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Metrologia Automobilistica CEFET-SC

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  • 1. Qualidade e segurança de produtos e serviços automobilísticos
  • 1.1 Importância para a Indústria e para a sociedade
  • 1.2 Normalização, Regulamentação Técnica e Avaliação de
  • 1.3 A Metrologia
  • 1.3.1 Presença e importância na vida do cidadão e da sociedade
  • 1.3.2 Presença e importância nas atividades técnicas
  • 2. Presença da Metrologia na área automobilística
  • 2.1. Metrologia no Desenvolvimento de produtos
  • 2.2 Metrologia no Controle de Processos e Produtos
  • 2.3 Metrologia na Manutenção e assistência técnica
  • 2.4 Metrologia na Inspeção veicular
  • 3. Fundamentos metrológicos
  • 3.1 O Processo de medição
  • 3.2 Erros e Incertezas de medição
  • 3.3 Características metrológicas de instrumentos
  • 3.4 A Importância dos resultados confiáveis
  • 4. Metrologia Dimensional1
  • 4.1 Sistemas de unidades
  • 4.1.1 Sistema métrico
  • 4.1.2 Sistema Inglês
  • 4.1.3 Conversões de Unidades
  • 4.2 Instrumentos de medição básicos
  • 4.2.1 Réguas graduadas (escalas flexíveis)
  • 4.2.2 Escalas articuladas
  • 4.2.3 Trenas
  • 4.3 Calibradores e Verificadores
  • 4.3.1 Calibradores
  • 4.3.2 Verificadores
  • 4.4 Paquímetros
  • 4.4.1 Tipos e usos
  • 4.4.2 O Princípio do Nônio
  • 4.4.3 Cálculo da resolução
  • 4.4.4 Paquímetro no sistema métrico
  • 4.4.5 Paquímetro no sistema inglês
  • 4.4.6 Evitando erros de medição
  • 4.4.7 Utilizando corretamente o paquímetro
  • 4.4.8 Cuidados com a conservação dos paquímetros
  • 4.5 Micrômetros
  • 4.5.1 Tipos e aplicações
  • 4.5.2 Micrômetros no sistema métrico
  • 4.5.3 Micrômetros no sistema Inglês
  • 4.5.4 Cuidados com a operação e conservação dos Micrômetros
  • 4.6 Relógios comparadores
  • 4.6.1 Tipos de relógio
  • 4.6.2 Mecanismo de amplificação
  • 4.6.3 Utilização e Conservação
  • 4.6.4 Relógio apalpador
  • 4.6.5 Leitura nos relógios
  • 4.7 Medidores internos com relógio
  • 4.7.1 Procedimentos de uso do comparador
  • 4.8 Medição tridimensional
  • 4.8.1 Princípio de medição
  • 4.8.2 Potencialidades e Presença na Indústria Automotiva
  • 4.8.3 A máquina de medir por coordenadas
  • 4.8.4 Iniciando a medição

EIXO TEMÁTICO METROLOGIA

Prof. André Roberto de Sousa

ÍNDICE

1.

Qualidade e segurança de produtos e serviços automobilísticos ____________ 6
1.1 1.2 1.3 Importância para a Indústria e para a sociedade _____________________________ 8 Normalização, Regulamentação Técnica e Avaliação de conformidade _________ 10 A Metrologia __________________________________________________________ 15 Presença e importância na vida do cidadão e da sociedade __________________ 18 Presença e importância nas atividades técnicas ___________________________ 19

1.3.1 1.3.2

2.

Presença da Metrologia na área automobilística _________________________ 22
1.1. 2.2 2.3 2.4 Metrologia no Desenvolvimento de produtos _______________________________ 23 Metrologia no Controle de Processos e Produtos ___________________________ 24 Metrologia na Manutenção e assistência técnica____________________________ 26 Metrologia na Inspeção veicular__________________________________________ 28

3.

Fundamentos metrológicos __________________________________________ 30
3.1 3.2 3.3 3.4 O Processo de medição_________________________________________________ 30 Erros e Incertezas de medição ___________________________________________ 33 Características metrológicas de instrumentos______________________________ 38 A Importância dos resultados confiáveis __________________________________ 41

4.

Metrologia Dimensional ______________________________________________ 43
4.1 Sistemas de unidades __________________________________________________ 43 Sistema métrico _____________________________________________________ 43 Sistema Inglês ______________________________________________________ 48 Conversões de Unidades _____________________________________________ 50

4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.2

Instrumentos de medição básicos ________________________________________ 51

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC

2

4.2.1 4.2.2 4.2.3 4.3

Réguas graduadas (escalas flexíveis) ___________________________________ 51 Escalas articuladas __________________________________________________ 57 Trenas ____________________________________________________________ 57

Calibradores e Verificadores_____________________________________________ 59 Calibradores _______________________________________________________ 59 Verificadores _______________________________________________________ 65

4.3.1 4.3.2 4.4

Paquímetros __________________________________________________________ 71 Tipos e usos _______________________________________________________ 73 O Princípio do Nônio _________________________________________________ 75 Cálculo da resolução _________________________________________________ 77 Paquímetro no sistema métrico ________________________________________ 78 Paquímetro no sistema inglês __________________________________________ 87 Evitando erros de medição ____________________________________________ 94 Utilizando corretamente o paquímetro ___________________________________ 96 Cuidados com a conservação dos paquímetros ___________________________ 99

4.4.1 4.4.2 4.4.3 4.4.4 4.4.5 4.4.6 4.4.7 4.4.8 4.5

Micrômetros _________________________________________________________ 100 Tipos e aplicações__________________________________________________ 103 Micrômetros no sistema métrico _______________________________________ 106 Micrômetros no sistema Inglês ________________________________________ 114 Cuidados com a operação e conservação dos Micrômetros _________________ 120

4.5.1 4.5.2 4.5.3 4.5.4 4.6

Relógios comparadores________________________________________________ 121 Tipos de relógio ____________________________________________________ 121 Mecanismo de amplificação __________________________________________ 124 Utilização e Conservação ____________________________________________ 126 Relógio apalpador __________________________________________________ 127 Leitura nos relógios _________________________________________________ 128

4.6.1 4.6.2 4.6.3 4.6.4 4.6.5 4.7

Medidores internos com relógio_________________________________________ 131 Procedimentos de uso do comparador __________________________________ 134

4.7.1 4.8

Medição tridimensional ________________________________________________ 137 Princípio de medição ________________________________________________ 138 Potencialidades e Presença na Indústria Automotiva ______________________ 140 A máquina de medir por coordenadas __________________________________ 142 Iniciando a medição ________________________________________________ 146

4.8.1 4.8.2 4.8.3 4.8.4

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC

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1 5.3 5.4.7 4.8.2 5. A sua utilização para fins comerciais e fora do contexto do CEFET-SC não está autorizada.6 4. André Roberto de Sousa Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 4 .8 Tipos e tamanhos de Máquinas de Medir por Coordenadas _________________ 148 A técnica de construção de elementos geométricos _______________________ 150 Medição programada _______________________________________________ 151 Erros e Incertezas __________________________________________________ 152 5. Calibração de instrumentos de medição _______________________________ 153 5. sem nenhum fim comercial.INMETRO _______________________________ 159 6. BIBLIOGRAFIAS ___________________________________________________ 160 Esse material possui fins puramente didáticos.8.4 Importância para a qualidade das medições ______________________________ 153 Exemplo de calibração_________________________________________________ 155 Exigência de normas de qualidade ______________________________________ 157 A Rede Brasileira de Calibração . e destina-se exclusivamente a apoiar os alunos do Curso Técnico de Automobilística do CEFET-SC na área de Metrologia. Prof.8.5 4.8.

Todo o avanço no desempenho e segurança dos veículos não ocorreria sem os inúmeros testes e medições realizados durante as etapas de desenvolvimento de componentes e do veículo. desmontagem. Uma vez que o produto está em produção. as medições estarão em todas as operações de controle de qualidade para ajustar os processos a produzirem sempre produtos dentro das especificações. as empresas teriam sérios problemas em seus processos e nós consumidores estaríamos sujeitos a produtos com qualidade muito deficiente. muitas delas. são introduzidas nos carros de passeio. Nessa apostila. e conhecerá instrumentos e técnicas de medição que serão de grande importância para toda a sua vida profissional.A metrologia como ciência das medições está na base de qualquer atividade técnica e é a mola que impulsiona o desenvolvimento tecnológico e a qualidade de produtos e serviços na área automobilística. o que proporcionou enormes avanços em termos de desempenho e confiabilidade dos veículos. A Fórmula 1 é um exemplo de campo de testes para os fabricantes. a metrologia está presente em cada procedimento de montagem. as atividades de manutenção há muito deixaram de ser meros apertos de parafusos.INTRODUÇÃO A metrologia é a bússola que nos orienta a caminhar na direção certa para produzir bens e serviços com segurança e qualidade. Sem essas medições. Nas atividades de assistência técnica. você reconhecerá a importância da metrologia no cotidiano e nas atividades técnicas na área de automobilística. André Roberto de Sousa Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 5 . Com a grande tecnologia instalada nos veículos. onde as tecnologias são testadas exaustivamente e. Não existem bons produtos e serviços sem que os profissionais atuantes empreguem métodos e instrumentos adequados para realizar as medições de forma confiável. Prof. diagnóstico e análise de falhas. Em todas essas atividades a qualidade das medições é indispensável para a qualidade de produtos e serviços. A evolução tecnológica ocorrida na área automobilística nos últimos anos aumentou a produtividade das empresas fabricantes e incluiu tecnologias bem mais complexas.

Cadeia produtiva é um agrupamento de empresas do mesmo setor que atua de forma coordenada e em parceria para atingir um objetivo comum. A próxima figura mostra essa seqüência de atividades. pelas montadoras e chegando até a manutenção e assistência técnica dos veículos. Por sua importância estratégica para a indústria e para a vida cotidiana de todos nós. resumindo o que se chama de cadeia produtiva da indústria automotiva. ônibus e máquinas agrícolas? A presença indispensável dos veículos automotores no nosso dia a dia A produção de veículos desencadeia uma série de atividades de produção e de serviços. passando pelas indústrias de autopeças. os produtos e serviços produzidos dentro da cadeia produtiva da indústria automotiva precisam apresentar um alto nível de qualidade e uma grande segurança operacional. desde as indústrias de base que fornecem as matérias-prima. geram renda para o País. motos. Os consumidores Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 6 . Qualidade e segurança de produtos e serviços automobilísticos A indústria automotiva é um setor produtivo de importância estratégica para qualquer país industrializado. caminhões.1. • Você consegue imaginar hoje em dia um mundo sem automóveis. As muitas atividades que giram em torno da produção de veículos automotores empregam milhares de pessoas. impostos para os governos e produzem bens e serviços indispensáveis para a sociedade.

Hoje. etc) . eles irão buscar outros produtos e serviços. os produtos e serviços devem procurar satisfazer totalmente os consumidores.não podem ser expostos a riscos ou serem enganados por produtos e serviços de baixa qualidade. Indústria deautopeças • Motores e complementos • Peças para câmbio • Peças para suspensão • Peças para sistema elétrico • Peças paracarroceria • Peças de acabamento e acessórios Indústria montadora de auto-veículos • Automóveis • Comerciais leves • Ônibus • Caminhões • Máquinas agrícolas Revendedores e distribuidores autorizados deveículos CLIENTE FINAL Cadeia produtiva da indústria automotiva Além de garantir a segurança. Indústria deinsumos básicos • Metais ferrosos (bobinas. papelão. tubos. estanho. alumínio.etc) • Não metálicos (cortiça. zinco. A qualidade e segurança nas atividades da área automotiva são. Todos nós procuramos os serviços de assistência técnica que consigam realizar as atividades de manutenção da forma mais eficiente e no menor custo. chumbo.borracha. Para garantir essa segurança. indispensáveis para a competitividade das empresas no mercado e para a segurança e satisfação dos consumidores. polímeros. pois. produtos químicos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 7 . madeira. os produtos e serviços devem ser construídos dentro de bons padrões técnicos e passar por avaliações para comprovar o atendimento às suas especificações. etc) • Metais não ferrosos (cobre. as exigências por desempenho e confiabilidade nos veículos são cada vez maiores e o mesmo se exige das atividades de manutenção. eletroeletrônicos tintas e resinas. arames de aço. Se as empresas não conseguem atingir esses objetivos e satisfazer os consumidores. etc) • Outros (vidros. amianto. chapas. perfis.

Sendo mais eficiente. Problemas de qualidade e segurança em produtos automotivos O conceito de qualidade está associado ao atendimento da função para o qual o produto ou serviço foi produzido. o consumidor estará satisfeito e o produto terá um conceito de boa qualidade. PROBLEMAS NA PRODUÇÃO DA AUTOPEÇA PRODUTOS DEFEITUOSOS ENVIADOS PARA A MONTADORA FALHA DOS PRODUTOS DEFEITUOSOS • Produtoso defeituosos e não detectados pelo Controle de qualidade Consequências: • Acidentes • Defeitos • Recall de produtos • Perda de clientes • Etc. Um carro popular foi projetado para ter certas características e um jipe para ter outras características. os veículos são produzidos e chegam até os consumidores. a empresa pode praticar preços mais baixos e competir em melhores condições no mercado. Acidentes provocados por produtos e serviços de má qualidade geram grandes prejuízos de imagem para a empresa. diminui a probabilidade de ocorrerem produtos e serviços fora de especificação e aumentam as chances de satisfação dos clientes. Após o projeto. de forma a se tornarem mais produtivos e eficientes (próxima figura). Sendo mais produtiva. a qualidade e segurança dos produtos é importante na medida em que isso irá deixar os clientes seguros e satisfeitos. além de todos os eventuais problemas para os seus clientes (figura abaixo). as empresas empregam todos os esforços e investem pesados recursos para melhorar os seus métodos de trabalho. Se os veículos atendem a essas especificações técnicas. De forma semelhante. Na produção automotiva. produtos e serviços de má qualidade que chegam até os clientes são um péssimo marketing para a empresa. que os compraram por causa das características técnicas anunciadas. Diante da grande concorrência existente entre os muitos fabricantes de automóveis e entre os diversos prestadores de serviços de manutenção.1. cada veículo é projetado para atender certos requisitos técnicos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 8 .1 Importância para a Indústria e para a sociedade Para as empresas.

? • Qual seria sua impressão de um fabricante de autopeças que produz componentes de baixa qualidade que falham bem antes do prometido ? • Que imagem você teria de uma oficina que faz manutenção no seu carro. o consumo aumenta. As pessoas não podem ser prejudicadas por produtos e serviços de má qualidade ou que ponham em risco a sua saúde. perda de imagem das empresas. mas o problema volta em pouco tempo ? • Que imagem você faria de um posto de combustíveis que lhe vende combustível adulterado e coloca óleo lubrificantes de baixa qualidade no seu automóvel ? • O que você pensa de fabricantes de automóveis que estão a todo momento fazendo chamada generalizada de carros para a reposição de peças defeituosas (“Recall”) ? • Qual a impressão você teria sobre empresas de transporte rodoviário que negligencia na manutenção da frota e coloca em risco a vida de pessoas e a segurança do meio ambiente ? Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 9 . as suas expectativas não podem ser frustradas. peças começam a fazer ruídos. o desempenho cai. são responsáveis por acidentes. Uma vez que o cliente se dispôs a investir em um produto ou serviço levados por propagandas de qualidade e segurança. cobra caro por isso. etc. Situações como essas.PRODUÇÃO COM QUALIDADE E PRODUTIVADE PRODUTO EFICIENTE COM PREÇO COMPETITIVO CLIENTE SATISFEITO EMPRESA COMPETITIVA NO MERCADO Qualidade e produtividade para a empresa competir Para a sociedade e para os consumidores. ao rodar algumas centenas de km. prejuízo para os consumidores e meio ambiente. a qualidade e segurança de produtos e serviços automotivos são importantes para a garantia de se ter bons produtos e serviços pelo dinheiro que pagam. • Que imagem você teria de um automóvel que acaba de comprar e. falham de acabamento vêm à tona. vazamentos ocorrem. que ocorrem a todo o momento.

ainda que primitivas. etc. Até jantares sofisticados têm normas precisas de atitudes conhecidas como etiqueta.Para fugir de situações como essas. até mesmo as normas de comportamento. Sempre. como garantir a produção de bens e serviços sempre com boa qualidade para os clientes.2 Normalização. Não basta fazer. Na área técnica. tudo o que fazemos deve seguir métodos padronizados contidos em procedimentos internos. as empresas sérias buscam a todo o momento produzir bens e serviços automotivos dentro de bons padrões de qualidade e segurança. atividades ou métodos produtivos. É a obediência às recomendações Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 10 .Tem que fazer bem feito. manuais técnicos. livros. A bíblia e outros livros sagrados nos oferecem normas de conduta bem específicas e de caráter universal. Mas. 1. normas. são bem estabelecidas. conformidade Regulamentação Técnica e Avaliação de As normas são regulamentos que padronizam ações. A vida em comunidade impõe a existência de diversas normas. se os processos de produção ou prestação de serviços são sujeitos a erros ? PROCESSO COM IMPERFEIÇÕES COMO GARANTIR PRODUTOS 100% BONS ? PROJETO MATERIAIS MÃO DE OBRA MÁQUINA MÉTODO MEIO AMBIENTE MEDIÇÃO Garantia da qualidade dos produtos Nessa apostila você conhecerá algumas ferramentas e métodos indispensáveis para a garantia de qualidade de produtos e serviços automotivos. Comunidades de animais também seguem normas de conduta que.

Podem ter validade internacional. BSI. NACIONAL Normas de Empresa EMPRESA Hierarquia das normas Atualmente no mundo globalizado em que vivemos. As normas são fundamentais para a uniformização das atividades e para garantir os requisitos mínimos de qualidade e de segurança relacionado aos produtos e serviços. de um determinado setor ou ser aplicada somente dentro da empresa. atividades ou métodos produtivos.contidas nesses documentos que possibilita produzir produtos e serviços dentro de certas especificações de qualidade. nacional. os produtos precisam demonstrar estar em conformidade com certas exigências contidas em normas (próxima figura). DIN. Para ser exportado. ISO IEC INTERNACIONAL Normas Regionais MERCOSUL REGIONAL Normas Nacionais ABNT. As normas técnicas são documentos que padronizam ações. é imprescindível que exista uma padronização de atividades na produção e prestação de serviços. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 11 .. É essa padronização que permite a intercambiabilidade entre componentes na produção e que permite definir os requisitos mínimos de segurança que certos produtos e serviços precisam atender. A intercambiabilidade significa que componentes produzidos em locais completamente diferentes possuem geometrias e tamanhos dentro de certas medidas de tal forma que possam encaixar uns nos outros e manter um funcionamento correto no produto.. . ANSI.

