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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA GLOBAL E DOS REATORES UASB DA ETE MONJOLINHO – SÃO CARLOS -SP

Márcio Cesar Paulino

São Carlos – SP

2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA GLOBAL E DOS REATORES UASB DA ETE MONJOLINHO – SÃO CARLOS -SP

Márcio Cesar Paulino

Trabalho de Graduação apresentado ao Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de São Carlos

Orientador: Prof. Dr. Edson Luiz Silva

São Carlos – SP

2011

BANCA EXAMINADORA

Trabalho de Graduação apresentado no dia 16 de dezembro de 2011 perante a seguinte banca examinadora:

Orientador: Prof. Dr. Edson Luiz Silva

Convidado: Prof. Dr. Antonio José Gonçalves da Cruz

Professor da Disciplina: Profa. Dra. Ana Maria da Silveira

DEDICATÓRIA

Dedico este Trabalho de Graduação:

À MINHA FAMÍLIA.

À MINHA MÃE PELO CONSTANTE INCENTIVO.

À MINHA ESPOSA PELO COMPANHEIRISMO.

E, ESPECIALMENTE À MINHA FILHA SOFIA,

PEQUENINA VIDA QUE ALIMENTA MEUS ESFORÇOS.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente ao meu Deus pela vida, saúde e disposição e, por todas as bênçãos que me deu sem haver em mim merecimento algum.

À minha amada mãe Alice que, com muito esforço, dedicação e sabedoria educou

seus filhos, tornando-os homens e mulheres de bem.

À minha amada esposa, minha companheira fiel em todos os momentos pela

compreensão e paciência durante todos estes anos de busca pelo conhecimento.

Ao Prof. Dr. Edson Luiz Silva, grande mestre, incentivador, pela sua dedicação e valiosas orientações, que propiciaram a busca por um maior conhecimento, pelos grandes conselhos que transformaram a relação entre professor e aluno em grandiosa amizade. Ao Prof. Dr. Antonio José Gonçalves da Cruz pela credibilidade confiada, pelos

conselhos valiosos e conversas que fizeram surgir uma amizade envolvida de admiração e respeito.

A Profª Dra. Ana Maria Silveira por sua dedicação e empenho nas orientações à

escrita deste. E, finalmente ao SAAE, que possibilitou o acesso às suas dependências para a realização de estágio, pesquisa e desenvolvimento dos trabalhos.

RESUMO

A cidade de São Carlos é tradicionalmente reconhecida no âmbito internacional como uma cidade pioneira, inovadora e que exporta tecnologia. Esta fama é devido à presença de universidades públicas de renome (UFSCar e USP) e de seus parques tecnológicos. Mesmo com todo este portfólio de conhecimento São Carlos em pleno século XXI apresentava uma dívida, um passivo ambiental, pois todo o esgoto doméstico produzido eram lançados no rio Monjolinho e nos córregos que cortam a cidade, prejudicando não somente a fauna e a flora, mas causando transtorno à população e prejuízos a qualidade de vida. Em 2006 o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos em parceria com a Prefeitura Municipal iniciaram as obras de construção da Estação de Tratamento de Esgoto Monjolinho (ETE Monjolinho). Esta ETE consiste em dois módulos de reatores UASB (upflow anaerobic sludge blanket), cada módulo é composto por quatro reatores e possui a capacidade de tratar todo o esgoto gerado na cidade de São Carlos com vazão média de 650 L/s. Suas atividades iniciaram-se no ano de 2008 com o objetivo de tratar 100% do esgoto doméstico da cidade de São Carlos, remoção mínima de 90% de demanda bioquímica de oxigênio (DBO), remoção de 99% de coliformes fecais através da incidência de luz ultravioleta sobre o efluente tratado e um efluente tratado com oxigênio dissolvido (OD) de 4mg/L. Este trabalho teve por objetivos avaliar a eficiência global e o desempenho dos reatores UASB da ETE Monjolinho através do tratamento dos seguintes parâmetros; DBO, pH, ácidos voláteis, teor de umidade, sólidos totais e sólidos voláteis medidos e compará-los com os valores pré estabelecidos pela resolução CONAMA 430/2011 e pela norma técnica L1.021 da CETESB. Nesta avaliação de eficiência global e de desempenho dos reatores a ETE foram obtidos os seguintes resultados: DBO no efluente final de 30,6 mg/L, pH de 7,1, eficiência global na remoção de DBO de 87.3%, eficiências na remoção de sólidos totais de 33,8%, eficiência na remoção de sólidos voláteis de 50,4% e ao todo a ETE Monjolinho remove uma carga orgânica de 8724,5 kg/dia, sendo que para todos estes parâmetros a ETE Monjolinho se enquadra dentro dos valores mínimos exigidos em Legislação.

ABSTRACT

The city of Sao Carlos is traditionally recognized internationally as a pioneer town, innovative and technology exporting. This fame is due to the presence of renowned universities (UFSCar and USP) and its technology parks. Even with all this knowledge portfolio of Sao Carlos in the XXI century had a debt, environmental liabilities, for all domestic sewage produced were launched in Monjolinho river and streams that cross the city, harming not only the flora and fauna, but causing inconvenience to the public and damage the quality of life. In 2006 the Autonomous Service of Water and Sewage of San Carlos in partnership with the Municipality started the construction of Monjolinho Sewage Treatment Plant. This sewage treatment plant consists of two modules UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket); each module has four reactors and has the ability to treat all sewage generated in the city of Sao Carlos with average flow of 650 L/s. Their activities began in 2008 with the goal of treating 100% of the domestic sewage of the city of San Carlos, at least 90% removal of biochemical oxygen demand (BOD), 99% removal of fecal coliforms through the incidence of ultraviolet light on the treated effluent and treated effluent with dissolved oxygen (DO) of 4 mg/L. This study aims to evaluate the overall efficiency and performance of the UASB reactors by treating the parameters BOD, pH, volatile acids, moisture content, total solids and volatile solids measurements and compare them with the default values set by resolution CONAMA 430/2011 and the technical standard L1.021 CETESB. In assessing the overall efficiency and performance of the UASB reactors obtained the following results, in the final effluent BOD of 30.6 mg/L, pH 7.1, the overall efficiency of BOD removal of 87.3%, the reactors have efficiencies removal of total solids of 33.8% removal efficiency of 50.4% volatile solids and the Monjolinho sewage treatment plant removes overall an organic load of 8724.5 kg/day. For all these parameters the Monjolinho sewage treatment plant fits with the minimum required by law.

SUMÁRIO

BANCA EXAMINADORA

i

DEDICATÓRIA

ii

AGRADECIMENTOS

iii

RESUMO

iv

ABSTRACT

v

LISTA DE FIGURAS

ix

LISTA DE TABELAS

x

LISTA DE QUADROS

xi

1- INTRODUÇÃO

1

2- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

4

2.1. Definição de esgoto

4

2.2. Características do esgoto

5

2.3. Principais parâmetros em analises de esgotos

5

2.4. Características físicas dos esgotos

7

2.4.1. Coloração

7

2.4.2. Turbidez

7

2.4.3. Odor

7

2.5. Variação de esgoto

8

2.6. Matéria sólida

9

2.7. Temperatura

9

2.8. Características químicas dos esgotos

12

2.8.1. Matéria orgânica

12

2.8.2. Matéria inorgânica

12

2.9. pH e alcalinidade

13

2.10. Demanda bioquímica de oxigênio

14

2.11. Descrição de processos anaeróbios

15

2.11.1. Hidrólise

16

2.11.2. Acidogênese

16

2.11.3. Acetogênese

16

2.11.4. Metanogênese

17

2.12. Reatores anaeróbios

18

 

2.12.1. Reator de mistura completa e reator anaeróbio de contato

18

 

2.12.2. Reator de leito fixo ou filtro anaeróbio (FA)

19

 

2.12.3. Reator anaeróbio de manto de lodo (UASB)

20

 

2.12.4. Reator granular de leito expandido (EGSB)

20

 

2.12.5. Reator com recirculação interna

21

2.13. Reatores UASB

22

 

2.13.1. Fundamentos

22

 

2.13.2. Funcionamento

23

 

2.13.3. Critérios e parâmetros de projeto

25

 

2.13.4. Operacionalidade

27

 

2.13.5. Produção de lodo

28

 

2.13.6. Composição do lodo

30

 

2.13.7. Eficiência

31

 

2.13.8. Vantagens e desvantagens dos reatores UASB

32

3- MATERIAIS E MÉTODOS

34

3.1. Materiais

34

3.2. Equipamentos

37

3.3. Procedimento de cálculo

38

4- RESULTADOS E DISCUSSÃO

41

4.1.

Dados de DBO, pH, temperatura, ácidos voláteis, sólidos totais, vazão e

 

oxigênio dissolvido obtidos em análises de laboratório

41

4.2.

Tratamento de dados

46

 

4.2.1. Determinação do desempenho absoluto

46

 

4.2.2. Determinação da eficiência global e por reator

48

 

4.2.3. Avaliação do desempenho da digestão anaeróbia

51

 

4.2.4. Avaliação de vazão e tempo de residência

51

 

4.2.5. Resultados médios de alguns dos parâmetros analisados

52

5- CONCLUSÕES

54

6 – SUGESTÕES

55

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

59

APÊNDICES

63

Apêndice A: Determinação de sólidos totais, fixos e voláteis

63

Apêndice B: Determinação da demanda bioquímica de oxigênio

65

Apêndice C: Determinação de ácidos voláteis

69

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1

Variação diária típica de vazão de esgotos sanitários

8

Figura 2.2

Influência da temperatura sobre a taxa de crescimento

11

Figura 2.3

Etapas de conversão da digestão anaeróbia

15

Figura 2.4

Representação esquemática de um reator de mistura rápida

19

Figura 2.5

Representação esquemática de um Filtro Anaeróbio

19

Figura 2.6

Representação esquemática reator UASB

20

Figura 2.7

Representação reator granular leito expandido

21

Figura 2.8

Representação esquemática de um reator de circulação interna

21

Figura 2.9

Desenho esquemático de um reator UASB

25

Figura 3.1

Pontos de coletas de amostras para análises laboratoriais

36

Figura 3.2

Módulo de reatores UASB da ETE Monjolinho

38

Figura 4.1

Medidas de DBO na entrada e na saída da ETE Monjolinho

42

Figura 4.2

Médias diárias de carga orgânica despejada no rio Monjolinho após esgoto ser tratado

48

Figura 4.3

Eficiência global na remoção de DBO em (%), na ETE Monjolinho

49

Figura 6.1

Coluna de absorção de H 2 S em aminas

55

Figura 6.2

Esquema típico de um biofiltro

56

Figura 6.3

Queimadores de metano de ETE Monjolinho

56

Figura 6.4

Reservatórios de biogás produzidos em ETE

57

Figura 6.5

Compostagem em leiras estáticas

58

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1

Parâmetros operacionais da ETE Monjolinho

2

Tabela 2.1

Tempos de detenção hidráulica em reatores UASB

27

Tabela 3.1

Parâmetros construtivos de cada reator UASB da ETE Monjolinho

37

Tabela 3.2

Parâmetros operacionais de cada módulo de reator UASB da ETE Monjolinho

37

Tabela 4.1

Valores de DBO obtidos na entrada e saída da ETE e nas saídas dos reatores

41

Tabela 4.2

Valores de vazão na Entrada da ETE Monjolinho

42

Tabela 4.3

Valores médios de pH da ETE Monjolinho

43

Tabela 4.4

Resultados das análises de sólidos totais na entrada e saída da ETE e nos efluentes de saída dos reatores

44

Tabela 4.5

Resultados das análises de sólidos fixos na entrada e saída da ETE e nos efluentes de saída dos reatores

44

Tabela 4.6

Resultados das análises de sólidos voláteis na entrada e saída da ETE e nos efluentes de saída dos reatores

44

Tabela 4.7

Resultados das análises de ácidos voláteis na saída dos reatores UASB

45

Tabela 4.8

Resultados das análises de temperatura, oxigênio dissolvido e óleos e graxas na saída da ETE

46

Tabela 4.9

Resultados de remoção de carga orgânica na entrada e saída da ETE e na saída dos reatores UASB

47

Tabela 4.10

Valores absolutos de carga orgânica residual despejada no rio Monjolinho após tratamento

47

Tabela 4.11

Valores de Eficiência Global em (%), calculados nas saídas dos reatores e na saída da ETE

49

Tabela 4.12

Resultados de Eficiência em remover sólidos totais em cada reator UASB

50

Tabela 4.13

Resultados de Eficiência em remover voláteis totais em cada reator UASB

51

Tabela 4.14

Valores médios de tempo de residência e vazões nos reatores UASB

52

Tabela 4.15

Valores médios de DBO, pH, carga orgânica e eficiência global da ETE monjolinho

53

LISTA DE QUADROS

Quadro 3.1.

Planilha SAAE de lançamentos de resultados de todos os parâmetros analisados em ETE

35

1 – INTRODUÇÃO

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de São Carlos é uma autarquia

municipal. O SAAE atende a 100% do município de São Carlos com água tratada através da Estação de Tratamento de Água (ETA), Estação de Tratamento de Água do

CEAT e por meio do tratamento direto nos poços profundos com cloro e flúor.

A ETA de São Carlos foi fundada em 1959, é abastecida com águas do rio Feijão

e rio Monjolinho (captação Espraiado), trata aproximadamente 500L/s de água, que

corresponde a 50% de toda a água tratada, os outros 50% são produzidos por 22 poços profundos distribuídos pela cidade, totalizando 460 000 m 3 de água potável por mês. No ano de 2006 o SAAE em parceria com a Prefeitura Municipal de São Carlos contratou via processo licitatório, o consórcio Delta Araguaia para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Monjolinho, localizada no antigo sítio Santa Adelaide, na Estrada municipal Cônego Washington Pêra. A ETE Monjolinho foi projetada para atender a toda a demanda de esgoto doméstico produzido na cidade de São Carlos e opera com uma vazão média de 650 L/s. O projeto foi concebido para que no ano de 2060 atenda a uma população de 500000 habitantes, com uma vazão de 1270 L/s.

O processo de tratamento do esgoto de São Carlos ocorre por via anaeróbia e

consiste em dois reatores UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket), este tratamento tem por meta a remoção de 90% da demanda bioquímica de oxigênio (DBO), 99% dos

coliformes fecais dos esgotos brutos e um efluente tratado com 4 mg/L de oxigênio dissolvido (OD). O processo de tratamento é composto por cinco módulos. No 1º módulo, tem-se a chegada de esgoto bruto, este módulo é formado por grades mecanizadas, caixas de areia e caixas de gordura e visa a remoção de sólidos grosseiros,

a desaneração e a remoção de gorduras; o 2º módulo consiste em dois reatores UASB,

neles ocorrem à degradação da matéria orgânica presente no esgoto através da ação de microrganismos anaeróbios; o 3º módulo trata-se de um reator de mistura rápida para adição e homogenização de agentes floculantes; o 4º módulo é formado por dois flotadores que são utilizados para a separação de partículas sólidas suspensas e o 5º

módulo consiste em um equipamento de raios ultravioleta (UV) cujo objetivo é a desinfecção e remoção de coliformes fecais e, na última etapa do processo, o esgoto atravessa uma escada hidráulica para melhorar sua oxigenação antes de desaguar

novamente no rio Monjolinho. Além do já exposto a ETE Monjolinho possui uma centrífuga utilizada para remoção de água do lodo final, dois queimadores tipo “Flare” para a queima do Biogás gerado e uma ETA que reaproveita parte do efluente final para usos internos como lavagem de equipamentos e pátios. De acordo com o projeto da ETE Monjolinho, a estação deve operar conforme os parâmetros operacionais apresentados na Tabela 1.1.

