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Apostila Concreto e Argamassas

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CONCRETOS E ARGAMASSAS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CENTRO TECNOLÓGICO PROF: SILVIO EDMUNDO PILZ

CONCRETOS E ARGAMASSAS
SOBRE ESTA APOSTILA Esta apostila é fruto da compilação de livros, apostilas de disciplinas de outras universidades, dissertações, artigos científicos, normas técnicas e experiência adquirida durante a especialização, mestrado e demais cursos realizados e durante a vida profissional. Aqui fica o agradecimento aos autores, professores e

colaboradores. Não tem a finalidade de ser uma cópia simples e pura, mas uma compilação para atender a ementa da disciplina, procurando uma ordem lógica de aquisição de conhecimentos, porém abordando assuntos que mesmo não estando explícitos na ementa são de fundamental importância para o tema da matéria EMENTA DA DISCIPLINA Propriedades físicas e mecânicas dos materiais componentes do concreto. Ensaios. Características e propriedades do concreto fresco. Propriedades do concreto endurecido. Dosagem do concreto. Controle estatístico e tecnológico do concreto. IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL A disciplina de Concreto e Argamassas se utiliza dos conceitos iniciais da disciplina de Física, Geologia, Materiais de Construção, Química Tecnológica, Resistência dos Materiais e Estatística para dar suporte ao que será estudado nesta disciplina. Reveste-se de importância a disciplina de Concreto e Argamassas para a continuidade dos estudos, pois serve de suporte para as disciplinas de Construção Civil I e II, Concreto Armado I, II e III, Concreto Protendido e outras disciplinas de estruturas, Alvenaria Estrutural e até para a disciplina de Fundações I e II.

______________________________________________________________________________ 1 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA A PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIVIL O conhecimento dos materiais concreto e argamassa, para o Engenheiro Civil é fundamental, pois em qualquer área que irá atuar irá depender e irá usar estes materiais. Como material estrutural o concreto é o mais utilizado, sendo progressivo também o uso em pavimentações rodoviária, obras de arte (grandes estruturas), indústrias de pré-moldados, etc. A argamassa como material de revestimento em edificações tem uso intenso, bem como material de assentamento de pisos, revestimentos, decorações e com um aumento constante do uso de argamassa armada para telhas, paredes, reservatórios, etc. ALGUMAS INFORMAÇÕES INICIAIS A usina de Itaipu utilizou 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Se fossemos fazer esta barragem com uma betoneira de 320 L, e fazendo 30 betonadas por dia levaríamos o equivalente a 7.000 anos para fazer este volume. Em 1900 a produção mundial de cimento era de 10 milhões de toneladas. Em 1998 a produção foi de 1,6 bilhões de toneladas. O consumo de concreto atualmente no mundo representa o equivalente a 1,0 m3 por pessoa por ano no mundo. É o material mais consumido no mundo, depois da água. O uso do material concreto não tem registro de quando foi a primeira utilização, pois nos primórdios da civilização já se usava cinzas vulcânicas, que com sua propriedade ligante e misturadas a outros materiais formava um material trabalhável e durável. Já o uso do material concreto armado, informações de que a primeira vez que foi utilizado, data de 1855 quando o eng. Lambot levou um barco de concreto armado a uma exposição em Paris.

______________________________________________________________________________ 2 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Começo a ter impulso o uso do concreto armado, quando em 1867, Joseph Monier requereu patente para construção de vasos de concreto e posteriormente para tubos, reservatórios, placas, pontes, escadas, etc. O primeiro curso de concreto armado no mundo foi dado em Paris, pelo professor Rabut, em 1897. Brasil Emilio Baungartem que é considerado o pai do concreto armado. A ponte

sobre o Rio do Peixe (Joaçaba) por muitos anos o maior vão do mundo. O prédio do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro foi por muito anos o maior do mundo em concreto armado.

O QUE VAMOS ESTUDAR Inicialmente temos que estudar os materiais componentes do concreto (que também são utilizados em argamassas): agregados, aglomerantes e água (não será estudada nesta disciplina) Nos agregados será visto os tipos, caracterização, propriedades, substâncias nocivas, ensaios em agregados. Nos aglomerantes, estuda-se a função, matérias primas, classificação e um estudo mais aprofundado do cimento, desde a fabricação, constituintes, classificação (tipos de cimento). Após será conhecido os ensaios realizados em agregados e aglomerantes, seus diferentes tipos, como fazer e normas relacionadas aos ensaios. Em seguida será dado início ao estudo do material “concreto”, estudando as propriedades do concreto enquanto “mole” (concreto fresco) e do concreto endurecido. Também será aprendido sobre a produção do concreto, dos cuidados desde a estocagem dos materiais até o lançamento e a cura deste material.

______________________________________________________________________________ 3 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

etc. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. diferenciando os tipos de dosagem e estudando um método de dosagem específico e através de cálculos elaborar um traço de concreto. revisando os conceitos necessários.Não se pode falar de concreto sem pensar que seja um material durável e então será estudado o assunto “Durabilidade do concreto”. ______________________________________________________________________________ 4 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Estudaremos ainda como fazer dosagem de concreto. Todo este conhecimento de concreto será adquirido com o apoio de aulas em laboratório e ensaios que os alunos deverão fazer durante o semestre em horário fora de aula.edu. onde veremos da importância da produção de um concreto durável. quais são os agentes agressivos a este material. onde estudaremos as propriedades dos revestimentos e patologias dos revestimentos que nos darão embasamento sobre os quesitos necessários para uma boa argamassa. Neste ponto já se pode falar sobre a questão do controle de produção do concreto e como fazer para saber se o concreto produzido atende os requisitos exigidos controle e aceitação do concreto. Finalizando a disciplina será estudado brevemente as argamassas.

em sua durabilidade e no desempenho estrutural. Superfície específica . Agregado miúdo . alguns critérios seletivos para a obtenção dos agregados. ou mistura de ambas).075mm (areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. São apresentados também. exercendo nítida influência não apenas na resistência mecânica do produto acabado como. impermeabilidade.relação entre a área total da superfície dos grãos e sua massa. baseados nas experiências nacional e estrangeira. tração na flexão. também. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Agregado graúdo . Procura-se. tais como: resistência à compressão. ______________________________________________________________________________ 5 Concretos e Argamassas Prof.material granular cujos grãos passam na peneira de 4. geralmente inerte.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . apresentar as principais propriedades dos agregados. ALGUMAS DEFINIÇÕES INICIAIS Agregado . não é de se surpreender que a qualidade destes seja de importância básica na obtenção de um bom concreto. brita e seixo rolado).AGREGADOS Uma vez que cerca de ¾ do volume do concreto são ocupados pelos agregados. analisando o seu grau de importância e responsabilidade na geração das características essenciais aos concretos. Caracterização .material granular cujos grãos passam na peneira com abertura de malha 150 mm e ficam retidos na peneira de 4. trabalhabilidade e retratilidade.75 mm e que ficam retidos na peneira de 0. neste capítulo. proporcionando concretos que irão corresponder plenamente às expectativas de projeto e execução das obras onde serão empregadas. de dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos.determinação da composição granulométrica e de outros índices físicos dos agregados de modo a verificar as propriedades e características necessárias à produção de concreto e argamassas.material granular sem forma e volume definidos. durabilidade.edu.75 mm (pedregulho.

. de determinado local do lote. escória britada. • à massa unitária. a Norma Brasileira NBR 7211 define agregado da seguinte forma: • Agregado miúdo → Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. eles podem ser: • naturais → já são encontrados na natureza sob a forma definitiva de utilização: areia de rios. seja na fonte de produção. . a) Quanto à origem. Amostra de campo .075 mm. • industrializados → aqueles que são obtidos por processos industriais: argila expandida.. neste caso 4.. obtida segundo a NBR NM 27:2001. É obtida a partir de várias amostras parciais.8 mm (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm.porção representativa de um lote de agregado. Deve-se observar aqui que o termo artificial indica o modo de obtenção e não se relaciona com o material em si.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. CLASSIFICAÇÃO DOS AGREGADOS Os agregados podem ser classificados quanto: • à origem.amostra de agregado representativa da amostra de campo. destinada à execução de ensaio em laboratório. • às dimensões das partículas. coletada nas condições prescritas na NBR NM 26:2001. seixos rolados. cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4. Amostra de ensaio . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de uma só vez.. pedra britada. areia artificial. . ou a mistura de ambas.edu. b) Quanto à dimensão de suas partículas. . ______________________________________________________________________________ 6 Concretos e Argamassas Prof.Amostra parcial – parcela de agregado retirada. armazenamento ou transporte.. • artificiais → são obtidos pelo britamento de rochas: pedrisco. cascalhos.8 mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0. pedregulhos.

deve ser um elemento inerte. por suas massas específicas (densidade): Leves: M. médios e pesados podem ser caracterizados.0 t/m3 Médios: 2.9 3.0 t/m3) 2. ou seja: ______________________________________________________________________________ 7 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0 Os agregados leves. ≤ 3.3 0. a designação dimensão máxima indica a abertura de malha (em milímetros) da peneira da série normal à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou inferior a 5%. médios e pesados. Veja na frente mais detalhadamente. Veja a tabela abaixo: Massas unitárias médias Leves (menor que 1.• Agregado graúdo → o agregado graúdo é o pedregulho natural.E. c) Quanto à massa unitária pode-se classificar os agregados em leves. < 2.45 1.5 1. ou a pedra britada proveniente do britamento de rochas estáveis.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2 3.6 1.5 1.0 t/m3 Pesados: M.0 t/m3) 1.3 Escória granulada 1.0 t/m3 Características das rochas de origem: a) Atividade – o agregado pela própria definição.4 1.0 a 2. Referindo-se ao tamanho do agregado. cujos grãos passam pela peneira ABNT 152 mm e ficam retidos na peneira ABNT 4.E.E.8 mm.0 ≤ M.5 1.7 Barita Hematita Magnetita Pesados (acima de 2. também. ou a mistura de ambos.0 t/m3) Vermiculita Argila expandida 0.8 Calcário Arenito Cascalho Granito Areia seca ao ar Basalto Escória Médios (1. > 3.

Quem confere esta propriedade aos concretos é o agregado. a capacidade que tem o agregado de não se alterar quando manuseado (carregamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A resistência à abrasão mede. Ao desgaste superficial dos grãos de agregado quando sofrem “atrição”. assim como a escória de alto forno resfriada ao ar. As rochas sedimentares apresentam resistência um pouco abaixo das ígneas. basculamento. O ensaio se faz em corposde-prova cúbicos de 4 cm de lado. estes materiais não apresentam qualquer restrição ao seu emprego no preparo de concreto normal. apresentam resistências médias à compressão da seguinte ordem : Rochas Granito ( Serra da Cantareira. não deve conter incompatibilidade térmica entre seus grãos e a pasta endurecida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. • ao desgaste : a pasta de cimento e água não resiste ao desgaste .• • • não deve conter constituintes que reajam com o cimento “fresco” ou endurecido. estocagem). dá-se o nome de abrasão. SP ) Granito ( RJ ) Basalto Resistência à Compressão 154 MPa 120 MPa 150 MPa Sob o aspecto de resistência à compressão. As rochas ígneas. b) Resistência Mecânica • à compressão : a resistência varia conforme o esforço de compressão se exerça paralela ou perpendicularmente ao veio da pedra. pois tem resistência muito superior às máximas dos concretos. portanto. ______________________________________________________________________________ 8 Concretos e Argamassas Prof. não deve sofrer variações de volume com a umidade.

determinando-se a perda de peso após 5 ciclos de imersão por 20 horas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A resistência à abrasão é medida na máquina “Los Angeles”. seguidas de 4 horas de secagem em estufa a 105°C. Retirada do cilindro. dentro do qual a amostra de agregado é colocada juntamente com esferas de ferro fundido. O cilindro é girado durante um tempo determinado. pois o concreto sofre grande atrição. em essência. de eixo horizontal. o peso do material que passa. em vertedouros de barragens e em pistas rodoviárias. É de 15% a perda máxima admissível para agregados miúdos e de 18% para agregados graúdos. expresso em porcentagem do peso inicial. a resistência à abrasão é característica muito importante. é a “Abrasão Los Angeles”. que consta. c) Durabilidade O agregado deve apresentar uma boa resistência ao ataque de elementos agressivos.edu. dando as características da máquina e das cargas de agregado e esferas de ferro.7mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de um cilindro oco. A NBR 6465 trata do ensaio à abrasão. sofrendo o agregado atrição e também um certo choque causado pelas esferas de ferro. a amostra é peneirada na peneira de 1. quando for usada uma solução de sulfato de magnésio. como por exemplo em pistas de aeroportos. O ensaio consiste em submeter o agregado à ação de uma solução de sulfato de sódio ou magnésio.Em algumas aplicações do concreto. Principais propriedades físicas dos agregados • • • • • • Massa específica Massa unitária Índice de vazios Compacidade Finura Área específica ______________________________________________________________________________ 9 Concretos e Argamassas Prof.

10 kg/dm3 Areia: 2.7 litros Se com 1 kg de cimento. a massa específica varia entre 2600 e 2700 kg/m3. para 1 m3 de concreto (1000l) serão precisos: 1 x 1000/3.Massa Específica! O que é isto? Para efeito de dosagem do concreto.8 kg / 2.32 dm3 = 0. ______________________________________________________________________________ 10 Concretos e Argamassas Prof.81 dm3 = 1. para materiais secos (traço de um concreto define a proporção unitária entre seus materiais constituintes. coloca-se água no interior do frasco até sua marca padrão de 200 ml.90 =256 kg de cimento.7 kg Conhecendo-se as massas específicas desses materiais: Cimento: 3. faz-se essa leitura e do valor obtido diminuem-se os 200 ml. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.32 litros Areia: 2.7 kg / 1 kg/dm3 = 0. introduz-se cuidadosamente o material. A água subirá no gargalo do frasco até uma certa marca (L).90 l de concreto.81 litros Água: 0.10 = 0. portanto somente é necessário a determinação da massa específica do agregado. Para muitas rochas comumente utilizadas.65 kg/dm3 = 1.62 kg/dm3 Pedregulho: 2. teremos a massa específica real ou peso específico real.65 kg/dm3 Água: 1 kg/dm3 Temos os volumes de “cheios” deste material: Cimento: 1 / 3. Massa Específica (kg/m3) Granito Arenito Calcário 2690 2650 2600 Da amostra representativa. obtém-se 3. assim. o valor absoluto de areia. obtendo-se.07 dm3 = 1. incluindo os poros existentes dentro das partículas. é importante conhecer o volume ocupado pelas partículas do agregado.07 litros Pedregulho: 4.E = ρ = Para que serve a massa específica? 500 kg / l L − 200 Seja o traço em peso de um concreto.8 kg / 2. dividindo-se o peso dos 500g de areia pelo volume achado.edu. incluindo os poros internos das partículas.7 dm3 = 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .62 kg/dm3= 1. A massa específica é definida como a massa do material por unidade de volume. considerando-se o cimento como unidade de medida): Cimento: 1 kg Areia: 2.8 kg Pedregulho: 4. colhida de acordo com a NBR 7216. M. empregando-se as proporções de areia e pedregulho especificadas anteriormente.8 kg Água: 0. pesam-se 500g de areia seca.

1 kg/dm3 = 0.00 : 2. tal fenômeno surge porque não é possível empacotar as partículas dos agregados juntas.4 kg/dm3= 2.8 kg / 1. ou também. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. neste caso. No caso do agregado graúdo.edu.90 dm3 Areia: 2.22 dm3 Pedregulho: 3.90 = 3. para cálculos de consumo de materiais a serem empregados no concreto.4 kg/dm3 Pedregulho: 1.Massa Unitária! O que é isto? Segundo a NBR 7810 a massa unitária é a massa da unidade de “volume aparente” do agregado. na dosagem de concretos.33 ______________________________________________________________________________ 11 Concretos e Argamassas Prof.00 dm3 / 0.1 kg/dm3 Areia: 1.U = Massa do recipiente cheio − tara Capacidade do recipiente Para que serve a massa unitária? Seja o traço em massa de concreto com materiais secos: Cimento: 1 kg Areia: 2.90 dm3 / 0. a superfície do agregado é rasada e nivelada com uma régua.6 kg/dm3 = 3. Sua determinação deverá ser feita em recipiente.8 kg / 1. O termo massa unitária é assim relativo ao volume ocupado por ambos: agregados e vazios. incluindo na medida deste volume os vazios entre os grãos.90 = 1. Definindo massa unitária de outra maneira. A importância de se conhecer a massa unitária aparente vem da necessidade. de volume nunca inferior a 15 litros.90 = 2.6 kg/dm3 Temos o traço em volume correspondente: Cimento: 1 kg /1. isto é.33 dm3 Traço transformado para volume: 1. com forma de paralelepípedo. expressa em kg/dm3. A massa unitária.8 kg Conhecendo-se as massas unitárias ou aparentes para: Cimento: 1.22 : 3.00 dm3 Areia: 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .90: Cimento: 0.00 dm3 Como em todo traço unitário de concreto o cimento é sempre a unidade de medida. os resultados encontrados por 0. poderíamos dizer que massa unitária é definida como a massa das partículas do agregado que ocupam uma unidade de volume. A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados em concreto normal varia de 1300 a 1750 kg/m3.00 dm3 Pedregulho: 4. Quanto ao enchimento do recipiente. a superfície é regularizada de modo a compensar as saliências e reentrâncias das pedras. o material deverá ser lançado de uma altura que não exceda a 10 cm da boca. de tal forma que não exista espaços vazios. de transformar um traço em massa para volume e vice-versa. é obtida pelo quociente: M. dividiremos. Após cheio.00 dm3 / 0.8 kg Pedregulho: 4.

por isso podemos dizer que os totais de espaços vazios nos agregados miúdos e graúdos independem do tamanho máximo dos grãos. apresentará.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . entretanto.edu. A mistura de agregados miúdos e graúdos. i= Agregado Miúdo V v V g Agregado Graúdo No caso dos agregados miúdos o espaço intergranular é menor que nos agregados graúdos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sempre. Compacidade (c): é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o volume total do agregado. um menor volume de vazios. c= Vg Va ______________________________________________________________________________ 12 Concretos e Argamassas Prof. porém a quantidade destes espaços vazios é bastante superior.Índice de Vazios: é a relação entre o volume total de vazios e o volume total de grãos.

superfície de área maior que a esfera. a área da superfície de uma esfera de igual diâmetro. ______________________________________________________________________________ 13 Concretos e Argamassas Prof. para o preparo de concreto por causa de sua grande finura e teor de cloreto de sódio. As areias das praias não são usadas. a areia é utilizada para a construção de filtros. areia é o agregado miúdo.edu. Agregados Naturais: Areia natural: considerada como material de construção. em geral. contudo. dizse que ele tem maior finura. os agregados com grãos mais regulares têm menor superfície específica. Área específica: é a soma das áreas das superfícies de todos os grãos contidos na unidade de massa do agregado. de cavas (depósitos aluvionares em fundos de vales cobertos por capa de solo) ou de praias e dunas. o grão real tem. A areia pode originar-se de rios.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . constitui o material de correção do solo (sub-base). para a mesma granulometria.Finura: quando um agregado tem seus grãos de menor diâmetro que um outro. devido a sua grande permeabilidade. Utilizações da areia natural: • Preparo de argamassas. • Concreto de cimento • Pavimentos rodoviários • Filtros constitui o agregado miúdo dos concretos). destinados a interceptar o fluxo de água de infiltração em barragens de terra e em muros de arrimo. A forma dos grãos de brita é irregular e sua superfície extremamente rugosa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Admite-se para área da superfície de um grão. O mesmo ocorre com as areias de dunas próximas do litoral. a areia entra na dosagem dos inertes do concreto betuminoso e tem a importante propriedade de impedir o amolecimento do concreto betuminoso dos pavimentos de ruas nos dias de intenso calor). • Concreto betuminoso juntamente com fíler.

______________________________________________________________________________ 14 Concretos e Argamassas Prof. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. O cascalho também pode ser de origem litorânea marítima. formado de grãos de diâmetro em geral superior a 5 mm. é um sedimento fluvial de rocha ígnea. Classificação do autor Falcão Bauer em seu livro “Materiais de construção” Denominação Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 Diâmetro (mm) 1. O pedregulho deve ser limpo. O concreto executado com pedregulho é menos resistente ao desgaste e à tração do que aquele fabricado com brita.15 /4.20. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quer dizer.2 a 9. Seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento e passam na peneira 200 (0.edu.8mm. dos quais se retira a fração inferior a 0. inconsolidado.075mm.075 mm). Fíler: agregado de graduação 0. podendo os grãos maiores alcançar diâmetros até superiores a cerca de 100 mm.15 mm. É chamado de pó de pedra. já que o ideal é que os miúdos ocupem os vãos entre os graúdos. na proporção 1 para mais ou menos 1.Seixo rolado ou cascalho: também denominado pedregulho. lavado antes de ser fornecido. Sua graduação é 0. pelo processo industrial da cominuição (fragmentação) controlada da rocha maciça. Deve ser de granulação diversa.8 a 19 19 a 38 25 a 50 50 a 76 Areia de brita ou areia artificial: agregado obtido dos finos resultantes da produção da brita. Agregados Artificiais Pedra britada: agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em jazidas.005/0.5 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

São empregados principalmente o pedrisco. Pode conter uma parcela de solo. com graduação aproximada de 0/300mm. Blocos: fragmentos de rocha de dimensões acima do metro. Não obstante isso. Restolho: material granular.edu. Pode ser classificada em primária ou secundária. A NBR 9935 define rachão como “pedra de mão”. de grãos em geral friáveis (que se partem com facilidade). É também usado o pó de pedra. depois de devidamente reduzidos em tamanho.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que padroniza a pedra britada nas dimensões hoje consagradas pelo uso. vão abastecer o britador primário. de dimensões entre 76 e 250 mm. trata de agregado para concreto. na adição a cimentos.O fíler é utilizado nos seguintes serviços: • • • • na preparação de concretos. e apesar de as curvas granulométricas médias dos agregados comerciais não coincidirem totalmente com as curvas médias das faixas da Norma. A NBR 7211. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Será primária quando deixar o britador primário. na preparação da argamassa betuminosa. a pedra 1 e a pedra 2. Bica-corrida: material britado no estado em que se encontra à saída do britador. com graduação aproximada de 0/76mm. apesar de ter ele distribuição granulométrica não coincidente com a do agregado miúdo padronizado para concreto (areia). A tecnologia do concreto evoluiu. ______________________________________________________________________________ 15 Concretos e Argamassas Prof. como espessante de asfaltos fluidos. emprega-se o agregado em extensa gama de situações: • concreto de cimento: o preparo de concreto é o principal campo de consumo da pedra britada. dependendo da regulagem e tipo de britador. para preencher vazios. que. Rachão: agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. de modo que o pó de pedra é usado em grande escala. É a fração acima de 76 mm da bica corrida primária. Será secundária quando deixar o britador secundário.

graduações estas que diferem das pedras britadas. Isto se deve ao ter ele de satisfazer peculiar forma de distribuição granulométrica. alto índice de suporte do que quando se usam solos argilosos. ferro. formada. constituído de grãos lamelares de dimensões inferiores a dois micrômetros. de apresentar formação de gases quando aquecida a altas temperaturas (acima de 1000oC). seja concreto de enchimento. areias. O concreto de argila expandida. pedras 1. obtendo-se mais facilmente. Agregados Industrializados 1) Agregados Leves a) Argila expandida: a argila é um material muito fino. 2 e 3. Correção de solos: usa-se o pó de pedra para correção de solos de plasticidade alta.• Concreto asfáltico: o agregado para concreto asfáltico é necessariamente prédosado. de silicato de alumínio e óxidos de silício. O principal uso que se faz da argila expandida é como agregado leve para concreto. precisa ser dotada da propriedade de piroexpansão. misturando-se diversos agregados comerciais. • • Argamassas: em certas argamassas de enchimento.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em proporções muito variáveis. magnésio e outros elementos. seja concreto estrutural ou pré-moldados – com resistência de até fck 30MPa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Aterros: podem ser feitos com restolho. Pavimentos rodoviários: para este emprego. São usados: fíler. e consta praticamente de pedra 3. de traço mais apurado. • • • Lastro de estradas de ferro: este lastro está padronizado pela NBR 5564. Nem todas as argilas possuem essa propriedade. Para se prestar para a produção de argila expendida. isto é. além da baixa ______________________________________________________________________________ 16 Concretos e Argamassas Prof. podem ser usados a areia de brita e o pó de pedra. a NBR 7174 fixa três graduações para o esqueleto e uma para o material de enchimento das bases de macadame hidráulico.

contra 26 do concreto de brita de granito ou de basalto. 2) Agregados Pesados a) Hematita: a hematita britada constitui os agregados miúdo e graúdo que são usados no preparo do concreto de alta densidade (dito “concreto pesado”) destinado à absorção de radiações em usinas nucleares (escudos biológicos ou blindagens). uma vez britada. pode produzir um agregado graúdo.8. b) Escória de alto-forno: é um resíduo resultante da produção de ferro gusa em altos-fornos. c) Vermiculita: é um dos muitos minérios da argila. de que resulta um agregado da ordem de 12. após receber um jato de vapor. que pode variar de 6 a 15 kN/m3.4. apresenta muito baixa condutividade térmica – cerca de 1/15 da do concreto de britas de granito.0 a 1. e também em concreto estrutural. aproximadamente. Usa-se a escória expandida como agregado graúdo e miúdo no preparo de concreto leve em peças isolantes térmicas e acústicas. constituído basicamente de compostos oxigenados de ferro. O grau de absorção cresce com o aumento da densidade do concreto ______________________________________________________________________________ 17 Concretos e Argamassas Prof. então. silício e alumínio.edu.densidade de 1. com resistência a 28 dias da ordem de 8-20 MPa e densidade da ordem de 1.8mm. a escória expandida. Quando é imediatamente resfriada em água fria.5/32 mm. A escória simplesmente resfriada ao ar. ao sair do alto forno (escória bruta). produzindo-se. resulta a escória granulada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A escória granulada é usada na fabricação do cimento Portland de alto-forno. Blocos e painéis pré-moldados usando argila expandida prestam-se bem a ser usados como isolantes térmicos ou acústicos. Normalmente. A vermiculita expandida tem os mesmos empregos da argila expandida. que permite obter um agregado miúdo de graduação 0/4. no que são auxiliados pela baixa densidade do material.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a escória é resfriada com jatos de água fria.

Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo material retido por peneira e acumulado. necessário conhecer quais são as parcelas constituídas de grãos de cada diâmetro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Exigências normativas da NBR 7211 1) Granulometria: define a proporção relativa. a barita também é usada no preparo de concretos densos. divide-se. com as seguintes aberturas discriminadas: ______________________________________________________________________________ 18 Concretos e Argamassas Prof. então.edu. expressas em função da massa total do agregado.a) Barita: pela sua alta densidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . expressa em porcentagem. que atendem a NBR 5734. A granulometria dos agregados é característica essencial para estudo das dosagens do concreto. a) Peneiras (Série Normal e Série Intermediária): conjunto de peneiras sucessivas. Para caracterizar um agregado é. Para conseguir isto. por peneiramento. dos diferentes tamanhos de grãos que se encontram constituindo um todo. a massa total em faixas de tamanhos de grãos e exprime-se a massa retida de cada faixa em porcentagem da massa total.

3 mm 0.8 mm 2.8 mm 2.5 mm 6.PENEIRAS Série Normal 76 mm 38 mm 19 mm 9. em massa. retida acumulada na peneira ABNT Peneira ABNT 9.3 mm 4. ______________________________________________________________________________ 19 Concretos e Argamassas Prof.150 Série Intermediária 64 mm 50 mm 32 mm 25 mm 12.15 mm Zona 1 (muito fina) 0 0a3 0a5 0a5 0 a 10 0 a 20 50 a 85 85 a 100 Zona 2 (fina) 0 0a7 0 a 10 0 a 15 0 a 25 21 a 40 60 a 88 90 a 100 Zona 3 (média) 0 0a7 0 a 11 0 a 25 10 a 45 41 a 65 70 a 92 90 a 100 Zona 4 (grossa) 0 0a7 0 a 12 5 a 40 30 a 70 26 a 85 80 a 95 90 a 100 * Pode haver uma tolerância de até um máximo de cinco unidades de porcento em um só dos limites marcados com o (*) ou distribuídos em vários deles.6 mm 0.2 0.5 4.5 mm 6.300 0.2 mm 0.3 - b) Limites granulométricos do agregado miúdo Porcentagem.4 mm 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4 mm 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.600 0.

4 1.6 0.5 9. dividida por 100. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. nas peneiras da série normal.2 0.c) Limites granulométricos do agregado graúdo A NBR 7211 classifica os agregados graúdos segundo a tabela abaixo: Porcentagens retidas acumuladas Peneiras 0 76 63 50 38 32 25 19 12.4 0 0 – 10 80 – 100 95 – 100 Classificação (Graduação) 1 0 0 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 2.edu.30 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - d) Módulo de finura (Mf): é a soma das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado. Exemplo: PENEIRAS (mm) 4.3 0.3 4.5 6.8 2.15 Fundo MATERIAL RETIDO (g) 30 70 140 320 300 120 20 Σ = 1000g % SIMPLES % ACUMULADO ______________________________________________________________________________ 20 Concretos e Argamassas Prof.10 80 – 100 92 – 100 95 – 100 - 2 0 0 – 25 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - 3 0 0 – 30 75 – 100 87 – 100 95 – 100 - 4 0 0 .

5mm Brita 2→ (Dm) = 25mm Brita 3→ (Dm) = 38mm Brita 4→ (Dm) = 76mm Brita 5→ (Dm) = 100mm Na tabela acima.8 mm que o percentual retido acumulado é igual ou imediatamente inferior a 5%. da peneira listada na tabela 6. que definem o coeficiente de forma. correspondente à abertura de malha quadrada. As britas podem ser classificadas em: Brita 1→ (Dm) = 12.Obs. o diâmetro máximo do agregado é 4.11 Média: 2.71 e) Dimensão Máxima (Dm) : grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado. largura (l) e espessura (e). cúbicos. os agregados classificam-se em alongados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Atenção! Os módulos de finura para a areia.edu. ______________________________________________________________________________ 21 Concretos e Argamassas Prof. conforme sejam as relações entre as três dimensões. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Na tabela anterior todas as peneiras são da série normal.12 < MF < 2. lamelares e discóides. à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. pois é na peneira 4. 2) Forma dos grãos: os grãos dos agregados não tem forma geometricamente definida.8 mm.72 < MF < 2. em mm. por isso para o cálculo do módulo de finura somou-se todos os percentuais retidos acumulados.71 Grossa: MF > 2. a) Quanto às dimensões: Com relação ao comprimento (l).71 Fina: 1. variam entre os seguintes limites: Muito fina: MF < 1.

c) Quanto à forma das faces: • • conchoidal: quando tem uma ou mais faces côncavas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Calcários estratificados. defeituoso: quando apresentam trechos convexos. se preparadas com areia artificial. arenitos e folhelho tendem a produzir fragmentos alongados e achatados. constituindo o que se chama de argamassas duras. enquanto aquelas cujo comprimento é consideravelmente maior do que as outras duas dimensões são chamadas de alongadas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por exemplo. à trabalhabilidade e ao ângulo de atrito interno. arredondados: quando não apresentam arestas vivas (seixos). b) Quanto à conformação da superfície: Partículas formadas por desgaste superficial contínuo tendem a ser arredondadas. Aquelas partículas cuja espessura é relativamente pequena em relação as outras duas dimensões são chamadas de lamelares ou achatadas. pela perda de vértices e arestas. ______________________________________________________________________________ 22 Concretos e Argamassas Prof. especialmente quando são usados britadores de mandíbula no beneficiamento. e também nos depósitos eólicos em zonas marítimas. Argamassas de revestimento. • • angulosos: quando apresentam arestas vivas e pontas (britas). como é o caso das areias e seixos rolados formados nos leitos dos rios. ficam tão rijas que não se podem espalhar com a colher. A forma dos grãos tem efeito importante no que se refere à compacidade. tendo geralmente uma forma bem arredondada. Agregados de rochas britadas possuem vértices e arestas bem definidos e são chamados angulosos.edu. A influência da forma é mais acentuada nos agregados miúdos.

contra 70 a 90% na brita de basalto.Os agregados naturais tem grãos cubóides. a) Torrões de Argila São denominadas todas as partículas de agregado desagregáveis sob pressão dos dedos (torrões friáveis). a forma dos grãos depende da natureza da rocha e do tipo de britador. devido a maior aderência dos grãos à argamassa. que produz apreciável quantidade de grãos lamelares. 3) Substâncias nocivas: são aquelas existentes nas areias ou britas que podem afetar alguma propriedade desejável no concreto fabricado com tal agregado. O cascalho apresenta 92. contra as superfícies angulosas e extremamente irregulares dos grãos dos agregados industrializados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . além disso. de superfície arredondada e lisa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Concretos preparados com agregados de britagem exigem 20% mais água de amassamento do que os preparados com agregados naturais. sob a forma de torrões é bastante nociva.28% de grãos cúbicos.edu. concretos de agregados de britagem têm maiores resistências ao desgaste e à tração. Torrões de Argila Afeta trabalhabilidade Resistência Abrasão ______________________________________________________________________________ 23 Concretos e Argamassas Prof.5 % . Apesar disso. maior resistência à desgraduação (alteração da distribuição granulométrica por quebra de grãos). sendo os grãos lamelares os mais prejudiciais. para a resistência de concreto e argamassas e o seu teor é limitado a 1. O granito produz grãos de melhor forma que o basalto. Apresentam. Tornam as argamassas mais trabalháveis que os artificiais. Nos agregados artificiais. A presença de areias ou argila.

propiciam maiores alterações de volume nos concretos. A cor escura da areia é indício de matéria orgânica (exceto para agregado resultante de rocha escura como o basalto) as impurezas orgânicas formadas por húmus exercem uma ação prejudicial sobre a pega e o endurecimento das argamassas e concretos. porém poderá arrastar os grãos mais finos da areia. ______________________________________________________________________________ 24 Concretos e Argamassas Prof. São detritos de origem vegetal na maior parte. São partículas minúsculas. intensificando sua retração e reduzindo sua resistência. de um modo geral. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.b) Material Pulverulento As areias contém uma pequena percentagem de material fino. reduzindo a trabalhabilidade • • 3% para concreto submetido a desgaste superficial 5% outros concretos Material passante na peneira de 75 µm Afeta durabilidade c) Impurezas Orgânicas Aumenta consumo de água A matéria orgânica é a impureza mais freqüente nas areias. e portanto passando na peneira de 0. Os finos de certas argilas. Ensaio colorímetrico Indica a existência ou não de impurezas orgânicas. A argila da areia pode ser eliminada por lavagem.edu. mas em grande quantidade chegam a escurecer a argila.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando presentes em grandes quantidades.075 mm. constituído de silte e argila. Os finos. aumentam a exigência de água para uma mesma consistência.

linhito. madeira. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Cuidado com alguns aditivos aceleradores de pega que contém cloretos (não usar em concreto protendido). Carvão Afeta trabalhabilidade e) Cloretos Causa manchas Em presença excessiva podem causar certos problemas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que por sua constituição e forma podem ser prejudicial ao concreto) ______________________________________________________________________________ 25 Concretos e Argamassas Prof. Máximo de 0. f) Sulfatos Podem acelerar e em certos casos retardar a pega do cimento. Dão origem e expansão no concreto pela formação de etringita (formação mineral.d) Materiais carbonosos Partículas de carvão. • No concreto aceleram o processo de corrosão do aço.5 % para concretos onde a aparência é importante e 1% para os demais concretos. diminuindo a resistência do concreto. • Nas argamassas geram o aparecimento de eflorescências e manchas de umidade. Diminuem também a resistência à abrasão.edu. São considerados prejudiciais pois são materiais de baixa resistência.

promovem a abertura e propagação das descontinuidades. dos agregados. com conseqüente aumento da permeabilidade e diminuição da resistência química do concreto a agentes externos. Por serem processos químicos favorecidos pela variação de umidade. ocorrem preferencialmente em concretos de barragens ou em estruturas de fundações. A caracterização das reações álcali-agregado através de seus produtos permite avaliar o grau de comprometimento da estrutura e balizar eventuais ações para minimização dos danos decorrentes. ______________________________________________________________________________ 26 Concretos e Argamassas Prof. eventualmente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.6% quando os agregados utilizados para produção de concretos contiverem tais minerais.edu.g) Reatividade Álcali-Agregado (ou Reatividade Potencial) As reações álcali-agregado são processos químicos que envolvem os álcalis do cimento e agregados cujas características minerais ou texturais os tornam reativos. desenvolvendo-se em fissuras e vazios da argamassa e. Seus produtos são géis alcalinos e materiais cristalinos expansivos que. o teor máximo de álcalis para os cimentos é determinado em 0. Experimentalmente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

______________________________________________________________________________ 27 Concretos e Argamassas Prof. Deste afastamento resulta o inchamento. Saturado apresenta água livre na superfície. Teor de umidade (%) razão entre a massa de água contida numa amostra e a massa desta amostra seca. sem água livre. estando porém preenchidos os vazios permeáveis das partículas dos agregados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sem estar saturado Seco superfície seca.Umidade e Inchamento dos agregados È importante conhecer o teor de umidade dos agregados (principalmente os miúdos).edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . tendo porém umidade interna. Ensaios mostram que a água livre aderente aos grãos provoca um afastamento entre eles. devido ao fenômeno do inchamento. externa ou interna foi eliminada por um Seco ao ar quando não apresenta umidade superficial. INCHAMENTO A areia na obra apresenta-se normalmente úmida e o teor de umidade varia normalmente de 4 a 6%. CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS Seco em estufa aquecimento a 100oC toda umidade.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo que nesta faixa se dá o inchamento máximo estes teores o inchamento decresce. É maior para areias mais finas. após ______________________________________________________________________________ 28 Concretos e Argamassas Prof.edu. O inchamento aumenta com o acréscimo de umidade até um teor de 4 a 6%. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.O inchamento depende da composição granulométrica e do grau de umidade.

