williams, ​
The Contours of  American  History​
,  p.  445. Sobre o  apoio empresarial à  barganha coletiva, 
vide Domhoff, ​
The Higher Circles​
, pp. 218–49. 
36
  Sobre  a  noção  de  cartéis  virtuais, vide Murray  N.  Rothbard,  ​
Power and  Market  (Menlo Park,  Calif.: 
Institute for Humane Studies, 1970), p. 31. 

 
Mas  as  panaceias  do  New  Deal  não  curaram  a  economia  em  crise  dos  EUA.  O 
desemprego  estava,  na  verdade,  mais  alto  sob  a  segunda  administração  do  New   Deal  do 
que  quando  os  defensores  do  New  Deal  chegaram  ao  poder  em  1933.  A  assistência 
governamental aos exportadores veio a parecer um remédio provável. 
 
Havia precedente para esta linha de ataque. Já sob Woodrow Wilson,  
 
Verbas  de  impostos  recolhidas  de  cidadãos  individuais  passaram  a  ser  utilizadas 
para  fornecer  a  corporações  privadas  empréstimos  e  outros  subsídios  para  a 
expansão  no  exterior,  para  criar  o  poder  de  proteger  essas  atividades  e  até mesmo 
para  criar  fundos  de  reserva  com  quais  produzir  garantias  em  dinheiro  em  caso  de 
37
perdas.  
 
O  Presidente  Wilson  apoio  o  Webb­Pomerene  Act  de  1918,  "que  permitia  cartéis  no 
38
comércio  exterior" ​
.  Não  é  de  se  admirar  que   depois  de  1937,  quando  o  fracasso  de  suas 
curas  para  a  depressão  se tornou dolorosamente claro, os defensores do New Deal tenham 
se  voltado  com  instinto  certeiro  para  a  expansão  no  exterior  como  a  solução  para  seus 
problemas.   No  final  da  década   de  1930,  isso   significava  se  deparar  com  outros  estados 
expansionistas.  De  acordo  com  Williams,  o  envolvimento  dos  EUA  na  Segunda  Guerra 
Mundial  resultou  de  "uma  decisão,  em  1938,  de  eliminar  a  penetração  econômica  do  Eixo 
39
no hemisfério [Ocidental]" ​

 
Murray Rothbard questiona: 
 
Em  que  medida  a  vontade  americana  de   guerra  contra  a  Alemanha  foi  o  resulta  de 
raiva  e  conflito  contra  o  fato  de  que,   no  mundo  de  nacionalismo  econômico  e  
monetário  dos  anos  1930,  os  alemães,  sob  a  orientação  do  Dr.  Hjalmar  Schact, 
seguiram  seu  caminho,  com  sucesso,  por  sua  própria  conta,  totalmente  fora  do 
controle  anglo­americano  ou  dos  confinamentos  do  que  restou  das  queridas  Portas 
40
Abertas americanas?  
 
O  Secretário  de  Estado  dos  EUA  Cordell  Hull  acreditava  que  a  Alemanha  "estava 
distendendo  cada  tendão  para  minar  as  relações  comerciais  dos  Estados  Unidos  com  a 
América  Latina".  Os  acordos  de  escambo  governo  a  governo  alemães  com  os  estados 
balcânicos  por  mercadorias  em  grandes  lotes  contornavam  a  tentativa  britânica de controle 
desses  mercados  por  meios  monetários  e  apenas  uma  considerável  pressão  dos  EUA  
impediu  um  acordo  de  escambo  similar  entre  a  Alemanha  e  o  Brasil.  No  final  das  contas, 

 Williams, ​
The Tragedy of American Diplomacy​
, p. 76. 
 Martin  J.  Sklar,  “Woodrow Wilson and  the  Political  Economy  of  Modern  United States Liberalism”, in 
For A New America​
, p. 80. 
39
 Williams, ​
The Contours of American History​
, pp. 449, 452–62. 
40
 Murray N. Rothbard,  “The New Deal and the International Monetary  System”, in ​
Watershed of Empire: 
Essays on New Deal Foreign Policy​
, ed. James  J. Martin (Colorado Springs,  Colo.:  Ralph  Myles, 1976), 
pp. 43–47, citação da p. 43. 
37
38

como  o  Secretário  Hull  notou,  quando  a  guerra  veio,  o  "alinhamento  político  seg[iu]  o 
41
alinhamento econômico" ​

 
Mais  tarde,  quando  a  Segunda  Guerra  Mundial  se  transmutou  na  Guerra  Fria,  "a 
defesa  do  Mundo  Livre  contra  o  Comunismo"  se  tornou  o  slogan   mais  potente  a   velar  as 
atividades  imperiais  dos  EUA  e   a  justificar  a  intervenção  das  Portas Abertas em todo lugar. 
Isso  realmente  coincidia  com  a  realidade,  porque  o  triunfo  do  nacionalismo  revolucionário, 
normalmente   sob  a  liderança  comunista,  poderia,  de  fato,  excluir  as  empresas  americanas 
de  certos  mercados.  O  estado  militar  permanente  criado  após  a  Segunda  Guerra  Mundial 
forneceu  subsídios  adicionais  para  as  corporações  favorecidas,  por  meio  de  contratos  de 
defesa  e  de pesquisa, ao passo que novos produtos, desenvolvidos com fundos militares de 
pesquisa  e  desenvolvimento,  forneciam  uma  saída  para  o  capital  sem  ameaçar  a  estrutura 
42
cartelizada da economia.  
 
Finalmente,  a  ajuda  internacional  se  desenvolveu  após  a  Segunda  Guerra  Mundial 
primariamente  como   um  subsídio  para  os  exportadores  dos  EUA,  com  os  pagadores  de 
impostos  americanos  fornecendo  empréstimos  a  países  que  eram  obrigados  a  gastar  o 
dinheiro  em   bens  americanos.  Assim,  apesar  da  antipatia  americana  oficial   ao  socialismo, 
os  Estados  Unidos  se   tornaram  "o   principal  comerciante  estatal  do  mundo...  Os programas 
de  subsídio  à  exportação  agrícola  americanos  oficiais  envolviam  anualmente  US$3  bilhões 
43
em  1957 e 1967, com somas que se aproximavam  desta quantia nos anos intermediários" ​

Tudo  isso  enquanto  o  estado  americano  mantinha  guarda  para  restringir a entrada de bens 
estrangeiros que pudessem prejudicar os produtores domésticos. 

Imperialismo: O Estágio Superior do Estatismo? 
Incursões   neomercantilistas  em  uma economia outrora em grande parte ​
laissez faire 
fomentaram  cartéis  e   preços   acima  do  livre  mercado.  O  clamor  de   "superprodução"  foi 
levantado  para  justificar  uma  política  externa  agressiva  de   exportação.  Mas  a  tese 
superprodutivista  era,  na  realidade,   uma  racionalização  do  erro empresarial, um argumento 
ad  hoc  para  concessões  de  privilégio  ou  uma  explicação  honesta,  mas  errônea,  de 
tendências  reais  em  setores  e  mercados  particulares  (​
não  uma  "superprodução geral") que 
44
tinha  alguma  relação  com  intervenções  estatais  anteriores.   Essas  tendências  foram  o 
produto do protecionismo, de subsídios e da reforma regulatória cartelizada a. 
 
Francis  B.  Thurber,  Presidente  da  United  States  Exporte  Association,  explicou  a 
razão  fundamental  para  um  império  informal  de  Portas  Abertas  em  1899: "Devemos  ter um 
lugar  para  despejar  nosso  excedente  que,  de  outra  forma,  deprimirá  os  preços 
41

  Cordell  Hull,  ​
Memoirs  (New  York:  Macmillan,  1948), vol.  1,  p. 81. Para  mais sobre  este importante 
assunto,  vide  Lloyd  C.  Gardner,  ​
Economic  Aspects  of  New  Deal  Diplomacy  (Madison:  University  of 
Wisconsin Press, 1964), esp. pp. 85–108. 
42
  Vide  Charles  E.  Nathanson,   “The  Militarization  of  the  American  Economy”,  in ​
Corporations and  the 
Cold War​
, ed. David Horowitz (New York: Monthly Review Press, 1969), pp. 205–35. 
43
 Kolko, ​
The Roots of American Foreign Policy​
, p. 68.  
44
  Sobre  a  superprodução  como  uma  racionalização,  vide  Ludwig  von  Mises,  ​
Planning  for  Freedom 
(South Holland, Ind.: Libertarian Press, 1962), pp. 64–67.  

10 

constantemente  e  compelirá  o  fechamento  de  nossas  usinas...  e  transformando  nossos 
45
lucros  em  perdas" ​
.   O  liberal  inglês  John  A.  Hobson  respondeu  às  perguntas  cruciais  ­ 
quem somos "nós" e de quem são os lucros? ­ como se segue: 
 
A  raiz  econômica  primária  do   Imperialismo  é  o  desejo  dos  fortes  interesses  industriais  e 
financeiros  organizados  de  assegurar  e  desenvolver,  ​
às  custas  do  público  e  através  da  
força  pública​
,  mercados  privados  para  seus  bens  excedentes  e  seu  capital  excedente. 
Guerra,  militarismo  e  uma  "política  externa  espirituosa" são os meios necessários para este 
46
fim.  
 
Infelizmente,  Hobson  e  seus  seguidores  (notavelmente,  Charles  Austin  Beard) 
buscaram  explicar  tais  "excedentes"  com  base  em  uma  teoria  de 
"superprodução/subconsumo".  Comentando  sobre  a  teoria  similar  de  Keynes,  E.  M.  
Winslow  escreveu  que  Keynes  deveria  ter   concentrado  em  "barreiras  tão  óbvias  ao 
47
investimento  quanto  monopólios  e  tarifas",  em  vez  de  se  preocupar  com  "subconsumo".  
Excedentes  em  mercados  ou  setores  específicos  e  oportunidades  decrescentes  de  
investimento  doméstico  não   podem  ser  colocadas  à  porta  da  demanda  agregada  ou  de 
outras  retificações  Keynesianas,  mas   devem   ­  na  medida em que existem ­ ser traçadas  ao 
monopólio  estatal  doméstico.  O  próprio  Hobson,  ao  discutir  as  fontes  do  monopólio, 
desnudou  o   papel  central  do  estado,  citando  tarifas,  patentes,  concessões,  licenças  e 
48
subsídios  ferroviários  como  principais  exemplos.   Tivesse  ele  ficado  com  a  análise  crítica 
do  monopólio,  ele  poderia  ter   chegado  a  uma  análise  semi­Schumpeteriana  ou  mesmo 
austríaca;  em  vez   disso,  ele  tratou  grandes  agregados  como  co­determinantes.  Assim, 
Hobson   corretamente  entendeu  o  imperialismo  como  um  esforço  por  parte  de   uma  aliança  
predatória  entre  estado  e  empresas para absorver novos mercados, mas falhou em explicar 
qual problema econômico subjacente (se qualquer) que estes atores enfrentavam. 
 
