CONCRETOS E ARGAMASSAS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CENTRO TECNOLÓGICO PROF: SILVIO EDMUNDO PILZ

CONCRETOS E ARGAMASSAS
SOBRE ESTA APOSTILA Esta apostila é fruto da compilação de livros, apostilas de disciplinas de outras universidades, dissertações, artigos científicos, normas técnicas e experiência adquirida durante a especialização, mestrado e demais cursos realizados e durante a vida profissional. Aqui fica o agradecimento aos autores, professores e

colaboradores. Não tem a finalidade de ser uma cópia simples e pura, mas uma compilação para atender a ementa da disciplina, procurando uma ordem lógica de aquisição de conhecimentos, porém abordando assuntos que mesmo não estando explícitos na ementa são de fundamental importância para o tema da matéria EMENTA DA DISCIPLINA Propriedades físicas e mecânicas dos materiais componentes do concreto. Ensaios. Características e propriedades do concreto fresco. Propriedades do concreto endurecido. Dosagem do concreto. Controle estatístico e tecnológico do concreto. IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL A disciplina de Concreto e Argamassas se utiliza dos conceitos iniciais da disciplina de Física, Geologia, Materiais de Construção, Química Tecnológica, Resistência dos Materiais e Estatística para dar suporte ao que será estudado nesta disciplina. Reveste-se de importância a disciplina de Concreto e Argamassas para a continuidade dos estudos, pois serve de suporte para as disciplinas de Construção Civil I e II, Concreto Armado I, II e III, Concreto Protendido e outras disciplinas de estruturas, Alvenaria Estrutural e até para a disciplina de Fundações I e II.

______________________________________________________________________________ 1 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA A PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIVIL O conhecimento dos materiais concreto e argamassa, para o Engenheiro Civil é fundamental, pois em qualquer área que irá atuar irá depender e irá usar estes materiais. Como material estrutural o concreto é o mais utilizado, sendo progressivo também o uso em pavimentações rodoviária, obras de arte (grandes estruturas), indústrias de pré-moldados, etc. A argamassa como material de revestimento em edificações tem uso intenso, bem como material de assentamento de pisos, revestimentos, decorações e com um aumento constante do uso de argamassa armada para telhas, paredes, reservatórios, etc. ALGUMAS INFORMAÇÕES INICIAIS A usina de Itaipu utilizou 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Se fossemos fazer esta barragem com uma betoneira de 320 L, e fazendo 30 betonadas por dia levaríamos o equivalente a 7.000 anos para fazer este volume. Em 1900 a produção mundial de cimento era de 10 milhões de toneladas. Em 1998 a produção foi de 1,6 bilhões de toneladas. O consumo de concreto atualmente no mundo representa o equivalente a 1,0 m3 por pessoa por ano no mundo. É o material mais consumido no mundo, depois da água. O uso do material concreto não tem registro de quando foi a primeira utilização, pois nos primórdios da civilização já se usava cinzas vulcânicas, que com sua propriedade ligante e misturadas a outros materiais formava um material trabalhável e durável. Já o uso do material concreto armado, informações de que a primeira vez que foi utilizado, data de 1855 quando o eng. Lambot levou um barco de concreto armado a uma exposição em Paris.

______________________________________________________________________________ 2 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Começo a ter impulso o uso do concreto armado, quando em 1867, Joseph Monier requereu patente para construção de vasos de concreto e posteriormente para tubos, reservatórios, placas, pontes, escadas, etc. O primeiro curso de concreto armado no mundo foi dado em Paris, pelo professor Rabut, em 1897. Brasil Emilio Baungartem que é considerado o pai do concreto armado. A ponte

sobre o Rio do Peixe (Joaçaba) por muitos anos o maior vão do mundo. O prédio do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro foi por muito anos o maior do mundo em concreto armado.

O QUE VAMOS ESTUDAR Inicialmente temos que estudar os materiais componentes do concreto (que também são utilizados em argamassas): agregados, aglomerantes e água (não será estudada nesta disciplina) Nos agregados será visto os tipos, caracterização, propriedades, substâncias nocivas, ensaios em agregados. Nos aglomerantes, estuda-se a função, matérias primas, classificação e um estudo mais aprofundado do cimento, desde a fabricação, constituintes, classificação (tipos de cimento). Após será conhecido os ensaios realizados em agregados e aglomerantes, seus diferentes tipos, como fazer e normas relacionadas aos ensaios. Em seguida será dado início ao estudo do material “concreto”, estudando as propriedades do concreto enquanto “mole” (concreto fresco) e do concreto endurecido. Também será aprendido sobre a produção do concreto, dos cuidados desde a estocagem dos materiais até o lançamento e a cura deste material.

______________________________________________________________________________ 3 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

______________________________________________________________________________ 4 Concretos e Argamassas Prof. diferenciando os tipos de dosagem e estudando um método de dosagem específico e através de cálculos elaborar um traço de concreto. revisando os conceitos necessários. Todo este conhecimento de concreto será adquirido com o apoio de aulas em laboratório e ensaios que os alunos deverão fazer durante o semestre em horário fora de aula. onde veremos da importância da produção de um concreto durável.edu. etc.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quais são os agentes agressivos a este material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Não se pode falar de concreto sem pensar que seja um material durável e então será estudado o assunto “Durabilidade do concreto”. Estudaremos ainda como fazer dosagem de concreto. Neste ponto já se pode falar sobre a questão do controle de produção do concreto e como fazer para saber se o concreto produzido atende os requisitos exigidos controle e aceitação do concreto. Finalizando a disciplina será estudado brevemente as argamassas. onde estudaremos as propriedades dos revestimentos e patologias dos revestimentos que nos darão embasamento sobre os quesitos necessários para uma boa argamassa.

Procura-se. ALGUMAS DEFINIÇÕES INICIAIS Agregado . Superfície específica . trabalhabilidade e retratilidade.material granular cujos grãos passam na peneira de 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em sua durabilidade e no desempenho estrutural. Agregado graúdo . impermeabilidade. analisando o seu grau de importância e responsabilidade na geração das características essenciais aos concretos. apresentar as principais propriedades dos agregados.material granular sem forma e volume definidos.075mm (areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis.edu. exercendo nítida influência não apenas na resistência mecânica do produto acabado como. São apresentados também. Caracterização . também.material granular cujos grãos passam na peneira com abertura de malha 150 mm e ficam retidos na peneira de 4. geralmente inerte.AGREGADOS Uma vez que cerca de ¾ do volume do concreto são ocupados pelos agregados. durabilidade. proporcionando concretos que irão corresponder plenamente às expectativas de projeto e execução das obras onde serão empregadas.75 mm (pedregulho.determinação da composição granulométrica e de outros índices físicos dos agregados de modo a verificar as propriedades e características necessárias à produção de concreto e argamassas.75 mm e que ficam retidos na peneira de 0. tração na flexão. de dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos. brita e seixo rolado). neste capítulo. não é de se surpreender que a qualidade destes seja de importância básica na obtenção de um bom concreto. tais como: resistência à compressão. alguns critérios seletivos para a obtenção dos agregados. baseados nas experiências nacional e estrangeira. Agregado miúdo . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.relação entre a área total da superfície dos grãos e sua massa. ______________________________________________________________________________ 5 Concretos e Argamassas Prof. ou mistura de ambas).

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • artificiais → são obtidos pelo britamento de rochas: pedrisco. ______________________________________________________________________________ 6 Concretos e Argamassas Prof. . a Norma Brasileira NBR 7211 define agregado da seguinte forma: • Agregado miúdo → Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. eles podem ser: • naturais → já são encontrados na natureza sob a forma definitiva de utilização: areia de rios. coletada nas condições prescritas na NBR NM 26:2001. . • às dimensões das partículas.porção representativa de um lote de agregado. • industrializados → aqueles que são obtidos por processos industriais: argila expandida. seixos rolados.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. neste caso 4.. • à massa unitária. pedregulhos.075 mm. CLASSIFICAÇÃO DOS AGREGADOS Os agregados podem ser classificados quanto: • à origem. de uma só vez. seja na fonte de produção.8 mm (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm.. ou a mistura de ambas. pedra britada. obtida segundo a NBR NM 27:2001.Amostra parcial – parcela de agregado retirada.. . Amostra de campo . de determinado local do lote. cascalhos. É obtida a partir de várias amostras parciais. b) Quanto à dimensão de suas partículas.8 mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0.edu. cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4.amostra de agregado representativa da amostra de campo. areia artificial. escória britada. Deve-se observar aqui que o termo artificial indica o modo de obtenção e não se relaciona com o material em si. armazenamento ou transporte.. destinada à execução de ensaio em laboratório. a) Quanto à origem.. Amostra de ensaio .

médios e pesados podem ser caracterizados.0 t/m3) Vermiculita Argila expandida 0. deve ser um elemento inerte.4 1.9 3.0 t/m3) 2.8 mm. Veja na frente mais detalhadamente. ou a mistura de ambos.0 t/m3) 1. ou seja: ______________________________________________________________________________ 7 Concretos e Argamassas Prof. cujos grãos passam pela peneira ABNT 152 mm e ficam retidos na peneira ABNT 4. por suas massas específicas (densidade): Leves: M.0 a 2. > 3. < 2.5 1.2 3. c) Quanto à massa unitária pode-se classificar os agregados em leves.0 Os agregados leves. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ≤ 3.0 t/m3 Características das rochas de origem: a) Atividade – o agregado pela própria definição.6 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0 ≤ M. a designação dimensão máxima indica a abertura de malha (em milímetros) da peneira da série normal à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou inferior a 5%. também. ou a pedra britada proveniente do britamento de rochas estáveis.E.E.edu.• Agregado graúdo → o agregado graúdo é o pedregulho natural.45 1. médios e pesados.3 0.3 Escória granulada 1.5 1.E. Veja a tabela abaixo: Massas unitárias médias Leves (menor que 1.8 Calcário Arenito Cascalho Granito Areia seca ao ar Basalto Escória Médios (1.0 t/m3 Médios: 2.7 Barita Hematita Magnetita Pesados (acima de 2.0 t/m3 Pesados: M.5 1. Referindo-se ao tamanho do agregado.

dá-se o nome de abrasão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. SP ) Granito ( RJ ) Basalto Resistência à Compressão 154 MPa 120 MPa 150 MPa Sob o aspecto de resistência à compressão. pois tem resistência muito superior às máximas dos concretos. b) Resistência Mecânica • à compressão : a resistência varia conforme o esforço de compressão se exerça paralela ou perpendicularmente ao veio da pedra. Ao desgaste superficial dos grãos de agregado quando sofrem “atrição”. não deve conter incompatibilidade térmica entre seus grãos e a pasta endurecida. O ensaio se faz em corposde-prova cúbicos de 4 cm de lado. estocagem). basculamento. apresentam resistências médias à compressão da seguinte ordem : Rochas Granito ( Serra da Cantareira.edu. estes materiais não apresentam qualquer restrição ao seu emprego no preparo de concreto normal. Quem confere esta propriedade aos concretos é o agregado. • ao desgaste : a pasta de cimento e água não resiste ao desgaste . As rochas ígneas. portanto. não deve sofrer variações de volume com a umidade. ______________________________________________________________________________ 8 Concretos e Argamassas Prof. assim como a escória de alto forno resfriada ao ar. a capacidade que tem o agregado de não se alterar quando manuseado (carregamento.• • • não deve conter constituintes que reajam com o cimento “fresco” ou endurecido. A resistência à abrasão mede.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As rochas sedimentares apresentam resistência um pouco abaixo das ígneas.

7mm. A NBR 6465 trata do ensaio à abrasão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Retirada do cilindro. pois o concreto sofre grande atrição. determinando-se a perda de peso após 5 ciclos de imersão por 20 horas. quando for usada uma solução de sulfato de magnésio. em essência. dentro do qual a amostra de agregado é colocada juntamente com esferas de ferro fundido. em vertedouros de barragens e em pistas rodoviárias. a amostra é peneirada na peneira de 1. O cilindro é girado durante um tempo determinado. expresso em porcentagem do peso inicial.Em algumas aplicações do concreto. que consta. Principais propriedades físicas dos agregados • • • • • • Massa específica Massa unitária Índice de vazios Compacidade Finura Área específica ______________________________________________________________________________ 9 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é a “Abrasão Los Angeles”. sofrendo o agregado atrição e também um certo choque causado pelas esferas de ferro. A resistência à abrasão é medida na máquina “Los Angeles”. É de 15% a perda máxima admissível para agregados miúdos e de 18% para agregados graúdos. seguidas de 4 horas de secagem em estufa a 105°C.edu. de um cilindro oco. o peso do material que passa. como por exemplo em pistas de aeroportos. O ensaio consiste em submeter o agregado à ação de uma solução de sulfato de sódio ou magnésio. dando as características da máquina e das cargas de agregado e esferas de ferro. a resistência à abrasão é característica muito importante. c) Durabilidade O agregado deve apresentar uma boa resistência ao ataque de elementos agressivos. de eixo horizontal.

7 dm3 = 0.edu.7 litros Se com 1 kg de cimento.E = ρ = Para que serve a massa específica? 500 kg / l L − 200 Seja o traço em peso de um concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .10 = 0. faz-se essa leitura e do valor obtido diminuem-se os 200 ml.8 kg Pedregulho: 4. Para muitas rochas comumente utilizadas. assim.8 kg Água: 0. dividindo-se o peso dos 500g de areia pelo volume achado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é importante conhecer o volume ocupado pelas partículas do agregado. introduz-se cuidadosamente o material. para materiais secos (traço de um concreto define a proporção unitária entre seus materiais constituintes.90 l de concreto. coloca-se água no interior do frasco até sua marca padrão de 200 ml.81 litros Água: 0. colhida de acordo com a NBR 7216. Massa Específica (kg/m3) Granito Arenito Calcário 2690 2650 2600 Da amostra representativa. empregando-se as proporções de areia e pedregulho especificadas anteriormente.62 kg/dm3 Pedregulho: 2.10 kg/dm3 Areia: 2.62 kg/dm3= 1.7 kg / 1 kg/dm3 = 0.65 kg/dm3 = 1. portanto somente é necessário a determinação da massa específica do agregado. considerando-se o cimento como unidade de medida): Cimento: 1 kg Areia: 2.90 =256 kg de cimento.65 kg/dm3 Água: 1 kg/dm3 Temos os volumes de “cheios” deste material: Cimento: 1 / 3. incluindo os poros internos das partículas.07 dm3 = 1. o valor absoluto de areia.07 litros Pedregulho: 4. teremos a massa específica real ou peso específico real. ______________________________________________________________________________ 10 Concretos e Argamassas Prof. A massa específica é definida como a massa do material por unidade de volume. M. para 1 m3 de concreto (1000l) serão precisos: 1 x 1000/3.7 kg Conhecendo-se as massas específicas desses materiais: Cimento: 3.32 dm3 = 0. incluindo os poros existentes dentro das partículas.81 dm3 = 1. obtém-se 3. pesam-se 500g de areia seca.32 litros Areia: 2. a massa específica varia entre 2600 e 2700 kg/m3. obtendo-se. A água subirá no gargalo do frasco até uma certa marca (L).Massa Específica! O que é isto? Para efeito de dosagem do concreto.8 kg / 2.8 kg / 2.

o material deverá ser lançado de uma altura que não exceda a 10 cm da boca. No caso do agregado graúdo. para cálculos de consumo de materiais a serem empregados no concreto. de volume nunca inferior a 15 litros.00 dm3 / 0. na dosagem de concretos.6 kg/dm3 = 3. A importância de se conhecer a massa unitária aparente vem da necessidade.1 kg/dm3 Areia: 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com forma de paralelepípedo.4 kg/dm3 Pedregulho: 1.33 dm3 Traço transformado para volume: 1. A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados em concreto normal varia de 1300 a 1750 kg/m3.33 ______________________________________________________________________________ 11 Concretos e Argamassas Prof.00 : 2.90 = 2.1 kg/dm3 = 0. A massa unitária. neste caso. incluindo na medida deste volume os vazios entre os grãos.00 dm3 Como em todo traço unitário de concreto o cimento é sempre a unidade de medida.edu.4 kg/dm3= 2. de transformar um traço em massa para volume e vice-versa. Definindo massa unitária de outra maneira.22 : 3.Massa Unitária! O que é isto? Segundo a NBR 7810 a massa unitária é a massa da unidade de “volume aparente” do agregado.90 = 3.90 = 1. os resultados encontrados por 0. poderíamos dizer que massa unitária é definida como a massa das partículas do agregado que ocupam uma unidade de volume. expressa em kg/dm3.00 dm3 / 0.22 dm3 Pedregulho: 3.00 dm3 Pedregulho: 4. Após cheio.U = Massa do recipiente cheio − tara Capacidade do recipiente Para que serve a massa unitária? Seja o traço em massa de concreto com materiais secos: Cimento: 1 kg Areia: 2.00 dm3 Areia: 2. ou também. Sua determinação deverá ser feita em recipiente. a superfície é regularizada de modo a compensar as saliências e reentrâncias das pedras.90 dm3 / 0.8 kg / 1.8 kg / 1. a superfície do agregado é rasada e nivelada com uma régua. dividiremos. isto é. de tal forma que não exista espaços vazios. tal fenômeno surge porque não é possível empacotar as partículas dos agregados juntas. é obtida pelo quociente: M. Quanto ao enchimento do recipiente.8 kg Conhecendo-se as massas unitárias ou aparentes para: Cimento: 1.90: Cimento: 0. O termo massa unitária é assim relativo ao volume ocupado por ambos: agregados e vazios.8 kg Pedregulho: 4.90 dm3 Areia: 2.6 kg/dm3 Temos o traço em volume correspondente: Cimento: 1 kg /1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

apresentará.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A mistura de agregados miúdos e graúdos.edu. i= Agregado Miúdo V v V g Agregado Graúdo No caso dos agregados miúdos o espaço intergranular é menor que nos agregados graúdos. c= Vg Va ______________________________________________________________________________ 12 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. um menor volume de vazios. sempre.Índice de Vazios: é a relação entre o volume total de vazios e o volume total de grãos. por isso podemos dizer que os totais de espaços vazios nos agregados miúdos e graúdos independem do tamanho máximo dos grãos. Compacidade (c): é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o volume total do agregado. entretanto. porém a quantidade destes espaços vazios é bastante superior.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dizse que ele tem maior finura. A forma dos grãos de brita é irregular e sua superfície extremamente rugosa. As areias das praias não são usadas. para a mesma granulometria.Finura: quando um agregado tem seus grãos de menor diâmetro que um outro. contudo. Agregados Naturais: Areia natural: considerada como material de construção. o grão real tem. • Concreto de cimento • Pavimentos rodoviários • Filtros constitui o agregado miúdo dos concretos). areia é o agregado miúdo. em geral. • Concreto betuminoso juntamente com fíler. ______________________________________________________________________________ 13 Concretos e Argamassas Prof. Área específica: é a soma das áreas das superfícies de todos os grãos contidos na unidade de massa do agregado. a areia é utilizada para a construção de filtros. de cavas (depósitos aluvionares em fundos de vales cobertos por capa de solo) ou de praias e dunas. O mesmo ocorre com as areias de dunas próximas do litoral. A areia pode originar-se de rios. superfície de área maior que a esfera. Admite-se para área da superfície de um grão. constitui o material de correção do solo (sub-base). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a areia entra na dosagem dos inertes do concreto betuminoso e tem a importante propriedade de impedir o amolecimento do concreto betuminoso dos pavimentos de ruas nos dias de intenso calor). devido a sua grande permeabilidade. para o preparo de concreto por causa de sua grande finura e teor de cloreto de sódio. os agregados com grãos mais regulares têm menor superfície específica.edu. destinados a interceptar o fluxo de água de infiltração em barragens de terra e em muros de arrimo. a área da superfície de uma esfera de igual diâmetro. Utilizações da areia natural: • Preparo de argamassas.

É chamado de pó de pedra. O concreto executado com pedregulho é menos resistente ao desgaste e à tração do que aquele fabricado com brita. dos quais se retira a fração inferior a 0.2 a 9.8 a 19 19 a 38 25 a 50 50 a 76 Areia de brita ou areia artificial: agregado obtido dos finos resultantes da produção da brita. Deve ser de granulação diversa.edu. quer dizer. Fíler: agregado de graduação 0. inconsolidado.15 /4.15 mm.8mm. pelo processo industrial da cominuição (fragmentação) controlada da rocha maciça. Agregados Artificiais Pedra britada: agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em jazidas. na proporção 1 para mais ou menos 1. Seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento e passam na peneira 200 (0. formado de grãos de diâmetro em geral superior a 5 mm.20. é um sedimento fluvial de rocha ígnea.005/0. ______________________________________________________________________________ 14 Concretos e Argamassas Prof.Seixo rolado ou cascalho: também denominado pedregulho. lavado antes de ser fornecido. Sua graduação é 0.075 mm). já que o ideal é que os miúdos ocupem os vãos entre os graúdos. O pedregulho deve ser limpo. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 4.075mm. O cascalho também pode ser de origem litorânea marítima. Classificação do autor Falcão Bauer em seu livro “Materiais de construção” Denominação Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 Diâmetro (mm) 1. podendo os grãos maiores alcançar diâmetros até superiores a cerca de 100 mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

______________________________________________________________________________ 15 Concretos e Argamassas Prof. Pode ser classificada em primária ou secundária. e apesar de as curvas granulométricas médias dos agregados comerciais não coincidirem totalmente com as curvas médias das faixas da Norma. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Pode conter uma parcela de solo. apesar de ter ele distribuição granulométrica não coincidente com a do agregado miúdo padronizado para concreto (areia). A tecnologia do concreto evoluiu. Será secundária quando deixar o britador secundário. São empregados principalmente o pedrisco. que padroniza a pedra britada nas dimensões hoje consagradas pelo uso. A NBR 9935 define rachão como “pedra de mão”. Será primária quando deixar o britador primário. com graduação aproximada de 0/76mm. na adição a cimentos. de modo que o pó de pedra é usado em grande escala. vão abastecer o britador primário.O fíler é utilizado nos seguintes serviços: • • • • na preparação de concretos.edu. Bica-corrida: material britado no estado em que se encontra à saída do britador.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a pedra 1 e a pedra 2. dependendo da regulagem e tipo de britador. Blocos: fragmentos de rocha de dimensões acima do metro. de dimensões entre 76 e 250 mm. É também usado o pó de pedra. depois de devidamente reduzidos em tamanho. trata de agregado para concreto. que. com graduação aproximada de 0/300mm. como espessante de asfaltos fluidos. É a fração acima de 76 mm da bica corrida primária. para preencher vazios. Rachão: agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. emprega-se o agregado em extensa gama de situações: • concreto de cimento: o preparo de concreto é o principal campo de consumo da pedra britada. de grãos em geral friáveis (que se partem com facilidade). A NBR 7211. Restolho: material granular. Não obstante isso. na preparação da argamassa betuminosa.

• • Argamassas: em certas argamassas de enchimento. 2 e 3. de silicato de alumínio e óxidos de silício. ferro. Agregados Industrializados 1) Agregados Leves a) Argila expandida: a argila é um material muito fino. magnésio e outros elementos. a NBR 7174 fixa três graduações para o esqueleto e uma para o material de enchimento das bases de macadame hidráulico. obtendo-se mais facilmente. de traço mais apurado. isto é. precisa ser dotada da propriedade de piroexpansão. além da baixa ______________________________________________________________________________ 16 Concretos e Argamassas Prof. em proporções muito variáveis. pedras 1. Isto se deve ao ter ele de satisfazer peculiar forma de distribuição granulométrica. areias. Correção de solos: usa-se o pó de pedra para correção de solos de plasticidade alta. seja concreto estrutural ou pré-moldados – com resistência de até fck 30MPa. graduações estas que diferem das pedras britadas. misturando-se diversos agregados comerciais. O principal uso que se faz da argila expandida é como agregado leve para concreto.edu.• Concreto asfáltico: o agregado para concreto asfáltico é necessariamente prédosado. Para se prestar para a produção de argila expendida. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. alto índice de suporte do que quando se usam solos argilosos. Pavimentos rodoviários: para este emprego. de apresentar formação de gases quando aquecida a altas temperaturas (acima de 1000oC). e consta praticamente de pedra 3. Nem todas as argilas possuem essa propriedade. formada. • • • Lastro de estradas de ferro: este lastro está padronizado pela NBR 5564. constituído de grãos lamelares de dimensões inferiores a dois micrômetros. O concreto de argila expandida. podem ser usados a areia de brita e o pó de pedra. Aterros: podem ser feitos com restolho.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . São usados: fíler. seja concreto de enchimento.

a escória é resfriada com jatos de água fria. b) Escória de alto-forno: é um resíduo resultante da produção de ferro gusa em altos-fornos. silício e alumínio.0 a 1. então. aproximadamente.8mm. após receber um jato de vapor. apresenta muito baixa condutividade térmica – cerca de 1/15 da do concreto de britas de granito. ao sair do alto forno (escória bruta). e também em concreto estrutural.5/32 mm. Quando é imediatamente resfriada em água fria. O grau de absorção cresce com o aumento da densidade do concreto ______________________________________________________________________________ 17 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. que permite obter um agregado miúdo de graduação 0/4.densidade de 1. 2) Agregados Pesados a) Hematita: a hematita britada constitui os agregados miúdo e graúdo que são usados no preparo do concreto de alta densidade (dito “concreto pesado”) destinado à absorção de radiações em usinas nucleares (escudos biológicos ou blindagens). c) Vermiculita: é um dos muitos minérios da argila. contra 26 do concreto de brita de granito ou de basalto. Blocos e painéis pré-moldados usando argila expandida prestam-se bem a ser usados como isolantes térmicos ou acústicos. uma vez britada. A escória granulada é usada na fabricação do cimento Portland de alto-forno.8. A vermiculita expandida tem os mesmos empregos da argila expandida. constituído basicamente de compostos oxigenados de ferro. a escória expandida. Normalmente. pode produzir um agregado graúdo. com resistência a 28 dias da ordem de 8-20 MPa e densidade da ordem de 1. de que resulta um agregado da ordem de 12. Usa-se a escória expandida como agregado graúdo e miúdo no preparo de concreto leve em peças isolantes térmicas e acústicas. resulta a escória granulada.4. A escória simplesmente resfriada ao ar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que pode variar de 6 a 15 kN/m3. produzindo-se. no que são auxiliados pela baixa densidade do material.

por peneiramento.edu. Para caracterizar um agregado é. a) Peneiras (Série Normal e Série Intermediária): conjunto de peneiras sucessivas. Para conseguir isto. necessário conhecer quais são as parcelas constituídas de grãos de cada diâmetro.a) Barita: pela sua alta densidade. com as seguintes aberturas discriminadas: ______________________________________________________________________________ 18 Concretos e Argamassas Prof. a barita também é usada no preparo de concretos densos. Exigências normativas da NBR 7211 1) Granulometria: define a proporção relativa. divide-se. então. Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo material retido por peneira e acumulado. dos diferentes tamanhos de grãos que se encontram constituindo um todo. expressas em função da massa total do agregado. a massa total em faixas de tamanhos de grãos e exprime-se a massa retida de cada faixa em porcentagem da massa total.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que atendem a NBR 5734. A granulometria dos agregados é característica essencial para estudo das dosagens do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. expressa em porcentagem.

______________________________________________________________________________ 19 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 - b) Limites granulométricos do agregado miúdo Porcentagem.PENEIRAS Série Normal 76 mm 38 mm 19 mm 9.5 mm 6.edu.300 0.8 mm 2.15 mm Zona 1 (muito fina) 0 0a3 0a5 0a5 0 a 10 0 a 20 50 a 85 85 a 100 Zona 2 (fina) 0 0a7 0 a 10 0 a 15 0 a 25 21 a 40 60 a 88 90 a 100 Zona 3 (média) 0 0a7 0 a 11 0 a 25 10 a 45 41 a 65 70 a 92 90 a 100 Zona 4 (grossa) 0 0a7 0 a 12 5 a 40 30 a 70 26 a 85 80 a 95 90 a 100 * Pode haver uma tolerância de até um máximo de cinco unidades de porcento em um só dos limites marcados com o (*) ou distribuídos em vários deles.8 mm 2. em massa.6 mm 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.150 Série Intermediária 64 mm 50 mm 32 mm 25 mm 12.4 mm 1.5 mm 6.5 4.2 0.3 mm 4.2 mm 0.600 0.3 mm 0. retida acumulada na peneira ABNT Peneira ABNT 9.4 mm 1.

15 Fundo MATERIAL RETIDO (g) 30 70 140 320 300 120 20 Σ = 1000g % SIMPLES % ACUMULADO ______________________________________________________________________________ 20 Concretos e Argamassas Prof.5 9.3 0.3 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.8 2.4 1. dividida por 100.30 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - d) Módulo de finura (Mf): é a soma das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado. Exemplo: PENEIRAS (mm) 4.edu. nas peneiras da série normal.4 0 0 – 10 80 – 100 95 – 100 Classificação (Graduação) 1 0 0 .c) Limites granulométricos do agregado graúdo A NBR 7211 classifica os agregados graúdos segundo a tabela abaixo: Porcentagens retidas acumuladas Peneiras 0 76 63 50 38 32 25 19 12.8 2.2 0.5 6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .10 80 – 100 92 – 100 95 – 100 - 2 0 0 – 25 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - 3 0 0 – 30 75 – 100 87 – 100 95 – 100 - 4 0 0 .6 0.

71 Grossa: MF > 2. Na tabela anterior todas as peneiras são da série normal. em mm. a) Quanto às dimensões: Com relação ao comprimento (l).71 Fina: 1. conforme sejam as relações entre as três dimensões. cúbicos. ______________________________________________________________________________ 21 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5mm Brita 2→ (Dm) = 25mm Brita 3→ (Dm) = 38mm Brita 4→ (Dm) = 76mm Brita 5→ (Dm) = 100mm Na tabela acima. da peneira listada na tabela 6. à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa.Obs. 2) Forma dos grãos: os grãos dos agregados não tem forma geometricamente definida. correspondente à abertura de malha quadrada. pois é na peneira 4. o diâmetro máximo do agregado é 4. os agregados classificam-se em alongados.71 e) Dimensão Máxima (Dm) : grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado. que definem o coeficiente de forma. largura (l) e espessura (e).11 Média: 2.8 mm que o percentual retido acumulado é igual ou imediatamente inferior a 5%.8 mm.12 < MF < 2. variam entre os seguintes limites: Muito fina: MF < 1. As britas podem ser classificadas em: Brita 1→ (Dm) = 12.72 < MF < 2. lamelares e discóides. Atenção! Os módulos de finura para a areia. por isso para o cálculo do módulo de finura somou-se todos os percentuais retidos acumulados.edu.

arenitos e folhelho tendem a produzir fragmentos alongados e achatados. enquanto aquelas cujo comprimento é consideravelmente maior do que as outras duas dimensões são chamadas de alongadas. constituindo o que se chama de argamassas duras.edu. especialmente quando são usados britadores de mandíbula no beneficiamento. como é o caso das areias e seixos rolados formados nos leitos dos rios. defeituoso: quando apresentam trechos convexos. c) Quanto à forma das faces: • • conchoidal: quando tem uma ou mais faces côncavas. se preparadas com areia artificial.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por exemplo. ______________________________________________________________________________ 22 Concretos e Argamassas Prof. e também nos depósitos eólicos em zonas marítimas. • • angulosos: quando apresentam arestas vivas e pontas (britas). Agregados de rochas britadas possuem vértices e arestas bem definidos e são chamados angulosos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A influência da forma é mais acentuada nos agregados miúdos. ficam tão rijas que não se podem espalhar com a colher. A forma dos grãos tem efeito importante no que se refere à compacidade. arredondados: quando não apresentam arestas vivas (seixos).Calcários estratificados. Aquelas partículas cuja espessura é relativamente pequena em relação as outras duas dimensões são chamadas de lamelares ou achatadas. pela perda de vértices e arestas. à trabalhabilidade e ao ângulo de atrito interno. Argamassas de revestimento. b) Quanto à conformação da superfície: Partículas formadas por desgaste superficial contínuo tendem a ser arredondadas. tendo geralmente uma forma bem arredondada.

28% de grãos cúbicos.Os agregados naturais tem grãos cubóides. contra 70 a 90% na brita de basalto. sob a forma de torrões é bastante nociva. que produz apreciável quantidade de grãos lamelares. Apresentam. de superfície arredondada e lisa.5 % . Concretos preparados com agregados de britagem exigem 20% mais água de amassamento do que os preparados com agregados naturais. além disso. Nos agregados artificiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo os grãos lamelares os mais prejudiciais. contra as superfícies angulosas e extremamente irregulares dos grãos dos agregados industrializados. para a resistência de concreto e argamassas e o seu teor é limitado a 1. maior resistência à desgraduação (alteração da distribuição granulométrica por quebra de grãos). Apesar disso. A presença de areias ou argila. concretos de agregados de britagem têm maiores resistências ao desgaste e à tração. a forma dos grãos depende da natureza da rocha e do tipo de britador. devido a maior aderência dos grãos à argamassa. 3) Substâncias nocivas: são aquelas existentes nas areias ou britas que podem afetar alguma propriedade desejável no concreto fabricado com tal agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Tornam as argamassas mais trabalháveis que os artificiais. Torrões de Argila Afeta trabalhabilidade Resistência Abrasão ______________________________________________________________________________ 23 Concretos e Argamassas Prof. O granito produz grãos de melhor forma que o basalto.edu. O cascalho apresenta 92. a) Torrões de Argila São denominadas todas as partículas de agregado desagregáveis sob pressão dos dedos (torrões friáveis).

constituído de silte e argila. Ensaio colorímetrico Indica a existência ou não de impurezas orgânicas.b) Material Pulverulento As areias contém uma pequena percentagem de material fino. intensificando sua retração e reduzindo sua resistência. propiciam maiores alterações de volume nos concretos.edu. São partículas minúsculas. A cor escura da areia é indício de matéria orgânica (exceto para agregado resultante de rocha escura como o basalto) as impurezas orgânicas formadas por húmus exercem uma ação prejudicial sobre a pega e o endurecimento das argamassas e concretos. ______________________________________________________________________________ 24 Concretos e Argamassas Prof. reduzindo a trabalhabilidade • • 3% para concreto submetido a desgaste superficial 5% outros concretos Material passante na peneira de 75 µm Afeta durabilidade c) Impurezas Orgânicas Aumenta consumo de água A matéria orgânica é a impureza mais freqüente nas areias. mas em grande quantidade chegam a escurecer a argila.075 mm. A argila da areia pode ser eliminada por lavagem. e portanto passando na peneira de 0. porém poderá arrastar os grãos mais finos da areia. Os finos. aumentam a exigência de água para uma mesma consistência. Os finos de certas argilas. quando presentes em grandes quantidades.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. São detritos de origem vegetal na maior parte. de um modo geral.

