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Matemática - Módulo 01 - Teoria dos Conjuntos

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Matemática - Módulo 1

TEORIA DOS CONJUNTOS
1. Considerações iniciais
O capítulo que se inicia trata de um assunto que, via-de-regra, é abordado em um plano secundário dentro dos temas que norteiam o ensino médio. Entretanto, para o vestibular do ITA é necessário o conhecimento mais profundo do tema, principalmente no que tange às propriedades em breve indicadas e aos conceitos de complementar e diferença . Embora seja possível resolver todos os exercícios relativos à Teoria dos Conjuntos apenas com noções intuitivas, um dos objetivos desse material é iniciar o aluno em uma linguagem matemática mais elaborada e elegante. Com isso, é possível estabelecer uma base sólida para o melhor entendimento dos capítulos subseqüentes e para a resolução dos exercícios. Feito o parêntese inicial, o ponto de partida da Teoria dos Conjuntos é admitir que conjunto e elemento de um conjunto são conceitos primitivos(aceitamos como conhecidos sem definição), e não conceitos definidos. Para esclarecer a diferença entre os dois: na geometria euclidiana, os conceitos ponto , reta e plano são primitivos; a partir deles, são definidos os demais conceitos (circunferência, segmento de reta, polígono, etc...). Observações: 1) o conceito primitivo elemento de um conjunto deve ser levado ao pé da letra, ou seja, não se discute se x é elemento ou não, mas sim se x é elemento de determinado conjunto ou não. 2) Um conjunto pode ser representado por uma letra maiúscula de nosso alfabeto; ou por uma lista ordenada de todos os elementos desse conjunto (com ou sem repetição) entre chaves;ou pela forma: { x U : A(x) }, em que A(x) é uma propriedade cuja finalidade é selecionar elementos de U; ou ainda pela representação gráfica proposta pelo matemático John Venn(1834-1923) , conforme expresso abaixo:

Verde Vermelho Violeta

= { Verde, Vermelho, Violeta } = conjunto das cores cujos nomes se iniciam pela letra V .

3) Existe um conjunto sem elementos denominado CONJUNTO VAZIO, indicado por { } ou . Essa observação consiste em um postulado( = axioma; é uma proposição aceita como verdadeira sem demonstração, ao contrário dos chamados teoremas).

2. SUBCONJUNTOS
2.1.Def.: dizemos que A é subconjunto de B se, e somente se, todo elemento de A é elemento de B, isto é: x U, x A x B. Neste caso, diz-se A ). O conjunto U,

que A está contido em B ou B contém A ( B

denominado CONJUNTO UNIVERSO, é fixo e contém todos os conjuntos que possam ser envolvidos.

Convém atentar que, se existir ao menos um elemento de A que não pertença a B, ter-se-á A A B x U:x A B. Em outras palavras, temos que x B.

2.2.Propriedades e observações importantes
1) 2) A, temos A A, temos A ( inclusive A; !!! ) propriedade reflexiva;

3) Se A tem n elementos, então o número de subconjuntos de A é 2n. Esse é um exercício de Análise Combinatória elementar, tente fazê-lo! 4) A BeA B A=B propriedade anti-simétrica;

5) Atentar para a diferença entre pertinência e inclusão: enquanto um elemento pertence a um conjunto, um subconjunto está contido em um conjunto (mesmo que a esse subconjunto pertença apenas um elemento!).

3. UNIÃO ou REUNIÃO
3.1.Def: Denomina-se União de A com B ao conjunto dos elementos que
pertencem a pelo menos um dos conjuntos A ou B. Assim, escrevemos A B = { x U : x A x B }. Essa simples definição traz consigo

algumas propriedades interessantes: 1) A B=B A (propriedades comutativa da União)

2) (A 3) A 4) A 5) A 6) A

B) =A B

C=A

(B

C) (propriedade associativa da União)

A

B=B

A=A BeA B A A B B

4. INTERSECÇÃO
4.1.Def: Chamamos intersecção de A com B ao conjunto dos elementos
comuns aos conjuntos A e B. Isso equivale a dizer que A B={x U:x A x B }.