Algumas fórmulas para o cálculo de umidade e inchamento nos agregados miúdos: h% = Págua Pareia seca × 100 Págua = Pah − Pas Ch h = 100 Vah − Vas Vas Vah − Vas × 100 Vas h ⎞ ⎛ Pah = Pas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ Ci = I ⎞ ⎛ Vah = Vas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ I% = Ci = d as (1 + C h ) − 1 d ah Vah = Pah d ah Vas = Pas d as h% = percentual de umidade I% = percentual de inchamento Vah= volume de areia úmida Vas = volume de areia seca Pah = peso de areia úmida Pas = peso de areia seca das = massa unitária da areia seca dah = massa unitária da areia úmida Ci = coeficiente de inchamento Ch = coeficiente de umidade ______________________________________________________________________________ 29 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Função • • Aglutinação e colagem dos componentes e elementos Preenchimento de vazios existentes no conjunto aglomerante pasta argamassa + + + água agregado miúdo agregado graúdo PASTA ARGAMASSA CONCRETO _________________________________________________________________________ 30 Concretos e Argamassas Prof. • Apresentam-se na forma pulverulenta (mais comum) e quando misturados com água tem a capacidade de aglutinar. aglutina-os. na confecção de argamassas ou concretos utilizados na construção civil. cal hidráulica Materiais naturais ou artificiais que em estado plástico ou fluído. gesso.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . inertes e que ao endurecerem (física ou quimicamente). Ex: cimento (vários tipos).edu.AGLOMERANTES CONSIDERAÇÕES INICIAIS São produtos utilizados na Construção Civil para fixar ou aglomerar materiais entre si. São utilizados como pastas ou como agregados inertes. tomando as mais diversas formas e resistências simples secagem e/ou conseqüência de reações químicas Endurecimento aderindo à superfície a quais estão em contato. Caracterização envolvem outros materiais sólidos. cal aérea.

em seguida. foi encontrado em algumas edificações egípcias.C. gregas. cinza de bagaço de cana. a cal foi empregada em construções egípcias. Por isto é muito comum hoje em dia o uso de adições. para se utilizar um aglomerante comercialmente. Apesar de ser quimicamente inativa. filler calcário. para aumentar sua resistência mecânica. havendo registros de sua utilização em 2700 a. por aquecimento de rochas calcárias ou gipsíferas ao redor de fogueiras.edu. As pozolanas (solos ou cinzas vulcânicas) eram usadas por gregos e romanos em argamassas de cal e areia. por exemplo. chegando a atingir alguma resistência mecânica. escórias de alto forno. seja na produção de cimentos. _________________________________________________________________________ 31 Concretos e Argamassas Prof. O gesso. a argila torna-se instável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . etc. Contudo. Registros históricos indicam que a argila tenha sido o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem na construção de suas edificações. dolomitos. a argila endurece em conseqüência da evaporação da água de amassamento. depois de endurecida. cinzas volantes. etruscas e romanas. pozolonas. cinza de casca de arroz. ou na argila calcinadas. A descoberta dos aglomerantes quimicamente ativos pode ter sido acidental.Consideração inicial sobre as matérias-primas Pelo grande volume normalmente envolvido quando se fala de aglomerantes na construção civil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. na pirâmide de Quéops. em contato com umidade. devemos levar em conta alguns aspectos quando da produção do mesmo: ASPECTO TÉCNICO pureza as MPs deve ser abundante na natureza e apresentar certa ASPECTO ECONÔMICO aproveitamento apresentar boas condições econômicas o seu ASPECTO AMBIENTAL adição ao concreto metacaulim. causar o menor impacto ambiental possível. a hidratação do material calcinado resultaria uma pasta aglomerante.

O fim da pega ocorre quando a pasta se solidifica completamente. gesso Aéreos endurecimento se manifeste • Hidráulicos do ar o endurecimento pode se efetivar. O interesse se fixa nos aglomerantes quimicamente ativos. mas seu endurecimento continua obedecendo mais ou menos às seguintes relações: _______________________________________________________________________________ 32 Concretos e Argamassas Prof. gesso e cimentos endurecimento Quimicamente ativos decorrente de reação química. inicia-se a fase de endurecimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que é o aglomerante mais importante. altas resistências físico-mecânicas e estáveis. Ex. o que será conseguido somente após anos.edu. reversibilidade do processo. Daí uma nova divisão pode ser feita: • necessitam estar em contato com o AR para que o processo de cales aéreas. a) Início e fim da pega: o tempo de início de pega é contado a partir do lançamento da água no aglomerante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A pega se dá quando a pasta começa a perder sua plasticidade. O fim da pega pode acontecer entre 6 a 10 horas após a mistura. não significando que ela tenha adquirido toda sua resistência. independente da presença cales hidráulicas e cimentos. Quimicamente inertes baixas resistência mecânicas. o início da pega dá-se após no mínimo 1 hora depois da mistura do mesmo com a água. • cales.DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO Uma divisão inicial pode ser feita: • misturas argilosas endurecimento ao ambiente.: Para o cimento Portland. Após o fim da pega.

– início de pega de 30 a 90 minutos. 130% Resistência 28 dias Classificação quanto ao início de pega dos Aglomerantes : • • • • • aglomerantes de pega ultra rápida aglomerantes de pega rápida aglomerantes de pega normal aglomerantes de pega lenta aglomerantes de pega muito lenta – início da pega até 8 minutos. Conhecido também com os nomes de gesso de estucador. a alumina (Al2O3). _______________________________________________________________________________ 33 Concretos e Argamassas Prof. – início de pega após 6 horas. o óxido de ferro (Fe2O3). a cal (CaO). hidratado com 2 moléculas de água. a Gipsita é encontrada em jazidas no Norte e Nordeste.• • • • Resistência 3 dias ≈ Resistência 7 dias ≈ Resistência 91 dias ≈ Resistência 1 ano ≈ 40% Resistência 28 dias.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. cujas reservas são calculadas em 407 milhões de toneladas. 60% Resistência 28 dias 120% Resistência 28 dias. obtido pela desidratação total ou parcial da Gipsita – aglomerante já utilizado pela humanidade há mais de 4. Sua fórmula química é CASO4 + 2 H2O e suas impurezas – que. o carbonato de cálcio (CaCO3).são o silício (SiO2). gesso Paris ou gesso de pega rápida. – início de pega após 90 minutos. indicam 6% . o anidrito sulfúrico (SO3) e o anidrido carbônico (CO2) . – início de pega de 8 a 30 minutos.500 anos. no Egito. GESSO Definição É um aglomerante aéreo (endurece pela ação química do CO2 do ar). Sua desidratação é feita através do cozimento industrial (fornos). no máximo. No Brasil. A Gipsita é o sulfato de cálcio mais ou menos impuro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

(600ºC) CaSO4 . ½ H2O) + 1. realizadas com pressão atmosférica ordinária. transformando-se num material inerte. portanto. utilizado na construção civil) . b) A partir de 250ºC. _______________________________________________________________________________ 34 Concretos e Argamassas Prof. transforma-se em hemidrato. d) Entre 900 e 1200ºC. a anidrita torna-se insolúvel e não é mais capaz de fazer pega. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. (140ºC) CaSO4 .EFEITOS DA QUEIMA a) As pedras de gipsita. rapidamente. que é mais solúvel que o diidrato (o hemidrato apresenta-se como sólido micro poroso mal cristalizado. e que. este retrai bem menos do que sua dilatação inicial. muito usado em moldagem. conhecido como hemidrato (B). gesso estuque ou gesso Paris e endurece entre 15 e 20 minutos.edu. são queimadas na temperatura entre 130 e 160ºC.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . após seu endurecimento. o gesso sofre a separação do SO3 e da CaO. passando de diidrato para hemidrato. 2H2O + calor → (CaSO4 .3% e. 2H2O + calor → CaSO4 + 2H2O) anidro insolúvel c) Entre 400 e 600ºC. depois da britagem e trituração. apresentando uma dilatação linear de 0. ávida por água. formando um produto de pega lenta (pega entre 12 e 14 horas) chamado de gesso de pavimentação. participando do conjunto como material de enchimento . gesso hidráulico . o gesso torna-se anidro (sem água) e o resultado é a formação de anidrita solúvel. a gipsita perde ¾ partes de sua água.5 H2O gesso hemidrato Esse gesso hemidrato é conhecido como gesso rápido (quanto à pega). na presença desta. Nessa temperatura. sendo.

arcos. Em 1885. etc. Na arquitetura muçulmana antiga aparece em elementos ornamentais. Nos Estados Unidos o uso na construção civil iniciou-se em 1835. Por sua facilidade de moldagem. decoração. Porém em contato com a água perde em muito sua resistência mecânica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Neste período românico foi empregue em afrescos para decoração de igrejas e capelas. É um material que tem bom isolamento térmico e acústico. seja na construção. alimentação ou até na medicina.HISTÓRICO DO GESSO O gesso faz parte de nossa vida cotidiana deste tempos imemoriais. divisórias. forros. Durante a ocupação romana na Península Ibérica generalizou-se o seu uso. No século XIX foi se incorporando à arquitetura e construção como reboco e elemento de decorativo em palácios e vivendas.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 35 Concretos e Argamassas Prof. Sua plasticidade permite produzir formas e elementos diferenciados. sendo mais recomendado para ambientes internos. tais como sancas. Tem estado presente na vida do homem desde a mais remota antiguidade. tornou-se um ótimo material para arquitetura de interiores. Tudo isto porque tem uma grande adaptabilidade. facilidade de aplicação e algumas características que veremos adiante. colunas. com a descoberta de um método para retardar o tempo de paga. paredes e suportes. Há 5000 anos foi utilizado no interior de pirâmides egípcias aplicado em paredes. Tem sido usado desde o período Neolítico como material cimentante. fez com que a sua aplicação na construção civil tivesse um acelerado crescimento. Auxilia no equilíbrio da umidade do ar em ambientes fechados por ser material higroscópico.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Algumas aplicações Alguns cuidados _______________________________________________________________________________ 36 Concretos e Argamassas Prof.

mais lenta se dá a pega e o endurecimento. Resistência à compressão As pastas de gesso têm resistência à compressão entre 10 MPa e 27 MPa. Se a pega for muito rápida. podem-se utilizar no gesso: Sal de cozinha / alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio) / sulfatos de alumínio e potássio e o próprio gesso hidratado. isolando-os. Como retardador de pega. na proporção de 0. normalmente.edu. pois formam membranas protetoras entre os grãos. A quantidade ótima de água a ser utilizada no gesso é. _______________________________________________________________________________ 37 Concretos e Argamassas Prof. Dureza As pastas de gesso têm dureza entre 14 MPa e 53 MPa. reduzindo a produtividade do gesseiro. A presença de impurezas diminui muito a velocidade de pega. o preparo da pasta fica condicionado a pequenos volumes. Mas existem aditivos que podem acelerar ou retardar essa pega do gesso. Tais produtos retardam a pega. em torno de 19% de massa do mesmo . A quantidade d’água funciona negativamente no fenômeno de pega. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pois quanto mais água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os gessos nacionais têm início de pega entre 3 e 16 minutos e fim de pega entre 5 e 24 minutos. Em geral. podem ser misturados ao gesso: açúcar / álcool / cola / serragem fina de madeira / sangue e outros produtos de matadouros (chifres e cascos). A queda de produtividade é acompanhada do aumento de desperdício de material.1% da massa de gesso. Como aceleradores de pega.PROPRIEDADES DO GESSO Tempo de pega É uma das propriedades mais importante.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Outras características Aceita qualquer tipo de pintura.Isolamento térmico e acústico O gesso é um bom isolante térmico e acústico e tem elevada resistência ao fogo. fácil de cortar. aparafusar. transformando-se em sulfato anidro.edu. estes acabam sendo corroídos pelo gesso. pois absorve grande quantidade de calor. perfurar. tanto mais facilmente quanto maior for a quantidade de água da pasta. eliminando a água de cristalização com o calor.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Em função da corrosão usar ferramentas de latão ou plástico para trabalhar com gesso. pedra e revestimentos argamassados. Em superfícies de madeira. emendar. Aderência As pastas de gesso aderem bem a blocos. que protege a camada interior de gesso. sua aderência é insatisfatória e apesar de aderir bem ao aço e outros metais. transformando a superfície do revestimento em sulfato anidro em forma de fino pó. Muito usado como proteção contra incêndio. _______________________________________________________________________________ 38 Concretos e Argamassas Prof.

de cor branca.) _______________________________________________________________________________ 39 Concretos e Argamassas Prof. siderurgia. pois para seu endurecimento necessita da reação química do CO2 (gas carbônico) existente na atmosfera. açúcar. Gesso Negro : 55% de peso hemidratado. metalurgia. os etruscos e. HISTÓRICO Comprovadamente. Sabe-se que os antigos descobriram também que a mistura dessa cal aérea com pozolanas (naquela época. os romanos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. cinzas vulcânicas etc. Gesso Branco : 66% de peso hemidratado. não possui grande resistência mecânica e não pode ficar sujeita à ação da água. papel e celulose. tratamento de água e efluentes industriais. terras de origem vulcânica.edu. tintas. de cor branca e também com finura adequada quando moído .Classificação comercial dos gessos Gesso Escaiola : gesso com 80% de peso hemidratado. com finura adequada quando moído . CAL AÉREA A cal é um aglomerante aéreo utilizado em diversos seguimentos como: construção civil. obtendo-se assim uma pasta ligante que recebe adição de areia. pois “amolece”. aplicações botânicas. mais tarde. os gregos. misturando-a com areia. formando assim uma argamassa que era preparada pelo mesmo processo ainda hoje adotado e que consiste na extinção (adição de água) de pedras de calcário cozidas. Essa cal que é denominada de cal aérea. medicinais e veterinárias.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . já utilizavam a cal como alomerante. fabricação de vidro. de cor cinza devido às impurezas e com granulometria menor do que o gesso Escaiola ou Branco . graxas.

sulfatos. matéria orgânica. Os gregos empregavam muito as terras vulcânicas da ilha Santorim e os romanos utilizavam uma cinza vulcânica encontrada em diversos pontos da baía de Nápoles. Após a britagem e classificação da matéria-prima passa por uma moagem e é conduzida ao forno de calcinação. bem como tijolos e telhas de barro triturados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. óxidos metálicos de ferro e manganês.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sulfetos. transformavam-na em uma espécie de cal hidráulica – que resiste à ação da água depois de endurecida. como é o caso da calcita (CaCO3) e da dolomita (CaCO3 . mesmo quando submetidas à ação da água. Entre as impurezas encontradas nestas rochas encontram-se: quartzo.melhoravam significativamente a resistência dessas argamassas . silicatos argilosos. misturados à cal aérea. A pozolana mais conhecida àquela época provinha das vizinhanças da cidade de Pozzuoli. fluoretos e brucita.edu. MgCO3). FABRICAÇÃO A cal é produzida a partir de rochas calcárias com elevados teores de carbonato de cálcio. fosfatos. tendo assim recebido o nome de pozolana todos esses produtos naturais e artificiais que. _______________________________________________________________________________ 40 Concretos e Argamassas Prof.

pode ser expresso pela equação seguinte: Da hidratação da cal virgem. as temperaturas chegam à 900ºC. dissolvendo ao mesmo tempo a cal e o CO2. A carbonatação produz-se lentamente do exterior para o interior e o seu processamento é tanto mais lento quanto mais lisa for a superfície.Na calcinação (cozimento) do calcário. na argamassa fresca. a cal virgem. funcionando a água como catalisador.edu. deve passar por um processo de hidratação antes de ser utilizada como aglomerante. possibilita essa combinação. O processo de hidratação da cal virgem. O CO2 vai transformando lentamente a superfície da argamassa formada por carbonato de cálcio e vai penetrando lentamente na massa que assim vai se consolidando. O produto resultante da calcinação. também conhecido como extinção da cal. promove a formação de cristais de carbonato de cálcio (CaCO3) e o endurecimento da argamassa que acaba por ligar os agregados a ela incorporados. presente na atmosfera. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 41 Concretos e Argamassas Prof. uma recombinação dos hidróxidos (Ca(OH)2) com o gás carbônico. Isto porque. Essa reação de carbonização só é possível em presença da água que.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . obtêm-se a cal hidratada (hidróxido de cálcio) que é utilizado como aglomerante em argamassas para assentamento de blocos ou revestimento de paredes. decompondo o carbonato de cálcio (CaCO3) em óxidos de cálcio (cal virgem) e anidros carbônicos (CO2).

_______________________________________________________________________________ 42 Concretos e Argamassas Prof.A carbonatação é acompanhada de um aumento de volume. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. além de diminuir a retração que se processa com a perda d’água. facilitando a penetração do CO2. CICLO DA CAL AÉREA Considerando o visto anteriormente podemos caracterizar o ciclo completo da cal.edu. aumentando a porosidade e. nem tampouco empregar argamassas com muita cal. Não se deve empregar cal aérea para execução de pedaços de alvenaria muito espessos. Devido a isso (essa deformação). deve-se aplicar cal aérea com areia (argamassas) para atenuar esse aumento de volume.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conseqüentemente.

“Cal Hidratada para argamassas . Segundo a NBR 7175 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.Especificação” as cales são classificadas como segue: _______________________________________________________________________________ 43 Concretos e Argamassas Prof. CAL CÁLCICA CAL MAGNESIANA : óxidos CaO > 75% : óxidos MgO > 20% Para qualquer caso a soma dos óxidos (CaO + MgO) deve ser maior que 88% da amostra.CLASSIFICAÇÃO Quanto à composição química a cal pode ser classificada como cálcica ou magnesiana.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

edu.APLICAÇÕES Entre os diversos usos da cal podemos citar: • • • Estabilização de solos Obtenção do aço solo-cal fundente na siderurgia como clarificador Fabricação do açúcar _______________________________________________________________________________ 44 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

empregando-se misturadores de pás. A cal hidratada. apresentando-se como um produto seco. Resiste ao calor . Armazenar em local seco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• • • • • Obtenção do vidro Tratamento de água Obtenção do papel Pinturas caiação matéria – prima corretor da acidez como branquedor Componentes de argamassas maior interesse para construção CAL HIDRATADA Entre os diversos usos da cal podemos citar: Devido à dificuldade da extinção da cal virgem nos canteiros.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . cuja extinção (hidratação) é feita mecanicamente. coberto e fora do alcance de crianças e animais. Ela pode ser aplicada imediatamente e é acondicionada em sacos de papel duplo com 20 kg. onde consta o selo da ABPC (Associação Brasileira de Produtores de Cal) e a citação da Norma NBR 7175. é um produto manufaturado. _______________________________________________________________________________ 45 Concretos e Argamassas Prof. A embalagem original (sacos de papel de duas folhas de papel extensível) é suficiente para manter a integridade do produto. portanto. pela extinção . desde que sejam respeitada as regras do armazenamento. foi desenvolvida pela indústria a fabricação de cal hidratada. Algumas características das cales aéreas (extintas ou hidratadas) • • • • Endurece com o tempo (normalmente longo) . Cor predominantemente branca . em forma de flocos de cor branca.edu. sendo recomendável o seu uso até 6 meses após a data de fabricação. ou 36 litros. Seu aumento de volume é de 2 a 3 vezes.

Espessuras de revestimento argamassado acima de 20 mm podem prejudicar o processo de recarbonatação da argamassa. Esta propriedade justifica o emprego das cales na produção de argamassas. facilitando seu espalhamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . evitando a perda excessiva da água de amassamento da argamassa. para os blocos ou tijolos. embora o inverso nem sempre seja verdadeiro. unindo os mesmos. Cales com alta plasticidade e alta retenção de água têm maior capacidade de incorporar areia. impedindo a _______________________________________________________________________________ 46 Concretos e Argamassas Prof. também. ENDURECIMENTO O endurecimento decorre da recarbonatação da cal hidratada pela absorção do CO2 presente na atmosfera. o poder de incorporação de areia da cal hidratada é de 1 : 3 a 4 enquanto que. As cales magnesianas produzem argamassas mais plásticas que as cálcicas. importante por prolongar o tempo no estado plástico da argamassa fresca.3 a 0. PLASTICIDADE Propriedade que confere fluidez à argamassa.5. É uma medida indireta da plasticidade da cal. conseqüentemente.edu.PROPRIEDADES DENSIDADE APARENTE A densidade aparente das cales varia de 0. INCORPORAÇÃO DE AREIA Propriedade que expressa a facilidade da pasta de cal hidratada envolver e recobrir os grãos do agregado e. Esta propriedade é. no cimento é de 1 : 2 a 2. RETENÇÃO DE ÁGUA A retenção de água é uma propriedade muito importante. que corresponde à massa aparente de 300 a 650 Kg/m3. uma vez que cales plásticas têm alta capacidade de retenção de água.65. aumentando a produtividade do pedreiro. por sucção. Comparativamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES Esta propriedade é conferida à argamassa pela cal hidratada e.2 a 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . torna-se de grande importância quando aplicada em paredes ou lajes muito solicitadas. só mais tarde. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O uso da cal hidratada contribui muito pouco para a resistência à compressão das argamassas. quando de seu aparecimento no começo do século e. o À compressão = 1 a 3 Mpa . _______________________________________________________________________________ 47 Concretos e Argamassas Prof. com a ocorrência de falhas nestas construções.edu. para 28 dias de idade. Isto levou. reduzindo a aderência do revestimento. não eram apresentadas pelo cimento Portland.efetivação das reações próximo à interface substrato x argamassa e.5 Mpa . alguns construtores a substituí-la pelo cimento portland. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • Resistências das argamassas : o À tração = 0. conseqüentemente. verificou-se que a cal hidratada conferia às argamassas outras propriedades além de aglomerante que.

que endurece sob a ação da água. Fornece os óxidos SiO2. GESSO é o produto da adição finas no processo e tem a finalidade de regular o tempo de pega por ocasião das reações de hidratação. ______________________________________________________________________________ 48 Concretos e Argamassas Prof. Depois de endurecido. Estes silicatos e aluminatos em mistura com a água hidratam-se e produzem o endurecimento da massa. oferecendo elevada resistência mecânica. e Fe2O3. após a hidratação. um construtor inglês de Leeds. Joseph Aspdin. o novo cimento. geralmente contendo ferro e outros minerais. Aspdin escolheu este nome para sua invenção porque nesta época era muito comum o emprego da pedra de Portland. foi quem descobriu e patenteou o cimento Portland no ano de 1824. nas edificações e. Al2O3. ARGILA é essencialmente a constituída de um silicato de alumínio hidratado. por esta razão.edu. MATÉRIAS PRIMAS CALCÁRIO é o carbonato de cálcio (CaCO3). se assemelhava em cor e dureza à rocha calcária de Portland. é considerado um aglomerante hidráulico. O cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes. SiO2. Al2O3 e Fe2O3 necessários a fabricação do cimento.CIMENTO PORTLAND CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Cimento Portland é um material pulverulento. praticamente sem cal livre. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ilha situada ao sul da Inglaterra. constituídos de silicatos e aluminatos de cálcio.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . permanece estável mesmo que submetido a ação da água e. que na natureza se apresenta com impurezas tais como o óxido de magnésio.

FABRICAÇÃO
Como os silicatos de cálcio são os principais constituintes do cimento Portland, as matérias-primas para sua produção devem fornecer cálcio e sílica em proporções adequadas. O cálcio é obtido na natureza de fontes de carbonato de cálcio, como a pedra calcária, giz, mármore e conchas do mar. A sílica é extraída preferivelmente de argilas e xistos argilosos, do que quartzos e arenitos, porque a sílica quartzítica não reage facilmente.

As argilas contêm, também, alumina (Al2O3), óxidos de Ferro (Fe2O3) e álcalis que ajudam na formação de silicatos de cálcio a temperaturas mais baixas. Quando não estão presentes em quantidades suficientes na argila, estes são incorporados à mistura por adição de bauxita e minério de ferro.
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A formação dos compostos no clínquer depende de uma boa dosagem e preparo da mistura. Para isto, os componentes são britados, moídos, dosados e misturados criteriosamente, sendo submetidos a análises laboratoriais permanentes. O pó resultante da homogeneização das matérias-primas é denominado farinha. Para produzir 1 tonelada de clínquer, são necessárias de 1,5 a 1,8 toneladas de farinha e as reações que ocorrem nos fornos podem ser resumidas como segue:

Esquema de produção
O processo de produção do cimento pode ocorrer por via úmida ou seca. No processo por via úmida, a homogeneização é feita na forma de lama, com 30 a 40% de água. Este método vem sendo abandonado pelos fabricantes de cimento, devido ao maior consumo de energia nos fornos, que em relação ao processo por via seca. No processo por via seca, a farinha obtida através da moagem das matérias-primas é homogeneizada e conduzida continuamente para o pré-aquecedor. Nesta etapa, ocorre a evaporação da água livre, água combinada e desprendimento do CO2 do calcário, liberando o CaO para reagir com os silicatos de ferro e alumínio. Em seguida, o material vai para um forno rotativo, onde ocorre a clinquerização do material, uma das etapas mais importantes do processo de fabricação. O forno rotativo é uma estrutura metálica cilíndrica, revestida internamente com tijolos refratários, e nele a farinha pré-aquecida e parcialmente calcinada, entra pela extremidade superior e é transportada até a extremidade oposta a uma velocidade controlada pela inclinação e pela velocidade de rotação do forno. Em seu interior as temperaturas podem chegar a 1550ºC e as reações químicas responsáveis pela formação dos compostos do cimento Portland são completadas.
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PRODUÇÃO
Calcário
(80%)

Argila
(20%)

Cimento Portland Adições Moagem Gipsita Pré-Aquecedor
(5%)

Moagem Final Forno
(>1450º C)

Clínquer
(95%)

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Resumo dos constituintes:
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como a durabilidade e a resistência final. obtidas durante a produção do ferro-gusa. Adicionada à moagem do clínquer e gesso. que permitem a produção de diversos tipos de cimentos disponíveis no mercado. _______________________________________________________________________________ 53 Concretos e Argamassas Prof.Silicatos C3S C2S C3 A C4AF CaO MgO Na2O e K2O 50% 25% 10% 10% 1% 2% 2% 5% 20% 75% Aluminatos e Ferro Aluminatos Cal livre Magnésia Compostos Alcalinos ADIÇÕES Após o resfriamento. o cimento Portland recebe algumas adições. Esta é razão do gesso ser adicionado a todos os tipos cimento Portland. inviabilizando sua utilização. o cimento endureceria muito rapidamente. o clínquer é moído em partículas menores que 75µm de diâmetro. O gesso é adicionado ao cimento com o objetivo de controlar o tempo de pega do cimento. reagindo em presença da água. em proporções adequadas. em geral na proporção de 3% de gesso para 97% de clínquer. têm propriedade de ligante hidráulico muito resistente.edu. a escória de alto-forno melhora algumas propriedades do cimento. Sem sua adição. uma vez misturado à água de amassamento. com características aglomerantes muito semelhante à do clínquer.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Na fase de moagem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. As escórias de alto-forno.

como é o caso dos ensaios de sedimentação. A finura pode ser aumentada através de uma moagem mais intensa. aumenta a impermeabilidade. Esta avaliação pode ser obtida conhecendo-se algumas características dos ramos inferior e superior da amostra. o custo de moagem e o calor de hidratação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.075mm) e área específica. que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição tais como o próprio calcário. etç. difratometria por laser. algumas argilas queimadas em temperaturas elevadas (500 a 900ºC) e derivados da queima de carvão mineral.edu. Por outro lado. É que as reações de endurecimento só ocorrem. Para isto. uma maior finura diminui a exsudação. a trabalhabilidade e a coesão dos concretos. Tal adição torna os concretos e argamassas mais trabalháveis e quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário . além da água. porém um pouco distinta das escórias de alto-forno. na presença do clínquer. utilizam-se dois ensaios: peneiramento através da peneira ABNT 75µm (0. os materiais pozolânicos apresentam a propriedade de ligante hidráulico. Os materiais carbonáticos são rochas moídas. O cimento enriquecido com pozolana adquire maior impermeabilidade. PROPRIEDADES FINURA A finura do cimento influência a sua reação com a água e quanto mais fino o cimento mais rápido ele reagirá e maior será a resistência à compressão. Quando pulverizados em partículas muito finas. tornando os concretos mais sensíveis à fissuração.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 54 Concretos e Argamassas Prof. porém. Além disso. Os ensaios para a avaliação da finura do cimento podem ser complexos e onerosos. estabelecem os limites de finura. a finura aumenta o calor de hidratação e a retração. principalmente nos primeiros dias. que em sua hidratação libera hidróxido de cálcio (Cal) que reage com a pozolana.Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza.

quando a temperatura ambiente é baixa para fornecer energia de ativação para as reações de hidratação.edu. é adicionado o gesso (CaSO4 . RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão do cimento Portland é medida através da ruptura de corpos de prova cilíndricos Ø 50mm x 100mm. argamassas e concretos com plasticidade e trabalhabilidade adequadas. cujo controle é feito através do teor de SO3. que determinam seu emprego em determinados serviços. Isto ocorre quando. finura. a mistura em que o cimento está sendo empregado (pasta. na moagem do cimento. de acordo com sua composição e finura têm curvas Resistência x Idade distintas. 2H2O) na moagem do cimento. com traços normalizados areia padrão IPT.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento. quantidade e tipo de adições. e com uma nova mistura na betoneira. Os cimentos. Em alguns casos. a temperatura ultrapassa 128ºC. em outras pode ser um componente positivo. provocando uma dissociação do Sulfato de Cálcio do gesso. Para controlar o tempo de pega. CALOR DE HIDRATAÇÃO As reações de hidratação dos compostos do cimento Portland são exotérmicas. argamassa ou concreto) pode perder a plasticidade com um tempo menor que o previsto. Em algumas situações o calor de hidratação pode ser um problema. sua plasticidade inicial é recuperada. como por exemplo. O tempo de pega é uma propriedade importante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Este conceito aplica-se também a argamassas e concretos. uma vez que determinará o prazo para a aplicação de pastas. etç. interferindo nas características do seu efeito retardador de pega. _______________________________________________________________________________ 55 Concretos e Argamassas Prof.TEMPO DE PEGA É o momento em que a pasta de cimento adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. em estruturas de concreto massa. como é o caso de concretagens durante o inverno.

os cimentos Portland podem ser classificados conforme segue: CIMENTO PORTLAND COMUM O Cimento Portland Comum (CP I) é produzido sem quaisquer adições além do gesso. em MPa. com o tempo. sendo a classe expressa por números (25. em razão de adições de escória de alto-forno. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conforme o tipo de cimento.edu. que é utilizado para regularizar a pega. e são seguidas dos algarismos romanos de I a V. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO As pesquisas tecnológicas indicaram. que cimentos antes classificados como especiais. 32 e 40) que indicam a resistência à compressão do corpo-de-prova padrão. as iniciais CP correspondem a abreviatura de Cimento Portland. pozolana e material _______________________________________________________________________________ 56 Concretos e Argamassas Prof.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Na designação dos cimentos. Conforme a composição e as adições feitas em sua produção.

tinham desempenho equivalente ao do cimento Portland comum. Depois de conquistado bons resultados na Europa o Cimento Portland Composto (CP II) surgiu no mercado brasileiro (1991). CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO O Cimento Portland Alto-Forno (CP III) é obtido pela adição de escória granulada de alto forno. dando origem a compostos com propriedades aglomerantes. adquira elevadas resistências com maior velocidade. trata-se de um cimento com composição intermediária entre os Cimento Portland Comum e o Cimento Portland com adição de escória ou pozolana. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Isto é possível pela utilização de uma dosagem específica de calcário e argila na produção do clínquer. os cimentos Portland compostos respondem por 70% da produção industrial brasileira.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Quando finamente moída. reage com o hidróxido de cálcio em presença de água e em temperatura ambiente. O CP II. Atualmente. para que seu emprego seja possível são necessários ativadores físicos e químicos. CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO O Cimento Portland Pozolânico (CP IV) é obtido pela adição de pozolana ao clínquer. CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V-ARI) tem a propriedade de atingir altas resistências já nos primeiros déias após a aplicação. _______________________________________________________________________________ 57 Concretos e Argamassas Prof. As escórias apresentam propriedades hidráulicas latentes.edu. sendo utilizados na maioria das aplicações usuais. ao reagir com a água. em substituição ao antigo CP.carbonático. Mas as reações de hidratação da escória são muito lentas e. decorrente da moagem da escória separada ou conjuntamente com o clínquer. A ativação física obtém-se com a finura. além de uma moagem mais fina para que o cimento. Ao contrário da escória. a pozolana não reage com a água em seu estado natural.

respectivamente.CIMENTOS ESPECIAIS CIMENTO PORTLAND RESISTENTES A SULFATOS Estes cimentos resistem aos meios agressivos. 8% e 5% em massa. em massa. _______________________________________________________________________________ 58 Concretos e Argamassas Prof. água do mar e alguns tipos de solos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • Cimentos do tipo pozolânico que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico. tais como os encontrados nas redes de esgotos domésticos ou industriais. em massa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Qualquer um dos 5 tipos de cimento Portland podem ser considerados resistentes a sulfatos. no máximo.edu. • Cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto-forno. desde que apresentem pelo menos uma das características abaixo: • teor de aluminato tricálcio (C3A) do clínquer e teor de adições carbonáticas de.