5 % para concretos onde a aparência é importante e 1% para os demais concretos.d) Materiais carbonosos Partículas de carvão. Diminuem também a resistência à abrasão. Carvão Afeta trabalhabilidade e) Cloretos Causa manchas Em presença excessiva podem causar certos problemas. f) Sulfatos Podem acelerar e em certos casos retardar a pega do cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Dão origem e expansão no concreto pela formação de etringita (formação mineral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Cuidado com alguns aditivos aceleradores de pega que contém cloretos (não usar em concreto protendido). diminuindo a resistência do concreto. • Nas argamassas geram o aparecimento de eflorescências e manchas de umidade. madeira. linhito. que por sua constituição e forma podem ser prejudicial ao concreto) ______________________________________________________________________________ 25 Concretos e Argamassas Prof. São considerados prejudiciais pois são materiais de baixa resistência. • No concreto aceleram o processo de corrosão do aço. Máximo de 0.edu.

eventualmente. ocorrem preferencialmente em concretos de barragens ou em estruturas de fundações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dos agregados.g) Reatividade Álcali-Agregado (ou Reatividade Potencial) As reações álcali-agregado são processos químicos que envolvem os álcalis do cimento e agregados cujas características minerais ou texturais os tornam reativos.edu. com conseqüente aumento da permeabilidade e diminuição da resistência química do concreto a agentes externos. o teor máximo de álcalis para os cimentos é determinado em 0. promovem a abertura e propagação das descontinuidades.6% quando os agregados utilizados para produção de concretos contiverem tais minerais. desenvolvendo-se em fissuras e vazios da argamassa e. ______________________________________________________________________________ 26 Concretos e Argamassas Prof. Experimentalmente. Por serem processos químicos favorecidos pela variação de umidade. Seus produtos são géis alcalinos e materiais cristalinos expansivos que.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A caracterização das reações álcali-agregado através de seus produtos permite avaliar o grau de comprometimento da estrutura e balizar eventuais ações para minimização dos danos decorrentes.

tendo porém umidade interna. Ensaios mostram que a água livre aderente aos grãos provoca um afastamento entre eles. CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS Seco em estufa aquecimento a 100oC toda umidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ______________________________________________________________________________ 27 Concretos e Argamassas Prof.edu. devido ao fenômeno do inchamento. estando porém preenchidos os vazios permeáveis das partículas dos agregados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. INCHAMENTO A areia na obra apresenta-se normalmente úmida e o teor de umidade varia normalmente de 4 a 6%. Saturado apresenta água livre na superfície. Deste afastamento resulta o inchamento. Teor de umidade (%) razão entre a massa de água contida numa amostra e a massa desta amostra seca. sem estar saturado Seco superfície seca. sem água livre. externa ou interna foi eliminada por um Seco ao ar quando não apresenta umidade superficial.Umidade e Inchamento dos agregados È importante conhecer o teor de umidade dos agregados (principalmente os miúdos).

O inchamento aumenta com o acréscimo de umidade até um teor de 4 a 6%. sendo que nesta faixa se dá o inchamento máximo estes teores o inchamento decresce.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.O inchamento depende da composição granulométrica e do grau de umidade. após ______________________________________________________________________________ 28 Concretos e Argamassas Prof. É maior para areias mais finas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Algumas fórmulas para o cálculo de umidade e inchamento nos agregados miúdos: h% = Págua Pareia seca × 100 Págua = Pah − Pas Ch h = 100 Vah − Vas Vas Vah − Vas × 100 Vas h ⎞ ⎛ Pah = Pas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ Ci = I ⎞ ⎛ Vah = Vas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ I% = Ci = d as (1 + C h ) − 1 d ah Vah = Pah d ah Vas = Pas d as h% = percentual de umidade I% = percentual de inchamento Vah= volume de areia úmida Vas = volume de areia seca Pah = peso de areia úmida Pas = peso de areia seca das = massa unitária da areia seca dah = massa unitária da areia úmida Ci = coeficiente de inchamento Ch = coeficiente de umidade ______________________________________________________________________________ 29 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

cal aérea. inertes e que ao endurecerem (física ou quimicamente). na confecção de argamassas ou concretos utilizados na construção civil. São utilizados como pastas ou como agregados inertes.AGLOMERANTES CONSIDERAÇÕES INICIAIS São produtos utilizados na Construção Civil para fixar ou aglomerar materiais entre si. • Apresentam-se na forma pulverulenta (mais comum) e quando misturados com água tem a capacidade de aglutinar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aglutina-os. Função • • Aglutinação e colagem dos componentes e elementos Preenchimento de vazios existentes no conjunto aglomerante pasta argamassa + + + água agregado miúdo agregado graúdo PASTA ARGAMASSA CONCRETO _________________________________________________________________________ 30 Concretos e Argamassas Prof. Ex: cimento (vários tipos). tomando as mais diversas formas e resistências simples secagem e/ou conseqüência de reações químicas Endurecimento aderindo à superfície a quais estão em contato. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Caracterização envolvem outros materiais sólidos. gesso. cal hidráulica Materiais naturais ou artificiais que em estado plástico ou fluído.edu.

escórias de alto forno. O gesso. chegando a atingir alguma resistência mecânica. cinza de casca de arroz. Apesar de ser quimicamente inativa. ou na argila calcinadas. A descoberta dos aglomerantes quimicamente ativos pode ter sido acidental. causar o menor impacto ambiental possível. em contato com umidade. a argila endurece em conseqüência da evaporação da água de amassamento. Registros históricos indicam que a argila tenha sido o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem na construção de suas edificações. por aquecimento de rochas calcárias ou gipsíferas ao redor de fogueiras. dolomitos.edu. Por isto é muito comum hoje em dia o uso de adições. Contudo. _________________________________________________________________________ 31 Concretos e Argamassas Prof. a argila torna-se instável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As pozolanas (solos ou cinzas vulcânicas) eram usadas por gregos e romanos em argamassas de cal e areia. a cal foi empregada em construções egípcias. cinza de bagaço de cana. devemos levar em conta alguns aspectos quando da produção do mesmo: ASPECTO TÉCNICO pureza as MPs deve ser abundante na natureza e apresentar certa ASPECTO ECONÔMICO aproveitamento apresentar boas condições econômicas o seu ASPECTO AMBIENTAL adição ao concreto metacaulim.Consideração inicial sobre as matérias-primas Pelo grande volume normalmente envolvido quando se fala de aglomerantes na construção civil. gregas. etc. a hidratação do material calcinado resultaria uma pasta aglomerante. etruscas e romanas. por exemplo. cinzas volantes. foi encontrado em algumas edificações egípcias.C. para aumentar sua resistência mecânica. seja na produção de cimentos. havendo registros de sua utilização em 2700 a. em seguida. para se utilizar um aglomerante comercialmente. na pirâmide de Quéops. filler calcário. depois de endurecida. pozolonas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

não significando que ela tenha adquirido toda sua resistência. reversibilidade do processo. o início da pega dá-se após no mínimo 1 hora depois da mistura do mesmo com a água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A pega se dá quando a pasta começa a perder sua plasticidade. independente da presença cales hidráulicas e cimentos. Após o fim da pega. inicia-se a fase de endurecimento. O fim da pega pode acontecer entre 6 a 10 horas após a mistura. o que será conseguido somente após anos. Ex. O interesse se fixa nos aglomerantes quimicamente ativos. que é o aglomerante mais importante. gesso e cimentos endurecimento Quimicamente ativos decorrente de reação química. Quimicamente inertes baixas resistência mecânicas.edu.DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO Uma divisão inicial pode ser feita: • misturas argilosas endurecimento ao ambiente. a) Início e fim da pega: o tempo de início de pega é contado a partir do lançamento da água no aglomerante.: Para o cimento Portland. • cales. altas resistências físico-mecânicas e estáveis.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas seu endurecimento continua obedecendo mais ou menos às seguintes relações: _______________________________________________________________________________ 32 Concretos e Argamassas Prof. gesso Aéreos endurecimento se manifeste • Hidráulicos do ar o endurecimento pode se efetivar. Daí uma nova divisão pode ser feita: • necessitam estar em contato com o AR para que o processo de cales aéreas. O fim da pega ocorre quando a pasta se solidifica completamente.

GESSO Definição É um aglomerante aéreo (endurece pela ação química do CO2 do ar). Sua fórmula química é CASO4 + 2 H2O e suas impurezas – que. – início de pega de 8 a 30 minutos. no Egito. Sua desidratação é feita através do cozimento industrial (fornos). a Gipsita é encontrada em jazidas no Norte e Nordeste. o carbonato de cálcio (CaCO3). o anidrito sulfúrico (SO3) e o anidrido carbônico (CO2) . a alumina (Al2O3). no máximo. No Brasil. 130% Resistência 28 dias Classificação quanto ao início de pega dos Aglomerantes : • • • • • aglomerantes de pega ultra rápida aglomerantes de pega rápida aglomerantes de pega normal aglomerantes de pega lenta aglomerantes de pega muito lenta – início da pega até 8 minutos.500 anos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A Gipsita é o sulfato de cálcio mais ou menos impuro. _______________________________________________________________________________ 33 Concretos e Argamassas Prof.são o silício (SiO2). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. – início de pega de 30 a 90 minutos. obtido pela desidratação total ou parcial da Gipsita – aglomerante já utilizado pela humanidade há mais de 4.edu. 60% Resistência 28 dias 120% Resistência 28 dias. a cal (CaO). o óxido de ferro (Fe2O3). gesso Paris ou gesso de pega rápida.• • • • Resistência 3 dias ≈ Resistência 7 dias ≈ Resistência 91 dias ≈ Resistência 1 ano ≈ 40% Resistência 28 dias. Conhecido também com os nomes de gesso de estucador. indicam 6% . – início de pega após 90 minutos. cujas reservas são calculadas em 407 milhões de toneladas. – início de pega após 6 horas. hidratado com 2 moléculas de água.

edu. apresentando uma dilatação linear de 0. utilizado na construção civil) . sendo. muito usado em moldagem. 2H2O + calor → CaSO4 + 2H2O) anidro insolúvel c) Entre 400 e 600ºC. portanto. passando de diidrato para hemidrato. ávida por água. a gipsita perde ¾ partes de sua água. a anidrita torna-se insolúvel e não é mais capaz de fazer pega. _______________________________________________________________________________ 34 Concretos e Argamassas Prof. depois da britagem e trituração. são queimadas na temperatura entre 130 e 160ºC.5 H2O gesso hemidrato Esse gesso hemidrato é conhecido como gesso rápido (quanto à pega). b) A partir de 250ºC.3% e. transforma-se em hemidrato. o gesso sofre a separação do SO3 e da CaO. este retrai bem menos do que sua dilatação inicial. após seu endurecimento. rapidamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. (600ºC) CaSO4 . o gesso torna-se anidro (sem água) e o resultado é a formação de anidrita solúvel.EFEITOS DA QUEIMA a) As pedras de gipsita. gesso hidráulico . formando um produto de pega lenta (pega entre 12 e 14 horas) chamado de gesso de pavimentação. transformando-se num material inerte. na presença desta. (140ºC) CaSO4 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ½ H2O) + 1. conhecido como hemidrato (B). Nessa temperatura. que é mais solúvel que o diidrato (o hemidrato apresenta-se como sólido micro poroso mal cristalizado. realizadas com pressão atmosférica ordinária. 2H2O + calor → (CaSO4 . gesso estuque ou gesso Paris e endurece entre 15 e 20 minutos. e que. participando do conjunto como material de enchimento . d) Entre 900 e 1200ºC.

decoração. Nos Estados Unidos o uso na construção civil iniciou-se em 1835. alimentação ou até na medicina. sendo mais recomendado para ambientes internos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Auxilia no equilíbrio da umidade do ar em ambientes fechados por ser material higroscópico. Sua plasticidade permite produzir formas e elementos diferenciados. tais como sancas. facilidade de aplicação e algumas características que veremos adiante. forros.edu. Em 1885. divisórias. seja na construção. Tem sido usado desde o período Neolítico como material cimentante. Na arquitetura muçulmana antiga aparece em elementos ornamentais. arcos. Há 5000 anos foi utilizado no interior de pirâmides egípcias aplicado em paredes. Porém em contato com a água perde em muito sua resistência mecânica. No século XIX foi se incorporando à arquitetura e construção como reboco e elemento de decorativo em palácios e vivendas. tornou-se um ótimo material para arquitetura de interiores. Durante a ocupação romana na Península Ibérica generalizou-se o seu uso. É um material que tem bom isolamento térmico e acústico.HISTÓRICO DO GESSO O gesso faz parte de nossa vida cotidiana deste tempos imemoriais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Neste período românico foi empregue em afrescos para decoração de igrejas e capelas. com a descoberta de um método para retardar o tempo de paga. etc. Tudo isto porque tem uma grande adaptabilidade. Tem estado presente na vida do homem desde a mais remota antiguidade. fez com que a sua aplicação na construção civil tivesse um acelerado crescimento. paredes e suportes. _______________________________________________________________________________ 35 Concretos e Argamassas Prof. Por sua facilidade de moldagem. colunas.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Algumas aplicações Alguns cuidados _______________________________________________________________________________ 36 Concretos e Argamassas Prof.

normalmente. A presença de impurezas diminui muito a velocidade de pega. reduzindo a produtividade do gesseiro. o preparo da pasta fica condicionado a pequenos volumes.edu. Como retardador de pega. podem-se utilizar no gesso: Sal de cozinha / alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio) / sulfatos de alumínio e potássio e o próprio gesso hidratado.1% da massa de gesso. em torno de 19% de massa do mesmo . A queda de produtividade é acompanhada do aumento de desperdício de material. A quantidade d’água funciona negativamente no fenômeno de pega. pois formam membranas protetoras entre os grãos. isolando-os. na proporção de 0. Dureza As pastas de gesso têm dureza entre 14 MPa e 53 MPa. Resistência à compressão As pastas de gesso têm resistência à compressão entre 10 MPa e 27 MPa. Como aceleradores de pega.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Em geral. Tais produtos retardam a pega.PROPRIEDADES DO GESSO Tempo de pega É uma das propriedades mais importante. mais lenta se dá a pega e o endurecimento. _______________________________________________________________________________ 37 Concretos e Argamassas Prof. Mas existem aditivos que podem acelerar ou retardar essa pega do gesso. Se a pega for muito rápida. A quantidade ótima de água a ser utilizada no gesso é. os gessos nacionais têm início de pega entre 3 e 16 minutos e fim de pega entre 5 e 24 minutos. pois quanto mais água. podem ser misturados ao gesso: açúcar / álcool / cola / serragem fina de madeira / sangue e outros produtos de matadouros (chifres e cascos).

Outras características Aceita qualquer tipo de pintura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. perfurar. _______________________________________________________________________________ 38 Concretos e Argamassas Prof. Aderência As pastas de gesso aderem bem a blocos. transformando a superfície do revestimento em sulfato anidro em forma de fino pó. Em função da corrosão usar ferramentas de latão ou plástico para trabalhar com gesso. emendar. eliminando a água de cristalização com o calor. Muito usado como proteção contra incêndio.Isolamento térmico e acústico O gesso é um bom isolante térmico e acústico e tem elevada resistência ao fogo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sua aderência é insatisfatória e apesar de aderir bem ao aço e outros metais. fácil de cortar. que protege a camada interior de gesso. aparafusar. pedra e revestimentos argamassados. Em superfícies de madeira. estes acabam sendo corroídos pelo gesso. pois absorve grande quantidade de calor. transformando-se em sulfato anidro. tanto mais facilmente quanto maior for a quantidade de água da pasta.

tratamento de água e efluentes industriais. de cor branca e também com finura adequada quando moído . medicinais e veterinárias.Classificação comercial dos gessos Gesso Escaiola : gesso com 80% de peso hemidratado. os romanos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sabe-se que os antigos descobriram também que a mistura dessa cal aérea com pozolanas (naquela época. não possui grande resistência mecânica e não pode ficar sujeita à ação da água. obtendo-se assim uma pasta ligante que recebe adição de areia. já utilizavam a cal como alomerante. terras de origem vulcânica. de cor branca. tintas. os gregos. pois “amolece”. papel e celulose.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . cinzas vulcânicas etc. misturando-a com areia. com finura adequada quando moído . pois para seu endurecimento necessita da reação química do CO2 (gas carbônico) existente na atmosfera. CAL AÉREA A cal é um aglomerante aéreo utilizado em diversos seguimentos como: construção civil. de cor cinza devido às impurezas e com granulometria menor do que o gesso Escaiola ou Branco . formando assim uma argamassa que era preparada pelo mesmo processo ainda hoje adotado e que consiste na extinção (adição de água) de pedras de calcário cozidas. aplicações botânicas. HISTÓRICO Comprovadamente. fabricação de vidro. metalurgia. siderurgia. Gesso Negro : 55% de peso hemidratado. Gesso Branco : 66% de peso hemidratado. mais tarde.) _______________________________________________________________________________ 39 Concretos e Argamassas Prof. os etruscos e. açúcar. Essa cal que é denominada de cal aérea. graxas.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. bem como tijolos e telhas de barro triturados.edu.melhoravam significativamente a resistência dessas argamassas . transformavam-na em uma espécie de cal hidráulica – que resiste à ação da água depois de endurecida. fluoretos e brucita. sulfetos. misturados à cal aérea. óxidos metálicos de ferro e manganês. fosfatos. sulfatos. mesmo quando submetidas à ação da água. Os gregos empregavam muito as terras vulcânicas da ilha Santorim e os romanos utilizavam uma cinza vulcânica encontrada em diversos pontos da baía de Nápoles. FABRICAÇÃO A cal é produzida a partir de rochas calcárias com elevados teores de carbonato de cálcio. tendo assim recebido o nome de pozolana todos esses produtos naturais e artificiais que. _______________________________________________________________________________ 40 Concretos e Argamassas Prof. A pozolana mais conhecida àquela época provinha das vizinhanças da cidade de Pozzuoli. MgCO3). como é o caso da calcita (CaCO3) e da dolomita (CaCO3 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . matéria orgânica. Após a britagem e classificação da matéria-prima passa por uma moagem e é conduzida ao forno de calcinação. silicatos argilosos. Entre as impurezas encontradas nestas rochas encontram-se: quartzo.

presente na atmosfera. O processo de hidratação da cal virgem. funcionando a água como catalisador. A carbonatação produz-se lentamente do exterior para o interior e o seu processamento é tanto mais lento quanto mais lisa for a superfície.Na calcinação (cozimento) do calcário. dissolvendo ao mesmo tempo a cal e o CO2. decompondo o carbonato de cálcio (CaCO3) em óxidos de cálcio (cal virgem) e anidros carbônicos (CO2). obtêm-se a cal hidratada (hidróxido de cálcio) que é utilizado como aglomerante em argamassas para assentamento de blocos ou revestimento de paredes. as temperaturas chegam à 900ºC. pode ser expresso pela equação seguinte: Da hidratação da cal virgem. _______________________________________________________________________________ 41 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. possibilita essa combinação. deve passar por um processo de hidratação antes de ser utilizada como aglomerante. na argamassa fresca. também conhecido como extinção da cal. uma recombinação dos hidróxidos (Ca(OH)2) com o gás carbônico. promove a formação de cristais de carbonato de cálcio (CaCO3) e o endurecimento da argamassa que acaba por ligar os agregados a ela incorporados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Isto porque. Essa reação de carbonização só é possível em presença da água que. O CO2 vai transformando lentamente a superfície da argamassa formada por carbonato de cálcio e vai penetrando lentamente na massa que assim vai se consolidando. O produto resultante da calcinação.edu. a cal virgem.

Devido a isso (essa deformação). CICLO DA CAL AÉREA Considerando o visto anteriormente podemos caracterizar o ciclo completo da cal. aumentando a porosidade e. _______________________________________________________________________________ 42 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Não se deve empregar cal aérea para execução de pedaços de alvenaria muito espessos.A carbonatação é acompanhada de um aumento de volume. nem tampouco empregar argamassas com muita cal. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. conseqüentemente.edu. deve-se aplicar cal aérea com areia (argamassas) para atenuar esse aumento de volume. facilitando a penetração do CO2. além de diminuir a retração que se processa com a perda d’água.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .CLASSIFICAÇÃO Quanto à composição química a cal pode ser classificada como cálcica ou magnesiana.“Cal Hidratada para argamassas .Especificação” as cales são classificadas como segue: _______________________________________________________________________________ 43 Concretos e Argamassas Prof.edu. CAL CÁLCICA CAL MAGNESIANA : óxidos CaO > 75% : óxidos MgO > 20% Para qualquer caso a soma dos óxidos (CaO + MgO) deve ser maior que 88% da amostra. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Segundo a NBR 7175 .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .APLICAÇÕES Entre os diversos usos da cal podemos citar: • • • Estabilização de solos Obtenção do aço solo-cal fundente na siderurgia como clarificador Fabricação do açúcar _______________________________________________________________________________ 44 Concretos e Argamassas Prof.

Ela pode ser aplicada imediatamente e é acondicionada em sacos de papel duplo com 20 kg. desde que sejam respeitada as regras do armazenamento. em forma de flocos de cor branca. cuja extinção (hidratação) é feita mecanicamente. portanto. é um produto manufaturado. A embalagem original (sacos de papel de duas folhas de papel extensível) é suficiente para manter a integridade do produto. sendo recomendável o seu uso até 6 meses após a data de fabricação.• • • • • Obtenção do vidro Tratamento de água Obtenção do papel Pinturas caiação matéria – prima corretor da acidez como branquedor Componentes de argamassas maior interesse para construção CAL HIDRATADA Entre os diversos usos da cal podemos citar: Devido à dificuldade da extinção da cal virgem nos canteiros. _______________________________________________________________________________ 45 Concretos e Argamassas Prof. Cor predominantemente branca . Seu aumento de volume é de 2 a 3 vezes. ou 36 litros. coberto e fora do alcance de crianças e animais. apresentando-se como um produto seco. empregando-se misturadores de pás. onde consta o selo da ABPC (Associação Brasileira de Produtores de Cal) e a citação da Norma NBR 7175. Resiste ao calor . foi desenvolvida pela indústria a fabricação de cal hidratada. A cal hidratada. pela extinção . Armazenar em local seco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Algumas características das cales aéreas (extintas ou hidratadas) • • • • Endurece com o tempo (normalmente longo) .edu.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. no cimento é de 1 : 2 a 2. impedindo a _______________________________________________________________________________ 46 Concretos e Argamassas Prof. para os blocos ou tijolos. evitando a perda excessiva da água de amassamento da argamassa.PROPRIEDADES DENSIDADE APARENTE A densidade aparente das cales varia de 0. Cales com alta plasticidade e alta retenção de água têm maior capacidade de incorporar areia. RETENÇÃO DE ÁGUA A retenção de água é uma propriedade muito importante. unindo os mesmos. Esta propriedade justifica o emprego das cales na produção de argamassas. importante por prolongar o tempo no estado plástico da argamassa fresca.edu. É uma medida indireta da plasticidade da cal. Espessuras de revestimento argamassado acima de 20 mm podem prejudicar o processo de recarbonatação da argamassa. aumentando a produtividade do pedreiro. facilitando seu espalhamento. As cales magnesianas produzem argamassas mais plásticas que as cálcicas. PLASTICIDADE Propriedade que confere fluidez à argamassa. também.5.65. que corresponde à massa aparente de 300 a 650 Kg/m3. Esta propriedade é. o poder de incorporação de areia da cal hidratada é de 1 : 3 a 4 enquanto que. Comparativamente.3 a 0. por sucção. conseqüentemente. INCORPORAÇÃO DE AREIA Propriedade que expressa a facilidade da pasta de cal hidratada envolver e recobrir os grãos do agregado e. ENDURECIMENTO O endurecimento decorre da recarbonatação da cal hidratada pela absorção do CO2 presente na atmosfera. uma vez que cales plásticas têm alta capacidade de retenção de água. embora o inverso nem sempre seja verdadeiro.

RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O uso da cal hidratada contribui muito pouco para a resistência à compressão das argamassas. só mais tarde. • Resistências das argamassas : o À tração = 0. Isto levou. para 28 dias de idade.edu. _______________________________________________________________________________ 47 Concretos e Argamassas Prof. torna-se de grande importância quando aplicada em paredes ou lajes muito solicitadas.2 a 0.efetivação das reações próximo à interface substrato x argamassa e. alguns construtores a substituí-la pelo cimento portland.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . reduzindo a aderência do revestimento. verificou-se que a cal hidratada conferia às argamassas outras propriedades além de aglomerante que. CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES Esta propriedade é conferida à argamassa pela cal hidratada e. conseqüentemente. não eram apresentadas pelo cimento Portland. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o À compressão = 1 a 3 Mpa . quando de seu aparecimento no começo do século e.5 Mpa . com a ocorrência de falhas nestas construções.

é considerado um aglomerante hidráulico. Joseph Aspdin. Depois de endurecido. após a hidratação. que endurece sob a ação da água. um construtor inglês de Leeds. foi quem descobriu e patenteou o cimento Portland no ano de 1824. e Fe2O3. Al2O3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . MATÉRIAS PRIMAS CALCÁRIO é o carbonato de cálcio (CaCO3). Estes silicatos e aluminatos em mistura com a água hidratam-se e produzem o endurecimento da massa. oferecendo elevada resistência mecânica. se assemelhava em cor e dureza à rocha calcária de Portland. Al2O3 e Fe2O3 necessários a fabricação do cimento.edu. por esta razão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. praticamente sem cal livre. que na natureza se apresenta com impurezas tais como o óxido de magnésio. SiO2. constituídos de silicatos e aluminatos de cálcio. permanece estável mesmo que submetido a ação da água e. O cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes. Aspdin escolheu este nome para sua invenção porque nesta época era muito comum o emprego da pedra de Portland. ______________________________________________________________________________ 48 Concretos e Argamassas Prof. ilha situada ao sul da Inglaterra. GESSO é o produto da adição finas no processo e tem a finalidade de regular o tempo de pega por ocasião das reações de hidratação. nas edificações e. o novo cimento.CIMENTO PORTLAND CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Cimento Portland é um material pulverulento. geralmente contendo ferro e outros minerais. Fornece os óxidos SiO2. ARGILA é essencialmente a constituída de um silicato de alumínio hidratado.

FABRICAÇÃO
Como os silicatos de cálcio são os principais constituintes do cimento Portland, as matérias-primas para sua produção devem fornecer cálcio e sílica em proporções adequadas. O cálcio é obtido na natureza de fontes de carbonato de cálcio, como a pedra calcária, giz, mármore e conchas do mar. A sílica é extraída preferivelmente de argilas e xistos argilosos, do que quartzos e arenitos, porque a sílica quartzítica não reage facilmente.

As argilas contêm, também, alumina (Al2O3), óxidos de Ferro (Fe2O3) e álcalis que ajudam na formação de silicatos de cálcio a temperaturas mais baixas. Quando não estão presentes em quantidades suficientes na argila, estes são incorporados à mistura por adição de bauxita e minério de ferro.
______________________________________________________________________________ 49 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

A formação dos compostos no clínquer depende de uma boa dosagem e preparo da mistura. Para isto, os componentes são britados, moídos, dosados e misturados criteriosamente, sendo submetidos a análises laboratoriais permanentes. O pó resultante da homogeneização das matérias-primas é denominado farinha. Para produzir 1 tonelada de clínquer, são necessárias de 1,5 a 1,8 toneladas de farinha e as reações que ocorrem nos fornos podem ser resumidas como segue:

Esquema de produção
O processo de produção do cimento pode ocorrer por via úmida ou seca. No processo por via úmida, a homogeneização é feita na forma de lama, com 30 a 40% de água. Este método vem sendo abandonado pelos fabricantes de cimento, devido ao maior consumo de energia nos fornos, que em relação ao processo por via seca. No processo por via seca, a farinha obtida através da moagem das matérias-primas é homogeneizada e conduzida continuamente para o pré-aquecedor. Nesta etapa, ocorre a evaporação da água livre, água combinada e desprendimento do CO2 do calcário, liberando o CaO para reagir com os silicatos de ferro e alumínio. Em seguida, o material vai para um forno rotativo, onde ocorre a clinquerização do material, uma das etapas mais importantes do processo de fabricação. O forno rotativo é uma estrutura metálica cilíndrica, revestida internamente com tijolos refratários, e nele a farinha pré-aquecida e parcialmente calcinada, entra pela extremidade superior e é transportada até a extremidade oposta a uma velocidade controlada pela inclinação e pela velocidade de rotação do forno. Em seu interior as temperaturas podem chegar a 1550ºC e as reações químicas responsáveis pela formação dos compostos do cimento Portland são completadas.
______________________________________________________________________________ 50 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

PRODUÇÃO
Calcário
(80%)

Argila
(20%)

Cimento Portland Adições Moagem Gipsita Pré-Aquecedor
(5%)

Moagem Final Forno
(>1450º C)

Clínquer
(95%)

______________________________________________________________________________ 51 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Resumo dos constituintes:
_______________________________________________________________________________ 52 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

em proporções adequadas. têm propriedade de ligante hidráulico muito resistente.edu. Na fase de moagem. como a durabilidade e a resistência final. reagindo em presença da água.Silicatos C3S C2S C3 A C4AF CaO MgO Na2O e K2O 50% 25% 10% 10% 1% 2% 2% 5% 20% 75% Aluminatos e Ferro Aluminatos Cal livre Magnésia Compostos Alcalinos ADIÇÕES Após o resfriamento. As escórias de alto-forno. o clínquer é moído em partículas menores que 75µm de diâmetro. Adicionada à moagem do clínquer e gesso. a escória de alto-forno melhora algumas propriedades do cimento. Sem sua adição. _______________________________________________________________________________ 53 Concretos e Argamassas Prof. inviabilizando sua utilização. em geral na proporção de 3% de gesso para 97% de clínquer. o cimento endureceria muito rapidamente. o cimento Portland recebe algumas adições. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. obtidas durante a produção do ferro-gusa. com características aglomerantes muito semelhante à do clínquer. Esta é razão do gesso ser adicionado a todos os tipos cimento Portland. uma vez misturado à água de amassamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que permitem a produção de diversos tipos de cimentos disponíveis no mercado. O gesso é adicionado ao cimento com o objetivo de controlar o tempo de pega do cimento.

porém. uma maior finura diminui a exsudação. utilizam-se dois ensaios: peneiramento através da peneira ABNT 75µm (0. Por outro lado. Para isto. a trabalhabilidade e a coesão dos concretos.075mm) e área específica. tornando os concretos mais sensíveis à fissuração. Os materiais carbonáticos são rochas moídas. porém um pouco distinta das escórias de alto-forno. Esta avaliação pode ser obtida conhecendo-se algumas características dos ramos inferior e superior da amostra. Quando pulverizados em partículas muito finas. que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição tais como o próprio calcário. Tal adição torna os concretos e argamassas mais trabalháveis e quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário . além da água. Os ensaios para a avaliação da finura do cimento podem ser complexos e onerosos. PROPRIEDADES FINURA A finura do cimento influência a sua reação com a água e quanto mais fino o cimento mais rápido ele reagirá e maior será a resistência à compressão. aumenta a impermeabilidade. algumas argilas queimadas em temperaturas elevadas (500 a 900ºC) e derivados da queima de carvão mineral.Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza. etç.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. principalmente nos primeiros dias. o custo de moagem e o calor de hidratação. que em sua hidratação libera hidróxido de cálcio (Cal) que reage com a pozolana. A finura pode ser aumentada através de uma moagem mais intensa. É que as reações de endurecimento só ocorrem. _______________________________________________________________________________ 54 Concretos e Argamassas Prof. na presença do clínquer. O cimento enriquecido com pozolana adquire maior impermeabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. difratometria por laser. Além disso. como é o caso dos ensaios de sedimentação. os materiais pozolânicos apresentam a propriedade de ligante hidráulico. a finura aumenta o calor de hidratação e a retração. estabelecem os limites de finura.

uma vez que determinará o prazo para a aplicação de pastas. CALOR DE HIDRATAÇÃO As reações de hidratação dos compostos do cimento Portland são exotérmicas. argamassas e concretos com plasticidade e trabalhabilidade adequadas. que determinam seu emprego em determinados serviços. O tempo de pega é uma propriedade importante.edu. quantidade e tipo de adições. Para controlar o tempo de pega. quando a temperatura ambiente é baixa para fornecer energia de ativação para as reações de hidratação.TEMPO DE PEGA É o momento em que a pasta de cimento adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. Em alguns casos. sua plasticidade inicial é recuperada. etç. na moagem do cimento. é adicionado o gesso (CaSO4 . finura. com traços normalizados areia padrão IPT. e com uma nova mistura na betoneira. como é o caso de concretagens durante o inverno. cujo controle é feito através do teor de SO3. A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão do cimento Portland é medida através da ruptura de corpos de prova cilíndricos Ø 50mm x 100mm. a mistura em que o cimento está sendo empregado (pasta. argamassa ou concreto) pode perder a plasticidade com um tempo menor que o previsto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Este conceito aplica-se também a argamassas e concretos. em outras pode ser um componente positivo. a temperatura ultrapassa 128ºC. provocando uma dissociação do Sulfato de Cálcio do gesso. de acordo com sua composição e finura têm curvas Resistência x Idade distintas. 2H2O) na moagem do cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em estruturas de concreto massa. interferindo nas características do seu efeito retardador de pega. _______________________________________________________________________________ 55 Concretos e Argamassas Prof. como por exemplo. Em algumas situações o calor de hidratação pode ser um problema. Os cimentos. Isto ocorre quando.

em razão de adições de escória de alto-forno. 32 e 40) que indicam a resistência à compressão do corpo-de-prova padrão. com o tempo.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que cimentos antes classificados como especiais.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Na designação dos cimentos. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO As pesquisas tecnológicas indicaram. e são seguidas dos algarismos romanos de I a V. sendo a classe expressa por números (25. os cimentos Portland podem ser classificados conforme segue: CIMENTO PORTLAND COMUM O Cimento Portland Comum (CP I) é produzido sem quaisquer adições além do gesso. pozolana e material _______________________________________________________________________________ 56 Concretos e Argamassas Prof. que é utilizado para regularizar a pega. em MPa. conforme o tipo de cimento. as iniciais CP correspondem a abreviatura de Cimento Portland. Conforme a composição e as adições feitas em sua produção.

