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Dimensionamento de estruturas Metálicas

Dimensionamento de Vigas

1 – Introdução

O dimensionamento de vigas metálicas cujo banzo comprimido não possui um


contraventamento lateral contínuo, requer a verificação da segurança à instabilidade
lateral.
Este modo de colapso é designado na regulamentação portuguesa por bambeamento e no
EC3 por “lateral torsional buckling of beams”. Trata-se de um fenómeno de instabilidade
lateral da viga por flexão-torção, que adquire relevância especial em vigas de secção aberta
com pequena rigidez de torção.

O dimensionamento de vigas metálicas constituídas por perfis de aço laminados a quente


(secções das classes 1 e 2 no EC3) requer a verificação:
- da resistência das secções transversais da viga
- da estabilidade lateral da viga
- da deformabilidade da viga

A verificação das condições de resistência pode ser feita em termos de tensões normais e
tangenciais nas secções, com base no critério de cedência plástica de Mises-Hencky e
constitui a base de dimensionamento elástico. No caso das secções da Classe 1 e 2 na
designação do EC3, admite-se o dimensionamento plástico da secção.

A verificação das condições de deformabilidade da viga requer, em geral, o cálculo das


flechas elásticas, e a comparação dessas flechas, obtidas para determinadas combinações de
cargas associadas a estados limites de utilização, com os valores admissíveis recomendados
no Capítulo 4 do EC3.

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Finalmente, quanto à verificação da estabilidade lateral da viga (bambeamento), refere-se
em primeiro lugar que se trata de um problema clássico da teoria da Estabilidade de
Estruturas à semelhança do que acontece com o problema da encurvadura de colunas. Na
figura seguinte estabelece-se a analogia entre os problemas de estabilidade de colunas e
vigas.

No problema da estabilidade lateral de vigas, o fenômeno de torção introduz o efeito


de torção não uniforme, o que leva à necessidade de introduzir o conceito de rigidez de
empenamento da secção EIw, conforme se pode observar na fórmula do momento crítico
da viga (Mcr) indicada na figura 1. Por essa razão começa-se por apresentar, na secção
seguinte, uma introdução ao problema da torção não uniforme em peças de secção aberta.

Coluna Viga

Modelo N N M M
L L
z z

Secção y y EIy y y EIz; GIt; EIw


z z

v
w

Modo de Encurvadura w

Carga Crítica Elástica π 2 EI y π 2 EI z I w L2 GI t


N cr = M cr = + *
L2 L2 I z π 2 EI z

Esbelteza N pl M pl
λ= λ LT =
Normalizada N cr M cr

N r = χ * N pl M r = χ LT * M pl
Carga de Colapso
Com χ = χ (λ) Com χLT = χ (λLT)

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Analogia entre os problemas de estabilidade de colunas e vigas

2- Torção Não-Uniforme de Secções Abertas

0 problema da torção não-uniforme, por vezes também designado por torção com
empenamento ("warping torsion"), não é em geral tão bem conhecido como o da torção
uniforme (torção de Saint-Venant) estudado na Resistência de Materiais. Por ser de
importância fundamental para os assuntos seguintes, far-se-á aqui uma breve revisão sobre
torção não-uniforme. Esta ocorre em peças solicitadas por um momento torsor variável ou
em peças em que o empenamento das secções transversais não é livre.

Para introduzir o assunto, considerar-se-á o problema clássico da barra com secção Ι


encastrada numa extremidade e solicitada por um momento torsor T na extremidade livre .

Torção não uniforme de secções em Ι.

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A secção empena, devido à falta de simetria radial. Como o empenamento não é
livre, devido aos encastramentos, os banzos flectem. Geram-se assim tensões normais de
flexão, estaticamente equivalentes a um momento flector Mb no plano de cada um dos
banzos. Estes momentos Mb variam ao longo da peça, sendo nulos na secção livre. A
variação de Mb é equivalente a um esforço transverso.
dMb
Vb =
dx
gerando-se um momento torsor adicional na secção

Tw = Vb * h

designado por momento torsor de empenamento. Deste modo o momento torsor total
numa secção é igual a
T = Tu + Tw

em que Tu representa a parcela do momento interno associada ao regime de torção


uniforme.
Põe-se agora o problema de relacionar o momento torsor com o ângulo de torção φ. Quanto
a Tu, é conhecido da teoria elementar da torção uniforme que:

Tu = GIt *
dx
em que:
 E 
G – módulo de distorção do material G= 
 2 * (1 + υ )
It – constante de torção
E é dada por :
1
* ∑ t i * bi
3
It =
3 i
em que ti e bi representam respectivamente a largura e o comprimento dum dos
rectângulos que constituem a secção.

