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VERDADE et al, 2009. Anfíbios anuros da região da Estação Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba

VERDADE et al, 2009. Anfíbios anuros da região da Estação Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE

Patrimônio da Reserva
Serra de Paranapiacaba
A ANTIGA ESTAÇÃO BIOLÓGICA DO ALTO DA SERRA
Organizadoras

Biológica do Alto da

Márcia Inês Martin Silveira Lopes Mizué Kirizawa Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo

Instituto de Botânica São Paulo 2009

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Editoras Responsáveis Márcia Inês Martin Silveira Lopes Mizué Kirizawa Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo Editora Assistente Maria Tereza Grombone Guaratini Assistentes de Editoração Andressa Ribeiro dos Santos Yukio Hayashi da Silva Pré-composição Gráfica Editora Neotropica Diagramação Marli Santos de Jesus Tratamento de Imagens Leonidio Gomes Capa Robson Minghini Fotos da Capa Armando Reis Tavares Cezar Kirizawa Ingrid Yasbec Assad Ludwigs Marcelo Pinto Marcelli Marlies Sazima Mizué Kirizawa Olga Yano Otavio Augusto Vuolo Marques Rafael Prezzi Indicatti Rosangela Simão Bianchini Sergio Sakagawa Thomas Püttker Fotos da Dedicatória (pág. 11) Museu Paulista Instituto de Botânica Editoração, CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Tiragem 1.000 exemplares

Revisores Científicos Adriana Fidalgo (IBt) Adriana Maria de Aquino (EMBRAPA-CNPA) Carlos Eduardo de Mattos Bicudo (IBt) Denise Pinheiro da Costa (IPJBRJ) Elaine Malosso (UFPE) Eduardo Pereira Cabral Gomes (IBt) Elisabete Aparecida Lopes (IBt)

Amélia Vera Guimarães de Sousa (UPM-São Paulo)

Ermelinda Maria De Lamonica Freire (UNIVAG)

Francisco Langeani Neto (UNESP-São José do Rio Preto) Glauco Machado (UNICAMP-Campinas) Inês Cordeiro (IBt) Isabel Fernandes de Aguiar Mattos (IF) Ivan Sazima (UNICAMP-Campinas) Jaime Bertoluci (USP-ESALQ) Jose Bueno Conti (USP-São Paulo) Lana da Silva Sylvestre (UFRRJ) Lena Geise (UERJ) Lucia Rossi (IBt)

Gladys Flavia Albuquerque Melo de Pinna (USP-São Paulo)

Luiz Pedreira Gonzaga (UFRJ)

Márcia Balistiero Figliolia (IF) Marcio Rossi (IF)

Márcia Inês Martin Silveira Lopes (IBt) Maria Amélia Vitorino Cruz Barros (IBt) Maria Tereza Grambone Guaratini (IBt) Massanori Takaki (UNESP-Rio Claro) Maurício Sedrez dos Reis (UFSC) Mizué Kirizawa (IBt) Pedro Gnaspini (USP-São Paulo) Regina Maria de Moraes (IBt) Ricardo Pinto da Rocha (USP-São Paulo) Ronaldo B. Francini (UNISANTOS) Rui Marconi Pfeifer (IF) Sandra Farto Botelho Trufem (IBt)

Maria Margarida Rocha Fiuza de Melo (IBt)

Sergio Luiz Pompéia (Consultoria Paulista de Estudos Ambientais) Viviane Stern da Fonseca-Kruel (IPJBRJ)

Ficha catalográfica elaborada pela Seção de Biblioteca do Instituto de Botânica Lopes, Márcia I.M.S.; Kirizawa, M.; Melo, Maria M. da R.F. de, orgs. Patrimônio da Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba: a antiga Estação Biológica do Alto da Serra / Márcia Inês Martin Silveira Lopes, Mizué Kirizawa, Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo –– São Paulo: Instituto de Botânica, 2009. 720 p.: il. ISBN 978-85-7523-029-9 1. Mata Atlântica. 2. Ambiente físico. 3. Flora e fauna. 4. Ecologia. I. Título

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indd 579 23/10/2009 16:35:41 .30 Anfíbios anuros da região da Estação Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba Vanessa Kruth Verdade Miguel Trefaut Rodrigues Dante Pavan CAPÍTULO PARTE V FAUNA 31225001 cap26 ao 36.

SP 1 vverdade@usp.br 31225001 cap26 ao 36. Caixa Postal 11. São Paulo. 2mturodri@usp.indd 580 23/10/2009 16:35:41 .br.br.Vanessa Kruth Verdade1 Miguel Trefaut Rodrigues2 Dante Pavan3 Universidade de São Paulo. Instituto de Biociências. CEP 05422-970.461. 3dtpavan@usp.

Although in lower levels. Key words: Anura. Uma lista de 69 espécies.Anfíbios anuros da região da Estação Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba ABSTRACT AnurAnS from de region of The eSTAção biológicA do AlTo dA SerrA de pArAnApiAcAbA The Reserva Biológica de Paranapiacaba is located in the Atlantic forest of Serra do Mar. We present herein what should have been the anurofauna of the area before the tragedy caused by the pollution of Cubatão at the late 1970’s. Encontramos baixa diversidade e abundância de anuros na Reserva de Paranapiacaba e os baixos valores de pH medidos nos corpos d’água amostrados são apresentados como possíveis causas dos declínios observados. Palavras-chave: Anura. bioindicadores. é apresentada com comentários sobre sua biologia. a reserve located northward at the Atlantic Plateau. que apresenta padrões de declínio semelhantes e localiza-se ao norte.indd 581 23/10/2009 16:35:41 . A acidificação do solo e ambiente aquático também pode ser uma possível causa de degradação na Estação Biológica de Boracéia. um dos mais diversificados e ameaçados biomas brasileiros. A list of 69 species. The low frog abundance and diversity and the low values of pH measured at the Reserva water bodies are tentatively pointed as the cause of declines at Paranapiacaba as well as in the area of the Estação Biológica de Boracéia. resultantes de visitas à Reserva. population decline RESUMO AnfíbioS AnuroS dA região dA eSTAção biológicA do AlTo dA SerrA de pArAnApiAcAbA A Reserva Biológica de Paranapiacaba situa-se na Serra do Mar. pollution still reaches the Reserva Biológica de Paranapiacaba causing acidification of soil and drainage. Apresentamos aqui uma lista do que deve ter sido a fauna de anuros da região. Embora em níveis menores. bioindicators. no Planalto Atlântico. 67 rescued from museum collections and literature and two new records registered during visits to this station is presented with comments on their biology. declínio populacional. Mata Atlântica 31225001 cap26 ao 36. e dois novos registros para a área. Atlantic Forest. one of the most diverse and threatened ecosystems in Brazil. em área de Mata Atlântica. provocando acidificação do solo e de nascentes. a poluição ainda atinge a Reserva. 67 citadas a partir de informações da literatura e de coleções zoológicas. anteriormente à tragédia causada pela poluição oriunda de Cubatão no final da década de 1970.

estando ausentes somente nas regiões polares e em algumas ilhas oceânicas. Ivan Sazima. que se seguiu à implantação do polo petroquímico de Cubatão. diante dos declínios que vêm atingindo populações de anfíbios ao redor do globo. nenhuma sistematização desse conhecimento foi até agora realizada. e. o papel que estes poderiam desempenhar em estudos de monitoramento da degradação das florestas. Cardoso. Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001. em área de Mata Atlântica. Pombal & Gordo 2004). É. Adão J. Apesar da área ter sido foco de interesse por parte de tantos pesquisadores.582 Vanessa Kruth Verdade. é possível que. apresentam os maiores índices de diversidade e endemismo da Mata Atlântica. Destacamse. Gilda Andrade e Paulo Garcia. Oswaldo L. e particularmente naquelas situadas em áreas montanhosas. em visitas recentes à Reserva. como também o ponto de partida para estudos de monitoramento de longa duração. Myers et al. Cruz. monitoramentos de áreas afetadas por fatores conhecidos são estratégicos para esclarecer suas causas. As serras do Mar e da Mantiqueira. entre eles. Adolpho Lutz. Hoje. quando a tragédia causada pela poluição de Cubatão abateu-se sobre a Reserva.B. Sem a lista e sem a informação comparativa que os registros temporais e geográficos permitiriam. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Anfíbios anuros ocorrem em quase todos os hábitats terrestres do globo. Ariovaldo Giaretta. contudo. 2000. na região sudeste. considerados ótimos bioindicadores (Gardner 2001). Os anfíbios têm se mostrado muito sensíveis às perturbações ambientais. e mais recentemente. Se. se dispuséssemos de uma lista faunística para a Reserva. Célio F. face a ela. Joaquim Venâncio. sendo portanto. quando os efeitos deletérios da poluição de Cubatão começaram a ser percebidos. cerca de 500 espécies (Frost 2008) e que atualmente está reduzido à cerca de 8% de sua cobertura vegetal original. As populações de anfíbios dessa região ainda não foram intensamente estudadas e encontram-se extremamente ameaçadas. Infelizmente. Coleções foram sendo acumuladas ao longo do tempo em vários museus. sujeitas à condensação das massas de ar que ascendem pelas encostas. Carlos A. Vanzolini. bioma que apresenta uma das mais ricas anurofaunas do globo.. mas ainda não contamos sequer com uma lista de anuros da região. Comparada às demais áreas do sudeste brasileiro. o despertar para o problema poderia ter sido catalisado.A. perdemos a oportunidade de tirar lições importantes sobre algumas das causas que podem ter provocado e ainda estar provocando o declínio dos anuros em uma região que se tornou exemplo dos problemas causados à natureza pela industrialização. Essa é uma lacuna muito séria.indd 582 23/10/2009 16:35:41 . que se tornou mais lamentável quando. seja pela pressão antrópica. confirmamos o empobrecimento que hoje caracteriza a fauna da área. a questão do declínio de anfíbios ainda não estava suficientemente amadurecida na comunidade herpetológica. Desde a fundação da Reserva em 1909. considerando-se a importância dos anuros como indicadores da qualidade ambiental.G. Conhecer a fauna da Reserva é o primeiro passo para verificar possíveis alterações na anurofauna da área causadas pela poluição atmosférica de Cubatão. e de terse tornado símbolo da luta pela preservação ambiental no final dos anos 1970. Bertha Lutz. José Pombal Jr. muitos naturalistas visitaram a área com o intuito de amostrar anuros. Haddad. sendo o primeiro grupo a reagir às alterações no ambiente. É apenas procurando amenizar essa falha e subsidiar 31225001 cap26 ao 36. Peixoto. provavelmente relacionados a barreiras ao fluxo gênico mantidas pela complexidade do relevo que atuaram ao longo da história da área (Joly & Bicudo 1998. nas florestas tropicais úmidas. a região da Reserva Biológica de Paranapiacaba destaca-se por ter sido uma das primeiras áreas estudadas quanto a sua fauna de anfíbios. por outro. não temos como preencher essa lacuna. Bokermann. seja por declínios provocados por causas ainda em grande parte desconhecidas. A Reserva Biológica de Paranapiacaba situase na Serra do Mar no Estado de São Paulo. Werner C. Paulo E. até praticamente o final do século passado. onde apresentam maior diversidade e endemismo. por um lado.