Joseph  Schumpeter,  baseando­se  em  teses  avançadas  pelo  autor  Austro­Marxista 
Rudolf  Hilferding,  analisou  o  fenômeno  do  "monopólio  de  exportação"  e  argumentou  que 
seu  caráter  era  atávico  e  pré­capitalista.  Por  trás  das  barreiras  tarifárias  de   uma  nação,  a 
cartelização  prosseguiu  a  passos  largos.  As  tarifas  tornaram  possível  preços  domésticos 
que  estavam  bem  acima  dos  de  livre  mercado.  Ao  mesmo  tempo,  as  tarifas   criaram 
excessos  artificiais,  uma  vez  que  as  quantidades  plenas  produzidas  não  podiam  ser 
vendidas  aos  preços  protegidos.  Ainda  assim,  a  fim  de  realizar  os  custos   unitários  mais 
baixos,  as  quantias  plenas   tinham  que  ser  produzidas.  Como  Andrew Carnegie colocou, "A 
condição  da  manufatura  barata  é  ​
operar  a  pleno"​
.  O  dilema  resultante  ­  a  "superprodução" 
específica,  setorial,  relativa  ao  que  podia  ser  vendido  no  mercado  doméstico  a  preços 
aumentados  pela  tarifa  ­  foi  resolvido  vendendo  ou  "despejando"  a  produção  excessiva  no 
49
exterior "a um preço mais baixo, às vezes... ​
abaixo ​
do custo" ​

 Citado em Williams, ​
The Roots of the Modern American Empire​
, p. 439. 
  John  A.  Hobson,  ​
Imperialism:  A  Study  (Ann  Arbor:   University  of  Michigan  Press,  1965),  p.  106, 
ênfase  adicionada.  Cf.  suas  observações  sobre o  imperialismo  dos EUA em ​
The Evolution  of Modern 
Capitalism ​
(London: George Allen and Unwin, 1926), pp. 262–63. 
47
 Winslow,  ​
The Pattern of Imperialism​
, p. 109. Para  uma refutação da  superprodução e subconsumo, 
vide Rothbard, ​
America’s Great Depression​
, pp. 55–58. 
48
 Hobson, ​
The Evolution of Modern Capitalism​
, pp. 192–201. 
49
 Citado em Williams, ​
The Contours of American History​
, pp. 326–27. 
45
46

11 

 
Na  visão  de  Schumpeter,  quando  os  cartéis  existentes  "impedem,  com  sucesso,  a 
fundação  de  novas  empresas",  o  investimento  externo  é  absolutamente  necessário.  Uma 
vez  que  monopolistas  ávidos  por  exportações  de  diferentes  estados  colidem,  "a  ideia  de 
força  militar  se  sugere"  tanto  "para derrubar as barreiras alfandegárias estrangeiras" quanto 
para  "assegurar  controle  sobre  mercados  nos  quais   até  agora  tinha­se   que competir com o 
inimigo". O império resultante, formal ou informal, explora as nações ao fazer  seus membros  
pagarem  os  custos  do  império em cima de preços domésticos mais altos. Ainda assim, uma 
firma  que  não  pudesse  sobreviver  na  ausência  do  império  tinha  sido  "expandida  além  dos 
limites   economicamente  justificáveis"  e  deveria  se  permitir  que  falisse.  Não  havia  nada 
inevitável  sobre  o  imperialismo  uma  vez  que,  em  verdade,  o  surgimento  de  trustes  e 
cartéis...  não  pode  nunca  ser  explicado  pelo  automatismo  do  sistema  competitivo".  Toda  a 
50
síndrome surgiu da interferência estatal.  
 
Podemos  concordar  que   o  monopólio  de  exportação  e  o  imperialismo  não,  de   fato, 
fenômenos   parcialmente  pré­capitalistas:  eles  estão  intimamente  conectados  com 
instituições   e  ideias  associadas  ao  feudalismo  e  ao  mercantilismo,  por   exemplo,  tarifas, 
domínio  eminente,  patentes,  impostos  sobre  propriedade  (uma  única  renda  feudal) e ­ para 
ser  meticuloso  ­  o  aparato  estatal  em  si.  Mas  argumentar,  como  Schumpeter  parece  fazer, 
que  as  políticas  neomercantilistas  e  imperialistas  empreendidas  sob  as  condições 
capitalistas   modernas  são  essencialmente  pré­  ou  anticapitalistas  é  substituir  o  capitalismo 
histórico  por  um livre mercado ideal (ao qual todos nós poderíamos aspirar).  Se todas essas 
medidas  eram  literalmente   atavismos   pré­capitalistas,  seria  difícil  entender  como,  nas 
palavras de Murray Greene, 
 
O  capitalismo  americano,  que  se  desenvolveu  desimpedido   do poder monárquico, e 
o  capitalismo  alemão,  onde  o  elemento  monárquico  foi  um  fato,  eram  ambos 
51
caracterizados por fortes tendências em direção ao protecionismo e ao monopólio.  
 
Desta  forma,  Schumpeter  enfraqueceu  e  obscureceu  sua  análise  tanto  com  um  uso 
ahistórico de conceitos quanto com uma anglofilia desarrazoada. 
 
Mises discute o monopólio de exportação como se segue: 
 
Se  a  indústria  concerne  às  exportações  uma  parte  de  seus  produtos,  ela  está  em 
uma   posição  especial.  Ela  não   é  livre   para  elevar  os  preços  das  mercadorias  
exportadas.  Mas  o  protecionismo  fornece   uma  outra  saída.  Os  produtores 
domésticos  formam  um  cartel,  cobram  preços  de  monopólio  no  mercado  doméstico 
e  compensam  as  perdas  incorridas  ao  vender  no  exterior  a  preços  baixos com uma 
parte  do  lucro  monopolista.  Isto  foi  especialmente  o  caso  com  a  Alemanha....  Seu 
 Schumpeter, ​
Imperialism​
,  pp.  79–90. Vide também Rudolf Hilferding, ​
Finance Capital: A Study of the  
Latest  Phase  of  Capitalist  Development   (London:  Routledge  &  Kegan  Paul,  1981),  pp.  288–336; 
Ludwig  von Mises, ​
Human Action (Chicago: Henry Regnery Company, 1966), pp. 365–68; e  Ludwig von 
Mises, ​
Omnipotent Government​
 (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1944), pp. 66–72. 
51
 Murray  Greene,  “Schumpeter’s  Imperialism:  a  Critical Note”, in ​
The New Imperialism​
, ed. Harrison M. 
Wright  (Boston: D.C. Heath,  1961), p. 64. Cf. as observações de  F.A. Hayek sobre a Alemanha  Imperial 
e os Estados Unidos em ​
The Road to Serfdom ​
(Chicago: University of Chicago Press, 1965), p. 46. 
50

12 

muito  admirado  e  glorificado  sistema  de  ​
Arbeiterschutz  [proteção  do  trabalhador], 
segurança  social  e  barganha  coletiva,  só  pôde  funcionar  porque  as  indústrias 
alemãs,  abrigada  por   proteção  total,  construiu  cartéis  e vendeu no  mercado  mundial 
de  forma  muito  mais   barata  do  que  em  casa...  Cartel  e  monopólio  eram 
52
complementos necessários do intervencionismo alemão.  
 
Mises então generaliza sua análise para mais nações: 
 
Que  governos  e  parlamentos  favorecem  preços  de   monopólio  é  claramente 
evidenciado por suas ações em relação a esquemas monopolistas internacionais.  Se 
as  tarifas protecionistas resultam na formação de cartéis nacionais em vários países,  
a  cartelização  internacional  pode,  em  muitos  casos,  ser  alcançada  por  acordos  
mútuos  entre  os  cartéis  nacionais.  Tais  acordos  são,  muitas  vezes,  muito  bem  
servidos  por  uma  outra  atividade  pró   monopólio  dos  governos,  as  patentes  e outros 
privilégios  concedidos  a  novas  invenções.  Contudo,  onde  os  obstáculos  técnicos 
impedem  a  construção  de  um  cartel  nacional  ­  como  é  quase  sempre  o caso com a 
produção  agrícola  ­  nenhum  desses   acordos  internacionais  pode  ser  construído. 
Então  os  governos  interferem  novamente.  A  história entre as  duas guerras mundiais 
é  um  registro  aberto  da  intervenção  estatal  para   fomentar  a   restrição  e o monopólio 
através  de  convenções  internacionais.  Havia  esquemas  para   restrições  de 
cooperativas  de  trigo,  borracha,  latão  e  açúcar,  e  assim  por  diante.  Claro, a maioria 
deles  logo  colapsou.  Mas  este  fracasso  foi  antes  um  resultado  da  ineficiência 
53
governamental do que a preferência governamental por negócios competitivos.  
 
Sobre  o  relacionamento  entre  cartéis  no  setor  de  exportações,  por  um  lado,  e  as 
tarifas, por outro, o economista inglês Lionel Robbins tinha isto a dizer: 
 
Não  obstante,  se  nos  oferecessem  a  escolha  entre  um  mundo  parcelado  em  áreas 
nacionais  de  vendas  por  acordos  internacionais  de   cartéis,  sem  nenhuma  tarifa,  e 
um  mundo  dividido  em  mercados  nacionais   por  alta  proteção,  é  provável  que 
devêssemos  escolher  o  primeiro.  Já  vimos  que  a  escolha  não  é  oferecida.  Na  vida 
real,   se  não  nos  discursos  de  delegados  a  conferências  econômicas  mundiais,  os 
cartéis dependem das tarifas. Ainda  assim, se nos oferecessem a escolha, os cartéis 
morreriam  toda  vez.  Mas  por  que?  Não   porque  exista  qualquer   diferença  analítica 
importante  entre  um  mercado  protegido  por  obrigações  e um  mercado protegido por 
acordos.  Mas  simplesmente  porque,  na  ausência  de  tarifas,  poderíamos  estar  bem 
certos  de  que  os  acordos  de  cotas  de  vendas  desmoronariam.  As  tarifas  tendem  a 
ficar.  Monopólios  tendem  a  quebrar.  Mais  cedo  ou  mais  tarde,  os  produtores  com 

52

 Mises,  “Autarky and its Consequences”, p. 147. Para mais sobre o padrão  da Alemanha  Imperial, vide 
Mises,   ​
Omnipotent  Government​
,  pp.  74–78,  esp.  p.  77,  onde  ele  conclui  que  "[o]  que  o  trabalhador 
ganhava  da  legislação  trabalhista  e  dos  salários  sindicais  era  absorvido  pelos  preços  mais  altos.  O 
governo e  os líderes sindicais se  vangloriavam do aparente sucesso de suas políticas:  os trabalhadores 
recebiam  salários  nominais  mais altos. Mas  os  salários reais  não subiam mais  do  que  a produtividade  
marginal do trabalho". 
53
 Mises, “Autarky and its Consequences”, p. 148. 

