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Questões de Filosofia do Direito

Questões de Filosofia do Direito

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A importância da Filosofia
Dos Pré-Socráticos aos Contratualistas
A importância da Filosofia
Dos Pré-Socráticos aos Contratualistas

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QUESTÕES DE FILOSOFIA DO DIREITO

1. QUAL A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA DO DIREITO? A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual . Ou seja, a Filosofia não serve para nada. Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata. Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, porque se vê a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à realidade. A Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especificamente com os gregos e que, por razões históricas e políticas, tornou-se, depois, o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura europeia ocidental da qual, em decorrência da colonização portuguesa do Brasil, nós também participamos. Através da Filosofia, os gregos instituíram para o Ocidente europeu as bases e os princípios fundamentais do que chamamos razão, racionalidade, ciência, ética, política, técnica, arte. A Filosofia surge, portanto, quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos e as coisas da Natureza, os acontecimentos e as ações humanas podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a si mesma. Em suma, a Filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos, através da razão, que é a mesma em todos; quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que, além da verdade poder ser conhecida por todos, podia, pelo mesmo motivo, ser ensinada ou transmitida a todos. A atitude filosófica possui algumas características que são as mesmas, independentemente do conteúdo investigado. Essas características são: - perguntar o que a coisa, ou o valor, ou a ideia, é. A Filosofia pergunta qual é a realidade ou natureza e qual é a significação de alguma coisa, não importa qual; - perguntar como a coisa, a ideia ou o valor, é. A Filosofia indaga qual é a estrutura e quais são as relações que constituem uma coisa, uma ideia ou um valor;

- perguntar por que a coisa, a ideia ou o valor, existe e é como é. A Filosofia pergunta pela origem ou pela causa de uma coisa, de uma ideia, de um valor. A atitude filosófica inicia-se dirigindo essas indagações ao mundo que nos rodeia e às relações que mantemos com ele. Pouco a pouco, porém, descobre que essas questões se referem, afinal, à nossa capacidade de conhecer, à nossa capacidade de pensar. Por isso, as perguntas da Filosofia se dirigem ao próprio pensamento: o que é pensar, como é pensar, por que há o pensar? A Filosofia torna-se, então, o pensamento interrogando-se a si mesmo. Por ser uma volta que o pensamento realiza sobre si mesmo, a Filosofia se realiza como reflexão. Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo. A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio da linguagem quanto por meio de gestos e ações. A reflexão filosófica também se volta para essas relações que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos nessas relações. A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões: 1. Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? Isto é, quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, dizermos o que dizemos, fazermos o que fazemos? 2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos? 3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é, qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos? A atitude crítica: A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que todo mundo diz e pensa , ao estabelecido. A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É

A filosofia do direito vai partir de dogmas pré-estabelecidos para indagações. metódico. . causal e lógico. é o exercício do pensamento tendo como resultado a interpretação desprovida de pretensões finalistas. aí existe o direito como expressão de vida e de convivência. que. Reconhecendo-se. mas de poder afirmar eu penso que . A filosofia não pode cuidar senão daquilo que tenha sentido de universalidade. Disciplina que tende a estudar e criticar o método jurídico de ensino. sendo de fundamental e absoluta a importância do direito. Não se trata de dizer eu acho que . Sendo assim. daí se evidenciando os títulos existenciais de uma filosofia jurídica. Somente assim a reflexão filosófica pode fazer com que nossa experiência cotidiana. estabelecer relações e concluir de sua aplicabilidade na vida. em segundo lugar. esclareçam umas às outras. e é desse questionamento a cerca do objeto da filosofia do direito que surgem as mais diversificadas propostas: a) b) c) d) e) Disciplina que tende a estudar a justiça. nossas crenças e opiniões alcancem uma visão crítica de si mesmas. portanto. conclusão.) uma hipertrofia do conhecimento teórico. então. julgamento. esta convivência não se dá sem uma regulamentação. para outro essa análise caberia à ética. opera com conceitos ou ideias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. que levará a um conhecimento mais completo tanto da interpretação como da aplicabilidade das leis. portanto. A filosofia do direito possui. cabe ao estudante de direito definir adequadamente o que seria algo justo e equilibrado. Esta é a razão pela qual se faz filosofia da vida. O conhecimento filosófico é um trabalho intelectual. A filosofia. As indagações filosóficas se realizam de modo sistemático. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica. que nada mais é do que uma forma de aprender. mas exige que as próprias questões sejam válidas e. que impede ao aluno inferir. É exatamente por ser o direito fenômeno universal que é ele suscetível de indagação filosófica. A filosofia é a princípio saber racional. estejam relacionadas entre si. sejam provadas e demonstradas racionalmente. e motivo de inúmeras controvérsias. Poder-se-ia então.também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós. onde quer que exista o homem. Disciplina que tende a estudar o dever-ser. Falar em vida humana é falar também em direito. que as respostas sejam verdadeiras. tanto no meio social comum. fazer isto seria o mesmo que podar o alcance crítico da filosofia sobre determinado problema ou grupo de problemas de interesse jus-filosófico. Quer dizer que a Filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. transcendendo o conhecimento positivo através de uma análise crítica. como no meio dos próprios operadores do Direito. torna-se passível de uma investigação filosófica em busca da realidade jurídica. busca encadeamentos lógicos entre os enunciados. por seu caráter universal. é tarefa de buscar os fundamentos do direito com o intuito de criticar sua natureza e repensar as estruturas sobre as quais o prédio do conhecimento se ergue. avaliação . Esta análise se dará através do ato de pensar. isto é.. Para alguns autores a filosofia do direito deve ocupar-se do JUSTO E DO INJUSTO. Quanto à FILOSOFIA DO DIREITO esclarece Miguel Reale em seu livro Filosofia do Direito que O direito é realidade universal. em detrimento da prática. A filosofia atua de forma que o jurista em formação não se afaste da reflexão sob pena de (. básica para qualquer atividade futura que exija reflexão. É sistemático porque não se contenta em obter respostas para as questões colocadas. um objeto tão universal e um método que a investigação se prolonga tamanhamente que fica difícil traçar limites. formem conjuntos coerentes de ideias e significações. dizer aqui que a chamada Filosofia Jurídica ou jus-filosofia e que alguns encaram como Filosofia Política e até uma parte da ética é um ramo da filosofia cujo enfoque está no pensamento e questionamento das ações de normas e do direito tanto em uma sociedade quanto universalmente. deduz-se que deveria ser disciplina atuante em todos os níveis do curso de ciências jurídicas e sociais. a importância da filosofia do direito. A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica e pensamento crítico. ato por demais difícil. E tomando como adequado o ramo que entende que a filosofia do direito teria como objeto o estudo do que e JUSTO chega-se a conclusão de que a noção de justiça pode ser muito mais complexa do que a simples prisão e punição de criminosos. filosofia da história ou filosofia da arte. Sendo assim. filosofia do direito. Disciplina que tende a estudar e criticar as questões históricas do direito e aperfeiçoar o direito positivo Disciplina que tende a estudar os fatos jurídicos (sociologistas) A filosofia é um saber crítico a respeito das construções jurídicas oriundas da práxis e da ciência do Direito. sistemático.. verificando a sua autonomia existencial.

