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Giovanni Seabra

(Organizador)

Educação ambiental:
biomas, paisagens e o saber ambiental

Ituiutaba, MG

2017
© Giovanni Seabra (Org.), 2017.
Arte Gráfica e editoração: Alex David Silva de Assis, Claudia Neu, Gabriel de Paiva Cavalcante,
Laciene Karoline Santos de França, Laysa Borba e Silva, Loester Figueirôa de França Filho e Maria
Imaculada de Andrade Morais.
Editor: Anderson Pereira Portuguez
Arte da capa: Gabriel de Paiva Cavalcante

Contatos:
www.cnea.com
ambiental.gs@gmail.com

Editora: Barlavento
Prefixo editorial: 68066
Braço editorial da Sociedade Cultural e Religiosa Ilé Asé Babá Olorigbin.
CNPJ: 19614993000110
Caixa postal nº 9. CEP 38.300-970, Centro, Ituiutaba, MG.

Conselho Editorial:
Mical de Melo Marcelino (Editor-chefe)
Anderson Pereira Potuguez (Editor da Obra)
Antônio de Oliveira Junior
Claudia Neu
Giovanni de Farias Seabra
Hélio Carlos Miranda de Oliveira
Leonor Franco de Araújo
Maria Izabel de Carvalho Pereira
Jean Carlos Vieira Santos

Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental / Giovanni Seabra


(Organizador). Ituiutaba: Barlavento, 2017. 1440p.

ISBN: 978-85-68066-53-9

1. Educação Ambiental; 2. Biomas; 3. Paisagens


I. SEABRA, Giovanni

Os conteúdos a formatação de referências e as opiniões externadas nesta obra são de


responsabilidade exclusiva dos autores de cada texto.

Todos os direitos de publicação e divulgação em língua portuguesa estão reservados à Editora


Barlavento e aos organizadores da obra.
APRESENTAÇÃO
Educação Ambiental - Biomas, Paisagens e o Saber Ambiental

Água, Terra, Fogo e Ar são os pilares de sustentação do V Congresso Nacional de Educação


Ambiental e VII Encontro Nordestino de Biogeografia, realizados, simultaneamente, no período de
9 a 12 de outubro de 2017, na cidade de João Pessoa, estado da Paraíba, Brasil.
Apoiados no tema geral Os quatro elementos da natureza na sustentabilidade dos biomas
brasileiros, os eventos reuniram 800 congressistas, cujos trabalhos apresentados foram publicados
em cinco livros, com distintos temas atuais versando sobre a sociedade e o meio ambiente.
Os quatro elementos fazem parte e sustentam a vida no Planeta desde a sua origem. A água
mantém e revigora a vida, garantindo aos seres crescimento, regeneração, reprodução e perpetuação
das espécies. A terra é o lastro da geodiversidade e suporte da biosfera, abrangendo as terras
continentais e insulares, o solo, o subsolo e o fundo dos mares. O fogo é a fonte de energia criadora
da Terra, do Sol, das estrelas e de tudo o que existe no Universo; é responsável pela germinação das
plantas e o suprimento alimentar do mundo animal. O ar oxigena o espaço vital renovando os
lugares e perpetuando a biodiversidade.
Distintas civilizações e grupos sociais cultuam os quatro elementos como base de equilíbrio
do ser. O elemento Água está associado à bioquímica, ás emoções e os sentimentos; o elemento
Terra oferece ao corpo a matéria composta de substâncias minerais; o elemento Fogo governa a
energia, a intuição e o poder; o elemento Ar é condutor das energias sutis que elevam o ser humano
à esfera espiritual.
Os artigos presentes nesta obra abordam os temas socioambientais que despertam o interesse
da sociedade e, portanto, do meio científico-acadêmico, tais como Biogeografia, Biodiversidade,
mudanças climáticas e geoecologia das paisagens. Por outro lado, as reflexões, fruto da pesquisa
científica, trazem possíveis soluções para as questões ambientais prementes, envolvendo a
legislação e o direito ambiental, as políticas públicas e a segurança alimentar.

Giovanni Seabra
Sumário
Biogeografia e Biodiversidade ..............................................................................................15
COMPOSIÇÃO DA MEIOFAUNA NO ESTUÁRIO DO RIO FORMOSO, PE, BRASIL ........ 16

ATIVIDADE DE VOO DA ABELHA SEM FERRÃO Frieseomelitta doederleini (APIDAE,


MELIPONINI) EM UMA ÁREA DE DOMÍNIO DA CAATINGA ............................................ 24

A ABORDAGEM DA BIODIVERSIDADE AQUÁTICA E IMPACTOS AMBIENTAIS NO


ENSINO FUNDAMENTAL UTILIZANDO ATIVIDADES INVESTIGATIVAS ..................... 37

INFLUÊNCIA DA PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NA DIVERSIDADE DE


MOLUSCOS NA PRAIA DOS CARNEIROS, PE, BRASIL ....................................................... 48

BIOMAS NORDESTINOS: UM ESTUDO NO ÂMBITO DA MATA ATLÂNTICA E DA


CAATINGA ................................................................................................................................... 59

INTERAÇÃO ECOLÓGICA DE ECHINODERMATA E MACROALGAS NA PRAIA DOS


CARNEIROS, PE, BRASIL .......................................................................................................... 68

APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE VEGETAÇÃO POR DIFERENÇA NORMALIZADA PARA


ANÁLISE DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL NA SERRA DOS CAVALOS - PE................. 79

CARACTERIZAÇÃO E DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DE PONTOS AMOSTRAIS NA


REGIÃO DO PONTAL DO PARANAPANEMA, SÃO PAULO, BRASIL. .............................. 91

INVENTÁRIO ETNOBOTÂNICO DE PLANTAS MEDICINAIS NA COMUNIDADE DE


TITARA, PILÕES-PB, NORDESTE DO BRASIL .................................................................... 101

EXPERIMENTANDO O MUNDO: REFLEXÕES INICIAIS SOBRE O CAMPO BIO-


GEOGRÁFICO NA PERSPECTIVA HUMANISTA ................................................................. 111

SÍNDROMES DE DISPERSÃO E POLINIZAÇÃO EM UM REFÚGIO VEGETACIONAL DA


CAATINGA ................................................................................................................................. 122

FITOSSOCIOLOGIA EM FRAGMENTOS DE MATA DE BREJO DE ALTITUDE, SERRA


DO ESPINHO, PILÕES - PB ...................................................................................................... 136

ESTUDO DO MEIO: CONHECENDO UM REMANESCENTE FLORESTAL OMBRÓFILO


DENSA SUBMONTANA EM ESTÁGIO DE REGENERAÇÃO MÉDIO ............................... 145

DIVERSIDADE DA FLORÍSTICA DO SÍTIO FUNDÃO E DA FLONA DO ARARIPE-


APODI/CE ................................................................................................................................... 156
DIVERSIDADE DE SAMAMBAIAS DA FONTE DAS GUARIBAS, CAMPO ALEGRE,
MUNICÍPIO DE CRATO, CEARÁ ............................................................................................ 163

CHECKLIST DOS FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES NA REGIÃO NORDESTE


DO BRASIL................................................................................................................................. 171

LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DAS ESPÉCIES VEGETAIS NA UNIVERSIDADE


FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, CERES-CAICÓ .................................................. 181

LEVANTAMENTO FLORÍSTICO E ESTRUTURAL DE UM FRAGMENTO DE CAATINGA


E SEU POTENCIAL DE CAPTURA DE CARBONO............................................................... 191

EMPREGO DO PREDADOR Euborellia annulipes NO CONTROLE BIOLÓGICO DO


PULGÃO Brevicoryne brassicae SOB DIFERENTES TEMPERATURAS .............................. 197

FAUNA URBANA: OS ANIMAIS SINANTRÓPICOS NO CAMPUS I DA UDESC -


FLORIANÓPOLIS/SC ................................................................................................................ 203

REGISTRO DA FAUNA SILVESTRE ATRAVÉS DE FICHAS CATALOGRÁFICAS:


PARQUE MUNICIPAL DA LAGOINHA DO LESTE, FLORIANÓPOLIS, SC...................... 214

Geoecologia das Paisagens ..................................................................................................226


ANÁLISE MACROMORFOLÓGICA, FÍSICA E QUÍMICA DOS SOLOS DA COMUNIDADE
VENEZA NA SERRA DO ESPINHO, PILÕES/PB ................................................................... 227

EMISSÃO DE CO2 EM SOLO SOB PASTAGEM NA REGIÃO AGRESTE DA PARAÍBA . 238

SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS DO RIO ESPINHARAS NO TRECHO URBANO DO


MUNICÍPIO DE SERRA NEGRA DO NORTE/RN .................................................................. 249

SITUAÇÃO ATUAL DOS DEPÓSITOS TECNOGÊNICOS URBANOS EM IMPERATRIZ


(MA) A PARTIR DO AGLOMERADO POPULACIONAL DENOMINADO GRANDE
CAFETEIRA ................................................................................................................................ 259

ANÁLISE SOCIOAMBIENTAL DO RIO APODI-MOSSORÓ NO TRECHO DE PAU DOS


FERROS/RN ................................................................................................................................ 269

PERCEPÇÃO SOCIOAMBIENTAL DOS USUÁRIOS DA PRAIA DO OLHO D‘ÁGUA,


MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS, MARANHÃO .............................................................................. 281

TEOR DE CARBONO ARMAZENADO EM UM ARGISSOLO SOB UMA DISJUNÇÃO DE


FLORESTA OMBRÓFILA ABERTA, E SOB ÁREA DE PASTAGEM .................................. 292

A INFLUÊNCIA DA ANTROPIZAÇÃO NA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA


EXTRAÇÃO DE AÇAÍ E DE CASTANHA-DO-PARÁ NA AMAZÔNIA.............................. 302
MAPEAMENTO E PERCEPÇÃO AMBIENTAL DA COMUNIDADE DO MANGUE SECO,
NO MUNICIPIO DE RAPOSA, DO MARANHÃO COMO CONTRIBUIÇÃO PARA A
OCEANOGRAFIA SOCIOAMBIENTAL.................................................................................. 313

Mudanças Climáticas, Natureza e Sociedade....................................................................324


A PASSAGEM DE UM TORNADO NO MUNICÍPIO DE TAPEJARA/RS ............................ 325

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE TEMPERATURA DE SUPERFÍCIE NA MALHA


URBANA DE ARAGUARI/MG, UTILIZANDO-SE BANDA TERMAL DO SATÉLITE
LANDSAT 8 ................................................................................................................................ 333

CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA DA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA DE SÃO LOURENÇO,


MT................................................................................................................................................ 342

AVALIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA PRECIPITAÇÃO DO MUNICÍPIO DE PATOS-PB


...................................................................................................................................................... 351

Planejamento e Gestão de Áreas Protegidas .....................................................................358


SERRA DO TORREÃO: POTENCIALIDADES PARA CRIAÇÃO DE UMA UNIDADE DE
CONSERVAÇÃO NA CAATINGA NO RIO GRANDE DO NORTE, BRASIL ..................... 359

A CRIAÇÃO DO PARQUE ECOLÓGICO MUNICIPAL DA SERRA DO LENHEIRO,


MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DEL-REI/MG, NA PERSPECTIVA DOS MORADORES DOS
BAIRROS TEJUCO E SENHOR DOS MONTES...................................................................... 371

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO PARQUE: UMA PROPOSTA PARA INSERÇÃO DA


DIMENSÃO SOCIOAMBIENTAL ATRAVÉS DO TRABALHO DE CAMPO ..................... 381

EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA NA SOLUÇÃO DE CONFLITOS


AMBIENTAIS URBANOS DO MUNICÍPIO DE QUIXADÁ-CE............................................ 392

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UMA NECESSIDADE COTIDIANA ........................................ 401

UMA ANÁLISE AMBIENTAL DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DO PARQUE


ESTADUAL HORTO DOIS IRMÃOS, LOCALIZADO NA REGIÃO METROPOLITANA DO
RECIFE- PE ................................................................................................................................. 409

OS EFEITOS DAS ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL ASSOCIADAS ÀS


PRÁTICAS DO ECOTURISMO NO PARQUE ESTADUAL DE DOIS IRMÃOS, RECIFE-PE
...................................................................................................................................................... 415

EVOLUÇÃO DO PROCESSO DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO DAS UNIDADES DE


CONSERVAÇÃO DO ESTADO DO MARANHÃO .................................................................. 423
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA PRÁTICA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO
PARQUE ECOLÓGICO BAGUAÇU, MUNICÍPIO DE ARAÇATUBA - SÃO PAULO ........ 433

A CONSTRUÇÃO E APLICAÇÃO DE UM ROTEIRO GUIADO NO PARQUE PARREÃO I,


FORTALEZA – CE ..................................................................................................................... 442

GEOTURISMO E GEOCONSERVAÇÃO PARA O GEOSSÍTIO CÁRSTICO GRUTA DO


URUBU REI, LAGOA DOS PATOS - MG ................................................................................ 449

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: TRABALHANDO A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO


DE NASCENTES NA COMUNIDADE PIROÁS, REDENÇÃO, CEARÁ.............................. 457

A IMPORTÂNCIA DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL DAS NASCENTES DO


MUNDAÚ PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL INCLUSIVA .............................................. 466

AS TRILHAS COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: O CASO DO


MANGUEZAL DO RIO COCÓ.................................................................................................. 473

PLANEJAMENTO E GESTÃO AMBIENTAL DE ÁREAS PROTEGIDAS:


CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DA BACIA DO CÓRREGO DO ÓLEO EM
UBERLÂNDIA – MG ................................................................................................................. 485

COMO VARIA O NÚMERO DE ESPÉCIES NAS CATEGORIAS DE AMEAÇA DA IUCN


NO CARIBE CONTINENTAL E INSULAR? ........................................................................... 494

A DIVERSIDADE VEGETAL CATARINENSE: O CASO DO PARQUE MUNICIPAL DA


LAGOA DO PERI, FLORIANÓPOLIS, SC. .............................................................................. 505

APENAS VISITAÇÃO EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO NÃO PROMOVE


CONCEPÇÃO AMBIENTAL ..................................................................................................... 516

Riscos, Impactos e Desastres Naturais ...............................................................................525


IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS E AMBIENTAIS DA EXTRAÇÃO DE CAULIM NO
MUNICÍPIO DE JUNCO DO SERIDÓ-PB ................................................................................ 526

RIO CAPIBARIBE MIRIM E A DEGRADAÇÃO ANTRÓPICA: ESTUDO DE CASO DO


GRUPO HIDROCAMPUS .......................................................................................................... 539

USO DE LIQUENS COMO BIOINDICADORES DA QUALIDADE DO AR, NO PARQUE


VILLA-LOBOS DA CIDADE DE SÃO PAULO – SP. ............................................................. 548

CENÁRIOS DO COTIDIANO, IMPACTOS ASSOCIADOS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL:


ESTUDO DE CASO NA COMUNIDADE SÃO RAFAEL EM JOÃO PESSOA – PB ............ 559
CARGAS AMBIENTAIS ASSOCIADAS A UM PROTÓTIPO DE BOMBA DE CALOR
PARA DESUMIDIFICAÇÃO E AQUECIMENTO DO AR ...................................................... 571

IMPACTOS AMBIENTAIS DA ATIVIDADE SALINEIRA EM MOSSORÓ/RN .................. 580

ABSORÇÃO DO TEBUTHIURON EM SOLOS COM DIFERENTES TEORES DE MATÉRIA


ORGÂNICA PELO MÉTODO DE BIOENSAIO....................................................................... 591

ESTUDO DA EROSÃO MARINHA E VULNERABILIDADE DAS PRAIAS DA PAJUÇARA


E PARTE DA PONTA VERDE, MACEIÓ-AL.......................................................................... 601

IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES DAS EXTRAÇÕES INADEQUADAS DE


GRANITOS NA CIDADE DE BOM JARDIM-PE .................................................................... 613

OCORRÊNCIA DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS EM UM RESERVATÓRIO DE


ABASTECIMENTO PÚBLICO NO CEARÁ ............................................................................ 621

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: INSTRUMENTO PARA DIFUSÃO DO CONHECIMENTO


ACERCA DA POLUIÇAO ATMOSFÉRICA OCASIONADA PELA QUEIMA DA PALHA
DA CANA-DE-AÇÚCAR ........................................................................................................... 633

USO DE MATÉRIA ORGÂNICA E SEUS SUBPROTUDOS COMO ADJUVANTES DE


CLADONIA SUBSTELLATA NA DESSALINIZAÇÃO DE SOLOS ..................................... 643

UTILIZAÇÃO DE RESÍDUO DE PETRÓLEO EM PÓ EM PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA


...................................................................................................................................................... 651

ANÁLISE DE IMPACTOS DOS PARQUES EÓLICOS NOS DISTRITOS DE MUNDAÚ E


FLECHEIRAS, TRAIRI-CEARÁ ............................................................................................... 661

LEVANTAMENTO QUANTITATIVO E QUALITATIVO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS E


ANÁLISES FÍSICO–QUÍMICAS DA ÁGUA E DO SOLO DO HORTO FLORESTAL DE
MAMANGUAPE – PB ................................................................................................................ 670

OS PERIGOS À SAÚDE E AO MEIO AMBIENTE ASSOCIADOS AO CONSUMO E


DESCARTE DE BATONS: UM ESTUDO DE CASO ................. Erro! Indicador não definido.

A IMPORTÂNCIA DO SENSORIAMENTO REMOTO E SUA APLICAÇÃO NOS ESTUDOS


CLIMÁTICOS E IMPACTOS AMBIENTAIS ........................................................................... 695

ESTUDO DA CAPACIDADE DE DESENVOLVIMENTO DE ATRIPLEX NUMMULARIA NO


SERTÃO CENTRAL................................................................................................................... 705

AVALIAÇÃO DA GESTÃO DE RISCOS AMBIENTAIS NO ENTORNO DA BARRAGEM


JAIME UMBELINO EM SÃO CRITÓVÃO-SE ........................................................................ 713
IED INDUSTRIAL NO ESTADO DE PERNAMBUCO NO PERÍODO 1995-2011:
POTENCIAL DE IMPACTO AMBIENTAL, SOBRE A RENDA E O EMPREGO ................ 721

MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE ENCHENTES E INUNDAÇÕES NO ALTO CURSO DA


BACIA HIDROGRÁFICA DO ANIL, ILHA DO MARANHÃO .............................................. 738

IMPACTOS DA ENERGIA EÓLICA NO RIO GRANDE DO NORTE: UMA ABORDAGEM


OCORRIDA NO LITORAL COSTA BRANCA (RN) ............................................................... 746

EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA AMBIENTAL EM ÁREAS DEGRADADAS PELO HOMEM:


AS IMPLICAÇÕES DA BARRAGEM ENGENHO PEREIRA, MORENO – PE .................... 757

AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS: UM ESTUDO DE CASO NA COMUNIDADE


DA ILHA DE DEUS - PE............................................................................................................ 766

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA NA FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO,


PIAÇABUÇU, ALAGOAS. ........................................................................................................ 778

DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO E AMBIENTAL DA POPULAÇÃO DO ENTORNO


DA LAGOA DO APODI-RN ...................................................................................................... 789

VULNERABILIDADES DE IMPACTOS HIDROMETEÓRICOS NA CIDADE DE VITÓRIA


DA CONQUISTA-BA: ESTUDO DAS PRECIPITAÇÕES ENTRE OS ANOS DE 2012 A 2016
...................................................................................................................................................... 803

RISCOS E IMPACTOS DA URBANIZAÇÃO NOS BIOMAS COSTEIROS: UMA ANÁLISE


DE CASOS ESPECÍFICOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO........................................... 816

ANÁLISE DOS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DECORRENTES DO LANÇAMENTO


DE EFLUENTES NO TRECHO DO CANAL FLUVIAL DO RIO PIANCÓ NA CIDADE DE
POMBAL-PB ............................................................................................................................... 827

IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS CAUSADOS PELOS CEMITÉRIOS: UMA BREVE


ANÁLISE NO CEMITÉRIO SÃO SEBASTIÃO - MOSSORÓ-RN. ........................................ 840

A PROBLEMÁTICA DE DRENAGEM URBANA: ESTUDO DE CASO NO BAIRRO


RODOVIÁRIA NO MUNICÍPIO DE QUIXADÁ-CE ............................................................... 853

ANÁLISE DA QUALIDADE DAS ÁGUAS DA BARRA DE GRAMAME: ABORDANDO


SEUS PARÂMETROS OXIGÊNIO DISSOLVIDO E DEMANDA BIOQUÍMICA DE
OXIGÊNIO. ................................................................................................................................. 864

OS IMPACTOS AMBIENTAIS NA ZPA8 EM NATAL - RN .................................................. 874

QUALIDADE DA ÁGUA NAS PRAIAS BESSA E MANAÍRA NA CIDADE DE JOÃO


PESSOA/PB ................................................................................................................................. 886
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL EM ZONA RURAL DE CAMPINA GRANDE-PB .............. 891

AVALIAÇÃO TEMPORAL A PARTIR DE IMAGENS DE SATÉLITE DAS


CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS DO MUNICÍPIO DE BELÉM DO SÃO FRANCISCO –
PE ................................................................................................................................................. 901

CONTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES ANTROPÍCAS NA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM


PARTE DO RIO PEDRA COMPRIDA, SUMÉ-PB ................................................................... 913

Políticas Públicas, Projetos e Ações....................................................................................924


A CONTRIBUIÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NO CENTRO DE
TECNOLOGIA - CTEC, PARA A COOPERATIVA DE RECICLAGEM DE ALAGOAS –
COOPREL ................................................................................................................................... 925

CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS: PERCEPÇÃO QUANTO A SUA VIDA E


EXPECTATIVAS FUTURAS POR MEIO DA ANÁLISE DO DISCURSO DO SUJEITO
COLETIVO .................................................................................................................................. 933

DESENVOLVIMENTO CONCEITUAL DE UM APLICATIVO PARA QUANTIFICAÇÃO


DE PEGADA DE CARBONO EM EDIFÍCIOS PÚBLICOS .................................................... 944

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS VIA PROJETO ―ECO KIDS E ECO TEENS‖
...................................................................................................................................................... 956

TRABALHANDO A SUSTENTABILIDADE SOCIAL NAS EMPRESAS POR MEIO DA


AVALIAÇÃO SOCIAL DO CICLO DE VIDA ......................................................................... 967

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO MUNICIPAL E SEUS INDICADORES: O


DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO DO ALTO CURSO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO
RIO APODI-MOSSORÓ/RN ...................................................................................................... 977

PROJETO GTAR- VERDELUZ: O OCEANO COMO FONTE DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL


NA REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA-CE........................................................ 990

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O EXERCÍCIO CRÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL .............. 1000

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E EXTENSÃO: APLICAÇÃO PRÁTICA EM ESPAÇO


ESCOLAR DE FORTALEZA – CE .......................................................................................... 1011

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM UNIDADES DE


CONSERVAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO .......................................................................... 1020

IED INDUSTRIAL NO ESTADO DO CEARÁ NO PERÍODO 1995-2011: POTENCIAL DE


IMPACTO AMBIENTAL, SOBRE A RENDA E O EMPREGO ............................................ 1030
PLANO DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS: UMA ANÁLISE DA IMPLEMENTAÇÃO
DA POLÍTICA MUNICIPAL NA REGIÃO METROPOLITANA DE PATOS/PB................ 1047

ASSISTÊNCIAS DE MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DE SECAS: ESTUDO DE CASO DE


PEQUENAS COMUNIDADES DOS MUNICÍPIOS DE MILHÃ E SOLONÓPOLE - CEARÁ
.................................................................................................................................................... 1059

EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO AGENTE NAS POLÍTICAS PÚBLICAS INCLUSIVAS


.................................................................................................................................................... 1069

CONDIÇÕES DE TRABALHO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS


ASSOCIADOS NO INTERIOR POTIGUAR ........................................................................... 1077

O PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS (PAA) NO TERRITÓRIO RURAL DO


MACIÇO DE BATURITÉ, CEARÁ ......................................................................................... 1089

RECURSOS ENERGÉTICOS: SENSIBILIZAÇÃO NA PERSPECTIVA DA


RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL ........................................................................ 1099

ESTUDO SOBRE O USO DE INDICADORES NA AVALIAÇÃO DE PROJETOS DE


EDUCAÇÃO AMBIENTAL ..................................................................................................... 1107

IDENTIFICAÇÃO DE SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS COMO FERRAMENTA PARA O


DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ............................................................................... 1119

REAPROVEITAMENTO DO POLITEREFTALATO DE ETILENO (PET) PARA USO NA


CONSTRUÇÃO CIVIL ............................................................................................................. 1131

CONFECÇÃO DE CARTILHA SOBRE COLETA SELETIVA DESTINADA A MORADORES


DE CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS VERTICAIS COMO ESTRATÉGIA DE PROMOVER
EDUCAÇÃO AMBIENTAL ..................................................................................................... 1142

AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DA PRAIA DE BOA


VIAGEM, RECIFE-PE .............................................................................................................. 1149

COMUNICAÇÃO SOCIAL NA GESTÃO AMBIENTAL PÚBLICA: O CASO DO


ESTALEIRO NAVAL PROMAR S.A – PERNAMBUCO ...................................................... 1157

A FORMAÇÃO DO SUJEITO ECOLÓGICO ATRAVÉS DA LUDICIDADE: UMA


EXPERIÊNCIA INSTITUCIONAL DO DIA MUNDIAL DA ÁGUA NA PARAÍBA .......... 1169

PROPOSTA DE UM PLANO DE CONTROLE AMBIENTAL PARA EXTRAÇÃO E


BENEFICIAMENTO DE SCHEELITA, CURRAIS NOVOS-RN .......................................... 1177

Movimentos Sociais, Legislação e Direito Ambiental .....................................................1189


MOVIMENTOS SOCIAIS, ESTADO E CAPITALISMO NO TENSIONAMENTO DA
QUESTÃO AMBIENTAL ........................................................................................................ 1190

EXPOSIÇÃO DE TARTARUGA MARINHA VÍTIMA DE INTERAÇÃO COM LIXO E


PESCA COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: RELATO DE CASOS DA
ONG ECOASSOCIADOS, PERNAMBUCO – BRASIL ......................................................... 1198

INSTITUTO VERDELUZ: UMA PROPOSTA PRÁTICA E TRANSDISCIPLINAR DE


EDUCAÇÃO AMBIENTAL ..................................................................................................... 1208

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE NA EDUCAÇÃO


BÁSICA EM POMBAL, PB ..................................................................................................... 1217

RENDA DOS CATADORES NO LIXÃO DE JI-PARANÁ SOB O PRISMA DO


SURGIMENTO E FORTALECIMENTO DA COOPERATIVA ............................................. 1227

PARQUE LAGOA DA VIÚVA, FORTALEZA, CEARÁ: REFLEXÕES SOBRE O


MOVIMENTO AMBIENTAL E SUAS IMPLICAÇÕES ........................................................ 1235

Patrimônio Cultural e o Saber Ambiental.......................................................................1246


IMPORTÂNCIA DOS SABERES HEREDITÁRIOS PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA
COMUNIDADE DE PESCADORES DE RIO FORMOSO (PE)............................................. 1247

A Economia Solidária nos Arranjos Produtivos Locais ..................................................1252


HORTAS COMUNITÁRIAS: UMA EXPERIENCIA COM APENADAS DO PRESÍDIO
FEMININO MARIA JULIA MARANHÃO EM JOÃO PESSOA, PB .................................... 1253

PESCA INTENSIVA DA FAMILIA LUTJANIDAE NO ESTUÁRIO RIO FORMOSO (PE –


BRASIL) .................................................................................................................................... 1260

Produção Rural, Sustentabilidade Social e Segurança Alimentar .................................1266


CARACTERIZAÇÃO DE PROPRIEDADES AGRÍCOLAS DE PORTEIRAS-CE QUANTO
AO CONSUMO DE ÁGUA E DISPOSIÇÃO DE EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS ... 1267

BATATA-DOCE: DO PLANTIO À COLHEITA .................................................................... 1275

MATÉRIA ORGÂNICA E SUA INFLUÊNCIA SOBRE AS CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS


DO SOLO .................................................................................................................................. 1287

DO CULTIVO DE PINHÃO MANSO EM ASSENTAMENTO COMO ALTERNATIVA: UM


ESTUDO DE CASO NO RIO GRANDE DO NORTE ............................................................ 1298

DIAGNÓSTICO MACROMORFOLÓGICO, FÍSICO E QUÍMICO DAS TERRAS DA


COMUNIDADE POÇO ESCURO NA SERRA DO ESPINHO, PILÕES/PB ......................... 1310
PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA COMO PRÁTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO
CAMPO: FORMAÇÃO DE JOVENS CAMPONESES PARA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
NO SEMIÁRIDO PARAIBANO .............................................................................................. 1322

ALGODÃO COLORIDO COMO ALTERNATIVA DE RENDA PARA UM


ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA NO AGRESTE PARAIBANO ................... 1332

UTILIZAÇÃO DE UM SIMULADOR DE CHUVAS PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO


SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO ........................................................................................... 1339

EXPERIÊNCIAS DA UTILIZAÇÃO DA COMPOSTAGEM VISANDO A PRÁTICA DA


AGRICULTURA ORGÂNICA ................................................................................................. 1351

AGROECOLOGIA E EDUCAÇÃO PARA CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO:


RECONHECENDO A IDENTIDADE DOS SUJEITOS DO CAMPO .................................... 1362

RESIDÊNCIA AGRÁRIA: ESTÁGIO DE INTERDISCIPLINAR VIVÊNCIA NA


COMUNIDADE DE PEDRA GRANDE-PB ............................................................................ 1370

DESENVOLVIMENTO E ACEITAÇÃO SENSORIAL DE DOCE DE XIQUE-XIQUE


(Pilosocereus gounellei) ............................................................................................................ 1381

EFEITO DE DIFERENTES SUBSTRATOS ORGÂNICOS NO DESEMPENHO INICIAL DE


MUDAS DE TOMATE CEREJA.............................................................................................. 1387

EFEITO DA NUTRIÇÃO MINERAL NA FLORAÇÃO DO ABACAXIZEIRO CV. VITÓRIA


CULTIVADO SOB DUAS COBERTURAS DE SOLO .......................................................... 1394

PERCEPÇÃO DOS CONSUMIDORES DA FEIRA LIVRE DO MUNICÍPIO DE POMBAL -


PB SOBRE O USO DE AGROTÓXICOS ................................................................................ 1402

FORMAÇÃO DE EDUCADORES AMBIENTAIS: UM OLHAR VOLTADO À


AGRICULTURA FAMILIAR ................................................................................................... 1413

DETERMINAÇÃO DO TEOR DE COMPOSTOS FENÓLICOS E ATIVIDADES


ANTIOXIDANTES DE FRUTAS DE CULTIVO AGROECOLÓGICO E CONVENCIONAL
DO SERIDÓ POTIGUAR ......................................................................................................... 1422

TEMPERATURA INTERFERE NOS EFEITOS DOS ESTRESSES SALINO E OSMÓTICO


EM PLÂNTULAS DE FEIJÃO DE CORDA ........................................................................... 1432
Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Biogeografia e Biodiversidade

© Giovanni Seabra

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 15


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

COMPOSIÇÃO DA MEIOFAUNA NO ESTUÁRIO DO RIO FORMOSO, PE, BRASIL

Priscila Ferreira de MELO


Graduanda do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
mfprih@gmail.com
Goretti SONIA-SILVA
Docente e pesquisadora da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
goretti@unicap.br

RESUMO
A meiofauna desempenha um papel importante no fluxo de energia dos sistemas bentônicos. Os
processos físicos comuns aos estuários são seus movimentos de correntes e a mistura entre as
massas de água de origem contrastante: água doce de origem fluvial e a água do mar adjacente, por
isso que os impactos hidrodinâmicos intervém na distribuição da meiofauna nas áreas estuarinas,
portanto objetiva-se avaliar a composição da meiofauna no estuário do rio Formoso, PE, Brasil, a
fim de detectar possíveis poluentes. O estuário do Rio Formoso, com 12 Km de extensão, localiza-
se no Município do Rio Formoso (8o 39‘ 45‘‘ Sul e 35o 06‘ 15‘‘ W), 76 Km ao Sul da cidade do
Recife. As coletas da meiofauna foram realizadas mensalmente durante a baixa- maré diurna, no
período de abril de 2015 a dezembro de 2015. Em campo delimitaram-se três pontos fixos no médio
litoral para coleta do material. Paralelamente os parâmetros abióticos (temperatura, salinidade, pH,e
Oxigênio) foram aferidos. A densidade da meiofauna foi calculada para o número de indivíduos
por 10 cm-2 e, a meiofauna foi separada a nível de táxons pela Abundância Relativa (Ar = N. 100 /
Na ). A meiofauna ao longo do estuário do Rio Formoso, esteve composta por 8 grandes grupos
taxonômicos: Copepoda, Nematoda, Ostracoda, Rotifera, Oligochaeta, Polychaeta, Kinorhyncha,
Gastrotricha, Acari. O grupo taxonômico mais abundante considerando todas as estações foi
Nematoda, em seguida, os Copepoda. Fatores abióticos como salinidade, temperatura, amônia, pH
foram aferidos mostraram que possuem influencia na distribuição da meiofauna. A meiofauna
desempenha um importante papel no sistema estuarino sendo um grupo-chave nas interações
tróficas. A abundância e frequência da diversidade e distribuição da meiofauna dependem de
fatores abióticos como temperatura, salinidade granulometria que são determinantes na estrutura das
comunidades biológicas.
Palavras-Chaves: impacto, meiofauna, estuário, hidrodinâmica.
ABSTRACT
The Meiofauna plays an important role in the energy flow of benthic systems. The physical
processes common to the estuaries are their movements of currents and the mixing between the
masses of water of contrasting origin: fresh water of fluvial origin and the adjacent sea water,
therefore the hydrodynamic impacts intervenes in the meiofauna distribution in the estuarine areas,
Therefore, the objective of this study was to evaluate the composition of meiofauna in the estuary of
the Formoso River, PE, Brazil, in order to detect possible pollutants. The estuary of Rio Formoso,
12 km long, is located in the municipality of Rio Formoso (8o 39 '45' 'South and 35o 06' 15 '' W),
76 km south of the city of Recife. The meiofauna samples were collected monthly during the low-
tide diurnal period from April 2015 to December 2015. In the field three fixed points were
delimited in the mid-coast to collect the material. Parallelly the abiotic parameters (temperature,
salinity, pH , And Oxygen) were measured. Meifauna density was calculated for the number of
individuals per 10 cm -2, and meiofauna was separated at the level of taxa by Relative Abundance
(Ar = N. 100 / Na). The meiofauna along the Rio Formoso estuary was composed of 8 large
taxonomic groups: Copepoda, Nematoda, Ostracoda, Rotifera, Oligochaeta, Polychaeta,

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 16


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Kinorhyncha, Gastrotricha, Acari. The most abundant taxonomic group considering all the seasons
was Nematoda, then the Copepoda .. Abiotic factors such as salinity, temperature, ammonia, pH
were measured showed to have influence on meiofauna distribution. Meiofauna plays an important
role in the estuarine system being a key group in trophic interactions. The abundance and frequency
of meiofauna diversity and distribution depends on abiotic factors such as temperature, salinity and
granulometry that are determinant in the structure of biological communities.
Keywords: impact, meiofauna, estuary, hydrodynamics.