4.2. Propriedades
1) A 2) (A 3) A 4) A 5) A 6) A 7) A 8) A B B=B B) (B (B B = C (A B) (A B) A C=A C) = (A C) = (A A (B B) B) C) (A (A C) C) (Propriedades distributivas) (Propriedade comutativa) (Propriedade associativa)

B=A

A=A

5. DIFERENÇA

5.1.Def.:Dados dois conjuntos A e B, chamamos diferença entre A e B ao
conjunto dos elementos de A que não são elementos de B (veja figura acima), isto é: A B={x U:x A x B }.

5.2.Propriedades
1) (A 2) (A 3) A 4) A B) B) =A (A A (B e A) = -A= B

B) = A

6.COMPLEMENTARIDADE
6.1.Def.: Dados dois conjuntos A e X com A
complementar de A em relação a X ao conjunto: CXA = { x diferença! X: x A }.Verificar as diferenças entre complementaridade e X (atenção!!), denomina-se

Obs.: se o conjunto X não for especificado, infere-se que X = U e neste caso é usual indicar o complemento de A por A ou AC.
_

6.2.Propriedades importantíssimas!
1) A A =
C

2) A

AC = U BC = A

3) (AC)C = A 4) A 5) (A 6) (A 7) B B BC B
C

B)C = AC B) = A A A
C C

(relações de Morgan

prove!)

B = CAB

8) ( )C = U 9) A BC = A A B=

7.PRODUTO CARTESIANO E RELAÇÃO
7.1.Def.: Dados os conjuntos A e B, chamamos produto cartesiano de A por B ao conjunto de todos os pares ordenados (x;y) em que x e y pertencem, respectivamente, a A e B: A X B = { (x;y) : x A y B }.

7.2.Observações e propriedades
1) Se A = ou B = , por convenção tem-se A X B = 2) para o produto cartesiano não existe comutação, ou seja, A X B pode não ser igual a B X A. Entretanto, esta operação possui propriedades distributivas : i) A X (B ii) A X (B iii) (A C) = (A X B) C) = (A X B) (A X C) (A X C) (B X C)

B) X C = (A X C)

7.3.Def.: Dados os conjuntos A e B, denomina-se relação de A em B a
qualquer subconjunto de A X B. As mais importantes relações são as chamadas FUNÇÕES, mas este é um assunto para o capítulo seguinte. Antes disso, alguns exercícios:

8.Questões do ITA de 1969 a 2001

1- (ITA-1969) Sejam R o conjunto dos números reais e C um subconjunto de R. Definimos SUPREMO de C(sup(C)) como sendo o número real L satisfazendo às seguintes condições: i) L é maior ou igual a qualquer número pertencente a C; ii) Dado um número real L < L, existe sempre um número x de C tal que x >L . Seja C o conjunto dos números naturais menores do que 11. Uma das afirmações abaixo, relativas ao conjunto C, é verdadeira. Assinale-a. a) L = 9 b) L = 10 c) L = 11 d) L = 12 e) não existe sup(C)

2- (ITA-1974) Sejam A, B e C conjuntos contidos num mesmo conjunto U. Seja x um elemento de U. Seja CBA = { x CC(A B) é igual a: a) CCA b) CCA c) CAB d) e) nda CC B CC B U : x B e x A }, então

3- (ITA-1985) Seja X um conjunto não vazio e sejam A e B dois subconjuntos de X. Define-se AC = { x as sentenças: 1. A B= A BC B AC; X:x A}e A B = {x A:x B}. Dadas

2. Se X = R; A = {x B={x C={x R ; x2 R; x

R; x3 1 = 0} ;

1=0}; 1 = 0 },

então A = C = B. 3. A 4. A B =A A BC

Podemos afirmar que está(ão) correta(s): a) As sentenças 1 e 3. b) As sentenças 1, 2 e 4 .

c) As sentenças 3 e 4 . d) As sentenças 2, 3 e 4. e) Apenas a sentença 2.

4- (ITA-1987) Sejam F e G dois subconjuntos não vazios de R. Assinale a alternativa correta: a) Se F b) Se F c) Se F d) Se F e) Se F GeG F, então necessariamente F = F G.

