CONCRETOS E ARGAMASSAS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CENTRO TECNOLÓGICO PROF: SILVIO EDMUNDO PILZ

CONCRETOS E ARGAMASSAS
SOBRE ESTA APOSTILA Esta apostila é fruto da compilação de livros, apostilas de disciplinas de outras universidades, dissertações, artigos científicos, normas técnicas e experiência adquirida durante a especialização, mestrado e demais cursos realizados e durante a vida profissional. Aqui fica o agradecimento aos autores, professores e

colaboradores. Não tem a finalidade de ser uma cópia simples e pura, mas uma compilação para atender a ementa da disciplina, procurando uma ordem lógica de aquisição de conhecimentos, porém abordando assuntos que mesmo não estando explícitos na ementa são de fundamental importância para o tema da matéria EMENTA DA DISCIPLINA Propriedades físicas e mecânicas dos materiais componentes do concreto. Ensaios. Características e propriedades do concreto fresco. Propriedades do concreto endurecido. Dosagem do concreto. Controle estatístico e tecnológico do concreto. IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL A disciplina de Concreto e Argamassas se utiliza dos conceitos iniciais da disciplina de Física, Geologia, Materiais de Construção, Química Tecnológica, Resistência dos Materiais e Estatística para dar suporte ao que será estudado nesta disciplina. Reveste-se de importância a disciplina de Concreto e Argamassas para a continuidade dos estudos, pois serve de suporte para as disciplinas de Construção Civil I e II, Concreto Armado I, II e III, Concreto Protendido e outras disciplinas de estruturas, Alvenaria Estrutural e até para a disciplina de Fundações I e II.

______________________________________________________________________________ 1 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA A PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIVIL O conhecimento dos materiais concreto e argamassa, para o Engenheiro Civil é fundamental, pois em qualquer área que irá atuar irá depender e irá usar estes materiais. Como material estrutural o concreto é o mais utilizado, sendo progressivo também o uso em pavimentações rodoviária, obras de arte (grandes estruturas), indústrias de pré-moldados, etc. A argamassa como material de revestimento em edificações tem uso intenso, bem como material de assentamento de pisos, revestimentos, decorações e com um aumento constante do uso de argamassa armada para telhas, paredes, reservatórios, etc. ALGUMAS INFORMAÇÕES INICIAIS A usina de Itaipu utilizou 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Se fossemos fazer esta barragem com uma betoneira de 320 L, e fazendo 30 betonadas por dia levaríamos o equivalente a 7.000 anos para fazer este volume. Em 1900 a produção mundial de cimento era de 10 milhões de toneladas. Em 1998 a produção foi de 1,6 bilhões de toneladas. O consumo de concreto atualmente no mundo representa o equivalente a 1,0 m3 por pessoa por ano no mundo. É o material mais consumido no mundo, depois da água. O uso do material concreto não tem registro de quando foi a primeira utilização, pois nos primórdios da civilização já se usava cinzas vulcânicas, que com sua propriedade ligante e misturadas a outros materiais formava um material trabalhável e durável. Já o uso do material concreto armado, informações de que a primeira vez que foi utilizado, data de 1855 quando o eng. Lambot levou um barco de concreto armado a uma exposição em Paris.

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Começo a ter impulso o uso do concreto armado, quando em 1867, Joseph Monier requereu patente para construção de vasos de concreto e posteriormente para tubos, reservatórios, placas, pontes, escadas, etc. O primeiro curso de concreto armado no mundo foi dado em Paris, pelo professor Rabut, em 1897. Brasil Emilio Baungartem que é considerado o pai do concreto armado. A ponte

sobre o Rio do Peixe (Joaçaba) por muitos anos o maior vão do mundo. O prédio do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro foi por muito anos o maior do mundo em concreto armado.

O QUE VAMOS ESTUDAR Inicialmente temos que estudar os materiais componentes do concreto (que também são utilizados em argamassas): agregados, aglomerantes e água (não será estudada nesta disciplina) Nos agregados será visto os tipos, caracterização, propriedades, substâncias nocivas, ensaios em agregados. Nos aglomerantes, estuda-se a função, matérias primas, classificação e um estudo mais aprofundado do cimento, desde a fabricação, constituintes, classificação (tipos de cimento). Após será conhecido os ensaios realizados em agregados e aglomerantes, seus diferentes tipos, como fazer e normas relacionadas aos ensaios. Em seguida será dado início ao estudo do material “concreto”, estudando as propriedades do concreto enquanto “mole” (concreto fresco) e do concreto endurecido. Também será aprendido sobre a produção do concreto, dos cuidados desde a estocagem dos materiais até o lançamento e a cura deste material.

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Neste ponto já se pode falar sobre a questão do controle de produção do concreto e como fazer para saber se o concreto produzido atende os requisitos exigidos controle e aceitação do concreto. etc. quais são os agentes agressivos a este material. ______________________________________________________________________________ 4 Concretos e Argamassas Prof. diferenciando os tipos de dosagem e estudando um método de dosagem específico e através de cálculos elaborar um traço de concreto. onde veremos da importância da produção de um concreto durável. revisando os conceitos necessários.Não se pode falar de concreto sem pensar que seja um material durável e então será estudado o assunto “Durabilidade do concreto”. onde estudaremos as propriedades dos revestimentos e patologias dos revestimentos que nos darão embasamento sobre os quesitos necessários para uma boa argamassa. Todo este conhecimento de concreto será adquirido com o apoio de aulas em laboratório e ensaios que os alunos deverão fazer durante o semestre em horário fora de aula. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Finalizando a disciplina será estudado brevemente as argamassas. Estudaremos ainda como fazer dosagem de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

tais como: resistência à compressão. brita e seixo rolado). geralmente inerte. analisando o seu grau de importância e responsabilidade na geração das características essenciais aos concretos. alguns critérios seletivos para a obtenção dos agregados. apresentar as principais propriedades dos agregados.material granular cujos grãos passam na peneira de 4. em sua durabilidade e no desempenho estrutural.075mm (areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. exercendo nítida influência não apenas na resistência mecânica do produto acabado como. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.material granular cujos grãos passam na peneira com abertura de malha 150 mm e ficam retidos na peneira de 4. não é de se surpreender que a qualidade destes seja de importância básica na obtenção de um bom concreto.edu. trabalhabilidade e retratilidade. Superfície específica . proporcionando concretos que irão corresponder plenamente às expectativas de projeto e execução das obras onde serão empregadas. ALGUMAS DEFINIÇÕES INICIAIS Agregado .relação entre a área total da superfície dos grãos e sua massa. durabilidade. de dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos. impermeabilidade. ______________________________________________________________________________ 5 Concretos e Argamassas Prof. Agregado graúdo . também. São apresentados também. Procura-se.75 mm (pedregulho. Caracterização .75 mm e que ficam retidos na peneira de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .determinação da composição granulométrica e de outros índices físicos dos agregados de modo a verificar as propriedades e características necessárias à produção de concreto e argamassas. tração na flexão. ou mistura de ambas). baseados nas experiências nacional e estrangeira. Agregado miúdo .AGREGADOS Uma vez que cerca de ¾ do volume do concreto são ocupados pelos agregados.material granular sem forma e volume definidos. neste capítulo.

porção representativa de um lote de agregado. . destinada à execução de ensaio em laboratório. pedra britada. Amostra de ensaio . b) Quanto à dimensão de suas partículas. CLASSIFICAÇÃO DOS AGREGADOS Os agregados podem ser classificados quanto: • à origem. • artificiais → são obtidos pelo britamento de rochas: pedrisco. Deve-se observar aqui que o termo artificial indica o modo de obtenção e não se relaciona com o material em si. cascalhos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco... eles podem ser: • naturais → já são encontrados na natureza sob a forma definitiva de utilização: areia de rios. coletada nas condições prescritas na NBR NM 26:2001.. Amostra de campo . ou a mistura de ambas. obtida segundo a NBR NM 27:2001. • à massa unitária. a) Quanto à origem.. seixos rolados. armazenamento ou transporte.edu. de determinado local do lote.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. de uma só vez.075 mm. .. É obtida a partir de várias amostras parciais. seja na fonte de produção. neste caso 4. pedregulhos.Amostra parcial – parcela de agregado retirada. • industrializados → aqueles que são obtidos por processos industriais: argila expandida.8 mm (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm. a Norma Brasileira NBR 7211 define agregado da seguinte forma: • Agregado miúdo → Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis.8 mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0. . • às dimensões das partículas. escória britada. ______________________________________________________________________________ 6 Concretos e Argamassas Prof. areia artificial. cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4.amostra de agregado representativa da amostra de campo.

0 a 2.0 t/m3) 1.edu.0 t/m3 Características das rochas de origem: a) Atividade – o agregado pela própria definição.3 Escória granulada 1. < 2.2 3.0 ≤ M.3 0.• Agregado graúdo → o agregado graúdo é o pedregulho natural.0 t/m3) 2.8 Calcário Arenito Cascalho Granito Areia seca ao ar Basalto Escória Médios (1. ou a pedra britada proveniente do britamento de rochas estáveis.9 3. ou seja: ______________________________________________________________________________ 7 Concretos e Argamassas Prof. a designação dimensão máxima indica a abertura de malha (em milímetros) da peneira da série normal à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou inferior a 5%.E.6 1.5 1.E.5 1. médios e pesados podem ser caracterizados.0 t/m3 Pesados: M.8 mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Veja a tabela abaixo: Massas unitárias médias Leves (menor que 1. deve ser um elemento inerte.0 Os agregados leves. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ≤ 3. também. cujos grãos passam pela peneira ABNT 152 mm e ficam retidos na peneira ABNT 4. > 3. Veja na frente mais detalhadamente. médios e pesados. por suas massas específicas (densidade): Leves: M.E. Referindo-se ao tamanho do agregado.5 1. ou a mistura de ambos.45 1.0 t/m3 Médios: 2. c) Quanto à massa unitária pode-se classificar os agregados em leves.0 t/m3) Vermiculita Argila expandida 0.7 Barita Hematita Magnetita Pesados (acima de 2.4 1.

A resistência à abrasão mede. As rochas ígneas. b) Resistência Mecânica • à compressão : a resistência varia conforme o esforço de compressão se exerça paralela ou perpendicularmente ao veio da pedra. • ao desgaste : a pasta de cimento e água não resiste ao desgaste . As rochas sedimentares apresentam resistência um pouco abaixo das ígneas.edu. SP ) Granito ( RJ ) Basalto Resistência à Compressão 154 MPa 120 MPa 150 MPa Sob o aspecto de resistência à compressão.• • • não deve conter constituintes que reajam com o cimento “fresco” ou endurecido. ______________________________________________________________________________ 8 Concretos e Argamassas Prof. não deve sofrer variações de volume com a umidade. assim como a escória de alto forno resfriada ao ar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. portanto. a capacidade que tem o agregado de não se alterar quando manuseado (carregamento. estes materiais não apresentam qualquer restrição ao seu emprego no preparo de concreto normal.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ao desgaste superficial dos grãos de agregado quando sofrem “atrição”. Quem confere esta propriedade aos concretos é o agregado. apresentam resistências médias à compressão da seguinte ordem : Rochas Granito ( Serra da Cantareira. O ensaio se faz em corposde-prova cúbicos de 4 cm de lado. estocagem). pois tem resistência muito superior às máximas dos concretos. basculamento. dá-se o nome de abrasão. não deve conter incompatibilidade térmica entre seus grãos e a pasta endurecida.

O ensaio consiste em submeter o agregado à ação de uma solução de sulfato de sódio ou magnésio. de eixo horizontal. O cilindro é girado durante um tempo determinado.7mm. expresso em porcentagem do peso inicial. a amostra é peneirada na peneira de 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Principais propriedades físicas dos agregados • • • • • • Massa específica Massa unitária Índice de vazios Compacidade Finura Área específica ______________________________________________________________________________ 9 Concretos e Argamassas Prof. quando for usada uma solução de sulfato de magnésio. pois o concreto sofre grande atrição.Em algumas aplicações do concreto. em vertedouros de barragens e em pistas rodoviárias. sofrendo o agregado atrição e também um certo choque causado pelas esferas de ferro. determinando-se a perda de peso após 5 ciclos de imersão por 20 horas. A resistência à abrasão é medida na máquina “Los Angeles”. dando as características da máquina e das cargas de agregado e esferas de ferro. como por exemplo em pistas de aeroportos. dentro do qual a amostra de agregado é colocada juntamente com esferas de ferro fundido. o peso do material que passa.edu. É de 15% a perda máxima admissível para agregados miúdos e de 18% para agregados graúdos. de um cilindro oco. Retirada do cilindro. seguidas de 4 horas de secagem em estufa a 105°C. que consta. c) Durabilidade O agregado deve apresentar uma boa resistência ao ataque de elementos agressivos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em essência. A NBR 6465 trata do ensaio à abrasão. é a “Abrasão Los Angeles”. a resistência à abrasão é característica muito importante.

10 kg/dm3 Areia: 2. incluindo os poros existentes dentro das partículas. faz-se essa leitura e do valor obtido diminuem-se os 200 ml.07 dm3 = 1. é importante conhecer o volume ocupado pelas partículas do agregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .81 dm3 = 1.Massa Específica! O que é isto? Para efeito de dosagem do concreto.90 l de concreto. Para muitas rochas comumente utilizadas. considerando-se o cimento como unidade de medida): Cimento: 1 kg Areia: 2.7 kg Conhecendo-se as massas específicas desses materiais: Cimento: 3. dividindo-se o peso dos 500g de areia pelo volume achado. teremos a massa específica real ou peso específico real.90 =256 kg de cimento. assim. portanto somente é necessário a determinação da massa específica do agregado.62 kg/dm3= 1. o valor absoluto de areia. pesam-se 500g de areia seca. para materiais secos (traço de um concreto define a proporção unitária entre seus materiais constituintes. Massa Específica (kg/m3) Granito Arenito Calcário 2690 2650 2600 Da amostra representativa. colhida de acordo com a NBR 7216.32 dm3 = 0. ______________________________________________________________________________ 10 Concretos e Argamassas Prof. obtendo-se.8 kg Pedregulho: 4. obtém-se 3. coloca-se água no interior do frasco até sua marca padrão de 200 ml. A massa específica é definida como a massa do material por unidade de volume. A água subirá no gargalo do frasco até uma certa marca (L).65 kg/dm3 = 1. empregando-se as proporções de areia e pedregulho especificadas anteriormente.edu. para 1 m3 de concreto (1000l) serão precisos: 1 x 1000/3.65 kg/dm3 Água: 1 kg/dm3 Temos os volumes de “cheios” deste material: Cimento: 1 / 3.8 kg / 2.81 litros Água: 0.07 litros Pedregulho: 4.7 dm3 = 0.8 kg / 2.7 litros Se com 1 kg de cimento.7 kg / 1 kg/dm3 = 0.10 = 0.32 litros Areia: 2.8 kg Água: 0.E = ρ = Para que serve a massa específica? 500 kg / l L − 200 Seja o traço em peso de um concreto.62 kg/dm3 Pedregulho: 2. incluindo os poros internos das partículas. a massa específica varia entre 2600 e 2700 kg/m3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. introduz-se cuidadosamente o material. M.

os resultados encontrados por 0.90: Cimento: 0. na dosagem de concretos. incluindo na medida deste volume os vazios entre os grãos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sua determinação deverá ser feita em recipiente.4 kg/dm3= 2.90 = 1.U = Massa do recipiente cheio − tara Capacidade do recipiente Para que serve a massa unitária? Seja o traço em massa de concreto com materiais secos: Cimento: 1 kg Areia: 2. de tal forma que não exista espaços vazios.8 kg Pedregulho: 4. é obtida pelo quociente: M. O termo massa unitária é assim relativo ao volume ocupado por ambos: agregados e vazios. neste caso.8 kg / 1.33 dm3 Traço transformado para volume: 1. com forma de paralelepípedo. Após cheio.22 dm3 Pedregulho: 3.90 dm3 / 0. Definindo massa unitária de outra maneira.6 kg/dm3 = 3. o material deverá ser lançado de uma altura que não exceda a 10 cm da boca. ou também.1 kg/dm3 = 0.edu. de transformar um traço em massa para volume e vice-versa. tal fenômeno surge porque não é possível empacotar as partículas dos agregados juntas. expressa em kg/dm3.00 dm3 Pedregulho: 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . isto é.1 kg/dm3 Areia: 1.90 = 3. para cálculos de consumo de materiais a serem empregados no concreto. No caso do agregado graúdo.22 : 3.00 dm3 Como em todo traço unitário de concreto o cimento é sempre a unidade de medida.4 kg/dm3 Pedregulho: 1.00 dm3 Areia: 2. a superfície é regularizada de modo a compensar as saliências e reentrâncias das pedras. A importância de se conhecer a massa unitária aparente vem da necessidade. A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados em concreto normal varia de 1300 a 1750 kg/m3.00 : 2.00 dm3 / 0. A massa unitária.33 ______________________________________________________________________________ 11 Concretos e Argamassas Prof.90 dm3 Areia: 2.8 kg Conhecendo-se as massas unitárias ou aparentes para: Cimento: 1. a superfície do agregado é rasada e nivelada com uma régua.Massa Unitária! O que é isto? Segundo a NBR 7810 a massa unitária é a massa da unidade de “volume aparente” do agregado.00 dm3 / 0. Quanto ao enchimento do recipiente.90 = 2. de volume nunca inferior a 15 litros.6 kg/dm3 Temos o traço em volume correspondente: Cimento: 1 kg /1. dividiremos.8 kg / 1. poderíamos dizer que massa unitária é definida como a massa das partículas do agregado que ocupam uma unidade de volume.

sempre. apresentará.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Compacidade (c): é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o volume total do agregado. um menor volume de vazios. porém a quantidade destes espaços vazios é bastante superior. c= Vg Va ______________________________________________________________________________ 12 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. entretanto. por isso podemos dizer que os totais de espaços vazios nos agregados miúdos e graúdos independem do tamanho máximo dos grãos.Índice de Vazios: é a relação entre o volume total de vazios e o volume total de grãos. i= Agregado Miúdo V v V g Agregado Graúdo No caso dos agregados miúdos o espaço intergranular é menor que nos agregados graúdos. A mistura de agregados miúdos e graúdos.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Área específica: é a soma das áreas das superfícies de todos os grãos contidos na unidade de massa do agregado. A forma dos grãos de brita é irregular e sua superfície extremamente rugosa. A areia pode originar-se de rios. Utilizações da areia natural: • Preparo de argamassas. dizse que ele tem maior finura. destinados a interceptar o fluxo de água de infiltração em barragens de terra e em muros de arrimo. devido a sua grande permeabilidade. constitui o material de correção do solo (sub-base). a área da superfície de uma esfera de igual diâmetro. • Concreto de cimento • Pavimentos rodoviários • Filtros constitui o agregado miúdo dos concretos). O mesmo ocorre com as areias de dunas próximas do litoral. em geral. para a mesma granulometria. contudo. de cavas (depósitos aluvionares em fundos de vales cobertos por capa de solo) ou de praias e dunas.Finura: quando um agregado tem seus grãos de menor diâmetro que um outro. a areia é utilizada para a construção de filtros. Agregados Naturais: Areia natural: considerada como material de construção. os agregados com grãos mais regulares têm menor superfície específica. As areias das praias não são usadas. areia é o agregado miúdo. Admite-se para área da superfície de um grão. a areia entra na dosagem dos inertes do concreto betuminoso e tem a importante propriedade de impedir o amolecimento do concreto betuminoso dos pavimentos de ruas nos dias de intenso calor).edu. superfície de área maior que a esfera.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ______________________________________________________________________________ 13 Concretos e Argamassas Prof. o grão real tem. para o preparo de concreto por causa de sua grande finura e teor de cloreto de sódio. • Concreto betuminoso juntamente com fíler.

15 /4.8mm. O cascalho também pode ser de origem litorânea marítima. O concreto executado com pedregulho é menos resistente ao desgaste e à tração do que aquele fabricado com brita. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Classificação do autor Falcão Bauer em seu livro “Materiais de construção” Denominação Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 Diâmetro (mm) 1.075mm. é um sedimento fluvial de rocha ígnea.20.15 mm.Seixo rolado ou cascalho: também denominado pedregulho.075 mm).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento e passam na peneira 200 (0.8 a 19 19 a 38 25 a 50 50 a 76 Areia de brita ou areia artificial: agregado obtido dos finos resultantes da produção da brita. pelo processo industrial da cominuição (fragmentação) controlada da rocha maciça.5 4. na proporção 1 para mais ou menos 1. Fíler: agregado de graduação 0. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. já que o ideal é que os miúdos ocupem os vãos entre os graúdos. podendo os grãos maiores alcançar diâmetros até superiores a cerca de 100 mm. É chamado de pó de pedra.edu. Deve ser de granulação diversa.005/0. O pedregulho deve ser limpo. Agregados Artificiais Pedra britada: agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em jazidas. formado de grãos de diâmetro em geral superior a 5 mm. dos quais se retira a fração inferior a 0. lavado antes de ser fornecido. ______________________________________________________________________________ 14 Concretos e Argamassas Prof.2 a 9. Sua graduação é 0. inconsolidado. quer dizer.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com graduação aproximada de 0/300mm. ______________________________________________________________________________ 15 Concretos e Argamassas Prof. Não obstante isso. Será secundária quando deixar o britador secundário. trata de agregado para concreto. de dimensões entre 76 e 250 mm. Blocos: fragmentos de rocha de dimensões acima do metro. dependendo da regulagem e tipo de britador. A tecnologia do concreto evoluiu. Será primária quando deixar o britador primário. A NBR 7211. Restolho: material granular. Rachão: agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. para preencher vazios. Pode conter uma parcela de solo. e apesar de as curvas granulométricas médias dos agregados comerciais não coincidirem totalmente com as curvas médias das faixas da Norma. Bica-corrida: material britado no estado em que se encontra à saída do britador. de modo que o pó de pedra é usado em grande escala. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. depois de devidamente reduzidos em tamanho. É a fração acima de 76 mm da bica corrida primária. É também usado o pó de pedra. com graduação aproximada de 0/76mm. Pode ser classificada em primária ou secundária. na preparação da argamassa betuminosa. A NBR 9935 define rachão como “pedra de mão”. que. de grãos em geral friáveis (que se partem com facilidade).O fíler é utilizado nos seguintes serviços: • • • • na preparação de concretos. na adição a cimentos. apesar de ter ele distribuição granulométrica não coincidente com a do agregado miúdo padronizado para concreto (areia). São empregados principalmente o pedrisco. que padroniza a pedra britada nas dimensões hoje consagradas pelo uso. emprega-se o agregado em extensa gama de situações: • concreto de cimento: o preparo de concreto é o principal campo de consumo da pedra britada. a pedra 1 e a pedra 2. como espessante de asfaltos fluidos. vão abastecer o britador primário.edu.

Aterros: podem ser feitos com restolho. Pavimentos rodoviários: para este emprego. de apresentar formação de gases quando aquecida a altas temperaturas (acima de 1000oC). 2 e 3. em proporções muito variáveis. precisa ser dotada da propriedade de piroexpansão. seja concreto estrutural ou pré-moldados – com resistência de até fck 30MPa. alto índice de suporte do que quando se usam solos argilosos. São usados: fíler. ferro. misturando-se diversos agregados comerciais. constituído de grãos lamelares de dimensões inferiores a dois micrômetros. obtendo-se mais facilmente.• Concreto asfáltico: o agregado para concreto asfáltico é necessariamente prédosado. magnésio e outros elementos. graduações estas que diferem das pedras britadas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . areias. Agregados Industrializados 1) Agregados Leves a) Argila expandida: a argila é um material muito fino. O principal uso que se faz da argila expandida é como agregado leve para concreto. • • Argamassas: em certas argamassas de enchimento. isto é. Nem todas as argilas possuem essa propriedade. pedras 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e consta praticamente de pedra 3. podem ser usados a areia de brita e o pó de pedra. • • • Lastro de estradas de ferro: este lastro está padronizado pela NBR 5564. seja concreto de enchimento. de silicato de alumínio e óxidos de silício. formada. além da baixa ______________________________________________________________________________ 16 Concretos e Argamassas Prof. a NBR 7174 fixa três graduações para o esqueleto e uma para o material de enchimento das bases de macadame hidráulico. Isto se deve ao ter ele de satisfazer peculiar forma de distribuição granulométrica.edu. Para se prestar para a produção de argila expendida. O concreto de argila expandida. Correção de solos: usa-se o pó de pedra para correção de solos de plasticidade alta. de traço mais apurado.

ao sair do alto forno (escória bruta). Usa-se a escória expandida como agregado graúdo e miúdo no preparo de concreto leve em peças isolantes térmicas e acústicas. b) Escória de alto-forno: é um resíduo resultante da produção de ferro gusa em altos-fornos. a escória expandida.densidade de 1. aproximadamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . produzindo-se. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pode produzir um agregado graúdo.5/32 mm. apresenta muito baixa condutividade térmica – cerca de 1/15 da do concreto de britas de granito. resulta a escória granulada. contra 26 do concreto de brita de granito ou de basalto. A escória simplesmente resfriada ao ar. uma vez britada. Blocos e painéis pré-moldados usando argila expandida prestam-se bem a ser usados como isolantes térmicos ou acústicos. A vermiculita expandida tem os mesmos empregos da argila expandida.4. constituído basicamente de compostos oxigenados de ferro. com resistência a 28 dias da ordem de 8-20 MPa e densidade da ordem de 1. a escória é resfriada com jatos de água fria. e também em concreto estrutural.8. 2) Agregados Pesados a) Hematita: a hematita britada constitui os agregados miúdo e graúdo que são usados no preparo do concreto de alta densidade (dito “concreto pesado”) destinado à absorção de radiações em usinas nucleares (escudos biológicos ou blindagens). após receber um jato de vapor. então. Normalmente. que pode variar de 6 a 15 kN/m3. no que são auxiliados pela baixa densidade do material. c) Vermiculita: é um dos muitos minérios da argila.0 a 1. silício e alumínio. de que resulta um agregado da ordem de 12. A escória granulada é usada na fabricação do cimento Portland de alto-forno. O grau de absorção cresce com o aumento da densidade do concreto ______________________________________________________________________________ 17 Concretos e Argamassas Prof. que permite obter um agregado miúdo de graduação 0/4. Quando é imediatamente resfriada em água fria.edu.8mm.

necessário conhecer quais são as parcelas constituídas de grãos de cada diâmetro.a) Barita: pela sua alta densidade. Para caracterizar um agregado é. Para conseguir isto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . expressa em porcentagem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a) Peneiras (Série Normal e Série Intermediária): conjunto de peneiras sucessivas. divide-se. expressas em função da massa total do agregado. Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo material retido por peneira e acumulado. a massa total em faixas de tamanhos de grãos e exprime-se a massa retida de cada faixa em porcentagem da massa total. dos diferentes tamanhos de grãos que se encontram constituindo um todo. que atendem a NBR 5734. então. Exigências normativas da NBR 7211 1) Granulometria: define a proporção relativa.edu. por peneiramento. com as seguintes aberturas discriminadas: ______________________________________________________________________________ 18 Concretos e Argamassas Prof. a barita também é usada no preparo de concretos densos. A granulometria dos agregados é característica essencial para estudo das dosagens do concreto.

5 mm 6.2 mm 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.PENEIRAS Série Normal 76 mm 38 mm 19 mm 9.2 0.3 mm 4.5 mm 6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em massa.8 mm 2.15 mm Zona 1 (muito fina) 0 0a3 0a5 0a5 0 a 10 0 a 20 50 a 85 85 a 100 Zona 2 (fina) 0 0a7 0 a 10 0 a 15 0 a 25 21 a 40 60 a 88 90 a 100 Zona 3 (média) 0 0a7 0 a 11 0 a 25 10 a 45 41 a 65 70 a 92 90 a 100 Zona 4 (grossa) 0 0a7 0 a 12 5 a 40 30 a 70 26 a 85 80 a 95 90 a 100 * Pode haver uma tolerância de até um máximo de cinco unidades de porcento em um só dos limites marcados com o (*) ou distribuídos em vários deles.4 mm 1.3 mm 0.300 0.600 0.150 Série Intermediária 64 mm 50 mm 32 mm 25 mm 12.5 4. ______________________________________________________________________________ 19 Concretos e Argamassas Prof.6 mm 0.4 mm 1. retida acumulada na peneira ABNT Peneira ABNT 9.edu.8 mm 2.3 - b) Limites granulométricos do agregado miúdo Porcentagem.

8 2.3 0.6 0. Exemplo: PENEIRAS (mm) 4.5 6. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 4.30 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - d) Módulo de finura (Mf): é a soma das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4 0 0 – 10 80 – 100 95 – 100 Classificação (Graduação) 1 0 0 .edu. nas peneiras da série normal.c) Limites granulométricos do agregado graúdo A NBR 7211 classifica os agregados graúdos segundo a tabela abaixo: Porcentagens retidas acumuladas Peneiras 0 76 63 50 38 32 25 19 12.5 9. dividida por 100.15 Fundo MATERIAL RETIDO (g) 30 70 140 320 300 120 20 Σ = 1000g % SIMPLES % ACUMULADO ______________________________________________________________________________ 20 Concretos e Argamassas Prof.8 2.4 1.2 0.10 80 – 100 92 – 100 95 – 100 - 2 0 0 – 25 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - 3 0 0 – 30 75 – 100 87 – 100 95 – 100 - 4 0 0 .

Atenção! Os módulos de finura para a areia.71 Grossa: MF > 2. cúbicos. lamelares e discóides. largura (l) e espessura (e). Na tabela anterior todas as peneiras são da série normal.Obs. em mm. o diâmetro máximo do agregado é 4. que definem o coeficiente de forma.12 < MF < 2. 2) Forma dos grãos: os grãos dos agregados não tem forma geometricamente definida. da peneira listada na tabela 6.71 e) Dimensão Máxima (Dm) : grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado. ______________________________________________________________________________ 21 Concretos e Argamassas Prof. conforme sejam as relações entre as três dimensões.edu. a) Quanto às dimensões: Com relação ao comprimento (l).72 < MF < 2. por isso para o cálculo do módulo de finura somou-se todos os percentuais retidos acumulados.8 mm.8 mm que o percentual retido acumulado é igual ou imediatamente inferior a 5%.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os agregados classificam-se em alongados.11 Média: 2.5mm Brita 2→ (Dm) = 25mm Brita 3→ (Dm) = 38mm Brita 4→ (Dm) = 76mm Brita 5→ (Dm) = 100mm Na tabela acima. pois é na peneira 4. à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. correspondente à abertura de malha quadrada.71 Fina: 1. variam entre os seguintes limites: Muito fina: MF < 1. As britas podem ser classificadas em: Brita 1→ (Dm) = 12. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Aquelas partículas cuja espessura é relativamente pequena em relação as outras duas dimensões são chamadas de lamelares ou achatadas. e também nos depósitos eólicos em zonas marítimas. Agregados de rochas britadas possuem vértices e arestas bem definidos e são chamados angulosos. A influência da forma é mais acentuada nos agregados miúdos.edu. como é o caso das areias e seixos rolados formados nos leitos dos rios. por exemplo. enquanto aquelas cujo comprimento é consideravelmente maior do que as outras duas dimensões são chamadas de alongadas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Argamassas de revestimento. b) Quanto à conformação da superfície: Partículas formadas por desgaste superficial contínuo tendem a ser arredondadas. se preparadas com areia artificial. pela perda de vértices e arestas. tendo geralmente uma forma bem arredondada. constituindo o que se chama de argamassas duras. à trabalhabilidade e ao ângulo de atrito interno. A forma dos grãos tem efeito importante no que se refere à compacidade. arenitos e folhelho tendem a produzir fragmentos alongados e achatados. ______________________________________________________________________________ 22 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. arredondados: quando não apresentam arestas vivas (seixos). defeituoso: quando apresentam trechos convexos. ficam tão rijas que não se podem espalhar com a colher. c) Quanto à forma das faces: • • conchoidal: quando tem uma ou mais faces côncavas. • • angulosos: quando apresentam arestas vivas e pontas (britas). especialmente quando são usados britadores de mandíbula no beneficiamento.Calcários estratificados.

contra 70 a 90% na brita de basalto. O granito produz grãos de melhor forma que o basalto. Tornam as argamassas mais trabalháveis que os artificiais. O cascalho apresenta 92.Os agregados naturais tem grãos cubóides. além disso. que produz apreciável quantidade de grãos lamelares. 3) Substâncias nocivas: são aquelas existentes nas areias ou britas que podem afetar alguma propriedade desejável no concreto fabricado com tal agregado. devido a maior aderência dos grãos à argamassa. concretos de agregados de britagem têm maiores resistências ao desgaste e à tração. A presença de areias ou argila. a forma dos grãos depende da natureza da rocha e do tipo de britador.5 % .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . contra as superfícies angulosas e extremamente irregulares dos grãos dos agregados industrializados. Apesar disso. Torrões de Argila Afeta trabalhabilidade Resistência Abrasão ______________________________________________________________________________ 23 Concretos e Argamassas Prof.edu. sendo os grãos lamelares os mais prejudiciais. maior resistência à desgraduação (alteração da distribuição granulométrica por quebra de grãos). para a resistência de concreto e argamassas e o seu teor é limitado a 1. a) Torrões de Argila São denominadas todas as partículas de agregado desagregáveis sob pressão dos dedos (torrões friáveis). Nos agregados artificiais. sob a forma de torrões é bastante nociva.28% de grãos cúbicos. Apresentam. de superfície arredondada e lisa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Concretos preparados com agregados de britagem exigem 20% mais água de amassamento do que os preparados com agregados naturais.

de um modo geral. Os finos. propiciam maiores alterações de volume nos concretos.075 mm. e portanto passando na peneira de 0. ______________________________________________________________________________ 24 Concretos e Argamassas Prof. aumentam a exigência de água para uma mesma consistência. constituído de silte e argila. quando presentes em grandes quantidades. intensificando sua retração e reduzindo sua resistência. mas em grande quantidade chegam a escurecer a argila.b) Material Pulverulento As areias contém uma pequena percentagem de material fino.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. A cor escura da areia é indício de matéria orgânica (exceto para agregado resultante de rocha escura como o basalto) as impurezas orgânicas formadas por húmus exercem uma ação prejudicial sobre a pega e o endurecimento das argamassas e concretos. porém poderá arrastar os grãos mais finos da areia. A argila da areia pode ser eliminada por lavagem. reduzindo a trabalhabilidade • • 3% para concreto submetido a desgaste superficial 5% outros concretos Material passante na peneira de 75 µm Afeta durabilidade c) Impurezas Orgânicas Aumenta consumo de água A matéria orgânica é a impureza mais freqüente nas areias. Ensaio colorímetrico Indica a existência ou não de impurezas orgânicas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. São detritos de origem vegetal na maior parte. São partículas minúsculas. Os finos de certas argilas.

d) Materiais carbonosos Partículas de carvão. f) Sulfatos Podem acelerar e em certos casos retardar a pega do cimento. linhito. Máximo de 0. madeira.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . São considerados prejudiciais pois são materiais de baixa resistência.edu. • Nas argamassas geram o aparecimento de eflorescências e manchas de umidade. Diminuem também a resistência à abrasão. Carvão Afeta trabalhabilidade e) Cloretos Causa manchas Em presença excessiva podem causar certos problemas. diminuindo a resistência do concreto.5 % para concretos onde a aparência é importante e 1% para os demais concretos. que por sua constituição e forma podem ser prejudicial ao concreto) ______________________________________________________________________________ 25 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Cuidado com alguns aditivos aceleradores de pega que contém cloretos (não usar em concreto protendido). Dão origem e expansão no concreto pela formação de etringita (formação mineral. • No concreto aceleram o processo de corrosão do aço.