INTRODUÇÃO

A meiofauna é um grupo ecológico constituído de organismos bentônicos que passam por


uma malha de abertura de 1,0 mm e ficam retidos em uma de 0,044 mm, abrangendo quase todos os
filos de invertebrados, sendo abundante em sedimentos estuarinos de todo o mundo (Giere, 1993).
A meiofauna desempenha um papel importante no fluxo de energia dos sistemas bentônicos,
servindo de alimento para a própria meiofauna, para macrobentos e peixes (Coll, 1988). Além disso,
atua na remineralização de detritos orgânicos tornando-os disponíveis para o mesmo nível trófico e
para níveis tróficos superiores e apresenta grande sensibilidade às ações antrópicas, podendo ser
utilizada como indicadora de poluição (Tenore et al., 1977; Coull,1999). Em estuários de acordo
com Coull (1999), a meiofauna facilita a biomineralização da matéria orgânica aumentando a
regeneração de nutrientes (Coull 1999).
De acordo com Giere (1993) é esperado encontrar cerca de 103 ind.10 cm-2 de meiofauna
em praticamente todos os tipos de sedimento, não contaminados, de estuários de todo o mundo. Os
valores tendem a ser maiores em lama rica em matéria orgânica, e menores, em areia. Geralmente
os Nematoda são mais abundantes nos sedimentos, representando de 60 a 90% da fauna total
enquanto os Copepoda vêm frequentemente em segundo lugar, com 10 a 40% (Coull 1999).
Os processos físicos comuns aos estuários são seus movimentos de correntes e a mistura
entre as massas de água de origem contrastante: água doce de origem fluvial e a água do mar
adjacente. Como resultado desses processos, os estuários são corpos de água não homogêneos e os
fenômenos no seu interior variam em amplos intervalos de escalas espacial e temporal; desde
dimensões microscópicas até seus limites geométricos (Miranda et al. 2002). Os processos
ambientais que afetam a distribuição dos organismos podem estar relacionados com variações na
concentração de salinidade, de nutrientes e sedimento em suspensão (Coull 1999, Santos 1999,
Santos et al. 2000, Yamamuro 2000, Gomes et al. 2002), por isso que os impactos hidrodinâmicos
intervém na distribuição da meiofauna nas áreas estuarinas, portanto objetiva-se avaliar a
composição da meiofauna no estuário do rio Formoso, PE, Brasil, a fim de detectar possíveis
poluentes.

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MATERIAL E MÉTODOS

O estuário do Rio Formoso, com 12 Km de extensão, localiza-se no Município do Rio


Formoso (8o 39‘ 45‘‘ Sul e 35o 06‘ 15‘‘ W), 76 Km ao Sul da cidade do Recife. O clima da região
é do tipo As‘ na parte Oeste e Ams‘ no Leste na escala de Köppen. O tipo As‘ é caracterizado por
ser quente e úmido, com chuvas de outono/inverno e, o tipo Ams‘ é tropical-chuvoso, do tipo
monção, com verão seco. A precipitação pluviométrica anual em torno de 2.000 mm e
temperatura média anual de 24° C (CPRH, 2001). O rio Formoso (PE, Brasil) nasce na porção
noroeste do município de mesmo nome, em terras do Engenho Vermelho onde estão localizadas as
cabeceiras de seus dois formadores – os riachos Vermelho e Serra d‘Água - cuja confluência se dá a
montante da sede do Engenho Changuazinho. A partir desse ponto, já com o nome de rio Formoso,
dirige-se para sudeste, passando pela cidade homônima. Três quilômetros a jusante desta, o referido
rio alcança a Planície Costeira dominada por seu amplo estuário que se dilata a nordeste e norte
através dos vários braços constituídos pelos rios Ariquindá, dos Passos, Porto das Pedras e
Lemenho (CPRH, 2001).
As coletas da meiofauna foram realizadas mensalmente durante a baixa- maré diurna, no
período de Abril de 2015 a dezembro de 2015. Em campo delimitaram-se três pontos fixos no
mediolitoral dos quais foram coletadas as amostras biosedimentológicas utilizando-se um corer de
10 cm de comprimento por 2,5 cm de diâmetro interno, nos 10 primeiros centímetros de sedimento.
As amostras foram acondicionadas em recipientes plásticos, etiquetadas e fixadas com formol
salino a 5%. Em laboratório as amostras foram triadas manualmente em peneira com malha de
0,044-0,5 mm e, posteriormente, o sobrenadante levado ao estereomicroscópio para contagem e
identificação dos espécimes. Os parâmetros abióticos aferidos foram a temperatura (°C) e a
salinidade da água, utilizando o termômetro manual e o refratômetro Hanna Instruments (escala de
0,0 e intervalo de l.), respectivamente. Para análise do pH utilizou-se o pHmetro digital AT – 730
do oxigênio por meio do Oxímetro digital AT – 120.
A densidade da meifauna foi calculada para o número de indivíduos por 10 cm2. Em
seguida, a meifauna foi separada a nível de táxons zoológicos e a Abundância Relativa de cada
táxon foi calculada pela seguinte fórmula: Ar = N . 100 / Na onde: Ar = abundância relativa N =
número de organismos de cada táxon na amostra; Na = número total de organismos na amostra. De
acordo com os percentuais obtidos para cada amostra os táxons foram classificados como
dominante acima de 50%.

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RESULTADOS

A meiofauna ao longo do estuário do Rio Formoso, esteve composta por 8 grandes grupos
taxonômicos: Copepoda, Nematoda, Ostracoda, Rotifera, Oligochaeta, Polychaeta, Kinorhyncha,
Gastrotricha, Acari. Destes, os 5 primeiros grupos estiveram presentes em todas as estações de
coleta. A meiofauna no estuário foi de 4.690 ind.10 cm-2 .. O grupo taxonômico mais abundante
considerando todas as estações foi Nematoda representando 65% do total de indivíduos da
meiofauna com densidade média de 2.720 ind.10cm-2, em seguida, os Copepoda corresponderam a
16% com densidade média de 1.424 ind.10cm-2 . Os outros 7 grupos correspondem com 17%.
A média de salinidade foi de 30.8S com máxima de 38S no período seco (setembro a
dezembro/2014 e setembro a outubro/2015) e mínima de 25S no período chuvoso nas Estações
estudadas. A média da temperatura da água foi de 26.8oC, com máxima de 29ºC no período seco e
mínima de 26oC no período chuvoso. As condições de temperatura apresentaram pequenas
amplitudes de variação. O oxigênio dissolvido foi mensurado o valor de 8,5 mg.L-1 em período
chuvoso e 7,0 mg.L-1 no período seco. Quanto mais fria a água, maior foi à concentração de
oxigênio dissolvido. O potencial hidrogênio (pH) variou entre 7,0 no período chuvoso e 8,5 no
período seco, com média de 8,5. Os menores valores de pH ocorreram na estação de seca,
provavelmente devido à pouca influência das águas fluviais, típicas do período.

DISCUSSÃO

As Variáveis ambientais físico-químicas (temperatura, matéria orgânica, sedimento e


salinidade, entre outros) são citadas frequentemente como as principais responsáveis pela
distribuição e abundância da meiofauna (Giere 1993, Coull 1999). Neste trabalho o fator salinidade
que influenciaram a variação espacial da estrutura da comunidade da meiofauna provavelmente foi
determinante na hidrodinâmica local e interferindo na abundancia da meiofauna.
Os Nematoda apresentam maior frequência e abundância, essa porcentagem elevada pode
ser explicada pela composição do solo favorecendo uma forte correlação entre estas variáveis,
concordando com a preferência destes animais por ambientes onde o espaço intersticial é menor,
pois eles apresentam o corpo vermiforme e estariam bem adaptados a este tipo de ambiente. Os
Nematoda também apresentaram correlação significativa com a matéria orgânica
(Vasconcelos,2004). Em estuários onde o processo físico é mais estável, predominando o extremo
químico (Giere, 1993), o aumento da oferta alimentar e a redução no tamanho dos grãos propiciam
uma melhor condição de estabilidade para estes organismos. Os parâmetros granulométricos
contribuem fortemente para quali-quantificar a meiofauna, uma vez que a sua composição

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potencializa maior ou menor quantidade de água retida, oxigênio, matéria orgânica e outros fatores
indispensáveis a esses organismos.
A dominância dos Nematoda na maioria das estações é uma característica da meiofauna,
dominando mais de 50% do número total de indivíduos (Coull, 1988), principalmente em
sedimentos correlacionados do sublitoral. Fonsêca-Genevois (1987) ressaltou a importância da
natureza química das argilas na distribuição intermareal da meiofauna estuarina. Em estuários
geralmente com substrato composto por sedimentos silte-argilosos a meiofauna concentra-se nos
primeiros centímetros (Tietjen, 1969; Boucher, 1979; Warwick,1971; Heip et al. 1985; Vanhove,
1993) estando, desta forma, submetida à ação da dinâmica das águas
De acordo com os caracteres morfológicos relacionados com o hábito alimentar os nematoda
ocupam diferentes posições na cadeia trófica do bentos (Heip et al., 1985). Muitas espécies
alimentam-se de bactérias, microalgas, detritos e possivelmente matéria orgânica, além de um
grande número ter hábito predador, ingerindo outros Nematoda, Oligochaeta, Polychaeta e outros
organismos meiofaunísticos (Platt & Warwick, 1983; Heip et al., 1985; Medeiros, 1989, 1998). Em
estuários, onde há grande quantidade de matéria orgânica, os Nematoda habitam os primeiros
centímetros da camada sedimentar, pois a camada oxi-redutora do sedimento é bastante superficial.
Sua importância neste ambiente está ligada sobretudo à facilidade de biomineralização da matéria
orgânica, à sensibilidade aos inputs antropogênicos e ao grande papel na teia trófica bentônica
(Coull, 1999). O sucesso ecológico das comunidades de Nematoda está no grande número de
espécies presentes em qualquer que seja o habitat (Vinx, 1990). Bouwman (1983) aponta razões
para explicar o sucesso adaptativo e a dominância dos Nematoda, como a tolerância do grupo, como
táxon, à uma variedade de estresse ambiental (diversidade de espécies). Heip & Decraemer (1974)
afirmaram que a diversidade é um dos importantes parâmetros usados na descrição de uma
comunidade. A abundância e a estrutura da comunidade de Nematoda é também sensível ao
tamanho dos grãos do sedimento (Van Damme et al. 1980; Li & Vincx, 1993). Sob condições de
estresse ambiental, seja através de perturbações naturais ou artificiais, os Nematoda são capazes de
colonizar os sedimentos e tendem a se localizar nos primeiros centímetros (Palmer, 1988). Em
praias a meiofauna, como resposta às correntes de maior velocidade, tendem a se enterrar (Fegley,
1987). A esse respeito, comenta Palmer (1984) que o deslocamento vertical aparece como um
comportamento para evitar o risco de serem carreados pela erosão. Em estuários, onde geralmente
há ocorrência de sedimentos arenolamosos, senão lamosos e grande quantidade de matéria orgânica,
os Nematoda habitam os primeiros centímetros da camada sedimentar, pois a camada oxi-redutora
do sedimento é bastante superficial.
Os parâmetros ambientais podem afetar a distribuição da fauna marinha e pode estar
relacionado com variações na concentração de salinidade, de nutrientes e sedimento em suspensão

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(Yamamuro 2000). Segundo Dittman et al (1998) a sazonalidade ambiental, também, é um fator


determinante no crescimento de recursos marinhos no estuário. Honorato da Silva et al. (2004)
afirmam que no Nordeste a temperatura dos estuários é sempre elevada e as pequenas variações que
ocorrem durante o ciclo sazonal, dependem do grau de insolação e de outras condições
meteorológicas, fato favorável do desenvolvimento de espécies.
A salinidade é um dos fatores importantes apontados na distribuição da meiofauna. Segundo
Heip et al. (1982) existe uma clara diferença entre o padrão de riqueza de espécies ao longo de um
gradiente de salinidade entre a macrofauna e a meiofauna. Na meiofauna, alguns grupos
taxonômicos podem estar ausentes em baixas salinidades, como no Báltico (Kinorhyncha e
Ostracoda), mas não existe uma redução óbvia de riqueza das espécies. Existe uma meiofauna muita
rica, verdadeiramente de água salobra, a razão para isso, prossegue os autores, não é apenas o fato
de os estuários poderem sustentar grandes populações dos bentos, mas provavelmente pela
existência de uma meiofauna adaptada à água salobra.
Nas comunidades aquáticas o pH atua nos processos de permeabilidade da membrana
celular, ou seja, no transporte iônico intra e extracelular e, entre os organismos e o meio (Esteves,
1998). Segundo Coelho et al. (2004) os valores de oxigênio e do pH estão ligados entre si. Em
condições normais, durante o dia, a fotossíntese faz aumentar os do gás carbônico, acontecendo o
inverso durante a noite, devido à respiração. Em condições alteradas, pode haver o aumento do
consumo de oxigênio ou a diminuição de sua produção. No estuário do rio Formoso (PE, Brasil), os
valores de oxigênio de pH estiveram diretamente sujeitos as variações ambientais.

CONCLUSÃO

A meiofauna desempenha um importante papel no sistema estuarino sendo um grupo-chave


nas interações tróficas. A abundância e frequência da diversidade e distribuição da meiofauna
dependem de fatores abióticos como temperatura, salinidade granulometria que são determinantes
na estrutura das comunidades biológicas. A grande abundancia do grupo dos Nematoda está ligada
à facilidade de biomineralização da matéria orgânica, à sensibilidade as ações antrópicas e ao
grande papel na teia trófica bentônica.

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ATIVIDADE DE VOO DA ABELHA SEM FERRÃO Frieseomelitta doederleini


(APIDAE, MELIPONINI) EM UMA ÁREA DE DOMÍNIO DA CAATINGA

José Victor do Nascimento SOUZA


Instituto Federal do Rio Grande do Norte
jvnss2@hotmail.com
Eduardo Alves de SOUZA
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
eduardo-braz97@hotmail.com
Michelle de Oliveira GUIMARÃES-BRASIL
Instituto Federal do Rio Grande do Norte
michelle.guimaraes@ifrn.edu.br
Daniel de Freitas BRASIL
Universidade Federal Rural do Semi-Árido
danieldfb@gmail.com

RESUMO
Este trabalho teve como objetivo registrar a atividade de voo da abelha sem ferrão Frieseomelitta
doederleini nidificada em árvore de jucazeiro (Caesalpinia ferrea), em área de vegetação natural da
caatinga, durante as estações seca e chuvosa, no município de Marcelino Vieira, RN, semiárido
brasileiro. O estudo foi realizado no período de abril, maio e setembro de 2016. As coletas de dados
foram realizadas durante cinco dias não consecutivos nas estações secas e chuvosas do ano, com
observações de dez minutos em intervalos de uma hora, entre 07h20 até às 16h30, próximo à
entrada da colônia. Foram registrados o número de abelhas operárias que entraram e saíram do
ninho com algum material visível ou sem carga. À vista disso, foram registradas durante o período
chuvoso 509 abelhas em atividade externa ao longo dos cinco dias de observação, sendo 265
entrando e 244 saindo do ninho. No período seco, foram contabilizadas 664 campeiras entrando e
616 saindo da colônia, totalizando 1280 abelhas. Observou-se que os valores de todas as atividades
externas exercidas pelas abelhas foram maiores durante o período seco, com exceção do
comportamento para coleta de resina. Contudo, essas diferenças não foram significativas (p > 0,05)
para todas as comparações, exceto para as abelhas que entraram e saíram da colônia sem carga
visível (p < 0,05). Este estudo possibilitou o entendimento sobre as atividades de voo da abelha sem
ferrão F. doederleini em uma área de domínio da caatinga, gerando informações úteis para estudos
científicos, ações de manejo e conservação dessas abelhas em ambientes naturais e agroambientes.
Palavras-chave: abelhas sem ferrão, ecologia de abelhas, padrão de forrageamento, Caatinga.

ABSTRACT
The objective of this work was to record the activity of Frieseomelitta doederleini stingless bees
(Caesalpinia ferrea) nested in an area of natural vegetation of the caatinga during the dry season in
the municipality of Marcelino Vieira, RN, Brazilian semi-arid. The data were collected during five
non-consecutive days in the dry and rainy seasons of the year, with observations of ten minutes at
one-hour intervals, between 07:20 and 16:30, beside the colony entrance. The number of worker
bees that entered and exited the nest with some visible or unloaded material was recorded. In view
of this, 509 bees were recorded during the rainy season during the five days of observation, with
265 entering and 244 coming out of the nest. In the dry period, 664 entered and 616 coming out of

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the colony, totaling 1280 bees. It was observed that the values of all external activities performed by
the bees were higher during the dry period, except for the resin collection behavior. However, these
differences were not significant (p > 0.05) for all comparisons, except for the bees that entered and
left the colony without a visible load (p < 0.05). This study allowed the understanding of the flight
activities of the stingless bee F. doederleini in an area of the caatinga domain, generating useful
information for scientific studies, management actions and conservation of these bees in natural
environments and agroenvironment.
Keywords: stingless bees, bee ecology, foraging pattern, Caatinga.

INTRODUÇÃO
As abelhas sem ferrão, também conhecidas como meliponíneos, estão agrupadas na família
Apidae e apresentam comportamento social (SILVEIRA et al., 2002). O tamanho do corpo dessas
abelhas pode variar de muito pequeno a médio (MICHENER, 2000), permitindo grande diversidade
quanto aos hábitos de nidificação e estabelecimento de colônias em ocos de árvores, no solo, fendas
de pedras e associadas à ninhos de formigas e cupins (BATISTA et al., 2003; ROUBIK, 2006;
CARVALHO et al. 2014).
A distribuição geográfica das abelhas sem ferrão é comumente observada em regiões
tropicais e subtropicais do planeta (MICHENER, 2000; MICHENER, 2013), apresentando maior
diversidade na região Neotropical, sendo que o Brasil possui maior riqueza de espécies descritas
(SILVEIRA et al., 2002; CAMARGO e PEDRO, 2008), pouco mais de 300 espécies
(CORTOPASSI-LAURINO e NOGUEIRA-NETO, 2016). Contudo, devido a alterações de seus
habitats naturais causadas por ações antrópicas degradantes, diversas espécies de abelhas sem ferrão
nativas das áreas de domínio das caatingas estão seriamente ameaçadas de extinção (PEREIRA et
al., 2006), denotando, portanto, uma diminuição acentuada do número de espécies de abelhas
presentes nas matas brasileiras (KERR et al., 1996; SILVA e PAZ, 2012).
Em razão das abelhas sem ferrão apresentarem facilidades no manejo, haja vista que
possuem baixa defensividade, possibilidade de uso em casa de vegetação e resistência à doenças
(HEARD, 1999; CRUZ et al., 2004), além de, notoriamente, se configurarem como as principais
responsáveis pelo serviço de polinização realizado em diversas plantas nativas e cultivadas (KERR,
1997; FREITAS e SILVA, 2015), estas se mostram como uma alternativa frente às abelhas
melíferas (Apis mellifera) para utilização em programas de polinização de culturas agrícolas (PICK
e BLOCHTEIN, 2002).
Para tanto, faz-se necessário a realização de estudos sobre as atividades de voo em abelhas
sem ferrão, com o intuito de obter informações para ampliar a compreensão de seus padrões de
forrageamento (NOGUEIRA-NETO, 1997; PICK e BLOCHTEIN, 2002) que, por sua vez, podem
apresentar comportamento influenciados por fatores externos, como temperatura, umidade,
luminosidade, vento e disponibilidade de recursos no ambiente (KLEINERT-GIOVANNINI, 1982;

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IMPERATRIZ-FONSECA et al.,1985; INOUE et al., 1985; ROUBIK, 1992; HEARD e


HENDRIKZ, 1993; AZEVEDO, 1997; HILÁRIO et al., 2001); ou por fatores internos, como
tamanho da população e necessidade de recursos pela colônia (HILÁRIO et al., 2000; 2003;
POMPEU, 2003).
O gênero de abelhas sem ferrão Frieseomelitta possui ampla distribuição geográfica, com
abelhas ocorrendo do sudoeste do México ao sudeste do Brasil, podendo ser encontradas em
diferentes fitofisionomias (OLIVEIRA, 2003). Uma característica peculiar desse gênero é a
disposição dos favos de cria em forma de cacho e uma célula real visível, além de não apresentarem
o invólucro, normalmente encontrado na maioria dos Meliponini (NUNES, 2012).
A abelha sem ferrão Frieseomelitta doederleini, também conhecida como moça branca ou
abelha branca, é apontada como endêmica da região Nordeste, típica do bioma caatinga, estando,
geograficamente, distribuída na quase totalidade dos estados nordestinos (OLIVEIRA, 2003;
NUNES, 2012) e apontada como polinizadora de espécies comuns na região do semiárido brasileiro
(MEDEIROS, 2001; KIILL e SIMÃO-BIANCHINI, 2011).
Nesse contexto, considerando as poucas informações sobre os padrões de ritmos diários de
atividade de voo em abelhas sem ferrão em diferentes épocas ao longo do ano, o presente trabalho
teve como objetivo verificar as atividades externas da abelha Frieseomelitta doederleini nidificada
em uma área de domínio da caatinga, durante os períodos chuvoso e seco, no município de
Marcelino Vieira, Rio Grande do Norte, semiárido brasileiro.

METODOLOGIA

Área de estudo

O trabalho foi realizado na zona rural do município de Marcelino Vieira (6° 17′ 38″ S e 38°
10′ 4″ W), Rio Grande do Norte. O clima característico do local é o semiárido (Bsh), apresentando
temperaturas médias históricas de 28 ºC, umidade relativa do ar em torno de 66% e volume de
chuvas anual de aproximadamente 700 mm, irregularmente distribuídos, com período chuvoso
concentrado entre os meses de fevereiro a maio. A vegetação é a caatinga hiperxerófila,
caracterizada pela presença de arbustos espinhosos, abundância de cactáceas e plantas de porte
baixo (BELTRÃO et al., 2005; IDEMA, 2008; IBGE, 2017).

Coleta dos dados

As observações foram realizadas durante cinco dias não consecutivos, na estação chuvosa
(março e abril de 2016) e na estação seca (setembro de 2016). Foi utilizado um ninho natural da
abelha sem ferrão Frieseomelitta doederleini, nidificado em árvore de jucazeiro (Caesalpinia

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ferrea). As coletas de dados foram realizadas através de observações feitas próximo à entrada da
colônia, durante 10 minutos de cada hora, entre 07h20 e 16h30. Em cada horário de observação foi
contabilizado o número de abelhas operárias que entraram na colônia com carga visível (pólen ou
resina) e não visível (néctar ou água) e as que saíram da colônia removendo algum material (lixo)
ou sem carga

Análise dos dados

Os dados coletados referentes a cada um dos comportamentos observados nos dois períodos
do ano foram analisados com auxílio do software Microsoft Excel 15.0 (Office 2013), para
obtenção de médias e desvios padrão. Para testar a hipótese de diferença entre o número de
observações de determinado comportamento entre os períodos chuvoso e seco, foi utilizado o teste
de Mann-Whitney, com nível de significância de 5% (ZAR, 1999).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante o período chuvoso, foram registradas 509 abelhas em atividade ao longo dos cinco
dias de observação, sendo 265 entrando e 244 saindo do ninho. No período seco, foram
contabilizadas 664 campeiras entrando e 616 saindo da colônia, totalizando 1.280 abelhas
realizando atividades externas ao longo do período de observação. O número total de abelhas com
seus respectivos percentuais e a distribuição destas de acordo com as atividades externas exercidas,
nos períodos chuvoso e seco, são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Atividade diária de voo, percentual de cargas coletadas pelas abelhas Frieseomelitta doederleini e
valores de probabilidade (Mann-Whitney) entre as coletas nos períodos chuvoso e seco no município de
Marcelino Vieira, Rio Grande do Norte, Brasil.
Período do Ano Mann-Whitney
Entrada Chuvoso (março/2016) Seco (setembro/2016) (n=100)
Pólen 73 (27,5%) 117 (17,6%) p = 0,0565
Néctar/Água 113 (42,7%) 492 (74,1%) p < 0,0001
Resina 79 (29,8%) 55 (8,3%) p = 0,1019
Saída
Lixo 114 (46,7%) 136 (22,1%) p = 0,6892
Sem carga 130 (53,3%) 480 (77,9%) p < 0,0001

Observou-se que os valores de todas as atividades externas exercidas pelas abelhas foram
maiores durante o período seco do que no período chuvoso, exceto para coleta de resina, pois esta
auxilia na impermeabilização da colmeia durante o período chuvoso, principalmente. No entanto,
essas diferenças não foram significativas (p > 0,05) para todas as comparações, exceto para as
abelhas que entraram e saíram da colônia sem carga visível (p < 0,05) (Tabela 1). À vista disso,
pode-se atribuir esses resultados ao fato de que essa região apresenta temperaturas mais intensas no

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período seco, o que estimula o maior fluxo de entrada e saída de abelhas para coleta de recursos que
contribuam para a termorregulação de suas colônias e reduzam a produção de calor metabólico nos
ninhos (ROUBIK e PERALTA, 1983; SEELEY, 2006; SUNG et al., 2008).
Durante o período chuvoso, observou-se um grande número de abelhas saindo sem carga da
colônia (53,3%), possivelmente devido à grande oferta de recursos, principalmente néctar,
disponibilizados por uma ou mais plantas nesse período (RIBEIRO et al., 2012). Além disso, ainda
no período chuvoso, pôde-se observar um significativo número de abelhas retornando à colônia com
néctar/água (42,7%), o que poderia justificar essa quantidade de abelhas saindo da colônia em busca
de recursos florais. Foram observadas abelhas entrando com resina (29,8%) e pólen (27,5%) no
ninho e retirando lixo da colônia (46,7%), nesse mesmo período (Tabela 1).
No período sem chuvas, as abelhas F. doederleini também apresentaram maior atividade de
voo para coleta de néctar/água (74,1%), seguido pela coleta de pólen (17,6%) e resina (8,3%)
(Tabela 1). No entanto, o número de operárias realizando tais atividades foi muito maior no período
seco, quando comparado ao período chuvoso, com exceção para a coleta de resina. Observou-se,
ainda, um grande percentual de abelhas saindo do ninho sem carga (77,9%) nesse período (Tabela
1), possivelmente pela necessidade de termorregulação da colônia, tendo em vista que nessa estação
do ano ocorre um aumento gradativo da temperatura do ambiente para a região do semiárido
potiguar (SOUZA et al., 2014).
Contudo, verificou-se que as atividades externas ocorreram durante todo o dia, com as
maiores quantidades de cargas de pólen sendo coletadas no período da manhã para a estação
chuvosa (Tabelas 2 e 3). Alguns autores relatam que as abelhas sem ferrão têm preferência por
coletar pólen nas primeiras horas da manhã, possivelmente por causa da grande oferta desse recurso
pelas plantas que concentram a produção de pólen no período matutino, como também devido a
redução da sua oferta pelo forrageamento de outros visitantes florais ao longo do dia (PIERROT e
SCHLINDWEIN, 2003; BORGES e BLOCHTEIN, 2005; OLIVEIRA et al., 2012). No período
seco, o maior percentual de coleta de pólen ocorreu no período da tarde (Tabela 2 e 4),
possivelmente pelo fato de que algumas flores produtoras de pólen têm seus florescimentos
associados à períodos secos (SOUSA, 2010), ofertando, provavelmente, uma maior quantidade de
pólen no período da tarde, o que induziu as abelhas F. doederleini aproveitarem ao máximo a oferta
desse recurso durante esse momento de escassez de alimento.

