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Teoria Das Cores Goethe

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Zur Farbenlehre - Teoria das Cores (Goethe

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Leonardo Carneiro de Ara´jo u 29 de Novembro de 2005

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Introdu¸˜o ca
Si vera nostra sunt aus falsa, erunt talia, licet nostra per vitam defendimus. Post fata nostra pueri qui nunc ludunt nostri judices erunt. 1

O interesse de Johann Wolfgang von Goethe pelas cores foi instigado pela natureza ´tica do fenˆmeno e pela tradi¸˜o color´ o o ca ıstica das pinturas da Renascen¸a com as quais teve contato em sua primeira viagem ` It´lia entre os anos c a a de 1786 e 1788. A Teoria das Cores (Zur Farbenlehre) de Goethe foi originalmente publicada em 1810. Com seu tratado sobre as cores de 1400 p´ginas, a Goethe reformulou a teoria das cores de uma maneira inteiramente nova, sendo o primeiro a ousar confrontar as id´ias de Newton sobre luz e cor. Newton e via as cores como um fenˆmeno puramente f´ o ısico, envolvendo a luz que atinge objetos e penetra nossos olhos. Goethe concebeu a id´ia de que as sensa¸˜es de e co cores que surgem em nossa mente s˜o tamb´m moldadas pela nossa percep¸˜o a e ca – pelos mecanismos da vis˜o e pela maneira como nosso c´rebro processa tais a e informa¸˜es. co O trabalho de Goethe continuou a fascinar cientistas por muitos anos, dentre eles podemos destacar grandes nomes como Hermann von Helmholtz, Werner Heisenberg, Walter Heitler e Carl Friedrich von Weizs¨cker. Recentemente, a o te´rico do Caos, Mitchell Feigenbaum, consultando o trabalho de Goethe, o surpreendeu-se ao descobrir que “Goethe j´ tinha realizado um extraordin´rio a a conjunto de experimentos investigando as cores” e estava correto em suas observa¸˜es. co Para sustentar a sua vis˜o na qual as principais caracter´ a ıstica das cores s˜o a a simetria e a complementaridade, Goethe propos modificar o c´ ırculo de Newton (figura 3 e 4) que possu´ sete cores sustentadas sob ˆngulos desiguais. Cria ıa a um c´ ırculo sim´trico, onde as cores complementares localizam-se em posi¸˜es e co diametralmente opostas no c´ ırculo (figura 1). Para Newton, apenas as cores
1 Ep´ ıgrafe utilizada na introdu¸˜o da Teoria das Cores de Goethe. “Se nossas coisas s˜o ca a verdadeiras ou falsas, assim ser˜o, ainda que a defendamos por toda a vida. Ap´s nossa morte, a o as crian¸as, que agora brincam, ser˜o nossos ju´ c a ızes.”

