CONCRETOS E ARGAMASSAS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CENTRO TECNOLÓGICO PROF: SILVIO EDMUNDO PILZ

CONCRETOS E ARGAMASSAS
SOBRE ESTA APOSTILA Esta apostila é fruto da compilação de livros, apostilas de disciplinas de outras universidades, dissertações, artigos científicos, normas técnicas e experiência adquirida durante a especialização, mestrado e demais cursos realizados e durante a vida profissional. Aqui fica o agradecimento aos autores, professores e

colaboradores. Não tem a finalidade de ser uma cópia simples e pura, mas uma compilação para atender a ementa da disciplina, procurando uma ordem lógica de aquisição de conhecimentos, porém abordando assuntos que mesmo não estando explícitos na ementa são de fundamental importância para o tema da matéria EMENTA DA DISCIPLINA Propriedades físicas e mecânicas dos materiais componentes do concreto. Ensaios. Características e propriedades do concreto fresco. Propriedades do concreto endurecido. Dosagem do concreto. Controle estatístico e tecnológico do concreto. IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL A disciplina de Concreto e Argamassas se utiliza dos conceitos iniciais da disciplina de Física, Geologia, Materiais de Construção, Química Tecnológica, Resistência dos Materiais e Estatística para dar suporte ao que será estudado nesta disciplina. Reveste-se de importância a disciplina de Concreto e Argamassas para a continuidade dos estudos, pois serve de suporte para as disciplinas de Construção Civil I e II, Concreto Armado I, II e III, Concreto Protendido e outras disciplinas de estruturas, Alvenaria Estrutural e até para a disciplina de Fundações I e II.

______________________________________________________________________________ 1 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA A PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIVIL O conhecimento dos materiais concreto e argamassa, para o Engenheiro Civil é fundamental, pois em qualquer área que irá atuar irá depender e irá usar estes materiais. Como material estrutural o concreto é o mais utilizado, sendo progressivo também o uso em pavimentações rodoviária, obras de arte (grandes estruturas), indústrias de pré-moldados, etc. A argamassa como material de revestimento em edificações tem uso intenso, bem como material de assentamento de pisos, revestimentos, decorações e com um aumento constante do uso de argamassa armada para telhas, paredes, reservatórios, etc. ALGUMAS INFORMAÇÕES INICIAIS A usina de Itaipu utilizou 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Se fossemos fazer esta barragem com uma betoneira de 320 L, e fazendo 30 betonadas por dia levaríamos o equivalente a 7.000 anos para fazer este volume. Em 1900 a produção mundial de cimento era de 10 milhões de toneladas. Em 1998 a produção foi de 1,6 bilhões de toneladas. O consumo de concreto atualmente no mundo representa o equivalente a 1,0 m3 por pessoa por ano no mundo. É o material mais consumido no mundo, depois da água. O uso do material concreto não tem registro de quando foi a primeira utilização, pois nos primórdios da civilização já se usava cinzas vulcânicas, que com sua propriedade ligante e misturadas a outros materiais formava um material trabalhável e durável. Já o uso do material concreto armado, informações de que a primeira vez que foi utilizado, data de 1855 quando o eng. Lambot levou um barco de concreto armado a uma exposição em Paris.

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Começo a ter impulso o uso do concreto armado, quando em 1867, Joseph Monier requereu patente para construção de vasos de concreto e posteriormente para tubos, reservatórios, placas, pontes, escadas, etc. O primeiro curso de concreto armado no mundo foi dado em Paris, pelo professor Rabut, em 1897. Brasil Emilio Baungartem que é considerado o pai do concreto armado. A ponte

sobre o Rio do Peixe (Joaçaba) por muitos anos o maior vão do mundo. O prédio do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro foi por muito anos o maior do mundo em concreto armado.

O QUE VAMOS ESTUDAR Inicialmente temos que estudar os materiais componentes do concreto (que também são utilizados em argamassas): agregados, aglomerantes e água (não será estudada nesta disciplina) Nos agregados será visto os tipos, caracterização, propriedades, substâncias nocivas, ensaios em agregados. Nos aglomerantes, estuda-se a função, matérias primas, classificação e um estudo mais aprofundado do cimento, desde a fabricação, constituintes, classificação (tipos de cimento). Após será conhecido os ensaios realizados em agregados e aglomerantes, seus diferentes tipos, como fazer e normas relacionadas aos ensaios. Em seguida será dado início ao estudo do material “concreto”, estudando as propriedades do concreto enquanto “mole” (concreto fresco) e do concreto endurecido. Também será aprendido sobre a produção do concreto, dos cuidados desde a estocagem dos materiais até o lançamento e a cura deste material.

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Finalizando a disciplina será estudado brevemente as argamassas.Não se pode falar de concreto sem pensar que seja um material durável e então será estudado o assunto “Durabilidade do concreto”. etc. onde veremos da importância da produção de um concreto durável. Neste ponto já se pode falar sobre a questão do controle de produção do concreto e como fazer para saber se o concreto produzido atende os requisitos exigidos controle e aceitação do concreto. ______________________________________________________________________________ 4 Concretos e Argamassas Prof. Estudaremos ainda como fazer dosagem de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. onde estudaremos as propriedades dos revestimentos e patologias dos revestimentos que nos darão embasamento sobre os quesitos necessários para uma boa argamassa. revisando os conceitos necessários. quais são os agentes agressivos a este material. diferenciando os tipos de dosagem e estudando um método de dosagem específico e através de cálculos elaborar um traço de concreto. Todo este conhecimento de concreto será adquirido com o apoio de aulas em laboratório e ensaios que os alunos deverão fazer durante o semestre em horário fora de aula.edu.

de dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos.material granular cujos grãos passam na peneira de 4.material granular cujos grãos passam na peneira com abertura de malha 150 mm e ficam retidos na peneira de 4. neste capítulo. alguns critérios seletivos para a obtenção dos agregados. ______________________________________________________________________________ 5 Concretos e Argamassas Prof. analisando o seu grau de importância e responsabilidade na geração das características essenciais aos concretos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . tração na flexão. São apresentados também. ALGUMAS DEFINIÇÕES INICIAIS Agregado . geralmente inerte. Caracterização .determinação da composição granulométrica e de outros índices físicos dos agregados de modo a verificar as propriedades e características necessárias à produção de concreto e argamassas. impermeabilidade. também. durabilidade.material granular sem forma e volume definidos. exercendo nítida influência não apenas na resistência mecânica do produto acabado como. em sua durabilidade e no desempenho estrutural.edu. ou mistura de ambas). Agregado graúdo . Procura-se.relação entre a área total da superfície dos grãos e sua massa.AGREGADOS Uma vez que cerca de ¾ do volume do concreto são ocupados pelos agregados. proporcionando concretos que irão corresponder plenamente às expectativas de projeto e execução das obras onde serão empregadas. Agregado miúdo .75 mm (pedregulho. trabalhabilidade e retratilidade.75 mm e que ficam retidos na peneira de 0. apresentar as principais propriedades dos agregados. Superfície específica . não é de se surpreender que a qualidade destes seja de importância básica na obtenção de um bom concreto. brita e seixo rolado).075mm (areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. tais como: resistência à compressão. baseados nas experiências nacional e estrangeira.

É obtida a partir de várias amostras parciais. Deve-se observar aqui que o termo artificial indica o modo de obtenção e não se relaciona com o material em si.. pedregulhos. obtida segundo a NBR NM 27:2001. de uma só vez..edu. • às dimensões das partículas.075 mm.porção representativa de um lote de agregado. . a Norma Brasileira NBR 7211 define agregado da seguinte forma: • Agregado miúdo → Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. Amostra de ensaio . seixos rolados..8 mm (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm.Amostra parcial – parcela de agregado retirada.. a) Quanto à origem.amostra de agregado representativa da amostra de campo. CLASSIFICAÇÃO DOS AGREGADOS Os agregados podem ser classificados quanto: • à origem. escória britada. de determinado local do lote. seja na fonte de produção.. areia artificial. . Amostra de campo . • industrializados → aqueles que são obtidos por processos industriais: argila expandida. b) Quanto à dimensão de suas partículas. armazenamento ou transporte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ______________________________________________________________________________ 6 Concretos e Argamassas Prof. • artificiais → são obtidos pelo britamento de rochas: pedrisco. destinada à execução de ensaio em laboratório. ou a mistura de ambas. cascalhos. • à massa unitária. . eles podem ser: • naturais → já são encontrados na natureza sob a forma definitiva de utilização: areia de rios. pedra britada. neste caso 4.8 mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0. cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4. coletada nas condições prescritas na NBR NM 26:2001.

45 1.0 t/m3) 2.7 Barita Hematita Magnetita Pesados (acima de 2. Veja na frente mais detalhadamente. c) Quanto à massa unitária pode-se classificar os agregados em leves.5 1.edu.5 1. > 3. médios e pesados podem ser caracterizados.8 mm.• Agregado graúdo → o agregado graúdo é o pedregulho natural. cujos grãos passam pela peneira ABNT 152 mm e ficam retidos na peneira ABNT 4.8 Calcário Arenito Cascalho Granito Areia seca ao ar Basalto Escória Médios (1.5 1. ≤ 3.9 3.0 t/m3 Médios: 2. a designação dimensão máxima indica a abertura de malha (em milímetros) da peneira da série normal à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou inferior a 5%.E. ou seja: ______________________________________________________________________________ 7 Concretos e Argamassas Prof. Referindo-se ao tamanho do agregado.4 1. ou a pedra britada proveniente do britamento de rochas estáveis.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2 3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 t/m3 Pesados: M.0 t/m3) Vermiculita Argila expandida 0.0 t/m3) 1. Veja a tabela abaixo: Massas unitárias médias Leves (menor que 1.0 ≤ M.E. ou a mistura de ambos. por suas massas específicas (densidade): Leves: M.0 Os agregados leves. deve ser um elemento inerte. médios e pesados.3 Escória granulada 1.3 0.0 t/m3 Características das rochas de origem: a) Atividade – o agregado pela própria definição.6 1.0 a 2. < 2. também.E.

portanto. Quem confere esta propriedade aos concretos é o agregado. assim como a escória de alto forno resfriada ao ar. não deve conter incompatibilidade térmica entre seus grãos e a pasta endurecida. O ensaio se faz em corposde-prova cúbicos de 4 cm de lado. pois tem resistência muito superior às máximas dos concretos. As rochas ígneas. basculamento.• • • não deve conter constituintes que reajam com o cimento “fresco” ou endurecido. SP ) Granito ( RJ ) Basalto Resistência à Compressão 154 MPa 120 MPa 150 MPa Sob o aspecto de resistência à compressão. dá-se o nome de abrasão.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A resistência à abrasão mede. não deve sofrer variações de volume com a umidade. As rochas sedimentares apresentam resistência um pouco abaixo das ígneas. b) Resistência Mecânica • à compressão : a resistência varia conforme o esforço de compressão se exerça paralela ou perpendicularmente ao veio da pedra. apresentam resistências médias à compressão da seguinte ordem : Rochas Granito ( Serra da Cantareira. estocagem). • ao desgaste : a pasta de cimento e água não resiste ao desgaste . ______________________________________________________________________________ 8 Concretos e Argamassas Prof. Ao desgaste superficial dos grãos de agregado quando sofrem “atrição”. estes materiais não apresentam qualquer restrição ao seu emprego no preparo de concreto normal. a capacidade que tem o agregado de não se alterar quando manuseado (carregamento.

de eixo horizontal. a amostra é peneirada na peneira de 1.Em algumas aplicações do concreto. O cilindro é girado durante um tempo determinado. Principais propriedades físicas dos agregados • • • • • • Massa específica Massa unitária Índice de vazios Compacidade Finura Área específica ______________________________________________________________________________ 9 Concretos e Argamassas Prof. em essência. A NBR 6465 trata do ensaio à abrasão. determinando-se a perda de peso após 5 ciclos de imersão por 20 horas. dando as características da máquina e das cargas de agregado e esferas de ferro. É de 15% a perda máxima admissível para agregados miúdos e de 18% para agregados graúdos. é a “Abrasão Los Angeles”. sofrendo o agregado atrição e também um certo choque causado pelas esferas de ferro. a resistência à abrasão é característica muito importante.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . seguidas de 4 horas de secagem em estufa a 105°C. como por exemplo em pistas de aeroportos. em vertedouros de barragens e em pistas rodoviárias. dentro do qual a amostra de agregado é colocada juntamente com esferas de ferro fundido.edu. expresso em porcentagem do peso inicial. de um cilindro oco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Retirada do cilindro. pois o concreto sofre grande atrição. O ensaio consiste em submeter o agregado à ação de uma solução de sulfato de sódio ou magnésio. A resistência à abrasão é medida na máquina “Los Angeles”. quando for usada uma solução de sulfato de magnésio. que consta. o peso do material que passa.7mm. c) Durabilidade O agregado deve apresentar uma boa resistência ao ataque de elementos agressivos.

65 kg/dm3 Água: 1 kg/dm3 Temos os volumes de “cheios” deste material: Cimento: 1 / 3. a massa específica varia entre 2600 e 2700 kg/m3. Massa Específica (kg/m3) Granito Arenito Calcário 2690 2650 2600 Da amostra representativa.7 kg / 1 kg/dm3 = 0.7 litros Se com 1 kg de cimento. colhida de acordo com a NBR 7216. pesam-se 500g de areia seca. empregando-se as proporções de areia e pedregulho especificadas anteriormente.62 kg/dm3= 1. A massa específica é definida como a massa do material por unidade de volume.8 kg Água: 0. A água subirá no gargalo do frasco até uma certa marca (L).Massa Específica! O que é isto? Para efeito de dosagem do concreto. para materiais secos (traço de um concreto define a proporção unitária entre seus materiais constituintes.7 kg Conhecendo-se as massas específicas desses materiais: Cimento: 3.81 litros Água: 0. o valor absoluto de areia. portanto somente é necessário a determinação da massa específica do agregado.32 dm3 = 0.90 l de concreto. incluindo os poros existentes dentro das partículas.81 dm3 = 1.65 kg/dm3 = 1. para 1 m3 de concreto (1000l) serão precisos: 1 x 1000/3. teremos a massa específica real ou peso específico real.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 kg Pedregulho: 4. é importante conhecer o volume ocupado pelas partículas do agregado.90 =256 kg de cimento.8 kg / 2.7 dm3 = 0. obtendo-se.edu. dividindo-se o peso dos 500g de areia pelo volume achado.10 kg/dm3 Areia: 2.10 = 0. coloca-se água no interior do frasco até sua marca padrão de 200 ml.8 kg / 2. obtém-se 3. assim. incluindo os poros internos das partículas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ______________________________________________________________________________ 10 Concretos e Argamassas Prof. faz-se essa leitura e do valor obtido diminuem-se os 200 ml.07 litros Pedregulho: 4. Para muitas rochas comumente utilizadas.07 dm3 = 1.62 kg/dm3 Pedregulho: 2. M. introduz-se cuidadosamente o material.E = ρ = Para que serve a massa específica? 500 kg / l L − 200 Seja o traço em peso de um concreto.32 litros Areia: 2. considerando-se o cimento como unidade de medida): Cimento: 1 kg Areia: 2.

incluindo na medida deste volume os vazios entre os grãos. Definindo massa unitária de outra maneira.00 dm3 Pedregulho: 4.90 dm3 Areia: 2.1 kg/dm3 = 0.Massa Unitária! O que é isto? Segundo a NBR 7810 a massa unitária é a massa da unidade de “volume aparente” do agregado.90 = 1.90 dm3 / 0. poderíamos dizer que massa unitária é definida como a massa das partículas do agregado que ocupam uma unidade de volume.33 dm3 Traço transformado para volume: 1.00 dm3 Areia: 2. os resultados encontrados por 0. o material deverá ser lançado de uma altura que não exceda a 10 cm da boca. expressa em kg/dm3.8 kg / 1. a superfície é regularizada de modo a compensar as saliências e reentrâncias das pedras.4 kg/dm3 Pedregulho: 1. de tal forma que não exista espaços vazios. de transformar um traço em massa para volume e vice-versa.33 ______________________________________________________________________________ 11 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.90 = 2.1 kg/dm3 Areia: 1. é obtida pelo quociente: M.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados em concreto normal varia de 1300 a 1750 kg/m3. com forma de paralelepípedo.22 : 3. dividiremos.22 dm3 Pedregulho: 3.90: Cimento: 0. A importância de se conhecer a massa unitária aparente vem da necessidade.6 kg/dm3 = 3.8 kg Conhecendo-se as massas unitárias ou aparentes para: Cimento: 1. para cálculos de consumo de materiais a serem empregados no concreto. isto é. Quanto ao enchimento do recipiente.edu. ou também.8 kg / 1. A massa unitária. Após cheio.8 kg Pedregulho: 4. O termo massa unitária é assim relativo ao volume ocupado por ambos: agregados e vazios. tal fenômeno surge porque não é possível empacotar as partículas dos agregados juntas. de volume nunca inferior a 15 litros.00 : 2.6 kg/dm3 Temos o traço em volume correspondente: Cimento: 1 kg /1.00 dm3 / 0. na dosagem de concretos.00 dm3 Como em todo traço unitário de concreto o cimento é sempre a unidade de medida. Sua determinação deverá ser feita em recipiente. a superfície do agregado é rasada e nivelada com uma régua.4 kg/dm3= 2. neste caso.00 dm3 / 0.U = Massa do recipiente cheio − tara Capacidade do recipiente Para que serve a massa unitária? Seja o traço em massa de concreto com materiais secos: Cimento: 1 kg Areia: 2. No caso do agregado graúdo.90 = 3.

apresentará. entretanto. um menor volume de vazios. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. porém a quantidade destes espaços vazios é bastante superior. i= Agregado Miúdo V v V g Agregado Graúdo No caso dos agregados miúdos o espaço intergranular é menor que nos agregados graúdos. sempre. A mistura de agregados miúdos e graúdos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . c= Vg Va ______________________________________________________________________________ 12 Concretos e Argamassas Prof.Índice de Vazios: é a relação entre o volume total de vazios e o volume total de grãos. por isso podemos dizer que os totais de espaços vazios nos agregados miúdos e graúdos independem do tamanho máximo dos grãos.edu. Compacidade (c): é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o volume total do agregado.

destinados a interceptar o fluxo de água de infiltração em barragens de terra e em muros de arrimo. contudo. Área específica: é a soma das áreas das superfícies de todos os grãos contidos na unidade de massa do agregado. ______________________________________________________________________________ 13 Concretos e Argamassas Prof. de cavas (depósitos aluvionares em fundos de vales cobertos por capa de solo) ou de praias e dunas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • Concreto betuminoso juntamente com fíler.Finura: quando um agregado tem seus grãos de menor diâmetro que um outro. devido a sua grande permeabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Utilizações da areia natural: • Preparo de argamassas. a areia entra na dosagem dos inertes do concreto betuminoso e tem a importante propriedade de impedir o amolecimento do concreto betuminoso dos pavimentos de ruas nos dias de intenso calor). a área da superfície de uma esfera de igual diâmetro. A forma dos grãos de brita é irregular e sua superfície extremamente rugosa. em geral. • Concreto de cimento • Pavimentos rodoviários • Filtros constitui o agregado miúdo dos concretos). dizse que ele tem maior finura.edu. O mesmo ocorre com as areias de dunas próximas do litoral. os agregados com grãos mais regulares têm menor superfície específica. constitui o material de correção do solo (sub-base). a areia é utilizada para a construção de filtros. para a mesma granulometria. areia é o agregado miúdo. As areias das praias não são usadas. Agregados Naturais: Areia natural: considerada como material de construção. superfície de área maior que a esfera. Admite-se para área da superfície de um grão. para o preparo de concreto por causa de sua grande finura e teor de cloreto de sódio. o grão real tem. A areia pode originar-se de rios.

5 4. Agregados Artificiais Pedra britada: agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em jazidas. é um sedimento fluvial de rocha ígnea. dos quais se retira a fração inferior a 0. formado de grãos de diâmetro em geral superior a 5 mm.8 a 19 19 a 38 25 a 50 50 a 76 Areia de brita ou areia artificial: agregado obtido dos finos resultantes da produção da brita. O pedregulho deve ser limpo. Sua graduação é 0. quer dizer. O concreto executado com pedregulho é menos resistente ao desgaste e à tração do que aquele fabricado com brita.2 a 9. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O cascalho também pode ser de origem litorânea marítima.Seixo rolado ou cascalho: também denominado pedregulho.005/0.8mm. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. já que o ideal é que os miúdos ocupem os vãos entre os graúdos. lavado antes de ser fornecido.20. Seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento e passam na peneira 200 (0.075mm. Classificação do autor Falcão Bauer em seu livro “Materiais de construção” Denominação Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 Diâmetro (mm) 1. É chamado de pó de pedra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pelo processo industrial da cominuição (fragmentação) controlada da rocha maciça. Deve ser de granulação diversa.075 mm). na proporção 1 para mais ou menos 1. Fíler: agregado de graduação 0.15 /4.edu. ______________________________________________________________________________ 14 Concretos e Argamassas Prof.15 mm. inconsolidado. podendo os grãos maiores alcançar diâmetros até superiores a cerca de 100 mm.

O fíler é utilizado nos seguintes serviços: • • • • na preparação de concretos. É a fração acima de 76 mm da bica corrida primária. na preparação da argamassa betuminosa. Rachão: agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. de grãos em geral friáveis (que se partem com facilidade). A NBR 7211.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como espessante de asfaltos fluidos. para preencher vazios. Não obstante isso. de dimensões entre 76 e 250 mm. dependendo da regulagem e tipo de britador. ______________________________________________________________________________ 15 Concretos e Argamassas Prof. É também usado o pó de pedra. Blocos: fragmentos de rocha de dimensões acima do metro. emprega-se o agregado em extensa gama de situações: • concreto de cimento: o preparo de concreto é o principal campo de consumo da pedra britada. de modo que o pó de pedra é usado em grande escala. depois de devidamente reduzidos em tamanho. A tecnologia do concreto evoluiu. trata de agregado para concreto. Pode ser classificada em primária ou secundária.edu. na adição a cimentos. A NBR 9935 define rachão como “pedra de mão”. Será primária quando deixar o britador primário. apesar de ter ele distribuição granulométrica não coincidente com a do agregado miúdo padronizado para concreto (areia). e apesar de as curvas granulométricas médias dos agregados comerciais não coincidirem totalmente com as curvas médias das faixas da Norma. Bica-corrida: material britado no estado em que se encontra à saída do britador. com graduação aproximada de 0/300mm. a pedra 1 e a pedra 2. vão abastecer o britador primário. que. São empregados principalmente o pedrisco. Restolho: material granular. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com graduação aproximada de 0/76mm. que padroniza a pedra britada nas dimensões hoje consagradas pelo uso. Será secundária quando deixar o britador secundário. Pode conter uma parcela de solo.

Nem todas as argilas possuem essa propriedade. precisa ser dotada da propriedade de piroexpansão. formada. isto é. O principal uso que se faz da argila expandida é como agregado leve para concreto. de traço mais apurado. Correção de solos: usa-se o pó de pedra para correção de solos de plasticidade alta. Isto se deve ao ter ele de satisfazer peculiar forma de distribuição granulométrica. constituído de grãos lamelares de dimensões inferiores a dois micrômetros. podem ser usados a areia de brita e o pó de pedra. e consta praticamente de pedra 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . graduações estas que diferem das pedras britadas. magnésio e outros elementos.• Concreto asfáltico: o agregado para concreto asfáltico é necessariamente prédosado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. obtendo-se mais facilmente. em proporções muito variáveis. Pavimentos rodoviários: para este emprego. além da baixa ______________________________________________________________________________ 16 Concretos e Argamassas Prof.edu. seja concreto estrutural ou pré-moldados – com resistência de até fck 30MPa. de silicato de alumínio e óxidos de silício. Para se prestar para a produção de argila expendida. • • Argamassas: em certas argamassas de enchimento. 2 e 3. São usados: fíler. de apresentar formação de gases quando aquecida a altas temperaturas (acima de 1000oC). alto índice de suporte do que quando se usam solos argilosos. Aterros: podem ser feitos com restolho. ferro. areias. Agregados Industrializados 1) Agregados Leves a) Argila expandida: a argila é um material muito fino. a NBR 7174 fixa três graduações para o esqueleto e uma para o material de enchimento das bases de macadame hidráulico. misturando-se diversos agregados comerciais. • • • Lastro de estradas de ferro: este lastro está padronizado pela NBR 5564. seja concreto de enchimento. pedras 1. O concreto de argila expandida.

8. constituído basicamente de compostos oxigenados de ferro. pode produzir um agregado graúdo. b) Escória de alto-forno: é um resíduo resultante da produção de ferro gusa em altos-fornos. de que resulta um agregado da ordem de 12. com resistência a 28 dias da ordem de 8-20 MPa e densidade da ordem de 1. ao sair do alto forno (escória bruta). c) Vermiculita: é um dos muitos minérios da argila. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 2) Agregados Pesados a) Hematita: a hematita britada constitui os agregados miúdo e graúdo que são usados no preparo do concreto de alta densidade (dito “concreto pesado”) destinado à absorção de radiações em usinas nucleares (escudos biológicos ou blindagens). uma vez britada.densidade de 1.5/32 mm. apresenta muito baixa condutividade térmica – cerca de 1/15 da do concreto de britas de granito.8mm. resulta a escória granulada. contra 26 do concreto de brita de granito ou de basalto.0 a 1. que pode variar de 6 a 15 kN/m3. Normalmente. após receber um jato de vapor. aproximadamente. Quando é imediatamente resfriada em água fria. A escória simplesmente resfriada ao ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . então. a escória é resfriada com jatos de água fria. no que são auxiliados pela baixa densidade do material.4. O grau de absorção cresce com o aumento da densidade do concreto ______________________________________________________________________________ 17 Concretos e Argamassas Prof. a escória expandida. e também em concreto estrutural. produzindo-se.edu. A vermiculita expandida tem os mesmos empregos da argila expandida. silício e alumínio. Blocos e painéis pré-moldados usando argila expandida prestam-se bem a ser usados como isolantes térmicos ou acústicos. Usa-se a escória expandida como agregado graúdo e miúdo no preparo de concreto leve em peças isolantes térmicas e acústicas. A escória granulada é usada na fabricação do cimento Portland de alto-forno. que permite obter um agregado miúdo de graduação 0/4.

Para conseguir isto. a barita também é usada no preparo de concretos densos. Exigências normativas da NBR 7211 1) Granulometria: define a proporção relativa.edu.a) Barita: pela sua alta densidade. a) Peneiras (Série Normal e Série Intermediária): conjunto de peneiras sucessivas. expressa em porcentagem. A granulometria dos agregados é característica essencial para estudo das dosagens do concreto. por peneiramento. dos diferentes tamanhos de grãos que se encontram constituindo um todo. então. Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo material retido por peneira e acumulado. que atendem a NBR 5734.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. divide-se. necessário conhecer quais são as parcelas constituídas de grãos de cada diâmetro. expressas em função da massa total do agregado. Para caracterizar um agregado é. a massa total em faixas de tamanhos de grãos e exprime-se a massa retida de cada faixa em porcentagem da massa total. com as seguintes aberturas discriminadas: ______________________________________________________________________________ 18 Concretos e Argamassas Prof.

5 4.PENEIRAS Série Normal 76 mm 38 mm 19 mm 9.2 0.edu.4 mm 1.8 mm 2.600 0.4 mm 1.5 mm 6. retida acumulada na peneira ABNT Peneira ABNT 9.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 mm 0.8 mm 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 - b) Limites granulométricos do agregado miúdo Porcentagem.5 mm 6. em massa.2 mm 0.300 0.15 mm Zona 1 (muito fina) 0 0a3 0a5 0a5 0 a 10 0 a 20 50 a 85 85 a 100 Zona 2 (fina) 0 0a7 0 a 10 0 a 15 0 a 25 21 a 40 60 a 88 90 a 100 Zona 3 (média) 0 0a7 0 a 11 0 a 25 10 a 45 41 a 65 70 a 92 90 a 100 Zona 4 (grossa) 0 0a7 0 a 12 5 a 40 30 a 70 26 a 85 80 a 95 90 a 100 * Pode haver uma tolerância de até um máximo de cinco unidades de porcento em um só dos limites marcados com o (*) ou distribuídos em vários deles.150 Série Intermediária 64 mm 50 mm 32 mm 25 mm 12. ______________________________________________________________________________ 19 Concretos e Argamassas Prof.3 mm 0.3 mm 4.

3 4.8 2.8 2. nas peneiras da série normal.10 80 – 100 92 – 100 95 – 100 - 2 0 0 – 25 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - 3 0 0 – 30 75 – 100 87 – 100 95 – 100 - 4 0 0 .5 6.30 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - d) Módulo de finura (Mf): é a soma das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado. dividida por 100.3 0.4 1.edu.c) Limites granulométricos do agregado graúdo A NBR 7211 classifica os agregados graúdos segundo a tabela abaixo: Porcentagens retidas acumuladas Peneiras 0 76 63 50 38 32 25 19 12.15 Fundo MATERIAL RETIDO (g) 30 70 140 320 300 120 20 Σ = 1000g % SIMPLES % ACUMULADO ______________________________________________________________________________ 20 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.4 0 0 – 10 80 – 100 95 – 100 Classificação (Graduação) 1 0 0 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2 0.6 0.5 9. Exemplo: PENEIRAS (mm) 4.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Atenção! Os módulos de finura para a areia.11 Média: 2.Obs.5mm Brita 2→ (Dm) = 25mm Brita 3→ (Dm) = 38mm Brita 4→ (Dm) = 76mm Brita 5→ (Dm) = 100mm Na tabela acima. lamelares e discóides. cúbicos.71 Fina: 1. em mm. largura (l) e espessura (e).edu. o diâmetro máximo do agregado é 4.12 < MF < 2. os agregados classificam-se em alongados. por isso para o cálculo do módulo de finura somou-se todos os percentuais retidos acumulados. 2) Forma dos grãos: os grãos dos agregados não tem forma geometricamente definida. Na tabela anterior todas as peneiras são da série normal. correspondente à abertura de malha quadrada. ______________________________________________________________________________ 21 Concretos e Argamassas Prof. da peneira listada na tabela 6. a) Quanto às dimensões: Com relação ao comprimento (l). à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. pois é na peneira 4.71 e) Dimensão Máxima (Dm) : grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado. As britas podem ser classificadas em: Brita 1→ (Dm) = 12.8 mm que o percentual retido acumulado é igual ou imediatamente inferior a 5%. variam entre os seguintes limites: Muito fina: MF < 1. que definem o coeficiente de forma.72 < MF < 2.8 mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .71 Grossa: MF > 2. conforme sejam as relações entre as três dimensões.

Calcários estratificados. A influência da forma é mais acentuada nos agregados miúdos. enquanto aquelas cujo comprimento é consideravelmente maior do que as outras duas dimensões são chamadas de alongadas. • • angulosos: quando apresentam arestas vivas e pontas (britas). ______________________________________________________________________________ 22 Concretos e Argamassas Prof. defeituoso: quando apresentam trechos convexos. b) Quanto à conformação da superfície: Partículas formadas por desgaste superficial contínuo tendem a ser arredondadas. Argamassas de revestimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . à trabalhabilidade e ao ângulo de atrito interno. pela perda de vértices e arestas. por exemplo.edu. Aquelas partículas cuja espessura é relativamente pequena em relação as outras duas dimensões são chamadas de lamelares ou achatadas. arredondados: quando não apresentam arestas vivas (seixos). especialmente quando são usados britadores de mandíbula no beneficiamento. e também nos depósitos eólicos em zonas marítimas. se preparadas com areia artificial. tendo geralmente uma forma bem arredondada. Agregados de rochas britadas possuem vértices e arestas bem definidos e são chamados angulosos. ficam tão rijas que não se podem espalhar com a colher. A forma dos grãos tem efeito importante no que se refere à compacidade. c) Quanto à forma das faces: • • conchoidal: quando tem uma ou mais faces côncavas. arenitos e folhelho tendem a produzir fragmentos alongados e achatados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. constituindo o que se chama de argamassas duras. como é o caso das areias e seixos rolados formados nos leitos dos rios.

