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AUTOR: IDALINO RODRIGUES DE FREITAS

Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror


Dogmático das Igrejas Organizadas

Neste volume você ficará


sabendo qual o verdadeiro
sentido do Dízimo, à luz dos
ensinamentos bíblicos.
 No livro que trata da História da Igreja
Primitiva, Atos dos Apóstolos, há alguma
referência ao dízimo?
 Em qual das Epistolas Paulinas encontramos
um sermão acerca do dízimo?
 Por que Paulo, o maior proclamador das Boas
Novas, não viveu do Evangelho?
 Se o dízimo é a base fundamental para a
prosperidade material, como explicar a
profunda pobreza dos crentes da
Macedônia?
 É verdade que os sofrimentos de Jó
resultaram de sua infidelidade nos dízimos?
 Você, que é dizimista, como se sentia
naquele período em que as provações não
lhe permitiram cumprir com Ml. 3:10,
amaldiçoado?

Aqui você encontrará as respostas.

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AGRADECIMENTO

Agradeço a Deus que me tem inspirado para escrever desde a


minha juventude.

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DEDICATÓRIA

À Minha família e a todos quantos se identificarem com esta obra.

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Nota Explicativa

Foi usada na elaboração desta obra a Edição em Português de


João Ferreira de Almeida denominada Revista e Atualizada. Casos
excepcionais aparecem da Edição denominada ARC – Almeida
Revista e Corrigida.
No que diz respeito ao dízimo, usamos três expressões
relacionadas à sua prática: dar, pagar ou contribuir, sem nos
aprofundarmos no sentido de interpretações teológicas.

O AUTOR

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ÍNDICE

1. Nota Explicativa .................................................................... 2


2. Introdução................................................................................ 4
3. Capítulo Primeiro
Os atos externos e as atitudes internas........................... 8
Fundamento Teológico do Dízimo nas Igrejas.............. 9
A Igreja Primitiva e o dízimo........................................ 13
Imunidade dos dizimistas ............................................. 16
Dizimolatria................................................................... 18
Anterioridade do dízimo em relação à Lei.................... 19

3. Capítulo Segundo
3.1 Contestação................................................................... 24
3.2 Acusação a Jó................................................................ 25
3.3 Ritualismo do dízimo.................................................... 30

4. Capítulo Terceiro
4.1 Direitos Apostólicos abdicados pelo Apóstolo Paulo... 58

 Direitos Autorais Reservados


Proibida a Reprodução

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INTRODUÇÃO

O Presente estudo trata da Liberalidade Cristã. É o que


chamaríamos de “Contribuição para a Obra do Senhor”. O assunto é
muito controvertido, contudo, fui despertado para falar sobre este
tema. Inúmeras idéias têm sido apresentadas, e não poucas vezes,
presenciamos desavenças, contendas ou intrigas entre o povo que se
chama o povo de Deus.
Não pretendo subestimar muita coisa importante que tem sido
dita a este respeito. É inegável que há orientação a respeito do
assunto, e creio que a Igreja tem sido ajudada. Creio, por outro lado,
que a maneira de certos pregadores apresentarem este tema, tem
intrigado pessoas e até grupos, que nunca tiveram a intenção de fugir
ao compromisso de contribuir para a obra de Deus.
O ponto fundamental da discórdia e das dissenções está no
fato da imposição, da obrigatoriedade absoluta que a grande maioria
das igrejas apresenta como sendo Mandamento do Senhor. O
conceito que grande parte dos dirigentes e pastores tem é que se não
impuserem uma lei coercitiva, ninguém contribuirá. E como esta
imposição funciona em muitos casos, mesmo contrariando,
grandemente, a Palavra de Deus, conforme II Cor. 9:7, então eles
prosseguem no seu intento.
As ameaças se sucedem de todas as formas: pelo rádio, pelos
livros, televisão, etc. Pessoas há que têm medo de se aproximar de
certas igrejas, sabendo que serão pressionadas e oprimidas a respeito
deste assunto.
É lamentável que isto ocorra. Isto, certamente, não cessa de
acontecer; razão por que, tenho o prazer de levar ao conhecimento do
povo de Deus esta obra, a fim de que haja uma reflexão acerca do
assunto.
Este é um livro-denúncia. Denuncia as mentiras engendradas
em torno dessa doutrina, através dos séculos.

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Argumentos bem elaborados, fundados numa falsa
hermenêutica, aprisionam os menos compenetrados da verdade.
Tais argumentos bem podem ser comparados àqueles
mencionados em II Co. 10:4, denominados “sofismas”. E o que é
sofisma? “É o argumento aparentemente válido mas, na realidade, não
conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresente.
Argumento falso, formulado de propósito para induzir outrem em
erro”.
Aqui temos um fato lógico:
A grande maioria dos crentes integrantes dos grupos
evangélicos não tem conhecimento a altura para interpretar esses
tratados sobre o dízimo. A essa massa de cristãos é que são
endereçados tais estudos, com os mais absurdos dos argumentos.
Partindo de teólogos credenciados pelos muitos seminários e
Institutos Bíblicos, a matéria em pauta apresenta unanimidade de
interpretação, trazendo consigo a maldição e conseqüente
condenação.
Esses “intérpretes” das sagradas letras ainda conservam o
espírito da vingança e, como Tiago e João, solicitam ao Senhor
permissão para declarar em seu nome, a maldição e a condenação. Lc.
9:54. A resposta do Mestre, entretanto, se faz ouvir em meio a esse
caos de incertezas: “O Filho do homem não veio para destruir as
almas dos homens, mas para salvá-las”. Lc. 9:56.
Só Deus precisa saber se você é ou não fiel contribuinte. Não
se deixe levar pelas estatísticas humanas. Não se deixe fiscalizar por
humanos tribunais. Aprenda a confiar em Deus. Aqueles que oprimem
os crentes para que contribuam, não crêem na onipotência do Espírito.
Há grande diferença entre uma ordenança ou exortação de Deus e um
imperativo humano. Os que podem contribuir e não o fazem, estão
falhando, mas a correção para tais casos virá de Deus e não do
homem.
Nem sempre a falta de dinheiro constitui um castigo ou
repreensão de Deus. Ver At. 3:6.

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Aqueles que não obedecem à lei da Liberalidade Cristã e
deturpam outros preceitos bíblicos, ferindo, assim, a dignidade da
Igreja de Deus, poderão, a qualquer momento, ser excluídos da
Congregação dos Santos, porém, pelo Senhor: Sal. 1:5.
Quando emprego o termo “lei”, não me estou referindo a
nenhum regulamento escrito em papel ou coisa semelhante; refiro-
me, sim, à Lei Espiritual que, escrita no coração, permite-nos fazer a
vontade de Deus.
Diante do que tenho exposto, muitos poderão perguntar se os
membros de uma comunidade não devem ser advertidos sobre a
contribuição; entendem alguns que se silenciarem acerca do assunto,
será difícil alguém se propor a contribuir. É certo que algo deve ser
feito nesse sentido e, no decurso da minha palestra sobre este assunto,
há muitos informes a respeito.
Dentre as muitas coisas que declaro, destaca-se esta
afirmação: “Portanto, devem ser patenteadas as necessidades da
Obra, mas não se deve impor às pessoas a obrigação de pagar (ou
contribuir)”.
Em se tratando do título desta Obra, reconheço ser muito forte
e desafiador. No entanto, diante dos abusos que se tem presenciado,
necessário se tornava a apresentação de uma contestação com o
objetivo de libertar muitos que se encontram aprisionados por um tipo
de filosofia muito perigosa, principalmente quando todos os
argumentos que ora contesto, são apresentados em nome de Deus e da
Sua Palavra.
Não resta dúvida de que, quando afirmo no título deste
trabalho que o dízimo se tem transformado num terror, por parte das
igrejas organizadas, não quero obscurecer as honrosas exceções que,
por certo, devem existir. A razão da afirmativa reside no fato da
prevalência desse modo de agir, que engloba a quase totalidade dos
grupos chamados evangélicos.
Conheço, através de literatura, grupos que praticam com mais
exatidão o sistema de levantamento de fundos, porém, são grupos

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tidos como heréticos, acerca dos quais não devo fazer comentários, a
fim de não fugir à finalidade desta obra.
É conveniente, entretanto, que aqueles que combatem as
chamadas heresias, não se esqueçam de que, ao fazê-lo, não se
julguem os donos da verdade, uma vez que tudo aquilo que não se
coaduna com a sã doutrina, pode ser considerado, também, heresia; e,
tenho observado que tais “guardiães” da verdade, no combate ao que
chamam de heresia, têm-se precipitado, afirmando o que não é
afirmável ou, falando em termos mais claros, misturando verdades
com supostas verdades.
Quando um pastor ou teólogo afirma ao povo que a maldição
recai sobre uma pessoa que não está, no momento, entregando ou
pagando o dízimo, sem nenhuma explicação ou ressalva, como temos
apreciado a cada passo, difícil se torna para muitas pessoas se
libertarem desse “pesadelo”.
Até mesmo nos códigos humanos, quando se trata de leis
punitivas, encontramos a existência de certas circunstâncias
denominadas Atenuantes e Agravantes, que podem, dependendo de
cada caso, atenuar ou agravar a punição. E não pára por aí, (estamos
fazendo algumas citações com base no nosso Código Penal
Brasileiro). No referido Diploma Legal, como denominamos o
Código, existe, também, o que se chama de Dirimentes e
Excludentes, que são aquelas circunstâncias, em face das quais, o
crime deixa de existir e, consequentemente, a sua punição. Veja
artigos 23 e 61 a 66 do referido Código.
Tratando-se do Código Divino, no entanto, muitos
“intérpretes” vão ao extremo, decretando, sumariamente, a
condenação dos incautos, que não sabem discernir entre a sua mão
direita e a esquerda.
Espero que nesta Obra os leitores venham a compreender o
significado real do que seja a contribuição, de acordo com o espírito
bíblico, exarado no Novo Testamento.

O AUTOR

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CAPÍTULO PRIMEIRO

OS ATOS EXTERNOS E AS ATITUDES


INTERNAS

N
em sempre os atos externos estão em compatibilidade com as
atitudes internas. Daí não se poder julgar quem quer que seja
simplesmente pelos atos praticados externamente. As circunstâncias,
muitas vezes, obrigam-nos a fazer determinadas coisas que não são o
nosso ardente querer; somos forçados a contrariar a nossa própria
vontade, em virtude de circunstâncias adversas. Deus, certamente não
baseia o seu julgamento apenas em atos, mas também e sobretudo,
nas atitudes e motivos que produziram tais atos.

O DÍZIMO

Passarei, ligeiramente, a tecer algumas considerações com o


objetivo de esclarecer, mais detalhadamente, este assunto sobremodo
controvertido. Muitas idéias têm sido salientadas e a maioria delas
está procurando interpretar o caso ao pé da letra. Mas nem sempre se
pode proceder assim. Dificilmente haverá uma compreensão entre o
povo que se chama cristão, enquanto não quiserem penetrar e
entender o sentido real das palavras de Jesus.
O assunto que estou apresentando é um dos mais melindrosos,
uma vez que tem sido um dos pontos básicos em que se firma a
maioria das igrejas organizadas.

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FUNDAMENTO TEOLÓGICO
DO
DÍZIMO NAS IGREJAS

Afirmam os dirigentes de certas igrejas que para o crente


receber a bênção do Senhor, ele deve pagar os dízimos na igreja,
(organização). Caso não o faça, Deus nunca o abençoará. E o mais
importante é que tais dirigentes nunca dão um ensinamento profundo
acerca do assunto, a fim de que os seus discípulos sejam orientados
sobre os motivos e razões por que devem ou não pagar os dízimos.
Mas, trata-se de um dever ou de um querer? Trata-se de um
ato compulsório, como acontece atualmente, ou de uma atitude
espontânea?
A verdade, porém, é que só uma coisa se ouve, e essa coisa é:
você deve pagar os dízimos.
Quem assim ordena não quer saber de mais nada. Não analisa
outra coisa mais, senão apenas isto. A ordem deve ser cumprida.

O MODO COMO DEUS VÊ AS COISAS

Bem falou Jesus: “Sobrecarregais os homens com fardos


superiores às suas forças, mas vós mesmos nem com um dedo os
tocais”. Lc. 11:46b.
Como já foi afirmado antes, a base do julgamento de Deus não
está firmada, simplesmente, em um ato praticado pelo homem, mas
também e principalmente, na atitude por que ele praticou esse ato ou
deixou de praticá-lo. Na linguagem de muitos, se o homem der ou
pagar os dízimos, ele é correto; porém, se não o fizer, está errado. De
sorte que o árbitro para tal julgamento é o seguinte:“dar” ou “não
dar”. Mas a verdade é que isto não procede diante de Deus. Não é
uma questão de fazer ou deixar de fazer para se ter a aprovação de
Deus. O dar ou deixar de dar, poderá ou não influir em nossa vida

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espiritual, positiva ou negativamente, dependendo, unicamente,
das atitudes assumidas pelo homem, relativamente a esses atos.
Os atos, em si mesmos, pouco ou nada valem; mas, as atitudes por
que os atos são ou não praticados é o que resolvem. O que confere
valor ou desvalor aos atos exteriores são as atitudes do coração, os
motivos internos.
Será que não se deve pagar os dízimos? A Palavra de Deus
não nos deixará confundidos se nos voltarmos para ela.
É bem verdade que não encontramos mandamentos de
Jesus sobre este assunto. As Escrituras que o focalizam não foram
apresentadas de propósito, isto é, não procederam de um desejo de
Jesus para ensinar a doutrina do dízimo: Mt. 23:23; Lc. 11:42.
Estando ainda sob os princípios da Lei, não poderia Jesus
proceder de outro modo, ou seja, revogar uma prática ainda em vigor;
razão por que, disse: “... devíeis fazer estas coisas, sem omitir aquelas
(os dízimos)”.
O desejo de Jesus, portanto, era que os homens tivessem os
corações desprendidos das coisas materiais.
Quando meditamos na parábola do fariseu e do publicano,
conforme Lc. 18:9-14, entendemos que não era a prática de dar, por si
só, que iria aprovar o homem diante de Deus. Tanto é assim que,
aquele que não se exaltou, ou seja, o publicano, teve aprovação
diante de Deus, em virtude de sua atitude interna de humildade. O
fariseu, embora houvesse dado ou pago o dízimo, foi reprovado pelo
Senhor.
Estamos numa nova etapa da vida espiritual; começamos a dar
os primeiros passos após o derramamento do Sangue da Nova
Aliança. Não vamos viver a vida espiritual nem fazê-la depender de
atos externos praticados, mas sim, de atitudes vividas diante de Deus,
atitudes essas que determinem se somos ou não cristãos.
Um ato, isoladamente, não pode determinar isto, mas uma
atitude sincera o faz.
Portanto, o erro não está em dar ou deixar de dar, mas sim, na
atitude por que damos ou não damos.