Depois de conquistado bons resultados na Europa o Cimento Portland Composto (CP II) surgiu no mercado brasileiro (1991).carbonático. Mas as reações de hidratação da escória são muito lentas e. a pozolana não reage com a água em seu estado natural. As escórias apresentam propriedades hidráulicas latentes. A ativação física obtém-se com a finura. sendo utilizados na maioria das aplicações usuais. decorrente da moagem da escória separada ou conjuntamente com o clínquer. reage com o hidróxido de cálcio em presença de água e em temperatura ambiente. _______________________________________________________________________________ 57 Concretos e Argamassas Prof. Quando finamente moída. ao reagir com a água. Atualmente. trata-se de um cimento com composição intermediária entre os Cimento Portland Comum e o Cimento Portland com adição de escória ou pozolana. CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO O Cimento Portland Alto-Forno (CP III) é obtido pela adição de escória granulada de alto forno. além de uma moagem mais fina para que o cimento. Isto é possível pela utilização de uma dosagem específica de calcário e argila na produção do clínquer. adquira elevadas resistências com maior velocidade. O CP II. Ao contrário da escória. em substituição ao antigo CP.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os cimentos Portland compostos respondem por 70% da produção industrial brasileira. tinham desempenho equivalente ao do cimento Portland comum. para que seu emprego seja possível são necessários ativadores físicos e químicos. CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V-ARI) tem a propriedade de atingir altas resistências já nos primeiros déias após a aplicação. CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO O Cimento Portland Pozolânico (CP IV) é obtido pela adição de pozolana ao clínquer. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. dando origem a compostos com propriedades aglomerantes.

água do mar e alguns tipos de solos. 8% e 5% em massa. respectivamente. • Cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto-forno. no máximo. • Cimentos do tipo pozolânico que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico. desde que apresentem pelo menos uma das características abaixo: • teor de aluminato tricálcio (C3A) do clínquer e teor de adições carbonáticas de. _______________________________________________________________________________ 58 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. em massa. Qualquer um dos 5 tipos de cimento Portland podem ser considerados resistentes a sulfatos. em massa.CIMENTOS ESPECIAIS CIMENTO PORTLAND RESISTENTES A SULFATOS Estes cimentos resistem aos meios agressivos. tais como os encontrados nas redes de esgotos domésticos ou industriais.

• Cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração que comprovem resistência aos sulfatos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . além de condições especiais de fabricação. respectivamente. o calor produzido pela hidratação do cimento poder causar o aparecimento de fissuras de origem térmica. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. chamados cimentos Portland de baixo calor de hidratação.edu. estes cimentos geram até 260J/g e até 300J/g aos 3 dias e 7 dias. CIMENTO PORTLAND BRANCO O cimento Portland branco é obtido através de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês. sendo classificado conforme a tabela abaixo: _______________________________________________________________________________ 59 Concretos e Argamassas Prof. CIMENTO PORTLAND DE BAIXO CALOR DE HIDRATAÇÃO Em concretagens de estruturas que consomem grandes volumes de concreto continuamente. principalmente durante o resfriamento e a moagem. podendo ser qualquer um dos 5 tipos básicos. No Brasil o cimento Portland branco é normalizado pela NBR12989. Nestes casos. Segundo a NBR13116. recomenda-se o emprego de cimentos com taxas lentas de evolução de calor.

Sua composição é constituída de clínquer e gesso para retardar o tempo de pega e em sua fabricação são tomadas precauções especiais para garantir as plasticidade em condições ambientes de elevadas pressões e temperaturas.O cimento Portland branco estrutural é utilizado em concretos brancos com fins arquitetônicos. CIMENTO PARA POÇOS PETROLÍFEROS O cimento para poços petrolíferos é um tipo de cimento Portland bastante específico. e outras aplicações não estruturais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. utilizado na cimentação de poços petrolíferos. na fabricação de ladrilhos hidráulicos. _______________________________________________________________________________ 60 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O cimento Portland branco não estrutural é aplicado no rejuntamento de pisos e azulejos.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco._______________________________________________________________________________ 61 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

A escolha também depende da disponibilidade do material e do custo – fator importante na tomada de decisões em engenharia. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.APLICAÇÕES E ESCOLHA DO TIPO DE CIMENTO Inicialmente podemos dizer que nenhum cimento é melhor em todas as circunstâncias. apresenta os diversos tipos de aplicações dos diferentes tipos de cimentos. _______________________________________________________________________________ 62 Concretos e Argamassas Prof. prazo. A escolha do tipo de cimento está associada a uma determinada finalidade que se deseja ao concreto seja no estado fresco ou seja no estado endurecido. Sempre haverá um tipo diferente para uma aplicação específica. espaço) O quadro a seguir.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Depende ainda a escolha: • • • • Exigência da estrutura Exigência do meio ambiente Velocidade de construção Circunstancia do local da obra (acesso. Para uma mesma finalidade existe mais de um tipo ou classe de cimento que pode ser usado.

_______________________________________________________________________________ 63 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

Estas embalagens não podem estar furadas.edu. a massa líquida do saco e o selo de conformidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . devem ser observados a massa dos sacos e se o cimento não está empedrado. o tipo do cimento. a sigla. _______________________________________________________________________________ 64 Concretos e Argamassas Prof. é fornecido em embalagens (papel Kraft) de 25 e 50 Kg. para usinas de concreto. O cimento é comercializado a granel. Cuidados no recebimento e estocagem do material são essenciais para a garantir concretos e argamassas de boa qualidade. além dos aspectos visuais da embalagem. No recebimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. fábricas de prémoldados e grandes obras. no varejo. rasgadas ou molhadas e devem trazer o nome do fabricante.RECEBIMENTO E ESTOCAGEM O cimento é um produto perecível que em contato com umidade endurece perdendo suas propriedades antes do uso.

_______________________________________________________________________________ 65 Concretos e Argamassas Prof. compensar os vazios que houver abaixo do nível do topo do recipiente com grãos deixados acima deste nível. Rasar o recipiente e determinar a massa Cálculos Calcular o peso unitário do agregado. considerando que a máxima variação permitida entre os resultados de cinco determinações feitas com o mesmo agregado é de 0. Equipamentos e Acessórios • • • Balança.8 > 4. lançando o agregado a uma altura de 10 cm do topo do recipiente. Recipientes paralelepipédicos. Quantidade de Material O volume de material deverá ser de pelo menos o dobro do volume do recipiente que será usado. Usa-se como parâmetro para transformar massa em volume. Concha ou pá. Limpar bem o recipiente antes de pesá-lo.02 kg/dm3 Cuidados • • • Rasar o agregado miúdo com movimentos horizontais da haste de socamento.NBR 7251 Massa unitária de um agregado é a relação entre sua massa e seu volume sem compactar. com as dimensões constantes na Tabela 1 Tamanho máximo do agregado (mm) 4.edu. com os dedos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dividindo a massa de agregado (kg) pelo volume do recipiente (dm3). Rasar o agregado graúdo e. considerando-se como volume também os vazios entre os grãos.ENSAIOS 1) Determinação da Massa Unitária de Agregados em Estado Solto . com resolução de 1 g.8 e ≤ 50 > 50 Volume do recipiente (dm3) 15 20 60 Preparação do Material Secar o material previamente ao ar Procedimento • • Preencher o recipiente por meio de uma concha ou pá. evitando comprimir o agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

2) Determinação de massa específica agregado graúdo – técnica frasco graduado Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica do agregado.1g Frasco graduado de 1000 ml Metodologia Experimental: • • • • • • Recobrir uma porção de agregado com água Tirar o excesso de umidade com auxílio de um pano Pesar a massa do agregado (m) Colocar 400 ml de água no frasco graduado (Vi) Inserir o agregado no frasco graduado Determinar o volume final no frasco (Vf) Resultados e Discussão • • • Determinar a massa específica do agregado: d = m / Vf . incluindo os poros permeáveis Materiais e equipamentos: • • • • Agregado graúdo Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Vi (g/cm3) Repetir 3 vezes o procedimento Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 66 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. cuidando para que as faces internas estejam secas e sem grãos aderentes. efetuando agitação para a eliminação das bolhas de ar Fazer a leitura no nível atingido pela água no frasco. Colocar 500g de areia no frasco de Chapman.1g Frasco de Chapman Funil de vidro Metodologia Experimental: • • • • Pesar 500g de amostra de areia seca Colocar água no frasco até 200 cm3 deixando em repouso para que a água aderida às faces internas escorram totalmente.05 g/cm3 Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 67 Concretos e Argamassas Prof. Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: d = 500 / L – 200 (g/cm3) Repetir por 3 vezes o procedimento Os resultados dos ensaios realizados com a mesma amostra não devem diferir mais de 0. incluindo os poros permeáveis. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume. com cuidado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3) Determinação de massa específica agregado miúdo por meio do Frasco de Chapman Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo. Materiais e equipamentos: • • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.edu.

1g Picnômetro Metodologia Experimental: • • • • • • Pesar uma amostra de areia seca Encher com água o picnômetro e determinar a massa do conjunto Retirar uma pequena quantidade de água do frasco Colocar a amostra de areia no frasco . Materiais e equipamentos: • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.4) Determinação de massa específica agregado miúdo com auxílio do picnômetro Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo. incluindo os poros permeáveis.picnômetro Determinar a massa do conjunto picnômetro + água + agregado Repetir 3 vezes o procedimento Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: Pag = massa do picnômetro + água m = massa da amostra Pag + ag = massa do picnômetro + água da amostra d = m/ [Pag – (Pag + ag – m)] _______________________________________________________________________________ 68 Concretos e Argamassas Prof. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Colher ou concha de pedreiro. Colocar uma pequena porção do material homogeneizado na frigideira. Levar o material ao fogo. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Agregado miúdo úmido. Pesar a frigideira.5) Determinação de umidade do agregado miúdo através do teste da frigideira. Repetir o procedimento duas vezes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Balança com resolução de 0. Objetivo: • • Determinar o teor de umidade do agregado miúdo – areia Conhecer o teste da frigideira usualmente utilizado em obras correntes. Resultados e Discussão • • Cálculo do teor de umidade: h =[(mu – ms)/ms] x 100 _______________________________________________________________________________ 69 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mexendo-o até secar.edu. Pesar. Pesar novamente e calcular o teor de umidade do agregado.01g e capacidade mínima de 200g Balança com resolução 100g e capacidade mínima de 50kg Frigideira Fogareiro Recipiente metálico Metodologia Experimental: • • • • • • Coletar 1000g do agregado miúdo conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material e homogeneizar o material.

Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. Na base deve ser colocado um fundo. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. Coletar 1000g do agregado conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material. 7. _______________________________________________________________________________ 70 Concretos e Argamassas Prof. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. 6. 5. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. conforme procedimentos a partir do item 5. previamente limpas. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. com malha em ordem crescente da base para o topo. 4. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. de modo a formar um único conjunto de peneiras. Formar duas amostras para o ensaio. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. Proceder ao peneiramento da amostra M2. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto.edu. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 8. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. 11. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras.3% da massa seca da amostra. 12. 2. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 9. 3. 10. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6) Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo.

Determinar o módulo de finura.3 4.edu.2 0. com aproximação de 1%. 14.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 2.50 6.13. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 9.4 1.6 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.15 Fundo Soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 71 Concretos e Argamassas Prof. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada.3 0.3 4.50 6.8 2.3 0.2 0.15 Fundo soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 9.6 0.4 1. em cada peneira.

90 3.CLASSIFICAÇÃO PELO MÓDULO DE FINURA: Muito grossa Grossas Médias finas Finas MF > 3.2 0.15 Zona 1 Muito fina 0 0–3 0 – 5 (A) 0 –5 (A) 0 – 10 (A) 0 – 20 50 – 85 (A) 85 (B) – 100 Zona 2 Fina 0 0–7 0 – 10 0 – 15 (A) 0 – 25 (A) 21 – 40 60 (A) – 88(A) 90 (B) – 100 Zona 3 Média 0 0–7 0 – 11 0 – 25 (A) 10 (A) – 45 (A) 41 – 65 70 (A) – 92 (A) 90 (B) – 100 Zona 4 Grossa 0 0–7 0 .40 > MF Tabela para classificação do agregado miúdo – NBR 7211 Porcentagens retidas acumuladas Abertura (mm) 9.: a amostra para ensaio deve ser coletada segundo a NBR 7216 Dimensão máxima: determinada através da peneira que apresentar uma porcentagem retida acumulada de 5% ou imediatamente inferior Módulo de Finura: somatório das porcentagens acumuladas retidas nas peneiras de série normal.3 0. este limite poderá ser 80 Obs.3 4.40 30 (A) – 70 66 – 85 80 (A) – 95 90 (B) .5 6. dividindo o total por 100.30 > MF > 2.8 2.edu. _______________________________________________________________________________ 72 Concretos e Argamassas Prof.90 > MF > 3.12 5 (A) .100 (A) pode haver uma tolerância de até no máximo 5 unidades (%) em um só dos limites marcados com a letra (A) ou distribuídos em vários deles (B) para agregado miúdo resultante de britamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 0.4 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.90 3.40 2.

Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. Coletar no mínimo 5kg do agregado conforme norma NBR 7216. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. _______________________________________________________________________________ 73 Concretos e Argamassas Prof. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. 9. 2. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. conforme procedimentos a partir do item 5. 4. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. 3. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto.edu. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. 12. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Proceder ao peneiramento da amostra M2. 11. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Formar duas amostras para o ensaio. 10. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 6. Determinar as massas M1 e M2 das amostras.7) Determinação da composição granulométrica agregado graúdo Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. 7. em frações de diversos pontos do material. 8. Na base deve ser colocado um fundo.3% da massa seca da amostra. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. previamente limpas. de modo a formar um único conjunto de peneiras. com malha em ordem crescente da base para o topo. 5.

5 12. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com aproximação de 1%.3 4.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 38 32 25 19.5 9. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada em cada peneira.3 4.edu. com apresentação de 0.5 9.01.5 12.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 74 Concretos e Argamassas Prof.5 6. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 38 32 25 19.5 6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Determinar o módulo de finura.13. 14.

nas peneiras da abertura nominal.8 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5 0 9. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.5 0-10 6.3 4.Tabela com limites granulométricos de Agregado Graúdo para classificação – NBR 7211/83 Graduação Porcentagens retidas acumuladas. em peso. em mm 76 Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 0 0 0-30 0 0 0-25 0-10 64 50 38 32 25 19 12.4 80-100 95-100 80-100 92-100 95-100 75-100 90-100 95-100 75-100 87-100 95-100 0-30 75-100 90-100 95-100 _______________________________________________________________________________ 75 Concretos e Argamassas Prof.

esfriar a temperatura ambiente e deteminar a massa de duas amostras Mi1 e Mi2 (reserva).075mm. Recipiente para retenção da amostra e a água de recobrimento . tomando cuidado de não provocar abrasão do material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A massa mínima para realização do ensaio é indicada na tabela abaixo em função de sua ∅ máx. Peneiras (1. • Terminado o processo de lavagem.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. de forma a provocar a separação e suspensão das partículas finas. Colocar a amostra (M1) no recipiente.2 mm fique posicionada sobre a peneira 0.075mm) .2 e 0. • • • Secar a amostra em estufa (105 . posicionadas de acordo com item anterior. Amostra deve ser umedecida para evitar a segregação. Despejar a água cuidadosamente através . coloque o material retido nas peneiras no recipiente e cubra o mesmo com água. _______________________________________________________________________________ 76 Concretos e Argamassas Prof.110 OC) até a constância de massa. Bisnaga para água. Feito isso. esse procedimento serve para facilitar a posterior secagem em estufa. Encaixar as peneiras 1. inclusive os materiais solúveis em água.075mm.8) Determinação do teor de materiais pulverulentos em agregados Objetivo: • • Determinação do teor de materiais pulverulentos contidos no agregado destinado ao concreto Materiais pulverulentos : são partículas minerais com dimensão inferior a 0. retire o excesso de água com o auxílio de uma bisnaga. Estufa. recobrindo-a com água. para não perder o material.075mm de modo que a peneira 1. Dois recipientes de vidro transparente Metodologia Experimental: • Amostragem Deve ser obtida de acordo com a NBR 7216 e reduzida segundo a NBR 9941. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Balança com capacidade mínima de 5Kg e resolução de 5g. presentes nos agregados. A água perdida através da peneira 0. A água carregará consigo a amostra e ao passar pelas peneiras parte se perderá com a água e parte ficará retida nas peneiras.2 e 0. Agite o material. com auxílio de uma haste. Haste p/ agitação. tomando cuidado de não provocar perda de material.075 mm transportará o material pulverulento contido na amostra.das peneiras. Deixe em repouso o tempo necessário para que as partículas decantem.

_______________________________________________________________________________ 77 Concretos e Argamassas Prof.8 e < 19 > 19 Massa mínima 500 3000 5000 Resultados e Discussão • O teor de materiais pulverulentos de cada amostra é determinado pela diferença entre a massa inicial (Mi) e a massa final seca obtida depois da lavagem. em g. a média aritmética dos dois valores mais próximos.edu.Massa após o repeneiramento. abaixo: • • Teor de material pulverulento % = Onde: Mi . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.110) OC até a constância de massa e determinar a sua massa final seca (Mfi).Massa inicial da fração. realizar uma terceira determinação e adotar. realizadas nas duas amostras (Mi1 e Mi2) A diferença obtida nas duas determinações não deve ser maior que 0.5% para agregado graúdo e 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Mi − Mf × 100 Mi Mf . • • O resultado final será a média aritmética das duas determinações.8 > 4.0% para miúdo. Repetir todo o procedimento para a amostra Mi2 ∅máx (mm) < 4. em g. Quando esta condição não for atendida.• Secar a amostra retida em estufa (105. O mesmo será expresso em porcentagem de acordo com a expressão . como resultado.

formar a amostra de ensaio de acordo com a NBR 9941. com capacidade de 50 mL. Dez cápsulas com tampa. _______________________________________________________________________________ 78 Concretos e Argamassas Prof.01g e capacidade mínima de 200 g. depois de umedecida para evitar segregação e de cuidadosamente misturada.5 m. Proveta graduada de vidro com capacidade mínima de 1000 mL. conforme a NBR 7251.9) Determinação do Inchamento do agregado miúdo Objetivo: • • • • • Este ensaio prescreve o método para a determinação do Inchamento de agregados miúdos para concreto. Da amostra remetida ao laboratório.edu. acima do qual o coeficiente de Inchamento pode ser Quociente entre os volumes úmido (Vh) e seco (Vo) de considerado constante e igual ao coeficiente de Inchamento médio Coeficiente de inchamento médio Valor médio entre o coeficiente de Inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica Materiais e equipamentos: • • • • • • • • • • Encerado de lona com dimensões mínimas de 2. Concha ou pá. Misturador mecânico(opcional). Amostragem • • A amostra de agregado remetida ao 1aboratõrlo deve ter sido coletada acordo com a NBR 7216. Ba1ança com resolução de 0. Balança com resolução de 100g e capacidade mínima de 50 kg. A amostra de ensaio deve ter pelo menos o dobro do volume do recipiente paralelepipedal utilizado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . provocado pela absorção de água livre pelos grãos e que incide sobre a sua massa unitária Coeficiente de inchamento (Vh/Vo) uma mesma massa de agregado. Inchamento do agregado miúdo fenômeno da variação do volume aparente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Estufa para secagem. Régua rígida com comprimento da ordem de 500 mm aproximadamente.0 m x 2. para condicionamento e secagem de amostras de areia. Umidade crítica Teor de umidade. Recipiente para1elepipedal.

1%. segundo a NBR 7251. calcular o coeficiente de inchamento de acordo com a expressão: Vh γ s (100 + h) = × Vo γ h 100 • Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade. 4%. através da seguinte expressão h= • Onde. por agitação manual da lona ou em misturador mecânico. Vo = volume do agregado seco em estufa. Executar. a cada adição de água. Adicionar água sucessivamente de modo a obter teores de umidade próximos aos seguintes valores: 0. segundo a NBR 7251. 2%. • Determinar a massa de cada cápsula com a amostra coletada (Mi).Metodologia Experimental: • • • Secar a amostra de ensaio em estufa (105.110oC) e determinar sua massa (Mf). 7%. em kg/dm3. a determinação da massa unitária. para determinação do teor de umidade. homogeneizar e determinar massa unitária. Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio. em kg/dm3.edu.5%. destampar. Para cada teor de umidade. Colocar a amostra sobre o encerado de lona. em dm3. em dm3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a cada adição de água. em g 2. Mi − Mf Mf − Mc h = teor de umidade do agregado. 9% e 12%. 5%. Calcular o teor de umidade das amostras coletadas nas cápsulas.110oC) até constância de massa e resfriá-la até a temperatura ambiente. ϒs = massa unitária do agregado seco em estufa. em %. Mc = massa da cápsula. ϒh = massa do agregado com h% de umidade. _______________________________________________________________________________ 79 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em g. em g. Homogeneizar cuidadosamente a amostra. Coletar uma amostra de agregado. secar em estufa a (105. Mf = massa final da cápsula com o material coletado apos secagem em estufa. Resultados e Discussão 1. 3%. simultaneamente.

4. _______________________________________________________________________________ 80 Concretos e Argamassas Prof. 6. paralela a esta corda. 5.edu.h = teor de umidade do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Vh/Vo) em gráfico. em %. traçada em gráfico conforme modelo. d) a abscissa correspondente ao ponto de Interseção das duas tangentes a umidade crítica. pela seguinte construção gráfica: a) traçar a reta tangente ã curva paralela ao eixo das umidades. 3. Do certificado de ensaio deve constar a curva de Inchamento. O coeficiente de inchamento é determinado pela média aritmética entre os coeficientes de inchamento máximo (ponto A) e aquele correspondente à umidade crítica (ponto B). Determinar a umidade crítica na curva de Inchamento. e os valores de umidade crítica e coeficiente de Inchamento médio. c) traçar nova tangente à curva.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Assinalar os pares de valores (h. e traçar a curva de Inchamento. de modo a obter uma representação aproximada do fenômeno. conforme modelo. b) traçar a corda que une a origem de coordenadas ao ponto de tangência reta traçada.

Materiais e equipamentos: • Areia Normal – de acordo com as prescrições da ABNT.15 mm. • • • • • • • Água Cimento Balança Misturador Mecânico Molde Soquete Máquina para ensaio de compressão Metodologia Experimental: • • A argamassa é preparada por meio de misturador mecânico e adensada manualmente. capeados com enxofre e rompidos para determinação da resistência à compressão.Determinação da Resistência à Compressão (NBR 7215/96) Objetivo: • Determinar a resistência à compressão do Cimento Portland.10) Cimento Portland . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é extraída do Rio Tietê e apresenta 25% em peso das peneiras 1. Os cp´s são elaborados com argamassa composta de uma parte de cimento. três de areia normalizada em massa e relação a/c de 0. Esta areia normalizada pela NBR 7214. podendo ser utilizados equipamentos de compactação mecânica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 / 0. • • Na data da ruptura os moldes devem ser retirados do meio de conservação. Preparação da argamassa de cimento _______________________________________________________________________________ 81 Concretos e Argamassas Prof. Princípio • • Determinar a resistência à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura.edu.2 / 0. É preparada pelo IPT especificamente para ensaios e tem massa unitária e massa específica dentro de padrões. Os moldes com os corpos-de-prova devem ser conservados em câmara úmida para a cura inicial e em seguida desmoldados e submetidos à cura em água saturada até a data de ruptura.48.3 / 0.

3 468 + 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 82 Concretos e Argamassas Prof. em 4 camadas de espessuras aproximadamente iguais e adensadas com 30 golpes. durante 30 s. distribuídos uniformemente a cada camada.3 468 + 0.gramas) Cimento Água Areia Normal Fração Grossa Fração Média Grossa Fração Média Fina Fração Fina 468 + 0. iniciar a adição da areia (as 4 frações previamente misturadas) com cuidado para que toda a areia seja gradualmente colocada durante o tempo de 30 s. Imediatamente após a colocação da areia mudar a velocidade para alta por 30s.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Quantidade de materiais (em massa .3 468 + 0. Imediatamente após este intervalo ligar o misturador na velocidade alta por mais 1 mim e 15 s. Após este tempo desligar o misturador por 1 mim e 30 s.2 • Mistura Mecânica Executar a mistura mecânica.3 624 + 0. Deve ser registrada a hora em que o cimento foi colocado em contato com a água. • Enchimento dos Moldes A moldagem deve ser feita imediatamente após o amassamento. A esta operação segue-se a rasadura do topo. • Cura Após a moldagem os corpo de prova devem ser colocados na câmara úmida. • Preparo dos Moldes Para garantir a estanqueidade dos moldes deve-se utilizar material de vedação na superfície lateral da forma e ao longo de toda a extensão da fenda vertical. colocando inicialmente na cuba toda a quantidade de água e adicionando o cimento. Untar toda a superfície interna do molde com óleo.edu. A mistura destes materiais deve ser feita com o misturador em velocidade baixa. Nos primeiros 15 s retirar com o auxilio da espátula a argamassa que ficou aderida às paredes da cuba e na pá. onde devem permanecer por 20 a 24 h com a face superior protegida por uma placa de vidro.4 300 + 0. Durante o tempo restante a argamassa deve ficar em repouso coberta por um pano úmido e limpo. Após este tempo e sem paralisar a operação.

25 + 0. onde permanecerão até a data da ruptura. identificados e. Para a ruptura a máquina deve esta limpa e os cp´s deverão ser centralizados em relação ao eixo do carregamento. _______________________________________________________________________________ 83 Concretos e Argamassas Prof.05) MPa/s. devem ser imersos no tanque de água saturada de cal. ao transmitir a carga de compressão ao corpo de prova. quartzo em pó ou outras substâncias. exceto os que deverão ser rompidos com 24 h de idade. deve ser equivalente a (0. pozolanas.Terminado o período inicial de cura os cp´s devem ser retirados da forma. A velocidade do carregamento da máquina de ensaio.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • Capeamento e Ruptura Antes da ruptura os corpos-de-prova devem ser capeados em suas extremidades com uma mistura de enxofre com caulim. Resultados e Discussão Para cada idade. o valor da resistência à compressão do cimento Portland. em proporções tais que não interfiram no resultado do ensaio. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. será representada pelo maior valor dos cp’s.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . forma. Tomando-se estes 20 milhões de m3/ano e multiplicando-se por R$ 500.). 11º. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.6 88.0 104. 3º. principalmente. armadura. pois o restante deve-se.CONCRETO Introdução Na abertura de um recente congresso na área de concreto. 12º.00 (custo estimado do m3 da estrutura de concreto armado.0 27. 13º.8 33.8 8º. Segundo ele. o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) apresentou dados interessantes.4 31. China Índia USA Japão Coréia do Sul Espanha Itália País Produção (milhões t) 628. 6º.5 53.1 35. 2º. 14º. 4º. à auto-construção.9 35. 9º. Brasil Rússia Tailândia Indonésia Turquia Alemanha México Irã 38. 7º. Alguns dados: Maiores países produtores de cimento . em 1997. trata-se de um mercado de 10 bilhões de reais por ano. etc. 10º.0 34. 15º. o Brasil. dos quais apenas a metade poderia ser considerada como concreto estrutural.2001 Colocação 1º.7 40. considerando-se concreto.edu. 5º.9 79.5 39.0 30.5 _______________________________________________________________________________ 84 Concretos e Argamassas Prof. produziu 40 milhões de m3 de concreto.

2001 Continente Américas Europa Ásia África Oceania Consumo (milhões t) 226 314 998 91 8 Total 1637 Consumo per capita .978 37.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil Consumo (1000 t) 2.438 19.Consumo de cimento no mundo .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .345 6.978 % 6 18 9 51 17 100 _______________________________________________________________________________ 85 Concretos e Argamassas Prof.edu.182 37.746 3.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Consumo (kg/hab/ano) 174 138 284 258 244 Consumo de cimento por região . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

249 4.04 0.67 0.69 2.13 0.principais virtudes e defeitos Para chegar a este posto.46 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2002 Região Revendedoras Consumidores industriais Concreteiras Fibro-cimento Pré-moldados Artefatos Argamassas Consumidores finais Construtores Órgãos públicos / estatais Prefeituras Importação Total Consumo (1000 t) 26.38 100 Concreto .06 21. ou virtudes. só um material com muitas vantagens de utilização.18 7.977 2. do uso do concreto como material de construção? _______________________________________________________________________________ 86 Concretos e Argamassas Prof.84 7.913 49 15 145 37.edu. Quais então seriam as principais vantagens.61 1.851 934 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .72 12.Consumo per capita – Brasil Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Consumo (kg/hab/ano) 184 222 240 246 242 232 223 217 Perfil dos consumidor Brasil .607 8.77 2.022 992 450 2.978 % 70.

Pode receber praticamente todo tipo de revestimento. de fácil transporte e estocagem. robusto. como no caso do cimento. • • Pode ser produzido praticamente em qualquer lugar. equipamento barato. durável e pouco sofisticado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Possui grande durabilidade (quando corretamente produzido) Apresenta boa impermeabilidade Permite a execução de grandes peças contínuas _______________________________________________________________________________ 87 Concretos e Argamassas Prof. em instalações simples.VIRTUDES • É fabricado com materiais: naturais. quando artificiais. mão de obra com baixo nível de instrução. Depois de produzido. facilmente aplicado. estáveis. é: facilmente transportado.edu. Dá margem à sofisticação arquitetônica. facilmente moldado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • Demanda: pouca tecnologia de produção. pouco sofisticados. • • • • • • • A construção em concreto é relativamente rápida. possuem ciclo de produção dominado no mundo inteiro. disponíveis em quantidade. É um material relativamente estável e durável. tudo isso com baixo consumo de energia.

o ponto fraco mais importante da utilização do concreto é considerado exatamente a sua enorme facilidade de utilização. o concreto é um material de construção que apresenta. PRINCIPAIS DESVANTAGENS Do ponto de vista técnico. mas o pior problema. e esse é considerado. é que ele faz!” (Adam Neville) _______________________________________________________________________________ 88 Concretos e Argamassas Prof. como principais desvantagens: • • • • uma resistência à tração relativamente baixa. mesmo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O concreto é um dos materiais de que se encontram muitos “conhecedores” (?) pelo mundo afora. quando submetido a determinados ambientes. O descaso com a tecnologia do concreto é. ou quando produzido de maneira incorreta. Do ponto de vista genérico.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . muito grande. o principal defeito genérico do material de construção nos dias de hoje. que faz com que todo mundo pense que entende de concreto. em qualquer lugar. contudo. que pode fabricá-lo de qualquer jeito. Tudo tem suas desvantagens e o concreto não é exceção a esta regra. “Um dos grandes problemas do concreto é que qualquer doido pensa que sabe fazer concreto. uma relação resistência/peso relativamente pequena. em algumas circunstâncias. em geral.Nada porém possui apenas vantagens. por alguns pesquisadores. sem nenhum controle. uma estabilidade dimensional relativamente pequena. uma durabilidade questionável.

por ser uma atividade humana. de forma econômica. Um “mau” concreto é feito simplesmente misturando-se cimento. afinal. 1997). 1994). 1992). com as propriedades exigidas. elaborada a partir de um processo é suscetível de ser controlada (HELENE. ao fim que se destina (VALOIS.edu. agregados e água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. TERZIAN. a produção de concreto. O MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: CONCRETO Mas. 1997) O que causa esta diferença? Apenas o conhecimento.Porém. com o apoio do entendimento (NEVILLE. o que é o concreto? É uma mistura de _______________________________________________________________________________ 89 Concretos e Argamassas Prof. porém os ingredientes de um bom concreto são exatamente os mesmos! (NEVILLE. O controle da produção tem a finalidade de obter um material uniforme.

a fase agregado e a ligação agregado-pasta. formadas por hidróxido de cálcio. que representam 20 a 25% do volume total de sólidos da pasta. aumentando a densidade e resistência mecânica da pasta. • etringita: cristais grandes e volumosos. São responsáveis pelo pH elevado da pasta (pH> 13). aluminatos). possui uma descontinuidade estrutural. heterogêneo. Então a microestrutura da pasta vai se tornando mais compacta.É. Tem baixa resistência mecânica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . formados pela hidratação dos aluminatos combinados com sulfato de cálcio. formado por duas fases e uma interface: a fase pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Como defeito. portanto um material composto. que alguns autores consideram como uma terceira fase: os vazios. quimicamente instáveis e muito _______________________________________________________________________________ 90 Concretos e Argamassas Prof. mas são bastante solúveis em água. As principais funções da pasta são • • • • Dar impermeabilidade ao concreto Dar trabalhabilidade ao concreto Envolver os grãos Preencher o vazio entre os grãos As principais microestruturas que se formam na pasta matriz são: • estruturas fibrilares ou estruturas C-S-H: compostos químicos formados por cristais de silicatos de cálcio hidratados que representam 50% a 60% do volume total de sólidos da pasta e são os responsáveis pela resistência mecânica da pasta após os dias iniciais. • prismáticas: cristais de grande tamanho. Funções da pasta (fase pasta) Nesta fase há a hidratação do cimento e a formação de cristais em torno do grão de cimento (silicatos.

devido as suas micro-fraturas internas. Quanto maiores a quantidade de vazios e maiores forem os seus diâmetros médios. que não é o foco desta disciplina. o agregado graúdo pode se tornar a parte fraca do conjunto. Este estudo é feito em disciplina específica ou em estudos de especialização. pois normalmente é maior que a do conjunto concreto. para o agregado não tem tanta importância a sua resistência mecânica. _______________________________________________________________________________ 91 Concretos e Argamassas Prof. maiores serão a porosidade e a permeabilidade. Além das microestruturas sólidas. os vazios são de grande influência nas características da pasta matriz endurecida.edu. • grãos de clínquer não hidratados: pequenos núcleos dos grãos de cimento. pequena se comparada a das estruturas C-S-H. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O estudo destes vazios (e o preenchimento deles) tem grande importância em concretos de alta resistência. Para concretos de alta resistência. Representam 15 a 20% do volume total de sólidos. São os primeiros cristais da pasta a se formar e produzem a primeira resistência mecânica do endurecimento. reduzindo a resistência química e mecânica da pasta. gerando estruturas com baixa resistência mecânica que com o tempo se transformam em monossulfato. aumentando também a sua retração e a fluência. Funções do agregado (fase agregado) • • • Reduzir o custo do concreto Reduzir as variações de volume (diminuir as retrações) Contribuir com grãos capazes de resistir aos esforços Em concretos convencionais.porosos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

não se observa a presença de partículas de brita.4. Em concretos convencionais. também ocorre uma espécie de efeito de parede interno. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por uma concentração anormal de cristais de hidróxido de cálcio nessa região particular dos concretos e argamassas. como por exemplo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . já que a pasta de cimento sempre se interpõe entre elas e a fôrma. as fôrmas. a zona de transição não tem tanto influência pelo chamado efeito fortificador do agregado. Zona de transição agregado – pasta (microscopia eletrônica) _______________________________________________________________________________ 92 Concretos e Argamassas Prof. Antes de se abordar a ligação agregado-pasta. em um concreto apropriadamente lançado e compactado. esta fase é constituída. por água. aqueles com relação a/c > 0. é necessário mencionar um fenômeno que ocorre no concreto quando no estado fresco: o efeito de parede. após a desforma.edu.A interface (fase zona de transição) No concreto convencional é a parte mais fraca. Em termos de microestrutura do concreto. muito resumidamente. Este efeito pode ser descrito como uma "chamada" da fase mais fluida do concreto (a pasta) para as superfícies postas em contato com o concreto. pois é menos resistente que a pasta e os agregados. em grande parte. Esta é a razão pela qual. uma chamada da fase mais fluida do concreto para a superfície dos agregados. Para concretos de maior resistência. a fraqueza da ligação agregado-pasta pode ser explicada. Devido à sua maior mobilidade.