demonstrar como o saber filosófico pode ser um poderoso instrumento a serviço do labor dos juristas. de forma subjetiva e contundente. pelo conhecimento vulgar que qualquer um de nós temos da realidade que se nos apresenta. abrindo espaço para outros horizontes. rediscutindo premissas e princípios. rever. Não está no centro das suas atenções fornecer respostas para as perguntas que ele mesmo faz. sempre questionar. criando a consciência de a lei ser obra inacabada. geralmente ideológicas. assim como a sociedade. resolver problemas. Fazer críticas às práticas. engajada e dialética sobre as construções jurídicas. que os imobilizam em torno das disciplinas puramente dogmáticas. reviver um ato criador. compensadores da perda da crença na capacidade criadora do homem no terreno jurídico. mas para todas as pessoas que procuram entender e criticar as experiências jurídicas da sociedade ao longo do tempo. tendo em vista que esse direito é mutável e variável. dar ao jurista. sobre as práticas jurídicas. A Filosofia pretende apreender seus objetos de estudo de forma totalizante e o mais universal possível. fazer escolhas. tal disciplina não se encarrega da simples análise material do direito. incentivar reformas jurídicas. e. e mais importante. afastando-os de disciplinas mais reflexivas que visem a apreender o fenômeno jurídico numa dimensão mais ampla. se assemelhando em alguns aspectos à filosofia ética e social. A filosofia permite o questionamento. espanto enquanto "choque com uma realidade que não domina". é uma das disciplinas mais valiosas das humanidades.Entretanto. históricas. já que a rejeição pela filosofia é grande entre aqueles que aspiram entrar no mundo jurídico. como tal. Envolve. servindo de reflexão crítica. são verbos que dominam a inquietação incessante do filósofo. enfadado com os modelos que a sociedade lhe impõe. sobre os fatos e normas jurídicas". quase sempre. portanto. Uma grande tarefa dos que estudam a Filosofia do Direito é portanto. precisamente porque dá aos seus estudantes uma competência crucial em qualquer atividade: ser capaz de tomar decisões. atitudes e atividade dos operadores do direito Avaliar. no sentido de determinar as suas condições transcendentais. A atitude filosófica não se resigna com as explicações fornecidas pelo senso comum. em meio ao emaranhado de contribuições científicas do direito. mesmo que responda algumas vezes. abrangendo desde o estudo das coisas da natureza até o ente divino. METAS DA FILOSOFIA DO DIREITO 1. injusta. apresentar-nos a grande questão: o que é filosofia? E com a célebre frase de Hypatia finaliza a resposta: é meu dever questionar . O filósofo precisa questionar. engendra uma atitude de questionamento. recriar. nos primórdios. 2. Uma atitude de espanto deve permear a atividade do filósofo. Investigar as causas de desestruturação do sistema jurídico. e questionar. Miguel Reale chega à conclusão que a missão da filosofia do direito é de crítica da experiência jurídica. questionar a lei como oferecer subsidio reflexivo ao legislador Investigar as estruturas do pensamento jurídico e questioná-las. pesar alternativas. e sua proposta é investigar no lugar de agir. Em BITTAR e ALMEIDA colhemos lição que pela transparência que é digna de transcrição: "a filosofia do direito é. precisa de uma certa dose de curiosidade infantil. acima de tudo. portanto. problematizar. A filosofia do direito então se torna importante à medida que se analisa os conceitos do ordenamento jurídico e social tentando se adequar a uma realidade e por fim o esperado por todos. oxigênio para o raciocínio prático. Postula-se a existência de "uma preguiça mental" dos estudantes. criticar. Sendo assim de fundamental importância não apenas para os juristas. Enfim. rediscutir. considerar argumentos. Questionar. Como sabemos. de problematização. nada fica alheio às indagações dos filósofos. Decorre daí que. um determinado posicionamento diante do mundo em torno. abrindo abordagens diferenciadas para questões antigas. a filosofia é. quando bem estudada. a proposta de investigação que valoriza a abstração conceitual. Sendo assim. Antes. induzindo novas possibilidades. É por isso que a filosofia. abrir a mente para a realidade jurídica. e. propondo novas abordagens do fenômeno jurídico. 3. a filosofia reunia a totalidade dos conhecimentos humanos. momentos de satisfação espiritual. reavaliando o que parece sólido e consensual. 4. a finalidade da filosofia aplicada ao Direito consiste em despertar a dúvida sobre as verdades jurídicas. Para PAULO DOURADO DE GUSMÃO compreender seria captar o que há por trás das aparências. . como diria GARCÍA MORENTE. imperfeita. sobre os discursos jurídicos. a jus-filosofia se encarrega de levar a reflexão racional das noções do justo ou injusto ou do certo ou errado perante a sociedade e gerar em consequência a mudança social através de suas conclusões. Como bem escreve o jus-filósofo Paulo Dourado Gusmão em seu livro Filosofia do Direito. em conflito permanente com o direito. rediscutindo premissas. A Filosofia do Direito não se propõe a finalidades práticas. O filme Alexandria (recomendação das aulas) que faz uma crítica ácida à intolerância religiosa tenta. E. especular no lugar de aceitar. a abordagens reducionistas do direito.

certas propriedades que a ela se negam. Isto é. Por meio da crítica conceitual institucional. 9. 5. com os deuses . numa troca. éter. é orgulho que desencadeia contra os homens a ira dos deuses . auxiliar o juiz no processo decisório. Zenão de Eléia e Melisso de Samos. discutir. seria a independência dos fenômenos naturais e sobrenaturais. Mas também de regular as relações entre os homens e a natureza. Os pré-socráticos consideraram a JUSTIÇA uma lei universal que restitui a cada pessoa. desenvolver-se. renovar-se incessantemente. uma atuação muito abrangente no pensamento pré socrático (período cosmológico). ou dela se retiram. a JUSTIÇA se encarregava então de regular as relações entre os homens. valorativa. tem-se aqui uma noção de justiça como sendo essencial à regulação do intercâmbio entre os homens e a natureza. Ou seja. e pela religiosidade. o castigo o homem rompe com a ordem e. O período Pré-socrático pode ser caracterizado como um período de lendas. cujos representantes são Xenófanes de Colotão. São elas: 1) Escola Jônica. que foram assim divididas em razão da phýsis da cada filósofo. Anaxímenes de Mileto e Heráclito de Éfeso. astros fenômenos astrológicos). cujos principais representantes são Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera. 4) Escola Atomista.é a injustiça que origina o trágico. Para pensadores como Heráclito de Éfeso. proceder a discussões e desconstruir/ construir ideologias. esta quebra se dá com os Sofistas. os conceitos filosóficos e científicos do Direito. identificando a historicidade e a utilidade das definições. pela natureza. Sendo assim. portanto. Um bom exemplo é Protágoras. mitos e cultos religiosos que recorre exatamente o metafísico para a definição do justo e do injusto. subjacente a todas as coisas de nossa experiência. 10. sendo a justiça a medida (limite) imposta ao homem. cujos representantes são Pitágoras de Samos.o que era justo estaria ligado a ideia de compensação. temse dois exemplos que ilustram a noção de Justiça para os Pré-socráticos: . Esclarecer e definir os objetivos do direito. era vista como ordem natural a que o homem deveria submeter-se. uma das partes recebe da outra menos do que corresponde ao que ela lhe entregou. sua atuação social e seu compromisso com as questões sociais. Questionar entendimentos já concretizados.Depurar a linguagem jurídica. derivado e transitório. Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento. Estudar. dizemos que a troca não é JUSTA. em oposição ao que é segundo. Aqui impera a preocupação do filósofo pela cosmologia (céu. É a manifestação visível da arkhé. ou seja "a fonte originária de todas as coisas. dizemos que tal negação. julgála ou dela discordar é desmedida. o que a elas se deve. Parmênides de Eléia. seus valores. É o que é primário. Se se supõe que pertencem a uma pessoa. 2) Escola Pitágorica ou Itálica. pois. o modo como esta se faz percebida e pensada". COMO APARECE NOS PRÉ-SOCRÁTICOS A NOÇÃO DE JUSTIÇA? a) b) Se. na Grécia pré-socrática. Daí nasce a tragédia.c. Resgatar as origens e valores fundantes dos processos e institutos jurídicos. O injusto seria essa quebra. na medida em que a ordem natural é passível de julgamento. ou a uma coisa. Alcmeão de Crotona. fundamental e permanente. que afirmou que o homem é a medida de todas as coisas e capaz. cujos principais representantes são Tales de Mileto. sua relação com a sociedade e os anseios culturais. a força que as faz nascer. avaliar os direitos 11. portanto. para os pré-socráticos . . A justiça. Investigar a eficácia dos institutos jurídicos. 7. é a realidade primeira e última.dos séculos VII e VI. das práticas e das decisões jurídicas. brotar. Anaximandro de Mileto. Pitágoras de Samos e Empédocles de Agrigento. entre as classes e entre as comunidades. e a cada coisa. de julgar essa ordem. a medida das coisas é a ordem natural. coletividades. bem como analisar a estrutura lógica das proposições jurídicas. seja no que tange a indivíduos. ou subtração. Para os pré-socráticos. Tales de Mileto. ESCOLA JÔNICA A JUSTIÇA tem. 6. 8. 2. seja no que tange a grupos. política e procedimental. Os historiadores apontam 4 (quatro) principais escolas pré-socráticas. ela deixa de ser medida transcendental do homem. Anaxágoras de Clazômenas. 3) Escola Eleata. não é JUSTA. a. a injustiça seria a inversão da ordem pela subjetividade ou particularidade do indivíduo que se pretende (ordem do divino e das causas naturais). e preocupações humanas universais.