CIMENTO PORTLAND DE BAIXO CALOR DE HIDRATAÇÃO Em concretagens de estruturas que consomem grandes volumes de concreto continuamente. No Brasil o cimento Portland branco é normalizado pela NBR12989.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CIMENTO PORTLAND BRANCO O cimento Portland branco é obtido através de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês. Nestes casos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. podendo ser qualquer um dos 5 tipos básicos.edu.• Cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração que comprovem resistência aos sulfatos. respectivamente. o calor produzido pela hidratação do cimento poder causar o aparecimento de fissuras de origem térmica. principalmente durante o resfriamento e a moagem. Segundo a NBR13116. sendo classificado conforme a tabela abaixo: _______________________________________________________________________________ 59 Concretos e Argamassas Prof. recomenda-se o emprego de cimentos com taxas lentas de evolução de calor. estes cimentos geram até 260J/g e até 300J/g aos 3 dias e 7 dias. chamados cimentos Portland de baixo calor de hidratação. além de condições especiais de fabricação.

O cimento Portland branco não estrutural é aplicado no rejuntamento de pisos e azulejos. _______________________________________________________________________________ 60 Concretos e Argamassas Prof.O cimento Portland branco estrutural é utilizado em concretos brancos com fins arquitetônicos. utilizado na cimentação de poços petrolíferos. CIMENTO PARA POÇOS PETROLÍFEROS O cimento para poços petrolíferos é um tipo de cimento Portland bastante específico. Sua composição é constituída de clínquer e gesso para retardar o tempo de pega e em sua fabricação são tomadas precauções especiais para garantir as plasticidade em condições ambientes de elevadas pressões e temperaturas. na fabricação de ladrilhos hidráulicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. e outras aplicações não estruturais.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu._______________________________________________________________________________ 61 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sempre haverá um tipo diferente para uma aplicação específica. A escolha também depende da disponibilidade do material e do custo – fator importante na tomada de decisões em engenharia.APLICAÇÕES E ESCOLHA DO TIPO DE CIMENTO Inicialmente podemos dizer que nenhum cimento é melhor em todas as circunstâncias. prazo. Depende ainda a escolha: • • • • Exigência da estrutura Exigência do meio ambiente Velocidade de construção Circunstancia do local da obra (acesso. espaço) O quadro a seguir. _______________________________________________________________________________ 62 Concretos e Argamassas Prof. apresenta os diversos tipos de aplicações dos diferentes tipos de cimentos.edu. Para uma mesma finalidade existe mais de um tipo ou classe de cimento que pode ser usado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A escolha do tipo de cimento está associada a uma determinada finalidade que se deseja ao concreto seja no estado fresco ou seja no estado endurecido.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 63 Concretos e Argamassas Prof.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Estas embalagens não podem estar furadas. _______________________________________________________________________________ 64 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. é fornecido em embalagens (papel Kraft) de 25 e 50 Kg. Cuidados no recebimento e estocagem do material são essenciais para a garantir concretos e argamassas de boa qualidade. a massa líquida do saco e o selo de conformidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). fábricas de prémoldados e grandes obras. a sigla. além dos aspectos visuais da embalagem. o tipo do cimento. no varejo. No recebimento. para usinas de concreto. devem ser observados a massa dos sacos e se o cimento não está empedrado. O cimento é comercializado a granel. rasgadas ou molhadas e devem trazer o nome do fabricante.RECEBIMENTO E ESTOCAGEM O cimento é um produto perecível que em contato com umidade endurece perdendo suas propriedades antes do uso.

com resolução de 1 g.edu. Usa-se como parâmetro para transformar massa em volume. Equipamentos e Acessórios • • • Balança. compensar os vazios que houver abaixo do nível do topo do recipiente com grãos deixados acima deste nível.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . considerando-se como volume também os vazios entre os grãos. Limpar bem o recipiente antes de pesá-lo. dividindo a massa de agregado (kg) pelo volume do recipiente (dm3). considerando que a máxima variação permitida entre os resultados de cinco determinações feitas com o mesmo agregado é de 0. Rasar o agregado graúdo e. Concha ou pá. com as dimensões constantes na Tabela 1 Tamanho máximo do agregado (mm) 4.ENSAIOS 1) Determinação da Massa Unitária de Agregados em Estado Solto . _______________________________________________________________________________ 65 Concretos e Argamassas Prof. evitando comprimir o agregado. Rasar o recipiente e determinar a massa Cálculos Calcular o peso unitário do agregado.8 e ≤ 50 > 50 Volume do recipiente (dm3) 15 20 60 Preparação do Material Secar o material previamente ao ar Procedimento • • Preencher o recipiente por meio de uma concha ou pá. Recipientes paralelepipédicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com os dedos. lançando o agregado a uma altura de 10 cm do topo do recipiente. Quantidade de Material O volume de material deverá ser de pelo menos o dobro do volume do recipiente que será usado.8 > 4.NBR 7251 Massa unitária de um agregado é a relação entre sua massa e seu volume sem compactar.02 kg/dm3 Cuidados • • • Rasar o agregado miúdo com movimentos horizontais da haste de socamento.

Vi (g/cm3) Repetir 3 vezes o procedimento Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 66 Concretos e Argamassas Prof.2) Determinação de massa específica agregado graúdo – técnica frasco graduado Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica do agregado.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. incluindo os poros permeáveis Materiais e equipamentos: • • • • Agregado graúdo Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.1g Frasco graduado de 1000 ml Metodologia Experimental: • • • • • • Recobrir uma porção de agregado com água Tirar o excesso de umidade com auxílio de um pano Pesar a massa do agregado (m) Colocar 400 ml de água no frasco graduado (Vi) Inserir o agregado no frasco graduado Determinar o volume final no frasco (Vf) Resultados e Discussão • • • Determinar a massa específica do agregado: d = m / Vf .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. efetuando agitação para a eliminação das bolhas de ar Fazer a leitura no nível atingido pela água no frasco. com cuidado. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume. incluindo os poros permeáveis.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .05 g/cm3 Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 67 Concretos e Argamassas Prof. Colocar 500g de areia no frasco de Chapman. cuidando para que as faces internas estejam secas e sem grãos aderentes.edu. Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: d = 500 / L – 200 (g/cm3) Repetir por 3 vezes o procedimento Os resultados dos ensaios realizados com a mesma amostra não devem diferir mais de 0.3) Determinação de massa específica agregado miúdo por meio do Frasco de Chapman Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo. Materiais e equipamentos: • • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.1g Frasco de Chapman Funil de vidro Metodologia Experimental: • • • • Pesar 500g de amostra de areia seca Colocar água no frasco até 200 cm3 deixando em repouso para que a água aderida às faces internas escorram totalmente.

picnômetro Determinar a massa do conjunto picnômetro + água + agregado Repetir 3 vezes o procedimento Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: Pag = massa do picnômetro + água m = massa da amostra Pag + ag = massa do picnômetro + água da amostra d = m/ [Pag – (Pag + ag – m)] _______________________________________________________________________________ 68 Concretos e Argamassas Prof.1g Picnômetro Metodologia Experimental: • • • • • • Pesar uma amostra de areia seca Encher com água o picnômetro e determinar a massa do conjunto Retirar uma pequena quantidade de água do frasco Colocar a amostra de areia no frasco . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. incluindo os poros permeáveis. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Materiais e equipamentos: • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.4) Determinação de massa específica agregado miúdo com auxílio do picnômetro Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo.

Repetir o procedimento duas vezes. Resultados e Discussão • • Cálculo do teor de umidade: h =[(mu – ms)/ms] x 100 _______________________________________________________________________________ 69 Concretos e Argamassas Prof. Pesar. mexendo-o até secar. Colocar uma pequena porção do material homogeneizado na frigideira.edu. Colher ou concha de pedreiro.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Objetivo: • • Determinar o teor de umidade do agregado miúdo – areia Conhecer o teste da frigideira usualmente utilizado em obras correntes. Balança com resolução de 0. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Agregado miúdo úmido. Pesar novamente e calcular o teor de umidade do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Pesar a frigideira. Levar o material ao fogo.01g e capacidade mínima de 200g Balança com resolução 100g e capacidade mínima de 50kg Frigideira Fogareiro Recipiente metálico Metodologia Experimental: • • • • • • Coletar 1000g do agregado miúdo conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material e homogeneizar o material.5) Determinação de umidade do agregado miúdo através do teste da frigideira.

_______________________________________________________________________________ 70 Concretos e Argamassas Prof. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. 7.3% da massa seca da amostra. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente.edu. 3. de modo a formar um único conjunto de peneiras. 12. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 6. 9. 2. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. 10. Na base deve ser colocado um fundo. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 8. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. Coletar 1000g do agregado conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. 11.6) Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo. conforme procedimentos a partir do item 5. previamente limpas. com malha em ordem crescente da base para o topo. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 5. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. Formar duas amostras para o ensaio. Proceder ao peneiramento da amostra M2.

50 6. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 9.3 0.6 0.8 2.13.2 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 14.3 0. Determinar o módulo de finura.3 4. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada.6 0.3 4. em cada peneira.4 1. com aproximação de 1%.2 0.50 6.8 2.edu.15 Fundo soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 9.15 Fundo Soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 71 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4 1.

30 > MF > 2.15 Zona 1 Muito fina 0 0–3 0 – 5 (A) 0 –5 (A) 0 – 10 (A) 0 – 20 50 – 85 (A) 85 (B) – 100 Zona 2 Fina 0 0–7 0 – 10 0 – 15 (A) 0 – 25 (A) 21 – 40 60 (A) – 88(A) 90 (B) – 100 Zona 3 Média 0 0–7 0 – 11 0 – 25 (A) 10 (A) – 45 (A) 41 – 65 70 (A) – 92 (A) 90 (B) – 100 Zona 4 Grossa 0 0–7 0 . dividindo o total por 100.3 0.3 4.8 2.40 30 (A) – 70 66 – 85 80 (A) – 95 90 (B) . _______________________________________________________________________________ 72 Concretos e Argamassas Prof.90 3.40 > MF Tabela para classificação do agregado miúdo – NBR 7211 Porcentagens retidas acumuladas Abertura (mm) 9. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.: a amostra para ensaio deve ser coletada segundo a NBR 7216 Dimensão máxima: determinada através da peneira que apresentar uma porcentagem retida acumulada de 5% ou imediatamente inferior Módulo de Finura: somatório das porcentagens acumuladas retidas nas peneiras de série normal.4 1.CLASSIFICAÇÃO PELO MÓDULO DE FINURA: Muito grossa Grossas Médias finas Finas MF > 3.5 6. este limite poderá ser 80 Obs.2 0.90 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .40 2.12 5 (A) .100 (A) pode haver uma tolerância de até no máximo 5 unidades (%) em um só dos limites marcados com a letra (A) ou distribuídos em vários deles (B) para agregado miúdo resultante de britamento.90 > MF > 3.6 0.

2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. conforme procedimentos a partir do item 5. com malha em ordem crescente da base para o topo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. 12. 8. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. previamente limpas. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. Coletar no mínimo 5kg do agregado conforme norma NBR 7216. de modo a formar um único conjunto de peneiras. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. _______________________________________________________________________________ 73 Concretos e Argamassas Prof. 11. Na base deve ser colocado um fundo. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Formar duas amostras para o ensaio. 10. 9. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto.3% da massa seca da amostra. 3. 4. 7. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0.edu.7) Determinação da composição granulométrica agregado graúdo Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. 5. Proceder ao peneiramento da amostra M2. 6. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. em frações de diversos pontos do material.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 14.5 12.5 9.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 74 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com aproximação de 1%.01.5 12. com apresentação de 0. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 38 32 25 19. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada em cada peneira.3 4.edu.5 6.5 6.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 38 32 25 19.3 4.13.5 9. Determinar o módulo de finura.

5 0 9. nas peneiras da abertura nominal.Tabela com limites granulométricos de Agregado Graúdo para classificação – NBR 7211/83 Graduação Porcentagens retidas acumuladas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em peso. em mm 76 Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 0 0 0-30 0 0 0-25 0-10 64 50 38 32 25 19 12.4 80-100 95-100 80-100 92-100 95-100 75-100 90-100 95-100 75-100 87-100 95-100 0-30 75-100 90-100 95-100 _______________________________________________________________________________ 75 Concretos e Argamassas Prof.edu.5 0-10 6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 4.8 2.

110 OC) até a constância de massa. Feito isso. Bisnaga para água. tomando cuidado de não provocar perda de material.8) Determinação do teor de materiais pulverulentos em agregados Objetivo: • • Determinação do teor de materiais pulverulentos contidos no agregado destinado ao concreto Materiais pulverulentos : são partículas minerais com dimensão inferior a 0. A massa mínima para realização do ensaio é indicada na tabela abaixo em função de sua ∅ máx. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. retire o excesso de água com o auxílio de uma bisnaga. Estufa. com auxílio de uma haste. de forma a provocar a separação e suspensão das partículas finas. Haste p/ agitação.075mm) . • Terminado o processo de lavagem. Deixe em repouso o tempo necessário para que as partículas decantem.2 e 0. presentes nos agregados. para não perder o material. coloque o material retido nas peneiras no recipiente e cubra o mesmo com água.075 mm transportará o material pulverulento contido na amostra. Recipiente para retenção da amostra e a água de recobrimento . A água perdida através da peneira 0. Dois recipientes de vidro transparente Metodologia Experimental: • Amostragem Deve ser obtida de acordo com a NBR 7216 e reduzida segundo a NBR 9941.075mm de modo que a peneira 1.075mm. inclusive os materiais solúveis em água. Encaixar as peneiras 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Colocar a amostra (M1) no recipiente. A água carregará consigo a amostra e ao passar pelas peneiras parte se perderá com a água e parte ficará retida nas peneiras. Peneiras (1. esfriar a temperatura ambiente e deteminar a massa de duas amostras Mi1 e Mi2 (reserva). esse procedimento serve para facilitar a posterior secagem em estufa.das peneiras.075mm. recobrindo-a com água.2 e 0. posicionadas de acordo com item anterior. • • • Secar a amostra em estufa (105 . Amostra deve ser umedecida para evitar a segregação.2 mm fique posicionada sobre a peneira 0. Despejar a água cuidadosamente através . Materiais e equipamentos: • • • • • • • Balança com capacidade mínima de 5Kg e resolução de 5g. Agite o material.edu. _______________________________________________________________________________ 76 Concretos e Argamassas Prof. tomando cuidado de não provocar abrasão do material.

Massa inicial da fração. Quando esta condição não for atendida. como resultado. realizadas nas duas amostras (Mi1 e Mi2) A diferença obtida nas duas determinações não deve ser maior que 0. a média aritmética dos dois valores mais próximos.8 e < 19 > 19 Massa mínima 500 3000 5000 Resultados e Discussão • O teor de materiais pulverulentos de cada amostra é determinado pela diferença entre a massa inicial (Mi) e a massa final seca obtida depois da lavagem. Mi − Mf × 100 Mi Mf .0% para miúdo.8 > 4.5% para agregado graúdo e 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Massa após o repeneiramento. realizar uma terceira determinação e adotar. abaixo: • • Teor de material pulverulento % = Onde: Mi .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O mesmo será expresso em porcentagem de acordo com a expressão . em g. _______________________________________________________________________________ 77 Concretos e Argamassas Prof.• Secar a amostra retida em estufa (105. • • O resultado final será a média aritmética das duas determinações. em g.edu.110) OC até a constância de massa e determinar a sua massa final seca (Mfi). Repetir todo o procedimento para a amostra Mi2 ∅máx (mm) < 4.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . provocado pela absorção de água livre pelos grãos e que incide sobre a sua massa unitária Coeficiente de inchamento (Vh/Vo) uma mesma massa de agregado. Inchamento do agregado miúdo fenômeno da variação do volume aparente. formar a amostra de ensaio de acordo com a NBR 9941. Balança com resolução de 100g e capacidade mínima de 50 kg. Concha ou pá. _______________________________________________________________________________ 78 Concretos e Argamassas Prof. Misturador mecânico(opcional).0 m x 2.01g e capacidade mínima de 200 g. para condicionamento e secagem de amostras de areia.5 m. depois de umedecida para evitar segregação e de cuidadosamente misturada. Estufa para secagem. com capacidade de 50 mL. Recipiente para1elepipedal. A amostra de ensaio deve ter pelo menos o dobro do volume do recipiente paralelepipedal utilizado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Ba1ança com resolução de 0. Proveta graduada de vidro com capacidade mínima de 1000 mL. Régua rígida com comprimento da ordem de 500 mm aproximadamente. Amostragem • • A amostra de agregado remetida ao 1aboratõrlo deve ter sido coletada acordo com a NBR 7216. acima do qual o coeficiente de Inchamento pode ser Quociente entre os volumes úmido (Vh) e seco (Vo) de considerado constante e igual ao coeficiente de Inchamento médio Coeficiente de inchamento médio Valor médio entre o coeficiente de Inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica Materiais e equipamentos: • • • • • • • • • • Encerado de lona com dimensões mínimas de 2.9) Determinação do Inchamento do agregado miúdo Objetivo: • • • • • Este ensaio prescreve o método para a determinação do Inchamento de agregados miúdos para concreto.edu. Dez cápsulas com tampa. Umidade crítica Teor de umidade. Da amostra remetida ao laboratório. conforme a NBR 7251.

Mc = massa da cápsula. Mf = massa final da cápsula com o material coletado apos secagem em estufa. a cada adição de água. em kg/dm3. em g 2. ϒh = massa do agregado com h% de umidade. através da seguinte expressão h= • Onde.edu. para determinação do teor de umidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em dm3. 1%. simultaneamente. a cada adição de água. segundo a NBR 7251. 3%. Colocar a amostra sobre o encerado de lona. calcular o coeficiente de inchamento de acordo com a expressão: Vh γ s (100 + h) = × Vo γ h 100 • Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade.5%. secar em estufa a (105. 4%. 5%. ϒs = massa unitária do agregado seco em estufa. Vo = volume do agregado seco em estufa. • Determinar a massa de cada cápsula com a amostra coletada (Mi). segundo a NBR 7251. Mi − Mf Mf − Mc h = teor de umidade do agregado. em kg/dm3. Homogeneizar cuidadosamente a amostra. Calcular o teor de umidade das amostras coletadas nas cápsulas. Coletar uma amostra de agregado. em dm3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Metodologia Experimental: • • • Secar a amostra de ensaio em estufa (105. 9% e 12%. Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio. em g. em %. destampar. _______________________________________________________________________________ 79 Concretos e Argamassas Prof.110oC) até constância de massa e resfriá-la até a temperatura ambiente. Resultados e Discussão 1. Adicionar água sucessivamente de modo a obter teores de umidade próximos aos seguintes valores: 0. a determinação da massa unitária. Para cada teor de umidade. 7%. homogeneizar e determinar massa unitária. 2%. em g. Executar. por agitação manual da lona ou em misturador mecânico.110oC) e determinar sua massa (Mf).

edu. O coeficiente de inchamento é determinado pela média aritmética entre os coeficientes de inchamento máximo (ponto A) e aquele correspondente à umidade crítica (ponto B). 5. Determinar a umidade crítica na curva de Inchamento. 6.h = teor de umidade do agregado. paralela a esta corda. c) traçar nova tangente à curva. e traçar a curva de Inchamento. de modo a obter uma representação aproximada do fenômeno. Assinalar os pares de valores (h. traçada em gráfico conforme modelo. Vh/Vo) em gráfico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Do certificado de ensaio deve constar a curva de Inchamento. 4. 3. conforme modelo. em %. e os valores de umidade crítica e coeficiente de Inchamento médio. pela seguinte construção gráfica: a) traçar a reta tangente ã curva paralela ao eixo das umidades. d) a abscissa correspondente ao ponto de Interseção das duas tangentes a umidade crítica. b) traçar a corda que une a origem de coordenadas ao ponto de tangência reta traçada. _______________________________________________________________________________ 80 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

10) Cimento Portland . podendo ser utilizados equipamentos de compactação mecânica.6 / 0. Materiais e equipamentos: • Areia Normal – de acordo com as prescrições da ABNT. • • • • • • • Água Cimento Balança Misturador Mecânico Molde Soquete Máquina para ensaio de compressão Metodologia Experimental: • • A argamassa é preparada por meio de misturador mecânico e adensada manualmente.3 / 0. três de areia normalizada em massa e relação a/c de 0.48. Preparação da argamassa de cimento _______________________________________________________________________________ 81 Concretos e Argamassas Prof.15 mm. Esta areia normalizada pela NBR 7214. Os cp´s são elaborados com argamassa composta de uma parte de cimento. é extraída do Rio Tietê e apresenta 25% em peso das peneiras 1.Determinação da Resistência à Compressão (NBR 7215/96) Objetivo: • Determinar a resistência à compressão do Cimento Portland. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. É preparada pelo IPT especificamente para ensaios e tem massa unitária e massa específica dentro de padrões.2 / 0. Os moldes com os corpos-de-prova devem ser conservados em câmara úmida para a cura inicial e em seguida desmoldados e submetidos à cura em água saturada até a data de ruptura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . capeados com enxofre e rompidos para determinação da resistência à compressão. Princípio • • Determinar a resistência à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura. • • Na data da ruptura os moldes devem ser retirados do meio de conservação.

em 4 camadas de espessuras aproximadamente iguais e adensadas com 30 golpes. colocando inicialmente na cuba toda a quantidade de água e adicionando o cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 468 + 0.4 300 + 0. Imediatamente após este intervalo ligar o misturador na velocidade alta por mais 1 mim e 15 s. • Preparo dos Moldes Para garantir a estanqueidade dos moldes deve-se utilizar material de vedação na superfície lateral da forma e ao longo de toda a extensão da fenda vertical.Quantidade de materiais (em massa . Após este tempo desligar o misturador por 1 mim e 30 s.2 • Mistura Mecânica Executar a mistura mecânica. Untar toda a superfície interna do molde com óleo. • Cura Após a moldagem os corpo de prova devem ser colocados na câmara úmida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . durante 30 s.3 468 + 0. • Enchimento dos Moldes A moldagem deve ser feita imediatamente após o amassamento. Após este tempo e sem paralisar a operação. Durante o tempo restante a argamassa deve ficar em repouso coberta por um pano úmido e limpo. Imediatamente após a colocação da areia mudar a velocidade para alta por 30s.edu. onde devem permanecer por 20 a 24 h com a face superior protegida por uma placa de vidro. A mistura destes materiais deve ser feita com o misturador em velocidade baixa. A esta operação segue-se a rasadura do topo. Deve ser registrada a hora em que o cimento foi colocado em contato com a água. _______________________________________________________________________________ 82 Concretos e Argamassas Prof. Nos primeiros 15 s retirar com o auxilio da espátula a argamassa que ficou aderida às paredes da cuba e na pá.gramas) Cimento Água Areia Normal Fração Grossa Fração Média Grossa Fração Média Fina Fração Fina 468 + 0. distribuídos uniformemente a cada camada.3 624 + 0.3 468 + 0. iniciar a adição da areia (as 4 frações previamente misturadas) com cuidado para que toda a areia seja gradualmente colocada durante o tempo de 30 s.

25 + 0. pozolanas.edu. devem ser imersos no tanque de água saturada de cal. será representada pelo maior valor dos cp’s. _______________________________________________________________________________ 83 Concretos e Argamassas Prof. A velocidade do carregamento da máquina de ensaio. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o valor da resistência à compressão do cimento Portland. quartzo em pó ou outras substâncias. Resultados e Discussão Para cada idade. • Capeamento e Ruptura Antes da ruptura os corpos-de-prova devem ser capeados em suas extremidades com uma mistura de enxofre com caulim. onde permanecerão até a data da ruptura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ao transmitir a carga de compressão ao corpo de prova. exceto os que deverão ser rompidos com 24 h de idade. Para a ruptura a máquina deve esta limpa e os cp´s deverão ser centralizados em relação ao eixo do carregamento. deve ser equivalente a (0. identificados e.05) MPa/s.Terminado o período inicial de cura os cp´s devem ser retirados da forma. em proporções tais que não interfiram no resultado do ensaio.

13º. produziu 40 milhões de m3 de concreto. etc.2001 Colocação 1º. 14º. dos quais apenas a metade poderia ser considerada como concreto estrutural.9 35.9 79. 4º. Tomando-se estes 20 milhões de m3/ano e multiplicando-se por R$ 500.8 33.4 31. armadura.). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 34. 12º. trata-se de um mercado de 10 bilhões de reais por ano.edu.CONCRETO Introdução Na abertura de um recente congresso na área de concreto. 6º.0 30. em 1997.1 35. 9º. 3º.6 88.0 104.0 27. 7º. 10º. 2º. principalmente. Brasil Rússia Tailândia Indonésia Turquia Alemanha México Irã 38. 15º.5 _______________________________________________________________________________ 84 Concretos e Argamassas Prof. o Brasil. forma.00 (custo estimado do m3 da estrutura de concreto armado.7 40.5 39. Segundo ele. pois o restante deve-se.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Alguns dados: Maiores países produtores de cimento . à auto-construção. o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) apresentou dados interessantes. 5º. 11º. considerando-se concreto.5 53. China Índia USA Japão Coréia do Sul Espanha Itália País Produção (milhões t) 628.8 8º.

438 19.2001 Continente Américas Europa Ásia África Oceania Consumo (milhões t) 226 314 998 91 8 Total 1637 Consumo per capita .2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil Consumo (1000 t) 2.edu.Consumo de cimento no mundo .746 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .182 37. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.978 % 6 18 9 51 17 100 _______________________________________________________________________________ 85 Concretos e Argamassas Prof.345 6.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Consumo (kg/hab/ano) 174 138 284 258 244 Consumo de cimento por região .978 37.

13 0.edu.77 2.607 8.04 0.978 % 70. Quais então seriam as principais vantagens.principais virtudes e defeitos Para chegar a este posto.46 2.913 49 15 145 37.06 21.69 2.851 934 1.67 0.Consumo per capita – Brasil Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Consumo (kg/hab/ano) 184 222 240 246 242 232 223 217 Perfil dos consumidor Brasil . do uso do concreto como material de construção? _______________________________________________________________________________ 86 Concretos e Argamassas Prof. ou virtudes.72 12.18 7.249 4.022 992 450 2.977 2.38 100 Concreto .61 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .84 7. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. só um material com muitas vantagens de utilização.2002 Região Revendedoras Consumidores industriais Concreteiras Fibro-cimento Pré-moldados Artefatos Argamassas Consumidores finais Construtores Órgãos públicos / estatais Prefeituras Importação Total Consumo (1000 t) 26.

• • • • • • • A construção em concreto é relativamente rápida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . robusto. em instalações simples. • Demanda: pouca tecnologia de produção. Pode receber praticamente todo tipo de revestimento. de fácil transporte e estocagem. estáveis. facilmente aplicado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mão de obra com baixo nível de instrução. quando artificiais. Dá margem à sofisticação arquitetônica.edu. como no caso do cimento. pouco sofisticados.VIRTUDES • É fabricado com materiais: naturais. facilmente moldado. equipamento barato. disponíveis em quantidade. É um material relativamente estável e durável. possuem ciclo de produção dominado no mundo inteiro. é: facilmente transportado. Depois de produzido. • • Pode ser produzido praticamente em qualquer lugar. durável e pouco sofisticado. tudo isso com baixo consumo de energia. Possui grande durabilidade (quando corretamente produzido) Apresenta boa impermeabilidade Permite a execução de grandes peças contínuas _______________________________________________________________________________ 87 Concretos e Argamassas Prof.

PRINCIPAIS DESVANTAGENS Do ponto de vista técnico. em qualquer lugar. Do ponto de vista genérico. uma estabilidade dimensional relativamente pequena. mesmo. como principais desvantagens: • • • • uma resistência à tração relativamente baixa. uma durabilidade questionável. quando submetido a determinados ambientes. ou quando produzido de maneira incorreta. que pode fabricá-lo de qualquer jeito. que faz com que todo mundo pense que entende de concreto. O concreto é um dos materiais de que se encontram muitos “conhecedores” (?) pelo mundo afora. o concreto é um material de construção que apresenta. mas o pior problema.edu. sem nenhum controle.Nada porém possui apenas vantagens. o principal defeito genérico do material de construção nos dias de hoje. em geral. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. uma relação resistência/peso relativamente pequena. Tudo tem suas desvantagens e o concreto não é exceção a esta regra. é que ele faz!” (Adam Neville) _______________________________________________________________________________ 88 Concretos e Argamassas Prof. contudo. O descaso com a tecnologia do concreto é. em algumas circunstâncias. e esse é considerado. “Um dos grandes problemas do concreto é que qualquer doido pensa que sabe fazer concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o ponto fraco mais importante da utilização do concreto é considerado exatamente a sua enorme facilidade de utilização. muito grande. por alguns pesquisadores.

com as propriedades exigidas. O controle da produção tem a finalidade de obter um material uniforme. o que é o concreto? É uma mistura de _______________________________________________________________________________ 89 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com o apoio do entendimento (NEVILLE. porém os ingredientes de um bom concreto são exatamente os mesmos! (NEVILLE. 1994).Porém. afinal. agregados e água. elaborada a partir de um processo é suscetível de ser controlada (HELENE. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por ser uma atividade humana. ao fim que se destina (VALOIS. 1997). de forma econômica. 1997) O que causa esta diferença? Apenas o conhecimento. Um “mau” concreto é feito simplesmente misturando-se cimento.edu. TERZIAN. a produção de concreto. O MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: CONCRETO Mas. 1992).

edu. quimicamente instáveis e muito _______________________________________________________________________________ 90 Concretos e Argamassas Prof. que representam 20 a 25% do volume total de sólidos da pasta. que alguns autores consideram como uma terceira fase: os vazios. • etringita: cristais grandes e volumosos. mas são bastante solúveis em água. heterogêneo. formados pela hidratação dos aluminatos combinados com sulfato de cálcio. São responsáveis pelo pH elevado da pasta (pH> 13). Como defeito. aumentando a densidade e resistência mecânica da pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Tem baixa resistência mecânica. aluminatos).É. • prismáticas: cristais de grande tamanho. possui uma descontinuidade estrutural. Então a microestrutura da pasta vai se tornando mais compacta. portanto um material composto. formadas por hidróxido de cálcio. As principais funções da pasta são • • • • Dar impermeabilidade ao concreto Dar trabalhabilidade ao concreto Envolver os grãos Preencher o vazio entre os grãos As principais microestruturas que se formam na pasta matriz são: • estruturas fibrilares ou estruturas C-S-H: compostos químicos formados por cristais de silicatos de cálcio hidratados que representam 50% a 60% do volume total de sólidos da pasta e são os responsáveis pela resistência mecânica da pasta após os dias iniciais. formado por duas fases e uma interface: a fase pasta. a fase agregado e a ligação agregado-pasta. Funções da pasta (fase pasta) Nesta fase há a hidratação do cimento e a formação de cristais em torno do grão de cimento (silicatos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

edu. reduzindo a resistência química e mecânica da pasta. Além das microestruturas sólidas. maiores serão a porosidade e a permeabilidade. Representam 15 a 20% do volume total de sólidos.porosos. Quanto maiores a quantidade de vazios e maiores forem os seus diâmetros médios. São os primeiros cristais da pasta a se formar e produzem a primeira resistência mecânica do endurecimento. O estudo destes vazios (e o preenchimento deles) tem grande importância em concretos de alta resistência. o agregado graúdo pode se tornar a parte fraca do conjunto. para o agregado não tem tanta importância a sua resistência mecânica. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Funções do agregado (fase agregado) • • • Reduzir o custo do concreto Reduzir as variações de volume (diminuir as retrações) Contribuir com grãos capazes de resistir aos esforços Em concretos convencionais. _______________________________________________________________________________ 91 Concretos e Argamassas Prof. pequena se comparada a das estruturas C-S-H. devido as suas micro-fraturas internas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aumentando também a sua retração e a fluência. pois normalmente é maior que a do conjunto concreto. que não é o foco desta disciplina. • grãos de clínquer não hidratados: pequenos núcleos dos grãos de cimento. Para concretos de alta resistência. os vazios são de grande influência nas características da pasta matriz endurecida. Este estudo é feito em disciplina específica ou em estudos de especialização. gerando estruturas com baixa resistência mecânica que com o tempo se transformam em monossulfato.

muito resumidamente.edu. a fraqueza da ligação agregado-pasta pode ser explicada. as fôrmas. Devido à sua maior mobilidade. Este efeito pode ser descrito como uma "chamada" da fase mais fluida do concreto (a pasta) para as superfícies postas em contato com o concreto. Em concretos convencionais. esta fase é constituída. após a desforma. por água. em grande parte. por uma concentração anormal de cristais de hidróxido de cálcio nessa região particular dos concretos e argamassas. não se observa a presença de partículas de brita.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. também ocorre uma espécie de efeito de parede interno. a zona de transição não tem tanto influência pelo chamado efeito fortificador do agregado. Esta é a razão pela qual. Zona de transição agregado – pasta (microscopia eletrônica) _______________________________________________________________________________ 92 Concretos e Argamassas Prof. é necessário mencionar um fenômeno que ocorre no concreto quando no estado fresco: o efeito de parede. aqueles com relação a/c > 0. em um concreto apropriadamente lançado e compactado. Antes de se abordar a ligação agregado-pasta. Para concretos de maior resistência. já que a pasta de cimento sempre se interpõe entre elas e a fôrma. como por exemplo.4. uma chamada da fase mais fluida do concreto para a superfície dos agregados.A interface (fase zona de transição) No concreto convencional é a parte mais fraca. pois é menos resistente que a pasta e os agregados. Em termos de microestrutura do concreto.