Tabela 1.1: Parâmetros operacionais da ETE Monjolinho.

Parâmetros Operacionais

Carga orgânica removida Produção de lodo em massa Produção de lodo em volume Taxa de Carregamento orgânico médio Tempo de retenção vazão máxima Tempo de retenção vazão média

16480 kg DBO/dia 4614 kg SS/dia 110 m 3 /dia 0,76 kgDBO/m 3 .dia 5,7 h 9,5 h

A ETE Monjolinho lança seus efluentes no rio de mesmo nome, o Monjolinho; este rio de 43,24 km de extensão tem sua nascente na zona rural de São Carlos, atravessa a cidade de São Carlos e deságua no Rio Jacaré Guaçú. Pelo Decreto Estadual 8468 de oito de setembro de 1976 que dispõe sobre a classificação dos corpos d’água do Estado de São Paulo, o rio Monjolinho é classificado como classe 4, isto significa que as águas do rio Monjolinho podem ser destinadas para o abastecimento doméstico após tratamentos avançados, podendo ainda ser usada para navegação, harmonia paisagística, abastecimento industrial, irrigação ou usos menos exigentes, este Decreto exige que ao se lançar efluentes domésticos em corpos d’água de classe 4, a DBO seja no máximo de 60 mg/L, a eficiência global mínima para a remoção de DBO seja de 80% e que o efluente apresente valores acima de 0,5 mg/L de oxigênio dissolvido (OD). Este Trabalho de Graduação, tem por objetivos fazer uma abordagem geral sobre a ETE Monjolinho, avaliar o desempenho global e dos reatores UASB através do tratamento dos resultados das análises laboratoriais de DBO, pH, temperaturas, ácidos voláteis, teor de umidade, oxigênio dissolvido (OD), sólidos totais (ST) e sólidos voláteis (SV) e comparar estes resultados com os valores estabelecidos pelas Resoluções CONAMA 357/2005 e 430/2011 e pela Norma Técnica L1.021/ Dez. 1989

editada pela CETESB. Além do já exposto este Trabalho de Graduação faz uma abordagem sobre algumas melhorias a serem executadas na ETE Monjolinho, tais quais:

• reaproveitamento do biogás gerado na estabilização do lodo, pois este biogás composto por metano (50% a 70%), dióxido de carbono (25% a 50%) em volume de gás produzido e por traços de outros gases (H 2 , H 2 S, NH 3 e N 2 ) tem grande potencial energético, podendo ser usado como fonte de energia em outros processos;

• estudo da disposição final do lodo em áreas agriculturáveis como fertilizantes,

pois o lodo estabilizado é uma fonte rica em nutrientes e após tratamento adequado para eliminação de patogênicos pode ser disposto no solo e

• levantamento das causas dos fortes odores de sulfeto produzido na ETE, seus

pontos de desprendimento para a atmosfera, maneiras de minimizá-los ou formas de tratamento para abrandar o impacto ambiental e transtornos aos moradores das adjacências.

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Todas as Estações de Tratamento de Efluentes do Brasil, seja qual for a Tecnologia adotada, fazem diariamente ou semanalmente análises de diversos parâmetros que após serem tratados informam se a ETE está cumprindo com o proposto em projeto ou se ela se enquadra nos níveis de despejos de efluentes exigidos em Leis específicas. Dentre os inúmeros parâmetros analisados destacamos a temperatura, o pH, sólidos totais, sólidos fixos e voláteis, ácidos voláteis, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), oxigênio dissolvido (OD) e teor de umidade. O tratamento desses dados e de outros que não serão abordados neste trabalho permitem inferir sobre o funcionamento da ETE, avaliar a eficiência global e por equipamentos da ETE na remoção de DBO, na remoção de sólidos e constatar se a ETE obedece aos limites mínimos estabelecidos pela CETESB que é uma remoção de 80% de DBO, máximo de DBO lançado ao rio de 60mg/L, oxigênio dissolvido de 4mg/L, teor de ácidos voláteis inferior a 300mg/L e eficiência na remoção de sólidos totais superior a 30%, valores abaixo destes indicam uma má operacionalidade do projeto. A seguir são apresentados estes parâmetros, suas definições, propriedades, aplicabilidade e como estes parâmetros se comportam em reatores UASB.

2.1. Definição de esgoto

Segundo a NBR 9648 (ABNT, 1986) esgoto sanitário é o despejo líquido constituído de esgotos doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária. Ainda segundo a mesma norma, esgoto doméstico é o despejo líquido resultante do uso da água para higiene e necessidades fisiológicas humanas; esgoto industrial é o despejo líquido resultante dos processos industriais, respeitados os padrões de lançamento estabelecidos; água de infiltração é toda água proveniente do subsolo, indesejável ao sistema separador e que penetra nas canalizações; contribuição pluvial parasitária é a parcela do deflúvio superficial inevitavelmente absorvida pela rede de esgoto sanitário. Com base nas informações disponíveis, pode-se estimar, seguramente, que apenas os esgotos de 10% da população brasileira urbana, ou menos, passam por estações de tratamento (CAMPOS, 1999). Os baixos níveis de atendimento no Brasil com serviços

de saneamento básico, sobretudo coleta e tratamento de esgotos sanitários, se devem principalmente a problemas de ordem política e econômica. Não há exatamente

empecilho tecnólogico. No tocante ao tratamento de esgotos, sempre houve a preferencia de atuação nos grandes centros urbanos com tecnologia geralmente importada, que em muitos casos não teria necessidade de utilizar adotando-se tecnologia adaptada as condições brasileiras (CAMPOS, 1999). Segundo Von Sperling (2006), o esgoto sanitário é formado por esgoto doméstico, águas de infiltração e despejos industriais, sendo que:

• o esgoto doméstico é proveniente das residências, do comércio e das repartições

públicas. A taxa de retorno é de 80 % da vazão da água distribuída;

• as águas de infiltração são as que penetram na rede coletora de esgoto através de

juntas defeituosas das tubulações e paredes de poços e

• os despejos industriais são efluentes de indústrias que, devido às características

favoráveis, são admitidos na rede de esgoto; os esgotos industriais ocorrem em pontos

específicos da rede coletora e suas características dependem da indústria.

2.2. Características do esgoto

De maneira geral, os esgotos sanitários possuem mais de 98% de sua composição constituída por água, porem há contaminantes, entre os quais se destacam: sólidos suspensos, compostos orgânicos (proteína: 40% a 60%; carboidratos: 25% a 50%; e óleos e graxas: 10%), nutrientes (nitrogênio e fósforo), metais, sólidos dissolvidos inorgânicos, sólidos inertes, sólidos grosseiros, compostos não biodegradáveis, organismos patogênicos e, ocasionalmente, contaminantes tóxicos decorrentes de atividades industriais ou acidentais (CAMPOS, 1999).

2.3. Principais Parâmetros em análises de Esgotos

Segundo Campos (1999), de maneira geral, devem der coletadas amostras e determinados pelo menos os seguintes parâmetros: pH, temperatura, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), DQO (Demanda Química de Oxigênio), nitrogênio (nas formas de nitrogênio orgânico, amoniacal, nitritos e nitratos), fósforo, alcalinidade, materiais solúveis em hexano, sólidos sedimentáveis, resíduos (em suas diferentes formas: suspensos, dissolvidos, fixos e voláteis), coliformes totais e coliformes fecais.

Recentemente, também a avaliação do número de nematóides começou a receber maior atenção.

As principais características físicas dos esgotos sanitários são (FUNASA, 2004):

• Temperatura - em geral, é pouco superior à das águas de abastecimento. A

velocidade de decomposição do esgoto é proporcional ao aumento da temperatura;

• Odores - são causados pelos gases formados no processo de decomposição,

assim o odor de mofo, típico de esgoto fresco é razoavelmente suportável e o odor de

ovo podre, insuportável, é típico do esgoto velho ou séptico, em virtude da presença de gás sulfídrico;

• Cor e turbidez - indicam de imediato o estado de decomposição do esgoto. A

tonalidade acinzentada acompanhada de alguma turbidez é típica do esgoto fresco e a cor preta é típica do esgoto velho; • Variação de vazão - depende dos costumes dos habitantes. A vazão doméstica do esgoto é calculada em função do consumo médio diário de água de um indivíduo. Estima-se que para cada 100 litros de água consumida, são lançados aproximadamente

80 litros de esgoto na rede coletora, ou seja, 80%. As principais características químicas dos esgotos, de acordo com a FUNASA (2004) são:

• Matéria orgânica - cerca de 70% dos sólidos no esgoto são de origem orgânica,

geralmente esses compostos orgânicos são uma combinação de carbono, hidrogênio e oxigênio, e algumas vezes com nitrogênio;

• Matéria inorgânica - é formada principalmente pela presença de areia e de

substancias minerais dissolvidas. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (2004), as principais características biológicas do esgoto são:

• Microorganismos - os principais são as bactérias, os fungos, os protozoários, os

vírus e as algas; • Indicadores de poluição - são vários organismos cuja presença num corpo d´água indica uma forma qualquer de poluição, para indicar a poluição de origem humana adotam-se os organismos do grupo coliformes como indicadores, as bactérias coliformes são típicas do intestino humano e de outros animais de sangue quente, elas estão presentes nas fezes humanas (100 a 400 bilhões de coliformes/hab.dia) e são de

simples determinação.

2.4.

Características físicas dos esgotos

As principais características físicas que representam o estado em que se encontram águas residuárias são a coloração, a turbidez, o odor, a variação de vazão, a matéria sólida e a temperatura.

2.4.1. Coloração

A coloração indica o estado de decomposição do esgoto, e fornecem dados que podem caracterizar o estado do despejo. Como exemplo, a cor preta é típica do esgoto velho e de uma decomposição parcial, enquanto a tonalidade acinzentada já indica um esgoto fresco (CAMPOS, 1999).

2.4.2. Turbidez

Assim como a coloração, a turbidez também indica o estado em que o esgoto se encontra. Este parâmetro está relacionado com a concentração dos sólidos em suspensão. Esgotos mais frescos ou mais concentrados possuem geralmente maior turbidez (VON SPERLING, 1996).

2.4.3. Odor

Durante o processo de decomposição, alguns odores característicos de esgotos

podem ser gerados. Trabalho de Campello (2009) citam três odores como sendo os principais:

• odor razoavelmente suportável, típico do esgoto fresco;

• odor insuportável, típico do esgoto velho ou séptico, que provém da formação de gás sulfídrico oriundo da decomposição do lodo contido nos despejos; e

• odores variados, de produtos podres como de repolho, peixe, legumes; de fezes;

de produtos rançosos; de acordo com a predominância de produtos sulfurosos, nitrogenados, ácidos orgânicos, etc. A matéria orgânica e o lodo retido em alguma fase do tratamento de esgoto podem ocasionar maus odores em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Além disto, as reações que ocorrem no decorrer do tratamento produzem subprodutos que causam mau

cheiro (H 2 S e outros polienxofres, NH 3 e outras aminas). A temperatura também tem influência na emissão de odores (SILVA, 2004).

2.5. Variação de esgoto

Os esgotos oriundos de uma cidade e que contribuem para a estação de tratamento

de esgoto são basicamente originados de três fontes distintas (VON SPERLING, 1996):

• Esgotos domésticos: oriundos dos domicílios bem como de atividades comerciais e institucionais de um a localidade;

• Águas de infiltração: ocorrem através de tubos defeituosos, conexões, juntas ou

paredes de poços;

• Despejos industriais: advindo das indústrias é função precípua do tipo e porte da

indústria processo, grau de reciclagem, existência de pré-tratamento dentre outros. De acordo com Campos (1999), a Figura 2.1 apresenta um hidrograma típico da vazão afluente a uma ETE ao longo do dia. Podem-se observar os dois picos principais:

o pico do início da manhã (mais pronunciado) e o pico do início da noite (mais distribuído). A vazão média diária é aquela, na qual, as áreas acima e abaixo do valor médio se igualam.

qual, as áreas acima e abaixo do valor médio se igualam. Figura 2.1: Variação diária típica

Figura 2.1: Variação diária típica de vazão de esgotos sanitários. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.6.

Matéria sólida

De acordo com Imhoff et al (1996) classifica-se a matéria sólida presente nas águas residuárias de acordo com as seguintes funções:

• função das dimensões das partículas, podendo ser sólidos em suspensão, sólidos coloidais ou sólidos dissolvidos; • função da sedimentabilidade, podendo ser sólidos sedimentáveis, sólidos flutuantes ou flotáveis ou sólidos não sedimentáveis;

• função da secagem, a alta temperatura (550°C a 600ºC), podendo ser sólidos

fixos ou sólidos voláteis e em

• função da secagem em temperatura média (103°C a 105ºC), podendo ser sólidos

totais, sólidos em suspensão ou sólidos dissolvidos. Um dos parâmetros de grande utilização em sistemas de esgotos é a quantidade total de sólidos. Seu módulo é o somatório de todos os sólidos dissolvidos e dos não

dissolvidos em um líquido. A sua determinação é normatizada, e consiste na determinação da matéria que permanece como resíduo após sofrer uma evaporação a 103ºC (VON SPERLING, 1996).