558 a. Pensadores: y É uma explicação racional e sistemática sobre a origem. o inverno parece fazer surgir a primavera. A teogonia é. isto é. e a medição dos solstícios e dos equinócios nos trabalhos de medição da distância entre estrelas. os seres vivos teriam surgido a partir do barro. a justiça seria a forma de regular as relações entre cada ser e o ser do universo. Em sua época. quer dizer mundo ordenado e organizado. ordem e transformação da Natureza. descendência.). e logia. a partir de seus pais e antepassados. significa: as coisas divinas. como já vimos. Assim. da desaparição e do ressurgimento de todos os seres. ou a Natureza. da permanência. de uma árvore nasce outra árvore. nega que o mundo tenha surgido do nada (como é o caso.a Escola Jônica. coberto de nuvens. varrido por ventos furiosos. até ressecar-se e retorcer-se no inverno. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias. a narrativa da origem dos deuses. no intuito de explicar o surgimento e o desaparecimento das substâncias. os seres divinos. os deuses. Teogonia é uma palavra composta de gonia e theós. que significa pensamento racional. donde. um objeto escuro clareia com o passar do tempo. Que no mundo. As principais características da cosmologia são: Por que os seres nascem e morrem? Por que os semelhantes dão origem aos semelhantes. ao explicar a Natureza. gerar. y o o Que o mundo. discurso racional. a Filosofia nasce como conhecimento racional da ordem do mundo ou da Natureza. o filósofo introduziu a ideia de lei aplicada à natureza. diz -se que são cosmogonias e teogonias. um objeto claro escurece com o passar do tempo? Por que tudo muda? A criança se torna adulta. os filósofos gregos pensavam o universo e a imagem do cosmo sócio-político. Gonia. cosmologia. É creditado a Anaximandro a ideia de centralidade do planeta Terra no Universo. Haviam perdido força explicativa. da repetição. às observações astronômicas e às matemáticas. as tradições e os mitos explicavam todas essas coisas. envelhece e desaparece. vai perdendo o verde e as cores no outono.Por fim. na qual Deus cria o mundo do nada). de uma mulher nasce uma criança? Por que os diferentes também parecem fazer surgir os diferentes: o dia parece fazer nascer a noite.C. por exemplo. não convenciam nem satisfaziam a quem desejava conhecer a verdade sobre o mundo. que. Nesta época. tomado pela tempestade. gênero. a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo. conhecimento. p Direito é condensação da ordem cósmica A palavra cosmologia é composta de duas outras: cosmos. de um cão nasce outro cão. O primeiro teórico a formular um pensamento mais sistemático fundado em bases racionais foi o grego Tales (cerca de 625 a. cheia de flores na primavera. a Filosofia também explica a origem e as mudanças dos seres humanos. quer dizer: geração. portanto. A paisagem.Dedicou-se inteiramente às especulações filosóficas. Isto significa: p Anaximandro = (apeíron) TERRA Anaximandro defendia a ideia da existência do apeíron . na religião judaico-cristã. de céu azul e brisa suave. Segundo seus estudos. pelos raios e trovões? Sem dúvida. espécie). Assim. repentinamente. Afirma que não existe criação do mundo. que vem da palavra logos. gênese. Sendo o fundador dessa nova forma de pensar. portanto. é eterno. elemento infinito e indestrutível que geraria todos os seres e componentes finitos. de modo que. Tudo o que fosse desmedido hybris deveria de ser castigado pela JUSTIÇA. e a cada coisa. ou na Natureza. A palavra gonia vem de duas palavras gregas: do verbo gennao (engendrar. a igualdade entre os homens também era verificada entre os elementos naturais. tudo se transforma em outra coisa sem jamais desaparecer. que significa mundo ordenado e organizado. os elementos naturais pagavam pelas injustiças ocorridas no mundo. o que a elas se deve. Os pré-socráticos consideraram a JUSTIÇA uma lei universal que restitui a cada pessoa. em grego. nascimento a partir da concepção sexual e do parto. se torna sombrio. ele . p Primeiros questionamentos: p Tales De Mileto = ÁGUA . fazer nascer e crescer) e do substantivo genos (nascimento. amadurece. a religião. Cosmos. Por isso diz: Nada vem do nada e nada volta ao nada . mas suas explicações já não satisfaziam aos que interrogavam sobre as causas da mudança. da qual os seres humanos fazem parte. Por que um dia luminoso e ensolarado. Fundou a mais antiga escola filosófica que se conhece .C. Segundo Anaximandro. a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas.

aí. ESCOLA ELEÁTICA p Direito = fato de imutabilidade do ser. segundo o filósofo. Ele queria transmitir a ideia de que tudo que existe é uma manifestação da unidade da qual o homem faz parte. Contrariando seus antecessores. PLATÃO E ARISTÓTELES. desde Sócrates. . a outro fio condutor.aí. Tales inaugurou na filosofia a corrente dos pensadores físicos : filósofos que buscavam entender e explicar a origem da physis palavra grega traduzida como natureza. garantindo assim a continuidade do ciclo. viraria vapor que. inaugurando a linhagem filosófica dos pré-socráticos (filósofos que vieram antes de Sócrates). ao seu discípulo. a origem de todas as coisas estava no elemento água: quando densa. por isso. O pensamento platônico introduziu a ideia de justiça como igualdade. como mostrou Platão no Críton no Górgias. pensador do conhece-te a ti mesmo entende que para bem agir é preciso bem conhecer. a outro eixo. já não é viver de acordo com as leis da polis. agora. originando todas as coisas existentes. o que é a coragem?). VALORES) DA FORMAÇÃO JURÍDICA OCIDENTAL EM SÓCRATES. o Estado ideal é o Estado de justiça e nele não existem diferenças entre lei e justiça. o ar se tornava fogo. da moralidade.Heráclito recebeu o nome de filósofo do fogo. p Xenofanes monoteísta p Parmênides de Eléia ontologia p Zenão de Eléia. Platão. as questões antropológicas. É do convívio. justiça não é agir de acordo com a legislação a justiça é a base da legislação. das atitudes do legislador que surge a filosofia socrática. é buscar o justo além da lei e do costume. O que era o fio condutor da reflexão filosófica o que era a preocupação cosmológica cede lugar. retornaria ao estado líquido. Hoje. Neste eterno movimento. Resumidamente. quando aquecida. Um homem injusto jamais poderia ser feliz. sendo o conhecimento da JUSTIÇA que leva o homem à esta condição de felicidade. Sabemos é salutar o registro que tudo que temos hoje sobre Sócrates chegou pela via de Platão. transformar-se-ia em terra. dos hábitos e práticas coletivas. mas cujo significado engloba também a ideia de origem. o que é o bem?. considerava que à medida que a densidade do ar mudava. dando lugar a uma nova ordem que seria proposta por Platão. Na República. aos poucos novas formas de vida e evolução iriam se desenvolvendo. envolvendo-se em seu método maiêutico todo tipo de especulação temática impassível de solução (o que é a justiça?. Ou seja. quanto mais denso se tornava. e esta não permite que algo nasça. o sol é novo a cada dia e o universo muda e se transforma infinitamente a cada instante. IDENTIFICAR O ETHOS (COMPORTAMENTO. O modo de vida socrático e a filosofia socrática não se separam. pela primeira vez. Segundo Tales. podemos observar a convergência entre os dois conceitos platônicos de justiça: como ideia e como virtude. efetivamente. Sócrates. As leis são justas porque foram estabelecidas por pessoas (os filósofos) que praticam a virtude da justiça e. distribuído. uma vez que Sócrates não deixou escrito algum. uma vez que é incorpóreo e se encontra em toda parte. contemplam a própria ideia de justiça . pois tudo. ou seja. movimento e transformação de todas as coisas. levando à uma dupla concepção: a justiça como ideia (metafísica) e a justiça como virtude (ética) a ser praticada individualmente. os historiadores da filosofia têm dificuldades para separar o que coube a Sócrates e o que coube. Sócrates vai entender que a JUSTIÇA é condição indispensável da felicidade. por que defendia a ideia de que o agente transformador é o fogo: ele purifica e faz parte do espírito dos homens. Segundo ele. terra e pedra. da ação e reação. Com Sócrates (período antropológico) a filosofia desceu do Céu para a Terra. rompeu a ordem da polis. ao se resfriar. o vínculo entre conhecimento e moral. sucessivamente. NOÇÃO DE JUSTIÇA NOS SOCRÁTICOS SÓCRATES Sócrates julgando o nomos da cidade. a filosofia reafirma-se pelo exemplo de vida de p Anaximenes = AR .é considerado o primeiro filósofo de que se tem notícia. p Heráclito De Éfeso = FOGO . A filosofia socrática possui um método que faz o filósofo e por sua vez faz o homem em meio a pólis. no universo se acha subordinado à justiça. quando rarefeito. é o ar (pneuma) a substância fundamental da Natureza (arqué).Segundo Anaxímenes. são consequências da tensão entre os opostos. Surge. Viver com justiça. compunha todas as coisas. O pensamento socrático é profundamente ético. pois reveste-se de preocupações ético-sociais. o ar se transformava em vento e em água. As transformações. as diferentes formas da matéria que encontramos à nossa volta surgem do ar através de processos de condensação e rarefação. quais sejam.Dialética Lógica 3.