Zona de transição agregado – representação gráfica

Noções básicas de concreto
1) A fase pasta de cimento, mistura de cimento e água, funciona como uma espécie de cola, pois possui poder aglomerante, ou poder de colagem. Quanto mais diluída, menos cola. Assim, a partir de um certo limite, quanto mais água se mistura ao cimento, menor o poder aglomerante da pasta, na medida em que ela própria fica menos resistente. 2) Um bom concreto precisa ser trabalhável na obra. A noção de trabalhabilidade é difícil de ser definida e de ser medida, e isto será visto mais adiante, quando tratarmos da propriedades do concreto no estado fresco. Ela tem a ver, entretanto, com a capacidade do concreto preencher totalmente uma fôrma, envolvendo completamente as armaduras, sem deixar vazios, que são pontos fracos e que diminuem a resistência e a durabilidade do material. Dependendo do tipo de fôrma (em termos de dimensões), da densidade das armaduras dentro das fôrmas, do tipo de transporte que o concreto vai receber (como

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por exemplo, o bombeamento), da forma de adensamento, etc., ele precisa ter características específicas de trabalhabilidade na obra. Um concreto pode, por exemplo, ter uma consistência mais seca, que dê para preencher uma fôrma larga, mas, por outro lado, esta mesma consistência seca pode provocar o entupimento da bomba (se o concreto for bombeado). No caso contrário, um concreto pode ser mais fluido, mais mole, podendo ser bombeado, mas não ser trabalhável para a execução de pisos, que geralmente são vibrados com régua vibratória (o que demanda concretos mais secos, para que a régua não afunde na massa). De modo geral, deve-se procurar trabalhar com o concreto mais seco possível. Por que? Porque quanto mais seco o concreto, menos água ele tem, e portanto mais resistente é a fase pasta, e, consequentemente, o concreto como um todo. A "secura do concreto" entretanto tem um limite. 3) A relação entre a massa de água e a massa de cimento de um concreto é conhecida como relação ou fator água-cimento. Misturando-se pouco a pouco uma certa quantidade de cimento com uma quantidade variável crescente de água e medindo-se a resistência da pasta verifica-se que ela passa por um máximo. Este máximo é relativo ao fator água/cimento teórico de aproximadamente 0,23. Esta relação representa a quantidade mínima de água necessária para hidratar completamente todas as partículas da massa de cimento. O fator água/cimento de 0,23, entretanto, é um fator teórico, raramente obtido na prática, pois o concreto com ele fabricado fica extremamente seco, com a chamada "consistência de terra úmida", uma verdadeira farofa, impossível de ser trabalhada, vibrada, bombeada, etc., no canteiro. 4) Na prática, um concreto corrente é obtido geralmente com fatores a/c superiores a 0,50. A água contida por esse concreto pode então ser subdividida em dois tipos: água de hidratação (relativa ao fator a/c de 0,23 ou 0,23 X massa de cimento do concreto) e água de trabalhabilidade, a água a mais, que é acrescentada para que o concreto possa ser trabalhado na obra. É calculada como: [(fator a/c - 0,23) X massa de cimento].
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A água de hidratação é como diz o nome, aquela que vai ser consumida na hidratação das partículas de cimento. A água de trabalhabilidade é a água que vai misturar-se com as partículas de cimento e formar um filme aquoso (talvez seja melhor dizer pastoso) nas superfícies das partículas de areia e brita, filme este que vai funcionar como um lubrificante, reduzindo o atrito existente entre essas partículas e transformando então um concreto seco em um concreto "plástico", ou "mole", ou ainda "fluido". 5) O concreto fica então menos resistente do que poderia teoricamente ser, para que possa ser trabalhável na obra. Nos concretos correntes, esse comportamento é traduzido pela Lei de Abrams, que estabelece que a resistência do concreto varia na razão inversa do fator a/c, ou seja, quanto maior o fator a/c, menor a resistência do concreto, e vice-versa. 6) Mudando aparentemente de assunto, falemos agora de superfície específica. A superfície específica é a medida da área superficial das partículas contidas em um determinado volume de material. Pode-se demonstrar matematicamente que quanto menores as dimensões das partículas de um mesmo volume de material, maior a superfície específica das partículas contidas naquele volume. Assim, quanto mais fino for, por exemplo, um tipo de agregado, maior a superfície específica das suas partículas, e, portanto, maior a quantidade de água de trabalhabilidade necessária para diminuir o atrito entre partículas, e, finalmente, menor a resistência desse concreto com mais água. Esta é a principal razão pela qual procura-se sempre trabalhar com: • • • os agregados com as maiores dimensões possíveis; as areias menos contaminadas com silte ou argila, que são materiais finos; a menor quantidade possível de cimento.

7) Neste aspecto, é importante também escolher o agregado com formato e textura superficial adequados, pois quanto mais áspera for a sua superfície e mais vértices tiver a sua forma, maior o atrito entre suas partículas, maior a quantidade de água necessária para diminuir o atrito, etc., etc., etc..
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Classificação dos concretos
Alguns tipos de concreto que podem ser produzidos • • • • • • • • • • • Concreto simples Concreto armado Concreto massa Concreto projetado Concreto refratário Concreto com ar incorporado Concreto de alta resistência Concreto auto-adensável Concreto leve Concreto pesado Etc

Quanto a classificação quanto a resistência, por classes e grupos, a NBR 8953, classifica para o grupo I as resistências de concreto C10 a C50 (variando de 5 em 5), onde se indica a resistência em MPa (C40 concreto com resistência de 40 MPa) e

onde a faixa de validade da NBR 6118 – Projetos de estrutura de concreto. Já o grupo II se refere aos concretos de alta resistência e hoje se tem evoluído muito em estudos, pesquisas nesta faixa (estudo em outra disciplina).

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tais como resistência. que são relacionadas a operações de transporte. c) tipo de agregado disponível economicamente.PRODUÇÃO DE CONCRETO Introdução O processo de produção do concreto geralmente é subdividido em várias etapas. bem superior ao dos agregados. As principais delas são: mistura (ou amassamento). e) custo. mas nem sempre é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura ou que não apresentem reatividade. adensamento (ou compactação) e cura. Alguns autores colocam ainda uma fase inicial e uma etapa final: a dosagem (ou cálculo do proporcionamento) e o controle tecnológico. _______________________________________________________________________________ 97 Concretos e Argamassas Prof. deveriam fazer parte das variáveis e não dos requisitos. onde admite-se que um concreto econômico quando consegue atender às condições anteriores com um consumo mínimo de cimento. d) técnicas de execução. b) condições de exposição e operação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . impermeabilidade e outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma certa idade. Dosagem A dosagem do concreto objetiva atender a cinco condições principais: a) exigências de projeto. mas iniciamos com pelo menos os princípios básicos. pois que o custo do cimento é. a princípio. onde o proporcionamento deve levar em conta as características de agressividade da atmosfera. lançamento e adensamento do concreto. apesar de que.edu. acabamento. Estas duas etapas estudaremos à parte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. na grande maioria das vezes. transporte. lançamento (ou colocação). do solo e eventuais produtos em contato com a estrutura.

mas também nos caminhões-betoneira das centrais de concreto pré-misturado (embora. pois a fração do saco medida em peso é trabalhosa. formando a pasta. é importante saber a sua capacidade de produção. neste caso.edu. por sua vez. A mistura mecanizada é realizada em máquinas especiais denominadas betoneiras. As betoneiras podem ser de vários tipos. equipamento que é utilizado não apenas nas obras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. enquanto um tempo longo demais é _______________________________________________________________________________ 98 Concretos e Argamassas Prof. deve-se procurar utilizar um número inteiro de sacos de cimento. que. não seja basculante). e a medida em volume não é aconselhável. A mistura manual está em desuso. para que se possa calcular a quantidade de cada um dos materiais que vai entrar na mistura. embora no Brasil a mais comum seja a betoneira basculante de eixo inclinado. Em cada betonada.Mistura / amassamento É a homogeneização de todos os componentes do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . através de pás. O eixo passa pelo centro do tambor e. deve envolver totalmente cada partícula de agregado. que também podem ser fixas ou móveis. pois a falta de homogeneidade implica em perda de resistência e durabilidade do concreto. por ser pouco precisa. só sendo aceitável para pequenos volumes de concreto. que pode ser fixo ou móvel em torno de um eixo. A mistura tem que ser homogênea. promove a mistura dos componentes do concreto. de modo que entrem em contato íntimo uns com os outros. Antes de se utilizar uma betoneira. Um tempo reduzido demais produz uma mistura imperfeita. A água deve entrar em contato com as partículas de cimento. Outro aspecto bastante importante é o tempo ideal de mistura. constituídas por um tambor ou cuba. bem como a quantidade de betonadas necessárias para executar uma determinada parte da obra.

Cada autor também tem a sua preferência. Uma ordem de grandeza prática para o tempo de mistura de um concreto convencional em obra comum é de 2 minutos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. garantindo assim uma formação mais completa das reações de hidratação que formam os compostos endurecedores do concreto. O tempo de mistura é contado a partir do instante que se liga a betoneira. do tipo: t = 120 d . que depende de vários fatores. em metros. como a quantidade e o tipo de materiais. brita fina. Alguns autores fornecem uma fórmula para o cálculo do tempo de mistura das betoneiras de eixo inclinado.. em segundos. sem o agregado miúdo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Também é importante. Para concretos convencionais a ordem mais comum é: 1) Agregado graúdo + parte da água batendo-se a água e a pedra eliminamos eventuais depósitos de materiais que podem estar ainda no interior da betoneira e fazemos a homogeneização da água no agregado graúdo. a ordem de entrada dos materiais na betoneira. 2) Cimento + restante (ou quase o restante) da água colocando-se o cimento e o agregado graúdo. Não deve ser inferior a 1 minuto. a trabalhabilidade do concreto. para a execução de uma mistura perfeita. com todos os materiais no seu interior. onde: t = tempo de mistura. em função da umidade de areia que pode estar levando mais água ao concreto do que o esperado. Assim vamos evitar que a relação a/c seja maior que a de projeto.antieconômico. mantendo-se a principal propriedade do concreto: a resistência à compressão. Por vezes evita-se colocar toda a água prevista. Uma seqüência prática de se usar em obra é a entrada dos materiais na ordem dos mais grossos para os mais finos: brita grossa. o tipo de betoneira.edu. fazemos a hidratação de quase todas as partículas de cimento. areia. _______________________________________________________________________________ 99 Concretos e Argamassas Prof. d = diâmetro da betoneira. etc. cimento e água.

Porém.3) Areia com a colocação da areia começamos a contar o tempo de mistura verificando se não há a formação de argamassa nas pás (argamassa presa). Atenção: como hoje em dia se usa muito concreto dosado em central (“concreto usinado”). pode-se então completar a água prevista.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . isto acontece exatamente nos pilares. Nesta etapa em função da trabalhabilidade pretendida e da água. Muito cuidado. A solução do aditivo plastificante é a mais usual (quando se fala de concreto com controle tecnológico). se não foi colocada toda. tendo esta pasta a relação a/c original c) Colocarmos aditivos plastificantes.edu. e ainda não obtivemos a trabalhabilidade necessária (medida pelo ensaio de abatimento de tronco de cone – “slump”) não podemos mais simplesmente colocar água no concreto sob pena de termos uma relação a/c maior e consequentemente uma resistência mecânica menor que a de projeto. Observação importante: Se já colocamos toda á água prevista pelo traço. Neste caso sempre temos que ter sempre em estoque algum aditivo e já instruído o operador de como usá-lo. acaba ficando pouco concreto produzido em obra. normalmente os pequenos volumes. Neste caso. para-se a betoneira e com uma colher se faz a soltura desta argamassa e retoma-se a mistura. _______________________________________________________________________________ 100 Concretos e Argamassas Prof. onde o volume é pequeno e se faz em obra e onde a resistência à compressão adquire uma importância maior. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Neste caso há três soluções mais comum para resolver o problema sem afetar a resistência mecânica: a) Adicionarmos mais argamassa ao concreto mantendo-se nesta argamassa a relação a/c do traço original b) Adicionarmos mais pasta ao concreto.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Porém isto não isenta a nossa responsabilidade e o controle do concreto como veremos adiante. • • vertical .através de vagonetes. carrinhos (que devem ter rodas de borracha.correia transportadora. têm uma boa aceitação e geralmente encontram-se em estágio tecnológico bastante razoável.. O concreto é lançado no recipiente de admissão (cocho). passa pelo interior da bomba e é recalcado através de tubulações até alturas que podem ser superiores a 300 m. evite a segregação dos seus componentes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. caminhões. calha. oblíqua ou inclinada . e de maneira tal que mantenha a sua homogeneidade. para evitar a segregação)..edu. Transporte O concreto deve ser transportado do local de mistura para o local onde vai ser lançado tão rapidamente quanto possível.Em obras com grande volume de produção de concreto ou em regiões com grande mercado consumidor. entretanto o transporte do concreto pode ser realizado também por bombas especiais.. desenvolveram-se as centrais produtoras de concreto prémisturado. O transporte do concreto geralmente ocorre das seguintes formas: • horizontal . etc. Em qualquer das formas. que. _______________________________________________________________________________ 101 Concretos e Argamassas Prof. que recalcam o material através de um mecanismo de pistões e válvulas.caçambas. no Brasil. etc. ou seja. etc. guinchos.

O transporte por esteiras rolantes é em geral mais indicado para os concretos secos. com cobertura no caso de sol forte. utilizou-se um sistema engenhoso. devem dispor de agitação própria. e são chamados de caminhão betoneira. onde uma bomba estacionada no térreo recalcava o concreto até o cocho de uma segunda bomba. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é necessária uma inclinação mínima de 13o. para evitar que o concreto quando seja lançado já esteja em início de pega ou muito próximo. temos que controlar o tempo em que foi adicionada a água. acionadas por controle remoto.5 até 8 m3. como por exemplo. consta que durante a construção do prédio do BNDE. Geralmente são trucados. quando utilizados no transporte de concreto por longa distância. os concreto-massa de barragem. e pode ser usado tanto na horizontal quanto com pequenas inclinações. e a agitação do concreto pode ser realizada em dois sentidos e duas velocidades. montadas sobre carroceria de caminhão. com cerca de 15 m de comprimento. algumas até automotivas. Os caminhões.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Este equipamento permite a concretagem de até 3 andares de obra sem a necessidade de nenhuma tubulação adicional.edu. O concreto deverá ter consistência fluida e o processo de transporte deve ser contínuo e homogêneo. A capacidade de bombeamento deste tipo de equipamento geralmente é de cerca de 30 m3 por hora. O material deve também ser protegido contra a secagem excessiva. Era esta segunda bomba que levava o concreto até o pavimento em execução. Para que o material deslize. possuem balões com capacidade de transporte de 2.No Rio de Janeiro. Algumas empresas _______________________________________________________________________________ 102 Concretos e Argamassas Prof. geralmente com uma lança metálica articulada em dois ou três estágios. sem segregação. Alguns cuidados no transporte: a) Quando for feita de uma central dosadora até a obra. colocada a meia altura do prédio. As calhas ou canaletas utilizadas no transporte inclinado do concreto geralmente são de madeira revestida por chapa metálica. As bombas de concreto podem ser estacionárias ou móveis.

prevendo atraso no transporte, em função de tráfego, fazem a mistura a seco e colocam água somente na obra. Outras utilizam aditivos retardadores de pega no concreto.
Atenção: muito cuidado com concreto com aditivos retardadores de pega, quando da previsão de desforma, pois já houve casos que o módulo de elasticidade exigido na época da desforma não foi atingido, devido ao uso destes aditivos. Acaba por vezes exigindo um tempo maior de escoramento do concreto

b) No transporte vertical ou horizontal por bombas, conforme o dia (umidade do ar, temperatura, exposição ao sol, etc), pode haver perda da traballhabilidade do concreto. A medida do “slump” na saída do caminhão pode atender a exigência de projeto, mas na saída da canalização, acaba sendo menor e pode comprometer o lançamento do concreto. Ver trabalho de TCC da ex-aluna Endriana Kischner Cavalheiro (Concreto bombeado: Verificação da

variabilidade das propriedades entre a saída da caminhão betoneira e a chegada no local de concretagem) c) Quando se faz transporte horizontal dento da obra, por carrinhos ou jericas, deve-se ter um caminho preparado, para evitar solavancos no percurso que podem levar a segregação do concreto

Lançamento / Colocação
O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto no ponto onde ele deverá permanecer definitivamente. O lançamento do concreto nas formas não deve ocorrer em intervalo superior a 30 minutos após a conclusão do amassamento. Na realidade, como o transporte, deve ser realizado no prazo mais rápido possível. Da mesma forma, como no caso do transporte, deve-se também evitar a segregação do concreto durante o lançamento nas formas. O uso de aditivos retardadores de pega pode estender este tempo para até cerca de duas horas, dependendo da eficiência do aditivo e da sua dosagem.
_______________________________________________________________________________ 103 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Nas obras correntes, antes do lançamento do concreto, deve-se umedecer as fôrmas de modo a evitar a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para evitar a fuga de pasta de cimento. Outra situação especial de colocação do concreto em obra é o lançamento em altura. Ao sair da betoneira, o concreto geralmente é submetido a forças externas e internas que tendem a provocar a segregação (separação) dos seus materiais constituintes. Ao lançar o material de grande altura (ou deixá-lo correr livremente) surgirá a tendência de separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para evitar a segregação, a altura máxima de lançamento em concretagens comuns não deverá ultrapassar 2 m. Em pilares mais altos do que isso, por exemplo, podem ser abertas janelas de concretagem à meia altura, na parte lateral da fôrma, que são fechadas à medida que o concreto atinge este nível. Também neste caso pode ser utilizada a tremonha Nos casos mais comuns de vigas e lajes, o concreto deve ser lançado o mais próximo possível da sua posição final, não devendo fluir, "andar", ou ser empurrado dentro das fôrmas. Nas obras de maior porte, o lançamento do concreto deve ser feito segundo um plano de concretagem, elaborado para levar em consideração o projeto de escoramento e as deformações que nele serão provocadas pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço lembrar de escoras que

levantam pela deformação na estrutura de formas/escoramento Deve também ser prevista a ocorrência de interrupções do lançamento de concreto, que venham a provocar as chamadas juntas de construção, ou juntas frias. Estas em geral são provocadas pela impossibilidade do lançamento contínuo de um grande volume de concreto, ocorrência esta previsível ou não, derivada de acidente (como por exemplo, chuva forte, falta de energia, entupimento de bomba, quebra de equipamento de produção ou de transporte do concreto, etc.). Em todos os casos devem ser tomados alguns cuidados. A superfície do concreto velho deve ser apicoada ou limpa com escova de aço até tornar-se rugosa, com o agregado graúdo aparente, para facilitar a aderência com o concreto novo.
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Quando previsível, já ao final do lançamento, deve ser providenciado para que o acabamento de uma camada de concreto não seja executado em superfície lisa. A superfície da junta deve ser perfeitamente limpa, a fim de remover o material solto, o pó, as impurezas, etc., que prejudicam a aderência. Esta limpeza deve ser executada com jato d’água ou de ar comprimido. Quando não for usado o jato d’água, a superfície deve ser abundantemente molhada. Outra boa prática é a previsão de existência de ferros de espera, ou a colocação de pontas de ferro espetadas nas juntas, de modo que venham depois a realizar uma espécie de costura do concreto velho com o novo O projeto de uma estrutura pode também, intencionalmente, prever a existência de juntas, que neste caso recebem a denominação de juntas estruturais. Sua finalidade é a de permitir deslocamentos da estrutura, geralmente provocados por contrações, (retrações e expansões) derivadas de variações de temperatura e umidade, empenamentos, deflexões, recalques, etc.. Uma forma prática de se construir uma junta é a utilização de placas de isopor, que mais tarde são dissolvidas com querosene. Um caso particular de colocação do concreto é o do lançamento submerso. O concreto não deve ser lançado em águas com velocidade superior a 3 m/s (para que não seja "lavado"), nem em temperaturas inferiores a 2 oC (que interferem e até podem impedir a pega do cimento). O material deve possuir consumo mínimo de cimento de 350 kg/m3 (para garantir um fator a/c razoável e diminuir a tendência à segregação) tendo ainda uma consistência plástica, já que em geral não pode ser vibrado após o lançamento. O processo de colocação deve ser contínuo, através de uma tubulação sempre cheia de concreto, cuja ponta deve estar posicionada no interior da massa de concreto já lançada, para evitar que o material caia através da água e a pasta seja separada dos agregados por lavagem. O equipamento geralmente empregado neste processo chama-se tremonha.

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Adensamento / Compactação
O adensamento ou compactação do concreto recém lançado tem por objetivo deslocar, com esforço, os elementos que o compõem e orientá-los para se obter maior compacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e desalojar o ar do material eliminar os vazios da massa, tornando-a mais compacta e, mais

resistente, menos permeável e mais durável Os processos de adensamento podem ser manuais ou mecânicos. O adensamento manual, hoje raramente utilizado, era realizado por socamento ou apiloamento, é indicado apenas para obras de pequena importância. O socamento pressupunha a utilização de soquete metálico ou de madeira, e era utilizado apenas em concretos de consistência plástica. O apiloamento utilizava-se geralmente de pilão de madeira e também era indicado para concretos plásticos. Em ambos os processos a espessura das camadas não deveria ultrapassar 20 cm. O adensamento mecânico compreende os esforços de vibração, centrifugação e vácuo. O mais usado é a vibração em obras convencionais A vibração, processo mais utilizado atualmente, além da desaeração, dá ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água. A vibração não deve ser aplicada diretamente à armadura, que, ao vibrar, deixa um espaço vazio ao seu redor, eliminando a aderência. Caso durante a vibração haja um contato acidental do vibrador com a armadura, deve-se vibrar novamente o concreto nas proximidades.

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os vibradores. podem ser: • de imersão (de agulha ou de banana). como p. postes. cria canalículos na massa de concreto. geralmente vigas e transversinas de pontes e outras obras de arte especiais.. O fato é que a água.da ordem de 1500 vpm. pode-se utilizar a revibração para tentar obturar os poros capilares. que pode ser • • • baixa . Caso a exsudação ocorra com maior intensidade.edu. empregados em pisos e pavimentações. As características principais dos vibradores de concreto são: a) freqüência. que demandam concretos pouco plásticos. • de superfície (placas ou réguas vibratórias). A revibração (uma segunda etapa de vibração) só deve ser realizada até a metade do tempo de pega do cimento. espaços estes que vêm a constituir os poros capilares.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . média . O diâmetro deste vibrador é um dado importante quando da elaboração do projeto estrutural. na realidade. em geral empregado na produção de prémoldados ou peças pré-fabricadas em usina. • de fôrma. que é.A vibração pode aumentar a ascensão à superfície de concreto do excesso de água (fenômeno denominado de exsudação. um caso particular de segregação e que será melhor explicado adiante nas propriedades do concreto). Os equipamentos mais utilizados para a vibração do concreto. etc. alta .de 6000 a 20000 vpm.ex. pois define o espaçamento entre as armaduras. vigas. telhas. _______________________________________________________________________________ 107 Concretos e Argamassas Prof. usados em peças de maiores dimensões ou com grande densidade de armadura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mais utilizados nas obras correntes de edificação. no seu movimento de ascensão. blocos. dormentes.entre 3000 e 6000 vpm. • de mesa (ou mesa vibratória).

O raio de ação de um vibrador é proporcional à raiz quadrada da sua potência para duplicar o raio. a diferentes distâncias do vibrador e mede-se a sua vibração.A freqüência baixa movimenta os grãos maiores (agregado graúdo) e a freqüência alta movimenta os grãos menores (argamassa ou pasta de cimento).edu. não ultrapassa os 60 cm. Os vibradores de alta freqüência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 108 Concretos e Argamassas Prof. Alguns cuidados na utilização de vibradores de imersão: a) Os vibradores devem ser aplicados em posições sucessivas afastadas de distâncias iguais ou inferiores ao raio de ação do vibrador. é necessário quadruplicar a potência. para se determinar o raio de ação de um vibrador. Em geral. Na prática. que é a distância além da qual o vibrador não exerce influência no concreto. são mais econômicos. cravam-se várias barras de ferro na massa de concreto. Daí em diante. A amplitude de ação depende também das características do próprio concreto. O período útil de aplicação da vibração corresponde ao aparecimento de uma camada de argamassa na superfície do concreto (superfície torna-se brilhante). bem como à cessação quase completa do desprendimento de bolhas de ar. c) amplitude ou raio de ação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . já que o seu excesso gera a segregação do concreto. Os vibradores mais utilizados no Brasil têm freqüência da ordem de 3500 vpm. b) potência A baixa freqüência exige maior potência do vibrador. sob este aspecto. o efeito da vibração passa a ser nocivo. enquanto nos EUA as normas de concreto corrente impõem o emprego de vibradores com 10000 ou 12000 vpm.

Além disso. No caso dos tubos isto é ótimo.edu. variável com as dimensões da peça. ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento. Assim libera-se o ar contido no concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 109 Concretos e Argamassas Prof. tubos. O processo pode ser usado também em fábricas de pré-moldados. é boa prática manter-se sempre um vibrador de reserva. o vácuo adensa o concreto por compressão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e) Nas obras. como postes. O adensamento à vácuo é utilizado em pavimentação de ruas.. e sua retirada muito lenta. Cobre-se o trecho pavimentado com uma manta plástica presa nas bordas e ligada por um tubo por onde se retira o ar aprisionado pela manta.b) As camadas lançadas de concreto devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante do vibrador de imersão. O vibrador nunca deve ser utilizado para transportar ou empurrar o concreto. c) A introdução da ponta vibrante no concreto deve ser rápida. Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça. bem como uma parcela da água. pois fica assegurada uma alta impermeabilidade e uma superfície interior pouco rugosa. durante um tempo de 2 a 10 minutos. A compactação do concreto por centrifugação é muito empregada no caso da préfabricação de elementos de revolução. estacas. para que se obtenha uma boa homogeneidade do concreto. Durante a centrifugação ocorre uma classificação dos materiais componente do concreto segundo o seu tamanho. As fôrmas em geral são metálicas e atingem velocidades de 12 a 24 m/s. etc. d) O vibrador deverá ser utilizado sempre na vertical. ambas com o aparelho em funcionamento. caso contrário poderá ser deixado um vazio na massa de concreto.

fenômeno que rege a pega e o endurecimento do concreto. p. a resistência à compressão do concreto curado em água pode ser até 40% superior à do concreto mantido ao ar. de modo que possam ser desenvolvidas as propriedades desejadas no concreto. As condições de umidade e temperatura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. As condições da temperatura do meio ambiente nas primeiras idades do concreto são as mais importantes. embora alguns autores recomendem pelo menos 14 dias de cura para que se tenha garantias contra o aparecimento de fissuras devidas à retração.Cura Dá-se o nome de cura ao conjunto de medidas que têm por finalidade evitar a evaporação prematura da água necessária à hidratação do cimento.ex. As baixas temperaturas prejudicam muito o crescimento das resistências mecânicas do concreto. A cura do concreto em obra pode ser realizada de várias formas. principalmente em termos de resistência e de durabilidade. Aos 28 dias de idade. _______________________________________________________________________________ 110 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como por exemplo: • irrigação periódica das superfícies com água.edu. melhora muito as características finais do material. Algumas normas (inclusive a brasileira NBR 6118) exigem que a cura seja realizada nos 7 primeiros dias após o lançamento do concreto nas fôrmas. têm importância muito grande nas propriedades do concreto endurecido. o que também ocorre com as temperaturas elevadas. A cura úmida (com água) em comparação com a cura do concreto ao ar. principalmente nas primeiras idades do concreto. que provocam a evaporação de parte da água do concreto. O Comitê 363 do ACI define cura como o conjunto de procedimentos adotados para a manutenção de um teor de umidade satisfatório e uma temperatura favorável no concreto durante o período de hidratação dos materiais cimentícios.

• Em certos casos a submersão do concreto pode ser indicada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 111 Concretos e Argamassas Prof. • recobrimento da superfície com papéis impermeáveis especiais (do tipo kraft) ou filmes de polietileno. que impedem a evaporação da água membranas de cura. • emprego de compostos impermeabilizantes especiais para a cura.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que também impedem a evaporação da água.• recobrimento das superfícies com areia ou sacos de aniagem. mantidos sempre úmidos.

Entre a mistura e o fim de pega o concreto é dito no estado fresco. sabe-se que elas estão relacionadas e têm grande implicação nas propriedades do concreto endurecido. denominada endurecimento. o cimento começa a hidratar-se. A fase a seguir. tornando-se um bloco rígido. _______________________________________________________________________________ 112 Concretos e Argamassas Prof.edu. Tempos de pega Quando entra em contacto com a água. é acompanhada pelo aumento da coesão e pelo ganho de resistência da pasta. a pasta começa a perder plasticidade. a situação é denominada fim de pega. o concreto no estado plástico. O tempo decorrido desde a adição de água ao cimento até o aumento brusco de viscosidade da pasta é denominado. A mistura. antes do endurecimento. Ainda que suas propriedades no estado fresco sejam de maior interesse para a aplicação. Algumas propriedades do concreto endurecido dependem fundamentalmente de suas características enquanto no estado fresco. Quando a pasta deixa de ser deformável em face de pequenas cargas. Pouco tempo depois.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . início de pega. convencionalmente. aumentando sua viscosidade e apresentando elevação de temperatura.PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO Introdução Entende-se com concreto fresco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. num estágio inicial. é plástica e chama-se pasta ou calda de cimento.

a temperatura ambiente. ou seja. De acordo com o tempo de pega.A duração da pega é influenciada por vários fatores. que usam a agulha de Vicat. os cimentos podem ser classificados: • • • Pega rápida tempo de início de pega < 30 min 30 min < tempo de início de pega < 60 min Pega semi-rápida Pega norma tempo de início de pega > 60 min Nos concretos. A determinação dos tempos de pega dos concretos é importante. o fator a/c. colocado e compactado. como já se mencionou. a finura do cimento. Os tempos de início e fim de pega são características intrínsecas dos cimentos. sem perda de (manipulado) homogeneidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. difícil de ser definida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que se refere à sua aptidão em ser facilmente misturado. _______________________________________________________________________________ 113 Concretos e Argamassas Prof. bem como a presença de aditivos químicos e/ou minerais no concreto. mas que possui dimensões bem maiores. Cabe ainda salientar que com o início de pega inicia-se um processo de desprendimento de calor devido as reações química. evitando a segregação em outras palavras empregado identifica a maior ou menor aptidão do concreto para ser com determinada finalidade. lançado. sendo os mais importantes a composição química do cimento. os tempos de início e fim de pega podem ser determinados com um equipamento que emprega o mesmo princípio da determinação da pega do cimento (a penetração de uma agulha de dimensão conhecida). compactado e começar a ser curado. e existem normas para as suas medidas. pois são eles que indicam a disponibilidade de tempo para o concreto ser transportado. mantendo a sua integridade e homogeneidade. transportado. Trabalhabilidade É a propriedade do concreto fresco.edu.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nenhum deles consegue quantificar perfeitamente a trabalhabilidade. de transporte. pois depende também das geometria da peça estrutural. do tipo de forma. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tais como o custo. da taxa de armadura.A ASTM C 125-93 define trabalhabilidade como a energia necessária pata manipular o concreto fresco sem perda considerável da homogeneidade. técnicas e tipos de ensaios para a determinação da trabalhabilidade dos concretos.edu. dos equipamentos de mistura. devido à grande quantidade de variáveis envolvidas nessa determinação. lançamento e adensamento e é função da quantidade de finos presente na mistura bem como da granulometria e da proporção entre si dos agregados. Assim o concreto deve apresentar duas qualidade principais: • Consistência ou fluidez é função da quantidade de água adicionada ao concreto e simplesmente avalia o quão “duro” ou “mole” está o concreto • Coesão é uma propriedade que reflete a capacidade do concreto de manter sua homogeneidade durante o processo de transporte. Existem vários equipamentos. de lançamento e de adensamento. bem como da técnica e do tipo de acabamento desejado. A trabalhabilidade do concreto é uma definição relativa. adensamento e acabamento A ACI 116R-90 descreve como a facilidade e homogeneidade com que o concreto fresco pode ser manipulado desde a mistura até o acabamento. TRABALHABILIDADE = CONSISTÊNCIA + COESÃO Importância da trabalhabilidade Independente da sofisticação usada nos procedimentos de dosagem e outras considerações. Entenda-se como manipular Lançamento. uma mistura de concreto que não possa ser lançada facilmente ou adensada em sua totalidade provavelmente não fornecerá resistência e durabilidade esperadas. _______________________________________________________________________________ 114 Concretos e Argamassas Prof.