______________________________________________________________________________ 26 Concretos e Argamassas Prof. Seus produtos são géis alcalinos e materiais cristalinos expansivos que.6% quando os agregados utilizados para produção de concretos contiverem tais minerais. com conseqüente aumento da permeabilidade e diminuição da resistência química do concreto a agentes externos. ocorrem preferencialmente em concretos de barragens ou em estruturas de fundações. o teor máximo de álcalis para os cimentos é determinado em 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Experimentalmente.edu.g) Reatividade Álcali-Agregado (ou Reatividade Potencial) As reações álcali-agregado são processos químicos que envolvem os álcalis do cimento e agregados cujas características minerais ou texturais os tornam reativos. dos agregados. promovem a abertura e propagação das descontinuidades. eventualmente. A caracterização das reações álcali-agregado através de seus produtos permite avaliar o grau de comprometimento da estrutura e balizar eventuais ações para minimização dos danos decorrentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Por serem processos químicos favorecidos pela variação de umidade. desenvolvendo-se em fissuras e vazios da argamassa e.

Saturado apresenta água livre na superfície. sem estar saturado Seco superfície seca.edu.Umidade e Inchamento dos agregados È importante conhecer o teor de umidade dos agregados (principalmente os miúdos). ______________________________________________________________________________ 27 Concretos e Argamassas Prof. Deste afastamento resulta o inchamento. CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS Seco em estufa aquecimento a 100oC toda umidade. Ensaios mostram que a água livre aderente aos grãos provoca um afastamento entre eles. INCHAMENTO A areia na obra apresenta-se normalmente úmida e o teor de umidade varia normalmente de 4 a 6%. devido ao fenômeno do inchamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. externa ou interna foi eliminada por um Seco ao ar quando não apresenta umidade superficial. tendo porém umidade interna. sem água livre. Teor de umidade (%) razão entre a massa de água contida numa amostra e a massa desta amostra seca. estando porém preenchidos os vazios permeáveis das partículas dos agregados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

após ______________________________________________________________________________ 28 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.O inchamento depende da composição granulométrica e do grau de umidade. É maior para areias mais finas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. O inchamento aumenta com o acréscimo de umidade até um teor de 4 a 6%. sendo que nesta faixa se dá o inchamento máximo estes teores o inchamento decresce.

edu.Algumas fórmulas para o cálculo de umidade e inchamento nos agregados miúdos: h% = Págua Pareia seca × 100 Págua = Pah − Pas Ch h = 100 Vah − Vas Vas Vah − Vas × 100 Vas h ⎞ ⎛ Pah = Pas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ Ci = I ⎞ ⎛ Vah = Vas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ I% = Ci = d as (1 + C h ) − 1 d ah Vah = Pah d ah Vas = Pas d as h% = percentual de umidade I% = percentual de inchamento Vah= volume de areia úmida Vas = volume de areia seca Pah = peso de areia úmida Pas = peso de areia seca das = massa unitária da areia seca dah = massa unitária da areia úmida Ci = coeficiente de inchamento Ch = coeficiente de umidade ______________________________________________________________________________ 29 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

tomando as mais diversas formas e resistências simples secagem e/ou conseqüência de reações químicas Endurecimento aderindo à superfície a quais estão em contato.edu. • Apresentam-se na forma pulverulenta (mais comum) e quando misturados com água tem a capacidade de aglutinar. Função • • Aglutinação e colagem dos componentes e elementos Preenchimento de vazios existentes no conjunto aglomerante pasta argamassa + + + água agregado miúdo agregado graúdo PASTA ARGAMASSA CONCRETO _________________________________________________________________________ 30 Concretos e Argamassas Prof. gesso. cal hidráulica Materiais naturais ou artificiais que em estado plástico ou fluído. São utilizados como pastas ou como agregados inertes. inertes e que ao endurecerem (física ou quimicamente).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . cal aérea.AGLOMERANTES CONSIDERAÇÕES INICIAIS São produtos utilizados na Construção Civil para fixar ou aglomerar materiais entre si. aglutina-os. Ex: cimento (vários tipos). Caracterização envolvem outros materiais sólidos. na confecção de argamassas ou concretos utilizados na construção civil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Contudo. filler calcário. depois de endurecida. por aquecimento de rochas calcárias ou gipsíferas ao redor de fogueiras. a hidratação do material calcinado resultaria uma pasta aglomerante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Consideração inicial sobre as matérias-primas Pelo grande volume normalmente envolvido quando se fala de aglomerantes na construção civil. causar o menor impacto ambiental possível. cinza de bagaço de cana. Por isto é muito comum hoje em dia o uso de adições. cinzas volantes. em contato com umidade. seja na produção de cimentos. etc. devemos levar em conta alguns aspectos quando da produção do mesmo: ASPECTO TÉCNICO pureza as MPs deve ser abundante na natureza e apresentar certa ASPECTO ECONÔMICO aproveitamento apresentar boas condições econômicas o seu ASPECTO AMBIENTAL adição ao concreto metacaulim. a argila torna-se instável. havendo registros de sua utilização em 2700 a. na pirâmide de Quéops.C. ou na argila calcinadas.edu. Apesar de ser quimicamente inativa. escórias de alto forno. etruscas e romanas. a cal foi empregada em construções egípcias. dolomitos. gregas. cinza de casca de arroz. para aumentar sua resistência mecânica. pozolonas. _________________________________________________________________________ 31 Concretos e Argamassas Prof. A descoberta dos aglomerantes quimicamente ativos pode ter sido acidental. chegando a atingir alguma resistência mecânica. para se utilizar um aglomerante comercialmente. por exemplo. As pozolanas (solos ou cinzas vulcânicas) eram usadas por gregos e romanos em argamassas de cal e areia. Registros históricos indicam que a argila tenha sido o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem na construção de suas edificações. em seguida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . foi encontrado em algumas edificações egípcias. O gesso. a argila endurece em conseqüência da evaporação da água de amassamento.

inicia-se a fase de endurecimento. O interesse se fixa nos aglomerantes quimicamente ativos. reversibilidade do processo. Ex.: Para o cimento Portland. a) Início e fim da pega: o tempo de início de pega é contado a partir do lançamento da água no aglomerante. O fim da pega ocorre quando a pasta se solidifica completamente. O fim da pega pode acontecer entre 6 a 10 horas após a mistura.edu. A pega se dá quando a pasta começa a perder sua plasticidade. altas resistências físico-mecânicas e estáveis. Daí uma nova divisão pode ser feita: • necessitam estar em contato com o AR para que o processo de cales aéreas. o início da pega dá-se após no mínimo 1 hora depois da mistura do mesmo com a água. o que será conseguido somente após anos. que é o aglomerante mais importante. gesso e cimentos endurecimento Quimicamente ativos decorrente de reação química. não significando que ela tenha adquirido toda sua resistência. • cales. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO Uma divisão inicial pode ser feita: • misturas argilosas endurecimento ao ambiente. Após o fim da pega. gesso Aéreos endurecimento se manifeste • Hidráulicos do ar o endurecimento pode se efetivar. independente da presença cales hidráulicas e cimentos. Quimicamente inertes baixas resistência mecânicas. mas seu endurecimento continua obedecendo mais ou menos às seguintes relações: _______________________________________________________________________________ 32 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

– início de pega após 90 minutos. obtido pela desidratação total ou parcial da Gipsita – aglomerante já utilizado pela humanidade há mais de 4. a Gipsita é encontrada em jazidas no Norte e Nordeste. o anidrito sulfúrico (SO3) e o anidrido carbônico (CO2) .500 anos. hidratado com 2 moléculas de água. no máximo. A Gipsita é o sulfato de cálcio mais ou menos impuro. GESSO Definição É um aglomerante aéreo (endurece pela ação química do CO2 do ar).edu. 130% Resistência 28 dias Classificação quanto ao início de pega dos Aglomerantes : • • • • • aglomerantes de pega ultra rápida aglomerantes de pega rápida aglomerantes de pega normal aglomerantes de pega lenta aglomerantes de pega muito lenta – início da pega até 8 minutos.• • • • Resistência 3 dias ≈ Resistência 7 dias ≈ Resistência 91 dias ≈ Resistência 1 ano ≈ 40% Resistência 28 dias. cujas reservas são calculadas em 407 milhões de toneladas. a alumina (Al2O3). Sua fórmula química é CASO4 + 2 H2O e suas impurezas – que.são o silício (SiO2). _______________________________________________________________________________ 33 Concretos e Argamassas Prof. no Egito. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. gesso Paris ou gesso de pega rápida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a cal (CaO). Sua desidratação é feita através do cozimento industrial (fornos). 60% Resistência 28 dias 120% Resistência 28 dias. – início de pega de 8 a 30 minutos. – início de pega após 6 horas. No Brasil. Conhecido também com os nomes de gesso de estucador. – início de pega de 30 a 90 minutos. o carbonato de cálcio (CaCO3). o óxido de ferro (Fe2O3). indicam 6% .

sendo. e que. _______________________________________________________________________________ 34 Concretos e Argamassas Prof. transforma-se em hemidrato.5 H2O gesso hemidrato Esse gesso hemidrato é conhecido como gesso rápido (quanto à pega). na presença desta. utilizado na construção civil) . gesso estuque ou gesso Paris e endurece entre 15 e 20 minutos. portanto. o gesso torna-se anidro (sem água) e o resultado é a formação de anidrita solúvel. rapidamente. ávida por água. participando do conjunto como material de enchimento . d) Entre 900 e 1200ºC. este retrai bem menos do que sua dilatação inicial. formando um produto de pega lenta (pega entre 12 e 14 horas) chamado de gesso de pavimentação. Nessa temperatura. b) A partir de 250ºC. gesso hidráulico . 2H2O + calor → (CaSO4 . (600ºC) CaSO4 . a gipsita perde ¾ partes de sua água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3% e. passando de diidrato para hemidrato. conhecido como hemidrato (B). após seu endurecimento.edu. (140ºC) CaSO4 . realizadas com pressão atmosférica ordinária. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o gesso sofre a separação do SO3 e da CaO. são queimadas na temperatura entre 130 e 160ºC. ½ H2O) + 1. apresentando uma dilatação linear de 0. muito usado em moldagem. que é mais solúvel que o diidrato (o hemidrato apresenta-se como sólido micro poroso mal cristalizado.EFEITOS DA QUEIMA a) As pedras de gipsita. 2H2O + calor → CaSO4 + 2H2O) anidro insolúvel c) Entre 400 e 600ºC. transformando-se num material inerte. a anidrita torna-se insolúvel e não é mais capaz de fazer pega. depois da britagem e trituração.

Auxilia no equilíbrio da umidade do ar em ambientes fechados por ser material higroscópico. É um material que tem bom isolamento térmico e acústico. _______________________________________________________________________________ 35 Concretos e Argamassas Prof. colunas. forros.edu. Sua plasticidade permite produzir formas e elementos diferenciados. Porém em contato com a água perde em muito sua resistência mecânica. divisórias. sendo mais recomendado para ambientes internos. fez com que a sua aplicação na construção civil tivesse um acelerado crescimento. paredes e suportes.HISTÓRICO DO GESSO O gesso faz parte de nossa vida cotidiana deste tempos imemoriais. tornou-se um ótimo material para arquitetura de interiores. Em 1885. Nos Estados Unidos o uso na construção civil iniciou-se em 1835. No século XIX foi se incorporando à arquitetura e construção como reboco e elemento de decorativo em palácios e vivendas. Tudo isto porque tem uma grande adaptabilidade. com a descoberta de um método para retardar o tempo de paga. Tem estado presente na vida do homem desde a mais remota antiguidade. Neste período românico foi empregue em afrescos para decoração de igrejas e capelas. Durante a ocupação romana na Península Ibérica generalizou-se o seu uso. Na arquitetura muçulmana antiga aparece em elementos ornamentais. arcos. Por sua facilidade de moldagem. Tem sido usado desde o período Neolítico como material cimentante.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . alimentação ou até na medicina. Há 5000 anos foi utilizado no interior de pirâmides egípcias aplicado em paredes. tais como sancas. etc. decoração. seja na construção. facilidade de aplicação e algumas características que veremos adiante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Algumas aplicações Alguns cuidados _______________________________________________________________________________ 36 Concretos e Argamassas Prof.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em torno de 19% de massa do mesmo . Se a pega for muito rápida. reduzindo a produtividade do gesseiro.edu. Resistência à compressão As pastas de gesso têm resistência à compressão entre 10 MPa e 27 MPa. A quantidade ótima de água a ser utilizada no gesso é. Mas existem aditivos que podem acelerar ou retardar essa pega do gesso. mais lenta se dá a pega e o endurecimento. Como aceleradores de pega. A queda de produtividade é acompanhada do aumento de desperdício de material. _______________________________________________________________________________ 37 Concretos e Argamassas Prof. pois formam membranas protetoras entre os grãos. pois quanto mais água. Como retardador de pega. podem-se utilizar no gesso: Sal de cozinha / alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio) / sulfatos de alumínio e potássio e o próprio gesso hidratado. A quantidade d’água funciona negativamente no fenômeno de pega.1% da massa de gesso. A presença de impurezas diminui muito a velocidade de pega.PROPRIEDADES DO GESSO Tempo de pega É uma das propriedades mais importante. podem ser misturados ao gesso: açúcar / álcool / cola / serragem fina de madeira / sangue e outros produtos de matadouros (chifres e cascos). na proporção de 0. o preparo da pasta fica condicionado a pequenos volumes. isolando-os. Dureza As pastas de gesso têm dureza entre 14 MPa e 53 MPa. os gessos nacionais têm início de pega entre 3 e 16 minutos e fim de pega entre 5 e 24 minutos. normalmente. Tais produtos retardam a pega. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Em geral.

pedra e revestimentos argamassados. emendar. perfurar. eliminando a água de cristalização com o calor. Muito usado como proteção contra incêndio. tanto mais facilmente quanto maior for a quantidade de água da pasta. fácil de cortar. Em função da corrosão usar ferramentas de latão ou plástico para trabalhar com gesso.edu. pois absorve grande quantidade de calor. transformando-se em sulfato anidro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. estes acabam sendo corroídos pelo gesso. que protege a camada interior de gesso. sua aderência é insatisfatória e apesar de aderir bem ao aço e outros metais. transformando a superfície do revestimento em sulfato anidro em forma de fino pó. Em superfícies de madeira. aparafusar.Isolamento térmico e acústico O gesso é um bom isolante térmico e acústico e tem elevada resistência ao fogo. _______________________________________________________________________________ 38 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Aderência As pastas de gesso aderem bem a blocos. Outras características Aceita qualquer tipo de pintura.

tintas. Gesso Negro : 55% de peso hemidratado. mais tarde. siderurgia. formando assim uma argamassa que era preparada pelo mesmo processo ainda hoje adotado e que consiste na extinção (adição de água) de pedras de calcário cozidas. CAL AÉREA A cal é um aglomerante aéreo utilizado em diversos seguimentos como: construção civil. fabricação de vidro.) _______________________________________________________________________________ 39 Concretos e Argamassas Prof. de cor branca e também com finura adequada quando moído . de cor cinza devido às impurezas e com granulometria menor do que o gesso Escaiola ou Branco . tratamento de água e efluentes industriais. açúcar. os etruscos e. aplicações botânicas. de cor branca. papel e celulose. com finura adequada quando moído . já utilizavam a cal como alomerante. Sabe-se que os antigos descobriram também que a mistura dessa cal aérea com pozolanas (naquela época. obtendo-se assim uma pasta ligante que recebe adição de areia. medicinais e veterinárias.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . HISTÓRICO Comprovadamente.Classificação comercial dos gessos Gesso Escaiola : gesso com 80% de peso hemidratado. misturando-a com areia. pois para seu endurecimento necessita da reação química do CO2 (gas carbônico) existente na atmosfera. terras de origem vulcânica.edu. graxas. metalurgia. os gregos. os romanos. Essa cal que é denominada de cal aérea. Gesso Branco : 66% de peso hemidratado. não possui grande resistência mecânica e não pode ficar sujeita à ação da água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. cinzas vulcânicas etc. pois “amolece”.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. óxidos metálicos de ferro e manganês.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . transformavam-na em uma espécie de cal hidráulica – que resiste à ação da água depois de endurecida. misturados à cal aérea. silicatos argilosos.edu. A pozolana mais conhecida àquela época provinha das vizinhanças da cidade de Pozzuoli. matéria orgânica. Após a britagem e classificação da matéria-prima passa por uma moagem e é conduzida ao forno de calcinação. _______________________________________________________________________________ 40 Concretos e Argamassas Prof. como é o caso da calcita (CaCO3) e da dolomita (CaCO3 . fluoretos e brucita. sulfetos. fosfatos. tendo assim recebido o nome de pozolana todos esses produtos naturais e artificiais que. mesmo quando submetidas à ação da água. MgCO3). Entre as impurezas encontradas nestas rochas encontram-se: quartzo.melhoravam significativamente a resistência dessas argamassas . bem como tijolos e telhas de barro triturados. Os gregos empregavam muito as terras vulcânicas da ilha Santorim e os romanos utilizavam uma cinza vulcânica encontrada em diversos pontos da baía de Nápoles. sulfatos. FABRICAÇÃO A cal é produzida a partir de rochas calcárias com elevados teores de carbonato de cálcio.

presente na atmosfera. A carbonatação produz-se lentamente do exterior para o interior e o seu processamento é tanto mais lento quanto mais lisa for a superfície.Na calcinação (cozimento) do calcário. funcionando a água como catalisador. O produto resultante da calcinação. _______________________________________________________________________________ 41 Concretos e Argamassas Prof. possibilita essa combinação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . deve passar por um processo de hidratação antes de ser utilizada como aglomerante. na argamassa fresca. Isto porque. também conhecido como extinção da cal.edu. uma recombinação dos hidróxidos (Ca(OH)2) com o gás carbônico. dissolvendo ao mesmo tempo a cal e o CO2. decompondo o carbonato de cálcio (CaCO3) em óxidos de cálcio (cal virgem) e anidros carbônicos (CO2). O processo de hidratação da cal virgem. a cal virgem. Essa reação de carbonização só é possível em presença da água que. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. promove a formação de cristais de carbonato de cálcio (CaCO3) e o endurecimento da argamassa que acaba por ligar os agregados a ela incorporados. obtêm-se a cal hidratada (hidróxido de cálcio) que é utilizado como aglomerante em argamassas para assentamento de blocos ou revestimento de paredes. O CO2 vai transformando lentamente a superfície da argamassa formada por carbonato de cálcio e vai penetrando lentamente na massa que assim vai se consolidando. pode ser expresso pela equação seguinte: Da hidratação da cal virgem. as temperaturas chegam à 900ºC.

_______________________________________________________________________________ 42 Concretos e Argamassas Prof. facilitando a penetração do CO2. nem tampouco empregar argamassas com muita cal. além de diminuir a retração que se processa com a perda d’água. conseqüentemente. aumentando a porosidade e.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Não se deve empregar cal aérea para execução de pedaços de alvenaria muito espessos.edu.A carbonatação é acompanhada de um aumento de volume. deve-se aplicar cal aérea com areia (argamassas) para atenuar esse aumento de volume. CICLO DA CAL AÉREA Considerando o visto anteriormente podemos caracterizar o ciclo completo da cal. Devido a isso (essa deformação). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

CLASSIFICAÇÃO Quanto à composição química a cal pode ser classificada como cálcica ou magnesiana.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CAL CÁLCICA CAL MAGNESIANA : óxidos CaO > 75% : óxidos MgO > 20% Para qualquer caso a soma dos óxidos (CaO + MgO) deve ser maior que 88% da amostra.Especificação” as cales são classificadas como segue: _______________________________________________________________________________ 43 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.“Cal Hidratada para argamassas . Segundo a NBR 7175 .edu.

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.APLICAÇÕES Entre os diversos usos da cal podemos citar: • • • Estabilização de solos Obtenção do aço solo-cal fundente na siderurgia como clarificador Fabricação do açúcar _______________________________________________________________________________ 44 Concretos e Argamassas Prof.

Armazenar em local seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• • • • • Obtenção do vidro Tratamento de água Obtenção do papel Pinturas caiação matéria – prima corretor da acidez como branquedor Componentes de argamassas maior interesse para construção CAL HIDRATADA Entre os diversos usos da cal podemos citar: Devido à dificuldade da extinção da cal virgem nos canteiros. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. coberto e fora do alcance de crianças e animais. ou 36 litros.edu. A cal hidratada. foi desenvolvida pela indústria a fabricação de cal hidratada. onde consta o selo da ABPC (Associação Brasileira de Produtores de Cal) e a citação da Norma NBR 7175. sendo recomendável o seu uso até 6 meses após a data de fabricação. Resiste ao calor . Algumas características das cales aéreas (extintas ou hidratadas) • • • • Endurece com o tempo (normalmente longo) . cuja extinção (hidratação) é feita mecanicamente. é um produto manufaturado. empregando-se misturadores de pás. _______________________________________________________________________________ 45 Concretos e Argamassas Prof. desde que sejam respeitada as regras do armazenamento. Cor predominantemente branca . Ela pode ser aplicada imediatamente e é acondicionada em sacos de papel duplo com 20 kg. A embalagem original (sacos de papel de duas folhas de papel extensível) é suficiente para manter a integridade do produto. em forma de flocos de cor branca. apresentando-se como um produto seco. portanto. pela extinção . Seu aumento de volume é de 2 a 3 vezes.

uma vez que cales plásticas têm alta capacidade de retenção de água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . importante por prolongar o tempo no estado plástico da argamassa fresca. impedindo a _______________________________________________________________________________ 46 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. unindo os mesmos.5. também. que corresponde à massa aparente de 300 a 650 Kg/m3. PLASTICIDADE Propriedade que confere fluidez à argamassa. Espessuras de revestimento argamassado acima de 20 mm podem prejudicar o processo de recarbonatação da argamassa.edu. Cales com alta plasticidade e alta retenção de água têm maior capacidade de incorporar areia.PROPRIEDADES DENSIDADE APARENTE A densidade aparente das cales varia de 0. por sucção. RETENÇÃO DE ÁGUA A retenção de água é uma propriedade muito importante. ENDURECIMENTO O endurecimento decorre da recarbonatação da cal hidratada pela absorção do CO2 presente na atmosfera. As cales magnesianas produzem argamassas mais plásticas que as cálcicas. Esta propriedade é. evitando a perda excessiva da água de amassamento da argamassa. para os blocos ou tijolos.65. Esta propriedade justifica o emprego das cales na produção de argamassas. É uma medida indireta da plasticidade da cal. aumentando a produtividade do pedreiro. facilitando seu espalhamento. conseqüentemente. Comparativamente. INCORPORAÇÃO DE AREIA Propriedade que expressa a facilidade da pasta de cal hidratada envolver e recobrir os grãos do agregado e. embora o inverso nem sempre seja verdadeiro. o poder de incorporação de areia da cal hidratada é de 1 : 3 a 4 enquanto que.3 a 0. no cimento é de 1 : 2 a 2.

5 Mpa . _______________________________________________________________________________ 47 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • Resistências das argamassas : o À tração = 0. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O uso da cal hidratada contribui muito pouco para a resistência à compressão das argamassas. quando de seu aparecimento no começo do século e. conseqüentemente.2 a 0. não eram apresentadas pelo cimento Portland. Isto levou.edu. reduzindo a aderência do revestimento. verificou-se que a cal hidratada conferia às argamassas outras propriedades além de aglomerante que. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. para 28 dias de idade. com a ocorrência de falhas nestas construções. CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES Esta propriedade é conferida à argamassa pela cal hidratada e.efetivação das reações próximo à interface substrato x argamassa e. só mais tarde. alguns construtores a substituí-la pelo cimento portland. torna-se de grande importância quando aplicada em paredes ou lajes muito solicitadas. o À compressão = 1 a 3 Mpa .

após a hidratação.CIMENTO PORTLAND CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Cimento Portland é um material pulverulento. Depois de endurecido. nas edificações e. SiO2. um construtor inglês de Leeds. por esta razão. GESSO é o produto da adição finas no processo e tem a finalidade de regular o tempo de pega por ocasião das reações de hidratação. Al2O3. oferecendo elevada resistência mecânica. ilha situada ao sul da Inglaterra. praticamente sem cal livre. Estes silicatos e aluminatos em mistura com a água hidratam-se e produzem o endurecimento da massa. O cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. MATÉRIAS PRIMAS CALCÁRIO é o carbonato de cálcio (CaCO3). Aspdin escolheu este nome para sua invenção porque nesta época era muito comum o emprego da pedra de Portland.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . se assemelhava em cor e dureza à rocha calcária de Portland. permanece estável mesmo que submetido a ação da água e. que endurece sob a ação da água. e Fe2O3.edu. Joseph Aspdin. ARGILA é essencialmente a constituída de um silicato de alumínio hidratado. Fornece os óxidos SiO2. é considerado um aglomerante hidráulico. foi quem descobriu e patenteou o cimento Portland no ano de 1824. constituídos de silicatos e aluminatos de cálcio. ______________________________________________________________________________ 48 Concretos e Argamassas Prof. que na natureza se apresenta com impurezas tais como o óxido de magnésio. Al2O3 e Fe2O3 necessários a fabricação do cimento. geralmente contendo ferro e outros minerais. o novo cimento.

FABRICAÇÃO
Como os silicatos de cálcio são os principais constituintes do cimento Portland, as matérias-primas para sua produção devem fornecer cálcio e sílica em proporções adequadas. O cálcio é obtido na natureza de fontes de carbonato de cálcio, como a pedra calcária, giz, mármore e conchas do mar. A sílica é extraída preferivelmente de argilas e xistos argilosos, do que quartzos e arenitos, porque a sílica quartzítica não reage facilmente.

As argilas contêm, também, alumina (Al2O3), óxidos de Ferro (Fe2O3) e álcalis que ajudam na formação de silicatos de cálcio a temperaturas mais baixas. Quando não estão presentes em quantidades suficientes na argila, estes são incorporados à mistura por adição de bauxita e minério de ferro.
______________________________________________________________________________ 49 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

A formação dos compostos no clínquer depende de uma boa dosagem e preparo da mistura. Para isto, os componentes são britados, moídos, dosados e misturados criteriosamente, sendo submetidos a análises laboratoriais permanentes. O pó resultante da homogeneização das matérias-primas é denominado farinha. Para produzir 1 tonelada de clínquer, são necessárias de 1,5 a 1,8 toneladas de farinha e as reações que ocorrem nos fornos podem ser resumidas como segue:

Esquema de produção
O processo de produção do cimento pode ocorrer por via úmida ou seca. No processo por via úmida, a homogeneização é feita na forma de lama, com 30 a 40% de água. Este método vem sendo abandonado pelos fabricantes de cimento, devido ao maior consumo de energia nos fornos, que em relação ao processo por via seca. No processo por via seca, a farinha obtida através da moagem das matérias-primas é homogeneizada e conduzida continuamente para o pré-aquecedor. Nesta etapa, ocorre a evaporação da água livre, água combinada e desprendimento do CO2 do calcário, liberando o CaO para reagir com os silicatos de ferro e alumínio. Em seguida, o material vai para um forno rotativo, onde ocorre a clinquerização do material, uma das etapas mais importantes do processo de fabricação. O forno rotativo é uma estrutura metálica cilíndrica, revestida internamente com tijolos refratários, e nele a farinha pré-aquecida e parcialmente calcinada, entra pela extremidade superior e é transportada até a extremidade oposta a uma velocidade controlada pela inclinação e pela velocidade de rotação do forno. Em seu interior as temperaturas podem chegar a 1550ºC e as reações químicas responsáveis pela formação dos compostos do cimento Portland são completadas.
______________________________________________________________________________ 50 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

PRODUÇÃO
Calcário
(80%)

Argila
(20%)

Cimento Portland Adições Moagem Gipsita Pré-Aquecedor
(5%)

Moagem Final Forno
(>1450º C)

Clínquer
(95%)

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Resumo dos constituintes:
_______________________________________________________________________________ 52 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Na fase de moagem. o cimento Portland recebe algumas adições. em proporções adequadas. As escórias de alto-forno. como a durabilidade e a resistência final. _______________________________________________________________________________ 53 Concretos e Argamassas Prof. em geral na proporção de 3% de gesso para 97% de clínquer. a escória de alto-forno melhora algumas propriedades do cimento. inviabilizando sua utilização. que permitem a produção de diversos tipos de cimentos disponíveis no mercado. Adicionada à moagem do clínquer e gesso. têm propriedade de ligante hidráulico muito resistente. obtidas durante a produção do ferro-gusa.Silicatos C3S C2S C3 A C4AF CaO MgO Na2O e K2O 50% 25% 10% 10% 1% 2% 2% 5% 20% 75% Aluminatos e Ferro Aluminatos Cal livre Magnésia Compostos Alcalinos ADIÇÕES Após o resfriamento. uma vez misturado à água de amassamento. Esta é razão do gesso ser adicionado a todos os tipos cimento Portland. reagindo em presença da água. Sem sua adição. O gesso é adicionado ao cimento com o objetivo de controlar o tempo de pega do cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. o cimento endureceria muito rapidamente. o clínquer é moído em partículas menores que 75µm de diâmetro. com características aglomerantes muito semelhante à do clínquer.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

porém. Os ensaios para a avaliação da finura do cimento podem ser complexos e onerosos. porém um pouco distinta das escórias de alto-forno. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o custo de moagem e o calor de hidratação. os materiais pozolânicos apresentam a propriedade de ligante hidráulico. Por outro lado. tornando os concretos mais sensíveis à fissuração. PROPRIEDADES FINURA A finura do cimento influência a sua reação com a água e quanto mais fino o cimento mais rápido ele reagirá e maior será a resistência à compressão. _______________________________________________________________________________ 54 Concretos e Argamassas Prof. É que as reações de endurecimento só ocorrem. Tal adição torna os concretos e argamassas mais trabalháveis e quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário . Esta avaliação pode ser obtida conhecendo-se algumas características dos ramos inferior e superior da amostra. como é o caso dos ensaios de sedimentação. estabelecem os limites de finura. a finura aumenta o calor de hidratação e a retração.Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza. uma maior finura diminui a exsudação. que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição tais como o próprio calcário. A finura pode ser aumentada através de uma moagem mais intensa. que em sua hidratação libera hidróxido de cálcio (Cal) que reage com a pozolana. a trabalhabilidade e a coesão dos concretos. difratometria por laser. utilizam-se dois ensaios: peneiramento através da peneira ABNT 75µm (0.075mm) e área específica. Quando pulverizados em partículas muito finas. Para isto. além da água. Os materiais carbonáticos são rochas moídas.edu. Além disso. etç. principalmente nos primeiros dias. aumenta a impermeabilidade. na presença do clínquer. algumas argilas queimadas em temperaturas elevadas (500 a 900ºC) e derivados da queima de carvão mineral. O cimento enriquecido com pozolana adquire maior impermeabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento. Este conceito aplica-se também a argamassas e concretos. argamassa ou concreto) pode perder a plasticidade com um tempo menor que o previsto. O tempo de pega é uma propriedade importante. de acordo com sua composição e finura têm curvas Resistência x Idade distintas. quantidade e tipo de adições.edu. 2H2O) na moagem do cimento. em estruturas de concreto massa. Em algumas situações o calor de hidratação pode ser um problema. CALOR DE HIDRATAÇÃO As reações de hidratação dos compostos do cimento Portland são exotérmicas. Isto ocorre quando. Para controlar o tempo de pega. com traços normalizados areia padrão IPT. em outras pode ser um componente positivo. uma vez que determinará o prazo para a aplicação de pastas. a temperatura ultrapassa 128ºC. Em alguns casos. provocando uma dissociação do Sulfato de Cálcio do gesso. cujo controle é feito através do teor de SO3. é adicionado o gesso (CaSO4 . como por exemplo. interferindo nas características do seu efeito retardador de pega. que determinam seu emprego em determinados serviços. quando a temperatura ambiente é baixa para fornecer energia de ativação para as reações de hidratação. _______________________________________________________________________________ 55 Concretos e Argamassas Prof. na moagem do cimento. como é o caso de concretagens durante o inverno.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . etç. finura.TEMPO DE PEGA É o momento em que a pasta de cimento adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. Os cimentos. argamassas e concretos com plasticidade e trabalhabilidade adequadas. a mistura em que o cimento está sendo empregado (pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sua plasticidade inicial é recuperada. e com uma nova mistura na betoneira. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão do cimento Portland é medida através da ruptura de corpos de prova cilíndricos Ø 50mm x 100mm.