localizada mais ao norte no Planalto Atlântico e considerada até então a área de Mata Atlântica com maior diversidade de anuros (Heyer et al. Além das espécies apresentadas na Ta be la 1. supostamente não atingido pela poluição proveniente de Cubatão.23K0366350. a inclusão desse registro fica adiada até que os exemplares examinados por Cochran possam ser verificados. 1990. Foram realizadas três viagens à Reserva. 7369577. L2. procurando reconstruir o que pode ter sido a anurofauna da Reserva Biológica de Paranapiacaba antes do advento do polo petroquímico de Cubatão. que confirmassem a presença das espécies dentro da Reserva. Citada na literatura como Alto da Serra. permitindo a observação de caracteres taxonômicos de grande importância. certamente em decorrência das visitas constantes que a Reserva recebia de grandes nomes da pesquisa brasileira. A associação dessa espécie à região da Reserva Biológica pode ter sido um erro no registro da localidade ou na identificação dos exemplares. e instaladas nove estações de armadilhas de interceptação e queda. por registros da literatura e.Anfíbios anuros 583 estudos futuros que aqui nos aventuramos a apresentar uma lista preliminar. hoje incluindo a coleção Werner Bokermann. com quatro baldes cada uma. Com o intuito de manter a listagem o mais precisa possível. apesar de Chismocleis leucosticta e Myersiella microps serem duas espécies da família que provavelmente ocorrem na região. Bertoluci 1997). a preservação da Reserva e de sua anurofauna tem papel fundamental na taxonomia de anuros no Brasil. Espécies ainda não descritas ou identificadas a nível genérico não foram incluídas na lista (Tabela 1). 7369895). sobretudo. O esforço total aplicado na captura com armadilhas foi de 360 baldes por noite e na procura ativa foi de 70 horas por pesquisador na Reserva e 4. Cochran (1955) citou Rhinella dorbignyi (Duméril & Bibron 1841) para o Alto da Serra de Paranapiacaba. pois a distribuição conhecida da espécie inclui a porção sul do país.5 horas por pesquisador no Parque Municipal. A riqueza de espécies da Reserva Biológica de Paranapiacaba (69 spp. as populações presentes na Reserva são fontes de topótipos vivos. consideradas sinônimas de outras espécies (com dois asteriscos na Tabela 1). em março. junho e agosto de 2004. e do Museu de História Natural da Universidade Estadual de Campinas. A classificação utilizada segue aquela sumarizada em Frost (2008). 7369614. Apesar de relacionar grande parte da diversidade real da área. É importante ressaltar que. a Reserva Biológica é a localidade-tipo de 21 espécies reconhecidas atualmente (assinaladas com um asterisco na Tabela 1) e de seis outras. por material-testemunho depositado nas coleções do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. como canto e coloração. Além do material-tipo depositado em coleções. Esse registro não foi incluído por ser duvidoso. incluímos na lista aquelas registradas para as localidades de Paranapiacaba. L3. o Uruguai e a Argentina e não existem registros de espécies de Rhinella do grupo granulosa para o Estado de São Paulo. distribuídas em três linhas (coordenadas em UTM: L123K0366437. Pode-se dizer o mesmo do centrolenídeo Hyalinobatrachium eurygnathum e dos 31225001 cap26 ao 36. Alto da Serra. Microhilídeos não aparecem.23K0366591. Como não poderia deixar de ser. para efeito comparativo. Alto de Cubatão ou Paranapiacaba.). que serve como testemunho dessas espécies. Brachycephalus hermogenesi e Cycloramphus acangatan são novos registros para a Reserva. que não se conservam no material depositado em museu. visitamos também o Parque Natural Municipal. Alto da Serra de Cubatão e Campo Grande da Serra (Bokermann 1966). Face à escassez de dados georeferenciados. 27 espécies válidas ou atualmente sinonimizadas a outras foram descritas para a área. Assim. a lista é composta por observações que fizemos no campo.) é comparável à da Estação Biológica de Boracéia (67 spp. tendo sido observadas nas viagens realizadas em 2004. a lista da Tabela 1 está certamente subestimada. Fizemos incursões ao campo durante o dia e a noite e.indd 583 23/10/2009 16:35:41 .

Família e espécie AMPHIGNATHODONTIDAE Flectonotus fissilis Flectonotus ohausi Gastrotheca microdisca** BRACHYCEPHALIDAE Brachycephalus ephippium Brachycephalus hermogenesi Ischnocnema gehrti* Ischnocnema guentheri Ischnocnema hoehnei* Ischnocnema juipoca Ischnocnema nigriventris* Ischnocnema parva BUFONIDAE Dendrophryniscus brevipollicatus** Rhinella hoogmoedi Rhinella icterica Rhinella ornata CENTROLENIDAE Nome popular perereca-de-pulseira perereca-de-bambu rã-marsupial pingo-de-ouro sapo-pulga rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata sapinho-da-bromélia sapo-folha sapo-cururu. rã-martelo. rã-carneiro X X X X X X Hyalinobatrachium uranoscopum X X CRAUGASTORIDAE Haddadus binotatus CYCLORAMPHIDAE Cycloramphus acangatan Cycloramphus dubius* Cycloramphus eleutherodactylus* Cycloramphus semipalmatus* Proceratophrys melanopogon* Thoropa taophora* HYLIDAE Aplastodiscus albosignatus* Aplastodiscus leucopygius Bokermannohyla astartea* Bokermannohyla circumdata Bokermannohyla hylax Dendropsophus berthalutzae* Dendropsophus microps Dendropsophus minutus Dendropsophus sanborni Hypsiboas albomarginatus Hypsiboas albopunctatus Hypsiboas bischoffi** Hypsiboas cymbalum* Hypsiboas faber Hypsiboas pardalis Hypsiboas polytaenius Hypsiboas prasinus Phrynomedusa fimbriata* Phyllomedusa burmeisteri Scinax alter Scinax berthae Scinax brieni* X X X X X X X X X X X X X X X perereca-verde perereca-verde perereca-da-mata perereca-da-mata perereca-da-mata pererequinha pererequinha pererequinha. 2004: registros obtidos nas viagens realizadas à Reserva em 2004. ** Reserva é a localidade–tipo de espécie que foi sinonimizada à espécie indicada.indd 584 23/10/2009 16:35:41 . cururuzão CGS PAR X X X X X X X X X X X X X X 2004 X X X X sapo-cururu-pequeno. perereca-ampulheta pererequinha perereca-verde perereca-marrom perereca perereca sapo-ferreiro. * Reserva Biológica de Paranapiacaba é a localidade–tipo da espécie assinalada. sapo-da-mata rã-de-vidro rã-da-mata rã-cabeçuda rã-mordedora rã-da mata rã-mordedora intanha-pequena. CGS: Campo Grande da Serra. PAR: Vila de Paranapiacaba e Reserva Biológica de Paranapiacaba. Lista das espécies de anfíbios anuros da Reserva Biológica de Paranapiacaba e entorno. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Tabela 1. sapo-paneleiro perereca-franjada perereca-de-pijama perereca sapo-folha sapo-folha perereca perereca perereca X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X continua 31225001 cap26 ao 36. sapo-de-chifre rã-da-pedra.584 Vanessa Kruth Verdade.

Dendropsophus seniculus. mais comuns em áreas da baixada litorânea. assim como outras mais raras. jolyi. rã-mirim. Hypsiboas cymbalum. verifica-se grande variedade de modos reprodutivos especializados entre as 31225001 cap26 ao 36. Em relação às outras famílias. contra cerca de 25% que apresentam distribuição ampla. A maior parte das espécies listadas para a Reserva. Phrynomedusa fimbriata e Ischnocnema gehrti são conhecidas somente da Reserva Biológica de Paranapiacaba. Como tipicamente observado para anuros de áreas de Mata Atlântica de encosta. praticamente todas encontram-se associadas a áreas serranas de relevo acidentado. registradas para o bairro Campo Grande da Serra. Phasmahyla cochranae. Holoaden luderwaldti e Macrogenioglottus alipioi. cerca de 75%. é endêmica de áreas de Mata Atlântica. rã-cachorro rã rã rã rã rã rã rã rãzinha-piadeira rã-manteiga. Três espécies.indd 585 23/10/2009 16:35:41 . Leptodactylus furnarius e L. com altos índices de pluviosidade e onde a umidade se mantém em níveis elevados ao longo de todo o ano. Esses acréscimos elevariam o número de espécies de anuros da região de 69 para 83. provavelmente nos campos naturais presentes na Reserva. Algumas das espécies estão associadas a áreas abertas. como Ceratophrys aurita.Anfíbios anuros Tabela 1. Dentre as espécies endêmicas. como Scinax fuscomarginatus. ultrapassando os limites políticos de pelo menos um Estado. cerca de 30% tem distribuição restrita. rã-paulistinha sapinho sapinho X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Physalaemus olfersii LEPTODACTYLIDAE Leptodactylus flavopictus Leptodactylus furnarius* Leptodactylus gracilis Leptodactylus jolyi* Leptodactylus marmoratus** Leptodactylus ocellatus Paratelmatobius cardosoi* X X Paratelmatobius poecylogaster* hilídeos Aplastodiscus arildae. A lista também nos mostra que cerca de 70% das espécies apresenta distribuição ampla no bioma. S. espécies comuns como Proceratophrys boiei ainda não integram a lista. Ischnocnema spanios. Continuação Família e espécie Scinax crospedospilus Scinax Scinax Scinax Scinax fuscomarginatus fuscovarius hayii perpusillus Nome popular perereca perereca raspa-cuia raspa-cuia pererequinha-da-bromélia perereca-risonha CGS X PAR X X X X X 585 2004 X X Scinax rizibilis* X X HYLODIDAE Crossodactylus dispar** Crossodactylus gaudichaudii Hylodes asper Hylodes phyllodes Megaelosia massarti* LEIUPERIDAE Physalaemus Physalaemus Physalaemus Physalaemus bokermanni* cuvieri maculiventris* moreirae rãzinha-do-riacho rãzinha-do-riacho rã-do-riacho rã-do-riacho rã sapinho rã-chorona. Scinax flavoguttatus. As exceções são Hypsiboas albomarginatus e Scinax alter. ultra passando os limites do bioma. perereca e Sphaenorhyncus orophilus.

