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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

GUSTAVO TENÓRIO CAMPOS SEMAAN

PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

Recife/PE
2013

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO


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PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

Monografia apresentada como requisito de


Conclusão de Curso para obtenção do
Grau de Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. José Durval de Lemos
Lins Filho

Recife/PE
2013
GUSTAVO TENÓRIO CAMPOS SEMAAN
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PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

Monografia:

( ) Aprovada

( ) Reprovada pela banca examinadora constituída por:

______________________________________________
Prof. José Durval de Lemos Lins Filho

______________________________________________
Prof.ª Erica Babini Lapa do Amaral Machado

______________________________________________

Mestrando:

RECIFE/PE

2013
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Dedicatórias

Dedico este trabalho a minha querida mãe


Maria Madalena e minha tia Maria de
Lourdes que me estimularam a busca do
novo na minha vida e me deram apoio para
superar as dificuldades a cada dia, meus
agradecimentos por terem ficado ao meu
lado em todas as situações. E em especial
ao meu pai Raif Semaan, que não está
entre nós, mas sempre estará iluminando
meu caminho.

Agradecimentos

Ao meu Orientador Prof. JOSÉ


DURVAL pelo incentivo, presteza e
simpatia no auxílio às atividades desta
Monografia de Conclusão de Curso.
Especialmente ao Prof.
JOÂO FRANCO, pelo seu brilhante
papel como educador e pelo seu espírito
arrojado na difícil tarefa de
multiplicar seus conhecimentos.
Aos demais professores
e funcionários da
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
PERNAMBUCO.
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A todos os colegas de classe pelo


carinho, especialmente CARLOS
PINHEIRO, THIAGO SIAL E LUCAS
TEIXEIRA que estiveram comigo nessa
longa jornada de aprendizagem.
Aos meus familiares pela paciência
em tolerar a minha ausência, como
também a força que me foi dada durante
todo esse tempo.
E, finalmente, a DEUS pelo
privilégio e pela oportunidade que me
foram dados em dividir tamanha
experiência e, ao frequentar este curso,
perceber e contribuir com temas que não
faziam parte, em profundidade, das nossas
vidas.
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Epígrafe

“Todas as grandes coisas são simples. E


muitas podem ser expressas numa só
palavra: liberdade; justiça; honra; dever;
piedade; esperança.” Winston Churchill

Resumo

Esta Monografia pretende demonstrar as características da privatização na


história brasileira bem como mundial, a lei de execuções penais e suas dificuldades
na implantação do tema discutido, dos programas de ressocialização do preso bem
como a atuação do estado no cárcere e suas dificuldades em face do número
crescente de presos e reincidentes. Por fim abordar o tema da privatização das
penitenciarias no Brasil com a participação de empresas privadas na administração,
seguindo os moldes já existentes no mundo ou a necessidade de criação de um novo
modelo e a sua adequação às leis vigentes do país, possibilitando uma melhor
ressocialização e o fim das superlotações no cárcere, bem como das rebeliões lá
presentes.

Palavras-chave: Privatização – Sistema Penitenciário – Lei de Execuções


Penais.
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Abstract

This monograph aims to demonstrate the features of privatization in


Brazilian history as well a global, the Brazilian criminal law of executions and the
dificulteis in implementing the discussed topic, the prisoner's rehabilitation programs
as well as the actions of the state in the prisons and their difficulties under the number
increasing arrested and recidivists. Finally address the issue of privatization of
penitentiaries in Brazil with the participation of private companies in the administration
following the molds already exist in the world our the need to create a new privatization
model and its appropriateness with the laws of the country enabling better rehabilitation
and an end to overcrowding and the rebellions in the today’s prisons.

Key Words: Privatization – penitentiary system – Penal Execution Law.


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LISTA DE ABREVIATURAS

RDD Regime Disciplinar Diferenciado

CELPE Companhia Energética de Pernambuco

EUA Estados Unidos da América

BNDES Banco Nacional do Desenvolvimento

SIDERBRAS Siderúrgica Brasileira ltda

USIMINAS Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A

FMI Fundo Monetário Internacional

ELETROPAULO Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A

CCA Corrections Corporation of America

LEP Lei de Execuções Penais

PPP Parceria Publica Privada

EMBRAER Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A.


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Lista de Figuras

Figura 1 - Sistema Panóptico .................................................................................... 28


Figura 2 - Sistema Filadéldico ................................................................................... 29
Figura 3 - Sistema Auburniano .................................................................................. 31
Figura 4 - Penitenciária Federal de Catanduvas ....................................................... 41
Figura 5 - Luiz Fernando da Costa "Fernandinho Beira-Mar" .................................... 43
Figura 6 – Presos ...................................................................................................... 43
Figura 7 - Lake City Correctional Facility ................................................................... 46
Figura 8 - Complexo Penitenciário Rio Das Neves ................................................... 48
Figura 9 - Complexo Penitenciário Rio Das Neves ................................................... 49
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..........................................................................................................11

1. PRIVATIZAÇÃO NO MUNDO E NO BRASIL ......................................................13

1.1 CONCEITO .........................................................................................................13

1.2 PRIVATIZAÇÕES NO BRASIL ...........................................................................15

1.3 O TEMOR PRESENTE NA POPULAÇÃO SOBRE O ASSUNTO ......................20

1.4 O INICIO DA PRIVATIZAÇÃO CARCERÁRIA NO MUNDO ...............................22

2. SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO ...................................................................24

2.1 HISTÓRICO DO SISTEMA PENITENCIÁRIO ....................................................24

2.1.1 SISTEMA PANÓPTICO ...................................................................................26

2.1.2 SISTEMA FILADÉLFICO .................................................................................27

2.1.3 SISTEMA AUBURNIANO.................................................................................28

2.1.4 SISTEMA PROGRESSIVO ..............................................................................29

2.2 EVOLUÇÃO DAS PRISÕES NO BRASIL ...........................................................29

2.3 FINALIDADES DA PENA DE PRISÃO ...............................................................31

2.3.1 TEORIAS RETRIBUTIVAS OU ABSOLUTAS:.................................................33

2.3.2 TEORIAS PREVENTIVAS DA PENA: ..............................................................33


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2.3.3 TEORIA MISTA OU UNIFICADORA: ...............................................................33

2.4 ESPÉCIES DE PENAS NO SISTEMA PENAL ATUAL .......................................34

2.5 DO REGIME PENITENCIÁRIO ...........................................................................35

2.6 DIREITOS E DEVERES DOS PRESOS .............................................................36

2.7 DO REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO ....................................................38

2.8 DA REALIDADE PENITENCIÁRIA .....................................................................40

3. A PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO ....................42

3.1 DA PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PRISIONAL .................................................42

3.2 O MODELO NORTE-AMERICANO DE PRIVATIZAÇÃO ...................................43

3.3 O MODELO FRANCÊS DE PRIVATIZAÇÃO......................................................44

3.4 MODO DA PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA .........................................................45

3.5 MODELOS BRASILEIROS .................................................................................45

3.6 BASE NORMATIVA ............................................................................................47

3.7 AS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS ..............................................................48

3.8 OBSTÁCULOS EXISTENTES ............................................................................49

3.9 MUDANÇAS NECESSÁRIAS À VIABILIZAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO DO


MODELO DE PRESÍDIOS PRIVATIZADOS .............................................................51

3.10 CRÍTICAS AO SISTEMA DE PRIVATIZAÇÃO .................................................52

3.11 ARGUMENTOS FAVORÁVEIS À PRIVATIZAÇÃO ..........................................53

CONCLUSÃO ...........................................................................................................55

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................56

ANEXO .....................................................................................................................60
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INTRODUÇÃO

A presente Monografia se divide em três partes. No primeiro capítulo, se


faz uma análise do conceito de privatização bem como o seu histórico de
desenvolvimento no Brasil.

A privatização é um processo de concessão de uma estatal à iniciativa


privada. Surgiu no mundo através do governo Inglês bem como do Americano. No
Brasil, ela teve início numa época em que o país vivia dificuldades para manter suas
estatais funcionando devido a vários problemas como: econômico, laboral entre
outros. Foi utilizada por um bom período de tempo como arma Política e gerou
grandes debates na população.

No segundo, aborda o estudo sobre o sistema penitenciário. A criação do


primeiro sistema penitenciário na Holanda, que a partir dele derivou vários outros
como Walnut, Cherry Hill e Pittsburgh, todos com o método de completo isolamento
do detento como forma de punição, onde o preso não mantinha qualquer tipo de
contato com o mundo. Bem como uma abordagem dos diferentes tipos de sistema
carcerários desde o Panóptico até o Progressivo. Por fim uma abordagem a respeito
da realidade penitenciaria presente hoje em dia no Brasil.

E por fim no Terceiro Capitulo, expõe a respeito da privatização dos


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presídios, que se refere ao principal objetivo dessa Monografia. Para entender melhor
esse fenômeno, é imprescindível uma análise dos modelos utilizados nos Estados
Unidos, na Europa, bem como expor as razões para a realização da privatização,
traçando comparação e estabelecendo as principais diferenças, levando à adoção
deste tema para o nosso sistema penitenciário e citando os presentes no país.

Muito tem se comentado recentemente sobre as dificuldades presentes


no Sistema Carcerário Brasileiro, dificultando a ressocialização e o convívio dos
detentos que lá estão custodiados.

Apesar da Constituição Federal no seu artigo 1º, inciso III, garantir direito
básico a qualquer cidadão à dignidade da pessoa humana, no sistema utilizado
atualmente nos presídios, não se pode vislumbrar a existência das garantias
constitucionais.

É um assunto frequentemente abordado nos noticiários, divulgando a


superlotação de presídios, rebeliões bem como a falta de assistência do Estado aos
detentos e suas familiais, mortes e violência gratuitas nestas que vieram a ser
conhecidas como as escolas do crime organizado.

As penitenciárias apresentam grandes problemas que acabam


influenciando o comportamento do detido, como exemplo: a ausência de respeito, falta
de direitos básicos como assistência medica e odontológica, superlotação das celas
e falta de programas destinados a ressocialização.

A solução para a garantia dos direitos básicos, bem como de um eficiente


programa de ressocialização vem sendo implantada através da privatização, onde há
a participação em conjunto do Estado e das empresas privadas.

Sistema em que ambos trabalham em favor de um terceiro que é o preso,


onde o Estado tem a função de proteção dos direitos enumerados no ordenamento
jurídico e a iniciativa privada na função de implantar essas garantias com assistência
médica, educacional, nutricional, etc....
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1. PRIVATIZAÇÃO NO MUNDO E NO BRASIL

1.1 CONCEITO

A privatização é um processo de conceder ou vender uma empresa


originalmente estatal que manufatura bens e ou de serviços. Estes produtos podem
ou não se encaixar como sendo importantes e ou essenciais como no fornecimento
de água tratada e coleta de esgotos e lixo, de energia elétrica, de telefonia fixa, de gás
canalizado.1

Antes de continuar, é preciso deixar claro que concessão e Venda são


diferentes. Na concessão, o governo concede a uma ou várias empresas privadas o
direito de gerenciar certos produtos ou bens por um prazo estipulado em contrato,
podendo, após o termino do mesmo voltar as mãos do poder público. Um exemplo é
a Companhia Energética de Pernambuco CELPE. Localizada em Pernambuco na
cidade do Recife, ela é responsável pela distribuição de energia elétrica para mais de
3,1 milhões de clientes, em 184 municípios, além do distrito de Fernando de Noronha
e do município de Pedras do Fogo, na Paraíba.2

No caso da venda, a empresa se torna permanentemente privada. O


governo através de leilão público vende uma cota ou a totalidade da empresa. Um
exemplo de venda total é a Empresa Brasileira de Aeronáutica EMBRAER que foi
adquirida por um conglomerado de empresas e hoje é considerada a terceira maior
produtora mundial de jatos civis.3

1 WIKIPEDIA, Privatização. 10/10/2013. Digital. Disponível em


<http://pt.wikipedia.org/wiki/Privatiza%C3%A7%C3%A3o>
2 CELPE. Quem somos. 10/04/2013. Digital. Disponível em

<http://www.celpe.com.br/Pages/A%20Celpe/quem-somos.aspx>
3 FOLHA de São Paulo. Embraer vai contratar 3.000 funcionários neste ano. 12/04/2013. Digital.

Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u113669.shtml>
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Normalmente o governo abre mão dessas empresas quando não estão


mais proporcionando os ganhos desejados para competir no mercado. Na maioria das
vezes, ocorre que o estado passa por problemas nas finanças, por problemas
econômicos nacionais ou por motivos de crises internacionais e termina precisando
captar recursos para os cofres públicos. Acaba vendo na privatização uma maneira
eficiente de captação.

Entre os economistas ortodoxos a privatização é um conceito


hegemônico, mas em outras disciplinas, visualizam este fenômeno sobre diversas
perspectivas. Feigenbaum e Henig veem a privatização como um fenômeno
originariamente político e não econômico administrativo ou fiscal.4

Como vislumbramos na história recente, a "doutrina da privatização" foi


altamente praticada e divulgada pelos governos Ford, Carter e Reagan nos Estados
Unidos, e pela administração Thatcher na Inglaterra. O interesse pelas privatizações
no mundo nasceu primordialmente das iniciativas de desregulamentação expostas e
esposadas por essas administrações, que claramente apoiam a diminuição da
atuação do Estado e assim transferiram essa responsabilidade ao setor privado.5

Na era moderna, esse processo se iniciou no ano de 1973 no Chile com o


governo de Augusto Pinochet. Nos anos de 1980, atingiu seu ápice nos países
desenvolvidos como no Reino Unido. Na década de 1990, o processo atingiu à
América Latina, onde foi apoiado pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco
Mundial, sendo uma via defendida pelo chamado Consenso de Washington que,
segundo seu apoiadores, aceleraria o desenvolvimento econômico nos países que o
adotassem.