32 e 40) que indicam a resistência à compressão do corpo-de-prova padrão. que é utilizado para regularizar a pega. e são seguidas dos algarismos romanos de I a V. em MPa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO As pesquisas tecnológicas indicaram. Conforme a composição e as adições feitas em sua produção. conforme o tipo de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Na designação dos cimentos. com o tempo. sendo a classe expressa por números (25. os cimentos Portland podem ser classificados conforme segue: CIMENTO PORTLAND COMUM O Cimento Portland Comum (CP I) é produzido sem quaisquer adições além do gesso.edu. em razão de adições de escória de alto-forno. que cimentos antes classificados como especiais. as iniciais CP correspondem a abreviatura de Cimento Portland. pozolana e material _______________________________________________________________________________ 56 Concretos e Argamassas Prof.

edu. CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO O Cimento Portland Alto-Forno (CP III) é obtido pela adição de escória granulada de alto forno. dando origem a compostos com propriedades aglomerantes. CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO O Cimento Portland Pozolânico (CP IV) é obtido pela adição de pozolana ao clínquer. sendo utilizados na maioria das aplicações usuais. além de uma moagem mais fina para que o cimento. ao reagir com a água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ao contrário da escória. a pozolana não reage com a água em seu estado natural. Atualmente. reage com o hidróxido de cálcio em presença de água e em temperatura ambiente.carbonático. Mas as reações de hidratação da escória são muito lentas e. _______________________________________________________________________________ 57 Concretos e Argamassas Prof. Isto é possível pela utilização de uma dosagem específica de calcário e argila na produção do clínquer. adquira elevadas resistências com maior velocidade. para que seu emprego seja possível são necessários ativadores físicos e químicos. decorrente da moagem da escória separada ou conjuntamente com o clínquer. As escórias apresentam propriedades hidráulicas latentes. Depois de conquistado bons resultados na Europa o Cimento Portland Composto (CP II) surgiu no mercado brasileiro (1991). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V-ARI) tem a propriedade de atingir altas resistências já nos primeiros déias após a aplicação. A ativação física obtém-se com a finura. os cimentos Portland compostos respondem por 70% da produção industrial brasileira. trata-se de um cimento com composição intermediária entre os Cimento Portland Comum e o Cimento Portland com adição de escória ou pozolana. tinham desempenho equivalente ao do cimento Portland comum. Quando finamente moída. O CP II. em substituição ao antigo CP.

• Cimentos do tipo pozolânico que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico. 8% e 5% em massa. respectivamente. em massa. em massa. desde que apresentem pelo menos uma das características abaixo: • teor de aluminato tricálcio (C3A) do clínquer e teor de adições carbonáticas de. Qualquer um dos 5 tipos de cimento Portland podem ser considerados resistentes a sulfatos. tais como os encontrados nas redes de esgotos domésticos ou industriais. _______________________________________________________________________________ 58 Concretos e Argamassas Prof.CIMENTOS ESPECIAIS CIMENTO PORTLAND RESISTENTES A SULFATOS Estes cimentos resistem aos meios agressivos. no máximo. • Cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto-forno. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . água do mar e alguns tipos de solos.

podendo ser qualquer um dos 5 tipos básicos.edu. respectivamente. principalmente durante o resfriamento e a moagem. recomenda-se o emprego de cimentos com taxas lentas de evolução de calor. CIMENTO PORTLAND BRANCO O cimento Portland branco é obtido através de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. CIMENTO PORTLAND DE BAIXO CALOR DE HIDRATAÇÃO Em concretagens de estruturas que consomem grandes volumes de concreto continuamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . chamados cimentos Portland de baixo calor de hidratação.• Cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração que comprovem resistência aos sulfatos. estes cimentos geram até 260J/g e até 300J/g aos 3 dias e 7 dias. Segundo a NBR13116. Nestes casos. No Brasil o cimento Portland branco é normalizado pela NBR12989. sendo classificado conforme a tabela abaixo: _______________________________________________________________________________ 59 Concretos e Argamassas Prof. o calor produzido pela hidratação do cimento poder causar o aparecimento de fissuras de origem térmica. além de condições especiais de fabricação.

utilizado na cimentação de poços petrolíferos. _______________________________________________________________________________ 60 Concretos e Argamassas Prof. CIMENTO PARA POÇOS PETROLÍFEROS O cimento para poços petrolíferos é um tipo de cimento Portland bastante específico. na fabricação de ladrilhos hidráulicos.O cimento Portland branco estrutural é utilizado em concretos brancos com fins arquitetônicos. e outras aplicações não estruturais. Sua composição é constituída de clínquer e gesso para retardar o tempo de pega e em sua fabricação são tomadas precauções especiais para garantir as plasticidade em condições ambientes de elevadas pressões e temperaturas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O cimento Portland branco não estrutural é aplicado no rejuntamento de pisos e azulejos.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco._______________________________________________________________________________ 61 Concretos e Argamassas Prof.edu.

edu. prazo. espaço) O quadro a seguir. _______________________________________________________________________________ 62 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A escolha também depende da disponibilidade do material e do custo – fator importante na tomada de decisões em engenharia. apresenta os diversos tipos de aplicações dos diferentes tipos de cimentos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Depende ainda a escolha: • • • • Exigência da estrutura Exigência do meio ambiente Velocidade de construção Circunstancia do local da obra (acesso. Para uma mesma finalidade existe mais de um tipo ou classe de cimento que pode ser usado. Sempre haverá um tipo diferente para uma aplicação específica.APLICAÇÕES E ESCOLHA DO TIPO DE CIMENTO Inicialmente podemos dizer que nenhum cimento é melhor em todas as circunstâncias. A escolha do tipo de cimento está associada a uma determinada finalidade que se deseja ao concreto seja no estado fresco ou seja no estado endurecido.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco._______________________________________________________________________________ 63 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

para usinas de concreto. além dos aspectos visuais da embalagem. Cuidados no recebimento e estocagem do material são essenciais para a garantir concretos e argamassas de boa qualidade. Estas embalagens não podem estar furadas. o tipo do cimento. no varejo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. fábricas de prémoldados e grandes obras. a sigla.edu. _______________________________________________________________________________ 64 Concretos e Argamassas Prof. No recebimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . rasgadas ou molhadas e devem trazer o nome do fabricante. é fornecido em embalagens (papel Kraft) de 25 e 50 Kg. a massa líquida do saco e o selo de conformidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).RECEBIMENTO E ESTOCAGEM O cimento é um produto perecível que em contato com umidade endurece perdendo suas propriedades antes do uso. devem ser observados a massa dos sacos e se o cimento não está empedrado. O cimento é comercializado a granel.

NBR 7251 Massa unitária de um agregado é a relação entre sua massa e seu volume sem compactar. considerando que a máxima variação permitida entre os resultados de cinco determinações feitas com o mesmo agregado é de 0. Quantidade de Material O volume de material deverá ser de pelo menos o dobro do volume do recipiente que será usado. Limpar bem o recipiente antes de pesá-lo. Usa-se como parâmetro para transformar massa em volume.8 e ≤ 50 > 50 Volume do recipiente (dm3) 15 20 60 Preparação do Material Secar o material previamente ao ar Procedimento • • Preencher o recipiente por meio de uma concha ou pá. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Rasar o recipiente e determinar a massa Cálculos Calcular o peso unitário do agregado.02 kg/dm3 Cuidados • • • Rasar o agregado miúdo com movimentos horizontais da haste de socamento. com as dimensões constantes na Tabela 1 Tamanho máximo do agregado (mm) 4. dividindo a massa de agregado (kg) pelo volume do recipiente (dm3).8 > 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Concha ou pá. _______________________________________________________________________________ 65 Concretos e Argamassas Prof. evitando comprimir o agregado.ENSAIOS 1) Determinação da Massa Unitária de Agregados em Estado Solto .edu. com resolução de 1 g. Recipientes paralelepipédicos. com os dedos. lançando o agregado a uma altura de 10 cm do topo do recipiente. considerando-se como volume também os vazios entre os grãos. Rasar o agregado graúdo e. Equipamentos e Acessórios • • • Balança. compensar os vazios que houver abaixo do nível do topo do recipiente com grãos deixados acima deste nível.

2) Determinação de massa específica agregado graúdo – técnica frasco graduado Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica do agregado. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.Vi (g/cm3) Repetir 3 vezes o procedimento Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 66 Concretos e Argamassas Prof. incluindo os poros permeáveis Materiais e equipamentos: • • • • Agregado graúdo Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.1g Frasco graduado de 1000 ml Metodologia Experimental: • • • • • • Recobrir uma porção de agregado com água Tirar o excesso de umidade com auxílio de um pano Pesar a massa do agregado (m) Colocar 400 ml de água no frasco graduado (Vi) Inserir o agregado no frasco graduado Determinar o volume final no frasco (Vf) Resultados e Discussão • • • Determinar a massa específica do agregado: d = m / Vf .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.05 g/cm3 Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 67 Concretos e Argamassas Prof.1g Frasco de Chapman Funil de vidro Metodologia Experimental: • • • • Pesar 500g de amostra de areia seca Colocar água no frasco até 200 cm3 deixando em repouso para que a água aderida às faces internas escorram totalmente. cuidando para que as faces internas estejam secas e sem grãos aderentes. incluindo os poros permeáveis. Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: d = 500 / L – 200 (g/cm3) Repetir por 3 vezes o procedimento Os resultados dos ensaios realizados com a mesma amostra não devem diferir mais de 0. Materiais e equipamentos: • • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. efetuando agitação para a eliminação das bolhas de ar Fazer a leitura no nível atingido pela água no frasco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com cuidado.edu. Colocar 500g de areia no frasco de Chapman.3) Determinação de massa específica agregado miúdo por meio do Frasco de Chapman Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo.

Materiais e equipamentos: • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. incluindo os poros permeáveis.1g Picnômetro Metodologia Experimental: • • • • • • Pesar uma amostra de areia seca Encher com água o picnômetro e determinar a massa do conjunto Retirar uma pequena quantidade de água do frasco Colocar a amostra de areia no frasco .edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.4) Determinação de massa específica agregado miúdo com auxílio do picnômetro Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo.picnômetro Determinar a massa do conjunto picnômetro + água + agregado Repetir 3 vezes o procedimento Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: Pag = massa do picnômetro + água m = massa da amostra Pag + ag = massa do picnômetro + água da amostra d = m/ [Pag – (Pag + ag – m)] _______________________________________________________________________________ 68 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Pesar a frigideira. Pesar novamente e calcular o teor de umidade do agregado.edu. Colher ou concha de pedreiro. Resultados e Discussão • • Cálculo do teor de umidade: h =[(mu – ms)/ms] x 100 _______________________________________________________________________________ 69 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Levar o material ao fogo.01g e capacidade mínima de 200g Balança com resolução 100g e capacidade mínima de 50kg Frigideira Fogareiro Recipiente metálico Metodologia Experimental: • • • • • • Coletar 1000g do agregado miúdo conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material e homogeneizar o material. Repetir o procedimento duas vezes. mexendo-o até secar. Balança com resolução de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Colocar uma pequena porção do material homogeneizado na frigideira. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Agregado miúdo úmido.5) Determinação de umidade do agregado miúdo através do teste da frigideira. Objetivo: • • Determinar o teor de umidade do agregado miúdo – areia Conhecer o teste da frigideira usualmente utilizado em obras correntes. Pesar.

Formar duas amostras para o ensaio. conforme procedimentos a partir do item 5. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. 7. 6. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 5. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. _______________________________________________________________________________ 70 Concretos e Argamassas Prof. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. Proceder ao peneiramento da amostra M2. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. 11. 12. Determinar as massas M1 e M2 das amostras.6) Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo. 10.3% da massa seca da amostra. 3. com malha em ordem crescente da base para o topo. de modo a formar um único conjunto de peneiras. 8. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. 9. Na base deve ser colocado um fundo. Coletar 1000g do agregado conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 2. previamente limpas. 4. Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras.

4 1.3 4.8 2.4 1.2 0.2 0. em cada peneira. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.6 0.50 6. Determinar o módulo de finura.6 0.edu.15 Fundo soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 9.50 6.8 2. com aproximação de 1%.15 Fundo Soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 71 Concretos e Argamassas Prof.3 0. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada.13.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 0. 14. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 9.3 4.

100 (A) pode haver uma tolerância de até no máximo 5 unidades (%) em um só dos limites marcados com a letra (A) ou distribuídos em vários deles (B) para agregado miúdo resultante de britamento.90 > MF > 3.40 30 (A) – 70 66 – 85 80 (A) – 95 90 (B) .40 > MF Tabela para classificação do agregado miúdo – NBR 7211 Porcentagens retidas acumuladas Abertura (mm) 9. dividindo o total por 100.CLASSIFICAÇÃO PELO MÓDULO DE FINURA: Muito grossa Grossas Médias finas Finas MF > 3.edu. _______________________________________________________________________________ 72 Concretos e Argamassas Prof.30 > MF > 2.8 2.40 2.3 0.12 5 (A) .15 Zona 1 Muito fina 0 0–3 0 – 5 (A) 0 –5 (A) 0 – 10 (A) 0 – 20 50 – 85 (A) 85 (B) – 100 Zona 2 Fina 0 0–7 0 – 10 0 – 15 (A) 0 – 25 (A) 21 – 40 60 (A) – 88(A) 90 (B) – 100 Zona 3 Média 0 0–7 0 – 11 0 – 25 (A) 10 (A) – 45 (A) 41 – 65 70 (A) – 92 (A) 90 (B) – 100 Zona 4 Grossa 0 0–7 0 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 4.90 3.90 3.4 1.: a amostra para ensaio deve ser coletada segundo a NBR 7216 Dimensão máxima: determinada através da peneira que apresentar uma porcentagem retida acumulada de 5% ou imediatamente inferior Módulo de Finura: somatório das porcentagens acumuladas retidas nas peneiras de série normal.2 0.6 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . este limite poderá ser 80 Obs.5 6.

12.7) Determinação da composição granulométrica agregado graúdo Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. 3. 10. 6. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. 2. conforme procedimentos a partir do item 5. Formar duas amostras para o ensaio. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras.edu. Coletar no mínimo 5kg do agregado conforme norma NBR 7216. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 7. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto.3% da massa seca da amostra. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. de modo a formar um único conjunto de peneiras. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. _______________________________________________________________________________ 73 Concretos e Argamassas Prof. 11. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. 8. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. em frações de diversos pontos do material. Proceder ao peneiramento da amostra M2. previamente limpas. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. 5. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. com malha em ordem crescente da base para o topo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Na base deve ser colocado um fundo. 9. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras.

Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 38 32 25 19. com aproximação de 1%. Determinar o módulo de finura.13.5 9.01.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5 12.3 4. com apresentação de 0.3 4.edu.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 74 Concretos e Argamassas Prof. 14.5 12.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 38 32 25 19.5 9. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada em cada peneira.5 6.5 6.

em peso.5 0 9.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Tabela com limites granulométricos de Agregado Graúdo para classificação – NBR 7211/83 Graduação Porcentagens retidas acumuladas.edu.4 80-100 95-100 80-100 92-100 95-100 75-100 90-100 95-100 75-100 87-100 95-100 0-30 75-100 90-100 95-100 _______________________________________________________________________________ 75 Concretos e Argamassas Prof.8 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em mm 76 Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 0 0 0-30 0 0 0-25 0-10 64 50 38 32 25 19 12.3 4. nas peneiras da abertura nominal.5 0-10 6.

inclusive os materiais solúveis em água. Encaixar as peneiras 1. tomando cuidado de não provocar perda de material. • Terminado o processo de lavagem. A água perdida através da peneira 0.075mm. Peneiras (1.075mm. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A massa mínima para realização do ensaio é indicada na tabela abaixo em função de sua ∅ máx. tomando cuidado de não provocar abrasão do material. Agite o material. Estufa. Dois recipientes de vidro transparente Metodologia Experimental: • Amostragem Deve ser obtida de acordo com a NBR 7216 e reduzida segundo a NBR 9941.075 mm transportará o material pulverulento contido na amostra. recobrindo-a com água. A água carregará consigo a amostra e ao passar pelas peneiras parte se perderá com a água e parte ficará retida nas peneiras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . posicionadas de acordo com item anterior. com auxílio de uma haste. esse procedimento serve para facilitar a posterior secagem em estufa. Amostra deve ser umedecida para evitar a segregação. _______________________________________________________________________________ 76 Concretos e Argamassas Prof. Deixe em repouso o tempo necessário para que as partículas decantem. coloque o material retido nas peneiras no recipiente e cubra o mesmo com água. Feito isso. Haste p/ agitação.2 mm fique posicionada sobre a peneira 0.2 e 0. Bisnaga para água. para não perder o material.2 e 0.das peneiras. • • • Secar a amostra em estufa (105 . Colocar a amostra (M1) no recipiente. de forma a provocar a separação e suspensão das partículas finas.075mm de modo que a peneira 1.8) Determinação do teor de materiais pulverulentos em agregados Objetivo: • • Determinação do teor de materiais pulverulentos contidos no agregado destinado ao concreto Materiais pulverulentos : são partículas minerais com dimensão inferior a 0. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Balança com capacidade mínima de 5Kg e resolução de 5g. retire o excesso de água com o auxílio de uma bisnaga. esfriar a temperatura ambiente e deteminar a massa de duas amostras Mi1 e Mi2 (reserva).edu. presentes nos agregados.075mm) . Recipiente para retenção da amostra e a água de recobrimento . Despejar a água cuidadosamente através .110 OC) até a constância de massa.

5% para agregado graúdo e 1. realizadas nas duas amostras (Mi1 e Mi2) A diferença obtida nas duas determinações não deve ser maior que 0. Quando esta condição não for atendida. _______________________________________________________________________________ 77 Concretos e Argamassas Prof. Mi − Mf × 100 Mi Mf .edu. em g.8 e < 19 > 19 Massa mínima 500 3000 5000 Resultados e Discussão • O teor de materiais pulverulentos de cada amostra é determinado pela diferença entre a massa inicial (Mi) e a massa final seca obtida depois da lavagem. Repetir todo o procedimento para a amostra Mi2 ∅máx (mm) < 4.• Secar a amostra retida em estufa (105.110) OC até a constância de massa e determinar a sua massa final seca (Mfi).0% para miúdo.8 > 4. • • O resultado final será a média aritmética das duas determinações. realizar uma terceira determinação e adotar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como resultado. O mesmo será expresso em porcentagem de acordo com a expressão . abaixo: • • Teor de material pulverulento % = Onde: Mi . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a média aritmética dos dois valores mais próximos.Massa após o repeneiramento.Massa inicial da fração. em g.

para condicionamento e secagem de amostras de areia.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Concha ou pá. Proveta graduada de vidro com capacidade mínima de 1000 mL.edu. Estufa para secagem. Ba1ança com resolução de 0. conforme a NBR 7251. Misturador mecânico(opcional). Umidade crítica Teor de umidade. acima do qual o coeficiente de Inchamento pode ser Quociente entre os volumes úmido (Vh) e seco (Vo) de considerado constante e igual ao coeficiente de Inchamento médio Coeficiente de inchamento médio Valor médio entre o coeficiente de Inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica Materiais e equipamentos: • • • • • • • • • • Encerado de lona com dimensões mínimas de 2. Balança com resolução de 100g e capacidade mínima de 50 kg.9) Determinação do Inchamento do agregado miúdo Objetivo: • • • • • Este ensaio prescreve o método para a determinação do Inchamento de agregados miúdos para concreto. com capacidade de 50 mL. Da amostra remetida ao laboratório. Dez cápsulas com tampa. Recipiente para1elepipedal. Inchamento do agregado miúdo fenômeno da variação do volume aparente. Régua rígida com comprimento da ordem de 500 mm aproximadamente. _______________________________________________________________________________ 78 Concretos e Argamassas Prof. provocado pela absorção de água livre pelos grãos e que incide sobre a sua massa unitária Coeficiente de inchamento (Vh/Vo) uma mesma massa de agregado. depois de umedecida para evitar segregação e de cuidadosamente misturada.0 m x 2.01g e capacidade mínima de 200 g. A amostra de ensaio deve ter pelo menos o dobro do volume do recipiente paralelepipedal utilizado. formar a amostra de ensaio de acordo com a NBR 9941.5 m. Amostragem • • A amostra de agregado remetida ao 1aboratõrlo deve ter sido coletada acordo com a NBR 7216. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Mc = massa da cápsula. 2%. Mi − Mf Mf − Mc h = teor de umidade do agregado. segundo a NBR 7251. Homogeneizar cuidadosamente a amostra. Vo = volume do agregado seco em estufa. para determinação do teor de umidade. Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio. em dm3. 3%. Resultados e Discussão 1. Adicionar água sucessivamente de modo a obter teores de umidade próximos aos seguintes valores: 0. segundo a NBR 7251. Coletar uma amostra de agregado. secar em estufa a (105. calcular o coeficiente de inchamento de acordo com a expressão: Vh γ s (100 + h) = × Vo γ h 100 • Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade. 7%. • Determinar a massa de cada cápsula com a amostra coletada (Mi).110oC) até constância de massa e resfriá-la até a temperatura ambiente. 9% e 12%. através da seguinte expressão h= • Onde. a determinação da massa unitária. Colocar a amostra sobre o encerado de lona. em kg/dm3. Para cada teor de umidade. 5%.110oC) e determinar sua massa (Mf). em g. em g. a cada adição de água. por agitação manual da lona ou em misturador mecânico. a cada adição de água. destampar. em dm3. Mf = massa final da cápsula com o material coletado apos secagem em estufa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ϒs = massa unitária do agregado seco em estufa. em g 2. em kg/dm3. simultaneamente. _______________________________________________________________________________ 79 Concretos e Argamassas Prof. Calcular o teor de umidade das amostras coletadas nas cápsulas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.Metodologia Experimental: • • • Secar a amostra de ensaio em estufa (105.5%. ϒh = massa do agregado com h% de umidade. em %. homogeneizar e determinar massa unitária. Executar. 1%. 4%.

Vh/Vo) em gráfico. _______________________________________________________________________________ 80 Concretos e Argamassas Prof. traçada em gráfico conforme modelo. de modo a obter uma representação aproximada do fenômeno.edu. 4.h = teor de umidade do agregado. conforme modelo. b) traçar a corda que une a origem de coordenadas ao ponto de tangência reta traçada. Determinar a umidade crítica na curva de Inchamento. d) a abscissa correspondente ao ponto de Interseção das duas tangentes a umidade crítica. 5. e traçar a curva de Inchamento. O coeficiente de inchamento é determinado pela média aritmética entre os coeficientes de inchamento máximo (ponto A) e aquele correspondente à umidade crítica (ponto B). Do certificado de ensaio deve constar a curva de Inchamento. e os valores de umidade crítica e coeficiente de Inchamento médio. pela seguinte construção gráfica: a) traçar a reta tangente ã curva paralela ao eixo das umidades. em %. 6. Assinalar os pares de valores (h.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 3. paralela a esta corda. c) traçar nova tangente à curva. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

três de areia normalizada em massa e relação a/c de 0.15 mm. é extraída do Rio Tietê e apresenta 25% em peso das peneiras 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Determinação da Resistência à Compressão (NBR 7215/96) Objetivo: • Determinar a resistência à compressão do Cimento Portland.edu. Preparação da argamassa de cimento _______________________________________________________________________________ 81 Concretos e Argamassas Prof. • • Na data da ruptura os moldes devem ser retirados do meio de conservação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.10) Cimento Portland . capeados com enxofre e rompidos para determinação da resistência à compressão. É preparada pelo IPT especificamente para ensaios e tem massa unitária e massa específica dentro de padrões. Os cp´s são elaborados com argamassa composta de uma parte de cimento.6 / 0. Os moldes com os corpos-de-prova devem ser conservados em câmara úmida para a cura inicial e em seguida desmoldados e submetidos à cura em água saturada até a data de ruptura.3 / 0. Materiais e equipamentos: • Areia Normal – de acordo com as prescrições da ABNT.48. • • • • • • • Água Cimento Balança Misturador Mecânico Molde Soquete Máquina para ensaio de compressão Metodologia Experimental: • • A argamassa é preparada por meio de misturador mecânico e adensada manualmente. podendo ser utilizados equipamentos de compactação mecânica.2 / 0. Esta areia normalizada pela NBR 7214. Princípio • • Determinar a resistência à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura.

Durante o tempo restante a argamassa deve ficar em repouso coberta por um pano úmido e limpo.3 468 + 0. • Cura Após a moldagem os corpo de prova devem ser colocados na câmara úmida. distribuídos uniformemente a cada camada. Nos primeiros 15 s retirar com o auxilio da espátula a argamassa que ficou aderida às paredes da cuba e na pá. iniciar a adição da areia (as 4 frações previamente misturadas) com cuidado para que toda a areia seja gradualmente colocada durante o tempo de 30 s. durante 30 s. Imediatamente após este intervalo ligar o misturador na velocidade alta por mais 1 mim e 15 s.4 300 + 0. A esta operação segue-se a rasadura do topo. _______________________________________________________________________________ 82 Concretos e Argamassas Prof.gramas) Cimento Água Areia Normal Fração Grossa Fração Média Grossa Fração Média Fina Fração Fina 468 + 0. Untar toda a superfície interna do molde com óleo. em 4 camadas de espessuras aproximadamente iguais e adensadas com 30 golpes. • Preparo dos Moldes Para garantir a estanqueidade dos moldes deve-se utilizar material de vedação na superfície lateral da forma e ao longo de toda a extensão da fenda vertical. A mistura destes materiais deve ser feita com o misturador em velocidade baixa. onde devem permanecer por 20 a 24 h com a face superior protegida por uma placa de vidro.Quantidade de materiais (em massa . Após este tempo e sem paralisar a operação. Imediatamente após a colocação da areia mudar a velocidade para alta por 30s. • Enchimento dos Moldes A moldagem deve ser feita imediatamente após o amassamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 468 + 0. Deve ser registrada a hora em que o cimento foi colocado em contato com a água.2 • Mistura Mecânica Executar a mistura mecânica.3 624 + 0. Após este tempo desligar o misturador por 1 mim e 30 s.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . colocando inicialmente na cuba toda a quantidade de água e adicionando o cimento.edu.3 468 + 0.

exceto os que deverão ser rompidos com 24 h de idade. deve ser equivalente a (0. devem ser imersos no tanque de água saturada de cal.edu. Resultados e Discussão Para cada idade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o valor da resistência à compressão do cimento Portland. Para a ruptura a máquina deve esta limpa e os cp´s deverão ser centralizados em relação ao eixo do carregamento.Terminado o período inicial de cura os cp´s devem ser retirados da forma. identificados e. • Capeamento e Ruptura Antes da ruptura os corpos-de-prova devem ser capeados em suas extremidades com uma mistura de enxofre com caulim. quartzo em pó ou outras substâncias.05) MPa/s.25 + 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. será representada pelo maior valor dos cp’s. onde permanecerão até a data da ruptura. A velocidade do carregamento da máquina de ensaio. em proporções tais que não interfiram no resultado do ensaio. ao transmitir a carga de compressão ao corpo de prova. _______________________________________________________________________________ 83 Concretos e Argamassas Prof. pozolanas.

em 1997. 15º. 2º. armadura. Tomando-se estes 20 milhões de m3/ano e multiplicando-se por R$ 500. 3º.5 39. 10º.0 104.9 79.2001 Colocação 1º. pois o restante deve-se.4 31.7 40.0 34. China Índia USA Japão Coréia do Sul Espanha Itália País Produção (milhões t) 628.0 27. forma. principalmente. produziu 40 milhões de m3 de concreto. 11º. 6º.CONCRETO Introdução Na abertura de um recente congresso na área de concreto. Alguns dados: Maiores países produtores de cimento . Segundo ele.8 8º. o Brasil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 4º.1 35. o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) apresentou dados interessantes. 14º.5 53. 9º. considerando-se concreto.0 30. 12º. trata-se de um mercado de 10 bilhões de reais por ano. 5º.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.8 33. Brasil Rússia Tailândia Indonésia Turquia Alemanha México Irã 38. 7º.6 88.00 (custo estimado do m3 da estrutura de concreto armado. 13º. à auto-construção. etc.).5 _______________________________________________________________________________ 84 Concretos e Argamassas Prof. dos quais apenas a metade poderia ser considerada como concreto estrutural.9 35.

345 6.182 37.978 % 6 18 9 51 17 100 _______________________________________________________________________________ 85 Concretos e Argamassas Prof.438 19.746 3.978 37. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Consumo (kg/hab/ano) 174 138 284 258 244 Consumo de cimento por região .2001 Continente Américas Europa Ásia África Oceania Consumo (milhões t) 226 314 998 91 8 Total 1637 Consumo per capita .2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil Consumo (1000 t) 2.edu.Consumo de cimento no mundo .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

38 100 Concreto .edu. Quais então seriam as principais vantagens.Consumo per capita – Brasil Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Consumo (kg/hab/ano) 184 222 240 246 242 232 223 217 Perfil dos consumidor Brasil .69 2.06 21.principais virtudes e defeitos Para chegar a este posto.04 0.2002 Região Revendedoras Consumidores industriais Concreteiras Fibro-cimento Pré-moldados Artefatos Argamassas Consumidores finais Construtores Órgãos públicos / estatais Prefeituras Importação Total Consumo (1000 t) 26.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .72 12.46 2.77 2.022 992 450 2.13 0.249 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.978 % 70.607 8. do uso do concreto como material de construção? _______________________________________________________________________________ 86 Concretos e Argamassas Prof.851 934 1.977 2.84 7. ou virtudes.61 1.18 7.67 0.913 49 15 145 37. só um material com muitas vantagens de utilização.

pouco sofisticados. estáveis. como no caso do cimento. possuem ciclo de produção dominado no mundo inteiro. facilmente moldado. de fácil transporte e estocagem. É um material relativamente estável e durável. Possui grande durabilidade (quando corretamente produzido) Apresenta boa impermeabilidade Permite a execução de grandes peças contínuas _______________________________________________________________________________ 87 Concretos e Argamassas Prof.edu. robusto. facilmente aplicado. Depois de produzido. • Demanda: pouca tecnologia de produção. disponíveis em quantidade. em instalações simples. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é: facilmente transportado. Pode receber praticamente todo tipo de revestimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .VIRTUDES • É fabricado com materiais: naturais. tudo isso com baixo consumo de energia. • • • • • • • A construção em concreto é relativamente rápida. mão de obra com baixo nível de instrução. durável e pouco sofisticado. • • Pode ser produzido praticamente em qualquer lugar. equipamento barato. Dá margem à sofisticação arquitetônica. quando artificiais.

em geral. como principais desvantagens: • • • • uma resistência à tração relativamente baixa. O descaso com a tecnologia do concreto é. Tudo tem suas desvantagens e o concreto não é exceção a esta regra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por alguns pesquisadores. quando submetido a determinados ambientes. mesmo. e esse é considerado. em algumas circunstâncias. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. uma durabilidade questionável. contudo. em qualquer lugar. muito grande. Do ponto de vista genérico. mas o pior problema. sem nenhum controle.edu. o principal defeito genérico do material de construção nos dias de hoje. ou quando produzido de maneira incorreta. O concreto é um dos materiais de que se encontram muitos “conhecedores” (?) pelo mundo afora. PRINCIPAIS DESVANTAGENS Do ponto de vista técnico. “Um dos grandes problemas do concreto é que qualquer doido pensa que sabe fazer concreto. uma relação resistência/peso relativamente pequena. é que ele faz!” (Adam Neville) _______________________________________________________________________________ 88 Concretos e Argamassas Prof. o ponto fraco mais importante da utilização do concreto é considerado exatamente a sua enorme facilidade de utilização. uma estabilidade dimensional relativamente pequena. o concreto é um material de construção que apresenta. que pode fabricá-lo de qualquer jeito. que faz com que todo mundo pense que entende de concreto.Nada porém possui apenas vantagens.

com o apoio do entendimento (NEVILLE. elaborada a partir de um processo é suscetível de ser controlada (HELENE. por ser uma atividade humana. com as propriedades exigidas. agregados e água.edu. porém os ingredientes de um bom concreto são exatamente os mesmos! (NEVILLE. 1992). O controle da produção tem a finalidade de obter um material uniforme. de forma econômica. O MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: CONCRETO Mas. TERZIAN.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 1997). ao fim que se destina (VALOIS. afinal. 1997) O que causa esta diferença? Apenas o conhecimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Porém. Um “mau” concreto é feito simplesmente misturando-se cimento. a produção de concreto. 1994). o que é o concreto? É uma mistura de _______________________________________________________________________________ 89 Concretos e Argamassas Prof.

mas são bastante solúveis em água.edu. formadas por hidróxido de cálcio. a fase agregado e a ligação agregado-pasta. aumentando a densidade e resistência mecânica da pasta. formado por duas fases e uma interface: a fase pasta. que alguns autores consideram como uma terceira fase: os vazios. aluminatos). Tem baixa resistência mecânica. possui uma descontinuidade estrutural.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . portanto um material composto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. heterogêneo. • etringita: cristais grandes e volumosos.É. São responsáveis pelo pH elevado da pasta (pH> 13). As principais funções da pasta são • • • • Dar impermeabilidade ao concreto Dar trabalhabilidade ao concreto Envolver os grãos Preencher o vazio entre os grãos As principais microestruturas que se formam na pasta matriz são: • estruturas fibrilares ou estruturas C-S-H: compostos químicos formados por cristais de silicatos de cálcio hidratados que representam 50% a 60% do volume total de sólidos da pasta e são os responsáveis pela resistência mecânica da pasta após os dias iniciais. Então a microestrutura da pasta vai se tornando mais compacta. que representam 20 a 25% do volume total de sólidos da pasta. • prismáticas: cristais de grande tamanho. quimicamente instáveis e muito _______________________________________________________________________________ 90 Concretos e Argamassas Prof. formados pela hidratação dos aluminatos combinados com sulfato de cálcio. Funções da pasta (fase pasta) Nesta fase há a hidratação do cimento e a formação de cristais em torno do grão de cimento (silicatos. Como defeito.

para o agregado não tem tanta importância a sua resistência mecânica. São os primeiros cristais da pasta a se formar e produzem a primeira resistência mecânica do endurecimento. • grãos de clínquer não hidratados: pequenos núcleos dos grãos de cimento. maiores serão a porosidade e a permeabilidade. pois normalmente é maior que a do conjunto concreto. O estudo destes vazios (e o preenchimento deles) tem grande importância em concretos de alta resistência. Este estudo é feito em disciplina específica ou em estudos de especialização. Para concretos de alta resistência. Funções do agregado (fase agregado) • • • Reduzir o custo do concreto Reduzir as variações de volume (diminuir as retrações) Contribuir com grãos capazes de resistir aos esforços Em concretos convencionais. _______________________________________________________________________________ 91 Concretos e Argamassas Prof. gerando estruturas com baixa resistência mecânica que com o tempo se transformam em monossulfato. Representam 15 a 20% do volume total de sólidos. devido as suas micro-fraturas internas.edu. os vazios são de grande influência nas características da pasta matriz endurecida. reduzindo a resistência química e mecânica da pasta. pequena se comparada a das estruturas C-S-H. que não é o foco desta disciplina. Quanto maiores a quantidade de vazios e maiores forem os seus diâmetros médios. aumentando também a sua retração e a fluência. o agregado graúdo pode se tornar a parte fraca do conjunto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Além das microestruturas sólidas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.porosos.