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escurece. possuem um importante papel para completar o c´ ırculo das cores. de outra ca forma. e o Segundo ele as cores existiam na forma de raios enviados por Deus. que permaneceu at´ a ´poca de Newton (1642 a a e e 1727). tais como uma bolha de sab˜o – que mudam drasticamente conforme o ˆngulo a a de observa¸˜o. Algumas d´vidas com u rela¸˜o ` teoria de Arist´teles come¸aram a ser levantadas no inicio do s´culo ca a o c e XVII devido ` descoberta das cores interferentes – cores de pel´ a ıculas muito finas. uma composi¸˜o. tem sua intensidade reduzida. na observa¸˜o a a ca ca de que a luz do sol. Goethe. baseandose em seus experimentos. Essa vis˜o. ou seja. Sua vis˜o era baseada na sua concep¸˜o de cor. fogo e ´gua. Para Arist´teles.do espectro poderiam ser consideradas como fundamentais. sendo capazes de degradar a pureza da luz incidente. e Figura 1: C´ ırculo de Cores de Goethe 2 Teoria de Arist´teles o Os primeiros estudos sobre cores foram feitos na Gr´cia antiga por Arist´teles. as cores mais simples seriam aquelas dos elementos: terra. Arist´teles as via como uma mistura. a cor deve ser algum tipo de constituinte permitindo objetos e meios serem opacos ou transparentes. cuja pintura “Luz e Cor (Teoria de Goethe)” (veja figura 2) ´ exposta no ‘Tate Britain’ em Londres. como o magenta. uma sobreposi¸˜o o ca ca de preto e branco. Sua teoria n˜o foi contestada at´ a Renascen¸a quando sistemas de cores mais sofisticados a e c foram desenvolvidos por Aguilonius e Sigfrid Forsius. M. Artistas que lidavam e e com cores sentiram-se mais atra´ ıdos pela proposta de Goethe do que pela de Newton. Um pintor fortemente influenciado pelas id´ias de Goethe foi J. uma cor n˜o ı a espectral. a e cor seria derivada de uma transi¸˜o do claro para o escuro. ao atravessar ou refletir em um objeto. W. tem a luz do sol como luz pura e portanto sem cor. conclu´ que cores. e Turner (1775-1851). o que ´ sustentado at´ nos sistemas de cores mais modernos. Atrav´s desse processo a cor seria produzida. Essas pel´ ca ıculas pareciam possui todas as cores em si ao mesmo 2 . ou ainda. o ar.

W. 1843.5 x 78. Cole¸˜o Turner. M. Turner. o 78. ´leo sobre tela. Londres ca 3 . Tate Gallery.Figura 2: Luz e Cor (Teoria de Goethe). J.5 cm.

e se tornam. como a cera recebe a impress˜o e a do selo sem a sua mat´ria. vermelho para o fogo e preto para a a escurid˜o. come¸a com a s´ c ıntese. acreditava que as cores s˜o propriedade o a dos objetos. isto ´. Principiando pela observa¸˜o de que a imagem criada n˜o era circular. O senso a comum ´ uma faculdade interna.) Podemos colocar o branco como representante da luz sem o qual nenhuma cor pode ser vista. verde. Newca a ton inferiu os princ´ ıpios de sua nova teoria: a luz solar seria formada de uma mistura de raios de diferentes “refratabilidade”. ca pressup˜es um fato f´ o ısico. em uma parede. as sensa¸˜es espec´ o e co ıficas s˜o percebidas. embora os fil´sofos n˜o ir˜o aceitar tanto branco como e o a a preto como cores porque branco ´ a causa ou receptor de todas as cores. a ıvel figura. isto ´. a luz refratada foi colimada novamente. em 1672. O sens´ pr´prio ´ percebido por ıvel o e um s´ sentido. amarelo. “O conhecimento sens´ ıvel. Mas como os pintores n˜o podem ficar sem e ca a ambas. em e ca virtude da espec´ ıfica faculdade e atividade sensitivas da alma. obtendo assim o branco.” co 3 Teoria de Newton O conhecimento atual sobre luz e cor iniciou-se com os trabalhos de Isaac Newton (1642-1726). verde para ´gua. (. s˜o percebidas por mais sentidos. co co percep¸˜es. criado pela refra¸˜o de o ca um raio circular de luz branca. a falsidade. a sensa¸˜o. e e o preto ´ a priva¸˜o total delas. atrav´s do movimento de um meio. O sentido recebe as qualidades materiais sem a mat´ria delas. Os artistas ficaram fascinados com a demonstra¸˜o de Newton de que apenas ca a luz seria a respons´vel pela cor e criaram uma disposi¸˜o das cores em c´ a ca ırculo 4 . respectivamente. Para mostrar que o prisma n˜o a estava colorindo a luz. Mas o fato a a e f´ ısico transforma-se num fato ps´ ıquico. unificar as v´rias e ca a sensa¸˜es isoladas. a saber. na sensa¸˜o propriamente dita. movimento. numa carta formal ` Royal a Society of London. a a¸˜o do objeto sens´ sobre o ´rg˜o que ca ıvel o a sente. as qualidades gerais das coisas tamanho. representa¸˜es.tempo e degradar a luz solar incidente de diferentes maneiras dependendo do a ˆngulo de observa¸˜o. com o ju´ ızo. azul. como Arist´teles. ou a possibilidade da o falsidade. mostrando as cores componentes: vermelho. uma s´rie de experimentos cujos resultados foram publicados e na chamada “Nova Teoria da Luz e Cores”.. sempre e ca e verdadeira com respeito ao pr´prio objeto. A sensa¸˜o embora limitada ´ objetiva. ca Leonardo da Vinci. tendo a fun¸˜o de coordenar. Em seu tratado sobre pintura escreveu: “A primeira de todas as cores simples ´ o branco.. amarelo para a terra. projetando um espectro. o sens´ comum. a pelos v´rios sentidos.” a A maior dificuldade com a abordagem da percep¸˜o proposta por Arist´teles ca o ´ a afirma¸˜o de que as faculdades sensoriais relevantes dos sentidos tornam-se e ca semelhantes aos objetos a que percebem. por isso. repouso. laranja. que a ele confluem. anil e violeta. imediata ou ` distˆncia. etc. as colocaremos dentre as demais. azul para o ar. como o raio original. O principal experimento realizado consistiu em dispor um prisma pr´ximo a sua janela.