A normas possuem caráter voluntário e. Também na área automotiva. Contudo. assim. não impedem que nenhum produto ou serviço seja comercializado. A eficiência de uma oficina de manutenção pode ser atestada por normas de qualidade como a ISO9000. os produtos e serviços que não estão de acordo com as normas estipuladas têm maior dificuldade para sua aceitação no mercado. caso contrário seus produtos não serão vendidos.Importância da intercambiabilidade entre peças Todas as atividades de manutenção automotiva são realizadas segundo procedimentos técnicos contidos em manuais e normas. o mercado a obriga a seguir essas normas. A figura a seguir mostra um problema da falta de normalização. a certificação de mecânicos pela ASE (Automotive Service Excelence) revela que eles passaram por uma avaliação e demonstraram estar em conformidade com os requisitos das normas dessa associação. ?! Falta de normalização impede o uso do produto Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 12 . Embora a empresa de tomadas não seja obrigada por lei a seguir nenhuma norma em relação ao formato dos pinos do plug. o que revela que a empresa passou por uma auditoria e teve a sua organização e métodos de trabalho aprovados.

A avaliação da conformidade verifica se um produto. as normas são elaboradas no âmbito da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. orientar e supervisionar o processo de elaboração das normas nacionais. capacetes precisam regulamentos comercializados. Esse conceito demonstra que um produto. Este é um poderoso instrumento tanto para proteger o consumidor quanto para o desenvolvimento da qualidade dos produtos e das empresas. entidade privada criada com o objetivo de coordenar. Extintores de incêndio. processo ou serviço atende aos requisitos especificados e confirma ou não se os regulamentos/normas estão sendo cumpridos. processo. além da proteção do meio ambiente. em suas áreas de competência. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 13 . Diferentemente das normas. serviço. são realizadas verificações da adequação do produto.No Brasil. proteção dos consumidores contra práticas comerciais enganosas e compra inadvertida de produtos inadequados ao uso. de motociclista e pneus atender serem obrigatoriamente técnicos para Com base nos requisitos técnicos especificados por normas e regulamentos. na atividade conhecida como avaliação de conformidade. sistema ou até mesmo pessoas podem ser avaliados e testados desde que uma norma ou regulamento técnico tenham sido estabelecidos (próxima figura). Os produtos que não estiverem de acordo com tais regulamentos não podem ser comercializados. os regulamentos técnicos possuem caráter obrigatório e são estabelecidos pelo governo através de diversos agentes. para assegurar algumas metas como a garantia da segurança e saúde dos consumidores.

as empresas têm procurado avaliar e certificar os seus produtos. Com a crescente conscientização dos consumidores. Avaliações de conformidade em veículos e em cargas perigosas (Gava) Os produtos. Dessa forma. Esses veículos são levados a algum órgão de inspeção credenciado pelo INMETRO e avaliados tecnicamente para verificar a sua adequação a normas de segurança. serviços. pessoas e sistemas. Da mesma forma o transporte de cargas perigosas também precisar atender a normas de segurança e em alguns países todos os veículos é avaliado anualmente para verificar as suas condições de segurança e nível de poluição ambiental (figura abaixo). aumenta a procura por produtos e serviços certificados. serviços e pessoas que passam por avaliações de conformidade recebem certificados de conformidade.Avaliação da conformidade em capacetes para motociclistas Veículos automotores que sofrem alguma alteração na sua estrutura também são objeto de avaliação obrigatória. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 14 . mesmo em situações em que a avaliação de conformidade não é obrigatória. que é a base da confiança que os consumidores possuem em relação a eles.

essa avaliação de conformidade não se faz sem que existam métodos de medição e ensaio que possam atestar a qualidade. geralmente para rotular um produto como bom ou ruim. Na área de massa. na medição nós precisamos de unidades de medição que sejam bem definidas. com isso. pedras e objetos metálicos variados eram usados em balanças de pratos para a pesagem de produtos (próxima figura). etc. O desenvolvimento das técnicas de medição trouxe a possibilidade de facilmente comparar produtos por meio de características bem definidas. número de melões. Com o passar do tempo e o aumento do comércio e da produção. essa necessidade foi ficando maior e. A quantidade de ouro. o volume de um líquido e muitas outras situações são exemplos de necessidades que o homem tinha para expressar em números alguns fenômenos físicos. Isso afasta a idéia de que um produto com qualidade é simplesmente um “produto bom”.). as unidades de medida eram referenciadas a padrões muito simples. todas as características de desempenho de um produto são medidas para verificar se atendem as suas especificações. sem nenhuma precisão. número de tijolos. Na área técnica. Se o produto atende as especificações está em conformidade e se não atende está não conforme. foram surgindo os padrões e as unidades de medida. Diferentemente de um processo de contagem em que somente um número é suficiente (número de pães. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 15 .Nos produtos e serviços. a extensão de terras. universais e aceita por todos. A palavra qualidade tem sido utilizada de forma abusiva. por exemplo. melhor dizendo. pois eram universais e podiam ser verificadas pro qualquer pessoa. foram as primeiras unidades de medida de comprimentos. A avaliação de produtos e serviços está sempre baseada em alguma medição ou. através do emprego da Metrologia.3 A Metrologia Desde os tempos mais antigos o homem precisou expressar certas quantidades através de medições. Devido às dificuldades técnicas daquela época. 1. As partes do corpo humano de um rei.

O tamanho de uma chave de boca. esses padrões foram surgindo e sendo aperfeiçoados até chegarmos à situação que temos atualmente. definida e adotada por convenção. Unidade (de medida) é uma grandeza especifica. era necessário estabelecer padrões de medida que fossem muito precisos e que todos o reconhecessem como a referência primária das medições. o que permite a padronização de atividades produtivas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 16 . Como trocar produtos sem uma base de comparação única ? Para resolver esse problema. pois esses padrões variavam de região para região ou mesmo de pessoa para pessoa. de produtos e serviços. de máquinas. a potência de um motor e o torque de aperto de um parafuso são alguns exemplos da padronização através de unidades de medição. Com o passar do tempo.Primeiros padrões de medição utilizados Essa situação criava grandes problemas. o que dificultava muito as transações comerciais entre os povos. a carga máxima de um veículo. Isso permite que resultados de medições realizadas em partes diferentes do mundo possam ser comparados entre si. em que todas as medições estão referenciadas a unidades de medida reconhecidas e aceitas internacionalmente. com a qual outras grandezas de mesma natureza são comparadas para expressar suas magnitudes em relação àquela grandeza.

sistemas de medição. que inclui todas as grandezas utilizadas para a caracterização química e quantificação de materiais e substâncias. instrumentos e procedimentos envolvendo as medições e unidades de medida. das unidades e dos padrões envolvidos na quantificação de grandezas físicas. Dentre esses campos podemos citar: • Metrologia Elétrica. e engloba todos os fenômenos. ou ciência das medições. que trata da definição e manutenção das grandezas elétricas que são referência para todas as medições nessa área. normas e procedimentos de medições aplicáveis na área elétricas. As quantidades e os tipos de componentes de um alimento ou medicamento são determinados através da metrologia química.000 m 3 Carga máxima: 40 t Chave 10 (mm) Ruído: 65 db Voltagem: 220 V Potência máxima: 800 CV Caracterização e padronização metrológica de produtos e serviços A ciência que trata de tudo isso se chama de Metrologia. dos erros e sua propagação. A metrologia é a ciência da medição. dos métodos. Trata dos conceitos básicos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 17 . a metrologia possui vários campos de atuação. Por causa da grande quantidade de grandezas físicas. • Metrologia Química.Velocidade máxima: 320 km/h Frequência interna: 1 GHz Tela de 14 polegadas Consumo: 9 km/l Consumo de energia da sua casa: 120 kWh Volume: 1 litro Gordura: 6 g Valor calórico: 120 kCal Pressão arterial Volume máximo = 80 m3 Aro de 14 polegadas Volume = 10. Abrange todos os padrões.

caso contrário corre-se o risco de haver problemas de montagem ou falhas de desempenho no produto final (figura abaixo). e uma área que é muito importante para a indústria e serviços na área automotiva..1 Presença e importância na vida do cidadão e da sociedade Por sua presença constante ao longo da nossa vida. etc. nos deparamos com situações que estão sempre precisando de alguma medição.3. É a metrologia dimensional. massa. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 18 . ao medir a temperatura do corpo e em muitas outras situações estamos praticando atividades metrológicas essenciais para a nossa vida. pressão. Ao acordar e olhar para o relógio. Ao longo da nossa vida. força. 1. ao abastecer o carro. ao pesar o prato no restaurante. a metrologia tem importância fundamental no cotidiano do cidadão. Os tamanhos de peças que se compra ou fabrica precisam estar dentro de medidas bastante precisas. da sociedade e da indústria. METROLOGIA MECÂNICA DIMENSIONAL FORÇA PRESSÃO MASSA VOLUME TEMPERATURA Área da Metrologia mecânica que trata das medições de comprimentos e ângulos Subdivisões da Metrologia mecânica e a metrologia dimensional Essa área de metrologia dimensional e a sua presença no setor automobilístico são o objeto de estudo dessa apostila e do eixo temático de metrologia nesse curso técnico de mecânica. que inclui toda a parte de medições de comprimento e ângulos e possui importância estratégica em qualquer atividade técnica na área de mecânica.• Metrologia Mecânica que engloba as áreas de temperatura.

Da mesma forma.A saúde e proteção do consumidor e do meio ambiente também é grandemente ajudada pela metrologia. Esses são alguns pequenos exemplos da importância da metrologia na nossa vida. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 19 .2 Presença e importância nas atividades técnicas Nas empresas técnicas. As quantidades dos produtos e serviços que consumimos são padronizadas por medições e a qualidade dos produtos que consumimos ou utilizamos é avaliada através de ensaios laboratoriais para verificar a sua adequação ao uso e consumo. para indicar alguma irregularidade e tomar as ações corretivas. as medições são realizadas ainda na etapa de projeto do produto. Toda e qualquer atividade técnica irá precisar de alguma medição ao longo da sua execução.3. Na área médica. industriais e de serviços. As condições ambientais do ar e das águas são continuamente monitoradas através de medições. As especificações técnicas dos componentes a serem fabricados e estão todas baseadas em unidades de medição (próxima figura). Na Indústria. a metrologia está na base de qualquer atividade técnica que sustenta todas as ações de melhoria e garantia da qualidade de produtos e serviços. os exames dos mais simples aos mais sofisticados empregam medições para o diagnóstico e tratamento de doenças. 1. a especificação de materiais e dos componentes a serem comprados também obedece a padrões técnicos baseados em unidades de medição.

EXIGÊNCIAS SOBRE O EIXO VIRABREQUIM • • • • • • Impactos Deformações Velocidade Temperatura Corrosão … PROJETO ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS • Tamanhos e formas (mm) • Peso (kg) • Resistência mecânica (kgf/mm2) • Dureza (HB. ENSAIOS E TESTES PROJETO INICIAL PROJETO OTIMIZADO MELHORAMENTOS A Metrologia está nos testes que levam ao desenvolvimento dos produtos Uma vez que as condições ótimas do produto estão definidas. um produto passa por muitas e muitas horas de testes e por muitos melhoramentos. que indicam o caminho a ser seguido para a otimização de performance do produto (figura abaixo). quando muitas medições e testes são realizadas para melhorar a sua eficiência e confiabilidade e para fazê-lo atender a certas exigências de clientes. Antes de entrar em produção. na qual a metrologia continua a exercer uma função indispensável e muito importante nas operações de controle de qualidade de processos e de produtos. caso algum desvio seja identificado. Produtos fora de especificação são afastados para retrabalho e mesmo o descarte (próxima figura). parte-se para a etapa de produção. para verificar se as especificações técnicas colocadas no projeto dos componentes estão de fato sendo atendidas. medições são realizadas e. HRC. Em várias etapas. normas e órgãos legais. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 20 . Esse desenvolvimento tecnológico e melhoria de qualidade só são possíveis por meio de práticas metrológicas confiáveis. …) •… As especificações técnicas precisam de unidades de medição Após o projeto inicial vem a etapa de desenvolvimento. ações corretivas são realizadas para manter o processo sob controle. até ter o seu desempenho melhorado e a sua confiabilidade comprovada.

uma questão de sobrevivência. e as empresas deverão investir recursos (humanos. Nas atividades de assistência técnica. metrologia e avaliação da conformidade. a metrologia também está presente a todo o momento. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 21 . etc.A Metrologia é a base das atividades de controle de qualidade na produção Uma vez que esse produto está no mercado já com o seu dono. (Confederação Nacional da Indústria). Medições são fundamentais nas atividades de manutenção Em qualquer dessas etapas. caso a empresa pratique uma metrologia sem confiabilidade. problemas serão percebidos e as suas causas descobertas. No mundo competitivo em que estamos. analisar desgastes. não há mais espaço para medições sem qualidade. A busca da metrologia como diferenciador tecnológico e comercial para as empresas é. produtos e serviços mal realizados chegarão até o seu cliente e. Problemas como esse prejudicam enormemente os esforços da empresa para conquistar clientes. diagnosticar falhas. na verdade. mais cedo ou mais tarde. verificar os tamanhos de peças. materiais e financeiros) para incorporar e harmonizar as funções básicas da competitividade: normalização. Muitas medições serão realizadas para identificar ferramentas. Certamente a empresa causadora do problema terá sérias dificuldades para vencer novos pedidos de compra com esse cliente não satisfeito. as atividades de manutenção e assistência técnica devem dar o apoio necessário para que a eficiência e segurança desse produto se mantenham ao longo do tempo (próxima figura).

As etapas. Neste capítulo 2. desde as primeiras análises de mercado para verificar as preferências e necessidades dos consumidores.2. de forma rápida e eficiente CLIENTE Adquire o veículo em função das especificações divulgadas • Robusto • Confortável • Econômico • Veloz •… • • • • • • DEPTO. até o final do ciclo com as atividades de manutenção e assistência técnica. DE MARKETING Analisa continuamente o mercado e capta as necessidades e oportunidades DEPTO. Presença da Metrologia na área automobilística Para que percebamos a penetração da metrologia nas atividades da área automotiva. observemos a figura abaixo. que traz as etapas que compõem o ciclo de vida de um veículo. você irá conhecer as atividades principais onde a metrologia está presente na setor automotivo. para transformá-las em produtos • • • • • • Esboço de conceitos Simulações computacionais Construção de protótipos Testes e melhoramentos Definição do produto Projeto para produção • Tipo de veículo • Faixa de potência • Acessórios • Faixa de preço • Volume de vendas • Concorrência •… ASSISTÊNCIA TÉCNICA Dá suporte aos clientes na manutenção do veículo. DE DESENVOLVIMENTO Trabalha tecnicamente as necessidades do mercado. MERCADO Tendências e Necessidades DEPTO. DE PRODUÇÃO Se encarrega de produzir os veículos conforme as especificações detalhadas no projeto Planejamento dos processos Compra de materiais Compra de autopeças Fabricação dos componentes Integração e montagem Testes e expedição • Realizar a manutenção preventiva • Identificar e corrigir problemas • Orientar usuário a lidar com o veículo • Comunicar a fábrica sobre anormalidades Ciclo produtivo do setor automobilístico Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 22 .

por exemplo. nível de poluentes. Após os esboços e construção dos protótipos. vibrações. que indicam o caminho a ser seguido para a otimização de performance do produto. todo o trabalho começa quando a empresa. causando problemas com o “Recall” de veículos para troca de peças. passada à área de desenvolvimento de produtos. etc.1. antes que esse seja liberado para a produção. (próxima figura) se fazem muitos ensaios para verificar a sua performance. É atribuição das pessoas que trabalham nesse setor monitorar continuamente as tendências de mercado e da concorrência. Metrologia no Desenvolvimento de produtos No desenvolvimento de um veículo. existe uma infinidade de testes e medições aplicadas para poder verificar a performance dos componentes e do veículo. então. para identificar essas oportunidades em potencial. consumo. muitas e muitas atividades de medição serão realizadas até que as condições mais adequadas tenham sido atingidas. Nesse setor. Se as medições não forem bem feitas. Essa informação é.2. Antes de o motor entrar em produção. Esse desenvolvimento tecnológico e melhoria de qualidade só são possíveis por meio de práticas metrológicas confiáveis. No desenvolvimento de um motor. ruído. Nesse momento a metrologia possui uma função indispensável para se chegar a um bom produto. os profissionais vão empregar todos os esforços e tecnologias para trabalhar tecnicamente a necessidade do consumidor e desenvolver o produto. através do seu departamento de marketing. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 23 . Projeto original Análises Meta Ensaios ia iênc Efic Modificaçõ es Ensaios A nálises Modificaçõ es Condi ções estabelecidas Ensaios A nálises Projeto para produção Bancada de testes de motor e câmbio Modificações Metrologia atuando no desenvolvimento de um motor de combustão Assim ocorre com todos os componentes de um veículo e com ele próprio. não há como se ter um bom produto. Com base nos resultados dessas medições. é alertada de que o mercado está precisando de um determinado produto e que existe a oportunidade de lançar um novo produto nessa área. várias alterações são realizadas para fazer o seu regime de funcionamento mais eficiente e a sua vida útil maior. Medições erradas favorecem que componentes com defeitos de projeto sejam aprovados.

as exigências de qualidade dos produtos nesse sentido têm aumentado muito. as atividades metrológicas na produção orientam os processos a produzirem componentes dentro dos limites de especificação.2 Metrologia no Controle de Processos e Produtos Na etapa de produção existe a necessidade de garantir que os componentes estejam sendo produzidos de acordo com as especificações colocadas no projeto. segurança operacional. etc. é indispensável que a metrologia seja empregada. reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade. atendimento a requisitos de normas. confiabilidade. do ambiente. da máquina. hoje em dia é necessário garantir que componentes fabricados em locais totalmente diferentes sejam montados e funcionem perfeitamente. etc. irá produzir variações na qualidade dos produtos. Processo Controle de qualidade Peças Aprovado Despachado para o cliente Refugado Informações para ajustar o processo Metrologia no controle da produção de autopeças Assim. Ao final da produção o produto será também testado e inspecionado em uma série de aspectos para verificar a sua eficiência. certificação de conformidade para comercialização no Brasil ou exterior. Com o intenso comércio entre empresas de diferentes países. além de evitar que maus produtos cheguem até o cliente. Essa intercambiabilidade entre componentes mecânicos é um grande desafio para as empresas e a metrologia é a arma para vencer esse desafio (próxima figura). Em todo e qualquer processo de fabricação. Produtos fora de especificação serão afastados e os erros encontrados serão informados para corrigir os processos. Com a globalização. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 24 . em todos os processos são realizadas medições para verificar se os componentes estão sendo bem produzidos e para ajustar possíveis desvios nos processos. Então.2. Para evitar problemas. a influência do operador.

tem que medir com confiabilidade. as medições precisam apresentar um bom nível de confiabilidade metrológica. Da mesma forma que uma bússola com problemas leva o viajante para a direção errada.Despachados para o cliente CLIENTE MONTAGEM E TESTES INSTALAÇÃO E TESTES CLIENTE FINAL A metrologia possibilita a intercambiabilidade entre componentes Diante do que foi colocado. Não basta medir. Medição das estruturas soldadas veículos Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 25 . para que cumpra a sua função. fica claro a necessidade e importância da metrologia em todas as ações de melhoria e garantia da qualidade de produtos industriais. No entanto. uma metrologia sem confiabilidade provoca erros de avaliação de produtos e de controle de processos. com conseqüências imprevisíveis para a empresa e seus clientes.