2.7. Temperatura

A temperatura é um dos fatores ambientais mais importantes na digestão anaeróbia, uma vez que afeta os processos biológicos de diversas maneiras. Dentre os principais efeitos da temperatura incluem-se as alterações na velocidade do metabolismo das bactérias, no equilíbrio iônico e na solubilidade dos substratos, principalmente de lipídios. Segundo Foresti et al (1999), o tratamento de esgotos sanitários em reatores anaeróbios de alta taxa só é economicamente viável se o aquecimento de reatores for dispensável. Essa restrição pode limitar a aplicação bem sucedida de reatores anaeróbios a locais em que a temperatura do liquido mantém-se acima de 20°C. Embora tenham sidos relatados experimentos em que o tratamento ocorreu mesmo à temperatura na faixa entre 10°C e 15°C, as eficiências alcançadas foram pouco superiores àquelas obtidas em unidades de tratamento primário. De acordo com Costa (2009) o parâmetro cinético diretamente afetado pela temperatura é a velocidade específica de consumo do substrato. Na faixa de temperatura

entre 20°C e 25°C, esse parâmetro assume valor inferior à metade daquele a 35°C. Deve-se considerar que a velocidade global de remoção de substrato esta associada ao produto da velocidade especifica pela concentração de microrganismos ativos no reator. Portanto a mesma velocidade de remoção global pode ser atingida a diferentes temperaturas, desde que o sistema possa manter concentrações elevadas de microrganismos. Novamente, o desempenho do reator dependerá da sua capacidade de reter biomassa em seu interior. É possível, no entanto que a baixa velocidade especifica de utilização de substratos solúveis não seja o parâmetro limitante do processo no tratamento anaeróbio de esgotos sanitários. Em temperaturas inferiores a 20°C, a solubilização de gorduras, do material particulado e de polímeros orgânicos é lenta, podendo se constituir na etapa limitante do processo. Caso estes constituintes não sejam solubilizados, poderão ser arrastados do reator ou ficar acumulados junto à superfície, ou nos sistemas de separação sólido/gás/líquido. Por outro lado, uma vez que aproximadamente 40% a 50% da matéria orgânica presente nos esgotos sanitários são constituídos por material particulado, além de lipídios, a não ser a disponibilidade desse substrato para promover o crescimento bacteriano poderá causar a instabilidade do reator. Conclui-se, portanto, que a operação de reatores anaeróbios de alta taxa a temperaturas inferiores a 20°C deve ser cuidadosamente estudada, não apenas quanto ao desempenho a ser esperado, como também ao tipo de configurações de reator a ser adotado, dando-se preferências àqueles capazes de reter melhor a biomassa em seu interior. De acordo com Costa (2009), quanto menor a temperatura, menores as velocidades de reação, significando a necessidade de maior tempo para o tratamento anaeróbio, devido à menor atividade dos microrganismos. Adicionalmente, dada a característica do tratamento com microrganismos, é importante conhecer a natureza dos mesmos no tocante a temperatura. Em função da faixa de atuação especifica quanto à temperatura, há aqueles que têm o seu metabolismo e desenvolvimento característicos a baixas temperaturas, ao redor de 20°C, denominados organismos psicrófilos. Na faixa entre 20°C e 40°C, o mais comum para tratamento anaeróbio nos países tropicais e subtropicais, estes são os microrganismos mesofilos. E na faixa acima de 40°C estão os denominados microrganismos termófilos (Figura 2.2).

Figura 2.2: Influência da temperatura sobre a taxa de crescimento. (Fonte: Lettinga et al ,

Figura 2.2: Influência da temperatura sobre a taxa de crescimento. (Fonte: Lettinga et al, 2001)

Não há uma configuração específica do reator para cada faixa de temperatura embora haja dispositivos para manter a temperatura no reator, por exemplo, na faixa mesófila, o mais utilizado no tratamento anaeróbio na maioria dos casos em nível mundial. Nos casos em que há necessidade de manter uma determinada temperatura em um reator anaeróbio, faz-se uso, em geral, de aquecimento via externa, usando energia de diversas fontes, inclusive às vezes do próprio Biogás gerado no tratamento. Esses casos são mais típicos para certos tipos de esgotos industriais e em países de clima temperado ou frio. Dificilmente isto se aplica em países de clima tropical ou subtropical, em função dos custos, sendo mesmo desnecessários, devido às condições de temperaturas favoráveis ao tratamento anaeróbio, na faixa mesófila. O que pode ocorrer nesses países, nas regiões onde o inverno pode provocar quedas abaixo de 20°C nos esgotos, é um decréscimo natural da eficiência de tratamento por período limitado, a não ser que seja previsto no projeto uma forma operacional para diminuir a carga aplicada de esgoto nessa época, ou para colocar reatores adicionais com o objetivo de aumentar o tempo de detenção hidráulica. A temperatura influi diretamente na taxa de qualquer reação química, que aumenta com sua elevação, salvo os casos onde a alta temperatura produza alterações no catalisador ou nos reagentes.

Em se tratando de reações de natureza biológica, a velocidade de decomposição do esgoto aumenta de acordo com a temperatura, sendo a faixa ideal para atividade biológica contida entre 25 e 35ºC, sendo ainda 15ºC a temperatura abaixo da qual as bactérias formadoras do metano se tornam inativas na digestão anaeróbia.

2.8. Características químicas dos esgotos

Trabalhos de Nuvolari (2003) sugerem que de acordo com a origem dos esgotos, estes podem ser classificados em dois grandes grupos: matéria orgânica ou matéria inorgânica.

2.8.1. Matéria Orgânica

Cerca de 70% dos sólidos no esgoto médio são de origem orgânica. Estes compostos são constituídos principalmente por proteínas, carboidratos, gordura e óleos, e em menor parte, por uréia, surfactantes, fenóis, pesticidas. Contudo ainda divide-se esta fração de material orgânico seguindo o critério de biodegradabilidade, classificando-os em inerte ou biodegradável (GOMES, 2007).

2.8.2. Matéria Inorgânica

Os nutrientes estão presentes no esgoto sanitário em grande quantidade e desta forma permitem o crescimento da vida dos microrganismos necessários a cinética do processo biológico, desde que em proporções adequadas. De uma maneira geral, os esgotos sanitários possuem vários tipos de nutrientes em concentrações adequadas. Os processos biológicos ativos no tratamento dos esgotos domésticos necessitam dos nutrientes inorgânicos, necessários ao desenvolvimento dos microrganismos, estejam presentes em quantidade suficiente. Estes nutrientes dividem-se em macro nutrientes, como o nitrogênio, o fósforo e o enxofre, e os micronutrientes principais requeridos pelas bactérias são: o ferro, o níquel, cobalto e o molibdênio, necessários em pequenas quantidades (CHERNICHARO, 2008). O nitrogênio, na forma de amônia e a parcela de nitrogênio orgânico, provenientes da degradação biológica, redundam nas principais fontes de nitrogênio utilizadas pelos

microrganismos, já que na forma de nitrito e nitrato, são reduzidos a nitrogênio gás, não estando disponível para o desenvolvimento bacteriano (CHERNICHARO, 2008).

O fósforo, na forma de ortofosfato inorgânico, pode ser utilizado pelas células em

desenvolvimento. Para esgotos domésticos, a relação DQO:N:P de 1000:5:1 é indicada para degradação de ácidos graxos voláteis (biomassa com baixa produção celular, Y ~ 0,05 gSSV/gDQO) e, 350:5:1 no caso de degradação de carboidratos (biomassa com

alta produção celular, Y ~0,15 gSSV/gDQO) (CHERNICHARO, 2008).

2.9. pH e Alcalinidade

A taxa de Metanogênese ótima ocorre quando o pH se encontra no entorno do

valor neutro. Versiani et al, (2005), indica que valores superiores a 7,8 e inferiores a 6,3 do pH reduz a taxa metanogênica, podendo até ocorrer à instabilidade do reator caso os ácidos produzidos na fase acidogênese não forem processados na fase metanogênica.

Gás carbônico dissolvido e ácidos graxos voláteis (AGV) contribuem para a redução do pH, enquanto íons como NH 4 + contribuem para o aumento do pH. Como microrganismos diferentes atuam nas diferentes fases da digestão anaeróbia, suas necessidades em termos de pH também diferem. Por exemplo: o pH ideal na

acidogênese é 5,8 a 6,0. Já na metanogênese, o pH ideal é de 6,8 a 7,2. Portanto, no reator o pH deve ser mantido na faixa de 6,6 a 7,6. Recomenda-se que a alcalinidade ideal esteja na faixa de 1000 a 5000 mg/L de CaCO3 e que a concentração de AGV não ultrapasse 250mg/L. No entanto, existem relatos de Reatores operando com concentrações muito distintas e apresentando boas eficiências de remoção (CAMMAROTA, 2008). Operacionalmente, se a alcalinidade for gerada a partir do esgoto afluente, é desejável a manutenção de elevados níveis de alcalinidade no sistema porque elevada concentrações de ácidos voláteis poderiam ser tamponadas sem ocasionar a queda substancial do pH (CHERNICHARO, 2008).

A capacidade da alcalinidade do sistema em neutralizar os ácidos formados no

processo de digestão anaeróbia fundamenta a interação entre eles, e também em tamponar o pH na eventualidade de acumulação de ácidos voláteis (CHERNICHARO, 2008). A capacidade máxima de produção de metano depende diretamente da concentração inicial de alimento (acetato de sódio) e de biomassa, concluindo que estes

dois parâmetros estão inter-relacionados e exercem forte influência sobre a atividade metanogênica específica (SILVA, 2003).

2.10. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)

Também conhecida como BOD (Biochemical Oxygen Demand), a DBO 5,20 é um dos parâmetros mais utilizados no que se refere ao tratamento de esgotos. Segundo Metcalf e Eddy. (2003), a DBO 5,20 mede a quantidade de matéria orgânica oxidável por ação de bactéria. Macintyre (1996) caracteriza a DBO 5,20 como avidez de oxigênio para atender ao metabolismo das bactérias e a transformação da matéria orgânica. Na

verdade, as duas definições, aparentemente um pouco distintas, significam a mesma coisa. A DBO 5,20 é utilizada para indicar o grau de poluição de um esgoto, ou seja, um índice de concentração de matéria orgânica por uma unidade de volume de água residuária. A medição da DBO 5,20 é padronizada pelo “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater” que adota tempo de cinco dias e uma temperatura padrão de 20ºC. Vale ressaltar que a DBO 5.20 não representa a demanda total de oxigênio, pois a demanda total ocorre em período muito superior (SILVA, 2004). Von Sperling, (2006) acredita que a DBO total é igual a 1,46 x DBO 5 a 20ºC. A DBO 5,20 a 20ºC, chamada simplificadamente em alguns casos de DBO, varia no esgoto doméstico bruto, segundo Jordão e Pessôa (1995) e Macintyre (1996), entre 100 e 300 mg/L. Já Nuvolari, 2003 afirma que, para esgoto sanitário, a média atinge 300 mg de

O 2 /L.

A DBO ocorre em dois estágios: primeiramente a matéria carbonácea é oxidada, e em seguida ocorre uma nitrificação. A DBO de cinco dias trabalha na faixa carbonácea (JORDÃO e PESSÔA, 1995). A temperatura é fator relevante na determinação da duração de cada faixa. A duração tende a diminuir com o aumento da temperatura. A DBO 5,20 é a quantidade de oxigênio dissolvido, necessária aos microorganismos, na estabilização da matéria orgânica em decomposição, sob condições aeróbias. Num efluente, quanto maior a quantidade de matéria orgânica biodegradável maior é este índice. No teste de medição, a amostra deve ficar incubada a 20°C, durante cinco dias. Na Inglaterra, a metodologia aplicada, 20°C seria a temperatura média dos rios ingleses e cinco dias o tempo médio que a maioria dos rios ingleses levaria para ir desde a nascente até o mar. As correções para DBO total também

chamada de DBO última, e para outras temperaturas podem ser estimadas da seguinte

maneira (NUVOLARI, 2003):

• DBO (cinco dias) = 0,68 DBO (última) – para esgoto doméstico;

• DBO (temp.) = DBO (20 o C) x K (temp. – 20°C);

sendo K = 1,047 – para esgoto doméstico

DBO (temp.) = DBO a uma temperatura qualquer.

Segundo Von Sperling (1996), a DBO média de um esgoto doméstico é de 300

mg/L e a carga per capita, que representa a contribuição de cada indivíduo por unidade

de tempo é de 54 g/hab.dia de DBO.

2.11. Descrição de Processos Anaeróbios

No processo de digestão anaeróbia, o material orgânico é convertido

biologicamente a uma variedade de produtos finais incluindo metano (CH 4 ) e dióxido

de carbono (CO 2 ). A conversão anaeróbia da matéria orgânica em plantas de tratamento

de esgotos ocorre em quatro etapas, denominadas hidrólise, acidogênese, acetogênese e

metanogênese (Figura 2.3).

acidogênese, acetogênese e metanogênese (Figura 2.3). Figura 2.3: Etapas de conversão da digestão anaeróbia.

Figura 2.3: Etapas de conversão da digestão anaeróbia. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.11.1.

Hidrólise

A primeira etapa na digestão anaeróbia é a hidrólise dos polímeros de cadeia

longa, realizada pelas bactérias fermentativas hidrolíticas. Como as bactérias não são capazes de assimilar a matéria orgânica particulada, ocorre a hidrólise de materiais

particulados complexos (polímeros) em materiais dissolvidos mais simples (moléculas

menores). Os principais compostos a serem hidrolisados são a celulose, as proteínas e os lipídios.

A hidrólise pode ser uma etapa limitante na conversão da matéria orgânica,

ocorrendo de forma lenta em temperaturas inferiores a 20°C (LETTINGA et AL., 1993). Ela é afetada pelo tempo de residência do substrato no reator, pela composição do substrato, tamanho das partículas, pH do meio e concentração de NH 4

(CHERNICHARO,2007).

+

2.11.2. Acidogênese

Os açúcares e aminoácidos produzidos na etapa de hidrólise são absorvidos pelos organismos acidogênicos e fermentados intracelularmente a ácidos graxos de cadeias mais curtas, como ácido propiônico e butírico, além de CO 2 , H 2 e acetato. As vias bioquímicas pelos quais o substrato é fermentado e a natureza do produto (tipo de ácido volátil produzido) dependerão, principalmente, do tipo de substrato e da pressão parcial de hidrogênio.

2.11.3. Acetogênese

As bactérias acetogênicas desempenham um importante papel entre a acidogênese e a metanogênese, convertendo os produtos da acidogênese em compostos que formam substrato para a produção de metano (LETTINGA et al, 1994). As bactérias acetogênicas produtoras de hidrogênio são capazes de converter ácidos graxos com mais de dois carbonos a ácido acético, CO 2 e H 2 , que são os substratos para as bactérias metanogênicas.