13 

baixos  custos  achariam  a  situação  intolerável  e o trabalho do mundo viria a ser mais 
54
racionalmente dividido.  
 
As  tarifas,  em  outras  palavras,  são  executáveis  pelos  estados,  como  lei.  A  menos 
que  suportados  pela  força,  os  cartéis  gozam  de  uma  vida  imperturbável  apenas   por  um 
curto  tempo.  Novas intervenções são necessárias. Segue­se, então, que apenas os  estados 
mais  poderosos  poderiam  sustentar  tais  políticas.  Como  veremos,  o  estado  mais  poderoso 
no  sistema  mundial  poderia  mesmo  confeccionar  uma  nova  estrutura  para  o  "capitalismo" 
estatal  imperial  que  colocasse  relativamente  pouca  confiança  nas  tarifas  como  tais.  Mas 
isso é se antecipar à história. 
 
Enquanto  uma  questão  prática,  as  intervenções  estatais  recentes  nos  EUA   não 
foram  incompatíveis  com  o  "capitalismo"  entendido  simplesmente  como  uma  economia 
baseada  em  produção  por  lucro,  mecanismos  de  preços,  trabalho  livre  e  contabilidade 
racional.  Algumas  características  do  estatismo  podem,  de  fato,  ser  resquícios 
pré­capitalistas,  mas  outras  são  novas  e,  assim,  "pós­capitalistas",  relativas  ao  capitalismo 
55
dos EUA no século XIX.  
 
Antes  de  considerar  os  motivos  e  fontes  últimas  do  império,  devemos  tocar  mais 
uma   vez  no  tópico  do  monopólio.  Talvez  a  maior  parte  da  literatura  sobre  este  assunto  ­ 
liberal  e  Marxista  igualmente  ­  se  assenta  no  pressuposto  não  comprovado  de  uma 
tendência  inerente   em  direção  ao  monopólio,  endógena  à  economia  de  mercado.  Há  toda  
razão para rejeitar esta noção.  Schumpeter  escreveu que "o capitalismo leva a produção em 
larga  escala,  mas,  com  poucas  exceções,  a  produção  em  larga  escala  ​
não  leva  ao  tipo  de 
concentração  ilimitada  que  não  deixaria  nada  além  de  uma  ou  apenas  algumas  firmas  em 
cada  indústria".  O  surgimento  dos  cartéis  foi "um fenômeno bastante diferente da tendência  
56
à  produção  em  larga  escala  com  a  qual  ele  é  frequentemente   confundido" ​
.  Mises 
comentou,  "O  lugar  importante  que  os  cartéis  ocupam  em  nosso tempo é um resultado das 
57
políticas  intervencionistas  adotadas  pelos  governos  de  todos os países" ​
. Murray Rothbard  
argumentou  poderosamente  que   o  monopólio  (em   qualquer  sentido  significativo)  ​
não  pode  
surgir  no  livre  mercado,  e  que   é  mais  consistente  com  a  lógica  econômica  definir  o 
monopólio  como  uma concessão exclusiva, por parte do estado, a  alguma pessoa, firma,  ou 
grupo  empresarial,  reservando  a  produção  de  um  certo  bem,   direta  ou   indiretamente.  Ele 
adiciona  que  toda  regulamentação  governamental  desencoraja  a  inovação,  produz 
ineficiência   e  promove  cartéis.  Rothbard  inclui  tarifas,  cotas,  licenças,  patentes,  domínio 
58
eminente, concessões, leis de imigração e códigos de segurança nesta acusação.  
 Lionel Robbins, ​
Economic Planning and International Order​
 (London: Macmillan, 1937), p. 116. 
  Esta  definição  mínima  de  capitalismo  repousa  nos  critérios  Weberianos;  cf.  Max Weber, ​
From Max 
Weber: Essays in  Sociology​
, ed. e trad.  Hans  H.  Gerth e  C.  Wright Mills (New York: Oxford University 
Press,  1958),  pp.  67–68.   Mises,  em  ​
Human  Action​
,  p.  718,  comenta  que  "[o]   sistema  de 
intervencionismo...  é   ainda  uma  economia  de   mercado".  Para  o  termo  "pós­capitalista",  vide  Peter  F. 
Drucker, ​
Post­Capitalist Society​
 (New York: Harper­Collins, 1993). 
56
 Schumpeter, ​
Imperialism​
, p. 88. 
57
 Mises, ​
Human Action​
, p. 366. 
58
  Sobre  a  impossibilide  do  monopólio  em  um  mercado  desobstruído,  vide  Murray   N.   Rothbard, 
“Monopoly  and  Competition”,  in  ​
Man,  Economy,  and  State  (Auburn, Ala.: Ludwig  von  Mises  Institute, 
1993), cap.  10,  pp.  560–660; Mises,  ​
Human  Action​
, pp.  386–87;  e  Rothbard,  ​
Power  and Market​
. Para 
uma tipologia de intervenções, vide Rothbard, ​
Power and Market,​
 pp. 9–61. 
54
55

14 

 
Vimos  que  a  aprovação,  pouco  a  pouco,  da  legislação  cartelizante  produziu,  em 
tempo,  um  corporativismo  americano,  embora  um  "corporativismo   pluralista"  em  relação 
àquele  de  nações  corporativistas  tais  como  a  Suécia,  os Países Baixos ou a Áustria. Que a 
Interstate  Commerce  Commission  (ICC)  fomentou  a  cartelização  dos  serviços  transporte, 
59
por  exemplo,  agora  é  amplamente  compreendido.   Os  motivos  dos  atores  parecem  
razoavelmente transparentes. A ICC como tal se foi, mas sua obra sobrevive. 
 
Jane  Jacobs  escreve   que  "[o]  conflito  econômico  primário...  é  entre  pessoas  cujos 
interesses  estão  em  atividades  econômicas  já  bem  estabelecidas  e  aquelas  cujos 
interesses  estão  na  emergência   de  novas  atividades  econômicas".  Grandes  interesses,  ela 
observa,  "têm  que  ganhar",  porque  "os   governos  vêm   a  derivar  seu  poder"  deles.  O 
60
resultado  é  a  "estagnação"  econômica,  em  benefício  dos  poderosos.   Schumpeter, 
similarmente,  observou  que, "colocando em termos da interpretação econômica da história", 
o  imperialismo  surge  "das  relações  de  produção  ​
passadas​
,   em  vez  das  presentes".  F.  A. 
Hayek   também  escreve  que  "[m]ais   do  que  por  qualquer   outra  coisa,  a  ordem  de  mercado 
tem  sido  distorcida  por  esforços  para  proteger   grupos  de  um  declínio   de  sua  posição 
anterior".  E  Oskar  Lange,  paladino  do  socialismo  de  mercado,  coloca  a  questão  desta 
maneira:  "[N]o  atual  capitalismo,  a  manutenção  do  valor  do  investimento  particular  se 
tornou,  de  fato,  a  preocupação  principal.  Conformemente,  o  intervencionismo  e  o 
restricionismo  são  as   políticas  econômicas  dominantes".   Interessantemente,  Lange 
adiciona,  em  uma   nota  de  rodapé,  que   "A   proteção   dos  privilégios  monopolistas  e  de 
investimentos  particulares  é   também  a  principal  causa  das  rivalidades  imperialistas  das 
61
Grandes Potências".  
 
E. M. Winslow, um estudioso meticuloso do imperialismo,  escreveu que as empresas 
e  o  trabalho  buscam  privilégios  monopolistas  em  parte  para  se  protegerem  contra  os 
perigos  dos  ciclos  comerciais  recorrentes.  Compreendendo  a  conexão  entre  depressão 
econômica  e  expansão  creditícia,  Winslow,  de  maneira  quase  austríaca,  recomendou  o 
"controle  social  dos  aspectos  monetários  do  processo  econômico"  como  a  solução. 
Certamente,  os  ganhos  para   o  estatismo  proporcionados  pela  depressão  de  1929  
demonstram que um desejo de estabilidade poderia explicar parte do impulso em direção ao 
corporativismo.  Mesmo  aqui,  o  estado  carrega  a  responsabilidade  primária,  uma   vez  que a 
59

  Sobre  a  ICC,  vide  Robert  Fellmeth,  ​
The  Interstate  Commerce  Omission  (New  York:  Grossman 
Publishers,  1970);  e  Yale  Brozen,  “Is Government  the  Source  of  Monopoly?”, ​
Intercollegiate Review  5, 
no.  2  (Winter  1968–69),  pp.  67–78.   A  maioria  dos  cientistas  políticos  que  teorizam  o  corporativismo 
contemporâneo  tende  a  encontrá­lo  na   Europa,  América Latina, Egito,  Turquia  e  em  outros  lugares  e 
negar  a  relevância  do  conceito  para  os  Estados  Unidos.  Uma excessão notável é Howard J. Wiarda, 
“Creeping  Corporatism  in  the  United  States”,  cap.  6  in  ​
Corporatism  and  Comparative  Politics:  The 
Other  Great “Ism”  (London:  M.E.  Sharpe,  1997),  pp.  128–51.  Para uma comparação do corporativismo 
dos  EUA  com  da  Alemanha  na  década  de  1930,  vide  John  A.  Garraty,  “The  New  Deal,  National 
Socialism,  and  the  Great   Depression”,  ​
American   Historical  Review  78,  no.  4  (October  1973),  pp. 
907–44. 
60
 Jane Jacobs, ​
The Economy of Cities ​
(New York: Random House, 1969), pp. 244–48 e 217–29. 
61
  Schumpeter,  ​
Imperialism​
,  p.  65;  F.A.  Hayek, ​
Studies  in  Philosophy,  Politics,  and  Economics (New 
York:  Simon  and  Schuster,  1967),  p.  173;  e  Oskar  Lange,  “The  Economist’s  Case  for  Socialism”,  in 
Essential  Works  of  Socialism​
,   ed.  Irving  Howe  (New  Haven,  Conn.:   Yale   University   Press,  1976),  p. 
711. 

15 

expansão  creditícia  patrocinada  pelo   estado   está  no   coração  do  ciclo  econômico. 
Paradoxalmente,  o  sistema  bancário  realmente  ​
laissez  faire​
,  sem  reservas  fracionárias, 
62
forneceria o "controle social" que Winslow sentiu que era necessário.  
 
