CONCRETOS E ARGAMASSAS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CENTRO TECNOLÓGICO PROF: SILVIO EDMUNDO PILZ

CONCRETOS E ARGAMASSAS
SOBRE ESTA APOSTILA Esta apostila é fruto da compilação de livros, apostilas de disciplinas de outras universidades, dissertações, artigos científicos, normas técnicas e experiência adquirida durante a especialização, mestrado e demais cursos realizados e durante a vida profissional. Aqui fica o agradecimento aos autores, professores e

colaboradores. Não tem a finalidade de ser uma cópia simples e pura, mas uma compilação para atender a ementa da disciplina, procurando uma ordem lógica de aquisição de conhecimentos, porém abordando assuntos que mesmo não estando explícitos na ementa são de fundamental importância para o tema da matéria EMENTA DA DISCIPLINA Propriedades físicas e mecânicas dos materiais componentes do concreto. Ensaios. Características e propriedades do concreto fresco. Propriedades do concreto endurecido. Dosagem do concreto. Controle estatístico e tecnológico do concreto. IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL A disciplina de Concreto e Argamassas se utiliza dos conceitos iniciais da disciplina de Física, Geologia, Materiais de Construção, Química Tecnológica, Resistência dos Materiais e Estatística para dar suporte ao que será estudado nesta disciplina. Reveste-se de importância a disciplina de Concreto e Argamassas para a continuidade dos estudos, pois serve de suporte para as disciplinas de Construção Civil I e II, Concreto Armado I, II e III, Concreto Protendido e outras disciplinas de estruturas, Alvenaria Estrutural e até para a disciplina de Fundações I e II.

______________________________________________________________________________ 1 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA A PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIVIL O conhecimento dos materiais concreto e argamassa, para o Engenheiro Civil é fundamental, pois em qualquer área que irá atuar irá depender e irá usar estes materiais. Como material estrutural o concreto é o mais utilizado, sendo progressivo também o uso em pavimentações rodoviária, obras de arte (grandes estruturas), indústrias de pré-moldados, etc. A argamassa como material de revestimento em edificações tem uso intenso, bem como material de assentamento de pisos, revestimentos, decorações e com um aumento constante do uso de argamassa armada para telhas, paredes, reservatórios, etc. ALGUMAS INFORMAÇÕES INICIAIS A usina de Itaipu utilizou 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Se fossemos fazer esta barragem com uma betoneira de 320 L, e fazendo 30 betonadas por dia levaríamos o equivalente a 7.000 anos para fazer este volume. Em 1900 a produção mundial de cimento era de 10 milhões de toneladas. Em 1998 a produção foi de 1,6 bilhões de toneladas. O consumo de concreto atualmente no mundo representa o equivalente a 1,0 m3 por pessoa por ano no mundo. É o material mais consumido no mundo, depois da água. O uso do material concreto não tem registro de quando foi a primeira utilização, pois nos primórdios da civilização já se usava cinzas vulcânicas, que com sua propriedade ligante e misturadas a outros materiais formava um material trabalhável e durável. Já o uso do material concreto armado, informações de que a primeira vez que foi utilizado, data de 1855 quando o eng. Lambot levou um barco de concreto armado a uma exposição em Paris.

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Começo a ter impulso o uso do concreto armado, quando em 1867, Joseph Monier requereu patente para construção de vasos de concreto e posteriormente para tubos, reservatórios, placas, pontes, escadas, etc. O primeiro curso de concreto armado no mundo foi dado em Paris, pelo professor Rabut, em 1897. Brasil Emilio Baungartem que é considerado o pai do concreto armado. A ponte

sobre o Rio do Peixe (Joaçaba) por muitos anos o maior vão do mundo. O prédio do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro foi por muito anos o maior do mundo em concreto armado.

O QUE VAMOS ESTUDAR Inicialmente temos que estudar os materiais componentes do concreto (que também são utilizados em argamassas): agregados, aglomerantes e água (não será estudada nesta disciplina) Nos agregados será visto os tipos, caracterização, propriedades, substâncias nocivas, ensaios em agregados. Nos aglomerantes, estuda-se a função, matérias primas, classificação e um estudo mais aprofundado do cimento, desde a fabricação, constituintes, classificação (tipos de cimento). Após será conhecido os ensaios realizados em agregados e aglomerantes, seus diferentes tipos, como fazer e normas relacionadas aos ensaios. Em seguida será dado início ao estudo do material “concreto”, estudando as propriedades do concreto enquanto “mole” (concreto fresco) e do concreto endurecido. Também será aprendido sobre a produção do concreto, dos cuidados desde a estocagem dos materiais até o lançamento e a cura deste material.

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______________________________________________________________________________ 4 Concretos e Argamassas Prof. Finalizando a disciplina será estudado brevemente as argamassas.Não se pode falar de concreto sem pensar que seja um material durável e então será estudado o assunto “Durabilidade do concreto”. etc. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Neste ponto já se pode falar sobre a questão do controle de produção do concreto e como fazer para saber se o concreto produzido atende os requisitos exigidos controle e aceitação do concreto. onde veremos da importância da produção de um concreto durável. onde estudaremos as propriedades dos revestimentos e patologias dos revestimentos que nos darão embasamento sobre os quesitos necessários para uma boa argamassa.edu. quais são os agentes agressivos a este material. Estudaremos ainda como fazer dosagem de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Todo este conhecimento de concreto será adquirido com o apoio de aulas em laboratório e ensaios que os alunos deverão fazer durante o semestre em horário fora de aula. diferenciando os tipos de dosagem e estudando um método de dosagem específico e através de cálculos elaborar um traço de concreto. revisando os conceitos necessários.

ou mistura de ambas). Agregado miúdo . não é de se surpreender que a qualidade destes seja de importância básica na obtenção de um bom concreto. Superfície específica .material granular cujos grãos passam na peneira com abertura de malha 150 mm e ficam retidos na peneira de 4.determinação da composição granulométrica e de outros índices físicos dos agregados de modo a verificar as propriedades e características necessárias à produção de concreto e argamassas.AGREGADOS Uma vez que cerca de ¾ do volume do concreto são ocupados pelos agregados. neste capítulo. São apresentados também. Agregado graúdo . proporcionando concretos que irão corresponder plenamente às expectativas de projeto e execução das obras onde serão empregadas. alguns critérios seletivos para a obtenção dos agregados. trabalhabilidade e retratilidade. Procura-se. durabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . também. apresentar as principais propriedades dos agregados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. geralmente inerte.material granular sem forma e volume definidos. analisando o seu grau de importância e responsabilidade na geração das características essenciais aos concretos. brita e seixo rolado).075mm (areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. Caracterização . de dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos. baseados nas experiências nacional e estrangeira. exercendo nítida influência não apenas na resistência mecânica do produto acabado como.relação entre a área total da superfície dos grãos e sua massa.edu.75 mm (pedregulho.material granular cujos grãos passam na peneira de 4. impermeabilidade.75 mm e que ficam retidos na peneira de 0. em sua durabilidade e no desempenho estrutural. ______________________________________________________________________________ 5 Concretos e Argamassas Prof. tração na flexão. ALGUMAS DEFINIÇÕES INICIAIS Agregado . tais como: resistência à compressão.

• industrializados → aqueles que são obtidos por processos industriais: argila expandida. obtida segundo a NBR NM 27:2001... neste caso 4. armazenamento ou transporte.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . É obtida a partir de várias amostras parciais.edu. seixos rolados. • às dimensões das partículas.. eles podem ser: • naturais → já são encontrados na natureza sob a forma definitiva de utilização: areia de rios. areia artificial.. . ..amostra de agregado representativa da amostra de campo. ou a mistura de ambas. . Deve-se observar aqui que o termo artificial indica o modo de obtenção e não se relaciona com o material em si. • artificiais → são obtidos pelo britamento de rochas: pedrisco. escória britada. seja na fonte de produção. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. coletada nas condições prescritas na NBR NM 26:2001. a) Quanto à origem.. cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4. CLASSIFICAÇÃO DOS AGREGADOS Os agregados podem ser classificados quanto: • à origem.Amostra parcial – parcela de agregado retirada. de uma só vez.8 mm (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm. Amostra de campo . Amostra de ensaio . de determinado local do lote.8 mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0. a Norma Brasileira NBR 7211 define agregado da seguinte forma: • Agregado miúdo → Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. cascalhos. pedra britada. ______________________________________________________________________________ 6 Concretos e Argamassas Prof.075 mm. • à massa unitária. pedregulhos. destinada à execução de ensaio em laboratório. b) Quanto à dimensão de suas partículas.porção representativa de um lote de agregado.

> 3.3 0. ou seja: ______________________________________________________________________________ 7 Concretos e Argamassas Prof.0 ≤ M.0 t/m3) 1.45 1.4 1. Referindo-se ao tamanho do agregado.0 a 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.E. médios e pesados podem ser caracterizados. médios e pesados.6 1.0 t/m3 Características das rochas de origem: a) Atividade – o agregado pela própria definição.3 Escória granulada 1. < 2. c) Quanto à massa unitária pode-se classificar os agregados em leves. ≤ 3.0 t/m3) 2. por suas massas específicas (densidade): Leves: M.8 Calcário Arenito Cascalho Granito Areia seca ao ar Basalto Escória Médios (1.5 1. a designação dimensão máxima indica a abertura de malha (em milímetros) da peneira da série normal à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou inferior a 5%. Veja a tabela abaixo: Massas unitárias médias Leves (menor que 1. Veja na frente mais detalhadamente.0 t/m3 Pesados: M. deve ser um elemento inerte.0 Os agregados leves.2 3.E.edu.5 1. ou a mistura de ambos. também.5 1.9 3.• Agregado graúdo → o agregado graúdo é o pedregulho natural.8 mm. cujos grãos passam pela peneira ABNT 152 mm e ficam retidos na peneira ABNT 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0 t/m3 Médios: 2.0 t/m3) Vermiculita Argila expandida 0.7 Barita Hematita Magnetita Pesados (acima de 2. ou a pedra britada proveniente do britamento de rochas estáveis.E.

• • • não deve conter constituintes que reajam com o cimento “fresco” ou endurecido. assim como a escória de alto forno resfriada ao ar. não deve conter incompatibilidade térmica entre seus grãos e a pasta endurecida. As rochas sedimentares apresentam resistência um pouco abaixo das ígneas. Quem confere esta propriedade aos concretos é o agregado. portanto. ______________________________________________________________________________ 8 Concretos e Argamassas Prof. apresentam resistências médias à compressão da seguinte ordem : Rochas Granito ( Serra da Cantareira. estocagem).edu. dá-se o nome de abrasão. não deve sofrer variações de volume com a umidade. b) Resistência Mecânica • à compressão : a resistência varia conforme o esforço de compressão se exerça paralela ou perpendicularmente ao veio da pedra. Ao desgaste superficial dos grãos de agregado quando sofrem “atrição”. SP ) Granito ( RJ ) Basalto Resistência à Compressão 154 MPa 120 MPa 150 MPa Sob o aspecto de resistência à compressão. A resistência à abrasão mede. O ensaio se faz em corposde-prova cúbicos de 4 cm de lado. basculamento. • ao desgaste : a pasta de cimento e água não resiste ao desgaste . As rochas ígneas. pois tem resistência muito superior às máximas dos concretos. estes materiais não apresentam qualquer restrição ao seu emprego no preparo de concreto normal. a capacidade que tem o agregado de não se alterar quando manuseado (carregamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

em vertedouros de barragens e em pistas rodoviárias.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . c) Durabilidade O agregado deve apresentar uma boa resistência ao ataque de elementos agressivos. dentro do qual a amostra de agregado é colocada juntamente com esferas de ferro fundido. Retirada do cilindro. de um cilindro oco. pois o concreto sofre grande atrição. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sofrendo o agregado atrição e também um certo choque causado pelas esferas de ferro. Principais propriedades físicas dos agregados • • • • • • Massa específica Massa unitária Índice de vazios Compacidade Finura Área específica ______________________________________________________________________________ 9 Concretos e Argamassas Prof. O ensaio consiste em submeter o agregado à ação de uma solução de sulfato de sódio ou magnésio.7mm. determinando-se a perda de peso após 5 ciclos de imersão por 20 horas. O cilindro é girado durante um tempo determinado. seguidas de 4 horas de secagem em estufa a 105°C. que consta. o peso do material que passa. A NBR 6465 trata do ensaio à abrasão. é a “Abrasão Los Angeles”. É de 15% a perda máxima admissível para agregados miúdos e de 18% para agregados graúdos. a resistência à abrasão é característica muito importante. em essência.Em algumas aplicações do concreto. dando as características da máquina e das cargas de agregado e esferas de ferro. de eixo horizontal. a amostra é peneirada na peneira de 1. expresso em porcentagem do peso inicial. A resistência à abrasão é medida na máquina “Los Angeles”. como por exemplo em pistas de aeroportos.edu. quando for usada uma solução de sulfato de magnésio.

considerando-se o cimento como unidade de medida): Cimento: 1 kg Areia: 2. M.7 kg Conhecendo-se as massas específicas desses materiais: Cimento: 3. incluindo os poros internos das partículas.8 kg Água: 0.62 kg/dm3= 1. portanto somente é necessário a determinação da massa específica do agregado. assim. Para muitas rochas comumente utilizadas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o valor absoluto de areia.7 kg / 1 kg/dm3 = 0.62 kg/dm3 Pedregulho: 2.7 dm3 = 0. A água subirá no gargalo do frasco até uma certa marca (L). teremos a massa específica real ou peso específico real.8 kg / 2.90 l de concreto. introduz-se cuidadosamente o material. obtém-se 3.10 kg/dm3 Areia: 2.07 dm3 = 1.90 =256 kg de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Massa Específica (kg/m3) Granito Arenito Calcário 2690 2650 2600 Da amostra representativa.7 litros Se com 1 kg de cimento.E = ρ = Para que serve a massa específica? 500 kg / l L − 200 Seja o traço em peso de um concreto.8 kg Pedregulho: 4. obtendo-se.81 litros Água: 0. é importante conhecer o volume ocupado pelas partículas do agregado.07 litros Pedregulho: 4.65 kg/dm3 = 1. A massa específica é definida como a massa do material por unidade de volume. colhida de acordo com a NBR 7216.81 dm3 = 1.edu. coloca-se água no interior do frasco até sua marca padrão de 200 ml.32 dm3 = 0.8 kg / 2.Massa Específica! O que é isto? Para efeito de dosagem do concreto.32 litros Areia: 2.10 = 0. a massa específica varia entre 2600 e 2700 kg/m3.65 kg/dm3 Água: 1 kg/dm3 Temos os volumes de “cheios” deste material: Cimento: 1 / 3. faz-se essa leitura e do valor obtido diminuem-se os 200 ml. incluindo os poros existentes dentro das partículas. para materiais secos (traço de um concreto define a proporção unitária entre seus materiais constituintes. dividindo-se o peso dos 500g de areia pelo volume achado. pesam-se 500g de areia seca. empregando-se as proporções de areia e pedregulho especificadas anteriormente. para 1 m3 de concreto (1000l) serão precisos: 1 x 1000/3. ______________________________________________________________________________ 10 Concretos e Argamassas Prof.

8 kg Pedregulho: 4. de transformar um traço em massa para volume e vice-versa.00 : 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados em concreto normal varia de 1300 a 1750 kg/m3. o material deverá ser lançado de uma altura que não exceda a 10 cm da boca. os resultados encontrados por 0. A importância de se conhecer a massa unitária aparente vem da necessidade.33 dm3 Traço transformado para volume: 1.4 kg/dm3 Pedregulho: 1.90: Cimento: 0.90 dm3 / 0.00 dm3 / 0. é obtida pelo quociente: M.Massa Unitária! O que é isto? Segundo a NBR 7810 a massa unitária é a massa da unidade de “volume aparente” do agregado.22 dm3 Pedregulho: 3.4 kg/dm3= 2. A massa unitária. Definindo massa unitária de outra maneira.6 kg/dm3 Temos o traço em volume correspondente: Cimento: 1 kg /1.8 kg Conhecendo-se as massas unitárias ou aparentes para: Cimento: 1.8 kg / 1. ou também.8 kg / 1. na dosagem de concretos.33 ______________________________________________________________________________ 11 Concretos e Argamassas Prof.90 = 2. isto é.90 dm3 Areia: 2. incluindo na medida deste volume os vazios entre os grãos. a superfície é regularizada de modo a compensar as saliências e reentrâncias das pedras. dividiremos. poderíamos dizer que massa unitária é definida como a massa das partículas do agregado que ocupam uma unidade de volume. de tal forma que não exista espaços vazios. expressa em kg/dm3.1 kg/dm3 Areia: 1.00 dm3 / 0. neste caso.1 kg/dm3 = 0. Após cheio.00 dm3 Areia: 2. a superfície do agregado é rasada e nivelada com uma régua.00 dm3 Como em todo traço unitário de concreto o cimento é sempre a unidade de medida.00 dm3 Pedregulho: 4. O termo massa unitária é assim relativo ao volume ocupado por ambos: agregados e vazios. com forma de paralelepípedo.edu. tal fenômeno surge porque não é possível empacotar as partículas dos agregados juntas.90 = 1. No caso do agregado graúdo.22 : 3.90 = 3. Sua determinação deverá ser feita em recipiente.6 kg/dm3 = 3.U = Massa do recipiente cheio − tara Capacidade do recipiente Para que serve a massa unitária? Seja o traço em massa de concreto com materiais secos: Cimento: 1 kg Areia: 2. para cálculos de consumo de materiais a serem empregados no concreto. de volume nunca inferior a 15 litros. Quanto ao enchimento do recipiente.

entretanto. por isso podemos dizer que os totais de espaços vazios nos agregados miúdos e graúdos independem do tamanho máximo dos grãos. c= Vg Va ______________________________________________________________________________ 12 Concretos e Argamassas Prof. Compacidade (c): é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o volume total do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. i= Agregado Miúdo V v V g Agregado Graúdo No caso dos agregados miúdos o espaço intergranular é menor que nos agregados graúdos. A mistura de agregados miúdos e graúdos. apresentará. um menor volume de vazios. porém a quantidade destes espaços vazios é bastante superior.Índice de Vazios: é a relação entre o volume total de vazios e o volume total de grãos.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sempre.

a areia entra na dosagem dos inertes do concreto betuminoso e tem a importante propriedade de impedir o amolecimento do concreto betuminoso dos pavimentos de ruas nos dias de intenso calor). Área específica: é a soma das áreas das superfícies de todos os grãos contidos na unidade de massa do agregado. A areia pode originar-se de rios. constitui o material de correção do solo (sub-base). para a mesma granulometria. A forma dos grãos de brita é irregular e sua superfície extremamente rugosa. areia é o agregado miúdo. em geral. Agregados Naturais: Areia natural: considerada como material de construção. dizse que ele tem maior finura. ______________________________________________________________________________ 13 Concretos e Argamassas Prof. o grão real tem. os agregados com grãos mais regulares têm menor superfície específica. devido a sua grande permeabilidade.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. destinados a interceptar o fluxo de água de infiltração em barragens de terra e em muros de arrimo. As areias das praias não são usadas. O mesmo ocorre com as areias de dunas próximas do litoral. Utilizações da areia natural: • Preparo de argamassas. para o preparo de concreto por causa de sua grande finura e teor de cloreto de sódio.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Admite-se para área da superfície de um grão. • Concreto betuminoso juntamente com fíler. de cavas (depósitos aluvionares em fundos de vales cobertos por capa de solo) ou de praias e dunas. • Concreto de cimento • Pavimentos rodoviários • Filtros constitui o agregado miúdo dos concretos). contudo. a área da superfície de uma esfera de igual diâmetro. a areia é utilizada para a construção de filtros.Finura: quando um agregado tem seus grãos de menor diâmetro que um outro. superfície de área maior que a esfera.

15 /4. quer dizer. ______________________________________________________________________________ 14 Concretos e Argamassas Prof. Classificação do autor Falcão Bauer em seu livro “Materiais de construção” Denominação Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 Diâmetro (mm) 1. Fíler: agregado de graduação 0.20. O cascalho também pode ser de origem litorânea marítima.edu. na proporção 1 para mais ou menos 1.5 4. formado de grãos de diâmetro em geral superior a 5 mm. Sua graduação é 0.075 mm). lavado antes de ser fornecido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O pedregulho deve ser limpo. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. já que o ideal é que os miúdos ocupem os vãos entre os graúdos. Seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento e passam na peneira 200 (0.005/0. inconsolidado. Deve ser de granulação diversa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 a 19 19 a 38 25 a 50 50 a 76 Areia de brita ou areia artificial: agregado obtido dos finos resultantes da produção da brita.15 mm.2 a 9. Agregados Artificiais Pedra britada: agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em jazidas. podendo os grãos maiores alcançar diâmetros até superiores a cerca de 100 mm.Seixo rolado ou cascalho: também denominado pedregulho. é um sedimento fluvial de rocha ígnea. É chamado de pó de pedra. O concreto executado com pedregulho é menos resistente ao desgaste e à tração do que aquele fabricado com brita.8mm. pelo processo industrial da cominuição (fragmentação) controlada da rocha maciça. dos quais se retira a fração inferior a 0.075mm.

apesar de ter ele distribuição granulométrica não coincidente com a do agregado miúdo padronizado para concreto (areia). É também usado o pó de pedra. Será secundária quando deixar o britador secundário. dependendo da regulagem e tipo de britador. vão abastecer o britador primário. como espessante de asfaltos fluidos. que padroniza a pedra britada nas dimensões hoje consagradas pelo uso.O fíler é utilizado nos seguintes serviços: • • • • na preparação de concretos. de dimensões entre 76 e 250 mm. trata de agregado para concreto. emprega-se o agregado em extensa gama de situações: • concreto de cimento: o preparo de concreto é o principal campo de consumo da pedra britada. São empregados principalmente o pedrisco. ______________________________________________________________________________ 15 Concretos e Argamassas Prof.edu. e apesar de as curvas granulométricas médias dos agregados comerciais não coincidirem totalmente com as curvas médias das faixas da Norma. na preparação da argamassa betuminosa. Pode conter uma parcela de solo. Blocos: fragmentos de rocha de dimensões acima do metro. Rachão: agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. para preencher vazios. A NBR 7211. com graduação aproximada de 0/76mm. a pedra 1 e a pedra 2. A tecnologia do concreto evoluiu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que. de modo que o pó de pedra é usado em grande escala. Bica-corrida: material britado no estado em que se encontra à saída do britador. Não obstante isso. Pode ser classificada em primária ou secundária. depois de devidamente reduzidos em tamanho. com graduação aproximada de 0/300mm.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de grãos em geral friáveis (que se partem com facilidade). Será primária quando deixar o britador primário. É a fração acima de 76 mm da bica corrida primária. na adição a cimentos. Restolho: material granular. A NBR 9935 define rachão como “pedra de mão”.

Agregados Industrializados 1) Agregados Leves a) Argila expandida: a argila é um material muito fino. areias.edu. misturando-se diversos agregados comerciais. Pavimentos rodoviários: para este emprego. alto índice de suporte do que quando se usam solos argilosos. • • Argamassas: em certas argamassas de enchimento. O principal uso que se faz da argila expandida é como agregado leve para concreto. Para se prestar para a produção de argila expendida. de silicato de alumínio e óxidos de silício. obtendo-se mais facilmente. seja concreto estrutural ou pré-moldados – com resistência de até fck 30MPa. O concreto de argila expandida. seja concreto de enchimento. pedras 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• Concreto asfáltico: o agregado para concreto asfáltico é necessariamente prédosado. magnésio e outros elementos. a NBR 7174 fixa três graduações para o esqueleto e uma para o material de enchimento das bases de macadame hidráulico. 2 e 3. São usados: fíler. Nem todas as argilas possuem essa propriedade. de apresentar formação de gases quando aquecida a altas temperaturas (acima de 1000oC). precisa ser dotada da propriedade de piroexpansão. em proporções muito variáveis. formada. constituído de grãos lamelares de dimensões inferiores a dois micrômetros. Isto se deve ao ter ele de satisfazer peculiar forma de distribuição granulométrica. além da baixa ______________________________________________________________________________ 16 Concretos e Argamassas Prof. isto é. • • • Lastro de estradas de ferro: este lastro está padronizado pela NBR 5564. Aterros: podem ser feitos com restolho.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de traço mais apurado. ferro. e consta praticamente de pedra 3. podem ser usados a areia de brita e o pó de pedra. graduações estas que diferem das pedras britadas. Correção de solos: usa-se o pó de pedra para correção de solos de plasticidade alta.

no que são auxiliados pela baixa densidade do material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. após receber um jato de vapor. a escória é resfriada com jatos de água fria.8. contra 26 do concreto de brita de granito ou de basalto.0 a 1. uma vez britada.edu. silício e alumínio. a escória expandida.8mm. então. O grau de absorção cresce com o aumento da densidade do concreto ______________________________________________________________________________ 17 Concretos e Argamassas Prof.densidade de 1. A escória simplesmente resfriada ao ar. que pode variar de 6 a 15 kN/m3.5/32 mm. e também em concreto estrutural. A vermiculita expandida tem os mesmos empregos da argila expandida. Blocos e painéis pré-moldados usando argila expandida prestam-se bem a ser usados como isolantes térmicos ou acústicos. ao sair do alto forno (escória bruta). resulta a escória granulada. A escória granulada é usada na fabricação do cimento Portland de alto-forno. com resistência a 28 dias da ordem de 8-20 MPa e densidade da ordem de 1. apresenta muito baixa condutividade térmica – cerca de 1/15 da do concreto de britas de granito. c) Vermiculita: é um dos muitos minérios da argila. b) Escória de alto-forno: é um resíduo resultante da produção de ferro gusa em altos-fornos. constituído basicamente de compostos oxigenados de ferro. 2) Agregados Pesados a) Hematita: a hematita britada constitui os agregados miúdo e graúdo que são usados no preparo do concreto de alta densidade (dito “concreto pesado”) destinado à absorção de radiações em usinas nucleares (escudos biológicos ou blindagens).4. aproximadamente. que permite obter um agregado miúdo de graduação 0/4. Quando é imediatamente resfriada em água fria. de que resulta um agregado da ordem de 12. produzindo-se.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Usa-se a escória expandida como agregado graúdo e miúdo no preparo de concreto leve em peças isolantes térmicas e acústicas. Normalmente. pode produzir um agregado graúdo.

a massa total em faixas de tamanhos de grãos e exprime-se a massa retida de cada faixa em porcentagem da massa total. a) Peneiras (Série Normal e Série Intermediária): conjunto de peneiras sucessivas. Para conseguir isto. Exigências normativas da NBR 7211 1) Granulometria: define a proporção relativa. com as seguintes aberturas discriminadas: ______________________________________________________________________________ 18 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . expressa em porcentagem. que atendem a NBR 5734. dos diferentes tamanhos de grãos que se encontram constituindo um todo. a barita também é usada no preparo de concretos densos. A granulometria dos agregados é característica essencial para estudo das dosagens do concreto. por peneiramento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. expressas em função da massa total do agregado. Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo material retido por peneira e acumulado.a) Barita: pela sua alta densidade.edu. Para caracterizar um agregado é. necessário conhecer quais são as parcelas constituídas de grãos de cada diâmetro. então. divide-se.

8 mm 2.PENEIRAS Série Normal 76 mm 38 mm 19 mm 9.15 mm Zona 1 (muito fina) 0 0a3 0a5 0a5 0 a 10 0 a 20 50 a 85 85 a 100 Zona 2 (fina) 0 0a7 0 a 10 0 a 15 0 a 25 21 a 40 60 a 88 90 a 100 Zona 3 (média) 0 0a7 0 a 11 0 a 25 10 a 45 41 a 65 70 a 92 90 a 100 Zona 4 (grossa) 0 0a7 0 a 12 5 a 40 30 a 70 26 a 85 80 a 95 90 a 100 * Pode haver uma tolerância de até um máximo de cinco unidades de porcento em um só dos limites marcados com o (*) ou distribuídos em vários deles.150 Série Intermediária 64 mm 50 mm 32 mm 25 mm 12.4 mm 1.3 mm 4.6 mm 0.edu.5 mm 6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .600 0. ______________________________________________________________________________ 19 Concretos e Argamassas Prof.8 mm 2.2 mm 0.4 mm 1.300 0. retida acumulada na peneira ABNT Peneira ABNT 9.5 4.2 0.3 mm 0.5 mm 6.3 - b) Limites granulométricos do agregado miúdo Porcentagem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em massa.

5 9.8 2.2 0.5 6.15 Fundo MATERIAL RETIDO (g) 30 70 140 320 300 120 20 Σ = 1000g % SIMPLES % ACUMULADO ______________________________________________________________________________ 20 Concretos e Argamassas Prof.3 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.10 80 – 100 92 – 100 95 – 100 - 2 0 0 – 25 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - 3 0 0 – 30 75 – 100 87 – 100 95 – 100 - 4 0 0 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 2. dividida por 100.4 0 0 – 10 80 – 100 95 – 100 Classificação (Graduação) 1 0 0 .4 1.6 0.edu. Exemplo: PENEIRAS (mm) 4.3 4. nas peneiras da série normal.30 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - d) Módulo de finura (Mf): é a soma das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado.c) Limites granulométricos do agregado graúdo A NBR 7211 classifica os agregados graúdos segundo a tabela abaixo: Porcentagens retidas acumuladas Peneiras 0 76 63 50 38 32 25 19 12.

12 < MF < 2.5mm Brita 2→ (Dm) = 25mm Brita 3→ (Dm) = 38mm Brita 4→ (Dm) = 76mm Brita 5→ (Dm) = 100mm Na tabela acima. conforme sejam as relações entre as três dimensões. em mm. à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. lamelares e discóides. os agregados classificam-se em alongados. Atenção! Os módulos de finura para a areia. a) Quanto às dimensões: Com relação ao comprimento (l). da peneira listada na tabela 6. As britas podem ser classificadas em: Brita 1→ (Dm) = 12. cúbicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o diâmetro máximo do agregado é 4. correspondente à abertura de malha quadrada. variam entre os seguintes limites: Muito fina: MF < 1.71 Grossa: MF > 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . largura (l) e espessura (e).72 < MF < 2.8 mm. pois é na peneira 4. que definem o coeficiente de forma.8 mm que o percentual retido acumulado é igual ou imediatamente inferior a 5%.edu. 2) Forma dos grãos: os grãos dos agregados não tem forma geometricamente definida. ______________________________________________________________________________ 21 Concretos e Argamassas Prof. por isso para o cálculo do módulo de finura somou-se todos os percentuais retidos acumulados.71 Fina: 1.71 e) Dimensão Máxima (Dm) : grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado. Na tabela anterior todas as peneiras são da série normal.11 Média: 2.Obs.

enquanto aquelas cujo comprimento é consideravelmente maior do que as outras duas dimensões são chamadas de alongadas. e também nos depósitos eólicos em zonas marítimas. se preparadas com areia artificial. b) Quanto à conformação da superfície: Partículas formadas por desgaste superficial contínuo tendem a ser arredondadas.Calcários estratificados. arenitos e folhelho tendem a produzir fragmentos alongados e achatados. constituindo o que se chama de argamassas duras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. A forma dos grãos tem efeito importante no que se refere à compacidade. pela perda de vértices e arestas. Agregados de rochas britadas possuem vértices e arestas bem definidos e são chamados angulosos. • • angulosos: quando apresentam arestas vivas e pontas (britas). defeituoso: quando apresentam trechos convexos. ficam tão rijas que não se podem espalhar com a colher. c) Quanto à forma das faces: • • conchoidal: quando tem uma ou mais faces côncavas. ______________________________________________________________________________ 22 Concretos e Argamassas Prof. tendo geralmente uma forma bem arredondada. especialmente quando são usados britadores de mandíbula no beneficiamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . à trabalhabilidade e ao ângulo de atrito interno. Argamassas de revestimento. como é o caso das areias e seixos rolados formados nos leitos dos rios. arredondados: quando não apresentam arestas vivas (seixos). A influência da forma é mais acentuada nos agregados miúdos. Aquelas partículas cuja espessura é relativamente pequena em relação as outras duas dimensões são chamadas de lamelares ou achatadas. por exemplo.

Os agregados naturais tem grãos cubóides. além disso. Apesar disso. de superfície arredondada e lisa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O granito produz grãos de melhor forma que o basalto. devido a maior aderência dos grãos à argamassa. 3) Substâncias nocivas: são aquelas existentes nas areias ou britas que podem afetar alguma propriedade desejável no concreto fabricado com tal agregado. Nos agregados artificiais. O cascalho apresenta 92.edu. a) Torrões de Argila São denominadas todas as partículas de agregado desagregáveis sob pressão dos dedos (torrões friáveis). que produz apreciável quantidade de grãos lamelares. concretos de agregados de britagem têm maiores resistências ao desgaste e à tração. Concretos preparados com agregados de britagem exigem 20% mais água de amassamento do que os preparados com agregados naturais. Apresentam. contra as superfícies angulosas e extremamente irregulares dos grãos dos agregados industrializados. Torrões de Argila Afeta trabalhabilidade Resistência Abrasão ______________________________________________________________________________ 23 Concretos e Argamassas Prof. contra 70 a 90% na brita de basalto.5 % . Tornam as argamassas mais trabalháveis que os artificiais. sob a forma de torrões é bastante nociva.28% de grãos cúbicos. maior resistência à desgraduação (alteração da distribuição granulométrica por quebra de grãos). sendo os grãos lamelares os mais prejudiciais. a forma dos grãos depende da natureza da rocha e do tipo de britador. para a resistência de concreto e argamassas e o seu teor é limitado a 1. A presença de areias ou argila.