Nas obras correntes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é o "Ensaio de Determinação da Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone".edu. Ensaio de abatimento de tronco de cone a) molde metálico preenchido de concreto b) medição do abatimento Para concretos com muita trabalhabilidade – concretos auto-adensáveis – e para concretos muito consistentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o método mais utilizado (muito mais pela sua simplicidade do que pela sua precisão e representatividade). Ensaio de Slump test principal função é fornecer um método simples e conveniente (além de barato) para controlar a uniformidade da produção de concreto de diferentes betonadas. Um abatimento forma do normal pode indicar uma mudança imprevista nas proporções da mistura. também conhecido como "slump test" – NBR 7223. _______________________________________________________________________________ 115 Concretos e Argamassas Prof. o slump test não é adequado e existem outros tipos de ensaios.

indica os limites de consistência em função da aplicação e tipo de adensamento do concreto: A consistência indicativa do concreto em função do tipo de elemento estrutural.Procedimentos para ensaios de concreto fresco: um comparativo entre as técnicas utilizadas no Brasil e Alemanha . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .editado pela Argos. Silvio Edmundo Pilz. Sobre ensaios de trabalhabilidade e como leitura complementar recomendamos o trabalho recente (2008) . para adensamento mecânico. do prof. vemos na tabela seguinte: _______________________________________________________________________________ 116 Concretos e Argamassas Prof. A tabela a seguir.A importância deste controle do abatimento pode ser visto na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó.

maior a perda de trabalhabilidade do concreto.edu. que não deve ser deixada de lado por ocasião do emprego prático do concreto em obras. um aditivo retardador de pega pode ajudar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a adsorção na superfície dos produtos de hidratação e a evaporação de água capacidade de fluir. Ocorre devido a hidratação do cimento. como. que pode ser pequeno ou não. Neste caso. é a da perda de trabalhabilidade (ou de slump) do concreto com o tempo. ou seja a . por exemplo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó o concreto perde a consistência. Esse tempo pode chegar a ser bastante significativo. no caso de concreto pré-misturado em central e fornecido às obras em caminhõesbetoneira (que estão sujeitos ao fluxo de trânsito das cidades). dependendo do caso. quanto maior o tempo de transporte. Regra geral. _______________________________________________________________________________ 117 Concretos e Argamassas Prof. Em função disto para que o concreto possa ser manipulado desde a mistura até o acabamento é comum dosa-lo com um abatimento inicial maior que o previsto Sua importância deriva de três aspectos principais: • nem sempre é possível lançar o concreto nas fôrmas imediatamente após a transporte.Perda da trabalhabilidade com o tempo Uma determinação realizada no concreto fresco.

apresenta como efeito colateral uma perda acelerada de trabalhabilidade do concreto. no verão. Em casos especiais. O abatimento inicial de um concreto pode. como o Rio de Janeiro. Regra geral. temperatura do concreto e abatimento inicial. evitando o trabalho com cimento quente. recém chegado da fábrica. com o auxílio do superplastificante. quanto mais elevada a temperatura ambiente. 1994) Mistura de concreto 1 2 3 4 5 6 Temperatura do concreto oC 21 21 21 29 29 29 Abatimento (mm) Inicial 191 181 127 181 191 140 30 min 178 121 111 137 140 114 60 min 140 83 79 111 89 92 90 min 95 64 57 67 64 67 _______________________________________________________________________________ 118 Concretos e Argamassas Prof. é boa prática trabalhar com os materiais nas temperaturas mais baixas possíveis. Para ilustrar segue a seguir quadro mostrando a perda de abatimento em algumas misturas de concreto com o passar do tempo. mas a perda de trabalhabilidade desse concreto será mais rápida do que a de um concreto corrente. principalmente no caso de superplastificantes.• existem locais onde a temperatura ambiente é elevada. (Mehta & Monteiro. e protegendo a água e os agregados da insolação direta. ou resfriar a massa de concreto (já misturada) com nitrogênio líquido. regra geral. ser até de 25 cm. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. pode-se substituir parte da água de amassamento do concreto por gelo. • a utilização crescente de aditivos químicos nos concretos. Perda de abatimento em função da mistura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Neste caso. normalmente iniciando após 15 mminutos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

O que pode acontecer com a perda de abatimento: • • • • • Necessidade extra de água Aderência do concreto dentro da caçamba da betoneira e caminhão betoneira Dificuldade de bombeamento e lançamento do concreto Queda da produtividade da mão de obra Perda da resistência e durabilidade (colocação extra de água) Um carregamento perdido de concreto duvidoso pode representar um ótimo negócio para a empresa de serviços de concretagem comparado ao seu possível uso e falha de desempenho.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 119 Concretos e Argamassas Prof. adensamento. Em certas situações usa-se gelo (em escamas ou picado). Causa e controle da perda de trabalhabilidade Algumas causas dos problemas de perda de abatimento são • • Emprego de cimento de pega anormal Tempo muito longo de mistura. maior é a probabilidade de que a perda de abatimento seja a causa de problemas operacionais. acabamento • Alta temperatura do concreto devido ao calor de hidratação excessivo ou uso de materiais no concreto que tenham sido estocados a uma temperatura ambiente muito alta Problemas de perda de abatimento ocorrem mais freqüentemente em climas quentes. lançamento.edu. Quanto mais alta a temperatura na qual o concreto é misturado. manuseado e lançado. transporte. ou água gelada para diminuir a temperatura do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

A influência da dosagem na consistência considerando-se: • • • Relação água / cimento (a/c) Relação agregados / cimento (ag/c) Quantidade de água.edu. dentro de certos limites é independente de outros fatores.Medidas preventivas para controla a perda de abatimento • • • Eliminar qualquer possibilidade de atraso nas operações de concretagem Manter a temperatura do concreto entre 10oC e 21oC Controle laboratorial das características de pega e endurecimento do cimento Fatores que afetam a trabalhabilidade 1. Consumo de água O abatimento ou consistência do concreto é uma função direta da quantidade de água na mistura. pode-se dizer que Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência fluida Diminui Constante Aumenta Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência igual Diminui Diminui Constante _______________________________________________________________________________ 120 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Um aumento do consumo de cimento. mas tendem a ser viscosos. Consumo de cimento Uma diminuição do consumo de cimento tende a produzir misturas ásperas. dificultando o acabamento e prejudicando o aspecto final da superfície. Características dos agregados O tamanho e a forma das partículas dos agregados influencia na água necessária para uma dada consistência. NBR 7211 peneira 0.3 mm peneira 0.15 mm entre 6% e 17% (max. apresentam excelente coesão. Para que um concreto seja trabalhável e tenha coesão.3 mm (material fino).edu. Areias mais grossas e grãos arredondados necessitam menos água para uma dada consistência misturas trabalháveis Areias muito finas e grãos angulosos necessitam mais água para uma dada consistência misturas ásperas e pouco trabalháveis. Algumas normas consideram teores mínimos de material passante na peneira 0.15 mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é necessário um percentual mínimo de material passante na peneira 0.2. 3. 27%) entre 2% e 7% (max. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 22%) Para concreto com alto consumo de cimento (material fino) pode-se utilizar agregados com menos finos que outro executado com menor consumo de cimento _______________________________________________________________________________ 121 Concretos e Argamassas Prof.

edu. Desta forma permitem execução de concreto com baixa relação a/c.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • O aditivo redutor de água (plastificantes) para uma quantidade de água constante aumenta o abatimento. Segregação e exsudação A SEGREGAÇÃO é definida como sendo a separação dos componentes do concreto fresco de tal forma que a sua distribuição não é mais uniforme. lançamento e adensamento diferença das massa específicas e nos tamanhos das partículas. Melhora a coesão pela redução da exsudação e da segregação. principalmente nas etapas de transporte. mas como melhora a trabalhabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. diminuindo a relação a/c. recuperando esta perda. pode permitir uma redução no consumo de água. obtendo estruturas com grande resistência e durabilidade. Adições Pozolanas (materiais muito finos) tendem a aumentar a coesão e a diminuir a trabalhabilidade. É uma tendência natural do concreto. 5.4. Aditivos • O aditivo incorporador de ar aumenta o volume da pasta e melhora a consistência para uma dada consistência. • O aditivo incorporador de ar reduz a resistência à compressão. Há duas formas de segregação: • Tendência dos agregados maiores se separarem por deslocamento e sedimentar mais que as partículas menores pobre evita-se a segregação adicionando água ocorre em misturas secas e _______________________________________________________________________________ 122 Concretos e Argamassas Prof.

e o componente mais leve. A subida da água ocorre com a formação de canais capilares. que começam como uma rede de "riachos". Como conseqüência da exsudação. portanto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. nas proximidades das superfícies do concreto. e que. com um fator a/c mais elevado que o restante da massa de concreto).• Tendência da pasta se separar dos agregados excessiva de água ocorre devido adição Segregação excessiva pode ocorrer em concretos pouco coesivos devido a facilidade de deslocamento dos agregados em relação à pasta fresca aumentam a coesão do concreto O risco de segregação é diminuído: • • • • Evitar o manuseio excessivo do concreto fresco Excesso de vibração Alturas de lançamento não serem grandes Modificação da granulometria dos agregados a adição de finos A EXSUDAÇÃO é definida como o aparecimento de água na superfície após o concreto ter sido lançado e adensado. a parte superior do concreto torna-se excessivamente úmida (ou seja. Com a evaporação dessa água. recém-colocado. quando os componentes sólidos mais pesados depositam-se no fundo das fôrmas ou moldes. sobe para a superfície das peças concretadas.edu. porém antes de ocorrer a sua pega. a água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . formam "estuários" e deságuam em "oceanos" no exterior das peças concretadas. a tendência da água de amassamento vir à superfície do concreto fresco. o concreto endurecido tenderá a _______________________________________________________________________________ 123 Concretos e Argamassas Prof. que se agrupam em "rios". É. A exsudação dos concretos é um caso particular de segregação.

entretanto. não consegue atingir a sua superfície. no seu movimento de ascensão. Além disso. formando. a água. na medida que pode ser identificada do exterior das peças concretadas. Essa nata deve ser cuidadosamente removida.ser poroso na superfície e. quando se tiver juntas de concretagem. _______________________________________________________________________________ 124 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . na superfície das peças concretadas. sendo esta a principal razão da existência da já muito mencionada zona de transição entre os agregados e a fase pasta de cimento. Fica então prejudicada a aderência concreto-armadura. carregando as partículas mais finas de cimento. a água pode acumular-se em filmes ou bolsas. Recentemente. a chamada nata de cimento. menos resistente aos esforços mecânicos e à penetração de agentes químicos agressivos. Com o acúmulo de água na sua superfície. portanto menos resistente. o concreto desta região passa a ter um fator a/c mais elevado que o restante. concentrando-se em alguns pontos pelo caminho. verificou-se que este é apenas um dos casos de exsudação. Os primeiros são as barras de armadura. Descobriu-se porém que a exsudação pode também ser interna à massa de concreto. Desta mesma forma. sendo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mas que. ou interface agregado . Este é o caso de um determinado volume de água que sobe pela massa de concreto. conseqüentemente. entretanto. Nata porosa é quando a água percola nos capilares internos. a superfície dos agregados. areia e argila presentes como impureza do agregado forma de lama sob a superfície do concreto e depositando sob a pulverulência Esta era a descrição clássica da exsudação. que dificulta a ligação de novas camadas de concreto com as antigas (aderência concreto velho-concreto novo). pode carregar partículas de cimento.pasta.edu. Estes pontos em geral são de dois tipos. que se convencionou chamar de externa. num segundo ponto preferencial.

emprego de cimentos mais finos. apesar de ocorrer com muita freqüência.A exsudação excessiva. adição de materiais finos ao concreto. • • • • utilização de traços de concreto mais ricos em cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 125 Concretos e Argamassas Prof. como.edu. especificação adequada da trabalhabilidade do concreto para a execução de um determinado serviço. A sua intensidade pode ser atenuada de várias formas: • • proporcionamento (dosagem) adequada dos componentes do concreto. é um fenômeno geralmente indesejado nas obras. conseqüentemente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por exemplo. os aditivos minerais. emprego de agregados de grãos arredondados.

é uma água livre. deve-se evitar.Em geral. o excesso de água de trabalhabilidade. a massa pelo volume. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a massa específica do concreto pode. Esta determinação é importante para a verificação da segurança das fôrmas e escoramentos de uma obra. Teor de ar do concreto O ar presente no concreto. a massa específica costuma ser da ordem de 2. a grosso modo. Em casos especiais. de todas as maneiras. a mais na composição do concreto. A presença de aditivos químicos e/ou minerais pode alterar a exsudação do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ser estimada para efeito do próprio dimensionamento da forma. Nos concretos correntes. por exemplo. Repare-se que a água que exsuda é apenas aquela que não foi capaz de se imiscuir na mistura dos outros componentes do concreto e lá permanecer.4 kg/dm3. com o auxílio de aditivos químicos plastificantes/ redutores de água.edu. conforme já se mencionou. pode ser de dois tipos: o ar aprisionado pelo concreto (geralmente durante o próprio processo de fabricação) e o ar intencionalmente incorporado ao concreto (geralmente com o auxílio de aditivos químicos incorporadores de ar. tanto para mais quanto para menos. A massa específica é expressa em kg/dm3. podem ser combatidas. Massa específica A massa específica de um concreto no estado fresco é determinada pesando-se um determinado volume conhecido de concreto e dividindo-se o resultado pelo outro. ou seja. pela revibração do concreto. que ali está apenas por uma questão de trabalhabilidade do material. para promover a resistência do concreto aos ciclos alternados de congelamento e degelo). inclusive. _______________________________________________________________________________ 126 Concretos e Argamassas Prof. ou seja. As conseqüências do excesso de exsudação. por exemplo.

edu. Mudanças iniciais de volume Retração Plástica . Alguns tipos de aditivos superplastificantes tendem a aumentar a quantidade de ar aprisionado pelo concreto.Os concretos correntes geralmente possuem um teor de ar aprisionado da ordem de 1 a 2%.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o que pode colaborar para um eventual decréscimo de resistência. Alguns aditivos minerais muito finos idem. As fissuras se desenvolvem acima das obstruções para uniformizar o assentamento do concreto barras de aço e grandes partículas de agregado _______________________________________________________________________________ 127 Concretos e Argamassas Prof.Acontece algumas horas após o concreto fresco ter sido colocado em formas devido a redução do seu volume fissuras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Causas de retração plástica: • • • • Exsudação e Sedimentação Absorção de água pela forma ou pelo agregado Rápida perda de água por evaporação Deformações (inchamento ou assentamento da forma) O aumento da evaporação de água e fissuramento por retração plástica decorre de: • • • Alta temperatura do concreto Baixa umidade Vento de alta velocidade Medidas preventivas para evitar mudanças iniciais de volume • • • Umedecimento da sub-base e das fôrmas Umedecimento dos agregados quando secos e absorventes Manter baixa a temperatura do concreto fresco pelo resfriamento do agregado e da água de amassamento _______________________________________________________________________________ 128 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• Proteger o concreto durante qualquer demora apreciável entre lançamento e acabamento • • Reduzir o tempo entre lançamento e início de cura Minimizar a evaporação Temperatura do concreto: alguns aspectos Concretagem em Clima Frio • • • Existe pouca hidratação Existe pouco ganho de resistência (congelado e mantido abaixo de -10° C) Protegido contra a expansão gerada pelo congelamento da água Concretagem em Clima Quente • • • Aumenta perda de abatimento Aumenta fissuração por retração Reduzir o tempo de pega do concreto fresco _______________________________________________________________________________ 129 Concretos e Argamassas Prof.edu.

edu. Um bom exemplo são os principais fatores que afetam as resistências mecânicas dos concretos.300 kgf/m3 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .PROPRIEDADES DO CONCRETO ENDURECIDO Convencionou-se denominar de propriedades do concreto endurecido uma série de características distintas dos concretos. Existem. a duração da carga. a velocidade de aplicação de carga durante a realização do ensaio.500 kgf/m3 Resistência à esforços Concreto resiste bem a esforços de compressão e mal a esforços de tração (1/10 da resistência à compressão) Concreto resiste mal a cisalhamento (esforço de corte) _______________________________________________________________________________ 130 Concretos e Argamassas Prof. entretanto alguns pontos comuns a todas elas. Massa específica Varia entre 1.500 kg/m3 (concretos com agregados leves) a 3. São eles: • • • • • • o fator água-cimento. a forma e a graduação dos agregados.700 kgf/m3 (concretos com agregados pesados o Concreto simples o Concreto armado 2. As mais importantes delas serão expostas a seguir. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o tipo de cimento. a idade de ensaio.

. porém. _______________________________________________________________________________ 131 Concretos e Argamassas Prof. A resistência à compressão usual em obras de edificações situa-se geralmente na faixa de 20 a 25 MPa. Em peças de concreto pré-moldado e/ou protendido. como pontes. tem-se usado para os pilares resistências maiores (40 MPa. entretanto. a resistência à compressão dos concretos costuma ser um pouco mais elevada. etc. iniciando-se normalmente em 30 MPa. por exemplo. correlações. viadutos. usa-se o molde cilíndrico de 10 x 20 cm (mantida a relação 1 para 2).Resistência à compressão A resistência à compressão é uma das características mais importantes dos concretos. Existem muitas relações de crescimento da resistência à compressão dos concretos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. já é possível obter-se resistências à compressão superiores a 100 MPa. isto serve como balizamento. Atualmente em função de e poder usar prensas de menor capacidade e de facilidade de transporte dos CP’s. Com a moderna tecnologia de utilização conjunta de aditivos químicos Mais adiante veremos algumas superplastificantes e aditivos minerais de grande finura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nas obras. aos 28 dias. Nada impede. é que elas sejam deduzidas caso a caso. o mesmo acontecendo no concreto moldado in loco de obras de maior responsabilidade. Em função de custos e para a diminuição de seções (para ganhos de espaços. para cada concreto individualmente. O ideal. já aos 3 ou 7 dias de idade.edu. o fck (resistência característica do concreto à compressão) especificado pelo calculista. para que o responsável técnico possa estimar. deduzidas por vários autores. por exemplo). Geralmente é medida aos 28 dias de idade em corpos de prova cilíndricos. com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. que se meça a resistência à compressão em idades anteriores aos 28 dias. em especial em garagens). e se estabeleça uma correlação ou razão de crescimento da resistência à compressão de um dado concreto ao longo do tempo. se o concreto atingirá.

edu. • resistência à tração por compressão diametral de cilindros de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • resistência à tração na flexão. ensaiados deitados na prensa de compressão. medida em vigas prismáticas de concreto.No ensaio de determinação da tensão de ruptura do concreto à compressão é muito importante a configuração de ruptura dos corpos de prova que. _______________________________________________________________________________ 132 Concretos e Argamassas Prof. Lobo Carneiro. A vantagem do ensaio por compressão diametral é que o corpo de prova é o mesmo utilizado no ensaio de compressão. Este ensaio. vai confirmar se o corpo de prova não foi submetido à compressão excêntrica. Problemas relativos à variabilidade da resistência à compressão devido a ensaios podem ser visto em capítulo específico na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. geralmente o ensaio é realizado em prismas de concreto. moldados. ou seja. provocada por falta de ortogonalidade ou paralelismo entre as faces sujeitas à compressão. Silvio Edmundo Pilz. do prof. A norma brasileira (NBR 12142) usa o primeiro tipo. é conhecido internacionalmente como "Ensaio Brasileiro". Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. biapoiados em roletes cilíndricos de aço. em última análise. devido ao Prof. medida em corpos de prova com o formato de oito (8) ou com chapas coladas nas extremidades de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. A tensão é aplicada pela prensa em dois pontos nos terços do comprimento ou em um ponto centralizado do corpo de prova. Resistência à tração A resistência dos concretos à tração pode ser medida de três formas diferentes: • resistência à tração direta. não há necessidade de vários tipos de moldes nem procedimentos de moldagem nas obras e laboratórios.

realizado nas próprias obras. nos concretos convencionais (20 a 40 MPa) . nos mesmos corpos de prova. mais raramente ainda. Para isso é necessário apenas que os corpos de prova. durante os mesmos ciclos de carga. que exige precisão de equipamentos e de operadores. Como a determinação do módulo de elasticidade dos concretos é realizada através de um ensaio um pouco mais sofisticado.0 e 4.000 MPa. É muito empregado no cálculo estrutural. A NBR 6118. possuam também equipamentos que _______________________________________________________________________________ 133 Concretos e Argamassas Prof. A regra geral do ensaio é a aplicação ao concreto de uma tensão conhecida e a medida da deformação do corpo de prova. e.0 MPa. Módulo de elasticidade (E) É a relação entre a tensão e a deformação do concreto. Pode ser determinado (e geralmente é) em conjunto com o módulo de elasticidade. normalmente situa-se entre 2. no mesmo ensaio. é da ordem de 20. Nos concretos convencionais. geralmente é pouco realizado. além de equipamentos que permitam a leitura da deformação longitudinal. o que significa dizer que. para determinar-se a deformação que sofrerá uma peça submetida a um determinado esforço de compressão. para quando não se possui ensaios específicos Pode ser medido em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. Coeficiente de Poisson É a relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.A resistência dos concretos convencionais à tração geralmente é da ordem de um décimo da resistência à compressão. determina uma fórmula para obtenção do “E” a partir do fck do concreto. ou 20 GPa.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e. o carregamento é dito permanente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por exemplo. e a deformação sofrida durante a carga geralmente desaparece na descarga.2. É o coeficiente de Poisson que permite. e as deformações _______________________________________________________________________________ 134 Concretos e Argamassas Prof. o corpo de prova é carregado. calcular a deformação transversal de um pilar submetido a uma compressão longitudinal. O carregamento. Fluência O módulo de elasticidade de um material é. Nos concretos correntes o coeficiente de Poisson geralmente situa-se em torno do valor 0. descarregado. Por outras palavras. A fluência é um fenômeno semelhante. basta dividir a deformação transversal pela longitudinal. durante a realização do ensaio para a determinação do módulo de elasticidade. como já se disse. pouco tempo depois.permitam a leitura simultânea das deformações transversais. entretanto é relativamente rápido e a deformação é dita instantânea. Obtidos estes resultados. a relação entre um carregamento aplicado e a conseqüente deformação sofrida pelo material. apenas com a diferença de que o ciclo de carga é de longa duração.

é possível calcular-se a deformação lenta que uma dada estrutura vai sofrer quando submetida a uma determinada carga permanente. Desgaste por abrasão O desgaste por abrasão de uma superfície de concreto é provocado em geral pelo tráfego de pessoas e veículos. A fluência é então a deformação sofrida por uma estrutura quando submetida. em grande parte.são sofridas pela estrutura ao longo do tempo idem. A técnica de ensaio segue os mesmos princípios da de determinação do módulo de elasticidade. ou seja. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Conhecendo-se então o coeficiente de fluência de um determinado concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Periodicamente são realizadas medidas da deformação sofrida pelo corpo de prova. da deformação de uma viga causada pelo seu próprio peso (carga de peso próprio) que funciona como se fosse um carregamento permanentemente distribuído pela extensão da viga. Na norma brasileira NBR 6118. Os corpos de prova em geral são parecidos ou mesmo iguais aos empregados na determinação do módulo de elasticidade dos concretos.edu. e. não desaparecem quando a estrutura é descarregada. o corpo de prova é submetido a uma carga que não é aliviada. já que estarão indisponíveis por um período de tempo muito maior. ao longo do tempo. os equipamentos empregados devem ser mais robustos e mais baratos. Pode ainda ser produzido pela ação de _______________________________________________________________________________ 135 Concretos e Argamassas Prof. minorando a resistência em fator multiplicador de 0. apenas com a diferença de que ao invés de serem realizados ciclos de carga e descarga. por exemplo. Por ser um ensaio que geralmente dura vários anos. É o caso.85. é mantida ao longo do tempo. bem como pelo impacto e atrito causado pelo arrastamento de partículas e objetos soltos. a fluência do concreto em esforços de compressão é levada em conta nos cálculos. a uma carga permanente.

onde o vento geralmente carrega muitas partículas de areia . Existem vários tipos diferentes de aparelhos para a determinação do desgaste sofrido pelo concreto quando solicitado por abrasão. Aderência por arrancamento É a medida da aderência de um tipo padrão de barra de armadura a vários tipos diferentes de concreto. com o objetivo de aferir a aderência de um determinado tipo de armadura de aço a um determinado tipo padrão de concreto. contudo determinar-se a resistência do concreto à abrasão. Sabendo-se a tensão de tração aplicada na armadura e registrando-a em cinco pontos de deslocamento pré-fixado.partículas suspensas no ar . é possível tracioná-la em uma das extremidades e medir o seu deslocamento no interior do cubo de concreto na outra extremidade. em pisos industriais e em obras hidráulicas como os vertedouros de barragens.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 136 Concretos e Argamassas Prof. até blocos de gelo. além de areia.caso de canais. ou seja. embora nenhum deles tenha aceitação unânime internacional. Para finalizar. onde a água. Basta moldar vários corpos de prova com o mesmo concreto.ou na água . é importante registrar que este ensaio pode ser realizado com o propósito inverso. porém incorporando os diversos tipos de armaduras cuja aderência se quer medir comparativamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pode carregar partículas de maiores dimensões e. principalmente nas aplicações em pavimentos como os de estradas e pontes. eventualmente. É importante. Como a barra atravessa o cubo. é possível calcular-se a tensão nominal média de aderência que cada concreto imprimiu à barra metálica padrão. Os corpos de prova geralmente são constituídos por uma barra de armadura incorporada a um cubo de concreto ao longo de um comprimento conhecido.casos de construções e monumentos no deserto ou em região praiana. pilares de pontes e pernas de plataformas de petróleo.edu.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quando não se realizou ensaios específicos.edu.Esta aderência na parte de cálculo e análise estrutural é muito importante e a NBR 6118 determina a valor de cálculo a partir do fck do concreto. RESISTÊNCIA DO CONCRETO PARÂMETROS DA AMOSTRA DIMENSÕES GEOMETRIA ESTADO DE UMIDADE RESISTÊNCIA DAS FASES COMPONENTES PARÂMETROS DE CARREGAMENTO TIPO DE TENSÃO VELOCIDADE DE APLICAÇÃO POROSIDADE DA MATRIZ FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE HIDRATAÇÃO POROSIDADE DO AGREGADO POROSIDADE DA ZONA DE TRANSIÇÃO FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE COMPACTAÇÃO GRAU DE HIDRATAÇÃO INTEGRAÇÃO QUÍMICA ENTRE AGREGADO E PASTA Na prática da engenharia considera-se que a resistência de um concreto. Fatores que afetam a resistência mecânica São muitos os fatores que afetam as resistência mecânicas do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . curado em água (cura adequada) depende de apenas dois fatores: • • Relação a/c Grau de adensamento _______________________________________________________________________________ 137 Concretos e Argamassas Prof.

considera-se a resistência mecânica como inversamente proporcional à relação a/c.edu.54 0. A B valor na ordem de 1000 varia com a idade e qualidade do aglomerante (cimento) É o principal fator a ser controlado quando se deseja atingir determinada resistência.Quando o concreto está plenamente adensado (nem mais nem menos).70 _______________________________________________________________________________ 138 Concretos e Argamassas Prof.60 a 0. Fator a/c indicado para alguns casos Concreto em obras normais (fck 20 MPa). revestido e interno Concreto em obras normais (fck 20 MPa). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.48 a 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .60 0.54 a 0. a) Relação água cimento (a/c) Lei de Abrams: f cj = A B a c A resistência é inversamente proporcional à relação água cimento. exposto Concreto em contato com água sob pressão Concreto em contato com meio agressivo 0.65 a 0. Não é linear.65 0.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.25 a 1.70 a 2.b) Idade A resistência do concreto progride com a idade.05 a 1.5 fc7 • fc28 = 1.20 fc28 • fc365 = 1. Idade padrão para referenciar a resistência: 28 dias • fc28 = 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . tipo de cimento e idade c) Forma e graduação dos agregados Em igualdade de relação a/c.5 fc3 • fc90 = 1. os concretos com seixos tendem a ser menos resistentes que concreto com pedra britada.edu. mantida a relação a/c porém concreto com britas maiores é mais econômico (necessita menos argamassa). justificado pela menor aderência entre pasta/agregado porém concretos com seixos permitem uma trabalhabilidade melhor o que possibilitaria diminuir o a/c havendo conseqüente aumento de resistência. É explicado pelo mecanismo de hidratação do cimento que se processa ao longo do tempo.35 fc28 Adiante vemos tabela que relaciona relação a/c.10 a 1. em especial aos cimentos pozolânicos. _______________________________________________________________________________ 139 Concretos e Argamassas Prof. Concretos com britas de menor diâmetro tendem a gerar concretos mais resistentes.

22 1.60 0.69 0.16 1.58 0.00 1.34 1.32 0.28 1.42 0.00 1.48 0.78 fc28 Mpa 43 35 28 23 18 40 33 27 22 18 51 40 32 26 20 40 31 25 20 15 55 42 36 29 23 Coeficiente médio fcj / fc28 3d 0.54 0.78 0.36 0.71 0.53 0.68 0.Evolução da resistência com o tempo em função da relação a/c Cimento CP I CP I-S Relação a/c 0.38 0.16 1.62 0.26 0.78 0.26 1.78 0.38 0.38 0.62 0.38 0.58 0.34 0.49 0.00 1.60 28d 1.00 1.25 1.68 0.74 0.70 0.52 0.13 CP II-E CP II-Z CP II-F CP III CP IV CP V _______________________________________________________________________________ 140 Concretos e Argamassas Prof.00 1.61 0.30 1.50 0.00 1.00 1.40 0.16 1.26 1.48 0.04 1.68 0.28 0.51 0.43 7d 0.00 1.38 0.36 0.38 1.00 1.00 1.23 1.72 0.00 1.edu.40 0.48 0.06 1.68 0.00 1.00 1.08 1.00 1.25 1.21 1.00 1.00 1.00 91d 1.69 0.31 1.48 0.11 1.00 1.46 0.35 0.48 0.00 1.64 0.38 0.22 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.58 0.66 0.54 0.71 0.86 0.55 0.50 0.20 1.00 1.29 0.00 1.82 0.71 0.00 1.68 0.26 1.58 0.48 0.77 0.61 0.47 0.17 1.00 1.00 1.69 0.14 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .35 0.48 0.78 0.57 0.60 0.18 1.58 0.00 1.

a cada 50 quindins. que amostra o concreto a cada 50 m3. aumentando suas chances de aceitação nas obras. Conclusão: A Norma que vale para o controle das obras é a NBR 12655. mistura conforme).CONTROLE E ACEITAÇÃO DO CONCRETO Introdução Antes de abordarmos o assunto vemos ver de como o bem humorado Eng. ou tenha recebido uma partida com ovos estragados.serve apenas para que ela garanta a uniformidade da produção como um todo.edu. ficou bem abaixo de 5%. O teste na padaria é feito para pelo menos o equivalente a 6 quindins. misturas com parcela defeituosa de 20%.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . enfim.20 x 300 x 2 = 120 quindins defeituosos nestes dois dias. algo que gerou durante dois dias. a cada lote concretado. mesmo que a concreteira possua conformidade pela NBR 7212. Controle Tecnológico do concreto e os quindins Para abordar este assunto vou falar a respeito da produção de uma massa: a massa de quindins (isto aí. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ou coco. usando-se a Norma NBR 7212. A quantidade de quindins defeituosos ao final do mês informa se a porcentagem defeituosa foi respeitada. Uma doceria produz massa para 300 quindins por dia. a produção mensal mostrou-se estritamente conforme! Entretanto. _______________________________________________________________________________ 141 Concretos e Argamassas Prof. Dois testes são feitos na massa: teste de plasticidade e teste de homogeneidade. isto equivaleria a produzir 0. aquele doce). mas o valor final. mistura conforme). algumas padarias receberam em sua cota diária de 60 quindins. ou ovo. massa para 60 quindins por dia a cada uma. Egydio Herve Neto aborda o assunto do controle do concreto em obra x concreteira. Isto significa uma fração defeituosa máxima de 5%. A qualidade tem que garantir que pelo menos 95% da massa atinja uma qualidade ideal de mistura homogênea. volume aplicado em um dia. Suponha-se agora que num determinado dia a doceria tenha sido particularmente desastrada.44% < 5%. O primeiro verifica se a massa tem a consistência ideal. Defeituosos: 400 quindins (4. ou farinha molhada. com amostragem de no mínimo 6 exemplares (muito maior que a concreteira) e pode apresentar-se não-conforme. ou seja. O controle da concreteira que adota a NBR 7212 . O segundo verifica se a mistura foi boa e não há pontos de concentração de farinha. nestes dois dias.000 quindins. Ora. A amostragem da doceria.33% < 5%. Defeituosos:2 quindins (3. resultando em grande prejuízo perante os clientes. algumas até 7 e até 12 quindins defeituosos. A concretagem de uma obra deve ser feita usando-se a NBR 12655. O teste na doceria é feito pela retirada de uma amostra da massa a cada volume equivalente a 50 quindins. apresentou neste mês uma quantidade pouco maior de quindins não-conformes. Resumindo: • • A produção de uma usina de concreto é controlada pelo seu todo. etc. de toda a produção. Fornece às padarias. Por exemplo: Produção mensal: 9. inclusive algumas reclamações por intoxicação e riscos à saúde. Por exemplo: Entrega diária: 60 quindins.

com a medição do abatimento (slump test). Controle Tecnológico O controle tecnológico é a atividade que tem por objetivo. Para o concreto endurecido normalmente controla-se à resistência à compressão. volumes lançados e propriedades que se deseja medir. inicialmente. durante a produção. Deve ser definido o plano de amostragem a ser adotado em função das peças a serem concretadas. duas perguntas: Por que controlar o concreto? • • Para garantir que o fckest ≥ fck Porquê é obrigatório por norma O que devemos controlar? • As propriedades do concreto fresco e do concreto endurecido O controle das propriedades do concreto fresco foi estudado anteriormente em capítulo específico. aonde vimos que normalmente controlamos a trabalhabilidade (consistência + coesão).edu. Os dados obtidos serão submetidos a análise e em função das mesmas serão estabelecidas as correções necessárias ou melhorias que possam ser introduzidas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . levantar elementos que permitam verificar a conformidade do concreto fornecido com o concreto especificado e estudado.Então. O controle tecnológico do concreto é regido pela NBR 12655 e veremos adiante alguns aspectos relativos a ela. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 142 Concretos e Argamassas Prof.