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Tabela 2. Atividade diária de voo e percentual de cargas coletadas pelas abelhas Frieseomelitta doederleini
nos períodos da manhã e da tarde, durante os períodos chuvoso e seco, no município de Marcelino Vieira,
Rio Grande do Norte, Brasil.
Material Coletado
Período Chuvoso
Entrada Manhã Tarde
Pólen 41 (15,5%) 32 (12,1%)
Néctar/Água 52 (19,6%) 61 (23,0%)
Resina 27 (10,2%) 52 (19,6%)
Saída Manhã Tarde
Lixo 27 (11,1%) 87 (35,7%)
Sem carga 49 (20,1%) 81 (33,2%)
Período Seco
Entrada Manhã Tarde
Pólen 32 (4,8%) 85 (12,8%)
Néctar/Água 153 (23,0%) 339 (51,0%)
Resina 12 (1,8%) 43 (6,4%)
Saída Manhã Tarde
Lixo 16 (2,5%) 120 (19,4%)
Sem carga 174 (28,2%) 306 (49,6%)

As maiores quantidades de cargas de néctar/água foram coletadas no período da tarde em


ambas as estações (Tabelas 2, 3 e 4), o que pode ser explicado pelo esgotamento ou escassez do
recurso pólen, fazendo com que as abelhas procurem outros recursos, como néctar e água, para
auxiliar na termorregulação da colônia à tarde (SBORDONI, 2015); ou resina e barro, para
contribuir na construção e manutenção da estrutura física da colônia (VILLAS-BÔAS, 2012).
As tabelas 2, 3 e 4 também demonstram que há uma maior movimentação de saída da
colônia no período da tarde, em ambas as estações, principalmente se tratando dos serviços de
limpeza, sendo observado um maior carregamento de lixo para fora da colônia no período da tarde
em comparação com o período da manhã. O mesmo comportamento é observado com abelhas que
saem da colônia sem carga visível, indo ao campo, provavelmente, coletar recursos ou,
simplesmente, abandonam momentaneamente a colônia, o que contribui para o arrefecimento
passivo do ambiente interno, uma vez que a diminuição de indivíduos em seu interior também reduz
a produção de calor (ROUBIK e PERALTA, 1983; SUNG et al., 2008).
Na estação chuvosa, foi observado que, após o pico de movimentação (11h00), houve
redução nas atividades externas de voo, com exceção da atividade remoção de lixo, que apresentou
um aumento gradativo até o final da tarde (16h30) (Tabela 3). A diminuição das atividades externas
e o aumento da atividade de remoção de lixo pelas abelhas F. doederleini podem estar associados
ao aumento da temperatura no período vespertino, diminuindo atividades externas e induzindo
comportamentos de arrefecimento da colônia (MICHENER, 2000).

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Tabela 3. Número médio de abelhas Frieseomelitta doederleini entrando e saindo do ninho ao longo do dia,
durante o período chuvoso, no município de Marcelino Vieira, Rio Grande do Norte, Brasil.
Entrada Saída
Horários Pólen Resina Néctar/Água Lixo Sem carga
7h20-7h30 0,8±0,83 0,4±0,54 2,2±1,30 0,6±0,89 1,8±1,30
8h20-8h30 1±1,41 0,2±0,44 1,2±1,09 0,2±0,44 1±0.70
9h20-9h30 1,4±0,54 1,4±1,34 0,6±0,54 1±1,22 1,8±1,78
10h20-10h30 3±2 1,4±0,54 2,8±1,09 1,4±1,67 2,2±1,92
11h20-11h30 2±1 2±0,70 3,6±3,20 2,2±1,78 3±3,67
12h20-12h30 1,6±2,07 1,8±1,30 1,6±2,07 4,6±3,71 3±3
13h20-13h30 1±1 0,4±0,54 1±1 2±0,70 2,8±0,83
14h20-14h30 1,4±1,14 1±1,41 2±2 0,6±1,34 2±1
15h20-15h30 1,2±0,83 3±1,87 2,4±4,33 4,2±1,30 2±2,7
16h20-16h30 1,2±0,83 4,2±2,16 5,2±2,86 6±3,08 6,4±1,81

Na estação seca, as abelhas F. doederleini apresentaram maior fluxo de entrada com


recursos no período da tarde, nos horários entre 13h20 e 15h30, para os três recursos observados.
Houve uma maior saída de abelhas sem carga do ninho, possivelmente direcionadas à coleta de
néctar/água (74,1%) no período vespertino (51,0%) (Tabelas 1, 2 e 4).
A temperatura do ambiente pode ter sido um fator determinador no maior número de
indivíduos de F. doederleini registrados em atividade de voo à tarde durante o período seco, uma
vez que as abelhas de menor porte apresentam maior desempenho nas atividades externas entre as
faixas de temperaturas de 21 até 34 ºC (IMPERATRIZ-FONSECA et al., 1985; OLIVEIRA, 1973;
KLEINERT-GIOVANNINI, 1982; HILÁRIO et al., 2001; OLIVEIRA et al., 2012; FIGUEIREDO-
MECCA et al., 2013; MALERBO-SOUZA e HALAK, 2016); enquanto que em baixas
temperaturas, há a diminuição do metabolismo e a consequente limitação sobre o voo
(MICHENER, 1974).

Tabela 4. Número médio de abelhas Frieseomelitta doederleini entrando e saindo do ninho ao longo do dia,
durante o período seco, no município de Marcelino Vieira, Rio Grande do Norte, Brasil.
Entrada Saída
Horários Pólen Resina Néctar/Água Lixo Sem carga
7h20-7h30 0,8±0,74 0,8±0,97 3,6±1,35 0,6±0,48 3,6±2,87
8h20-8h30 1±1,26 0,6±1,20 2,4±0,80 0,4±0,48 4,6±3,77
9h20-9h30 1,6±1,01 0,2±0,40 6,2±3,96 0,4±0,80 4,8±2,48
10h20-10h30 1,4±1,49 0,4±0,48 6,4±3,55 0,8±1,16 10±6,41
11h20-11h30 1,6±1,49 0,4±0,48 12±5,09 1±1,54 11,8±6,49
12h20-12h30 1,6±1,49 1,4±1,20 8,8±2,78 2±1,41 13,6±7,86
13h20-13h30 3,2±1,72 1,2±1,46 19,4±9,76 3,6±4,02 15,6±10,70
14h20-14h30 5,2±4,16 2,6±1,62 15,4±2,72 4,8±3,42 11,4±4,63
15h20-15h30 4±2,09 0,8±1,16 11±3,89 6,2±5,03 11,2±2,71
16h20-16h30 3±1,78 2,6±1,20 13,2±12,96 7,4±6,34 9,4±4,92

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CONCLUSÕES

As atividades externas das abelhas sem ferrão Frieseomelitta doederleini sucederam-se


durante todo o dia, para ambos os períodos do ano avaliados e apresentaram variação de acordo
com a disponibilidade de recursos florais e pelas atividades de limpeza e termorregulação da
colônia. Os principais comportamentos de pastejo observados foram para néctar, água e pólen, com
maior ocorrência e atividade forrageadora pela manhã no período chuvoso e à tarde para o período
sem chuvas. Ademais, o presente estudo possibilitou o entendimento das atividades de voo da
abelha sem ferrão F. doederleini em uma área de domínio da Caatinga, no estado do Rio Grande do
Norte, semiárido brasileiro, gerando informações úteis para trabalhos científicos, ações de manejo e
conservação dessas abelhas em ambientes naturais e áreas agricultáveis.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A ABORDAGEM DA BIODIVERSIDADE AQUÁTICA E IMPACTOS AMBIENTAIS


NO ENSINO FUNDAMENTAL UTILIZANDO ATIVIDADES INVESTIGATIVAS

Gabriela de Souza CRISTINO


Graduanda em Ciências Biológicas da UEG
gabycristino11@gmail.com

Juliana SIMIAO-FERREIRA
Docente da Universidade Estadual de Goiás
j_simiaoferreira@yahoo.com.br

RESUMO
O ensino de ciências por investigação tem o propósito de desenvolver no aluno a capacidade de
argumentação, bem como suas capacidades cognitivas a partir da apresentação de um problema que
esteja consonante com suas experiências e desenvolvimento intelectual. Portanto, essa abordagem
de ensino pode ser muito útil para tratar de temas ambientais visto que nesse modelo de ensino as
atividades são desenvolvidas a partir de um problema. Portanto, o objetivo deste trabalho foi aplicar
e verificar as contribuições de uma intervenção pelo uso de sequência didática investigativa em
ambientes não formais para construção do conhecimento científico sobre os impactos ambientais e
biodiversidade aquática. Os sujeitos da pesquisa foram 56 alunos matriculados regularmente no 7º
ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública do Estado de Goiás no perímetro urbano
da cidade de Teresópolis de Goiás. A atividade de investigação para o entendimento de impactos
ambientais no ambiente aquático e sua relação com a biodiversidade foi desenvolvida em quatro
etapas em dois espaços não formais de educação, o Laboratório de Pesquisas Ecológicas e
Educação Científica da Universidade Estadual de Goiás (LAB-PEEC/UEG) e na trilha ecológica do
Campus. Para verificar a eficácia da atividade foi utilizado questionário aberto e uso de desenhos da
biodiversidade em um ambiente aquático preservado e em um degradado. Foi possível observar que
antes das atividades os alunos representaram principalmente peixes, repteis e animais marinhos,
desenharam poucos invertebrados e após as atividades as crianças mostraram ter compreendido
mais a biodiversidade presente em ambientes aquáticos como rios e riachos, com desenhos mais
realistas e com mais representantes das comunidades aquáticas. A realização das atividades em
ambientes não formais contribuiu para o maior interesse e envolvimento dos alunos que mostraram-
se motivados.
Palavras-chave: Ensino por Investigação, Ensino de ciências, Degradação Ambiental.

ABSTRACT
The inquiry-based learning sciences aims to develop in the student the capacity for argumentation,
as well as their cognitive abilities from the presentation of a problem that is consonant with their
experiences and intellectual development. Therefore, this teaching approach can be very useful to
deal with environmental issues since the activities are developed from a problem in this teaching
model. Therefore, the objective of this study was to verify the contributions of an intervention
through the use of a didactic investigative sequence in non-formal environments for the
construction of scientific knowledge on environmental impacts and aquatic biodiversity. The
research subjects were 56 students enrolled regularly in the 7th grade of a public school in the state
of Goiás, in the urban perimeter of the city of Teresópolis de Goiás. Research activities were carried
out in four =stages, two at non-formal educational spaces, one at The Laboratory of Ecological
Research and Scientific Education of the State University of Goiás (LAB-PEEC / UEG) and at the
ecological trail of the Campus. The research activity for the understanding of environmental

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

impacts on the aquatic environment and its relation with biodiversity was developed in four
meetings. To verify the effectiveness of the activity on the students knowledge and perception of
these organisms, an open questionnaire and use of biodiversity drawings were used in a preserved
and degraded aquatic environment. It was possible to observe that before the activities the students
represented mainly fish, reptiles and marine animals, they draw only a few invertebrates and after
the activities, the children seemed to have understood much more the biodiversity present in aquatic
environments, like rivers and streams, with more realistic drawings, with more representatives of
aquatic communities. The performance of activities in non-formal environments contributed to the
greater interest and involvement of the students who were motivated.
Keywords: Inquiry-based learning, Science education, environmental degradation.

INTRODUÇÃO

Atualmente, muito se fala de uma educação escolar capaz de emancipar o aluno, de


favorecer a argumentação e torná-lo um cidadão crítico que esteja preparado para atuar na
sociedade em que vive (VIEIRA, 2012). Nesse sentido, a Educação Ambiental (EA) torna-se
elemento-chave para a transformação social e deve estar presente em todos os espaços educativos,
de forma interdisciplinar, transversal e holística (LEFF, 2001).
É notório que na Educação, a metodologia e a didática utilizadas em alguns grupos podem
não funcionar em outros e isto faz parte da dinâmica do ensino. Assim, a Educação deve reconhecer
os aspectos históricos e culturais de um povo para desenvolver da melhor maneira seu papel. Ela
não está restrita à escola ou às instituições científicas, mas presente em qualquer meio em que se
transmita e compartilhe conhecimentos. Nesse sentido, há várias abordagens de ensino, uma delas o
ensino por investigação, que possibilita a criação e reformulação de ideias previamente concebidas
pelo aluno e traz a possibilidade de mudanças de paradigmas. Tendo isso em vista, as atividades
investigativas criam espaço para que o aluno possa construir conhecimento e também se inteirar dos
mecanismos de construção deste (CICILLINI; SICCA, 2010).
Ainda nessa perspectiva, alguns autores (SASSERON; CARVALHO, 2008; SASSERON;
CARVALHO, 2014) defendem pontos comuns nas atividades investigativas, como o engajamento
dos alunos para realizar as atividades; emissão de hipóteses, nas quais é possível a identificação dos
conhecimentos prévios dos mesmos; a busca por informações, tanto por meio dos experimentos,
como na bibliografia que possa ser consultada por eles para ajudá-los na resolução do problema
proposto na atividade; a comunicação dos estudos feitos para os demais. Os alunos não devem
descobrir algo, mas por meio da utilização do processo de construção do conhecimento, os
estudantes deveriam procurar soluções para questões das quais não sabiam a resposta. Então, a
partir da apresentação de um problema que esteja consonante com suas experiências e
desenvolvimento intelectual, o estudante deve levantar uma hipótese, coletar os dados e apresentar
uma conclusão (ZÔMPERO; LABURÚ, 2011; PRAIA, CACHAPUS e GIL-PERES, 2002).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

De acordo com Jacobucci (2008) o termo ―espaço não formal‖ é utilizado por pesquisadores
em Educação, professores de diversas áreas do conhecimento e profissionais que trabalham com
divulgação científica para descrever lugares, diferentes da escola, onde é possível desenvolver
atividades educativas. Rink e Neto (2009) observaram em seus estudos que na educação ambiental
existe um forte interesse em questões voltadas para o âmbito formal de ensino, ou seja, a maior
parte dos estudos são direcionados ao contexto escolar. Todavia, as iniciativas de EA em ambientes
não formais remetem a algumas discussões que não são recentes. Ainda de acordo com esses
autores, a organização espaço-tempo flexível das instituições que adotam uma abordagem de ensino
em ambientes não formais permite maior liberdade na escolha de conteúdos, ampliando as
possibilidades de executar estratégias metodológicas não-tradicionais, criando atividades
interdisciplinares e ligadas a problemáticas atuais. Isso confere a tais espaços um potencial
significativo no sentido de motivar e sensibilizar o público visitante para as questões trabalhadas.
Um tema bastante negligenciado é a biodiversidade aquática e o efeito de impactos
ambientais (ANGELINI et al., 2011). No entanto, sabe-se que a popularização de conhecimentos
sobre a biodiversidade possibilita a implementação de estratégias educacionais para fomentar as
atitudes positivas nos alunos em relação à conservação (KILINK et al., 2013). Segundo Angelini et
al., (2011) atividades de campo ou em espaços de ciências possibilitam a compreensão de questões
ambientais e de conservação da biodiversidade, principalmente, por proporcionar uma aproximação
com os objetos estudados e por despertar bastante interesse em alunos da educação básica.
É notável que nos últimos anos as atividades antrópicas tenham exercido grande impacto
ambiental nos ecossistemas aquáticos. Como consequência destas atividades, tem-se observado uma
expressiva queda da qualidade da água e perda de biodiversidade aquática (GOULART e
CALLISTO, 2003). Entretanto, os organismos aquáticos são pouco conhecidos popularmente,
principalmente os insetos que vivem pelo menos uma fase da vida na água. Partindo do princípio de
que a conservação é diretamente proporcional ao conhecimento a cerca do que deve ser preservado,
acreditamos que divulgação do conhecimento científico pode ser uma ferramenta auxiliar na
conservação da biodiversidade pela aproximação de crianças com o conhecimento ecológico e
assim, gerar uma maior compreensão, por exemplo, dos impactos gerados pelas alterações
antrópicas sobre a biodiversidade de ambientes naturais (ANGELINI et al., 2011). Desta forma, este
trabalho objetiva aplicar e verificar as contribuições de uma sequência didática investigativa para
abordar impactos ambientais e biodiversidade aquática em ambientes não formais, de modo a
popularizar conhecimentos ecológicos pouco estudados no ambiente escolar.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

METODOLOGIA

A pesquisa teve como público-alvo 56 alunos matriculados regularmente no 7º ano do


ensino fundamental de uma escola da rede pública do Estado de Goiás no perímetro urbano da
cidade de Teresópolis de Goiás. A cidade está dentro do bioma Cerrado, com a construção da
Barragem do Ribeirão João Leite o Município de Teresópolis está 100% inserido na APA (Área de
Proteção Ambiental) do Ribeirão João Leite desde 2002 e ainda possui grandes áreas verdes onde
há muitas regiões que hospedam alta diversidade de espécies selvagens. Portanto, os alunos da
amostra têm oportunidade de estar em contato com a natureza.
A atividade de investigação para o entendimento de impactos em um ambiente aquático e
sua relação com a biodiversidade foi desenvolvida em quatro encontros, totalizando
aproximadamente 12 aulas, propostas por Cirilo (2016). Tais atividades foram desenvolvidas nos
seguintes espaços: no Laboratório de Pesquisas Ecológicas e Educação Científica da Universidade
Estadual de Goiás (LAB-PEEC/UEG), na trilha interpretativa de educação ambiental do Campus (a
Trilha do Tatu) e na unidade escolar.
O primeiro encontro aconteceu na unidade escolar, onde os alunos foram informados sobre
os objetivos e metodologia da pesquisa e, em seguida, foi solicitado a eles que respondessem três
questões sobre o assunto a ser abordado nas atividades. Em seguida, foi ministrada uma aula
expositiva dialogada sobre impactos ambientais em sistemas aquáticos, com duração aproximada de
60 minutos. Posteriormente, foi solicitado que eles elaborassem hipóteses sobre as possíveis
consequências desses impactos sobre a biodiversidade aquática e a integridade dos riachos.
Na semana seguinte, os alunos foram até o LAB-PEEC/UEG, onde receberam um material
de apoio, composto por colete personalizado, boné, squeeze, lápis e um diário de campo para
anotações. Em seguida, foi ministrada uma aula expositiva dialogada de aproximadamente 40
minutos sobre biodiversidade aquática com ênfase em Insetos Aquáticos. Posteriormente, os alunos
percorreram a Trilha do Tatu, acompanhados de monitores, onde fizeram coletas de insetos
aquáticos no córrego Barreiro, localizado no final da trilha. Durante todo o processo, os monitores
orientaram as crianças a anotarem suas observações.
Na terceira semana, em nova visita ao LAB-PEEC/UEG, os alunos assistiram uma aula
expositiva dialogada de aproximadamente 20 minutos sobre insetos aquáticos como bioindicadores
da qualidade da água. Feito isso, foram expostos materiais didáticos sobre o tema, tais como:
maquetes de rios preservados e degradados, insetos aquáticos de pelúcia e ciclo de vida dos insetos
feitos com massinha de modelar. Depois, com o auxílio dos monitores e utilização de microscópios
estereoscópicos, os alunos observaram e identificaram os insetos coletados na etapa anterior.
Identificados os insetos, os alunos contabilizaram os táxons sensíveis, resistentes e tolerantes à
poluição encontrados no córrego e, a partir disso, elaboraram conclusões acerca das hipóteses
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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

propostas na primeira visita e responderam novamente o questionário. Finalmente, na quarta


semana, os alunos em um encontro na escola sistematizaram e socializaram suas soluções para o
problema proposto e os resultados da investigação realizada nos encontros anteriores.
Para a avaliação da eficácia da sequência didática foram aplicados questionários, no início e
no final das atividades, composto por três questões abertas. Além das questões, foi solicitado a
elaboração de dois desenhos, um no qual os alunos deveriam representar a biodiversidade de um rio
com mata ciliar e outro onde deveria ser representada a biodiversidade de um rio sem mata ciliar.
Para a avaliação da eficácia da atividade, foi utilizada como instrumento de pesquisa a observação
participante e com o intuito de verificar a eficiência das atividades em termos quantitativos
verificamos a frequência de ocorrência dos organismos representados pelas crianças através dos
desenhos antes e depois das atividades.
Seguem as perguntas do questionário aplicado aos alunos:
01. Para você, quais são os organismos que vivem dentro do rio?
02. O desmatamento é a retirada da vegetação de uma área. Você acha que o desmatamento
próximo do rio pode afetar os organismos que vivem nele? De que maneira?
03. O que podemos fazer para proteger os organismos que vivem no rio?

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As atividades desenvolvidas despertaram grande interesse nos alunos, principalmente por


viverem próximos ou em áreas rurais, ou seja, com grande contato com a natureza e por se tratar de
um tema que atualmente tem sido muito discutido nos meios de comunicação. Na ocasião o assunto
foi repassado de uma forma clara e acessível, proporcionando um interesse pelo tema e
despertando-os para o entendimento da sua importância na preservação dos ambientes aquáticos.
Kilink et al. (2013) acreditam que as crianças desenvolvem concepções sobre fenômenos
naturais desde o nascimento. Estas concepções são construídas através de experiências pessoais
com a natureza e sentimentos como prazer, alegria, interesse e orgulho em ser capazes de identificar
organismos. Salientam ainda que, as experiências com colegas, familiares e professores nos
primeiros anos de educação também são influentes na construção das concepções individuais da
natureza.
Um dos passos essenciais no ensino de ciências por investigação é a proposição da
problemática inicial, nesse caso a problemática é a degradação ambiental próxima ao rio, e de que
maneira ela afeta os organismos que vivem dentro dele. Diante disso, após a aula sobre o assunto
procurou-se demonstrar o processo de construção do conhecimento científico e suas etapas.
Partindo do princípio que a hipótese é a resposta a um determinado problema, nesse caso, o
problema foi: ―O que acontece com organismos que vivem dentro de um rio que sofreu impacto

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

ambiental?‖ Em grupos, os alunos formularam suas hipóteses. Nesse momento o professor atuou
como orientador dos grupos, sem interferir com respostas prontas. Basicamente todos os grupos
propuseram que os organismos que vivem dentro daquele rio morreriam com a degradação de sua
mata ciliar. O desenvolvimento do conhecimento científico requer que o professor proponha
problemas aos estudantes e são estes problemas que irão estimular a ação dos mesmos, pois ―ele
motiva, desafia, desperta interesse e gera discussões‖ (CARVALHO et al., 2007).
A avaliação dos desenhos feitos antes da execução das atividades mostrou que os alunos
possuem uma concepção distorcida da biodiversidade de um ambiente aquático de água doce, pois
foram desenhados cenários com alta predominância de peixes e com a presença de animais
marinhos (Figura 1). Após a intervenção, percebeu-se com maior frequência, a representação por
meio do desenho, de um cenário com mais biodiversidade, os peixes ainda predominaram, mas
houve maior quantidade de representação de macroinvertebrados aquáticos bem como de répteis e
mamíferos em ambiente aquático com mata ciliar preservada (Figura 2).

Figura 1. Frequência de cada táxon representado pelas crianças no desenho antes das atividades
investigativas.

Fonte: Da própria autora.

Figura 2. Frequência de cada táxon representado pelas crianças no desenho depois das atividades
investigativas.

Fonte: Da própria autora.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Antes das atividades investigativas os alunos propuseram como hipótese para um rio
degradado a morte ou ausência de todos os seres vivos que ali viviam, isso se mostra evidente
também nos desenhos elaborados no questionário respondido anteriormente às atividades. Segundo
Ferreira (1998), a criança desenha para significar seu pensamento, sua imaginação, seu
conhecimento, criando um modo simbólico de objetivação desses pensamentos.
Após as atividades os desenhos foram mais realistas, com mais representantes das
comunidades aquáticas (Figura 3). Para Ferreira e Silva (2004), o desenho que a criança desenvolve
no contexto das atividades escolares é um produto de sua atividade mental e reflete sua cultura e seu
desenvolvimento intelectual, e nesse caso foi por meio deles os alunos representaram a
biodiversidade em um ambiente aquático preservado e em um ambiente aquático degradado.

Figura 3. Desenho mostrando que antes das atividades investigativas (A) as crianças demonstravam pouco
conhecimento sobre a biodiversidade aquática. Depois das atividades (B) desenharam um ambiente com
maior biodiversidade aquática.

Antes das atividades os táxons de animais com maior frequência de representações nos
desenhos foram peixes (91%, n= 52) e répteis (25%, n= 14), além disso alguns alunos antes das
atividades representaram uma biodiversidade menor em ambiente aquático sem mata ciliar (12,5%,
n=7). Cirilo (2016) encontraram resultados semelhantes a esse, com desenhos representando a perda
da diversidade (número de espécies) e o aumento da dominância de uma espécie de peixes nos rios
sem mata ciliar. Poucos alunos (5,3%, n=3) desenharam os ambientes aquáticos (preservado e
degradado) sem nenhum organismo. Alguns alunos representaram os animais mortos no rio sem
mata ciliar (33%, n=19), também representaram atividades antrópicas como causa para a perda da
biodiversidade do ambiente, tanto antes como depois das atividades (12,5%, n= 7).
Os resultados sugerem que as crianças que participaram do presente estudo, além possuírem
previamente uma concepção simplista sobre a biodiversidade aquática, muitos desconheciam a
importância da pecuária como ameaça à biodiversidade do Cerrado. Klink e Machado (2005)
mostram que uma área de aproximadamente 65.874.145 ha (41% da área central do bioma) é

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

utilizada para plantação de pastagens para o gado, e isso gera um ameaça à biodiversidade. Apesar
disso, as crianças mostram acreditar que a criação de gado não representa um impacto ambiental, e
isso ficou evidente em dois momentos, o primeiro durante a primeira aula sobre ―Impactos
Ambientais em Ambientes Aquáticos‖, em meio as discussões, quando perguntados: ―Quais os
animais típicos do Cerrado vocês conhecem?‖ A resposta da turma foi unanime: ―A vaca‖. Outro
momento em que esse desconhecimento ficou evidente foi durante as análises dos desenhos, em que
a pastagem e as vacas foram representadas em ambientes preservados. Isso se dá, provavelmente,
devido ao fato do tema Cerrado ser negligenciado nos conteúdos escolares (BIZERRIL; FARIA,
2003). Além disso, pode-se associar essa visão a respeito da paisagem com o contexto em que as
crianças desse estudo estão crescendo.
Barbosa-Lima e Carvalho (2008) acreditam que o desenho realizado pelos alunos possa ser
um instrumento precioso de avaliação para o professor perceber quando e porque deve voltar a tocar
naquele assunto para que o aluno possa pensar sobre ele e procurar resolvê-lo construindo soluções
mais adequadas, buscando sanar suas dúvidas e desenvolver mais e melhor seu raciocínio. No
presente trabalho nota-se que as representações em forma de desenho foram eficazes para analisar o
efeito da atividade investigativa na concepção que as crianças traziam sobre biodiversidade aquática
e impactos ambientais e ainda o conjunto dos desenhos mostrou que após a intervenção os alunos
representaram com maior frequência e precisão organismos característicos desse ambiente.
Além de habilidades como escrever e desenhar, o saber comunicar procedimentos de forma
organizada é importante na construção do conhecimento científico, uma vez que existe uma
recapitulação do conteúdo. Segundo Vieira (2012), ao oportunizar esta comunicação, o ensino por
investigação permite que significados adquiridos sejam evidenciados, oportunizando uma
aprendizagem significativa. Os alunos, com auxilio da professora, organizaram suas observações e
registros escritos para a confecção de materiais como cartazes e maquetes, esta etapa foi a
sistematização dos conhecimentos. Nessa etapa, o professor com perguntas do tipo ―como e por
quê‖ busca do aluno o entendimento que eles tiveram do processo, permitindo com isso a passagem
da ação manipulativa à ação intelectual (SASSERON; CARVALHO, 2014). Essa sistematização se
deu na escola na semana após as atividades na trilha e no laboratório. Os materiais produzidos pelas
três turmas sintetizavam o conhecimento científico adquirido/produzido após a realização das
atividades anteriores. A exposição foi realizada para todas as turmas que participaram das
atividades, além dos professores.
Seguem alguns trechos do momento de sistematização: ―A nossa maquete é dividida em
mata galeria e mata seca. Durante nossa visita na UEG vimos os insetos aquáticos, e observamos
eles na lupa. Nós visitamos a mata seca e depois a mata galeria, na mata galeria vimos animais e
várias plantas, no rio não tem peixes, lá no laboratório nós aprendemos sobre a importância da

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

mata galeria e no rio coletamos muitos insetos como libélula, mas lá estava degradado‖ (Estudante
x)
Diante disso, foi proposta uma discussão a fim de esclarecer esses argumentos e organizá-
los, pode-se entender que o argumento é o esclarecimento intencional de um raciocínio durante ou
após a sua elaboração (COSTA, 2008). Então, foi perguntado: ―Depois de tudo que discutimos
durante as aulas e durante as visitas ao laboratório e trilha, além do o que vocês observaram
durante as coletas dos insetos no córrego Barreiro, o que vocês notaram de diferente nas ideias
que vocês tinham sobre os animais que vivem dentro do rio?‖. Outro aluno do grupo respondeu:
―Ah professora, eu pensava que todos os animais morriam, não sobrava nenhum, mas não é assim
que acontece. O que acontece é que quando desmata na beira do rio o barranco cai porque não
tem raiz, e caiu e virou só lama, aí os animais que vivem lá vão ficando sem alimento porque tem
os insetos que se alimentam de raízes e vivem nelas, então esses vão morrer, os que se alimentam
desses vão morrer, só vão sobrar os resistentes, e você percebe que não são todos que morrem‖.
As atividades desenvolvidas possibilitaram aos alunos o acesso ao conhecimento científico
por meio da investigação, eles próprios construíram as percepções sobre o ambiente que visitaram e
sobre os impactos ambientais que este sofria. O ensino por investigação permite ao aluno participar
do processo de ensino-aprendizagem e com isso ele fixa muito mais o que aprende e pode fazer
relações com os assuntos já estudados anteriormente (SASSERON, 2015).

CONSIDERAÇOES FINAIS

A abordagem investigativa para a construção do conhecimento sobre biodiversidade


aquática e a preservação da mata ciliar mostrou-se eficiente como estratégia de ensino para temas
ambientais, pois proporcionou uma melhor compreensão por parte dos alunos sobre os conceitos
envolvendo biodiversidade aquática e a degradação ambiental. Foi possível ainda despertar nos
alunos do ensino fundamental mudanças na percepção do ambiente ao seu redor, bem como
despertar o interesse para o conhecimento científico e isso fica claro durante as discussões em aula e
ao compararmos os resultados obtidos após as atividades com os resultados dos questionários
diagnósticos.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INFLUÊNCIA DA PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA NA DIVERSIDADE DE


MOLUSCOS NA PRAIA DOS CARNEIROS, PE, BRASIL

Reginaldo Lourenço PEREIRA JÚNIOR


Graduando do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da UNICAP
reginaldolpjunior@outlook.com
Higor Maciel Pontes da SILVA
Graduando do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da UNICAP
higor.maciel13@gmail.com
Goretti SÔNIA-SILVA
Professora do Curso de Licenciatura Plena e Bacharelado em Ciências Biológicas da UNICAP
goretti@unicap.br

RESUMO
Na zona entremarés da praia dos Carneiros, a malacofauna presente no recife arenítico sofre
diariamente com diversos fatores que podem influenciar a distribuição e a diversidade. Entre os
fatores, podemos citar as chuvas. Assim, o objetivo do presente trabalho é verificar se a diversidade
da malacofauna no recife arenítico da Praia dos Carneiros (PE: Brasil) é influenciada pela
precipitação pluviométrica (mm). Coletas de moluscos foram realizadas na praia por meio de
transectos (10 x 10m) e quadrantes (25 x 25 cm) em três poças marinhas na área recifal durante dois
meses da estação chuvosa (abril e junho/2016) e dois meses da estação seca (janeiro e
novembro/2016). Na identificação taxonômica utilizou-se a literatura especializada e os dados da
precipitação pluviométrica foram obtidos com a APAC. Paralelamente foi utilizada a Frequência de
Ocorrência (%) para classificar os moluscos e o Coeficiente de correlação de Pearson para
correlacionar a inter-relação dos moluscos com a precipitação pluviométrica. Foram identificadas
dezoito espécies, sendo catorze gastrópodes, três bivalves e um da Classe Polyplacophora. Cinco
espécies foram encontradas em todos os meses amostrados, sendo classificadas como constantes. O
maior número de espécies ocorreu na estação chuvosa. O mês de abril apresentou a maior
diversidade e os meses de janeiro e novembro os menores números de espécies. Em relação a
precipitação pluviométrica, a precipitação mensal caiu na maioria dos meses em relação aos anos
anteriores. Abril teve a maior precipitação e novembro a menor, ocorrendo uma correlação positiva
entre o número de espécies e a precipitação pluviométrica. Assim, os moluscos representaram três
classes e a precipitação pluviométrica influenciou positivamente na diversidade de moluscos. São
necessários mais estudos acompanhando as espécies e aumentar as políticas de preservação do
ecossistema recifal.
Palavras-chaves: Bivalvia; Gastropoda; Polyplacophora; Recife arenítico; Zona entremarés.

