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resumos da disciplina de sociologia 12º ano
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RESUMO DA MATÉRIA DO 12º ANO DE SOCIOLOGIA (PARA O EXAME

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Processo Dialéctico entre o Homem e o Meio - transformação do meio pelo homem e deste pelo meio. Isto significa que se estabelecem relações nos dois sentidos, isto é, relações de interdependência. O Homem, como ser actuante, à medida que atinge estádios superiores de conhecimento, exerce uma maior acção sobre o seu ambiente, garantindo assim a sua sobrevivência e aumentando a qualidade de vida, o bem estar, a inteligência, entre outros. A natureza condiciona também o homem. A Realidade Social é una, não se encontrando compartimentada. Mas para que todas as suas vertentes possam ser estudadas e aprofundadas com uma fácil análise pelas diferentes ciências, está artificialmente compartimentada. Todas as ciências sociais se ocupam da mesma realidade social mas são distintas entre si devido ao seu ponto de vista ou leitura própria, fornecendo uma visão parcelar da realidade. Se conhecermos todas essas visões parcelares, então obteremos uma compreensão mais correcta e profundas do fenómeno social analisado, ou seja, a realidade social é tão complexa, tem uma tão grande diversidade de situações, de fenómenos, que é necessário recorrer à pluridisciplinaridade como atitude metodológica a tornar para a análise dos factos e fenómenos sociais por forma a adquirir um conhecimento mais profundo e correcto da realidade. A realidade é portanto pluridimensional, pois é passível de várias abordagens. Complementaridade entre as diferentes ciências - para se poder chegar a uma visão e compreensão total do fenómeno em causa, torna-se imprescindível que as várias análises parcelares se completem umas às outras. As Ciências Sociais são reciprocamente complementares, pois a leitura que cada uma faz da realidade social completa ou complementa as leituras feitas pelas outras ciências. Interdependência entre as diferentes ciências - uma vez que os múltiplos aspectos dos fenómenos sociais não são mais do que diferentes aspectos de uma só realidade social (uma unidade sob a diversidade (ou diferenciação) das disciplinas), eles não podem ser independentes uns dos outros; pelo contrário, eles interferem entre si. Os diferentes aspectos de um fenómeno interferem entre si na explicação desse mesmo fenómeno. A complexidade da sociedade actual exige o recurso às várias disciplinas relacionando-as entre si de forma a adquirir um conhecimento mais profundo da realidade social e de modo a que este conhecimento seja o mais próximo possível da verdade. Fenómeno Social Total - são todos os fenómenos sociais, pois todos eles são plurifacetados e resultantes da complexidade das relações sociais, podendo ser objecto de estudo de várias disciplinas para melhor compreender o fenómeno. Todos eles têm implicações em diferentes níveis do real (sociológico, económico, religioso, etc.). Objecto da Sociologia - Factos sociais - situações que ocorrem na vida social entre os grupos e instituições sociais (nomeadamente as relações recíprocas - relações estabelecidas entre os indivíduos duradouramente resultantes de determinadas funções sociais desempenhadas). Estes factos estudados dividem-se em: - acção social (como existem e são mantidas as colectividades humanas e como se liga o indivíduo a essas colectividades); - organização social (como se organizam e estruturam os quadros sociais da vida humana); - mudança social (como se produz a evolução das sociedades humanas). Os factos sociais são relativos, pois um facto social só faz sentido quando está integrado no contexto natural e social onde ocorre; verificam-se num determinado espaço e tempo, sendo condicionados pelos elementos do próprio contexto. Os factos sociais são também exteriores aos indivíduos, pois existem fora das consciências individuais (a sociedade impõe aos indivíduos modelos de comportamento (determinadas maneiras de pensar, sentir e agir) independentemente da sua vontade). Sociologia Geral - estuda o funcionamento da sociedade, a sua evolução, a mudança social, isto de um ponto de vista global e geral. Sociologia Especializada - estuda mais aprofundadamente os aspectos particulares sociais (influência das forças sociais sobre o comportamento dos indivíduos em grupo (escola, família, etc.). Objectivo da Sociologia - controlar os grupos sociais. Devido à evolução da industrialização e desumanização do trabalho foram originados conflitos, o que motivou uma necessidade de concertação social para que não houvesse um desintegramento dessa mesma sociedade. Esta concertação deu origem à necessidade de estudar e orientar as escolhas das pessoas. Um sociólogo americano comparou a Sociologia como uma espécie de engenharia social em que, depois de os problemas serem estudados, seria construída uma sociedade em que cada indivíduo ocuparia um lugar pré-definido. Deste modo, o impacto causado pelos conflitos sociais resultantes de uma crise seriam controlados.

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Método da Sociologia: - Atitude Científica - a Sociologia como ciência estuda a realidade de forma objectiva, procurando estabelecer causas e relações entre os fenómenos. Utiliza o método científico, conduzindo por isso à formação de ciências. - Atitude Ideológica - pronuncia juízos de valor relativamente aos fenómenos em estudo. Esta atitude valorativa não tem em conta o estudo científico dos factos, originando o aparecimento de doutrinas. A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS O Método Científico como método de estudo dos fenómenos sociais foi defendido por Auguste Comte, considerado como o “pai da Sociologia”. Antes de Auguste Comte, as análises/investigações não aprofundavam todas as vertentes dos fenómenos, havia uma tendência para se formularem apreciações de carácter ético-valorativo (considerações não válidas cientificamente, pois o cientista recorria normalmente a princípios normativos e filosóficos para explicar um fenómeno). Comte então “desenvolveu” a Sociologia como ciência social, defendendo o Método Científico para o estudo dos problemas sociais. Deste modo, o cientista no seu trabalho de investigação deverá percorrer várias etapas, onde o confronto das suas propostas com as diferentes provas de validação darão validade científica às soluções apontadas. O Método Científico é constituído por 4 fases: a Observação, a Formulação de Hipóteses, a Experimentação e por fim a Conclusão. Deste modo passou a existir uma ordem, uma organização na pesquisa científica. No entanto, o Método Científico não permite prever o comportamento individual, só se aplica unicamente em relação à generalidade da população. Nas ciências naturais um acontecimento é sempre verificável, mas nas ciências sociais as leis só se aplicam na generalidade dos casos (representam uma tendência do comportamento da população mas esse comportamento poderá ser incerto, isto devido à complexidade dos fenómenos sociais). É o caso de um objecto que é mais procurado quando está na moda. Este comportamento verifica-se em relação à generalidade da população, mas não se pode verificar caso a caso, pois nem todos os indivíduos irão procurar esse objecto pelo facto de ele estar na moda. A IMPORTÂNCIA DA OBJECTIVIDADE NAS CIÊNCIAS SOCIAIS E O POSICIONAMENTO DO INVESTIGADOR Uma ciência social procura a verdade objectiva, então o sociólogo terá de utilizar uma atitude objectiva no estudo dos fenómenos. Para isso ele deverá estudar os fenómenos ou factos sociais como “coisas”, isto é, terá de se colocar perante os factos (nos quais ele próprio está envolvido devido ao seu relacionamento dentro dos grupos sociais) com um certo distanciamento, de modo a que a investigação não seja influenciada pelos seus sentimentos e envolvimento na sociedade, principalmente pelos juízos de valor (opiniões pejorativas ou favoritismo) e outros factores externos, os quais distorceriam a realidade. O sociólogo deverá fundamentar as suas conclusões com base na observação e experimentação, utilizando o método científico para que análise da realidade seja objectiva. A objectividade pressupõe: uma observação anti-dogmática; o afastar de preconceitos; observar o concreto; ter um método de observação específico; ter neutralidade ética e o afastar das noções do senso comum. Por exemplo, o estudo de diferentes etnias por pessoas de raça diferente ou até mesmo o tipo de relação existente entre grupos específicos poderá respostas de carácter preconceituoso. A Objectividade será indispensável para superar este problema. - A COMPREENSÃO E A EXPLICAÇÃO A objectividade e o rigor de uma pesquisa social relaciona-se com o Processo de Compreensão e o Processo de Explicação. A Compreensão e a Explicação fazem com que o sociólogo, ao analisar os problemas sociais, não possa influenciar as suas conclusões com o seu envolvimento emocional em relação às colectividades que está a estudar. A Compreensão e a Explicação são processos distintos. A Compreensão é a capacidade intuitiva que o sociólogo tem para conhecer os problemas que está a investigar, dada a sua proximidade com as colectividades, uma vez que possui experiências de vida semelhantes, ou seja, o cientista consegue colocar-se no papel do observado (das pessoas ou das colectividades). A Explicação está mais associada com o distanciamento necessário entre o sujeito e o objecto da investigação; Uma das vantagens de o cientista compreender o objecto de estudo consiste na interpretação e justificação mais fácil dos problemas.

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Por outro lado, a compreensão não é sinónimo de rigor e objectividade de análise se não for incluída na explicação de um fenómeno a fase da experimentação do Método Científico. Portanto, estes 2 processos têm de ser conjugados na investigação, pois isoladamente não explicam com rigor e objectividade os fenómenos sociais, nem definem um Método de Pesquisa. Para se atingir o rigor científico, será necessário testar, na fase da experimentação, todas as hipóteses explicativas e utilizar diferentes técnicas para a análise do fenómeno estudado. Deste modo será obtida uma conclusão mais rigorosa no ponto de vista científico. COMPREENDER A FORMAÇÃO DAS COLECTIVIDADES EM GERAL Uma Colectividade é um conjunto de inter-relações com uma determinada organização, estrutura e ordenamento no qual o homem tem necessidade de participar para satisfazer as suas necessidades fundamentais (e por isso, estabelece contactos com durabilidade). O elemento base da vida social são as relações entre os indivíduos, por isso essas relações, as colectividades e os comportamentos são os elementos primários da vida social. As colectividades podem encaixar-se ou justapor-se umas nas outras, pois o indivíduo não actua directamente como membro da colectividade mais ampla (sociedade global), mas sim por intermédio das colectividades mais restritas. Esse indivíduo pode ser directamente membro de cada uma dessas colectividades. O que define o “lugar” do indivíduo na colectividade é a sua “maneira de estar”. O que caracteriza uma colectividade não é os seus membros (pois estes podem ser comuns a várias colectividades) mas sim as relações que se estabelecem entre eles nessas diferentes colectividades. Os comportamentos típicos que ocorrem em cada colectividade - em conformidade com a função que exercem ou com o cargo que desempenham - deriva destas relações. DISTINGUIR AS DIFERENTES FORMAS DE SOCIABILIDADE As diferentes formas de sociabilidade decorrem do conjunto ou tecido de relações decorrentes da vida social. Gurvitch distinguiu-as do seguinte modo: ⇒ POR FUSÃO PARCIAL OU NÓS Nalgumas colectividades, os seus membros têm necessidade de se identificar com o todo, o qual é irredutível à pluralidade dos seus membros (o todo não é igual à soma das partes) e em que a consciência da totalidade só se atinge em determinadas circunstâncias. Há uma ligação/pertença a um agrupamento, à colectividade, que não impede que cada pessoa se sinta ela própria, com as suas características particulares. Cada pessoa apenas se anula parcialmente quando passa a ser, em determinados momentos, membro do conjunto/agrupamento. Só em momentos de enorme solidariedade/emoção em relação aos outros membros do grupo é que a fusão é mais do que parcial. Gurvitch distingue três tipos de formas de sociabilidade, de acordo com uma maior ou menor intensidade do processo de fusão parcial, a qual depende do grau de solidariedade entre os membros: - Massas - caracterizam-se pela fraca intensidade da solidariedade (este sentimento nasce, geralmente, da participação semelhante em certos valores) ou baixo grau de consciência da ligação das partes ao “todo”, pela alguma proximidade psicológica entre os elementos integrantes e uma predisposição potencial para a acção conjunta quando a ocasião surge, podendo existir uma espécie de capacidade para compreender os outros. Um exemplo de Massas será a Moda - as pessoas consomem um determinado produto influenciadas pelas massas. - Comunhões - caracterizam-se pela solidariedade e forte intensidade da consciência da ligação dos elementos ao grupo, fazendo com que, em determinadas situações de grande emoção, os indivíduos sejam capazes de passar à acção, anulando-se pelo todo (as personalidades individuais e as suas interiorizações atenuam-se a favor dos comportamentos comuns). Nas comunhões os elementos estão em harmonia e em sintonia, sacrificando-se pelo “Todo”, actuando em favor do grupo onde se inserem. - Comunidades - caracterizam-se pela intensidade média da consciência da ligação dos elementos ao “todo” e pela existência de agrupamentos estruturados, estáveis e permanentes que tenham por base um certo elemento material comum: um território, uma vivência de acordo com um estilo próprio e o respeito pelas mesmas tradições, crenças, ideias, costumes, etc. Isto constitui o seu “património” com uma base cuja única significação é ser propriedade indivisível de cada um dos membros da comunidade. ⇒ POR OPOSIÇÃO PARCIAL OU “RELAÇÕES COM OUTREM”