Os agregados naturais tem grãos cubóides. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sendo os grãos lamelares os mais prejudiciais. que produz apreciável quantidade de grãos lamelares. para a resistência de concreto e argamassas e o seu teor é limitado a 1. A presença de areias ou argila. concretos de agregados de britagem têm maiores resistências ao desgaste e à tração. Tornam as argamassas mais trabalháveis que os artificiais. a forma dos grãos depende da natureza da rocha e do tipo de britador.28% de grãos cúbicos. a) Torrões de Argila São denominadas todas as partículas de agregado desagregáveis sob pressão dos dedos (torrões friáveis). O granito produz grãos de melhor forma que o basalto.edu. O cascalho apresenta 92. contra as superfícies angulosas e extremamente irregulares dos grãos dos agregados industrializados. Apesar disso. além disso. 3) Substâncias nocivas: são aquelas existentes nas areias ou britas que podem afetar alguma propriedade desejável no concreto fabricado com tal agregado. Concretos preparados com agregados de britagem exigem 20% mais água de amassamento do que os preparados com agregados naturais. Apresentam.5 % . Torrões de Argila Afeta trabalhabilidade Resistência Abrasão ______________________________________________________________________________ 23 Concretos e Argamassas Prof. Nos agregados artificiais. de superfície arredondada e lisa. contra 70 a 90% na brita de basalto. sob a forma de torrões é bastante nociva. maior resistência à desgraduação (alteração da distribuição granulométrica por quebra de grãos).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . devido a maior aderência dos grãos à argamassa.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. São detritos de origem vegetal na maior parte. Os finos. A cor escura da areia é indício de matéria orgânica (exceto para agregado resultante de rocha escura como o basalto) as impurezas orgânicas formadas por húmus exercem uma ação prejudicial sobre a pega e o endurecimento das argamassas e concretos. intensificando sua retração e reduzindo sua resistência. A argila da areia pode ser eliminada por lavagem. porém poderá arrastar os grãos mais finos da areia. mas em grande quantidade chegam a escurecer a argila.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ensaio colorímetrico Indica a existência ou não de impurezas orgânicas. e portanto passando na peneira de 0.b) Material Pulverulento As areias contém uma pequena percentagem de material fino. Os finos de certas argilas. aumentam a exigência de água para uma mesma consistência. de um modo geral. ______________________________________________________________________________ 24 Concretos e Argamassas Prof. quando presentes em grandes quantidades.075 mm. São partículas minúsculas. reduzindo a trabalhabilidade • • 3% para concreto submetido a desgaste superficial 5% outros concretos Material passante na peneira de 75 µm Afeta durabilidade c) Impurezas Orgânicas Aumenta consumo de água A matéria orgânica é a impureza mais freqüente nas areias. constituído de silte e argila. propiciam maiores alterações de volume nos concretos.edu.

linhito. Cuidado com alguns aditivos aceleradores de pega que contém cloretos (não usar em concreto protendido).5 % para concretos onde a aparência é importante e 1% para os demais concretos. que por sua constituição e forma podem ser prejudicial ao concreto) ______________________________________________________________________________ 25 Concretos e Argamassas Prof.d) Materiais carbonosos Partículas de carvão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • No concreto aceleram o processo de corrosão do aço. Máximo de 0. • Nas argamassas geram o aparecimento de eflorescências e manchas de umidade. Carvão Afeta trabalhabilidade e) Cloretos Causa manchas Em presença excessiva podem causar certos problemas. São considerados prejudiciais pois são materiais de baixa resistência. Diminuem também a resistência à abrasão. diminuindo a resistência do concreto.edu. f) Sulfatos Podem acelerar e em certos casos retardar a pega do cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Dão origem e expansão no concreto pela formação de etringita (formação mineral. madeira.

Seus produtos são géis alcalinos e materiais cristalinos expansivos que. A caracterização das reações álcali-agregado através de seus produtos permite avaliar o grau de comprometimento da estrutura e balizar eventuais ações para minimização dos danos decorrentes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Experimentalmente.edu. dos agregados.6% quando os agregados utilizados para produção de concretos contiverem tais minerais.g) Reatividade Álcali-Agregado (ou Reatividade Potencial) As reações álcali-agregado são processos químicos que envolvem os álcalis do cimento e agregados cujas características minerais ou texturais os tornam reativos. Por serem processos químicos favorecidos pela variação de umidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ______________________________________________________________________________ 26 Concretos e Argamassas Prof. eventualmente. desenvolvendo-se em fissuras e vazios da argamassa e. o teor máximo de álcalis para os cimentos é determinado em 0. promovem a abertura e propagação das descontinuidades. ocorrem preferencialmente em concretos de barragens ou em estruturas de fundações. com conseqüente aumento da permeabilidade e diminuição da resistência química do concreto a agentes externos.

INCHAMENTO A areia na obra apresenta-se normalmente úmida e o teor de umidade varia normalmente de 4 a 6%. Saturado apresenta água livre na superfície.edu. externa ou interna foi eliminada por um Seco ao ar quando não apresenta umidade superficial. ______________________________________________________________________________ 27 Concretos e Argamassas Prof. Teor de umidade (%) razão entre a massa de água contida numa amostra e a massa desta amostra seca. CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS Seco em estufa aquecimento a 100oC toda umidade. estando porém preenchidos os vazios permeáveis das partículas dos agregados. sem estar saturado Seco superfície seca. Ensaios mostram que a água livre aderente aos grãos provoca um afastamento entre eles. Deste afastamento resulta o inchamento. devido ao fenômeno do inchamento. sem água livre.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Umidade e Inchamento dos agregados È importante conhecer o teor de umidade dos agregados (principalmente os miúdos). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tendo porém umidade interna.

após ______________________________________________________________________________ 28 Concretos e Argamassas Prof. O inchamento aumenta com o acréscimo de umidade até um teor de 4 a 6%.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo que nesta faixa se dá o inchamento máximo estes teores o inchamento decresce.O inchamento depende da composição granulométrica e do grau de umidade. É maior para areias mais finas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Algumas fórmulas para o cálculo de umidade e inchamento nos agregados miúdos: h% = Págua Pareia seca × 100 Págua = Pah − Pas Ch h = 100 Vah − Vas Vas Vah − Vas × 100 Vas h ⎞ ⎛ Pah = Pas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ Ci = I ⎞ ⎛ Vah = Vas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ I% = Ci = d as (1 + C h ) − 1 d ah Vah = Pah d ah Vas = Pas d as h% = percentual de umidade I% = percentual de inchamento Vah= volume de areia úmida Vas = volume de areia seca Pah = peso de areia úmida Pas = peso de areia seca das = massa unitária da areia seca dah = massa unitária da areia úmida Ci = coeficiente de inchamento Ch = coeficiente de umidade ______________________________________________________________________________ 29 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

AGLOMERANTES CONSIDERAÇÕES INICIAIS São produtos utilizados na Construção Civil para fixar ou aglomerar materiais entre si. São utilizados como pastas ou como agregados inertes. na confecção de argamassas ou concretos utilizados na construção civil. aglutina-os. Ex: cimento (vários tipos). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. gesso. • Apresentam-se na forma pulverulenta (mais comum) e quando misturados com água tem a capacidade de aglutinar. cal hidráulica Materiais naturais ou artificiais que em estado plástico ou fluído. Caracterização envolvem outros materiais sólidos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . cal aérea. inertes e que ao endurecerem (física ou quimicamente).edu. Função • • Aglutinação e colagem dos componentes e elementos Preenchimento de vazios existentes no conjunto aglomerante pasta argamassa + + + água agregado miúdo agregado graúdo PASTA ARGAMASSA CONCRETO _________________________________________________________________________ 30 Concretos e Argamassas Prof. tomando as mais diversas formas e resistências simples secagem e/ou conseqüência de reações químicas Endurecimento aderindo à superfície a quais estão em contato.

_________________________________________________________________________ 31 Concretos e Argamassas Prof. Por isto é muito comum hoje em dia o uso de adições. depois de endurecida. foi encontrado em algumas edificações egípcias.Consideração inicial sobre as matérias-primas Pelo grande volume normalmente envolvido quando se fala de aglomerantes na construção civil. a argila torna-se instável. filler calcário. por exemplo. As pozolanas (solos ou cinzas vulcânicas) eram usadas por gregos e romanos em argamassas de cal e areia. na pirâmide de Quéops. em contato com umidade. chegando a atingir alguma resistência mecânica. havendo registros de sua utilização em 2700 a. em seguida. a argila endurece em conseqüência da evaporação da água de amassamento. para se utilizar um aglomerante comercialmente. cinza de bagaço de cana. a hidratação do material calcinado resultaria uma pasta aglomerante. cinza de casca de arroz. O gesso. gregas. A descoberta dos aglomerantes quimicamente ativos pode ter sido acidental.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .C. cinzas volantes. Apesar de ser quimicamente inativa. por aquecimento de rochas calcárias ou gipsíferas ao redor de fogueiras.edu. etc. escórias de alto forno. Registros históricos indicam que a argila tenha sido o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem na construção de suas edificações. pozolonas. para aumentar sua resistência mecânica. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. seja na produção de cimentos. devemos levar em conta alguns aspectos quando da produção do mesmo: ASPECTO TÉCNICO pureza as MPs deve ser abundante na natureza e apresentar certa ASPECTO ECONÔMICO aproveitamento apresentar boas condições econômicas o seu ASPECTO AMBIENTAL adição ao concreto metacaulim. a cal foi empregada em construções egípcias. Contudo. causar o menor impacto ambiental possível. dolomitos. ou na argila calcinadas. etruscas e romanas.

: Para o cimento Portland.edu. Quimicamente inertes baixas resistência mecânicas. gesso e cimentos endurecimento Quimicamente ativos decorrente de reação química. O fim da pega pode acontecer entre 6 a 10 horas após a mistura. o que será conseguido somente após anos. • cales. Ex. A pega se dá quando a pasta começa a perder sua plasticidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. gesso Aéreos endurecimento se manifeste • Hidráulicos do ar o endurecimento pode se efetivar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . altas resistências físico-mecânicas e estáveis. mas seu endurecimento continua obedecendo mais ou menos às seguintes relações: _______________________________________________________________________________ 32 Concretos e Argamassas Prof. independente da presença cales hidráulicas e cimentos. que é o aglomerante mais importante.DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO Uma divisão inicial pode ser feita: • misturas argilosas endurecimento ao ambiente. o início da pega dá-se após no mínimo 1 hora depois da mistura do mesmo com a água. a) Início e fim da pega: o tempo de início de pega é contado a partir do lançamento da água no aglomerante. O fim da pega ocorre quando a pasta se solidifica completamente. O interesse se fixa nos aglomerantes quimicamente ativos. reversibilidade do processo. Daí uma nova divisão pode ser feita: • necessitam estar em contato com o AR para que o processo de cales aéreas. Após o fim da pega. inicia-se a fase de endurecimento. não significando que ela tenha adquirido toda sua resistência.

No Brasil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. a Gipsita é encontrada em jazidas no Norte e Nordeste.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . indicam 6% . 60% Resistência 28 dias 120% Resistência 28 dias. – início de pega de 8 a 30 minutos.• • • • Resistência 3 dias ≈ Resistência 7 dias ≈ Resistência 91 dias ≈ Resistência 1 ano ≈ 40% Resistência 28 dias. a alumina (Al2O3).são o silício (SiO2). no Egito. _______________________________________________________________________________ 33 Concretos e Argamassas Prof. GESSO Definição É um aglomerante aéreo (endurece pela ação química do CO2 do ar). a cal (CaO).500 anos. – início de pega após 90 minutos. o carbonato de cálcio (CaCO3). Sua desidratação é feita através do cozimento industrial (fornos). obtido pela desidratação total ou parcial da Gipsita – aglomerante já utilizado pela humanidade há mais de 4. o óxido de ferro (Fe2O3). Sua fórmula química é CASO4 + 2 H2O e suas impurezas – que. no máximo. cujas reservas são calculadas em 407 milhões de toneladas. A Gipsita é o sulfato de cálcio mais ou menos impuro. – início de pega após 6 horas. o anidrito sulfúrico (SO3) e o anidrido carbônico (CO2) . 130% Resistência 28 dias Classificação quanto ao início de pega dos Aglomerantes : • • • • • aglomerantes de pega ultra rápida aglomerantes de pega rápida aglomerantes de pega normal aglomerantes de pega lenta aglomerantes de pega muito lenta – início da pega até 8 minutos. – início de pega de 30 a 90 minutos. hidratado com 2 moléculas de água. Conhecido também com os nomes de gesso de estucador. gesso Paris ou gesso de pega rápida.

este retrai bem menos do que sua dilatação inicial. portanto. após seu endurecimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. _______________________________________________________________________________ 34 Concretos e Argamassas Prof. Nessa temperatura.EFEITOS DA QUEIMA a) As pedras de gipsita. e que. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. utilizado na construção civil) . transforma-se em hemidrato. a anidrita torna-se insolúvel e não é mais capaz de fazer pega. (600ºC) CaSO4 . passando de diidrato para hemidrato. apresentando uma dilatação linear de 0. depois da britagem e trituração. a gipsita perde ¾ partes de sua água. formando um produto de pega lenta (pega entre 12 e 14 horas) chamado de gesso de pavimentação. 2H2O + calor → CaSO4 + 2H2O) anidro insolúvel c) Entre 400 e 600ºC. d) Entre 900 e 1200ºC. o gesso torna-se anidro (sem água) e o resultado é a formação de anidrita solúvel. gesso hidráulico . ávida por água. transformando-se num material inerte. sendo. realizadas com pressão atmosférica ordinária. muito usado em moldagem. gesso estuque ou gesso Paris e endurece entre 15 e 20 minutos. (140ºC) CaSO4 . conhecido como hemidrato (B).5 H2O gesso hemidrato Esse gesso hemidrato é conhecido como gesso rápido (quanto à pega). rapidamente. o gesso sofre a separação do SO3 e da CaO.3% e. são queimadas na temperatura entre 130 e 160ºC. que é mais solúvel que o diidrato (o hemidrato apresenta-se como sólido micro poroso mal cristalizado. participando do conjunto como material de enchimento . ½ H2O) + 1. na presença desta. 2H2O + calor → (CaSO4 . b) A partir de 250ºC.

colunas. Tem sido usado desde o período Neolítico como material cimentante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. decoração. tais como sancas. Auxilia no equilíbrio da umidade do ar em ambientes fechados por ser material higroscópico. _______________________________________________________________________________ 35 Concretos e Argamassas Prof. alimentação ou até na medicina. Tem estado presente na vida do homem desde a mais remota antiguidade. divisórias. Neste período românico foi empregue em afrescos para decoração de igrejas e capelas. Porém em contato com a água perde em muito sua resistência mecânica. forros. Sua plasticidade permite produzir formas e elementos diferenciados. seja na construção. tornou-se um ótimo material para arquitetura de interiores. Na arquitetura muçulmana antiga aparece em elementos ornamentais. Durante a ocupação romana na Península Ibérica generalizou-se o seu uso. paredes e suportes. fez com que a sua aplicação na construção civil tivesse um acelerado crescimento. Tudo isto porque tem uma grande adaptabilidade.edu. Há 5000 anos foi utilizado no interior de pirâmides egípcias aplicado em paredes. sendo mais recomendado para ambientes internos. arcos. No século XIX foi se incorporando à arquitetura e construção como reboco e elemento de decorativo em palácios e vivendas. Em 1885. É um material que tem bom isolamento térmico e acústico. etc. com a descoberta de um método para retardar o tempo de paga. Por sua facilidade de moldagem.HISTÓRICO DO GESSO O gesso faz parte de nossa vida cotidiana deste tempos imemoriais. Nos Estados Unidos o uso na construção civil iniciou-se em 1835. facilidade de aplicação e algumas características que veremos adiante.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.Algumas aplicações Alguns cuidados _______________________________________________________________________________ 36 Concretos e Argamassas Prof.

A presença de impurezas diminui muito a velocidade de pega. Em geral. mais lenta se dá a pega e o endurecimento. podem ser misturados ao gesso: açúcar / álcool / cola / serragem fina de madeira / sangue e outros produtos de matadouros (chifres e cascos). _______________________________________________________________________________ 37 Concretos e Argamassas Prof. Se a pega for muito rápida.1% da massa de gesso. isolando-os.edu. Resistência à compressão As pastas de gesso têm resistência à compressão entre 10 MPa e 27 MPa. normalmente. A quantidade d’água funciona negativamente no fenômeno de pega. pois formam membranas protetoras entre os grãos. podem-se utilizar no gesso: Sal de cozinha / alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio) / sulfatos de alumínio e potássio e o próprio gesso hidratado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Mas existem aditivos que podem acelerar ou retardar essa pega do gesso. em torno de 19% de massa do mesmo . reduzindo a produtividade do gesseiro. Dureza As pastas de gesso têm dureza entre 14 MPa e 53 MPa. A queda de produtividade é acompanhada do aumento de desperdício de material. Como aceleradores de pega. os gessos nacionais têm início de pega entre 3 e 16 minutos e fim de pega entre 5 e 24 minutos. A quantidade ótima de água a ser utilizada no gesso é. o preparo da pasta fica condicionado a pequenos volumes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .PROPRIEDADES DO GESSO Tempo de pega É uma das propriedades mais importante. pois quanto mais água. na proporção de 0. Tais produtos retardam a pega. Como retardador de pega.

fácil de cortar. pedra e revestimentos argamassados.edu. que protege a camada interior de gesso. eliminando a água de cristalização com o calor. _______________________________________________________________________________ 38 Concretos e Argamassas Prof. transformando-se em sulfato anidro. perfurar. transformando a superfície do revestimento em sulfato anidro em forma de fino pó. pois absorve grande quantidade de calor. emendar. sua aderência é insatisfatória e apesar de aderir bem ao aço e outros metais.Isolamento térmico e acústico O gesso é um bom isolante térmico e acústico e tem elevada resistência ao fogo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Em superfícies de madeira. estes acabam sendo corroídos pelo gesso. Aderência As pastas de gesso aderem bem a blocos. tanto mais facilmente quanto maior for a quantidade de água da pasta. Muito usado como proteção contra incêndio. Outras características Aceita qualquer tipo de pintura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Em função da corrosão usar ferramentas de latão ou plástico para trabalhar com gesso. aparafusar.

misturando-a com areia.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . não possui grande resistência mecânica e não pode ficar sujeita à ação da água. HISTÓRICO Comprovadamente. os romanos. graxas. pois “amolece”. os etruscos e. de cor branca. Gesso Branco : 66% de peso hemidratado. aplicações botânicas. Gesso Negro : 55% de peso hemidratado. papel e celulose. açúcar. Sabe-se que os antigos descobriram também que a mistura dessa cal aérea com pozolanas (naquela época. CAL AÉREA A cal é um aglomerante aéreo utilizado em diversos seguimentos como: construção civil.Classificação comercial dos gessos Gesso Escaiola : gesso com 80% de peso hemidratado. tratamento de água e efluentes industriais. mais tarde. Essa cal que é denominada de cal aérea. os gregos. com finura adequada quando moído . medicinais e veterinárias. metalurgia.) _______________________________________________________________________________ 39 Concretos e Argamassas Prof. de cor cinza devido às impurezas e com granulometria menor do que o gesso Escaiola ou Branco . já utilizavam a cal como alomerante. cinzas vulcânicas etc. formando assim uma argamassa que era preparada pelo mesmo processo ainda hoje adotado e que consiste na extinção (adição de água) de pedras de calcário cozidas. siderurgia. de cor branca e também com finura adequada quando moído . terras de origem vulcânica. fabricação de vidro. pois para seu endurecimento necessita da reação química do CO2 (gas carbônico) existente na atmosfera. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tintas. obtendo-se assim uma pasta ligante que recebe adição de areia.edu.

Entre as impurezas encontradas nestas rochas encontram-se: quartzo. mesmo quando submetidas à ação da água. sulfetos. FABRICAÇÃO A cal é produzida a partir de rochas calcárias com elevados teores de carbonato de cálcio. A pozolana mais conhecida àquela época provinha das vizinhanças da cidade de Pozzuoli. óxidos metálicos de ferro e manganês. sulfatos. matéria orgânica. Após a britagem e classificação da matéria-prima passa por uma moagem e é conduzida ao forno de calcinação. misturados à cal aérea. _______________________________________________________________________________ 40 Concretos e Argamassas Prof. Os gregos empregavam muito as terras vulcânicas da ilha Santorim e os romanos utilizavam uma cinza vulcânica encontrada em diversos pontos da baía de Nápoles.edu.melhoravam significativamente a resistência dessas argamassas . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. bem como tijolos e telhas de barro triturados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como é o caso da calcita (CaCO3) e da dolomita (CaCO3 . silicatos argilosos. fosfatos. transformavam-na em uma espécie de cal hidráulica – que resiste à ação da água depois de endurecida. fluoretos e brucita. MgCO3). tendo assim recebido o nome de pozolana todos esses produtos naturais e artificiais que.

O produto resultante da calcinação. promove a formação de cristais de carbonato de cálcio (CaCO3) e o endurecimento da argamassa que acaba por ligar os agregados a ela incorporados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. as temperaturas chegam à 900ºC. obtêm-se a cal hidratada (hidróxido de cálcio) que é utilizado como aglomerante em argamassas para assentamento de blocos ou revestimento de paredes. na argamassa fresca. funcionando a água como catalisador. pode ser expresso pela equação seguinte: Da hidratação da cal virgem. também conhecido como extinção da cal. dissolvendo ao mesmo tempo a cal e o CO2. Essa reação de carbonização só é possível em presença da água que. presente na atmosfera. decompondo o carbonato de cálcio (CaCO3) em óxidos de cálcio (cal virgem) e anidros carbônicos (CO2). possibilita essa combinação. O CO2 vai transformando lentamente a superfície da argamassa formada por carbonato de cálcio e vai penetrando lentamente na massa que assim vai se consolidando.Na calcinação (cozimento) do calcário.edu. a cal virgem. A carbonatação produz-se lentamente do exterior para o interior e o seu processamento é tanto mais lento quanto mais lisa for a superfície.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 41 Concretos e Argamassas Prof. uma recombinação dos hidróxidos (Ca(OH)2) com o gás carbônico. O processo de hidratação da cal virgem. deve passar por um processo de hidratação antes de ser utilizada como aglomerante. Isto porque.

Não se deve empregar cal aérea para execução de pedaços de alvenaria muito espessos. facilitando a penetração do CO2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 42 Concretos e Argamassas Prof. nem tampouco empregar argamassas com muita cal. além de diminuir a retração que se processa com a perda d’água. deve-se aplicar cal aérea com areia (argamassas) para atenuar esse aumento de volume.A carbonatação é acompanhada de um aumento de volume. aumentando a porosidade e.edu. Devido a isso (essa deformação). conseqüentemente. CICLO DA CAL AÉREA Considerando o visto anteriormente podemos caracterizar o ciclo completo da cal.

Segundo a NBR 7175 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.CLASSIFICAÇÃO Quanto à composição química a cal pode ser classificada como cálcica ou magnesiana.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .“Cal Hidratada para argamassas .edu. CAL CÁLCICA CAL MAGNESIANA : óxidos CaO > 75% : óxidos MgO > 20% Para qualquer caso a soma dos óxidos (CaO + MgO) deve ser maior que 88% da amostra.Especificação” as cales são classificadas como segue: _______________________________________________________________________________ 43 Concretos e Argamassas Prof.

APLICAÇÕES Entre os diversos usos da cal podemos citar: • • • Estabilização de solos Obtenção do aço solo-cal fundente na siderurgia como clarificador Fabricação do açúcar _______________________________________________________________________________ 44 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Resiste ao calor . apresentando-se como um produto seco. portanto. Seu aumento de volume é de 2 a 3 vezes. onde consta o selo da ABPC (Associação Brasileira de Produtores de Cal) e a citação da Norma NBR 7175. coberto e fora do alcance de crianças e animais. empregando-se misturadores de pás. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pela extinção .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Cor predominantemente branca . _______________________________________________________________________________ 45 Concretos e Argamassas Prof. Algumas características das cales aéreas (extintas ou hidratadas) • • • • Endurece com o tempo (normalmente longo) . é um produto manufaturado. ou 36 litros. em forma de flocos de cor branca. Armazenar em local seco. A cal hidratada.edu. Ela pode ser aplicada imediatamente e é acondicionada em sacos de papel duplo com 20 kg.• • • • • Obtenção do vidro Tratamento de água Obtenção do papel Pinturas caiação matéria – prima corretor da acidez como branquedor Componentes de argamassas maior interesse para construção CAL HIDRATADA Entre os diversos usos da cal podemos citar: Devido à dificuldade da extinção da cal virgem nos canteiros. A embalagem original (sacos de papel de duas folhas de papel extensível) é suficiente para manter a integridade do produto. sendo recomendável o seu uso até 6 meses após a data de fabricação. cuja extinção (hidratação) é feita mecanicamente. foi desenvolvida pela indústria a fabricação de cal hidratada. desde que sejam respeitada as regras do armazenamento.

no cimento é de 1 : 2 a 2. evitando a perda excessiva da água de amassamento da argamassa.PROPRIEDADES DENSIDADE APARENTE A densidade aparente das cales varia de 0. INCORPORAÇÃO DE AREIA Propriedade que expressa a facilidade da pasta de cal hidratada envolver e recobrir os grãos do agregado e. PLASTICIDADE Propriedade que confere fluidez à argamassa. também. embora o inverso nem sempre seja verdadeiro. por sucção. Esta propriedade é. É uma medida indireta da plasticidade da cal. impedindo a _______________________________________________________________________________ 46 Concretos e Argamassas Prof. Esta propriedade justifica o emprego das cales na produção de argamassas. para os blocos ou tijolos. que corresponde à massa aparente de 300 a 650 Kg/m3.5. facilitando seu espalhamento. RETENÇÃO DE ÁGUA A retenção de água é uma propriedade muito importante.3 a 0. conseqüentemente. Comparativamente.65. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Espessuras de revestimento argamassado acima de 20 mm podem prejudicar o processo de recarbonatação da argamassa. aumentando a produtividade do pedreiro. uma vez que cales plásticas têm alta capacidade de retenção de água. unindo os mesmos. importante por prolongar o tempo no estado plástico da argamassa fresca. Cales com alta plasticidade e alta retenção de água têm maior capacidade de incorporar areia. o poder de incorporação de areia da cal hidratada é de 1 : 3 a 4 enquanto que. ENDURECIMENTO O endurecimento decorre da recarbonatação da cal hidratada pela absorção do CO2 presente na atmosfera.edu. As cales magnesianas produzem argamassas mais plásticas que as cálcicas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quando de seu aparecimento no começo do século e.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2 a 0. só mais tarde. torna-se de grande importância quando aplicada em paredes ou lajes muito solicitadas. Isto levou. verificou-se que a cal hidratada conferia às argamassas outras propriedades além de aglomerante que. • Resistências das argamassas : o À tração = 0. não eram apresentadas pelo cimento Portland.edu. conseqüentemente. reduzindo a aderência do revestimento.efetivação das reações próximo à interface substrato x argamassa e. para 28 dias de idade. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O uso da cal hidratada contribui muito pouco para a resistência à compressão das argamassas. o À compressão = 1 a 3 Mpa . CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES Esta propriedade é conferida à argamassa pela cal hidratada e. alguns construtores a substituí-la pelo cimento portland.5 Mpa . com a ocorrência de falhas nestas construções. _______________________________________________________________________________ 47 Concretos e Argamassas Prof.

ilha situada ao sul da Inglaterra. oferecendo elevada resistência mecânica. MATÉRIAS PRIMAS CALCÁRIO é o carbonato de cálcio (CaCO3).CIMENTO PORTLAND CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Cimento Portland é um material pulverulento. e Fe2O3. que endurece sob a ação da água. Al2O3 e Fe2O3 necessários a fabricação do cimento. constituídos de silicatos e aluminatos de cálcio. após a hidratação.edu. Estes silicatos e aluminatos em mistura com a água hidratam-se e produzem o endurecimento da massa. foi quem descobriu e patenteou o cimento Portland no ano de 1824. ARGILA é essencialmente a constituída de um silicato de alumínio hidratado. Fornece os óxidos SiO2. o novo cimento. Joseph Aspdin. por esta razão. Depois de endurecido. permanece estável mesmo que submetido a ação da água e. GESSO é o produto da adição finas no processo e tem a finalidade de regular o tempo de pega por ocasião das reações de hidratação. geralmente contendo ferro e outros minerais. é considerado um aglomerante hidráulico. que na natureza se apresenta com impurezas tais como o óxido de magnésio. O cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes. se assemelhava em cor e dureza à rocha calcária de Portland.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Al2O3. ______________________________________________________________________________ 48 Concretos e Argamassas Prof. Aspdin escolheu este nome para sua invenção porque nesta época era muito comum o emprego da pedra de Portland. SiO2. praticamente sem cal livre. nas edificações e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. um construtor inglês de Leeds.

FABRICAÇÃO
Como os silicatos de cálcio são os principais constituintes do cimento Portland, as matérias-primas para sua produção devem fornecer cálcio e sílica em proporções adequadas. O cálcio é obtido na natureza de fontes de carbonato de cálcio, como a pedra calcária, giz, mármore e conchas do mar. A sílica é extraída preferivelmente de argilas e xistos argilosos, do que quartzos e arenitos, porque a sílica quartzítica não reage facilmente.

As argilas contêm, também, alumina (Al2O3), óxidos de Ferro (Fe2O3) e álcalis que ajudam na formação de silicatos de cálcio a temperaturas mais baixas. Quando não estão presentes em quantidades suficientes na argila, estes são incorporados à mistura por adição de bauxita e minério de ferro.
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A formação dos compostos no clínquer depende de uma boa dosagem e preparo da mistura. Para isto, os componentes são britados, moídos, dosados e misturados criteriosamente, sendo submetidos a análises laboratoriais permanentes. O pó resultante da homogeneização das matérias-primas é denominado farinha. Para produzir 1 tonelada de clínquer, são necessárias de 1,5 a 1,8 toneladas de farinha e as reações que ocorrem nos fornos podem ser resumidas como segue:

Esquema de produção
O processo de produção do cimento pode ocorrer por via úmida ou seca. No processo por via úmida, a homogeneização é feita na forma de lama, com 30 a 40% de água. Este método vem sendo abandonado pelos fabricantes de cimento, devido ao maior consumo de energia nos fornos, que em relação ao processo por via seca. No processo por via seca, a farinha obtida através da moagem das matérias-primas é homogeneizada e conduzida continuamente para o pré-aquecedor. Nesta etapa, ocorre a evaporação da água livre, água combinada e desprendimento do CO2 do calcário, liberando o CaO para reagir com os silicatos de ferro e alumínio. Em seguida, o material vai para um forno rotativo, onde ocorre a clinquerização do material, uma das etapas mais importantes do processo de fabricação. O forno rotativo é uma estrutura metálica cilíndrica, revestida internamente com tijolos refratários, e nele a farinha pré-aquecida e parcialmente calcinada, entra pela extremidade superior e é transportada até a extremidade oposta a uma velocidade controlada pela inclinação e pela velocidade de rotação do forno. Em seu interior as temperaturas podem chegar a 1550ºC e as reações químicas responsáveis pela formação dos compostos do cimento Portland são completadas.
______________________________________________________________________________ 50 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

PRODUÇÃO
Calcário
(80%)

Argila
(20%)

Cimento Portland Adições Moagem Gipsita Pré-Aquecedor
(5%)

Moagem Final Forno
(>1450º C)

Clínquer
(95%)

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Resumo dos constituintes:
_______________________________________________________________________________ 52 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

em geral na proporção de 3% de gesso para 97% de clínquer.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que permitem a produção de diversos tipos de cimentos disponíveis no mercado. Na fase de moagem. têm propriedade de ligante hidráulico muito resistente. Sem sua adição. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o cimento Portland recebe algumas adições. Adicionada à moagem do clínquer e gesso. _______________________________________________________________________________ 53 Concretos e Argamassas Prof. em proporções adequadas. reagindo em presença da água. a escória de alto-forno melhora algumas propriedades do cimento. o clínquer é moído em partículas menores que 75µm de diâmetro.edu. obtidas durante a produção do ferro-gusa. inviabilizando sua utilização. Esta é razão do gesso ser adicionado a todos os tipos cimento Portland. com características aglomerantes muito semelhante à do clínquer. uma vez misturado à água de amassamento. As escórias de alto-forno. O gesso é adicionado ao cimento com o objetivo de controlar o tempo de pega do cimento. como a durabilidade e a resistência final. o cimento endureceria muito rapidamente.Silicatos C3S C2S C3 A C4AF CaO MgO Na2O e K2O 50% 25% 10% 10% 1% 2% 2% 5% 20% 75% Aluminatos e Ferro Aluminatos Cal livre Magnésia Compostos Alcalinos ADIÇÕES Após o resfriamento.

que em sua hidratação libera hidróxido de cálcio (Cal) que reage com a pozolana. na presença do clínquer. uma maior finura diminui a exsudação. Quando pulverizados em partículas muito finas.075mm) e área específica. aumenta a impermeabilidade. algumas argilas queimadas em temperaturas elevadas (500 a 900ºC) e derivados da queima de carvão mineral. É que as reações de endurecimento só ocorrem. tornando os concretos mais sensíveis à fissuração. que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição tais como o próprio calcário. a trabalhabilidade e a coesão dos concretos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . porém um pouco distinta das escórias de alto-forno.edu. etç. difratometria por laser. O cimento enriquecido com pozolana adquire maior impermeabilidade. porém. Os materiais carbonáticos são rochas moídas. principalmente nos primeiros dias. Para isto. A finura pode ser aumentada através de uma moagem mais intensa. os materiais pozolânicos apresentam a propriedade de ligante hidráulico. _______________________________________________________________________________ 54 Concretos e Argamassas Prof. utilizam-se dois ensaios: peneiramento através da peneira ABNT 75µm (0. Esta avaliação pode ser obtida conhecendo-se algumas características dos ramos inferior e superior da amostra. além da água. Os ensaios para a avaliação da finura do cimento podem ser complexos e onerosos. estabelecem os limites de finura. Por outro lado. a finura aumenta o calor de hidratação e a retração. Além disso. PROPRIEDADES FINURA A finura do cimento influência a sua reação com a água e quanto mais fino o cimento mais rápido ele reagirá e maior será a resistência à compressão. como é o caso dos ensaios de sedimentação. Tal adição torna os concretos e argamassas mais trabalháveis e quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário . o custo de moagem e o calor de hidratação.Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento. a mistura em que o cimento está sendo empregado (pasta. Este conceito aplica-se também a argamassas e concretos. interferindo nas características do seu efeito retardador de pega. argamassa ou concreto) pode perder a plasticidade com um tempo menor que o previsto. 2H2O) na moagem do cimento. Em algumas situações o calor de hidratação pode ser um problema.edu. em outras pode ser um componente positivo. Para controlar o tempo de pega. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão do cimento Portland é medida através da ruptura de corpos de prova cilíndricos Ø 50mm x 100mm. que determinam seu emprego em determinados serviços. provocando uma dissociação do Sulfato de Cálcio do gesso. etç. uma vez que determinará o prazo para a aplicação de pastas. na moagem do cimento. _______________________________________________________________________________ 55 Concretos e Argamassas Prof. finura. Os cimentos. com traços normalizados areia padrão IPT. argamassas e concretos com plasticidade e trabalhabilidade adequadas. quando a temperatura ambiente é baixa para fornecer energia de ativação para as reações de hidratação. Isto ocorre quando. CALOR DE HIDRATAÇÃO As reações de hidratação dos compostos do cimento Portland são exotérmicas. é adicionado o gesso (CaSO4 . de acordo com sua composição e finura têm curvas Resistência x Idade distintas. a temperatura ultrapassa 128ºC. e com uma nova mistura na betoneira.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em estruturas de concreto massa. sua plasticidade inicial é recuperada.TEMPO DE PEGA É o momento em que a pasta de cimento adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. quantidade e tipo de adições. como por exemplo. cujo controle é feito através do teor de SO3. Em alguns casos. O tempo de pega é uma propriedade importante. como é o caso de concretagens durante o inverno.

sendo a classe expressa por números (25. os cimentos Portland podem ser classificados conforme segue: CIMENTO PORTLAND COMUM O Cimento Portland Comum (CP I) é produzido sem quaisquer adições além do gesso. com o tempo. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO As pesquisas tecnológicas indicaram.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que é utilizado para regularizar a pega. e são seguidas dos algarismos romanos de I a V. que cimentos antes classificados como especiais. Conforme a composição e as adições feitas em sua produção. as iniciais CP correspondem a abreviatura de Cimento Portland. pozolana e material _______________________________________________________________________________ 56 Concretos e Argamassas Prof. conforme o tipo de cimento. em razão de adições de escória de alto-forno. 32 e 40) que indicam a resistência à compressão do corpo-de-prova padrão.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em MPa.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Na designação dos cimentos.

trata-se de um cimento com composição intermediária entre os Cimento Portland Comum e o Cimento Portland com adição de escória ou pozolana. decorrente da moagem da escória separada ou conjuntamente com o clínquer. O CP II. adquira elevadas resistências com maior velocidade. CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V-ARI) tem a propriedade de atingir altas resistências já nos primeiros déias após a aplicação. tinham desempenho equivalente ao do cimento Portland comum. ao reagir com a água. As escórias apresentam propriedades hidráulicas latentes. Ao contrário da escória. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 57 Concretos e Argamassas Prof. Mas as reações de hidratação da escória são muito lentas e. Depois de conquistado bons resultados na Europa o Cimento Portland Composto (CP II) surgiu no mercado brasileiro (1991). sendo utilizados na maioria das aplicações usuais. para que seu emprego seja possível são necessários ativadores físicos e químicos. os cimentos Portland compostos respondem por 70% da produção industrial brasileira. Atualmente. em substituição ao antigo CP. dando origem a compostos com propriedades aglomerantes. A ativação física obtém-se com a finura. Quando finamente moída. a pozolana não reage com a água em seu estado natural. CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO O Cimento Portland Alto-Forno (CP III) é obtido pela adição de escória granulada de alto forno. reage com o hidróxido de cálcio em presença de água e em temperatura ambiente.carbonático. Isto é possível pela utilização de uma dosagem específica de calcário e argila na produção do clínquer. CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO O Cimento Portland Pozolânico (CP IV) é obtido pela adição de pozolana ao clínquer.edu. além de uma moagem mais fina para que o cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

CIMENTOS ESPECIAIS CIMENTO PORTLAND RESISTENTES A SULFATOS Estes cimentos resistem aos meios agressivos. água do mar e alguns tipos de solos. • Cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto-forno.edu. tais como os encontrados nas redes de esgotos domésticos ou industriais. • Cimentos do tipo pozolânico que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico. desde que apresentem pelo menos uma das características abaixo: • teor de aluminato tricálcio (C3A) do clínquer e teor de adições carbonáticas de. em massa. respectivamente. em massa. 8% e 5% em massa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. no máximo. _______________________________________________________________________________ 58 Concretos e Argamassas Prof. Qualquer um dos 5 tipos de cimento Portland podem ser considerados resistentes a sulfatos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

o calor produzido pela hidratação do cimento poder causar o aparecimento de fissuras de origem térmica. Nestes casos. Segundo a NBR13116. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. respectivamente.• Cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração que comprovem resistência aos sulfatos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . recomenda-se o emprego de cimentos com taxas lentas de evolução de calor. chamados cimentos Portland de baixo calor de hidratação. No Brasil o cimento Portland branco é normalizado pela NBR12989.edu. principalmente durante o resfriamento e a moagem. CIMENTO PORTLAND DE BAIXO CALOR DE HIDRATAÇÃO Em concretagens de estruturas que consomem grandes volumes de concreto continuamente. CIMENTO PORTLAND BRANCO O cimento Portland branco é obtido através de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês. sendo classificado conforme a tabela abaixo: _______________________________________________________________________________ 59 Concretos e Argamassas Prof. podendo ser qualquer um dos 5 tipos básicos. além de condições especiais de fabricação. estes cimentos geram até 260J/g e até 300J/g aos 3 dias e 7 dias.

e outras aplicações não estruturais. _______________________________________________________________________________ 60 Concretos e Argamassas Prof.O cimento Portland branco estrutural é utilizado em concretos brancos com fins arquitetônicos. Sua composição é constituída de clínquer e gesso para retardar o tempo de pega e em sua fabricação são tomadas precauções especiais para garantir as plasticidade em condições ambientes de elevadas pressões e temperaturas. utilizado na cimentação de poços petrolíferos. na fabricação de ladrilhos hidráulicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. O cimento Portland branco não estrutural é aplicado no rejuntamento de pisos e azulejos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. CIMENTO PARA POÇOS PETROLÍFEROS O cimento para poços petrolíferos é um tipo de cimento Portland bastante específico.