A mesma ideia é trazida através do filme Alexandria. mesmo em detrimento da própria vida.Tripartição da alma: * Cabeça: alma logística. os mais excelentes. Sócrates não revidou o injusto corporificado em sua sentença de morte. A certeza socrática quanto ao porvir é a mesma que o movimentava para agir de acordo com a lei (nómos). . porque para ele o descumprimento da sentença representava a derrogação do governo das leis. porque vislumbrava um conjunto de leis com preceitos de obediência incontornável. Buscar a virtude é identificar-se com o que há de melhor e mais excelente. buscando inspiração nas faculdades que caracterizam os deuses. A filosofia socrática traduz uma ética teleológica e sua contribuição consistente em vislumbrar na felicidade o fim da ação. PLATÃO: A principal parte do conjunto de premissas socrática vem desembocar no pensamento platônico. A harmonia é o domínio dos instintos ferozes como o descontrole sexual e a fúria dos sentimentos. passa a ser a imortalidade do ser. a preexistência da alma. A virtude é uma excelência. O VIRTUOSISMO tem a ver com o domínio das ações do corpo. A diferença entre Platão e Sócrates: PLATÃO Ensina num lugar apartado decepcionado com a política SÓCRATES Ensinava nas ruas da cidade. o homem deve se afastar da mundanidade. uma vez que o conhecimento é a base do conhecimento ético. é hegemônica diante de outras partes da alma humana. A prudência socrática converte-se em vida teórica modelo de felicidade humana. Via na prudência a virtude de caráter fundamental para o alcance da harmonia social. Erradicar a ignorância é tarefa do filósofo e na certeza desses princípios abdica até mesmo de sua vida para reafirmar esse princípio. Cada parte da alma humana exerce uma função que delimitadas e sincronizadas são as causas da ordem e da coordenação das atividades humanas. da razão. O direito aparece aqui como um instrumento humano de coesão social buscando um BEM COMUM consistente no desenvolvimento das virtudes humanas. quando Hypatia renuncia a própria vida pra defender o seu ponto de vista. exatamente pela ruptura que provocou com a tradição precedente e com os ensinos predominantes do seu tempo. Todo o sistema filosófico platônico é decorrente de pressupostos transcendentes. Sócrates entende que a lei é fruto do artifício humano e não da natureza e ensina a obediência irrestrita à lei. Platão distancia-se da política e do seio das atividades práticopolíticas. de opinião e de imaginação.Sócrates. mas consagrou valores que posteriormente foram absorvidos por Platão e Aristóteles: o homem enquanto integrado ao modo político de vida deve zelar pelo respeito absoluto. O PLATONISMO preza pelo idealismo e não pelo realismo. corporificado no que está em seus atos e palavras. na mesma medida. por mais que essas fossem injustas. a doutrina ética e o ensino de Sócrates retiram-se de seu testemunho de vida. um aperfeiçoamento de uma capacidade ou faculdade humana suscetível de ser desenvolvida e aprimorada. O vício. A alma valoriza a mundanidade. figura do filósofo * Peito: alma irascível. às leis comuns a todos. Sua contribuição surge como uma forma de antagonismo aos sofistas (que cobravam o pagamento pelos ensinos) e a cosmologia filosófica dos pré-socráticos que especulavam a respeito da natureza e da origem do universo. Sócrates se empenhou em restabelecer para a cidade o império do ideal cívico. Para Sócrates a morte é uma passagem para outro estágio que há de ensinar valores mais acertados ao homem. Sócrates é referencia na filosofia grega. . Essa ética tem por fito a preparação do homem para conhecer-se. às normas políticas. ao contrário da virtude reina onde está o caos entre as partes da alma.As potências da alma: * A parte logística: passa a representar o que diferencia o ser humano de outros seres. quais a alma. coragem e virtude cavalheiresca * Baixo Ventre: alma apetitiva . a reminiscência das ideias. e o núcleo da teoria platônica repousa na ideia que penetra no entendimento do que seja o bem supremo para o homem. é capaz de reflexão. a subsistência da alma. Sócrates pode ser dito como o iniciador da filosofia moral e o inspirador da corrente do pensamento. pra defender o seu capacidade e possibilidade de questionamento e a filosofia.