A argila da areia pode ser eliminada por lavagem. propiciam maiores alterações de volume nos concretos. São partículas minúsculas. Ensaio colorímetrico Indica a existência ou não de impurezas orgânicas.075 mm.edu. quando presentes em grandes quantidades. de um modo geral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . constituído de silte e argila. intensificando sua retração e reduzindo sua resistência. porém poderá arrastar os grãos mais finos da areia. São detritos de origem vegetal na maior parte. e portanto passando na peneira de 0. reduzindo a trabalhabilidade • • 3% para concreto submetido a desgaste superficial 5% outros concretos Material passante na peneira de 75 µm Afeta durabilidade c) Impurezas Orgânicas Aumenta consumo de água A matéria orgânica é a impureza mais freqüente nas areias. Os finos de certas argilas. mas em grande quantidade chegam a escurecer a argila. A cor escura da areia é indício de matéria orgânica (exceto para agregado resultante de rocha escura como o basalto) as impurezas orgânicas formadas por húmus exercem uma ação prejudicial sobre a pega e o endurecimento das argamassas e concretos. ______________________________________________________________________________ 24 Concretos e Argamassas Prof. Os finos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. aumentam a exigência de água para uma mesma consistência.b) Material Pulverulento As areias contém uma pequena percentagem de material fino.

diminuindo a resistência do concreto.d) Materiais carbonosos Partículas de carvão. Dão origem e expansão no concreto pela formação de etringita (formação mineral. Diminuem também a resistência à abrasão. Carvão Afeta trabalhabilidade e) Cloretos Causa manchas Em presença excessiva podem causar certos problemas.5 % para concretos onde a aparência é importante e 1% para os demais concretos. linhito. São considerados prejudiciais pois são materiais de baixa resistência. • Nas argamassas geram o aparecimento de eflorescências e manchas de umidade. Cuidado com alguns aditivos aceleradores de pega que contém cloretos (não usar em concreto protendido).edu. Máximo de 0. madeira. f) Sulfatos Podem acelerar e em certos casos retardar a pega do cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • No concreto aceleram o processo de corrosão do aço. que por sua constituição e forma podem ser prejudicial ao concreto) ______________________________________________________________________________ 25 Concretos e Argamassas Prof.

o teor máximo de álcalis para os cimentos é determinado em 0. com conseqüente aumento da permeabilidade e diminuição da resistência química do concreto a agentes externos. Seus produtos são géis alcalinos e materiais cristalinos expansivos que. ______________________________________________________________________________ 26 Concretos e Argamassas Prof. eventualmente. Experimentalmente. desenvolvendo-se em fissuras e vazios da argamassa e. ocorrem preferencialmente em concretos de barragens ou em estruturas de fundações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Por serem processos químicos favorecidos pela variação de umidade. A caracterização das reações álcali-agregado através de seus produtos permite avaliar o grau de comprometimento da estrutura e balizar eventuais ações para minimização dos danos decorrentes.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dos agregados. promovem a abertura e propagação das descontinuidades.g) Reatividade Álcali-Agregado (ou Reatividade Potencial) As reações álcali-agregado são processos químicos que envolvem os álcalis do cimento e agregados cujas características minerais ou texturais os tornam reativos.6% quando os agregados utilizados para produção de concretos contiverem tais minerais.

CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS Seco em estufa aquecimento a 100oC toda umidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . externa ou interna foi eliminada por um Seco ao ar quando não apresenta umidade superficial.Umidade e Inchamento dos agregados È importante conhecer o teor de umidade dos agregados (principalmente os miúdos). ______________________________________________________________________________ 27 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sem estar saturado Seco superfície seca.edu. Ensaios mostram que a água livre aderente aos grãos provoca um afastamento entre eles. INCHAMENTO A areia na obra apresenta-se normalmente úmida e o teor de umidade varia normalmente de 4 a 6%. Saturado apresenta água livre na superfície. sem água livre. Deste afastamento resulta o inchamento. estando porém preenchidos os vazios permeáveis das partículas dos agregados. devido ao fenômeno do inchamento. tendo porém umidade interna. Teor de umidade (%) razão entre a massa de água contida numa amostra e a massa desta amostra seca.

É maior para areias mais finas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. após ______________________________________________________________________________ 28 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo que nesta faixa se dá o inchamento máximo estes teores o inchamento decresce.edu. O inchamento aumenta com o acréscimo de umidade até um teor de 4 a 6%.O inchamento depende da composição granulométrica e do grau de umidade.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Algumas fórmulas para o cálculo de umidade e inchamento nos agregados miúdos: h% = Págua Pareia seca × 100 Págua = Pah − Pas Ch h = 100 Vah − Vas Vas Vah − Vas × 100 Vas h ⎞ ⎛ Pah = Pas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ Ci = I ⎞ ⎛ Vah = Vas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ I% = Ci = d as (1 + C h ) − 1 d ah Vah = Pah d ah Vas = Pas d as h% = percentual de umidade I% = percentual de inchamento Vah= volume de areia úmida Vas = volume de areia seca Pah = peso de areia úmida Pas = peso de areia seca das = massa unitária da areia seca dah = massa unitária da areia úmida Ci = coeficiente de inchamento Ch = coeficiente de umidade ______________________________________________________________________________ 29 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Função • • Aglutinação e colagem dos componentes e elementos Preenchimento de vazios existentes no conjunto aglomerante pasta argamassa + + + água agregado miúdo agregado graúdo PASTA ARGAMASSA CONCRETO _________________________________________________________________________ 30 Concretos e Argamassas Prof.edu. gesso. Caracterização envolvem outros materiais sólidos. na confecção de argamassas ou concretos utilizados na construção civil. tomando as mais diversas formas e resistências simples secagem e/ou conseqüência de reações químicas Endurecimento aderindo à superfície a quais estão em contato. Ex: cimento (vários tipos). aglutina-os. cal hidráulica Materiais naturais ou artificiais que em estado plástico ou fluído. • Apresentam-se na forma pulverulenta (mais comum) e quando misturados com água tem a capacidade de aglutinar. cal aérea. inertes e que ao endurecerem (física ou quimicamente).AGLOMERANTES CONSIDERAÇÕES INICIAIS São produtos utilizados na Construção Civil para fixar ou aglomerar materiais entre si. São utilizados como pastas ou como agregados inertes.

etc. para aumentar sua resistência mecânica. por exemplo. A descoberta dos aglomerantes quimicamente ativos pode ter sido acidental. _________________________________________________________________________ 31 Concretos e Argamassas Prof. foi encontrado em algumas edificações egípcias. chegando a atingir alguma resistência mecânica. causar o menor impacto ambiental possível. em seguida. para se utilizar um aglomerante comercialmente. filler calcário. escórias de alto forno. a cal foi empregada em construções egípcias. havendo registros de sua utilização em 2700 a. por aquecimento de rochas calcárias ou gipsíferas ao redor de fogueiras. Contudo. pozolonas. devemos levar em conta alguns aspectos quando da produção do mesmo: ASPECTO TÉCNICO pureza as MPs deve ser abundante na natureza e apresentar certa ASPECTO ECONÔMICO aproveitamento apresentar boas condições econômicas o seu ASPECTO AMBIENTAL adição ao concreto metacaulim. cinza de casca de arroz. Registros históricos indicam que a argila tenha sido o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem na construção de suas edificações. a hidratação do material calcinado resultaria uma pasta aglomerante. cinzas volantes. gregas. As pozolanas (solos ou cinzas vulcânicas) eram usadas por gregos e romanos em argamassas de cal e areia.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . depois de endurecida. Apesar de ser quimicamente inativa. na pirâmide de Quéops. em contato com umidade. cinza de bagaço de cana. etruscas e romanas.Consideração inicial sobre as matérias-primas Pelo grande volume normalmente envolvido quando se fala de aglomerantes na construção civil. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. seja na produção de cimentos. Por isto é muito comum hoje em dia o uso de adições. O gesso. a argila endurece em conseqüência da evaporação da água de amassamento.edu.C. ou na argila calcinadas. dolomitos. a argila torna-se instável.

O fim da pega ocorre quando a pasta se solidifica completamente. • cales. gesso Aéreos endurecimento se manifeste • Hidráulicos do ar o endurecimento pode se efetivar.edu.: Para o cimento Portland. Daí uma nova divisão pode ser feita: • necessitam estar em contato com o AR para que o processo de cales aéreas. Quimicamente inertes baixas resistência mecânicas. não significando que ela tenha adquirido toda sua resistência. Ex. A pega se dá quando a pasta começa a perder sua plasticidade. inicia-se a fase de endurecimento. altas resistências físico-mecânicas e estáveis. O fim da pega pode acontecer entre 6 a 10 horas após a mistura. a) Início e fim da pega: o tempo de início de pega é contado a partir do lançamento da água no aglomerante.DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO Uma divisão inicial pode ser feita: • misturas argilosas endurecimento ao ambiente. gesso e cimentos endurecimento Quimicamente ativos decorrente de reação química. independente da presença cales hidráulicas e cimentos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas seu endurecimento continua obedecendo mais ou menos às seguintes relações: _______________________________________________________________________________ 32 Concretos e Argamassas Prof. o que será conseguido somente após anos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O interesse se fixa nos aglomerantes quimicamente ativos. que é o aglomerante mais importante. o início da pega dá-se após no mínimo 1 hora depois da mistura do mesmo com a água. Após o fim da pega. reversibilidade do processo.

60% Resistência 28 dias 120% Resistência 28 dias. indicam 6% . Sua desidratação é feita através do cozimento industrial (fornos). o anidrito sulfúrico (SO3) e o anidrido carbônico (CO2) . a cal (CaO). – início de pega após 6 horas. hidratado com 2 moléculas de água. A Gipsita é o sulfato de cálcio mais ou menos impuro.• • • • Resistência 3 dias ≈ Resistência 7 dias ≈ Resistência 91 dias ≈ Resistência 1 ano ≈ 40% Resistência 28 dias. – início de pega após 90 minutos. 130% Resistência 28 dias Classificação quanto ao início de pega dos Aglomerantes : • • • • • aglomerantes de pega ultra rápida aglomerantes de pega rápida aglomerantes de pega normal aglomerantes de pega lenta aglomerantes de pega muito lenta – início da pega até 8 minutos. Conhecido também com os nomes de gesso de estucador.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . – início de pega de 30 a 90 minutos. GESSO Definição É um aglomerante aéreo (endurece pela ação química do CO2 do ar). _______________________________________________________________________________ 33 Concretos e Argamassas Prof. No Brasil. obtido pela desidratação total ou parcial da Gipsita – aglomerante já utilizado pela humanidade há mais de 4. o óxido de ferro (Fe2O3). Sua fórmula química é CASO4 + 2 H2O e suas impurezas – que. no máximo. no Egito. cujas reservas são calculadas em 407 milhões de toneladas. – início de pega de 8 a 30 minutos.500 anos. o carbonato de cálcio (CaCO3).são o silício (SiO2).edu. gesso Paris ou gesso de pega rápida. a Gipsita é encontrada em jazidas no Norte e Nordeste. a alumina (Al2O3). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

a gipsita perde ¾ partes de sua água. d) Entre 900 e 1200ºC. rapidamente. gesso estuque ou gesso Paris e endurece entre 15 e 20 minutos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 2H2O + calor → (CaSO4 . (140ºC) CaSO4 . apresentando uma dilatação linear de 0. o gesso torna-se anidro (sem água) e o resultado é a formação de anidrita solúvel. passando de diidrato para hemidrato. _______________________________________________________________________________ 34 Concretos e Argamassas Prof. após seu endurecimento. portanto. na presença desta. realizadas com pressão atmosférica ordinária. que é mais solúvel que o diidrato (o hemidrato apresenta-se como sólido micro poroso mal cristalizado. transforma-se em hemidrato. conhecido como hemidrato (B). transformando-se num material inerte. e que. são queimadas na temperatura entre 130 e 160ºC. este retrai bem menos do que sua dilatação inicial. participando do conjunto como material de enchimento .3% e.5 H2O gesso hemidrato Esse gesso hemidrato é conhecido como gesso rápido (quanto à pega). depois da britagem e trituração. ávida por água. ½ H2O) + 1. formando um produto de pega lenta (pega entre 12 e 14 horas) chamado de gesso de pavimentação. sendo.edu. a anidrita torna-se insolúvel e não é mais capaz de fazer pega.EFEITOS DA QUEIMA a) As pedras de gipsita. 2H2O + calor → CaSO4 + 2H2O) anidro insolúvel c) Entre 400 e 600ºC. (600ºC) CaSO4 . b) A partir de 250ºC. Nessa temperatura. utilizado na construção civil) . gesso hidráulico . muito usado em moldagem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o gesso sofre a separação do SO3 e da CaO.

Tem sido usado desde o período Neolítico como material cimentante. Porém em contato com a água perde em muito sua resistência mecânica. fez com que a sua aplicação na construção civil tivesse um acelerado crescimento. tornou-se um ótimo material para arquitetura de interiores. Auxilia no equilíbrio da umidade do ar em ambientes fechados por ser material higroscópico. com a descoberta de um método para retardar o tempo de paga. tais como sancas. seja na construção. Tem estado presente na vida do homem desde a mais remota antiguidade. decoração. Em 1885. arcos. Nos Estados Unidos o uso na construção civil iniciou-se em 1835. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Há 5000 anos foi utilizado no interior de pirâmides egípcias aplicado em paredes. Durante a ocupação romana na Península Ibérica generalizou-se o seu uso. sendo mais recomendado para ambientes internos. Tudo isto porque tem uma grande adaptabilidade. etc. Neste período românico foi empregue em afrescos para decoração de igrejas e capelas. divisórias. colunas. forros.edu. _______________________________________________________________________________ 35 Concretos e Argamassas Prof. Sua plasticidade permite produzir formas e elementos diferenciados. No século XIX foi se incorporando à arquitetura e construção como reboco e elemento de decorativo em palácios e vivendas. paredes e suportes. Por sua facilidade de moldagem. É um material que tem bom isolamento térmico e acústico. alimentação ou até na medicina.HISTÓRICO DO GESSO O gesso faz parte de nossa vida cotidiana deste tempos imemoriais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Na arquitetura muçulmana antiga aparece em elementos ornamentais. facilidade de aplicação e algumas características que veremos adiante.

Algumas aplicações Alguns cuidados _______________________________________________________________________________ 36 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

os gessos nacionais têm início de pega entre 3 e 16 minutos e fim de pega entre 5 e 24 minutos. A quantidade d’água funciona negativamente no fenômeno de pega. na proporção de 0. Dureza As pastas de gesso têm dureza entre 14 MPa e 53 MPa. A quantidade ótima de água a ser utilizada no gesso é. pois formam membranas protetoras entre os grãos. o preparo da pasta fica condicionado a pequenos volumes.edu. Como aceleradores de pega. podem ser misturados ao gesso: açúcar / álcool / cola / serragem fina de madeira / sangue e outros produtos de matadouros (chifres e cascos). A presença de impurezas diminui muito a velocidade de pega. normalmente. _______________________________________________________________________________ 37 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. reduzindo a produtividade do gesseiro. A queda de produtividade é acompanhada do aumento de desperdício de material.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Mas existem aditivos que podem acelerar ou retardar essa pega do gesso. Tais produtos retardam a pega. mais lenta se dá a pega e o endurecimento. isolando-os.PROPRIEDADES DO GESSO Tempo de pega É uma das propriedades mais importante. em torno de 19% de massa do mesmo . Em geral. pois quanto mais água. Resistência à compressão As pastas de gesso têm resistência à compressão entre 10 MPa e 27 MPa.1% da massa de gesso. Se a pega for muito rápida. Como retardador de pega. podem-se utilizar no gesso: Sal de cozinha / alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio) / sulfatos de alumínio e potássio e o próprio gesso hidratado.

Em superfícies de madeira.edu. eliminando a água de cristalização com o calor. _______________________________________________________________________________ 38 Concretos e Argamassas Prof. que protege a camada interior de gesso. transformando-se em sulfato anidro. sua aderência é insatisfatória e apesar de aderir bem ao aço e outros metais. fácil de cortar. pedra e revestimentos argamassados. perfurar. Outras características Aceita qualquer tipo de pintura. estes acabam sendo corroídos pelo gesso.Isolamento térmico e acústico O gesso é um bom isolante térmico e acústico e tem elevada resistência ao fogo. pois absorve grande quantidade de calor.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . transformando a superfície do revestimento em sulfato anidro em forma de fino pó. Muito usado como proteção contra incêndio. emendar. tanto mais facilmente quanto maior for a quantidade de água da pasta. Em função da corrosão usar ferramentas de latão ou plástico para trabalhar com gesso. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Aderência As pastas de gesso aderem bem a blocos. aparafusar.

fabricação de vidro. obtendo-se assim uma pasta ligante que recebe adição de areia. de cor cinza devido às impurezas e com granulometria menor do que o gesso Escaiola ou Branco . pois “amolece”. os etruscos e. Gesso Branco : 66% de peso hemidratado. CAL AÉREA A cal é um aglomerante aéreo utilizado em diversos seguimentos como: construção civil. os gregos. mais tarde.edu. graxas. formando assim uma argamassa que era preparada pelo mesmo processo ainda hoje adotado e que consiste na extinção (adição de água) de pedras de calcário cozidas. Sabe-se que os antigos descobriram também que a mistura dessa cal aérea com pozolanas (naquela época.) _______________________________________________________________________________ 39 Concretos e Argamassas Prof. HISTÓRICO Comprovadamente. metalurgia. medicinais e veterinárias. siderurgia. pois para seu endurecimento necessita da reação química do CO2 (gas carbônico) existente na atmosfera. terras de origem vulcânica. os romanos. açúcar. de cor branca. misturando-a com areia. com finura adequada quando moído . Essa cal que é denominada de cal aérea. cinzas vulcânicas etc.Classificação comercial dos gessos Gesso Escaiola : gesso com 80% de peso hemidratado. não possui grande resistência mecânica e não pode ficar sujeita à ação da água. aplicações botânicas. já utilizavam a cal como alomerante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Gesso Negro : 55% de peso hemidratado. tratamento de água e efluentes industriais. tintas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de cor branca e também com finura adequada quando moído . papel e celulose.

sulfatos. silicatos argilosos. tendo assim recebido o nome de pozolana todos esses produtos naturais e artificiais que.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . misturados à cal aérea. mesmo quando submetidas à ação da água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Após a britagem e classificação da matéria-prima passa por uma moagem e é conduzida ao forno de calcinação. A pozolana mais conhecida àquela época provinha das vizinhanças da cidade de Pozzuoli. fosfatos. fluoretos e brucita. óxidos metálicos de ferro e manganês. _______________________________________________________________________________ 40 Concretos e Argamassas Prof. transformavam-na em uma espécie de cal hidráulica – que resiste à ação da água depois de endurecida. bem como tijolos e telhas de barro triturados. MgCO3). Os gregos empregavam muito as terras vulcânicas da ilha Santorim e os romanos utilizavam uma cinza vulcânica encontrada em diversos pontos da baía de Nápoles.melhoravam significativamente a resistência dessas argamassas . matéria orgânica. FABRICAÇÃO A cal é produzida a partir de rochas calcárias com elevados teores de carbonato de cálcio. como é o caso da calcita (CaCO3) e da dolomita (CaCO3 . Entre as impurezas encontradas nestas rochas encontram-se: quartzo. sulfetos.

Isto porque. deve passar por um processo de hidratação antes de ser utilizada como aglomerante. A carbonatação produz-se lentamente do exterior para o interior e o seu processamento é tanto mais lento quanto mais lisa for a superfície. pode ser expresso pela equação seguinte: Da hidratação da cal virgem. promove a formação de cristais de carbonato de cálcio (CaCO3) e o endurecimento da argamassa que acaba por ligar os agregados a ela incorporados. a cal virgem. na argamassa fresca. O processo de hidratação da cal virgem. dissolvendo ao mesmo tempo a cal e o CO2. _______________________________________________________________________________ 41 Concretos e Argamassas Prof. presente na atmosfera. Essa reação de carbonização só é possível em presença da água que.Na calcinação (cozimento) do calcário.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . decompondo o carbonato de cálcio (CaCO3) em óxidos de cálcio (cal virgem) e anidros carbônicos (CO2). as temperaturas chegam à 900ºC. também conhecido como extinção da cal. O CO2 vai transformando lentamente a superfície da argamassa formada por carbonato de cálcio e vai penetrando lentamente na massa que assim vai se consolidando. possibilita essa combinação. uma recombinação dos hidróxidos (Ca(OH)2) com o gás carbônico. funcionando a água como catalisador. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O produto resultante da calcinação. obtêm-se a cal hidratada (hidróxido de cálcio) que é utilizado como aglomerante em argamassas para assentamento de blocos ou revestimento de paredes.

edu. aumentando a porosidade e.A carbonatação é acompanhada de um aumento de volume. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. nem tampouco empregar argamassas com muita cal. Não se deve empregar cal aérea para execução de pedaços de alvenaria muito espessos. além de diminuir a retração que se processa com a perda d’água. conseqüentemente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Devido a isso (essa deformação). deve-se aplicar cal aérea com areia (argamassas) para atenuar esse aumento de volume. facilitando a penetração do CO2. CICLO DA CAL AÉREA Considerando o visto anteriormente podemos caracterizar o ciclo completo da cal. _______________________________________________________________________________ 42 Concretos e Argamassas Prof.

CLASSIFICAÇÃO Quanto à composição química a cal pode ser classificada como cálcica ou magnesiana. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.“Cal Hidratada para argamassas . Segundo a NBR 7175 . CAL CÁLCICA CAL MAGNESIANA : óxidos CaO > 75% : óxidos MgO > 20% Para qualquer caso a soma dos óxidos (CaO + MgO) deve ser maior que 88% da amostra.Especificação” as cales são classificadas como segue: _______________________________________________________________________________ 43 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.APLICAÇÕES Entre os diversos usos da cal podemos citar: • • • Estabilização de solos Obtenção do aço solo-cal fundente na siderurgia como clarificador Fabricação do açúcar _______________________________________________________________________________ 44 Concretos e Argamassas Prof.edu.

coberto e fora do alcance de crianças e animais. A cal hidratada. é um produto manufaturado. em forma de flocos de cor branca. sendo recomendável o seu uso até 6 meses após a data de fabricação. A embalagem original (sacos de papel de duas folhas de papel extensível) é suficiente para manter a integridade do produto. Algumas características das cales aéreas (extintas ou hidratadas) • • • • Endurece com o tempo (normalmente longo) . _______________________________________________________________________________ 45 Concretos e Argamassas Prof. Cor predominantemente branca . empregando-se misturadores de pás. cuja extinção (hidratação) é feita mecanicamente. onde consta o selo da ABPC (Associação Brasileira de Produtores de Cal) e a citação da Norma NBR 7175. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. foi desenvolvida pela indústria a fabricação de cal hidratada. desde que sejam respeitada as regras do armazenamento. ou 36 litros. Armazenar em local seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ela pode ser aplicada imediatamente e é acondicionada em sacos de papel duplo com 20 kg.edu. pela extinção . Resiste ao calor . Seu aumento de volume é de 2 a 3 vezes.• • • • • Obtenção do vidro Tratamento de água Obtenção do papel Pinturas caiação matéria – prima corretor da acidez como branquedor Componentes de argamassas maior interesse para construção CAL HIDRATADA Entre os diversos usos da cal podemos citar: Devido à dificuldade da extinção da cal virgem nos canteiros. apresentando-se como um produto seco. portanto.

Esta propriedade é. por sucção. impedindo a _______________________________________________________________________________ 46 Concretos e Argamassas Prof. É uma medida indireta da plasticidade da cal. PLASTICIDADE Propriedade que confere fluidez à argamassa. unindo os mesmos. ENDURECIMENTO O endurecimento decorre da recarbonatação da cal hidratada pela absorção do CO2 presente na atmosfera. o poder de incorporação de areia da cal hidratada é de 1 : 3 a 4 enquanto que. aumentando a produtividade do pedreiro.PROPRIEDADES DENSIDADE APARENTE A densidade aparente das cales varia de 0.3 a 0.5.edu. também. Espessuras de revestimento argamassado acima de 20 mm podem prejudicar o processo de recarbonatação da argamassa. facilitando seu espalhamento.65. Cales com alta plasticidade e alta retenção de água têm maior capacidade de incorporar areia. embora o inverso nem sempre seja verdadeiro. INCORPORAÇÃO DE AREIA Propriedade que expressa a facilidade da pasta de cal hidratada envolver e recobrir os grãos do agregado e. As cales magnesianas produzem argamassas mais plásticas que as cálcicas. RETENÇÃO DE ÁGUA A retenção de água é uma propriedade muito importante. que corresponde à massa aparente de 300 a 650 Kg/m3. para os blocos ou tijolos. conseqüentemente. Esta propriedade justifica o emprego das cales na produção de argamassas. uma vez que cales plásticas têm alta capacidade de retenção de água. Comparativamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. importante por prolongar o tempo no estado plástico da argamassa fresca. no cimento é de 1 : 2 a 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . evitando a perda excessiva da água de amassamento da argamassa.

quando de seu aparecimento no começo do século e.edu. para 28 dias de idade. o À compressão = 1 a 3 Mpa . • Resistências das argamassas : o À tração = 0. não eram apresentadas pelo cimento Portland. só mais tarde. conseqüentemente. com a ocorrência de falhas nestas construções. torna-se de grande importância quando aplicada em paredes ou lajes muito solicitadas. Isto levou.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES Esta propriedade é conferida à argamassa pela cal hidratada e.5 Mpa . alguns construtores a substituí-la pelo cimento portland.efetivação das reações próximo à interface substrato x argamassa e.2 a 0. reduzindo a aderência do revestimento. verificou-se que a cal hidratada conferia às argamassas outras propriedades além de aglomerante que. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 47 Concretos e Argamassas Prof. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O uso da cal hidratada contribui muito pouco para a resistência à compressão das argamassas.

Al2O3. ______________________________________________________________________________ 48 Concretos e Argamassas Prof. Estes silicatos e aluminatos em mistura com a água hidratam-se e produzem o endurecimento da massa. O cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes. foi quem descobriu e patenteou o cimento Portland no ano de 1824. oferecendo elevada resistência mecânica. que na natureza se apresenta com impurezas tais como o óxido de magnésio. que endurece sob a ação da água. praticamente sem cal livre.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ilha situada ao sul da Inglaterra. e Fe2O3. é considerado um aglomerante hidráulico. SiO2. Depois de endurecido. permanece estável mesmo que submetido a ação da água e. constituídos de silicatos e aluminatos de cálcio.edu. um construtor inglês de Leeds. Joseph Aspdin. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ARGILA é essencialmente a constituída de um silicato de alumínio hidratado. nas edificações e. MATÉRIAS PRIMAS CALCÁRIO é o carbonato de cálcio (CaCO3). Aspdin escolheu este nome para sua invenção porque nesta época era muito comum o emprego da pedra de Portland. GESSO é o produto da adição finas no processo e tem a finalidade de regular o tempo de pega por ocasião das reações de hidratação. após a hidratação. Al2O3 e Fe2O3 necessários a fabricação do cimento. se assemelhava em cor e dureza à rocha calcária de Portland.CIMENTO PORTLAND CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Cimento Portland é um material pulverulento. o novo cimento. por esta razão. geralmente contendo ferro e outros minerais. Fornece os óxidos SiO2.

FABRICAÇÃO
Como os silicatos de cálcio são os principais constituintes do cimento Portland, as matérias-primas para sua produção devem fornecer cálcio e sílica em proporções adequadas. O cálcio é obtido na natureza de fontes de carbonato de cálcio, como a pedra calcária, giz, mármore e conchas do mar. A sílica é extraída preferivelmente de argilas e xistos argilosos, do que quartzos e arenitos, porque a sílica quartzítica não reage facilmente.

As argilas contêm, também, alumina (Al2O3), óxidos de Ferro (Fe2O3) e álcalis que ajudam na formação de silicatos de cálcio a temperaturas mais baixas. Quando não estão presentes em quantidades suficientes na argila, estes são incorporados à mistura por adição de bauxita e minério de ferro.
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A formação dos compostos no clínquer depende de uma boa dosagem e preparo da mistura. Para isto, os componentes são britados, moídos, dosados e misturados criteriosamente, sendo submetidos a análises laboratoriais permanentes. O pó resultante da homogeneização das matérias-primas é denominado farinha. Para produzir 1 tonelada de clínquer, são necessárias de 1,5 a 1,8 toneladas de farinha e as reações que ocorrem nos fornos podem ser resumidas como segue:

Esquema de produção
O processo de produção do cimento pode ocorrer por via úmida ou seca. No processo por via úmida, a homogeneização é feita na forma de lama, com 30 a 40% de água. Este método vem sendo abandonado pelos fabricantes de cimento, devido ao maior consumo de energia nos fornos, que em relação ao processo por via seca. No processo por via seca, a farinha obtida através da moagem das matérias-primas é homogeneizada e conduzida continuamente para o pré-aquecedor. Nesta etapa, ocorre a evaporação da água livre, água combinada e desprendimento do CO2 do calcário, liberando o CaO para reagir com os silicatos de ferro e alumínio. Em seguida, o material vai para um forno rotativo, onde ocorre a clinquerização do material, uma das etapas mais importantes do processo de fabricação. O forno rotativo é uma estrutura metálica cilíndrica, revestida internamente com tijolos refratários, e nele a farinha pré-aquecida e parcialmente calcinada, entra pela extremidade superior e é transportada até a extremidade oposta a uma velocidade controlada pela inclinação e pela velocidade de rotação do forno. Em seu interior as temperaturas podem chegar a 1550ºC e as reações químicas responsáveis pela formação dos compostos do cimento Portland são completadas.
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PRODUÇÃO
Calcário
(80%)

Argila
(20%)

Cimento Portland Adições Moagem Gipsita Pré-Aquecedor
(5%)

Moagem Final Forno
(>1450º C)

Clínquer
(95%)

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Resumo dos constituintes:
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o cimento Portland recebe algumas adições.Silicatos C3S C2S C3 A C4AF CaO MgO Na2O e K2O 50% 25% 10% 10% 1% 2% 2% 5% 20% 75% Aluminatos e Ferro Aluminatos Cal livre Magnésia Compostos Alcalinos ADIÇÕES Após o resfriamento. Adicionada à moagem do clínquer e gesso. têm propriedade de ligante hidráulico muito resistente. O gesso é adicionado ao cimento com o objetivo de controlar o tempo de pega do cimento. a escória de alto-forno melhora algumas propriedades do cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. como a durabilidade e a resistência final. inviabilizando sua utilização. uma vez misturado à água de amassamento. Na fase de moagem. em geral na proporção de 3% de gesso para 97% de clínquer. que permitem a produção de diversos tipos de cimentos disponíveis no mercado. o cimento endureceria muito rapidamente. o clínquer é moído em partículas menores que 75µm de diâmetro. Sem sua adição. obtidas durante a produção do ferro-gusa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Esta é razão do gesso ser adicionado a todos os tipos cimento Portland. As escórias de alto-forno. em proporções adequadas. reagindo em presença da água. com características aglomerantes muito semelhante à do clínquer.edu. _______________________________________________________________________________ 53 Concretos e Argamassas Prof.

É que as reações de endurecimento só ocorrem. uma maior finura diminui a exsudação. Os materiais carbonáticos são rochas moídas. porém. aumenta a impermeabilidade.Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza. algumas argilas queimadas em temperaturas elevadas (500 a 900ºC) e derivados da queima de carvão mineral. além da água. o custo de moagem e o calor de hidratação. Por outro lado. na presença do clínquer. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. como é o caso dos ensaios de sedimentação.edu. Quando pulverizados em partículas muito finas. difratometria por laser. utilizam-se dois ensaios: peneiramento através da peneira ABNT 75µm (0. os materiais pozolânicos apresentam a propriedade de ligante hidráulico. porém um pouco distinta das escórias de alto-forno. O cimento enriquecido com pozolana adquire maior impermeabilidade. etç. _______________________________________________________________________________ 54 Concretos e Argamassas Prof. Os ensaios para a avaliação da finura do cimento podem ser complexos e onerosos. A finura pode ser aumentada através de uma moagem mais intensa. Tal adição torna os concretos e argamassas mais trabalháveis e quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário . Além disso. PROPRIEDADES FINURA A finura do cimento influência a sua reação com a água e quanto mais fino o cimento mais rápido ele reagirá e maior será a resistência à compressão. que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição tais como o próprio calcário. que em sua hidratação libera hidróxido de cálcio (Cal) que reage com a pozolana. a finura aumenta o calor de hidratação e a retração. tornando os concretos mais sensíveis à fissuração. Esta avaliação pode ser obtida conhecendo-se algumas características dos ramos inferior e superior da amostra. Para isto. a trabalhabilidade e a coesão dos concretos. estabelecem os limites de finura. principalmente nos primeiros dias.075mm) e área específica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

como é o caso de concretagens durante o inverno. é adicionado o gesso (CaSO4 . Em algumas situações o calor de hidratação pode ser um problema. A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento. sua plasticidade inicial é recuperada. provocando uma dissociação do Sulfato de Cálcio do gesso. em outras pode ser um componente positivo.edu. _______________________________________________________________________________ 55 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de acordo com sua composição e finura têm curvas Resistência x Idade distintas. cujo controle é feito através do teor de SO3. e com uma nova mistura na betoneira. com traços normalizados areia padrão IPT. que determinam seu emprego em determinados serviços. interferindo nas características do seu efeito retardador de pega. CALOR DE HIDRATAÇÃO As reações de hidratação dos compostos do cimento Portland são exotérmicas. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão do cimento Portland é medida através da ruptura de corpos de prova cilíndricos Ø 50mm x 100mm. argamassa ou concreto) pode perder a plasticidade com um tempo menor que o previsto. Isto ocorre quando. em estruturas de concreto massa. Este conceito aplica-se também a argamassas e concretos.TEMPO DE PEGA É o momento em que a pasta de cimento adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. uma vez que determinará o prazo para a aplicação de pastas. finura. etç. 2H2O) na moagem do cimento. argamassas e concretos com plasticidade e trabalhabilidade adequadas. quando a temperatura ambiente é baixa para fornecer energia de ativação para as reações de hidratação. na moagem do cimento. a mistura em que o cimento está sendo empregado (pasta.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os cimentos. O tempo de pega é uma propriedade importante. Para controlar o tempo de pega. como por exemplo. Em alguns casos. a temperatura ultrapassa 128ºC. quantidade e tipo de adições.

sendo a classe expressa por números (25. Conforme a composição e as adições feitas em sua produção. e são seguidas dos algarismos romanos de I a V. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO As pesquisas tecnológicas indicaram. que cimentos antes classificados como especiais. com o tempo. pozolana e material _______________________________________________________________________________ 56 Concretos e Argamassas Prof. em razão de adições de escória de alto-forno.edu. conforme o tipo de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que é utilizado para regularizar a pega.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Na designação dos cimentos. 32 e 40) que indicam a resistência à compressão do corpo-de-prova padrão. as iniciais CP correspondem a abreviatura de Cimento Portland. em MPa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. os cimentos Portland podem ser classificados conforme segue: CIMENTO PORTLAND COMUM O Cimento Portland Comum (CP I) é produzido sem quaisquer adições além do gesso.