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É o oposto da sociabilidade por fusão parcial. Neste caso os elementos (mesmo que actuem em conjunto) agem em função do seus interesses individuais e na salvaguarda da sua personalidade. Esta acção em conjunto resulta de uma situação em que os interesses do grupo convergem. Predomina a individualidade, mesmo que haja uma conjugação de forças para se atingir um determinado objectivo. As pessoas não estão motivadas para defender o todo (uma causa comum). O atributo parcial que caracteriza esta forma de sociabilidade é a oposição não ser permanente nem total, por isso não há antagonismo. É uma heterogeneidade parcial que não se aplica unicamente aos relacionamentos que impliquem lutas, conflitos, delimitações recíprocas de interesses, etc., mas também às relações recíprocas mais próximas e envolventes, uma vez que as pessoas envolvidas “permanecem essencialmente distintas e parcialmente transcendentes uma à outra”, existindo, então, a “oposição parcial” entre elas. ⇒ SOCIABILIDADE E ASSOCIAÇÃO/DISSOLUÇÃO Processos Associativos - tipo de sociabilidade que tende a unir os membros de uma colectividade. O sociólogo americano Joseph Fichter divide os Processos Associativos em: - Cooperação - é uma forma indispensável de relacionamento entre os membros de qualquer grupo social. Só ela permitirá o funcionamento, manutenção e continuidade do grupo. Embora a solidariedade seja grande, cada indivíduo mantém as suas características pessoais. A cooperação poderá nascer de um sentimento de solidariedade de tal modo forte que um novo grupo poderá nascer com objectivos diferentes e mais vastos. Disto, são exemplos os sentimentos nacionalistas que levaram os povos à organização de movimentos políticos de interdependência. - Acomodação - esta forma de relacionamento dá-se quando os indivíduos, sentindo obstáculos à cooperação, decidem ultrapassar as situações através de concessões recíprocas. Assim, o indivíduo, admitindo a sua impotência perante determinada situação, decide aceitar os factos, adaptando-se a eles. - Assimilação - a assimilação é um processo em que grupos com características específicas e diferentes, postos em contacto estreito, darão origem a um novo grupo com um modus vivendi próprio. Este processo inicia-se com a aprendizagem ou imitação de maneiras de ser diferentes. Como resultado, ao fim de determinado período de tempo, os comportamentos resultantes estarão mais próximos dos do grupo de maior influência, mas serão sempre diferentes dos comportamentos iniciais de qualquer dos grupos em contacto. Isto normalmente acontece com as comunidades de imigrantes, que ao se instalarem em determinado local, vão-se adequando à maneira de pensar, agir e sentir dos povos locais, dando origem posteriormente a uma nova comunidade com características culturais diferentes. Por outro lado a comunidade local também será influenciada pelos emigrantes. Processos Dissociativos - processos de relação com outrem que constituem casos particulares da sociabilidade por oposição parcial. A oposição não é geral mas é orientada. Os Processos Dissociativos são constituídos por: - Oposição - Quando um elemento do grupo impede outro de atingir os seus objectivos. É o exemplo, a nível político, dos partidos da oposição em relação ao governo. - Conflito - No conflito cada elemento do grupo tenta prejudicar o adversário, destruindo-o, enquanto que na oposição o objectivo não é prejudicar mas sim impedir o outro membro do grupo de atingir os seus objectivos. Quando este conflito se verifica entre classes há uma luta de classes; quando se verifica entre nações teremos uma guerra. - Competição - Na competição cada elemento tenta superar o outro nos seus objectivos. Ao contrário da oposição e do conflito, não se pretende impedir ou anular o outro elemento, mas sim atingir mais depressa os mesmos objectivos com base no esforço pessoal. TIPOS DE AGRUPAMENTOS Os Agrupamentos distinguem-se pela sua estrutura, características próprias, âmbito e natureza dos objectivos comuns dos seus membros. A estrutura de um agrupamento é o conjunto das diferentes posições (papéis, cargos, etc.) ocupadas pelos membros das colectividades e das interacções daí resultantes de forma a existir ajustamento e ordenação entre cada membro e o “todo”. Quando se detecta uma determinada estrutura num agrupamento, estamos perante um grupo. Um Grupo é, portanto, uma colectividade estruturada, um sistema de interacção social formado por parte dos sistemas de acção dos seus membros. O indivíduo desenvolve vários sistemas de acção por pertencer a diversos grupos em simultâneo e por estabelecer a sua integração nos mesmos. Por exemplo, um membro de uma associação de amigos do Pentium será provavelmente membro de uma família, de uma escola, de um clube, etc. Mantém, portanto, uma relação com todos. Essa relação ou

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acções que desenvolve enquanto membro de um grupo poderá influenciar reciprocamente ou não as acções que desencadeia enquanto membro de outros grupos. Por exemplo, como faz parte da associação dos amigos do Pentium, poderá perder lá algum tempo e chegar tarde ao jantar de família ou às aulas, ou por exemplo poderá não ir ao clube por ter muito para estudar. A diferença entre as colectividades estruturadas e as não estruturadas verifica-se nos seguintes aspectos: COLECTIVIDADES ESTRUTURADAS - os membros do grupo partilham alguns valores, padrões culturais, comportamentos, objectivos futuros, etc. - são criadas com determinados objectivos específicos e serão definidas as acções a desenvolver (atribuição de diferentes papéis sociais) para que os membros atinjam os objectivos. A definição das posições próprias que cada indivíduo ocupa nas colectividades deriva das funções/papéis/cargos que assume em cada um dos agrupamentos. TIPOS DE GRUPOS QUANTO À FUNÇÃO SOCIAL
QUE CUMPREM

- GRUPO FAMILIAR - trabalho de socialização; - GRUPO ECONÓMICO - fábrica, executa uma função produtiva; - GRUPO POLÍTICO - edificação de determinado modelo de sociedade; - GRUPO RELIGIOSO - missão espiritual; - GRUPO RECREATIVO - fomenta actividades que ajudam ao desenvolvimento individual. QUANTO AO FUNCIONAMENTO INTERNO: PROXIMIDADE DOS SEUS
ELEMENTOS E TIPO DE RELACIONAMENTO

- GRUPOS PRIMÁRIOS - grupo restrito onde o relacionamento entre as pessoas é mais expontâneo, íntimo, natural, informal e próximo, podendo-se encontrar uma identificação dos valores culturais básicos. O principal objectivo destes grupos é o afecto. É o caso, por exemplo, das famílias, que permite o equilíbrio emocional. - GRUPOS SECUNDÁRIOS - o relacionamento entre os membros é mais formal, impessoal e segmentário. Normalmente é formado por um maior número de elementos, cuja finalidade é de carácter utilitarista ou interesseira. Predomina como objectivo a eficácia e/ou o sucesso. É o caso, por exemplo, das empresas, onde existe um clima de competição profissional. Vantagens: os grupos secundários dão a possibilidade de mobilidade e de ascensão profissional e a obtenção de benefícios materiais, o que irá dar à pessoa um sentimento de realização pessoal. Consequências: os grupos secundários originam mudanças de atitudes resultantes do contacto entre as pessoas nesse grupo, o que vai levar a uma diminuição dos preconceitos e a uma assimilação (por imitação) dos comportamentos dos grupos a que os indivíduos não pertencem. Na nossa sociedade actual (onde domina a industrialização e a urbanização), as relações entre indivíduos são bastante impessoais e de carácter formal e contratual, tendo um objectivo utilitarista, dominando a razão sobre os sentimentos. Deste modo, e ao contrário do que sucedia nas sociedades tradicionais, a duração das tais relações não é permanente, tendo-se perdido os vínculos afectivos entre os indivíduos devido ao seu relacionamento dentro dos grupos secundários. Deste modo tem-se assistido ao desenvolvimento de grupos primários cujo objectivo é compensar emocionalmente e afectivamente as pessoas que se inserem também nos grupos secundários. É o caso dos grupos de vizinhos, de leitura, de voluntários, etc. QUANTO À APRESENTAÇÃO DE MODELOS
DE

COMPORTAMENTO

DE

REFERÊNCIA

- GRUPOS DE PERTENÇA - cada pessoa (conjunto de pessoas) é membro de grupo(s); - GRUPO DE REFERÊNCIA - outro grupo ao qual uma pessoa pertencente a um determinado grupo não se encontra directamente ligada mas que adquire dele elementos culturais (forma de sair do seu grupo de pertença e tentar inserir-se no outro), tendo essa pessoa o objectivo de ser reconhecida como membro desse outro grupo: desejo de ascensão social. Nestes aspectos reside a auto-socialização ou socialização por antecipação - a re-socialização.

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A dificuldade de assimilação e de aceitação ou reconhecimento no grupo de referência e rejeição no seu grupo de pertença origina, por vezes, comportamentos anómicos (a reintegração no grupo de pertença poderá ser a forma de ultrapassar estes comportamentos). Os valores dos grupos de referência constituem-se como modelo de avaliação das pessoas: avalia-se o comportamento, os valores, a aparência pessoal, etc., pela sua adequação aos apresentados por esse grupo padrão que se deseja pertencer. Quanto maior for a proximidade desses padrões, mais se julga estar próximo do grupo de referência. COLECTIVIDADES NÃO ESTRUTURADAS - encontro ocasional entre as pessoas num determinado espaço, ao mesmo tempo. - não é possível encontrar uma ordenação ou estrutura social. Mesmo que seja possível identificar a razão da proximidade das pessoas em dado momento, não estabelecem contudo, entre si, o relacionamento necessário que exija a distribuição de tarefas ou a ordenação de papéis. Deste modo surgem os agregados sociais (A), as categorias sociais (B) e outras colectividades não estruturadas (C). A - AGREGADOS SOCIAIS - são colectividades constituídas por indivíduos que se encontram numa situação não voluntária de proximidade física ou psicológica. Estes agregados não resultam da existência de relações pré-estabelecidas entre os indivíduos, nem dão origem às mesmas. Este tipo de relacionamento estabelecido não cria laços sociais entre as pessoas. O grau de proximidade e a duração das reuniões ou o tipo de comunicação pode variar, dando origem a agregados sociais específicos: os Compactos (os quais tem como características uma grande densidade ou grau de proximidade da população envolvida; o tipo de comunicação e duração das reuniões é temporário; dando origem a diferentes agregados sob a forma de multidão, assistência, ajuntamento ou manifestação) e os Territoriais (os quais têm uma fraca densidade ou grau de proximidade da população envolvida, sendo portanto menos compactos; a comunicação e duração das reuniões podem ser mais prolongadas ou até poderão ser estabelecidos contactos permanentes, o que vai dar origem à constituição de agregados sob a forma de agregados residenciais (ex.: bairro) ou agregados funcionais (ex.: Círculos Eleitorais). Agregados sociais compactos: Multidão - caracteriza-se pela motivação individual dos indivíduos a reunirem-se com outros; só há comunicação e participação entre os elementos por mero acaso; os elementos estão fisicamente muito próximos e a duração das reuniões é temporária ou muito limitada (dura enquanto existir uma justificação da presença dos elementos num determinado lugar). É o caso, por exemplo, das pessoas que aguardam a chegada do autocarro. Uma multidão pode dar origem a um ajuntamento. Ajuntamento - caracteriza-se pela motivação individual dos indivíduos a reunirem-se com outros; é estabelecido um processo de comunicação de que resultam comportamentos expontâneos, não estruturados e imprevisíveis (são partilhados pontos de vista, emoções, reacções e atitudes colectivas); os elementos estão próximos fisicamente e psicologicamente, dependendo o grau de proximidade da causa do ajuntamento; alguns conjuntos de indivíduos estimulam a reacção colectiva; as reuniões têm duração temporária ou muito limitada. É o caso, por exemplo, das pessoas que aguardam a chegada do autocarro e que assistem a um acidente, dando início a um processo de comunicação entre elas, partilhando opiniões e sentimentos. Assistência - caracteriza-se pelo mesmo tipo de motivação individual; a comunicação existente não se estabelece entre os indivíduos assistentes ao acontecimento, mas entre cada um deles e o actor ou orador; os elementos estão fisicamente e/ou psicologicamente próximos e a duração das reuniões é temporária ou muito limitada. É o caso, por exemplo, da assistência a uma conferência. Uma assistência pode dar origem a uma manifestação. Manifestação - caracteriza-se pela motivação individual e “social” (ou colectiva); há uma intercomunicação mais facilitada, não se comunicando unicamente com o actor ou orador, mas também entre outros participantes; há uma comunhão de sentimentos vividos pelos participantes e a duração das reuniões é temporária ou limitada. É o caso, por exemplo, de uma manifestação a favor ou contra o governo, uma marcha de grevistas ou um comício político. B - CATEGORIAS SOCIAIS - são “agrupamentos mentais” que existem na mente de quem exprime determinada categoria (ex.: a classe social superior é composta por pessoas ricas - esta classificação deriva das características dos elementos desta classe).