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 61 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Sempre haverá um tipo diferente para uma aplicação específica. _______________________________________________________________________________ 62 Concretos e Argamassas Prof.APLICAÇÕES E ESCOLHA DO TIPO DE CIMENTO Inicialmente podemos dizer que nenhum cimento é melhor em todas as circunstâncias. apresenta os diversos tipos de aplicações dos diferentes tipos de cimentos. A escolha do tipo de cimento está associada a uma determinada finalidade que se deseja ao concreto seja no estado fresco ou seja no estado endurecido. espaço) O quadro a seguir. prazo. Para uma mesma finalidade existe mais de um tipo ou classe de cimento que pode ser usado.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A escolha também depende da disponibilidade do material e do custo – fator importante na tomada de decisões em engenharia. Depende ainda a escolha: • • • • Exigência da estrutura Exigência do meio ambiente Velocidade de construção Circunstancia do local da obra (acesso.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 63 Concretos e Argamassas Prof.edu.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a massa líquida do saco e o selo de conformidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O cimento é comercializado a granel. a sigla. fábricas de prémoldados e grandes obras.edu.RECEBIMENTO E ESTOCAGEM O cimento é um produto perecível que em contato com umidade endurece perdendo suas propriedades antes do uso. No recebimento. devem ser observados a massa dos sacos e se o cimento não está empedrado. para usinas de concreto. além dos aspectos visuais da embalagem. Estas embalagens não podem estar furadas. rasgadas ou molhadas e devem trazer o nome do fabricante. é fornecido em embalagens (papel Kraft) de 25 e 50 Kg. no varejo. o tipo do cimento. _______________________________________________________________________________ 64 Concretos e Argamassas Prof. Cuidados no recebimento e estocagem do material são essenciais para a garantir concretos e argamassas de boa qualidade.

evitando comprimir o agregado. dividindo a massa de agregado (kg) pelo volume do recipiente (dm3). Rasar o recipiente e determinar a massa Cálculos Calcular o peso unitário do agregado.ENSAIOS 1) Determinação da Massa Unitária de Agregados em Estado Solto .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com resolução de 1 g. com as dimensões constantes na Tabela 1 Tamanho máximo do agregado (mm) 4. Usa-se como parâmetro para transformar massa em volume.8 e ≤ 50 > 50 Volume do recipiente (dm3) 15 20 60 Preparação do Material Secar o material previamente ao ar Procedimento • • Preencher o recipiente por meio de uma concha ou pá. considerando que a máxima variação permitida entre os resultados de cinco determinações feitas com o mesmo agregado é de 0. compensar os vazios que houver abaixo do nível do topo do recipiente com grãos deixados acima deste nível. considerando-se como volume também os vazios entre os grãos. Limpar bem o recipiente antes de pesá-lo. Concha ou pá. Rasar o agregado graúdo e.NBR 7251 Massa unitária de um agregado é a relação entre sua massa e seu volume sem compactar. Recipientes paralelepipédicos.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.8 > 4. com os dedos. Quantidade de Material O volume de material deverá ser de pelo menos o dobro do volume do recipiente que será usado. _______________________________________________________________________________ 65 Concretos e Argamassas Prof. lançando o agregado a uma altura de 10 cm do topo do recipiente. Equipamentos e Acessórios • • • Balança.02 kg/dm3 Cuidados • • • Rasar o agregado miúdo com movimentos horizontais da haste de socamento.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2) Determinação de massa específica agregado graúdo – técnica frasco graduado Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica do agregado.Vi (g/cm3) Repetir 3 vezes o procedimento Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 66 Concretos e Argamassas Prof.1g Frasco graduado de 1000 ml Metodologia Experimental: • • • • • • Recobrir uma porção de agregado com água Tirar o excesso de umidade com auxílio de um pano Pesar a massa do agregado (m) Colocar 400 ml de água no frasco graduado (Vi) Inserir o agregado no frasco graduado Determinar o volume final no frasco (Vf) Resultados e Discussão • • • Determinar a massa específica do agregado: d = m / Vf . incluindo os poros permeáveis Materiais e equipamentos: • • • • Agregado graúdo Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.edu.

efetuando agitação para a eliminação das bolhas de ar Fazer a leitura no nível atingido pela água no frasco.edu. cuidando para que as faces internas estejam secas e sem grãos aderentes.1g Frasco de Chapman Funil de vidro Metodologia Experimental: • • • • Pesar 500g de amostra de areia seca Colocar água no frasco até 200 cm3 deixando em repouso para que a água aderida às faces internas escorram totalmente. Colocar 500g de areia no frasco de Chapman. com cuidado.3) Determinação de massa específica agregado miúdo por meio do Frasco de Chapman Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo. Materiais e equipamentos: • • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. incluindo os poros permeáveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume. Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: d = 500 / L – 200 (g/cm3) Repetir por 3 vezes o procedimento Os resultados dos ensaios realizados com a mesma amostra não devem diferir mais de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .05 g/cm3 Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 67 Concretos e Argamassas Prof.

incluindo os poros permeáveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.1g Picnômetro Metodologia Experimental: • • • • • • Pesar uma amostra de areia seca Encher com água o picnômetro e determinar a massa do conjunto Retirar uma pequena quantidade de água do frasco Colocar a amostra de areia no frasco .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4) Determinação de massa específica agregado miúdo com auxílio do picnômetro Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo. Materiais e equipamentos: • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.edu.picnômetro Determinar a massa do conjunto picnômetro + água + agregado Repetir 3 vezes o procedimento Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: Pag = massa do picnômetro + água m = massa da amostra Pag + ag = massa do picnômetro + água da amostra d = m/ [Pag – (Pag + ag – m)] _______________________________________________________________________________ 68 Concretos e Argamassas Prof.

01g e capacidade mínima de 200g Balança com resolução 100g e capacidade mínima de 50kg Frigideira Fogareiro Recipiente metálico Metodologia Experimental: • • • • • • Coletar 1000g do agregado miúdo conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material e homogeneizar o material. Repetir o procedimento duas vezes. Resultados e Discussão • • Cálculo do teor de umidade: h =[(mu – ms)/ms] x 100 _______________________________________________________________________________ 69 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Pesar a frigideira. Balança com resolução de 0. mexendo-o até secar.edu. Colher ou concha de pedreiro.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5) Determinação de umidade do agregado miúdo através do teste da frigideira. Pesar. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Agregado miúdo úmido. Pesar novamente e calcular o teor de umidade do agregado. Objetivo: • • Determinar o teor de umidade do agregado miúdo – areia Conhecer o teste da frigideira usualmente utilizado em obras correntes. Levar o material ao fogo. Colocar uma pequena porção do material homogeneizado na frigideira.

de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. 10.edu. Formar duas amostras para o ensaio. Proceder ao peneiramento da amostra M2. 2. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 4. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. _______________________________________________________________________________ 70 Concretos e Argamassas Prof. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. 9. de modo a formar um único conjunto de peneiras. 12. 11. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 6. com malha em ordem crescente da base para o topo. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. 8.6) Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo.3% da massa seca da amostra. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conforme procedimentos a partir do item 5. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. 5. Coletar 1000g do agregado conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. Na base deve ser colocado um fundo. 7. previamente limpas. 3.

8 2. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 9.edu. com aproximação de 1%.13.3 4.15 Fundo Soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 71 Concretos e Argamassas Prof.15 Fundo soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 9.6 0.50 6.50 6.3 0.6 0. Determinar o módulo de finura.8 2.2 0.3 4.4 1.2 0. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada.3 0. em cada peneira.4 1. 14. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

_______________________________________________________________________________ 72 Concretos e Argamassas Prof.40 30 (A) – 70 66 – 85 80 (A) – 95 90 (B) .edu.15 Zona 1 Muito fina 0 0–3 0 – 5 (A) 0 –5 (A) 0 – 10 (A) 0 – 20 50 – 85 (A) 85 (B) – 100 Zona 2 Fina 0 0–7 0 – 10 0 – 15 (A) 0 – 25 (A) 21 – 40 60 (A) – 88(A) 90 (B) – 100 Zona 3 Média 0 0–7 0 – 11 0 – 25 (A) 10 (A) – 45 (A) 41 – 65 70 (A) – 92 (A) 90 (B) – 100 Zona 4 Grossa 0 0–7 0 .90 3.90 > MF > 3.100 (A) pode haver uma tolerância de até no máximo 5 unidades (%) em um só dos limites marcados com a letra (A) ou distribuídos em vários deles (B) para agregado miúdo resultante de britamento.30 > MF > 2.40 2.40 > MF Tabela para classificação do agregado miúdo – NBR 7211 Porcentagens retidas acumuladas Abertura (mm) 9. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.6 0.3 4.: a amostra para ensaio deve ser coletada segundo a NBR 7216 Dimensão máxima: determinada através da peneira que apresentar uma porcentagem retida acumulada de 5% ou imediatamente inferior Módulo de Finura: somatório das porcentagens acumuladas retidas nas peneiras de série normal.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4 1.3 0.5 6.90 3.2 0.12 5 (A) . dividindo o total por 100. este limite poderá ser 80 Obs.CLASSIFICAÇÃO PELO MÓDULO DE FINURA: Muito grossa Grossas Médias finas Finas MF > 3.8 2.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 4. previamente limpas. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto.7) Determinação da composição granulométrica agregado graúdo Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. Coletar no mínimo 5kg do agregado conforme norma NBR 7216. Proceder ao peneiramento da amostra M2.3% da massa seca da amostra. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. 6. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Na base deve ser colocado um fundo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 5. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. de modo a formar um único conjunto de peneiras. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 8. conforme procedimentos a partir do item 5. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. 3. com malha em ordem crescente da base para o topo. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. 2. 10. 7. 9. _______________________________________________________________________________ 73 Concretos e Argamassas Prof.edu. em frações de diversos pontos do material. Formar duas amostras para o ensaio. 11. 12.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 12.13. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 38 32 25 19.5 6. com aproximação de 1%. 14.5 9.edu.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 38 32 25 19. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada em cada peneira.3 4.5 9.5 12.3 4.01.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 74 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com apresentação de 0. Determinar o módulo de finura.5 6.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 0 9.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 4. nas peneiras da abertura nominal.5 0-10 6.4 80-100 95-100 80-100 92-100 95-100 75-100 90-100 95-100 75-100 87-100 95-100 0-30 75-100 90-100 95-100 _______________________________________________________________________________ 75 Concretos e Argamassas Prof. em mm 76 Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 0 0 0-30 0 0 0-25 0-10 64 50 38 32 25 19 12. em peso.8 2.Tabela com limites granulométricos de Agregado Graúdo para classificação – NBR 7211/83 Graduação Porcentagens retidas acumuladas.

Dois recipientes de vidro transparente Metodologia Experimental: • Amostragem Deve ser obtida de acordo com a NBR 7216 e reduzida segundo a NBR 9941. Amostra deve ser umedecida para evitar a segregação. A massa mínima para realização do ensaio é indicada na tabela abaixo em função de sua ∅ máx. Estufa. de forma a provocar a separação e suspensão das partículas finas. esfriar a temperatura ambiente e deteminar a massa de duas amostras Mi1 e Mi2 (reserva). retire o excesso de água com o auxílio de uma bisnaga. recobrindo-a com água. Recipiente para retenção da amostra e a água de recobrimento . A água perdida através da peneira 0. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Balança com capacidade mínima de 5Kg e resolução de 5g.075mm. Colocar a amostra (M1) no recipiente.2 mm fique posicionada sobre a peneira 0.110 OC) até a constância de massa.075 mm transportará o material pulverulento contido na amostra. posicionadas de acordo com item anterior. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Haste p/ agitação.das peneiras.8) Determinação do teor de materiais pulverulentos em agregados Objetivo: • • Determinação do teor de materiais pulverulentos contidos no agregado destinado ao concreto Materiais pulverulentos : são partículas minerais com dimensão inferior a 0. tomando cuidado de não provocar abrasão do material.075mm de modo que a peneira 1. _______________________________________________________________________________ 76 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .075mm. Peneiras (1. para não perder o material.edu.2 e 0. • Terminado o processo de lavagem. inclusive os materiais solúveis em água. • • • Secar a amostra em estufa (105 . tomando cuidado de não provocar perda de material. com auxílio de uma haste.2 e 0. coloque o material retido nas peneiras no recipiente e cubra o mesmo com água. Bisnaga para água.075mm) . Agite o material. Despejar a água cuidadosamente através . A água carregará consigo a amostra e ao passar pelas peneiras parte se perderá com a água e parte ficará retida nas peneiras. Feito isso. presentes nos agregados. Encaixar as peneiras 1. Deixe em repouso o tempo necessário para que as partículas decantem. esse procedimento serve para facilitar a posterior secagem em estufa.

realizadas nas duas amostras (Mi1 e Mi2) A diferença obtida nas duas determinações não deve ser maior que 0. em g.edu.8 > 4. Repetir todo o procedimento para a amostra Mi2 ∅máx (mm) < 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5% para agregado graúdo e 1. _______________________________________________________________________________ 77 Concretos e Argamassas Prof. Mi − Mf × 100 Mi Mf . como resultado.110) OC até a constância de massa e determinar a sua massa final seca (Mfi). a média aritmética dos dois valores mais próximos.Massa inicial da fração.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . abaixo: • • Teor de material pulverulento % = Onde: Mi .Massa após o repeneiramento. realizar uma terceira determinação e adotar.8 e < 19 > 19 Massa mínima 500 3000 5000 Resultados e Discussão • O teor de materiais pulverulentos de cada amostra é determinado pela diferença entre a massa inicial (Mi) e a massa final seca obtida depois da lavagem. O mesmo será expresso em porcentagem de acordo com a expressão .• Secar a amostra retida em estufa (105. Quando esta condição não for atendida. • • O resultado final será a média aritmética das duas determinações. em g.0% para miúdo.

Misturador mecânico(opcional). Estufa para secagem.0 m x 2. A amostra de ensaio deve ter pelo menos o dobro do volume do recipiente paralelepipedal utilizado.01g e capacidade mínima de 200 g.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Da amostra remetida ao laboratório. conforme a NBR 7251. para condicionamento e secagem de amostras de areia. acima do qual o coeficiente de Inchamento pode ser Quociente entre os volumes úmido (Vh) e seco (Vo) de considerado constante e igual ao coeficiente de Inchamento médio Coeficiente de inchamento médio Valor médio entre o coeficiente de Inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica Materiais e equipamentos: • • • • • • • • • • Encerado de lona com dimensões mínimas de 2. provocado pela absorção de água livre pelos grãos e que incide sobre a sua massa unitária Coeficiente de inchamento (Vh/Vo) uma mesma massa de agregado. Dez cápsulas com tampa. Concha ou pá. Balança com resolução de 100g e capacidade mínima de 50 kg. Proveta graduada de vidro com capacidade mínima de 1000 mL. depois de umedecida para evitar segregação e de cuidadosamente misturada. Inchamento do agregado miúdo fenômeno da variação do volume aparente. Recipiente para1elepipedal.9) Determinação do Inchamento do agregado miúdo Objetivo: • • • • • Este ensaio prescreve o método para a determinação do Inchamento de agregados miúdos para concreto. Umidade crítica Teor de umidade.edu. formar a amostra de ensaio de acordo com a NBR 9941. Ba1ança com resolução de 0. _______________________________________________________________________________ 78 Concretos e Argamassas Prof. Amostragem • • A amostra de agregado remetida ao 1aboratõrlo deve ter sido coletada acordo com a NBR 7216.5 m. com capacidade de 50 mL. Régua rígida com comprimento da ordem de 500 mm aproximadamente.

em dm3. 1%. 5%. Colocar a amostra sobre o encerado de lona. Homogeneizar cuidadosamente a amostra.edu. Mf = massa final da cápsula com o material coletado apos secagem em estufa. Vo = volume do agregado seco em estufa. por agitação manual da lona ou em misturador mecânico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Resultados e Discussão 1. • Determinar a massa de cada cápsula com a amostra coletada (Mi). para determinação do teor de umidade. Adicionar água sucessivamente de modo a obter teores de umidade próximos aos seguintes valores: 0. em kg/dm3. 2%. 3%. em g 2. Para cada teor de umidade. homogeneizar e determinar massa unitária. segundo a NBR 7251. Calcular o teor de umidade das amostras coletadas nas cápsulas.110oC) até constância de massa e resfriá-la até a temperatura ambiente. ϒh = massa do agregado com h% de umidade. calcular o coeficiente de inchamento de acordo com a expressão: Vh γ s (100 + h) = × Vo γ h 100 • Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade. 7%. segundo a NBR 7251. em dm3. em g. Coletar uma amostra de agregado. Executar. 9% e 12%. em kg/dm3. a determinação da massa unitária. através da seguinte expressão h= • Onde.Metodologia Experimental: • • • Secar a amostra de ensaio em estufa (105. 4%. Mc = massa da cápsula.110oC) e determinar sua massa (Mf). simultaneamente. Mi − Mf Mf − Mc h = teor de umidade do agregado. destampar. ϒs = massa unitária do agregado seco em estufa. a cada adição de água. a cada adição de água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio. secar em estufa a (105. em g.5%. _______________________________________________________________________________ 79 Concretos e Argamassas Prof. em %.

edu. 4. 3. em %. Determinar a umidade crítica na curva de Inchamento. Assinalar os pares de valores (h.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . b) traçar a corda que une a origem de coordenadas ao ponto de tangência reta traçada. de modo a obter uma representação aproximada do fenômeno.h = teor de umidade do agregado. 5. O coeficiente de inchamento é determinado pela média aritmética entre os coeficientes de inchamento máximo (ponto A) e aquele correspondente à umidade crítica (ponto B). Do certificado de ensaio deve constar a curva de Inchamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. d) a abscissa correspondente ao ponto de Interseção das duas tangentes a umidade crítica. pela seguinte construção gráfica: a) traçar a reta tangente ã curva paralela ao eixo das umidades. traçada em gráfico conforme modelo. Vh/Vo) em gráfico. e traçar a curva de Inchamento. paralela a esta corda. _______________________________________________________________________________ 80 Concretos e Argamassas Prof. 6. e os valores de umidade crítica e coeficiente de Inchamento médio. conforme modelo. c) traçar nova tangente à curva.

Determinação da Resistência à Compressão (NBR 7215/96) Objetivo: • Determinar a resistência à compressão do Cimento Portland. podendo ser utilizados equipamentos de compactação mecânica. • • • • • • • Água Cimento Balança Misturador Mecânico Molde Soquete Máquina para ensaio de compressão Metodologia Experimental: • • A argamassa é preparada por meio de misturador mecânico e adensada manualmente. Os cp´s são elaborados com argamassa composta de uma parte de cimento. Preparação da argamassa de cimento _______________________________________________________________________________ 81 Concretos e Argamassas Prof. • • Na data da ruptura os moldes devem ser retirados do meio de conservação. Princípio • • Determinar a resistência à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura.48. É preparada pelo IPT especificamente para ensaios e tem massa unitária e massa específica dentro de padrões. Os moldes com os corpos-de-prova devem ser conservados em câmara úmida para a cura inicial e em seguida desmoldados e submetidos à cura em água saturada até a data de ruptura. é extraída do Rio Tietê e apresenta 25% em peso das peneiras 1. Materiais e equipamentos: • Areia Normal – de acordo com as prescrições da ABNT.edu.10) Cimento Portland . três de areia normalizada em massa e relação a/c de 0.6 / 0.15 mm. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Esta areia normalizada pela NBR 7214.3 / 0.2 / 0. capeados com enxofre e rompidos para determinação da resistência à compressão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

onde devem permanecer por 20 a 24 h com a face superior protegida por uma placa de vidro. Após este tempo e sem paralisar a operação. iniciar a adição da areia (as 4 frações previamente misturadas) com cuidado para que toda a areia seja gradualmente colocada durante o tempo de 30 s. • Enchimento dos Moldes A moldagem deve ser feita imediatamente após o amassamento. Imediatamente após este intervalo ligar o misturador na velocidade alta por mais 1 mim e 15 s.3 468 + 0. colocando inicialmente na cuba toda a quantidade de água e adicionando o cimento. Após este tempo desligar o misturador por 1 mim e 30 s.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A esta operação segue-se a rasadura do topo.3 468 + 0.2 • Mistura Mecânica Executar a mistura mecânica.Quantidade de materiais (em massa . • Cura Após a moldagem os corpo de prova devem ser colocados na câmara úmida. • Preparo dos Moldes Para garantir a estanqueidade dos moldes deve-se utilizar material de vedação na superfície lateral da forma e ao longo de toda a extensão da fenda vertical.4 300 + 0. Untar toda a superfície interna do molde com óleo.3 624 + 0. _______________________________________________________________________________ 82 Concretos e Argamassas Prof. distribuídos uniformemente a cada camada.edu. em 4 camadas de espessuras aproximadamente iguais e adensadas com 30 golpes. Nos primeiros 15 s retirar com o auxilio da espátula a argamassa que ficou aderida às paredes da cuba e na pá. Imediatamente após a colocação da areia mudar a velocidade para alta por 30s. durante 30 s. Deve ser registrada a hora em que o cimento foi colocado em contato com a água.3 468 + 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A mistura destes materiais deve ser feita com o misturador em velocidade baixa. Durante o tempo restante a argamassa deve ficar em repouso coberta por um pano úmido e limpo.gramas) Cimento Água Areia Normal Fração Grossa Fração Média Grossa Fração Média Fina Fração Fina 468 + 0.

quartzo em pó ou outras substâncias. exceto os que deverão ser rompidos com 24 h de idade. onde permanecerão até a data da ruptura.05) MPa/s. pozolanas. • Capeamento e Ruptura Antes da ruptura os corpos-de-prova devem ser capeados em suas extremidades com uma mistura de enxofre com caulim. A velocidade do carregamento da máquina de ensaio.edu. será representada pelo maior valor dos cp’s. identificados e. Para a ruptura a máquina deve esta limpa e os cp´s deverão ser centralizados em relação ao eixo do carregamento.Terminado o período inicial de cura os cp´s devem ser retirados da forma. o valor da resistência à compressão do cimento Portland. devem ser imersos no tanque de água saturada de cal.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 83 Concretos e Argamassas Prof. Resultados e Discussão Para cada idade. ao transmitir a carga de compressão ao corpo de prova. deve ser equivalente a (0.25 + 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em proporções tais que não interfiram no resultado do ensaio.

o Brasil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em 1997.2001 Colocação 1º. 7º. principalmente.CONCRETO Introdução Na abertura de um recente congresso na área de concreto.8 33. 5º. 14º.0 104. etc.9 35. 12º. Tomando-se estes 20 milhões de m3/ano e multiplicando-se por R$ 500. Alguns dados: Maiores países produtores de cimento . 2º.7 40.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . trata-se de um mercado de 10 bilhões de reais por ano. 9º. China Índia USA Japão Coréia do Sul Espanha Itália País Produção (milhões t) 628.0 34. o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) apresentou dados interessantes. 3º.edu.0 30.).5 39. pois o restante deve-se. produziu 40 milhões de m3 de concreto.00 (custo estimado do m3 da estrutura de concreto armado. à auto-construção. Brasil Rússia Tailândia Indonésia Turquia Alemanha México Irã 38. forma. 4º. Segundo ele.5 53.1 35.0 27. armadura. 11º.4 31. 10º. dos quais apenas a metade poderia ser considerada como concreto estrutural. considerando-se concreto. 13º.8 8º.6 88.9 79.5 _______________________________________________________________________________ 84 Concretos e Argamassas Prof. 15º. 6º.

Consumo de cimento no mundo .345 6. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.438 19.182 37.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Consumo (kg/hab/ano) 174 138 284 258 244 Consumo de cimento por região .978 % 6 18 9 51 17 100 _______________________________________________________________________________ 85 Concretos e Argamassas Prof.978 37.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil Consumo (1000 t) 2.746 3.2001 Continente Américas Europa Ásia África Oceania Consumo (milhões t) 226 314 998 91 8 Total 1637 Consumo per capita .

Consumo per capita – Brasil Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Consumo (kg/hab/ano) 184 222 240 246 242 232 223 217 Perfil dos consumidor Brasil .978 % 70.04 0.46 2.851 934 1.13 0.913 49 15 145 37. Quais então seriam as principais vantagens.61 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .06 21. ou virtudes.249 4.2002 Região Revendedoras Consumidores industriais Concreteiras Fibro-cimento Pré-moldados Artefatos Argamassas Consumidores finais Construtores Órgãos públicos / estatais Prefeituras Importação Total Consumo (1000 t) 26.67 0.977 2.18 7.77 2.edu.principais virtudes e defeitos Para chegar a este posto. só um material com muitas vantagens de utilização.022 992 450 2. do uso do concreto como material de construção? _______________________________________________________________________________ 86 Concretos e Argamassas Prof.72 12.607 8. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.69 2.84 7.38 100 Concreto .

é: facilmente transportado. em instalações simples. estáveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • • Pode ser produzido praticamente em qualquer lugar. equipamento barato. Dá margem à sofisticação arquitetônica. quando artificiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • • • • • • • A construção em concreto é relativamente rápida. tudo isso com baixo consumo de energia. Depois de produzido. disponíveis em quantidade. facilmente aplicado. • Demanda: pouca tecnologia de produção. É um material relativamente estável e durável. Pode receber praticamente todo tipo de revestimento. robusto. de fácil transporte e estocagem.VIRTUDES • É fabricado com materiais: naturais. possuem ciclo de produção dominado no mundo inteiro. como no caso do cimento. pouco sofisticados. durável e pouco sofisticado. facilmente moldado. mão de obra com baixo nível de instrução.edu. Possui grande durabilidade (quando corretamente produzido) Apresenta boa impermeabilidade Permite a execução de grandes peças contínuas _______________________________________________________________________________ 87 Concretos e Argamassas Prof.

como principais desvantagens: • • • • uma resistência à tração relativamente baixa. Do ponto de vista genérico.Nada porém possui apenas vantagens. quando submetido a determinados ambientes. o principal defeito genérico do material de construção nos dias de hoje. que pode fabricá-lo de qualquer jeito. o concreto é um material de construção que apresenta. que faz com que todo mundo pense que entende de concreto. por alguns pesquisadores. sem nenhum controle. PRINCIPAIS DESVANTAGENS Do ponto de vista técnico. em algumas circunstâncias. uma durabilidade questionável. O descaso com a tecnologia do concreto é. é que ele faz!” (Adam Neville) _______________________________________________________________________________ 88 Concretos e Argamassas Prof. Tudo tem suas desvantagens e o concreto não é exceção a esta regra. muito grande. mesmo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O concreto é um dos materiais de que se encontram muitos “conhecedores” (?) pelo mundo afora. o ponto fraco mais importante da utilização do concreto é considerado exatamente a sua enorme facilidade de utilização. contudo. em qualquer lugar. “Um dos grandes problemas do concreto é que qualquer doido pensa que sabe fazer concreto.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ou quando produzido de maneira incorreta. e esse é considerado. mas o pior problema. em geral. uma estabilidade dimensional relativamente pequena. uma relação resistência/peso relativamente pequena.

porém os ingredientes de um bom concreto são exatamente os mesmos! (NEVILLE. O controle da produção tem a finalidade de obter um material uniforme.edu. ao fim que se destina (VALOIS.Porém. com o apoio do entendimento (NEVILLE.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por ser uma atividade humana. TERZIAN. O MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: CONCRETO Mas. 1994). com as propriedades exigidas. elaborada a partir de um processo é suscetível de ser controlada (HELENE. o que é o concreto? É uma mistura de _______________________________________________________________________________ 89 Concretos e Argamassas Prof. 1997) O que causa esta diferença? Apenas o conhecimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 1997). de forma econômica. 1992). a produção de concreto. afinal. agregados e água. Um “mau” concreto é feito simplesmente misturando-se cimento.

mas são bastante solúveis em água. formados pela hidratação dos aluminatos combinados com sulfato de cálcio. que representam 20 a 25% do volume total de sólidos da pasta. heterogêneo. aumentando a densidade e resistência mecânica da pasta. formado por duas fases e uma interface: a fase pasta. Funções da pasta (fase pasta) Nesta fase há a hidratação do cimento e a formação de cristais em torno do grão de cimento (silicatos. que alguns autores consideram como uma terceira fase: os vazios. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Tem baixa resistência mecânica. As principais funções da pasta são • • • • Dar impermeabilidade ao concreto Dar trabalhabilidade ao concreto Envolver os grãos Preencher o vazio entre os grãos As principais microestruturas que se formam na pasta matriz são: • estruturas fibrilares ou estruturas C-S-H: compostos químicos formados por cristais de silicatos de cálcio hidratados que representam 50% a 60% do volume total de sólidos da pasta e são os responsáveis pela resistência mecânica da pasta após os dias iniciais.edu. possui uma descontinuidade estrutural. São responsáveis pelo pH elevado da pasta (pH> 13).É. formadas por hidróxido de cálcio. • prismáticas: cristais de grande tamanho. portanto um material composto. a fase agregado e a ligação agregado-pasta. aluminatos). Como defeito. • etringita: cristais grandes e volumosos. Então a microestrutura da pasta vai se tornando mais compacta.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quimicamente instáveis e muito _______________________________________________________________________________ 90 Concretos e Argamassas Prof.