Muitos procedimentos de montagem são padronizados inteiramente quanto à seqüência de colocação de componentes e também quanto à intensidade do aperto dos parafusos. Manutenção preventiva. dentro e fora da garantia. por exemplo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 26 . Esses problemas podem indicar erros de projeto de um componente e. ao avisar a fábrica desse caso. Sem essas medições é praticamente impossível identificar defeitos e realizar as correções necessárias. Na manutenção de um sistema de injeção eletrônica. para porcas. a assistência técnica contribui grandemente para que o problema seja solucionado nos próximos veículos produzidos ou mesmo para que os proprietários sejam convidados a trocar gratuitamente a peça. Manutenção corretiva e Orientação do usuário ao uso do veículo. que inclui principalmente: • • • • Revisões. que é o de identificar problemas que ocorrem com uma freqüência acima do normal. uma missão bastante importante no ciclo de produção de um veículo. chaves de boca. várias medições de grandezas mecânicas e elétricas são realizadas para um correto diagnóstico e ajuste do sistema. instrumento colocado junto à chave de aperto que orienta o mecânico sobre esse aperto. e utilizará Muitas instrumentos medição essa identificação.3 Metrologia na Manutenção e assistência técnica Uma vez que o veículo produzido foi vendido.2. ferramentas de manutenção são padronizadas quanto ao seu tamanho. com uma série de atividades de assistência técnica. A área de assistência técnica possui. freqüentemente o mecânico precisa identificar tamanhos de de parafusos. na operação que se chama de “Recall”. etc. é necessário apoiar o usuário durante e após o período de garantia. ainda. A medição desse aperto é feita com um torquímetro. Nessas atividades.

Medições para balanceamento de rodas e para a regulagem de geometria e faróis As análises de desgaste de peças são realizadas através de observações e também através de medições. ressalta-se a importância de medições de qualidade para obter resultados confiáveis que levem à solução dos problemas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 27 . suspensão e pneus também são realizados com o auxílio de sistemas de medição mecânicos e ópticos. Medições com erros levam a um diagnóstico errado do problema e dificultam os ajustes e correções. virabrequim e outros componentes. Da mesma forma o ajuste dos faróis emprega a metrologia (figura abaixo). O reparo de um motor com atividades de usinagem e troca de componentes só se faz de forma eficiente através de medições precisas em bloco.Na parte estrutural do veículo. a geometria e o alinhamento de chassis. Mais uma vez. a espessura de material em pastilhas e lonas de freio e o desgaste de peças do motor são exemplos de medições realizadas para identificar desgastes e corrigi-los. A profundidade dos sulcos de pneus. A metrologia é indispensável para as atividades de reforma de motores Nesses exemplos e em muitas outras situações constata-se a grande presença da metrologia em atividades de manutenção automotiva.

O alongamento do chassi. poluir o meio ambiente e outras conseqüências desagradáveis. A legislação de trânsito contém vários itens relacionados aos requisitos técnicos que os veículos precisam atender para poder ser liberada a sua circulação. por exemplo. vans escolares e similares também precisam ser verificadas para assegurar o cumprimento às normas (figura 2. Um desses itens trata da inspeção de veículos que tenham passado por alguma alteração estrutural e veículos especiais.2. e são de grande importância para identificar irregularidades que possam causar acidentes.9). Inspeção de veículos de transporte coletivo (Grupo GAVA) Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 28 . As condições técnicas de ônibus. os veículos automotores precisam passar por medições para verificar se as suas características técnicas estão de acordo com as normas de segurança do trânsito. Atividades de Inspeção de veículos especiais O transporte de pessoas também é objeto de inspeção veicular. O projeto do pára-choque traseiro de um caminhão também precisa estar de acordo com normas de segurança e passar em testes de resistência (figura abaixo). Essas atividades são conhecidas no mercado como Inspeção Veicular sendo realizadas por órgãos credenciados ao INMETRO. é uma das alterações que precisa ser verificada para comprovar o atendimento a normas de segurança veicular.4 Metrologia na Inspeção veicular Em muitas situações.

Em muitos países anualmente os veículos são inspecionados e colocados em estações de teste que medem o nível de emissões do motor. Caso contrário. Os veículos que transportam tais cargas precisam atender a várias questões técnicas específicas dessa atividade e precisam passar por inspeções periódicas para verificar se está atendendo a essas normas. o proprietário é obrigado a realizar os ajustes necessários para enquadrar o veículo dentro dos limites máximos permitidos. como substâncias tóxicas e combustíveis. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 29 . Se estiver de acordo com as normas é liberado para circular. Medição do nível de emissões de poluentes Em qualquer dessas situações as medições devem ser realizadas com grande responsabilidade e confiabilidade.Também é objeto de regulamentação a área de transporte de cargas perigosas. pois um laudo incorreto acerca da condição de segurança de um veículo pode causar grandes acidentes e trazer grandes complicações para o profissional responsável pela avaliação do veículo. Inspeção de veículos de transporte de cargas perigosas Um outro exemplo de medição na área de inspeção veicular ocorre na área de emissão de poluentes.

essa quantidade precisa ser determinada de forma referenciada a uma unidade de medição que seja aceita e reconhecida. A nossa qualidade de vida e o desenvolvimento das empresas está bastante fundamentada na quantificação de diversas grandezas físicas. Para que essa medição tenha validade. tomando como exemplo a medição do diâmetro de um eixo. Dada essa importância. Medir é uma tarefa fácil. mas cometer erros de medição é ainda mais. no caso o metro (m). 3. um comprimento. Sabendo disso. Fundamentos metrológicos Como já vimos no início dessa apostila. O único caminho para vencer esse desafio é ter um bom conhecimento teórico e prático sobre o que acontece em um processo de medição. Embora a tarefa de medição seja operacionalmente simples e no final sempre temos um número. Em toda e qualquer medição nós queremos determinar a quantidade de uma grandeza física. cabeças.3. da sociedade e para o desenvolvimento tecnológico das empresas. Uma vez que nós não podemos estimar com confiabilidade essa quantidade somente avaliando Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 30 . deve haver um compromisso de buscar a confiabilidade nos resultados das medições. não é tão simples obter resultados confiáveis. Todas as decisões que são tomadas com base em uma medição estão sujeitas a problemas originados por erros da própria medição. pedaços de corda. ou outra referência rudimentar de comprimento. a medição é uma operação de fundamental importância para diversas atividades do ser humano. como você aprenderá em seguida. Seria um absurdo você determinar esse comprimento utilizando referências como palmos. não reconhecida.1 O Processo de medição Vamos analisar passo a passo como ocorre um processo de medição. Temos o desafio de buscar obter resultados confiáveis mesmo com imperfeições interferindo nas medições. nesse caso. partimos em busca de um equipamento que nos auxilie nessa tarefa. pois nenhum instrumento ou operador é perfeito.

Indicação (de um instrumento de medição) é o valor de uma grandeza fornecido por um instrumento de medição. Agora de posse do instrumento de medição. e reconhecida internacionalmente. em função do resultado. que deve ser construída com materiais especiais e com bastante critério de forma a poder representar bem a unidade de medição de interesse. e explica de forma detalhada a essência do que é o ato de medir. escalas e outros artefatos que iremos conhecer em breve são exemplos dessas ferramentas utilizadas nas medições. Trenas. réguas. tomamos uma ação para corrigir ou não eventuais problemas no eixo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 31 . Medir é o procedimento experimental pelo qual o valor momentâneo de uma grandeza física (mensurando) é determinado como um múltiplo e/ou uma fração de uma unidade. estabelecida por um padrão. Essa seqüência descreve as operações por que passamos para quantificar qualquer grandeza de interesse que precisamos determinar. precisamos de uma ferramenta conhecida como instrumento de medição. aplicamos sobre o objeto que queremos medir e temos uma indicação.visualmente. um número acompanhado de uma unidade de medição. Anotamos esse valor e.

São esses atores que fazem um processo de medição acontecer. e a incerteza existente nessa medição pode nos levar a uma ação errada. • Quando precisamos tomar uma ação com base em uma medição.Nessa definição participaram alguns atores que você provavelmente deve ter identificado. a medição pode ser classificada como confiável. • Em uma situação em que a incerteza da medição não é capaz de nos levar a problemas. Da mesma forma eles possuem imperfeições que causam erros de medição e podem tornar o resultado sem confiabilidade. a medição não está confiável. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 32 . São eles: A grandeza a medir (mensurando). O Instrumento de medição O operador do instrumento de medição Grandeza a medir Instrumento Operador Processo de Medição Esses atores estarão presentes em qualquer processo de medição e serão grandemente responsáveis pela confiabilidade dos resultados.

Estabelece os caminhos para minimizar as incertezas das medições e a obtenção de informações confiáveis na presença dos erros de medição. Na área de metrologia dimensional são causadores de erros de medição: Operador Ambiente Instrumento Peça a medir Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 33 . Parece tudo muito fácil mas. enquanto outros decorrem da ação do tempo. a medição de uma grandeza nunca revela o seu valor exato. de fato. Basta aplicar o instrumento de medição sobre a grandeza de interesse e obter o seu valor. mas sempre um valor aproximado. a ciência das medições. Os caminhos da metrologia são perfeitamente lógicos e estão ao nosso alcance. nada é perfeito no nosso mundo material. A Metrologia. não é verdade? (b) Será que ninguém duvidou da balança do "seu Zé" do açougue? Será que a quantidade de carne pela qual pagamos corresponde ao que. e ainda obter informações confiáveis que levem à tomada de decisões responsáveis e acertadas. Em função disso. nunca são perfeitos. levamos para casa? (c) Por que algumas peças de reposição não encaixam como deveriam ao serem substituídas? Esteja alerta: os instrumentos de medição. operadores.2 Erros e Incertezas de medição A primeira vista medir é uma operação muito simples. trata destas questões. será que é só isso? Algumas perguntas para reflexão: (a) Por que há relógios que “contam” melhor o tempo que outros? Os de pior qualidade têm de ser “acertados” mais vezes. etc.3. A maioria dos erros de medição tem origem no próprio sistema de medição. do meio ambiente ou do operador sobre o sistema de medição. Alguns erros são internos ao próprio sistema de medição. Na verdade. Este é o lado difícil da medição: conviver com as incertezas trazidas pelas imperfeições dos instrumentos de medição. por melhor que sejam.

Lembrese que a temperatura de referência no qual os instrumentos são válidos é de 20oC.20 mm. Dessa forma. o operador precisa estar capacitado a usar o instrumento e ciente dos cuidados que precisa tomar para não cometer erros. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 34 . Eles possuem imperfeições construtivas que vão piorando com o tempo de uso e provocam erros de medição. As peças e os instrumentos variam as suas dimensões conforme a temperatura. O ambiente de medição deve ser compatível com a exatidão pretendida. b) Ambiente As influências do ambiente de medição também provocam erros de medição.00 mm calibrada e está indicando 10. Para isso. só que o custo desse controle é bastante alto. Esses testes são chamados de calibração e serão estudados em maiores detalhes no capítulo 5 dessa apostila. corre-se o risco de cometer grandes erros e causar problemas de qualidade em produtos e serviços. Na figura abaixo o paquímetro está medindo uma peça com 10.20 mm. A medição fora dessa temperatura irá alterar o comportamento do instrumento e da peça e precisamos saber se isso irá ou não interferir no resultado da medição. é importante realizar ensaios periódicos nos instrumentos e avaliar se o seu erro está dentro de limites aceitáveis. c) Instrumento Como já foi citado. Quanto maior a exatidão requerida mais controlado deve ser o ambiente. Há. Ao utilizar um instrumento sem conhecer a sua exatidão. A utilização correta dos instrumentos de medição e o emprego de métodos de trabalho adequados são fundamentais para que o operador não prejudique a confiabilidade da medição. um erro de 0.a) Operador O operador provoca erros ao estabelecer uma estratégia de medição imperfeita e cometendo erros de leitura. os instrumentos de medição por melhor que sejam não são perfeitos. portanto.

responda: Qual o diâmetro da peça abaixo ?.d) Peça a medir Existem determinadas situações em que. mesmo tendo-se os três fatores acima (operadorinstrumento-ambiente) bem controlados. ainda corre-se o risco de cometer grandes erros de medição. Isto ocorre se a grandeza que se mede está variando o tempo todo. A cada momento ou local que se mede pode-se obter um valor diferente e isto caracterizam um erro de medição. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 35 . Para perceber bem como os erros de forma da peça provocam erros de medição. As peças mecânicas possuem erros de forma que podem levar a erros no resultado da medição.

A última pesquisa para candidatos a governador indicou os seguintes números: 25 23 21 -4 +4 • • • Maria Soares 25 % João da Silva 23% Pedro Pedreira 21% -4 -4 +4 +4 Como a margem de erro da pesquisa é de ±4%. existe chance do valor medido. por causa da margem de erro (incerteza) do instrumento.11 mm. essa incerteza pode ser tão grande que não podemos afirmar se a peça está boa ou ruim. já temos plena ciência de que os erros de medição. Devido a vários fatores. O entendimento que devemos ter é o mesmo de uma pesquisa eleitoral. 20. ser até 20. para mais e para menos. que chamamos de incerteza e. em relação ao valor medido. para mais e para menos. Nas medições ocorre exatamente isso. Por causa dessa incerteza. Todas as medições possuem a sua margem de erro. não é possível afirmar quem está na frente. Na figura a seguir. Essa margem de erro é conhecida como incerteza de medição. em relação aos resultados da pesquisa. em todas as nossas medições estamos colhendo uma aproximação da grandeza exata e existe sempre uma margem de erro. Dessa forma. A incerteza de medição delimita a faixa dentro da qual está o valor exato da medição ou. Incerteza de medição é a faixa de valores que exprime a parcela de dúvidas presente no resultado de uma medição. temos um empate técnico. os resultados de uma pesquisa de opinião pública não são exatos. provocados por vários fatores fazem que com nunca se consiga saber o valor exato do que se está medindo. em muitas situações. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 36 .09 mm. engloba todos os erros prováveis de ocorrência. em outras palavras.Nesse ponto. Eles possuem uma margem de erro.

precisamos ter instrumentos de baixa incerteza. SBM.1 CONFORME NÃO CONFORME +0. 1998 • • • Fundamentos da Metrologia Industrial.Dúvidas quanto à aprovação ou reprovação da peça Para evitar situações como essa precisamos tomar os cuidados necessários para que a incerteza seja tão pequena quanto necessária.20. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 37 .0. Armando Albertazzi.09 mm 20 ± 0. • Para peças mais grosseiras podemos utilizar instrumentos com maior incerteza. A determinação dos erros e da incerteza de medição obedece a procedimentos matemáticos normalizados. Álvaro Theisen. INMETRO. Walter Link. • Para a medição de peças de alta precisão. ABNT.1 . Nessa apostila esses procedimentos não foram incluídos por limitações de tempo e profundidade no conteúdo.1 Figura 3. 2003. um ambiente bem controlado e empregar procedimentos de medição bem criteriosos para obter uma incerteza bem pequena. PUC-RS. Ed.02 MICRÔMETRO ± 0. Metrologia. Segunda edição Brasileira do "Guide to the Expression of Uncertainty in Measurement".02 +0. Rio de Janeiro. Aqueles que precisarem desse conteúdo devem consultar as seguintes literaturas: • Guia para a expressão da incerteza de medição. 1997. Metrologia Mecânica.02 NÃO CONFORME . ambientes menos controlados e procedimentos de medição mais simples.1 20 -0. 1997.

o técnico possivelmente será chamado a especificar instrumentos para utilização e também para compra. dentro da qual o instrumento de medição pode ser normalmente utilizado. a variação do último dígito não é sempre 1. Na indústria. ou seja. Alguns instrumentos apresentam esta variação em 2 ou até 5 unidades. espaço interno. Vamos às características metrológicas mais fundamentais: a) Faixa de medição A Faixa de medição é a faixa de valores.3. a resolução é dada pelo menor incremento digital em seu mostrador.. potência. Em algumas situações é até possível utilizar o instrumento fora da sua faixa de medição mas essa região já está fora das suas especificações e não há garantias de que o instrumento mantenha a sua exatidão especificada. nível de ruído. pela menor variação de seu último dígito. A resolução está diretamente relacionada com o número de algarismos significativos com que a mesma é efetuada. Como se pode entender da definição acima. nos indicadores digitais. os instrumentos e sistemas de medição possuem uma série de características metrológicas que determinam a utilização dos mesmos em função das características dimensionais das peças. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 38 . Essa faixa delimita os valores máximo e mínimo que o instrumento deve ser utilizado segundo suas especificações metrológicas. O conhecimento destas características possibilita a identificação de propriedades do instrumento que são fundamentais na sua seleção para uma dada aplicação. a resolução de um instrumento é a menor medida que pode ser feita no instrumento. Deve-se observar que. e estes fundamentos tornam-se indispensáveis para tal. especificada pelo fabricante. Em instrumentos com indicação digital. preço. consumo. etc. que determinam a escolha do consumidor por um carro para sua exigência.3 Características metrológicas de instrumentos Da mesma forma que os automóveis possuem uma série de características funcionais como tamanho do porta-malas. b) Resolução Resolução de um instrumento de medição é a menor diferença entre indicações que pode ser significativamente percebida.

01mm. Repetitividade = ± 30 mm Repetitividade = ± 3 mm d) Tendência A tendência é uma estimativa do erro sistemático de um instrumento.c) Repetitividade Repetitividade (de resultados de medições) é o grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando efetuadas sob as mesmas condições de medição. Quando um instrumento apresenta uma tendência de + 0. Tendência = + 28 mm Tendência = zero Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 39 . que é uma das características metrológicas que compõem a sua incerteza de medição. e indica a parcela previsível do erro de medição. significa que as suas indicações estão todas 0. É imprescindível que um instrumento apresente uma boa repetitividade. Conhecendo-se a tendência pode-se aplicar uma correção no resultado.01 mm a mais do que o valor correto.

na unidade de medição do instrumento. Um instrumento com boa precisão é aquele que apresenta uma boa repetitividade. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 40 . o 0. é encontrado como o sinônimo de incerteza de medição. Boa Precisão Boas Precisão e Exatidão g) Incerteza de medição A incerteza de um sistema de medição expressa a faixa que necessariamente contém o erro máximo que o mesmo poderá impor à medida.15 mm. pode vir como sendo igual a fundo de escala de um instrumento) o que corresponderia a ± ± 0. por vezes.e) Precisão Precisão é um termo qualitativo que exprime a capacidade do instrumento de fornecer indicações com pouca dispersão. embora não recomendado.1 % (de 150 mm. Ou seja. que é um dos parâmetros mais significativos para a seleção de um instrumento para determinada aplicação. ao longo de toda sua faixa de medição. para exprimir o erro máximo do instrumento. Considera-se mais apropriado indicar a incerteza de medição em termos absolutos. em relação ao máximo valor da faixa de medição do instrumento. O termo precisão. Não se deve utilizar o termo acompanhado de um número. Um instrumento com boa exatidão é aquele que apresenta uma boa repetitividade e uma tendência pequena. f) Exatidão Exatidão é um termo qualitativo que exprime a capacidade do instrumento de fornecer indicações próximas aos valores verdadeiros e com pouca dispersão. próxima umas das outras. A incerteza de medição é. expressa em termos relativos. para exprimir o erro máximo do instrumento. Não se deve utilizar o termo precisão acompanhado de um número.

o resultado vai nos levar a tomar uma decisão acerca da qualidade dimensional das peças. Na produção seriada as medições são feitas para tornar o produto melhor e mais confiável em uso. Na fórmula 1. Se essa medição é feita na produção. milhares de medições são feitas para se conseguir melhorias que façam os carro ganharem frações de segundo. Peças ruins são refugadas e peças boas são aprovadas e enviadas para o cliente. o resultado vai servir para avaliar a sua performance e propor mudanças para melhorar o seu desempenho. por exemplo. Com base nessas medições correções são feitas continuamente no processo para mantê-lo produzindo sempre peças boas.3. Processo Controle de qualidade Peças Aprovado Despachado para o cliente Refugado Informações para ajustar o processo Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 41 . Se a medição é feita no teste de um produto em fase de desenvolvimento. o resultado que obtemos vai nos levar a tomar alguma decisão acerca de um produto ou de um processo.4 A Importância dos resultados confiáveis Em toda operação de medição na área de mecânica e automobilística.