O valor representativo desta amostra é o maior valor dos dois resultados resistência potencial do concreto Assim se para representarmos estatisticamente a resistência de um concreto produzido para uma obra. Estes dois CP’s são rompidos e obtidos dois resultados de resistência à compressão do concreto. para uma determinada idade. sempre aos pares.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para cada idade. _______________________________________________________________________________ 143 Concretos e Argamassas Prof.Resistência à compressão através dos Corpos-de-prova A NBR 5739 em conjunto com a NBR 12655.edu. dois corpos de prova. devemos ter 24 CP’s. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. devemos ter 12 amostras tiradas de diferentes betonadas. determina que deva sempre se ter para cada amostra de concreto.

todas estas etapas são otimizadas. lançamento. passa a existir maior ou menor afastamento de cada um deles em relação à média do conjunto. o adensamento é o melhor possível e a cura otimizada. Já nos ensaios. adensamento e cura. os diversos resultados ( xi ) podem ter maior ou menor dispersão (afastamento da média). É o valor médio de todos eles. onde vemos que é a resistência que potencialmente um determinado concreto pode ter. Média ( X ) o valor em torno do qual se concentram os resultados. Número de resultados (n) Dispersão : em volta da média. _______________________________________________________________________________ 144 Concretos e Argamassas Prof.edu. Ocorre que normalmente não temos todos esses valores – somente uma parte do universo. No projeto esta diferença é levada em conta nos chamadas coeficientes de segurança dos materiais. o lançamento é adequado. mas que dificilmente não irá atingir na obra em função das perdas durante as operações de transporte. Resumo de estatística Universo conjunto de resultados. A dispersão é avaliada pela fórmula da variança (s2) : s2 = ( X − xi ) 2 ∑ i =1 n n Essas fórmulas seriam aplicadas estatisticamente para representar todo o universo de dados. mas como os resultados são diferentes uns dos outros.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . não há transporte. ou seja.O conceito de resistência potencial do concreto pode ser visto no gráfico acima. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

No Brasil. as fórmulas estatísticas são alteradas para que seja representada pelo desvio-padrão (σ). Resistência de dosagem Então temos que produzir um concreto com resistência de valor maior que o fck. podendo ser representado pelo desvio padrão.Então. Inicialmente sabemos que num universo de dados. sendo este uma medida reconhecida de dispersão de valores.edu. seja compensadas. este valor é determinado estatisticamente. Quanto o mais deve ser este valor? Depende o grau de confiabilidade e precisão (traduzindo por segurança) que queremos em nossa estrutura. Resistência de projeto (fck) Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). com infinitas amostras. Plotando-se isto _______________________________________________________________________________ 145 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Para atingir fck devemos produzir um concreto (virado em obra ou em central) maior de tal maneira que as perdas da resistência ocorridas durante as etapas de transporte. adensamento e cura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os resultados variam em torno de uma média de valores. lançamento. Estas perdas dependem do controle que fazemos no concreto e são representadas pelo desvio padrão.

edu. Pretende-se então que quando rompermos os CP’s.num gráfico de densidade de frequência x resistência (fc) temos uma curva de distribuição normal (curva de Gauss).65) . Conceitos estatísticos nos dão o quanto este valor deve-se ser maior que a média.65 x Sd sendo Sd = desvio padrão _______________________________________________________________________________ 146 Concretos e Argamassas Prof. fcj = fck + 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. levando-se em conta o desvio-padrão “t” de Student ( t= 1. considerando-se a média e o desvio-padrão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pelo menos 95% destes valores estejam acima do valor do fck.

Este valor é o que chamamos de resistência de dosagem do concreto (fcj) e irá depender do controle de qualidade de cada empresa. haverá um valor médio e um desvio padrão de produção. quer seja de 20. bom e ótimo a necessidade de se ter um determinado valor do fcj a ser atingido na resistência de dosagem para poder atingir o fck na estrutura _______________________________________________________________________________ 147 Concretos e Argamassas Prof. temos para um determinado concreto de obra. Para um determinado número de ensaios dos CP realizados para a comprovação do concreto elaborado pela empresa. Com o uso de ferramentas estatísticas chega-se a esta fórmula fcj = fck + 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . médio.65 x Sd Sd = desvio padrão Alguns exemplos. Para que pelo menos 95 % dos valores de resistência do concreto (ensaios) tenham este valor. devemos então fazer o concreto com um valor acima do fck.0 MPa Sd = 2. nos controles ruim. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 MPa Sd = 5.Resistência de projeto x resistência de dosagem Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto).5 MPa Sd = 4.0 MPa Exemplo prático da vantagem do controle Considerando os valores sugeridos pelos autores para os desvios padrão relativos aos graus de controle do concreto.edu. seguindo os valores indicados por vários autores • • • • Controle ruim Concreto médio Concreto bom Controle máximo Sd = 7. 30 ou 40 MPa.

08 26.55 29.00 só no concreto.500.55 49.Valores de fcj (MPa) a ser produzido para atingir o fck em função do grau de controle utilizado Controle fck 20 MPa fck 30 MPa fck 40 MPa Ruim Médio Bom Máximo 31.250.60 46.08 36. Aceitação do concreto O controle de aceitação é necessário para sabermos se determinado concreto que foi colocado na estrutura atingiu a resistência esperada ou não e saber se devemos tomar providências ou não. para um custo de controle e de ensaios de dosagem na ordem de R$ 1.55 39.08 46.00 por m3 de concreto.30 Sabendo que o maior responsável pelo custo do concreto é o cimento.00 / saco temos uma redução de 30 kg de cimento para um controle ruim para bom o que representa uma redução de valor de R$ 15.30 41. Num prédio normal de 10 andares que consome na média 750 m3 de concreto a redução com concreto efetivo do processo de produção e um estudo de dosagem representa uma economia de R$ 11. Ou seja.edu.60 23.00. CONCLUSÃO VALE A PELA CONTROLAR CONCRETO. e sabendo que para cada MPa de redução da resistência pode representar uma diminuição de 6 kg de cimento e considerando o preço do saco de 50 kg como sendo de R$ 25.30 51.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .60 33. determinamos o fckest É regulado pela NBR 12655 que identifica dois tipos de controle de resistência _______________________________________________________________________________ 148 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

mesma família. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. este terceiro tipo somente é aceito para casos Inicialmente dividimos a obra a ser concretada em lotes. para a amostragem.edu. mesmos procedimentos e mesmo equipamento). mostra os valores para a formação de lotes do concreto Solicitação principal dos elementos estruturais Compressão ou Flexão simples compressão e flexão 50 m3 100 m3 1 3 dias concretagem 1 Limites superiores Volume / concreto Nº de andares Tempo de concretagem 1) Controle por amostragem parcial Neste tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas de concreto. o valor do fckest na idade especificada é dado por: _______________________________________________________________________________ 149 Concretos e Argamassas Prof. as amostras devem ser de no mínimo seis exemplares para concretos convencionais. na NBR 12655. A tabela a seguir. elaborado e aplicado sob condições uniformes (mesma classe.• Por amostragem parcial (dividido ainda em para menos de 20 amostras ou mais de 20 amostras) • • Por amostragem total Controle excepcional especiais. a) Para lotes com número de exemplares 6 ≤ n < 20.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com número de exemplares (par de CP’s) de acordo com o tipo de controle. De cada lote deve ser retirada uma amostra. Um lote de concreto é um volume definido.

edu. + f m −1 − fm = 2× m −1 m = n/2 . f1.f ckest Onde : f1 + f 2 + .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. em ordem crescente Também não se deve tomar para fckest valor menor que seguinte. se for ímpar valores das resitências dos exemplares. Ψ6 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. f 1 obtidos na tabela Observação: As condições de preparo da tabela anterior são: Condição A: cimento e agregados e água medidos em massa sendo a água corrigida em função da umidade dos agregados Condição B: cimento medido em massa.. f2.. água em massa e agregados em massa combinado com volume (conversão de massa para volume de maneira confiável. . levando-se e conta a umidade da areia) Condição C: cimento em massa. fm Despreza-se o valor mais alto de n.. água em massa e corrigida em função da estimativa da umidade de areia e da determinação da consistência do concreto. agregados em volume.. _______________________________________________________________________________ 150 Concretos e Argamassas Prof. admitindo-se interpolação linear.

a critério do responsável técnico pela obra.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. f ckest = f i i = 0.65 . _______________________________________________________________________________ 151 Concretos e Argamassas Prof. Quando o valor de i for fracionário adota-se o número inteiro imediatamente superior. calculado com um grau de liberdade a menos (n-1) (MPa) 2) Controle por amostragem total (100%) Consiste no ensaio de exemplares de cada amassada de concreto e aplica-se a casos especiais. S d Onde : fcm Sd é a resistência média dos exemplares do lote (MPa) é o desvio padrão da amostra de n elementos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . f ckest = f1 a) para Onde : n > 20.05 n. Não há limitação para o número de exemplares do lote e o valor estimado da resistência característica é dado por: a) para n ≤ 20.b) Para lotes com número de exemplares n ≥ 20 f ckest = f cm −1.

edu. o valor estimado da resistência característica é dado por: f ckest = Ψ6 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. f1 Aceitação do concreto Os lotes de concreto devem ser aceitos. Neste casos. denominados excepcionais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3) Casos excepcionais Pode-se dividir a estrutura em lotes correspondentes a no máximo 10 m3 e amostrálos com número de exemplares entre 2 e 5. satisfazer a relação f ckest ≥ f ck O que fazer se não for atendida esta relação? Aguardem os próximos capítulos (disciplinas) _______________________________________________________________________________ 152 Concretos e Argamassas Prof. quando o valor estimado da resistência característica.

a um custo estimado de 20 bilhões de dólares. em Punta Del Este (Uruguai). apresentou novos dados. _______________________________________________________________________________ 153 Concretos e Argamassas Prof. em 1997. apresentou os seguintes dados: • nos E.U.U. dia 13/11/2000. em palestra realizada no Rio de Janeiro. Paulo Monteiro.000 seriam gastos 100 bilhões de dólares só na recuperação e reforço de pontes.A. em palestra realizada nas XXIX Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural. Mehta.). P.edu. 22.A. até 1987 haviam sido constatados problemas de durabilidade em 253.U. também da Universidade de Berkeley. no momento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . da Universidade de Berkeley (E. Mais recentemente.000 tabuleiros por ano. o Prof.K.000 pontes de concreto encontram-se em recuperação. que complementam os anteriores: • • nos E. existem 500. na década de 80.A. • no início da década de 80.000 pontes. • • em 1990 esta previsão foi revista para 200 bilhões de dólares. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Já em 1997 o Prof.000 tabuleiros de ponte. o setor de recuperação estrutural cresceu 2 vezes mais que a construção civil.. colocaram que nos países industrializados mais de 40% dos recursos da indústria da construção são aplicados no reparo e manutenção de estruturas existentes.000 apresentam problemas. • esta quantidade está aumentando à ordem de 35.DURABILIDADE Introdução e importância Ao autores Mehta e Monteiro (1994). o problema principal é a corrosão de armaduras. das quais 250. a Federal Highway Administration previu que até o ano 2.

em escala mundial. isto significa que a durabilidade das estruturas de concreto é um assunto muito importante. qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao seu meio ambiente.U. isto é. Durabilidade é a capacidade de resistir à ação das intempéries. assim como mais de 1000 pontes. e no Canadá.. abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. • o custo de recuperação logo que surgem os primeiros sinais de corrosão é. Então está mais do que na hora dos engenheiros tomarem conta do aspecto durabilidade em projetos de estruturas de concreto. Isto já ocorre na Inglaterra.edu. • existem no momento.A. as resistências mecânicas do concreto estrutural continuam sendo necessárias. 150 barragens de grande porte com problemas de reação álcali-agregado.• os E. em breve estarão gastando mais dinheiro na recuperação das pontes existentes do que na construção de novas pontes. o concreto durável conservará a sua forma original. 15 vezes menor do que o custo de recuperação depois que a corrosão se propaga. em média. a durabilidade passa a ser outra característica cada vez mais exigida do concreto. Trocando em miúdos.A. desde 1999. nos E. O tema cresce ainda mais em importância a partir do momento que a construção civil começa a estar cada vez mais presente em ambientes agressivos. os desertos e os mares. e que envolve números muito grandes. ataques químicos. Conceito De acordo com a norma americana ACI 201 de 1991.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas já não são mais suficientes como única forma de qualificação deste material de construção. como as regiões polares. Nestes casos. Pode-se dizer que o material atingiu o fim da sua vida útil quando suas propriedades sob dadas condições de uso deterioram a um tal ponto que a continuação do uso _______________________________________________________________________________ 154 Concretos e Argamassas Prof. atual. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. desde 1995.U.

como sobrecargas.. EXTERNAS: • ações mecânicas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.deste material é considerada. na passagem do estado líquido para o sólido. o gás carbônico. os ácidos em geral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . etc. • variações de umidade. como insegura. evaporação da água do concreto ou ciclos alternados de congelamento e degelo (quando a expansão volumétrica da água. os sulfatos. que podem provocar fissuração de origem térmica. • variações de temperatura.edu. etc. fadiga. abrasão. • ataques de substâncias químicas agressivas. _______________________________________________________________________________ 155 Concretos e Argamassas Prof. impacto. uma vida útil longa Formas mais comuns de ataque ao concreto estrutural INTERNAS: • expansão provocada pela reação de determinados tipos de agregados com os álcalis do cimento. que podem provocar a perda de água e a instabilidade volumétrica dos concretos. e até as águas muito puras. • expansão provocada pela contaminação de agregados com cloretos sulfatos. como os cloretos. chega a 9%). movimentação de fundações. bem como a cristalização de sais nos seus poros. ou antieconômica é sinônimo de durabilidade.

alteração. isoladamente. ou em conjunto. Uma das mais sérias conseqüências dos ataques sofridos pelo concreto estrutural armado é. _______________________________________________________________________________ 156 Concretos e Argamassas Prof. d) presença de aditivos químicos e minerais na composição do concreto. b) dosagem.edu. sem dúvida. reação química. a corrosão das armaduras. c) fator A/C. degradação. natureza e granulometria do cimento. Depende ainda de: a) natureza e dimensão dos agregados. expansão. em geral. levam o concreto à fissuração. e) intensidade e direção da compactação. Características do concreto relacionadas a durabilidade PERMEABILIDADE Permeabilidade é definida como a propriedade que governa a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso A permeabilidade do concreto é função das permeabilidades da pasta de cimento e dos agregados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. f) condições de cura. Muitos pesquisadores consideram a corrosão das armaduras como o estado limite mais crítico sob o ponto de vista da durabilidade das estruturas. g) idade do concreto. podem provocar vários mecanismos de ataque que.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . bem como do proporcionamento relativo dessas duas fases do concreto. e até ao colapso estrutural.Essas formas de ataque.

granulometrias descontínuas são mais indicadas. para uma mesma relação água/cimento. Para que isso ocorra. sua presença prolonga o trajeto do fluxo.Influência da pasta Para um mesmo grau de hidratação. Normalmente a permeabilidade do agregado é menor do que a da pasta de cimento típica (< 3%). a permeabilidade do concreto é menor quanto menor for a relação água/cimento. Quanto maior o grau de hidratação da pasta. Influência do agregado Se o agregado de um concreto tem baixa permeabilidade a área onde o fluxo de água pode ocorrer é reduzida e. No concreto bem curado a pasta de cimento não é o principal fator a contribuir para o coeficiente de permeabilidade A composição do cimento tem influência na velocidade de hidratação e. com o passar do tempo. _______________________________________________________________________________ 157 Concretos e Argamassas Prof. cimentos com menor área específica produzem concretos com mais porosidade que cimentos mais finos. Neste caso. Em nossa região é muito difícil ter-se agregados com grande porosidade. menor que 100 µm e perdem suas interconexões). somente neste aspecto afeta permeabilidade. é fundamental a cura do concreto. deve ser estudada o teor de finos necessário.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . menor a permeabilidade (os poros reduzem a um tamanho pequeno.edu. contribuindo para a redução da permeabilidade. Concretos impermeáveis podem necessitar de uma quantidade de finos maior que a usualmente tolerada nos concretos normais. a forma de seus grãos e seu comportamento quando da adição da água. menor o espaço disponível para o gel e. embora possam produzir problemas em sua trabalhabilidade. forçando-o a circunscrever as partículas do agregado. Sabe-se que. conseqüentemente. Para reduzir o volume de vazios do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Zona de transição agregado – representação gráfica _______________________________________________________________________________ 158 Concretos e Argamassas Prof.edu. gerando as fissuras nesta região. quanto maio o tamanho do agregado. Na figura a seguir observa-se a fase ou zona de transição onde vemos uma maior presença de etringita (que é expansiva) que o composto endurecedor C-S-H. Pode-se dizer que a permeabilidade do concreto ou da argamassa é maior que a permeabilidade da pasta devido a presença de microfissuras presentes na fase de transição entre agregado e a pasta de cimento.Influência no concreto Considerando agora o concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. maior o coeficiente de permeabilidade.

edu. Ex: Desgaste de pavimentos e pisos industriais pelo tráfego _______________________________________________________________________________ 159 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Causas de deterioração do concreto CAUSAS FÍSICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO DESGASTE DA SUPERFÍCIE FISSURAÇÃO ABRASÃO EROSÃO CAVITAÇÃO MUDANÇAS DE VOLUME CARGA EXPOSIÇÃO ESTRUTURAL A EXTREMOS CAUSAS QUÍMICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO HIDRÓLISE DOS COMPONENTES DA PASTA DE CIMENTO TROCAS IÔNICAS ENTRE FLUIDOS AGRESSIVOS E A PASTA DE CIMENTO REAÇÕES CAUSADORAS DE PRODUTOS EXPANSIVOS Desgaste da superfície Pode ter: Abrasão de veículos atrito seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

combinada com uma cura úmida por sete dias ou mais. postergando (atrasando) o desempenamento. devemos lançar mão de usar agregados de alta dureza (tipo Korodur). Tubulações para transporte de água e esgotos Cavitação Perda de massa pela formação de bolhas de vapor e sua ruptura de direção em águas. Como medida adicional para aumentar a durabilidade da superfície. Para condições mais severas de abrasão e erosão. devemos reduzir a formação da nata superficial. até que a superfície tenha perdido a água de exsudação superficial (sem a nata porosa). Fissuração interna Podemos ter uma fissuração pela ação da cristalização de sais nos poros do concreto. maior que 28 MPa. tendo concretos com resistência . por serem expansivos. A água em solução salina irá penetrar e deteriorar o material por tensões internas resultante da pressa o dos sais. ter uma resistência à compressão aos 28 dias maior que 40 MPa.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . num muro de concreto. uma baixa relação a/c. Ex: Tubulações com devida a mudança repentina irregularidades na superfície do revestimento Cabe comentar que a pasta de cimento com alta porosidade e baixa resistência e com agregados que não possui resistência ao desgaste. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que podem causar danos consideráveis. ou seja. como por exemplo.podemos melhorar a resistência à abrasão. não possui alta resistência ao atrito Para superfícies normais de concreto (não em condições severas). agregados menores que 25 mm e com uma distribuição granulométrica adequada e uma baixa consistência de lançamento e adensamento. _______________________________________________________________________________ 160 Concretos e Argamassas Prof. onde temos uma superfície em contato com o meio agressivo e a outra superfície sujeita a evaporação. Em especial os sulfatos.Erosão Desgaste pela ação abrasiva de fluidos contendo partículas sólidas em suspensão Ex: Revestimento de canais.

de sua permeabilidade e da umidade presente nestes agregados. Os danos podem ser variáveis. muros de arrimo. Efeito da alta temperatura no agregado Agregados porosos podem causar expansões destrutivas (pipocamento) dependendo da taxa de aquecimento. Destacamento superfícies expostas descamam ou destacam Ação do fogo O concreto é incombustível e não emite gases tóxicos e quando exposto a altas temperaturas comum num incêndio (± 800 a 850 oC ) é capaz de manter a resistência por períodos longos Efeito da alta temperatura na pasta de cimento Esta depende do grau de hidratação da pasta. dos tamanhos dos agregados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ou seja. _______________________________________________________________________________ 161 Concretos e Argamassas Prof. porém com repetidas vezes Fissuração e destacamento na situação de gelo-degelo.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quanto dos grãos reagiram com a água e da umidade presente na pasta na hora do incêndio. mas mais comum temos: Fissuração simples ruptura por ação expansiva do gelo no interior do concreto mesma situação anterior. etc.Ação do congelamento Situação típica para climas frios e superfícies de concreto expostas. tais como pavimentos de concreto. pontes.

Carbonatação é um termo utilizado para descrever o efeito do dióxido de carbono.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0) A taxa em que o agente agressivo irá agir. porém abre caminho para que a corrosão das armaduras se processe. O concreto é um meio normalmente alcalino. para estudos feitos entre 23 e 45 MPa. devido a presença de íons Na .edu. A carbonatação em sim não é uma ação deletéria. irá depender do pH do agente agressivo (normalmente um fluido seja líquido ou gasoso) e da permeabilidade do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 e 13. pois esta se manifesta em meios neutros ou levemente alcalinos (pH menor que 9.Efeito da alta temperatura no concreto A resistência original do concreto. Fatores que podem diminuir o pH do concreto são o CO2 em águas puras e estagnadas e do ar. K e OH . o SO4-2 e Cl. apesar de que carbonatação x corrosão não estão inexoravelmente interligados. Este pH alcalino protege as armaduras presentes no concreto. da corrosão. Deterioração por ações químicas Estas ações são as interações químicas entre agentes agressivos presentes no meio externo e os constituintes da pasta de cimento. Carbonatação O processo mais comum para reduzir o pH do concreto é a carbonatação do concreto.em águas subterrâneas e águas do mar e o íon H+ em águas industriais . usualmente da atmosfera nos materiais cimentícios. mostrou que se tinha pouco efeito na porcentagem da resistência a compressão retida após a exposição a altas temperaturas. + + - _______________________________________________________________________________ 162 Concretos e Argamassas Prof. com pH entre 12.5.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 163 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

R. álcali-carbonato agregados calcário dolomítico x hidróxidos alcalinos sílica amorfa x hidróxidos alcalinos idem anterior.edu. movimentações diferenciais nas estruturas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . álcali-sílica R. exsudação de gel e redução das resistências a compressão e tração. _______________________________________________________________________________ 164 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Alguns fatores que influenciam na velocidade e profundidade de carbonatação do concreto são: • • • • • • • • Idade do concreto Relação a/c Caracteristicas do agregado Meio ambiente e grau de exposição Duração e condições de cura Umidade relativa do ar Fissuras etc Reações álcalis – agregado (RAA) RAA é um processo químico em que alguns constituintes mineralógicos do agregado reagem com hidróxidos alcalinos (provenientes do cimento em especial) que estão dissolvidos na solução dos poros de concreto. quartzitos) R. É uma reação (cria-se um gel) que provoca expansões. mas mais lenta (rochas de felspatos. álcali-silicato granitos.

onde ocorreu fissuração devido as reações expansivas álcali-agregados _______________________________________________________________________________ 165 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Vemos na figura acima a presença das bordas de reação bem definidas e presença de gel gretado na interface pasta-agregado.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Na figura acima vemos um bloco de fundação.

há dois capítulos dedicados a questão da durabilidade das estruturas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Nesta atual norma. que serão vistas adiante nas disciplinas de estrutura de concreto _______________________________________________________________________________ 166 Concretos e Argamassas Prof. respeitando-se o mínimo consumo de cimento e o máximo valor da relação água/cimento compatíveis com a boa durabilidade do concreto. NBR 6118 (2003) – Versão final As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . deverão ser tomados cuidados especiais em relação à escolha dos materiais constituintes. Era isto e tão somente assim tratada a questão da durabilidade nesta versão!!! Versão da NBR 6118 (2001) As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. estabilidade e aptidão em serviço durante um período mínimo de 50 anos. sem exigir medidas extras de manutenção e reparo.Exigências de durabilidade Inicialmente vejamos como as normas brasileiras tratam da durabilidade das estruturas de concreto Versão da NBR 6118 (1980) Quando o concreto for usado em ambiente reconhecidamente agressivo.edu.

tipo de cimento. tem que ser realizado um projeto de durabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. teor de argamassa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Vejamos como a norma inglesa “BS 7543. Products and Components” trata do tempo de vida útil das estruturas de concreto Então.edu. assim como na equivalência à segurança estrutural. Adoção de Condições de Trabalho 3.Guide to Durability of Buildings and Building Elements. Adoção de a) Propriedades dos materiais: tipo de concreto. etc mínimo. 1992 . Adoção de Manutenção Preventiva _______________________________________________________________________________ 167 Concretos e Argamassas Prof. b) Geometria dos elementos: cobrimento 4. Classificação da Agressividade Ambiental 2. relação água/cimento. levando-se em conta: 1.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • a natureza e a dosagem do cimento: o uso de cimentos especiais e/ou a substituição de parte do cimento por aditivos minerais. que impeçam o acúmulo de líquidos agressivos. Na construção • deve-se realizar a escolha e dosagem dos materiais de acordo com as condições de exposição da estrutura.edu.Principais providências que podem ser tomadas para garantir a durabilidade de uma estrutura No projeto arquitetônico deve-se prever formas adequadas de escoamento e drenagem. A escolha do fator a/c adequado influencia as resistências mecânicas. a exsudação. deve-se especificar cobrimentos mínimos de armadura. deve-se prever a localização de juntas de dilatação. No projeto estrutural deve-se considerar todas as solicitações a que a estrutura estará submetida durante sua vida útil. Obs: Determinados tipos de fissuras. • em termos de quantidade de cimento. podem revelar-se importantes em relação à durabilidade da estrutura. deve prever um mínimo necessário à obtenção das resistências mecânicas. a _______________________________________________________________________________ 168 Concretos e Argamassas Prof. para reduzir ao mínimo a fissuração. sem prejuízo da trabalhabilidade do concreto. • em termos de dosagem de água. deve-se detalhar adequadamente os diâmetros e espaçamentos das armaduras. mesmo quando consideradas insignificantes do ponto de vista estrutural. compatíveis com as condições de exposição da estrutura e com a sua vida útil esperada. deve empregar a menor relação (ou fator) a/c possível. bem como um máximo que evite problemas como a fissuração provocada pela liberação do calor de hidratação. evitando assim o peneiramento e o surgimento de “ninhos de abelha” ou “bicheiras”. a segregação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.de modo a permitir um completo preenchimento das fôrmas com concreto.

a permeabilidade. mistura. transporte e lançamento do concreto. influencia todos os parâmetros diretamente relacionados com a durabilidade dos concretos. etapas estas que influenciam a homogeneidade do concreto endurecido.edu. • a cura. a permeabilidade. _______________________________________________________________________________ 169 Concretos e Argamassas Prof. • o acabamento deve ser realizado com os equipamentos e a mão-de-obra adequados. • deve-se adotar procedimentos adequados de lançamento e adensamento.. com o mínimo de trabalho executado na superfície do concreto fresco. a porometria.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . deve ser realizada de modo muito criterioso. etc. como a porosidade.. a porosidade. de modo a garantir um proporcionamento perfeito e uma manipulação que evite a segregação do material. que constitui-se em um dos fatores principais para a garantia do desenvolvimento das resistências mecânicas e das características associadas com a durabilidade dos concretos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. deve-se contar com equipamentos e mão-de-obra adequados. • nos procedimentos de pesagem. com reflexos importantes na porosidade e na permeabilidade.retração. em suma. etc. em especial na zona junto à superfície da peça concretada.

a dimensão (diâmetro) característica do agregado graúdo e o abatimento ( slump) do concreto fresco no momento da entrega. em conjunto com a NBR 14931.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 170 Concretos e Argamassas Prof. Pedido pelo consumo de cimento O concreto é solicitado especificando-se o consumo de cimento por m3 de concreto.PEDIDO DE CONCRETO Introdução A NBR 7212. estabelecendo três formas principais e algumas exigências complementares: • Pedido pela resistência característica do concreto à compressão • Pedido pelo consumo de cimento • Pedido pela composição da mistura (traço) Pedido pela resistência característica do concreto à compressão O concreto é solicitado especificando-se a resistência característica do concreto à compressão. estabelecem as condições específicas para o pedido do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a dimensão (diâmetro) máxima característica do agregado graúdo e o abatimento do concreto fresco ( slump) no momento de entrega.edu.

Pedido pela composição da mistura (traço) O concreto é solicitado especificando-se as quantidades por m3 de cada um dos componentes.edu. podem ser solicitadas outras características de parâmetros entre os quais: a) tipo de cimento. cor. h) características especiais como: teor de argamassa ou de agregado miúdo.2: 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. módulo de deformação. designado pela função ou denominação comercial.60 referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre ao total da massa de aglomerantes Exigências complementares Além das exigências constantes de cada modalidade de pedido. autoadensável. permeabilidade. fluência. i) propriedades e condições especiais. massa específica e outras. como: retração. temperatura do concreto.. b) marca de cimento. resistividade e outras. submerso.3: 3. se for o caso. d) relação água-cimento máxima. f) teor de ar incorporado. e) consumo de cimento máximo ou mínimo. incluindo-se aditivos. etc. TRAÇO Aditivos Adições A/C CI: AR: BR: A/C 1: 2. _______________________________________________________________________________ 171 Concretos e Argamassas Prof. c) aditivo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . g) tipo de lançamento: bombeável.

Adição complementar de água Somente de admite adição suplementar de água para correção do abatimento. e) dimensão máxima característica do agregado graúdo. b) volume de concreto. c) hora de início da mistura (primeira adição de agua). d) abatimento do tronco de cone ( slump). g) aditivo utilizado. além dos itens obrigatórios pelos dispositivos legais vigentes. j) menção de todos os demais itens especificados no pedido. não se recomendando que esse volume seja inferior a 1/5 da capacidade do equipamento de mistura ou agitação. quando for o caso.Volume mínimo de entrega Deve ser fixado de acordo com as especificações do equipamento. _______________________________________________________________________________ 172 Concretos e Argamassas Prof. Documentos de entrega O documento de entrega que acompanha cada remessa de concreto. deve conter: a) quantidade de cada componente do concreto. i) quantidade máxima de água a ser adicionada na obra. o valor de abatimento obtido seja igual ou superior a 10 mm. desde que: a) antes de se proceder a esta adição. nem inferior a 1 m3. quando especificada.edu. devido à evaporação. f) resistência característica do concreto à compressão. h) quantidade de água adicionada na central.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. antes do início da descarga.

d) o tempo transcorrido entre a primeira adição de água aos materiais até o início da descarga não seja inferior a 15 min. A adição suplementar mantém a responsabilidade da empresa de serviços de concretagem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Deve ser autorizada por elementos formalmente representantes das partes e tal fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. pelas propriedades do concreto constantes no pedido. _______________________________________________________________________________ 173 Concretos e Argamassas Prof.edu.b) esta correção não aumente o abatimento em mais de 25 mm. Qualquer outra adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto exigidas no pedido e este fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. c) o abatimento após a correção não seja superior ao limite máximo especificado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

A. agregados. no Brasil. durabilidade e economia.edu. que teve contribuições do método do ITERS. sendo que. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Numa melhor definição de dosagem certa especificações prévias. Então o objetivo geral de uma dosagem escolha dos materiais adequados entre é a busca para a melhor proporção entre cimento. (IPT) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). os mais utilizados são: Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul (ITERS). água. Em todos os métodos não há um que tenha uma expressão matemática exata que defina a composição do concreto.DOSAGEM DE CONCRETOS Introdução A dosagem é a determinação da quantidade de cada um dos materiais (proporcionamento dos materiais) para a produção de um metro cúbico de concreto. A escolha de um dos métodos é mais uma questão de adaptação ao tipo de concreto que se deseja produzir (trabalhabilidade) e aos materiais empregados. O princípio da dosagem é fazer um balanço entre trabalhabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é o método experimental do IPT. Existem vários métodos para a determinação da dosagem. aditivos e adfições. para fazer um concreto que atenda a aqueles disponíveis e a determinação da combinação mais econômica destes que produza um concreto que atenda a certas características de desempenho mínimo Como objetivos específicos temos: • Obter um produto que tenha um desempenho que atenda a certos requisitos previamente estabelecidos: Trabalhabilidade (concreto fresco) e Resistência (Concreto endurecido). resistência. _______________________________________________________________________________ 174 Concretos e Argamassas Prof. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. Instituto Nacional de Tecnologia (INT). O mais utilizado.

com mais água ou aditivos. Teor de argamassa Aditivos . porém podemos perder muito em coesão. tal como o controle da trabalhabilidade (consistência + coesão). Podemos aumentar facilmente a trabalhabilidade. Por isto se diz que Dosagem é a arte de contrabalançar efeitos conflitantes.edu. A consideração chave na dosagem do concreto é que o cimento responde pela maior parte do custo do mesmo. Da mesma forma o conflito entre trabalhabilidade e resistência. Consumo de água Porém cabe salientar de início que o controle destas variáveis gera alguns efeitos conflitantes. Então a opção _______________________________________________________________________________ 175 Concretos e Argamassas Prof. porém na escolha dos materiais deve se fazer o equilíbrio entre os materiais tecnicamente aceitáveis porém mais caros e os materiais economicamente atraentes. Consumo de cimento Relação areia/agregado graúdo. porém de propriedades não ótimas. A consistência é a facilidade de fluir e a coesão é a resistência à segregação.• Mistura de concreto que satisfaça os requisitos de desempenho ao mínimo custo possível Para alcançar estes objetivos devemos controlar algumas variáveis no processo: • • • • • • • Relação pasta/agregados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em torno de 70 a 80 %. conforme a região. Sabe-se que o custo é um fator de extrema importância. Mehta e Monteiro (1994) consideram que a dosagem de concreto é mais uma arte do que uma ciência. Relação água/cimento.