_______________________________________________________________________________ 91 Concretos e Argamassas Prof. Este estudo é feito em disciplina específica ou em estudos de especialização. São os primeiros cristais da pasta a se formar e produzem a primeira resistência mecânica do endurecimento. gerando estruturas com baixa resistência mecânica que com o tempo se transformam em monossulfato. aumentando também a sua retração e a fluência. os vazios são de grande influência nas características da pasta matriz endurecida. maiores serão a porosidade e a permeabilidade. Representam 15 a 20% do volume total de sólidos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Para concretos de alta resistência. Além das microestruturas sólidas.edu. pequena se comparada a das estruturas C-S-H. • grãos de clínquer não hidratados: pequenos núcleos dos grãos de cimento. devido as suas micro-fraturas internas. para o agregado não tem tanta importância a sua resistência mecânica. o agregado graúdo pode se tornar a parte fraca do conjunto. reduzindo a resistência química e mecânica da pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pois normalmente é maior que a do conjunto concreto. Quanto maiores a quantidade de vazios e maiores forem os seus diâmetros médios. O estudo destes vazios (e o preenchimento deles) tem grande importância em concretos de alta resistência. que não é o foco desta disciplina. Funções do agregado (fase agregado) • • • Reduzir o custo do concreto Reduzir as variações de volume (diminuir as retrações) Contribuir com grãos capazes de resistir aos esforços Em concretos convencionais.porosos.

Antes de se abordar a ligação agregado-pasta. pois é menos resistente que a pasta e os agregados. Em termos de microestrutura do concreto. muito resumidamente. por uma concentração anormal de cristais de hidróxido de cálcio nessa região particular dos concretos e argamassas. as fôrmas. após a desforma. já que a pasta de cimento sempre se interpõe entre elas e a fôrma.4. também ocorre uma espécie de efeito de parede interno. em grande parte. Para concretos de maior resistência. é necessário mencionar um fenômeno que ocorre no concreto quando no estado fresco: o efeito de parede. em um concreto apropriadamente lançado e compactado. Devido à sua maior mobilidade. como por exemplo. a zona de transição não tem tanto influência pelo chamado efeito fortificador do agregado. aqueles com relação a/c > 0. não se observa a presença de partículas de brita.edu.A interface (fase zona de transição) No concreto convencional é a parte mais fraca.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . uma chamada da fase mais fluida do concreto para a superfície dos agregados. Zona de transição agregado – pasta (microscopia eletrônica) _______________________________________________________________________________ 92 Concretos e Argamassas Prof. a fraqueza da ligação agregado-pasta pode ser explicada. Esta é a razão pela qual. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por água. Este efeito pode ser descrito como uma "chamada" da fase mais fluida do concreto (a pasta) para as superfícies postas em contato com o concreto. esta fase é constituída. Em concretos convencionais.

Zona de transição agregado – representação gráfica

Noções básicas de concreto
1) A fase pasta de cimento, mistura de cimento e água, funciona como uma espécie de cola, pois possui poder aglomerante, ou poder de colagem. Quanto mais diluída, menos cola. Assim, a partir de um certo limite, quanto mais água se mistura ao cimento, menor o poder aglomerante da pasta, na medida em que ela própria fica menos resistente. 2) Um bom concreto precisa ser trabalhável na obra. A noção de trabalhabilidade é difícil de ser definida e de ser medida, e isto será visto mais adiante, quando tratarmos da propriedades do concreto no estado fresco. Ela tem a ver, entretanto, com a capacidade do concreto preencher totalmente uma fôrma, envolvendo completamente as armaduras, sem deixar vazios, que são pontos fracos e que diminuem a resistência e a durabilidade do material. Dependendo do tipo de fôrma (em termos de dimensões), da densidade das armaduras dentro das fôrmas, do tipo de transporte que o concreto vai receber (como

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por exemplo, o bombeamento), da forma de adensamento, etc., ele precisa ter características específicas de trabalhabilidade na obra. Um concreto pode, por exemplo, ter uma consistência mais seca, que dê para preencher uma fôrma larga, mas, por outro lado, esta mesma consistência seca pode provocar o entupimento da bomba (se o concreto for bombeado). No caso contrário, um concreto pode ser mais fluido, mais mole, podendo ser bombeado, mas não ser trabalhável para a execução de pisos, que geralmente são vibrados com régua vibratória (o que demanda concretos mais secos, para que a régua não afunde na massa). De modo geral, deve-se procurar trabalhar com o concreto mais seco possível. Por que? Porque quanto mais seco o concreto, menos água ele tem, e portanto mais resistente é a fase pasta, e, consequentemente, o concreto como um todo. A "secura do concreto" entretanto tem um limite. 3) A relação entre a massa de água e a massa de cimento de um concreto é conhecida como relação ou fator água-cimento. Misturando-se pouco a pouco uma certa quantidade de cimento com uma quantidade variável crescente de água e medindo-se a resistência da pasta verifica-se que ela passa por um máximo. Este máximo é relativo ao fator água/cimento teórico de aproximadamente 0,23. Esta relação representa a quantidade mínima de água necessária para hidratar completamente todas as partículas da massa de cimento. O fator água/cimento de 0,23, entretanto, é um fator teórico, raramente obtido na prática, pois o concreto com ele fabricado fica extremamente seco, com a chamada "consistência de terra úmida", uma verdadeira farofa, impossível de ser trabalhada, vibrada, bombeada, etc., no canteiro. 4) Na prática, um concreto corrente é obtido geralmente com fatores a/c superiores a 0,50. A água contida por esse concreto pode então ser subdividida em dois tipos: água de hidratação (relativa ao fator a/c de 0,23 ou 0,23 X massa de cimento do concreto) e água de trabalhabilidade, a água a mais, que é acrescentada para que o concreto possa ser trabalhado na obra. É calculada como: [(fator a/c - 0,23) X massa de cimento].
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A água de hidratação é como diz o nome, aquela que vai ser consumida na hidratação das partículas de cimento. A água de trabalhabilidade é a água que vai misturar-se com as partículas de cimento e formar um filme aquoso (talvez seja melhor dizer pastoso) nas superfícies das partículas de areia e brita, filme este que vai funcionar como um lubrificante, reduzindo o atrito existente entre essas partículas e transformando então um concreto seco em um concreto "plástico", ou "mole", ou ainda "fluido". 5) O concreto fica então menos resistente do que poderia teoricamente ser, para que possa ser trabalhável na obra. Nos concretos correntes, esse comportamento é traduzido pela Lei de Abrams, que estabelece que a resistência do concreto varia na razão inversa do fator a/c, ou seja, quanto maior o fator a/c, menor a resistência do concreto, e vice-versa. 6) Mudando aparentemente de assunto, falemos agora de superfície específica. A superfície específica é a medida da área superficial das partículas contidas em um determinado volume de material. Pode-se demonstrar matematicamente que quanto menores as dimensões das partículas de um mesmo volume de material, maior a superfície específica das partículas contidas naquele volume. Assim, quanto mais fino for, por exemplo, um tipo de agregado, maior a superfície específica das suas partículas, e, portanto, maior a quantidade de água de trabalhabilidade necessária para diminuir o atrito entre partículas, e, finalmente, menor a resistência desse concreto com mais água. Esta é a principal razão pela qual procura-se sempre trabalhar com: • • • os agregados com as maiores dimensões possíveis; as areias menos contaminadas com silte ou argila, que são materiais finos; a menor quantidade possível de cimento.

7) Neste aspecto, é importante também escolher o agregado com formato e textura superficial adequados, pois quanto mais áspera for a sua superfície e mais vértices tiver a sua forma, maior o atrito entre suas partículas, maior a quantidade de água necessária para diminuir o atrito, etc., etc., etc..
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Classificação dos concretos
Alguns tipos de concreto que podem ser produzidos • • • • • • • • • • • Concreto simples Concreto armado Concreto massa Concreto projetado Concreto refratário Concreto com ar incorporado Concreto de alta resistência Concreto auto-adensável Concreto leve Concreto pesado Etc

Quanto a classificação quanto a resistência, por classes e grupos, a NBR 8953, classifica para o grupo I as resistências de concreto C10 a C50 (variando de 5 em 5), onde se indica a resistência em MPa (C40 concreto com resistência de 40 MPa) e

onde a faixa de validade da NBR 6118 – Projetos de estrutura de concreto. Já o grupo II se refere aos concretos de alta resistência e hoje se tem evoluído muito em estudos, pesquisas nesta faixa (estudo em outra disciplina).

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c) tipo de agregado disponível economicamente. tais como resistência. mas iniciamos com pelo menos os princípios básicos. mas nem sempre é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura ou que não apresentem reatividade. Estas duas etapas estudaremos à parte. transporte. As principais delas são: mistura (ou amassamento). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. impermeabilidade e outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma certa idade. Alguns autores colocam ainda uma fase inicial e uma etapa final: a dosagem (ou cálculo do proporcionamento) e o controle tecnológico. e) custo. b) condições de exposição e operação.PRODUÇÃO DE CONCRETO Introdução O processo de produção do concreto geralmente é subdividido em várias etapas. apesar de que. adensamento (ou compactação) e cura. Dosagem A dosagem do concreto objetiva atender a cinco condições principais: a) exigências de projeto. bem superior ao dos agregados. lançamento e adensamento do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que são relacionadas a operações de transporte. onde o proporcionamento deve levar em conta as características de agressividade da atmosfera. a princípio. d) técnicas de execução. na grande maioria das vezes. onde admite-se que um concreto econômico quando consegue atender às condições anteriores com um consumo mínimo de cimento. lançamento (ou colocação). do solo e eventuais produtos em contato com a estrutura. deveriam fazer parte das variáveis e não dos requisitos. _______________________________________________________________________________ 97 Concretos e Argamassas Prof. pois que o custo do cimento é.edu. acabamento.

edu.Mistura / amassamento É a homogeneização de todos os componentes do concreto. que também podem ser fixas ou móveis. O eixo passa pelo centro do tambor e. As betoneiras podem ser de vários tipos. por sua vez. equipamento que é utilizado não apenas nas obras. que pode ser fixo ou móvel em torno de um eixo. A água deve entrar em contato com as partículas de cimento. deve-se procurar utilizar um número inteiro de sacos de cimento. de modo que entrem em contato íntimo uns com os outros. bem como a quantidade de betonadas necessárias para executar uma determinada parte da obra. pois a falta de homogeneidade implica em perda de resistência e durabilidade do concreto. promove a mistura dos componentes do concreto. constituídas por um tambor ou cuba. Antes de se utilizar uma betoneira. para que se possa calcular a quantidade de cada um dos materiais que vai entrar na mistura. não seja basculante). e a medida em volume não é aconselhável. mas também nos caminhões-betoneira das centrais de concreto pré-misturado (embora. A mistura tem que ser homogênea. A mistura mecanizada é realizada em máquinas especiais denominadas betoneiras. Em cada betonada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. através de pás. deve envolver totalmente cada partícula de agregado. enquanto um tempo longo demais é _______________________________________________________________________________ 98 Concretos e Argamassas Prof. pois a fração do saco medida em peso é trabalhosa. só sendo aceitável para pequenos volumes de concreto. por ser pouco precisa. formando a pasta. é importante saber a sua capacidade de produção.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . neste caso. Um tempo reduzido demais produz uma mistura imperfeita. embora no Brasil a mais comum seja a betoneira basculante de eixo inclinado. que. A mistura manual está em desuso. Outro aspecto bastante importante é o tempo ideal de mistura.

do tipo: t = 120 d . garantindo assim uma formação mais completa das reações de hidratação que formam os compostos endurecedores do concreto. Para concretos convencionais a ordem mais comum é: 1) Agregado graúdo + parte da água batendo-se a água e a pedra eliminamos eventuais depósitos de materiais que podem estar ainda no interior da betoneira e fazemos a homogeneização da água no agregado graúdo. em segundos. areia. cimento e água. fazemos a hidratação de quase todas as partículas de cimento.edu. mantendo-se a principal propriedade do concreto: a resistência à compressão. Também é importante. brita fina.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sem o agregado miúdo. o tipo de betoneira.antieconômico. Não deve ser inferior a 1 minuto. com todos os materiais no seu interior. em metros. Alguns autores fornecem uma fórmula para o cálculo do tempo de mistura das betoneiras de eixo inclinado. Uma seqüência prática de se usar em obra é a entrada dos materiais na ordem dos mais grossos para os mais finos: brita grossa. a ordem de entrada dos materiais na betoneira. como a quantidade e o tipo de materiais. onde: t = tempo de mistura. Assim vamos evitar que a relação a/c seja maior que a de projeto. a trabalhabilidade do concreto. que depende de vários fatores. Cada autor também tem a sua preferência. 2) Cimento + restante (ou quase o restante) da água colocando-se o cimento e o agregado graúdo. para a execução de uma mistura perfeita. O tempo de mistura é contado a partir do instante que se liga a betoneira. _______________________________________________________________________________ 99 Concretos e Argamassas Prof. Uma ordem de grandeza prática para o tempo de mistura de um concreto convencional em obra comum é de 2 minutos. em função da umidade de areia que pode estar levando mais água ao concreto do que o esperado. d = diâmetro da betoneira. etc.. Por vezes evita-se colocar toda a água prevista. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

isto acontece exatamente nos pilares. para-se a betoneira e com uma colher se faz a soltura desta argamassa e retoma-se a mistura. e ainda não obtivemos a trabalhabilidade necessária (medida pelo ensaio de abatimento de tronco de cone – “slump”) não podemos mais simplesmente colocar água no concreto sob pena de termos uma relação a/c maior e consequentemente uma resistência mecânica menor que a de projeto. acaba ficando pouco concreto produzido em obra. Observação importante: Se já colocamos toda á água prevista pelo traço. Nesta etapa em função da trabalhabilidade pretendida e da água. se não foi colocada toda. pode-se então completar a água prevista. Neste caso.edu. tendo esta pasta a relação a/c original c) Colocarmos aditivos plastificantes. _______________________________________________________________________________ 100 Concretos e Argamassas Prof. A solução do aditivo plastificante é a mais usual (quando se fala de concreto com controle tecnológico). onde o volume é pequeno e se faz em obra e onde a resistência à compressão adquire uma importância maior.3) Areia com a colocação da areia começamos a contar o tempo de mistura verificando se não há a formação de argamassa nas pás (argamassa presa). Neste caso sempre temos que ter sempre em estoque algum aditivo e já instruído o operador de como usá-lo. Neste caso há três soluções mais comum para resolver o problema sem afetar a resistência mecânica: a) Adicionarmos mais argamassa ao concreto mantendo-se nesta argamassa a relação a/c do traço original b) Adicionarmos mais pasta ao concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . normalmente os pequenos volumes. Muito cuidado. Atenção: como hoje em dia se usa muito concreto dosado em central (“concreto usinado”). Porém.

passa pelo interior da bomba e é recalcado através de tubulações até alturas que podem ser superiores a 300 m. e de maneira tal que mantenha a sua homogeneidade. _______________________________________________________________________________ 101 Concretos e Argamassas Prof. evite a segregação dos seus componentes. O concreto é lançado no recipiente de admissão (cocho). desenvolveram-se as centrais produtoras de concreto prémisturado.edu. que recalcam o material através de um mecanismo de pistões e válvulas. para evitar a segregação).correia transportadora. • • vertical . entretanto o transporte do concreto pode ser realizado também por bombas especiais.. guinchos. Transporte O concreto deve ser transportado do local de mistura para o local onde vai ser lançado tão rapidamente quanto possível. que.caçambas. no Brasil. calha.através de vagonetes. etc. oblíqua ou inclinada . etc. etc.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O transporte do concreto geralmente ocorre das seguintes formas: • horizontal . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Em obras com grande volume de produção de concreto ou em regiões com grande mercado consumidor. têm uma boa aceitação e geralmente encontram-se em estágio tecnológico bastante razoável. caminhões. carrinhos (que devem ter rodas de borracha. ou seja. Porém isto não isenta a nossa responsabilidade e o controle do concreto como veremos adiante.. Em qualquer das formas..

geralmente com uma lança metálica articulada em dois ou três estágios. algumas até automotivas. com cobertura no caso de sol forte. Os caminhões. utilizou-se um sistema engenhoso. Para que o material deslize.edu. Este equipamento permite a concretagem de até 3 andares de obra sem a necessidade de nenhuma tubulação adicional. é necessária uma inclinação mínima de 13o. Era esta segunda bomba que levava o concreto até o pavimento em execução. quando utilizados no transporte de concreto por longa distância. sem segregação. como por exemplo. e pode ser usado tanto na horizontal quanto com pequenas inclinações. O material deve também ser protegido contra a secagem excessiva.5 até 8 m3. Alguns cuidados no transporte: a) Quando for feita de uma central dosadora até a obra. A capacidade de bombeamento deste tipo de equipamento geralmente é de cerca de 30 m3 por hora. acionadas por controle remoto. com cerca de 15 m de comprimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e a agitação do concreto pode ser realizada em dois sentidos e duas velocidades. colocada a meia altura do prédio. O transporte por esteiras rolantes é em geral mais indicado para os concretos secos. para evitar que o concreto quando seja lançado já esteja em início de pega ou muito próximo. Geralmente são trucados. os concreto-massa de barragem. montadas sobre carroceria de caminhão. Algumas empresas _______________________________________________________________________________ 102 Concretos e Argamassas Prof. consta que durante a construção do prédio do BNDE. temos que controlar o tempo em que foi adicionada a água. possuem balões com capacidade de transporte de 2.No Rio de Janeiro. As calhas ou canaletas utilizadas no transporte inclinado do concreto geralmente são de madeira revestida por chapa metálica. onde uma bomba estacionada no térreo recalcava o concreto até o cocho de uma segunda bomba. As bombas de concreto podem ser estacionárias ou móveis. e são chamados de caminhão betoneira.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . devem dispor de agitação própria. O concreto deverá ter consistência fluida e o processo de transporte deve ser contínuo e homogêneo.

prevendo atraso no transporte, em função de tráfego, fazem a mistura a seco e colocam água somente na obra. Outras utilizam aditivos retardadores de pega no concreto.
Atenção: muito cuidado com concreto com aditivos retardadores de pega, quando da previsão de desforma, pois já houve casos que o módulo de elasticidade exigido na época da desforma não foi atingido, devido ao uso destes aditivos. Acaba por vezes exigindo um tempo maior de escoramento do concreto

b) No transporte vertical ou horizontal por bombas, conforme o dia (umidade do ar, temperatura, exposição ao sol, etc), pode haver perda da traballhabilidade do concreto. A medida do “slump” na saída do caminhão pode atender a exigência de projeto, mas na saída da canalização, acaba sendo menor e pode comprometer o lançamento do concreto. Ver trabalho de TCC da ex-aluna Endriana Kischner Cavalheiro (Concreto bombeado: Verificação da

variabilidade das propriedades entre a saída da caminhão betoneira e a chegada no local de concretagem) c) Quando se faz transporte horizontal dento da obra, por carrinhos ou jericas, deve-se ter um caminho preparado, para evitar solavancos no percurso que podem levar a segregação do concreto

Lançamento / Colocação
O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto no ponto onde ele deverá permanecer definitivamente. O lançamento do concreto nas formas não deve ocorrer em intervalo superior a 30 minutos após a conclusão do amassamento. Na realidade, como o transporte, deve ser realizado no prazo mais rápido possível. Da mesma forma, como no caso do transporte, deve-se também evitar a segregação do concreto durante o lançamento nas formas. O uso de aditivos retardadores de pega pode estender este tempo para até cerca de duas horas, dependendo da eficiência do aditivo e da sua dosagem.
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Nas obras correntes, antes do lançamento do concreto, deve-se umedecer as fôrmas de modo a evitar a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para evitar a fuga de pasta de cimento. Outra situação especial de colocação do concreto em obra é o lançamento em altura. Ao sair da betoneira, o concreto geralmente é submetido a forças externas e internas que tendem a provocar a segregação (separação) dos seus materiais constituintes. Ao lançar o material de grande altura (ou deixá-lo correr livremente) surgirá a tendência de separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para evitar a segregação, a altura máxima de lançamento em concretagens comuns não deverá ultrapassar 2 m. Em pilares mais altos do que isso, por exemplo, podem ser abertas janelas de concretagem à meia altura, na parte lateral da fôrma, que são fechadas à medida que o concreto atinge este nível. Também neste caso pode ser utilizada a tremonha Nos casos mais comuns de vigas e lajes, o concreto deve ser lançado o mais próximo possível da sua posição final, não devendo fluir, "andar", ou ser empurrado dentro das fôrmas. Nas obras de maior porte, o lançamento do concreto deve ser feito segundo um plano de concretagem, elaborado para levar em consideração o projeto de escoramento e as deformações que nele serão provocadas pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço lembrar de escoras que

levantam pela deformação na estrutura de formas/escoramento Deve também ser prevista a ocorrência de interrupções do lançamento de concreto, que venham a provocar as chamadas juntas de construção, ou juntas frias. Estas em geral são provocadas pela impossibilidade do lançamento contínuo de um grande volume de concreto, ocorrência esta previsível ou não, derivada de acidente (como por exemplo, chuva forte, falta de energia, entupimento de bomba, quebra de equipamento de produção ou de transporte do concreto, etc.). Em todos os casos devem ser tomados alguns cuidados. A superfície do concreto velho deve ser apicoada ou limpa com escova de aço até tornar-se rugosa, com o agregado graúdo aparente, para facilitar a aderência com o concreto novo.
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Quando previsível, já ao final do lançamento, deve ser providenciado para que o acabamento de uma camada de concreto não seja executado em superfície lisa. A superfície da junta deve ser perfeitamente limpa, a fim de remover o material solto, o pó, as impurezas, etc., que prejudicam a aderência. Esta limpeza deve ser executada com jato d’água ou de ar comprimido. Quando não for usado o jato d’água, a superfície deve ser abundantemente molhada. Outra boa prática é a previsão de existência de ferros de espera, ou a colocação de pontas de ferro espetadas nas juntas, de modo que venham depois a realizar uma espécie de costura do concreto velho com o novo O projeto de uma estrutura pode também, intencionalmente, prever a existência de juntas, que neste caso recebem a denominação de juntas estruturais. Sua finalidade é a de permitir deslocamentos da estrutura, geralmente provocados por contrações, (retrações e expansões) derivadas de variações de temperatura e umidade, empenamentos, deflexões, recalques, etc.. Uma forma prática de se construir uma junta é a utilização de placas de isopor, que mais tarde são dissolvidas com querosene. Um caso particular de colocação do concreto é o do lançamento submerso. O concreto não deve ser lançado em águas com velocidade superior a 3 m/s (para que não seja "lavado"), nem em temperaturas inferiores a 2 oC (que interferem e até podem impedir a pega do cimento). O material deve possuir consumo mínimo de cimento de 350 kg/m3 (para garantir um fator a/c razoável e diminuir a tendência à segregação) tendo ainda uma consistência plástica, já que em geral não pode ser vibrado após o lançamento. O processo de colocação deve ser contínuo, através de uma tubulação sempre cheia de concreto, cuja ponta deve estar posicionada no interior da massa de concreto já lançada, para evitar que o material caia através da água e a pasta seja separada dos agregados por lavagem. O equipamento geralmente empregado neste processo chama-se tremonha.

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Adensamento / Compactação
O adensamento ou compactação do concreto recém lançado tem por objetivo deslocar, com esforço, os elementos que o compõem e orientá-los para se obter maior compacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e desalojar o ar do material eliminar os vazios da massa, tornando-a mais compacta e, mais

resistente, menos permeável e mais durável Os processos de adensamento podem ser manuais ou mecânicos. O adensamento manual, hoje raramente utilizado, era realizado por socamento ou apiloamento, é indicado apenas para obras de pequena importância. O socamento pressupunha a utilização de soquete metálico ou de madeira, e era utilizado apenas em concretos de consistência plástica. O apiloamento utilizava-se geralmente de pilão de madeira e também era indicado para concretos plásticos. Em ambos os processos a espessura das camadas não deveria ultrapassar 20 cm. O adensamento mecânico compreende os esforços de vibração, centrifugação e vácuo. O mais usado é a vibração em obras convencionais A vibração, processo mais utilizado atualmente, além da desaeração, dá ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água. A vibração não deve ser aplicada diretamente à armadura, que, ao vibrar, deixa um espaço vazio ao seu redor, eliminando a aderência. Caso durante a vibração haja um contato acidental do vibrador com a armadura, deve-se vibrar novamente o concreto nas proximidades.

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postes. podem ser: • de imersão (de agulha ou de banana). usados em peças de maiores dimensões ou com grande densidade de armadura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.de 6000 a 20000 vpm. telhas. que é. _______________________________________________________________________________ 107 Concretos e Argamassas Prof. que demandam concretos pouco plásticos. vigas. mais utilizados nas obras correntes de edificação. O diâmetro deste vibrador é um dado importante quando da elaboração do projeto estrutural.ex.. cria canalículos na massa de concreto. blocos. um caso particular de segregação e que será melhor explicado adiante nas propriedades do concreto). • de superfície (placas ou réguas vibratórias). • de mesa (ou mesa vibratória). empregados em pisos e pavimentações.edu. O fato é que a água. que pode ser • • • baixa . espaços estes que vêm a constituir os poros capilares. em geral empregado na produção de prémoldados ou peças pré-fabricadas em usina. Caso a exsudação ocorra com maior intensidade. média . Os equipamentos mais utilizados para a vibração do concreto. A revibração (uma segunda etapa de vibração) só deve ser realizada até a metade do tempo de pega do cimento. dormentes. geralmente vigas e transversinas de pontes e outras obras de arte especiais. na realidade. • de fôrma. os vibradores. pois define o espaçamento entre as armaduras. no seu movimento de ascensão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como p. etc. alta .da ordem de 1500 vpm. pode-se utilizar a revibração para tentar obturar os poros capilares.A vibração pode aumentar a ascensão à superfície de concreto do excesso de água (fenômeno denominado de exsudação. As características principais dos vibradores de concreto são: a) freqüência.entre 3000 e 6000 vpm.

sob este aspecto. não ultrapassa os 60 cm. para se determinar o raio de ação de um vibrador. é necessário quadruplicar a potência. Daí em diante. o efeito da vibração passa a ser nocivo. _______________________________________________________________________________ 108 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a diferentes distâncias do vibrador e mede-se a sua vibração. são mais econômicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Em geral. Alguns cuidados na utilização de vibradores de imersão: a) Os vibradores devem ser aplicados em posições sucessivas afastadas de distâncias iguais ou inferiores ao raio de ação do vibrador. Os vibradores de alta freqüência. b) potência A baixa freqüência exige maior potência do vibrador. Os vibradores mais utilizados no Brasil têm freqüência da ordem de 3500 vpm. A amplitude de ação depende também das características do próprio concreto. cravam-se várias barras de ferro na massa de concreto. enquanto nos EUA as normas de concreto corrente impõem o emprego de vibradores com 10000 ou 12000 vpm.edu. que é a distância além da qual o vibrador não exerce influência no concreto.A freqüência baixa movimenta os grãos maiores (agregado graúdo) e a freqüência alta movimenta os grãos menores (argamassa ou pasta de cimento). bem como à cessação quase completa do desprendimento de bolhas de ar. Na prática. O período útil de aplicação da vibração corresponde ao aparecimento de uma camada de argamassa na superfície do concreto (superfície torna-se brilhante). O raio de ação de um vibrador é proporcional à raiz quadrada da sua potência para duplicar o raio. c) amplitude ou raio de ação. já que o seu excesso gera a segregação do concreto.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.b) As camadas lançadas de concreto devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante do vibrador de imersão. No caso dos tubos isto é ótimo. As fôrmas em geral são metálicas e atingem velocidades de 12 a 24 m/s. bem como uma parcela da água. estacas. A compactação do concreto por centrifugação é muito empregada no caso da préfabricação de elementos de revolução. _______________________________________________________________________________ 109 Concretos e Argamassas Prof. variável com as dimensões da peça. ambas com o aparelho em funcionamento. O vibrador nunca deve ser utilizado para transportar ou empurrar o concreto. Durante a centrifugação ocorre uma classificação dos materiais componente do concreto segundo o seu tamanho. Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça. O processo pode ser usado também em fábricas de pré-moldados. O adensamento à vácuo é utilizado em pavimentação de ruas. o vácuo adensa o concreto por compressão. ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento.edu. para que se obtenha uma boa homogeneidade do concreto. como postes. Assim libera-se o ar contido no concreto. etc. d) O vibrador deverá ser utilizado sempre na vertical. é boa prática manter-se sempre um vibrador de reserva. Cobre-se o trecho pavimentado com uma manta plástica presa nas bordas e ligada por um tubo por onde se retira o ar aprisionado pela manta. durante um tempo de 2 a 10 minutos. c) A introdução da ponta vibrante no concreto deve ser rápida. e) Nas obras. Além disso. pois fica assegurada uma alta impermeabilidade e uma superfície interior pouco rugosa. caso contrário poderá ser deixado um vazio na massa de concreto. e sua retirada muito lenta..br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . tubos.

As baixas temperaturas prejudicam muito o crescimento das resistências mecânicas do concreto. p. _______________________________________________________________________________ 110 Concretos e Argamassas Prof. As condições da temperatura do meio ambiente nas primeiras idades do concreto são as mais importantes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. como por exemplo: • irrigação periódica das superfícies com água. Aos 28 dias de idade. a resistência à compressão do concreto curado em água pode ser até 40% superior à do concreto mantido ao ar. A cura do concreto em obra pode ser realizada de várias formas. principalmente em termos de resistência e de durabilidade. têm importância muito grande nas propriedades do concreto endurecido.ex. principalmente nas primeiras idades do concreto. O Comitê 363 do ACI define cura como o conjunto de procedimentos adotados para a manutenção de um teor de umidade satisfatório e uma temperatura favorável no concreto durante o período de hidratação dos materiais cimentícios.. As condições de umidade e temperatura.Cura Dá-se o nome de cura ao conjunto de medidas que têm por finalidade evitar a evaporação prematura da água necessária à hidratação do cimento. embora alguns autores recomendem pelo menos 14 dias de cura para que se tenha garantias contra o aparecimento de fissuras devidas à retração. o que também ocorre com as temperaturas elevadas. Algumas normas (inclusive a brasileira NBR 6118) exigem que a cura seja realizada nos 7 primeiros dias após o lançamento do concreto nas fôrmas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que provocam a evaporação de parte da água do concreto.edu. fenômeno que rege a pega e o endurecimento do concreto. A cura úmida (com água) em comparação com a cura do concreto ao ar. de modo que possam ser desenvolvidas as propriedades desejadas no concreto. melhora muito as características finais do material.

que impedem a evaporação da água membranas de cura.• recobrimento das superfícies com areia ou sacos de aniagem. mantidos sempre úmidos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • recobrimento da superfície com papéis impermeáveis especiais (do tipo kraft) ou filmes de polietileno. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 111 Concretos e Argamassas Prof. • emprego de compostos impermeabilizantes especiais para a cura. • Em certos casos a submersão do concreto pode ser indicada.edu. que também impedem a evaporação da água.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. denominada endurecimento. é plástica e chama-se pasta ou calda de cimento. A fase a seguir. Ainda que suas propriedades no estado fresco sejam de maior interesse para a aplicação. _______________________________________________________________________________ 112 Concretos e Argamassas Prof. aumentando sua viscosidade e apresentando elevação de temperatura. a situação é denominada fim de pega. antes do endurecimento. num estágio inicial. Entre a mistura e o fim de pega o concreto é dito no estado fresco. o concreto no estado plástico. convencionalmente. tornando-se um bloco rígido.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o cimento começa a hidratar-se. sabe-se que elas estão relacionadas e têm grande implicação nas propriedades do concreto endurecido.edu.PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO Introdução Entende-se com concreto fresco. O tempo decorrido desde a adição de água ao cimento até o aumento brusco de viscosidade da pasta é denominado. Quando a pasta deixa de ser deformável em face de pequenas cargas. a pasta começa a perder plasticidade. Pouco tempo depois. A mistura. início de pega. Algumas propriedades do concreto endurecido dependem fundamentalmente de suas características enquanto no estado fresco. é acompanhada pelo aumento da coesão e pelo ganho de resistência da pasta. Tempos de pega Quando entra em contacto com a água.

Trabalhabilidade É a propriedade do concreto fresco. De acordo com o tempo de pega. que usam a agulha de Vicat. transportado. A determinação dos tempos de pega dos concretos é importante.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . bem como a presença de aditivos químicos e/ou minerais no concreto. Cabe ainda salientar que com o início de pega inicia-se um processo de desprendimento de calor devido as reações química. os cimentos podem ser classificados: • • • Pega rápida tempo de início de pega < 30 min 30 min < tempo de início de pega < 60 min Pega semi-rápida Pega norma tempo de início de pega > 60 min Nos concretos. mantendo a sua integridade e homogeneidade. ou seja. pois são eles que indicam a disponibilidade de tempo para o concreto ser transportado. _______________________________________________________________________________ 113 Concretos e Argamassas Prof. sendo os mais importantes a composição química do cimento. e existem normas para as suas medidas. os tempos de início e fim de pega podem ser determinados com um equipamento que emprega o mesmo princípio da determinação da pega do cimento (a penetração de uma agulha de dimensão conhecida). Os tempos de início e fim de pega são características intrínsecas dos cimentos. a finura do cimento. lançado. compactado e começar a ser curado. a temperatura ambiente. sem perda de (manipulado) homogeneidade. o fator a/c.edu. colocado e compactado. como já se mencionou.A duração da pega é influenciada por vários fatores. difícil de ser definida. mas que possui dimensões bem maiores. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que se refere à sua aptidão em ser facilmente misturado. evitando a segregação em outras palavras empregado identifica a maior ou menor aptidão do concreto para ser com determinada finalidade.