porque ela se produz pela combinação harmônica dos sons.Utilizando o mito da caverna (mundo sensível e mundo das ideias) e o da reminiscência (imortalidade da alma e sua pré-existência no mundo dos inteligíveis. e a desordem é a INJUSTIÇA. recebendo dela uma função a desempenhar. Na República. Esse DAR A CADA UM O QUE É SEU . ARISTÓTELES O desenvolvimento da justiça em Aristóteles tem sede no campo ético. O mal do estado. pois onde cada um cumpre o que lhe é dado fazer. a defesa e a economia. temperança (comerciantes e artesãos) e coragem(militares). Falar de justiça em Aristóteles é comprometer-se com questões afins como questões sociais. no plano filosófico ou conceitual. porque é harmonia. Para Platão mesmo estando a ideia de Justiça distante dos olhos do comum dos homens sua presença se faz sentir desde o momento presente na vida de cada indivíduo. a ética e a política se movimentam no sistema platônico num só ritmo. Por considerar o outro. políticas e retóricas. não somente nas relações entre particulares (justiça comutativa). A JUSTIÇA é a saúde do corpo social. e o insucesso não pode representar critérios de mensuralibilidade de caráter de um homem. seria fazer corresponder a função que cada um possa exercer no Estado. a decisão o agir voluntário. mas sim no plano do Estado. a educação. o todo beneficia-se dessa complementaridade. Ela é muito mais dar do que receber. De acordo com Hartmann. se concretiza na ambição que faz com que um indivíduo procure alçar-se acima das aptidões de sua classe. enquanto o cidadão se dá. a justiça é causa de bem para aquele que a pratica e causa de mal para aquele que a transgride.aí. A retribuição aqui é o modo de justiça metafísica que ocorre aqui e no Além. A ética aqui é a ação prática do homem em sociedade. A ordem platônica estrutura-se como uma necessidade para a realização da JUSTIÇA. Essa ideia de justiça revela o Estado real grego do tempo de Platão. terreno e transitório. descartar o egoísmo e agir reconhecendo a igualdade do direito do outro. A justiça. As leis são justas porque foram estabelecidas por pessoas (os filósofos) que praticam a virtude da justiça e. com suas aptidões particulares. aqui a questão é metafísica e possui raízes para além da vida (a doutrina da paga pena pelo mal feito). fantasias. uma vez que. e coragem. na concepção platônica. isto é. a injustiça. A Justiça não pode ser tratada unicamente do ponto de vista humano. agir com justiça. por isso. no que diz respeito ao Estado. no campo de um saber que vem definido em sua teoria como saber prático. onde a alma contempla as essências). A cosmovisão platônica permite a abertura da questão da justiça a caminhos largos que aqueles tradicionalmente trilhados no sentido de determinar o seu conceito. PLATÃO ENSINOU QUE SE DEVE DAR A CADA UM O QUE LHE CONVÉM. uma vez que é objetiva e a única que se liga ao Estado (ao contrário das outras virtudes. pois se a alma preexiste ao corpo é porque também subsiste à vida carnal de modo que ao justo caberá o melhor e ao injusto o pior (a ideia de carma). isso representa injustiça. podemos observar a convergência entre os dois conceitos platônicos de justiça: como idéia e como virtude. na harmonia das classes que o estruturam. A divisão do trabalho é a regra da justiça no Estado Ideal. a deliberação. contemplama própria idéia de justiça . E nesta ordem deve haver uma cooperação entre as partes para que se realize a justiça. Para Platão a conduta ética não pode estar baseada no sucesso terreno. o Estado ideal é o Estado de justiça e nele não existem diferenças entre lei e justiça. No mundo terreno o que parece justo em verdade não o é e o que parece ser injusto em verdade não o é. a filosofia não lida com quimeras. Não se pode ser justo ou injusto somente para esta vida. com suas aptidões. a justiça é vista como a maior das virtudes. A música ilustra a justiça. tem um caráter universal. a JUSTIÇA na cidade é a ordem. ao Estado. com as virtudes características que definem os três tipos cidadãos: sabedoria (filósofos). mas está inteiramente voltada para e comprometida com a realidade. temperança. como disse Hegel. é ordem. no Estado platônico. que são subjetivas). se uma interfere na outra. Ele retratou o estudo da ética em Ética a Nicômaco onde . para Platão. Poder e filosofia platônica se aliam. A justiça. onde governados obedecem e governantes ordenam. significou. um imperativo para o convívio social. Platão afirmou que só conhece a justiça aquele que é justo. A justiça consiste na harmonia entre as três virtudes da alma. e vige como forma de Justiça Universal. sabedoria. A justiça agrada a Deus e a injustiça desagrada. Nesse sentido. Existem três atividades que devem existir independentes: a política. ao serviço da sociedade. A ordem do mundo é dada pela JUSTIÇA RETRIBUTIVA e aquele que dever algo ainda que se esconda sob a justiça encaminhada pela providência divina haverá de sucumbir. cujas notas são as ideias metafísicas que derivam da ideia primordial do BEM. ou seja.

Assim. a função da Filosofia do direito nesse contexto é análise do JUSTO. porém não será jamais um "homem justo" ou um "homem bom" de per si. o que é injusto ocupa dois pólos diversos. Onde está guardado o meio-termo. Aristóteles tratou a justiça como virtude. Trata-se. e sendo virtude é um justo meio (mesótes) entre dois extremos. aqui não se opõe dois vícios distintos. a justiça Ihe é uma virtude vivida. a uele ue lesou alguem em x. ARISTÓTELES E A EQUIDADE Ainda além da justiça há algo que com ela guarda profunda relação. é uma premissa para que a ação converta-se em uma ação justa ou conforme à justiça. por si mesmo. na troca. Talvez seja esta uma forma de se retomar a valorização do problema da justiça como um problema genuinamente humano.). ou seja. em todos os sentidos. Aristóteles distingue suas espécies para melhor compreender o fenômeno em sua integralidade. torna-se o foco das atenções de um ramo do conhecimento humano. a justiça é uma virtude. o conhecimento do justo e do injusto. O "homem bom" e.. A justiça aqui é entendida como sendo uma virtude e sendo assim trata-se de uma aptidão ética humana que apela para a razão prática. e de modo a recobrir todas as aparições conceituais possíveis da justiça. em modalidades e circunstâncias desconsertantemente diversas (na distribuição de bens.). na aplicação de penas. que seria a injustiça (em uma ponta o injusto por carência e na outra o injusto por excesso). Mais que isso. e não com a teoria. que não pode ser chamado justiça.. tem sido subestimado pelo homem moderno. chama-se ética. benevolência. pode ser um "bom cidadão". auto-realização. o tema da justiça vem inteiramente recoberto por uma análise percuciente de seus umbrais. aí há a justiça. a justiça participa da razão prática. afecção. a equidade. Para ele o conhecimento ético. e nada mais. Mas não somente o conhecimento do justo e injusto faz do individuo um ser mais ou menos virtuoso. ocupado pela justiça. há que se dizer. do bom e do mau. diferentes das outras. que a justiça requer uma pluralidade de classificações atinentes a suas diversas concepções. que se dedica ao estudo do próprio comportamento humano. portanto analógico a função da ética em Aristóteles. aqui fica claro que a justiça ocorre através de uma prática humana e social bem delimitada. para si e para o outro. A justiça assim definida como virtude. é a equilibrada situação dos envolvidos numa posição mediana. A justiça é uma virtude.. puramente humano. independentemente da sociedade. virtude ética. é um algo para além de seu juízo de mediedade e/ou proporcionalidade. a justiça não se realiza sem a plena aderência da vontade do praticante do ato justo a sua conduta. nada carregaria consigo se não a consciência livre de ter cumprido seu dever social. A esta ciência prática. pois. que se exerce em função da racionalidade (razão prática). uma virtude. portanto. completo em sua interioridade.trata sobre o ideal de virtú. e tudo na medida do ganho de cada qual) ou aritmético (por exemplo. ex correspondera a todas as perdas e danos sofridos por a uele lesado). na compra e venda. fica obrigado a restituir-lhe. temperança. a ética. Deve-se dizer ainda que a justica tambem não é única. A justiça para Aristóteles é. Para Aristóteles sofrer a injustiça não é uma situação viciosa. É a justiça qualidade. e dos demais atributos da racionalidade humana.. bondade. É ela exercida de várias formas. aristotelicamente. Aquele que pratica atos justos não necessariamente é um "homem justo". pois. o que é ser temerário e corajoso. o da injustiça por carência e o da injustiça por excesso. como querem alguns. o justo e o injusto. Fazendo uma alusão ao pensamento Aristotélico. O "bom cidadão". porém sempre com vista em determinado meio. cumpre investigar e definir o que é justo e o injusto. ou o quê? É ela.). È tarefa de ética traçar as normas suficientes e adequadas para orientar as atividades da polis e dos sujeitos que a compõem para a realização palpável do Bem Comum. trata-se menos de algo que se pensa. e seu estudo pertence ao campo das ciências práticas. ou em uma ação boa ou conforme o que é melhor. reiterada e repisada por meio da acao voluntaria. Seu campo é o da ponderação entre dois extremos. de compra e venda. a ciência prática que discerne o bom e o mau. não se pode querer tributar a renda da mesma forma para aquele que pouco ganha com rela ao aquele que muito ganha. ou seja. o que. O justo meio entre os dois pólos. mais de algo que se pratica e do qual se extrai um resultado ativo. os quadrantes do problema vem notoriamente bem delimitados na teoria aristotélica. o que guarda relação com a ação. Tem-se. Então. para a capacidade humana de eleger comportamentos para a realização de fins. ou mais. ao contrário. proporcional (por exemplo. então o homem é capaz de deliberar e de escolher o melhor.. Se a justiça trata de uma virtude. Assim. Com este apelo ao virtuosismo.. Justiça e injustiça são questões atinentes ao campo da razão prática. A justiça total destaca-se como sendo a virtude (total) . reclama-se maior espaço para a atuação da prudência. x. desaparecida a sociedade. O entendimento da temática da justiça em Aristóteles fica definitivamente grafado como sendo um debate ético. de acordo com cada situação (de distribuição. mas somente um vício. in totum. assemelhada a todas as demais (coragem. e este algo é a equidade.