Essa teoria tornou-se a partir de ent˜o a base para qualquer trabalho envolvendo a pigmentos coloridos. descri¸˜es. amarelo. u daß wir schon bei jedem aufmerksamen Blick in die Welt theoretisieren. e e Le Bon. Seu c´ ırculo possu´ ıa sete cores principais que estava relacionadas aos sete planetas e `s sete notas a musicais da escala diatonica: (D) vermelho (E) laranja (F) amarelo (G) verde (A) azul (B) anil (C) violeta (D). um est´ ımulo ´ uma experiˆncia que vai al´m do simples observar. mit Ironie zu tun 5 . a o Goethe defende que o olhar ´ sempre cr´ e ıtico. azul) a em posi¸˜es diametralmente opostas `s suas complementares (por exemplo. jedes Sinnen in ein Verkn¨pfen. n´meros e co u desenhos ainda n˜o exp˜em um fenˆmeno. medidas. Dieses aber mit Bewußtsein. mit Freiheit. e a amarelo e azul foi proposta originalmente um s´culo depois pelo francˆs Jean C. a o o Goethe. M´ximas e Reflex˜es. o co a vermelho ficaria em oposi¸˜o ao verde).de conceitos. A teoria das trˆs cores prim´rias: vermelho. o o o Jedes Ansehen geht uber in ein Betrachten. und um uns eines gewagten Wortes zu bedienen. cria e e e um v´ ınculo te´rico e leva o observador a tirar suas pr´prias conclus˜es. Figura 3: C´ ırculo de Cores de Newton 4 Teoria de Goethe Figuras. Newton foi o primeiro a organizar as cores em um c´ ırculo. permitindo dispor as cores prim´rias (vermelho. de maneira a mostrar que as cores ca complementares real¸ariam umas `s outras atrav´s de um efeito de contraste c a e o ´ptico. und so kann man sagen. sobre a qual foi publicado um tratado de mistura de pigmentos. Apenas olhar n˜o seria um a est´ ımulo. jedes Betrachten in ein ¨ Sinnen. mit Selbstkenntnis.

