Artigo

Energia Solar: Um passado, um presente…
um futuro auspicioso
Carvalho, E. F. A.; Calvete, M. J. F.*
Rev. Virtual Quim., 2010, 2 (3), 192-203. Data de publicação na Web: 5 de dezembro de 2010
http://www.uff.br/rvq

Solar e ergy: Past, prese t… a whole future
Abstract: “i e e ote ti es e t to use the su fo so ethi g o e tha just a passi e e jo i g of its
warmth and light. Mankind evolution allow us today to have the ability to produce photovoltaic cells, materials
capable of directly convert solar light into electrical energy, which are some of the more promising systems in
the search for clean and sustainable energy sources, still regarding the economical accessibility to many. In this
short review, last technologic developments are considered, emphasizing research in the area of Dye Sensitized
Solar Cells (DSSC).
Keywords: photovoltaic cells; solar energy; dye solar cells.

Resumo
Desde te pos idos ue se ti os e essidade de usa o sol pa a algo ais que apenas usufruir do seu calor e
luz diretos. A evolução da humanidade permite-nos hoje a possibilidade de produzir células fotovoltaicas,
materiais capazes de converter diretamente a luz solar em energia elétrica, sendo este um dos sistemas mais
promissores na busca de fontes sustentáveis e renováveis de energia limpa, com custos relativamente
acessíveis a uma maioria da população. Nesta revisão são considerados alguns dos últimos desenvolvimentos
tecnológicos, enfatizando resultados obtidos na área das Células Solares Sensibilizadas por Corantes (CSSC).
palavras-chave: células fotovoltaicas; energia solar; células solares corantes.

* Departamento de Química, Universidade de Aveiro, Campus de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal.
mario.calvete@ua.pt
DOI: 10.5935/1984-6835.20100018
Rev. Virtual Quim. |Vol 2| |No. 3| |192-203|

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Últimos desenvolvimentos 5. não poluidora e acessível a quase toda a humanidade. F. Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA). O mercado global do fotovoltaico 3. a I dústria deixará de encontrar na Europa os recursos para satisfazer suas necessidades prodigiosas. Campus de Santiago. que transformava energia solar em energia de vapor. são fatos que testemunham a quantidade imensa de energia transmitida pelo sol. de usar os raios solares para ir ao encontro das necessidades energéticas. Auguste Mouchot. o poder tremendo de um tornado. e neste âmbito os Romanos foram mais audazes. Departamento de Química. O carvão extinguir-se-á inquestionavelmente. 3| |192-203| . Carvalho.pt Recebido em 16 de novembro de 2009. O corte nas exportações inglesas de carvão para França levou o monarca inglês a renegociar um acordo mais econômico para os franceses para a obtenção de carvão. Romanos e Gregos. já desde os tempos antigos se ti os e essidade de usa o sol pa a algo ais que apenas usufruir do seu calor e luz diretos. Gerações de células fotovoltaicas 4. Em apenas uma hora o astro-rei oferece-nos a quantidade de energia necessária consumida pela humanidade durante um ano – cerca de 5 × 1020 J – e. Desde os tempos da arquitetura Greco-Romana até a produção em série de placas finas fotovoltaicas da atualidade há um hiato de tempo de dois milênios. especialmente o carvão. Universidade de Aveiro. Número 3 Julho-Setembro 2010 Revista Virtual de Química ISSN 1984-6835 Energia Solar: U passado. conseguiram 193 eficientemente usar a arquitetura num design solar passivo para usufruir da capacidade de aquecer e iluminar espaços arquitetônicos interiores. o inventor francês do primeiro motor solar ativo. com um pressuposto incontornável: esta fonte energética é inesgotável. Que fará a Indústria nesse o e to e tão? 2 A sua investigação acabou. eficiente e simplificada. conseguir-se-ia ter uma poupança importante de madeira. Mário J. 3810-193 Aveiro. É meritório fazer uma pequena pergunta: porque desperdiçamos tanto? É de salientar que. Desta forma. todavia. Dir-se-á que a necessidade aguça o engenho humano. que seria um bem escasso e dispendioso. |Vol 2| |No. fazendo com Rev. na antiguidade. mais fantástico ainda: em 40 horas libera a energia equivalente às reservas estimadas de petróleo existentes na Terra. Portugal. Considerações finais 1. de forma abrupta. que se faz acompanhar de forma indissociável de um princípio básico igual. ao cobrir partes abertas dos edifícios com mica ou vidro para reter o calor do sol invernal. u prese te… um futuro auspicioso Eliana F.1 Já no século dezenove. Resenha histórica sobre células solares O sentimento desconfortável de queimar a pele após exposição solar. a evaporação de um lago em poucos dias.calvete@ua. questionou quase profeticamente o fato de se pensar que os combustíveis fósseis usados na data. construindo a parte da casa mais importante voltada para o sul. A. *mario. Virtual Quim. usada para aquecimento interior. Aceito para publicação em 5 de dezembro de 2010 1.Volume 2. nunca se esgotariam: Eve tual e te. Resenha histórica sobre células solares 2. Calvete* Unidade de Química Orgânica.