ABSTRACT
In the intertidal zone of Carneiros beach, the malacofauna present in the sandy reef suffers daily
with several factors that can influence the distribution and the diversity. Among the factors, we can
mention the rains. Thus, the objective of the present work is to verify if the diversity of the
malacofauna in the sandstone reef of Carneiros beach (PE: Brazil) is influenced by rainfall (mm).
Mollusks collections were carried out on by means of transects (10 x 10 m) and quadrants (25 x 25
cm) in three marine pools in the reef area during two months of the rainy season (April and
June/2016) and two months of dry season (January and November/2016). In the taxonomic
identification the specialized literature was used and the rainfall data were obtained with the APAC.

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At the same time, the Frequency of Occurrence (%) was used to classify the molluscs and Pearson's
correlation coefficient to correlate the interrelationship between molluscs and rainfall. Eighteen
species were identified, being fourteen gastropods, three bivalves and one of the Polyplacophora
Class. Five species were found in all the months sampled, being classified as constants. The largest
number of species occurred in the rainy season. The month of April presented the greatest diversity
and the months of January and November had the lowest numbers of species. In relation to rainfall,
the monthly precipitation fell in most months compared to previous years. April had the highest
rainfall and November had the lowest, occurring a positive correlation between the number of
species and rainfall. Thus, molluscs represented three classes and rainfall influenced positively the
diversity of molluscs. More studies are needed to accompany the species and to increase policies for
the preservation of the reef ecosystem.
Keywords: Bivalvia; Gastropoda; Polyplacophora; Sandstone reef; Intertidal zone.

INTRODUÇÃO

―No litoral pernambucano os substratos duros estão representados, predominantemente,


pelos recifes de franja‖ (Pereira et al., 2002). Essas formações recifais são geralmente de estrutura
arenítica, caracterizados por areia de praias consolidadas por matéria calcária e fragmentos de
organismos calcários recristalizados‖ (Silva; Lira; Sônia-Silva, 2015). ―Muitos organismos vivem
direta ou indiretamente dos ecossistemas recifais, utilizando-os principalmente como áreas de
reprodução, alimentação e refúgio‖ (Correia e Sovierzoski, 2005). A praia dos Carneiros apresenta
em sua zona entremarés um recife arenítico com uma macrofauna bentônica bastante diversa. Nesse
habitat, a malacofauna se apresenta como um dos grupos mais abundantes. Os moluscos presentes
nesse ambiente sofrem diariamente com diversos fatores que podem influenciar a distribuição e a
diversidade. Entre esses fatores podemos citar a salinidade, a temperatura, o pH e as chuvas, sendo
que, alguns estudos têm sido realizados nos últimos anos para entender os efeitos deles sobre a
malacofauna. Olímpio (2015) ―verificou se a salinidade seria um fator determinante para a
comunidade da macrofauna bentônica, incluindo a malacofauna‖; Melo-Ferreira et al. (2016)
―abordaram a correlação da temperatura ambiental e a distribuição espacial da malacofauna‖.
Pereira Júnior; Silva; Sônia-Silva (2017) ―verificaram se o potencial hidrogeniônico (pH) interveio
na distribuição dos moluscos‖. Com relação as chuvas, Souza et al. (2014), por exemplo,
―trouxeram informações sobre os efeitos de eventos extremos de chuvas sobre a fisiologia de
mexilhões‖.
A preocupação com as mudanças climáticas e os efeitos das chuvas sobre os organismos e
habitats aumentou recentemente devido ao aumento das discussões e das projeções climáticas.
―Diversos estudos demostram que o aumento da temperatura média do planeta causa uma
intensificação do ciclo hidrológico, podendo ocasionar mudanças nos regimes das chuvas, como o
aumento da ocorrência de eventos hidrológicos extremos‖ (Silva; Montenegro; Souza, 2017).
Segundo Santos et al. (2016) ―o destaque que as mudanças climáticas têm produzido nos últimos

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tempos ressalta a importância de analisar as tendências de precipitação para a compreensão de como


as modificações do clima podem impactar os ecossistemas‖. Nesse contexto, o objetivo do presente
trabalho é verificar se a precipitação pluviométrica (mm) intervém na diversidade da malacofauna
no recife arenítico da Praia dos Carneiros, Pernambuco, Brasil.

METODOLOGIA

A praia dos Carneiros está localizada no município de Tamandaré no litoral Sul de


Pernambuco, a 110 km da cidade do Recife. ―O clima da região é quente e úmido do tipo AS‘,
segundo o sistema de classificação de Köpp ocorrendo uma estação chuvosa (março-agosto) e uma
estação seca (setembro-fevereiro)‖ (Pereira et al., 2002; Rosevel da Silva et al., 2005).
Moluscos foram coletados utilizando-se a metodologia de transectos (10 x 10 m) e
quadrantes (25 x 25 cm) em três poças marinhas na área recifal da praia dos Carneiros (8°42'08.5"S
e 35°04'39.3"W) (Figura 01). As coletas aconteceram durante a baixa-mar diurna no andar do médio
inferior em dois meses da estação chuvosa (abril e junho/2016) e dois meses da estação seca
(janeiro e novembro/2016). Em laboratório os exemplares foram selecionados, acondicionados e
preservados em álcool 70%. Na identificação taxonômica utilizou-se a literatura especializada
(Rios, 1994), onde os nomes das espécies foram revisados e atualizados segundo o banco de dados
World Register of Marine Species (WoRMS). Todo o material encontra-se armazenado no
laboratório de Biologia Marinha da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. Os dados da
precipitação pluviométrica (mm) do município de Tamandaré foram obtidos com a Agência
Pernambucana de Águas e Clima (APAC).
Paralelamente foi utilizada a Frequência de Ocorrência (%), sendo expressa em termos
percentuais e calculada pela fórmula: FO = m x 100/ M, onde: FO = Frequência de Ocorrência; m=
número de meses onde a espécie ocorreu; M = número total de meses. Os resultados fornecidos em
porcentagem classificaram os moluscos, seguindo o critério de Bezerra (2011): ―25% ≥ FO (%) >
0% = Ocasionais; 50% ≥ FO (%) > 25% = Pouco Frequentes; 75% ≥ FO (%) > 50% = Frequentes;
FO (%) > 75% = Constantes‖. Para correlacionar a inter-relação dos moluscos com a precipitação
pluviométrica (mm) foi utilizado o Coeficiente de correlação de Pearson, onde se o valor está
próximo de 1 a correlação é positiva; Se o valor está próximo de -1 = a correlação é negativa.

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Figura 1: Localização da área recifal da praia dos Carneiros, Tamandaré, Pernambuco, Brasil. Fonte: Pereira
Júnior; Silva; Sônia-Silva (2017).

RESULTADOS

A tabela 1 apresenta a diversidade de moluscos identificados, com um total de dezoito


espécies, sendo catorze gastrópodes, três bivalves e um da Classe Polyplacophora. As espécies
encontradas em todos os meses amostrados e classificadas como constantes foram Astraea tecta
olfersii, Cerithium atratum, Stramonita haemastoma, Pisania pusio e Mytilaster solisianus.
Columbella mercatoria, Ischnochiton hartmeyeri e Morula nodulosa foram classificadas como
frequentes. As demais espécies dez foram classificadas como pouco frequentes (quatro espécies) ou
como ocasionais (seis espécies).

ES EC
Espécie CL JA N A JU FO
Astraea tecta olfersii Philippi, 1846 G X X X X C
Cerithium atratum Born, 1778 G X X X X C
Stramonita haemastoma Linnaeus, 1767 G X X X X C
Pisania pusio Linnaeus, 1758 G X X X X C
Mytilaster solisianus d‘Orbigny, 1842 B X X X X C
Columbella mercatoria Linnaeus, 1758 G X X X F
Ischnochiton hartmeyeri Thiele, 1910 P X X X F
Morula nodulosa C. B. Adams, 1845 G X X X F
Tegula viridula Gmelin, 1791 G X X PF

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Fissurella nimbosa Linnaeus, 1758 G X X PF


Arca imbricata Bruguière, 1789 B X X PF
Diodora cayenensis Lamarck, 1822 G X X PF
Hemitoma octoradiata Gmelin, 1791 G X O
Monoplex parthenopeus Salis Marschlins, 1793 G X O
Tivela mactroides Born, 1778 B X O
Phrontis polygonata Lamarck, 1822 G X O
Conus regius Gmelin, 1791 G X O
Cassis tuberosa Linnaeus, 1758 G X O
n 7 7 15 14
Tabela 1: Diversidade de espécies por época e mês e a classificação com base na ocorrência. (ES:
Estação seca; EC: Estação chuvosa; CL: Classe; JA: Janeiro; N: Novembro; A: Abril; JU: Junho; FO:
Frequência de Ocorrência; G: Gastropoda; B: Bivalvia; P: Polyplacophora; C: Constantes; F:
Frequentes; PF: Pouco Frequentes; O: Ocasionais; n: Número de espécies).

O maior número de espécies ocorreu na estação chuvosa (n= 17), sendo que Tegula viridula,
Fissurella nimbosa¸ Arca imbricata, Diodora cayenensis¸ Monoplex parthenopeus, Tivela
mactroides, Phrontis polygonata, Conus regius e Cassis tuberosa ocorreram somente nesta estação.
Enquanto que na estação seca ocorreu nove espécies, sendo Hemitoma octoradiata exclusiva dessa
estação. O mês de abril apresentou o maior número de espécies (n = 15) e os meses de janeiro e
novembro apresentaram os menores números, com sete espécies cada. Com relação aos dados de
precipitação pluviométrica, o mês com maior precipitação foi abril com 222,8 mm. Já o mês com
menor precipitação foi novembro com 18,6 (Figura 2). A média da precipitação pluviométrica foi de
108,1 mm e de acordo com o Coeficiente de correlação de Pearson, houve correlação positiva (r =
0,797) entre a precipitação pluviométrica e a diversidade de espécies.

Figura 2: Número de espécies correspondentes à Precipitação pluviométrica (mm) nos meses de coleta.

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DISCUSSÃO

Nos últimos anos a malacofauna da Praia dos Carneiros tem sido alvo de diversas pesquisas.
Pereira Júnior; Silva; Sônia-Silva (2016) ―identificaram seis bivalves e doze gastrópodes, incluindo
Stramonita haemastoma, Conus regius, Astraea tecta olfersii, Columbella mercatoria, Pisania
pusio, Tivela mactroides e Mytilaster solisianus‖. Enquanto Pereira Júnior; Silva; Sônia-Silva
(2017) ―encontraram Cerithium atratum, Stramonita haemastoma, Astraea tecta olfersii, Morula
nodulosa, Pisania pusio, Columbella mercatoria, Cassis tuberosa, Tegula viridula, Arca imbricata e
Ischnochiton hartmeyeri‖. Além disso, todas as espécies identificadas no presente estudo já foram
registradas em Pernambuco por outros autores (Rios, 1994; Tenório; Luz; Melo, 2002; Melo-
Ferreira et al., 2016).
Pereira Júnior; Silva; Sônia-Silva (2016) ―registraram Mytilaster solisianus com frequência
de 100%; Astraea tecta olfersii, Stramonita haemastoma e Columbella mercatoria com 70% a 40%
de frequência e Conus regius, Pisania pusio e Tivela mactroides com frequência entre 40% e 10%‖.
Melo-Ferreira et al. (2016) ―encontraram Astraea tecta olfersii, Stramonita haemastoma e
Mytilaster solisianus em todos os prontos amostrados‖. Jesus (2000) ―considerou Fissurella
nimbosa como constante e com frequência acima de 50% no Recife Ponta Verde em Maceió (AL)‖.
Mota (2011) ―registou as espécies Arca imbricata, Tegula viridula, Columbella mercatoria, Pisania
pusio, Stramonita haemastoma e Morula nodulosa como algumas das espécies mais frequentes nos
recifes costeiros do litoral da Paraíba, enquanto a espécie Phrontis polygonata foi pouco frequente‖.
Veras (2011) ―registrou, na Praia da Pedra Rachada (CE), Cerithium atratum com frequência
superior a 80%, Columbella mercatoria com frequência de aproximadamente 10% e as espécies
Arca imbricata e Tegula viridula com frequência de pouco mais de 20%‖. Bezerra (2011)
―estudando a malacofauna associada a uma espécie de alga na praia de Cupe em Ipojuca (PE),
registrou Columbella mercatoria e Arca imbricata como pouco frequentes‖. Almeida (2011)
―pesquisando nos recifes do Cabo Branco em João Pessoa na Paraíba observou Cerithium atratum
com Frequência de Ocorrência de 13,3% e Columbella mercatoria com frequência de 6,67‖.
―Stramonita haemastoma foi considerada uma das espécies mais abundantes na Ilha do Farol no
Paraná e em substratos rochosos da região entremarés no Piauí‖ (Birckolz; Gernet; Santos, 2012;
Cavalcante; Souza; Filho, 2012). Oliveira (2014) ―identificou Cerithium atratum com frequência
acima de 75% em alguns pontos do estuário do Rio Tubarão em Rio Grande do Norte, enquanto
Phrontis polygonata, Tegula viridula e Diodora cayenensis obtiveram frequência de 25%‖.
Pereira Júnior; Silva; Sônia-Silva (2016) ―encontraram na praia dos Carneiros uma maior
frequência de moluscos no período de estiagem‖. Chavez Villegas; Enriquez Diaz; Aldana Aranda
(2014) ―afirmaram que no Caribe Mexicano a época que apresentou a maior diversidade e
abundância de larvas de gastrópodes foi a época de chuvas‖. Dados similares aos de Oliva Rivera e
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De Jesus Navarrete (2000), ―que encontraram a maior abundância e riqueza de espécies na época de
chuvas‖. Segundo Jesus (2000) ―no período chuvoso ocorreu menor densidade de organismos no
Recife Ponta Verde em Maceió (AL)‖. Sônia da Silva (2003) ―observou que os índices
pluviométricos foram significativos na distribuição das espécies e que a pluviosidade foi um dos
elementos relevantes na distribuição dos bivalves endofaunais no manguezal do rio Formoso (PE)‖.
―A macrofauna bentônica da Praia de Paracurú (CE) mostrou-se mais rica e diversa no período
chuvoso quando comparada ao período de estiagem‖ (Viana; Rocha-Barreira; Grossi Hijo, 2005).
Segundo Almeida (2007) ―a maior densidade dos taxa foi constatada entre os meses do período seco
no Pontal do Cupe, Ipojuca (PE)‖. De acordo com Barroso e Matthews-Cascon (2009) ―não houve
diferença estatisticamente significante em relação ao número de espécies encontradas nos períodos
não-chuvoso e chuvoso no estuário do rio Ceará (CE)‖. Segundo Bezerra (2011) ―os fatores
salinidade e precipitação, na análise dos componentes principais, foram os que tiveram maior
correlação com a variação da fauna no Pontal do Cupe (PE)‖. Cavalcante; Matthews-Cascon; Rocha
(2014) ―constataram que a média de precipitação pode ter influenciado na diferença de composição
e riqueza de espécies encontradas nos meses de coleta em Barra Grande (PI)‖. Souza et al. (2014)
―concluíram que algumas espécies de mexilhões são muito bem-adaptadas à região entremarés e às
variações ambientais e não serão prejudicados pelo aumento de eventos extremos de chuvas‖.
Rebouças et al. (2017) ―evidenciaram que nas épocas chuvosas é menor o número de espécies na
Praia de Baixa Grande (RN)‖.
Segundo Beltrão et al. (2005) ―a precipitação média anual é da região de Tamandaré é
1309,9 mm‖ e os meses de coleta representaram aproximadamente um terço deste valor.
Comparando com os dados de precipitação média mensal de Silva (2015), os meses de janeiro e
junho obtiveram uma precipitação menor em relação a média desse meses no anos 1999 – 2013,
enquanto abril teve uma média superior e novembro um valor similar. Segundo a Apac, ―o mês de
janeiro teve precipitação maior do que a média do mês nos anos de 2014 e 2015, porém em abril,
junho e novembro a precipitação foi menor‖. De acordo com Marengo (2008) ―as projeções do
clima sugerem que no nordeste a chuva pode se reduzir de até 20% nos finais do século XXI, num
cenário de altas emissões‖.

CONCLUSÕES

As espécies do Filo Mollusca representaram três Classes: Gastropoda, Bivalvia e


Polyplacophora, com as espécies Astraea tecta olfersii, Cerithium atratum, Stramonita
haemastoma, Pisania pusio e Mytilaster solisianus sendo encontradas em todos os meses
amostrados e classificadas como constantes. A média mensal da precipitação pluviométrica foi de
108,1 mm e a maioria dos meses tiveram precipitação menor comparado a média do mesmo período

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nos anos de 2014 e 2015. A precipitação pluviométrica influenciou positivamente na diversidade de


moluscos na praia dos Carneiros, com o número de espécies maior na estação chuvosa. Assim, são
necessários mais estudos, principalmente na época de verão, com acompanhamento regular das
espécies e o aumento das políticas de preservação dos recifes e das espécies.

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 58


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

BIOMAS NORDESTINOS: UM ESTUDO NO ÂMBITO DA


MATA ATLÂNTICA E DA CAATINGA

Rodrigo Coelho da SILVA


Graduando do curso de Geografia da UPE – CMN
rodrigocoelhosep@hotmail.com
Solange Fernandes Soares COUTINHO
Professora Orientadora
solangefscoutinho@gmail.com

RESUMO
Os biomas Mata Atlântica e Caatinga são os principais ecossistemas terrestres da Região Nordeste
do Brasil. Nesses ambientes encontram-se imensas diversidades e riquezas biológicas. Apesar disso,
eles também sofreram degradação ao longo de séculos causadas por ações humanas predatórias, tais
como: desmatamento, queimadas, agricultura, pecuária, expansão imobiliária e comércio ilegal de
espécies nativas. Neste contexto, acredita-se que a Educação Ambiental pode atuar como um
importante instrumento de sensibilização visando o uso racional e sustentável dos seus recursos
naturais através do respeito às capacidades de suporte desses biomas e à necessidade de
conservação dos mesmos. Sendo as universidades e as escolas, lugares voltados à construção e
disseminação de conhecimento, torna-se pertinente sugerir possíveis ações a serem desenvolvidas
ou incentivadas por essas entidades que estejam relacionadas à propagação de informações sobre a
importância dos biomas, suas competências em termos de prestação de serviços ecossistêmicos e
sua proteção, com base no fortalecimento da educação ambiental. Neste contexto o presente
trabalho foi desenvolvido como uma atividade acadêmica tomada por base o tema da Campanha da
Fraternidade 2017 – Biomas Brasileiros e Defesa da Vida – no âmbito do Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) do Campus Mata Norte da Universidade de Pernambuco.
Palavras-chaves: Biomas, Educação Ambiental, Proteção do Meio Ambiente.

ABSTRACT
The Atlantic Forest and Caatinga biomes are the main terrestrial ecosystems of the Northeast
Region of Brazil. In these environments are immense diversities and biological riches. Despite this,
they have also suffered degradation over the centuries caused by predatory human actions, such as:
deforestation, burning, agriculture, ranching, real estate expansion and illegal trade in native
species. In this context, it is believed that Environmental Education can act as an important
instrument of sensitization aiming at the rational and sustainable use of its natural resources through
respect to the capacities of support of these biomes and the need for conservation of them. As
universities and schools are places dedicated to the construction and dissemination of knowledge, it
is pertinent to suggest possible actions to be developed or encouraged by these entities that are
related to the propagation of information on the importance of biomes, Ecosystem services and their
protection, based on the strengthening of environmental education. In this context, the present work
was developed as an academic activity based on the theme of the Campaign of the Fraternity 2017 -
Brazilian Biomes and Defense of Life - within the scope of the Institutional Program of Initiation to
Teaching Grants (Pibid) of the Campus Mata Norte of the University of Pernambuco.
Keywords: Biomes, Environmental Education, Environmental Protection.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTRODUÇÃO

Biomas são grandes ecossistemas terrestres delimitados por um clima regional com
diversidades biológicas próprias e também no interior deles em função de condicionantes locais,
como relevo e solo. Representam sistemas ecológicos distintos, apresentam área de transição entre
eles – ecótonos – mais ou menos fácil de constatar ao simples olhar e diferenciadas interações com
os biociclos aquáticos. De acordo com Adriano Figueiró um dos conceitos mais utilizados
Biogeografia é o de Bioma. Para ele ―o termo bioma (do grego bio, vida e oma, grupo) foi proposto
por Clements e Shelford (1935) para designar certo tipo de formação vegetal em associação com a
sua fauna própria, e subordinada a uma determinada condição climática.‖ (FIGUEIRÓ, 2015,
p.269). Todavia, na concepção do mesmo autor, cada Bioma representa:

Um agrupamento didático de ecorregiões ao redor do planeta que compartilham


características fitifisionômicas, mas que conservam no seu interior diferenças ecológicas e
fitossociológicas mais ou menos pronunciadas, derivadas da história da constituição dessas
paisagens e que permite identifica-las apenas como ecorregiões biogeograficamente
próximas (FIGUEIRÓ, 2015, p.282).

O Brasil possui cinco biomas típicos: Floresta Pluvial Equatorial (a Mata Amazônia), Mata
Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pampa. Cada um desses ambientes possui diferentes características
de fauna e flora e estão sofrendo deterioração com a intensa ação antrópica devido diversos fatores.
Dessa forma, a educação ambiental possui um importante papel no que se refere à sensibilização
quanto ao manejo sustentável dos biomas. Ela nos propicia reflexões críticas sobre as práticas que
levam a um uso irracional dos recursos naturais. As propostas da educação ambiental podem
contribuir para a ampliação da compreensão das características dos diferentes tipos de biomas, pois
o entendimento das funções dos componentes de um sistema ecológico é uma das formas mais
dinâmica de provocar ações com a intenção de proteger o ambiente. Um bioma é formado por todos
os seres vivos de uma determinada região delimitada por um clima regional, onde a fauna e a flora
mais semelhante, podendo variar de acordo com aspectos ecológicos localmente presentes.
O objetivo da intervenção na escola foi apresentar e discutir com os alunos do Ensino Básico
as características dos biomas brasileiros no âmbito do tema da Campanha da Fraternidade de 2017 –
Biomas Brasileiros e Defesa da Vida – como atividade do Pibid (Programa Institucional de Bolsas
de Iniciação à Docência) do Campus Mata Norte da Universidade de Pernambuco, bem como
alertar para degradação dos mesmos por parte dos seres humanos, levando aos discentes uma
sensibilização quanto à necessidade de proteção desses ecossistemas a partir do conhecimento e
compreensão dos mesmos. A Campanha da Fraternidade 2017 teve como tema ―Fraternidade:
biomas brasileiros e defesa da vida, e seu objetivo foi alertar as pessoas para a necessidade de
cuidar dos biomas brasileiros no que for necessário (POLETTO, 2017).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Com o intuito de provocar reflexões acerca dos propósitos da Educação Ambiental, aqui
considera um processo que permite à espécie humana se ver como componente no meio e assim
corresponsável pela sua qualidade, foram trabalhados com maior profundidade os biomas
brasileiros Mata Atlântica e Caatinga, julgou-se também importante discutir ações conflitantes em
função de interesses divergentes relacionadas ao contexto atual dos problemas que associam o ser
humano a esses biomas. Para tanto, foram destacados as características marcantes dos mesmos e os
problemas ambientais que se apresentam para que fossem questionados os desafios atuais de
protegê-los e, assim, beneficiar as pessoas que neles vivem e/ou obtêm neles seus meios de vida.
Este artigo foi construído através de metodologia quantitativa com abordagem descritiva que
permitiu apurar e interpretar os resultados alcançados a partir das referências presentes em livros e
sites que tratam dos assuntos objetos de estudos.

BIOMAS DA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL

Nesse contexto, Barros (2009) afirma que um bioma pode ser definido como um grande
ecossistema com aspecto geral mais ou menos semelhante em termos de composição de espécies e
aparência da flora e da fauna, e clima próprio. Desta forma, estudar as características dos biomas é
necessário no sentido de perceber a sua importância para a manutenção da vida na Terra. Mas para a
reprodução da vida nos biomas, é indispensável a determinação e implementação de políticas
públicas ambientais, o reconhecimento de interesses para a conservação dos mesmos a partir de uso
sustentável e distribuição de benefícios da biodiversidade que possuem De modo geral, o conceito
de biodiversidade compreende mais do que as espécies de animais, plantas e demais reinos, inclui
também os distintas ecossistemas e variações genéticas que em cada espécie. Segundo Barbieri
(2010, p. 16):

Biodiversidade é a totalidade dos genes, espécies e ecossistemas de uma região, agrupando,


por meio desta definição, os três níveis da diversidade entre os seres vivos que são:
diversidade de espécies (diversidade entre as espécies), diversidade genética (diversidades
dos genes em uma espécie) e diversidades de ecossistemas (diversidade em nível mais alto,
compreendendo todos os níveis da variação).

O Nordeste brasileiro possui diversos biomas, a saber: Caatinga (maior parte), Cerrado
(Oeste da Bahia, Piauí e Leste do Maranhão), Mata Atlântica (Litoral Nordestino, até o Rio Grande
do Norte) e Floresta Amazônia (Oeste do Maranhão). No caso deste relato, como já mencionado,
serão enfatizados os biomas Caatinga e Mata Atlântica.

BIOMA CAATINGA

A Caatinga ocupa grande parte da Região Nordeste: Ceará, Bahia, Paraíba, Pernambuco,
Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe. Vale ressaltar que há presença desse tipo de bioma

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

em pequenas ocorrências nos estados do Maranhão e Minas Gerais. Segundo Almeida; França;
Cuellar (2009) a Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e é um dos mais alterados
pelas atividades humanas nos últimos anos. É rico em biodiversidade, mesmo com a escassez de
recursos hídricos, o que poderia fazer pensar o contrário.
A vegetação da Caatinga não apresenta a abundância verde das florestas tropicais úmidas e a
aparência seca dominada por cactos e arbustos propõe uma baixa variação da fauna e flora.
Entretanto manifesta grande biodiversidade de espécies e ecossistemas. São variadas as formas de
adaptação dos seres vivos que lá estão aos elementos ecológicos desse sistema – potencial biótico
das espécies. Muitas plantas perdem suas folhas para reduzir a perda de água nos períodos
chamados de estresse hídrico, renovando-as quando as chuvas chegam de forma rápida e fantástica
quando a paisagem muda quase que da noite para o dia.
A Caatinga encontra-se no domínio do clima semiárido, que abrange territórios de oito
estados do Nordeste brasileiro mais o norte de Minas Gerais. Muitas plantas desse bioma, a
exemplo do Umbuzeiro, guardam água em suas raízes para poder se utilizar dela em tempos de
ausência de chuva. Espécies vegetais caducifólias e com caules retorcidos e folhas pequenas, outras
com acúmulo de água no caule e espinhos substituindo folhas, e outras mais desenvolvendo raízes
com reserva de líquidos caracterizam uma comunidade que não apresentam pobreza florística, mas
sim demonstração de vidas que souberam se adaptar ao clima semiárido – que possuem capacidades
biológicas compatíveis com as demais condições ecológicas no meio.
O bioma Caatinga pode ser considerado um dos mais ameaçados do Brasil. Grande parte
dele já foi bastante modificado por utilização indefinida e ocupação humana desordenada. Apesar
de sua grande importância, inclusive porque só ocorre no Brasil, o bioma vem sendo desmatado de
maneira acelerada nos últimos anos, devido ao intenso consumo de lenha nativa que é explorada de
forma ilegal e irracional, para os fins domésticos e industriais. Além disso, outros fatores que levam
ao desmatamento da Caatinga são o sobrepastoreio e a combinação entre a pastagem e a agricultura.
Todos esses fatores acabam gerando impactos ecológicos, sociais e econômicos típicos de áreas
degradadas onde a desertificação, por exemplo, se instala. A Figura 1 proporciona uma visão do que
foi exposto.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 1. Vegetação típica da paisagem atual da Caatinga. Município de Souza-PB.


Foto: Rodrigo Coelho, 2014.

Muitos estados são carentes de medidas mais efetivas de conservação da diversidade, como
a criação de unidades de conservação de proteção integral. Para Luz (2009, p.7):

Promover a conservação da biodiversidade da Caatinga não é uma ação simples, uma vez
que grandes obstáculos precisam ser superados, dentre eles, a falta de um sistema regional
eficiente de áreas protegidas e a falta de inclusão do componente ambiental nos planos
regionais de desenvolvimento.

Todavia, apesar de um bioma endêmico, o que lhe devia garantir especial tratamento em
termos de proteção, ainda muito dele precisa ser conhecido e compreendido. Julga-se, assim,
importante desenvolver ações com o objetivo de eliminar as informações erradas que são bastantes
divulgadas por falta de entendimento mais preciso sobre o Semiárido de uma forma geral e mais
especificamente sobre o Bioma Caatinga nos diversos níveis nível e modalidades da educação, seja
ela formal ou não formal. Isto é: realizar uma educação contextualizada às realidades nacional e
local.

BIOMA MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica ocupa a faixa litorânea de Norte a Sul do Brasil. É uma das superfícies
mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do Planeta. Segundo o Ministério do Meio
Ambiente restam apenas 8,5% de remanescentes florestais da Mata Atlântica (BRASIL, 2017).
O bioma Mata Atlântica é o mais devastado do Brasil por ter sofrido vários tipos de pressão
e exploração. A devastação desse bioma vem desde o período colonial e algumas das causas foram
a irracional extração do Pau-brasil e os ciclos de cana de açúcar, café, ouro e fumo. Além disso, a
devastação das araucárias no contexto de intensa exploração predatória de madeiras, a
industrialização, a expansão urbana desordenada, a poluição do ar, das águas e a degradação dos
solos contribuem para o estado atual desse bioma. Observando-se a Figura 2 – foto tomada durante

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

uma excursão didática da disciplina de Fundamentos da Ecologia do Curso de Licenciatura em


Geografia do Campus Mata Norte da Universidade de Pernambuco – pode-se ter a ideia da
fitofisionomia e das condições internas da Mata Atlântica em um ponto já próximo ao limite
setentrional do bioma em questão.

Figura 2. Santuário Ecológico de Pipa-RN.


Foto: Rodrigo Coelho, 2016.

É neste bioma que se encontra, também, lugares de contemplação e lazer para brasileiros e
estrangeiros – sejam eles moradores, visitantes, excursionistas ou turistas. A ameaça a ele deriva-se
da falta de consciência ecológica de grande parte da população brasileira, da omissão do poder
público e do modelo de desenvolvimento econômico dominante que resultou, como já mencionado,
na degradação do meio ambiente e, consequentemente, na expulsão de diversas comunidades
tradicionais que dependiam dos seus recursos ou dos sistemas ecológicos a ele associados. Além
das ameaças anteriormente citadas ainda pode-se incluir a falta ou precariedade de saneamento
básico e a especulação imobiliária.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE E ATUAÇÃO NA ESCOLA

A Campanha da Fraternidade 2017 teve como tema ―Fraternidade: Biomas brasileiros e


defesa da vida‖, e o lema ―Cultivar e guardar a criação (Gn 2.15)‖. Desse modo, trabalhou-se com
os alunos da Escola de Referência em Ensino Médio Maciel Monteiro, localizada no Município de
Nazaré da Mata, no Estado de Pernambuco, os biomas brasileiros com um enfoque maior na Mata
Atlântica e na Caatinga, como já mencionado antes. Para tanto, a Educação Ambiental foi
considerada o instrumento de sensibilização a ser trabalhado transversalmente com os discentes, no
sentido de explorar a relação de pertencimento da espécie humana ao meio ambiente e, ao mesmo
tempo, os impactos que suas ações podem causar no contexto ecológico e, consequentemente social.
As ameaças de perda de biodiversidade e consequentes modificações na distribuição geográfica das

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

espécies influem-nas dinâmicas populacionais não apenas das espécies diretamente atingidas, mas
até de outros sistemas ecológicos terrestres ou aquáticos. Essas ameaças, que estão frequentemente
relacionadas à expansão econômica e que trazem consigo usos e ocupações inadequadas
promovendo a necessidade de medidas e políticas públicas de proteção, foram pontos trabalhados
durante a oficina (Figura 3) que buscou provocar momentos de construção coletiva do saber
geográfico.

