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OAB XIV EXAME DE ORDEM – 2ª FASE

Direito Penal
Geovane Moraes e Ana Cristina Mendonça

PEÇAS DE LIBERDADE

RELAXAMENTO DE PRISÃO
LIBERDADE PROVISÓRIA
REVOGAÇÃO DA PREVENTIVA/TEMPORÁRIA

 DIFERENÇA ENTRE AS MEDIDAS DE CONTRA CAUTELA E O HABEAS CORPUS


 ESPÉCIES DE CAUTELA E CONTRA CAUTELA PRISIONAIS
 CABIMENTO

MEDIDAS DE CONTRACAUTELA CAUSA OU CAUTELA


EFEITOS
(PEDIDO DE LIBERDADE) (TIPO DE PRISÃO)

Relaxamento de Prisão Prisão ILEGAL Liberdade plena.

Vinculação ao juízo e ao processo,


Prisão em flagrante podendo ainda o juiz impor uma das
Liberdade Provisória
LEGAL cautelares não prisionais previstas
nos arts. 319 e 320 do CPP

Acarretaria liberdade plena, mas o


Prisão preventiva juiz pode cumular com as cautelares
Revogação da Preventiva
LEGAL não prisionais previstas nos arts. 319
e 320 do CPP

HIPÓTESES FÁTICAS

AUTORIDADE
HIPÓTESE MEDIDA CABÍVEL
COATORA

Prisão em flagrante ilegal da qual o juiz ainda Relaxamento de prisão


Delegado de Polícia
não tomou ciência. endereçado ao juiz.

Juiz toma ciência da prisão em flagrante legal e


ainda não se manifestou acerca da concessão
da liberdade provisória, não decretou a Liberdade Provisória ao juiz.
preventiva, nem relaxou a prisão, mas ainda
estamos dentro de um prazo razoável.

Juiz toma ciência da prisão em flagrante e não


se manifesta acerca da concessão da liberdade
provisória, nem decreta a preventiva, nem
Juiz Habeas corpus no tribunal.
relaxa a prisão. Ou seja, mantém o preso em
flagrante além do que autoriza a lei art. (310 do
CPP).

Prisão temporária decretada ilegalmente. Juiz Habeas corpus no tribunal.

Prisão preventiva decretada ilegalmente. Juiz Habeas corpus no tribunal.

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Geovane Moraes e Ana Cristina Mendonça

Revogação da preventiva ao juiz.


Prisão preventiva legal cujos pressupostos
desapareceram. Caso ele negue, habeas corpus no
tribunal.

Prisão em flagrante legal. Liberdade provisória ao juiz.

Revogação da temporária ao juiz.


Prisão temporária legal cujos motivos
Caso ele negue, habeas corpus no
cessaram.
tribunal.

Inquérito policial instaurado em conduta Habeas corpus ao juiz para


flagrantemente atípica ou quando for evidente Delegado de Polícia. “trancamento” do inquérito
a falta de justa causa. policial.

RELAXAMENTO DE PRISÃO, LIBERDADE PROVISÓRIA E REVOGAÇÃO DA PREVENTIVA (ou da


temporária)

SÃO REQUERIDOS ATRAVÉS DE PETIÇÕES ENDEREÇADAS AO JUIZ PROCESSANTE, portanto, em


regra, ao Juízo de 1o. Grau.

Exemplo:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA


_____

FUNDAMENTAÇÃO:
Relaxamento de Prisão

art. 5o., LXV, CRFB/88


LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

art. 310, I, CPP


Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:
I - relaxar a prisão ilegal;

Liberdade Provisória

art. 5o., LXVI, CRFB/88


LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança;

Art. 310, III, e 321, CPP

Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:


III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz
deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares
previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282 deste
Código.

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Revogação da Preventiva

Arts. 282, § 5º, e 316, CPP

Art. 282, § 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.

Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.

Revogação da Temporária

Arts. 282, § 5º, CPP

Art. 282, § 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.