A interface (fase zona de transição) No concreto convencional é a parte mais fraca.edu. Para concretos de maior resistência. Em termos de microestrutura do concreto. Devido à sua maior mobilidade. esta fase é constituída. também ocorre uma espécie de efeito de parede interno. Em concretos convencionais. a zona de transição não tem tanto influência pelo chamado efeito fortificador do agregado. as fôrmas. Antes de se abordar a ligação agregado-pasta. após a desforma. Zona de transição agregado – pasta (microscopia eletrônica) _______________________________________________________________________________ 92 Concretos e Argamassas Prof. por água. a fraqueza da ligação agregado-pasta pode ser explicada. Esta é a razão pela qual. muito resumidamente. pois é menos resistente que a pasta e os agregados. em grande parte. é necessário mencionar um fenômeno que ocorre no concreto quando no estado fresco: o efeito de parede. aqueles com relação a/c > 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4. uma chamada da fase mais fluida do concreto para a superfície dos agregados. por uma concentração anormal de cristais de hidróxido de cálcio nessa região particular dos concretos e argamassas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Este efeito pode ser descrito como uma "chamada" da fase mais fluida do concreto (a pasta) para as superfícies postas em contato com o concreto. em um concreto apropriadamente lançado e compactado. já que a pasta de cimento sempre se interpõe entre elas e a fôrma. como por exemplo. não se observa a presença de partículas de brita.

Zona de transição agregado – representação gráfica

Noções básicas de concreto
1) A fase pasta de cimento, mistura de cimento e água, funciona como uma espécie de cola, pois possui poder aglomerante, ou poder de colagem. Quanto mais diluída, menos cola. Assim, a partir de um certo limite, quanto mais água se mistura ao cimento, menor o poder aglomerante da pasta, na medida em que ela própria fica menos resistente. 2) Um bom concreto precisa ser trabalhável na obra. A noção de trabalhabilidade é difícil de ser definida e de ser medida, e isto será visto mais adiante, quando tratarmos da propriedades do concreto no estado fresco. Ela tem a ver, entretanto, com a capacidade do concreto preencher totalmente uma fôrma, envolvendo completamente as armaduras, sem deixar vazios, que são pontos fracos e que diminuem a resistência e a durabilidade do material. Dependendo do tipo de fôrma (em termos de dimensões), da densidade das armaduras dentro das fôrmas, do tipo de transporte que o concreto vai receber (como

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por exemplo, o bombeamento), da forma de adensamento, etc., ele precisa ter características específicas de trabalhabilidade na obra. Um concreto pode, por exemplo, ter uma consistência mais seca, que dê para preencher uma fôrma larga, mas, por outro lado, esta mesma consistência seca pode provocar o entupimento da bomba (se o concreto for bombeado). No caso contrário, um concreto pode ser mais fluido, mais mole, podendo ser bombeado, mas não ser trabalhável para a execução de pisos, que geralmente são vibrados com régua vibratória (o que demanda concretos mais secos, para que a régua não afunde na massa). De modo geral, deve-se procurar trabalhar com o concreto mais seco possível. Por que? Porque quanto mais seco o concreto, menos água ele tem, e portanto mais resistente é a fase pasta, e, consequentemente, o concreto como um todo. A "secura do concreto" entretanto tem um limite. 3) A relação entre a massa de água e a massa de cimento de um concreto é conhecida como relação ou fator água-cimento. Misturando-se pouco a pouco uma certa quantidade de cimento com uma quantidade variável crescente de água e medindo-se a resistência da pasta verifica-se que ela passa por um máximo. Este máximo é relativo ao fator água/cimento teórico de aproximadamente 0,23. Esta relação representa a quantidade mínima de água necessária para hidratar completamente todas as partículas da massa de cimento. O fator água/cimento de 0,23, entretanto, é um fator teórico, raramente obtido na prática, pois o concreto com ele fabricado fica extremamente seco, com a chamada "consistência de terra úmida", uma verdadeira farofa, impossível de ser trabalhada, vibrada, bombeada, etc., no canteiro. 4) Na prática, um concreto corrente é obtido geralmente com fatores a/c superiores a 0,50. A água contida por esse concreto pode então ser subdividida em dois tipos: água de hidratação (relativa ao fator a/c de 0,23 ou 0,23 X massa de cimento do concreto) e água de trabalhabilidade, a água a mais, que é acrescentada para que o concreto possa ser trabalhado na obra. É calculada como: [(fator a/c - 0,23) X massa de cimento].
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A água de hidratação é como diz o nome, aquela que vai ser consumida na hidratação das partículas de cimento. A água de trabalhabilidade é a água que vai misturar-se com as partículas de cimento e formar um filme aquoso (talvez seja melhor dizer pastoso) nas superfícies das partículas de areia e brita, filme este que vai funcionar como um lubrificante, reduzindo o atrito existente entre essas partículas e transformando então um concreto seco em um concreto "plástico", ou "mole", ou ainda "fluido". 5) O concreto fica então menos resistente do que poderia teoricamente ser, para que possa ser trabalhável na obra. Nos concretos correntes, esse comportamento é traduzido pela Lei de Abrams, que estabelece que a resistência do concreto varia na razão inversa do fator a/c, ou seja, quanto maior o fator a/c, menor a resistência do concreto, e vice-versa. 6) Mudando aparentemente de assunto, falemos agora de superfície específica. A superfície específica é a medida da área superficial das partículas contidas em um determinado volume de material. Pode-se demonstrar matematicamente que quanto menores as dimensões das partículas de um mesmo volume de material, maior a superfície específica das partículas contidas naquele volume. Assim, quanto mais fino for, por exemplo, um tipo de agregado, maior a superfície específica das suas partículas, e, portanto, maior a quantidade de água de trabalhabilidade necessária para diminuir o atrito entre partículas, e, finalmente, menor a resistência desse concreto com mais água. Esta é a principal razão pela qual procura-se sempre trabalhar com: • • • os agregados com as maiores dimensões possíveis; as areias menos contaminadas com silte ou argila, que são materiais finos; a menor quantidade possível de cimento.

7) Neste aspecto, é importante também escolher o agregado com formato e textura superficial adequados, pois quanto mais áspera for a sua superfície e mais vértices tiver a sua forma, maior o atrito entre suas partículas, maior a quantidade de água necessária para diminuir o atrito, etc., etc., etc..
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Classificação dos concretos
Alguns tipos de concreto que podem ser produzidos • • • • • • • • • • • Concreto simples Concreto armado Concreto massa Concreto projetado Concreto refratário Concreto com ar incorporado Concreto de alta resistência Concreto auto-adensável Concreto leve Concreto pesado Etc

Quanto a classificação quanto a resistência, por classes e grupos, a NBR 8953, classifica para o grupo I as resistências de concreto C10 a C50 (variando de 5 em 5), onde se indica a resistência em MPa (C40 concreto com resistência de 40 MPa) e

onde a faixa de validade da NBR 6118 – Projetos de estrutura de concreto. Já o grupo II se refere aos concretos de alta resistência e hoje se tem evoluído muito em estudos, pesquisas nesta faixa (estudo em outra disciplina).

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tais como resistência. onde o proporcionamento deve levar em conta as características de agressividade da atmosfera. transporte.edu. onde admite-se que um concreto econômico quando consegue atender às condições anteriores com um consumo mínimo de cimento.PRODUÇÃO DE CONCRETO Introdução O processo de produção do concreto geralmente é subdividido em várias etapas. adensamento (ou compactação) e cura. mas iniciamos com pelo menos os princípios básicos. As principais delas são: mistura (ou amassamento). bem superior ao dos agregados. lançamento e adensamento do concreto. que são relacionadas a operações de transporte. Alguns autores colocam ainda uma fase inicial e uma etapa final: a dosagem (ou cálculo do proporcionamento) e o controle tecnológico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . lançamento (ou colocação). deveriam fazer parte das variáveis e não dos requisitos. mas nem sempre é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura ou que não apresentem reatividade. d) técnicas de execução. do solo e eventuais produtos em contato com a estrutura. acabamento. c) tipo de agregado disponível economicamente. b) condições de exposição e operação. a princípio. _______________________________________________________________________________ 97 Concretos e Argamassas Prof. Dosagem A dosagem do concreto objetiva atender a cinco condições principais: a) exigências de projeto. e) custo. na grande maioria das vezes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. impermeabilidade e outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma certa idade. pois que o custo do cimento é. Estas duas etapas estudaremos à parte. apesar de que.

deve-se procurar utilizar um número inteiro de sacos de cimento. e a medida em volume não é aconselhável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pois a fração do saco medida em peso é trabalhosa. para que se possa calcular a quantidade de cada um dos materiais que vai entrar na mistura. constituídas por um tambor ou cuba. neste caso. A mistura mecanizada é realizada em máquinas especiais denominadas betoneiras. mas também nos caminhões-betoneira das centrais de concreto pré-misturado (embora. enquanto um tempo longo demais é _______________________________________________________________________________ 98 Concretos e Argamassas Prof.Mistura / amassamento É a homogeneização de todos os componentes do concreto. Um tempo reduzido demais produz uma mistura imperfeita. deve envolver totalmente cada partícula de agregado. Em cada betonada. As betoneiras podem ser de vários tipos. promove a mistura dos componentes do concreto. Antes de se utilizar uma betoneira. só sendo aceitável para pequenos volumes de concreto. por sua vez. pois a falta de homogeneidade implica em perda de resistência e durabilidade do concreto. por ser pouco precisa. O eixo passa pelo centro do tambor e. Outro aspecto bastante importante é o tempo ideal de mistura. é importante saber a sua capacidade de produção. de modo que entrem em contato íntimo uns com os outros. embora no Brasil a mais comum seja a betoneira basculante de eixo inclinado. que pode ser fixo ou móvel em torno de um eixo. formando a pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A água deve entrar em contato com as partículas de cimento. A mistura tem que ser homogênea. equipamento que é utilizado não apenas nas obras. que também podem ser fixas ou móveis. que. A mistura manual está em desuso. através de pás.edu. não seja basculante). bem como a quantidade de betonadas necessárias para executar uma determinada parte da obra.

Não deve ser inferior a 1 minuto. com todos os materiais no seu interior. o tipo de betoneira. onde: t = tempo de mistura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em função da umidade de areia que pode estar levando mais água ao concreto do que o esperado. que depende de vários fatores. Por vezes evita-se colocar toda a água prevista. O tempo de mistura é contado a partir do instante que se liga a betoneira. sem o agregado miúdo.antieconômico. do tipo: t = 120 d . Uma seqüência prática de se usar em obra é a entrada dos materiais na ordem dos mais grossos para os mais finos: brita grossa. Alguns autores fornecem uma fórmula para o cálculo do tempo de mistura das betoneiras de eixo inclinado. fazemos a hidratação de quase todas as partículas de cimento. em metros.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. brita fina. mantendo-se a principal propriedade do concreto: a resistência à compressão. etc. Também é importante. Uma ordem de grandeza prática para o tempo de mistura de um concreto convencional em obra comum é de 2 minutos. areia. em segundos. a trabalhabilidade do concreto. Assim vamos evitar que a relação a/c seja maior que a de projeto. a ordem de entrada dos materiais na betoneira. d = diâmetro da betoneira. _______________________________________________________________________________ 99 Concretos e Argamassas Prof. para a execução de uma mistura perfeita. garantindo assim uma formação mais completa das reações de hidratação que formam os compostos endurecedores do concreto. cimento e água. Cada autor também tem a sua preferência.. como a quantidade e o tipo de materiais. 2) Cimento + restante (ou quase o restante) da água colocando-se o cimento e o agregado graúdo. Para concretos convencionais a ordem mais comum é: 1) Agregado graúdo + parte da água batendo-se a água e a pedra eliminamos eventuais depósitos de materiais que podem estar ainda no interior da betoneira e fazemos a homogeneização da água no agregado graúdo.

isto acontece exatamente nos pilares. se não foi colocada toda. e ainda não obtivemos a trabalhabilidade necessária (medida pelo ensaio de abatimento de tronco de cone – “slump”) não podemos mais simplesmente colocar água no concreto sob pena de termos uma relação a/c maior e consequentemente uma resistência mecânica menor que a de projeto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A solução do aditivo plastificante é a mais usual (quando se fala de concreto com controle tecnológico). Observação importante: Se já colocamos toda á água prevista pelo traço.3) Areia com a colocação da areia começamos a contar o tempo de mistura verificando se não há a formação de argamassa nas pás (argamassa presa). Neste caso há três soluções mais comum para resolver o problema sem afetar a resistência mecânica: a) Adicionarmos mais argamassa ao concreto mantendo-se nesta argamassa a relação a/c do traço original b) Adicionarmos mais pasta ao concreto. acaba ficando pouco concreto produzido em obra. para-se a betoneira e com uma colher se faz a soltura desta argamassa e retoma-se a mistura. Nesta etapa em função da trabalhabilidade pretendida e da água. normalmente os pequenos volumes. Neste caso. onde o volume é pequeno e se faz em obra e onde a resistência à compressão adquire uma importância maior. tendo esta pasta a relação a/c original c) Colocarmos aditivos plastificantes.edu. Muito cuidado. pode-se então completar a água prevista. Atenção: como hoje em dia se usa muito concreto dosado em central (“concreto usinado”). Porém. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 100 Concretos e Argamassas Prof. Neste caso sempre temos que ter sempre em estoque algum aditivo e já instruído o operador de como usá-lo.

Em obras com grande volume de produção de concreto ou em regiões com grande mercado consumidor. carrinhos (que devem ter rodas de borracha. Transporte O concreto deve ser transportado do local de mistura para o local onde vai ser lançado tão rapidamente quanto possível. O transporte do concreto geralmente ocorre das seguintes formas: • horizontal .através de vagonetes.. para evitar a segregação). guinchos.. ou seja. etc. Porém isto não isenta a nossa responsabilidade e o controle do concreto como veremos adiante.edu.. e de maneira tal que mantenha a sua homogeneidade. oblíqua ou inclinada .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que. caminhões.caçambas. _______________________________________________________________________________ 101 Concretos e Argamassas Prof. evite a segregação dos seus componentes. entretanto o transporte do concreto pode ser realizado também por bombas especiais. passa pelo interior da bomba e é recalcado através de tubulações até alturas que podem ser superiores a 300 m. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. calha. que recalcam o material através de um mecanismo de pistões e válvulas.correia transportadora. no Brasil. • • vertical . etc. etc. desenvolveram-se as centrais produtoras de concreto prémisturado. têm uma boa aceitação e geralmente encontram-se em estágio tecnológico bastante razoável. O concreto é lançado no recipiente de admissão (cocho). Em qualquer das formas.

montadas sobre carroceria de caminhão. Era esta segunda bomba que levava o concreto até o pavimento em execução. As calhas ou canaletas utilizadas no transporte inclinado do concreto geralmente são de madeira revestida por chapa metálica. O transporte por esteiras rolantes é em geral mais indicado para os concretos secos. colocada a meia altura do prédio. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. temos que controlar o tempo em que foi adicionada a água. e são chamados de caminhão betoneira. devem dispor de agitação própria. sem segregação. O concreto deverá ter consistência fluida e o processo de transporte deve ser contínuo e homogêneo. Os caminhões. como por exemplo. utilizou-se um sistema engenhoso. Este equipamento permite a concretagem de até 3 andares de obra sem a necessidade de nenhuma tubulação adicional. possuem balões com capacidade de transporte de 2. quando utilizados no transporte de concreto por longa distância. onde uma bomba estacionada no térreo recalcava o concreto até o cocho de uma segunda bomba. e a agitação do concreto pode ser realizada em dois sentidos e duas velocidades. para evitar que o concreto quando seja lançado já esteja em início de pega ou muito próximo. consta que durante a construção do prédio do BNDE. Geralmente são trucados.No Rio de Janeiro. é necessária uma inclinação mínima de 13o. Para que o material deslize. e pode ser usado tanto na horizontal quanto com pequenas inclinações. com cobertura no caso de sol forte. acionadas por controle remoto. A capacidade de bombeamento deste tipo de equipamento geralmente é de cerca de 30 m3 por hora. As bombas de concreto podem ser estacionárias ou móveis. com cerca de 15 m de comprimento. os concreto-massa de barragem. algumas até automotivas.5 até 8 m3. Algumas empresas _______________________________________________________________________________ 102 Concretos e Argamassas Prof. geralmente com uma lança metálica articulada em dois ou três estágios. Alguns cuidados no transporte: a) Quando for feita de uma central dosadora até a obra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O material deve também ser protegido contra a secagem excessiva.

prevendo atraso no transporte, em função de tráfego, fazem a mistura a seco e colocam água somente na obra. Outras utilizam aditivos retardadores de pega no concreto.
Atenção: muito cuidado com concreto com aditivos retardadores de pega, quando da previsão de desforma, pois já houve casos que o módulo de elasticidade exigido na época da desforma não foi atingido, devido ao uso destes aditivos. Acaba por vezes exigindo um tempo maior de escoramento do concreto

b) No transporte vertical ou horizontal por bombas, conforme o dia (umidade do ar, temperatura, exposição ao sol, etc), pode haver perda da traballhabilidade do concreto. A medida do “slump” na saída do caminhão pode atender a exigência de projeto, mas na saída da canalização, acaba sendo menor e pode comprometer o lançamento do concreto. Ver trabalho de TCC da ex-aluna Endriana Kischner Cavalheiro (Concreto bombeado: Verificação da

variabilidade das propriedades entre a saída da caminhão betoneira e a chegada no local de concretagem) c) Quando se faz transporte horizontal dento da obra, por carrinhos ou jericas, deve-se ter um caminho preparado, para evitar solavancos no percurso que podem levar a segregação do concreto

Lançamento / Colocação
O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto no ponto onde ele deverá permanecer definitivamente. O lançamento do concreto nas formas não deve ocorrer em intervalo superior a 30 minutos após a conclusão do amassamento. Na realidade, como o transporte, deve ser realizado no prazo mais rápido possível. Da mesma forma, como no caso do transporte, deve-se também evitar a segregação do concreto durante o lançamento nas formas. O uso de aditivos retardadores de pega pode estender este tempo para até cerca de duas horas, dependendo da eficiência do aditivo e da sua dosagem.
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Nas obras correntes, antes do lançamento do concreto, deve-se umedecer as fôrmas de modo a evitar a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para evitar a fuga de pasta de cimento. Outra situação especial de colocação do concreto em obra é o lançamento em altura. Ao sair da betoneira, o concreto geralmente é submetido a forças externas e internas que tendem a provocar a segregação (separação) dos seus materiais constituintes. Ao lançar o material de grande altura (ou deixá-lo correr livremente) surgirá a tendência de separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para evitar a segregação, a altura máxima de lançamento em concretagens comuns não deverá ultrapassar 2 m. Em pilares mais altos do que isso, por exemplo, podem ser abertas janelas de concretagem à meia altura, na parte lateral da fôrma, que são fechadas à medida que o concreto atinge este nível. Também neste caso pode ser utilizada a tremonha Nos casos mais comuns de vigas e lajes, o concreto deve ser lançado o mais próximo possível da sua posição final, não devendo fluir, "andar", ou ser empurrado dentro das fôrmas. Nas obras de maior porte, o lançamento do concreto deve ser feito segundo um plano de concretagem, elaborado para levar em consideração o projeto de escoramento e as deformações que nele serão provocadas pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço lembrar de escoras que

levantam pela deformação na estrutura de formas/escoramento Deve também ser prevista a ocorrência de interrupções do lançamento de concreto, que venham a provocar as chamadas juntas de construção, ou juntas frias. Estas em geral são provocadas pela impossibilidade do lançamento contínuo de um grande volume de concreto, ocorrência esta previsível ou não, derivada de acidente (como por exemplo, chuva forte, falta de energia, entupimento de bomba, quebra de equipamento de produção ou de transporte do concreto, etc.). Em todos os casos devem ser tomados alguns cuidados. A superfície do concreto velho deve ser apicoada ou limpa com escova de aço até tornar-se rugosa, com o agregado graúdo aparente, para facilitar a aderência com o concreto novo.
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Quando previsível, já ao final do lançamento, deve ser providenciado para que o acabamento de uma camada de concreto não seja executado em superfície lisa. A superfície da junta deve ser perfeitamente limpa, a fim de remover o material solto, o pó, as impurezas, etc., que prejudicam a aderência. Esta limpeza deve ser executada com jato d’água ou de ar comprimido. Quando não for usado o jato d’água, a superfície deve ser abundantemente molhada. Outra boa prática é a previsão de existência de ferros de espera, ou a colocação de pontas de ferro espetadas nas juntas, de modo que venham depois a realizar uma espécie de costura do concreto velho com o novo O projeto de uma estrutura pode também, intencionalmente, prever a existência de juntas, que neste caso recebem a denominação de juntas estruturais. Sua finalidade é a de permitir deslocamentos da estrutura, geralmente provocados por contrações, (retrações e expansões) derivadas de variações de temperatura e umidade, empenamentos, deflexões, recalques, etc.. Uma forma prática de se construir uma junta é a utilização de placas de isopor, que mais tarde são dissolvidas com querosene. Um caso particular de colocação do concreto é o do lançamento submerso. O concreto não deve ser lançado em águas com velocidade superior a 3 m/s (para que não seja "lavado"), nem em temperaturas inferiores a 2 oC (que interferem e até podem impedir a pega do cimento). O material deve possuir consumo mínimo de cimento de 350 kg/m3 (para garantir um fator a/c razoável e diminuir a tendência à segregação) tendo ainda uma consistência plástica, já que em geral não pode ser vibrado após o lançamento. O processo de colocação deve ser contínuo, através de uma tubulação sempre cheia de concreto, cuja ponta deve estar posicionada no interior da massa de concreto já lançada, para evitar que o material caia através da água e a pasta seja separada dos agregados por lavagem. O equipamento geralmente empregado neste processo chama-se tremonha.

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Adensamento / Compactação
O adensamento ou compactação do concreto recém lançado tem por objetivo deslocar, com esforço, os elementos que o compõem e orientá-los para se obter maior compacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e desalojar o ar do material eliminar os vazios da massa, tornando-a mais compacta e, mais

resistente, menos permeável e mais durável Os processos de adensamento podem ser manuais ou mecânicos. O adensamento manual, hoje raramente utilizado, era realizado por socamento ou apiloamento, é indicado apenas para obras de pequena importância. O socamento pressupunha a utilização de soquete metálico ou de madeira, e era utilizado apenas em concretos de consistência plástica. O apiloamento utilizava-se geralmente de pilão de madeira e também era indicado para concretos plásticos. Em ambos os processos a espessura das camadas não deveria ultrapassar 20 cm. O adensamento mecânico compreende os esforços de vibração, centrifugação e vácuo. O mais usado é a vibração em obras convencionais A vibração, processo mais utilizado atualmente, além da desaeração, dá ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água. A vibração não deve ser aplicada diretamente à armadura, que, ao vibrar, deixa um espaço vazio ao seu redor, eliminando a aderência. Caso durante a vibração haja um contato acidental do vibrador com a armadura, deve-se vibrar novamente o concreto nas proximidades.

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espaços estes que vêm a constituir os poros capilares. Os equipamentos mais utilizados para a vibração do concreto. média . no seu movimento de ascensão. em geral empregado na produção de prémoldados ou peças pré-fabricadas em usina. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. blocos.de 6000 a 20000 vpm. O diâmetro deste vibrador é um dado importante quando da elaboração do projeto estrutural. cria canalículos na massa de concreto. geralmente vigas e transversinas de pontes e outras obras de arte especiais. _______________________________________________________________________________ 107 Concretos e Argamassas Prof. mais utilizados nas obras correntes de edificação.. alta .entre 3000 e 6000 vpm. um caso particular de segregação e que será melhor explicado adiante nas propriedades do concreto).A vibração pode aumentar a ascensão à superfície de concreto do excesso de água (fenômeno denominado de exsudação. • de fôrma. Caso a exsudação ocorra com maior intensidade. os vibradores. pois define o espaçamento entre as armaduras. na realidade. A revibração (uma segunda etapa de vibração) só deve ser realizada até a metade do tempo de pega do cimento. usados em peças de maiores dimensões ou com grande densidade de armadura. que demandam concretos pouco plásticos. como p. que pode ser • • • baixa . • de mesa (ou mesa vibratória). telhas.edu. O fato é que a água. que é. empregados em pisos e pavimentações. etc. dormentes. podem ser: • de imersão (de agulha ou de banana). vigas. • de superfície (placas ou réguas vibratórias).da ordem de 1500 vpm. As características principais dos vibradores de concreto são: a) freqüência.ex. postes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pode-se utilizar a revibração para tentar obturar os poros capilares.

não ultrapassa os 60 cm. cravam-se várias barras de ferro na massa de concreto. c) amplitude ou raio de ação.A freqüência baixa movimenta os grãos maiores (agregado graúdo) e a freqüência alta movimenta os grãos menores (argamassa ou pasta de cimento). Em geral. b) potência A baixa freqüência exige maior potência do vibrador. a diferentes distâncias do vibrador e mede-se a sua vibração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Os vibradores de alta freqüência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O período útil de aplicação da vibração corresponde ao aparecimento de uma camada de argamassa na superfície do concreto (superfície torna-se brilhante). Alguns cuidados na utilização de vibradores de imersão: a) Os vibradores devem ser aplicados em posições sucessivas afastadas de distâncias iguais ou inferiores ao raio de ação do vibrador. são mais econômicos.edu. Os vibradores mais utilizados no Brasil têm freqüência da ordem de 3500 vpm. bem como à cessação quase completa do desprendimento de bolhas de ar. O raio de ação de um vibrador é proporcional à raiz quadrada da sua potência para duplicar o raio. A amplitude de ação depende também das características do próprio concreto. já que o seu excesso gera a segregação do concreto. _______________________________________________________________________________ 108 Concretos e Argamassas Prof. é necessário quadruplicar a potência. que é a distância além da qual o vibrador não exerce influência no concreto. para se determinar o raio de ação de um vibrador. o efeito da vibração passa a ser nocivo. Daí em diante. sob este aspecto. Na prática. enquanto nos EUA as normas de concreto corrente impõem o emprego de vibradores com 10000 ou 12000 vpm.

Além disso.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pois fica assegurada uma alta impermeabilidade e uma superfície interior pouco rugosa. _______________________________________________________________________________ 109 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tubos. As fôrmas em geral são metálicas e atingem velocidades de 12 a 24 m/s. estacas. A compactação do concreto por centrifugação é muito empregada no caso da préfabricação de elementos de revolução. ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento.edu. o vácuo adensa o concreto por compressão. d) O vibrador deverá ser utilizado sempre na vertical. durante um tempo de 2 a 10 minutos. para que se obtenha uma boa homogeneidade do concreto. bem como uma parcela da água. ambas com o aparelho em funcionamento. Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça. O processo pode ser usado também em fábricas de pré-moldados. O adensamento à vácuo é utilizado em pavimentação de ruas. Assim libera-se o ar contido no concreto. caso contrário poderá ser deixado um vazio na massa de concreto.b) As camadas lançadas de concreto devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante do vibrador de imersão. etc. e sua retirada muito lenta. O vibrador nunca deve ser utilizado para transportar ou empurrar o concreto. como postes. Cobre-se o trecho pavimentado com uma manta plástica presa nas bordas e ligada por um tubo por onde se retira o ar aprisionado pela manta. variável com as dimensões da peça. é boa prática manter-se sempre um vibrador de reserva.. Durante a centrifugação ocorre uma classificação dos materiais componente do concreto segundo o seu tamanho. c) A introdução da ponta vibrante no concreto deve ser rápida. e) Nas obras. No caso dos tubos isto é ótimo.

de modo que possam ser desenvolvidas as propriedades desejadas no concreto. principalmente em termos de resistência e de durabilidade. _______________________________________________________________________________ 110 Concretos e Argamassas Prof. As condições da temperatura do meio ambiente nas primeiras idades do concreto são as mais importantes. Aos 28 dias de idade. melhora muito as características finais do material. As condições de umidade e temperatura. As baixas temperaturas prejudicam muito o crescimento das resistências mecânicas do concreto. a resistência à compressão do concreto curado em água pode ser até 40% superior à do concreto mantido ao ar. embora alguns autores recomendem pelo menos 14 dias de cura para que se tenha garantias contra o aparecimento de fissuras devidas à retração.Cura Dá-se o nome de cura ao conjunto de medidas que têm por finalidade evitar a evaporação prematura da água necessária à hidratação do cimento. principalmente nas primeiras idades do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que provocam a evaporação de parte da água do concreto. o que também ocorre com as temperaturas elevadas. A cura úmida (com água) em comparação com a cura do concreto ao ar.edu. como por exemplo: • irrigação periódica das superfícies com água.. fenômeno que rege a pega e o endurecimento do concreto. Algumas normas (inclusive a brasileira NBR 6118) exigem que a cura seja realizada nos 7 primeiros dias após o lançamento do concreto nas fôrmas. A cura do concreto em obra pode ser realizada de várias formas.ex. p. têm importância muito grande nas propriedades do concreto endurecido. O Comitê 363 do ACI define cura como o conjunto de procedimentos adotados para a manutenção de um teor de umidade satisfatório e uma temperatura favorável no concreto durante o período de hidratação dos materiais cimentícios. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

• Em certos casos a submersão do concreto pode ser indicada.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que também impedem a evaporação da água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que impedem a evaporação da água membranas de cura.• recobrimento das superfícies com areia ou sacos de aniagem. • recobrimento da superfície com papéis impermeáveis especiais (do tipo kraft) ou filmes de polietileno. • emprego de compostos impermeabilizantes especiais para a cura. _______________________________________________________________________________ 111 Concretos e Argamassas Prof. mantidos sempre úmidos.

tornando-se um bloco rígido.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Entre a mistura e o fim de pega o concreto é dito no estado fresco. o cimento começa a hidratar-se. a pasta começa a perder plasticidade.PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO Introdução Entende-se com concreto fresco. é acompanhada pelo aumento da coesão e pelo ganho de resistência da pasta. Tempos de pega Quando entra em contacto com a água. antes do endurecimento.edu. sabe-se que elas estão relacionadas e têm grande implicação nas propriedades do concreto endurecido. A mistura. aumentando sua viscosidade e apresentando elevação de temperatura. denominada endurecimento. O tempo decorrido desde a adição de água ao cimento até o aumento brusco de viscosidade da pasta é denominado. convencionalmente. o concreto no estado plástico. _______________________________________________________________________________ 112 Concretos e Argamassas Prof. Quando a pasta deixa de ser deformável em face de pequenas cargas. a situação é denominada fim de pega. é plástica e chama-se pasta ou calda de cimento. Algumas propriedades do concreto endurecido dependem fundamentalmente de suas características enquanto no estado fresco. A fase a seguir. Pouco tempo depois. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. num estágio inicial. início de pega. Ainda que suas propriedades no estado fresco sejam de maior interesse para a aplicação.

lançado. sendo os mais importantes a composição química do cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A determinação dos tempos de pega dos concretos é importante. colocado e compactado. como já se mencionou. Cabe ainda salientar que com o início de pega inicia-se um processo de desprendimento de calor devido as reações química. Trabalhabilidade É a propriedade do concreto fresco. mas que possui dimensões bem maiores. a finura do cimento. a temperatura ambiente. bem como a presença de aditivos químicos e/ou minerais no concreto.edu. o fator a/c. transportado. os cimentos podem ser classificados: • • • Pega rápida tempo de início de pega < 30 min 30 min < tempo de início de pega < 60 min Pega semi-rápida Pega norma tempo de início de pega > 60 min Nos concretos. evitando a segregação em outras palavras empregado identifica a maior ou menor aptidão do concreto para ser com determinada finalidade. difícil de ser definida. e existem normas para as suas medidas. De acordo com o tempo de pega.A duração da pega é influenciada por vários fatores. ou seja. Os tempos de início e fim de pega são características intrínsecas dos cimentos. os tempos de início e fim de pega podem ser determinados com um equipamento que emprega o mesmo princípio da determinação da pega do cimento (a penetração de uma agulha de dimensão conhecida). que se refere à sua aptidão em ser facilmente misturado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mantendo a sua integridade e homogeneidade. que usam a agulha de Vicat. pois são eles que indicam a disponibilidade de tempo para o concreto ser transportado. sem perda de (manipulado) homogeneidade. _______________________________________________________________________________ 113 Concretos e Argamassas Prof. compactado e começar a ser curado.

de lançamento e de adensamento. Entenda-se como manipular Lançamento. de transporte. A trabalhabilidade do concreto é uma definição relativa. da taxa de armadura. _______________________________________________________________________________ 114 Concretos e Argamassas Prof. do tipo de forma. dos equipamentos de mistura.A ASTM C 125-93 define trabalhabilidade como a energia necessária pata manipular o concreto fresco sem perda considerável da homogeneidade. devido à grande quantidade de variáveis envolvidas nessa determinação. adensamento e acabamento A ACI 116R-90 descreve como a facilidade e homogeneidade com que o concreto fresco pode ser manipulado desde a mistura até o acabamento. uma mistura de concreto que não possa ser lançada facilmente ou adensada em sua totalidade provavelmente não fornecerá resistência e durabilidade esperadas. Assim o concreto deve apresentar duas qualidade principais: • Consistência ou fluidez é função da quantidade de água adicionada ao concreto e simplesmente avalia o quão “duro” ou “mole” está o concreto • Coesão é uma propriedade que reflete a capacidade do concreto de manter sua homogeneidade durante o processo de transporte.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Existem vários equipamentos.edu. pois depende também das geometria da peça estrutural. Nenhum deles consegue quantificar perfeitamente a trabalhabilidade. tais como o custo. lançamento e adensamento e é função da quantidade de finos presente na mistura bem como da granulometria e da proporção entre si dos agregados. TRABALHABILIDADE = CONSISTÊNCIA + COESÃO Importância da trabalhabilidade Independente da sofisticação usada nos procedimentos de dosagem e outras considerações. bem como da técnica e do tipo de acabamento desejado. técnicas e tipos de ensaios para a determinação da trabalhabilidade dos concretos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

o slump test não é adequado e existem outros tipos de ensaios. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. é o "Ensaio de Determinação da Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone".Nas obras correntes. o método mais utilizado (muito mais pela sua simplicidade do que pela sua precisão e representatividade). _______________________________________________________________________________ 115 Concretos e Argamassas Prof. Um abatimento forma do normal pode indicar uma mudança imprevista nas proporções da mistura. Ensaio de Slump test principal função é fornecer um método simples e conveniente (além de barato) para controlar a uniformidade da produção de concreto de diferentes betonadas. também conhecido como "slump test" – NBR 7223. Ensaio de abatimento de tronco de cone a) molde metálico preenchido de concreto b) medição do abatimento Para concretos com muita trabalhabilidade – concretos auto-adensáveis – e para concretos muito consistentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

vemos na tabela seguinte: _______________________________________________________________________________ 116 Concretos e Argamassas Prof.Procedimentos para ensaios de concreto fresco: um comparativo entre as técnicas utilizadas no Brasil e Alemanha . Silvio Edmundo Pilz.editado pela Argos. A tabela a seguir. indica os limites de consistência em função da aplicação e tipo de adensamento do concreto: A consistência indicativa do concreto em função do tipo de elemento estrutural.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para adensamento mecânico.A importância deste controle do abatimento pode ser visto na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. do prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sobre ensaios de trabalhabilidade e como leitura complementar recomendamos o trabalho recente (2008) .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó o concreto perde a consistência. dependendo do caso. Neste caso. que pode ser pequeno ou não. Esse tempo pode chegar a ser bastante significativo. ou seja a .edu. que não deve ser deixada de lado por ocasião do emprego prático do concreto em obras. quanto maior o tempo de transporte. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Perda da trabalhabilidade com o tempo Uma determinação realizada no concreto fresco. por exemplo. no caso de concreto pré-misturado em central e fornecido às obras em caminhõesbetoneira (que estão sujeitos ao fluxo de trânsito das cidades). Em função disto para que o concreto possa ser manipulado desde a mistura até o acabamento é comum dosa-lo com um abatimento inicial maior que o previsto Sua importância deriva de três aspectos principais: • nem sempre é possível lançar o concreto nas fôrmas imediatamente após a transporte. um aditivo retardador de pega pode ajudar. é a da perda de trabalhabilidade (ou de slump) do concreto com o tempo. Regra geral. Ocorre devido a hidratação do cimento. _______________________________________________________________________________ 117 Concretos e Argamassas Prof. a adsorção na superfície dos produtos de hidratação e a evaporação de água capacidade de fluir. como.

com o auxílio do superplastificante. pode-se substituir parte da água de amassamento do concreto por gelo. mas a perda de trabalhabilidade desse concreto será mais rápida do que a de um concreto corrente. quanto mais elevada a temperatura ambiente. no verão. e protegendo a água e os agregados da insolação direta. como o Rio de Janeiro. Regra geral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Em casos especiais.• existem locais onde a temperatura ambiente é elevada. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. temperatura do concreto e abatimento inicial. principalmente no caso de superplastificantes. regra geral. apresenta como efeito colateral uma perda acelerada de trabalhabilidade do concreto. Para ilustrar segue a seguir quadro mostrando a perda de abatimento em algumas misturas de concreto com o passar do tempo. é boa prática trabalhar com os materiais nas temperaturas mais baixas possíveis. Neste caso. (Mehta & Monteiro. 1994) Mistura de concreto 1 2 3 4 5 6 Temperatura do concreto oC 21 21 21 29 29 29 Abatimento (mm) Inicial 191 181 127 181 191 140 30 min 178 121 111 137 140 114 60 min 140 83 79 111 89 92 90 min 95 64 57 67 64 67 _______________________________________________________________________________ 118 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. normalmente iniciando após 15 mminutos. O abatimento inicial de um concreto pode. evitando o trabalho com cimento quente.edu. recém chegado da fábrica. ser até de 25 cm. • a utilização crescente de aditivos químicos nos concretos. ou resfriar a massa de concreto (já misturada) com nitrogênio líquido. Perda de abatimento em função da mistura.