TRABALHABILIDADE = CONSISTÊNCIA + COESÃO Importância da trabalhabilidade Independente da sofisticação usada nos procedimentos de dosagem e outras considerações.A ASTM C 125-93 define trabalhabilidade como a energia necessária pata manipular o concreto fresco sem perda considerável da homogeneidade. Nenhum deles consegue quantificar perfeitamente a trabalhabilidade. uma mistura de concreto que não possa ser lançada facilmente ou adensada em sua totalidade provavelmente não fornecerá resistência e durabilidade esperadas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. devido à grande quantidade de variáveis envolvidas nessa determinação. pois depende também das geometria da peça estrutural. Assim o concreto deve apresentar duas qualidade principais: • Consistência ou fluidez é função da quantidade de água adicionada ao concreto e simplesmente avalia o quão “duro” ou “mole” está o concreto • Coesão é uma propriedade que reflete a capacidade do concreto de manter sua homogeneidade durante o processo de transporte.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . da taxa de armadura. de lançamento e de adensamento. tais como o custo.edu. técnicas e tipos de ensaios para a determinação da trabalhabilidade dos concretos. do tipo de forma. A trabalhabilidade do concreto é uma definição relativa. _______________________________________________________________________________ 114 Concretos e Argamassas Prof. dos equipamentos de mistura. lançamento e adensamento e é função da quantidade de finos presente na mistura bem como da granulometria e da proporção entre si dos agregados. bem como da técnica e do tipo de acabamento desejado. Existem vários equipamentos. de transporte. adensamento e acabamento A ACI 116R-90 descreve como a facilidade e homogeneidade com que o concreto fresco pode ser manipulado desde a mistura até o acabamento. Entenda-se como manipular Lançamento.

Um abatimento forma do normal pode indicar uma mudança imprevista nas proporções da mistura. é o "Ensaio de Determinação da Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone". o slump test não é adequado e existem outros tipos de ensaios. o método mais utilizado (muito mais pela sua simplicidade do que pela sua precisão e representatividade).Nas obras correntes.edu. também conhecido como "slump test" – NBR 7223. Ensaio de abatimento de tronco de cone a) molde metálico preenchido de concreto b) medição do abatimento Para concretos com muita trabalhabilidade – concretos auto-adensáveis – e para concretos muito consistentes. _______________________________________________________________________________ 115 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ensaio de Slump test principal função é fornecer um método simples e conveniente (além de barato) para controlar a uniformidade da produção de concreto de diferentes betonadas.

do prof. Silvio Edmundo Pilz.editado pela Argos. Sobre ensaios de trabalhabilidade e como leitura complementar recomendamos o trabalho recente (2008) . indica os limites de consistência em função da aplicação e tipo de adensamento do concreto: A consistência indicativa do concreto em função do tipo de elemento estrutural.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.Procedimentos para ensaios de concreto fresco: um comparativo entre as técnicas utilizadas no Brasil e Alemanha . A tabela a seguir. para adensamento mecânico.A importância deste controle do abatimento pode ser visto na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. vemos na tabela seguinte: _______________________________________________________________________________ 116 Concretos e Argamassas Prof.

maior a perda de trabalhabilidade do concreto. dependendo do caso. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. um aditivo retardador de pega pode ajudar. que pode ser pequeno ou não. a adsorção na superfície dos produtos de hidratação e a evaporação de água capacidade de fluir. como. por exemplo. ou seja a . Ocorre devido a hidratação do cimento. quanto maior o tempo de transporte. Esse tempo pode chegar a ser bastante significativo. _______________________________________________________________________________ 117 Concretos e Argamassas Prof. que não deve ser deixada de lado por ocasião do emprego prático do concreto em obras. Em função disto para que o concreto possa ser manipulado desde a mistura até o acabamento é comum dosa-lo com um abatimento inicial maior que o previsto Sua importância deriva de três aspectos principais: • nem sempre é possível lançar o concreto nas fôrmas imediatamente após a transporte.edu. Regra geral. no caso de concreto pré-misturado em central e fornecido às obras em caminhõesbetoneira (que estão sujeitos ao fluxo de trânsito das cidades). é a da perda de trabalhabilidade (ou de slump) do concreto com o tempo.Perda da trabalhabilidade com o tempo Uma determinação realizada no concreto fresco. Neste caso.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó o concreto perde a consistência.

ou resfriar a massa de concreto (já misturada) com nitrogênio líquido. 1994) Mistura de concreto 1 2 3 4 5 6 Temperatura do concreto oC 21 21 21 29 29 29 Abatimento (mm) Inicial 191 181 127 181 191 140 30 min 178 121 111 137 140 114 60 min 140 83 79 111 89 92 90 min 95 64 57 67 64 67 _______________________________________________________________________________ 118 Concretos e Argamassas Prof. Regra geral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • a utilização crescente de aditivos químicos nos concretos. ser até de 25 cm. Neste caso. mas a perda de trabalhabilidade desse concreto será mais rápida do que a de um concreto corrente. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. principalmente no caso de superplastificantes. é boa prática trabalhar com os materiais nas temperaturas mais baixas possíveis. Para ilustrar segue a seguir quadro mostrando a perda de abatimento em algumas misturas de concreto com o passar do tempo. pode-se substituir parte da água de amassamento do concreto por gelo. como o Rio de Janeiro.• existem locais onde a temperatura ambiente é elevada. e protegendo a água e os agregados da insolação direta. (Mehta & Monteiro. Perda de abatimento em função da mistura.edu. quanto mais elevada a temperatura ambiente. temperatura do concreto e abatimento inicial. normalmente iniciando após 15 mminutos. no verão. com o auxílio do superplastificante. Em casos especiais. evitando o trabalho com cimento quente. O abatimento inicial de um concreto pode. apresenta como efeito colateral uma perda acelerada de trabalhabilidade do concreto. regra geral. recém chegado da fábrica.

maior é a probabilidade de que a perda de abatimento seja a causa de problemas operacionais. adensamento. ou água gelada para diminuir a temperatura do concreto.edu. transporte. acabamento • Alta temperatura do concreto devido ao calor de hidratação excessivo ou uso de materiais no concreto que tenham sido estocados a uma temperatura ambiente muito alta Problemas de perda de abatimento ocorrem mais freqüentemente em climas quentes. manuseado e lançado.O que pode acontecer com a perda de abatimento: • • • • • Necessidade extra de água Aderência do concreto dentro da caçamba da betoneira e caminhão betoneira Dificuldade de bombeamento e lançamento do concreto Queda da produtividade da mão de obra Perda da resistência e durabilidade (colocação extra de água) Um carregamento perdido de concreto duvidoso pode representar um ótimo negócio para a empresa de serviços de concretagem comparado ao seu possível uso e falha de desempenho. Em certas situações usa-se gelo (em escamas ou picado). Quanto mais alta a temperatura na qual o concreto é misturado. Causa e controle da perda de trabalhabilidade Algumas causas dos problemas de perda de abatimento são • • Emprego de cimento de pega anormal Tempo muito longo de mistura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . lançamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 119 Concretos e Argamassas Prof.

Consumo de água O abatimento ou consistência do concreto é uma função direta da quantidade de água na mistura. A influência da dosagem na consistência considerando-se: • • • Relação água / cimento (a/c) Relação agregados / cimento (ag/c) Quantidade de água.Medidas preventivas para controla a perda de abatimento • • • Eliminar qualquer possibilidade de atraso nas operações de concretagem Manter a temperatura do concreto entre 10oC e 21oC Controle laboratorial das características de pega e endurecimento do cimento Fatores que afetam a trabalhabilidade 1. pode-se dizer que Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência fluida Diminui Constante Aumenta Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência igual Diminui Diminui Constante _______________________________________________________________________________ 120 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dentro de certos limites é independente de outros fatores.

3 mm (material fino). Consumo de cimento Uma diminuição do consumo de cimento tende a produzir misturas ásperas. Um aumento do consumo de cimento. dificultando o acabamento e prejudicando o aspecto final da superfície. apresentam excelente coesão. NBR 7211 peneira 0. Para que um concreto seja trabalhável e tenha coesão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Areias mais grossas e grãos arredondados necessitam menos água para uma dada consistência misturas trabalháveis Areias muito finas e grãos angulosos necessitam mais água para uma dada consistência misturas ásperas e pouco trabalháveis.15 mm entre 6% e 17% (max. 3. Características dos agregados O tamanho e a forma das partículas dos agregados influencia na água necessária para uma dada consistência. 27%) entre 2% e 7% (max. é necessário um percentual mínimo de material passante na peneira 0.edu.2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.15 mm.3 mm peneira 0. Algumas normas consideram teores mínimos de material passante na peneira 0. mas tendem a ser viscosos. 22%) Para concreto com alto consumo de cimento (material fino) pode-se utilizar agregados com menos finos que outro executado com menor consumo de cimento _______________________________________________________________________________ 121 Concretos e Argamassas Prof.

Adições Pozolanas (materiais muito finos) tendem a aumentar a coesão e a diminuir a trabalhabilidade. diminuindo a relação a/c. 5. principalmente nas etapas de transporte. Aditivos • O aditivo incorporador de ar aumenta o volume da pasta e melhora a consistência para uma dada consistência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • O aditivo incorporador de ar reduz a resistência à compressão. lançamento e adensamento diferença das massa específicas e nos tamanhos das partículas. recuperando esta perda.4. obtendo estruturas com grande resistência e durabilidade.edu. Segregação e exsudação A SEGREGAÇÃO é definida como sendo a separação dos componentes do concreto fresco de tal forma que a sua distribuição não é mais uniforme. Há duas formas de segregação: • Tendência dos agregados maiores se separarem por deslocamento e sedimentar mais que as partículas menores pobre evita-se a segregação adicionando água ocorre em misturas secas e _______________________________________________________________________________ 122 Concretos e Argamassas Prof. • O aditivo redutor de água (plastificantes) para uma quantidade de água constante aumenta o abatimento. É uma tendência natural do concreto. Desta forma permitem execução de concreto com baixa relação a/c. Melhora a coesão pela redução da exsudação e da segregação. mas como melhora a trabalhabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pode permitir uma redução no consumo de água.

que se agrupam em "rios". e que. que começam como uma rede de "riachos". É. com um fator a/c mais elevado que o restante da massa de concreto). a tendência da água de amassamento vir à superfície do concreto fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando os componentes sólidos mais pesados depositam-se no fundo das fôrmas ou moldes.• Tendência da pasta se separar dos agregados excessiva de água ocorre devido adição Segregação excessiva pode ocorrer em concretos pouco coesivos devido a facilidade de deslocamento dos agregados em relação à pasta fresca aumentam a coesão do concreto O risco de segregação é diminuído: • • • • Evitar o manuseio excessivo do concreto fresco Excesso de vibração Alturas de lançamento não serem grandes Modificação da granulometria dos agregados a adição de finos A EXSUDAÇÃO é definida como o aparecimento de água na superfície após o concreto ter sido lançado e adensado. sobe para a superfície das peças concretadas. formam "estuários" e deságuam em "oceanos" no exterior das peças concretadas. nas proximidades das superfícies do concreto. portanto. porém antes de ocorrer a sua pega. Com a evaporação dessa água. a parte superior do concreto torna-se excessivamente úmida (ou seja. A exsudação dos concretos é um caso particular de segregação. o concreto endurecido tenderá a _______________________________________________________________________________ 123 Concretos e Argamassas Prof. Como conseqüência da exsudação. a água. A subida da água ocorre com a formação de canais capilares. recém-colocado. e o componente mais leve. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

a chamada nata de cimento. conseqüentemente. que se convencionou chamar de externa. sendo. Com o acúmulo de água na sua superfície. não consegue atingir a sua superfície. concentrando-se em alguns pontos pelo caminho. formando. pode carregar partículas de cimento. que dificulta a ligação de novas camadas de concreto com as antigas (aderência concreto velho-concreto novo). Recentemente. quando se tiver juntas de concretagem. Os primeiros são as barras de armadura. na medida que pode ser identificada do exterior das peças concretadas. Fica então prejudicada a aderência concreto-armadura. entretanto. Essa nata deve ser cuidadosamente removida. mas que. num segundo ponto preferencial. _______________________________________________________________________________ 124 Concretos e Argamassas Prof. Descobriu-se porém que a exsudação pode também ser interna à massa de concreto. no seu movimento de ascensão. a superfície dos agregados. a água. entretanto. ou interface agregado . Além disso. Nata porosa é quando a água percola nos capilares internos. Estes pontos em geral são de dois tipos. verificou-se que este é apenas um dos casos de exsudação.pasta. na superfície das peças concretadas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Desta mesma forma.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo esta a principal razão da existência da já muito mencionada zona de transição entre os agregados e a fase pasta de cimento. areia e argila presentes como impureza do agregado forma de lama sob a superfície do concreto e depositando sob a pulverulência Esta era a descrição clássica da exsudação. a água pode acumular-se em filmes ou bolsas.edu. carregando as partículas mais finas de cimento. portanto menos resistente. menos resistente aos esforços mecânicos e à penetração de agentes químicos agressivos. Este é o caso de um determinado volume de água que sobe pela massa de concreto. o concreto desta região passa a ter um fator a/c mais elevado que o restante.ser poroso na superfície e.

emprego de agregados de grãos arredondados. como. _______________________________________________________________________________ 125 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.A exsudação excessiva. • • • • utilização de traços de concreto mais ricos em cimento. é um fenômeno geralmente indesejado nas obras.edu. apesar de ocorrer com muita freqüência. por exemplo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A sua intensidade pode ser atenuada de várias formas: • • proporcionamento (dosagem) adequada dos componentes do concreto. os aditivos minerais. adição de materiais finos ao concreto. especificação adequada da trabalhabilidade do concreto para a execução de um determinado serviço. conseqüentemente. emprego de cimentos mais finos.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ser estimada para efeito do próprio dimensionamento da forma. conforme já se mencionou. Nos concretos correntes. por exemplo. Repare-se que a água que exsuda é apenas aquela que não foi capaz de se imiscuir na mistura dos outros componentes do concreto e lá permanecer. a massa pelo volume. o excesso de água de trabalhabilidade. que ali está apenas por uma questão de trabalhabilidade do material.Em geral. A presença de aditivos químicos e/ou minerais pode alterar a exsudação do concreto. a massa específica costuma ser da ordem de 2. Massa específica A massa específica de um concreto no estado fresco é determinada pesando-se um determinado volume conhecido de concreto e dividindo-se o resultado pelo outro. a mais na composição do concreto. deve-se evitar. a grosso modo. ou seja. Esta determinação é importante para a verificação da segurança das fôrmas e escoramentos de uma obra. pode ser de dois tipos: o ar aprisionado pelo concreto (geralmente durante o próprio processo de fabricação) e o ar intencionalmente incorporado ao concreto (geralmente com o auxílio de aditivos químicos incorporadores de ar. podem ser combatidas. pela revibração do concreto. por exemplo. Teor de ar do concreto O ar presente no concreto. Em casos especiais. A massa específica é expressa em kg/dm3. é uma água livre. inclusive. de todas as maneiras. tanto para mais quanto para menos. _______________________________________________________________________________ 126 Concretos e Argamassas Prof. com o auxílio de aditivos químicos plastificantes/ redutores de água. a massa específica do concreto pode. para promover a resistência do concreto aos ciclos alternados de congelamento e degelo).4 kg/dm3.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. As conseqüências do excesso de exsudação. ou seja.

o que pode colaborar para um eventual decréscimo de resistência. Alguns aditivos minerais muito finos idem. As fissuras se desenvolvem acima das obstruções para uniformizar o assentamento do concreto barras de aço e grandes partículas de agregado _______________________________________________________________________________ 127 Concretos e Argamassas Prof.edu.Os concretos correntes geralmente possuem um teor de ar aprisionado da ordem de 1 a 2%. Mudanças iniciais de volume Retração Plástica . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Alguns tipos de aditivos superplastificantes tendem a aumentar a quantidade de ar aprisionado pelo concreto.Acontece algumas horas após o concreto fresco ter sido colocado em formas devido a redução do seu volume fissuras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.Causas de retração plástica: • • • • Exsudação e Sedimentação Absorção de água pela forma ou pelo agregado Rápida perda de água por evaporação Deformações (inchamento ou assentamento da forma) O aumento da evaporação de água e fissuramento por retração plástica decorre de: • • • Alta temperatura do concreto Baixa umidade Vento de alta velocidade Medidas preventivas para evitar mudanças iniciais de volume • • • Umedecimento da sub-base e das fôrmas Umedecimento dos agregados quando secos e absorventes Manter baixa a temperatura do concreto fresco pelo resfriamento do agregado e da água de amassamento _______________________________________________________________________________ 128 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• Proteger o concreto durante qualquer demora apreciável entre lançamento e acabamento • • Reduzir o tempo entre lançamento e início de cura Minimizar a evaporação Temperatura do concreto: alguns aspectos Concretagem em Clima Frio • • • Existe pouca hidratação Existe pouco ganho de resistência (congelado e mantido abaixo de -10° C) Protegido contra a expansão gerada pelo congelamento da água Concretagem em Clima Quente • • • Aumenta perda de abatimento Aumenta fissuração por retração Reduzir o tempo de pega do concreto fresco _______________________________________________________________________________ 129 Concretos e Argamassas Prof.edu.

entretanto alguns pontos comuns a todas elas. Massa específica Varia entre 1. o tipo de cimento.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Um bom exemplo são os principais fatores que afetam as resistências mecânicas dos concretos. a duração da carga.500 kgf/m3 Resistência à esforços Concreto resiste bem a esforços de compressão e mal a esforços de tração (1/10 da resistência à compressão) Concreto resiste mal a cisalhamento (esforço de corte) _______________________________________________________________________________ 130 Concretos e Argamassas Prof. a forma e a graduação dos agregados. As mais importantes delas serão expostas a seguir. a velocidade de aplicação de carga durante a realização do ensaio.300 kgf/m3 2.700 kgf/m3 (concretos com agregados pesados o Concreto simples o Concreto armado 2. a idade de ensaio. São eles: • • • • • • o fator água-cimento.500 kg/m3 (concretos com agregados leves) a 3.PROPRIEDADES DO CONCRETO ENDURECIDO Convencionou-se denominar de propriedades do concreto endurecido uma série de características distintas dos concretos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Existem.

é que elas sejam deduzidas caso a caso.Resistência à compressão A resistência à compressão é uma das características mais importantes dos concretos. isto serve como balizamento. aos 28 dias. o fck (resistência característica do concreto à compressão) especificado pelo calculista. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . viadutos.edu. correlações. por exemplo. deduzidas por vários autores.. Em função de custos e para a diminuição de seções (para ganhos de espaços. tem-se usado para os pilares resistências maiores (40 MPa. já é possível obter-se resistências à compressão superiores a 100 MPa. que se meça a resistência à compressão em idades anteriores aos 28 dias. A resistência à compressão usual em obras de edificações situa-se geralmente na faixa de 20 a 25 MPa. em especial em garagens). _______________________________________________________________________________ 131 Concretos e Argamassas Prof. o mesmo acontecendo no concreto moldado in loco de obras de maior responsabilidade. como pontes. com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. Atualmente em função de e poder usar prensas de menor capacidade e de facilidade de transporte dos CP’s. Com a moderna tecnologia de utilização conjunta de aditivos químicos Mais adiante veremos algumas superplastificantes e aditivos minerais de grande finura. Nada impede. entretanto. por exemplo). porém. já aos 3 ou 7 dias de idade. etc. e se estabeleça uma correlação ou razão de crescimento da resistência à compressão de um dado concreto ao longo do tempo. iniciando-se normalmente em 30 MPa. Nas obras. Existem muitas relações de crescimento da resistência à compressão dos concretos. se o concreto atingirá. para cada concreto individualmente. Em peças de concreto pré-moldado e/ou protendido. a resistência à compressão dos concretos costuma ser um pouco mais elevada. Geralmente é medida aos 28 dias de idade em corpos de prova cilíndricos. O ideal. para que o responsável técnico possa estimar. usa-se o molde cilíndrico de 10 x 20 cm (mantida a relação 1 para 2).

Problemas relativos à variabilidade da resistência à compressão devido a ensaios podem ser visto em capítulo específico na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. A vantagem do ensaio por compressão diametral é que o corpo de prova é o mesmo utilizado no ensaio de compressão. medida em corpos de prova com o formato de oito (8) ou com chapas coladas nas extremidades de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. é conhecido internacionalmente como "Ensaio Brasileiro". medida em vigas prismáticas de concreto. provocada por falta de ortogonalidade ou paralelismo entre as faces sujeitas à compressão. devido ao Prof. • resistência à tração por compressão diametral de cilindros de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. A tensão é aplicada pela prensa em dois pontos nos terços do comprimento ou em um ponto centralizado do corpo de prova. A norma brasileira (NBR 12142) usa o primeiro tipo. biapoiados em roletes cilíndricos de aço. Resistência à tração A resistência dos concretos à tração pode ser medida de três formas diferentes: • resistência à tração direta. não há necessidade de vários tipos de moldes nem procedimentos de moldagem nas obras e laboratórios. do prof. vai confirmar se o corpo de prova não foi submetido à compressão excêntrica. geralmente o ensaio é realizado em prismas de concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 132 Concretos e Argamassas Prof. Este ensaio. • resistência à tração na flexão. Silvio Edmundo Pilz. em última análise. ensaiados deitados na prensa de compressão. moldados. ou seja. Lobo Carneiro.No ensaio de determinação da tensão de ruptura do concreto à compressão é muito importante a configuração de ruptura dos corpos de prova que.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

edu.000 MPa. Nos concretos convencionais. para quando não se possui ensaios específicos Pode ser medido em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos.0 MPa. ou 20 GPa. normalmente situa-se entre 2.A resistência dos concretos convencionais à tração geralmente é da ordem de um décimo da resistência à compressão. Para isso é necessário apenas que os corpos de prova. o que significa dizer que. Módulo de elasticidade (E) É a relação entre a tensão e a deformação do concreto. mais raramente ainda. nos mesmos corpos de prova. possuam também equipamentos que _______________________________________________________________________________ 133 Concretos e Argamassas Prof. A regra geral do ensaio é a aplicação ao concreto de uma tensão conhecida e a medida da deformação do corpo de prova. determina uma fórmula para obtenção do “E” a partir do fck do concreto. no mesmo ensaio. e. É muito empregado no cálculo estrutural. realizado nas próprias obras. Como a determinação do módulo de elasticidade dos concretos é realizada através de um ensaio um pouco mais sofisticado. durante os mesmos ciclos de carga. é da ordem de 20.0 e 4. nos concretos convencionais (20 a 40 MPa) . Coeficiente de Poisson É a relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . além de equipamentos que permitam a leitura da deformação longitudinal. que exige precisão de equipamentos e de operadores. Pode ser determinado (e geralmente é) em conjunto com o módulo de elasticidade. geralmente é pouco realizado. A NBR 6118. para determinar-se a deformação que sofrerá uma peça submetida a um determinado esforço de compressão.

pouco tempo depois. calcular a deformação transversal de um pilar submetido a uma compressão longitudinal. Nos concretos correntes o coeficiente de Poisson geralmente situa-se em torno do valor 0. durante a realização do ensaio para a determinação do módulo de elasticidade. e as deformações _______________________________________________________________________________ 134 Concretos e Argamassas Prof. Obtidos estes resultados. O carregamento. apenas com a diferença de que o ciclo de carga é de longa duração. basta dividir a deformação transversal pela longitudinal. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e.edu. É o coeficiente de Poisson que permite.permitam a leitura simultânea das deformações transversais. Fluência O módulo de elasticidade de um material é. entretanto é relativamente rápido e a deformação é dita instantânea.2. o carregamento é dito permanente. como já se disse. o corpo de prova é carregado. a relação entre um carregamento aplicado e a conseqüente deformação sofrida pelo material. e a deformação sofrida durante a carga geralmente desaparece na descarga. por exemplo. Por outras palavras. descarregado. A fluência é um fenômeno semelhante.

A técnica de ensaio segue os mesmos princípios da de determinação do módulo de elasticidade. é possível calcular-se a deformação lenta que uma dada estrutura vai sofrer quando submetida a uma determinada carga permanente. Os corpos de prova em geral são parecidos ou mesmo iguais aos empregados na determinação do módulo de elasticidade dos concretos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a uma carga permanente. É o caso.85. em grande parte. da deformação de uma viga causada pelo seu próprio peso (carga de peso próprio) que funciona como se fosse um carregamento permanentemente distribuído pela extensão da viga. já que estarão indisponíveis por um período de tempo muito maior. Pode ainda ser produzido pela ação de _______________________________________________________________________________ 135 Concretos e Argamassas Prof. os equipamentos empregados devem ser mais robustos e mais baratos. e. ao longo do tempo. não desaparecem quando a estrutura é descarregada. A fluência é então a deformação sofrida por uma estrutura quando submetida. apenas com a diferença de que ao invés de serem realizados ciclos de carga e descarga. por exemplo. Na norma brasileira NBR 6118. minorando a resistência em fator multiplicador de 0. Por ser um ensaio que geralmente dura vários anos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.são sofridas pela estrutura ao longo do tempo idem. ou seja. é mantida ao longo do tempo.edu. Desgaste por abrasão O desgaste por abrasão de uma superfície de concreto é provocado em geral pelo tráfego de pessoas e veículos. a fluência do concreto em esforços de compressão é levada em conta nos cálculos. bem como pelo impacto e atrito causado pelo arrastamento de partículas e objetos soltos. o corpo de prova é submetido a uma carga que não é aliviada. Conhecendo-se então o coeficiente de fluência de um determinado concreto. Periodicamente são realizadas medidas da deformação sofrida pelo corpo de prova.

embora nenhum deles tenha aceitação unânime internacional. principalmente nas aplicações em pavimentos como os de estradas e pontes. é possível tracioná-la em uma das extremidades e medir o seu deslocamento no interior do cubo de concreto na outra extremidade.caso de canais.casos de construções e monumentos no deserto ou em região praiana.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Sabendo-se a tensão de tração aplicada na armadura e registrando-a em cinco pontos de deslocamento pré-fixado. Os corpos de prova geralmente são constituídos por uma barra de armadura incorporada a um cubo de concreto ao longo de um comprimento conhecido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. até blocos de gelo. Existem vários tipos diferentes de aparelhos para a determinação do desgaste sofrido pelo concreto quando solicitado por abrasão. _______________________________________________________________________________ 136 Concretos e Argamassas Prof. Basta moldar vários corpos de prova com o mesmo concreto. pode carregar partículas de maiores dimensões e. Para finalizar.ou na água . com o objetivo de aferir a aderência de um determinado tipo de armadura de aço a um determinado tipo padrão de concreto. porém incorporando os diversos tipos de armaduras cuja aderência se quer medir comparativamente. é possível calcular-se a tensão nominal média de aderência que cada concreto imprimiu à barra metálica padrão. eventualmente. Aderência por arrancamento É a medida da aderência de um tipo padrão de barra de armadura a vários tipos diferentes de concreto.edu. é importante registrar que este ensaio pode ser realizado com o propósito inverso. onde a água. em pisos industriais e em obras hidráulicas como os vertedouros de barragens. É importante.partículas suspensas no ar . contudo determinar-se a resistência do concreto à abrasão. ou seja. onde o vento geralmente carrega muitas partículas de areia . além de areia. pilares de pontes e pernas de plataformas de petróleo. Como a barra atravessa o cubo.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Esta aderência na parte de cálculo e análise estrutural é muito importante e a NBR 6118 determina a valor de cálculo a partir do fck do concreto. RESISTÊNCIA DO CONCRETO PARÂMETROS DA AMOSTRA DIMENSÕES GEOMETRIA ESTADO DE UMIDADE RESISTÊNCIA DAS FASES COMPONENTES PARÂMETROS DE CARREGAMENTO TIPO DE TENSÃO VELOCIDADE DE APLICAÇÃO POROSIDADE DA MATRIZ FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE HIDRATAÇÃO POROSIDADE DO AGREGADO POROSIDADE DA ZONA DE TRANSIÇÃO FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE COMPACTAÇÃO GRAU DE HIDRATAÇÃO INTEGRAÇÃO QUÍMICA ENTRE AGREGADO E PASTA Na prática da engenharia considera-se que a resistência de um concreto.edu. curado em água (cura adequada) depende de apenas dois fatores: • • Relação a/c Grau de adensamento _______________________________________________________________________________ 137 Concretos e Argamassas Prof. quando não se realizou ensaios específicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Fatores que afetam a resistência mecânica São muitos os fatores que afetam as resistência mecânicas do concreto.

54 a 0.edu.Quando o concreto está plenamente adensado (nem mais nem menos). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.48 a 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .70 _______________________________________________________________________________ 138 Concretos e Argamassas Prof.54 0. A B valor na ordem de 1000 varia com a idade e qualidade do aglomerante (cimento) É o principal fator a ser controlado quando se deseja atingir determinada resistência.65 0. revestido e interno Concreto em obras normais (fck 20 MPa). Não é linear.60 0.60 a 0. exposto Concreto em contato com água sob pressão Concreto em contato com meio agressivo 0. Fator a/c indicado para alguns casos Concreto em obras normais (fck 20 MPa).65 a 0. a) Relação água cimento (a/c) Lei de Abrams: f cj = A B a c A resistência é inversamente proporcional à relação água cimento. considera-se a resistência mecânica como inversamente proporcional à relação a/c.

_______________________________________________________________________________ 139 Concretos e Argamassas Prof. tipo de cimento e idade c) Forma e graduação dos agregados Em igualdade de relação a/c.05 a 1. Concretos com britas de menor diâmetro tendem a gerar concretos mais resistentes.35 fc28 Adiante vemos tabela que relaciona relação a/c.b) Idade A resistência do concreto progride com a idade. justificado pela menor aderência entre pasta/agregado porém concretos com seixos permitem uma trabalhabilidade melhor o que possibilitaria diminuir o a/c havendo conseqüente aumento de resistência. mantida a relação a/c porém concreto com britas maiores é mais econômico (necessita menos argamassa).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . É explicado pelo mecanismo de hidratação do cimento que se processa ao longo do tempo.10 a 1.20 fc28 • fc365 = 1. Idade padrão para referenciar a resistência: 28 dias • fc28 = 1.5 fc3 • fc90 = 1.25 a 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 fc7 • fc28 = 1.70 a 2.edu. os concretos com seixos tendem a ser menos resistentes que concreto com pedra britada. em especial aos cimentos pozolânicos.