2.11.4. Metanogênese

As bactérias metanogênicas executam a etapa final do processo de decomposição anaeróbia dos efluentes. O metano é o principal produto resultante da digestão anaeróbia. Como contraste, bactérias aeróbias metabolizam polímeros por oxidação a CO 2 , H 2 O e outros minerais. As reações bioquímicas desse grupo de bactérias contribuem para a redução da pressão parcial de hidrogênio, viabilizando as etapas anteriores do processo de degradação anaeróbia. A formação de metano como produto final do processo depende da existência de populações com funções distintas, e em proporções tais que permitam a manutenção do fluxo de substratos e energia sob controle. É importante salientar que bactérias metanogênicas podem somente usar um número limitado de substratos para a formação de metano. Sabe-se que elas utilizam os seguintes substratos: CO 2 + H 2 , formiato, acetato, metanol, metilaminas e monóxido de carbono. As reações típicas que envolvem estes compostos são as seguintes:

4H 2 + CO 2

4H 2 + CO 2

CH 4 + 2H 2 O

(2.1)

4HCOOH

4HCOOH

CH 4 + 3CO 2 + 2H 2 O

(2.2)

CH 3 COOH

CH 3 COOH

CH 4 + CO2

(2.3)

4CH 3

OH

OH

3CH 4 + CO 2 +2H 2 O

(2.4)

4(CH 3 ) 3 N + 6H2O

4(CH 3 ) 3 N + 6H2O 9CH 4 + 3CO 2 +4NH 3 (2.5)

9CH 4 + 3CO 2 +4NH 3

(2.5)

Num reator anaeróbio, as duas principais etapas envolvidas na formação de metano são:

1. A conversão de hidrogênio e dióxido de carbono em metano e água (Eq.2.1). 2. A conversão de acetato em metano e dióxido de carbono (Eq.2.3). As bactérias metanogênicas e as acidogênicas formam uma relação simbiótica, beneficiando-se mutuamente; as metanogênicas convertem os produtos finais da acetogênese, hidrogênio, formiato e acetato, em metano e dióxido de carbono, mantendo a pressão parcial de H 2 baixa. Desta maneira o equilíbrio das reações de fermentação é deslocado para a formação de mais produtos finais oxidados (formiato e acetato). A utilização do hidrogênio, produzido pelas acidogênicas e outras anaeróbias, pelas metanogênicas é denominada transferência de hidrogênio interespécies. Assim, as

bactérias metanogênicas removem compostos que inibiriam o crescimento das acidogênicas. Para manter um sistema de tratamento anaeróbio que estabilize um resíduo orgânico eficientemente, as bactérias não metanogênicas e as metanogênicas devem estar num estado de equilíbrio dinâmico. Para se estabelecer e manter tal estado, o conteúdo do reator não deve ter oxigênio dissolvido e ser livre de concentração de inibidores tais como amônia, metais pesados e sulfetos em altas concentrações. Além disso, o pH do ambiente aquoso deve situar-se entre de 6,6 a 7,6. A alcalinidade deve ser suficiente para assegurar que o pH não fique abaixo de 6,2, de modo que não haja inibição das bactérias metanogênicas. Uma quantidade suficiente de nutrientes, tais

como nitrogênio e fósforo, deve também estar disponível para assegurar o crescimento apropriado da comunidade biológica. Dependendo da natureza do lodo ou resíduo a ser digerido, fatores de crescimento podem ser necessários. A temperatura é outro parâmetro ambiental importante. As faixas de temperaturas ótimas para as mesofílicas e

as termofílicas são, respectivamente, 30 a 38°C e 49 a 57°C.

2.12. Reatores Anaeróbios

A digestão anaeróbia é um dos processos mais antigos usados para o tratamento

da matéria orgânica presente em águas residuárias, tendo sido inicialmente aplicada para

a estabilização de lodos e efluentes concentrados. Desenvolvimentos tecnológicos

permitiram a extensão da aplicação dos processos anaeróbios para o tratamento de despejos diluídos, como esgotos sanitários. Ele tem sido aplicado com sucesso em países tropicais, havendo, também, resultados favoráveis em países subtropicais e regiões com clima temperado (SEGHEZZO et al., 1998). A aplicabilidade dos processos anaeróbios para tratamento de águas residuárias

tem sido amplamente comprovada, sendo utilizadas em diferentes configurações, como

as descritas a seguir (AIYUK et al., 2005):

2.12.1. Reator de mistura completa (CSTR) e Reator anaeróbio de contato

Apresenta misturador para manter um bom contato entre a biomassa e o material orgânico a ser digerido, e uma etapa de pós-clarificação, com retorno da biomassa (em processos por contato) para assegurar uma quantidade de sólidos suspensos no “mixed

liquor” dentro do reator. Apresentam um TDH de aproximadamente 20 dias, sendo apropriado para efluentes concentrados de 2g/L ou mais. A Figura (2.4) mostra um esquema do reator de mistura completa.

(2.4) mostra um esquema do reator de mistura completa. Figura 2.4: Representação esquemática de um reator

Figura 2.4: Representação esquemática de um reator de mistura rápida. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.12.2. Reator de leito fixo ou filtro anaeróbio (FA)

Apresenta um meio suporte para crescimento a fim de reter a biomassa dentro do reator. Diferentes tipos de meios suportes têm sido utilizados para este fim. Geralmente operam com movimento ascendente e TDH de poucas horas a dias, e carga orgânica de 0,4 a 27 kgm -3 d -1 . Pode ter reciclo de modo a permitir uma diluição e controle do pH. Comumente utilizados para efluentes com baixos níveis de contaminantes orgânicos. A Figura (2.5) mostra um esquema de um filtro biológico.

A Figura (2.5) mostra um esquema de um filtro biológico. Figura 2.5: Representação anaeróbia de um

Figura 2.5: Representação anaeróbia de um filtro anaeróbio. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.12.3.

Reator Anaeróbio de Manto de Lodo (UASB)

Apresentam velocidade ascendente da ordem de 1 a 2 mh -1 . Chernicharo (2007) sugere que as velocidades ascensionais sejam um pouco menores, entre 0,5 a 0,7 mh -1 , para vazão média. O reator não contém componentes mecânicos, mas tem um separador de gás, líquido e sólido (SLG) em seu topo. Durante a operação geralmente ocorre a granulação do lodo. Pode tratar tanto efluentes concentrados quanto diluídos, e a carga orgânica pode chegar a 40 kgm -3 d -1 (Figura 2.6).

pode chegar a 40 kgm - 3 d - 1 (Figura 2.6). Figura 2.6: Representação esquemática

Figura 2.6: Representação esquemática reator UASB. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.12.4. Reator Granular de Leito Expandido (EGSB)

É uma modificação do reator UASB, com velocidade ascendente de 6 a 15 mh -1 . Devido à alta energia cinética do afluente, há um intenso contato entre a matéria orgânica e o lodo na entrada (Figura 2.7). Tem maior custo, apresentando um separador mais eficiente que o reator UASB. É mais adaptado a baixas temperaturas e efluentes menos concentrados. Em algumas situações, particulados podem deixar o leito de lodo, saindo com o efluente. Apesar de apresentar um custo efetivo maior que o reator UASB, pode ser aplicado para águas residuárias com temperaturas inferiores a 10°C.

Figura 2.7: Representação reator granular leito expandido. (Fonte: PROSAB, 1999) 2.12.5. Reator com Recirculação

Figura 2.7: Representação reator granular leito expandido. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.12.5. Reator com Recirculação Interna

Apresenta velocidade ascendente de 20 a 30 mh -1 e separador convencional com dois estágios, sendo que um está localizado na metade da altura do reator. Tem boa mistura e alta quebra dos grânulos, havendo maior controle sobre as bactérias fermentativas (Figura 2.8).

controle sobre as bactérias fermentativas (Figura 2.8). Figura 2.8: Representação esquemática de um reator de

Figura 2.8: Representação esquemática de um reator de circulação interna. (Fonte: PROSAB, 1999)

2.13.

Reatores UASB

2.13.1. Fundamentos

Nos anos após o desenvolvimento dos sistemas de segunda geração o digestor anaeróbio de fluxo ascendente, UASB, tem se destacado por ser muito mais aplicado que os outros. Os reatores UASB são reatores de manta de lodo no qual o esgoto afluente entra no fundo do reator e em seu movimento ascendente, atravessa uma camada de lodo biológico que se encontra em sua parte inferior, e passa por um separador de fases enquanto escoa em direção à superfície. O processo utilizado visa à segregação dos gases, sólidos e líquidos. Para tanto, a literatura inglesa especificou para os “Reatores de Manta de Lodo” a sigla UASB, que significa “Upflow Anaerobic Sludge Blanket”. No Brasil, são também conhecidos com as siglas DAFA ou RAFA, ou seja, Digestor Anaeróbio de Fluxo Ascendente e Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente, respectivamente. O reator UASB que no Brasil inicialmente foi nomeado como digestor anaeróbio de fluxo ascendente (DAFA) foi desenvolvido na década de 70 pelo Prof. Lettinga e sua equipe, na Universidade de Wageningen - Holanda. Saliente-se aqui, que a Holanda tem se destacado a partir do final dos anos 60 pelo substancial avanço no campo da tecnologia da clarificação de águas residuárias. Os reatores UASB têm como principais parâmetros o controle dos tempos de detenção de sólidos e hidráulicos, as cargas volumétricas orgânicas e hidráulicas, bem como a velocidade ascensional (VERSIANI et al, 2005). Inicialmente a tecnologia UASB foi desenvolvida para tratamento de águas residuárias industriais concentradas. A idéia de testar o processo UASB para tratamento de águas residuárias domésticas nasceu de discussões sobre tecnologias apropriadas para países em desenvolvimento e seus testes tiveram início em 1976 (LETTINGA, et al., 1999). Aos poucos, este estudo foi sendo desenvolvidos principalmente para condições tropicais, com o pioneirismo do seu emprego em escala real feito em Cali, na Colômbia, sob supervisão dos seus criadores, os holandeses. O sucesso em Cali deu impulso à credibilidade da tecnologia de modo que este tipo de reator também foi levado para as condições indianas e unidades operacionais foram instaladas e estão em funcionamento desde 1989, em Kanpur e Mirzapur, cidades às margens do Rio Ganges.

Hoje este tipo de reator encontra-se bastante difundido e tem sido aplicado para tratamento de muitos tipos de águas residuárias, sendo o aspecto essencial do processo a natureza da biomassa ativa (COSTA, 2009). No Brasil, a SANEPAR, Companhia de Saneamento do Paraná, foi pioneira e desenvolveu as principais experiências, dispondo uma enorme quantidade de unidades de pequeno porte instaladas e em operação (GOMES, 2007).

2.13.2. Funcionamento

Inicialmente desenvolvidos para o tratamento de efluentes industriais, os reatores anaeróbios de manta de lodo dispunham formato cilíndrico ou prismático-retangular, tendo as áreas destinadas para a digestão e decantação a mesma magnitude. Dessa forma, eram caracterizados como de paredes verticais e receberam adaptações visando o tratamento de efluentes de menor concentração. Um diferencial importante é o critério adotado para o seu dimensionamento, que utiliza a carga hidráulica e não a carga orgânica, quando o reator se destina ao tratamento de efluentes de baixa concentração. Para tanto, é primordial que seja garantida a manutenção de baixas velocidades ascensionais (0,5 a 0,7 m/h para vazão média) nas áreas destinadas à digestão e decantação, visando à retenção de biomassa e o equilíbrio do sistema. Para que isto aconteça, impõe-se uma redução na altura da unidade de tratamento e o aumento de sua seção transversal. O reator UASB em sua coluna ascendente consiste de um leito de lodo, sludge bed, uma zona de sedimentação, sludge blanket, e o separador de fase, gas-solid separator - GSS (NARNOLI e MEHROTRA, 1996). Este separador de fases, um dispositivo característico do reator (LETTINGA, et al., 1994), tem a finalidade de dividir a zona de digestão (parte inferior), onde se encontra a manta de lodo responsável pela digestão anaeróbia, e a zona de sedimentação (parte superior). A água residuária, que segue uma trajetória ascendente dentro do reator, desde a sua parte mais baixa, atravessa a zona de digestão escoando a seguir pelas passagens do separador de fases e alcançando a zona de sedimentação. A água residuária após entrar e ser distribuída pelo fundo do reator UASB flui pela zona de digestão, onde se encontra o leito de lodo, ocorrendo a mistura do material orgânico nela presente com o lodo. Os sólidos orgânicos suspensos são quebrados, biodegradados e digeridos através de uma transformação anaeróbia, resultando na

produção de biogás e no crescimento da biomassa bacteriana. O biogás segue em trajetória ascendente com o líquido, após este ultrapassar a camada de lodo, em direção ao separador de fases. Em planta, os reatores podem ter forma circular ou retangular, sendo que os primeiros se apresentam maior economia sob o aspecto estrutural para o atendimento de pequenas vazões, através de uma única unidade. Para vazões maiores, quando há a necessidade de modulação das unidades, tem-se que os reatores retangulares são mais indicados, ocasião em que uma mesma parede pode ter função hidráulica para dois módulos. No separador de fases, a área disponível para o escoamento ascendente do líquido deve ser de tal forma que o líquido, ao se aproximar da superfície líquida livre, tenha sua velocidade progressivamente reduzida, de modo a ser superada pela velocidade de sedimentação das partículas oriundas dos flocos de lodo arrastados pelas condições hidráulicas ou flotados. Isto possibilita que este material sólido que passa pelas aberturas no separador de fases, alcançando a zona superior do reator, possa se sedimentar sobre a superfície inclinada do separador de fases. Naturalmente que esta condição dependerá das condições hidráulicas do escoamento. Desse modo, o acúmulo sucessivo de sólidos implicará no aumento contínuo do peso desse material o qual, em um dado momento, tornar-se-á maior que a força de atrito e, então, deslizarão, voltando para a zona de digestão, na parte inferior do reator. Assim, a presença de uma zona de sedimentação acima do separador de fases resulta na retenção do lodo, permitindo a presença de uma grande massa na zona de digestão, enquanto se descarrega um efluente substancialmente livre de sólidos sedimentáveis (Figura 2.9). Na parte interna do separador de fases fica a câmara de acumulação do biogás que se forma na zona de digestão. O projeto do reator UASB garante os dois pré-requisitos para digestão anaeróbia eficiente:

a) Através do escoamento ascensional do afluente passando pela camada de lodo, assegura-se um contato intenso entre o material orgânico e o lodo e b) O decantador interno garante a retenção de uma grande massa de lodo no reator (COSTA, 2007). Com o fluxo ascendente a estabilização da matéria orgânica ocorre na zona da manta de lodo, não havendo necessidade de dispositivos de mistura, pois esta é promovida pelo fluxo ascensional e pelas bolhas de gás (SILVA, 2009).

Figura 2.9: Desenho esquemático de um reator UASB. (Fonte: PROSAB, 1999) O processo se equilibra,

Figura 2.9: Desenho esquemático de um reator UASB. (Fonte: PROSAB, 1999)

O processo se equilibra, após o seu início, em um período de quatro a seis meses, ocasião em que a sua operação dá-se apenas no controle do excesso de lodo gerado, que deverá ser retirado do processo e encaminhado para a destinação final. Em função de suas características e quantidade, conforme Chernicharo (2008) se traduz bastante inferior aos demais processos abordados, e o lodo poderá sofrer secagem e ser utilizado como acondicionador de solos (CHERNICHARO, 2008) ou mesmo ser encaminhado a um aterro sanitário. A geração de gases, a exemplo de outros processos, poderá ser tratado e aproveitado como fonte energética (COSTA, 2006).