Zona de transição agregado – representação gráfica

Noções básicas de concreto
1) A fase pasta de cimento, mistura de cimento e água, funciona como uma espécie de cola, pois possui poder aglomerante, ou poder de colagem. Quanto mais diluída, menos cola. Assim, a partir de um certo limite, quanto mais água se mistura ao cimento, menor o poder aglomerante da pasta, na medida em que ela própria fica menos resistente. 2) Um bom concreto precisa ser trabalhável na obra. A noção de trabalhabilidade é difícil de ser definida e de ser medida, e isto será visto mais adiante, quando tratarmos da propriedades do concreto no estado fresco. Ela tem a ver, entretanto, com a capacidade do concreto preencher totalmente uma fôrma, envolvendo completamente as armaduras, sem deixar vazios, que são pontos fracos e que diminuem a resistência e a durabilidade do material. Dependendo do tipo de fôrma (em termos de dimensões), da densidade das armaduras dentro das fôrmas, do tipo de transporte que o concreto vai receber (como

_______________________________________________________________________________ 93 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

por exemplo, o bombeamento), da forma de adensamento, etc., ele precisa ter características específicas de trabalhabilidade na obra. Um concreto pode, por exemplo, ter uma consistência mais seca, que dê para preencher uma fôrma larga, mas, por outro lado, esta mesma consistência seca pode provocar o entupimento da bomba (se o concreto for bombeado). No caso contrário, um concreto pode ser mais fluido, mais mole, podendo ser bombeado, mas não ser trabalhável para a execução de pisos, que geralmente são vibrados com régua vibratória (o que demanda concretos mais secos, para que a régua não afunde na massa). De modo geral, deve-se procurar trabalhar com o concreto mais seco possível. Por que? Porque quanto mais seco o concreto, menos água ele tem, e portanto mais resistente é a fase pasta, e, consequentemente, o concreto como um todo. A "secura do concreto" entretanto tem um limite. 3) A relação entre a massa de água e a massa de cimento de um concreto é conhecida como relação ou fator água-cimento. Misturando-se pouco a pouco uma certa quantidade de cimento com uma quantidade variável crescente de água e medindo-se a resistência da pasta verifica-se que ela passa por um máximo. Este máximo é relativo ao fator água/cimento teórico de aproximadamente 0,23. Esta relação representa a quantidade mínima de água necessária para hidratar completamente todas as partículas da massa de cimento. O fator água/cimento de 0,23, entretanto, é um fator teórico, raramente obtido na prática, pois o concreto com ele fabricado fica extremamente seco, com a chamada "consistência de terra úmida", uma verdadeira farofa, impossível de ser trabalhada, vibrada, bombeada, etc., no canteiro. 4) Na prática, um concreto corrente é obtido geralmente com fatores a/c superiores a 0,50. A água contida por esse concreto pode então ser subdividida em dois tipos: água de hidratação (relativa ao fator a/c de 0,23 ou 0,23 X massa de cimento do concreto) e água de trabalhabilidade, a água a mais, que é acrescentada para que o concreto possa ser trabalhado na obra. É calculada como: [(fator a/c - 0,23) X massa de cimento].
_______________________________________________________________________________ 94 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

A água de hidratação é como diz o nome, aquela que vai ser consumida na hidratação das partículas de cimento. A água de trabalhabilidade é a água que vai misturar-se com as partículas de cimento e formar um filme aquoso (talvez seja melhor dizer pastoso) nas superfícies das partículas de areia e brita, filme este que vai funcionar como um lubrificante, reduzindo o atrito existente entre essas partículas e transformando então um concreto seco em um concreto "plástico", ou "mole", ou ainda "fluido". 5) O concreto fica então menos resistente do que poderia teoricamente ser, para que possa ser trabalhável na obra. Nos concretos correntes, esse comportamento é traduzido pela Lei de Abrams, que estabelece que a resistência do concreto varia na razão inversa do fator a/c, ou seja, quanto maior o fator a/c, menor a resistência do concreto, e vice-versa. 6) Mudando aparentemente de assunto, falemos agora de superfície específica. A superfície específica é a medida da área superficial das partículas contidas em um determinado volume de material. Pode-se demonstrar matematicamente que quanto menores as dimensões das partículas de um mesmo volume de material, maior a superfície específica das partículas contidas naquele volume. Assim, quanto mais fino for, por exemplo, um tipo de agregado, maior a superfície específica das suas partículas, e, portanto, maior a quantidade de água de trabalhabilidade necessária para diminuir o atrito entre partículas, e, finalmente, menor a resistência desse concreto com mais água. Esta é a principal razão pela qual procura-se sempre trabalhar com: • • • os agregados com as maiores dimensões possíveis; as areias menos contaminadas com silte ou argila, que são materiais finos; a menor quantidade possível de cimento.

7) Neste aspecto, é importante também escolher o agregado com formato e textura superficial adequados, pois quanto mais áspera for a sua superfície e mais vértices tiver a sua forma, maior o atrito entre suas partículas, maior a quantidade de água necessária para diminuir o atrito, etc., etc., etc..
_______________________________________________________________________________ 95 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Classificação dos concretos
Alguns tipos de concreto que podem ser produzidos • • • • • • • • • • • Concreto simples Concreto armado Concreto massa Concreto projetado Concreto refratário Concreto com ar incorporado Concreto de alta resistência Concreto auto-adensável Concreto leve Concreto pesado Etc

Quanto a classificação quanto a resistência, por classes e grupos, a NBR 8953, classifica para o grupo I as resistências de concreto C10 a C50 (variando de 5 em 5), onde se indica a resistência em MPa (C40 concreto com resistência de 40 MPa) e

onde a faixa de validade da NBR 6118 – Projetos de estrutura de concreto. Já o grupo II se refere aos concretos de alta resistência e hoje se tem evoluído muito em estudos, pesquisas nesta faixa (estudo em outra disciplina).

_______________________________________________________________________________ 96 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

_______________________________________________________________________________ 97 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Estas duas etapas estudaremos à parte. tais como resistência. As principais delas são: mistura (ou amassamento).edu. transporte. na grande maioria das vezes. que são relacionadas a operações de transporte. mas nem sempre é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura ou que não apresentem reatividade. a princípio. adensamento (ou compactação) e cura. onde admite-se que um concreto econômico quando consegue atender às condições anteriores com um consumo mínimo de cimento.PRODUÇÃO DE CONCRETO Introdução O processo de produção do concreto geralmente é subdividido em várias etapas. lançamento (ou colocação). e) custo. acabamento. c) tipo de agregado disponível economicamente. lançamento e adensamento do concreto. mas iniciamos com pelo menos os princípios básicos. d) técnicas de execução. bem superior ao dos agregados. do solo e eventuais produtos em contato com a estrutura. impermeabilidade e outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma certa idade. Dosagem A dosagem do concreto objetiva atender a cinco condições principais: a) exigências de projeto. pois que o custo do cimento é. onde o proporcionamento deve levar em conta as características de agressividade da atmosfera. b) condições de exposição e operação. Alguns autores colocam ainda uma fase inicial e uma etapa final: a dosagem (ou cálculo do proporcionamento) e o controle tecnológico. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. apesar de que. deveriam fazer parte das variáveis e não dos requisitos.

Mistura / amassamento É a homogeneização de todos os componentes do concreto. pois a falta de homogeneidade implica em perda de resistência e durabilidade do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Um tempo reduzido demais produz uma mistura imperfeita. mas também nos caminhões-betoneira das centrais de concreto pré-misturado (embora. que pode ser fixo ou móvel em torno de um eixo. constituídas por um tambor ou cuba. por sua vez. é importante saber a sua capacidade de produção. pois a fração do saco medida em peso é trabalhosa. por ser pouco precisa.edu. Outro aspecto bastante importante é o tempo ideal de mistura. deve envolver totalmente cada partícula de agregado. enquanto um tempo longo demais é _______________________________________________________________________________ 98 Concretos e Argamassas Prof. A água deve entrar em contato com as partículas de cimento. de modo que entrem em contato íntimo uns com os outros. A mistura tem que ser homogênea. O eixo passa pelo centro do tambor e. embora no Brasil a mais comum seja a betoneira basculante de eixo inclinado. A mistura mecanizada é realizada em máquinas especiais denominadas betoneiras. equipamento que é utilizado não apenas nas obras. Em cada betonada. Antes de se utilizar uma betoneira. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. através de pás. promove a mistura dos componentes do concreto. deve-se procurar utilizar um número inteiro de sacos de cimento. e a medida em volume não é aconselhável. para que se possa calcular a quantidade de cada um dos materiais que vai entrar na mistura. neste caso. que. A mistura manual está em desuso. As betoneiras podem ser de vários tipos. formando a pasta. só sendo aceitável para pequenos volumes de concreto. não seja basculante). que também podem ser fixas ou móveis. bem como a quantidade de betonadas necessárias para executar uma determinada parte da obra.

que depende de vários fatores. como a quantidade e o tipo de materiais.. d = diâmetro da betoneira. 2) Cimento + restante (ou quase o restante) da água colocando-se o cimento e o agregado graúdo. cimento e água. Uma ordem de grandeza prática para o tempo de mistura de um concreto convencional em obra comum é de 2 minutos. O tempo de mistura é contado a partir do instante que se liga a betoneira. brita fina. Não deve ser inferior a 1 minuto. a trabalhabilidade do concreto.antieconômico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Cada autor também tem a sua preferência. Para concretos convencionais a ordem mais comum é: 1) Agregado graúdo + parte da água batendo-se a água e a pedra eliminamos eventuais depósitos de materiais que podem estar ainda no interior da betoneira e fazemos a homogeneização da água no agregado graúdo. sem o agregado miúdo. do tipo: t = 120 d . Também é importante. garantindo assim uma formação mais completa das reações de hidratação que formam os compostos endurecedores do concreto. em metros. Assim vamos evitar que a relação a/c seja maior que a de projeto. fazemos a hidratação de quase todas as partículas de cimento. a ordem de entrada dos materiais na betoneira. onde: t = tempo de mistura. para a execução de uma mistura perfeita.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em segundos. em função da umidade de areia que pode estar levando mais água ao concreto do que o esperado. o tipo de betoneira. com todos os materiais no seu interior. Alguns autores fornecem uma fórmula para o cálculo do tempo de mistura das betoneiras de eixo inclinado. Uma seqüência prática de se usar em obra é a entrada dos materiais na ordem dos mais grossos para os mais finos: brita grossa. areia. etc. mantendo-se a principal propriedade do concreto: a resistência à compressão. _______________________________________________________________________________ 99 Concretos e Argamassas Prof. Por vezes evita-se colocar toda a água prevista.

Neste caso sempre temos que ter sempre em estoque algum aditivo e já instruído o operador de como usá-lo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Muito cuidado. normalmente os pequenos volumes. acaba ficando pouco concreto produzido em obra. isto acontece exatamente nos pilares.edu. Atenção: como hoje em dia se usa muito concreto dosado em central (“concreto usinado”). se não foi colocada toda. _______________________________________________________________________________ 100 Concretos e Argamassas Prof. e ainda não obtivemos a trabalhabilidade necessária (medida pelo ensaio de abatimento de tronco de cone – “slump”) não podemos mais simplesmente colocar água no concreto sob pena de termos uma relação a/c maior e consequentemente uma resistência mecânica menor que a de projeto. Neste caso. tendo esta pasta a relação a/c original c) Colocarmos aditivos plastificantes. A solução do aditivo plastificante é a mais usual (quando se fala de concreto com controle tecnológico). pode-se então completar a água prevista. para-se a betoneira e com uma colher se faz a soltura desta argamassa e retoma-se a mistura.3) Areia com a colocação da areia começamos a contar o tempo de mistura verificando se não há a formação de argamassa nas pás (argamassa presa). onde o volume é pequeno e se faz em obra e onde a resistência à compressão adquire uma importância maior. Observação importante: Se já colocamos toda á água prevista pelo traço. Neste caso há três soluções mais comum para resolver o problema sem afetar a resistência mecânica: a) Adicionarmos mais argamassa ao concreto mantendo-se nesta argamassa a relação a/c do traço original b) Adicionarmos mais pasta ao concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Porém. Nesta etapa em função da trabalhabilidade pretendida e da água.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.através de vagonetes. _______________________________________________________________________________ 101 Concretos e Argamassas Prof. calha. entretanto o transporte do concreto pode ser realizado também por bombas especiais. Porém isto não isenta a nossa responsabilidade e o controle do concreto como veremos adiante. etc. Transporte O concreto deve ser transportado do local de mistura para o local onde vai ser lançado tão rapidamente quanto possível. guinchos. carrinhos (que devem ter rodas de borracha. O concreto é lançado no recipiente de admissão (cocho). etc.. etc.Em obras com grande volume de produção de concreto ou em regiões com grande mercado consumidor. oblíqua ou inclinada .caçambas.edu. passa pelo interior da bomba e é recalcado através de tubulações até alturas que podem ser superiores a 300 m. que. O transporte do concreto geralmente ocorre das seguintes formas: • horizontal . caminhões. ou seja.. Em qualquer das formas. que recalcam o material através de um mecanismo de pistões e válvulas.correia transportadora. • • vertical . e de maneira tal que mantenha a sua homogeneidade. têm uma boa aceitação e geralmente encontram-se em estágio tecnológico bastante razoável. no Brasil.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para evitar a segregação).. desenvolveram-se as centrais produtoras de concreto prémisturado. evite a segregação dos seus componentes.

quando utilizados no transporte de concreto por longa distância. montadas sobre carroceria de caminhão. possuem balões com capacidade de transporte de 2. Os caminhões.No Rio de Janeiro. Algumas empresas _______________________________________________________________________________ 102 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O transporte por esteiras rolantes é em geral mais indicado para os concretos secos. os concreto-massa de barragem. para evitar que o concreto quando seja lançado já esteja em início de pega ou muito próximo. As calhas ou canaletas utilizadas no transporte inclinado do concreto geralmente são de madeira revestida por chapa metálica. sem segregação. acionadas por controle remoto.edu.5 até 8 m3. Para que o material deslize. geralmente com uma lança metálica articulada em dois ou três estágios. é necessária uma inclinação mínima de 13o. algumas até automotivas. com cobertura no caso de sol forte. O concreto deverá ter consistência fluida e o processo de transporte deve ser contínuo e homogêneo. Alguns cuidados no transporte: a) Quando for feita de uma central dosadora até a obra. Era esta segunda bomba que levava o concreto até o pavimento em execução. O material deve também ser protegido contra a secagem excessiva. com cerca de 15 m de comprimento. onde uma bomba estacionada no térreo recalcava o concreto até o cocho de uma segunda bomba. As bombas de concreto podem ser estacionárias ou móveis. e são chamados de caminhão betoneira. e pode ser usado tanto na horizontal quanto com pequenas inclinações. como por exemplo. Geralmente são trucados. consta que durante a construção do prédio do BNDE. colocada a meia altura do prédio. utilizou-se um sistema engenhoso. temos que controlar o tempo em que foi adicionada a água. A capacidade de bombeamento deste tipo de equipamento geralmente é de cerca de 30 m3 por hora. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Este equipamento permite a concretagem de até 3 andares de obra sem a necessidade de nenhuma tubulação adicional. e a agitação do concreto pode ser realizada em dois sentidos e duas velocidades. devem dispor de agitação própria.

prevendo atraso no transporte, em função de tráfego, fazem a mistura a seco e colocam água somente na obra. Outras utilizam aditivos retardadores de pega no concreto.
Atenção: muito cuidado com concreto com aditivos retardadores de pega, quando da previsão de desforma, pois já houve casos que o módulo de elasticidade exigido na época da desforma não foi atingido, devido ao uso destes aditivos. Acaba por vezes exigindo um tempo maior de escoramento do concreto

b) No transporte vertical ou horizontal por bombas, conforme o dia (umidade do ar, temperatura, exposição ao sol, etc), pode haver perda da traballhabilidade do concreto. A medida do “slump” na saída do caminhão pode atender a exigência de projeto, mas na saída da canalização, acaba sendo menor e pode comprometer o lançamento do concreto. Ver trabalho de TCC da ex-aluna Endriana Kischner Cavalheiro (Concreto bombeado: Verificação da

variabilidade das propriedades entre a saída da caminhão betoneira e a chegada no local de concretagem) c) Quando se faz transporte horizontal dento da obra, por carrinhos ou jericas, deve-se ter um caminho preparado, para evitar solavancos no percurso que podem levar a segregação do concreto

Lançamento / Colocação
O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto no ponto onde ele deverá permanecer definitivamente. O lançamento do concreto nas formas não deve ocorrer em intervalo superior a 30 minutos após a conclusão do amassamento. Na realidade, como o transporte, deve ser realizado no prazo mais rápido possível. Da mesma forma, como no caso do transporte, deve-se também evitar a segregação do concreto durante o lançamento nas formas. O uso de aditivos retardadores de pega pode estender este tempo para até cerca de duas horas, dependendo da eficiência do aditivo e da sua dosagem.
_______________________________________________________________________________ 103 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Nas obras correntes, antes do lançamento do concreto, deve-se umedecer as fôrmas de modo a evitar a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para evitar a fuga de pasta de cimento. Outra situação especial de colocação do concreto em obra é o lançamento em altura. Ao sair da betoneira, o concreto geralmente é submetido a forças externas e internas que tendem a provocar a segregação (separação) dos seus materiais constituintes. Ao lançar o material de grande altura (ou deixá-lo correr livremente) surgirá a tendência de separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para evitar a segregação, a altura máxima de lançamento em concretagens comuns não deverá ultrapassar 2 m. Em pilares mais altos do que isso, por exemplo, podem ser abertas janelas de concretagem à meia altura, na parte lateral da fôrma, que são fechadas à medida que o concreto atinge este nível. Também neste caso pode ser utilizada a tremonha Nos casos mais comuns de vigas e lajes, o concreto deve ser lançado o mais próximo possível da sua posição final, não devendo fluir, "andar", ou ser empurrado dentro das fôrmas. Nas obras de maior porte, o lançamento do concreto deve ser feito segundo um plano de concretagem, elaborado para levar em consideração o projeto de escoramento e as deformações que nele serão provocadas pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço lembrar de escoras que

levantam pela deformação na estrutura de formas/escoramento Deve também ser prevista a ocorrência de interrupções do lançamento de concreto, que venham a provocar as chamadas juntas de construção, ou juntas frias. Estas em geral são provocadas pela impossibilidade do lançamento contínuo de um grande volume de concreto, ocorrência esta previsível ou não, derivada de acidente (como por exemplo, chuva forte, falta de energia, entupimento de bomba, quebra de equipamento de produção ou de transporte do concreto, etc.). Em todos os casos devem ser tomados alguns cuidados. A superfície do concreto velho deve ser apicoada ou limpa com escova de aço até tornar-se rugosa, com o agregado graúdo aparente, para facilitar a aderência com o concreto novo.
_______________________________________________________________________________ 104 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Quando previsível, já ao final do lançamento, deve ser providenciado para que o acabamento de uma camada de concreto não seja executado em superfície lisa. A superfície da junta deve ser perfeitamente limpa, a fim de remover o material solto, o pó, as impurezas, etc., que prejudicam a aderência. Esta limpeza deve ser executada com jato d’água ou de ar comprimido. Quando não for usado o jato d’água, a superfície deve ser abundantemente molhada. Outra boa prática é a previsão de existência de ferros de espera, ou a colocação de pontas de ferro espetadas nas juntas, de modo que venham depois a realizar uma espécie de costura do concreto velho com o novo O projeto de uma estrutura pode também, intencionalmente, prever a existência de juntas, que neste caso recebem a denominação de juntas estruturais. Sua finalidade é a de permitir deslocamentos da estrutura, geralmente provocados por contrações, (retrações e expansões) derivadas de variações de temperatura e umidade, empenamentos, deflexões, recalques, etc.. Uma forma prática de se construir uma junta é a utilização de placas de isopor, que mais tarde são dissolvidas com querosene. Um caso particular de colocação do concreto é o do lançamento submerso. O concreto não deve ser lançado em águas com velocidade superior a 3 m/s (para que não seja "lavado"), nem em temperaturas inferiores a 2 oC (que interferem e até podem impedir a pega do cimento). O material deve possuir consumo mínimo de cimento de 350 kg/m3 (para garantir um fator a/c razoável e diminuir a tendência à segregação) tendo ainda uma consistência plástica, já que em geral não pode ser vibrado após o lançamento. O processo de colocação deve ser contínuo, através de uma tubulação sempre cheia de concreto, cuja ponta deve estar posicionada no interior da massa de concreto já lançada, para evitar que o material caia através da água e a pasta seja separada dos agregados por lavagem. O equipamento geralmente empregado neste processo chama-se tremonha.

_______________________________________________________________________________ 105 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Adensamento / Compactação
O adensamento ou compactação do concreto recém lançado tem por objetivo deslocar, com esforço, os elementos que o compõem e orientá-los para se obter maior compacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e desalojar o ar do material eliminar os vazios da massa, tornando-a mais compacta e, mais

resistente, menos permeável e mais durável Os processos de adensamento podem ser manuais ou mecânicos. O adensamento manual, hoje raramente utilizado, era realizado por socamento ou apiloamento, é indicado apenas para obras de pequena importância. O socamento pressupunha a utilização de soquete metálico ou de madeira, e era utilizado apenas em concretos de consistência plástica. O apiloamento utilizava-se geralmente de pilão de madeira e também era indicado para concretos plásticos. Em ambos os processos a espessura das camadas não deveria ultrapassar 20 cm. O adensamento mecânico compreende os esforços de vibração, centrifugação e vácuo. O mais usado é a vibração em obras convencionais A vibração, processo mais utilizado atualmente, além da desaeração, dá ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água. A vibração não deve ser aplicada diretamente à armadura, que, ao vibrar, deixa um espaço vazio ao seu redor, eliminando a aderência. Caso durante a vibração haja um contato acidental do vibrador com a armadura, deve-se vibrar novamente o concreto nas proximidades.

_______________________________________________________________________________ 106 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

mais utilizados nas obras correntes de edificação. Caso a exsudação ocorra com maior intensidade. etc. As características principais dos vibradores de concreto são: a) freqüência. pois define o espaçamento entre as armaduras. em geral empregado na produção de prémoldados ou peças pré-fabricadas em usina. telhas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O fato é que a água. no seu movimento de ascensão. • de superfície (placas ou réguas vibratórias). _______________________________________________________________________________ 107 Concretos e Argamassas Prof. vigas.. postes. geralmente vigas e transversinas de pontes e outras obras de arte especiais.da ordem de 1500 vpm. que pode ser • • • baixa . dormentes. usados em peças de maiores dimensões ou com grande densidade de armadura. que demandam concretos pouco plásticos. na realidade. média . como p. espaços estes que vêm a constituir os poros capilares. podem ser: • de imersão (de agulha ou de banana).A vibração pode aumentar a ascensão à superfície de concreto do excesso de água (fenômeno denominado de exsudação. • de mesa (ou mesa vibratória). empregados em pisos e pavimentações.edu. cria canalículos na massa de concreto. A revibração (uma segunda etapa de vibração) só deve ser realizada até a metade do tempo de pega do cimento.de 6000 a 20000 vpm. pode-se utilizar a revibração para tentar obturar os poros capilares.ex.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os vibradores.entre 3000 e 6000 vpm. que é. O diâmetro deste vibrador é um dado importante quando da elaboração do projeto estrutural. um caso particular de segregação e que será melhor explicado adiante nas propriedades do concreto). alta . blocos. Os equipamentos mais utilizados para a vibração do concreto. • de fôrma.

A amplitude de ação depende também das características do próprio concreto. Alguns cuidados na utilização de vibradores de imersão: a) Os vibradores devem ser aplicados em posições sucessivas afastadas de distâncias iguais ou inferiores ao raio de ação do vibrador. é necessário quadruplicar a potência. já que o seu excesso gera a segregação do concreto. _______________________________________________________________________________ 108 Concretos e Argamassas Prof. são mais econômicos.A freqüência baixa movimenta os grãos maiores (agregado graúdo) e a freqüência alta movimenta os grãos menores (argamassa ou pasta de cimento). Os vibradores de alta freqüência. O período útil de aplicação da vibração corresponde ao aparecimento de uma camada de argamassa na superfície do concreto (superfície torna-se brilhante). bem como à cessação quase completa do desprendimento de bolhas de ar. enquanto nos EUA as normas de concreto corrente impõem o emprego de vibradores com 10000 ou 12000 vpm.edu. sob este aspecto. Na prática. cravam-se várias barras de ferro na massa de concreto. b) potência A baixa freqüência exige maior potência do vibrador. c) amplitude ou raio de ação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O raio de ação de um vibrador é proporcional à raiz quadrada da sua potência para duplicar o raio. Em geral. o efeito da vibração passa a ser nocivo. a diferentes distâncias do vibrador e mede-se a sua vibração. que é a distância além da qual o vibrador não exerce influência no concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os vibradores mais utilizados no Brasil têm freqüência da ordem de 3500 vpm. Daí em diante. para se determinar o raio de ação de um vibrador. não ultrapassa os 60 cm.

Assim libera-se o ar contido no concreto. ambas com o aparelho em funcionamento. Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça. As fôrmas em geral são metálicas e atingem velocidades de 12 a 24 m/s. e sua retirada muito lenta. ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento. _______________________________________________________________________________ 109 Concretos e Argamassas Prof.edu. A compactação do concreto por centrifugação é muito empregada no caso da préfabricação de elementos de revolução. O adensamento à vácuo é utilizado em pavimentação de ruas. etc. Durante a centrifugação ocorre uma classificação dos materiais componente do concreto segundo o seu tamanho. d) O vibrador deverá ser utilizado sempre na vertical. No caso dos tubos isto é ótimo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . c) A introdução da ponta vibrante no concreto deve ser rápida. e) Nas obras. caso contrário poderá ser deixado um vazio na massa de concreto. o vácuo adensa o concreto por compressão. Além disso.. bem como uma parcela da água. variável com as dimensões da peça. é boa prática manter-se sempre um vibrador de reserva.b) As camadas lançadas de concreto devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante do vibrador de imersão. tubos. durante um tempo de 2 a 10 minutos. pois fica assegurada uma alta impermeabilidade e uma superfície interior pouco rugosa. O vibrador nunca deve ser utilizado para transportar ou empurrar o concreto. O processo pode ser usado também em fábricas de pré-moldados. para que se obtenha uma boa homogeneidade do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Cobre-se o trecho pavimentado com uma manta plástica presa nas bordas e ligada por um tubo por onde se retira o ar aprisionado pela manta. como postes. estacas.

. principalmente nas primeiras idades do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. têm importância muito grande nas propriedades do concreto endurecido. A cura úmida (com água) em comparação com a cura do concreto ao ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . embora alguns autores recomendem pelo menos 14 dias de cura para que se tenha garantias contra o aparecimento de fissuras devidas à retração. Aos 28 dias de idade. fenômeno que rege a pega e o endurecimento do concreto. a resistência à compressão do concreto curado em água pode ser até 40% superior à do concreto mantido ao ar.ex. O Comitê 363 do ACI define cura como o conjunto de procedimentos adotados para a manutenção de um teor de umidade satisfatório e uma temperatura favorável no concreto durante o período de hidratação dos materiais cimentícios. A cura do concreto em obra pode ser realizada de várias formas. melhora muito as características finais do material. o que também ocorre com as temperaturas elevadas.edu. _______________________________________________________________________________ 110 Concretos e Argamassas Prof. p. As condições da temperatura do meio ambiente nas primeiras idades do concreto são as mais importantes. que provocam a evaporação de parte da água do concreto. principalmente em termos de resistência e de durabilidade.Cura Dá-se o nome de cura ao conjunto de medidas que têm por finalidade evitar a evaporação prematura da água necessária à hidratação do cimento. de modo que possam ser desenvolvidas as propriedades desejadas no concreto. Algumas normas (inclusive a brasileira NBR 6118) exigem que a cura seja realizada nos 7 primeiros dias após o lançamento do concreto nas fôrmas. como por exemplo: • irrigação periódica das superfícies com água. As condições de umidade e temperatura. As baixas temperaturas prejudicam muito o crescimento das resistências mecânicas do concreto.

_______________________________________________________________________________ 111 Concretos e Argamassas Prof. que impedem a evaporação da água membranas de cura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• recobrimento das superfícies com areia ou sacos de aniagem. que também impedem a evaporação da água.edu. • recobrimento da superfície com papéis impermeáveis especiais (do tipo kraft) ou filmes de polietileno. mantidos sempre úmidos. • emprego de compostos impermeabilizantes especiais para a cura. • Em certos casos a submersão do concreto pode ser indicada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

é acompanhada pelo aumento da coesão e pelo ganho de resistência da pasta. o cimento começa a hidratar-se. Pouco tempo depois. aumentando sua viscosidade e apresentando elevação de temperatura. a situação é denominada fim de pega. Algumas propriedades do concreto endurecido dependem fundamentalmente de suas características enquanto no estado fresco. Entre a mistura e o fim de pega o concreto é dito no estado fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . início de pega. A fase a seguir. convencionalmente.edu. _______________________________________________________________________________ 112 Concretos e Argamassas Prof.PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO Introdução Entende-se com concreto fresco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A mistura. O tempo decorrido desde a adição de água ao cimento até o aumento brusco de viscosidade da pasta é denominado. é plástica e chama-se pasta ou calda de cimento. sabe-se que elas estão relacionadas e têm grande implicação nas propriedades do concreto endurecido. num estágio inicial. tornando-se um bloco rígido. Tempos de pega Quando entra em contacto com a água. denominada endurecimento. antes do endurecimento. a pasta começa a perder plasticidade. Quando a pasta deixa de ser deformável em face de pequenas cargas. o concreto no estado plástico. Ainda que suas propriedades no estado fresco sejam de maior interesse para a aplicação.

edu. como já se mencionou. a finura do cimento. que usam a agulha de Vicat. evitando a segregação em outras palavras empregado identifica a maior ou menor aptidão do concreto para ser com determinada finalidade. bem como a presença de aditivos químicos e/ou minerais no concreto. sem perda de (manipulado) homogeneidade. ou seja. Trabalhabilidade É a propriedade do concreto fresco. transportado. De acordo com o tempo de pega. que se refere à sua aptidão em ser facilmente misturado. compactado e começar a ser curado. e existem normas para as suas medidas. sendo os mais importantes a composição química do cimento. _______________________________________________________________________________ 113 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a temperatura ambiente. Cabe ainda salientar que com o início de pega inicia-se um processo de desprendimento de calor devido as reações química. mas que possui dimensões bem maiores. colocado e compactado.A duração da pega é influenciada por vários fatores. os tempos de início e fim de pega podem ser determinados com um equipamento que emprega o mesmo princípio da determinação da pega do cimento (a penetração de uma agulha de dimensão conhecida). pois são eles que indicam a disponibilidade de tempo para o concreto ser transportado. o fator a/c. mantendo a sua integridade e homogeneidade. lançado. Os tempos de início e fim de pega são características intrínsecas dos cimentos. A determinação dos tempos de pega dos concretos é importante. difícil de ser definida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os cimentos podem ser classificados: • • • Pega rápida tempo de início de pega < 30 min 30 min < tempo de início de pega < 60 min Pega semi-rápida Pega norma tempo de início de pega > 60 min Nos concretos.

dos equipamentos de mistura. lançamento e adensamento e é função da quantidade de finos presente na mistura bem como da granulometria e da proporção entre si dos agregados. devido à grande quantidade de variáveis envolvidas nessa determinação.A ASTM C 125-93 define trabalhabilidade como a energia necessária pata manipular o concreto fresco sem perda considerável da homogeneidade. da taxa de armadura. A trabalhabilidade do concreto é uma definição relativa. Entenda-se como manipular Lançamento. de transporte.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pois depende também das geometria da peça estrutural. tais como o custo. técnicas e tipos de ensaios para a determinação da trabalhabilidade dos concretos. Existem vários equipamentos. Nenhum deles consegue quantificar perfeitamente a trabalhabilidade. uma mistura de concreto que não possa ser lançada facilmente ou adensada em sua totalidade provavelmente não fornecerá resistência e durabilidade esperadas. de lançamento e de adensamento. TRABALHABILIDADE = CONSISTÊNCIA + COESÃO Importância da trabalhabilidade Independente da sofisticação usada nos procedimentos de dosagem e outras considerações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. do tipo de forma. bem como da técnica e do tipo de acabamento desejado. _______________________________________________________________________________ 114 Concretos e Argamassas Prof. Assim o concreto deve apresentar duas qualidade principais: • Consistência ou fluidez é função da quantidade de água adicionada ao concreto e simplesmente avalia o quão “duro” ou “mole” está o concreto • Coesão é uma propriedade que reflete a capacidade do concreto de manter sua homogeneidade durante o processo de transporte. adensamento e acabamento A ACI 116R-90 descreve como a facilidade e homogeneidade com que o concreto fresco pode ser manipulado desde a mistura até o acabamento.edu.

