Artigo

Energia Solar: Um passado, um presente…
um futuro auspicioso
Carvalho, E. F. A.; Calvete, M. J. F.*
Rev. Virtual Quim., 2010, 2 (3), 192-203. Data de publicação na Web: 5 de dezembro de 2010
http://www.uff.br/rvq

Solar e ergy: Past, prese t… a whole future
Abstract: “i e e ote ti es e t to use the su fo so ethi g o e tha just a passi e e jo i g of its
warmth and light. Mankind evolution allow us today to have the ability to produce photovoltaic cells, materials
capable of directly convert solar light into electrical energy, which are some of the more promising systems in
the search for clean and sustainable energy sources, still regarding the economical accessibility to many. In this
short review, last technologic developments are considered, emphasizing research in the area of Dye Sensitized
Solar Cells (DSSC).
Keywords: photovoltaic cells; solar energy; dye solar cells.

Resumo
Desde te pos idos ue se ti os e essidade de usa o sol pa a algo ais que apenas usufruir do seu calor e
luz diretos. A evolução da humanidade permite-nos hoje a possibilidade de produzir células fotovoltaicas,
materiais capazes de converter diretamente a luz solar em energia elétrica, sendo este um dos sistemas mais
promissores na busca de fontes sustentáveis e renováveis de energia limpa, com custos relativamente
acessíveis a uma maioria da população. Nesta revisão são considerados alguns dos últimos desenvolvimentos
tecnológicos, enfatizando resultados obtidos na área das Células Solares Sensibilizadas por Corantes (CSSC).
palavras-chave: células fotovoltaicas; energia solar; células solares corantes.

* Departamento de Química, Universidade de Aveiro, Campus de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal.
mario.calvete@ua.pt
DOI: 10.5935/1984-6835.20100018
Rev. Virtual Quim. |Vol 2| |No. 3| |192-203|

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nunca se esgotariam: Eve tual e te. que se faz acompanhar de forma indissociável de um princípio básico igual. Auguste Mouchot. especialmente o carvão. Desde os tempos da arquitetura Greco-Romana até a produção em série de placas finas fotovoltaicas da atualidade há um hiato de tempo de dois milênios. mais fantástico ainda: em 40 horas libera a energia equivalente às reservas estimadas de petróleo existentes na Terra. e neste âmbito os Romanos foram mais audazes. Mário J. ao cobrir partes abertas dos edifícios com mica ou vidro para reter o calor do sol invernal. eficiente e simplificada. com um pressuposto incontornável: esta fonte energética é inesgotável. o inventor francês do primeiro motor solar ativo. usada para aquecimento interior. Desta forma. Resenha histórica sobre células solares 2. O mercado global do fotovoltaico 3. conseguiram 193 eficientemente usar a arquitetura num design solar passivo para usufruir da capacidade de aquecer e iluminar espaços arquitetônicos interiores. Calvete* Unidade de Química Orgânica. 3| |192-203| . *mario. Resenha histórica sobre células solares O sentimento desconfortável de queimar a pele após exposição solar. Em apenas uma hora o astro-rei oferece-nos a quantidade de energia necessária consumida pela humanidade durante um ano – cerca de 5 × 1020 J – e. todavia. Gerações de células fotovoltaicas 4.Volume 2. de usar os raios solares para ir ao encontro das necessidades energéticas. Campus de Santiago.calvete@ua. na antiguidade.1 Já no século dezenove. Número 3 Julho-Setembro 2010 Revista Virtual de Química ISSN 1984-6835 Energia Solar: U passado. de forma abrupta. que transformava energia solar em energia de vapor. Dir-se-á que a necessidade aguça o engenho humano. Virtual Quim. o poder tremendo de um tornado. que seria um bem escasso e dispendioso. É meritório fazer uma pequena pergunta: porque desperdiçamos tanto? É de salientar que. A. Universidade de Aveiro. Que fará a Indústria nesse o e to e tão? 2 A sua investigação acabou. u prese te… um futuro auspicioso Eliana F. Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA). Portugal. questionou quase profeticamente o fato de se pensar que os combustíveis fósseis usados na data. Aceito para publicação em 5 de dezembro de 2010 1. F. são fatos que testemunham a quantidade imensa de energia transmitida pelo sol. conseguir-se-ia ter uma poupança importante de madeira. 3810-193 Aveiro. O corte nas exportações inglesas de carvão para França levou o monarca inglês a renegociar um acordo mais econômico para os franceses para a obtenção de carvão. não poluidora e acessível a quase toda a humanidade. já desde os tempos antigos se ti os e essidade de usa o sol pa a algo ais que apenas usufruir do seu calor e luz diretos. a evaporação de um lago em poucos dias. fazendo com Rev. Carvalho. Romanos e Gregos. Departamento de Química. Considerações finais 1. a I dústria deixará de encontrar na Europa os recursos para satisfazer suas necessidades prodigiosas.pt Recebido em 16 de novembro de 2009. O carvão extinguir-se-á inquestionavelmente. construindo a parte da casa mais importante voltada para o sul. |Vol 2| |No. Últimos desenvolvimentos 5.