O CP II. trata-se de um cimento com composição intermediária entre os Cimento Portland Comum e o Cimento Portland com adição de escória ou pozolana. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Mas as reações de hidratação da escória são muito lentas e. os cimentos Portland compostos respondem por 70% da produção industrial brasileira. adquira elevadas resistências com maior velocidade. reage com o hidróxido de cálcio em presença de água e em temperatura ambiente. CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO O Cimento Portland Alto-Forno (CP III) é obtido pela adição de escória granulada de alto forno. Depois de conquistado bons resultados na Europa o Cimento Portland Composto (CP II) surgiu no mercado brasileiro (1991). Atualmente. a pozolana não reage com a água em seu estado natural. decorrente da moagem da escória separada ou conjuntamente com o clínquer. Quando finamente moída.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V-ARI) tem a propriedade de atingir altas resistências já nos primeiros déias após a aplicação. CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO O Cimento Portland Pozolânico (CP IV) é obtido pela adição de pozolana ao clínquer. dando origem a compostos com propriedades aglomerantes. ao reagir com a água. sendo utilizados na maioria das aplicações usuais. _______________________________________________________________________________ 57 Concretos e Argamassas Prof.carbonático. tinham desempenho equivalente ao do cimento Portland comum. além de uma moagem mais fina para que o cimento. Ao contrário da escória. em substituição ao antigo CP. Isto é possível pela utilização de uma dosagem específica de calcário e argila na produção do clínquer. As escórias apresentam propriedades hidráulicas latentes. para que seu emprego seja possível são necessários ativadores físicos e químicos. A ativação física obtém-se com a finura.

em massa. 8% e 5% em massa. água do mar e alguns tipos de solos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em massa. • Cimentos do tipo pozolânico que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico. respectivamente.CIMENTOS ESPECIAIS CIMENTO PORTLAND RESISTENTES A SULFATOS Estes cimentos resistem aos meios agressivos. no máximo. desde que apresentem pelo menos uma das características abaixo: • teor de aluminato tricálcio (C3A) do clínquer e teor de adições carbonáticas de.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Qualquer um dos 5 tipos de cimento Portland podem ser considerados resistentes a sulfatos. _______________________________________________________________________________ 58 Concretos e Argamassas Prof. tais como os encontrados nas redes de esgotos domésticos ou industriais. • Cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto-forno.edu.

edu. No Brasil o cimento Portland branco é normalizado pela NBR12989. o calor produzido pela hidratação do cimento poder causar o aparecimento de fissuras de origem térmica.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . recomenda-se o emprego de cimentos com taxas lentas de evolução de calor.• Cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração que comprovem resistência aos sulfatos. CIMENTO PORTLAND DE BAIXO CALOR DE HIDRATAÇÃO Em concretagens de estruturas que consomem grandes volumes de concreto continuamente. principalmente durante o resfriamento e a moagem. chamados cimentos Portland de baixo calor de hidratação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sendo classificado conforme a tabela abaixo: _______________________________________________________________________________ 59 Concretos e Argamassas Prof. Segundo a NBR13116. respectivamente. estes cimentos geram até 260J/g e até 300J/g aos 3 dias e 7 dias. podendo ser qualquer um dos 5 tipos básicos. além de condições especiais de fabricação. CIMENTO PORTLAND BRANCO O cimento Portland branco é obtido através de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês. Nestes casos.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e outras aplicações não estruturais. O cimento Portland branco não estrutural é aplicado no rejuntamento de pisos e azulejos.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CIMENTO PARA POÇOS PETROLÍFEROS O cimento para poços petrolíferos é um tipo de cimento Portland bastante específico.O cimento Portland branco estrutural é utilizado em concretos brancos com fins arquitetônicos. Sua composição é constituída de clínquer e gesso para retardar o tempo de pega e em sua fabricação são tomadas precauções especiais para garantir as plasticidade em condições ambientes de elevadas pressões e temperaturas. utilizado na cimentação de poços petrolíferos. na fabricação de ladrilhos hidráulicos. _______________________________________________________________________________ 60 Concretos e Argamassas Prof.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu._______________________________________________________________________________ 61 Concretos e Argamassas Prof.

Para uma mesma finalidade existe mais de um tipo ou classe de cimento que pode ser usado. Depende ainda a escolha: • • • • Exigência da estrutura Exigência do meio ambiente Velocidade de construção Circunstancia do local da obra (acesso. apresenta os diversos tipos de aplicações dos diferentes tipos de cimentos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. prazo. A escolha do tipo de cimento está associada a uma determinada finalidade que se deseja ao concreto seja no estado fresco ou seja no estado endurecido.edu. _______________________________________________________________________________ 62 Concretos e Argamassas Prof. Sempre haverá um tipo diferente para uma aplicação específica.APLICAÇÕES E ESCOLHA DO TIPO DE CIMENTO Inicialmente podemos dizer que nenhum cimento é melhor em todas as circunstâncias. espaço) O quadro a seguir. A escolha também depende da disponibilidade do material e do custo – fator importante na tomada de decisões em engenharia.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu._______________________________________________________________________________ 63 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é fornecido em embalagens (papel Kraft) de 25 e 50 Kg. além dos aspectos visuais da embalagem. Cuidados no recebimento e estocagem do material são essenciais para a garantir concretos e argamassas de boa qualidade. a massa líquida do saco e o selo de conformidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).RECEBIMENTO E ESTOCAGEM O cimento é um produto perecível que em contato com umidade endurece perdendo suas propriedades antes do uso. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. fábricas de prémoldados e grandes obras. devem ser observados a massa dos sacos e se o cimento não está empedrado. O cimento é comercializado a granel. Estas embalagens não podem estar furadas. o tipo do cimento.edu. para usinas de concreto. No recebimento. _______________________________________________________________________________ 64 Concretos e Argamassas Prof. a sigla. no varejo. rasgadas ou molhadas e devem trazer o nome do fabricante.

com resolução de 1 g. Limpar bem o recipiente antes de pesá-lo.02 kg/dm3 Cuidados • • • Rasar o agregado miúdo com movimentos horizontais da haste de socamento. Concha ou pá. com os dedos.ENSAIOS 1) Determinação da Massa Unitária de Agregados em Estado Solto . considerando que a máxima variação permitida entre os resultados de cinco determinações feitas com o mesmo agregado é de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 > 4. Recipientes paralelepipédicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Quantidade de Material O volume de material deverá ser de pelo menos o dobro do volume do recipiente que será usado. dividindo a massa de agregado (kg) pelo volume do recipiente (dm3). compensar os vazios que houver abaixo do nível do topo do recipiente com grãos deixados acima deste nível.8 e ≤ 50 > 50 Volume do recipiente (dm3) 15 20 60 Preparação do Material Secar o material previamente ao ar Procedimento • • Preencher o recipiente por meio de uma concha ou pá. Rasar o recipiente e determinar a massa Cálculos Calcular o peso unitário do agregado. Equipamentos e Acessórios • • • Balança. Usa-se como parâmetro para transformar massa em volume. Rasar o agregado graúdo e.NBR 7251 Massa unitária de um agregado é a relação entre sua massa e seu volume sem compactar.edu. com as dimensões constantes na Tabela 1 Tamanho máximo do agregado (mm) 4. considerando-se como volume também os vazios entre os grãos. lançando o agregado a uma altura de 10 cm do topo do recipiente. _______________________________________________________________________________ 65 Concretos e Argamassas Prof. evitando comprimir o agregado.

Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.edu.2) Determinação de massa específica agregado graúdo – técnica frasco graduado Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica do agregado. incluindo os poros permeáveis Materiais e equipamentos: • • • • Agregado graúdo Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.Vi (g/cm3) Repetir 3 vezes o procedimento Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 66 Concretos e Argamassas Prof.1g Frasco graduado de 1000 ml Metodologia Experimental: • • • • • • Recobrir uma porção de agregado com água Tirar o excesso de umidade com auxílio de um pano Pesar a massa do agregado (m) Colocar 400 ml de água no frasco graduado (Vi) Inserir o agregado no frasco graduado Determinar o volume final no frasco (Vf) Resultados e Discussão • • • Determinar a massa específica do agregado: d = m / Vf . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Materiais e equipamentos: • • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.3) Determinação de massa específica agregado miúdo por meio do Frasco de Chapman Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: d = 500 / L – 200 (g/cm3) Repetir por 3 vezes o procedimento Os resultados dos ensaios realizados com a mesma amostra não devem diferir mais de 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. incluindo os poros permeáveis. com cuidado. cuidando para que as faces internas estejam secas e sem grãos aderentes.05 g/cm3 Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 67 Concretos e Argamassas Prof. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.1g Frasco de Chapman Funil de vidro Metodologia Experimental: • • • • Pesar 500g de amostra de areia seca Colocar água no frasco até 200 cm3 deixando em repouso para que a água aderida às faces internas escorram totalmente. Colocar 500g de areia no frasco de Chapman. efetuando agitação para a eliminação das bolhas de ar Fazer a leitura no nível atingido pela água no frasco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .1g Picnômetro Metodologia Experimental: • • • • • • Pesar uma amostra de areia seca Encher com água o picnômetro e determinar a massa do conjunto Retirar uma pequena quantidade de água do frasco Colocar a amostra de areia no frasco . incluindo os poros permeáveis. Materiais e equipamentos: • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.4) Determinação de massa específica agregado miúdo com auxílio do picnômetro Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo.edu.picnômetro Determinar a massa do conjunto picnômetro + água + agregado Repetir 3 vezes o procedimento Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: Pag = massa do picnômetro + água m = massa da amostra Pag + ag = massa do picnômetro + água da amostra d = m/ [Pag – (Pag + ag – m)] _______________________________________________________________________________ 68 Concretos e Argamassas Prof.

01g e capacidade mínima de 200g Balança com resolução 100g e capacidade mínima de 50kg Frigideira Fogareiro Recipiente metálico Metodologia Experimental: • • • • • • Coletar 1000g do agregado miúdo conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material e homogeneizar o material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Colocar uma pequena porção do material homogeneizado na frigideira. Pesar novamente e calcular o teor de umidade do agregado.5) Determinação de umidade do agregado miúdo através do teste da frigideira. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Agregado miúdo úmido. Pesar. Pesar a frigideira. Resultados e Discussão • • Cálculo do teor de umidade: h =[(mu – ms)/ms] x 100 _______________________________________________________________________________ 69 Concretos e Argamassas Prof. Balança com resolução de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mexendo-o até secar. Objetivo: • • Determinar o teor de umidade do agregado miúdo – areia Conhecer o teste da frigideira usualmente utilizado em obras correntes. Repetir o procedimento duas vezes.edu. Colher ou concha de pedreiro. Levar o material ao fogo.

com malha em ordem crescente da base para o topo. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. 3. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. 10. 9. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. Formar duas amostras para o ensaio. 7. 5. _______________________________________________________________________________ 70 Concretos e Argamassas Prof. Na base deve ser colocado um fundo. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Proceder ao peneiramento da amostra M2. Coletar 1000g do agregado conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material.6) Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 6. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. 2. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. 11. de modo a formar um único conjunto de peneiras. conforme procedimentos a partir do item 5. previamente limpas. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. 4.3% da massa seca da amostra.edu. 8. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. 12.

6 0.13.3 4. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada.8 2.2 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 0.2 0. 14.3 4.15 Fundo Soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 71 Concretos e Argamassas Prof.6 0.8 2. com aproximação de 1%.50 6.15 Fundo soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 9.3 0.edu.4 1. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 9. Determinar o módulo de finura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em cada peneira.4 1.50 6.

3 0.40 30 (A) – 70 66 – 85 80 (A) – 95 90 (B) .40 > MF Tabela para classificação do agregado miúdo – NBR 7211 Porcentagens retidas acumuladas Abertura (mm) 9.90 3.2 0.30 > MF > 2.5 6.12 5 (A) .CLASSIFICAÇÃO PELO MÓDULO DE FINURA: Muito grossa Grossas Médias finas Finas MF > 3. _______________________________________________________________________________ 72 Concretos e Argamassas Prof. dividindo o total por 100.15 Zona 1 Muito fina 0 0–3 0 – 5 (A) 0 –5 (A) 0 – 10 (A) 0 – 20 50 – 85 (A) 85 (B) – 100 Zona 2 Fina 0 0–7 0 – 10 0 – 15 (A) 0 – 25 (A) 21 – 40 60 (A) – 88(A) 90 (B) – 100 Zona 3 Média 0 0–7 0 – 11 0 – 25 (A) 10 (A) – 45 (A) 41 – 65 70 (A) – 92 (A) 90 (B) – 100 Zona 4 Grossa 0 0–7 0 . este limite poderá ser 80 Obs.6 0.4 1.40 2.90 3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.: a amostra para ensaio deve ser coletada segundo a NBR 7216 Dimensão máxima: determinada através da peneira que apresentar uma porcentagem retida acumulada de 5% ou imediatamente inferior Módulo de Finura: somatório das porcentagens acumuladas retidas nas peneiras de série normal.100 (A) pode haver uma tolerância de até no máximo 5 unidades (%) em um só dos limites marcados com a letra (A) ou distribuídos em vários deles (B) para agregado miúdo resultante de britamento.edu.90 > MF > 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 4.8 2.

de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. 5. 9. _______________________________________________________________________________ 73 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 6. Coletar no mínimo 5kg do agregado conforme norma NBR 7216.3% da massa seca da amostra. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. com malha em ordem crescente da base para o topo. 11. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. 12. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. Formar duas amostras para o ensaio. 10. 4. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0.7) Determinação da composição granulométrica agregado graúdo Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. Na base deve ser colocado um fundo. em frações de diversos pontos do material. de modo a formar um único conjunto de peneiras. 3. 7. previamente limpas. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. Proceder ao peneiramento da amostra M2. 2.edu. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. 8. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. conforme procedimentos a partir do item 5. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto.

01.13. com apresentação de 0. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada em cada peneira.5 12. 14. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 9.5 9.5 6.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 38 32 25 19.3 4. com aproximação de 1%. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 38 32 25 19. Determinar o módulo de finura.3 4.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 74 Concretos e Argamassas Prof.5 6.5 12.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em peso.Tabela com limites granulométricos de Agregado Graúdo para classificação – NBR 7211/83 Graduação Porcentagens retidas acumuladas.5 0-10 6.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5 0 9.4 80-100 95-100 80-100 92-100 95-100 75-100 90-100 95-100 75-100 87-100 95-100 0-30 75-100 90-100 95-100 _______________________________________________________________________________ 75 Concretos e Argamassas Prof. nas peneiras da abertura nominal.3 4. em mm 76 Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 0 0 0-30 0 0 0-25 0-10 64 50 38 32 25 19 12.edu.8 2.

075mm.075mm. esse procedimento serve para facilitar a posterior secagem em estufa.2 e 0. Recipiente para retenção da amostra e a água de recobrimento . Dois recipientes de vidro transparente Metodologia Experimental: • Amostragem Deve ser obtida de acordo com a NBR 7216 e reduzida segundo a NBR 9941. posicionadas de acordo com item anterior.2 mm fique posicionada sobre a peneira 0.das peneiras. Haste p/ agitação. • • • Secar a amostra em estufa (105 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Feito isso. Deixe em repouso o tempo necessário para que as partículas decantem.075mm de modo que a peneira 1. coloque o material retido nas peneiras no recipiente e cubra o mesmo com água. tomando cuidado de não provocar perda de material. Estufa.075mm) . Encaixar as peneiras 1. com auxílio de uma haste. inclusive os materiais solúveis em água. Bisnaga para água. Colocar a amostra (M1) no recipiente. Peneiras (1.075 mm transportará o material pulverulento contido na amostra.110 OC) até a constância de massa. retire o excesso de água com o auxílio de uma bisnaga. A água carregará consigo a amostra e ao passar pelas peneiras parte se perderá com a água e parte ficará retida nas peneiras. presentes nos agregados. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Balança com capacidade mínima de 5Kg e resolução de 5g. tomando cuidado de não provocar abrasão do material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A massa mínima para realização do ensaio é indicada na tabela abaixo em função de sua ∅ máx. Despejar a água cuidadosamente através . para não perder o material. A água perdida através da peneira 0.edu. de forma a provocar a separação e suspensão das partículas finas. Amostra deve ser umedecida para evitar a segregação. esfriar a temperatura ambiente e deteminar a massa de duas amostras Mi1 e Mi2 (reserva).2 e 0.8) Determinação do teor de materiais pulverulentos em agregados Objetivo: • • Determinação do teor de materiais pulverulentos contidos no agregado destinado ao concreto Materiais pulverulentos : são partículas minerais com dimensão inferior a 0. _______________________________________________________________________________ 76 Concretos e Argamassas Prof. Agite o material. recobrindo-a com água. • Terminado o processo de lavagem.

Massa após o repeneiramento.5% para agregado graúdo e 1. abaixo: • • Teor de material pulverulento % = Onde: Mi . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Quando esta condição não for atendida.0% para miúdo.110) OC até a constância de massa e determinar a sua massa final seca (Mfi). como resultado. realizar uma terceira determinação e adotar. realizadas nas duas amostras (Mi1 e Mi2) A diferença obtida nas duas determinações não deve ser maior que 0. O mesmo será expresso em porcentagem de acordo com a expressão . em g. em g.edu. _______________________________________________________________________________ 77 Concretos e Argamassas Prof.Massa inicial da fração.8 e < 19 > 19 Massa mínima 500 3000 5000 Resultados e Discussão • O teor de materiais pulverulentos de cada amostra é determinado pela diferença entre a massa inicial (Mi) e a massa final seca obtida depois da lavagem. • • O resultado final será a média aritmética das duas determinações.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a média aritmética dos dois valores mais próximos.8 > 4. Mi − Mf × 100 Mi Mf .• Secar a amostra retida em estufa (105. Repetir todo o procedimento para a amostra Mi2 ∅máx (mm) < 4.

Amostragem • • A amostra de agregado remetida ao 1aboratõrlo deve ter sido coletada acordo com a NBR 7216.5 m.01g e capacidade mínima de 200 g. Inchamento do agregado miúdo fenômeno da variação do volume aparente. conforme a NBR 7251. Estufa para secagem. depois de umedecida para evitar segregação e de cuidadosamente misturada. Régua rígida com comprimento da ordem de 500 mm aproximadamente. Dez cápsulas com tampa. Misturador mecânico(opcional). Concha ou pá.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Da amostra remetida ao laboratório. para condicionamento e secagem de amostras de areia. com capacidade de 50 mL.9) Determinação do Inchamento do agregado miúdo Objetivo: • • • • • Este ensaio prescreve o método para a determinação do Inchamento de agregados miúdos para concreto. acima do qual o coeficiente de Inchamento pode ser Quociente entre os volumes úmido (Vh) e seco (Vo) de considerado constante e igual ao coeficiente de Inchamento médio Coeficiente de inchamento médio Valor médio entre o coeficiente de Inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica Materiais e equipamentos: • • • • • • • • • • Encerado de lona com dimensões mínimas de 2. Ba1ança com resolução de 0. formar a amostra de ensaio de acordo com a NBR 9941. Umidade crítica Teor de umidade. _______________________________________________________________________________ 78 Concretos e Argamassas Prof. Balança com resolução de 100g e capacidade mínima de 50 kg. Proveta graduada de vidro com capacidade mínima de 1000 mL. Recipiente para1elepipedal. A amostra de ensaio deve ter pelo menos o dobro do volume do recipiente paralelepipedal utilizado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. provocado pela absorção de água livre pelos grãos e que incide sobre a sua massa unitária Coeficiente de inchamento (Vh/Vo) uma mesma massa de agregado.0 m x 2.edu.

1%. ϒs = massa unitária do agregado seco em estufa. Mi − Mf Mf − Mc h = teor de umidade do agregado. Adicionar água sucessivamente de modo a obter teores de umidade próximos aos seguintes valores: 0. em kg/dm3. Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio. em %. segundo a NBR 7251. a determinação da massa unitária. Homogeneizar cuidadosamente a amostra. Vo = volume do agregado seco em estufa. 2%. 7%.Metodologia Experimental: • • • Secar a amostra de ensaio em estufa (105. simultaneamente. Calcular o teor de umidade das amostras coletadas nas cápsulas. Mf = massa final da cápsula com o material coletado apos secagem em estufa. em g. em kg/dm3. 9% e 12%. Para cada teor de umidade. calcular o coeficiente de inchamento de acordo com a expressão: Vh γ s (100 + h) = × Vo γ h 100 • Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade. secar em estufa a (105. destampar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Resultados e Discussão 1. ϒh = massa do agregado com h% de umidade.110oC) até constância de massa e resfriá-la até a temperatura ambiente. Coletar uma amostra de agregado.110oC) e determinar sua massa (Mf). por agitação manual da lona ou em misturador mecânico. 3%. Mc = massa da cápsula. para determinação do teor de umidade. a cada adição de água. _______________________________________________________________________________ 79 Concretos e Argamassas Prof. 5%. segundo a NBR 7251. a cada adição de água. em g. em g 2. Colocar a amostra sobre o encerado de lona. Executar. • Determinar a massa de cada cápsula com a amostra coletada (Mi).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. através da seguinte expressão h= • Onde.5%. homogeneizar e determinar massa unitária. em dm3. em dm3. 4%.

b) traçar a corda que une a origem de coordenadas ao ponto de tangência reta traçada. d) a abscissa correspondente ao ponto de Interseção das duas tangentes a umidade crítica. Vh/Vo) em gráfico. 3. 6. pela seguinte construção gráfica: a) traçar a reta tangente ã curva paralela ao eixo das umidades.edu. Determinar a umidade crítica na curva de Inchamento. Assinalar os pares de valores (h. e os valores de umidade crítica e coeficiente de Inchamento médio. paralela a esta corda. de modo a obter uma representação aproximada do fenômeno. c) traçar nova tangente à curva. conforme modelo. em %.h = teor de umidade do agregado. _______________________________________________________________________________ 80 Concretos e Argamassas Prof. 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . traçada em gráfico conforme modelo. Do certificado de ensaio deve constar a curva de Inchamento. e traçar a curva de Inchamento. O coeficiente de inchamento é determinado pela média aritmética entre os coeficientes de inchamento máximo (ponto A) e aquele correspondente à umidade crítica (ponto B). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 5.

3 / 0.Determinação da Resistência à Compressão (NBR 7215/96) Objetivo: • Determinar a resistência à compressão do Cimento Portland. capeados com enxofre e rompidos para determinação da resistência à compressão. três de areia normalizada em massa e relação a/c de 0.48. é extraída do Rio Tietê e apresenta 25% em peso das peneiras 1. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.6 / 0. Materiais e equipamentos: • Areia Normal – de acordo com as prescrições da ABNT. Preparação da argamassa de cimento _______________________________________________________________________________ 81 Concretos e Argamassas Prof. Os cp´s são elaborados com argamassa composta de uma parte de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .15 mm. podendo ser utilizados equipamentos de compactação mecânica.10) Cimento Portland . Os moldes com os corpos-de-prova devem ser conservados em câmara úmida para a cura inicial e em seguida desmoldados e submetidos à cura em água saturada até a data de ruptura.edu.2 / 0. É preparada pelo IPT especificamente para ensaios e tem massa unitária e massa específica dentro de padrões. • • • • • • • Água Cimento Balança Misturador Mecânico Molde Soquete Máquina para ensaio de compressão Metodologia Experimental: • • A argamassa é preparada por meio de misturador mecânico e adensada manualmente. Esta areia normalizada pela NBR 7214. • • Na data da ruptura os moldes devem ser retirados do meio de conservação. Princípio • • Determinar a resistência à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura.

gramas) Cimento Água Areia Normal Fração Grossa Fração Média Grossa Fração Média Fina Fração Fina 468 + 0. Deve ser registrada a hora em que o cimento foi colocado em contato com a água. _______________________________________________________________________________ 82 Concretos e Argamassas Prof. colocando inicialmente na cuba toda a quantidade de água e adicionando o cimento.3 468 + 0.2 • Mistura Mecânica Executar a mistura mecânica.4 300 + 0. Untar toda a superfície interna do molde com óleo. Imediatamente após este intervalo ligar o misturador na velocidade alta por mais 1 mim e 15 s. • Cura Após a moldagem os corpo de prova devem ser colocados na câmara úmida.edu. Durante o tempo restante a argamassa deve ficar em repouso coberta por um pano úmido e limpo. Após este tempo e sem paralisar a operação. onde devem permanecer por 20 a 24 h com a face superior protegida por uma placa de vidro. Imediatamente após a colocação da areia mudar a velocidade para alta por 30s. iniciar a adição da areia (as 4 frações previamente misturadas) com cuidado para que toda a areia seja gradualmente colocada durante o tempo de 30 s.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . durante 30 s. • Preparo dos Moldes Para garantir a estanqueidade dos moldes deve-se utilizar material de vedação na superfície lateral da forma e ao longo de toda a extensão da fenda vertical. em 4 camadas de espessuras aproximadamente iguais e adensadas com 30 golpes.3 624 + 0. Após este tempo desligar o misturador por 1 mim e 30 s.3 468 + 0. Nos primeiros 15 s retirar com o auxilio da espátula a argamassa que ficou aderida às paredes da cuba e na pá. A mistura destes materiais deve ser feita com o misturador em velocidade baixa.3 468 + 0. A esta operação segue-se a rasadura do topo. distribuídos uniformemente a cada camada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • Enchimento dos Moldes A moldagem deve ser feita imediatamente após o amassamento.Quantidade de materiais (em massa .

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .05) MPa/s.Terminado o período inicial de cura os cp´s devem ser retirados da forma. pozolanas. quartzo em pó ou outras substâncias. A velocidade do carregamento da máquina de ensaio. exceto os que deverão ser rompidos com 24 h de idade. ao transmitir a carga de compressão ao corpo de prova.edu. Resultados e Discussão Para cada idade. Para a ruptura a máquina deve esta limpa e os cp´s deverão ser centralizados em relação ao eixo do carregamento. onde permanecerão até a data da ruptura. será representada pelo maior valor dos cp’s. _______________________________________________________________________________ 83 Concretos e Argamassas Prof. o valor da resistência à compressão do cimento Portland. em proporções tais que não interfiram no resultado do ensaio.25 + 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. identificados e. deve ser equivalente a (0. devem ser imersos no tanque de água saturada de cal. • Capeamento e Ruptura Antes da ruptura os corpos-de-prova devem ser capeados em suas extremidades com uma mistura de enxofre com caulim.

principalmente.0 34. 7º. pois o restante deve-se. 4º.5 39.9 35.edu.00 (custo estimado do m3 da estrutura de concreto armado. o Brasil.0 30. o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) apresentou dados interessantes. 15º.8 33. Brasil Rússia Tailândia Indonésia Turquia Alemanha México Irã 38. 10º. à auto-construção. 11º.0 104.CONCRETO Introdução Na abertura de um recente congresso na área de concreto.6 88. produziu 40 milhões de m3 de concreto. 14º.1 35. 5º. 9º. Tomando-se estes 20 milhões de m3/ano e multiplicando-se por R$ 500. em 1997.0 27. 13º. 2º.8 8º. 6º.9 79. trata-se de um mercado de 10 bilhões de reais por ano.2001 Colocação 1º. Segundo ele.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .). 3º. Alguns dados: Maiores países produtores de cimento . China Índia USA Japão Coréia do Sul Espanha Itália País Produção (milhões t) 628.5 53.7 40. forma. dos quais apenas a metade poderia ser considerada como concreto estrutural.5 _______________________________________________________________________________ 84 Concretos e Argamassas Prof.4 31. armadura. etc. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 12º. considerando-se concreto.

978 37. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.438 19.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Consumo (kg/hab/ano) 174 138 284 258 244 Consumo de cimento por região .Consumo de cimento no mundo .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .345 6.746 3.edu.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil Consumo (1000 t) 2.978 % 6 18 9 51 17 100 _______________________________________________________________________________ 85 Concretos e Argamassas Prof.2001 Continente Américas Europa Ásia África Oceania Consumo (milhões t) 226 314 998 91 8 Total 1637 Consumo per capita .182 37.

022 992 450 2.38 100 Concreto .84 7.978 % 70.69 2.13 0.Consumo per capita – Brasil Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Consumo (kg/hab/ano) 184 222 240 246 242 232 223 217 Perfil dos consumidor Brasil .2002 Região Revendedoras Consumidores industriais Concreteiras Fibro-cimento Pré-moldados Artefatos Argamassas Consumidores finais Construtores Órgãos públicos / estatais Prefeituras Importação Total Consumo (1000 t) 26.77 2.06 21.607 8. ou virtudes.72 12.18 7.67 0.46 2.851 934 1.913 49 15 145 37.977 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. só um material com muitas vantagens de utilização.04 0.61 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . do uso do concreto como material de construção? _______________________________________________________________________________ 86 Concretos e Argamassas Prof.principais virtudes e defeitos Para chegar a este posto.edu.249 4. Quais então seriam as principais vantagens.

disponíveis em quantidade. Possui grande durabilidade (quando corretamente produzido) Apresenta boa impermeabilidade Permite a execução de grandes peças contínuas _______________________________________________________________________________ 87 Concretos e Argamassas Prof. tudo isso com baixo consumo de energia.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em instalações simples. como no caso do cimento. Dá margem à sofisticação arquitetônica. facilmente moldado. • • • • • • • A construção em concreto é relativamente rápida. pouco sofisticados. durável e pouco sofisticado. • • Pode ser produzido praticamente em qualquer lugar. mão de obra com baixo nível de instrução. É um material relativamente estável e durável.VIRTUDES • É fabricado com materiais: naturais. Pode receber praticamente todo tipo de revestimento. robusto. estáveis. quando artificiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • Demanda: pouca tecnologia de produção. facilmente aplicado. possuem ciclo de produção dominado no mundo inteiro.edu. é: facilmente transportado. de fácil transporte e estocagem. equipamento barato. Depois de produzido.

que faz com que todo mundo pense que entende de concreto. uma relação resistência/peso relativamente pequena. em qualquer lugar. PRINCIPAIS DESVANTAGENS Do ponto de vista técnico. mesmo. muito grande. ou quando produzido de maneira incorreta.edu. o concreto é um material de construção que apresenta. e esse é considerado. por alguns pesquisadores. sem nenhum controle.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Nada porém possui apenas vantagens. O descaso com a tecnologia do concreto é. que pode fabricá-lo de qualquer jeito. é que ele faz!” (Adam Neville) _______________________________________________________________________________ 88 Concretos e Argamassas Prof. em algumas circunstâncias. “Um dos grandes problemas do concreto é que qualquer doido pensa que sabe fazer concreto. uma durabilidade questionável. contudo. quando submetido a determinados ambientes. O concreto é um dos materiais de que se encontram muitos “conhecedores” (?) pelo mundo afora. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mas o pior problema. o ponto fraco mais importante da utilização do concreto é considerado exatamente a sua enorme facilidade de utilização. Tudo tem suas desvantagens e o concreto não é exceção a esta regra. como principais desvantagens: • • • • uma resistência à tração relativamente baixa. o principal defeito genérico do material de construção nos dias de hoje. uma estabilidade dimensional relativamente pequena. Do ponto de vista genérico. em geral.

o que é o concreto? É uma mistura de _______________________________________________________________________________ 89 Concretos e Argamassas Prof. O MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: CONCRETO Mas. 1994). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Um “mau” concreto é feito simplesmente misturando-se cimento. TERZIAN. porém os ingredientes de um bom concreto são exatamente os mesmos! (NEVILLE. a produção de concreto.edu. afinal. agregados e água.Porém. com as propriedades exigidas. O controle da produção tem a finalidade de obter um material uniforme.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 1997). com o apoio do entendimento (NEVILLE. elaborada a partir de um processo é suscetível de ser controlada (HELENE. 1997) O que causa esta diferença? Apenas o conhecimento. 1992). por ser uma atividade humana. ao fim que se destina (VALOIS. de forma econômica.

edu. Como defeito. a fase agregado e a ligação agregado-pasta. portanto um material composto. Então a microestrutura da pasta vai se tornando mais compacta. quimicamente instáveis e muito _______________________________________________________________________________ 90 Concretos e Argamassas Prof. formado por duas fases e uma interface: a fase pasta. que representam 20 a 25% do volume total de sólidos da pasta. Funções da pasta (fase pasta) Nesta fase há a hidratação do cimento e a formação de cristais em torno do grão de cimento (silicatos.É. formados pela hidratação dos aluminatos combinados com sulfato de cálcio. heterogêneo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. formadas por hidróxido de cálcio. que alguns autores consideram como uma terceira fase: os vazios. Tem baixa resistência mecânica. As principais funções da pasta são • • • • Dar impermeabilidade ao concreto Dar trabalhabilidade ao concreto Envolver os grãos Preencher o vazio entre os grãos As principais microestruturas que se formam na pasta matriz são: • estruturas fibrilares ou estruturas C-S-H: compostos químicos formados por cristais de silicatos de cálcio hidratados que representam 50% a 60% do volume total de sólidos da pasta e são os responsáveis pela resistência mecânica da pasta após os dias iniciais. aluminatos).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas são bastante solúveis em água. São responsáveis pelo pH elevado da pasta (pH> 13). • etringita: cristais grandes e volumosos. possui uma descontinuidade estrutural. • prismáticas: cristais de grande tamanho. aumentando a densidade e resistência mecânica da pasta.

reduzindo a resistência química e mecânica da pasta. gerando estruturas com baixa resistência mecânica que com o tempo se transformam em monossulfato. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 91 Concretos e Argamassas Prof. maiores serão a porosidade e a permeabilidade. Além das microestruturas sólidas. que não é o foco desta disciplina.edu. pequena se comparada a das estruturas C-S-H. Funções do agregado (fase agregado) • • • Reduzir o custo do concreto Reduzir as variações de volume (diminuir as retrações) Contribuir com grãos capazes de resistir aos esforços Em concretos convencionais. pois normalmente é maior que a do conjunto concreto. O estudo destes vazios (e o preenchimento deles) tem grande importância em concretos de alta resistência. para o agregado não tem tanta importância a sua resistência mecânica. • grãos de clínquer não hidratados: pequenos núcleos dos grãos de cimento. os vazios são de grande influência nas características da pasta matriz endurecida. São os primeiros cristais da pasta a se formar e produzem a primeira resistência mecânica do endurecimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Representam 15 a 20% do volume total de sólidos. Quanto maiores a quantidade de vazios e maiores forem os seus diâmetros médios. Para concretos de alta resistência.porosos. o agregado graúdo pode se tornar a parte fraca do conjunto. aumentando também a sua retração e a fluência. devido as suas micro-fraturas internas. Este estudo é feito em disciplina específica ou em estudos de especialização.