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É por este motivo que Jesus ordenou: “Não julgueis...”. Mt.
7:1.
E você, ministro, já procurou saber porque é que alguém não
paga os dízimos? Ou, noutras palavras, já procurou saber porque é
que alguém paga?
Deus tem um método todo especial de julgar. Em I Sm. 16:7b,
está escrito “O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”.

OS FALSOS MESTRES

Essa idéia de que todos os que estão em aperto é porque não


pagam os dízimos, é uma estratégia de falsos mestres, conforme
podemos ver de II Pe. 2:3, que diz: “Também movidos por avareza,
farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo
lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não
dorme”.
Se nos reportarmos para os tempos em que essa prática era
exigida por Deus na Dispensação anterior, iremos aprender o porquê e
para que dos dízimos. Por que era exigido? E para que era exigido?
Estão os cobradores de dízimos, atualmente, cumprindo com todas as
minúcias daquela lei?
Veja Nm.18:21-32; Dt.12:6-17; 14:22,23,28,29; 26:12-14.
É fato notável que no livro que trata da História da Igreja,
Atos dos Apóstolos, não encontramos nenhuma menção ao dízimo.
Nenhum personagem de Atos falou sobre o assunto.
Uma das grandes figuras mencionadas nesse livro, é o
apóstolo Paulo que, incansavelmente, anunciou o Evangelho por toda
parte.
Falando aos Presbíteros da Igreja de Éfeso, disse o Apóstolo:
“... jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa, e de
vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando
tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé
em nosso Senhor Jesus Cristo.

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Agora eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o
reino, não vereis mais o meu rosto. Portanto eu vos protesto, no dia de
hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de
vos anunciar todo o desígnio (ou conselho) de Deus”.
At. 20:20,21,25,26,27.
Desígnio ou conselho quer dizer: intento, intenção, plano,
projeto, propósito; advertência, admoestação, aviso, etc.
Uma doutrina tão indispensável poderia passar em branco sob
o crivo do grande doutor Paulo? Por que nenhum Evangelista como
Mateus, Marcos, Lucas e João focalizou tal doutrina?
Somente Mateus e Lucas, dentre os quatro Evangelistas,
registraram uma ocorrência relativa ao dízimo, descrevendo o
encontro de Jesus com os fariseus, ocasião em que o Mestre os
repreendia, e não transformaram o fato em doutrina ou ensino do
dízimo, conforme já apreciamos em parágrafo anterior.

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A IGREJA PRIMITIVA E O DÍZIMO

Não consta que na Igreja do primeiro século houvesse a


insistência que caracteriza as organizações dos nossos dias, no que
concerne à cobrança dos dízimos; aliás, nem sequer usaram o referido
termo, (refiro-me ao livro de Atos). Verdade é que havia necessidades
a serem satisfeitas; no entanto, uma vez que os seguidores de Cristo
estavam, de tal modo, impregnados da presença do Espírito Santo,
então, todas as coisas eram feitas livre e espontaneamente, pois o
próprio Senhor convencia os cristãos acerca das necessidades que se
faziam presentes.

A OFERTA QUE DEUS NÃO ACEITA

Partindo do ponto de vista de que Deus não aceita nada feito a


contragosto, é bem subentendido que nenhuma prática que não
proceda de um sincero desejo interior para servi-lo, seja aceita por
Ele. Daí não ser correto o obrigar a contribuir. Primeiramente,
porque desde que todos conhecem a sua obrigação diante de Deus, a
responsabilidade é pessoal; segundo, porque uma vez que não se pode
penetrar às necessidades ou problemas alheios, não se deve julgar as
atitudes de quem quer que seja.
Muitas vezes se cobra, em certas Igrejas, àqueles que até
precisam ser ajudados. E os tais, que têm necessidades, são
censurados, pelo fato de não estarem contribuindo, (pelo menos à
vista dos que fazem as estatísticas), como se a contribuição se
constituísse apenas em dinheiro. Como esses analisadores são tão
unilaterais! Não vêem as profundezas da alma e querem julgar pelas
aparências.
Se os tais, que não estão contribuindo visivelmente têm, na
verdade, o Espírito de Deus, tão logo quanto lhes seja possível,
estarão cumprindo com tal exigência (se é que podemos chamar a isto
de exigência), pois Deus conhece o coração humano e sabe todas as
coisas. Caso não pautem pelas normas do Evangelho, ainda que

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contribuam, não estarão edificando, nem a si mesmos nem a outros,
“porque Deus ama ao que dá com alegria”. II Co.9.7.

COMO O PASTOR DEVE PROCEDER JUNTO AO REBANHO

Assim sendo, devem ser patenteadas as necessidades da


Obra, mas não se deve impor às pessoas a obrigação de pagar.
Isto, certamente, cabe ao Espírito Santo, que pode convencer o
homem nas coisas relativas à sua obrigação. E mesmo assim, o
Senhor nunca obriga ninguém, deixando sempre ao homem a escolha
para fazer ou deixar de fazer.
Mesmo nos pontos mais centrais da vida, como é exemplo o
assunto do destino eterno, Deus entregou à pessoa o grande privilégio
de escolher.

RESULTADOS DA OPRESSÃO E O INTERESSE DE DEUS

Onde há opressão começa a decepção. Deus está interessado


em coisas que fazem o homem interior. Como já disse em parágrafo
anterior, um ato não pode, por si mesmo, determinar isto, mas uma
atitude sincera e permanente diante de Deus, o faz.
Deus examina o interior do homem, perscrutando todas as
coisas. Ninguém tem a capacidade de saber quem é ou não fiel
contribuinte, baseando o seu julgamento apenas num ato. A prática do
ato, e mesmo a não prática, são incapazes, por si sós, de nos revelar a
intenção interna do homem.
Quando os homens tiverem alcançado a profunda experiência
com Deus, através da Sua Palavra, ou melhor dizendo, através da
vivência da Sua Palavra, então todas as exigências que se digam
necessárias serão cumpridas espontaneamente, porque os impulsos do
Espírito Santo se encarregarão de efetuar esta tão grande tarefa.

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A PROMESSA DE DEUS

Deus prometeu escrever a Sua Lei no coração do homem; e


quando este permitir que tal aconteça, tudo será realizado. Os deveres
compulsórios se transformarão em desejos espontâneos. Através da
consagração e da presença do Espírito Santo, os homens se tornarão
receptivos para entender as coisas mais sutis, o que não seria capaz
realizar por meio da força e da opressão. Ver Jr.31:33.

A PREOCUPAÇÃO DOS LÍDERES

Alguns se têm preocupado por que vêem pessoas que há muito


não contribuem com a Obra (Igreja ou Organização), julgando, desse
modo, que tal cumprimento deva ser automático. Não têm paciência
de esperar para que Deus realize a obra perfeita, e querem antecipar o
plano de Deus. Não se sabe se tais pessoas se preocupam, realmente,
com a salvação do homem ou com a sua contribuição. E não
compreendem tais líderes, como aqueles que, por algum motivo, não
estão contribuindo, possam ser abençoados por Deus; ou ainda, não
acreditam que Deus os abençoe. Como estão errados! E continuarão a
errar, enquanto a base do seu julgamento estiver alicerçada nesses
dois fundamentos: “dar” ou “não dar”.
Será que estes, que não estão pagando os dízimos, são fiéis a
Deus? E será que tais pessoas estão fechando o coração para não
contribuir? Observe que Deus olha para o interior. Não se sabe por
quanto tempo uma pessoa passará sem contribuir, e nem os motivos
que a impedem de tal prática. Se a não contribuição é resultante de
uma má atitude para com a Obra de Deus, a exigência não resolverá o
problema, ainda que a pessoa venha a contribuir. Se, por outro lado, a
não contribuição tem por base outro fundamento, que não seja o
desejo de não contribuir, Deus, no devido tempo, aplainará todas as
coisas.

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A “IMUNIDADE” DOS DIZIMISTAS

É importante que se faça uma observação: sinto que muitos


estão entendendo que, pelo fato de contribuírem com dez por cento,
estão realizando a obra completa, nada mais restando a fazer. Isto é
engano. É muito fácil praticar tudo isto e as coisas permanecerem
erradas para tais pessoas. Se dentro de tais indivíduos não residir
aquela atitude permanente de ajudar, o ato, repito, não resolverá o
problema. A verdade é que, em muitos que, por algum motivo não
contribuem, em virtude de alguma circunstância exterior
desfavorável, existe esse desejo supremo, e Deus há de julgá-los,
não só pelo que fizeram ou deixaram de fazer, mas, sobretudo,
pelo desejo interno que possuem, mesmo que não possam realizar
o que almejam. Jr. 17:10; Dn. 2:22.
O cumprimento formal de um ato não altera nada, se não for
acompanhado daquela atitude sincera correspondente.
Muitos têm tudo, e até de mais; no entanto, só pelo fato de
contribuírem com dez por cento, julgam-se justos e fiéis a Deus. É
certo que aqueles que o fazem sinceramente, contribuindo para a
Obra de Deus, estão certos; mas há os que se recusam ajudar ao
necessitado, mesmo podendo, pelo fato de terem contribuído com dez
por cento.
O apóstolo Paulo, na sua primeira carta aos coríntios, capítulo
13:3b, afirma: “E ainda que entregue o meu próprio corpo para ser
queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará”.
Creio que muitos estão praticando este ato sinceramente,
diante de Deus, e nada tenho contra tais; porém, nunca devemos
julgar os que não o fazem, porque, “Quem come, não despreze ao que
não come”. Rm. 14:3a.
O fariseu, conforme sabemos, não saiu justificado pelo fato de
dar o dízimo, mas sim o publicano. Donde se vê que não foi o ato de
dar que resolveu o problema, mas a atitude do homem diante de Deus.
Relativamente ao fariseu, vemos ali um ato sem uma atitude sincera

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correspondente. Assim sendo, não digo que os que pagam deixem de
fazê-lo; simplesmente, afirmo que por este motivo não se deve julgar
alguém.

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DIZIMOLATRIA

O que tem sido pronunciado de maldições contra o povo, por


parte de muitos pregadores, é uma coisa sem precedentes. Eis a
linguagem deles: “Você é maldito”; “Você está roubando a Deus”;
”Os ladrões não entrarão no reino de Deus”; “Quatro legiões de
demônios estão controlando o patrimônio do crente que não está
entregando o dízimo”; “Enquanto você não for fiel nos dízimos, quem
é dono de todo o seu patrimônio, riquezas, bens e salários, são as
legiões do Cortador, do Migrador, do Devorador e do Destruidor”;
“Se você deixa de ser dizimista fiel por um mês ou dois meses,
naquele período de infidelidade, você estará entregando todo o seu
patrimônio a Satanás”; “Eu creio sem duvida alguma que toda esta
desgraça que aconteceu com Jó, começou com um pequeno detalhe:
“Jó não era dizimista fiel”.
Pelo que acabamos de ler, podemos afirmar que estamos
diante do que se chamaria dizimolatria.
Aprecio a palavra profética, destituída de maldição, e
dirigida a todos os povos do mundo: “Ah! todos os que tendes
sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde,
comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem
preço, vinho e leite”. Is. 55:1.
Hoje, a contribuição que deve se constituir numa prática
resultante de uma salvação gratuita que nos é oferecida, tem se
transformado como que num meio para se alcançar esta salvação. O
modo como muitos pregam, atualmente, é como insinuando a
salvação pelas obras.
Após orientar o povo de Israel acerca das coisas consagradas
ao Senhor e acerca do resgate, o Senhor fala sobre os dízimos de
vacas e ovelhas, bem como, de tudo o que passa debaixo da vara do
pastor, afirmando, que “o dízimo será santo ao Senhor”. Lv. 27:32,33.
O versículo 34 conclui, dizendo: “Estes são os mandamentos
que o Senhor ordenou a Moisés, no monte Sinai”.

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Pelo que vemos, o dízimo foi incorporado à Lei, passando,
então, a ser de caráter obrigatório. O não cumprimento dessa prática,
por parte dos israelitas, provocou o desagrado de Deus que, por meio
do profeta Malaquias, pronunciou uma maldição sobre eles, quando
disse: “Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me
roubais, vós toda a nação” Ml. 3:9.

ANTERIORIDADE DO DÍZIMO EM RELAÇÃO À LEI

A primeira referência ao dízimo encontra-se em Gn.14:18-20,


e se constitui num ato espontâneo praticado pelo patriarca Abraão. A
segunda referência encontra-se em Gn.28:20,22, e se refere a um voto
que o patriarca Jacó fez ao Senhor.
A conclusão sublime a que chegamos é que não se tratava de
uma lei escrita, porque se assim fora, Jacó não poderia ter optado por
fazer um voto.
A definição de voto, consignada em nosso Dicionário da
Língua Portuguesa, é esta: “Promessa solene com que nos obrigamos
para com Deus”.
O voto é optativo, isto é, o homem pode escolher o que votar.
O voto, embora não sendo obrigatório, é importante fazê-lo.
Dentre as referências acerca do voto, citarei Ecl.5:4,5:
“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque
não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não
votes do que votes e não cumpras.”
O Antigo Testamento relaciona uma série de maldições,
pronunciadas sobre os israelitas, pelo não cumprimento das leis que
lhes foram prescritas, dentre elas, a Lei dos dízimos. Dt. 13:15-18;
Ml. 3:9, etc, etc. Mas o povo de Deus, hoje, protegido pelo Sangue da
Nova Aliança, não está mais sujeito àquelas maldições, pois, está
escrito: “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se, Ele
próprio, maldição em nosso lugar”. Gl. 3:13.