Fernando Luiz Lobo Carneiro (1953). Estes procedimentos acontecem pela falta de conhecimento dos encarregados da produção do concreto e pela falta de controle. tal como o aumento da trabalhabilidade requerido pelos funcionários que atuam no lançamento e adensamento do concreto. sem dúvida está exatamente na mudança das propriedades do concreto fresco. as informações principais podem ser assim relacionadas. algumas retiradas do projeto estrutural. Uma das opções para a diminuição do custo. que não somente reduzem o preço do cimento. O eng. principalmente devido à falta de controle do processo e da não existência de procedimentos.edu. escória de alto forno. conforme o método a empregar: _______________________________________________________________________________ 176 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo variáveis as informações necessárias. tais como resistência e durabilidade. Resumidamente. mas. os concretos dosados em obra empregam um consumo excessivo de cimento. mas por serem resíduos.mais adequada é reduzir o consumo de cimento. elevando o custo final do concreto e que por vezes esta resistência ainda assim acaba não sendo alcançada. infelizmente a maioria deles tem a tendência a realizar exatamente o inverso. Em qualquer método a ser empregado. devem ser conhecidas condições iniciais da obra. depois de endurecido. deve ser irrigado com a maior quantidade de água possível. normalmente já vem dos próprios fabricantes a utilização de materiais pozolânicos (cinzas volantes. sem comprometer as demais propriedades estipuladas para o concreto. etc) em substituição ao cimento puro. Entre os motivos principais. Portanto. pois indispensável propagar entre os mestres de obra a noção fundamental de que o concreto deve ser fabricado com a menor quantidade de água possível. É de conhecimento da comunidade da construção que para atingir a resistência à compressão mínima. reduzem o impacto ambiental. ao mínimo exigido. e que acontece simplesmente pelo aumento de água. é notório que há muita variabilidade no processo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. outras das condições de produção da obra e informações sobre os materiais componentes. em face destes fatos já destacava É.

massa específica e unitária dos agregados disponíveis. quando empregados l) condições de exposição. hidratação. ensaios. Concreto fresco fazem parte do conhecimento para o estudo de dosagem. f) análise granulométrica. g) coeficiente de inchamento do agregado miúdo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . d) tipo do cimento. alta). uso de aditivos. durabilidade. b) resistência de dosagem do concreto. massa específica e nível de resistência aos 28 dias. influências no concreto.edu. k) informações sobre aditivos e adições. média. medida pelo abatimento do tronco de cone. lançamento. j) relação água / cimento máxima. consistência.a) resistência característica do concreto (fck) e idade de referência. Antes de continuar o conteúdo e entrar no estudo de dosagem propriamente dita. adensamento). índices. i) acabamento desejado ao concreto. m) durabilidade pretendida. c) massa específica do concreto (leve. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e) dimensão máxima do agregado. coesão. h) consistência desejada do concreto fresco. _______________________________________________________________________________ 177 Concretos e Argamassas Prof. influências. etc tipo. cabe salientar que todo o conhecimento até agora adquirido referente à • • • • • Agregados Cimento etc Concreto endurecido etc e mais resistência de dosagem e projeto. etc trabalhabilidade. n) técnicas de execução (transporte.

91 a/c Traço em massa NBR 12655 somente para concretos C10 e consumo cimento ≥ 300 kg/m3 _______________________________________________________________________________ 178 Concretos e Argamassas Prof.67 0.84: 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .17: 2.56: 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.94 1: 2.55 1: 2.DOSAGEM EMPÍRICA X DOSAGEM RACIONAL PRINCÍPIOS BÁSICOS Variáveis controladas: • • • • • • Relação pasta / agregados Relação água / cimento Relação areia / agregado graúdo Consumo de cimento Consumo de água Teor de argamassa seca Restrição Dependência entre os componentes (requisitos conflitantes) Dosagem empírica Exemplo de dosagem empíricas Método Caldas Branco Goiás Cientec Fck (Mpa) 15 15 15 utilização de tabelas de traços Consumo (kg/m3) 344 289 345 0.edu.08 1: 2.61 0.

Dosagem racional (experimental Lei de Inge Lyse (1931) – Trabalhabilidade H= • • • c ×100 1+ m a H = relação água / materiais secos ou percentagem de água pó unidade de concreto m=a+p a = areia p = pedra (brita) a/c = relação água / cimento “A consistência permanece aproximadamente constante a despeito da riqueza do traço. desde que mantidos constantes o tipo e a graduação dos agregados e o total de água por volume de concreto” Validade da lei de Lyse: • • • Correções do traço em função da alteração da consistência Boa precisão inicial para traços próximos ao inicial Cuidado em traços mais ricos _______________________________________________________________________________ 179 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

mas digamos H = 11% 0.45 1:4.11 = 0.6 ×100 1+ m m = 4. temos que irá alterar o H (deve ser definido experimentalmente).Exemplo Tenho um traço 1 : 2 : 3 a/c = 0. mas preciso de slump 10 cm.45 (m) consumo de cimento ± 18% Consistência Seca Median.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 slump 7 cm 1:5 (m) consumo de cimento ± 16% H= 0.6 ×100 = 10 % 1+ 5 Agora se quero manter a resistência. plástica Plástica Fluida Líquida Abatimento 0 – 20 30 – 50 60 – 90 100 – 150 > 160 Tolerância NBR 7212 (mm) 10 10 10 20 30 _______________________________________________________________________________ 180 Concretos e Argamassas Prof.

_______________________________________________________________________________ 181 Concretos e Argamassas Prof. dificuldade desempeno. Define a aparência. bem como as demais propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água / cimento” f cj = A B a c fcj AeB resistência à compressão a “j” dias constantes que dependem dos materiais. A partir daí poderemos determinar o traço do concreto. deve ser definido o α ideal. porosidade.Lei de Duff A. Abrams (1918) “Dentro do campo dos concretos plásticos a resistência aos esforços mecânicos. aspereza custo elevado α deficiente α excessivo Em ensaio experimental. idade e cura Então a relação a/c define a resistência e H% define a trabalhabilidade Teor de argamassa seco (α) 1+ a α= ×100 1+ m a = relação agregado miúdo / cimento (em massa) m = relação agregados / cimento (em massa) m=a+p p = relação agregado graúdo / cimento ( em massa) α define a quantidade de argamassa presente num concreto.edu. O valor de α Indicativo subjetivo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. visual. para os materiais disponíveis (cimento. areia e pedra). da prática de cada um.

00 e p = 3. Estudo de dosagem experimental (MÉTODO IPT) Para os materiais disponíveis.00 traço 1: 2.90 traço 1: 1. mas no primeiro.Exemplos : Traço 1:5 a + p = 5 com α = 35 % 0. Determinar o teor de argamassa ideal Estabelecer um diagrama de dosagem (curvas de dosagem) deve ser _______________________________________________________________________________ 182 Concretos e Argamassas Prof. teríamos um concreto com maior permeabilidade e conseqüente menor durabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. vamos: • • • Determinar a quantidade de água que atenda a trabalhabilidade definida pelo usuário qual o slump.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mantido a relação a/c.90 a/c = ? depende da resistência a pretender agora o mesmo 1:5 com α = 50 % 0.10 : 3.50 = 1+ a 1+ 5 a= 2.35 = 1+ a 1+ 5 a= 1.edu.00 a/c = ? depende da resistência a pretender teoricamente poderíamos ter a mesma resistência para os dois concretos.00 : 3. pela deficiência de argamassa.10 e p = 3.

Exemplo: Para os traços especificados com abatimento 90 mm ± 10 Traço 1:5 deve dar algo em torno de 35 a 40 Mpa (fck = ± 25 Mpa) Traço 1:6.5 deve dar algo em torno de 55 a 60 Mpa (fck = ± 45 Mpa) O livro Manual de dosagem e controle do concreto (HELENE.5 deve dar algo em torno de 25 a 30 Mpa (fck = ± 15 Mpa) Traço 1:3. P. areia. C= m3 1+ a + p + x γ (kg C = consumo de cimento em kg x = relação a/c a.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . m 03 pontos afastados um traço pobre. um traço rico.Para estabelecer o diagrama (curvas) precisamos de no mínimo 3 pontos. etc) Cálculo do consumo de cimento (real) por metro cúbico para determinar os custos. p = traço de areia e pedra. a/c . com figuras de como se deve proceder para a determinação da dosagem experimental do IPT. TERZIAN. A validade das curvas obtidas é somente enquanto forem mantidos os Importante mesmos materiais (cimento. P.edu. São Paulo: PINI.. brita. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. respectivamente γ = densidade do concreto obtido _______________________________________________________________________________ 183 Concretos e Argamassas Prof. com os seguintes dados: fc . 1993) traz passo a passo. um traço intermediário.

Na curva do quadrante superior direito. como por exemplo. e compor o preço de cada traço. Obtemos ainda a nossa curva para vários “slumps”. obtido os dados. encontramos o “m” igual a 5. obtemos uma relação a/c 0.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Efetuado os traços.0 e no quadrante a esquerda temos o C = 325 kg/m3 Assim compomos qualquer traço e com o custo de cada um deles. Vejamos na figura seguinte: queremos um concreto com fc = 40 MPa. esta com a relação fc x a/c Com estas curvas podemos obter (para os mesmos materiais) traços para qualquer resistência de concreto. podemos obter as curvas de dosagem.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 184 Concretos e Argamassas Prof.45 e seguido adiante no quadrante abaixo para uma determinada reta de “slump”. Também é na etapa de laboratório que também podemos efetuar estudos de dosagem com a utilização de aditivos e ver como se comporta a nossa curva com estes aditivos. rompidos os corpos de prova.

O quadrante inferior direito é o quadrante de Lyse (trabalhabilidade) O quadrante inferior esquerdo é o quadrante do proprietário (custo) É importante destacar que estas curvas podem ser representadas por equações. Lembrar que podemos transformar o nosso traço de laboratório (que será em massa). usando padiolas. através dos ensaios realizados nos materiais. para traço em volume (para a obra).edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• • • O quadrante superior direito é o quadrante de Abrams (resistência x fc). onde podemos automatizar os cálculos dos traços e custos do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 185 Concretos e Argamassas Prof.

10 2. _______________________________________________________________________________ 186 Concretos e Argamassas Prof. Conside o desvio padrão de dosagem igual a 3.1 24. a) Determine um traço de concreto para a produção de um concreto para atingir um fck de 20 MPa e 40 MPa aos 28 dias. Neste ajuste foi adicionado mais 20 litros de água por m3 de concreto. Calcule o custo de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa) c) Dimensione as padiolas para a execução em obra do traço com fck de 20 MPa.44 / kg R$ 29. d) Para alcançar um “slump” de 80 mm.50 1. Em obra o desvio padrão de produção da empresa é de 5.50 / kg No estudo de dosagem foi verificado que o teor de argamassa ideal para os materiais disponíveis foi de 51 %.34 ----------Massa específica (γ) Kg/dm3 3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.27 7.50 7.0 1 : 7.00 Custo R$ 0.30 0. foi realizado um ajuste de traço.40 0. As bocas das padiolas são de 35 x 45 cm.7 MPa b) Calcule os materiais necessários para a produção de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa). O inchamento da areia (ci) foi de 28% e o teor de umidade de (h%) foi de 5%.00 7.61 fc28 (MPa) 55.Exemplo de cálculo de dosagem Um estudo de dosagem realizado em laboratório apresentou os seguintes resultados: Traço 1:m 1 : 3.00 / m3 R$ 3.61 2. para o uso de betoneira de 580 L.0 33.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .18 Os materiais utilizados foram Material Cimento CP V.00 / m3 R$ 30.0 1 : 4.ARI Areia Brita basáltica Aditivo Massa unitária (δ) Kg/dm3 ----------1.6 42.80 1.edu.3 H (%) 7. O slump obtido foi de 60 ± 10 mm.5 1 : 6. Estabeleça o novo traço para atender o fck igual a 40 MPa e o custo do concreto.5 MPa.5 a/c 0.49 0.

3448 (equação 2) _______________________________________________________________________________ 187 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.197 . a / c − 1.655 . ln (a / c ) + 1. Calcule a viabilidade econômica de seu uso para produzir concretos com a mesma trabalhabilidade e resistência (40 MPa).edu.9791 (equação 1) m = 14.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .e) O uso de aditivo plastificante permite a redução de 12% na água de amassamento em relação ao traço original. da página anterior foram levados a uma planilha Excel que resultou nas seguintes equações: f c = − 44. O aditivo é usado na proporção de 0.6 % da massa de cimento. Observação: Os dados da primeira tabela.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Fórmulas básicas a utilizar (resumo) H= Relação água / materiais secos (H %) x ×100 1+ m Teor de argamassa seca (α %) α= 1+ a × 100 1+ m Agregados secos totais (m) m = a + p Consumo de cimento (real) C= m3 1+ a + p + x γ (kg Onde: x = relação água / cimento a = areia p = brita C = consumo de cimento γ = massa específica do concreto fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 188 Concretos e Argamassas Prof.

E a NBR 7212 ??? • • • Já com outro colega aconteceu um caso sem nenhuma conseqüência . mas com certeza alguns são verdadeiros. deveria considerar. de autoria do Eng. CONCRETOS .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Giammusso.edu. Antes de começar lembra-se o prof... temperado com um pouco de ironia. Neville. seriamente.. Ele estava observando um concreto sendo produzido numa betoneira e falou para um dos auxiliares: . Talvez alguns não passem de anedotas. para o concreto. O assunto concreto é abordado com um leve toque de humor. O auxiliar cumpriu a ordem ao pé da letra e jogou água nele! _______________________________________________________________________________ 189 Concretos e Argamassas Prof.. Um “técnico” de uma concreteira dizia a alguém certa vez: ... Hummmmmmm. principalmente em dias quentes. a alternativa da construção em aço” Alguns causos .. Introdução Os casos seguintes foram publicados na revista “A Construção” em janeiro e fevereiro de 1987..CASOS .. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. eu sempre ponho um pouco de água a mais na central”.Como eu sei que o concreto sempre perde trabalhabilidade.. Salvador E.... no encerramento do livro “Propriedades de Concreto” “Em tempo: se o leitor não se sentir capaz de dosar um concreto de forma satisfatória. me joga um pouco de água .

poderia ter dado um problema sério: os corpos de prova daria resultados bons.Já terminou? Então ponha mais água nesse concreto que eu preciso começar a trabalhar. • • • Em uma palestra.Essa questão é o que menos nos preocupa.. moldou os corpos de prova e o mestre só olhando. Bem “informado” este palestrante! Cruz credo! • • • O caminhão betoneira chegou à obra. ele concordou . Se o laboratorista não fosse experiente. mas o concreto na obra . Que autoridade tinha este mestre! Mas enfim.. que era antigo de casa e muito competente (credo!) O responsável pela concreteira... _______________________________________________________________________________ 190 Concretos e Argamassas Prof. verificou o “slump”. respondeu mais ou menos assim: . quando avisado.. a cura.. o apresentador.edu. Passados alguns dias. não vai faltar para a hidratação do cimento. suspendeu as entregas de concreto. Mesmo que se perca muita água por evaporação. pois fazemos o concreto com bastante excesso de água. ou seja.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o mestre se manifestou: . aquele engenheiro telefonou para a concreteira dizendo que já tinha falado com o mestre e ele tinha concordado em não colocar mais água no concreto .. Quando terminou o acerto.. muito sabiamente. ao ser inquirido sobre os cuidados para evitar a perda de água pelo concreto nas primeiras idades. disse que não queria “criar caso” com o mestre. colocando água dentro dos limites estabelecidos pelo laboratório.. o laboratorista acertou o traço. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• • • Houve o caso em que o mestre mandava colocar mais água no concreto usinado. O engenheiro..

Isso foi por causa da trepidação do trânsito! Detalhe: rua de pouco movimento. • • • Nesta mesma laje. típicas de retração plástica. o sol era forte. A estrutura ruiu e ele foi fazer companhia ao seu colega por acusação de sabotagem ao regime. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. muito vento e perguntou-se ao mestre de obra se ele tinha providenciado a cura.• • • A laje já tinha sido concretada.edu. no dia seguinte apareceram trincas na laje. Resultado: foi afastado e levado para um local distante e muito frio. bem pavimentada. mas este não se deu por achado: . resolver colaborar (que remédio!!) e autorizou a desforma. solo bom e a obra era distante da rua em pelo menos 15 m!!! • • • Muitos anos atrás em um país muito conhecido pela “ampla liberdade” em que viviam os seus cidadãos. Sem comentários. _______________________________________________________________________________ 191 Concretos e Argamassas Prof. O seu substituto. em função disto. Ele disse que não tinha pressa. porque era bom que o concreto tomasse bastante sol. com a acusação de não colaborar com o regime.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . um engenheiro não autorizou a desforma de uma estrutura com poucos dias. para secar bem e endurecer logo e melhor. Alguém comentou com o mestre sobre a falta de proteção logo após a concretagem.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O cara não sabia o que era a denominação portland e talvez achasse que fosse uma marca e o entrevistador achava que fosse isto mesmo.• • • Um dia deste uma destas autoridades foi entrevistada de como seria o pavimento de um aeroporto e ele respondeu: . Uma curiosidade: como ele mediu estes 81 mm com tanta precisão . Um caminhão foi recusado porque o abatimento deu 81 mm...Porquê de cimento portland? . verificou-se que os corpos de prova estavam sendo rompidos sem capeamento. • • • Em um laboratório de algum lugar. ou seja poderia estar entre 70 e 90 mm.edu.Porque é o cimento melhor . Os cara deveriam mandar junto com os certificados de rompimento remédio de dor de cabeça para os resultados baixos que iriam acontecer.Em concreto de cimento portland. _______________________________________________________________________________ 192 Concretos e Argamassas Prof. Conhecia bem este engenheiro . Dois erros: 1º. Quando perguntou-se o porquê disto a resposta foi: .O capeador não veio trabalhar hoje. Há tolerância para abatimento e neste caso era de 10 mm.. . Meu Deus.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • • • Certa vez um engenheiro estava controlando o recebimento do concreto na obra e o abatimento especificado era 80 mm.. Barbaridade... Abatimento se mede em múltiplos de 5 mm e não de 1 mm 2º.

• • • Outra vez em uma visita a obra. Se a moda pega. Ai. – Perguntou-se a ele . Um tempo depois o engenheiro vê um monte de concreto endurecido rompido em um canto da obra e pediu ao cidadão o que era aquilo. e o motorista. . acabou dando uma surra no mestre.Claro.. E mostrou uma grande quantidade de corpos de prova. colocados em um canto da obra. falou para o cidadão levar posteriormente os corpos de prova para serem rompidos. . além da permita.Mas os corpos de prova tem que ser rompidos??? Dãããã • • • Jurando que não era o mesmo cidadão do caso anterior. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Até deixamos o concreto para o doutor dar uma olhada neles . perguntaram ao elemento da obra se o concreto estava sendo controlado. muito zeloso. ai _______________________________________________________________________________ 193 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o engenheiro após moldados os corpos de prova... Pegamos a marreta e rompemos todo. . Porém na obra o mestre insistiu. vai ter muito mestre apanhando .O doutor falou para romper os corpos de prova e assim fizemos.• • • Teve o caso de um motorista de caminhão betoneira que foi instruído a não deixar colocar água no concreto. ai.edu. e muito bem controlado..E a que idade eles serão rompidos.

_______________________________________________________________________________ 194 Concretos e Argamassas Prof. Depois desta . pois se o cimento não hidratasse não apareceriam as trincas..Não. he.. He. O problema maior foi que o dono da construtora baixou uma regra na empresa que não se deveria mais usar cimento para fazer concreto. que estava exposta ainda... – falou o mestre. Até aí um pouco de verdade. • • • O dono de uma construtora (que não era engenheiro) visitando a obra.. .edu..br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . fim. Perguntou ao mestre porque aquilo tinha acontecido. pois estava rachando as lajes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco..• • • Certa vez perguntaram a um engenheiro se ele não media o “slump” do concreto e a resposta foi: .... he . porque não temos balança na obra.O problema destas trincas foi por causa do cimento. viu um monte de fissuras (de retração plástica) sobre a laje.

conforto acústico.1 Desempenho O edifício é um produto fabricado para atender um mercado consumidor específico. DESEMPENHO 1. higiene.ARGAMASSAS 1. conforto visual. ele deve atender as exigências de seus usuários. conforto tátil. _______________________________________________________________________________ 195 Concretos e Argamassas Prof.edu. durabilidade e economia. segurança ao fogo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . segurança em uso. adaptação ao uso. ou seja. conforto antropodinâmico. pureza do ar. estanqueidade. conforto higrotérmico. Estas de acordo com a norma ISO DP 6241 podem ser resumidas de forma genérica em: • • • • • • • • • • • • • • segurança estrutural.

as condições a serem atendidas por um edifício ou componente. possuem caráter absoluto (por exemplo: a segurança estrutural e higiene).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Algumas destas exigências. Desta forma. em contato com o meio ambiente. No caso dos revestimentos de argamassa. em localização específica e refletindo decisões de projeto já tomadas. para um edifício possuir desempenho deve-se obedecer a metodologia mostrada na figura 1. Os requisitos de desempenho definem. 1. Estes dois tipos de exigências podem ser representados através de requisitos de desempenho. sofre transformações. Entre os requisitos de desempenho do revestimento de argamassa pode-se destacar a sua aderência a base e a sua estanqueidade à água. cujos responsáveis são os agentes de deterioração. deve-se determinar os critérios de desempenho que devem representar as características de desempenho mais importantes. através da melhoria da qualidade de vida das suas proximidades.1.edu. enquanto outras possuem caráter relativo (por exemplo: conforto). para estes possuírem o desempenho esperado. determinantes da aceitação ou não de uma solução.2 Durabilidade Todo material. pode-se definir desempenho como sendo o comportamento de um produto em relação ao seu uso. para um uso específico. Este processo é denominado de deterioração. o edifício deve também satisfazer as exigências da coletividade pertencente ao ambiente no qual a obra está inserida. ocorrendo uma perda progressiva na capacidade de atendimento das necessidades dos usuários. _______________________________________________________________________________ 196 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. independente da classe social do usuário e do uso do ambiente. Além destas exigências dos usuários. Estas podem ocasionar uma diminuição dos valores das propriedades físicas e químicas de cada material. Portanto. deve-se definir os requisitos e critérios de desempenho durante a elaboração do projeto. Definidos os requisitos de desempenho. de forma quantitativa.

1: Esquema de aplicação do conceito de desempenho Os agentes de deterioração é qualquer fator externo que afeta de maneira desfavorável o desempenho de um edifício. químicos e biológicos. térmicos. Portanto. segundo a norma ISO DP 6241. de seus subsistemas ou componentes. Estes agentes.Figura 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e a duas origens: externa (atmosférica e solo) e interna (ocupação e concepção). pode-se notar que os agentes de deterioração que agem sobre os edifícios ou seus componentes variam dentro de uma cidade e assumem diferentes níveis de _______________________________________________________________________________ 197 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. podem pertencer a cinco diferentes naturezas: • • • • • agentes mecânicos. eletro-mecânicos.

Este exige toda uma metodologia de operação.2). Esta metodologia somente é válida se os custos de implantação e operação forem compensados em termos de benefício no desempenho do edifício ou de seus componentes. atividades realizadas para recuperar o _______________________________________________________________________________ 198 Concretos e Argamassas Prof.3 Manutenção A realização de atividades de manutenção podem ser consideradas como a reconstrução de níveis de qualidade ambiental perdidos e que tem como resultado imediato o prolongamento da vida útil do edifício ou de seus componentes (Figura 1. • Manutenção Planejada Corretiva desempenho perdido. Esta é a capacidade que um produto possui de manter o seu desempenho acima dos níveis mínimos especificados. Nota-se. São estes dois fatores que determinam a durabilidade de uma material sujeito a uma determinada situação. de maneira a antecipar-se ao surgimento de defeitos. Para isto torna-se importante a adoção de um programa de manutenção periódica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a existência de diferentes tipos de manutenção:: • Manutenção Planejada Preventiva atividades realizadas durante a vida útil da edificação.importância dependendo do material em análise e a função que este desempenha. A forma e velocidade com que ocorre a deterioração são função da natureza do material ou componente e das condições de exposição a que fica submetido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A manutenção deve ser interpretada como uma ação programada preventiva de futuros problemas e não apenas como atividade corretiva de problemas observados. 1. O conhecimento da vida útil (durabilidade) de um material é de fundamental importância para a elaboração de programas de manutenção periódica. de maneira a atender as exigências dos usuários. portanto.edu. controle e execução.

edu. prolongando sua vida útil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• Manutenção Não Planejada definida como o conjunto de atividades realizadas para recuperar o desempenho perdido devido por causas externas não previstas. Sendo que a durabilidade está associada a manutenção planejada preventiva. Já a patologia está associada a manutenção planejada corretiva e não planejada. Figura 1. situação em que o edifício ou seu componente apresenta um desempenho insatisfatório. Analisando a definição acima percebe que as atividades de manutenção podem ter duas principais origens: a durabilidade dos materiais e as patologias. Nestes casos deve ocorrer uma intervenção técnica com a finalidade do edifício ou componente voltar a apresentar um desempenho satisfatório.2: Perda do desempenho e manutenção _______________________________________________________________________________ 199 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como discutido anteriormente.

proteção contra intrusão humana ou animal e choque contra a fachada. reduzir a penetração de chuva. isolamento acústico.1 Função dos revestimentos Edifício conjunto de elementos básicos : estrutura. Em relação a habitabilidade. _______________________________________________________________________________ 200 Concretos e Argamassas Prof. Dentre as exigências de uso são destacadas aquelas relativas a segurança e a habitabilidade.2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. estética. relativas a segurança. Ainda. Propriedade e funções dos revestimentos 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os revestimentos argamassados empregados nos edifícios habitacionais devem atender as seguintes funções: • Promover durabilidade de acordo com a vida útil esperada para a edificação.as exigências.edu. devem ser atendidas pela parede como um todo. A segurança deve ser entendida como garantia de estabilidade mecânica. resistência ao fogo. Cita-se também que as funções dos revestimentos externos de argamassas são de aumentar a durabilidade da base. ou seja. As propriedades mais importantes dos revestimentos são as exigências de uso e a compatibilidade geométrica e físico-química entre o revestimento e a sua base e o acabamento final previsto. isolamento térmico. Desta forma o revestimento de argamassa deve apresentar um conjunto de propriedades para que o comportamento das vedações seja adequado. contribuindo para o desempenho final do edifício. com ou sem contribuição do revestimento. vedações verticais e horizontais e sistemas prediais Cada um destes elementos tem uma função específica. uma ou mais das seguintes funções: estanqueidade. recobrir uma superfície irregular ou obter um efeito decorativo em particular. o revestimento deve desempenhar sozinho ou associado ao seu suporte.

2 Reologia e principais propriedades dos revestimento de argamassa Na definição de uma argamassa para revestimento deve ser considerada uma série de propriedades associadas a estas características. Apesar de todo o avanço no desenvolvimento de novos materiais e no estudo das argamassas. ao mesmo tempo. Não é função do revestimento esconder imperfeições grosseiras da base (desaprumo.• Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos. em determinadas avaliações ainda é notório o caráter empírico nas proposições de determinadas soluções. Conferir estanqueidade à água e aos gases para as paredes de vedação. em dado momento. • • • Auxiliar as paredes de vedação no isolamento térmico e acústico. Um exemplo claro é a formulação de argamassas de revestimentos que atendam. resistência de aderência.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. inclusive no meio científico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . No caso das propriedades no estado fresco a situação aparentemente é mais complexa. 2. a determinadas propriedades no estado fresco (trabalhabilidade) e no estado endurecido (capacidade de absorver deformação. Permitir e facilitar a manutenção preventiva e corretiva sempre que necessário de modo a preservar a estética e a aparência. Para efeito de conceituação são apresentadas adiante algumas destas propriedades mais importantes. por exemplo) “esconder na massa”. É comum. dentre outras) que. é fundamentada em critérios qualitativos de caráter empírico. • Regularizar a superfície para aplicação dos revestimentos finais. a utilização _______________________________________________________________________________ 201 Concretos e Argamassas Prof. fato que pode ser demonstrado pela carência de estudos capazes de avaliar sistematicamente este tema.

cabe destacar que muitos ramos da indústria estão diante de problemas que podem ser resolvidos com base nestes conceitos. é bastante comum o uso de projetos de sistemas para transporte ou para processar substâncias que não se ajustam a nenhum dos tipos clássicos de comportamento dos materiais. deformação. tempo e temperatura (TANNER. projetabilidade) por parâmetros que realmente caracterizem o material em situação de fluxo. Neste sentido. dentre outros. A reologia é definida como a ciência que estuda a deformação e escoamento da matéria. uma das possibilidades de novas discussões esta baseada na aplicação de conceitos pertencentes ao estudo do comportamento reológico do material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. plasticidade. consistência.de procedimentos baseados na experiência de oficiais pedreiros envolvidos no processo de produção dos sistemas de revestimento. Sua aplicação se justifica a partir do momento em que se pode classificar os materiais. a possibilidade de aplicação da teoria reológica abre inúmeras opções de discussões diretamente aplicadas ao meio.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . também envolver e relacionar os parâmetros tradicionalmente conhecidos como. consistência. A idéia atualmente em pauta é substituir termos com elevado grau de empirismo. analisar seus comportamentos frente a um campo de tensão.1 Capacidade de retenção de água A retenção representa a capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção de uma base porosa e da evaporação. Atualmente.2. que possibilite a real caracterização do comportamento. Ainda sobre o estudo das argamassas no estado fresco. por exemplo: condições de trabalhabilidade. Em adição à importância da reologia. é cada vez mais discutida no meio científico a necessidade de uma avaliação das propriedades das argamassas no estado fresco.edu. Neste universo. que permitem apenas uma avaliação qualitativa (como trabalhabilidade. Uma retenção adequada _______________________________________________________________________________ 202 Concretos e Argamassas Prof. bem como prever o desempenho destes em outros estágios de tensão. 2. de certa forma. relacionar estes comportamentos com a estrutura de cada material. Esta caracterização deve. 1998). bombeabilidade.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. apresenta-se como proposição mais usual a utilização de saibro e cal na argamassa. Em se tratando de aumentar a área específica dos materiais constituintes. diminui a aderência e por conseqüência a argamassa terá menor durabilidade e estanqueidade. A outra forma de incrementar a capacidade de retenção de água da argamassa é utilizar aditivos cujas características impedem a perda de água. promovendo as reações de hidratação do cimento e um conseqüente ganho de resistência mecânica e aderência.2 Trabalhabilidade Esta é uma propriedade de avaliação qualitativa. a área a ser molhada é maior.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Uma argamassa é trabalhável quando: Deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro. proporcionando uma elevada área específica. conseqüentemente. Uma perda de água acelerada diminui a resistência. 2. sem aderir a colher ao ser lançada Distribui-se facilmente pela superfície Não endurece rapidamente quando aplicada A melhoria da trabalhabilidade é conseguida através de uma granulometria adequada.2. aparecendo tensões superficiais que tendem a manter a água adsorvida nas partículas. Uma delas é aumentar o teor de materiais constituintes com elevada área específica. pois depende do uso e do usuário. _______________________________________________________________________________ 203 Concretos e Argamassas Prof. O aumento da retenção de água da argamassa pode ser conseguido de várias maneiras.contribui para o endurecimento adequado da argamassa. a capacidade de absorver deformações. como é o caso dos derivados da celulose (aditivos retentores de água).edu. uso de cal e de aditivos incoporadores de ar. Esses dois tipos de materiais possuem partículas muito finas. sem ser fluída Mantêm-se coesa ao ser transportada.

modificando outras propriedades como consistência. É uma propriedade ligada a fenômeno mecânico da ancoragem da argamassa na base A porosidade. 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2. plasticidade. trabalhabilidade e retenção.4 Teor de ar incorporado O teor de ar incorporado equivale à quantidade de ar existente em certo volume de argamassa.edu. Assim. A presença de cal e de finos na argamassa também modifica a consistência.2. Esta quantidade de água pode influenciar as características do revestimento final. alterando a trabalhabilidade. do método de aplicação e do tipo de chapiscamento realizado pode-se ter resultados bastante variados. 2. alterando a resistência de aderência. _______________________________________________________________________________ 204 Concretos e Argamassas Prof. interferindo diretamente na trabalhabilidade. A consistência está relacionada diretamente com a quantidade de água. Deve ser pressionada contra a base para aumento da extensão de aderência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pode ser aumentado através de aditivos incorporadores de ar.3 Consistência Propriedade reológica que define como a argamassa resiste às deformações impostas ainda no estado fresco.2. Dependendo da plasticidade da argamassa.5 Aderência inicial A aderência inicial depende também das outras propriedades do estado fresco das argamassas e também da base de aplicação. permeabilidade à água e a capacidade de absorver deformações. a rugosidade e as condições de limpeza da base influenciam diretamente a aderência. Quando a base apresenta poucos poros capilares e muitos macroporos a aderência pode ficar prejudicada. é válido dizer que nem sempre o chapisco garante uma aderência adequada. A argamassa deve ter boa trabalhabilidade e retenção de água.2.