Para concretos de maior resistência. já que a pasta de cimento sempre se interpõe entre elas e a fôrma. em um concreto apropriadamente lançado e compactado.4. Devido à sua maior mobilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Em concretos convencionais. a fraqueza da ligação agregado-pasta pode ser explicada. também ocorre uma espécie de efeito de parede interno. pois é menos resistente que a pasta e os agregados. Este efeito pode ser descrito como uma "chamada" da fase mais fluida do concreto (a pasta) para as superfícies postas em contato com o concreto. não se observa a presença de partículas de brita. aqueles com relação a/c > 0.A interface (fase zona de transição) No concreto convencional é a parte mais fraca. muito resumidamente. Esta é a razão pela qual. Zona de transição agregado – pasta (microscopia eletrônica) _______________________________________________________________________________ 92 Concretos e Argamassas Prof. esta fase é constituída. após a desforma. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é necessário mencionar um fenômeno que ocorre no concreto quando no estado fresco: o efeito de parede. a zona de transição não tem tanto influência pelo chamado efeito fortificador do agregado.edu. por uma concentração anormal de cristais de hidróxido de cálcio nessa região particular dos concretos e argamassas. Em termos de microestrutura do concreto. uma chamada da fase mais fluida do concreto para a superfície dos agregados. em grande parte. como por exemplo. as fôrmas. Antes de se abordar a ligação agregado-pasta. por água.

Zona de transição agregado – representação gráfica

Noções básicas de concreto
1) A fase pasta de cimento, mistura de cimento e água, funciona como uma espécie de cola, pois possui poder aglomerante, ou poder de colagem. Quanto mais diluída, menos cola. Assim, a partir de um certo limite, quanto mais água se mistura ao cimento, menor o poder aglomerante da pasta, na medida em que ela própria fica menos resistente. 2) Um bom concreto precisa ser trabalhável na obra. A noção de trabalhabilidade é difícil de ser definida e de ser medida, e isto será visto mais adiante, quando tratarmos da propriedades do concreto no estado fresco. Ela tem a ver, entretanto, com a capacidade do concreto preencher totalmente uma fôrma, envolvendo completamente as armaduras, sem deixar vazios, que são pontos fracos e que diminuem a resistência e a durabilidade do material. Dependendo do tipo de fôrma (em termos de dimensões), da densidade das armaduras dentro das fôrmas, do tipo de transporte que o concreto vai receber (como

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por exemplo, o bombeamento), da forma de adensamento, etc., ele precisa ter características específicas de trabalhabilidade na obra. Um concreto pode, por exemplo, ter uma consistência mais seca, que dê para preencher uma fôrma larga, mas, por outro lado, esta mesma consistência seca pode provocar o entupimento da bomba (se o concreto for bombeado). No caso contrário, um concreto pode ser mais fluido, mais mole, podendo ser bombeado, mas não ser trabalhável para a execução de pisos, que geralmente são vibrados com régua vibratória (o que demanda concretos mais secos, para que a régua não afunde na massa). De modo geral, deve-se procurar trabalhar com o concreto mais seco possível. Por que? Porque quanto mais seco o concreto, menos água ele tem, e portanto mais resistente é a fase pasta, e, consequentemente, o concreto como um todo. A "secura do concreto" entretanto tem um limite. 3) A relação entre a massa de água e a massa de cimento de um concreto é conhecida como relação ou fator água-cimento. Misturando-se pouco a pouco uma certa quantidade de cimento com uma quantidade variável crescente de água e medindo-se a resistência da pasta verifica-se que ela passa por um máximo. Este máximo é relativo ao fator água/cimento teórico de aproximadamente 0,23. Esta relação representa a quantidade mínima de água necessária para hidratar completamente todas as partículas da massa de cimento. O fator água/cimento de 0,23, entretanto, é um fator teórico, raramente obtido na prática, pois o concreto com ele fabricado fica extremamente seco, com a chamada "consistência de terra úmida", uma verdadeira farofa, impossível de ser trabalhada, vibrada, bombeada, etc., no canteiro. 4) Na prática, um concreto corrente é obtido geralmente com fatores a/c superiores a 0,50. A água contida por esse concreto pode então ser subdividida em dois tipos: água de hidratação (relativa ao fator a/c de 0,23 ou 0,23 X massa de cimento do concreto) e água de trabalhabilidade, a água a mais, que é acrescentada para que o concreto possa ser trabalhado na obra. É calculada como: [(fator a/c - 0,23) X massa de cimento].
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A água de hidratação é como diz o nome, aquela que vai ser consumida na hidratação das partículas de cimento. A água de trabalhabilidade é a água que vai misturar-se com as partículas de cimento e formar um filme aquoso (talvez seja melhor dizer pastoso) nas superfícies das partículas de areia e brita, filme este que vai funcionar como um lubrificante, reduzindo o atrito existente entre essas partículas e transformando então um concreto seco em um concreto "plástico", ou "mole", ou ainda "fluido". 5) O concreto fica então menos resistente do que poderia teoricamente ser, para que possa ser trabalhável na obra. Nos concretos correntes, esse comportamento é traduzido pela Lei de Abrams, que estabelece que a resistência do concreto varia na razão inversa do fator a/c, ou seja, quanto maior o fator a/c, menor a resistência do concreto, e vice-versa. 6) Mudando aparentemente de assunto, falemos agora de superfície específica. A superfície específica é a medida da área superficial das partículas contidas em um determinado volume de material. Pode-se demonstrar matematicamente que quanto menores as dimensões das partículas de um mesmo volume de material, maior a superfície específica das partículas contidas naquele volume. Assim, quanto mais fino for, por exemplo, um tipo de agregado, maior a superfície específica das suas partículas, e, portanto, maior a quantidade de água de trabalhabilidade necessária para diminuir o atrito entre partículas, e, finalmente, menor a resistência desse concreto com mais água. Esta é a principal razão pela qual procura-se sempre trabalhar com: • • • os agregados com as maiores dimensões possíveis; as areias menos contaminadas com silte ou argila, que são materiais finos; a menor quantidade possível de cimento.

7) Neste aspecto, é importante também escolher o agregado com formato e textura superficial adequados, pois quanto mais áspera for a sua superfície e mais vértices tiver a sua forma, maior o atrito entre suas partículas, maior a quantidade de água necessária para diminuir o atrito, etc., etc., etc..
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Classificação dos concretos
Alguns tipos de concreto que podem ser produzidos • • • • • • • • • • • Concreto simples Concreto armado Concreto massa Concreto projetado Concreto refratário Concreto com ar incorporado Concreto de alta resistência Concreto auto-adensável Concreto leve Concreto pesado Etc

Quanto a classificação quanto a resistência, por classes e grupos, a NBR 8953, classifica para o grupo I as resistências de concreto C10 a C50 (variando de 5 em 5), onde se indica a resistência em MPa (C40 concreto com resistência de 40 MPa) e

onde a faixa de validade da NBR 6118 – Projetos de estrutura de concreto. Já o grupo II se refere aos concretos de alta resistência e hoje se tem evoluído muito em estudos, pesquisas nesta faixa (estudo em outra disciplina).

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pois que o custo do cimento é. deveriam fazer parte das variáveis e não dos requisitos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . onde o proporcionamento deve levar em conta as características de agressividade da atmosfera. na grande maioria das vezes. c) tipo de agregado disponível economicamente. do solo e eventuais produtos em contato com a estrutura. e) custo. impermeabilidade e outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma certa idade. bem superior ao dos agregados. acabamento. mas nem sempre é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura ou que não apresentem reatividade. _______________________________________________________________________________ 97 Concretos e Argamassas Prof. lançamento (ou colocação). transporte.edu. As principais delas são: mistura (ou amassamento). mas iniciamos com pelo menos os princípios básicos. Dosagem A dosagem do concreto objetiva atender a cinco condições principais: a) exigências de projeto. tais como resistência. Alguns autores colocam ainda uma fase inicial e uma etapa final: a dosagem (ou cálculo do proporcionamento) e o controle tecnológico. apesar de que. Estas duas etapas estudaremos à parte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. d) técnicas de execução. lançamento e adensamento do concreto. b) condições de exposição e operação. adensamento (ou compactação) e cura. a princípio. que são relacionadas a operações de transporte.PRODUÇÃO DE CONCRETO Introdução O processo de produção do concreto geralmente é subdividido em várias etapas. onde admite-se que um concreto econômico quando consegue atender às condições anteriores com um consumo mínimo de cimento.

A mistura tem que ser homogênea. por sua vez. As betoneiras podem ser de vários tipos. neste caso. deve envolver totalmente cada partícula de agregado. A mistura manual está em desuso. Antes de se utilizar uma betoneira. pois a falta de homogeneidade implica em perda de resistência e durabilidade do concreto.edu. promove a mistura dos componentes do concreto. enquanto um tempo longo demais é _______________________________________________________________________________ 98 Concretos e Argamassas Prof. A água deve entrar em contato com as partículas de cimento. só sendo aceitável para pequenos volumes de concreto. bem como a quantidade de betonadas necessárias para executar uma determinada parte da obra. Outro aspecto bastante importante é o tempo ideal de mistura. deve-se procurar utilizar um número inteiro de sacos de cimento. equipamento que é utilizado não apenas nas obras. mas também nos caminhões-betoneira das centrais de concreto pré-misturado (embora. de modo que entrem em contato íntimo uns com os outros. formando a pasta. A mistura mecanizada é realizada em máquinas especiais denominadas betoneiras. pois a fração do saco medida em peso é trabalhosa. por ser pouco precisa. que. não seja basculante). O eixo passa pelo centro do tambor e. embora no Brasil a mais comum seja a betoneira basculante de eixo inclinado. Em cada betonada. Um tempo reduzido demais produz uma mistura imperfeita. para que se possa calcular a quantidade de cada um dos materiais que vai entrar na mistura.Mistura / amassamento É a homogeneização de todos os componentes do concreto. é importante saber a sua capacidade de produção. constituídas por um tambor ou cuba. que também podem ser fixas ou móveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. através de pás. que pode ser fixo ou móvel em torno de um eixo. e a medida em volume não é aconselhável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Para concretos convencionais a ordem mais comum é: 1) Agregado graúdo + parte da água batendo-se a água e a pedra eliminamos eventuais depósitos de materiais que podem estar ainda no interior da betoneira e fazemos a homogeneização da água no agregado graúdo. mantendo-se a principal propriedade do concreto: a resistência à compressão. areia. com todos os materiais no seu interior. do tipo: t = 120 d . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.antieconômico. sem o agregado miúdo. etc. Não deve ser inferior a 1 minuto. Por vezes evita-se colocar toda a água prevista.. para a execução de uma mistura perfeita. brita fina. fazemos a hidratação de quase todas as partículas de cimento. onde: t = tempo de mistura. como a quantidade e o tipo de materiais. a ordem de entrada dos materiais na betoneira.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . garantindo assim uma formação mais completa das reações de hidratação que formam os compostos endurecedores do concreto. d = diâmetro da betoneira. Cada autor também tem a sua preferência. Uma seqüência prática de se usar em obra é a entrada dos materiais na ordem dos mais grossos para os mais finos: brita grossa. cimento e água. Assim vamos evitar que a relação a/c seja maior que a de projeto. em metros. a trabalhabilidade do concreto. em função da umidade de areia que pode estar levando mais água ao concreto do que o esperado.edu. Alguns autores fornecem uma fórmula para o cálculo do tempo de mistura das betoneiras de eixo inclinado. em segundos. _______________________________________________________________________________ 99 Concretos e Argamassas Prof. 2) Cimento + restante (ou quase o restante) da água colocando-se o cimento e o agregado graúdo. o tipo de betoneira. que depende de vários fatores. Uma ordem de grandeza prática para o tempo de mistura de um concreto convencional em obra comum é de 2 minutos. Também é importante. O tempo de mistura é contado a partir do instante que se liga a betoneira.

e ainda não obtivemos a trabalhabilidade necessária (medida pelo ensaio de abatimento de tronco de cone – “slump”) não podemos mais simplesmente colocar água no concreto sob pena de termos uma relação a/c maior e consequentemente uma resistência mecânica menor que a de projeto. Porém. Neste caso. se não foi colocada toda.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para-se a betoneira e com uma colher se faz a soltura desta argamassa e retoma-se a mistura. _______________________________________________________________________________ 100 Concretos e Argamassas Prof. pode-se então completar a água prevista. tendo esta pasta a relação a/c original c) Colocarmos aditivos plastificantes. Nesta etapa em função da trabalhabilidade pretendida e da água. Neste caso sempre temos que ter sempre em estoque algum aditivo e já instruído o operador de como usá-lo. acaba ficando pouco concreto produzido em obra. Atenção: como hoje em dia se usa muito concreto dosado em central (“concreto usinado”). A solução do aditivo plastificante é a mais usual (quando se fala de concreto com controle tecnológico).edu. Muito cuidado. onde o volume é pequeno e se faz em obra e onde a resistência à compressão adquire uma importância maior.3) Areia com a colocação da areia começamos a contar o tempo de mistura verificando se não há a formação de argamassa nas pás (argamassa presa). Neste caso há três soluções mais comum para resolver o problema sem afetar a resistência mecânica: a) Adicionarmos mais argamassa ao concreto mantendo-se nesta argamassa a relação a/c do traço original b) Adicionarmos mais pasta ao concreto. isto acontece exatamente nos pilares. normalmente os pequenos volumes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Observação importante: Se já colocamos toda á água prevista pelo traço.

etc. etc. caminhões. guinchos. • • vertical .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e de maneira tal que mantenha a sua homogeneidade.caçambas. O concreto é lançado no recipiente de admissão (cocho). evite a segregação dos seus componentes. Porém isto não isenta a nossa responsabilidade e o controle do concreto como veremos adiante.. têm uma boa aceitação e geralmente encontram-se em estágio tecnológico bastante razoável.através de vagonetes. etc. desenvolveram-se as centrais produtoras de concreto prémisturado. _______________________________________________________________________________ 101 Concretos e Argamassas Prof. Transporte O concreto deve ser transportado do local de mistura para o local onde vai ser lançado tão rapidamente quanto possível. ou seja. no Brasil.Em obras com grande volume de produção de concreto ou em regiões com grande mercado consumidor. para evitar a segregação). oblíqua ou inclinada .. Em qualquer das formas. passa pelo interior da bomba e é recalcado através de tubulações até alturas que podem ser superiores a 300 m. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. entretanto o transporte do concreto pode ser realizado também por bombas especiais. carrinhos (que devem ter rodas de borracha. calha. que recalcam o material através de um mecanismo de pistões e válvulas.correia transportadora. O transporte do concreto geralmente ocorre das seguintes formas: • horizontal . que..

algumas até automotivas. Para que o material deslize. O material deve também ser protegido contra a secagem excessiva.5 até 8 m3. Alguns cuidados no transporte: a) Quando for feita de uma central dosadora até a obra. é necessária uma inclinação mínima de 13o. Algumas empresas _______________________________________________________________________________ 102 Concretos e Argamassas Prof. As calhas ou canaletas utilizadas no transporte inclinado do concreto geralmente são de madeira revestida por chapa metálica.edu. sem segregação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com cobertura no caso de sol forte. acionadas por controle remoto. O concreto deverá ter consistência fluida e o processo de transporte deve ser contínuo e homogêneo. e a agitação do concreto pode ser realizada em dois sentidos e duas velocidades. quando utilizados no transporte de concreto por longa distância. Geralmente são trucados. como por exemplo. consta que durante a construção do prédio do BNDE.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A capacidade de bombeamento deste tipo de equipamento geralmente é de cerca de 30 m3 por hora. possuem balões com capacidade de transporte de 2. O transporte por esteiras rolantes é em geral mais indicado para os concretos secos. onde uma bomba estacionada no térreo recalcava o concreto até o cocho de uma segunda bomba.No Rio de Janeiro. Este equipamento permite a concretagem de até 3 andares de obra sem a necessidade de nenhuma tubulação adicional. devem dispor de agitação própria. geralmente com uma lança metálica articulada em dois ou três estágios. os concreto-massa de barragem. As bombas de concreto podem ser estacionárias ou móveis. com cerca de 15 m de comprimento. colocada a meia altura do prédio. montadas sobre carroceria de caminhão. para evitar que o concreto quando seja lançado já esteja em início de pega ou muito próximo. e são chamados de caminhão betoneira. Era esta segunda bomba que levava o concreto até o pavimento em execução. temos que controlar o tempo em que foi adicionada a água. utilizou-se um sistema engenhoso. Os caminhões. e pode ser usado tanto na horizontal quanto com pequenas inclinações.

prevendo atraso no transporte, em função de tráfego, fazem a mistura a seco e colocam água somente na obra. Outras utilizam aditivos retardadores de pega no concreto.
Atenção: muito cuidado com concreto com aditivos retardadores de pega, quando da previsão de desforma, pois já houve casos que o módulo de elasticidade exigido na época da desforma não foi atingido, devido ao uso destes aditivos. Acaba por vezes exigindo um tempo maior de escoramento do concreto

b) No transporte vertical ou horizontal por bombas, conforme o dia (umidade do ar, temperatura, exposição ao sol, etc), pode haver perda da traballhabilidade do concreto. A medida do “slump” na saída do caminhão pode atender a exigência de projeto, mas na saída da canalização, acaba sendo menor e pode comprometer o lançamento do concreto. Ver trabalho de TCC da ex-aluna Endriana Kischner Cavalheiro (Concreto bombeado: Verificação da

variabilidade das propriedades entre a saída da caminhão betoneira e a chegada no local de concretagem) c) Quando se faz transporte horizontal dento da obra, por carrinhos ou jericas, deve-se ter um caminho preparado, para evitar solavancos no percurso que podem levar a segregação do concreto

Lançamento / Colocação
O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto no ponto onde ele deverá permanecer definitivamente. O lançamento do concreto nas formas não deve ocorrer em intervalo superior a 30 minutos após a conclusão do amassamento. Na realidade, como o transporte, deve ser realizado no prazo mais rápido possível. Da mesma forma, como no caso do transporte, deve-se também evitar a segregação do concreto durante o lançamento nas formas. O uso de aditivos retardadores de pega pode estender este tempo para até cerca de duas horas, dependendo da eficiência do aditivo e da sua dosagem.
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Nas obras correntes, antes do lançamento do concreto, deve-se umedecer as fôrmas de modo a evitar a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para evitar a fuga de pasta de cimento. Outra situação especial de colocação do concreto em obra é o lançamento em altura. Ao sair da betoneira, o concreto geralmente é submetido a forças externas e internas que tendem a provocar a segregação (separação) dos seus materiais constituintes. Ao lançar o material de grande altura (ou deixá-lo correr livremente) surgirá a tendência de separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para evitar a segregação, a altura máxima de lançamento em concretagens comuns não deverá ultrapassar 2 m. Em pilares mais altos do que isso, por exemplo, podem ser abertas janelas de concretagem à meia altura, na parte lateral da fôrma, que são fechadas à medida que o concreto atinge este nível. Também neste caso pode ser utilizada a tremonha Nos casos mais comuns de vigas e lajes, o concreto deve ser lançado o mais próximo possível da sua posição final, não devendo fluir, "andar", ou ser empurrado dentro das fôrmas. Nas obras de maior porte, o lançamento do concreto deve ser feito segundo um plano de concretagem, elaborado para levar em consideração o projeto de escoramento e as deformações que nele serão provocadas pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço lembrar de escoras que

levantam pela deformação na estrutura de formas/escoramento Deve também ser prevista a ocorrência de interrupções do lançamento de concreto, que venham a provocar as chamadas juntas de construção, ou juntas frias. Estas em geral são provocadas pela impossibilidade do lançamento contínuo de um grande volume de concreto, ocorrência esta previsível ou não, derivada de acidente (como por exemplo, chuva forte, falta de energia, entupimento de bomba, quebra de equipamento de produção ou de transporte do concreto, etc.). Em todos os casos devem ser tomados alguns cuidados. A superfície do concreto velho deve ser apicoada ou limpa com escova de aço até tornar-se rugosa, com o agregado graúdo aparente, para facilitar a aderência com o concreto novo.
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Quando previsível, já ao final do lançamento, deve ser providenciado para que o acabamento de uma camada de concreto não seja executado em superfície lisa. A superfície da junta deve ser perfeitamente limpa, a fim de remover o material solto, o pó, as impurezas, etc., que prejudicam a aderência. Esta limpeza deve ser executada com jato d’água ou de ar comprimido. Quando não for usado o jato d’água, a superfície deve ser abundantemente molhada. Outra boa prática é a previsão de existência de ferros de espera, ou a colocação de pontas de ferro espetadas nas juntas, de modo que venham depois a realizar uma espécie de costura do concreto velho com o novo O projeto de uma estrutura pode também, intencionalmente, prever a existência de juntas, que neste caso recebem a denominação de juntas estruturais. Sua finalidade é a de permitir deslocamentos da estrutura, geralmente provocados por contrações, (retrações e expansões) derivadas de variações de temperatura e umidade, empenamentos, deflexões, recalques, etc.. Uma forma prática de se construir uma junta é a utilização de placas de isopor, que mais tarde são dissolvidas com querosene. Um caso particular de colocação do concreto é o do lançamento submerso. O concreto não deve ser lançado em águas com velocidade superior a 3 m/s (para que não seja "lavado"), nem em temperaturas inferiores a 2 oC (que interferem e até podem impedir a pega do cimento). O material deve possuir consumo mínimo de cimento de 350 kg/m3 (para garantir um fator a/c razoável e diminuir a tendência à segregação) tendo ainda uma consistência plástica, já que em geral não pode ser vibrado após o lançamento. O processo de colocação deve ser contínuo, através de uma tubulação sempre cheia de concreto, cuja ponta deve estar posicionada no interior da massa de concreto já lançada, para evitar que o material caia através da água e a pasta seja separada dos agregados por lavagem. O equipamento geralmente empregado neste processo chama-se tremonha.

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Adensamento / Compactação
O adensamento ou compactação do concreto recém lançado tem por objetivo deslocar, com esforço, os elementos que o compõem e orientá-los para se obter maior compacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e desalojar o ar do material eliminar os vazios da massa, tornando-a mais compacta e, mais

resistente, menos permeável e mais durável Os processos de adensamento podem ser manuais ou mecânicos. O adensamento manual, hoje raramente utilizado, era realizado por socamento ou apiloamento, é indicado apenas para obras de pequena importância. O socamento pressupunha a utilização de soquete metálico ou de madeira, e era utilizado apenas em concretos de consistência plástica. O apiloamento utilizava-se geralmente de pilão de madeira e também era indicado para concretos plásticos. Em ambos os processos a espessura das camadas não deveria ultrapassar 20 cm. O adensamento mecânico compreende os esforços de vibração, centrifugação e vácuo. O mais usado é a vibração em obras convencionais A vibração, processo mais utilizado atualmente, além da desaeração, dá ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água. A vibração não deve ser aplicada diretamente à armadura, que, ao vibrar, deixa um espaço vazio ao seu redor, eliminando a aderência. Caso durante a vibração haja um contato acidental do vibrador com a armadura, deve-se vibrar novamente o concreto nas proximidades.

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A vibração pode aumentar a ascensão à superfície de concreto do excesso de água (fenômeno denominado de exsudação.de 6000 a 20000 vpm. O fato é que a água. empregados em pisos e pavimentações. postes. _______________________________________________________________________________ 107 Concretos e Argamassas Prof. espaços estes que vêm a constituir os poros capilares. que demandam concretos pouco plásticos. os vibradores.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . alta . telhas. vigas.da ordem de 1500 vpm. que é. O diâmetro deste vibrador é um dado importante quando da elaboração do projeto estrutural. Os equipamentos mais utilizados para a vibração do concreto. As características principais dos vibradores de concreto são: a) freqüência. pode-se utilizar a revibração para tentar obturar os poros capilares. pois define o espaçamento entre as armaduras.entre 3000 e 6000 vpm. podem ser: • de imersão (de agulha ou de banana). blocos. usados em peças de maiores dimensões ou com grande densidade de armadura. em geral empregado na produção de prémoldados ou peças pré-fabricadas em usina. geralmente vigas e transversinas de pontes e outras obras de arte especiais. cria canalículos na massa de concreto. na realidade. A revibração (uma segunda etapa de vibração) só deve ser realizada até a metade do tempo de pega do cimento.ex. um caso particular de segregação e que será melhor explicado adiante nas propriedades do concreto). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dormentes. mais utilizados nas obras correntes de edificação. etc. que pode ser • • • baixa .edu. no seu movimento de ascensão. média . • de superfície (placas ou réguas vibratórias). como p.. • de mesa (ou mesa vibratória). • de fôrma. Caso a exsudação ocorra com maior intensidade.

c) amplitude ou raio de ação. O raio de ação de um vibrador é proporcional à raiz quadrada da sua potência para duplicar o raio. Os vibradores mais utilizados no Brasil têm freqüência da ordem de 3500 vpm. para se determinar o raio de ação de um vibrador. é necessário quadruplicar a potência. são mais econômicos.edu. sob este aspecto. já que o seu excesso gera a segregação do concreto. A amplitude de ação depende também das características do próprio concreto. Daí em diante. O período útil de aplicação da vibração corresponde ao aparecimento de uma camada de argamassa na superfície do concreto (superfície torna-se brilhante). b) potência A baixa freqüência exige maior potência do vibrador. Alguns cuidados na utilização de vibradores de imersão: a) Os vibradores devem ser aplicados em posições sucessivas afastadas de distâncias iguais ou inferiores ao raio de ação do vibrador. o efeito da vibração passa a ser nocivo. não ultrapassa os 60 cm. bem como à cessação quase completa do desprendimento de bolhas de ar. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 108 Concretos e Argamassas Prof. que é a distância além da qual o vibrador não exerce influência no concreto. Na prática. a diferentes distâncias do vibrador e mede-se a sua vibração. Em geral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os vibradores de alta freqüência. enquanto nos EUA as normas de concreto corrente impõem o emprego de vibradores com 10000 ou 12000 vpm. cravam-se várias barras de ferro na massa de concreto.A freqüência baixa movimenta os grãos maiores (agregado graúdo) e a freqüência alta movimenta os grãos menores (argamassa ou pasta de cimento).

durante um tempo de 2 a 10 minutos. variável com as dimensões da peça. _______________________________________________________________________________ 109 Concretos e Argamassas Prof. pois fica assegurada uma alta impermeabilidade e uma superfície interior pouco rugosa. Durante a centrifugação ocorre uma classificação dos materiais componente do concreto segundo o seu tamanho. A compactação do concreto por centrifugação é muito empregada no caso da préfabricação de elementos de revolução. o vácuo adensa o concreto por compressão. ambas com o aparelho em funcionamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e) Nas obras. para que se obtenha uma boa homogeneidade do concreto.b) As camadas lançadas de concreto devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante do vibrador de imersão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como postes. Assim libera-se o ar contido no concreto. O processo pode ser usado também em fábricas de pré-moldados. No caso dos tubos isto é ótimo. é boa prática manter-se sempre um vibrador de reserva.edu. O adensamento à vácuo é utilizado em pavimentação de ruas. etc. ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento. estacas. O vibrador nunca deve ser utilizado para transportar ou empurrar o concreto. Além disso. caso contrário poderá ser deixado um vazio na massa de concreto.. Cobre-se o trecho pavimentado com uma manta plástica presa nas bordas e ligada por um tubo por onde se retira o ar aprisionado pela manta. bem como uma parcela da água. e sua retirada muito lenta. tubos. c) A introdução da ponta vibrante no concreto deve ser rápida. As fôrmas em geral são metálicas e atingem velocidades de 12 a 24 m/s. d) O vibrador deverá ser utilizado sempre na vertical. Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça.

principalmente nas primeiras idades do concreto.edu.ex. As condições da temperatura do meio ambiente nas primeiras idades do concreto são as mais importantes. A cura do concreto em obra pode ser realizada de várias formas. Algumas normas (inclusive a brasileira NBR 6118) exigem que a cura seja realizada nos 7 primeiros dias após o lançamento do concreto nas fôrmas. A cura úmida (com água) em comparação com a cura do concreto ao ar.Cura Dá-se o nome de cura ao conjunto de medidas que têm por finalidade evitar a evaporação prematura da água necessária à hidratação do cimento. o que também ocorre com as temperaturas elevadas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de modo que possam ser desenvolvidas as propriedades desejadas no concreto. principalmente em termos de resistência e de durabilidade. que provocam a evaporação de parte da água do concreto. As condições de umidade e temperatura.. embora alguns autores recomendem pelo menos 14 dias de cura para que se tenha garantias contra o aparecimento de fissuras devidas à retração. melhora muito as características finais do material. Aos 28 dias de idade. As baixas temperaturas prejudicam muito o crescimento das resistências mecânicas do concreto. _______________________________________________________________________________ 110 Concretos e Argamassas Prof. fenômeno que rege a pega e o endurecimento do concreto. p. têm importância muito grande nas propriedades do concreto endurecido. como por exemplo: • irrigação periódica das superfícies com água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O Comitê 363 do ACI define cura como o conjunto de procedimentos adotados para a manutenção de um teor de umidade satisfatório e uma temperatura favorável no concreto durante o período de hidratação dos materiais cimentícios. a resistência à compressão do concreto curado em água pode ser até 40% superior à do concreto mantido ao ar.

• recobrimento das superfícies com areia ou sacos de aniagem. que também impedem a evaporação da água. _______________________________________________________________________________ 111 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. que impedem a evaporação da água membranas de cura. mantidos sempre úmidos. • recobrimento da superfície com papéis impermeáveis especiais (do tipo kraft) ou filmes de polietileno.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • Em certos casos a submersão do concreto pode ser indicada. • emprego de compostos impermeabilizantes especiais para a cura.

A fase a seguir. antes do endurecimento. o cimento começa a hidratar-se. o concreto no estado plástico. Entre a mistura e o fim de pega o concreto é dito no estado fresco. A mistura.edu. a situação é denominada fim de pega. denominada endurecimento. _______________________________________________________________________________ 112 Concretos e Argamassas Prof. a pasta começa a perder plasticidade. sabe-se que elas estão relacionadas e têm grande implicação nas propriedades do concreto endurecido.PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO Introdução Entende-se com concreto fresco. convencionalmente. num estágio inicial. O tempo decorrido desde a adição de água ao cimento até o aumento brusco de viscosidade da pasta é denominado. é acompanhada pelo aumento da coesão e pelo ganho de resistência da pasta. Pouco tempo depois.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Algumas propriedades do concreto endurecido dependem fundamentalmente de suas características enquanto no estado fresco. início de pega. Tempos de pega Quando entra em contacto com a água. aumentando sua viscosidade e apresentando elevação de temperatura. tornando-se um bloco rígido. é plástica e chama-se pasta ou calda de cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Quando a pasta deixa de ser deformável em face de pequenas cargas. Ainda que suas propriedades no estado fresco sejam de maior interesse para a aplicação.

que se refere à sua aptidão em ser facilmente misturado. a finura do cimento. A determinação dos tempos de pega dos concretos é importante. como já se mencionou.A duração da pega é influenciada por vários fatores.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 113 Concretos e Argamassas Prof. a temperatura ambiente. transportado. pois são eles que indicam a disponibilidade de tempo para o concreto ser transportado. os tempos de início e fim de pega podem ser determinados com um equipamento que emprega o mesmo princípio da determinação da pega do cimento (a penetração de uma agulha de dimensão conhecida). ou seja. difícil de ser definida. compactado e começar a ser curado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. lançado. evitando a segregação em outras palavras empregado identifica a maior ou menor aptidão do concreto para ser com determinada finalidade. que usam a agulha de Vicat. mantendo a sua integridade e homogeneidade. e existem normas para as suas medidas. colocado e compactado. os cimentos podem ser classificados: • • • Pega rápida tempo de início de pega < 30 min 30 min < tempo de início de pega < 60 min Pega semi-rápida Pega norma tempo de início de pega > 60 min Nos concretos. De acordo com o tempo de pega. mas que possui dimensões bem maiores. Trabalhabilidade É a propriedade do concreto fresco. Cabe ainda salientar que com o início de pega inicia-se um processo de desprendimento de calor devido as reações química. Os tempos de início e fim de pega são características intrínsecas dos cimentos. sem perda de (manipulado) homogeneidade. o fator a/c. sendo os mais importantes a composição química do cimento.edu. bem como a presença de aditivos químicos e/ou minerais no concreto.

adensamento e acabamento A ACI 116R-90 descreve como a facilidade e homogeneidade com que o concreto fresco pode ser manipulado desde a mistura até o acabamento. Existem vários equipamentos. de lançamento e de adensamento. Assim o concreto deve apresentar duas qualidade principais: • Consistência ou fluidez é função da quantidade de água adicionada ao concreto e simplesmente avalia o quão “duro” ou “mole” está o concreto • Coesão é uma propriedade que reflete a capacidade do concreto de manter sua homogeneidade durante o processo de transporte. uma mistura de concreto que não possa ser lançada facilmente ou adensada em sua totalidade provavelmente não fornecerá resistência e durabilidade esperadas. da taxa de armadura. devido à grande quantidade de variáveis envolvidas nessa determinação. bem como da técnica e do tipo de acabamento desejado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 114 Concretos e Argamassas Prof. dos equipamentos de mistura. Entenda-se como manipular Lançamento. pois depende também das geometria da peça estrutural. tais como o custo. do tipo de forma. lançamento e adensamento e é função da quantidade de finos presente na mistura bem como da granulometria e da proporção entre si dos agregados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. TRABALHABILIDADE = CONSISTÊNCIA + COESÃO Importância da trabalhabilidade Independente da sofisticação usada nos procedimentos de dosagem e outras considerações.A ASTM C 125-93 define trabalhabilidade como a energia necessária pata manipular o concreto fresco sem perda considerável da homogeneidade. Nenhum deles consegue quantificar perfeitamente a trabalhabilidade. de transporte.edu. técnicas e tipos de ensaios para a determinação da trabalhabilidade dos concretos. A trabalhabilidade do concreto é uma definição relativa.