_______________________________________________________________________________ 119 Concretos e Argamassas Prof. manuseado e lançado.edu. Quanto mais alta a temperatura na qual o concreto é misturado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. transporte. Em certas situações usa-se gelo (em escamas ou picado). adensamento. lançamento.O que pode acontecer com a perda de abatimento: • • • • • Necessidade extra de água Aderência do concreto dentro da caçamba da betoneira e caminhão betoneira Dificuldade de bombeamento e lançamento do concreto Queda da produtividade da mão de obra Perda da resistência e durabilidade (colocação extra de água) Um carregamento perdido de concreto duvidoso pode representar um ótimo negócio para a empresa de serviços de concretagem comparado ao seu possível uso e falha de desempenho. ou água gelada para diminuir a temperatura do concreto. maior é a probabilidade de que a perda de abatimento seja a causa de problemas operacionais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Causa e controle da perda de trabalhabilidade Algumas causas dos problemas de perda de abatimento são • • Emprego de cimento de pega anormal Tempo muito longo de mistura. acabamento • Alta temperatura do concreto devido ao calor de hidratação excessivo ou uso de materiais no concreto que tenham sido estocados a uma temperatura ambiente muito alta Problemas de perda de abatimento ocorrem mais freqüentemente em climas quentes.

A influência da dosagem na consistência considerando-se: • • • Relação água / cimento (a/c) Relação agregados / cimento (ag/c) Quantidade de água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dentro de certos limites é independente de outros fatores. Consumo de água O abatimento ou consistência do concreto é uma função direta da quantidade de água na mistura. pode-se dizer que Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência fluida Diminui Constante Aumenta Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência igual Diminui Diminui Constante _______________________________________________________________________________ 120 Concretos e Argamassas Prof.Medidas preventivas para controla a perda de abatimento • • • Eliminar qualquer possibilidade de atraso nas operações de concretagem Manter a temperatura do concreto entre 10oC e 21oC Controle laboratorial das características de pega e endurecimento do cimento Fatores que afetam a trabalhabilidade 1.

mas tendem a ser viscosos.3 mm (material fino). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é necessário um percentual mínimo de material passante na peneira 0. Consumo de cimento Uma diminuição do consumo de cimento tende a produzir misturas ásperas. 22%) Para concreto com alto consumo de cimento (material fino) pode-se utilizar agregados com menos finos que outro executado com menor consumo de cimento _______________________________________________________________________________ 121 Concretos e Argamassas Prof. NBR 7211 peneira 0. apresentam excelente coesão. dificultando o acabamento e prejudicando o aspecto final da superfície.15 mm. 27%) entre 2% e 7% (max. Areias mais grossas e grãos arredondados necessitam menos água para uma dada consistência misturas trabalháveis Areias muito finas e grãos angulosos necessitam mais água para uma dada consistência misturas ásperas e pouco trabalháveis.2. 3.3 mm peneira 0.15 mm entre 6% e 17% (max.edu. Um aumento do consumo de cimento. Para que um concreto seja trabalhável e tenha coesão. Características dos agregados O tamanho e a forma das partículas dos agregados influencia na água necessária para uma dada consistência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Algumas normas consideram teores mínimos de material passante na peneira 0.

pode permitir uma redução no consumo de água. obtendo estruturas com grande resistência e durabilidade. recuperando esta perda. Melhora a coesão pela redução da exsudação e da segregação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . diminuindo a relação a/c.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. principalmente nas etapas de transporte. Segregação e exsudação A SEGREGAÇÃO é definida como sendo a separação dos componentes do concreto fresco de tal forma que a sua distribuição não é mais uniforme. • O aditivo redutor de água (plastificantes) para uma quantidade de água constante aumenta o abatimento. Há duas formas de segregação: • Tendência dos agregados maiores se separarem por deslocamento e sedimentar mais que as partículas menores pobre evita-se a segregação adicionando água ocorre em misturas secas e _______________________________________________________________________________ 122 Concretos e Argamassas Prof. Aditivos • O aditivo incorporador de ar aumenta o volume da pasta e melhora a consistência para uma dada consistência. mas como melhora a trabalhabilidade. Desta forma permitem execução de concreto com baixa relação a/c. • O aditivo incorporador de ar reduz a resistência à compressão. Adições Pozolanas (materiais muito finos) tendem a aumentar a coesão e a diminuir a trabalhabilidade. lançamento e adensamento diferença das massa específicas e nos tamanhos das partículas. 5. É uma tendência natural do concreto.4.

formam "estuários" e deságuam em "oceanos" no exterior das peças concretadas. o concreto endurecido tenderá a _______________________________________________________________________________ 123 Concretos e Argamassas Prof. recém-colocado. A subida da água ocorre com a formação de canais capilares. que se agrupam em "rios". porém antes de ocorrer a sua pega. quando os componentes sólidos mais pesados depositam-se no fundo das fôrmas ou moldes. portanto. sobe para a superfície das peças concretadas.edu.• Tendência da pasta se separar dos agregados excessiva de água ocorre devido adição Segregação excessiva pode ocorrer em concretos pouco coesivos devido a facilidade de deslocamento dos agregados em relação à pasta fresca aumentam a coesão do concreto O risco de segregação é diminuído: • • • • Evitar o manuseio excessivo do concreto fresco Excesso de vibração Alturas de lançamento não serem grandes Modificação da granulometria dos agregados a adição de finos A EXSUDAÇÃO é definida como o aparecimento de água na superfície após o concreto ter sido lançado e adensado. que começam como uma rede de "riachos". A exsudação dos concretos é um caso particular de segregação. e o componente mais leve. a água. a parte superior do concreto torna-se excessivamente úmida (ou seja. Como conseqüência da exsudação. Com a evaporação dessa água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a tendência da água de amassamento vir à superfície do concreto fresco. É. e que. nas proximidades das superfícies do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com um fator a/c mais elevado que o restante da massa de concreto).

não consegue atingir a sua superfície.edu. a água. portanto menos resistente. no seu movimento de ascensão. Recentemente. que se convencionou chamar de externa. concentrando-se em alguns pontos pelo caminho. Essa nata deve ser cuidadosamente removida. quando se tiver juntas de concretagem. carregando as partículas mais finas de cimento. Nata porosa é quando a água percola nos capilares internos. Estes pontos em geral são de dois tipos. na superfície das peças concretadas.ser poroso na superfície e.pasta. menos resistente aos esforços mecânicos e à penetração de agentes químicos agressivos. pode carregar partículas de cimento. formando. Os primeiros são as barras de armadura. Além disso. areia e argila presentes como impureza do agregado forma de lama sob a superfície do concreto e depositando sob a pulverulência Esta era a descrição clássica da exsudação. _______________________________________________________________________________ 124 Concretos e Argamassas Prof. o concreto desta região passa a ter um fator a/c mais elevado que o restante. num segundo ponto preferencial. a superfície dos agregados. conseqüentemente. verificou-se que este é apenas um dos casos de exsudação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Com o acúmulo de água na sua superfície. na medida que pode ser identificada do exterior das peças concretadas. sendo esta a principal razão da existência da já muito mencionada zona de transição entre os agregados e a fase pasta de cimento. entretanto. Descobriu-se porém que a exsudação pode também ser interna à massa de concreto. entretanto. que dificulta a ligação de novas camadas de concreto com as antigas (aderência concreto velho-concreto novo). Fica então prejudicada a aderência concreto-armadura. Este é o caso de um determinado volume de água que sobe pela massa de concreto. ou interface agregado . sendo. mas que. a água pode acumular-se em filmes ou bolsas. a chamada nata de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Desta mesma forma.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.A exsudação excessiva. conseqüentemente. por exemplo. emprego de agregados de grãos arredondados. apesar de ocorrer com muita freqüência. • • • • utilização de traços de concreto mais ricos em cimento. é um fenômeno geralmente indesejado nas obras. como. especificação adequada da trabalhabilidade do concreto para a execução de um determinado serviço. adição de materiais finos ao concreto. A sua intensidade pode ser atenuada de várias formas: • • proporcionamento (dosagem) adequada dos componentes do concreto. emprego de cimentos mais finos.edu. os aditivos minerais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 125 Concretos e Argamassas Prof.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As conseqüências do excesso de exsudação. a massa específica do concreto pode. a mais na composição do concreto. Repare-se que a água que exsuda é apenas aquela que não foi capaz de se imiscuir na mistura dos outros componentes do concreto e lá permanecer. de todas as maneiras. pela revibração do concreto. Teor de ar do concreto O ar presente no concreto.4 kg/dm3. deve-se evitar. Nos concretos correntes. ser estimada para efeito do próprio dimensionamento da forma. ou seja.Em geral.edu. pode ser de dois tipos: o ar aprisionado pelo concreto (geralmente durante o próprio processo de fabricação) e o ar intencionalmente incorporado ao concreto (geralmente com o auxílio de aditivos químicos incorporadores de ar. para promover a resistência do concreto aos ciclos alternados de congelamento e degelo). A presença de aditivos químicos e/ou minerais pode alterar a exsudação do concreto. Esta determinação é importante para a verificação da segurança das fôrmas e escoramentos de uma obra. ou seja. é uma água livre. a massa pelo volume. por exemplo. Em casos especiais. com o auxílio de aditivos químicos plastificantes/ redutores de água. conforme já se mencionou. por exemplo. o excesso de água de trabalhabilidade. a grosso modo. _______________________________________________________________________________ 126 Concretos e Argamassas Prof. inclusive. Massa específica A massa específica de um concreto no estado fresco é determinada pesando-se um determinado volume conhecido de concreto e dividindo-se o resultado pelo outro. a massa específica costuma ser da ordem de 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tanto para mais quanto para menos. A massa específica é expressa em kg/dm3. que ali está apenas por uma questão de trabalhabilidade do material. podem ser combatidas.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Acontece algumas horas após o concreto fresco ter sido colocado em formas devido a redução do seu volume fissuras. Alguns aditivos minerais muito finos idem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o que pode colaborar para um eventual decréscimo de resistência. As fissuras se desenvolvem acima das obstruções para uniformizar o assentamento do concreto barras de aço e grandes partículas de agregado _______________________________________________________________________________ 127 Concretos e Argamassas Prof. Mudanças iniciais de volume Retração Plástica .Os concretos correntes geralmente possuem um teor de ar aprisionado da ordem de 1 a 2%. Alguns tipos de aditivos superplastificantes tendem a aumentar a quantidade de ar aprisionado pelo concreto.edu.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.Causas de retração plástica: • • • • Exsudação e Sedimentação Absorção de água pela forma ou pelo agregado Rápida perda de água por evaporação Deformações (inchamento ou assentamento da forma) O aumento da evaporação de água e fissuramento por retração plástica decorre de: • • • Alta temperatura do concreto Baixa umidade Vento de alta velocidade Medidas preventivas para evitar mudanças iniciais de volume • • • Umedecimento da sub-base e das fôrmas Umedecimento dos agregados quando secos e absorventes Manter baixa a temperatura do concreto fresco pelo resfriamento do agregado e da água de amassamento _______________________________________________________________________________ 128 Concretos e Argamassas Prof.

edu.• Proteger o concreto durante qualquer demora apreciável entre lançamento e acabamento • • Reduzir o tempo entre lançamento e início de cura Minimizar a evaporação Temperatura do concreto: alguns aspectos Concretagem em Clima Frio • • • Existe pouca hidratação Existe pouco ganho de resistência (congelado e mantido abaixo de -10° C) Protegido contra a expansão gerada pelo congelamento da água Concretagem em Clima Quente • • • Aumenta perda de abatimento Aumenta fissuração por retração Reduzir o tempo de pega do concreto fresco _______________________________________________________________________________ 129 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

500 kg/m3 (concretos com agregados leves) a 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . entretanto alguns pontos comuns a todas elas.300 kgf/m3 2.PROPRIEDADES DO CONCRETO ENDURECIDO Convencionou-se denominar de propriedades do concreto endurecido uma série de características distintas dos concretos. a duração da carga. a idade de ensaio. o tipo de cimento. Massa específica Varia entre 1.edu. a forma e a graduação dos agregados.500 kgf/m3 Resistência à esforços Concreto resiste bem a esforços de compressão e mal a esforços de tração (1/10 da resistência à compressão) Concreto resiste mal a cisalhamento (esforço de corte) _______________________________________________________________________________ 130 Concretos e Argamassas Prof. São eles: • • • • • • o fator água-cimento.700 kgf/m3 (concretos com agregados pesados o Concreto simples o Concreto armado 2. Existem. a velocidade de aplicação de carga durante a realização do ensaio. Um bom exemplo são os principais fatores que afetam as resistências mecânicas dos concretos. As mais importantes delas serão expostas a seguir. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

iniciando-se normalmente em 30 MPa. Atualmente em função de e poder usar prensas de menor capacidade e de facilidade de transporte dos CP’s. por exemplo. Nada impede. Com a moderna tecnologia de utilização conjunta de aditivos químicos Mais adiante veremos algumas superplastificantes e aditivos minerais de grande finura. se o concreto atingirá. O ideal. e se estabeleça uma correlação ou razão de crescimento da resistência à compressão de um dado concreto ao longo do tempo. já é possível obter-se resistências à compressão superiores a 100 MPa. correlações. Em função de custos e para a diminuição de seções (para ganhos de espaços. para cada concreto individualmente. a resistência à compressão dos concretos costuma ser um pouco mais elevada. _______________________________________________________________________________ 131 Concretos e Argamassas Prof. tem-se usado para os pilares resistências maiores (40 MPa.Resistência à compressão A resistência à compressão é uma das características mais importantes dos concretos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . já aos 3 ou 7 dias de idade. usa-se o molde cilíndrico de 10 x 20 cm (mantida a relação 1 para 2). isto serve como balizamento. por exemplo). é que elas sejam deduzidas caso a caso. aos 28 dias. com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. Em peças de concreto pré-moldado e/ou protendido. Nas obras. etc. A resistência à compressão usual em obras de edificações situa-se geralmente na faixa de 20 a 25 MPa. como pontes. deduzidas por vários autores. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. viadutos. o fck (resistência característica do concreto à compressão) especificado pelo calculista. o mesmo acontecendo no concreto moldado in loco de obras de maior responsabilidade. entretanto. Existem muitas relações de crescimento da resistência à compressão dos concretos. que se meça a resistência à compressão em idades anteriores aos 28 dias.edu. porém. para que o responsável técnico possa estimar.. Geralmente é medida aos 28 dias de idade em corpos de prova cilíndricos. em especial em garagens).

_______________________________________________________________________________ 132 Concretos e Argamassas Prof. Lobo Carneiro. medida em vigas prismáticas de concreto. não há necessidade de vários tipos de moldes nem procedimentos de moldagem nas obras e laboratórios. • resistência à tração por compressão diametral de cilindros de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . moldados. Problemas relativos à variabilidade da resistência à compressão devido a ensaios podem ser visto em capítulo específico na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. ensaiados deitados na prensa de compressão. A tensão é aplicada pela prensa em dois pontos nos terços do comprimento ou em um ponto centralizado do corpo de prova. é conhecido internacionalmente como "Ensaio Brasileiro". em última análise. A norma brasileira (NBR 12142) usa o primeiro tipo. do prof. biapoiados em roletes cilíndricos de aço. provocada por falta de ortogonalidade ou paralelismo entre as faces sujeitas à compressão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Resistência à tração A resistência dos concretos à tração pode ser medida de três formas diferentes: • resistência à tração direta. ou seja. • resistência à tração na flexão. vai confirmar se o corpo de prova não foi submetido à compressão excêntrica. medida em corpos de prova com o formato de oito (8) ou com chapas coladas nas extremidades de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. devido ao Prof.No ensaio de determinação da tensão de ruptura do concreto à compressão é muito importante a configuração de ruptura dos corpos de prova que. geralmente o ensaio é realizado em prismas de concreto. A vantagem do ensaio por compressão diametral é que o corpo de prova é o mesmo utilizado no ensaio de compressão. Silvio Edmundo Pilz.edu. Este ensaio.

para determinar-se a deformação que sofrerá uma peça submetida a um determinado esforço de compressão. A NBR 6118.0 MPa. além de equipamentos que permitam a leitura da deformação longitudinal. nos concretos convencionais (20 a 40 MPa) . Para isso é necessário apenas que os corpos de prova.A resistência dos concretos convencionais à tração geralmente é da ordem de um décimo da resistência à compressão. Módulo de elasticidade (E) É a relação entre a tensão e a deformação do concreto. Pode ser determinado (e geralmente é) em conjunto com o módulo de elasticidade. Nos concretos convencionais. determina uma fórmula para obtenção do “E” a partir do fck do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que exige precisão de equipamentos e de operadores. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. É muito empregado no cálculo estrutural. o que significa dizer que. mais raramente ainda. Coeficiente de Poisson É a relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal do concreto. para quando não se possui ensaios específicos Pode ser medido em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. realizado nas próprias obras. no mesmo ensaio. ou 20 GPa. é da ordem de 20.000 MPa. durante os mesmos ciclos de carga. possuam também equipamentos que _______________________________________________________________________________ 133 Concretos e Argamassas Prof. normalmente situa-se entre 2. A regra geral do ensaio é a aplicação ao concreto de uma tensão conhecida e a medida da deformação do corpo de prova. e.edu.0 e 4. geralmente é pouco realizado. Como a determinação do módulo de elasticidade dos concretos é realizada através de um ensaio um pouco mais sofisticado. nos mesmos corpos de prova.

Nos concretos correntes o coeficiente de Poisson geralmente situa-se em torno do valor 0. entretanto é relativamente rápido e a deformação é dita instantânea. calcular a deformação transversal de um pilar submetido a uma compressão longitudinal.edu. o carregamento é dito permanente. A fluência é um fenômeno semelhante. como já se disse. pouco tempo depois. Obtidos estes resultados. basta dividir a deformação transversal pela longitudinal. e as deformações _______________________________________________________________________________ 134 Concretos e Argamassas Prof. apenas com a diferença de que o ciclo de carga é de longa duração. É o coeficiente de Poisson que permite.permitam a leitura simultânea das deformações transversais. durante a realização do ensaio para a determinação do módulo de elasticidade. descarregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a relação entre um carregamento aplicado e a conseqüente deformação sofrida pelo material. e. o corpo de prova é carregado. e a deformação sofrida durante a carga geralmente desaparece na descarga. O carregamento. por exemplo.2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Por outras palavras. Fluência O módulo de elasticidade de um material é.

A técnica de ensaio segue os mesmos princípios da de determinação do módulo de elasticidade. minorando a resistência em fator multiplicador de 0. É o caso. Desgaste por abrasão O desgaste por abrasão de uma superfície de concreto é provocado em geral pelo tráfego de pessoas e veículos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Conhecendo-se então o coeficiente de fluência de um determinado concreto. a uma carga permanente.são sofridas pela estrutura ao longo do tempo idem. já que estarão indisponíveis por um período de tempo muito maior. a fluência do concreto em esforços de compressão é levada em conta nos cálculos. Periodicamente são realizadas medidas da deformação sofrida pelo corpo de prova. por exemplo. ou seja. Pode ainda ser produzido pela ação de _______________________________________________________________________________ 135 Concretos e Argamassas Prof. o corpo de prova é submetido a uma carga que não é aliviada. não desaparecem quando a estrutura é descarregada. apenas com a diferença de que ao invés de serem realizados ciclos de carga e descarga. e. ao longo do tempo. Na norma brasileira NBR 6118.edu. Os corpos de prova em geral são parecidos ou mesmo iguais aos empregados na determinação do módulo de elasticidade dos concretos. Por ser um ensaio que geralmente dura vários anos. os equipamentos empregados devem ser mais robustos e mais baratos.85. bem como pelo impacto e atrito causado pelo arrastamento de partículas e objetos soltos. em grande parte. A fluência é então a deformação sofrida por uma estrutura quando submetida. da deformação de uma viga causada pelo seu próprio peso (carga de peso próprio) que funciona como se fosse um carregamento permanentemente distribuído pela extensão da viga. é possível calcular-se a deformação lenta que uma dada estrutura vai sofrer quando submetida a uma determinada carga permanente. é mantida ao longo do tempo.

além de areia. ou seja. principalmente nas aplicações em pavimentos como os de estradas e pontes. é importante registrar que este ensaio pode ser realizado com o propósito inverso. Aderência por arrancamento É a medida da aderência de um tipo padrão de barra de armadura a vários tipos diferentes de concreto. Sabendo-se a tensão de tração aplicada na armadura e registrando-a em cinco pontos de deslocamento pré-fixado. pode carregar partículas de maiores dimensões e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Basta moldar vários corpos de prova com o mesmo concreto. onde o vento geralmente carrega muitas partículas de areia . contudo determinar-se a resistência do concreto à abrasão. embora nenhum deles tenha aceitação unânime internacional. Existem vários tipos diferentes de aparelhos para a determinação do desgaste sofrido pelo concreto quando solicitado por abrasão.ou na água . Os corpos de prova geralmente são constituídos por uma barra de armadura incorporada a um cubo de concreto ao longo de um comprimento conhecido.partículas suspensas no ar . porém incorporando os diversos tipos de armaduras cuja aderência se quer medir comparativamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em pisos industriais e em obras hidráulicas como os vertedouros de barragens.casos de construções e monumentos no deserto ou em região praiana. é possível calcular-se a tensão nominal média de aderência que cada concreto imprimiu à barra metálica padrão. pilares de pontes e pernas de plataformas de petróleo.edu. eventualmente. com o objetivo de aferir a aderência de um determinado tipo de armadura de aço a um determinado tipo padrão de concreto. Para finalizar. _______________________________________________________________________________ 136 Concretos e Argamassas Prof. é possível tracioná-la em uma das extremidades e medir o seu deslocamento no interior do cubo de concreto na outra extremidade. É importante. onde a água. Como a barra atravessa o cubo. até blocos de gelo.caso de canais.

Esta aderência na parte de cálculo e análise estrutural é muito importante e a NBR 6118 determina a valor de cálculo a partir do fck do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando não se realizou ensaios específicos. Fatores que afetam a resistência mecânica São muitos os fatores que afetam as resistência mecânicas do concreto. curado em água (cura adequada) depende de apenas dois fatores: • • Relação a/c Grau de adensamento _______________________________________________________________________________ 137 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. RESISTÊNCIA DO CONCRETO PARÂMETROS DA AMOSTRA DIMENSÕES GEOMETRIA ESTADO DE UMIDADE RESISTÊNCIA DAS FASES COMPONENTES PARÂMETROS DE CARREGAMENTO TIPO DE TENSÃO VELOCIDADE DE APLICAÇÃO POROSIDADE DA MATRIZ FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE HIDRATAÇÃO POROSIDADE DO AGREGADO POROSIDADE DA ZONA DE TRANSIÇÃO FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE COMPACTAÇÃO GRAU DE HIDRATAÇÃO INTEGRAÇÃO QUÍMICA ENTRE AGREGADO E PASTA Na prática da engenharia considera-se que a resistência de um concreto.

48 a 0. Fator a/c indicado para alguns casos Concreto em obras normais (fck 20 MPa). revestido e interno Concreto em obras normais (fck 20 MPa).edu.70 _______________________________________________________________________________ 138 Concretos e Argamassas Prof.65 0.65 a 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Quando o concreto está plenamente adensado (nem mais nem menos). Não é linear. exposto Concreto em contato com água sob pressão Concreto em contato com meio agressivo 0.54 a 0.60 0. a) Relação água cimento (a/c) Lei de Abrams: f cj = A B a c A resistência é inversamente proporcional à relação água cimento.54 0.60 a 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A B valor na ordem de 1000 varia com a idade e qualidade do aglomerante (cimento) É o principal fator a ser controlado quando se deseja atingir determinada resistência. considera-se a resistência mecânica como inversamente proporcional à relação a/c.

b) Idade A resistência do concreto progride com a idade.edu. justificado pela menor aderência entre pasta/agregado porém concretos com seixos permitem uma trabalhabilidade melhor o que possibilitaria diminuir o a/c havendo conseqüente aumento de resistência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tipo de cimento e idade c) Forma e graduação dos agregados Em igualdade de relação a/c. _______________________________________________________________________________ 139 Concretos e Argamassas Prof. em especial aos cimentos pozolânicos. Concretos com britas de menor diâmetro tendem a gerar concretos mais resistentes. Idade padrão para referenciar a resistência: 28 dias • fc28 = 1.5 fc7 • fc28 = 1. os concretos com seixos tendem a ser menos resistentes que concreto com pedra britada.5 fc3 • fc90 = 1.20 fc28 • fc365 = 1. É explicado pelo mecanismo de hidratação do cimento que se processa ao longo do tempo.05 a 1.10 a 1. mantida a relação a/c porém concreto com britas maiores é mais econômico (necessita menos argamassa).70 a 2.25 a 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .35 fc28 Adiante vemos tabela que relaciona relação a/c.

54 0.22 0.62 0.48 0.40 0.16 1.68 0.00 1.72 0.23 1.57 0.78 0.16 1.62 0.25 1.Evolução da resistência com o tempo em função da relação a/c Cimento CP I CP I-S Relação a/c 0.53 0.38 0.00 1.00 1.55 0.00 1.68 0.00 1.00 1.78 0.26 1.69 0.78 0.00 1.00 1.60 0.50 0.00 1.00 1.25 1.00 1.00 1.71 0.71 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .00 1.38 0.00 1.60 28d 1.35 0.26 1.54 0.48 0.28 1.22 1.34 0.00 1.68 0.78 fc28 Mpa 43 35 28 23 18 40 33 27 22 18 51 40 32 26 20 40 31 25 20 15 55 42 36 29 23 Coeficiente médio fcj / fc28 3d 0.47 0.35 0.04 1.48 0.36 0.00 1.00 1.58 0.78 0.00 91d 1.26 1.77 0.68 0.86 0.edu.82 0.64 0.69 0.00 1.00 1.68 0.31 1.58 0.48 0.16 1.60 0.29 0.71 0.28 0.69 0.42 0.38 0.74 0.58 0.38 0.00 1.58 0.61 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.46 0.48 0.50 0.11 1.43 7d 0.17 1.00 1.40 0.21 1.38 0.30 1.13 CP II-E CP II-Z CP II-F CP III CP IV CP V _______________________________________________________________________________ 140 Concretos e Argamassas Prof.06 1.38 0.48 0.66 0.38 1.32 0.52 0.61 0.49 0.00 1.48 0.70 0.36 0.20 1.18 1.26 0.08 1.34 1.58 0.00 1.14 1.00 1.51 0.