justo é o que observa a lei e a igualdade. Cumpre ao juiz debrucar-se na equanimização de diferenças surgidas da desigualdade. que é a justiça aos iguais deve corresponder sempre algo igual (Política).poderá causar uma injustiça. 3. da justiça e de tudo o que se disse. corretiva. nao é necessária a justiça. a felicidade na comunidade.C. para Aristóteles. que é o hábito de realizar a igualdade (virtude particular). o justo quase se identificava com as leis positivas (costumeiras ou legais). definida em sua pureza conceitual.. é evidente para todos. NEM SUPORTAR POUCO O MAL. o elemento essencial ao conceito de justiça. dizer que a conformidade com a lei natural seria. uma vez que é ditado pela razão a razão.é impessoal e objetiva e conduz à igualdade jurídica formal. então. que encontraremos mais tarde no Estado romano. . Justo é o que é conforme a lei e a equidade ..se . Aristóteles descreveu dois tipos de justiça: a universal. que faz parte da essência do homem.a lei e a equidade procuram realizar a essência da justiça .500 a. lei e igualdade têm uma 4. a característica distintiva da espécie humana. Tal igualdade fundamental. não comete injustiça . quanto à particular (prática da igualdade). para Aristóteles. A justiça também será exercida nas relações domésticas (justo para com a mulher. Historicamente. está a noção de amizade. Para além da lei. Assim se expressou Aristóteles: . A justiça total vem complementada pela noção de justica particular.. uma realidade natural. conscientemente. para chegar à igualdade..a igualdade. ou seja a felicidade da polis. que é a observância da lei (virtude universal) e a particular.. é o igual. para Aristóteles. o que.. como disse Aristóteles. porém. Para o Aristóteles. alguém que prejudique o outro. como virtude universal. O justo natural é mais perfeito que o justo legal e superior a toda forma de justiça. A lei natural é a lei que revela a natureza da comunidade política. não exclui alguma desigualdade nas qualidades que o homem possui desigualmente. pauta suas ações por essa igualdade. ainda que sem prova. presidida pela noção de igualdade geomÉtrica. mas somente por acidente. isto é. A Igualdade Justiça é. Mas é na definição da justiça como virtude particular que o conceito de igualdade se faz mais importante .já acentuamos que a justiça é a única virtude que só é praticada em relação ao outro. justo para com os filhos.na polis. o ato justo só se realiza voluntariamente. EXISTE UMA JUSTIÇA CRISTÃ? COMO ELA INFLUENCIA O DIREITO POSITIVO MODERNO? CRISTIANISMO: O CONTEXTO EM QUE SURGIU.o bem comum é alcançado na política. uma vez que o Estado é. nos últimos séculos da Idade Antiga. isto é. relação muito íntima: a razão é aquilo que todos os homens possuem. ou com os comportamentos costumeiros.. ou à observância das leis. justo para com os escravos) ou polÍticas (lega e natural). Conformidade com a Lei .de observância da lei. OS FUNDAMENTOS E COMO ESSE PENSAMENTO SE CONTRAPÕE COM O PENSAMENTO GRECO-ROMANO A PARTIR DO FILME ALEXANDRIA. aqui justiça e equidade não se distinguem e parece que ele não distingue o equitativo da lei natural. Consciência do Ato . 5. PREJUDICANDO OS OUTROS . o bem supremo. O Bem Comum . Essa é a alteridade (refere-se a outros seres distintos do sujeito agente) da justiça. reparativa. O que o Filme Alexandria vem retratar é a utilização do cristianismo como instrumento de manobra da massa e da luta por poder e domínio. o que a possui pode executá-la em relação com o outro e não só consigo mesmo (Ética a Nicômaco). tendo como fim último o bem comum. se dá com a realização do bem político. nas relações voluntárias. que se estendeu de aproximadamente 3.enquanto o justo e o injusto se definem pela lei. os fatos que fundamentaram o cristianismo ocorreram durante o Império romano. justo é o que beneficia a comunidade (Ética a Nicômaco). A justiça é uma virtude que só pode ser praticada em relação ao outro. a virtude perfeita. o justo será o igual. o que é conforme a lei e a equidade. O cristianismo surgiu a partir da doutrina dos homens que seguiram Jesus Cristo. O Outro . o conceito de igualdade tem papel preponderante DAR A CADA UM O QUE É SEU E NÃO EXIGIR O BEM EM EXCESSO. a conformidade com a lei. é a própria forma da natureza humana. pois. e ele quem representa a justiça personificada. 4. O conceito aristotélico de justiça se compõe de cinco elementos estruturais: o outro. 2. que a faz ser a maior das virtudes. assim. Na justiça. ele mesmo.C. o injusto é o desigual. nas relações involuntárias) ou distributiva. a consciência do ato. Razão. a virtude que considera o outro como igual e. involuntariamente. o bem comum e a igualdade: 1. como a indicar que onde há a amizade. pode-se. A alteridade diz respeito tanto à justiça universal (respeito às leis e aos outros). até 476 d. a lei é razão enquanto impede as desigualdades . presidida pela noção de igualdade aritmética (comutativa.

aponta para valores que rompem com o imediato do que é carnal. ainda que esteja travestida de luta e combate aos infiéis. não podem dispensar um tratamento mínimo a questão religiosa. representa não só a elucidação dos profetas. acolher o que é estrangeiro e dividir o conhecimento cristão. cumpre os preceitos de justiça (eterna) aquele que se faz conduzir de acordo com esses valores. a mora . Quando se discute direito e justiça. analisar e refletir o período. existe uma justiça cristã. De fato. A doutrina cristã teve desvios e interpretações circunstanciais. O filme Alexandria além de retratar esse período em que o Cristianismo se instala como religião mundial ele também vem mostrar que nunca paramos para pensar no que acreditamos. A Justiça aparece aqui como doação. A lei humana. o perdão reflete esta ideologia de acolhimento. que age de modo absoluto. Hypatia foi taxada de bruxa e ateia e por isso foi morta. Os cristãos passam a dominar o território. eterno e imutável. A visão de mundo dela é puramente filosófica e não haveria espaço para religião. portanto. porque ela prefere a neutralidade e o amor à filosofia. entender como legitima uma guerra religiosa. Toda a lição evangélica apesar de um mistério contínuo. Hypatia afirma que não pode se converter ao cristianismo. que condenou Cristo. nesse sentido. que mais uma vez demosntra postura crítica e reflexiva a respeito do que é posto. tornando a situação delicada até para o prefeito Orestes. momentos. e até mesmo o próprio prefeito. A tensão entre cristãos e judeus cresce demais. mas na Lei de Deus. Não é nela que reside necessariamente a verdade. MAS PELO PERDÃO e pelo esquecimento. por sua vida.Os descendentes dos apóstolos. só satisfaz ainda mais ao não-conhecimento de determinado espaço de cultura. o que não escusa o fiel do bom conhecimento dos exemplos de vida do Cristo e de seus apóstolos. não tomar uma postura de rejeição e questionar. Entretanto a política e a religião estavam acopladas nesta época. por vezes um instrumento de usurpação do poder. as leis estão profundamente marcadas pelas lições cristãs que influenciaram de forma indireta o direito positvo moderno. muitos dos quais desconhecidos dos homens. se a palavra é falha. como temas de pesquisa. isto é. e como isso pode levar o homem a uma total cegueira e cometer os mais absurdos equívocos. por meio de suas parábolas. as tradições. que passa a questionar tudo. a ética. compartilhar as escrituras/ compartilhar a salvação. é a justiça cega e incapaz de penetrar nos arcanos da divindade. o que foi feito com base na própria opinião popular dos homens de seu tempo. é imprescindível analisar a influência que as Sagradas Escrituras produziram sobre a cultura ocidental. o que caracteriza um novo período de intolerância religiosa que se estenderia por muitos séculos. fazendo o cristianismo se fortalecer como igreja. história e palavras. em que os cristãos. comportamentos. deve-se dizer que a justiça humana é identificada como uma justiça transitória. PELA DOAÇÃO DE SI. desmitificando figuras alegóricas populares. as instituições. os costumes. mas isso nao quer dizer que especificamente o cristianismo fosse uma doutrina politica ou jurídica. Fala-se aqui em uma CONCEPÇÃO RELIGIOSA DA JUSTIÇA. e isso. por exemplo. para reforçá-la existem as narrativas de atos. portanto. desfazendo o que era falso. pelo aguardar pacientemente a reforma do outro coração. que era pagão. mas o que importa dizer é que foi capaz de produzir suficiente abalo no espírito humano. das lições divinas sobre o que deve ser e o que não deve ser. introduzindo novas práticas e novos conceitos. SOBRE A JUSTIÇA CRISTÃ Sim. não se pode. hospitalidade. mas a encarnação. O sentimento cristão identifica no mal uma doença. após saírem do período de intolerância reliogiosos tornamse os intolerantes. através dos novos cristãos. de modo a dispor-se a seu tratamento. E desse patrimônio religioso inestimável de influências. Hypatia diz isso a um de seus discípulos que se tornou cristão. Nesse sentido. A justiça cristã. mas o filme já retrata um segundo momento. que começaram a espalhar o cristianismo no filme Alexandria eram chamados de Parabolanos. que não se faz pelo julgamento insidioso e precipitado. fatos. os cristãos sofreram uma série de torturas. frente ás religiões pagãs. Rompendo com hábitos cristalizados. Orestes. O Verbo. tornou-se cristão. no sentido de que os justos e injustos serão julgados no Juízo Final. mas nunca questiona o que acredita. Direito e justiça. . informações e valores que se devem retirar alguns preceitos básicos sobre a justiça. Onde reside a vingança não reside uma máxima cristã. os hábitos. As comunidades constituídas pelos apóstolos foram se perpetuando mesmo após a morte deles. Perseguidos pelos romanos durante séculos. os pagãos ou foram mortos ou obrigatoriamente se converteram ao cristianismo. as crenças populares. Quem não fosse cristão seria morto. qual o que se vive hodiernamente. por qualquer motivo ideológico ou pretensamente científico. sobretudo. diferenciando o justo do injusto é que Cristo veio semear a Boa Nova. na verdade uma faceta/ nova dimensão da justiça (como caridade) trazida pela de Jesus. ou de disseminação de uma doutrina espiritual (Cruzadas). a medida que se recusa discutir o tema. seja através de ideologias cristãs seja através da disseminação da crença cristã através do direito posto. e.