Um abatimento forma do normal pode indicar uma mudança imprevista nas proporções da mistura.Nas obras correntes. o slump test não é adequado e existem outros tipos de ensaios. é o "Ensaio de Determinação da Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone". o método mais utilizado (muito mais pela sua simplicidade do que pela sua precisão e representatividade). também conhecido como "slump test" – NBR 7223.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. _______________________________________________________________________________ 115 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Ensaio de Slump test principal função é fornecer um método simples e conveniente (além de barato) para controlar a uniformidade da produção de concreto de diferentes betonadas. Ensaio de abatimento de tronco de cone a) molde metálico preenchido de concreto b) medição do abatimento Para concretos com muita trabalhabilidade – concretos auto-adensáveis – e para concretos muito consistentes.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sobre ensaios de trabalhabilidade e como leitura complementar recomendamos o trabalho recente (2008) . indica os limites de consistência em função da aplicação e tipo de adensamento do concreto: A consistência indicativa do concreto em função do tipo de elemento estrutural.editado pela Argos. Silvio Edmundo Pilz.A importância deste controle do abatimento pode ser visto na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. para adensamento mecânico.Procedimentos para ensaios de concreto fresco: um comparativo entre as técnicas utilizadas no Brasil e Alemanha .edu. do prof. A tabela a seguir.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . vemos na tabela seguinte: _______________________________________________________________________________ 116 Concretos e Argamassas Prof.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó o concreto perde a consistência. a adsorção na superfície dos produtos de hidratação e a evaporação de água capacidade de fluir. _______________________________________________________________________________ 117 Concretos e Argamassas Prof. quanto maior o tempo de transporte. dependendo do caso. Ocorre devido a hidratação do cimento.Perda da trabalhabilidade com o tempo Uma determinação realizada no concreto fresco. por exemplo.edu. Regra geral. Neste caso. ou seja a . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. que não deve ser deixada de lado por ocasião do emprego prático do concreto em obras. Em função disto para que o concreto possa ser manipulado desde a mistura até o acabamento é comum dosa-lo com um abatimento inicial maior que o previsto Sua importância deriva de três aspectos principais: • nem sempre é possível lançar o concreto nas fôrmas imediatamente após a transporte. no caso de concreto pré-misturado em central e fornecido às obras em caminhõesbetoneira (que estão sujeitos ao fluxo de trânsito das cidades). Esse tempo pode chegar a ser bastante significativo. um aditivo retardador de pega pode ajudar. que pode ser pequeno ou não. é a da perda de trabalhabilidade (ou de slump) do concreto com o tempo. como.

mas a perda de trabalhabilidade desse concreto será mais rápida do que a de um concreto corrente. Regra geral. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. no verão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • a utilização crescente de aditivos químicos nos concretos. apresenta como efeito colateral uma perda acelerada de trabalhabilidade do concreto. Em casos especiais. regra geral.• existem locais onde a temperatura ambiente é elevada. ser até de 25 cm. evitando o trabalho com cimento quente. Neste caso. O abatimento inicial de um concreto pode. quanto mais elevada a temperatura ambiente. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. com o auxílio do superplastificante. Perda de abatimento em função da mistura. Para ilustrar segue a seguir quadro mostrando a perda de abatimento em algumas misturas de concreto com o passar do tempo. e protegendo a água e os agregados da insolação direta.edu. normalmente iniciando após 15 mminutos. como o Rio de Janeiro. pode-se substituir parte da água de amassamento do concreto por gelo. ou resfriar a massa de concreto (já misturada) com nitrogênio líquido. é boa prática trabalhar com os materiais nas temperaturas mais baixas possíveis. (Mehta & Monteiro. 1994) Mistura de concreto 1 2 3 4 5 6 Temperatura do concreto oC 21 21 21 29 29 29 Abatimento (mm) Inicial 191 181 127 181 191 140 30 min 178 121 111 137 140 114 60 min 140 83 79 111 89 92 90 min 95 64 57 67 64 67 _______________________________________________________________________________ 118 Concretos e Argamassas Prof. principalmente no caso de superplastificantes. temperatura do concreto e abatimento inicial. recém chegado da fábrica.

acabamento • Alta temperatura do concreto devido ao calor de hidratação excessivo ou uso de materiais no concreto que tenham sido estocados a uma temperatura ambiente muito alta Problemas de perda de abatimento ocorrem mais freqüentemente em climas quentes. manuseado e lançado. Quanto mais alta a temperatura na qual o concreto é misturado. Causa e controle da perda de trabalhabilidade Algumas causas dos problemas de perda de abatimento são • • Emprego de cimento de pega anormal Tempo muito longo de mistura. ou água gelada para diminuir a temperatura do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . transporte.O que pode acontecer com a perda de abatimento: • • • • • Necessidade extra de água Aderência do concreto dentro da caçamba da betoneira e caminhão betoneira Dificuldade de bombeamento e lançamento do concreto Queda da produtividade da mão de obra Perda da resistência e durabilidade (colocação extra de água) Um carregamento perdido de concreto duvidoso pode representar um ótimo negócio para a empresa de serviços de concretagem comparado ao seu possível uso e falha de desempenho. maior é a probabilidade de que a perda de abatimento seja a causa de problemas operacionais. adensamento. Em certas situações usa-se gelo (em escamas ou picado). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. lançamento. _______________________________________________________________________________ 119 Concretos e Argamassas Prof.edu.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A influência da dosagem na consistência considerando-se: • • • Relação água / cimento (a/c) Relação agregados / cimento (ag/c) Quantidade de água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dentro de certos limites é independente de outros fatores.edu. pode-se dizer que Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência fluida Diminui Constante Aumenta Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência igual Diminui Diminui Constante _______________________________________________________________________________ 120 Concretos e Argamassas Prof. Consumo de água O abatimento ou consistência do concreto é uma função direta da quantidade de água na mistura.Medidas preventivas para controla a perda de abatimento • • • Eliminar qualquer possibilidade de atraso nas operações de concretagem Manter a temperatura do concreto entre 10oC e 21oC Controle laboratorial das características de pega e endurecimento do cimento Fatores que afetam a trabalhabilidade 1.

3 mm peneira 0. Areias mais grossas e grãos arredondados necessitam menos água para uma dada consistência misturas trabalháveis Areias muito finas e grãos angulosos necessitam mais água para uma dada consistência misturas ásperas e pouco trabalháveis.15 mm entre 6% e 17% (max. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 27%) entre 2% e 7% (max. apresentam excelente coesão.15 mm.3 mm (material fino). Um aumento do consumo de cimento. 3. mas tendem a ser viscosos. NBR 7211 peneira 0. 22%) Para concreto com alto consumo de cimento (material fino) pode-se utilizar agregados com menos finos que outro executado com menor consumo de cimento _______________________________________________________________________________ 121 Concretos e Argamassas Prof. dificultando o acabamento e prejudicando o aspecto final da superfície. Características dos agregados O tamanho e a forma das partículas dos agregados influencia na água necessária para uma dada consistência. Algumas normas consideram teores mínimos de material passante na peneira 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Para que um concreto seja trabalhável e tenha coesão. é necessário um percentual mínimo de material passante na peneira 0. Consumo de cimento Uma diminuição do consumo de cimento tende a produzir misturas ásperas.2.edu.

4. Melhora a coesão pela redução da exsudação e da segregação. lançamento e adensamento diferença das massa específicas e nos tamanhos das partículas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Segregação e exsudação A SEGREGAÇÃO é definida como sendo a separação dos componentes do concreto fresco de tal forma que a sua distribuição não é mais uniforme. recuperando esta perda. É uma tendência natural do concreto.edu. Desta forma permitem execução de concreto com baixa relação a/c. 5. • O aditivo incorporador de ar reduz a resistência à compressão. pode permitir uma redução no consumo de água. principalmente nas etapas de transporte. • O aditivo redutor de água (plastificantes) para uma quantidade de água constante aumenta o abatimento. obtendo estruturas com grande resistência e durabilidade. mas como melhora a trabalhabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. diminuindo a relação a/c. Adições Pozolanas (materiais muito finos) tendem a aumentar a coesão e a diminuir a trabalhabilidade. Aditivos • O aditivo incorporador de ar aumenta o volume da pasta e melhora a consistência para uma dada consistência. Há duas formas de segregação: • Tendência dos agregados maiores se separarem por deslocamento e sedimentar mais que as partículas menores pobre evita-se a segregação adicionando água ocorre em misturas secas e _______________________________________________________________________________ 122 Concretos e Argamassas Prof.

a parte superior do concreto torna-se excessivamente úmida (ou seja. sobe para a superfície das peças concretadas. Com a evaporação dessa água. A exsudação dos concretos é um caso particular de segregação. formam "estuários" e deságuam em "oceanos" no exterior das peças concretadas. recém-colocado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o concreto endurecido tenderá a _______________________________________________________________________________ 123 Concretos e Argamassas Prof. e o componente mais leve. que começam como uma rede de "riachos". quando os componentes sólidos mais pesados depositam-se no fundo das fôrmas ou moldes. e que.• Tendência da pasta se separar dos agregados excessiva de água ocorre devido adição Segregação excessiva pode ocorrer em concretos pouco coesivos devido a facilidade de deslocamento dos agregados em relação à pasta fresca aumentam a coesão do concreto O risco de segregação é diminuído: • • • • Evitar o manuseio excessivo do concreto fresco Excesso de vibração Alturas de lançamento não serem grandes Modificação da granulometria dos agregados a adição de finos A EXSUDAÇÃO é definida como o aparecimento de água na superfície após o concreto ter sido lançado e adensado. que se agrupam em "rios". a tendência da água de amassamento vir à superfície do concreto fresco.edu. nas proximidades das superfícies do concreto. porém antes de ocorrer a sua pega. A subida da água ocorre com a formação de canais capilares. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a água. portanto. Como conseqüência da exsudação. É. com um fator a/c mais elevado que o restante da massa de concreto).

entretanto. pode carregar partículas de cimento. a chamada nata de cimento. sendo. Além disso. areia e argila presentes como impureza do agregado forma de lama sob a superfície do concreto e depositando sob a pulverulência Esta era a descrição clássica da exsudação. a água. Recentemente. Com o acúmulo de água na sua superfície. conseqüentemente. a superfície dos agregados. o concreto desta região passa a ter um fator a/c mais elevado que o restante. na medida que pode ser identificada do exterior das peças concretadas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ou interface agregado . Os primeiros são as barras de armadura. menos resistente aos esforços mecânicos e à penetração de agentes químicos agressivos. sendo esta a principal razão da existência da já muito mencionada zona de transição entre os agregados e a fase pasta de cimento. não consegue atingir a sua superfície. Descobriu-se porém que a exsudação pode também ser interna à massa de concreto.pasta. portanto menos resistente. que se convencionou chamar de externa. Nata porosa é quando a água percola nos capilares internos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a água pode acumular-se em filmes ou bolsas. mas que. num segundo ponto preferencial. verificou-se que este é apenas um dos casos de exsudação. Fica então prejudicada a aderência concreto-armadura. entretanto. quando se tiver juntas de concretagem. na superfície das peças concretadas.ser poroso na superfície e. _______________________________________________________________________________ 124 Concretos e Argamassas Prof. formando. concentrando-se em alguns pontos pelo caminho. Estes pontos em geral são de dois tipos. Essa nata deve ser cuidadosamente removida.edu. carregando as partículas mais finas de cimento. Desta mesma forma. no seu movimento de ascensão. Este é o caso de um determinado volume de água que sobe pela massa de concreto. que dificulta a ligação de novas camadas de concreto com as antigas (aderência concreto velho-concreto novo).

• • • • utilização de traços de concreto mais ricos em cimento.edu. _______________________________________________________________________________ 125 Concretos e Argamassas Prof. apesar de ocorrer com muita freqüência. como. por exemplo. os aditivos minerais. é um fenômeno geralmente indesejado nas obras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . adição de materiais finos ao concreto. conseqüentemente. especificação adequada da trabalhabilidade do concreto para a execução de um determinado serviço. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. emprego de cimentos mais finos. emprego de agregados de grãos arredondados. A sua intensidade pode ser atenuada de várias formas: • • proporcionamento (dosagem) adequada dos componentes do concreto.A exsudação excessiva.

A massa específica é expressa em kg/dm3. ou seja. ou seja. A presença de aditivos químicos e/ou minerais pode alterar a exsudação do concreto. a grosso modo. a mais na composição do concreto. por exemplo. com o auxílio de aditivos químicos plastificantes/ redutores de água. Esta determinação é importante para a verificação da segurança das fôrmas e escoramentos de uma obra. conforme já se mencionou. para promover a resistência do concreto aos ciclos alternados de congelamento e degelo). ser estimada para efeito do próprio dimensionamento da forma. inclusive. pode ser de dois tipos: o ar aprisionado pelo concreto (geralmente durante o próprio processo de fabricação) e o ar intencionalmente incorporado ao concreto (geralmente com o auxílio de aditivos químicos incorporadores de ar. _______________________________________________________________________________ 126 Concretos e Argamassas Prof.4 kg/dm3. Nos concretos correntes. tanto para mais quanto para menos. o excesso de água de trabalhabilidade. a massa específica do concreto pode. Repare-se que a água que exsuda é apenas aquela que não foi capaz de se imiscuir na mistura dos outros componentes do concreto e lá permanecer. Teor de ar do concreto O ar presente no concreto. por exemplo. a massa específica costuma ser da ordem de 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é uma água livre. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que ali está apenas por uma questão de trabalhabilidade do material. deve-se evitar.edu. Em casos especiais. Massa específica A massa específica de um concreto no estado fresco é determinada pesando-se um determinado volume conhecido de concreto e dividindo-se o resultado pelo outro. de todas as maneiras.Em geral. podem ser combatidas. pela revibração do concreto. As conseqüências do excesso de exsudação. a massa pelo volume.

Os concretos correntes geralmente possuem um teor de ar aprisionado da ordem de 1 a 2%. o que pode colaborar para um eventual decréscimo de resistência. Alguns aditivos minerais muito finos idem.edu.Acontece algumas horas após o concreto fresco ter sido colocado em formas devido a redução do seu volume fissuras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Mudanças iniciais de volume Retração Plástica . Alguns tipos de aditivos superplastificantes tendem a aumentar a quantidade de ar aprisionado pelo concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As fissuras se desenvolvem acima das obstruções para uniformizar o assentamento do concreto barras de aço e grandes partículas de agregado _______________________________________________________________________________ 127 Concretos e Argamassas Prof.

Causas de retração plástica: • • • • Exsudação e Sedimentação Absorção de água pela forma ou pelo agregado Rápida perda de água por evaporação Deformações (inchamento ou assentamento da forma) O aumento da evaporação de água e fissuramento por retração plástica decorre de: • • • Alta temperatura do concreto Baixa umidade Vento de alta velocidade Medidas preventivas para evitar mudanças iniciais de volume • • • Umedecimento da sub-base e das fôrmas Umedecimento dos agregados quando secos e absorventes Manter baixa a temperatura do concreto fresco pelo resfriamento do agregado e da água de amassamento _______________________________________________________________________________ 128 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• Proteger o concreto durante qualquer demora apreciável entre lançamento e acabamento • • Reduzir o tempo entre lançamento e início de cura Minimizar a evaporação Temperatura do concreto: alguns aspectos Concretagem em Clima Frio • • • Existe pouca hidratação Existe pouco ganho de resistência (congelado e mantido abaixo de -10° C) Protegido contra a expansão gerada pelo congelamento da água Concretagem em Clima Quente • • • Aumenta perda de abatimento Aumenta fissuração por retração Reduzir o tempo de pega do concreto fresco _______________________________________________________________________________ 129 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

PROPRIEDADES DO CONCRETO ENDURECIDO Convencionou-se denominar de propriedades do concreto endurecido uma série de características distintas dos concretos.700 kgf/m3 (concretos com agregados pesados o Concreto simples o Concreto armado 2. a forma e a graduação dos agregados. a idade de ensaio.300 kgf/m3 2. Um bom exemplo são os principais fatores que afetam as resistências mecânicas dos concretos. Massa específica Varia entre 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o tipo de cimento. Existem. a duração da carga.500 kgf/m3 Resistência à esforços Concreto resiste bem a esforços de compressão e mal a esforços de tração (1/10 da resistência à compressão) Concreto resiste mal a cisalhamento (esforço de corte) _______________________________________________________________________________ 130 Concretos e Argamassas Prof.edu. a velocidade de aplicação de carga durante a realização do ensaio. As mais importantes delas serão expostas a seguir. São eles: • • • • • • o fator água-cimento. entretanto alguns pontos comuns a todas elas.500 kg/m3 (concretos com agregados leves) a 3.

Resistência à compressão A resistência à compressão é uma das características mais importantes dos concretos. tem-se usado para os pilares resistências maiores (40 MPa. para cada concreto individualmente.. por exemplo. e se estabeleça uma correlação ou razão de crescimento da resistência à compressão de um dado concreto ao longo do tempo. em especial em garagens). Em peças de concreto pré-moldado e/ou protendido. que se meça a resistência à compressão em idades anteriores aos 28 dias. Nada impede. iniciando-se normalmente em 30 MPa. viadutos. correlações.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Geralmente é medida aos 28 dias de idade em corpos de prova cilíndricos. para que o responsável técnico possa estimar. Existem muitas relações de crescimento da resistência à compressão dos concretos. já aos 3 ou 7 dias de idade. por exemplo). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Com a moderna tecnologia de utilização conjunta de aditivos químicos Mais adiante veremos algumas superplastificantes e aditivos minerais de grande finura. etc. como pontes. o fck (resistência característica do concreto à compressão) especificado pelo calculista. já é possível obter-se resistências à compressão superiores a 100 MPa. é que elas sejam deduzidas caso a caso. A resistência à compressão usual em obras de edificações situa-se geralmente na faixa de 20 a 25 MPa. Atualmente em função de e poder usar prensas de menor capacidade e de facilidade de transporte dos CP’s. Em função de custos e para a diminuição de seções (para ganhos de espaços. entretanto. usa-se o molde cilíndrico de 10 x 20 cm (mantida a relação 1 para 2). com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. _______________________________________________________________________________ 131 Concretos e Argamassas Prof. Nas obras. se o concreto atingirá. O ideal. aos 28 dias. o mesmo acontecendo no concreto moldado in loco de obras de maior responsabilidade. porém. deduzidas por vários autores. isto serve como balizamento. a resistência à compressão dos concretos costuma ser um pouco mais elevada.

Lobo Carneiro. ensaiados deitados na prensa de compressão. do prof.No ensaio de determinação da tensão de ruptura do concreto à compressão é muito importante a configuração de ruptura dos corpos de prova que. A vantagem do ensaio por compressão diametral é que o corpo de prova é o mesmo utilizado no ensaio de compressão. medida em vigas prismáticas de concreto. _______________________________________________________________________________ 132 Concretos e Argamassas Prof. Problemas relativos à variabilidade da resistência à compressão devido a ensaios podem ser visto em capítulo específico na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. vai confirmar se o corpo de prova não foi submetido à compressão excêntrica. A tensão é aplicada pela prensa em dois pontos nos terços do comprimento ou em um ponto centralizado do corpo de prova. ou seja. moldados. em última análise. medida em corpos de prova com o formato de oito (8) ou com chapas coladas nas extremidades de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. geralmente o ensaio é realizado em prismas de concreto. provocada por falta de ortogonalidade ou paralelismo entre as faces sujeitas à compressão. • resistência à tração por compressão diametral de cilindros de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é conhecido internacionalmente como "Ensaio Brasileiro". Silvio Edmundo Pilz. Resistência à tração A resistência dos concretos à tração pode ser medida de três formas diferentes: • resistência à tração direta. Este ensaio.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . não há necessidade de vários tipos de moldes nem procedimentos de moldagem nas obras e laboratórios. • resistência à tração na flexão. devido ao Prof. biapoiados em roletes cilíndricos de aço. A norma brasileira (NBR 12142) usa o primeiro tipo.

que exige precisão de equipamentos e de operadores.A resistência dos concretos convencionais à tração geralmente é da ordem de um décimo da resistência à compressão. realizado nas próprias obras. nos mesmos corpos de prova. É muito empregado no cálculo estrutural. A NBR 6118. Pode ser determinado (e geralmente é) em conjunto com o módulo de elasticidade. e. o que significa dizer que. Módulo de elasticidade (E) É a relação entre a tensão e a deformação do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A regra geral do ensaio é a aplicação ao concreto de uma tensão conhecida e a medida da deformação do corpo de prova. Nos concretos convencionais.0 e 4. Como a determinação do módulo de elasticidade dos concretos é realizada através de um ensaio um pouco mais sofisticado. mais raramente ainda. é da ordem de 20.edu.0 MPa. além de equipamentos que permitam a leitura da deformação longitudinal. durante os mesmos ciclos de carga. Coeficiente de Poisson É a relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal do concreto. no mesmo ensaio. Para isso é necessário apenas que os corpos de prova.000 MPa. determina uma fórmula para obtenção do “E” a partir do fck do concreto. para quando não se possui ensaios específicos Pode ser medido em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. para determinar-se a deformação que sofrerá uma peça submetida a um determinado esforço de compressão. nos concretos convencionais (20 a 40 MPa) . possuam também equipamentos que _______________________________________________________________________________ 133 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. normalmente situa-se entre 2. geralmente é pouco realizado. ou 20 GPa.

e a deformação sofrida durante a carga geralmente desaparece na descarga.2.permitam a leitura simultânea das deformações transversais. O carregamento. apenas com a diferença de que o ciclo de carga é de longa duração. Obtidos estes resultados. o corpo de prova é carregado. Fluência O módulo de elasticidade de um material é. A fluência é um fenômeno semelhante.edu. entretanto é relativamente rápido e a deformação é dita instantânea. descarregado. e as deformações _______________________________________________________________________________ 134 Concretos e Argamassas Prof. Nos concretos correntes o coeficiente de Poisson geralmente situa-se em torno do valor 0. calcular a deformação transversal de um pilar submetido a uma compressão longitudinal. como já se disse. pouco tempo depois. É o coeficiente de Poisson que permite. basta dividir a deformação transversal pela longitudinal.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a relação entre um carregamento aplicado e a conseqüente deformação sofrida pelo material. durante a realização do ensaio para a determinação do módulo de elasticidade. e. por exemplo. Por outras palavras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o carregamento é dito permanente.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a fluência do concreto em esforços de compressão é levada em conta nos cálculos. A técnica de ensaio segue os mesmos princípios da de determinação do módulo de elasticidade. É o caso. e. é mantida ao longo do tempo.85. bem como pelo impacto e atrito causado pelo arrastamento de partículas e objetos soltos. Pode ainda ser produzido pela ação de _______________________________________________________________________________ 135 Concretos e Argamassas Prof. em grande parte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. apenas com a diferença de que ao invés de serem realizados ciclos de carga e descarga. ao longo do tempo. Conhecendo-se então o coeficiente de fluência de um determinado concreto. Periodicamente são realizadas medidas da deformação sofrida pelo corpo de prova.são sofridas pela estrutura ao longo do tempo idem. não desaparecem quando a estrutura é descarregada. já que estarão indisponíveis por um período de tempo muito maior. da deformação de uma viga causada pelo seu próprio peso (carga de peso próprio) que funciona como se fosse um carregamento permanentemente distribuído pela extensão da viga. os equipamentos empregados devem ser mais robustos e mais baratos.edu. Desgaste por abrasão O desgaste por abrasão de uma superfície de concreto é provocado em geral pelo tráfego de pessoas e veículos. o corpo de prova é submetido a uma carga que não é aliviada. por exemplo. ou seja. Os corpos de prova em geral são parecidos ou mesmo iguais aos empregados na determinação do módulo de elasticidade dos concretos. é possível calcular-se a deformação lenta que uma dada estrutura vai sofrer quando submetida a uma determinada carga permanente. A fluência é então a deformação sofrida por uma estrutura quando submetida. minorando a resistência em fator multiplicador de 0. Na norma brasileira NBR 6118. Por ser um ensaio que geralmente dura vários anos. a uma carga permanente.

além de areia. _______________________________________________________________________________ 136 Concretos e Argamassas Prof. Sabendo-se a tensão de tração aplicada na armadura e registrando-a em cinco pontos de deslocamento pré-fixado. Como a barra atravessa o cubo. contudo determinar-se a resistência do concreto à abrasão. Basta moldar vários corpos de prova com o mesmo concreto. Para finalizar.ou na água . é importante registrar que este ensaio pode ser realizado com o propósito inverso. pilares de pontes e pernas de plataformas de petróleo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. principalmente nas aplicações em pavimentos como os de estradas e pontes.partículas suspensas no ar . é possível calcular-se a tensão nominal média de aderência que cada concreto imprimiu à barra metálica padrão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em pisos industriais e em obras hidráulicas como os vertedouros de barragens. pode carregar partículas de maiores dimensões e. eventualmente. onde a água. ou seja. embora nenhum deles tenha aceitação unânime internacional. Aderência por arrancamento É a medida da aderência de um tipo padrão de barra de armadura a vários tipos diferentes de concreto. onde o vento geralmente carrega muitas partículas de areia . É importante.caso de canais. até blocos de gelo.edu. Existem vários tipos diferentes de aparelhos para a determinação do desgaste sofrido pelo concreto quando solicitado por abrasão. Os corpos de prova geralmente são constituídos por uma barra de armadura incorporada a um cubo de concreto ao longo de um comprimento conhecido.casos de construções e monumentos no deserto ou em região praiana. é possível tracioná-la em uma das extremidades e medir o seu deslocamento no interior do cubo de concreto na outra extremidade. porém incorporando os diversos tipos de armaduras cuja aderência se quer medir comparativamente. com o objetivo de aferir a aderência de um determinado tipo de armadura de aço a um determinado tipo padrão de concreto.

Fatores que afetam a resistência mecânica São muitos os fatores que afetam as resistência mecânicas do concreto. curado em água (cura adequada) depende de apenas dois fatores: • • Relação a/c Grau de adensamento _______________________________________________________________________________ 137 Concretos e Argamassas Prof. RESISTÊNCIA DO CONCRETO PARÂMETROS DA AMOSTRA DIMENSÕES GEOMETRIA ESTADO DE UMIDADE RESISTÊNCIA DAS FASES COMPONENTES PARÂMETROS DE CARREGAMENTO TIPO DE TENSÃO VELOCIDADE DE APLICAÇÃO POROSIDADE DA MATRIZ FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE HIDRATAÇÃO POROSIDADE DO AGREGADO POROSIDADE DA ZONA DE TRANSIÇÃO FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE COMPACTAÇÃO GRAU DE HIDRATAÇÃO INTEGRAÇÃO QUÍMICA ENTRE AGREGADO E PASTA Na prática da engenharia considera-se que a resistência de um concreto.Esta aderência na parte de cálculo e análise estrutural é muito importante e a NBR 6118 determina a valor de cálculo a partir do fck do concreto. quando não se realizou ensaios específicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

edu.48 a 0.65 a 0. A B valor na ordem de 1000 varia com a idade e qualidade do aglomerante (cimento) É o principal fator a ser controlado quando se deseja atingir determinada resistência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a) Relação água cimento (a/c) Lei de Abrams: f cj = A B a c A resistência é inversamente proporcional à relação água cimento. Não é linear.60 0.60 a 0. considera-se a resistência mecânica como inversamente proporcional à relação a/c.Quando o concreto está plenamente adensado (nem mais nem menos). revestido e interno Concreto em obras normais (fck 20 MPa).54 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.54 a 0.70 _______________________________________________________________________________ 138 Concretos e Argamassas Prof. exposto Concreto em contato com água sob pressão Concreto em contato com meio agressivo 0.65 0. Fator a/c indicado para alguns casos Concreto em obras normais (fck 20 MPa).

b) Idade A resistência do concreto progride com a idade.5 fc3 • fc90 = 1. justificado pela menor aderência entre pasta/agregado porém concretos com seixos permitem uma trabalhabilidade melhor o que possibilitaria diminuir o a/c havendo conseqüente aumento de resistência. Concretos com britas de menor diâmetro tendem a gerar concretos mais resistentes.10 a 1. É explicado pelo mecanismo de hidratação do cimento que se processa ao longo do tempo.20 fc28 • fc365 = 1.05 a 1. _______________________________________________________________________________ 139 Concretos e Argamassas Prof. em especial aos cimentos pozolânicos.5 fc7 • fc28 = 1. tipo de cimento e idade c) Forma e graduação dos agregados Em igualdade de relação a/c. mantida a relação a/c porém concreto com britas maiores é mais econômico (necessita menos argamassa).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . os concretos com seixos tendem a ser menos resistentes que concreto com pedra britada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.70 a 2.25 a 1.35 fc28 Adiante vemos tabela que relaciona relação a/c. Idade padrão para referenciar a resistência: 28 dias • fc28 = 1.edu.

68 0.36 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .64 0.22 0.38 0.50 0.36 0.48 0.48 0.62 0.00 1.51 0.48 0.78 0.47 0.82 0.68 0.48 0.58 0.66 0.16 1.69 0.78 fc28 Mpa 43 35 28 23 18 40 33 27 22 18 51 40 32 26 20 40 31 25 20 15 55 42 36 29 23 Coeficiente médio fcj / fc28 3d 0.13 CP II-E CP II-Z CP II-F CP III CP IV CP V _______________________________________________________________________________ 140 Concretos e Argamassas Prof.86 0.34 0.00 1.68 0.61 0.14 1.38 0.22 1.04 1.00 1.35 0.00 1.78 0.00 1.00 1.69 0.00 1.43 7d 0.70 0.69 0.57 0.00 1.46 0.23 1.53 0.54 0.00 1.31 1.38 0.25 1.00 1.00 1.26 1.74 0.54 0.60 28d 1.48 0.68 0.11 1.58 0.20 1.00 91d 1.17 1.61 0.00 1.49 0.00 1.38 0.26 1.00 1.38 1.21 1.00 1.48 0.62 0.26 1.00 1.38 0.00 1.32 0.58 0.16 1.34 1.08 1.Evolução da resistência com o tempo em função da relação a/c Cimento CP I CP I-S Relação a/c 0.40 0.30 1.78 0.16 1.18 1.00 1.42 0.60 0.00 1.35 0.29 0.00 1.50 0.38 0.25 1.00 1.00 1.68 0.58 0.58 0.00 1.78 0.00 1.48 0.71 0.77 0.28 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.06 1.71 0.26 0.edu.60 0.52 0.55 0.72 0.71 0.28 1.40 0.

Suponha-se agora que num determinado dia a doceria tenha sido particularmente desastrada. O teste na doceria é feito pela retirada de uma amostra da massa a cada volume equivalente a 50 quindins. algumas até 7 e até 12 quindins defeituosos. Defeituosos: 400 quindins (4. ou coco. nestes dois dias. O segundo verifica se a mistura foi boa e não há pontos de concentração de farinha. a produção mensal mostrou-se estritamente conforme! Entretanto. mistura conforme). massa para 60 quindins por dia a cada uma. O controle da concreteira que adota a NBR 7212 . Ora. inclusive algumas reclamações por intoxicação e riscos à saúde. a cada 50 quindins. apresentou neste mês uma quantidade pouco maior de quindins não-conformes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Uma doceria produz massa para 300 quindins por dia. Resumindo: • • A produção de uma usina de concreto é controlada pelo seu todo. ou seja. Isto significa uma fração defeituosa máxima de 5%. Fornece às padarias. Dois testes são feitos na massa: teste de plasticidade e teste de homogeneidade.44% < 5%. Por exemplo: Produção mensal: 9. mas o valor final. Egydio Herve Neto aborda o assunto do controle do concreto em obra x concreteira. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. isto equivaleria a produzir 0.000 quindins. misturas com parcela defeituosa de 20%. Defeituosos:2 quindins (3. resultando em grande prejuízo perante os clientes.33% < 5%. que amostra o concreto a cada 50 m3. Conclusão: A Norma que vale para o controle das obras é a NBR 12655. volume aplicado em um dia. O primeiro verifica se a massa tem a consistência ideal.20 x 300 x 2 = 120 quindins defeituosos nestes dois dias. ou farinha molhada. algumas padarias receberam em sua cota diária de 60 quindins. algo que gerou durante dois dias.CONTROLE E ACEITAÇÃO DO CONCRETO Introdução Antes de abordarmos o assunto vemos ver de como o bem humorado Eng. ou tenha recebido uma partida com ovos estragados. ou ovo. A concretagem de uma obra deve ser feita usando-se a NBR 12655. aquele doce). ficou bem abaixo de 5%.edu. etc. A quantidade de quindins defeituosos ao final do mês informa se a porcentagem defeituosa foi respeitada. de toda a produção.serve apenas para que ela garanta a uniformidade da produção como um todo. mistura conforme). com amostragem de no mínimo 6 exemplares (muito maior que a concreteira) e pode apresentar-se não-conforme. Por exemplo: Entrega diária: 60 quindins. enfim. mesmo que a concreteira possua conformidade pela NBR 7212. A amostragem da doceria. aumentando suas chances de aceitação nas obras. a cada lote concretado. A qualidade tem que garantir que pelo menos 95% da massa atinja uma qualidade ideal de mistura homogênea. _______________________________________________________________________________ 141 Concretos e Argamassas Prof. O teste na padaria é feito para pelo menos o equivalente a 6 quindins. Controle Tecnológico do concreto e os quindins Para abordar este assunto vou falar a respeito da produção de uma massa: a massa de quindins (isto aí. usando-se a Norma NBR 7212.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Deve ser definido o plano de amostragem a ser adotado em função das peças a serem concretadas. O controle tecnológico do concreto é regido pela NBR 12655 e veremos adiante alguns aspectos relativos a ela. _______________________________________________________________________________ 142 Concretos e Argamassas Prof. levantar elementos que permitam verificar a conformidade do concreto fornecido com o concreto especificado e estudado. Os dados obtidos serão submetidos a análise e em função das mesmas serão estabelecidas as correções necessárias ou melhorias que possam ser introduzidas. Controle Tecnológico O controle tecnológico é a atividade que tem por objetivo.Então. durante a produção. inicialmente. Para o concreto endurecido normalmente controla-se à resistência à compressão. volumes lançados e propriedades que se deseja medir. com a medição do abatimento (slump test). aonde vimos que normalmente controlamos a trabalhabilidade (consistência + coesão). duas perguntas: Por que controlar o concreto? • • Para garantir que o fckest ≥ fck Porquê é obrigatório por norma O que devemos controlar? • As propriedades do concreto fresco e do concreto endurecido O controle das propriedades do concreto fresco foi estudado anteriormente em capítulo específico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

Resistência à compressão através dos Corpos-de-prova A NBR 5739 em conjunto com a NBR 12655. Estes dois CP’s são rompidos e obtidos dois resultados de resistência à compressão do concreto. para uma determinada idade. _______________________________________________________________________________ 143 Concretos e Argamassas Prof.edu. devemos ter 24 CP’s. devemos ter 12 amostras tiradas de diferentes betonadas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para cada idade. determina que deva sempre se ter para cada amostra de concreto. O valor representativo desta amostra é o maior valor dos dois resultados resistência potencial do concreto Assim se para representarmos estatisticamente a resistência de um concreto produzido para uma obra. dois corpos de prova. sempre aos pares.