Uma doceria produz massa para 300 quindins por dia. resultando em grande prejuízo perante os clientes. de toda a produção. com amostragem de no mínimo 6 exemplares (muito maior que a concreteira) e pode apresentar-se não-conforme. O controle da concreteira que adota a NBR 7212 . mistura conforme).20 x 300 x 2 = 120 quindins defeituosos nestes dois dias. inclusive algumas reclamações por intoxicação e riscos à saúde. A quantidade de quindins defeituosos ao final do mês informa se a porcentagem defeituosa foi respeitada. ou coco. Por exemplo: Entrega diária: 60 quindins. algumas padarias receberam em sua cota diária de 60 quindins.CONTROLE E ACEITAÇÃO DO CONCRETO Introdução Antes de abordarmos o assunto vemos ver de como o bem humorado Eng. enfim. O teste na doceria é feito pela retirada de uma amostra da massa a cada volume equivalente a 50 quindins.edu. mas o valor final. Resumindo: • • A produção de uma usina de concreto é controlada pelo seu todo. aumentando suas chances de aceitação nas obras. A amostragem da doceria. Defeituosos:2 quindins (3. A concretagem de uma obra deve ser feita usando-se a NBR 12655.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . etc. Fornece às padarias. massa para 60 quindins por dia a cada uma.44% < 5%. usando-se a Norma NBR 7212. mesmo que a concreteira possua conformidade pela NBR 7212. volume aplicado em um dia. ou ovo. misturas com parcela defeituosa de 20%. Defeituosos: 400 quindins (4. ou farinha molhada. Egydio Herve Neto aborda o assunto do controle do concreto em obra x concreteira. apresentou neste mês uma quantidade pouco maior de quindins não-conformes. O primeiro verifica se a massa tem a consistência ideal. a cada lote concretado. Ora.000 quindins. a produção mensal mostrou-se estritamente conforme! Entretanto. Por exemplo: Produção mensal: 9. Controle Tecnológico do concreto e os quindins Para abordar este assunto vou falar a respeito da produção de uma massa: a massa de quindins (isto aí. Suponha-se agora que num determinado dia a doceria tenha sido particularmente desastrada. Isto significa uma fração defeituosa máxima de 5%. que amostra o concreto a cada 50 m3. ou tenha recebido uma partida com ovos estragados. ficou bem abaixo de 5%. O segundo verifica se a mistura foi boa e não há pontos de concentração de farinha. A qualidade tem que garantir que pelo menos 95% da massa atinja uma qualidade ideal de mistura homogênea. _______________________________________________________________________________ 141 Concretos e Argamassas Prof.serve apenas para que ela garanta a uniformidade da produção como um todo. Conclusão: A Norma que vale para o controle das obras é a NBR 12655. ou seja. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. aquele doce). algumas até 7 e até 12 quindins defeituosos. isto equivaleria a produzir 0. O teste na padaria é feito para pelo menos o equivalente a 6 quindins. a cada 50 quindins.33% < 5%. nestes dois dias. algo que gerou durante dois dias. mistura conforme). Dois testes são feitos na massa: teste de plasticidade e teste de homogeneidade.

volumes lançados e propriedades que se deseja medir. durante a produção. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Controle Tecnológico O controle tecnológico é a atividade que tem por objetivo. O controle tecnológico do concreto é regido pela NBR 12655 e veremos adiante alguns aspectos relativos a ela. inicialmente. Os dados obtidos serão submetidos a análise e em função das mesmas serão estabelecidas as correções necessárias ou melhorias que possam ser introduzidas. Para o concreto endurecido normalmente controla-se à resistência à compressão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. _______________________________________________________________________________ 142 Concretos e Argamassas Prof.Então. duas perguntas: Por que controlar o concreto? • • Para garantir que o fckest ≥ fck Porquê é obrigatório por norma O que devemos controlar? • As propriedades do concreto fresco e do concreto endurecido O controle das propriedades do concreto fresco foi estudado anteriormente em capítulo específico. aonde vimos que normalmente controlamos a trabalhabilidade (consistência + coesão). levantar elementos que permitam verificar a conformidade do concreto fornecido com o concreto especificado e estudado. com a medição do abatimento (slump test). Deve ser definido o plano de amostragem a ser adotado em função das peças a serem concretadas.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sempre aos pares. para uma determinada idade. O valor representativo desta amostra é o maior valor dos dois resultados resistência potencial do concreto Assim se para representarmos estatisticamente a resistência de um concreto produzido para uma obra. devemos ter 24 CP’s. para cada idade. determina que deva sempre se ter para cada amostra de concreto. _______________________________________________________________________________ 143 Concretos e Argamassas Prof. Estes dois CP’s são rompidos e obtidos dois resultados de resistência à compressão do concreto. devemos ter 12 amostras tiradas de diferentes betonadas. dois corpos de prova.Resistência à compressão através dos Corpos-de-prova A NBR 5739 em conjunto com a NBR 12655.

ou seja. o lançamento é adequado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . todas estas etapas são otimizadas.O conceito de resistência potencial do concreto pode ser visto no gráfico acima. Resumo de estatística Universo conjunto de resultados. mas que dificilmente não irá atingir na obra em função das perdas durante as operações de transporte. No projeto esta diferença é levada em conta nos chamadas coeficientes de segurança dos materiais. onde vemos que é a resistência que potencialmente um determinado concreto pode ter.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A dispersão é avaliada pela fórmula da variança (s2) : s2 = ( X − xi ) 2 ∑ i =1 n n Essas fórmulas seriam aplicadas estatisticamente para representar todo o universo de dados. adensamento e cura. Ocorre que normalmente não temos todos esses valores – somente uma parte do universo. o adensamento é o melhor possível e a cura otimizada. Número de resultados (n) Dispersão : em volta da média. passa a existir maior ou menor afastamento de cada um deles em relação à média do conjunto. _______________________________________________________________________________ 144 Concretos e Argamassas Prof. Já nos ensaios. lançamento. os diversos resultados ( xi ) podem ter maior ou menor dispersão (afastamento da média). mas como os resultados são diferentes uns dos outros. não há transporte. Média ( X ) o valor em torno do qual se concentram os resultados. É o valor médio de todos eles.

as fórmulas estatísticas são alteradas para que seja representada pelo desvio-padrão (σ).Então. Inicialmente sabemos que num universo de dados. seja compensadas. Estas perdas dependem do controle que fazemos no concreto e são representadas pelo desvio padrão. Plotando-se isto _______________________________________________________________________________ 145 Concretos e Argamassas Prof. Quanto o mais deve ser este valor? Depende o grau de confiabilidade e precisão (traduzindo por segurança) que queremos em nossa estrutura. lançamento. Resistência de projeto (fck) Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . No Brasil. Para atingir fck devemos produzir um concreto (virado em obra ou em central) maior de tal maneira que as perdas da resistência ocorridas durante as etapas de transporte. os resultados variam em torno de uma média de valores. sendo este uma medida reconhecida de dispersão de valores. adensamento e cura. Resistência de dosagem Então temos que produzir um concreto com resistência de valor maior que o fck. podendo ser representado pelo desvio padrão. este valor é determinado estatisticamente. com infinitas amostras.edu.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pretende-se então que quando rompermos os CP’s. Conceitos estatísticos nos dão o quanto este valor deve-se ser maior que a média. considerando-se a média e o desvio-padrão. levando-se em conta o desvio-padrão “t” de Student ( t= 1. pelo menos 95% destes valores estejam acima do valor do fck.65 x Sd sendo Sd = desvio padrão _______________________________________________________________________________ 146 Concretos e Argamassas Prof. fcj = fck + 1.num gráfico de densidade de frequência x resistência (fc) temos uma curva de distribuição normal (curva de Gauss).65) .

seguindo os valores indicados por vários autores • • • • Controle ruim Concreto médio Concreto bom Controle máximo Sd = 7.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . bom e ótimo a necessidade de se ter um determinado valor do fcj a ser atingido na resistência de dosagem para poder atingir o fck na estrutura _______________________________________________________________________________ 147 Concretos e Argamassas Prof. nos controles ruim. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 MPa Exemplo prático da vantagem do controle Considerando os valores sugeridos pelos autores para os desvios padrão relativos aos graus de controle do concreto. Com o uso de ferramentas estatísticas chega-se a esta fórmula fcj = fck + 1.5 MPa Sd = 4. 30 ou 40 MPa.0 MPa Sd = 2. temos para um determinado concreto de obra. Para que pelo menos 95 % dos valores de resistência do concreto (ensaios) tenham este valor. quer seja de 20. Para um determinado número de ensaios dos CP realizados para a comprovação do concreto elaborado pela empresa.65 x Sd Sd = desvio padrão Alguns exemplos.0 MPa Sd = 5.edu. Este valor é o que chamamos de resistência de dosagem do concreto (fcj) e irá depender do controle de qualidade de cada empresa. devemos então fazer o concreto com um valor acima do fck.Resistência de projeto x resistência de dosagem Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). médio. haverá um valor médio e um desvio padrão de produção.

55 49. Aceitação do concreto O controle de aceitação é necessário para sabermos se determinado concreto que foi colocado na estrutura atingiu a resistência esperada ou não e saber se devemos tomar providências ou não. Ou seja. para um custo de controle e de ensaios de dosagem na ordem de R$ 1.08 26.55 39. Num prédio normal de 10 andares que consome na média 750 m3 de concreto a redução com concreto efetivo do processo de produção e um estudo de dosagem representa uma economia de R$ 11.Valores de fcj (MPa) a ser produzido para atingir o fck em função do grau de controle utilizado Controle fck 20 MPa fck 30 MPa fck 40 MPa Ruim Médio Bom Máximo 31.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .00 só no concreto. determinamos o fckest É regulado pela NBR 12655 que identifica dois tipos de controle de resistência _______________________________________________________________________________ 148 Concretos e Argamassas Prof.08 46.250.55 29.30 51. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.30 41.500. CONCLUSÃO VALE A PELA CONTROLAR CONCRETO. e sabendo que para cada MPa de redução da resistência pode representar uma diminuição de 6 kg de cimento e considerando o preço do saco de 50 kg como sendo de R$ 25.08 36.edu.30 Sabendo que o maior responsável pelo custo do concreto é o cimento.60 33.00 por m3 de concreto.60 46.00.00 / saco temos uma redução de 30 kg de cimento para um controle ruim para bom o que representa uma redução de valor de R$ 15.60 23.

na NBR 12655. para a amostragem. com número de exemplares (par de CP’s) de acordo com o tipo de controle. este terceiro tipo somente é aceito para casos Inicialmente dividimos a obra a ser concretada em lotes. as amostras devem ser de no mínimo seis exemplares para concretos convencionais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mesmos procedimentos e mesmo equipamento). A tabela a seguir. mostra os valores para a formação de lotes do concreto Solicitação principal dos elementos estruturais Compressão ou Flexão simples compressão e flexão 50 m3 100 m3 1 3 dias concretagem 1 Limites superiores Volume / concreto Nº de andares Tempo de concretagem 1) Controle por amostragem parcial Neste tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas de concreto.edu.• Por amostragem parcial (dividido ainda em para menos de 20 amostras ou mais de 20 amostras) • • Por amostragem total Controle excepcional especiais. mesma família. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o valor do fckest na idade especificada é dado por: _______________________________________________________________________________ 149 Concretos e Argamassas Prof. De cada lote deve ser retirada uma amostra. elaborado e aplicado sob condições uniformes (mesma classe. a) Para lotes com número de exemplares 6 ≤ n < 20. Um lote de concreto é um volume definido.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . agregados em volume. Ψ6 .. _______________________________________________________________________________ 150 Concretos e Argamassas Prof. fm Despreza-se o valor mais alto de n. f 1 obtidos na tabela Observação: As condições de preparo da tabela anterior são: Condição A: cimento e agregados e água medidos em massa sendo a água corrigida em função da umidade dos agregados Condição B: cimento medido em massa. em ordem crescente Também não se deve tomar para fckest valor menor que seguinte... f1. . se for ímpar valores das resitências dos exemplares. água em massa e corrigida em função da estimativa da umidade de areia e da determinação da consistência do concreto. f2. admitindo-se interpolação linear.. água em massa e agregados em massa combinado com volume (conversão de massa para volume de maneira confiável. + f m −1 − fm = 2× m −1 m = n/2 .. levando-se e conta a umidade da areia) Condição C: cimento em massa.f ckest Onde : f1 + f 2 + .edu.

b) Para lotes com número de exemplares n ≥ 20 f ckest = f cm −1. f ckest = f i i = 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Quando o valor de i for fracionário adota-se o número inteiro imediatamente superior. f ckest = f1 a) para Onde : n > 20. S d Onde : fcm Sd é a resistência média dos exemplares do lote (MPa) é o desvio padrão da amostra de n elementos. _______________________________________________________________________________ 151 Concretos e Argamassas Prof. a critério do responsável técnico pela obra.05 n. calculado com um grau de liberdade a menos (n-1) (MPa) 2) Controle por amostragem total (100%) Consiste no ensaio de exemplares de cada amassada de concreto e aplica-se a casos especiais. Não há limitação para o número de exemplares do lote e o valor estimado da resistência característica é dado por: a) para n ≤ 20. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.65 .

denominados excepcionais. satisfazer a relação f ckest ≥ f ck O que fazer se não for atendida esta relação? Aguardem os próximos capítulos (disciplinas) _______________________________________________________________________________ 152 Concretos e Argamassas Prof.3) Casos excepcionais Pode-se dividir a estrutura em lotes correspondentes a no máximo 10 m3 e amostrálos com número de exemplares entre 2 e 5. f1 Aceitação do concreto Os lotes de concreto devem ser aceitos.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o valor estimado da resistência característica é dado por: f ckest = Ψ6 . quando o valor estimado da resistência característica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Neste casos.

Mehta.A. apresentou os seguintes dados: • nos E. Já em 1997 o Prof. • no início da década de 80.A. o setor de recuperação estrutural cresceu 2 vezes mais que a construção civil. 22. que complementam os anteriores: • • nos E. o problema principal é a corrosão de armaduras. em palestra realizada no Rio de Janeiro. em palestra realizada nas XXIX Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural. _______________________________________________________________________________ 153 Concretos e Argamassas Prof. colocaram que nos países industrializados mais de 40% dos recursos da indústria da construção são aplicados no reparo e manutenção de estruturas existentes. em 1997.K. na década de 80.000 tabuleiros por ano.000 pontes de concreto encontram-se em recuperação. a um custo estimado de 20 bilhões de dólares. existem 500.U. P.000 pontes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .000 tabuleiros de ponte.DURABILIDADE Introdução e importância Ao autores Mehta e Monteiro (1994).A. • • em 1990 esta previsão foi revista para 200 bilhões de dólares. das quais 250. Mais recentemente. a Federal Highway Administration previu que até o ano 2.000 seriam gastos 100 bilhões de dólares só na recuperação e reforço de pontes.). também da Universidade de Berkeley. apresentou novos dados. no momento.U. em Punta Del Este (Uruguai). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Paulo Monteiro. • esta quantidade está aumentando à ordem de 35.U. da Universidade de Berkeley (E. o Prof. até 1987 haviam sido constatados problemas de durabilidade em 253. dia 13/11/2000..000 apresentam problemas.edu.

. Conceito De acordo com a norma americana ACI 201 de 1991. e no Canadá. ataques químicos. O tema cresce ainda mais em importância a partir do momento que a construção civil começa a estar cada vez mais presente em ambientes agressivos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.• os E. qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao seu meio ambiente. isto é. 150 barragens de grande porte com problemas de reação álcali-agregado. em breve estarão gastando mais dinheiro na recuperação das pontes existentes do que na construção de novas pontes. abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. • o custo de recuperação logo que surgem os primeiros sinais de corrosão é. atual.A. Pode-se dizer que o material atingiu o fim da sua vida útil quando suas propriedades sob dadas condições de uso deterioram a um tal ponto que a continuação do uso _______________________________________________________________________________ 154 Concretos e Argamassas Prof. desde 1995. Então está mais do que na hora dos engenheiros tomarem conta do aspecto durabilidade em projetos de estruturas de concreto. assim como mais de 1000 pontes.A. e que envolve números muito grandes. em média. Nestes casos. desde 1999. Durabilidade é a capacidade de resistir à ação das intempéries. Isto já ocorre na Inglaterra. como as regiões polares. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 15 vezes menor do que o custo de recuperação depois que a corrosão se propaga.U. o concreto durável conservará a sua forma original. em escala mundial. as resistências mecânicas do concreto estrutural continuam sendo necessárias. • existem no momento. Trocando em miúdos. isto significa que a durabilidade das estruturas de concreto é um assunto muito importante. mas já não são mais suficientes como única forma de qualificação deste material de construção. a durabilidade passa a ser outra característica cada vez mais exigida do concreto.U. os desertos e os mares. nos E.

ou antieconômica é sinônimo de durabilidade. e até as águas muito puras. • variações de umidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • variações de temperatura.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. etc. _______________________________________________________________________________ 155 Concretos e Argamassas Prof. o gás carbônico. como os cloretos. fadiga. que podem provocar fissuração de origem térmica. • ataques de substâncias químicas agressivas. bem como a cristalização de sais nos seus poros. chega a 9%). que podem provocar a perda de água e a instabilidade volumétrica dos concretos. uma vida útil longa Formas mais comuns de ataque ao concreto estrutural INTERNAS: • expansão provocada pela reação de determinados tipos de agregados com os álcalis do cimento. na passagem do estado líquido para o sólido. como sobrecargas. movimentação de fundações. impacto. abrasão. os sulfatos. como insegura. • expansão provocada pela contaminação de agregados com cloretos sulfatos. os ácidos em geral.deste material é considerada. evaporação da água do concreto ou ciclos alternados de congelamento e degelo (quando a expansão volumétrica da água. etc.. EXTERNAS: • ações mecânicas.

expansão. c) fator A/C. Muitos pesquisadores consideram a corrosão das armaduras como o estado limite mais crítico sob o ponto de vista da durabilidade das estruturas. sem dúvida. e) intensidade e direção da compactação. Uma das mais sérias conseqüências dos ataques sofridos pelo concreto estrutural armado é. bem como do proporcionamento relativo dessas duas fases do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . g) idade do concreto. b) dosagem. _______________________________________________________________________________ 156 Concretos e Argamassas Prof. ou em conjunto. degradação. Características do concreto relacionadas a durabilidade PERMEABILIDADE Permeabilidade é definida como a propriedade que governa a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso A permeabilidade do concreto é função das permeabilidades da pasta de cimento e dos agregados. natureza e granulometria do cimento. podem provocar vários mecanismos de ataque que. em geral. reação química. Depende ainda de: a) natureza e dimensão dos agregados. d) presença de aditivos químicos e minerais na composição do concreto.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. isoladamente. a corrosão das armaduras. e até ao colapso estrutural. alteração. f) condições de cura. levam o concreto à fissuração.Essas formas de ataque.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. menor a permeabilidade (os poros reduzem a um tamanho pequeno. deve ser estudada o teor de finos necessário. forçando-o a circunscrever as partículas do agregado. a permeabilidade do concreto é menor quanto menor for a relação água/cimento. Para que isso ocorra. Influência do agregado Se o agregado de um concreto tem baixa permeabilidade a área onde o fluxo de água pode ocorrer é reduzida e. para uma mesma relação água/cimento. embora possam produzir problemas em sua trabalhabilidade. Neste caso. menor que 100 µm e perdem suas interconexões). somente neste aspecto afeta permeabilidade.Influência da pasta Para um mesmo grau de hidratação. menor o espaço disponível para o gel e. sua presença prolonga o trajeto do fluxo. a forma de seus grãos e seu comportamento quando da adição da água. Concretos impermeáveis podem necessitar de uma quantidade de finos maior que a usualmente tolerada nos concretos normais. Quanto maior o grau de hidratação da pasta. No concreto bem curado a pasta de cimento não é o principal fator a contribuir para o coeficiente de permeabilidade A composição do cimento tem influência na velocidade de hidratação e. com o passar do tempo. Para reduzir o volume de vazios do agregado. é fundamental a cura do concreto. _______________________________________________________________________________ 157 Concretos e Argamassas Prof. cimentos com menor área específica produzem concretos com mais porosidade que cimentos mais finos. contribuindo para a redução da permeabilidade.edu. granulometrias descontínuas são mais indicadas. conseqüentemente. Sabe-se que. Em nossa região é muito difícil ter-se agregados com grande porosidade. Normalmente a permeabilidade do agregado é menor do que a da pasta de cimento típica (< 3%).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Influência no concreto Considerando agora o concreto. Na figura a seguir observa-se a fase ou zona de transição onde vemos uma maior presença de etringita (que é expansiva) que o composto endurecedor C-S-H. quanto maio o tamanho do agregado. maior o coeficiente de permeabilidade.edu. gerando as fissuras nesta região.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pode-se dizer que a permeabilidade do concreto ou da argamassa é maior que a permeabilidade da pasta devido a presença de microfissuras presentes na fase de transição entre agregado e a pasta de cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Zona de transição agregado – representação gráfica _______________________________________________________________________________ 158 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Causas de deterioração do concreto CAUSAS FÍSICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO DESGASTE DA SUPERFÍCIE FISSURAÇÃO ABRASÃO EROSÃO CAVITAÇÃO MUDANÇAS DE VOLUME CARGA EXPOSIÇÃO ESTRUTURAL A EXTREMOS CAUSAS QUÍMICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO HIDRÓLISE DOS COMPONENTES DA PASTA DE CIMENTO TROCAS IÔNICAS ENTRE FLUIDOS AGRESSIVOS E A PASTA DE CIMENTO REAÇÕES CAUSADORAS DE PRODUTOS EXPANSIVOS Desgaste da superfície Pode ter: Abrasão de veículos atrito seco. Ex: Desgaste de pavimentos e pisos industriais pelo tráfego _______________________________________________________________________________ 159 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. num muro de concreto. Fissuração interna Podemos ter uma fissuração pela ação da cristalização de sais nos poros do concreto. Para condições mais severas de abrasão e erosão.podemos melhorar a resistência à abrasão. tendo concretos com resistência .edu. onde temos uma superfície em contato com o meio agressivo e a outra superfície sujeita a evaporação.Erosão Desgaste pela ação abrasiva de fluidos contendo partículas sólidas em suspensão Ex: Revestimento de canais. _______________________________________________________________________________ 160 Concretos e Argamassas Prof. ter uma resistência à compressão aos 28 dias maior que 40 MPa. maior que 28 MPa. ou seja. que podem causar danos consideráveis. devemos reduzir a formação da nata superficial. postergando (atrasando) o desempenamento. até que a superfície tenha perdido a água de exsudação superficial (sem a nata porosa). como por exemplo. devemos lançar mão de usar agregados de alta dureza (tipo Korodur). Tubulações para transporte de água e esgotos Cavitação Perda de massa pela formação de bolhas de vapor e sua ruptura de direção em águas. por serem expansivos. Ex: Tubulações com devida a mudança repentina irregularidades na superfície do revestimento Cabe comentar que a pasta de cimento com alta porosidade e baixa resistência e com agregados que não possui resistência ao desgaste. não possui alta resistência ao atrito Para superfícies normais de concreto (não em condições severas). uma baixa relação a/c. agregados menores que 25 mm e com uma distribuição granulométrica adequada e uma baixa consistência de lançamento e adensamento. Em especial os sulfatos. combinada com uma cura úmida por sete dias ou mais. A água em solução salina irá penetrar e deteriorar o material por tensões internas resultante da pressa o dos sais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Como medida adicional para aumentar a durabilidade da superfície.

Destacamento superfícies expostas descamam ou destacam Ação do fogo O concreto é incombustível e não emite gases tóxicos e quando exposto a altas temperaturas comum num incêndio (± 800 a 850 oC ) é capaz de manter a resistência por períodos longos Efeito da alta temperatura na pasta de cimento Esta depende do grau de hidratação da pasta. Os danos podem ser variáveis. pontes. de sua permeabilidade e da umidade presente nestes agregados. tais como pavimentos de concreto. muros de arrimo.Ação do congelamento Situação típica para climas frios e superfícies de concreto expostas. ou seja.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . porém com repetidas vezes Fissuração e destacamento na situação de gelo-degelo. dos tamanhos dos agregados.edu. Efeito da alta temperatura no agregado Agregados porosos podem causar expansões destrutivas (pipocamento) dependendo da taxa de aquecimento. etc. mas mais comum temos: Fissuração simples ruptura por ação expansiva do gelo no interior do concreto mesma situação anterior. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 161 Concretos e Argamassas Prof. quanto dos grãos reagiram com a água e da umidade presente na pasta na hora do incêndio.

Carbonatação é um termo utilizado para descrever o efeito do dióxido de carbono. da corrosão. mostrou que se tinha pouco efeito na porcentagem da resistência a compressão retida após a exposição a altas temperaturas.em águas subterrâneas e águas do mar e o íon H+ em águas industriais .Efeito da alta temperatura no concreto A resistência original do concreto. + + - _______________________________________________________________________________ 162 Concretos e Argamassas Prof. K e OH . Fatores que podem diminuir o pH do concreto são o CO2 em águas puras e estagnadas e do ar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o SO4-2 e Cl. O concreto é um meio normalmente alcalino. porém abre caminho para que a corrosão das armaduras se processe. pois esta se manifesta em meios neutros ou levemente alcalinos (pH menor que 9. Este pH alcalino protege as armaduras presentes no concreto. irá depender do pH do agente agressivo (normalmente um fluido seja líquido ou gasoso) e da permeabilidade do concreto. devido a presença de íons Na .edu.0) A taxa em que o agente agressivo irá agir. Deterioração por ações químicas Estas ações são as interações químicas entre agentes agressivos presentes no meio externo e os constituintes da pasta de cimento. apesar de que carbonatação x corrosão não estão inexoravelmente interligados.5 e 13. Carbonatação O processo mais comum para reduzir o pH do concreto é a carbonatação do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5. para estudos feitos entre 23 e 45 MPa. A carbonatação em sim não é uma ação deletéria. com pH entre 12. usualmente da atmosfera nos materiais cimentícios.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 163 Concretos e Argamassas Prof.edu.

Alguns fatores que influenciam na velocidade e profundidade de carbonatação do concreto são: • • • • • • • • Idade do concreto Relação a/c Caracteristicas do agregado Meio ambiente e grau de exposição Duração e condições de cura Umidade relativa do ar Fissuras etc Reações álcalis – agregado (RAA) RAA é um processo químico em que alguns constituintes mineralógicos do agregado reagem com hidróxidos alcalinos (provenientes do cimento em especial) que estão dissolvidos na solução dos poros de concreto. álcali-sílica R. R. É uma reação (cria-se um gel) que provoca expansões. _______________________________________________________________________________ 164 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . álcali-silicato granitos.edu. mas mais lenta (rochas de felspatos. exsudação de gel e redução das resistências a compressão e tração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. álcali-carbonato agregados calcário dolomítico x hidróxidos alcalinos sílica amorfa x hidróxidos alcalinos idem anterior. movimentações diferenciais nas estruturas. quartzitos) R.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Na figura acima vemos um bloco de fundação. onde ocorreu fissuração devido as reações expansivas álcali-agregados _______________________________________________________________________________ 165 Concretos e Argamassas Prof.Vemos na figura acima a presença das bordas de reação bem definidas e presença de gel gretado na interface pasta-agregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Nesta atual norma. NBR 6118 (2003) – Versão final As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. respeitando-se o mínimo consumo de cimento e o máximo valor da relação água/cimento compatíveis com a boa durabilidade do concreto. há dois capítulos dedicados a questão da durabilidade das estruturas. sem exigir medidas extras de manutenção e reparo. deverão ser tomados cuidados especiais em relação à escolha dos materiais constituintes.edu.Exigências de durabilidade Inicialmente vejamos como as normas brasileiras tratam da durabilidade das estruturas de concreto Versão da NBR 6118 (1980) Quando o concreto for usado em ambiente reconhecidamente agressivo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil. estabilidade e aptidão em serviço durante um período mínimo de 50 anos. que serão vistas adiante nas disciplinas de estrutura de concreto _______________________________________________________________________________ 166 Concretos e Argamassas Prof. Era isto e tão somente assim tratada a questão da durabilidade nesta versão!!! Versão da NBR 6118 (2001) As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança.

etc mínimo. 1992 . levando-se em conta: 1. tipo de cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Adoção de a) Propriedades dos materiais: tipo de concreto. assim como na equivalência à segurança estrutural. relação água/cimento. Adoção de Manutenção Preventiva _______________________________________________________________________________ 167 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . tem que ser realizado um projeto de durabilidade.Guide to Durability of Buildings and Building Elements. Adoção de Condições de Trabalho 3. Products and Components” trata do tempo de vida útil das estruturas de concreto Então. b) Geometria dos elementos: cobrimento 4.edu. Classificação da Agressividade Ambiental 2. teor de argamassa.Vejamos como a norma inglesa “BS 7543.

No projeto estrutural deve-se considerar todas as solicitações a que a estrutura estará submetida durante sua vida útil. deve-se detalhar adequadamente os diâmetros e espaçamentos das armaduras. para reduzir ao mínimo a fissuração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a _______________________________________________________________________________ 168 Concretos e Argamassas Prof. compatíveis com as condições de exposição da estrutura e com a sua vida útil esperada. Obs: Determinados tipos de fissuras. deve-se prever a localização de juntas de dilatação. • em termos de quantidade de cimento.edu. sem prejuízo da trabalhabilidade do concreto. deve-se especificar cobrimentos mínimos de armadura. A escolha do fator a/c adequado influencia as resistências mecânicas. Na construção • deve-se realizar a escolha e dosagem dos materiais de acordo com as condições de exposição da estrutura. mesmo quando consideradas insignificantes do ponto de vista estrutural. deve prever um mínimo necessário à obtenção das resistências mecânicas. • a natureza e a dosagem do cimento: o uso de cimentos especiais e/ou a substituição de parte do cimento por aditivos minerais.de modo a permitir um completo preenchimento das fôrmas com concreto. a segregação. podem revelar-se importantes em relação à durabilidade da estrutura. evitando assim o peneiramento e o surgimento de “ninhos de abelha” ou “bicheiras”.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a exsudação. bem como um máximo que evite problemas como a fissuração provocada pela liberação do calor de hidratação.Principais providências que podem ser tomadas para garantir a durabilidade de uma estrutura No projeto arquitetônico deve-se prever formas adequadas de escoamento e drenagem. • em termos de dosagem de água. deve empregar a menor relação (ou fator) a/c possível. que impeçam o acúmulo de líquidos agressivos.

. com o mínimo de trabalho executado na superfície do concreto fresco. deve ser realizada de modo muito criterioso. etc.edu.retração. em suma.. • deve-se adotar procedimentos adequados de lançamento e adensamento. etc. a porometria. de modo a garantir um proporcionamento perfeito e uma manipulação que evite a segregação do material. • o acabamento deve ser realizado com os equipamentos e a mão-de-obra adequados. que constitui-se em um dos fatores principais para a garantia do desenvolvimento das resistências mecânicas e das características associadas com a durabilidade dos concretos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mistura. etapas estas que influenciam a homogeneidade do concreto endurecido. em especial na zona junto à superfície da peça concretada. _______________________________________________________________________________ 169 Concretos e Argamassas Prof. como a porosidade. a permeabilidade. deve-se contar com equipamentos e mão-de-obra adequados. influencia todos os parâmetros diretamente relacionados com a durabilidade dos concretos. • nos procedimentos de pesagem. • a cura. com reflexos importantes na porosidade e na permeabilidade. transporte e lançamento do concreto. a porosidade. a permeabilidade.

estabelecem as condições específicas para o pedido do concreto.PEDIDO DE CONCRETO Introdução A NBR 7212. estabelecendo três formas principais e algumas exigências complementares: • Pedido pela resistência característica do concreto à compressão • Pedido pelo consumo de cimento • Pedido pela composição da mistura (traço) Pedido pela resistência característica do concreto à compressão O concreto é solicitado especificando-se a resistência característica do concreto à compressão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em conjunto com a NBR 14931.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pedido pelo consumo de cimento O concreto é solicitado especificando-se o consumo de cimento por m3 de concreto. a dimensão (diâmetro) característica do agregado graúdo e o abatimento ( slump) do concreto fresco no momento da entrega. _______________________________________________________________________________ 170 Concretos e Argamassas Prof.edu. a dimensão (diâmetro) máxima característica do agregado graúdo e o abatimento do concreto fresco ( slump) no momento de entrega.

_______________________________________________________________________________ 171 Concretos e Argamassas Prof. como: retração.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . i) propriedades e condições especiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3: 3. submerso. h) características especiais como: teor de argamassa ou de agregado miúdo. resistividade e outras. cor. designado pela função ou denominação comercial. massa específica e outras. fluência. módulo de deformação. podem ser solicitadas outras características de parâmetros entre os quais: a) tipo de cimento. TRAÇO Aditivos Adições A/C CI: AR: BR: A/C 1: 2. etc. c) aditivo. se for o caso. e) consumo de cimento máximo ou mínimo. permeabilidade. d) relação água-cimento máxima. g) tipo de lançamento: bombeável. b) marca de cimento.60 referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre ao total da massa de aglomerantes Exigências complementares Além das exigências constantes de cada modalidade de pedido. temperatura do concreto.2: 0. incluindo-se aditivos.. autoadensável.Pedido pela composição da mistura (traço) O concreto é solicitado especificando-se as quantidades por m3 de cada um dos componentes. f) teor de ar incorporado.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. deve conter: a) quantidade de cada componente do concreto. nem inferior a 1 m3. Documentos de entrega O documento de entrega que acompanha cada remessa de concreto. i) quantidade máxima de água a ser adicionada na obra.Volume mínimo de entrega Deve ser fixado de acordo com as especificações do equipamento. h) quantidade de água adicionada na central.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando for o caso. _______________________________________________________________________________ 172 Concretos e Argamassas Prof. quando especificada. g) aditivo utilizado. d) abatimento do tronco de cone ( slump). não se recomendando que esse volume seja inferior a 1/5 da capacidade do equipamento de mistura ou agitação. j) menção de todos os demais itens especificados no pedido. c) hora de início da mistura (primeira adição de agua). devido à evaporação. f) resistência característica do concreto à compressão. além dos itens obrigatórios pelos dispositivos legais vigentes. b) volume de concreto. o valor de abatimento obtido seja igual ou superior a 10 mm. Adição complementar de água Somente de admite adição suplementar de água para correção do abatimento. antes do início da descarga. e) dimensão máxima característica do agregado graúdo. desde que: a) antes de se proceder a esta adição.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A adição suplementar mantém a responsabilidade da empresa de serviços de concretagem.b) esta correção não aumente o abatimento em mais de 25 mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Qualquer outra adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto exigidas no pedido e este fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. _______________________________________________________________________________ 173 Concretos e Argamassas Prof. d) o tempo transcorrido entre a primeira adição de água aos materiais até o início da descarga não seja inferior a 15 min.edu. pelas propriedades do concreto constantes no pedido. Deve ser autorizada por elementos formalmente representantes das partes e tal fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. c) o abatimento após a correção não seja superior ao limite máximo especificado.

no Brasil.edu. durabilidade e economia. que teve contribuições do método do ITERS. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. sendo que. Então o objetivo geral de uma dosagem escolha dos materiais adequados entre é a busca para a melhor proporção entre cimento. é o método experimental do IPT. (IPT) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).A. O princípio da dosagem é fazer um balanço entre trabalhabilidade. água. agregados. resistência.DOSAGEM DE CONCRETOS Introdução A dosagem é a determinação da quantidade de cada um dos materiais (proporcionamento dos materiais) para a produção de um metro cúbico de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Em todos os métodos não há um que tenha uma expressão matemática exata que defina a composição do concreto. A escolha de um dos métodos é mais uma questão de adaptação ao tipo de concreto que se deseja produzir (trabalhabilidade) e aos materiais empregados. _______________________________________________________________________________ 174 Concretos e Argamassas Prof. Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. os mais utilizados são: Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul (ITERS). Numa melhor definição de dosagem certa especificações prévias. O mais utilizado. para fazer um concreto que atenda a aqueles disponíveis e a determinação da combinação mais econômica destes que produza um concreto que atenda a certas características de desempenho mínimo Como objetivos específicos temos: • Obter um produto que tenha um desempenho que atenda a certos requisitos previamente estabelecidos: Trabalhabilidade (concreto fresco) e Resistência (Concreto endurecido). aditivos e adfições. Existem vários métodos para a determinação da dosagem.