Figura 4: C´ ırculo de Cores de Newton 6 .

aber wir m¨ssen uns beide als der ganzen Natur ana u geh¨rig denken: denn sie ist es ganz. Didaktischer Teil .Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca Para Goethe a sensibilidade n˜o ´ apenas receptividade. In diesem Sinne k¨nnen wir von denselben Aufschl¨sse uber das Licht erwaro u ¨ ten. mas tamb´m impula e e sividade. Nesse o ponto. das wir hoffen.Goethe) Cada olhar envolve uma observa¸˜o. die sich dadurch dem Sinne o des Auges besonders offenbaren will. ca ca a cada reflex˜o uma s´ a ıntese: ao olharmos atentamente para o mundo j´ estamos teorizando. luz e cores se ca relacionam perfeitamente. autoconhecimento. pois o homem julga a natureza da e mesma maneira que interpreta uma obra de arte. n˜o seja prejudicial. a (Doutrina das Cores. u (Zur Farbenlehre. que desejamos.” A cor n˜o ´ apenas a luz. Goethe parece se aproximar da obra de Kant. O estilo dessa obra de Goethe ´ alternadamente um discurso rigorosamente e cient´ ıfico ou um discurso po´tico. e que existe apenas quando e ıdo se revela aos sentidos. wenn die Abso traktion. Na verdade. Nesse sentido. unsch¨dlich und das Erfahrungsu a resultat. teorizar e proceder com a e consciˆncia. Esbo¸o de uma Doutrina das Cores .Pref´cil c a . A luz n˜o s´ est´ a a o a dentro de cada um.Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca A natureza ´ algo constru´ pelos nossos olhos. liberdade e – se for preciso usar uma e palavra audaciosa – com ironia: tal destreza ´ indispens´vel para e a que a abstra¸˜o. vor der wir uns f¨rchten. Em sua Cr´ ıtica do Ju´ ızo a natureza ´ colocada de forma “estetizada”. As cores devem ser interpretadas duplamente como Leiden (paix˜o) e a como Tat (a¸˜o) da luz.Vorwort . no olhar como forma de criar a natureza. e o resultado ca a emp´ ırico. ca Die Farben sind Taten des Lichts. Didaktischer Teil . nos seja util e vital. Esbo¸o de uma Doutrina das Cores . mas tamb´m a impulsividade que o a e e nasce na paix˜o.und vorzunehmen. Por um lado a obra mostra-se como um relato de um escritor vers´til. cada observa¸˜o uma reflex˜o.Vorwort . eine solche Gewandtheit ist n¨tig. Taten und Leiden. “As leis naturais s˜o feitas e relacionadas umas com a as outras como se a Faculdade de Julgar as houvesse produzido para o seu pr´prio uso. (Zur Farbenlehre. por´m. Devemos. recht lebendig und n¨tzlich werden soll. ´ (Doutrina das Cores.Pref´cil c a . como acaba se identificando com o pr´prio sujeito. Farben und Licht stehen zwar untereinander in dem genausten Verh¨ltnis. a 7 . sendo as vezes chamado de uma literatura e cient´ ıfica. podemos esa co o perar delas alguma indica¸˜o sobre a luz. embora devamos pens´-las como pertena cendo ` natureza em seu todo: ´ ela inteira que assim quer se revelar a e ao sentido da vis˜o.Goethe) As cores s˜o a¸˜es e paix˜es da luz. que receiamos.