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Dogmático das Igrejas Organizadas
Aqueles que quiserem fazer prevalecer, hoje, os rigores da
Lei, precisam atentar para as palavras de Paulo, que declara: “maldito
todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no
livro da Lei para praticá-las. Gl. 3:10.
Assim sendo, não passa de uma clara pretensão, de uma farsa,
a atitude de muitos pregadores, que se atrevem a amaldiçoar as
pessoas, invocando textos bíblicos contra os que não estão praticando
à risca, todos os ritos da Lei.
Não resta dúvida de que quando a Bíblia diz que Cristo, com a
sua morte, cancelou todo o escrito de dívidas, que era contra nós nas
suas ordenanças, conforme Cl. 2:14, não está querendo afirmar que
estamos proibidos de praticar certos atos da própria lei, mas isentou-
nos das suas maldições, de acordo com o texto de Gl. 3:13, já citado.
Desse modo, nenhum dos filhos de Deus deve praticar certos
atos da lei para livrar-se de maldições, uma vez que estas já foram
canceladas pela morte de Cristo; mas praticar por amor, quando se
fizer necessário.
Se a maldição de Ml. 3:9 houvesse de recair sobre o cristão,
Gl. 3:13 não teria sentido. Doutra sorte, os doutores da lei, hoje,
teriam que nos explicar quais as maldições anuladas pela morte de
Cristo e as que prevalecem atualmente.
Se fomos isentos da maldição da lei e ainda podemos praticar
atos da própria lei, que mudança ocorreu com a morte de Cristo?
Respondo: A verdade é que nem tudo o que a lei prescrevia foi
anulado. A lei, embora sendo uma só, se desdobrava, formando um
leque de grandes proporções. É preciso que se tenha discernimento
para entender o que foi cravado na cruz e o que permanece.
Muitos autores proclamam: “Os dez mandamentos foram
temporários e não têm mais valor algum, porque foram abolidos por
Cristo”.
Isto não é bem assim. Há muitos princípios e mandamentos
contidos na lei que nunca mudaram.

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Exemplifiquemos: lemos em Lv. 20:7: “... sede santos”. No
Novo Concerto lemos em Hb. 12:14: “... segui... a santificação, sem a
qual ninguém verá o Senhor”.
Do Decálogo, podemos citar, dentre outros mandamentos:
“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na
terra que o Senhor, teu Deus, te dá”. Ex. 20:12.
Paulo apóstolo recorre à lei e, sem hesitar, ordena: “Honra a
teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa”. Ef.
6:2.
Quando afirmo que a lei é uma só, baseio-me numa das
citações do apóstolo Paulo, quando diz: “Uma aliança já
anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e
trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a
desfazer a promessa”. Gl. 3:17.
Pergunto: Qual lei veio quatrocentos e trinta anos depois da
promessa? Certamente que foi todo o complexo de leis consignado no
Pentateuco. Ali encontramos leis morais, cerimoniais, sociais, etc, etc.
Dentro desse todo chamado Lei, há um sem número de preceitos e
ordenanças também denominados leis.
Portanto, é necessário critério ao tratarmos de assunto tão
sério, e, à luz da Nova Aliança, procurarmos compreender o que
vigora e o que não vigora desse complexo de leis.
Se todos os preceitos da lei houverem de ser cumpridos
literalmente hoje, haveremos de guardar o sábado de um pôr-do-sol
ao outro pôr-do-sol. Na verdade, há mais inferências acerca do
mandamento sabático do que sobre o dízimo. As inferência sobre
esses dois casos, entretanto não têm força suficiente para que as
tornemos em realidade, afim de guardarmos literalmente tais
preceitos.
O apóstolo perguntou aos gálatas: “Quero apenas saber isto
de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei, ou pela pregação da
fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais
agora vos aperfeiçoando na carne?”. Gl. 3:2,3.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
O que não posso negar é a necessidade de se contribuir para a
Obra de Deus. Entretanto, há uma grande diferença entre contribuir
para a Obra de Deus, de modo alegre e espontâneo, e o fato de se
impor uma lei escravizadora de consciências, lei essa, impregnada de
maldições pelo seu não cumprimento.
Há, também, uma grande diferença entre ser avarento e não
ser dizimista. A avareza é uma condição do coração da pessoa, é
apego ao dinheiro, a ponto de não contribuir ou ajudar ao necessitado,
mesmo podendo. O dar ou contribuir, como já dissertei sobre o
assunto, são atos envoltos em circunstâncias múltiplas, isto é, está
na dependência de uma série de fatores, favoráveis ou
desfavoráveis, que poderão influenciar ou incidir sobre a vida de
uma pessoa.
Afirmar que uma pessoa é avarenta só porque não está
dizimando ou ofertando, temporariamente, poderá se traduzir em
grande erro. É certo que o avarento não irá dizimar ou contribuir, a
não ser por imposição; mas, afirmar que todos os que não são
dizimistas é porque são avarentos, é laborar em confusão.
Incentivar as pessoas a contribuir para a Obra do Senhor,
mostrando-lhes a importância disto, é coisa muito diferente do
que defrontá-las com um imperativo “irrevogável”, exarado
numa profecia do Antigo Testamento.
Como tem sido afirmado que não se pode fundamentar uma
doutrina em versículos isolados das Escrituras, pergunto aos
oponentes desta matéria: Onde estão as Escrituras neotestamentárias,
que corroboram Ml. 3:9?
O que posso entender, intuitivamente, é que a construção de
grandes impérios denominacionais, não poderá ser levada a efeito,
senão à custa de leis coercitivas e imperiosas.
Há um outro modo de se construir uma grande Obra: orando e
confiando, incondicionalmente no Senhor. Desse modo, sim, será
construída uma grande Obra. E, neste caso, não será o homem que a
fará, mas Deus.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
Não me foi possível adiar por mais tempo a publicação desta
obra, há muito oculta, tendo em vista os pedidos de muitos irmãos, e
o desejo ardente que veio sobre mim nestes últimos dias. Apesar
dessas causas que apresento, creio que a maior delas foi o fato de ter
chegado o tempo certo para a referida publicação, que contribuirá
para a libertação de muitos fiéis cristãos, encarcerados por uma
doutrina mal interpretada. Ec. 3:1; Os. 4:6.
Agrada-me muito a mensagem profética que me tem
impressionado ultimamente: “Eia pois, vai aos do cativeiro, aos filhos
do teu povo, e, quer ouçam quer deixem de ouvir, fala com eles, e
dize-lhes: Assim diz o Senhor Jeová.” Ez.3:11.
Em um mundo conturbado como o nosso, momentos há em
que, nem tudo o que legalmente ganhamos está ao nosso dispor.
Circunstâncias várias, muitas vezes, nos roubam aquilo que, por um
direito legal, nos pertence; e aí está uma realidade. Se um crente, num
momento tempestuoso da sua vida, não puder lançar mão de 100% de
seu salário, e por esse motivo, não puder contribuir com um décimo
desse valor, ele é considerado ladrão, está roubando a Deus. Mas a
verdade é que, muitas vezes, um, dois, três ou cinco por cento, é tudo
quanto ele tem, é tudo de quanto dispõe; porém a teologia não aceita
isto, porque está se baseando na quantidade, e não na qualidade da
oferta, subestimando, desse modo, o valor da contribuição intencional
e afirmando, tão somente, a prática literal do dízimo legal, como se
Deus não “pesasse” os corações, de acordo com Pv. 24:12.
O roubo propriamente dito, só existe onde há “Animus
Appropriandi”, isto é, intenção de se apropriar da coisa alheia.

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CAPÍTULO SEGUNDO

CONTESTAÇÃO
T
oda esta Obra, por sua natureza, constitui uma contestação. Este
capítulo, entretanto, tratará de contestações relacionadas a livros, que
passarei a mencionar.
A primeira contestação deste capítulo refere-se ao livro
intitulado “OS EXTERMINADORES DE RIQUEZAS”, de autoria
do Pr. JERÔNIMO ONOFRE DA SILVEIRA, da Igreja “TEMPLO
DOS ANJOS”. Belo Horizonte - MG.
Na página 3 do livro encontramos a palavra “Estratégia de
Guerra”, aplicada às quatro “legiões de gafanhotos” mencionadas em
Joel 1:4, conforme descreve esse autor.
Na realidade, todo o argumento apresentado nesse livro,
representa uma verdadeira estratégia, pois, vincula-o ao dízimo; e
nesse emaranhado de raciocínios, prende os leitores a um conceito do
qual poucos poderão se libertar.
Para o escritor desse livro, o único remédio para sanar todas as
desgraças de âmbito material, é o dízimo, subestimando, de certo
modo, a primazia da fé em Cristo para a solução de todos os
problemas.
Antes de tudo, pareceu-me necessário citar o texto bíblico,
que diz: “Ora, estes (de Beréia), eram mais nobres que os de
Tessalônica; pois receberam a Palavra com toda a avidez, examinando
as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim”.
At. 17:11.
A minha pretensão não é proceder a uma contestação de todo
o livro, mas parcialmente.
Não resta a menor dúvida de que quando li pela primeira vez o
livro “Os Exterminadores de Riquezas”, fui compelido a refutar,
incontinenti, a maior parte dos argumentos ali expostos.

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Muito embora o autor afirme tratar-se de uma palavra de
revelação, não estou proibido de fazer um confronto com a Palavra de
Deus e, diante desse Espelho, ter a oportunidade de saber o certo e o
errado.
Na página 47 do referido estudo, parágrafo primeiro, o autor
nos afirma que uma pessoa ímpia não deve ser ajudada
materialmente. Isto, certamente, iria depender de vários fatores, no
meu entendimento, pois o próprio Cristo morreu pelos ímpios. Rm.
5:6.
Bom é que nos voltemos para Lucas 10:25-37, onde lemos
sobre a História do “Bom Samaritano”, a fim de verificarmos se há
alguma base bíblica nesse ensino, bem como, Rm. 12:20.
Se fizermos uma comparação, muitos hoje bem poderiam se
associar às pessoas que passaram de largo, não socorrendo o homem
que estava à mercê do tempo e sob as suas inclemências. É
importante notar que nem mesmo o sacerdote escapou. Quem
aparentemente deveria conhecer mais que os outros em assuntos
religiosos, falhou profundamente, por causa da sua falta de amor. O
samaritano, contudo, vislumbrou a realidade espiritual, pois a amor
não decepciona, não procura os seus próprios interesses; preocupa-se,
tão somente, com o bem do próximo.
Cabem aqui as palavras do texto bíblico de Lucas 10:29, que
diz “Quem é o meu próximo”.
Paulo apóstolo nos adverte dizendo: “Não nos cansemos de
fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos
desfalecido. Então, enquanto temos oportunidade, façamos bem A
TODOS, mas principalmente aos domésticos da fé”. Gl. 6:9,10.

ACUSAÇÃO A JÓ

Com relação à acusação feita ao santo homem de Deus, Jó, o


autor desse estudo bem poderia se juntar aos três amigos dele:
Bildade, Zofar e Elifaz, a fim de receber as bênçãos de perdão de

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Deus, através da oração de Jó. É mais um acusador que a Bíblia não
refere, visto ter aparecido nestes últimos dias.
Eu considero uma grande ousadia ou temeridade o homem
fazer certas afirmações ao público sem nenhuma base bíblica, firmado
apenas nos pensamentos do seu coração, conforme Jr. 23:26,27.
O apóstolo Paulo nos adverte severamente, dizendo: “Não
ultrapasseis o que está escrito”. I Cor. 4:6b.
Com relação a Jó, perguntou o Senhor a Satanás: “Observaste
a meu servo Jó? porque ninguém há na terra semelhante a ele,
homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.”
1:8.
“O Senhor pois virou o cativeiro de Jó quando este orava
pelos seus amigos; e o Senhor deu a Jó o dobro do que antes possuía.”
42:10. A Bíblia não diz que ele se arrependeu por não ser dizimista,
como faz ver esse autor na página 34 do seu livro.
O argumento de acusação a Jó se encontra nas páginas 30,
último parágrafo, 34, terceiro parágrafo, etc. e se constitui num
argumento por demais subjetivo, e para mim muito perigoso. Diante
dele muitas pessoas poderão ficar ou amedrontadas ou fanatizadas.
Não foi isto o que o Senhor quis que acontecesse quando
prescreveu a prática dos dízimos.
Se a razão dos sofrimentos de Jó fosse proveniente de não
atender à prática dos dízimos (e isto é para mim um argumento por
demais pueril), a Bíblia o diria sem sombra de dúvidas. Creio que Jó
era mais que dizimista. Os seus feitos o comprovam. A avareza não
fazia parte da vida desse homem de Deus, conforme capítulo 29:13-
16; e capítulo 31, além de outros textos. Os predicados que Deus
atribui a Jó em 1:8, são suficientes, de sobejo, para que não o
acusemos de mesquinhez, como faz ver o estudo que ora está sendo
contestado.
Não se pode associar SANTIDADE, JUSTIÇA E
INTEGRIDADE, que são o elenco das virtudes de Jó, com
mesquinhez, pois, quem tem no coração a intenção de reter dez por

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
cento das suas rendas para não favorecer a Obra de Deus, não merece
tais prerrogativas.
Não há nenhuma inferência na Bíblia que permita
entendermos que os sofrimentos de Jó resultassem de pecados, e
muito menos com relação à sonegação de dízimos. Para mim este
argumento é antibíblico, perigoso e pernicioso. A Bíblia diz
exatamente o contrário. Diz a Escritura que Satanás incitou Deus
contra Jó para o consumir sem causa. 2:3b.
Cabe aqui a exortação do Senhor, quando diz: “Não mandei
esses profetas, todavia eles foram correndo; não lhes falei a eles, e
todavia eles profetizaram; mas se estivessem no meu conselho, então
fariam ouvir as minhas palavras a meu povo, e os fariam voltar do seu
mau caminho e da maldade das suas ações.” Jer. 23:21,22.
Considero uma temeridade a atitude assumida por esse autor
com relação a Jó. Aquilo que o Espírito do Senhor me tem ensinado e
acerca do qual me tem convencido, não poderá ser demolido por
meros argumentos, sem base nas Escrituras.
Muitos pregadores estão usando esta estratégia. Há mais
crentes dizimando por compulsão e opressão, do que por um
sentimento de obediência e gratidão. Muitos já foram advertidos de
que legiões de demônios estão em volta de quem não dá ou entrega os
dízimos, não importando os motivos por que não o fazem. Desse
modo, se houver qualquer declínio na vida material de um crente, e
isto pode ocorrer com qualquer “santo”, o único remédio, segundo
o que lemos nesse estudo, é o dízimo, como se a prática do mesmo se
constituísse numa mágica. A pessoa pode nunca ter pensado em
sonegar o dízimo, mas se qualquer circunstância o impedir de praticar
esse ato, as legiões de demônios aparecem, de acordo com essa
filosofia ou sofisma.
O argumento da página 47, com referência à ministração aos
santos, é muito contraditório. Fere os princípios do Salmo 112:9 e Gl.
6:9,10. De igual modo, o argumento da página 49 “Tome do Pobre”,
contraria Tg. 2:15,16, que diz: “se um irmão ou uma irmã estiverem
nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes

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disser: ide em paz, aquietai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as
coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso?”.
O argumento da página 50, que investe contra a ajuda aos
necessitados, deveria ser endereçado ao apóstolo Paulo. Foi ele quem
incentivou ou exortou os crentes a que contribuíssem em favor dos
pobres, conforme Rm. 15:26 e I Cor. 16:1-4.
De igual modo, o que foi exposto na página 52 é contraditório.
Se o dízimo é o sinal infalível da prosperidade material, pois quem dá
o dízimo, de nada tem falta, conforme essa teoria, como entendermos
que os irmãos de Jesus em Mat. 25:34-40, pudessem ter tido fome,
sede, enfermidades, estar presos, ser forasteiros?
Deus não usa de parcialidade, não faz acepção de pessoas. At.
10:34,35. Querer eliminar da igreja os pobres, a pretexto de que
aquele que não está no momento entregando o dízimo, não merece
ajuda, visto que de acordo com essa teoria, quem dá o dízimo de nada
tem falta, é um argumento antibíblico. De igual modo, se quatro
legiões de demônios tivessem a permissão de Deus para conduzir os
negócios do crente, só pelo fato de ele ter falhado na sua
contribuição, mesmo que isto não resultasse de dolo, por parte do
crente, que desastre!
O dízimo, como Lei, permita-me a ousadia de dizer, não é
bíblico, do ponto de vista do Novo Testamento; mudou o sacerdócio,
consequentemente, mudou a Lei. Hb. 7:12. Se assim não fora,
teríamos que estar debaixo de maldição todas as vezes que não
pudéssemos cumprir com Mal. 3:10. Muitos dizimistas, hoje, teriam
estado, e muitos fiéis cristãos estariam também sob maldição.
Quando se diz que determinado assunto é bíblico, poderá
haver dois entendimentos sobre tal expressão.
Se eu afirmo que a “Santa Ceia” é bíblica, estou dizendo que
tal prática deve ser efetivada; é ordenança do Senhor. Por outro lado,
posso afirmar que a circuncisão também é bíblica.
No primeiro caso o preceito é bíblico por termos de cumpri-lo;
no segundo caso é bíblico por estar na Bíblia.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
Assim sendo, nem tudo o que está na Bíblia, é bíblico, no
sentido de ter que ser observado ou praticado por nós os cristãos.
Mesmo no Novo Testamento há muitas coisas que se
constituem apenas em citações do Antigo Testamento, não se
apresentando em forma de mandamento para a Igreja.
Vejamos: O dízimo é bíblico por estar na Bíblia, mas não é
bíblico do ponto de vista da Nova Aliança, porque todas as
implicações decorrentes da sua instituição na antiga Dispensação, não
poderiam adequar-se aos moldes da Nova.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
O RITUALISMO DO DÍZIMO

Apreciemos mais de perto o ritual estabelecido pela lei, no


que diz respeito ao dízimo: Nm. 18:21-32, declara:
“Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por
herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação.
E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da
congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram.
Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação e
responderão por suas faltas: estatuto perpétuo é este para todas as
vossas gerações. E não terão eles nenhuma herança no meio dos
filhos de Israel.
Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao
Senhor em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes
disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
Disse o Senhor a Moisés:
Também falarás aos levitas, e lhes dirás: Quando receberdes
os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por vossa
herança, deles apresentareis uma oferta ao Senhor; os dízimos dos
dízimos.
Atribuir-se-vos-á a vossa oferta, como se fosse grão da eira, e
plenitude do lagar.
Assim também apresentareis ao Senhor uma oferta de todos os
vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a
oferta do Senhor a Arão, o sacerdote.
De todas as vossas dádivas apresentareis toda oferta do
Senhor: do melhor delas, a parte que lhe é sagrada.
Portanto lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos
dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira e produto do
lagar, se contará aos levitas.
Comê-lo-eis em todo lugar, vós e a vossa casa, porque é vossa
recompensa pelo vosso serviço na tenda da congregação.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
Pelo que não levareis sobre vós o pecado, quando deles
oferecerdes o melhor: e não profanareis as cousas sagradas dos filhos
de Israel, para que não morrais”.
Prosseguindo na apreciação do ritualismo do dízimo,
remeto os leitores para as referências que se seguem: Dt. 12:6,11-19;
14:22-29; 26:12-14; Ne. 12:44; 13:10-13.

No livro que trata da História da Igreja, Atos dos Apóstolos, não


encontro nenhum mandamento com relação ao dízimo. A contribuição
era espontânea e tudo funcionava bem. Com o passar dos tempos, os
homens começaram a introduzir mandamentos e imposições, usando
de interpretações muito subjetivas, a fim de pressionar as pessoas; e
como isto funciona, para cumprir ou satisfazer aos desejos de muitos
cães gulosos, de acordo com Is. 56:11, mesmo contrariando,
grandemente, a palavra de Deus, então muitos pregadores prosseguem
anunciando essas coisas.
Com relação ao assunto focalizado na página 56, último
parágrafo, sobre dízimo legal, é muito subjetivo e por demais
humano. Primeiramente, não estamos sob a Lei. O Apóstolo Paulo diz
em Col. 2:14 e Ef. 2:15, que Ele, Cristo, com a sua morte, cancelou
toda a dívida que era contra nós nas suas ordenanças (mandamentos),
removendo-a do meio de nós, cravando na cruz. Estabelecer critérios
rígidos com relação à contribuição, não é o objetivo da Nova Aliança.
Neste sentido Deus não se preocupa com métodos fixos. “Cada um
contribua conforme propôs no seu coração, não com tristeza ou por
necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria”.II Cor. 9:7.
Pode ser dez, vinte, cinqüenta, cem por cento ou menos,
dependendo das possibilidades. Na Nova Aliança Deus fala ao
coração, pois a sua Lei (Lei do Espírito de Vida em Cristo Jesus),
conforme o texto de Rm. 8:2, é uma Lei Espiritual, e essa Lei nos
livrou da lei do pecado e da morte. Conforme prescreve Jr. 31:33, a
Lei de Deus seria escrita nos nossos corações. Isto é o que deve
acontecer. Nada de imposições.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
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Se a pessoa falha a ponto de ser perseguida por quatro legiões
de demônios, quando fracassa nos dízimos, por que deveria ser
assistida na enfermidade, quando a Bíblia afirma que as nossas
enfermidades foram levadas no madeiro, Is. 53:4? Por uma questão de
coerência, os enfermos não deveriam também ser assistidos.
A verdade é que há muita pretensão nesses pregadores, que
vêem no sacrifício mais virtude do que na misericórdia.
É preciso muito cuidado. Deus chamará à prestação de contas,
ninguém escapará. Anular das páginas da Bíblia os pobres,
equivaleria a destruir muitos dos seus capítulos.
A pobreza em si mesma não é um castigo, não representa
maldição, e o próprio Deus instituiu princípios em favor dos pobres,
tanto no Antigo quanto no Novo Concerto. Observemos esta verdade
nas passagens bíblicas que se seguem:
“Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em
algumas das tuas cidades, na tua terra que o Senhor teu Deus te dá,
não endurecerás o teu coração, nem fecharás as tuas mãos a teu irmão
pobre; antes lhe abrirás de todo a tua mão e lhe emprestarás o que lhe
falta, quanto baste para a sua necessidade.
Guarda-te, que não haja pensamento vil no teu coração, nem
digas: Está próximo o sétimo dia, o ano da remissão, de sorte que os
teus olhos sejam malignos para com o teu irmão pobre, e não lhe dês
nada; e ele clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado.
Livremente lhe darás, e não seja maligno o teu coração,
quando lho deres; pois por isso te abençoará o Senhor teu Deus em
toda a tua obra, e em tudo o que empreenderes.
Pois nunca deixará de haver pobre na terra: por isso eu te
ordeno: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o
necessitado, para o pobre na terra”. Dt. 15:7-11.
“Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o
mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que
Ele prometeu aos que o amam?

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre. Não são os
ricos que vos oprimem, e não são eles que vos arrastam aos
tribunais?” Tg. 2:5,6
Excetuando o caso em que a pobreza resulta da preguiça,
conforme Pv. 6:6-11, não existe nenhuma condenação pelo fato da
pobreza em si.
Lemos em II Rs. 4 sobre a multiplicação do azeite da viúva. A
seqüência da narrativa nos revela o seguinte:
a) Era uma viúva;
b) Era pobre;
c) Não tinha nada em casa, senão uma botija de azeite;
d) O marido fora um homem temente a Deus.
Pergunto: à luz do estudo que estou analisando, uma pessoa
nestas condições teria entrada na Igreja desse pastor ou seria, de
imediato, rechaçada, para ouvir um sermão formal sobre o dízimo?
Na página 49 desse estudo, sob o título “TOME DO POBRE”,
lemos o seguinte: “Toda a pessoa que chega a mim, seja ela qual for,
parente, amigo ou desconhecido, pedindo-me uma ajuda, eu lhe
pergunto: “você é dizimista fiel”? E sempre a resposta é não; então
não lhe dou nada de material, e sim o Pão Espiritual, pregando e
mostrando-lhe que tudo que está acontecendo, é motivado pela falta
do dízimo. E a partir daí ela que veio pedir alguma coisa, acaba
deixando o dízimo no altar da Igreja.”
Imagine o leitor se Eliseu, o profeta, tivesse agido desse modo
com a viúva. Os seus filhos teriam sido levados cativos ou escravos, e
a sorte dela não se sabe qual teria sido. Quanto a ela, não sabemos se
deu o dízimo ou não; a prescrição do profeta foi a seguinte: “Vai,
vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto”.II
Reis 4:7b.
Sem que venhamos subestimar o valor da contribuição, o
profeta não determinou que o fizesse. Os que são de Deus sabem
como proceder com relação a este assunto, dentro das suas
possibilidades ou condições.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
É deplorável que haja tanta gente seguindo preceitos
humanos, mandamentos de homens, os quais contrariam a palavra de
Deus. O problema é que não se trata de dez, vinte, cinqüenta ou cem
por cento que o homem dê, por que Deus não julga levando em
consideração esses fatores; Ele quer corações desprendidos das coisas
materiais.
Rejeito a idéia de que Deus irá julgar o homem com base em
porcentagens. Creio firmemente que Ele irá julgar pela atitude
interior, conforme diz em I Sm. 16:7.
Poderá haver condenação para quem contribui com esses
valores, caso essa prática não tenha uma correspondência espiritual.
Creio, por outro lado, na salvação do verdadeiro crente que não pôde
dar sequer um por cento. Tudo depende dos motivos interiores.
Na página 48 do livro em apreço lemos sobre “Uma Igreja
Pobre”. O comentário ali exposto conduz as pessoas a ficarem com
um complexo de superioridade, e a fazerem acepção de pessoas.
Ouçamos o que diz o último parágrafo: “Quando fundei a Igreja que
sou pastor, todas as pessoas que freqüentavam, eram pobres, não
possuíam carro, a maioria pagavam aluguéis, estavam endividados,
doentes, uma verdadeira vida de derrotas os acompanhavam, um ou
outro é que tinham uma vida melhorzinha. Não havia nenhum rico
dentro da Igreja, e diante deste quadro, Deus me disse: Alimente-os
espiritualmente, diga a eles que eu sou “Jeová- jire” o Deus de
Abraão, Isaque, Jacó e José, profetize dizendo: “Todo aquele que for
obediente nos dízimos e ofertas, eu farei com que possam dizer como
Davi: “O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ””.

Pelo exposto acima jamais os adeptos de uma filosofia dessa


natureza tolerarão os pobres na Igreja. Este argumento “bate de
frente” com a inspirada Palavra de Deus, conforme Tg. 2:2,4: “Se,
portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro
nos dedos, em trajes de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso,
e tratardes com deferência o que tem os trajes de luxo e lhe disserdes:
Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica

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ali em pé, ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés, não
fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos tornastes juízes
tomados de perversos pensamentos?”
Não é diferente o pensamento contido na página 57 sob o
título “CONSELHO No 4”, que fala sobre “O Dom de Adquirir
Riquezas”. Se a minha preocupação maior for caminhar nessa
direção, isto é, objetivando ser rico, estarei deturpando os princípios
sagrados consignados em Mt. 6:33, onde lemos: “Mas buscai
primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão
acrescentadas”.
Em I Tm. 6:9,10, lemos: “Ora, os que querem ficar ricos caem
em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e
perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque
o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça,
se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas
dores”.
Foi bem diferente de muitas igrejas da nossa época a Igreja do
primeiro século. O ministério do Senhor Jesus começou bem
diferente. Enquanto em muitas igrejas de hoje não há mais lugar para
estacionamento, pois todos têm carros e são ricos, o Mestre, por sua
vez, diz: “As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o
Filho do Homem não têm onde reclinar a cabeça”. Mt. 8:20.
Que lugar poderão ter em muitas igrejas dos nossos dias as
pessoas pobres? Será que todos os que são pobres, o são por causa de
algum pecado? Prefiro ficar com a exortação de Paulo, que diz: “Sede
unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos
às humildes; não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. Rm.
12:16.Arc.
Ainda sobre o comentário da página 49, “TOME DO
POBRE”, eu considero um argumento errado. Tudo o que “bate de
frente” com os ensinamentos bíblicos, eu considero refutável. O
apóstolo Paulo em Rm. 12:20 diz: “Antes, se o teu inimigo tiver
fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; por que fazendo

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isto amontoarás brasas de fogo sobre as suas cabeças”. Veja que até
aos nossos inimigos somos exortados a dar.
Falo com muita liberdade e convicção que nunca me interessei
em assuntos relacionados com “ficar rico”. Sempre tive minhas
ambições moderadas, e ultimamente, aquilo que estou buscando para
ter em abundância é o Espírito Santo, a fim de executar com poder a
Obra de Deus.
Não me parece bem aplicar minha inteligência e usar grandes
esforços no sentido de ficar rico. Sinto a presença de uma grande
riqueza dentro de mim, que não tenho o desejo de me preocupar com
isto. Prefiro ficar com Tg. 2:15,16, já citado.
No estudo que estamos apreciando, lemos na página 42,
primeiro parágrafo: “Uma das características de uma pessoa
amaldiçoada é a “FALTA”, está sempre lhe faltando alguma coisa”.
Passo a enumerar alguns casos, comprovados na palavra de
Deus, com relação a este assunto de “falta”, “escassez”,
“necessidade”. Antes de fazê-lo, quero dizer uma palavra sobre esta
declaração.
Não posso entender como certos autores proclamam
determinadas teses, infundadas, inexplicáveis, sem nenhuma
preocupação de ferir a sensibilidade das pessoas. Em que se baseia o
autor para afirmar que a falta é a característica de uma pessoa
amaldiçoada? Será que uma frase isolada como esta explica alguma
coisa? Em que sentido a falta de algo na vida de uma pessoa
representa uma maldição?
Mostrarei, por meio de textos bíblicos, casos concretos, bem
fundamentados, a fim de desmascarar essa filosofia barata,
proclamada pelos pregadores da “Teologia da Prosperidade”. Ater-
me-ei, com exclusividade, a citações do apóstolo Paulo. Ei-las:
“Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou
angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”
Rm. 8:35.
“... em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros
de Deus: na muita paciência, nas privações, nas angústias, nos