Na opinião de economistas liberais, como o ganhador do "Prémio de


Ciências Económicas" Milton Friedman, seus objetivos principais são a obtenção de
maior eficiência, reduzir gastos e criar recursos. Para ele, os governos deveriam
vender suas empresas estatais.6

A parte contraria às privatizações indiscriminadas de serviços públicos


essenciais como de água e coleta de esgotos, distribuição de redes elétricas, telefonia,

4 CHAMBERLIN, J.R. e JACKSON, J.E. Privatization as Institutional Choice. Journal of Policy


Analysis and Management. 6(4, 1987):586-604
5 Ibidem.

6 FRIEDMAN, Milton. Capitalismo e Liberdade. São Paulo: Abril Cultura, 1984.


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gás e outras, citam que toda empresa privada tem como principal foco o ganho
monetário, e este, na maioria do tempo, vai de encontro à necessidade da população
de baixa renda.
No sexto capítulo do relatório Economic Growth in the 1990s: Learning
from a Decade of Reform de 2005, o Banco Mundial, declara que muitos refletem no
fato da privatização não ter se desviado demais do seu propósito inicial. Segundo o
Banco Mundial, no ano de 2002 em 17 países da América Latina, dois terços dos
entrevistados relataram que "a privatização de empresas públicas não está sendo
benéfica". Isto está ligado ao temor que será visto mais à frente.7

Em certos países essas privatizações são polêmicas, pois parte


da sociedade, apoiada por alguns economistas, acreditam que essas privatizações
podem se encaminhar numa simples aquisição das riquezas do país pelo setor
privado, que objetiva apenas obter lucro, nem sempre com isso aumentando o "bem
estar" da população ou a riqueza do país 8 . O debate entre os defensores das
privatizações e seus opositores ultrapassa os limites da teoria econômica pura,
enveredando frequentemente por discursos político-ideológicos ou partidários. O
teorema de Sappington-Stiglitz demonstra que “um governo 'ideal' poderia atingir um
nível elevado de eficiência administrando diretamente uma empresa estatal do que a
privatizando-a."9

1.2 PRIVATIZAÇÕES NO BRASIL

Entre os anos 1991 a 2000, ocorram no país cerca de 65 privatizações de


empresas e participações acionárias estatais federais em setores como: elétrico,
petroquímico, de mineração, portuário, financeiro, etc. Muitos Estados foram coagidos
pelo Governo Federal, a privatizar seus ativos; assim foram privatizados em São Paulo
a FEPASA e o BANESPA, sob protestos do então governador Mário Covas Até o mês

7 Economic Growth in the 1990s: Learning from a Decade of Reform, Washington: The
International Bank for Reconstruction and Development / The World Bank, 2005, cap. 6
8 STIGLITZ, Joseph E.Making Globalization Work. New York, London: W. W. Norton, 2006. p.142.
9 SAPPINGTON, David E. M. e STIGLITZ, Joseph E. Privatization, Information and

Incentives. Columbia University; National Bureau of Economic Research (NBER) June 1988; NBER
Working Paper No. W2196
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de junho de 2000, o Brasil junto com os Estados arrecadaram aproximadamente 92


bilhões de dólares.10

A privatização no Brasil demonstrou uma mudança radical da figura até


então preponderante, dada ao Estado na atividade econômica. Desde o início do
governo de Vargas, quando se instalou uma política agressiva, ficou assentado que os
grandes empreendimentos essenciais ao desenvolvimento estratégico do país,
deveriam ficar sob o domínio do Estado. Foi então dado início a diversas criações,
como a da Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Vale do Rio Doce e a
Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. No seu segundo mandato, foi criada a
PETROBRÁS - Petróleo Brasileiro S/A que hoje está no meio de uma intensa
divergência sobre sua polemica privatização da mais recente descoberta das reservas
de petróleo feita no pré-sal.

Na época, a atividade do setor bancário estava há tempos fortemente


ligada às instituições estatais como ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal,
que funcionavam ao lado de outras poucas instituições financeiras.

Coube ainda a Getúlio criar, sobre sua própria expectativa, um banco de


fomento: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, que mudou sua
nomenclatura para Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –
BNDES, com capital pertencente a União, criado com o fim de financiar
empreendimentos privados, ato que permitiu o avanço industrial do Brasil. 11

No governo de Juscelino Kubitschek houve a implantação, em especial, da


indústria automobilística. No entanto, a atuação do BNDES foi mudada, pois acabou
se transformando em um órgão que, sobre o pretexto de socorrer empresas privadas
em dificuldades, estatizou diversas delas. 12

Para simplificar, acabou sendo usado como um meio para estatizar as

10 GALHARDO, Ricardo. Privatização em São Paulo Arrecadou 77,5 bilhões desde o Governo
Covas. Jornal O Globo, in Globo online; 14 de outubro de 2006 às 22:23
11 BNDES. Livro 50 anos. 15/07/2013. PDF. Disponível em

<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/li
vro50anos/Livro_Anos_50.PDF>
12 WIKIPEDIA. Privatização No Brasil. 14/04/2013. Digital. Disponível em

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Privatização_no_Brasil>
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empresas com dificuldades financeiras, já que naquela época havia uma corrente
muito grande para preservar as riquezas nacionais com os brasileiros e um crescente
preconceito com o termo “privatização”.

Mas foi na época do regime militar que a estatização da economia provou


seu crescimento, com a criação de um numero exorbitante de empresas regidas pelo
Estado. Isso tornava complicado de calcular seu número exato, sendo certo que se
aproximavam de centenas de subsidiarias.

Tais instituições atuavam em setores específicos, mas também em áreas


de menor importância. Atingiu o ponto de se criar uma estatal para realizar uma obra
como, por exemplo, a construção da Ponte Rio-Niterói. Isto com o pensamento de
alavancar o nacionalismo e mostrar para a sociedade que o governo era prol do povo.

Coincidentemente ou não, na época do regime militar quando Delfim Netto


ocupava o cargo de Ministro da Fazenda, foi quando o Brasil experimentou seus mais
altos níveis de crescimento no setor econômico.

As empresas estatais eram submetidas à supervisão de diversos


ministérios, cada um impondo suas regras e regimento. Critérios técnicos eram
criados de acordo com a influência política do representante do ministério, como
quando os aumentos de capital eram acordados sem a prévia definição de fundos
orçamentários para esse fim, revelando nenhuma atenção em relação aos gastos
públicos no geral.

Para impor algumas uniformidades, acabaram concentrando seu controle


na área econômica do Governo, por meio de órgãos subordinados à Secretaria de
Planejamento da Presidência da República e ao Ministério da Fazenda.

Na época em que Fernando Collor estava na presidência, das 68


empresas incluídas no programa, apenas 18 foram privatizadas, pelo fato de Collor ter
sua ação obstaculizada com as dificuldades que surgiram na privatização da Viação
Aérea São Paulo – VASP. O Plano Collor, criado pela ministra Zélia Cardoso de Mello,
realizou um modelo neoliberal de abertura às importações e à privatização.
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A política econômica implementada, desencadeou um dos maiores programas de


privatização do mundo.13

A privatização das empresas siderúrgicas começou com a extinção da


empresa holding Siderurgia Brasileira S.A. – SIDERBRAS, após adquirir as
empresas subsidiárias.

A primeira estatal privatizada foi a USIMINAS, siderúrgica mineira


localizada no município de Ipatinga, fato que gerou grande polêmica na época, pois,
das estatais, era uma das poucas que mais proporcionava lucros ao Estado. O grande
beneficiário neste processo de privatização de siderúrgicas foi o Grupo Gerdau, que
adquiriu a maior parte das empresas siderúrgicas. A Companhia Siderúrgica Nacional,
que era o marco pioneiro da presença do Estado na economia.14

No mandato de Fernando Henrique Cardoso, e com a criação do Conselho


Nacional de Desestatização, pela Lei nº 9.491, adotando algumas recomendações,
então em vigor, do Consenso de Washington e do FMI, ele deixou claro seu
posicionamento de um amplo programa de privatizações.

Enquanto a maioria dos defensores do modelo keynesianismo apoiavam


a ideia de desestatização, economistas defensores de escolas diferentes, vários
partidos políticos, sindicatos trabalhistas, e a população discordavam do processo de
privatização no modelo que foi anunciado.

Tentaram, sem sucesso, inviabilizá-lo. Os leilões, que foram públicos, se


realizaram na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e foram objeto de violentos protestos
de militantes esquerdistas.

Críticas partiram de vários meios que, embora estivessem apoiando a


filosofia do programa, observavam nele duas falhas. A primeira é a possibilidade que
quem adquirir as estatais efetuar parte do pagamento com as chamadas "moedas
podres", títulos da dívida pública emitidos pelos sucessivos governos com o objetivo

13 ANUATTI-NETO, Francisco. Os efeitos da privatização sobre o desempenho econômico e


financeiro das empresas privatizadas. 20/04/2013. Digital. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-71402005000200001&script=sci_arttext>
14
WIKIPEDIA. Privatização No Brasil. 14/04/2013. Digital. Disponível em <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Privatização_no_Brasil>
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de resolver crises financeiras e que com isso se tornariam inegociáveis, pressionavam


o déficit público.

A segunda falha, na visão dos críticos, era permitir, que


o BNDES financiasse parte do preço de compra. Ou seja, existia o temor que tais
recursos fossem indevidamente utilizados para privilegiar grupos privados
específicos14. O acesso ao crédito seria garantido aos compradores internacionais,
que apesar de ser validado pela lei, estaria teoricamente em desacordo com a tradição
seguida, até então, pelo banco nacional de fomento.

No final, o resultado revelou um aspecto único do programa brasileiro.


Algumas aquisições foram consolidadas somente pelo fato que contaram com a
participação financeira dos fundos de pensão das próprias empresas privatizadas,
como na situação da Vale, ou na participação de empresas estatais de outros países.
O controle acionário da Light Rio, por exemplo, foi adquirido pela empresa estatal de
energia elétrica da França.15

Nos oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso, as


privatizações atingiram a receita total de 78,61 bilhões de dólares, sendo 95% em
moeda corrente e com grande participação dos investidores estrangeiros, que
contribuíram com 53% do total arrecadado. Deste total, 23 bilhões de dólares são de
privatizações do setor elétrico e, 30 bilhões de dólares à do setor de
telecomunicações.16

No governo de Lula, houve concessões de rodovias federais, em que foi


adotado o procedimento de decisão social na elaboração do edital licitatório, as
empresas que vencendo as licitações se propunham a gerenciar as estradas por um
pedágio de baixo valor, o que representa um custo médio seis vezes inferior ao custo
médio cobrado no pedágio das rodovias Anhanguera/Imigrantes.

Em matérias televisivas e jornais levantaram, entretanto, que os contratos


realizados nas concessões no ano de 2007 não vêm sendo cumpridos e que as

14
ESTADÃO. Consulta sobre reversão da venda da Vale tem data fixada. 10/02/2013. Digital.
Disponível em <http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2006/nov/26/139.htm>
15 WIKIPEDIA. Privatização No Brasil. 14/04/2013. Digital. Disponível em

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Privatização_no_Brasil>
16 BNDES. Livro 50 anos. 15/07/2013. PDF. Disponível em
<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/li
vro50anos/Livro_Anos_50.PDF>
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estradas se encontram, atualmente, com obras paradas e trechos em péssimas


condições. Houve também a concessão por 30 anos de 720 quilômetros da Ferrovia
Norte-Sul para a Vale do Rio Doce pelo valor de R$ 1,4 bilhão.17

1.3 O TEMOR PRESENTE NA POPULAÇÃO SOBRE O ASSUNTO

O temor da privatização para os que são contra se baseia na ideia que


empresas privadas já lucram com seus produtos e dando a elas o controle sobre uma
estatal elas iriam procurar lucrar cada vez mais e não iriam pensar em beneficiar o
povo, mas a si mesmas. Ou que estas empresas, nacionais ou internacionais iriam
“roubar” as riquezas do país para exportar para outros países tirando o lucro do Brasil.

Essa ideia de medo vem desde o governo de Juscelino, que para


fortalecer a presença do estado nos quatro cantos do Brasil, começou com a ideia de
criação de estatais para controlar setores específicos. Mas como já exposto, foi no
governo militar que a estatização realmente nasceu e apareceu com força no cenário
nacional com a propaganda de preservar os tesouros nacionais para os brasileiros.
Para a população da época, aparentava que o governo estava realmente lutando pelo
interesse nacional. Tempos depois, com novos governantes no poder, foi que os
brasileiros foram introduzidos a privatização.

Na época, o Brasil não era nenhuma potência econômica nem figurava no


cenário internacional como um país de crescimento e sim como um país do samba,
do carnaval, praias e outros temas. Mas mesmo com esse cenário turístico, o Brasil
não soube e nem vem sabendo aproveitar sua potência. Foi aí que o Presidente da
época, Collor deu início ao processo para que houvesse crescimento econômico
devido à concorrência no mercado nacional e internacional com outras empresas.
Foi neste ponto que o temor da privatização se iniciou.