A dispersão é avaliada pela fórmula da variança (s2) : s2 = ( X − xi ) 2 ∑ i =1 n n Essas fórmulas seriam aplicadas estatisticamente para representar todo o universo de dados. o lançamento é adequado. mas como os resultados são diferentes uns dos outros. ou seja. adensamento e cura. onde vemos que é a resistência que potencialmente um determinado concreto pode ter. Ocorre que normalmente não temos todos esses valores – somente uma parte do universo. não há transporte.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Resumo de estatística Universo conjunto de resultados. todas estas etapas são otimizadas. Média ( X ) o valor em torno do qual se concentram os resultados. No projeto esta diferença é levada em conta nos chamadas coeficientes de segurança dos materiais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 144 Concretos e Argamassas Prof. mas que dificilmente não irá atingir na obra em função das perdas durante as operações de transporte. passa a existir maior ou menor afastamento de cada um deles em relação à média do conjunto. É o valor médio de todos eles. lançamento. Já nos ensaios. o adensamento é o melhor possível e a cura otimizada.O conceito de resistência potencial do concreto pode ser visto no gráfico acima. os diversos resultados ( xi ) podem ter maior ou menor dispersão (afastamento da média). Número de resultados (n) Dispersão : em volta da média.

Inicialmente sabemos que num universo de dados. seja compensadas. este valor é determinado estatisticamente. com infinitas amostras. Resistência de projeto (fck) Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). Resistência de dosagem Então temos que produzir um concreto com resistência de valor maior que o fck. as fórmulas estatísticas são alteradas para que seja representada pelo desvio-padrão (σ). Plotando-se isto _______________________________________________________________________________ 145 Concretos e Argamassas Prof.edu. No Brasil. Estas perdas dependem do controle que fazemos no concreto e são representadas pelo desvio padrão. Quanto o mais deve ser este valor? Depende o grau de confiabilidade e precisão (traduzindo por segurança) que queremos em nossa estrutura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Para atingir fck devemos produzir um concreto (virado em obra ou em central) maior de tal maneira que as perdas da resistência ocorridas durante as etapas de transporte. lançamento. os resultados variam em torno de uma média de valores.Então. sendo este uma medida reconhecida de dispersão de valores.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . podendo ser representado pelo desvio padrão. adensamento e cura.

levando-se em conta o desvio-padrão “t” de Student ( t= 1.65 x Sd sendo Sd = desvio padrão _______________________________________________________________________________ 146 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. considerando-se a média e o desvio-padrão. pelo menos 95% destes valores estejam acima do valor do fck.edu. Conceitos estatísticos nos dão o quanto este valor deve-se ser maior que a média.num gráfico de densidade de frequência x resistência (fc) temos uma curva de distribuição normal (curva de Gauss).65) . Pretende-se então que quando rompermos os CP’s.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . fcj = fck + 1.

haverá um valor médio e um desvio padrão de produção. bom e ótimo a necessidade de se ter um determinado valor do fcj a ser atingido na resistência de dosagem para poder atingir o fck na estrutura _______________________________________________________________________________ 147 Concretos e Argamassas Prof. Com o uso de ferramentas estatísticas chega-se a esta fórmula fcj = fck + 1. nos controles ruim. temos para um determinado concreto de obra. médio. quer seja de 20. Para um determinado número de ensaios dos CP realizados para a comprovação do concreto elaborado pela empresa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Resistência de projeto x resistência de dosagem Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto). Para que pelo menos 95 % dos valores de resistência do concreto (ensaios) tenham este valor. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 30 ou 40 MPa.0 MPa Sd = 5. seguindo os valores indicados por vários autores • • • • Controle ruim Concreto médio Concreto bom Controle máximo Sd = 7.edu.0 MPa Sd = 2. devemos então fazer o concreto com um valor acima do fck.65 x Sd Sd = desvio padrão Alguns exemplos.5 MPa Sd = 4. Este valor é o que chamamos de resistência de dosagem do concreto (fcj) e irá depender do controle de qualidade de cada empresa.0 MPa Exemplo prático da vantagem do controle Considerando os valores sugeridos pelos autores para os desvios padrão relativos aos graus de controle do concreto.

Aceitação do concreto O controle de aceitação é necessário para sabermos se determinado concreto que foi colocado na estrutura atingiu a resistência esperada ou não e saber se devemos tomar providências ou não.55 29. para um custo de controle e de ensaios de dosagem na ordem de R$ 1.60 46.55 39.30 41.Valores de fcj (MPa) a ser produzido para atingir o fck em função do grau de controle utilizado Controle fck 20 MPa fck 30 MPa fck 40 MPa Ruim Médio Bom Máximo 31.60 33. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.00 só no concreto.30 51. e sabendo que para cada MPa de redução da resistência pode representar uma diminuição de 6 kg de cimento e considerando o preço do saco de 50 kg como sendo de R$ 25.30 Sabendo que o maior responsável pelo custo do concreto é o cimento.08 36.250.55 49.500.edu.08 26.08 46.00 / saco temos uma redução de 30 kg de cimento para um controle ruim para bom o que representa uma redução de valor de R$ 15.00 por m3 de concreto. CONCLUSÃO VALE A PELA CONTROLAR CONCRETO. Num prédio normal de 10 andares que consome na média 750 m3 de concreto a redução com concreto efetivo do processo de produção e um estudo de dosagem representa uma economia de R$ 11. Ou seja.00.60 23. determinamos o fckest É regulado pela NBR 12655 que identifica dois tipos de controle de resistência _______________________________________________________________________________ 148 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

o valor do fckest na idade especificada é dado por: _______________________________________________________________________________ 149 Concretos e Argamassas Prof. com número de exemplares (par de CP’s) de acordo com o tipo de controle. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• Por amostragem parcial (dividido ainda em para menos de 20 amostras ou mais de 20 amostras) • • Por amostragem total Controle excepcional especiais. este terceiro tipo somente é aceito para casos Inicialmente dividimos a obra a ser concretada em lotes. a) Para lotes com número de exemplares 6 ≤ n < 20.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Um lote de concreto é um volume definido. mesma família.edu. as amostras devem ser de no mínimo seis exemplares para concretos convencionais. mostra os valores para a formação de lotes do concreto Solicitação principal dos elementos estruturais Compressão ou Flexão simples compressão e flexão 50 m3 100 m3 1 3 dias concretagem 1 Limites superiores Volume / concreto Nº de andares Tempo de concretagem 1) Controle por amostragem parcial Neste tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas de concreto. elaborado e aplicado sob condições uniformes (mesma classe. mesmos procedimentos e mesmo equipamento). A tabela a seguir. para a amostragem. na NBR 12655. De cada lote deve ser retirada uma amostra.

+ f m −1 − fm = 2× m −1 m = n/2 . em ordem crescente Também não se deve tomar para fckest valor menor que seguinte. água em massa e corrigida em função da estimativa da umidade de areia e da determinação da consistência do concreto.. admitindo-se interpolação linear.. fm Despreza-se o valor mais alto de n. f2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. água em massa e agregados em massa combinado com volume (conversão de massa para volume de maneira confiável. levando-se e conta a umidade da areia) Condição C: cimento em massa.. . se for ímpar valores das resitências dos exemplares.edu. agregados em volume. _______________________________________________________________________________ 150 Concretos e Argamassas Prof..f ckest Onde : f1 + f 2 + . Ψ6 . f 1 obtidos na tabela Observação: As condições de preparo da tabela anterior são: Condição A: cimento e agregados e água medidos em massa sendo a água corrigida em função da umidade dos agregados Condição B: cimento medido em massa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .. f1.

b) Para lotes com número de exemplares n ≥ 20 f ckest = f cm −1. Quando o valor de i for fracionário adota-se o número inteiro imediatamente superior.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . calculado com um grau de liberdade a menos (n-1) (MPa) 2) Controle por amostragem total (100%) Consiste no ensaio de exemplares de cada amassada de concreto e aplica-se a casos especiais.05 n. S d Onde : fcm Sd é a resistência média dos exemplares do lote (MPa) é o desvio padrão da amostra de n elementos. f ckest = f i i = 0. f ckest = f1 a) para Onde : n > 20. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 151 Concretos e Argamassas Prof.65 .edu. a critério do responsável técnico pela obra. Não há limitação para o número de exemplares do lote e o valor estimado da resistência característica é dado por: a) para n ≤ 20.

satisfazer a relação f ckest ≥ f ck O que fazer se não for atendida esta relação? Aguardem os próximos capítulos (disciplinas) _______________________________________________________________________________ 152 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . quando o valor estimado da resistência característica. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. denominados excepcionais. f1 Aceitação do concreto Os lotes de concreto devem ser aceitos. Neste casos.3) Casos excepcionais Pode-se dividir a estrutura em lotes correspondentes a no máximo 10 m3 e amostrálos com número de exemplares entre 2 e 5. o valor estimado da resistência característica é dado por: f ckest = Ψ6 .

em palestra realizada nas XXIX Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural. a Federal Highway Administration previu que até o ano 2. • esta quantidade está aumentando à ordem de 35. o Prof.000 pontes de concreto encontram-se em recuperação. P.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Mehta. • • em 1990 esta previsão foi revista para 200 bilhões de dólares. em 1997. Paulo Monteiro.000 tabuleiros por ano.000 apresentam problemas.DURABILIDADE Introdução e importância Ao autores Mehta e Monteiro (1994).A.U.U. Mais recentemente.). das quais 250. • no início da década de 80. até 1987 haviam sido constatados problemas de durabilidade em 253.A.000 seriam gastos 100 bilhões de dólares só na recuperação e reforço de pontes. _______________________________________________________________________________ 153 Concretos e Argamassas Prof. em palestra realizada no Rio de Janeiro. apresentou os seguintes dados: • nos E.000 pontes. existem 500. o setor de recuperação estrutural cresceu 2 vezes mais que a construção civil. da Universidade de Berkeley (E. em Punta Del Este (Uruguai).A.K.U. Já em 1997 o Prof.. colocaram que nos países industrializados mais de 40% dos recursos da indústria da construção são aplicados no reparo e manutenção de estruturas existentes. na década de 80.edu. 22. que complementam os anteriores: • • nos E. no momento. apresentou novos dados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dia 13/11/2000.000 tabuleiros de ponte. o problema principal é a corrosão de armaduras. também da Universidade de Berkeley. a um custo estimado de 20 bilhões de dólares.

abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. a durabilidade passa a ser outra característica cada vez mais exigida do concreto.. 15 vezes menor do que o custo de recuperação depois que a corrosão se propaga.• os E. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.U. em média. Trocando em miúdos.edu. Então está mais do que na hora dos engenheiros tomarem conta do aspecto durabilidade em projetos de estruturas de concreto. assim como mais de 1000 pontes. as resistências mecânicas do concreto estrutural continuam sendo necessárias. Isto já ocorre na Inglaterra. nos E.U. atual. mas já não são mais suficientes como única forma de qualificação deste material de construção. como as regiões polares. em escala mundial.A. e que envolve números muito grandes. o concreto durável conservará a sua forma original. isto é. desde 1995. ataques químicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . isto significa que a durabilidade das estruturas de concreto é um assunto muito importante. desde 1999. em breve estarão gastando mais dinheiro na recuperação das pontes existentes do que na construção de novas pontes. qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao seu meio ambiente. e no Canadá. Durabilidade é a capacidade de resistir à ação das intempéries. Conceito De acordo com a norma americana ACI 201 de 1991. Pode-se dizer que o material atingiu o fim da sua vida útil quando suas propriedades sob dadas condições de uso deterioram a um tal ponto que a continuação do uso _______________________________________________________________________________ 154 Concretos e Argamassas Prof. • o custo de recuperação logo que surgem os primeiros sinais de corrosão é. • existem no momento. O tema cresce ainda mais em importância a partir do momento que a construção civil começa a estar cada vez mais presente em ambientes agressivos. 150 barragens de grande porte com problemas de reação álcali-agregado.A. os desertos e os mares. Nestes casos.

e até as águas muito puras.deste material é considerada. • variações de temperatura. como insegura.. EXTERNAS: • ações mecânicas. fadiga. impacto. o gás carbônico. bem como a cristalização de sais nos seus poros.edu. como os cloretos. _______________________________________________________________________________ 155 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . chega a 9%). como sobrecargas. • variações de umidade. que podem provocar fissuração de origem térmica. etc. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. movimentação de fundações. ou antieconômica é sinônimo de durabilidade. etc. na passagem do estado líquido para o sólido. • expansão provocada pela contaminação de agregados com cloretos sulfatos. os sulfatos. os ácidos em geral. que podem provocar a perda de água e a instabilidade volumétrica dos concretos. evaporação da água do concreto ou ciclos alternados de congelamento e degelo (quando a expansão volumétrica da água. uma vida útil longa Formas mais comuns de ataque ao concreto estrutural INTERNAS: • expansão provocada pela reação de determinados tipos de agregados com os álcalis do cimento. abrasão. • ataques de substâncias químicas agressivas.

f) condições de cura.edu. d) presença de aditivos químicos e minerais na composição do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . g) idade do concreto. Muitos pesquisadores consideram a corrosão das armaduras como o estado limite mais crítico sob o ponto de vista da durabilidade das estruturas. levam o concreto à fissuração. Características do concreto relacionadas a durabilidade PERMEABILIDADE Permeabilidade é definida como a propriedade que governa a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso A permeabilidade do concreto é função das permeabilidades da pasta de cimento e dos agregados. degradação. em geral. natureza e granulometria do cimento. podem provocar vários mecanismos de ataque que.Essas formas de ataque. alteração. reação química. isoladamente. sem dúvida. _______________________________________________________________________________ 156 Concretos e Argamassas Prof. c) fator A/C. e até ao colapso estrutural. Depende ainda de: a) natureza e dimensão dos agregados. e) intensidade e direção da compactação. bem como do proporcionamento relativo dessas duas fases do concreto. a corrosão das armaduras. b) dosagem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. expansão. Uma das mais sérias conseqüências dos ataques sofridos pelo concreto estrutural armado é. ou em conjunto.

forçando-o a circunscrever as partículas do agregado. sua presença prolonga o trajeto do fluxo.edu. No concreto bem curado a pasta de cimento não é o principal fator a contribuir para o coeficiente de permeabilidade A composição do cimento tem influência na velocidade de hidratação e. Quanto maior o grau de hidratação da pasta. Para reduzir o volume de vazios do agregado. com o passar do tempo. Sabe-se que. menor o espaço disponível para o gel e. para uma mesma relação água/cimento. Influência do agregado Se o agregado de um concreto tem baixa permeabilidade a área onde o fluxo de água pode ocorrer é reduzida e. menor a permeabilidade (os poros reduzem a um tamanho pequeno. contribuindo para a redução da permeabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . embora possam produzir problemas em sua trabalhabilidade. _______________________________________________________________________________ 157 Concretos e Argamassas Prof. granulometrias descontínuas são mais indicadas. Em nossa região é muito difícil ter-se agregados com grande porosidade. Para que isso ocorra. conseqüentemente. menor que 100 µm e perdem suas interconexões). a forma de seus grãos e seu comportamento quando da adição da água. Normalmente a permeabilidade do agregado é menor do que a da pasta de cimento típica (< 3%). deve ser estudada o teor de finos necessário. é fundamental a cura do concreto. somente neste aspecto afeta permeabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Neste caso. a permeabilidade do concreto é menor quanto menor for a relação água/cimento. Concretos impermeáveis podem necessitar de uma quantidade de finos maior que a usualmente tolerada nos concretos normais.Influência da pasta Para um mesmo grau de hidratação. cimentos com menor área específica produzem concretos com mais porosidade que cimentos mais finos.

Influência no concreto Considerando agora o concreto. Pode-se dizer que a permeabilidade do concreto ou da argamassa é maior que a permeabilidade da pasta devido a presença de microfissuras presentes na fase de transição entre agregado e a pasta de cimento. maior o coeficiente de permeabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quanto maio o tamanho do agregado. Na figura a seguir observa-se a fase ou zona de transição onde vemos uma maior presença de etringita (que é expansiva) que o composto endurecedor C-S-H. gerando as fissuras nesta região. Zona de transição agregado – representação gráfica _______________________________________________________________________________ 158 Concretos e Argamassas Prof.edu.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.Causas de deterioração do concreto CAUSAS FÍSICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO DESGASTE DA SUPERFÍCIE FISSURAÇÃO ABRASÃO EROSÃO CAVITAÇÃO MUDANÇAS DE VOLUME CARGA EXPOSIÇÃO ESTRUTURAL A EXTREMOS CAUSAS QUÍMICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO HIDRÓLISE DOS COMPONENTES DA PASTA DE CIMENTO TROCAS IÔNICAS ENTRE FLUIDOS AGRESSIVOS E A PASTA DE CIMENTO REAÇÕES CAUSADORAS DE PRODUTOS EXPANSIVOS Desgaste da superfície Pode ter: Abrasão de veículos atrito seco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Ex: Desgaste de pavimentos e pisos industriais pelo tráfego _______________________________________________________________________________ 159 Concretos e Argamassas Prof.

devemos reduzir a formação da nata superficial. A água em solução salina irá penetrar e deteriorar o material por tensões internas resultante da pressa o dos sais. agregados menores que 25 mm e com uma distribuição granulométrica adequada e uma baixa consistência de lançamento e adensamento. onde temos uma superfície em contato com o meio agressivo e a outra superfície sujeita a evaporação. Como medida adicional para aumentar a durabilidade da superfície.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . postergando (atrasando) o desempenamento. Tubulações para transporte de água e esgotos Cavitação Perda de massa pela formação de bolhas de vapor e sua ruptura de direção em águas. _______________________________________________________________________________ 160 Concretos e Argamassas Prof. por serem expansivos.podemos melhorar a resistência à abrasão. ou seja. ter uma resistência à compressão aos 28 dias maior que 40 MPa. num muro de concreto. Fissuração interna Podemos ter uma fissuração pela ação da cristalização de sais nos poros do concreto. não possui alta resistência ao atrito Para superfícies normais de concreto (não em condições severas). maior que 28 MPa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. uma baixa relação a/c.Erosão Desgaste pela ação abrasiva de fluidos contendo partículas sólidas em suspensão Ex: Revestimento de canais. que podem causar danos consideráveis. devemos lançar mão de usar agregados de alta dureza (tipo Korodur). Para condições mais severas de abrasão e erosão. como por exemplo. tendo concretos com resistência . Em especial os sulfatos. até que a superfície tenha perdido a água de exsudação superficial (sem a nata porosa). Ex: Tubulações com devida a mudança repentina irregularidades na superfície do revestimento Cabe comentar que a pasta de cimento com alta porosidade e baixa resistência e com agregados que não possui resistência ao desgaste. combinada com uma cura úmida por sete dias ou mais.

quanto dos grãos reagiram com a água e da umidade presente na pasta na hora do incêndio.Ação do congelamento Situação típica para climas frios e superfícies de concreto expostas. tais como pavimentos de concreto.edu. ou seja. de sua permeabilidade e da umidade presente nestes agregados. Os danos podem ser variáveis. muros de arrimo. Destacamento superfícies expostas descamam ou destacam Ação do fogo O concreto é incombustível e não emite gases tóxicos e quando exposto a altas temperaturas comum num incêndio (± 800 a 850 oC ) é capaz de manter a resistência por períodos longos Efeito da alta temperatura na pasta de cimento Esta depende do grau de hidratação da pasta. dos tamanhos dos agregados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas mais comum temos: Fissuração simples ruptura por ação expansiva do gelo no interior do concreto mesma situação anterior. _______________________________________________________________________________ 161 Concretos e Argamassas Prof. etc. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pontes. Efeito da alta temperatura no agregado Agregados porosos podem causar expansões destrutivas (pipocamento) dependendo da taxa de aquecimento. porém com repetidas vezes Fissuração e destacamento na situação de gelo-degelo.

em águas subterrâneas e águas do mar e o íon H+ em águas industriais .5. A carbonatação em sim não é uma ação deletéria. Carbonatação é um termo utilizado para descrever o efeito do dióxido de carbono. Deterioração por ações químicas Estas ações são as interações químicas entre agentes agressivos presentes no meio externo e os constituintes da pasta de cimento. da corrosão. mostrou que se tinha pouco efeito na porcentagem da resistência a compressão retida após a exposição a altas temperaturas. Carbonatação O processo mais comum para reduzir o pH do concreto é a carbonatação do concreto. com pH entre 12. O concreto é um meio normalmente alcalino.Efeito da alta temperatura no concreto A resistência original do concreto.edu. para estudos feitos entre 23 e 45 MPa. + + - _______________________________________________________________________________ 162 Concretos e Argamassas Prof. pois esta se manifesta em meios neutros ou levemente alcalinos (pH menor que 9. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. K e OH . devido a presença de íons Na . porém abre caminho para que a corrosão das armaduras se processe. usualmente da atmosfera nos materiais cimentícios. Este pH alcalino protege as armaduras presentes no concreto. o SO4-2 e Cl.0) A taxa em que o agente agressivo irá agir. apesar de que carbonatação x corrosão não estão inexoravelmente interligados.5 e 13. Fatores que podem diminuir o pH do concreto são o CO2 em águas puras e estagnadas e do ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . irá depender do pH do agente agressivo (normalmente um fluido seja líquido ou gasoso) e da permeabilidade do concreto.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 163 Concretos e Argamassas Prof.

álcali-sílica R. É uma reação (cria-se um gel) que provoca expansões. mas mais lenta (rochas de felspatos. quartzitos) R.edu.Alguns fatores que influenciam na velocidade e profundidade de carbonatação do concreto são: • • • • • • • • Idade do concreto Relação a/c Caracteristicas do agregado Meio ambiente e grau de exposição Duração e condições de cura Umidade relativa do ar Fissuras etc Reações álcalis – agregado (RAA) RAA é um processo químico em que alguns constituintes mineralógicos do agregado reagem com hidróxidos alcalinos (provenientes do cimento em especial) que estão dissolvidos na solução dos poros de concreto. álcali-carbonato agregados calcário dolomítico x hidróxidos alcalinos sílica amorfa x hidróxidos alcalinos idem anterior. movimentações diferenciais nas estruturas. _______________________________________________________________________________ 164 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . álcali-silicato granitos. exsudação de gel e redução das resistências a compressão e tração. R.

Vemos na figura acima a presença das bordas de reação bem definidas e presença de gel gretado na interface pasta-agregado. onde ocorreu fissuração devido as reações expansivas álcali-agregados _______________________________________________________________________________ 165 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Na figura acima vemos um bloco de fundação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

Exigências de durabilidade Inicialmente vejamos como as normas brasileiras tratam da durabilidade das estruturas de concreto Versão da NBR 6118 (1980) Quando o concreto for usado em ambiente reconhecidamente agressivo. que serão vistas adiante nas disciplinas de estrutura de concreto _______________________________________________________________________________ 166 Concretos e Argamassas Prof. deverão ser tomados cuidados especiais em relação à escolha dos materiais constituintes. Nesta atual norma. respeitando-se o mínimo consumo de cimento e o máximo valor da relação água/cimento compatíveis com a boa durabilidade do concreto. há dois capítulos dedicados a questão da durabilidade das estruturas. sem exigir medidas extras de manutenção e reparo. NBR 6118 (2003) – Versão final As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. Era isto e tão somente assim tratada a questão da durabilidade nesta versão!!! Versão da NBR 6118 (2001) As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . estabilidade e aptidão em serviço durante um período mínimo de 50 anos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

tipo de cimento. Products and Components” trata do tempo de vida útil das estruturas de concreto Então. 1992 . teor de argamassa.Guide to Durability of Buildings and Building Elements. Adoção de Condições de Trabalho 3. b) Geometria dos elementos: cobrimento 4.Vejamos como a norma inglesa “BS 7543. levando-se em conta: 1. assim como na equivalência à segurança estrutural. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. relação água/cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Adoção de Manutenção Preventiva _______________________________________________________________________________ 167 Concretos e Argamassas Prof.edu. tem que ser realizado um projeto de durabilidade. Adoção de a) Propriedades dos materiais: tipo de concreto. Classificação da Agressividade Ambiental 2. etc mínimo.

compatíveis com as condições de exposição da estrutura e com a sua vida útil esperada. Na construção • deve-se realizar a escolha e dosagem dos materiais de acordo com as condições de exposição da estrutura. • a natureza e a dosagem do cimento: o uso de cimentos especiais e/ou a substituição de parte do cimento por aditivos minerais. • em termos de dosagem de água. deve-se especificar cobrimentos mínimos de armadura. podem revelar-se importantes em relação à durabilidade da estrutura. que impeçam o acúmulo de líquidos agressivos. deve-se prever a localização de juntas de dilatação. a segregação. deve-se detalhar adequadamente os diâmetros e espaçamentos das armaduras. mesmo quando consideradas insignificantes do ponto de vista estrutural. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. bem como um máximo que evite problemas como a fissuração provocada pela liberação do calor de hidratação. • em termos de quantidade de cimento.Principais providências que podem ser tomadas para garantir a durabilidade de uma estrutura No projeto arquitetônico deve-se prever formas adequadas de escoamento e drenagem. evitando assim o peneiramento e o surgimento de “ninhos de abelha” ou “bicheiras”. sem prejuízo da trabalhabilidade do concreto. a exsudação. A escolha do fator a/c adequado influencia as resistências mecânicas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Obs: Determinados tipos de fissuras. deve empregar a menor relação (ou fator) a/c possível. deve prever um mínimo necessário à obtenção das resistências mecânicas.de modo a permitir um completo preenchimento das fôrmas com concreto. a _______________________________________________________________________________ 168 Concretos e Argamassas Prof.edu. para reduzir ao mínimo a fissuração. No projeto estrutural deve-se considerar todas as solicitações a que a estrutura estará submetida durante sua vida útil.

a porometria. • nos procedimentos de pesagem. transporte e lançamento do concreto. a porosidade. a permeabilidade. etc.retração.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 169 Concretos e Argamassas Prof. • a cura. que constitui-se em um dos fatores principais para a garantia do desenvolvimento das resistências mecânicas e das características associadas com a durabilidade dos concretos. como a porosidade. etc. em suma.edu. • deve-se adotar procedimentos adequados de lançamento e adensamento. deve-se contar com equipamentos e mão-de-obra adequados. mistura. com o mínimo de trabalho executado na superfície do concreto fresco. em especial na zona junto à superfície da peça concretada.. etapas estas que influenciam a homogeneidade do concreto endurecido. a permeabilidade. deve ser realizada de modo muito criterioso.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • o acabamento deve ser realizado com os equipamentos e a mão-de-obra adequados. influencia todos os parâmetros diretamente relacionados com a durabilidade dos concretos. de modo a garantir um proporcionamento perfeito e uma manipulação que evite a segregação do material. com reflexos importantes na porosidade e na permeabilidade.

edu. _______________________________________________________________________________ 170 Concretos e Argamassas Prof. Pedido pelo consumo de cimento O concreto é solicitado especificando-se o consumo de cimento por m3 de concreto. estabelecendo três formas principais e algumas exigências complementares: • Pedido pela resistência característica do concreto à compressão • Pedido pelo consumo de cimento • Pedido pela composição da mistura (traço) Pedido pela resistência característica do concreto à compressão O concreto é solicitado especificando-se a resistência característica do concreto à compressão. estabelecem as condições específicas para o pedido do concreto.PEDIDO DE CONCRETO Introdução A NBR 7212.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a dimensão (diâmetro) característica do agregado graúdo e o abatimento ( slump) do concreto fresco no momento da entrega. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a dimensão (diâmetro) máxima característica do agregado graúdo e o abatimento do concreto fresco ( slump) no momento de entrega. em conjunto com a NBR 14931.

podem ser solicitadas outras características de parâmetros entre os quais: a) tipo de cimento. etc.2: 0. se for o caso.60 referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre ao total da massa de aglomerantes Exigências complementares Além das exigências constantes de cada modalidade de pedido. c) aditivo. i) propriedades e condições especiais. h) características especiais como: teor de argamassa ou de agregado miúdo. g) tipo de lançamento: bombeável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . fluência.edu. módulo de deformação. como: retração. d) relação água-cimento máxima. designado pela função ou denominação comercial. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. TRAÇO Aditivos Adições A/C CI: AR: BR: A/C 1: 2. resistividade e outras.Pedido pela composição da mistura (traço) O concreto é solicitado especificando-se as quantidades por m3 de cada um dos componentes. _______________________________________________________________________________ 171 Concretos e Argamassas Prof. temperatura do concreto. cor.3: 3. massa específica e outras. permeabilidade. e) consumo de cimento máximo ou mínimo. f) teor de ar incorporado. b) marca de cimento. autoadensável. submerso.. incluindo-se aditivos.

j) menção de todos os demais itens especificados no pedido. além dos itens obrigatórios pelos dispositivos legais vigentes. o valor de abatimento obtido seja igual ou superior a 10 mm. h) quantidade de água adicionada na central. desde que: a) antes de se proceder a esta adição. Adição complementar de água Somente de admite adição suplementar de água para correção do abatimento.Volume mínimo de entrega Deve ser fixado de acordo com as especificações do equipamento. i) quantidade máxima de água a ser adicionada na obra. nem inferior a 1 m3. quando for o caso. deve conter: a) quantidade de cada componente do concreto. antes do início da descarga. devido à evaporação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. não se recomendando que esse volume seja inferior a 1/5 da capacidade do equipamento de mistura ou agitação.edu. _______________________________________________________________________________ 172 Concretos e Argamassas Prof. g) aditivo utilizado. d) abatimento do tronco de cone ( slump). f) resistência característica do concreto à compressão. e) dimensão máxima característica do agregado graúdo. b) volume de concreto. quando especificada. Documentos de entrega O documento de entrega que acompanha cada remessa de concreto. c) hora de início da mistura (primeira adição de agua).