devido aos custos ainda pouco cativantes. De fato. com consequente corte de fundos para continuar o aperfeiçoamento da tecnologia. capazes de conversão direta da luz solar em energia elétrica. em 2008 3. O incremento registrado nestes últimos anos pode ser verificado pela análise do gráfico de produção de células fotovoltaicas a nível global. Virtual Quim. o uso generalizado de células fotovoltaicas acontecerá assim que os físicos e químicos consigam aperfeiçoar uma nova geração de materiais e aparelhos. F. Em 2002.5 GW na Europa. representando um aumento de 26%. a eletricidade produzida por células solares (ou fotovoltaicas) custava cerca de 0. O mercado global do fotovoltaico Esta fonte de energia tem tido entraves à sua generalização. A produção destes equipamentos é predominantemente feita na Ásia. Tal crescimento originou finalmente uma diminuição dos custos de produção. 3| |192-203| 194 .005 dólares por kWh e a do gás natural cerca de 0. o Japão instalou 25.8 Figura 1.I stitute fo E e g (Figura 1). representando uma subida de 48% em relação a 2007..6 Alguns economistas estimam que.1 GW.1 2. impulsionado pelas políticas iniciadas em países como o Japão e a Alemanha. para 10. 0.75 GW nos Estados Unidos da América e apenas 0.030 dólares por kilowatt hora (kWh).5 No início deste século. |Vol 2| |No. ainda assim respeitável. que este primeiro admirável avanço tecnológico da energia solar sucumbisse quase após o seu início (sem dúvida algo premonitório e atual). J.7 As vendas de painéis de energia solar totalizaram 5. sempre partindo dos mesmos pressupostos. a título de exemplo.3 GW foram aí produzidos.5 GW de novas instalações de sistemas fotovoltaicos.Carvalho. bem como da sua finalidade.000 painéis solares em habitações. embora com um continuado apoio estatal em vários países. Por exemplo.05 GW no resto do mundo. F. sendo esperada uma nova retomada do crescimento rápido em 2010. são dos sistemas mais promissores na busca de fontes sustentáveis e renováveis de energia limpa. enquanto que a derivada dos ventos custava 0. A. criando economias de escala e forçando um crescimento do fotovoltaico em 30 por cento anuais a nível global. de qualquer forma. E.6 Gigawatts (GW) em 2008. Calvete. construídos usando nanotecnologia.Institute for Energy)8 Rev. para 7. o governo alemão prevê que em 2050 a energia fotovoltaica possa satisfazer 25% das necessidades globais.Joint Research Centre.4. a crise econômica global forçará a um crescimento menor em 2009.7 Contudo. Desde então o espaço temporal da investigação na área da energia solar teve os seus avanços e recuos. o grande mercado do fotovoltaico teve um crescimento muito robusto. 1. O monarca francês deixou então de considerar esta alternativa como sendo prioritária.3 As células fotovoltaicas.003 dólares por kWh. Em 2007. M. de acordo com dados fo e idos pelo elató io da Eu opea Co issio Joint Research Centre. Produção mundial de células solares de 1990 a 2007 (Fonte: Adaptado do relatório da European Commission. Isto inclui células baseadas em sistemas nanocristalinos que poderão ser duplamente mais eficientes e economicamente viáveis que as células existentes.