Ainda  assim,  os  remédios  antidepressão  só  explicam  uma  porção  das  medidas 
intervencionistas.  Em  1943,  Robert  A.  Brady  escreveu  que  um  movimento  em  direção  ao 
neomercantilismo,  começando  com  a   tarifa  de  Bismarck  em  1879,  havia  sido  a  principal 
corrente  nas  nações  industrializadas.  Em  cada  país,  o  lobby  das  associações  comerciais e 
dos  grupos  de  pressão  havia  produzido  "um  sistema  generalizado  de  ajuda  estatal",  que 
adotou  a  proteção  contra  a  concorrência  estrangeira,  contra  a  concorrência  doméstica  e 
contra  se  tornar  extra  marginal,  isto  é,  falir  (desta  forma  sendo  protegido através do uso de  
fundos  dos  pagadores  de  impostos  para  resgatar  firmas  falidas  e  para  financiar  obras 
públicas  e  armamentos).  No  final  desta  estrada  estava  o  corporativismo,  que  já  havia 
chegado  na   forma  fascista  na  Itália,  na  Alemanha  e  no  Japão. Os  Estados Unidos estavam 
63
indo pelo mesmo caminho.  
 
Brady  estava  certo,  pois  os  mercantilistas  modernos  da  América  usam  as  tarifas  
(disfarçadas,  hoje  em  dia,  na  medida  em  que  elas  sequer  existem),  cotas,  subsídios  e  a 
"reforma"  regulatória  para  fomentar  a  "estabilidade"  e reduzir o "desperdício" (isto é, reduzir 
a  concorrência  e  as  perdas   para  as  firmas  dentro  do  círculo  encantado).  Oskar  Lange 
observa que: 
 
Com  o  intervencionismo  e  o  restricionismo,  o  melhor  empresário  é  aquele que sabe 
melhor  como  influenciar,   em  seu   interesse,  as   decisões  dos  órgãos  do  estado  (em 
relação  a  tarifas,  subsídios  ou  encomendas  governamentais,  cotas  de  importação  
vantajosas,  etc.)  ...  O que anteriormente era considerado como um traço especial da 
64
indústria de munições se torna, no capitalismo intervencionista, a regra geral.  
 
Alguns  argumentaram  que,  sob  tal  estatismo  corporativo  centralizado,  a  inovação  e 
o  financiamento  de  novos  empreendimentos  podem  ser  tão  desencorajados  que,  como  
Jacobs  coloca,  "não   há  nenhum  lugar  para  se  exportar  a  embaraçosa  superfluidade  de 
65
capital,  exceto  para  o  exterior" ​
.  A  estrutura  da  economia  limita  o  investimento  doméstico, 
  Winslow,  ​
Pattern  of  Imperialism​
,  p.  193.  Sobre  ciclos  comerciais,  vide  Rothbard,  ​
America’s  Great 
Depression​
,  pp.  16–21; e  Rothbard,  ​
Man, Economy, and  State,​
  pp.  850–77. Sobre o sistema bancário 
laissez­faire​
,  vide   Murray  N.  Rothbard,  ​
What  Has  Government  Done  to  Our  Money?  (Auburn,  Ala.: 
Ludwig von Mises Institute, 1990).  
63
 Robert  A.  Brady, ​
Business as a  System of Power (New  York:  Columbia University Press, 1943), pp. 
239–58.  O  clássico  livro  de  Brady   é  um  estudo  pioneiro  do  corporativismo.  Uma  literatura crescente 
sobre  o corporativismo  se  espalha  através  das  fronteiras  de diversas  disciplinas, mas  pode não haver, 
no  momento, uma  síntese satisfatória. Para uma amostra, vide John P.  Diggins,  “Flirtation with Fascism: 
American  Pragmatic  Liberals  and  Mussolini’s  Italy”,  ​
American  Historical  Review  71,  no.  2  (January 
1966), pp. 487–506;  Philipe  C.  Schmitter, “Still the  Century  of Corporatism?”, in ​
The New Corporatism: 
Social–Political  Structures  in  the  Iberian  World​
,  ed.   Frederick  Pike e  Thomas  Stritcher  (Notre Dame: 
University  of Notre Dame  Press,  1974),  pp.  85–131;  J.T. Winkler, “Corporatism”, ​
Archives Européenes 
de Sociologie  17 (1976), pp.  100–36;  Thomas J. McCormick, “Drift or Mastery? A  Corporatist Synthesis  
for  American  Diplomatic History”, ​
Reviews  in American History 10, no. 4 (December 1982), pp. 318–30; 
e Michael J. Hogan, “Corporatism”, ​
Journal of American History​
 77, no. 1 (June 1990), pp. 153–60. 
64
 Lange, “The Economist’s Case for Socialism”, p. 342. 
65
 Jacobs, ​
The Economy of Cities​
, p. 229. 
62

16 

promovendo,   assim,  a  exportação  agressiva  de  capital.  Simultaneamente,  os  preços 
monopolistas  fomentam   "excedentes"  artificiais  de  bens  específicos.  Conforme  a  economia 
americana  se  tornou  sistematicamente   corporativista,  um  senso  de   crise  e  estagnação, 
assim  como  um  desejo de racionalizar e aperfeiçoar ainda mais o sistema, fortaleceu a mão 
daqueles  que  desejavam  universalizar  a  nova  economia  política  através  de  um  império 
mundial. 

Imperialismo nos EUA: História e Teoria 
Ludwig  von  Mises  e  Murray  Rothbard  colocaram  grande  ênfase  no  caráter  
cumulativo  do  processo  estatista.  O  fracasso  de  uma  intervenção  econômica  tipicamente 
coloca  em  existência  novas  medidas  para  "consertar"  os  resultados  da  intervenção  inicial. 
Ao  longo  do  tempo,  cada  vez  mais  homens  influentes  no  governo  e  nos  negócios vieram a 
66
ver o asseguramento de mercados externos como o melhor conserto de todos.  
 
O  economista  de  livre   mercado   Wilhelm  Röpke  respondeu  a  tais  ideias  
expansionistas de fronteiras como se segue: 
 
A  ideia  de  que  o  capitalismo  só  é  possível  contanto  que  sua  esfera  geográfica  de 
influência  possa  ser  regularmente  expandida  é   inteiramente  infundada.  O  fato 
decisivo  para  o  sucesso  do   capitalismo  não  é  o  número  de  quilômetros  quarados 
que  ele  cobre,  mas  a  quantia  de  poder  de  compra  que,  novamente,  é  determinado 
pela  quantidade  de   produção  e  por uma  troca harmoniosa dos bens produzidos com 
67
base na divisão do trabalho.  
 
Tal  construção  da  questão   não  encontrou  grande  favorecimento  entre  aqueles 
atores  históricos  na  política  e   nos  negócios  que  construíram  o  império  americano.  Eles, 
contudo, de  fato venderam o imperialismo, sob nomes enganosos, como um programa "com 
espírito  público"  para  curar  os  problemas  que  eram  alegadamente  endógenos  à  economia 
de  mercado.  Uma  vez  que  seu  programa  de  corporativismo   doméstico  e  império  de  Portas 
Abertas   no  exterior  se  elevou  ao  nível  de  uma  visão  de  mundo  ou  ​
ideologia,​
  ele  se  tornou 
tão  generalizado  que  passou  despercebido  por  muitos  comentadores.  Foi  necessário   o 
gênio  de  William  Appleman  Williams  para  compreender  o  imperialismo  de  Portas  Abertas 
como tanto uma tentativa de resolver problemas econômicos percebidos como também uma 
ideologia acabada. 
 
Rothbard,  um  outro  grande  estudioso   do  imperialismo  dos  EUA,  viu  que  a  teoria 
Leninista do imperialismo havia sido desenvolvida: 
66

 Vide, p.  ex.,  Henry  Wallace, ​
New Frontiers  (New  York: Reynal  and  Hitchcock, 1934). Wallace via as 
exportações como  um importante  remédio  para  o  "problema  agrícola" americano.  Contudo,  havia  uma 
cisão  nas  fileiras  dos  corporativistas  da  era  da  Depressão.  Alguns,  temendo  que  a busca  política  de 
mercados  estrangeiros  levasse  a  guerras  desnecessárias, defendiam,  em  vez  disso,  uma autarquia  e 
controles  econômicos  aumentados  no  país.  Para  esta  visão,  vide  Charles  A.  Beard  e  George   H.E. 
Smith, ​
The Open  Door  at  Home: A  Trial  Philosophy of National Interest (New York: Macmillan, 1934); 
Lawrence  Dennis,  ​
Is  Capitalism  Doomed? (New  York:  Harper  & Brothers, 1932);  e Lawrence  Dennis, 
The Coming American Fascism​
 (New York: Harper & Brothers, 1936). 
67
 Wilhelm Röpke, ​
International Order and Economic Integration​
 (Dordrecht: D. Reidel, 1959), p. 85. 

17 

 
não  por  Lenin,  mas  pelos  defensores  do  imperialismo,  centrados  em  torno  de 
amigos  orientados  a  Morgan   e  conselheiros  especialistas  de  Theodore  Roosevelt, 
tais  como  Henry  Adams,  Brooks  Adams,  Almirante  Alfred T. Mahan e o Senador por 
68
Massachusetts Henry Cabor Lodge.  
 
Ao  socializar  os  custos  de  encontrar,  abrir  e  assegurar  mercados  externos  através  de  uma 
política  externa  ativa,  o   governo  dos  EUA  garantiria  prosperidade,  faria  todos  os  barcos 
flutuarem  e  ­  apenas  incidentalmente  ­ beneficiaria pessoalmente alguns dos defensores da 
chamada  "grande  política".  Por  exemplo,  Rothbard  também  lança  luz  sobre  como  certos  
defensores   do  banco  central  lucraram  pessoalmente  ao  impor  o  sistema  "dólar­ouro"  dos 
EUA  a  sua  única  colônia  formal,  as  Ilhas  Filipinas,  substituindo  o  existente  e  funcional 
69
padrão prata, com o qual os filipinos haviam estado bastante felizes.  
 
Esse  uso  precoce  da  unidade  monetária  como  uma  ferramenta  de  controle  imperial 
e  lucro  corporativo  ​
extra  mercado  foi  uma  prévia  das  fases  posteriores  do projeto global da 
elite  dos   EUA.  Na  crise  da  Grande  Depressão,   todas  as  principais  potências  abandonaram 
o  padrão  semi­ouro  do  entre  guerras  em  favor  do  dinheiro  fiduciário,  adotando 
simultaneamente  o  programa  Keynesiano  de  manipulação  monetária.  Como  Rothbard 
apontou,  a  ira  dos  líderes  dos  EUA  pelo  contorno  bem­sucedido  da  Alemanha  ao  redor  do 
controle  dos  EUA  e da Grã­Bretanha sobre os mecanismos monetários mundiais através de 
acordos  de  escambo  estado  a  estado  com  os  países  dos  Balcãs  ajudou  a  colocar  os 
70
Estados Unidos e a Alemanha no caminho da guerra.  
 