da´ resultando uma a o ı ordena¸˜o que pode ser apreciada com maior ou menor satisfa¸˜o. ¨ a (Zur Farbenlehre. Somos a o obrigados a separ´-la.Inc trodu¸˜o . ou as v´rias partes de um objeto. nesse ponto. wodurch zuletzt eine Ordnung entsteht. quem define o e olho humano como um produtor mecˆnico de pinturas. matem´tico e astr´logo. fruto de uma longa investiga¸˜o que perdurou por mais de ca vinte anos e que jamais pareceu estar conclu´ sendo chamada de ein Entwurf ıda (um esbo¸o). a ıvel ca compara¸˜o e a aprecia¸˜o. Didaktischer Teil . ca ca (Doutrina das Cores. die uns nach und nach mit den Gegenst¨nden bekannter macht.poeta h´bil e investigador da natureza. atrav´s da qual extra´ e ımos informa¸˜es. die sich mit mehr oder weniger Zufriedenheit ubersehen l¨ßt. so muß sich eine innigere Teilnahme finden. Wir sind gen¨tigt zu sondern. tornou-se ´ astrˆnomo. herdeiro do Aufklarung 2 . ca e Die Lust zum Wissen wird bei dem Menschen zuerst dadurch angeregt.Goethe) O homem s´ ´ levado ao desejo de conhecer se fenˆmenos not´veis oe o a lhe chamam a aten¸˜o. caracter´ co ısticas e significados. die seine Aufa merksamkeit an sich ziehen. ´ preciso haver um inca e teresse mais profundo. que nos aproxime cada vez mais dos objetos. zu unterscheiden und wieder zusammeno zustellen. die uns als Menge entgegendringt. Kepler a foi o primeiro a separar o problema f´ ısico da forma¸˜o das imagens retinianas ca (o mundo visto) dos problemas psicol´gicos da percep¸˜o (o mundo percebido). ca ca A natureza se revela ao sentido da vis˜o atrav´s da luz e das cores e assim a e ´ poss´ distinguir um objeto de outro. distingui-la e recompˆ-la. e a pintura como formativa de imagem retiniana n˜o-linear. Para que esta perdure.Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca ca Os est´ ımulos incidentes s˜o primeiramente analisados. Nascido na Alemanha. Observamos ent˜o uma grande diversidade diante de n´s. c O trabalho de Goethe ´ uma tentativa de ordenar e combinar os fenˆmenos e o crom´ticos para entender os princ´ a ıpios que os regem e como essa ordena¸˜o nos ca leva a uma diferencia¸˜o em termos de est´tica. definindo o “ver” como a “pintar”. a decompondo a multitude do mundo que observamos. o ca 2 Iluminismo 3 Johannes Kepler (27 de dezembro de 1571 a 15 de Novembro de 1630) Kepler foi uma figura marcante na revolu¸˜o cient´ ca ıfica. por outro ´ a e um relato tortuoso. Damit nun diese dauernd bleibe. montagem.Einleitung . e cria-se uma dissocia¸˜o entre o que ´ e o que ca e aparenta ser. embora Carl Sagan o prefira cham´-lo de o ultimo astr´logo cientista. tornando poss´ a memoriza¸˜o. a id´ia de Kepler 3 . daß er bedeutende Ph¨nomene gewahr wird. E mais conhecido pelas suas leis de movimenta¸˜o dos o a o ca planetas. Esbo¸o de uma Doutrina das Cores . O e ıvel a mundo vis´ ´ re-constru´ ıvel e ıdo. Alsdann bemerken wir erst a eine große Mannigfaltigkeit. Ap´s esse processo de o desagrega¸˜o inicia-se a etapa de s´ ca ıntese. Goethe retoma. e assim separando. a ´ o 8 . As vezes ´ referenciado como o primeiro astrof´ e ısico te´rico.