Carvalho. uma capacidade para ter custos energéticos por kW no Brasil 50% mais barato que na Europa. apesar do país ter um potencial para 10. o Brasil (além de alguns países africanos) ocupa o primeiro lugar. nomeadamente Portugal. só existem instalações de 2 Megawatts. F. sendo meses depois ultrapassada em capacidade por uma construída na Espanha. E. ou seja. A. Enquanto que a tecnologia fotovoltaica já se tornou viável economicamente com taxas de crescimento de 30-40% por ano nos Estados Unidos e na Europa. que dispõem de energia por área de 5. não por verdadeira opção energética (intenções mais concretas surgem sempre em tempos de aumentos dos preços dos combustíveis fósseis). Recentemente. Fonte: Adaptado do relatório da International Energy Agency10 O caso sul-americano. F. No mapamundi de radiação solar.000 MW. J. a título de exemplo. os países europeus com o maior número de instalações de células fotovoltaicas em absoluto (Figura 2a)10 e per capita (Figura 2b). os países do sul da Europa. É importante frisar que as maiores centrais fotovoltaicas do mundo encontram-se na península ibérica.5 – 6 KWh/m2/dia.. quer pela sua capacidade teórica na utilização desta fonte energética. apenas pelo fato de que certos países serem considerados ideais para a produção deste tipo de energia. em Portugal foi recentemente inaugurada em março de 2008 a maior central fotovoltaica do mundo à data.9 e são.10 Figura 2a. |Vol 2| |No. Espanha e Itália têm feito esforços consideráveis no desenvolvimento destas energias renováveis. Capacidade total instalada (MW) nos 15 maiores produtores mundiais de energia fotovoltaica. A título de exemplo. com mais ênfase para o Brasil. 3| |192-203| . alguns autores traçaram de uma forma muito clara o panorama brasileiro acerca desta área. todavia sempre imbuídos pela necessidade. possui as principais condições para se tornar um país proeminente nesta área. Virtual Quim. É óbvio que se poderá afirmar que o sol quando nasce não é para todos. com uma capacidade máxima de cerca de 50 megawatt (MW).000 habitações.11 Rev. especialmente as regiões nordeste e central. Calvete. quer pelo seu potencial econômico. o que representa o dobro da capacidade da energia 195 solar na Europa. enquanto que outros não possuem condições adequadas para a produção de energia solar. no Brasil até hoje. M. neste momento. o equivalente para o abastecimento contínuo de 30. Ainda assim.

que revestiu um semicondutor de selênio com uma camada muito fina de ouro para formar as junções. F. M. 3| |192-203| ocupavam uma grande área. sendo inacreditavelmente mais simplificada a forma de produzir células solares hoje em dia (Figura 3). por Charles Fritts. muita informação já foi processada. sendo chamadas de primeira. Gerações de células fotovoltaicas Uma célula solar é basicamente um aparelho que converte luz solar em corrente elétrica usando o efeito fotoelétrico.Carvalho. F. A primeira célula solar foi criada em 1883. como o nome indica. apesar da alta qualidade. Virtual Quim. |Vol 2| |No.12 Desde essa primeira abordagem. e eram constituídas por sistemas que Rev. E. A. Calvete. impedindo assim 196 . As células de primeira geração. foram as primeiras a serem desenvolvidas. segunda e terceira geração. Placa colectora para fins fotovoltaicos13 As células solares estão divididas em 3 categorias. Figura 2b. implicando custos elevados. O tipo de tecnologia usada nestas células solares requeria a utilização de uma grande quantidade de energia para transformação da energia solar em elétrica.13 Figura 3.. J. atingindo 1% de eficiência. Capacidade fotovoltaica instalada per capita no top 15 mundial de países (Fonte: Adaptado do relatório da International Energy Agency)10 3.

para além destes componentes absorverem também na região espectral de infravermelho. M. mas a voltagem de saída deste tipo de junções (camadas) aumenta com a corrente. como. as células de terceira geração surgiram com o intuito de melhorar o pobre desempenho elétrico das células de segunda geração de filmes finos. Contudo verifica-se a aproximação a um valor de eficiência de 33%. a opção de acomodar células múltiplas com diferentes 197 capacidades semicondutoras umas sobre as outras. Para atingir altas eficiências são utilizadas células fotovoltaicas com camadas múltiplas. 3| |192-203| . com aumento da concentração dos componentes. Rev. Célula solar de primeira geração Células de segunda geração já foram desenvolvidas para otimizar a redução dos custos de produção. |Vol 2| |No. um processo usado para depositar camadas de átomos por átomos ou moléculas por moléculas a uma pressão inferior à atmosférica em uma superfície sólida (Figura 4). cobre- índio-gálio-selênio ou silício amorfo produzidas por técnicas alternativas como a de deposição de vapor ou eletrodeposição (Figura 5). Célula solar de segunda geração Em contrapartida. Este arranjo permite ao aparelho gerar uma corrente mais potente que aquela produzida numa célula de silício de primeira geração.14 Figura 5. As mais bem sucedidas são as de cádmio telúrio (CdTe). A outra opção seria concentrar a luz solar usando espelhos e lentes. considerados elevados até então. Figura 4. A corrente de uma célula é proporcional à quantidade de fótons que chegam a essa célula. F. Virtual Quim.Carvalho. embora mantendo custos de produção baixos. A. E. Calvete. aumentando assim a eficiência da célula (Figura 6). F. qualquer progresso na tentativa de redução de custos. Por si só não seria este fato que aumentaria a eficiência. As duas primeiras opções supõem-se mais exequíveis. por exemplo.14 Estas células fotovoltaicas são baseadas em silício cristalino e construídas por deposição a vácuo.. J.