Com  a  entrada  dos  EUA  na  Segunda   Guerra  Mundial,  planejadores  do  governo  e 
das  empresas  elaboraram  a  lógica  da  dominação  dos  EUA  sobre  o  mundo e começaram a 
planejar seus detalhes. Eles viram, como Williams escreve, que um: 
 
sistema  Keynesiano  não   precisa  literalmente   estar  confinado  a  uma  nação,  mas 
quando  é  estendido, isso tem que ser feito ​
como  um sistema​
.... Pois, por sua própria 
dependência  de  vários  controles  para  estabilizar  o  ciclo  econômico,   a  abordagem 
Keynesiana  não  pode,  por  definição,  sequer  ser  tentada  fora  dos  limites  de  tal 
71
autoridade central.  
68

 Murray  N.  Rothbard,  “The  Origins  of  the  Federal  Reserve”, ​
Quarterly  Journal of Austrian Economics  
2, no. 3 (Fall 1999), pp. 19–20. Este pode ser o ensaio mais importante  que Rothbard já escreveu  sobre 
a interação entre estado, empresas e império. 
69
  Rothbard,  “The  Origins  of  the  Federal  Reserve”,  pp.  25–35.  Rothbard especula que  a  pressão dos 
EUA sobre  o  México em favor do  sistema dólar­ouro  foi um fator em detonar a revolução mexicana de 
1911  a  1927.  Um  ponto  similar  poderia  ser  feito  em  relação  à  Revolução  Chinesa  (1912­1949).  Os 
entendimentos  de  Rothbard  sobre o lado  monetários do  imperialismo  podem  ser  a  chave  para  muitas 
conexões mal­entendidas na história do século XX.  
70
 Rothbard, “The New Deal and the International Monetary System”, pp. 43–47. 
71
  William  Appleman  Williams,  “The  Large  Corporation  and  American Foreign Policy”, in ​
Corporations 
and  the  Cold  War​
,  ed.  David   Horowitz  (New  York:  Monthly  Review  Press,  1969),  pp.  88–89,  ênfase 
adicionada.  Sobre  o  planejamento  dos  tempos  de   guerra  para  a  reconstrução   neomercantilista  pós 
guerra,  vide  David  W.  Eakins, “Business Planners  and America’s Postwar Expansion”,  in ​
Corporations 
and  the  Cold  War​
,  pp.  143–71;  James   J.  Martin,  “On  the  ‘Defense’  Origins   of  the  New  Imperialism”, 
Revisionist  Viewpoints  (Colorado  Springs,  Colo.:  Ralph   Myles,  1971),  cap.   1,  pp.   1–27;  e  Noam 

18 

 
A  derrota  final  de  seus  inimigos dos tempos de guerra deixou os líderes dos EUA no 
auge  de  seu   poder,  prontos  para  implementar  suas  metas  político­econômicas  através  da 
pressão,  da   força  militar  e  da  manipulação  Keynesiana  tornada  possível  pelo   controle  dos 
EUA  sobre  o  padrão  (papel)  monetário  mundial.  Apenas  a  Rússia  Soviética  ficava  no 
caminho.  O  resultado,  claro,  foi   o  nada  edificante  triunfo  do  estatismo  dentro  dos  EUA, 
acompanhado  do  imperialismo  dos  EUA  no   mundo  exterior  ­ a Guerra Fria ­ acabando com 
o  colapso  Soviético  e  a  proclamação  dos  líderes  dos  EUA de ainda mais missões mundiais 
que  exigiam  sua  continuada  dominância  global.  Um  aspecto  importante,  embora 
negligenciado,   do  sistema  de  alianças  da  Guerra  Fria  é  a  maneira  em que ele permitiu que 
os  EUA  "contivessem"  não  apenas a Rússia Soviética e a China, mas, de igual importância, 
72
dois significantes concorrentes econômicos, a Alemanha e o Japão.  
 
A  Segunda  Guerra  Mundial  resolveu  o  debate  entre,  por  um  lado,  proponentes  do 
império  de  Portas  Abertas  com  altas  tarifas  e,  por  outro,  proponentes  do  império   com 
73
comércio  administrado.   Este  desenvolvimento  tende  a  minar  a  tese  de 
Hilferding­Schumpeter  em  relação  ao   "monopólio  de  exportações".  Esta  tese  pode  ter   tido 
uma   certa  plausibilidade  em  sua  era,  mas  para  períodos  posteriores,  seria  necessário 
consideráveis  modificações  ou  mesmo  desistência.  Uma  das  poucas  compreensões  vivas 
nos  escritos  de  Lenin,  Hilferding  e Burkharin é sua ênfase na centralidade dos banqueiros e 
74
financistas  no   processo  imperial.   Este  era  um  desenvolvimento  relativamente  recente  em 
sua  época,  mas o ensaio de Rothbard sobre a criação do Federal Reserve System sugere a 
importância  crucial  deste  particular  "posto  de  comando"  do  estado  e   do  poder  imperial. Em 
todo   caso,   um  império  fundado  com  altas  tarifas   continua  sendo  um  império  mesmo  com 
tarifas  menores  ou  disfarçadas  até,  ou  a  menos  que,  os  atores  históricos  se  retirem  do 
negócio imperial completamente. 
 
Hans­Hermann  Hoppe  demonstrou  que  foram  os estados "liberais"  ­ a Grã­Bretanha 
do  século  XIX e os EUA do século XX ­ que se elevaram à  dominação global. Suas políticas 
internas  originais  levaram  a  uma   produtividade   econômica  inigualável,  a  partir  da  qual  os 
atores  estatais  podiam  extrair,  mesmo  a  taxas  moderadas  de  tributação,  receitas  além  da 
capacidade  de  seus  rivais  menos  economicamente  liberais.   Isto  lhes  permitiu  criar  forças 
militares  superiores  com  as  quais  construir  seus  impérios,  mesmo  enquanto  suas 
instituições   domésticas  se  ossificaram  e  suas  taxas  tributárias  lentamente  se  elevaram. 
Chomsky, “Intervention  in  Vietnam and  Central  America: Parallels  and Difference”, ​
Monthly Review 37, 
no. 4 (September 1985), esp. pp. 1–6. 
72
  Sobre  a  "dupla  contenção"  dos  EUA  de  inimigos  e  aliados,  vide  Christopher  Layne  e   Benjamin 
Schwarz, “American Hegemony: Without An Enemy”, ​
Foreign Policy​
 92 (Fall 1993), pp. 5–23. 
73
 Wallace, em ​
New  Frontiers​
, foi um  dos  proponentes de se abandonar as tarifas. Seu livro é um relato 
involuntariamente revelador de  tentativas ​
ad hoc de desafiar as leis econômicas, uma após a outra, em 
uma  tentativa  vã  de assegurar  "preços  justos" para fazendeiros cartelizados. É  também uma ilustração 
perfeita  da  noção  de  Mises  de  uma  dinâmica  intervencionista.  Em  nossa   época,   os  esquemas  de 
harmonização  da  União  Europeia  e  o   projeto  dos  EUA  de  administrar  a  chamada  "globalização" 
equivalem  a  um   programa  agrícola  do New Deal para todas  as  indústrias,  em  todo lugar.  O  resultado 
pode ser antecipado. 
74
  Hilferding,   ​
Finance  Capital​
;  Nikolai  Bukharin, ​
Imperialism  and  World  Economy (New  York:  Monthly 
Review  Press,  1973);  e   V.I.  Lenin,  “Imperialism: The  Highest  Stage  of  Capitalism”, in ​
Lenin:  Selected 
Works​
 (New York: International Publishers, 1971), pp. 169–263. 

19 

Ambas  as  potências,  em  última  instância,  fundamentaram  seus  projetos  imperiais no poder 
militar  e  no   controle  monetário.  A  prolongada  conexão,  no século XIX, entre o ouro e a libra 
esterlina  britânica  estabeleceu  um  limite  sobre  o  que  a  Grã­Bretanha  poderia   gastar  para 
estender  o  controle  político  no  exterior.  A  liderança  dos  EUA  no  século XX, tendo instituído 
um  sistema  fiduciário   puro  de  dinheiro  de  papel  ­  algo  que  Hilferding  nunca  imaginou  ser 
possível  ­  tem  ainda  mais  liberdade  de  ação.  É,  nas  palavras  de   Hoppe,  "um  falsificador 
autônomo de última instância para todo o sistema bancário internacional". 
 
Hoppe argumenta ainda que 
 
o  ciclo  típico  do Terceiro Mundo de opressão governamental impiedosa, movimentos 
revolucionários,  guerra  civil,   supressão  renovada  e  prolongada  dependência 
econômica  e  pobreza  em  massa   é,  em  grande  medida,  causada  e  mantida  pelo 
75
sistema monetário internacional dominado pelos EUA.  
 
O  crescimento  paralelo  da  intervenção  doméstica  (corporativismo)  e  intervenção  no 
exterior  (império)  exibe  uma  unidade  lógica.  O  estado  nacional  é  o  termo   médio.   Muito 
frequentemente, o mesmo pessoal no governo e nas  empresas está  envolvido em ambas as 
formas  de  intervenção.  Finalmente,   há  uma  continuidade  ideológica,   que  chamemos  a 
ideologia  de  "corporativismo  liberal",  "liberalismo  de  grupos  de   interesse"  ou  "sindicalismo  
corporativo". 
 
A  questão  de  se  existe  uma  correspondência  um a um, indústria a indústria entre os 
dois  tipos  de  intervenção  que  está  enraizada  em  alguma  “necessidade  econômica"  real  ou 
sentida,  como  alguns  autores  citados  aqui  aparentemente  mantêm,  é  mais  problemática. 
Uma  cartelização  doméstica  que  aumenta  preços  leva,  tipicamente,  a  uma 
"super­produção"  e,  consequentemente,  a demandas por mercados externos?  Isto pode ser 
resolvido  apenas  através  de  pesquisa  empírica  detalhada,  mas  um  caso  examinado  por 
Forrest  McDonald  vai  bastante  ao  ponto. Ele nota que os programas agrícolas do New Deal 
cartelizavam  a  produção   de  algodão  através  de  restrições  sobre   a  área  cultivada  e  de 
pagamentos  de  paridade,  estabelecendo  o  preço  doméstico  substancialmente  acima  dos 
níveis  do  mercado  mundial.  A  seguir,  os  corretores  americanos  internacionais  de  algodão 
exigiram,  e  conseguiram,  subsídios  para  tornar suas exportações competitivas. Por volta da  
era  Kennedy,  os  produtores  têxteis  americanos  reclamaram  que,  já  que   eles  tinham  que 
pagar  os  preços  domésticos  protegidos   pelo  algodão,  eles  não  podiam  competir  com  os 
fabricantes  têxteis  japoneses  que  podiam  comprar  algodão  ao  preço  do  mercado  mundial. 
Kennedy  requisitou  e  recebeu   do  Congresso  autoridade  especial  para  ajustar  as   tarifas 
têxteis  para  resolver  ​
este   problema;  ele  também  impôs  quotas.  Finalmente,  em  vez  de 
revogar  tais  intervenções  existentes  e  suas  contrapartes  em   outras  indústrias  (e  por outras 
razões),  Nixon  desvalorizou  o  dólar,   tornando  as  exportações  mais  baratas   e  as 

75

  Hans­Hermann  Hoppe,  “Banking,  Nation   States,  and  International  Politics:  A  Sociological 
Reconstruction  of   the  Present  Economic   Order”,  ​
Review  of  Austrian  Economics  4 (1990), pp.  55–87, 
citações das pp. 83–84.  Similarmente, John  A.  Hall,  ​
Powers and  Liberties  (New York:  Viking  Penguin, 
1985),  p.  255;  e  David  P.  Calleo,  ​
Beyond  American Hegemony: The Future  of  the Western Alliance 
(New  York: Basic  Books,  1987),  pp.  138–42,  chamam atenção  para a capacidade dos líderes dos EUA 
de exportar a inflação para o mundo. 