RELAXAMENTO DE PRISÃO - ILEGALIDADES FORMAIS

Ausência total de testemunhas durante a lavratura do flagrante (art. 304 CPP)

Desrespeito ao direito ao silêncio e à garantia de não auto-incriminação (art. 5o., LXIII, da


CF/88 c/c arts. 6o., V, e 186 do CPP e art. 8o., 2 g, do Pacto de São José da Costa Rica)

Ausência de comunicação imediata do flagrante ao Juiz, Ministério Público e/ou à família do


preso ou pessoa por ele indicada (art. 5o., LXII, da CF/88 c/c art. 306, caput, CPP e art. 7o., 6,
do Pacto de São José da Costa Rica)

RELAXAMENTO DE PRISÃO - ILEGALIDADES FORMAIS

Não entrega da nota de culpa dentro de 24 h (art. 306, § 2o., CPP)

Ausência de remessa dos autos do flagrante ao Juiz e à Defensoria Pública dentro de 24 h


(art. 306, § 1o., CPP)

Uso indevido de algemas (Súmula Vinculante 11)

Obs. Atenção às prerrogativas e imunidades de agentes públicos! Em especial, Senadores,


Deputados Federais e Estaduais, membros da Magistratura e Ministério Público.

DEPUTADOS E SENADORES

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Art. 53 § 2º CF/88 - Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não


poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão
remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de
seus membros, resolva sobre a prisão.

Art. 27 § 1º CF/88 - Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-se-
lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades,
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às
Forças Armadas.

MAGISTRADOS

LOMAN (Lei Complementar 35/79)

Art. 33 - São prerrogativas do magistrado:


II - não ser preso senão por ordem escrita do Tribunal ou do órgão especial competente para
o julgamento, salvo em flagrante de crime inafiançável, caso em que a autoridade fará
imediata comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja
vinculado;

MEMBROS DO MP

LOMP (LEI 8.625/93)

Art. 40. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, além de outras
previstas na Lei Orgânica:
III - ser preso somente por ordem judicial escrita, salvo em flagrante de crime inafiançável,
caso em que a autoridade fará, no prazo máximo de vinte e quatro horas, a comunicação e a
apresentação do membro do Ministério Público ao Procurador-Geral de Justiça;

Questão proposta 1

Luciano Pereira, professor de arte marcial, em 29/06/2014, depois de uma discussão


calorosa com Michel, por este ter parado seu carro em frente à garagem de Luciano, desfere
dois socos na face de Michel, que acaba por quebrar alguns ossos da face. Neste momento,
pessoas que passavam no local ligaram para polícia que chegou imediatamente dando voz de
prisão ao agressor.
Em sede policial, o Delegado de Polícia lavrou o auto de prisão em flagrante,
procedendo à instauração do inquérito. Momento em que a prisão em flagrante foi de pronto
comunicada ao juiz e à família da vítima. Depois de cumpridas apenas estas formalidades de
praxe e levado à carceragem da delegacia, a família de Luciano busca seus préstimos
advocatícios. Promova a medida cabível, excetuando o intento do Habeas Corpus.

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RELAXAMENTO DE PRISÃO - ILEGALIDADES MATERIAIS

O preso não está em flagrante (art. 302 CPP)

Prova obtida por meio ilícito (art. 5o., LVI, da CF/88 c/c art. 157, CPP)

Flagrante forjado

Flagrante preparado (Súmula 145 do STF)

Vedações à prisão em flagrante (arts. 28 da Lei 11.343/06, art. 301 do CTB e art. 69,
parágrafo único, da Lei 9.099/95)

RELAXAMENTO DE PRISÃO, LIBERDADE PROVISÓRIA E REVOGAÇÃO DA PREVENTIVA (ou da


temporária)

SÃO REQUERIDOS ATRAVÉS DE PETIÇÕES ENDEREÇADAS AO JUIZ PROCESSANTE, portanto,


em regra, ao Juízo de 1o. Grau.