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Os casos particulares ou formas de categorias sociais são: 1º- Estratificação social: - os estratos sociais são estabelecidos pelo espírito do observador a partir do acesso do indivíduo aos valores que a sociedade coloca ao seu dispor, e que tem a particularidade de associar pessoas que ocupam uma posição semelhante na participação dos valores que uma sociedade proporciona. - a desigualdade de oportunidades e a diferente forma de usufruto dos valores da sociedade conduz a uma ordenação hierarquizada dos indivíduos, em função da sua participação nesses valores. Por sua vez, esta ordenação dará origem a estratos sobrepostos, o que constituirá a hierarquia social. 2º- Público: - conjunto de pessoas reunidas na mente do observador, que têm a característica de se interessar por determinado bem (material, cultural, artístico, etc.) e para quem uma determinada campanha publicitária é planeada e dirigida, por exemplo. C - OUTRAS COLECTIVIDADES NÃO ESTRUTURADAS - RELAÇÕES DE VIZINHANÇA: - é uma situação típica das comunidades tradicionais. - as relações de vizinhança constituem meios de comunicação, de transmissão de valores desse grupo social, ou como reprodutores da ordem social existente. - por se caracterizarem pela existência de proximidade física e social, aparentam-se aos agregados sociais, mas apresentam elementos de estratificação social. –––//––– CULTURA E PADRÕES DE CULTURA Todo o comportamento humano é um comportamento com um significado cultural. A vida em grupo, em comunidade, tem conduzido ao desenvolvimento de regras e procedimentos com o objectivo de satisfazer as necessidades colectivas, o que leva a que cada sociedade exprima-se e realize-se através de uma cultura. CULTURA - representa a expressão de um determinado grupo e concretiza tudo aquilo que é socialmente aprendido e partilhado pelos membros desse grupo (as normas, crenças e valores), o que confere a cada sociedade um aspecto original. O tipo de cultura condiciona a maneira de pensar, agir e fazer as coisas, pois face a uma determinada situação, um indivíduo reage de acordo com o seu sistema de elementos culturais espirituais e materiais. ELEMENTOS DE CULTURA: - Espirituais (elementos abstractos) - compreendem as ideias, crenças, normas, valores, usos e costumes do grupo. Deste conjunto ressalta, pela sua importância, os valores, pois toda a vivência colectiva se realiza e se ajuíza em função deles. A actividade do indivíduo é condicionada pelas ideias do bem e do mal, da justiça, da beleza, da liberdade, etc. Há ainda a referir que estes traços espirituais são transmitidos de geração em geração e reconhecidos ou aceites por cada um de nós. - Materiais - são as obras realizadas, as técnicas ou os instrumentos de trabalho do grupo que lhe permitem controlar a Natureza (garantindo a sua sobrevivência) e exprimir o universo espiritual do homem. Essencialmente, os traços materiais são a maneira de fazer as coisas (modo de actuar e de realizar as coisas). Estes elementos, ao fazerem parte integrante da cultura, não podem ser separados, pois entre eles há uma interacção dialéctica mutua, o que produz a cultura. Os elementos espirituais condicionam as acções ou o comportamento dos indivíduos (ex.: os povos que não podem comer carne de vaca, a qual é sagrada), enquanto que os elementos espirituais condicionam directamente os elementos espirituais da cultura, o que é verificável nas situações de ruptura histórica e social. A inovação tecnológica que permitiu ao Homem dominar a Natureza acarretou diversas alterações nas ideias e nos valores sociais. É o exemplo da evolução do conceito de “aldeia global”, o qual permitiu o contacto entre culturas, levando a uma alteração das normas, costumes, etc. VALORES , NORMAS E COMPORTAMENTOS
COMO EXCLUSIVOS DE UM GRUPO

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Cada grupo ou sociedade tem os seus padrões que se esperam que sejam respeitados pelos comportamentos dos seus membros, os quais variam de sociedade para sociedade. Esses comportamentos são exclusivos de cada grupo. Para que um grupo se preserve, as condutas individuais deverão assemelhar-se, obedecendo a um conjunto de normas próprias (a um padrão social) que defendam e garantam a ordem social; caso contrário, a vida em grupo será dificultada. Portanto, os comportamentos que se diferenciam dos padrões considerados “normais” põem em causa a coesão social, sendo considerados como desviantes. Essas normas têm a “função” de determinar as atitudes e comportamentos das pessoas, sendo resultantes dos valores aceites pela colectividade (os quais identificam, diferenciam e distinguem esse grupo dos outros). Esta relação entre as normas e os valores verifica-se, por exemplo, num determinado comportamento - as normas definem se esse comportamento é certo ou errado, mas para isso tem de haver a ideia de bem ou de mal, entrando aqui o plano dos valores. A acção de partir uma janela é errado segundo as normas, mas a ideia de que “partir” a janela é errado é-nos dada pelos valores. Portanto, podemos fazer deste modo uma “hierarquia”: os valores situam-se no topo, os quais vão inspirar as normas, que por sua vez vão condicionar os comportamentos (que podem ser normais ou desviantes) e as atitudes. Folkways - são as “maneiras normais de fazer as coisas” para cada comunidade, sendo portanto traços culturais. São estes traços ou padrões culturais que distinguem as comunidades, sendo transmitidos de geração para geração (entre os membros dessa comunidade). As novas gerações absorvem os folkways quer por ensinamento deliberado, quer por observação directa e por tomar parte na vida em relação a eles, tornado-se portanto esses folkways num modo de vida. Para a criança, os hábitos de outras culturas vão-lhe parecer estranhos e pouco práticos, situação que se verificará do mesmo modo na outra cultura. Deste modo, as normas e regras exteriores ao indivíduo são-lhe imputadas independentemente da sua vontade, sendo o respeito por elas obrigatório para que o indivíduo seja reconhecido e aceite como membro do grupo. Valores - são as concepções gerais do que é o bem para uma comunidade e legitimam os modelos e as regras de funcionamento das comunidades, mantendo a coesão social. Os valores: - são ideias que exprimem qualidades, conduzindo as pessoas a agir de acordo com determinados ideais; - são ideias que inspiram juízos de valor (exemplos de valores: coragem, justiça, o bem, etc.; juízos de valor - julgamentos que se emitem em relação a condutas ou comportamentos à luz de determinados valores (ex.: o ser bonito/feio, ser bom/mau, etc.) ); - servem de guia para as condutas, e estas são sempre julgadas à luz desses valores; - são relativos - cada sociedade tem os seus próprios valores de acordo com os seus ideais; - reflectem sempre uma certa carga afectiva porque estão relacionados com os sentimentos; - encontram-se dispostos segundo uma ordem hierárquica, porque a mesma pessoa pode revelar diferentes valores de acordo com os papéis que exerce e com o contexto em que se encontra integrado (ex.: um pai tem um filho que fez algo mau, mas o facto se ser filho vai influenciar a decisão do pai; mas se quem tivesse feito algo de mau fosse outra pessoa, a situação poderia ser diferente). 2.4 - PADRÕES DE CULTURA E ETNOCENTRISMO CULTURAL Cada cultura possui um carácter exclusivo devido aos seus padrões culturais próprios, tipos formais e categorias de comportamento individual e colectivo que condicionam, explicam e explicitam as atitudes no e do grupo. Esta exclusividade e relativismo cultural de cada grupo muitas vezes é desconhecida ou não é entendida, por isso desde sempre tem havido o impedimento de que alguns grupos aceitem a existência de outros para além do deles, pois o seu grupo é único e superior. Esta situação denomina-se por Etnocentrismo Cultural (atitude baseada na convicção de que o povo a que se pertence, com as suas crenças, tradições e valores, é um modelo a que tudo deve referir-se), sendo característica dos grupos fechados. Esta situação está na base dos preconceitos (nomeadamente os raciais) associados à superioridade. 2.5 - ORDEM SOCIAL E CONTROLO SOCIAL Devido às relações entre os indivíduos surgiram modelos gerais de comportamento colectivamente aceites, os quais ordenam a vida colectiva. Deste modo, a vida social vai determinar as normas a que as pessoas estão sujeitas como um conjunto de princípios “sagrados e absolutos”, portanto inquestionáveis e invioláveis. Desde que um indivíduo nasce que é ensinado a comportar-se e a reagir em cada situação segundo as normas.

RESUMO DA MATÉRIA DO 12º ANO DE SOCIOLOGIA (PARA O EXAME)
Por vezes essas normas não são acatadas de forma pacífica, ocorrendo deste modo desvios à normalidade, ou seja, surgem comportamentos desviantes (comportamentos que se diferenciam dos padrões considerados “normais”, pondo em causa a coesão social).