2.13.3 Critérios e Parâmetros de Projeto

O sucesso de qualquer processo anaeróbio, especialmente os de alta taxa, depende fundamentalmente da manutenção dentro dos reatores, de uma biomassa adaptada com elevada atividade microbiológica e resistência a choques. Um dos aspectos mais importantes do processo anaeróbio através de reatores de manta de lodo é sua habilidade em desenvolver e manter um lodo de elevada atividade e de excelentes características de sedimentação. Para que isto ocorra, diversas medidas (parâmetros) devem ser

observadas em relação ao projeto e a operação do sistema. Os principais parâmetros analisados em um projeto de reator UASB são: carga hidráulica volumétrica, tempo de detenção hidráulica (TDH), carga orgânica volumétrica, carga biológica (carga de lodo), velocidade ascendente do fluxo, eficiências na remoção de matérias orgânicas, estimativas da DBO e DQO no efluente final e a estimativa de sólidos suspensos no efluente final. No projeto de reatores tipo UASB tratando esgotos de baixa concentração, o dimensionamento é feito pelo critério de carga hidráulica, e não pela carga orgânica. Nesta situação, a velocidade ascendente nos compartimentos de digestão e de decantação passa a ser de fundamental importância: velocidades excessivas resultam na perda de biomassa do sistema reduzindo a estabilidade do processo. Como conseqüência, a altura do reator deve ser reduzida, aumentando-se a sua seção transversal, a fim de garantir a manutenção das velocidades ascensionais dentro das faixas adequadas.

A quantidade de esgotos aplicada diariamente ao reator, por unidade de volume deste, chama-se de carga hidráulica volumétrica. O tempo de detenção hidráulica é o inverso da carga hidráulica volumétrica. Estudos experimentais demonstraram que a carga volumétrica não deve ultrapassar o valor de 5,0 m 3 /m 2 .dia, o que equivale a um tempo de detenção hidráulica mínimo de 4,8 horas (1/5 x 24 horas) (CAMPOS, 1999). O projeto de reatores com valores superiores de carga hidráulica (ou inferiores de tempo de detenção hidráulica) pode prejudicar o funcionamento do sistema em relação aos seguintes aspectos:

a) perda excessiva de biomassa do sistema, devido ao arraste do lodo com o

efluente;

b) redução do tempo de retenção celular (idade do lodo) e conseqüente diminuição

do grau de estabilização dos sólidos;

c) possibilidade de falha do sistema, uma vez que o tempo de permanência da

biomassa no sistema pode ser inferior ao seu tempo de crescimento. Pelo exposto anteriormente, o parâmetro TDH é de fundamental importância. Para temperaturas médias próximas de 20 o C, o TDH pode variar de 6 a 16 horas, dependendo do tipo de despejo. Estudos em escala-piloto com reatores operados a uma temperatura média de 25 o C, alimentados com esgoto doméstico com alcalinidade relativamente elevada, mostraram que TDH da ordem de 4 horas não afetam o desempenho desses reatores, nem a sua estabilidade operacional. Para esgotos domésticos sendo tratados na

faixa de temperatura em torno de 20 o C, tem-se adotado tempos de detenção hidráulica da ordem de 8 a 10 horas para a vazão média. O tempo de detenção para a vazão máxima não deve ser inferior a 4 horas, e os picos de vazão máxima não deverão prolongar-se por mais de 4 a 6 horas. Na Tabela 2.1 são apresentadas algumas diretrizes para o estabelecimento dos tempos de detenção hidráulica em projetos de reatores de manta de lodo tratando esgotos domésticos.

Tabela 2.1 - Tempos de detenção hidráulica em reatores UASB.

Temperatura do esgoto (°C)

TDH (h)

16

- 19

Média diária > 10 - 14

Mínimo (4 a 6h) 7 - 9

20

- 26

> 6 - 9

4 - 6

> 26

> 6

4

Fonte: Lettinga et al, 1991.

Conhecendo-se a vazão de projeto o volume do reator é igual ao produto desta vazão pelo tempo médio de permanência desta vazão no interior do citado reator. Este tempo necessário para que um hipotético seguimento de fluxo atravesse o reator chama- se de tempo de detenção hidráulica – TDH.

2.13.4. Operacionalidade

Quanto às medidas para acompanhamento de um reator anaeróbio de manta de lodo, segundo Chernicharo et al., (1997), o sistema de amostragem deve ser constituído por uma série de registros instalados ao longo da altura do compartimento de digestão a fim de possibilitar a monitoração do crescimento e da qualidade da biomassa no reator. Uma das rotinas operacionais mais importantes neste sistema de tratamento consiste em avaliar a quantidade de biomassa presente no reator através da determinação do perfil dos sólidos e da massa de microrganismos presentes no sistema e a atividade metanogênica específica desta massa. Esse monitoramento possibilitará à operação maior controle sobre os sólidos do sistema, identificando a altura do leito de lodo no reator, possibilitando o estabelecimento de estratégias de descarte (quantidade e freqüência) e determinação dos pontos ideais de descarte do lodo, em função dos resultados dos testes de atividade metanogênica específica e das características do lodo.

A avaliação do lodo anaeróbio também é importante no sentido de classificar o potencial da biomassa na conversão de substratos solúveis em metano e dióxido de carbono. Para que essa biomassa possa ser preservada e monitorada, torna-se necessário o desenvolvimento de técnicas para a avaliação da atividade microbiana dos reatores anaeróbios, notadamente as bactérias metanogênicas. Para efeito de avaliação da situação interna recomenda-se a instalação de pontos de coleta de amostras construídos com tubulações dotadas de registros a partir da base do reator com as seguintes características: espaçamento de 50 centímetros com saídas de 40 ou 50 milímetros, controladas com registros de fechamento rápido tipo esfera. Medidas de avaliação da concentração de sólidos voláteis podem ser efetuadas a partir da determinação das concentrações amostrais conseguidas nos pontos de coleta do reator possibilitam a estimativa da massa de microrganismos e a sua distribuição ao longo do reator, tanto por setores como no total da coluna. Um aspecto operacional importante em um sistema com lodos em suspensão como no caso do reator UASB, é a descarga de lodo de excesso. A sistemática de descarte do lodo destina-se a extração periódica de parcela deste lodo, que cresce em excesso no reator, possibilitando também a retirada de material inerte que eventualmente venha a se acumular no fundo do reator. Este descarte tem que obedecer duas recomendações básicas: a retirada deve ocorrer quando a capacidade de retenção do reator estiver exaurida e o residual deve ficar em um mínimo de modo que não haja prejuízo na continuidade do processo de digestão da matéria orgânica afluente. Devem ser previstos pelo menos dois pontos de descarte, um junto ao fundo e outro a aproximadamente 1,0 a 1,5 metros acima, dependendo da altura do compartimento de digestão, de forma a propiciar maior flexibilidade operacional. Recomendam-se tubos ou mangotes de 100 milímetros de diâmetro para escoamento do lodo de descarte.

2.13.5. Produção de Lodo

Nos reatores tipo UASB, o controle do fluxo ascendente é essencial, pois a mistura e retenção da biomassa permitem que o lodo permaneça em suspensão com uma mobilidade limitada em um espaço na vertical do interior do reator. A mistura do afluente com essa biomassa é favorecida pela agitação hidráulica promovida pelo fluxo ascensional, por efeitos de convecção térmica e do movimento permanente de bolhas de gases produzidos no processo digestivo da atividade bacteriana. É provável que ocorram

situações em que o movimento ascensional das bolhas gasosas seja o mais importante no processo de mistura. Essa dinâmica é essencial para que o processo anaeróbio por meio desse tipo de reator de manta de lodo se desenvolva e se mantenha em elevada atividade e com ótima capacidade de sedimentação. O desenvolvimento do lodo anaeróbio é resultante da transformação da matéria orgânica no sistema. Como este crescimento é contínuo, isto implica na necessidade periódica de descarte de parcela do volume de lodo acumulado, como certamente teria de ocorrer com qualquer outro sistema de tratamento de afluentes de águas residuárias, sob pena de o processo perder eficiência na qualidade do efluente. Porém, justamente em função da baixa taxa do volume gerado no processo anaeróbio, cerca de 0,10 a 0,20 kg SST/ kg DQO afluente , (CAMPOS, 1999), entre outros, é neste aspecto que o sistema anaeróbio se torna mais vantajoso que os aeróbios. Caso não haja uma boa separação das fases sólido-líquida, fazendo com que no reator permaneça a biomassa ao longo de toda sua coluna, e/ou não sejam feitos descartes periódicos adequados, haverá excesso de lodo perdido através do efluente, reduzindo a qualidade de seu efluente. O tempo de detenção hidráulica também é um fator importante nesta consideração e, na maioria das vezes, deve estar entre seis e 10 horas (CAMPOS, 1999). Para que se tenha controle destes fatores negativos, faz-se necessária uma avaliação da DQO do efluente decantado. Este procedimento é obtido com a decantação desse efluente por uma hora em cone Imhoff por uma hora, sendo que este decantado deve produzir um valor de 40 a 20 % de valor da DQO do afluente (CAMPOS, 1999). A partir dos resultados operacionais dos reatores de Bucaramanga, Cali, CETESB e Kampur, foi obtida uma equação que representa a concentração de sólidos esperada para o efluente (CAMPOS, 1999), representada da seguinte forma:

SS = (250 / TDH) + 10

Sendo que:

(2.6)

SS - concentração de sólidos suspensos no efluente em mg/L,

TDH - Tempo de detenção hidráulica em horas.

250 e 10 são constantes empíricas.

2.13.6. Composição do lodo

Os microrganismos presentes em alta concentração no reator biológico, aderidos uns aos outros formam flocos ou grânulos sedimentáveis, denominados de lodo. A retenção do lodo no interior do reator origina uma espessa camada através da qual a matéria orgânica solúvel será biodegradada e o material particulado adsorvido. Posteriormente o material biodegradável particulado será estabilizado pelo lodo. As partículas floculentas ou granulares distribuem-se ao longo da manta e, dependendo da agitação hidráulica no meio, podem apresentar uma manta com características homogêneas (lodo mais disperso e com muita mobilidade) ou claramente estratificadas (lodo mais granulado e com densidades muito diferentes). Quanto mais granulado maior concentração de lodo no fundo do reator, formando camadas mais densas e estacionárias. A agitação hidráulica e a densidade mais homogênea são condições essenciais para um melhor desempenho da biomassa e sua expansão interna no reator. O grau de agitação definirá a expansão do leito de biomassa e a diferença de densidade determinará a formação ou não de camadas estacionárias dentro deste leito e junto ao fundo do reator. Com relação ao fenômeno da granulação pode-se dizer que o lodo granulado é definido como uma biomassa com propriedades adequadas para os sistemas anaeróbios de fluxo ascendente, onde ocorre a metanogênese (SILVA, 2009). Os grânulos que compõem esse lodo apresentam geralmente formato esférico, superfície bem definida e, no caso em estudo com diâmetros em torno de cinco milímetros, observados visualmente. Segundo Campos (1999) e Chernicharo (1997) citados por COSTA, 2009 a formação dos grânulos estaria relacionada com fatores físicos, químicos e biológicos como:

a) Afluentes ricos em carboidratos e ácidos voláteis;

b) À compressão gravitacional das partículas de lodo e a taxa de liberação de biogás;

c) Condições favoráveis para o crescimento de bactérias metanogênicas;

d) Velocidade ascensional do líquido através do manto de lodo.

Nos reatores UASB as camadas inferiores da biomassa invariavelmente são mais densas e estacionárias que as superiores, até mesmo como conseqüência da menor presença ou passagem de bolhas de gás à medida que se aprofunda mais o leito. O

importante é que o mecanismo de entrada do afluente e a agitação hidráulica sejam suficientes para não favorecerem a formação de zonas mortas e o aparecimento de caminhos preferenciais ou curtos-circuitos hidráulicos, empobrecendo a mistura da matéria orgânica com a biomassa. Independentemente da maior ou menor eficiência do reator, o lodo formado sempre terá uma fração de material inorgânico em função da floculação de sólidos minerais suspensos presentes no afluente ou da presença de sais insolúveis gerados no interior do próprio reator. Essas partículas inertes normalmente se encontram envolvidas completamente por uma massa de bactérias, o que dificulta a quantificação da biomassa. Embora haja diversos métodos para avaliar a quantidade e a atividade bacteriana em digestores anaeróbios, na maioria são bastante sofisticados e não podem ser adotados como parâmetros rotineiros para controle e monitoramento de reatores em operação em escala real, principalmente pela não disponibilidade de laboratório capacitado. Usualmente essa avaliação é desenvolvida por meio da determinação do perfil dos sólidos, partindo-se do princípio que a quantificação dos sólidos voláteis é uma medida bastante idealizadora da massa celular presente no interior do reator. As amostras de material coletadas em vários níveis de altura ao longo do reator e analisadas gravimetricamente, normalmente expressas em peso por volume, permitem a quantificação dessa massa e o estabelecimento do perfil de dispersão no seu interior

2.13.7. Eficiência

O tratamento de esgotos utilizando reator UASB constitui um método eficiente e relativamente de baixo custo para se remover matéria orgânica e sólidos em suspensão, diminuindo consideravelmente, o potencial poluidor dos esgotos após o tratamento (COSTA, 2009). Para um mesmo tempo de detenção a razão área/profundidade não influi marcadamente sobre a eficiência de remoção do material orgânico e a massa de sólidos voláteis varia muito pouco com o tempo de detenção e a configuração dos reatores (SILVA, 1996). Enquanto o reator não estiver cheio de lodo, uma parte do lodo produzido acumular-se-á no seu interior, enquanto outra parcela será descarregada junto com o afluente. Esta parte descarregada cresce com a redução do tempo de detenção hidráulica Para evitar que o lodo produzido seja descarregado junto com o efluente, diminuindo a qualidade, periodicamente são executadas descargas de lodo de modo a aliviar o volume

de material sólido acumulado no interior do reator. Normalmente a capacidade de digestão do lodo acumulado num reator UASB tratando esgoto doméstico é muito maior

do que a carga orgânica de modo que se podem dar descargas grandes de lodo de excesso sem prejudicar a eficiência ou a estabilidade operacional do reator. Segundo Medeiros et al., 1998, para tempos de detenção hidráulica de 4 a 8 horas é possível dar descargas de 50 a 60% da massa de lodo sem prejuízo do seu desempenho. Descargas de 80 % resultam numa redução temporária da eficiência de remoção da DQO e um aumento da concentração de ácidos voláteis no efluente, sem, contudo ameaçar a estabilidade operacional.

O lodo também pode conter uma fração orgânica inerte que se origina da

floculação de matéria orgânica biodegradável, mas particulada, presente no afluente e, dependendo das condições operacionais, é possível que apareçam no efluente juntamente com outras partículas não metabolizadas, resultante de inadequadas condições hidráulicas ou de população bacteriana insuficiente. Outro problema que pode afetar o rendimento é volume do resíduo endógeno que, sabe-se, cresce com o prolongamento do período de atividade.