Figura 3. Apresentação da oficina sobre os Biomas Brasileiros.


Foto: Patrícia Maria, 2016.

Durante os trabalhos realizados na escola observou-se o pouco conhecimento dos alunos no


que diz respeito aos biomas, em vários sentidos. As participações foram bastantes significativas e
nelas foi possível perceber equívocos e dúvidas. Alguns pontos foram discutidos disseram respeito à
proteção dos biomas, dentre eles: exigir do poder público em suas diferentes esferas a recuperação
das áreas degradadas, o reflorestamento dos ambientes urbanos com espécies arbóreas nativas e o
incentivo à produção agroecológica, considerando-se para isso os princípios da sustentabilidade,
esta entendida como a necessidade de respeitar ―a capacidade de suporte de um ecossistema,
permitindo sua reprodução ou permanência no tempo‖ (LOUREIRO, 2012, p.56).
Vale ressaltar, também, a proposta dos educandos para a realização de ações objetivando
não ampliar a degradação ambiental, como plantar uma árvore e não descartar lixo em locais
inadequados, ressaltando a constatação de cada pessoa é corresponsável pela qualidade do ambiente
no qual faz parte, seja em que biociclo se encontre ou interfira no Planeta Terra. Quanto menos a
espécie humana desenvolve hábitos e ações predatórias, menos poluição se terá e menos problemas
sanitários e de escoamento da chuva, por exemplo, se darão. A Educação Ambiental hoje no Brasil,
mais que nunca, deve ser vivenciada nas escolas e para além delas de forma crítica, abrangendo
todos os atores que desses espaços façam parte direta ou indiretamente.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vem se aumentando a preocupação da população em relação a degradação dos diversos


tipos de biomas, mesmo eles não sendo conhecidos por este termo e, dessa forma, já se observa
iniciativas de variados setores da sociedade para o desenvolvimento de programas e projetos com a
intenção de educar as pessoas, procurando sensibilizá-las sobre as questões ambientais relacionadas
a esses ecossistemas e estimulá-las a ativa e continuamente contribuir para a proteção dos biomas,
inclusive, quando pertinente, na restauração do equilíbrio ecológico dos mesmos.
Com a sensibilização para as questões ambientais pretendeu-se criar uma tendência nos
alunos e alunas para mudanças de atitudes em relação a hábitos que contribuam para a degradação
ambiental, incluindo aí a perda da biodiversidade e, consequentemente, alteração na distribuição
biogeográfica. Contudo, essas mudanças só se podem acontecer se a pessoa for educada, ou seja,
tenha atitudes mais corretas ao interferirem nos ambientes. Ambientes aqui são considerados como
produtos das diversas interações entre os elementos que os continuem, sejam ele físico-químicos,
biológicos, sociais, econômicos, políticos e todos mais.
De acordo com o que foi desenvolvido na escola verificou-se a falta de conhecimento dos
alunos quanto aos biomas, inclusive os brasileiros e até nordestinos. Evidencia-se as poucas ações
desenvolvidas com relação à Educação Ambiental e a proposta de Sustentabilidade. Do ponto de
vista educativo, o trabalho desenvolvido através da Campanha da Fraternidade possibilitou o
fortalecimento da sensibilização nos alunos e, dessa forma, os conhecimentos educativos ganharam
mais significado e os discentes se sentiram mais motivados e interessados pelos temas relacionados
ao Meio Ambiente, principalmente no espaço sócio-ecológico em que os mesmos estão inseridos.
É de total interesse da população que os órgãos do governo apresentem soluções, junto com
a comunidade e as instituições educacionais, propostas para resolverem ou amenizarem os
problemas ambientais, buscando possibilidades sustentáveis para conciliar os inúmeros problemas
socioambientais que podem ser encontrados no Nordeste brasileiro, e que consequentemente afetam
diretamente os biomas Mata Atlântica e Caatinga.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTERAÇÃO ECOLÓGICA DE ECHINODERMATA E MACROALGAS NA PRAIA


DOS CARNEIROS, PE, BRASIL

Vitória da Fonseca DIAS


Graduanda do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas da UNICAP
vi.dias11@hotmail.com
Higor Maciel Pontes da SILVA
Graduando do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da UNICAP
higor.maciel13@gmail.com
Reginaldo Lourenço PEREIRA JÚNIOR
Graduando do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da UNICAP
reginaldolpjunior@outlook.com
Goretti SÔNIA-SILVA
Professora do Curso de Licenciatura Plena e Bacharelado em Ciências Biológicas da UNICAP
goretti@unicap.br

RESUMO
O estudo dos equinodermos tem se aprimorado nos últimos anos, pois esses organismos se
relacionam com diferentes grupos e promovem, por exemplo, a predação nos organismos
bentônicos ou uma herbivoria na cobertura algal. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a
interação ecológica do Filo Echinodermata e as macroalgas da Praia dos Carneiros, PE, Brasil. As
coletas de Echinodermos foram realizadas no período de 2015/2016 durante a baixa-mar diurna,
utilizando-se a metodologia por meio de transectos (10x10m) e quadrantes (25x25cm)
perpendiculares à costa, em três poças marinhas na zona entremarés da praia dos Carneiros, Litoral
Sul pernambucano. Paralelamente foi utilizado um método de amostragem, a Frequência de
Ocorrência (%), que correspondeu ao número de pontos similares aos equinodermos e algas.
Durante o período de amostragem, foram coletados sete espécies pertencentes a 4 classe de
equinodermos: Aphioderma appressum; Ophiocoma echinata; Echinometra lucunter; Mellita
quinquiesperforata; Chiridota rotífera; Linckia guildingii e Ocnus Suspectus. Os exemplares foram
registrados em sua maioria sob rochas, enterrados no sedimento, como também nos fitais de
Halimeda opuntia; Dictyopteris delicatula; Ulva lactuca; Padina gymnospora; Dictyurus
occidentalis; Sargassum filependula; Dictyota cervicornis; e Caulerpa racemosa. A interação
equinoderma versus algas pode ser tratada como fator de beneficência para as espécies de
equinodermos, visto que, as macroalgas servem como fonte de alimentos para esses herbívoros.
Ressaltamos que, estudos de cunho ecológico devem ser realizados para uma avaliação da
preferência de habitat, da riqueza e da estrutura populacional dos equinodermos na Praia dos
Carneiros (PE, Brasil).
Palavras-chave: importância; entremáres; amostragem; Echinoidea.

ABSTRACT
The study of echinoderms has improved in recent years, since these organisms relate to different
groups and promote, for example, predation in benthic organisms or an herbivory in the algal cover.
The present work aims at an ecological interaction of Phylum Echinodermata and macroalgae of
Carneiros Beach, PE, Brazil. Echinodermos samples were collected during the 2015/2016 period
during the low tide, using the methodology by means of transects (10x10m) and quadrants (25x25

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cm) perpendicular to the coast, in three marine pools in the zone between the Carneiros Beach,
south coast of Pernambuco. In parallel, At the same time, a sampling method was used, the
Frequency of Occurrence (%), which corresponds to the number of points similar to echinoderms
and algae. During the sampling period, seven species belonging to 4 classes of echinoderms were
collected: Aphioderma appressum; Ophiocoma echinata; Echinometra lucunter; Mellita
quinquiesperforata; Chiridota rotífera; Linckia guildingii and Ocnus Suspectus. The specimens
were mostly recorded under rocks, buried in the sediment, as well as in the phalanges of Halimeda
opuntia; Dictyopteris delicatula; Ulva lactuca; Padina gymnospora; Dictyurus occidental;
Sargassum filependula; Dictyota cervicornis; And Caulerpa racemosa. Echinoderms versus algae
interaction can be treated as a beneficence factor for echinoderm species, since macroalgae serve as
a food source for these herbivores. We emphasize that ecological studies should be carried out to
evaluate the habitat preference, richness and population structure of echinoderms in Carneiros
Beach (PE, Brazil).
Keywords: Importance; Intertidal zone; Sampling; Echinoidea.

INTRODUÇÃO

―O grupo Echinodermata é comumente encontrado em ambientes recifais. Suas populações


vivem em todas as latitudes, desde a zona entremarés até fundos abissais, sendo mais abundantes na
região tropical do que nas águas polares‖ (Sampaio, 2010). ―Muitos organismos estão adaptados a
se fixar em substratos rochosos, enquanto outros vivem em substratos lodosos, arenosos, em
madeira submersa ou em epibiose‖ (Hendler et al., 1995). ―Uma importante característica do grupo
é sua tendência a apresentar distribuição agregada em altas densidades‖ (Hendler et al., 1995,
Tommasi et al., 1998). ―Em locais onde as condições são favoráveis a essas espécies, o substrato
pode ficar totalmente coberto por ouriços-do-mar, serpentes-do-mar ou estrelas-do-mar‖ (Sampaio,
2010). ―Agregações de equinodermos adultos têm sido relacionadas a locais com abundância de
comida, a requerimento reprodutivo, ao comportamento defensivo e ao aumento na eficiência de
filtradores‖ (Ellis e Rogers, 2000).
Compreender a adaptação humana ao ambiente é algo muito complexo, pois implica a
interação entre os ―entornos físicos e biológicos‖. ―Contudo, o entorno social faz parte de um
sistema de inter-relações onde a introdução de novos elementos, em virtude de interferências
externas pode alterar o equilíbrio de um ecossistema‖ COSTA e IGNÁCIO (2011). ―Assim,
podemos até considerar que a comunidade local gera um desequilíbrio sistêmico, mas sem dúvida
alguma, corresponde a um ponto de partida para a construção de uma consciência ecológica‖
COSTA e IGNÁCIO (2011). Interferências ou não, muitas comunidades da baixa renda, frutos da
desigualdade social utilizam o ambiente como meio de subsistência, com marcas visíveis na
estrutura ambiental. São na verdade populações de um sistema de exploração autossustentáveis.
―Hoje, verifica-se em muitas áreas costeiras a exploração indiscriminada dos vários sistemas
ecológicos, produto do desenvolvimento acelerado, da exploração irracional dos recursos naturais e

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da ocupação urbana que vem se atenuando gradativamente, principalmente o turismo local‖


(Wearing et al., 2001; FAO/NACA, 1999). Cruz (2005) ―afirmava que o turismo como uma prática
social e como objeto de consumo, é cada vez mais um agente de transformação dos sistemas
ecológicos‖. ―Assim, aos poucos os impactos antropogênicos incidem negativamente sobre as
regiões de praias que passam a sofrer degradação e redução biológica, modificando e
comprometendo a produtividade ecossistêmica, como é o caso da Praia dos Carneiros, localizada no
Município de Tamandaré, litoral Sul de Pernambuco‖ (CPRH, 1999, 2003); a praia tem sido
atingida, nas últimas décadas, por um acelerado processo de ação antrópica, em face da velocidade
do turismo local. Possui um paredão de recifes (1Km de extensão) de formação arenítica
caracterizado por areia de praias consolidadas por matéria calcária e fragmentos de organismos
calcários recristalizados. Esse sistema natural representa área de relevância ecológica por
desempenhar papel fundamental na manutenção das águas costeiras, e na manutenção de espécimes
marinhas, como macroalgas e representantes do Filo Echinodermata. Contudo, o acesso à praia dos
Carneiros se caracteriza por um elevado grau de variabilidade quanto à disponibilidade relativa das
diversas espécies exploradas, associadas a comercialização e ao desaparecimento de espécies
bioindicadoras ambientais. ―Nos ambientes tropicais, os equinodermos estão entre os organismos
mais abundantes e diversos, e ocorrem em substratos consolidados ou não, e até mesmo em epibiose
com outros animais ou plantas‖ (Hendler et al., 1995, Hadel, 1997). ―Sabe-se, por exemplo, que no
Brasil dezenove espécies de equinodermos foram incluídas na lista de ameaçados de extinção e
destas, cinco podem ser encontradas no Estado de Pernambuco (Fernandes et al., 2002), sendo três
equinoides Eucidares tribuloides tribuloides Lamarck 1816, Tripneustes ventricosus Lamarck 1816
e Mellita quinquesperforata Leske 1778; um crinoide, Tropiometra carinata carinata Lamarck
1816 e uma asteroide, Oriaster reticulatus Linnaeus 1758‖.

Macedo (1993) e Braga et al. (1990) ―registraram que com a implantação do complexo
industrial portuário de SUAPE (PE), ações antrópicas foram preponderantes na escassez de
espécimes marinhas no Estado de Pernambuco; as áreas litorâneas têm sido
sistematicamente destruídas, existindo apenas pequenas áreas remanescentes‖.

Para Koening et al. (2002) ―todas as intervenções no meio ambiente geram impactos,
positivos ou negativos, ocasionando alterações quali-quantitativas nos componentes florísticos e
faunísticos, nas características geomorfológicas, sedimentológicas e hidrológicas‖. Assim, a
proposta apresentada tem uma grande consolidação biológica e ambiental, tornando o trabalho
―Estudo da interação ecológica de Echinodermata e macroalgas da praia dos Carneiros, PE, Brasil‖
extremamente relevante no contexto da conservação das espécies marinhas e no entendimento dos
níveis de impactos existentes na região costeira da praia de Tamandaré. O presente trabalho tem
como objetivo avaliar a interação ecológica do Filo Echinodermata e as macroalgas da Praia dos
Carneiros, PE, Brasil.

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MATERIAL E MÉTODOS

A praia dos Carneiros, local de estudo, localiza-se no Município de Tamandaré (sul da


cidade de Recife) que está localizada no litoral sul de Pernambuco, distando a 110 km da cidade do
Recife. ―Seu sedimento é classificado como carbonático com predomínio de macroalgas, com altas
taxas de sedimentação e baixa hidrodinâmica, em função da ocorrência de barreiras de arenito
paralelas à costa que criam um confinamento das águas‖ (Maida e Ferreira, 1996, LEÃO et al.,
2003) (Figura 1).

Figura 1: Localização da praia dos Carneiros, Tamandaré, Pernambuco, Brasil. Fonte: Pereira Júnior; Silva;
Sônia-Silva (2017).

As coletas de equinodermos foram realizadas mensalmente, de janeiro de 2015 a 2016,


durante a baixa-mar diurna, utilizando-se a metodologia de dois transectos A e B (10 x 10m) e seis
quadrantes (25 x 25) perpendiculares à costa (Figura 2) e em 03 estações (A1, A2 e A3) da praia dos
Carneiros (8°42'08.5"S e 35°04'39.3"W). Em laboratório os espécimes amostrados e/ou coletados
foram triados, fixados em formol a 4%, acondicionados em frascos de vidro devidamente
etiquetados e posteriormente foram realizadas as análises taxonômicas, através da literatura
pertinente. A interpretação dos dados obtidos referentes à distribuição dos espécimes equinodermos
foi analisada e traduzida através de valores numéricos. O índice numérico utilizado foi a
Frequência de Ocorrência (%), que corresponde ao número de pontos em que determinada espécie
está presente, pelo número total de pontos, sendo expressa em termos percentuais e calculada pela
fórmula: Fo = P x 100/ p, onde: Fo = Frequência de ocorrência; P= número de pontos onde a
espécie ocorreu; p = número total de pontos. Os resultados fornecidos em percentagem foram
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classificados, seguindo o critério abaixo: > 70%... muito frequentes; 70 % ≥ 40% ... Frequentes;
40% ≥ 10% Pouco Frequentes; ≤ 10% .... Esporádicos.

Figura 2. Metodologia de ―transectos e ―quadrantes‖. Fonte: Autor (2016).

RESULTADOS

Foram identificadas em três áreas distintas, 7 espécies pertencentes a quatro classes do filo
Echinodermata. Na estação A¹ foram encontradas 6 espécies, Aphioderma appressum; Ophiocoma
echinata; Echinometra lucunter; Mellita quinquiesperforata; Chiridota rotífera e Linckia
guildingii; na A² e A³ foram encontradas 5 espécies, Aphioderma appressum; Ophiocoma echinata;
Echinometra lucunter; Chiridota rotífera e Parathyone suspecta. A classe com a maior número de
espécies foi Ophiuroidea (n = 2), seguida de Echinoidea (n = 2). Holothuroidea (n = 2) e Asteroidea
(n = 1). Os exemplares foram registrados em sua maioria sob rochas, enterrados no sedimento,
como também nos fitais (Algas) (Figura 3), de Halimeda opuntia; Dictyopteris delicatula; Ulva
lactuca; Padina gymnospora; Dictyurus occidentales; Sargassum filependula; Dictyota
cervicornis; e Caulerpa racemosa. As espécies mais encontradas nas áreas onde houve coletas de
materiais foram as dos gêneros Sargassum e Halimeda. As espécies da classe Ophiuroidea
registrados em áreas recifais, entre blocos soltos e submersos ou encontradas em fundos de areia
sob pedras, em sua maioria, juvenis e aparentemente na fase reprodutiva, exclusivamente
representantes por Ophiocoma echinata e Ophioderma appressum. Na classe Echinoidea, a espécie
Echinometra lucunter foi registrada tanto em locas de rochas como sob estas, enquanto Mellita
quinquiesperforata, uma espécie de equinoide irregular comum em praias arenosas, inclusive em
praias urbanas onde sofrem forte impacto antropogênico.
Dentre os indivíduos da classe Holothuroidea, a espécie Parathyone suspecta foi observado
com pouca frequência sob rochas e em fendas. Chiridota rotifera foi tipicamente observada
enterrada em sedimentos finos, sob rochas e vivendo de forma agregada. O indivíduo da classe

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Asteroidea, Linckia guidingii foi encontrada em formações recifais submersas ou enclaves do


infralitoral, em poças de maré. Entre as espécies encontradas muito frequentes (> 70%) e, em todos
os pontos amostrados foram Echinometra lucunter, Linnaeus, 1758; Ophioderma appressum Say,
1825; Ophiocoma echinata, Lamarck, 1816; Chiridota rotífera, Pourtalés, 1851. Enquanto que
Mellita quinquiesperforata Leske, 1778; Linckia guidingii Gray, 1840 e Parathyone suspecta,
Ludwig, 1875, foram registradas como pouco frequentes, na categoria (40% ≥ 10%). Não foi
registrada nenhuma espécie na categoria frequente (70 % ≥ 40%).

Figura 3: Equinodermo sobre fital de algas. Fonte: Autor (2016).

DISCUSSÃO

A praia dos Carneiros mostrou uma fauna de equinodermos bem diversificada e tipicamente
tropical, na qual a classe Ophiuroidea foi a mais representativa. ―Este resultado assemelha-se aos
obtidos por Martins e Martins de Queiroz (2006), Alves e Cerqueira (2000) e Lima-Verde (1969),
para alguns estados da região Nordeste‖. De acordo com Tommasi (1966, 1969, 1970a, 1970b) ―as
espécies de Echinodermata registradas no presente estudo são tipicamente litorâneas, ou possuem
ampla distribuição batimétrica‖. ―Dentre da classe Asteroidea, a espécie Linckia guildingii foi
registrada sobre rochas‖ Gondim et al. (2008), no entanto de acordo com Hendler et al. (1995) ―a
espécie Linckia guildingii também pode ser encontrada em bancos de areia‖. ―Com relação aos
Ophiuroidea, a alta diversidade observada pode estar relacionada à capacidade desses animais
viverem em hábitats variados‖ (Gondim et al., 2008). Godim et al. (2008) também afirma que
―Echinometra lucunter vive em locas e principalmente na região do mesolitoral que fica o maior
tempo exposta‖. ―A grande abundância desta espécie no ambiente sugere que não devam existir
muitos predadores ou parasitas que consigam controlar a população do ouriço, como também, que

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se trata de uma espécie extremamente resistente a períodos de ressecamento e a mudanças de


temperatura e salinidade‖ (Hendler et al., 1995). Segundo Tavares e Borzone, (2005) ―a espécie de
Echinometra lucunter tem sido registrado com o maior número de táxons na Ilha da Galheta, litoral
paranaense, onde a presença constante de macroalgas indicou uma tendência a herbívora‖.

No estudo feito em Tamandaré (PE) por Pacheco (2008) ―foi observado uma maior
densidade de Echinometra lucunter nos topos rugosos com algas filamentosas, e também
uma maior densidade nos recifes abertos ao turismo e pesca, numa provável resposta a
redução no número de predadores e/ou consequência de um alto assentamento larval‖.

―A espécie Mellita quinquesperforata ocorre em baixo número e restrita às regiões com


sedimento arenoso dentro e fora do terraço de abrasão marinha‖ (Gondim et al., 2008). A
diversidade encontrada na classe Holothuroidea foi pouco representativa na praia dos Carneiros,
comparando-se com os resultados apresentados por Alves e Cerqueira, (2000) que ―encontraram
cinco espécies nas praias de Salvador‖. As duas espécies de Holothuroidea registradas na praia dos
Carneiros são típicas de regiões tropicais de águas quentes e litorâneas. ―Chiridota rotifera foi a
espécie mais comum da área, possivelmente devido à presença de biodetritos, considerado o habitat
preferencial desta espécie‖ (Hadel, 1997). Esta espécie foi frequentemente encontrada em
agregados de 10 a 15 indivíduos, coincidindo com as observações de Hadel (1997) e Martins e
Martins de Queiroz (2006). Os diferentes exemplares foram encontrados em tipos de habitats
variados, observa-se, no entanto, que houve maior riqueza de espécies em ambientes protegidos,
como locas e sob rochas. Cabe ressaltar, também, que estudos quantitativos devem ser realizados
para uma melhor avaliação da especificidade ou não das espécies e da riqueza destes habitats, dados
comparados por Alves e Cerqueira, (2000). Segundo Steiner et al. (2015), ―as espécies do gênero
Sargassum, bem como a alga calcária Halimeda opuntia (Linnaeus) J. V. Lamouroux, 1816, que
ocorreu principalmente na porção central do recife são comuns na plataforma continental da praia
dos Carneiros (PE, Brasil)‖. Fato similar foi observado por (Steiner et al. 2015, p. 189, apoud
Ramos et al. 2010, p. 98), e (Steiner et al. 2015, p. 189-190, apoud Barradas et al. 2010, p. 63), para
a Baía de Todos os Santos (BA) e para a plataforma recifal da Praia de Porto de Galinhas (PE),
respectivamente. A proporção do número de táxons registrados na área de estudo e a Frequência de
Ocorrência das espécies foram similares aos estudos realizados na plataforma continental por outros
autores (Tommasi 1985; Tommasi e Aron 1987, 1988; Tommasi et al. 1988).

CONCLUSÕES

Sete espécies pertencentes a quatro classes do filo Echinodermata foram encontradas nas três
áreas sob rochas, enterrados no sedimento, como também nos fitais de oitos algas, principalmente
dos gêneros Sargassum e Halimeda. A interação equinoderma versus algas pode ser tratada como
fator de beneficência para as espécies de equinodermos, visto que, as macroalgas servem como

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fonte de alimentos para esses herbívoros. Ressaltamos que, estudos de cunho ecológico devem ser
realizados para uma avaliação da preferência de habitat, da riqueza e da estrutura populacional de
equinodermos na Praia dos Carneiros.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

APLICAÇÃO DO ÍNDICE DE VEGETAÇÃO POR DIFERENÇA NORMALIZADA


PARA ANÁLISE DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL NA SERRA DOS CAVALOS - PE

Viviane Trajano da SILVA


Discente em Bacharelado em Geografia da UFPE
vivitrajanogeo@hotmail.com
Ítalo Rodrigo Paulino de ARRUDA
Discente em Licenciatura em Geografia da UFPE
italotavares0811@gmail.com
Gerlando Rodrigues de LIMA
Discente em Licenciatura em Geografia da UFPE
rodriguesgerlando@gmail.com
Danielle Gomes da SILVA
Profª. Drª do Departamento de Ciências Geográficas da UFPE
dannyavlis@gmail.com

RESUMO
Esta pesquisa está relacionada a análise da dinâmica espacial da cobertura da terra na Serra dos
Cavalos no Estado de Pernambuco a partir da aplicação das geotecnologias. A análise da categoria
de conservação da cobertura vegetal nos anos de 1988 e 2014, foi um dos principais indicadores
utilizados visando à interpretação e compreensão do estado atual de vegetação desse Brejo de
Altitude. O objetivo geral da pesquisa foi a análise temporal do Índice de Vegetação por Diferença
Normalizada (NDVI). Os procedimentos teóricos, metodológicos e operacionais foram baseados
nas técnicas de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento. A importância desse trabalho parte do
princípio de mensuração e geopreservação das áreas remanescentes da Mata Atlântica situadas no
ambiente semiárido, as quais foram e ainda são descaracterizadas pela intensa atividade antrópica.
Verificou-se na área estudada o processo de expansão urbana realizada de forma desordenada por
falta de políticas públicas e de propostas de geoconservação. A ação do homem e as formas de uso e
ocupação do espaço ampliaram a degradação ambiental na Serra dos Cavalos/PE. Assim, se torna
essencial um olhar mais abrangente por parte de inciativas públicas e privadas em relação a
vegetação presente e planejamentos no uso e cobertura da terra. A não utilização de formas
conservacionistas no uso do solo e cobertura da terra podem gerar problemas ambientais
praticamente irreversíveis, colocando em risco a dinâmica do ciclo hidrológico, a capacidade
produtiva dos solos, a cobertura vegetal, o aumento dos processos erosivos, os quais produzem
modificações irreversíveis na paisagem. Sendo assim, é necessário a promoção e cuidados desta
área as gerações futuras.
Palavras chaves: Geoprocessamento; Sensoriamento Remoto, Brejo de altitude, Mata atlântica.

RESUMEN
Esta investigación está relacionada con el análisis de la dinámica espacial de la cobertura de la tierra
en la Sierra de los Caballos en el Estado de Pernambuco a partir de la aplicación de las
geotecnologías. El análisis de la categoría de conservación de la cobertura vegetal en los años 1988
y 2014, fue uno de los principales indicadores utilizados para la interpretación y comprensión del
estado actual de vegetación de ese Brejo de Altitud. El objetivo general de la investigación fue el
análisis temporal del Índice de Vegetación por Diferencia Normalizada (NDVI). Los

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procedimientos teóricos, metodológicos y operativos se basaron en las técnicas de Percepción


Remota y Geoprocesamiento. La importancia de este trabajo parte del principio de medición y
geopreservación de las áreas remanentes de la Mata Atlántica situadas en el ambiente semiárido, las
cuales fueron y aún son descaracterizadas por la intensa actividad antrópica. Se verificó en el área
estudiada el proceso de expansión urbana realizada de forma desordenada por falta de políticas
públicas y de propuestas de geoconservación. La acción del hombre y las formas de uso y
ocupación del espacio ampliaron la degradación ambiental en la Sierra de los Caballos / PE. Así, se
hace esencial una mirada más amplia por parte de inciativas públicas y privadas en relación a la
vegetación presente y planificaciones en el uso y cobertura de la tierra. La no utilización de formas
conservacionistas en el uso del suelo y la cobertura de la tierra pueden generar problemas
ambientales prácticamente irreversibles, poniendo en riesgo la dinámica del ciclo hidrológico, la
capacidad productiva de los suelos, la cobertura vegetal, el aumento de los procesos erosivos, que
producen modificaciones Irreversibles en el paisaje. Por lo tanto, es necesario la promoción y
cuidado de esta área a las generaciones futuras.
Palabras-claves: Geoprocesamiento; Sensación remota, Brejo de altitud, Mata atlántica.

INTRODUÇÃO
Analisar e compreender a dinâmica geológica, geomorfológica e ecológica em um
determinado ambiente e as finalidades antrópicas com o mesmo torna-se indispensável os estudos
sobre planejamentos e monitoramento do espaço. O uso excessivo de determinadas áreas pode
acarretar em desequilíbrios ecológicos irreversíveis, gerando vasta degradação do meio natural.
Esta pesquisa parte do princípio de análise e compreensão das áreas remanescentes da Mata
Atlântica situadas no Brejo de Altitude localizado geograficamente no semiárido Pernambucano. A
importância das áreas de remanescentes vegetacionais para estes tipos de ambientes se dá na função
de estes regularem o fluxo dos mananciais hídricos, assegurando a fertilidade do solo, interferindo
no clima, protegendo escarpas e encostas das serras além de preservar um patrimônio natural,
histórico e cultural imenso. Neste contexto, convém destacar a importância desse sistema ambiental
no quadro dinâmico do Nordeste brasileiro (LIMA, 2014).
Essa pesquisa visa, com o auxílio das geotecnologias, demonstrar os níveis de degradação da
Serra dos Cavalos-PE. Para se obter uma melhor resposta sobre os índices de degradação, é
necessário o uso de imagens de satélite na comparação de anos distintos da área de estudo. Os
produtos de sensoriamento remoto bem como os resultados que se obtém deles fornecem
informações sobre a dinâmica e a situação atual da cobertura vegetal.
Sob esta perspectiva, o presente trabalho consistiu na análise da cobertura vegetal da Serra
dos Cavalos por meio do Normalized Difference Vegetation Index (NDVI) ou Índice de Vegetação
por Diferença Normalizada, gerando assim, uma ferramenta indispensável para a compreensão do
processo de degradação ambiental desta área, e acima de tudo, uma contribuição valiosa para os
trabalhos de planejamento ambiental.

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ÁREA DE ESTUDO
Geograficamente, o recorte titulado como Serra dos Cavalos se localiza no Agreste
Pernambucano. Está situado entre municípios de Caruaru, São Caetano e Bezerros na porção norte,
Agrestina, São Joaquim do Monte e Altinho na porção sul do mapa (Figura 1). Dentro deste recorte

se encontra o Parque Ecológico João Vasconcelos Sobrinho.

Figura 1: Mapa de localização da Serra dos Cavalos entre os municípios do Estado de Pernambuco. Fonte: Autores

A Serra dos Cavalos é um Brejo de Altitude que apresenta a formação de um microclima


diferenciado, onde, por efeito orográfico, a pluviosidade é bastante superior à do entorno,
denominado de ―agreste subúmido‖ (Andrade-Lima, 1960). O clima da área é tropical chuvoso com
verão seco, sua temperatura média é de 24ºC. A precipitação média anual oscila entre 650 e 800
mm (CPRH, 1994). A distribuição das chuvas delimita duas estações distintas, a chuvosa, entre os
meses de abril e julho, e a seca, correspondendo aos demais meses do ano.
Parte da floresta Atlântica nordestina é composta pelos brejos de altitude: ―ilhas‖ de floresta
úmida estabelecidas na região semiárida, sendo cercadas por uma vegetação de caatinga
(ANDRADE-LIMA, 1982). São considerados verdadeiros refúgios atuais para espécies de floresta
Atlântica nordestina dentro dos domínios da caatinga. A existência dessas ilhas de floresta em uma
região onde a precipitação média anual varia entre 240 - 900 mm (IBGE, 1985; LINS, 1989) está
associada à ocorrência de planaltos e chapadas entre 500 - 1.100 m altitude, onde as chuvas
orográficas garantem níveis de precipitação superiores a 1.200 mm/ano (ANDRADE-LIMA, 1960;
1961).