Distribui-se por áreas serranas dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Duellman & Gray 1983). em 13 delas os ovos são depositados em ninhos onde os girinos se desenvolvem até alcançar ou gotejar sobre o corpo d’água principal. que vive em bromeliáceas. com ovos depositados em tocas. que se desenvolvem diretamente sem apresentar fase larval de vida livre. onde deposita seus ovos. apresenta modos reprodutivos que não dependem desse tipo de ambiente. cerca de 6 cm. Haddad & Prado 2005). Nosso objetivo é apresentar sucintamente aspectos da biologia dessas espécies que julgamos relevantes para a caracterização da fauna local e para os comentários sobre declínios populacionais e preservação que virão a seguir. de coloração marrom. Paraná e Santa Catarina (Caramaschi & Rodrigues 2007). com ovos depositados em tocas nas margens. Izecksohn & Carvalho- Família Amphignathodontidae Flectonotus fissilis (Miranda-Ribeiro 1920) é uma espécie de perereca de pequeno porte. completa-se o desenvolvimento (Bertoluci 2001. Fornecemos a seguir algumas informações sobre a biologia reprodutiva e distribuição geográfica das espécies presentes na Reserva Biológica de Paranapiacaba e entorno. A espécie ocorre em florestas úmidas do sudeste do Brasil (Duellman & Gray 1983). Trinta e quatro das espécies listadas apresentam reprodução que envolve postura e desenvolvimento larval em ambientes lênticos. Flectonotus ohausi (Wandolleck 1907) é uma espécie de tamanho pequeno. protegidos por uma extensão lateral de pele. Os indivíduos dessa espécie são quase sempre encontrados associados a bambus. grandes e ricos em vitelo. sobre folhas pendentes. as medidas apresentadas representam valores do comprimento rostro-cloacal dos exemplares. cerca de 3 cm. Sempre que nos referirmos ao porte das espécies. Os trabalhos citados representam uma pequena parte do que é encontrado na literatura. Três espécies apresentam reprodução associada a bromeliáceas e três carregam os ovos no dorso durante parte ou todo o seu desenvolvimento. ou em ninhos construídos no leito ou sobre rochas emergentes no riacho. A espécie é conhecida para áreas florestadas dos Estados de Minas Gerais. faixa escura ao redor do pulso. A maioria das espécies (35). Os girinos eclodem no dorso da fêmea e são liberados na água acumulada na base das folhas das bromeliáceas. A fêmea carrega de seis a 16 ovos no dorso. As fêmeas carregam os ovos no dorso como ocorre em F. É diurno e vive no folhedo. A fêmea apresenta uma bolsa dorsal onde o macho insere poucos ovos. de onde eclodem anuros jovens ou girinos que terminam seu desenvolvimento no ninho. recebe o nome de pingo-de-ouro. com coloração acobreada e um padrão dorsal que consiste de uma mancha escura triangular na região interorbital e duas faixas escuras divergentes. É uma espécie rara em coleções. devido ao seu tamanho e coloração. Bertoluci & Rodrigues 2002a).indd 586 23/10/2009 16:35:41 . Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan espécies da área (Duellman & Trueb 1994. fissilis. Nesse “marsúpio” ou bolsa. no entanto. em remansos. Além da vocalização. apresenta um sistema de sinalização visual complexo que deve atuar na corte e na defesa territorial (Haddad & Sazima 1992. Família Brachycephalidae Brachycephalus ephippium (Spix 1824) é um pequeno sapo alaranjado de comprimento rostro-cloacal inferior a 2 cm que. cerca de 3 cm. privilegiando-se revisões de grupos de espécies e estudos de comunidades de anuros. Doze espécies apresentam reprodução terrestre.586 Vanessa Kruth Verdade. Gastrotheca microdisca (Andersson 1910) é uma perereca de tamanho mediano. mas utilizam a água acumulada em ocos de bambu para liberar os girinos. sob troncos ou em meio às folhas da serapilheira. com amplas expansões digitais que vive sobre a vegetação da Mata Atlântica. com uma 31225001 cap26 ao 36. medido da ponta do focinho à cloaca do animal. Dezessete delas apresentam reprodução associada a riachos. Informações adicionais podem ser encontradas em Haddad e colaboradores (2008). São Paulo.

Ischnocnema juipoca Sazima & Cardoso 1978 é uma espécie de pequeno porte. Sabe-se que atualmente o gênero está sendo revisado e será dividido em várias espécies. A parte externa da tíbia apresenta quase sempre uma faixa negra que pode ser contínua ou segmentada. mas as pernas são proporcionalmente muito mais longas que as da espécie anterior. SP) (Giaretta & Sawaya 1998). Brachycephalus hermogenesi (Giaretta & Sawaya 1998) é um dos menores anuros conhecidos. Sua visualização é extremamente difícil. Não apresenta expansão digital no primeiro dedo. Vive na camada superficial do folhedo. os outros três apresentam discos bem desenvolvidos. Provavelmente. A reprodução é supostamente direta. a fêmea deposita um ovo por vez. apresentando uma máscara escura característica. É diur no. que mistura branco. Ischnocnema guentheri (Steindachner 1864) é uma espécie de porte médio. Deposita os ovos em tocas no solo e o desenvolvimento é direto.indd 587 23/10/2009 16:35:41 . Vive 31225001 cap26 ao 36. cerca de 2 cm. de onde vocaliza. a Reserva de Paranapiacaba. Um único indivíduo dessa espécie foi coletado durante a visita ao Parque Municipal. Foi descrito no gênero Psyllophryne. um único exemplar foi ouvido vocalizando dentro dos limites da estação. de dorso escuro. cerca de cinco exemplares estavam vocalizando próximo à linha 3. dentro da Reserva. Rio de Janeiro. de coloração complexa. de coloração castanho-escura com uma marca dorsal em forma de X. 1990). pela lateral da cabeça e corpo. supõe-se que a desova seja colocada em ambiente terrestre e o desenvolvimento seja direto. como para as outras espécies do gênero. Nada se conhece da biologia da espécie. É conhecida somente da localidade-tipo. B. cerca de 4 cm. e padrão de coloração bastante variável. que se desenvolve diretamente. Os machos vocalizam sobre a vegetação baixa. A distribuição conhecida da espécie inclui somente a região do entorno de Paranapiacaba e Boracéia (Heyer et al. Apresenta tamanho pequeno. Vive em capoeiras e áreas de borda de mata. A dis tribuição conhecida da espécie inclui os Estados da Bahia. A reprodução também é terrestre. Ischnocnema hoehnei Lutz 1958 é uma espécie de tamanho pequeno. São Paulo e Paraná. 2008). cerca de 3 cm. enquanto mais de 20 indivíduos vocalizavam nas áreas visitadas no Parque Municipal. Vive no folhedo em áreas florestadas e pode escalar troncos. a cerca de 15 cm do solo. que significa sapo-pulga. Ischnocnema gehrti (Miranda-Ribeiro 1926) é uma espécie conhecida somente de um exemplar. Registros da espécie na literatu ra res tringem-se às proximidades da localidade-tipo (Picinguaba. podendo ser encontrada nos Estados de Minas Gerais. Na viagem realizada em março. e coloração geral escura. É uma espécie que se encontra amplamente distribuída em áreas florestadas no sudeste e sul do Brasil. como para os outros membros do gênero. por isso tanto a descrição da espécie como seu registro para o Planalto Atlântico são recentes (Verdade et al. ephippium não é o nome que será aplicado à população da região da Serra de Paranapiacaba. cerca de 3 cm. não atingindo 1 cm de comprimento rostro-cloacal. Nos pés. Deposita seus ovos entre gramíneas e o desenvolvimento é direto (Haddad & Sazima 1992). base das coxas e parte inferior dos discos digitais de coloração mais clara. com região inguinal. em dias nublados ou chuvosos. Apresenta ampla distribuição. todos os artelhos apresentam discos bem desenvolvidos. marrom e vermelho. tons de verde. Ischnocnema nigriventris (Lutz 1925) é uma espécie pequena. que se estende da ponta do focinho. que apresenta as regiões ocultas da cintura e coxa amarelas.Anfíbios anuros 587 e-Silva 2001). São Paulo e Goiás (Frost 2008). Vocaliza principalmente ao entardecer e durante o dia. cerca de 3 cm. utilizando o estrato vertical da mata até cerca de 2 m. em geral no final da tarde e início da noite. do Estado do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul (Heyer 1984). As expansões digitais são quase imperceptíveis. Espírito Santo. O primeiro e segundo dedos apresentam tamanho similar. Na viagem realizada em junho. no animal vivo. e termina atrás dos braços.

geralmente na borda ou em espaços abertos na mata. Os girinos são negros. nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A espécie foi descrita de Paranapiacaba e é conhecida atualmente para Paranapiacaba e Boracéia. geralmente encontrada junto ao folhedo. lhes confere um aspecto de folha seca. Vivem no folhedo esubosque de áreas florestadas e reproduzem-se em poças temporárias do interior da mata. Rhinella icterica Spix 1824 é maior do que seus congêneres.5 cm de comprimento. A desova consiste em extensos cordões gelatinosos que alojam pequenos ovos negros.588 Vanessa Kruth Verdade. 1998). Apenas um exemplar foi coletado sobre um samambaiaçu no interior da mata. Um indivíduo dessa espécie foi capturado enquanto vocalizava às margens do riacho próximo à linha 3. especialmente próximo às margens de rios. Família Centrolenidae Hyalinobatrachium uranoscopum (Muller 1924) (Figura 1) é uma perereca esverdeada. preferindo os ambientes florestados (Baldissera et al. Cerca de cinco indivíduos foram encontrados nas excursões realizadas. que não ultrapassa 2. na viagem realizada em junho de 2004 à Reserva. diferencia-se de Rhinella ornata por apresentar pele mais granulosa e pela forma das glândulas parotóides (protuberâncias localizadas atrás dos olhos). com ventre transparente. embora existam algumas diferenças morfológicas entre essas populações que podem indicar tratar-se de espécies diferentes. Pode ser encontrado em áreas florestadas do sudeste do Brasil. Reproduz-se explosivamente em corpos de água parada ou com pouca correnteza. por isso conhecida como rã-de-vidro. juntamente com a coloração marrom dos indivíduos. no sudeste do Brasil. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan em áreas florestadas e pode ser encontrada em vocalização sobre a vegetação a cerca de 2 metros do chão. em torno da cloaca. terrestre e noturno. permanentes ou temporários. cerca de 2 cm. Ischnocnema parva (Girard 1853) é uma espécie de pequeno porte. Apresenta uma mancha negra muito característica na região posterior do corpo. até Misiones na Argentina (Heyer 1985a). pois é ali que vocaliza. interiorizando-se no sudeste (Guix et al. Vive na vegetação próxima aos riachos encachoeirados. diurna ou noturna. Família Bufonidae Dendrophryniscus brevipollicatus Jimenez de la Espada 1871 é uma espécie de bufonídeo de pequeno porte. deposita seus ovos e crescem os girinos (Cochran 1955. e focinho afilado. que são muito mais desenvolvidas. e cristas ósseas na região da cabeça. É uma espécie de distribuição relativamente ampla em áreas da costa do Brasil. 2004). como ocorre para as outras espécies do gênero. cerca de 4 cm. 1998). que possui coloração bege ou cinzenta. Entre outros caracteres. Apresenta distribuição ampla nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Rhinella ornata Spix 1824 é um sapo de tamanho médio. onde vocaliza. Após a eclosão. Rhinella hoogmoedi Caramaschi & Pombal 2006 apresenta tamanho médio. 1990). que. O desenvolvimento é supostamente direto. ultrapassando 20 cm. Pode ser encontrada nos Estados do sudeste e sul do país. vocalizando no lago próximo à linha 2. cerca de 8 cm. os girinos gotejam na água do riacho onde terminam seu desenvolvimento (Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001). Depende da água acumulada no interior de bromeliáceas terrícolas para a reprodução. Cerca de seis indivíduos dessa espécie foram encontrados no folhiço durante as visitas à Reserva. cerca de 2 cm. arborícola. 31225001 cap26 ao 36. Tem distribuição ampla no sudeste do Brasil. Pombal & Gordo 2004). Deposita seus ovos de cor branca amarelada sob folhas acima da água. Sua biologia reprodutiva assemelha-se à da espécie anterior. É abundante no folhedo de matas úmidas e o desenvolvimento é direto (Heyer et al.indd 588 23/10/2009 16:35:41 . é terrestre e noturno. bromeliáceas ou vegetação arbustiva na Mata Atlântica. pequenos e formam cardumes (Guix et al.