2.13.8. Vantagens e desvantagens dos reatores UASB

À primeira vista, a grande vantagem de um UASB, relacionando com a sua

eficiência de remoção de DBO e de sólidos, é o seu curto tempo de detenção hidráulica, em torno de 6 horas para remoção de cerca de 80 por cento da DBO e 75 por cento dos sólidos em suspensão. Em sistemas de lodo ativado e em lagoas de estabilização o tempo de permanência é da ordem de 12 a 24 h e de 20 a 30 dias respectivamente. Segundo Lettinga, et al.,1999, apoiados em estudos desenvolvidos com um reator em escala real, tratando os esgotos domésticos gerados pela população do Bairro do Pedregal, Campina Grande, Paraíba, além das vantagens inerentes dos processos anaeróbios, os reatores UASB podem se tornar uma opção viável, pois podem ser aplicados em vários pontos da rede de esgoto, "pulverizando-se" assim o sistema de tratamento, o que reduz significativamente os custos de construção da rede coletora e de condutores de esgoto. Ainda segundo os mesmos autores, requerem menor área de construção (aproximadamente 0,01 m 2 por habitante (lagoas de estabilização necessitam de 3 ou 4 m 2 por habitante). A razão área/profundidade não tem influência significativa sobre o seu desempenho, podendo os valores de área em planta e a profundidade serem

determinados principalmente pelos custos de construção e as características do terreno disponível para sua construção (CAMPOS, 1999). O UASB não causa transtornos para a população beneficiada: O sistema é "invisível" (enterrado), não espalha odores e não causa proliferação de insetos, a produção de lodo biológico é pequena e o lodo de excesso já sai estabilizado e com concentração elevada, podendo ser secado diretamente em leitos de secagem. A operação e manutenção são extremamente simples podendo ser feito por pessoal não especializado: é necessário reter areia e desentupir tubulações obstruídas. A construção do UASB é simples podendo ser usados materiais e mão de obra local. O custo de construção e de operação tende a ser bem menores que os de outros sistemas de tratamento de esgoto (COSTA 2009). Porém, é de conhecimento geral que uma significativa desvantagem do UASB seria sua baixa eficiência quanto à remoção de patógenos e nutrientes, sendo isto bastante compreensível, considerando-se o baixo tempo de detenção hidráulica deste tipo de reator. Entretanto, já foi demonstrado que este tipo de reator pode ser usado, por exemplo, em combinação com lagoas de estabilização, podendo-se obter um efluente de boa qualidade higiênica em um sistema que ocupa menos que metade da área necessária para um sistema de lagoas convencionais (SILVA, 1996). Por outro lado, a combinação do UASB com um sistema de lodo ativado permite obter uma qualidade excelente do efluente, tendo-se menos que metade do volume de reatores, da produção de lodo e do consumo de oxigênio de um sistema convencional de lodo ativado. Dessa maneira, tanto no caso de se aplicar lagoas de estabilização como no caso de lodo ativado é sempre uma excelente providência ter um reator UASB como pré-tratamento de águas residuárias domésticas (GOMES, 2007). A partir desta revisão bibliográfica fica evidenciada a importância em diagnosticar o desempenho e eficiência de uma estação de tratamento de esgoto para todos os parâmetros mensurados, constatar se a ETE cumpre as especificações estabelecidas em Projeto e se seus resultados se enquadram dentro das especificações mínimas exigidas por lei, com o intuito de otimizar o processo, minimizar o impacto e a degradação ambiental.

3 - MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Materiais

As análises laboratoriais de DBO, pH, temperatura, ácidos voláteis, sólidos totais (ST), sólidos voláteis (SV), óleos e graxas e oxigênio dissolvido foram efetuadas na ETE Monjolinho de acordo com a metodologia descrita no “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater”, os resultados foram lançados em planilhas específicas (Quadro 3.1) e após tratados foram encaminhados para a CETESB, as descrições das metodologias dos parâmetros abordados neste trabalho se encontram nos apêndices A, B e C. Para a avaliação de desempenho global da ETE Monjolinho e dos reatores UASB fez-se o tratamento dos dados das análises laboratoriais nos pontos de coleta de amostras apresentados na Figura 3.1, aplicando a metodologia descrita pela CETESB em seu Manual técnico de avaliação de desempenho de estações de tratamento de esgoto (L1.021). Além desses outros parâmetros como nitrogênio, fósforo, DQO, são analisados diariamente na ETE Monjolinho, porém não foram abordados neste Trabalho. A avaliação de desempenho na ETE tem como objetivo avaliar o desempenho global da ETE como um todo, independentemente do desempenho individual de cada unidade, de cada processo, ou de cada etapa do tratamento. Esta avaliação leva em conta os aspectos quantitativos relativos à vazão e a capacidade hidráulica da estação e os aspectos qualitativos relativos às características físicas, químicas e biológicas do esgoto bruto e tratado, sendo que o desempenho pode ser medido em unidades absolutas, em unidades relativas ou em unidades econômicas. Neste trabalho foram avaliados os parâmetros relativos de eficiência em remoção de DBO, eficiência em remoção de sólidos totais e voláteis e eficiência em remoção de umidade, e também é avaliado o parâmetro absoluto que quantifica a remoção global de carga orgânica da estação, alem destes, outros parâmetros físico-químicos são analisados; a temperatura, a vazão, o pH, a quantidade de oxigênio dissolvido. Estes parâmetros foram avaliados em quatro pontos específicos da ETE Monjolinho de acordo com a Figura 3.1; no ponto A tem-se a chegada do esgoto a ETE (afluente), no ponto B têm-se os efluentes dos reatores UASB, após a matéria orgânica ser degradada, no ponto

C tem-se o efluente de saída dos flotadores, após remoção de sólidos suspensos e no ponto D tem-se o efluente final do processo que é desaguado no rio Monjolinho após ser tratado com luz ultravioleta para remoção de patogênico e a fase de aeração em escadas hidráulicas.

Quadro 3.1: Planilha SAAE de lançamentos de resultados de todos os parâmetros analisados em ETE.

hidráulicas. Quadro 3.1: Planilha SAAE de lançamentos de resultados de todos os parâmetros analisados em ETE.

35

Figura 3.1: Pontos de coletas de amostras para análises laboratoriais. (Fonte: site SAAE) As amostras

Figura 3.1: Pontos de coletas de amostras para análises laboratoriais.

(Fonte: site SAAE)

As amostras para as determinações analíticas de laboratório foram coletadas e preservadas de acordo com o Guia Técnico de Coleta de Amostras de água, publicado pela CETESB, de autoria de Helga B. Souza e José Carlos Derísio. As amostras foram formadas por três alíquotas de igual volume e foram coletadas a cada duas horas ao longo do dia em diversos pontos da ETE, sendo que a critério da Operação, o volume de

cada alíquota foi proporcional à vazão na ocasião da coleta da amostra e as coletas foram realizadas manualmente.

3.2. Equipamentos

Reator UASB

Os reatores UASB da ETE Monjolinho consistem em caixas retangulares, com dimensões construtivas apresentadas na Tabela 3.1, ele é responsável pela degradação de toda a matéria orgânica presente no lodo (via anaeróbia) e seus principais produtos são o lodo estabilizado e o biogás gerado, após um tempo de retenção 9,5 horas (dado de projeto).

Tabela 3.1: Parâmetros construtivos de cada reator UASB da ETE Monjolinho.

Parâmetros

Comprimento

Largura

Altura útil

Área total

Volume total

Pontos de

alimentação

32 m 22 m 5,60 m 588 m 2 3900 m 3

192

Em relação aos parâmetros operacionais, cada módulo de reator deve operar de acordo com os valores de projeto apresentados na Tabela 3.2.

Tabela 3.2: Parâmetros operacionais de cada módulo de reator UASB da ETE Monjolinho.

 

VAZÃO

VAZÃO

Parâmetros

MÉDIA

MÁXIMA

vazão (L/s)

318

525

tempo de detenção (h)

9,5

5,72

taxa de escoamento superficial na decantação (m/h)

0,63

1,04

velocidade na passagem para a zona de decantação (m/h)

2,13

3,52

velocidade ascencional (m/h)

0,49

0,8

As coletas de amostras para análises nos reatores podem ser efetuadas a diversas alturas, desde sua base (entrada do esgoto), em pontos intermediários dos reatores e em seu topo (saída do efluente), após a matéria orgânica ser degradada. A Figura 3.2 apresenta um dos módulos de reatores UASB da ETE Monjolinho, sendo que cada módulo é composto por quatro reatores menores conectados em paralelos.

por quatro reatores menores conectados em paralelos. Figura 3.2: Módulo de reatores UASB da ETE Monjolinho.

Figura 3.2: Módulo de reatores UASB da ETE Monjolinho.

3.3. Procedimento de Cálculo

Para avaliar o Desempenho Global da ETE Monjolinho e dos reatores UASB, fez- se o tratamento de dados das análises laboratoriais de DBO 5,20, pH, temperatura, oxigênio dissolvido, ácidos voláteis, teor de umidade, Sólidos Totais, Sólidos Voláteis e Sólidos Suspensos, no afluente inicial, no efluente final e nos efluentes dos reatores UASB onde se determinou os parâmetros de Desempenho e Eficiências e seus resultados comparados com os valores de referência descritos pelo manual L1.021 da CETESB sendo eles:

Desempenho Global Absoluto

Este parâmetro trata-se de um balanço de massa e quantifica a entrada, a retenção e a saída de carga orgânica em termos de unidades absolutas para a estação de tratamento e foi determinado aplicando a correlação 3.1.

= (. () . ())

(3.1)

Eficiência Global e por Equipamento da ETE

Estes parâmetros avaliaram em unidades relativas a porcentagem de remoção de carga orgânica poluidora para cada etapa do processo ou para o processo todo e seus resultados permitem comparar ao exigido por lei ou aos resultados obtidos em outras estações de tratamento de esgotos e foram determinados através das equações 3.2 e 3.3, sendo que as letras entre parênteses se referem aos pontos de coletas.

. % = ( .().())100 .()

. % = ( .().())100 .()

(3.2)

(3.3)

Eficiência de remoção de sólidos totais e sólidos voláteis

Estes dois parâmetros permitem diagnosticar as eficiências dos reatores UASB em remover sólidos e avaliar a presença de compostos inorgânicos dentro dos reatores. As determinações das concentrações de sólidos foram efetuadas de acordo com as metodologias do Standard Methods for Examination of Water and Wastewater e suas descrições são encontradas nos apêndices.

= ( )100

(3.4)

Sendo: ST f e ST d as concentrações de sólidos totais no lodo fresco e no lodo digerido.

= 100

(3.5)

Sendo: SV f e SV d as concentrações de sólidos voláteis no lodo fresco e no lodo digerido.

Teor de umidade (TU)

De acordo com a Norma Técnica L1.021 da CETESB, o teor de umidade em biodigestores devem ser reduzidos de 87% a 90% e a suas determinações ocorreram aplicando a correlação empírica 3.6.

= 100

10 4

Tempo de detenção hidráulica (TDH)

(3.6)

O tempo de detenção é um parâmetro muito importante na avaliação do processo de tratamento, pois de acordo com seus valores, pode-se diagnosticar em primeira instância se o processo cumpre ou não com o especificado em projeto, pois valores de tempo de detenção hidráulica inferiores ao de projeto podem implicar em menores conversões e valores muito superiores ao de projeto podem afetar a estabilidade operacional e suas determinações foram efetuadas aplicando a equação 3.7

=

ã é

(3.7)

4 - RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. Dados de DBO, pH, temperatura, ácidos voláteis, sólidos totais, vazão e oxigênio dissolvido obtidos em análises de laboratório

Nas Tabelas 4.1 a 4.8 são apresentados valores médios mensais de DBO 5,20 , vazão, pH, ácidos voláteis, sólidos totais, sólidos voláteis, temperaturas médias e oxigênio dissolvido obtidos através de analises físico-químicas de amostras coletadas na chegada do afluente a ETE, na saída dos reatores UASB e no efluente final após o esgoto passar por todas as etapas do tratamento. Na tabela 4.1 observa-se que a Demanda Bioquímica de Oxigênio medida em mg/L decresce ao longo do processo para todos os meses, porém quando de compara o comportamento dos valores de DBO 5,20 para um mesmo ponto em meses diferentes observa-se oscilações, estas oscilações podem ser atribuídas a fatores sazonais. Outro fato observado são os valores distintos de DBO 5,20 para os reatores UASB, uma explicação para isto pode estar relacionado com o tempo de partida dos reatores e que ambos ainda operam em regime transiente.

Tabela 4.1: Valores de DBO obtidos na entrada e saída da ETE e nas saídas dos reatores.

Entrada ETE

(mg/L)

Saída UASB 1 (mg/L)

Saída UASB 2 (mg/L)

Saída ETE

(mg/L)

Janeiro

250

151

132

39

Fevereiro

233

103

112

28

Março

174

37

40

4

Abril

131

38

36

27

Maio

232

37

41

30

Junho

243

60

75

37

Julho

286

68

81

40

Agosto

321

103

151

48

Setembro

351

84

100

22

Na Tabela 4.2 tem-se o comportamento da vazão média e percebe-se que seus valores dependem muito da sazonalidade, pois em dias chuvosos a vazão na entrada da ETE aumenta de maneira considerável, porque muitas residências interligam a rede de coleta de águas pluviais com a rede de esgoto, o que é proibido por Lei e nestes dias de

chuvas intensas para evitar a inundação dos equipamentos é acionado o dispositivo de

By pass do afluente que permite que parte do esgoto seja desviada diretamente para o

rio Monjolinho.

Tabela 4.2: Valores de vazões médias na Entrada da ETE Monjolinho.

Vazão na Entrada (L/s)

Janeiro

460

Fevereiro

440

Março

499

Abril

484

Maio

452

Junho

466

Julho

459

Agosto

483

Setembro

469

Quando se compara os valores de DBO 5,20 na entrada e na saída do processo,

como apresentado na Figura 4.1, observa-se um decréscimo significativo em seus

valores. Estes dados mesmo antes de serem tratados já transmitem uma primeira

impressão da eficiência de um processo anaeróbio.

impressão da eficiência de um processo anaeróbio. Figura 4.1: Medidas de DBO na entrada e na

Figura 4.1: Medidas de DBO na entrada e na saída da ETE Monjolinho.

A Tabela 4.3 apresenta os valores de pH da ETE e pode-se observar que o esgoto

que adentra a ETE é levemente alcalino e ele é devolvido ao rio Monjolinho levemente

ácido. Estes resultados estão de acordo com a Legislação Ambiental que requer a devolução do efluente final em pH próximo de 7.

Tabela 4.3: Valores médios de pH da ETE Monjolinho.