Figura 6. envolvendo Química Orgânica. o semicondutor é apenas usado para transporte de cargas e os fotoelétrons são fornecidos pelo corante fotossensível. quer em universidades ou institutos dedicados a esta área científica estão focalizadas no estudo deste último tipo de células solares.Física dos Materiais. M. Fotossensibilizadores de polipiridino-rutênio usados por Graetzel Rev..15. 3| |192-203| 198 . Um outro problema. Estes complexos de rutênio encontram-se muito próximos de possuir estas características.Carvalho. Normalmente o silício age tanto como fonte de fotoelétrons bem como fornecedor do campo elétrico para separar as cargas e criar uma corrente. o subcampo de investigação ao qual mais cientistas têm-se dedicado engloba as Células Solares Sensibilizadas por Corantes (CSSC) (Figura 7).23 Num ponto de vista otimizado. adsorvidos em filmes nanocristalinos de dióxido de titânio (TiO2).19 ou entre materiais orgânicos de baixo peso molecular. o semicondutor e o eletrólito. A separação de carga ocorre então na superfície entre o corante. visto o preço ser elevado para este tipo de matérias-primas. embora não sejam passíveis de serem sensibilizados a vários comprimentos de onda. este de origem financeira. J.21 inventadas por Michael Graetzel em 1991.22 As mais bem sucedidas CSSCs são as conhecidas células de Graetzel. Nas Figura 7. Virtual Quim.16 CSSCs. E. Física Aplicada e Química . ter um adequado potencial redox regenerativo e ser estável por vários anos de exposição solar.20 De qualquer forma. que utilizam corantes baseados em polipiridil-rutenatos 1 and 2 (Figura 7). A. o que faria aumentar o preço de um aparelho baseado nestes corantes. F. ou facilmente reconhecidas pela sua sigla inglesa-DSSC. F. Célula solar de terceira geração As investigações superiores. seria o fato da generalização deste tipo de sistemas provocar uma alta demanda para a utilização de matériasprimas de rutênio. ligar-se fortemente à superfície semicondutora.18 células fotovoltaicas orgânicas baseadas em hetero-junções entre materiais poliméricos. As CSSCs conseguem separar as duas funções fornecidas pelo silício numa célula tradicional. |Vol 2| |No. um corante deverá absorver o mais possível em todo o espectro visível. Calvete. As várias incursões incluem células híbridas orgânicas/inorgânicas. Embora esta área das células solares tenha sido dominada nos últimos anos pela tecnologia baseada em células de primeira e segunda geração17 uma nova geração do fotovoltaico está a emergir.

ácido sulfônico e derivados de acetilacetonato. figura 8). Calvete. ácido fosfônico. visto serem compostos relacionados com a clorofila (Figura 9). figura 8)29 e perilenos (composto 6.Carvalho. figura 8). F.26 xantenos (composto 7. Corantes utilizados mais frequentemente na produção de CSSC Sendo os corantes 1 e 2 considerados os mais eficientes até à data. Virtual Quim. A ligação covalente à camada de TiO2 pode ser conseguida através de uma variedade de grupos funcionais como o ácido carboxílico. figura 8). figura 8).24d. J.25 cumarinas (composto 5. M. para além de serem consideradas moléculas que mimetizam a realização da fotossíntese pelas plantas.28 polienos (composto 8.27 poliacenos(composto 9. e observando os corantes já usados (Figura 8). figura 8). Vários tipos de compostos têm sido investigados nos últimos anos. com ênfase para porfirinas (composto 3. sendo que o ácido carboxílico demonstra ser o mais indicado para essa ligação..30 A Figura 8 apresenta exemplos dos variados tipos de corantes utilizados recentemente na produção de CSSC. Figura 8. Rev. E. as porfirinas e ftalocianinas têm despertado algum interesse.24 ftalocianinas (composto 4. F. A. figura 8). 3| |192-203| . devido ao fato de possuírem um espectro de absorção bastante 199 abrangente por toda a região do visível. |Vol 2| |No.