é um repertório de garantias fundamentais. PORTANTO. 193 da CF fala de justiça social. quando faz o mal é sobre o aspecto do bem.Anoção de justiça cristã que está baseada na ideia de: "Quem é injusto. ENQUANTO A VIRTUDE PARA OS GREGOS ERA O CONHECIMENTO. . Nesse sentido. é uma doença. a justiça pode ser definida como humana e divina. é o espírito que diz o que é. Pois a relação com o divino só acontece com a experiência individual e a partir daí segue-se o exemplo de Cristo. Os gregos. o bom homem é aquele que consegue o bom senso. os limites e os exemplos de comportamento. mas falamos de justiça social e não entre homens. A Justiça cristã fundada da fé confrontando a justiça de Roma fundada no logos." Esta é a doutrina segundo a qual AQUELE QUE AGE POR SUAS AÇÕES SERÁ MEDIDO. enquanto que o pensamento cristão o fundamento da verdade está no espírito e não na razão. O Estado Moderno regulamente direitos privados. no entanto. a poligamia existia. O justo viverá da fé. Aristóteles é o pai da lógica. É uma visão oriunda da ideia da justiça vista como o bem. e quem é santo. este é o bom homem. é o cristianismo que fundamenta a regulamentação dos direitos fundamentais fundada na teoria da fé. não preserva ensinamentos reconhecido pré-estabelecidos. em nome da fé aparece a santa aliança. seja santificado ainda. sua experiência de fé faz com que ele mude o seu caminho de perseguidor e passe a ser perseguido na defesa do cristianismo. como também a homossexualidade. na prudência. em Aristóteles.. e quem é justo. A VIRTUDE PARA OS CRISTÃO É A MANIFESTAÇÃO DA FÉ. suje-se ainda. na razão. Existe uma ruptura de curso. A FÉ NA S ESCRITURAS QUE DIZEM O QUE É JUSTO. Basta praticar a justiça se o homem se religa a Deus através da fé. Assim. ( filme: teoria de tudo).. CONFRONTO DO PENSAMENTO GREGO COM O CRISTÃO O pensamento Greco tenta sair de uma ordem do senso comum. está apartado de Deus que é Santo e não tem pecado ou mal. Então a liberdade dos modernos é diferente da liberdade dos antigos. A experiência pessoal de Paulo. AO INJUSTO A INJUSTIÇA. coisa que na Grécia não existia. o mundo do privado não existia. Ao passo que se a lei humana se aproxima da fonte de inspiração que está a governar o coração humano (A lei divina). Não exista valores que restringiam a vida pública na Roma. tenta construir o pensamento do homem na razão. O QUE É CORRETO. Art. Somos um Estado laico mas a ortotanásia e a eutanásia são proibidas pela concepção cristã de vida. O cristianismo vem trazer as regras e modelos para a vid a pública e privada. O IDEAL DE JUSTIÇA DO CRISTIANISMO ESTÁ BASEADO NA ÚNICA NECESSIDADE DE SE TER A FÉ. AO JUSTO. bem como que JUSTIÇA CRISTÃ E ESTADO MODERNO Quem são os escolhidos (na análise do povo judeu como povo escolhido por Deus)? Quem são os destinatários da norma? Quem são os destinatários das políticas públicas? Ex: bolsa família o estado diz quem são os beneficiários da norma. a gente sempre procura fazer o bem. veem a possibilidade de uma relação entre bem e mal aliado ao divino. e quem está sujo. da equidade: acolher o diferente que tem uma formação diversa da minha. que tem a ideia de razoabilidade proporcionalidade. No mundo o Greco não havia uma vida virtuosa. eu só posso me salvar se entregar a Deus. A justiça como bem. seu destino só pode ser o erro e o mau governo das coisas humanas. Assim como existem os escolhidos no princípio bíblico. A distinção de bem e mal para a justiça cristã é que o mal um manifestação negativa. aí se observa o princípio da equidade. Os deuses gregos compartilhavam dos mesmos vícios humanos eram ao mesmo tempo bons e maus. A justiça é preexistente. faça injustiça ainda. faça justiça ainda. se a lei humana se encontra desenraizada de sua origem (O DIVINO).. A noção de justiça a qual a CF/88 está assentada é a cristã e não à espírita ou umbandista. uma justiça fundada na igualdade. Amar o próximo como a ti mesmo. Existia a liberdade pública para os gregos. é um princípio fundamental para explicar o princ. O Deus cristão é perfeitamente bom e o mal não está presente nele.. Somos um estado laico. é divinamente inspirada e só basta aplicá-la ao mundo existente tomando como base o que a bíblia diz. A JUSTIÇA . SANTO AGOSTINHO A concepção de justiça de Santo Agostinho está governada pela dicotomia bom/mal. justiça social é um conceito cristão. Justo é aquele que só faz o bem e o bem está descrito na Bíblia Os direitos fundamentais presentes na CF/99.