 

Saída

Saída UASB

Saída

 

Entrada ETE

UASB 1

2

ETE

Janeiro

7,1

7,1

7,1

7,1

Fevereiro

7,0

7,2

7,1

7,1

Março

6,9

7,0

7,0

7,0

Abril

7,0

7,1

7,1

7,2

Maio

6,8

7,0

7,0

7,0

Junho

6,9

7,0

7,0

7,0

Julho

6,9

7,2

7,2

7,0

Agosto

6,8

7,2

7,2

7,2

setembro

6,8

7,0

7,1

7,1

Com relação aos sólidos em termos químicos eles podem ser classificados em voláteis ou fixos. Os voláteis são os que volatilizam a temperatura inferior a 550°C, podendo ser substancias orgânicas ou minerais. Sólidos fixos são aqueles que permanecem após a completa evaporação da água, geralmente sais. Os métodos para se determinar sólidos totais e fixos são muito parecidos, a determinação de sólidos voláteis ocorre pela diferença entre os anteriores. O método de determinação de sólidos totais consiste em pesar alíquotas pré determinadas das amostras que serão analisadas, colocar em banho Maria para evaporação de líquidos e em seguida o resíduo sólido é deixado por uma hora em estufa a uma temperatura de 103°C a 105°C e após o resfriamento efetua-se as pesagens, seus resultados são apresentados na Tabela 4.4. Para a determinação dos sólidos fixos efetua-se a calcinação da amostra, sendo o procedimento semelhante ao de sólidos totais porém a secagem ocorre em uma Mufla a uma temperatura de 550 ± 50°C por uma hora (Tabela 4.5). A determinação de sólidos voláteis é a diferença entre sólidos totais e sólidos fixos (Tabela 4.6). Para a validade do método é necessário uma balança analítica com precisão de 0,1mg.

Tabela 4.4: Resultados das análises de sólidos totais na entrada e saída da ETE e nos efluentes de saída dos reatores.

 

Entrada ETE

Saída UASB 1 (mg/L)

Saída UASB 2 (mg/L)

Saída ETE

(mg/L)

(mg/L)

Janeiro

561,1

317,7

204,5

392,2

Fevereiro

756,5

476,7

524,8

446,5

Março

719,3

508,5

529,5

493,5

Abril

787,3

507,3

520,3

484,5

Maio

794,0

491,0

519,0

497,5

Junho

652,8

497,8

498,5

476,8

Julho

861,3

534,3

539,3

535,8

Agosto

783,5

762,0

740,8

599,8

Setembro

1193,0

519,5

516,0

376,0

Tabela 4.5: Resultados das análises de sólidos fixos na entrada e saída da ETE e nos efluentes de saída dos reatores.

 

Entrada ETE

Saída UASB 1 (mg/L)

Saída UASB 2 (mg/L)

Saída ETE

(mg/L)

(mg/L)

Janeiro

346,1

211,7

112,5

300,2

Fevereiro

321,5

286,3

299,3

333,0

Março

317,0

309,0

310,0

320,5

Abril

333,3

301,9

307,0

295,3

Maio

354,0

321,8

330,0

344,3

Junho

312,0

310,3

320,0

344,7

Julho

382,5

327,0

328,3

400,4

Agosto

358,8

390,8

378,8

382,3

Setembro

419,7

316,2

320,0

282,7

Tabela 4.6: Resultados das análises de sólidos voláteis na entrada e saída da ETE e nos efluentes de saída dos reatores.

Entrada ETE

(mg/L)

Saída UASB 1 (mg/L)

Saída UASB 2 (mg/L)

Saída ETE

(mg/L)

Janeiro

215

106

92

92

Fevereiro

435

190,33

225,5

113,5

Março

402,33

199,5

219,5

173

Abril

454

205,33

213,25

189,25

Maio

440

169,25

189

153,25

Junho

340,75

187,5

178,5

132,1

Julho

478,75

207,25

211

135,32

Agosto

424,75

371,25

362

217,5

Setembro

773,33

203,33

196

93,33

Em relação ao teor de ácidos voláteis a NT L1.021 da CETESB requer que para o

bom funcionamento do reator seus valores estejam abaixo de 300 mg/L, pois valores

maiores podem prejudicar a capacidade tamponante do esgoto e permitir baixos valores

de pH no reator, tornando assim o ambiente desfavorável a ação dos microorganismos

metanogênicos que possuem pH ótimo de operação ao redor de 7. Na Tabela 4.7 são

apresentados os resultados das análises de ácidos voláteis na saída de cada reator

UASB.

Tabela 4.7: Resultados das análises de ácidos voláteis na saída dos reatores UASB

Mês

Saída UASB 1 (mg/L)

Saída UASB 2 (mg/L)

Abril

60

32

Maio

39,75

40,2

Julho

33,6

62,4

Agosto

44,4

49,2

Setembro

61,2

68,4

Os dados referentes a presença de ácidos voláteis estão disponíveis apenas para

cinco meses do ano, mas por estes dados pode-se observar que seus valores estão bem

abaixo do máximo valor estabelecido em norma técnica. Espera-se o mesmo

comportamento para os demais meses, pois de acordo com a Tabela 4.3 os valores de

pH em todos os meses analisados estiveram sempre muito próximos de 7.

Para os parâmetros; temperatura, oxigênio dissolvido e óleos e graxas a ETE

Monjolinho dispõem apenas de dados relativos à saída do processo (Tabela 4.8), no

ponto onde o efluente é despejado ao rio. Estes valores estão de acordo com a legislação

(Decreto 8468 de 08/09/1976), que exige que todo efluente tratado e lançado em rios de

classe quatro, devem ter uma temperatura inferior a 40°C, ausência de óleos e graxas

visíveis e concentração máxima de 150 mg/L e oxigênio dissolvido em qualquer

amostra superior a 0,5 mg/L.

Tabela 4.8: Resultados das análises de temperatura, oxigênio dissolvido e

óleos e graxas na saída da ETE.

Temperatura

Oxigênio Dissolvido (mg/L)

Óleos e graxas (mg/L)

 

(°C)

Janeiro

27,2

4,96

87

Fevereiro

26,8

5,36

76

Março

25,6

4,89

85

Abril

25,2

6,21

102

Maio

24,4

3,78

82

Junho

24,6

4,8

79

Julho

25

6,6

60

Agosto

22,3

5,9

90

Setembro

25,7

5,56

83

4.2. Tratamento de dados

4.2.1. Determinação do Desempenho Absoluto

Com este parâmetro de Avaliação é possível determinar a carga orgânica em

Kg/dia que adentra nas dependências da ETE e as quantidades de matéria orgânica

removida durante todo o processo.

Os resultados obtidos na 2ª coluna da Tabela 4.9 são relativos a entrada do esgoto

à ETE e são os valores da quantidade de carga orgânica que chegam por dia a ETE, nos

respectivos meses. As demais colunas nos informam o quanto de material orgânico foi

removido até aquela etapa do processo. Tomando por exemplo o mês de setembro

observa-se que aproximadamente 14 223 Kg /dia de matéria orgânica adentraram na

ETE, deste montante 10 494 kg/dia foram removidos somente passando pelo tratamento

preliminar e primário, se considerarmos todo o processo, da totalidade de matéria

orgânica adentrada 13 331 kg /dia de matéria orgânica foram removidos. Com os

resultados desta Tabela podemos ainda mensurar o quanto de material orgânico com

capacidade poluidora ainda presente no efluente final foram lançados no rio

Monjolinho. Estes valores são apresentados na Tabela 4.10 e observa-se que a vazão

mássica diária despejada no rio Monjolinho na maioria dos meses foram superiores a

uma tonelada e estes valores não podem ser subestimados, pois o Monjolinho é um rio

de baixa vazão volumétrica.

Tabela 4.9: Resultados de carga orgânica que adentraram a ETE e que

foram removidas após as etapas de tratamento.

Entrada da

Saída UASB 1

Saída UASB 2

Removido pela

ETE (kg/dia)

(kg/dia)

(kg/dia)

ETE (kg/dia)

Janeiro

9936

1967,3

2344,9

8386

Fevereiro

8857,7

2471

2300

7793,3

Março

7501,8

2953,3

2888,6

7329,3

Abril

5478,1

1944,5

1986,3

4349

Maio

9060,2

3807,6

3729,5

7888,7

Junho

9783,8

3684

3382

8294,1

Julho

11342,1

4322,7

4064,9

9755,8

Agosto

13395,7

4548,7

3547,2

11392,6

Setembro

14223,1

5409,6

5085,5

13331,6

Tabela 4.10: Valores absolutos de carga orgânica residual despejada no rio

Monjolinho após tratamento.

Carga Orgânica diária (kg/dia)

Carga Orgânica Mensal (kg/mês)

Janeiro

1550

46500,5

Fevereiro

1064,4

31933,4

Março

172,5

5173,6

Abril

1129,1

33872,3

Maio

1171,6

35147,5

Junho

1489,7

44691,3

Julho

1586,3

47589,1

Agosto

2003,1

60092,9

Setembro

891,5

26744,3

A Figura 4.2 apresenta as médias diárias de carga orgânica despejada no rio

Monjolinho após tratamento e ao ser analisado criteriosamente estes resultados,

verifica-se que as cargas de matéria orgânica lançado no rio Monjolinho após o

tratamento possuem valores que não podem ser relevados, sendo que no mês de agosto

observa-se um pico que pode evidenciar que neste mês o tratamento em alguma etapa

do processo sofreu avarias, além disto os resultados apresentados na Figura 4.2 são oscilantes e este comportamento é indicativo que os reatores ainda não operam em regime estacionário.

Carga orgânica não removida

2500,0 2000,0 1500,0 1000,0 500,0 0,0
2500,0
2000,0
1500,0
1000,0
500,0
0,0

Carga orgânica em kg/dia lançada no rio Monjolinho pela ETE

Figura 4.2: Médias diárias de carga orgânica despejada no rio Monjolinho após esgoto ser tratado.

4.2.2. Determinação da Eficiência global e por reator

Este parâmetro assim como o anterior é de extrema importância quando se avalia a quantidade de matéria orgânica removida, pois são estes parâmetros que indicam se o processo como um todo ou os equipamentos cumprem o que foi especificado em projeto. A eficiência relativa possui uma vantagem em relação ao desempenho absoluto, pois seus resultados permitem compará-los com os valores de projeto e também compará-los com valores de outras estações de tratamento de esgoto de mesma tecnologia ou tecnologia distinta.

Segundo a Norma Técnica CETESB L1.021 a estação será considerada operando bem, dentro dos objetivos desejados se as eficiências médias mensais dos diversos

parâmetros de qualidade forem iguais ou superiores ás respectivas eficiências de projeto

ou se os valores individuais de eficiência, menores que os valores de projeto, não

persistirem por mais de 20% do tempo. O valor proposto no projeto da ETE Monjolinho

é uma remoção mínima de 90%. Na observação da ultima coluna da Tabela 4.11

verifica-se que em apenas dois meses de nove a ETE Monjolinho atingiu esta meta

proposta em projeto, ou seja, em 78% do tempo analisado a ETE operou com uma

freqüência de eficiência abaixo do previsto em Projeto, porém acima do valor mínimo

de 80% estabelecido por Lei. Outra constatação apresentada na Figura 4.3 é a oscilação

nos valores de eficiência global, isto ocorre, pois o reator ainda opera em regime

transiente.

Tabela 4.11: Valores de Eficiência global em (%), calculados nas saídas dos

reatores e na saída da ETE.

Saída UASB 1

Saída UASB 2

Saída ETE

Janeiro

39,6

47,2

84,4

Fevereiro

55,79

51,93

87,98

Março

78,74

77,01

97,7

Abril

70,99

72,52

79,39

Maio

84,05

82,33

87,07

Junho

75,31

69,14

84,77

Julho

76,22

71,68

86,01

Agosto

67,91

52,96

85,05

Setembro

76,07

71,51

93,73

Eficiência Global da ETE Monjolinho na remoção de DBO

100 95 90 85 80 75 70
100
95
90
85
80
75
70

Eficiência Global da ETE em (%)

Figura 4.3: Eficiência global na remoção de DBO em (%), na ETE Monjolinho.

4.2.3. Avaliação do desempenho da digestão anaeróbia

Para se avaliar o funcionamento dos reatores UASB é recomendado as analises

dos seguintes parâmetros: pH, Sólidos Totais, Sólidos Voláteis, ácidos voláteis e teor de

umidade. Em relação ao pH para ambos os reatores seus valores estão de acordo com o

recomendado, que é pH 7 (Tabela 4.3). Para o parâmetro Eficiência na remoção de

sólidos totais a L1.021 requer uma eficiência de destruição superior a 30% em relação

ao lodo fresco. Para o parâmetro eficiência em remover sólidos voláteis, requer-se uma

porcentagem mínima de eficiência em 40% e a para o parâmetro que quantifica o teor

de umidade a NT. L1.021 requer uma remoção superior a 90%. Quando se avalia o

desempenho do biodigestor todos estes parâmetros são cruciais, põem uma atenção

especial é necessária aos parâmetros eficiência em remoção de sólidos totais e sólidos

voláteis, pois com estes parâmetros pode-se determinar o quanto em matéria orgânica e

inorgânica entra no reator e seus valores influenciam na conversão de substrato em lodo

estabilizado, pois os microorganismos apenas digerem compostos orgânicos. Na Tabela

4.12 são apresentados os resultados de eficiência na remoção de sólidos totais para os

reatores UASB da ETE Monjolinho.

Tabela 4.12: Resultados de Eficiência em remover sólidos totais em cada reator UASB.

Eficiência UASB 1 (%)

Eficiência UASB 2 (%)

Janeiro

43,4

63,6

Fevereiro

37

30,6

Março

29,3

26,4

Abril

35,6

33,9

Maio

38,2

34,6

Junho

23,7

23,6

Julho

38

37,4

Agosto

2,7

5,5

Setembro

56,5

56,7

Na análise dos resultados da Tabela 4.12 e da Tabela 4.13 observa-se que o mês

de Agosto foi um mês crítico, pois os parâmetros que quantificam a remoção de sólidos

totais e voláteis para ambos os reatores estão muito abaixo do estabelecido por Lei (30%

e 40% respectivamente). Este comportamento não é esperado em um reator UASB, pois

uma vez que foi dada a partida é esperado que com o transcorrer de tempo (seis meses

em média) seu regime tenda ao regime estacionário e as eficiências aumentem

concomitantemente, estes resultados nos infere que houve uma parada do reator ou

possivelmente o tratamento preliminar esteve em manutenção, permitindo assim que

quantidades significativas de matéria inorgânica (areia) adentrassem ao reator. Para o

parâmetro teor de umidade ambos os reatores atendem ao estabelecido por normas

técnicas que são valores superiores a 90%.

Tabela 4.13: Resultados de Eficiência em remover sólidos voláteis em cada reator UASB.

Eficiência UASB 1 (%)

Eficiência UASB 2 (%)

Janeiro

50,7

57,2

Fevereiro

56,2

48,2

Março

50,4

45,4

Abril

54,8

53

Maio

61,5

57

Junho

45

47,6

Julho

56,7

55,9

Agosto

12,6

14,8

Setembro

73,7

74,7

4.2.4. Avaliação de Vazão e Tempo de residência

Estes dois parâmetros também são de extrema relevância quando se avalia o

comportamento global da ETE ou de algum equipamento, pois valores baixos ou altos

de tempo de residência afetam os resultados de conversão de substrato em produto,

valores baixos de vazões podem permitir depósitos de materiais nas tubulações

ocasionando incrustações e perdas de carga e valores de vazões muito acima do pré-

dimensionado em projeto acarretam tempo de retenção abaixo do estipulado em projeto,

visto que o tempo de residência é função da vazão. Para a determinação do tempo de

residência real calcula-se a razão entre o volume útil do reator pela vazão média no

período desejado, de acordo com a Equação 4.1, sendo que cada um dos reatores da

ETE Monjolinho tem volume útil de 2704 m 3 .