Na época os esquerdistas, com uma ideia meio retrograda, iniciaram com

17 CLEMENTE Isabel. Enfim, Lula privatizou. 15/04/2013. Digital. Disponível em


<http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG79551-6009,00.html>
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o temor de perder riquezas e começaram a espalhar pela sociedade que o governo


não estava vendendo as estatais, mas sim uma parte do Brasil.

Estes problemas entre as partes atingiram seu ápice no governo de


Fernando Henrique com a venda da Vale que na época era considerada o xodó do
Brasil. Segundo Rodrigo Constantino, autor do livro “Privatize Já” a Vale foi umas das
estatais que mais teve problemas para sua privatização. Até hoje se ouve pessoas
dizendo que a vale foi vendida a preço de banana. Mas como ele descreve no seu
livro, mesmo que a Vale tenha sido vendida a preço de banana, parte do problema
recai sobre o povo brasileiro que com a enxurrada de medidas jurídicas da oposição
gerou muitas incertezas nos potencias compradores, especialmente os estrangeiros
que ficaram assustados com o futuro da empresa.18

O jurista Miguel Reale Jr. chegou a afirmar “Estão querendo achar pelo
em ovo. Essas decisões são políticas e não jurídicas. Estão impedindo o leilão por
conta de questionamentos irrelevantes...” Ivan Granda Martins acrescentou “O
judiciário está sendo utilizado como instrumento de luta ideológica entre o governo e
a oposição”.20 Este empecilho jurídico foi tão grande que após uma pesquisa nos
tribunais se descobriu que ações iguais foram impetradas em foros diferentes para
complicar o prosseguimento do leilão. Com isso, os Investimentos estrangeiros foram
afastados podendo ter, caso participassem, aumentado o valor da compra da estatal.
Deixando claro que na venda da Vale o valor da compra que se aproxima de 3 bilhões
de reais foi acrescido de 4 bilhões que a estatal tinha de dívida.

Hoje em dia com uma rápida pesquisa se nota que após a o processo de
privatização, a vale dobrou de valor e faturamento. Mas esse crescimento não foi
unicamente da Vale, grandes porções das empresas privatizadas mostraram nos
primeiros anos um crescimento gigantesco comparado a suas épocas sobre o controle
do governo. A crítica também em torno da Vale é que a empresa exporta minério de
ferro para fora e depois o Brasil importa os produtos que foram derivados do produto
exportado. Segundo uma entrevista do presidente da Vale, o Sr. Murilo Ferreira o
maior causador disso é o governo. Que com suas altas taxas e impostos acaba

18 CONSTANTINO, Rodrigo. Privatize já. 1ed. São Paulo: editora Leya Brasil, 2012.
P á g i n a | 22

tornando quase impossível a implantação de empresas especializadas na


transformação do minério em produtos primários.19

Hoje em dia, essa queda de braços poderá ser revivida com as discussões
que estão em torno do pré-sal, onde o governo quer chamar as empresas para
participar da extração do petróleo nas bacias encontradas. Parte da população em
junção com partidos políticos lutaram para que, segundo eles, a introdução de
empresas internacionais iria se apossar de riquezas do Brasil.
Mesmo discurso dos anos do regime militar.

1.4 O INÍCIO DA PRIVATIZAÇÃO CARCERÁRIA NO MUNDO

Na era moderna, quando se fala em Sistema prisional privado, o primeiro


que vem à mente é o sistema americano. Exposto em filmes e series mostra uma
realidade de um sistema controlado pelo privado que é diferente das prisões estatais.

Mas será que é essa maravilha toda?

O governo Estadunidense tem uma longa história em delegar tarefas que


primordialmente seriam do estado para empresas privadas. Com o aumento da
violência nos anos entre 1980 e 1990, com gangues e o tráfico de entorpecentes, e
sendo o sistema jurídico americano duro com o crime, o governo viu a população
carcerária dar um salto.20

Na época já existia a participação de empresas privadas no setor


carcerário. Elas forneciam alimentos, tratamentos médicos e transporte. Com o
aumento da população carcerária, a iniciativa privada viu um meio de lucrar que foi
passar de apenas fornecer materiais e serviços a gerenciar estabelecimentos próprios.

Este sistema privado surgiu pela primeira vez e estabeleceu-se


publicamente em 1984 quando a Corrections Corporation of America (CCA) foi

19 CONSTANTINO, Rodrigo. Privatize já. 1ed. São Paulo: editora leya Brasil, 2012.

20 GARANI, João Peixoto. Privatização das Prisões no Brasil. 09/09/2013. Digital. Disponível em <
http://jus.com.br/artigos/19945/privatizacao-de-prisoes-no-brasil>
P á g i n a | 23

contratado para assumir uma facilidade em Hamilton Country, Tennessee. Isto marcou
a primeira vez em que um governo no país tinha firmado um acordo com entidade
privadas para gerenciar uma prisão. Segundo Eric Bates, autor do livro “private
Prison”, no ano seguinte, a CCA ganhou ainda mais a atenção do público quando se
ofereceu para tomar conta do sistema penitenciário de todo o estado do Tennessee,
mas acabou derrotado devido à forte oposição de funcionários públicos que tinham
medo de perder seus empregos.

O problema de o sistema americano ser implantado no Brasil é a questão


que é indelegável o poder jurisdicional do Estado para terceiros. Lá o preso é entregue
e a partir desse momento vira responsabilidade da iniciativa privada que irá
acompanha-lo durante toda sua sentença. O sistema mais provável de ser implantado
aqui seria o Frances, que trabalha junto com o estado na ressocialização do detento.

No sistema prisional Frances não há a venda e sim a concessão de um


serviço por uma empresa privada. O estado concede a terceiros o direito de gerir os
estabelecimentos, a fornecer alimentação, assistência medica e educação e ao estado
fica a responsabilidade jurídica do preso e da sua segurança. Neste sistema ambos
trabalham junto para atingir um objetivo.
P á g i n a | 24

2. SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

2.1 HISTÓRICO DO SISTEMA PENITENCIÁRIO

Pode-se considerar como a primeira instituição penal na antiguidade, o


Hospício de São Michel, na Itália que na época se denominada Casa de Correção.
Ficava localizado na cidade de Roma, a qual era destinada principalmente a manter
os "meninos incorrigíveis",

Os Rasphuis eram prisões em Amsterdam, que foi criado em 1596 no


antigo Convento das Clarissas na Heiligeweg. Em 1815, foi fechada, e em 1892 o
prédio foi demolido para dar lugar a uma piscina. No site hoje é o centro comercial
Kalvertoren.

Os Rasphuis eram uma prisão para jovens criminosos masculinos.


Criminosas do sexo feminino eram enviadas para os Spinhuis, que seriam conventos.
Uma das penas dos detidos na Rasphuis era raspar a madeira da árvore pau-brasil,
trazida da colônia e transforma-la em pó usando uma grosa lâmina. O pó foi fornecido
como matéria-prima para a indústria de tintas, onde foi misturado com água, e outros
elementos químicos para formar um pigmento vermelho.

A fundação dos Rasphuis significava uma mudança radical no


pensamento correcional holandês. Até então, o pensamento punitivo universal era que
os criminosos precisavam ser punidos. Os Rasphuis foram elaborados como um
método de reabilitação.21

Uma das mais famosas prisões que existiram foi a bastilha. A Bastilha foi
Construída, por Carlos V da França. Inicialmente serviu apenas como mero portal de
entrada para o bairro de Saint-Antoine, mas de 1370 a 1383 o portal foi ampliado e
reformado para se transformar numa fortaleza, que serviria para defender o lado leste
de Paris, além de um palácio real que ficava nas proximidades, constituindo-se no
mais forte ponto de defesa da muralha do rei. Após a guerra, começou a ser utilizada
pela realeza francesa como prisão estadual. O rei Luís XIII foi o primeiro a enviar

21RODRIGUES, L.C.M. Revitalização e Tombamento. 20/06/2013. Digital PDF. Disponível em


<http://monolitho.labin.pro.br/evanir/Luciana%20Cristina%20Marangon.pdf>
P á g i n a | 25

prisioneiros para lá. A maioria dos presos eram políticos ou pessoas que não
concordavam com a ideologia do regente que para não ter oposição os enviava, a
maioria sem pena, para morrerem na prisão. A grande prisão teve seu fim em 14 de
julho de 1789 na revolução francesa, quando terminou sendo invadida.22

A penitenciaria de tremem construída em 1609, O hospício de São Miguel


em Roma em 1703 e a Casa de Correção de Grand em 1775, são tidas como as
primeiras instituições penitenciarias.23

A primeira a adotar o sistema celular, onde o detento permanecia em total


Isolamento, sem os direitos a vista nem a trabalho era a prisão de Walt localizada na
cidade de Filadélfia nos Estados Unidos.

Oliveira Cita:

O sistema celular foi muito criticado, porque, além de ser extremamente


severo, impedia a ressocialização do condenado. Contra ele se insurgiram
Ferri e Reder, ponderando pela necessidade de vigorar um regime mais
humano e dentro dos limites e objetivos da pena. 24

Com a evolução do sistema da Filadélfia, surgiu em Nova York o sistema


Auburiano que acrescentava ao antigo sistema o trabalho diurno. Já no ano de 1846,
na Europa, a Inglaterra criou o sistema Progressivo de Prisão que segundo o qual o
detento recebia vales quando seu comportamento era condizente com as regras e os
perdia ao cometer alguma infração.

Com os anos o sistema foi melhorado com a criação de fases através do


qual o condenado, pelo seu bom comportamento, recebia regalias podendo ter
decretado seu livramento condicional.

Bem como cita Falcoai:

Posteriormente, ainda na Inglaterra, o sistema foi aprimorado, introduzindo-


se três fases no comportamento da pena privativa de liberdade: a primeira
consistia num período de prova, com absoluto isolamento celular; na
segunda, já o apenado tinha direito ao trabalho comum, mas obedecendo ao

22 TORRES, João Camillo de Oliveira. A revolução francesa. Rio de Janeiro: Record, 1963
23 FALCONI, Romeu. Sistema Prisional: Reinserção social? . 1ed. São Paulo. Ícone, 1998.
24 OLIVIERA, Odete Maria de. Prisão: um Paradoxo Social. 1ed. Santa Catarina: UFSC, 1984. P 40
P á g i n a | 26

silen system, originário da época anterior; finalmente o condenado era


transferido para a Public Work-House, passado daí em diante por regalias
cada vez maiores até alcançar o livramento condicional... 25

2.1.1 SISTEMA PANÓPTICO

O Sistema era baseado na prisão celular, peculiar pela forma que uma só
pessoa podia exercer, em qualquer momento um posto de observação, a vigilância
dos interiores das celas.

Para Sá:

A expressão ‘sistema panóptico’ não é a mais feliz. O mais exato seria


princípio panóptico, uma vez que este representa a corporificação de um
conjunto de ideias do utilitarismo contido nas Obras de Jeremy Bentham
(1748-1832).26

Figura 1 - Sistema Panóptico

Fonte - Livro Vigiar e Punir

O detento ficava trancafiado em sua cela, onde era constantemente vigiado


por um guarda, sem a possibilidade de vê-lo. Desse modo não havia o perigo de fugas,
más influências, roubos, violência, entre outros delitos.

25 FALCONI, Romeu. Sistema Prisional: Reinserção social?. 1ed. São Paulo. Ícone, 1998. P 62
26 SÁ, Geraldo Ribeiro de. A prisão dos excluídos. Origem e reflexões sobre a pena privativa de
liberdade. 1 ed. Rio de Janeiro: Diadorim, 1996. p. 99.
P á g i n a | 27

Com isso pode se dizer que o sistema constituía de uma forma


arquitetônica onde o preso poderia ser visto sem que este possa ver o guarda. Com
isso, o preso nunca saberia quando estava sendo observado.

2.1.2 SISTEMA FILADÉLFICO

Com a influência da população que residia na Filadélfia, o estado deu


início ao Sistema Filadélfico com a finalidade de remodelar as prisões.

Como explica BITENCOURT:

Os cidadãos da Filadélfia, com sua contínua e incisiva opinião pública, fez


com que autoridades iniciassem, em 1790, a organização de uma instituição
na qual o isolamento em uma cela, a oração e a abstinência total de bebidas
alcoólicas deveriam criar os méis para salvar tantas criaturas infelizes. 27

Figura 2 - Sistema Filadéldico


Fonte - http://mauoscar.com

Com a mobilização popular do Estado, foi ordenado a construção de um


edifício celular na prisão de Walnut Street, para implantar o modelo de isolamento do
condenado.

Mas com o crescimento dos detidos na prisão de Walnut Street, acabou


sofrendo em pouco tempo estragos, convertendo-se em um modelo de sistema
fracassado.

27 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral. 2006, p.161.
P á g i n a | 28

Ainda explica Bitencourt:

“Ao enfrentarem esses fracassos e retrocessos, a Sociedade de Filadélfia,


para o alívio das misérias das prisões públicas, solicitaram uma nova
oportunidade a um sistema fundado na separação”. 28

A solicitação feita pelo povo foi aceita e com isso duas novas prisões foram
construídas, a Western Penetenciary e a Eastern Penitenciary. As características do
Sistema se baseiam no isolamento celular, a obrigatoriedade do silêncio e a oração.

2.1.3 SISTEMA AUBURNIANO

A necessidade e a vontade de superar os defeitos e limitações do regime


celular, foram algumas razões para o surgimento do Sistema Auburniano.

