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Rio de Janeiro, 20 de Novembro de 2017.

REGRAS GERAIS DE UMA COMUNIDADE DE CANDOMBLÉ

1. Não Se deve retrucar seu dirigente (Doté / Doné)


2. Caso tenha algo para falar, que você não esteja concordando, discretamente peça um minuto da atenção de
seu zelador (a) e exponha a situação civilizadamente, sem precisar que a torcida do Flamengo esteja
assistindo. Dar um escândalo no meio da roça não é postura de um membro, e você ainda corre o risco de
tomar um fora na frente de todo mundo.
3. Quando tiver visitas no barracão (Etemis, Ekjedes, Ogãs, Zeladores, Clientes), seja em dia de festa ou em dia
corriqueiro, é de bom-tom, que os filhos se abaixem para se dirigir a palavra ao seu zelador. Atenção! Só
atrapalhe a conversa caso seja EXTREMAMENTE necessário. Deve-se chegar junto a ele, mas não muito, e
ficar abaixado esperando que ele pergunte o que deseja. Quando ele perguntar, comece sempre sua frase com
“AGÔ”. “Agô, mas blá blá blá...”, e se tiver que atravessar entre duas pessoas, peça “Ago” antes e passe.
4. Nunca, jamais, em tempo ou hipótese alguma, seja no seu barracão ou no barracão do alheio, deve-se sentar
na mesma altura que o seu zelador.
5. Vodúnsì e Kajèkaji, não bebem nenhum líquido em copo de vidro dentro de seu barracão ou no barracão do
alheio. Deve-se esperar o bom e velho copinho de plástico ou então a conhecida DILONGA, ABAN ou
CANEQUINHA DE ÁGATE, como você preferir chamar.
6. Vodúnsì e Kajèkaji, não comem em prato de vidro ou louça. Apenas em pratinho de plástico ou agate. Aliás
7. Terminou seu Ajeum? Pegue seu pratinho e sua canequinha, vá para cozinha e lave. Não cai a mão e nem
coça, sabia? Infelizmente ainda não possuímos empregados que possa cuidar da limpeza geral enquanto nós
descansamos.
8. Como dissemos no item anterior, não temos empregado para limpar tudo. Portanto, cada um deve se
conscientizar e fazer a sua parte. Ficar protelando, esperando que algum irmão de santo se encha da bagunça
e vá arrumar por você não tem cabimento. Cada um fazendo um pouco fica mais fácil e rápido, para todos.
9. Ao chegar ao no KWE, o procedimento correto é:
No portão, dizer: Ago no KWE.
1. Ao entrar, pegamos a quartinha e despachamos a rua, dizendo:
"OMÍ TÚTÚ
OMI ÒNÀ TÚTÚ
OMI ILÉ ou Kwe TÚTÚ
OMI TÚTÚ ÈSÚ.”

Tradução:
“A água é fresca
A água refresca os caminhos
A água refresca a casa
A água refresca Exú.”
2. Em seguida, encher a quartinha com água e colocar no lugar, para isto mulheres deverão amarrar um
pano no peito ou na cintura e os homens colocar o pano de banda.
3. Após saudar Exú e Ogum do portão.
4. Ir direto para a cozinha beber um copo d’água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas para Bater-
papo e colocar a fofoca em dia.
5. Tomar seu banho normal, de abo e ir trocar de roupa.
6. Bater cabeça no ariaxé, na porta do quarto de santo e para o pai de santo.
7. Tomar a benção a TODOS os seus irmãos, sendo dos mais velhos aos mais novos, de acordo com a
ordem de inciciação.
10. Agora sim, caso não haja nada em que se possa ajudar (muito embora seja impossível, pois em uma casa de
santo sempre tem algo a ser feito), você pode ir colocar seu tricô em dia.
11. Você trabalhou feita a escrava Isaura e se cansou? Acabou de fazer todo o serviço? Bem, agora você pode
pegar o seu maravilhoso APOTÍ e confortavelmente sentar-se nele, cadeiras, poltronas, com ou sem braço, só
Etemis, Ekjedes, Ogãs Doté/Doné, que podem sentar. Existe uma variável do “APOTI”, que é a famosa esteira.
Nela você pode se sentar, se espichar e até relaxar seus ossos. Ela é sua! Aproveite!

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Rio de Janeiro, 20 de Novembro de 2017.

12. Em sua casa, quando você faz uma comemoração qualquer, e é servida uma refeição, você sai atacando o na
frente, ou antes, de seus convidados? Acreditamos que não! Portanto, na casa de santo é igual. Serviremos
primeiro a visita, para depois a comunidade se servir. Isso é mais que uma regra, é etiqueta. E você não vai
querer ser deselegante, não é? Lembre-se: Estão sempre observando você.
13. Você gosta que fiquem pegando suas roupas emprestadas? Pois é, ninguém gosta. Não é maravilhoso? Todos
na casa contentem e felizes com suas devidas roupas de rações, então por favor tragam as suas.
14. Quem traz dinheiro para o sustento da casa? Portanto, trate muito bem o cliente e amigos do KWE, que vão
para jogar ou se consultar, pois é deles que vem boa parte do dinheiro. Sorrir sempre e servir um copinho de
café ou de água gelada não matam ninguém.
15. E vai rolar a festa! O povo do keto, do jeje, da angola e até da umbanda já mandou convidar. Mas, e o dinheiro
para comprar o Ajeun e o Otí do povo? É dever de todos nós contribuir.
16. Você acha que só por este local ser um templo religioso, a Light, a CEG e a CEDAE irão fornecer água, luz e
gás de graça? É claro que não. Portanto, contribua sempre com a sua módica mensalidade.
17. Estamos vivendo tempos difíceis, existe muita gente por aí passando fome. Portanto, por que desperdiçar
comida? Fazer a quantidade exata só para quem trabalhou dignamente e contribuiu com este maravilhoso
ajeun é o coerente.
18. Ficou cansado depois da festa? Nada de ir pegando sua bolsinha e ir saindo de fininho. Lembre-se da limpeza
do barracão, afinal não temos empregados.
19. Roda de candomblé, seja em sua casa ou na casa do alheio, não é lugar de ficar de cochicho e risinhos
irônicos. Se você quer fuxicar, vá para um botequim. E nada de ficar movimentando a boca, neste momento ela
foi feita para cantar e louvar os Orixás/Voduns.
20. Anágua encardida, só se for depois da festa do candomblé. Antes, “NUNCA, JAMAIS, NEM PENSAR!”. Devem
ser brancas como a neve. Anáguas de ráfia ou entretela, sem manchas e limpas, como a roupa também.
21. Você, irmãozinho, que vê o mundo cor de rosa choque com bolinhas amarelas, deve deixar esta sua visão
progressiva e moderna do lado de fora do barracão. Ali dentro você tem que ver tudo branco. O mesmo vale
para as coleguinhas que veem tudo azulzinho. Casa de orixá é para louvar e cuidar do Orixá, e não para ponto
de encontro.
22. Se sua irmã de santo tem uma baiana mais humilde do que a sua, nada de ficar “xoxando”, lembre-se, o
mundo dá voltas e o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Amanhã pode ser você com uma baiana de chita e ela
com uma belíssima saia de rechilieu.
23. Caso assista fora do seu barracão, algo diferente do que ocorre em sua casa, nada de ficar “xoxando” e
chamando os outros de marmorteiro. Você não é o dono da verdade e ninguém é. O que pode parecer
maluquice para você, pode não ser para o próximo. Além do mais, comentários sempre são feitos depois. Vai
que tem alguém conhecido escutando?
24. Ninguém tem mais ou menos santo do que o outro. Santo é santo!
25. Respeito é bom, portanto, deve-se pensar duas vezes antes de envolver seu zelador e irmãos mais velhos em
determinadas brincadeiras de mau-gosto ou discussões.
26. Apelidos e avacalhações, são da porta do barracão para fora. Além do mais, a próxima vítima pode ser você.
27. Roupa de barracão é saia comprida, calçolão, camisú e pano da costa. Shortinhos, top’s, regatas devem ser
usados somente pra ir ao baile funk.
28. Sempre que for servir algum mais velho de santo, deve-se levar “o solicitado” numa bandeja ou prato e
abaixar-se para servir.

Olorum Kolonfé!

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