Da mesma forma o conflito entre trabalhabilidade e resistência. Por isto se diz que Dosagem é a arte de contrabalançar efeitos conflitantes. Mehta e Monteiro (1994) consideram que a dosagem de concreto é mais uma arte do que uma ciência. tal como o controle da trabalhabilidade (consistência + coesão). A consideração chave na dosagem do concreto é que o cimento responde pela maior parte do custo do mesmo.• Mistura de concreto que satisfaça os requisitos de desempenho ao mínimo custo possível Para alcançar estes objetivos devemos controlar algumas variáveis no processo: • • • • • • • Relação pasta/agregados. conforme a região. Sabe-se que o custo é um fator de extrema importância. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Então a opção _______________________________________________________________________________ 175 Concretos e Argamassas Prof. porém podemos perder muito em coesão. com mais água ou aditivos. Relação água/cimento. em torno de 70 a 80 %. Consumo de cimento Relação areia/agregado graúdo.edu. porém de propriedades não ótimas. Podemos aumentar facilmente a trabalhabilidade. Consumo de água Porém cabe salientar de início que o controle destas variáveis gera alguns efeitos conflitantes. A consistência é a facilidade de fluir e a coesão é a resistência à segregação. porém na escolha dos materiais deve se fazer o equilíbrio entre os materiais tecnicamente aceitáveis porém mais caros e os materiais economicamente atraentes. Teor de argamassa Aditivos .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

pois indispensável propagar entre os mestres de obra a noção fundamental de que o concreto deve ser fabricado com a menor quantidade de água possível. É de conhecimento da comunidade da construção que para atingir a resistência à compressão mínima. que não somente reduzem o preço do cimento. Uma das opções para a diminuição do custo. é notório que há muita variabilidade no processo. os concretos dosados em obra empregam um consumo excessivo de cimento. outras das condições de produção da obra e informações sobre os materiais componentes. algumas retiradas do projeto estrutural. Resumidamente. tais como resistência e durabilidade. infelizmente a maioria deles tem a tendência a realizar exatamente o inverso. Portanto. reduzem o impacto ambiental. elevando o custo final do concreto e que por vezes esta resistência ainda assim acaba não sendo alcançada. escória de alto forno. e que acontece simplesmente pelo aumento de água. as informações principais podem ser assim relacionadas. O eng. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ao mínimo exigido.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . deve ser irrigado com a maior quantidade de água possível. mas. Entre os motivos principais. Estes procedimentos acontecem pela falta de conhecimento dos encarregados da produção do concreto e pela falta de controle. em face destes fatos já destacava É. conforme o método a empregar: _______________________________________________________________________________ 176 Concretos e Argamassas Prof. tal como o aumento da trabalhabilidade requerido pelos funcionários que atuam no lançamento e adensamento do concreto. sem comprometer as demais propriedades estipuladas para o concreto. sem dúvida está exatamente na mudança das propriedades do concreto fresco. etc) em substituição ao cimento puro. mas por serem resíduos. principalmente devido à falta de controle do processo e da não existência de procedimentos.mais adequada é reduzir o consumo de cimento. sendo variáveis as informações necessárias. devem ser conhecidas condições iniciais da obra. normalmente já vem dos próprios fabricantes a utilização de materiais pozolânicos (cinzas volantes. depois de endurecido. Fernando Luiz Lobo Carneiro (1953). Em qualquer método a ser empregado.edu.

Concreto fresco fazem parte do conhecimento para o estudo de dosagem. etc trabalhabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . massa específica e nível de resistência aos 28 dias. média. h) consistência desejada do concreto fresco. g) coeficiente de inchamento do agregado miúdo. Antes de continuar o conteúdo e entrar no estudo de dosagem propriamente dita. consistência.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. influências no concreto. k) informações sobre aditivos e adições. uso de aditivos. d) tipo do cimento.a) resistência característica do concreto (fck) e idade de referência. etc tipo. ensaios. durabilidade. j) relação água / cimento máxima. quando empregados l) condições de exposição. massa específica e unitária dos agregados disponíveis. _______________________________________________________________________________ 177 Concretos e Argamassas Prof. b) resistência de dosagem do concreto. hidratação. cabe salientar que todo o conhecimento até agora adquirido referente à • • • • • Agregados Cimento etc Concreto endurecido etc e mais resistência de dosagem e projeto. adensamento). índices. n) técnicas de execução (transporte. e) dimensão máxima do agregado. f) análise granulométrica. c) massa específica do concreto (leve. lançamento. medida pelo abatimento do tronco de cone. m) durabilidade pretendida. coesão. i) acabamento desejado ao concreto. influências. alta).

55 1: 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .17: 2.84: 4.91 a/c Traço em massa NBR 12655 somente para concretos C10 e consumo cimento ≥ 300 kg/m3 _______________________________________________________________________________ 178 Concretos e Argamassas Prof.edu.08 1: 2.67 0.61 0.94 1: 2.56: 2.DOSAGEM EMPÍRICA X DOSAGEM RACIONAL PRINCÍPIOS BÁSICOS Variáveis controladas: • • • • • • Relação pasta / agregados Relação água / cimento Relação areia / agregado graúdo Consumo de cimento Consumo de água Teor de argamassa seca Restrição Dependência entre os componentes (requisitos conflitantes) Dosagem empírica Exemplo de dosagem empíricas Método Caldas Branco Goiás Cientec Fck (Mpa) 15 15 15 utilização de tabelas de traços Consumo (kg/m3) 344 289 345 0.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. desde que mantidos constantes o tipo e a graduação dos agregados e o total de água por volume de concreto” Validade da lei de Lyse: • • • Correções do traço em função da alteração da consistência Boa precisão inicial para traços próximos ao inicial Cuidado em traços mais ricos _______________________________________________________________________________ 179 Concretos e Argamassas Prof.Dosagem racional (experimental Lei de Inge Lyse (1931) – Trabalhabilidade H= • • • c ×100 1+ m a H = relação água / materiais secos ou percentagem de água pó unidade de concreto m=a+p a = areia p = pedra (brita) a/c = relação água / cimento “A consistência permanece aproximadamente constante a despeito da riqueza do traço.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

temos que irá alterar o H (deve ser definido experimentalmente).6 slump 7 cm 1:5 (m) consumo de cimento ± 16% H= 0.Exemplo Tenho um traço 1 : 2 : 3 a/c = 0. mas preciso de slump 10 cm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . plástica Plástica Fluida Líquida Abatimento 0 – 20 30 – 50 60 – 90 100 – 150 > 160 Tolerância NBR 7212 (mm) 10 10 10 20 30 _______________________________________________________________________________ 180 Concretos e Argamassas Prof.edu.6 ×100 1+ m m = 4. mas digamos H = 11% 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.45 (m) consumo de cimento ± 18% Consistência Seca Median.6 ×100 = 10 % 1+ 5 Agora se quero manter a resistência.45 1:4.11 = 0.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. bem como as demais propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água / cimento” f cj = A B a c fcj AeB resistência à compressão a “j” dias constantes que dependem dos materiais. areia e pedra). da prática de cada um.edu. O valor de α Indicativo subjetivo. Define a aparência. deve ser definido o α ideal. idade e cura Então a relação a/c define a resistência e H% define a trabalhabilidade Teor de argamassa seco (α) 1+ a α= ×100 1+ m a = relação agregado miúdo / cimento (em massa) m = relação agregados / cimento (em massa) m=a+p p = relação agregado graúdo / cimento ( em massa) α define a quantidade de argamassa presente num concreto. dificuldade desempeno.Lei de Duff A. para os materiais disponíveis (cimento. visual. aspereza custo elevado α deficiente α excessivo Em ensaio experimental. _______________________________________________________________________________ 181 Concretos e Argamassas Prof. porosidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A partir daí poderemos determinar o traço do concreto. Abrams (1918) “Dentro do campo dos concretos plásticos a resistência aos esforços mecânicos.

edu.10 e p = 3. mantido a relação a/c.00 a/c = ? depende da resistência a pretender teoricamente poderíamos ter a mesma resistência para os dois concretos. mas no primeiro.00 : 3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.35 = 1+ a 1+ 5 a= 1.10 : 3. Estudo de dosagem experimental (MÉTODO IPT) Para os materiais disponíveis. Determinar o teor de argamassa ideal Estabelecer um diagrama de dosagem (curvas de dosagem) deve ser _______________________________________________________________________________ 182 Concretos e Argamassas Prof.90 a/c = ? depende da resistência a pretender agora o mesmo 1:5 com α = 50 % 0.50 = 1+ a 1+ 5 a= 2. vamos: • • • Determinar a quantidade de água que atenda a trabalhabilidade definida pelo usuário qual o slump.Exemplos : Traço 1:5 a + p = 5 com α = 35 % 0. pela deficiência de argamassa. teríamos um concreto com maior permeabilidade e conseqüente menor durabilidade.90 traço 1: 1.00 traço 1: 2.00 e p = 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . TERZIAN. a/c .. com os seguintes dados: fc . etc) Cálculo do consumo de cimento (real) por metro cúbico para determinar os custos. 1993) traz passo a passo. P. p = traço de areia e pedra. um traço rico. com figuras de como se deve proceder para a determinação da dosagem experimental do IPT. São Paulo: PINI. brita. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A validade das curvas obtidas é somente enquanto forem mantidos os Importante mesmos materiais (cimento. respectivamente γ = densidade do concreto obtido _______________________________________________________________________________ 183 Concretos e Argamassas Prof. C= m3 1+ a + p + x γ (kg C = consumo de cimento em kg x = relação a/c a. P. um traço intermediário. m 03 pontos afastados um traço pobre.5 deve dar algo em torno de 55 a 60 Mpa (fck = ± 45 Mpa) O livro Manual de dosagem e controle do concreto (HELENE. Exemplo: Para os traços especificados com abatimento 90 mm ± 10 Traço 1:5 deve dar algo em torno de 35 a 40 Mpa (fck = ± 25 Mpa) Traço 1:6. areia.5 deve dar algo em torno de 25 a 30 Mpa (fck = ± 15 Mpa) Traço 1:3.Para estabelecer o diagrama (curvas) precisamos de no mínimo 3 pontos.

Na curva do quadrante superior direito.edu. esta com a relação fc x a/c Com estas curvas podemos obter (para os mesmos materiais) traços para qualquer resistência de concreto. obtemos uma relação a/c 0. Obtemos ainda a nossa curva para vários “slumps”. rompidos os corpos de prova.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . encontramos o “m” igual a 5.Efetuado os traços. como por exemplo. obtido os dados. Também é na etapa de laboratório que também podemos efetuar estudos de dosagem com a utilização de aditivos e ver como se comporta a nossa curva com estes aditivos.0 e no quadrante a esquerda temos o C = 325 kg/m3 Assim compomos qualquer traço e com o custo de cada um deles. e compor o preço de cada traço. Vejamos na figura seguinte: queremos um concreto com fc = 40 MPa.45 e seguido adiante no quadrante abaixo para uma determinada reta de “slump”. podemos obter as curvas de dosagem. _______________________________________________________________________________ 184 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Lembrar que podemos transformar o nosso traço de laboratório (que será em massa). usando padiolas. O quadrante inferior direito é o quadrante de Lyse (trabalhabilidade) O quadrante inferior esquerdo é o quadrante do proprietário (custo) É importante destacar que estas curvas podem ser representadas por equações. onde podemos automatizar os cálculos dos traços e custos do concreto. _______________________________________________________________________________ 185 Concretos e Argamassas Prof.edu. através dos ensaios realizados nos materiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• • • O quadrante superior direito é o quadrante de Abrams (resistência x fc). para traço em volume (para a obra). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Neste ajuste foi adicionado mais 20 litros de água por m3 de concreto.7 MPa b) Calcule os materiais necessários para a produção de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa).49 0. d) Para alcançar um “slump” de 80 mm. para o uso de betoneira de 580 L.50 7.0 33.0 1 : 4.10 2.5 MPa.00 / m3 R$ 30. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O inchamento da areia (ci) foi de 28% e o teor de umidade de (h%) foi de 5%.30 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .40 0.6 42.0 1 : 7.61 2.Exemplo de cálculo de dosagem Um estudo de dosagem realizado em laboratório apresentou os seguintes resultados: Traço 1:m 1 : 3.00 / m3 R$ 3.50 1. foi realizado um ajuste de traço. Estabeleça o novo traço para atender o fck igual a 40 MPa e o custo do concreto.80 1.00 7.1 24. O slump obtido foi de 60 ± 10 mm.50 / kg No estudo de dosagem foi verificado que o teor de argamassa ideal para os materiais disponíveis foi de 51 %.5 a/c 0.61 fc28 (MPa) 55.edu. Calcule o custo de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa) c) Dimensione as padiolas para a execução em obra do traço com fck de 20 MPa.18 Os materiais utilizados foram Material Cimento CP V. Conside o desvio padrão de dosagem igual a 3.27 7.00 Custo R$ 0. a) Determine um traço de concreto para a produção de um concreto para atingir um fck de 20 MPa e 40 MPa aos 28 dias.44 / kg R$ 29. _______________________________________________________________________________ 186 Concretos e Argamassas Prof.ARI Areia Brita basáltica Aditivo Massa unitária (δ) Kg/dm3 ----------1.34 ----------Massa específica (γ) Kg/dm3 3.5 1 : 6. Em obra o desvio padrão de produção da empresa é de 5.3 H (%) 7. As bocas das padiolas são de 35 x 45 cm.

6 % da massa de cimento. Observação: Os dados da primeira tabela. Calcule a viabilidade econômica de seu uso para produzir concretos com a mesma trabalhabilidade e resistência (40 MPa).e) O uso de aditivo plastificante permite a redução de 12% na água de amassamento em relação ao traço original.9791 (equação 1) m = 14.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3448 (equação 2) _______________________________________________________________________________ 187 Concretos e Argamassas Prof. ln (a / c ) + 1. O aditivo é usado na proporção de 0. da página anterior foram levados a uma planilha Excel que resultou nas seguintes equações: f c = − 44. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.197 . a / c − 1.655 .edu.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Fórmulas básicas a utilizar (resumo) H= Relação água / materiais secos (H %) x ×100 1+ m Teor de argamassa seca (α %) α= 1+ a × 100 1+ m Agregados secos totais (m) m = a + p Consumo de cimento (real) C= m3 1+ a + p + x γ (kg Onde: x = relação água / cimento a = areia p = brita C = consumo de cimento γ = massa específica do concreto fresco. _______________________________________________________________________________ 188 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

... para o concreto.. deveria considerar. Neville. seriamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Como eu sei que o concreto sempre perde trabalhabilidade. de autoria do Eng.. no encerramento do livro “Propriedades de Concreto” “Em tempo: se o leitor não se sentir capaz de dosar um concreto de forma satisfatória. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. eu sempre ponho um pouco de água a mais na central”. principalmente em dias quentes.. Giammusso.. Hummmmmmm.. CONCRETOS . O assunto concreto é abordado com um leve toque de humor. O auxiliar cumpriu a ordem ao pé da letra e jogou água nele! _______________________________________________________________________________ 189 Concretos e Argamassas Prof. temperado com um pouco de ironia. Talvez alguns não passem de anedotas. Antes de começar lembra-se o prof.edu. Salvador E... Introdução Os casos seguintes foram publicados na revista “A Construção” em janeiro e fevereiro de 1987. E a NBR 7212 ??? • • • Já com outro colega aconteceu um caso sem nenhuma conseqüência . a alternativa da construção em aço” Alguns causos .CASOS . Ele estava observando um concreto sendo produzido numa betoneira e falou para um dos auxiliares: .. mas com certeza alguns são verdadeiros. me joga um pouco de água . Um “técnico” de uma concreteira dizia a alguém certa vez: ...

suspendeu as entregas de concreto. Que autoridade tinha este mestre! Mas enfim..Essa questão é o que menos nos preocupa.. quando avisado. verificou o “slump”.. disse que não queria “criar caso” com o mestre. Mesmo que se perca muita água por evaporação.. O engenheiro.edu. poderia ter dado um problema sério: os corpos de prova daria resultados bons. respondeu mais ou menos assim: .. mas o concreto na obra . ele concordou . que era antigo de casa e muito competente (credo!) O responsável pela concreteira. Bem “informado” este palestrante! Cruz credo! • • • O caminhão betoneira chegou à obra. colocando água dentro dos limites estabelecidos pelo laboratório. o apresentador. ou seja.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o laboratorista acertou o traço. ao ser inquirido sobre os cuidados para evitar a perda de água pelo concreto nas primeiras idades. moldou os corpos de prova e o mestre só olhando. pois fazemos o concreto com bastante excesso de água.• • • Houve o caso em que o mestre mandava colocar mais água no concreto usinado. Quando terminou o acerto.Já terminou? Então ponha mais água nesse concreto que eu preciso começar a trabalhar. a cura. • • • Em uma palestra. não vai faltar para a hidratação do cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. Se o laboratorista não fosse experiente.. o mestre se manifestou: . aquele engenheiro telefonou para a concreteira dizendo que já tinha falado com o mestre e ele tinha concordado em não colocar mais água no concreto ... _______________________________________________________________________________ 190 Concretos e Argamassas Prof. muito sabiamente. Passados alguns dias..

edu. um engenheiro não autorizou a desforma de uma estrutura com poucos dias. • • • Nesta mesma laje. o sol era forte. com a acusação de não colaborar com o regime. porque era bom que o concreto tomasse bastante sol. solo bom e a obra era distante da rua em pelo menos 15 m!!! • • • Muitos anos atrás em um país muito conhecido pela “ampla liberdade” em que viviam os seus cidadãos. bem pavimentada. Ele disse que não tinha pressa. resolver colaborar (que remédio!!) e autorizou a desforma. no dia seguinte apareceram trincas na laje.Isso foi por causa da trepidação do trânsito! Detalhe: rua de pouco movimento. Sem comentários. típicas de retração plástica. _______________________________________________________________________________ 191 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mas este não se deu por achado: . para secar bem e endurecer logo e melhor.• • • A laje já tinha sido concretada. em função disto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . muito vento e perguntou-se ao mestre de obra se ele tinha providenciado a cura. Resultado: foi afastado e levado para um local distante e muito frio. Alguém comentou com o mestre sobre a falta de proteção logo após a concretagem. O seu substituto. A estrutura ruiu e ele foi fazer companhia ao seu colega por acusação de sabotagem ao regime.

Dois erros: 1º.. Os cara deveriam mandar junto com os certificados de rompimento remédio de dor de cabeça para os resultados baixos que iriam acontecer.. • • • Certa vez um engenheiro estava controlando o recebimento do concreto na obra e o abatimento especificado era 80 mm. Há tolerância para abatimento e neste caso era de 10 mm.Porque é o cimento melhor .• • • Um dia deste uma destas autoridades foi entrevistada de como seria o pavimento de um aeroporto e ele respondeu: ...edu. _______________________________________________________________________________ 192 Concretos e Argamassas Prof. verificou-se que os corpos de prova estavam sendo rompidos sem capeamento. Uma curiosidade: como ele mediu estes 81 mm com tanta precisão .Porquê de cimento portland? . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Meu Deus.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. Barbaridade. • • • Em um laboratório de algum lugar. Um caminhão foi recusado porque o abatimento deu 81 mm. Abatimento se mede em múltiplos de 5 mm e não de 1 mm 2º.Em concreto de cimento portland.. . Conhecia bem este engenheiro . O cara não sabia o que era a denominação portland e talvez achasse que fosse uma marca e o entrevistador achava que fosse isto mesmo. Quando perguntou-se o porquê disto a resposta foi: . ou seja poderia estar entre 70 e 90 mm.O capeador não veio trabalhar hoje.

Mas os corpos de prova tem que ser rompidos??? Dãããã • • • Jurando que não era o mesmo cidadão do caso anterior. Ai. Se a moda pega. colocados em um canto da obra. muito zeloso. ai _______________________________________________________________________________ 193 Concretos e Argamassas Prof.E a que idade eles serão rompidos. falou para o cidadão levar posteriormente os corpos de prova para serem rompidos. • • • Outra vez em uma visita a obra.O doutor falou para romper os corpos de prova e assim fizemos. Até deixamos o concreto para o doutor dar uma olhada neles . – Perguntou-se a ele .Claro. Um tempo depois o engenheiro vê um monte de concreto endurecido rompido em um canto da obra e pediu ao cidadão o que era aquilo. . ai.• • • Teve o caso de um motorista de caminhão betoneira que foi instruído a não deixar colocar água no concreto. vai ter muito mestre apanhando .. o engenheiro após moldados os corpos de prova. ... Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Porém na obra o mestre insistiu. E mostrou uma grande quantidade de corpos de prova. Pegamos a marreta e rompemos todo. e muito bem controlado. .. perguntaram ao elemento da obra se o concreto estava sendo controlado. e o motorista.edu. além da permita.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . acabou dando uma surra no mestre.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. O problema maior foi que o dono da construtora baixou uma regra na empresa que não se deveria mais usar cimento para fazer concreto.. Perguntou ao mestre porque aquilo tinha acontecido.edu. que estava exposta ainda... He..Não.. • • • O dono de uma construtora (que não era engenheiro) visitando a obra. . pois se o cimento não hidratasse não apareceriam as trincas.. Depois desta .. he . he... – falou o mestre. pois estava rachando as lajes.O problema destas trincas foi por causa do cimento. _______________________________________________________________________________ 194 Concretos e Argamassas Prof. fim.• • • Certa vez perguntaram a um engenheiro se ele não media o “slump” do concreto e a resposta foi: . Até aí um pouco de verdade. porque não temos balança na obra. viu um monte de fissuras (de retração plástica) sobre a laje.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

segurança ao fogo. pureza do ar.1 Desempenho O edifício é um produto fabricado para atender um mercado consumidor específico. Estas de acordo com a norma ISO DP 6241 podem ser resumidas de forma genérica em: • • • • • • • • • • • • • • segurança estrutural. conforto antropodinâmico. estanqueidade. conforto tátil. conforto higrotérmico. conforto visual. ou seja.edu. segurança em uso. DESEMPENHO 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.ARGAMASSAS 1. conforto acústico. higiene. ele deve atender as exigências de seus usuários. durabilidade e economia. _______________________________________________________________________________ 195 Concretos e Argamassas Prof. adaptação ao uso.

as condições a serem atendidas por um edifício ou componente. Além destas exigências dos usuários.1. para um edifício possuir desempenho deve-se obedecer a metodologia mostrada na figura 1. independente da classe social do usuário e do uso do ambiente. Estes dois tipos de exigências podem ser representados através de requisitos de desempenho. _______________________________________________________________________________ 196 Concretos e Argamassas Prof.2 Durabilidade Todo material. ocorrendo uma perda progressiva na capacidade de atendimento das necessidades dos usuários.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em localização específica e refletindo decisões de projeto já tomadas. cujos responsáveis são os agentes de deterioração. Portanto. Estas podem ocasionar uma diminuição dos valores das propriedades físicas e químicas de cada material. através da melhoria da qualidade de vida das suas proximidades. para um uso específico. em contato com o meio ambiente. pode-se definir desempenho como sendo o comportamento de um produto em relação ao seu uso. Entre os requisitos de desempenho do revestimento de argamassa pode-se destacar a sua aderência a base e a sua estanqueidade à água. Este processo é denominado de deterioração. enquanto outras possuem caráter relativo (por exemplo: conforto). Desta forma. para estes possuírem o desempenho esperado. o edifício deve também satisfazer as exigências da coletividade pertencente ao ambiente no qual a obra está inserida. deve-se determinar os critérios de desempenho que devem representar as características de desempenho mais importantes.edu. No caso dos revestimentos de argamassa. sofre transformações. possuem caráter absoluto (por exemplo: a segurança estrutural e higiene). Definidos os requisitos de desempenho.Algumas destas exigências. Os requisitos de desempenho definem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de forma quantitativa. determinantes da aceitação ou não de uma solução. 1. deve-se definir os requisitos e critérios de desempenho durante a elaboração do projeto.

de seus subsistemas ou componentes.1: Esquema de aplicação do conceito de desempenho Os agentes de deterioração é qualquer fator externo que afeta de maneira desfavorável o desempenho de um edifício.Figura 1.edu. Portanto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pode-se notar que os agentes de deterioração que agem sobre os edifícios ou seus componentes variam dentro de uma cidade e assumem diferentes níveis de _______________________________________________________________________________ 197 Concretos e Argamassas Prof. e a duas origens: externa (atmosférica e solo) e interna (ocupação e concepção). químicos e biológicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. segundo a norma ISO DP 6241. Estes agentes. eletro-mecânicos. podem pertencer a cinco diferentes naturezas: • • • • • agentes mecânicos. térmicos.

portanto. Este exige toda uma metodologia de operação.2). de maneira a antecipar-se ao surgimento de defeitos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Esta é a capacidade que um produto possui de manter o seu desempenho acima dos níveis mínimos especificados. de maneira a atender as exigências dos usuários. Nota-se. a existência de diferentes tipos de manutenção:: • Manutenção Planejada Preventiva atividades realizadas durante a vida útil da edificação. A manutenção deve ser interpretada como uma ação programada preventiva de futuros problemas e não apenas como atividade corretiva de problemas observados.3 Manutenção A realização de atividades de manutenção podem ser consideradas como a reconstrução de níveis de qualidade ambiental perdidos e que tem como resultado imediato o prolongamento da vida útil do edifício ou de seus componentes (Figura 1. atividades realizadas para recuperar o _______________________________________________________________________________ 198 Concretos e Argamassas Prof. O conhecimento da vida útil (durabilidade) de um material é de fundamental importância para a elaboração de programas de manutenção periódica. Para isto torna-se importante a adoção de um programa de manutenção periódica. 1.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A forma e velocidade com que ocorre a deterioração são função da natureza do material ou componente e das condições de exposição a que fica submetido.importância dependendo do material em análise e a função que este desempenha. controle e execução. Esta metodologia somente é válida se os custos de implantação e operação forem compensados em termos de benefício no desempenho do edifício ou de seus componentes. • Manutenção Planejada Corretiva desempenho perdido. São estes dois fatores que determinam a durabilidade de uma material sujeito a uma determinada situação.

prolongando sua vida útil. Nestes casos deve ocorrer uma intervenção técnica com a finalidade do edifício ou componente voltar a apresentar um desempenho satisfatório. como discutido anteriormente. Já a patologia está associada a manutenção planejada corretiva e não planejada. Analisando a definição acima percebe que as atividades de manutenção podem ter duas principais origens: a durabilidade dos materiais e as patologias. situação em que o edifício ou seu componente apresenta um desempenho insatisfatório.2: Perda do desempenho e manutenção _______________________________________________________________________________ 199 Concretos e Argamassas Prof.edu. Figura 1. Sendo que a durabilidade está associada a manutenção planejada preventiva. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• Manutenção Não Planejada definida como o conjunto de atividades realizadas para recuperar o desempenho perdido devido por causas externas não previstas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

_______________________________________________________________________________ 200 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Os revestimentos argamassados empregados nos edifícios habitacionais devem atender as seguintes funções: • Promover durabilidade de acordo com a vida útil esperada para a edificação. reduzir a penetração de chuva. o revestimento deve desempenhar sozinho ou associado ao seu suporte. isolamento térmico.edu.2. relativas a segurança. proteção contra intrusão humana ou animal e choque contra a fachada. As propriedades mais importantes dos revestimentos são as exigências de uso e a compatibilidade geométrica e físico-química entre o revestimento e a sua base e o acabamento final previsto. Ainda. Cita-se também que as funções dos revestimentos externos de argamassas são de aumentar a durabilidade da base. estética.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A segurança deve ser entendida como garantia de estabilidade mecânica. recobrir uma superfície irregular ou obter um efeito decorativo em particular. com ou sem contribuição do revestimento. Em relação a habitabilidade.1 Função dos revestimentos Edifício conjunto de elementos básicos : estrutura. Desta forma o revestimento de argamassa deve apresentar um conjunto de propriedades para que o comportamento das vedações seja adequado. vedações verticais e horizontais e sistemas prediais Cada um destes elementos tem uma função específica. uma ou mais das seguintes funções: estanqueidade. devem ser atendidas pela parede como um todo.as exigências. ou seja. resistência ao fogo. Dentre as exigências de uso são destacadas aquelas relativas a segurança e a habitabilidade. contribuindo para o desempenho final do edifício. Propriedade e funções dos revestimentos 2. isolamento acústico.

• Regularizar a superfície para aplicação dos revestimentos finais. É comum.• Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos. dentre outras) que. ao mesmo tempo. • • • Auxiliar as paredes de vedação no isolamento térmico e acústico. Para efeito de conceituação são apresentadas adiante algumas destas propriedades mais importantes. é fundamentada em critérios qualitativos de caráter empírico.2 Reologia e principais propriedades dos revestimento de argamassa Na definição de uma argamassa para revestimento deve ser considerada uma série de propriedades associadas a estas características. 2. a determinadas propriedades no estado fresco (trabalhabilidade) e no estado endurecido (capacidade de absorver deformação.edu. Conferir estanqueidade à água e aos gases para as paredes de vedação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em dado momento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . inclusive no meio científico. Não é função do revestimento esconder imperfeições grosseiras da base (desaprumo. Permitir e facilitar a manutenção preventiva e corretiva sempre que necessário de modo a preservar a estética e a aparência. em determinadas avaliações ainda é notório o caráter empírico nas proposições de determinadas soluções. por exemplo) “esconder na massa”. a utilização _______________________________________________________________________________ 201 Concretos e Argamassas Prof. resistência de aderência. Apesar de todo o avanço no desenvolvimento de novos materiais e no estudo das argamassas. No caso das propriedades no estado fresco a situação aparentemente é mais complexa. fato que pode ser demonstrado pela carência de estudos capazes de avaliar sistematicamente este tema. Um exemplo claro é a formulação de argamassas de revestimentos que atendam.

Neste sentido. projetabilidade) por parâmetros que realmente caracterizem o material em situação de fluxo.2.de procedimentos baseados na experiência de oficiais pedreiros envolvidos no processo de produção dos sistemas de revestimento. que permitem apenas uma avaliação qualitativa (como trabalhabilidade. bombeabilidade. A idéia atualmente em pauta é substituir termos com elevado grau de empirismo. cabe destacar que muitos ramos da indústria estão diante de problemas que podem ser resolvidos com base nestes conceitos. é cada vez mais discutida no meio científico a necessidade de uma avaliação das propriedades das argamassas no estado fresco.1 Capacidade de retenção de água A retenção representa a capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção de uma base porosa e da evaporação. consistência. 2. Em adição à importância da reologia. 1998). é bastante comum o uso de projetos de sistemas para transporte ou para processar substâncias que não se ajustam a nenhum dos tipos clássicos de comportamento dos materiais. também envolver e relacionar os parâmetros tradicionalmente conhecidos como. por exemplo: condições de trabalhabilidade. tempo e temperatura (TANNER. Atualmente. consistência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. uma das possibilidades de novas discussões esta baseada na aplicação de conceitos pertencentes ao estudo do comportamento reológico do material. Neste universo. Sua aplicação se justifica a partir do momento em que se pode classificar os materiais. de certa forma. deformação. bem como prever o desempenho destes em outros estágios de tensão. A reologia é definida como a ciência que estuda a deformação e escoamento da matéria. analisar seus comportamentos frente a um campo de tensão. Esta caracterização deve.edu. que possibilite a real caracterização do comportamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a possibilidade de aplicação da teoria reológica abre inúmeras opções de discussões diretamente aplicadas ao meio. Uma retenção adequada _______________________________________________________________________________ 202 Concretos e Argamassas Prof. relacionar estes comportamentos com a estrutura de cada material. Ainda sobre o estudo das argamassas no estado fresco. plasticidade. dentre outros.

2 Trabalhabilidade Esta é uma propriedade de avaliação qualitativa. apresenta-se como proposição mais usual a utilização de saibro e cal na argamassa. _______________________________________________________________________________ 203 Concretos e Argamassas Prof. O aumento da retenção de água da argamassa pode ser conseguido de várias maneiras. a capacidade de absorver deformações. Uma delas é aumentar o teor de materiais constituintes com elevada área específica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aparecendo tensões superficiais que tendem a manter a água adsorvida nas partículas. diminui a aderência e por conseqüência a argamassa terá menor durabilidade e estanqueidade. proporcionando uma elevada área específica. como é o caso dos derivados da celulose (aditivos retentores de água). Uma perda de água acelerada diminui a resistência. uso de cal e de aditivos incoporadores de ar. Esses dois tipos de materiais possuem partículas muito finas. sem aderir a colher ao ser lançada Distribui-se facilmente pela superfície Não endurece rapidamente quando aplicada A melhoria da trabalhabilidade é conseguida através de uma granulometria adequada. promovendo as reações de hidratação do cimento e um conseqüente ganho de resistência mecânica e aderência. Em se tratando de aumentar a área específica dos materiais constituintes. pois depende do uso e do usuário. a área a ser molhada é maior. A outra forma de incrementar a capacidade de retenção de água da argamassa é utilizar aditivos cujas características impedem a perda de água.edu. sem ser fluída Mantêm-se coesa ao ser transportada.contribui para o endurecimento adequado da argamassa. Uma argamassa é trabalhável quando: Deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro. conseqüentemente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 2.2.

trabalhabilidade e retenção. alterando a resistência de aderência. 2. Deve ser pressionada contra a base para aumento da extensão de aderência.3 Consistência Propriedade reológica que define como a argamassa resiste às deformações impostas ainda no estado fresco. Quando a base apresenta poucos poros capilares e muitos macroporos a aderência pode ficar prejudicada. Dependendo da plasticidade da argamassa. Pode ser aumentado através de aditivos incorporadores de ar. A argamassa deve ter boa trabalhabilidade e retenção de água. Assim. interferindo diretamente na trabalhabilidade. alterando a trabalhabilidade.2.2. do método de aplicação e do tipo de chapiscamento realizado pode-se ter resultados bastante variados. A consistência está relacionada diretamente com a quantidade de água. plasticidade.4 Teor de ar incorporado O teor de ar incorporado equivale à quantidade de ar existente em certo volume de argamassa.edu. modificando outras propriedades como consistência.2. _______________________________________________________________________________ 204 Concretos e Argamassas Prof. 2.2.5 Aderência inicial A aderência inicial depende também das outras propriedades do estado fresco das argamassas e também da base de aplicação. A presença de cal e de finos na argamassa também modifica a consistência. é válido dizer que nem sempre o chapisco garante uma aderência adequada. É uma propriedade ligada a fenômeno mecânico da ancoragem da argamassa na base A porosidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Esta quantidade de água pode influenciar as características do revestimento final. permeabilidade à água e a capacidade de absorver deformações. a rugosidade e as condições de limpeza da base influenciam diretamente a aderência.

retração no processo de hidratação e carbonatação dos aglomerantes. Ocorre. _______________________________________________________________________________ 205 Concretos e Argamassas Prof.edu.Figura 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. As fissuras prejudiciais são aquelas que permitem a percolação de água pelo revestimento e podem provocar a perda de aderência ou descolamento. estas variações volumétricas quase sempre ocasionam fissuras.2. também.4 Aderência prejudicada – sem extensão de aderência 2. Quando acontecem com excessiva rapidez.6 Retração na secagem Quando ocorre a saída da água da argamassa esta diminui de volume.3 Aderência mecânica à base Figura 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

esta propriedade não é simples de ser obtida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .As argamassas com teores de cimento elevados tendem a apresentar retração mais elevada. Figura 1. pode levar à obtenção de argamassas com elevada retração na secagem e baixa capacidade de absorver deformações. Argamassas mais espessas estão mais sujeitas a retração na secagem. Desempeno muito cedo (argamassa muito úmida) causa fissuras e até descolamento da argamassa. Da aderência dependem a durabilidade e a capacidade do revestimento suportar as movimentações internas e externas. por exemplo. Entretanto. _______________________________________________________________________________ 206 Concretos e Argamassas Prof.2.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A adoção de consumos de cimento elevada.5 Retração na secagem 2. requerendo maiores cuidados na execução e controle rigoroso das condições de cura durante e após a aplicação. O tempo de sarrafeamento e desempeno é importante.7 Resistência de aderência A aderência é uma propriedade fundamental para o desempenho dos revestimentos argamassados.