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Quanto ao momento Tw, começa-se por notar que pela teoria elementar da flexão o
momento Mb no banzo é dado por:
d2uy
Mb = −EIb
dx 2
em que:
Ib – momento de inércia dum banzo relativamente ao eixo dos zz
uy – deslocamento lateral (segundo Y) do eixo do banzo
h
Como uy = φ *   , a equação pode-se escrever na forma
2

h d2 φ
Mb = −EIb
2 dx 2
Das equações anteriores obtém-se para o momento torsor de empenamento

h2 d3 φ
Tw = −EIb
2 dx 3
h2
Introduzindo a constante da secção Iw = Ib vem
2
d3 φ
Tw = −EIw
dx 3
Esta equação para o momento torsor de empenamento, deduzido aqui por
simplicidade para uma secção Ι, mostra-se ser válida no caso geral. A constante de
empenamento (Iw) encontra-se tabelada para várias secções (figura 3).

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Constantes de empenamento e posição do centro de corte de secções correntes.

A expressão geral que relaciona o momento torsor T numa secção genérica com a
rotação de torção φ da secção, obtém-se introduzindo as equações 4 e 9 na equação 3:

dφ d3φ
T = G × It × − E × Iw × 3
dx dx

A resolução dum problema de torção em regime não uniforme requer a integração


dT
da equação . Quando se trata dum momento torsor distribuido ao longo da peça, t= , a
dx
equação transforma-se em:

d2 φ d4φ
G × It × − E × I w × =t
dx 2 dx 4

Para integrar a equação 11 são necessárias duas condições por cada extremidade da barra.
Note-se que se o empenamento numa extremidade é livre, o momento flector no banzo é
d2φ
nulo (Mb=0), pelo que da equação 7 se pode concluir que 2 =0. Deste modo tem-se:
dx

a) Extremidade encastrada (torção e empenamento impedidos)


φ= 0 ; =0
dx

b) Extremidade em que se impede a torção, mas não o empenamento

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d2φ
φ= 0 ; =0
dx 2

Na figura mostram-se dois tipos de ligações com consequências diferentes na torção


e empenamento de vigas Ι. A ligação (d) impede praticamente a torção no apoio, mas
introduz tensões normais de empenamento com a distribuição indicada na figura . Tal não
acontece na ligação (c), a qual, no entanto, apresenta pouca rigidez à torção. A figura 4.ii
representa o caso da secção Z.
Não será considerado aqui o problema do cálculo das tensões normais de empenamento
(figura ), por não ser fundamental para os assuntos que se seguem. Nota-se que as referidas
tensões atingem por vezes valores extremamente elevados, pelo que nem sempre deverão
ser consideradas como de efeitos secundários na verificação da segurança de secções
abertas. 0 cálculo destas tensões faz-se, em geral, com base nos conceitos de Bimomento e
de coordenadas sectoriais.

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3 – Encurvadura Lateral de Vigas por Flexão - Torção

3.1 – Conceitos Básicos


Uma viga solicitada à flexão em torno do eixo de maior inércia, pode instabilizar
lateralmente caso o banzo comprimido não esteja devidamente contraventado. É
conveniente distinguir os casos de:
a) Vigas com contraventamento contínuo
b) Vigas contraventadas em pontos intermédios ao longo do vão
c) Vigas sem contraventamento

Nos casos b) e c) há que dimensionar tendo em conta a possibilidade de instabilidade


lateral por flexão–torção.
Para compreender o problema da instabilidade lateral de vigas, considere-se o caso clássico
da próxima figura. O banzo comprimido, que não é mais do que uma coluna sobre
“fundação elástica”, tende a encurvar lateralmente. Essa tendência é contrariada pela parte
restante (estável) da secção.
No domínio pré-crítico o deslocamento w aumenta linearmente com M e os deslocamentos
ν e φ mantêm-se nulos.

Para M = Mcr atinge-se uma bifurcação do equilíbrio. No domínio de pós-encurvadura, as


secções transversais apresentam um translação definida por ν e w e uma rotação de torção,
em torno do centro de corte, definida por φ.
No estado de pós-encurvadura, as secções transversais estão solicitadas por momentos
flectores My e Mz e por um momento torsor T, em equilíbrio com o momento aplicado M.
O momento crítico elástico de vigas da secção bissimétrica à flexão pura, em torno do eixo
de maior inércia y, é dado por:

π  π2 
Mcr = EIz  GIt + EIw 2 
Le  Le 

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em que Le – comprimento de encurvadura
Deve-se notar que a equação se pode escrever na forma:

Iw GIt
Mcr = PEz +
Iz PEz

π 2EIz
em que PEz – carga de Euler para a flexão de z PEz = 2
Le

Se o momento flector não for constante mas variável, a equação pode escrever-se na forma
geral:

π  π2 
Mcr = C1 EIz  GIt + EIw 2 
Le  Le 

em que C1 – constante dependente do carregamento e das condições de apoio

w(x)
x
L
v

z y
w
M

z My Mz

T v φ

My
M

9
M

Mcr ε=0

ε≠0

w
v, φ

No caso de cargas concentradas ou distribuidas, o momento crítico é dependente do


modo de aplicação das cargas na secção. Assim, uma carga aplicada no banzo superior
tende a agravar a instabilidade relativamente ao caso da carga aplicada no centro de
gravidade. Pelo contrário, se a carga for aplicada ao banzo inferior o seu efeito é
estabilizante . Na secção seguinte apresentar-se-á uma fórmula mais geral do que a
equação , a qual tem em conta o modo de aplicação da carga.