_______________________________________________________________________________ 205 Concretos e Argamassas Prof. também. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. retração no processo de hidratação e carbonatação dos aglomerantes.edu. estas variações volumétricas quase sempre ocasionam fissuras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ocorre.Figura 1.6 Retração na secagem Quando ocorre a saída da água da argamassa esta diminui de volume.2. As fissuras prejudiciais são aquelas que permitem a percolação de água pelo revestimento e podem provocar a perda de aderência ou descolamento.3 Aderência mecânica à base Figura 1.4 Aderência prejudicada – sem extensão de aderência 2. Quando acontecem com excessiva rapidez.

Da aderência dependem a durabilidade e a capacidade do revestimento suportar as movimentações internas e externas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Figura 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A adoção de consumos de cimento elevada.5 Retração na secagem 2. O tempo de sarrafeamento e desempeno é importante.2. requerendo maiores cuidados na execução e controle rigoroso das condições de cura durante e após a aplicação.edu. Argamassas mais espessas estão mais sujeitas a retração na secagem. Entretanto. pode levar à obtenção de argamassas com elevada retração na secagem e baixa capacidade de absorver deformações.As argamassas com teores de cimento elevados tendem a apresentar retração mais elevada.7 Resistência de aderência A aderência é uma propriedade fundamental para o desempenho dos revestimentos argamassados. Desempeno muito cedo (argamassa muito úmida) causa fissuras e até descolamento da argamassa. por exemplo. _______________________________________________________________________________ 206 Concretos e Argamassas Prof. esta propriedade não é simples de ser obtida.

_______________________________________________________________________________ 207 Concretos e Argamassas Prof.edu.7 Aderência deficiente – extensão de aderência prejudicada 2.6 Resistência de aderência Figura 1.Figura 1. Interferem diretamente na resistência à compressão o consumo e a natureza dos aglomerantes e agregados e a técnica de execução empregada.2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 Resistência à compressão Os revestimentos argamassados devem suportar esforços atuantes sem apresentar danos ao longo do tempo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Argamassas que apresentam consumo de cimento elevado. não sendo.9 Permeabilidade à água A permeabilidade está relacionada à passagem da água pela camada de revestimento. sendo exceção as argamassas com teores elevados de polímeros.10 Capacidade de absorver deformações Sob tensão. portanto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2. Quando aplicado em espessuras adequadas e tendo o tempo de _______________________________________________________________________________ 208 Concretos e Argamassas Prof. Deve-se lembrar aqui que a argamassa é um material poroso que permite a percolação de água tanto no estado líquido como de vapor. normalmente. além de fatores externos ao revestimento como pressão do vento e pluviosidade.2. principalmente em relação a estanqueidade e aderência.2. Para percolar pela vedação a água tem que atravessar barreiras que são constituídas pelo revestimento e pela base Entretanto. Estas argamassas podem apresentar capacidade de absorção de deformação adequada mesmo possuindo teores elevados de cimento. capazes de absorver as movimentações das estruturas de concreto e das alvenarias que tem amplitude elevada. o caminho de percolação permite acesso direto da água à base do revestimento. da técnica de execução da espessura da camada de revestimento e do acabamento da superfície. Os revestimentos de argamassa apenas são capazes de absorver deformação de pequena amplitude que ocorrem em função das variações de umidade e temperatura.edu. A execução do revestimento também pode interferir na capacidade de absorver deformações. A permeabilidade é função da natureza da base. o revestimento de argamassa deve absorver deformações sem sofrer ruptura ou fissuração que prejudiquem seu desempenho. da composição e dosagem da argamassa. não tem capacidade adequada de absorção de deformações.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . comprometendo a estanqueidade da vedação como um todo. 2. quando existem fissuras.

3 Uso de aditivos incorporadores de ar Os aditivos incorporadores de ar são materiais orgânicos. topografia e vizinhança. a saber: _______________________________________________________________________________ 209 Concretos e Argamassas Prof. reduzindo os efeitos de movimentação de grandes painéis.desempenamento respeitado. menores são as possibilidades de falhas devido à microfissuração da argamassa. A adoção de juntas de controle distribuída no revestimento contribui diretamente para melhorar a capacidade de absorver deformações do revestimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a cultura e proliferação de microorganismos e a qualidade das argamassas são os fatores que mais interferem na durabilidade dos revestimentos. 2. Pode se enumerar algumas propriedades que são alteradas beneficamente pela incorporação de ar nas argamassas.edu. uniformemente dispersas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Características de projeto definindo orientação das fachadas. Estas juntas podem ser usadas para permitir panos com dimensões menores.2. A durabilidade também depende das condições de exposição definidas principalmente pela localização. presença de aberturas e detalhes construtivos como pingadeiras e peitoris também interferem. às argamassas ou às pastas de cimento. produzem uma quantidade controlada de bolhas microscópicas de ar. usualmente apresentados na forma de solução ou em pó. 2. O aditivo incorporador de ar é adicionado as argamassas com o intuito de melhorar a trabalhabilidade.11 Durabilidade A fissuração do revestimento. clima. a espessura excessiva. principalmente em argamassas isentas de cal (cimento e areia). O ar intencionalmente incorporado às argamassas altera a suspensão cimentícia no estado fresco e posteriormente no endurecido. que quando adicionados ao concreto.

Já para o concreto. efeito contrário ao provocado no concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. onde se tem uma argamassa com 20% de cimento e uma argamassa com o mesmo proporcionamento. sem alterar a tendência de segregação e exsudação da argamassa. se consegue um maior volume de argamassa. A presença do ar incorporado permite uma certa diminuição na quantidade de finos do agregado. ao se comparar com uma argamassa sem aditivos. devido à incorporação de ar.• • • • Módulo de deformação . em relação à massa de cimento. que ganha fluidez. A mudança provocada pelos aditivos incorporadores de ar nas argamassas de revestimento pode ser observada na Foto 1. provavelmente. apenas com o acréscimo de 0. Para as argamassas. Nota-se que os aditivos causam uma grande alteração na trabalhabilidade das argamassas. para um aspecto plástico. este “efeito _______________________________________________________________________________ 210 Concretos e Argamassas Prof. Este fato implica a colocação de menos água na mistura. Massa específica – é reduzida. O rendimento das argamassas com aditivos incorporadores de ar é aumentado. este ganho de consistência e plasticidade se deve ao “efeito ponte” existente entre as bolhas de ar e as partículas de cimento e. Exsudação – é diminuída. o que aumenta a capacidade de deformação do sistema de revestimento.8. para uma mesma condição de aplicação.05% de um aditivo incorporador de ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . É essa capacidade dos aditivos alterarem positivamente a trabalhabilidade das argamassas. que permite a confecção de argamassas sem cal. já que a mesma passa de um aspecto seco e áspero. no estado fresco. da areia.normalmente é reduzido. devido à diminuição da massa específica. provoca um ganho de consistência e plasticidade. diminuindo desta forma a consistência. Com essa diminuição. apenas com o aditivo incorporador de ar como agente plastificante.edu. pela presença de microbolhas de ar no interior da mistura. Retração – normalmente é reduzida. para uma mesma quantidade de material anidro. A presença do ar incorporado nas argamassas.

A possível redução na resistência de aderência encontrada em argamassas com ar incorporado é atribuída à diminuição da superfície de contato entre a argamassa e o substrato. para qualquer aditivo. sem dúvida. reduz a aderência das argamassas. que rompe as “pontes” existentes. após a incorporação de uma certa quantidade de ar. Isto se explica pelo fato do tensoativo diminuir a tensão superficial. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Apesar do tipo de aditivo influenciar na redução da resistência de aderência a tração.8 . A aplicação da argamassa é facilitada com a utilização dos aditivos incorporadores de ar. aumentando a região de contato entre ambos. o aumento do teor de ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . provocando uma maior facilidade da argamassa molhar o substrato. Figura 1.ponte” é quase nulo pela presença do agregado graúdo.Argamassa sem e com aditivo incorporador de ar _______________________________________________________________________________ 211 Concretos e Argamassas Prof. acima de um certo valor. e pela redução de propriedades mecânicas devido ao incremento da porosidade na argamassa.edu.

o que tornará a argamassa menos trabalhável. Ademais. Entretanto.4 Adição de água em argamassas A complementação de água na argamassa de revestimento. para que o oficial-pedreiro possa aplicar a argamassa. Desta forma. parte da água de amassamento pode ser perdida por evaporação para a atmosfera. tendo em vista que ela foi uma sobra do corte. Por este motivo. Caso isto não _______________________________________________________________________________ 212 Concretos e Argamassas Prof.2. facilitando o seu lançamento e aperto. Este fato acontece pelo simples motivo deste acréscimo tornar a argamassa mais fluida. apresentando uma trabalhabilidade inadequada para o lançamento e aperto. é uma prática bastante comum nas obras. o que vai reduzir o seu poder aglomerante. a argamassa deve estar pronta para o uso.edu. este acréscimo pode reduzir as resistências mecânicas do revestimento e contribuir para a ocorrência de fissuração devido à retração. quando se observa alguma das três situações abaixo: • Devido a produção de grandes volumes de argamassa. se introduz uma grande quantidade de água nessa sobra de argamassa. feita pelos pedreiros após a mistura e antes da aplicação. o cimento desta argamassa que sobra após o sarrafeamento pode já ter entrado em pega. na trabalhabilidade adequada. bem como para as reações de hidratação do cimento. este material pode ficar esperando a sua vez de ser aplicado por períodos de tempo superiores a 2 horas. por exemplo. deixando-a mais trabalhável. O acréscimo de água realizado pelo oficial-pedreiro ocorre. • A dosagem das argamassas deve ser realizada de uma forma que o oficialpedreiro fique satisfeito com a plasticidade da mesma. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. freqüentemente. se quer utilizar sobras do sarrafeamento da argamassa para se executar um outro pano de revestimento. Esse excesso de água pode gerar uma séria redução na resistência mecânica dos revestimentos e provocar uma intensa fissuração. para que a mesma volte a se mostrar trabalhável. ou seja.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Caso isto aconteça. é necessário o acréscimo de água. o seu aspecto é de uma argamassa seca com falta de água. mesmo com a colocação de mais água e uma nova mistura. • Uma outra situação onde se observa a complementação de água na argamassa ocorre quando. Como esta argamassa já “puxou”.

já que. De uma forma geral. geralmente. quando sujeitos a variações higrotérmicas e a sobrecargas. • Deve-se aplicar uma camada de argamassa racionalizada durante a produção do revestimento. fazendo com que a argamassa aplicada sobre ele demore mais tempo para ficar adequada para o sarrafeamento. buscando evitar que argamassas fiquem esperando por um longo período de tempo. do que a aplicada sobre a alvenaria. Pelo exposto anteriormente. entre estes se destacam: • Produzir uma quantidade de argamassa adequada para a frente de trabalho disponível. buscando a trabalhabilidade ideal. Isto acontece porque o concreto é menos absorvente que a alvenaria. Além da movimentação diferencial.edu. observa-se que alguns cuidados devem ser tomados com o intuito de evitar problemas nos revestimentos. a quantidade de água adicionada é muito pequena em relação às situações anteriormente expostas. que resulte em pouca sobra de argamassa após o sarrafeamento. _______________________________________________________________________________ 213 Concretos e Argamassas Prof. A discussão sobre o emprego das sobras é particular a dinâmica de cada obra e aos materiais utilizados (aglomerantes.ocorra. para serem aplicadas. o oficial-pedreiro irá adicionar mais água na mistura antes da sua aplicação. Nesta situação.5 Argamassas sobre diferentes materiais contíguos Uma das regiões revestidas com argamassa mais susceptível a ocorrência de fissuração é aquela localizada na interface estrutura de concreto/alvenaria. este acréscimo de água é chamado de ajuste de água. na dosagem ou nos materiais. Um dos motivos principais para a ocorrência dessa fissuração é a movimentação diferencial dos dois materiais. pode-se ter fissuração nesta região devido a desuniformidade da absorção de água entre a alvenaria e a estrutura de concreto. incorreções na granulometria. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. na tentativa de ajustar a trabalhabilidade da argamassa a condições mínimas de aplicabilidade. é que induzem a colocação de mais água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O emprego adequado deste material (sobras) deve ser discutido com especialistas em argamassas. 2. argamassa industrializada).

em um mesmo pano de argamassa. é majorada quando se tem um aumento do contato entre a argamassa aplicada e o substrato. não estando com uma rigidez adequada. que ainda não estará rígida o suficiente. Como a operação de corte é realizada. Já. Pelos motivos apresentados. Outra situação onde a realização do sarrafeamento e/ou desempeno no momento incorreto provoca fissuração nos revestimentos. paralela a estrutura de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Essa uniformização é realizada. se o sarrafeamento for realizado quando a argamassa aplicada sobre a alvenaria já estiver adequada. pode-se ter fissuração na argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto. Nesta situação. se o sarrafeamento for executado apenas quando a argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto estiver adequada. é que se verifica a necessidade de realizar a uniformização da absorção da interface estrutura de concreto/alvenaria. A estrutura deve ser completamente chapiscada. enquanto que na alvenaria deve-se ter pelo menos uma faixa de 1 metro com chapisco. a fim de se evitar diferentes tempos de sarrafeamento para a argamassa. aplicando-se um chapisco fechado sobre a estrutura e a alvenaria. Alguns dos fatores que interferem nessa extensão de aderência são a textura do _______________________________________________________________________________ 214 Concretos e Argamassas Prof.A importância do aperto da argamassa A resistência de aderência à tração de um revestimento. ocorre a fissuração. quando a argamassa ainda não “puxou”. 2.Assim sendo. ter-se-ão dificuldades para cortar a argamassa aplicada sobre a alvenaria. geralmente. como também. para resistir aos esforços gerados pelo sarrafeamento e desempeno. ocorre nas argamassas aplicadas pouco tempo antes da hora do almoço e do fim do expediente de trabalho. Esta precipitação dos pedreiros se verifica pela pressa de os mesmos terminarem o serviço para irem almoçar ou encerar o expediente.6 . têm-se regiões que já estarão aptas a receber os serviços de sarrafeamento e desempeno (argamassa aplicada sobre a alvenaria). que já estará bastante rígida.edu. regiões onde a argamassa ainda não estará apta (argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto) para a execução desses serviços. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

É evidente que este baixo valor de aderência não se deve apenas à falta do aperto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . gerando conseqüências negativas nas resistências mecânicas. em média. aumentado o contato entre esses dois materiais. Assim. quando se tem mais de uma camada de argamassa. o cimento já terá entrado em pega.substrato. A falta deste aperto na cheia contribui para que nestas regiões sejam verificados baixos valores de resistência de aderência à tração. são fundamentais para que ela possa penetrar pelas reentrâncias e saliências do substrato. aliada à energia de seu lançamento. a trabalhabilidade da argamassa. _______________________________________________________________________________ 215 Concretos e Argamassas Prof. A justificativa para a não realização deste procedimento se observa no fato de os oficiais pedreiros acharem que. ela vai ficar pouco rugosa na sua superfície. ela não precisa ser apertada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o que dificultará a aderência da segunda camada de argamassa aplicada sobre a mesma. pelo fato de não ser realizado o sarrafeamento e/ou desempeno na argamassa de cheia. a energia de aplicação e a operação de aperto. já que é freqüente se utilizar para a execução das “cheias”. mesmo que a trabalhabilidade da argamassa e a energia utilizada no seu lançamento não sejam adequadas. a argamassa que sobrou após o sarrafeamento (corte). Outra justificativa dada pelos oficiaispedreiros é que. se a argamassa de cheia for apertada. provavelmente será acrescentada água e. é a falta do aperto nas argamassas utilizadas nas “cheias”. A plasticidade da argamassa.edu. o que irá colaborar para a extensão da aderência. possivelmente. Porém. Uma prática bastante verificada nas obras. a extensão de aderência poderá ser majorada com a realização do aperto da argamassa após a sua aplicação. ocorrerá uma elevação da resistência de aderência à tração do revestimento. que deve ser evitada. Nessa argamassa.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Esses entraves. de modo geral. ou seja. Considerando-se todas as etapas do processo de produção de edifícios. está limitado aos efeitos arquitetônicos. devem ser vencidos buscando-se o domínio tecnológico desta área. entre outros motivos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. diferentes técnicas de execução e condições ambientais adversas estão sempre concorrendo para a realização dos empreendimentos. pela ausência de conhecimento tecnológico acerca do assunto.3 Patologia dos revestimentos de argamassa Os problemas patológicos são manifestados nas edificações devidos a uma série de razões. A não elaboração de um projeto ou mesmo os erros decorrentes de sua concepção são fatos gerados. necessitando conhecerem ainda as possíveis patologias originadas por problemas decorrentes desta fase.edu. de fixação e de acabamento b) ou ainda por erros de concepção durante a elaboração do projeto. tem origem principal nas fases de elaboração do projeto e de execução dos serviços propriamente ditos. pode-se dizer que a maior parte dos problemas patológicos que ocorrem ao longo de sua vida útil. da camada de regularização. porém. por dois motivos: a) ou pela inexistência de um projeto específico em que sejam definidas as características do revestimento como um todo. Os problemas originados em revestimentos na fase de projeto ocorrem. falta de orientação específica para elaboração de projeto e falta de informações acerca do comportamento de obras já construídas. _______________________________________________________________________________ 216 Concretos e Argamassas Prof. Isto não é de se estranhar. em que muitas vezes suas diretrizes são dadas independentemente das condições reais de exposição e dos requisitos básicos à sua construção. pois quando este existe. pois diversos materiais. a fim de que os problemas não sejam preconcebidos na fase de projeto. No que se refere à fase de execução dos serviços de revestimento é imprescindível que os técnicos envolvidos com a produção dos mesmos tenham o domínio das corretas técnicas.

Uma das formas de realizar a classificação é de acordo com suas origens: a) aderência insuficiente. b) inadequada capacidade de acomodação plástica (quando endurecida). não serão abordadas nesta disciplina 3. Uma outra forma classifica as patologias de revestimentos de argamassa de acordo com suas formas de manifestação. c) manchas. que nos parece mais adequada: a) perda de aderência ou desagregação. convém adotar uma classificação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Por serem inúmeros os problemas patológicos passíveis de ocorrerem nos revestimentos verticais de argamassa e cerâmicos. as quais pela sua incidência esparsa. principalmente em função da falta de disponibilidade de profissionais com formação adequada para enfrentar tal situação. b) trincas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • • • bolor eflorescências fantasmas ou espectros de juntas d) outras.edu.1 Perda de aderência ou desagregação A perda de aderência pode ser entendida como um processo em que ocorrem falhas ou ruptura na interface das camadas que constituem o revestimento ou na interface _______________________________________________________________________________ 217 Concretos e Argamassas Prof. fissuras.Embora se reconheça a dificuldade em se dominar a tecnologia de projeto e de execução dos revestimentos. gretamentos. para facilitar o estudo dos mesmos. c) deficiente resistência mecânica. é extremamente necessário que se busque adotar uma metodologia de desenvolvimento do projeto que contemple todos os detalhes executivos.

descolamentos por empolamento o fenômeno ocorre devido às expansões na argamassa em função da hidratação posterior de óxidos. descolamento em placas ocorre quando há deficiência de aderência entre camadas do revestimento ou das mesmas com a base ou até por espessura excessiva do revestimento. devido às tensões surgidas ultrapassarem a capacidade de aderência das ligações. Estes descolamentos podem apresentar extensão variável. sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: • • • • por empolamento. pontuais neste caso o descolamento ocorre de forma pontuais.com a base ou substrato. Entre outros problemas que se desenvolvem na base ao longo do tempo e que também podem afetar o revestimento.edu. em placas. não se extendendo por toda a extensão do revestimento. pontuais (vesículas).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a fissuração e expansão do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. descolamento por pulverulência observam-se desagregação e conseqüente esfarelamento da argamassa ao ser pressionada pelas mãos e a película de tinta destaca-se juntamente com a argamassa que se desagrega com facilidade. o acúmulo do produto de corrosão na interface que podem provocar o descolamento do revestimento. com pulverulência. temos a corrosão da armadura de concreto. _______________________________________________________________________________ 218 Concretos e Argamassas Prof.

do que realizar molhagem abundantemente. impacto de portas. e) diversos (concentração de esforças.” A incidência de fissuras em revestimentos sem que haja movimentação e ou fissuração do substrato ocorre devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado. etc. b) retração (fissuração da argamassa de revestimento ou de piso cimentado). Outro fator que influencia no surgimento de fissuras é a umidade relativa do ar. solicitações higrotérmicas e também por retração hidráulica da argamassa. da fundação ou do aterro). gretamentos e fissuras Popularmente chama-se de trinca a fissura com abertura maior.2 Trincas. Tem-se que as causas prováveis de fissuras e trincas em revestimentos são: a) recalque (acomodação do solo.3. deve-se dar preferência à utilização de primer apropriado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . c) movimentação (da estrutura de concreto. Observa-se.edu. dentre os quais citam-se: consumo de cimento. aplicado à base. podem aparecer fissuras na forma de “mapas” por todo o revestimento. teor de finos e quantidade de água da amassamento. que vários fatores intrínsecos à argamassa podem ser responsáveis pela fissuração do revestimento. há um maior consumo de água de amassamento. se o revestimento não for executado corretamente. d) amarração (falta de amarração nos cantos de paredes ou no encontro da laje com as paredes). _______________________________________________________________________________ 219 Concretos e Argamassas Prof. o que ocasiona maior retração por secagem e. Em regiões onde a umidade relativa do ar é baixa. a temperatura é alta e há a presença de ventos. então. No caso de argamassa composta por alto teor de finos.). do madeiramento do telhado ou da laje mista). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

de modo geral. O passo seguinte é verificar se o reboco está firme. inclusive com o paramento seco. penetrando por capilaridade.edu. ele terá de ser _______________________________________________________________________________ 220 Concretos e Argamassas Prof. a não ser que sejam molhadas e que a água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . marrom e verde.3. se soltar ou esfarelar. citando-se inclusive as argamassas inorgânicas. permitindo a visualização das fissuras. não são visíveis. argamassa com baixa retenção de água. manchas claras esbranquiçadas ou amareladas. consumo elevado de água de amassamento. Tal fenômeno ocorre porque a água contendo cal livre sai pelas microfissuras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Além disso. esse autor aponta. formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta. O desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de tetos e paredes. cura deficiente. pode-se gerar mudanças na tonalidade.1 Bolor O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato. Se uma parede que apresenta bolhas na pintura ou manchas de bolor for interna. Estando nessas condições. ainda. teor de finos elevado. No caso de umedecimentos sucessivos.As fissuras por retração hidráulica. ou ocasionalmente. assinale sua trajetória. 3. destacando entre elas: • • • • • • consumo elevado de cimento.3 Manchas 3. o primeiro passo é detectar de onde vem a infiltração. algumas outras causas que podem ser responsáveis pelas fissuras nos revestimentos de argamassas. número e espessura das camadas.

destaca-se ainda a ocorrência de problemas respiratórios nos moradores de residências com bolor deve ser considerada. que favorecem o acúmulo de bolor na superfície dos revestimentos são: • • • a umidade de condensação. como resultado da exposição à intempéries”. conforme as condições do substrato: a) umidade ascendente por capilaridade. d) umidade relativa do ar em torno de 80%. e finalmente o reboco contendo na argamassa o impermeabilizante. até chegar na alvenaria. assunto de grande importância no que se refere à qualidade dos ambientes internos. que podem aumentar o teor de água disponível para o crescimento dos fungos. 3. c) umidade acidental (vazamento de águas potáveis e servidas). dificilmente vão embora. é ideal para sua proliferação. sendo assim. a ventilação insuficiente num ambiente e a permeabilidade da alvenaria à umidade exterior. A parede receberá então a aplicação do revestimento em seguida um adesivo de alto desempenho. o bolor e as algas são problemas é que depois que se instalaram. Há ainda algumas causas extrínsecas ao material. produzida pelo vapor do chuveiro. o termo eflorescência significa “a formação de depósito salino na superfície de alvenarias. ou superior a esse valor. já que a umidade. O lugar da casa em que costumam aparecer é o banheiro. b) umidade de infiltração por fachada ou telhado. Além da questão estética. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Os casos que abrangem fungos.removido completamente.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2 Eflorescências Nas edificações. e) umidade de condensação de vapores em ambientes fechados. _______________________________________________________________________________ 221 Concretos e Argamassas Prof. Alguns fatores causadores de umidade.3.

é determinante haver a presença e a ação dissolvente da água. podendo introduzir substâncias agressivas. de magnédio e de ferro. e em determinados casos seus sais constituintes podem ser agressivos. II e III. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de sódio. Esse tipo de patologia somente modifica o aspecto estético. de potássio. à presença da água destinada a promover a trabalhabilidade desejada ao material e necessária às reações de hidratação do cimento. na rede capilar ou dissolver e transportar sais solúveis presentes no material. aumento do tempo de contato e a quantidade de solução que aflora. _______________________________________________________________________________ 222 Concretos e Argamassas Prof. se uma delas for eliminada. presentes no substrato. devidos. muito solúvel em água. causando desagregação profunda. a eflorescência é composta principalmente por sais de metais-alcalinos e alcalinos-terrosos. Distingue-se três tipos de eflorescência: de Tipo I. ladrilhos cerâmicos. como no caso de compostos expansivos. principalmente.edu. Tipo I é o mais comum e caracteriza-se por um depósito de sal branco. pulverulento. juntas de assentamentos. a presença de água e a pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . revestimentos de argamassa. O fenômeno ocorre porque a argamassa apresenta vazios e canais em seu interior. regiões próximas a esquadrias mal vedadas. Pode ocorrer em superfícies de alvenaria aparente. Para ocorrer a eflorescência. Os principais sais presentes no materialsão os de cálcio. não sendo prejudicial ao substrato. As eflorescências podem alterar a aparência da superfície sobre a qual se depositam. Todas essas três condições devem existir e. O fluxo descrito está intimamente relacionado às propriedades absorção e capilaridade das argamassas. que podem ser solúveis ou parcialmente solúveis em água.Quimicamente. pode ocorrer o fluxo da água por capilaridade ou por pressão. Há ainda alguns fatores que favorecem o fenômeno: porosidade das argamassas e bases. A eflorescência é causada por três fatores: o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes. não haverá a ocorrência de eflorescência. juntas de ladrilhos cerâmicos e azulejos. Em função desses vazios no interior da argamassa.

Na evaporação da água. Pode-se também eliminar mais rapidamente tal patologia removendo os sais depositados na superfície com escova de aço. reagindo com o anidrido carbônico do ar. o sal formado é basicamente o carbonato de cálcio. formado com a reação da cal livre. às vezes. os sais (freqüentemente de sulfatos de sódio e potássio) podem ser provenientes de tijolos. em casos de depósito abundante. que se apresentam fissuradas devido à expansão decorrente da hidratação do sulfato de cálcio existente no tijolo ou da reação tijolo-cimento. a eflorescência desaparece após um período prolongado. além de apresentar um efeito estético negativo. seguida de lavagem com água abundante. Esses sais formam-se em regiões próximas a elementos de concreto ou sobre sua superfície e. o problema pode ser solucionado removendo os sais com escovação mecânica. pela ação da chuva. esta cal se transforma em carbonato de cálcio. de cimentos. como os sais são solúveis em água. Na eflorescência do Tipo II. Nas eflorescências do Tipo I. Tipo III manifesta-se como um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. deixar que desapareça por si mesmo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pois as reações ainda não terminaram. além do que. e de substâncias contidas em solos adensados ou contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica. para alvenaria externa de um edifício recém-terminado. com a água proveniente da chuva ou de infiltração. dos agregados.Tipo II caracteriza-se pela aparição de um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. realiza-se uma lavagem com solução de ácido muriático. recomenda-se. A cal dissolve-se e deposita-se na superfície. da água utilizada no amassamento. A eflorescência do Tipo II. da reação química entre os compostos do tijolo com o cimento. é difícil de ser eliminada. quando em contato com o ácido clorídrico. muito aderente e pouco solúvel em água. que pode ser liberada na hidratação do cimento. Na eflorescência denominada de Tipo I. Recomenda-se que. Esse depósito. apresenta efervescência. Em seguida. devendo-se saturar anteriormente a _______________________________________________________________________________ 223 Concretos e Argamassas Prof. sobre superfícies de alvenaria.

parede, para preencher os vazios existentes com água e evitar a impregnação do ácido através dos poros. Porém, há casos em que a eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação freqüente de solução ácida pode comprometer a durabilidade do componente. Além das recomendações acima, destaca-se alguns cuidados a serem tomados para evitar a ocorrência de eflorescência, destacados a seguir: • não utilizar materiais com elevado teor de sais solúveis. A presença de sais pode ser detectada através de ensaios realizados em laboratório; • • não utilizar componentes cerâmicos com elevado teor de sulfatos; em caso de alvenaria aparente, a redução da absorção da água da chuva pode ser obtida utilizando-se pintura impermeável, resistente à exposição em solução salina; • • • proteger da chuva a alvenaria recém terminada; reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; reduzir a lixiviação da cal através da utilização de cimento que libere menor teor de cal na sua hidratação, como é o caso do cimento pozolânico ou de alto forno.

Ainda que apesar da eflorescência, de uma maneira geral, constituir-se num fenômeno onde os danos são apenas estéticos, ela é o efeito de um problema mais grave e freqüente da edificações, que é a umidade.

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Manifestações

Aspectos Observados

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Umidade constante

Reparos Eliminação da infiltração de umidade. Secagem do revestimento.

Manchas de umidade Eflorescência Pó branco acumulado sobre a superfície

Sais solúveis presentes no componente da alvenaria Sais solúveis presentes na água de amassamento ou umidade infiltrada Cal não carbonatada

Escovamento da superfície. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Manchas esverdeadas ou escuras Revestimento em desagregação Empolamento da pintura, apresentando- se as partes internas das empolas na cor: -branca -preta Vesículas -vermelho acastanhada Bolhas contendo umidade no interior

Umidade constante

Eliminação da infiltração da umidade. Lavagem com solução de hipoclorito. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Bolor

Área não exposta ao sol

-Hidratação retardada de óxido de cálcio da cal -Presença de pirita ou de matéria orgânica na areia -Presença de concreções ferruginosas na areia Aplicação prematura de tinta impermeável. Infiltração de umidade

Renovação da camada de reboco.

Eliminação da infiltração da umidade. Renovação da pintura.

Descolamento com empolamento

A superfície do reboco descola do emboço formando bolhas, cujos diâmetros aumentam progressivamente O reboco apresenta som cavo sob percussão. A placa apresenta-se endurecida, quebrando com dificuldade Sob percussão o revestimento apresenta som cavo

Hidratação retardada do óxido de magnésio da cal A superfície de contato com a camada inferior apresenta placas freqüentes de mica. Argamassa muito rica. Argamassa aplicada em camada muito espessa.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento.

Descolamento A placa apresenta-se endurecida, mas quebradiça desagregando-se com facilidade

em placas

A superfície da base é muito lisa. A superfície está impregnada com substância hidrófuga.

Renovação do revestimento:

-Apicoamento da base; -eliminação da base hidrófuga;

Sob percussão o revestimento apresenta som cavo Ausência da camada de chapisco

-aplicação de chapisco ou outro artifício para melhoria de aderência.

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Manifestações

Aspectos Observados A película de tinta descola arrastando o reboco que se desagrega com facilidade.

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Excesso de finos no agregado. Traço pobre.

Reparos

Descolamento Traço rico em cal. com pulverulência Fissuras Horizontais Apresenta-se ao longo de toda a parede. Descolamento do revestimento em placas, com som cavo sob percussão. O reboco apresenta som cavo sob percussão. Ausência de carbonatação de cal. O reboco foi aplicado em camada muito espessa. Expansão da argamassa de assentamento por hidratação retardada do óxido de magnésio da cal. Expansão da argamassa de assentamento por reação cimento-sulfatos, ou devida à presença de argilo-minerais expansivos no agregado. Fissuras Mapeadas As fissuras têm forma variada distribuem-se por e toda a superfície. Retração da argamassa de base.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento após hidratação completa da cal da argamassa de assentamento.

A solução a adotar é função da intensidade da reação expansiva. Renovação do revestimento. Renovação da pintura.

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Referências

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BAUER, L.A.F.. Materiais de Construção. 2 vol. Rio de Janeiro, Livro Técnico e Científico; 1994. DURANTE, R. Aglomerantes. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Agregados. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Concreto – Qualidade, Classificação e Propriedades. Notas de aula . ST420 – Materiais de Construção 2. Limeira: 2001. FIGUEIREDO, A. e outros. Materiais de Construção Civil II . PCC 2340. Notas de aulas. São Paulo: 1999. HELENE, P.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. São Paulo: PINI, 1993. JACOSKI, C.A. Concreto e Argamassas. Série Didáticos. Chapecó: Argos, 2001, 71 p. LIMA, M.G. Materiais de Construção Civil 2 . EDI-32 Notas de aula. São Paulo: 2000. METHA, P. K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais. . São Paulo: PINI, 1994. MONTEIRO, E.B. – Materiais de Construção Civil 1 . Notas de aula. ??: 2004. NEVILLE, A.M. Propriedades do concreto. Tradução Salvador Giamusso. São Paulo: PINI, 1997 PETRUCCI, E.G.R. Concreto de cimento Portland. Porto Alegre: Globo, 1998, 13a. ed.

_______________________________________________________________________________ 227 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

.edu. Brasília: 2006.PILZ. Dissertação. Notas de aula.E. Mestrado Profissionalizante UFGRS. SILVA. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. – Materiais de Construção Civil 1 .. que pela grande quantidade e variedade não foi possível aqui enumerar . Além de diversos outros materiais de diversas faculdades. Porto Alegre: 2005. S. E.. _______________________________________________________________________________ 228 Concretos e Argamassas Prof. – Produção de concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .F.

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