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A área do Brejo dos Cavalos apresenta uma drenagem razoavelmente bem definida, com
dois cursos d'água principais: os riachos do Chuchu e Capoeirão. Ambos nascem fora dos limites da
Reserva, sendo constituintes da sub-bacia do rio Taquara, afluente da margem direita do rio Ipojuca.
Está sub-bacia possui uma área de drenagem de 2.101 ha, ultrapassando os limites do município de
Caruaru, expandindo-se até Altinho, (CABRAL et al., 2004). Podemos encontrar uma variedade de
solos na área de estudo, tais como: Neossolo Flúvicos, Neossolo Regolítico, Argissolos Amarelo,
Argissolos Vermelho- Amarelo, Planossolo e Vertissolo.
A área de estudo localiza-se geologicamente em terrenos de origem pré-cambriana
pertencentes ao complexo cristalino da Borborema, formado por granodioritos com gradação para
granitos e tonolitos de coloração, e granulometria variada (ANDRADE & LINS 1964, CPRH 1994).
Do ponto de vista geomorfológico, a Serra dos Cavalos encontra-se inserida dentro da unidade
morfoestrutural do Planalto da Borborema, que corresponde ao conjunto de terras altas estruturadas
em terrenos cristalinos de diversas idades que se distribuem no nordeste oriental do Brasil, cujos
limites são marcados por uma série de desnivelamentos topográficos, geralmente com amplitude da
ordem de 100m em relação ao entorno, sendo comum não apresentar solução de continuidade
litológica em relação ao relevo rebaixado adjacente (CORRÊA et al., 2010).

MATERIAL E MÉTODOS

Para a elaboração deste trabalho realizou-se uma vasta pesquisa bibliográfica por meio de
livros, artigos e outros meios de informação como periódicos (revistas, boletins, jornais), com
intuito de encontrar trabalhos com temática semelhante. Realizou-se trabalho de campo, que
ocorreu durante o período de agosto de 2016 a janeiro de 2017, que foi realizado por parte dos
bolsistas de Iniciação Cientifica da Universidade Federal de Pernambuco, para reconhecimento da
área e comparação dos dados obtidos.
Foram levados em consideração alguns critérios para a escolha das imagens utilizadas no
mapeamento do Índice de vegetação, cujo o primeiro critério foi a disponibilidade das imagens. O
segundo leva a qualidade das imagens e o terceiro o período da imagem, a partir da semelhança das
quadras climáticas.

PROCESSAMENTOS DAS IMAGENS


Para elaboração dos mapas de NDVI foram adquiridas gratuitamente duas imagens de
satélite junto ao United States Geologial Survey – USGS da National Aeronautics and
Space Administration (NASA). As imagens correspondem a órbita 217 e ponto 65. A primeira
imagem foi capturada pelo sensor TM do satélite Landsat 5, gerada em 30 de dezembro de 1988. A
segunda pelo sensor OLI do satélite Landsat 8, datada de 26 de abril de 2014.

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O processamento das imagens de satélite foi utilizado o software ERDAS Imagine 9.3
licenciado do laboratório de Geomorfologia do Quaternário (GEQUA) do Departamento de
Ciências Geográficas da UFPE. Para a imagem Landsat 5 foram realizadas as etapas de
empilhamento das bandas, calibração radiométrica, reflectância e geração de índices de vegetação.
Enquanto para a imagem Landsat 8 as etapas realizadas consistiram no empilhamento das bandas,
reprojeção para o hemisfério sul, reflectância espectral e geração dos índices de vegetação.
Na realização do empilhamento das imagens foi utilizada a ferramenta a Layer Stack do
menu Utilites. As bandas empilhadas das imagens Landsat 5 compreendem todas as 7 bandas
espectrais, enquanto para a imagem Landsat 8 foram empilhadas as bandas 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 10, que
correspondem as faixas encontradas nas bandas do Landsat 5. As imagens Landsat 8 possuem
orientação para o hemisfério Norte, sendo necessária a reprojeção para o hemisfério Sul, para tanto
utilizou-se a ferramenta Reproject Images do menu Data Preparetion no software Erdas Imagine
9.3.
Para o processamento da reflectância da imagem Landsat 5 é necessário realizar
anteriormente a calibração radiométrica, que consiste no processo de conversão do Número Digital
- ND de cada pixel da imagem, em radiância espectral monocromática. Para tanto utilizou-se a
Equação (1), proposta por Markham e Baker (1987).

55
(Eq. 1)
Onde, a e b são as radiâncias espectrais mínima e máxima; ND é a intensidade do pixel
(número digital - número inteiro de 0 a 255); e i corresponde as bandas espectrais. Após a obtenção
da radiância foi realizado o cálculo da reflectância espectral, utilizando a Equação (2) proposta por
Bastiaanssen (1995).

(Eq. 2)
Onde rpi é refletância planetária da banda, i corresponde as bandas espectrais, Kλ é a
irradiância solar espectral no topo da atmosfera, cosZ é o ângulo zenital do Sol e dr é o inverso do
quadrado da distância relativa Terra – Sol. Para obtenção da reflectância da imagem Landsat 8 OLI,
foi utilizada a Equação (3).

(Eq. 3)
Onde, Add corresponde ao fator aditivo de reescalonamento para cada banda, disponível no
arquivo metadados da imagem, assim como o Mult que corresponde ao fator multiplicativo de

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reescalonamento para cada banda. ND representa os valores de número digital da imagem, Z é o


ângulo zenital solar. O dr corresponde ao quadrado da razão entre a distância média Terra-Sol e a
distância Terra-Sol em dado dia do ano, e pode ser calculado através da Equação (4).

( )

(Eq. 4)
O Índice de vegetação por diferença normalizada – NDVI é proposto inicialmente por Rouse
et al., (1973), onde aponta a grosso modo a porção e situação da vegetação nas áreas em estudo.
Sendo calculado a partir da seguinte equação (5):

(Eq. 5)
Onde: 4 e 3 são os valores da refletância das bandas 3 e 4 do Landsat 5 TM e Landsat 8
OLI. Visando uma análise da relação dos resultados gerados através do NDVI com a precipitação e
temperatura na área de estudo, foi realizado um levantamento com o total de precipitação
mensal/anual dos anos de 1988 e 2014. Os dados foram obtidos com ajuda da Agência
Pernambucana de Águas e Clima do estado pelo posto meteorológico de Caruaru. Após a obtenção
dos índices de vegetação para as imagens utilizadas foi realizado o recorte para a área e em seguida
a montagem dos layouts utilizando o software ArcGis 9.3 licenciado do laboratório de
Geomorfologia do Quaternário (GEQUA) do Departamento de Ciências Geográficas da UFPE.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Serra dos Cavalos apresenta uma cobertura vegetal que se encontra diretamente
relacionada com as condições climáticas e edáficas da região. Tais condições contribuem
diretamente para a distinção na estrutura destas formações fitogeográficas, como porte e diâmetro
de espécies, o número de estratos que as mesmas desenvolvem, e o grande índice de Biodiversidade
local. Percebe-se então, que os Brejos de Altitude atribuíssem como disjunção de reserva peculiar
(Figura 2 e 3), por apresentar peculiaridades fisionômicas, florísticas e ecológicas de matas úmidas
refugiadas em domínios de Caatinga.
A análise da cobertura vegetal foi estabelecida através do Índice de Vegetação por Diferença
Normalizada (NDVI). A partir da análise, verificaram-se alterações no padrão espacial da
vegetação. Foram analisados dois períodos, dezembro de 1988 e abril 2014.Foram definidos e
classificados sete intervalos de tons de cinza, conforme especificado na Tabela 01.

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Classes Climáticas Intervalo entre as classes


Água ≤a0
Área urbana 0 – 0,2
Solo Exposto 0,2 – 0,3
Agropecuária (Agricultura ou Pastagem) 0,3 – 0,4
Caatinga 0,4 – 0,5
Vegetação Moderada 0,5 – 0,6
Vegetação Condensada 0,6 – 0,86

Tabela 1: Divisão de classes e intervalos usado na classificação de NDVI. Fonte: Autores

Os principais problemas oriundos das formas inapropriadas do uso e ocupação da terra, fora
os riscos causados pela própria natureza, causam sérios problemas socioeconômicos às
comunidades no geral. Com base nos estudos e nos trabalhos in loco, constata-se a ação do homem
como principal agente e responsável pelo aumento na degradação do meio.
O recorte de dez/1988 (Figura 2), observa-se uma redução espacial da vegetação,
aumentando as áreas de solo exposto. Sabendo que dezembro é mês de período seco na área
estudada, essa redução da vegetação está associada a redução do índice pluviométrico (Figura 3)
entre os meses de setembro a dezembro do ano que apresentou totais pluviométricos de 30,4 mm
para os quatros meses.

Figura 2: Mapa de NDVI da Serra dos Cavalos no mês de dezembro de 1988. Fonte: Autores

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 3: Climograma do Munícipio de Caruaru (1988). Fonte: adaptado por APAC, Posto Meteorológico
Caruaru (IPA), 1988.

Em abril de 2014 (figura 4), a região está no período chuvoso, verificou-se uma expansão da
vegetação tanto da floresta atlântica como também da caatinga que se encontra em todo o entorno.
Isso se deve ao aumento significativo do índice pluviométrico (Figura 5), contribuindo assim, para o
adensamento da vegetação.

Figura 4: Mapa de NDVI da Serra dos Cavalos no mês de dezembro de 2014. Fonte: Autores

Figura 5: Climograma do Munícipio de Caruaru (1988). Fonte: adaptado por APAC, Posto Meteorológico
Caruaru (IPA), 2014.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

O NDVI apresentou valores variando entre -0,1 e 0,86, que foram subdivididos em sete
classes (Tabela 1). Os valores entre -1 e 0 fazem referência a corpos hídricos. A classe que abrange
os valores de 0,001 a 0,2 corresponde a solo exposto e/ou perímetros urbanos e no geral apresentou
uma variação nas 2 imagens analisadas. A classificação 0,2001 a 0,3; indica áreas com presença de
solo exposto bastante ativo. Em 1988, foi a classificação que mais se destacou na imagem. Isso
pode ser explicado devido ao período seco do ambiente. Rêgo et al (2012), afirmam que vários
índices podem ser alterados em função de diferentes fatores como posição das folhas, arquitetura do
dossel, substrato, características químicas das folhas e presença da água. Sugerindo que este
fragmento florestal neste referido período observado estava em ascensão da faixa Urbana e
produção agrícola. Assim, a observação dessa dinâmica pode ser obtida de acordo com o ciclo anual
de precipitação e isso gera uma significativa resposta das plantas em relação aos regimes de seca e
chuva.
A quarta classificação corresponde a agropecuária (Agricultura ou Pastagem) de grandeza
familiar. Foi a classe que mais sofreu redução de sua extensão no ano de 1988, com valores que
variam entre 0,3001 e 0,4, são áreas com a presença de vegetação baixa de porte médio ou de
agricultura irrigada. A quinta classificação com valores que vão de 0,4001 a 0,5 é representada pela
Caatinga. Essas áreas apresentava um maior percentual para no ano de 2014, provavelmente em
virtude dos altos índices pluviométricos encontrados para esse ano.
Na sexta classificação, com valores entre 0,5001 e 0,6, são ambientes que apresentam uma
vegetação mais moderada. No ano de 2014, esse intervalo de classe se destacou mais que no outro
ano estudado. A explicação se dá pelas propostas de conservação do Parque nas áreas centrais da
Serra dos Cavalos. É possível analisar (Figura 6) que nos ambientes mais elevados próximos á
resquícios de vegetação fechada, existe áreas de cultivo de porte familiar.

Figura 6: Uso intensivo de agricultura familiar na área de cimeira. Fonte: Autores

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A última classificação, corresponde a uma vegetação concentrada, mais fechada, de variados


portes. Pode ser classificada como o resquício de Mata Atlântica do ambiente, correspondendo
cerca de 17% no ano de 1988 e passou a ter 36% no ano de 2014. Comparando os meses estudados
nos distintos anos fica evidente a influência do período chuvoso na dinâmica do quantitativo da
vegetação principalmente ao se analisar as alterações no aumento das áreas correspondentes as
classes de vegetação para o ano de 2014.
As marcas da ação do homem na Serra dos Cavalos são identificadas através do
desmatamento da cobertura vegetal em algumas partes do recorte, do manejo realizado de forma
totalmente inadequado dos solos e dos recursos hídricos, da prática de cultivo/pastagem e da
expansão urbana realizada de forma desordenada entre os municípios que fazem parte da área
estudada. Assim, resultando no aumento da erosão nas vertentes, onde se verifica mudança
constante na paisagem.
Observa-se que dentro do recorte existem diferentes formas de uso e ocupação. Verificam-se
que as áreas mais elevadas possuem paisagens naturais remanescentes, ou seja, essas paisagens
mantêm certas características primitivas, porém, com o decorrer dos anos, as políticas de
preservação foram mais severas o que ocasionou uma vegetação mais acentuada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O método empregado para o mapeamento da Serra dos Cavalos/PE mostrou-se bastante
eficiente, representando bem as classes previamente identificadas e definidas com o auxílio do
Google Earth Pro, além dos trabalhos in loco para averiguação dos dados. Outro fator muito
importante diz respeito às mudanças observadas nos últimos anos, bem representada diante das
análises. De modo geral, evidenciou-se que maior parte das transformações empreendidas sobre as
coberturas naturais se deram no sentindo de ampliar as áreas de solo exposto na região. Entre as
classes naturais observadas, a que perdeu mais área foi a de caatinga, com uma taxa de
desmatamento bem acentuada durante a última década.
Quanto a classe que corresponde a Mata Atlântica, esta foi menos explorada no campo
devido ao difícil acesso e pelas regulamentações de conservação que o Parque atribui dentro área.
Vale salientar, que apesar de diversos fragmentos da área são voltados para agropecuária familiar e
muitos deles de forma desorganizada e sem controle ambiental. A taxa de degradação da área com
vegetação mais concentrada, foi considerada baixa diante da forte política de preservação, após a
criação do Parque para conservação da Geodiversidade dessa área de refúgio.
As análises mostram também que a metodologia aplicada se mostra bastante robusta e
essencial para verificar se as ferramentas empregadas foram imprescindíveis na formulação desse

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

trabalho, além de permitir analisar e identificar os locais mais susceptíveis a diminuição da


cobertura vegetal e os que mais sofreram com as interferências antrópicas.
A degradação ambiental traz consigo uma série de problemas ao meio ambiente. Resultados
que já são apresentados e comprovados em diversos estudos no decorrer do presente ensaio. Por
outro lado, não é possível quantificar, neste estudo, os impactos que a degradação das florestas
naturais produziu sobre a Serra dos Cavalos. Neste sentido, recomenda-se o desenvolvimento de
outras pesquisas mais específicas, que o utilizem o presente estudo como base para avaliação do
quadro ambiental da região.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

CARACTERIZAÇÃO E DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DE PONTOS AMOSTRAIS NA


REGIÃO DO PONTAL DO PARANAPANEMA, SÃO PAULO, BRASIL.

Alisson Rodrigues SANTORI


Graduando em Geografia - FCT/UNESP
rodriguessantori@hotmail.com
José Mariano Caccia GOUVEIA
Professor Assistente Doutor – FCT/UNESP
caccia@fct.unesp.br
Raul Borges GUIMARÃES
Professor Adjunto (Livre Docente) – FCT/UNESP
raul@fct.unesp.br

RESUMO
O presente trabalho busca aprofundar o entendimento das questões que envolvem a problemática
ambiental na região do pontal do Paranapanema, no interior do estado de São Paulo, elaborando um
diagnóstico ambiental baseado no levantamento de material bibliográfico e técnico, o ultimo com
base em legislações vigentes, bem como, a revisão teórica baseada nos conceitos da ecodinâmica e
da ecologia da paisagem, somado a posteriores levantamentos de campo, que contribuíram para
uma avaliação prévia das características ambientais gerais das unidades que compõem a estrutura
ecossistêmica desses ambientes amostrais. Tais dados foram correlacionados com informações das
amostras de vetores de moléstias (leishmaniose) no caso do Parque Estadual do Morro do Diabo
(PEMD), e da qualidade dos corpos hídricos do entorno, que forneceram resultados, entre eles
mapas, gráficos e tabelas, tornando-se um material de base para o início das correlações entre as
formas de ocupação da região, visualizada principalmente a partir dos mapas, e das condições
qualitativas dos recursos hídricos. Foi preciso avaliar não somente as condições ambientais mais
gerais, mas também relacionar o papel social com o processo de proteção ou degradação, não
somente dos mananciais locais, mas dos fragmentos vegetais remanescentes, entre eles o PEMD.
Todas essas informações gerais, especificas e teóricas colaboraram com o alcance do objetivo
principal desta pesquisa, que é identificar e mensurar as pressões e impactos das atividades
antrópicas próximas a fragmentos vegetais e cursos d‘aguas importantes da região, e como o
planejamento e a conscientização podem colaborar para a melhoria da qualidade ambiental na
região.
Palavras Chave: Ecossistemas; Biogeografia; Ecologia; Diagnóstico ambiental; Impactos
ambientais.
ABSTRACT
The present work seeks to deepen the understanding of environmental issues in the Pontal do
Paranapanema region, in the interior of the State of São Paulo, elaborating an environmental
diagnosis, without the collection of bibliographical and technical material, the last one based on
current legislation, A theoretical revision in the concepts of ecology and landscape ecology,
together with subsequent field surveys, which contribute to a prior evaluation of the general
environmental technologies of the units that compose an ecosystem structure of the sample
environments. These data correlate with information from disease vector samples (leishmaniasis) in
the case of State Park Morro do Diabo (PEMD), and the quality of bodies for the environment,
which provide results, including maps, charts and tables, Making it a basic material for the
beginning of the correlations between how forms of occupation of the region, seen mainly from the
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card, and the qualitative conditions of the water resources. Although it is not in environmental
conditions, but also relates the social role to the process of protection or degradation, it is not one of
the local mananciales, but of the remaining vegetal fragments, among them the PEMD. All of this
general, specific, and theoretical information has been instrumental in reaching the main objective
of this research, which is identified and measured as pressures and impacts of anthropogenic
activities near fragments and inland waterways in the region, and how planning and awareness can
collaborate to improve the environmental quality in the region.
Keywords: Ecosystems; Biogeography; Ecology; Environmental diagnosis; Environmental impacts.

INTRODUÇÃO

Este trabalho buscou efetuar análise qualitativa, caracterização e diagnóstico ambiental,


focado nos padrões de conservação ou degradação de pontos de coleta dos vetores de leishmania
(mosquito-palha), e de pontos amostrais de qualidade da agua e sedimentos no Parque Estadual do
Morro do Diabo (PEMD) e em oito sub-bacias hidrográficas na região do pontal do Paranapanema,
São Paulo.
A importância desse trabalho se consolida na necessidade de desenvolvimento de um
planejamento ambiental que possa contribuir para a restauração da qualidade dos corpos d‘agua e
dos fragmentos vegetais ainda existentes na região, além da possível e necessária ampliação dos
mesmos. E não menos importante é a perspectiva de estabelecer correlações entre os níveis de
degradação ambiental com a incidência de mosquitos portadores da leishmania.
As condições ambientais na região oeste do estado de São Paulo estão em processo
constante de degradação, devido principalmente a série histórica de uso e manejo inadequado dos
recursos naturais. Esta degradação ambiental é nítida quando observada nas áreas de preservação
permanente dos rios, nos próprios cursos d‘agua e nos tamanhos e caracteristicas dos fragmentos
vegetais remanescentes na região oeste, e principalmente na região do Pontal do Paranapanema,
local onde este trabalho se desenvolve e que consistirá na base para as análises relativas as
interações ecológicas e não-ecológicas entre as paisagens. ―O território brasileiro, devido a sua
magnitude espacial, comporta um mostruário bastante completo das principais paisagens e
ecologias do mundo tropical‖ (AB‘SABER, 2005, p. 10). No entanto grande parte dessas paisagens
sofrem com pressões oriundas de interesses econômicos, e os casos dos biomas Cerrado e Mata
Atlântica se tornam emblemáticos devido sua constante e intensa exploração.
O estudo teórico se baseou principalmente em conceitos ligados a teoria da ecodinâmica,
onde os ecossistemas resultam em uma interação e organização dos componentes físicos da
natureza, portanto em unidades ecodinâmicas que se integram ao ecossistema (TRICART, 1977).
―A ecologia da paisagem define o ambiente como um mosaico heterogêneo de unidades interativas,

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

que englobam aspectos físicos naturais e antrópicos, e que produzem fluxos e relações horizontais
que afetam direta e indiretamente cada unidade de forma diferente‖ (METZGER, 2001).
Para Metzger (2001), a necessidade de entender o funcionamento e as relações que a
paisagem antropizada desenvolve é um fator determinante para avaliar como e em que escala o
homem está alterando o ambiente. Avaliar esses fatores a partir da qualidade da agua e das relações
ecológicas entre os vetores de leishimania e as derivações ambientais são etapas primordiais para a
construção de um panorama ambiental. ―As atividades humanas e sua espacialização, constituem-se
na presente proposição, em importante elemento na análise da degradação ambiental, e deve ser
abordada de um ponto de vista crítico‖ (MENDONÇA, 1999).

ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL E LEVANTAMENTO DOS DADOS

O desenvolvimento deste trabalho se organizou em etapas definidas conforme o plano de


atividades elaborado. Inicialmente foram levantados e organizados os materiais bibliográficos,
técnicos e cartográficos referentes às caraterísticas físicas e naturais da área de estudo em escala
regional. O levantamento bibliográfico se focou em uma caracterização física prévia e geral das
áreas de estudo, sendo essencial para agrupar informações referentes a pedologia, geomorfologia,
geologia, rede hídrica e uso e ocupação do solo, bem como informações sobre a fisiologia e hábitos
dos insetos flebotomíneos.
A aquisição de dados cartográficos, infográficos e tabelas colaborou para o conhecimento
das características mais especificas dos locais, sendo observados nesse momento os padrões de
qualidade e quantidade de certos indicadores que estão sendo utilizados para a realização das
relações de impacto e derivações acusadas nas caracterizações pontuais.

Figura 1: Mapa de localização dos pontos de coleta de agua e sedimentos analisados.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Foram realizados trabalhos de campo para uma avaliação prévia do estágio de preservação
ou degradação da área, em um raio de 50 metros de cada um dos 10 pontos de coleta (Figura 1), as
condições ambientais foram avaliadas conforme a resolução CONAMA 01/1994 que dispõem sobre
os estágios de sucessão ecológica, alguns dos critérios avaliados foram as formas de uso
predominantes no entorno, tipo de solo, relevo e impactos e derivações mais perceptíveis, além
dessas informações consideradas primarias também foi realizado levantamento das condições da
vegetação encontrada nos locais, entre alguns dos critérios temos, o produto lenhoso, estrato
lenhoso, DAP médio (diâmetro a altura do peito), a presença ou ausência de epífitas, serrapilheira e
a taxa de diversidade biológica de cada ponto.
Com as fichas de campo, fotografias, coordenadas dos pontos e imagens de satélite deu-se
início a sistematização e tratamento dos dados, posteriormente o mapeamento realizado
prioritariamente no software Quantum GIS 2.16 teve o objetivo de identificar as formas de uso e
ocupação da terra na área da sub-bacia a montante de cada ponto de coleta, os usos identificados
foram pastagens e outros usos, cultura canavieira, assentamentos, fragmentos florestais arbóreos
(incluindo unidades de conservação), malhas urbanas e app e área de várzea.
Posteriormente à produção dos mapas de uso e ocupação da terra das sub-bacias, se calculou
a área total de cada categoria que serviu de base para a produção de tabelas representando as áreas
ocupadas em Km² e em percentuais relativos à totalidade da área da bacia. A partir dessa tabela
foram elaborados gráficos demonstrando as taxas de ocupação de cada categoria em porcentagem.
Esse material está sendo utilizado juntamente com os dados de qualidade da agua avaliados e
fornecidos para o projeto, com o objetivo de estabelecer as correlações necessárias para a
compreensão da influência do impacto dos usos antrópicos na qualidade dos fragmentos, das App‘s
e dos cursos d‘agua e, posteriormente, essa analise se estenderá para a avaliação das relações
ecológicas entre as unidades de paisagem, buscando definir qual o grau de perturbação que as
unidades antrópicas estão gerando dentro do ecossistema natural nas bordas e no interior do PEMD.
As análises do mapeamento que segue sendo realizado, agora busca descobrir em uma
análise mais geral, se as áreas de preservação permanentes (App‘s) estão sendo respeitadas, ou se
ocorrem processos de conflitos de usos dentro do raio estabelecido pela Lei Florestal 12.651/12.
Nesse sentido, será possível relacionar as caracteristicas ambientais e de ocupação da sub-bacia
direta e indiretamente relacionada a manutenção da qualidade ambiental da vegetação
remanescente, e do próprio curso d‘agua.
As correlações que serão realizadas para o estudo dos flebotomíneos são baseadas
principalmente nas relações ecológicas-ambientais da espécie, com a influência das relações
sociais-ambientais do ser humano, as formas de espacialização dessas relações serão os produtos

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

dessa parte do trabalho desenvolvido, os resultados devem permear a forte influência e


interferências que as paisagens antrópizadas tem no ambiente.

ANÁLISE DOS DADOS E PRODUÇÃO DOS RESULTADOS

Os dados produzidos para as correlações com a qualidade da agua são essenciais para
compreender como as formas de uso da terra podem influenciar no equilíbrio ecológico de outras
áreas, como as de recursos naturais. Neste trabalho foi definido como ―unidades antrópicas‖, as
áreas com cana de açúcar e pastagens e outros usos (ex: eucalipto), as terras destinadas a reforma
agraria (assentamentos), e os núcleos ou perímetros urbanos. É importante avaliar que a
caracterização e diagnostico ambiental aqui proposto observa as condições/qualidade ambiental de
cada uma das áreas, portanto, as relações sociais e as formas de produção que ocorrem no ambiente
precisam também ser diagnosticados. As ―unidades naturais‖ seriam portanto, as faixas de App‘s e
fragmentos florestais arbóreos com área significativa.
Na tabela de uso e ocupação da terra nas sub-bacias (tabela 1) podemos destacar alguns
pontos importantes para a análise e diagnostico, os 10 pontos de qualidade estão situados em oito
sub-bacias na região de estudo, vale ressaltar que as áreas das sub-bacias possuem diferenças,
algumas significativas, em suas áreas totais, considerando também que todos os cálculos de áreas
foram realizados em quilômetros quadrados (Km²).
Para ilustrar parte das análises que compõem este trabalho, o ponto 3, localizado na sub-
bacia do Ribeirão Sedema, no município de Teodoro Sampaio-SP e os pontos 8 e 9 ambos na sub-
bacia do Córrego Anhumas, no município de Marabá Paulista, todos parte da Bacia Hidrográfica do
Rio Paranapanema (UGRHI – 22), a escolha dessas duas áreas para algumas correlações, se vale
principalmente da proximidade das áreas totais das mesmas, 77,155 Km² e 75, 136 Km²
respectivamente. Pretende-se assim obter uma análise mais adequada e heterogênea das condições
dos dois ambientes, no caso do ponto 3, é possível observar com mais clareza essa heterogeneidade
entre a maior parte dos usos identificados, onde as áreas de cultura canavieira, pastagens e
fragmentos vegetais possuem valores próximos. No caso dos pontos 8 e 9 é observado o oposto,
considerando que possui 52,898 Km², portanto 71% de sua área ocupada por pastagens e os
fragmentos vegetais representam um valor entorno 0,571 Km², cerca de 1%. Os pontos 8 e 9 estão
separados em determinada distancia no Córrego Anhumas, sendo que o 8 está a montante e o 9 a
jusante, com isso o ponto 8 pode ser analisado isoladamente dentro da sua área de influência.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Tabela 1: Uso e ocupação da terra nas sub-bacias, em Km²


PONTO 2 3 4 5 6 7 8 9 11 12
AMOSTRAL

Cultura 11,207 26,734 100,994 3,273 2,980 304,264 1.016 18,404 - 1,513
canavieira
Pastagens e - 20,994 150,363 19,028 37,827 481,273 3,713 52,898 - 6,899
outros usos
Fragmentos 47,986 15,543 14,487 1,018 - 48,001 0,406 0,571 4,208 0,130
vegetação arbórea
APPs e Áreas de 2,719 0,783 10,018 0,866 2,398 74,537 0,165 3,042 0,198 1,020
várzea
Assentamentos da 15,951 - 4,219 - - 55,024 - - 11,271 -
Reforma Agrária
Área urbana - - - - 5,556 1,925 - - - -

ÁREA TOTAL 77,155 64,038 279,802 24,055 49,008 965,024 5.263 75,136 15,667 9,560
DA SUB-BACIA

Fonte: Autores

Talvez a principal ameaça à manutenção da biodiversidade dos cursos d‘agua e dos


fragmentos sejam os efeitos que a ocupação nociva exerce sobre esses recursos. A principal
atividade desenvolvida não somente na região do Pontal do Paranapanema, mas em grande parte do
interior do estado de São Paulo é, sem dúvida o agronegócio canavieiro, que é o grande responsável
pela produção de açúcar e biocombustível (Etanol) do pais. Essa tendência econômica faz com que
cada vez mais proprietários optem por arrendar suas terras para a produção de cana de açúcar.
Em grande parte dos mapas produzidos é possível observar a existência de fragmentos com
plantações extensas de cana de açúcar, principalmente nas áreas mais ao sul do pontal do
Paranapanema, os conflitos de terra na região acompanham esse contexto. A degradação ambiental
na região não ocorre somente no presente, pelo contrário, é uma tendência histórica desde o
processo de exploração e ocupação do interior paulista. Os poucos resquícios da vegetação nativa
podem ser observados em ―fragmentos significativos‖ como o PEMD e a Estação Ecológica Mico
Leão-Preto, estas áreas ainda conseguem manter relativa qualidade ambiental.
O mapa de uso e ocupação do solo da sub-bacia do Ribeirão Sedema (Figura 2) é um bom
exemplo desse cenário e de parte da dinâmica ecológica entre o alterado e o natural, na área da sub-
bacia a montante do ponto 3 temos, além da presença da Esec Mico Leão-Preto, um corredor
ecológico liga a Estação com uma possível Reserva do Patrimônio Particular Natural (RPPN) ou
Reserva Legal (RL)

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 2: Mapa de uso e ocupação da sub-bacia do Ribeirão Sedema (Ponto 3).

