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A vocação de Mateus

A narração é simples e curta: “…Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado


Mateus, sentado no posto de cobrança de impostos e disse-lhe: «Segue-Me». Ele
levantou-se e seguiu Jesus…”

Vale a pena reflectir um pouco neste episódio e tirar dele ensinamentos para a nossa
vida. Aliás todo o Evangelho de Jesus tem esse sentido: reflectir e retirar dele alguma
coisa para aplicar na nossa vida.

“Jesus vai a passar” – Jesus passa efectivamente no nosso caminho, bem junto de nós e
toma a iniciativa de nos interpelar. Atravessa a estrada se preciso for para o vermos e
ouvirmos melhor. Ele interpela-nos, convida-nos e segue em frente, cabe-nos a nós, em
liberdade, escolher se O queremos seguir ou não.

Mateus, diz a narração, era cobrador de impostos (para César).


Ao serviço do império romano, colonizador da Palestina, Mateus era certamente um
homem rico, odiado pelos seus conterrâneos subjugados pela força do invasor. Seria
certamente também pouco escrupuloso e duro no seu desempenho. Impuro aos olhos
dos fariseus e um marginal à vista do povo. Ou seja, era um homem que segundo os
nossos conceitos seria pouco recomendado como companhia.
Jesus, porém, fala-lhe e convida-o para o grupo dos seus amigos mais próximos.
ESCÂNDALO!
Mais. Jesus, aceita estar presente durante um banquete de despedida em que Mateus se
reúne com os seus até aí colegas de profissão. ESCÂNDALO!
Jesus é assim!... É desconcertante nas Suas atitudes! Não Lhe importa qual a profissão
de Mateus. Não Lhe interessa que o considerem um marginal e um impuro. Jesus “vê”
muito para além do aspecto exterior de cada um. Importa-Lhe mais a dignidade humana
de cada um e a disposição para a mudança de rumo. Todos são merecedores do Amor de
Deus desde que estejam abertos para O receber.
“Jesus viu um homem sentado…” Ele vê o que nós não conseguimos ver. Ele vê o
homem, nós vemos o cobrador de impostos.
Ele vê fundo dentro de cada um de nós, vê o nosso intimo, que é o que importa afinal.
Por outro lado, nós ficamos pelo aspecto exterior e classificamos facilmente o nosso
semelhante só pelo que vemos sem atendermos ao seu valor enquanto pessoa.

“Ele levantou-se e seguiu Jesus” – É o que nos dizem da atitude de Mateus. Jesus
convida e espera a reacção. Mateus, consciente da sua situação, ouve a voz do mestre,
dispõe-se a mudar de vida e decide por Jesus. É uma atitude de rotura com o seu
passado, o início de uma vida nova.
“Levantou-se” não querendo dizer só que se pôs de pé. Levantou-se sim, da vida que
levara até aí e dispõe-se a um futuro diferente.

Perante os comentários dos fariseus (todos aqueles que estão instalados), Jesus diz que a
razão da Sua vinda são os que precisam de “médico” de piedade e misericórdia. “…Eu
não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. As palavras de Jesus são
provocatórias, pois a Sua mensagem é explosiva. A salvação é para todos e não apenas
para os que se julgam justos e seguros de si.
Foi assim com Mateus (o grande apóstolo S. Mateus) tal como tinha sido com Abraão
(o grande pai dos crentes). Também este, respondeu ao convite de Deus, acreditou e
partiu! Diz-nos o Antigo Testamento que Abraão era já velho, vivia instalado, com
todos os seus bens e família, na sua terra natal Ur e sua mulher era estéril. Sabemos bem
a história.
Este homem, mesmo assim, acredita, confia na palavra de Deus contra toda a esperança
humana. Deus entra na sua vida e promete-lhe uma terra nova e um povo numeroso seu
descendente. Abraão parte, rumo ao futuro.

O que conta é a nossa atitude perante o chamamento (vocare = chamar) de Jesus.

A verdadeira religião (ser religioso) assenta numa fé madura que se abre ao mistério de
Deus. Apresenta uma disponibilidade perante o Seu chamamento e tem paixão pela
justiça e pela libertação do homem.
Decididos a ouvir o chamamento de Jesus, levantemo-nos e mostremos a verdadeira
face de Deus, que Jesus espelha em si (quem Me vê, Pedro, vê o Pai), criando
acolhimento aos mais desfavorecidos e valorizando o que de essencial temos em nós.

Shalon!
ZéLuiz