Se a medição é feita em uma etapa de avaliação de conformidade. os resultados vão servir para se chegar à conclusão de que os componentes ainda podem ser utilizados ou se já precisam ser trocados. a medição vai gerar um laudo técnico que afirma se o produto pode ou não pode ser liberado para funcionamento.Se essa medição é feita na manutenção do produto. Não basta medir. reclamações de clientes. Então é fundamental que em toda prática metrológica se empreguem os meios necessários para que as medições sejam realizadas com boa confiabilidade. Grandes prejuízos financeiros. tem que medir com confiabilidade. procure imaginar o que ocorre quando as medições são realizadas sem muito critério técnico e os resultados apresentam grandes erros. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 42 . Em todas essas situações acima. perda de qualidade em produtos. Da mesma forma que uma bússola com problemas leva o viajante para a direção errada. uma metrologia sem confiabilidade provoca erros de avaliação de produtos e de controle de processos. como no caso do motor. com conseqüências imprevisíveis para a empresa e seus clientes. Se há a necessidade de um reparo do componente. situações de risco e outras conseqüências desagradáveis podem surgir dessa situação. as medições vão orientar os processos para que o resultado do trabalho seja bom.

desde os tempos mais antigos o homem precisou expressar certas quantidades através de medições. as chapas. Há vários anos o sistema métrico passou a ser o único sistema de unidades oficialmente aceito para a medição de comprimentos em todos os países. 4.1 Sistema métrico Como já citamos nessa apostila. Nesse capítulo você conhecerá mais sobre essa área da metrologia e aprenderá a utilizar de forma correta uma série de instrumentos de medição. com o objetivo de se tornarem mais exatas e com reconhecimento universal. tubos. a roda de aro 14”. São eles o sistema métrico e o sistema inglês.1. conexões e outros produtos são exemplo disso e continuarão assim por muito tempo até que toda uma cultura seja modificada. 1 Esse capítulo traz informações obtidas da Apostila do Telecurso Profissionalizando de Mecânica. 4. precisamos aprender a trabalhar com esses dois sistemas. a metrologia dimensional trata de todas as medições de comprimentos lineares e angulares e possui uma presença muito importante em todas as atividades técnicas realizadas na área de mecânica. com isso. No entanto. Metrologia Dimensional 1 Como você aprendeu. o barco de 16 pés. essa necessidade foi ficando maior e. Então.4.1 Sistemas de unidades Na área de metrologia dimensional. muitos produtos e máquinas de produção tradicionalmente foram produzidos com base nas medidas inglesas. as unidades de medição mais primitivas que eram fundamentadas em partes do corpo humano foram evoluindo ao longo do tempo. Com o passar do tempo e o aumento do comércio e da produção. foram surgindo os padrões e as unidades de medida. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 43 . Nesse sentido dois sistemas de unidades evoluíram e são hoje largamente utilizados em todos os países do mundo. A TV de 14”.

madeira e metal com um comprimento que pudesse ser reproduzido e comparado por todos. Um desses padrões que era utilizado na França no século XVII. Havia também outra exigência para essa unidade: ela deveria ter seus submúltiplos estabelecidos segundo o sistema decimal. esse padrão foi se desgastando com o tempo e teve que ser refeito. chumbada na parede do Grand Chatelet. assim. unidade padrão de comprimento do sistema internacional de unidades (SI). seria necessário que a medida do meridiano apresentasse um erro inferior a 40 metros. Como já sabemos. ser facilmente reproduzida. o que era impossível para época. partiu-se para a estratégica de usar barras de pedra. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 44 . A medida deste meridiano se realizou entre 1792 a 1798 e chegou-se a conclusão de que. em seguida. Tudo isso começou no tempo em que os padrões e unidades de medida eram referenciados a partes do corpo humano. universais e aceita por todos. então. Dessa forma cada interessado poderia conferir seus próprios instrumentos. constituindo um padrão de medida. isso se mostrou inviável por causa da grande variação de tamanhos entre os seres humanos. a toesa. Surgiu. que passa pelo observatório de Paris. que pudesse ser encontrada na natureza e. Diante desse problema. As unidades de comprimento que temos hoje foram o resultado de uma evolução contínua ao longo do tempo. nas proximidades de Paris.Como você já sabe na medição nós precisamos de unidades de medição que sejam bem definidas. para o metro padrão apresentar um erro inferior a 0. Entretanto. isto é.001 mm. Mas nem sempre foi assim. foi padronizada em uma barra de ferro com dois pinos nas extremidades e. Assim foi com o metro. um movimento no sentido de estabelecer uma unidade natural. Na ocasião ficou decidido que a unidade de comprimento seria a décima milionésima parte de ¼ do meridiano terrestre.

Em 1875 surge o Sistema Internacional de Medidas.P. que possuía 2 marcas e a distância entre elas foi definida como padrão para ser aceita por todos. segundo a seguinte definição: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 45 . permanecendo na sede do B. Essa barra de platina de formato retangular mostrou-se de baixa rigidez e foi desgastando-se ao longo do tempo. o de no 06 foi tirado como protótipo internacional. marcados sobre uma barra metálica em forma de X. principalmente pelo risco de uma destruição da referência primária do metro. No entanto. Foram confeccionados 30 protótipos do metro padrão técnico.I. Chegou-se.M. sendo que. então à definição técnica do metro que dizia: O metro internacional pode ser definido como sendo a distância entre dois traços transversais. finalmente em 1960 o metro foi referenciado ao comprimento de onda da luz. (França). Surge daí o Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM). Após muitos anos de pesquisa.Dessa forma em 1799 partiu-se para a construção de uma medida materializada na forma de uma barra metálica. a idéia de referenciar o metro a uma grandeza da natureza não foi esquecida. contendo 90% de platina e 10% de irídio e cujo tamanho legal é obtido a temperatura de 0o C. Esses protótipos possuíam o formato em forma de X para serem bem rígidos e eram construídos em platina e irídio. firmado por 20 países. Em 1889 surge a definição técnica do metro.

012 m.763. Devido à dificuldade de disseminação dessa definição e ao grande desenvolvimento dos sistemas ópticos e do laser. Seria bem estranho e até difícil se expressar como uma das formas abaixo: • • • A distância entre Florianópolis e Curitiba é de 300. A comprimento da mesa é de 0.000004 mm ± ± ± ± 4. que é bem mais precisa do que todas elas.650. Essa definição é a aceita atualmente e está definida da seguinte forma: O Metro é o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 46 .0002 mm 0. Dessa forma.00002 mm 0.1 metro é igual a 1.1.1. entre faces paralelas Barra em forma de “X” em 90% de platina e 10% de irídio Irradiação do átomo de criptônio 86 Velocidade da luz no vácuo ± Incerteza 0.000 m. da radiação correspondente a transição entre os níveis 2p10 e 5d5 do átomo de criptônio 86.75 m O diâmetro do eixo possui 0.1 Múltiplos e submúltiplos do metro Para facilitar a utilização da unidade básica do sistema métrico em diversas situações. no vácuo.210 mm 0.73 comprimentos de onda.000000003 segundo.01 mm 0. o metro passou por todas essas definições até chegar à atual. Ano 1798 1799 1889 1960 1983 Referências ¼ da 10 000 000a parte do meridiano terrestre Barra plana de platina. A tabela abaixo resume as 4 definições por que o metro passou e os erros ao reproduzi-las. foram criados os múltiplos e sub-múltiplos do metro. em 1983 o metro passou a ser referenciado ao comprimento que a luz percorre no vácuo.

000 000 000 001 m 10-15 = 0.000 001 m 10-9 = 0. A tabela abaixo mostra todos eles.000 000 000 000 000 001 m 10-21 = 0.1 m 10-2 = 0.Para evitar situações como essa os múltiplos e submúltiplos do metro são utilizados largamente.000 000 000 000 000 000 001 m 10-24= 0. onde estão sublinhados os submúltiplos do metro mais utilizados na área de mecânica.01 m 10-3 = 0. Denominação yottametro zettametro exametro petametro Múltiplos terametro gigametro megametro kilômetro hectômetro decâmetro Unidade metro decímetro centímetro milímetro micrometro Submúltiplos nanometro picometro fentometro attometro zeptometro yoctometro Símbolo Fator pela qual a unidade é multiplicada 1024 = 1000 000 000 000 000 000 000 000 m 1021 = 1000 000 000 000 000 000 000 m 1018 = 1000 000 000 000 000 000 m 1015 = 1000 000 000 000 000 m 1012 = 1000 000 000 000 m 109 = 1000 000 000 m 106 = 1000 000 m 103 = 1000 m 102 = 100 m 101 = 10 m 10o = 1 m 10-1 = 0.000 000 000 000 000 000 000 001 m Ym Zm Em Pm Tm Gm Mm km hm dam m dm cm mm µm nm pm fm am zm ym Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 47 .001 m 10-6 = 0.000 000 001 m 10-12 = 0.000 000 000 000 001 m 10-18 = 0.

8 m = j) 1290 mm = l) 733 µm = m) 1. O sistema inglês padronizou certos comprimentos baseados em partes do corpo humano e criou uma série de unidades de medida. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 48 . realize as seguintes transformações: a) 1.2 mm = f) 46.01 m 1 mm = 0.4 mm = cm m mm cm mm µm mm 4.4 cm = e) 872.2 Sistema Inglês Da mesma forma que o sistema métrico que se desenvolveu na França.425 km = c) 851 mm = d) 139.001 mm Com base nessas relações.56 mm = h) 145 cm = i) 1. do menor para o maior: 1 cm = 0. o milímetro (mm) e o micrometro (µm) são esses submúltiplos e se relacionam com o metro pela seguinte proporção: 1 m = 1000 mm 1 m = 100 cm 1 mm = 1000 µ m Ou.1 m = b) 0.1.8 µm = cm m m m µm g) 232.001 m 1 µ m = 0. um outro sistema de medidas se desenvolveu na Inglaterra e assim foi chamado de sistema inglês de medidas.O centímetro.

contendo 32 partes de cobre. para uniformizar as medidas em certos negócios. e assim por diante.67o C). Deste modo. 5 partes de estanho e 2 partes de zinco cujo tamanho legal é obtido a 62o F (16. Equivalências Nomenclatura Jarda (Yard) Pé (foot) Polegada (inch) Símbolo yd ft (‘) in (“) Jardas 1 1/3 1/36 Pés 3 1 1/12 Polegada 36 12 1 mm 914. Os sapateiros ingleses gostaram tanto da idéia que passaram a fabricar.Dentre essas unidades de medida está a unidade padrão do sistema inglês que é a jarda. um calçado medindo quarenta grãos de cevada passou a ser conhecido como tamanho 40. sapatos com tamanho padrão baseados nessa unidade.4 304. TV de 20”. o rei Eduardo I decretou que fosse considerada como “uma polegada” a medida de três grãos secos de cevada. Por exemplo.8 25. colocados lado a lado. pela primeira vez na Europa. na Inglaterra. Referenciados à Jarda estão outras unidades do sistema inglês de medidas: o pé e a polegada que é a unidade do sistema inglês mais usada na área de mecânica e tem por símbolo 2 aspas após o número.4 Curiosidade: Em 1305. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 49 . segundo a seguinte definição: A jarda padrão está definida como a distância entre dois traços transversais marcados sobre uma barra plana de bronze.

8 mm = h) 19. No numerador haverá sempre um número ímpar e no denominador uma potência de 2. o diâmetro da roda de automóvel.3 Conversões de Unidades Apesar do metro ser a unidade oficialmente aceita como a unidade básica de comprimento segundo o sistema internacional de unidades. faça as conversões abaixo: a) ½” = b) ¾” = c) ¼” = d) 2” = e) 1 ½” = f) 2 ¼” = mm mm mm mm mm mm g) 50.4 mm Na maior parte dos casos a polegada está na forma de fração.como nos exemplos: 1" 2 1" 4 3" 8 17 " 32 11" 64 23 " 128 1 1" 2 A polegada na forma decimal também é praticada.7625 mm = “ “ “ “ “ “ Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 50 .1. as unidades do sistema inglês também fazem parte do nosso dia a dia. O tamanho da tela de uma TV. A equivalência entre a polegada e o milímetro ocorre segundo a seguinte relação: 1” = 25. então.525 mm = j) 3. e muitos outros produtos ainda hoje são fabricados em unidades do sistema inglês.175 mm = l) 76. É preciso. Sabendo dessa relação. que saibamos utilizar os dois sistemas de unidade e fazer as conversões de um sistema para o outro.2 mm = m) 4.05 mm = i) 9. mas é bem menos comum.4. as conexões e tubos.

conforme o sistema inglês. embora de concepção simples. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 51 .1 Réguas graduadas (escalas flexíveis) A régua apresenta-se. superior à menor graduação. Normalmente. bem definidos. 300. em forma de lâmina de aço-carbono ou de aço inoxidável. 200. possuem utilidade em muitas situações do dia a dia de um profissional de mecânica. Recomenda-se utilizar a régua graduada nas medições com erro admissível. pois nessas aplicações não se requer um nível tão alto de exatidão. No entanto. Nessa lâmina estão gravadas as medidas em centímetro (cm) e milímetro (mm). 250. essa graduação equivale a 1 mm ou 1/32". conforme o sistema métrico. e faces polidas. As réguas. As réguas de manuseio constante devem ser de aço inoxidável ou de metais tratados termicamente. 600. É necessário que os traços da escala sejam gravados.2. As mais usadas na oficina são as de 150 mm (6") e 300 mm (12"). ou em polegada e suas frações. eqüidistantes e finos. Alguns são mais sofisticados e de alta exatidão e devem são utilizados para situações onde essa exatidão é indispensável. 1000. 1500. 2000 e 3000 mm. bordas retas e bem definidas. e são o objeto de estudo desse capítulo. normalmente.4. uma escala de qualidade deve apresentar bom acabamento.2 Instrumentos de medição básicos Na metrologia dimensional existem instrumentos com diferentes classes de exatidão e sofisticação. As réguas graduadas apresentam-se nas dimensões de 150. uniformes. De modo geral. trenas e escalas articuladas estão entre os instrumentos de medição básicos mais utilizados em aplicações técnicas. 500. 4. pois são bem mais caros. Esses instrumentos básicos. existem muitas aplicações onde a utilização de instrumentos básicos é mais recomendada.

Aplicar uma leve camada de óleo fino.A retilineidade e o erro máximo admissível das divisões obedecem a normas internacionais. Limpá-la após o uso. c) Régua com encosto Destinada à medição de comprimento a partir de uma face externa. a qual é utilizada como encosto. devemos subtrair do resultado o valor do ponto de referência. b) Régua sem encosto Nesse caso. Não utilizá-la para bater em outros objetos. deve-se observar: • • • • • Evitar que a régua caia ou a escala fique em contato com as ferramentas comuns de trabalho. Evitar riscos ou entalhes que possam prejudicar a leitura da graduação. removendo a sujeira. antes de guardar a régua graduada. Em relação à conservação das réguas. Os principais tipos e aplicações da régua graduada são: a) Régua de encosto interno Destinada a medições que apresentem faces internas de referência como mostra a medição da peça na figura a seguir. Não flexionar a régua: isso pode empená-la ou quebrá-la. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 52 .

d) Régua de profundidade Utilizada nas medições de canais ou rebaixos internos. controle de dimensões lineares. e) Régua de dois encostos Dotada de duas escalas: uma com referência interna e outra com referência externa. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 53 . f) Régua rígida de aço-carbono com seção retangular Utilizada para medição de deslocamentos em máquinas-ferramenta. É utilizada principalmente pelos ferreiros. traçagem etc.

a polegada divide-se em 2. Nesse sistema. A ilustração a seguir mostra essa divisão. como se faz isso. na régua no sistema inglês possui uma subdivisão fracionária o que exige de nós um pouco mais de atenção e prática.1.1 Leitura no sistema métrico Nas réguas no sistema métrico cada centímetro na escala encontra-se dividido em 10 partes iguais e cada parte equivale a 1 mm..2.2 Leitura no sistema inglês Ao contrário da régua no sistema métrico que possui uma divisão decimal. 8. 16. As escalas de precisão chegam a apresentar 32 divisões por polegada. 4. A ilustração a seguir mostra. de forma ampliada. 4. enquanto as demais só apresentam frações de 1/16”. a leitura pode ser feita em milímetro. muito simples de interpretar. Assim.1.4. partes iguais. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 54 . representando a polegada em tamanho ampliado.2..

Na leitura. Assim. o da ½”vem em seguida e assim por diante. Isso acontece porque. Não existe número em polegada com numerador par. sempre que houver numeradores pares. porque ele facilita a identificação das partes em que a polegada foi dividida. 1 " seguir tem 8 (uma polegada e um oitavo de Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 55 . o objeto na ilustração a 1 polegada) de comprimento. A leitura na escala consiste em observar qual traço coincide com a extremidade do objeto. deve-se observar sempre a altura do traço. O traço da polegada inteira é maior do que todos. a fração é simplificada.Observe que estão indicadas somente frações de numerador ímpar.

• Verifique o seu entendimento fazendo os exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 56 .

fibra ou tecido. Para sua conservação é recomendado abrir o metro articulado de maneira correta.4. no sistema métrico e/ou no sistema inglês. Tal mecanismo. graduada em uma ou em ambas as faces. e se faz de forma idêntica à da leitura das réguas. ao longo de seu comprimento. e lubrificar suas articulações.3 Trenas A trena é um instrumento de medição constituído por uma fita de aço. pode ou não ser dotado de trava.2.2. A fita das trenas de bolso são de aço fosfatizado ou esmaltado e apresentam largura de 12. por sua vez. em situações em que a exatidão da medição não seja exigente. evitar que ele sofra quedas e choques. com traços transversais. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 57 . Em geral. 4. 7 mm e comprimento entre 2 m e 5 m. fabricado de madeira. a fita está acoplada a um estojo ou suporte dotado de um mecanismo que permite recolher a fita de modo manual ou automático. alumínio ou fibra e utilizados para a medição de comprimentos até 2 m.2 Escalas articuladas As escalas articuladas também conhecidas como metro articulado são instrumentos de medição linear. A leitura com a escala articulada é muito simples.