20 

importações  mais  caras.  Pouco  depois  ­  o  futuro  sendo  incerto  ­  os  Estados  Unidos 
experimentaram  uma  "escassez"  de  algodão,  e  a  administração  colocou  restrições  de 
76
exportação sobre o algodão para aumentar a oferta doméstica.  
 
Três  compreensões  emergem  deste  exemplo.  Primeiro,  por  volta  da  era  Kennedy, 
sob  o  chamado  "livre  comércio"  dos  EUA,  tarifas  (não  importa  o  quão   baixas  as  taxas)  e 
cotas  continuavam  a  ser  ferramentas  úteis  para  lidar  com   os  ​
resultados  da  cartelização 
doméstica.  Por  volta  dos  anos  1960,  as  tarifas  podem  não  ter  mais  fomentado 
significantemente  a  criação  de  cartéis.  Em  vez  disso,  o  poder  discricionário  presidencial 
sobre  o  comércio  exterior podia ser usado para tentar gerir problemas resultantes  de cartéis 
trazidos  à  existência  por  outros  mecanismos  políticos.  O  padrão  sobre  o  qual  Schumpeter 
escreveu  não  mais  se  mantinha,  mas  o   corporativismo  e  o  império,  em  si  mesmos, 
permaneciam.  Segundo,  o  exemplo  lança  luz  sobre  uma  dinâmica  interna  por meio  da qual  
uma   intervenção  evoca  uma  outra  e  então  ainda  outras,  mesmo  até  a  intervenção  externa 
77
de  algum  tipo.   As  leis  econômicas  não  são  revogadas  com  impunidade.  Terceiro,  o 
controle do sistema monetário mundial recompensa aqueles que o possuem. 
 
Howard   J.  Wiarda  acredita  que  foi  precisamente  durante  a  Guerra  Fria  que   o 
"corporativismo  rastejante"  dos  EUA  se  transformou   em  "corporativismo  galopante". 
Eisenhower,  ele  acredita,  foi  um  líder  corporativista  moderado  consciente,  sob  cuja 
liderança  as  coalizões  empresariais  começaram,  na  prática,  a  ​
se fundir com as burocracias 
que  supostamente   as  regulavam.   Ele  nota  que  o  processo  se  acelerou  sob  Lyndon 
Johnson,  perdeu  impulso  sob o "neoliberal" Reagan (embora aqui Wiarda esteja  certamente 
enganado),  e  mostrou  sinais  de  se  recuperar  novamente,  com  novos  grupos  de  interesse, 
78
sob Bill Clinton.  
 
Isto  sugere  que  o  império, chamado à existência em 1898 para "resolver" problemas 
econômicos  domésticos  percebidos,  tinha,  por  volta  das  últimas  décadas  do  século  XX,  se 
tornado  um  dos  principais  baluartes  da  cartelização  e  do  corporativismo  domésticos.  Isto 
quase  reverte   a  ordem  causal que alguns avançaram para períodos anteriores, mas deixa o 
expandido  estado  dos  EUA  no  centro  do  palco  de  qualquer  forma.  Isto  sugere  que  não 
podemos  postular  qualquer  teoria  de  estágios  que  sucedem  uns  aos outros em uma ordem 
79
invariante.   O  império  ­  repousando  sobre  um  esmagador  poder  militar  e  financeiro 
incorporado  em  grandes  burocracias  e  corporações  aliadas  ­  eventualmente  se  torna  sua 
 Forrest McDonald, ​
The Phaeton Ride​
 (Garden City: Doubleday, 1974), pp. 147–49. 
  Vide  Ludwig  von  Mises,  “Middle­of­the­Road  Policy  Leads  to  Socialism”,  in  ​
Planning  for  Freedom​

cap.  2,  pp.  18–35.  Para tentivas  de se teorizar  o  impulso  interno do  estatismo,  incluindo esforços para 
resolver  suas  "contradições"  internas,  por  exemplo,  problemas  estruturais,  vide  Winslow,  ​
Pattern  of 
Imperialism​
,  pp.  202–4;   Walter  E.  Grinder  e  John  Hagel  III,   “Toward  a   Theory  of  State  Capitalism: 
Ultimate  Decision­Making  and  Class  Structure”,  ​
Journal  of  Libertarian  Studies 1, no. 1  (Winter 1977), 
pp.  59–79;  e  Sanford   Ikeda,  ​
Dynamics   of  the  Mixed  Economy:  Toward  a  Theory  of  Interventionism 
(New York: Routledge, 1997). 
78
 Wiarda, ​
Corporatism and Comparative Politics​
, pp. 128–51. 
79
 Murray N. Rothbard fez um ponto similar sobre um argumento por John Hagel III,  “From Laissez­Faire 
to Zwangwirtschaft: The Dynamics of Interventionism” (Symposium on Austrian  Economics, University of 
Hartford,  June 22­28, 1975):  "Minha  crítica  básica é que o pessimismo  de Hagel deriva de uma análise 
linear que  ignora os  processos  dialéticos da  história”.  Vide  Rothbard, “Mr. Hagel on Interventionism”, in 
Rothbard Papers, Memos, 1975, p. 6A; vide também p. 8A. 
76
77

21 

própria  causa,  por assim dizer, e dita a seus antigos fundadores e aliados. Voltando­se para 
dentro,  dependente  de  mudanças de humor, o estado imperial trata seus antigos "cidadãos" 
80
como  trata  seus  clientes,  lacaios   e  inimigos  no  exterior ​
,  enquanto  retém  seu  poder  de 
manter os últimos na linha. 
 
Eu  não  tentarei  provar  aqui   que  as  políticas imperiais são destrutivas para a maioria 
dos  membros  da  sociedade  e  que  são  talvez,  em  última  análise,  contraprodutivas  mesmo 
para  aqueles  que  as  empreendem. Tampouco tentarei buscar determinar se riqueza, poder, 
ideologia  ou  desejo  por  fama  é  o  motivo  mais  importante  para  os  atores  imperiais.  Eu 
imaginaria,  em  suma,  que  alguma  combinação   destes  motivos  se  aplica.  Alguns  líderes 
desejam  dinheiro,  outros  "deixar  um  legado".  Que  muitos  procuram  o  império  demonstra 
que  eles  desejam  pelo  menos  alguns  dos  ganhos  do  império;  é  sua   preferência 
demonstrada. 
 
Robert  Zevin  sugere  que  as  metas  econômicas  de  interesses  particulares,  um  zelo 
reformista  presente  na  América  desde  a  Era  progressista  e  o  interesse  institucional  de 
burocracias  estatais,  especialmente  as  forças  armadas,  tomados   em  conjunto,  fornecem 
uma   gama  suficiente  de  explicações  para  o  curso  do  império  americano.  Isto  faz  um 
paralelo  exato  com  a  divisão  de  John   A.  Hall  do  poder  em  econômico,  ideológico  e 
político­militar.  Dada   a  vacuidade  da  noção  de  "poder  econômico"  como  ele  normalmente 
aparece  na  literatura das ciências sociais, poderia ser melhor pensar sobre estas categorias 
81
como  áreas   de  contenção  e  fontes   da  motivação  dos  atores.   O  ponto  maior  ainda 
permanece. 

Conclusão 
O  império,   então,  é  o  estado  em  larga  escala, o estado ​
in  extenso​
. O Imperialismo é 
o  resultado  de  uma  interação   entre  o aparato estatal permanente e indivíduos ou grupos de 
interesse  empenhados  em  explorar   as  sociedades  produtivas.  A  tendência  nos  círculos 
econômicos  neoclássicos  a  teorizar  os  estados  meramente  como  um  outro  tipo  de  "firma" 
produziu  algumas  compreensões,  mas   ao  preço  de  nos  cegar  ao  simples  fato  do  poder 
estatal.  O  que  é  necessário  é  uma  análise  do   poder  estatal  enquanto  uma  força  autônoma 
82
na  história,  uma  noção  à  qual Hilferding se voltou em seu último  e inacabado ensaio.  Uma  

80

 Sobre o estado gerencial e sua necessidade sentida de reconstruir a sociedade e o povo americano, 
vide  Paul  Edward  Gottfried,  ​
After   Liberalism:  Mass  Democracy  in  the  Managerial  State  (Princeton, 
N.J.:  Princeton  University  Press,   1999).  Em  contraste  Alfredo   G.A.   Valladão  argumenta,  em  ​
The 
Twenty­First  Century  Will  Be  American  (London:  Verso,  1996),  que  o  "livre  comércio"   global  e  a 
democracia  universal, que  o estado imperial  dos EUA imporá forçosamente, serão maravilhosos para o 
mundo,  mesmo  se  isso  destruir  o  sistema  político  americano  original  e  o  povo  americano  realmente 
existente. 
81
 Robert  Zevin, “An Interpretation of American Imperialism”, ​
Journal of Economic History 32 (1972), pp. 
316–60; e  John  A. Hall, ​
Powers  and  Liberties​
.  Para um crítica  das  noções  sociológicas convencionais 
de  "poder  econômico",  vide  Kenneth H. Mackintosh,  “Exchange  versus  Power: Toward a  Praxeological  
Reconstruction  of   Sociology”,  ​
Quarterly  Journal  of  Austrian  Economics   2,  no.  1  (Spring  1999),  pp.  
67–77. 
82
 Rudolf  Hilferding, “Das  Historische Problem”, ​
Zeitschrift für  Politik​
, n.s., 1, no. 4 (December 1954),  pp. 
293–324.  Vide também Rothbard, ​
Egalitarianism as a Revolt Against Nature and Other Essays​
, cap. 3, 

22 

lógica  de  expansão  política  pode  ser  ensaiada,  fundamentada  nos  incentivos  presentes  e 
nas  metas   mantidas dos atores políticos, como Guido Hülsmann argumentou recentemente. 
83
Fatores militares e fiscais avultam grandemente em tais análises.  
 