É facilmente diagnosticada na Mata Atlântica por apresentar o polegar muito mais longo que o segundo dedo. Apresenta pés com membranas interdigitais desenvolvidas. entre a serrapilheira e deposita seus ovos. Os machos vocalizam do chão. Os ovos são depositados fora da água. de coloração marrom-avermelhada com pontos amarelos. Família Cycloramphidae Cycloramphus acangatan Verdade & Rodrigues 2003 (Figura 2) é uma espécie de médio porte. É uma espécie associada a áreas florestadas. que se assemelham a chifres. cerca de 6 cm. com pele granular.indd 589 23/10/2009 16:35:41 . Vive no chão da mata. Ocorre exclusivamente em ambientes florestais. Cycloramphus eleutherodactylus (Miranda-Ribeiro 1920) é uma espécie de tamanho médio. Rio de Janeiro. podendo ser encontrada no sudeste do Brasil. principalmente na lateral do corpo. coloração marrom e com membranas interdigitais nos pés. É uma espécie que está associada a riachos de corredeira de áreas de encosta. nas vertentes voltadas para o Planalto Atlântico (Izecksohn et al. A espécie é conhecida somente para a Serra do Mar no norte do Estado de São Paulo (Heyer 1983. A coloração geral juntamente com os apêndices dérmicos e o comportamento da espécie tornam os indivíduos praticamente invisíveis em meio às folhas mortas. É a espécie de distribuição mais ampla do gênero. 1990). cerca de 5 cm. nos Estados de Minas Gerais. encontrada sobre o folhedo. que se desenvolvem diretamente em pequenos jovens. Está associada a riachos com corredeira de áreas de encosta e paredões rochosos. cerca de 4 cm. Os ovos e girinos desenvolvem-se sobre rochas úmidas emergentes nos riachos. na linha 1. atinge 6 cm. Apresenta uma mancha escura no dorso em forma de M muito característica. Pode ser encontrada na Serra do Mar da porção sul do Estado de São Paulo (Heyer 1983). 31225001 cap26 ao 36. dados não publicados). sobre as rochas úmidas. Um indivíduo dessa espécie foi encontrado na linha 3 dentro da Reserva e outro durante a visita ao Parque Municipal. Está presente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. na região da Serra de Paranapiacaba (Verdade & Rodrigues 2003). com musculatura da cabeça extremamente desenvolvida e membros curtos. Apresenta coloração castanhoavermelhada ou escura com pontuações brancas. A reprodução dessa espécie ainda não é conhecida. que apresenta expansões dérmicas na ponta do focinho e nas pálpebras.Anfíbios anuros 589 Família Craugastoridae Haddadus binotatus (Spix 1824) é uma espécie de grande porte para o gênero. que lhe conferem um aspecto muito peculiar. sob troncos caídos (Heyer et al. de onde eclodem larvas que se desenvolvem fora da água. e quase sempre apresenta um par de manchas negras no meio do dorso. Heyer et al. em florestas de encosta. Ocorre em áreas florestadas do Planalto Atlântico de São Paulo. os girinos eclodem em estágio avançado e sustentam-se exclusivamente da reserva de vitelo do ovo (Verdade et al. alimentando-se do material vegetal que aí cresce. Seu canto e girino são conhecidos mas não estão descritos. A desova é depositada em pequenas tocas em barrancos. cerca de 5 cm. 1998). São Paulo e Paraná (Heyer 1983). Apresenta ampla distribuição no sudeste do Brasil. como ocorre em outras espécies do gênero associadas a esses ambientes (Giaretta e Cardoso. 1990). próximos a poças no interior da mata. principalmente na região lateral do corpo. Cycloramphus semipalmatus (MirandaRibeiro 1920) é uma espécie de porte médio. supõe-se que coloque seus ovos no folhedo. Proceratophrys melanopogon (MirandaRibeiro 1926) é uma rã de tamanho médio. de pele granulosa e coloração escura. 1995). Os girinos apresentam desenvolvimento semi-aéreo e vivem sobre as rochas úmidas.. cerca de 5 cm. Um indivíduo dessa espécie foi capturado em agosto em armadilha de interceptação e queda. Cycloramphus dubius (Miranda-Ribeiro 1920) é uma espécie de tamanho mediano. não possui dilatações na extremidade dos dedos e artelhos.

com manchas mais escuras espalhadas pelo dorso. Deposita uma massa de ovos gelatinosa em cavidades na margem dos riachos. Paraná. Os ovos despigmentados são depositados em pequenas tocas construídas pelos machos na margem dos riachos. e apêndices calcâneos maiores. É encontrada em áreas de Mata Atlântica dos Estados de São Paulo. a desova é depositada em tocas construídas pelos machos à margem de riachos em áreas florestadas. nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica do planalto e serras do Mar e da Mantiqueira. A distribuição conhecida da espécie inclui somente as localidades de Paranapiacaba e Estação Biológica de Boracéia. para onde passam os girinos após o nascimento (Bertoluci 2002. Também vive nas proximidades dos riachos onde vocaliza a alturas variáveis. Seus sítios de vocalização preferidos são bromeliáceas de tamanho médio localizadas entre o chão e 3 metros. cerca de 9 cm. O comportamento reprodutivo da espécie foi descrito por Haddad & Sawaya (2000). astartea. albosignatus quanto ao aspecto. Um indivíduo dessa espécie foi coletado enquanto vocalizava próximo à trilha que leva à linha 3. Minas Gerais. Bokermannohyla circumdata (Cope 1871) é uma perereca de porte médio. dos Estados do Rio de Janeiro. para onde os girinos vão após a eclosão. geralmente próximas a riachos. 2000). Seu nome popular faz alusão à sua vocalização. cerca de 6 cm. vocalização e ecologia. Paraná e Santa Catarina. Pombal & Gordo 2004). de colorido castanho claro que vive nas imediações de riachos florestados de onde vocaliza a alturas variáveis. Ocorre na Serra do Mar e planalto atlântico dos Estados de São Paulo. 2006). Pode ser encontrada no leste do Estado de São Paulo (Feio et al. Os girinos apresentam corpo alongado e cauda musculosa e desenvolvem-se sobre as rochas úmidas (Heyer et al. São Paulo. onde deposita seus ovos sob forma de uma massa globosa e os girinos se desenvolvem (Pavan e colaboradores. circumdata e de B. Prefere áreas florestadas ou áreas perturbadas à beira da mata. Família Hylidae Aplastodiscus albosignatus Lutz & Lutz 1938 é uma perereca verde com tons azulados que atinge cerca de 4 cm. Guix et al. A espécie é muito semelhante a B. leucopygius apresenta uma dobra de pele superior à cloaca. que atinge cerca de 4 cm. Bokermannohyla astartea Bokermann 1967 é uma perereca noturna com tons castanhoamarelados que atinge cerca de 4. Aplastodiscus leucopygius Cruz & Peixoto 1984 (Figura 3) é uma perereca de coloração verde e borda externa da íris vermelho-alaranjada. similar a um balido. Os machos cantam à noite a alturas variáveis sobre a vegetação que margeia os riachos na floresta. A região inguinal e a face ventral da coxa apresentam colorido púrpura característico (Heyer 1985b). inclusive em costões ao nível do mar. completando ali seu desenvolvimento (Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001). Os ovos são depositados nas fendas entre as rochas. da qual se diferencia por apresentar tímpano maior e por não apresentar coloração púrpura na face posterior da coxa (Heyer 1985b). ausente em A. Santa Catarina e Rio Grande do Sul.indd 590 23/10/2009 16:35:41 . de coloração geralmente marrom. Vive em riachos de fundo pedregoso e paredões rochosos. Assemelha-se a A. dados não publicados). 1990). Os ovos são depositados em pequenas cavidades nas proximidades dos riachos para onde se deslocam os girinos. Quatro indivíduos dessa 31225001 cap26 ao 36. O canto assemelha-se ao de uma nota emitida por uma gaita. Paraná e Santa Catarina (Cruz & Peixoto 1984. onde vocaliza nos meses mais quentes e chuvosos do ano (Bertoluci & Rodrigues 2002b).590 Vanessa Kruth Verdade. Bokermannohyla hylax Heyer 1985 é uma perereca de tamanho médio. e tons castanho-amarelados muito próxima de B.5 cm. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Thoropa taophora (Miranda-Ribeiro 1923) é uma espécie de tamanho grande. A. albosignatus. cerca de 5 cm. Pode ser encontrada em áreas florestadas serranas e do planalto atlântico. As diferenças morfológicas entre essas espécies encontramse principalmente na ornamentação da região no entorno da cloaca e no desenvolvimento dos apêndices calcâneos. hylax.