Não se recomenda medir perímetros com trenas de bolso cujas fitas sejam curvas. Essa chapa é chamada encosto de referência ou gancho de zero absoluto. as fitas das trenas podem ser planas ou curvas. As trenas apresentam. As de geometria plana permitem medir perímetros de cilindros. na extremidade livre.Quanto à geometria. uma pequenina chapa metálica dobrada em ângulo de 90º. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 58 . por exemplo.

isto é. Em vários desses casos a utilização de medidas materializadas na forma de calibradores e verificadores dimensionais é a solução mais adequada. as peças estão dentro dos limites de tolerância. as medidas de roscas. 4. os calibradores são empregados nos trabalhos de produção em série de peças intercambiáveis. entre o limite máximo e o limite mínimo. furos e eixos.3 Calibradores e Verificadores Em muitas aplicações na área de mecânica os instrumentos de medição apresentam limitações quanto à exatidão ou quanto à praticidade e velocidade de medição. Podem ter formatos especiais. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 59 . Essas peças são construídas dentro de medidas muito bem definidas e conhecidas e são largamente utilizadas em atividades de controle de qualidade de peças. por constituírem conjuntos praticamente idênticos. como. mas não da outra extremidade (lado não-passa). Quando isso acontece. Geralmente fabricados de aço-carbono e com as faces de contato temperadas e retificadas. peças que podem ser trocadas entre si. isto é. Alguns dos mais comuns tipos de calibradores são: a) Calibrador Tampão O funcionamento do calibrador tampão é bem simples: o furo que será medido deve permitir a entrada da extremidade mais longa do tampão (lado passa).1 Calibradores Calibradores são instrumentos que estabelecem os limites máximo e mínimo das dimensões que desejamos comparar. componentes e outras aplicações. Medida materializada é um dispositivo destinado a reproduzir ou fornecer. por exemplo. um ou mais valores conhecidos de uma grandeza.4.3. ajuste de máquinas. dependendo das aplicações. quer dizer: passa/não-passa. de maneira permanente durante o seu uso.

sem pressão.000 mm. O lado não-passa tem uma marca vermelha. O lado não-passa tem chanfros e uma marca vermelha.030 mm) não deve passar pelo furo. com a medida mínima. É normalmente utilizado para eixos e materiais planos de até 100 mm.Por exemplo. 50 mm) deve passar pelo furo. O calibrador deve entrar no furo ou passar sobre o eixo por seu próprio peso. a extremidade cilíndrica da esquerda (50 mm + 0. ou seja. Esse tipo de calibrador é normalmente utilizado em furos e ranhuras de até 100 mm. no calibrador tampão 50H7. com a medida máxima. e a outra nãopassa. b) Calibrador de boca Esse calibrador tem duas bocas para controle: uma passa. O diâmetro da direita (50 mm + 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 60 .

O deve passar no diâmetro máximo (Dmáx. na faixa de 80 a 260 mm. Sua utilização compreende dimensões até 500 mm. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 61 .c) Calibrador de boca separada Para dimensões muito grandes. Os calibradores de bocas separadas são usados para dimensões compreendidas entre 100 mm e 500 mm. tendo em vista a redução de seu peso. d) Calibrador de boca escalonada Para verificações com maior rapidez.) e não passar no diâmetro mínimo (Dmín. usa-se o calibrador chato ou calibrador de contato parcial. foram projetados eixo calibradores de bocas escalonadas ou de bocas progressivas. são utilizados dois calibradores de bocas separadas: um passa e o outro não-passa.). de e) Calibrador chato Para dimensões internas.

A dimensão máxima pode ser ajustada entre os dois pinos anteriores. f) Calibrador de bocas ajustável O calibrador de boca ajustável resolve o problema das indústrias médias e pequenas pela redução do investimento inicial na compra desses equipamentos. em forma de ferradura. usa-se o calibrador escalonado representado abaixo. que são hastes metálicas com as pontas em forma de calota esférica. O calibrador ajustável para eixo tem dois ou quatro parafusos de fixação e pinos de aço temperado e retificado. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 62 .Para dimensões internas entre 100 e 260 mm. É confeccionado de ferro fundido. enquanto a dimensão mínima é ajustada entre os dois pinos posteriores. Para dimensões acima de 260 mm. usa-se o calibrador tipo vareta. Esse calibrador normalmente é ajustado com auxílio de blocos-padrão.

o movimento é nulo. podendo ser macho ou fêmea. O outro calibrador da figura é o modelo comum do tampão de rosca. verifica-se o diâmetro pela posição de penetração do calibrador. para a verificação da rosca externa. tenta-se uma movimentação transversal do padrão. h) Calibrador cônico morse O calibrador cônico morse possibilita ajustes com aperto enérgico entre peças que serão Sua montadas conicidade ou é desmontadas com freqüência. sendo que um lado passa e o outro não passa. servindo a verificação de rosca interna. Esse método é muito sensível na calibração de pequenas inclinações. e retificadas.g) Calibrador tampão e anéis cônicos As duas peças de um conjunto cônico podem ser verificadas por meio de um calibrador tampão cônico e de um anel cônico. Para a verificação simples do cone. Quando o cone é exato. O calibrador de rosca da figura a seguir é um tipo usual de calibrador de anel. obedecendo a dimensões temperadas econdições de execução para cada tipo de rosca. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 63 . procede-se à verificação por atrito. depois de ter estendido sobre a superfície do cone padrão uma camada muito fina de corante. Em seguida. Por fim. i) Calibrador de rosca Um processo usual e rápido de verificar roscas consiste no uso dos calibradores de rosca. composto por dois anéis. padronizada. São peças de aço. que deixará traços nas partes em contato.

Esses calibradores são ajustados às dimensões máxima e mínima do diâmetro médio dos flancos.A extremidade de rosca mais longa do calibrador tampão verifica o limite mínimo: ela deve penetrar suavemente. Os roletes cilíndricos podem ter roscas ou sulcos circulares. As vantagens sobre o calibrador de anéis são: verificação mais rápida. pois os roletes giram. Dizse lado passa. as seguintes recomendações valem para todos os tipos: • • • Evitar choques e quedas. uso de um só calibrador para vários diâmetros. j) Calibrador regulável de rosca O calibrador de boca de roletes é geralmente de boca progressiva. o que torna a operação muito rápida. Guardar em estojo e em local apropriado. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 64 . Limpar e passar um pouco de óleo fino. desgaste menor. na rosca interna da peça que está sendo verificada. verifica o limite máximo. sem ser forçada. Em relação à conservação dos calibradores. cujo perfil e passo são iguais aos do parafuso que se vai verificar. não só porque é desnecessário virar o calibrador. A extremidade de rosca mais curta. como porque o calibrador não se aparafusa à peça. após o uso. O calibrador em forma de ferradura pode ter quatro roletes cilíndricos ou quatro segmentos de cilindro. regulagem exata. não-passa.

os verificadores também são usados para medição indireta por comparação com a grandeza a medir. colocase a régua com o fio retificado em contato suave sobre essa superfície. Para verificar a planeza de uma superfície. Repete-se essa operação em diversas posições. Os principais tipos são: • Régua de fio Construída de aço-carbono. com canais côncavos no centro e em todo o comprimento de cada face temperada. Apresentam diversas formas e tamanhos. em forma de faca (biselada). a) Réguas de controle Réguas de controle são instrumentos para a verificação de superfícies planas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 65 .4. onde não se pode utilizar a biselada. construídas de aço. retificada e com fios arredondados. É utilizada na verificação de superfícies planas. É utilizada na verificação de superfícies planas. verificando se há passagem de luz. temperada e retificada.3. ferro fundido ou de granito. em forma de triângulo. com o fio ligeiramente arredondado. § Régua triangular Construída de aço-carbono.2 Verificadores Assim como os calibradores. Vejamos alguns dos principais verificadores.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 66 . É o caso. utiliza-se negro de fumo. Para peças de aço. Possui duas faces lapidadas. sem pressioná-la. por exemplo.§ Régua de superfície plana Confeccionada de ferro fundido. coloca-se uma substância sobre a face que entrará em contato com a superfície. Sempre que for possível. é usada para determinar as partes altas de superfícies planas que vão ser rasqueteadas. é utilizada na verificação do alinhamento ou retilineidade de máquinas ou dispositivos. Pode ter ângulo de 45º ou de 60º. § Régua paralela plana Confeccionada de granito negro ou cerâmica. No caso de peças de ferro fundido. Na utilização das de réguas de controle de faces retificadas ou rasqueteadas. As dimensões das réguas encontradas no comércio estão indicadas nos catálogos dos fabricantes. das superfícies de barramento de torno. Ao deslizá-la em vários sentidos. usa-se uma camada de zarcão ou azul da prússia. § Régua triangular plana Feita de ferro fundido. é utilizada para verificar a planeza de duas superfícies em ângulo agudo ou o empenamento do bloco do motor. a tinta indicará os pontos altos da superfície. a régua deve ter um comprimento maior que o da superfície que será verificada.

construído de aço.Para a conservação das réguas. ou granito. § Esquadro de base com lâmina lisa. Guardar a régua de controle em estojo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 67 . Usa-se para verificação de superfícies em ângulo de 90º. deve-se observar os seguintes cuidados: § § § § § § Não pressionar nem atritar a régua de fios retificados contra a superfície. utilizado também para traçar. limpálas com pedra-pomes e óleo. Evitar choques. limpá-la e lubrificá-la adequadamente (a régua de granito não deve ser lubrificada). Em caso de oxidação (ferrugem) nas superfícies da régua de aço ou ferro fundido. Não manter a régua de controle em contato com outros instrumentos. Após o uso. Possuem vários tipos e são classificados quanto à forma e ao tamanho. b) Esquadros de precisão O esquadro é um instrumento em forma de ângulo reto. Não usar lixa.

em virtude da pequena superfície de contato. § Esquadro cilíndrico e coluna-padrão É um esquadro de forma cilíndrica. O cilindro-padrão tem sua base rigorosamente perpendicular a qualquer geratriz da sua superfície cilíndrica. utilizado para se obter melhor visualização. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 68 . Usa-se para verificação de superfícies em ângulo de 90º. A próxima figura à direita indica o modo de se fazer a verificação.§ Esquadro com lâmina biselada. Também a coluna-padrão possui as duas bases rigorosamente perpendiculares a qualquer dos quatro planos estreitos talhados nas suas arestas longitudinais e cuidadosamente retificados. fabricado de aço-carbono temperado e retificado. quando a face de referência é suficientemente ampla para oferecer bom apoio.

Os gabaritos são instrumentos relativamente simples. Temos. § Verificador de raio Serve para verificar raios internos e externos. Suas dimensões variam. de com se lidar com perfis e furações. Suas formas. Em cada lâmina é estampada a medida do raio. escantilhões para rosca métrica e whithworth etc. confeccionados de aço-carbono. de ângulo fixo para ferramentas de corte. suportes Nesse utilizam-se gabaritos para verificação e controle. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 69 . caso. de 1 a 15 mm ou de 1/32” a ½” . que varia de 1º a 45º. assim. geralmente. tipos e tamanhos variam de acordo com o trabalho a ser realizado. podendo ser fabricado pelo próprio mecânico. verificadores de raios. ou para facilitar certas operações. montagens. § Verificador de ângulos Usa-se para verificar superfícies em ângulos.c) Gabaritos Em determinados trabalhos em série. há necessidade complexos. Em cada lâmina vem gravado o ângulo. Os gabaritos comerciais são encontrados em formatos padronizados.

As lâminas são móveis e podem ser trocadas. os verificadores de folga se apresentam em forma de canivete. utilizam-se calibradores de folga em rolos. São usadas para medir folgas nos mecanismos ou conjuntos. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 70 . Em ferramentaria. § Verificador de rosca Usa-se para verificar roscas em todos os sistemas. § Verificador de ângulo de broca Serve para a verificação do ângulo de 59º e para a medição da aresta de corte de brocas. No uso não se deve exercer esforço excessivo. rigorosamente calibradas em diversas espessuras. o que pode danificar suas lâminas. § Verificador de folga O verificador de folga é confeccionado de lâminas de aço temperado. entretanto. De modo geral. Em suas lâminas está gravado o número de fios por polegada ou o passo da rosca em milímetros.§ Escantilhões whithworth para roscas métrica e Servem para verificar e posicionar ferramentas para roscar em torno mecânico.

Cada entalhe corresponde. conforme a fieira adotada. procurando o entalhe que se ajusta ao fio ou à chapa que se quer verificar. o instrumento foi evoluindo ao longo do tempo e hoje o paquímetro é um instrumento usado para medir as dimensões lineares internas. destina-se à verificação de espessuras e diâmetros. Foi então que um Português chamado Pedro Nunes utilizou um princípio matemático descoberto pelo Francês Pierre Vernier anos antes e criou o mais popular instrumento de medição utilizado na área de mecânica: o paquímetro. e os instrumentos simples já não mais atendiam as necessidades.4 Paquímetros Com o desenvolvimento tecnológico na produção mecânica. externas e de profundidade de uma Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 71 . Caracterizam-se por uma série de entalhes.Os dois modelos a seguir são de aço temperado. ou verificador de chapas e fios.§ Fieira A fieira. Desde então. 4. a uma medida de diâmetro de fios ou espessuras de chapas. A verificação é feita por tentativas. a precisão dimensional com que as peças eram fabricadas foi ficando cada vez mais exigente. rigorosamente.

02 mm. Consiste em uma régua graduada. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 72 .peça. 1/128” ou 0. com um mínimo de folga. sobre a qual desliza um cursor. O cursor ajusta-se à régua e permite sua livre movimentação. chamada nônio ou vernier. A figura a seguir ilustra as partes de um paquímetro. O paquímetro é usado quando a quantidade de peças que se quer medir é pequena. e o instrumento geralmente é feito de aço inoxidável. 0. com encosto fixo.05 mm. Suas graduações são calibradas a 20ºC. Essa escala permite a leitura de frações da menor divisão da escala fixa. Ele é dotado de uma escala auxiliar. Os instrumentos mais utilizados apresentam uma resolução de: 0.001" As superfícies do paquímetro são planas e polidas.

que recebe esse nome devido à diversidade de medições que é capaz de fazer. • No paquímetro com relógio.4. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 73 .1 Tipos e usos O tipo mais usado é o paquímetro universal. É utilizado em medições internas. externas. agilizando a medição. Para algumas aplicações específicas existem tipos de paquímetros com algumas diferenciações que os tornam mais aptos para essas tarefas de medição. como mostra a figura a seguir. de profundidade e de ressaltos. o relógio acoplado ao cursor facilita a leitura.4.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 74 . rebaixos etc.• O Paquímetro com bico móvel (basculante) é empregado para medir peças cônicas ou peças com rebaixos de diâmetros diferentes. • O Paquímetro de profundidade serve para medir a profundidade de furos não vazados. • O Paquímetro duplo Serve para medir dentes de engrenagens. rasgos. Esse tipo de paquímetro pode apresentar haste simples ou haste com gancho.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 75 . é conhecido como o princípio do nônio. o nônio possui uma divisão menor do que a usada na escala fixa. livre de erro de paralaxe. que apresenta a escala fixa com cursor na vertical. 4.4. utilizado em muitos instrumentos e máquinas. e ideal para controle estatístico da produção. Esse princípio de medição. em homenagem ao português Pedro Nunes e ao francês Pierre Vernier. no controle dimensional. A escala do cursor é chamada de nônio ou vernier. É empregado na traçagem de peças. considerados seus inventores.• O Paquímetro digital é utilizado para leitura rápida. com auxílio de acessórios. Como pode ser visto na figura abaixo. • Um outro instrumento que utiliza o mesmo princípio de funcionamento do paquímetro é o traçador de altura.2 O Princípio do Nônio O paquímetro consegue “enxergar” tamanhos bem pequenos graças à comparação entre as suas escalas de medição com divisões diferentes. para facilitar o processo de fabricação e.

No sistema métrico, existem paquímetros em que o nônio possui dez divisões equivalentes a nove milímetros (9 mm). Há, portanto, uma diferença de 0,1 mm entre o primeiro traço (após o zero) da escala fixa e o primeiro traço (após o zero) da escala móvel. Se fazemos coincidir esses traços, significa que o paquímetro está aberto em 0,1 mm, como mostra a figura abaixo.

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Essa diferença é de 0,2 mm entre o segundo traço de cada escala; de 0,3 mm entre os terceiros traços e assim por diante.

4.4.3 Cálculo da resolução

Como já sabemos, a resolução é a menor leitura que um instrumento oferece. Nos paquímetros e em todos os instrumentos que utilizem o princípio do nônio, ela é calculada utilizando a seguinte fórmula:

Resolução

=

Divisão da escala principal Número de divisões do Nônio

Exemplos:

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4.4.4 Paquímetro no sistema métrico
Como você deve ter percebido, os paquímetros possuem duas escalas colocadas na parte fixa e duas escalas colocadas na parte móvel. A escala inferior do paquímetro está em mm e a superior em polegadas. Essa característica construtiva torna o paquímetro ainda mais versátil, visto que se pode utilizá-lo para medidas no sistema métrico e também medidas no sistema inglês, ambas necessárias para muitas aplicações em mecânica. Vamos aprender como se faz a leitura em ambas as escalas começando pelo paquímetro no sistema métrico, embora a seqüência de medição deva ser a mesma adotada em qualquer instrumento que possua um nônio.

Temos

o

desafio

de

fazer

a

leitura

do

paquímetro ao lado.

1o Passo: Calcular a resolução do paquímetro Como observado, esse paquímetro possui uma divisão na escala principal de 1mm, e 10 divisões no nônio. Portanto, aplicando a fórmula simples, temos que:

Resolução

=

Divisão da escala principal Número de divisões do Nônio

=

1 10

=

0,1mm

A resolução indica o quanto vale cada traço do nônio.