F. moléculas orgânicas tipo-p e polímeros condutores em lacunas.32 De qualquer forma. 3| |192-203| colmatados.36 A transferência reversível eletrônica devido à fraca difusão eletrônica é outro obstáculo a uma alta eficiência.. fundamental para garantir a estabilidade do aparelho. Calvete.37 Outro tipo de abordagem consiste no conversor solar baseado em efeitos termoelétricos. |Vol 2| |No. um dos problemas advém da necessidade de garantir uma perfeita umidificação do material lacunar condutor através dos poros do filme de TiO2. A. para fazer esta tecnologia viável para aplicações tendencialmente comerciais é necessário aumentar a performance dos materiais termoelétricos.39 Recentes publicações demonstraram 200 . por exemplo pela deposição de uma rede de multicamadas deste material termoelétrico. Últimos desenvolvimentos Recentemente. por ser um par oxidante demasiado potente. E.Carvalho.24a.38 Em termos práticos. de maneira a obter uma alta voltagem. e apesar da evolução sentida nesta área.33 Estes incluem líquidos iônicos. envolvendo a utilização de materiais transportadores de lacunas sólidas. F.35 Para ultrapassar esse possível problema. Neste caso existe a necessidade de utilização de um material com baixa condutividade térmica e alta capacidade eletromotora. sem afetar a eficiência de geração da corrente eletrônica requer uma adicional engenharia interfacial. como por exemplo a eliminação ou diminuição de perdas devido à recombinação dos elétrons injetados na célula e ineficiente regeneração do corante oxidado pelo eletrólito. materiais inorgânicos de tipo-p. vários artigos científicos foram publicados acrescentando mais informação no sentido da possibilidade de um futuro muito próximo na comercialização deste tipo de células solares. Virtual Quim. óxido de zinco ou dióxido de titânio. Normalmente os eletrólitos usados até agora eram líquidos baseados em iodo/triiodato.34 Ainda assim. sendo as mais comuns as porfirinas livres ou com zinco como metal coordenante derivadas das porfirinas meso fenil-substituídas com grupos ácido (Figura 10). Estrutura da clorofila A relativa facilidade de ancoragem destes materiais ao TiO2 torna-os também atrativos. M. a polimerização in situ desse mesmo material lacunar condutor torna-se então um método para superar esta dificuldade. Tetrakis(4-carboxifenil)porfirinas estudadas 4. Várias porfirinas já foram usadas para a fotossensibilização de células solares como óxido de níquel. Uma proposta para minimizar este problema foi recentemente reportada. R H2C CH H3C R = CH3 em clorofila a CH2 CH3 N N R = CHO em clorofila b Mg N N CH3 H3C H H2C H H CH2 C O O C O OCH3 CH3 O CH3 CH3 CH3 H2C CH C CH2 CH2 CH2 CH CH2 CH2 CH2 CH CH2 CH2 CH2 CH CH3 10 Figura 9. vários problemas necessitam de ser Rev. pelo que a redução da recombinação de elétrons. para além da facilidade em preparar conjugações oligoméricas ou poliméricas de porfirinas que por sua vez origina um enorme aumento da concentração do corante à superfície do sistema aumentando a sua eficiência. 31 HO2C CO2H N N M N N HO2C 11: M = 2H 12: M = Zn CO2H Figura 10. estudos esses que ainda se encontram em fase embrionária. provocando esse tipo de instabilidade. J.