representando uma subida de 48% em relação a 2007.030 dólares por kilowatt hora (kWh). enquanto que a derivada dos ventos custava 0. de acordo com dados fo e idos pelo elató io da Eu opea Co issio Joint Research Centre. sendo esperada uma nova retomada do crescimento rápido em 2010. O mercado global do fotovoltaico Esta fonte de energia tem tido entraves à sua generalização. criando economias de escala e forçando um crescimento do fotovoltaico em 30 por cento anuais a nível global. o grande mercado do fotovoltaico teve um crescimento muito robusto. de qualquer forma.000 painéis solares em habitações.1 2.1 GW. Desde então o espaço temporal da investigação na área da energia solar teve os seus avanços e recuos.05 GW no resto do mundo. ainda assim respeitável. 3| |192-203| 194 .7 As vendas de painéis de energia solar totalizaram 5.5 GW na Europa.devido aos custos ainda pouco cativantes. impulsionado pelas políticas iniciadas em países como o Japão e a Alemanha. capazes de conversão direta da luz solar em energia elétrica. O incremento registrado nestes últimos anos pode ser verificado pela análise do gráfico de produção de células fotovoltaicas a nível global. Em 2007. A. construídos usando nanotecnologia. o Japão instalou 25.4.003 dólares por kWh. Isto inclui células baseadas em sistemas nanocristalinos que poderão ser duplamente mais eficientes e economicamente viáveis que as células existentes.5 No início deste século. que este primeiro admirável avanço tecnológico da energia solar sucumbisse quase após o seu início (sem dúvida algo premonitório e atual). sempre partindo dos mesmos pressupostos. O monarca francês deixou então de considerar esta alternativa como sendo prioritária.6 Alguns economistas estimam que. para 7. J. Calvete. |Vol 2| |No.Institute for Energy)8 Rev. para 10.Joint Research Centre.5 GW de novas instalações de sistemas fotovoltaicos. Em 2002.7 Contudo. Produção mundial de células solares de 1990 a 2007 (Fonte: Adaptado do relatório da European Commission. representando um aumento de 26%. são dos sistemas mais promissores na busca de fontes sustentáveis e renováveis de energia limpa. E.. a eletricidade produzida por células solares (ou fotovoltaicas) custava cerca de 0. F. F. a título de exemplo. A produção destes equipamentos é predominantemente feita na Ásia. 1. bem como da sua finalidade.6 Gigawatts (GW) em 2008. Tal crescimento originou finalmente uma diminuição dos custos de produção.3 As células fotovoltaicas.3 GW foram aí produzidos.005 dólares por kWh e a do gás natural cerca de 0. M. o uso generalizado de células fotovoltaicas acontecerá assim que os físicos e químicos consigam aperfeiçoar uma nova geração de materiais e aparelhos. o governo alemão prevê que em 2050 a energia fotovoltaica possa satisfazer 25% das necessidades globais. em 2008 3. com consequente corte de fundos para continuar o aperfeiçoamento da tecnologia.8 Figura 1.75 GW nos Estados Unidos da América e apenas 0. Por exemplo.I stitute fo E e g (Figura 1). De fato. a crise econômica global forçará a um crescimento menor em 2009. embora com um continuado apoio estatal em vários países. 0. Virtual Quim.Carvalho.