atrav´s da dial´tica entre dividir e e a e e ´ fundir. welche auf der Tafel eine o weit vollkommner sichtbare Welt. o que estava por tr´s dessa dissens˜o ´ o confronto de dois modos a a e completamente distintos de pensar a natureza. que. durch Erh¨hung und Neutralisao tion. Esbo¸o de uma Doutrina das Cores .. um mundo vis´ ıvel muito mais perfeito que o mundo real. ¨ durch Mischung und Vereinigung. mas procedentes da unidade do ser. e talvez tamb´m a solu¸˜o. se intensificar e neutralizar. hervorzubringen vermag. a se misturar e fundir. Esbo¸o de uma Doutrina c das Cores .” (Simmel) ca e ca “Outro aspecto importante a ser mencionado ´ o fato de que a divergˆncia de e e Goethe em rela¸˜o a Newton n˜o se reduz a uma disputa pessoal. als die wirkliche sein kann. no plano. intensificar e neutralizar. (Zur Farbenlehre. de sorte que o homem pode encontrar em seu pr´prio o cora¸˜o todo o segredo do ser.Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca ca “Para Goethe o princ´ ıpio vital da natureza ´. se manifesta ao se dividir e opor. o da pr´pria e o alma humana. das sich. desenvolve a igualdade co do princ´ ıpio criador.Inc trodu¸˜o . Didaktischer Teil . como atrav´s de um espelho. wie die ubrigen alle. O idealismo alem˜o recusa a a o ´tica mecanicista. ao mesmo tempo. podendo ser mais bem intu´ e concebido nessas f´rmulas ıdo o gerais da natureza. na diversidade de suas configura¸˜es. Na verdade. j´ que interpreta tanto a natureza quanto a arte a partir da a id´ia de organismo. Didaktischer Teil . que ´ cae ıvel e paz de produzir. e Die Farbe sei ein elementares Naturph¨nomen f¨r den Sinn des Aua u ges. (Doutrina das Cores.) a cor ´ um fenˆmeno elementar da natureza para sentido da e o vis˜o. ambas tendo a mesma igualdade de direitos.Einleitung . como todos os demais.Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca ca Goethe estava convencido de que a totalidade da natureza se revela.Introdu¸˜o . do escuro e da cor.Goethe) E assim constru´ ımos o mundo vis´ ıvel a partir do claro. (Doutrina das Cores. E pois atrav´s da oposi¸˜o e da transposi¸˜o e ca ca para o mundo da percep¸˜o que nascem os conceitos. e com eles tamb´m tornamos poss´ a pintura. que. durch Trennung und Gegensatz.. de uma finalidade interna. e resulta assim a aprecia¸˜o ca ca e cria-se a est´tica como objeto. (Zur Farbenlehre. ser compartilhado e repartido.Einleitung . durch Mitteilung und Verteilung und so weiter manifestiert und unter diesen allgemeinen Naturformeln am besten angeschaut und begriffen werden kann. pois acabou ca a envolvendo uma polˆmica entre o idealismo alem˜o e os f´ e a ısicos newtonianos. A cor n˜o pode ser simplesmente e a 9 .Und so erbauen wir aus diesen dreien die sichtbare Welt und machen dadurch zugleich die Malerei m¨glich.Goethe) (. ao sentido da vis˜o.

(Doutrina das Cores. despertam a aten¸˜o na medida em que as percebemos atrav´s ca e dos meios incolores ou com o aux´ destes. da wir nicht mehr f¨rchten. erstlich das Allgemeine. Die ersten nannten wir phya o siologische. ferner zogen sie unsere Aufmerksamkeit an sich.Goethe) 10 . um jogo ca de cores ´ criado pela incidˆncia da luz sobre a retina.Introdu¸˜o .Goethe (tradu¸˜o c ca ca de Marco Giannotti)) A quarta se¸˜o ´ uma perspectiva geral das rela¸˜es internas sendo abordados ca e co os aspectos do surgimento e determina¸˜o das cores. a (Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil .causada pela luz. zweitens.Einleitung . Wir betrachteten also die Farben zuerst. indem wir sie an farblosen Mitteln oder durch deren Beih¨lfe gewahrten. e ´ e ca Esbo¸o de uma Doutrina das Cores . devendo ser pensada na sua rela¸˜o com o ´rg˜o espec´ ca o a ıfico. sie zu vermischen oder zu u verwirren. em primeiro lugar. embora tenham uma certa a permanˆncia. Por fim. die dritten chemische Farben. aber alu u lenfalls verweilend.” (Marco Giannotti) As trˆs primeiras se¸˜es da obra de Goethe trata das cores sobre o ponto e co de vista fisiol´gico. f´ o ısico e qu´ ımico: Cores Fisiol´gicas (Physiologische Farben).Allgemeine Ansichten nach Innen . ca ca ca for¸a e fraqueza. quente e frio. o die Erscheinungen zu bestimmen. was o sich von diesen Erscheinungen innerhalb des geschlossenen Kreises pr¨dizieren l¨ßt. insofern sie dem Auge angeh¨ren und auf einer Wirkung und Gegenwirkung desselben beo ruhen. As ultimas tˆm longa dura¸˜o. repuls˜o c a a e atra¸˜o. ca a a In dieser stetigen Reihe haben wir. Jetzt. s˜o dignas ılio a de nota na medida em que podemos pens´-las como fazendo parte a do objeto. indem wir sie als den Geu genst¨nden angeh¨rig denken konnten. claro e escuro. Vierte Abteilung . Jene sind unaufhaltsam fl¨chtig. As primeiras s˜o constantemente a fugidias. as cores na medida em que pertencem ao olho e dependem de sua capacidade de agir e reagir. as segundas s˜o passageiras. As cores podem ser determinadas a a pela oposi¸˜o. afinidade com ´cidos e afinidade com ´lcalis. k¨nnen wir unternehmen. soviel es m¨glich sein wollte. a¸˜o e priva¸˜o. polaridade entre azul e amarelo. luz e sombra. die zweiten physische. wie sich dieser a a besondre Kreis an die ubrigen Glieder verwandter Naturerscheinun¨ gen anschließt und sich mit ihnen verkettet. die letzten festzuhalten bis zur sp¨testen Dauer. Segundo Goethe. proximidade e distˆncia. o Cores F´ ısicas (Physische Farben) e Cores Qu´ ımicas (Chemische Farben). zu sondern. anzugeben. Em seguida. und zu ordnen gesucht. Chamamos as primeiras de fisiol´gicas. zuu letzt aber wurden sie uns merkw¨rdig. die andern vor¨bergehend. anzudeuten. o que ´ uma rea¸˜o e e e ca leg´ ıtima devido ` sensibilidade do olho ` luz.Goethe) Consideremos. as segundas de o f´ ısicas e as terceiras de qu´ ımicas. (Zur Farbenlehre.