Hypsiboas cymbalum Bokermann 1963 é uma espécie de porte médio.). Apresenta distribuição ampla no sudeste e sul do país. Hypsiboas albomarginatus Spix 1824 é uma perereca esverdeada. A desova dessas espécies consiste em uma massa gelatinosa de ovos que são depositados na água ou na vegetação encharcada. D. Vocaliza geralmente entre o verão e o outono. no sudeste do Brasil. Rio Grande do Sul e Paraguai (Barrio 1962). encontrados vocalizando na beira de um pequeno riacho no interior da mata. Paraná. Vocaliza na vegetação emergente em corpos de água parada ou com pouca correnteza. Três indivíduos dessa espécie foram capturados no lago próximo à linha 2. cerca de 2 cm. geralmente muito comuns e associadas a corpos de água parada ou de pouca correnteza. Bertoluci 2001). cerca de 7 cm. onde deposita seus ovos e os girinos se desenvolvem (Lutz 1973. Os ovos são depositados fora da água. minutus apresenta um desenho semelhante a uma ampulheta no dorso e D. cerca de 6 cm. bischoffi por Cochran (1955).Anfíbios anuros 591 espécie foram coletados e cerca de seis ouvidos nas proximidades da trilha que leva à linha 3. Dendropsophus microps Peters 1872 e Dendropsophus minutus Peters 1872 são pererecas com comprimento rostro-cloacal inferior a 3 cm. microps apresenta distribuição mais restrita. estando presente. especialmente. nas restingas da costa do Rio Grande do Norte até Santa Catarina (Cruz & Peixoto 1984). com região inguinal e parte posterior das coxas com um reticulado branco com manchas negras. incluindo também Estados da região centro-oeste e sul. quando forma grandes coros. de cerca de 5 cm.indd 591 23/10/2009 16:35:41 . de onde eclodem os girinos. Forma grandes coros durante a época reprodutiva. de tons oliváceos que vocaliza sobre a vegetação emergente na margem de ambientes lênticos. sobre a vegetação próxima à superfície da água. Reproduz-se à beira de ambientes lênticos na borda de mata. Vive em corpos de água lênticos onde vocaliza próximo à água em áreas abertas. A população da Reserva Biológica de Paranapiacaba foi descrita como Hyla multilineata Lutz & Lutz 1939. com cerca de 2 cm. Hypsiboas bischoffi Boulenger 1887 (Figura 5) é uma perereca de porte médio. de corpo alongado e pálpebras transparentes. posteriormente considerada subespécie de H. onde cantam sobre a vegetação emergente. Apresenta ampla distribuição na Mata Atlântica. São noturnas e vocalizam formando coros de algumas dezenas de indivíduos. e é bastante comum em brejos situados na borda das florestas. Campo Grande da Serra. microps apresenta coloração alaranjada nas superfícies escondidas dos braços e pernas. A espécie pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica do planalto. Ambas espécies formam grandes coros na época reprodutiva (Lutz 1973. minutus apresenta ampla distribuição na América do Sul a leste dos Andes. D. A espécie é conhecida de três exemplares. geralmente na borda da mata. Pode ser encontrada em Minas Gerais. Santa Catarina. D. São Paulo. especialmente aqueles com taboas (Typha spp. focinho algo afilado e coloração marrom clara no dorso com pontuação amarela característica na face posterior da coxa. A parte posterior da coxa apresenta desenhos de coloração azul púrpura e a face externa da tíbia coloração esverdeada. de cor verde escura. cerca de 5 cm. Bertoluci & Rodrigues 2002b). Apresenta porte médio. Dendropsophus berthalutzae Bokermann 1962 (Figura 4) é uma perereca pequena. Dendropsophus sanborni Schmidt 1944 é uma pequena perereca. Cerca de seis indivíduos foram encontrados no lago próximo à linha 2. nos Estados do Espírito Santo ao Paraná. A distribuição se restringe à localidadetipo. Os girinos desenvolvem-se no corpo principal da poça. com tons alaranjados nas palmas e na face oculta das coxas. Os girinos nadam bem e exploram a coluna d’água (Lutz 1973). estando presente nas áreas de serra e baixadas do sudeste e sul do Brasil. 31225001 cap26 ao 36. Hypsiboas albopunctatus Spix 1824 é uma perereca de tamanho médio. Desovam na água sob forma de uma massa gelatinosa globosa. Apresenta ampla distribuição no sudeste do Brasil. apresenta faixas castanhas no dorso e na lateral do corpo.

um comportamento de defesa que consiste em permanecer imóvel e encolhida. estes passam a viver no corpo d’água principal (Martins & Haddad 1988. de coloração esverdeada ou marrom. Apresenta ampla distribuição na Mata Atlântica. como se estivesse morta (Haddad & Sazima 1992). Ocorre em áreas planálticas do sudeste do Brasil. aí desenvolvem-se os girinos nos primeiros dias. formando um canudo dentro do qual a desova permanece protegida até que os girinos caiam na água após a eclosão. polytaenia no Estado de São Paulo pertenceriam a uma espécie ainda não descrita. 2005). de coloração 31225001 cap26 ao 36. atingindo cerca de 10 cm. de coloração esverdeada. construídos pelos machos que. A região inguinal apresenta um padrão escuro reticulado em um fundo amarelo.indd 592 23/10/2009 16:35:41 . presente do nordeste ao sudeste do Brasil (Bertoluci et al. Hypsiboas prasinus Burmeister 1856 é uma perereca de tamanho médio. nos Estados de São Paulo. variando do róseo ao avermelhado claro. Rio de Janeiro e Minas Gerais. pupila vertical. Os girinos são característicos por adotar posição oblíqua em relação à superfície da água. talvez deposite os ovos em folhas sobre corpos d’água em borda de mata. Vocaliza da vegetação emergente em corpos de água parada situados em áreas abertas ou na periferia da mata. Phrynomedusa fimbriata MirandaRibeiro 1923 é uma espécie de tamanho médio. Os machos cantam geralmente do chão em pequenas depressões do terreno que retêm água após fortes chuvas ou em ninhos semelhantes às bacias de H. Os indivíduos dessa espécie desovam em uma folha pendente sobre água empoçada. e um apêndice bem desenvolvido na articulação entre a tíbia e o tarso. Scinax alter (Lutz 1973) é uma espécie de pequeno porte. A espécie vocaliza da primavera ao outono sobre a vegetação ao redor de corpos de água lênticos na mata ou borda da mata (Bertoluci & Rodrigues 2002b). Hypsiboas polytaenius Cope 1869 apresenta. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Hypsiboas faber Wied-Neuwied 1821 (Figura 6) é a maior perereca da Mata Atlântica. com uma faixa escura na linha vertebral e parte ventral dos braços e região cloacal. como H. Estas “bacias” de barro com cerca de 20 cm de diâmetro e paredes elevadas recebem a desova. São Paulo. Nada se conhece sobre a biologia da espécie. coloração predominante verde. com manchas amarelas e azuis nas coxas e flancos. Aqueles indivíduos até então identificados como H. a Reserva Biológica de Paranapiacaba. cerca de 3 cm. faber. está restrita aos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. que apresenta franjas dérmicas nas laterais externas dos antebraços e pés. A folha é enrolada pelo casal em reprodução. Phyllomedusa burmeisteri Boulenger 1882 é uma perereca de porte grande. Os machos são territoriais e constroem ninhos no chão que permanecem isolados do corpo principal da poça. ou após a destruição ou inundação do ninho por chuvas mais fortes. Segundo Cruz & Caramaschi (1998). cerca de 7 cm. Hypsiboas pardalis Spix 1824 é uma perereca de grande porte. um padrão de coloração dorsal com linhas longitudinais. 1990). como naquela espécie são bastante territoriais. Minas Gerais. por ser próxima do gênero Phyllomedusa. sudeste do Paraguai e em Misiones. a espécie pode entrar em tanatose. na Argentina. cerca de 4 cm. A desova e os girinos aí se desenvolvem (Heyer et al. Apresenta coloração marrom. Três indivíduos dessa espécie foram encontrados no lago próximo à linha 2. mas é menor. nos Estados de Goiás. Ocorre no leste e sul do Brasil. É conhecida somente da localidade-tipo.592 Vanessa Kruth Verdade. Quando capturada. Rio de Janeiro e Espírito Santo (Lutz 1973). O sapo-ferreiro. Terminada essa fase. Pode ser encontrada no centro-oeste e leste do Brasil. e coloração branca esverdeada com padrão liquenoso que se reproduz em poças. Bertoluci & Rodrigues 2002a). cerca de 7 cm. e possui a face posterior da coxa com coloração uniforme. lagos ou charcos situados dentro ou na borda de mata. bischoffi. como é popularmente conhecida. cerca de 5 cm. cerca de 4 cm. canta na vegetação situada ao redor de corpos de água lênticos na borda da mata.

norte da Argentina. em áreas abertas. Está associada basicamente a bromélias terrestres. sombreado (Heyer et al. Pode ser encontrada no planalto. com coloração amarelada uniforme. serras e baixada litorânea dos Estados do Espírito Santo. A espécie ocorre em áreas florestadas da Serra do Mar no Estado de São Paulo. cerca de 5 cm. Pode ser encontrada na Serra do Mar entre o Espírito Santo e Santa Catarina. cerca de 2 cm. Os machos vocalizam em meio a gramíneas. sendo conhecida dos Estados de Pernambuco a Santa Catarina (Lutz 1973. inundadas após chuvas fortes. semelhante a uma risada. Possui distribuição ampla. Scinax rizibilis (Bokermann 1964) é uma espécie de perereca de pequeno porte. Vive sobre a vegetação de pequeno porte. de coloração amarelo-esverdeada. podendo ser encontrada no centro. Bertoluci 2001). Sua reprodução ocorre em ambientes de água empoçada. onde os girinos se desenvolvem. Os machos vocalizam empoleirados sobre troncos e folhagem ao redor de poças temporárias em áreas abertas na borda da mata. Scinax fuscovarius (Lutz 1925) é uma perereca de porte médio. Vive na vegetação próxima a áreas brejosas. de coloração acinzentada com duas faixas mais escuras na lateral do dorso. Scinax crospedospilus (Lutz 1925) é uma espécie de perereca de pequeno porte. podendo ser encontrada no sul e sudeste do Brasil. onde os machos vocalizam durante a noite empoleirados na vegetação marginal. em áreas abertas (Lutz 1973). cerca de 2.5 cm. com um padrão dorsal complexo de manchas escuras e claras. Os ovos são depositados na água acumulada na base das folhas das bromélias.indd 593 23/10/2009 16:35:41 . em poças temporárias e depositam os ovos em sua porção submersa. Apenas um indivíduo dessa espécie foi encontrado em vocalização no lago próximo à linha 2. nos Estados de Minas Gerais. Scinax berthae (Barrio 1962) é uma espécie de perereca de pequeno porte. sul do Paraguai. Os machos vocalizam sobre a vegetação. Apresenta distribuição bastante ampla. Scinax hayii (Barbour 1909) (Figura 7) é uma perereca de médio porte. cerca de 3 cm. Os machos são territoriais e escolhem uma bromélia. na bifurcação de troncos ou sobre folhas. com uma mancha interocular escura. Scinax fuscomarginatus (Lutz 1925) é uma perereca de pequeno porte. 1990). Paraguai e leste da Bolívia. 1990). Deposita os ovos na água.Anfíbios anuros 593 acinzentada com duas faixas mais escuras e quase paralelas no dorso. de coloração amarelada nos flancos. Scinax brieni (De Witte 1930) é uma espécie de pequeno porte. Apresenta distribuição ampla no litoral. onde os girinos se desenvolvem. Cerca de três indivíduos dessa espécie foram ouvidos durante as visitas à Reserva. na trilha que leva à linha 3 de armadilhas. Pombal & Gordo 2004). Seu nome científico faz alusão à sua vocalização. Ocorre no nordeste da Argentina. Scinax perpusillus (Lutz & Lutz 1939) é uma espécie de tamanho pequeno. com tubérculos esparsos pelo dorso. de onde vocalizam. desenvolvem-se em ambiente lêntico. Os girinos dessa espécie ainda não foram formalmente descritos. Bolívia e noroeste da Argentina. Paraguai. de coloração acinzentada que apresenta manchas retas mais escuras no dorso. de coloração acinzentada. Reproduz-se em lagoas ou remansos de riachos no interior da mata. cerca de 2 cm. e na Serra da Mantiqueira (Haddad & Sazima 1992. Uruguai e sudeste e sul do Brasil (Barrio 1962). Os ovos 31225001 cap26 ao 36. Está presente em regiões serranas do sudeste do Brasil. cerca de 6 cm. cerca de 2 cm. Os machos cantam a uma altura de cerca de 50 cm entre a vegetação herbácea. A espécie tem reprodução explosiva e costuma invadir ambientes alterados (Lutz 1973. leste e sul do Brasil. Rio de Janeiro e São Paulo (Peixoto 1987). Indivíduos dessa espécie podem ser encontrados em clareiras no interior da mata. apresenta no dorso séries de pares de manchas escuras com bordas mais claras. Rio de Janeiro e São Paulo. Bertoluci & Rodrigues 2002b). cerca de 4 cm. Reproduz em ambientes lênticos. ao redor de ambientes lênticos em áreas abertas (Heyer et al. sobre rochas e muito freqüentemente dentro de habitações.