M. o equivalente para o abastecimento contínuo de 30. alguns autores traçaram de uma forma muito clara o panorama brasileiro acerca desta área. E. com mais ênfase para o Brasil. quer pela sua capacidade teórica na utilização desta fonte energética. ou seja. Ainda assim. apenas pelo fato de que certos países serem considerados ideais para a produção deste tipo de energia.. neste momento. quer pelo seu potencial econômico. no Brasil até hoje. Espanha e Itália têm feito esforços consideráveis no desenvolvimento destas energias renováveis. J. só existem instalações de 2 Megawatts. sendo meses depois ultrapassada em capacidade por uma construída na Espanha. não por verdadeira opção energética (intenções mais concretas surgem sempre em tempos de aumentos dos preços dos combustíveis fósseis). F. os países do sul da Europa. É importante frisar que as maiores centrais fotovoltaicas do mundo encontram-se na península ibérica. apesar do país ter um potencial para 10. Capacidade total instalada (MW) nos 15 maiores produtores mundiais de energia fotovoltaica.000 habitações.000 MW. o que representa o dobro da capacidade da energia 195 solar na Europa.Carvalho. a título de exemplo. No mapamundi de radiação solar. que dispõem de energia por área de 5. com uma capacidade máxima de cerca de 50 megawatt (MW). Enquanto que a tecnologia fotovoltaica já se tornou viável economicamente com taxas de crescimento de 30-40% por ano nos Estados Unidos e na Europa. os países europeus com o maior número de instalações de células fotovoltaicas em absoluto (Figura 2a)10 e per capita (Figura 2b). |Vol 2| |No.5 – 6 KWh/m2/dia. Calvete. É óbvio que se poderá afirmar que o sol quando nasce não é para todos. Virtual Quim.11 Rev. em Portugal foi recentemente inaugurada em março de 2008 a maior central fotovoltaica do mundo à data. especialmente as regiões nordeste e central. todavia sempre imbuídos pela necessidade. enquanto que outros não possuem condições adequadas para a produção de energia solar. possui as principais condições para se tornar um país proeminente nesta área.9 e são. A. Recentemente. F.10 Figura 2a. uma capacidade para ter custos energéticos por kW no Brasil 50% mais barato que na Europa. 3| |192-203| . nomeadamente Portugal. o Brasil (além de alguns países africanos) ocupa o primeiro lugar. A título de exemplo. Fonte: Adaptado do relatório da International Energy Agency10 O caso sul-americano.

Gerações de células fotovoltaicas Uma célula solar é basicamente um aparelho que converte luz solar em corrente elétrica usando o efeito fotoelétrico. Placa colectora para fins fotovoltaicos13 As células solares estão divididas em 3 categorias. apesar da alta qualidade. sendo inacreditavelmente mais simplificada a forma de produzir células solares hoje em dia (Figura 3). como o nome indica.12 Desde essa primeira abordagem. M. J. muita informação já foi processada.. |Vol 2| |No. Calvete. e eram constituídas por sistemas que Rev. implicando custos elevados. A. que revestiu um semicondutor de selênio com uma camada muito fina de ouro para formar as junções. atingindo 1% de eficiência. foram as primeiras a serem desenvolvidas. Capacidade fotovoltaica instalada per capita no top 15 mundial de países (Fonte: Adaptado do relatório da International Energy Agency)10 3. por Charles Fritts. E. 3| |192-203| ocupavam uma grande área. sendo chamadas de primeira. F. Virtual Quim. segunda e terceira geração.Carvalho. As células de primeira geração. A primeira célula solar foi criada em 1883.13 Figura 3. Figura 2b. F. O tipo de tecnologia usada nestas células solares requeria a utilização de uma grande quantidade de energia para transformação da energia solar em elétrica. impedindo assim 196 .

um processo usado para depositar camadas de átomos por átomos ou moléculas por moléculas a uma pressão inferior à atmosférica em uma superfície sólida (Figura 4). F. por exemplo. A outra opção seria concentrar a luz solar usando espelhos e lentes. 3| |192-203| . Célula solar de segunda geração Em contrapartida. Este arranjo permite ao aparelho gerar uma corrente mais potente que aquela produzida numa célula de silício de primeira geração. a opção de acomodar células múltiplas com diferentes 197 capacidades semicondutoras umas sobre as outras. Virtual Quim.Carvalho. cobre- índio-gálio-selênio ou silício amorfo produzidas por técnicas alternativas como a de deposição de vapor ou eletrodeposição (Figura 5). A corrente de uma célula é proporcional à quantidade de fótons que chegam a essa célula. A. E. |Vol 2| |No. Para atingir altas eficiências são utilizadas células fotovoltaicas com camadas múltiplas. aumentando assim a eficiência da célula (Figura 6). como. as células de terceira geração surgiram com o intuito de melhorar o pobre desempenho elétrico das células de segunda geração de filmes finos.14 Figura 5. mas a voltagem de saída deste tipo de junções (camadas) aumenta com a corrente. com aumento da concentração dos componentes. As duas primeiras opções supõem-se mais exequíveis. Por si só não seria este fato que aumentaria a eficiência. Figura 4. M. F. J. para além destes componentes absorverem também na região espectral de infravermelho. Contudo verifica-se a aproximação a um valor de eficiência de 33%. embora mantendo custos de produção baixos. Calvete. qualquer progresso na tentativa de redução de custos. Rev. considerados elevados até então..14 Estas células fotovoltaicas são baseadas em silício cristalino e construídas por deposição a vácuo. As mais bem sucedidas são as de cádmio telúrio (CdTe). Célula solar de primeira geração Células de segunda geração já foram desenvolvidas para otimizar a redução dos custos de produção.