00 1.48 0.58 0.38 1.58 0.54 0.66 0.00 1.68 0.16 1.32 0.00 1.26 1.38 0.71 0.43 7d 0.00 1.00 1.Evolução da resistência com o tempo em função da relação a/c Cimento CP I CP I-S Relação a/c 0.26 1.61 0.74 0.40 0.55 0.54 0.50 0.82 0.78 0.11 1.72 0.52 0.28 0.38 0.04 1.70 0.53 0.00 1.86 0.49 0.35 0.48 0.00 1.00 1.48 0.68 0.28 1.78 0.50 0.78 0.46 0.47 0.00 1.61 0.71 0.34 0.17 1.26 0.48 0.57 0.21 1.00 1.62 0.71 0.42 0.60 0.60 28d 1.22 0.26 1.68 0.40 0.68 0.14 1.23 1.00 1.22 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.38 0.58 0.68 0.00 1.30 1.48 0.58 0.18 1.38 0.06 1.34 1.00 1.48 0.31 1.62 0.78 0.16 1.69 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .13 CP II-E CP II-Z CP II-F CP III CP IV CP V _______________________________________________________________________________ 140 Concretos e Argamassas Prof.00 1.08 1.38 0.00 1.00 1.51 0.25 1.36 0.00 1.69 0.78 fc28 Mpa 43 35 28 23 18 40 33 27 22 18 51 40 32 26 20 40 31 25 20 15 55 42 36 29 23 Coeficiente médio fcj / fc28 3d 0.64 0.edu.00 1.00 1.00 1.36 0.25 1.00 1.00 1.69 0.58 0.77 0.00 91d 1.00 1.60 0.38 0.35 0.16 1.48 0.00 1.29 0.20 1.

que amostra o concreto a cada 50 m3.20 x 300 x 2 = 120 quindins defeituosos nestes dois dias. enfim. misturas com parcela defeituosa de 20%.000 quindins. Egydio Herve Neto aborda o assunto do controle do concreto em obra x concreteira. A qualidade tem que garantir que pelo menos 95% da massa atinja uma qualidade ideal de mistura homogênea. a produção mensal mostrou-se estritamente conforme! Entretanto. a cada 50 quindins. a cada lote concretado.edu. ou seja. Dois testes são feitos na massa: teste de plasticidade e teste de homogeneidade. A quantidade de quindins defeituosos ao final do mês informa se a porcentagem defeituosa foi respeitada. isto equivaleria a produzir 0. _______________________________________________________________________________ 141 Concretos e Argamassas Prof. Isto significa uma fração defeituosa máxima de 5%. O primeiro verifica se a massa tem a consistência ideal. Por exemplo: Entrega diária: 60 quindins.CONTROLE E ACEITAÇÃO DO CONCRETO Introdução Antes de abordarmos o assunto vemos ver de como o bem humorado Eng. O segundo verifica se a mistura foi boa e não há pontos de concentração de farinha. mistura conforme). mesmo que a concreteira possua conformidade pela NBR 7212. O teste na doceria é feito pela retirada de uma amostra da massa a cada volume equivalente a 50 quindins.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A concretagem de uma obra deve ser feita usando-se a NBR 12655. Defeituosos:2 quindins (3. ou farinha molhada. Ora. O controle da concreteira que adota a NBR 7212 . apresentou neste mês uma quantidade pouco maior de quindins não-conformes. mas o valor final. mistura conforme). O teste na padaria é feito para pelo menos o equivalente a 6 quindins. ou tenha recebido uma partida com ovos estragados.serve apenas para que ela garanta a uniformidade da produção como um todo. massa para 60 quindins por dia a cada uma. Fornece às padarias. A amostragem da doceria. inclusive algumas reclamações por intoxicação e riscos à saúde. Defeituosos: 400 quindins (4. etc. usando-se a Norma NBR 7212. nestes dois dias. ou coco.44% < 5%. volume aplicado em um dia. com amostragem de no mínimo 6 exemplares (muito maior que a concreteira) e pode apresentar-se não-conforme. algo que gerou durante dois dias. ou ovo. algumas padarias receberam em sua cota diária de 60 quindins. aquele doce). Controle Tecnológico do concreto e os quindins Para abordar este assunto vou falar a respeito da produção de uma massa: a massa de quindins (isto aí. de toda a produção. Suponha-se agora que num determinado dia a doceria tenha sido particularmente desastrada. Uma doceria produz massa para 300 quindins por dia.33% < 5%. aumentando suas chances de aceitação nas obras. algumas até 7 e até 12 quindins defeituosos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Por exemplo: Produção mensal: 9. ficou bem abaixo de 5%. Resumindo: • • A produção de uma usina de concreto é controlada pelo seu todo. resultando em grande prejuízo perante os clientes. Conclusão: A Norma que vale para o controle das obras é a NBR 12655.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . inicialmente. Para o concreto endurecido normalmente controla-se à resistência à compressão. levantar elementos que permitam verificar a conformidade do concreto fornecido com o concreto especificado e estudado. O controle tecnológico do concreto é regido pela NBR 12655 e veremos adiante alguns aspectos relativos a ela. aonde vimos que normalmente controlamos a trabalhabilidade (consistência + coesão). volumes lançados e propriedades que se deseja medir. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com a medição do abatimento (slump test). Controle Tecnológico O controle tecnológico é a atividade que tem por objetivo. duas perguntas: Por que controlar o concreto? • • Para garantir que o fckest ≥ fck Porquê é obrigatório por norma O que devemos controlar? • As propriedades do concreto fresco e do concreto endurecido O controle das propriedades do concreto fresco foi estudado anteriormente em capítulo específico. Deve ser definido o plano de amostragem a ser adotado em função das peças a serem concretadas. Os dados obtidos serão submetidos a análise e em função das mesmas serão estabelecidas as correções necessárias ou melhorias que possam ser introduzidas. _______________________________________________________________________________ 142 Concretos e Argamassas Prof. durante a produção.edu.Então.

sempre aos pares. devemos ter 24 CP’s. para cada idade. dois corpos de prova. _______________________________________________________________________________ 143 Concretos e Argamassas Prof.Resistência à compressão através dos Corpos-de-prova A NBR 5739 em conjunto com a NBR 12655. devemos ter 12 amostras tiradas de diferentes betonadas. Estes dois CP’s são rompidos e obtidos dois resultados de resistência à compressão do concreto. O valor representativo desta amostra é o maior valor dos dois resultados resistência potencial do concreto Assim se para representarmos estatisticamente a resistência de um concreto produzido para uma obra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para uma determinada idade.edu. determina que deva sempre se ter para cada amostra de concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

passa a existir maior ou menor afastamento de cada um deles em relação à média do conjunto. não há transporte. adensamento e cura. o adensamento é o melhor possível e a cura otimizada. É o valor médio de todos eles. Já nos ensaios. onde vemos que é a resistência que potencialmente um determinado concreto pode ter. os diversos resultados ( xi ) podem ter maior ou menor dispersão (afastamento da média).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o lançamento é adequado. _______________________________________________________________________________ 144 Concretos e Argamassas Prof. No projeto esta diferença é levada em conta nos chamadas coeficientes de segurança dos materiais.O conceito de resistência potencial do concreto pode ser visto no gráfico acima. ou seja. Número de resultados (n) Dispersão : em volta da média.edu. Média ( X ) o valor em torno do qual se concentram os resultados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Ocorre que normalmente não temos todos esses valores – somente uma parte do universo. todas estas etapas são otimizadas. mas que dificilmente não irá atingir na obra em função das perdas durante as operações de transporte. mas como os resultados são diferentes uns dos outros. lançamento. Resumo de estatística Universo conjunto de resultados. A dispersão é avaliada pela fórmula da variança (s2) : s2 = ( X − xi ) 2 ∑ i =1 n n Essas fórmulas seriam aplicadas estatisticamente para representar todo o universo de dados.

com infinitas amostras. Inicialmente sabemos que num universo de dados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . podendo ser representado pelo desvio padrão. este valor é determinado estatisticamente. as fórmulas estatísticas são alteradas para que seja representada pelo desvio-padrão (σ). Estas perdas dependem do controle que fazemos no concreto e são representadas pelo desvio padrão. Quanto o mais deve ser este valor? Depende o grau de confiabilidade e precisão (traduzindo por segurança) que queremos em nossa estrutura. seja compensadas. Resistência de dosagem Então temos que produzir um concreto com resistência de valor maior que o fck. sendo este uma medida reconhecida de dispersão de valores. Plotando-se isto _______________________________________________________________________________ 145 Concretos e Argamassas Prof. adensamento e cura. No Brasil.Então. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. os resultados variam em torno de uma média de valores. Resistência de projeto (fck) Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). Para atingir fck devemos produzir um concreto (virado em obra ou em central) maior de tal maneira que as perdas da resistência ocorridas durante as etapas de transporte.edu. lançamento.

edu. considerando-se a média e o desvio-padrão. fcj = fck + 1.65) .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pelo menos 95% destes valores estejam acima do valor do fck.num gráfico de densidade de frequência x resistência (fc) temos uma curva de distribuição normal (curva de Gauss). Conceitos estatísticos nos dão o quanto este valor deve-se ser maior que a média. Pretende-se então que quando rompermos os CP’s.65 x Sd sendo Sd = desvio padrão _______________________________________________________________________________ 146 Concretos e Argamassas Prof. levando-se em conta o desvio-padrão “t” de Student ( t= 1.

devemos então fazer o concreto com um valor acima do fck.edu. haverá um valor médio e um desvio padrão de produção. Com o uso de ferramentas estatísticas chega-se a esta fórmula fcj = fck + 1. bom e ótimo a necessidade de se ter um determinado valor do fcj a ser atingido na resistência de dosagem para poder atingir o fck na estrutura _______________________________________________________________________________ 147 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 MPa Sd = 2. Para que pelo menos 95 % dos valores de resistência do concreto (ensaios) tenham este valor.5 MPa Sd = 4. Para um determinado número de ensaios dos CP realizados para a comprovação do concreto elaborado pela empresa. seguindo os valores indicados por vários autores • • • • Controle ruim Concreto médio Concreto bom Controle máximo Sd = 7.0 MPa Sd = 5. médio. 30 ou 40 MPa. Este valor é o que chamamos de resistência de dosagem do concreto (fcj) e irá depender do controle de qualidade de cada empresa.65 x Sd Sd = desvio padrão Alguns exemplos. quer seja de 20.Resistência de projeto x resistência de dosagem Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0 MPa Exemplo prático da vantagem do controle Considerando os valores sugeridos pelos autores para os desvios padrão relativos aos graus de controle do concreto. nos controles ruim. temos para um determinado concreto de obra.

60 33. e sabendo que para cada MPa de redução da resistência pode representar uma diminuição de 6 kg de cimento e considerando o preço do saco de 50 kg como sendo de R$ 25.250. determinamos o fckest É regulado pela NBR 12655 que identifica dois tipos de controle de resistência _______________________________________________________________________________ 148 Concretos e Argamassas Prof.60 46.30 41.500. para um custo de controle e de ensaios de dosagem na ordem de R$ 1.Valores de fcj (MPa) a ser produzido para atingir o fck em função do grau de controle utilizado Controle fck 20 MPa fck 30 MPa fck 40 MPa Ruim Médio Bom Máximo 31.08 46.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Num prédio normal de 10 andares que consome na média 750 m3 de concreto a redução com concreto efetivo do processo de produção e um estudo de dosagem representa uma economia de R$ 11.60 23. Ou seja.00 só no concreto.00 / saco temos uma redução de 30 kg de cimento para um controle ruim para bom o que representa uma redução de valor de R$ 15.00.00 por m3 de concreto.08 36. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.55 49.08 26.55 29.edu.55 39. Aceitação do concreto O controle de aceitação é necessário para sabermos se determinado concreto que foi colocado na estrutura atingiu a resistência esperada ou não e saber se devemos tomar providências ou não.30 51.30 Sabendo que o maior responsável pelo custo do concreto é o cimento. CONCLUSÃO VALE A PELA CONTROLAR CONCRETO.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. as amostras devem ser de no mínimo seis exemplares para concretos convencionais. elaborado e aplicado sob condições uniformes (mesma classe. mesmos procedimentos e mesmo equipamento).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• Por amostragem parcial (dividido ainda em para menos de 20 amostras ou mais de 20 amostras) • • Por amostragem total Controle excepcional especiais. A tabela a seguir. este terceiro tipo somente é aceito para casos Inicialmente dividimos a obra a ser concretada em lotes. o valor do fckest na idade especificada é dado por: _______________________________________________________________________________ 149 Concretos e Argamassas Prof.edu. Um lote de concreto é um volume definido. a) Para lotes com número de exemplares 6 ≤ n < 20. para a amostragem. De cada lote deve ser retirada uma amostra. na NBR 12655. mesma família. mostra os valores para a formação de lotes do concreto Solicitação principal dos elementos estruturais Compressão ou Flexão simples compressão e flexão 50 m3 100 m3 1 3 dias concretagem 1 Limites superiores Volume / concreto Nº de andares Tempo de concretagem 1) Controle por amostragem parcial Neste tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas de concreto. com número de exemplares (par de CP’s) de acordo com o tipo de controle.

f 1 obtidos na tabela Observação: As condições de preparo da tabela anterior são: Condição A: cimento e agregados e água medidos em massa sendo a água corrigida em função da umidade dos agregados Condição B: cimento medido em massa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. água em massa e corrigida em função da estimativa da umidade de areia e da determinação da consistência do concreto. + f m −1 − fm = 2× m −1 m = n/2 . _______________________________________________________________________________ 150 Concretos e Argamassas Prof. fm Despreza-se o valor mais alto de n. f2. levando-se e conta a umidade da areia) Condição C: cimento em massa. água em massa e agregados em massa combinado com volume (conversão de massa para volume de maneira confiável.. agregados em volume...f ckest Onde : f1 + f 2 + . se for ímpar valores das resitências dos exemplares. em ordem crescente Também não se deve tomar para fckest valor menor que seguinte. admitindo-se interpolação linear. .. f1. Ψ6 .edu..

f ckest = f1 a) para Onde : n > 20. a critério do responsável técnico pela obra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Quando o valor de i for fracionário adota-se o número inteiro imediatamente superior. _______________________________________________________________________________ 151 Concretos e Argamassas Prof. S d Onde : fcm Sd é a resistência média dos exemplares do lote (MPa) é o desvio padrão da amostra de n elementos.edu. f ckest = f i i = 0.65 .b) Para lotes com número de exemplares n ≥ 20 f ckest = f cm −1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. calculado com um grau de liberdade a menos (n-1) (MPa) 2) Controle por amostragem total (100%) Consiste no ensaio de exemplares de cada amassada de concreto e aplica-se a casos especiais.05 n. Não há limitação para o número de exemplares do lote e o valor estimado da resistência característica é dado por: a) para n ≤ 20.

3) Casos excepcionais Pode-se dividir a estrutura em lotes correspondentes a no máximo 10 m3 e amostrálos com número de exemplares entre 2 e 5. quando o valor estimado da resistência característica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Neste casos.edu. denominados excepcionais. f1 Aceitação do concreto Os lotes de concreto devem ser aceitos. o valor estimado da resistência característica é dado por: f ckest = Ψ6 . satisfazer a relação f ckest ≥ f ck O que fazer se não for atendida esta relação? Aguardem os próximos capítulos (disciplinas) _______________________________________________________________________________ 152 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

P.000 pontes. _______________________________________________________________________________ 153 Concretos e Argamassas Prof. o setor de recuperação estrutural cresceu 2 vezes mais que a construção civil.A. • • em 1990 esta previsão foi revista para 200 bilhões de dólares.K.U. no momento. da Universidade de Berkeley (E. a Federal Highway Administration previu que até o ano 2. apresentou novos dados.000 pontes de concreto encontram-se em recuperação.. • esta quantidade está aumentando à ordem de 35. dia 13/11/2000. existem 500. a um custo estimado de 20 bilhões de dólares. Paulo Monteiro. o problema principal é a corrosão de armaduras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o Prof.000 tabuleiros de ponte. também da Universidade de Berkeley.). em 1997.A. Mais recentemente. das quais 250. • no início da década de 80. Já em 1997 o Prof. Mehta.DURABILIDADE Introdução e importância Ao autores Mehta e Monteiro (1994). apresentou os seguintes dados: • nos E.U. em Punta Del Este (Uruguai). na década de 80.000 tabuleiros por ano.000 apresentam problemas. 22. em palestra realizada nas XXIX Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural.A.edu. que complementam os anteriores: • • nos E.U.000 seriam gastos 100 bilhões de dólares só na recuperação e reforço de pontes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em palestra realizada no Rio de Janeiro. colocaram que nos países industrializados mais de 40% dos recursos da indústria da construção são aplicados no reparo e manutenção de estruturas existentes. até 1987 haviam sido constatados problemas de durabilidade em 253.

desde 1995. em breve estarão gastando mais dinheiro na recuperação das pontes existentes do que na construção de novas pontes.U.• os E. qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao seu meio ambiente. Conceito De acordo com a norma americana ACI 201 de 1991.edu. nos E. O tema cresce ainda mais em importância a partir do momento que a construção civil começa a estar cada vez mais presente em ambientes agressivos.U.. ataques químicos. a durabilidade passa a ser outra característica cada vez mais exigida do concreto. atual. 150 barragens de grande porte com problemas de reação álcali-agregado. Nestes casos. e que envolve números muito grandes. Isto já ocorre na Inglaterra.A. as resistências mecânicas do concreto estrutural continuam sendo necessárias. Pode-se dizer que o material atingiu o fim da sua vida útil quando suas propriedades sob dadas condições de uso deterioram a um tal ponto que a continuação do uso _______________________________________________________________________________ 154 Concretos e Argamassas Prof. como as regiões polares. desde 1999. o concreto durável conservará a sua forma original. 15 vezes menor do que o custo de recuperação depois que a corrosão se propaga. isto significa que a durabilidade das estruturas de concreto é um assunto muito importante. Trocando em miúdos. os desertos e os mares. Durabilidade é a capacidade de resistir à ação das intempéries. assim como mais de 1000 pontes. em escala mundial. isto é.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas já não são mais suficientes como única forma de qualificação deste material de construção. em média. abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. e no Canadá. • o custo de recuperação logo que surgem os primeiros sinais de corrosão é. • existem no momento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Então está mais do que na hora dos engenheiros tomarem conta do aspecto durabilidade em projetos de estruturas de concreto.A.

• ataques de substâncias químicas agressivas. • expansão provocada pela contaminação de agregados com cloretos sulfatos. evaporação da água do concreto ou ciclos alternados de congelamento e degelo (quando a expansão volumétrica da água. os sulfatos. impacto. etc.deste material é considerada. • variações de temperatura. chega a 9%). ou antieconômica é sinônimo de durabilidade. como os cloretos. abrasão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os ácidos em geral. etc. _______________________________________________________________________________ 155 Concretos e Argamassas Prof.edu. EXTERNAS: • ações mecânicas. o gás carbônico. • variações de umidade. que podem provocar a perda de água e a instabilidade volumétrica dos concretos. como insegura.. na passagem do estado líquido para o sólido. fadiga. e até as águas muito puras. uma vida útil longa Formas mais comuns de ataque ao concreto estrutural INTERNAS: • expansão provocada pela reação de determinados tipos de agregados com os álcalis do cimento. bem como a cristalização de sais nos seus poros. que podem provocar fissuração de origem térmica. como sobrecargas. movimentação de fundações.

ou em conjunto. sem dúvida. podem provocar vários mecanismos de ataque que. natureza e granulometria do cimento. g) idade do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. levam o concreto à fissuração. b) dosagem. Depende ainda de: a) natureza e dimensão dos agregados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . reação química. Muitos pesquisadores consideram a corrosão das armaduras como o estado limite mais crítico sob o ponto de vista da durabilidade das estruturas. degradação. e até ao colapso estrutural. bem como do proporcionamento relativo dessas duas fases do concreto. expansão. Uma das mais sérias conseqüências dos ataques sofridos pelo concreto estrutural armado é. a corrosão das armaduras.edu. e) intensidade e direção da compactação. Características do concreto relacionadas a durabilidade PERMEABILIDADE Permeabilidade é definida como a propriedade que governa a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso A permeabilidade do concreto é função das permeabilidades da pasta de cimento e dos agregados. alteração. d) presença de aditivos químicos e minerais na composição do concreto. f) condições de cura. isoladamente.Essas formas de ataque. c) fator A/C. em geral. _______________________________________________________________________________ 156 Concretos e Argamassas Prof.

Para que isso ocorra. Normalmente a permeabilidade do agregado é menor do que a da pasta de cimento típica (< 3%). Em nossa região é muito difícil ter-se agregados com grande porosidade. com o passar do tempo. a forma de seus grãos e seu comportamento quando da adição da água. menor que 100 µm e perdem suas interconexões). No concreto bem curado a pasta de cimento não é o principal fator a contribuir para o coeficiente de permeabilidade A composição do cimento tem influência na velocidade de hidratação e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. cimentos com menor área específica produzem concretos com mais porosidade que cimentos mais finos. Para reduzir o volume de vazios do agregado. conseqüentemente. Neste caso. somente neste aspecto afeta permeabilidade. contribuindo para a redução da permeabilidade. Influência do agregado Se o agregado de um concreto tem baixa permeabilidade a área onde o fluxo de água pode ocorrer é reduzida e. para uma mesma relação água/cimento. a permeabilidade do concreto é menor quanto menor for a relação água/cimento. granulometrias descontínuas são mais indicadas.edu. _______________________________________________________________________________ 157 Concretos e Argamassas Prof. deve ser estudada o teor de finos necessário. Concretos impermeáveis podem necessitar de uma quantidade de finos maior que a usualmente tolerada nos concretos normais. forçando-o a circunscrever as partículas do agregado.Influência da pasta Para um mesmo grau de hidratação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Quanto maior o grau de hidratação da pasta. menor a permeabilidade (os poros reduzem a um tamanho pequeno. menor o espaço disponível para o gel e. sua presença prolonga o trajeto do fluxo. é fundamental a cura do concreto. embora possam produzir problemas em sua trabalhabilidade. Sabe-se que.

Pode-se dizer que a permeabilidade do concreto ou da argamassa é maior que a permeabilidade da pasta devido a presença de microfissuras presentes na fase de transição entre agregado e a pasta de cimento. quanto maio o tamanho do agregado. Zona de transição agregado – representação gráfica _______________________________________________________________________________ 158 Concretos e Argamassas Prof. maior o coeficiente de permeabilidade. Na figura a seguir observa-se a fase ou zona de transição onde vemos uma maior presença de etringita (que é expansiva) que o composto endurecedor C-S-H. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.Influência no concreto Considerando agora o concreto. gerando as fissuras nesta região.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Ex: Desgaste de pavimentos e pisos industriais pelo tráfego _______________________________________________________________________________ 159 Concretos e Argamassas Prof.Causas de deterioração do concreto CAUSAS FÍSICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO DESGASTE DA SUPERFÍCIE FISSURAÇÃO ABRASÃO EROSÃO CAVITAÇÃO MUDANÇAS DE VOLUME CARGA EXPOSIÇÃO ESTRUTURAL A EXTREMOS CAUSAS QUÍMICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO HIDRÓLISE DOS COMPONENTES DA PASTA DE CIMENTO TROCAS IÔNICAS ENTRE FLUIDOS AGRESSIVOS E A PASTA DE CIMENTO REAÇÕES CAUSADORAS DE PRODUTOS EXPANSIVOS Desgaste da superfície Pode ter: Abrasão de veículos atrito seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

postergando (atrasando) o desempenamento. maior que 28 MPa. Em especial os sulfatos. devemos reduzir a formação da nata superficial.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . até que a superfície tenha perdido a água de exsudação superficial (sem a nata porosa). devemos lançar mão de usar agregados de alta dureza (tipo Korodur). que podem causar danos consideráveis.Erosão Desgaste pela ação abrasiva de fluidos contendo partículas sólidas em suspensão Ex: Revestimento de canais. não possui alta resistência ao atrito Para superfícies normais de concreto (não em condições severas). Fissuração interna Podemos ter uma fissuração pela ação da cristalização de sais nos poros do concreto. Como medida adicional para aumentar a durabilidade da superfície. combinada com uma cura úmida por sete dias ou mais. tendo concretos com resistência . por serem expansivos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Tubulações para transporte de água e esgotos Cavitação Perda de massa pela formação de bolhas de vapor e sua ruptura de direção em águas. ou seja. como por exemplo. A água em solução salina irá penetrar e deteriorar o material por tensões internas resultante da pressa o dos sais. uma baixa relação a/c. ter uma resistência à compressão aos 28 dias maior que 40 MPa.podemos melhorar a resistência à abrasão.edu. Ex: Tubulações com devida a mudança repentina irregularidades na superfície do revestimento Cabe comentar que a pasta de cimento com alta porosidade e baixa resistência e com agregados que não possui resistência ao desgaste. agregados menores que 25 mm e com uma distribuição granulométrica adequada e uma baixa consistência de lançamento e adensamento. _______________________________________________________________________________ 160 Concretos e Argamassas Prof. Para condições mais severas de abrasão e erosão. num muro de concreto. onde temos uma superfície em contato com o meio agressivo e a outra superfície sujeita a evaporação.

Destacamento superfícies expostas descamam ou destacam Ação do fogo O concreto é incombustível e não emite gases tóxicos e quando exposto a altas temperaturas comum num incêndio (± 800 a 850 oC ) é capaz de manter a resistência por períodos longos Efeito da alta temperatura na pasta de cimento Esta depende do grau de hidratação da pasta. dos tamanhos dos agregados. Efeito da alta temperatura no agregado Agregados porosos podem causar expansões destrutivas (pipocamento) dependendo da taxa de aquecimento. pontes. mas mais comum temos: Fissuração simples ruptura por ação expansiva do gelo no interior do concreto mesma situação anterior.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . muros de arrimo. etc. tais como pavimentos de concreto.edu. Os danos podem ser variáveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. porém com repetidas vezes Fissuração e destacamento na situação de gelo-degelo. ou seja. quanto dos grãos reagiram com a água e da umidade presente na pasta na hora do incêndio.Ação do congelamento Situação típica para climas frios e superfícies de concreto expostas. de sua permeabilidade e da umidade presente nestes agregados. _______________________________________________________________________________ 161 Concretos e Argamassas Prof.

da corrosão. + + - _______________________________________________________________________________ 162 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5 e 13.5. Carbonatação O processo mais comum para reduzir o pH do concreto é a carbonatação do concreto. com pH entre 12. o SO4-2 e Cl. Carbonatação é um termo utilizado para descrever o efeito do dióxido de carbono. para estudos feitos entre 23 e 45 MPa.em águas subterrâneas e águas do mar e o íon H+ em águas industriais . devido a presença de íons Na . A carbonatação em sim não é uma ação deletéria. irá depender do pH do agente agressivo (normalmente um fluido seja líquido ou gasoso) e da permeabilidade do concreto.edu. usualmente da atmosfera nos materiais cimentícios. mostrou que se tinha pouco efeito na porcentagem da resistência a compressão retida após a exposição a altas temperaturas. K e OH . porém abre caminho para que a corrosão das armaduras se processe.Efeito da alta temperatura no concreto A resistência original do concreto. O concreto é um meio normalmente alcalino. apesar de que carbonatação x corrosão não estão inexoravelmente interligados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pois esta se manifesta em meios neutros ou levemente alcalinos (pH menor que 9. Deterioração por ações químicas Estas ações são as interações químicas entre agentes agressivos presentes no meio externo e os constituintes da pasta de cimento. Este pH alcalino protege as armaduras presentes no concreto.0) A taxa em que o agente agressivo irá agir. Fatores que podem diminuir o pH do concreto são o CO2 em águas puras e estagnadas e do ar.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco._______________________________________________________________________________ 163 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

R.Alguns fatores que influenciam na velocidade e profundidade de carbonatação do concreto são: • • • • • • • • Idade do concreto Relação a/c Caracteristicas do agregado Meio ambiente e grau de exposição Duração e condições de cura Umidade relativa do ar Fissuras etc Reações álcalis – agregado (RAA) RAA é um processo químico em que alguns constituintes mineralógicos do agregado reagem com hidróxidos alcalinos (provenientes do cimento em especial) que estão dissolvidos na solução dos poros de concreto. álcali-sílica R. movimentações diferenciais nas estruturas. É uma reação (cria-se um gel) que provoca expansões. álcali-carbonato agregados calcário dolomítico x hidróxidos alcalinos sílica amorfa x hidróxidos alcalinos idem anterior. quartzitos) R. exsudação de gel e redução das resistências a compressão e tração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 164 Concretos e Argamassas Prof. álcali-silicato granitos.edu. mas mais lenta (rochas de felspatos.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. onde ocorreu fissuração devido as reações expansivas álcali-agregados _______________________________________________________________________________ 165 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Na figura acima vemos um bloco de fundação.Vemos na figura acima a presença das bordas de reação bem definidas e presença de gel gretado na interface pasta-agregado.

que serão vistas adiante nas disciplinas de estrutura de concreto _______________________________________________________________________________ 166 Concretos e Argamassas Prof. Nesta atual norma. estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil. NBR 6118 (2003) – Versão final As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. deverão ser tomados cuidados especiais em relação à escolha dos materiais constituintes.edu. sem exigir medidas extras de manutenção e reparo. respeitando-se o mínimo consumo de cimento e o máximo valor da relação água/cimento compatíveis com a boa durabilidade do concreto. há dois capítulos dedicados a questão da durabilidade das estruturas. Era isto e tão somente assim tratada a questão da durabilidade nesta versão!!! Versão da NBR 6118 (2001) As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança.Exigências de durabilidade Inicialmente vejamos como as normas brasileiras tratam da durabilidade das estruturas de concreto Versão da NBR 6118 (1980) Quando o concreto for usado em ambiente reconhecidamente agressivo. estabilidade e aptidão em serviço durante um período mínimo de 50 anos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

etc mínimo. Products and Components” trata do tempo de vida útil das estruturas de concreto Então. relação água/cimento. Classificação da Agressividade Ambiental 2. tem que ser realizado um projeto de durabilidade. levando-se em conta: 1.Guide to Durability of Buildings and Building Elements.Vejamos como a norma inglesa “BS 7543. Adoção de a) Propriedades dos materiais: tipo de concreto.edu. tipo de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Adoção de Condições de Trabalho 3. teor de argamassa. Adoção de Manutenção Preventiva _______________________________________________________________________________ 167 Concretos e Argamassas Prof. 1992 . b) Geometria dos elementos: cobrimento 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. assim como na equivalência à segurança estrutural.

de modo a permitir um completo preenchimento das fôrmas com concreto. a segregação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a exsudação. • em termos de quantidade de cimento. No projeto estrutural deve-se considerar todas as solicitações a que a estrutura estará submetida durante sua vida útil. Obs: Determinados tipos de fissuras.Principais providências que podem ser tomadas para garantir a durabilidade de uma estrutura No projeto arquitetônico deve-se prever formas adequadas de escoamento e drenagem. deve-se prever a localização de juntas de dilatação. A escolha do fator a/c adequado influencia as resistências mecânicas. sem prejuízo da trabalhabilidade do concreto. podem revelar-se importantes em relação à durabilidade da estrutura. evitando assim o peneiramento e o surgimento de “ninhos de abelha” ou “bicheiras”. • em termos de dosagem de água. deve prever um mínimo necessário à obtenção das resistências mecânicas. bem como um máximo que evite problemas como a fissuração provocada pela liberação do calor de hidratação. • a natureza e a dosagem do cimento: o uso de cimentos especiais e/ou a substituição de parte do cimento por aditivos minerais. que impeçam o acúmulo de líquidos agressivos. deve empregar a menor relação (ou fator) a/c possível. compatíveis com as condições de exposição da estrutura e com a sua vida útil esperada. mesmo quando consideradas insignificantes do ponto de vista estrutural. para reduzir ao mínimo a fissuração. deve-se detalhar adequadamente os diâmetros e espaçamentos das armaduras.edu. deve-se especificar cobrimentos mínimos de armadura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Na construção • deve-se realizar a escolha e dosagem dos materiais de acordo com as condições de exposição da estrutura. a _______________________________________________________________________________ 168 Concretos e Argamassas Prof.

deve ser realizada de modo muito criterioso. transporte e lançamento do concreto. mistura. • a cura.edu. de modo a garantir um proporcionamento perfeito e uma manipulação que evite a segregação do material.retração. etapas estas que influenciam a homogeneidade do concreto endurecido. com o mínimo de trabalho executado na superfície do concreto fresco. em especial na zona junto à superfície da peça concretada. • deve-se adotar procedimentos adequados de lançamento e adensamento. deve-se contar com equipamentos e mão-de-obra adequados. • nos procedimentos de pesagem. com reflexos importantes na porosidade e na permeabilidade. a porosidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . etc. como a porosidade.. a permeabilidade. • o acabamento deve ser realizado com os equipamentos e a mão-de-obra adequados.. _______________________________________________________________________________ 169 Concretos e Argamassas Prof. a permeabilidade. a porometria. etc. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em suma. influencia todos os parâmetros diretamente relacionados com a durabilidade dos concretos. que constitui-se em um dos fatores principais para a garantia do desenvolvimento das resistências mecânicas e das características associadas com a durabilidade dos concretos.

a dimensão (diâmetro) máxima característica do agregado graúdo e o abatimento do concreto fresco ( slump) no momento de entrega.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . estabelecendo três formas principais e algumas exigências complementares: • Pedido pela resistência característica do concreto à compressão • Pedido pelo consumo de cimento • Pedido pela composição da mistura (traço) Pedido pela resistência característica do concreto à compressão O concreto é solicitado especificando-se a resistência característica do concreto à compressão.edu. estabelecem as condições específicas para o pedido do concreto. Pedido pelo consumo de cimento O concreto é solicitado especificando-se o consumo de cimento por m3 de concreto. em conjunto com a NBR 14931.PEDIDO DE CONCRETO Introdução A NBR 7212. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 170 Concretos e Argamassas Prof. a dimensão (diâmetro) característica do agregado graúdo e o abatimento ( slump) do concreto fresco no momento da entrega.

d) relação água-cimento máxima. massa específica e outras. i) propriedades e condições especiais. incluindo-se aditivos.. resistividade e outras. cor. etc.2: 0. c) aditivo. temperatura do concreto. podem ser solicitadas outras características de parâmetros entre os quais: a) tipo de cimento. módulo de deformação.edu. submerso. autoadensável. g) tipo de lançamento: bombeável.Pedido pela composição da mistura (traço) O concreto é solicitado especificando-se as quantidades por m3 de cada um dos componentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . h) características especiais como: teor de argamassa ou de agregado miúdo. b) marca de cimento. _______________________________________________________________________________ 171 Concretos e Argamassas Prof.3: 3. como: retração. TRAÇO Aditivos Adições A/C CI: AR: BR: A/C 1: 2. se for o caso. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. fluência. e) consumo de cimento máximo ou mínimo. f) teor de ar incorporado.60 referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre ao total da massa de aglomerantes Exigências complementares Além das exigências constantes de cada modalidade de pedido. designado pela função ou denominação comercial. permeabilidade.

g) aditivo utilizado. Documentos de entrega O documento de entrega que acompanha cada remessa de concreto. Adição complementar de água Somente de admite adição suplementar de água para correção do abatimento. f) resistência característica do concreto à compressão. c) hora de início da mistura (primeira adição de agua).edu. h) quantidade de água adicionada na central. quando for o caso. desde que: a) antes de se proceder a esta adição. antes do início da descarga. i) quantidade máxima de água a ser adicionada na obra. o valor de abatimento obtido seja igual ou superior a 10 mm. nem inferior a 1 m3. devido à evaporação. e) dimensão máxima característica do agregado graúdo. d) abatimento do tronco de cone ( slump). j) menção de todos os demais itens especificados no pedido. quando especificada.Volume mínimo de entrega Deve ser fixado de acordo com as especificações do equipamento. b) volume de concreto. deve conter: a) quantidade de cada componente do concreto. _______________________________________________________________________________ 172 Concretos e Argamassas Prof. além dos itens obrigatórios pelos dispositivos legais vigentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . não se recomendando que esse volume seja inferior a 1/5 da capacidade do equipamento de mistura ou agitação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

b) esta correção não aumente o abatimento em mais de 25 mm. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. c) o abatimento após a correção não seja superior ao limite máximo especificado. pelas propriedades do concreto constantes no pedido. _______________________________________________________________________________ 173 Concretos e Argamassas Prof.edu. d) o tempo transcorrido entre a primeira adição de água aos materiais até o início da descarga não seja inferior a 15 min. Deve ser autorizada por elementos formalmente representantes das partes e tal fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. Qualquer outra adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto exigidas no pedido e este fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A adição suplementar mantém a responsabilidade da empresa de serviços de concretagem.