Os ovos são depositados e os girinos desenvolvem-se nesses ambientes (Heyer et al. A sistemática do grupo é complexa e até mesmo caracteres diagnósticos de grupos dentro do gênero são confusos. Em vida. A distribuição conhecida da espécie inclui as localidades de Paranapiacaba e Estação Biológica de Boracéia. Os ovos são depositados em ninhos de espuma flutuantes. de cor acinzentada com uma mancha central em forma de ômega e dorso acinzentado com cordões longitudinais escuros. Os dois padrões mais comuns são aqueles em que o dorso é liso. ancorados à vegetação (Haddad & Sazima 1992). e a de C. em cavidades naturais no solo. associada a riachos. onde se desenvolvem os girinos (Heyer et al. Pode ser encontrada na Serra do Mar do Estado de São Paulo. de coloração escura com pontuações amareladas e dorso levemente granular. 1990). de onde vocalizam. Hylodes phyllodes Heyer & Cocroft 1986 é menor que H. que apresentam espinhos cornificados no primeiro dedo. São Paulo e Santa Catarina. Na região de Paranapiacaba. espécies das quais também se alimenta. atingindo cerca de 3 cm. dispar inclui os Estados de Minas Gerais. Physalaemus cuvieri Fitzinger 1826 é uma espécie de tamanho pequeno. de onde vocalizam para atrair as fêmeas. A distribuição de C. cerca de 2 cm. Apresenta grande variedade de padrões de coloração e textura do dorso. Família Leiuperidae Physalaemus bokermanni Cardoso & Haddad 1985 é uma espécie de pequeno porte. 1990). formadas entre as raízes da vegetação (Cardoso & Haddad 1985). cerca de 3 cm. centro-oeste. 1993). Hylodes asper (Müller 1924) é uma espécie de coloração acinzentada e pele granular que lembra a superfície de uma rocha e atinge cerca de 4 cm. Família Hylodidae Crossodactylus dispar Lutz 1925 e Crossodactylus gaudichaudii Duméril & Bibron 1841 são espécies de tamanho pequeno. mas utiliza ambientes mais sombreados e corpos d’água de menor porte. Os machos estabelecem territórios ao longo dos riachos. São depositados cerca de 50 ovos envoltos por espuma. Os machos são territoriais e escolhem uma rocha emergente no riacho. sudeste e sul do Brasil. em ninhos de espuma incipientes (Bokermann 1964). vive nos mesmos riachos que Hylodes asper e H. Os ovos são depositados em ninhos no leito do riacho. É uma espécie bastante comum encontrada. Também é uma espécie diurna. Os machos vocalizam flutuando em corpos de água lênticos em áreas abertas. os girinos são bastante grandes e desenvolvem-se na água corrente. desenho dorsal composto por uma flecha marrom. no Estado de São Paulo (Giaretta et al. Está ativa durante o dia e associada a riachos em áreas de mata. ocorrendo no nordeste. cerca de 11 cm. Os machos vocalizam no chão de capoeiras. os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Rio de Janeiro. 1990). onde se desenvolvem os girinos (Heyer et al. Sua vocalização não é conhecida. Como na espécie anterior. ao redor de pequenas poças temporárias. os ovos são depositados em ninhos no leito do riacho. inclusive. São Paulo e Paraná. e em Misiones e Entre Rios na Argentina e no leste do Paraguai (Frost 2008). Ocorre na Serra do Mar dos Estados do Rio de Janeiro. É diurna e está associada a riachos ou pequenos rios de fundo rochoso. 31225001 cap26 ao 36. Possui distribuição geográfica bastante ampla. gaudichaudii. os exemplares apresentam uma coloração alaranjada ou avermelhada na região inguinal. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan são depositados na água. no município de Santo André. asper. phyllodes. Estão associadas a riachos de áreas florestadas e representam algumas das poucas espécies de anuros diurnas. É conhecida para a Mata Atlântica do sul do Estado de São Paulo. Apresenta coloração castanha e uma faixa clara dorsolateral. Os ventres de machos e fêmeas são avermelhados. na região posterior da coxa e próximo às axilas. A distribuição conhecida da espécie limita-se à localidade-tipo. cerca de 3 cm.594 Vanessa Kruth Verdade. em áreas antropizadas. Megaelosia massarti (De Witte 1930) é uma espécie de grande porte.indd 594 23/10/2009 16:35:41 .

Rodrigues). Anfíbios anuros da Reserva Biológica de Paranapiacaba. 5. 6. 2. Paratelmatobius cardosoi. 7. Hypsiboas bischoffi. Hyalinobatrachium uranoscopum. 4.Anfíbios anuros 595 1 2 3 4 5 6 7 8 Figuras 1-8.indd 595 23/10/2009 16:35:49 . Hypsiboas faber. Scinax hayii. 31225001 cap26 ao 36. 8. 1. Cycloramphus acangatan. Dendropsophus berthalutzae. (Fotos: Miguel T. 3. Aplastodiscus leucopygius.

A espécie é encontrada no centro. A vocalização é bem característica. Pode ser encontrada nas serras do centro e sudeste do Brasil (Eterovick & Sazima 2004). Apresenta uma faixa lateral escura que se estende do olho até a região inguinal. cerca de 6 cm. 1990). deposita seus ovos em partes represadas de riachos e poças no interior da mata. semelhante ao canto de uma cigarra. em ambientes aquáticos lênticos. O dorso apresenta dobras dérmicas longitudinais. Os ovos são depositados entre gramíneas ou no interior de tocas de barro que os machos constroem. que apresenta uma mancha mais escura em forma de seta no centro do dorso e dois pontos negros na região inguinal. onde se reproduz. escondidos entre a vegetação. Apresenta coloração castanha com manchas mais escuras distribuídas pelo dorso. O canto lembra uma gota caindo em uma bacia cheia de água. cerca de 13 cm. Vive na vegetação aberta próxima a brejos. de dorso com fundo castanho. Vive em áreas de mata próxima a riachos. Leptodactylus marmoratus Fitzinger 1867 é uma espécie terrestre. é superficialmente similar a L. sendo observados machos das duas espécies em coro. dentro de pequenas tocas escavadas na lama. Physalaemus olfersii (Lichtenstein & Martens 1856) é uma rã de pequeno porte. cerca de 3 cm. Os girinos desenvolvem-se até que as chuvas façam o nível da água da poça subir o suficiente para invadir a toca e permitir que os girinos alcancem a poça maior. no solo encharcado. nos mesmos sítios reprodutivos (Heyer et al. de pequeno 31225001 cap26 ao 36. Os machos cantam fora da água. do olho até a axila. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Physalaemus maculiventris (Lutz 1925) é uma espécie de tamanho pequeno. mas apresenta corpo mais robusto. A espécie pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica do sudeste e sul do Brasil (Frost 2008). onde completam seu desenvolvimento. A biologia é similar à da espécie anterior. onde as fêmeas depositam seus ovos e os girinos se desenvolvem (Heyer et al. Família Leptodactylidae Leptodactylus flavopictus Lutz 1926 é uma espécie de grande porte. de coloração castanha. É uma espécie considerada rara e conhecida para áreas de Mata Atlântica do leste do Brasil e é mais abundante em áreas da costa. sudeste e sul do Brasil. Uruguai e Argentina (Heyer 1978). Bertoluci & Rodrigues 2002a). Leptodactylus furnarius Sazima & Bokermann 1978 é uma espécie de médio porte. 1990). Os machos vocalizam durante o dia e a noite. Os girinos dessa espécie ainda não foram formalmente descritos (Heyer et al. que apresenta listras escuras no dorso e estrias esbranquiçadas nas coxas e tíbias. margeada por uma linha branca. Os machos vocalizam em áreas alagadiças próximas a poças maiores. de coloração acinzentada. A desova é depositada em espuma em um túnel construído pelo macho. de pernas e focinho longos. sudeste e sul do Brasil e no Uruguai (Heyer 1978). cerca de 5 cm. cerca de 2 cm.596 Vanessa Kruth Verdade. furnarius. algumas vezes marcadas de branco. É conhecida para áreas florestadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.indd 596 23/10/2009 16:35:49 . A reprodução ocorre em área aberta e em borda de mata. A desova é depositada nessas tocas sobre uma pequena quantidade de água. Leptodactylus jolyi Sazima & Bokermann 1978 atinge cerca de 4 cm. Leptodactylus gracilis (Duméril & Bibron 1841) é uma rã de médio porte. que do Planalto Atlântico (Heyer 1979. Physalaemus moreirae (Miranda-Ribeiro 1937) é uma espécie de tamanho pequeno. cerca de 4 cm. Também se reproduz em áreas brejosas. apresentando um padrão de manchas escuras bordeadas por uma linha branca. Os machos vocalizam no chão. 1990). Os machos vocalizam sobre ou sob folhas mortas próximas a poças no interior da mata. que apresenta quatro dobras dérmicas dorsolaterais. A espécie pode ser encontrada na Bolívia. A espécie encontra-se distribuída na Serra do Mar do Estado de São Paulo. escondidos entre o capim de áreas mais secas dentro do brejo. Os girinos aí se desenvolvem até que as chuvas elevem o nível da água e conectem a toca ao corpo d’água principal. e ventre claro com manchas pretas centrais.