Wilhelm  Röpke  discernia  que  o  império  não  tem  nada  em  comum  com  o  
"capitalismo", entendido como um sistema de mercados livres: 
 
É,  portanto,  frequentemente  possível  provar  que,  em  casos  individuais,  os  fatores 
"econômicos  desempenham  uma  parte  em  uma  política  externa  agressiva,  quando 
grupos  de  pressão privados entendem como fazer uso de seu governo nacional para 
seus  próprios  propósitos,  ou  os  verdadeiros  interesses  econômicos  da  nação  como 
um  todo  são   falsamente  descritos.  É  demonstrado  muitas  e  muitas  vezes,  contudo, 
quão  pouco   estes  exemplos  contribuem  para  provar  que  o  sistema  econômico 
predominante,  por  necessidade  e  em  virtude  de  sua  estrutura  intrínseca, resulta em 
uma  política  externa  agressiva.  É  verdade  que,  em  tais  casos,  a  cadeia  de  causa  e 
efeito  contém  elos  econômicos,  mas  ela  acaba,  finalmente,  no  campo  que,  em 
oposição  à  interpretação  materialista  da  história,  todas  as  decisões  ocorrem:  o 
84
campo de política, poder, ideologia, psicologia, sociologia, emocionalismo.  
 
Desta  forma,  embora   tanto  Austríacos­libertários  quanto  Marxistas  tenham 
trabalhado  para  elucidar  a  evidência  empírica  do  relacionamento entre o governo, as forças 
econômicas  e  o  império  americano,  na  análise  final,  o  Austríaco­libertário necessariamente  
85
se separa do Marxista. ​
 Como Röpke torna explícito: 
 
A  ideia  de  que  o  sistema  econômico  que  repousa  sobre  a  função reguladora do mercado e 
na  separação  da soberania política da atividade econômica é aquele que compulsoriamente 
86
leva nações para a guerra, deve ser completamente rejeitada.  

Bibliografia 
Adams, Brooks. ​
America’s Economic Supremacy​
. New York: Harper & Brothers, 1947. 
Ambrosius,  Lloyd  E.  “Turner’s  Frontier  Thesis  and  the  Modern  American  Empire:  A  Review 
Essay”. ​
Civil War History​
 17, no. 4 (December 1971). 
“Anatomy of  the  State”, pp. 55­88; e Margaret Levi, “The Predatory  Theory of Rule”,  ​
Politics and Society 
10, no. 4 (1981), pp. 431–65. 
83
  Jörg  Guido  Hülsmann,  “Political  Unification:   A  Generalized  Progression  Theorem”,  ​
Journal  of 
Libertarian Studies  13,  no.  1 (Summer  1997),  pp.  81–96. O  estudo das dimensões político­militares do 
império poderia bem  começar  com Denson,  ​
The Costs  of  War​
;  Bruce  Porter,  ​
War and the Rise of the 
State: The Military Foundations of Modern Politics (New York:  Free Press, 1994); e Martin van Creveld, 
The Rise and Decline of the State​
 (Cambridge: Cambridge University Press, 1999). 
84
 Röpke, ​
International Order and Economic Integration​
, pp. 87–88. 
85
  Sobre  as  contribuições  do  Marxistas,  vide   Hans­Hermann  Hoppe,  “Marxist  and   Austrian  Class 
Analysis”, ​
Journal of Libertarian Studies​
 9, no. 2 (Fall 1990), pp. 79–93. 
86
  Röpke,  ​
International   Order  and  Economic  Integration​
, p. 88. David  Landes faz  o  mesmo ponto:  "A 
exploração   imperialista...  implica  em  restrição   não­mercadista".  Vide  “The  Nature  of  Economic 
Imperialism”,  in   ​
Economic  Imperialism​
,  ed.  Kenneth  E.   Boulding  e  Tapan  Mukerjee  (Ann  Arbor:  
University of Michigan Press, 1972), p. 128. 

23 

Beale,   Howard  K.  “The  Tariff  and  Reconstruction”.  ​
American  Historical  Review  35,  no.  2 
(January 1930). 
Beard,  Charles  A.  e Mary R. Beard. ​
The Rise of American Civilization.​
 New York: Macmillan, 
1930. 
Beard,  Charles  A.   e  George  H.E.  Smith.  ​
The  Open  Door  at  Home:  A  Trial  Philosophy  of 
National Interest​
. New York: Macmillan, 1934. 
Beisner,  Robert  L.  ​
Twelve  Against  Empire:  The  Anti­Imperialists,  1898–1900​
.  New  York: 
MacGraw­Hill, 1968. 
Benson,  Lee.  ​
Turner  and  Beard:  American  Historical  Writing Reconsidered​
. New York: Free 
Press, 1960. 
Brady,  Robert  A.  ​
Business  as  a  System  of  Power​
.  New  York:   Columbia  University  Press, 
1943. 
Brozen,   Yale.  “Is  Government  the  Source  of  Monopoly?”  ​
Intercollegiate  Review  5,  no.  2  
(Winter 1968–69). 
Bukharin, Nikolai. ​
Imperialism and World Economy​
. New York: Monthly Review Press, 1973. 
Burgess,  John  W.   ​
The  Reconciliation  of  Government  and  Liberty​
.  New  York:  Charles 
Scribner’s Sons, 1915. 
Calleo,  David  P.  ​
Beyond  American   Hegemony:  The  Future  of  the  Western  Alliance.​
  New 
York: Basic Books, 1987. 
Chomsky,  Noam.  “Intervention  in  Vietnam  and  Central  America:  Parallels  and  Difference”. 
Monthly Review​
 37, no. 4 (September 1985). 
Coben,  Stanley.  “Northeastern  Business  and  Radical  Reconstruction”.  ​
Mississippi  Valley 
Historical Review​
 46, no. 1 (June 1959). 
Dennis, Lawrence. ​
Is Capitalism Doomed? ​
New York: Harper & Brothers, 1932. 
———. ​
The Coming American Fascism​
. New York: Harper & Brothers, 1936. 
Dewing, Arthur Stone. ​
The Financial Policy of Corporations.​
 New York: Ronald Press, 1934. 
Diggins,  John P. “Flirtation with Fascism: American Pragmatic Liberals  and Mussolini’s Italy”.  
American Historical Review​
 71, no. 2 (January 1966). 
Domhoff, G. William. ​
The Higher Circles.​
 New York: Vintage Books, 1971. 
Drucker, Peter F. ​
Post­Capitalist Society.​
 New York: HarperCollins, 1993. 
Eakins,  David   W.  “Business  Planners  and  America’s  Postwar  Expansion”.  In  ​
Corporations 
and the Cold War​
, editado por David Horowitz. New York: Monthly Review Press, 1969. 
Ekirch, Arthur A., Jr. ​
The Decline of American Liberalism.​
 New York: Atheneum, 1969. 
Fellmeth,  Robert.  ​
The  Interstate  Commerce  Omission​
.   New  York:  Grossman  Publishers, 
1970. 
Flynn, John T. ​
Country Squire in the White House​
. New York: Doubleday, Doran, 1940. 
Gallagher,  John  e   Ronald  Robinson.  “The  Imperialism  of  Free  Trade”.  ​
Economic  History 
Review​
, 2nd ser., 6, no. 1 (1953). 
Gardner,  Lloyd  C.   ​
Economic  Aspects  of  New  Deal  Diplomacy​
.  Madison:  University  of 
Wisconsin Press, 1964. 
———.  ​
A  Different  Frontier:  Selected  Readings  in  the   Foundations  of  American  Economic 
Expansion​
. Chicago: Quadrangle, 1966. 
Garraty,  John  A.  “The  New  Deal,  National  Socialism,  and  the  Great  Depression”.  ​
American 
Historical Review​
 78, no. 4 (October 1973). 
Gates,  Paul   Wallace.  “Federal  Land  Policy  in  the  South,  1866–1888”.  ​
Journal   of  Southern 
History​
 6, no. 3 (August 1940). 
24 

Gordon, David, ed. ​
Secession, State, and Liberty.​
 New Brunswick, N.J.: Transaction, 1998. 
Gottfried,  Paul  Edward.  ​
After  Liberalism:  Mass  Democracy  in  the  Managerial  State​

Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1999. 
Greene,  Murray.  “Schumpeter’s  Imperialism:  a  Critical  Note”.  In  ​
The  New  Imperialism​

editado por Harrison M. Wright. Boston: D.C. Heath, 1961. 
Grinder,  Walter  E.  e  John  Hagel  III.  “Toward  a   Theory  of  State  Capitalism:  Ultimate 
Decision­Making and Class Structure”. ​
Journal of Libertarian Studies ​
1, no. 1 (Winter 1977). 
Hall, John A. ​
Powers and Liberties.​
 New York: Viking Penguin, 1985. 
Hayek, F.A. ​
The Road to Serfdom​
. Chicago: University of Chicago Press, 1965. 
———.  ​
Studies  in  Philosophy,  Politics,  and  Economics​
.  New  York:  Simon  and  Schuster, 
1967. 
Higgs,   Robert   C.  ​
Crisis  and  Leviathan:  Critical  Episodes  in  the  Growth  of  American 
Government​
. New York: Oxford University Press, 1987. 
Hilferding,  Rudolf.  “Das  Historische  Problem”.  ​
Zeitschrift  für  Politik​
,  n.s., 1, no. 4 (December 
1954). 
———.  ​
Finance  Capital:  A  Study  of  the  Latest  Phase  of  Capitalist  Development.​
  London: 
Routledge & Kegan Paul, 1981. 
Hobson,  John  A.  ​
The  Evolution  of  Modern  Capitalism​
.  London:  George  Allen  and  Unwin, 
1926. 
———. ​
Imperialism: A Study​
. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1965. 
Hofstadter, Richard. ​
The American Political Tradition.​
 New York: Vintage Books, 1948. 
Hogan, Michael J. “Corporatism”. ​
Journal of American History ​
77, no. 1 (June 1990). 
Hoppe,  Hans­Hermann.  “Banking,  Nation  States,  and  International  Politics:  A  Sociological 
Reconstruction of the Present Economic Order”. ​
Review of Austrian Economics ​
4 (1990). 
———.  “Marxist  and  Austrian  Class  Analysis”.   ​
Journal  of  Libertarian  Studies  9,  no.  2  (Fall 
1990). 
Hull, Cordell. ​
Memoirs​
. New York: Macmillan, 1948. 
Hülsmann,  Jörg  Guido.  “Political  Unification:  A  Generalized  Progression  Theorem”.  ​
Journal 
of Libertarian Studies​
 13, no. 1 (Summer 1997). 
Ikeda,  Sanford.  ​
Dynamics  of  the  Mixed  Economy:   Toward  a  Theory of Interventionism.​
 New 
York: Routledge, 1997. 
Jacobs, Jane. ​
The Economy of Cities.​
 New York: Random House, 1969. 
Jacobs,   Wilbur  R.  “National  Frontiers,  Great  World  Frontiers,  and   the  Shadow  of  Frederick 
Jackson Turner”. ​
International History Review ​
7, no. 2 (May 1985). 
Jensen,  Merrill.  ​
The   Articles  of  Confederation.​
  Madison:  University  of  Wisconsin  Press, 
1959. 
Kelley,  Robert.  ​
The  Transatlantic  Persuasion:  The  Liberal–Democratic  Mind  in  the  Age  of 
Gladstone​
. New York: Alfred A. Knopf, 1969. 
Kendrick,  B.B.  “The  Colonial  Status  of  the  South”.  In   ​
The  Pursuit  of  Southern  History: 
Presidential  Addresses  of  the  Southern  Historical  Association,  1935–1963,​
  editado  por 
George B. Tindall. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1964. 
Kolko, Gabriel. ​
The Triumph of Conservatism.​
 Chicago: Quadrangle, 1967. 
———.  ​
The  Roots  of  American  Foreign  Policy:  An  Analysis  of  Power  and Purpose.​
 Boston: 
Beacon Press, 1969. 
LaFeber,  Walter.  ​
The  New  Empire:  An  Interpretation  of  American  Expansion,  1860–1898.​
 