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açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos
jejuns”. II Cor. 6:4,5.
“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus,
concedida às Igrejas da Macedônia; porque no meio de muita prova
de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda
pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade.
Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima
delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a
graça de participarem da assistência aos santos”. II Co. 8:1-4.
Aqui, nesta passagem, vemos uma coisa muito curiosa: os
crentes da Macedônia se sentiam gratificados, privilegiados em
participar da assistência aos necessitados. E há momentos em que,
mesmo em dificuldades, a pessoa quer fazer um sacrifício dessa
natureza, movido pelo amor de Deus. E não há nada de errado em
tudo isto, desde que haja espontaneidade por parte da pessoa.
Entretanto, afirma o apóstolo que esses crentes pediram com muitos
rogos a graça de participarem dessa ajuda ou assistência.
O que aconteceu para que fosse necessário que esses crentes
implorassem para ajudar na contribuição? Os apóstolos depreciavam
a oferta desses crentes pobres, por ser pequena? Certamente que não.
O que aconteceu, então? Sem que venhamos a fazer um curso
teológico profundo ou participar de grandes seminários, podemos
encontrar uma resposta lógica e bíblica para este caso. Vendo a sua
pobreza e as suas dificuldades, os apóstolos queriam poupá-los desse
sacrifício, mas eles insistiram e foram permitidos ir nessa direção ou
intento até onde puderam, ficando satisfeitas as duas partes; mas tudo
isto sem imposições por parte dos apóstolos.
A expressão com muitos rogos denota insistência de uma
parte e recusa de outra. Eu não posso fazer grandes rogos para
adquirir ou fazer alguma coisa, se essa coisa está ao meu alcance, à
minha disposição.
Tudo, neste contexto, nos mostra a existência de duas forças
“antagônicas”, se assim podemos dizer: os cristãos macedônios

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
querendo uma coisa e os apóstolos recusando. Não compreendo como
poderia ser diferente.
“Pois, conheceis a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que,
sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza
vos tornásseis ricos.”.
II Cor. 8:9.
E, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado
a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o
que me faltava; e em tudo me guardei, e me guardarei, de vos ser
pesado”. II Cor. 11:9.
“São ministros de Cristo? (falo como fora de mim), eu ainda
mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites,
sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi
dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes
fustigado com varas, uma vez apedrejado, em naufrágio três vezes,
uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas muitas
vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre
patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos
no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em
trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes; em fome e sede, em
jejuns muitas vezes; em frio e nudez.
Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim
diariamente, a preocupação com todas as igrejas”. II Cor. 11:23-28.
“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas
necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor a Cristo.
Porque quando sou fraco, então é que sou forte.” II Cor. 12:10.
“Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver
contente em toda e qualquer situação.
Tanto sei estar humilhado, como também ser honrado; de tudo
e em todas as circunstância já tenho experiência, tanto de fartura
como de fome; assim de abundância, como de escassez. Tudo
posso naquele que me fortalece”. Fp. 4:11,13.

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Dogmático das Igrejas Organizadas
Em Fp. 4:12 Paulo declara ter adquirido experiência nos seus
sofrimentos. Incluídos nessa grande experiência do apóstolo estão a
fome, o frio e a nudez.
Qual o conceito que muitos pregadores de hoje teriam de um
crente passando fome e com escassez de bens materiais na sua vida?
Não me estou referindo aqui aos desordenados e preguiçosos,
mas àqueles que, mesmo confessando o nome do Senhor e andando
em novidade de vida, como é exemplo o apóstolo Paulo, passam,
muitas vezes, essas provações.
O sentido de experiência é: habilidade, perícia, prática,
adquiridas com o exercício constante duma profissão, arte ou ofício;
prova, demonstração, etc.
Já imaginou um homem de Deus com a habilidade ou perícia
de passar fome e sofrer escassez das coisas indispensáveis à sua vida?
Um homem com tais características, hoje, é classificado por
esses defensores da Teologia da Prosperidade como excluído das
fileiras dos santos de Deus. A falta de algo na vida de uma pessoa é
sinal de maldição, consoante o ensino teológico desses pregadores.
“Porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez,
mas duas, o bastante para as minhas necessidades”. Fp. 4:16.
“Sim, irmãos, por isso fomos consolados acerca de vós, pela
vossa fé, apesar de todas as nossas privações e tribulações”. I Tes.
3:7. Além destas citações do apóstolo Paulo, lemos em Hb. 10:32-35:
“Lembrai-vos, porém dos dias anteriores em que, depois de
iluminados, sustentastes grande luta e sofrimento; ora expostos
como em espetáculo, tanto de opróbrio, quanto de tribulação; ora
tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram
tratados.
Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados,
como aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência
de possuirdes, vós mesmos, patrimônio superior e durável.
Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande
galardão”.
Ainda do apóstolo Paulo, lemos:

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
“Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e
somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos,
trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados,
bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados,
procuramos conciliação: até agora temos chegado a ser considerados
lixo do mundo, escória de todos.” I Cor. 4.11-13.
O apóstolo Paulo não usou a expressão fome e sede e nudez
por um costume ou figura de linguagem. Era exatamente o que ele
estava sofrendo. Tal expressão é usada em muitas das suas epístolas,
como temos visto a cada passo, nas referências apresentadas.
Numa palavra a Timóteo, diz o apóstolo: “Tu, porém, tens
seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé,
longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os
meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antióquia, Icônio e
Listra, que variadas perseguições tenho suportado! De todas,
entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver
piedosamente em Cristo Jesus, serão perseguidos”. II Tm. 3.10-
12.
Diante dessas evidências inconfundíveis, apresentadas pelo
apóstolo Paulo, temos que nos conscientizar dos perigos que certas
literaturas nos trazem, e precisamos combatê-las com muita
veemência, firmados na verdade da Palavra de Deus.
Escassez, fome, nudez, necessidades, privações, profunda
pobreza, falta, sede, frio, tribulação, sofrimento, espólio dos bens,
etc, etc, foram termos usados pelo homem de Deus, relacionando-os
consigo mesmo e com os cristãos fiéis das muitas Igrejas. Eram uma
constante em suas vidas. Nenhuma palavra de maldição brotou dos
lábios do apóstolo para com os pobres da Judéia e da Macedônia, nem
ele mesmo se considerou amaldiçoado por passar por todas aquelas
privações.
É evidente que ele não insinuou que esta era uma regra geral
para todos os cristãos, mas não negou a possibilidade de passarmos
por problemas dessa natureza, conforme afirma em II Tm. 3:10-12.

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Dízimo:: O Terror Dogmático das Igrejas Organizadaso Terror
Dogmático das Igrejas Organizadas
O próprio Cristo declarou: “Estas coisas vos tenho dito para
que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende
bom ânimo, eu venci o mundo”. Jo. 16:33.
O significado de aflição é: agonia, angústia, tormento,
ansiedade. Em suma, é tudo aquilo que aflige.
Hebreus 10:34, já citado, fornece um esclarecimento oportuno
quanto a este assunto.
Aqueles cristãos hebreus enfrentaram luta e sofrimento e,
entre outras humilhações, o espólio dos seus bens. Isto, certamente,
não é aceitável pelos dizimólatras, que vêem no dízimo a base da
prosperidade material. Quem assim interpreta, desestimula a prática
da contribuição para a Obra de Deus, pois, aqueles que forem
manipulados a crer em semelhante filosofia, sentir-se-ão desanimados
para praticá-la, quando se defrontarem com qualquer dificuldade
financeira, interpretando que tal situação é decorrente de uma
reprovação por parte de Deus, por terem falhado no cumprimento
irrevogável de Ml. 3:10.
A sacralidade do dízimo, para muitos pregadores de hoje,
sobrepuja o valor da própria vida. Para muitos, o dízimo é superior
àquele que dizima. A fé verdadeira em Cristo, no entendimento desses
“intérpretes” é impotente para livrar o patrimônio de um crente das
garras de Satanás, simplesmente por ele ter falhado na sua
contribuição, como fazem ver muitos “guias cegos” guiando outros
“cegos”.
Torna-se necessário sejam citadas algumas palavras de Jesus,
quando do seu encontro com os fariseus a quem ele reprovava. Esses
homens, com os seus ensinos procuravam desviar o povo do caminho
da salvação.
Apreciemos dois tópicos importantes, onde o Mestre nos abre
amplos horizontes na compreensão da verdade. Em Mt. 12:1-8, o
Senhor reprova os fariseus por censurarem os Seus discípulos na
violação do sábado. A necessidade imperiosa compeliu esses
discípulos a colher espigas para comer, num dia de sábado.

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Dogmático das Igrejas Organizadas
O Mestre não os reprovou, pelo contrário, defendeu-os com
veemência, trazendo à baila um outro assunto de grande valia, quando
disse: “Não lestes o que fez Davi quando ele e seus companheiros
tiveram fome? Como entrou na casa de Deus, e comeram os pães da
proposição, os quais não lhe era lícito comer, nem a ele nem aos que
com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes?” Assim sendo,
os pães sagrados foram utilizados por Davi e seus companheiros,
diante de uma necessidade toda especial. Não lhes era lícito comer os
pães da proposição, mas eles o fizeram, ficando sem culpa.
Jesus associou o incidente da “quebra” do sábado com o caso
dramático relacionado aos pães da proposição.
Estamos diante de três fatos importantes, todos encaixados e
subordinados à lei: o sábado, os pães da proposição e o dízimo. Qual
dos três era mais sagrado? Quanto ao primeiro, o Mestre absolveu os
seus discípulos de qualquer penalidade; em relação ao segundo, Davi
e seus companheiros foram inocentados. Vamos, agora, tratar de
encontrar uma solução para o terceiro caso. Os fariseus de hoje não
perdoam.
No descumprimento dos dois decretos anteriores houve
exclusão da punibilidade. O fato do descumprimento desses preceitos
contrariava a lei vigente, mas houve determinadas circunstâncias que,
levadas em consideração, anularam a culpa. Em linguagem jurídica
isto se denomina descriminação, que quer dizer: “ato ou efeito de
descriminar, isto é, absolver do crime, tirar a culpa de, inocentar;
excluir a criminalidade ou antijuridicidade de um fato”.
O terceiro caso bem que poderia ser enquadrado em Mt. 23,
na parte referente aos “ais” dirigidos aos fariseus hipócritas.
Penetrando às profundezas daqueles sepulcros caiados e revelando o
segredo dos seus corações pecaminosos, o Mestre inicia uma série de
“ais”.
Ater-me-ei aos versículos 16 e 19 do referido capítulo,
fazendo um breve comentário.

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Dogmático das Igrejas Organizadas
Jesus inicia a sua reprovação como segue: “Ai de vós, guias
cegos! que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas se
alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou.
Insensatos e cegos! Pois, qual é maior: o ouro, ou o santuário
que santifica o ouro?
E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém,
jurar pela oferta que está sobre o altar, fica obrigado pelo que jurou.
Cegos! Pois, qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a
oferta?”
No contexto desta mensagem o Senhor declarou duas coisas
importantes, dentre outras:
a) O santuário que santifica o ouro, é maior do que o ouro;
b) O altar que santifica a oferta, é maior do que a oferta.
Abordarei algumas Escrituras a fim de mostrar a importância
do santuário. De início é necessário que se entenda que o menor ou
inferior não pode sobrepor-se ao maior, ou superior. O santuário está
acima do ouro e o altar está acima da oferta.
Paulo apóstolo afirma de um modo interrogativo: “Não sabeis
que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?
Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá;
porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”. I Cor. 3:16,17.
Em II Co. 6:19, lemos: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é
santuário do Espirito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de
Deus, e que não sois de vós mesmos?”
Em 6:16b, encontramos: “porque nós somos santuário do
Deus vivente...”.

SEGUNDA CONTESTAÇÃO

Esta segunda contestação deste capítulo relaciona-se ao livro


DÍZIMO & BÊNÇÃOS, do escritor Oswaldo Ramos, Ed. Vida, 1995.
À página 8, segundo parágrafo, encontramos: “Por que há tantos
irmãos nossos sempre envolvidos em dificuldades financeiras e outros
problemas terríveis?