Os machos vocalizam à noite ou durante o dia. sob a influência direta da poluição vinda de Cubatão. respectivamente. A reprodução é terrestre. É difícil de ser coletada. nossa experiência de campo indica uma fauna depauperada. As visitas realizadas à Reserva resultaram no acréscimo de duas espécies à lista de exemplares depositados em coleções e citados na literatura. de corpo marrom esverdeado com manchas escuras por todo o dorso e uma mancha triangular entre os olhos. nos Estados do Rio de Janeiro. em alguns indivíduos. uma faixa larga dorsolateral de coloração alaranjada. estando ausentes as grandes touceiras. os ovos são depositados em um ninho de espuma em uma toca no solo. permanecendo dentro da água ao lado de sua desova ou de seus girinos que formam cardumes compactos. no Estado de São Paulo. em dias nublados ou chuvosos (Bertoluci & Rodrigues 2002b). resultaram em uma riqueza de 29 e 26 espécies de anfíbios. de coloração marrom com pontos esverdeados no dorso. Espécies muito comuns em áreas similares como Leptodactylus marmoratus. nas proximidades de poças e lagos no interior da mata. Cerca de cinco indivíduos encontravam-se em vocalização próximos às trilhas que levam às linhas de armadilhas. das 67 anteriormente conhecidas para a área. em abundância. É encontrada na proximidade de ambientes aquáticos diversos. Sua distribuição geográfica é bastante ampla. O ventre apresenta fundo negro. Os machos vocalizam na água. Pode ser encontrada em áreas florestais. e na localização de outras 16. parva. Apesar das visitas terem sido realizadas em períodos desfavoráveis do ano e em número reduzido. Ocorre do nível do mar a 850 metros de altitude na região de Mata Atlântica do Sul e Sudeste do Brasil. São Paulo. A própria fisionomia da paisagem mostra fortes indícios de alteração da área. Na segunda. abrigados na vegetação. As desovas são depositadas em um ninho de espuma flutuante e a fêmea costuma cuidar de sua prole. Aplastodiscus leucopygius e Scinax perpusillus. É evidente a diferença de aspecto da mata situada den tro dos limites da Reserva Biológica e a mata do Parque Municipal. que podem variar de dois a 10 ovos. apesar de registradas. Um indivíduo dessa espécie foi encontrado no lago próximo à linha 2. no Estado de São Paulo (Pombal & Haddad 1999). bordeadas por uma faixa vermelha e uma branca. no Estado de São Paulo (Pombal & Haddad 1999). estiveram representadas por poucos indivíduos. os machos cantam no chão durante a estação chuvosa.Anfíbios anuros 597 porte. Na primeira. Apresenta coloração amarronzada com faixas mais escuras e. Dois indivíduos dessa espécie foram coletados em armadilha de interceptação e queda na linha 3. A distribuição conhecida da espécie inclui somente as localidades de Boracéia e Paranapiacaba. Para efeito comparativo. A fêmea deposita aproximadamente 20 ovos em grupos no fundo dessas poças. se não em riqueza. cerca de 3 cm. I. com manchas cor de laranja. cerca de 2 cm. borda de mata e em alguns casos até em áreas abertas. de barriga negra com manchas alaranjadas. Paraná e Santa Catarina (Heyer 1973). e as bromélias são escassas. cerca de 10 cm. e em maio a Juquitiba. cerca de 2 cm. mais afastada e aparentemente não afetada pelos 31225001 cap26 ao 36. Paratelmatobius cardosoi Pombal & Haddad 1999 (Figura 8) é uma rã de pequeno porte. nas localidades de Paranapiacaba e Boracéia. Haddadus binotatus. Ischnocnema guentheri. A espécie é conhecida somente da Mata Atlântica. Leptodactylus ocellatus (Linnaeus 1758) é uma espécie de grande porte. Paratelmatobius poecylogaster Giaretta e Castanho 1990 é uma espécie de pequeno porte. É encontrada nas proximidades de riachos temporários no interior da mata e se reproduz na água acumulada em meio a aglomerados de rochas. alimentando-se das reservas de vitelo do ovo. Os girinos permanecem nessa toca após a eclosão até a metamorfose.indd 597 23/10/2009 16:35:49 . associada a áreas de vegetação aberta do norte ao sul do Brasil e Argentina (Haddad & Sazima 1992). viagens realizadas em outubro a São Bernardo do Campo. restam apenas vestígios das grandes árvores que compunham a mata original.

598 Vanessa Kruth Verdade. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan ventos oriundos de Cubatão. Crossodactylus dispar. Cycloramphus dubius e Megaelosia massarti passaram a integrar. a lista de espécies ameaçadas. Informações importantes sobre as populações de algumas das espécies da área também podem. um esforço de 4. que. resultou no registro de três espécies. fimbriata apresentam distribuição restrita à Reserva Biológica de Paranapiacaba e Megaelosia massarti distribuição restrita à Reserva e à Estação Biológica de Boracéia. ainda que frouxamente. Werner Bokermann. de cerca de cinco indivíduos. Outra fonte atual importante de informações sobre distribuição e atribuição de categorias de ameaça a espécies do mundo todo encontra-se disponível no site da International Union for Conservation of Nature (IUCN) disponibilizado em 2004. bastante conspícuas e associadas a declínios populacionais na região sudeste do Brasil (Heyer et al. ser resgatadas das visitas regulares realizadas por pesquisadores à Reserva. Minas Gerais (Machado et al. nos anos de 1980 e 1990. cymbalum e P. Hyalinobatrachium uranoscopum e Cycloramphus eleutherodactylus estão também na lista de espécies provavelmente ameaçadas do Estado do Rio de Janeiro. Um esforço de 360 baldes/noite e 70 horas/pesquisador durante o dia e a noite. No mesmo período. podem estar seriamente ameaçadas. As observações na Reserva de Paranapiacaba indicam que fatores externos podem afetar a área fazendo com que a conservação da espécie não esteja garantida mesmo em uma unidade de conservação. É inquietante perceber que muitas das espécies comumente encontradas em áreas de mata do sudeste. Dentre essas espécies. embora situada na região de Paranapiacaba. este fato não assegura sua conservação. a lista de espécies quase ameaçadas do Estado de São Paulo após a revisão realizada em 2008. Apesar desse quadro. decorrente da proximidade de sua área de ocorrência a grandes centros urbanos do sudeste do país. está localizada fora da Reserva. sempre em amostras pequenas. Mais ainda. mostrou-se muito mais abundante no Parque Municipal. a despeito de sua pequena área de ocorrência. apenas duas das espécies registradas para a área encontramse na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção publicada no site do IBAMA em 2003 . A principal ameaça a essas espécies é certamente a destruição de hábitats. registrado na Reserva por apenas um indivíduo em vocalização na primeira viagem e cerca de cinco indivíduos na segunda.5 horas/pesquisador no Parque Municipal. resultou no encontro de apenas 18 espécies. foram regularmente coletadas no interior da Reserva até o início da década de 1970. saber que informações preciosas sobre espécies de distribuição restrita e raras. Phrynomedusa fimbriata. na vertente do morro não influenciada diretamente pela poluição proveniente do polo petroquímico de Cubatão. Hypsiboas cymbalum. e as duas últimas. Quantidades similares de exemplares das mesmas espécies foram coletadas ao longo dos anos. durante o dia. Embora algumas populações de anuros endêmicos possam potencialmente apresentar densidades muito elevadas. 31225001 cap26 ao 36. Os registros provenientes dessas coletas não pare cem indicar qualquer tipo de problema relacionado à densidade de indivíduos. As diferenças na fisionomia da mata refletem também diferenças na composição da anurofauna. 1998) ou Paraná (Mikich & Bernils 2004). podem estar perdidas. referem-se apenas à Cachoeira da Pedra Lisa. Nenhuma delas encontra-se nas listas oficiais de espécies ameaçadas dos Estados do Rio de Janeiro (Bergalo et al. por exemplo. na Reserva Biológica. assim como são muito abundantes as grandes touceiras de bromeliáceas. fez coletas anuais de 1951 até 1969 na Reserva de Paranapiacaba. Brachycephalus hermogenesi. Weygoldt 1989). cuja biologia é completamente desconhecida. as árvores de grande porte são comuns. 2000). 1988.Hypsiboas cymbalum e Phrynomedusa fimbriata. Relatos posteriores. as três primeiras. no entanto. apesar de ocorrerem dentro de uma unidade de preservação.indd 598 23/10/2009 16:35:49 . H. Espécies dos gêneros Crossodactylus. Cycloramphus e Hylodes. onde constituía o ruído de fundo nas áreas de mata.

Atribui-se a uma geada muito forte ocorrida em 1979 a causa provável dos declínios populacionais observados na área. taophora desapareceram das áreas altas. Atualmente existem na literatura inúmeros trabalhos que tratam de declínios de populações de anfíbios com causas desconhecidas. no mínimo. observase que as espécies de uma mesma localidade afetadas por declínios não respondem da mesma maneira. Em estudos realizados principalmente na América Central. apresentaram-se muito raras. Hylodes asper. H. Em algumas espécies. Existem semelhanças claras entre os declínios observados em florestas de neblina da América Central e aqueles verificados na Estação Biológica de Boracéia e na Reserva Biológica de Paranapiacaba. ao passo que aquelas que se reproduzem em ambientes aquáticos lênticos. são as menos afetadas (Lips et al. São muitas as possíveis causas levantadas para explicar esse fenômeno. são aparentadas a espécies que também desapareceram da Estação Biológica de Boracéia.Anfíbios anuros 599 Também são tão ou mais preocupantes as ameaças “invisíveis” que pairam sobre elas. Além disso. boraceiensis. na Estação Biológica de Boracéia. As alterações sobre a paisagem foram drásticas e assim devem ter sido para a fauna. C. Os efeitos da poluição proveniente do polo petroquímico de Cubatão na área da Reserva ainda são evidentes. Nenhuma das espécies associadas a riachos que mostraram declínio acentuado ou desapareceram de Boracéia. Quando comparamos as duas áreas sob a ótica das evidências negativas. C. gaudichaudii. algumas das espécies que desapareceram na Reserva de Paranapiacaba. 2003). bem como a concordância entre as supostas datas de ocorrência desses declínios (19791980). phyllodes. Cycloramphus boraceiensis. mas ainda são abundantes nas áreas baixas da Serra do Mar próximas a essas localidades. Esses declínios têm sido verificados em todos os continentes e parecem ser mais comuns em florestas tropicais úmidas de áreas montanhosas (Young et al. aumento na incidência de radiação ultravioleta. Adicionalmente. Os relatos registrados no Livro de Visitantes da Reserva no final da década de 1970 e início de 1980. Ischnocnema guentheri e I. ou associadas a riachos (Crossodactylus dispar. associadas a bromélias (Dendrophryniscus brevipollicatus e Scinax perpusillus). asper. e que integram a lista da Reserva Biológica de Paranapiacaba. localidade intensamente estudada e situada em área de proteção. pode ser um indício de que o mesmo fator tenha atuado nas duas localidades. As medidas legais tomadas no início da década de 1980 parecem ter controlado os altos índices de poluição que atingiram 31225001 cap26 ao 36. somente populações de áreas montanhosas são afetadas. Cycloramphus boraceiensis. no Estado de São Paulo.1990). mostram. Isto sugere que as florestas de encosta sejam afetadas de forma diferente das florestas de áreas baixas. A concordância no que diz respeito aos aspectos da biologia entre espécies ou grupos de espécies que sofreram declínio em Boracéia a partir de causas não identificadas. apesar de terem sido observadas. 1988). As espécies mais afetadas pelos declínios em Boracéia foram aquelas que apresentam reprodução terrestre (Leptodactylys marmoratus. Hyalinobatrachium eurygnathum e Thoropa taophora) (Heyer et al. como por exemplo. indignação. enquanto populações de terras baixas mantêm flutuações de abundância consideradas normais. 2001). onde os ambientes estão aparentemente bem preservados (Heyer et al. Aparentemente. espécies associadas a riachos são as mais suscetíveis a declínios populacionais. os resultados são também similares: espécies que não sofreram declínios populacionais em Boracéia continuam também sendo encontradas na Reserva Biológica de Paranapiacaba. As demais. 1988. e aquelas que apresentaram declínio na Reserva de Paranapiacaba em conseqüência da poluição. H. H. Cycloramphus dubius e C. phyllodes e T.indd 599 23/10/2009 16:35:49 . Um dos primeiros relatos sobre declínios ocorreu no Brasil. doenças causadas por fungos e bactérias e sinergismo desses fatores. incluindo alterações climáticas globais. espécies cuja distribuição engloba a encosta e a baixada litorânea tiveram populações afetadas diferentemente. parva). semipalmatus. foi coletada recentemente.