Célula solar de terceira geração As investigações superiores. o semicondutor é apenas usado para transporte de cargas e os fotoelétrons são fornecidos pelo corante fotossensível. embora não sejam passíveis de serem sensibilizados a vários comprimentos de onda. Nas Figura 7. que utilizam corantes baseados em polipiridil-rutenatos 1 and 2 (Figura 7).22 As mais bem sucedidas CSSCs são as conhecidas células de Graetzel. As CSSCs conseguem separar as duas funções fornecidas pelo silício numa célula tradicional. seria o fato da generalização deste tipo de sistemas provocar uma alta demanda para a utilização de matériasprimas de rutênio. F. ligar-se fortemente à superfície semicondutora. Calvete. |Vol 2| |No. As várias incursões incluem células híbridas orgânicas/inorgânicas.21 inventadas por Michael Graetzel em 1991. A separação de carga ocorre então na superfície entre o corante.19 ou entre materiais orgânicos de baixo peso molecular. Figura 6.. Virtual Quim.20 De qualquer forma. este de origem financeira. Normalmente o silício age tanto como fonte de fotoelétrons bem como fornecedor do campo elétrico para separar as cargas e criar uma corrente. visto o preço ser elevado para este tipo de matérias-primas.16 CSSCs. o semicondutor e o eletrólito.15.Carvalho. Um outro problema.18 células fotovoltaicas orgânicas baseadas em hetero-junções entre materiais poliméricos. F. Fotossensibilizadores de polipiridino-rutênio usados por Graetzel Rev. A. Embora esta área das células solares tenha sido dominada nos últimos anos pela tecnologia baseada em células de primeira e segunda geração17 uma nova geração do fotovoltaico está a emergir. envolvendo Química Orgânica.Física dos Materiais.23 Num ponto de vista otimizado. um corante deverá absorver o mais possível em todo o espectro visível. Estes complexos de rutênio encontram-se muito próximos de possuir estas características. quer em universidades ou institutos dedicados a esta área científica estão focalizadas no estudo deste último tipo de células solares. o subcampo de investigação ao qual mais cientistas têm-se dedicado engloba as Células Solares Sensibilizadas por Corantes (CSSC) (Figura 7). adsorvidos em filmes nanocristalinos de dióxido de titânio (TiO2). Física Aplicada e Química . ou facilmente reconhecidas pela sua sigla inglesa-DSSC. M. ter um adequado potencial redox regenerativo e ser estável por vários anos de exposição solar. o que faria aumentar o preço de um aparelho baseado nestes corantes. J. 3| |192-203| 198 . E.

Calvete.. M. ácido fosfônico. figura 8).24 ftalocianinas (composto 4.26 xantenos (composto 7.24d. figura 8). figura 8).27 poliacenos(composto 9. Vários tipos de compostos têm sido investigados nos últimos anos.Carvalho. A. visto serem compostos relacionados com a clorofila (Figura 9). 3| |192-203| . com ênfase para porfirinas (composto 3.30 A Figura 8 apresenta exemplos dos variados tipos de corantes utilizados recentemente na produção de CSSC. e observando os corantes já usados (Figura 8). ácido sulfônico e derivados de acetilacetonato. figura 8). J. |Vol 2| |No. Corantes utilizados mais frequentemente na produção de CSSC Sendo os corantes 1 e 2 considerados os mais eficientes até à data. figura 8). Rev. figura 8). F. Figura 8. F. Virtual Quim. sendo que o ácido carboxílico demonstra ser o mais indicado para essa ligação. A ligação covalente à camada de TiO2 pode ser conseguida através de uma variedade de grupos funcionais como o ácido carboxílico. devido ao fato de possuírem um espectro de absorção bastante 199 abrangente por toda a região do visível. as porfirinas e ftalocianinas têm despertado algum interesse.28 polienos (composto 8.25 cumarinas (composto 5. figura 8)29 e perilenos (composto 6. para além de serem consideradas moléculas que mimetizam a realização da fotossíntese pelas plantas. E.