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A resposta (diz o autor Oswaldo Ramos) está em Malaquias 3:
8-10: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis:
Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com
maldições sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a
nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja
mantimento na minha casa, e depois FAZEI PROVA DE MIM, diz o
Senhor dos Exércitos, se eu não vos ABRIR AS JANELAS DO CÉU,
E NÃO DERRAMAR SOBRE VÓS UMA BÊNÇÃO TAL, QUE
DELA VOS ADVENHA A MAIOR ABASTANÇA”.
Quase todo estudo relacionado ao dízimo, produzido pela
maioria dos escritores dessa matéria, começa com uma acusação. Tal
acusação, que podemos denominá-la de “Texto Áureo”, usada por
esses escritores, é Mal. 3:8-10; isto porque, eles não têm um
argumento lógico para fundamentar a sua tese, e uma vez que esse
texto se encontra na Bíblia, não é de admirar que eles o citem, pois,
quem iria de encontro à Palavra inspirada de Deus? Todo crente
sincero não ousaria descrer da palavra profética. Entretanto, muitas
vezes perguntei ao Senhor se estas coisas eram realmente assim, e
resolvi proceder como Abraão, e com reverência e temor, faço minhas
as suas palavras: “... ora, não se ire o Senhor que ainda só mais esta
vez falo...”. Oito vezes se atreveu Abraão a interrogar ao Senhor. Gn.
18:23-32.
Pergunto: Será, Senhor, que todo o problema hoje existente,
do ponto de vista financeiro, e outros problemas terríveis, como diz
o autor de Dízimo & Bênçãos, são resultantes de se não ser dizimista?
Será que as obras da carne, manifestadas por muitos crentes relapsos
na santificação, não poderiam também, redundar em prejuízos de
várias ordens? E que dizer de muitos crentes que vivem na prática da
libertinagem, e até mesmo praticando abominações e muitas outras
coisas terríveis, estão agradando a Deus?
Há muitas práticas reprováveis pela Palavra de Deus, coisas
abomináveis, que são praticadas por crentes, os quais poderiam ser
chamados de dizimistas infalíveis, uma vez que nunca falharam na

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sua contribuição sistemática, sendo, muitos deles, “entronizados”
como fiéis de Deus.
O erro grave e imperdoável para esses pregadores,
entretanto, é a não prática do dízimo, ainda que por um ou dois
meses.
Não defendo os avarentos e nem aqueles que fecham a mão
para não contribuir, mas preciso defender os cristãos fiéis que, sem
nenhuma intenção de serem infiéis na contribuição, são tachados de
malditos e ladrões.
Para mim, necessário se tornaria um discernimento da parte de
Deus, a fim de que se pudesse dizer com precisão que determinado
crente está em dificuldades financeiras só pelo fato de não estar
dizimando.
Ainda na página 8, último parágrafo, o autor declara:
“Encaremos esta triste realidade: crente que não entrega seu dízimo
com fidelidade é crente que rouba a Deus, não sendo de admirar que
haja maldição sobre sua vida”.
O que se poderia entender pela expressão entregar seu
dízimo com fidelidade? Sem dúvida alguma o que eles querem dizer
com isto é que ser dizimista fiel é entregar com infalibilidade os dez
por cento de Mal. 3:10.
Aqui está em apreciação, para termos de julgamento, a
quantidade aritmética, e não a qualidade espiritual da oferta. Ser
contribuinte sistemático é muito bom, e quantos possam proceder
assim, não se desviem desse caminho. Dez por cento de qualquer
valor é sempre pouco. A julgar por esse critério, o dízimo talvez
nunca seja impossível de ser praticado; porém, a situação nem sempre
se apresenta estável para todos, e poderá haver um “fracasso” por
quaisquer motivos. Vamos fazer uma pergunta: Será que quando o
apóstolo Paulo foi levar a oferta para os pobres da Judéia, ele exigiu
desses pobres o cumprimento de Mal. 3:10? E se eles podiam cumprir
essa determinação, por que não tinham o necessário, havendo Paulo
de tirar oferta em seu favor? Onde está a prosperidade material
resultante de se ser dizimista? Eram infiéis na contribuição? Se eram,

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por que Paulo não os repreendeu? É verdade que os da Macedônia
deram da sua extrema pobreza, mas não se diz que eles podiam fazer
isto de um modo permanente e sistemático. II Cor. 8:2,3.
A verdade é que esses estudos sobre o dízimo normalmente
são fundamentados nas grandes exceções da Bíblia, como sejam: a
espontaneidade de Abraão e o voto de Jacó na entrega do dízimo, Gn.
14:18-20; 28: 20,22; o caso da viúva de Sarepta, I Rs. 17:8-16; a
oferta da viúva pobre, Mc. 12:41; o comportamento de Zaqueu, o
Publicano, Lc. 19; o episódio do menino com os cinco pães e os dois
peixes, Jo. 6:9; etc, fazendo desses casos uma regra geral e acusando
todos aqueles que não procedem segundo esse modelo.
Nem Jesus nem os apóstolos apresentaram esses casos como
constituindo uma norma a ser seguida literalmente por todas as
pessoas.
Nas minhas considerações sobre este assunto, repito, não
quero sancionar a avareza nem defender os que, sem nenhum motivo,
deixam de contribuir. Não defendo, entretanto, hoje, a infalibilidade
da prática do dízimo, isto é, o fato de ser irrevogável o seu
cumprimento, porque desse modo, ofuscaria a graça oferecida através
do Evangelho do Senhor Jesus Cristo: “Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das
obras, para que ninguém se glorie”. Ef. 2:8,9.
“TENDO SEMPRE, EM TUDO, TODA A SUFICIÊNCIA,
ABUNDEIS”.
Este é o título do capítulo 2 do livro, objeto desta segunda
contestação.
Quero fazer ligeiro comentário sobre estas palavras do
Apóstolo Paulo, registradas em II Cor. 9:8b.
A que tipo de abundância está Paulo se referindo? Se se
referia a bens materiais, pelo menos não quis dizer que esta
abundância tinha caráter permanente; se estivesse se referindo
estritamente à abundância material, ele foi o menos sucedido nesse
sentido, e desse modo, pregando uma vida abundante aos outros, ele
próprio não pôde dar o exemplo.

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Dogmático das Igrejas Organizadas
Vou mostrar isto mais claramente: Em I Cor. 4:11, ele
descreve que sofremos fome, e sede, e nudez; e somos
esbofeteados, e não temos morada certa. Em II Cor. 8:2, referindo-
se aos crentes da Macedônia, falou da profunda pobreza deles; em
11:9, falando sobre si mesmo, referiu-se às suas privações; em 11:27,
falou em fome e sede, em frio e nudez; em Fp. 4:12.Arc. referiu-se a
estar abatido, ter fome e padecer necessidade; em I Ts. 3:7, fala das
nossas privações e tribulações.
Irmão Paulo: porque o senhor não foi tão próspero
materialmente? Os irmãos nunca lhe perguntaram porque o senhor,
pregando tanto sobre prosperidade, sempre estava na pior? Pelo que
temos lido em suas cartas, o senhor conclamava os crentes a que o
imitassem, e isto por diversas vezes. Os irmãos de Corinto, Galácia,
Tessalônica e muitos outros nunca ficaram intrigados com o fato de o
senhor estar sempre na dependência, necessitado?
Aos coríntios o apóstolo Paulo declara: “Aquele que semeia
pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com
abundância também ceifará”. II 9:6.
Baseados nessa declaração de Paulo, muitos pregadores
intensificam as suas cobranças de dízimos e ofertas, num verdadeiro
desafio, afirmando que a prosperidade material dos crentes está na
razão direta do tamanho da sua contribuição: se derem mais dízimos
e ofertas, receberão muito; se contribuírem com pouco, pouco
receberão.
Se formos querer entender estas palavras de Paulo ao pé da
letra, tomando por base pontos isolados das Escrituras, teremos de
admitir que os crentes da Macedônia jamais poderiam receber
abundantes bênçãos de Deus, no plano das quantidades materiais, ou
do ponto de vista espiritual.
Quem poderia dar grandes donativos, grandes ofertas, do
ponto de vista quantitativo, se dependiam de tirar esses donativos e
ofertas, da sua profunda pobreza?

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Dogmático das Igrejas Organizadas
E o apóstolo Paulo não está aqui usando uma figura de
linguagem. Quando ele disse profunda pobreza, quis dizer
exatamente pobreza material.
Figura de linguagem ele usa em II Cor. 11:8, quando diz:
“Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir”.
Não irei comentar sobre isto, aqui nestas linhas, por tratar-se
de um assunto pertencente ao capítulo terceiro.
Por não ter esta obra a finalidade de esgotar o assunto
referente ao dízimo, pois jamais poderia eu ter esta pretensão, tomei
como alicerce, para fundamentar a minha tese, a vida do apóstolo
Paulo, principalmente. Cerca de noventa por cento dos meus
argumentos voltam-se para ele.
Ainda à página 13, primeiro parágrafo do livro Dízimo &
Bênçãos lemos: “Todavia, o verdadeiro crente não se vê enredado em
dívidas, afundado na miséria, desesperado sem o essencial”.
O verdadeiro crente não se deve ver enredado em dívidas.
Isto é muito bom e necessário, sobretudo quando se trata de observar
um conselho apostólico, que diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa
alguma...” Rm. 13:8.
O conselho do apóstolo, entretanto, não anula a possibilidade
de um crente ter contraído uma divida e vir a sofrer por causa dela.
Exemplifiquemos: Em II Rs. 4:1, lemos: “Certa mulher, das mulheres
dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido,
teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao Senhor. É chegado o
credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos”.
Nenhuma palavra de reprovação por parte do profeta Eliseu
para com a viúva.
Esta família estava, realmente, enredada em dívidas. A
mensagem em apreço é clara como o cristal. Só os “cegos” não
quererão aceitá-la.
Fazer dívidas indiscriminadamente, sem motivo justo, para
esbanjar em inutilidades, sem um compromisso sério, está errado.
Porém, quantas pessoas foram surpreendidas por sérios problemas,
sendo forçadas a assumir determinados compromissos indesejáveis.

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Mas alguns declaram: “O verdadeiro crente não passa por
isso, o Senhor não permitirá que isto aconteça”.
Em Ec. 9:2,3a, lemos: “Tudo sucede igualmente a todos: o
mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro;
assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao
pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.
Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol, a
todos sucede o mesmo...”.
Quanto à expressão usada pelo autor: afundado na miséria e
desesperado, eu concordo, porque a fé viva no Senhor, não permitirá
ao fiel cristão ficar afundado na miséria e desesperado. Porém,
conheço um homem que disse: “E, estando entre vós ao passar
privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando
vieram da Macedônia, supriram o que me faltava”, II Cor. 11:9.
Paulo estava sem o essencial.

Se eu entendo o sentido da palavra privação, não hesito em


dizer que aquele que passa privações, está sem o essencial.
O nosso Novo Dicionário Aurélio conceitua a palavra
“privações”, como segue: “falta do necessário à vida”.
Assim sendo, Paulo nem sempre tinha o essencial, quanto
mais muitos dentre nós, que nos encontramos tão distantes de ser um
Paulo, do ponto de vista da santificação.
Na página 45 do livro em referência, no primeiro parágrafo,
lemos: “E a Igreja Apostólica recebia dízimo dos primitivos cristãos?
Ou apenas “ofertas” a critério de cada um? Hb. 7:8 declara que é o
próprio Cristo quem recebe nossos dízimos”
Respondo: A expressão “recebe” neste caso, não está se
referindo aos tempos atuais. Quando o escritor diz no verso 8: “...aqui
são homens mortais”, refere-se à tribo de Levi; quando ele diz:
“porém ali,” fala do caso de Melquisedeque. Não se está referindo a
Igreja, hoje. Além disso, a lei que moveu Abraão a praticar o dízimo,
não foi Ml. 3:10, que ainda não existia.

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Hebreus 7:5 declara que os que dentre os filhos de Levi
recebem o sacerdócio, têm mandamento de recolher, de acordo
com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora
tenham estes descendido de Abraão.
Se alguém quiser recuar, voltando aos tempos de Abraão, terá
que admitir o comportamento da época, isto é, voluntariedade. O
comportamento que os pregadores de hoje endossam está baseado em
Ml. 3:8-10, que segue o sistema levítico da exigência legal.
Se, como já vimos, o sacerdócio levítico foi substituído, não
podemos nos apoiar nele para fazer valer o sistema de contribuição.
O nosso Sacerdote “não foi feito segundo a lei do
mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível”.
Hb. 7:16.
Essa é a razão básica por que o Novo Testamento não
sanciona o sistema do dízimo baseado na lei.
Para cumprir à risca os rituais da antiga lei, precisamos
analisar alguns fatores ou aspectos:
a) Quem são os sacerdotes atualmente? I Pd. 2:9 afirma que os
cristãos constituem o sacerdócio real, a nação santa.
Na Nova Dispensação não existe uma classe sacerdotal,
exclusiva, detentora de certos poderes e que tenha recebido
mandamento, de acordo com a lei (hoje a lei do Espírito da vida
em Cristo Jesus), Rm. 8:2, para recolher os dízimos do povo;
b) O Senhor Jesus afirmou que, no futuro, a conversão das
pessoas estaria na dependência da pregação do Evangelho através dos
seus discípulos. O Espírito do Senhor, portanto, iria inspirar os seus
mensageiros em tudo aquilo que fosse necessário e essencial à
salvação das pessoas que viessem a crer.
Atentemos para as palavras do Senhor: “Não rogo somente
por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por
intermédio da sua palavra”, (palavra dos discípulos). Jo. 17:20
Quem negaria o fato de ter Paulo sido um dos grandes
discípulos do Senhor? Quem poderia calcular o número dos
convertidos por intermédio da sua pregação? Examinemos as suas

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treze epístolas e verifiquemos o que ele ensinou sobre a doutrina do
dízimo. Deixaria Paulo, mestre dos gentios, de ensinar-lhes algo de
essencial? Ele iria aos gentios de longe, comunidades alheias aos
israelitas e aos seus costumes. At. 22:21.
Se em treze epístolas Paulo não focalizou a doutrina do
dízimo, já está mais do que evidente que o critério a ser utilizado na
obra do Senhor, atualmente, com relação a levantamento de fundos,
deve mudar.
Qual o critério usado hoje pelos “doutores da lei”, com
relação a este assunto? Além da prática irrevogável do dízimo, eles
usam a coerção, a intimidação e a pressão psicológica, fazendo com
que não haja aquela liberdade característica do Evangelho de Jesus.
O preceito do dízimo, como lei, não está ausente apenas do
livro de Atos. Examinemos as treze epístolas paulinas e verifiquemos
o que há sobre este assunto. E que dizer das demais cartas ou
epístolas, em número de sete, de profundo teor doutrinário?
Excetuando a carta aos Hebreus que dá um retrospecto relativo ao
dízimo no capítulo 7:2,4,5,6,8 e 9, nenhuma outra o focaliza.
Quanto aos evangelhos, Mt. 22:23 e Lc. 11:42,46; 18:12,
fazem referência ao dízimo, mas de nenhuma dessas passagens se
infere um mandamento para a Igreja de hoje.
Quer dizer que estamos isentos de praticar o dízimo? Como
preceito da lei, sim. Por que não, como lei? Porque sob esta
estaríamos sujeitos às suas maldições, diante de qualquer
impossibilidade de a cumprirmos. Tanto é assim que os estudos que
abordam o assunto consideram o crente que não está entregando o
dízimo, como maldito, ladrão e excluído do reino dos céus.
Abramos o nosso coração para Deus e sua obra no tocante a
contribuir, mas nunca façamos voto de tolo, para agradar a homens.
Se Deus o compelir a dar tudo, faça-o, mas não transforme isto numa
regra geral, vindo você a acusar todos os que não vierem a imitá-lo.
Paulo se opôs frontalmente aos que queriam invalidar a
liberdade do evangelho que ele pregava; não aceitou as sugestões
desses falsos irmãos, nem por uma hora, Gl. 2:5. Queriam fazer valer

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os princípios ritualísticos já obsoletos, como a circuncisão e
certamente outras coisas da lei.
O apóstolo se posiciona de um modo firme e irredutível,
dizendo: “Catorze anos depois, subi outra vez a Jerusalém com
Barnabé, levando também a Tito.
Subi em obediência a uma revelação; e lhes expus o
evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que
pareciam de maior influência, para de algum modo não correr, ou ter
corrido em vão.
Contudo, nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego,
foi constrangido a circuncidar-se.
E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o
fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, e
reduzir-nos à escravidão;
aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a
verdade do evangelho permanecesse entre vós”. Gl. 2:1-5.
Paulo passa catorze anos ausente de Jerusalém. Declara no
verso 2, supracitado que, em lá chegando em nova visita, “...lhes
expus o Evangelho que prego entre os gentios...”.
Ora, se a razão de os apóstolos não ensinarem acerca do
dízimo fosse por ser uma doutrina por demais conhecida e por isso
dispensar ensinamento, como ficariam os gentios?
Se o apóstolo expôs aos cristãos de Jerusalém o evangelho que
pregava entre os gentios, certamente havia alguma diferença nesse
evangelho, comparado àquele apresentado pelos falsos irmãos.
O evangelho de Paulo era um evangelho destituído de
conceitos e preconceitos humanos. Paulo viera do judaísmo e
conhecia todas as suas minúcias.
Quando os crentes judaisantes se propuseram a mesclar o
evangelho da graça de Deus, que Paulo pregava, com costumes e
práticas da lei ritualística, disse o vidente Paulo: “Aos quais nem
ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do
evangelho permanecesse entre vós”. Gl.2:5.