Exemplo:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CRIMINAL DA COMARCA


__________

FUNDAMENTAÇÃO:

Relaxamento de Prisão

art. 5o., LXV, CRFB/88


LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

art. 310, I, CPP

Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:


I - relaxar a prisão ilegal;

ESTRUTURA DO
RELAXAMENTO DE PRISÃO

Estrutura do conteúdo principal:

 Dos Fatos (narrar suscintamente como ocorreu a prisão, enfatizando os aspectos que a
tornam ilegal)
 Da ilegalidade da prisão
 Da total ausência dos pressupostos da prisão preventiva
 Do pedido

Endereçamento

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Direito Penal
Geovane Moraes e Ana Cristina Mendonça

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ VARA CRIMINAL DA COMARCA


DE ________ (Regra Geral)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ___ VARA CRIMINAL DA SEÇÃO
JUDICIÁRIA DE _______ (Crimes da Competência da Justiça Federal)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA
COMARCA DE ______ (Crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados)

Identificação do preso

(Fazer parágrafo – regra dos dois dedos) Nome, nacionalidade, estado civil, profissão,
portador da Cédula de Identidade número _______, expedida pela ____________, inscrito no
Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda sob o número ________________,
residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração anexa a este
instrumento, vem muito respeitosamente à presença de Vossa Excelência, requerer o
RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE
Com fundamento no art. 5º, LXV da Constituição Federal, e art. 310, I, do Código de Processo
Penal, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

1. Exposição dos Fatos


2. Da (s) ilegalidade (s) da prisão em flagrante
Mostrar claramente as ilegalidade do flagrante e discorrer sobre estas ilegalidade.
3. Da impossibilidade de decretação da prisão preventiva
Como existe a possibilidade do juiz relaxar a prisão e decretar a prisão preventiva, deve-se deixar
claro ao julgador que não existe motivo para tal procedimento.
4. Pedido
Diante do exposto, postula-se a Vossa Excelência o relaxamento da prisão em flagrante imposta
ao requerente, a fim de que possa permanecer em liberdade durante o processo.
Requer ainda a oitiva do ilustre representante do Ministério Público e a expedição do
competente alvará de soltura.
Nestes termos,
Espera deferimento.

Comarca, data.
Advogado, OAB

Caso Prático 2 – Relaxamento de prisão

José Carlos, vulgo Zeca, 20 anos, é conhecido na localidade em que reside por ser
traficante. Por diversas vezes, a Polícia já realizou diversas incursões invadindo a localidade,
mas nunca achou nada de concreto para que houvesse a prisão de Zeca. Alfredo, Policial
Militar, resolveu, sozinho, investigar o caso, e dar um jeito de efetuar a prisão de Zeca.
Com isso, na terça-feira, dia 15 de julho de 2014, Alfredo decide ir até Zeca pedir a
substância entorpecente. Ao encontrar-se com o traficante, provoca-o pedindo 30 papelotes
da droga ilícita, ocasião em que Zeca informa que está sem o “bagulho” por ora, e que talvez
conseguisse para a semana seguinte. Não querendo esperar, Alfredo continua provocando

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Zeca, dizendo que era importante e que precisaria da droga naquele momento. E pede ao
traficante “pra dar seu jeito”, arrumando a droga em outro lugar, afirmando ainda que pagaria
o dobro do valor. Zeca, então, motivado por Alfredo, resolve buscar a substância com outro
traficante, já que não possuía a droga consigo e nem mesmo em depósito para vender a
Alfredo a quantia desejada. Quando Zeca retorna com a droga, o policial o prende em
flagrante delito pelo crime de Tráfico de Entorpecentes, previsto no art. 33 da Lei 11.343/06.
Conduzido à Delegacia mais próxima, foram cumpridas as formalidades de praxe, com a
comunicação e remessa do flagrante ao juízo competente, comunicação ao Ministério Público,
bem como ao Advogado indicado por Zeca, além da comunicação imediata à família do preso.
Todavia, o delegado deixou de entregar nota de culpa ao preso, bem como de tomar-lhe o
devido recibo.
Na qualidade de advogado contratado pela família de Zeca, com base nas informações
acima expostas, elabore a peça cabível no intuito de garantir a liberdade do seu cliente,
excetuando-se a possibilidade de intento do Habeas Corpus.

PADRÃO DE RESPOSTA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA


______

OBS: como a questão não informou se na localidade possuía ou não vara especializada dos
feitos relativos a entorpecentes, utiliza-se a regra geral do endereçamento.

Zeca, (nacionalidade), (estado civil), portador da Cédula de Identidade número


________, expedida pela ___________, inscrito no Cadastro de Pessoa Física do Ministério da
Fazenda sob o número _______, (residência e domicílio), por seu advogado abaixo assinado,
conforme procuração anexa a este instrumento, vem muito respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, requerer o
RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE
com fundamento no artigo 5º, LXV da Constituição Federal, e art. 310, I, do Código de Processo
Penal, pelos motivos de fato e direito a seguir expostos:

1. Dos Fatos
Conforme consta do auto de prisão, o requerente foi preso em flagrante em razão do
suposto crime de tráfico de entorpecentes na localidade em que reside. O crime teria ocorrido
porque o policial que hoje sabe chamar-se Alfredo, fazendo-se passar por usuário interessado
na aquisição de entorpecente, induziu o ora requerente, insistentemente, a arrumar-lhe a
droga. Conforme consta do auto de prisão em flagrante, o ora requerente não trazia consigo,
não portava, não guardava e muito menos possuía em depósito qualquer substância
entorpecente, o que era do conhecimento do referido policial que, ainda assim, instigou o
requerente a lhe conseguir a substância. Assim, qualquer conduta porventura praticada pelo
requerente somente o foi porque motivada pelo policial provocador.
Além disso, após a lavratura do auto de prisão em flagrante e demais formalidades, a
autoridade policial não deu ao ora requerente a nota de culpa, contendo a devida tipificação
penal, bem como o nome dos condutores, não tendo, portanto, o acusado prestado o devido
recibo.

2. Das ilegalidades da prisão em flagrante


A prisão em flagrante é ilegal em virtude da ocorrência do flagrante preparado,
previsto na Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal.

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Esse tipo de flagrante ocorre quando alguém, de forma insidiosa, provoca o agente à
prática de um crime para, durante os atos de execução supostamente puníveis, efetuar sua
prisão, evitando, assim que o delito se consume. Nesta espécie de flagrante não há crime e a
prisão se configura flagrantemente ilegal.
Os tribunais entendem que essa hipótese de flagrante seria a hipótese de crime
impossível previsto no artigo 17 do Código Penal.
No flagrante preparado, o policial ou terceiro induz o agente a praticar o delito e, ao
mesmo tempo, toma providências para evitar a consumação. Assim, no flagrante preparado
o autor do fato age motivado por obra do provocador, sem o qual não haveria a prática
daquela suposta conduta. E se a intenção do agente não é natural, uma vez que induzida pelo
provocador, inexiste o crime, existindo total ilegalidade material no flagrante. Não bastasse a
preparação do flagrante no caso concreto, o que, por si só, já seria suficiente para caracterizar
a ilegalidade material da prisão, ainda há, no caso concreto, ilegalidade formal no ato da
autoridade policial, pois não foi dada ao preso a nota de culpa, documento que indica o artigo
em que se encontra incurso, bem como o motivo da prisão, além do nome dos condutores e
das testemunhas.
Ressalte-se que a nota de culpa deve ser expedida dentro do prazo de 24 horas
contadas do momento da captura, conforme preceitua o art. 306, §2º, do Código de Processo
Penal, caracterizando-se ainda como uma garantia constitucional, prevista no artigo 5º, LXIV,
da Constituição Federal.

3. Da impossibilidade de decretação de prisão preventiva ou qualquer forma de custódia


cautelar
Por fim, em caráter subsidiário e apenas por cautela, vale ressaltar que, no caso
concreto, após o relaxamento da prisão em flagrante em face dos patentes vícios materiais e
formais, não existe a possibilidade de ser decretada a prisão preventiva do requerente.
No caso em comento não existem quaisquer dos motivos que autorizariam a prisão
preventiva, configurando-se evidente a impossibilidade de manutenção do indiciado, ora
requerente, no cárcere, a qualquer título.

4. Do Pedido
Ante o exposto, postula-se a Vossa Excelência, com base no artigo 5º, LXV, da
Constituição Federal, e art. 310, I, do Código de Processo Penal, diante da flagrante ilegalidade
de sua prisão, o imediato relaxamento da prisão em flagrante imposta ao requerente.
Termos em que, ouvido o ilustre representante do Ministério Público e expedindo-se
o alvará de soltura, pede deferimento. (Pedido de oitiva do representante do Ministério Público
não obrigatório, já que como a prisão é ilegal, não há necessidade da oitiva do parquet. Todavia,
a realização do pedido pode e deve ser feita, sem nenhum encargo ao candidato).

Comarca, Data.
Advogado, OAB

Dúvida:
Posso cumular o pedido de relaxamento de prisão com o de liberdade provisória?

Liberdade Provisória

art. 5o., LXVI, CRFB/88

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LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança;

Art. 310, III, e 321, CPP

Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:


III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.

Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz
deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas
no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282 deste Código.

Espécies de Liberdade Provisória


em todos os casos indicar:
art. 5o., LXVI, CRFB/88 c/c art. 310, III, e 321, CPP

Lib. Prov. mediante fiança + 323 e 324 CPP

Lib. Prov. sem fiança por pobreza


+ 323, 324, 325 § 1º., e 350 CPP

Lib. Prov. em face da presença de excludente de ilicitude + 310, parágrafo único, CPP

Lib. Prov. por ausência dos pressupostos da preventiva

ESTRUTURA DA LIBERDADE PROVISÓRIA

Estrutura do conteúdo principal:

 Dos Fatos
 Da total ausência dos pressupostos da prisão preventiva
 Da possibilidade de fiança (se for o caso)
 Do pedido

Endereçamento

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ VARA CRIMINAL DA COMARCA


DE ________ (Regra Geral)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ___ VARA CRIMINAL DA SEÇÃO
JUDICIÁRIA DE _______ (Crimes da Competência da Justiça Federal)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA
COMARCA DE ______ (Crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados)

Identificação do preso

(Fazer parágrafo – regra dos dois dedos) Nome, nacionalidade, estado civil, profissão,
portador da Cédula de Identidade número _______, expedida pela ____________, inscrito no

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Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda sob o número ________________,


residência e domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração anexa a este
instrumento, vem muito respeitosamente à presença de Vossa Excelência, requerer sua
LIBERDADE PROVISÓRIA
Com fundamento no art. 5º, LXVI da Constituição Federal combinado com art. 310, III e art.
321, ambos Código de Processo Penal, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

1. Exposição dos Fatos


2. Da total ausência dos pressupostos da prisão preventiva
Indicar que não há fundamento que autorize a decretação da prisão preventiva, nos termos do
art. 312 do Código de Processo Penal.
3. Pedido
Concessão da liberdade provisória com ou sem fiança, além do pedido subsidiário de aplicação
das medidas cautelares previstas no art. 319 do Código de Processo Penal.
Pedido ainda de oitiva do representante do Ministério Público e expedição de alvará de soltura,
mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, quando intimado.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Comarca, data.
Advogado, OAB.

Revogação da Preventiva

Arts. 282, § 5º, e 316, CPP

Art. 282, § 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.
Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.

Revogação da Temporária

Arts. 282, § 5º, CPP

Art. 282, § 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem.

ESTRUTURA DA REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

Estrutura do conteúdo principal:


 Dos Fatos
 Do desaparecimento dos motivos autorizadores da custódia cautelar
 Do pedido

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ VARA CRIMINAL DA COMARCA


DE ________ (Regra Geral)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ___ VARA CRIMINAL DA SEÇÃO
JUDICIÁRIA DE _______ (Crimes da Competência da Justiça Federal)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA
COMARCA DE ______ (Crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados)

Identificação do preso

(Fazer parágrafo – regra dos dois dedos) Nome, nacionalidade, estado civil, profissão, portador
da Cédula de Identidade número _______, expedida pela ____________, inscrito no Cadastro
de Pessoa Física do Ministério da Fazenda sob o número ________________, residência e
domicílio, por seu advogado abaixo assinado, conforme procuração anexa a este instrumento,
vem muito respeitosamente à presença de Vossa Excelência, requerer a
REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA
Com fundamento nos arts. 282, § 5, e 316, ambos do Código de Processo Penal, pelos motivos
de fato e de direito a seguir expostos:
1. Exposição dos Fatos
2. Do desaparecimento dos motivos autorizadores da custódia cautelar
Indicar que os motivos constantes no art. 312 do Código de Processo Penal não mais subsistem.
3. Pedido
Pedido de revogação da prisão preventiva, com a consequente expedição do alvará de soltura.

Comarca, data.
Advogado, OAB.

Caso Prático – Revogação de prisão

No dia 5 de fevereiro, Mévio, de 25 anos, enquanto caminhava pela rua, passou por
Fernando, seu desafeto. Dez minutos após Mévio ter passado por Fernando, o mesmo foi
surpreendido por um carro escuro e ao perceber que seria abordado pelos seus integrantes
tentou evadir-se do local. Contudo, depois de grande resistência, Fernando, ao levar um tiro
na perna esquerda, acabou entrando no citado carro. Para tentar garantir o sigilo do fato, os
integrantes do veículo levaram Fernando para um município próximo onde o mesmo foi
cruelmente assassinado com um tiro na testa. Após aparentes 24 horas do ocorrido, a
autoridade policial encontrou o corpo de Fernando amarrado a um tronco de uma árvore.
Durante o inquérito policial, apenas uma testemunha, de nome Maria, relatou que
ouviu falar que Mévio era desafeto de Fernando, e que teria sido ele o mandante do crime.
Após as investigações, o Ministério Público denunciou Mévio, Vicente, Augusto e Renato por
homicídio qualificado. A denúncia foi recebida e o juiz do Tribunal do Júri da Comarca X
decretou a prisão de Mévio fundamentando-a na garantia da ordem pública e na conveniência
da instrução criminal. Ocorre que durante a instrução criminal, a testemunha de nome Maria,
bem como as demais testemunhas arroladas, Rodolfo e Pedro, relataram que apenas ouviram
dizer que Mévio era desafeto da vítima Fernando, e que o mesmo havia passado por ele
minutos antes do mesmo ser capturado pelos integrantes do veículo.

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Afirmaram também as testemunhas que não viram Mévio dentro do carro ou no local
dos fatos, e que realmente só ouviram dizer que os dois não se davam.
Na qualidade de advogado de Mévio, elabore a peça processual pertinente na busca
por sua liberdade, excetuando-se o intento do Habeas Corpus.

PADRÃO DE RESPOSTA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA X


Processo número:

Mévio, já qualificado nos autos do processo às folhas ....., por seu advogado e bastante
procurador que a esta subscreve, conforme procuração em anexo, vem, muito
respeitosamente a presença de Vossa Excelência, com fundamento nos arts. 282, § 5, e 316,
ambos do Código de Processo Penal, requerer a
REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA
pelos motivos de fato e direito a seguir expostos:

1. Dos Fatos

O acusado teve sua custódia cautelar decretada por esse douto juízo, sob o suposto
fundamento de ter ordenado aos seus capangas, Vicente, Augusto e Renato, a execução de
seu desafeto Fernando no dia 5 de fevereiro. Os fatos narrados na denúncia relatam que, após
a vítima ser surpreendida por um carro escuro, foi a mesma levada para um município
próximo, para garantir o sigilo do fato, onde houve a execução com um tiro na testa e logos
após, o corpo da mesma foi amarrado a um tronco de uma árvore.
Por tais motivos foi o requerente denunciado e preso preventivamente por esse Juízo,
sendo certo que sua prisão fora decretada por garantia da ordem pública e conveniência da
instrução criminal.
Ocorre que, realizada a instrução criminal, foram ouvidas as testemunhas Maria,
Rodolfo e Pedro, que relataram que apenas ouviram dizer que Mévio era desafeto da vítima
Fernando, e que o mesmo havia passado por ele minutos antes da vítima ser capturada pelos
integrantes do veículo.
Afirmaram também as testemunhas que não viram Mévio dentro do carro ou no local
dos fatos, e que realmente só ouviram dizer que os dois não se davam.

2. Do desaparecimento dos motivos autorizadores da custódia cautelar

A prisão preventiva é medida de extrema exceção, somente cabível quando evidentes


os pressupostos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal.
O réu, ora requerente, teve sua prisão decretada por garantia da ordem pública e
conveniência da instrução criminal. Ocorre que todas as testemunhas já foram ouvidas por
esse douto juízo sendo certo que as mesma foram contundentes em afirmar que não
presenciaram qualquer envolvimento do ora requerente com os fatos, e que somente ouviram
dizer que o mesmo não se dava com a vítima.
Ora, a mera suposição ou boatos de eventual inimizade do réu com a vítima,
desamparada de qualquer outro elemento de prova, não pode levar a conclusão de que o réu
pudesse sequer estar envolvido nos fatos.
Assim, a prova colhida em fase processual demonstra-se contrária àquela que levou
esse douto juízo à decretação da prisão cautelar.

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Direito Penal
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Desta forma, evidencia-se a absoluta ausência de


fundamentos para a manutenção de sua custódia cautelar, uma vez que inexistente a garantia
da ordem pública ou ainda a conveniência da instrução criminal.
Ressalte-se, inclusive, que a prova testemunhal já foi colhida.
Desta feita, tendo desaparecido todo e qualquer motivo que autorizasse a prisão
preventiva, deve a mesma ser revogada, conforme arts. 282, § 5, e 316, ambos do Código de
Processo Penal.

3. Do Pedido

Ante o exposto, postula-se a Vossa Excelência, nos termos dos arts. 282, § 5, e 316,
ambos do Código de Processo Penal a revogação da prisão preventiva do ora requerente, com
a consequente expedição do alvará de soltura.

Requer ainda a oitiva do ilustre membro do Ministério Público.

Termos em que,
Pede deferimento.
X, data.
Advogado, OAB

Caso prático
LIBERDADE PROVISÓRIA

James Rodriguez, 30 anos, músico de uma cidade chamada Senhor do Bonfim-BA


tocava todo final de semana na casa noturna Rumo ao Estrelato. Em 11/07/2014, sexta-feira,
após sua apresentação na casa de show, James Rodriguez se dirige à secretaria do
estabelecimento no intuito de receber a quantia acordada. Ocorre que o Sr. Luiz Suarez,
gerente da casa, afirmou não ter a quantia acordada uma vez que o estabelecimento estava
vazio, pedindo para o músico retornasse depois de 48hs para receber o dinheiro.
Completamente transtornado, já que dependia daquela quantia para comprar as latas
de leite para seu filho, James Rodriguez começou a quebrar alguns objetos da secretaria e no
afã do momento o músico pegou sua guitarra e desferiu algumas pancadas na cabeça do
gerente do estabelecimento, que veio a falecer imediatamente. Logo após, chegaram os
seguranças da casa de espetáculos que encontraram James Rodriguez com a guitarra em
punho, suja de sangue, e chamaram a polícia. Os policiais chegaram de pronto ao local, onde
efetuaram a prisão em flagrante de James Rodriguez. O músico foi levado à 1º Delegacia de
Polícia de Senhor do Bonfim, onde foram ouvidos os policiais condutores, lavrado o APF e
cumpridas todas as outras formalidades de praxe.
Na qualidade de advogado contratado pela família de James Rodriguez, que é primário
de bons antecedentes com endereço certo e família constituída, elabore a peça processual
buscando a medida cabível, excetuada a utilização do Habeas Corpus.

PADRÃO DE RESPOSTA

Endereçamento correto (Valor: 0,2)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DE


SENHOR DO BONFIM-BA

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Indicação correta do dispositivo que dá ensejo à apresentação da liberdade provisória – artigo


5º, LXVI da Constituição Federal em combinação com os artigos 310, III e 321, todos do Código
de Processo Penal (Valor: 0,6).

James Rodriguez, brasileiro, estado civil, músico, portador da Cédula de identidade


número ________, expedida pela _______, inscrito no Cadastro de Pessoa Física do Ministério
da Fazenda sob o número _________, residente e domiciliado na Rua _____________, nº ___,
bairro ________________ na cidade de Senhor do Bonfim-BA, por seu advogado abaixo
assinado, conforme procuração anexa a este instrumento, vem muito respeitosamente à
presença de Vossa Excelência, requerer a sua
LIBERDADE PROVISÓRIA POR AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA
Com fundamento no artigo 5º, LXVI da Constituição Federal, em combinação com os artigos
310, III e 321, todos do Código de Processo Penal, pelos motivos de fato e de direito a seguir
expostos:

Exposição dos Fatos (Valor: 0,4)

1. Dos Fatos

O requerente foi preso em flagrante no dia 11 de julho de 2014, sob alegação de ter
cometido o crime de homicídio, nos termos do art. 121, §2º, I do Código Penal, por ter
desferido algumas pancadas na cabeça da vítima que veio a falecer no local.
Após a condução até a Delegacia, foi interrogado, informando possuir bons
antecedentes, residência e trabalho e que praticou a conduta porque estava desesperado
diante da necessidade da quantia para comprar leite para seu filho, perdendo a cabeça.
Lavrado o auto de prisão em flagrante, todas as formalidades legais foram cumpridas.

Da total ausência dos pressupostos da prisão preventiva (Valor: 2,0)


- Indicar que não há fundamento que autorize a decretação da prisão preventiva, nos termos
do art. 312 do Código de Processo Penal. (Valor: 1,0)
- Indicar ainda que de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o crime de
tráfico de entorpecentes, apesar de inafiançável, permite o intento de liberdade provisória.
(Valor: 1,0)

2. Da total ausência dos pressupostos da prisão preventiva

Inicialmente cumpre esclarecer que o auto de prisão em flagrante respeitou os


pressupostos de legalidade material e formal, estando atualmente o indiciado preso e
aguardando decisão a ser proferida pelo juízo competente acerca do flagrante.
Entretanto, a manutenção da prisão em flagrante do acusado é completamente
desnecessária, tendo em vista que não estão presentes, no caso concreto, os requisitos
autorizativos da prisão preventiva constantes no artigo 312 do Código de Processo Penal,
enquadrando-se a hipótese nos moldes do art. 321 do mesmo diploma legal.
No caso concreto, patente a ausência de qualquer dos pressupostos da prisão
preventiva, pois o requerente, conforme se depreende de seu depoimento perante a
autoridade policial, possui bons antecedentes, identidade certa, residência fixa e trabalho, da
mesma forma que não demonstra qualquer conduta que pudesse justificar sua custódia
cautelar pelos requisitos indicados no art. 312 do Código de Processo Penal, razão pela qual
pode responder ao presente processo em liberdade.

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Além disso, é certo que a prisão se caracteriza como critério de absoluta exceção,
devendo-se observar o disposto no artigo 282, §6o, do Código de Processo penal o qual
estabelece a possibilidade de aplicabilidade das medidas cautelares previstas no artigo 319 do
Código de Processo Penal antes da decretação da prisão preventiva.
Assim sendo, inexiste qualquer perigo a ordem pública e econômica, pois não há
receio de que o requerente, se solto, volte a delinquir, não oferecendo periculosidade social.
Da mesma forma, não há fundamento para a decretação da preventiva por conveniência da
instrução criminal, pois inexistem indícios de que o acusado, se solto, venha a impedir a busca
da verdade real e obstar a instrução processual.
Por fim, não há fundamento para a decretação da preventiva para assegurar a
aplicação da lei penal, pois não há receio de que o requerente, se solto, venha a evadir-se do
distrito da culpa.
Vale ressaltar, inclusive, que apesar do crime de homicídio qualificado ser
inafiançável, conforme artigo 5º, XLIII da Constituição Federal, bem como previsão no art. 323,
II do Código de Processo Penal e art. 2º da Lei 8.072/90, não lhe é vedada a liberdade
provisória, desde que ausentes os pressupostos da prisão preventiva, como ocorre no caso
concreto.

Pedidos (Valor: 1,6)


- Pedido de concessão de liberdade provisória sem fiança, em virtude da ausência dos
requisitos autorizadores da prisão preventiva, nos termos do artigo 321 do Código de Processo
Penal (Valor: 0,4)
- Pedido subsidiário de aplicação das medidas cautelares previstas no art. 319 do Código de
Processo Penal, caso seja conveniente. (Valor: 0,4)
- Pedido de oitiva do representante do Ministério Público. (Valor: 0,4)
- Pedido de expedição de alvará de soltura, mediante o termo de comparecimento a todos os
atos do processo, quando intimado. (Valor: 0,4)

Ante o exposto, postula-se a Vossa Excelência, nos termos do artigo 310, inciso III, em
combinação com o artigo 321, ambos do Código de Processo Penal, a concessão da liberdade
provisória, visto que não há requisito autorizador para a decretação da prisão preventiva,
mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, quando intimado.
Contudo, face o critério da eventualidade, seja aplicada uma das medidas cautelares
indicadas no artigo 319 do Código de Processo Penal, conforme entenda conveniente.
Requer-se ainda, a oitiva do ilustre representante do Ministério Público e competente
expedição alvará de soltura.

Indicação correta da Comarca, Estado, Data (Valor: 0,2).

Termos em que,
Pede deferimento.

Senhor do Bonfim, data.


Advogado, OAB.

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