Como bem explica Bitencourt:

Em 1809 foi proposta a construção de outra prisão no interior do Estado para


absorver o número crescente de delinquentes. A autorização definitiva,
porém, para a construção da prisão de Auburn, só ocorreu em 1816, uma
parte do edifício destinou-se ao isolamento.29

Figura 3 - Sistema Auburniano

28 Ibidem
29 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral. 2006, p. 162
P á g i n a | 29

Fonte - Google.com.br

As celas eram mal iluminadas e pequenas, e o resultado foi um grande


fracasso. Os detidos que estavam em isolamento contínuo, acabaram morrendo ou
enlouquecendo.

2.1.4 SISTEMA PROGRESSIVO

Já Sistema Progressivo o detento poderia melhorar sua condição através


da redução do tempo da pena inicialmente imposta, através do sistema de vales já
mencionado anteriormente.

Conforme Prado:

A princípio o condenado passava pelo isolamento celular (período de prova),


para depois, segundo sua conduta, trabalhar em comum dentro da
penitenciária, em silêncio, recolhendo-se ao isolamento durante a noite. O
estágio seguinte consistia na semiliberdade, culminando, ao fim, com a
liberdade sob vigilância até o término da pena.30

Este sistema foi um avanço ao Sistema Carcerário, dando valor à vontade


do detento, mostrando a ele que o abandono dos antigos comportamentos poderia ser
benéfico além da diminuição do rigor na aplicação da pena.

2.2 EVOLUÇÃO DAS PRISÕES NO BRASIL

No princípio, a prisão como cárcere era aplicada apenas aos acusados que
estavam aguardando suas sentenças. Este contexto se prolongou durante as

30 PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 2006, p. 544.


P á g i n a | 30

Ordenações, as quais tinham por princípio o direito penal baseado na brutalidade das
sanções corporais e na violação dos direitos do acusado.

Foi em 1769 que a Carta Régia do Brasil ordenou a construção da


primeira instituição carcerária do brasil, a Casa de Correção no Rio de Janeiro. Mas
foram só alguns anos depois no ano 1824, que a Constituição determinou que nas
cadeias os presos fossem separados pelo tipo de crime e pelas penas recebidas.
Também foi nesse período que a Constituição Brasileira introduziu no cárcere um local
onde o preso poderia trabalhar e em troca ganharia certos benefícios. No início do
século XIX começou a surgir um problema que hoje é à base da discussão sobre o
tema da privatização: a superlotação. Quando a Cadeia da Relação, no Rio de
Janeiro, já tinha um número maior de detentos do que de vagas disponíveis.31

As leis penais sofreram pequenas mudanças ao final do século XIX devido


a lei Áurea que Aboliu a Escravidão e da Proclamação da República. O Código Penal
de 1890, já previa diversos tipos de prisões, como a prisão celular, a reclusão, a prisão
de trabalho obrigatório e a prisão disciplinar, sendo que cada modalidade era cumprida
em estabelecimento penal específico.32

Com a criação do código Criminal do Império em 16 de dezembro de 1830,


sancionado por Dom. Pedro I, regulamentou as penas de trabalho e prisão simples no
brasil. O primeiro Estabelecimento prisional a ser criado no brasil foi a Casa de
Correição da Corte, inaugurada em 1850.

Conforme Porto:

Seguindo o exemplo do sistema Auburiano, famoso por ser a primeira prisão


a estabelecer o regime de cela única, a técnica punitiva aplicada na casa de
correição da corte consistia na reabilitação dos presos através do trabalho
obrigatório....33

Segundo Porto, a obrigatoriedade do trabalho era uma peça fundamental

31 BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
32 ASSIS, Rafael Damaceno. Privatização de prisões e adoção de um modelo de gestão
privatizada. 02/05/2013. Digital. Disponível em
<http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/3483/Privatizacao-de-prisoes-e-adocao-de-um-modelo-
degestao-privatizada>
33 PORTO, Roberto. Crime Organizado e Sistema Prisional. São Paulo. Editora Atlas. 2007, p.14
P á g i n a | 31

para ressocializar, transformar o indivíduo para que seja possível a reinserção do


mesmo na sociedade tenho noção dos valores e deveres.

Cita Porto:

O isolamento Noturno visava o rompimento do vínculo do condenado com o


crime, propiciando ambiente favorável a reflexão. Para Foucault, a solidão é
a condição primaria da submissão total. O isolamento é um intensificador para
qualquer aparelho de poder...34

A casa de correição, localizada em São Paulo, começou a funcionar em


1852, onde os condenados eram divididos em 3 grupos sendo um deles
especificamente para presos políticos.

Foi inaugurada em são Paulo a Casa de Detenção em 1956, com a


finalidade de abrigar os detentos que estavam à espera de julgamento.

Segundo Porto:

...Passou logo após sua criação a acolher, também, presos condenados com
a capacidade para abrigar 3.250 presos. A casa de detenção de São Paulo
chegou a hospedar 8 mil presos. Visto hoje como recorde Mundial de
encarcerados em um único estabelecimento.35

Já no início do século XX, as prisões brasileiras já apresentavam péssimas


condições, superlotações e o problema da não separação entre presos condenados e
aqueles que eram mantidos sob custódia ainda sem sentença judicial.36

2.3 FINALIDADES DA PENA DE PRISÃO

Conforme Thompson:37

34 ibidem
35 PORTO, Roberto. Crime Organizado e Sistema Prisional. São Paulo. Editora Atlas. 2007, p.14
36 BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
37 THOMPSON, Augusto. A questão penitenciaria. 5. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002. P. 03
P á g i n a | 32

“Propõe-se oficialmente como finalidade da pena de prisão, a obtenção não


de um, mas de vários objetivos concomitantes, como: punição Retributiva do
mal causado pelo delinquente; prevenção da prática de novas infrações
através da intimidação do condenado e de pessoas potencialmente
criminosas e regeneração do preso, no sentido de transformá-lo de criminoso
em não criminoso.”

No seu Art. 5º, XLVI a constituição prevê vários tipos de penas a serem
impostas para os indivíduos que acabam cometendo infrações penais como: privação
ou restrição de liberdade, perda de bens, multa, prestação social alternativa e
suspensão ou interdição de direitos.

Considerando as penas aplicáveis, a Lei de introdução ao Código Penal


no seu art.1º demonstrou a divisão básica das infrações que são devidos em duas
categorias: Crimes e contravenções. Para os crimes, são cominadas as penas de
reclusão e detenção podendo ser cumuladas ou não com multa, enquanto que as
contravenções poderiam ser de prisão simples ou de multa, aplicadas isolada ou
cumulativamente.

Com relação à prisão, o princípio geral de nosso sistema processual dita


a prisão ao réu apenas depois da decisão condenatória se tornar definitiva, ou seja,
quando não mais existirem recursos pendentes. Entretanto, pode haver prisão antes
da sentença condenatória transitada em julgado, nos casos de flagrante delito, da
prisão preventiva e da prisão temporária.

Nisso, o direito criou várias teorias. Com isso o Direito Penal tem
respondido às questões de como solucionar o problema que está esculpida na
sociedade que é o da criminalidade. Essas soluções podem ser chamadas como
Teorias da pena, que são opiniões científicas consideradas as principais formas de
reação do delito. 38

38 MIRABETE, Julio Fabrini. Manual de direito penal: parte geral. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
P á g i n a | 33

2.3.1 TEORIAS RETRIBUTIVAS OU ABSOLUTAS:

Na teoria Retributiva se tinha o pensamento que a pena seria uma forma


de castigo, punição que o indivíduo tinha que sofrer pelo ato infracional cometido,
assim, a pena seria o meio de punição que o Estado punia o sujeito pelo crime
cometido contra a o coletivo. Bittencourt cita que o esquema retribucionista, atribui à
pena, exclusivamente, a difícil incumbência de realização a justiça.39

Para Kent, não é digno de cidadania aquele que não realiza o que as leis
dispõem. Sendo a responsabilidade de o soberano impor uma sanção a este infrator.
Ele a descreve como sendo um imperativo categórico. A pena deve ser aplicada
simplesmente porque a lei foi violada, sem se preocupar se ela trará algum benefício
para o acusado ou para a sociedade, importando apenas que o indivíduo que cometeu
o crime seja punido pelo ato. 40

2.3.2 TEORIAS PREVENTIVAS DA PENA:

São as teorias que atribuem à pena a capacidade de evitar que no futuro


delitos sejam praticados. Elas se dividem na teoria preventiva especial e teoria
preventiva geral.41

As teorias preventivas também reconhecem que, a pena se traduz num


mal para quem a sofre. Mas, como instrumento político-criminal que visa atuar no
mundo, não pode a pena bastar-se com essa característica, em si mesma destituída
de sentido social-positivo. Para como tal se justificar, a pena tem de usar desse mal
para alcançar a finalidade precípua de toda a política criminal, precisamente, a
prevenção ou a profilaxia criminal.42

2.3.3 TEORIA MISTA OU UNIFICADORA:

39 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: Parte Geral 1. 15. ed. São Paulo:
Saraiva, 2010.
40 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: Parte Geral 1. 15. ed. São Paulo: Saraiva,

2010.
41 HASSEMER, Winfried y MUÑOZ CONDE, Francisco. Op. cit., pág. 127
42 Ibidem
P á g i n a | 34

As teorias mistas tentam juntar em um único conceito os fins da pena. Essa


corrente tenta recolher os aspectos mais evidentes das teorias absolutas e relativas. 43

Afirma MIR PUIG: 46

"Entende-se que a retribuição, a prevenção geral e a prevenção especial são


aspectos distintos de um mesmo complexo fenômeno que é a pena".

Pode se dizer sobre a finalidade que a pena deve atingir um fim de igual
com as normas e prosseguimentos citados nas leis e na constituição. O ponto central
é visualizar que o Estado só deve recorrer a pena quando a conservação da ordem
jurídica não se possa a ter por outros meios, isto é, com os meios próprios do direito
civil ou de outros ramos do direito.

2.4 ESPÉCIES DE PENAS NO SISTEMA PENAL ATUAL

Para que haja a punição criminal não basta à ocorrência de crime


existente em lei, é necessário que o autor tenha os pré-requisitos para que haja a
punibilidade, como idade, ser imputável e ter compreensão, o saber sobre o caráter
criminoso do ato.

Pois em relação ao menor infrator eles não são levados para as


penitenciarias, mas para uma instituição educativa onde passaram o tempo não
superior a três anos ou onde permanecer internado até completar os 21 (vinte e um)
anos.

Em relação ao indivíduo com problemas mentais, considerados


tecnicamente inocentes, seria levado em consideração à gravidade do ato cometido e
suas periculosidades, sendo que apenas seria aplicada a medida de segurança e
internação em instituição psiquiátrica, sem prazo definido para sair, onde ocorrera
avaliações a cada período para que se determine a melhora ou a continuação dos
transtornos.

43MIR PUIG, Santiago. El derecho penal en el Estado social y democrático. 2ed. Editora La
LEY. pag. 56 46 ibidem
P á g i n a | 35

O crime ainda pode ser considerado doloso ou culposo. Doloso é aquele


em que o autor age intencionalmente, tendo conhecimento sobre o resultado ou
admite que o resultado possa ocorrer. Nos dizeres de Prado, “dolo é saber e querer a
realização do tipo objetivo de um delito”47.

Já crime culposo é aquele em que não há intenção por parte do agente,


uma vez que se pune o comportamento mal dirigido a um fim irrelevante ou lícito. O
autor age com negligência, imprudência ou imperícia, e assim provoca o resultado que
não deseja.

Há no Brasil três tipos de pena: pena privativa de liberdade, pena


restritiva de direitos, perda de bens e valores, interdição temporária de direitos a
prestações de serviços à comunidade ou entidades públicas, e limitação de fim de
semana e a pena de multa. Sendo a pena restritiva de direitos e a pena de multa,
beneficiadoras dos autores de crimes menos graves, pois em tese, impedem a prisão.

47
PRADO, Luís Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro: Parte Geral. 2 edições. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2008.

2.5 DO REGIME PENITENCIÁRIO

Na Lei de Execuções Penais, à regulamentação determina o cumprimento


das penas privativas de liberdade, também ao reconhecimento dos os direitos
humanos dos detentos, ordenando tratamento individualizado e protegendo os direitos
processuais dos reclusos, garantindo o fornecimento das assistências básicas.

Determina também, que os presos sejam classificados segundo seus


antecedentes e personalidade, para direcionar a individualização da execução penal,
que os detentos provisórios devem estar separados dos condenados, e os primários
dos reincidentes. Item que no nosso sistema atual é impossível à separação pelos
requisitos devido superpopulação encontrada nas penitenciarias.

Por lei é garantido ao preso o seu alimento, vestuário e higienização,


atendimento médico, assistência jurídica, assistência educacional e preservação dos
direitos não atingidos pela perda da liberdade. Acontece que há enorme distância
entre a realidade e a lei, eis que algumas das principais causas de rebeliões nos
P á g i n a | 36

presídios brasileiros são deficiência da assistência judiciária, violências ou injustiças


praticadas dentro do estabelecimento prisional pelos presos e agentes, superlotação
carcerária, falta ou má qualidade da alimentação e de assistência médica e
odontológica, dentre outras.44

2.6 DIREITOS E DEVERES DOS PRESOS

Durante o cumprimento da pena no cárcere o preso terá garantidos todos


os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo aos carcereiros e os
diretores da instituição o respeito à sua integridade física e moral. A Lei de Execuções
Penais também dita em seu art. 3º que:

“Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não


atingidos pela sentença ou pela Lei”.