2o Passo: Identificar, na escala principal, o último valor ultrapassado pelo “zero” do nônio Observando a figura ao lado, identificamos rapidamente que esse valor é de 103 mm

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pelo cálculo da resolução. aquele traço que está coincidente e alinhado com a algum traço da escala principal Observe novamente a figura do paquímetro e perceba que essa coincidência ocorre no “5” do nônio.5 mm que é a leitura obtida do nônio. essas atividades são realizadas de forma muito rápida e quase automaticamente.1 mm. 4o Passo: Somar a leitura da escala principal com a leitura do nônio Fazendo isso temos: À medida que praticamos com o paquímetro. Sabendo. Sempre que nos depararmos com um paquímetro com qualquer escala que seja.3o Passo: Identificar no nônio. que cada traço do nônio representa 0. Faça os exercícios abaixo para verificar se você entendeu bem o que foi passado acima. seguindo essa seqüência conseguiremos desvendar a forma de fazer a leitura. temos então 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 79 .

e que são utilizados na maior parte dos casos.Agora que você já entendeu o princípio de leitura de um paquímetro com resolução de 0. Esses paquímetros possuem mais divisões no nônio e. • Vamos a eles: a) Paquímetro com 20 divisões no nônio Aplique o mesmo raciocínio utilizado no exemplo anterior e procure entender a medida a seguir. vamos entender e praticar a leitura de paquímetros que conseguem “enxergar” comprimentos menores. conseguem dividir o mm da escala principal em partes menores. • Pratique agora esse conceito nos exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 80 .1 mm. por isso.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 81 .

realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo. COTA A B C D E F G H I RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 82 .05 mm.• Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 0.

COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 83 .

Agora são 50 divisões no nônio e o desafio de identificar o traço que está coincidente aumenta. Aplique o mesmo raciocínio utilizado no exemplo anterior e procure entender a medida abaixo. • Pratique esse conceito nos exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 84 .b) Paquímetro com 50 divisões no nônio Estamos diante agora do paquímetro mecânico com menor resolução no sistema métrico.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 85 .

• Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 0.02 mm. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 86 . realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.

a seguir. cada divisão corresponde a: Divisão = 1 40 = 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 87 . a resolução desse paquímetro é: Resolução = 0. Portanto. Vejamos como fazer a leitura em cada um deles: a) Paquímetro com leitura em polegada milesimal No paquímetro com leitura em polegada milesimal.001" 25 O procedimento para leitura é o mesmo que para a escala em milímetro. Contam-se as unidades .025" na escala principal que estão à esquerda do zero (0) do nônio e.025" Como o nônio tem 25 divisões.4.5 Paquímetro no sistema inglês No sistema inglês existem paquímetros em que a polegada está em forma de fração (polegada fracionária) e paquímetros em que a polegada está em forma decimal (polegada milesimal). Observe a figura abaixo e procure entender.025 = 0. somam-se os milésimos de polegada indicados pelo ponto em que um dos traços do nônio coincide com o traço da escala principal.4. cada polegada da escala fixa divide-se em 40 partes iguais.

• Pratique esse conceito nos exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 88 .

Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 0.001”. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 89 . realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.

cada polegada da escala principal está dividida em 16 partes.b) Paquímetro com polegada fracionária Nesse paquímetro. Observe a figura abaixo e procure entender. Contam-se as unidades 1/16" na escala principal que estão à esquerda do zero (0) do nônio e. a resolução desse paquímetro é: Resolução = 1 16 8 = 1 1 1 " ⋅ = 16 8 128 O procedimento para leitura é o mesmo que para a escala em milímetro. a seguir. resultando em uma menor divisão da escala principal de: Divisão = 1 " 16 Como o nônio tem 8 divisões. sempre á fração deve ser simplificada tantas vezes até que o numerador seja um número ímpar. Deve-se lembrar que. somam-se com os 1/128” indicados pelo ponto em que um dos traços do nônio coincide com o traço da escala principal. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 90 .

• Pratique esse conceito nos exercícios a seguir Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 91 .

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 92 .

• Práticas de Medição Com o paquímetro de resolução 1/128”. realize as m edições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I J RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 93 .

é necessário conhecer os erros e como fazer para evitá-los. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 94 . Portanto. conhecido como paralaxe.4.6 Evitando erros de medição Como foi explicado ao longo de toda a apostila.4. Temos que empregar métodos de medição corretos que assegurem uma boa confiabilidade nesse número. A figura abaixo ilustra o erro de paralaxe. vai acontecer sempre que o operador se descuidar e olhar o nônio numa direção que não seja perpendicular. que é mais comum nos paquímetros que possuem grande número de divisões no nônio. o operador possui grande influência no resultado da medição. Esse erro. podendo cometer erros ao menor descuido. não basta saber tirar um número de um instrumento. evitando erros como: a) Paralaxe Sendo o paquímetro um instrumento de operação manual. Um erro muito comum no paquímetro ocorre no momento de fazer a leitura da coincidência no nônio.

No paquímetro o erro de pressão de medição origina-se no jogo do cursor. retornando 1/8 de volta aproximadamente. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 95 . O operador deve. adaptando o instrumento à sua mão. os parafusos de regulagem da mola devem ser ajustados. Caso exista uma folga anormal. o movimento do cursor deve ser suave. o que altera a medida. Para se deslocar com facilidade sobre a régua.b) Força de medição A força de medição empregada no paquímetro deve ser suficiente para manter um bom contato com a peça e expulsar pequenas impurezas no contato da medição. porém sem folga. Após esse ajuste. em seguida. portanto. Se o operador faz uma força excessiva durante a medição haverá erros de medição por causa da deformação da peça e do paquímetro. girando-os até encostar-se ao fundo e. o cursor deve estar bem regulado: nem muito preso. Pode ocorrer uma inclinação do cursor em relação à régua. nem muito solto. regular a mola. controlado por uma mola.

4.4.7 Utilizando corretamente o paquímetro
Para ser usado corretamente, o paquímetro precisa ter, antes de tudo:
• •

Suas faces de medição limpas; A peça a ser medida deve estar posicionada corretamente entre os encostos.

Para evitar atrito e arranhões nas faces de medição, é importante abrir o paquímetro com uma distância maior que a dimensão do objeto a ser medido. Após isso, o centro da face fixa deve ser encostado em uma das extremidades da peça e o paquímetro é fechado suavemente até que a face móvel toque a outra extremidade.

Feita a leitura da medida, o paquímetro deve ser aberto e a peça retirada, sem atritar com as faces do paquímetro. Nas medidas externas, a peça a ser medida deve ser colocada o mais profundamente possível entre os bicos de medição para evitar qualquer desgaste na ponta dos bicos e para evitar a deformação dos bicos que provoquem erros de medição.

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As superfícies de medição dos bicos e da peça devem estar bem apoiadas para evitar erros por

mau contato da peça com o paquímetro.

Nas medidas internas, as orelhas precisam ser colocadas o mais profundamente possível. O paquímetro deve estar sempre paralelo à peça que está sendo medida.

Para maior segurança nas medições de diâmetros internos, as superfícies de medição das orelhas devem coincidir com a linha de centro do furo. Toma-se, então, a máxima leitura para diâmetros internos e a mínima leitura para faces planas internas.

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No caso de medidas de profundidade, apóia-se o paquímetro corretamente sobre a peça, evitando que ele fique inclinado.

Nas medidas de ressaltos, coloca-se a parte do paquímetro apropriada para ressaltos perpendicularmente à superfície de referência da peça. Não se deve usar a haste de profundidade para esse tipo de medição, porque ela não permite um apoio firme.

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4. um instrumento de medição é um equipamento construído com grande precisão. com maiores custos para a empresa. com perda de qualidade de produtos e serviços. Essas recomendações valem para qualquer instrumento de medição. Proibido usar em outra atividade que não seja a de medir (riscar. materiais especiais e sob um critério técnico bastante rigoroso. Não expor a temperaturas elevadas. Limpar após o uso e guardar em local apropriado. .8 Cuidados com a conservação dos paquímetros Devido à sua grande responsabilidade. preste bem atenção às recomendações abaixo e ponha em prática no seu dia a dia como profissional de mecânica. Disso resulta o instrumento ser muito mais caro do que uma ferramenta. Muito cuidado com choques e quedas. por exemplo. no torno. Portanto. por exemplo. provocando um prejuízo duplo para a empresa: Instrumentos mal conservados têm prejudicado a sua exatidão e cometem erros de medição bem maiores.. Não aplicar força de medição excessiva. apertar. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 99 .). A reposição ou manutenção dos instrumentos terá que ser feita em tempos menores.4. A nossa responsabilidade pela sua conservação deve estar à altura dessa sofisticação dos instrumentos. Não atritar as faces de medição com a peça a medir. Jamais medir peças que estejam em movimento. • • • • • • • • • Não guardar instrumentos misturados como ferramentas. Cuidado com riscos nas réguas fixa e móvel.. Instrumentos mal conservados se degradam rapidamente. bater.

se der uma volta completa.5 Micrômetros À medida que a indústria mecânica foi aperfeiçoando os seus métodos de trabalho e suas máquinas. o instrumento é conhecido como micrômetro. entretanto. de maneira simples. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 100 . o micrômetro foi aperfeiçoado e possibilitou medições mais rigorosas e exatas do que o paquímetro. desse ponto em diante. e é largamente utilizado em operações de medição de peças onde a exigência de exatidão é bastante alta. O micrômetro é um desses instrumentos. provocará um descolamento igual ao seu passo. Na França. a precisão dimensional das peças foi ficando cada vez mais apertada. De modo geral. o micrômetro é denominado palmer. Com o decorrer do tempo. em homenagem ao seu inventor. será necessário empregar instrumentos de maior exatidão. quando Jean Louis Palmer apresentou.4. pela primeira vez. O princípio de funcionamento do micrômetro assemelha-se ao do sistema parafuso e porca. Assim. A sua origem é do século 17 na França. há uma porca fixa e um parafuso móvel que. Para muitas aplicações o paquímetro é um excelente instrumento mas a partir de um certo nível de precisão dimensional ele não atende mais as exigências e. O instrumento permitia a leitura de centésimos de milímetro. o que exigia instrumentos de medição com resolução e incerteza compatíveis. um micrômetro para requerer sua patente.

mostra-se na forma indicada na figura seguinte. medir comprimentos menores do que o passo do parafuso. pode-se avaliar frações menores que uma volta e. onde se podem visualizar os seus componentes.Desse modo. dividindo-se a cabeça do parafuso. Micrômetro convencional para medidas externas Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 101 . com isso. Esse princípio foi utilizado na concepção do micrômetro que. atualmente.

O fuso micrométrico é construído de aço especial temperado e retificado para garantir exatidão do passo da rosca. a borda do tambor coincide com o traço zero (0) da bainha.Os principais componentes possuem as seguintes características e funções: • • O arco é constituído de aço especial ou fundido. A resolução nos micrômetros pode ser de 0. A linha longitudinal. Em alguns instrumentos. Podem chegar a 2000 mm (ou 80"). Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 102 . O isolante térmico. quando isso é necessário. A figura abaixo ilustra essa situação. Ele gira ligado ao fuso micrométrico. Portanto. O tambor é onde se localiza a escala centesimal. fixado ao arco. apresentam-se rigorosamente planos e paralelos. No micrômetro de 0 a 25 mm ou de 0 a 1". A trava permite imobilizar o fuso numa medida predeterminada. • • • • • • A faixa de medição dos micrômetros é de 25 mm ou 1”. a cada volta. Variando o tamanho do arco de 25 em 25 mm (ou 1 em 1"). .001" ou . A catraca ou fricção assegura uma pressão de medição constante. tratado termicamente para eliminar as tensões internas. coincide com o zero (0) da escala do tambor.01 mm.001 mm. os contatos são de metal duro. gravada na bainha. quando as faces dos contatos estão juntas. de alta resistência ao desgaste. evita sua dilatação porque isola a transmissão de calor das mãos para o instrumento. As faces de medição tocam a peça a ser medida e. para isso. evitando erros de medição e problemas na rosca do fuso. A porca de ajuste permite o ajuste da folga do fuso micrométrico. seu deslocamento é igual ao passo do fuso micrométrico. 0.0001".

utilizam-se hastes de extensão. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 103 . existem micrômetros construídos especificamente para essas funções.1 Tipos e aplicações O micrômetro convencional possui a capacidade de medir somente dimensões externas. Medição de dimensão externa Alguns dos mais utilizados são: Micrômetro de profundidade Conforme a profundidade a ser medida. como mostra a figura abaixo. Para aplicações especiais como medidas internas. Micrômetro com arco profundo Serve para medições de espessuras de bordas ou de partes salientes das peças.5.4. de profundidade e outras. que são fornecidas juntamente com o micrômetro.

Os ângulos em V dos micrômetros para medição de ferramentas de 3 cortes é de 60º. de pano papel. 128º34™17". Micrômetro com contato em forma de V É especialmente construído para medição de ferramentas de corte que possuem número ímpar de cortes (fresas de topo. Micrômetro para medição de roscas Especialmente construído para medir roscas triangulares. este micrômetro possui as hastes furadas para que se possa encaixar as pontas intercambiáveis. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 104 . 5 cortes. etc. couro. Também é empregado para medir dentes de engrenagens. alargadores etc. a medição borracha.Micrômetro com disco nas hastes O disco aumenta a área de contato possibilitando cartolina. macho.). conforme o passo para o tipo da rosca a medir. 108º e 7 cortes.

o que permite a introdução do contato fixo no furo do tubo. devido à forma e à disposição de suas pontas de contato. o micrômetro tubular atende quase que somente a casos especiais. permitindo leitura rápida e direta. que formam.Micrômetro Para medir parede de tubos Este micrômetro é dotado de arco especial e possui o contato a 90º com a haste móvel. um ângulo de 120º. principalmente as grandes dimensões. Devido ao uso em grande escala do micrômetro interno de três contatos pela sua versatilidade. Micrômetro Interno tubular É empregado para medições internas acima de 30 mm. Sua característica principal é a de ser autocentrante. entre si. É usado exclusivamente para realizar medidas em superfícies cilíndricas internas. Micrômetro Interno com 3 contatos Este micrômetro possui 3 contatos que se movem radialmente até tocarem nas paredes do furo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 105 . como mostrado na figura a seguir.

micrômetros para medidas externas que foram modificados para tornar mais fácil a leitura e para possibilitar a conexão com equipamentos eletrônicos. A leitura em todos eles é muito semelhante e também simples.002 mm e 0.01 mm O primeiro passo para medir com esse micrômetro é calcular a sua resolução.001 mm. sendo mais comum encontrar os micrômetros de 0. que é determinada pela seguinte equação: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 106 . Exemplos desses são o micrômetro com contador mecânico e o micrômetro digital. Existem ainda. 0.01 mm.Micrômetro Interno Tipo Paquímerto É empregado para medições acima de 5 mm e.2 Micrômetros no sistema métrico Os micrômetros no sistema métrico possuem resoluções de 0.01 mm.001 mm. 4. Vamos começar pelo micrômetro de 0. a partir daí.5.01 mm e 0. a) Micrômetro de resolução 0. varia de 25 em 25 mm.

teremos: Resolução = 0. deve-se seguir a seguinte seqüência: • • • 1º passo .leitura dos milímetros inteiros na escala da bainha.leitura dos meios milímetros. 2º passo .Resolução = Passo da rosca micrométri ca Número de divisões do Tambor Em um micrômetro que possua o passo da rosca de 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 107 . também na escala da bainha.5 mm e 50 divisões no tambor. Para a leitura.01 mm.01 mm 50 Dessa forma.leitura dos centésimos de milímetro na escala do tambor. girando-se o tambor.5 = 0. Observe esses exemplos e procure entender essa seqüência para a leitura desse micrômetro de resolução 0.01 mm. cada divisão representa um deslocamento do fuso de 0. 3º passo .

Verifique seu entendimento fazendo o exercício abaixo:

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108

Agora pratique esses conceitos nesses exercícios:

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109

b) Micrômetro de resolução 0,001 mm Quando houver nônio no micrômetro, ele indica o valor a ser acrescentado à leitura obtida na bainha e no tambor. A medida indicada pelo nônio é igual à leitura do tambor, dividida pelo número de divisões do nônio. Se um micrômetro de 0,01 mm tiver dez divisões marcadas na bainha, sua resolução será:

Resolução

=

0,01 = 0,001 mm 10

A Leitura no micrômetro com resolução de 0,001 mm ocorre, então, segundo os seguintes passos:
• • • •

1º passo - leitura dos milímetros inteiros na escala da bainha. 2º passo - leitura dos meios milímetros na mesma escala. 3º passo - leitura dos centésimos na escala do tambor. 4º passo - leitura dos milésimos com o auxílio do nônio da bainha, verificando qual dos traços do nônio coincide com o traço do tambor.

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Verifique esses exemplos: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 111 .A leitura final será a soma dessas quatro leituras parciais.

Agora pratique esses conceitos nesses exercícios: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 112 .

01 e 0. COTA A B C D E F G H I J 0.• Práticas de Medição Com os micrômetros de resolução 0.001 mm Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 113 . realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.001 mm.01 mm 0.

001".001” O micrômetro de resolução 0.001” e 0. cada divisão equivale a 1" : 40 = 0. a) Micrômetro de resolução 0.001 mm 4. dividida em 40 partes iguais. possui 25 divisões.0001”.COTA A B C D E F G H I 0.001” apresenta as seguintes características: • Na bainha está gravado o comprimento de uma polegada.5.3 Micrômetros no sistema Inglês Os micrômetros no sistema inglês apresentam-se nas resoluções de 0. Desse modo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 114 .025" • O tambor do micrômetro. com resolução de 0.01 mm 0.

Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 115 . Depois.001". Veja a figura a seguir. lê-se primeiro a indicação da bainha.Para medir com o micrômetro de resolução 0. soma-se essa medida ao ponto de leitura do tambor que coincide com o traço de referência da bainha.

O tambor divide-se.001” Para a leitura no micrômetro de 0. em 250 partes iguais.Verifique o seu entendimento fazendo as leituras abaixo: b) Micrômetro de resolução 0.0001". então. há um nônio com dez divisões. além das graduações normais que existem na bainha (25 divisões). Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 116 .

Verifique o seu entendimento fazendo as leituras abaixo: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 117 .

Agora pratique a leitura desses dois micrômetros executando os exercícios a seguir: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 118 .

realize as medições das cotas indicadas nos desenhos das peças abaixo.• Práticas de Medição Com o micrômetro de resolução 0. COTA A B C D E F G H I J RESULTADO COTA A B C D E F G H I RESULTADO Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 119 .001”.

faça o ajuste movimentando a bainha com a chave de micrômetro. • • Antes do uso. esse ajuste do ponto inicial é o próprio ajuste de zero do instrumento. secando-o com um pano limpo e macio (flanela). porém com a utilização de hastes-padrão. de 2" a 3" etc. de acordo com a sua capacidade. Para isso precisamos tomar os seguintes cuidados: • Limpar cuidadosamente as partes móveis eliminando poeiras e sujeiras.. ou seja. • Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 120 . Se estas não coincidirem. são necessários alguns cuidados básicos na operação e conservação dos micrômetros. Para ajustar micrômetros de maior capacidade. que normalmente acompanha o instrumento.4. Para os micrômetros cuja capacidade é de 0 a 25 mm. deve-se ter o mesmo cuidado e utilizar os mesmos procedimentos para os micrômetros citados anteriormente.4 Cuidados com a operação e conservação dos Micrômetros Para que se possa medir com uma exatidão bastante boa com o micrômetro. utilizando um pincel. devem ser tomados os seguintes cuidados após o uso: • • • Limpar o micrômetro. para não deixá-lo exposto à sujeira e à umidade. Antes de iniciar a medição de uma peça. de 50 a 75 mm etc. de 25 a 50 mm. Para a sua conservação. Evitar contatos e quedas que possam riscar ou danificar o micrômetro e sua escala. Guardar o micrômetro em armário ou estojo apropriado. com pano macio e limpo. devemos verificar o ajuste do ponto de medição inicial do micrômetro. ou de 1" a 2". limpar as faces de medição usando somente uma folha de papel macio. Encostar suavemente as faces de medição usando apenas a catraca e verificar a coincidência das linhas de referência da bainha com o zero do tambor.5. ou de 0 a 1". Untar o micrômetro com vaselina líquida.