G é o conjunto vazio, então necessariamente F = R . GeG F, então F G=F G. F.

G = F, então necessariamente G GeG R, então (F G) G = R.

5- (ITA-1988) Sejam A, B e C subconjuntos dos números reais. Então: a) (A b) (A c) Se A d) (A e) A B) (B B)C = AC B)C = AC BC BC BC C)C BC) (BC (A C)C CC )

B, então AC CC = (AC C)C = (A

6- (ITA-1989) Sejam A, B e C subconjuntos não vazios de R. Dadas as igualdades abaixo: 1. (A 2. (A 3. (A 4. A 5. (A B) X C = (A X C) B) X C = (A X B) B) (B B) A (B A) B) (B X C) (B X C) B (A C) C) (A B)

C) = (A (B

C) = (A

Podemos afirmar que: a) 2 e 4 são verdadeiras b) 1 e 5 são verdadeiras c) 3 e 4 são verdadeiras d) 1 e 4 são verdadeiras e) 1 e 3 são verdadeiras

7- (ITA-1995) Seja o conjunto:

A

(-1)n n!

sen

n! ;n N 6

Qual o conjunto abaixo é tal que sua intersecção com A é o próprio A? a) (- , -2] b) (- , -2] c) [-2, 2] d) [-2, 0] e) [0,2) [2, )

8- (ITA-1995;questão convidada ) Visto que, para todo x a desigualdade x > n(x n a) x N, tem-se:
n-1 n

1en

N, vale

1), temos como conseqüência que, para 0 < x < 1 e

< [n(x + 1)]-1

b) xn - 1 < [(n + 1)(1 + x)]-1 c) xn - 1 < [n2(1 - x)]-1 d) xn - 1 < [(n + 1)(1 e) xn - 1 < [n(1 x)]-1 x)]-1

9- (ITA-1996) Sejam A e B subconjuntos não vazios de R, e considere as seguintes afirmações: i) (A ii) (A iii) [(AC B)C (B AC)C = AC A)]C = A BC)C = B B) (B

Sobre essas afirmações podemos garantir que: a) apenas a afirmação (i) é verdadeira. b) apenas a afirmação (ii) é verdadeira. c) apenas a afirmação (iii) é verdadeira. d) todas as afirmações são verdadeiras. e) apenas as afirmações (i) e (iii) são verdadeiras.

10- (ITA-1999) Sejam E, F, G e H subconjuntos não vazios de R. Considere as afirmações: (i) Se (E X G) (ii) Se (E X G) (iii) Se (E X G) Então: a) Apenas a afirmação (i) é verdadeira. b) Apenas a afirmação (ii) é verdadeira. (F X H), então E FeG H. (F X H) = F X H. (F X H).

(F X H), então (E X G)

(F X H) = (F X H), então (E X G)

c) Apenas as afirmações (ii) e (iii) são verdadeiras. d) Apenas as afirmações (i) e (ii) são verdadeiras. e) Todas as afirmações são verdadeiras.

11- (ITA-2000) Denotemos por n(X) o número de elementos de um conjunto finito X. Sejam A, B e C conjuntos tais que n(A C) = 9, n(A a: a) 11 b) 14 c) 15 d) 18 e) 25 B C) = 11 e n(A B B) = 8, n(B C) = 10, n(A

C) = 2. Então n(A)+n(B)+n(C) é igual

12- (ITA-2001) Sejam X, Y e Z subconjuntos próprios de R, não vazios. Com respeito às afirmações: (I) X {[Y (X Y )C ] Y) [X [X X. ( XC ( ZC YC)C ] } = X Y)]=X Y

(II) Se Z (III) Se ( X

X então ( Z Y )C

Z então ZC

temos que: a) apenas (I) é verdadeira. b) apenas (I) e (II) são verdadeiras. c) apenas (I) e (III) são verdadeiras. d) apenas (II) e (III) são verdadeiras. e) todas são verdadeiras.

GABARITO
01 - B 02 - B 03 - A 04 - C 05 - E 06 - D

07 - C 08 - E 09 - A 10 - E 11 - D 12 - B

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