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Relativamente ao ritualismo judaico, escreve o professor
Huberto Rohden, no seu livro Paulo de Tarso, 7 a edição, página 39:
“O israelita, máxime o fariseu, vivia peado por uma inextricável teia
de preceitos – eram, segundo Gamaliel, 248, além de 346 proibições!
Acrescia a isto inumeráveis conselhos e diretivas orais, cada um dos
quais afetava a consciência com maior ou menor gravidade.
Em face desse caos formalístico da religião judaica, sentia-se
Saulo impressionado pela encantadora simplicidade religiosa dos
discípulos do Nazareno. Amavam a Deus sobre todas as coisas, e ao
próximo como a si mesmos – eis aí sua religião! Todos os demais atos
dimanavam, com espontânea naturalidade, dessas fontes eternas da
mística e da ética”.
Ainda à página 94, lemos: “Consideravam os judaizantes (o
grifo é nosso) a lei mosaica como indispensável propedêutica do
Evangelho, como um curso preliminar para um cristianismo perfeito.
Gentio que do paganismo passasse diretamente para o Cristianismo,
não era cristão integral; não participava da plenitude da Nova
Aliança. Era necessário, diziam
os judaizantes, que os neófitos vindos do gentilismo,
professassem a lei de Moisés, recebessem a circuncisão, observassem
o Sábado, as luas-novas, as numerosa abluções e lustrações rituais e
acompanhassem as cerimônias e tradições paternas que, num como
inextricável cipoal, enredava a religião de Israel.
Era tão grande e tão caótico esse acervo de formalidades
religiosas que a alma da religião agonizava de asfixia sob o peso
desse corpo exuberante de cerimônias engendradas no decorrer dos
séculos”.
O segundo parágrafo da pág 45 do livro DÍZIMO &
BÊNÇÃOS, relata: “A igreja nascente, descrita em Atos, compunha-
se de crentes que contribuíam não com dez por cento apenas, mas
com todos os seus bens (Atos 4:32ss.)”.
Como afirmei anteriormente, que os tratados sobre o dízimo
são fundamentados nas grandes exceções da Bíblia, pergunto aos
pregadores que ensinam sobre este assunto: Estão os senhores

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cumprindo com a Escritura acima citada, vendendo as suas
propriedades e dando o dinheiro para ser distribuído, à medida que os
irmãos tenham necessidades?
Responda de verdade a esta pergunta.
Um forte argumento apresentado pelos que defendem a prática
irrevogável do dízimo, é o caso de Ananias e Safira, mencionado em
Atos capítulo cinco. Esses pregadores obscurecem a verdade
cristalina da palavra de Deus, e afirmam que naquele texto está
implícita a doutrina do dízimo. Nem sombra disto! O versículo quatro
esclarece o assunto, mostrando que o castigo infligido a Ananias e
Safira não foi por não serem eles dizimistas, mas por haverem
mentido a Deus. Observemos as palavras contidas naquela Escritura:
“Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria
em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não
mentiste aos homens, mas a Deus”.
Portanto, de acordo com o texto sagrado, o que estava
envolvido nesse assunto, não era o fator porcentagem, (10%), mas
sim, um fator moral, uma mentira. Observemos a interrogação do
apóstolo Pedro: “E, vendido, não estaria em teu poder?”
Portanto, está fora de dúvida que o pecado desse casal foi
resultante de uma mentira, proferida diante de uma Igreja que andava
nos caminhos de Deus, em plena obediência, cheia do Espírito do
Senhor, e que dispensava essa estratégia usada pelos pregadores da
“Teologia da Prosperidade”, ameaçando o povo com pregações de
terror, impetrando “bênçãos” para uns e “maldições” para outros.
Ainda à página 58, o autor de DIZIMO & BÊNÇÃOS
focaliza uma 3a objeção que, segundo ele, é apresentada pelos anti-
dizimistas. Eis a objeção:
“3. Quando Cristo mencionou o preceito de Mateus 23:23
ainda não havia cumprido a lei. Esta se cumpriu na cruz. Além disso,
essa exortação foi dirigida aos fariseus hipócritas, não aos crentes.
Portanto, o Senhor não nos ordenou o dízimo”.
Após reproduzir esta objeção em seu livro o referido autor faz
uma refutação nestes termos:

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“Resposta: Se esta objeção for válida, por coerência
atiraremos ao lixo todo o ensino do Senhor anterior à cruz, como o
Sermão do Monte, a oração dominical, as parábolas. O evangelho de
antes da cruz não é evangelho? Porventura o maior problema da
igreja cristã não são os “fariseus hipócritas?””.

Replico esta refutação, dizendo:


Todo preceito anterior à cruz e indispensável à vida cristã,
sejam princípios morais ou quaisquer outros, estão repetidos no Novo
Concerto.
Com relação ao Sermão do Monte, à Oração Dominical e às
parábolas, são preceitos morais, espirituais, extra-temporais, isto é,
não podem ser afetados pelo tempo; não são preceitos legais do ponto
de vista da lei mosaica ritualística, como o era o dízimo.

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TERCEIRA CONTESTAÇÃO

A terceira e última contestação deste capítulo, refere-se a um


texto do jornal “FOLHA UNIVERSAL”, editado pela Igreja
Universal do Reino de Deus, sob o no 197, de 14 de janeiro de 1996.
O referido texto, citado na íntegra, é o seguinte:
“A CONTRIBUIÇÃO É BÍBLICA”
“- A contribuição na Igreja Evangélica é bíblica, está no livro
de Malaquias 3.10 sobre os dízimos e as ofertas alçadas também estão
na Bíblia.
Aquele que não é contribuinte, que não entrega seus dízimos à
casa de Deus é maldito”.
Reverendo João Campos – Igreja Presbiteriana

O autor desta citação não deixa por menos. Invoca o texto


bíblico de Ml. 3:10, sem nenhuma explicação, e lança ao povo,
através de uma emissora de televisão que é, depois, corroborada pelo
jornal, uma notícia dessa natureza. E, como ninguém quer ser
amaldiçoado, ficam, muitos, sofrendo as inclemências das
circunstâncias negativas que, em muitos casos, se lhes apresentam.
Certos pregadores recuam quando se defrontam com
determinados textos, não lhes dando a real interpretação.
A controvérsia sobre Ml. 3:10 sempre representou um desafio,
e pouquíssimos têm tido a coragem de declarar a verdade sobre esse
texto sagrado.
A teologia moderna está colocando a Nova Aliança como
subsidiária da Antiga, em assuntos financeiros. Os poderosos artigos
de fé, constantes do Novo Concerto, se apresentam sem força
suficiente para a efetivação daquilo para o que foram instituídos, isto,
de acordo com certos ensinos. A lei do amor se torna inexpressiva e
os homens recuam no tempo, invocando artigos do Antigo Concerto
para pôr em andamento a obra de Deus. Assim é que, a cada passo,

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Ml. 3:8-10 se tem tornado o fundamento de que muitos estão
lançando mão para “convencer” o povo a contribuir, uma vez que
esse texto encerra palavras de maldição, infundindo temor e
perturbação na mente dos que não aprenderam a reconhecer no amor
o cumprimento de toda a lei.

Enquanto a lei do amor nos convence a fazer a vontade de


Deus, espontaneamente, a lei dos mandamentos que, como diz o
apóstolo Paulo, nos era contrária, de acordo com Ef. 2:15 e Cl. 2:14,
além de obrigar, acrescenta maldição, conforme já mencionamos.
Em minhas apreciações a respeito deste assunto, só encontrei
um autor que teve a ousadia santa de falar a verdade sem rodeios,
mostrando, na realidade, o significado daquela profecia.
No livro intitulado Vencendo a Depressão da autoria de Paul
R. Van Gorder e Richard W. Haan, Edição de 1985, páginas 58 e 59,
lemos o que se segue:
“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis:
Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois
amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, toda a nação. Trazei
todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na
minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos exércitos, se eu não
vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem
medida (Ml. 3:8-10).
Onde era a casa do tesouro? Lemos em I Crônicas 26:20 que a
casa do tesouro ficava no templo. Malaquias profetizou que nos dias
de Neemias, quando o sacerdócio era corrupto, os homens de Israel
casaram-se com mulheres pagãs e o povo já não levava mais os seus
dízimos e ofertas à casa do tesouro do templo do Senhor. Nesta
passagem Deus os confrontou com o seu pecado. E ele prometeu
restauração, bênçãos multiplicadas e prosperidade material se entre
outras coisas, eles trouxessem seus dízimos e ofertas ao templo.
Tenho certeza de que você já ouviu a citação de Ml. 3:10
como uma promessa para os cristãos do Novo Testamento, dizendo
que, se eles derem o dízimo, poderão esperar que Deus os abençoe

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financeiramente. Eu acho esta uma interessantíssima mas errada
aplicação do versículo. Você já pensou quanto era o dízimo dos
israelitas? Números 18:21 fala de dez por cento, dízimo esse que ia
exclusivamente para os levitas. Deuteronômio 12:6-17 fala de um
dízimo especial. Os dois juntos perfazem vinte por cento. Depois, em
Deuteronômio 26:12, lemos que em cada terceiro ano eles deviam dar
um dízimo adicional para ajudar aos pobres. Tudo isso totalizava 23 e
1
/3 por cento! Para Israel, portanto, o dízimo era simplesmente o
imposto da teocracia. Mas não acabava aí! Observe que em
Malaquias 3:8 Deus diz que estava sendo roubado nos dízimos e nas
ofertas. Além dos dízimos, eles deviam fazer ofertas espontâneas ao
Senhor. Estas ofertas espontâneas eram as únicas ofertas que podemos
comparar às ofertas do Novo Testamento. “Cada um oferecerá na
proporção em que possa dar, segundo a bênção que o Senhor seu
Deus lhe houver concedido” (Deuteronômio 16:17). Portanto, os
israelitas podiam esperar as bênçãos de Deus nos assuntos materiais e
temporais se obedecessem às Suas ordens trazendo-lhe os dízimos
(impostos) e ofertas.
Se alguém insiste em fazer dos dízimos de Malaquias 3:10 o
fundamento da bênção e prosperidade do cristão, é melhor que eleve
toda a porcentagem desta contribuição até àquilo que era esperado
dos israelitas.
Mas, amigo, isto não é o que Deus prometeu ao crente. Foi
exclusivamente para a nação de Israel. Se nós reivindicarmos esta
promessa, então temos também de preencher as condições. Se
interpretarmos corretamente a Palavra da verdade, faremos a devida
distinção entre Israel e a igreja. O povo terrestre de Deus recebeu
promessas de bênçãos temporais e terrestres pela obediência terrestre.
A igreja, o povo celeste de Deus, é constituída de peregrinos e
estrangeiros neste mundo”.

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CAPÍTULO TERCEIRO

“DIREITOS APOSTÓLICOS” ABDICADOS PELO


APÓSTOLO PAULO

N
este capítulo tratarei de um assunto muito palpitante.
Convido os leitores para que, juntos, meditemos neste grande
tema.
Algo me chamou muito a atenção, quando lia os textos das
epístolas paulinas relativas aos chamados “direitos apostólicos”.
Impressionei-me, profundamente, com as atitudes assumidas pelo
grande apóstolo, no modo como ele se recusava usar daqueles
direitos, na qualidade de Mensageiro ou enviado de Deus.
Ouçamos as suas declarações: “De ninguém cobicei prata,
nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram
para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo.
Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister
socorrer aos necessitados, e recordar as palavras do próprio Senhor
Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber”. At.20:33-35;
“Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito
recolhermos de vós bens materiais? Se outros participam desse direito
sobre vós, não o temos nós em maior medida?
Entretanto não usamos desse direito; antes suportamos tudo,
para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo.
Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados, do
próprio templo se alimentam; e quem serve ao altar do altar tira o seu
sustento?
Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o
Evangelho, que vivam do Evangelho;
Eu porém, não me tenho servido de nenhuma destas coisas, e
não escrevo isto para que assim se faça comigo; porque melhor me
fora morrer antes que alguém me anule esta glória.

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Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando,
proponha de graça o Evangelho, para não me valer do direito que
ele me dá”. I Cor. 9:11-15,18;
“Cometi eu, porventura, algum pecado pelo fato de viver
humildemente, para que fôsseis vós exaltados, visto que
gratuitamente vos anunciei o Evangelho de Deus?” II Cor. 11:7;
“Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de
impureza, nem se baseia em dolo; pelo contrário, visto que fomos
aprovados por Deus a ponto de nos confiar ele o Evangelho, assim
falamos, não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus que prova
os nossos corações.
Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a
nossa manutenção, todavia, nos tornamos dóceis entre vós, qual
ama que acaricia os próprio filhos;
Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de
como, noite e dia labutando, para não vivermos à custa de nenhum
de vós, vos proclamamos o Evangelho de Deus”. I Tes. 2:3,4,7,9;
“Pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém
imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre
vós, nem jamais comemos pão, de graça, à custa de outrem; pelo
contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia trabalhamos, a fim de
não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos
esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós
mesmos, para nos imitardes”. II Tes. 3:7-9.
Após declarar por diversas vezes que não lhe parecia bem usar
de nenhum direito, a fim de usufruir salário pelo seu trabalho
missionário, o apóstolo Paulo interroga: “Nesse caso qual é o meu
galardão”?
A resposta, como vimos, é que o apóstolo Paulo considerava
como uma das principais credenciais de um apostolado, o anúncio
gratuito do Evangelho. Lutou por todos os meios, para não usar de
nenhum direito de usufruir lucro pelos labores na pregação do
Evangelho.