Não interessa para o 2º teste do 2º período
As teorias do aparecimento de desvios são três: - Teoria da Associação Diferencial - quando o indivíduo assume atitudes desviadas dos comportamentos do grupo em que se insere, adoptando outras atitudes e comportamentos ajustados a um novo grupo ao qual passa a estar inserido. Ex.: o punk. - Teoria da Rotulação - desvio de certo modo não real, sendo uma opinião preconcebida e comum que se impõe aos membros de uma colectividade pelo poder oficial. É o caso, por exemplo, de um indivíduo que seja apanhado pela polícia a cometer um acto menos correcto, sendo classificado como um marginal ou criminoso. - Teoria da Desorganização Social - desvio que surge devido ao enfraquecimento dos vínculos sociais relativamente ao contexto social em que o indivíduo se insere. Ex.: uma situação de grande instabilidade social e política em que ocorre frequentemente a pilhagem de lojas. Por vezes a ordem social é ameaçada pelos comportamentos desviantes, os quais são eficazmente anulados pelo grupo em que esses comportamentos se verificam. Para combater estes desvios e manter a ordem social o grupo recorre a mecanismos de controlo social que podem ser de vários tipos: - controlo físico - ex.: bofetada, algemas, carícias; - controlo legal ou institucional - ex.: tribunal, leis, regulamentos; - controlo organizativo ou grupal - ex.: chefe, departamento, horário, toque escolar; - controlo psicológico - ex.: elogio, crítica, remorso, efeitos de uma recompensa. Estes mecanismos de controlo social podem ter uma função repressora, orientadora ou educadora, sendo exercidos na sua maioria pelos grupos secundários e mistos (há neste aspecto uma cooperação entre as instituições para esse efeito, nomeadamente as escolas, famílias, TV, polícia, justiça, etc.). Deste modo o grupo vai exercer um certo constrangimento social sobre os seus membros de modo a prevenir estes comportamentos desviantes, pois submete os indivíduos às normas do grupo, impedindoo de realizar actos contrários a essas normas. Por vezes este constrangimento social é insuficiente, recorrendo-se por isso a coacções físicas, como por exemplo a pena de morte. Existem muitas formas de sanções utilizadas pelas sociedades para prevenir e/ou corrigir os comportamentos desviantes dos seus membros. Podem ter a forma de: - Sanções Positivas ou Recompensas - económicas (ex.: aumento da mesada); morais (ex.: satisfação do dever cumprido); físicas (ex.: carícia); sociais (ex.: elogio). - Sanções Negativas ou Castigos - económicas (ex.: corte da mesada); morais (ex.: remorso); físicas (ex.: bofetada); sociais (ex.: crítica). Deste modo, podemos definir Controlo Social como o conjunto de meios utilizados pela sociedade em geral e pelos grupos em particular para obterem a harmonia entre o comportamento dos seus membros e as normas, valores e padrões estabelecidos pelo grupo. 2.6 - O HOMEM COMO PRODUTO/PRODUTOR DE CULTURA Uma criança quando nasce não possui cultura, embora ela rapidamente assimile as maneiras de pensar e agir do grupo. Deste modo a criança, no seu desenvolvimento físico e intelectual, é “modelada” pelos valores e normas do grupo em que se insere, adquirindo os seus modelos de comportamento. Deste modo os indivíduos surgem como o produto de uma cultura. Esta cultura é imposta pelo exterior ao indivíduo, sendo transmitida por herança, como se fosse um bem patrimonial. Por outro lado, a cultura, ao ser a forma como um grupo se expressa e se realiza, recebe de cada geração novas normas e valores, sendo portanto cumulativa e evolutiva. Deste modo a cultura vai-se alterando ao longo do tempo pelos grupos, os quais a herdam como um património, trabalhando-a. Então, como um indivíduo, sendo um produto de uma cultura, pode alterar essa cultura, sendo então também um produtor da cultura. 3.1 e 3.2 - O PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO A criança ao nascer é um ser sem cultura, a qual vai adquirindo à medida que toma contacto com o ambiente do grupo em que está inserida, pois ela vai tomando consciência do que lhe é exterior, repetindo e imitando atitudes e comportamentos de outros indivíduos (sendo estes na fase inicial os seus

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familiares). Gradualmente a criança irá assimilando valores, normas, comportamentos, técnicas e práticas, ultrapassando a sua fase biológica. Deste modo o comportamento individual não é instintivo, pois é resultante de um processo de aprendizagem. Isto faz com que as decisões e comportamentos individuais sejam regulares e previsíveis, estando ajustados ao contexto cultural em que se inserem. É a este processo de adequação dos comportamentos resultante da interiorização pelo indivíduo das normas e valores do grupo (havendo uma transmissão aos membros do grupo dos traços culturais que o identificam) a que se dá o nome de Socialização, a qual vai integrar o indivíduo ao colectivo em que faz parte. No entanto, esta interiorização dos modelos de comportamento que ocorre durante a socialização não vai fazer com que todos os indivíduos ajam de acordo com as normas e valores do grupo, não há uma obrigatoriedade no que diz respeito ao seu cumprimento, daí que surjam por vezes os comportamentos desviantes. É por isso que existem as sanções morais, físicas, religiosas e sociais sobre os indivíduos, assim como o sentimento de que o que se está a fazer não é correcto. Isto vai levar ao impedimento ou dificultação do desvio à norma. Assim sendo, podemos dizer que a nossa liberdade de agir não é absoluta, pois é-nos exigido o acatamento e respeito pelos modelos formais do grupo de modo a que nos integremos e sejamos aceites na sociedade. O nosso comportamento é livre, mas é limitado e constrangido pelos limites impostos pelo grupo. 3.3 - AGENTES DE SOCIALIZAÇÃO A socialização na sociedade moderna é um processo dinâmico e permanente de transmissão de cultura, pois não termina em nenhuma fase da vida de um indivíduo. Ao longo da nossa vida vamo-nos integrando em diversos grupos, o que exige que assimilemos novas regras e padrões de modo a agirmos da maneira correcta. É, portanto, um processo efectuado quotidianamente, pois todos os dias aprendemos novas coisas. Inicialmente, a criança é socializada pelo contacto directo com os seus familiares, sendo portanto a família o primeiro agente de socialização (embora se verifique actualmente uma substituição da família por grupos especializados e oficiais de socialização, como por exemplo as creches pré-escolares e os grupos de recreio, assim como posteriormente a escola). A infância é o momento em que se dá uma maior assimilação por parte da criança da cultura que a rodeia, pois é uma fase em que ela é mais receptiva e reactiva, sendo portanto o grupo familiar de importância vital para esse efeito. Nesta fase, a criança vai aprendendo apenas o que os familiares fazem, sendo a socialização realizada pela via afectiva e emocional, o que faz com que a criança (de modo inconsciente) se abra ao conhecimento e à assimilação de novos conhecimentos. Ao sairmos do grupo familiar, somos forçados a inserir-nos noutros grupos, continuando a nossa aprendizagem. Nestes novos grupos surge a escola como o grande agente de socialização, pois é lá que o jovem passa a maior parte do seu tempo. A escola tem a função de fornecer os conhecimentos e desenvolver as capacidades da criança para que seja um ser “útil” à sociedade. Hoje em dia existe outro importante agente de socialização: os meios de comunicação de massas, como é o caso da televisão, rádio, jornais, cinema, etc., os quais são poderosos instrumentos de aprendizagem, pois inculcam-nos normas, crenças, valores, condutas, etc. Deste modo, estes meios de comunicação têm o poder de nos moldar os comportamentos, logo desde a nossa infância, pois a sua acção faz-se sentir desde logo no seio da sociedade. 3.4 - SOCIALIZAÇÃO, PAPEL SOCIAL E ESTATUTO SOCIAL 3.4.1 - SOCIALIZAÇÃO E PAPEL
SOCIAL

A - PAPEL SOCIAL E EXPECTATIVAS O facto de os comportamentos dos indivíduos se adequarem e reflectirem os padrões de cultura do grupo torna-os de certo modo previsíveis, pois, face a uma determinada situação, os indivíduos de um mesmo grupo provavelmente reagirão da mesma maneira. Mas isto não faz com que nos deparemos sempre com o mesto tipo de comportamentos, pois a multiplicidade de funções específicas exercidas pelos membros de uma colectividade leva à existência de comportamentos diversos, mas típicos. É o caso de um médico, por exemplo. Enquanto profissional, é esperado dele um comportamento próprio e distinto do que se prevê que seja adoptado de um professor, de um operário ou de um chefe de família. De um chefe de família, por exemplo, é esperado que trabalhe, que sustente a família, que zele pela segurança do seu agregado, que oriente e dirija os seus membros, etc. Estas tarefas estão como que definidas pela sociedade, sendo impostas pelo exterior. A sociedade espera ou exige do chefe de família o cumprimento destes comportamentos, enquanto que para o chefe de família estes comportamentos são considerados como naturais, pois ao longo da sua vida ele foi tomando

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conhecimento do papel de chefe de família e foi interiorizando os comportamentos que lhe são próprios. Deste modo, a sociedade espera de cada um de nós determinados comportamentos, dando-se a estas expectativas da sociedade, relativamente ao nosso comportamento numa determinada circunstância, a designação de Papel Social. Como este papel social implica expectativas por parte dos outros intervenientes na relação social, um papel existe apenas em relação com outros papéis, pois, por exemplo, o papel de pai implica o papel de filho, o papel de médico implica o papel de doente, o papel de professor implica o papel de aluno, etc. No entanto, não é só a sociedade que espera determinado comportamento por parte de cada membro no exercício das suas funções; cada um de nós também espera um determinado comportamento por parte dos restantes membros da colectividade que se encontram em idêntica situação. O comportamento que esperamos de um professor é o mesmo que esse professor espera dos restantes professores, pois eles realizam funções idênticas. Por outro lado (devido ao facto de um papel só existir em relação a outros papéis), esse professor esperará dos seus alunos o cumprimento dos seus papéis. Estas expectativas mútuas (o que se espera de nós e o que esperamos dos outros) demonstram a relação dialéctica existente entre nós, os outros e a sociedade. Assim podemos distinguir três tipos de expectativas: as necessárias, as obrigatórias e as facultativas. - As expectativas necessárias são aquelas que são sancionadas pelas leis e às quais a sociedade pode recorrer a fim de obrigar os cidadãos a respeitarem as leis, a polícia e o tribunal. Portanto, estas expectativas são impostas, sendo o(s) indivíduo(s) punido(s) de modo brutal se não as respeitarem. Se isto acontecer, haverá por exemplo um julgamento, sendo o indivíduo condenado a uma pena de prisão e excluído da sociedade, perdendo o seu papel social. É o caso, por exemplo, de um caixa de um banco que comete um desfalque, sendo julgado e consequentemente preso. - As expectativas obrigatórias são exercidas no seio de um grupo social, podendo-se contorná-las pelo facto de não implicarem sanções tão rígidas e completas como nas expectativas necessárias. Normalmente são condutas impostas pelos grupos sociais aos seus membros, os quais podem sair do grupo se não quiserem cumprir tais condutas (sem se exporem a sanções). É o caso da Ordem dos Médicos, a qual tem um código específico de comportamento que deverá ser cumprido pelos seus membros, caso contrário serão censurados e provavelmente excluídos. - Nas expectativas facultativas há uma liberdade relativa no seu respeito, pois não há sanções. Neste caso os outros membros do grupo deixam simplesmente perceber ao infractor que ele está agindo mal, sendo o escândalo e o medo de um escândalo uma sanção e um meio de pressão. Estas expectativas são normalmente compensadas por sanções positivas, recompensas e prémios, enquanto que nas necessárias a lei é cumprida no caso de uma infracção, não havendo portanto recompensa (um assaltante não é recompensado pelo facto de ter furtado e sido preso); nas obrigatórias a pessoa limita-se a satisfaze-las cumprindo o seu dever (um caixa que não comete um desfalque não é recompensado por isso). Nas facultativas, ao desempenhar satisfatoriamente o seu papel, uma pessoa conquista êxito e sorrisos; ao desempenhar bem o seu papel, ela coopera com o funcionamento da máquina social, e todo o mundo mostra o seu reconhecimento. O controlo social recorre mais às sanções positivas do que às negativas. Habitualmente aparecem sanções de ordem jurídica, mas elas actuam mais frequentemente em função do medo que provocam do que pela sua aplicação directa. O jogo social funciona por meio de sanções positivas que têm o objectivo de estimular os indivíduos a desempenhar os seus papéis o melhor possível. O indivíduo que tem por objectivo uma vida sem percalços ou que deseja obter êxito no seu grupo social faz tudo para não decepcionar as expectativas dos outros, desempenhando da melhor maneira possível o seu papel social. Deste modo ele vai obter recompensas por fazer uma carreira fácil ou irá adquirir uma forma ou outra de reconhecimento ou prestígio social. B - PAPÉIS MÚLTIPLOS, CONFLITOS DE PAPÉIS Um indivíduo ao exercer diferentes funções designadas pela sociedade, desempenha uma multiplicidade de papéis sociais. É o caso de um indivíduo casado, o qual exercerá o papel de marido e de pai, mas ele também será membro de outros grupos, os quais vão-lhe exigir outros comportamentos: poderá ser um funcionário de uma empresa, membro de um clube, militante de um partido político, membro de um sindicato, membro de uma comunidade religiosa, etc., portanto exerce papéis múltiplos. Esta multiplicidade de funções poderá originar situações de conflito entre os papéis desempenhados pelo indivíduo: por exemplo o seu papel de funcionário poderá colidir com o de grevista. Um indivíduo também se relaciona com outros quando desempenha as suas funções. Esses outros indivíduos também desempenham os seus papéis, portanto existe um conjunto de papéis que se pode definir como a totalidade dos papéis representados por determinado indivíduo e pelos restantes a ele