o (Zur Farbenlehre. aber beide lassen sich auf eine h¨here Formel beziehen.Allgemeine Ansichten nach Innen . Beide sind allgemeine elementare Wirkungen nach dem allgemeinen Gesetz des Trennens und Zusammenstrebens. aber unter ganz verschiedenen Bedingungen in zwei ganz entgegengesetzte Weltgegenden laufen. procuramos determinar. wie die ¨ftern Vergleichungen. Linguagem e u Terminologia.Na medida do poss´ ıvel. recht fassen und dasjenige. para e o em seguida apontar como esse c´ ırculo particular se encadeia e se une ao resto dos fenˆmenos naturais afins. no c´ ırculo. ableiten. zuf¨lligen. Vierte Abteilung . hat man a von jeher gef¨hlt. auf verschiedene Weise. wo Wissenschaft und Kunst sich befinden. auf verschiedene Zwischenelemente. nach so manchen sch¨nen Vorarbeiten Zeit und Gelegenheit. doch nach ganz verschiedenen a Seiten. des Hinund Wiederw¨gens wirkend. Daß ein gewisses Verh¨ltnis der Farbe zum Ton stattfinde. jedoch jedes f¨r sich. u M¨chte jemand die Art und Weise. teils umst¨ndlich genug angestellt worden. die f¨r uns gewora o u dene positive. durch Gl¨ck und Genialit¨t ersetzen. Vielleicht w¨re auch hierzu o a auf dem Punkte. f¨r verschiedene Sinne. was u uns entgangen und abgegangen. aus einer o h¨hern Formel beide. den man hiebei begangen. Vergleichen lassen sich Farbe und Ton untereinander auf keine Weise. da sie jetzt innerhalb derselben gleichsam nur historisch abgesondert steht. u a ¨ so w¨rde die Tonlehre nach unserer Uberzeugung an die allgemeine u Physik vollkommen anzuschließen sein. mathematisa chen. o que ´ universal nos fenˆmenos. so sind auch Farbe und Ton.Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca ca Na quinta se¸˜o Goethe analisa as diferentes rela¸˜es que a cor estabelece ca co com as mais diversas disciplinas: Filosofia.Goethe) 11 . beweisen. genialischen Wegen entsprungene Musik zugunsa ten einer physikalischen Behandlung zu zerst¨ren und in ihre erso ten physischen Elemente aufzul¨sen. (Doutrina das Cores. T´cnica de Tingir. o u u die auf einem Berge entspringen. beruhet nur auf folgendem. des Auf. Quarta o Se¸˜o . auf seltsamen empirischen. welche teils vor¨beru o u gehend. J´ que agora n˜o tememos a a mistur´-los ou confundi-los. ¨sthetischen. Matem´tica. Wie zwei Fl¨sse. M´sica.und Abschwankens. so daß auf dem beiderseitigen ganzen Wege keine einzelne Stelle der andern verglichen werden kann. Der a Fehler. F´ o ısica Geral. wie wir die Farbenlehre an die o allgemeine Naturlehre angekn¨pft. Hist´ria Natural. Aber eben darin l¨ge die gr¨ßte Schwierigkeit. separar e ordenar os fenˆmenos segundo essa s´rie cont´ o e ınua. podemos empreender em primeiro lugar a a tarefa de julgar. a e Fisiologia e Patologia.