Ensaio de abatimento de tronco de cone a) molde metálico preenchido de concreto b) medição do abatimento Para concretos com muita trabalhabilidade – concretos auto-adensáveis – e para concretos muito consistentes. o slump test não é adequado e existem outros tipos de ensaios. Um abatimento forma do normal pode indicar uma mudança imprevista nas proporções da mistura.Nas obras correntes. _______________________________________________________________________________ 115 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é o "Ensaio de Determinação da Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone".br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . também conhecido como "slump test" – NBR 7223. Ensaio de Slump test principal função é fornecer um método simples e conveniente (além de barato) para controlar a uniformidade da produção de concreto de diferentes betonadas.edu. o método mais utilizado (muito mais pela sua simplicidade do que pela sua precisão e representatividade).

edu.Procedimentos para ensaios de concreto fresco: um comparativo entre as técnicas utilizadas no Brasil e Alemanha . Silvio Edmundo Pilz.editado pela Argos. para adensamento mecânico. do prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. indica os limites de consistência em função da aplicação e tipo de adensamento do concreto: A consistência indicativa do concreto em função do tipo de elemento estrutural.A importância deste controle do abatimento pode ser visto na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. Sobre ensaios de trabalhabilidade e como leitura complementar recomendamos o trabalho recente (2008) . A tabela a seguir. vemos na tabela seguinte: _______________________________________________________________________________ 116 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó o concreto perde a consistência. um aditivo retardador de pega pode ajudar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Regra geral. que não deve ser deixada de lado por ocasião do emprego prático do concreto em obras. a adsorção na superfície dos produtos de hidratação e a evaporação de água capacidade de fluir. no caso de concreto pré-misturado em central e fornecido às obras em caminhõesbetoneira (que estão sujeitos ao fluxo de trânsito das cidades). como. que pode ser pequeno ou não. quanto maior o tempo de transporte. Ocorre devido a hidratação do cimento. _______________________________________________________________________________ 117 Concretos e Argamassas Prof. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. dependendo do caso. Neste caso. ou seja a .Perda da trabalhabilidade com o tempo Uma determinação realizada no concreto fresco. por exemplo. Esse tempo pode chegar a ser bastante significativo.edu. é a da perda de trabalhabilidade (ou de slump) do concreto com o tempo. Em função disto para que o concreto possa ser manipulado desde a mistura até o acabamento é comum dosa-lo com um abatimento inicial maior que o previsto Sua importância deriva de três aspectos principais: • nem sempre é possível lançar o concreto nas fôrmas imediatamente após a transporte.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quanto mais elevada a temperatura ambiente. 1994) Mistura de concreto 1 2 3 4 5 6 Temperatura do concreto oC 21 21 21 29 29 29 Abatimento (mm) Inicial 191 181 127 181 191 140 30 min 178 121 111 137 140 114 60 min 140 83 79 111 89 92 90 min 95 64 57 67 64 67 _______________________________________________________________________________ 118 Concretos e Argamassas Prof. regra geral. O abatimento inicial de um concreto pode. Em casos especiais. temperatura do concreto e abatimento inicial. recém chegado da fábrica. apresenta como efeito colateral uma perda acelerada de trabalhabilidade do concreto. Neste caso. normalmente iniciando após 15 mminutos. Regra geral.edu. com o auxílio do superplastificante. (Mehta & Monteiro. e protegendo a água e os agregados da insolação direta. mas a perda de trabalhabilidade desse concreto será mais rápida do que a de um concreto corrente. Para ilustrar segue a seguir quadro mostrando a perda de abatimento em algumas misturas de concreto com o passar do tempo. • a utilização crescente de aditivos químicos nos concretos. é boa prática trabalhar com os materiais nas temperaturas mais baixas possíveis. pode-se substituir parte da água de amassamento do concreto por gelo. ser até de 25 cm. Perda de abatimento em função da mistura. como o Rio de Janeiro. evitando o trabalho com cimento quente. ou resfriar a massa de concreto (já misturada) com nitrogênio líquido. principalmente no caso de superplastificantes. maior a perda de trabalhabilidade do concreto.• existem locais onde a temperatura ambiente é elevada. no verão.

acabamento • Alta temperatura do concreto devido ao calor de hidratação excessivo ou uso de materiais no concreto que tenham sido estocados a uma temperatura ambiente muito alta Problemas de perda de abatimento ocorrem mais freqüentemente em climas quentes. Quanto mais alta a temperatura na qual o concreto é misturado. Causa e controle da perda de trabalhabilidade Algumas causas dos problemas de perda de abatimento são • • Emprego de cimento de pega anormal Tempo muito longo de mistura. _______________________________________________________________________________ 119 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . lançamento. adensamento. maior é a probabilidade de que a perda de abatimento seja a causa de problemas operacionais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ou água gelada para diminuir a temperatura do concreto.O que pode acontecer com a perda de abatimento: • • • • • Necessidade extra de água Aderência do concreto dentro da caçamba da betoneira e caminhão betoneira Dificuldade de bombeamento e lançamento do concreto Queda da produtividade da mão de obra Perda da resistência e durabilidade (colocação extra de água) Um carregamento perdido de concreto duvidoso pode representar um ótimo negócio para a empresa de serviços de concretagem comparado ao seu possível uso e falha de desempenho. Em certas situações usa-se gelo (em escamas ou picado).edu. manuseado e lançado. transporte.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dentro de certos limites é independente de outros fatores.Medidas preventivas para controla a perda de abatimento • • • Eliminar qualquer possibilidade de atraso nas operações de concretagem Manter a temperatura do concreto entre 10oC e 21oC Controle laboratorial das características de pega e endurecimento do cimento Fatores que afetam a trabalhabilidade 1. pode-se dizer que Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência fluida Diminui Constante Aumenta Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência igual Diminui Diminui Constante _______________________________________________________________________________ 120 Concretos e Argamassas Prof. Consumo de água O abatimento ou consistência do concreto é uma função direta da quantidade de água na mistura. A influência da dosagem na consistência considerando-se: • • • Relação água / cimento (a/c) Relação agregados / cimento (ag/c) Quantidade de água.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mas tendem a ser viscosos. é necessário um percentual mínimo de material passante na peneira 0. dificultando o acabamento e prejudicando o aspecto final da superfície.3 mm (material fino). Consumo de cimento Uma diminuição do consumo de cimento tende a produzir misturas ásperas. Um aumento do consumo de cimento. 22%) Para concreto com alto consumo de cimento (material fino) pode-se utilizar agregados com menos finos que outro executado com menor consumo de cimento _______________________________________________________________________________ 121 Concretos e Argamassas Prof. Algumas normas consideram teores mínimos de material passante na peneira 0.15 mm. Características dos agregados O tamanho e a forma das partículas dos agregados influencia na água necessária para uma dada consistência. Areias mais grossas e grãos arredondados necessitam menos água para uma dada consistência misturas trabalháveis Areias muito finas e grãos angulosos necessitam mais água para uma dada consistência misturas ásperas e pouco trabalháveis. apresentam excelente coesão.15 mm entre 6% e 17% (max.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.3 mm peneira 0. NBR 7211 peneira 0. 3. 27%) entre 2% e 7% (max.2. Para que um concreto seja trabalhável e tenha coesão.

mas como melhora a trabalhabilidade.4. principalmente nas etapas de transporte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Há duas formas de segregação: • Tendência dos agregados maiores se separarem por deslocamento e sedimentar mais que as partículas menores pobre evita-se a segregação adicionando água ocorre em misturas secas e _______________________________________________________________________________ 122 Concretos e Argamassas Prof. • O aditivo incorporador de ar reduz a resistência à compressão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . lançamento e adensamento diferença das massa específicas e nos tamanhos das partículas. Desta forma permitem execução de concreto com baixa relação a/c. 5. Aditivos • O aditivo incorporador de ar aumenta o volume da pasta e melhora a consistência para uma dada consistência. pode permitir uma redução no consumo de água. Adições Pozolanas (materiais muito finos) tendem a aumentar a coesão e a diminuir a trabalhabilidade. Melhora a coesão pela redução da exsudação e da segregação. diminuindo a relação a/c.edu. Segregação e exsudação A SEGREGAÇÃO é definida como sendo a separação dos componentes do concreto fresco de tal forma que a sua distribuição não é mais uniforme. É uma tendência natural do concreto. obtendo estruturas com grande resistência e durabilidade. • O aditivo redutor de água (plastificantes) para uma quantidade de água constante aumenta o abatimento. recuperando esta perda.

e o componente mais leve. formam "estuários" e deságuam em "oceanos" no exterior das peças concretadas. É. que começam como uma rede de "riachos".br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com um fator a/c mais elevado que o restante da massa de concreto). quando os componentes sólidos mais pesados depositam-se no fundo das fôrmas ou moldes. sobe para a superfície das peças concretadas. Como conseqüência da exsudação. A subida da água ocorre com a formação de canais capilares. nas proximidades das superfícies do concreto. e que. que se agrupam em "rios". Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. a água.• Tendência da pasta se separar dos agregados excessiva de água ocorre devido adição Segregação excessiva pode ocorrer em concretos pouco coesivos devido a facilidade de deslocamento dos agregados em relação à pasta fresca aumentam a coesão do concreto O risco de segregação é diminuído: • • • • Evitar o manuseio excessivo do concreto fresco Excesso de vibração Alturas de lançamento não serem grandes Modificação da granulometria dos agregados a adição de finos A EXSUDAÇÃO é definida como o aparecimento de água na superfície após o concreto ter sido lançado e adensado. a parte superior do concreto torna-se excessivamente úmida (ou seja. Com a evaporação dessa água. A exsudação dos concretos é um caso particular de segregação. portanto. o concreto endurecido tenderá a _______________________________________________________________________________ 123 Concretos e Argamassas Prof. recém-colocado. a tendência da água de amassamento vir à superfície do concreto fresco. porém antes de ocorrer a sua pega.

sendo esta a principal razão da existência da já muito mencionada zona de transição entre os agregados e a fase pasta de cimento. na medida que pode ser identificada do exterior das peças concretadas. a água. sendo.pasta. conseqüentemente. Além disso. pode carregar partículas de cimento. portanto menos resistente. num segundo ponto preferencial. na superfície das peças concretadas. a superfície dos agregados. quando se tiver juntas de concretagem. o concreto desta região passa a ter um fator a/c mais elevado que o restante. formando. Estes pontos em geral são de dois tipos. a água pode acumular-se em filmes ou bolsas. menos resistente aos esforços mecânicos e à penetração de agentes químicos agressivos. entretanto.ser poroso na superfície e. Fica então prejudicada a aderência concreto-armadura. no seu movimento de ascensão. ou interface agregado . Descobriu-se porém que a exsudação pode também ser interna à massa de concreto. Os primeiros são as barras de armadura. concentrando-se em alguns pontos pelo caminho. a chamada nata de cimento. entretanto. que se convencionou chamar de externa. verificou-se que este é apenas um dos casos de exsudação. mas que.edu. carregando as partículas mais finas de cimento. que dificulta a ligação de novas camadas de concreto com as antigas (aderência concreto velho-concreto novo). Essa nata deve ser cuidadosamente removida. areia e argila presentes como impureza do agregado forma de lama sob a superfície do concreto e depositando sob a pulverulência Esta era a descrição clássica da exsudação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 124 Concretos e Argamassas Prof. Com o acúmulo de água na sua superfície. não consegue atingir a sua superfície. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Recentemente. Desta mesma forma. Nata porosa é quando a água percola nos capilares internos. Este é o caso de um determinado volume de água que sobe pela massa de concreto.

apesar de ocorrer com muita freqüência. _______________________________________________________________________________ 125 Concretos e Argamassas Prof. por exemplo. A sua intensidade pode ser atenuada de várias formas: • • proporcionamento (dosagem) adequada dos componentes do concreto. os aditivos minerais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. conseqüentemente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . emprego de agregados de grãos arredondados. é um fenômeno geralmente indesejado nas obras. emprego de cimentos mais finos. especificação adequada da trabalhabilidade do concreto para a execução de um determinado serviço. • • • • utilização de traços de concreto mais ricos em cimento.A exsudação excessiva. adição de materiais finos ao concreto. como.edu.

edu. para promover a resistência do concreto aos ciclos alternados de congelamento e degelo). com o auxílio de aditivos químicos plastificantes/ redutores de água. Nos concretos correntes.Em geral. Esta determinação é importante para a verificação da segurança das fôrmas e escoramentos de uma obra. Teor de ar do concreto O ar presente no concreto. Massa específica A massa específica de um concreto no estado fresco é determinada pesando-se um determinado volume conhecido de concreto e dividindo-se o resultado pelo outro. de todas as maneiras. o excesso de água de trabalhabilidade. por exemplo. Em casos especiais. ou seja. a grosso modo. a massa específica do concreto pode. conforme já se mencionou. A presença de aditivos químicos e/ou minerais pode alterar a exsudação do concreto. Repare-se que a água que exsuda é apenas aquela que não foi capaz de se imiscuir na mistura dos outros componentes do concreto e lá permanecer. por exemplo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que ali está apenas por uma questão de trabalhabilidade do material. tanto para mais quanto para menos. A massa específica é expressa em kg/dm3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.4 kg/dm3. a massa pelo volume. ser estimada para efeito do próprio dimensionamento da forma. a massa específica costuma ser da ordem de 2. _______________________________________________________________________________ 126 Concretos e Argamassas Prof. pela revibração do concreto. ou seja. pode ser de dois tipos: o ar aprisionado pelo concreto (geralmente durante o próprio processo de fabricação) e o ar intencionalmente incorporado ao concreto (geralmente com o auxílio de aditivos químicos incorporadores de ar. As conseqüências do excesso de exsudação. deve-se evitar. inclusive. é uma água livre. podem ser combatidas. a mais na composição do concreto.

Mudanças iniciais de volume Retração Plástica .edu. Alguns tipos de aditivos superplastificantes tendem a aumentar a quantidade de ar aprisionado pelo concreto. o que pode colaborar para um eventual decréscimo de resistência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Acontece algumas horas após o concreto fresco ter sido colocado em formas devido a redução do seu volume fissuras. As fissuras se desenvolvem acima das obstruções para uniformizar o assentamento do concreto barras de aço e grandes partículas de agregado _______________________________________________________________________________ 127 Concretos e Argamassas Prof. Alguns aditivos minerais muito finos idem.Os concretos correntes geralmente possuem um teor de ar aprisionado da ordem de 1 a 2%.

Causas de retração plástica: • • • • Exsudação e Sedimentação Absorção de água pela forma ou pelo agregado Rápida perda de água por evaporação Deformações (inchamento ou assentamento da forma) O aumento da evaporação de água e fissuramento por retração plástica decorre de: • • • Alta temperatura do concreto Baixa umidade Vento de alta velocidade Medidas preventivas para evitar mudanças iniciais de volume • • • Umedecimento da sub-base e das fôrmas Umedecimento dos agregados quando secos e absorventes Manter baixa a temperatura do concreto fresco pelo resfriamento do agregado e da água de amassamento _______________________________________________________________________________ 128 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.• Proteger o concreto durante qualquer demora apreciável entre lançamento e acabamento • • Reduzir o tempo entre lançamento e início de cura Minimizar a evaporação Temperatura do concreto: alguns aspectos Concretagem em Clima Frio • • • Existe pouca hidratação Existe pouco ganho de resistência (congelado e mantido abaixo de -10° C) Protegido contra a expansão gerada pelo congelamento da água Concretagem em Clima Quente • • • Aumenta perda de abatimento Aumenta fissuração por retração Reduzir o tempo de pega do concreto fresco _______________________________________________________________________________ 129 Concretos e Argamassas Prof.

o tipo de cimento.edu. São eles: • • • • • • o fator água-cimento. a idade de ensaio. a forma e a graduação dos agregados. a duração da carga. Existem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.PROPRIEDADES DO CONCRETO ENDURECIDO Convencionou-se denominar de propriedades do concreto endurecido uma série de características distintas dos concretos.500 kgf/m3 Resistência à esforços Concreto resiste bem a esforços de compressão e mal a esforços de tração (1/10 da resistência à compressão) Concreto resiste mal a cisalhamento (esforço de corte) _______________________________________________________________________________ 130 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a velocidade de aplicação de carga durante a realização do ensaio. Um bom exemplo são os principais fatores que afetam as resistências mecânicas dos concretos.500 kg/m3 (concretos com agregados leves) a 3. Massa específica Varia entre 1. entretanto alguns pontos comuns a todas elas.300 kgf/m3 2.700 kgf/m3 (concretos com agregados pesados o Concreto simples o Concreto armado 2. As mais importantes delas serão expostas a seguir.

O ideal. correlações. Com a moderna tecnologia de utilização conjunta de aditivos químicos Mais adiante veremos algumas superplastificantes e aditivos minerais de grande finura.. A resistência à compressão usual em obras de edificações situa-se geralmente na faixa de 20 a 25 MPa. e se estabeleça uma correlação ou razão de crescimento da resistência à compressão de um dado concreto ao longo do tempo. a resistência à compressão dos concretos costuma ser um pouco mais elevada. o mesmo acontecendo no concreto moldado in loco de obras de maior responsabilidade. para que o responsável técnico possa estimar. Em peças de concreto pré-moldado e/ou protendido. _______________________________________________________________________________ 131 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. como pontes. para cada concreto individualmente. o fck (resistência característica do concreto à compressão) especificado pelo calculista. entretanto. aos 28 dias. Geralmente é medida aos 28 dias de idade em corpos de prova cilíndricos. Atualmente em função de e poder usar prensas de menor capacidade e de facilidade de transporte dos CP’s.edu. Nada impede. Nas obras. Existem muitas relações de crescimento da resistência à compressão dos concretos. porém.Resistência à compressão A resistência à compressão é uma das características mais importantes dos concretos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por exemplo). é que elas sejam deduzidas caso a caso. Em função de custos e para a diminuição de seções (para ganhos de espaços. etc. já é possível obter-se resistências à compressão superiores a 100 MPa. com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. iniciando-se normalmente em 30 MPa. tem-se usado para os pilares resistências maiores (40 MPa. por exemplo. deduzidas por vários autores. que se meça a resistência à compressão em idades anteriores aos 28 dias. em especial em garagens). se o concreto atingirá. viadutos. já aos 3 ou 7 dias de idade. isto serve como balizamento. usa-se o molde cilíndrico de 10 x 20 cm (mantida a relação 1 para 2).

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em última análise. devido ao Prof. medida em corpos de prova com o formato de oito (8) ou com chapas coladas nas extremidades de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. • resistência à tração por compressão diametral de cilindros de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. _______________________________________________________________________________ 132 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz. Resistência à tração A resistência dos concretos à tração pode ser medida de três formas diferentes: • resistência à tração direta. não há necessidade de vários tipos de moldes nem procedimentos de moldagem nas obras e laboratórios. vai confirmar se o corpo de prova não foi submetido à compressão excêntrica. moldados.No ensaio de determinação da tensão de ruptura do concreto à compressão é muito importante a configuração de ruptura dos corpos de prova que. do prof. geralmente o ensaio é realizado em prismas de concreto. Este ensaio. A vantagem do ensaio por compressão diametral é que o corpo de prova é o mesmo utilizado no ensaio de compressão. Lobo Carneiro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. provocada por falta de ortogonalidade ou paralelismo entre as faces sujeitas à compressão. A norma brasileira (NBR 12142) usa o primeiro tipo. A tensão é aplicada pela prensa em dois pontos nos terços do comprimento ou em um ponto centralizado do corpo de prova. ou seja. Problemas relativos à variabilidade da resistência à compressão devido a ensaios podem ser visto em capítulo específico na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. é conhecido internacionalmente como "Ensaio Brasileiro". • resistência à tração na flexão. biapoiados em roletes cilíndricos de aço. medida em vigas prismáticas de concreto. ensaiados deitados na prensa de compressão.edu.

geralmente é pouco realizado.000 MPa. Como a determinação do módulo de elasticidade dos concretos é realizada através de um ensaio um pouco mais sofisticado. Módulo de elasticidade (E) É a relação entre a tensão e a deformação do concreto.A resistência dos concretos convencionais à tração geralmente é da ordem de um décimo da resistência à compressão. e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. possuam também equipamentos que _______________________________________________________________________________ 133 Concretos e Argamassas Prof.0 e 4. Para isso é necessário apenas que os corpos de prova. nos mesmos corpos de prova. É muito empregado no cálculo estrutural. para quando não se possui ensaios específicos Pode ser medido em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. nos concretos convencionais (20 a 40 MPa) . A regra geral do ensaio é a aplicação ao concreto de uma tensão conhecida e a medida da deformação do corpo de prova.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que exige precisão de equipamentos e de operadores. para determinar-se a deformação que sofrerá uma peça submetida a um determinado esforço de compressão. mais raramente ainda. Nos concretos convencionais. Coeficiente de Poisson É a relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal do concreto. determina uma fórmula para obtenção do “E” a partir do fck do concreto. realizado nas próprias obras. ou 20 GPa. no mesmo ensaio. o que significa dizer que. além de equipamentos que permitam a leitura da deformação longitudinal.0 MPa. durante os mesmos ciclos de carga. normalmente situa-se entre 2. A NBR 6118. Pode ser determinado (e geralmente é) em conjunto com o módulo de elasticidade.edu. é da ordem de 20.

pouco tempo depois. Por outras palavras.permitam a leitura simultânea das deformações transversais. o corpo de prova é carregado. apenas com a diferença de que o ciclo de carga é de longa duração. durante a realização do ensaio para a determinação do módulo de elasticidade.edu. O carregamento. como já se disse. basta dividir a deformação transversal pela longitudinal. e. Obtidos estes resultados. por exemplo. calcular a deformação transversal de um pilar submetido a uma compressão longitudinal.2. o carregamento é dito permanente. a relação entre um carregamento aplicado e a conseqüente deformação sofrida pelo material. Nos concretos correntes o coeficiente de Poisson geralmente situa-se em torno do valor 0. entretanto é relativamente rápido e a deformação é dita instantânea. Fluência O módulo de elasticidade de um material é. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A fluência é um fenômeno semelhante. descarregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e as deformações _______________________________________________________________________________ 134 Concretos e Argamassas Prof. e a deformação sofrida durante a carga geralmente desaparece na descarga. É o coeficiente de Poisson que permite.

os equipamentos empregados devem ser mais robustos e mais baratos. da deformação de uma viga causada pelo seu próprio peso (carga de peso próprio) que funciona como se fosse um carregamento permanentemente distribuído pela extensão da viga. ao longo do tempo. a fluência do concreto em esforços de compressão é levada em conta nos cálculos. o corpo de prova é submetido a uma carga que não é aliviada. não desaparecem quando a estrutura é descarregada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Pode ainda ser produzido pela ação de _______________________________________________________________________________ 135 Concretos e Argamassas Prof. É o caso. ou seja. A técnica de ensaio segue os mesmos princípios da de determinação do módulo de elasticidade.são sofridas pela estrutura ao longo do tempo idem. é possível calcular-se a deformação lenta que uma dada estrutura vai sofrer quando submetida a uma determinada carga permanente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. em grande parte. Conhecendo-se então o coeficiente de fluência de um determinado concreto. Periodicamente são realizadas medidas da deformação sofrida pelo corpo de prova. Desgaste por abrasão O desgaste por abrasão de uma superfície de concreto é provocado em geral pelo tráfego de pessoas e veículos. já que estarão indisponíveis por um período de tempo muito maior. bem como pelo impacto e atrito causado pelo arrastamento de partículas e objetos soltos. Os corpos de prova em geral são parecidos ou mesmo iguais aos empregados na determinação do módulo de elasticidade dos concretos. Por ser um ensaio que geralmente dura vários anos. e. minorando a resistência em fator multiplicador de 0. Na norma brasileira NBR 6118. por exemplo. apenas com a diferença de que ao invés de serem realizados ciclos de carga e descarga. a uma carga permanente. A fluência é então a deformação sofrida por uma estrutura quando submetida.85. é mantida ao longo do tempo.

Existem vários tipos diferentes de aparelhos para a determinação do desgaste sofrido pelo concreto quando solicitado por abrasão. até blocos de gelo. é importante registrar que este ensaio pode ser realizado com o propósito inverso. Sabendo-se a tensão de tração aplicada na armadura e registrando-a em cinco pontos de deslocamento pré-fixado.ou na água . embora nenhum deles tenha aceitação unânime internacional. Os corpos de prova geralmente são constituídos por uma barra de armadura incorporada a um cubo de concreto ao longo de um comprimento conhecido. Para finalizar. Aderência por arrancamento É a medida da aderência de um tipo padrão de barra de armadura a vários tipos diferentes de concreto. onde a água. porém incorporando os diversos tipos de armaduras cuja aderência se quer medir comparativamente.caso de canais. onde o vento geralmente carrega muitas partículas de areia . é possível tracioná-la em uma das extremidades e medir o seu deslocamento no interior do cubo de concreto na outra extremidade. pilares de pontes e pernas de plataformas de petróleo.casos de construções e monumentos no deserto ou em região praiana. principalmente nas aplicações em pavimentos como os de estradas e pontes. ou seja. é possível calcular-se a tensão nominal média de aderência que cada concreto imprimiu à barra metálica padrão. com o objetivo de aferir a aderência de um determinado tipo de armadura de aço a um determinado tipo padrão de concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. eventualmente. Basta moldar vários corpos de prova com o mesmo concreto. além de areia. É importante. em pisos industriais e em obras hidráulicas como os vertedouros de barragens.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .partículas suspensas no ar .edu. Como a barra atravessa o cubo. contudo determinar-se a resistência do concreto à abrasão. _______________________________________________________________________________ 136 Concretos e Argamassas Prof. pode carregar partículas de maiores dimensões e.

Fatores que afetam a resistência mecânica São muitos os fatores que afetam as resistência mecânicas do concreto.Esta aderência na parte de cálculo e análise estrutural é muito importante e a NBR 6118 determina a valor de cálculo a partir do fck do concreto. curado em água (cura adequada) depende de apenas dois fatores: • • Relação a/c Grau de adensamento _______________________________________________________________________________ 137 Concretos e Argamassas Prof. quando não se realizou ensaios específicos. RESISTÊNCIA DO CONCRETO PARÂMETROS DA AMOSTRA DIMENSÕES GEOMETRIA ESTADO DE UMIDADE RESISTÊNCIA DAS FASES COMPONENTES PARÂMETROS DE CARREGAMENTO TIPO DE TENSÃO VELOCIDADE DE APLICAÇÃO POROSIDADE DA MATRIZ FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE HIDRATAÇÃO POROSIDADE DO AGREGADO POROSIDADE DA ZONA DE TRANSIÇÃO FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE COMPACTAÇÃO GRAU DE HIDRATAÇÃO INTEGRAÇÃO QUÍMICA ENTRE AGREGADO E PASTA Na prática da engenharia considera-se que a resistência de um concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .60 0. Fator a/c indicado para alguns casos Concreto em obras normais (fck 20 MPa).54 0.65 a 0.Quando o concreto está plenamente adensado (nem mais nem menos).54 a 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. exposto Concreto em contato com água sob pressão Concreto em contato com meio agressivo 0.65 0. A B valor na ordem de 1000 varia com a idade e qualidade do aglomerante (cimento) É o principal fator a ser controlado quando se deseja atingir determinada resistência. Não é linear.edu.48 a 0.60 a 0. a) Relação água cimento (a/c) Lei de Abrams: f cj = A B a c A resistência é inversamente proporcional à relação água cimento. revestido e interno Concreto em obras normais (fck 20 MPa). considera-se a resistência mecânica como inversamente proporcional à relação a/c.70 _______________________________________________________________________________ 138 Concretos e Argamassas Prof.

justificado pela menor aderência entre pasta/agregado porém concretos com seixos permitem uma trabalhabilidade melhor o que possibilitaria diminuir o a/c havendo conseqüente aumento de resistência. em especial aos cimentos pozolânicos. Concretos com britas de menor diâmetro tendem a gerar concretos mais resistentes.05 a 1. Idade padrão para referenciar a resistência: 28 dias • fc28 = 1.5 fc3 • fc90 = 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.b) Idade A resistência do concreto progride com a idade. _______________________________________________________________________________ 139 Concretos e Argamassas Prof.25 a 1.35 fc28 Adiante vemos tabela que relaciona relação a/c. os concretos com seixos tendem a ser menos resistentes que concreto com pedra britada.edu.10 a 1. mantida a relação a/c porém concreto com britas maiores é mais econômico (necessita menos argamassa).70 a 2. tipo de cimento e idade c) Forma e graduação dos agregados Em igualdade de relação a/c. É explicado pelo mecanismo de hidratação do cimento que se processa ao longo do tempo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .20 fc28 • fc365 = 1.5 fc7 • fc28 = 1.

49 0.00 91d 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.00 1.35 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .00 1.60 0.36 0.00 1.28 0.38 1.43 7d 0.66 0.71 0.50 0.13 CP II-E CP II-Z CP II-F CP III CP IV CP V _______________________________________________________________________________ 140 Concretos e Argamassas Prof.17 1.23 1.06 1.68 0.62 0.31 1.58 0.40 0.78 fc28 Mpa 43 35 28 23 18 40 33 27 22 18 51 40 32 26 20 40 31 25 20 15 55 42 36 29 23 Coeficiente médio fcj / fc28 3d 0.48 0.29 0.34 1.30 1.61 0.78 0.54 0.00 1.40 0.48 0.58 0.74 0.00 1.edu.48 0.38 0.42 0.25 1.00 1.25 1.00 1.38 0.14 1.72 0.78 0.32 0.00 1.68 0.00 1.46 0.00 1.77 0.00 1.69 0.00 1.11 1.52 0.68 0.36 0.38 0.38 0.58 0.64 0.21 1.68 0.78 0.48 0.55 0.00 1.61 0.68 0.26 1.26 0.82 0.00 1.48 0.58 0.00 1.48 0.26 1.78 0.86 0.00 1.00 1.28 1.22 0.00 1.16 1.18 1.51 0.54 0.34 0.47 0.53 0.57 0.71 0.62 0.00 1.69 0.50 0.48 0.26 1.Evolução da resistência com o tempo em função da relação a/c Cimento CP I CP I-S Relação a/c 0.00 1.71 0.04 1.35 0.20 1.38 0.00 1.58 0.00 1.16 1.22 1.60 28d 1.69 0.38 0.08 1.00 1.70 0.00 1.16 1.60 0.

000 quindins. Uma doceria produz massa para 300 quindins por dia. nestes dois dias. de toda a produção. ficou bem abaixo de 5%. que amostra o concreto a cada 50 m3. a cada 50 quindins. O teste na padaria é feito para pelo menos o equivalente a 6 quindins.20 x 300 x 2 = 120 quindins defeituosos nestes dois dias.serve apenas para que ela garanta a uniformidade da produção como um todo. Por exemplo: Produção mensal: 9. mistura conforme).33% < 5%. A qualidade tem que garantir que pelo menos 95% da massa atinja uma qualidade ideal de mistura homogênea. etc. Conclusão: A Norma que vale para o controle das obras é a NBR 12655. Resumindo: • • A produção de uma usina de concreto é controlada pelo seu todo. apresentou neste mês uma quantidade pouco maior de quindins não-conformes. massa para 60 quindins por dia a cada uma. O controle da concreteira que adota a NBR 7212 . algumas padarias receberam em sua cota diária de 60 quindins. Defeituosos: 400 quindins (4. a cada lote concretado.CONTROLE E ACEITAÇÃO DO CONCRETO Introdução Antes de abordarmos o assunto vemos ver de como o bem humorado Eng. ou farinha molhada. Controle Tecnológico do concreto e os quindins Para abordar este assunto vou falar a respeito da produção de uma massa: a massa de quindins (isto aí. misturas com parcela defeituosa de 20%. ou ovo. algumas até 7 e até 12 quindins defeituosos. mas o valor final. Egydio Herve Neto aborda o assunto do controle do concreto em obra x concreteira. A concretagem de uma obra deve ser feita usando-se a NBR 12655. Defeituosos:2 quindins (3. Suponha-se agora que num determinado dia a doceria tenha sido particularmente desastrada. mistura conforme). mesmo que a concreteira possua conformidade pela NBR 7212.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Fornece às padarias. isto equivaleria a produzir 0. ou tenha recebido uma partida com ovos estragados. algo que gerou durante dois dias. Isto significa uma fração defeituosa máxima de 5%. O teste na doceria é feito pela retirada de uma amostra da massa a cada volume equivalente a 50 quindins. inclusive algumas reclamações por intoxicação e riscos à saúde. ou coco. A quantidade de quindins defeituosos ao final do mês informa se a porcentagem defeituosa foi respeitada. Por exemplo: Entrega diária: 60 quindins. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O segundo verifica se a mistura foi boa e não há pontos de concentração de farinha. aquele doce).edu. com amostragem de no mínimo 6 exemplares (muito maior que a concreteira) e pode apresentar-se não-conforme. Dois testes são feitos na massa: teste de plasticidade e teste de homogeneidade. A amostragem da doceria.44% < 5%. usando-se a Norma NBR 7212. ou seja. a produção mensal mostrou-se estritamente conforme! Entretanto. enfim. _______________________________________________________________________________ 141 Concretos e Argamassas Prof. O primeiro verifica se a massa tem a consistência ideal. aumentando suas chances de aceitação nas obras. Ora. volume aplicado em um dia. resultando em grande prejuízo perante os clientes.