3| |192-203| colmatados. Calvete. um dos problemas advém da necessidade de garantir uma perfeita umidificação do material lacunar condutor através dos poros do filme de TiO2. |Vol 2| |No. sem afetar a eficiência de geração da corrente eletrônica requer uma adicional engenharia interfacial. de maneira a obter uma alta voltagem. envolvendo a utilização de materiais transportadores de lacunas sólidas. por exemplo pela deposição de uma rede de multicamadas deste material termoelétrico. E. Normalmente os eletrólitos usados até agora eram líquidos baseados em iodo/triiodato.39 Recentes publicações demonstraram 200 . sendo as mais comuns as porfirinas livres ou com zinco como metal coordenante derivadas das porfirinas meso fenil-substituídas com grupos ácido (Figura 10). estudos esses que ainda se encontram em fase embrionária. Várias porfirinas já foram usadas para a fotossensibilização de células solares como óxido de níquel. moléculas orgânicas tipo-p e polímeros condutores em lacunas. Neste caso existe a necessidade de utilização de um material com baixa condutividade térmica e alta capacidade eletromotora. Uma proposta para minimizar este problema foi recentemente reportada. Virtual Quim. M.37 Outro tipo de abordagem consiste no conversor solar baseado em efeitos termoelétricos. para além da facilidade em preparar conjugações oligoméricas ou poliméricas de porfirinas que por sua vez origina um enorme aumento da concentração do corante à superfície do sistema aumentando a sua eficiência. Tetrakis(4-carboxifenil)porfirinas estudadas 4. óxido de zinco ou dióxido de titânio.38 Em termos práticos. pelo que a redução da recombinação de elétrons. materiais inorgânicos de tipo-p. F.34 Ainda assim. e apesar da evolução sentida nesta área. A. como por exemplo a eliminação ou diminuição de perdas devido à recombinação dos elétrons injetados na célula e ineficiente regeneração do corante oxidado pelo eletrólito. vários problemas necessitam de ser Rev. fundamental para garantir a estabilidade do aparelho. 31 HO2C CO2H N N M N N HO2C 11: M = 2H 12: M = Zn CO2H Figura 10. F. Últimos desenvolvimentos Recentemente. por ser um par oxidante demasiado potente.36 A transferência reversível eletrônica devido à fraca difusão eletrônica é outro obstáculo a uma alta eficiência.24a. para fazer esta tecnologia viável para aplicações tendencialmente comerciais é necessário aumentar a performance dos materiais termoelétricos.32 De qualquer forma. vários artigos científicos foram publicados acrescentando mais informação no sentido da possibilidade de um futuro muito próximo na comercialização deste tipo de células solares..Carvalho. Estrutura da clorofila A relativa facilidade de ancoragem destes materiais ao TiO2 torna-os também atrativos. J. provocando esse tipo de instabilidade.33 Estes incluem líquidos iônicos.35 Para ultrapassar esse possível problema. R H2C CH H3C R = CH3 em clorofila a CH2 CH3 N N R = CHO em clorofila b Mg N N CH3 H3C H H2C H H CH2 C O O C O OCH3 CH3 O CH3 CH3 CH3 H2C CH C CH2 CH2 CH2 CH CH2 CH2 CH2 CH CH2 CH2 CH2 CH CH3 10 Figura 9. a polimerização in situ desse mesmo material lacunar condutor torna-se então um método para superar esta dificuldade.