torna-se agrad´vel para ele. mas conforme aspecc tos. por vezes passageiras. Sechste Abteilung . O erro nelas cometido se deve ao seguinte: Cor e som de maneira alguma podem ser comparados. (Zur Farbenlehre. Para cada cor. para cada tonalidade de uma cor.Goethe (tradu¸˜o de ca ca Marco Giannotti)) Na ultima se¸˜o Goethe discorre a cerca dos efeitos sens´ ´ ca ıveis. Trataremos em primeiro lugar dessas composi¸˜es harmˆnicas. Sexta Se¸˜o co o ca . (Doutrina das Cores. embora ambos remetam a uma f´rmula superior.Totalidade e Harmonia . pesando ora de um lado. Ambos s˜o como dois rios que nascem na mesma a montanha.Goa ethe) Aqui reside a lei fundamental de toda harmonia crom´tica. Ambos s˜o efeitos gerais e elementares a segundo a lei universal que tende a separar e unir. Goe ethe analisa suas caracter´ ısticas e os seus efeitos sobre nossos olhos. Quinta Se¸˜o . wovon sich jeder durch eigene Erfahrung uberzeugen kann. a respeito a da qual qualquer um poder´ se convencer por experiˆncia pr´pria. (Doutrina das Cores. a Hier liegt also das Grundgesetz aller Harmonie der Farben. por u co vezes suficientemente pormenorizadas. totalidade e complementaridade entre as cores do c´ co ırculo crom´tico. ora de outro lado da balan¸a. o Se a totalidade crom´tica se apresenta exteriormente ao olho como a objeto. Estabelece rela¸˜es de harmonia. Es sei also zuerst von diesen a a harmonischen Zusammenstellungen die Rede. genau bekannt macht.Sempre se percebeu que existe certa rela¸˜o entre cor e som. morais e est´ticos que surgem. maneiras. so ist sie ihm erfreulich. die wir in der Abteilung der physiologischen Farben angezeigt. pois o resultado de sua pr´pria a o atividade lhe parece como realidade. mas devido a circunstˆncias diversas correm sobre regi˜es a o opostas.Totalit¨t und Harmonie . elementos intermedi´rios e sentidos completamente a distintos. oscilar. a e o ao travar conhecimento dos experimentos descritos na se¸˜o das coca res fisiol´gicas. Wird nun die Farbentotalit¨t von außen dem Auge als Objekt gea bracht. a partir da qual ´ poss´ deduo e ıvel zir cada um deles. indem er sich ¨ mit den Versuchen. weil ihm die Summe seiner eignen T¨tigkeit als Realit¨t entgegen kommt.Goethe (tradu¸˜o de Marco Giannotti)) ca 12 . de modo que em todo o percurso n˜o h´ nenhum ponto em a a que possam ser comparados. como ca demonstram as freq¨entes compara¸˜es.

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