A equação , ou equivalentemente a equação , é apenas válida para secções


bissimétricas. Este ponto tem dado lugar a algumas confusões na literatura. Efectivamente
para secções monossimétricas, como por exemplo secções Ι de banzos desiguais, que no
caso extremo conduzem às secções em T, aparece o chamado efeito de Wagner. Este efeito
consiste na influência das tensões normais de empenamento na rigidez de torção.

Uma peça comprimida apresenta menor rigidez à torção do que a mesma peça
quando traccionada. A instabilidade em torção pura duma peça comprimida pode ser
explicada unicamente com base no efeito de Wagner.

As imperfeições a considerar no problema da instabilidade lateral de vigas são


essencialmente imperfeições geométricas (deslocamentos iniciais v0, φ0 e excentricidades do
plano de aplicação da carga relativamente ao plano da alma) e tensões residuais. As
primeiras dão origem ao comportamento indicado a tracejado na figura 5.b. Assim, os

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deslocamentos laterais v e de torção φ aumentam de urna forma contínua desde o início do
carregamento, ao contrário do que acontece na viga perfeita (ε=0). Quanto às tensões
residuais, estas originam que vigas de esbelteza média encurvem lateralmente em regime
inelástico.

No projecto duma viga sem contraventamentos laterais poderão utilizar-se várias


soluções para aumentar a estabilidade lateral. Uma solução será utilizar uma viga em
caixão , a qual apresenta uma grande rigidez de torção lt. Neste caso a instabilidade lateral
não controla, em geral, o dimensionainento, o qual é então condicionado pela cedência
plástica e pela instabilidade local das paredes (placas) da secção. Uma outra solução
possível é aumentar a rigidez de torção por utilização de banzos em caixão.

Influência do modo de aplicação da carga na instabilidade lateral de vigas.

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Secções em caixão ou com banzos em caixão

Finalmente refere-se aqui o problema dos contraventamentos laterais. O


contraventamento contínuo é em geral originado pela ligação do banzo comprimido da
viga a um tabuleiro, cobertura, etc. Nesta situação não se põe o problema da estabilidade
lateral. Quando o banzo comprimido da viga á contraventado duma forma descontínua ao
longo do vão considera-se, para efeitos de dimensionamento, o problema da encurvadura
para os troços da viga entre apoios laterais. A rigidez e resistência destes apoios laterais
devem ser adequadas. Efectivamente, a presença de imperfeições geométricas na viga faz
com que os contraventamentos sejam solicitados desde o início do carregamento. É usual
dimensionar os contraventamentos laterais para cerca de 2% da força (resultante das
tensões normais) no banzo comprimido da viga.

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3.2 – Regime Elástico
Considerar-se-á agora a determinação dos momentos críticos elásticos para a encurvadura
por flexão-torção de vigas com quaisquer condições de carregamento e de apoio. Admite-se
que as cargas actuam num plano principal de flexão contendo os centros de gravidade e de
corte e que as secções se mantêm rígidas e sem encurvadura local. Efeitos de imperfeições
geométricas ou materiais (tensões residuais) não serão considerados nesta secção. Trata-se
portanto de instabilidades bifurcacionais, não sendo excedida em nenhum ponto da secção
a tensão limite de proporcionalidade.

a) Secções Bissimétricas
O momento crítico elástico é dado no Anexo F do EC3, tendo-se:

 2 
π 2EIz   k  Iw (kL ) GIt
2

+ (C 2 z g ) − C 2 z g 
2
Mcr = C1 +
(kL)2   k w  Iz π 2EIz 

em que:
C1 e C2 – coeficientes dependentes da distribuição de cargas e das condições
de apoio
k e kw – factores associados aos comprimentos de encurvadura

Le
k= - refere-se às condições de apoio relativas à rotação no plano
L
e
kw - refere-se às condições de empenamento nas extremidades da viga, deve-se tomar por
segurança kw = 1,0.

Nesta equação, zg representa a coordenada z do ponto de aplicação das cargas, pelo


que zg = 0 sempre que as cargas se considerem a actuar no centro de gravidade da secção.

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Nesses casos, os termos que envolvem C2zg anulam-se, obtendo-se uma equação
anteriormente referida.