1 Tipos de relógio O relógio comparador é um instrumento de medição por comparação. a diferença será negativa. a diferença é positiva. a peça apresenta menor dimensão que a estabelecida. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 121 . 4.4. que é utilizada como referência. de dimensões conhecidas. Quando a ponta de contato sofre uma pressão e o ponteiro gira em sentido horário. Dimensão da peça = Dimensão do padrão ± diferença Também se pode tomar como padrão uma peça original. Para realizar essa medição de forma diferencial se utiliza largamente um instrumento conhecido como relógio comparador. ligados por mecanismos diversos a uma ponta de contato. Daí originou-se o termo medição diferencial.6 Relógios comparadores Medir a grandeza de uma peça por comparação é determinar a diferença da grandeza existente entre ela e um padrão de dimensão predeterminado. Isso significa que a peça apresenta maior dimensão que a estabelecida. O comparador centesimal é um instrumento comum de medição por comparação. Se o ponteiro girar em sentido anti-horário. ou seja. As diferenças percebidas nele pela ponta de contato são amplificadas mecanicamente e irão movimentar o ponteiro rotativo diante da escala.6. dotado de uma escala e um ponteiro.

E. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 122 .01 mm. além do ponteiro normal. a escala dos relógios se apresenta perpendicularmente em relação a ponta de contato (vertical). Sua finalidade é possibilitar controle em série de peças. outro menor. denominado contador de voltas do ponteiro principal. Em alguns modelos. As próximas figuras mostram esses dispositivos destinados à medição de profundidade e de espessuras de chapas. de profundidade. Alguns relógios trazem limitadores de tolerância. Existem ainda os acessórios especiais que se adaptam aos relógios comparadores. porém os mais comuns são de 1 mm. caso apresentem um curso que implique mais de uma volta. podendo ser ajustados nos valores máximo e mínimo permitidos para a peça que será medida. Os mais utilizados possuem resolução de 0.250" ou 1".Existem vários modelos de relógios comparadores. O curso do relógio também varia de acordo com o modelo. de espessuras de chapas etc. medições especiais de superfícies verticais. Esses limitadores são móveis. . os relógios comparadores possuem. 10 mm.

Uma das vantagens de seu emprego é a constatação. zeragem em qualquer ponto e com saída para mini-processadores estatísticos. rápida e em qualquer ponto. indicando instantaneamente a medida no display em milímetros. Esse dispositivo é conhecido como medidor interno com relógio comparador ou súbito e será visto em mais detalhes no próximo capítulo. O instrumento deve ser previamente calibrado em relação a uma medida padrão de referência. com conversão para polegada.Os relógios comparadores também podem ser utilizados para furos. Consiste basicamente num mecanismo que transforma o deslocamento radial de uma ponta de contato em movimento axial transmitido a um relógio comparador. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 123 . no qual pode-se obter a leitura da dimensão. como conicidade. ovalização. Existem ainda os relógios comparadores eletrônicos. da dimensão do diâmetro ou de defeitos. etc. Este relógio possibilita uma leitura rápida.

Nos comparadores mais utilizados. uma volta completa do ponteiro corresponde a um deslocamento de 1 mm da ponta de contato.6. que aciona um trem de engrenagens que. 4.A aplicação é semelhante à de um relógio comparador comum.01 mm. por sua vez. a) Amplificação por engrenagem Os instrumentos mais comuns para medição por comparação possuem sistema de amplificação por engrenagens.2 Mecanismo de amplificação Os sistemas mais usados nos mecanismos de amplificação são por engrenagem e por alavanca. Como o mostrador contém 100 divisões. aciona um ponteiro indicador no mostrador. As diferenças de grandeza que acionam o ponto de contato são amplificadas mecanicamente. cada divisão equivale a 0. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 124 . além das vantagens apresentadas acima. A ponta de contato move o fuso que possui uma cremalheira.

temos: Relação de Amplifica ção = Compriment o do ponteiro (a) Distância entre os cutelos (b) Durante a medição.002 mm por divisão. a haste que suporta o cutelo móvel desliza. cuja capacidade de medição é limitada pela pequena amplitude do sistema basculante.b) Amplificação por alavanca O princípio da alavanca aplica-se a aparelhos simples. mantido em contato com os dois cutelos pela mola de chamada. gira em frente à graduação. O ponteiro-alavanca. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 125 . A figura abaixo representa a montagem clássica de um aparelho com capacidade de ± 0. a despeito do esforço em contrário produzido pela mola de contato. Assim.06 mm e leitura de 0. chamados indicadores com alavancas.

6. tomam-se as diversas medidas nos blocos-padrão.4. deve-se observar se as medidas obtidas no relógio correspondem às dos blocos. Colocar o relógio sempre numa posição perpendicular em relação à peça. Vejamos algumas aplicações dos relógios comparadores: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 126 . São encontrados também calibradores específicos para relógios comparadores. devemos nos certificar de que o relógio se encontra em boas condições de uso.3 Utilização e Conservação Antes de medir uma peça. Os relógios podem ser destinados a várias operações de medição. A verificação de possíveis erros é feita da seguinte maneira: com o auxílio de um suporte de relógio. Em seguida. Antes de tocar na peça. ao iniciar uma medida. para não incorrer em erros de medida. deve-se dar uma pré-carga para o ajuste do zero. Assim. o ponteiro do relógio comparador fica em uma posição anterior a zero.

os seguintes cuidados devem ser observados durante o uso dos relógios comparadores: • • • • • • • Montá-lo rigidamente em seu suporte. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 127 .6. a qual seleciona a direção do movimento de medição ascendente ou descendente. Manter o relógio guardado no seu estojo. Levantar um pouco a ponta de contato ao retirar a peça.Quanto à conservação. arranhões e sujeira. Existem dois tipos de relógios apalpadores. 4. Evitar choques. Seu corpo monobloco possui três guias que facilitam a fixação em diversas posições. Um deles possui reversão automática do movimento da ponta de medição. Os relógios devem ser lubrificados internamente nos mancais das engrenagens. Verificar se o relógio é anti-magnético antes de colocá-lo em contato com a mesa magnética. Descer suavemente a ponta de contato sobre a peça. outro tem alavanca inversora.4 Relógio apalpador É um dos relógios mais versáteis que se usa na mecânica.

pode ser usado para grande variedade de aplicações.O mostrador é giratório com resolução de 0.0001". . O ponteiro pequeno indica o número de voltas que o ponteiro maior percorre durante a medição. multiplicado pelo deslocamento representado por cada volta. tanto na produção como na inspeção final. A resolução do relógio vem sempre indicada no seu mostrador.01 mm.6. Esse número de voltas. deve ser medido e anotado. Exemplos: . .Excentricidade de peças. um bem pequeno e um maior.Alinhamento e centragem de peças nas máquinas. 0.Medições internas. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 128 .Medições de detalhes de difícil acesso.5 Leitura nos relógios Na leitura de um relógio comparador existem dois ponteiros.001" ou 0. . . 4.002 mm.Paralelismos entre faces. 0. Por sua enorme versatilidade.

que pode ser positiva ou negativa.Essa medição se soma ao deslocamento do ponteiro maior.55 = 1. O resultado dessa soma é a leitura do relógio. em relação ao zero ou ponto de início da medição.01 mm Ponteiro menor: 1 volta = 100 x 0.55 mm Com base nesse exemplo faça a leitura nos relógios abaixo: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 129 .01 = 0.01 mm = 1 mm Ponteiro maior: 55 x 0. Observe esse exemplo: • • • • Resolução: 0.55 mm Leitura: 1 + 0.

Agora pratique seus conhecimentos nesses exercícios: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 130 .

por sua vez. onde se pode obter a leitura da sua dimensão. a ponta móvel ao se deslocar. daí sua potencialidade na verificação de circularidade (ovalização) e cilindricidade (conicidade). provoca a movimentação de um came que.4. O instrumento deve ser previamente ajustado em uma medida padrão de referência.7 Medidores internos com relógio Este instrumento foi desenvolvido para efetuar medições por comparação em diâmetros internos a diferentes profundidades. Ao ser introduzido o instrumento no furo. o relógio é zerado com a utilização de um padrão com a medida nominal a ser controlada. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 131 . Assim. os roletes posicionam as pontas na linha do diâmetro. ocasionando a movimentação de uma barra interna que está em contato com a ponta do relógio. transmite o movimento a 90o. Consiste basicamente de um mecanismo que transforma o deslocamento radial de uma ponta de contato em movimento axial transmitido a um relógio comparador. Uma vez selecionado o batente móvel.

Desta forma. uma pequena variação de posição da ponta móvel em relação ao padrão é observada no relógio. as pontas entram em contato com as paredes e pressionam um pino de medição que aciona o mecanismo do relógio para indicar o diâmetro do furo. Cabe ainda acrescentar que no relógio o movimento do ponteiro no sentido horário indica que a medida é menor do que o padrão. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 132 . a) Com sistema de pinças auto centrantes circulares: Nesse modelo. quando o instrumento é colocado dentro do furo. Para atender diversas necessidades. tanto dos setores da metrologia como de fabricação da indústria de mecânica de precisão. foram desenvolvidos diferentes tipos de comparadores para diâmetros internos. Existem basicamente dois tipos de medidores internos com relógio.

São utilizados para a medição de pequenos diâmetros, entre 1 mm e 18 mm.

b) Com sistema de 3 apoios e ponta apalpadora Esse modelo é utilizado para a medição de diâmetros internos, e para medir os erros de circularidade e cilindricidade. A circularidade está relacionada à ovalização do furo e a cilindricidade está relacionada principalmente à conicidade do furo. Possui 3 apoios fixos e o medidor que se apóiam nas paredes do furo para determinar o seu diâmetro por comparação com um anel padrão.

Nas operações de retífica de motores são realizadas operações de desbaste dentro dos cilindros do bloco do motor, para deixar o cilindro com um acabamento adequado e dentro de medidas precisas. Esse medidor, conhecido como súbito é utilizado para essas medições.

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Na operação do súbito, deve-se tomar todo o cuidado para alinhar o medidor com o eixo do cilindro a medir, caso contrário surgirão erros de medição, como mostra a figura abaixo. Para assegurar uma posição de medição correta deve-se buscar a m enor leitura do relógio, que corresponde ao diâmetro do furo.

4.7.1 Procedimentos de uso do comparador
Para uma medição eficiente e confiável, vários cuidados devem ser observados na medição interna utilizando os medidores com relógio.

a) Seleção do comparador mais adequado

b) Limpar o comparador e a peça a medir com um pano limpo

c) Ajustar a profundidade de montagem do relógio

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d) Selecionar os componentes necessários para montar o comparador de diâmetros internos

e) Colocar o comparador de diâmetros internos no ponto zero de referência através de um dos métodos: - Usando anéis padrão - Usando um micrômetro ajustado com bloco-padrão

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- Usando um micrômetro - Usando blocos-padrão montados com acessórios especiais f) Observar o sentido de movimento do ponteiro do relógio .Movimento no sentido horário indica que o diâmetro interno está maior .Movimento no sentido anti-horário indica diâmetro menor Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 136 .

Com a redução dos preços das máquinas e a intensa busca por qualidade. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 137 . notadamente na indústria automotiva. e todos os demais setores do fluxo produtivo têm sido chamados a acompanhar este desenvolvimento.4. por exemplo. grandes empresas como a Embraco. Mercedes-Benz. No Brasil. Com a automação e a rapidez da fabricação. levando à conclusão de que as Máquinas de Medição por Coordenadas são cada vez mais necessárias neste ambiente de consumidores exigentes e de empresas tentando alcançar a excelência naquilo que produzem. o baixo nível de incertezas. Sua flexibilidade. as atividades de medição também tiveram que se adaptar a essa velocidade e se automatizarem. alta velocidade de medição. além de serem muito mais precisas. muitas empresas pequenas e médias têm optado por este sistema com significativo sucesso.8 Medição tridimensional A intensa automatização que se deu na produção nos últimos 30 anos levou a fabricação para patamares crescentes de desenvolvimento. geometricamente complexas e variadas. Nesse panorama as operações de medição manuais perderam espaço para sistemas de medição automatizados e a máquina de medir por coordenadas foi o principal desses equipamentos a surgir nos últimos anos. além da grande aplicabilidade (são muito poucas as dimensões inviáveis de serem medidas por uma MMC) têm motivado a sua utilização para controle de qualidade de muitos componentes. Volkswagen e outras há bastante tempo têm usado as MMC em seus sistemas de manufatura. As peças hoje são fabricadas com uma velocidade muito maior do que antes. A evolução no design e a grande diversidade dos automóveis atuais é um exemplo claro desse desenvolvimento.

podemos medir as dimensões utilizando a posição desses pontos. e do processamento matemático destes pontos.YA Altura = ZD . Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 138 . cuja posição no espaço seja conhecida em relação a uma referência fixa.1 Princípio de medição A geometria de qualquer peça pode ser definida através de pontos característicos.X E Como observamos através desse exemplo. Localizando os pontos A.8. Admitindo que a peça está alinhada com os eixos do sistema de coordenadas cartesiano (X.ZC profundidade = X F . para visualizarmos melhor este princípio. D.4. E e F. observemos a peça mostrada na figura abaixo. Y e Z). B. podemos determinar suas 3 dimensões se pudermos localizar a posição de pontos estratégicos sobre as faces do paralelepípedo. Nesta definição está baseado todo o princípio de medição por coordenadas e. Comprimento = YB . na medição por coordenadas as dimensões de uma peça são determinadas através da coleta de pontos referenciados a um sistema de coordenadas. C.

Na figura a seguir pode ser vista uma MMC básica com alguns de seus componentes. determinar a posição espacial destes pontos e fazer o processamento matemático para medir qualquer elemento geométrico: Círculos Planos Cilindros Cones Esferas Rasgos Pontos Superfícies Perfis Elipses Distâncias Ângulos Curvaturas etc. O processamento matemático destas coordenadas irá fornecer as dimensões da peça. Para isso. Este elemento localizador que iremos chamar de apalpador irá tocar na peça em determinados pontos e as escalas determinam as coordenadas especiais de cada ponto. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 139 . a máquina de medição possui sistemas de medição de deslocamento (escalas) das que determinam a posição que um elemento localizador ocupa dentro do espaço de trabalho da máquina. pois.A função da Máquina de Medição é.

- Investigação de problemas em peças e processos Na etapa de desenvolvimento dos veículos e autopeças. Sua grande flexibilidade permite medir e digitalizar qualquer formato geométrico e. na indústria automobilística tem sido largamente utilizado em aplicações como: Controle de qualidade de peças seriadas Para verificar a qualidade dimensional de autopeças e dos veículos e assim manter os processos de produção ajustados para produzir dentro das especificações dimensionais. além de evitar que maus produtos sigam adiante no processo produtivo. Análise de desgaste em um came de eixo de comando de válvulas Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 140 . para analisar desgastes após um teste e em outras situações em que sejam necessárias verificar a dimensão de peças e protótipos. medições são realizadas para verificar a capacidade dos processos produtivos.8.2 Potencialidades e Presença na Indústria Automotiva Com essas potencialidades a máquina de medir por coordenadas possui recursos quase ilimitados para fazer análises dimensionais em peças e produtos.4.

assim.. calibradores. . resina. - Calibração de instrumentos e padrões dimensionais Algumas máquinas de medir de alta exatidão estão instaladas em laboratórios bastante controlados quanto a temperatura e umidade.Os recursos para comparar diretamente o desenho no CAD com os resultados da medição permitem avaliações bastante úteis para o desenvolvimento dos produtos..) e padrões (réguas. Nesse sistema de CAD esse conjunto de pontos é processado até se ter a superfície reconstruída virtualmente. Essas máquinas conseguem medir com erros bastante pequenos e.). esquadros. . micrômetros. podem ser utilizadas para a calibração de alguns instrumentos (paquímetros.. e depois precisa ser reproduzida em série.. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 141 . Esse processo é empregado em situações onde a peça seja modelada fisicamente (em madeira.) por um designer. . gesso.. - Digitalização de peças para engenharia reversa Devido à capacidade da máquina de medir por coordenadas de coletar conjuntos de pontos sobre uma superfície é possível digitalizar uma peça e levar esses pontos para um sistema de CAD..

.8.).. A figura abaixo mostra os componentes básicos de uma máquina de medir por coordenadas. que são compostas por: Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 142 . máquinas-ferramenta. desde as máquinas completamente manuais até as máquinas completamente automatizadas e intergradas com outros equipamentos da produção (robôs.3 A máquina de medir por coordenadas As máquinas de medir por coordenadas possuem diferentes níveis de automatização.4. Máquinas com diferentes níveis de automatização Em todas elas alguns componentes fundamentais estarão sempre presentes. .

por engrenagens ou por roda de atrito movimentam os eixos da máquina de medir. as colunas e as guias da máquina compõem a sua estrutura mecânica. pois determinam a posição dos pontos localizados pelo apalpador. Para garantir suavidade e baixo atrito na movimentação. nas máquinas de maior exatidão o descolamento dos eixos ocorre sobre colchões de ar. Formas de transmissão de movimento Mancal a ar c) Escalas de medição As escalas de medição são elementos vitais na máquina de medir.a) Estrutura Mecânica A mesa.01 mm. que são fabricadas com grande precisão e montadas com o máximo cuidado. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 143 . b) Motores e elementos de acionamento Os motores e elementos de acionamento por correia. São réguas eletrônicas que operam por interferência de luz e possuem resolução de até 0.

São sistemas mais comuns e mais baratos mais não compensam a inclinação da haste do apalpador. São basicamente de 3 tipos: Apalpadores comutadores. - Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 144 .d) Cabeçote de apalpação Os apalpadores são os elementos que localizam pontos e avisam a máquina do momento do toque com a peça para que as leituras das escalas naquele momento sejam capturadas e gravadas. Quando a ponta do apalpador toca na peça essa chave elétrica é aberta e avisa à máquina que ocorreu um toque. que possuem um sistema de chave elétrica.

que conseguem medir o quanto a haste do apalpador se desloca durante o toque e compensam esse erro da medição. ou com câmeras de vídeo. Os mais freqüentemente encontrados operam com o uso do laser. - Apalpadores ópticos são utilizados para peças onde as forças de medição já influenciam o resultado de forma significativa. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 145 . sem perder contato com a peça. além de poderem fazer medições por varredura. segundo o princípio de triangulação. São mais caros do que os apalpadores por contato e a sua exatidão é pior.• Apalpadores medidores. São bem mais caros mas possibilitam medição com maior exatidão.