água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Instituto Nacional de Tecnologia (INT).edu. que teve contribuições do método do ITERS. O princípio da dosagem é fazer um balanço entre trabalhabilidade. os mais utilizados são: Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul (ITERS). _______________________________________________________________________________ 174 Concretos e Argamassas Prof. resistência. é o método experimental do IPT. durabilidade e economia.DOSAGEM DE CONCRETOS Introdução A dosagem é a determinação da quantidade de cada um dos materiais (proporcionamento dos materiais) para a produção de um metro cúbico de concreto. Então o objetivo geral de uma dosagem escolha dos materiais adequados entre é a busca para a melhor proporção entre cimento. agregados. Numa melhor definição de dosagem certa especificações prévias. A escolha de um dos métodos é mais uma questão de adaptação ao tipo de concreto que se deseja produzir (trabalhabilidade) e aos materiais empregados. sendo que. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. Em todos os métodos não há um que tenha uma expressão matemática exata que defina a composição do concreto. no Brasil. Existem vários métodos para a determinação da dosagem. aditivos e adfições. O mais utilizado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para fazer um concreto que atenda a aqueles disponíveis e a determinação da combinação mais econômica destes que produza um concreto que atenda a certas características de desempenho mínimo Como objetivos específicos temos: • Obter um produto que tenha um desempenho que atenda a certos requisitos previamente estabelecidos: Trabalhabilidade (concreto fresco) e Resistência (Concreto endurecido).A. (IPT) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

edu. Por isto se diz que Dosagem é a arte de contrabalançar efeitos conflitantes. Relação água/cimento. Consumo de cimento Relação areia/agregado graúdo.• Mistura de concreto que satisfaça os requisitos de desempenho ao mínimo custo possível Para alcançar estes objetivos devemos controlar algumas variáveis no processo: • • • • • • • Relação pasta/agregados. A consideração chave na dosagem do concreto é que o cimento responde pela maior parte do custo do mesmo. tal como o controle da trabalhabilidade (consistência + coesão). Sabe-se que o custo é um fator de extrema importância. porém podemos perder muito em coesão. em torno de 70 a 80 %. Da mesma forma o conflito entre trabalhabilidade e resistência. Mehta e Monteiro (1994) consideram que a dosagem de concreto é mais uma arte do que uma ciência. A consistência é a facilidade de fluir e a coesão é a resistência à segregação. Então a opção _______________________________________________________________________________ 175 Concretos e Argamassas Prof. Consumo de água Porém cabe salientar de início que o controle destas variáveis gera alguns efeitos conflitantes. porém na escolha dos materiais deve se fazer o equilíbrio entre os materiais tecnicamente aceitáveis porém mais caros e os materiais economicamente atraentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. conforme a região. com mais água ou aditivos. porém de propriedades não ótimas. Teor de argamassa Aditivos . Podemos aumentar facilmente a trabalhabilidade.

Fernando Luiz Lobo Carneiro (1953). pois indispensável propagar entre os mestres de obra a noção fundamental de que o concreto deve ser fabricado com a menor quantidade de água possível. principalmente devido à falta de controle do processo e da não existência de procedimentos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e que acontece simplesmente pelo aumento de água. normalmente já vem dos próprios fabricantes a utilização de materiais pozolânicos (cinzas volantes. reduzem o impacto ambiental. O eng. infelizmente a maioria deles tem a tendência a realizar exatamente o inverso. É de conhecimento da comunidade da construção que para atingir a resistência à compressão mínima. Uma das opções para a diminuição do custo. etc) em substituição ao cimento puro. elevando o custo final do concreto e que por vezes esta resistência ainda assim acaba não sendo alcançada. Resumidamente. deve ser irrigado com a maior quantidade de água possível. sem dúvida está exatamente na mudança das propriedades do concreto fresco. as informações principais podem ser assim relacionadas. Em qualquer método a ser empregado. devem ser conhecidas condições iniciais da obra. tal como o aumento da trabalhabilidade requerido pelos funcionários que atuam no lançamento e adensamento do concreto. sendo variáveis as informações necessárias. ao mínimo exigido. Portanto. é notório que há muita variabilidade no processo. Entre os motivos principais. Estes procedimentos acontecem pela falta de conhecimento dos encarregados da produção do concreto e pela falta de controle. outras das condições de produção da obra e informações sobre os materiais componentes. mas.mais adequada é reduzir o consumo de cimento. que não somente reduzem o preço do cimento. sem comprometer as demais propriedades estipuladas para o concreto. em face destes fatos já destacava É. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. depois de endurecido. mas por serem resíduos. algumas retiradas do projeto estrutural. os concretos dosados em obra empregam um consumo excessivo de cimento. tais como resistência e durabilidade. conforme o método a empregar: _______________________________________________________________________________ 176 Concretos e Argamassas Prof. escória de alto forno.

consistência. influências no concreto. k) informações sobre aditivos e adições. _______________________________________________________________________________ 177 Concretos e Argamassas Prof. medida pelo abatimento do tronco de cone. h) consistência desejada do concreto fresco. adensamento). massa específica e unitária dos agregados disponíveis. etc tipo. d) tipo do cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Antes de continuar o conteúdo e entrar no estudo de dosagem propriamente dita. média. j) relação água / cimento máxima. influências. b) resistência de dosagem do concreto. Concreto fresco fazem parte do conhecimento para o estudo de dosagem. lançamento.a) resistência característica do concreto (fck) e idade de referência. i) acabamento desejado ao concreto. índices. c) massa específica do concreto (leve. alta). f) análise granulométrica. etc trabalhabilidade. e) dimensão máxima do agregado. uso de aditivos. hidratação. cabe salientar que todo o conhecimento até agora adquirido referente à • • • • • Agregados Cimento etc Concreto endurecido etc e mais resistência de dosagem e projeto. coesão. ensaios. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. quando empregados l) condições de exposição. massa específica e nível de resistência aos 28 dias. m) durabilidade pretendida. n) técnicas de execução (transporte. durabilidade. g) coeficiente de inchamento do agregado miúdo.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .67 0.61 0.91 a/c Traço em massa NBR 12655 somente para concretos C10 e consumo cimento ≥ 300 kg/m3 _______________________________________________________________________________ 178 Concretos e Argamassas Prof.55 1: 2.edu.08 1: 2.DOSAGEM EMPÍRICA X DOSAGEM RACIONAL PRINCÍPIOS BÁSICOS Variáveis controladas: • • • • • • Relação pasta / agregados Relação água / cimento Relação areia / agregado graúdo Consumo de cimento Consumo de água Teor de argamassa seca Restrição Dependência entre os componentes (requisitos conflitantes) Dosagem empírica Exemplo de dosagem empíricas Método Caldas Branco Goiás Cientec Fck (Mpa) 15 15 15 utilização de tabelas de traços Consumo (kg/m3) 344 289 345 0.94 1: 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.17: 2.56: 2.84: 4.

desde que mantidos constantes o tipo e a graduação dos agregados e o total de água por volume de concreto” Validade da lei de Lyse: • • • Correções do traço em função da alteração da consistência Boa precisão inicial para traços próximos ao inicial Cuidado em traços mais ricos _______________________________________________________________________________ 179 Concretos e Argamassas Prof.Dosagem racional (experimental Lei de Inge Lyse (1931) – Trabalhabilidade H= • • • c ×100 1+ m a H = relação água / materiais secos ou percentagem de água pó unidade de concreto m=a+p a = areia p = pedra (brita) a/c = relação água / cimento “A consistência permanece aproximadamente constante a despeito da riqueza do traço.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

mas preciso de slump 10 cm.Exemplo Tenho um traço 1 : 2 : 3 a/c = 0.45 1:4. plástica Plástica Fluida Líquida Abatimento 0 – 20 30 – 50 60 – 90 100 – 150 > 160 Tolerância NBR 7212 (mm) 10 10 10 20 30 _______________________________________________________________________________ 180 Concretos e Argamassas Prof.11 = 0.edu. temos que irá alterar o H (deve ser definido experimentalmente).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 ×100 1+ m m = 4.6 slump 7 cm 1:5 (m) consumo de cimento ± 16% H= 0.6 ×100 = 10 % 1+ 5 Agora se quero manter a resistência. mas digamos H = 11% 0.45 (m) consumo de cimento ± 18% Consistência Seca Median. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Define a aparência. Abrams (1918) “Dentro do campo dos concretos plásticos a resistência aos esforços mecânicos. deve ser definido o α ideal. idade e cura Então a relação a/c define a resistência e H% define a trabalhabilidade Teor de argamassa seco (α) 1+ a α= ×100 1+ m a = relação agregado miúdo / cimento (em massa) m = relação agregados / cimento (em massa) m=a+p p = relação agregado graúdo / cimento ( em massa) α define a quantidade de argamassa presente num concreto.edu. visual. _______________________________________________________________________________ 181 Concretos e Argamassas Prof. aspereza custo elevado α deficiente α excessivo Em ensaio experimental.Lei de Duff A. O valor de α Indicativo subjetivo. bem como as demais propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água / cimento” f cj = A B a c fcj AeB resistência à compressão a “j” dias constantes que dependem dos materiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. areia e pedra). para os materiais disponíveis (cimento. dificuldade desempeno. porosidade. A partir daí poderemos determinar o traço do concreto. da prática de cada um.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

35 = 1+ a 1+ 5 a= 1. vamos: • • • Determinar a quantidade de água que atenda a trabalhabilidade definida pelo usuário qual o slump.00 traço 1: 2. mas no primeiro.Exemplos : Traço 1:5 a + p = 5 com α = 35 % 0.edu. Estudo de dosagem experimental (MÉTODO IPT) Para os materiais disponíveis.00 a/c = ? depende da resistência a pretender teoricamente poderíamos ter a mesma resistência para os dois concretos. teríamos um concreto com maior permeabilidade e conseqüente menor durabilidade.00 e p = 3.90 traço 1: 1.50 = 1+ a 1+ 5 a= 2.90 a/c = ? depende da resistência a pretender agora o mesmo 1:5 com α = 50 % 0. mantido a relação a/c. Determinar o teor de argamassa ideal Estabelecer um diagrama de dosagem (curvas de dosagem) deve ser _______________________________________________________________________________ 182 Concretos e Argamassas Prof. pela deficiência de argamassa.10 e p = 3.00 : 3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.10 : 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

com figuras de como se deve proceder para a determinação da dosagem experimental do IPT. um traço intermediário. A validade das curvas obtidas é somente enquanto forem mantidos os Importante mesmos materiais (cimento. São Paulo: PINI. um traço rico. C= m3 1+ a + p + x γ (kg C = consumo de cimento em kg x = relação a/c a. P.edu. Exemplo: Para os traços especificados com abatimento 90 mm ± 10 Traço 1:5 deve dar algo em torno de 35 a 40 Mpa (fck = ± 25 Mpa) Traço 1:6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 1993) traz passo a passo. p = traço de areia e pedra. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 deve dar algo em torno de 25 a 30 Mpa (fck = ± 15 Mpa) Traço 1:3. m 03 pontos afastados um traço pobre. P.Para estabelecer o diagrama (curvas) precisamos de no mínimo 3 pontos. TERZIAN. respectivamente γ = densidade do concreto obtido _______________________________________________________________________________ 183 Concretos e Argamassas Prof. com os seguintes dados: fc .5 deve dar algo em torno de 55 a 60 Mpa (fck = ± 45 Mpa) O livro Manual de dosagem e controle do concreto (HELENE. a/c .. brita. etc) Cálculo do consumo de cimento (real) por metro cúbico para determinar os custos. areia.

Também é na etapa de laboratório que também podemos efetuar estudos de dosagem com a utilização de aditivos e ver como se comporta a nossa curva com estes aditivos. Vejamos na figura seguinte: queremos um concreto com fc = 40 MPa.45 e seguido adiante no quadrante abaixo para uma determinada reta de “slump”. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. encontramos o “m” igual a 5. Na curva do quadrante superior direito. rompidos os corpos de prova. esta com a relação fc x a/c Com estas curvas podemos obter (para os mesmos materiais) traços para qualquer resistência de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Efetuado os traços. e compor o preço de cada traço.edu. obtemos uma relação a/c 0.0 e no quadrante a esquerda temos o C = 325 kg/m3 Assim compomos qualquer traço e com o custo de cada um deles. _______________________________________________________________________________ 184 Concretos e Argamassas Prof. obtido os dados. podemos obter as curvas de dosagem. Obtemos ainda a nossa curva para vários “slumps”. como por exemplo.

• • • O quadrante superior direito é o quadrante de Abrams (resistência x fc). _______________________________________________________________________________ 185 Concretos e Argamassas Prof. Lembrar que podemos transformar o nosso traço de laboratório (que será em massa). para traço em volume (para a obra). onde podemos automatizar os cálculos dos traços e custos do concreto. usando padiolas.edu. O quadrante inferior direito é o quadrante de Lyse (trabalhabilidade) O quadrante inferior esquerdo é o quadrante do proprietário (custo) É importante destacar que estas curvas podem ser representadas por equações.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. através dos ensaios realizados nos materiais.

5 1 : 6. d) Para alcançar um “slump” de 80 mm.34 ----------Massa específica (γ) Kg/dm3 3.44 / kg R$ 29. O slump obtido foi de 60 ± 10 mm.ARI Areia Brita basáltica Aditivo Massa unitária (δ) Kg/dm3 ----------1.40 0. Estabeleça o novo traço para atender o fck igual a 40 MPa e o custo do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .00 Custo R$ 0.edu.6 42.0 1 : 4.00 / m3 R$ 30.Exemplo de cálculo de dosagem Um estudo de dosagem realizado em laboratório apresentou os seguintes resultados: Traço 1:m 1 : 3.00 / m3 R$ 3. O inchamento da areia (ci) foi de 28% e o teor de umidade de (h%) foi de 5%.61 fc28 (MPa) 55. para o uso de betoneira de 580 L.5 MPa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 1 : 7. Conside o desvio padrão de dosagem igual a 3. As bocas das padiolas são de 35 x 45 cm.18 Os materiais utilizados foram Material Cimento CP V.5 a/c 0.80 1.50 1.3 H (%) 7.00 7.49 0.7 MPa b) Calcule os materiais necessários para a produção de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa). Calcule o custo de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa) c) Dimensione as padiolas para a execução em obra do traço com fck de 20 MPa.61 2.10 2.1 24.0 33. Neste ajuste foi adicionado mais 20 litros de água por m3 de concreto. foi realizado um ajuste de traço.27 7.50 7. _______________________________________________________________________________ 186 Concretos e Argamassas Prof.50 / kg No estudo de dosagem foi verificado que o teor de argamassa ideal para os materiais disponíveis foi de 51 %. a) Determine um traço de concreto para a produção de um concreto para atingir um fck de 20 MPa e 40 MPa aos 28 dias. Em obra o desvio padrão de produção da empresa é de 5.30 0.

ln (a / c ) + 1.6 % da massa de cimento.197 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.9791 (equação 1) m = 14.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. da página anterior foram levados a uma planilha Excel que resultou nas seguintes equações: f c = − 44.e) O uso de aditivo plastificante permite a redução de 12% na água de amassamento em relação ao traço original.655 . O aditivo é usado na proporção de 0.3448 (equação 2) _______________________________________________________________________________ 187 Concretos e Argamassas Prof. Calcule a viabilidade econômica de seu uso para produzir concretos com a mesma trabalhabilidade e resistência (40 MPa). a / c − 1. Observação: Os dados da primeira tabela.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. _______________________________________________________________________________ 188 Concretos e Argamassas Prof.Fórmulas básicas a utilizar (resumo) H= Relação água / materiais secos (H %) x ×100 1+ m Teor de argamassa seca (α %) α= 1+ a × 100 1+ m Agregados secos totais (m) m = a + p Consumo de cimento (real) C= m3 1+ a + p + x γ (kg Onde: x = relação água / cimento a = areia p = brita C = consumo de cimento γ = massa específica do concreto fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

. para o concreto.. a alternativa da construção em aço” Alguns causos . Introdução Os casos seguintes foram publicados na revista “A Construção” em janeiro e fevereiro de 1987.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Giammusso... Neville. Antes de começar lembra-se o prof. mas com certeza alguns são verdadeiros. Hummmmmmm.Como eu sei que o concreto sempre perde trabalhabilidade. seriamente. de autoria do Eng.CASOS ... deveria considerar. CONCRETOS . temperado com um pouco de ironia.... E a NBR 7212 ??? • • • Já com outro colega aconteceu um caso sem nenhuma conseqüência . O auxiliar cumpriu a ordem ao pé da letra e jogou água nele! _______________________________________________________________________________ 189 Concretos e Argamassas Prof.. Salvador E. no encerramento do livro “Propriedades de Concreto” “Em tempo: se o leitor não se sentir capaz de dosar um concreto de forma satisfatória. O assunto concreto é abordado com um leve toque de humor.edu. Talvez alguns não passem de anedotas. eu sempre ponho um pouco de água a mais na central”... principalmente em dias quentes. me joga um pouco de água . Um “técnico” de uma concreteira dizia a alguém certa vez: . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. Ele estava observando um concreto sendo produzido numa betoneira e falou para um dos auxiliares: ..

colocando água dentro dos limites estabelecidos pelo laboratório. disse que não queria “criar caso” com o mestre.edu. _______________________________________________________________________________ 190 Concretos e Argamassas Prof.Já terminou? Então ponha mais água nesse concreto que eu preciso começar a trabalhar..• • • Houve o caso em que o mestre mandava colocar mais água no concreto usinado. Mesmo que se perca muita água por evaporação.Essa questão é o que menos nos preocupa. ao ser inquirido sobre os cuidados para evitar a perda de água pelo concreto nas primeiras idades. • • • Em uma palestra. ou seja. Passados alguns dias... o mestre se manifestou: . que era antigo de casa e muito competente (credo!) O responsável pela concreteira. mas o concreto na obra . muito sabiamente. ele concordou .... verificou o “slump”. poderia ter dado um problema sério: os corpos de prova daria resultados bons.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o apresentador. Quando terminou o acerto. suspendeu as entregas de concreto. respondeu mais ou menos assim: . Que autoridade tinha este mestre! Mas enfim. o laboratorista acertou o traço. não vai faltar para a hidratação do cimento. moldou os corpos de prova e o mestre só olhando... pois fazemos o concreto com bastante excesso de água. Bem “informado” este palestrante! Cruz credo! • • • O caminhão betoneira chegou à obra.. Se o laboratorista não fosse experiente. quando avisado. O engenheiro. aquele engenheiro telefonou para a concreteira dizendo que já tinha falado com o mestre e ele tinha concordado em não colocar mais água no concreto . a cura.

• • • A laje já tinha sido concretada. no dia seguinte apareceram trincas na laje. A estrutura ruiu e ele foi fazer companhia ao seu colega por acusação de sabotagem ao regime. solo bom e a obra era distante da rua em pelo menos 15 m!!! • • • Muitos anos atrás em um país muito conhecido pela “ampla liberdade” em que viviam os seus cidadãos. O seu substituto. com a acusação de não colaborar com o regime. muito vento e perguntou-se ao mestre de obra se ele tinha providenciado a cura. • • • Nesta mesma laje. típicas de retração plástica. _______________________________________________________________________________ 191 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Isso foi por causa da trepidação do trânsito! Detalhe: rua de pouco movimento. bem pavimentada. Alguém comentou com o mestre sobre a falta de proteção logo após a concretagem.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Resultado: foi afastado e levado para um local distante e muito frio. resolver colaborar (que remédio!!) e autorizou a desforma. em função disto. mas este não se deu por achado: . porque era bom que o concreto tomasse bastante sol. para secar bem e endurecer logo e melhor. o sol era forte.edu. um engenheiro não autorizou a desforma de uma estrutura com poucos dias. Sem comentários. Ele disse que não tinha pressa.

Conhecia bem este engenheiro .. Há tolerância para abatimento e neste caso era de 10 mm..Porquê de cimento portland? . verificou-se que os corpos de prova estavam sendo rompidos sem capeamento. Barbaridade..O capeador não veio trabalhar hoje.• • • Um dia deste uma destas autoridades foi entrevistada de como seria o pavimento de um aeroporto e ele respondeu: .. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Em concreto de cimento portland. Abatimento se mede em múltiplos de 5 mm e não de 1 mm 2º. Uma curiosidade: como ele mediu estes 81 mm com tanta precisão .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. Meu Deus.. Um caminhão foi recusado porque o abatimento deu 81 mm. ou seja poderia estar entre 70 e 90 mm. • • • Em um laboratório de algum lugar. Dois erros: 1º.edu. • • • Certa vez um engenheiro estava controlando o recebimento do concreto na obra e o abatimento especificado era 80 mm. . O cara não sabia o que era a denominação portland e talvez achasse que fosse uma marca e o entrevistador achava que fosse isto mesmo. _______________________________________________________________________________ 192 Concretos e Argamassas Prof.Porque é o cimento melhor . Quando perguntou-se o porquê disto a resposta foi: . Os cara deveriam mandar junto com os certificados de rompimento remédio de dor de cabeça para os resultados baixos que iriam acontecer.

Um tempo depois o engenheiro vê um monte de concreto endurecido rompido em um canto da obra e pediu ao cidadão o que era aquilo.. .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Porém na obra o mestre insistiu. muito zeloso. ai _______________________________________________________________________________ 193 Concretos e Argamassas Prof.• • • Teve o caso de um motorista de caminhão betoneira que foi instruído a não deixar colocar água no concreto. perguntaram ao elemento da obra se o concreto estava sendo controlado. colocados em um canto da obra.O doutor falou para romper os corpos de prova e assim fizemos.. Ai.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco... falou para o cidadão levar posteriormente os corpos de prova para serem rompidos. Se a moda pega.Claro. .Mas os corpos de prova tem que ser rompidos??? Dãããã • • • Jurando que não era o mesmo cidadão do caso anterior. e o motorista. vai ter muito mestre apanhando . • • • Outra vez em uma visita a obra. o engenheiro após moldados os corpos de prova. . além da permita. Pegamos a marreta e rompemos todo. e muito bem controlado. Até deixamos o concreto para o doutor dar uma olhada neles . – Perguntou-se a ele . acabou dando uma surra no mestre. ai.E a que idade eles serão rompidos. E mostrou uma grande quantidade de corpos de prova.

.O problema destas trincas foi por causa do cimento. O problema maior foi que o dono da construtora baixou uma regra na empresa que não se deveria mais usar cimento para fazer concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . he... que estava exposta ainda. Até aí um pouco de verdade.• • • Certa vez perguntaram a um engenheiro se ele não media o “slump” do concreto e a resposta foi: .edu. viu um monte de fissuras (de retração plástica) sobre a laje... Perguntou ao mestre porque aquilo tinha acontecido. _______________________________________________________________________________ 194 Concretos e Argamassas Prof. fim.. – falou o mestre. He. • • • O dono de uma construtora (que não era engenheiro) visitando a obra.Não. pois estava rachando as lajes.. pois se o cimento não hidratasse não apareceriam as trincas. Depois desta ... he .. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. porque não temos balança na obra.

pureza do ar.edu. higiene.ARGAMASSAS 1. ou seja. estanqueidade. segurança ao fogo. conforto antropodinâmico. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. conforto tátil.1 Desempenho O edifício é um produto fabricado para atender um mercado consumidor específico. DESEMPENHO 1. conforto acústico. durabilidade e economia. adaptação ao uso. conforto higrotérmico. Estas de acordo com a norma ISO DP 6241 podem ser resumidas de forma genérica em: • • • • • • • • • • • • • • segurança estrutural. _______________________________________________________________________________ 195 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . segurança em uso. ele deve atender as exigências de seus usuários. conforto visual.

2 Durabilidade Todo material. _______________________________________________________________________________ 196 Concretos e Argamassas Prof. enquanto outras possuem caráter relativo (por exemplo: conforto). em localização específica e refletindo decisões de projeto já tomadas. em contato com o meio ambiente. sofre transformações. cujos responsáveis são os agentes de deterioração. para um uso específico. deve-se definir os requisitos e critérios de desempenho durante a elaboração do projeto.Algumas destas exigências. Definidos os requisitos de desempenho. pode-se definir desempenho como sendo o comportamento de um produto em relação ao seu uso. Este processo é denominado de deterioração. Estas podem ocasionar uma diminuição dos valores das propriedades físicas e químicas de cada material. o edifício deve também satisfazer as exigências da coletividade pertencente ao ambiente no qual a obra está inserida. No caso dos revestimentos de argamassa. Desta forma. Entre os requisitos de desempenho do revestimento de argamassa pode-se destacar a sua aderência a base e a sua estanqueidade à água. possuem caráter absoluto (por exemplo: a segurança estrutural e higiene). as condições a serem atendidas por um edifício ou componente. 1. para estes possuírem o desempenho esperado. Portanto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .1. através da melhoria da qualidade de vida das suas proximidades. independente da classe social do usuário e do uso do ambiente. deve-se determinar os critérios de desempenho que devem representar as características de desempenho mais importantes. determinantes da aceitação ou não de uma solução.edu. Além destas exigências dos usuários. ocorrendo uma perda progressiva na capacidade de atendimento das necessidades dos usuários. para um edifício possuir desempenho deve-se obedecer a metodologia mostrada na figura 1. de forma quantitativa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Estes dois tipos de exigências podem ser representados através de requisitos de desempenho. Os requisitos de desempenho definem.

edu. Portanto. térmicos. de seus subsistemas ou componentes. segundo a norma ISO DP 6241. podem pertencer a cinco diferentes naturezas: • • • • • agentes mecânicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e a duas origens: externa (atmosférica e solo) e interna (ocupação e concepção). pode-se notar que os agentes de deterioração que agem sobre os edifícios ou seus componentes variam dentro de uma cidade e assumem diferentes níveis de _______________________________________________________________________________ 197 Concretos e Argamassas Prof. químicos e biológicos. eletro-mecânicos.1: Esquema de aplicação do conceito de desempenho Os agentes de deterioração é qualquer fator externo que afeta de maneira desfavorável o desempenho de um edifício.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Figura 1. Estes agentes.

a existência de diferentes tipos de manutenção:: • Manutenção Planejada Preventiva atividades realizadas durante a vida útil da edificação. Esta metodologia somente é válida se os custos de implantação e operação forem compensados em termos de benefício no desempenho do edifício ou de seus componentes. Nota-se. Este exige toda uma metodologia de operação.edu. atividades realizadas para recuperar o _______________________________________________________________________________ 198 Concretos e Argamassas Prof. Esta é a capacidade que um produto possui de manter o seu desempenho acima dos níveis mínimos especificados.3 Manutenção A realização de atividades de manutenção podem ser consideradas como a reconstrução de níveis de qualidade ambiental perdidos e que tem como resultado imediato o prolongamento da vida útil do edifício ou de seus componentes (Figura 1. de maneira a antecipar-se ao surgimento de defeitos. São estes dois fatores que determinam a durabilidade de uma material sujeito a uma determinada situação. controle e execução. Para isto torna-se importante a adoção de um programa de manutenção periódica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.importância dependendo do material em análise e a função que este desempenha.2). 1. A forma e velocidade com que ocorre a deterioração são função da natureza do material ou componente e das condições de exposição a que fica submetido. O conhecimento da vida útil (durabilidade) de um material é de fundamental importância para a elaboração de programas de manutenção periódica. A manutenção deve ser interpretada como uma ação programada preventiva de futuros problemas e não apenas como atividade corretiva de problemas observados. portanto. de maneira a atender as exigências dos usuários. • Manutenção Planejada Corretiva desempenho perdido.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nestes casos deve ocorrer uma intervenção técnica com a finalidade do edifício ou componente voltar a apresentar um desempenho satisfatório. prolongando sua vida útil. Sendo que a durabilidade está associada a manutenção planejada preventiva. Já a patologia está associada a manutenção planejada corretiva e não planejada.2: Perda do desempenho e manutenção _______________________________________________________________________________ 199 Concretos e Argamassas Prof.• Manutenção Não Planejada definida como o conjunto de atividades realizadas para recuperar o desempenho perdido devido por causas externas não previstas. situação em que o edifício ou seu componente apresenta um desempenho insatisfatório. Figura 1. como discutido anteriormente. Analisando a definição acima percebe que as atividades de manutenção podem ter duas principais origens: a durabilidade dos materiais e as patologias. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

recobrir uma superfície irregular ou obter um efeito decorativo em particular. proteção contra intrusão humana ou animal e choque contra a fachada. ou seja. uma ou mais das seguintes funções: estanqueidade. relativas a segurança. Cita-se também que as funções dos revestimentos externos de argamassas são de aumentar a durabilidade da base. As propriedades mais importantes dos revestimentos são as exigências de uso e a compatibilidade geométrica e físico-química entre o revestimento e a sua base e o acabamento final previsto. Os revestimentos argamassados empregados nos edifícios habitacionais devem atender as seguintes funções: • Promover durabilidade de acordo com a vida útil esperada para a edificação. Propriedade e funções dos revestimentos 2. resistência ao fogo. devem ser atendidas pela parede como um todo. reduzir a penetração de chuva. com ou sem contribuição do revestimento. isolamento térmico. A segurança deve ser entendida como garantia de estabilidade mecânica.as exigências. o revestimento deve desempenhar sozinho ou associado ao seu suporte.2. isolamento acústico. vedações verticais e horizontais e sistemas prediais Cada um destes elementos tem uma função específica. contribuindo para o desempenho final do edifício. estética. Ainda. Em relação a habitabilidade. Desta forma o revestimento de argamassa deve apresentar um conjunto de propriedades para que o comportamento das vedações seja adequado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.1 Função dos revestimentos Edifício conjunto de elementos básicos : estrutura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 200 Concretos e Argamassas Prof.edu. Dentre as exigências de uso são destacadas aquelas relativas a segurança e a habitabilidade.

Conferir estanqueidade à água e aos gases para as paredes de vedação. por exemplo) “esconder na massa”. 2.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • Regularizar a superfície para aplicação dos revestimentos finais. a utilização _______________________________________________________________________________ 201 Concretos e Argamassas Prof. No caso das propriedades no estado fresco a situação aparentemente é mais complexa.• Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos. a determinadas propriedades no estado fresco (trabalhabilidade) e no estado endurecido (capacidade de absorver deformação. é fundamentada em critérios qualitativos de caráter empírico. Um exemplo claro é a formulação de argamassas de revestimentos que atendam. É comum. ao mesmo tempo. resistência de aderência. inclusive no meio científico. dentre outras) que. fato que pode ser demonstrado pela carência de estudos capazes de avaliar sistematicamente este tema. Não é função do revestimento esconder imperfeições grosseiras da base (desaprumo. em dado momento. Para efeito de conceituação são apresentadas adiante algumas destas propriedades mais importantes. Apesar de todo o avanço no desenvolvimento de novos materiais e no estudo das argamassas.2 Reologia e principais propriedades dos revestimento de argamassa Na definição de uma argamassa para revestimento deve ser considerada uma série de propriedades associadas a estas características. • • • Auxiliar as paredes de vedação no isolamento térmico e acústico. Permitir e facilitar a manutenção preventiva e corretiva sempre que necessário de modo a preservar a estética e a aparência. em determinadas avaliações ainda é notório o caráter empírico nas proposições de determinadas soluções.

consistência. que possibilite a real caracterização do comportamento. Esta caracterização deve. tempo e temperatura (TANNER. também envolver e relacionar os parâmetros tradicionalmente conhecidos como. consistência. bombeabilidade. analisar seus comportamentos frente a um campo de tensão. Neste sentido.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Atualmente. relacionar estes comportamentos com a estrutura de cada material. é bastante comum o uso de projetos de sistemas para transporte ou para processar substâncias que não se ajustam a nenhum dos tipos clássicos de comportamento dos materiais. que permitem apenas uma avaliação qualitativa (como trabalhabilidade. 1998). de certa forma. dentre outros. uma das possibilidades de novas discussões esta baseada na aplicação de conceitos pertencentes ao estudo do comportamento reológico do material. cabe destacar que muitos ramos da indústria estão diante de problemas que podem ser resolvidos com base nestes conceitos. Neste universo. Uma retenção adequada _______________________________________________________________________________ 202 Concretos e Argamassas Prof. Em adição à importância da reologia.2. Sua aplicação se justifica a partir do momento em que se pode classificar os materiais. A idéia atualmente em pauta é substituir termos com elevado grau de empirismo. a possibilidade de aplicação da teoria reológica abre inúmeras opções de discussões diretamente aplicadas ao meio. bem como prever o desempenho destes em outros estágios de tensão. por exemplo: condições de trabalhabilidade. projetabilidade) por parâmetros que realmente caracterizem o material em situação de fluxo. deformação. Ainda sobre o estudo das argamassas no estado fresco. é cada vez mais discutida no meio científico a necessidade de uma avaliação das propriedades das argamassas no estado fresco. 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A reologia é definida como a ciência que estuda a deformação e escoamento da matéria.1 Capacidade de retenção de água A retenção representa a capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção de uma base porosa e da evaporação.de procedimentos baseados na experiência de oficiais pedreiros envolvidos no processo de produção dos sistemas de revestimento. plasticidade.

promovendo as reações de hidratação do cimento e um conseqüente ganho de resistência mecânica e aderência. A outra forma de incrementar a capacidade de retenção de água da argamassa é utilizar aditivos cujas características impedem a perda de água. a capacidade de absorver deformações. Uma perda de água acelerada diminui a resistência. _______________________________________________________________________________ 203 Concretos e Argamassas Prof. sem ser fluída Mantêm-se coesa ao ser transportada. diminui a aderência e por conseqüência a argamassa terá menor durabilidade e estanqueidade. Uma delas é aumentar o teor de materiais constituintes com elevada área específica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . apresenta-se como proposição mais usual a utilização de saibro e cal na argamassa. Em se tratando de aumentar a área específica dos materiais constituintes. aparecendo tensões superficiais que tendem a manter a água adsorvida nas partículas. uso de cal e de aditivos incoporadores de ar.2 Trabalhabilidade Esta é uma propriedade de avaliação qualitativa. conseqüentemente.edu. Uma argamassa é trabalhável quando: Deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro.contribui para o endurecimento adequado da argamassa. sem aderir a colher ao ser lançada Distribui-se facilmente pela superfície Não endurece rapidamente quando aplicada A melhoria da trabalhabilidade é conseguida através de uma granulometria adequada. como é o caso dos derivados da celulose (aditivos retentores de água). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 2. a área a ser molhada é maior. pois depende do uso e do usuário. Esses dois tipos de materiais possuem partículas muito finas. O aumento da retenção de água da argamassa pode ser conseguido de várias maneiras.2. proporcionando uma elevada área específica.

modificando outras propriedades como consistência. alterando a resistência de aderência. interferindo diretamente na trabalhabilidade. alterando a trabalhabilidade. a rugosidade e as condições de limpeza da base influenciam diretamente a aderência. É uma propriedade ligada a fenômeno mecânico da ancoragem da argamassa na base A porosidade.edu. A consistência está relacionada diretamente com a quantidade de água.4 Teor de ar incorporado O teor de ar incorporado equivale à quantidade de ar existente em certo volume de argamassa. do método de aplicação e do tipo de chapiscamento realizado pode-se ter resultados bastante variados. Dependendo da plasticidade da argamassa. Assim. plasticidade. Pode ser aumentado através de aditivos incorporadores de ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Esta quantidade de água pode influenciar as características do revestimento final.2. Deve ser pressionada contra a base para aumento da extensão de aderência. 2. A argamassa deve ter boa trabalhabilidade e retenção de água.5 Aderência inicial A aderência inicial depende também das outras propriedades do estado fresco das argamassas e também da base de aplicação. permeabilidade à água e a capacidade de absorver deformações.2. A presença de cal e de finos na argamassa também modifica a consistência. é válido dizer que nem sempre o chapisco garante uma aderência adequada. 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. trabalhabilidade e retenção. _______________________________________________________________________________ 204 Concretos e Argamassas Prof. Quando a base apresenta poucos poros capilares e muitos macroporos a aderência pode ficar prejudicada.2.2.3 Consistência Propriedade reológica que define como a argamassa resiste às deformações impostas ainda no estado fresco.

estas variações volumétricas quase sempre ocasionam fissuras.Figura 1.2.edu. Ocorre. também. As fissuras prejudiciais são aquelas que permitem a percolação de água pelo revestimento e podem provocar a perda de aderência ou descolamento.6 Retração na secagem Quando ocorre a saída da água da argamassa esta diminui de volume. Quando acontecem com excessiva rapidez. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 Aderência mecânica à base Figura 1.4 Aderência prejudicada – sem extensão de aderência 2. _______________________________________________________________________________ 205 Concretos e Argamassas Prof. retração no processo de hidratação e carbonatação dos aglomerantes.

por exemplo. requerendo maiores cuidados na execução e controle rigoroso das condições de cura durante e após a aplicação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Da aderência dependem a durabilidade e a capacidade do revestimento suportar as movimentações internas e externas. Figura 1. esta propriedade não é simples de ser obtida.edu.2.5 Retração na secagem 2. Argamassas mais espessas estão mais sujeitas a retração na secagem. _______________________________________________________________________________ 206 Concretos e Argamassas Prof. Desempeno muito cedo (argamassa muito úmida) causa fissuras e até descolamento da argamassa.As argamassas com teores de cimento elevados tendem a apresentar retração mais elevada. pode levar à obtenção de argamassas com elevada retração na secagem e baixa capacidade de absorver deformações. O tempo de sarrafeamento e desempeno é importante. A adoção de consumos de cimento elevada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Entretanto.7 Resistência de aderência A aderência é uma propriedade fundamental para o desempenho dos revestimentos argamassados.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Interferem diretamente na resistência à compressão o consumo e a natureza dos aglomerantes e agregados e a técnica de execução empregada.edu.Figura 1.6 Resistência de aderência Figura 1.8 Resistência à compressão Os revestimentos argamassados devem suportar esforços atuantes sem apresentar danos ao longo do tempo.2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 207 Concretos e Argamassas Prof.7 Aderência deficiente – extensão de aderência prejudicada 2.

o caminho de percolação permite acesso direto da água à base do revestimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A execução do revestimento também pode interferir na capacidade de absorver deformações.2. da técnica de execução da espessura da camada de revestimento e do acabamento da superfície. A permeabilidade é função da natureza da base. não sendo. não tem capacidade adequada de absorção de deformações. 2. além de fatores externos ao revestimento como pressão do vento e pluviosidade. Os revestimentos de argamassa apenas são capazes de absorver deformação de pequena amplitude que ocorrem em função das variações de umidade e temperatura. principalmente em relação a estanqueidade e aderência. capazes de absorver as movimentações das estruturas de concreto e das alvenarias que tem amplitude elevada.2.2. normalmente. quando existem fissuras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Argamassas que apresentam consumo de cimento elevado. Estas argamassas podem apresentar capacidade de absorção de deformação adequada mesmo possuindo teores elevados de cimento. sendo exceção as argamassas com teores elevados de polímeros. comprometendo a estanqueidade da vedação como um todo. o revestimento de argamassa deve absorver deformações sem sofrer ruptura ou fissuração que prejudiquem seu desempenho. Quando aplicado em espessuras adequadas e tendo o tempo de _______________________________________________________________________________ 208 Concretos e Argamassas Prof.edu. portanto.10 Capacidade de absorver deformações Sob tensão.9 Permeabilidade à água A permeabilidade está relacionada à passagem da água pela camada de revestimento. Para percolar pela vedação a água tem que atravessar barreiras que são constituídas pelo revestimento e pela base Entretanto. da composição e dosagem da argamassa. Deve-se lembrar aqui que a argamassa é um material poroso que permite a percolação de água tanto no estado líquido como de vapor.