Valores numéricos do coeficiente C1 para diagramas de momentos lineares entre


travamentos transversais.

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Se existirem cargas distribuídas ao longo do vão é necessário considerar os termos
C2zg na equação, devendo-se considerar zg como positivo sempre que o efeito do modo de
aplicação da carga na secção for instabilizante. Isto acontece quando as cargas actuam no
sentido do seu ponto de aplicação na secção para o centro de corte (coincidente com o
centro de gravidade no caso das secções bissimétricas).

Apresentam-se na figura os valores da constantes C1 e C2 para o caso das cargas ao


longo do vão conforme constam do Anexo F do EC3.

Loading and support Bending moment Values of Values of factors


conditions diagram k C1 C2

w
1,0 1,132 0,459
0,5 0,972 0,304

w
1,0 1,285 1,562
0,5 0,712 0,652

F 1,0 1,365 0,553


0,5 1,070 0,432

F
1,0 1,565 1,267
0,5 0,938 0,715

F F
1,0 1,046 0,430
0,5 1,010 0,410
a a a a

Valores numéricos do coeficiente C1 e C2 para o caso de cargas distribuidas ao longo do vão

b) Secções Monossimétricas

No Anexo F do EC3 define-se uma expressão geral para o caso da determinação do Mcr em
vigas de secção monossimétríca.

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c) Vigas de Secção Variável

A equação é válida apenas para o caso de vigas de secção constante bissimétríca. No caso
de vigas de secção variável, contraventadas em pontos intermédios ao longo do vão, a
verificação da estabilidade lateral faz-se em geral para cada um dos troços entre
contraventarnentos admitindo-os de inércia constante.

3.3 Regime Elasto-PIástico

Na figura representa-se o comportamento não linear de vigas devido aos efeitos da


encurvadura lateral na presença de imperfeições. Enquanto nas vigas esbeltas a carga
última é aproximadamente dada pela teoria da estabilidade elástica (conforme foi
apresentado na secção 3.2), nas vigas de esbelteza média, o colapso dá-se em regime
elasto-plástico. Não considerando o efeito geométricamente não linear (instabilidade lateral
na presença de imperfeições) o momento de colapso plástico da viga é dado por:

Mpl = Wpl × fy

em que Wpl é o módulo plástico da secção, o qual se calcula com base na teoria elementar
da flexão plástica.

Para vigas de esbelteza média o momento plástico (Mpl) não representa o


verdadeiro momento de colapso. Efectivamente, há que considerar o efeito das
encurvadura lateral e a presença de imperfeições. Para as secções laminadas a quente, a
presença de tensões residuais devidas à larninagem, faz com que as tensões críticas (σcr=
M cr
) excedam frequentemente a tensão limite de proporcionalidade σp= σcr - σrc (σrc
W
representa a tensão residual máxima de compressão).

Torna-se assim necessário definir um parâmetro de esbelteza para a viga, o qual no EC3 é a
"esbelteza normalizada":

M pl
λLT =
M cr

No caso do dimensionamento elástico de secções, substitui-se Mpl na equação 19


pelo momento de cedência (Mc=Wfy).

Às vigas de pequena esbelteza correspondem valores de Mcr muito elevados em


relação a Mpl, pelo que λLT toma valores baixos. Pelo contrário, às vigas esbeltas
correspondem valores de Mcr muito menores do que Mpl, pelo que que λLT toma valores
muito elevados.

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Na figura apresentam-se resultados experimentais para os momentos últimos de
vigas, com vários tipos de secção, em função da esbelteza normalizada λ. Neste diagrama o
momento Mu está normalizado em relação ao momento de cedência (Mc) e a esbelteza λ
MC
está definida por . Os valores experimentais estão comparados com curvas de
M cr
dimensíonamento de alguns códigos.

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Influência de imperfeições geométricas (θ) no comportamento elasto-plástico de
vigas sujeitas à instabilidade lateral.

Comparação de resultados experimentais com curvas de dimensionamento de alguns códigos.

Para atender à redução da capacidade resistente da viga por efeito da instabilidade


lateral na presença de imperfeições geométricas e de tensões residuais, o EC3 introduz à
semelhança da colunas, o coeficiente de redução χLT o qual é função da esbelteza
normalizada λLT. Deste modo χLT depende do momento plástico (Mpl) e do momento crítico
(Mcr).

A expressão de dimensionamento no EC3 é:

Msd ≤ Mrd

em que:

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M pl
Mrd= χ LT ×
γ M1
em que χLT é dado na figura 12 em função de λLT respectivamente para secções laminadas a
quente (curva a) e secções soldadas (curva c). Note-se que as curvas a e c são precisamente
as curvas já introduzidas no dimensionamento de colunas segundo o EC3.

Curvas de dimensionamento para a encurvadura lateral de vigas no EC3

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