A Lei de Execução Penal indica em seu artigo 41, os direitos do Condenado, que
são:45
I - Alimentação suficiente e vestuário;
II - Atribuição de trabalho e sua remuneração;
III - Previdência social;
IV - Constituição de pecúlio;
V - Proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso.
E a recreação;
VI - Exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e.
Desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena;
VII - Assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa;
VIII - Proteção contra qualquer forma de sensacionalismo;
IX - Entrevista pessoal e reservada com o advogado;
X - Visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias.

44 BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. lei que regulamenta as execuções penais. Lex:

45 BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. lei que regulamenta as execuções penais. Lex:
P á g i n a | 37

Determinados;
XI - Chamamento nominal;
XII - Igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da
Individualização da pena;
XIII - Audiência especial com o diretor do estabelecimento;
XIV - representação E petição a qualquer autoridade, em defesa de direito;
XV - Contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, Da. Leitura
de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons Costumes.

Sendo que conforme parágrafo único do artigo, os direitos descritos nos


incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato do diretor do
estabelecimento. O ato deverá ser protocolado e tendo testemunhas para que possa
se anular qualquer afirmação de abuso de poder ou perseguição ao preso e ao mesmo
tempo para caso solicitado pelo juízo ou procurador do preso.46

Entretanto, o preso também deverá observar certos deveres que o


mesmo devera conduzir no tempo em que estiver sobre a tutela do estado. Estes
deveres são:

I – Comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença;


II – Obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva
Relacionar-se;
III – urbanidade E respeito no trato com os demais condenados;
IV – Conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de
Subversão à ordem ou à disciplina;
V – Execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;
VI – Submissão à sanção disciplinar imposta;
VII – Indenização à vítima ou aos seus sucessores;
VIII - Indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas
Com sua manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do.
Trabalho;

46 Ibidem
P á g i n a | 38

IX – Higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento; X – conservação de objetos de


uso pessoal.

A desobediência cometida pelo preso de qualquer uma das regras


impostas a ele acarretará em medida disciplinares, como repreensão verbal, troca de
cela, celas individuas ou até mesmo a transferência para o regime disciplinar
diferenciado.47

2.7 DO REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO

Um dos grandes problemas da criminalidade no Brasil foi o surgimento


das organizações criminosas atuando dentro e fora dos presídios. Motivada por isso,
a Lei brasileira nº 10.792 que alterou a Lei de Execuções Penais e o Código de
Processo Penal no país foi criada. O argumento foi para impedir as ações do crime
organizado que estariam sendo comandadas pelos seus líderes que estão nos
presídios, tais como o Comando vermelho (CV), no Rio de Janeiro, e o Primeiro
Comando da Capital (PCC), em São Paulo.

Figura 4 - Penitenciária Federal de Catanduva


Fonte: - http://www.opresente.com.br/

Em dois de janeiro de 2003 a lei entrou em funcionamento no Brasil,

47 BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. lei que regulamenta as execuções penais. Lex:
P á g i n a | 39

aprimorando normas a respeito do interrogatório e implantou o Regime Disciplinar


Diferenciado (RDD).

A Lei prevê a aplicação do RDD para quem está cumprindo pena por
condenação ou estiver temporariamente em reclusão. No RDD, o preso é colocado
em cela individual e fica recluso por 22 horas por dia, com a possibilidade de ser
visitado por no máximo duas pessoas por semana, através de uma cabine isolada
onde o preso poderá falar através de um sistema de áudio que se for necessário
poderá ser gravado. 48 Este sistema está em torno de um grande debate que
argumenta que o Regime fere os direitos do preso. O preso também poderá tomar um
banho de sol de duas horas no máximo. Não é permitido ao preso ter ligações com o
mundo exterior através de jornal ou televisão.

O preso poderá ficar no regime por 360 dias, renováveis por mais 360
dias, entretanto, não poderá exceder 1/6 da pena a ser cumprida, tendo que retornar
ao regime prisional tradicional.49

O artigo 52 da Lei de Execuções Penais, impõe a aplicação do RDD caso


haja práticas, por parte do detento, de atos previstos como sendo crime doloso e que
alterem a ordem ou disciplina interna. A Lei ainda prevê o isolamento do preso 10 dias
antes da autorização judicial para que os detentos sejam submetidos ao regime.50

Muitos estudiosos ponderam a inconstitucional o Regime disciplinar


diferenciado. O penalista Roberto Delmanto, em artigo publicado no Boletim do
Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, comentou que o RDD fere a Constituição
Federal, que dispõe, em cláusulas pétreas que “ninguém será submetido à tortura nem
a tratamento desumano ou degradante e que não haverá penas... cruéis"(art.5º,
III).51

Um dos maiores frequentadores do RDD é o famoso Luiz Fernando da


Costa, mais conhecido como Fernandinho Beira Mar, líder do Comando Vermelho do

48 BRASIL. lei no 10.792, de 1º de dezembro de 2003. Cria e Disciplina as regras e obrigações do


Regime Disciplinar Diferenciado. Lex:
49 BRASIL. lei no 10.792, de 1º de dezembro de 2003. Cria e Disciplina as regras e obrigações do

Regime Disciplinar Diferenciado. Lex:


50 BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. lei que regulamenta as execuções penais. Lex:
51 ROBERTO Delmanto. Regime Disciplinar Diferenciado ou Pena Cruel”. Boletim do IBCCRIM,

janeiro de 2004.
P á g i n a | 40

Rio de Janeiro. Como o motivo da criação do regime era minimizar a influência dos
líderes nas suas organizações criminosas do lado de fora dos presídios, Fernandinho
Beira Mar foi um dos primeiros a frequentar o Regime Disciplinar diferenciado.

Em 2010, na famosa ocupação do Complexo do Alemão, cartas foram


encontradas em esconderijos dos traficantes remetidas por Luiz Fernando a seus
subordinados. Nestas cartas, ele ordenada que seus homens formassem uma aliança
com as milícias para combater os policias.52

Devido a essas apreensões ele pode acabar regressando ao Regime


Disciplinar Diferenciado. Seu advogado prontamente impetrou um Habeas Corpus
para tentar impedir a volta do seu cliente. Mas em 2011 o STJ acabou negando o
Habeas Corpus se baseando em informações recolhidas de que Fernandinho mesmo
preso arquitetava assassinatos contra agentes penitencias federais e sua própria
fuga.53

Figura 5 - Luiz Fernando da Costa "Fernandinho Beira-Mar"

Fonte - http://www1.folha.uol.com.br/

2.8 DA REALIDADE PENITENCIÁRIA

52 CÁCERES, Éser, Preso em Campo grande[...]. 01/07/2013. Digital. Disponível em <


http://www.midiamax.com.br/noticias/732293-
preso+campo+grande+beira+mar+envia+cartas+para+traficantes+rj+diz+policia.html#.UjkEJdKsj0s>
53 G1 RIO. STJ nega saída de Beira-Mar. 10/09/2013. Digital. Disponível em <
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/04/stj-nega-saida-de-beira-mar-de-regime-
disciplinardiferenciado.html>
P á g i n a | 41

Figura 6 – Presos
Fonte: http://jenisandrade.blogspot.com.br

Segundo pesquisa divulgada no infográfico “O Brasil atrás das grades”


realizada pela “Direito Direito”, grupo que presta informação sobre o direito a pessoas
leigas, foi relatado que o nosso país é hoje o quarto com a maior população carcerária
do mundo. São cerca de 510 mil presos no ano 2012.54 Segundo dados levantados,
nos últimos vinte anos, a população de presos cresceu cerca de 350%.

Aproximadamente 94% são do sexo masculino enquanto apenas 6,3%


do sexo feminino. Do total 135 mil tem faixa etária de 18 a 24 anos, 117 mil tem entre
25 e 29 anos e o restante, 84,4 mil entre 30 e 34.59

Com esse número elevado de detentos junto com os problemas


enfrentados dentro do sistema acaba ocasionando as rebeliões. Com um número
reduzido de penitenciarias e o número elevado de habitantes acabam sendo quase
impossíveis a divisão dos presos por grupos. Nisso, grupos rivais acabam dividindo
alojamentos. Muitas vezes por mando dos líderes e ou até mesmo por disputas
internas por poder, acabam iniciando disputas territoriais que pelo uso de armas
branca, que são derivadas de matérias como escova de dente terminam com mortes.

Há também as rebeliões que segundo os presos são para relatar abusos


sofridos pelos agentes ou para expor as péssimas condições em que vivem. A mais
famosa, é a greve de fome. Na maioria das vezes essas rebeliões ocorrem em dia de

54NATASHA Pitts. Pesquisa revela, em números, realidade carcerária do país. 10/09/2013. Digital
Disponível em <http://revistaforum.com.br/blog/2012/11/pesquisa-revela-em-numeros-
realidadecarceraria-do-pais/> 59 Ibdem.
P á g i n a | 42

visita onde a falta de efetivo para a segurança adicionada ao grande número de


pessoa que adentram o estabelecimento acabam proporcionando um ótimo cenário
para um motim, já que os presos contam com a presença dos familiares ao lado para
que os polícias acabem não utilizando a força e sedam para as negociações.

3. A PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO

3.1 DA PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA PRISIONAL

A ideia sobre a privatização foi se disseminando pelos países, sendo


implantada nos Estados Unidos bem como em países Europeus como, França e
Inglaterra, e por fim chegando ao Brasil na década de 90. Nos países citados,
excluindo o Brasil, embora existam unidades carcerárias privadas, estas estão em
número inferiores aos que estão sobre o controle do estado, e cada um dos países
adotam um modelo diferente de privatização.

A privatização tem por finalidade dar ao setor privado o controle sobre


uma instituição carcerária onde ele será responsável pelo seu funcionamento, com
isso reduzindo os custos ao Estado bem como proporcionando ao preso um local mais
adequado para sua ressocialização.

No mundo a vários modelos de Privatização. Desde o modelo em que a


responsabilidade pelo cuidado é exclusiva do privado ao modelo onde as tarefas serão
divididas em ele e o Estado.

O modelo a ser escolhido irá depender da constituição vigente no país


que queira adotar a privatização. Como em certos países, A Constituição autoriza o
particular a ter plenos poderes sobre o estabelecimento, mas em outros como no
Brasil, a Constituição Proibi a delegação ao privado sendo o dever de vigiar e
ressocializar o preso exclusivo do Estado.
P á g i n a | 43

3.2 O MODELO NORTE-AMERICANO DE PRIVATIZAÇÃO

No modelo usado nos presídios Norte Américo, as prisões privadas


possuem um conceito de recuperação do indivíduo infrator pelo caráter educativo que
possuem. Para o sistema utilizado, a redução da reincidência do infrator é o maior,
senão o principal objetivo das prisões privadas, sem perder de vista, a economia que
proporciona aos cofres públicos estaduais e federais. O presídio Lake City
Correctional Facility, é tido como presídio-modelo.

Figura 7 - Lake City Correctional Facility


Fonte: http://www.dms.myflorida.com

Todos os presos mantidos na unidade são obrigados a estudar e trabalhar.


Como recompensa, a termino de cada estágio de estudo eles adquirem diplomas
secundários e profissionais que os auxiliara na aquisição de empregos no momento
que forem reintroduzidos a sociedade.

Os internos fazem obrigatoriamente três cursos: educação regular,


computação e uma oficina. Quem trabalha pela manhã, estuda à tarde ou vice-versa.
O dia na penitenciária se inicia cedo. O despertar é às três da manhã, eles possuem
uma hora para higiene pessoal e organização da cela. As quatro horas, eles se dirigem
ao refeitório para o café da manhã, caso algum deles chegar atrasado não come,
P á g i n a | 44

podendo os outros comerem à vontade. Até este ponto o sistema parece ser cruel
com o preso, mas é a única maneira de mudar os hábitos dos detentos.55

As cinco começam o turno de trabalhos para uns, de estudo para outros.


Após o almoço, começa o segundo turno. Quem estudou pela manhã, trabalha, quem
trabalhou, estuda. O domingo é o dia de folga, o qual é dedicado à religiosidade e às
visitas dos familiares. Não há a liberdade de se vestir com roupas comuns. Os
detentos são obrigados a usarem roupas padrão fornecidos pelo presídio, isto acaba
com a diferenciação de status entre os internos. Todos têm assistência dentária,
médica, jurídica e apoio psicológico.

3.3 O MODELO FRANCÊS DE PRIVATIZAÇÃO

No sistema europeu mais preciso, o Frances, a privatização carcerária é


bem diferente do modelo descrito no tópico anterior. Enquanto no primeiro a iniciativa
privada poderá assumir a total responsabilidade pelo controle da instituição,
gerenciando e administrando a prisão, entre eles pelo serviço de segurança, no
segundo, existe a dupla responsabilidade, cabendo a administração pública e a
iniciativa privada a administração conjunta.

Os principais pontos do sistema de dupla responsabilidade, no modelo de


privatização Frances, estão estipuladas através de regras das quais: o Estado indicara
o diretor geral da unidade, se relacionara com o juízo da execução penal e terá a
responsabilidade em fornecer segurança interna e externa da prisão.

Já a parte privada se incumbe a ela as tarefas de promover, no ambiente


prisional, o trabalho, educação, transporte, alimentação e o lazer, bem como a
assistência social, jurídico, religioso e a saúde física e mental do detento. A guarda
dos internos é de responsabilidade do setor privado, a segurança externa a cargo da
polícia do Estado. O contrato tem a duração de dez anos, podendo ser renovado e
ainda é facultado ao Estado vetar a admissão de um servidor, selecionado pela

55WELCH, Michael (2004). "A Social History of Punishment and Corrections". Corrections: A Critical
Approach. McGraw-Hill.
P á g i n a | 45

instituição privada, para participar da regência administrativa da Penitenciária


baseado em seleção, investigação e entrevistas realizadas pelo estado de forma
independente.56

3.4 MODO DA PRIVATIZAÇÃO DO SISTEMA

Existe atualmente tramitando na Câmara dos Deputados, desde meados


de 2003, um projeto de lei nº 2. 825, com a finalidade de alterar alguns dispositivos da
Lei de Execução Penal (7.210/84), ao qual permitirá a terceirização dos serviços
praticados nas unidades prisionais, permitindo, assim, o particular prestar serviços de
gestão, tais como, o serviço de limpeza, saúde e comida. O privado teria a
responsabilidade sobre gerenciamento das penitenciarias enquanto o Estado teria a
tarefa de fiscalização bem como o senhor do direito ditando as regras a serem
seguidas no cárcere.

3.5 MODELOS BRASILEIROS

O Primeiro complexo carcerário do Brasil, será o de Ribeirão das Neves


Localizado em Belo Horizonte. O presídio terá às todas cinco unidades com a
capacidade de manter 3.040 presos. A Primeira Unidade a entrar em funcionamento
foi em janeiro de 2013 com a capacidade de 644 vagas.57

56 LE QUÉAU, P., Ailet, V., Dubéchot, P., Fronteau, A., & Olm, L'autre peine, enquête exploratoire
sur les conditions de vie des familles de détenus. Département évaluation des Politiques
Sociales, Crédoc, l'entreprise de recherche. Cahier de recherche, n o 147, 2000
57 REDE RECORD DE JORNALISMO. Minas gerais vai inaugurar[...]. 12/09/2013. Digital. Disponível

em < http://www.hojeemdia.com.br/minas/minas-vai-inaugurar-o-primeiro-complexopenitenciario-
construido-em-ppp-em-ribeir-o-das-neves-1.78691>
P á g i n a | 46

Figura 8 - Complexo Penitenciário Rio Das Neves

Fonte - http://noticias.uol.com.br/

O contrato foi firmado em 2009 com um investimento de cerca de 230


milhões de reais, mas o Estado só irá começar a efetuar os pagamentos quando o
complexo começar a receber os detentos. O gestor privado terá que cumprir 380
indicadores de desempenhos definidos pelo Estado a fim de manter as necessidades
do preso como consultas medicas e odontológicas.

Figura 9 - Complexo Penitenciário Rio Das


Neves
Fonte - http://noticias.uol.com.br/

Um dos Maiores exemplos é a Penitenciaria Agroindustrial de Joinville. La


o preso tem desde aulas de arte e música a oficinas de aprendizado. La os presos que
trabalham, por mais incrível que pareça, recebem um salário maior que os que tem o
dever de os monitorar.58

Um dos grandes defensores do modelo de privatização é Richard Harrison


Chagas dos Santos, diretor da penitenciaria. Segundo Richard, através do regime

58 SCHELP, Diogo. Presídios Privatizados. 16/102013. Digital. Disponível em<


http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/presidios-privatizados/>.
P á g i n a | 47

implantado dentro da penitenciaria eles conseguiram uma redução de 83% a 12% no


índice de reincidência criminal.59

3.6 BASE NORMATIVA

O marco para a criação das parcerias público-privadas (PPPs) foi a Lei


nº. 11.079, de 30 de dezembro de 2004. Instituiu normas gerais para a licitação e
contratação de parceria público privada. As PPPs são definidas como um sistema de
contratação de serviços públicos que regulam as relações negociáveis, entre o estado
e a iniciativa privada ou um consórcio de empresas, visando ao fornecimento de
serviços inicialmente de responsabilidade estatal para as empresas.

Nesta parceria o setor privado, geralmente assume a responsabilidade


pela constituição do projeto, exemplo, da parte de engenharia, construção, operação
ou financiamento do projeto. Trata-se de uma modalidade de delegação de atribuições
do Estado ao setor privado na qual se constitui de recursos financeiros das partes.

Pode-se dizer que os objetivos principais desta forma contratual visa


reduzir os gastos orçamentários com investimento do setor público, induzem o setor
privado a prestar serviços visando à racionalização dos custos e o atendimento na
qualidade demandada e levam o setor público a definir suas prioridades por metas
desejadas, delegando ao setor privado a escolha dos meios.

Ademais, constituem princípios da PPPs, inclusive englobando as


diretrizes previstas no artigo 4º da Lei nº. 11.079/04:60

59ALESC. Diretor da Penitenciária Industrial de Joinville defende modelo de gestão. 13/09/2013.


Digital. Disponível em <http://al-sc.jusbrasil.com.br/noticias/2250370/diretor-da-penitenciariaindustrial-
de-joinville-defende-modelo-de-gestao>

60 BRASIL. lei no 11.079, de 30 de dezembro de 2004. Regulamenta as Parcerias entre o setor


privado e o Estado. Lex:
P á g i n a | 48

a) A criação de um mecanismo de pagamento pelo Estado, direta ou


indiretamente, ao setor privado.
b) A especificação prévia detalhada da produção e distribuição dos serviços, bem
como a definição clara da qualidade requerida;
c) A identificação dos riscos e o estabelecimento de seus mitigantes;
d) A mudança radical na cultura e no ambiente organizacional do setor público;
e) O cumprimento rigoroso dos cronogramas de desembolso e execução de
obras- quiçá com previsão de multas por atraso ou por desempenho abaixo do
padrão mínimo;

Deste modo, são apresentados como pré-requisitos para as PPPs;61

1. A existência de apoio político a fim de garantir a continuidade e a previsibilidade


dos negócios;
2. Uma lei e regulamentação que viabilize a implementação dos projetos

A grande motivação para o início das PPPs, para uma boa parcela, é a de
que a União e os estados não possuem verbas suficientes para investimentos nas
áreas em que tem o dever de atuar. Desse modo, as PPPs têm a prerrogativa de atuar
como um meio poderoso para unir a iniciativa privada e a estatal.

3.7 AS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Uma das parcerias que está em funcionamento é a do estádio de Futebol


Mineirão. A expectativa econômica do Mineirão será um dos legados que a Copa do
Mundo vai deixar para o país. O estádio que está sendo entregue é também um projeto
financeiramente sustentável.

Para atingir sua meta, o Governo de Minas optou por uma parceria que da
importância a modernização da infraestrutura, valoriza a arquitetura e busca o mais
alto padrão internacional de funcionamento do mesmo, com conforto e segurança. Um

61 Ibidem.
P á g i n a | 49

modelo que ao mesmo tempo busca novidade na visão comercial, ao tratar o torcedor
como cliente.

As obras de modernização foram realizadas com recursos providos do


governo, nas suas duas primeiras fases, e na última etapa por meio da parceria
público-privada (PPP). Inspirada em exemplos bem-sucedidos de países estrangeiros,
na gestão compartilhada o Estado não investe recursos diretamente no
empreendimento, e o vencedor da licitação se responsabiliza pelos investimentos e
execução das obras. A empresa Minas Arena – constituída pelas construtoras
Construcap S.A. Indústria e Comércio, Egesa Engenharia S.A. e Hap Engenharia Ltda
– venceu a licitação em 2010 para executar a reforma do Mineirão, além da
responsabilidade também por manter e operar o estádio durante 25 anos. 62

Nesse modelo, o Estado monitora as obras e depois do termino, fiscaliza o


seu funcionamento. O contrato estabelece indicadores de desempenho para garantir
as qualidades dos serviços prestados pelo parceiro privado.

Essa modalidade também auxilia os clubes, que poderão fazer acordos


comerciais com o gestor do complexo esportivo. O contrato do Governo e Minas Arena
assegura cerca de 60 partidas de futebol por ano.

Nesse cenário, o grande vencedor será o torcedor, que passará a ser


visto como um cliente. Esse novo torcedor irá a um estádio confortável e seguro. Além
de tudo, poderá assistir também a grandes eventos artísticos e culturais, já que o
estádio foi transformado em uma moderna arena multiuso.

3.8 OBSTÁCULOS EXISTENTES

Podemos considerar a existência de três que são, o ético, jurídico e


político.

Os obstáculos éticos estão ligados ao da liberdade individual, vislumbrado

62 BRASIL. lei no 11.079, de 30 de dezembro de 2004. Regulamenta as Parcerias entre o setor


privado e o Estado. Lex:
P á g i n a | 50

em nossa Constituição como a garantia constitucional do direito à liberdade. De acordo


com essa garantia, a única coação moral considerada válida seria aquela efetuada
pelo Estado através das penas e sanções, sendo ainda que o ente estatal teria
legitimidade a transferir esse poder outras pessoas sendo ela jurídica ou física. 63

Assim sendo, sob o ponto de vista ético, não seria possível o Estado
outorgar a atividade a um particular, além disso, quando este viria a auferir uma
determinada vantagem econômica decorrente do trabalho carcerário.

No caso dos obstáculos jurídicos, estão divididos em constitucionais e


legais. No primeiro, eles estão ligados com os de natureza ética, tendo em vista que
a nossa carta constitucional tem por base a mesma filosofia moral.

O segundo decorre da própria Lei. Nela, está claramente demonstrada a


natureza jurisdicional da atividade executiva penal do Estado. Embora esses órgãos
estejam vinculados ao poder executivo, mas com atribuições de natureza jurisdicional,
trabalhando como uma continuidade do juízo da execução.64

Sendo então a atividade executiva revestida de um caráter jurisdicional, a


qual se define numa função exclusiva do Estado, que não poderia ser dada ao
particular, pois estaria contra a constituição. O que se pode privatizar em um Estado
seria o serviço público, o qual é ofertado pela administração pública. Já a função
pública é indelegável, pois está inserida na própria essência do Estado.

Outros obstáculos estariam ligados à delegação do serviço carcerário sob


a forma de concessão de serviço público. Pelo fato de a execução penal ser de caráter
jurisdicional, que seria uma atividade exclusiva do Estado, o qual não poderia ser
objeto de concessão, em razão do Direito Administrativo Brasileiro.65

Finalmente nos obstáculos políticos, eles se referem a várias situações. A


primeira delas seria quanto à própria estrutura da nossa administração do Estado. As
privatizações não podem ser utilizadas como a finalidade do governo livrar-se dos

63 JESUS, Damásio E. de. Sistema penal brasileiro: execução das penas no Brasil. Revista
Consulex. Ano I, n. 1, p. 24-28, Jan. 1997.
64 JESUS, Damásio E. de. Sistema penal brasileiro: execução das penas no Brasil. Revista

Consulex. Ano I, n. 1, p. 24-28, Jan. 1997.


65 Ibidem
P á g i n a | 51

problemas com o sistema penitenciário traz, que tanto lhe causa problemas com a
sociedade por vários motivos, apenas excluindo de sua responsabilidade,
transferindo-a para o particular.

Teriam de levar em conta não apenas o lado financeiro, pois a questão do


cárcere não pode ser reduzida apenas a uma mera relação custo/benefício.

O Estado ainda teria a responsabilidade pelo fato de que ele deve agir no
sentido de fiscalizar com que esses novos modelos prisionais venham a ressocializar
o detento, e não apenas fazer com que atenda aos interesses privados, como tem
ocorrido na maioria das privatizações.66

3.9 MUDANÇAS NECESSÁRIAS À VIABILIZAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO DO


MODELO DE PRESÍDIOS PRIVATIZADOS

Da forma atual das normas brasileiras e de acordo com o seu ordenamento


presente seria impossível, de imediato, a criação de um modelo de gestão privatizada
de administração prisional.

Para alguns estudiosos o comprimento da pena é uma extensão da


execução penal com isso, recai sobre a instituição carcerária o poder Judiciário. E
como no art. 2 da Constituição Federal prevê: “são poderes da União independentes
e harmônicos entre si, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário” não teria como delegar
essa tarefa ao um privado. Afirmando que caso houvesse essa transferência
constituiria um ato de Inconstitucionalidade perante o ordenamento jurídico
Brasileiro.

Igualmente, a Constituição Federal não exclui expressamente a


administração prisional da iniciativa privada.

A Lei de Execução Penal, regulamenta o trabalho do preso, em seu artigo

66 ASSIS, Rafael Damaceno, Privatização de prisões e adoção de um modelo de gestão


privatizada. 08/08/2013. Digital. Disponível em
<http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/3483/Privatizacao-de-prisoes-e-adocao-de-um-modelo-
degestao-privatizada>
P á g i n a | 52

34 § 2que diz: 67

“Os governos federal, estadual e municipal poderão celebrar convênio com a


iniciativa privada, para implantação de oficinas de trabalho referentes a
setores de apoio dos presídios”.

Seguindo o raciocínio do artigo 34 da LEP, poderia haver a participação


da iniciativa privada através de convenio desde que o controle da unidade seja do
Estado. O particular nessa situação apenas cuidara das oficinas de trabalho e não do
total do sistema carcerário.

Sendo assim, para que fosse possível ter um modelo de administração


privada seguindo o adotado na França e nos Estados Unidos seriam necessárias
mudanças legislativas no ordenamento jurídico de nosso país.

Tais mudanças seriam uma legislação própria a respeito da delegação de


poderes entre o Estado, a iniciativa privada e os Presídios. Bem como uma discussão
a respeito se o poder judiciário se estende sobre as unidades ou não.

3.10 CRÍTICAS AO SISTEMA DE PRIVATIZAÇÃO

Os críticos, argumentam que o país não teria como fiscalizar e controlar


as ações da iniciativa privada e que esta é uma atitude de subserviência do governo
à política neoliberal, o que sugeria com que o país mais uma vez agisse de acordo
com grandes grupos econômicos capitalistas que impera atualmente.

Também pelo motivo de que nesses moldes o preso teria de trabalhar, há


juristas que entendem estar havendo uma oposição ao inciso XLVII, linha c, do artigo
5º da Constituição Federal, que dispõe que:68

“Não haverá pena de trabalhos forçados”.

67 BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. lei que regulamenta as execuções penais. Lex:
68 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,DF: 1988.
P á g i n a | 53

Dessa forma, haveria uma inconstitucionalidade em compelir o preso a


trabalhar.

Na forma que está posicionada na nossa legislação, o que poderia ser


iniciado de imediato não seria a privatização em sim, mas a transferência para a o
setor privado, das atividades extrajudiciais da administração no curso da execução
penal. Essas atividades compreenderiam a função material da execução da pena,
cabendo ao particular o fornecimento de alimentos, vestuário, alojamento, higiene,
sistema de vigilância, etc. A função jurisdicional, exclusiva da administração pública
que não poderia ser delegada, permaneceria no poder do Estado.

No Brasil, pela abertura existente na Constituição Federal, permiti que os


Estados legislem supletivamente sobre as regras de direito penitenciário. O Paraná foi
o primeiro a testar o modelo em conjunto com a iniciativa privada, através da criação
de prisões industriais, que se constituem num novo conceito de gestão penitenciária. 69

3.11 ARGUMENTOS FAVORÁVEIS À PRIVATIZAÇÃO

O debate em torno da privatização do sistema carcerário é de grande


relevância, pois, ele apresenta inúmeras vantagens, sendo uma delas que as
empresas particulares terem de maior agilidade e menor burocracia, o que favoreceria
os serviços e reduziria as despesas afastando os males do serviço público, que são a
morosidade e a burocracia em grande escala, sem levar em conta a corrupção que
repetidamente ocorrem nas administrações estatais.

Ainda a favor da terceirização o argumento de garantir-se ao preso a


ocupação de seu tempo livre com educação e trabalho, o que além de forma-lo
profissionalmente, o trabalho realizado seria revertido numa fonte de renda para

69ASSIS, Rafael Damaceno, Privatização de prisões e adoção de um modelo de gestão


privatizada. 08/08/2013. Digital. Disponível em
<http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/3483/Privatizacao-de-prisoes-e-adocao-de-um-modelo-
degestao-privatizada>
P á g i n a | 54

auxílio próprio e de sua família, além é claro do ressarcimento dos prejuízos


ocasionados em razão de seu crime.

Por fim, pode-se notar um interesse de ambos, onde o privado para o


lucro terá que respeitar e fazer valer as normas impostas pelo Estado. Bem como a
atuação do Estado para uma melhor ressocialização onde haverá uma diminuição de
reincidência e melhoria da sua imagem perante a população.
P á g i n a | 55

CONCLUSÃO

Podemos concluir que a privatização começou sendo usada como um


método de salvar as finanças do Estado e acabou se tornando uma arma política afim
de garantir a sua elegibilidade perante a sociedade. Demonstra também que a
privatização no Brasil gerou conflitos entre governos passados e a população da
época que não aceitava a monopolização das riquezas do país.

Mostra a atual situação do sistema penitenciário brasileiro exibido na


presente monografia, e a procura por uma solução se tornou imprescindível. Os
sistemas utilizados nos países como o Europeu e o Americano podem servir de
modelo para a implantação aqui no Brasil. Contudo devera se observar as legislações
vigentes.

São grandes os problemas e as dificuldades que recaem sobre o sistema


penitenciário brasileiro. Uma das principais vistas é a superlotação dos
estabelecimentos que torna a reeducação do preso um trabalho árduo bem como o
número reduzido de agentes penitenciários nas unidades, que acabam se refletindo
nas diversas consequências, abrindo espaço para a atuação de facções criminosas.

Demonstra uma Lei de Execuções Penais que dita as regras do processo e


os direitos do preso, mas não estabelece um padrão de regulamento no sistema
prisional. Ficando assim cada unidade regulada conforme entendimento do diretor.

Prova-se então, que as regras do atual sistema adotas pelo Estado nas
penitenciarias está deficiente, causando um número elevado de problemas em que os
presos, ao invés de serem ressocializados para a voltar ao convívio na sociedade,
estão sendo deixados de lado e com isso agravando os crimes cometidos por eles
quando liberados.

Demonstra também as tentativas de cessar os problemas criados pela


falta de controle do serviço público sobre os presos com a criação de novos sistemas
punitivos como o RDD - Regime Disciplinar Diferenciado com a finalidade de isolar as
lideranças das facções criminosas.

Para a melhoria, há a possibilidade da privatização do cárcere. Mesmo


P á g i n a | 56

não podendo ser implantado conforme sistemas utilizados no exterior como Europa e
Estados Unidos, nota-se acima que já existe uma iniciativa de tentar levar essa ideia
para a frente com presídios modelo que estão provando sua eficiência na reeducação
de quem está’ lá sobre sua guarda.

Outrossim, vimos que com esforço podemos reduzir a reincidência dos


detidos oferecendo a eles assistência medica e especialmente oficinas onde que
seriam oferecidos cursos para que após a saída do preso do cárcere possa se
reintegrar bem como ter uma habilidade para trabalhar e sustentar sua família.

Bem como vislumbrar que as críticas contra a privatização não são validas
já que foi demonstrado acima, que a Constituição Federal não impede a privatização
das penitenciarias ou mesmo a participação do privado na administração do sistema,
apenas dita que as exigências de lei de Execução penal sejam respeitadas.

Por fim, cita que a Constituição Federal garante ao cidadão sempre o


melhor tratamento e como citado repetitivamente, beneficia o Estado reduzindo o
custo mensal na manutenção do detento. A privatização do sistema penitenciário
brasileiro apresenta a opção mais favorável a ressocialização e reeducação do preso
proporcionando uma melhor qualidade de vida retirando o sistema punitivo antigo e
introduzido um sistema moderno de administração.

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P á g i n a | 60

ANEXO

REGRAS MÍNIMAS PARA O TRATAMENTO DOS RECLUSOS - 1955

RESOLUÇÃO Nº 14, DE 11 DE NOVEMBRO DE 1994

Publicada no DOU de 2.12.2994

O Presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), no


uso de suas atribuições legais e regimentais e;

Considerando a decisão, por unanimidade, do Conselho Nacional de Política Criminal


e Penitenciária, reunido em 17 de outubro de 1994, com o propósito de estabelecer
regras mínimas para o tratamento de Presos no Brasil;

Considerando a recomendação, nesse sentido, aprovada na sessão de 26 de abril a


6 de maio de 1994, pelo Comitê Permanente de Prevenção ao Crime e Justiça Penal
das Nações Unidas, do qual o Brasil é Membro;

Considerando ainda o disposto na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de


Execução Penal);

Resolve fixar as Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil.

TÍTULO I

REGRAS DE APLICAÇÃO GERAL

CAPÍTULO I

DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS


P á g i n a | 61

Art. 1º. As normas que se seguem obedecem aos princípios da Declaração Universal
dos Direitos do Homem e daqueles inseridos nos Tratados, Convenções e regras
internacionais de que o Brasil é signatário devendo ser aplicadas sem distinção de
natureza racial, social, sexual, política, idiomática ou de qualquer outra ordem.

Art. 2º. Impõe-se o respeito às crenças religiosas, aos cultos e aos preceitos morais
do preso.

Art. 3º. É assegurado ao preso o respeito à sua individualidade, integridade física e


dignidade pessoal.

Art. 4º. O preso terá o direito de ser chamado por seu nome.

CAPÍTULO II

DO REGISTRO

Art. 5º. Ninguém poderá ser admitido em estabelecimento prisional sem ordem legal
de prisão.

Parágrafo Único. No local onde houver preso deverá existir registro em que constem
os seguintes dados:

I – Identificação;

II – Motivo da prisão;

III – Nome da autoridade que a determinou;

IV – Antecedentes penais e penitenciários;

V – dia E hora do ingresso e da saída.

Art. 6º. Os dados referidos no artigo anterior deverão ser imediatamente comunicados
ao programa de Informatização do Sistema Penitenciário Nacional – INFOPEN,
assegurando-se ao preso e à sua família o acesso a essas informações.
P á g i n a | 62

CAPÍTULO III

DA SELEÇÃO E SEPARAÇÃO DOS PRESOS

Art. 7º. Presos pertencentes a categorias diversas devem ser alojados em diferentes
estabelecimentos prisionais ou em suas seções, observadas características pessoais
tais como: sexo, idade, situação judicial e legal, quantidade de pena a que foi
condenado, regime de execução, natureza da prisão e o tratamento específico que
lhe corresponda, atendendo ao princípio da individualização da pena.

§ 1º. As mulheres cumprirão pena em estabelecimentos próprios.

§ 2º. Serão asseguradas condições para que a presa possa permanecer com seus
filhos durante o período de amamentação dos mesmos.

CAPÍTULO IV

DOS LOCAIS DESTINADOS AOS PRESOS

Art. 8º. Salvo razões especiais, os presos deverão ser alojados individualmente.

§ 1º. Quando da utilização de dormitórios coletivos, estes deverão ser ocupados por
presos cuidadosamente selecionados e reconhecidos como aptos a serem alojados
nessas condições.

§ 2º. O preso disporá de cama individual provida de roupas, mantidas e mudadas


correta e regularmente, a fim de assegurar condições básicas de limpeza e conforto.

Art. 9º. Os locais destinados aos presos deverão satisfazer as exigências de higiene,
de acordo com o clima, particularmente no que ser refere à superfície mínima, volume
de ar, calefação e ventilação.

Art. 10º O local onde os presos desenvolvam suas atividades deverá apresentar:
P á g i n a | 63

I – Janelas amplas, dispostas de maneira a possibilitar circulação de ar fresco, haja


ou não ventilação artificial, para que o preso possa ler e trabalhar com luz natural;

II – Quando necessário, luz artificial suficiente, para que o preso possa trabalhar
sem prejuízo da sua visão;

III – Instalações sanitárias adequadas, para que o preso possa satisfazer suas
necessidades naturais de forma higiênica e decente, preservada a sua privacidade.

IV – Instalações condizentes, para que o preso possa tomar banho à temperatura


adequada ao clima e com a frequência que exigem os princípios básicos de higiene.

Art. 11. Aos menores de 0 a 6 anos, filhos de preso, será garantido o atendimento em
creches e em pré-escola.

Art. 12. As roupas fornecidas pelos estabelecimentos prisionais devem ser


apropriadas às condições climáticas.

§ 1º. As roupas não deverão afetar a dignidade do preso.

§ 2º. Todas as roupas deverão estar limpas e mantidas em bom estado.

§ 3º. Em circunstâncias especiais, quando o preso se afastar do estabelecimento para


fins autorizados, ser-lhe-á permitido usar suas próprias roupas.

CAPÍTULO V

DA ALIMENTAÇÃO

Art. 13. A administração do estabelecimento fornecerá água potável e alimentação aos


presos.

Parágrafo Único – A alimentação será preparada de acordo com as normas de higiene


e de dieta, controlada por nutricionista, devendo apresentar valor nutritivo suficiente
para manutenção da saúde e do vigor físico do preso.

CAPÍTULO VI
P á g i n a | 64

Dos exercícios físicos

Art. 14. O preso que não se ocupar de tarefa ao ar livre deverá dispor de, pelo menos,
uma hora ao dia para realização de exercícios físicos adequados ao banho de sol.

CAPÍTULO VII

DOS SERVIÇOS DE SAÚDE E ASSISTÊNCIA SANITÁRIA

Art. 15. A assistência à saúde do preso, de caráter preventivo curativo, compreenderá


atendimento médico, psicológico, farmacêutico e odontológico.

Art. 16. Para assistência à saúde do preso, os estabelecimentos prisionais serão


dotados de:

I – Enfermaria com cama, material clínico, instrumental adequado a produtos


farmacêuticos indispensáveis para internação médica ou odontológica de urgência;

II – Dependência para observação psiquiátrica e cuidados toxicômanos;

III – Unidade de isolamento para doenças infectocontagiosas.

Parágrafo Único - Caso o estabelecimento prisional não esteja suficientemente


aparelhado para prover assistência médica necessária ao doente, poderá ele ser
transferido para unidade hospitalar apropriada.

Art. 17. O estabelecimento prisional destinado a mulheres disporá de dependência


dotada de material obstétrico. Para atender à grávida, à parturiente e à convalescente,
sem condições de ser transferida a unidade hospitalar para tratamento apropriado, em
caso de emergência.

Art. 18. O médico, obrigatoriamente, examinará o preso, quando do seu ingresso no


estabelecimento e, posteriormente, se necessário, para:

I – Determinar a existência de enfermidade física ou mental, para isso, as medidas


necessárias;
P á g i n a | 65

II – Assegurar o isolamento de presos suspeitos de sofrerem doença


infectocontagiosa;

III – Determinar a capacidade física de cada preso para o trabalho;

IV – Assinalar as deficiências físicas e mentais que possam constituir um obstáculo


para sua reinserção social.

Art. 19. Ao médico cumpre velar pela saúde física e mental do preso, devendo realizar
visitas diárias àqueles que necessitem.

Art. 20. O médico informará ao diretor do estabelecimento se a saúde física ou mental


do preso foi ou poderá vir a ser afetada pelas condições do regime prisional.

Parágrafo Único – Deve-se garantir a liberdade de contratar médico de confiança


pessoal do preso ou de seus familiares, a fim de orientar e acompanhar seu
tratamento.

CAPÍTULO VIII

DA ORDEM E DA DISCIPLINA

Art. 21. A ordem e a disciplina deverão ser mantidas, sem se impor restrições além
das necessárias para a segurança e a boa organização da vida em comum.

Art. 22. Nenhum preso deverá desempenhar função ou tarefa disciplinar no


estabelecimento prisional.

Parágrafo Único – Este dispositivo não se aplica aos sistemas baseados na


autodisciplina e nem deve ser obstáculo para a atribuição de tarefas, atividades ou
responsabilidade de ordem social, educativa ou desportiva.

Art. 23. Não haverá falta ou sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal
ou regulamentar.
P á g i n a | 66

Parágrafo Único – As sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e a


dignidade pessoal do preso.

Art. 24. São proibidos, como sanções disciplinares, os castigos corporais, clausura em
cela escura, sanções coletivas, bem como toda punição cruel, desumana, degradante
e qualquer forma de tortura.

Art. 25. Não serão utilizados como instrumento de punição: correntes, algemas e
camisas-de-força.

Art. 26. A norma regulamentar ditada por autoridade competente determinará em cada
caso:

I – A conduta que constitui infração disciplinar; II – o

caráter e a duração das sanções disciplinares;

III - A autoridade que deverá aplicar as sanções.

Art. 27. Nenhum preso será punido sem haver sido informado da infração que lhe será
atribuída e sem que lhe haja assegurado o direito de defesa.

Art. 28. As medidas coercitivas serão aplicadas, exclusivamente, para o


restabelecimento da normalidade e cessarão, de imediato, após atingida a sua
finalidade.

CAPÍTULO IX

DOS MEIOS DE COERÇÃO

Art. 29. Os meios de coerção, tais como algemas, e camisas-de-força, só poderão ser
utilizados nos seguintes casos:

I – como medida de precaução contrafuga, durante o deslocamento do preso,


devendo ser retirados quando do comparecimento em audiência perante autoridade
judiciária ou administrativa;

II – Por motivo de saúde, segundo recomendação médica;


P á g i n a | 67

III – Em circunstâncias excepcionais, quando for indispensável utiliza-los

Em razão de perigo eminente para a vida do preso, de servidor, ou de terceiros.

Art. 30. É proibido o transporte de preso em condições ou situações que lhe importam
sofrimentos físicos

Parágrafo Único – No deslocamento de mulher presa a escolta será integrada, pelo


menos, por uma policial ou servidor pública.

CAPÍTULO X

DA INFORMAÇÃO E DO DIREITO DE QUEIXA DOS PRESOS

Art. 31. Quando do ingresso no estabelecimento prisional, o preso receberá


informações escritas sobre normas que orientarão seu tratamento, as imposições de
caratê disciplinar bem como sobre os seus direitos e deveres.

Parágrafo Único – Ao preso analfabeto, essas informações serão prestadas


verbalmente.

Art. 32. O preso terá sempre a oportunidade de apresentar pedidos ou formular


queixas ao diretor do estabelecimento, à autoridade judiciária ou outra competente.

CAPÍTULO XI

DO CONTATO COM O MUNDO EXTERIOR

Art. 33. O preso estará autorizado a comunicar-se periodicamente, sob vigilância, com
sua família, parentes, amigos ou instituições idôneas, por correspondência ou por
meio de visitas.

§ 1º. A correspondência do preso analfabeto pode ser, a seu pedido, lida e escrita por
servidor ou alguém opor ele indicado;
P á g i n a | 68

§ 2º. O uso dos serviços de telecomunicações poderá ser autorizado pelo diretor do
estabelecimento prisional.

Art. 34. Em caso de perigo para a ordem ou para segurança do estabelecimento


prisional, a autoridade competente poderá restringir a correspondência dos presos,
respeitados seus direitos.

Parágrafo Único – A restrição referida no "caput" deste artigo cessará imediatamente,


restabelecida a normalidade.

Art. 35. O preso terá acesso a informações periódicas através dos meios de
comunicação social, autorizado pela administração do estabelecimento.

Art. 36. A visita ao preso do cônjuge, companheiro, família, parentes e amigos, deverá
observar a fixação dos dias e horários próprios.

Parágrafo Único 0- Deverá existir instalação destinada a estágio de estudantes


universitários.

Art. 37. Deve-se estimular a manutenção e o melhoramento das relações entre o preso
e sua família.

Capítulo xiri

Das instruções e assistência educacional

Art. 38. A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação


profissional do preso.

Art. 39. O ensino profissional será ministrado em nível de iniciação e de


aperfeiçoamento técnico.

Art. 40. A instrução primária será obrigatoriamente ofertada a todos os presos que não
a possuam.

Parágrafo Único – Cursos de alfabetização serão obrigatórios para os analfabetos.

Art. 41. Os estabelecimentos prisionais contarão com biblioteca organizada com livros
de conteúdo informativo, educativo e recreativo, adequados à formação cultural,
profissional e espiritual do preso.
P á g i n a | 69

Art. 42. Deverá ser permitido ao preso participar de curso por correspondência, rádio
ou televisão, sem prejuízo da disciplina e da segurança do estabelecimento.

CAPÍTULO XIII

DA ASSISTÊNCIA RELIGIOSA E MORAL

Art. 43. A Assistência religiosa, com liberdade de culto, será permitida ao preso bem
como a participação nos serviços organizado no estabelecimento prisional.

Parágrafo Único – Deverá ser facilitada, nos estabelecimentos prisionais, a presença


de representante religioso, com autorização para organizar serviços litúrgicos e fazer
visita pastoral a adeptos de sua religião.

CAPÍTULO XIV

DA ASSISTÊNCIA JURÍDICA

Art. 44. Todo preso tem direito a ser assistido por advogado.

§ 1º. As visitas de advogado serão em local reservado respeitado o direito à sua


privacidade;

§ 2º. Ao preso pobre o Estado deverá proporcionar assistência gratuita e permanente.

CAPÍTULO XV

DOS DEPÓSITOS DE OBJETOS PESSOAIS

Art. 45. Quando do ingresso do preso no estabelecimento prisional, serão guardados,


em lugar escuro, o dinheiro, os objetos de valor, roupas e outras peças de uso que lhe
pertençam e que o regulamento não autorize a ter consigo.
P á g i n a | 70

§ 1º. Todos os objetos serão inventariados e tomadas medidas necessárias para sua
conservação;

§ 2º. Tais bens serão devolvidos ao preso no momento de sua transferência ou


liberação.

CAPÍTULO XVI

DAS NOTIFICAÇÕES

Art. 46. Em casos de falecimento, de doença, acidente grave ou de transferência do


preso para outro estabelecimento, o diretor informará imediatamente ao cônjuge, se
for o ocaso, a parente próximo ou a pessoa previamente designada.

§ 1º. O preso será informado, imediatamente, do falecimento ou de doença grave de


cônjuge, companheiro, ascendente, descendente ou irmão, devendo ser permitida a
visita a estes sob custódia.

§ 2º. O preso terá direito de comunicar, imediatamente, à sua família, sua prisão ou
sua transferência para outro estabelecimento.

CAPÍTULO XVII

DA PRESERVAÇÃO DA VIDA PRIVADA E DA IMAGEM

Art. 47. O preso não será constrangido a participar, ativa ou passivamente, de ato de
divulgação de informações aos meios de comunicação social, especialmente no que
tange à sua exposição compulsória à fotografia ou filmagem

Parágrafo Único – A autoridade responsável pela custódia do preso providenciará,


tanto quanto consinta a lei, para que informações sobre a vida privada e a intimidade
do preso sejam mantidas em sigilo, especialmente aquelas que não tenham relação
com sua prisão.
P á g i n a | 71

Art. 48. Em caso de deslocamento do preso, por qualquer motivo, deve-se evitar sua
exposição ao público, assim como resguardá-lo de insultos e da curiosidade geral.

CAPÍTULO XVIII

DO PESSOAL PENITENCIÁRIO

Art. 49. A seleção do pessoal administrativo, técnico, de vigilância e custódia, atenderá


à vocação, à preparação profissional e à formação profissional dos candidatos através
de escolas penitenciárias.

Art. 50. O servidor penitenciário deverá cumprir suas funções, de maneira que inspire
respeito e exerça influência benéfica ao preso.

Art. 51. Recomenda-se que o diretor do estabelecimento prisional seja devidamente


qualificado para a função pelo seu caráter, integridade moral, capacidade
administrativa e formação profissional adequada.

Art. 52. No estabelecimento prisional para a mulher, o responsável pela vigilância e


custódia será do sexo feminino.

TÍTULO II

REGRAS APLICÁVEIS A CATEGORIAS ESPECIAIS

CAPÍTULO XIX

DOS CONDENADOS

Art. 53. A classificação tem por finalidade:

I – Separar os presos que, em razão de sua conduta e antecedentes penais e


penitenciários, possam exercer influência nociva sobre os demais.
P á g i n a | 72

II – Dividir os presos em grupos para orientar sua reinserção social;

Art. 54. Tão logo o condenado ingresse no estabelecimento prisional, deverá ser
realizado exame de sua personalidade, estabelecendo-se programa de tratamento
específico, com o propósito de promover a individualização da pena.

CAPÍTULO XX

DAS RECOMPENSAS

Art. 55. Em cada estabelecimento prisional será instituído um sistema de


recompensas, conforme os diferentes grupos de presos e os diferentes métodos de
tratamento, a fim de motivar a boa conduta, desenvolver o sentido de
responsabilidade, promover o interesse e a cooperação dos presos.

CAPÍTULO XXI

DO TRABALHO

Art. 56. Quanto ao trabalho:

I - O trabalho não deverá ter caráter aflitivo;

II – Ao condenado será garantido trabalho remunerado conforme sua aptidão e


condição pessoal, respeitada a determinação médica;

III – Será proporcionado ao condenado trabalho educativo e produtivo;

IV – Devem ser consideradas as necessidades futuras do condenado, bem como, as


oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho;

V – Nos estabelecimentos prisionais devem ser tomadas as mesmas precauções


prescritas para proteger a segurança e a saúde dois trabalhadores livres;
P á g i n a | 73

VI – Serão tomadas medidas para indenizar os presos por acidentes de trabalho e


doenças profissionais, em condições semelhantes às que a lei dispõe para os
trabalhadores livres;

VII – A lei ou regulamento fixará a jornada de trabalho diária e semanal para os


condenados, observada a destinação de tempo para lazer, descanso. Educação e
outras atividades que se exigem como parte do tratamento e com vistas a
reinserção social;

VIII – A remuneração aos condenados deverá possibilitar a indenização pelos danos


causados pelo crime, aquisição de objetos de uso pessoal, ajuda à família,
constituição de pecúlio que lhe será entregue quando colocado em liberdade.

CAPÍTULO XXII

DAS RELAÇÕES SOCIAIS E AJUDA PÓS-PENITENCIÁRIA

Art. 57. O futuro do preso, após o cumprimento da pena, será sempre levado em conta.
Deve-se anima-lo no sentido de manter ou estabelecer relações com pessoas ou
órgãos externos que possam favorecer os interesses de sua família, assim como sua
própria readaptação social.

Art. 58. Os órgãos oficiais, ou não, de apoio ao egresso devem:

I – Proporcionar-lhe os documentos necessários, bem como, alimentação,


vestuário e alojamento no período imediato à sua liberação, fornecendo-lhe, inclusive,
ajuda de custo para transporte local;

II – Ajuda-lo a reintegrar-se à vida em liberdade, em especial, contribuindo para sua


colocação no mercado de trabalho.

CAPÍTULO XXIII

DO DOENTE MENTAL
P á g i n a | 74

Art. 59. O doente mental deverá ser custodiado em estabelecimento apropriado, não
devendo permanecer em estabelecimento prisional além do tempo necessário para
sua transferência.

Art. 60. Serão tomadas providências, para que o egresso continue tratamento
psiquiátrico, quando necessário.

CAPÍTULO XXIV

DO PRESO PROVISÓRIO

Art. 61. Ao preso provisório será assegurado regime especial em que se observará:

I – Separação dos presos condenados;

II – Cela individual, preferencialmente;

III – Opção por alimentar-se às suas expensas;

IV – Utilização de pertences pessoais;

V – Uso da própria roupa ou, quando for o caso, de uniforme diferenciado daquele
utilizado por preso condenado;

VI – Oferecimento de oportunidade de trabalho;

VII – Visita e atendimento do seu médico ou dentista.

CAPÍTULO XXV

DO PRESO POR PRISÃO CIVIL


P á g i n a | 75

Art. 62. Nos casos de prisão de natureza civil, o preso deverá permanecer em recinto
separado dos demais, aplicando-se, no que couber, as normas destinadas aos presos
provisórios.

CAPÍTULO XXVI

DOS DIREITOS POLÍTICOS

Art. 63. São assegurados os direitos políticos ao preso que não está sujeito aos efeitos
da condenação criminal transitada em julgado.

CAPÍTULO XXVII

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 64. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária adotará as


providências essenciais ou complementares para cumprimento das regras Mínimas
estabelecidas nesta resolução, em todas as Unidades Federativas.

Art. 65. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Edmundo Oliveira

Presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

HERMES VILCHEZ GUERREIRO

Conselheiro Relator