4 Iniciando a medição Os software de medição dos diversos fabricantes de máquina são diferentes entre si quanto ao formato dos comando e a aparência. a operação da máquina requer certos procedimentos que são comuns a todos os equipamentos. No entanto. onde é feita a medição do comprimento de uma peça.3. Isto pode ser melhor entendido com o auxílio da figura 5. A MMC precisa conhecer previamente a dimensão do apalpador para efetuar o processamento matemático de forma adequada e fornecer resultados confiáveis. 4. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 146 . A trajetória percorrida pela MMC do início ao fim da peça é referenciada pelo centro do apalpador. aos que apalpadores mecânicos cabeçote possibilita inclinar o apalpador em qualquer direção para a medição de elementos geométricos em diferentes orientações. e é maior do que o comprimento da peça.Um acessório que normalmente é o está associado motorizado.8. Os principais são: Calibração das pontas dos apalpadores Alinhamento da peça a medir a) Calibração das pontas O conhecimento do diâmetro da ponta do apalpador é outra informação imprescindível para a medição ser feita com confiabilidade.

Estes planos são construídos por pontos sobre a peça. juntos. Para essa compensação é necessário calibrar todas as pontas que serão utilizadas nas medições. Isto é feito a partir da definição de planos que. delimitam a posição da peça na mesa da máquina. Sistemas de coordenadas da máquina e da peça Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 147 . que devem ser definidos de forma eficiente. O alinhamento da peça consiste basicamente em informar à MMC a sua posição espacial. na operação normalmente chamada de alinhamento da peça. é necessário informar à máquina de medir onde está localizada a peça que será medida. haveria um grande erro de medição. Além de servir para a compensação de raio. b) Definição do sistema de coordenadas da peça Após a calibração das pontas que serão utilizadas para a medição. A calibração é normalmente realizada medindo-se uma esfera de diâmetro conhecido.Sem a devida compensação do diâmetro da ponta do apalpador. Isso é feito através da definição de um sistema de coordenadas da peça. pois toda a medição será feita com base neles. quando são utilizados várias posições de apalpação a calibração das pontas serve para amarrar essas posições entre si.

Podemos identificar 4 grupos distintos de MMC: a) Máquinas do tipo coluna São máquinas com incerteza de medição muita baixa. apesar da boa área de acesso. 4. Esse sistema de coordenadas pode ser criado de várias formas e também modificado (translação e rotação) sempre que necessário. com a área de acesso para a colocação da peça. no que diz respeito às formas. existem diversas formas construtivas de MMC.5 Tipos e tamanhos de Máquinas de Medir por Coordenadas Devido à grande diversidade de tarefas de medição. tamanhos e tolerâncias das peças. é necessário localizar na peça elementos geométricos que possibilitem a criação desse sistema de coordenadas local.Para realizar isso. como mostra a figura abaixo. A forma construtiva está muito relacionada com o volume de medição.8. com a incerteza de medição e com a própria tecnologia acumulada por um certo fabricante. mas restritas a peças pequenas (500 x 200 x 200 mm). Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 148 . Com esses 3 elementos é possível amarrar a posição da peça e definir um sistema de coordenadas. Um exemplo clássico de alinhamento é o do plano-linha-ponto. Normalmente a mesa tem os movimentos no plano horizontal (plano xy) e a coluna movimenta-se verticalmente.

Possui utilização para a medição de pelas pequenas de alta precisão e para a calibração de instrumentos e padrões. b) Máquinas tipo Portal É a forma mais comum de MMC permitindo a medição de peças de médio e grande porte. Existem algumas variações deste tipo de MMC: em um deles. São largamente utilizadas na indústria automobilística para a medição de carroceiras. São máquinas de grande porte e custo muito alto (até 20 x 6 x 4 m) e incertezas de medição menores do que as máquinas tipo lança. uma vez que possui uma base reforçada para apoio das peças. São utilizadas geralmente na medição de carrocerias de automóveis. o movimento é realizado pelo portal e a mesa permanece parada enquanto no outro o movimento é realizado pela mesa e o portal é fixo. No entanto apresentam uma alta incerteza de medição. Apresentam incertezas de medição de pequena a média e o acesso à mesa é restringido pelas colunas. d) Máquinas tipo ponte Indicado quando há a necessidade de medir peças de grandes dimensões com grande exatidão. ferramentas de estampagem e dispositivos de fabricação auxiliares. c) Máquinas tipo Lança ou braço horizontal Estas MMC possuem uma grande área de acesso à mesa de trabalho e são apropriadas para grandes peças (até 24 m no maior eixo e 3 m na direção do braço) com um custo bastante atrativo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 149 . devido à deformação da lança e da coluna.

Aí entra em ação um dos recursos mais úteis da medição por coordenadas que é a construção de medidas. • Pratique esse conceito no exercício abaixo: Descreva dois procedimentos de medição capazes de determinar o centro do círculo que contém os centros dos 4 furos. na figura abaixo. Finalmente seria construído o ponto de interseção entre as duas linhas. não temos como tocar esse ponto pois ele não existe fisicamente. Nesse exemplo do bloco do motor. se queremos determinar o ponto de intersecção entre os eixos de 2 cilindros do motor. É possível combinar diversos elementos geométricos medidos para se chegar até um outro elemento.8.6 A técnica de construção de elementos geométricos Em muitas situações a medição direta de certas características dimensionais é impossível pois elas não existem fisicamente. seriam medidos os dois cilindros e construídos as linhas que passam no centro de cada um. Por exemplo. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 150 .4.

a partir de um programa de medição previamente feito para uma peça. Essa técnica é conhecida como programação por aprendizado. À medida que o operador mede a primeira peça manualmente. o que medir. o programa está pronto para ser rodado para as outras peças.4. etc. Programação por aprendizado com a marcação dos pontos intermediários Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 151 . Caso contrário. A forma mais comum de programar a máquina de medir por coordenadas é ensiná-la a medir a primeira peça manualmente. ao executar o programa. a máquina vai registrando os comandos e gerando o programa de medição.7 Medição programada Uma das grandes vantagens das máquinas CNC é a possibilidade de medir de modo automático. para conseguir realizar a medição da peça. Esse programa contém todas as instruções do que a máquina deve fazer. por onde se mover. grandes problemas podem ocorrer. Quando o número de peças a medir é grande. como mostra a figura abaixo. compensa fazer um programa de medição que será executado várias vezes. Regiões de colisão devem ser evitadas com o uso de comandos na caixa de comando manual da máquina.8. Ao final dessa medição manual.

como qualquer instrumento de medição. possuem imperfeições que se traduzem em erros e incertezas de medição. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 152 .) e do operador contribuem para que a incerteza de medição seja maior do que a incerteza do equipamento. No mercado existem máquinas com diferentes tamanhos.7 + L/600) Até 1. A tabela abaixo ilustra os principais tipos de máquinas existentes no mercado e suas faixas de atuação.: Automotiva e Aeronáutica Incertezas de medição.5 a 12 m Industrial Ex.8 + L/800) Faixa de Medição Aplicações Até 410 mm Laboratorial Portal U1=(0. configurações e níveis de exatidão. As medições precisam ser realizadas com um bom critério para que os resultados sejam confiáveis. Características Coluna Típicas Incerteza de U1=(0.2 m Laboratorial e Industrial Lança U3= (23 + L/45) U3= (60 + L/25) De 1. vibrações.Colisão provocada por falta de ponto intermediário 4.4 + L/900) U3= (0. as máquinas de medir por coordenadas.8 Erros e Incertezas Apesar do elevado grau de automatização e informatização. Percebem-se diferentes níveis de exatidão entre elas.5 + L/1200) Medição (µm) U3=(0.: Carrocerias de carros e caminhões Ponte U3= (7 + L/125) U3= (20 + L/50) Até 10 m Industrial Ex. faixa de medição e aplicações típicas para CMM industrial e laboratorial As influências do ambiente de medição (temperatura. caso a caso. etc. Quanto maior a exatidão da máquina maior o seu custo e a escolha do equipamento mais adequado vai depender de uma boa análise sobre as necessidades de medição.8.

001 .0. Esse procedimento experimental é chamado de calibração.001 + 0. Essas alterações. ele possui imperfeições que podem provocar erros de medição. O resultado de uma calibração pode ser registrado num documento chamado Certificado ou Relatório de Calibração.003 .001 .002 .0. em condições específicas.001 Certificado de Calibração N o 16524 / 2003 Micrômetro digital Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 153 . paquímetros e micrômetros.1 Importância para a qualidade das medições Um dos principais causadores de erro em uma medição é o instrumento.003 + 0.002 ± 0.001 ± 0.5.0.003 Incerteza ± 0. Tendência + 0.002 ± 0. por sua vez. A calibração é.001 + 0. devem ser calibrados com regularidade porque podem sofrer alterações devido a deslocamentos. CALIBRAÇÃO é o conjunto de operações que estabelece. 5. por mais sofisticado e moderno que seja o instrumento. Para verificar se o instrumento atende ou não os limites de erro previstos para ele.001 ± 0.0. Através da calibração determina-se a tendência e a incerteza de medição do instrumento. Como já discutimos.002 + 0. a correspondência entre os valores indicados por um instrumento de medir ou por um sistema de medição ou por uma medida materializada e os valores verdadeiros convencionais correspondentes da grandeza medida.003 + 0. portanto. o controle de qualidade do instrumento ou padrão de medição.002 ± 0.001 ± 0.002 ± 0.001 ± 0. realizase um procedimento experimental que visa levantar os erros que o instrumento apresenta ao longo da sua faixa de medição. informações muito úteis para realizar ações de correção de erros ou para decidir se é o momento de encaminhar o instrumento para uma manutenção e ajuste. etc.003 ± 0. tais como relógios comparadores. temperatura. Com a calibração conseguimos evitar o uso de instrumentos fora de especificações que levaria a erros acima do aceitável.004 + 0. com prejuízo para a qualidade de produtos e serviços. Calibração de instrumentos de medição Instrumentos de medida. falhas dos instrumentos. podem provocar desvios ou erros nas leituras das medidas.001 ± 0.

Quanto maior a dispersão dos resultados. Conhecendo a sua incerteza de medição. Essa cadeia de comparações garante essa amarração ou rastreabilidade. É importante que a calibração dos instrumento permite amarrar os instrumentos mais simples aos padrões primários do Brasil e do mundo. corrigida a tendência. através de uma cadeia contínua de comparações. Observe a figura a seguir que mostra a incerteza e a tendência de uma arma em acertar um alvo. representa a parte do erro que é imprevisível ou aleatória. que é exigência de normas de qualidade como a ISO9000. A incerteza de medição. Rastreabilidade é uma propriedade do resultado de uma medição ou do valor de referência de um padrão estar relacionado a referências estabelecidas. In ce rte za Tendência (parte previsível do erro) e Incerteza (parte imprevisível) Sabendo da tendência que o instrumento apresenta. estamos indiretamente comparando esse paquímetro com o equipamento que reproduz a própria definição do metro mundial. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC Te nd ên ci a 154 . comparamos com os limites de erro aceitáveis e tomamos a decisão de mantê-lo operando ou afastá-lo para uma manutenção. todas tendo incertezas estabelecidas. geralmente por padrões nacionais ou internacionais. Ao calibrarmos um paquímetro com um padrão calibrado. maior a incerteza.Tendência é a estimativa do erro sistemático que é a parte previsível do erro. podemos corrigir essa parcela sistemática de erro do resultado da medição.

A garantia da rastreabilidade dos instrumentos é fundamental para aumentar as chances de sucesso nessa operação. METRO PRIMÁRIO BRASIL LABORATÓRIO NACIONAL ALEMANHA LABORATÓRIO NACIONAL LABORATÓRIO SECUNDÁRIO LABORATÓRIO SECUNDÁRIO INDÚSTRIA SALA DE MEDIDAS INDÚSTRIA SALA DE MEDIDAS INTERCAMBIABILIDADE 5. A exatidão desse padrão precisa ser bem maior do que a do instrumento sendo calibrado. Quando calibramos um instrumento. por meio da definição mundial do metro. os dois instrumentos estão vinculados entre si. uma das avaliações feitas é a da exatidão do deslocamento do fuso micrométrico. Para isso medem-se peças conhecidas como blocospadrão que são medidas materializadas confeccionadas e calibradas com um erro muito Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 155 .A figura a seguir mostra a cadeia de rastreabilidade de dois instrumentos que fazem o controle de qualidade de duas peças produzidas em países diferentes. Por exemplo na calibração de um micrômetro. e que irão ser montadas uma na outra.2 Exemplo de calibração A calibração de um instrumento de medição é uma atividade bastante criteriosa em que a precisão na execução das tarefas tem que ser garantida a todo custo. comparamos a sua resposta com o valor de uma medida padrão conhecida. Através de uma cadeia de calibrações.

Segundo a norma de calibração de micrômetros. Erro = Valor indicado – Valor verdadeiro convencional Esse bloco foi calibrado e possui um comprimento conhecido de 25. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 156 . em uma das avaliações que compõem a sua calibração. ou mesmo comparando com outro instrumento que esteja calibrado. o bloco possui para ele o valor de 25. Qualquer diferença entre a indicação do micrômetro e o valor calibrado do bloco é anotada. comparando-se os resultados com a norma é feita a aprovação ou não do micrômetro. em cada posição avaliada. muito menor do que a incerteza do micrômetro. Dessa forma é sempre útil fazer alguma operação de verificação dos erros do instrumento.000 mm.001 mm. Na figura abaixo se pode ver um micrômetro medindo um desses blocos padrão de comprimento nominal 25 mm.000012 mm.pequeno. o seu erro máximo deve obedecer à equação (L em milímetros): E máx = (4 + L ) ìm 50 Dessa forma. Após um processamento matemático dos resultados chega-se à tendência e incerteza de medição do micrômetro. ela é realizada em intervalos normalmente de 1 ano. seja comparando com algum padrão existente na empresa. Durante esse intervalo o instrumento pode apresentar erros ou sofrer avarias e desgastes que comprometa a sua confiabilidade. Apesar da calibração evitar que utilizemos instrumentos com erros acima do aceitável. Como o micrômetro só consegue “enxergar” até a casa dos 0.

• Os procedimentos de calibração devem ser documentados. Dentre os procedimentos que as empresas certificadas têm que atender. medição e ensaios. medição e ensaios devem ser utilizados de tal forma que assegurem que a incerteza das medições seja conhecida e consistente com a capacidade de medição requerida. Medições com erros acima do aceitável vão causar uma série de problemas para a produtividade dos processos e para a qualidade dos produtos. calibração. estão: • O fornecedor deverá estabelecer e manter um sistema efetivo para o controle e calibração dos padrões e equipamentos de inspeção. • Os equipamentos de inspeção. Ação obrigatória de calibrar os sistemas de medição • O sistema de calibração deve ser periodicamente e sistematicamente revisado para assegurar sua eficiência contínua. assegurar que a incerteza das medições seja conhecida e consistente com a capacidade de medição requerida. Esses procedimentos objetivam o controle dos equipamentos de inspeção. a norma ISO9000 estabelece procedimentos que devem ser seguidos quando da seleção. uso. medição e ensaios utilizados. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 157 . controle e manutenção dos padrões e sistemas de medição. o erro máximo admissível e selecionar o equipamento apropriado de inspeção. Como forma de garantir que os sistemas de medição estejam dentro da conformidade e evitar esses problemas de qualidade. e prover a confiança nas decisões ou ações baseadas em dados de medições. para demonstrar a conformidade do produto com os requisitos especificados. desde o desenvolvimento até a produção dos produtos. medição e ensaio para garantir a conformidade do produto com os requisitos especificados.5. • O fornecedor deve identificar as medições as serem feitas.3 Exigência de normas de qualidade A qualidade dos produtos de uma empresa é extremamente dependente da confiabilidade com que as medições são realizadas na empresa.

e as empresas que querem buscar a certificação precisam manter uma metrologia eficiente e confiável. deverão levar em conta todos os erros e incertezas do processo de medição.). • A periodicidade das calibrações deve ser reajustada sempre que os erros encontrados forem superiores aos permitidos. a fim de se comprovar que são capazes de mostrar a conformidade do produto. etc. Como se pode perceber. • Os ajustes dos equipamentos deverão ser lacrados após a calibração. próxima calibração. Estes registros devem demonstrar que todos os equipamentos de medição utilizados são capazes de desenvolver a medição dentro dos limites especificados. a metrologia é levado muito a sério pela ISO9000. para evitar modificações da situação em que se encontravam quando da calibração.• Evidências objetivas que o sistema de medição está efetivamente controlado deverão prontamente ser demonstrado aos clientes (consumidores). inspeção e ensaio forem encontrados fora dos limites admissíveis de erro. • Todo equipamento deve ser etiquetado quanto ao seu estado em relação à calibração (data de calibração. • Todas as medições. Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 158 . inspeções e ensaios anteriores. • As calibrações devem ser realizadas por equipamentos rastreados aos padrões nacionais ou internacionais. • Todas as pessoas que desempenham funções de calibração devem ter um treinamento adequado. • Devem ser estabelecidos procedimentos para monitorar e manter sob controle estatístico o processo de medição. • Quando forem utilizados gabaritos ou programas de computador para ensaios ou para execução de medidas. • Um registro para cada equipamento de medição deverá ser mantido. quando os equipamentos de medição. • Avaliar e documentar a validade dos resultados de medições. estes devem ser verificados periodicamente. quer sejam aquelas com finalidades de calibração ou controle e especificação dos produtos.

Ao utilizar os serviços de calibração de um laboratório credenciado pelo INMETRO. a demanda por serviços de calibração tem aumentado significativamente.INMETRO A Rede Brasileira de Calibração (RBC) é constituída por laboratórios credenciados pelo INMETRO.5. recebem o credenciamento e passam a integrar a RBC. e reúne laboratórios de calibração vinculados às indústrias. as empresas que possuem ou buscam a ISO9000 precisam calibrar periodicamente os seus instrumentos e padrões de medição. a RBC estabelece o vínculo com as unidades do Sistema Internacional (SI) constituindo a base técnica imprescindível ao livre comércio ente áreas econômicas preconizado nos mercados globalizados. Ao ser aprovado e fazer parte da RBC o laboratório pode calibrar o instrumento e colocar o selo RBC. universidades e institutos tecnológicos.4 A Rede Brasileira de Calibração . Utilizando padrões rastreáveis às referências metrológicas mundiais de mais alta exatidão. Isso é muito valorizado pelos auditores da certificação ISO9000. habilitados à realização de serviços de calibração. uma garantia de qualidade no serviço de calibração. Para isso o laboratório deve comprovar a sua competência técnica. as empresas contam com a garantia de que o laboratório é submetido a uma avaliação contínua. e o número de laboratórios credenciados também. Esses laboratórios passam por avaliações chamadas de auditorias e. credibilidade e capacidade de operar de forma organizada. Com a crescente procura pela certificação ISO9000. Calibração de padrões em Laboratório da RBC (Fundação CERTI) Metrologia – Curso Técnico de Automobilística – CEFET-SC 159 . caso sejam aprovados. Como já citado.

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