Para colaborar com a discussão aqui apresentada a área dos pontos 8 e 9 podem ser
utilizadas como contrapartida à medida que a presença e forma dos fragmentos vegetais
significativos é muito menor que as observadas no mapa anterior, essa tendência a maior ocupação
humana pode ser observada no mapa de uso e ocupação da sub-bacia do Córrego Anhumas (Figura
3), a área é em sua grande parte tomada por pastagens, que inclusive tem colaborado para a
supressão das faixas que deveriam ser destinadas a App‘s em alguns trechos do curso d‘agua, fato
que pode colaborar com a poluição e assoreamento do rio e a consequente diminuição da qualidade
ambiental.
Esta área também apresenta uma forma de relevo mais dissecada em alguns pontos, e foi
possível observar a presença de erosões nos barrancos do curso d‘agua, estas possuem inclusive
certa altura em trechos do leito. Um dos maiores problemas causados pela presença das pastagens
na região, as erosões, carregam sedimentos para o rio desequilibrando sua dinâmica e ecologia,
estas erosões ocorrem com frequência em áreas muito pisoteadas pelo gado.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 3: Mapa de uso e ocupação da sub-bacia do Córrego Anhumas (Pontos 8 e 9)

Entre as principais caracteristicas que fornecem base para diferenciar e diagnosticar a


qualidade ambiental entre essas duas áreas de sub-bacias e os 3 pontos analisados, são não somente
a diferença de quantidade, mas também a forma com que os fragmentos vegetais estão dispostos no
local, isso pode-se notar principalmente no mapa da figura 2. Para a realização das análises de
qualidade da agua pelo grupo responsável, foram utilizadas as legislações vigentes, entre elas a
resolução CONAMA 357/05

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As informações referentes à qualidade da agua, tais como turbidez, pH, oxigênio dissolvido,
materiais orgânicos e inorgânicos e temperatura entre outros, são a base para as correlações,
analises e obtenção dos resultados finais, onde espera-se estabelecer relações de causa-efeito entre
as características ambientais de uso e ocupação das áreas estudadas, com as condições de qualidade
físico-químicas da agua, e da qualidade ambiental dos fragmentos vegetais remanescentes,
apoiando-se também nos mapas, tabelas e gráficos produzidos.
Os dados baseados no mapeamento proporcionaram uma avaliação efetiva das
caracteristicas de uso e ocupação e demonstrou com clareza que a tendência de determinadas áreas
é pelo aumento gradativo da produção agrícola extensiva. Observando os mapas e gráficos
produzidos, um dos principais aspectos destacados está na prevalência de um dos usos sobre os
demais, exemplo da atividade pastoril que é predominante em seis das oito sub-bacias estudadas, e
chegando a níveis de 77,2% e 79,1% nos Ribeirões Vai-e-Vem (ponto 6) e Cuiabá (ponto 4/5)

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

respectivamente. Nas demais bacias que não possuem a pastagem como cobertura dominante, estão
em destaque as áreas de fragmentos vegetais no ribeirão bonito (ponto 2) e a atividade canavieira no
Córrego do Burrinho (ponto 12).
Como destacado anteriormente, também ocorrem pontos com relativo equilíbrio entre as
formas de usos como no exemplo do Ribeirão Sedema (Figura 2), no entanto, apenas essa
característica não garante que ocorra também um equilíbrio na qualidade ambiental desses
fragmentos e do curso d‘agua, pois, as formas de manejo das atividades econômicas, principalmente
da cana de açúcar, no âmbito da sub-bacia também é um dos principais pontos de análise para
observar-se, devido ao uso descriminado de insumos agrícolas e outros compostos químicos, da
utilização de maquinário pesado e das queimadas que ainda ocorrem em determinados locais da
região.
Algumas correlações prévias e gerais podem ser feitas observando fatores importantes, a
análise é orientada a partir de variáveis que podem ter grandes diferenças, causadas por vezes, meio
a eventos extremos ou pontuais, é preciso então compreender que a variação dos dados em
determinados períodos do tempo, também podem representar pressões mais diretas no sistema da
sub-bacia, essas pressões podem mesclar causas naturais e antrópicas, como uma intensa
precipitação em uma pastagem, causando ravinamentos e voçorocas ou serem exclusivamente
antrópicas, como o periódico impacto de um canavial e o seu manejo, cabe então a caracterização e
ao diagnóstico ambiental da área determinar essas relações e interferências entre as unidades de
paisagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho se encontra em fase final de organização e consolidação dos dados, mas as


avaliações e relações realizadas até o momento demonstram que as condições ambientais do pontal
do Paranapanema, já preocupantes, estão cada vez mais ameaçadas pelas formas de ocupação e
manejo desses usos antrópicos (principalmente as áreas de pastagem e de cultivo intensivo de cana
de açúcar), considerando ainda o fato de que na maioria das áreas caracterizadas, analisadas e
posteriormente mapeadas, a vegetação arbórea representa em média menos de 5% da cobertura da
terra. Esse cenário demonstra que a qualidade ambiental da região está se deteriorando ainda mais, e
que medidas para reverter esse processo devem ser iniciadas.
Este trabalho permanece em evolução, pois pretende-se ainda estabelecer correlações mais
solidas entre os índices de qualidade da agua obtidos e aqui discutidos, a partir da caracterização
dos usos da terra realizados na escala local e na escala da sub-bacia hidrográfica; assim como
estabelecer foco nas caracteristicas e informações referentes à incidência de leishmaniose na região,
e avaliar sua relação com os usos próximos às principais paisagens que os flebotomíneos integram.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Com isso, será possível estabelecer mais fielmente um panorama da qualidade ambiental do Pontal
do Paranapanema, observando suas formas e taxas de perturbação, e destacar qual o papel da
sociedade nesse processo e os possíveis modos de atenuação dessas pressões antrópicas.

REFERÊNCIAS

AB‘ SABER, A. N. Os domínios da Natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. 4 ed. São


Paulo: Ateliê Editorial, 2003. 144 p.

BRASIL - Lei Florestal 12.651/12. Disponível em: <


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm >. Acesso em 04 de
Jul/2017.

CONAMA - Resolução 01/1994. Disponível em: <


http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res94/res0194.html >. Acesso em 04 de Jul/2017.

CONAMA - Resolução 357/2005. Disponível em: <


http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf >. Acesso em 04 Jul/2017.

METZGER, J. P. O que é ecologia de paisagens. Biota Neotropica, São Paulo, v.1, p. 1-9, 2001.

MENDONÇA, F. Diagnostico e análise ambiental de microbacia hidrográfica: Proposição


metodológica na perspectiva do zoneamento, planejamento e gestão ambiental. RAEGA,
Curitiba, v. 3, n. 6, p. 47-70, 1999.

TRICART, J. Ecodinâmica. Rio de janeiro. IBGE, Diretoria Técnica, SUPREN, 1977. 91 p.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INVENTÁRIO ETNOBOTÂNICO DE PLANTAS MEDICINAIS NA COMUNIDADE


DE TITARA, PILÕES-PB, NORDESTE DO BRASIL

Ana Maria Ferreira de ANDRADE


Aluna de graduação em Licenciatura Plena em Geografia-UEPB-Campus III
E-mail: ana.mferreira12@gmail.com
Danielli Rodrigues da SILVA
Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia-UEPB-Campus III
E-mail: danielli.r.@hotmail.com
Simone da SILVA
Graduada em Licenciatura Plena em Geografia-UEPB-Campus III
Aluna de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente-PRODEMA-UFPB
E-mail: simoneds86@gmail.com
Prof. Dr. Carlos Antonio Belarmino ALVES
Orientador - Professor do departamento de Geografia - UEPB-Campus III
E-mail: c_belarminoalves@hotmail.com

RESUMO
As plantas medicinais possuem princípios ativos que podem tratar organismos humanos ou até
mesmo de animais de modo geral, no combate de sintomas e cura de diversas patologias. Objetivo
principal da pesquisa foi de realizar um levantamento sobre o uso das plantas medicinais na
Comunidade Titara em Pilões (Paraíba, Nordeste do Brasil). Foram realizas visitas em todas as
residências, sendo aplicado formulários com entrevistas semiestruturadas. Entrevistou-se 13
indivíduos, perfazendo 100% das residências existentes na comunidade, sendo 09 do sexo feminino
e 04 do sexo masculino. A idade dos informantes variou de 32 a 80 anos, tendo como representante
de maior faixa etária o sexo masculino. Foram registradas 124 citações de usos de plantas
medicinais com 53 espécies pertencentes a 31 famílias e para esse total obtive-se 27 indicações
terapêuticas para diferentes usos das plantas medicinais. O Caju-roxo Anacardium humile A. St.
Hil. e o Hortelã da folha miúda Mentha x piperita L. destacaram-se como as espécies mais citadas.
Dentre as partes utilizadas o uso das folhas dos vegetais evidenciou-se com 78 citações. O chá
abafado foi a forma de preparo mais evidenciada entre os entrevistados. Quanto as indicações de
uso terapêuticos as que mais tiveram relevância foram: tosse, inflamação no geral, má digestão,
verme etc. Identificou-se que usos medicinais são direcionados ao tratamento das patologias que
afetam ao sistema respiratório, principalmente gripe e resfriados. Entende-se que, o amplo
conhecimento sobre as plantas medicinais usadas pelos moradoras da comunidade de Titara, dar-se
através da propagação do conhecimento tradicional compartilhado entre os membros de uma mesma
família e as vezes entre vizinhos e os agricultores da mesma comunidade.
Palavras Chaves: Conhecimento tradicional, Etnobotânica, Espécies vegetais.
ABSTRACT
Medicinal plants have active principles that can treat human organisms or even animals in general,
in the combat of symptoms and cure of various pathologies. The main objective of the research was
to carry out a survey about the use of medicinal plants used by community dwellers Titara in Pilões
(Paraíba, Northeast Brazil). Visits were carried out in all residences, and forms with semistructured
interviews were applied. We interviewed 13 individuals, making up 100% of the existing residences
in the community, of which 9 were female and 4 were male. The age of the informants ranged from

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

32 to 80 years, with the largest age group representing males. There were 124 citations of medicinal
plant uses with 53 species belonging to 31 families and for this total 27 therapeutic indications were
obtained for different uses of medicinal plants. The Purple Castor Anacardium humile A. St. Hil.
and the mint of the small leaf Mentha x piperita L. stood out as the most cited species. Among the
parts used the use of leaves of vegetables was evidenced with 78 citations. The muffled tea was the
most evidenced form of preparation among the interviewees. As for the indications for therapeutic
use, the most relevant were: cough, inflammation in general, poor digestion, worm, etc. It was
identified that medicinal uses are directed to the treatment of pathologies that affect the respiratory
system, mainly influenza and colds. It is understood that the extensive knowledge about medicinal
plants used by the inhabitants of the community of Titara, take place through the spread of
traditional knowledge shared between members of the same family and sometimes between
neighbors and farmers of the same community.Key words: Traditional knowledge, Ethnobotany,
Plant species.
Key words: Traditional knowledge, Ethnobotany, Plant species

INTRODUÇÃO

O conhecimento tradicional pode ser conceituado como o saber e o saber-fazer, a respeito do


mundo natural, sobrenatural, gerados no âmbito da sociedade não-urbano/industrial, transmitidos
oralmente entre as gerações (DIEGUES, 2000). Desde a antiguidade o homem usa os recursos
naturais para sua sobrevivência, dentre eles, as plantas medicinais utilizadas com fins terapêuticos,
no combate a sintomas e tratamento das mais diversas patologias. (BERG, 2010).
As plantas medicinais possuem princípios ativos que podem tratar organismos humanos ou
até mesmo de animais de modo geral, no combate de sintomas e cura de diversas patologias
(ALBUQUERQUE, et al. 2010). ―A utilização de plantas, além de outros produtos naturais, no
tratamento e prevenção de doenças, pode ser detectada em diferentes formas de organização social,
constituindo-se como uma prática milenar associada aos saberes populares e médicos e a rituais‖
(FERNANDES, 2004, p.27).
A Etnobotânica é um ramo da ciência que estuda as diversas relações estabelecidas entre
seres humanos e plantas (XOLOCOTZI, 1983). A Ciência denominada de etnobotânica estuda o
conhecimento e as conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade com relação ao mundo
vegetal, englobando tanto a maneira como o grupo social classifica os vegetais, como as suas
finalidades (AMOROZO, 1996). ―Essa ciência reúne pesquisadores de diferentes orientações
teóricas e epistemológicas, estabelecendo uma base de diferentes perspectivas científicas, tais como
a antropologia, botânica, ecologia, genética, evolução e economia‖ (ALBUQUERQUE, 2017, p.57).
Os povos tradicionais desempenham suas atividades utilizando-se dos ambientes naturais,
podendo fornecer informações relevantes sobre diversas formas de uso, manejo e preservação dos
recursos naturais, viés importante para sua subsistência local. As informações oriundas de seus
conhecimentos são indispensáveis para um bom plano de manejo e conservação. Por isto é salutar o

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

reconhecimento dos saberes tradicionais, capazes de garantir a sustentabilidade das futuras


gerações. (ALBURQUERQUE, et al 2002).
Assim, o saber tradicional fornece informações importantes para novas descobertas
científicas. As pesquisas sobre o uso de plantas medicinais no Brasil, destacam-se quanto ao uso e
diversidade de espécies utilizadas para fins terapêuticos por comunidades tradicionais, tendo em
vista a conservação desses recursos (MOSCA e LOIOLA, 2009; ALBUQUERQUE, 2010; MAIA
et al., 2011, OLIVEIRA et al., 2010; CABRAL e MACIEL, 2011; PAULINO et al., 2011;
ALENCAR, 2012; FREITAS et al., 2012; LEITE et al., 2015; SIQUEIRA, et al., 2017).
Objetivo principal da pesquisa foi de realizar um levantamento sobre o uso das plantas
medicinais na Comunidade Titata em Pilões (Paraíba, Nordeste do Brasil). Além de identificar o
modo de preparo, partes utilizadas e indicação terapêutica das espécies citadas pelos informantes da
pesquisa.

MATERIAL E MÉTODOS

Caracterização da área de estudo

O município de Pilões localizado nas coordenadas geográfica 06°52‘12‖ S e 35°37‘06‖ W,


no estado da Paraíba, Nordeste do Brasil, situado na Mesorregião do Agreste e Microrregião do
Brejo Paraibano, distando aproximadamente 120,4 Km da Capital João Pessoa/PB, inserido no
Planalto da Borborema, limitando-se aos municípios de Serraria (norte e oeste), Areia (sul),
Alagoinha (sul), Pilõezinhos (leste) e Cuitegi (leste). De acordo com dados do censo demográfico
sua área territorial abrange (64 km²), abriga aproximadamente uma população de (6.978 habitantes),
onde 47,75% da população residem na área urbana e 52,25% na zona rural, dividida entre 50,40%
homens e 49,60% mulheres, (IBGE, 2010). É na porção leste desse município onde está localizada a
Serra do Espinho, objeto da nossa pesquisa, possui um ambiente com área aproximada de 25 km2,
ocupado por um assentamento rural (Veneza) e a comunidade (Titara,), que são ligadas por estradas
vicinais ligadas à rodovia principal, a PB 077, em direção ao encontro do município de Cuitegi (PB)
este último, pertencente à microrregião de Guarabira-PB.
Apresenta altitude elevada, com vales profundos e estreitos dissecados variando entre 500 a
700 metros. Inserido na bacia hidrográfica do rio Mamanguape, sua hidrografia é composta por rios
perenes com pequena vazão e possui um baixo potencial de água subterrânea. O Clima é do tipo
tropical chuvoso e verão seco, com períodos de chuvas de janeiro a outubro, (CPRM 2005).
A comunidade rural de Titara Pilões (PB) local desta pesquisa dista a 5 km da sede do
município. Localizada através das coordenadas 06°52‘48‖S e 35°35‘15‖W. O acesso a mesma é
realizado através de um perímetro pavimentado e outros via estrada vicinal percorrendo 8 km de

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

distância da PB 077 até a comunidade. A base econômica da comunidade é a agricultura de


subsistência e a fruticultura, que ocupa as áreas alveolares, as áreas ribeirinhas e as vertentes. Os
principais cultivos agrícolas são a banana (Musa sp), o feijão (Phaseolus vulgaris), a fava (Vicia
faba), milho (Zea mays), a mandioca (Manihot esculenta Crantze), batata doce (Ipomea batatas) e
algumas culturas permanentes, tais como o urucum (Bixa orellana) e o coco (Cocos nucifera). O
período de cultivo é janeiro a março, que são os meses mais chuvosos.

Coleta e análises dos dados

As informações foram coletadas de junho de 2016 a junho de 2017, com visitas semanais
durante esse período. Com o intuito de apresentar o projeto e explicar o objetivo do estudo,
solicitou-se, em seguida, aos que concordaram participar da pesquisa, assinar o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido exigido pelo Conselho Nacional de Saúde, por meio do Comitê
de Ética em Pesquisa (Resolução CNS 196/96).
Na comunidade estudada foram realizas visitas em todas as residências sendo aplicados
formulários com entrevista semiestruturada (ALBURQUERQUE, et al., 2010) (Figura 1-2). Foram
entrevistados 13 indivíduos, perfazendo 100% das residências existentes na comunidade, sendo a
maioria do sexo feminino 09 e 04 do sexo masculino. A idade entre os informantes variou de 32 a
80 anos, tendo como representante de maior faixa etária o sexo masculino. A profissão dos
informantes varia entre agricultores e agricultores aposentados. Conforme o levantamento realizado
o estado de saúde dos entrevistados, os mesmos possuem algum tipo de doença crônica, como
diabetes, hipertensão arterial.
O material botânico coletado em campo durante o levantamento etnobotânico foram
identificados e incorporados ao Herbário Jaime Coelho de Morais (EAN) da Universidade Federal
da Paraíba (UFPB), Campus II, no Centro de Ciências Agrárias (CCA), Areia- PB.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram registradas 124 citações de usos de plantas medicinais com 53 espécies pertencentes
a 31 famílias e para esse total obtivemos 27 indicações terapêuticas para diferentes usos das plantas
medicinais. O Caju - roxo Anacardium humile A. St. Hil. e o Hortelã da folha miúda Mentha x
piperita L. destacaram-se como as espécies mais citadas, seguidos da Colônia Alpina zerumbet
(Pers.) B.L. Burtt. & R.M.Sm 7, Erva- cidreira Lippia alba (Mill.)N.E.Br. 7, Hortelã da folha grossa
Plectranthus amboinicus (Lour.) Spr. 6, Mastruz Chenopodium ambrosioides Hance 5 (Gráfico 1).

Gráfico 01 - Espécies mais citadas no uso medicinal comunidade Titara, Pilões-PB

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 104


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Chenopodium ambrosioides Hance 5

Plectranthus amboinicus (Lour.) Spr. 6

Lippia alba (Mill.)N.E.Br. 7

Alpinia zerumbet 7

Mentha x piperita L. 9

Anacardium humile A. St. Hil. 9

0 2 4 6 8 10
Fonte: pesquisa de campo, 2016/2017.

O Caju-roxo Anacardium humile A. St. Hil. Foi citado principalmente no uso do tratamento
de infecções, essa espécie apresenta uma variedade de ação terapêutica. O cozimento da entrecasca
serve como antisséptico em bochechos e gargarejos e como anti-inflamatório em casos de feridas e
úlceras da boca e afecções da garganta. A película que envolve a amêndoa tem ação anti-
inflamatória. O suco é rico em minerais e vitaminas. Como antibiótico, todas as partes da planta
demonstraram ação anti-inflamatória (BARACUHY, et al; 2016).
O uso das folhas dos vegetais destacou-se com 78 citações, 15 entrecascas, 9 frutos,7 raízes,
6 flores e 4 para sementes (Gráfico 02). O tratamento de doenças com base na fitoterapia utiliza-se
de diversas partes das plantas, como: raízes, cascas, folhas, frutos e sementes, de acordo com as
ervas em questão. Há também diferentes formas de elaboração, sendo o chá a mais utilizada, nos
preparos de decocção ou infusão (REZENDE e COCCO, 2002; OLIVEIRA, et al, 2010).

Gráfico 02 - Partes utilizadas nos preparos caseiros comunidade Titara, Pilões- PB


90
78
80
70
60
50
40
30
20 15
9 7
10 6 4
0
Folha Entrecasca Fruto Raiz Flor Semente

Fonte: pesquisa de campo, 2016/2017

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 105


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Para o preparo dos medicamentos, as formas mais utilizadas segundo os entrevistados foi o
Chá abafado com 40 citações, seguindo do chá cozido 30, lambedor 23 etc. (Gráfico 03). Dentre os
mais diversos usos, seja através de chás, cataplasmas, tinturas ou na sua forma natural. Os chás
terapêuticos são bebidas amplamente consumidas no mundo, que contribuem para a prevenção e o
tratamento de várias doenças (TREVISANATO; KIM, 2000).

Gráfico 03 - Modo de preparo comunidade Titara, Pilões-PB


45
40
40

35
30
30

25 23

20

15

10
6
5 2
0
Chá abafado Chá cozido Lambedor Suco Banho
Fonte: pesquisa de campo, 2016/2017

Quando os informantes foram indagados sobre às indicações de uso terapêuticos, as que


mais relevantes foram: 38 citações tosse, 16 inflamação no geral, 16 má digestão, 6 verme,
calmante 4, diabetes 4. (Gráfico 04), dentre as patologias mais tratadas com o uso de plantas
medicinais na Região Nordeste, estão as que agridem o sistema respiratório, como gripes,
resfriados, tosses; e também as que atacam o sistema digestório como: problemas de digestão, dor
de barriga, empachamento, azia, diarreia, etc (ALBUQUERQUE, et al., 2010). Resultados
semelhantes foram encontrados em estudos de Almeida e Albuquerque (2002) em áreas de Caatinga
no Nordeste do Brasil.

Gráfico 04 - Principais indicações terapêuticas citadas na comunidade de Titara, Pilões-PB

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 106


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

40 38

35

30

25

20
16 16
15

10
6
5 4 4

0
Tosse Inflamações Má digestão Verme Calmante Diabetes

Fonte: pesquisa de campo, 2016/2017

Comprova-se que os entrevistados da pesquisa, apresentaram a preferência por conservar os


cultivos das plantas medicinais principalmente nos quintas e jardins, e assim, enfatizaram que se
torna mais fácil à coleta além, de obterem as espécies com melhor qualidade para os preparos. A
importância de cultivar esses vegetais nas proximidades das residências é uma forma de mantê-los
em ambientes limpos e longe de agrotóxicos mantendo a qualidade para o uso das espécies
(BADKE, et al., 2012).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo identificou que os moradores da comunidade Titara, utilizam das bases do


conhecimento tradicional para e fazer uso das plantas medicinais como uma das formas de tratar e
amenizar os sintomas de diversas doenças, sendo principalmente as patologias que agridem os
sistemas digestório e respiratório, utilizando principalmente as folhas nas preparações dos remédios,
principalmente os chás em forma de infusão e decocto.
Comprova-se a preferência dos moradores da comunidade Titara, preferem as plantas
medicinais, devido a facilidade de coletar e cultivar as espécies, que na sua maioria são inseridas
nos quintas e jardins das residências, além de encontrar muitas espécies nas matas do entorno das
comunidades estudadas, onde são os ambientes de coleta para tratamento das diversas patologias.
Entende-se, que o amplo conhecimento sobre as plantas medicinais usadas pelas moradoras
da comunidade de Titara, dar-se através da propagação do conhecimento tradicional compartilhado
entre os membros de uma mesma família e as vezes entre vizinhos e agricultores da mesma
comunidade. Esse fato só reforça a importância de manter-se vivo esse elo entre as novas gerações.
Logo, o resgate do conhecimento local sobre as indicações terapêuticas das espécies vegetais
citadas, pode contribuir para a conservação e manejo dos recursos naturais, além de especificar a

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 107


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

riqueza cultural das práticas utilizada no trato das plantas medicinais, fortalecendo os vínculos entre
os moradores da comunidade e os recursos naturais locais.

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 110


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

EXPERIMENTANDO O MUNDO: REFLEXÕES INICIAIS SOBRE O CAMPO BIO-


GEOGRÁFICO NA PERSPECTIVA HUMANISTA

Beatriz Godinho ROCHA1


Graduanda do Curso de Geografia da UFMG
beatrizgodinhorocha@gmail.com
Janise Bruno DIAS
Professora Doutora do Departamento de Geografia da UFMG
janisebdufmg@gmail.com

RESUMO
Esse trabalho tem como objetivo refletir sobre uma proposta de trabalho de campo biogeográfico a
partir dos princípios da Geografia Humanista. Para isso, buscamos analisar relatos de experiências
de estudantes nos campos de Biogeografia. Observamos suas vivências em campo e como fizeram
correlações com o conteúdo programático ministrado na disciplina. Essa reflexão foi feita a luz de
uma revisão bibliográfica a cerca dos conceitos de vivência e experiência, somando-se a minha
própria vivência como monitora/bolsista e participante dos campos da disciplina. Considera-se que
é preciso exercitar a vivência geográfica por meio de todos os sentidos humanos, na busca de
estreitar a relação entre o sujeito e o objeto, deixar surgir a paisagem, pois é nessa relação que o
fenômeno se revela.
Palavras-chaves: Biogeografia, trabalho de campo, vivência, experiência e Geografia Humanista.
ABSTRACT
This work has witch the aims to reflect on the propose of biogeographic fieldwork from the
principles of humanistic geography. For this, we read field reports of Biogeography students and
reflected about their experiences in the field and how did they make the correlations with the
programmatic subject teaching in the discipline. This reflection was executed based on the
bibliographical review about the concepts lived and experience and with my own experience as a
monitor and fellowship of scientific initiation accompanying and participating in the fields of the
discipline. It is necessary to live the geographical experience through all the human senses,
searching to get in the relation between the subject and the object, let the landscape emerge, in this
relationship the phenomenon is revealed.
Keywords: Biogeography, fieldwork, experience and Humanistic Geography.

INTRODUÇÃO
A Biogeografia como disciplina do curso de Geografia se trata da ciência que estuda a
distribuição dos seres vivos pelo planeta, considerando diferentes escalas espaciais e temporais. Se
a Biogeografia busca compreender as razões e causas de os seres vivos estarem onde estão, e ainda
considerando o homem enquanto ser vivo nas relações que estabelece com os outros seres no
espaço, então, essa ciência tem a paisagem como objeto de estudo. Dessa forma, esse objeto
também a conduz para a compreensão da paisagem. Dardel (2011, p.30) afirma que a paisagem não

1
Bolsista do programa PRONOTURNO da Geografia/UFMG, financiado pela PROGRAD/UFMG.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 111


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

é apenas a soma de características particulares, mas sim um ―conjunto, uma convergência, um


momento vivido, uma ligação interna, uma ‗impressão‘, que une todos os elementos‖. Segundo
Lucien Febvre, citado por Dardel (2011, p.30), ―toda a geografia está na análise da paisagem‖.
Existe uma discussão sobre a Geografia que a subdivide em duas áreas: a humana e a física.
Dentro desse debate, considera-se que a Biogeografia está na Geografia física por abordar em seus
estudos aspectos característicos da Geologia, Biologia, Pedologia, Geomorfologia, entre outras
ciências consideradas como da área física. Contudo, a Geografia é única e busca compreender as
relações socioespaciais, e que, para isso, abarca várias áreas, entre elas a Biogeografia que, por sua
vez, traz em si uma síntese dessas outras disciplinas que também explicam a relação que o homem
estabelece no espaço. Ou seja, a ação humana também compõe a análise biogeográfica, pois o
homem, além de fazer parte da natureza, imprime suas marcas na mesma.
Além disso, a Geografia contempla várias formas de abordagem. Uma delas é a Geografia
Humanista. Essa vertente propõe uma maneira de pensar a Geografia ―sob um enfoque cultural, no
qual a natureza, a sociedade e a cultura são refletidas como fenômenos complexos sobre os quais só
se obtém respostas a partir de experiências que se apresentam e conforme o sentido que as pessoas
dão à sua existência‖ (ROCHA, 2007, p.21). Yi Fu Tuan é um dos principais pensadores da
Geografia Humanista e na sua perspectiva ela ―procura um entendimento do mundo humano através
do estudo das relações das pessoas com a natureza, do seu comportamento geográfico, bem como
dos seus sentimentos e ideias a respeito do espaço e do lugar‖ (TUAN, 1982, citado por ROCHA,
2007, p.21). Assim, seus princípios valorizam as experiências, os sentimentos e as ideias subjetivas
para a compreensão das relações sujeito-sujeito e sujeito-objeto.
Essa valorização se dá, pois, a Geografia Humanista reconhece que cada um de nós percebe
o mundo de uma forma, que por sua vez fica explícita através dos valores e ações de cada um com
relação ao meio ambiente (ROCHA, 2007, p.21). Logo, de acordo com essa perspectiva, é
importante compreender o ―contexto pelo qual a pessoa valoriza e organiza o seu espaço e o seu
mundo, e nele se relaciona‖ (ROCHA, 2007, p.21) para o entendimento das relações socioespaciais.
Nessa mesma direção, Bondía (2002, p.21) nos diz que ―a experiência é o que nos passa, o
que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca‖. Assim, o
sujeito precisa assumir uma postura que permita que a paisagem seja percebida plenamente, ou seja,
expondo-se, deixando-se sensibilizar diante dela. Para Houaiss (2009), citado por Chiapetti (2001,
p.140), ―vivência é o processo de viver; é coisa que se experimentou vivendo, vivenciando; é o
conhecimento adquirido no processo de viver ou vivenciar uma situação ou de realizar alguma
coisa; é experiência, prática; é aquilo que se viveu‖. Assim sendo, a vivência do olhar pode trazer
várias coisas, estimular sentidos, cores, odores, formas, associar com as questões físicas,
geográficas e humanas.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Logo, a partir da experiência é possível deixar que se revele a geograficidade definida por
Dardel (2011). Ela corresponde a uma relação tangível que liga o homem à Terra, demonstrada pelo
amor ou vontade de desbravar o mundo: ―Conhecer o desconhecido, atingir o inacessível, a
inquietude geográfica precede e sustenta a ciência objetiva‖ (DARDEL, 2011, p.1).
Dessa maneira, o trabalho de campo na Geografia é um recurso pedagógico muito
importante e vai ao encontro do que a visão humanista apresenta, pois ele vai muito além do que
colocar em prática a teoria estudada em sala de aula. Cada trabalho de campo é uma experiência
única, e é por meio dessa vivência que o sujeito compreende a revelação dos fenômenos que, a
princípio, podem estar ocultos na paisagem. Porém, não se trata do outro (um professor ou um
colega) mostrar/ o fenômeno e, sim, permitir maneiras que levem o próprio sujeito a perceber os
fenômenos revelando-se para si, por meio da exposição às sensações.
Assim sendo, esse tipo de abordagem vem nos instigando (a mim e minha orientadora
professora da disciplina) a pensar em uma proposta de campo em Biogeografia na perspectiva
humanista, e como a base da proposta é a experiência, temos a colocado em prática há alguns
semestres. Sabemos que se trata de uma proposta onde nos deparamos com desafios. Nesse sentido,
o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre a construção do trabalho de campo
biogeográfico a partir dos princípios e de autores ou influenciadores da geografia humanista tais
como: Sauer, Wright, Tuan, Dardel e Marandola Jr., entre outros. Buscamos analisar relatos de
campo de estudantes sobre suas vivências em campo e suas correlações com o conteúdo
programático proposto na disciplina, na tentativa de se trabalhar a Biogeografia - uma disciplina
considerada de natureza física - na perspectiva dos princípios humanistas.
Para atingir esse objetivo foi necessária uma revisão bibliográfica atrelada aos trabalhos de
campo que acompanhei, como monitora, da disciplina de Biogeografia na UFMG. Foram lidos e
analisados os relatos produzidos pelos alunos sobre suas experiências biogeográficas de campo,
nesses respectivos semestres, sendo que alguns deles contribuem para essa discussão que está sendo
feita, mostrando também que o olhar geográfico pode transitar por várias escalas, correlacionando-
as. Além disso, a experiência de participar do I Workshop sobre ―A experiência geográfica de
mundo: por uma fenomenologia ordinária‖, organizado pelo NPGEOH-UFMG2, acrescentou
bastante nessa reflexão.