Então. duas perguntas: Por que controlar o concreto? • • Para garantir que o fckest ≥ fck Porquê é obrigatório por norma O que devemos controlar? • As propriedades do concreto fresco e do concreto endurecido O controle das propriedades do concreto fresco foi estudado anteriormente em capítulo específico. inicialmente. volumes lançados e propriedades que se deseja medir. aonde vimos que normalmente controlamos a trabalhabilidade (consistência + coesão). levantar elementos que permitam verificar a conformidade do concreto fornecido com o concreto especificado e estudado. _______________________________________________________________________________ 142 Concretos e Argamassas Prof. Os dados obtidos serão submetidos a análise e em função das mesmas serão estabelecidas as correções necessárias ou melhorias que possam ser introduzidas. O controle tecnológico do concreto é regido pela NBR 12655 e veremos adiante alguns aspectos relativos a ela. com a medição do abatimento (slump test).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. durante a produção. Para o concreto endurecido normalmente controla-se à resistência à compressão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Deve ser definido o plano de amostragem a ser adotado em função das peças a serem concretadas. Controle Tecnológico O controle tecnológico é a atividade que tem por objetivo.

Estes dois CP’s são rompidos e obtidos dois resultados de resistência à compressão do concreto. sempre aos pares. para cada idade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. para uma determinada idade.edu. devemos ter 12 amostras tiradas de diferentes betonadas. determina que deva sempre se ter para cada amostra de concreto. dois corpos de prova. devemos ter 24 CP’s. O valor representativo desta amostra é o maior valor dos dois resultados resistência potencial do concreto Assim se para representarmos estatisticamente a resistência de um concreto produzido para uma obra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 143 Concretos e Argamassas Prof.Resistência à compressão através dos Corpos-de-prova A NBR 5739 em conjunto com a NBR 12655.

os diversos resultados ( xi ) podem ter maior ou menor dispersão (afastamento da média). Já nos ensaios. passa a existir maior ou menor afastamento de cada um deles em relação à média do conjunto. o lançamento é adequado. _______________________________________________________________________________ 144 Concretos e Argamassas Prof. mas como os resultados são diferentes uns dos outros. Ocorre que normalmente não temos todos esses valores – somente uma parte do universo. mas que dificilmente não irá atingir na obra em função das perdas durante as operações de transporte. o adensamento é o melhor possível e a cura otimizada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. adensamento e cura.O conceito de resistência potencial do concreto pode ser visto no gráfico acima. onde vemos que é a resistência que potencialmente um determinado concreto pode ter. ou seja. Média ( X ) o valor em torno do qual se concentram os resultados. A dispersão é avaliada pela fórmula da variança (s2) : s2 = ( X − xi ) 2 ∑ i =1 n n Essas fórmulas seriam aplicadas estatisticamente para representar todo o universo de dados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . não há transporte. Resumo de estatística Universo conjunto de resultados. É o valor médio de todos eles.edu. todas estas etapas são otimizadas. lançamento. No projeto esta diferença é levada em conta nos chamadas coeficientes de segurança dos materiais. Número de resultados (n) Dispersão : em volta da média.

sendo este uma medida reconhecida de dispersão de valores. Para atingir fck devemos produzir um concreto (virado em obra ou em central) maior de tal maneira que as perdas da resistência ocorridas durante as etapas de transporte. com infinitas amostras. seja compensadas. Resistência de dosagem Então temos que produzir um concreto com resistência de valor maior que o fck. Resistência de projeto (fck) Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). podendo ser representado pelo desvio padrão. Estas perdas dependem do controle que fazemos no concreto e são representadas pelo desvio padrão. Inicialmente sabemos que num universo de dados. adensamento e cura.edu. os resultados variam em torno de uma média de valores. No Brasil. lançamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . este valor é determinado estatisticamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Quanto o mais deve ser este valor? Depende o grau de confiabilidade e precisão (traduzindo por segurança) que queremos em nossa estrutura.Então. as fórmulas estatísticas são alteradas para que seja representada pelo desvio-padrão (σ). Plotando-se isto _______________________________________________________________________________ 145 Concretos e Argamassas Prof.

65) .edu. levando-se em conta o desvio-padrão “t” de Student ( t= 1. Pretende-se então que quando rompermos os CP’s. pelo menos 95% destes valores estejam acima do valor do fck. considerando-se a média e o desvio-padrão. Conceitos estatísticos nos dão o quanto este valor deve-se ser maior que a média.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .num gráfico de densidade de frequência x resistência (fc) temos uma curva de distribuição normal (curva de Gauss). fcj = fck + 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.65 x Sd sendo Sd = desvio padrão _______________________________________________________________________________ 146 Concretos e Argamassas Prof.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0 MPa Exemplo prático da vantagem do controle Considerando os valores sugeridos pelos autores para os desvios padrão relativos aos graus de controle do concreto.Resistência de projeto x resistência de dosagem Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). bom e ótimo a necessidade de se ter um determinado valor do fcj a ser atingido na resistência de dosagem para poder atingir o fck na estrutura _______________________________________________________________________________ 147 Concretos e Argamassas Prof. Este valor é o que chamamos de resistência de dosagem do concreto (fcj) e irá depender do controle de qualidade de cada empresa. quer seja de 20. Para um determinado número de ensaios dos CP realizados para a comprovação do concreto elaborado pela empresa.0 MPa Sd = 5. 30 ou 40 MPa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Para que pelo menos 95 % dos valores de resistência do concreto (ensaios) tenham este valor.5 MPa Sd = 4. seguindo os valores indicados por vários autores • • • • Controle ruim Concreto médio Concreto bom Controle máximo Sd = 7. médio.65 x Sd Sd = desvio padrão Alguns exemplos. nos controles ruim. temos para um determinado concreto de obra. Com o uso de ferramentas estatísticas chega-se a esta fórmula fcj = fck + 1. haverá um valor médio e um desvio padrão de produção.0 MPa Sd = 2. devemos então fazer o concreto com um valor acima do fck.

08 46. e sabendo que para cada MPa de redução da resistência pode representar uma diminuição de 6 kg de cimento e considerando o preço do saco de 50 kg como sendo de R$ 25. Num prédio normal de 10 andares que consome na média 750 m3 de concreto a redução com concreto efetivo do processo de produção e um estudo de dosagem representa uma economia de R$ 11.60 23.00 por m3 de concreto.30 51.55 49.00.55 39.60 33.30 41.60 46.30 Sabendo que o maior responsável pelo custo do concreto é o cimento.00 só no concreto.Valores de fcj (MPa) a ser produzido para atingir o fck em função do grau de controle utilizado Controle fck 20 MPa fck 30 MPa fck 40 MPa Ruim Médio Bom Máximo 31. determinamos o fckest É regulado pela NBR 12655 que identifica dois tipos de controle de resistência _______________________________________________________________________________ 148 Concretos e Argamassas Prof.500. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.08 36. Aceitação do concreto O controle de aceitação é necessário para sabermos se determinado concreto que foi colocado na estrutura atingiu a resistência esperada ou não e saber se devemos tomar providências ou não.00 / saco temos uma redução de 30 kg de cimento para um controle ruim para bom o que representa uma redução de valor de R$ 15.55 29.250. Ou seja.08 26. para um custo de controle e de ensaios de dosagem na ordem de R$ 1. CONCLUSÃO VALE A PELA CONTROLAR CONCRETO.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

mesmos procedimentos e mesmo equipamento). as amostras devem ser de no mínimo seis exemplares para concretos convencionais.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mostra os valores para a formação de lotes do concreto Solicitação principal dos elementos estruturais Compressão ou Flexão simples compressão e flexão 50 m3 100 m3 1 3 dias concretagem 1 Limites superiores Volume / concreto Nº de andares Tempo de concretagem 1) Controle por amostragem parcial Neste tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas de concreto. Um lote de concreto é um volume definido. com número de exemplares (par de CP’s) de acordo com o tipo de controle. De cada lote deve ser retirada uma amostra. a) Para lotes com número de exemplares 6 ≤ n < 20. este terceiro tipo somente é aceito para casos Inicialmente dividimos a obra a ser concretada em lotes.• Por amostragem parcial (dividido ainda em para menos de 20 amostras ou mais de 20 amostras) • • Por amostragem total Controle excepcional especiais. para a amostragem. elaborado e aplicado sob condições uniformes (mesma classe. A tabela a seguir. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mesma família. o valor do fckest na idade especificada é dado por: _______________________________________________________________________________ 149 Concretos e Argamassas Prof. na NBR 12655.

.f ckest Onde : f1 + f 2 + . agregados em volume.. _______________________________________________________________________________ 150 Concretos e Argamassas Prof. .edu. fm Despreza-se o valor mais alto de n.. em ordem crescente Também não se deve tomar para fckest valor menor que seguinte. + f m −1 − fm = 2× m −1 m = n/2 . Ψ6 .. admitindo-se interpolação linear. água em massa e corrigida em função da estimativa da umidade de areia e da determinação da consistência do concreto..br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . levando-se e conta a umidade da areia) Condição C: cimento em massa. f2. se for ímpar valores das resitências dos exemplares. f 1 obtidos na tabela Observação: As condições de preparo da tabela anterior são: Condição A: cimento e agregados e água medidos em massa sendo a água corrigida em função da umidade dos agregados Condição B: cimento medido em massa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. água em massa e agregados em massa combinado com volume (conversão de massa para volume de maneira confiável. f1.

_______________________________________________________________________________ 151 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . f ckest = f i i = 0.b) Para lotes com número de exemplares n ≥ 20 f ckest = f cm −1. Não há limitação para o número de exemplares do lote e o valor estimado da resistência característica é dado por: a) para n ≤ 20.edu. calculado com um grau de liberdade a menos (n-1) (MPa) 2) Controle por amostragem total (100%) Consiste no ensaio de exemplares de cada amassada de concreto e aplica-se a casos especiais.05 n. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a critério do responsável técnico pela obra. f ckest = f1 a) para Onde : n > 20. Quando o valor de i for fracionário adota-se o número inteiro imediatamente superior. S d Onde : fcm Sd é a resistência média dos exemplares do lote (MPa) é o desvio padrão da amostra de n elementos.65 .

3) Casos excepcionais Pode-se dividir a estrutura em lotes correspondentes a no máximo 10 m3 e amostrálos com número de exemplares entre 2 e 5. denominados excepcionais. f1 Aceitação do concreto Os lotes de concreto devem ser aceitos. satisfazer a relação f ckest ≥ f ck O que fazer se não for atendida esta relação? Aguardem os próximos capítulos (disciplinas) _______________________________________________________________________________ 152 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. o valor estimado da resistência característica é dado por: f ckest = Ψ6 . Neste casos. quando o valor estimado da resistência característica.

P. • • em 1990 esta previsão foi revista para 200 bilhões de dólares.000 apresentam problemas. Mais recentemente.U. da Universidade de Berkeley (E. Paulo Monteiro. em Punta Del Este (Uruguai). a um custo estimado de 20 bilhões de dólares.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em 1997.U.A. existem 500. 22. • esta quantidade está aumentando à ordem de 35. até 1987 haviam sido constatados problemas de durabilidade em 253. das quais 250. • no início da década de 80.000 pontes. _______________________________________________________________________________ 153 Concretos e Argamassas Prof.000 pontes de concreto encontram-se em recuperação. que complementam os anteriores: • • nos E.). também da Universidade de Berkeley. o Prof.A.000 tabuleiros por ano.000 tabuleiros de ponte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.A.K. apresentou novos dados.000 seriam gastos 100 bilhões de dólares só na recuperação e reforço de pontes. colocaram que nos países industrializados mais de 40% dos recursos da indústria da construção são aplicados no reparo e manutenção de estruturas existentes. o setor de recuperação estrutural cresceu 2 vezes mais que a construção civil. em palestra realizada no Rio de Janeiro.U. a Federal Highway Administration previu que até o ano 2. na década de 80.DURABILIDADE Introdução e importância Ao autores Mehta e Monteiro (1994). no momento. Já em 1997 o Prof.edu. apresentou os seguintes dados: • nos E. Mehta. dia 13/11/2000. em palestra realizada nas XXIX Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural.. o problema principal é a corrosão de armaduras.

a durabilidade passa a ser outra característica cada vez mais exigida do concreto. isto significa que a durabilidade das estruturas de concreto é um assunto muito importante. os desertos e os mares.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .A.A. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ataques químicos. qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao seu meio ambiente.• os E. nos E. atual. • existem no momento. abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. em breve estarão gastando mais dinheiro na recuperação das pontes existentes do que na construção de novas pontes. isto é. mas já não são mais suficientes como única forma de qualificação deste material de construção. Durabilidade é a capacidade de resistir à ação das intempéries. em média. 150 barragens de grande porte com problemas de reação álcali-agregado. em escala mundial. Conceito De acordo com a norma americana ACI 201 de 1991. como as regiões polares.U.. desde 1999. • o custo de recuperação logo que surgem os primeiros sinais de corrosão é. Então está mais do que na hora dos engenheiros tomarem conta do aspecto durabilidade em projetos de estruturas de concreto. e que envolve números muito grandes.edu.U. e no Canadá. Isto já ocorre na Inglaterra. o concreto durável conservará a sua forma original. as resistências mecânicas do concreto estrutural continuam sendo necessárias. Nestes casos. Pode-se dizer que o material atingiu o fim da sua vida útil quando suas propriedades sob dadas condições de uso deterioram a um tal ponto que a continuação do uso _______________________________________________________________________________ 154 Concretos e Argamassas Prof. 15 vezes menor do que o custo de recuperação depois que a corrosão se propaga. desde 1995. assim como mais de 1000 pontes. Trocando em miúdos. O tema cresce ainda mais em importância a partir do momento que a construção civil começa a estar cada vez mais presente em ambientes agressivos.

_______________________________________________________________________________ 155 Concretos e Argamassas Prof. movimentação de fundações. etc. os sulfatos. EXTERNAS: • ações mecânicas. evaporação da água do concreto ou ciclos alternados de congelamento e degelo (quando a expansão volumétrica da água. uma vida útil longa Formas mais comuns de ataque ao concreto estrutural INTERNAS: • expansão provocada pela reação de determinados tipos de agregados com os álcalis do cimento. • variações de temperatura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ou antieconômica é sinônimo de durabilidade. bem como a cristalização de sais nos seus poros.edu. como sobrecargas. o gás carbônico. chega a 9%). impacto. como insegura.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. na passagem do estado líquido para o sólido. etc. abrasão. que podem provocar fissuração de origem térmica. fadiga.deste material é considerada. os ácidos em geral. como os cloretos. • variações de umidade. e até as águas muito puras. • ataques de substâncias químicas agressivas. que podem provocar a perda de água e a instabilidade volumétrica dos concretos. • expansão provocada pela contaminação de agregados com cloretos sulfatos.

isoladamente. bem como do proporcionamento relativo dessas duas fases do concreto. alteração. b) dosagem. g) idade do concreto. f) condições de cura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e) intensidade e direção da compactação. levam o concreto à fissuração. podem provocar vários mecanismos de ataque que. Depende ainda de: a) natureza e dimensão dos agregados. reação química. d) presença de aditivos químicos e minerais na composição do concreto. em geral. e até ao colapso estrutural.Essas formas de ataque. degradação. _______________________________________________________________________________ 156 Concretos e Argamassas Prof. natureza e granulometria do cimento. expansão. c) fator A/C. ou em conjunto.edu. sem dúvida. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Características do concreto relacionadas a durabilidade PERMEABILIDADE Permeabilidade é definida como a propriedade que governa a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso A permeabilidade do concreto é função das permeabilidades da pasta de cimento e dos agregados. a corrosão das armaduras. Muitos pesquisadores consideram a corrosão das armaduras como o estado limite mais crítico sob o ponto de vista da durabilidade das estruturas. Uma das mais sérias conseqüências dos ataques sofridos pelo concreto estrutural armado é.

com o passar do tempo. contribuindo para a redução da permeabilidade.Influência da pasta Para um mesmo grau de hidratação. menor o espaço disponível para o gel e. para uma mesma relação água/cimento. Sabe-se que. a forma de seus grãos e seu comportamento quando da adição da água. forçando-o a circunscrever as partículas do agregado. Para que isso ocorra. Neste caso. deve ser estudada o teor de finos necessário. sua presença prolonga o trajeto do fluxo. somente neste aspecto afeta permeabilidade. granulometrias descontínuas são mais indicadas. Quanto maior o grau de hidratação da pasta. Em nossa região é muito difícil ter-se agregados com grande porosidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Influência do agregado Se o agregado de um concreto tem baixa permeabilidade a área onde o fluxo de água pode ocorrer é reduzida e. Para reduzir o volume de vazios do agregado. Normalmente a permeabilidade do agregado é menor do que a da pasta de cimento típica (< 3%). cimentos com menor área específica produzem concretos com mais porosidade que cimentos mais finos.edu. _______________________________________________________________________________ 157 Concretos e Argamassas Prof. a permeabilidade do concreto é menor quanto menor for a relação água/cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . menor que 100 µm e perdem suas interconexões). No concreto bem curado a pasta de cimento não é o principal fator a contribuir para o coeficiente de permeabilidade A composição do cimento tem influência na velocidade de hidratação e. Concretos impermeáveis podem necessitar de uma quantidade de finos maior que a usualmente tolerada nos concretos normais. menor a permeabilidade (os poros reduzem a um tamanho pequeno. conseqüentemente. é fundamental a cura do concreto. embora possam produzir problemas em sua trabalhabilidade.

gerando as fissuras nesta região.Influência no concreto Considerando agora o concreto. quanto maio o tamanho do agregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Pode-se dizer que a permeabilidade do concreto ou da argamassa é maior que a permeabilidade da pasta devido a presença de microfissuras presentes na fase de transição entre agregado e a pasta de cimento. Zona de transição agregado – representação gráfica _______________________________________________________________________________ 158 Concretos e Argamassas Prof. Na figura a seguir observa-se a fase ou zona de transição onde vemos uma maior presença de etringita (que é expansiva) que o composto endurecedor C-S-H. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. maior o coeficiente de permeabilidade.

edu. Ex: Desgaste de pavimentos e pisos industriais pelo tráfego _______________________________________________________________________________ 159 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Causas de deterioração do concreto CAUSAS FÍSICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO DESGASTE DA SUPERFÍCIE FISSURAÇÃO ABRASÃO EROSÃO CAVITAÇÃO MUDANÇAS DE VOLUME CARGA EXPOSIÇÃO ESTRUTURAL A EXTREMOS CAUSAS QUÍMICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO HIDRÓLISE DOS COMPONENTES DA PASTA DE CIMENTO TROCAS IÔNICAS ENTRE FLUIDOS AGRESSIVOS E A PASTA DE CIMENTO REAÇÕES CAUSADORAS DE PRODUTOS EXPANSIVOS Desgaste da superfície Pode ter: Abrasão de veículos atrito seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

não possui alta resistência ao atrito Para superfícies normais de concreto (não em condições severas). como por exemplo. Tubulações para transporte de água e esgotos Cavitação Perda de massa pela formação de bolhas de vapor e sua ruptura de direção em águas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. onde temos uma superfície em contato com o meio agressivo e a outra superfície sujeita a evaporação.podemos melhorar a resistência à abrasão. Como medida adicional para aumentar a durabilidade da superfície. Para condições mais severas de abrasão e erosão.edu. Ex: Tubulações com devida a mudança repentina irregularidades na superfície do revestimento Cabe comentar que a pasta de cimento com alta porosidade e baixa resistência e com agregados que não possui resistência ao desgaste. maior que 28 MPa.Erosão Desgaste pela ação abrasiva de fluidos contendo partículas sólidas em suspensão Ex: Revestimento de canais. ter uma resistência à compressão aos 28 dias maior que 40 MPa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . num muro de concreto. tendo concretos com resistência . combinada com uma cura úmida por sete dias ou mais. devemos lançar mão de usar agregados de alta dureza (tipo Korodur). Fissuração interna Podemos ter uma fissuração pela ação da cristalização de sais nos poros do concreto. Em especial os sulfatos. ou seja. por serem expansivos. A água em solução salina irá penetrar e deteriorar o material por tensões internas resultante da pressa o dos sais. postergando (atrasando) o desempenamento. que podem causar danos consideráveis. uma baixa relação a/c. até que a superfície tenha perdido a água de exsudação superficial (sem a nata porosa). _______________________________________________________________________________ 160 Concretos e Argamassas Prof. agregados menores que 25 mm e com uma distribuição granulométrica adequada e uma baixa consistência de lançamento e adensamento. devemos reduzir a formação da nata superficial.

dos tamanhos dos agregados. Os danos podem ser variáveis.Ação do congelamento Situação típica para climas frios e superfícies de concreto expostas. porém com repetidas vezes Fissuração e destacamento na situação de gelo-degelo. de sua permeabilidade e da umidade presente nestes agregados. tais como pavimentos de concreto. pontes. mas mais comum temos: Fissuração simples ruptura por ação expansiva do gelo no interior do concreto mesma situação anterior. Destacamento superfícies expostas descamam ou destacam Ação do fogo O concreto é incombustível e não emite gases tóxicos e quando exposto a altas temperaturas comum num incêndio (± 800 a 850 oC ) é capaz de manter a resistência por períodos longos Efeito da alta temperatura na pasta de cimento Esta depende do grau de hidratação da pasta. etc. ou seja. muros de arrimo. Efeito da alta temperatura no agregado Agregados porosos podem causar expansões destrutivas (pipocamento) dependendo da taxa de aquecimento. _______________________________________________________________________________ 161 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quanto dos grãos reagiram com a água e da umidade presente na pasta na hora do incêndio.edu.

usualmente da atmosfera nos materiais cimentícios. A carbonatação em sim não é uma ação deletéria.0) A taxa em que o agente agressivo irá agir.edu.em águas subterrâneas e águas do mar e o íon H+ em águas industriais . porém abre caminho para que a corrosão das armaduras se processe. Carbonatação é um termo utilizado para descrever o efeito do dióxido de carbono. mostrou que se tinha pouco efeito na porcentagem da resistência a compressão retida após a exposição a altas temperaturas. O concreto é um meio normalmente alcalino.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Deterioração por ações químicas Estas ações são as interações químicas entre agentes agressivos presentes no meio externo e os constituintes da pasta de cimento.Efeito da alta temperatura no concreto A resistência original do concreto. da corrosão. apesar de que carbonatação x corrosão não estão inexoravelmente interligados. Este pH alcalino protege as armaduras presentes no concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Fatores que podem diminuir o pH do concreto são o CO2 em águas puras e estagnadas e do ar.5. Carbonatação O processo mais comum para reduzir o pH do concreto é a carbonatação do concreto. irá depender do pH do agente agressivo (normalmente um fluido seja líquido ou gasoso) e da permeabilidade do concreto. o SO4-2 e Cl. K e OH .5 e 13. devido a presença de íons Na . + + - _______________________________________________________________________________ 162 Concretos e Argamassas Prof. pois esta se manifesta em meios neutros ou levemente alcalinos (pH menor que 9. para estudos feitos entre 23 e 45 MPa. com pH entre 12.

_______________________________________________________________________________ 163 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

R. exsudação de gel e redução das resistências a compressão e tração. álcali-silicato granitos. É uma reação (cria-se um gel) que provoca expansões.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Alguns fatores que influenciam na velocidade e profundidade de carbonatação do concreto são: • • • • • • • • Idade do concreto Relação a/c Caracteristicas do agregado Meio ambiente e grau de exposição Duração e condições de cura Umidade relativa do ar Fissuras etc Reações álcalis – agregado (RAA) RAA é um processo químico em que alguns constituintes mineralógicos do agregado reagem com hidróxidos alcalinos (provenientes do cimento em especial) que estão dissolvidos na solução dos poros de concreto.edu. movimentações diferenciais nas estruturas. álcali-sílica R. _______________________________________________________________________________ 164 Concretos e Argamassas Prof. álcali-carbonato agregados calcário dolomítico x hidróxidos alcalinos sílica amorfa x hidróxidos alcalinos idem anterior. mas mais lenta (rochas de felspatos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quartzitos) R.

Vemos na figura acima a presença das bordas de reação bem definidas e presença de gel gretado na interface pasta-agregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Na figura acima vemos um bloco de fundação.edu. onde ocorreu fissuração devido as reações expansivas álcali-agregados _______________________________________________________________________________ 165 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

que serão vistas adiante nas disciplinas de estrutura de concreto _______________________________________________________________________________ 166 Concretos e Argamassas Prof. respeitando-se o mínimo consumo de cimento e o máximo valor da relação água/cimento compatíveis com a boa durabilidade do concreto.Exigências de durabilidade Inicialmente vejamos como as normas brasileiras tratam da durabilidade das estruturas de concreto Versão da NBR 6118 (1980) Quando o concreto for usado em ambiente reconhecidamente agressivo. há dois capítulos dedicados a questão da durabilidade das estruturas. estabilidade e aptidão em serviço durante um período mínimo de 50 anos. Era isto e tão somente assim tratada a questão da durabilidade nesta versão!!! Versão da NBR 6118 (2001) As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nesta atual norma. estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. NBR 6118 (2003) – Versão final As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança.edu. deverão ser tomados cuidados especiais em relação à escolha dos materiais constituintes. sem exigir medidas extras de manutenção e reparo.

Adoção de Manutenção Preventiva _______________________________________________________________________________ 167 Concretos e Argamassas Prof. levando-se em conta: 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. teor de argamassa. Adoção de a) Propriedades dos materiais: tipo de concreto.Vejamos como a norma inglesa “BS 7543.Guide to Durability of Buildings and Building Elements. b) Geometria dos elementos: cobrimento 4. relação água/cimento.edu. Classificação da Agressividade Ambiental 2. tem que ser realizado um projeto de durabilidade. Products and Components” trata do tempo de vida útil das estruturas de concreto Então. Adoção de Condições de Trabalho 3. tipo de cimento. 1992 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . etc mínimo. assim como na equivalência à segurança estrutural.

para reduzir ao mínimo a fissuração. bem como um máximo que evite problemas como a fissuração provocada pela liberação do calor de hidratação. deve-se detalhar adequadamente os diâmetros e espaçamentos das armaduras.Principais providências que podem ser tomadas para garantir a durabilidade de uma estrutura No projeto arquitetônico deve-se prever formas adequadas de escoamento e drenagem. sem prejuízo da trabalhabilidade do concreto. • em termos de quantidade de cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. deve-se especificar cobrimentos mínimos de armadura. • a natureza e a dosagem do cimento: o uso de cimentos especiais e/ou a substituição de parte do cimento por aditivos minerais. deve-se prever a localização de juntas de dilatação. a _______________________________________________________________________________ 168 Concretos e Argamassas Prof. deve empregar a menor relação (ou fator) a/c possível. a segregação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • em termos de dosagem de água. Na construção • deve-se realizar a escolha e dosagem dos materiais de acordo com as condições de exposição da estrutura. podem revelar-se importantes em relação à durabilidade da estrutura. A escolha do fator a/c adequado influencia as resistências mecânicas.de modo a permitir um completo preenchimento das fôrmas com concreto. mesmo quando consideradas insignificantes do ponto de vista estrutural. a exsudação.edu. Obs: Determinados tipos de fissuras. deve prever um mínimo necessário à obtenção das resistências mecânicas. evitando assim o peneiramento e o surgimento de “ninhos de abelha” ou “bicheiras”. que impeçam o acúmulo de líquidos agressivos. No projeto estrutural deve-se considerar todas as solicitações a que a estrutura estará submetida durante sua vida útil. compatíveis com as condições de exposição da estrutura e com a sua vida útil esperada.

deve-se contar com equipamentos e mão-de-obra adequados. a permeabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 169 Concretos e Argamassas Prof.retração. de modo a garantir um proporcionamento perfeito e uma manipulação que evite a segregação do material. etc. deve ser realizada de modo muito criterioso. • nos procedimentos de pesagem. etapas estas que influenciam a homogeneidade do concreto endurecido. • deve-se adotar procedimentos adequados de lançamento e adensamento. a porosidade. a porometria. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. transporte e lançamento do concreto. que constitui-se em um dos fatores principais para a garantia do desenvolvimento das resistências mecânicas e das características associadas com a durabilidade dos concretos. em suma. em especial na zona junto à superfície da peça concretada.edu. • o acabamento deve ser realizado com os equipamentos e a mão-de-obra adequados... influencia todos os parâmetros diretamente relacionados com a durabilidade dos concretos. a permeabilidade. etc. como a porosidade. com o mínimo de trabalho executado na superfície do concreto fresco. • a cura. com reflexos importantes na porosidade e na permeabilidade. mistura.

a dimensão (diâmetro) máxima característica do agregado graúdo e o abatimento do concreto fresco ( slump) no momento de entrega. estabelecem as condições específicas para o pedido do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pedido pelo consumo de cimento O concreto é solicitado especificando-se o consumo de cimento por m3 de concreto.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.PEDIDO DE CONCRETO Introdução A NBR 7212. _______________________________________________________________________________ 170 Concretos e Argamassas Prof. a dimensão (diâmetro) característica do agregado graúdo e o abatimento ( slump) do concreto fresco no momento da entrega. em conjunto com a NBR 14931. estabelecendo três formas principais e algumas exigências complementares: • Pedido pela resistência característica do concreto à compressão • Pedido pelo consumo de cimento • Pedido pela composição da mistura (traço) Pedido pela resistência característica do concreto à compressão O concreto é solicitado especificando-se a resistência característica do concreto à compressão.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. designado pela função ou denominação comercial. etc.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . resistividade e outras. módulo de deformação. como: retração.3: 3. c) aditivo. b) marca de cimento. se for o caso. permeabilidade. _______________________________________________________________________________ 171 Concretos e Argamassas Prof. temperatura do concreto. massa específica e outras.60 referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre ao total da massa de aglomerantes Exigências complementares Além das exigências constantes de cada modalidade de pedido. g) tipo de lançamento: bombeável. podem ser solicitadas outras características de parâmetros entre os quais: a) tipo de cimento.. autoadensável. f) teor de ar incorporado.edu. h) características especiais como: teor de argamassa ou de agregado miúdo. d) relação água-cimento máxima. e) consumo de cimento máximo ou mínimo. i) propriedades e condições especiais.Pedido pela composição da mistura (traço) O concreto é solicitado especificando-se as quantidades por m3 de cada um dos componentes. incluindo-se aditivos. fluência.2: 0. submerso. cor. TRAÇO Aditivos Adições A/C CI: AR: BR: A/C 1: 2.

além dos itens obrigatórios pelos dispositivos legais vigentes. devido à evaporação. deve conter: a) quantidade de cada componente do concreto. nem inferior a 1 m3. b) volume de concreto.edu. h) quantidade de água adicionada na central.Volume mínimo de entrega Deve ser fixado de acordo com as especificações do equipamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. desde que: a) antes de se proceder a esta adição. não se recomendando que esse volume seja inferior a 1/5 da capacidade do equipamento de mistura ou agitação. quando for o caso. e) dimensão máxima característica do agregado graúdo. antes do início da descarga. j) menção de todos os demais itens especificados no pedido. i) quantidade máxima de água a ser adicionada na obra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . g) aditivo utilizado. d) abatimento do tronco de cone ( slump). quando especificada. Documentos de entrega O documento de entrega que acompanha cada remessa de concreto. _______________________________________________________________________________ 172 Concretos e Argamassas Prof. f) resistência característica do concreto à compressão. c) hora de início da mistura (primeira adição de agua). o valor de abatimento obtido seja igual ou superior a 10 mm. Adição complementar de água Somente de admite adição suplementar de água para correção do abatimento.

Deve ser autorizada por elementos formalmente representantes das partes e tal fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. c) o abatimento após a correção não seja superior ao limite máximo especificado.b) esta correção não aumente o abatimento em mais de 25 mm. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. d) o tempo transcorrido entre a primeira adição de água aos materiais até o início da descarga não seja inferior a 15 min. A adição suplementar mantém a responsabilidade da empresa de serviços de concretagem.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pelas propriedades do concreto constantes no pedido.edu. Qualquer outra adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto exigidas no pedido e este fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. _______________________________________________________________________________ 173 Concretos e Argamassas Prof.

DOSAGEM DE CONCRETOS Introdução A dosagem é a determinação da quantidade de cada um dos materiais (proporcionamento dos materiais) para a produção de um metro cúbico de concreto. aditivos e adfições. Existem vários métodos para a determinação da dosagem. Então o objetivo geral de uma dosagem escolha dos materiais adequados entre é a busca para a melhor proporção entre cimento. os mais utilizados são: Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul (ITERS).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . resistência. O princípio da dosagem é fazer um balanço entre trabalhabilidade. (IPT) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). _______________________________________________________________________________ 174 Concretos e Argamassas Prof. agregados. é o método experimental do IPT. A escolha de um dos métodos é mais uma questão de adaptação ao tipo de concreto que se deseja produzir (trabalhabilidade) e aos materiais empregados. para fazer um concreto que atenda a aqueles disponíveis e a determinação da combinação mais econômica destes que produza um concreto que atenda a certas características de desempenho mínimo Como objetivos específicos temos: • Obter um produto que tenha um desempenho que atenda a certos requisitos previamente estabelecidos: Trabalhabilidade (concreto fresco) e Resistência (Concreto endurecido). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. no Brasil. que teve contribuições do método do ITERS. O mais utilizado. água. sendo que. Em todos os métodos não há um que tenha uma expressão matemática exata que defina a composição do concreto.A. Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Numa melhor definição de dosagem certa especificações prévias. durabilidade e economia.edu.