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Entretanto, os insaciáveis negociantes do Evangelho não
ousam imitar o grande Mensageiro de Deus, quando se trata de
abdicar de certos “direitos”. Não abrem mão do metal, e quando este
escasseia um pouco, a culpa recai sobre aqueles que não puderam
manter uma contribuição sistemática, sendo, por isso, acusados de
ladrões, malditos e subordinados às forças dos demônios, por terem
falhado um ou dois meses nas suas contribuições.
Tais pregadores, tão inflexíveis quanto à contribuição, por que
não seguem as instruções de Paulo, que insistiu reiteradas vezes,
dizendo: “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores”. I
Cor. 4:16;
“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. I
Cor. 11:1;
“Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam
segundo o modelo que tendes em nós”. Fp. 3:17; “...exemplo em nós
mesmos, para nos imitardes”. II Tes. 3:9.
Há uma grande tendência por parte de muitos pregadores e
escritores no sentido de afirmar que a renúncia de Paulo aos “direitos
apostólicos” resultou de mal-entendido e discrepância de opiniões no
trato como os coríntios. Há até quem afirme que Paulo era um homem
orgulhoso, e que por isso assumia tal atitude. Na verdade, se todo o
conteúdo referente a este assunto estivesse restrito ao incidente
ocorrido entre Paulo e esses crentes, provavelmente haveria base para
tal argumento; porém, somando-se todos os textos referentes a este
assunto, verifica-se que a linguagem do apóstolo tem caráter mais
abrangente, não apenas no que diz respeito a um povo, como também
nos motivos que o moveram a assumir tal comportamento.
Em At. 20:17-35, Paulo revela uma faceta do seu caráter, no
tocante ao modo como o verdadeiro cristão deve prover a sua
manutenção. Fez uma preleção aos presbíteros da Igreja de Éfeso que,
sendo convocados por ele, vieram à cidade de Mileto, a fim de ouvi-
lo. Não eram coríntios. Quando se defronta com os tessalonicenses,
assume a mesma atitude, ensinando-lhes esta regra inalterável que

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caracterizava a sua doutrina sobre o assunto. I Ts. 2:3,4,7,9 e II Ts.
3:7-9.
Ao tratar com os filipenses, sintetiza esse assunto, dizendo:
“Irmãos, sede imitadores meus” Fp. 3:17.
Está fora de dúvida que Paulo compreendeu o que o Senhor
Jesus afirmou: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não
renunciar a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”.Lc. 14:33.
O que quis fazer entender o Mestre com esta declaração?
Simplesmente que toda e qualquer posse, mesmo legitima deve ser
recusada, caso venha a ser motivo de escândalo.
Portanto, se na Antiga Dispensação tal não aconteceu, o
discernimento do apóstolo previu esse perigo na Nova.
Voltemos a nossa atenção, agora, para as decisões assumidas
pelo apóstolo Paulo, com referência à renúncia aos “direitos” já
mencionados.
Apresentei algumas referências fundamentais onde o homem
de Deus, com clareza meridiana, faz ver que nem tudo o que é lícito,
convém.
O apóstolo recorreu até mesmo à Lei, para fundamentar a tese
de que “os que proclamam o Evangelho, que vivam do Evangelho”. I
Cor. 9:9,14.
Fundamentar uma tese baseada na lei, no sacerdócio levítico,
não a sua tese. Se essa tese tivesse tido origem no coração de Paulo,
ele próprio procuraria pô-la em prática, mas fugiu dela com largos
passos, quando disse: “Eu, porém, não me tenho servido de nenhuma
dessas coisas, e não escrevo isto para que assim se faça comigo;
porque melhor me fora morrer antes que alguém me anule esta
glória”. I Co. 9:15.
Se prestarmos atenção às suas palavras, em nenhuma das
citações apresentadas constatamos a sua anuência a se “viver do
Evangelho”. O que muito ele faz é dizer o que a Lei prescrevia; e
quando pensamos que ele viria a dizer: “já que a Lei o diz e ordena,
então podemos viver do Evangelho”, ele afirma categoricamente e

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quase que com força de mandamento: “Entretanto, não usamos
desse direito”. I Cor. 9:12.
Nas Escrituras que apresento, Paulo não quis dizer,
diretamente, que os obreiros não vivessem às custas da Igreja. Mas ao
tratar com os coríntios e filipenses, não hesitou em dizer-lhes: “Sede
meus imitadores”.
Em I Cor. 10:31,32, o apóstolo declara: “Portanto, quer
comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para
a glória de Deus. o grifo é nosso.
Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para
gentios, nem tão pouco para a Igreja de Deus”.
Paulo foi convencido por um sentimento superior, por uma
visão espiritual incontestável; recusou usar dos direitos eclesiásticos.
Qual a razão maior dessa atitude? O que resultaria contra
Paulo e o Evangelho a aceitação dessas prerrogativas? E, se eram tão
legais, por que as recusou?
Tudo isto nos leva a compreender que, embora sendo um
“direito”, deveria haver condições, por demais importantes a serem
preenchidas. Ele nos faz ver que a aceitação de tais direitos somente
poderia e deveria efetivar-se em situações muito especiais, não por
qualquer necessidade. Era como se nos quisesse dizer: depois de
aplicardes todos os esforços, todos os recursos, todas as forças,
então, e somente então, podereis viver do Evangelho.
Enquanto houvesse um ponto em que os adversários pudessem
se apoiar, a fim de censurar o mensageiro de Deus, ele conservava
uma postura tal, a fim de fechar-lhes a boca.
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas
as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por
nenhuma delas”. I Cor. 6:12.
Talvez alguns afirmem que o contexto desta Escritura não se
relacione com este estudo, porém, o referido texto é abrangente.
Quando ele diz que “todas as coisas me são lícitas”, não se estava
referindo à sensualidade, objeto daquele contexto, visto que Paulo
não era um homem sensual.

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Portanto, o versículo em questão pode ser aplicado em
variadas situações.
Todas as vezes que Paulo apresentava as razões para que se
vivesse do Evangelho, apresentava também, em contrapartida, um
outro argumento, como se segue: “Entretanto, não usamos desse
direito...”; “Eu porém, não me tenho servido...”; “Porque melhor me
fora morrer, antes que...”; “...proponha o Evangelho de graça, para
não me valer do direito...”; “Embora pudéssemos, todavia...”; “Para
não vivermos à custa de nenhum de vós”; “Nem jamais comemos pão
de graça, à custa de outrem...”; “... a fim de não sermos pesados...”;
“... para não me valer do direito que ele me concede”, etc.
Encontramos uma referência bem definida que parece
favorecer o sustento do obreiro, registrada na primeira carta a
Timóteo, em 5:17, que diz: “Devem ser considerados merecedores de
dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com
especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino”.
Pergunto: Quem poderia mostrar, melhor que Paulo, em sua
própria vida, o cumprimento desses requisitos?
Eis o que ele reivindica para si: “São ministros de Cristo?
(falo como fora de mim), eu ainda mais: em trabalhos, muito mais;
muito mais em prisões; em acoites, sem medida; em perigos de morte,
muitas vezes.
Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites
menos um; fui três vezes fustigado com vara, uma vez apedrejado, em
naufrágio três vezes, uma noite e um dia passei na voragem do mar;
em jornadas muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de
salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em
perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em
perigos entre falsos irmãos. Em trabalhos e fadigas, em vigílias
muitas vezes; em fome e sede, em jejuns muitas vezes; em frio e
nudez.
Alem das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim
diariamente: a preocupação com todas as igrejas”. II Cor. 11:23-28.

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A determinação contida em I Tm. 5:17, encontra o seu ponto
de apoio em Paulo. É ele próprio o destinatário ímpar das palavras
contidas nesta Escritura, uma vez que II Cor. 11:23-28, não encontra
outra base ou substrato onde possa se apoiar. É quase impossível
encontrarmos outro destinatário para I Tm. 5:17.
“Sede meus imitadores!”, brada o apóstolo Paulo, com tal
segurança, que nos convence a dizer que ele e somente ele, depois de
Cristo, é digno de ser o depositário dos “direitos apostólicos”; todavia
os recusou, para vergonha de todos os “obreiros” que não querem
imitá-lo.
Os grandes impérios denominacionais hoje existentes,
desmoronar-se-iam, caso a base de sua sustentação não mais pudesse
depender dos recursos financeiros, mas, do poder espiritual.
Quantos estariam à frente de uma obra, sem serem custeados,
à semelhança do apóstolo Paulo que, não apenas encontrava todas as
dificuldades na execução da Obra, como também recusava estas
benesses, confiando única e exclusivamente no poder de Deus?
Paulo, na sua humildade, não recusava o auxílio de alguns
irmãos ou igrejas que, esporadicamente, lhe era enviado; não fazia
disso, entretanto, o seu ponto de apoio. II Cor. 11:9.
Amava o desembaraço, a liberdade para voar os grandes vôos
do espírito. Por isso, declara com ardor: “Nenhum soldado em serviço
se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer
àquele que o arregimentou”. II Tm. 2:4.
São profundas marcas do seu apostolado o que passo a citar,
das suas cartas: “Até à presente hora sofremos fome, e sede, e nudez;
e somos esbofeteados, e não temos morada certa.
E nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos.
Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos,
suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação: até agora
temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos”. I
Cor. 4:11-13.
Não quero e não devo ser tão radical nas minhas
considerações sobre este assunto. Sem anular o que tenho afirmado

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até aqui, entendo que há homens dignos, aprovados por Deus e que
não estariam pecando se “vivessem do Evangelho”. Não devo me
furtar entretanto, em dizer que uma imensa porcentagem dos que
assim vivem, estão na posição errada.
Se o que declaro não tem fundamento, onde ficaria o
cumprimento de II Pe. 2:3, que fala acerca dos que fariam “comércio”
do povo de Deus? Ver página 11. Esta profecia cumpre-se,
perfeitamente, em nossos dias, de um modo todo especial.
Se você ganha do Evangelho, e poderia eximir-se desse
“direito”, mas não abre mão disto, saiba que está prejudicando muitos
irmãos pobres, que não têm as suas condições.
Um pouco de sacrifício que você fizesse, auxiliaria a muitos,
que pouco ou nada têm.
Quando recebi a inspiração para escrever sobre este assunto,
muita coisa começou a mudar em minha vida; mudar em termos de
decisões futuras, possivelmente, uma vez que atualmente não vivo do
Evangelho.
Nunca tinha pensado sobre isto com tamanha profundidade
quanto agora. Eu mesmo fiquei surpreendido com estes pensamentos;
parecia estar vendo, pessoalmente, o apóstolo Paulo na sua
humildade, no seu sofrimento, em favor do Evangelho. Que gigante
da fé!
“Sede meus imitadores”, ordena ele.
Irmãos, isto não é uma sugestão do apóstolo; é uma ordem de
Deus. Era Deus falando em e por Paulo.
“... posto que buscais prova de que em mim Cristo fala, o qual
não é fraco para convosco, antes é poderoso em vós”. II Cor. 13:3.
Em 11:8, lemos: “Despojei outras Igrejas, recebendo salário,
para vos poder servir”.
Esta expressão do apóstolo Paulo é uma figura de linguagem.
A palavra despojar significar roubar, saquear, defraudar; privar
da posse, espoliar, desapossar, despir.

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O Apóstolo Paulo, falando aos coríntios, usou uma hipérbole,
exagerando o que havia feito, isto é, ter recebido um pequeno
donativo dos crentes da Macedônia.
Apreciemos, agora, à página 83, do livro DÍZIMO &
BÊNÇÃOS, primeiro parágrafo, onde o autor apresenta a tese de o
obreiro viver do trabalho ministerial. Ele cita o capítulo 9 de I Cor.
versículos 13 e 14. Não cita, entretanto, o versículo 15 que diz: “Eu,
porém, não me tenho servido de nenhuma destas cousas, e não
escrevo isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora
morrer antes que alguém me anule esta glória”.
Em seguida ele cita a parte “b” do versículo 18, como se
segue: “E que, evangelizando, proponha de graça o evangelho, para
usar do direito que ele me confere”. O grifo é nosso.
A verdade, porém, é que o texto não está citado corretamente.
Paulo não disse para usar do direito...; Ele falou exatamente o
contrário:
a) Almeida Revista e Atualizada diz: “Para não me valer do direito
que ele me dá”;
b) Almeida Revista e Corrigida, reza: “Para não abusar do meu
poder no evangelho”;
c) Bíblia Católica - Tradução da Vulgata, pelo Pe. Mattos Soares,
afirma: “Sem abusar do meu direito de pregador do Evangelho”;
d) Versão da Imprensa Bíblica Brasileira, de acordo com os melhores
textos em hebraico e grego - Almeida: “Para não usar em
absoluto do meu direito no evangelho”.
Nas linhas precedentes já provei com abundantes citações que
o apóstolo Paulo não usou dos direitos que possuía, como enviado de
Deus. Se este versículo estivesse afirmando o contrário, contradiria
toda a sua mensagem.
Façamos, agora
, um retrospecto, enumerando alguns fatos da vida de Paulo, já
mencionados, a fim de consolidar em nossas mentes essas verdades:
1) Paulo não viveu às custas da Igreja, e você? I Co.9:15;
2) Paulo trabalhava para sustentar-se, e você? IITs.3:7-9;

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3) Paulo ajudava aos necessitados, e você? At. 20:35;
4) Não usava do “direito” de viver do Evangelho, e você? I Co.
9:12b;
5) Escreveu sobre esse “direito” não para que usasse dele, e você?
I Co. 9:15;
6) Anunciou o Evangelho gratuitamente, e você? I Co. 9:18;
7) Podia exigir a sua manutenção, mas não o fez; e você? I Ts.
2:7;
8) Trabalhava de noite e de dia para não viver às custas dos
crentes, e você? II Ts. 3:8;
9) Fazia tudo isto para oferecer exemplo aos outros a fim de que o
imitassem, e você? II Ts. 3:9;
10) Tendo dado todos esses exemplos, o apóstolo Paulo ordena:
“sede meus imitadores...” I Co. 11:1; Fp. 3:17; II Ts. 3:9. Você
o está imitando?
Para concluir esta mensagem, não poderia deixar de citar as
instruções do grande mensageiro de Deus, quando ordenou: “O que
também aprendestes e recebestes e ouvistes e vistes em mim, isso
praticai; e o Deus da paz será convosco”. Fp. 4:9.

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