. tem que se submeter à Cidade de Deus . consistiria em mera instituição transitória humana. o homem só pode esperar de Deus a graça. e. Deus. tal como Deus. . a atividade do legislador. portanto. a realização da paz eterna. 5. por natureza. O conceito central do contratualismo é a valorização do individuo e não do divino. Também para Santo Agostinho justiça É DAR A CADA UM O QUE É SEU. (influencia do pensamento platônico). por força divina. a atividade do juiz. figura como razão essencial do Direito. só existe na Cidade de Deus (reino do inteligível) .ser imagem de Deus e não permitir que a carne subverta a ordem divina. e o que é por força de convenção. A lei eterna. resta como resposta ao que seja o justo. no princípio. O homem deve ser ordenado para alcançar seu fim último. embora Santo Agostinho ressalte em A Cidade de Deus que. todo homem é servo. secular. QUESTÃO: É POSSÍVEL UMA JUSTIÇA SEM DEUS? UM DIREITO SEM DEUS? FALAR SOBRE A NOÇÃO DE JUSTIÇA PARA OS CONTRATUALISTAS. sem a justiça. e que. o direito transcende a lei escrita. O supremo ato de justiça do homem será a submissão à lei de Deus. A Cidade dos Homens (reino do sensível). as leis humanas são a garantia da ordem social. na ordem natural. A lei dos homens deve seguir a lei natural. A igualdade absoluta e. Mais que isso. O princípio de justiça natural é um princípio de equilíbrio entre o que se dá e o que é devido como suum. o escravo não deve se revoltar. para serem chamadas em seu conjunto de Direito. sua concepção transcende para a lei divina. a alma a Deus e as paixões à razão. sua resposta ao problema aparece mais completa e racional. apesar de imperfeitas. sendo que sua TEORIA ADMITE UMA LEI NATURAL MUTÁVEL. como também em Ulpiano chegando a conclusão de que justiça é uma vontade constante e perpétua de dar a cada um o seu direito. Além disso. Nesse sentido. que é gratuita. o que é pela natureza. a qual seja o conceito de justiça: trata-se de um hábito virtuoso. o Direito. A lei humana. e. não se encontra nos ombros estreitos do que é absoluto. a justiça perfeita. bom. inscrita em sua alma. seu criador e senhor. devem estar minimamente aproximadas da justiça. para alem da letra do que concebeu como sendo o justo e o injusto. da guerra) e é vista como expiação do pecado . mais crítica. Todo ser racional tem. todo este aparato de classificações permite explorar com certeza e clareza o terreno teórico elaborado por Tomas de Aquino para o cultivo de suas ideias. a Lex naturalis prescreve a harmonia do homem consigo mesmo. a quem devemos submissão. Sua contribuição reside em seu jus naturalismo. portanto. Na ordem sobrenatural. SÃO TOMÁS DE AQUINO As dimensões da teoria tomista sobre a justiça são incrivelmente vastas. Mais que isso. a justiça é a virtude que sabe atribuir a cada um o que e seu. da qual faz derivar tudo o que foi gerado por forca da razão divina. na teoria agostiniana. A servidão é explicada como expiação dos pecados. A Lei humana e a lei eterna se adequarão em objetivos e finalidades. A lex naturalis pretende que o homem alcance esse equilíbrio. percebe -se a preocupação que transparece de sua teoria de recobrir com apuro os diversos espectros pelos quais se desdobra o problema. Sim. porque Deus nada lhe deve. é possível uma justiça sem Deus e é i sso que os contratualistas vêm trazer.esta a governar todo o universo. Nesse sentido. voltada para a ordenação do homem em sociedade tem por finalidade a realização da paz social. iníqua e sem sentido. de acordo com a hierarquia da ordem natural criada por Deus: o corpo deve submeter-se à alma. Abrangem-se. No entanto. nem do pecado. para conter sua maldade.sendo assim. a lei posta pela autoridade não exaure o Direito. a justiça consiste na observância da lei eterna que liga o homem a Deus e prescreve sua submissão a Ele. Ademais. portanto. Com esta visão mais larga da justiça. no qual reside A VONTADE DE DAR A CADA UM O QUE E SEU . com o natural e com o sobrenatural . ou melhor. ninguém é escravo do homem. temporal. todo conteúdo de direito positivo deve-se adequar as prescrições que lhe são superiores e fontes de inspiração: o direito natural e o direito divino. A servidão nasce do pecado (por ex. São Tomás de Aquino se baseia em Aristóteles para definir o que é justo. de uma reiteração de atos direcionados a um fim e voluntariamente concebidos pela razão prática. criou o homem. então as instituições humanas passam a representar um avanço em direção do que e absolutamente verdadeiro.sua finalidade é apenas a paz temporária. se alguém subverter essa ordem deverá ser punido. enquanto que a Cidade de Deus objetiva a paz eterna. temporal. A justiça. razão de Deus por Ele ordenada. a lei natural.ante Deus. pois fundado em uma época minimalista atende a dois princípios: a legitimidade da autopreservação e a ilegalidade do dano arbitrário feito dos outros. com suas concepções. Ou seja. imperecível e eterno.

a ideia da justiça deixa de ser um ditame objetivo da razão (segundo a natureza das coisas) para se transformar num ditame da vontade dos indivíduos que decidem sobre as matérias ou fatos que devam ser considerados naturais. uma teorização da legitimidade da soberania política face a crise das instâncias legitimadoras tradicionais. Neste processo desempenharam papel importante. perdendo. EXISTE. as guerras de religião. a sua substância filosófica (chega-se ao ponto de estudá-la em termos estritamente científico-positivos com recursos das doutrinas da época contemporânea). equivalente como tal à realização do bem. Rousseau e Rawls. que permite estabelecer os princípios básicos dessa mesma sociedade. Surge. a compreensão da justiça como conformidade formal à lei racional. EM TERMOS DE QUE OS HOMENS ACORDAM AQUILO QUE É JUSTO ENTRE ELES MESMOS. c) a concepção autônoma da norma jurídica como criação autônoma da razão. POIS AQUI JUSTIÇA SEM DEUS. Nasce. numa posição inicial adequadamente definida. 2-Que houvesse uma cultura política secular disposta a discutir a origem e os fins do governo. E o tipo de questões que surge nas obras dos principais autores do contratualismo político: Hobbes. através do apelo a um contrato (hipotético) celebrado entre indivíduos autônomos. Na época moderna. como resposta a crescente desintegração dos modelos medievais. em termos de justificação. sob as seguintes perspectivas: a) a questão assume sentido predominantemente antropológico (condição existencial do homem). a emergência do capitalismo moderno e da burguesia. como o próprio criador da Justiça. assim. sem dúvida. sob pressão dos seus conflitos e tensões internas. daí. permanece como uma das alternativas mais válidas de construção teórica nao fundada na autoridade. Uma das mais correntes hoje e a que distingue entre contratualismo político e contratualismo moral. A ideia basica do contratualismo é simples: A organização social e as vidas dos membros da sociedade em causa dependem. direitos e deveres dos cidadãos. Existem diversas tipologias do contratualismo. de uma descrição exata da realidade social e da dinâmica dos elementos e sistemas que a integram. O contratualismo político preocupa-se com as questões associadas a ideia de justiça: estrutura básica da sociedade. capaz de criar seus próprios acordos que lhe dão segurança . designam-se contratualistas todas as concepções que. O modo como se definem as características de cada um dos três elementos nucleares do argumento contratualista da origem a diversas formas de contratualismo. deslocamento do foco divino para o homem. livres e iguais. mas antes de clarificar e resolver problemas de soberania. a tentativa de redução do problema da justiça pode ser analisado. e) como corolário. de caráter político ou jurídico.A autoridade legítima passou a ser encarada como coisa fundada em PACTOS VOLUNTÁRIOS FEITOS PELOS SÚDITOS do Estado. no contratualismo. de justificação das obrigações políticas. em grande parte. entre muitos outros fatores. . Foram três as condições para a consolidação na história do pensamento político das teorias contratualistas. Locke. no âmbito de um debate mais amplo sobre o fundamento do poder político: 1-Transformação da sociedade. pretendem justificar normas ou princípios do agir humano e das instituições. passível de se definido de muitas maneiras. com profundas implicações na compreensão que o homem tinha de si mesmo. Contudo. da natureza e do saber em geral. Não se trata. prevalece a ideia subjetiva da CONVENÇÃO COMO UM ATO DE VONTADE QUE MODELA A SOCIEDADE e o Estado de acordo com as variáveis exigências de justiça (concepção individualista segundo a visão antropológica pessimista de Hobbes ou otimista de Rousseau). o individuo. Neste contexto. b) a justiça passa a ser focalizada como tema autônomo. os começos da ciência moderna. segundo Miguel Reale. 3-Tornar o contrato acessível de uma forma analógica. normas sociais e formas de organização política. exercício do poder político. O contratualismo moderno e. antes de mais. no âmbito da filosofia moral e política. de um acordo. que faz brotar um sistema de Direito regulando aprioristicamente a realidade jurídica. A história do contratualismo moderno ensinou-nos a ver melhor que nenhuma das configurações do argumento contratualista permite resolver todas as questões complexas das comunidades humanas. O Estado é ilimitado não sendo não sendo só o ordenador do Direito Positivo. O protagonista dos novos tempos é. d) com o homem sendo o centro da indagação.

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