A consideração chave na dosagem do concreto é que o cimento responde pela maior parte do custo do mesmo. Teor de argamassa Aditivos . A consistência é a facilidade de fluir e a coesão é a resistência à segregação. porém podemos perder muito em coesão.• Mistura de concreto que satisfaça os requisitos de desempenho ao mínimo custo possível Para alcançar estes objetivos devemos controlar algumas variáveis no processo: • • • • • • • Relação pasta/agregados. conforme a região. Então a opção _______________________________________________________________________________ 175 Concretos e Argamassas Prof. Consumo de cimento Relação areia/agregado graúdo. Mehta e Monteiro (1994) consideram que a dosagem de concreto é mais uma arte do que uma ciência. porém de propriedades não ótimas. Consumo de água Porém cabe salientar de início que o controle destas variáveis gera alguns efeitos conflitantes. Da mesma forma o conflito entre trabalhabilidade e resistência. tal como o controle da trabalhabilidade (consistência + coesão). porém na escolha dos materiais deve se fazer o equilíbrio entre os materiais tecnicamente aceitáveis porém mais caros e os materiais economicamente atraentes. em torno de 70 a 80 %. Por isto se diz que Dosagem é a arte de contrabalançar efeitos conflitantes.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com mais água ou aditivos. Relação água/cimento. Sabe-se que o custo é um fator de extrema importância. Podemos aumentar facilmente a trabalhabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Fernando Luiz Lobo Carneiro (1953). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. etc) em substituição ao cimento puro. principalmente devido à falta de controle do processo e da não existência de procedimentos. mas por serem resíduos.edu. elevando o custo final do concreto e que por vezes esta resistência ainda assim acaba não sendo alcançada. outras das condições de produção da obra e informações sobre os materiais componentes. mas. algumas retiradas do projeto estrutural. Portanto. os concretos dosados em obra empregam um consumo excessivo de cimento. escória de alto forno.mais adequada é reduzir o consumo de cimento. e que acontece simplesmente pelo aumento de água. pois indispensável propagar entre os mestres de obra a noção fundamental de que o concreto deve ser fabricado com a menor quantidade de água possível. normalmente já vem dos próprios fabricantes a utilização de materiais pozolânicos (cinzas volantes. tal como o aumento da trabalhabilidade requerido pelos funcionários que atuam no lançamento e adensamento do concreto. devem ser conhecidas condições iniciais da obra. em face destes fatos já destacava É. que não somente reduzem o preço do cimento. sem comprometer as demais propriedades estipuladas para o concreto. depois de endurecido.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Estes procedimentos acontecem pela falta de conhecimento dos encarregados da produção do concreto e pela falta de controle. é notório que há muita variabilidade no processo. Entre os motivos principais. ao mínimo exigido. deve ser irrigado com a maior quantidade de água possível. Uma das opções para a diminuição do custo. as informações principais podem ser assim relacionadas. Em qualquer método a ser empregado. Resumidamente. sendo variáveis as informações necessárias. tais como resistência e durabilidade. O eng. reduzem o impacto ambiental. É de conhecimento da comunidade da construção que para atingir a resistência à compressão mínima. sem dúvida está exatamente na mudança das propriedades do concreto fresco. infelizmente a maioria deles tem a tendência a realizar exatamente o inverso. conforme o método a empregar: _______________________________________________________________________________ 176 Concretos e Argamassas Prof.

hidratação. e) dimensão máxima do agregado. índices. n) técnicas de execução (transporte. i) acabamento desejado ao concreto. k) informações sobre aditivos e adições. cabe salientar que todo o conhecimento até agora adquirido referente à • • • • • Agregados Cimento etc Concreto endurecido etc e mais resistência de dosagem e projeto. média. Concreto fresco fazem parte do conhecimento para o estudo de dosagem. j) relação água / cimento máxima. influências no concreto. consistência. m) durabilidade pretendida. uso de aditivos. f) análise granulométrica. durabilidade. etc trabalhabilidade. coesão. quando empregados l) condições de exposição.edu. ensaios. d) tipo do cimento.a) resistência característica do concreto (fck) e idade de referência. influências. etc tipo. h) consistência desejada do concreto fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . alta). medida pelo abatimento do tronco de cone. c) massa específica do concreto (leve. b) resistência de dosagem do concreto. lançamento. _______________________________________________________________________________ 177 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. adensamento). massa específica e nível de resistência aos 28 dias. g) coeficiente de inchamento do agregado miúdo. massa específica e unitária dos agregados disponíveis. Antes de continuar o conteúdo e entrar no estudo de dosagem propriamente dita.

91 a/c Traço em massa NBR 12655 somente para concretos C10 e consumo cimento ≥ 300 kg/m3 _______________________________________________________________________________ 178 Concretos e Argamassas Prof.56: 2.94 1: 2.61 0.17: 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .08 1: 2.55 1: 2.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.DOSAGEM EMPÍRICA X DOSAGEM RACIONAL PRINCÍPIOS BÁSICOS Variáveis controladas: • • • • • • Relação pasta / agregados Relação água / cimento Relação areia / agregado graúdo Consumo de cimento Consumo de água Teor de argamassa seca Restrição Dependência entre os componentes (requisitos conflitantes) Dosagem empírica Exemplo de dosagem empíricas Método Caldas Branco Goiás Cientec Fck (Mpa) 15 15 15 utilização de tabelas de traços Consumo (kg/m3) 344 289 345 0.67 0.84: 4.

desde que mantidos constantes o tipo e a graduação dos agregados e o total de água por volume de concreto” Validade da lei de Lyse: • • • Correções do traço em função da alteração da consistência Boa precisão inicial para traços próximos ao inicial Cuidado em traços mais ricos _______________________________________________________________________________ 179 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Dosagem racional (experimental Lei de Inge Lyse (1931) – Trabalhabilidade H= • • • c ×100 1+ m a H = relação água / materiais secos ou percentagem de água pó unidade de concreto m=a+p a = areia p = pedra (brita) a/c = relação água / cimento “A consistência permanece aproximadamente constante a despeito da riqueza do traço.

temos que irá alterar o H (deve ser definido experimentalmente).6 ×100 = 10 % 1+ 5 Agora se quero manter a resistência. mas preciso de slump 10 cm.Exemplo Tenho um traço 1 : 2 : 3 a/c = 0.45 1:4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .45 (m) consumo de cimento ± 18% Consistência Seca Median.edu.6 slump 7 cm 1:5 (m) consumo de cimento ± 16% H= 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.11 = 0. mas digamos H = 11% 0. plástica Plástica Fluida Líquida Abatimento 0 – 20 30 – 50 60 – 90 100 – 150 > 160 Tolerância NBR 7212 (mm) 10 10 10 20 30 _______________________________________________________________________________ 180 Concretos e Argamassas Prof.6 ×100 1+ m m = 4.

idade e cura Então a relação a/c define a resistência e H% define a trabalhabilidade Teor de argamassa seco (α) 1+ a α= ×100 1+ m a = relação agregado miúdo / cimento (em massa) m = relação agregados / cimento (em massa) m=a+p p = relação agregado graúdo / cimento ( em massa) α define a quantidade de argamassa presente num concreto. A partir daí poderemos determinar o traço do concreto. areia e pedra). visual. para os materiais disponíveis (cimento. bem como as demais propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água / cimento” f cj = A B a c fcj AeB resistência à compressão a “j” dias constantes que dependem dos materiais. Define a aparência. O valor de α Indicativo subjetivo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Lei de Duff A. deve ser definido o α ideal. porosidade. Abrams (1918) “Dentro do campo dos concretos plásticos a resistência aos esforços mecânicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . da prática de cada um. dificuldade desempeno. _______________________________________________________________________________ 181 Concretos e Argamassas Prof. aspereza custo elevado α deficiente α excessivo Em ensaio experimental.edu.

00 : 3. mantido a relação a/c. teríamos um concreto com maior permeabilidade e conseqüente menor durabilidade.00 e p = 3.10 : 3.50 = 1+ a 1+ 5 a= 2.Exemplos : Traço 1:5 a + p = 5 com α = 35 % 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .35 = 1+ a 1+ 5 a= 1.00 a/c = ? depende da resistência a pretender teoricamente poderíamos ter a mesma resistência para os dois concretos.90 a/c = ? depende da resistência a pretender agora o mesmo 1:5 com α = 50 % 0. pela deficiência de argamassa. Determinar o teor de argamassa ideal Estabelecer um diagrama de dosagem (curvas de dosagem) deve ser _______________________________________________________________________________ 182 Concretos e Argamassas Prof.edu. mas no primeiro.10 e p = 3. vamos: • • • Determinar a quantidade de água que atenda a trabalhabilidade definida pelo usuário qual o slump.90 traço 1: 1. Estudo de dosagem experimental (MÉTODO IPT) Para os materiais disponíveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.00 traço 1: 2.

TERZIAN. C= m3 1+ a + p + x γ (kg C = consumo de cimento em kg x = relação a/c a. brita. um traço rico.edu. Exemplo: Para os traços especificados com abatimento 90 mm ± 10 Traço 1:5 deve dar algo em torno de 35 a 40 Mpa (fck = ± 25 Mpa) Traço 1:6. areia. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com figuras de como se deve proceder para a determinação da dosagem experimental do IPT. p = traço de areia e pedra. P. m 03 pontos afastados um traço pobre. um traço intermediário. A validade das curvas obtidas é somente enquanto forem mantidos os Importante mesmos materiais (cimento. a/c . etc) Cálculo do consumo de cimento (real) por metro cúbico para determinar os custos. 1993) traz passo a passo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Para estabelecer o diagrama (curvas) precisamos de no mínimo 3 pontos..5 deve dar algo em torno de 25 a 30 Mpa (fck = ± 15 Mpa) Traço 1:3. com os seguintes dados: fc .5 deve dar algo em torno de 55 a 60 Mpa (fck = ± 45 Mpa) O livro Manual de dosagem e controle do concreto (HELENE. respectivamente γ = densidade do concreto obtido _______________________________________________________________________________ 183 Concretos e Argamassas Prof. P. São Paulo: PINI.

como por exemplo. encontramos o “m” igual a 5. Vejamos na figura seguinte: queremos um concreto com fc = 40 MPa.0 e no quadrante a esquerda temos o C = 325 kg/m3 Assim compomos qualquer traço e com o custo de cada um deles. podemos obter as curvas de dosagem. rompidos os corpos de prova. e compor o preço de cada traço. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Obtemos ainda a nossa curva para vários “slumps”. _______________________________________________________________________________ 184 Concretos e Argamassas Prof. Na curva do quadrante superior direito.Efetuado os traços. obtido os dados. esta com a relação fc x a/c Com estas curvas podemos obter (para os mesmos materiais) traços para qualquer resistência de concreto. Também é na etapa de laboratório que também podemos efetuar estudos de dosagem com a utilização de aditivos e ver como se comporta a nossa curva com estes aditivos. obtemos uma relação a/c 0.45 e seguido adiante no quadrante abaixo para uma determinada reta de “slump”.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

através dos ensaios realizados nos materiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 185 Concretos e Argamassas Prof. O quadrante inferior direito é o quadrante de Lyse (trabalhabilidade) O quadrante inferior esquerdo é o quadrante do proprietário (custo) É importante destacar que estas curvas podem ser representadas por equações.edu. para traço em volume (para a obra). usando padiolas. onde podemos automatizar os cálculos dos traços e custos do concreto.• • • O quadrante superior direito é o quadrante de Abrams (resistência x fc). Lembrar que podemos transformar o nosso traço de laboratório (que será em massa). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 H (%) 7.0 1 : 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.00 Custo R$ 0. para o uso de betoneira de 580 L.edu.40 0.6 42. d) Para alcançar um “slump” de 80 mm.1 24.5 MPa. Neste ajuste foi adicionado mais 20 litros de água por m3 de concreto.50 1.61 fc28 (MPa) 55.44 / kg R$ 29.7 MPa b) Calcule os materiais necessários para a produção de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa).5 1 : 6.50 / kg No estudo de dosagem foi verificado que o teor de argamassa ideal para os materiais disponíveis foi de 51 %.34 ----------Massa específica (γ) Kg/dm3 3.10 2.0 1 : 7.0 33.00 7.ARI Areia Brita basáltica Aditivo Massa unitária (δ) Kg/dm3 ----------1.5 a/c 0.00 / m3 R$ 30.49 0.30 0. foi realizado um ajuste de traço.80 1.61 2. As bocas das padiolas são de 35 x 45 cm.Exemplo de cálculo de dosagem Um estudo de dosagem realizado em laboratório apresentou os seguintes resultados: Traço 1:m 1 : 3.00 / m3 R$ 3.18 Os materiais utilizados foram Material Cimento CP V. _______________________________________________________________________________ 186 Concretos e Argamassas Prof. Calcule o custo de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa) c) Dimensione as padiolas para a execução em obra do traço com fck de 20 MPa. Estabeleça o novo traço para atender o fck igual a 40 MPa e o custo do concreto. Conside o desvio padrão de dosagem igual a 3. O slump obtido foi de 60 ± 10 mm. Em obra o desvio padrão de produção da empresa é de 5.50 7.27 7. O inchamento da areia (ci) foi de 28% e o teor de umidade de (h%) foi de 5%. a) Determine um traço de concreto para a produção de um concreto para atingir um fck de 20 MPa e 40 MPa aos 28 dias.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. da página anterior foram levados a uma planilha Excel que resultou nas seguintes equações: f c = − 44. O aditivo é usado na proporção de 0. a / c − 1. Observação: Os dados da primeira tabela.9791 (equação 1) m = 14. ln (a / c ) + 1. Calcule a viabilidade econômica de seu uso para produzir concretos com a mesma trabalhabilidade e resistência (40 MPa).3448 (equação 2) _______________________________________________________________________________ 187 Concretos e Argamassas Prof.655 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.197 .6 % da massa de cimento.e) O uso de aditivo plastificante permite a redução de 12% na água de amassamento em relação ao traço original.

edu. _______________________________________________________________________________ 188 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Fórmulas básicas a utilizar (resumo) H= Relação água / materiais secos (H %) x ×100 1+ m Teor de argamassa seca (α %) α= 1+ a × 100 1+ m Agregados secos totais (m) m = a + p Consumo de cimento (real) C= m3 1+ a + p + x γ (kg Onde: x = relação água / cimento a = areia p = brita C = consumo de cimento γ = massa específica do concreto fresco.

. de autoria do Eng. Antes de começar lembra-se o prof.. Hummmmmmm. E a NBR 7212 ??? • • • Já com outro colega aconteceu um caso sem nenhuma conseqüência .. O auxiliar cumpriu a ordem ao pé da letra e jogou água nele! _______________________________________________________________________________ 189 Concretos e Argamassas Prof.. mas com certeza alguns são verdadeiros. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a alternativa da construção em aço” Alguns causos ... temperado com um pouco de ironia... Neville. eu sempre ponho um pouco de água a mais na central”. para o concreto. principalmente em dias quentes.CASOS . deveria considerar... Introdução Os casos seguintes foram publicados na revista “A Construção” em janeiro e fevereiro de 1987. Um “técnico” de uma concreteira dizia a alguém certa vez: . seriamente. me joga um pouco de água .Como eu sei que o concreto sempre perde trabalhabilidade.. Talvez alguns não passem de anedotas.. CONCRETOS .edu. Salvador E. O assunto concreto é abordado com um leve toque de humor. no encerramento do livro “Propriedades de Concreto” “Em tempo: se o leitor não se sentir capaz de dosar um concreto de forma satisfatória.. Ele estava observando um concreto sendo produzido numa betoneira e falou para um dos auxiliares: ..br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Giammusso.

quando avisado.. Bem “informado” este palestrante! Cruz credo! • • • O caminhão betoneira chegou à obra... Passados alguns dias.. Quando terminou o acerto. poderia ter dado um problema sério: os corpos de prova daria resultados bons. colocando água dentro dos limites estabelecidos pelo laboratório. ele concordou ... o mestre se manifestou: . muito sabiamente. Mesmo que se perca muita água por evaporação. a cura. respondeu mais ou menos assim: . aquele engenheiro telefonou para a concreteira dizendo que já tinha falado com o mestre e ele tinha concordado em não colocar mais água no concreto .Já terminou? Então ponha mais água nesse concreto que eu preciso começar a trabalhar. mas o concreto na obra . pois fazemos o concreto com bastante excesso de água. moldou os corpos de prova e o mestre só olhando. _______________________________________________________________________________ 190 Concretos e Argamassas Prof. o laboratorista acertou o traço.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o apresentador. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. verificou o “slump”.. O engenheiro. Que autoridade tinha este mestre! Mas enfim. suspendeu as entregas de concreto.edu. não vai faltar para a hidratação do cimento.. Se o laboratorista não fosse experiente. que era antigo de casa e muito competente (credo!) O responsável pela concreteira.. ou seja. ao ser inquirido sobre os cuidados para evitar a perda de água pelo concreto nas primeiras idades.Essa questão é o que menos nos preocupa.• • • Houve o caso em que o mestre mandava colocar mais água no concreto usinado. disse que não queria “criar caso” com o mestre. • • • Em uma palestra..

A estrutura ruiu e ele foi fazer companhia ao seu colega por acusação de sabotagem ao regime. típicas de retração plástica. O seu substituto. o sol era forte. • • • Nesta mesma laje. solo bom e a obra era distante da rua em pelo menos 15 m!!! • • • Muitos anos atrás em um país muito conhecido pela “ampla liberdade” em que viviam os seus cidadãos.edu.Isso foi por causa da trepidação do trânsito! Detalhe: rua de pouco movimento. _______________________________________________________________________________ 191 Concretos e Argamassas Prof. Alguém comentou com o mestre sobre a falta de proteção logo após a concretagem. para secar bem e endurecer logo e melhor. mas este não se deu por achado: . porque era bom que o concreto tomasse bastante sol. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sem comentários.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . um engenheiro não autorizou a desforma de uma estrutura com poucos dias. com a acusação de não colaborar com o regime. em função disto. bem pavimentada.• • • A laje já tinha sido concretada. Ele disse que não tinha pressa. Resultado: foi afastado e levado para um local distante e muito frio. muito vento e perguntou-se ao mestre de obra se ele tinha providenciado a cura. no dia seguinte apareceram trincas na laje. resolver colaborar (que remédio!!) e autorizou a desforma.

Abatimento se mede em múltiplos de 5 mm e não de 1 mm 2º. Os cara deveriam mandar junto com os certificados de rompimento remédio de dor de cabeça para os resultados baixos que iriam acontecer.edu. Quando perguntou-se o porquê disto a resposta foi: . • • • Em um laboratório de algum lugar.... . verificou-se que os corpos de prova estavam sendo rompidos sem capeamento.Porquê de cimento portland? . • • • Certa vez um engenheiro estava controlando o recebimento do concreto na obra e o abatimento especificado era 80 mm. Uma curiosidade: como ele mediu estes 81 mm com tanta precisão . Meu Deus..Porque é o cimento melhor . Conhecia bem este engenheiro . Um caminhão foi recusado porque o abatimento deu 81 mm. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 192 Concretos e Argamassas Prof.Em concreto de cimento portland.O capeador não veio trabalhar hoje. Há tolerância para abatimento e neste caso era de 10 mm. Barbaridade. O cara não sabia o que era a denominação portland e talvez achasse que fosse uma marca e o entrevistador achava que fosse isto mesmo. Dois erros: 1º.• • • Um dia deste uma destas autoridades foi entrevistada de como seria o pavimento de um aeroporto e ele respondeu: .. ou seja poderia estar entre 70 e 90 mm..

e o motorista.• • • Teve o caso de um motorista de caminhão betoneira que foi instruído a não deixar colocar água no concreto..Claro. Um tempo depois o engenheiro vê um monte de concreto endurecido rompido em um canto da obra e pediu ao cidadão o que era aquilo. e muito bem controlado. falou para o cidadão levar posteriormente os corpos de prova para serem rompidos. Ai. Até deixamos o concreto para o doutor dar uma olhada neles . . Porém na obra o mestre insistiu. Pegamos a marreta e rompemos todo.E a que idade eles serão rompidos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. . • • • Outra vez em uma visita a obra. o engenheiro após moldados os corpos de prova. E mostrou uma grande quantidade de corpos de prova. vai ter muito mestre apanhando .. muito zeloso.. – Perguntou-se a ele .edu. acabou dando uma surra no mestre. além da permita.. . colocados em um canto da obra. Se a moda pega.Mas os corpos de prova tem que ser rompidos??? Dãããã • • • Jurando que não era o mesmo cidadão do caso anterior. ai _______________________________________________________________________________ 193 Concretos e Argamassas Prof.O doutor falou para romper os corpos de prova e assim fizemos. perguntaram ao elemento da obra se o concreto estava sendo controlado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ai.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Até aí um pouco de verdade. viu um monte de fissuras (de retração plástica) sobre a laje. pois estava rachando as lajes.. fim. _______________________________________________________________________________ 194 Concretos e Argamassas Prof. he.. – falou o mestre. .. Perguntou ao mestre porque aquilo tinha acontecido. porque não temos balança na obra.• • • Certa vez perguntaram a um engenheiro se ele não media o “slump” do concreto e a resposta foi: .. O problema maior foi que o dono da construtora baixou uma regra na empresa que não se deveria mais usar cimento para fazer concreto.. que estava exposta ainda.O problema destas trincas foi por causa do cimento.. He... he . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. pois se o cimento não hidratasse não apareceriam as trincas.. • • • O dono de uma construtora (que não era engenheiro) visitando a obra.Não.edu. Depois desta .

1 Desempenho O edifício é um produto fabricado para atender um mercado consumidor específico.edu. estanqueidade. adaptação ao uso. Estas de acordo com a norma ISO DP 6241 podem ser resumidas de forma genérica em: • • • • • • • • • • • • • • segurança estrutural. conforto visual. segurança em uso. ele deve atender as exigências de seus usuários. conforto antropodinâmico. higiene. pureza do ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conforto higrotérmico. _______________________________________________________________________________ 195 Concretos e Argamassas Prof.ARGAMASSAS 1. ou seja. conforto tátil. conforto acústico. DESEMPENHO 1. segurança ao fogo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. durabilidade e economia.

para um edifício possuir desempenho deve-se obedecer a metodologia mostrada na figura 1. Desta forma. deve-se determinar os critérios de desempenho que devem representar as características de desempenho mais importantes. Estas podem ocasionar uma diminuição dos valores das propriedades físicas e químicas de cada material. em contato com o meio ambiente.2 Durabilidade Todo material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Definidos os requisitos de desempenho. Entre os requisitos de desempenho do revestimento de argamassa pode-se destacar a sua aderência a base e a sua estanqueidade à água. pode-se definir desempenho como sendo o comportamento de um produto em relação ao seu uso.Algumas destas exigências. 1. o edifício deve também satisfazer as exigências da coletividade pertencente ao ambiente no qual a obra está inserida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sofre transformações.1. _______________________________________________________________________________ 196 Concretos e Argamassas Prof. através da melhoria da qualidade de vida das suas proximidades. Os requisitos de desempenho definem. Portanto. enquanto outras possuem caráter relativo (por exemplo: conforto). deve-se definir os requisitos e critérios de desempenho durante a elaboração do projeto. No caso dos revestimentos de argamassa. para estes possuírem o desempenho esperado. possuem caráter absoluto (por exemplo: a segurança estrutural e higiene). determinantes da aceitação ou não de uma solução. Estes dois tipos de exigências podem ser representados através de requisitos de desempenho. para um uso específico. de forma quantitativa. Além destas exigências dos usuários. em localização específica e refletindo decisões de projeto já tomadas. cujos responsáveis são os agentes de deterioração.edu. independente da classe social do usuário e do uso do ambiente. ocorrendo uma perda progressiva na capacidade de atendimento das necessidades dos usuários. Este processo é denominado de deterioração. as condições a serem atendidas por um edifício ou componente.

segundo a norma ISO DP 6241. Portanto. químicos e biológicos.1: Esquema de aplicação do conceito de desempenho Os agentes de deterioração é qualquer fator externo que afeta de maneira desfavorável o desempenho de um edifício. e a duas origens: externa (atmosférica e solo) e interna (ocupação e concepção). podem pertencer a cinco diferentes naturezas: • • • • • agentes mecânicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de seus subsistemas ou componentes. térmicos. Estes agentes. eletro-mecânicos.Figura 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. pode-se notar que os agentes de deterioração que agem sobre os edifícios ou seus componentes variam dentro de uma cidade e assumem diferentes níveis de _______________________________________________________________________________ 197 Concretos e Argamassas Prof.

de maneira a atender as exigências dos usuários. A forma e velocidade com que ocorre a deterioração são função da natureza do material ou componente e das condições de exposição a que fica submetido. São estes dois fatores que determinam a durabilidade de uma material sujeito a uma determinada situação.2). Esta metodologia somente é válida se os custos de implantação e operação forem compensados em termos de benefício no desempenho do edifício ou de seus componentes. atividades realizadas para recuperar o _______________________________________________________________________________ 198 Concretos e Argamassas Prof. • Manutenção Planejada Corretiva desempenho perdido. O conhecimento da vida útil (durabilidade) de um material é de fundamental importância para a elaboração de programas de manutenção periódica. 1. Para isto torna-se importante a adoção de um programa de manutenção periódica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Esta é a capacidade que um produto possui de manter o seu desempenho acima dos níveis mínimos especificados. portanto. Este exige toda uma metodologia de operação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Nota-se. a existência de diferentes tipos de manutenção:: • Manutenção Planejada Preventiva atividades realizadas durante a vida útil da edificação.3 Manutenção A realização de atividades de manutenção podem ser consideradas como a reconstrução de níveis de qualidade ambiental perdidos e que tem como resultado imediato o prolongamento da vida útil do edifício ou de seus componentes (Figura 1. de maneira a antecipar-se ao surgimento de defeitos. A manutenção deve ser interpretada como uma ação programada preventiva de futuros problemas e não apenas como atividade corretiva de problemas observados. controle e execução.importância dependendo do material em análise e a função que este desempenha.

• Manutenção Não Planejada definida como o conjunto de atividades realizadas para recuperar o desempenho perdido devido por causas externas não previstas. situação em que o edifício ou seu componente apresenta um desempenho insatisfatório.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nestes casos deve ocorrer uma intervenção técnica com a finalidade do edifício ou componente voltar a apresentar um desempenho satisfatório. Sendo que a durabilidade está associada a manutenção planejada preventiva. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. prolongando sua vida útil. como discutido anteriormente. Analisando a definição acima percebe que as atividades de manutenção podem ter duas principais origens: a durabilidade dos materiais e as patologias. Já a patologia está associada a manutenção planejada corretiva e não planejada.edu. Figura 1.2: Perda do desempenho e manutenção _______________________________________________________________________________ 199 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. proteção contra intrusão humana ou animal e choque contra a fachada. resistência ao fogo. Em relação a habitabilidade.1 Função dos revestimentos Edifício conjunto de elementos básicos : estrutura. relativas a segurança.edu. Propriedade e funções dos revestimentos 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . contribuindo para o desempenho final do edifício.2. Ainda. vedações verticais e horizontais e sistemas prediais Cada um destes elementos tem uma função específica. com ou sem contribuição do revestimento. _______________________________________________________________________________ 200 Concretos e Argamassas Prof. Desta forma o revestimento de argamassa deve apresentar um conjunto de propriedades para que o comportamento das vedações seja adequado. Dentre as exigências de uso são destacadas aquelas relativas a segurança e a habitabilidade. isolamento acústico. recobrir uma superfície irregular ou obter um efeito decorativo em particular. ou seja. As propriedades mais importantes dos revestimentos são as exigências de uso e a compatibilidade geométrica e físico-química entre o revestimento e a sua base e o acabamento final previsto.as exigências. Os revestimentos argamassados empregados nos edifícios habitacionais devem atender as seguintes funções: • Promover durabilidade de acordo com a vida útil esperada para a edificação. devem ser atendidas pela parede como um todo. Cita-se também que as funções dos revestimentos externos de argamassas são de aumentar a durabilidade da base. uma ou mais das seguintes funções: estanqueidade. reduzir a penetração de chuva. o revestimento deve desempenhar sozinho ou associado ao seu suporte. A segurança deve ser entendida como garantia de estabilidade mecânica. isolamento térmico. estética.

2 Reologia e principais propriedades dos revestimento de argamassa Na definição de uma argamassa para revestimento deve ser considerada uma série de propriedades associadas a estas características. em dado momento.edu. em determinadas avaliações ainda é notório o caráter empírico nas proposições de determinadas soluções. 2. fato que pode ser demonstrado pela carência de estudos capazes de avaliar sistematicamente este tema. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Não é função do revestimento esconder imperfeições grosseiras da base (desaprumo. No caso das propriedades no estado fresco a situação aparentemente é mais complexa. Para efeito de conceituação são apresentadas adiante algumas destas propriedades mais importantes. Conferir estanqueidade à água e aos gases para as paredes de vedação. resistência de aderência. por exemplo) “esconder na massa”.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dentre outras) que. ao mesmo tempo. Um exemplo claro é a formulação de argamassas de revestimentos que atendam. é fundamentada em critérios qualitativos de caráter empírico. • • • Auxiliar as paredes de vedação no isolamento térmico e acústico.• Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos. • Regularizar a superfície para aplicação dos revestimentos finais. É comum. Apesar de todo o avanço no desenvolvimento de novos materiais e no estudo das argamassas. a utilização _______________________________________________________________________________ 201 Concretos e Argamassas Prof. Permitir e facilitar a manutenção preventiva e corretiva sempre que necessário de modo a preservar a estética e a aparência. a determinadas propriedades no estado fresco (trabalhabilidade) e no estado endurecido (capacidade de absorver deformação. inclusive no meio científico.

projetabilidade) por parâmetros que realmente caracterizem o material em situação de fluxo. Neste sentido. por exemplo: condições de trabalhabilidade. A reologia é definida como a ciência que estuda a deformação e escoamento da matéria.de procedimentos baseados na experiência de oficiais pedreiros envolvidos no processo de produção dos sistemas de revestimento. Neste universo. também envolver e relacionar os parâmetros tradicionalmente conhecidos como. analisar seus comportamentos frente a um campo de tensão. plasticidade.edu. que possibilite a real caracterização do comportamento. tempo e temperatura (TANNER. Uma retenção adequada _______________________________________________________________________________ 202 Concretos e Argamassas Prof. Ainda sobre o estudo das argamassas no estado fresco.2. que permitem apenas uma avaliação qualitativa (como trabalhabilidade. dentre outros. A idéia atualmente em pauta é substituir termos com elevado grau de empirismo. bem como prever o desempenho destes em outros estágios de tensão. consistência. Em adição à importância da reologia. cabe destacar que muitos ramos da indústria estão diante de problemas que podem ser resolvidos com base nestes conceitos. relacionar estes comportamentos com a estrutura de cada material.1 Capacidade de retenção de água A retenção representa a capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção de uma base porosa e da evaporação. 1998). bombeabilidade. uma das possibilidades de novas discussões esta baseada na aplicação de conceitos pertencentes ao estudo do comportamento reológico do material. é bastante comum o uso de projetos de sistemas para transporte ou para processar substâncias que não se ajustam a nenhum dos tipos clássicos de comportamento dos materiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a possibilidade de aplicação da teoria reológica abre inúmeras opções de discussões diretamente aplicadas ao meio. Sua aplicação se justifica a partir do momento em que se pode classificar os materiais. consistência. de certa forma. é cada vez mais discutida no meio científico a necessidade de uma avaliação das propriedades das argamassas no estado fresco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 2. Esta caracterização deve. Atualmente. deformação.

A outra forma de incrementar a capacidade de retenção de água da argamassa é utilizar aditivos cujas características impedem a perda de água. aparecendo tensões superficiais que tendem a manter a água adsorvida nas partículas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Uma delas é aumentar o teor de materiais constituintes com elevada área específica. apresenta-se como proposição mais usual a utilização de saibro e cal na argamassa.2 Trabalhabilidade Esta é uma propriedade de avaliação qualitativa. 2. Uma argamassa é trabalhável quando: Deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro. como é o caso dos derivados da celulose (aditivos retentores de água). Uma perda de água acelerada diminui a resistência. conseqüentemente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.contribui para o endurecimento adequado da argamassa. promovendo as reações de hidratação do cimento e um conseqüente ganho de resistência mecânica e aderência.edu. Esses dois tipos de materiais possuem partículas muito finas. _______________________________________________________________________________ 203 Concretos e Argamassas Prof. a área a ser molhada é maior. a capacidade de absorver deformações. sem aderir a colher ao ser lançada Distribui-se facilmente pela superfície Não endurece rapidamente quando aplicada A melhoria da trabalhabilidade é conseguida através de uma granulometria adequada. diminui a aderência e por conseqüência a argamassa terá menor durabilidade e estanqueidade. Em se tratando de aumentar a área específica dos materiais constituintes. uso de cal e de aditivos incoporadores de ar. O aumento da retenção de água da argamassa pode ser conseguido de várias maneiras.2. proporcionando uma elevada área específica. pois depende do uso e do usuário. sem ser fluída Mantêm-se coesa ao ser transportada.

alterando a resistência de aderência.edu. Assim.2. do método de aplicação e do tipo de chapiscamento realizado pode-se ter resultados bastante variados. Quando a base apresenta poucos poros capilares e muitos macroporos a aderência pode ficar prejudicada.3 Consistência Propriedade reológica que define como a argamassa resiste às deformações impostas ainda no estado fresco. a rugosidade e as condições de limpeza da base influenciam diretamente a aderência. A consistência está relacionada diretamente com a quantidade de água. plasticidade. interferindo diretamente na trabalhabilidade. permeabilidade à água e a capacidade de absorver deformações. Dependendo da plasticidade da argamassa. É uma propriedade ligada a fenômeno mecânico da ancoragem da argamassa na base A porosidade. A presença de cal e de finos na argamassa também modifica a consistência. modificando outras propriedades como consistência. 2. alterando a trabalhabilidade. trabalhabilidade e retenção. _______________________________________________________________________________ 204 Concretos e Argamassas Prof.2. Deve ser pressionada contra a base para aumento da extensão de aderência.4 Teor de ar incorporado O teor de ar incorporado equivale à quantidade de ar existente em certo volume de argamassa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2. é válido dizer que nem sempre o chapisco garante uma aderência adequada.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 2.2. Esta quantidade de água pode influenciar as características do revestimento final. A argamassa deve ter boa trabalhabilidade e retenção de água. Pode ser aumentado através de aditivos incorporadores de ar.5 Aderência inicial A aderência inicial depende também das outras propriedades do estado fresco das argamassas e também da base de aplicação.

estas variações volumétricas quase sempre ocasionam fissuras.4 Aderência prejudicada – sem extensão de aderência 2.3 Aderência mecânica à base Figura 1.Figura 1. Ocorre. também.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2.6 Retração na secagem Quando ocorre a saída da água da argamassa esta diminui de volume. Quando acontecem com excessiva rapidez. retração no processo de hidratação e carbonatação dos aglomerantes. As fissuras prejudiciais são aquelas que permitem a percolação de água pelo revestimento e podem provocar a perda de aderência ou descolamento. _______________________________________________________________________________ 205 Concretos e Argamassas Prof.edu.