Pereira. Acessado em 16 Novembro 2009. R. the free encyclopedia (versão inglesa). [CrossRef]. Energy Policy 2008. até à produção de células fotovoltaicas a valores relativamente acessíveis a uma maioria. [Link] 11 Agradecimentos Os autores agradecem à Universidade de Aveiro e ao grupo de Química Orgânica. por terem altas capacidades termoelétricas. que efeitos quânticos conseguem aumentar o fator de performance termoelétrico de alguns matérias conhecidos. E. como o silício. Calvete.org/wiki/Solar_hot_water_panel.). F. B. 2003.. Garcia. P. em que a ciência está mesmo ao serviço da humanidade. A. como a perovskite. Considerações Finais 5 a) Green.. Pereira. J. Energy Policy 2000.. E. F. Photovolt: Res.Institute for Energy.. 341. Handbook of Photochemistry and Photobiology.pvresources. Colle. P. Nalwa (Ed. [CrossRef]. S. H.41 O mais recente trabalho nesta área faz uso dessas capacidades. fazendo dos óxidos . C. Acessado em 16 Novembro 2009.wikipedia. 2000.com/en/top50pv. Cartlidge. Acessado em 12 Outubro 2009. R.php. em que os autores estudaram as propriedades elétricas e termoelétricas de derivados do poli(2. Solar panel market growth to slow in 2009.7-carbazole). Acessado em 09 Novembro 2009. respectivamente). com vantagens acrescidas em termos de baixa toxicidade e elevadas resistências térmica e química. the free encyclopedia (versão inglesa). Disponível em: http://en. 989. 3| |192-203| .. L. Energ. materiais bons candidatos para estas aplicações. Acessado em 15 Novembro 2009. [CrossRef]. Zilles. [CrossRef] Podemos dizer que desde os remotos tempos em que se utilizava a energia solar de forma passiva. Photovolt: Res. 3 Portal da Wikipedia. 5. há um longo hiato.org/wiki/Timeline_of_solar_cells. Prog. F. A. Referências Bibliográficas 1 Portal da Southface Corporation (E. deixa-nos uma garantia de futuro: é uma tecnologia de ponta. 36. the free encyclopedia (versão inglesa). 9. 8. 2001. M. American Scientific Publishers. c) Zilles... S.org/wiki/Timeline_of_solar_cells. artigo de 02 Julho de 2007. |Vol 2| |No. vol 1. Muitos laboratórios e universidades estão empenhados em novas possíveis descobertas e torna-se óbvio que esta tecnologia tem que ser posta ao serviço de todos. Rev. M. E.A). E. Serpa. 13 Portal da Wikipedia.42 roadmap/solar_how-to/history-of-solar. Prog. para que realmente todos possamos usufruir desta futura realidade. Lorenzo. Abreu. Virtual Quim.. 2853.. Abreu. Disponível em: http://www. Acessado em: 09 Novembro 2009. obtendo encorajadores fatores termoelétricos para polímeros estruturados e dopados.. M. Disponível em: http://facts-about-solarenergy.wikipedia. 113. 2001. H. Acessado em 16 Novembro 2009. [CrossRef] 12 Portal da Wikipedia. G. 5. 49. 10 Adaptação do relatório da International Energy Agency. [Link] 9 Sitio da pvresources. L... Bright Outlook for Solar Cells. E.40 mas também a utilização de materiais novos. B. Autor: Rev.html.S.eu/showArticle.. R. Los Angeles. Ruether. bem como que todos os fatos por detrás da compreensão desta forma de energia sejam completamente assimilados. F. b) Martins. 421. Disponível em: http://www.. 4 Iha. Energy Policy 2008. App. C. MJFC agradece à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e FCT/FEDER pelo apoio financeiro (bolsa de pós-doutoramento SFRH/BPD/26775/2006 e projeto PPCDT/DG/QUI/82011/2006. A. S.com/solar-energy-history. S. 6 2 Portal da Facts about Solar Energy website (Austrália).southface. A tecnologia utilizada até agora porém.com/cws/article/print/30345. 7 Clarke.com: Large-scale photovoltaic power plants range 1–50.wikipedia. Renew. A certeza existente neste momento é que outro longo caminho terá que ser percorrido até que a energia solar seja encarada como absolutamente necessária. Appl. R. R. 8 Adaptação do relatório da European CommissionJoint Research Centre. Ruether.U. artigo de 19 Março de 2009. 2865. Bignozzi. R. [CrossRef]. Disponível em: http://physicsworld.org/solar/solar201 a) Martins. Disponível em: http://eetimes. Disponível em: http://en. Sust. 28.Carvalho. 36. na antiguidade greco-romana.. N. b) Yamaguchi M. Produtos Naturais e Agroalimentares.. Disponível em: http://en.htm.jhtml?articleID=21590 1105. d) Oliveira..

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