A adição suplementar mantém a responsabilidade da empresa de serviços de concretagem.b) esta correção não aumente o abatimento em mais de 25 mm. Qualquer outra adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto exigidas no pedido e este fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. c) o abatimento após a correção não seja superior ao limite máximo especificado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. _______________________________________________________________________________ 173 Concretos e Argamassas Prof. d) o tempo transcorrido entre a primeira adição de água aos materiais até o início da descarga não seja inferior a 15 min. Deve ser autorizada por elementos formalmente representantes das partes e tal fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. pelas propriedades do concreto constantes no pedido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. agregados. os mais utilizados são: Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul (ITERS). Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Existem vários métodos para a determinação da dosagem.edu. durabilidade e economia. resistência. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. Então o objetivo geral de uma dosagem escolha dos materiais adequados entre é a busca para a melhor proporção entre cimento. O princípio da dosagem é fazer um balanço entre trabalhabilidade. Em todos os métodos não há um que tenha uma expressão matemática exata que defina a composição do concreto. para fazer um concreto que atenda a aqueles disponíveis e a determinação da combinação mais econômica destes que produza um concreto que atenda a certas características de desempenho mínimo Como objetivos específicos temos: • Obter um produto que tenha um desempenho que atenda a certos requisitos previamente estabelecidos: Trabalhabilidade (concreto fresco) e Resistência (Concreto endurecido). sendo que. A escolha de um dos métodos é mais uma questão de adaptação ao tipo de concreto que se deseja produzir (trabalhabilidade) e aos materiais empregados. é o método experimental do IPT. no Brasil. aditivos e adfições.DOSAGEM DE CONCRETOS Introdução A dosagem é a determinação da quantidade de cada um dos materiais (proporcionamento dos materiais) para a produção de um metro cúbico de concreto. água.A. O mais utilizado. que teve contribuições do método do ITERS.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . (IPT) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Numa melhor definição de dosagem certa especificações prévias. _______________________________________________________________________________ 174 Concretos e Argamassas Prof.

porém de propriedades não ótimas. conforme a região. Por isto se diz que Dosagem é a arte de contrabalançar efeitos conflitantes. A consistência é a facilidade de fluir e a coesão é a resistência à segregação. Consumo de água Porém cabe salientar de início que o controle destas variáveis gera alguns efeitos conflitantes. tal como o controle da trabalhabilidade (consistência + coesão). porém na escolha dos materiais deve se fazer o equilíbrio entre os materiais tecnicamente aceitáveis porém mais caros e os materiais economicamente atraentes. Podemos aumentar facilmente a trabalhabilidade. Mehta e Monteiro (1994) consideram que a dosagem de concreto é mais uma arte do que uma ciência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sabe-se que o custo é um fator de extrema importância. com mais água ou aditivos. em torno de 70 a 80 %. A consideração chave na dosagem do concreto é que o cimento responde pela maior parte do custo do mesmo. Consumo de cimento Relação areia/agregado graúdo. Então a opção _______________________________________________________________________________ 175 Concretos e Argamassas Prof. porém podemos perder muito em coesão. Da mesma forma o conflito entre trabalhabilidade e resistência.edu.• Mistura de concreto que satisfaça os requisitos de desempenho ao mínimo custo possível Para alcançar estes objetivos devemos controlar algumas variáveis no processo: • • • • • • • Relação pasta/agregados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Relação água/cimento. Teor de argamassa Aditivos .

mas. que não somente reduzem o preço do cimento. É de conhecimento da comunidade da construção que para atingir a resistência à compressão mínima. é notório que há muita variabilidade no processo. Estes procedimentos acontecem pela falta de conhecimento dos encarregados da produção do concreto e pela falta de controle. os concretos dosados em obra empregam um consumo excessivo de cimento. sendo variáveis as informações necessárias.mais adequada é reduzir o consumo de cimento. Portanto. Entre os motivos principais. deve ser irrigado com a maior quantidade de água possível.edu. sem dúvida está exatamente na mudança das propriedades do concreto fresco. devem ser conhecidas condições iniciais da obra. elevando o custo final do concreto e que por vezes esta resistência ainda assim acaba não sendo alcançada. e que acontece simplesmente pelo aumento de água. normalmente já vem dos próprios fabricantes a utilização de materiais pozolânicos (cinzas volantes. Fernando Luiz Lobo Carneiro (1953). pois indispensável propagar entre os mestres de obra a noção fundamental de que o concreto deve ser fabricado com a menor quantidade de água possível. etc) em substituição ao cimento puro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ao mínimo exigido. em face destes fatos já destacava É. tais como resistência e durabilidade. principalmente devido à falta de controle do processo e da não existência de procedimentos. outras das condições de produção da obra e informações sobre os materiais componentes. escória de alto forno. as informações principais podem ser assim relacionadas. reduzem o impacto ambiental. depois de endurecido. sem comprometer as demais propriedades estipuladas para o concreto. O eng. tal como o aumento da trabalhabilidade requerido pelos funcionários que atuam no lançamento e adensamento do concreto. infelizmente a maioria deles tem a tendência a realizar exatamente o inverso. Uma das opções para a diminuição do custo. algumas retiradas do projeto estrutural. mas por serem resíduos. Em qualquer método a ser empregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conforme o método a empregar: _______________________________________________________________________________ 176 Concretos e Argamassas Prof. Resumidamente.

i) acabamento desejado ao concreto. lançamento. coesão. Concreto fresco fazem parte do conhecimento para o estudo de dosagem. etc trabalhabilidade. massa específica e unitária dos agregados disponíveis. uso de aditivos. consistência. quando empregados l) condições de exposição. influências. e) dimensão máxima do agregado. etc tipo. cabe salientar que todo o conhecimento até agora adquirido referente à • • • • • Agregados Cimento etc Concreto endurecido etc e mais resistência de dosagem e projeto. Antes de continuar o conteúdo e entrar no estudo de dosagem propriamente dita. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 177 Concretos e Argamassas Prof. adensamento). ensaios. hidratação. alta). j) relação água / cimento máxima. medida pelo abatimento do tronco de cone. m) durabilidade pretendida. k) informações sobre aditivos e adições. d) tipo do cimento. durabilidade. n) técnicas de execução (transporte. média.a) resistência característica do concreto (fck) e idade de referência. massa específica e nível de resistência aos 28 dias. índices.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . h) consistência desejada do concreto fresco. b) resistência de dosagem do concreto.edu. influências no concreto. f) análise granulométrica. g) coeficiente de inchamento do agregado miúdo. c) massa específica do concreto (leve.

91 a/c Traço em massa NBR 12655 somente para concretos C10 e consumo cimento ≥ 300 kg/m3 _______________________________________________________________________________ 178 Concretos e Argamassas Prof.61 0.17: 2.edu.55 1: 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .56: 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.08 1: 2.84: 4.67 0.DOSAGEM EMPÍRICA X DOSAGEM RACIONAL PRINCÍPIOS BÁSICOS Variáveis controladas: • • • • • • Relação pasta / agregados Relação água / cimento Relação areia / agregado graúdo Consumo de cimento Consumo de água Teor de argamassa seca Restrição Dependência entre os componentes (requisitos conflitantes) Dosagem empírica Exemplo de dosagem empíricas Método Caldas Branco Goiás Cientec Fck (Mpa) 15 15 15 utilização de tabelas de traços Consumo (kg/m3) 344 289 345 0.94 1: 2.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.Dosagem racional (experimental Lei de Inge Lyse (1931) – Trabalhabilidade H= • • • c ×100 1+ m a H = relação água / materiais secos ou percentagem de água pó unidade de concreto m=a+p a = areia p = pedra (brita) a/c = relação água / cimento “A consistência permanece aproximadamente constante a despeito da riqueza do traço. desde que mantidos constantes o tipo e a graduação dos agregados e o total de água por volume de concreto” Validade da lei de Lyse: • • • Correções do traço em função da alteração da consistência Boa precisão inicial para traços próximos ao inicial Cuidado em traços mais ricos _______________________________________________________________________________ 179 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

45 1:4.Exemplo Tenho um traço 1 : 2 : 3 a/c = 0. temos que irá alterar o H (deve ser definido experimentalmente).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 ×100 = 10 % 1+ 5 Agora se quero manter a resistência. mas digamos H = 11% 0.6 slump 7 cm 1:5 (m) consumo de cimento ± 16% H= 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. mas preciso de slump 10 cm.45 (m) consumo de cimento ± 18% Consistência Seca Median.6 ×100 1+ m m = 4.11 = 0. plástica Plástica Fluida Líquida Abatimento 0 – 20 30 – 50 60 – 90 100 – 150 > 160 Tolerância NBR 7212 (mm) 10 10 10 20 30 _______________________________________________________________________________ 180 Concretos e Argamassas Prof.edu.

areia e pedra). bem como as demais propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água / cimento” f cj = A B a c fcj AeB resistência à compressão a “j” dias constantes que dependem dos materiais. Define a aparência. Abrams (1918) “Dentro do campo dos concretos plásticos a resistência aos esforços mecânicos. aspereza custo elevado α deficiente α excessivo Em ensaio experimental. para os materiais disponíveis (cimento. da prática de cada um. dificuldade desempeno. deve ser definido o α ideal.edu. O valor de α Indicativo subjetivo. A partir daí poderemos determinar o traço do concreto. idade e cura Então a relação a/c define a resistência e H% define a trabalhabilidade Teor de argamassa seco (α) 1+ a α= ×100 1+ m a = relação agregado miúdo / cimento (em massa) m = relação agregados / cimento (em massa) m=a+p p = relação agregado graúdo / cimento ( em massa) α define a quantidade de argamassa presente num concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Lei de Duff A. visual. _______________________________________________________________________________ 181 Concretos e Argamassas Prof. porosidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

mas no primeiro.35 = 1+ a 1+ 5 a= 1. pela deficiência de argamassa.00 traço 1: 2.edu.90 a/c = ? depende da resistência a pretender agora o mesmo 1:5 com α = 50 % 0. Determinar o teor de argamassa ideal Estabelecer um diagrama de dosagem (curvas de dosagem) deve ser _______________________________________________________________________________ 182 Concretos e Argamassas Prof. teríamos um concreto com maior permeabilidade e conseqüente menor durabilidade.10 e p = 3. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.00 : 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .50 = 1+ a 1+ 5 a= 2.90 traço 1: 1.00 a/c = ? depende da resistência a pretender teoricamente poderíamos ter a mesma resistência para os dois concretos.10 : 3. vamos: • • • Determinar a quantidade de água que atenda a trabalhabilidade definida pelo usuário qual o slump.00 e p = 3. Estudo de dosagem experimental (MÉTODO IPT) Para os materiais disponíveis. mantido a relação a/c.Exemplos : Traço 1:5 a + p = 5 com α = 35 % 0.

P. com figuras de como se deve proceder para a determinação da dosagem experimental do IPT. um traço intermediário.5 deve dar algo em torno de 25 a 30 Mpa (fck = ± 15 Mpa) Traço 1:3. m 03 pontos afastados um traço pobre.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com os seguintes dados: fc .Para estabelecer o diagrama (curvas) precisamos de no mínimo 3 pontos. São Paulo: PINI. 1993) traz passo a passo. P. C= m3 1+ a + p + x γ (kg C = consumo de cimento em kg x = relação a/c a. A validade das curvas obtidas é somente enquanto forem mantidos os Importante mesmos materiais (cimento.edu. um traço rico. areia. brita. respectivamente γ = densidade do concreto obtido _______________________________________________________________________________ 183 Concretos e Argamassas Prof.5 deve dar algo em torno de 55 a 60 Mpa (fck = ± 45 Mpa) O livro Manual de dosagem e controle do concreto (HELENE. p = traço de areia e pedra. Exemplo: Para os traços especificados com abatimento 90 mm ± 10 Traço 1:5 deve dar algo em torno de 35 a 40 Mpa (fck = ± 25 Mpa) Traço 1:6. TERZIAN. a/c . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. etc) Cálculo do consumo de cimento (real) por metro cúbico para determinar os custos.

Também é na etapa de laboratório que também podemos efetuar estudos de dosagem com a utilização de aditivos e ver como se comporta a nossa curva com estes aditivos.45 e seguido adiante no quadrante abaixo para uma determinada reta de “slump”. obtemos uma relação a/c 0. e compor o preço de cada traço.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 184 Concretos e Argamassas Prof. podemos obter as curvas de dosagem.Efetuado os traços. esta com a relação fc x a/c Com estas curvas podemos obter (para os mesmos materiais) traços para qualquer resistência de concreto. Na curva do quadrante superior direito. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Vejamos na figura seguinte: queremos um concreto com fc = 40 MPa.0 e no quadrante a esquerda temos o C = 325 kg/m3 Assim compomos qualquer traço e com o custo de cada um deles. como por exemplo. rompidos os corpos de prova. obtido os dados. Obtemos ainda a nossa curva para vários “slumps”. encontramos o “m” igual a 5.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . usando padiolas.edu. através dos ensaios realizados nos materiais. para traço em volume (para a obra).• • • O quadrante superior direito é o quadrante de Abrams (resistência x fc). onde podemos automatizar os cálculos dos traços e custos do concreto. Lembrar que podemos transformar o nosso traço de laboratório (que será em massa). _______________________________________________________________________________ 185 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O quadrante inferior direito é o quadrante de Lyse (trabalhabilidade) O quadrante inferior esquerdo é o quadrante do proprietário (custo) É importante destacar que estas curvas podem ser representadas por equações.

1 24. Conside o desvio padrão de dosagem igual a 3. para o uso de betoneira de 580 L.5 a/c 0. Estabeleça o novo traço para atender o fck igual a 40 MPa e o custo do concreto.61 fc28 (MPa) 55. Em obra o desvio padrão de produção da empresa é de 5.18 Os materiais utilizados foram Material Cimento CP V.40 0. O slump obtido foi de 60 ± 10 mm.44 / kg R$ 29.edu. As bocas das padiolas são de 35 x 45 cm.50 / kg No estudo de dosagem foi verificado que o teor de argamassa ideal para os materiais disponíveis foi de 51 %.00 / m3 R$ 30.Exemplo de cálculo de dosagem Um estudo de dosagem realizado em laboratório apresentou os seguintes resultados: Traço 1:m 1 : 3.ARI Areia Brita basáltica Aditivo Massa unitária (δ) Kg/dm3 ----------1.00 7. d) Para alcançar um “slump” de 80 mm.10 2.6 42.7 MPa b) Calcule os materiais necessários para a produção de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa). Neste ajuste foi adicionado mais 20 litros de água por m3 de concreto. O inchamento da areia (ci) foi de 28% e o teor de umidade de (h%) foi de 5%. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.30 0.27 7.50 1.5 1 : 6. a) Determine um traço de concreto para a produção de um concreto para atingir um fck de 20 MPa e 40 MPa aos 28 dias. Calcule o custo de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa) c) Dimensione as padiolas para a execução em obra do traço com fck de 20 MPa. foi realizado um ajuste de traço.34 ----------Massa específica (γ) Kg/dm3 3.49 0.50 7.00 / m3 R$ 3.61 2.0 1 : 7. _______________________________________________________________________________ 186 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .0 33.80 1.3 H (%) 7.00 Custo R$ 0.5 MPa.0 1 : 4.

3448 (equação 2) _______________________________________________________________________________ 187 Concretos e Argamassas Prof. Calcule a viabilidade econômica de seu uso para produzir concretos com a mesma trabalhabilidade e resistência (40 MPa).6 % da massa de cimento.655 . ln (a / c ) + 1. O aditivo é usado na proporção de 0.edu. Observação: Os dados da primeira tabela. a / c − 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .197 . da página anterior foram levados a uma planilha Excel que resultou nas seguintes equações: f c = − 44.9791 (equação 1) m = 14. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.e) O uso de aditivo plastificante permite a redução de 12% na água de amassamento em relação ao traço original.

Fórmulas básicas a utilizar (resumo) H= Relação água / materiais secos (H %) x ×100 1+ m Teor de argamassa seca (α %) α= 1+ a × 100 1+ m Agregados secos totais (m) m = a + p Consumo de cimento (real) C= m3 1+ a + p + x γ (kg Onde: x = relação água / cimento a = areia p = brita C = consumo de cimento γ = massa específica do concreto fresco. _______________________________________________________________________________ 188 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.

mas com certeza alguns são verdadeiros..... me joga um pouco de água . seriamente. CONCRETOS . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. principalmente em dias quentes.. a alternativa da construção em aço” Alguns causos .. O assunto concreto é abordado com um leve toque de humor.Como eu sei que o concreto sempre perde trabalhabilidade. Talvez alguns não passem de anedotas. de autoria do Eng.. temperado com um pouco de ironia. Salvador E.. eu sempre ponho um pouco de água a mais na central”.. E a NBR 7212 ??? • • • Já com outro colega aconteceu um caso sem nenhuma conseqüência .CASOS . deveria considerar. Um “técnico” de uma concreteira dizia a alguém certa vez: . para o concreto. no encerramento do livro “Propriedades de Concreto” “Em tempo: se o leitor não se sentir capaz de dosar um concreto de forma satisfatória.. Neville. O auxiliar cumpriu a ordem ao pé da letra e jogou água nele! _______________________________________________________________________________ 189 Concretos e Argamassas Prof.edu.. Giammusso. Ele estava observando um concreto sendo produzido numa betoneira e falou para um dos auxiliares: ..br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Antes de começar lembra-se o prof. Introdução Os casos seguintes foram publicados na revista “A Construção” em janeiro e fevereiro de 1987.. Hummmmmmm.

poderia ter dado um problema sério: os corpos de prova daria resultados bons. _______________________________________________________________________________ 190 Concretos e Argamassas Prof. a cura. Que autoridade tinha este mestre! Mas enfim... disse que não queria “criar caso” com o mestre. Passados alguns dias. ele concordou . o apresentador..Já terminou? Então ponha mais água nesse concreto que eu preciso começar a trabalhar. aquele engenheiro telefonou para a concreteira dizendo que já tinha falado com o mestre e ele tinha concordado em não colocar mais água no concreto . Se o laboratorista não fosse experiente. pois fazemos o concreto com bastante excesso de água..• • • Houve o caso em que o mestre mandava colocar mais água no concreto usinado. não vai faltar para a hidratação do cimento. muito sabiamente.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O engenheiro.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ao ser inquirido sobre os cuidados para evitar a perda de água pelo concreto nas primeiras idades.. moldou os corpos de prova e o mestre só olhando.edu. colocando água dentro dos limites estabelecidos pelo laboratório. o mestre se manifestou: .Essa questão é o que menos nos preocupa. mas o concreto na obra . respondeu mais ou menos assim: . suspendeu as entregas de concreto. ou seja.. Mesmo que se perca muita água por evaporação. Quando terminou o acerto.. Bem “informado” este palestrante! Cruz credo! • • • O caminhão betoneira chegou à obra. • • • Em uma palestra. quando avisado.. que era antigo de casa e muito competente (credo!) O responsável pela concreteira.. verificou o “slump”. o laboratorista acertou o traço.

bem pavimentada. • • • Nesta mesma laje. O seu substituto. Alguém comentou com o mestre sobre a falta de proteção logo após a concretagem. um engenheiro não autorizou a desforma de uma estrutura com poucos dias. no dia seguinte apareceram trincas na laje. Ele disse que não tinha pressa. Sem comentários. mas este não se deu por achado: . porque era bom que o concreto tomasse bastante sol. _______________________________________________________________________________ 191 Concretos e Argamassas Prof.edu. muito vento e perguntou-se ao mestre de obra se ele tinha providenciado a cura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• • • A laje já tinha sido concretada. para secar bem e endurecer logo e melhor. solo bom e a obra era distante da rua em pelo menos 15 m!!! • • • Muitos anos atrás em um país muito conhecido pela “ampla liberdade” em que viviam os seus cidadãos.Isso foi por causa da trepidação do trânsito! Detalhe: rua de pouco movimento. com a acusação de não colaborar com o regime. em função disto. o sol era forte. típicas de retração plástica. A estrutura ruiu e ele foi fazer companhia ao seu colega por acusação de sabotagem ao regime.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . resolver colaborar (que remédio!!) e autorizou a desforma. Resultado: foi afastado e levado para um local distante e muito frio.

Barbaridade.. . • • • Em um laboratório de algum lugar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Abatimento se mede em múltiplos de 5 mm e não de 1 mm 2º. Um caminhão foi recusado porque o abatimento deu 81 mm.. O cara não sabia o que era a denominação portland e talvez achasse que fosse uma marca e o entrevistador achava que fosse isto mesmo..• • • Um dia deste uma destas autoridades foi entrevistada de como seria o pavimento de um aeroporto e ele respondeu: .Porquê de cimento portland? . verificou-se que os corpos de prova estavam sendo rompidos sem capeamento.edu.O capeador não veio trabalhar hoje.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • • • Certa vez um engenheiro estava controlando o recebimento do concreto na obra e o abatimento especificado era 80 mm. Quando perguntou-se o porquê disto a resposta foi: .Porque é o cimento melhor . ou seja poderia estar entre 70 e 90 mm.. Uma curiosidade: como ele mediu estes 81 mm com tanta precisão . Conhecia bem este engenheiro .. Meu Deus.Em concreto de cimento portland. Os cara deveriam mandar junto com os certificados de rompimento remédio de dor de cabeça para os resultados baixos que iriam acontecer. _______________________________________________________________________________ 192 Concretos e Argamassas Prof. Há tolerância para abatimento e neste caso era de 10 mm. Dois erros: 1º.

.Claro. colocados em um canto da obra. ai _______________________________________________________________________________ 193 Concretos e Argamassas Prof. falou para o cidadão levar posteriormente os corpos de prova para serem rompidos.• • • Teve o caso de um motorista de caminhão betoneira que foi instruído a não deixar colocar água no concreto. e o motorista.Mas os corpos de prova tem que ser rompidos??? Dãããã • • • Jurando que não era o mesmo cidadão do caso anterior. – Perguntou-se a ele . além da permita.O doutor falou para romper os corpos de prova e assim fizemos. e muito bem controlado.. • • • Outra vez em uma visita a obra.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . perguntaram ao elemento da obra se o concreto estava sendo controlado. . o engenheiro após moldados os corpos de prova. E mostrou uma grande quantidade de corpos de prova.. Até deixamos o concreto para o doutor dar uma olhada neles . acabou dando uma surra no mestre. . Ai. Um tempo depois o engenheiro vê um monte de concreto endurecido rompido em um canto da obra e pediu ao cidadão o que era aquilo. Pegamos a marreta e rompemos todo.edu.E a que idade eles serão rompidos. vai ter muito mestre apanhando . .. Se a moda pega. ai. Porém na obra o mestre insistiu. muito zeloso. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

. que estava exposta ainda. viu um monte de fissuras (de retração plástica) sobre a laje. Até aí um pouco de verdade. fim. _______________________________________________________________________________ 194 Concretos e Argamassas Prof. pois estava rachando as lajes.Não. • • • O dono de uma construtora (que não era engenheiro) visitando a obra... porque não temos balança na obra. he....O problema destas trincas foi por causa do cimento. ... Perguntou ao mestre porque aquilo tinha acontecido.. he .. Depois desta . pois se o cimento não hidratasse não apareceriam as trincas.• • • Certa vez perguntaram a um engenheiro se ele não media o “slump” do concreto e a resposta foi: . He. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. – falou o mestre. O problema maior foi que o dono da construtora baixou uma regra na empresa que não se deveria mais usar cimento para fazer concreto.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

higiene. adaptação ao uso. _______________________________________________________________________________ 195 Concretos e Argamassas Prof. conforto visual. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ele deve atender as exigências de seus usuários. segurança ao fogo. conforto tátil. conforto higrotérmico. conforto antropodinâmico.1 Desempenho O edifício é um produto fabricado para atender um mercado consumidor específico. Estas de acordo com a norma ISO DP 6241 podem ser resumidas de forma genérica em: • • • • • • • • • • • • • • segurança estrutural. conforto acústico. pureza do ar. DESEMPENHO 1.edu. ou seja.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . estanqueidade.ARGAMASSAS 1. segurança em uso. durabilidade e economia.

Este processo é denominado de deterioração. deve-se determinar os critérios de desempenho que devem representar as características de desempenho mais importantes. Os requisitos de desempenho definem. independente da classe social do usuário e do uso do ambiente. ocorrendo uma perda progressiva na capacidade de atendimento das necessidades dos usuários. de forma quantitativa. Estes dois tipos de exigências podem ser representados através de requisitos de desempenho. No caso dos revestimentos de argamassa. Definidos os requisitos de desempenho.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em contato com o meio ambiente. as condições a serem atendidas por um edifício ou componente. pode-se definir desempenho como sendo o comportamento de um produto em relação ao seu uso. deve-se definir os requisitos e critérios de desempenho durante a elaboração do projeto. Além destas exigências dos usuários. possuem caráter absoluto (por exemplo: a segurança estrutural e higiene). determinantes da aceitação ou não de uma solução. Portanto. _______________________________________________________________________________ 196 Concretos e Argamassas Prof. 1.Algumas destas exigências. cujos responsáveis são os agentes de deterioração.2 Durabilidade Todo material. o edifício deve também satisfazer as exigências da coletividade pertencente ao ambiente no qual a obra está inserida. Desta forma. para estes possuírem o desempenho esperado. para um uso específico. Estas podem ocasionar uma diminuição dos valores das propriedades físicas e químicas de cada material. em localização específica e refletindo decisões de projeto já tomadas. sofre transformações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. para um edifício possuir desempenho deve-se obedecer a metodologia mostrada na figura 1. Entre os requisitos de desempenho do revestimento de argamassa pode-se destacar a sua aderência a base e a sua estanqueidade à água.1. através da melhoria da qualidade de vida das suas proximidades. enquanto outras possuem caráter relativo (por exemplo: conforto).edu.

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. eletro-mecânicos. podem pertencer a cinco diferentes naturezas: • • • • • agentes mecânicos. térmicos. Estes agentes.1: Esquema de aplicação do conceito de desempenho Os agentes de deterioração é qualquer fator externo que afeta de maneira desfavorável o desempenho de um edifício. Portanto. pode-se notar que os agentes de deterioração que agem sobre os edifícios ou seus componentes variam dentro de uma cidade e assumem diferentes níveis de _______________________________________________________________________________ 197 Concretos e Argamassas Prof. químicos e biológicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . segundo a norma ISO DP 6241. e a duas origens: externa (atmosférica e solo) e interna (ocupação e concepção). de seus subsistemas ou componentes.Figura 1.

1. Para isto torna-se importante a adoção de um programa de manutenção periódica.3 Manutenção A realização de atividades de manutenção podem ser consideradas como a reconstrução de níveis de qualidade ambiental perdidos e que tem como resultado imediato o prolongamento da vida útil do edifício ou de seus componentes (Figura 1. A manutenção deve ser interpretada como uma ação programada preventiva de futuros problemas e não apenas como atividade corretiva de problemas observados. de maneira a antecipar-se ao surgimento de defeitos. de maneira a atender as exigências dos usuários. São estes dois fatores que determinam a durabilidade de uma material sujeito a uma determinada situação. Este exige toda uma metodologia de operação. controle e execução. Esta é a capacidade que um produto possui de manter o seu desempenho acima dos níveis mínimos especificados. portanto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • Manutenção Planejada Corretiva desempenho perdido. Esta metodologia somente é válida se os custos de implantação e operação forem compensados em termos de benefício no desempenho do edifício ou de seus componentes. atividades realizadas para recuperar o _______________________________________________________________________________ 198 Concretos e Argamassas Prof. a existência de diferentes tipos de manutenção:: • Manutenção Planejada Preventiva atividades realizadas durante a vida útil da edificação.edu.importância dependendo do material em análise e a função que este desempenha. A forma e velocidade com que ocorre a deterioração são função da natureza do material ou componente e das condições de exposição a que fica submetido.2). O conhecimento da vida útil (durabilidade) de um material é de fundamental importância para a elaboração de programas de manutenção periódica. Nota-se.

Já a patologia está associada a manutenção planejada corretiva e não planejada.edu. Nestes casos deve ocorrer uma intervenção técnica com a finalidade do edifício ou componente voltar a apresentar um desempenho satisfatório. como discutido anteriormente.• Manutenção Não Planejada definida como o conjunto de atividades realizadas para recuperar o desempenho perdido devido por causas externas não previstas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Analisando a definição acima percebe que as atividades de manutenção podem ter duas principais origens: a durabilidade dos materiais e as patologias. situação em que o edifício ou seu componente apresenta um desempenho insatisfatório. Figura 1. prolongando sua vida útil. Sendo que a durabilidade está associada a manutenção planejada preventiva.2: Perda do desempenho e manutenção _______________________________________________________________________________ 199 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Propriedade e funções dos revestimentos 2. uma ou mais das seguintes funções: estanqueidade. Cita-se também que as funções dos revestimentos externos de argamassas são de aumentar a durabilidade da base. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o revestimento deve desempenhar sozinho ou associado ao seu suporte. Em relação a habitabilidade.2. estética. devem ser atendidas pela parede como um todo. _______________________________________________________________________________ 200 Concretos e Argamassas Prof. resistência ao fogo. reduzir a penetração de chuva.1 Função dos revestimentos Edifício conjunto de elementos básicos : estrutura.edu. recobrir uma superfície irregular ou obter um efeito decorativo em particular. vedações verticais e horizontais e sistemas prediais Cada um destes elementos tem uma função específica. Ainda. proteção contra intrusão humana ou animal e choque contra a fachada. contribuindo para o desempenho final do edifício.as exigências. As propriedades mais importantes dos revestimentos são as exigências de uso e a compatibilidade geométrica e físico-química entre o revestimento e a sua base e o acabamento final previsto. Desta forma o revestimento de argamassa deve apresentar um conjunto de propriedades para que o comportamento das vedações seja adequado. isolamento acústico. ou seja. isolamento térmico. Dentre as exigências de uso são destacadas aquelas relativas a segurança e a habitabilidade. com ou sem contribuição do revestimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A segurança deve ser entendida como garantia de estabilidade mecânica. Os revestimentos argamassados empregados nos edifícios habitacionais devem atender as seguintes funções: • Promover durabilidade de acordo com a vida útil esperada para a edificação. relativas a segurança.

é fundamentada em critérios qualitativos de caráter empírico. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a utilização _______________________________________________________________________________ 201 Concretos e Argamassas Prof. É comum. Um exemplo claro é a formulação de argamassas de revestimentos que atendam. resistência de aderência. por exemplo) “esconder na massa”. fato que pode ser demonstrado pela carência de estudos capazes de avaliar sistematicamente este tema. ao mesmo tempo. • Regularizar a superfície para aplicação dos revestimentos finais. em dado momento. em determinadas avaliações ainda é notório o caráter empírico nas proposições de determinadas soluções. Conferir estanqueidade à água e aos gases para as paredes de vedação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos. No caso das propriedades no estado fresco a situação aparentemente é mais complexa. 2. Para efeito de conceituação são apresentadas adiante algumas destas propriedades mais importantes.2 Reologia e principais propriedades dos revestimento de argamassa Na definição de uma argamassa para revestimento deve ser considerada uma série de propriedades associadas a estas características. • • • Auxiliar as paredes de vedação no isolamento térmico e acústico. Permitir e facilitar a manutenção preventiva e corretiva sempre que necessário de modo a preservar a estética e a aparência. Apesar de todo o avanço no desenvolvimento de novos materiais e no estudo das argamassas. Não é função do revestimento esconder imperfeições grosseiras da base (desaprumo. inclusive no meio científico.edu. a determinadas propriedades no estado fresco (trabalhabilidade) e no estado endurecido (capacidade de absorver deformação. dentre outras) que.

a possibilidade de aplicação da teoria reológica abre inúmeras opções de discussões diretamente aplicadas ao meio. Neste universo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Esta caracterização deve. deformação.2.edu. é cada vez mais discutida no meio científico a necessidade de uma avaliação das propriedades das argamassas no estado fresco. Neste sentido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Uma retenção adequada _______________________________________________________________________________ 202 Concretos e Argamassas Prof. plasticidade. dentre outros. consistência. A reologia é definida como a ciência que estuda a deformação e escoamento da matéria. 2. que possibilite a real caracterização do comportamento. 1998). cabe destacar que muitos ramos da indústria estão diante de problemas que podem ser resolvidos com base nestes conceitos. bem como prever o desempenho destes em outros estágios de tensão. uma das possibilidades de novas discussões esta baseada na aplicação de conceitos pertencentes ao estudo do comportamento reológico do material. tempo e temperatura (TANNER. projetabilidade) por parâmetros que realmente caracterizem o material em situação de fluxo. também envolver e relacionar os parâmetros tradicionalmente conhecidos como. Em adição à importância da reologia.1 Capacidade de retenção de água A retenção representa a capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção de uma base porosa e da evaporação. de certa forma. é bastante comum o uso de projetos de sistemas para transporte ou para processar substâncias que não se ajustam a nenhum dos tipos clássicos de comportamento dos materiais. bombeabilidade. Ainda sobre o estudo das argamassas no estado fresco.de procedimentos baseados na experiência de oficiais pedreiros envolvidos no processo de produção dos sistemas de revestimento. que permitem apenas uma avaliação qualitativa (como trabalhabilidade. A idéia atualmente em pauta é substituir termos com elevado grau de empirismo. analisar seus comportamentos frente a um campo de tensão. consistência. Sua aplicação se justifica a partir do momento em que se pode classificar os materiais. Atualmente. relacionar estes comportamentos com a estrutura de cada material. por exemplo: condições de trabalhabilidade.

Uma argamassa é trabalhável quando: Deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro. A outra forma de incrementar a capacidade de retenção de água da argamassa é utilizar aditivos cujas características impedem a perda de água. proporcionando uma elevada área específica. promovendo as reações de hidratação do cimento e um conseqüente ganho de resistência mecânica e aderência.2. O aumento da retenção de água da argamassa pode ser conseguido de várias maneiras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Uma perda de água acelerada diminui a resistência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.contribui para o endurecimento adequado da argamassa. Esses dois tipos de materiais possuem partículas muito finas. aparecendo tensões superficiais que tendem a manter a água adsorvida nas partículas. como é o caso dos derivados da celulose (aditivos retentores de água). diminui a aderência e por conseqüência a argamassa terá menor durabilidade e estanqueidade.edu. Uma delas é aumentar o teor de materiais constituintes com elevada área específica. a capacidade de absorver deformações.2 Trabalhabilidade Esta é uma propriedade de avaliação qualitativa. a área a ser molhada é maior. sem aderir a colher ao ser lançada Distribui-se facilmente pela superfície Não endurece rapidamente quando aplicada A melhoria da trabalhabilidade é conseguida através de uma granulometria adequada. apresenta-se como proposição mais usual a utilização de saibro e cal na argamassa. Em se tratando de aumentar a área específica dos materiais constituintes. conseqüentemente. _______________________________________________________________________________ 203 Concretos e Argamassas Prof. pois depende do uso e do usuário. sem ser fluída Mantêm-se coesa ao ser transportada. 2. uso de cal e de aditivos incoporadores de ar.

4 Teor de ar incorporado O teor de ar incorporado equivale à quantidade de ar existente em certo volume de argamassa. modificando outras propriedades como consistência. do método de aplicação e do tipo de chapiscamento realizado pode-se ter resultados bastante variados. Dependendo da plasticidade da argamassa. Quando a base apresenta poucos poros capilares e muitos macroporos a aderência pode ficar prejudicada. interferindo diretamente na trabalhabilidade. 2. permeabilidade à água e a capacidade de absorver deformações. A presença de cal e de finos na argamassa também modifica a consistência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . plasticidade. Assim.2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 Consistência Propriedade reológica que define como a argamassa resiste às deformações impostas ainda no estado fresco. A consistência está relacionada diretamente com a quantidade de água.2. Esta quantidade de água pode influenciar as características do revestimento final. _______________________________________________________________________________ 204 Concretos e Argamassas Prof. alterando a resistência de aderência. a rugosidade e as condições de limpeza da base influenciam diretamente a aderência. é válido dizer que nem sempre o chapisco garante uma aderência adequada. Deve ser pressionada contra a base para aumento da extensão de aderência.2. É uma propriedade ligada a fenômeno mecânico da ancoragem da argamassa na base A porosidade.5 Aderência inicial A aderência inicial depende também das outras propriedades do estado fresco das argamassas e também da base de aplicação.2.edu. alterando a trabalhabilidade. trabalhabilidade e retenção. A argamassa deve ter boa trabalhabilidade e retenção de água. 2. Pode ser aumentado através de aditivos incorporadores de ar.

As fissuras prejudiciais são aquelas que permitem a percolação de água pelo revestimento e podem provocar a perda de aderência ou descolamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . estas variações volumétricas quase sempre ocasionam fissuras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 Aderência mecânica à base Figura 1.2.edu. também. Quando acontecem com excessiva rapidez.Figura 1.4 Aderência prejudicada – sem extensão de aderência 2. _______________________________________________________________________________ 205 Concretos e Argamassas Prof.6 Retração na secagem Quando ocorre a saída da água da argamassa esta diminui de volume. Ocorre. retração no processo de hidratação e carbonatação dos aglomerantes.

As argamassas com teores de cimento elevados tendem a apresentar retração mais elevada. O tempo de sarrafeamento e desempeno é importante. Argamassas mais espessas estão mais sujeitas a retração na secagem. Entretanto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2. requerendo maiores cuidados na execução e controle rigoroso das condições de cura durante e após a aplicação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . _______________________________________________________________________________ 206 Concretos e Argamassas Prof. Desempeno muito cedo (argamassa muito úmida) causa fissuras e até descolamento da argamassa.5 Retração na secagem 2. pode levar à obtenção de argamassas com elevada retração na secagem e baixa capacidade de absorver deformações.7 Resistência de aderência A aderência é uma propriedade fundamental para o desempenho dos revestimentos argamassados. esta propriedade não é simples de ser obtida. A adoção de consumos de cimento elevada. Da aderência dependem a durabilidade e a capacidade do revestimento suportar as movimentações internas e externas. Figura 1.edu. por exemplo.

6 Resistência de aderência Figura 1.7 Aderência deficiente – extensão de aderência prejudicada 2. _______________________________________________________________________________ 207 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2. Interferem diretamente na resistência à compressão o consumo e a natureza dos aglomerantes e agregados e a técnica de execução empregada.8 Resistência à compressão Os revestimentos argamassados devem suportar esforços atuantes sem apresentar danos ao longo do tempo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Figura 1.

Argamassas que apresentam consumo de cimento elevado. sendo exceção as argamassas com teores elevados de polímeros. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2. comprometendo a estanqueidade da vedação como um todo.edu. capazes de absorver as movimentações das estruturas de concreto e das alvenarias que tem amplitude elevada. quando existem fissuras. não sendo. A execução do revestimento também pode interferir na capacidade de absorver deformações. o caminho de percolação permite acesso direto da água à base do revestimento. 2. da técnica de execução da espessura da camada de revestimento e do acabamento da superfície. principalmente em relação a estanqueidade e aderência.2.9 Permeabilidade à água A permeabilidade está relacionada à passagem da água pela camada de revestimento.10 Capacidade de absorver deformações Sob tensão. Os revestimentos de argamassa apenas são capazes de absorver deformação de pequena amplitude que ocorrem em função das variações de umidade e temperatura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Deve-se lembrar aqui que a argamassa é um material poroso que permite a percolação de água tanto no estado líquido como de vapor. Estas argamassas podem apresentar capacidade de absorção de deformação adequada mesmo possuindo teores elevados de cimento. além de fatores externos ao revestimento como pressão do vento e pluviosidade. Para percolar pela vedação a água tem que atravessar barreiras que são constituídas pelo revestimento e pela base Entretanto. Quando aplicado em espessuras adequadas e tendo o tempo de _______________________________________________________________________________ 208 Concretos e Argamassas Prof. não tem capacidade adequada de absorção de deformações. da composição e dosagem da argamassa. portanto.2. o revestimento de argamassa deve absorver deformações sem sofrer ruptura ou fissuração que prejudiquem seu desempenho. A permeabilidade é função da natureza da base. normalmente.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 Uso de aditivos incorporadores de ar Os aditivos incorporadores de ar são materiais orgânicos.desempenamento respeitado. presença de aberturas e detalhes construtivos como pingadeiras e peitoris também interferem. produzem uma quantidade controlada de bolhas microscópicas de ar. O aditivo incorporador de ar é adicionado as argamassas com o intuito de melhorar a trabalhabilidade. às argamassas ou às pastas de cimento. clima. A adoção de juntas de controle distribuída no revestimento contribui diretamente para melhorar a capacidade de absorver deformações do revestimento.11 Durabilidade A fissuração do revestimento. usualmente apresentados na forma de solução ou em pó. 2. Características de projeto definindo orientação das fachadas. a saber: _______________________________________________________________________________ 209 Concretos e Argamassas Prof. menores são as possibilidades de falhas devido à microfissuração da argamassa.edu. Estas juntas podem ser usadas para permitir panos com dimensões menores.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que quando adicionados ao concreto. O ar intencionalmente incorporado às argamassas altera a suspensão cimentícia no estado fresco e posteriormente no endurecido. a cultura e proliferação de microorganismos e a qualidade das argamassas são os fatores que mais interferem na durabilidade dos revestimentos. Pode se enumerar algumas propriedades que são alteradas beneficamente pela incorporação de ar nas argamassas. topografia e vizinhança. uniformemente dispersas. reduzindo os efeitos de movimentação de grandes painéis. a espessura excessiva. A durabilidade também depende das condições de exposição definidas principalmente pela localização.2. principalmente em argamassas isentas de cal (cimento e areia). 2.

Para as argamassas. apenas com o acréscimo de 0. A presença do ar incorporado nas argamassas.05% de um aditivo incorporador de ar. O rendimento das argamassas com aditivos incorporadores de ar é aumentado.8.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que permite a confecção de argamassas sem cal. devido à incorporação de ar. já que a mesma passa de um aspecto seco e áspero. ao se comparar com uma argamassa sem aditivos. A mudança provocada pelos aditivos incorporadores de ar nas argamassas de revestimento pode ser observada na Foto 1. para uma mesma quantidade de material anidro. efeito contrário ao provocado no concreto. pela presença de microbolhas de ar no interior da mistura. Este fato implica a colocação de menos água na mistura.normalmente é reduzido. este “efeito _______________________________________________________________________________ 210 Concretos e Argamassas Prof. Retração – normalmente é reduzida. em relação à massa de cimento.edu. o que aumenta a capacidade de deformação do sistema de revestimento. se consegue um maior volume de argamassa. para uma mesma condição de aplicação. que ganha fluidez. É essa capacidade dos aditivos alterarem positivamente a trabalhabilidade das argamassas. Massa específica – é reduzida. provavelmente. Já para o concreto. para um aspecto plástico. da areia. A presença do ar incorporado permite uma certa diminuição na quantidade de finos do agregado. no estado fresco. provoca um ganho de consistência e plasticidade. este ganho de consistência e plasticidade se deve ao “efeito ponte” existente entre as bolhas de ar e as partículas de cimento e. devido à diminuição da massa específica. Com essa diminuição. diminuindo desta forma a consistência. apenas com o aditivo incorporador de ar como agente plastificante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Nota-se que os aditivos causam uma grande alteração na trabalhabilidade das argamassas. sem alterar a tendência de segregação e exsudação da argamassa. onde se tem uma argamassa com 20% de cimento e uma argamassa com o mesmo proporcionamento.• • • • Módulo de deformação . Exsudação – é diminuída.

Figura 1.Argamassa sem e com aditivo incorporador de ar _______________________________________________________________________________ 211 Concretos e Argamassas Prof. e pela redução de propriedades mecânicas devido ao incremento da porosidade na argamassa. sem dúvida. acima de um certo valor. o aumento do teor de ar. A aplicação da argamassa é facilitada com a utilização dos aditivos incorporadores de ar. A possível redução na resistência de aderência encontrada em argamassas com ar incorporado é atribuída à diminuição da superfície de contato entre a argamassa e o substrato.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aumentando a região de contato entre ambos. para qualquer aditivo. Isto se explica pelo fato do tensoativo diminuir a tensão superficial. provocando uma maior facilidade da argamassa molhar o substrato. reduz a aderência das argamassas. Apesar do tipo de aditivo influenciar na redução da resistência de aderência a tração. que rompe as “pontes” existentes.8 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.ponte” é quase nulo pela presença do agregado graúdo. após a incorporação de uma certa quantidade de ar.

se quer utilizar sobras do sarrafeamento da argamassa para se executar um outro pano de revestimento. apresentando uma trabalhabilidade inadequada para o lançamento e aperto. é uma prática bastante comum nas obras. na trabalhabilidade adequada. o que tornará a argamassa menos trabalhável. Desta forma.2. a argamassa deve estar pronta para o uso. facilitando o seu lançamento e aperto. bem como para as reações de hidratação do cimento.edu. deixando-a mais trabalhável. se introduz uma grande quantidade de água nessa sobra de argamassa. o seu aspecto é de uma argamassa seca com falta de água. para que a mesma volte a se mostrar trabalhável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Caso isto não _______________________________________________________________________________ 212 Concretos e Argamassas Prof. Esse excesso de água pode gerar uma séria redução na resistência mecânica dos revestimentos e provocar uma intensa fissuração. quando se observa alguma das três situações abaixo: • Devido a produção de grandes volumes de argamassa. ou seja. O acréscimo de água realizado pelo oficial-pedreiro ocorre. o que vai reduzir o seu poder aglomerante. este material pode ficar esperando a sua vez de ser aplicado por períodos de tempo superiores a 2 horas. Este fato acontece pelo simples motivo deste acréscimo tornar a argamassa mais fluida.4 Adição de água em argamassas A complementação de água na argamassa de revestimento. Caso isto aconteça. freqüentemente. o cimento desta argamassa que sobra após o sarrafeamento pode já ter entrado em pega. este acréscimo pode reduzir as resistências mecânicas do revestimento e contribuir para a ocorrência de fissuração devido à retração. parte da água de amassamento pode ser perdida por evaporação para a atmosfera. • A dosagem das argamassas deve ser realizada de uma forma que o oficialpedreiro fique satisfeito com a plasticidade da mesma. tendo em vista que ela foi uma sobra do corte. para que o oficial-pedreiro possa aplicar a argamassa. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Por este motivo. Entretanto. feita pelos pedreiros após a mistura e antes da aplicação. por exemplo. • Uma outra situação onde se observa a complementação de água na argamassa ocorre quando. Como esta argamassa já “puxou”. mesmo com a colocação de mais água e uma nova mistura. Ademais. é necessário o acréscimo de água.

• Deve-se aplicar uma camada de argamassa racionalizada durante a produção do revestimento. De uma forma geral. geralmente. argamassa industrializada). entre estes se destacam: • Produzir uma quantidade de argamassa adequada para a frente de trabalho disponível. buscando a trabalhabilidade ideal.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O emprego adequado deste material (sobras) deve ser discutido com especialistas em argamassas. do que a aplicada sobre a alvenaria. que resulte em pouca sobra de argamassa após o sarrafeamento. Além da movimentação diferencial. incorreções na granulometria. este acréscimo de água é chamado de ajuste de água. pode-se ter fissuração nesta região devido a desuniformidade da absorção de água entre a alvenaria e a estrutura de concreto. fazendo com que a argamassa aplicada sobre ele demore mais tempo para ficar adequada para o sarrafeamento. observa-se que alguns cuidados devem ser tomados com o intuito de evitar problemas nos revestimentos.ocorra. é que induzem a colocação de mais água. Um dos motivos principais para a ocorrência dessa fissuração é a movimentação diferencial dos dois materiais. Nesta situação. 2. o oficial-pedreiro irá adicionar mais água na mistura antes da sua aplicação.5 Argamassas sobre diferentes materiais contíguos Uma das regiões revestidas com argamassa mais susceptível a ocorrência de fissuração é aquela localizada na interface estrutura de concreto/alvenaria. A discussão sobre o emprego das sobras é particular a dinâmica de cada obra e aos materiais utilizados (aglomerantes. na dosagem ou nos materiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quando sujeitos a variações higrotérmicas e a sobrecargas. já que. Pelo exposto anteriormente. para serem aplicadas. _______________________________________________________________________________ 213 Concretos e Argamassas Prof. buscando evitar que argamassas fiquem esperando por um longo período de tempo. a quantidade de água adicionada é muito pequena em relação às situações anteriormente expostas. Isto acontece porque o concreto é menos absorvente que a alvenaria. na tentativa de ajustar a trabalhabilidade da argamassa a condições mínimas de aplicabilidade.edu.

Esta precipitação dos pedreiros se verifica pela pressa de os mesmos terminarem o serviço para irem almoçar ou encerar o expediente. Já.6 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Essa uniformização é realizada. regiões onde a argamassa ainda não estará apta (argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto) para a execução desses serviços. ocorre a fissuração. como também. quando a argamassa ainda não “puxou”. pode-se ter fissuração na argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto. paralela a estrutura de concreto. Pelos motivos apresentados. 2. em um mesmo pano de argamassa. ocorre nas argamassas aplicadas pouco tempo antes da hora do almoço e do fim do expediente de trabalho. que já estará bastante rígida. se o sarrafeamento for realizado quando a argamassa aplicada sobre a alvenaria já estiver adequada. não estando com uma rigidez adequada. enquanto que na alvenaria deve-se ter pelo menos uma faixa de 1 metro com chapisco. se o sarrafeamento for executado apenas quando a argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto estiver adequada. A estrutura deve ser completamente chapiscada. a fim de se evitar diferentes tempos de sarrafeamento para a argamassa. aplicando-se um chapisco fechado sobre a estrutura e a alvenaria. geralmente. Outra situação onde a realização do sarrafeamento e/ou desempeno no momento incorreto provoca fissuração nos revestimentos. é que se verifica a necessidade de realizar a uniformização da absorção da interface estrutura de concreto/alvenaria. Nesta situação. que ainda não estará rígida o suficiente.A importância do aperto da argamassa A resistência de aderência à tração de um revestimento. para resistir aos esforços gerados pelo sarrafeamento e desempeno.Assim sendo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Alguns dos fatores que interferem nessa extensão de aderência são a textura do _______________________________________________________________________________ 214 Concretos e Argamassas Prof. Como a operação de corte é realizada. têm-se regiões que já estarão aptas a receber os serviços de sarrafeamento e desempeno (argamassa aplicada sobre a alvenaria). é majorada quando se tem um aumento do contato entre a argamassa aplicada e o substrato. ter-se-ão dificuldades para cortar a argamassa aplicada sobre a alvenaria.

é a falta do aperto nas argamassas utilizadas nas “cheias”. Uma prática bastante verificada nas obras.edu. a trabalhabilidade da argamassa. aliada à energia de seu lançamento. A plasticidade da argamassa. aumentado o contato entre esses dois materiais. a energia de aplicação e a operação de aperto. em média. _______________________________________________________________________________ 215 Concretos e Argamassas Prof. ela não precisa ser apertada. se a argamassa de cheia for apertada. o que irá colaborar para a extensão da aderência. Outra justificativa dada pelos oficiaispedreiros é que. gerando conseqüências negativas nas resistências mecânicas. ocorrerá uma elevação da resistência de aderência à tração do revestimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A falta deste aperto na cheia contribui para que nestas regiões sejam verificados baixos valores de resistência de aderência à tração. A justificativa para a não realização deste procedimento se observa no fato de os oficiais pedreiros acharem que. que deve ser evitada. possivelmente. Assim.substrato. a argamassa que sobrou após o sarrafeamento (corte). o cimento já terá entrado em pega. pelo fato de não ser realizado o sarrafeamento e/ou desempeno na argamassa de cheia. É evidente que este baixo valor de aderência não se deve apenas à falta do aperto. o que dificultará a aderência da segunda camada de argamassa aplicada sobre a mesma. mesmo que a trabalhabilidade da argamassa e a energia utilizada no seu lançamento não sejam adequadas. quando se tem mais de uma camada de argamassa. são fundamentais para que ela possa penetrar pelas reentrâncias e saliências do substrato. provavelmente será acrescentada água e. Porém. Nessa argamassa. já que é freqüente se utilizar para a execução das “cheias”. a extensão de aderência poderá ser majorada com a realização do aperto da argamassa após a sua aplicação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ela vai ficar pouco rugosa na sua superfície.

edu. da camada de regularização. devem ser vencidos buscando-se o domínio tecnológico desta área. Esses entraves. pode-se dizer que a maior parte dos problemas patológicos que ocorrem ao longo de sua vida útil. ou seja. porém. Isto não é de se estranhar. está limitado aos efeitos arquitetônicos. necessitando conhecerem ainda as possíveis patologias originadas por problemas decorrentes desta fase. pois diversos materiais. pois quando este existe. por dois motivos: a) ou pela inexistência de um projeto específico em que sejam definidas as características do revestimento como um todo. Os problemas originados em revestimentos na fase de projeto ocorrem. falta de orientação específica para elaboração de projeto e falta de informações acerca do comportamento de obras já construídas. Considerando-se todas as etapas do processo de produção de edifícios. diferentes técnicas de execução e condições ambientais adversas estão sempre concorrendo para a realização dos empreendimentos. A não elaboração de um projeto ou mesmo os erros decorrentes de sua concepção são fatos gerados. _______________________________________________________________________________ 216 Concretos e Argamassas Prof. pela ausência de conhecimento tecnológico acerca do assunto. No que se refere à fase de execução dos serviços de revestimento é imprescindível que os técnicos envolvidos com a produção dos mesmos tenham o domínio das corretas técnicas. em que muitas vezes suas diretrizes são dadas independentemente das condições reais de exposição e dos requisitos básicos à sua construção. a fim de que os problemas não sejam preconcebidos na fase de projeto. entre outros motivos. de fixação e de acabamento b) ou ainda por erros de concepção durante a elaboração do projeto.3 Patologia dos revestimentos de argamassa Os problemas patológicos são manifestados nas edificações devidos a uma série de razões. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tem origem principal nas fases de elaboração do projeto e de execução dos serviços propriamente ditos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de modo geral.

c) deficiente resistência mecânica. que nos parece mais adequada: a) perda de aderência ou desagregação. b) inadequada capacidade de acomodação plástica (quando endurecida). Uma das formas de realizar a classificação é de acordo com suas origens: a) aderência insuficiente. c) manchas. principalmente em função da falta de disponibilidade de profissionais com formação adequada para enfrentar tal situação. é extremamente necessário que se busque adotar uma metodologia de desenvolvimento do projeto que contemple todos os detalhes executivos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. gretamentos.Embora se reconheça a dificuldade em se dominar a tecnologia de projeto e de execução dos revestimentos. • • • bolor eflorescências fantasmas ou espectros de juntas d) outras.edu. não serão abordadas nesta disciplina 3.1 Perda de aderência ou desagregação A perda de aderência pode ser entendida como um processo em que ocorrem falhas ou ruptura na interface das camadas que constituem o revestimento ou na interface _______________________________________________________________________________ 217 Concretos e Argamassas Prof. fissuras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . convém adotar uma classificação. para facilitar o estudo dos mesmos. as quais pela sua incidência esparsa. Uma outra forma classifica as patologias de revestimentos de argamassa de acordo com suas formas de manifestação. Por serem inúmeros os problemas patológicos passíveis de ocorrerem nos revestimentos verticais de argamassa e cerâmicos. b) trincas.

o acúmulo do produto de corrosão na interface que podem provocar o descolamento do revestimento. pontuais (vesículas). _______________________________________________________________________________ 218 Concretos e Argamassas Prof. devido às tensões surgidas ultrapassarem a capacidade de aderência das ligações.edu. descolamento em placas ocorre quando há deficiência de aderência entre camadas do revestimento ou das mesmas com a base ou até por espessura excessiva do revestimento. sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: • • • • por empolamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .com a base ou substrato. Estes descolamentos podem apresentar extensão variável. descolamento por pulverulência observam-se desagregação e conseqüente esfarelamento da argamassa ao ser pressionada pelas mãos e a película de tinta destaca-se juntamente com a argamassa que se desagrega com facilidade. descolamentos por empolamento o fenômeno ocorre devido às expansões na argamassa em função da hidratação posterior de óxidos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Entre outros problemas que se desenvolvem na base ao longo do tempo e que também podem afetar o revestimento. com pulverulência. em placas. a fissuração e expansão do concreto. pontuais neste caso o descolamento ocorre de forma pontuais. temos a corrosão da armadura de concreto. não se extendendo por toda a extensão do revestimento.

então. _______________________________________________________________________________ 219 Concretos e Argamassas Prof. da fundação ou do aterro). Tem-se que as causas prováveis de fissuras e trincas em revestimentos são: a) recalque (acomodação do solo. se o revestimento não for executado corretamente. do madeiramento do telhado ou da laje mista). Observa-se. Em regiões onde a umidade relativa do ar é baixa. do que realizar molhagem abundantemente. que vários fatores intrínsecos à argamassa podem ser responsáveis pela fissuração do revestimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o que ocasiona maior retração por secagem e.2 Trincas. etc. há um maior consumo de água de amassamento.edu. No caso de argamassa composta por alto teor de finos. teor de finos e quantidade de água da amassamento. c) movimentação (da estrutura de concreto. impacto de portas. solicitações higrotérmicas e também por retração hidráulica da argamassa.). aplicado à base. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Outro fator que influencia no surgimento de fissuras é a umidade relativa do ar. deve-se dar preferência à utilização de primer apropriado.” A incidência de fissuras em revestimentos sem que haja movimentação e ou fissuração do substrato ocorre devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado. b) retração (fissuração da argamassa de revestimento ou de piso cimentado). a temperatura é alta e há a presença de ventos. dentre os quais citam-se: consumo de cimento. d) amarração (falta de amarração nos cantos de paredes ou no encontro da laje com as paredes).3. gretamentos e fissuras Popularmente chama-se de trinca a fissura com abertura maior. e) diversos (concentração de esforças. podem aparecer fissuras na forma de “mapas” por todo o revestimento.

marrom e verde.3. esse autor aponta. No caso de umedecimentos sucessivos. Tal fenômeno ocorre porque a água contendo cal livre sai pelas microfissuras. assinale sua trajetória. número e espessura das camadas. teor de finos elevado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a não ser que sejam molhadas e que a água. de modo geral. permitindo a visualização das fissuras. inclusive com o paramento seco. penetrando por capilaridade. algumas outras causas que podem ser responsáveis pelas fissuras nos revestimentos de argamassas. o primeiro passo é detectar de onde vem a infiltração. se soltar ou esfarelar. destacando entre elas: • • • • • • consumo elevado de cimento. consumo elevado de água de amassamento. formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta. Estando nessas condições. argamassa com baixa retenção de água. O passo seguinte é verificar se o reboco está firme. Se uma parede que apresenta bolhas na pintura ou manchas de bolor for interna. não são visíveis.3 Manchas 3. pode-se gerar mudanças na tonalidade. manchas claras esbranquiçadas ou amareladas. ainda. Além disso. ele terá de ser _______________________________________________________________________________ 220 Concretos e Argamassas Prof. 3.1 Bolor O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de tetos e paredes. citando-se inclusive as argamassas inorgânicas.edu. cura deficiente.As fissuras por retração hidráulica. ou ocasionalmente.

removido completamente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2 Eflorescências Nas edificações. Além da questão estética. ou superior a esse valor. 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . c) umidade acidental (vazamento de águas potáveis e servidas). Alguns fatores causadores de umidade. _______________________________________________________________________________ 221 Concretos e Argamassas Prof. que favorecem o acúmulo de bolor na superfície dos revestimentos são: • • • a umidade de condensação. a ventilação insuficiente num ambiente e a permeabilidade da alvenaria à umidade exterior. e finalmente o reboco contendo na argamassa o impermeabilizante. como resultado da exposição à intempéries”. assunto de grande importância no que se refere à qualidade dos ambientes internos. e) umidade de condensação de vapores em ambientes fechados. o termo eflorescência significa “a formação de depósito salino na superfície de alvenarias. Há ainda algumas causas extrínsecas ao material.3. Os casos que abrangem fungos. dificilmente vão embora. é ideal para sua proliferação. o bolor e as algas são problemas é que depois que se instalaram. d) umidade relativa do ar em torno de 80%. O lugar da casa em que costumam aparecer é o banheiro. conforme as condições do substrato: a) umidade ascendente por capilaridade. até chegar na alvenaria. produzida pelo vapor do chuveiro. sendo assim. destaca-se ainda a ocorrência de problemas respiratórios nos moradores de residências com bolor deve ser considerada. já que a umidade. b) umidade de infiltração por fachada ou telhado. que podem aumentar o teor de água disponível para o crescimento dos fungos. A parede receberá então a aplicação do revestimento em seguida um adesivo de alto desempenho.edu.

pulverulento. Pode ocorrer em superfícies de alvenaria aparente. Os principais sais presentes no materialsão os de cálcio. na rede capilar ou dissolver e transportar sais solúveis presentes no material. _______________________________________________________________________________ 222 Concretos e Argamassas Prof. presentes no substrato. como no caso de compostos expansivos. regiões próximas a esquadrias mal vedadas. de magnédio e de ferro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de sódio. à presença da água destinada a promover a trabalhabilidade desejada ao material e necessária às reações de hidratação do cimento. devidos. Esse tipo de patologia somente modifica o aspecto estético. juntas de assentamentos. pode ocorrer o fluxo da água por capilaridade ou por pressão. que podem ser solúveis ou parcialmente solúveis em água.edu. muito solúvel em água. II e III. principalmente. O fluxo descrito está intimamente relacionado às propriedades absorção e capilaridade das argamassas. causando desagregação profunda. se uma delas for eliminada. a eflorescência é composta principalmente por sais de metais-alcalinos e alcalinos-terrosos. não sendo prejudicial ao substrato. é determinante haver a presença e a ação dissolvente da água. aumento do tempo de contato e a quantidade de solução que aflora. revestimentos de argamassa. de potássio. ladrilhos cerâmicos. podendo introduzir substâncias agressivas. Tipo I é o mais comum e caracteriza-se por um depósito de sal branco. Há ainda alguns fatores que favorecem o fenômeno: porosidade das argamassas e bases. O fenômeno ocorre porque a argamassa apresenta vazios e canais em seu interior. Em função desses vazios no interior da argamassa. As eflorescências podem alterar a aparência da superfície sobre a qual se depositam. Distingue-se três tipos de eflorescência: de Tipo I. juntas de ladrilhos cerâmicos e azulejos.Quimicamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Para ocorrer a eflorescência. A eflorescência é causada por três fatores: o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes. Todas essas três condições devem existir e. e em determinados casos seus sais constituintes podem ser agressivos. não haverá a ocorrência de eflorescência. a presença de água e a pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície.

dos agregados. Na eflorescência do Tipo II. a eflorescência desaparece após um período prolongado.edu. que pode ser liberada na hidratação do cimento. de cimentos. para alvenaria externa de um edifício recém-terminado.Tipo II caracteriza-se pela aparição de um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. formado com a reação da cal livre. Recomenda-se que. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. os sais (freqüentemente de sulfatos de sódio e potássio) podem ser provenientes de tijolos. devendo-se saturar anteriormente a _______________________________________________________________________________ 223 Concretos e Argamassas Prof. Em seguida. apresenta efervescência. Esses sais formam-se em regiões próximas a elementos de concreto ou sobre sua superfície e. da água utilizada no amassamento. seguida de lavagem com água abundante. pois as reações ainda não terminaram. além de apresentar um efeito estético negativo. como os sais são solúveis em água. A cal dissolve-se e deposita-se na superfície. Na eflorescência denominada de Tipo I. Pode-se também eliminar mais rapidamente tal patologia removendo os sais depositados na superfície com escova de aço. com a água proveniente da chuva ou de infiltração. além do que. pela ação da chuva. A eflorescência do Tipo II. sobre superfícies de alvenaria. o sal formado é basicamente o carbonato de cálcio. Tipo III manifesta-se como um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. esta cal se transforma em carbonato de cálcio. Esse depósito. reagindo com o anidrido carbônico do ar. da reação química entre os compostos do tijolo com o cimento. recomenda-se. às vezes. Nas eflorescências do Tipo I. realiza-se uma lavagem com solução de ácido muriático. Na evaporação da água. deixar que desapareça por si mesmo. o problema pode ser solucionado removendo os sais com escovação mecânica. e de substâncias contidas em solos adensados ou contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica. em casos de depósito abundante. que se apresentam fissuradas devido à expansão decorrente da hidratação do sulfato de cálcio existente no tijolo ou da reação tijolo-cimento. é difícil de ser eliminada. muito aderente e pouco solúvel em água. quando em contato com o ácido clorídrico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

parede, para preencher os vazios existentes com água e evitar a impregnação do ácido através dos poros. Porém, há casos em que a eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação freqüente de solução ácida pode comprometer a durabilidade do componente. Além das recomendações acima, destaca-se alguns cuidados a serem tomados para evitar a ocorrência de eflorescência, destacados a seguir: • não utilizar materiais com elevado teor de sais solúveis. A presença de sais pode ser detectada através de ensaios realizados em laboratório; • • não utilizar componentes cerâmicos com elevado teor de sulfatos; em caso de alvenaria aparente, a redução da absorção da água da chuva pode ser obtida utilizando-se pintura impermeável, resistente à exposição em solução salina; • • • proteger da chuva a alvenaria recém terminada; reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; reduzir a lixiviação da cal através da utilização de cimento que libere menor teor de cal na sua hidratação, como é o caso do cimento pozolânico ou de alto forno.

Ainda que apesar da eflorescência, de uma maneira geral, constituir-se num fenômeno onde os danos são apenas estéticos, ela é o efeito de um problema mais grave e freqüente da edificações, que é a umidade.

_______________________________________________________________________________ 224 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

Manifestações

Aspectos Observados

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Umidade constante

Reparos Eliminação da infiltração de umidade. Secagem do revestimento.

Manchas de umidade Eflorescência Pó branco acumulado sobre a superfície

Sais solúveis presentes no componente da alvenaria Sais solúveis presentes na água de amassamento ou umidade infiltrada Cal não carbonatada

Escovamento da superfície. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Manchas esverdeadas ou escuras Revestimento em desagregação Empolamento da pintura, apresentando- se as partes internas das empolas na cor: -branca -preta Vesículas -vermelho acastanhada Bolhas contendo umidade no interior

Umidade constante

Eliminação da infiltração da umidade. Lavagem com solução de hipoclorito. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Bolor

Área não exposta ao sol

-Hidratação retardada de óxido de cálcio da cal -Presença de pirita ou de matéria orgânica na areia -Presença de concreções ferruginosas na areia Aplicação prematura de tinta impermeável. Infiltração de umidade

Renovação da camada de reboco.

Eliminação da infiltração da umidade. Renovação da pintura.

Descolamento com empolamento

A superfície do reboco descola do emboço formando bolhas, cujos diâmetros aumentam progressivamente O reboco apresenta som cavo sob percussão. A placa apresenta-se endurecida, quebrando com dificuldade Sob percussão o revestimento apresenta som cavo

Hidratação retardada do óxido de magnésio da cal A superfície de contato com a camada inferior apresenta placas freqüentes de mica. Argamassa muito rica. Argamassa aplicada em camada muito espessa.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento.

Descolamento A placa apresenta-se endurecida, mas quebradiça desagregando-se com facilidade

em placas

A superfície da base é muito lisa. A superfície está impregnada com substância hidrófuga.

Renovação do revestimento:

-Apicoamento da base; -eliminação da base hidrófuga;

Sob percussão o revestimento apresenta som cavo Ausência da camada de chapisco

-aplicação de chapisco ou outro artifício para melhoria de aderência.

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Manifestações

Aspectos Observados A película de tinta descola arrastando o reboco que se desagrega com facilidade.

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Excesso de finos no agregado. Traço pobre.

Reparos

Descolamento Traço rico em cal. com pulverulência Fissuras Horizontais Apresenta-se ao longo de toda a parede. Descolamento do revestimento em placas, com som cavo sob percussão. O reboco apresenta som cavo sob percussão. Ausência de carbonatação de cal. O reboco foi aplicado em camada muito espessa. Expansão da argamassa de assentamento por hidratação retardada do óxido de magnésio da cal. Expansão da argamassa de assentamento por reação cimento-sulfatos, ou devida à presença de argilo-minerais expansivos no agregado. Fissuras Mapeadas As fissuras têm forma variada distribuem-se por e toda a superfície. Retração da argamassa de base.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento após hidratação completa da cal da argamassa de assentamento.

A solução a adotar é função da intensidade da reação expansiva. Renovação do revestimento. Renovação da pintura.

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Referências

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BAUER, L.A.F.. Materiais de Construção. 2 vol. Rio de Janeiro, Livro Técnico e Científico; 1994. DURANTE, R. Aglomerantes. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Agregados. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Concreto – Qualidade, Classificação e Propriedades. Notas de aula . ST420 – Materiais de Construção 2. Limeira: 2001. FIGUEIREDO, A. e outros. Materiais de Construção Civil II . PCC 2340. Notas de aulas. São Paulo: 1999. HELENE, P.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. São Paulo: PINI, 1993. JACOSKI, C.A. Concreto e Argamassas. Série Didáticos. Chapecó: Argos, 2001, 71 p. LIMA, M.G. Materiais de Construção Civil 2 . EDI-32 Notas de aula. São Paulo: 2000. METHA, P. K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais. . São Paulo: PINI, 1994. MONTEIRO, E.B. – Materiais de Construção Civil 1 . Notas de aula. ??: 2004. NEVILLE, A.M. Propriedades do concreto. Tradução Salvador Giamusso. São Paulo: PINI, 1997 PETRUCCI, E.G.R. Concreto de cimento Portland. Porto Alegre: Globo, 1998, 13a. ed.

_______________________________________________________________________________ 227 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

.F. Além de diversos outros materiais de diversas faculdades. E. S. Notas de aula. Mestrado Profissionalizante UFGRS.PILZ. – Produção de concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto . Dissertação.edu. _______________________________________________________________________________ 228 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que pela grande quantidade e variedade não foi possível aqui enumerar .E. SILVA. Brasília: 2006.. Porto Alegre: 2005. – Materiais de Construção Civil 1 . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco..

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