_______________________________________________________________________________ 207 Concretos e Argamassas Prof.6 Resistência de aderência Figura 1.2.7 Aderência deficiente – extensão de aderência prejudicada 2.edu.8 Resistência à compressão Os revestimentos argamassados devem suportar esforços atuantes sem apresentar danos ao longo do tempo. Interferem diretamente na resistência à compressão o consumo e a natureza dos aglomerantes e agregados e a técnica de execução empregada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Figura 1.

não sendo. 2. Quando aplicado em espessuras adequadas e tendo o tempo de _______________________________________________________________________________ 208 Concretos e Argamassas Prof. A permeabilidade é função da natureza da base.2. o caminho de percolação permite acesso direto da água à base do revestimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .9 Permeabilidade à água A permeabilidade está relacionada à passagem da água pela camada de revestimento. Deve-se lembrar aqui que a argamassa é um material poroso que permite a percolação de água tanto no estado líquido como de vapor. comprometendo a estanqueidade da vedação como um todo. A execução do revestimento também pode interferir na capacidade de absorver deformações. Estas argamassas podem apresentar capacidade de absorção de deformação adequada mesmo possuindo teores elevados de cimento. Argamassas que apresentam consumo de cimento elevado. além de fatores externos ao revestimento como pressão do vento e pluviosidade. Os revestimentos de argamassa apenas são capazes de absorver deformação de pequena amplitude que ocorrem em função das variações de umidade e temperatura. normalmente. não tem capacidade adequada de absorção de deformações.10 Capacidade de absorver deformações Sob tensão. da técnica de execução da espessura da camada de revestimento e do acabamento da superfície. Para percolar pela vedação a água tem que atravessar barreiras que são constituídas pelo revestimento e pela base Entretanto.2. da composição e dosagem da argamassa. principalmente em relação a estanqueidade e aderência. sendo exceção as argamassas com teores elevados de polímeros. capazes de absorver as movimentações das estruturas de concreto e das alvenarias que tem amplitude elevada. quando existem fissuras.2.edu. o revestimento de argamassa deve absorver deformações sem sofrer ruptura ou fissuração que prejudiquem seu desempenho. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. portanto.

2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O aditivo incorporador de ar é adicionado as argamassas com o intuito de melhorar a trabalhabilidade. O ar intencionalmente incorporado às argamassas altera a suspensão cimentícia no estado fresco e posteriormente no endurecido.3 Uso de aditivos incorporadores de ar Os aditivos incorporadores de ar são materiais orgânicos. Pode se enumerar algumas propriedades que são alteradas beneficamente pela incorporação de ar nas argamassas. principalmente em argamassas isentas de cal (cimento e areia). a saber: _______________________________________________________________________________ 209 Concretos e Argamassas Prof. reduzindo os efeitos de movimentação de grandes painéis. produzem uma quantidade controlada de bolhas microscópicas de ar. Estas juntas podem ser usadas para permitir panos com dimensões menores. clima. a espessura excessiva.desempenamento respeitado. a cultura e proliferação de microorganismos e a qualidade das argamassas são os fatores que mais interferem na durabilidade dos revestimentos. topografia e vizinhança. A durabilidade também depende das condições de exposição definidas principalmente pela localização. que quando adicionados ao concreto. às argamassas ou às pastas de cimento. A adoção de juntas de controle distribuída no revestimento contribui diretamente para melhorar a capacidade de absorver deformações do revestimento. Características de projeto definindo orientação das fachadas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. 2. usualmente apresentados na forma de solução ou em pó.11 Durabilidade A fissuração do revestimento. menores são as possibilidades de falhas devido à microfissuração da argamassa. uniformemente dispersas.2. presença de aberturas e detalhes construtivos como pingadeiras e peitoris também interferem.

que permite a confecção de argamassas sem cal. diminuindo desta forma a consistência.edu. A presença do ar incorporado permite uma certa diminuição na quantidade de finos do agregado. Exsudação – é diminuída. Com essa diminuição. sem alterar a tendência de segregação e exsudação da argamassa. Este fato implica a colocação de menos água na mistura. A mudança provocada pelos aditivos incorporadores de ar nas argamassas de revestimento pode ser observada na Foto 1. já que a mesma passa de um aspecto seco e áspero. provavelmente. se consegue um maior volume de argamassa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. devido à incorporação de ar. É essa capacidade dos aditivos alterarem positivamente a trabalhabilidade das argamassas. Massa específica – é reduzida. apenas com o acréscimo de 0.• • • • Módulo de deformação . efeito contrário ao provocado no concreto. para uma mesma quantidade de material anidro. provoca um ganho de consistência e plasticidade. no estado fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .05% de um aditivo incorporador de ar. Nota-se que os aditivos causam uma grande alteração na trabalhabilidade das argamassas. para uma mesma condição de aplicação. o que aumenta a capacidade de deformação do sistema de revestimento. para um aspecto plástico. pela presença de microbolhas de ar no interior da mistura. apenas com o aditivo incorporador de ar como agente plastificante. que ganha fluidez. este ganho de consistência e plasticidade se deve ao “efeito ponte” existente entre as bolhas de ar e as partículas de cimento e. O rendimento das argamassas com aditivos incorporadores de ar é aumentado. da areia. Retração – normalmente é reduzida. Já para o concreto. ao se comparar com uma argamassa sem aditivos. onde se tem uma argamassa com 20% de cimento e uma argamassa com o mesmo proporcionamento. em relação à massa de cimento.8.normalmente é reduzido. este “efeito _______________________________________________________________________________ 210 Concretos e Argamassas Prof. Para as argamassas. A presença do ar incorporado nas argamassas. devido à diminuição da massa específica.

Isto se explica pelo fato do tensoativo diminuir a tensão superficial. A possível redução na resistência de aderência encontrada em argamassas com ar incorporado é atribuída à diminuição da superfície de contato entre a argamassa e o substrato. e pela redução de propriedades mecânicas devido ao incremento da porosidade na argamassa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . após a incorporação de uma certa quantidade de ar.Argamassa sem e com aditivo incorporador de ar _______________________________________________________________________________ 211 Concretos e Argamassas Prof. A aplicação da argamassa é facilitada com a utilização dos aditivos incorporadores de ar. que rompe as “pontes” existentes. o aumento do teor de ar. aumentando a região de contato entre ambos. Apesar do tipo de aditivo influenciar na redução da resistência de aderência a tração.edu. reduz a aderência das argamassas. para qualquer aditivo. acima de um certo valor. sem dúvida. Figura 1.8 . provocando uma maior facilidade da argamassa molhar o substrato.ponte” é quase nulo pela presença do agregado graúdo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

edu. Desta forma. Ademais. é uma prática bastante comum nas obras. na trabalhabilidade adequada. se quer utilizar sobras do sarrafeamento da argamassa para se executar um outro pano de revestimento. deixando-a mais trabalhável. Por este motivo. mesmo com a colocação de mais água e uma nova mistura.2. Caso isto aconteça.4 Adição de água em argamassas A complementação de água na argamassa de revestimento. a argamassa deve estar pronta para o uso. feita pelos pedreiros após a mistura e antes da aplicação. apresentando uma trabalhabilidade inadequada para o lançamento e aperto. o que tornará a argamassa menos trabalhável. Este fato acontece pelo simples motivo deste acréscimo tornar a argamassa mais fluida. este material pode ficar esperando a sua vez de ser aplicado por períodos de tempo superiores a 2 horas. facilitando o seu lançamento e aperto. para que a mesma volte a se mostrar trabalhável. • Uma outra situação onde se observa a complementação de água na argamassa ocorre quando. Esse excesso de água pode gerar uma séria redução na resistência mecânica dos revestimentos e provocar uma intensa fissuração. Caso isto não _______________________________________________________________________________ 212 Concretos e Argamassas Prof. ou seja. parte da água de amassamento pode ser perdida por evaporação para a atmosfera. é necessário o acréscimo de água. o que vai reduzir o seu poder aglomerante. freqüentemente. tendo em vista que ela foi uma sobra do corte. O acréscimo de água realizado pelo oficial-pedreiro ocorre.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . bem como para as reações de hidratação do cimento. este acréscimo pode reduzir as resistências mecânicas do revestimento e contribuir para a ocorrência de fissuração devido à retração. por exemplo. Entretanto. o seu aspecto é de uma argamassa seca com falta de água. Como esta argamassa já “puxou”. o cimento desta argamassa que sobra após o sarrafeamento pode já ter entrado em pega. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quando se observa alguma das três situações abaixo: • Devido a produção de grandes volumes de argamassa. se introduz uma grande quantidade de água nessa sobra de argamassa. para que o oficial-pedreiro possa aplicar a argamassa. • A dosagem das argamassas deve ser realizada de uma forma que o oficialpedreiro fique satisfeito com a plasticidade da mesma.

5 Argamassas sobre diferentes materiais contíguos Uma das regiões revestidas com argamassa mais susceptível a ocorrência de fissuração é aquela localizada na interface estrutura de concreto/alvenaria.ocorra. _______________________________________________________________________________ 213 Concretos e Argamassas Prof. pode-se ter fissuração nesta região devido a desuniformidade da absorção de água entre a alvenaria e a estrutura de concreto.edu. para serem aplicadas. o oficial-pedreiro irá adicionar mais água na mistura antes da sua aplicação. O emprego adequado deste material (sobras) deve ser discutido com especialistas em argamassas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Além da movimentação diferencial. do que a aplicada sobre a alvenaria. A discussão sobre o emprego das sobras é particular a dinâmica de cada obra e aos materiais utilizados (aglomerantes. geralmente. este acréscimo de água é chamado de ajuste de água. De uma forma geral. 2. buscando evitar que argamassas fiquem esperando por um longo período de tempo. fazendo com que a argamassa aplicada sobre ele demore mais tempo para ficar adequada para o sarrafeamento. já que. que resulte em pouca sobra de argamassa após o sarrafeamento. na tentativa de ajustar a trabalhabilidade da argamassa a condições mínimas de aplicabilidade. Nesta situação. • Deve-se aplicar uma camada de argamassa racionalizada durante a produção do revestimento. Pelo exposto anteriormente. Isto acontece porque o concreto é menos absorvente que a alvenaria. na dosagem ou nos materiais. argamassa industrializada). a quantidade de água adicionada é muito pequena em relação às situações anteriormente expostas. entre estes se destacam: • Produzir uma quantidade de argamassa adequada para a frente de trabalho disponível. incorreções na granulometria. buscando a trabalhabilidade ideal. quando sujeitos a variações higrotérmicas e a sobrecargas. Um dos motivos principais para a ocorrência dessa fissuração é a movimentação diferencial dos dois materiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . observa-se que alguns cuidados devem ser tomados com o intuito de evitar problemas nos revestimentos. é que induzem a colocação de mais água.

a fim de se evitar diferentes tempos de sarrafeamento para a argamassa. geralmente. não estando com uma rigidez adequada. Alguns dos fatores que interferem nessa extensão de aderência são a textura do _______________________________________________________________________________ 214 Concretos e Argamassas Prof. Pelos motivos apresentados.A importância do aperto da argamassa A resistência de aderência à tração de um revestimento.6 . Esta precipitação dos pedreiros se verifica pela pressa de os mesmos terminarem o serviço para irem almoçar ou encerar o expediente. Essa uniformização é realizada. Outra situação onde a realização do sarrafeamento e/ou desempeno no momento incorreto provoca fissuração nos revestimentos. Nesta situação. regiões onde a argamassa ainda não estará apta (argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto) para a execução desses serviços. se o sarrafeamento for executado apenas quando a argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto estiver adequada. 2. que já estará bastante rígida. pode-se ter fissuração na argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto. para resistir aos esforços gerados pelo sarrafeamento e desempeno. como também. quando a argamassa ainda não “puxou”.Assim sendo. Já. ter-se-ão dificuldades para cortar a argamassa aplicada sobre a alvenaria. é que se verifica a necessidade de realizar a uniformização da absorção da interface estrutura de concreto/alvenaria. ocorre a fissuração.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aplicando-se um chapisco fechado sobre a estrutura e a alvenaria. enquanto que na alvenaria deve-se ter pelo menos uma faixa de 1 metro com chapisco. ocorre nas argamassas aplicadas pouco tempo antes da hora do almoço e do fim do expediente de trabalho. se o sarrafeamento for realizado quando a argamassa aplicada sobre a alvenaria já estiver adequada. têm-se regiões que já estarão aptas a receber os serviços de sarrafeamento e desempeno (argamassa aplicada sobre a alvenaria). Como a operação de corte é realizada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é majorada quando se tem um aumento do contato entre a argamassa aplicada e o substrato. que ainda não estará rígida o suficiente. A estrutura deve ser completamente chapiscada. em um mesmo pano de argamassa.edu. paralela a estrutura de concreto.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o que dificultará a aderência da segunda camada de argamassa aplicada sobre a mesma. pelo fato de não ser realizado o sarrafeamento e/ou desempeno na argamassa de cheia. Porém. A falta deste aperto na cheia contribui para que nestas regiões sejam verificados baixos valores de resistência de aderência à tração. mesmo que a trabalhabilidade da argamassa e a energia utilizada no seu lançamento não sejam adequadas. Assim. se a argamassa de cheia for apertada. _______________________________________________________________________________ 215 Concretos e Argamassas Prof. possivelmente. a energia de aplicação e a operação de aperto. aliada à energia de seu lançamento. aumentado o contato entre esses dois materiais.edu. a trabalhabilidade da argamassa. em média.substrato. ocorrerá uma elevação da resistência de aderência à tração do revestimento. É evidente que este baixo valor de aderência não se deve apenas à falta do aperto. ela vai ficar pouco rugosa na sua superfície. A plasticidade da argamassa. já que é freqüente se utilizar para a execução das “cheias”. gerando conseqüências negativas nas resistências mecânicas. Nessa argamassa. é a falta do aperto nas argamassas utilizadas nas “cheias”. a argamassa que sobrou após o sarrafeamento (corte). provavelmente será acrescentada água e. são fundamentais para que ela possa penetrar pelas reentrâncias e saliências do substrato. Uma prática bastante verificada nas obras. ela não precisa ser apertada. o que irá colaborar para a extensão da aderência. a extensão de aderência poderá ser majorada com a realização do aperto da argamassa após a sua aplicação. Outra justificativa dada pelos oficiaispedreiros é que.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando se tem mais de uma camada de argamassa. o cimento já terá entrado em pega. A justificativa para a não realização deste procedimento se observa no fato de os oficiais pedreiros acharem que. que deve ser evitada.

edu. Isto não é de se estranhar. de fixação e de acabamento b) ou ainda por erros de concepção durante a elaboração do projeto. em que muitas vezes suas diretrizes são dadas independentemente das condições reais de exposição e dos requisitos básicos à sua construção. pois quando este existe. pode-se dizer que a maior parte dos problemas patológicos que ocorrem ao longo de sua vida útil.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . entre outros motivos. pois diversos materiais. a fim de que os problemas não sejam preconcebidos na fase de projeto. está limitado aos efeitos arquitetônicos. de modo geral. ou seja. Esses entraves. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. falta de orientação específica para elaboração de projeto e falta de informações acerca do comportamento de obras já construídas. diferentes técnicas de execução e condições ambientais adversas estão sempre concorrendo para a realização dos empreendimentos. porém. _______________________________________________________________________________ 216 Concretos e Argamassas Prof. pela ausência de conhecimento tecnológico acerca do assunto. A não elaboração de um projeto ou mesmo os erros decorrentes de sua concepção são fatos gerados. da camada de regularização. Os problemas originados em revestimentos na fase de projeto ocorrem. por dois motivos: a) ou pela inexistência de um projeto específico em que sejam definidas as características do revestimento como um todo. necessitando conhecerem ainda as possíveis patologias originadas por problemas decorrentes desta fase. Considerando-se todas as etapas do processo de produção de edifícios.3 Patologia dos revestimentos de argamassa Os problemas patológicos são manifestados nas edificações devidos a uma série de razões. tem origem principal nas fases de elaboração do projeto e de execução dos serviços propriamente ditos. devem ser vencidos buscando-se o domínio tecnológico desta área. No que se refere à fase de execução dos serviços de revestimento é imprescindível que os técnicos envolvidos com a produção dos mesmos tenham o domínio das corretas técnicas.

convém adotar uma classificação.1 Perda de aderência ou desagregação A perda de aderência pode ser entendida como um processo em que ocorrem falhas ou ruptura na interface das camadas que constituem o revestimento ou na interface _______________________________________________________________________________ 217 Concretos e Argamassas Prof. principalmente em função da falta de disponibilidade de profissionais com formação adequada para enfrentar tal situação. gretamentos. Por serem inúmeros os problemas patológicos passíveis de ocorrerem nos revestimentos verticais de argamassa e cerâmicos. c) deficiente resistência mecânica. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que nos parece mais adequada: a) perda de aderência ou desagregação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é extremamente necessário que se busque adotar uma metodologia de desenvolvimento do projeto que contemple todos os detalhes executivos. Uma outra forma classifica as patologias de revestimentos de argamassa de acordo com suas formas de manifestação. as quais pela sua incidência esparsa. fissuras. c) manchas. b) inadequada capacidade de acomodação plástica (quando endurecida). não serão abordadas nesta disciplina 3. para facilitar o estudo dos mesmos. Uma das formas de realizar a classificação é de acordo com suas origens: a) aderência insuficiente. b) trincas.edu. • • • bolor eflorescências fantasmas ou espectros de juntas d) outras.Embora se reconheça a dificuldade em se dominar a tecnologia de projeto e de execução dos revestimentos.

o acúmulo do produto de corrosão na interface que podem provocar o descolamento do revestimento.com a base ou substrato. em placas. com pulverulência. descolamento em placas ocorre quando há deficiência de aderência entre camadas do revestimento ou das mesmas com a base ou até por espessura excessiva do revestimento. Entre outros problemas que se desenvolvem na base ao longo do tempo e que também podem afetar o revestimento. pontuais (vesículas). descolamentos por empolamento o fenômeno ocorre devido às expansões na argamassa em função da hidratação posterior de óxidos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . temos a corrosão da armadura de concreto. não se extendendo por toda a extensão do revestimento. pontuais neste caso o descolamento ocorre de forma pontuais. _______________________________________________________________________________ 218 Concretos e Argamassas Prof. descolamento por pulverulência observam-se desagregação e conseqüente esfarelamento da argamassa ao ser pressionada pelas mãos e a película de tinta destaca-se juntamente com a argamassa que se desagrega com facilidade. sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: • • • • por empolamento. devido às tensões surgidas ultrapassarem a capacidade de aderência das ligações. a fissuração e expansão do concreto. Estes descolamentos podem apresentar extensão variável. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

edu. Observa-se. do madeiramento do telhado ou da laje mista).). solicitações higrotérmicas e também por retração hidráulica da argamassa. deve-se dar preferência à utilização de primer apropriado. etc. há um maior consumo de água de amassamento. _______________________________________________________________________________ 219 Concretos e Argamassas Prof. o que ocasiona maior retração por secagem e. b) retração (fissuração da argamassa de revestimento ou de piso cimentado). Em regiões onde a umidade relativa do ar é baixa. No caso de argamassa composta por alto teor de finos. Outro fator que influencia no surgimento de fissuras é a umidade relativa do ar. se o revestimento não for executado corretamente. da fundação ou do aterro).” A incidência de fissuras em revestimentos sem que haja movimentação e ou fissuração do substrato ocorre devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado. dentre os quais citam-se: consumo de cimento.2 Trincas. a temperatura é alta e há a presença de ventos. então. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. d) amarração (falta de amarração nos cantos de paredes ou no encontro da laje com as paredes). gretamentos e fissuras Popularmente chama-se de trinca a fissura com abertura maior. e) diversos (concentração de esforças. do que realizar molhagem abundantemente. impacto de portas. Tem-se que as causas prováveis de fissuras e trincas em revestimentos são: a) recalque (acomodação do solo.3. c) movimentação (da estrutura de concreto. que vários fatores intrínsecos à argamassa podem ser responsáveis pela fissuração do revestimento. teor de finos e quantidade de água da amassamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aplicado à base. podem aparecer fissuras na forma de “mapas” por todo o revestimento.

ele terá de ser _______________________________________________________________________________ 220 Concretos e Argamassas Prof. marrom e verde.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . No caso de umedecimentos sucessivos. Se uma parede que apresenta bolhas na pintura ou manchas de bolor for interna. o primeiro passo é detectar de onde vem a infiltração.edu. Estando nessas condições.3 Manchas 3. cura deficiente. pode-se gerar mudanças na tonalidade. ou ocasionalmente. se soltar ou esfarelar.As fissuras por retração hidráulica. Tal fenômeno ocorre porque a água contendo cal livre sai pelas microfissuras. não são visíveis. citando-se inclusive as argamassas inorgânicas. formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta. ainda. teor de finos elevado. esse autor aponta. O desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de tetos e paredes. O passo seguinte é verificar se o reboco está firme. consumo elevado de água de amassamento. algumas outras causas que podem ser responsáveis pelas fissuras nos revestimentos de argamassas.1 Bolor O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato. Além disso. número e espessura das camadas. de modo geral. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3. argamassa com baixa retenção de água. permitindo a visualização das fissuras. 3. manchas claras esbranquiçadas ou amareladas. a não ser que sejam molhadas e que a água. destacando entre elas: • • • • • • consumo elevado de cimento. inclusive com o paramento seco. assinale sua trajetória. penetrando por capilaridade.

Alguns fatores causadores de umidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. c) umidade acidental (vazamento de águas potáveis e servidas). Há ainda algumas causas extrínsecas ao material. A parede receberá então a aplicação do revestimento em seguida um adesivo de alto desempenho. e) umidade de condensação de vapores em ambientes fechados. produzida pelo vapor do chuveiro. b) umidade de infiltração por fachada ou telhado. Além da questão estética. sendo assim. que favorecem o acúmulo de bolor na superfície dos revestimentos são: • • • a umidade de condensação. e finalmente o reboco contendo na argamassa o impermeabilizante. que podem aumentar o teor de água disponível para o crescimento dos fungos. já que a umidade. é ideal para sua proliferação. Os casos que abrangem fungos.removido completamente. d) umidade relativa do ar em torno de 80%. assunto de grande importância no que se refere à qualidade dos ambientes internos.3. até chegar na alvenaria. _______________________________________________________________________________ 221 Concretos e Argamassas Prof.edu.2 Eflorescências Nas edificações. 3. O lugar da casa em que costumam aparecer é o banheiro. ou superior a esse valor. como resultado da exposição à intempéries”. o bolor e as algas são problemas é que depois que se instalaram. conforme as condições do substrato: a) umidade ascendente por capilaridade. dificilmente vão embora. o termo eflorescência significa “a formação de depósito salino na superfície de alvenarias. a ventilação insuficiente num ambiente e a permeabilidade da alvenaria à umidade exterior.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . destaca-se ainda a ocorrência de problemas respiratórios nos moradores de residências com bolor deve ser considerada.

Há ainda alguns fatores que favorecem o fenômeno: porosidade das argamassas e bases. Para ocorrer a eflorescência. Distingue-se três tipos de eflorescência: de Tipo I.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O fenômeno ocorre porque a argamassa apresenta vazios e canais em seu interior. é determinante haver a presença e a ação dissolvente da água. ladrilhos cerâmicos. Pode ocorrer em superfícies de alvenaria aparente. na rede capilar ou dissolver e transportar sais solúveis presentes no material.edu. presentes no substrato. Tipo I é o mais comum e caracteriza-se por um depósito de sal branco. Em função desses vazios no interior da argamassa. a eflorescência é composta principalmente por sais de metais-alcalinos e alcalinos-terrosos. _______________________________________________________________________________ 222 Concretos e Argamassas Prof. não sendo prejudicial ao substrato. de sódio. e em determinados casos seus sais constituintes podem ser agressivos. podendo introduzir substâncias agressivas. que podem ser solúveis ou parcialmente solúveis em água. II e III. regiões próximas a esquadrias mal vedadas. como no caso de compostos expansivos. muito solúvel em água. de magnédio e de ferro. Esse tipo de patologia somente modifica o aspecto estético. à presença da água destinada a promover a trabalhabilidade desejada ao material e necessária às reações de hidratação do cimento. de potássio. devidos. pulverulento. pode ocorrer o fluxo da água por capilaridade ou por pressão. Os principais sais presentes no materialsão os de cálcio. Todas essas três condições devem existir e. A eflorescência é causada por três fatores: o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes. As eflorescências podem alterar a aparência da superfície sobre a qual se depositam. revestimentos de argamassa. causando desagregação profunda. se uma delas for eliminada. O fluxo descrito está intimamente relacionado às propriedades absorção e capilaridade das argamassas. não haverá a ocorrência de eflorescência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. juntas de ladrilhos cerâmicos e azulejos. principalmente.Quimicamente. aumento do tempo de contato e a quantidade de solução que aflora. juntas de assentamentos. a presença de água e a pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície.

dos agregados. que pode ser liberada na hidratação do cimento. às vezes. além do que. realiza-se uma lavagem com solução de ácido muriático. e de substâncias contidas em solos adensados ou contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica. reagindo com o anidrido carbônico do ar. além de apresentar um efeito estético negativo. A eflorescência do Tipo II. da água utilizada no amassamento. o sal formado é basicamente o carbonato de cálcio. seguida de lavagem com água abundante. pela ação da chuva. formado com a reação da cal livre.Tipo II caracteriza-se pela aparição de um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. de cimentos. sobre superfícies de alvenaria. Na eflorescência denominada de Tipo I. que se apresentam fissuradas devido à expansão decorrente da hidratação do sulfato de cálcio existente no tijolo ou da reação tijolo-cimento. Recomenda-se que. quando em contato com o ácido clorídrico. Esse depósito. pois as reações ainda não terminaram. a eflorescência desaparece após um período prolongado.edu. como os sais são solúveis em água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. esta cal se transforma em carbonato de cálcio. Tipo III manifesta-se como um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. em casos de depósito abundante. os sais (freqüentemente de sulfatos de sódio e potássio) podem ser provenientes de tijolos. Na evaporação da água. é difícil de ser eliminada. com a água proveniente da chuva ou de infiltração. para alvenaria externa de um edifício recém-terminado. recomenda-se. muito aderente e pouco solúvel em água. Esses sais formam-se em regiões próximas a elementos de concreto ou sobre sua superfície e. deixar que desapareça por si mesmo. Pode-se também eliminar mais rapidamente tal patologia removendo os sais depositados na superfície com escova de aço. da reação química entre os compostos do tijolo com o cimento. o problema pode ser solucionado removendo os sais com escovação mecânica. Na eflorescência do Tipo II.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . apresenta efervescência. devendo-se saturar anteriormente a _______________________________________________________________________________ 223 Concretos e Argamassas Prof. Nas eflorescências do Tipo I. Em seguida. A cal dissolve-se e deposita-se na superfície.

parede, para preencher os vazios existentes com água e evitar a impregnação do ácido através dos poros. Porém, há casos em que a eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação freqüente de solução ácida pode comprometer a durabilidade do componente. Além das recomendações acima, destaca-se alguns cuidados a serem tomados para evitar a ocorrência de eflorescência, destacados a seguir: • não utilizar materiais com elevado teor de sais solúveis. A presença de sais pode ser detectada através de ensaios realizados em laboratório; • • não utilizar componentes cerâmicos com elevado teor de sulfatos; em caso de alvenaria aparente, a redução da absorção da água da chuva pode ser obtida utilizando-se pintura impermeável, resistente à exposição em solução salina; • • • proteger da chuva a alvenaria recém terminada; reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; reduzir a lixiviação da cal através da utilização de cimento que libere menor teor de cal na sua hidratação, como é o caso do cimento pozolânico ou de alto forno.

Ainda que apesar da eflorescência, de uma maneira geral, constituir-se num fenômeno onde os danos são apenas estéticos, ela é o efeito de um problema mais grave e freqüente da edificações, que é a umidade.

_______________________________________________________________________________ 224 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Manifestações

Aspectos Observados

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Umidade constante

Reparos Eliminação da infiltração de umidade. Secagem do revestimento.

Manchas de umidade Eflorescência Pó branco acumulado sobre a superfície

Sais solúveis presentes no componente da alvenaria Sais solúveis presentes na água de amassamento ou umidade infiltrada Cal não carbonatada

Escovamento da superfície. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Manchas esverdeadas ou escuras Revestimento em desagregação Empolamento da pintura, apresentando- se as partes internas das empolas na cor: -branca -preta Vesículas -vermelho acastanhada Bolhas contendo umidade no interior

Umidade constante

Eliminação da infiltração da umidade. Lavagem com solução de hipoclorito. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Bolor

Área não exposta ao sol

-Hidratação retardada de óxido de cálcio da cal -Presença de pirita ou de matéria orgânica na areia -Presença de concreções ferruginosas na areia Aplicação prematura de tinta impermeável. Infiltração de umidade

Renovação da camada de reboco.

Eliminação da infiltração da umidade. Renovação da pintura.

Descolamento com empolamento

A superfície do reboco descola do emboço formando bolhas, cujos diâmetros aumentam progressivamente O reboco apresenta som cavo sob percussão. A placa apresenta-se endurecida, quebrando com dificuldade Sob percussão o revestimento apresenta som cavo

Hidratação retardada do óxido de magnésio da cal A superfície de contato com a camada inferior apresenta placas freqüentes de mica. Argamassa muito rica. Argamassa aplicada em camada muito espessa.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento.

Descolamento A placa apresenta-se endurecida, mas quebradiça desagregando-se com facilidade

em placas

A superfície da base é muito lisa. A superfície está impregnada com substância hidrófuga.

Renovação do revestimento:

-Apicoamento da base; -eliminação da base hidrófuga;

Sob percussão o revestimento apresenta som cavo Ausência da camada de chapisco

-aplicação de chapisco ou outro artifício para melhoria de aderência.

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Manifestações

Aspectos Observados A película de tinta descola arrastando o reboco que se desagrega com facilidade.

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Excesso de finos no agregado. Traço pobre.

Reparos

Descolamento Traço rico em cal. com pulverulência Fissuras Horizontais Apresenta-se ao longo de toda a parede. Descolamento do revestimento em placas, com som cavo sob percussão. O reboco apresenta som cavo sob percussão. Ausência de carbonatação de cal. O reboco foi aplicado em camada muito espessa. Expansão da argamassa de assentamento por hidratação retardada do óxido de magnésio da cal. Expansão da argamassa de assentamento por reação cimento-sulfatos, ou devida à presença de argilo-minerais expansivos no agregado. Fissuras Mapeadas As fissuras têm forma variada distribuem-se por e toda a superfície. Retração da argamassa de base.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento após hidratação completa da cal da argamassa de assentamento.

A solução a adotar é função da intensidade da reação expansiva. Renovação do revestimento. Renovação da pintura.

_______________________________________________________________________________ 226 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Referências

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BAUER, L.A.F.. Materiais de Construção. 2 vol. Rio de Janeiro, Livro Técnico e Científico; 1994. DURANTE, R. Aglomerantes. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Agregados. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Concreto – Qualidade, Classificação e Propriedades. Notas de aula . ST420 – Materiais de Construção 2. Limeira: 2001. FIGUEIREDO, A. e outros. Materiais de Construção Civil II . PCC 2340. Notas de aulas. São Paulo: 1999. HELENE, P.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. São Paulo: PINI, 1993. JACOSKI, C.A. Concreto e Argamassas. Série Didáticos. Chapecó: Argos, 2001, 71 p. LIMA, M.G. Materiais de Construção Civil 2 . EDI-32 Notas de aula. São Paulo: 2000. METHA, P. K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais. . São Paulo: PINI, 1994. MONTEIRO, E.B. – Materiais de Construção Civil 1 . Notas de aula. ??: 2004. NEVILLE, A.M. Propriedades do concreto. Tradução Salvador Giamusso. São Paulo: PINI, 1997 PETRUCCI, E.G.R. Concreto de cimento Portland. Porto Alegre: Globo, 1998, 13a. ed.

_______________________________________________________________________________ 227 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

– Produção de concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto . SILVA.edu. Dissertação.F.. _______________________________________________________________________________ 228 Concretos e Argamassas Prof..E. S. Além de diversos outros materiais de diversas faculdades. Mestrado Profissionalizante UFGRS. Notas de aula. Porto Alegre: 2005.. que pela grande quantidade e variedade não foi possível aqui enumerar . E. – Materiais de Construção Civil 1 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.PILZ. Brasília: 2006.

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