Ithaca, N.Y.: Cornell University Press, 1963. 
25 

Lander,  William  L.  “A  Critique  of   Imperialism”.  In  ​
American   Imperialism  in  1898,​
 editado por 
Theodore P. Green. Boston: D.C. Heath, 1955. 
Landes,  David.  “The  Nature of Economic Imperialism”. In ​
Economic Imperialism,​
 editado por 
Kenneth E. Boulding e Tapan Mukerjee. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1972. 
Lange,  Oskar.  “The  Economist’s  Case  for  Socialism”.  In  ​
Essential  Works  of   Socialism,​
 
editado por  Irving Howe. New Haven, Conn.: Yale University Press, 1976. 
Layne,  Christopher,  e  Benjamin  Schwarz.  “American  Hegemony:  Without  An  Enemy”. 
Foreign Policy​
 92 (Fall 1993). 
Lenin, V.I. ​
Lenin: Selected Works​
. New York: International Publishers, 1971. 
Levi, Margaret, “The Predatory Theory of Rule”. ​
Politics and Society​
 10, no. 4 (1981). 
Lundberg, Ferdinand. ​
America’s Sixty Families​
. New York: Halcyon House, 1939. 
MacDonagh,  Oliver.  “The  Anti­Imperialism  of  Free  Trade”.  ​
Economic  History  Review,​
  2nd 
ser., 14, no. 3 (1962). 
Mackintosh,  Kenneth  H.  “Exchange   versus  Power:  Toward  a  Praxeological  Reconstruction 
of Sociology”. ​
Quarterly Journal of Austrian Economics​
 2, no. 1 (Spring 1999). 
Marina, William F. “Opponents of Empire”. Ph.D. diss., University of Denver, 1968. 
Martin,  James  J.  ​
Men  Against  the  State:  The  Expositors  of  Individualist  Anarchism  in  
America, 1827–1908​
. Colorado Springs, Colo.: Ralph Myles, 1970. 
———. ​
Revisionist Viewpoints​
. Colorado Springs, Colo.: Ralph Myles, 1971. 
McCormick,  Thomas  J.  ​
China  Market:  America’s  Quest  for  Informal  Empire,  1893–1901.​
 
Chicago: Quadrangle, 1967. 
———.  “Drift or Mastery? A Corporatist  Synthesis for American Diplomatic  History”. ​
Reviews 
in American History​
 10, no. 4 (December 1982). 
McDonald, Forrest. ​
The Phaeton Ride​
. Garden City, N.Y.: Doubleday, 1974. 
Mises,  Ludwig  von.  ​
Omnipotent  Government​
.  New  Haven,  Conn.:  Yale  University  Press, 
1944. 
———. ​
Planning for Freedom​
. South Holland, Ind.: Libertarian Press, 1962 
———. ​
Human Action​
. Chicago: Henry Regnery Company, 1966. 
———.  “Autarky  and  its  Consequences”.  In  ​
Money,  Method,  and  the   Market  Process​

editado por Richard M. Ebeling. Norwell, Mass.: Kluwer Academic Publishers, 1990. 
Nathanson,  Charles  E.  “The  Militarization  of  the  American  Economy”.  In  ​
Corporations  and 
the Cold War​
, editado por David Horowitz. New York: Monthly Review Press, 1969. 
Paine,   Thomas.  “The  Rights  of  Man”.  In  ​
Selected  Writings  of  Thomas  Paine​
,  editado  por 
R.E. Roberts. New York: Everybody’s Vacation Publishing Company, 1945. 
Porter,  Bruce.  ​
War  and  the  Rise  of  the  State:  The  Military  Foundations  of  Modern  Politics.​
 
New York: Free Press, 1994. 
Robbins, Lionel. ​
Economic Planning and International Order​
. London: Macmillan, 1937. 
Röpke, Wilhelm. ​
International Order and Economic Integration.​
 Dordrecht: D. Reidel, 1959. 
Rothbard,  Murray  N.  “The  Hoover  Myth”.  In  ​
For  A  New  America:  Essays  in  History  and  
Politics  from  STUDIES  ON  THE   LEFT,  1959–1967​
,  editado  por  David  W.   Eakins   e  James 
Weinstein. New York: Random House, 1970. 
——–. ​
Power and Market​
. Menlo Park, Calif.: Institute for Humane Studies, 1970. 
——–. ​
America’s Great Depression​
. Los Angeles: Nash Publishing, 1972. 
——–.   “War  Collectivism  in  World  War  I”  e  “Herbert  Hoover  and  the  Myth  of Laissez Faire”. 
In  ​
A  New  History  of Leviathan: Essays on the Rise of the American  Corporate State​
, editado 
por Ronald Radosh e Murray N. Rothbard. New York: Dutton, 1972. 
26 

——–. “Mr. Hagel on Interventionism”. In Rothbard Papers, Memos, 1975. 
——–.   “The  New  Deal  and  the  International  Monetary  System”.   In  ​
Watershed  of  Empire: 
Essays  on   New  Deal  Foreign  Policy​
,  editado  por  James  J.  Martin.  Colorado  Springs, Colo.: 
Ralph Myles, 1976. 
——–.   ​
What  Has  Government  Done  to  Our  Money?  Auburn,  Ala.:  Ludwig  von  Mises 
Institute, 1990. 
——–. ​
Man, Economy, and State​
. Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 1993. 
——–.   ​
Wall  Street,  Banks,  and  American  Foreign  Policy​
.  Burlingame,  Calif.:  Center  for 
Libertarian Studies, 1995. 
——–.   “The  Origins  of  the  Federal  Reserve”. ​
Quarterly Journal of Austrian Economics 2, no.  
3 (Fall 1999). 
——–.   “Left  and  Right:  The  Prospects  for  Liberty”.  In  ​
Egalitarianism  as  a  Revolt   against 
Nature and Other Essays​
. Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2000. 
Schmitter,  Philipe  C.  “Still  the  Century  of  Corporatism?”  In  ​
The  New  Corporatism: 
Social–Political  Structures  in  the  Iberian  World,​
  editado  por  Frederick  Pike  e  Thomas 
Stritcher. Notre Dame: University of Notre Dame Press, 1974. 
Schumpeter,  Joseph.  ​
Imperialism,  Social  Classes:   Two  Essays​
.   New York: Meridian Books, 
1955. 
Semmel, Bernard. ​
Imperialism and Social Reform.​
 Garden City, N.Y.: Doubleday, 1968. 
Sklar,  Martin  J.  “Woodrow  Wilson  and  the  Political  Economy  of  Modern  United  States 
Liberalism”.  In  ​
For  A  New  America:  Essays  in   History  and  Politics  from  STUDIES  ON  THE 
LEFT,  1959–1967​
,  editado  por  David  W.  Eakins  e  James  Weinstein.  New  York:  Random 
House, 1970. 
Stromberg,  Joseph.  “The  Spanish–American  War  as  a  Trial  Run,  or  Empire  as  its   Own 
Justification”.   In  ​
The  Costs  of  War,​
  2nd  ed.,   editado  por  John  V.  Denson.  New  Brunswick, 
N.J.: Transaction, 1999. 
Turner, Frederick Jackson. ​
The Frontier in American History​
. New York: Henry Holt, 1920. 
Unger, Irwin. ​
The Greenback Era​
. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1964. 
Valladão, Alfredo G.A. ​
The Twenty­First Century Will Be American.​
 London: Verso, 1996. 
Van  Creveld,  Martin.  ​
The  Rise  and  Decline  of  the  State​
.  Cambridge:  Cambridge  University 
Press, 1999. 
Wallace, Henry. ​
New Frontiers​
. New York: Reynal and Hitchcock, 1934. 
Weber, Max. ​
From Max Weber: Essays in Sociology​
. Editado e Traduzido por Hans H. Gerth 
e C. Wright Mills. New York: Oxford University Press, 1958. 
Weinstein,  James.  ​
The  Corporate  Ideal  in  the  Liberal  State,  1900–1918.​
  Boston:  Beacon 
Press, 1968. 
Wiarda,  ​
Howard  J.  Corporatism  and  Comparative  Politics:  The  Other  Great  “Ism”​
.  London: 
M.E. Sharpe, 1997. 
Williams,  William  Appleman.  ​
The  Roots  of  the  Modern  American  Empire.​
  New  York: 
Random House, 1969. 
———.  “The  Large  Corporation  and  American Foreign Policy”. In ​
Corporations and the Cold 
War​
, editado por David Horowitz. New York: Monthly Review Press, 1969. 
———.  “The  Acquitting   Judge”.  In  ​
For  A  New  America:   Essays  in  History  and  Politics  from 
STUDIES   ON   THE  LEFT,  1959–1967,​
  editado  por  David  W.  Eakins  e  James  Weinstein.  
New York: Random House, 1970. 
———. ​
The Tragedy of American Diplomacy​
. New York: Dell Publishing, 1972. 
27 

———.  “The  Age  of  Mercantilism:  1740–1828”.  In  ​
The  Contours  of  American  History​
.  New 
York: New Viewpoints, 1973. 
Winkler, J.T. “Corporatism”. ​
Archives Européenes de Sociologie ​
17 (1976). 
Winslow,  E.M.  ​
The  Pattern  of  Imperialism:  A  Study  in  the   Theories   of  Power.​
  New  York: 
Columbia University Press, 1948. 
Woodward,  C.  Vann.  “The  Colonial  Economy”.  In  ​
A  History  of  the  South​
,  vol.  9,  ​
Origins  of 
the New South​
. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1951. 
Zevin,  Robert.  “An  Interpretation  of  American  Imperialism”.  Journal  of  Economic  History  32 
(1972). 
 
 
*  Joseph  R.  Stromberg  é  Historiador  Residente  no  Ludwig  von  Mises  Institute  em  Auburn, 
Alabama 

28 

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful