CONCRETOS E ARGAMASSAS

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CENTRO TECNOLÓGICO PROF: SILVIO EDMUNDO PILZ

CONCRETOS E ARGAMASSAS
SOBRE ESTA APOSTILA Esta apostila é fruto da compilação de livros, apostilas de disciplinas de outras universidades, dissertações, artigos científicos, normas técnicas e experiência adquirida durante a especialização, mestrado e demais cursos realizados e durante a vida profissional. Aqui fica o agradecimento aos autores, professores e

colaboradores. Não tem a finalidade de ser uma cópia simples e pura, mas uma compilação para atender a ementa da disciplina, procurando uma ordem lógica de aquisição de conhecimentos, porém abordando assuntos que mesmo não estando explícitos na ementa são de fundamental importância para o tema da matéria EMENTA DA DISCIPLINA Propriedades físicas e mecânicas dos materiais componentes do concreto. Ensaios. Características e propriedades do concreto fresco. Propriedades do concreto endurecido. Dosagem do concreto. Controle estatístico e tecnológico do concreto. IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL A disciplina de Concreto e Argamassas se utiliza dos conceitos iniciais da disciplina de Física, Geologia, Materiais de Construção, Química Tecnológica, Resistência dos Materiais e Estatística para dar suporte ao que será estudado nesta disciplina. Reveste-se de importância a disciplina de Concreto e Argamassas para a continuidade dos estudos, pois serve de suporte para as disciplinas de Construção Civil I e II, Concreto Armado I, II e III, Concreto Protendido e outras disciplinas de estruturas, Alvenaria Estrutural e até para a disciplina de Fundações I e II.

______________________________________________________________________________ 1 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA PARA A PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIVIL O conhecimento dos materiais concreto e argamassa, para o Engenheiro Civil é fundamental, pois em qualquer área que irá atuar irá depender e irá usar estes materiais. Como material estrutural o concreto é o mais utilizado, sendo progressivo também o uso em pavimentações rodoviária, obras de arte (grandes estruturas), indústrias de pré-moldados, etc. A argamassa como material de revestimento em edificações tem uso intenso, bem como material de assentamento de pisos, revestimentos, decorações e com um aumento constante do uso de argamassa armada para telhas, paredes, reservatórios, etc. ALGUMAS INFORMAÇÕES INICIAIS A usina de Itaipu utilizou 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. Se fossemos fazer esta barragem com uma betoneira de 320 L, e fazendo 30 betonadas por dia levaríamos o equivalente a 7.000 anos para fazer este volume. Em 1900 a produção mundial de cimento era de 10 milhões de toneladas. Em 1998 a produção foi de 1,6 bilhões de toneladas. O consumo de concreto atualmente no mundo representa o equivalente a 1,0 m3 por pessoa por ano no mundo. É o material mais consumido no mundo, depois da água. O uso do material concreto não tem registro de quando foi a primeira utilização, pois nos primórdios da civilização já se usava cinzas vulcânicas, que com sua propriedade ligante e misturadas a outros materiais formava um material trabalhável e durável. Já o uso do material concreto armado, informações de que a primeira vez que foi utilizado, data de 1855 quando o eng. Lambot levou um barco de concreto armado a uma exposição em Paris.

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Começo a ter impulso o uso do concreto armado, quando em 1867, Joseph Monier requereu patente para construção de vasos de concreto e posteriormente para tubos, reservatórios, placas, pontes, escadas, etc. O primeiro curso de concreto armado no mundo foi dado em Paris, pelo professor Rabut, em 1897. Brasil Emilio Baungartem que é considerado o pai do concreto armado. A ponte

sobre o Rio do Peixe (Joaçaba) por muitos anos o maior vão do mundo. O prédio do jornal “O Dia” no Rio de Janeiro foi por muito anos o maior do mundo em concreto armado.

O QUE VAMOS ESTUDAR Inicialmente temos que estudar os materiais componentes do concreto (que também são utilizados em argamassas): agregados, aglomerantes e água (não será estudada nesta disciplina) Nos agregados será visto os tipos, caracterização, propriedades, substâncias nocivas, ensaios em agregados. Nos aglomerantes, estuda-se a função, matérias primas, classificação e um estudo mais aprofundado do cimento, desde a fabricação, constituintes, classificação (tipos de cimento). Após será conhecido os ensaios realizados em agregados e aglomerantes, seus diferentes tipos, como fazer e normas relacionadas aos ensaios. Em seguida será dado início ao estudo do material “concreto”, estudando as propriedades do concreto enquanto “mole” (concreto fresco) e do concreto endurecido. Também será aprendido sobre a produção do concreto, dos cuidados desde a estocagem dos materiais até o lançamento e a cura deste material.

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______________________________________________________________________________ 4 Concretos e Argamassas Prof. revisando os conceitos necessários. Estudaremos ainda como fazer dosagem de concreto. quais são os agentes agressivos a este material. etc.edu.Não se pode falar de concreto sem pensar que seja um material durável e então será estudado o assunto “Durabilidade do concreto”. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . onde estudaremos as propriedades dos revestimentos e patologias dos revestimentos que nos darão embasamento sobre os quesitos necessários para uma boa argamassa. diferenciando os tipos de dosagem e estudando um método de dosagem específico e através de cálculos elaborar um traço de concreto. Finalizando a disciplina será estudado brevemente as argamassas. Todo este conhecimento de concreto será adquirido com o apoio de aulas em laboratório e ensaios que os alunos deverão fazer durante o semestre em horário fora de aula. Neste ponto já se pode falar sobre a questão do controle de produção do concreto e como fazer para saber se o concreto produzido atende os requisitos exigidos controle e aceitação do concreto. onde veremos da importância da produção de um concreto durável.

material granular cujos grãos passam na peneira de 4. São apresentados também. Agregado miúdo .75 mm (pedregulho. tais como: resistência à compressão. Agregado graúdo .relação entre a área total da superfície dos grãos e sua massa. baseados nas experiências nacional e estrangeira. impermeabilidade. tração na flexão.AGREGADOS Uma vez que cerca de ¾ do volume do concreto são ocupados pelos agregados. geralmente inerte. ou mistura de ambas). Caracterização . apresentar as principais propriedades dos agregados. Superfície específica . de dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos. brita e seixo rolado).75 mm e que ficam retidos na peneira de 0. ______________________________________________________________________________ 5 Concretos e Argamassas Prof.edu.material granular cujos grãos passam na peneira com abertura de malha 150 mm e ficam retidos na peneira de 4.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . exercendo nítida influência não apenas na resistência mecânica do produto acabado como. neste capítulo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. trabalhabilidade e retratilidade.075mm (areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. também. ALGUMAS DEFINIÇÕES INICIAIS Agregado . Procura-se. em sua durabilidade e no desempenho estrutural. proporcionando concretos que irão corresponder plenamente às expectativas de projeto e execução das obras onde serão empregadas. durabilidade.determinação da composição granulométrica e de outros índices físicos dos agregados de modo a verificar as propriedades e características necessárias à produção de concreto e argamassas. não é de se surpreender que a qualidade destes seja de importância básica na obtenção de um bom concreto. alguns critérios seletivos para a obtenção dos agregados. analisando o seu grau de importância e responsabilidade na geração das características essenciais aos concretos.material granular sem forma e volume definidos.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a) Quanto à origem. seja na fonte de produção. seixos rolados. ou a mistura de ambas. pedregulhos. b) Quanto à dimensão de suas partículas..8 mm (peneira de malha quadrada com abertura nominal de “x” mm.amostra de agregado representativa da amostra de campo. Amostra de ensaio . de determinado local do lote. Amostra de campo ... • artificiais → são obtidos pelo britamento de rochas: pedrisco. coletada nas condições prescritas na NBR NM 26:2001.. cujos grãos passam pela peneira ABNT de 4. destinada à execução de ensaio em laboratório. areia artificial..edu. a Norma Brasileira NBR 7211 define agregado da seguinte forma: • Agregado miúdo → Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis. • industrializados → aqueles que são obtidos por processos industriais: argila expandida. escória britada. CLASSIFICAÇÃO DOS AGREGADOS Os agregados podem ser classificados quanto: • à origem. eles podem ser: • naturais → já são encontrados na natureza sob a forma definitiva de utilização: areia de rios.8 mm) e ficam retidos na peneira ABNT 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .075 mm. armazenamento ou transporte. de uma só vez. ______________________________________________________________________________ 6 Concretos e Argamassas Prof.. obtida segundo a NBR NM 27:2001. . • às dimensões das partículas.Amostra parcial – parcela de agregado retirada. É obtida a partir de várias amostras parciais. • à massa unitária. cascalhos. . . pedra britada.porção representativa de um lote de agregado. Deve-se observar aqui que o termo artificial indica o modo de obtenção e não se relaciona com o material em si. neste caso 4.

< 2.edu.3 Escória granulada 1.0 t/m3 Características das rochas de origem: a) Atividade – o agregado pela própria definição. ou a pedra britada proveniente do britamento de rochas estáveis. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por suas massas específicas (densidade): Leves: M.8 mm. cujos grãos passam pela peneira ABNT 152 mm e ficam retidos na peneira ABNT 4.3 0.5 1.0 t/m3) 2. deve ser um elemento inerte.45 1.E.0 t/m3 Médios: 2.E. > 3.9 3.2 3. c) Quanto à massa unitária pode-se classificar os agregados em leves.0 t/m3 Pesados: M. ≤ 3. ou seja: ______________________________________________________________________________ 7 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6 1. também.0 t/m3) Vermiculita Argila expandida 0. Veja a tabela abaixo: Massas unitárias médias Leves (menor que 1.7 Barita Hematita Magnetita Pesados (acima de 2.0 ≤ M. Referindo-se ao tamanho do agregado. a designação dimensão máxima indica a abertura de malha (em milímetros) da peneira da série normal à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou inferior a 5%.5 1.0 t/m3) 1.5 1.0 Os agregados leves.E. médios e pesados. médios e pesados podem ser caracterizados.4 1.8 Calcário Arenito Cascalho Granito Areia seca ao ar Basalto Escória Médios (1.0 a 2.• Agregado graúdo → o agregado graúdo é o pedregulho natural. Veja na frente mais detalhadamente. ou a mistura de ambos.

• ao desgaste : a pasta de cimento e água não resiste ao desgaste . apresentam resistências médias à compressão da seguinte ordem : Rochas Granito ( Serra da Cantareira. pois tem resistência muito superior às máximas dos concretos. não deve sofrer variações de volume com a umidade. ______________________________________________________________________________ 8 Concretos e Argamassas Prof. As rochas ígneas. basculamento. SP ) Granito ( RJ ) Basalto Resistência à Compressão 154 MPa 120 MPa 150 MPa Sob o aspecto de resistência à compressão. dá-se o nome de abrasão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• • • não deve conter constituintes que reajam com o cimento “fresco” ou endurecido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. estocagem). b) Resistência Mecânica • à compressão : a resistência varia conforme o esforço de compressão se exerça paralela ou perpendicularmente ao veio da pedra. portanto. não deve conter incompatibilidade térmica entre seus grãos e a pasta endurecida. As rochas sedimentares apresentam resistência um pouco abaixo das ígneas.edu. a capacidade que tem o agregado de não se alterar quando manuseado (carregamento. Quem confere esta propriedade aos concretos é o agregado. O ensaio se faz em corposde-prova cúbicos de 4 cm de lado. Ao desgaste superficial dos grãos de agregado quando sofrem “atrição”. estes materiais não apresentam qualquer restrição ao seu emprego no preparo de concreto normal. assim como a escória de alto forno resfriada ao ar. A resistência à abrasão mede.

que consta. de um cilindro oco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quando for usada uma solução de sulfato de magnésio. dando as características da máquina e das cargas de agregado e esferas de ferro. é a “Abrasão Los Angeles”. em essência. a resistência à abrasão é característica muito importante. É de 15% a perda máxima admissível para agregados miúdos e de 18% para agregados graúdos.Em algumas aplicações do concreto. O ensaio consiste em submeter o agregado à ação de uma solução de sulfato de sódio ou magnésio. Principais propriedades físicas dos agregados • • • • • • Massa específica Massa unitária Índice de vazios Compacidade Finura Área específica ______________________________________________________________________________ 9 Concretos e Argamassas Prof. a amostra é peneirada na peneira de 1. dentro do qual a amostra de agregado é colocada juntamente com esferas de ferro fundido. Retirada do cilindro. seguidas de 4 horas de secagem em estufa a 105°C.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como por exemplo em pistas de aeroportos. em vertedouros de barragens e em pistas rodoviárias. de eixo horizontal.7mm.edu. A resistência à abrasão é medida na máquina “Los Angeles”. expresso em porcentagem do peso inicial. determinando-se a perda de peso após 5 ciclos de imersão por 20 horas. O cilindro é girado durante um tempo determinado. sofrendo o agregado atrição e também um certo choque causado pelas esferas de ferro. c) Durabilidade O agregado deve apresentar uma boa resistência ao ataque de elementos agressivos. A NBR 6465 trata do ensaio à abrasão. pois o concreto sofre grande atrição. o peso do material que passa.

90 l de concreto. colhida de acordo com a NBR 7216. M.62 kg/dm3 Pedregulho: 2.81 litros Água: 0.10 = 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Para muitas rochas comumente utilizadas. introduz-se cuidadosamente o material. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.32 dm3 = 0.65 kg/dm3 = 1.E = ρ = Para que serve a massa específica? 500 kg / l L − 200 Seja o traço em peso de um concreto. A água subirá no gargalo do frasco até uma certa marca (L).edu.07 dm3 = 1. assim.10 kg/dm3 Areia: 2.7 dm3 = 0. portanto somente é necessário a determinação da massa específica do agregado.07 litros Pedregulho: 4. obtendo-se.65 kg/dm3 Água: 1 kg/dm3 Temos os volumes de “cheios” deste material: Cimento: 1 / 3. para 1 m3 de concreto (1000l) serão precisos: 1 x 1000/3. incluindo os poros existentes dentro das partículas. considerando-se o cimento como unidade de medida): Cimento: 1 kg Areia: 2.7 kg Conhecendo-se as massas específicas desses materiais: Cimento: 3. faz-se essa leitura e do valor obtido diminuem-se os 200 ml.81 dm3 = 1. teremos a massa específica real ou peso específico real.32 litros Areia: 2.8 kg / 2. é importante conhecer o volume ocupado pelas partículas do agregado. Massa Específica (kg/m3) Granito Arenito Calcário 2690 2650 2600 Da amostra representativa. a massa específica varia entre 2600 e 2700 kg/m3. A massa específica é definida como a massa do material por unidade de volume.8 kg / 2.7 litros Se com 1 kg de cimento. coloca-se água no interior do frasco até sua marca padrão de 200 ml. ______________________________________________________________________________ 10 Concretos e Argamassas Prof. incluindo os poros internos das partículas. pesam-se 500g de areia seca.Massa Específica! O que é isto? Para efeito de dosagem do concreto. o valor absoluto de areia.8 kg Água: 0. obtém-se 3. empregando-se as proporções de areia e pedregulho especificadas anteriormente.62 kg/dm3= 1. dividindo-se o peso dos 500g de areia pelo volume achado. para materiais secos (traço de um concreto define a proporção unitária entre seus materiais constituintes.7 kg / 1 kg/dm3 = 0.8 kg Pedregulho: 4.90 =256 kg de cimento.

6 kg/dm3 Temos o traço em volume correspondente: Cimento: 1 kg /1.33 ______________________________________________________________________________ 11 Concretos e Argamassas Prof.00 : 2.4 kg/dm3 Pedregulho: 1. expressa em kg/dm3. A massa unitária. Definindo massa unitária de outra maneira. incluindo na medida deste volume os vazios entre os grãos. a superfície é regularizada de modo a compensar as saliências e reentrâncias das pedras.00 dm3 Como em todo traço unitário de concreto o cimento é sempre a unidade de medida. é obtida pelo quociente: M.edu. a superfície do agregado é rasada e nivelada com uma régua. neste caso.90 dm3 Areia: 2.90 = 2. Quanto ao enchimento do recipiente. de transformar um traço em massa para volume e vice-versa.22 dm3 Pedregulho: 3. com forma de paralelepípedo.U = Massa do recipiente cheio − tara Capacidade do recipiente Para que serve a massa unitária? Seja o traço em massa de concreto com materiais secos: Cimento: 1 kg Areia: 2.8 kg / 1.22 : 3.8 kg / 1.Massa Unitária! O que é isto? Segundo a NBR 7810 a massa unitária é a massa da unidade de “volume aparente” do agregado.8 kg Pedregulho: 4.90 = 1.1 kg/dm3 Areia: 1.00 dm3 Pedregulho: 4. Sua determinação deverá ser feita em recipiente.1 kg/dm3 = 0. de volume nunca inferior a 15 litros.90: Cimento: 0.90 = 3. de tal forma que não exista espaços vazios. A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados em concreto normal varia de 1300 a 1750 kg/m3.4 kg/dm3= 2.00 dm3 / 0.00 dm3 Areia: 2. No caso do agregado graúdo. A importância de se conhecer a massa unitária aparente vem da necessidade. os resultados encontrados por 0.33 dm3 Traço transformado para volume: 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .90 dm3 / 0. na dosagem de concretos. poderíamos dizer que massa unitária é definida como a massa das partículas do agregado que ocupam uma unidade de volume. o material deverá ser lançado de uma altura que não exceda a 10 cm da boca. O termo massa unitária é assim relativo ao volume ocupado por ambos: agregados e vazios. isto é.00 dm3 / 0. dividiremos. para cálculos de consumo de materiais a serem empregados no concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tal fenômeno surge porque não é possível empacotar as partículas dos agregados juntas. Após cheio. ou também.6 kg/dm3 = 3.8 kg Conhecendo-se as massas unitárias ou aparentes para: Cimento: 1.

apresentará. porém a quantidade destes espaços vazios é bastante superior.edu. A mistura de agregados miúdos e graúdos. sempre. Compacidade (c): é a relação entre o volume total ocupado pelos grãos e o volume total do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. c= Vg Va ______________________________________________________________________________ 12 Concretos e Argamassas Prof. entretanto. por isso podemos dizer que os totais de espaços vazios nos agregados miúdos e graúdos independem do tamanho máximo dos grãos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . um menor volume de vazios. i= Agregado Miúdo V v V g Agregado Graúdo No caso dos agregados miúdos o espaço intergranular é menor que nos agregados graúdos.Índice de Vazios: é a relação entre o volume total de vazios e o volume total de grãos.

Área específica: é a soma das áreas das superfícies de todos os grãos contidos na unidade de massa do agregado. constitui o material de correção do solo (sub-base). dizse que ele tem maior finura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para a mesma granulometria. Admite-se para área da superfície de um grão.edu. • Concreto de cimento • Pavimentos rodoviários • Filtros constitui o agregado miúdo dos concretos). superfície de área maior que a esfera. ______________________________________________________________________________ 13 Concretos e Argamassas Prof. a areia é utilizada para a construção de filtros. As areias das praias não são usadas. A areia pode originar-se de rios. destinados a interceptar o fluxo de água de infiltração em barragens de terra e em muros de arrimo. a areia entra na dosagem dos inertes do concreto betuminoso e tem a importante propriedade de impedir o amolecimento do concreto betuminoso dos pavimentos de ruas nos dias de intenso calor). o grão real tem.Finura: quando um agregado tem seus grãos de menor diâmetro que um outro. • Concreto betuminoso juntamente com fíler. os agregados com grãos mais regulares têm menor superfície específica. para o preparo de concreto por causa de sua grande finura e teor de cloreto de sódio. a área da superfície de uma esfera de igual diâmetro. areia é o agregado miúdo. O mesmo ocorre com as areias de dunas próximas do litoral. de cavas (depósitos aluvionares em fundos de vales cobertos por capa de solo) ou de praias e dunas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. devido a sua grande permeabilidade. Agregados Naturais: Areia natural: considerada como material de construção. contudo. Utilizações da areia natural: • Preparo de argamassas. em geral. A forma dos grãos de brita é irregular e sua superfície extremamente rugosa.

dos quais se retira a fração inferior a 0. Agregados Artificiais Pedra britada: agregado obtido a partir de rochas compactas que ocorrem em jazidas. O pedregulho deve ser limpo.8 a 19 19 a 38 25 a 50 50 a 76 Areia de brita ou areia artificial: agregado obtido dos finos resultantes da produção da brita. Os produtos finais enquadram-se em diversas categorias. Classificação do autor Falcão Bauer em seu livro “Materiais de construção” Denominação Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 Diâmetro (mm) 1. inconsolidado. quer dizer. lavado antes de ser fornecido. O concreto executado com pedregulho é menos resistente ao desgaste e à tração do que aquele fabricado com brita. Deve ser de granulação diversa.5 4. pelo processo industrial da cominuição (fragmentação) controlada da rocha maciça.075 mm).8mm. Fíler: agregado de graduação 0.075mm. formado de grãos de diâmetro em geral superior a 5 mm.Seixo rolado ou cascalho: também denominado pedregulho. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ______________________________________________________________________________ 14 Concretos e Argamassas Prof. podendo os grãos maiores alcançar diâmetros até superiores a cerca de 100 mm. É chamado de pó de pedra. é um sedimento fluvial de rocha ígnea.20.2 a 9.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .15 /4. já que o ideal é que os miúdos ocupem os vãos entre os graúdos. na proporção 1 para mais ou menos 1. Sua graduação é 0.edu.005/0.15 mm. Seus grãos são da mesma ordem de grandeza dos grãos de cimento e passam na peneira 200 (0. O cascalho também pode ser de origem litorânea marítima.

emprega-se o agregado em extensa gama de situações: • concreto de cimento: o preparo de concreto é o principal campo de consumo da pedra britada. para preencher vazios. A tecnologia do concreto evoluiu. depois de devidamente reduzidos em tamanho. na preparação da argamassa betuminosa. de grãos em geral friáveis (que se partem com facilidade). São empregados principalmente o pedrisco. Blocos: fragmentos de rocha de dimensões acima do metro. Pode conter uma parcela de solo. apesar de ter ele distribuição granulométrica não coincidente com a do agregado miúdo padronizado para concreto (areia). Será secundária quando deixar o britador secundário. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A NBR 7211. vão abastecer o britador primário. como espessante de asfaltos fluidos. Rachão: agregado constituído do material que passa no britador primário e é retido na peneira de 76 mm. que. Será primária quando deixar o britador primário. É também usado o pó de pedra. com graduação aproximada de 0/300mm. ______________________________________________________________________________ 15 Concretos e Argamassas Prof. e apesar de as curvas granulométricas médias dos agregados comerciais não coincidirem totalmente com as curvas médias das faixas da Norma. Bica-corrida: material britado no estado em que se encontra à saída do britador. Restolho: material granular. A NBR 9935 define rachão como “pedra de mão”. Não obstante isso. na adição a cimentos. dependendo da regulagem e tipo de britador. a pedra 1 e a pedra 2. de modo que o pó de pedra é usado em grande escala. com graduação aproximada de 0/76mm. É a fração acima de 76 mm da bica corrida primária.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que padroniza a pedra britada nas dimensões hoje consagradas pelo uso.O fíler é utilizado nos seguintes serviços: • • • • na preparação de concretos.edu. Pode ser classificada em primária ou secundária. de dimensões entre 76 e 250 mm. trata de agregado para concreto.

ferro. formada. magnésio e outros elementos. • • • Lastro de estradas de ferro: este lastro está padronizado pela NBR 5564. Aterros: podem ser feitos com restolho. seja concreto estrutural ou pré-moldados – com resistência de até fck 30MPa. areias. a NBR 7174 fixa três graduações para o esqueleto e uma para o material de enchimento das bases de macadame hidráulico. seja concreto de enchimento. Isto se deve ao ter ele de satisfazer peculiar forma de distribuição granulométrica. graduações estas que diferem das pedras britadas. precisa ser dotada da propriedade de piroexpansão. além da baixa ______________________________________________________________________________ 16 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . São usados: fíler.edu. de silicato de alumínio e óxidos de silício. pedras 1. alto índice de suporte do que quando se usam solos argilosos. 2 e 3. em proporções muito variáveis. isto é. O principal uso que se faz da argila expandida é como agregado leve para concreto. constituído de grãos lamelares de dimensões inferiores a dois micrômetros. de apresentar formação de gases quando aquecida a altas temperaturas (acima de 1000oC). misturando-se diversos agregados comerciais. Pavimentos rodoviários: para este emprego. Nem todas as argilas possuem essa propriedade. obtendo-se mais facilmente. de traço mais apurado.• Concreto asfáltico: o agregado para concreto asfáltico é necessariamente prédosado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. • • Argamassas: em certas argamassas de enchimento. O concreto de argila expandida. Correção de solos: usa-se o pó de pedra para correção de solos de plasticidade alta. e consta praticamente de pedra 3. Para se prestar para a produção de argila expendida. Agregados Industrializados 1) Agregados Leves a) Argila expandida: a argila é um material muito fino. podem ser usados a areia de brita e o pó de pedra.

2) Agregados Pesados a) Hematita: a hematita britada constitui os agregados miúdo e graúdo que são usados no preparo do concreto de alta densidade (dito “concreto pesado”) destinado à absorção de radiações em usinas nucleares (escudos biológicos ou blindagens). de que resulta um agregado da ordem de 12.0 a 1. produzindo-se. A escória granulada é usada na fabricação do cimento Portland de alto-forno.5/32 mm. a escória é resfriada com jatos de água fria. apresenta muito baixa condutividade térmica – cerca de 1/15 da do concreto de britas de granito. A escória simplesmente resfriada ao ar. e também em concreto estrutural.4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O grau de absorção cresce com o aumento da densidade do concreto ______________________________________________________________________________ 17 Concretos e Argamassas Prof. Quando é imediatamente resfriada em água fria.densidade de 1. silício e alumínio. Normalmente. que pode variar de 6 a 15 kN/m3. b) Escória de alto-forno: é um resíduo resultante da produção de ferro gusa em altos-fornos. resulta a escória granulada. Usa-se a escória expandida como agregado graúdo e miúdo no preparo de concreto leve em peças isolantes térmicas e acústicas. uma vez britada. ao sair do alto forno (escória bruta). aproximadamente.8mm. a escória expandida. então. constituído basicamente de compostos oxigenados de ferro. que permite obter um agregado miúdo de graduação 0/4.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com resistência a 28 dias da ordem de 8-20 MPa e densidade da ordem de 1. após receber um jato de vapor. A vermiculita expandida tem os mesmos empregos da argila expandida. c) Vermiculita: é um dos muitos minérios da argila. contra 26 do concreto de brita de granito ou de basalto.8. Blocos e painéis pré-moldados usando argila expandida prestam-se bem a ser usados como isolantes térmicos ou acústicos. pode produzir um agregado graúdo. no que são auxiliados pela baixa densidade do material.

que atendem a NBR 5734.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . expressa em porcentagem. a massa total em faixas de tamanhos de grãos e exprime-se a massa retida de cada faixa em porcentagem da massa total. necessário conhecer quais são as parcelas constituídas de grãos de cada diâmetro. A granulometria dos agregados é característica essencial para estudo das dosagens do concreto. a) Peneiras (Série Normal e Série Intermediária): conjunto de peneiras sucessivas. então. Para caracterizar um agregado é. a barita também é usada no preparo de concretos densos. com as seguintes aberturas discriminadas: ______________________________________________________________________________ 18 Concretos e Argamassas Prof. divide-se. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.a) Barita: pela sua alta densidade. por peneiramento. expressas em função da massa total do agregado. Para conseguir isto. Exigências normativas da NBR 7211 1) Granulometria: define a proporção relativa. dos diferentes tamanhos de grãos que se encontram constituindo um todo. Pode ser expressa pelo material que passa ou pelo material retido por peneira e acumulado.

2 0. ______________________________________________________________________________ 19 Concretos e Argamassas Prof. retida acumulada na peneira ABNT Peneira ABNT 9.5 mm 6. em massa.4 mm 1.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3 - b) Limites granulométricos do agregado miúdo Porcentagem.5 mm 6.15 mm Zona 1 (muito fina) 0 0a3 0a5 0a5 0 a 10 0 a 20 50 a 85 85 a 100 Zona 2 (fina) 0 0a7 0 a 10 0 a 15 0 a 25 21 a 40 60 a 88 90 a 100 Zona 3 (média) 0 0a7 0 a 11 0 a 25 10 a 45 41 a 65 70 a 92 90 a 100 Zona 4 (grossa) 0 0a7 0 a 12 5 a 40 30 a 70 26 a 85 80 a 95 90 a 100 * Pode haver uma tolerância de até um máximo de cinco unidades de porcento em um só dos limites marcados com o (*) ou distribuídos em vários deles.2 mm 0.6 mm 0.600 0.4 mm 1.300 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.PENEIRAS Série Normal 76 mm 38 mm 19 mm 9.8 mm 2.150 Série Intermediária 64 mm 50 mm 32 mm 25 mm 12.3 mm 4.5 4.3 mm 0.8 mm 2.

4 1.8 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4 0 0 – 10 80 – 100 95 – 100 Classificação (Graduação) 1 0 0 .15 Fundo MATERIAL RETIDO (g) 30 70 140 320 300 120 20 Σ = 1000g % SIMPLES % ACUMULADO ______________________________________________________________________________ 20 Concretos e Argamassas Prof.3 4. Exemplo: PENEIRAS (mm) 4.3 0.5 9.5 6.c) Limites granulométricos do agregado graúdo A NBR 7211 classifica os agregados graúdos segundo a tabela abaixo: Porcentagens retidas acumuladas Peneiras 0 76 63 50 38 32 25 19 12.2 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dividida por 100.10 80 – 100 92 – 100 95 – 100 - 2 0 0 – 25 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - 3 0 0 – 30 75 – 100 87 – 100 95 – 100 - 4 0 0 .edu. nas peneiras da série normal.6 0.30 75 – 100 90 – 100 95 – 100 - d) Módulo de finura (Mf): é a soma das porcentagens retidas acumuladas em massa de um agregado.8 2.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em mm. o diâmetro máximo do agregado é 4. os agregados classificam-se em alongados.72 < MF < 2. Atenção! Os módulos de finura para a areia. cúbicos. lamelares e discóides.71 e) Dimensão Máxima (Dm) : grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. correspondente à abertura de malha quadrada. que definem o coeficiente de forma. à qual corresponde uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa.71 Grossa: MF > 2. por isso para o cálculo do módulo de finura somou-se todos os percentuais retidos acumulados.12 < MF < 2.71 Fina: 1.11 Média: 2. pois é na peneira 4. da peneira listada na tabela 6.5mm Brita 2→ (Dm) = 25mm Brita 3→ (Dm) = 38mm Brita 4→ (Dm) = 76mm Brita 5→ (Dm) = 100mm Na tabela acima. a) Quanto às dimensões: Com relação ao comprimento (l).edu. Na tabela anterior todas as peneiras são da série normal.8 mm. conforme sejam as relações entre as três dimensões. largura (l) e espessura (e).Obs. As britas podem ser classificadas em: Brita 1→ (Dm) = 12. variam entre os seguintes limites: Muito fina: MF < 1.8 mm que o percentual retido acumulado é igual ou imediatamente inferior a 5%. 2) Forma dos grãos: os grãos dos agregados não tem forma geometricamente definida. ______________________________________________________________________________ 21 Concretos e Argamassas Prof.

ficam tão rijas que não se podem espalhar com a colher. arredondados: quando não apresentam arestas vivas (seixos). defeituoso: quando apresentam trechos convexos. se preparadas com areia artificial.Calcários estratificados. A forma dos grãos tem efeito importante no que se refere à compacidade.edu. b) Quanto à conformação da superfície: Partículas formadas por desgaste superficial contínuo tendem a ser arredondadas. especialmente quando são usados britadores de mandíbula no beneficiamento. por exemplo. e também nos depósitos eólicos em zonas marítimas. ______________________________________________________________________________ 22 Concretos e Argamassas Prof. enquanto aquelas cujo comprimento é consideravelmente maior do que as outras duas dimensões são chamadas de alongadas. tendo geralmente uma forma bem arredondada. Aquelas partículas cuja espessura é relativamente pequena em relação as outras duas dimensões são chamadas de lamelares ou achatadas. pela perda de vértices e arestas. Argamassas de revestimento. c) Quanto à forma das faces: • • conchoidal: quando tem uma ou mais faces côncavas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . constituindo o que se chama de argamassas duras. como é o caso das areias e seixos rolados formados nos leitos dos rios. à trabalhabilidade e ao ângulo de atrito interno. A influência da forma é mais acentuada nos agregados miúdos. • • angulosos: quando apresentam arestas vivas e pontas (britas). arenitos e folhelho tendem a produzir fragmentos alongados e achatados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Agregados de rochas britadas possuem vértices e arestas bem definidos e são chamados angulosos.

Apresentam.28% de grãos cúbicos.Os agregados naturais tem grãos cubóides.5 % . Nos agregados artificiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A presença de areias ou argila.edu. para a resistência de concreto e argamassas e o seu teor é limitado a 1. a) Torrões de Argila São denominadas todas as partículas de agregado desagregáveis sob pressão dos dedos (torrões friáveis). concretos de agregados de britagem têm maiores resistências ao desgaste e à tração. Apesar disso. 3) Substâncias nocivas: são aquelas existentes nas areias ou britas que podem afetar alguma propriedade desejável no concreto fabricado com tal agregado. contra 70 a 90% na brita de basalto. de superfície arredondada e lisa. maior resistência à desgraduação (alteração da distribuição granulométrica por quebra de grãos). Concretos preparados com agregados de britagem exigem 20% mais água de amassamento do que os preparados com agregados naturais. O cascalho apresenta 92. devido a maior aderência dos grãos à argamassa. sob a forma de torrões é bastante nociva.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Torrões de Argila Afeta trabalhabilidade Resistência Abrasão ______________________________________________________________________________ 23 Concretos e Argamassas Prof. a forma dos grãos depende da natureza da rocha e do tipo de britador. que produz apreciável quantidade de grãos lamelares. contra as superfícies angulosas e extremamente irregulares dos grãos dos agregados industrializados. além disso. sendo os grãos lamelares os mais prejudiciais. O granito produz grãos de melhor forma que o basalto. Tornam as argamassas mais trabalháveis que os artificiais.

______________________________________________________________________________ 24 Concretos e Argamassas Prof. A cor escura da areia é indício de matéria orgânica (exceto para agregado resultante de rocha escura como o basalto) as impurezas orgânicas formadas por húmus exercem uma ação prejudicial sobre a pega e o endurecimento das argamassas e concretos. quando presentes em grandes quantidades. reduzindo a trabalhabilidade • • 3% para concreto submetido a desgaste superficial 5% outros concretos Material passante na peneira de 75 µm Afeta durabilidade c) Impurezas Orgânicas Aumenta consumo de água A matéria orgânica é a impureza mais freqüente nas areias. mas em grande quantidade chegam a escurecer a argila. e portanto passando na peneira de 0. intensificando sua retração e reduzindo sua resistência. de um modo geral.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . São detritos de origem vegetal na maior parte. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A argila da areia pode ser eliminada por lavagem. Os finos. Os finos de certas argilas.edu. São partículas minúsculas.075 mm. Ensaio colorímetrico Indica a existência ou não de impurezas orgânicas. aumentam a exigência de água para uma mesma consistência. propiciam maiores alterações de volume nos concretos. porém poderá arrastar os grãos mais finos da areia. constituído de silte e argila.b) Material Pulverulento As areias contém uma pequena percentagem de material fino.

• No concreto aceleram o processo de corrosão do aço. Carvão Afeta trabalhabilidade e) Cloretos Causa manchas Em presença excessiva podem causar certos problemas. diminuindo a resistência do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. São considerados prejudiciais pois são materiais de baixa resistência. Diminuem também a resistência à abrasão. Dão origem e expansão no concreto pela formação de etringita (formação mineral.d) Materiais carbonosos Partículas de carvão. f) Sulfatos Podem acelerar e em certos casos retardar a pega do cimento. madeira.edu. • Nas argamassas geram o aparecimento de eflorescências e manchas de umidade. Máximo de 0.5 % para concretos onde a aparência é importante e 1% para os demais concretos. Cuidado com alguns aditivos aceleradores de pega que contém cloretos (não usar em concreto protendido).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . linhito. que por sua constituição e forma podem ser prejudicial ao concreto) ______________________________________________________________________________ 25 Concretos e Argamassas Prof.

______________________________________________________________________________ 26 Concretos e Argamassas Prof. desenvolvendo-se em fissuras e vazios da argamassa e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A caracterização das reações álcali-agregado através de seus produtos permite avaliar o grau de comprometimento da estrutura e balizar eventuais ações para minimização dos danos decorrentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .6% quando os agregados utilizados para produção de concretos contiverem tais minerais. ocorrem preferencialmente em concretos de barragens ou em estruturas de fundações. Seus produtos são géis alcalinos e materiais cristalinos expansivos que. dos agregados. o teor máximo de álcalis para os cimentos é determinado em 0. com conseqüente aumento da permeabilidade e diminuição da resistência química do concreto a agentes externos. Por serem processos químicos favorecidos pela variação de umidade.edu.g) Reatividade Álcali-Agregado (ou Reatividade Potencial) As reações álcali-agregado são processos químicos que envolvem os álcalis do cimento e agregados cujas características minerais ou texturais os tornam reativos. promovem a abertura e propagação das descontinuidades. eventualmente. Experimentalmente.

Ensaios mostram que a água livre aderente aos grãos provoca um afastamento entre eles. ______________________________________________________________________________ 27 Concretos e Argamassas Prof. tendo porém umidade interna. Teor de umidade (%) razão entre a massa de água contida numa amostra e a massa desta amostra seca.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sem água livre. Saturado apresenta água livre na superfície. sem estar saturado Seco superfície seca. devido ao fenômeno do inchamento. INCHAMENTO A areia na obra apresenta-se normalmente úmida e o teor de umidade varia normalmente de 4 a 6%.edu. estando porém preenchidos os vazios permeáveis das partículas dos agregados. Deste afastamento resulta o inchamento. externa ou interna foi eliminada por um Seco ao ar quando não apresenta umidade superficial. CONDIÇÕES DE UMIDADE DOS AGREGADOS Seco em estufa aquecimento a 100oC toda umidade.Umidade e Inchamento dos agregados È importante conhecer o teor de umidade dos agregados (principalmente os miúdos). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

após ______________________________________________________________________________ 28 Concretos e Argamassas Prof. sendo que nesta faixa se dá o inchamento máximo estes teores o inchamento decresce. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .O inchamento depende da composição granulométrica e do grau de umidade. É maior para areias mais finas. O inchamento aumenta com o acréscimo de umidade até um teor de 4 a 6%.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Algumas fórmulas para o cálculo de umidade e inchamento nos agregados miúdos: h% = Págua Pareia seca × 100 Págua = Pah − Pas Ch h = 100 Vah − Vas Vas Vah − Vas × 100 Vas h ⎞ ⎛ Pah = Pas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ Ci = I ⎞ ⎛ Vah = Vas ⎜ 1 + ⎟ 100 ⎠ ⎝ I% = Ci = d as (1 + C h ) − 1 d ah Vah = Pah d ah Vas = Pas d as h% = percentual de umidade I% = percentual de inchamento Vah= volume de areia úmida Vas = volume de areia seca Pah = peso de areia úmida Pas = peso de areia seca das = massa unitária da areia seca dah = massa unitária da areia úmida Ci = coeficiente de inchamento Ch = coeficiente de umidade ______________________________________________________________________________ 29 Concretos e Argamassas Prof.edu.

aglutina-os. inertes e que ao endurecerem (física ou quimicamente). na confecção de argamassas ou concretos utilizados na construção civil.AGLOMERANTES CONSIDERAÇÕES INICIAIS São produtos utilizados na Construção Civil para fixar ou aglomerar materiais entre si. gesso. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tomando as mais diversas formas e resistências simples secagem e/ou conseqüência de reações químicas Endurecimento aderindo à superfície a quais estão em contato.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. • Apresentam-se na forma pulverulenta (mais comum) e quando misturados com água tem a capacidade de aglutinar. Função • • Aglutinação e colagem dos componentes e elementos Preenchimento de vazios existentes no conjunto aglomerante pasta argamassa + + + água agregado miúdo agregado graúdo PASTA ARGAMASSA CONCRETO _________________________________________________________________________ 30 Concretos e Argamassas Prof. São utilizados como pastas ou como agregados inertes. cal hidráulica Materiais naturais ou artificiais que em estado plástico ou fluído. cal aérea. Caracterização envolvem outros materiais sólidos. Ex: cimento (vários tipos).

para aumentar sua resistência mecânica. escórias de alto forno. cinzas volantes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. As pozolanas (solos ou cinzas vulcânicas) eram usadas por gregos e romanos em argamassas de cal e areia. havendo registros de sua utilização em 2700 a. causar o menor impacto ambiental possível. para se utilizar um aglomerante comercialmente. seja na produção de cimentos. devemos levar em conta alguns aspectos quando da produção do mesmo: ASPECTO TÉCNICO pureza as MPs deve ser abundante na natureza e apresentar certa ASPECTO ECONÔMICO aproveitamento apresentar boas condições econômicas o seu ASPECTO AMBIENTAL adição ao concreto metacaulim. Apesar de ser quimicamente inativa. gregas. cinza de bagaço de cana. por aquecimento de rochas calcárias ou gipsíferas ao redor de fogueiras.edu.C. a argila torna-se instável. chegando a atingir alguma resistência mecânica. por exemplo. foi encontrado em algumas edificações egípcias. em contato com umidade. na pirâmide de Quéops.Consideração inicial sobre as matérias-primas Pelo grande volume normalmente envolvido quando se fala de aglomerantes na construção civil. a hidratação do material calcinado resultaria uma pasta aglomerante. em seguida.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Contudo. A descoberta dos aglomerantes quimicamente ativos pode ter sido acidental. Por isto é muito comum hoje em dia o uso de adições. O gesso. a argila endurece em conseqüência da evaporação da água de amassamento. ou na argila calcinadas. depois de endurecida. etruscas e romanas. cinza de casca de arroz. pozolonas. dolomitos. _________________________________________________________________________ 31 Concretos e Argamassas Prof. Registros históricos indicam que a argila tenha sido o primeiro aglomerante mineral utilizado pelo homem na construção de suas edificações. a cal foi empregada em construções egípcias. etc. filler calcário.

o início da pega dá-se após no mínimo 1 hora depois da mistura do mesmo com a água. mas seu endurecimento continua obedecendo mais ou menos às seguintes relações: _______________________________________________________________________________ 32 Concretos e Argamassas Prof. • cales. altas resistências físico-mecânicas e estáveis. Ex. não significando que ela tenha adquirido toda sua resistência. gesso e cimentos endurecimento Quimicamente ativos decorrente de reação química. A pega se dá quando a pasta começa a perder sua plasticidade. inicia-se a fase de endurecimento.DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO Uma divisão inicial pode ser feita: • misturas argilosas endurecimento ao ambiente.: Para o cimento Portland. Daí uma nova divisão pode ser feita: • necessitam estar em contato com o AR para que o processo de cales aéreas. independente da presença cales hidráulicas e cimentos. que é o aglomerante mais importante. gesso Aéreos endurecimento se manifeste • Hidráulicos do ar o endurecimento pode se efetivar. Após o fim da pega.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . reversibilidade do processo. a) Início e fim da pega: o tempo de início de pega é contado a partir do lançamento da água no aglomerante.edu. O fim da pega pode acontecer entre 6 a 10 horas após a mistura. Quimicamente inertes baixas resistência mecânicas. o que será conseguido somente após anos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O interesse se fixa nos aglomerantes quimicamente ativos. O fim da pega ocorre quando a pasta se solidifica completamente.

o óxido de ferro (Fe2O3). 60% Resistência 28 dias 120% Resistência 28 dias. – início de pega após 90 minutos.500 anos. – início de pega após 6 horas. o anidrito sulfúrico (SO3) e o anidrido carbônico (CO2) . cujas reservas são calculadas em 407 milhões de toneladas. o carbonato de cálcio (CaCO3). a Gipsita é encontrada em jazidas no Norte e Nordeste. GESSO Definição É um aglomerante aéreo (endurece pela ação química do CO2 do ar). – início de pega de 30 a 90 minutos.edu. no máximo. No Brasil.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . indicam 6% . a cal (CaO). Sua desidratação é feita através do cozimento industrial (fornos). gesso Paris ou gesso de pega rápida. _______________________________________________________________________________ 33 Concretos e Argamassas Prof.são o silício (SiO2). hidratado com 2 moléculas de água. A Gipsita é o sulfato de cálcio mais ou menos impuro. obtido pela desidratação total ou parcial da Gipsita – aglomerante já utilizado pela humanidade há mais de 4.• • • • Resistência 3 dias ≈ Resistência 7 dias ≈ Resistência 91 dias ≈ Resistência 1 ano ≈ 40% Resistência 28 dias. – início de pega de 8 a 30 minutos. a alumina (Al2O3). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Sua fórmula química é CASO4 + 2 H2O e suas impurezas – que. Conhecido também com os nomes de gesso de estucador. 130% Resistência 28 dias Classificação quanto ao início de pega dos Aglomerantes : • • • • • aglomerantes de pega ultra rápida aglomerantes de pega rápida aglomerantes de pega normal aglomerantes de pega lenta aglomerantes de pega muito lenta – início da pega até 8 minutos. no Egito.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. gesso hidráulico . portanto. 2H2O + calor → CaSO4 + 2H2O) anidro insolúvel c) Entre 400 e 600ºC. sendo. este retrai bem menos do que sua dilatação inicial. conhecido como hemidrato (B). apresentando uma dilatação linear de 0. ½ H2O) + 1.EFEITOS DA QUEIMA a) As pedras de gipsita. na presença desta. realizadas com pressão atmosférica ordinária. b) A partir de 250ºC. transforma-se em hemidrato. transformando-se num material inerte. após seu endurecimento. e que. a gipsita perde ¾ partes de sua água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nessa temperatura. d) Entre 900 e 1200ºC. o gesso sofre a separação do SO3 e da CaO. utilizado na construção civil) . a anidrita torna-se insolúvel e não é mais capaz de fazer pega. são queimadas na temperatura entre 130 e 160ºC. (600ºC) CaSO4 . que é mais solúvel que o diidrato (o hemidrato apresenta-se como sólido micro poroso mal cristalizado. rapidamente.3% e. participando do conjunto como material de enchimento . ávida por água.edu. passando de diidrato para hemidrato. 2H2O + calor → (CaSO4 . muito usado em moldagem. depois da britagem e trituração. o gesso torna-se anidro (sem água) e o resultado é a formação de anidrita solúvel. formando um produto de pega lenta (pega entre 12 e 14 horas) chamado de gesso de pavimentação. gesso estuque ou gesso Paris e endurece entre 15 e 20 minutos.5 H2O gesso hemidrato Esse gesso hemidrato é conhecido como gesso rápido (quanto à pega). (140ºC) CaSO4 . _______________________________________________________________________________ 34 Concretos e Argamassas Prof.

Neste período românico foi empregue em afrescos para decoração de igrejas e capelas. Tem sido usado desde o período Neolítico como material cimentante. Tudo isto porque tem uma grande adaptabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . tais como sancas. Por sua facilidade de moldagem.HISTÓRICO DO GESSO O gesso faz parte de nossa vida cotidiana deste tempos imemoriais. facilidade de aplicação e algumas características que veremos adiante. Sua plasticidade permite produzir formas e elementos diferenciados. Porém em contato com a água perde em muito sua resistência mecânica. com a descoberta de um método para retardar o tempo de paga. Tem estado presente na vida do homem desde a mais remota antiguidade. tornou-se um ótimo material para arquitetura de interiores. sendo mais recomendado para ambientes internos. arcos. paredes e suportes. Nos Estados Unidos o uso na construção civil iniciou-se em 1835. fez com que a sua aplicação na construção civil tivesse um acelerado crescimento. alimentação ou até na medicina. Em 1885. Auxilia no equilíbrio da umidade do ar em ambientes fechados por ser material higroscópico. decoração. forros. No século XIX foi se incorporando à arquitetura e construção como reboco e elemento de decorativo em palácios e vivendas. Na arquitetura muçulmana antiga aparece em elementos ornamentais. Há 5000 anos foi utilizado no interior de pirâmides egípcias aplicado em paredes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. É um material que tem bom isolamento térmico e acústico. seja na construção. etc. Durante a ocupação romana na Península Ibérica generalizou-se o seu uso. _______________________________________________________________________________ 35 Concretos e Argamassas Prof. divisórias. colunas.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.Algumas aplicações Alguns cuidados _______________________________________________________________________________ 36 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

na proporção de 0. reduzindo a produtividade do gesseiro. mais lenta se dá a pega e o endurecimento. Mas existem aditivos que podem acelerar ou retardar essa pega do gesso. Como aceleradores de pega. os gessos nacionais têm início de pega entre 3 e 16 minutos e fim de pega entre 5 e 24 minutos. Como retardador de pega. isolando-os.edu. Dureza As pastas de gesso têm dureza entre 14 MPa e 53 MPa.PROPRIEDADES DO GESSO Tempo de pega É uma das propriedades mais importante. A queda de produtividade é acompanhada do aumento de desperdício de material. _______________________________________________________________________________ 37 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em torno de 19% de massa do mesmo . A quantidade d’água funciona negativamente no fenômeno de pega. Tais produtos retardam a pega. pois quanto mais água. A presença de impurezas diminui muito a velocidade de pega. normalmente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.1% da massa de gesso. Em geral. podem-se utilizar no gesso: Sal de cozinha / alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio) / sulfatos de alumínio e potássio e o próprio gesso hidratado. Resistência à compressão As pastas de gesso têm resistência à compressão entre 10 MPa e 27 MPa. o preparo da pasta fica condicionado a pequenos volumes. podem ser misturados ao gesso: açúcar / álcool / cola / serragem fina de madeira / sangue e outros produtos de matadouros (chifres e cascos). Se a pega for muito rápida. pois formam membranas protetoras entre os grãos. A quantidade ótima de água a ser utilizada no gesso é.

edu. _______________________________________________________________________________ 38 Concretos e Argamassas Prof.Isolamento térmico e acústico O gesso é um bom isolante térmico e acústico e tem elevada resistência ao fogo. estes acabam sendo corroídos pelo gesso. transformando a superfície do revestimento em sulfato anidro em forma de fino pó. sua aderência é insatisfatória e apesar de aderir bem ao aço e outros metais. tanto mais facilmente quanto maior for a quantidade de água da pasta. Outras características Aceita qualquer tipo de pintura. Em função da corrosão usar ferramentas de latão ou plástico para trabalhar com gesso. Em superfícies de madeira. aparafusar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . fácil de cortar. Aderência As pastas de gesso aderem bem a blocos. pedra e revestimentos argamassados. Muito usado como proteção contra incêndio. perfurar. transformando-se em sulfato anidro. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. emendar. pois absorve grande quantidade de calor. eliminando a água de cristalização com o calor. que protege a camada interior de gesso.

obtendo-se assim uma pasta ligante que recebe adição de areia. CAL AÉREA A cal é um aglomerante aéreo utilizado em diversos seguimentos como: construção civil. Sabe-se que os antigos descobriram também que a mistura dessa cal aérea com pozolanas (naquela época. Essa cal que é denominada de cal aérea. já utilizavam a cal como alomerante.) _______________________________________________________________________________ 39 Concretos e Argamassas Prof. pois “amolece”. aplicações botânicas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. cinzas vulcânicas etc. pois para seu endurecimento necessita da reação química do CO2 (gas carbônico) existente na atmosfera.Classificação comercial dos gessos Gesso Escaiola : gesso com 80% de peso hemidratado. Gesso Negro : 55% de peso hemidratado. os gregos. de cor branca e também com finura adequada quando moído .edu. de cor cinza devido às impurezas e com granulometria menor do que o gesso Escaiola ou Branco . medicinais e veterinárias. papel e celulose. de cor branca. terras de origem vulcânica. não possui grande resistência mecânica e não pode ficar sujeita à ação da água. com finura adequada quando moído . Gesso Branco : 66% de peso hemidratado. tintas. açúcar. misturando-a com areia. formando assim uma argamassa que era preparada pelo mesmo processo ainda hoje adotado e que consiste na extinção (adição de água) de pedras de calcário cozidas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . graxas. mais tarde. fabricação de vidro. tratamento de água e efluentes industriais. siderurgia. os etruscos e. metalurgia. os romanos. HISTÓRICO Comprovadamente.

matéria orgânica. tendo assim recebido o nome de pozolana todos esses produtos naturais e artificiais que. silicatos argilosos. mesmo quando submetidas à ação da água. Os gregos empregavam muito as terras vulcânicas da ilha Santorim e os romanos utilizavam uma cinza vulcânica encontrada em diversos pontos da baía de Nápoles. fluoretos e brucita. fosfatos. sulfetos. MgCO3). sulfatos. Entre as impurezas encontradas nestas rochas encontram-se: quartzo. misturados à cal aérea. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A pozolana mais conhecida àquela época provinha das vizinhanças da cidade de Pozzuoli.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . FABRICAÇÃO A cal é produzida a partir de rochas calcárias com elevados teores de carbonato de cálcio. óxidos metálicos de ferro e manganês.edu. _______________________________________________________________________________ 40 Concretos e Argamassas Prof. Após a britagem e classificação da matéria-prima passa por uma moagem e é conduzida ao forno de calcinação. como é o caso da calcita (CaCO3) e da dolomita (CaCO3 . bem como tijolos e telhas de barro triturados.melhoravam significativamente a resistência dessas argamassas . transformavam-na em uma espécie de cal hidráulica – que resiste à ação da água depois de endurecida.

funcionando a água como catalisador. a cal virgem. promove a formação de cristais de carbonato de cálcio (CaCO3) e o endurecimento da argamassa que acaba por ligar os agregados a ela incorporados. dissolvendo ao mesmo tempo a cal e o CO2. presente na atmosfera. O processo de hidratação da cal virgem.Na calcinação (cozimento) do calcário. uma recombinação dos hidróxidos (Ca(OH)2) com o gás carbônico. obtêm-se a cal hidratada (hidróxido de cálcio) que é utilizado como aglomerante em argamassas para assentamento de blocos ou revestimento de paredes. deve passar por um processo de hidratação antes de ser utilizada como aglomerante. pode ser expresso pela equação seguinte: Da hidratação da cal virgem.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . na argamassa fresca. decompondo o carbonato de cálcio (CaCO3) em óxidos de cálcio (cal virgem) e anidros carbônicos (CO2). _______________________________________________________________________________ 41 Concretos e Argamassas Prof. Isto porque. Essa reação de carbonização só é possível em presença da água que. possibilita essa combinação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. as temperaturas chegam à 900ºC. O produto resultante da calcinação. também conhecido como extinção da cal. O CO2 vai transformando lentamente a superfície da argamassa formada por carbonato de cálcio e vai penetrando lentamente na massa que assim vai se consolidando. A carbonatação produz-se lentamente do exterior para o interior e o seu processamento é tanto mais lento quanto mais lisa for a superfície.

Não se deve empregar cal aérea para execução de pedaços de alvenaria muito espessos. nem tampouco empregar argamassas com muita cal. facilitando a penetração do CO2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . aumentando a porosidade e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. além de diminuir a retração que se processa com a perda d’água. conseqüentemente.edu. Devido a isso (essa deformação).A carbonatação é acompanhada de um aumento de volume. CICLO DA CAL AÉREA Considerando o visto anteriormente podemos caracterizar o ciclo completo da cal. deve-se aplicar cal aérea com areia (argamassas) para atenuar esse aumento de volume. _______________________________________________________________________________ 42 Concretos e Argamassas Prof.

CLASSIFICAÇÃO Quanto à composição química a cal pode ser classificada como cálcica ou magnesiana.Especificação” as cales são classificadas como segue: _______________________________________________________________________________ 43 Concretos e Argamassas Prof.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CAL CÁLCICA CAL MAGNESIANA : óxidos CaO > 75% : óxidos MgO > 20% Para qualquer caso a soma dos óxidos (CaO + MgO) deve ser maior que 88% da amostra. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Segundo a NBR 7175 .“Cal Hidratada para argamassas .

edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.APLICAÇÕES Entre os diversos usos da cal podemos citar: • • • Estabilização de solos Obtenção do aço solo-cal fundente na siderurgia como clarificador Fabricação do açúcar _______________________________________________________________________________ 44 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

em forma de flocos de cor branca. Ela pode ser aplicada imediatamente e é acondicionada em sacos de papel duplo com 20 kg. empregando-se misturadores de pás. A embalagem original (sacos de papel de duas folhas de papel extensível) é suficiente para manter a integridade do produto.edu. Seu aumento de volume é de 2 a 3 vezes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. foi desenvolvida pela indústria a fabricação de cal hidratada. apresentando-se como um produto seco. é um produto manufaturado. Resiste ao calor . cuja extinção (hidratação) é feita mecanicamente. Armazenar em local seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A cal hidratada. ou 36 litros. coberto e fora do alcance de crianças e animais. desde que sejam respeitada as regras do armazenamento. _______________________________________________________________________________ 45 Concretos e Argamassas Prof. sendo recomendável o seu uso até 6 meses após a data de fabricação. onde consta o selo da ABPC (Associação Brasileira de Produtores de Cal) e a citação da Norma NBR 7175. portanto. Algumas características das cales aéreas (extintas ou hidratadas) • • • • Endurece com o tempo (normalmente longo) . pela extinção . Cor predominantemente branca .• • • • • Obtenção do vidro Tratamento de água Obtenção do papel Pinturas caiação matéria – prima corretor da acidez como branquedor Componentes de argamassas maior interesse para construção CAL HIDRATADA Entre os diversos usos da cal podemos citar: Devido à dificuldade da extinção da cal virgem nos canteiros.

por sucção. RETENÇÃO DE ÁGUA A retenção de água é uma propriedade muito importante. impedindo a _______________________________________________________________________________ 46 Concretos e Argamassas Prof. que corresponde à massa aparente de 300 a 650 Kg/m3. facilitando seu espalhamento.65. aumentando a produtividade do pedreiro. embora o inverso nem sempre seja verdadeiro. o poder de incorporação de areia da cal hidratada é de 1 : 3 a 4 enquanto que.5. uma vez que cales plásticas têm alta capacidade de retenção de água.3 a 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. PLASTICIDADE Propriedade que confere fluidez à argamassa. Esta propriedade é. Esta propriedade justifica o emprego das cales na produção de argamassas. Comparativamente.edu. para os blocos ou tijolos. Espessuras de revestimento argamassado acima de 20 mm podem prejudicar o processo de recarbonatação da argamassa.PROPRIEDADES DENSIDADE APARENTE A densidade aparente das cales varia de 0. As cales magnesianas produzem argamassas mais plásticas que as cálcicas. conseqüentemente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Cales com alta plasticidade e alta retenção de água têm maior capacidade de incorporar areia. importante por prolongar o tempo no estado plástico da argamassa fresca. É uma medida indireta da plasticidade da cal. evitando a perda excessiva da água de amassamento da argamassa. também. INCORPORAÇÃO DE AREIA Propriedade que expressa a facilidade da pasta de cal hidratada envolver e recobrir os grãos do agregado e. ENDURECIMENTO O endurecimento decorre da recarbonatação da cal hidratada pela absorção do CO2 presente na atmosfera. unindo os mesmos. no cimento é de 1 : 2 a 2.

CAPACIDADE DE ABSORVER DEFORMAÇÕES Esta propriedade é conferida à argamassa pela cal hidratada e. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. torna-se de grande importância quando aplicada em paredes ou lajes muito solicitadas.edu.2 a 0. alguns construtores a substituí-la pelo cimento portland. _______________________________________________________________________________ 47 Concretos e Argamassas Prof. • Resistências das argamassas : o À tração = 0. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O uso da cal hidratada contribui muito pouco para a resistência à compressão das argamassas. verificou-se que a cal hidratada conferia às argamassas outras propriedades além de aglomerante que. reduzindo a aderência do revestimento.efetivação das reações próximo à interface substrato x argamassa e.5 Mpa . quando de seu aparecimento no começo do século e. para 28 dias de idade. o À compressão = 1 a 3 Mpa . não eram apresentadas pelo cimento Portland. com a ocorrência de falhas nestas construções. Isto levou. conseqüentemente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . só mais tarde.

após a hidratação. Aspdin escolheu este nome para sua invenção porque nesta época era muito comum o emprego da pedra de Portland. nas edificações e. um construtor inglês de Leeds.edu. GESSO é o produto da adição finas no processo e tem a finalidade de regular o tempo de pega por ocasião das reações de hidratação. Depois de endurecido. ilha situada ao sul da Inglaterra. foi quem descobriu e patenteou o cimento Portland no ano de 1824. por esta razão. ARGILA é essencialmente a constituída de um silicato de alumínio hidratado. praticamente sem cal livre. constituídos de silicatos e aluminatos de cálcio. oferecendo elevada resistência mecânica. se assemelhava em cor e dureza à rocha calcária de Portland.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ______________________________________________________________________________ 48 Concretos e Argamassas Prof. o novo cimento. Joseph Aspdin. Fornece os óxidos SiO2. Estes silicatos e aluminatos em mistura com a água hidratam-se e produzem o endurecimento da massa. é considerado um aglomerante hidráulico. Al2O3 e Fe2O3 necessários a fabricação do cimento. geralmente contendo ferro e outros minerais. e Fe2O3. SiO2. MATÉRIAS PRIMAS CALCÁRIO é o carbonato de cálcio (CaCO3). Al2O3. permanece estável mesmo que submetido a ação da água e. que endurece sob a ação da água. O cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes.CIMENTO PORTLAND CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Cimento Portland é um material pulverulento. que na natureza se apresenta com impurezas tais como o óxido de magnésio.

FABRICAÇÃO
Como os silicatos de cálcio são os principais constituintes do cimento Portland, as matérias-primas para sua produção devem fornecer cálcio e sílica em proporções adequadas. O cálcio é obtido na natureza de fontes de carbonato de cálcio, como a pedra calcária, giz, mármore e conchas do mar. A sílica é extraída preferivelmente de argilas e xistos argilosos, do que quartzos e arenitos, porque a sílica quartzítica não reage facilmente.

As argilas contêm, também, alumina (Al2O3), óxidos de Ferro (Fe2O3) e álcalis que ajudam na formação de silicatos de cálcio a temperaturas mais baixas. Quando não estão presentes em quantidades suficientes na argila, estes são incorporados à mistura por adição de bauxita e minério de ferro.
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A formação dos compostos no clínquer depende de uma boa dosagem e preparo da mistura. Para isto, os componentes são britados, moídos, dosados e misturados criteriosamente, sendo submetidos a análises laboratoriais permanentes. O pó resultante da homogeneização das matérias-primas é denominado farinha. Para produzir 1 tonelada de clínquer, são necessárias de 1,5 a 1,8 toneladas de farinha e as reações que ocorrem nos fornos podem ser resumidas como segue:

Esquema de produção
O processo de produção do cimento pode ocorrer por via úmida ou seca. No processo por via úmida, a homogeneização é feita na forma de lama, com 30 a 40% de água. Este método vem sendo abandonado pelos fabricantes de cimento, devido ao maior consumo de energia nos fornos, que em relação ao processo por via seca. No processo por via seca, a farinha obtida através da moagem das matérias-primas é homogeneizada e conduzida continuamente para o pré-aquecedor. Nesta etapa, ocorre a evaporação da água livre, água combinada e desprendimento do CO2 do calcário, liberando o CaO para reagir com os silicatos de ferro e alumínio. Em seguida, o material vai para um forno rotativo, onde ocorre a clinquerização do material, uma das etapas mais importantes do processo de fabricação. O forno rotativo é uma estrutura metálica cilíndrica, revestida internamente com tijolos refratários, e nele a farinha pré-aquecida e parcialmente calcinada, entra pela extremidade superior e é transportada até a extremidade oposta a uma velocidade controlada pela inclinação e pela velocidade de rotação do forno. Em seu interior as temperaturas podem chegar a 1550ºC e as reações químicas responsáveis pela formação dos compostos do cimento Portland são completadas.
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PRODUÇÃO
Calcário
(80%)

Argila
(20%)

Cimento Portland Adições Moagem Gipsita Pré-Aquecedor
(5%)

Moagem Final Forno
(>1450º C)

Clínquer
(95%)

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Resumo dos constituintes:
_______________________________________________________________________________ 52 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Adicionada à moagem do clínquer e gesso.edu. em proporções adequadas. o cimento Portland recebe algumas adições. As escórias de alto-forno. o cimento endureceria muito rapidamente. obtidas durante a produção do ferro-gusa. em geral na proporção de 3% de gesso para 97% de clínquer. como a durabilidade e a resistência final. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o clínquer é moído em partículas menores que 75µm de diâmetro. inviabilizando sua utilização.Silicatos C3S C2S C3 A C4AF CaO MgO Na2O e K2O 50% 25% 10% 10% 1% 2% 2% 5% 20% 75% Aluminatos e Ferro Aluminatos Cal livre Magnésia Compostos Alcalinos ADIÇÕES Após o resfriamento. reagindo em presença da água. a escória de alto-forno melhora algumas propriedades do cimento. _______________________________________________________________________________ 53 Concretos e Argamassas Prof. têm propriedade de ligante hidráulico muito resistente. O gesso é adicionado ao cimento com o objetivo de controlar o tempo de pega do cimento. com características aglomerantes muito semelhante à do clínquer. Esta é razão do gesso ser adicionado a todos os tipos cimento Portland. Sem sua adição. Na fase de moagem. uma vez misturado à água de amassamento. que permitem a produção de diversos tipos de cimentos disponíveis no mercado.

a finura aumenta o calor de hidratação e a retração. uma maior finura diminui a exsudação. principalmente nos primeiros dias. Por outro lado.075mm) e área específica. Os materiais carbonáticos são rochas moídas. estabelecem os limites de finura. a trabalhabilidade e a coesão dos concretos. Os ensaios para a avaliação da finura do cimento podem ser complexos e onerosos. como é o caso dos ensaios de sedimentação. tornando os concretos mais sensíveis à fissuração. porém. PROPRIEDADES FINURA A finura do cimento influência a sua reação com a água e quanto mais fino o cimento mais rápido ele reagirá e maior será a resistência à compressão. _______________________________________________________________________________ 54 Concretos e Argamassas Prof. algumas argilas queimadas em temperaturas elevadas (500 a 900ºC) e derivados da queima de carvão mineral. Quando pulverizados em partículas muito finas. Para isto. na presença do clínquer. porém um pouco distinta das escórias de alto-forno. utilizam-se dois ensaios: peneiramento através da peneira ABNT 75µm (0. O cimento enriquecido com pozolana adquire maior impermeabilidade. Tal adição torna os concretos e argamassas mais trabalháveis e quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário . que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição tais como o próprio calcário. difratometria por laser. os materiais pozolânicos apresentam a propriedade de ligante hidráulico. Além disso.edu. Esta avaliação pode ser obtida conhecendo-se algumas características dos ramos inferior e superior da amostra.Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o custo de moagem e o calor de hidratação. além da água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A finura pode ser aumentada através de uma moagem mais intensa. que em sua hidratação libera hidróxido de cálcio (Cal) que reage com a pozolana. etç. aumenta a impermeabilidade. É que as reações de endurecimento só ocorrem.

Este conceito aplica-se também a argamassas e concretos. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão do cimento Portland é medida através da ruptura de corpos de prova cilíndricos Ø 50mm x 100mm. etç. a temperatura ultrapassa 128ºC. com traços normalizados areia padrão IPT. na moagem do cimento. _______________________________________________________________________________ 55 Concretos e Argamassas Prof. 2H2O) na moagem do cimento. A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento. a mistura em que o cimento está sendo empregado (pasta. e com uma nova mistura na betoneira. Os cimentos. argamassas e concretos com plasticidade e trabalhabilidade adequadas. argamassa ou concreto) pode perder a plasticidade com um tempo menor que o previsto. provocando uma dissociação do Sulfato de Cálcio do gesso. sua plasticidade inicial é recuperada. Em alguns casos. como por exemplo. CALOR DE HIDRATAÇÃO As reações de hidratação dos compostos do cimento Portland são exotérmicas. uma vez que determinará o prazo para a aplicação de pastas. quando a temperatura ambiente é baixa para fornecer energia de ativação para as reações de hidratação. em estruturas de concreto massa. como é o caso de concretagens durante o inverno. interferindo nas características do seu efeito retardador de pega. O tempo de pega é uma propriedade importante. Isto ocorre quando. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. de acordo com sua composição e finura têm curvas Resistência x Idade distintas. cujo controle é feito através do teor de SO3. finura. quantidade e tipo de adições.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que determinam seu emprego em determinados serviços. em outras pode ser um componente positivo. Em algumas situações o calor de hidratação pode ser um problema. é adicionado o gesso (CaSO4 .TEMPO DE PEGA É o momento em que a pasta de cimento adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. Para controlar o tempo de pega.

em MPa. com o tempo. que é utilizado para regularizar a pega. e são seguidas dos algarismos romanos de I a V. pozolana e material _______________________________________________________________________________ 56 Concretos e Argamassas Prof.TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Na designação dos cimentos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. Conforme a composição e as adições feitas em sua produção. sendo a classe expressa por números (25. conforme o tipo de cimento. CIMENTO PORTLAND COMPOSTO As pesquisas tecnológicas indicaram.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que cimentos antes classificados como especiais. os cimentos Portland podem ser classificados conforme segue: CIMENTO PORTLAND COMUM O Cimento Portland Comum (CP I) é produzido sem quaisquer adições além do gesso. 32 e 40) que indicam a resistência à compressão do corpo-de-prova padrão. em razão de adições de escória de alto-forno. as iniciais CP correspondem a abreviatura de Cimento Portland.

As escórias apresentam propriedades hidráulicas latentes. adquira elevadas resistências com maior velocidade. _______________________________________________________________________________ 57 Concretos e Argamassas Prof. os cimentos Portland compostos respondem por 70% da produção industrial brasileira. Depois de conquistado bons resultados na Europa o Cimento Portland Composto (CP II) surgiu no mercado brasileiro (1991). além de uma moagem mais fina para que o cimento. a pozolana não reage com a água em seu estado natural.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . dando origem a compostos com propriedades aglomerantes. CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL O Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V-ARI) tem a propriedade de atingir altas resistências já nos primeiros déias após a aplicação. CIMENTO PORTLAND DE ALTO FORNO O Cimento Portland Alto-Forno (CP III) é obtido pela adição de escória granulada de alto forno. decorrente da moagem da escória separada ou conjuntamente com o clínquer. sendo utilizados na maioria das aplicações usuais. CIMENTO PORTLAND POZOLÂNICO O Cimento Portland Pozolânico (CP IV) é obtido pela adição de pozolana ao clínquer. ao reagir com a água. reage com o hidróxido de cálcio em presença de água e em temperatura ambiente. para que seu emprego seja possível são necessários ativadores físicos e químicos.edu. trata-se de um cimento com composição intermediária entre os Cimento Portland Comum e o Cimento Portland com adição de escória ou pozolana. O CP II. Atualmente. em substituição ao antigo CP. Quando finamente moída.carbonático. Ao contrário da escória. Isto é possível pela utilização de uma dosagem específica de calcário e argila na produção do clínquer. tinham desempenho equivalente ao do cimento Portland comum. Mas as reações de hidratação da escória são muito lentas e. A ativação física obtém-se com a finura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. desde que apresentem pelo menos uma das características abaixo: • teor de aluminato tricálcio (C3A) do clínquer e teor de adições carbonáticas de. • Cimentos do tipo pozolânico que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico. respectivamente. no máximo. Qualquer um dos 5 tipos de cimento Portland podem ser considerados resistentes a sulfatos. • Cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto-forno. em massa.CIMENTOS ESPECIAIS CIMENTO PORTLAND RESISTENTES A SULFATOS Estes cimentos resistem aos meios agressivos. 8% e 5% em massa. água do mar e alguns tipos de solos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tais como os encontrados nas redes de esgotos domésticos ou industriais. _______________________________________________________________________________ 58 Concretos e Argamassas Prof. em massa.

Segundo a NBR13116. chamados cimentos Portland de baixo calor de hidratação.• Cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração que comprovem resistência aos sulfatos. recomenda-se o emprego de cimentos com taxas lentas de evolução de calor. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sendo classificado conforme a tabela abaixo: _______________________________________________________________________________ 59 Concretos e Argamassas Prof. podendo ser qualquer um dos 5 tipos básicos. estes cimentos geram até 260J/g e até 300J/g aos 3 dias e 7 dias. principalmente durante o resfriamento e a moagem. CIMENTO PORTLAND DE BAIXO CALOR DE HIDRATAÇÃO Em concretagens de estruturas que consomem grandes volumes de concreto continuamente. respectivamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Nestes casos. além de condições especiais de fabricação. CIMENTO PORTLAND BRANCO O cimento Portland branco é obtido através de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês.edu. o calor produzido pela hidratação do cimento poder causar o aparecimento de fissuras de origem térmica. No Brasil o cimento Portland branco é normalizado pela NBR12989.

utilizado na cimentação de poços petrolíferos. CIMENTO PARA POÇOS PETROLÍFEROS O cimento para poços petrolíferos é um tipo de cimento Portland bastante específico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Sua composição é constituída de clínquer e gesso para retardar o tempo de pega e em sua fabricação são tomadas precauções especiais para garantir as plasticidade em condições ambientes de elevadas pressões e temperaturas.O cimento Portland branco estrutural é utilizado em concretos brancos com fins arquitetônicos. O cimento Portland branco não estrutural é aplicado no rejuntamento de pisos e azulejos. e outras aplicações não estruturais. _______________________________________________________________________________ 60 Concretos e Argamassas Prof. na fabricação de ladrilhos hidráulicos.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ._______________________________________________________________________________ 61 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Para uma mesma finalidade existe mais de um tipo ou classe de cimento que pode ser usado. _______________________________________________________________________________ 62 Concretos e Argamassas Prof. A escolha do tipo de cimento está associada a uma determinada finalidade que se deseja ao concreto seja no estado fresco ou seja no estado endurecido.APLICAÇÕES E ESCOLHA DO TIPO DE CIMENTO Inicialmente podemos dizer que nenhum cimento é melhor em todas as circunstâncias. prazo. A escolha também depende da disponibilidade do material e do custo – fator importante na tomada de decisões em engenharia. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. apresenta os diversos tipos de aplicações dos diferentes tipos de cimentos. espaço) O quadro a seguir. Sempre haverá um tipo diferente para uma aplicação específica. Depende ainda a escolha: • • • • Exigência da estrutura Exigência do meio ambiente Velocidade de construção Circunstancia do local da obra (acesso.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu._______________________________________________________________________________ 63 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

RECEBIMENTO E ESTOCAGEM O cimento é um produto perecível que em contato com umidade endurece perdendo suas propriedades antes do uso. a massa líquida do saco e o selo de conformidade da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). para usinas de concreto. no varejo. _______________________________________________________________________________ 64 Concretos e Argamassas Prof. O cimento é comercializado a granel.edu. No recebimento. Estas embalagens não podem estar furadas. o tipo do cimento. é fornecido em embalagens (papel Kraft) de 25 e 50 Kg. Cuidados no recebimento e estocagem do material são essenciais para a garantir concretos e argamassas de boa qualidade. a sigla. rasgadas ou molhadas e devem trazer o nome do fabricante. devem ser observados a massa dos sacos e se o cimento não está empedrado. além dos aspectos visuais da embalagem. fábricas de prémoldados e grandes obras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

ENSAIOS 1) Determinação da Massa Unitária de Agregados em Estado Solto . dividindo a massa de agregado (kg) pelo volume do recipiente (dm3).8 e ≤ 50 > 50 Volume do recipiente (dm3) 15 20 60 Preparação do Material Secar o material previamente ao ar Procedimento • • Preencher o recipiente por meio de uma concha ou pá. Limpar bem o recipiente antes de pesá-lo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Quantidade de Material O volume de material deverá ser de pelo menos o dobro do volume do recipiente que será usado. Recipientes paralelepipédicos. com as dimensões constantes na Tabela 1 Tamanho máximo do agregado (mm) 4. Rasar o agregado graúdo e.edu. Concha ou pá. _______________________________________________________________________________ 65 Concretos e Argamassas Prof. evitando comprimir o agregado. considerando-se como volume também os vazios entre os grãos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.02 kg/dm3 Cuidados • • • Rasar o agregado miúdo com movimentos horizontais da haste de socamento. com resolução de 1 g. Equipamentos e Acessórios • • • Balança. lançando o agregado a uma altura de 10 cm do topo do recipiente. Rasar o recipiente e determinar a massa Cálculos Calcular o peso unitário do agregado. compensar os vazios que houver abaixo do nível do topo do recipiente com grãos deixados acima deste nível.8 > 4.NBR 7251 Massa unitária de um agregado é a relação entre sua massa e seu volume sem compactar. Usa-se como parâmetro para transformar massa em volume. considerando que a máxima variação permitida entre os resultados de cinco determinações feitas com o mesmo agregado é de 0. com os dedos.

1g Frasco graduado de 1000 ml Metodologia Experimental: • • • • • • Recobrir uma porção de agregado com água Tirar o excesso de umidade com auxílio de um pano Pesar a massa do agregado (m) Colocar 400 ml de água no frasco graduado (Vi) Inserir o agregado no frasco graduado Determinar o volume final no frasco (Vf) Resultados e Discussão • • • Determinar a massa específica do agregado: d = m / Vf . Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.Vi (g/cm3) Repetir 3 vezes o procedimento Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 66 Concretos e Argamassas Prof. incluindo os poros permeáveis Materiais e equipamentos: • • • • Agregado graúdo Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu.2) Determinação de massa específica agregado graúdo – técnica frasco graduado Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. incluindo os poros permeáveis.05 g/cm3 Tomar como valor definitivo a média dos valores _______________________________________________________________________________ 67 Concretos e Argamassas Prof.1g Frasco de Chapman Funil de vidro Metodologia Experimental: • • • • Pesar 500g de amostra de areia seca Colocar água no frasco até 200 cm3 deixando em repouso para que a água aderida às faces internas escorram totalmente. cuidando para que as faces internas estejam secas e sem grãos aderentes.edu. Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: d = 500 / L – 200 (g/cm3) Repetir por 3 vezes o procedimento Os resultados dos ensaios realizados com a mesma amostra não devem diferir mais de 0. efetuando agitação para a eliminação das bolhas de ar Fazer a leitura no nível atingido pela água no frasco. Materiais e equipamentos: • • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0. Colocar 500g de areia no frasco de Chapman. com cuidado. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3) Determinação de massa específica agregado miúdo por meio do Frasco de Chapman Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .4) Determinação de massa específica agregado miúdo com auxílio do picnômetro Objetivo: • • Determinar experimentalmente o valor da massa específica de agregados miúdo. Materiais e equipamentos: • • • • Agregado miúdo seco Colher ou concha de pedreiro Balança com capacidade para 1Kg e resolução de 0.1g Picnômetro Metodologia Experimental: • • • • • • Pesar uma amostra de areia seca Encher com água o picnômetro e determinar a massa do conjunto Retirar uma pequena quantidade de água do frasco Colocar a amostra de areia no frasco .edu.picnômetro Determinar a massa do conjunto picnômetro + água + agregado Repetir 3 vezes o procedimento Resultados e Discussão • • • • Cálculo da massa específica: Pag = massa do picnômetro + água m = massa da amostra Pag + ag = massa do picnômetro + água da amostra d = m/ [Pag – (Pag + ag – m)] _______________________________________________________________________________ 68 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Verificar que a densidade de um material pode ser expressa através da relação entre a massa do agregado seco e seu volume. incluindo os poros permeáveis.

01g e capacidade mínima de 200g Balança com resolução 100g e capacidade mínima de 50kg Frigideira Fogareiro Recipiente metálico Metodologia Experimental: • • • • • • Coletar 1000g do agregado miúdo conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material e homogeneizar o material. Repetir o procedimento duas vezes. Resultados e Discussão • • Cálculo do teor de umidade: h =[(mu – ms)/ms] x 100 _______________________________________________________________________________ 69 Concretos e Argamassas Prof. Balança com resolução de 0.edu. Pesar novamente e calcular o teor de umidade do agregado. Colher ou concha de pedreiro.5) Determinação de umidade do agregado miúdo através do teste da frigideira.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Colocar uma pequena porção do material homogeneizado na frigideira. Pesar a frigideira. mexendo-o até secar. Levar o material ao fogo. Pesar. Objetivo: • • Determinar o teor de umidade do agregado miúdo – areia Conhecer o teste da frigideira usualmente utilizado em obras correntes. Materiais e equipamentos: • • • • • • • Agregado miúdo úmido. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

de modo a formar um único conjunto de peneiras. 6. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. 4. inicialmente introduzida no conjunto de peneiras. Formar duas amostras para o ensaio. 12. 3. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 8. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra. 9. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. previamente limpas.edu. Determinar as massas M1 e M2 das amostras. 2. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente.6) Determinação da composição granulométrica do agregado miúdo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com malha em ordem crescente da base para o topo.3% da massa seca da amostra. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. 7. Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. 11. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras. 10. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. conforme procedimentos a partir do item 5. 5. Na base deve ser colocado um fundo. Proceder ao peneiramento da amostra M2. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. _______________________________________________________________________________ 70 Concretos e Argamassas Prof. Coletar 1000g do agregado conforme norma NBR 7216 em frações de diversos pontos do material. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1.

4 1. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada.50 6. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 0.8 2.4 1.edu. em cada peneira.15 Fundo Soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 71 Concretos e Argamassas Prof.6 0.2 0. Determinar o módulo de finura.3 4.15 Fundo soma Massa retida Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 9.13.3 4.2 0. 14. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 9.50 6. com aproximação de 1%.6 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .8 2.3 0.

3 4.5 6.40 > MF Tabela para classificação do agregado miúdo – NBR 7211 Porcentagens retidas acumuladas Abertura (mm) 9.8 2.12 5 (A) . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.4 1.40 2.6 0.: a amostra para ensaio deve ser coletada segundo a NBR 7216 Dimensão máxima: determinada através da peneira que apresentar uma porcentagem retida acumulada de 5% ou imediatamente inferior Módulo de Finura: somatório das porcentagens acumuladas retidas nas peneiras de série normal. este limite poderá ser 80 Obs.90 > MF > 3.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2 0.30 > MF > 2. _______________________________________________________________________________ 72 Concretos e Argamassas Prof.15 Zona 1 Muito fina 0 0–3 0 – 5 (A) 0 –5 (A) 0 – 10 (A) 0 – 20 50 – 85 (A) 85 (B) – 100 Zona 2 Fina 0 0–7 0 – 10 0 – 15 (A) 0 – 25 (A) 21 – 40 60 (A) – 88(A) 90 (B) – 100 Zona 3 Média 0 0–7 0 – 11 0 – 25 (A) 10 (A) – 45 (A) 41 – 65 70 (A) – 92 (A) 90 (B) – 100 Zona 4 Grossa 0 0–7 0 .CLASSIFICAÇÃO PELO MÓDULO DE FINURA: Muito grossa Grossas Médias finas Finas MF > 3.90 3. dividindo o total por 100.100 (A) pode haver uma tolerância de até no máximo 5 unidades (%) em um só dos limites marcados com a letra (A) ou distribuídos em vários deles (B) para agregado miúdo resultante de britamento.40 30 (A) – 70 66 – 85 80 (A) – 95 90 (B) .3 0.edu.90 3.

inicialmente introduzida no conjunto de peneiras.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 10. conforme procedimentos a partir do item 5. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 9. Determinar a dimensão máxima do agregado Determinar o módulo de finura do agregado Materiais e equipamentos: • • • • • Balança escova de cerdas macias Peneiras normalizadas bacias Agitador mecânico Metodologia Experimental: 1. O somatório de todas as massas não deve diferir mais de 0. 11. em frações de diversos pontos do material. 6. 12. Remover o material retido na peneira para uma bandeja identificada. Coletar no mínimo 5kg do agregado conforme norma NBR 7216. 2. 8. Colocar a amostra ou porções da mesma sobre a peneira superior do conjunto. previamente limpas. Escovar a tela em ambos os lados para limpar a peneira. Proceder ao peneiramento da amostra M2. Na base deve ser colocado um fundo. 7. Formar duas amostras para o ensaio. _______________________________________________________________________________ 73 Concretos e Argamassas Prof.edu. Promover a agitação por mais 1 min e pesar as amostras das peneiras novamente. com malha em ordem crescente da base para o topo. Determinar a massa total de material retido em cada uma das peneiras e no fundo do conjunto. 4. de modo a evitar a formação de camada espessa de material sobre qualquer uma das peneiras.3% da massa seca da amostra. O material removido pelo lado interno é considerado como retido (juntar na bandeja) e o desprendido na parte inferior como passante. Promover a agitação mecânica do conjunto por 1 min Pesar todas as peneiras. 3. Tomar a amostra M1 e reservar a outra (M2) Encaixar as peneiras. de modo a formar um único conjunto de peneiras. 5. Essa operação deve ser repetida até que não aconteçam alterações de peso maiores que 1% da massa da amostra.7) Determinação da composição granulométrica agregado graúdo Objetivo: • • • Expressar as proporções de grãos de diferentes tamanhos que compõem o agregado. Determinar as massas M1 e M2 das amostras.

3 4.5 9.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Massa inicial: ____________________ Massa final:____________________ Módulo de Finura (MF):____________________ Dimensão máxima característica (Dmax):____________________ Classificação NBR 7211:____________________ _______________________________________________________________________________ 74 Concretos e Argamassas Prof.5 9. Resultados e Discussão Amostra M1 Peneiras (mm) 38 32 25 19.3 4. Determinar o módulo de finura.13.8 Fundo Soma Massa retida (g) Porcentagem em peso % retida % retida acumulada Amostra M2 Peneiras (mm) 38 32 25 19.01. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 12.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. 14.5 6. Calcular as porcentagens médias retida e acumulada em cada peneira.5 12. com aproximação de 1%.5 6. com apresentação de 0.

3 4.8 2.edu.5 0-10 6.5 0 9.Tabela com limites granulométricos de Agregado Graúdo para classificação – NBR 7211/83 Graduação Porcentagens retidas acumuladas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . nas peneiras da abertura nominal. em peso. em mm 76 Brita 0 Brita 1 Brita 2 Brita 3 Brita 4 0 0 0-30 0 0 0-25 0-10 64 50 38 32 25 19 12.4 80-100 95-100 80-100 92-100 95-100 75-100 90-100 95-100 75-100 87-100 95-100 0-30 75-100 90-100 95-100 _______________________________________________________________________________ 75 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

075 mm transportará o material pulverulento contido na amostra. posicionadas de acordo com item anterior. esfriar a temperatura ambiente e deteminar a massa de duas amostras Mi1 e Mi2 (reserva). Encaixar as peneiras 1. Deixe em repouso o tempo necessário para que as partículas decantem.075mm) . tomando cuidado de não provocar abrasão do material.075mm de modo que a peneira 1.8) Determinação do teor de materiais pulverulentos em agregados Objetivo: • • Determinação do teor de materiais pulverulentos contidos no agregado destinado ao concreto Materiais pulverulentos : são partículas minerais com dimensão inferior a 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Despejar a água cuidadosamente através . Feito isso. de forma a provocar a separação e suspensão das partículas finas. A massa mínima para realização do ensaio é indicada na tabela abaixo em função de sua ∅ máx.075mm. Dois recipientes de vidro transparente Metodologia Experimental: • Amostragem Deve ser obtida de acordo com a NBR 7216 e reduzida segundo a NBR 9941. recobrindo-a com água. Haste p/ agitação. Bisnaga para água. presentes nos agregados. Recipiente para retenção da amostra e a água de recobrimento . Materiais e equipamentos: • • • • • • • Balança com capacidade mínima de 5Kg e resolução de 5g. A água perdida através da peneira 0. inclusive os materiais solúveis em água. Colocar a amostra (M1) no recipiente.2 mm fique posicionada sobre a peneira 0. tomando cuidado de não provocar perda de material. esse procedimento serve para facilitar a posterior secagem em estufa. Agite o material.das peneiras. • Terminado o processo de lavagem. coloque o material retido nas peneiras no recipiente e cubra o mesmo com água.110 OC) até a constância de massa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . para não perder o material. retire o excesso de água com o auxílio de uma bisnaga. A água carregará consigo a amostra e ao passar pelas peneiras parte se perderá com a água e parte ficará retida nas peneiras. com auxílio de uma haste. Estufa. Peneiras (1. _______________________________________________________________________________ 76 Concretos e Argamassas Prof.2 e 0.edu.2 e 0. • • • Secar a amostra em estufa (105 .075mm. Amostra deve ser umedecida para evitar a segregação.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• Secar a amostra retida em estufa (105. Repetir todo o procedimento para a amostra Mi2 ∅máx (mm) < 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.8 e < 19 > 19 Massa mínima 500 3000 5000 Resultados e Discussão • O teor de materiais pulverulentos de cada amostra é determinado pela diferença entre a massa inicial (Mi) e a massa final seca obtida depois da lavagem. em g. realizar uma terceira determinação e adotar.Massa inicial da fração. _______________________________________________________________________________ 77 Concretos e Argamassas Prof. Quando esta condição não for atendida.0% para miúdo.Massa após o repeneiramento. em g. realizadas nas duas amostras (Mi1 e Mi2) A diferença obtida nas duas determinações não deve ser maior que 0.edu. • • O resultado final será a média aritmética das duas determinações.8 > 4.110) OC até a constância de massa e determinar a sua massa final seca (Mfi). como resultado. abaixo: • • Teor de material pulverulento % = Onde: Mi .5% para agregado graúdo e 1. a média aritmética dos dois valores mais próximos. Mi − Mf × 100 Mi Mf . O mesmo será expresso em porcentagem de acordo com a expressão .

Concha ou pá. provocado pela absorção de água livre pelos grãos e que incide sobre a sua massa unitária Coeficiente de inchamento (Vh/Vo) uma mesma massa de agregado. A amostra de ensaio deve ter pelo menos o dobro do volume do recipiente paralelepipedal utilizado. depois de umedecida para evitar segregação e de cuidadosamente misturada. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.0 m x 2.edu. para condicionamento e secagem de amostras de areia. Ba1ança com resolução de 0.9) Determinação do Inchamento do agregado miúdo Objetivo: • • • • • Este ensaio prescreve o método para a determinação do Inchamento de agregados miúdos para concreto. Umidade crítica Teor de umidade. Balança com resolução de 100g e capacidade mínima de 50 kg.5 m. Dez cápsulas com tampa. _______________________________________________________________________________ 78 Concretos e Argamassas Prof. com capacidade de 50 mL. Amostragem • • A amostra de agregado remetida ao 1aboratõrlo deve ter sido coletada acordo com a NBR 7216. acima do qual o coeficiente de Inchamento pode ser Quociente entre os volumes úmido (Vh) e seco (Vo) de considerado constante e igual ao coeficiente de Inchamento médio Coeficiente de inchamento médio Valor médio entre o coeficiente de Inchamento máximo e aquele correspondente à umidade crítica Materiais e equipamentos: • • • • • • • • • • Encerado de lona com dimensões mínimas de 2. Misturador mecânico(opcional). Régua rígida com comprimento da ordem de 500 mm aproximadamente. formar a amostra de ensaio de acordo com a NBR 9941.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .01g e capacidade mínima de 200 g. Recipiente para1elepipedal. Da amostra remetida ao laboratório. Proveta graduada de vidro com capacidade mínima de 1000 mL. Inchamento do agregado miúdo fenômeno da variação do volume aparente. conforme a NBR 7251. Estufa para secagem.

segundo a NBR 7251.Metodologia Experimental: • • • Secar a amostra de ensaio em estufa (105. 2%. Homogeneizar cuidadosamente a amostra. 3%. através da seguinte expressão h= • Onde. para determinação do teor de umidade. ϒs = massa unitária do agregado seco em estufa.edu. em kg/dm3. a cada adição de água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a cada adição de água. segundo a NBR 7251. em kg/dm3. Mi = massa da cápsula com o material coletado durante o ensaio. Para cada teor de umidade. em %. 5%. Vo = volume do agregado seco em estufa. em g 2. Mi − Mf Mf − Mc h = teor de umidade do agregado. 1%. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Mf = massa final da cápsula com o material coletado apos secagem em estufa. em g. destampar. Adicionar água sucessivamente de modo a obter teores de umidade próximos aos seguintes valores: 0. Executar.110oC) até constância de massa e resfriá-la até a temperatura ambiente. calcular o coeficiente de inchamento de acordo com a expressão: Vh γ s (100 + h) = × Vo γ h 100 • Onde: Vh = volume do agregado com h% de umidade. 4%.110oC) e determinar sua massa (Mf). a determinação da massa unitária. Colocar a amostra sobre o encerado de lona. secar em estufa a (105. em dm3. ϒh = massa do agregado com h% de umidade. em g. Coletar uma amostra de agregado. por agitação manual da lona ou em misturador mecânico. Resultados e Discussão 1. Mc = massa da cápsula. 7%. homogeneizar e determinar massa unitária. simultaneamente.5%. • Determinar a massa de cada cápsula com a amostra coletada (Mi). 9% e 12%. _______________________________________________________________________________ 79 Concretos e Argamassas Prof. Calcular o teor de umidade das amostras coletadas nas cápsulas. em dm3.

h = teor de umidade do agregado. de modo a obter uma representação aproximada do fenômeno. d) a abscissa correspondente ao ponto de Interseção das duas tangentes a umidade crítica. O coeficiente de inchamento é determinado pela média aritmética entre os coeficientes de inchamento máximo (ponto A) e aquele correspondente à umidade crítica (ponto B). conforme modelo. b) traçar a corda que une a origem de coordenadas ao ponto de tangência reta traçada. e traçar a curva de Inchamento. Assinalar os pares de valores (h. 6. 5. pela seguinte construção gráfica: a) traçar a reta tangente ã curva paralela ao eixo das umidades. 3. _______________________________________________________________________________ 80 Concretos e Argamassas Prof. Determinar a umidade crítica na curva de Inchamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 4. Vh/Vo) em gráfico. Do certificado de ensaio deve constar a curva de Inchamento.edu. paralela a esta corda. traçada em gráfico conforme modelo. e os valores de umidade crítica e coeficiente de Inchamento médio. c) traçar nova tangente à curva. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. em %.

Esta areia normalizada pela NBR 7214.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. • • Na data da ruptura os moldes devem ser retirados do meio de conservação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Determinação da Resistência à Compressão (NBR 7215/96) Objetivo: • Determinar a resistência à compressão do Cimento Portland. Os cp´s são elaborados com argamassa composta de uma parte de cimento.10) Cimento Portland . • • • • • • • Água Cimento Balança Misturador Mecânico Molde Soquete Máquina para ensaio de compressão Metodologia Experimental: • • A argamassa é preparada por meio de misturador mecânico e adensada manualmente. Preparação da argamassa de cimento _______________________________________________________________________________ 81 Concretos e Argamassas Prof.3 / 0. É preparada pelo IPT especificamente para ensaios e tem massa unitária e massa específica dentro de padrões. Os moldes com os corpos-de-prova devem ser conservados em câmara úmida para a cura inicial e em seguida desmoldados e submetidos à cura em água saturada até a data de ruptura.2 / 0.15 mm. Materiais e equipamentos: • Areia Normal – de acordo com as prescrições da ABNT. é extraída do Rio Tietê e apresenta 25% em peso das peneiras 1.48. podendo ser utilizados equipamentos de compactação mecânica. capeados com enxofre e rompidos para determinação da resistência à compressão. três de areia normalizada em massa e relação a/c de 0.6 / 0. Princípio • • Determinar a resistência à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura.

Untar toda a superfície interna do molde com óleo. A mistura destes materiais deve ser feita com o misturador em velocidade baixa. onde devem permanecer por 20 a 24 h com a face superior protegida por uma placa de vidro.3 468 + 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Imediatamente após a colocação da areia mudar a velocidade para alta por 30s. Após este tempo desligar o misturador por 1 mim e 30 s. • Preparo dos Moldes Para garantir a estanqueidade dos moldes deve-se utilizar material de vedação na superfície lateral da forma e ao longo de toda a extensão da fenda vertical. colocando inicialmente na cuba toda a quantidade de água e adicionando o cimento.2 • Mistura Mecânica Executar a mistura mecânica. durante 30 s. • Enchimento dos Moldes A moldagem deve ser feita imediatamente após o amassamento.Quantidade de materiais (em massa .3 624 + 0. distribuídos uniformemente a cada camada.edu. Imediatamente após este intervalo ligar o misturador na velocidade alta por mais 1 mim e 15 s. A esta operação segue-se a rasadura do topo. Durante o tempo restante a argamassa deve ficar em repouso coberta por um pano úmido e limpo. _______________________________________________________________________________ 82 Concretos e Argamassas Prof.3 468 + 0. Após este tempo e sem paralisar a operação. • Cura Após a moldagem os corpo de prova devem ser colocados na câmara úmida. iniciar a adição da areia (as 4 frações previamente misturadas) com cuidado para que toda a areia seja gradualmente colocada durante o tempo de 30 s.4 300 + 0. em 4 camadas de espessuras aproximadamente iguais e adensadas com 30 golpes. Nos primeiros 15 s retirar com o auxilio da espátula a argamassa que ficou aderida às paredes da cuba e na pá. Deve ser registrada a hora em que o cimento foi colocado em contato com a água. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.gramas) Cimento Água Areia Normal Fração Grossa Fração Média Grossa Fração Média Fina Fração Fina 468 + 0.3 468 + 0.

Resultados e Discussão Para cada idade. exceto os que deverão ser rompidos com 24 h de idade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 83 Concretos e Argamassas Prof. • Capeamento e Ruptura Antes da ruptura os corpos-de-prova devem ser capeados em suas extremidades com uma mistura de enxofre com caulim. em proporções tais que não interfiram no resultado do ensaio. Para a ruptura a máquina deve esta limpa e os cp´s deverão ser centralizados em relação ao eixo do carregamento.25 + 0. deve ser equivalente a (0. devem ser imersos no tanque de água saturada de cal. quartzo em pó ou outras substâncias. o valor da resistência à compressão do cimento Portland. A velocidade do carregamento da máquina de ensaio.05) MPa/s. ao transmitir a carga de compressão ao corpo de prova. será representada pelo maior valor dos cp’s.edu. onde permanecerão até a data da ruptura. pozolanas.Terminado o período inicial de cura os cp´s devem ser retirados da forma.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . identificados e.

dos quais apenas a metade poderia ser considerada como concreto estrutural. o presidente do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) apresentou dados interessantes.CONCRETO Introdução Na abertura de um recente congresso na área de concreto. em 1997. pois o restante deve-se. China Índia USA Japão Coréia do Sul Espanha Itália País Produção (milhões t) 628.7 40. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. 14º. 9º. principalmente.5 39. 15º.8 8º. 12º. Alguns dados: Maiores países produtores de cimento . etc. 11º. forma. produziu 40 milhões de m3 de concreto. Segundo ele.9 79. 10º.2001 Colocação 1º.6 88.00 (custo estimado do m3 da estrutura de concreto armado. 7º. à auto-construção.8 33. 13º.5 _______________________________________________________________________________ 84 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5 53.9 35. 2º. armadura. 4º.). considerando-se concreto.1 35.0 34.edu. trata-se de um mercado de 10 bilhões de reais por ano.0 27. o Brasil. 3º. 5º.0 30. 6º. Brasil Rússia Tailândia Indonésia Turquia Alemanha México Irã 38.4 31.0 104. Tomando-se estes 20 milhões de m3/ano e multiplicando-se por R$ 500.

746 3.edu.2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Brasil Consumo (1000 t) 2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .978 37.2001 Continente Américas Europa Ásia África Oceania Consumo (milhões t) 226 314 998 91 8 Total 1637 Consumo per capita .2002 Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Consumo (kg/hab/ano) 174 138 284 258 244 Consumo de cimento por região .345 6.182 37. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.978 % 6 18 9 51 17 100 _______________________________________________________________________________ 85 Concretos e Argamassas Prof.Consumo de cimento no mundo .438 19.

do uso do concreto como material de construção? _______________________________________________________________________________ 86 Concretos e Argamassas Prof.46 2. só um material com muitas vantagens de utilização. ou virtudes. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.13 0.851 934 1.61 1.edu.84 7.978 % 70.Consumo per capita – Brasil Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Consumo (kg/hab/ano) 184 222 240 246 242 232 223 217 Perfil dos consumidor Brasil .18 7.67 0.249 4.607 8.77 2.69 2.04 0.principais virtudes e defeitos Para chegar a este posto.977 2.022 992 450 2.2002 Região Revendedoras Consumidores industriais Concreteiras Fibro-cimento Pré-moldados Artefatos Argamassas Consumidores finais Construtores Órgãos públicos / estatais Prefeituras Importação Total Consumo (1000 t) 26. Quais então seriam as principais vantagens.06 21.913 49 15 145 37.38 100 Concreto .72 12.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

• Demanda: pouca tecnologia de produção. Dá margem à sofisticação arquitetônica. • • Pode ser produzido praticamente em qualquer lugar. como no caso do cimento. Pode receber praticamente todo tipo de revestimento. equipamento barato. quando artificiais. facilmente moldado. disponíveis em quantidade. facilmente aplicado. é: facilmente transportado. de fácil transporte e estocagem.VIRTUDES • É fabricado com materiais: naturais. estáveis. • • • • • • • A construção em concreto é relativamente rápida. possuem ciclo de produção dominado no mundo inteiro. em instalações simples. robusto. durável e pouco sofisticado. Possui grande durabilidade (quando corretamente produzido) Apresenta boa impermeabilidade Permite a execução de grandes peças contínuas _______________________________________________________________________________ 87 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tudo isso com baixo consumo de energia. mão de obra com baixo nível de instrução. pouco sofisticados.edu. É um material relativamente estável e durável.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Depois de produzido.

mesmo. o ponto fraco mais importante da utilização do concreto é considerado exatamente a sua enorme facilidade de utilização.Nada porém possui apenas vantagens. mas o pior problema. em qualquer lugar. uma durabilidade questionável. e esse é considerado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . PRINCIPAIS DESVANTAGENS Do ponto de vista técnico. uma estabilidade dimensional relativamente pequena. como principais desvantagens: • • • • uma resistência à tração relativamente baixa. que pode fabricá-lo de qualquer jeito. em algumas circunstâncias. Tudo tem suas desvantagens e o concreto não é exceção a esta regra. o concreto é um material de construção que apresenta. por alguns pesquisadores. quando submetido a determinados ambientes. uma relação resistência/peso relativamente pequena. em geral. Do ponto de vista genérico. o principal defeito genérico do material de construção nos dias de hoje. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O concreto é um dos materiais de que se encontram muitos “conhecedores” (?) pelo mundo afora. muito grande. é que ele faz!” (Adam Neville) _______________________________________________________________________________ 88 Concretos e Argamassas Prof.edu. O descaso com a tecnologia do concreto é. que faz com que todo mundo pense que entende de concreto. contudo. ou quando produzido de maneira incorreta. “Um dos grandes problemas do concreto é que qualquer doido pensa que sabe fazer concreto. sem nenhum controle.

1997). agregados e água. ao fim que se destina (VALOIS. 1994). 1992). a produção de concreto. O controle da produção tem a finalidade de obter um material uniforme. o que é o concreto? É uma mistura de _______________________________________________________________________________ 89 Concretos e Argamassas Prof. Um “mau” concreto é feito simplesmente misturando-se cimento. TERZIAN. por ser uma atividade humana. com o apoio do entendimento (NEVILLE. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . de forma econômica. com as propriedades exigidas. afinal.Porém. O MATERIAL DE CONSTRUÇÃO: CONCRETO Mas.edu. elaborada a partir de um processo é suscetível de ser controlada (HELENE. porém os ingredientes de um bom concreto são exatamente os mesmos! (NEVILLE. 1997) O que causa esta diferença? Apenas o conhecimento.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As principais funções da pasta são • • • • Dar impermeabilidade ao concreto Dar trabalhabilidade ao concreto Envolver os grãos Preencher o vazio entre os grãos As principais microestruturas que se formam na pasta matriz são: • estruturas fibrilares ou estruturas C-S-H: compostos químicos formados por cristais de silicatos de cálcio hidratados que representam 50% a 60% do volume total de sólidos da pasta e são os responsáveis pela resistência mecânica da pasta após os dias iniciais. mas são bastante solúveis em água. possui uma descontinuidade estrutural. Tem baixa resistência mecânica.edu. aumentando a densidade e resistência mecânica da pasta. que alguns autores consideram como uma terceira fase: os vazios. formado por duas fases e uma interface: a fase pasta. formadas por hidróxido de cálcio. portanto um material composto. Como defeito. formados pela hidratação dos aluminatos combinados com sulfato de cálcio. que representam 20 a 25% do volume total de sólidos da pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a fase agregado e a ligação agregado-pasta.É. aluminatos). Funções da pasta (fase pasta) Nesta fase há a hidratação do cimento e a formação de cristais em torno do grão de cimento (silicatos. heterogêneo. Então a microestrutura da pasta vai se tornando mais compacta. São responsáveis pelo pH elevado da pasta (pH> 13). quimicamente instáveis e muito _______________________________________________________________________________ 90 Concretos e Argamassas Prof. • prismáticas: cristais de grande tamanho. • etringita: cristais grandes e volumosos.

Quanto maiores a quantidade de vazios e maiores forem os seus diâmetros médios. o agregado graúdo pode se tornar a parte fraca do conjunto.edu. aumentando também a sua retração e a fluência.porosos. reduzindo a resistência química e mecânica da pasta. _______________________________________________________________________________ 91 Concretos e Argamassas Prof. os vazios são de grande influência nas características da pasta matriz endurecida. gerando estruturas com baixa resistência mecânica que com o tempo se transformam em monossulfato. • grãos de clínquer não hidratados: pequenos núcleos dos grãos de cimento. São os primeiros cristais da pasta a se formar e produzem a primeira resistência mecânica do endurecimento. Representam 15 a 20% do volume total de sólidos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . devido as suas micro-fraturas internas. pequena se comparada a das estruturas C-S-H. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Além das microestruturas sólidas. maiores serão a porosidade e a permeabilidade. Para concretos de alta resistência. Este estudo é feito em disciplina específica ou em estudos de especialização. O estudo destes vazios (e o preenchimento deles) tem grande importância em concretos de alta resistência. para o agregado não tem tanta importância a sua resistência mecânica. pois normalmente é maior que a do conjunto concreto. Funções do agregado (fase agregado) • • • Reduzir o custo do concreto Reduzir as variações de volume (diminuir as retrações) Contribuir com grãos capazes de resistir aos esforços Em concretos convencionais. que não é o foco desta disciplina.

A interface (fase zona de transição) No concreto convencional é a parte mais fraca.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em grande parte. já que a pasta de cimento sempre se interpõe entre elas e a fôrma. pois é menos resistente que a pasta e os agregados. Este efeito pode ser descrito como uma "chamada" da fase mais fluida do concreto (a pasta) para as superfícies postas em contato com o concreto. é necessário mencionar um fenômeno que ocorre no concreto quando no estado fresco: o efeito de parede.edu. a fraqueza da ligação agregado-pasta pode ser explicada.4. Para concretos de maior resistência. Em concretos convencionais. após a desforma. como por exemplo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por água. uma chamada da fase mais fluida do concreto para a superfície dos agregados. as fôrmas. Em termos de microestrutura do concreto. esta fase é constituída. aqueles com relação a/c > 0. Devido à sua maior mobilidade. em um concreto apropriadamente lançado e compactado. Antes de se abordar a ligação agregado-pasta. a zona de transição não tem tanto influência pelo chamado efeito fortificador do agregado. Zona de transição agregado – pasta (microscopia eletrônica) _______________________________________________________________________________ 92 Concretos e Argamassas Prof. muito resumidamente. também ocorre uma espécie de efeito de parede interno. Esta é a razão pela qual. não se observa a presença de partículas de brita. por uma concentração anormal de cristais de hidróxido de cálcio nessa região particular dos concretos e argamassas.

Zona de transição agregado – representação gráfica

Noções básicas de concreto
1) A fase pasta de cimento, mistura de cimento e água, funciona como uma espécie de cola, pois possui poder aglomerante, ou poder de colagem. Quanto mais diluída, menos cola. Assim, a partir de um certo limite, quanto mais água se mistura ao cimento, menor o poder aglomerante da pasta, na medida em que ela própria fica menos resistente. 2) Um bom concreto precisa ser trabalhável na obra. A noção de trabalhabilidade é difícil de ser definida e de ser medida, e isto será visto mais adiante, quando tratarmos da propriedades do concreto no estado fresco. Ela tem a ver, entretanto, com a capacidade do concreto preencher totalmente uma fôrma, envolvendo completamente as armaduras, sem deixar vazios, que são pontos fracos e que diminuem a resistência e a durabilidade do material. Dependendo do tipo de fôrma (em termos de dimensões), da densidade das armaduras dentro das fôrmas, do tipo de transporte que o concreto vai receber (como

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por exemplo, o bombeamento), da forma de adensamento, etc., ele precisa ter características específicas de trabalhabilidade na obra. Um concreto pode, por exemplo, ter uma consistência mais seca, que dê para preencher uma fôrma larga, mas, por outro lado, esta mesma consistência seca pode provocar o entupimento da bomba (se o concreto for bombeado). No caso contrário, um concreto pode ser mais fluido, mais mole, podendo ser bombeado, mas não ser trabalhável para a execução de pisos, que geralmente são vibrados com régua vibratória (o que demanda concretos mais secos, para que a régua não afunde na massa). De modo geral, deve-se procurar trabalhar com o concreto mais seco possível. Por que? Porque quanto mais seco o concreto, menos água ele tem, e portanto mais resistente é a fase pasta, e, consequentemente, o concreto como um todo. A "secura do concreto" entretanto tem um limite. 3) A relação entre a massa de água e a massa de cimento de um concreto é conhecida como relação ou fator água-cimento. Misturando-se pouco a pouco uma certa quantidade de cimento com uma quantidade variável crescente de água e medindo-se a resistência da pasta verifica-se que ela passa por um máximo. Este máximo é relativo ao fator água/cimento teórico de aproximadamente 0,23. Esta relação representa a quantidade mínima de água necessária para hidratar completamente todas as partículas da massa de cimento. O fator água/cimento de 0,23, entretanto, é um fator teórico, raramente obtido na prática, pois o concreto com ele fabricado fica extremamente seco, com a chamada "consistência de terra úmida", uma verdadeira farofa, impossível de ser trabalhada, vibrada, bombeada, etc., no canteiro. 4) Na prática, um concreto corrente é obtido geralmente com fatores a/c superiores a 0,50. A água contida por esse concreto pode então ser subdividida em dois tipos: água de hidratação (relativa ao fator a/c de 0,23 ou 0,23 X massa de cimento do concreto) e água de trabalhabilidade, a água a mais, que é acrescentada para que o concreto possa ser trabalhado na obra. É calculada como: [(fator a/c - 0,23) X massa de cimento].
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A água de hidratação é como diz o nome, aquela que vai ser consumida na hidratação das partículas de cimento. A água de trabalhabilidade é a água que vai misturar-se com as partículas de cimento e formar um filme aquoso (talvez seja melhor dizer pastoso) nas superfícies das partículas de areia e brita, filme este que vai funcionar como um lubrificante, reduzindo o atrito existente entre essas partículas e transformando então um concreto seco em um concreto "plástico", ou "mole", ou ainda "fluido". 5) O concreto fica então menos resistente do que poderia teoricamente ser, para que possa ser trabalhável na obra. Nos concretos correntes, esse comportamento é traduzido pela Lei de Abrams, que estabelece que a resistência do concreto varia na razão inversa do fator a/c, ou seja, quanto maior o fator a/c, menor a resistência do concreto, e vice-versa. 6) Mudando aparentemente de assunto, falemos agora de superfície específica. A superfície específica é a medida da área superficial das partículas contidas em um determinado volume de material. Pode-se demonstrar matematicamente que quanto menores as dimensões das partículas de um mesmo volume de material, maior a superfície específica das partículas contidas naquele volume. Assim, quanto mais fino for, por exemplo, um tipo de agregado, maior a superfície específica das suas partículas, e, portanto, maior a quantidade de água de trabalhabilidade necessária para diminuir o atrito entre partículas, e, finalmente, menor a resistência desse concreto com mais água. Esta é a principal razão pela qual procura-se sempre trabalhar com: • • • os agregados com as maiores dimensões possíveis; as areias menos contaminadas com silte ou argila, que são materiais finos; a menor quantidade possível de cimento.

7) Neste aspecto, é importante também escolher o agregado com formato e textura superficial adequados, pois quanto mais áspera for a sua superfície e mais vértices tiver a sua forma, maior o atrito entre suas partículas, maior a quantidade de água necessária para diminuir o atrito, etc., etc., etc..
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Classificação dos concretos
Alguns tipos de concreto que podem ser produzidos • • • • • • • • • • • Concreto simples Concreto armado Concreto massa Concreto projetado Concreto refratário Concreto com ar incorporado Concreto de alta resistência Concreto auto-adensável Concreto leve Concreto pesado Etc

Quanto a classificação quanto a resistência, por classes e grupos, a NBR 8953, classifica para o grupo I as resistências de concreto C10 a C50 (variando de 5 em 5), onde se indica a resistência em MPa (C40 concreto com resistência de 40 MPa) e

onde a faixa de validade da NBR 6118 – Projetos de estrutura de concreto. Já o grupo II se refere aos concretos de alta resistência e hoje se tem evoluído muito em estudos, pesquisas nesta faixa (estudo em outra disciplina).

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pois que o custo do cimento é. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Dosagem A dosagem do concreto objetiva atender a cinco condições principais: a) exigências de projeto. mas nem sempre é possível dispor-se no local da obra de agregados ideais quanto à forma e textura ou que não apresentem reatividade. do solo e eventuais produtos em contato com a estrutura. adensamento (ou compactação) e cura. transporte. b) condições de exposição e operação. tais como resistência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Alguns autores colocam ainda uma fase inicial e uma etapa final: a dosagem (ou cálculo do proporcionamento) e o controle tecnológico. impermeabilidade e outras mais que o concreto endurecido deve apresentar a partir de uma certa idade. lançamento e adensamento do concreto. deveriam fazer parte das variáveis e não dos requisitos. onde o proporcionamento deve levar em conta as características de agressividade da atmosfera. que são relacionadas a operações de transporte. Estas duas etapas estudaremos à parte. na grande maioria das vezes. a princípio. As principais delas são: mistura (ou amassamento). e) custo.PRODUÇÃO DE CONCRETO Introdução O processo de produção do concreto geralmente é subdividido em várias etapas. _______________________________________________________________________________ 97 Concretos e Argamassas Prof. lançamento (ou colocação). mas iniciamos com pelo menos os princípios básicos. bem superior ao dos agregados. onde admite-se que um concreto econômico quando consegue atender às condições anteriores com um consumo mínimo de cimento. acabamento. c) tipo de agregado disponível economicamente.edu. apesar de que. d) técnicas de execução.

para que se possa calcular a quantidade de cada um dos materiais que vai entrar na mistura. formando a pasta. neste caso. A mistura mecanizada é realizada em máquinas especiais denominadas betoneiras. Outro aspecto bastante importante é o tempo ideal de mistura. através de pás. equipamento que é utilizado não apenas nas obras. Em cada betonada. não seja basculante).edu. e a medida em volume não é aconselhável. mas também nos caminhões-betoneira das centrais de concreto pré-misturado (embora. por sua vez. Um tempo reduzido demais produz uma mistura imperfeita. pois a fração do saco medida em peso é trabalhosa. A mistura tem que ser homogênea.Mistura / amassamento É a homogeneização de todos os componentes do concreto. enquanto um tempo longo demais é _______________________________________________________________________________ 98 Concretos e Argamassas Prof. que.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que também podem ser fixas ou móveis. As betoneiras podem ser de vários tipos. é importante saber a sua capacidade de produção. deve envolver totalmente cada partícula de agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. só sendo aceitável para pequenos volumes de concreto. constituídas por um tambor ou cuba. Antes de se utilizar uma betoneira. O eixo passa pelo centro do tambor e. A mistura manual está em desuso. pois a falta de homogeneidade implica em perda de resistência e durabilidade do concreto. que pode ser fixo ou móvel em torno de um eixo. por ser pouco precisa. promove a mistura dos componentes do concreto. bem como a quantidade de betonadas necessárias para executar uma determinada parte da obra. embora no Brasil a mais comum seja a betoneira basculante de eixo inclinado. deve-se procurar utilizar um número inteiro de sacos de cimento. de modo que entrem em contato íntimo uns com os outros. A água deve entrar em contato com as partículas de cimento.

o tipo de betoneira. _______________________________________________________________________________ 99 Concretos e Argamassas Prof. etc. fazemos a hidratação de quase todas as partículas de cimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Por vezes evita-se colocar toda a água prevista. Também é importante. garantindo assim uma formação mais completa das reações de hidratação que formam os compostos endurecedores do concreto.antieconômico.. mantendo-se a principal propriedade do concreto: a resistência à compressão. em segundos. Alguns autores fornecem uma fórmula para o cálculo do tempo de mistura das betoneiras de eixo inclinado. Não deve ser inferior a 1 minuto. do tipo: t = 120 d . sem o agregado miúdo.edu. Para concretos convencionais a ordem mais comum é: 1) Agregado graúdo + parte da água batendo-se a água e a pedra eliminamos eventuais depósitos de materiais que podem estar ainda no interior da betoneira e fazemos a homogeneização da água no agregado graúdo. a trabalhabilidade do concreto. O tempo de mistura é contado a partir do instante que se liga a betoneira. em função da umidade de areia que pode estar levando mais água ao concreto do que o esperado. areia. d = diâmetro da betoneira. em metros. Uma seqüência prática de se usar em obra é a entrada dos materiais na ordem dos mais grossos para os mais finos: brita grossa. Assim vamos evitar que a relação a/c seja maior que a de projeto. para a execução de uma mistura perfeita. brita fina. com todos os materiais no seu interior. Uma ordem de grandeza prática para o tempo de mistura de um concreto convencional em obra comum é de 2 minutos. como a quantidade e o tipo de materiais. a ordem de entrada dos materiais na betoneira. onde: t = tempo de mistura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Cada autor também tem a sua preferência. que depende de vários fatores. 2) Cimento + restante (ou quase o restante) da água colocando-se o cimento e o agregado graúdo. cimento e água.

Muito cuidado. Neste caso. e ainda não obtivemos a trabalhabilidade necessária (medida pelo ensaio de abatimento de tronco de cone – “slump”) não podemos mais simplesmente colocar água no concreto sob pena de termos uma relação a/c maior e consequentemente uma resistência mecânica menor que a de projeto. Nesta etapa em função da trabalhabilidade pretendida e da água.3) Areia com a colocação da areia começamos a contar o tempo de mistura verificando se não há a formação de argamassa nas pás (argamassa presa). isto acontece exatamente nos pilares. Neste caso há três soluções mais comum para resolver o problema sem afetar a resistência mecânica: a) Adicionarmos mais argamassa ao concreto mantendo-se nesta argamassa a relação a/c do traço original b) Adicionarmos mais pasta ao concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. acaba ficando pouco concreto produzido em obra. Porém. tendo esta pasta a relação a/c original c) Colocarmos aditivos plastificantes. para-se a betoneira e com uma colher se faz a soltura desta argamassa e retoma-se a mistura. Observação importante: Se já colocamos toda á água prevista pelo traço. normalmente os pequenos volumes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . onde o volume é pequeno e se faz em obra e onde a resistência à compressão adquire uma importância maior. Atenção: como hoje em dia se usa muito concreto dosado em central (“concreto usinado”). se não foi colocada toda. _______________________________________________________________________________ 100 Concretos e Argamassas Prof. pode-se então completar a água prevista. Neste caso sempre temos que ter sempre em estoque algum aditivo e já instruído o operador de como usá-lo. A solução do aditivo plastificante é a mais usual (quando se fala de concreto com controle tecnológico).

etc.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que recalcam o material através de um mecanismo de pistões e válvulas.através de vagonetes. entretanto o transporte do concreto pode ser realizado também por bombas especiais. etc. evite a segregação dos seus componentes. O concreto é lançado no recipiente de admissão (cocho). desenvolveram-se as centrais produtoras de concreto prémisturado. têm uma boa aceitação e geralmente encontram-se em estágio tecnológico bastante razoável.correia transportadora. Em qualquer das formas. • • vertical .caçambas. O transporte do concreto geralmente ocorre das seguintes formas: • horizontal .edu... caminhões. no Brasil. calha. oblíqua ou inclinada . Transporte O concreto deve ser transportado do local de mistura para o local onde vai ser lançado tão rapidamente quanto possível. para evitar a segregação). etc. carrinhos (que devem ter rodas de borracha. e de maneira tal que mantenha a sua homogeneidade. _______________________________________________________________________________ 101 Concretos e Argamassas Prof. Porém isto não isenta a nossa responsabilidade e o controle do concreto como veremos adiante. que. ou seja.. guinchos.Em obras com grande volume de produção de concreto ou em regiões com grande mercado consumidor. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. passa pelo interior da bomba e é recalcado através de tubulações até alturas que podem ser superiores a 300 m.

Os caminhões. quando utilizados no transporte de concreto por longa distância. Era esta segunda bomba que levava o concreto até o pavimento em execução. O concreto deverá ter consistência fluida e o processo de transporte deve ser contínuo e homogêneo. e são chamados de caminhão betoneira. As bombas de concreto podem ser estacionárias ou móveis. possuem balões com capacidade de transporte de 2. O transporte por esteiras rolantes é em geral mais indicado para os concretos secos. e a agitação do concreto pode ser realizada em dois sentidos e duas velocidades. com cerca de 15 m de comprimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . como por exemplo. Algumas empresas _______________________________________________________________________________ 102 Concretos e Argamassas Prof.No Rio de Janeiro. utilizou-se um sistema engenhoso. algumas até automotivas. Para que o material deslize. colocada a meia altura do prédio. devem dispor de agitação própria. com cobertura no caso de sol forte. os concreto-massa de barragem. consta que durante a construção do prédio do BNDE. e pode ser usado tanto na horizontal quanto com pequenas inclinações. Alguns cuidados no transporte: a) Quando for feita de uma central dosadora até a obra. montadas sobre carroceria de caminhão.5 até 8 m3. é necessária uma inclinação mínima de 13o. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. geralmente com uma lança metálica articulada em dois ou três estágios. para evitar que o concreto quando seja lançado já esteja em início de pega ou muito próximo. A capacidade de bombeamento deste tipo de equipamento geralmente é de cerca de 30 m3 por hora. acionadas por controle remoto. Geralmente são trucados. temos que controlar o tempo em que foi adicionada a água.edu. O material deve também ser protegido contra a secagem excessiva. onde uma bomba estacionada no térreo recalcava o concreto até o cocho de uma segunda bomba. Este equipamento permite a concretagem de até 3 andares de obra sem a necessidade de nenhuma tubulação adicional. As calhas ou canaletas utilizadas no transporte inclinado do concreto geralmente são de madeira revestida por chapa metálica. sem segregação.

prevendo atraso no transporte, em função de tráfego, fazem a mistura a seco e colocam água somente na obra. Outras utilizam aditivos retardadores de pega no concreto.
Atenção: muito cuidado com concreto com aditivos retardadores de pega, quando da previsão de desforma, pois já houve casos que o módulo de elasticidade exigido na época da desforma não foi atingido, devido ao uso destes aditivos. Acaba por vezes exigindo um tempo maior de escoramento do concreto

b) No transporte vertical ou horizontal por bombas, conforme o dia (umidade do ar, temperatura, exposição ao sol, etc), pode haver perda da traballhabilidade do concreto. A medida do “slump” na saída do caminhão pode atender a exigência de projeto, mas na saída da canalização, acaba sendo menor e pode comprometer o lançamento do concreto. Ver trabalho de TCC da ex-aluna Endriana Kischner Cavalheiro (Concreto bombeado: Verificação da

variabilidade das propriedades entre a saída da caminhão betoneira e a chegada no local de concretagem) c) Quando se faz transporte horizontal dento da obra, por carrinhos ou jericas, deve-se ter um caminho preparado, para evitar solavancos no percurso que podem levar a segregação do concreto

Lançamento / Colocação
O lançamento é a operação que consiste em colocar o concreto no ponto onde ele deverá permanecer definitivamente. O lançamento do concreto nas formas não deve ocorrer em intervalo superior a 30 minutos após a conclusão do amassamento. Na realidade, como o transporte, deve ser realizado no prazo mais rápido possível. Da mesma forma, como no caso do transporte, deve-se também evitar a segregação do concreto durante o lançamento nas formas. O uso de aditivos retardadores de pega pode estender este tempo para até cerca de duas horas, dependendo da eficiência do aditivo e da sua dosagem.
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Nas obras correntes, antes do lançamento do concreto, deve-se umedecer as fôrmas de modo a evitar a absorção da água de amassamento. As fôrmas devem ser estanques, para evitar a fuga de pasta de cimento. Outra situação especial de colocação do concreto em obra é o lançamento em altura. Ao sair da betoneira, o concreto geralmente é submetido a forças externas e internas que tendem a provocar a segregação (separação) dos seus materiais constituintes. Ao lançar o material de grande altura (ou deixá-lo correr livremente) surgirá a tendência de separação entre a argamassa e o agregado graúdo. Para evitar a segregação, a altura máxima de lançamento em concretagens comuns não deverá ultrapassar 2 m. Em pilares mais altos do que isso, por exemplo, podem ser abertas janelas de concretagem à meia altura, na parte lateral da fôrma, que são fechadas à medida que o concreto atinge este nível. Também neste caso pode ser utilizada a tremonha Nos casos mais comuns de vigas e lajes, o concreto deve ser lançado o mais próximo possível da sua posição final, não devendo fluir, "andar", ou ser empurrado dentro das fôrmas. Nas obras de maior porte, o lançamento do concreto deve ser feito segundo um plano de concretagem, elaborado para levar em consideração o projeto de escoramento e as deformações que nele serão provocadas pelo peso próprio do concreto fresco e pelas eventuais cargas de serviço lembrar de escoras que

levantam pela deformação na estrutura de formas/escoramento Deve também ser prevista a ocorrência de interrupções do lançamento de concreto, que venham a provocar as chamadas juntas de construção, ou juntas frias. Estas em geral são provocadas pela impossibilidade do lançamento contínuo de um grande volume de concreto, ocorrência esta previsível ou não, derivada de acidente (como por exemplo, chuva forte, falta de energia, entupimento de bomba, quebra de equipamento de produção ou de transporte do concreto, etc.). Em todos os casos devem ser tomados alguns cuidados. A superfície do concreto velho deve ser apicoada ou limpa com escova de aço até tornar-se rugosa, com o agregado graúdo aparente, para facilitar a aderência com o concreto novo.
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Quando previsível, já ao final do lançamento, deve ser providenciado para que o acabamento de uma camada de concreto não seja executado em superfície lisa. A superfície da junta deve ser perfeitamente limpa, a fim de remover o material solto, o pó, as impurezas, etc., que prejudicam a aderência. Esta limpeza deve ser executada com jato d’água ou de ar comprimido. Quando não for usado o jato d’água, a superfície deve ser abundantemente molhada. Outra boa prática é a previsão de existência de ferros de espera, ou a colocação de pontas de ferro espetadas nas juntas, de modo que venham depois a realizar uma espécie de costura do concreto velho com o novo O projeto de uma estrutura pode também, intencionalmente, prever a existência de juntas, que neste caso recebem a denominação de juntas estruturais. Sua finalidade é a de permitir deslocamentos da estrutura, geralmente provocados por contrações, (retrações e expansões) derivadas de variações de temperatura e umidade, empenamentos, deflexões, recalques, etc.. Uma forma prática de se construir uma junta é a utilização de placas de isopor, que mais tarde são dissolvidas com querosene. Um caso particular de colocação do concreto é o do lançamento submerso. O concreto não deve ser lançado em águas com velocidade superior a 3 m/s (para que não seja "lavado"), nem em temperaturas inferiores a 2 oC (que interferem e até podem impedir a pega do cimento). O material deve possuir consumo mínimo de cimento de 350 kg/m3 (para garantir um fator a/c razoável e diminuir a tendência à segregação) tendo ainda uma consistência plástica, já que em geral não pode ser vibrado após o lançamento. O processo de colocação deve ser contínuo, através de uma tubulação sempre cheia de concreto, cuja ponta deve estar posicionada no interior da massa de concreto já lançada, para evitar que o material caia através da água e a pasta seja separada dos agregados por lavagem. O equipamento geralmente empregado neste processo chama-se tremonha.

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Adensamento / Compactação
O adensamento ou compactação do concreto recém lançado tem por objetivo deslocar, com esforço, os elementos que o compõem e orientá-los para se obter maior compacidade, obrigando as partículas a ocupar os vazios e desalojar o ar do material eliminar os vazios da massa, tornando-a mais compacta e, mais

resistente, menos permeável e mais durável Os processos de adensamento podem ser manuais ou mecânicos. O adensamento manual, hoje raramente utilizado, era realizado por socamento ou apiloamento, é indicado apenas para obras de pequena importância. O socamento pressupunha a utilização de soquete metálico ou de madeira, e era utilizado apenas em concretos de consistência plástica. O apiloamento utilizava-se geralmente de pilão de madeira e também era indicado para concretos plásticos. Em ambos os processos a espessura das camadas não deveria ultrapassar 20 cm. O adensamento mecânico compreende os esforços de vibração, centrifugação e vácuo. O mais usado é a vibração em obras convencionais A vibração, processo mais utilizado atualmente, além da desaeração, dá ao concreto uma maior fluidez, sem aumento da quantidade de água. A vibração não deve ser aplicada diretamente à armadura, que, ao vibrar, deixa um espaço vazio ao seu redor, eliminando a aderência. Caso durante a vibração haja um contato acidental do vibrador com a armadura, deve-se vibrar novamente o concreto nas proximidades.

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telhas.ex. geralmente vigas e transversinas de pontes e outras obras de arte especiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. no seu movimento de ascensão. cria canalículos na massa de concreto. pois define o espaçamento entre as armaduras. etc. um caso particular de segregação e que será melhor explicado adiante nas propriedades do concreto). • de mesa (ou mesa vibratória). como p. vigas. que é.A vibração pode aumentar a ascensão à superfície de concreto do excesso de água (fenômeno denominado de exsudação. média . blocos. mais utilizados nas obras correntes de edificação.. postes. os vibradores.edu.de 6000 a 20000 vpm. O fato é que a água. espaços estes que vêm a constituir os poros capilares.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As características principais dos vibradores de concreto são: a) freqüência. • de superfície (placas ou réguas vibratórias). _______________________________________________________________________________ 107 Concretos e Argamassas Prof. alta . na realidade. A revibração (uma segunda etapa de vibração) só deve ser realizada até a metade do tempo de pega do cimento. que pode ser • • • baixa . • de fôrma. usados em peças de maiores dimensões ou com grande densidade de armadura. dormentes. Os equipamentos mais utilizados para a vibração do concreto. que demandam concretos pouco plásticos.entre 3000 e 6000 vpm. O diâmetro deste vibrador é um dado importante quando da elaboração do projeto estrutural. Caso a exsudação ocorra com maior intensidade. pode-se utilizar a revibração para tentar obturar os poros capilares.da ordem de 1500 vpm. empregados em pisos e pavimentações. podem ser: • de imersão (de agulha ou de banana). em geral empregado na produção de prémoldados ou peças pré-fabricadas em usina.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o efeito da vibração passa a ser nocivo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O raio de ação de um vibrador é proporcional à raiz quadrada da sua potência para duplicar o raio. bem como à cessação quase completa do desprendimento de bolhas de ar. são mais econômicos. Em geral. Alguns cuidados na utilização de vibradores de imersão: a) Os vibradores devem ser aplicados em posições sucessivas afastadas de distâncias iguais ou inferiores ao raio de ação do vibrador. é necessário quadruplicar a potência. Daí em diante. c) amplitude ou raio de ação. enquanto nos EUA as normas de concreto corrente impõem o emprego de vibradores com 10000 ou 12000 vpm. _______________________________________________________________________________ 108 Concretos e Argamassas Prof. A amplitude de ação depende também das características do próprio concreto. que é a distância além da qual o vibrador não exerce influência no concreto. Na prática.edu. O período útil de aplicação da vibração corresponde ao aparecimento de uma camada de argamassa na superfície do concreto (superfície torna-se brilhante). para se determinar o raio de ação de um vibrador. b) potência A baixa freqüência exige maior potência do vibrador. não ultrapassa os 60 cm.A freqüência baixa movimenta os grãos maiores (agregado graúdo) e a freqüência alta movimenta os grãos menores (argamassa ou pasta de cimento). já que o seu excesso gera a segregação do concreto. Os vibradores mais utilizados no Brasil têm freqüência da ordem de 3500 vpm. Os vibradores de alta freqüência. a diferentes distâncias do vibrador e mede-se a sua vibração. sob este aspecto. cravam-se várias barras de ferro na massa de concreto.

o vácuo adensa o concreto por compressão. A compactação do concreto por centrifugação é muito empregada no caso da préfabricação de elementos de revolução. Além disso. tubos. caso contrário poderá ser deixado um vazio na massa de concreto. ambas com o aparelho em funcionamento. como postes. é boa prática manter-se sempre um vibrador de reserva. pois fica assegurada uma alta impermeabilidade e uma superfície interior pouco rugosa.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os elementos mais graúdos são lançados para a parte exterior da peça. ficando no interior uma alta concentração de pasta de cimento.edu. Durante a centrifugação ocorre uma classificação dos materiais componente do concreto segundo o seu tamanho. etc. _______________________________________________________________________________ 109 Concretos e Argamassas Prof. O processo pode ser usado também em fábricas de pré-moldados.. durante um tempo de 2 a 10 minutos. c) A introdução da ponta vibrante no concreto deve ser rápida. para que se obtenha uma boa homogeneidade do concreto. e) Nas obras. O vibrador nunca deve ser utilizado para transportar ou empurrar o concreto. No caso dos tubos isto é ótimo.b) As camadas lançadas de concreto devem ter altura inferior ao comprimento da ponta vibrante do vibrador de imersão. variável com as dimensões da peça. estacas. O adensamento à vácuo é utilizado em pavimentação de ruas. As fôrmas em geral são metálicas e atingem velocidades de 12 a 24 m/s. e sua retirada muito lenta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. d) O vibrador deverá ser utilizado sempre na vertical. Cobre-se o trecho pavimentado com uma manta plástica presa nas bordas e ligada por um tubo por onde se retira o ar aprisionado pela manta. bem como uma parcela da água. Assim libera-se o ar contido no concreto.

edu. fenômeno que rege a pega e o endurecimento do concreto. têm importância muito grande nas propriedades do concreto endurecido. que provocam a evaporação de parte da água do concreto.Cura Dá-se o nome de cura ao conjunto de medidas que têm por finalidade evitar a evaporação prematura da água necessária à hidratação do cimento. A cura do concreto em obra pode ser realizada de várias formas. o que também ocorre com as temperaturas elevadas. melhora muito as características finais do material. Algumas normas (inclusive a brasileira NBR 6118) exigem que a cura seja realizada nos 7 primeiros dias após o lançamento do concreto nas fôrmas. As condições da temperatura do meio ambiente nas primeiras idades do concreto são as mais importantes. A cura úmida (com água) em comparação com a cura do concreto ao ar. p. principalmente nas primeiras idades do concreto. embora alguns autores recomendem pelo menos 14 dias de cura para que se tenha garantias contra o aparecimento de fissuras devidas à retração. a resistência à compressão do concreto curado em água pode ser até 40% superior à do concreto mantido ao ar. como por exemplo: • irrigação periódica das superfícies com água. O Comitê 363 do ACI define cura como o conjunto de procedimentos adotados para a manutenção de um teor de umidade satisfatório e uma temperatura favorável no concreto durante o período de hidratação dos materiais cimentícios. _______________________________________________________________________________ 110 Concretos e Argamassas Prof. Aos 28 dias de idade.. principalmente em termos de resistência e de durabilidade. As baixas temperaturas prejudicam muito o crescimento das resistências mecânicas do concreto. de modo que possam ser desenvolvidas as propriedades desejadas no concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. As condições de umidade e temperatura.ex.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

• recobrimento da superfície com papéis impermeáveis especiais (do tipo kraft) ou filmes de polietileno.edu. • emprego de compostos impermeabilizantes especiais para a cura. mantidos sempre úmidos. _______________________________________________________________________________ 111 Concretos e Argamassas Prof. • Em certos casos a submersão do concreto pode ser indicada. que impedem a evaporação da água membranas de cura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.• recobrimento das superfícies com areia ou sacos de aniagem.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que também impedem a evaporação da água.

Ainda que suas propriedades no estado fresco sejam de maior interesse para a aplicação.PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO Introdução Entende-se com concreto fresco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Quando a pasta deixa de ser deformável em face de pequenas cargas. o concreto no estado plástico. o cimento começa a hidratar-se. Algumas propriedades do concreto endurecido dependem fundamentalmente de suas características enquanto no estado fresco. _______________________________________________________________________________ 112 Concretos e Argamassas Prof. é acompanhada pelo aumento da coesão e pelo ganho de resistência da pasta. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sabe-se que elas estão relacionadas e têm grande implicação nas propriedades do concreto endurecido. início de pega. a pasta começa a perder plasticidade. O tempo decorrido desde a adição de água ao cimento até o aumento brusco de viscosidade da pasta é denominado. Pouco tempo depois. antes do endurecimento. aumentando sua viscosidade e apresentando elevação de temperatura. tornando-se um bloco rígido. A fase a seguir. é plástica e chama-se pasta ou calda de cimento. Entre a mistura e o fim de pega o concreto é dito no estado fresco.edu. convencionalmente. a situação é denominada fim de pega. num estágio inicial. A mistura. denominada endurecimento. Tempos de pega Quando entra em contacto com a água.

a temperatura ambiente.edu. De acordo com o tempo de pega. mas que possui dimensões bem maiores. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. compactado e começar a ser curado. bem como a presença de aditivos químicos e/ou minerais no concreto. _______________________________________________________________________________ 113 Concretos e Argamassas Prof. os tempos de início e fim de pega podem ser determinados com um equipamento que emprega o mesmo princípio da determinação da pega do cimento (a penetração de uma agulha de dimensão conhecida). os cimentos podem ser classificados: • • • Pega rápida tempo de início de pega < 30 min 30 min < tempo de início de pega < 60 min Pega semi-rápida Pega norma tempo de início de pega > 60 min Nos concretos. colocado e compactado. lançado. pois são eles que indicam a disponibilidade de tempo para o concreto ser transportado. sem perda de (manipulado) homogeneidade. mantendo a sua integridade e homogeneidade. como já se mencionou. Trabalhabilidade É a propriedade do concreto fresco. Cabe ainda salientar que com o início de pega inicia-se um processo de desprendimento de calor devido as reações química. que se refere à sua aptidão em ser facilmente misturado. que usam a agulha de Vicat.A duração da pega é influenciada por vários fatores. o fator a/c. Os tempos de início e fim de pega são características intrínsecas dos cimentos. e existem normas para as suas medidas. transportado. ou seja. sendo os mais importantes a composição química do cimento. evitando a segregação em outras palavras empregado identifica a maior ou menor aptidão do concreto para ser com determinada finalidade. a finura do cimento. A determinação dos tempos de pega dos concretos é importante.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . difícil de ser definida.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . uma mistura de concreto que não possa ser lançada facilmente ou adensada em sua totalidade provavelmente não fornecerá resistência e durabilidade esperadas. devido à grande quantidade de variáveis envolvidas nessa determinação. Existem vários equipamentos. lançamento e adensamento e é função da quantidade de finos presente na mistura bem como da granulometria e da proporção entre si dos agregados. TRABALHABILIDADE = CONSISTÊNCIA + COESÃO Importância da trabalhabilidade Independente da sofisticação usada nos procedimentos de dosagem e outras considerações. adensamento e acabamento A ACI 116R-90 descreve como a facilidade e homogeneidade com que o concreto fresco pode ser manipulado desde a mistura até o acabamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. tais como o custo. _______________________________________________________________________________ 114 Concretos e Argamassas Prof. do tipo de forma. dos equipamentos de mistura.A ASTM C 125-93 define trabalhabilidade como a energia necessária pata manipular o concreto fresco sem perda considerável da homogeneidade. técnicas e tipos de ensaios para a determinação da trabalhabilidade dos concretos. A trabalhabilidade do concreto é uma definição relativa. de transporte.edu. Entenda-se como manipular Lançamento. Assim o concreto deve apresentar duas qualidade principais: • Consistência ou fluidez é função da quantidade de água adicionada ao concreto e simplesmente avalia o quão “duro” ou “mole” está o concreto • Coesão é uma propriedade que reflete a capacidade do concreto de manter sua homogeneidade durante o processo de transporte. da taxa de armadura. pois depende também das geometria da peça estrutural. Nenhum deles consegue quantificar perfeitamente a trabalhabilidade. bem como da técnica e do tipo de acabamento desejado. de lançamento e de adensamento.

o método mais utilizado (muito mais pela sua simplicidade do que pela sua precisão e representatividade). é o "Ensaio de Determinação da Consistência do Concreto pelo Abatimento do Tronco de Cone". _______________________________________________________________________________ 115 Concretos e Argamassas Prof.Nas obras correntes. Ensaio de Slump test principal função é fornecer um método simples e conveniente (além de barato) para controlar a uniformidade da produção de concreto de diferentes betonadas.edu. Um abatimento forma do normal pode indicar uma mudança imprevista nas proporções da mistura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . também conhecido como "slump test" – NBR 7223. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Ensaio de abatimento de tronco de cone a) molde metálico preenchido de concreto b) medição do abatimento Para concretos com muita trabalhabilidade – concretos auto-adensáveis – e para concretos muito consistentes. o slump test não é adequado e existem outros tipos de ensaios.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .A importância deste controle do abatimento pode ser visto na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó.edu. do prof. para adensamento mecânico. Sobre ensaios de trabalhabilidade e como leitura complementar recomendamos o trabalho recente (2008) . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Silvio Edmundo Pilz. A tabela a seguir.editado pela Argos.Procedimentos para ensaios de concreto fresco: um comparativo entre as técnicas utilizadas no Brasil e Alemanha . vemos na tabela seguinte: _______________________________________________________________________________ 116 Concretos e Argamassas Prof. indica os limites de consistência em função da aplicação e tipo de adensamento do concreto: A consistência indicativa do concreto em função do tipo de elemento estrutural.

no caso de concreto pré-misturado em central e fornecido às obras em caminhõesbetoneira (que estão sujeitos ao fluxo de trânsito das cidades). dependendo do caso.edu. Regra geral. Neste caso. Em função disto para que o concreto possa ser manipulado desde a mistura até o acabamento é comum dosa-lo com um abatimento inicial maior que o previsto Sua importância deriva de três aspectos principais: • nem sempre é possível lançar o concreto nas fôrmas imediatamente após a transporte. que pode ser pequeno ou não. que não deve ser deixada de lado por ocasião do emprego prático do concreto em obras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a adsorção na superfície dos produtos de hidratação e a evaporação de água capacidade de fluir.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó o concreto perde a consistência. por exemplo. ou seja a . quanto maior o tempo de transporte. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. é a da perda de trabalhabilidade (ou de slump) do concreto com o tempo. Ocorre devido a hidratação do cimento.Perda da trabalhabilidade com o tempo Uma determinação realizada no concreto fresco. como. Esse tempo pode chegar a ser bastante significativo. _______________________________________________________________________________ 117 Concretos e Argamassas Prof. um aditivo retardador de pega pode ajudar.

Neste caso.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Para ilustrar segue a seguir quadro mostrando a perda de abatimento em algumas misturas de concreto com o passar do tempo. maior a perda de trabalhabilidade do concreto. temperatura do concreto e abatimento inicial. Regra geral. apresenta como efeito colateral uma perda acelerada de trabalhabilidade do concreto. ser até de 25 cm. pode-se substituir parte da água de amassamento do concreto por gelo. é boa prática trabalhar com os materiais nas temperaturas mais baixas possíveis. ou resfriar a massa de concreto (já misturada) com nitrogênio líquido. evitando o trabalho com cimento quente. como o Rio de Janeiro. Perda de abatimento em função da mistura. regra geral. O abatimento inicial de um concreto pode. mas a perda de trabalhabilidade desse concreto será mais rápida do que a de um concreto corrente. (Mehta & Monteiro. no verão. Em casos especiais. com o auxílio do superplastificante.• existem locais onde a temperatura ambiente é elevada. normalmente iniciando após 15 mminutos. e protegendo a água e os agregados da insolação direta. quanto mais elevada a temperatura ambiente. 1994) Mistura de concreto 1 2 3 4 5 6 Temperatura do concreto oC 21 21 21 29 29 29 Abatimento (mm) Inicial 191 181 127 181 191 140 30 min 178 121 111 137 140 114 60 min 140 83 79 111 89 92 90 min 95 64 57 67 64 67 _______________________________________________________________________________ 118 Concretos e Argamassas Prof.edu. • a utilização crescente de aditivos químicos nos concretos. recém chegado da fábrica. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. principalmente no caso de superplastificantes.

lançamento. Quanto mais alta a temperatura na qual o concreto é misturado.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Causa e controle da perda de trabalhabilidade Algumas causas dos problemas de perda de abatimento são • • Emprego de cimento de pega anormal Tempo muito longo de mistura. acabamento • Alta temperatura do concreto devido ao calor de hidratação excessivo ou uso de materiais no concreto que tenham sido estocados a uma temperatura ambiente muito alta Problemas de perda de abatimento ocorrem mais freqüentemente em climas quentes. maior é a probabilidade de que a perda de abatimento seja a causa de problemas operacionais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 119 Concretos e Argamassas Prof. adensamento.O que pode acontecer com a perda de abatimento: • • • • • Necessidade extra de água Aderência do concreto dentro da caçamba da betoneira e caminhão betoneira Dificuldade de bombeamento e lançamento do concreto Queda da produtividade da mão de obra Perda da resistência e durabilidade (colocação extra de água) Um carregamento perdido de concreto duvidoso pode representar um ótimo negócio para a empresa de serviços de concretagem comparado ao seu possível uso e falha de desempenho. ou água gelada para diminuir a temperatura do concreto. Em certas situações usa-se gelo (em escamas ou picado). transporte. manuseado e lançado.

A influência da dosagem na consistência considerando-se: • • • Relação água / cimento (a/c) Relação agregados / cimento (ag/c) Quantidade de água.Medidas preventivas para controla a perda de abatimento • • • Eliminar qualquer possibilidade de atraso nas operações de concretagem Manter a temperatura do concreto entre 10oC e 21oC Controle laboratorial das características de pega e endurecimento do cimento Fatores que afetam a trabalhabilidade 1. pode-se dizer que Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência fluida Diminui Constante Aumenta Relação ag/c + Relação a/c = Teor de água Consistência igual Diminui Diminui Constante _______________________________________________________________________________ 120 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. dentro de certos limites é independente de outros fatores. Consumo de água O abatimento ou consistência do concreto é uma função direta da quantidade de água na mistura.

27%) entre 2% e 7% (max.15 mm.3 mm (material fino). apresentam excelente coesão. Para que um concreto seja trabalhável e tenha coesão. 22%) Para concreto com alto consumo de cimento (material fino) pode-se utilizar agregados com menos finos que outro executado com menor consumo de cimento _______________________________________________________________________________ 121 Concretos e Argamassas Prof.3 mm peneira 0.edu.2. 3. NBR 7211 peneira 0. Consumo de cimento Uma diminuição do consumo de cimento tende a produzir misturas ásperas. Areias mais grossas e grãos arredondados necessitam menos água para uma dada consistência misturas trabalháveis Areias muito finas e grãos angulosos necessitam mais água para uma dada consistência misturas ásperas e pouco trabalháveis. Algumas normas consideram teores mínimos de material passante na peneira 0.15 mm entre 6% e 17% (max. é necessário um percentual mínimo de material passante na peneira 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. dificultando o acabamento e prejudicando o aspecto final da superfície. mas tendem a ser viscosos. Um aumento do consumo de cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Características dos agregados O tamanho e a forma das partículas dos agregados influencia na água necessária para uma dada consistência.

Melhora a coesão pela redução da exsudação e da segregação. principalmente nas etapas de transporte.4. É uma tendência natural do concreto. Adições Pozolanas (materiais muito finos) tendem a aumentar a coesão e a diminuir a trabalhabilidade. lançamento e adensamento diferença das massa específicas e nos tamanhos das partículas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • O aditivo incorporador de ar reduz a resistência à compressão. Segregação e exsudação A SEGREGAÇÃO é definida como sendo a separação dos componentes do concreto fresco de tal forma que a sua distribuição não é mais uniforme. pode permitir uma redução no consumo de água. Desta forma permitem execução de concreto com baixa relação a/c. 5. obtendo estruturas com grande resistência e durabilidade. Há duas formas de segregação: • Tendência dos agregados maiores se separarem por deslocamento e sedimentar mais que as partículas menores pobre evita-se a segregação adicionando água ocorre em misturas secas e _______________________________________________________________________________ 122 Concretos e Argamassas Prof.edu. Aditivos • O aditivo incorporador de ar aumenta o volume da pasta e melhora a consistência para uma dada consistência. diminuindo a relação a/c. mas como melhora a trabalhabilidade. recuperando esta perda. • O aditivo redutor de água (plastificantes) para uma quantidade de água constante aumenta o abatimento.

porém antes de ocorrer a sua pega. Com a evaporação dessa água. que começam como uma rede de "riachos". Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. recém-colocado. o concreto endurecido tenderá a _______________________________________________________________________________ 123 Concretos e Argamassas Prof.• Tendência da pasta se separar dos agregados excessiva de água ocorre devido adição Segregação excessiva pode ocorrer em concretos pouco coesivos devido a facilidade de deslocamento dos agregados em relação à pasta fresca aumentam a coesão do concreto O risco de segregação é diminuído: • • • • Evitar o manuseio excessivo do concreto fresco Excesso de vibração Alturas de lançamento não serem grandes Modificação da granulometria dos agregados a adição de finos A EXSUDAÇÃO é definida como o aparecimento de água na superfície após o concreto ter sido lançado e adensado. com um fator a/c mais elevado que o restante da massa de concreto). a água. nas proximidades das superfícies do concreto. sobe para a superfície das peças concretadas. portanto. que se agrupam em "rios". formam "estuários" e deságuam em "oceanos" no exterior das peças concretadas. e que. quando os componentes sólidos mais pesados depositam-se no fundo das fôrmas ou moldes. a parte superior do concreto torna-se excessivamente úmida (ou seja.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e o componente mais leve. Como conseqüência da exsudação. a tendência da água de amassamento vir à superfície do concreto fresco. A exsudação dos concretos é um caso particular de segregação. A subida da água ocorre com a formação de canais capilares. É.

formando. areia e argila presentes como impureza do agregado forma de lama sob a superfície do concreto e depositando sob a pulverulência Esta era a descrição clássica da exsudação. Descobriu-se porém que a exsudação pode também ser interna à massa de concreto. pode carregar partículas de cimento. verificou-se que este é apenas um dos casos de exsudação. _______________________________________________________________________________ 124 Concretos e Argamassas Prof. Estes pontos em geral são de dois tipos. portanto menos resistente. menos resistente aos esforços mecânicos e à penetração de agentes químicos agressivos. conseqüentemente. sendo. entretanto.edu.pasta. a água pode acumular-se em filmes ou bolsas. no seu movimento de ascensão. concentrando-se em alguns pontos pelo caminho.ser poroso na superfície e. Essa nata deve ser cuidadosamente removida. ou interface agregado .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Os primeiros são as barras de armadura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Fica então prejudicada a aderência concreto-armadura. o concreto desta região passa a ter um fator a/c mais elevado que o restante. entretanto. sendo esta a principal razão da existência da já muito mencionada zona de transição entre os agregados e a fase pasta de cimento. Nata porosa é quando a água percola nos capilares internos. carregando as partículas mais finas de cimento. Recentemente. que se convencionou chamar de externa. Desta mesma forma. Além disso. na superfície das peças concretadas. na medida que pode ser identificada do exterior das peças concretadas. que dificulta a ligação de novas camadas de concreto com as antigas (aderência concreto velho-concreto novo). Com o acúmulo de água na sua superfície. a chamada nata de cimento. mas que. Este é o caso de um determinado volume de água que sobe pela massa de concreto. num segundo ponto preferencial. quando se tiver juntas de concretagem. a água. não consegue atingir a sua superfície. a superfície dos agregados.

emprego de cimentos mais finos.A exsudação excessiva. como. adição de materiais finos ao concreto. os aditivos minerais. _______________________________________________________________________________ 125 Concretos e Argamassas Prof. • • • • utilização de traços de concreto mais ricos em cimento. emprego de agregados de grãos arredondados. especificação adequada da trabalhabilidade do concreto para a execução de um determinado serviço. A sua intensidade pode ser atenuada de várias formas: • • proporcionamento (dosagem) adequada dos componentes do concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por exemplo. apesar de ocorrer com muita freqüência.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conseqüentemente. é um fenômeno geralmente indesejado nas obras.edu.

A massa específica é expressa em kg/dm3. pode ser de dois tipos: o ar aprisionado pelo concreto (geralmente durante o próprio processo de fabricação) e o ar intencionalmente incorporado ao concreto (geralmente com o auxílio de aditivos químicos incorporadores de ar. Esta determinação é importante para a verificação da segurança das fôrmas e escoramentos de uma obra. de todas as maneiras. para promover a resistência do concreto aos ciclos alternados de congelamento e degelo). deve-se evitar. As conseqüências do excesso de exsudação.4 kg/dm3. ou seja. Teor de ar do concreto O ar presente no concreto. por exemplo. Nos concretos correntes.edu. a massa pelo volume. Repare-se que a água que exsuda é apenas aquela que não foi capaz de se imiscuir na mistura dos outros componentes do concreto e lá permanecer. podem ser combatidas. com o auxílio de aditivos químicos plastificantes/ redutores de água. é uma água livre. a grosso modo. conforme já se mencionou. Massa específica A massa específica de um concreto no estado fresco é determinada pesando-se um determinado volume conhecido de concreto e dividindo-se o resultado pelo outro.Em geral. Em casos especiais. _______________________________________________________________________________ 126 Concretos e Argamassas Prof. tanto para mais quanto para menos. a mais na composição do concreto. pela revibração do concreto. o excesso de água de trabalhabilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ou seja. a massa específica costuma ser da ordem de 2. A presença de aditivos químicos e/ou minerais pode alterar a exsudação do concreto. a massa específica do concreto pode. inclusive. que ali está apenas por uma questão de trabalhabilidade do material. por exemplo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ser estimada para efeito do próprio dimensionamento da forma.

o que pode colaborar para um eventual decréscimo de resistência. Alguns aditivos minerais muito finos idem.Os concretos correntes geralmente possuem um teor de ar aprisionado da ordem de 1 a 2%. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Alguns tipos de aditivos superplastificantes tendem a aumentar a quantidade de ar aprisionado pelo concreto. Mudanças iniciais de volume Retração Plástica .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . As fissuras se desenvolvem acima das obstruções para uniformizar o assentamento do concreto barras de aço e grandes partículas de agregado _______________________________________________________________________________ 127 Concretos e Argamassas Prof.edu.Acontece algumas horas após o concreto fresco ter sido colocado em formas devido a redução do seu volume fissuras.

Causas de retração plástica: • • • • Exsudação e Sedimentação Absorção de água pela forma ou pelo agregado Rápida perda de água por evaporação Deformações (inchamento ou assentamento da forma) O aumento da evaporação de água e fissuramento por retração plástica decorre de: • • • Alta temperatura do concreto Baixa umidade Vento de alta velocidade Medidas preventivas para evitar mudanças iniciais de volume • • • Umedecimento da sub-base e das fôrmas Umedecimento dos agregados quando secos e absorventes Manter baixa a temperatura do concreto fresco pelo resfriamento do agregado e da água de amassamento _______________________________________________________________________________ 128 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .• Proteger o concreto durante qualquer demora apreciável entre lançamento e acabamento • • Reduzir o tempo entre lançamento e início de cura Minimizar a evaporação Temperatura do concreto: alguns aspectos Concretagem em Clima Frio • • • Existe pouca hidratação Existe pouco ganho de resistência (congelado e mantido abaixo de -10° C) Protegido contra a expansão gerada pelo congelamento da água Concretagem em Clima Quente • • • Aumenta perda de abatimento Aumenta fissuração por retração Reduzir o tempo de pega do concreto fresco _______________________________________________________________________________ 129 Concretos e Argamassas Prof.edu.

a velocidade de aplicação de carga durante a realização do ensaio.300 kgf/m3 2. São eles: • • • • • • o fator água-cimento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a forma e a graduação dos agregados. As mais importantes delas serão expostas a seguir. entretanto alguns pontos comuns a todas elas. Existem. a idade de ensaio.500 kg/m3 (concretos com agregados leves) a 3.500 kgf/m3 Resistência à esforços Concreto resiste bem a esforços de compressão e mal a esforços de tração (1/10 da resistência à compressão) Concreto resiste mal a cisalhamento (esforço de corte) _______________________________________________________________________________ 130 Concretos e Argamassas Prof.edu. a duração da carga. o tipo de cimento. Massa específica Varia entre 1.PROPRIEDADES DO CONCRETO ENDURECIDO Convencionou-se denominar de propriedades do concreto endurecido uma série de características distintas dos concretos. Um bom exemplo são os principais fatores que afetam as resistências mecânicas dos concretos.700 kgf/m3 (concretos com agregados pesados o Concreto simples o Concreto armado 2.

correlações. _______________________________________________________________________________ 131 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . é que elas sejam deduzidas caso a caso. O ideal. A resistência à compressão usual em obras de edificações situa-se geralmente na faixa de 20 a 25 MPa. aos 28 dias. viadutos. Em função de custos e para a diminuição de seções (para ganhos de espaços. com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. a resistência à compressão dos concretos costuma ser um pouco mais elevada. Nada impede. que se meça a resistência à compressão em idades anteriores aos 28 dias. já é possível obter-se resistências à compressão superiores a 100 MPa. deduzidas por vários autores. Geralmente é medida aos 28 dias de idade em corpos de prova cilíndricos. Existem muitas relações de crescimento da resistência à compressão dos concretos. porém.edu. etc. o fck (resistência característica do concreto à compressão) especificado pelo calculista. Em peças de concreto pré-moldado e/ou protendido. para cada concreto individualmente. Nas obras. para que o responsável técnico possa estimar. em especial em garagens). e se estabeleça uma correlação ou razão de crescimento da resistência à compressão de um dado concreto ao longo do tempo. já aos 3 ou 7 dias de idade.. tem-se usado para os pilares resistências maiores (40 MPa. por exemplo. Atualmente em função de e poder usar prensas de menor capacidade e de facilidade de transporte dos CP’s. como pontes. por exemplo). isto serve como balizamento.Resistência à compressão A resistência à compressão é uma das características mais importantes dos concretos. se o concreto atingirá. usa-se o molde cilíndrico de 10 x 20 cm (mantida a relação 1 para 2). Com a moderna tecnologia de utilização conjunta de aditivos químicos Mais adiante veremos algumas superplastificantes e aditivos minerais de grande finura. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. iniciando-se normalmente em 30 MPa. entretanto. o mesmo acontecendo no concreto moldado in loco de obras de maior responsabilidade.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Este ensaio. Lobo Carneiro. provocada por falta de ortogonalidade ou paralelismo entre as faces sujeitas à compressão. devido ao Prof. A tensão é aplicada pela prensa em dois pontos nos terços do comprimento ou em um ponto centralizado do corpo de prova. é conhecido internacionalmente como "Ensaio Brasileiro". não há necessidade de vários tipos de moldes nem procedimentos de moldagem nas obras e laboratórios.edu. _______________________________________________________________________________ 132 Concretos e Argamassas Prof. do prof. A vantagem do ensaio por compressão diametral é que o corpo de prova é o mesmo utilizado no ensaio de compressão. ensaiados deitados na prensa de compressão. • resistência à tração na flexão. Resistência à tração A resistência dos concretos à tração pode ser medida de três formas diferentes: • resistência à tração direta. Problemas relativos à variabilidade da resistência à compressão devido a ensaios podem ser visto em capítulo específico na dissertação: Produção de Concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto em empresas construtoras da cidade de Chapecó. • resistência à tração por compressão diametral de cilindros de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura. em última análise. medida em vigas prismáticas de concreto. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Silvio Edmundo Pilz. biapoiados em roletes cilíndricos de aço. medida em corpos de prova com o formato de oito (8) ou com chapas coladas nas extremidades de corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. vai confirmar se o corpo de prova não foi submetido à compressão excêntrica. A norma brasileira (NBR 12142) usa o primeiro tipo. ou seja. moldados. geralmente o ensaio é realizado em prismas de concreto.No ensaio de determinação da tensão de ruptura do concreto à compressão é muito importante a configuração de ruptura dos corpos de prova que.

A resistência dos concretos convencionais à tração geralmente é da ordem de um décimo da resistência à compressão. é da ordem de 20. para quando não se possui ensaios específicos Pode ser medido em corpos de prova cilíndricos ou prismáticos. mais raramente ainda. além de equipamentos que permitam a leitura da deformação longitudinal.000 MPa. normalmente situa-se entre 2. e. Coeficiente de Poisson É a relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal do concreto.0 e 4. Para isso é necessário apenas que os corpos de prova. ou 20 GPa. Nos concretos convencionais. É muito empregado no cálculo estrutural. que exige precisão de equipamentos e de operadores. Como a determinação do módulo de elasticidade dos concretos é realizada através de um ensaio um pouco mais sofisticado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A regra geral do ensaio é a aplicação ao concreto de uma tensão conhecida e a medida da deformação do corpo de prova. determina uma fórmula para obtenção do “E” a partir do fck do concreto. nos mesmos corpos de prova. A NBR 6118. no mesmo ensaio. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. durante os mesmos ciclos de carga. nos concretos convencionais (20 a 40 MPa) .edu.0 MPa. o que significa dizer que. realizado nas próprias obras. Pode ser determinado (e geralmente é) em conjunto com o módulo de elasticidade. para determinar-se a deformação que sofrerá uma peça submetida a um determinado esforço de compressão. Módulo de elasticidade (E) É a relação entre a tensão e a deformação do concreto. geralmente é pouco realizado. possuam também equipamentos que _______________________________________________________________________________ 133 Concretos e Argamassas Prof.

o corpo de prova é carregado.2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. descarregado. Por outras palavras. e. como já se disse. e a deformação sofrida durante a carga geralmente desaparece na descarga. entretanto é relativamente rápido e a deformação é dita instantânea. Fluência O módulo de elasticidade de um material é. É o coeficiente de Poisson que permite. A fluência é um fenômeno semelhante. e as deformações _______________________________________________________________________________ 134 Concretos e Argamassas Prof. durante a realização do ensaio para a determinação do módulo de elasticidade.permitam a leitura simultânea das deformações transversais. calcular a deformação transversal de um pilar submetido a uma compressão longitudinal. basta dividir a deformação transversal pela longitudinal.edu. a relação entre um carregamento aplicado e a conseqüente deformação sofrida pelo material. por exemplo. Nos concretos correntes o coeficiente de Poisson geralmente situa-se em torno do valor 0. Obtidos estes resultados. pouco tempo depois.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . apenas com a diferença de que o ciclo de carga é de longa duração. o carregamento é dito permanente. O carregamento.

não desaparecem quando a estrutura é descarregada.são sofridas pela estrutura ao longo do tempo idem. é possível calcular-se a deformação lenta que uma dada estrutura vai sofrer quando submetida a uma determinada carga permanente. Na norma brasileira NBR 6118.85. a fluência do concreto em esforços de compressão é levada em conta nos cálculos. Por ser um ensaio que geralmente dura vários anos. o corpo de prova é submetido a uma carga que não é aliviada. ou seja. Os corpos de prova em geral são parecidos ou mesmo iguais aos empregados na determinação do módulo de elasticidade dos concretos. da deformação de uma viga causada pelo seu próprio peso (carga de peso próprio) que funciona como se fosse um carregamento permanentemente distribuído pela extensão da viga. em grande parte. já que estarão indisponíveis por um período de tempo muito maior. os equipamentos empregados devem ser mais robustos e mais baratos. é mantida ao longo do tempo. ao longo do tempo. Conhecendo-se então o coeficiente de fluência de um determinado concreto. Periodicamente são realizadas medidas da deformação sofrida pelo corpo de prova. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Desgaste por abrasão O desgaste por abrasão de uma superfície de concreto é provocado em geral pelo tráfego de pessoas e veículos. minorando a resistência em fator multiplicador de 0. apenas com a diferença de que ao invés de serem realizados ciclos de carga e descarga.edu. e. a uma carga permanente. A fluência é então a deformação sofrida por uma estrutura quando submetida. bem como pelo impacto e atrito causado pelo arrastamento de partículas e objetos soltos. por exemplo. É o caso. A técnica de ensaio segue os mesmos princípios da de determinação do módulo de elasticidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pode ainda ser produzido pela ação de _______________________________________________________________________________ 135 Concretos e Argamassas Prof.

Os corpos de prova geralmente são constituídos por uma barra de armadura incorporada a um cubo de concreto ao longo de um comprimento conhecido. Existem vários tipos diferentes de aparelhos para a determinação do desgaste sofrido pelo concreto quando solicitado por abrasão. contudo determinar-se a resistência do concreto à abrasão. eventualmente. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. é possível calcular-se a tensão nominal média de aderência que cada concreto imprimiu à barra metálica padrão. pilares de pontes e pernas de plataformas de petróleo. onde o vento geralmente carrega muitas partículas de areia . pode carregar partículas de maiores dimensões e.edu. principalmente nas aplicações em pavimentos como os de estradas e pontes.caso de canais.ou na água . Como a barra atravessa o cubo. em pisos industriais e em obras hidráulicas como os vertedouros de barragens. Basta moldar vários corpos de prova com o mesmo concreto. é possível tracioná-la em uma das extremidades e medir o seu deslocamento no interior do cubo de concreto na outra extremidade. ou seja. Para finalizar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . embora nenhum deles tenha aceitação unânime internacional. Aderência por arrancamento É a medida da aderência de um tipo padrão de barra de armadura a vários tipos diferentes de concreto. Sabendo-se a tensão de tração aplicada na armadura e registrando-a em cinco pontos de deslocamento pré-fixado. onde a água. além de areia. até blocos de gelo. porém incorporando os diversos tipos de armaduras cuja aderência se quer medir comparativamente. é importante registrar que este ensaio pode ser realizado com o propósito inverso.partículas suspensas no ar .casos de construções e monumentos no deserto ou em região praiana. com o objetivo de aferir a aderência de um determinado tipo de armadura de aço a um determinado tipo padrão de concreto. É importante. _______________________________________________________________________________ 136 Concretos e Argamassas Prof.

edu.Esta aderência na parte de cálculo e análise estrutural é muito importante e a NBR 6118 determina a valor de cálculo a partir do fck do concreto. quando não se realizou ensaios específicos. curado em água (cura adequada) depende de apenas dois fatores: • • Relação a/c Grau de adensamento _______________________________________________________________________________ 137 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. RESISTÊNCIA DO CONCRETO PARÂMETROS DA AMOSTRA DIMENSÕES GEOMETRIA ESTADO DE UMIDADE RESISTÊNCIA DAS FASES COMPONENTES PARÂMETROS DE CARREGAMENTO TIPO DE TENSÃO VELOCIDADE DE APLICAÇÃO POROSIDADE DA MATRIZ FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE HIDRATAÇÃO POROSIDADE DO AGREGADO POROSIDADE DA ZONA DE TRANSIÇÃO FATOR a/c ADITIVOS MINERAIS GRAU DE COMPACTAÇÃO GRAU DE HIDRATAÇÃO INTEGRAÇÃO QUÍMICA ENTRE AGREGADO E PASTA Na prática da engenharia considera-se que a resistência de um concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Fatores que afetam a resistência mecânica São muitos os fatores que afetam as resistência mecânicas do concreto.

60 0.65 0. Fator a/c indicado para alguns casos Concreto em obras normais (fck 20 MPa). A B valor na ordem de 1000 varia com a idade e qualidade do aglomerante (cimento) É o principal fator a ser controlado quando se deseja atingir determinada resistência. a) Relação água cimento (a/c) Lei de Abrams: f cj = A B a c A resistência é inversamente proporcional à relação água cimento. considera-se a resistência mecânica como inversamente proporcional à relação a/c. exposto Concreto em contato com água sob pressão Concreto em contato com meio agressivo 0.48 a 0.60 a 0.54 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .70 _______________________________________________________________________________ 138 Concretos e Argamassas Prof. Não é linear.54 a 0. revestido e interno Concreto em obras normais (fck 20 MPa). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.65 a 0.edu.Quando o concreto está plenamente adensado (nem mais nem menos).

os concretos com seixos tendem a ser menos resistentes que concreto com pedra britada.b) Idade A resistência do concreto progride com a idade. _______________________________________________________________________________ 139 Concretos e Argamassas Prof.5 fc3 • fc90 = 1. tipo de cimento e idade c) Forma e graduação dos agregados Em igualdade de relação a/c. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. É explicado pelo mecanismo de hidratação do cimento que se processa ao longo do tempo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .25 a 1.20 fc28 • fc365 = 1.05 a 1. em especial aos cimentos pozolânicos.edu. mantida a relação a/c porém concreto com britas maiores é mais econômico (necessita menos argamassa).10 a 1.35 fc28 Adiante vemos tabela que relaciona relação a/c. justificado pela menor aderência entre pasta/agregado porém concretos com seixos permitem uma trabalhabilidade melhor o que possibilitaria diminuir o a/c havendo conseqüente aumento de resistência. Concretos com britas de menor diâmetro tendem a gerar concretos mais resistentes.70 a 2.5 fc7 • fc28 = 1. Idade padrão para referenciar a resistência: 28 dias • fc28 = 1.

16 1.52 0.62 0.00 1.82 0.43 7d 0.53 0.35 0.64 0.61 0.58 0.25 1.31 1.00 1.48 0.16 1.00 1.51 0.60 0.69 0.48 0.78 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.30 1.70 0.58 0.54 0.00 1.50 0.40 0.86 0.48 0.71 0.50 0.14 1.49 0.46 0.78 0.60 0.77 0.00 1.38 1.28 0.35 0.48 0.00 1.38 0.16 1.71 0.47 0.62 0.00 1.25 1.36 0.68 0.38 0.58 0.00 1.06 1.58 0.00 1.66 0.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .40 0.00 1.28 1.00 91d 1.69 0.26 1.38 0.78 0.34 0.00 1.26 0.00 1.00 1.38 0.04 1.78 0.00 1.78 fc28 Mpa 43 35 28 23 18 40 33 27 22 18 51 40 32 26 20 40 31 25 20 15 55 42 36 29 23 Coeficiente médio fcj / fc28 3d 0.60 28d 1.58 0.23 1.72 0.00 1.00 1.42 0.68 0.29 0.26 1.08 1.edu.54 0.18 1.00 1.61 0.34 1.11 1.57 0.22 1.71 0.48 0.68 0.48 0.20 1.32 0.36 0.00 1.00 1.55 0.00 1.00 1.38 0.74 0.48 0.26 1.68 0.21 1.68 0.38 0.Evolução da resistência com o tempo em função da relação a/c Cimento CP I CP I-S Relação a/c 0.22 0.00 1.13 CP II-E CP II-Z CP II-F CP III CP IV CP V _______________________________________________________________________________ 140 Concretos e Argamassas Prof.69 0.00 1.17 1.00 1.

A concretagem de uma obra deve ser feita usando-se a NBR 12655. usando-se a Norma NBR 7212. A amostragem da doceria. ou seja. O teste na doceria é feito pela retirada de uma amostra da massa a cada volume equivalente a 50 quindins. O controle da concreteira que adota a NBR 7212 . ou ovo. Defeituosos: 400 quindins (4. Ora. com amostragem de no mínimo 6 exemplares (muito maior que a concreteira) e pode apresentar-se não-conforme.CONTROLE E ACEITAÇÃO DO CONCRETO Introdução Antes de abordarmos o assunto vemos ver de como o bem humorado Eng. Controle Tecnológico do concreto e os quindins Para abordar este assunto vou falar a respeito da produção de uma massa: a massa de quindins (isto aí. Uma doceria produz massa para 300 quindins por dia. _______________________________________________________________________________ 141 Concretos e Argamassas Prof.000 quindins. algumas até 7 e até 12 quindins defeituosos. ficou bem abaixo de 5%. isto equivaleria a produzir 0. O primeiro verifica se a massa tem a consistência ideal. A quantidade de quindins defeituosos ao final do mês informa se a porcentagem defeituosa foi respeitada. a cada 50 quindins. Dois testes são feitos na massa: teste de plasticidade e teste de homogeneidade.20 x 300 x 2 = 120 quindins defeituosos nestes dois dias. A qualidade tem que garantir que pelo menos 95% da massa atinja uma qualidade ideal de mistura homogênea. ou farinha molhada. algo que gerou durante dois dias. de toda a produção. Defeituosos:2 quindins (3. apresentou neste mês uma quantidade pouco maior de quindins não-conformes. Egydio Herve Neto aborda o assunto do controle do concreto em obra x concreteira. O teste na padaria é feito para pelo menos o equivalente a 6 quindins. volume aplicado em um dia. aumentando suas chances de aceitação nas obras. mistura conforme). enfim. resultando em grande prejuízo perante os clientes. aquele doce). Isto significa uma fração defeituosa máxima de 5%. Suponha-se agora que num determinado dia a doceria tenha sido particularmente desastrada. massa para 60 quindins por dia a cada uma. misturas com parcela defeituosa de 20%. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. nestes dois dias.serve apenas para que ela garanta a uniformidade da produção como um todo. Por exemplo: Entrega diária: 60 quindins. a cada lote concretado. O segundo verifica se a mistura foi boa e não há pontos de concentração de farinha. Fornece às padarias.44% < 5%. mistura conforme).33% < 5%. mesmo que a concreteira possua conformidade pela NBR 7212.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Por exemplo: Produção mensal: 9. mas o valor final. algumas padarias receberam em sua cota diária de 60 quindins. ou coco. Resumindo: • • A produção de uma usina de concreto é controlada pelo seu todo. Conclusão: A Norma que vale para o controle das obras é a NBR 12655. que amostra o concreto a cada 50 m3.edu. ou tenha recebido uma partida com ovos estragados. etc. a produção mensal mostrou-se estritamente conforme! Entretanto. inclusive algumas reclamações por intoxicação e riscos à saúde.

com a medição do abatimento (slump test). Deve ser definido o plano de amostragem a ser adotado em função das peças a serem concretadas. _______________________________________________________________________________ 142 Concretos e Argamassas Prof. Os dados obtidos serão submetidos a análise e em função das mesmas serão estabelecidas as correções necessárias ou melhorias que possam ser introduzidas. duas perguntas: Por que controlar o concreto? • • Para garantir que o fckest ≥ fck Porquê é obrigatório por norma O que devemos controlar? • As propriedades do concreto fresco e do concreto endurecido O controle das propriedades do concreto fresco foi estudado anteriormente em capítulo específico. volumes lançados e propriedades que se deseja medir. inicialmente.Então. O controle tecnológico do concreto é regido pela NBR 12655 e veremos adiante alguns aspectos relativos a ela.edu. Para o concreto endurecido normalmente controla-se à resistência à compressão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. aonde vimos que normalmente controlamos a trabalhabilidade (consistência + coesão). Controle Tecnológico O controle tecnológico é a atividade que tem por objetivo. levantar elementos que permitam verificar a conformidade do concreto fornecido com o concreto especificado e estudado. durante a produção.

_______________________________________________________________________________ 143 Concretos e Argamassas Prof.edu.Resistência à compressão através dos Corpos-de-prova A NBR 5739 em conjunto com a NBR 12655. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . devemos ter 12 amostras tiradas de diferentes betonadas. devemos ter 24 CP’s. para uma determinada idade. sempre aos pares. dois corpos de prova. O valor representativo desta amostra é o maior valor dos dois resultados resistência potencial do concreto Assim se para representarmos estatisticamente a resistência de um concreto produzido para uma obra. Estes dois CP’s são rompidos e obtidos dois resultados de resistência à compressão do concreto. para cada idade. determina que deva sempre se ter para cada amostra de concreto.

edu. É o valor médio de todos eles. Resumo de estatística Universo conjunto de resultados. Média ( X ) o valor em torno do qual se concentram os resultados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Número de resultados (n) Dispersão : em volta da média. Já nos ensaios. o adensamento é o melhor possível e a cura otimizada. _______________________________________________________________________________ 144 Concretos e Argamassas Prof. o lançamento é adequado. lançamento. A dispersão é avaliada pela fórmula da variança (s2) : s2 = ( X − xi ) 2 ∑ i =1 n n Essas fórmulas seriam aplicadas estatisticamente para representar todo o universo de dados.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ocorre que normalmente não temos todos esses valores – somente uma parte do universo. não há transporte. passa a existir maior ou menor afastamento de cada um deles em relação à média do conjunto. ou seja. todas estas etapas são otimizadas. mas que dificilmente não irá atingir na obra em função das perdas durante as operações de transporte. mas como os resultados são diferentes uns dos outros.O conceito de resistência potencial do concreto pode ser visto no gráfico acima. No projeto esta diferença é levada em conta nos chamadas coeficientes de segurança dos materiais. adensamento e cura. onde vemos que é a resistência que potencialmente um determinado concreto pode ter. os diversos resultados ( xi ) podem ter maior ou menor dispersão (afastamento da média).

este valor é determinado estatisticamente. as fórmulas estatísticas são alteradas para que seja representada pelo desvio-padrão (σ).edu. Plotando-se isto _______________________________________________________________________________ 145 Concretos e Argamassas Prof. adensamento e cura. lançamento. podendo ser representado pelo desvio padrão. Estas perdas dependem do controle que fazemos no concreto e são representadas pelo desvio padrão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sendo este uma medida reconhecida de dispersão de valores. Resistência de dosagem Então temos que produzir um concreto com resistência de valor maior que o fck. com infinitas amostras. No Brasil.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . seja compensadas. Resistência de projeto (fck) Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto).Então. Inicialmente sabemos que num universo de dados. Quanto o mais deve ser este valor? Depende o grau de confiabilidade e precisão (traduzindo por segurança) que queremos em nossa estrutura. Para atingir fck devemos produzir um concreto (virado em obra ou em central) maior de tal maneira que as perdas da resistência ocorridas durante as etapas de transporte. os resultados variam em torno de uma média de valores.

levando-se em conta o desvio-padrão “t” de Student ( t= 1. Pretende-se então que quando rompermos os CP’s. fcj = fck + 1. considerando-se a média e o desvio-padrão. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Conceitos estatísticos nos dão o quanto este valor deve-se ser maior que a média.edu. pelo menos 95% destes valores estejam acima do valor do fck.num gráfico de densidade de frequência x resistência (fc) temos uma curva de distribuição normal (curva de Gauss).65 x Sd sendo Sd = desvio padrão _______________________________________________________________________________ 146 Concretos e Argamassas Prof.65) .

Com o uso de ferramentas estatísticas chega-se a esta fórmula fcj = fck + 1. Para um determinado número de ensaios dos CP realizados para a comprovação do concreto elaborado pela empresa. 30 ou 40 MPa. seguindo os valores indicados por vários autores • • • • Controle ruim Concreto médio Concreto bom Controle máximo Sd = 7.0 MPa Sd = 2. bom e ótimo a necessidade de se ter um determinado valor do fcj a ser atingido na resistência de dosagem para poder atingir o fck na estrutura _______________________________________________________________________________ 147 Concretos e Argamassas Prof. Para que pelo menos 95 % dos valores de resistência do concreto (ensaios) tenham este valor. médio.Resistência de projeto x resistência de dosagem Nos projetos de estruturas é adotado um valor de resistência do concreto chamado de fck (resistência característica do concreto).65 x Sd Sd = desvio padrão Alguns exemplos. temos para um determinado concreto de obra. quer seja de 20. Este valor é o que chamamos de resistência de dosagem do concreto (fcj) e irá depender do controle de qualidade de cada empresa.0 MPa Sd = 5. nos controles ruim. haverá um valor médio e um desvio padrão de produção. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.5 MPa Sd = 4.0 MPa Exemplo prático da vantagem do controle Considerando os valores sugeridos pelos autores para os desvios padrão relativos aos graus de controle do concreto.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . devemos então fazer o concreto com um valor acima do fck.

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . CONCLUSÃO VALE A PELA CONTROLAR CONCRETO.30 51.500.08 36.00 só no concreto.250.08 46.55 29.55 39.30 Sabendo que o maior responsável pelo custo do concreto é o cimento.Valores de fcj (MPa) a ser produzido para atingir o fck em função do grau de controle utilizado Controle fck 20 MPa fck 30 MPa fck 40 MPa Ruim Médio Bom Máximo 31. Ou seja. para um custo de controle e de ensaios de dosagem na ordem de R$ 1.00. Num prédio normal de 10 andares que consome na média 750 m3 de concreto a redução com concreto efetivo do processo de produção e um estudo de dosagem representa uma economia de R$ 11.60 46.08 26.55 49.30 41. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.00 / saco temos uma redução de 30 kg de cimento para um controle ruim para bom o que representa uma redução de valor de R$ 15. Aceitação do concreto O controle de aceitação é necessário para sabermos se determinado concreto que foi colocado na estrutura atingiu a resistência esperada ou não e saber se devemos tomar providências ou não.00 por m3 de concreto.60 23. determinamos o fckest É regulado pela NBR 12655 que identifica dois tipos de controle de resistência _______________________________________________________________________________ 148 Concretos e Argamassas Prof. e sabendo que para cada MPa de redução da resistência pode representar uma diminuição de 6 kg de cimento e considerando o preço do saco de 50 kg como sendo de R$ 25.60 33.

para a amostragem. as amostras devem ser de no mínimo seis exemplares para concretos convencionais.• Por amostragem parcial (dividido ainda em para menos de 20 amostras ou mais de 20 amostras) • • Por amostragem total Controle excepcional especiais. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a) Para lotes com número de exemplares 6 ≤ n < 20. este terceiro tipo somente é aceito para casos Inicialmente dividimos a obra a ser concretada em lotes. mostra os valores para a formação de lotes do concreto Solicitação principal dos elementos estruturais Compressão ou Flexão simples compressão e flexão 50 m3 100 m3 1 3 dias concretagem 1 Limites superiores Volume / concreto Nº de andares Tempo de concretagem 1) Controle por amostragem parcial Neste tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas de concreto.edu. De cada lote deve ser retirada uma amostra. Um lote de concreto é um volume definido. na NBR 12655. A tabela a seguir. com número de exemplares (par de CP’s) de acordo com o tipo de controle.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o valor do fckest na idade especificada é dado por: _______________________________________________________________________________ 149 Concretos e Argamassas Prof. mesmos procedimentos e mesmo equipamento). mesma família. elaborado e aplicado sob condições uniformes (mesma classe.

_______________________________________________________________________________ 150 Concretos e Argamassas Prof. + f m −1 − fm = 2× m −1 m = n/2 .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . água em massa e corrigida em função da estimativa da umidade de areia e da determinação da consistência do concreto. .f ckest Onde : f1 + f 2 + . Ψ6 .. levando-se e conta a umidade da areia) Condição C: cimento em massa. fm Despreza-se o valor mais alto de n. água em massa e agregados em massa combinado com volume (conversão de massa para volume de maneira confiável. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. admitindo-se interpolação linear. f2..edu. agregados em volume. se for ímpar valores das resitências dos exemplares.. f1. f 1 obtidos na tabela Observação: As condições de preparo da tabela anterior são: Condição A: cimento e agregados e água medidos em massa sendo a água corrigida em função da umidade dos agregados Condição B: cimento medido em massa... em ordem crescente Também não se deve tomar para fckest valor menor que seguinte.

S d Onde : fcm Sd é a resistência média dos exemplares do lote (MPa) é o desvio padrão da amostra de n elementos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . calculado com um grau de liberdade a menos (n-1) (MPa) 2) Controle por amostragem total (100%) Consiste no ensaio de exemplares de cada amassada de concreto e aplica-se a casos especiais. _______________________________________________________________________________ 151 Concretos e Argamassas Prof. Quando o valor de i for fracionário adota-se o número inteiro imediatamente superior. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. f ckest = f i i = 0.05 n. a critério do responsável técnico pela obra.b) Para lotes com número de exemplares n ≥ 20 f ckest = f cm −1. f ckest = f1 a) para Onde : n > 20.65 .edu. Não há limitação para o número de exemplares do lote e o valor estimado da resistência característica é dado por: a) para n ≤ 20.

3) Casos excepcionais Pode-se dividir a estrutura em lotes correspondentes a no máximo 10 m3 e amostrálos com número de exemplares entre 2 e 5. f1 Aceitação do concreto Os lotes de concreto devem ser aceitos. denominados excepcionais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Neste casos. o valor estimado da resistência característica é dado por: f ckest = Ψ6 .edu. quando o valor estimado da resistência característica. satisfazer a relação f ckest ≥ f ck O que fazer se não for atendida esta relação? Aguardem os próximos capítulos (disciplinas) _______________________________________________________________________________ 152 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

). o Prof.U.000 seriam gastos 100 bilhões de dólares só na recuperação e reforço de pontes. Paulo Monteiro. P. • no início da década de 80. também da Universidade de Berkeley. em palestra realizada nas XXIX Jornadas Sudamericanas de Ingenieria Estructural.A. o problema principal é a corrosão de armaduras.A. Já em 1997 o Prof. apresentou os seguintes dados: • nos E. o setor de recuperação estrutural cresceu 2 vezes mais que a construção civil.000 pontes. no momento.000 apresentam problemas. dia 13/11/2000.U. em Punta Del Este (Uruguai).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • esta quantidade está aumentando à ordem de 35. Mais recentemente.000 pontes de concreto encontram-se em recuperação.U.000 tabuleiros por ano. das quais 250. na década de 80. Mehta. 22.edu.K. até 1987 haviam sido constatados problemas de durabilidade em 253. apresentou novos dados. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que complementam os anteriores: • • nos E.000 tabuleiros de ponte. existem 500. a um custo estimado de 20 bilhões de dólares.A. colocaram que nos países industrializados mais de 40% dos recursos da indústria da construção são aplicados no reparo e manutenção de estruturas existentes. em palestra realizada no Rio de Janeiro. da Universidade de Berkeley (E. • • em 1990 esta previsão foi revista para 200 bilhões de dólares.DURABILIDADE Introdução e importância Ao autores Mehta e Monteiro (1994). _______________________________________________________________________________ 153 Concretos e Argamassas Prof.. em 1997. a Federal Highway Administration previu que até o ano 2.

Então está mais do que na hora dos engenheiros tomarem conta do aspecto durabilidade em projetos de estruturas de concreto. ataques químicos. 150 barragens de grande porte com problemas de reação álcali-agregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .U. em breve estarão gastando mais dinheiro na recuperação das pontes existentes do que na construção de novas pontes. o concreto durável conservará a sua forma original. qualidade e capacidade de utilização quando exposto ao seu meio ambiente. a durabilidade passa a ser outra característica cada vez mais exigida do concreto. desde 1999. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. 15 vezes menor do que o custo de recuperação depois que a corrosão se propaga. em média. isto é.edu. mas já não são mais suficientes como única forma de qualificação deste material de construção. nos E. e no Canadá. e que envolve números muito grandes..U. Trocando em miúdos. Durabilidade é a capacidade de resistir à ação das intempéries. os desertos e os mares. • o custo de recuperação logo que surgem os primeiros sinais de corrosão é. em escala mundial. Nestes casos.• os E. desde 1995. isto significa que a durabilidade das estruturas de concreto é um assunto muito importante.A. Isto já ocorre na Inglaterra. • existem no momento.A. atual. Conceito De acordo com a norma americana ACI 201 de 1991. como as regiões polares. as resistências mecânicas do concreto estrutural continuam sendo necessárias. O tema cresce ainda mais em importância a partir do momento que a construção civil começa a estar cada vez mais presente em ambientes agressivos. Pode-se dizer que o material atingiu o fim da sua vida útil quando suas propriedades sob dadas condições de uso deterioram a um tal ponto que a continuação do uso _______________________________________________________________________________ 154 Concretos e Argamassas Prof. assim como mais de 1000 pontes.

como os cloretos. o gás carbônico. bem como a cristalização de sais nos seus poros.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • variações de umidade. os sulfatos. os ácidos em geral.edu. uma vida útil longa Formas mais comuns de ataque ao concreto estrutural INTERNAS: • expansão provocada pela reação de determinados tipos de agregados com os álcalis do cimento.. • variações de temperatura. ou antieconômica é sinônimo de durabilidade. como sobrecargas. evaporação da água do concreto ou ciclos alternados de congelamento e degelo (quando a expansão volumétrica da água.deste material é considerada. como insegura. • ataques de substâncias químicas agressivas. • expansão provocada pela contaminação de agregados com cloretos sulfatos. na passagem do estado líquido para o sólido. movimentação de fundações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. impacto. e até as águas muito puras. _______________________________________________________________________________ 155 Concretos e Argamassas Prof. que podem provocar a perda de água e a instabilidade volumétrica dos concretos. abrasão. fadiga. EXTERNAS: • ações mecânicas. etc. chega a 9%). etc. que podem provocar fissuração de origem térmica.

edu. podem provocar vários mecanismos de ataque que. Uma das mais sérias conseqüências dos ataques sofridos pelo concreto estrutural armado é. Características do concreto relacionadas a durabilidade PERMEABILIDADE Permeabilidade é definida como a propriedade que governa a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso A permeabilidade do concreto é função das permeabilidades da pasta de cimento e dos agregados. em geral. b) dosagem. alteração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sem dúvida. f) condições de cura. ou em conjunto. c) fator A/C.Essas formas de ataque. _______________________________________________________________________________ 156 Concretos e Argamassas Prof. a corrosão das armaduras. levam o concreto à fissuração. expansão. degradação. g) idade do concreto. natureza e granulometria do cimento. isoladamente.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e) intensidade e direção da compactação. d) presença de aditivos químicos e minerais na composição do concreto. Depende ainda de: a) natureza e dimensão dos agregados. Muitos pesquisadores consideram a corrosão das armaduras como o estado limite mais crítico sob o ponto de vista da durabilidade das estruturas. bem como do proporcionamento relativo dessas duas fases do concreto. e até ao colapso estrutural. reação química.

sua presença prolonga o trajeto do fluxo. Em nossa região é muito difícil ter-se agregados com grande porosidade. cimentos com menor área específica produzem concretos com mais porosidade que cimentos mais finos. para uma mesma relação água/cimento.edu. com o passar do tempo. Para reduzir o volume de vazios do agregado. a forma de seus grãos e seu comportamento quando da adição da água. forçando-o a circunscrever as partículas do agregado. Influência do agregado Se o agregado de um concreto tem baixa permeabilidade a área onde o fluxo de água pode ocorrer é reduzida e. Normalmente a permeabilidade do agregado é menor do que a da pasta de cimento típica (< 3%). deve ser estudada o teor de finos necessário. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Para que isso ocorra. menor a permeabilidade (os poros reduzem a um tamanho pequeno. contribuindo para a redução da permeabilidade. a permeabilidade do concreto é menor quanto menor for a relação água/cimento.Influência da pasta Para um mesmo grau de hidratação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Concretos impermeáveis podem necessitar de uma quantidade de finos maior que a usualmente tolerada nos concretos normais. embora possam produzir problemas em sua trabalhabilidade. _______________________________________________________________________________ 157 Concretos e Argamassas Prof. menor que 100 µm e perdem suas interconexões). Quanto maior o grau de hidratação da pasta. conseqüentemente. Neste caso. menor o espaço disponível para o gel e. é fundamental a cura do concreto. No concreto bem curado a pasta de cimento não é o principal fator a contribuir para o coeficiente de permeabilidade A composição do cimento tem influência na velocidade de hidratação e. Sabe-se que. granulometrias descontínuas são mais indicadas. somente neste aspecto afeta permeabilidade.

Na figura a seguir observa-se a fase ou zona de transição onde vemos uma maior presença de etringita (que é expansiva) que o composto endurecedor C-S-H. quanto maio o tamanho do agregado. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Zona de transição agregado – representação gráfica _______________________________________________________________________________ 158 Concretos e Argamassas Prof. Pode-se dizer que a permeabilidade do concreto ou da argamassa é maior que a permeabilidade da pasta devido a presença de microfissuras presentes na fase de transição entre agregado e a pasta de cimento.Influência no concreto Considerando agora o concreto. gerando as fissuras nesta região.edu. maior o coeficiente de permeabilidade.

Causas de deterioração do concreto CAUSAS FÍSICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO DESGASTE DA SUPERFÍCIE FISSURAÇÃO ABRASÃO EROSÃO CAVITAÇÃO MUDANÇAS DE VOLUME CARGA EXPOSIÇÃO ESTRUTURAL A EXTREMOS CAUSAS QUÍMICAS DA DETERIORAÇÃO DO CONCRETO HIDRÓLISE DOS COMPONENTES DA PASTA DE CIMENTO TROCAS IÔNICAS ENTRE FLUIDOS AGRESSIVOS E A PASTA DE CIMENTO REAÇÕES CAUSADORAS DE PRODUTOS EXPANSIVOS Desgaste da superfície Pode ter: Abrasão de veículos atrito seco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Ex: Desgaste de pavimentos e pisos industriais pelo tráfego _______________________________________________________________________________ 159 Concretos e Argamassas Prof.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Fissuração interna Podemos ter uma fissuração pela ação da cristalização de sais nos poros do concreto. onde temos uma superfície em contato com o meio agressivo e a outra superfície sujeita a evaporação. não possui alta resistência ao atrito Para superfícies normais de concreto (não em condições severas).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Erosão Desgaste pela ação abrasiva de fluidos contendo partículas sólidas em suspensão Ex: Revestimento de canais. Ex: Tubulações com devida a mudança repentina irregularidades na superfície do revestimento Cabe comentar que a pasta de cimento com alta porosidade e baixa resistência e com agregados que não possui resistência ao desgaste. até que a superfície tenha perdido a água de exsudação superficial (sem a nata porosa). ter uma resistência à compressão aos 28 dias maior que 40 MPa. tendo concretos com resistência . postergando (atrasando) o desempenamento. Para condições mais severas de abrasão e erosão. que podem causar danos consideráveis. A água em solução salina irá penetrar e deteriorar o material por tensões internas resultante da pressa o dos sais. devemos lançar mão de usar agregados de alta dureza (tipo Korodur). num muro de concreto. _______________________________________________________________________________ 160 Concretos e Argamassas Prof. Como medida adicional para aumentar a durabilidade da superfície. Tubulações para transporte de água e esgotos Cavitação Perda de massa pela formação de bolhas de vapor e sua ruptura de direção em águas.edu. devemos reduzir a formação da nata superficial. agregados menores que 25 mm e com uma distribuição granulométrica adequada e uma baixa consistência de lançamento e adensamento. combinada com uma cura úmida por sete dias ou mais. maior que 28 MPa. ou seja. Em especial os sulfatos. como por exemplo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. por serem expansivos.podemos melhorar a resistência à abrasão. uma baixa relação a/c.

ou seja. etc. porém com repetidas vezes Fissuração e destacamento na situação de gelo-degelo. pontes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Ação do congelamento Situação típica para climas frios e superfícies de concreto expostas. tais como pavimentos de concreto. dos tamanhos dos agregados. Efeito da alta temperatura no agregado Agregados porosos podem causar expansões destrutivas (pipocamento) dependendo da taxa de aquecimento. Os danos podem ser variáveis. mas mais comum temos: Fissuração simples ruptura por ação expansiva do gelo no interior do concreto mesma situação anterior. _______________________________________________________________________________ 161 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. de sua permeabilidade e da umidade presente nestes agregados.edu. Destacamento superfícies expostas descamam ou destacam Ação do fogo O concreto é incombustível e não emite gases tóxicos e quando exposto a altas temperaturas comum num incêndio (± 800 a 850 oC ) é capaz de manter a resistência por períodos longos Efeito da alta temperatura na pasta de cimento Esta depende do grau de hidratação da pasta. muros de arrimo. quanto dos grãos reagiram com a água e da umidade presente na pasta na hora do incêndio.

usualmente da atmosfera nos materiais cimentícios. Carbonatação é um termo utilizado para descrever o efeito do dióxido de carbono. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.em águas subterrâneas e águas do mar e o íon H+ em águas industriais . A carbonatação em sim não é uma ação deletéria. porém abre caminho para que a corrosão das armaduras se processe.Efeito da alta temperatura no concreto A resistência original do concreto. + + - _______________________________________________________________________________ 162 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . apesar de que carbonatação x corrosão não estão inexoravelmente interligados. o SO4-2 e Cl. devido a presença de íons Na .edu. Carbonatação O processo mais comum para reduzir o pH do concreto é a carbonatação do concreto. pois esta se manifesta em meios neutros ou levemente alcalinos (pH menor que 9. com pH entre 12. Deterioração por ações químicas Estas ações são as interações químicas entre agentes agressivos presentes no meio externo e os constituintes da pasta de cimento. da corrosão. Este pH alcalino protege as armaduras presentes no concreto.0) A taxa em que o agente agressivo irá agir. Fatores que podem diminuir o pH do concreto são o CO2 em águas puras e estagnadas e do ar.5. K e OH . irá depender do pH do agente agressivo (normalmente um fluido seja líquido ou gasoso) e da permeabilidade do concreto.5 e 13. O concreto é um meio normalmente alcalino. para estudos feitos entre 23 e 45 MPa. mostrou que se tinha pouco efeito na porcentagem da resistência a compressão retida após a exposição a altas temperaturas.

_______________________________________________________________________________ 163 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.

edu. movimentações diferenciais nas estruturas. álcali-silicato granitos.Alguns fatores que influenciam na velocidade e profundidade de carbonatação do concreto são: • • • • • • • • Idade do concreto Relação a/c Caracteristicas do agregado Meio ambiente e grau de exposição Duração e condições de cura Umidade relativa do ar Fissuras etc Reações álcalis – agregado (RAA) RAA é um processo químico em que alguns constituintes mineralógicos do agregado reagem com hidróxidos alcalinos (provenientes do cimento em especial) que estão dissolvidos na solução dos poros de concreto. _______________________________________________________________________________ 164 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas mais lenta (rochas de felspatos. álcali-sílica R. É uma reação (cria-se um gel) que provoca expansões. álcali-carbonato agregados calcário dolomítico x hidróxidos alcalinos sílica amorfa x hidróxidos alcalinos idem anterior. exsudação de gel e redução das resistências a compressão e tração. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. R. quartzitos) R.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Vemos na figura acima a presença das bordas de reação bem definidas e presença de gel gretado na interface pasta-agregado.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Na figura acima vemos um bloco de fundação. onde ocorreu fissuração devido as reações expansivas álcali-agregados _______________________________________________________________________________ 165 Concretos e Argamassas Prof.

respeitando-se o mínimo consumo de cimento e o máximo valor da relação água/cimento compatíveis com a boa durabilidade do concreto. estabilidade e aptidão em serviço durante um período mínimo de 50 anos.Exigências de durabilidade Inicialmente vejamos como as normas brasileiras tratam da durabilidade das estruturas de concreto Versão da NBR 6118 (1980) Quando o concreto for usado em ambiente reconhecidamente agressivo. Nesta atual norma. deverão ser tomados cuidados especiais em relação à escolha dos materiais constituintes. estabilidade e aptidão em serviço durante o período correspondente à sua vida útil. há dois capítulos dedicados a questão da durabilidade das estruturas. Era isto e tão somente assim tratada a questão da durabilidade nesta versão!!! Versão da NBR 6118 (2001) As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança. NBR 6118 (2003) – Versão final As estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas de modo que sob as condições ambientais previstas na época do projeto e quando utilizadas conforme preconizado em projeto conservem suas segurança.edu. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. sem exigir medidas extras de manutenção e reparo.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que serão vistas adiante nas disciplinas de estrutura de concreto _______________________________________________________________________________ 166 Concretos e Argamassas Prof.

edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Adoção de Condições de Trabalho 3. tipo de cimento.Guide to Durability of Buildings and Building Elements. Adoção de Manutenção Preventiva _______________________________________________________________________________ 167 Concretos e Argamassas Prof. relação água/cimento. etc mínimo. assim como na equivalência à segurança estrutural.Vejamos como a norma inglesa “BS 7543. 1992 . Products and Components” trata do tempo de vida útil das estruturas de concreto Então. b) Geometria dos elementos: cobrimento 4. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. levando-se em conta: 1. Adoção de a) Propriedades dos materiais: tipo de concreto. teor de argamassa. Classificação da Agressividade Ambiental 2. tem que ser realizado um projeto de durabilidade.

a _______________________________________________________________________________ 168 Concretos e Argamassas Prof. deve-se prever a localização de juntas de dilatação. podem revelar-se importantes em relação à durabilidade da estrutura. mesmo quando consideradas insignificantes do ponto de vista estrutural. • a natureza e a dosagem do cimento: o uso de cimentos especiais e/ou a substituição de parte do cimento por aditivos minerais. Na construção • deve-se realizar a escolha e dosagem dos materiais de acordo com as condições de exposição da estrutura. que impeçam o acúmulo de líquidos agressivos. a exsudação.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A escolha do fator a/c adequado influencia as resistências mecânicas. a segregação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu. • em termos de dosagem de água. bem como um máximo que evite problemas como a fissuração provocada pela liberação do calor de hidratação. deve-se detalhar adequadamente os diâmetros e espaçamentos das armaduras.de modo a permitir um completo preenchimento das fôrmas com concreto. para reduzir ao mínimo a fissuração. deve prever um mínimo necessário à obtenção das resistências mecânicas. sem prejuízo da trabalhabilidade do concreto. • em termos de quantidade de cimento. Obs: Determinados tipos de fissuras. deve-se especificar cobrimentos mínimos de armadura. compatíveis com as condições de exposição da estrutura e com a sua vida útil esperada. deve empregar a menor relação (ou fator) a/c possível.Principais providências que podem ser tomadas para garantir a durabilidade de uma estrutura No projeto arquitetônico deve-se prever formas adequadas de escoamento e drenagem. No projeto estrutural deve-se considerar todas as solicitações a que a estrutura estará submetida durante sua vida útil. evitando assim o peneiramento e o surgimento de “ninhos de abelha” ou “bicheiras”.

etapas estas que influenciam a homogeneidade do concreto endurecido. que constitui-se em um dos fatores principais para a garantia do desenvolvimento das resistências mecânicas e das características associadas com a durabilidade dos concretos. transporte e lançamento do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . com o mínimo de trabalho executado na superfície do concreto fresco. de modo a garantir um proporcionamento perfeito e uma manipulação que evite a segregação do material.edu. deve-se contar com equipamentos e mão-de-obra adequados. • a cura. _______________________________________________________________________________ 169 Concretos e Argamassas Prof. a permeabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a permeabilidade. deve ser realizada de modo muito criterioso. mistura.. • nos procedimentos de pesagem. com reflexos importantes na porosidade e na permeabilidade. a porometria. em especial na zona junto à superfície da peça concretada. a porosidade.. como a porosidade. • o acabamento deve ser realizado com os equipamentos e a mão-de-obra adequados.retração. influencia todos os parâmetros diretamente relacionados com a durabilidade dos concretos. • deve-se adotar procedimentos adequados de lançamento e adensamento. em suma. etc. etc.

Pedido pelo consumo de cimento O concreto é solicitado especificando-se o consumo de cimento por m3 de concreto. em conjunto com a NBR 14931. a dimensão (diâmetro) máxima característica do agregado graúdo e o abatimento do concreto fresco ( slump) no momento de entrega.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. estabelecendo três formas principais e algumas exigências complementares: • Pedido pela resistência característica do concreto à compressão • Pedido pelo consumo de cimento • Pedido pela composição da mistura (traço) Pedido pela resistência característica do concreto à compressão O concreto é solicitado especificando-se a resistência característica do concreto à compressão. a dimensão (diâmetro) característica do agregado graúdo e o abatimento ( slump) do concreto fresco no momento da entrega.PEDIDO DE CONCRETO Introdução A NBR 7212. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 170 Concretos e Argamassas Prof. estabelecem as condições específicas para o pedido do concreto.

massa específica e outras. permeabilidade. c) aditivo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2: 0. b) marca de cimento.. como: retração. temperatura do concreto. e) consumo de cimento máximo ou mínimo. g) tipo de lançamento: bombeável. f) teor de ar incorporado. d) relação água-cimento máxima. cor.3: 3. _______________________________________________________________________________ 171 Concretos e Argamassas Prof.60 referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre a massa de cimento referem-se sempre ao total da massa de aglomerantes Exigências complementares Além das exigências constantes de cada modalidade de pedido.Pedido pela composição da mistura (traço) O concreto é solicitado especificando-se as quantidades por m3 de cada um dos componentes. designado pela função ou denominação comercial. submerso. h) características especiais como: teor de argamassa ou de agregado miúdo. resistividade e outras. TRAÇO Aditivos Adições A/C CI: AR: BR: A/C 1: 2. i) propriedades e condições especiais. etc.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . autoadensável. fluência. se for o caso. incluindo-se aditivos. módulo de deformação. podem ser solicitadas outras características de parâmetros entre os quais: a) tipo de cimento.

c) hora de início da mistura (primeira adição de agua). i) quantidade máxima de água a ser adicionada na obra. b) volume de concreto. deve conter: a) quantidade de cada componente do concreto. quando for o caso. nem inferior a 1 m3. devido à evaporação. g) aditivo utilizado. _______________________________________________________________________________ 172 Concretos e Argamassas Prof. h) quantidade de água adicionada na central. quando especificada. não se recomendando que esse volume seja inferior a 1/5 da capacidade do equipamento de mistura ou agitação. j) menção de todos os demais itens especificados no pedido. antes do início da descarga. além dos itens obrigatórios pelos dispositivos legais vigentes. d) abatimento do tronco de cone ( slump). desde que: a) antes de se proceder a esta adição. e) dimensão máxima característica do agregado graúdo. Documentos de entrega O documento de entrega que acompanha cada remessa de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. o valor de abatimento obtido seja igual ou superior a 10 mm. Adição complementar de água Somente de admite adição suplementar de água para correção do abatimento.Volume mínimo de entrega Deve ser fixado de acordo com as especificações do equipamento. f) resistência característica do concreto à compressão.edu.

b) esta correção não aumente o abatimento em mais de 25 mm. A adição suplementar mantém a responsabilidade da empresa de serviços de concretagem.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Qualquer outra adição de água exigida pela contratante exime a empresa de serviços de concretagem de qualquer responsabilidade quanto às características do concreto exigidas no pedido e este fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega. d) o tempo transcorrido entre a primeira adição de água aos materiais até o início da descarga não seja inferior a 15 min. pelas propriedades do concreto constantes no pedido.edu. _______________________________________________________________________________ 173 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. c) o abatimento após a correção não seja superior ao limite máximo especificado. Deve ser autorizada por elementos formalmente representantes das partes e tal fato deve ser obrigatoriamente registrado no documento de entrega.

Existem vários métodos para a determinação da dosagem. A escolha de um dos métodos é mais uma questão de adaptação ao tipo de concreto que se deseja produzir (trabalhabilidade) e aos materiais empregados. resistência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. para fazer um concreto que atenda a aqueles disponíveis e a determinação da combinação mais econômica destes que produza um concreto que atenda a certas características de desempenho mínimo Como objetivos específicos temos: • Obter um produto que tenha um desempenho que atenda a certos requisitos previamente estabelecidos: Trabalhabilidade (concreto fresco) e Resistência (Concreto endurecido). Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Numa melhor definição de dosagem certa especificações prévias. os mais utilizados são: Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul (ITERS). (IPT) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).edu. durabilidade e economia.DOSAGEM DE CONCRETOS Introdução A dosagem é a determinação da quantidade de cada um dos materiais (proporcionamento dos materiais) para a produção de um metro cúbico de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . sendo que. aditivos e adfições.A. _______________________________________________________________________________ 174 Concretos e Argamassas Prof. agregados. Então o objetivo geral de uma dosagem escolha dos materiais adequados entre é a busca para a melhor proporção entre cimento. O princípio da dosagem é fazer um balanço entre trabalhabilidade. que teve contribuições do método do ITERS. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S. no Brasil. Em todos os métodos não há um que tenha uma expressão matemática exata que defina a composição do concreto. O mais utilizado. é o método experimental do IPT. água.

Por isto se diz que Dosagem é a arte de contrabalançar efeitos conflitantes. com mais água ou aditivos. Relação água/cimento. porém na escolha dos materiais deve se fazer o equilíbrio entre os materiais tecnicamente aceitáveis porém mais caros e os materiais economicamente atraentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . em torno de 70 a 80 %. Consumo de cimento Relação areia/agregado graúdo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Da mesma forma o conflito entre trabalhabilidade e resistência. porém podemos perder muito em coesão. Sabe-se que o custo é um fator de extrema importância. Podemos aumentar facilmente a trabalhabilidade. conforme a região.edu. Consumo de água Porém cabe salientar de início que o controle destas variáveis gera alguns efeitos conflitantes.• Mistura de concreto que satisfaça os requisitos de desempenho ao mínimo custo possível Para alcançar estes objetivos devemos controlar algumas variáveis no processo: • • • • • • • Relação pasta/agregados. Teor de argamassa Aditivos . Mehta e Monteiro (1994) consideram que a dosagem de concreto é mais uma arte do que uma ciência. tal como o controle da trabalhabilidade (consistência + coesão). A consistência é a facilidade de fluir e a coesão é a resistência à segregação. porém de propriedades não ótimas. A consideração chave na dosagem do concreto é que o cimento responde pela maior parte do custo do mesmo. Então a opção _______________________________________________________________________________ 175 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. pois indispensável propagar entre os mestres de obra a noção fundamental de que o concreto deve ser fabricado com a menor quantidade de água possível. conforme o método a empregar: _______________________________________________________________________________ 176 Concretos e Argamassas Prof. em face destes fatos já destacava É. devem ser conhecidas condições iniciais da obra. Entre os motivos principais.mais adequada é reduzir o consumo de cimento. e que acontece simplesmente pelo aumento de água. mas por serem resíduos. tais como resistência e durabilidade. reduzem o impacto ambiental. sem comprometer as demais propriedades estipuladas para o concreto. algumas retiradas do projeto estrutural.edu. é notório que há muita variabilidade no processo. etc) em substituição ao cimento puro. ao mínimo exigido. outras das condições de produção da obra e informações sobre os materiais componentes. Portanto. elevando o custo final do concreto e que por vezes esta resistência ainda assim acaba não sendo alcançada. Uma das opções para a diminuição do custo. infelizmente a maioria deles tem a tendência a realizar exatamente o inverso. tal como o aumento da trabalhabilidade requerido pelos funcionários que atuam no lançamento e adensamento do concreto. É de conhecimento da comunidade da construção que para atingir a resistência à compressão mínima. os concretos dosados em obra empregam um consumo excessivo de cimento. Fernando Luiz Lobo Carneiro (1953). principalmente devido à falta de controle do processo e da não existência de procedimentos. as informações principais podem ser assim relacionadas. sem dúvida está exatamente na mudança das propriedades do concreto fresco. depois de endurecido. normalmente já vem dos próprios fabricantes a utilização de materiais pozolânicos (cinzas volantes. deve ser irrigado com a maior quantidade de água possível. escória de alto forno. mas. O eng. sendo variáveis as informações necessárias. Resumidamente. Em qualquer método a ser empregado.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Estes procedimentos acontecem pela falta de conhecimento dos encarregados da produção do concreto e pela falta de controle. que não somente reduzem o preço do cimento.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . j) relação água / cimento máxima.a) resistência característica do concreto (fck) e idade de referência. massa específica e nível de resistência aos 28 dias. massa específica e unitária dos agregados disponíveis. hidratação. durabilidade. coesão. n) técnicas de execução (transporte. influências. lançamento. _______________________________________________________________________________ 177 Concretos e Argamassas Prof. Concreto fresco fazem parte do conhecimento para o estudo de dosagem. h) consistência desejada do concreto fresco. média. índices. etc tipo. e) dimensão máxima do agregado. g) coeficiente de inchamento do agregado miúdo. i) acabamento desejado ao concreto. adensamento).edu. Antes de continuar o conteúdo e entrar no estudo de dosagem propriamente dita. medida pelo abatimento do tronco de cone. k) informações sobre aditivos e adições. influências no concreto. c) massa específica do concreto (leve. alta). etc trabalhabilidade. b) resistência de dosagem do concreto. cabe salientar que todo o conhecimento até agora adquirido referente à • • • • • Agregados Cimento etc Concreto endurecido etc e mais resistência de dosagem e projeto. uso de aditivos. ensaios. f) análise granulométrica. m) durabilidade pretendida. consistência. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. quando empregados l) condições de exposição. d) tipo do cimento.

edu.56: 2.67 0.91 a/c Traço em massa NBR 12655 somente para concretos C10 e consumo cimento ≥ 300 kg/m3 _______________________________________________________________________________ 178 Concretos e Argamassas Prof.17: 2.55 1: 2.84: 4.DOSAGEM EMPÍRICA X DOSAGEM RACIONAL PRINCÍPIOS BÁSICOS Variáveis controladas: • • • • • • Relação pasta / agregados Relação água / cimento Relação areia / agregado graúdo Consumo de cimento Consumo de água Teor de argamassa seca Restrição Dependência entre os componentes (requisitos conflitantes) Dosagem empírica Exemplo de dosagem empíricas Método Caldas Branco Goiás Cientec Fck (Mpa) 15 15 15 utilização de tabelas de traços Consumo (kg/m3) 344 289 345 0.94 1: 2.61 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .08 1: 2.

edu. desde que mantidos constantes o tipo e a graduação dos agregados e o total de água por volume de concreto” Validade da lei de Lyse: • • • Correções do traço em função da alteração da consistência Boa precisão inicial para traços próximos ao inicial Cuidado em traços mais ricos _______________________________________________________________________________ 179 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.Dosagem racional (experimental Lei de Inge Lyse (1931) – Trabalhabilidade H= • • • c ×100 1+ m a H = relação água / materiais secos ou percentagem de água pó unidade de concreto m=a+p a = areia p = pedra (brita) a/c = relação água / cimento “A consistência permanece aproximadamente constante a despeito da riqueza do traço.

temos que irá alterar o H (deve ser definido experimentalmente).br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . mas digamos H = 11% 0. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.45 (m) consumo de cimento ± 18% Consistência Seca Median.6 ×100 = 10 % 1+ 5 Agora se quero manter a resistência.6 ×100 1+ m m = 4.11 = 0.Exemplo Tenho um traço 1 : 2 : 3 a/c = 0. plástica Plástica Fluida Líquida Abatimento 0 – 20 30 – 50 60 – 90 100 – 150 > 160 Tolerância NBR 7212 (mm) 10 10 10 20 30 _______________________________________________________________________________ 180 Concretos e Argamassas Prof.45 1:4.6 slump 7 cm 1:5 (m) consumo de cimento ± 16% H= 0. mas preciso de slump 10 cm.

da prática de cada um. bem como as demais propriedades do concreto endurecido variam na relação inversa da relação água / cimento” f cj = A B a c fcj AeB resistência à compressão a “j” dias constantes que dependem dos materiais. visual.edu. Define a aparência. _______________________________________________________________________________ 181 Concretos e Argamassas Prof. aspereza custo elevado α deficiente α excessivo Em ensaio experimental. porosidade. Abrams (1918) “Dentro do campo dos concretos plásticos a resistência aos esforços mecânicos. idade e cura Então a relação a/c define a resistência e H% define a trabalhabilidade Teor de argamassa seco (α) 1+ a α= ×100 1+ m a = relação agregado miúdo / cimento (em massa) m = relação agregados / cimento (em massa) m=a+p p = relação agregado graúdo / cimento ( em massa) α define a quantidade de argamassa presente num concreto. O valor de α Indicativo subjetivo. dificuldade desempeno. para os materiais disponíveis (cimento. deve ser definido o α ideal. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A partir daí poderemos determinar o traço do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .Lei de Duff A. areia e pedra).

pela deficiência de argamassa. Estudo de dosagem experimental (MÉTODO IPT) Para os materiais disponíveis. mantido a relação a/c. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.35 = 1+ a 1+ 5 a= 1.10 : 3.00 traço 1: 2.00 a/c = ? depende da resistência a pretender teoricamente poderíamos ter a mesma resistência para os dois concretos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Determinar o teor de argamassa ideal Estabelecer um diagrama de dosagem (curvas de dosagem) deve ser _______________________________________________________________________________ 182 Concretos e Argamassas Prof.00 e p = 3. teríamos um concreto com maior permeabilidade e conseqüente menor durabilidade.90 a/c = ? depende da resistência a pretender agora o mesmo 1:5 com α = 50 % 0.10 e p = 3.50 = 1+ a 1+ 5 a= 2.90 traço 1: 1. vamos: • • • Determinar a quantidade de água que atenda a trabalhabilidade definida pelo usuário qual o slump.Exemplos : Traço 1:5 a + p = 5 com α = 35 % 0.00 : 3. mas no primeiro.edu.

brita. A validade das curvas obtidas é somente enquanto forem mantidos os Importante mesmos materiais (cimento. respectivamente γ = densidade do concreto obtido _______________________________________________________________________________ 183 Concretos e Argamassas Prof. etc) Cálculo do consumo de cimento (real) por metro cúbico para determinar os custos. 1993) traz passo a passo. com figuras de como se deve proceder para a determinação da dosagem experimental do IPT.5 deve dar algo em torno de 25 a 30 Mpa (fck = ± 15 Mpa) Traço 1:3. um traço rico. areia.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . P. p = traço de areia e pedra. a/c . Exemplo: Para os traços especificados com abatimento 90 mm ± 10 Traço 1:5 deve dar algo em torno de 35 a 40 Mpa (fck = ± 25 Mpa) Traço 1:6. m 03 pontos afastados um traço pobre. C= m3 1+ a + p + x γ (kg C = consumo de cimento em kg x = relação a/c a.edu.5 deve dar algo em torno de 55 a 60 Mpa (fck = ± 45 Mpa) O livro Manual de dosagem e controle do concreto (HELENE..Para estabelecer o diagrama (curvas) precisamos de no mínimo 3 pontos. um traço intermediário. São Paulo: PINI. TERZIAN. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. com os seguintes dados: fc . P.

_______________________________________________________________________________ 184 Concretos e Argamassas Prof. como por exemplo.45 e seguido adiante no quadrante abaixo para uma determinada reta de “slump”. esta com a relação fc x a/c Com estas curvas podemos obter (para os mesmos materiais) traços para qualquer resistência de concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . e compor o preço de cada traço. podemos obter as curvas de dosagem. Obtemos ainda a nossa curva para vários “slumps”. obtemos uma relação a/c 0. rompidos os corpos de prova. Vejamos na figura seguinte: queremos um concreto com fc = 40 MPa. Na curva do quadrante superior direito. Também é na etapa de laboratório que também podemos efetuar estudos de dosagem com a utilização de aditivos e ver como se comporta a nossa curva com estes aditivos. obtido os dados.0 e no quadrante a esquerda temos o C = 325 kg/m3 Assim compomos qualquer traço e com o custo de cada um deles.edu.Efetuado os traços. encontramos o “m” igual a 5. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

através dos ensaios realizados nos materiais. usando padiolas.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Lembrar que podemos transformar o nosso traço de laboratório (que será em massa). onde podemos automatizar os cálculos dos traços e custos do concreto. para traço em volume (para a obra).edu. _______________________________________________________________________________ 185 Concretos e Argamassas Prof.• • • O quadrante superior direito é o quadrante de Abrams (resistência x fc). O quadrante inferior direito é o quadrante de Lyse (trabalhabilidade) O quadrante inferior esquerdo é o quadrante do proprietário (custo) É importante destacar que estas curvas podem ser representadas por equações.

00 Custo R$ 0.5 1 : 6.00 / m3 R$ 3.18 Os materiais utilizados foram Material Cimento CP V. Neste ajuste foi adicionado mais 20 litros de água por m3 de concreto.7 MPa b) Calcule os materiais necessários para a produção de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa).44 / kg R$ 29.0 1 : 4. Conside o desvio padrão de dosagem igual a 3.10 2.50 1. foi realizado um ajuste de traço.34 ----------Massa específica (γ) Kg/dm3 3.6 42.50 7.Exemplo de cálculo de dosagem Um estudo de dosagem realizado em laboratório apresentou os seguintes resultados: Traço 1:m 1 : 3.40 0. Estabeleça o novo traço para atender o fck igual a 40 MPa e o custo do concreto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .5 MPa. d) Para alcançar um “slump” de 80 mm.30 0.27 7.61 fc28 (MPa) 55.00 / m3 R$ 30. O slump obtido foi de 60 ± 10 mm. As bocas das padiolas são de 35 x 45 cm.5 a/c 0.00 7.0 1 : 7.1 24.ARI Areia Brita basáltica Aditivo Massa unitária (δ) Kg/dm3 ----------1.61 2.3 H (%) 7.49 0. a) Determine um traço de concreto para a produção de um concreto para atingir um fck de 20 MPa e 40 MPa aos 28 dias. Em obra o desvio padrão de produção da empresa é de 5. Calcule o custo de 1 m3 de concreto (20 e 40 MPa) c) Dimensione as padiolas para a execução em obra do traço com fck de 20 MPa. para o uso de betoneira de 580 L.80 1.50 / kg No estudo de dosagem foi verificado que o teor de argamassa ideal para os materiais disponíveis foi de 51 %. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. O inchamento da areia (ci) foi de 28% e o teor de umidade de (h%) foi de 5%.0 33. _______________________________________________________________________________ 186 Concretos e Argamassas Prof.edu.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Calcule a viabilidade econômica de seu uso para produzir concretos com a mesma trabalhabilidade e resistência (40 MPa).3448 (equação 2) _______________________________________________________________________________ 187 Concretos e Argamassas Prof.6 % da massa de cimento. da página anterior foram levados a uma planilha Excel que resultou nas seguintes equações: f c = − 44.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. a / c − 1.197 . O aditivo é usado na proporção de 0.655 .e) O uso de aditivo plastificante permite a redução de 12% na água de amassamento em relação ao traço original. Observação: Os dados da primeira tabela.9791 (equação 1) m = 14. ln (a / c ) + 1.

_______________________________________________________________________________ 188 Concretos e Argamassas Prof.edu.Fórmulas básicas a utilizar (resumo) H= Relação água / materiais secos (H %) x ×100 1+ m Teor de argamassa seca (α %) α= 1+ a × 100 1+ m Agregados secos totais (m) m = a + p Consumo de cimento (real) C= m3 1+ a + p + x γ (kg Onde: x = relação água / cimento a = areia p = brita C = consumo de cimento γ = massa específica do concreto fresco. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .

me joga um pouco de água ... de autoria do Eng...br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Introdução Os casos seguintes foram publicados na revista “A Construção” em janeiro e fevereiro de 1987.Como eu sei que o concreto sempre perde trabalhabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco... Salvador E. Talvez alguns não passem de anedotas. CONCRETOS . Hummmmmmm... Giammusso. eu sempre ponho um pouco de água a mais na central”. Ele estava observando um concreto sendo produzido numa betoneira e falou para um dos auxiliares: . para o concreto...CASOS . a alternativa da construção em aço” Alguns causos . O auxiliar cumpriu a ordem ao pé da letra e jogou água nele! _______________________________________________________________________________ 189 Concretos e Argamassas Prof. seriamente. no encerramento do livro “Propriedades de Concreto” “Em tempo: se o leitor não se sentir capaz de dosar um concreto de forma satisfatória. temperado com um pouco de ironia... Um “técnico” de uma concreteira dizia a alguém certa vez: . Antes de começar lembra-se o prof... E a NBR 7212 ??? • • • Já com outro colega aconteceu um caso sem nenhuma conseqüência . mas com certeza alguns são verdadeiros.edu. principalmente em dias quentes. Neville. deveria considerar. O assunto concreto é abordado com um leve toque de humor.

respondeu mais ou menos assim: . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. ou seja.. aquele engenheiro telefonou para a concreteira dizendo que já tinha falado com o mestre e ele tinha concordado em não colocar mais água no concreto . _______________________________________________________________________________ 190 Concretos e Argamassas Prof. suspendeu as entregas de concreto. moldou os corpos de prova e o mestre só olhando.. • • • Em uma palestra.... muito sabiamente. colocando água dentro dos limites estabelecidos pelo laboratório. que era antigo de casa e muito competente (credo!) O responsável pela concreteira..• • • Houve o caso em que o mestre mandava colocar mais água no concreto usinado. Quando terminou o acerto. quando avisado. O engenheiro. o mestre se manifestou: .br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó ... o laboratorista acertou o traço.Essa questão é o que menos nos preocupa. Se o laboratorista não fosse experiente. ao ser inquirido sobre os cuidados para evitar a perda de água pelo concreto nas primeiras idades. Bem “informado” este palestrante! Cruz credo! • • • O caminhão betoneira chegou à obra. a cura.Já terminou? Então ponha mais água nesse concreto que eu preciso começar a trabalhar. ele concordou . verificou o “slump”.. Passados alguns dias. pois fazemos o concreto com bastante excesso de água. disse que não queria “criar caso” com o mestre. Mesmo que se perca muita água por evaporação. poderia ter dado um problema sério: os corpos de prova daria resultados bons.. o apresentador. mas o concreto na obra . não vai faltar para a hidratação do cimento. Que autoridade tinha este mestre! Mas enfim.edu.

Sem comentários. para secar bem e endurecer logo e melhor. • • • Nesta mesma laje.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . típicas de retração plástica. porque era bom que o concreto tomasse bastante sol. em função disto. no dia seguinte apareceram trincas na laje.Isso foi por causa da trepidação do trânsito! Detalhe: rua de pouco movimento.• • • A laje já tinha sido concretada. A estrutura ruiu e ele foi fazer companhia ao seu colega por acusação de sabotagem ao regime. Ele disse que não tinha pressa. com a acusação de não colaborar com o regime. um engenheiro não autorizou a desforma de uma estrutura com poucos dias. _______________________________________________________________________________ 191 Concretos e Argamassas Prof. solo bom e a obra era distante da rua em pelo menos 15 m!!! • • • Muitos anos atrás em um país muito conhecido pela “ampla liberdade” em que viviam os seus cidadãos. o sol era forte.edu. muito vento e perguntou-se ao mestre de obra se ele tinha providenciado a cura. mas este não se deu por achado: . Resultado: foi afastado e levado para um local distante e muito frio. Alguém comentou com o mestre sobre a falta de proteção logo após a concretagem. bem pavimentada. O seu substituto. resolver colaborar (que remédio!!) e autorizou a desforma. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

Abatimento se mede em múltiplos de 5 mm e não de 1 mm 2º. Barbaridade.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. verificou-se que os corpos de prova estavam sendo rompidos sem capeamento. Meu Deus.• • • Um dia deste uma destas autoridades foi entrevistada de como seria o pavimento de um aeroporto e ele respondeu: . Conhecia bem este engenheiro . _______________________________________________________________________________ 192 Concretos e Argamassas Prof.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . • • • Em um laboratório de algum lugar. Há tolerância para abatimento e neste caso era de 10 mm. Um caminhão foi recusado porque o abatimento deu 81 mm...Porquê de cimento portland? . Uma curiosidade: como ele mediu estes 81 mm com tanta precisão . O cara não sabia o que era a denominação portland e talvez achasse que fosse uma marca e o entrevistador achava que fosse isto mesmo. .Em concreto de cimento portland. Dois erros: 1º. • • • Certa vez um engenheiro estava controlando o recebimento do concreto na obra e o abatimento especificado era 80 mm. Quando perguntou-se o porquê disto a resposta foi: .Porque é o cimento melhor . Os cara deveriam mandar junto com os certificados de rompimento remédio de dor de cabeça para os resultados baixos que iriam acontecer.edu.. ou seja poderia estar entre 70 e 90 mm.O capeador não veio trabalhar hoje..

Mas os corpos de prova tem que ser rompidos??? Dãããã • • • Jurando que não era o mesmo cidadão do caso anterior. e o motorista. Se a moda pega. Ai. Até deixamos o concreto para o doutor dar uma olhada neles .Claro.. Pegamos a marreta e rompemos todo. Porém na obra o mestre insistiu. – Perguntou-se a ele . colocados em um canto da obra. vai ter muito mestre apanhando .edu. perguntaram ao elemento da obra se o concreto estava sendo controlado. .O doutor falou para romper os corpos de prova e assim fizemos. Um tempo depois o engenheiro vê um monte de concreto endurecido rompido em um canto da obra e pediu ao cidadão o que era aquilo.• • • Teve o caso de um motorista de caminhão betoneira que foi instruído a não deixar colocar água no concreto. muito zeloso. ai. . ai _______________________________________________________________________________ 193 Concretos e Argamassas Prof. e muito bem controlado. falou para o cidadão levar posteriormente os corpos de prova para serem rompidos. • • • Outra vez em uma visita a obra. .E a que idade eles serão rompidos. além da permita.... acabou dando uma surra no mestre. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. E mostrou uma grande quantidade de corpos de prova.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . o engenheiro após moldados os corpos de prova.

He. pois se o cimento não hidratasse não apareceriam as trincas. he ...br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Depois desta . viu um monte de fissuras (de retração plástica) sobre a laje. • • • O dono de uma construtora (que não era engenheiro) visitando a obra. – falou o mestre. _______________________________________________________________________________ 194 Concretos e Argamassas Prof..O problema destas trincas foi por causa do cimento. O problema maior foi que o dono da construtora baixou uma regra na empresa que não se deveria mais usar cimento para fazer concreto... Até aí um pouco de verdade..edu.. que estava exposta ainda. pois estava rachando as lajes.• • • Certa vez perguntaram a um engenheiro se ele não media o “slump” do concreto e a resposta foi: . .. fim.Não.. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.. Perguntou ao mestre porque aquilo tinha acontecido. porque não temos balança na obra. he.

estanqueidade. pureza do ar. adaptação ao uso. Estas de acordo com a norma ISO DP 6241 podem ser resumidas de forma genérica em: • • • • • • • • • • • • • • segurança estrutural. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.1 Desempenho O edifício é um produto fabricado para atender um mercado consumidor específico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . conforto tátil.ARGAMASSAS 1. segurança em uso. conforto higrotérmico. DESEMPENHO 1. segurança ao fogo. higiene. conforto antropodinâmico. durabilidade e economia. ele deve atender as exigências de seus usuários. conforto visual. conforto acústico. _______________________________________________________________________________ 195 Concretos e Argamassas Prof.edu. ou seja.

determinantes da aceitação ou não de uma solução.1. em contato com o meio ambiente. Estes dois tipos de exigências podem ser representados através de requisitos de desempenho. em localização específica e refletindo decisões de projeto já tomadas. Portanto. sofre transformações. deve-se definir os requisitos e critérios de desempenho durante a elaboração do projeto. através da melhoria da qualidade de vida das suas proximidades. o edifício deve também satisfazer as exigências da coletividade pertencente ao ambiente no qual a obra está inserida. independente da classe social do usuário e do uso do ambiente. Definidos os requisitos de desempenho. para um edifício possuir desempenho deve-se obedecer a metodologia mostrada na figura 1.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ocorrendo uma perda progressiva na capacidade de atendimento das necessidades dos usuários. Entre os requisitos de desempenho do revestimento de argamassa pode-se destacar a sua aderência a base e a sua estanqueidade à água. Estas podem ocasionar uma diminuição dos valores das propriedades físicas e químicas de cada material. para um uso específico.Algumas destas exigências. pode-se definir desempenho como sendo o comportamento de um produto em relação ao seu uso. para estes possuírem o desempenho esperado. Desta forma. enquanto outras possuem caráter relativo (por exemplo: conforto). Este processo é denominado de deterioração.edu. as condições a serem atendidas por um edifício ou componente. _______________________________________________________________________________ 196 Concretos e Argamassas Prof. cujos responsáveis são os agentes de deterioração. No caso dos revestimentos de argamassa. de forma quantitativa. deve-se determinar os critérios de desempenho que devem representar as características de desempenho mais importantes. possuem caráter absoluto (por exemplo: a segurança estrutural e higiene).2 Durabilidade Todo material. Os requisitos de desempenho definem. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Além destas exigências dos usuários. 1.

1: Esquema de aplicação do conceito de desempenho Os agentes de deterioração é qualquer fator externo que afeta de maneira desfavorável o desempenho de um edifício.edu.Figura 1. de seus subsistemas ou componentes. pode-se notar que os agentes de deterioração que agem sobre os edifícios ou seus componentes variam dentro de uma cidade e assumem diferentes níveis de _______________________________________________________________________________ 197 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. e a duas origens: externa (atmosférica e solo) e interna (ocupação e concepção). químicos e biológicos. térmicos. podem pertencer a cinco diferentes naturezas: • • • • • agentes mecânicos. segundo a norma ISO DP 6241. Estes agentes.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Portanto. eletro-mecânicos.

de maneira a atender as exigências dos usuários. Esta metodologia somente é válida se os custos de implantação e operação forem compensados em termos de benefício no desempenho do edifício ou de seus componentes. Esta é a capacidade que um produto possui de manter o seu desempenho acima dos níveis mínimos especificados. A manutenção deve ser interpretada como uma ação programada preventiva de futuros problemas e não apenas como atividade corretiva de problemas observados. portanto.2). controle e execução.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O conhecimento da vida útil (durabilidade) de um material é de fundamental importância para a elaboração de programas de manutenção periódica. São estes dois fatores que determinam a durabilidade de uma material sujeito a uma determinada situação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Nota-se. • Manutenção Planejada Corretiva desempenho perdido.edu. de maneira a antecipar-se ao surgimento de defeitos. 1.importância dependendo do material em análise e a função que este desempenha. a existência de diferentes tipos de manutenção:: • Manutenção Planejada Preventiva atividades realizadas durante a vida útil da edificação. Para isto torna-se importante a adoção de um programa de manutenção periódica. A forma e velocidade com que ocorre a deterioração são função da natureza do material ou componente e das condições de exposição a que fica submetido.3 Manutenção A realização de atividades de manutenção podem ser consideradas como a reconstrução de níveis de qualidade ambiental perdidos e que tem como resultado imediato o prolongamento da vida útil do edifício ou de seus componentes (Figura 1. Este exige toda uma metodologia de operação. atividades realizadas para recuperar o _______________________________________________________________________________ 198 Concretos e Argamassas Prof.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Analisando a definição acima percebe que as atividades de manutenção podem ter duas principais origens: a durabilidade dos materiais e as patologias.• Manutenção Não Planejada definida como o conjunto de atividades realizadas para recuperar o desempenho perdido devido por causas externas não previstas. como discutido anteriormente.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2: Perda do desempenho e manutenção _______________________________________________________________________________ 199 Concretos e Argamassas Prof. Nestes casos deve ocorrer uma intervenção técnica com a finalidade do edifício ou componente voltar a apresentar um desempenho satisfatório. Já a patologia está associada a manutenção planejada corretiva e não planejada. Figura 1. prolongando sua vida útil. Sendo que a durabilidade está associada a manutenção planejada preventiva. situação em que o edifício ou seu componente apresenta um desempenho insatisfatório.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. reduzir a penetração de chuva.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .2. _______________________________________________________________________________ 200 Concretos e Argamassas Prof.1 Função dos revestimentos Edifício conjunto de elementos básicos : estrutura. As propriedades mais importantes dos revestimentos são as exigências de uso e a compatibilidade geométrica e físico-química entre o revestimento e a sua base e o acabamento final previsto. Os revestimentos argamassados empregados nos edifícios habitacionais devem atender as seguintes funções: • Promover durabilidade de acordo com a vida útil esperada para a edificação. contribuindo para o desempenho final do edifício. Cita-se também que as funções dos revestimentos externos de argamassas são de aumentar a durabilidade da base. o revestimento deve desempenhar sozinho ou associado ao seu suporte. Ainda. Desta forma o revestimento de argamassa deve apresentar um conjunto de propriedades para que o comportamento das vedações seja adequado.as exigências. estética. proteção contra intrusão humana ou animal e choque contra a fachada. isolamento térmico. relativas a segurança. Em relação a habitabilidade. isolamento acústico. recobrir uma superfície irregular ou obter um efeito decorativo em particular. devem ser atendidas pela parede como um todo. com ou sem contribuição do revestimento. uma ou mais das seguintes funções: estanqueidade. resistência ao fogo. ou seja. Propriedade e funções dos revestimentos 2. A segurança deve ser entendida como garantia de estabilidade mecânica. Dentre as exigências de uso são destacadas aquelas relativas a segurança e a habitabilidade.edu. vedações verticais e horizontais e sistemas prediais Cada um destes elementos tem uma função específica.

inclusive no meio científico. • Regularizar a superfície para aplicação dos revestimentos finais.• Proteger os elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos. 2.2 Reologia e principais propriedades dos revestimento de argamassa Na definição de uma argamassa para revestimento deve ser considerada uma série de propriedades associadas a estas características. em dado momento. em determinadas avaliações ainda é notório o caráter empírico nas proposições de determinadas soluções. ao mesmo tempo. Apesar de todo o avanço no desenvolvimento de novos materiais e no estudo das argamassas. • • • Auxiliar as paredes de vedação no isolamento térmico e acústico. a determinadas propriedades no estado fresco (trabalhabilidade) e no estado endurecido (capacidade de absorver deformação. É comum. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Um exemplo claro é a formulação de argamassas de revestimentos que atendam. Conferir estanqueidade à água e aos gases para as paredes de vedação. resistência de aderência. Não é função do revestimento esconder imperfeições grosseiras da base (desaprumo. fato que pode ser demonstrado pela carência de estudos capazes de avaliar sistematicamente este tema. dentre outras) que. Permitir e facilitar a manutenção preventiva e corretiva sempre que necessário de modo a preservar a estética e a aparência.edu. por exemplo) “esconder na massa”. Para efeito de conceituação são apresentadas adiante algumas destas propriedades mais importantes. No caso das propriedades no estado fresco a situação aparentemente é mais complexa. é fundamentada em critérios qualitativos de caráter empírico.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a utilização _______________________________________________________________________________ 201 Concretos e Argamassas Prof.

A idéia atualmente em pauta é substituir termos com elevado grau de empirismo. tempo e temperatura (TANNER. cabe destacar que muitos ramos da indústria estão diante de problemas que podem ser resolvidos com base nestes conceitos. Uma retenção adequada _______________________________________________________________________________ 202 Concretos e Argamassas Prof. Atualmente. Sua aplicação se justifica a partir do momento em que se pode classificar os materiais. Neste universo. também envolver e relacionar os parâmetros tradicionalmente conhecidos como. relacionar estes comportamentos com a estrutura de cada material. consistência.edu. Ainda sobre o estudo das argamassas no estado fresco. projetabilidade) por parâmetros que realmente caracterizem o material em situação de fluxo. plasticidade. deformação. de certa forma. Esta caracterização deve. que permitem apenas uma avaliação qualitativa (como trabalhabilidade. que possibilite a real caracterização do comportamento. por exemplo: condições de trabalhabilidade. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. bem como prever o desempenho destes em outros estágios de tensão.de procedimentos baseados na experiência de oficiais pedreiros envolvidos no processo de produção dos sistemas de revestimento. Em adição à importância da reologia. a possibilidade de aplicação da teoria reológica abre inúmeras opções de discussões diretamente aplicadas ao meio. bombeabilidade. 2. uma das possibilidades de novas discussões esta baseada na aplicação de conceitos pertencentes ao estudo do comportamento reológico do material. é bastante comum o uso de projetos de sistemas para transporte ou para processar substâncias que não se ajustam a nenhum dos tipos clássicos de comportamento dos materiais. dentre outros. é cada vez mais discutida no meio científico a necessidade de uma avaliação das propriedades das argamassas no estado fresco. consistência. 1998).1 Capacidade de retenção de água A retenção representa a capacidade da argamassa de reter a água de amassamento contra a sucção de uma base porosa e da evaporação. Neste sentido.2.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . A reologia é definida como a ciência que estuda a deformação e escoamento da matéria. analisar seus comportamentos frente a um campo de tensão.

proporcionando uma elevada área específica. O aumento da retenção de água da argamassa pode ser conseguido de várias maneiras. a área a ser molhada é maior. 2. aparecendo tensões superficiais que tendem a manter a água adsorvida nas partículas. apresenta-se como proposição mais usual a utilização de saibro e cal na argamassa.2.edu.2 Trabalhabilidade Esta é uma propriedade de avaliação qualitativa. sem aderir a colher ao ser lançada Distribui-se facilmente pela superfície Não endurece rapidamente quando aplicada A melhoria da trabalhabilidade é conseguida através de uma granulometria adequada. promovendo as reações de hidratação do cimento e um conseqüente ganho de resistência mecânica e aderência. diminui a aderência e por conseqüência a argamassa terá menor durabilidade e estanqueidade. Uma delas é aumentar o teor de materiais constituintes com elevada área específica. _______________________________________________________________________________ 203 Concretos e Argamassas Prof.contribui para o endurecimento adequado da argamassa. Em se tratando de aumentar a área específica dos materiais constituintes. como é o caso dos derivados da celulose (aditivos retentores de água). Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a capacidade de absorver deformações. Esses dois tipos de materiais possuem partículas muito finas. pois depende do uso e do usuário. conseqüentemente. Uma perda de água acelerada diminui a resistência. Uma argamassa é trabalhável quando: Deixa penetrar facilmente a colher de pedreiro. sem ser fluída Mantêm-se coesa ao ser transportada. A outra forma de incrementar a capacidade de retenção de água da argamassa é utilizar aditivos cujas características impedem a perda de água. uso de cal e de aditivos incoporadores de ar.

2.2. Esta quantidade de água pode influenciar as características do revestimento final. do método de aplicação e do tipo de chapiscamento realizado pode-se ter resultados bastante variados. a rugosidade e as condições de limpeza da base influenciam diretamente a aderência. alterando a trabalhabilidade. É uma propriedade ligada a fenômeno mecânico da ancoragem da argamassa na base A porosidade. A presença de cal e de finos na argamassa também modifica a consistência. 2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. _______________________________________________________________________________ 204 Concretos e Argamassas Prof.2. alterando a resistência de aderência. A consistência está relacionada diretamente com a quantidade de água.4 Teor de ar incorporado O teor de ar incorporado equivale à quantidade de ar existente em certo volume de argamassa. é válido dizer que nem sempre o chapisco garante uma aderência adequada. plasticidade. Quando a base apresenta poucos poros capilares e muitos macroporos a aderência pode ficar prejudicada. Deve ser pressionada contra a base para aumento da extensão de aderência. Assim. Dependendo da plasticidade da argamassa. modificando outras propriedades como consistência.2. permeabilidade à água e a capacidade de absorver deformações. trabalhabilidade e retenção. A argamassa deve ter boa trabalhabilidade e retenção de água.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . interferindo diretamente na trabalhabilidade. Pode ser aumentado através de aditivos incorporadores de ar.edu.5 Aderência inicial A aderência inicial depende também das outras propriedades do estado fresco das argamassas e também da base de aplicação.3 Consistência Propriedade reológica que define como a argamassa resiste às deformações impostas ainda no estado fresco. 2.

Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.3 Aderência mecânica à base Figura 1.2. retração no processo de hidratação e carbonatação dos aglomerantes. também. As fissuras prejudiciais são aquelas que permitem a percolação de água pelo revestimento e podem provocar a perda de aderência ou descolamento.4 Aderência prejudicada – sem extensão de aderência 2.edu.Figura 1. _______________________________________________________________________________ 205 Concretos e Argamassas Prof. Ocorre.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . estas variações volumétricas quase sempre ocasionam fissuras. Quando acontecem com excessiva rapidez.6 Retração na secagem Quando ocorre a saída da água da argamassa esta diminui de volume.

_______________________________________________________________________________ 206 Concretos e Argamassas Prof.edu. Figura 1. requerendo maiores cuidados na execução e controle rigoroso das condições de cura durante e após a aplicação. A adoção de consumos de cimento elevada.2. Desempeno muito cedo (argamassa muito úmida) causa fissuras e até descolamento da argamassa. Entretanto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . por exemplo.5 Retração na secagem 2. Argamassas mais espessas estão mais sujeitas a retração na secagem.7 Resistência de aderência A aderência é uma propriedade fundamental para o desempenho dos revestimentos argamassados. pode levar à obtenção de argamassas com elevada retração na secagem e baixa capacidade de absorver deformações. esta propriedade não é simples de ser obtida.As argamassas com teores de cimento elevados tendem a apresentar retração mais elevada. Da aderência dependem a durabilidade e a capacidade do revestimento suportar as movimentações internas e externas. O tempo de sarrafeamento e desempeno é importante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Interferem diretamente na resistência à compressão o consumo e a natureza dos aglomerantes e agregados e a técnica de execução empregada. _______________________________________________________________________________ 207 Concretos e Argamassas Prof.edu.7 Aderência deficiente – extensão de aderência prejudicada 2.8 Resistência à compressão Os revestimentos argamassados devem suportar esforços atuantes sem apresentar danos ao longo do tempo. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.2.6 Resistência de aderência Figura 1.Figura 1.

da composição e dosagem da argamassa. o caminho de percolação permite acesso direto da água à base do revestimento. quando existem fissuras. Estas argamassas podem apresentar capacidade de absorção de deformação adequada mesmo possuindo teores elevados de cimento. comprometendo a estanqueidade da vedação como um todo.2. sendo exceção as argamassas com teores elevados de polímeros. normalmente. Argamassas que apresentam consumo de cimento elevado. principalmente em relação a estanqueidade e aderência.2. da técnica de execução da espessura da camada de revestimento e do acabamento da superfície. não sendo. Quando aplicado em espessuras adequadas e tendo o tempo de _______________________________________________________________________________ 208 Concretos e Argamassas Prof. Os revestimentos de argamassa apenas são capazes de absorver deformação de pequena amplitude que ocorrem em função das variações de umidade e temperatura.edu. o revestimento de argamassa deve absorver deformações sem sofrer ruptura ou fissuração que prejudiquem seu desempenho. capazes de absorver as movimentações das estruturas de concreto e das alvenarias que tem amplitude elevada. A permeabilidade é função da natureza da base. não tem capacidade adequada de absorção de deformações.10 Capacidade de absorver deformações Sob tensão.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . 2. A execução do revestimento também pode interferir na capacidade de absorver deformações. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. além de fatores externos ao revestimento como pressão do vento e pluviosidade.9 Permeabilidade à água A permeabilidade está relacionada à passagem da água pela camada de revestimento. Deve-se lembrar aqui que a argamassa é um material poroso que permite a percolação de água tanto no estado líquido como de vapor. portanto. Para percolar pela vedação a água tem que atravessar barreiras que são constituídas pelo revestimento e pela base Entretanto.2.

menores são as possibilidades de falhas devido à microfissuração da argamassa. uniformemente dispersas. Características de projeto definindo orientação das fachadas.11 Durabilidade A fissuração do revestimento. A adoção de juntas de controle distribuída no revestimento contribui diretamente para melhorar a capacidade de absorver deformações do revestimento.3 Uso de aditivos incorporadores de ar Os aditivos incorporadores de ar são materiais orgânicos. clima.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . O ar intencionalmente incorporado às argamassas altera a suspensão cimentícia no estado fresco e posteriormente no endurecido. às argamassas ou às pastas de cimento.edu. usualmente apresentados na forma de solução ou em pó. reduzindo os efeitos de movimentação de grandes painéis.desempenamento respeitado. a saber: _______________________________________________________________________________ 209 Concretos e Argamassas Prof. a cultura e proliferação de microorganismos e a qualidade das argamassas são os fatores que mais interferem na durabilidade dos revestimentos. a espessura excessiva. Estas juntas podem ser usadas para permitir panos com dimensões menores. que quando adicionados ao concreto. produzem uma quantidade controlada de bolhas microscópicas de ar. presença de aberturas e detalhes construtivos como pingadeiras e peitoris também interferem. O aditivo incorporador de ar é adicionado as argamassas com o intuito de melhorar a trabalhabilidade. topografia e vizinhança. principalmente em argamassas isentas de cal (cimento e areia). 2. Pode se enumerar algumas propriedades que são alteradas beneficamente pela incorporação de ar nas argamassas. A durabilidade também depende das condições de exposição definidas principalmente pela localização. 2.2. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.

que ganha fluidez. sem alterar a tendência de segregação e exsudação da argamassa. Retração – normalmente é reduzida. Para as argamassas. se consegue um maior volume de argamassa. ao se comparar com uma argamassa sem aditivos. A presença do ar incorporado permite uma certa diminuição na quantidade de finos do agregado. este ganho de consistência e plasticidade se deve ao “efeito ponte” existente entre as bolhas de ar e as partículas de cimento e. A presença do ar incorporado nas argamassas. É essa capacidade dos aditivos alterarem positivamente a trabalhabilidade das argamassas. Com essa diminuição. para uma mesma quantidade de material anidro. Exsudação – é diminuída. provavelmente. da areia. Nota-se que os aditivos causam uma grande alteração na trabalhabilidade das argamassas. efeito contrário ao provocado no concreto. O rendimento das argamassas com aditivos incorporadores de ar é aumentado. onde se tem uma argamassa com 20% de cimento e uma argamassa com o mesmo proporcionamento. para um aspecto plástico. pela presença de microbolhas de ar no interior da mistura. devido à incorporação de ar. devido à diminuição da massa específica. em relação à massa de cimento.8. para uma mesma condição de aplicação. este “efeito _______________________________________________________________________________ 210 Concretos e Argamassas Prof. provoca um ganho de consistência e plasticidade. já que a mesma passa de um aspecto seco e áspero. Massa específica – é reduzida.normalmente é reduzido. Já para o concreto. que permite a confecção de argamassas sem cal.• • • • Módulo de deformação . apenas com o acréscimo de 0. Este fato implica a colocação de menos água na mistura.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.05% de um aditivo incorporador de ar.edu. o que aumenta a capacidade de deformação do sistema de revestimento. diminuindo desta forma a consistência. no estado fresco. A mudança provocada pelos aditivos incorporadores de ar nas argamassas de revestimento pode ser observada na Foto 1. apenas com o aditivo incorporador de ar como agente plastificante.

provocando uma maior facilidade da argamassa molhar o substrato. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. A possível redução na resistência de aderência encontrada em argamassas com ar incorporado é atribuída à diminuição da superfície de contato entre a argamassa e o substrato. para qualquer aditivo.Argamassa sem e com aditivo incorporador de ar _______________________________________________________________________________ 211 Concretos e Argamassas Prof. que rompe as “pontes” existentes. reduz a aderência das argamassas. acima de um certo valor. A aplicação da argamassa é facilitada com a utilização dos aditivos incorporadores de ar. o aumento do teor de ar.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. Apesar do tipo de aditivo influenciar na redução da resistência de aderência a tração. e pela redução de propriedades mecânicas devido ao incremento da porosidade na argamassa. Figura 1. aumentando a região de contato entre ambos.8 . após a incorporação de uma certa quantidade de ar.ponte” é quase nulo pela presença do agregado graúdo. Isto se explica pelo fato do tensoativo diminuir a tensão superficial. sem dúvida.

O acréscimo de água realizado pelo oficial-pedreiro ocorre. para que o oficial-pedreiro possa aplicar a argamassa. • Uma outra situação onde se observa a complementação de água na argamassa ocorre quando. na trabalhabilidade adequada.2. deixando-a mais trabalhável. se introduz uma grande quantidade de água nessa sobra de argamassa. o seu aspecto é de uma argamassa seca com falta de água. Por este motivo. feita pelos pedreiros após a mistura e antes da aplicação. é uma prática bastante comum nas obras. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. se quer utilizar sobras do sarrafeamento da argamassa para se executar um outro pano de revestimento. Caso isto aconteça. Como esta argamassa já “puxou”. parte da água de amassamento pode ser perdida por evaporação para a atmosfera. Ademais.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Entretanto. facilitando o seu lançamento e aperto. é necessário o acréscimo de água. por exemplo. a argamassa deve estar pronta para o uso. quando se observa alguma das três situações abaixo: • Devido a produção de grandes volumes de argamassa. Desta forma. Este fato acontece pelo simples motivo deste acréscimo tornar a argamassa mais fluida.4 Adição de água em argamassas A complementação de água na argamassa de revestimento.edu. ou seja. Esse excesso de água pode gerar uma séria redução na resistência mecânica dos revestimentos e provocar uma intensa fissuração. bem como para as reações de hidratação do cimento. freqüentemente. este acréscimo pode reduzir as resistências mecânicas do revestimento e contribuir para a ocorrência de fissuração devido à retração. para que a mesma volte a se mostrar trabalhável. • A dosagem das argamassas deve ser realizada de uma forma que o oficialpedreiro fique satisfeito com a plasticidade da mesma. o que tornará a argamassa menos trabalhável. Caso isto não _______________________________________________________________________________ 212 Concretos e Argamassas Prof. o que vai reduzir o seu poder aglomerante. o cimento desta argamassa que sobra após o sarrafeamento pode já ter entrado em pega. este material pode ficar esperando a sua vez de ser aplicado por períodos de tempo superiores a 2 horas. tendo em vista que ela foi uma sobra do corte. apresentando uma trabalhabilidade inadequada para o lançamento e aperto. mesmo com a colocação de mais água e uma nova mistura.

Um dos motivos principais para a ocorrência dessa fissuração é a movimentação diferencial dos dois materiais. fazendo com que a argamassa aplicada sobre ele demore mais tempo para ficar adequada para o sarrafeamento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . a quantidade de água adicionada é muito pequena em relação às situações anteriormente expostas. pode-se ter fissuração nesta região devido a desuniformidade da absorção de água entre a alvenaria e a estrutura de concreto. na dosagem ou nos materiais. é que induzem a colocação de mais água.ocorra. observa-se que alguns cuidados devem ser tomados com o intuito de evitar problemas nos revestimentos. _______________________________________________________________________________ 213 Concretos e Argamassas Prof.5 Argamassas sobre diferentes materiais contíguos Uma das regiões revestidas com argamassa mais susceptível a ocorrência de fissuração é aquela localizada na interface estrutura de concreto/alvenaria. • Deve-se aplicar uma camada de argamassa racionalizada durante a produção do revestimento. para serem aplicadas. 2. argamassa industrializada). do que a aplicada sobre a alvenaria. Nesta situação. quando sujeitos a variações higrotérmicas e a sobrecargas. A discussão sobre o emprego das sobras é particular a dinâmica de cada obra e aos materiais utilizados (aglomerantes. Pelo exposto anteriormente. já que.edu. o oficial-pedreiro irá adicionar mais água na mistura antes da sua aplicação. Isto acontece porque o concreto é menos absorvente que a alvenaria. geralmente. este acréscimo de água é chamado de ajuste de água. buscando evitar que argamassas fiquem esperando por um longo período de tempo. Além da movimentação diferencial. incorreções na granulometria. O emprego adequado deste material (sobras) deve ser discutido com especialistas em argamassas. De uma forma geral. que resulte em pouca sobra de argamassa após o sarrafeamento. buscando a trabalhabilidade ideal. entre estes se destacam: • Produzir uma quantidade de argamassa adequada para a frente de trabalho disponível. na tentativa de ajustar a trabalhabilidade da argamassa a condições mínimas de aplicabilidade.

Pelos motivos apresentados. que ainda não estará rígida o suficiente. Nesta situação.edu. como também. têm-se regiões que já estarão aptas a receber os serviços de sarrafeamento e desempeno (argamassa aplicada sobre a alvenaria). geralmente.A importância do aperto da argamassa A resistência de aderência à tração de um revestimento. aplicando-se um chapisco fechado sobre a estrutura e a alvenaria. é majorada quando se tem um aumento do contato entre a argamassa aplicada e o substrato. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.6 . A estrutura deve ser completamente chapiscada. não estando com uma rigidez adequada.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . pode-se ter fissuração na argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto. que já estará bastante rígida. Outra situação onde a realização do sarrafeamento e/ou desempeno no momento incorreto provoca fissuração nos revestimentos. se o sarrafeamento for executado apenas quando a argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto estiver adequada. em um mesmo pano de argamassa. Como a operação de corte é realizada. paralela a estrutura de concreto. para resistir aos esforços gerados pelo sarrafeamento e desempeno. regiões onde a argamassa ainda não estará apta (argamassa aplicada sobre a estrutura de concreto) para a execução desses serviços. Alguns dos fatores que interferem nessa extensão de aderência são a textura do _______________________________________________________________________________ 214 Concretos e Argamassas Prof. ter-se-ão dificuldades para cortar a argamassa aplicada sobre a alvenaria. ocorre nas argamassas aplicadas pouco tempo antes da hora do almoço e do fim do expediente de trabalho.Assim sendo. se o sarrafeamento for realizado quando a argamassa aplicada sobre a alvenaria já estiver adequada. a fim de se evitar diferentes tempos de sarrafeamento para a argamassa. enquanto que na alvenaria deve-se ter pelo menos uma faixa de 1 metro com chapisco. quando a argamassa ainda não “puxou”. 2. ocorre a fissuração. é que se verifica a necessidade de realizar a uniformização da absorção da interface estrutura de concreto/alvenaria. Já. Esta precipitação dos pedreiros se verifica pela pressa de os mesmos terminarem o serviço para irem almoçar ou encerar o expediente. Essa uniformização é realizada.

o que dificultará a aderência da segunda camada de argamassa aplicada sobre a mesma. A justificativa para a não realização deste procedimento se observa no fato de os oficiais pedreiros acharem que. a extensão de aderência poderá ser majorada com a realização do aperto da argamassa após a sua aplicação. É evidente que este baixo valor de aderência não se deve apenas à falta do aperto.substrato. ela não precisa ser apertada. pelo fato de não ser realizado o sarrafeamento e/ou desempeno na argamassa de cheia. possivelmente. o cimento já terá entrado em pega. são fundamentais para que ela possa penetrar pelas reentrâncias e saliências do substrato. Assim. Nessa argamassa. provavelmente será acrescentada água e. A falta deste aperto na cheia contribui para que nestas regiões sejam verificados baixos valores de resistência de aderência à tração. que deve ser evitada. ela vai ficar pouco rugosa na sua superfície. é a falta do aperto nas argamassas utilizadas nas “cheias”. _______________________________________________________________________________ 215 Concretos e Argamassas Prof. ocorrerá uma elevação da resistência de aderência à tração do revestimento. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Porém. o que irá colaborar para a extensão da aderência. aumentado o contato entre esses dois materiais. aliada à energia de seu lançamento. a energia de aplicação e a operação de aperto.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Outra justificativa dada pelos oficiaispedreiros é que. em média. mesmo que a trabalhabilidade da argamassa e a energia utilizada no seu lançamento não sejam adequadas. A plasticidade da argamassa. se a argamassa de cheia for apertada.edu. Uma prática bastante verificada nas obras. quando se tem mais de uma camada de argamassa. a argamassa que sobrou após o sarrafeamento (corte). gerando conseqüências negativas nas resistências mecânicas. já que é freqüente se utilizar para a execução das “cheias”. a trabalhabilidade da argamassa.

edu. pela ausência de conhecimento tecnológico acerca do assunto. pode-se dizer que a maior parte dos problemas patológicos que ocorrem ao longo de sua vida útil.3 Patologia dos revestimentos de argamassa Os problemas patológicos são manifestados nas edificações devidos a uma série de razões. _______________________________________________________________________________ 216 Concretos e Argamassas Prof. diferentes técnicas de execução e condições ambientais adversas estão sempre concorrendo para a realização dos empreendimentos. entre outros motivos. de fixação e de acabamento b) ou ainda por erros de concepção durante a elaboração do projeto. de modo geral. Isto não é de se estranhar. pois diversos materiais. por dois motivos: a) ou pela inexistência de um projeto específico em que sejam definidas as características do revestimento como um todo. Considerando-se todas as etapas do processo de produção de edifícios. necessitando conhecerem ainda as possíveis patologias originadas por problemas decorrentes desta fase. devem ser vencidos buscando-se o domínio tecnológico desta área. em que muitas vezes suas diretrizes são dadas independentemente das condições reais de exposição e dos requisitos básicos à sua construção.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . ou seja. a fim de que os problemas não sejam preconcebidos na fase de projeto. está limitado aos efeitos arquitetônicos. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Os problemas originados em revestimentos na fase de projeto ocorrem. Esses entraves. falta de orientação específica para elaboração de projeto e falta de informações acerca do comportamento de obras já construídas. No que se refere à fase de execução dos serviços de revestimento é imprescindível que os técnicos envolvidos com a produção dos mesmos tenham o domínio das corretas técnicas. pois quando este existe. A não elaboração de um projeto ou mesmo os erros decorrentes de sua concepção são fatos gerados. tem origem principal nas fases de elaboração do projeto e de execução dos serviços propriamente ditos. da camada de regularização. porém.

para facilitar o estudo dos mesmos. convém adotar uma classificação. Uma outra forma classifica as patologias de revestimentos de argamassa de acordo com suas formas de manifestação. b) trincas. fissuras. principalmente em função da falta de disponibilidade de profissionais com formação adequada para enfrentar tal situação. c) deficiente resistência mecânica. • • • bolor eflorescências fantasmas ou espectros de juntas d) outras.1 Perda de aderência ou desagregação A perda de aderência pode ser entendida como um processo em que ocorrem falhas ou ruptura na interface das camadas que constituem o revestimento ou na interface _______________________________________________________________________________ 217 Concretos e Argamassas Prof. b) inadequada capacidade de acomodação plástica (quando endurecida). não serão abordadas nesta disciplina 3. é extremamente necessário que se busque adotar uma metodologia de desenvolvimento do projeto que contemple todos os detalhes executivos. Por serem inúmeros os problemas patológicos passíveis de ocorrerem nos revestimentos verticais de argamassa e cerâmicos.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Uma das formas de realizar a classificação é de acordo com suas origens: a) aderência insuficiente.Embora se reconheça a dificuldade em se dominar a tecnologia de projeto e de execução dos revestimentos. c) manchas. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. que nos parece mais adequada: a) perda de aderência ou desagregação. as quais pela sua incidência esparsa. gretamentos.edu.

Entre outros problemas que se desenvolvem na base ao longo do tempo e que também podem afetar o revestimento. pontuais neste caso o descolamento ocorre de forma pontuais. _______________________________________________________________________________ 218 Concretos e Argamassas Prof. descolamento por pulverulência observam-se desagregação e conseqüente esfarelamento da argamassa ao ser pressionada pelas mãos e a película de tinta destaca-se juntamente com a argamassa que se desagrega com facilidade.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .edu. descolamentos por empolamento o fenômeno ocorre devido às expansões na argamassa em função da hidratação posterior de óxidos. em placas. com pulverulência. temos a corrosão da armadura de concreto. o acúmulo do produto de corrosão na interface que podem provocar o descolamento do revestimento. a fissuração e expansão do concreto. devido às tensões surgidas ultrapassarem a capacidade de aderência das ligações.com a base ou substrato. pontuais (vesículas). não se extendendo por toda a extensão do revestimento. Estes descolamentos podem apresentar extensão variável. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. descolamento em placas ocorre quando há deficiência de aderência entre camadas do revestimento ou das mesmas com a base ou até por espessura excessiva do revestimento. sendo que a perda de aderência pode ocorrer de diversas maneiras: • • • • por empolamento.

d) amarração (falta de amarração nos cantos de paredes ou no encontro da laje com as paredes).” A incidência de fissuras em revestimentos sem que haja movimentação e ou fissuração do substrato ocorre devido a fatores relativos à execução do revestimento argamassado. a temperatura é alta e há a presença de ventos. se o revestimento não for executado corretamente. deve-se dar preferência à utilização de primer apropriado. o que ocasiona maior retração por secagem e. que vários fatores intrínsecos à argamassa podem ser responsáveis pela fissuração do revestimento. Observa-se. c) movimentação (da estrutura de concreto. b) retração (fissuração da argamassa de revestimento ou de piso cimentado). da fundação ou do aterro). do madeiramento do telhado ou da laje mista). Outro fator que influencia no surgimento de fissuras é a umidade relativa do ar. impacto de portas. dentre os quais citam-se: consumo de cimento. No caso de argamassa composta por alto teor de finos. então. e) diversos (concentração de esforças. podem aparecer fissuras na forma de “mapas” por todo o revestimento. solicitações higrotérmicas e também por retração hidráulica da argamassa. _______________________________________________________________________________ 219 Concretos e Argamassas Prof. aplicado à base.edu.). Em regiões onde a umidade relativa do ar é baixa.2 Trincas. do que realizar molhagem abundantemente. etc.3. Tem-se que as causas prováveis de fissuras e trincas em revestimentos são: a) recalque (acomodação do solo. teor de finos e quantidade de água da amassamento. há um maior consumo de água de amassamento.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. gretamentos e fissuras Popularmente chama-se de trinca a fissura com abertura maior.

Se uma parede que apresenta bolhas na pintura ou manchas de bolor for interna. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. manchas claras esbranquiçadas ou amareladas. de modo geral. O desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de tetos e paredes. teor de finos elevado. marrom e verde. O passo seguinte é verificar se o reboco está firme. ou ocasionalmente. ainda. assinale sua trajetória. destacando entre elas: • • • • • • consumo elevado de cimento. argamassa com baixa retenção de água. formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta. inclusive com o paramento seco.edu. cura deficiente. permitindo a visualização das fissuras. 3. não são visíveis.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .3. esse autor aponta. No caso de umedecimentos sucessivos.1 Bolor O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato. algumas outras causas que podem ser responsáveis pelas fissuras nos revestimentos de argamassas. a não ser que sejam molhadas e que a água.3 Manchas 3. Tal fenômeno ocorre porque a água contendo cal livre sai pelas microfissuras. Estando nessas condições.As fissuras por retração hidráulica. pode-se gerar mudanças na tonalidade. se soltar ou esfarelar. número e espessura das camadas. Além disso. consumo elevado de água de amassamento. o primeiro passo é detectar de onde vem a infiltração. ele terá de ser _______________________________________________________________________________ 220 Concretos e Argamassas Prof. penetrando por capilaridade. citando-se inclusive as argamassas inorgânicas.

e finalmente o reboco contendo na argamassa o impermeabilizante. o bolor e as algas são problemas é que depois que se instalaram. O lugar da casa em que costumam aparecer é o banheiro. d) umidade relativa do ar em torno de 80%. sendo assim. assunto de grande importância no que se refere à qualidade dos ambientes internos.3. como resultado da exposição à intempéries”. Os casos que abrangem fungos. Há ainda algumas causas extrínsecas ao material.edu. conforme as condições do substrato: a) umidade ascendente por capilaridade. é ideal para sua proliferação. que podem aumentar o teor de água disponível para o crescimento dos fungos. A parede receberá então a aplicação do revestimento em seguida um adesivo de alto desempenho. produzida pelo vapor do chuveiro. _______________________________________________________________________________ 221 Concretos e Argamassas Prof. dificilmente vão embora.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . que favorecem o acúmulo de bolor na superfície dos revestimentos são: • • • a umidade de condensação. b) umidade de infiltração por fachada ou telhado. e) umidade de condensação de vapores em ambientes fechados. Além da questão estética. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. c) umidade acidental (vazamento de águas potáveis e servidas).removido completamente. já que a umidade. ou superior a esse valor. 3. destaca-se ainda a ocorrência de problemas respiratórios nos moradores de residências com bolor deve ser considerada. a ventilação insuficiente num ambiente e a permeabilidade da alvenaria à umidade exterior. até chegar na alvenaria.2 Eflorescências Nas edificações. Alguns fatores causadores de umidade. o termo eflorescência significa “a formação de depósito salino na superfície de alvenarias.

na rede capilar ou dissolver e transportar sais solúveis presentes no material. de potássio. ladrilhos cerâmicos. podendo introduzir substâncias agressivas. muito solúvel em água. pode ocorrer o fluxo da água por capilaridade ou por pressão. O fluxo descrito está intimamente relacionado às propriedades absorção e capilaridade das argamassas. à presença da água destinada a promover a trabalhabilidade desejada ao material e necessária às reações de hidratação do cimento. Esse tipo de patologia somente modifica o aspecto estético. não haverá a ocorrência de eflorescência. Tipo I é o mais comum e caracteriza-se por um depósito de sal branco. de sódio. é determinante haver a presença e a ação dissolvente da água. II e III. como no caso de compostos expansivos. Há ainda alguns fatores que favorecem o fenômeno: porosidade das argamassas e bases. A eflorescência é causada por três fatores: o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes. revestimentos de argamassa. regiões próximas a esquadrias mal vedadas. de magnédio e de ferro. Todas essas três condições devem existir e. causando desagregação profunda. presentes no substrato. aumento do tempo de contato e a quantidade de solução que aflora. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Para ocorrer a eflorescência. que podem ser solúveis ou parcialmente solúveis em água. _______________________________________________________________________________ 222 Concretos e Argamassas Prof. Em função desses vazios no interior da argamassa. pulverulento. a eflorescência é composta principalmente por sais de metais-alcalinos e alcalinos-terrosos. O fenômeno ocorre porque a argamassa apresenta vazios e canais em seu interior. Os principais sais presentes no materialsão os de cálcio. não sendo prejudicial ao substrato.edu. As eflorescências podem alterar a aparência da superfície sobre a qual se depositam.Quimicamente. principalmente. devidos. se uma delas for eliminada.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . juntas de ladrilhos cerâmicos e azulejos. Pode ocorrer em superfícies de alvenaria aparente. a presença de água e a pressão hidrostática para propiciar a migração da solução para a superfície. e em determinados casos seus sais constituintes podem ser agressivos. Distingue-se três tipos de eflorescência: de Tipo I. juntas de assentamentos.

Na eflorescência denominada de Tipo I. que pode ser liberada na hidratação do cimento. muito aderente e pouco solúvel em água. como os sais são solúveis em água. seguida de lavagem com água abundante. Nas eflorescências do Tipo I. A cal dissolve-se e deposita-se na superfície. quando em contato com o ácido clorídrico. devendo-se saturar anteriormente a _______________________________________________________________________________ 223 Concretos e Argamassas Prof. com a água proveniente da chuva ou de infiltração. além do que. além de apresentar um efeito estético negativo. é difícil de ser eliminada. Tipo III manifesta-se como um depósito de sal branco entre juntas de alvenaria aparente. em casos de depósito abundante. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. a eflorescência desaparece após um período prolongado. da reação química entre os compostos do tijolo com o cimento. Recomenda-se que. de cimentos. os sais (freqüentemente de sulfatos de sódio e potássio) podem ser provenientes de tijolos. às vezes. recomenda-se. para alvenaria externa de um edifício recém-terminado. o problema pode ser solucionado removendo os sais com escovação mecânica. pela ação da chuva. Esse depósito. formado com a reação da cal livre.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó . Pode-se também eliminar mais rapidamente tal patologia removendo os sais depositados na superfície com escova de aço. o sal formado é basicamente o carbonato de cálcio. da água utilizada no amassamento. Em seguida. que se apresentam fissuradas devido à expansão decorrente da hidratação do sulfato de cálcio existente no tijolo ou da reação tijolo-cimento. realiza-se uma lavagem com solução de ácido muriático. A eflorescência do Tipo II. pois as reações ainda não terminaram. dos agregados.Tipo II caracteriza-se pela aparição de um depósito de cor branca com aspecto de escorrimento. sobre superfícies de alvenaria. apresenta efervescência. deixar que desapareça por si mesmo.edu. reagindo com o anidrido carbônico do ar. Na evaporação da água. esta cal se transforma em carbonato de cálcio. Na eflorescência do Tipo II. e de substâncias contidas em solos adensados ou contaminados por produtos químicos e da poluição atmosférica. Esses sais formam-se em regiões próximas a elementos de concreto ou sobre sua superfície e.

parede, para preencher os vazios existentes com água e evitar a impregnação do ácido através dos poros. Porém, há casos em que a eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação freqüente de solução ácida pode comprometer a durabilidade do componente. Além das recomendações acima, destaca-se alguns cuidados a serem tomados para evitar a ocorrência de eflorescência, destacados a seguir: • não utilizar materiais com elevado teor de sais solúveis. A presença de sais pode ser detectada através de ensaios realizados em laboratório; • • não utilizar componentes cerâmicos com elevado teor de sulfatos; em caso de alvenaria aparente, a redução da absorção da água da chuva pode ser obtida utilizando-se pintura impermeável, resistente à exposição em solução salina; • • • proteger da chuva a alvenaria recém terminada; reduzir ao máximo a penetração de água na alvenaria; reduzir a lixiviação da cal através da utilização de cimento que libere menor teor de cal na sua hidratação, como é o caso do cimento pozolânico ou de alto forno.

Ainda que apesar da eflorescência, de uma maneira geral, constituir-se num fenômeno onde os danos são apenas estéticos, ela é o efeito de um problema mais grave e freqüente da edificações, que é a umidade.

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Manifestações

Aspectos Observados

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Umidade constante

Reparos Eliminação da infiltração de umidade. Secagem do revestimento.

Manchas de umidade Eflorescência Pó branco acumulado sobre a superfície

Sais solúveis presentes no componente da alvenaria Sais solúveis presentes na água de amassamento ou umidade infiltrada Cal não carbonatada

Escovamento da superfície. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Manchas esverdeadas ou escuras Revestimento em desagregação Empolamento da pintura, apresentando- se as partes internas das empolas na cor: -branca -preta Vesículas -vermelho acastanhada Bolhas contendo umidade no interior

Umidade constante

Eliminação da infiltração da umidade. Lavagem com solução de hipoclorito. Reparo do revestimento quando pulverizado.

Bolor

Área não exposta ao sol

-Hidratação retardada de óxido de cálcio da cal -Presença de pirita ou de matéria orgânica na areia -Presença de concreções ferruginosas na areia Aplicação prematura de tinta impermeável. Infiltração de umidade

Renovação da camada de reboco.

Eliminação da infiltração da umidade. Renovação da pintura.

Descolamento com empolamento

A superfície do reboco descola do emboço formando bolhas, cujos diâmetros aumentam progressivamente O reboco apresenta som cavo sob percussão. A placa apresenta-se endurecida, quebrando com dificuldade Sob percussão o revestimento apresenta som cavo

Hidratação retardada do óxido de magnésio da cal A superfície de contato com a camada inferior apresenta placas freqüentes de mica. Argamassa muito rica. Argamassa aplicada em camada muito espessa.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento.

Descolamento A placa apresenta-se endurecida, mas quebradiça desagregando-se com facilidade

em placas

A superfície da base é muito lisa. A superfície está impregnada com substância hidrófuga.

Renovação do revestimento:

-Apicoamento da base; -eliminação da base hidrófuga;

Sob percussão o revestimento apresenta som cavo Ausência da camada de chapisco

-aplicação de chapisco ou outro artifício para melhoria de aderência.

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Manifestações

Aspectos Observados A película de tinta descola arrastando o reboco que se desagrega com facilidade.

Causas Prováveis atuando com ou sem simultaneidade Excesso de finos no agregado. Traço pobre.

Reparos

Descolamento Traço rico em cal. com pulverulência Fissuras Horizontais Apresenta-se ao longo de toda a parede. Descolamento do revestimento em placas, com som cavo sob percussão. O reboco apresenta som cavo sob percussão. Ausência de carbonatação de cal. O reboco foi aplicado em camada muito espessa. Expansão da argamassa de assentamento por hidratação retardada do óxido de magnésio da cal. Expansão da argamassa de assentamento por reação cimento-sulfatos, ou devida à presença de argilo-minerais expansivos no agregado. Fissuras Mapeadas As fissuras têm forma variada distribuem-se por e toda a superfície. Retração da argamassa de base.

Renovação da camada de reboco.

Renovação do revestimento após hidratação completa da cal da argamassa de assentamento.

A solução a adotar é função da intensidade da reação expansiva. Renovação do revestimento. Renovação da pintura.

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Referências

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BAUER, L.A.F.. Materiais de Construção. 2 vol. Rio de Janeiro, Livro Técnico e Científico; 1994. DURANTE, R. Aglomerantes. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Agregados. Notas de aula . ST304 – Materiais de Construção 1. Limeira: 2001. _____. Concreto – Qualidade, Classificação e Propriedades. Notas de aula . ST420 – Materiais de Construção 2. Limeira: 2001. FIGUEIREDO, A. e outros. Materiais de Construção Civil II . PCC 2340. Notas de aulas. São Paulo: 1999. HELENE, P.; TERZIAN, P. Manual de dosagem e controle do concreto. São Paulo: PINI, 1993. JACOSKI, C.A. Concreto e Argamassas. Série Didáticos. Chapecó: Argos, 2001, 71 p. LIMA, M.G. Materiais de Construção Civil 2 . EDI-32 Notas de aula. São Paulo: 2000. METHA, P. K.; MONTEIRO, P.J.M. Concreto, estrutura, propriedades e materiais. . São Paulo: PINI, 1994. MONTEIRO, E.B. – Materiais de Construção Civil 1 . Notas de aula. ??: 2004. NEVILLE, A.M. Propriedades do concreto. Tradução Salvador Giamusso. São Paulo: PINI, 1997 PETRUCCI, E.G.R. Concreto de cimento Portland. Porto Alegre: Globo, 1998, 13a. ed.

_______________________________________________________________________________ 227 Concretos e Argamassas Prof. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco.edu.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó

E. _______________________________________________________________________________ 228 Concretos e Argamassas Prof. – Materiais de Construção Civil 1 . Mestrado Profissionalizante UFGRS. Porto Alegre: 2005. que pela grande quantidade e variedade não foi possível aqui enumerar .. Dissertação. Silvio Edmundo Pilz silvio@unochapeco. Notas de aula. – Produção de concreto: Verificação da variabilidade da resistência à compressão do concreto ..F. SILVA. Além de diversos outros materiais de diversas faculdades.br) Engenharia Civil CETEC Unochapecó .E. Brasília: 2006.PILZ. S..edu.

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