indd 600 23/10/2009 16:35:49 . A acidificação das nascentes indica que a poluição atravessou o solo e atingiu o lençol freático. Novos dados provenientes de estudos realizados na Estação Biológica de Boracéia têm demonstrado a existência de populações de anfíbios anuros que desapareceram das proximidades da sede de pesquisa em bacias próximas. McDiarmid & Altig 1999). como também daquelas estocadas no lençol. Sabe-se que poluentes podem ser transportados pelo vento e pela chuva a quilômetros de seu ponto de origem e que a intensidade de seus efeitos pode não estar diretamente relacionada apenas com a proximidade da fonte poluidora (Davidson et al. A estabilização dessas populações em densidades abaixo dos valores normalmente observados e a ausência de recolonizações podem ser indícios de que os fatores que causaram os declínios populacionais em Boracéia ainda estejam atuando. A associação direta dos declínios observados na Reserva Biológica de Paranapiacaba à acidificação do sistema ainda precisa ser mais investigada. Apesar de não terem sido encontradas espécies associadas a riachos no Parque Municipal. Tanto a Estação Biológica de Boracéia como a Reserva Biológica de Paranapiacaba localizam-se no planalto próximo da escarpa da Serra do Mar e têm em comum altos índices de pluviosidade e incidência freqüente de neblina. apesar de controlada. lagoas (pH 4.0). apesar da maior incidência de poluentes no último caso (Lopes 2001). portanto. Sintomas como esses e também a morte súbita após captura são citados como indícios da presença de compostos químicos na água. 2001). indicam que a acidez do solo e de água de nascentes localizadas a 800 m de altitude é maior do que aquela registrada a 100 m.600 Vanessa Kruth Verdade. Mata Atlântica. sujeitos não somente à ação das substâncias trazidas pelas chuvas. Essa Unidade de Conservação é referência histórica de dados e localidade-tipo de muitas 31225001 cap26 ao 36. a poluição que atinge a Reserva ainda é preocupante. Durante uma das visitas à Reserva. o pH dos corpos d’água visitados revelou-se consideravelmente mais alto que aqueles medidos na Reserva (pH 5. espécies como Hylodes phyllodes ainda se encontram em densidades muito baixas na Estação (Bertoluci 1997). Os ambientes aquáticos sob influência dos poluentes estariam. tanto na água das chuvas (pH 4. Esse problema é especialmente importante para a qualidade dos riachos e merece ainda mais destaque se considerarmos que 16 das espécies de anuros registradas para a área reproduzem-se nesse ambiente. como em bromeliáceas (pH 4. Florestas úmidas de encosta em áreas de Mata Atlântica seriam. Esses valores alarmantes merecem ainda mais atenção se considerarmos que os valores mínimos para sobrevivência de ovos e larvas de espécies de anfíbios encontram-se ao redor de 4. Essa diferença pode estar associada ao transporte diferencial de poluentes pelas massas de ar úmidas que sobem a encosta e ali precipitam. por exemplo.9). um exemplar de Hypsiboas faber e outro de Leptodactylus ocellatus capturados no riacho represado em borda de mata pareceram apáticos à aproximação dos pesquisadores e lentos na resposta à tentativa de captura. Medidas de pH realizadas durante nossas viagens à Reserva revelaram valores médios muito baixos. principalmente nitratos. sujeita a níveis elevados de pressão antrópica. portanto. mais suscetíveis aos efeitos deletérios da poluição que aquelas localizadas no interior do planalto ou na baixada litorânea. Mas. na área mais densamente povoada do país e.0 (Pierce 1985. conforme indicam também outras evidências. portanto. Estudos sobre o ciclo da água na região indicaram acidificação generalizada do solo e das águas das nascentes. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan a área e a paisagem está aparentemente se recuperando. Além disso.7). A Reserva Biológica de Paranapiacaba está localizada em um dos cinco biomas mais ameaçados do globo.3) e riachos (pH 3. decorrentes do processo de nitrificação da amônia (Lopes 2001).4). Estudos realizados na Reserva de Paranapiacaba. Esse efeito diferencial poderia explicar o desaparecimento de populações de espécies na Reserva de Paranapiacaba e na Estação Biológica de Boracéia que continuam abundantes nas áreas mais baixas da Serra do Mar.

Rio de Janeiro. F. Srs. Universidade de São Paulo. de planalto e campos montanos. Bem haja quem idealizou. Tese de Doutorado. with descriptions of two new related species (Amphibia. e não teria sido possível sem a atenção e dedicação dos guardas da Reserva. ainda que incompleto. M. 31225001 cap26 ao 36. Dial activity of the tadpoles of Hyla hylax (Anura. pp. 159-167. Referências bibliográficas Baldissera.A.Jr. Antonio Victor da Costa e Antonio Dorival de Souza.F. A fauna ameaçada de extinção do Estado do Rio de Janeiro. 2000. 123p.V. (org. Bertoluci.B. Agradecemos ainda ao CNPQ.. Intervales.indd 601 23/10/2009 16:35:49 . sirva de alerta e de base para estudos que venham a monitorar o destino das populações de anfíbios da Reserva Biológica de Paranapiacaba. Bufonidae). Arquivos do Museu Nacional.A. Los Hylidae de Punta Lara. destinando-as às coleções de estudo e comemorativas do grande naturalista. Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Fenologia e seleção de hábitat em girinos da Mata Atlântica em Boracéia. & Sluys. Review of the Bufo crucifer species group.F.D. U.. Bertoluci. Ainda que essa distribuição seja reflexo de deficiência de amostragem. Hylidae) at Boracéia. Agradecimentos Este trabalho contou com o apoio irrestrit o da Pesquisadora Rosangela Simão Bianchini. Trabalhos comparando a importância relativa de fatores bióticos e abióticos em localidades próximas e afetadas diferencialmente pela poluição podem trazer informações importantes e de alcance mundial para melhor compreendermos as razões do desaparecimento de algumas espécies desse sensível e diversificado grupo de vertebrados. Bergallo. São Paulo. Barrio.G. Hussam Zaher e Carolina CastroMello facultaram-nos o acesso à coleção do MZUSP. 166p. M. e Fátima Maria de Souza e Elizabeth Ribas Bilo à do ZUEC. Foi com um sentimento de paz e reverência que percorri a picada Adolpho Lutz. C. & Haddad. 2004. J. 2002. 62(3): 255-282. abrigando grande diversidade e endemismo. J. a eles nossos sinceros agradecimentos.A. englobando uma área coberta por florestas úmidas de encosta. Luis Fábio Silveira e Daniel Munari foram nossos companheiros de campo. Caramaschi. somada aos declínios populacionais relatados para o sudeste. Esperamos também que esses estudos contribuam para que. Embora fisionomicamente o aspecto das matas da Reserva tenha melhorado nos últimos anos. um santuário refúgio da fauna da região. Provincia de Buenos Aires. Encarregada da Reserva Biológica de Paranapiacaba. Daqui partiram várias das novas espécies descriptas por Adolpho Lutz. Anura). C. Anfíbios Anuros. como exemplo ao Brasil. tão bem descrita por Bertha Lutz no registro que deixou no caderno de visitas da Reserva em 01 de novembro de 1940: “Uma Estação como esta representa um poderoso estímulo ao progresso da sciência e uma colaboração valiosa ao trabalho dos naturalistas. Mais ainda.S. J. A. H. Physis XXII 65: 129-142. Instituto de Biociências. possamos recuperar a rica anurofauna e a majestade da floresta primária que existia na área.). 2001. a acidificação silenciosa das águas e do solo que hoje afeta a Reserva parece incompatível com a manutenção da rica fauna de anuros que ali vivia. ou conhecidas somente das Reservas de Paranapiacaba e da Estação Biológica de Boracéia. a catástrofe que se abateu sobre a área nos anos de 1980 e a ameaça de destruição que ainda paira sobre ela. Esperamos que esse esforço. Alves. In: Leonel. São Paulo (Amphibia. são muito graves. Rio de Janeiro. Aqui tornamos a encontrá-las. Fundação para a conservação e a produção florestal do Estado de São Paulo. FAPESP e CAPES pelas bolsas e o apoio concedidos que permitiram a realização deste estudo e ao IBAMA pelas licenças de coleta. C. Não há como escapar da idéia de que o quadro atual da situação exige que sejam tomadas medidas preventivas. São Paulo. Apesar de apenas duas espécies da área integrarem a lista oficial de espécies ameaçadas do IBAMA (site oficial). Anura. quem criou. em um futuro próximo.A. Bertoluci. onde as árvores gigantes se elevam rectilíneas como elle viveu (…)”. Phyllomedusa 1(2): 93-95. Rocha.Anfíbios anuros 601 espécies de anuros. quem a mantém. ocorrem na Reserva outras espécies restritas à região. southeastern Brazil.. Noraly Liou. 1997.A. Renata Pardini. 1962. Fundação Florestal.

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