Considerações Finais 5 a) Green. Photovolt: Res. R. Abreu. [CrossRef].. [CrossRef]. Disponível em: http://en. 7 Clarke. the free encyclopedia (versão inglesa). 2003. [CrossRef] 12 Portal da Wikipedia. [Link] 11 Agradecimentos Os autores agradecem à Universidade de Aveiro e ao grupo de Química Orgânica. American Scientific Publishers.. A certeza existente neste momento é que outro longo caminho terá que ser percorrido até que a energia solar seja encarada como absolutamente necessária. vol 1. 9. respectivamente). Pereira. 989. H. 8 Adaptação do relatório da European CommissionJoint Research Centre. 2001. [CrossRef]. Virtual Quim.. Disponível em: http://physicsworld. 8. Acessado em 12 Outubro 2009. Autor: Rev.com/solar-energy-history. S. P. R. Appl. Solar panel market growth to slow in 2009. [CrossRef] Podemos dizer que desde os remotos tempos em que se utilizava a energia solar de forma passiva. 421. App. Produtos Naturais e Agroalimentares. A. Acessado em 16 Novembro 2009. R.pvresources. Abreu. 5.Carvalho. 2000.org/solar/solar201 a) Martins.40 mas também a utilização de materiais novos. |Vol 2| |No. C.wikipedia. 13 Portal da Wikipedia. Disponível em: http://en. que efeitos quânticos conseguem aumentar o fator de performance termoelétrico de alguns matérias conhecidos. Colle. R. b) Martins. G. Bignozzi. R.. F. materiais bons candidatos para estas aplicações.. deixa-nos uma garantia de futuro: é uma tecnologia de ponta.eu/showArticle.). Zilles.41 O mais recente trabalho nesta área faz uso dessas capacidades. MJFC agradece à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e FCT/FEDER pelo apoio financeiro (bolsa de pós-doutoramento SFRH/BPD/26775/2006 e projeto PPCDT/DG/QUI/82011/2006. obtendo encorajadores fatores termoelétricos para polímeros estruturados e dopados. 4 Iha.7-carbazole). Renew. the free encyclopedia (versão inglesa). Muitos laboratórios e universidades estão empenhados em novas possíveis descobertas e torna-se óbvio que esta tecnologia tem que ser posta ao serviço de todos. Ruether.A)..southface. Disponível em: http://facts-about-solarenergy. B. bem como que todos os fatos por detrás da compreensão desta forma de energia sejam completamente assimilados. 10 Adaptação do relatório da International Energy Agency. F. há um longo hiato. artigo de 02 Julho de 2007.htm.S. 6 2 Portal da Facts about Solar Energy website (Austrália).org/wiki/Solar_hot_water_panel... [Link] 9 Sitio da pvresources. S. F. 3 Portal da Wikipedia. como a perovskite. Acessado em 15 Novembro 2009. R. Disponível em: http://www. Nalwa (Ed.U. L.. para que realmente todos possamos usufruir desta futura realidade. Prog.org/wiki/Timeline_of_solar_cells.. S. b) Yamaguchi M. M. C..org/wiki/Timeline_of_solar_cells. Energy Policy 2000. Rev. Referências Bibliográficas 1 Portal da Southface Corporation (E.html. Disponível em: http://eetimes. Energy Policy 2008. B. E. 2865. H.Institute for Energy. the free encyclopedia (versão inglesa).. Prog. 5.com/en/top50pv.com/cws/article/print/30345. F. 49. M. artigo de 19 Março de 2009. M. Acessado em 16 Novembro 2009.wikipedia. P. J. em que os autores estudaram as propriedades elétricas e termoelétricas de derivados do poli(2. Acessado em: 09 Novembro 2009. d) Oliveira. 2853. [CrossRef]. Cartlidge. até à produção de células fotovoltaicas a valores relativamente acessíveis a uma maioria.jhtml?articleID=21590 1105. Handbook of Photochemistry and Photobiology. E.. c) Zilles. Garcia. 28. N.wikipedia. Pereira. 341. Sust.com: Large-scale photovoltaic power plants range 1–50. por terem altas capacidades termoelétricas. Photovolt: Res. Bright Outlook for Solar Cells. 3| |192-203| . E. Los Angeles.. 2001. Calvete.. Ruether. E. na antiguidade greco-romana.. A tecnologia utilizada até agora porém. Disponível em: http://en. 113. com vantagens acrescidas em termos de baixa toxicidade e elevadas resistências térmica e química. A. fazendo dos óxidos . Acessado em 09 Novembro 2009. S. como o silício. Energ. Acessado em 16 Novembro 2009..42 roadmap/solar_how-to/history-of-solar. E. Lorenzo.php. Serpa. L. em que a ciência está mesmo ao serviço da humanidade. Energy Policy 2008. Disponível em: http://www. 36. 36. A.

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