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ligados, no desempenho de uma determinada função social. Deste modo também pode haver, do mesmo modo que nos papéis múltiplos, conflitos entre o conjunto de papéis. Uma socialização correcta fará com que a multiplicidade de papéis que são atribuídos a um indivíduo sejam cumpridos. No entanto, uma boa socialização não implica a inculcação rígida de regras, o que poderia ser prejudicial e provocar frustração, mas deverá sim ser, enquanto processo de aprendizagem de papéis, flexível de modo a permitir uma fácil integração de um indivíduo em qualquer grupo. A socialização é então um processo de aprendizagem de papéis, pois a integração de cada um de nós nos diversos grupos a que pertencemos é tanto mais fácil quanto melhor tivermos interiorizado os comportamentos típicos atribuídos ao papel que iremos desempenhar. É por isso que, durante a infância, é ensinado às meninas a brincar com bonecas, a tratar da casa, etc., isto com o objectivo de que elas venham a ser boas mães e boas donas de casa. Hoje em dia as profissões escolhidas preferencialmente pelas mulheres (professoras, enfermeiras, secretárias, etc.) ainda se encontram estreitamente ligadas ao seu processo de socialização. 3.4.2 - SOCIALIZAÇÃO E ESTATUTO SOCIAL A - ESTATUTO SOCIAL E HIERARQUIA O estatuto social designa o lugar ou posição que um determinado indivíduo ou grupo ocupa na colectividade, assim como os comportamentos que esse indivíduo ou grupo pode esperar dos outros, em virtude daquele lugar. Deste modo, o estatuto social abarca o conjunto de privilégios e atributos ligados com a posição que determinado indivíduo ou grupo ocupa na estrutura social e que os indivíduos em geral aprendem a respeitar em virtude do processo de socialização a que foram sujeitos. Portanto, o estatuto social deve-se ao posicionamento hierárquico ocupado na estrutura social. A divisão social do trabalho leva a uma diferenciação de lugares consoante o prestígio e o poder dos indivíduos ou grupos, o que leva à existência de estatutos superiores e inferiores. Esta situação leva à ligação entre o estatuto social e as sociedades estratificadas. B - ESTATUTO ATRIBUÍDO E ESTATUTO ADQUIRIDO O estatuto social pode ser adquirido ou atribuído. O estatuto social atribuído é o lugar que cada indivíduo ocupa nos diferentes grupos a que pertence ou no conjunto da sociedade global e que lhe foi inquestionavelmente transmitido ou atribuído. É o caso, por exemplo, de um estatuto de filho, herdeiro ou monarca que ascende ao trono por via hereditária, o caso de um administrador de um conjunto de empresas que sucede ao seu progenitor ou o factor cultural que determina à partida que a mulher terá a função de “dona de casa”. Nestes casos, os indivíduos nada fizeram para terem direito ao cargo ou posição social que ocupam. Esta situação é característica das sociedades tradicionais, as quais têm falta de dinamismo e de abertura, logo são pouco permeáveis à mudança. Nelas, os papéis e os estatutos sociais estão previamente distribuídos a determinados indivíduos que apresentam os requisitos biológicos, sociais e culturais necessários. Isto vai retardar ou condicionar a mudança, assegurando-se a reprodução social existente. O estatuto social adquirido resulta por sua vez de um certo esforço dos indivíduos para o alcançar. É o caso de um indivíduo casado, com profissão ou de um candidato a um cargo político. Nestes casos, o indivíduo tem de agir para conseguir este novo estatuto. As sociedades democráticas caracterizam-se pelas possibilidades que proporcionam aos seus membros de adquirirem estatutos que lhes sejam mais favoráveis. É concedido, por exemplo, aos jovens a possibilidade de estudar e adquirir os conhecimentos necessários uma profissão, de modo a que eles obtenham uma posição social e o respectivo estatuto superiores aos dos pais. Claro que o subir numa hierarquia depende das capacidades (talento e competência) do próprio indivíduo. Assim, numa sociedade aberta (ainda que estratificada), há uma grande possibilidade de mobilidade social, desde que o indivíduo respeite os valores e objectivos dela. ––––––––––––––––––––//–––––––––––––––––––– 3ª PARTE (LIVRO) - A REPRODUÇÃO E A MUDANÇA SOCIAL 1 - O PAPEL DA SOCIALIZAÇÃO NA REPRODUÇÃO SOCIAL 1.1 - Socialização e Estratificação Social

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A socialização é um processo que transmite aos indivíduos a cultura do grupo a que estão ligados e o modelo de organização social vigente. O respeito pelas regras, papéis e estatutos faz com que o indivíduo se acomode e se adeque às normas do grupo, portanto a socialização tem um importante papel no processo de aceitação dos indivíduos que ocupam posições diferentes numa sociedade estratificada. 1.1.1 - A Estratificação Social e a Hierarquia Desde há muito que se faz uma diferenciação entre hierarquias de indivíduos e de funções. Para Karl Marx, a sociedade era um conjunto de indivíduos que tinham uma comunhão de sentimentos e de posição social (pontos em comum). Esta classe de indivíduos podia entrar muitas vezes em conflito com a sociedade global, para eliminar as desigualdades e formar uma sociedade sem classes sociais. • • • Existem hierarquias naturais que distinguem os indivíduos: os belos/feios, os sãos/doentes, os jovens/velhos, etc. Estas poderão estar relacionadas com as hierarquias sociais (a profissão, por exemplo), mas esta relação não é constante nem necessária. A estratificação social pode ser definida pelas oportunidades que o indivíduo pode ter, segundo a sua situação social, de receber em maior ou menor quantidade as coisas que, na sociedade, têm valor ou de participar mais ou menos nos valores essenciais. Os indivíduos que têm oportunidades mais ou menos iguais dentro de cada uma das hierarquias relativas a um valor (riqueza ou prestígio, por exemplo) constituem um estrato. Os critérios de estratificação social poderão ser: - subjectivos - prestígio e imagem social (depende de uma avaliação feita por outra pessoa e da avaliação que cada um faz de si próprio). - objectivos - que se dividem em quantitativos (ou quantificáveis - ex.: riqueza, rendimento, grau de escolaridade) e em qualitativos (ex.: raça, etnia, traços culturais). 1.3.2 - Mobilidade Social e Socialização por Antecipação Mobilidade Social é basicamente a passagem de um indivíduo ou grupo de um para outro estrato. Como a mobilidade social leva a uma mudança de estatuto, acarreta também novos papéis e estatutos sociais. Esta não acontece de forma igual em todas as sociedades, pois depende dos seus valores e critérios de estratificação. As sociedades antigas são fortemente hierarquizadas, sendo os seus grupos fechados. Isto leva a que a mobilidade social nessas sociedades seja muito dificultada, senão impossível, pois será muito difícil para um indivíduo ou grupo libertar-se dos estatutos que lhe foram atribuidos. Uma das características das sociedades modernas é a mobilidade social, pois os novos critérios de estratificação social não estão rigidamente implantados. O desejo de ascensão social está sempre patente nas atitudes e realização dos indivíduos ou grupos. Esta mobilidade social só é possível devido à abertura e menor rigidez dos estratos sociais. Entre eles existem canais de acesso, principalmente a instrução, sendo permitida a competição. Nestas sociedades, a ascensão social depende mais do mérito e talento individuais do que a ascendência social, sexo, religião, etc. Estas sociedades são desenvolvidas do ponto de vista económico, social e tecnológico, o que levou à criação de novas profissões, novos postos de trabalho, etc., com a consequente criação de novos estatutos (alterando o sistema de estratificação social). Todavia, para que um indivíduo seja realmente aceite pelos membros do estrato a que ele pretende ascender, é necessário que esse indivíduo assimile na sua mobilidade os elementos culturais do novo estrato, de modo a agir segundo os respectivos padrões de comportamento. Caso isso não se verifique, ele será olhado como um estranho ou um recém chegado, nunca sendo considerado por isso como um igual. Portanto, num processo de mobilidade social, os indivíduos são forçados a socializarem-se de acordo com os valores do grupo de referência a que querem vir a pertencer e que lhes serve como referencial de comportamentos.

Objectivos para o 1º teste do 3º período
1º- EXPLICITAR AS RAZÕES QUE EXPLICAM O DESEMPENHO SIMULTÂNEO, POR UM INDIVÍDUO OU GRUPO, DE UMA MULTIPLICIDADE DE PAPÉIS SOCIAIS

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Um indivíduo ao exercer diferentes funções designadas pela sociedade, desempenha uma multiplicidade de papéis sociais. É o caso de um indivíduo casado, o qual exercerá o papel de marido e de pai, mas ele também será membro de outros grupos, os quais vão-lhe exigir outros comportamentos: poderá ser um funcionário de uma empresa, membro de um clube, militante de um partido político, membro de um sindicato, membro de uma comunidade religiosa, etc., portanto exerce papéis múltiplos. Um indivíduo também se relaciona com outros quando desempenha as suas funções. Esses outros indivíduos também desempenham os seus papéis, portanto existe um conjunto de papéis ou papéis complementares que se podem definir como a totalidade dos papéis representados por determinado indivíduo e pelos restantes a ele ligados, no desempenho de uma determinada função social. 2º- COMPREENDER AS CAUSAS/EFEITOS DO CONFLITO ENTRE PAPÉIS A multiplicidade de papéis ou funções poderá originar situações de conflito entre os papéis desempenhados pelo indivíduo: por exemplo, o papel de funcionário de um indivíduo poderá colidir com o de grevista. Deste modo também pode haver, do mesmo modo que nos papéis múltiplos, conflitos entre o conjunto de papéis. Uma socialização correcta fará com que a multiplicidade de papéis que são atribuídos a um indivíduo sejam cumpridos. No entanto, uma boa socialização não implica a inculcação rígida de regras, o que poderia ser prejudicial e provocar frustração, mas deverá sim ser, enquanto processo de aprendizagem de papéis, flexível de modo a permitir uma fácil integração de um indivíduo em qualquer grupo. 3º- RELACIONAR “ESTATUTO SOCIAL” COM: - RECONHECIMENTO, PRESTÍGIO, PODER, PAPEL SOCIAL, VALORES SOCIAIS ACEITES, POSIÇÃO SOCIAL O estatuto social designa o lugar ou posição que um determinado indivíduo ou grupo ocupa na colectividade, assim como os comportamentos que esse indivíduo ou grupo pode esperar dos outros, em virtude daquele lugar, o qual pode ser transmitido ou adquirido. Deste modo, o estatuto social abarca o conjunto de privilégios e atributos ligados com a posição que determinado indivíduo ou grupo ocupa na estrutura social e que os indivíduos em geral aprendem a respeitar em virtude do processo de socialização a que foram sujeitos. Isto concede ao indivíduo uma posição que é só sua. Portanto, o estatuto social deve-se ao posicionamento hierárquico ocupado na estrutura social. A divisão social do trabalho leva a uma diferenciação de lugares consoante o prestígio e o poder dos indivíduos ou grupos, o que leva à existência de estatutos superiores (dominantes) e inferiores (subordinados). Esta situação leva à ligação entre o estatuto social e as sociedades estratificadas. O estatuto social difere de indivíduo para indivíduo ou de grupo para grupo, consoante os critérios de valor social vigentes e aceites pela sociedade, como por exemplo a cor, sexo, idade, religião, etc. Deste modo, cada sociedade inculca aos seus elementos as características próprias do grupo, tendo esses membros o dever de as aprender e aceitar. Deste modo, é normal o estatuto de inferioridade da mulher face ao homem, do negro face ao branco ou do jovem face ao adulto. 4º- DISTINGUIR ESTATUTO ADQUIRIDO DE ESTATUTO ATRIBUÍDO O estatuto social pode ser adquirido ou atribuído. O estatuto social atribuído é o lugar que cada indivíduo ocupa nos diferentes grupos a que pertence ou no conjunto da sociedade global e que lhe foi inquestionavelmente transmitido ou atribuído. É o caso, por exemplo, de um estatuto de filho, herdeiro ou monarca que ascende ao trono por via hereditária, o caso de um administrador de um conjunto de empresas que sucede ao seu progenitor ou o factor cultural que determina à partida que a mulher terá a função de “dona de casa”. Nestes casos, os indivíduos nada fizeram para terem direito ao cargo ou posição social que ocupam. Esta situação é característica das sociedades tradicionais, as quais têm falta de dinamismo e de abertura, logo são pouco permeáveis à mudança. Nelas, os papéis e os estatutos sociais estão previamente distribuídos a determinados indivíduos que apresentam os requisitos biológicos, sociais e culturais necessários. Isto vai retardar ou condicionar a mudança, assegurando-se a reprodução social existente. O estatuto social adquirido resulta por sua vez de um certo esforço dos indivíduos para o alcançar. É o caso de um indivíduo casado, com profissão ou de um candidato a um cargo político. Nestes casos, o indivíduo tem de agir para conseguir este novo estatuto. As sociedades democráticas caracterizam-se pelas possibilidades que proporcionam aos seus membros de adquirirem estatutos que lhes sejam mais favoráveis. É concedido, por exemplo, aos jovens a possibilidade de estudar e adquirir os conhecimentos necessários a uma profissão, de modo a que eles obtenham uma posição social e o