às argamassas ou às pastas de cimento. presença de aberturas e detalhes construtivos como pingadeiras e peitoris também interferem. Pode se enumerar algumas propriedades que são alteradas beneficamente pela incorporação de ar nas argamassas. 2.3 Uso de aditivos incorporadores de ar Os aditivos incorporadores de ar são materiais orgânicos. a saber: _______________________________________________________________________________ 209 Concretos e Argamassas Prof. uniformemente dispersas. topografia e vizinhança. produzem uma quantidade controlada de bolhas microscópicas de ar. a espessura excessiva. 2. clima. usualmente apresentados na forma de solução ou em pó.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.desempenamento respeitado. A adoção de juntas de controle distribuída no revestimento contribui diretamente para melhorar a capacidade de absorver deformações do revestimento. Características de projeto definindo orientação das fachadas. reduzindo os efeitos de movimentação de grandes painéis. A durabilidade também depende das condições de exposição definidas principalmente pela localização. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. principalmente em argamassas isentas de cal (cimento e areia). a cultura e proliferação de microorganismos e a qualidade das argamassas são os fatores que mais interferem na durabilidade dos revestimentos.2.11 Durabilidade A fissuração do revestimento. O ar intencionalmente incorporado às argamassas altera a suspensão cimentícia no estado fresco e posteriormente no endurecido. que quando adicionados ao concreto. menores são as possibilidades de falhas devido à microfissuração da argamassa. O aditivo incorporador de ar é adicionado as argamassas com o intuito de melhorar a trabalhabilidade. Estas juntas podem ser usadas para permitir panos com dimensões menores.

no estado fresco. da areia. Com essa diminuição. apenas com o aditivo incorporador de ar como agente plastificante. Já para o concreto. provavelmente. que permite a confecção de argamassas sem cal.edu. Exsudação – é diminuída. A mudança provocada pelos aditivos incorporadores de ar nas argamassas de revestimento pode ser observada na Foto 1. Este fato implica a colocação de menos água na mistura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Massa específica – é reduzida. efeito contrário ao provocado no concreto. provoca um ganho de consistência e plasticidade. o que aumenta a capacidade de deformação do sistema de revestimento.8. Nota-se que os aditivos causam uma grande alteração na trabalhabilidade das argamassas. ao se comparar com uma argamassa sem aditivos. apenas com o acréscimo de 0.• • • • Módulo de deformação . diminuindo desta forma a consistência. para uma mesma condição de aplicação. A presença do ar incorporado nas argamassas.05% de um aditivo incorporador de ar. para um aspecto plástico. Retração – normalmente é reduzida. este “efeito _______________________________________________________________________________ 210 Concretos e Argamassas Prof. É essa capacidade dos aditivos alterarem positivamente a trabalhabilidade das argamassas. A presença do ar incorporado permite uma certa diminuição na quantidade de finos do agregado. O rendimento das argamassas com aditivos incorporadores de ar é aumentado. devido à incorporação de ar. pela presença de microbolhas de ar no interior da mistura. se consegue um maior volume de argamassa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. devido à diminuição da massa específica. Para as argamassas. sem alterar a tendência de segregação e exsudação da argamassa. onde se tem uma argamassa com 20% de cimento e uma argamassa com o mesmo proporcionamento. este ganho de consistência e plasticidade se deve ao “efeito ponte” existente entre as bolhas de ar e as partículas de cimento e.normalmente é reduzido. já que a mesma passa de um aspecto seco e áspero. em relação à massa de cimento. para uma mesma quantidade de material anidro. que ganha fluidez.

aumentando a região de contato entre ambos. e pela redução de propriedades mecânicas devido ao incremento da porosidade na argamassa.edu. sem dúvida. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. acima de um certo valor. reduz a aderência das argamassas. após a incorporação de uma certa quantidade de ar.ponte” é quase nulo pela presença do agregado graúdo. Figura 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A possível redução na resistência de aderência encontrada em argamassas com ar incorporado é atribuída à diminuição da superfície de contato entre a argamassa e o substrato. o aumento do teor de ar. para qualquer aditivo.8 . A aplicação da argamassa é facilitada com a utilização dos aditivos incorporadores de ar. que rompe as “pontes” existentes. Apesar do tipo de aditivo influenciar na redução da resistência de aderência a tração. Isto se explica pelo fato do tensoativo diminuir a tensão superficial. provocando uma maior facilidade da argamassa molhar o substrato.Argamassa sem e com aditivo incorporador de ar _______________________________________________________________________________ 211 Concretos e Argamassas Prof.

O acréscimo de água realizado pelo oficial-pedreiro ocorre. o seu aspecto é de uma argamassa seca com falta de água. Este fato acontece pelo simples motivo deste acréscimo tornar a argamassa mais fluida. apresentando uma trabalhabilidade inadequada para o lançamento e aperto. o que vai reduzir o seu poder aglomerante. a argamassa deve estar pronta para o uso. Caso isto aconteça.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . deixando-a mais trabalhável. o cimento desta argamassa que sobra após o sarrafeamento pode já ter entrado em pega. Como esta argamassa já “puxou”. é uma prática bastante comum nas obras. se quer utilizar sobras do sarrafeamento da argamassa para se executar um outro pano de revestimento. para que o oficial-pedreiro possa aplicar a argamassa. Caso isto não _______________________________________________________________________________ 212 Concretos e Argamassas Prof. • Uma outra situação onde se observa a complementação de água na argamassa ocorre quando. quando se observa alguma das três situações abaixo: • Devido a produção de grandes volumes de argamassa. o que tornará a argamassa menos trabalhável. parte da água de amassamento pode ser perdida por evaporação para a atmosfera. ou seja. freqüentemente. Por este motivo.4 Adição de água em argamassas A complementação de água na argamassa de revestimento. feita pelos pedreiros após a mistura e antes da aplicação. na trabalhabilidade adequada.edu. facilitando o seu lançamento e aperto. este acréscimo pode reduzir as resistências mecânicas do revestimento e contribuir para a ocorrência de fissuração devido à retração. para que a mesma volte a se mostrar trabalhável. este material pode ficar esperando a sua vez de ser aplicado por períodos de tempo superiores a 2 horas. Ademais. se introduz uma grande quantidade de água nessa sobra de argamassa. mesmo com a colocação de mais água e uma nova mistura. Desta forma. Entretanto. • A dosagem das argamassas deve ser realizada de uma forma que o oficialpedreiro fique satisfeito com a plasticidade da mesma. tendo em vista que ela foi uma sobra do corte. por exemplo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é necessário o acréscimo de água.2. bem como para as reações de hidratação do cimento. Esse excesso de água pode gerar uma séria redução na resistência mecânica dos revestimentos e provocar uma intensa fissuração.

Nesta situação. já que. observa-se que alguns cuidados devem ser tomados com o intuito de evitar problemas nos revestimentos. a quantidade de água adicionada é muito pequena em relação às situações anteriormente expostas. buscando evitar que argamassas fiquem esperando por um longo período de tempo. para serem aplicadas. incorreções na granulometria. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. argamassa industrializada). é que induzem a colocação de mais água. De uma forma geral. geralmente. quando sujeitos a variações higrotérmicas e a sobrecargas. na tentativa de ajustar a trabalhabilidade da argamassa a condições mínimas de aplicabilidade. este acréscimo de água é chamado de ajuste de água. fazendo com que a argamassa aplicada sobre ele demore mais tempo para ficar adequada para o sarrafeamento. A discussão sobre o emprego das sobras é particular a dinâmica de cada obra e aos materiais utilizados (aglomerantes. _______________________________________________________________________________ 213 Concretos e Argamassas Prof. Um dos motivos principais para a ocorrência dessa fissuração é a movimentação diferencial dos dois materiais. pode-se ter fissuração nesta região devido a desuniformidade da absorção de água entre a alvenaria e a estrutura de concreto. buscando a trabalhabilidade ideal. Pelo exposto anteriormente. Além da movimentação diferencial.5 Argamassas sobre diferentes materiais contíguos Uma das regiões revestidas com argamassa mais susceptível a ocorrência de fissuração é aquela localizada na interface estrutura de concreto/alvenaria. do que a aplicada sobre a alvenaria. na dosagem ou nos materiais. entre estes se destacam: • Produzir uma quantidade de argamassa adequada para a frente de trabalho disponível. 2. que resulte em pouca sobra de argamassa após o sarrafeamento.ocorra. o oficial-pedreiro irá adicionar mais água na mistura antes da sua aplicação. O emprego adequado deste material (sobras) deve ser discutido com especialistas em argamassas. • Deve-se aplicar uma camada de argamassa racionalizada durante a produção do revestimento. Isto acontece porque o concreto é menos absorvente que a alvenaria.

Assim sendo. a fim de se evitar diferentes tempos de sarrafeamento para a argamassa. para resistir aos esforços gerados pelo sarrafeamento e desempeno. Esta precipitação dos pedreiros se verifica pela pressa de os mesmos terminarem o serviço para irem almoçar ou encerar o expediente.6 . se o sarrafeamento for realizado quando a argamassa aplicada sobre a alvenaria já estiver adequada. Outra situação onde a realização do sarrafeamento e/ou desempeno no momento incorreto provoca fissuração nos revestimentos. ocorre a fissuração. enquanto que na alvenaria deve-se ter pelo menos uma faixa de 1 metro com chapisco. em um mesmo pano de argamassa.A importância do aperto da argamassa A resistência de aderência à tração de um revestimento. Como a operação de corte é realizada. ter-se-ão dificuldades para cortar a argamassa aplicada sobre a alvenaria. Nesta situação. Alguns dos fatores que interferem nessa extensão de aderência são a textura do _______________________________________________________________________________ 214 Concretos e Argamassas Prof. quando a argamassa ainda não “puxou”. geralmente. ocorre nas argamassas aplicadas pouco tempo antes da hora do almoço e do fim do expediente de trabalho. paralela a estrutura de concreto.edu. A estrutura deve ser completamente chapiscada. Já. 2. regiões onde a argamassa ainda não estará apta (argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto) para a execução desses serviços. é que se verifica a necessidade de realizar a uniformização da absorção da interface estrutura de concreto/alvenaria. têm-se regiões que já estarão aptas a receber os serviços de sarrafeamento e desempeno (argamassa aplicada sobre a alvenaria). que ainda não estará rígida o suficiente. pode-se ter fissuração na argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. não estando com uma rigidez adequada. se o sarrafeamento for executado apenas quando a argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto estiver adequada. que já estará bastante rígida. como também. é majorada quando se tem um aumento do contato entre a argamassa aplicada e o substrato. aplicando-se um chapisco fechado sobre a estrutura e a alvenaria. Pelos motivos apresentados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Essa uniformização é realizada.

Nessa argamassa. aliada à energia de seu lançamento. que deve ser evitada. _______________________________________________________________________________ 215 Concretos e Argamassas Prof. gerando conseqüências negativas nas resistências mecânicas. ela vai ficar pouco rugosa na sua superfície.edu. já que é freqüente se utilizar para a execução das “cheias”. a extensão de aderência poderá ser majorada com a realização do aperto da argamassa após a sua aplicação. aumentado o contato entre esses dois materiais. Outra justificativa dada pelos oficiaispedreiros é que. Uma prática bastante verificada nas obras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o que irá colaborar para a extensão da aderência. provavelmente será acrescentada água e. A justificativa para a não realização deste procedimento se observa no fato de os oficiais pedreiros acharem que. ocorrerá uma elevação da resistência de aderência à tração do revestimento. em média. A plasticidade da argamassa. ela não precisa ser apertada. possivelmente. É evidente que este baixo valor de aderência não se deve apenas à falta do aperto. são fundamentais para que ela possa penetrar pelas reentrâncias e saliências do substrato. quando se tem mais de uma camada de argamassa. o cimento já terá entrado em pega. Assim. Porém. o que dificultará a aderência da segunda camada de argamassa aplicada sobre a mesma.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é a falta do aperto nas argamassas utilizadas nas “cheias”.substrato. a energia de aplicação e a operação de aperto. A falta deste aperto na cheia contribui para que nestas regiões sejam verificados baixos valores de resistência de aderência à tração. pelo fato de não ser realizado o sarrafeamento e/ou desempeno na argamassa de cheia. se a argamassa de cheia for apertada. a trabalhabilidade da argamassa. a argamassa que sobrou após o sarrafeamento (corte). mesmo que a trabalhabilidade da argamassa e a energia utilizada no seu lançamento não sejam adequadas.

Isto não é de se estranhar.edu. No que se refere à fase de execução dos serviços de revestimento é imprescindível que os técnicos envolvidos com a produção dos mesmos tenham o domínio das corretas técnicas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pela ausência de conhecimento tecnológico acerca do assunto. devem ser vencidos buscando-se o domínio tecnológico desta área. Os problemas originados em revestimentos na fase de projeto ocorrem. pois diversos materiais. está limitado aos efeitos arquitetônicos. a fim de que os problemas não sejam preconcebidos na fase de projeto. pois quando este existe. tem origem principal nas fases de elaboração do projeto e de execução dos serviços propriamente ditos. de modo geral. diferentes técnicas de execução e condições ambientais adversas estão sempre concorrendo para a realização dos empreendimentos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 Patologia dos revestimentos de argamassa Os problemas patológicos são manifestados nas edificações devidos a uma série de razões. necessitando conhecerem ainda as possíveis patologias originadas por problemas decorrentes desta fase. porém. em que muitas vezes suas diretrizes são dadas independentemente das condições reais de exposição e dos requisitos básicos à sua construção. por dois motivos: a) ou pela inexistência de um projeto específico em que sejam definidas as características do revestimento como um todo. pode-se dizer que a maior parte dos problemas patológicos que ocorrem ao longo de sua vida útil. de fixação e de acabamento b) ou ainda por erros de concepção durante a elaboração do projeto. Esses entraves. ou seja. entre outros motivos. falta de orientação específica para elaboração de projeto e falta de informações acerca do comportamento de obras já construídas. A não elaboração de um projeto ou mesmo os erros decorrentes de sua concepção são fatos gerados. _______________________________________________________________________________ 216 Concretos e Argamassas Prof. da camada de regularização. Considerando-se todas as etapas do processo de produção de edifícios.

para facilitar o estudo dos mesmos. as quais pela sua incidência esparsa. Uma outra forma classifica as patologias de revestimentos de argamassa de acordo com suas formas de manifestação.1 Perda de aderência ou desagregação A perda de aderência pode ser entendida como um processo em que ocorrem falhas ou ruptura na interface das camadas que constituem o revestimento ou na interface _______________________________________________________________________________ 217 Concretos e Argamassas Prof. Por serem inúmeros os problemas patológicos passíveis de ocorrerem nos revestimentos verticais de argamassa e cerâmicos. b) inadequada capacidade de acomodação plástica (quando endurecida). que nos parece mais adequada: a) perda de aderência ou desagregação. não serão abordadas nesta disciplina 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . b) trincas. convém adotar uma classificação. Uma das formas de realizar a classificação é de acordo com suas origens: a) aderência insuficiente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Embora se reconheça a dificuldade em se dominar a tecnologia de projeto e de execução dos revestimentos. fissuras. principalmente em função da falta de disponibilidade de profissionais com formação adequada para enfrentar tal situação. c) manchas. c) deficiente resistência mecânica.edu. gretamentos. • • • bolor eflorescências fantasmas ou espectros de juntas d) outras. é extremamente necessário que se busque adotar uma metodologia de desenvolvimento do projeto que contemple todos os detalhes executivos.

pontuais neste caso o descolamento ocorre de forma pontuais. com pulverulência. Estes descolamentos podem apresentar extensão variável. descolamento por pulverulência observam-se desagregação e conseqüente esfarelamento da argamassa ao ser pressionada pelas mãos e a película de tinta destaca-se juntamente com a argamassa que se desagrega com facilidade. temos a corrosão da armadura de concreto. em placas.com a base ou substrato. o acúmulo do produto de corrosão na interface que podem provocar o descolamento do revestimento. descolamento em placas ocorre quando há deficiência de aderência entre camadas do revestimento ou das mesmas com a base ou até por espessura excessiva do revestimento. a fissuração e expansão do concreto. _______________________________________________________________________________ 218 Concretos e Argamassas Prof. devido às tensões surgidas ultrapassarem a capacidade de aderência das ligações.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . descolamentos por empolamento o fenômeno ocorre devido às expansões na argamassa em função da hidratação posterior de óxidos. pontuais (vesículas). Entre outros problemas que se desenvolvem na base ao longo do tempo e que também podem afetar o revestimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. não se extendendo por toda a extensão do revestimento. sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: • • • • por empolamento.edu.

d) amarração (falta de amarração nos cantos de paredes ou no encontro da laje com as paredes).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . há um maior consumo de água de amassamento. No caso de argamassa composta por alto teor de finos. teor de finos e quantidade de água da amassamento. Observa-se. Em regiões onde a umidade relativa do ar é baixa.). deve-se dar preferência à utilização de primer apropriado. Tem-se que as causas prováveis de fissuras e trincas em revestimentos são: a) recalque (acomodação do solo.edu. aplicado à base.” A incidência de fissuras em revestimentos sem que haja movimentação e ou fissuração do substrato ocorre devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado. do que realizar molhagem abundantemente. gretamentos e fissuras Popularmente chama-se de trinca a fissura com abertura maior. Outro fator que influencia no surgimento de fissuras é a umidade relativa do ar. b) retração (fissuração da argamassa de revestimento ou de piso cimentado). c) movimentação (da estrutura de concreto. então. da fundação ou do aterro). a temperatura é alta e há a presença de ventos. o que ocasiona maior retração por secagem e. do madeiramento do telhado ou da laje mista). impacto de portas.2 Trincas. _______________________________________________________________________________ 219 Concretos e Argamassas Prof. e) diversos (concentração de esforças. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que vários fatores intrínsecos à argamassa podem ser responsáveis pela fissuração do revestimento. se o revestimento não for executado corretamente. dentre os quais citam-se: consumo de cimento. etc.3. podem aparecer fissuras na forma de “mapas” por todo o revestimento. solicitações higrotérmicas e também por retração hidráulica da argamassa.

número e espessura das camadas. ou ocasionalmente. No caso de umedecimentos sucessivos. 3. argamassa com baixa retenção de água. destacando entre elas: • • • • • • consumo elevado de cimento. algumas outras causas que podem ser responsáveis pelas fissuras nos revestimentos de argamassas. inclusive com o paramento seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3.1 Bolor O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato. pode-se gerar mudanças na tonalidade. marrom e verde. de modo geral. se soltar ou esfarelar. permitindo a visualização das fissuras. manchas claras esbranquiçadas ou amareladas.edu. Se uma parede que apresenta bolhas na pintura ou manchas de bolor for interna. Estando nessas condições. O desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de tetos e paredes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 Manchas 3. ele terá de ser _______________________________________________________________________________ 220 Concretos e Argamassas Prof. a não ser que sejam molhadas e que a água.As fissuras por retração hidráulica. esse autor aponta. O passo seguinte é verificar se o reboco está firme. o primeiro passo é detectar de onde vem a infiltração. Além disso. ainda. Tal fenômeno ocorre porque a água contendo cal livre sai pelas microfissuras. não são visíveis. cura deficiente. teor de finos elevado. formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta. citando-se inclusive as argamassas inorgânicas. assinale sua trajetória. consumo elevado de água de amassamento. penetrando por capilaridade.

assunto de grande importância no que se refere à qualidade dos ambientes internos. sendo assim. até chegar na alvenaria. o bolor e as algas são problemas é que depois que se instalaram. Alguns fatores causadores de umidade. ou superior a esse valor. c) umidade acidental (vazamento de águas potáveis e servidas). já que a umidade. Os casos que abrangem fungos. O lugar da casa em que costumam aparecer é o banheiro. _______________________________________________________________________________ 221 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Há ainda algumas causas extrínsecas ao material. como resultado da exposição à intempéries”. que favorecem o acúmulo de bolor na superfície dos revestimentos são: • • • a umidade de condensação. e) umidade de condensação de vapores em ambientes fechados. o termo eflorescência significa “a formação de depósito salino na superfície de alvenarias. produzida pelo vapor do chuveiro.edu. b) umidade de infiltração por fachada ou telhado.3.2 Eflorescências Nas edificações. é ideal para sua proliferação. conforme as condições do substrato: a) umidade ascendente por capilaridade. Além da questão estética. e finalmente o reboco contendo na argamassa o impermeabilizante. d) umidade relativa do ar em torno de 80%. A parede receberá então a aplicação do revestimento em seguida um adesivo de alto desempenho. destaca-se ainda a ocorrência de problemas respiratórios nos moradores de residências com bolor deve ser considerada.removido completamente. que podem aumentar o teor de água disponível para o crescimento dos fungos. 3. a ventilação insuficiente num ambiente e a permeabilidade da alvenaria à umidade exterior. dificilmente vão embora.

que podem ser solúveis ou parcialmente solúveis em água. As eflorescências podem alterar a aparência da superfície sobre a qual se depositam. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O fenômeno ocorre porque a argamassa apresenta vazios e canais em seu interior. pode ocorrer o fluxo da água por capilaridade ou por pressão. _______________________________________________________________________________ 222 Concretos e Argamassas Prof. a eflorescência é composta principalmente por sais de metais-alcalinos e alcalinos-terrosos. Pode ocorrer em superfícies de alvenaria aparente. de sódio.Quimicamente. juntas de assentamentos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aumento do tempo de contato e a quantidade de solução que aflora. regiões próximas a esquadrias mal vedadas. muito solúvel em água. não haverá a ocorrência de eflorescência. de potássio. causando desagregação profunda. como no caso de compostos expansivos. se uma delas for eliminada. devidos. Todas essas três condições devem existir e. podendo introduzir substâncias agressivas. à presença da água destinada a promover a trabalhabilidade desejada ao material e necessária às reações de hidratação do cimento. Os principais sais presentes no materialsão os de cálcio. Para ocorrer a eflorescência. de magnédio e de ferro. principalmente. e em determinados casos seus sais constituintes podem ser agressivos. a presença de água e a pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície. Tipo I é o mais comum e caracteriza-se por um depósito de sal branco. Distingue-se três tipos de eflorescência: de Tipo I. pulverulento. não sendo prejudicial ao substrato.edu. revestimentos de argamassa. presentes no substrato. na rede capilar ou dissolver e transportar sais solúveis presentes no material. é determinante haver a presença e a ação dissolvente da água. ladrilhos cerâmicos. Em função desses vazios no interior da argamassa. Há ainda alguns fatores que favorecem o fenômeno: porosidade das argamassas e bases. O fluxo descrito está intimamente relacionado às propriedades absorção e capilaridade das argamassas. II e III. Esse tipo de patologia somente modifica o aspecto estético. juntas de ladrilhos cerâmicos e azulejos. A eflorescência é causada por três fatores: o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes.

além do que. os sais (freqüentemente de sulfatos de sódio e potássio) podem ser provenientes de tijolos. sobre superfícies de alvenaria. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. esta cal se transforma em carbonato de cálcio. Pode-se também eliminar mais rapidamente tal patologia removendo os sais depositados na superfície com escova de aço. é difícil de ser eliminada. com a água proveniente da chuva ou de infiltração. Tipo III manifesta-se como um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. recomenda-se. muito aderente e pouco solúvel em água. devendo-se saturar anteriormente a _______________________________________________________________________________ 223 Concretos e Argamassas Prof. que pode ser liberada na hidratação do cimento.edu. A cal dissolve-se e deposita-se na superfície. e de substâncias contidas em solos adensados ou contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica. quando em contato com o ácido clorídrico. formado com a reação da cal livre. Nas eflorescências do Tipo I. em casos de depósito abundante. que se apresentam fissuradas devido à expansão decorrente da hidratação do sulfato de cálcio existente no tijolo ou da reação tijolo-cimento.Tipo II caracteriza-se pela aparição de um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. deixar que desapareça por si mesmo. às vezes. Esses sais formam-se em regiões próximas a elementos de concreto ou sobre sua superfície e. Em seguida. seguida de lavagem com água abundante. pela ação da chuva. o sal formado é basicamente o carbonato de cálcio.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Recomenda-se que. além de apresentar um efeito estético negativo. o problema pode ser solucionado removendo os sais com escovação mecânica. Na eflorescência denominada de Tipo I. como os sais são solúveis em água. a eflorescência desaparece após um período prolongado. apresenta efervescência. A eflorescência do Tipo II. Esse depósito. pois as reações ainda não terminaram. de cimentos. realiza-se uma lavagem com solução de ácido muriático. reagindo com o anidrido carbônico do ar. Na eflorescência do Tipo II. para alvenaria externa de um edifício recém-terminado. da água utilizada no amassamento. da reação química entre os compostos do tijolo com o cimento. Na evaporação da água. dos agregados.

parede, para preencher os vazios existentes com água e evitar a impregnação do ácido através dos poros. Porém, há casos em que a eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação freqüente de solução ácida pode comprometer a durabilidade do componente. Além das recomendações acima, destaca-se alguns cuidados a serem tomados para evitar a ocorrência de eflorescência, destacados a seguir: • não utilizar materiais com elevado teor de sais solúveis. A presença de sais pode ser detectada através de ensaios realizados em laboratório; • • não utilizar componentes cerâmicos com elevado teor de sulfatos; em caso de alvenaria aparente, a redução da absorção da água da chuva pode ser obtida utilizando-se pintura impermeável, resistente à exposição em solução salina; • • • proteger da chuva a alvenaria recém terminada; reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; reduzir a lixiviação da cal através da utilização de cimento que libere menor teor de cal na sua hidratação, como é o caso do cimento pozolânico ou de alto forno.

Ainda que apesar da eflorescência, de uma maneira geral, constituir-se num fenômeno onde os danos são apenas estéticos, ela é o efeito de um problema mais grave e freqüente da edificações, que é a umidade.

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Manifestações

Aspectos Observados

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Umidade constante

Reparos Eliminação da infiltração de umidade. Secagem do revestimento.

Manchas de umidade Eflorescência Pó branco acumulado sobre a superfície

Sais solúveis presentes no componente da alvenaria Sais solúveis presentes na água de amassamento ou umidade infiltrada Cal não carbonatada

Escovamento da superfície. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Manchas esverdeadas ou escuras Revestimento em desagregação Empolamento da pintura, apresentando- se as partes internas das empolas na cor: -branca -preta Vesículas -vermelho acastanhada Bolhas contendo umidade no interior

Umidade constante

Eliminação da infiltração da umidade. Lavagem com solução de hipoclorito. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Bolor

Área não exposta ao sol

-Hidratação retardada de óxido de cálcio da cal -Presença de pirita ou de matéria orgânica na areia -Presença de concreções ferruginosas na areia Aplicação prematura de tinta impermeável. Infiltração de umidade

Renovação da camada de reboco.

Eliminação da infiltração da umidade. Renovação da pintura.

Descolamento com empolamento

A superfície do reboco descola do emboço formando bolhas, cujos diâmetros aumentam progressivamente O reboco apresenta som cavo sob percussão. A placa apresenta-se endurecida, quebrando com dificuldade Sob percussão o revestimento apresenta som cavo

Hidratação retardada do óxido de magnésio da cal A superfície de contato com a camada inferior apresenta placas freqüentes de mica. Argamassa muito rica. Argamassa aplicada em camada muito espessa.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento.

Descolamento A placa apresenta-se endurecida, mas quebradiça desagregando-se com facilidade

em placas

A superfície da base é muito lisa. A superfície está impregnada com substância hidrófuga.

Renovação do revestimento:

-Apicoamento da base; -eliminação da base hidrófuga;

Sob percussão o revestimento apresenta som cavo Ausência da camada de chapisco

-aplicação de chapisco ou outro artifício para melhoria de aderência.

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Manifestações

Aspectos Observados A película de tinta descola arrastando o reboco que se desagrega com facilidade.

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Excesso de finos no agregado. Traço pobre.

Reparos

Descolamento Traço rico em cal. com pulverulência Fissuras Horizontais Apresenta-se ao longo de toda a parede. Descolamento do revestimento em placas, com som cavo sob percussão. O reboco apresenta som cavo sob percussão. Ausência de carbonatação de cal. O reboco foi aplicado em camada muito espessa. Expansão da argamassa de assentamento por hidratação retardada do óxido de magnésio da cal. Expansão da argamassa de assentamento por reação cimento-sulfatos, ou devida à presença de argilo-minerais expansivos no agregado. Fissuras Mapeadas As fissuras têm forma variada distribuem-se por e toda a superfície. Retração da argamassa de base.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento após hidratação completa da cal da argamassa de assentamento.

A solução a adotar é função da intensidade da reação expansiva. Renovação do revestimento. Renovação da pintura.

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Referências

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PILZ. Dissertação.. Porto Alegre: 2005. _______________________________________________________________________________ 228 Concretos e Argamassas Prof.E.F. que pela grande quantidade e variedade não foi possível aqui enumerar . Mestrado Profissionalizante UFGRS.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . S.edu. – Materiais de Construção Civil 1 .. E. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. – Produção de concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto . SILVA. Brasília: 2006. Notas de aula. Além de diversos outros materiais de diversas faculdades..