O tempo de sarrafeamento e desempeno é importante. _______________________________________________________________________________ 206 Concretos e Argamassas Prof. Da aderência dependem a durabilidade e a capacidade do revestimento suportar as movimentações internas e externas. Figura 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Argamassas mais espessas estão mais sujeitas a retração na secagem. esta propriedade não é simples de ser obtida. Desempeno muito cedo (argamassa muito úmida) causa fissuras e até descolamento da argamassa.edu.As argamassas com teores de cimento elevados tendem a apresentar retração mais elevada. A adoção de consumos de cimento elevada. Entretanto. por exemplo.5 Retração na secagem 2.2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pode levar à obtenção de argamassas com elevada retração na secagem e baixa capacidade de absorver deformações. requerendo maiores cuidados na execução e controle rigoroso das condições de cura durante e após a aplicação.7 Resistência de aderência A aderência é uma propriedade fundamental para o desempenho dos revestimentos argamassados.

Figura 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .7 Aderência deficiente – extensão de aderência prejudicada 2.edu.2. _______________________________________________________________________________ 207 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.8 Resistência à compressão Os revestimentos argamassados devem suportar esforços atuantes sem apresentar danos ao longo do tempo. Interferem diretamente na resistência à compressão o consumo e a natureza dos aglomerantes e agregados e a técnica de execução empregada.6 Resistência de aderência Figura 1.

A execução do revestimento também pode interferir na capacidade de absorver deformações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. portanto. normalmente. não sendo. 2. além de fatores externos ao revestimento como pressão do vento e pluviosidade.9 Permeabilidade à água A permeabilidade está relacionada à passagem da água pela camada de revestimento. da composição e dosagem da argamassa.edu.2. o revestimento de argamassa deve absorver deformações sem sofrer ruptura ou fissuração que prejudiquem seu desempenho. sendo exceção as argamassas com teores elevados de polímeros. Estas argamassas podem apresentar capacidade de absorção de deformação adequada mesmo possuindo teores elevados de cimento. quando existem fissuras. Argamassas que apresentam consumo de cimento elevado. Deve-se lembrar aqui que a argamassa é um material poroso que permite a percolação de água tanto no estado líquido como de vapor. A permeabilidade é função da natureza da base.2. comprometendo a estanqueidade da vedação como um todo. Para percolar pela vedação a água tem que atravessar barreiras que são constituídas pelo revestimento e pela base Entretanto. capazes de absorver as movimentações das estruturas de concreto e das alvenarias que tem amplitude elevada. o caminho de percolação permite acesso direto da água à base do revestimento. da técnica de execução da espessura da camada de revestimento e do acabamento da superfície.10 Capacidade de absorver deformações Sob tensão. não tem capacidade adequada de absorção de deformações. principalmente em relação a estanqueidade e aderência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os revestimentos de argamassa apenas são capazes de absorver deformação de pequena amplitude que ocorrem em função das variações de umidade e temperatura.2. Quando aplicado em espessuras adequadas e tendo o tempo de _______________________________________________________________________________ 208 Concretos e Argamassas Prof.

edu. 2. clima. Pode se enumerar algumas propriedades que são alteradas beneficamente pela incorporação de ar nas argamassas. reduzindo os efeitos de movimentação de grandes painéis. Estas juntas podem ser usadas para permitir panos com dimensões menores. menores são as possibilidades de falhas devido à microfissuração da argamassa. produzem uma quantidade controlada de bolhas microscópicas de ar. usualmente apresentados na forma de solução ou em pó.desempenamento respeitado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . uniformemente dispersas. às argamassas ou às pastas de cimento. presença de aberturas e detalhes construtivos como pingadeiras e peitoris também interferem.2. topografia e vizinhança. principalmente em argamassas isentas de cal (cimento e areia). A adoção de juntas de controle distribuída no revestimento contribui diretamente para melhorar a capacidade de absorver deformações do revestimento. Características de projeto definindo orientação das fachadas. que quando adicionados ao concreto. a cultura e proliferação de microorganismos e a qualidade das argamassas são os fatores que mais interferem na durabilidade dos revestimentos. O aditivo incorporador de ar é adicionado as argamassas com o intuito de melhorar a trabalhabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 Uso de aditivos incorporadores de ar Os aditivos incorporadores de ar são materiais orgânicos. 2.11 Durabilidade A fissuração do revestimento. a saber: _______________________________________________________________________________ 209 Concretos e Argamassas Prof. A durabilidade também depende das condições de exposição definidas principalmente pela localização. a espessura excessiva. O ar intencionalmente incorporado às argamassas altera a suspensão cimentícia no estado fresco e posteriormente no endurecido.

o que aumenta a capacidade de deformação do sistema de revestimento. sem alterar a tendência de segregação e exsudação da argamassa. da areia.edu. efeito contrário ao provocado no concreto.• • • • Módulo de deformação . para um aspecto plástico. O rendimento das argamassas com aditivos incorporadores de ar é aumentado. este ganho de consistência e plasticidade se deve ao “efeito ponte” existente entre as bolhas de ar e as partículas de cimento e. apenas com o acréscimo de 0. Retração – normalmente é reduzida. provavelmente. A mudança provocada pelos aditivos incorporadores de ar nas argamassas de revestimento pode ser observada na Foto 1. É essa capacidade dos aditivos alterarem positivamente a trabalhabilidade das argamassas. este “efeito _______________________________________________________________________________ 210 Concretos e Argamassas Prof.8. apenas com o aditivo incorporador de ar como agente plastificante. para uma mesma condição de aplicação. Nota-se que os aditivos causam uma grande alteração na trabalhabilidade das argamassas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que permite a confecção de argamassas sem cal. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que ganha fluidez. Exsudação – é diminuída. diminuindo desta forma a consistência.normalmente é reduzido.05% de um aditivo incorporador de ar. devido à incorporação de ar. A presença do ar incorporado nas argamassas. A presença do ar incorporado permite uma certa diminuição na quantidade de finos do agregado. pela presença de microbolhas de ar no interior da mistura. Com essa diminuição. no estado fresco. em relação à massa de cimento. ao se comparar com uma argamassa sem aditivos. Já para o concreto. para uma mesma quantidade de material anidro. já que a mesma passa de um aspecto seco e áspero. Para as argamassas. Massa específica – é reduzida. devido à diminuição da massa específica. provoca um ganho de consistência e plasticidade. onde se tem uma argamassa com 20% de cimento e uma argamassa com o mesmo proporcionamento. Este fato implica a colocação de menos água na mistura. se consegue um maior volume de argamassa.

Figura 1. reduz a aderência das argamassas. que rompe as “pontes” existentes. após a incorporação de uma certa quantidade de ar.ponte” é quase nulo pela presença do agregado graúdo. provocando uma maior facilidade da argamassa molhar o substrato.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . acima de um certo valor. Apesar do tipo de aditivo influenciar na redução da resistência de aderência a tração. Isto se explica pelo fato do tensoativo diminuir a tensão superficial. aumentando a região de contato entre ambos.8 .Argamassa sem e com aditivo incorporador de ar _______________________________________________________________________________ 211 Concretos e Argamassas Prof. A possível redução na resistência de aderência encontrada em argamassas com ar incorporado é atribuída à diminuição da superfície de contato entre a argamassa e o substrato. o aumento do teor de ar. sem dúvida. e pela redução de propriedades mecânicas devido ao incremento da porosidade na argamassa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. para qualquer aditivo.edu. A aplicação da argamassa é facilitada com a utilização dos aditivos incorporadores de ar.

na trabalhabilidade adequada. mesmo com a colocação de mais água e uma nova mistura. ou seja. este acréscimo pode reduzir as resistências mecânicas do revestimento e contribuir para a ocorrência de fissuração devido à retração.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando se observa alguma das três situações abaixo: • Devido a produção de grandes volumes de argamassa. Por este motivo. freqüentemente. Esse excesso de água pode gerar uma séria redução na resistência mecânica dos revestimentos e provocar uma intensa fissuração. o que vai reduzir o seu poder aglomerante. para que o oficial-pedreiro possa aplicar a argamassa. Ademais. facilitando o seu lançamento e aperto. se quer utilizar sobras do sarrafeamento da argamassa para se executar um outro pano de revestimento. se introduz uma grande quantidade de água nessa sobra de argamassa. este material pode ficar esperando a sua vez de ser aplicado por períodos de tempo superiores a 2 horas. apresentando uma trabalhabilidade inadequada para o lançamento e aperto. deixando-a mais trabalhável. Desta forma. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. para que a mesma volte a se mostrar trabalhável. Caso isto aconteça. é necessário o acréscimo de água. feita pelos pedreiros após a mistura e antes da aplicação. tendo em vista que ela foi uma sobra do corte. a argamassa deve estar pronta para o uso. é uma prática bastante comum nas obras.4 Adição de água em argamassas A complementação de água na argamassa de revestimento. o cimento desta argamassa que sobra após o sarrafeamento pode já ter entrado em pega. Este fato acontece pelo simples motivo deste acréscimo tornar a argamassa mais fluida. bem como para as reações de hidratação do cimento. Caso isto não _______________________________________________________________________________ 212 Concretos e Argamassas Prof.edu. parte da água de amassamento pode ser perdida por evaporação para a atmosfera. o seu aspecto é de uma argamassa seca com falta de água. Como esta argamassa já “puxou”.2. • Uma outra situação onde se observa a complementação de água na argamassa ocorre quando. O acréscimo de água realizado pelo oficial-pedreiro ocorre. Entretanto. por exemplo. o que tornará a argamassa menos trabalhável. • A dosagem das argamassas deve ser realizada de uma forma que o oficialpedreiro fique satisfeito com a plasticidade da mesma.

observa-se que alguns cuidados devem ser tomados com o intuito de evitar problemas nos revestimentos. De uma forma geral. a quantidade de água adicionada é muito pequena em relação às situações anteriormente expostas. na tentativa de ajustar a trabalhabilidade da argamassa a condições mínimas de aplicabilidade. pode-se ter fissuração nesta região devido a desuniformidade da absorção de água entre a alvenaria e a estrutura de concreto. • Deve-se aplicar uma camada de argamassa racionalizada durante a produção do revestimento. A discussão sobre o emprego das sobras é particular a dinâmica de cada obra e aos materiais utilizados (aglomerantes. 2. geralmente. buscando evitar que argamassas fiquem esperando por um longo período de tempo. incorreções na granulometria. argamassa industrializada).5 Argamassas sobre diferentes materiais contíguos Uma das regiões revestidas com argamassa mais susceptível a ocorrência de fissuração é aquela localizada na interface estrutura de concreto/alvenaria. Além da movimentação diferencial. entre estes se destacam: • Produzir uma quantidade de argamassa adequada para a frente de trabalho disponível. Nesta situação. Pelo exposto anteriormente. o oficial-pedreiro irá adicionar mais água na mistura antes da sua aplicação. quando sujeitos a variações higrotérmicas e a sobrecargas. buscando a trabalhabilidade ideal. que resulte em pouca sobra de argamassa após o sarrafeamento.ocorra. para serem aplicadas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. do que a aplicada sobre a alvenaria. Um dos motivos principais para a ocorrência dessa fissuração é a movimentação diferencial dos dois materiais.edu. é que induzem a colocação de mais água. já que. Isto acontece porque o concreto é menos absorvente que a alvenaria. este acréscimo de água é chamado de ajuste de água. O emprego adequado deste material (sobras) deve ser discutido com especialistas em argamassas. fazendo com que a argamassa aplicada sobre ele demore mais tempo para ficar adequada para o sarrafeamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 213 Concretos e Argamassas Prof. na dosagem ou nos materiais.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para resistir aos esforços gerados pelo sarrafeamento e desempeno.6 . em um mesmo pano de argamassa. aplicando-se um chapisco fechado sobre a estrutura e a alvenaria. que já estará bastante rígida. A estrutura deve ser completamente chapiscada. Essa uniformização é realizada. têm-se regiões que já estarão aptas a receber os serviços de sarrafeamento e desempeno (argamassa aplicada sobre a alvenaria). regiões onde a argamassa ainda não estará apta (argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto) para a execução desses serviços. como também. se o sarrafeamento for realizado quando a argamassa aplicada sobre a alvenaria já estiver adequada.Assim sendo. Outra situação onde a realização do sarrafeamento e/ou desempeno no momento incorreto provoca fissuração nos revestimentos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Já. é majorada quando se tem um aumento do contato entre a argamassa aplicada e o substrato. a fim de se evitar diferentes tempos de sarrafeamento para a argamassa. ocorre a fissuração. é que se verifica a necessidade de realizar a uniformização da absorção da interface estrutura de concreto/alvenaria.A importância do aperto da argamassa A resistência de aderência à tração de um revestimento. quando a argamassa ainda não “puxou”. se o sarrafeamento for executado apenas quando a argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto estiver adequada. pode-se ter fissuração na argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto. ter-se-ão dificuldades para cortar a argamassa aplicada sobre a alvenaria. ocorre nas argamassas aplicadas pouco tempo antes da hora do almoço e do fim do expediente de trabalho. não estando com uma rigidez adequada.edu. 2. enquanto que na alvenaria deve-se ter pelo menos uma faixa de 1 metro com chapisco. Alguns dos fatores que interferem nessa extensão de aderência são a textura do _______________________________________________________________________________ 214 Concretos e Argamassas Prof. Nesta situação. Esta precipitação dos pedreiros se verifica pela pressa de os mesmos terminarem o serviço para irem almoçar ou encerar o expediente. que ainda não estará rígida o suficiente. Pelos motivos apresentados. Como a operação de corte é realizada. geralmente. paralela a estrutura de concreto.

é a falta do aperto nas argamassas utilizadas nas “cheias”. a argamassa que sobrou após o sarrafeamento (corte). gerando conseqüências negativas nas resistências mecânicas. Uma prática bastante verificada nas obras. mesmo que a trabalhabilidade da argamassa e a energia utilizada no seu lançamento não sejam adequadas. A falta deste aperto na cheia contribui para que nestas regiões sejam verificados baixos valores de resistência de aderência à tração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ela não precisa ser apertada. ocorrerá uma elevação da resistência de aderência à tração do revestimento. quando se tem mais de uma camada de argamassa. Nessa argamassa. A justificativa para a não realização deste procedimento se observa no fato de os oficiais pedreiros acharem que. já que é freqüente se utilizar para a execução das “cheias”. se a argamassa de cheia for apertada. pelo fato de não ser realizado o sarrafeamento e/ou desempeno na argamassa de cheia. em média.substrato. a energia de aplicação e a operação de aperto. o que dificultará a aderência da segunda camada de argamassa aplicada sobre a mesma. a extensão de aderência poderá ser majorada com a realização do aperto da argamassa após a sua aplicação. o que irá colaborar para a extensão da aderência. _______________________________________________________________________________ 215 Concretos e Argamassas Prof. A plasticidade da argamassa. Assim. Porém. são fundamentais para que ela possa penetrar pelas reentrâncias e saliências do substrato. possivelmente. É evidente que este baixo valor de aderência não se deve apenas à falta do aperto. que deve ser evitada. provavelmente será acrescentada água e. o cimento já terá entrado em pega. aliada à energia de seu lançamento. Outra justificativa dada pelos oficiaispedreiros é que. ela vai ficar pouco rugosa na sua superfície. aumentado o contato entre esses dois materiais. a trabalhabilidade da argamassa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

edu. devem ser vencidos buscando-se o domínio tecnológico desta área. Isto não é de se estranhar. de fixação e de acabamento b) ou ainda por erros de concepção durante a elaboração do projeto. necessitando conhecerem ainda as possíveis patologias originadas por problemas decorrentes desta fase. Esses entraves. pois diversos materiais. por dois motivos: a) ou pela inexistência de um projeto específico em que sejam definidas as características do revestimento como um todo. pode-se dizer que a maior parte dos problemas patológicos que ocorrem ao longo de sua vida útil. pois quando este existe. Considerando-se todas as etapas do processo de produção de edifícios. tem origem principal nas fases de elaboração do projeto e de execução dos serviços propriamente ditos. de modo geral. Os problemas originados em revestimentos na fase de projeto ocorrem. da camada de regularização. está limitado aos efeitos arquitetônicos. falta de orientação específica para elaboração de projeto e falta de informações acerca do comportamento de obras já construídas. em que muitas vezes suas diretrizes são dadas independentemente das condições reais de exposição e dos requisitos básicos à sua construção. a fim de que os problemas não sejam preconcebidos na fase de projeto. porém. A não elaboração de um projeto ou mesmo os erros decorrentes de sua concepção são fatos gerados. ou seja. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. entre outros motivos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . No que se refere à fase de execução dos serviços de revestimento é imprescindível que os técnicos envolvidos com a produção dos mesmos tenham o domínio das corretas técnicas. diferentes técnicas de execução e condições ambientais adversas estão sempre concorrendo para a realização dos empreendimentos.3 Patologia dos revestimentos de argamassa Os problemas patológicos são manifestados nas edificações devidos a uma série de razões. _______________________________________________________________________________ 216 Concretos e Argamassas Prof. pela ausência de conhecimento tecnológico acerca do assunto.

não serão abordadas nesta disciplina 3. b) trincas. fissuras. para facilitar o estudo dos mesmos. Por serem inúmeros os problemas patológicos passíveis de ocorrerem nos revestimentos verticais de argamassa e cerâmicos.Embora se reconheça a dificuldade em se dominar a tecnologia de projeto e de execução dos revestimentos. é extremamente necessário que se busque adotar uma metodologia de desenvolvimento do projeto que contemple todos os detalhes executivos.edu.1 Perda de aderência ou desagregação A perda de aderência pode ser entendida como um processo em que ocorrem falhas ou ruptura na interface das camadas que constituem o revestimento ou na interface _______________________________________________________________________________ 217 Concretos e Argamassas Prof. • • • bolor eflorescências fantasmas ou espectros de juntas d) outras. gretamentos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Uma outra forma classifica as patologias de revestimentos de argamassa de acordo com suas formas de manifestação. as quais pela sua incidência esparsa. c) deficiente resistência mecânica. Uma das formas de realizar a classificação é de acordo com suas origens: a) aderência insuficiente. principalmente em função da falta de disponibilidade de profissionais com formação adequada para enfrentar tal situação. c) manchas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que nos parece mais adequada: a) perda de aderência ou desagregação. b) inadequada capacidade de acomodação plástica (quando endurecida). convém adotar uma classificação.

pontuais (vesículas). _______________________________________________________________________________ 218 Concretos e Argamassas Prof. Estes descolamentos podem apresentar extensão variável. o acúmulo do produto de corrosão na interface que podem provocar o descolamento do revestimento. a fissuração e expansão do concreto.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com pulverulência. descolamento em placas ocorre quando há deficiência de aderência entre camadas do revestimento ou das mesmas com a base ou até por espessura excessiva do revestimento. devido às tensões surgidas ultrapassarem a capacidade de aderência das ligações. pontuais neste caso o descolamento ocorre de forma pontuais. descolamentos por empolamento o fenômeno ocorre devido às expansões na argamassa em função da hidratação posterior de óxidos.com a base ou substrato. não se extendendo por toda a extensão do revestimento. em placas. descolamento por pulverulência observam-se desagregação e conseqüente esfarelamento da argamassa ao ser pressionada pelas mãos e a película de tinta destaca-se juntamente com a argamassa que se desagrega com facilidade. temos a corrosão da armadura de concreto. Entre outros problemas que se desenvolvem na base ao longo do tempo e que também podem afetar o revestimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: • • • • por empolamento.

o que ocasiona maior retração por secagem e. teor de finos e quantidade de água da amassamento. No caso de argamassa composta por alto teor de finos. do madeiramento do telhado ou da laje mista).edu. Outro fator que influencia no surgimento de fissuras é a umidade relativa do ar. se o revestimento não for executado corretamente. então. aplicado à base.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . c) movimentação (da estrutura de concreto. da fundação ou do aterro). _______________________________________________________________________________ 219 Concretos e Argamassas Prof. impacto de portas. gretamentos e fissuras Popularmente chama-se de trinca a fissura com abertura maior. e) diversos (concentração de esforças. Tem-se que as causas prováveis de fissuras e trincas em revestimentos são: a) recalque (acomodação do solo.).” A incidência de fissuras em revestimentos sem que haja movimentação e ou fissuração do substrato ocorre devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado. etc.2 Trincas. a temperatura é alta e há a presença de ventos.3. que vários fatores intrínsecos à argamassa podem ser responsáveis pela fissuração do revestimento. deve-se dar preferência à utilização de primer apropriado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Observa-se. do que realizar molhagem abundantemente. Em regiões onde a umidade relativa do ar é baixa. dentre os quais citam-se: consumo de cimento. solicitações higrotérmicas e também por retração hidráulica da argamassa. podem aparecer fissuras na forma de “mapas” por todo o revestimento. há um maior consumo de água de amassamento. b) retração (fissuração da argamassa de revestimento ou de piso cimentado). d) amarração (falta de amarração nos cantos de paredes ou no encontro da laje com as paredes).

destacando entre elas: • • • • • • consumo elevado de cimento. O passo seguinte é verificar se o reboco está firme. inclusive com o paramento seco. ele terá de ser _______________________________________________________________________________ 220 Concretos e Argamassas Prof. o primeiro passo é detectar de onde vem a infiltração. Estando nessas condições. não são visíveis.edu. permitindo a visualização das fissuras. ainda. assinale sua trajetória. número e espessura das camadas. de modo geral. manchas claras esbranquiçadas ou amareladas.3 Manchas 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pode-se gerar mudanças na tonalidade. penetrando por capilaridade. ou ocasionalmente. teor de finos elevado. a não ser que sejam molhadas e que a água. marrom e verde.As fissuras por retração hidráulica. No caso de umedecimentos sucessivos. Além disso. consumo elevado de água de amassamento. 3.1 Bolor O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato. O desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de tetos e paredes. algumas outras causas que podem ser responsáveis pelas fissuras nos revestimentos de argamassas. Tal fenômeno ocorre porque a água contendo cal livre sai pelas microfissuras. Se uma parede que apresenta bolhas na pintura ou manchas de bolor for interna. se soltar ou esfarelar.3. citando-se inclusive as argamassas inorgânicas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta. esse autor aponta. cura deficiente. argamassa com baixa retenção de água.

O lugar da casa em que costumam aparecer é o banheiro. sendo assim. o termo eflorescência significa “a formação de depósito salino na superfície de alvenarias.edu. até chegar na alvenaria. que favorecem o acúmulo de bolor na superfície dos revestimentos são: • • • a umidade de condensação. destaca-se ainda a ocorrência de problemas respiratórios nos moradores de residências com bolor deve ser considerada. que podem aumentar o teor de água disponível para o crescimento dos fungos. 3. Há ainda algumas causas extrínsecas ao material.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e finalmente o reboco contendo na argamassa o impermeabilizante. assunto de grande importância no que se refere à qualidade dos ambientes internos.removido completamente. _______________________________________________________________________________ 221 Concretos e Argamassas Prof. ou superior a esse valor.3. dificilmente vão embora. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A parede receberá então a aplicação do revestimento em seguida um adesivo de alto desempenho. Além da questão estética. e) umidade de condensação de vapores em ambientes fechados. já que a umidade. é ideal para sua proliferação. a ventilação insuficiente num ambiente e a permeabilidade da alvenaria à umidade exterior. b) umidade de infiltração por fachada ou telhado. Alguns fatores causadores de umidade. o bolor e as algas são problemas é que depois que se instalaram. como resultado da exposição à intempéries”. c) umidade acidental (vazamento de águas potáveis e servidas). produzida pelo vapor do chuveiro. d) umidade relativa do ar em torno de 80%.2 Eflorescências Nas edificações. conforme as condições do substrato: a) umidade ascendente por capilaridade. Os casos que abrangem fungos.

aumento do tempo de contato e a quantidade de solução que aflora. como no caso de compostos expansivos. regiões próximas a esquadrias mal vedadas. podendo introduzir substâncias agressivas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. à presença da água destinada a promover a trabalhabilidade desejada ao material e necessária às reações de hidratação do cimento. II e III. _______________________________________________________________________________ 222 Concretos e Argamassas Prof. na rede capilar ou dissolver e transportar sais solúveis presentes no material. muito solúvel em água. Para ocorrer a eflorescência. de magnédio e de ferro. é determinante haver a presença e a ação dissolvente da água. que podem ser solúveis ou parcialmente solúveis em água. Há ainda alguns fatores que favorecem o fenômeno: porosidade das argamassas e bases. Todas essas três condições devem existir e. pulverulento. revestimentos de argamassa. As eflorescências podem alterar a aparência da superfície sobre a qual se depositam. A eflorescência é causada por três fatores: o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes. Pode ocorrer em superfícies de alvenaria aparente. a eflorescência é composta principalmente por sais de metais-alcalinos e alcalinos-terrosos. Esse tipo de patologia somente modifica o aspecto estético. Em função desses vazios no interior da argamassa. Tipo I é o mais comum e caracteriza-se por um depósito de sal branco. não sendo prejudicial ao substrato. Distingue-se três tipos de eflorescência: de Tipo I. Os principais sais presentes no materialsão os de cálcio. de sódio. não haverá a ocorrência de eflorescência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . se uma delas for eliminada. juntas de ladrilhos cerâmicos e azulejos. O fluxo descrito está intimamente relacionado às propriedades absorção e capilaridade das argamassas. pode ocorrer o fluxo da água por capilaridade ou por pressão.edu. a presença de água e a pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície. presentes no substrato. de potássio. principalmente. O fenômeno ocorre porque a argamassa apresenta vazios e canais em seu interior. e em determinados casos seus sais constituintes podem ser agressivos. devidos.Quimicamente. ladrilhos cerâmicos. juntas de assentamentos. causando desagregação profunda.

da água utilizada no amassamento. formado com a reação da cal livre. às vezes. de cimentos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. seguida de lavagem com água abundante. sobre superfícies de alvenaria. a eflorescência desaparece após um período prolongado. os sais (freqüentemente de sulfatos de sódio e potássio) podem ser provenientes de tijolos. pois as reações ainda não terminaram. muito aderente e pouco solúvel em água. para alvenaria externa de um edifício recém-terminado. A eflorescência do Tipo II. que se apresentam fissuradas devido à expansão decorrente da hidratação do sulfato de cálcio existente no tijolo ou da reação tijolo-cimento. o problema pode ser solucionado removendo os sais com escovação mecânica. com a água proveniente da chuva ou de infiltração. Pode-se também eliminar mais rapidamente tal patologia removendo os sais depositados na superfície com escova de aço. Esse depósito. é difícil de ser eliminada.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . além do que. deixar que desapareça por si mesmo. e de substâncias contidas em solos adensados ou contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica. além de apresentar um efeito estético negativo. pela ação da chuva. Nas eflorescências do Tipo I. Recomenda-se que. Na evaporação da água. Na eflorescência denominada de Tipo I. como os sais são solúveis em água. apresenta efervescência. o sal formado é basicamente o carbonato de cálcio. Em seguida. da reação química entre os compostos do tijolo com o cimento. em casos de depósito abundante. dos agregados. devendo-se saturar anteriormente a _______________________________________________________________________________ 223 Concretos e Argamassas Prof.Tipo II caracteriza-se pela aparição de um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. Tipo III manifesta-se como um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. esta cal se transforma em carbonato de cálcio. que pode ser liberada na hidratação do cimento. recomenda-se. quando em contato com o ácido clorídrico. Na eflorescência do Tipo II. realiza-se uma lavagem com solução de ácido muriático. Esses sais formam-se em regiões próximas a elementos de concreto ou sobre sua superfície e. reagindo com o anidrido carbônico do ar. A cal dissolve-se e deposita-se na superfície.edu.

parede, para preencher os vazios existentes com água e evitar a impregnação do ácido através dos poros. Porém, há casos em que a eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação freqüente de solução ácida pode comprometer a durabilidade do componente. Além das recomendações acima, destaca-se alguns cuidados a serem tomados para evitar a ocorrência de eflorescência, destacados a seguir: • não utilizar materiais com elevado teor de sais solúveis. A presença de sais pode ser detectada através de ensaios realizados em laboratório; • • não utilizar componentes cerâmicos com elevado teor de sulfatos; em caso de alvenaria aparente, a redução da absorção da água da chuva pode ser obtida utilizando-se pintura impermeável, resistente à exposição em solução salina; • • • proteger da chuva a alvenaria recém terminada; reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; reduzir a lixiviação da cal através da utilização de cimento que libere menor teor de cal na sua hidratação, como é o caso do cimento pozolânico ou de alto forno.

Ainda que apesar da eflorescência, de uma maneira geral, constituir-se num fenômeno onde os danos são apenas estéticos, ela é o efeito de um problema mais grave e freqüente da edificações, que é a umidade.

_______________________________________________________________________________ 224 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Manifestações

Aspectos Observados

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Umidade constante

Reparos Eliminação da infiltração de umidade. Secagem do revestimento.

Manchas de umidade Eflorescência Pó branco acumulado sobre a superfície

Sais solúveis presentes no componente da alvenaria Sais solúveis presentes na água de amassamento ou umidade infiltrada Cal não carbonatada

Escovamento da superfície. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Manchas esverdeadas ou escuras Revestimento em desagregação Empolamento da pintura, apresentando- se as partes internas das empolas na cor: -branca -preta Vesículas -vermelho acastanhada Bolhas contendo umidade no interior

Umidade constante

Eliminação da infiltração da umidade. Lavagem com solução de hipoclorito. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Bolor

Área não exposta ao sol

-Hidratação retardada de óxido de cálcio da cal -Presença de pirita ou de matéria orgânica na areia -Presença de concreções ferruginosas na areia Aplicação prematura de tinta impermeável. Infiltração de umidade

Renovação da camada de reboco.

Eliminação da infiltração da umidade. Renovação da pintura.

Descolamento com empolamento

A superfície do reboco descola do emboço formando bolhas, cujos diâmetros aumentam progressivamente O reboco apresenta som cavo sob percussão. A placa apresenta-se endurecida, quebrando com dificuldade Sob percussão o revestimento apresenta som cavo

Hidratação retardada do óxido de magnésio da cal A superfície de contato com a camada inferior apresenta placas freqüentes de mica. Argamassa muito rica. Argamassa aplicada em camada muito espessa.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento.

Descolamento A placa apresenta-se endurecida, mas quebradiça desagregando-se com facilidade

em placas

A superfície da base é muito lisa. A superfície está impregnada com substância hidrófuga.

Renovação do revestimento:

-Apicoamento da base; -eliminação da base hidrófuga;

Sob percussão o revestimento apresenta som cavo Ausência da camada de chapisco

-aplicação de chapisco ou outro artifício para melhoria de aderência.

_______________________________________________________________________________ 225 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Manifestações

Aspectos Observados A película de tinta descola arrastando o reboco que se desagrega com facilidade.

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Excesso de finos no agregado. Traço pobre.

Reparos

Descolamento Traço rico em cal. com pulverulência Fissuras Horizontais Apresenta-se ao longo de toda a parede. Descolamento do revestimento em placas, com som cavo sob percussão. O reboco apresenta som cavo sob percussão. Ausência de carbonatação de cal. O reboco foi aplicado em camada muito espessa. Expansão da argamassa de assentamento por hidratação retardada do óxido de magnésio da cal. Expansão da argamassa de assentamento por reação cimento-sulfatos, ou devida à presença de argilo-minerais expansivos no agregado. Fissuras Mapeadas As fissuras têm forma variada distribuem-se por e toda a superfície. Retração da argamassa de base.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento após hidratação completa da cal da argamassa de assentamento.

A solução a adotar é função da intensidade da reação expansiva. Renovação do revestimento. Renovação da pintura.

_______________________________________________________________________________ 226 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Referências

1 . ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7211. Agregado para Concreto. Rio de Janeiro, 1983 2 . _____ NBR 5738. Procedimento para moldagem e cura de corpos... Rio de Janeiro, 2003 3 . _____ NBR 5739. Concreto – Ensaio de compressão de corpos ... Rio de Janeiro, 1994 4 . _____ NBR 12655. Concreto – Preparo, Controle e Recebimento. Rio de Janeiro, 2006 5 . _____ NBR NM 33. Concreto – Amostragem de concreto fresco ... Rio de Janeiro, 1998

BAUER, L.A.F.. Materiais de Construção. 2 vol. Rio de Janeiro, Livro Técnico e Científico; 1994. DURANTE, R. Aglomerantes. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Agregados. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Concreto – Qualidade, Classificação e Propriedades. Notas de aula . ST420 – Materiais de Construção 2. Limeira: 2001. FIGUEIREDO, A. e outros. Materiais de Construção Civil II . PCC 2340. Notas de aulas. São Paulo: 1999. HELENE, P.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. São Paulo: PINI, 1993. JACOSKI, C.A. Concreto e Argamassas. Série Didáticos. Chapecó: Argos, 2001, 71 p. LIMA, M.G. Materiais de Construção Civil 2 . EDI-32 Notas de aula. São Paulo: 2000. METHA, P. K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais. . São Paulo: PINI, 1994. MONTEIRO, E.B. – Materiais de Construção Civil 1 . Notas de aula. ??: 2004. NEVILLE, A.M. Propriedades do concreto. Tradução Salvador Giamusso. São Paulo: PINI, 1997 PETRUCCI, E.G.R. Concreto de cimento Portland. Porto Alegre: Globo, 1998, 13a. ed.

_______________________________________________________________________________ 227 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

edu. Porto Alegre: 2005. Mestrado Profissionalizante UFGRS.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.E.. E..F. Notas de aula. _______________________________________________________________________________ 228 Concretos e Argamassas Prof. SILVA.. Dissertação. – Produção de concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto . que pela grande quantidade e variedade não foi possível aqui enumerar .PILZ. S. – Materiais de Construção Civil 1 . Brasília: 2006. Além de diversos outros materiais de diversas faculdades.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful