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Sonoridade do Trompete na Igreja


(Destinado aos membros cristãos praticantes do trompete na CCB)

Saudações! O objetivo desse artigo é trazer a reflexão sobre a


sonoridade ideal para os templos religiosos da CCB, cujo propósito maior é o
louvor e adoração a Deus através dos hinos tocados e cantados.
Há um consenso entre os renomados professores de trompete da
atualidade no que se refere ao soar bem no trompete (obter uma boa
sonoridade). Dois pontos são fundamentais:

1. APRENDER A SOPRAR CORRETAMENTE, dominando os


processos da Respiração (Expiração e Inspiração);
2. Rotina diária de exercícios específicos, que vão desde a
formação de uma sólida embocadura a um intelectuo-musical,
dentre os quais abrange o tema sonoridade.

Aparentemente parece ser simples, pois o corpo já faz isso naturalmente,


no entanto, para tocar instrumentos de sopro em geral é necessário mais ar.
O ar que o corpo absorve é para que os órgãos funcionem. No caso do
instrumentista, é fundamental que desenvolva, além da capacidade pulmonar,
o domínio da EXPIRAÇÃO e INSPIRAÇÃO, de tal forma que, possibilite a
manutenção dos pontos vitais (oxigenar o corpo) e a geração de sons. O ar é a
matéria prima para a produção sonora, e ferramenta importante para produzir
a vibração labial.

Pertencente à família dos metais, o trompete é o instrumento com a


tessitura mais aguda, tem como característica evidente a projeção sonora e seu
timbre brilhante. Em função disso, para cada estilo de música são empregados
timbres específicos. Assim, cores sonoras, texturas sonoras, entre tantos outros
adjetivos que podem qualificar um som, dentro de um determinado estilo
musical executado ao som do trompete.

O estilo da música erudita é constantemente praticado e adotado por


uma parcela considerável de algumas comunidades religiosas existentes aqui
no Brasil; Essas praticam o Cristianismo, do qual está inserida a nossa
comunidade. Breve definição: música clássica ou música erudita é o nome dado
à principal variedade de música produzida ou enraizada nas tradições da
música secular e litúrgica ocidental, que abrange um período amplo que vai
aproximadamente do século IX até o presente, e segue cânones preestabelecidos
no decorrer da história da música. As normas centrais desta tradição foram
codificadas entre 1675 e 1900, intervalo de tempo conhecido como o período da
prática comum.

Segundo o Dicionário Grove de Música, música erudita é música que é


fruto da erudição e não das práticas folclóricas e populares. O termo é aplicado
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a toda uma variedade de músicas de diferentes culturas, e que é usado para


indicar qualquer música que não pertença às tradições folclóricas ou populares.

(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_cl%C3%A1ssica)

No que se refere à qualidade sonora dos louvores, a música erudita é


um parâmetro de refinamento e pureza de sonoridade que deve ser estimulado
e exercitado por estudantes, musicistas e professores; Haja vista que a música
sacra insere-se dentro do contexto desse estilo musical. No sentido amplo da
palavra, a “música sacra” é uma derivação de composições eruditas ou (música
religiosa), voltadas aos cultos de qualquer comunidade religiosa.
Na história da música havia compositores que se esmeravam,
compondo obras destinadas à comunicação entre o homem e a divindade
suprema (Deus) dentro dos templos (de adoração e louvor). No Ocidente,
pode-se citar a importância dessa música na história, como as composições de
Cantos Gregorianos, as composições dos períodos Renascentistas com
(Palestrina e Josquin Desprês), o barroco com (Vivaldi, Haendel e Bach), o
classicismo com (Haydn e Mozart), o romantismo com (Bruckner e Gounod),
entre tantos outros compositores que, até os dias de hoje, oferecem suas obras
com inúmeros fins: louvar, agradecer, enaltecer a grandeza de Deus, etc.
Cita-se, ainda, o Oriente antes de Cristo, em trechos bíblicos que nos
relatam a preocupação que se tinha com a qualidade sonora dos instrumentos
musicais de época, o soar bem, era uma prioridade. Em Salmos exaltava-se o
louvor harmonioso: "Deus é o rei de toda a terra; salmodiai com harmonioso
cântico” (SALMOS, 47). Ainda Salmos, Davi falava a importância de tocar
bem: "Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo" (SALMOS 33).
O trompete é citado na Bíblia com a denominação trombeta. Nos
Manuscritos encontrados no Mar Morto há evidências que os músicos podiam
tocar uma variedade de sons neste instrumento. Em determinado momento
bíblico, Deus pediu que Moisés fizesse duas trombetas de prata para serem
usadas no tabernáculo (NÚMEROS 10).
Mais tarde, na inauguração do templo de Salomão, foram usadas 120
trombetas para produzir um som poderoso (2 CRÔNICAS 5).
O Apóstolo Paulo ao fazer a comparação entre dons na igreja utilizou-se
da música como analogia:

Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som,


seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como
se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara?
Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se
preparara para a batalha? (1 CORINTIOS).
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A bíblia ainda cita a importância da capacitação "Quenanias, chefe dos


levitas músicos, tinha o encargo de dirigir o canto, porque era entendido nisso”
(1 CRÔNICAS 15). A boa técnica musical era entendida como forma de louvar
a Deus e expulsar o mau espírito:
Disse Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem
que saiba tocar bem e trazei-mo. Então, respondeu um
dos moços e disse: Conheço um filho de Jessé, o belemita,
que sabe tocar e é forte e valente, homem de guerra,
sisudo em palavras e de boa aparência; e o SENHOR é
com ele. (1 SAMUEL 14)

Todas as citações contextualizadas denotam a preocupação que se


tinham com a qualidade sonora dos instrumentos, aliada a boa técnica musical.
Dadas estas explicações, sugerem-se alguns procedimentos para a
adequação da sonoridade ao executar um repertório sacro:
1° passo para obter-se uma percepção sonora do instrumento, seria
definir o estilo a ser praticado, haja vista o timbre executado em cada estilo,
podendo, por exemplo, ter mais brilho em um e menos em outro estilo;
2° passo é ouvir musicistas renomados (trompetistas), que tocam o
repertório do estilo escolhido (em nosso caso – erudito);
3° passo é praticar exercícios técnicos relacionados diretamente ou
indiretamente à sonoridade do instrumento, somando-se com a orientação
assistida de um bom professor, para estabelecer uma boa base de
conhecimentos sobre o assunto.
Esse processo é lento, dependerá da habilidade de cada estudante,
somente com o tempo e trabalho poderá ampliar a percepção das cores
sonoras. Além do estudo disciplinado e contínuo, quanto mais vezes ouvir
repertório escrito para trompete (hábito que deve ser cultivado), mais
perceptivo e criterioso se tornará nossos ouvidos e senso crítico.
Escolher e discernir o que é bom não são tarefas simples, pois cada
indivíduo possui numerosas percepções e conclusões da mesma abordagem
(tema), no entanto, há pontos que são comuns, e sobre esses se deve ter uma
reflexão.
Sugere aos estudantes de música e docentes que lecionam nas igrejas,
que possam carregar consigo a preocupação e responsabilidade de sempre soar
bem no contexto musical no qual está inserido.
Fica inviável soar um timbre de música popular em música sacra, o que
requer sempre um polimento e refinamento desde uma sonoridade a um
desempenho musical (performance). Portanto, se faz necessário o uso de
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referências sonoras, essa experiência só será possível ao ouvir sons de


trompetistas renomados que executem obras do repertório erudito, compostas
ou transcritas para trompete.
Com o fácil acesso, possibilitado pelas novas tecnologias, pode-se
facilmente criar mecanismos de aprendizado, como ler artigos científicos,
revistas, entre outros meios sobre o assunto, ouvir arquivos de áudio como
Cds, visualizar e ouvir vídeos expostos em Dvds e Youtube, etc.
No entanto a grande preocupação é saber filtrar o que é benéfico do que
é maléfico, sugere-se aqui, que se ouçam trompetistas renomados no cenário
artístico mundial, tais como: Mathias Höfs, Niklas Eklund, Francisco Pacho
Flores, Wynton Marsalis (repertório erudito), Ole Edvard Antonsem, Mirea
Farres, Charles Schlueter, Reinoldh Frederich, Allen Vizzuti, Alison Balson,
Tine Thing, entre outros. Há também grandes musicistas brasileiros como:
Anor Luciano Junior, Fábio Brum, Erico Fonseca, Paulo Mendonça, Tonico
Cardoso, Gilberto Siqueira, Marcelo Matos, Jessé Sadoc entre tantos outros que
poderiam ser citados, além de todos os sócios fundadores da ABT – Associação
Brasileira de Trompetistas (www.abtrompetistas.com.br)
Cita-se, ainda, um dos trompetistas que se destaca no cenário
profissional (1° Trompete do Teatro Municipal de São Paulo – Fernando
Lopez) que se dedica há anos, nas horas a parte de seu trabalho, direcionados à
gravação de hinos sacros (louvores), levando a sonoridade do trompete adiante
nesse estilo. Trata-se de uma referência sonora, técnico-interpretativa que,
somados, trarão avanços e uma sólida maturidade musical.
A sonoridade do trompete deve ser acompanhada de vários adjetivos,
estes denotarão a preocupação com a qualidade do louvor dentro dos templos.
Deste modo, algumas condutas são desejáveis:
 Deve-se ter em mente uma sonoridade ampla, uma vibração
labial equilibrada e enriquecida com harmônicos, o que difere de um som
estridente, agressivo; Um som ressoante, por exemplo, não deverá ser
confundido com a intensidade forte; Ressonância e intensidade são coisas
distintas.
 Um som que tenha equilíbrio dentro da extensão, escuro no grave
e brilhante no agudo, por exemplo, talvez fuja do propósito timbrístico, o soar
com uniformidade, em equilíbrio dentro da extensão do instrumento (valorizar
as cores sonoro-harmônicos, assim como um pintor utiliza-se de diversas
texturas e cores quando pinta uma tela);
 Soar afinado, com equilíbrio sonoro (equalização/quando soa em
conjunto) e sincronizado (rítmica) dentro e fora do grupo musical ao qual está
inserido; Prestar atenção quanto à acústica, uma igreja poderá ter mais ou
menos reverberação, isso acarretará em usar uma articulação apropriada, seja
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ela mais curta ou mais alongada conforme a necessidade (dar formas aos sons:
staccato, tenuto, etc.);
 Um som claro e colorido, ou seja, um som definido e belo, sempre
comparando aos cantores profissionais, de ópera por exemplo. Observemos
que cantar é diferente de falar e do gritar (extremo), existe um equilíbrio de
sonoridade vocal.
Enfim são muitos adjetivos a serem refletidos, trabalho esse que
devemos fazer antes de tocar e posteriormente colocar na medida do possível
em prática.
Percebe-se que as pessoas almejam um bom som e o buscam por meio
de bons equipamentos, com variados modelos de bocais e trompetes, pré-
julgando esse ser o famoso, ou um dos “pulos do gato” para atingir uma boa
sonoridade.
Um bom equipamento tem grande valor somente quando há a
compreensão do funcionamento do corpo. As indagações devem ser uma
constante na rotina de estudos de um estudante, saber como surgem os sons no
trompete, quais funções de cada parte do corpo envolvidas no sopro do
instrumento e as dinâmicas de atividades envolvidas em cada processo. O
treinamento é imprescindível, teoria sem a prática ou vice-versa, seria como se
tomasse uma dose de medicação bem reduzida para combater determinada
infecção, ou seja, não haveria êxito no tratamento patológico, continuaria
enfermo e não curado.
Outra abordagem importantíssima sobre o tema é frisar que apesar de
os objetivos iniciais serem praticados individualmente (sonoridade), sempre
percorreremos um caminho musical acompanhados de outros músicos (tocar
em conjunto); Sejam os louvores acompanhados de uma orquestra de câmara,
de um piano, de um órgão, formação de uma orquestra de sopros, de voz, etc.;
Esses acompanhamentos nos denotam o quanto temos que nos preocupar em
soar em conjunto e não individualmente somente. A beleza da palavra
“HUMILDADE” traz essa reflexão, de doar-se para um resultado coletivo e
não individual; Quando não praticamos a humildade, fica evidente a postura
desse membro do corpo musical (músico), à necessidade de sempre ser o
centro das atenções; Acreditamos que o intuito maior é de sempre estar
direcionando os louvores e adoração ao ser supremo (Deus) com qualidade e
homogeneidade, pois ele merece o nosso melhor, independente dos anseios
pessoais e dos níveis de conhecimentos mistos que há no grupo musical de sua
comunidade religiosa. Pense e reflita nisso!
O intuito desse texto é trazer uma breve reflexão, de que tudo tem um
preço, algo a ser conquistado como uma boa sonoridade requer de cada
musicista pesquisa, perseverança, paciência e dedicação; Sobretudo humildade
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para subir (agregar mais conteúdo) ou descer (reaprender, absorver um novo


conteúdo) se necessário for os degraus do conhecimento. Um bom professor
terá as ferramentas e o remédio (motivação/conhecimento/exercícios, etc.)
com doses certas para trabalhar e sanar problemas relacionados à sonoridade.
Ficam aqui então estas singelas orientações aos iniciantes, músicos e
professores que lecionam na igreja e desejam soar bem no trompete.
Sendo os cristãos unânimes que os louvores direcionados à Deus nas
igrejas, devem ter toda nossa reverência e respeito; Além de primar por uma
boa qualidade, é sabido também que o mesmo é uma ferramenta de salvação,
renovação, construção, cura, unção, e tantos outros atributos que poderiam
aqui ser mencionados.
Minha gratidão a Deus pela oportunidade de compartilhar essas
palavras convosco.
Concluo esse artigo com sugestões de renomados professores e músicos
que tocam o trompete, dando vossas opiniões e deixando sábias reflexões,
quanto à qualidade timbrística e o sentimento de louvar a Deus nas igrejas.

Pergunta aos sócios fundadores da ABT e outros


professores colaboradores (trompetistas contatados por e-
mails):
Qual é o seu pensamento quanto à sonoridade do
trompete na igreja (texturas, cores sonoras), pautando a
qualidade do timbre e o sentimento do louvor nas igrejas?

RESPOSTAS:

• Prof. Dr. Heinz Schwebel professor UFBA e 1° Trompete da


OSBA –
Currículo Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4700759E4

Caro Fabio, não faço nenhuma mudança específica no meu conceito de som pelo fato de
estar tocando numa igreja. Não é o local, mas sim a música que deve determinar o
conceito sonoro, em minha modesta opinião. A igreja, caso tenha uma acústica muito
viva (como acontece normalmente) terá um efeito na minha escolha do tempo (mais
lento que numa acústica seca) e da articulação do stacatto (mais curta que numa
acústica seca). Espero ter ajudado! Abs.
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• Prof. Dr. Maico Viegas Lopes professor UNB


Currículo Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4238993Z4

Olá Fábio! Parabéns pela sua iniciativa. Ao longo destes anos você tem
demonstrado um grande comprometimento com os estudos e com tudo que envolve o
trompete e isso é muito bom, tem feito você crescer bastante. Sobre tocar em igrejas, eu
não costumo tocar em missas ou cultos, mas toco em casamentos.
Se você pensar em termos de acústica, geralmente as igrejas produzem bastante
reverberação do som (eco). Portanto, se seu som sair feio, você vai ouvi-lo por mais
alguns segundos com certeza!
Por outro lado, penso que essa acústica favorece a prática do nosso instrumento. Se você
produz um som com harmônicos, esses harmônicos também vão se propagar e se repetir,
fazendo com que seu som fique mais complexo, mais rico.
Não aconselho o uso do vibrato para não "chocar" com as ondas de reverberação
produzidas pela acústica da sala.
Sobre a carga emocional, bem, isso varia de acordo com cada pessoa, mas acredito sim
que é possível expressar sentimento através do nosso instrumento, seja este sentimento
de alegria, adoração, tristeza, etc.
Espero ter ajudado.
Grande abraço.

Prof. Moisés Alves – Trompetista da OSCS Brasília DF


Currículo:
http://www.abtrompetistas.com.br/site/?p=176

Olá Fábio, é sempre um prazer falar contigo. Quando se fala em som (trompete) me
lembro do salmo 33 "tocai bem e com júbilo", outra passagem a do rei SAUL, que
mandou chamar um músico que tocasse bem, chamaram a Davi e o resto da história só
lendo a BÍBLIA.. Penso que o som ideal seria um timbre cheio de harmônicos, afinado e
penetrante, o trompete na Bíblia tem a função de chamar e alertar os soldados para a
guerra, mas também com o passar dos anos ele tomou um papel solista até os dias de
hoje. O louvor na igreja atualmente tem sido bombardeado pelo barulho, mas nem
sempre foi assim, há corais de metais além dos tradicionais (vozes), que sempre
inundara os cultos pelo mundo afora, o segredo é manter o sacro e suas características,
afinação, conjunto, harmonia, letra, dedicação à causa do reino...

• Prof. Fernando Lopez membro CCB – 1° Trompete da OSMSP -


Amém irmão Fábio. Em minha opinião o trompetista na Congregação Cristã no Brasil
tem que buscar uma sonoridade mais escura e menos brilhante. O volume de som não
deve em hipótese alguma ultrapassar um Mezzo Forte. Seria muito bom termos em
nossas orquestras e explorarmos mais o flugelhorn.
Esse colaboraria com a suavidade na dinâmica. O Fliscorne ou flugelhorn atuando no
contralto ou soprano dependendo da necessidade, gerará um maior equilíbrio sonoro no
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naipe de trompetes e orquestra. A maneira como pensamos musicalmente ao executar


cada hino também é muito importante.
Pensar como se estivesse cantando é sempre uma maneira muito eficaz. Articular de
maneira correta é fundamental para que essa prática tenha êxito.
Não posso articular com as mesmas sílabas o hino nº1 e o nº190, por exemplo.
Podemos notar nitidamente que a melodia se faz mais sentimental em um hino. No
outro hino o caráter mais imponente tende a transmitir um encorajamento.
Porém é importante ressaltar que é possível executar qualquer melodia de caráter
imponente sem deixar de transmitir o sentimento que toca os corações.
É possível articular com menos golpe de língua e mais ar. Isso muda completamente o
resultado final. Por fim termino dizendo que tudo o que nos propusermos a fazer deverá
ser exaustivamente estudado e pesquisado por cada um de nós.
O resultado final tem que estar em mente, esse é o que importa. Se isso estiver claro para
o músico resta a ele buscar esse objetivo com muita dedicação nos estudos. Lembrando:
O que funcionou para um grande Mestre pode ser que não funcione com você. Então se
descubra, ouse e não tenha medo.

Deus Abençoe!

• Prof. Eduardo Madeira - Trompetista da OSMSP –

Caro Fábio!
Agradeço pelo seu contato. Aqui tudo bem, graças a DEUS, obrigado.
Espero que esteja tudo bem com você, também. Desejo sucesso em sua pesquisa, em seus
estudos.
Como você me perguntou, a respeito da sonoridade do trompete, na igreja.
Fico feliz se eu puder te ajudar apenas com um breve comentário, uma opinião a
respeito.
É sempre um momento especial quando podemos celebrar e agradecer à DEUS por suas
bênçãos. Penso ser uma felicidade poder fazer isso através de um instrumento (um dom
especial dado por ELE a nós). Em minha humilde opinião o som do trompete deveria
sempre ser o mais musical e bonito possível, deveria ser um som centrado, com foco, com
harmônicos, ter o brilho que se espera do som do instrumento, sem com isso deixa-lo
claro demais. Penso ser importante não ser nunca "ardido ou estridente" sempre ser
agradável e musical a quem o escuta. Como uma voz que faz parte de um grande coro, o
som deveria ser "Cantado", sempre que possível ser um som somando-se com as outras
vozes e instrumentos.
Espero poder te ajudar, que isso possa ser útil.
Um abraço, Eduardo Madeira.

• Prof. Marcelo Matos - Trompetista da OSESP

O músico trompetista deve ter muito cuidado em diferentes acústicas em que toca, uma
delas é a igreja. As igrejas, em sua maioria, possuem uma acústica reverberante, com
isso devemos aproveitar essa ajuda sonora em nosso favor. Não precisamos tocar muito
forte preze a beleza e o conforto.

• Bruno Sigilião – Sócio Fundador ABT


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Boa noite, Fábio.


Na minha humilde opinião, afinal não sou nenhum catedrático e nem sequer trompetista
profissional - no sentido de viver disso -, eu diria que não existe um som de trompete
ideal ao uso nas igrejas e explico o por quê.

Existem igrejas dos mais diferentes tipos: tradicionais, avivadas, pentecostais, etc.
Assim como os costumes variam de igreja para igreja, também o tipo de música varia de
uma denominação para outra, ou mesmo dentro de uma mesma igreja. Eu mesmo
frequento a Assembléia de Deus e o som da orquestra ao tocar um arranjo sinfônico de
algum hino como mensagem musical é completamente diferente do som da mesma
orquestra tocando os corinhos conduzidos pela equipe de louvor. Fora isso, ainda temos
uma big band, que se apresenta mensalmente e a proposta de som é totalmente diversa
das duas mencionadas anteriormente.
Se cada contexto pede um tipo de som e um tipo de linguagem, faz-se necessário que o
trompetista saiba identificar como deve se portar em cada contexto, sem nunca esquecer
que a razão dele estar ali, não é outra, que não seja a de adorar ao Criador dos céus e da
terra - e nunca querer se sobressair sobre os demais.
Enfim, não sei se ajudei muito, mas penso que a intenção seja a de apoiar
principalmente o louvor congregacional, ou seja, o canto que vem da congregação como
um todo e que se pense sempre em elevar aqueles que nos ouvem à Deus - de forma que a
Sua presença flua no meio da igreja e seu Espírito encha os corações daqueles que nos
ouvem.
Um grande abraco!
Bruno Sigilião

• Gabriel Dias – Trompetista Verbier Chamber Orchestra Suiça


Trompetista formado pela Juilliard School em Nova York e atualmente
membro da Verbier Chamber Orchestra, Suiça.

O trompete e a igreja
O trompete desde sua criação, por volta de 1500 A.C., sempre foi utilizado em eventos
militares e religiosos como grande objeto de comunicação.
No final da Idade Média e ao longo da Renascença passou a ser fabricado com mais
refinamento e no início da era barroca ganhou novo dinamismo com a introdução de
válvulas de escape de ar que possibilitaram maior virtuosismo ao instrumento. Na
chamada “Golden Age of the natural trumpet” (1600-1750) foram muitos os
compositores que escreveram para o que hoje chamamos de trompete barroco ou
trompete natural. Antonio Vivaldi, George Telemann, Frederic Handel e Johan
Sebastian Bach são alguns dos compositores que usaram o instrumento em obras
religiosas que são executadas até hoje em salas de concerto e igrejas por todo o mundo.
Dois exemplos de peças que fazem extenso uso do trompete provindas dessa época são a
Cantata Magnificat, e a Missa em Si menor de J.S Bach, compostas na Alemanha no
século18.
Por ser um instrumento de destaque e de grande comunicação desde sua origem, na
igreja não poderia ser diferente. A relação do trompete com as instituições religiosas vem
de muitos séculos e continua até hoje, como podemos notar em cerimônias de casamento,
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por exemplo. Com o seu soar imponente e majestoso ele toca o coração das pessoas de
forma direta, mas agradável. Portanto, não é coincidência que compositores como Bach e
Handel, tenham usado tanto o instrumento em suas obras e que o próprio anjo Gabriel,
como mensageiro de Deus usasse outro instrumento se não o trompete.

• Gerson Brandino – Prof. do conservatório e Trompetista da


Banda Sinfônica do Conservatório de Música de Tatuí - SP.

Olá Fábio. Primeiramente te agradeço por poder escrever sobre isso e parabéns pelo
trabalho. Não sei se você sabe, mas algum tempo atrás voltei a ser mais participante
dentro da igreja católica da qual faço parte. Não demorou a receber convites para tocar.
Gostaria de te contar algo que me marcou como trompetista dentro da igreja. Teve um
dia (na verdade era noite) e eu estava tocando no grupo de oração. Nesse dia havia sido
convidado um pregador de Itapetininga e no final da pregação ele comentou sobre anjos
que se faziam presente ao escutar o som do trompete. Há outras experiências muito
bonitas que passei como trompetista na igreja, mas é essa que quero te contar. Acredito
que tecnicamente vai variar de uma igreja pra outra, mas eu prefiro as igrejas que
proporcionam mais ressonância. Sobre o que é um som bonito pra mim acredito que isso
seja algo individual de cada um mesmo, porém acredito que você pode tocar melhor
tecnicamente quando estiver tocando na igreja. Espero ter ajudado abraços.