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respectivo estatuto superiores aos dos pais. Claro que o subir numa hierarquia depende das capacidades (talento e competência) do próprio indivíduo. Assim, numa sociedade aberta (ainda que estratificada), há uma grande possibilidade de mobilidade social, desde que o indivíduo respeite os valores e objectivos dela. 5º- COMPREENDER A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL, ASSOCIANDO-A: - À HIERARQUIA DE PAPÉIS, OPORTUNIDADES DE ACESSO DE ESTATUTOS E DE VALORES SOCIAIS,

Desde há muito que se faz uma diferenciação entre hierarquias de indivíduos e de funções. Já antes de Cristo, Aristóteles fazia uma hierarquização, ao afirmar que a população se repartia por três grupos: os muito ricos, os medianamente ricos e os muito pobres. Desde aí tem sempre havido uma tendência para hierarquizar a sociedade segundo diferentes critérios: tipo de trabalho, riqueza, habilidades e capacidades, etc. Deste modo, sempre houve grupos e indivíduos que ocupam posições específicas, havendo assim uma atribuição de estatutos hierarquicamente dispostos. Esta hierarquização de estatutos vai influenciar o modo como os indivíduos se relacionam entre si. O modo como um aluno se dirige a um colega será (à partida) diferente de quando se dirige a um professor. Esta situação leva a que, por exemplo, a comunicação entre um indivíduo e os outros que ele considera como seus iguais seja muito mais fácil do que a comunicação com os restantes indivíduos, quer sejam de estatutos superiores, quer inferiores. Isto deve-se ao conjunto de códigos linguísticos e comportamentais que torna mais simples a comunicação entre os iguais. A hierarquização social tornou-se necessária na sociedade moderna devido à sua complexificação e desenvolvimento tecnológico, o que levou ao surgimento de inúmeras funções sociais e à necessidade da atribuição de funções, deveres e privilégios diferentes aos indivíduos. Esta hierarquização resulta dos critérios e valores estabelecidos e aceites pela sociedade e que foram, na socialização, imputados nos indivíduos. O respeito por estas regras, papéis e estatutos fazem com que o indivíduo seja posicionado hierarquicamente. Existem hierarquias naturais que distinguem os indivíduos: os belos/feios, os sãos/doentes, os jovens/velhos, etc. Estas poderão estar relacionadas com as hierarquias sociais (a profissão, por exemplo), mas esta relação não é constante nem necessária. Uma hierarquia supõe uma referência a valores: os homens podem ser mais ou menos belos, ricos, virtuosos, influentes, etc., pois a beleza, a riqueza, a virtude, a influência são valores que se podem situar numa escala de apreciação. Os valores que estão directamente relacionados com o seu lugar na sociedade são os que se baseiam na ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL , a qual pode ser definida como a disposição hierárquica de indivíduos de um grupo ou sociedade que apresentam características idênticas, dandolhes a oportunidade, segundo a sua situação social, de receber em maior ou menor quantidade as coisas que, na sociedade, têm valor ou de participar mais ou menos nos valores essenciais. Os indivíduos que têm oportunidades mais ou menos iguais dentro de cada uma das hierarquias relativas a um valor (riqueza ou prestígio, por exemplo) constituem um ESTRATO . Esta hierarquização de estatutos ou posições sociais vai levar a uma desigualdade tanto na divisão das coisas que têm valor social como na participação nos valores sociais. - CRITÉRIOS DE DIFERENCIAÇÃO (ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL) Como a estratificação social pressupõe determinada categoria, são necessários critérios para que ela seja efectuada. Normalmente os utilizados são os critérios económico (situação económica e financeira das famílias, a qual deriva da desigual repartição dos bens e rendimentos da sociedade), político (importância política de cada indivíduo ou grupo) e sócio-profis-sional (resultante da diferente importância atribuida a cada profissão), os quais poderão ter elementos: - subjectivos, os quais variam de sociedade para sociedade e de contexto para contexto, baseando-se no prestígio e imagem social (depende de uma avaliação feita por outra pessoa e da avaliação que cada um faz de si próprio). - objectivos - são observáveis e mensuráveis, dividindo-se em quantitativos (ou quan-tificáveis - ex.: riqueza, rendimento, grau de escolaridade) e em qualitativos (produ-zem uma hierarquia escalonada de categorias discretas e delimitadas. Ex.: raça, etnia, traços culturais). Portanto, existem inúmeros critérios, não havendo entre eles limites rígidos e precisos. Cada sociedade possui os seus critérios de estratificação, os quais podem variar de grupo para grupo ou podem não estar perfeitamente definidos. Muitas vezes é difícil enquadrar os indivíduos num estrato social específico, pois a maior parte dos indivíduos pertencem a estratos diferentes.

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6º- ANALISAR O CONCEITO DE CLASSE SOCIAL: - APRESENTAR DIFERENÇAS ENTRE CLASSE SOCIAL E ESTRATO SOCIAL; - COMPREENDER O CONCEITO DE CLASSE SOCIAL Para Marx, as classes sociais eram constituídas por indivíduos que, por existir entre eles uma certa comunhão de aspirações e de papéis a desempenhar, se posicionavam em relação à sociedade global, defendendo os seus interesses e liderando ou participando no poder. Portanto, as classes sociais eram constituídas por indivíduos que representavam uma classe em si e simultaneamente uma classe para si, a qual era consciente de si própria, tendo uma capacidade de decisão e acção concertada e colectiva. As classes sociais dependiam da instituição da propriedade, por isso haveria uma divisão entre a classe dos proprietários dos meios de produção e a classe dos não proprietários. Marx defendia a abolição da propriedade privada dos meios de produção, de modo a que houvesse uma sociedade sem classes. Isto seria possível por meio de uma luta de classes (devido às desigualdades existentes), pois uma classe só existe para si em oposição às outras. Por meio desta luta, a classe em si transformar-se-ia num agente histórico. Então, o conceito de classe social é diferente do de estrato social, pois uma classe social representa uma divisão efectiva da sociedade que implica lutar contra a classe antagónica, desde que essa classe tenha uma consciência científica e objectiva, enquanto que um estrato social representa apenas uma divisão metodológica e ideológica que vai confrontar a posição desse estrato com os outros. Existem tantos estratos sociais quantos os critérios adoptados pela sociedade, os quais variam no espaço e no tempo. É o caso dos factores raça, nobreza, religião, riqueza, etc. Classes sociais só existem duas, as quais se definem segundo um critério real: a propriedade dos meios de produção. Este critério é objectivo, pois o acto de produzir é indispensável à sobrevivência dos indivíduos. Deste modo, segundo este critério, existem duas classes sociais: a dos proprietários: burguesia, e a dos não proprietários: proletariado. O conceito de classe social de Max Weber diverge do de Karl Marx no que respeita ao papel da ideologia da criação das classes sociais. Para ele, uma classe social identifica-se com a situação de classe dos indivíduos consoante a posição que ocupam na sociedade, de acordo com os critérios (económico, social e político) que ele definiu. Sorokin, por sua vez, caracteriza classe social como uma forma de grupo: - aberto mas, na prática, semi-fechado; - solidário; antagónico, relativo a outros; - semi-organizado; em parte consciente; póssociedade industrial; determinado pelos critérios económico, social e profissional. A análise social veio considerar outros factores caracterizadores da classe social para além do posicionamento de cada indivíduo face à propriedade dos meios de produção, de que são responsáveis o desenvolvimento da actividade económica, com a possibilidade de valorização cultural do trabalhador e dos benefícios de rendimento de capital. Nos últimos anos tem-se sentido a necessidade de alargar o conceito de classe social, pois o desenvolvimento económico, a democratização da educação e do processo político têm vindo a atenuar as desigualdades sociais, dando a oportunidade aos indivíduos de exprimir livremente as suas opiniões pela luta política e pelo acto eleitoral. Deste modo, a luta de classes tem vindo a ser substituída por diversas formas de concertação social, caminhando-se para uma sociedade de classes médias. 7º- RELACIONAR A MOBILIDADE SOCIAL COM: O GRAU DE DESENVOLVIMENTO DAS SOCIEDADES, COM A ORDEM INSTITUÍDA, COM ESTRATOS, ESTATUTOS E PAPÉIS, COM ASCENSÃO SOCIAL, COM CONFLITO ENTRE AGENTES DE SOCIALIZAÇÃO. Mobilidade Social é basicamente a passagem de um indivíduo ou grupo de um estrato para outro. Como a mobilidade social leva a uma mudança de estatuto, acarreta também novos papéis e estatutos sociais. Esta não acontece de forma igual em todas as sociedades, pois depende dos seus valores e critérios de estratificação. As sociedades antigas são fortemente hierarquizadas, sendo os seus grupos fechados. Isto leva a que a mobilidade social nessas sociedades seja muito dificultada, senão impossível, pois será muito difícil para um indivíduo ou grupo libertar-se dos estatutos que lhe foram atribuídos. Uma das características das sociedades modernas é a mobilidade social, pois os novos critérios de estratificação social não estão rigidamente implantados. O desejo de ascensão social está sempre patente nas atitudes e realização dos indivíduos ou grupos. Esta mobilidade social só é possível devido à abertura e menor rigidez dos estratos sociais. Entre eles existem canais de acesso, sobretudo a instrução, sendo permitida a competição. Nestas sociedades, a ascensão social depende mais do mérito e talento individuais do que a ascendência social, sexo, religião, etc.