ê () =

ú

ã

(4.1)

Na Tabela 4.14 são apresentados os valores médios mensais de vazões

volumétricas na ETE Monjolinho medidos através de calhas Parshall e os valores

médios de tempo de residência determinados pela Equação 4.1.

Tabela 4.14: Valores médios de tempo de residência e vazões nos reatores

UASB.

Vazão Média

Vazão Média

Tempo Detenção

Mês

(L/s)

(m

3 /h)

(h)

Janeiro

460

1656

8,3

Fevereiro

440

1584

9

Março

499

1796,4

7,2

Abril

484

1742,4

7,6

Maio

452

1627,2

8,6

Junho

466

1677,6

8,1

Julho

459

1652,4

8,4

Agosto

483

1738,8

7,7

Setembro

469

1688,4

8,1

O projeto dos reatores UASB ETE Monjolinho prevê uma operação a vazão

média de 650 L/s e um tempo de residência médio de 9,5h. Na análise dos resultados

contidos na Tabela 4.14 observa-se que as vazões médias estão abaixo da vazão média

estipulada em Projeto, logo os tempos de retenção, determinado pela Equação 4.1

deveriam ser superiores aos estabelecido em Projeto, porém observa-se tempos de

retenção inferiores ao de Projeto, este fato não é bom, pois tempo de retenção inferiores

aos previsto em Projeto significam menores conversões de substrato em lodo. Porém

Campos (1999) tem relatos de casos em que tempos de retenção inferiores aos

estipulados em Projeto pouco interferiram no desempenho e na estabilidade daqueles

reatores.

4.2.5. Resultados médios de alguns dos parâmetros analisados

Na Tabela 4.15 são apresentados valores médios de alguns dos parâmetros

analisados nos tópicos anteriores.

Tabela 4.15: Valores médios de DBO, pH, carga orgânica e eficiência global da ETE monjolinho.

Parâmetro

Entrada ETE

Saída UASB 1

Saída UASB 2

Saída ETE

DBO 5,20 (mg/L)

246,8

75,7

85,3

30,6

pH

6,9

7,1

7,1

7,1

Carga Orgânica (kg/dia)

9953,2

3456,5

3258,8

8724,5

Eficiência Global (%)

69,4

66,3

87,3

Com estes valores é possível comparar o comportamento da ETE Monjolinho com os valores exigidos pelas Resoluções CONAMA e pelos Decretos Estaduais. De acordo com estes órgãos governamentais a DBO deverá ser inferior a 60 mg/L, o pH entre 5 e 9 e a eficiência global de remoção mínima de 80%. Pela Tabela 4.15 observa-se que para todos estes parâmetros a ETE Monjolinho se enquadram no que exige a Legislação.

53

5 – CONCLUSÕES

Para que uma estação de tratamento de esgoto opere em regime estacionário e de acordo com resultados previstos em projeto são necessários em média quatro anos de operação sem interrupções. Na análise do histórico da ETE Monjolinho observa-se que ele não satisfaz nem ao quesito tempo mínimo de operação e tampouco o quesito número de interrupções. Mas mesmo assim na análise do desempenho e eficiência da ETE Monjolinho, verifica-se que seus números são surpreendentes. A ETE Monjolinho tem uma eficiência média na remoção de DBO de 87%, este valor é superior ao mínimo de 80% exigido pela CETESB e é muito próximo aos 90% de eficiência prevista em projeto; em todas as etapas de tratamento o pH oscila ao redor de 7, sendo este pH o valor ideal para o bom funcionamento dos reatores e um valor dentro da faixa exigido pela CETESB para lançamento de efluentes em rio de classe quatro; de um total de 300 toneladas de matéria orgânica potencialmente poluidora gerada por mês na cidade de São Carlos e tratada na ETE Monjolinho, apenas 37 toneladas são lançados no rio Monjolinho; a ETE Monjolinho lança no rio Monjolinho um efluente final com 4 mg/L de oxigênio dissolvido, valor muito acima do mínimo de 0,5 mg/L de oxigênio dissolvido exigido pela CETESB para rios de classe quatro; os reatores UASB da ETE Monjolinho têm uma eficiência média de remoção de sólidos voláteis de 50% e este valor está acima do mínimo de 40% exigido pela CETESB, os reatores UASB tem uma eficiência de remoção de sólidos totais de 33,8% valor ligeiramente superior ao mínimo de 30% exigido em legislação, a concentração máxima de ácidos voláteis foi de 68 mg/L, valor este muito abaixo do máximo de 300 mg/L permitido pela CETESB e por fim a concentração máxima de óleos e graxas na ETE Monjolinho atingiu o patamar de 102 mg/L e este valor está abaixo do máximo permitido pela CETESB. Em suma para uma cidade que durante 150 anos despejou todo seu efluente doméstico sem tratamento algum no rio Monjolinho, degradou fauna, flora e mata ciliar deste rio, com a construção da ETE Monjolinho e seus resultados positivos já alcançados, inicia-se um novo ciclo, uma nova história, na qual São Carlos devolve ao rio vida e aos seus moradores melhor qualidade de vida, fazendo a cidade alçar um novo patamar de desenvolvimento urbano comprometido com a preservação do meio ambiente.

6 - SUGESTÕES

A ETE Monjolinho opera de acordo com os parâmetros mínimos exigidos pela CETESB, um fato que para uma ETE que está em atividade há apenas três anos é muito razoável. Mas ainda há muito a ser feito ou melhorado nesta Estação, dentre os quais são destacados;

a) Eliminação dos fortes odores de H 2 S produzidos na ETE, que desde o

inicio tem provocado indignações e protestos dos moradores que moram nas adjacências. Esta correção pode ser feita através da construção de equipamentos de tecnologia apropriada tais como: Colunas de Absorção, Adsorção ou Biofiltros.

tais como: Colunas de Absorção, Adsorção ou Biofiltros. Figura 6.1: Coluna de Absorção de H 2

Figura 6.1: Coluna de Absorção de H 2 S em amina. (Fonte: Silva, 2009)

A Figura 6.1 apresenta o fluxograma e uma Coluna de Absorção que utiliza

aminas como o material Absorvente, porém existem outros compostos que podem ser usados na absorção de H 2 S, como o FeCl 2.

A Figura 6.2 apresenta a outra sugestão para a eliminação de sulfetos, os

Biofiltros, que são constituídos por leitos de material orgânico enriquecido com inóculos e nutrientes, por meio dos qual os gases a serem tratados escoam em sentido ascendente ou descendente.

Figura 6.2: Esquema típico de um biofiltro. (Fonte: PROSAB, 1999) Além destas tecnologias existem outras

Figura 6.2: Esquema típico de um biofiltro. (Fonte: PROSAB, 1999)

Além destas tecnologias existem outras amplamente difundidas como: a Adsorção em carvão ativado, os lavadores Venturi, os lavadores centrífugos e os do tipo Torre.

b) Todo o Biogás produzido na ETE Monjolinho é queimado em “Flares”

para evitar que o Metano produzido seja lançado à atmosfera. Porém ao invés de apenas queimá-lo pode-se aproveitá-lo como fonte de energia para secagem de grãos das

propriedades rurais próximas a ETE Monjolinho.

de grãos das propriedades rurais próximas a ETE Monjolinho. Figura 6.3: Queimadores de Metano de ETE

Figura 6.3: Queimadores de Metano de ETE Monjolinho.

Na Figura 6.3 tem-se a foto dos Queimadores de Metano da ETE Monjolinho, que funcionam 24 horas por dia convertendo Biogás em dióxido de carbono, de acordo com a equação abaixo:

CH 4(g) +

2O 2(g)

com a equação abaixo: CH 4 ( g ) + 2O 2 ( g ) CO

CO 2(g) + 2H 2 O (v) + Calor

(6.1)

Entretanto este Biogás pode ser aproveitado para diversos usos dentre os quais cita-se a secagem de sementes nas fazendas que estão próximas a ETE, através do armazenamento deste gás em reservatórios apropriados (Figura 6.4) e em seguida a sua distribuição.

apropriados (Figura 6.4) e em seguida a sua distribuição. Figura 6.4: Reservatórios de Biogás produzidos em

Figura 6.4: Reservatórios de Biogás produzidos em ETE.

c) Todo o Lodo produzido na ETE Monjolinho é desaguado e, em seguida,

encaminhado para o Aterro Municipal em caçambas, no entanto, esta prática é onerosa aos cofres públicos e sobrecarrega o aterro sanitário. Mas uma alternativa de disposição deste lodo é a sua aplicação em solos agriculturáveis após passar por compostagem. A Compostagem é um processo de tratamento biológico, no qual a mistura inicial de

resíduos é submetida à ação de vários grupos de microrganismos. Durante o processo de biodegradação da matéria orgânica, a temperatura se eleva geralmente a faixa de 60°C a 65 °C nos primeiros dias do processo. Essa elevação de temperatura é responsável pela eliminação de patogênicos presentes no lodo. Neste processo de compostagem o lodo é misturado a um resíduo estruturante rico em carbono (bagaço da cana, serragem de madeira, palhas, etc.) e para seu sucesso é

necessário o controle de alguns parâmetros como a aeração, umidade, pH, relação carbono/nitrogênio, granulometria e estrutura.

relação carbono/nitrogênio, granulometria e estrutura. Figura 6.5: Compostagem em leiras estáticas. (Fonte:

Figura 6.5: Compostagem em leiras estáticas. (Fonte: PROSAB, 1999)

d) Campanhas publicitárias educando a população sobre as paradas

constantes devido aos problemas mecânicos que ocorrem na ETE ao se descartar de maneira inadequada objetos sólidos na rede de esgoto, tais como tampas de latas, tampas de garrafas, pequenos vasilhames, brinquedos, etc.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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APÊNDICES

Apêndice A

Determinação de Sólidos Totais, Fixos e Voláteis – Método Gravimétrico.

Principio do método: A Gravimetria baseia-se na diferença entre massa, dessa forma a determinação das várias formas de sólidos prende-se a diferença entre as massas seca e a massa úmida, em relação ao volume da amostra disposta no teste.

A.1 Equipamentos e vidrarias

•Bomba de vácuo; •Balança analítica; •Manifould; •Dessecador; •Estufa; •Mufla; •Pinça de Mohr; •Pinça simples e espátula; •Cápsula de porcelana de 80 mL de capacidade; •Kitassato; •Pipeta graduada e volumétrica; •Béquer; •Cone de Imhoff.

A.2. Procedimento Experimental

A.2.1. Procedimento A – Determinação de Sólidos Totais

1. Calcinar a cápsula de porcelana (130mL), na mufla a 550°C ± 50°C por uma hora;

2. Deixar resfriar em dessecador;

3. Tarar anotando o peso P 0;

4. Retirar uma alíquota de amostra e passar para um béquer de 600mL;

5.

Manter a amostra sob agitação;

6. Retirar com balão volumétrico ou pipeta volumétrica um volume pré-determinado da

amostra;

7. Transferir para a cápsula;

8. Transportar a cápsula até a estufa;

9. Deixar em estufa a 103°C – 105°C até peso constante (24 horas);

10. Retira a cápsula da estufa com auxílio de uma pinça de Mohr e deixar em esfriar em

dessecador;

11. Pesa e anotar o peso P 1.

A.2.2. Procedimento B – Determinação de sólidos fixos e voláteis.

1. Acondicionar os resíduos dos métodos A (cápsulas) na mufla a 550°C.

2. Manter esta temperatura por aproximadamente 20 minutos.

3. Retirar, com auxilio de uma pinça de Mohr e deixar esfriar em dessecador.

4. Pesar e anotar o P 2.

Apêndice B

Determinação da DBO – Método da DBO 5,20 (5 dias, 20°C)

Princípio do método: As maiorias dos organismos vivos dependem direta ou indiretamente de oxigênio para manter seus processos metabólicos que produzem energia necessária para o seu crescimento e reprodução. Chamam-se organismos aeróbios àqueles que dependem exclusivamente do oxigênio na forma livre para mineralização da matéria orgânica, resultando como produtos finais substancias inorgânicas mais simples tais como CO 2 , NH 3 , H 2 O. A matéria orgânica presente nas águas naturais e nos efluentes domésticos tende ser mineralizadas naturalmente pelos organismos aeróbios existentes, consumindo oxigênio dissolvido do meio aquoso. O teste de DBO tem por objetivo determinar essa quantidade de oxigênio consumido, e assim relacionar com a quantidade de matéria orgânica – biodegradável presente na amostra. O método usualmente empregado para a determinação da DBO é o da diluição, incubação por um período de 5 dias a uma temperatura de 20°C, com a determinação dos níveis iniciais e finais de oxigênio através do método da Azida modificada. Para garantir uma melhor eficiência do metabolismo dos microrganismos envolvidos no teste, são adicionadas ao frasco de incubação, soluções nutritivas e uma solução tampão, a fim de garantir pH neutro de 6,5 a 7,5 (chamada água de diluição), durante o período de incubação as amostras ficam em um ambiente desprovidos de luz, a fim de evitar o aparecimento de seres clorofilados fotossintéticos.

B.1. Materiais necessários

•Solução Tampão; •1L de solução de cloreto de cálcio 0,25 mol/L (A); •1L de solução de sulfato de magnésio 0,2 mol/L (B); •1L de solução de cloreto férrico 1,25. 10 -3 mol/L (C); •1L de solução água de diluição (1mL de A, B e C); •Inibidor de nitrificação; •Sulfito de sódio; •Cloreto de cobalto;

•Solução de ácido glutâmico/glicose (150mg de cada em 1L de água). •1L de solução de sulfato manganoso 2,15 mol/L; •Solução Alcali-Iodeto-Ázida (AIA), (500g NaOH + 135g NaI + 10g NaN 3 em 1L de água); •Ácido sulfúrico concentrado; •Solução padrão de tiossulfato de sódio 0,025 mol/L; •Solução indicadora de amido.

B.2.

Equipamentos e vidrarias

•Incubadora termo-regulável; •Oxímetro; •Pipetas volumétricas; •Balões volumétricos; •Béquers; •Erlenmeyers:

•Bureta de 50 mL; •Garrafão para água de diluição provido de sistema de sifão.

B.3. Procedimento – Determinação de DBO 5,20.

B.3.1. Calibração do Oxímetro

1. Aerar 1 litro de água destilada por aproximadamente 2 horas;

2. Deixar em repouso por 30 minutos;

3. Transferir a água para dois frascos de DBO;

4. Em um dos frascos colocar a sonda do oxímetro e ligar aparelho;

5. No outro frasco adicionar 1mL de solução álcali-iodeto-azida e mais 1mL se sulfato

manganoso;

6. Tampar e agitar vigorosamente 10 vezes;