• Sílvio Flórido – Trompetista da Banda Sinfônica do Estado de


São Paulo.

Caro Fabio, tudo na vida tem que ter uma direção, ou uma maneira de se fazer e na
musica não é diferente. Falar da sonoridade do trompete na igreja, nos remete ao seu
comentário inicial onde frisa bem a importância do instrumento na historia da musica e
também na historia da igreja e isso aumenta nossa responsabilidade.
Os dados básicos de como tocar esse instrumento, são para todos os que o fizerem, ou
seja, não podemos mais admitir que pessoas comuns e ou lideranças religiosas só vejam
o trompete ou a musica como uma coisa puramente divina, o tal do “Dão” e não “Dom”
porque Deus realmente capacita os chamados (Albert Einstein), mas estes têm
responsabilidades no aperfeiçoamento daquilo que lhe foi dado.
Pensar que o “levita” (que servia no templo como musico, mas também na manutenção
diária) que servia na casa do Senhor era extremamente capacitado e passava por varias
fazes antes de trabalhar no templo. Eram profissionais!
Vemos então que a maneira de se encarar a musica na igreja e consequentemente o tocar
trompete não é tão simples assim e requer empenho também de nossa parte.
Penso que a sonoridade do trompete na igreja, seja fruto de estudo serio e de boas
audições que irão dar ao trompetista (ou musico) subsídios para saber se colocar dentro
daquele contexto acústico, harmônico, estilístico etc. Muitas são as criticas que fazem a
respeito do trompete, são até verdadeiras porque muitos de nós pensamos na música
apenas melodicamente e deixam de escutar e se preocupar com a harmonia e a função do
trompete naquela composição. Isso fica claro no Brandenburgo nº 2 onde muitas vezes o
trompete faz apenas partes secundárias e de apoio, mas que mal executadas, sobrepõe
solos de outros instrumentos que deveriam aparecer mais.
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A música é percepção, é movimento e nisso temos que com o preparo necessário


aprender a senti-la de uma forma mais abrangente respeitando e buscando sempre
interpretá-la da maneira mais fidedigna possível porque pensando assim sempre
estaremos cumprindo exemplarmente a nossa parte.
Grande Abraço e espero de contribuído.

Silvio Flórido
Bel. em Trompete
Banda Sinfônica do Estado de São Paulo
Quinteto Metal Arte
Presbítero Igreja Presbiteriana Vila Monte Alegre - São Paulo – SP

• Jorge Scheffer – Prof. UNESPAR – EMBAP

Prezado Fábio

Acredito que raramente tocaremos o nosso trompete de forma solitária na Igreja, ou seja,
sempre estaremos acompanhados por um ou mais músicos (trompete e piano, quinteto
de metais, bandas sinfônicas, big band, orquestras, entre outras formações). E é nesta
condição que devemos exercitar um dos mais valiosos valores humanos: a
HUMILDADE. Saber compartilhar, ouvir, dialogar, se impor com conhecimento (‘e não
com a força’), bem como, externar as opiniões musicais de forma respeitosa são algumas
das ações que favorecerão o ato de tocar em grupo. É esquecer o EU em razão do NÓS,
ou seja, a somatória dos valores positivos dos seres humanos, externados através do
fazer musical consciente, trarão uma sonoridade adequada a cada ambiente (seja na
igreja ou em uma grande sala de concerto). E é esta sonoridade que irá tocar os corações
e a alma de todas as pessoas envolvidas (músicos e comunidade), pois ali se encontram
muito mais do ‘belos sons’ e sim a essência dos DIVINOS valores humanos.
A humildade precede a Glória (Provérbios).

Atenciosamente
Jorge A. Scheffer
Professor de Ensino Superior - UNESPAR/EMBAP
Diretor Artístico/Maestro da OSPG

Saudação a todos, texto digitado: 02 Fevereiro 2014 e correções finais em 18 de


Janeiro de 2015.
Autor: Fábio Souza Pinto - Curitiba PR - (souzatrump@ibest.com.br)
Bacharelando Trompete – UNESPAR - EMBAP
Colaboradores: professores sócios fundadores da ABT, sócios estudantes da
ABT, demais amigos professores e trompetistas.