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Estas sociedades são desenvolvidas do ponto de vista económico, social e tecnológico, o que levou à criação de novas profissões, novos postos de trabalho, etc., com a consequente criação de novos estatutos (alterando o sistema de estratificação social). Todavia, para que um indivíduo seja realmente aceite pelos membros do estrato a que ele pretende ascender, é necessário que esse indivíduo assimile na sua mobilidade os elementos culturais do novo estrato, de modo a agir segundo os respectivos padrões de comportamento. Caso isso não se verifique, ele será olhado como um estranho ou um recém chegado, nunca sendo considerado por isso como um igual. Portanto, num processo de mobilidade social, os indivíduos são forçados a socializarem-se ou ressocializarem-se de acordo com os valores do grupo de referência a que querem vir a pertencer e que lhes serve como referencial de comportamentos. Muitas vezes os novos grupos que dominam os novos processos de produção e de informação tornamse como grupos de referência para uma grande parte dos membros da sociedade, enquanto os tradicionais grupos sociais privilegiados sentem o seu poder e estatuto diminuir, sendo obrigados a resistir ou a adaptar-se. Deste modo, surgem por vezes entre os diversos grupos relações de certo modo conflituais, repercutindo-se nos indivíduos em geral. De um lado surgem os que, ao caminharem de modo ascendente, defendem a mudança; do outro lado estão os que defendem a fidelidade e o respeito pelas tradições, alertando para os perigos, incerteza e insegurança da mudança, do novo, do desconhecido e elogiando as vantagens do antigo. Assim, a acção dos agentes em cada momento e nomeadamente nas sociedades mais modernas pode ser contraditória e conflitual, contribuindo para o acelerar ou retardar da mudança. 8º- ANALISAR O PAPEL DA SOCIALIZAÇÃO NA REPRODUÇÃO SOCIAL: - A NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO SOCIAL INERENTE A QUALQUER SOCIEDADE; RELACIONAR ORDEM SOCIAL COM REPRODUÇÃO SOCIAL (O PAPEL DA SOCIALIZAÇÃO COMO FORMA DE CONTROLO SOCIAL) É através da socialização que nos tornamos «iguais» e somos aceites pelos nossos «pares». Então, a interiorização gradual das normas e valores do grupo pelo indivíduo fazem com que ele seja aceite como membro, com iguais direitos e deveres no grupo. Essa interiorização realiza-se ao longo de períodos longos e de forma tão natural que os indivíduos dificilmente discutem esses valores apreendidos. Neste sentido, um eficaz processo de socialização é um factor indispensável à aceitação total das normas e valores do grupo, contribuindo para a respectiva reprodução social. Simultaneamente, a socialização adquire também o estatuto de controlo social, na medida em que ela impede que os indivíduos actuem de forma diferente da esperada (impede os indivíduos de se afastarem das normas, isto é, de terem comportamentos desviantes). Assim, a socialização contribui para a reprodução social, assumindo a natureza de uma verdadeira forma de controlo social. O contributo do processo de socialização para a reprodução social varia de sociedade para sociedade, ou na mesma sociedade ao longo do tempo. De facto o controlo social exercido pela socialização é mais eficaz numa sociedade fechada, pois é nestas onde tudo se faz conforme as regras impostas, enquanto que numa sociedade aberta aparecem novas formas de relacionamento em cada momento, originando-se novas colectividades, normas e valores, o que vai exigir novos processos de socialização. 9º- JUSTIFICAR A NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS CONDIÇÕES SOCIAIS DE PRODUÇÃO Uma formação social é sempre solicitada a produzir os bens necessários à sua sobrevivência imediata, mas para que a sua continuidade seja assegurada, é necessário garantir também às gerações futuras a possibilidade de produção para que se verifique a sua reprodução. Além da reprodução material, a sociedade também deverá garantir a sua reprodução cultural e ideológica, para que as relações de produção (cuja reprodução é essencial) não se transformem, e com elas todas as características da formação social. Caso uma formação social utilizasse em certo momento todos os seus recursos, não poderia continuar a satisfazer as necessidades dos seus membros, pois a actividade produtiva viria a terminar. Portanto, para que a formação social se reproduza, ela deverá garantir a utilização dos meios de produção nos anos vindouros, ou seja, os meios de trabalho (estradas, edifícios, máquinas, terras, etc.) e os objectos de trabalho (matérias-primas e matérias auxiliares). Deste modo, a actividade produtiva deverá não só produzir os bens essenciais à nossa subsistência imediata, como também prover a substituição dos meios de trabalho deteriorados, a reprodução das matérias primas, utilização racional dos recursos, etc.

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A reprodução da força de trabalho também é indispensável à reprodução social, exigindo a força de trabalho de cada um de nós o acesso aos resultados da produção. Este acesso à riqueza social tem variado no tempo e no espaço, condicionado pela natureza do modo de produção dominante na formação social, havendo uma desigual participação de cada um na riqueza. Nas formações em que os indivíduos se situam em estratos e classes sociais que se posicionam de forma diferenciada face à propriedade dos meios de produção, a reprodução da força de trabalho tem sido assegurada pelo salário (pela remuneração devida aos trabalhadores pela sua participação na actividade produtiva e que não representa senão uma parte da riqueza por eles criada). O remanescente da produção social não entregue aos trabalhadores é entregue aos donos dos meios de produção utilizados, assegurando assim a sua reprodução. Uma formação social, além de assegurar a reprodução dos meios de produção e da força de trabalho, também pretende ver reproduzido o seu modo de produção dominante. Por isso, a reprodução social também reproduz o sistema de estratificação social que caracteriza a formação social (portanto, é mantida a dominância das classes e estratos dominantes). É necessário que se reproduzam as condições sociais de produção (as relações de dependência e de subordinação estabelecidas entre os indivíduos ao longo do processo produtivo) para que haja uma reprodução do modo de produção dominante. Portanto, a reprodução social exige tanto a reprodução das forças produtivas (força de trabalho e meios de produção) como também a reprodução das relações sociais de produção. 10º- JUSTIFICAR A FORTE “INTERLIGAÇÃO” ENTRE A CULTURA E A IDEOLOGIA A ideologia é um sistema elaborado de ideias e representações, reflexo da realidade, que influenciam, condicionam e explicam os comportamentos dos grupos. A ideologia será o resultado da vida material dos indivíduos. Cada classe terá a sua ideologia que desejará alargar (e impor, no caso da classe dominante) à colectividade global. A ideologia traduz uma certa leitura do real, apresentando a cada grupo um sistema de ideias, crenças e valores coerentemente organizado que traduz o que ele é e propõe a necessária orientação futura. A cultura, por sua vez, abarca todo um conjunto de elementos de ordem espiritual e de ordem material que influenciam, condicionam e explicam os comportamentos dos indivíduos em sociedade. A relação entre ideologia e cultura prende-se no facto da ideologia ser um conjunto de ideias que explicam as “coisas”, portanto isto faz com que ela esteja contida na cultura; por sua vez, a cultura (com base nos seus valores materiais e espirituais) condiciona o nosso modo de actuar e agir - como só agimos em função das nossas ideias, a cultura está relacionada com a ideologia. A ideologia, ao traduzir uma certa leitura do real (pois apresenta a cada grupo um sistema de ideias, crenças e valores organizados) torna-se o campo privilegiado de criação de novos valores ou recriação dos velhos lidos com novo sentido. Para além disto a ideologia é voluntária, pois apela para determinado tipo de acção. Se a cultura e a ideologia revelam, ambas, da vida social, a ideologia adianta-se à cultura exactamente na medida em que não propõe, apenas, a aceitação dos comportamentos sociais, antes pode produzir acção não conformista. Todavia, ao condicionar e motivar comportamentos, a ideologia enquadra-se no conceito sociológico de cultura. Portanto, a ideologia é um dos elementos fundamentais da cultura. 2.2 - A IDEOLOGIA 2.2.1 - NOÇÃO DE IDEOLOGIA A ideologia é um sistema elaborado de ideias e representações, reflexo da realidade, que influenciam, condicionam e explicam os comportamentos dos grupos. A ideologia será o resultado da vida material dos indivíduos. Cada classe terá (e defenderá) a sua ideologia, desejando alargá-la à colectividade global, tendo a classe dominante a função de levar todos os indivíduos a aceitar, como universal, o seu conjunto de valores. A ideologia traduz uma certa leitura do real, apresentando a cada grupo um sistema de ideias, crenças e valores coerentemente organizado que traduz o que ele é e propõe a necessária orientação futura. Como a classe dominante traduz uma certa leitura do real (em função do seu sistema de ideias, crenças e valores organizados), apresenta todo este sistema ideológico como universal, comum à colectividade e de forma penetrante. A classe dominante usa diversos meios (entre os quais sobressai a comunicação social) para a ideologia dominante penetrar na ideologia dominada, impedindo o desenvolvimento das ideias da classe dominada. Embora as ideias da classe dominante sejam as da classe dominada, existe na sociedade uma produção científico-ideológica que registará as aspirações mais importantes da classe dominada. Assim

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existe no seio da classe dominada um grupo de indivíduos que, conscientes da sua posição, produzirão um sistema de representações que orientará a actuação da classe. Então, como as ideologias não são mais do que os prolongamentos teóricos das classes “rivais”, a oposição classe dominante/classe dominada deverá conduzir ao nascimento e desenvolvimento do antagonismo ideologia dominante/ideologia dominada. 2.2.2 - IDEOLOGIA
E ACÇÃO

Todos os grupos produzem um sistema de ideias e o respectivo código de leitura, o qual espelha as suas funções sociais, a sua leitura do real e justifica os seus comportamentos, ou seja, todos os grupos produzem a sua própria ideologia. Portanto, a ideologia é inerente à vida social de qualquer grupo. A ideologia, apesar de ser produzida por um grupo, também o vai exortar e orientar a agir de acordo com os seus objectivos. 2.3 - AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS COMO AGENTES DE REPRODUÇÃO SOCIAL 2.3.1 - NOÇÃO DE INSTITUIÇÃO SOCIAL As Instituições Sociais representam procedimentos (maneiras de pensar, sentir e agir) aceites pela sociedade com vista a atingir determinados objectivos. Deste modo, podemos considerar uma empresa, por exemplo, como uma instituição, pois é uma forma encontrada e aceite pela sociedade para produzir os bens e os serviços necessários, dando empregos e distribuindo o rendimento. Também o namoro é uma instituição social pelo facto de ser aceite pela sociedade como uma forma de dois indivíduos se conhecerem melhor antes de constituírem família, assim como a greve, sendo por ela que os indivíduos trabalhadores lutam pela defesa dos seus interesses. As instituições, ao serem um produto social, acompanham a evolução social, sendo portanto sistemas organizados e relativamente permanentes, tornando-se os padrões comportamentais de referência que as caracterizam em verdadeiros traços culturais. Por exemplo, nos países ocidentais o casamento monogâmico é uma instituição, mas nos países islâmicos praticam-se casamentos poligâmicos, os quais fazem parte de um padrão comportamental de referência para os indivíduos dessas sociedades. As instituições sociais, à semelhança das estruturas sociais, são afectadas pelas alterações sociais que uma sociedade conhece, sejam elas de ordem económica, religiosa, política, etc. 2.3.2 - INSTITUIÇÃO SOCIAL , ELEMENTOS
DAS

INSTITUIÇÕES SOCIAIS E CONTROLO SOCIAL

As instituições sociais, ao serem conjuntos organizados de crenças e práticas que os indivíduos adoptam para alcançarem determinado objectivo, contêm elementos que lhes dão existência, as caracterizam e identificam. Estes elementos têm na sua base os valores sociais, os quais determinam como os elementos se manifestam. Os elementos são: - os Papéis Sociais - cada instituição social tem papéis bem definidos, pois sem eles não seria possível atingir os objectivos para que a instituição foi criada. É o caso de uma instituição escolar - nela, os professores, alunos, conselho directivo e funcionários têm os seus papéis bem definidos, tendo cada um deles o dever de os desempenhar para que a escola atinja os objectivos para a qual foi criada. Deste modo podemos identificar a instituição escolar pelo conjunto de papéis sociais que lhe são próprios. - as Relações Sociais - são a essência da própria instituição, pois é pelas interacções criadas pelo desempenho dos papéis sociais de uma determinada instituição que ela consegue funcionar e atingir os objectivos para que foi criada. - as Normas e as Sanções Sociais - é pelas normas e sanções sociais que as colectividades conseguem prevenir os comportamentos desviantes. Um indivíduo, ao conhecer o tipo de normas e o seu conteúdo, assim como as sanções, pode identificar as instituições e integrar-se melhor nelas. - a Institucionalização - é a “cristalização” dos papéis, dos modelos, dos valores, das sanções, das interacções, etc., da instituição social, permitindo desde modo a sua estabilidade e continuidade. As práticas sociais das instituições vão-se sedimentado até constituírem formas “sólidas” de procedimento. Assim, é possível identificar a instituição pelo reconhecimento dos seus procedimentos institucionalizados. É o caso de uma luta entre dois boxeurs - é uma instituição, mas a luta entre dois alunos de uma escola não é um procedimento instituído. - as Necessidades Sociais de Base - as instituições são constituídas devido à existência de necessidades. É o caso da escola, que dá resposta à necessidade de formação dos jovens.

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- as Maneiras de Solucionar tais Necessidades - cada instituição tem a sua forma de dar resposta às suas necessidades sociais de base. Ao identificar-mos as maneiras de solucionar as necessidades de uma instituição, saberemos de que instituição se trata. É o caso da escola, a qual responde às necessidades de formação dos alunos por meio das aulas, realização de trabalhos de pesquisa, investigação prática, esclarecimento de dúvidas, etc. Então, qualquer instituição representa um sistema organizado de relações sociais, fiel a determinados valores de comportamento e disposta a satisfazer as necessidades básicas da sociedade. A instituição, ao pretender alcançar os seus objectivos, deverá definir os papéis dos seus membros para que haja uma acção conjunta bem sucedida. É possível identificar através da rede de papéis os diferentes estatutos ocupados pelos indivíduos. Assim, uma instituição é também uma organização de relações sociais e os seus papéis e estatutos serão elementos a considerar. As instituições também possuem um código de comportamentos que respeitam e um sistema de valores que pretendem preservar. É o caso de uma família, na qual existe um conjunto de papéis (pai/filho/cônjuge/...) a que corresponde uma rede de estatutos que variará geográfica e historicamente. Existe também um sistema de valores comuns - o respeito pela vida em família, pelo amor, pelos filhos, etc., - e um código de comportamentos - namoro, casamento, cuidados com os filhos, lide caseira, etc. Estes códigos de comportamento são parte importante do controlo socialmente exercido para que a instituição continue coesa e operante. No entanto, não existe uma garantia do seu cumprimento, pois, por exemplo, um marido pode ser infiel. As instituições têm também um sistema de sanções como forma correctiva, preventiva e repressiva de eventuais comportamentos desviados. É o caso, por exemplo de um corte na semanada quando um filho não estuda - é uma sanção aplicada como forma de corrigir um comportamento não institucionalmente desejado. Um último elemento institucional é formado pelos símbolos culturais, como uma aliança, por exemplo, que tem a função de lembrar aos membros das instituições os seus papéis (neste caso a aliança serve para recordar a um indivíduo o casamento...). 2.3.3 - AS INSTITUIÇÕES A - INSTITUIÇÕES SOCIAIS E REPRODUÇÃO SOCIAL As instituições representam elementos de grande interesse sociológico, pois permitem identificar não só os agentes sociais encarregados do referido processo de produção e reprodução social, como também nos possibilitam analisar o modo como eles executam a sua missão ideológica, suporte indispensável à reprodução social. A reprodução é assegurada através das instituições sociais, que pela repressão física, pela coacção psicológica ou por processos de aprendizagem contribuem para o processo de reprodução social, através da manutenção e aceitação da ordem social. No entanto, a utilização dos aparelhos repressivos nem sempre tem conseguido impedir eficazmente o desvio às normas sociais. A ideologia ensina a cada indivíduo o papel e o lugar respectivos no sistema de estratificação social, no sentido de assegurar a reprodução das relações de produção. É por isso que até há muito pouco tempo as brincadeiras das raparigas eram orientadas para o treino da função de mãe, dona de casa, professora e enfermeira. Só quando cada indivíduo se convencer de que o lugar que lhe foi destinado na formação social é o único e legítimo lugar que deve ocupar, é que a reprodução das relações de produção se encontra assegurada. A reprodução da força de trabalho exige, portanto, não só a sua reprodução física, mas também a reprodução da sua submissão às normas e regras da ordem estabelecida, isto é, à ideologia dominante na formação social. Tal ideologia é-nos veiculada por inúmeras instituições com personalidade jurídica própria que, não se confundindo com o estado, contribuem para a manutenção do status quo, mesmo quando se antagonizam de forma pontual. Determinadas instituições podem constituir-se, nalguns momentos, como agentes conflituais de socialização. Podem também assumir, perante certos factos ou situações, um papel de contrainstituição - quando os agentes de socialização assumem atitudes e posições contra as expectativas dominantes, opondo-se ao poder e à ordem dominantes, combatendo os valores, os modelos e a cultura em que se processa a reprodução social. Isto vai conduzir a uma nova ordem social, como aconteceu na Polónia, em que a Igreja, devido ao prestígio social que possuía, foi largamente responsável ao
SOCIAIS COMO

AGENTES DE REPRODUÇÃO SOCIAL

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desmontar e criticar a ordem vigente, colaborando assim para a ascensão política do sindicado Solidariedade, veículo de uma nova ordem social, transformando-se assim numa contra-instituição. B - O PAPEL
DA INSTITUIÇÃO FAMILIAR E DA INSTITUIÇÃO ESCOLAR NA REPRODUÇÃO SOCIAL

Se é pela repressão que as sociedades estratificadas sancionam os que se desviam ou afastam da ordem social, é através de aparelhos ideológicos que elas ensinam a cada indivíduo o lugar que lhe é destinado e os comportamentos que deverá adoptar, se quiser ser aceite pela sociedade. Tais aparelhos, apesar de não serem todos públicos, funcionam através da ideologia dominante. O facto de serem privados não impede que contribuam para inculcar a ideologia dominante, no sentido de assegurarem a reprodução das relações de produção. Cada aparelho ideológico tem o seu campo de acção privilegiado, sendo que a sua importância é variada e tem vindo a diversificar-se ao longo dos anos. Até há poucos séculos atrás, o mais importante destes aparelhos era a Igreja, a qual acumulava muitas das funções actualmente cometidas a outras instituições: ensinava a doutrina, a cultura, as letras, as artes, etc. Mas o primeiro agente de socialização sempre foi e é a família. Ela, ao estar inserida num contexto ideológico-cultural, transmite os valores dominantes da formação social, contribuindo para ensinar a cada indivíduo o seu papel a desempenhar no futuro, a fim de o tornar um “cidadão útil” à sociedade. Também contribui para inculcar a ideologia dominante, no sentido de assegurarem a reprodução das relações de produção. A família tem como funções específicas a regulamentação do comportamento sexual; o crescimento da população; a protecção às crianças, velhos e doentes; socialização das crianças; a segurança económica dos membros e a atribuição de papéis e de estatutos. Por outro lado, a escola também é um dos mais importantes agentes de socialização, pois transmite conhecimentos e prepara os indivíduos para as funções solicitadas pela divisão social do trabalho e pelos novos processos de produção, dadas as exigências no desenvolvimento da sociedade industrial, assim como garante a reprodução do novo sistema de estratificação e contribui para inculcar a ideologia dominante, no sentido se assegurar a reprodução das relações de produção. As suas funções específicas são: a preparação dos jovens para a vida activa; a familiarização dos jovens com os papeis sociais que irão desempenhar; a contribuição para a mudança através da educação para a iniciativa e criatividade e da investigação pedagógica; a estimulação da adaptação dos jovens à sociedade através do processo de socialização. C - OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
E A

REPRODUÇÃO SOCIAL

Os meios de comunicação estão nos nossos dias, a par da escola, a tornar-se o meio mais poderoso para veicular a ideologia dominante, no sentido de assegurarem a reprodução das relações de produção, dada a natureza envolvente e penetrante dos processos utilizados para chegar, em cada momento, a todos nós. Os meios de comunicação social têm as seguintes funções: - como já foi referido e tal como as instituições, são um meio de veicular a ideologia dominante, assegurando a reprodução social; - servem para impor e legitimar o status social (conferem prestígio e autoridade); - impõem normas sociais (revelam situações ou actos em desacordo com a norma ou moral pública); - manipulam a opinião pública (controlam os seus comportamentos). A Opinião Pública e o Controlo Social Controlo Social é o conjunto de processos sociais pelos quais uma sociedade impõe a ordem social sobre os indivíduos e mantém a sua coesão. Para tal, tais processos constróem e mantêm a organização social, formam a personalidade humana, socializando o indivíduo e tornando-o responsável relativamente à sociedade que integram. No entanto, o controlo social não é necessariamente conservador, pois pode preservar a unidade social na mudança, levando cada indivíduo a desempenhar o seu papel numa evolução ou mesmo numa revolução. Este controlo social tem um aspecto constrangedor, sendo inconscientemente aceite pelos indivíduos, podendo ser: - positivos (sugestões, mandamentos); - negativos (tabus, interdições); - formais (leis, prescrições) e vagos (aprovação difusa, troça). No estudo do controlo social pode-se distinguir: - os focos (de onde é emanado o controlo: organismos centrais, grupos de pressão, leaders); - as formas (elementares - cerimónias, prestígio e gregarismo; opinião pública e instituições). Todos estes aspectos do controlo social são suportados por valores, ideais e preconceitos. - os meios (implícitos ou explícitos, sugestões, sanções, actos de autoridade, efeitos de prestígio, de propaganda, de publicidade).

RESUMO DA MATÉRIA DO 12º ANO DE SOCIOLOGIA (PARA O EXAME)
Na sociedade moderna, as comunicações de massas podem ser meios importantes de controlo social, sob aspectos estáticos (dinâmicos). –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3 - MUDANÇA SOCIAL 3.1 - NOÇÃO DE MUDANÇA SOCIAL . ALGUMAS SITUAÇÕES
DE MUDANÇA

Uma Mudança Social é uma qualquer alteração estrutural ou funcional ocorrida numa organização social ou numa organização mental dos indivíduos ou grupos. Uma mudança social deverá satisfazer certos requisitos. Deverá: - ser um fenómeno colectivo, que afecte e implique um conjunto substancial de indivíduos que verão, assim, alterados o seu modo e condições de vida; - corresponder a uma mudança de estrutura e não a uma adaptação funcional das estruturas existentes. Assim, tornar-se-á possível observar alterações profundas na forma de organização social passíveis de comparação com as formas anteriores. - ser possível identificá-la no tempo, o que nos permite detectar e descrever as alterações estruturais a partir de um ponto de referência. Assim, a mudança social será a diferença observável entre dois estados da realidade social. - ser permanente. Qualquer evento passageiro, independentemente da sua força de pressão e de desorganização social, não conduz à mudança social, pois os seus efeitos desaparecem progressivamente com a adaptação funcional do sistema cultural existente. A mudança pode ainda ser: - FUNCIONAL - sempre que se verifica uma evolução nas diferentes funções grupais e papéis sociais desempenhados (olhando para a sociedade numa perspectiva do conjunto de funções e papéis sociais desempenhados pelos grupos em sociedade). - ESTRUTURAL - sempre que se verifique uma alteração modo de funcionamento das instituições ou no modelo de estratificação social existente (olhando para a sociedade numa perspectiva de conjunto de instituições sociais e organizada segundo um modelo de estratificação social mais ou menos estável). Este tipo de mudança é lento. Existem diversos tipos ou situações de mudança, que vão provocar alterações na organização e estrutura social. Pode ser: - Política - provoca alterações na organização e instituições políticas e na estrutura político-social; - Económica - provoca alterações na organização económica e na estrutura político-económico-social; - Social - provoca alterações na organização e instituições sociais e na estrutura e relacionamento sociais; - Geográfica - provoca alterações na geografia humana, devido a, por exemplo, fenómenos migratórios; - Demográfica - provoca alterações no tamanho ou composição de uma população; - Tecnológica - provoca alterações nas tecnologias, indo afectar o estilo de vida e o sistema de interrelações sociais; - Cultural - provoca alterações na cultura, devido a, por exemplo, uma invenção, pelo acréscimo de palavras novas à linguagem, novas formas de propriedade, etc. As sociedades normalmente mudam devido a novas descobertas e invenções no interior dos sistemas, ou os mesmos sistemas podem receber por empréstimo (por contactos) elementos de outra cultura por pressões internas, e por pressões internas ou externas. Estas mudanças vão-se repercutir na organização da produção e nos modos de repartição da riqueza criada, nos valores e modelos de comportamento, no tipo de instituições e respectivos objectivos, nos modos de pensar, no nível e no estilo de vida das populações, etc., assumindo-se como factores que de forma permanente irão condicionar a reprodução social.

A Matéria continua no livro e nas

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folhas dadas pela professora (resumo da matéria que sai na Prova Global mas que não saiu em nenhum teste).

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