METODOLOGIA

Inicialmente, e no decorrer da produção deste trabalho, fiz uma revisão bibliográfica sobre
os princípios da Geografia Humanista, entre eles os conceitos de experiência e vivência. Além
disso, presenciei algumas apresentações de trabalhos abordados com esse olhar e participei de um

2
Núcleo de Pesquisa e Estudo em Geografia Humanista - UFMG.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

workshop sobre ―A experiência geográfica de mundo: por uma fenomenologia ordinária‖3. Por meio
dessas vivências, foi possível escavar e aprender muito sobre esse olhar humanista, alcançando
algumas respostas e ao mesmo tempo deixando que outras questões se revelassem.
Como preparação para o campo, foram realizadas visitas à Estação Ecológica da UFMG,
para a realização de atividades dirigidas, tais como uma caminhada dentro da mata com os olhos
fechados, permitindo que os alunos contemplassem a paisagem por alguns instantes, para que todos
os sentidos pudessem ser explorados, dando maior destaque para um ou mais em determinados
momentos. Além disso, foram feitas questões para estimular a reflexão dos alunos sobre o trabalho
de campo, tais como ―O que é vivência?‖ e ―O que é experiência?‖, juntamente com a indicação de
algumas referências bibliográficas que discorrem sobre isso, como ―Humano, Demasiado Humano‖
de Nietzsche, ―A Educação de um Geógrafo‖ de Sauer, entre outros.
Além disso, houve a minha participação e acompanhamento do trabalho de campo da
disciplina de Biogeografia na UFMG, durante 4 semestres consecutivos (segundo semestre de 2015
ao primeiro semestre de 2017). Ele é estruturado em três etapas. A primeira delas é o pré-campo e
que corresponde a produção de um texto, desenho, poesia, ou outro tipo textual, por cada aluno,
refletindo e discutindo sobre as suas expectativas para o trabalho de campo de Biogeografia, após a
leitura de textos pré-definidos como ―A Terra Incognitae: o lugar da imaginação na geografia‖ de
Wright e ―Notas sobre a experiência e o saber da experiência‖ de Bondía.
A segunda etapa consiste em uma travessia através do quadrilátero ferrífero, durante três
dias consecutivos, partindo de Belo Horizonte, passando por Nova Lima e Rio Acima em direção à
Serra da Gandarela em Santa Bárbara/MG (comunidade rural André do Mato Dentro), e retornando
no último dia à capital mineira. A Serra da Gandarela compreende áreas dos municípios de Caeté,
Santa Bárbara, Barão de Cocais, Rio Acima, Itabirito e Raposos na região metropolitana de Belo
Horizonte-MG e faz parte da Reserva da Biosfera do Espinhaço. A serra abriga uma biodiversidade
e mananciais que abastecem a região (Projeto Manuelzão, 2017). Apresenta campos rupestres
sustentados por cangas, ―os mais preservados de toda a região, constituindo a principal área de
recarga do Sinclinal Gandarela, a abastecer vários córregos e ribeirões, de classes Especial e 1, das
bacias dos rios Piracicaba/Doce e Velhas/São Francisco – este último, à montante da principal
captação para o abastecimento público da RMBH‖ (Projeto Manuelzão, 2017). A serra ''forma um
corredor ecológico natural com o Caraça, unindo as duas bacias‖ (Projeto Manuelzão, 2017). Além
disso, ―a Mata Atlântica, no interior e nas vertentes exteriores da serra, é a maior e mais preservada
de toda a região. Juntamente com os campos rupestres e os campos de altitude, guarda uma rica

3
Ministrado pelo professor Eduardo Marandola Jr. da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de
Campinas, em agosto de 2016.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 114


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

diversidade de flora e fauna, que abriga espécies endêmicas e em extinção, além de uma das
maiores geodiversidades da região do Quadrilátero Ferrífero‖ (Projeto Manuelzão, 2017).
Ao longo dessa travessia, são realizadas algumas paradas. Em cada uma delas é proposto
que os alunos contemplem a paisagem individualmente, buscando usufruir de seus sentidos (visão,
tato, olfato, audição e paladar), estabelecendo relações com seu entorno da maneira que escolher
para compreendê-la, registrando em suas cadernetas de campo as suas reflexões e vivência. Após
esse momento, os alunos podem compartilhar suas percepções e a professora faz suas
considerações, utilizando diferentes mapas (geológico, pedológico, climatológico, topográfico, etc.)
sobre a área de estudo. Além disso, em uma das paradas os alunos fazem um levantamento
fitofisionômico em um transecto de 50m x 2m e em uma parcela 10m x10m. O propósito de aplicar
essa técnica vai muito além de apresentá-la aos alunos. Ela é uma vivência, pois, como o geógrafo
não tem conhecimento técnico de botânica, ele tem que ter outros critérios para classificar a
vegetação: o uso dos sentidos.
Ao final dessa segunda etapa e do trabalho de campo é de interesse que os alunos se
esforcem em esboçar um transecto que correlacione os aspectos geológicos, geomorfológicos,
vegetacionais e de uso e ocupação do solo da área de estudo, vistos e vivenciados no percurso, tais
como os exemplos que seguem nas figuras 1, 2 e 3 a seguir:

Figura 1– Trajeto realizado no trabalho de campo de Biogeografia e perfil topográfico e fitofisionômico


desse trajeto.4

4
Produzido por alunos da Disciplina de Biogeografia – Turma TNA/ Primeiro semestre de 2016.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 115


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 2 – Representação de um transecto fitofisionômico na área de estudo.5

Figura 3 - Representação de um transecto fitofisionômico na área de estudo.6

Por fim, a terceira etapa do trabalho de campo consiste em um relato de cada aluno sobre a
sua experiência biogeográfica. Assim como no pré-campo, nesse momento, os alunos também têm a

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Produzido por alunos da Disciplina de Biogeografia – Turma TNB/ Primeiro semestre de 2016.
6
Produzido por alunos da Disciplina de Biogeografia – Turma TNA/ Primeiro semestre de 2016.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 116


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

liberdade de escolherem o tipo textual que irão usar para produzir esse relato, ou seja, pode ser uma
música, uma carta, uma poesia, um desenho, um conto, uma crônica, etc., desde que seja de autoria
deles e que relacione a sua vivência ao programa da disciplina. Esse conteúdo engloba diversos
tópicos entre eles a Introdução à Biogeografia; Noções Básicas de Biologia; Elementos de Ecologia
ligados à Biogeografia; Variação/Distribuição espacial e temporal dos seres vivos;
Paleobiogeografia; Bioreinos e Biomas; Biogeografia e meio-ambiente.
A partir dessa proposta, como monitora e bolsista da disciplina, li todos os relatos
produzidos no segundo semestre de 2015, os elaborados nos semestres de 2016 e os do primeiro
semestre de 2017, buscando alguns relatos para refletir sobre ela, sempre pensando sobre a proposta
em si, entre outras palavras, se a experiência que cada um adquiriu no campo contribuiu de forma
efetiva para o aprendizado deles. Para isso selecionei alguns trechos que demostram algumas
conclusões e numerei os alunos, como forma de preservar as suas identidades. Todavia, não foi
apenas a carga do conhecimento que obtive a partir das leituras e palestras que assisti durante todo o
período de realização do presente trabalho que me permitiu fazer essas considerações. Eu também
vivenciei esse trabalho de campo e, portanto, também tenho a minha experiência sobre ele que, por
sua vez, é muito importante para eu que eu possa fazer essa reflexão.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Apesar da proposta do trabalho de campo ter um trajeto mais ou menos já definido (já que
podem ocorrer imprevistos durante a travessia), em que momento se inicia o campo? Quando se
entra no ônibus? Quando se chega ao primeiro destino? O campo se inicia no momento em que se
começa a esperar algo em relação a ele. Por isso a importância do pré-campo. A seguir, o trecho de
um texto produzido por um aluno nessa etapa reflete isso:

―Lendo o texto proposto é possível perceber também que nem sempre o que
julgamos experiência, assim se constitui: experienciar é fazer acontecer, enxergar
sentido, quase um ato passional com o viver humano. Viver a experiência é ser
capaz de lembra-se, futuramente, daquilo que foi vivido. Não se trata também de um
acúmulo, um quantitativo, mas do sentir, de atribuir qualidade. Ir para o Gandarela
com tantos ruídos, tantos outros relatos, tantas pré-disposições minhas e de outros
colegas, amplia a ansiedade pelo desconhecido e pela vontade em querer conectar
todas estas noções. O compromisso é retornar com novas visões, sentidos e coloca-
los à espera de mais uma nova experiência, longe de somente os valores empíricos
ou do saber acadêmico acumulado‖. Trecho do pré-campo do Aluno 1 – Primeiro
semestre de 2016.

Nesse fragmento percebe-se que o aluno absorveu a noção de experiência abordado por
Bondía (2002, p.21) e está disposto a abrir-se para uma nova vivência capaz de fazê-lo ―retornar
com novas visões, sentidos e coloca-los à espera de mais uma nova experiência, longe de somente
os valores empíricos ou do saber acadêmico acumulado‖.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 117


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Além do mais, apesar do aluno ter ouvido relatos de outros colegas sobre esse campo,
quando não se conhece a área de estudo, o ideal é que não se obtenha informações prévias a respeito
dele. Mas e quando já se conhece o lugar, significa que não há expectativas? Pode ser que elas
estejam mais próximas do que a paisagem pode revelar, mas a experiência jamais será igual. Pode-
se ir/visitar várias vezes um mesmo lugar ou fazer um mesmo trajeto mais de uma vez, no entanto,
cada momento é único, o que faz com que as experiências sejam singulares.
Dessa maneira, é necessário um desarmamento, ou seja, abrir mão de quaisquer preconceitos
sobre a disciplina, a área de estudo, e outros, visando uma desconstrução da expectativa e se
permitindo estar aberto para novas experiências a partir dos sentidos. Por mais que a princípio
pareça difícil (ou impossível), é preciso fazer esse esforço de não se deixar influenciar pelo que já
se conhece. As dinâmicas realizadas antes do campo na Estação Ecológica da UFMG, bem como as
reflexões e leituras propostas, subsidiaram essa desconstrução, para que os alunos pudessem colocá-
la em prática no campo.
O trecho seguinte, extraído de um dos relatos analisados, mostra que em um momento da
travessia o aluno soube explorar mais o olfato e o tato, permitindo que ele compreendesse que ele
estava cercado por terra molhada, mesmo que sua visão não colaborasse para isso devido a intensa
neblina no momento:

―Uma parte marcante da viagem, por sinal coincidente com a temática do texto
Vespral de Chuva, foi a ocorrência ou quase ocorrência da chuva no momento que
subíamos a serra. Apesar de paradoxalmente estarmos em um mirante e não
conseguirmos ver nada, podíamos sentir o cheiro de terra molhada e a grande
umidade no ar‖. Trecho do relato do Aluno 2 – Segundo semestre de 2016.

A partir de tudo isso, como encarar as paisagens presentes no trajeto durante o


deslocamento? Elas simplesmente passam ou nos tocam, assim como diz Bondía (2002, p.21)? Em
outros trabalhos de campo, pode ser que não seja fundamental na opinião do professor(a) que o
aluno se atente ao caminho que passa por ele em um deslocamento, importando apenas o local onde
se dará o estudo propriamente dito. Entretanto, esse trajeto, assim como os demais que são
percorridos dentro do veículo ou a pé, em momento nenhum pode ser negligenciado ou passar
despercebido. Dessa maneira, é preciso estar atento e perceber as paisagens no que tange às suas
cores, formas, sons, texturas aparentes contidas nos trajetos, mesmo que ele não lhe seja estranho,
para que assim, alguns fenômenos possam ser revelados.
Durante toda a travessia, foi proposto que os alunos refletissem sobre ―O que me chama a
atenção?‖, ―Qual sentido tenho usado?‖, ―O que tudo isso tem a ver com a Geografia e com a
Biogeografia?‖, ―Como isso se revela na paisagem?‖ e ―Tenho permitido que a geograficidade
apareça?‖. E qual a razão para essas perguntas? Elas aguçam os sentidos e estimulam a pensar sobre
o que eles têm que apreender.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

As paradas consistiram na observação e registro na caderneta de campo (com palavras e


desenhos) tudo o que os sentidos alcançaram. Ou seja, cada um, em 10 a 15 minutos
aproximadamente, procurou enxergar com todos os sentidos, focando não só no extraordinário, mas
também no ordinário, pois ele nem sempre é igual. Assim sendo, primeiramente, é importante dizer
também sobre a relevância do relato que os alunos produziram. Ele é mais do que uma forma para
que o professor(a) constate e/ou avalie a participação do aluno na atividade. De acordo com
Marandola Jr. (2016, p.17), ―em uma investigação geográfica, a palavra permite trazer do ordinário,
da experiência do ser-no-mundo e das relações, a possibilidade de pensar e sobretudo compreender
seus sentidos: este é o caminho metodológico que nos leva ao desvelamento‖.
Em seguida, é pertinente reconhecer que a princípio pode parecer que nesse momento seja
mais difícil focar no que é comum e que, mais ainda, seja um desafio reconhecê-lo em lugares
incomuns. Por exemplo, uma das primeiras paradas é feita em Nova Lima de um ponto que é
possível avistar de forma abrangente a depressão belohorizontina. Em seguida, paramos na cidade
de Rio Acima que, ao contrário de Belo Horizonte e Nova Lima, pode não fazer parte do cotidiano
da maioria dos estudantes. Dessa maneira, como focar no ordinário? Ele se encontra nos detalhes.
Seria possível dizer sobre a Serra da Gandarela ordinariamente?
Durante essa mesma parada, os alunos puderam conversar brevemente com um ou mais
moradores para saberem das experiências deles sobre um ou mais aspectos da cidade. Por que ter
contato com os habitantes de Rio acima? É nessa relação ―EU-TU‖ que o fenômeno é revelado
(MARANDOLA JR., 2016, p.9). Como dito anteriormente, a experiência do outro e a própria
experiência de ouvi-lo contribuem para a experiência do ouvinte que, por sua vez, contribui para a
sua descrição do fenômeno. O trecho abaixo mostra essa relação sendo estabelecida. O aluno
desconhecia muitos aspectos da cidade, mais ao abrir-se para dialogar com uma senhora, ele pode
aproximar sua relação com a cidade a partir da experiência de uma moradora:

―Fui correndo ver o rio que corria lá em cima, tinha pouco tempo, mas ao menos,
contemplei-o por alguns minutos: água que desce nervosa pelas rochas , detentora de
frescor e vida. Desci em direção á estação de trem, havia uma lojinha para turistas,
fui conversar com a sra. Elenice , responsável pelo local: nascida e criada em Rio
Acima, ela relatou o interesse em se preservar a história daquele lugar, reativando a
Maria Fumaça. Falou sobre o enfoque turístico ambiental, mas com caráter
preservacionista, disponibilizou alguns cartões de visita de pousadas e restaurantes
que atendem aos turistas pelo mato adentro. Falou sobre a família Fernandes e sobre
as terras coloridas extraídas no alto da Serra para comércio e artesanato‖. Trecho do
relato do Aluno 3 - Primeiro semestre de 2016.

O trecho seguinte também corrobora com as reflexões que estão sendo feitas neste trabalho.
O aluno ressalta que aprendeu a ―exercitar‖ a geograficidade - a experiênciá-la - e reconhece que
paisagens comuns ao seu olhar não os tocava da maneira como tocaram durante essa experiência:

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

―Voltei para casa, na certeza de que o mundo natural, como diria Keith Thomas (que
me recebeu na Academia, tão logo cheguei na UFMG), faz muito mais parte de mim
do que suponho, do que me coloco desconexa por não considerar as experiências e
particularidades do campo diário. A natureza, o cerrado, a biodiversidade, a região
metropolitana, dentre tantos outros fatores deste campo, estão diante de mim, todos
os dias, mas sempre com o olhar de quem passa sem deixar-se passar, sem ser
tocada. A experiência do campo se fez evidente em cada uma destas peculiaridades
tão próximas no dia-a-dia. Repito Manoel de Barros: [...] aprendia melhor no ver, no
ouvir, no pegar, no provar e no cheirar. Aprendi e fiz geografia, como vivência e
como ciência e como geograficidade, diante das imagens dos espaços, dos lugares,
do meu pensamento e da minha imaginação‖. Trecho do relato da Aluno 4 –
Primeiro semestre de 2016.

À medida que as sensações são percebidas (elas revelam muitas coisas), os alunos deveriam
procurar descrever o seu lugar e o seu lugar-Serra da Gandarela, por exemplo. Ou seja, fazer uma
descrição inicial e outra abarcando intensamente os sentidos, aquilo que vivenciaram. Assumir essa
postura é explorar o olhar geográfico, transformando a relação ―EU-ISSO‖ que é distante, sem
atribuição de sentido, para a relação ―EU-TU‖, ou seja, uma aproximação, seja ela qual for, entre o
sujeito e o lugar. É nela que se destaca a revelação do fenômeno (MARANDOLA JR., 2016, p.9).
Assim sendo, as percepções de cada aluno são capazes de dizer sobre o fenômeno, antes
mesmo que o professor faça suas considerações, à medida que essas percepções podem remeter ao
que já foi estudado e às experiências passadas, correlacionando-as. No entanto, o que essas
sensações podem dizer sobre o que tem sido estudado na disciplina de Biogeografia ou de outras
disciplinas geográficas? Quando ocorre essa transição do ―EU-ISSO‖ para o ―EU-TU‖ o aluno
compreende de fato o que está sendo estudado, de forma mais efetiva do que se simplesmente
estivesse apenas escutado o que o professor (a) falou. No entanto, uma vez que nem todos percebem
as mesmas coisas ou percebem de maneiras diferentes (porque somos diferentes – carregamos
conosco experiências passadas únicas e elas interferem no modo como percebemos o mundo),
convém a troca dessas reflexões e a apresentação de algumas considerações do professor para que,
assim, não restem questões e o conteúdo seja apreendido por completo.
Portanto, os sentidos do geógrafo não devem cessar. Em todos os momentos ele deve
procurar exercitar os sentidos, estreitando o sujeito (EU) daquilo que ele ―vê‖ (ISSO). Essa
aproximação permite que fenômenos sejam revelados, à medida que o sujeito procura descrever a
paisagem na perspectiva de lugar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse trabalho está apenas começando. Pretendemos utilizar outras ferramentas para a nossa
reflexão. Trabalhar a bio-geografia por meio dos princípios humanistas, considerando a vivência em
campo e somada às experiências anteriores, pareceu-nos contribuir no estreitamento da relação do
sujeito com seu objeto, deixando-se revelar a paisagem. Os trechos dos relatos apresentados
caminham na direção desses princípios e mostram que essa abordagem tem colaborado para a

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

construção do conhecimento do aluno e apreensão do conteúdo programático da disciplina de


Biogeografia, ou seja, para a sua formação como geógrafo.
Entretanto, as reflexões apresentadas nesse trabalho não se encerram por aqui. Essa
abordagem geográfica é desafiadora e provoca novas questões. Como estimular de forma efetiva o
aluno que está tão acostumado com a abordagem tradicional, e que não está aberto a uma
desconstrução, a valorizar essa aproximação fenomenológica entre ele e o objeto? Qual o limite da
subjetividade dessas relações na compreensão dos fenômenos? Como não negligenciar o ordinário
nos estudos biogeográficos? Esses e outros questionamentos, possivelmente, podem ser respondidos
a partir de novas experiências, aprofundando-se no estudo desses princípios humanistas e sua
aplicação aos estudos bio-geográficos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras.
Educ. [online]. 2002, n.19, pp.20-28.

CHIAPETTI , R.J. N. Pesquisa de campo qualitativa: uma vivência em geografia humanista.


GeoTextos, Periódicos Eletrônicos da UFBA vol. 6, n. 2, dez. 2010. pp. 139-162.

DARDEL, Éric. O Homem e a Terra: natureza da realidade geográfica. São Paulo: ed. Perspectiva,
2011. 159p.

MARANDOLA JR., Eduardo José. I Workshop A experiência geográfica de mundo: por uma
fenomenologia ordinária. NPGEOH-UFMG, 2016. pp. 1-20.

Projeto ‗‘Manuelzão‘‘. Desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em:
<http://www.manuelzao.ufmg.br/serradagandarela/>. Acesso em: 30 ago. 2017.

ROCHA, Samir Alexandre. Geografia humanista: histórias, conceitos e uso da paisagem percebida
como perspectiva de estudo. R. RA´E GA, Curitiba, n. 13, p. 19-27, 2007. Editora UFPR.

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SÍNDROMES DE DISPERSÃO E POLINIZAÇÃO EM UM REFÚGIO


VEGETACIONAL DA CAATINGA

Humberto Araújo de ALMEIDA


Graduação em Ciências Biológicas, UEPB
humbertoalmeida4@gmail.com
Maiara Bezerra RAMOS
Mestranda em Ecologia e Conservação UEPB
Sonaly Silva da CUNHA
Especialista em Etnobiologia
sonaly.nnally12@hotmail.com
Sérgio de Faria LOPES
Departamento de Biologia, UEPB
defarialopes@gmail.com

RESUMO
Áreas serranas em regiões de Caatinga tem sido indicada como refúgios vegetacionais. Perante esse
pressuposto é de suma importância caracterizar as espécies vegetais desses ambientes em relação a
seus aspectos fenológicos, contribuindo para futuros projetos de manejo da flora nativa, nessa
perspectiva, tivemos como objetivo caracterizar as espécies e os indivíduos arbustivos-arbóreos de
uma região montanhosa do semiárido brasileiro, quanto a suas estratégias fenológicas (síndromes de
dispersão, polinização e tipos de fruto). O estudo foi realizado na Serra da Arara no município de
São João do Cariri, Paraíba. Foram demarcadas 100 parcelas de 100 m² cada ao longo da montanha.
Em cada parcela foram inclusos todos os indivíduos vivos com altura ≥ 1m e diâmetro do caule ao
nível do solo (DNS) ≥ maior 3 cm. Foram amostrados 3.155 indivíduos, distribuídos em 35 espécies
e 12 famílias. Em relação as características fenológicas verificamos que 75% dos indivíduos
possuem vetores abiótico como meios para dispersão de sementes, sendo a síndrome autocoria a
mais predominante entre indivíduos (59,75%) e as espécies (37,9%) corroborando estudos
anteriores, que indicavam a autocoria como principal estratégia de dispersão em condições
semiáridas marcadas pela alta sazonalidade. A maioria dos frutos possuem consistência seca, onde
os principais tipos foram o legume e a cápsula, já entre os indivíduos o esquizocarpo foi o mais
representativo (39,82%). Esses tipos de frutos são comuns a plantas com dispersão por meio de
vetores abióticos. Em relação a polinização foram evidenciadas as seguintes síndromes: melitofilia,
quipterofilia, ornitofilia e esfingofilia. A melitofilia foi a síndrome mais representativa, tanto entre
espécies, sendo evidenciada em 20 espécies, quanto entre os indivíduos (63,41%), conforme
constatado em outros estudos em áreas de Caatinga. Esse grande sucesso das abelhas como vetores
de polinização está estritamente associado a seu desenvolvimento adaptativo que garante uma maior
eficiência na polinização.
Palavras-chave: Caatinga; autocoria; melitofilia; montanhas.
ABSTRACT
Mountain areas in regions of Caatinga vegetation has been indicated as biodiversity refugia. Before
this assumption is of paramount importance to characterize plant species of these environments in
relation to their phenological aspects, contributing to future projects of management of native flora.
We aim to characterize the species and individuals tree of a mountainous region from the Brazilian
semi-arid region, about their phenological strategies (dispersal, pollination syndromes and types of

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

fruit). The study was conducted in Serra de Arara in the municipality of São João do Cariri, Paraíba.
Were demarcated 100 plots of 100 m ² each along the mountain. In each plot were included all
individuals living with height ≥ 1 m and diameter of the stem at ground level (DNS) ≥ greater than
3 cm. Were sampled 3,155 individuals, distributed in 35 species and 12 families. The phenological
features showed that 75% of individuals have abiotic vectors as a means for seed dispersal, being
autochory syndrome the most prevalent among individuals (59.75%) and species (37.9%)
corroborating previous studies, which indicated the main dispersal strategy autochory in semiarid
conditions marked by high seasonality. Most fruits have dry consistency, where the main types were
the vegetable and the capsule, already among the individuals the schizocarp was the most
representative (39.82%). These types of fruits are common to plants with dispersal through abiotic
vectors. About pollination were highlighted the following: melittophily syndromes, chiropterophily,
bird watching and phalenophily. The melitofilia was the most representative syndrome, both among
species, being shown in 20 species, as between individuals (63.41%), as noted in other studies in
areas of Caatinga. This great success of bees as pollination vectors is strictly associated with your
adaptive development that ensures greater efficiency in pollination.
Keywords: Caatinga; autochory, melittophily; mountain

INTRODUÇÃO

A Caatinga corresponde a um domínio fitogeográfico, caracterizado por um clima semiárido


e composto por um mosaico de fitofisionomias. As espécies da Caatinga possuem um conjunto de
adaptações morfofisiológicas que garantem o desenvolvimento em condições de estresse hídrico
(Coutinho, 2006; Japiassú et al.,2016; Moro et al., 2016). O impacto antrópico nessa região tem
ocasionado uma redução gradativa das áreas de vegetação nativa, limitando-as a manchas isoladas
especialmente em regiões montanhosas (Barbosa et al., 2007; Silva et al., 2014). Desse modo, essas
regiões representam refúgios dotados de uma vegetação nativa preservada (Lopes et al., 2017).
A caracterização das diferentes fácies da Caatinga, principalmente de áreas em boas
condições de conservação é de grande importância, para o entendimento dos aspectos ecológicos
regionais, fomentando bases para iniciativas conservacionistas ou de exploração sustentável
(Guedes et al, 2012). Assim, estudos que buscam compreender a dinâmica de populações e
comunidades vegetais da Caatinga ainda são incipientes, sendo necessário o desenvolvimento de
trabalhos que visem compreender as interações e mecanismos que regulam o funcionamento da
vegetação local (Barbosa et al., 2003). Dentre esses mecanismos, as características fenológicas das
espécies vegetais estão diretamente associadas as interações, como a competição por recursos ou
polinizadores (Neves et al., 2010).
A fenologia, compreende o estudo das fases vegetativas e reprodutivas das espécies
vegetais, bem como a influência de fatores bióticos e abióticos em cada uma dessas fases, sendo
uma ferramenta imprescindível para compreensão do funcionamento e manutenção de ecossistemas
(Biondi et al., 2007; Souza et al., 2014). O estudo das síndromes de dispersão e polinização de
espécies vegetais é de suma importância para o entendimento da diversidade funcional de um

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ambiente, sendo possível uma melhor compreensão das interações planta-polinizador e planta-
dispersor (Domingues et al., 2013; Domingues; Gomes; Quirino; 2013).
A dispersão corresponde ao transporte de sementes para diferentes áreas, promovendo a
colonização de uma maior diversidade de ambientes, constituindo uma etapa crucial para o
estabelecimento, desenvolvimento e evolução das formações vegetais, promovendo o intercâmbio
de material genético entre diferentes populações (Rondon-Neto et al., 2001; Herrera, 2002). Por
outro lado, o estudo da ecologia de polinização em comunidades vegetais permite compreender o
fluxo gênico entre as populações, bem como a partilha e competição por polinizadores em um
ecossistema (Quirino, 2006).
Em ecossistemas tropicais tem-se constatado a zoocoria como a principal síndrome de
dispersão e as abelhas como principais vetores para a polinização (Howe e Smallwood, 1982; Reis
et al., 2012; Gomes e Quirino, 2016; Santos-Filho, 2016; Souza e Funch, 2015). Entretanto, as
diferentes condições ambientais presentes em ecossistemas tropicais, tais como variações na
precipitação, podem influenciar diferentes padrões de dispersão e polinização nesses ambientes
(Souza et al., 2014).
Em regiões com baixas precipitações pluviométricas, como na Caatinga, há um predomínio
de vetores abiótico na dispersão de sementes, sendo a autocoria e a anemocoria as principais
síndromes de dispersão (Silva e Rodal, 2009), bem como uma maior predominância de frutos do
tipo seco (Amorim et al., 2009). Em relação as síndromes de polinização, tem-se evidenciado nessas
regiões uma predominância de melitofilia, onde as abelhas representam os principais vetores
(Quirino e Machado, 2014).
Nesse contexto, buscamos por meio do presente estudo caracterizar a vegetação arbustiva-
arbórea de uma região montanhosa do semiárido paraibano, quanto a suas síndromes de dispersão e
polinização, na expectativa de contribuir para o banco de dados a respeito da reprodução de
espécies vegetais da Caatinga, afim de oferecer subsídios para futuros projetos de reflorestamento e
manejo da fauna e flora nativa.

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo

O presente estudo foi realizado na Serra da Arara município de São João do Cariri (07º 23‘
27‖ S e 36º 31‘ 58‖ O) (Figura 1). O município está localizado na mesorregião da Borborema e
microrregião do Cariri Ocidental no Estado da Paraíba, Brasil.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 1. Mapa de localização da Serra de Arara, município de São João do Cariri, indicando a localização
do estado da Paraíba, Brasil.

A comunidade vegetal estudada distribui-se ao longo de todo o ambiente serrano. Na região


basal da montanha é possível evidenciar sinais de corte seletivo, de modo que a vegetação dessa
área da serra encontra-se em estágio inicial de sucessão. Entretanto, a biota vegetal dos níveis
superiores é mais conservada, estando em um maior grau de sucessão em relação a região do sopé,
fato que pode ser explicado pela dificuldade de acesso a essa região. No momento não há indícios
de exploração de madeira. Atualmente a matriz do entorno da serra é utilizada para a criação de
caprinos (Capra aegagrus hircus) e ansinos (Equus asinus).

Coleta de dados e análise dos dados

Foram demarcadas 100 unidades amostrais de 10 m², com espaçamento de 10 m entre si,
distribuídas em quatro transectos dispostos na serra de forma longitudinal, totalizando uma área de
um hectare. Em cada parcela foram incluídos todos os indivíduos vivos com altura ≥ 1m e diâmetro
do caule ao nível do solo (DNS) ≥ maior 3 cm, por caracterizarem indivíduos adultos para a
vegetação da Caatinga (Amorim; Sampaio; Lima; 2005).
Para as medidas de DNS foram utilizados paquímetros e fita métrica com leitura direta para
diâmetro e perímetro, enquanto as estimativas de altura dos indivíduos amostrados foram feitas com
o auxílio de podão de coleta de 12 metros e acima disso por estimativa visual. Em campo foram
registrados os seguintes dados: altura, nome cientifico, diâmetro ao nível do solo e para aqueles
indivíduos não identificados foram anotadas as principais características morfológicas, e realizada a

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

coleta do material botânico para futura análise por especialistas ou comparação com coleções de
herbário.
Após a coleta de dados, com o auxílio de literatura, foi efetuada a caracterização ecológica
das síndromes de polinização, dispersão, e tipo de fruto (Barbosa et al., 2002; Barbosa et al., 2003;
Quirino, 2006; Silva et al., 2013a; Quirino e Machado, 2014; Gomes e Quirino, 2016). Com base na
classificação proposta por Van Der Pijl, para a dispersão foram consideradas duas categorias: 1.
Abiótica –quando não há intervenção de animais, subdivida em: anemocóricas e autocóricas; 2.
Zoocóricas – quando são dispersadas por animais (Santos-Filho, 2016). Em relação a polinização
foram verificadas a ocorrência das seguintes síndromes: Cantarofilia (besouros), Miofilia (moscas),
Melitofolia (abelhas), Esfingofilia (mariposas grandes), Falenofilia (mariposas pequenas), Psicofilia
(borboletas), Ornitofilia (aves) ou Quiropterofilia (morcegos).

RESULTADOS

Foram amostrados 3.155 indivíduos vivos distribuídos em 35 espécies, destas seis não foram
identificadas, não sendo possível a caracterização ecológica das mesmas. Os demais indivíduos
estão alocados em 29 espécies e 12 famílias. Fabaceae e Euphorbiaceae, com nove e cinco espécies,
respectivamente, foram as famílias mais representativas (Tabela 1).

Tabela 1. Características ecológicas da vegetação arbustiva-arbórea da serra da Arara, São João do Cariri,
Paraíba. SD = síndrome de dispersão; ane = anemocoria; aut = autocoria; zoo = zoocoria; SP = síndrome de
polinização; esf = esfingofilia; mel = melitofilia; qui =quiropterofilia; orn = ornitofilia; SNI = síndrome não
identificada; dru = drupa; cri = criptosâmara; leg = legume;cap = cápsula; esq = esquizocarpo; nuc = nucula;
sam =sâmara.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Espécies Familia Abundância SD SP Fruto

Allophylos sp. Sapindaceae 23 zoo SNI dru

Amburana cearensis Fabaceae 1 ane mel cri

Anadenanthera colubrina Fabaceae 28 aut mel leg

Aspidosperma pyrifolium Apocynaceae 236 ane esf cap

Bauhinia cheilantha Fabaceae 285 aut qui leg

Cynophalla flexuosa Capparaceae 34 zoo mel cap

Capparis jacobinae Brassicaceae 15 zoo mel cap

Ceiba glaziovii Malvaceae 2 ane qui cap

Cochlospermum vitifolium Bixaceae 65 ane mel cap

Commiphora leptophloeos Burseraceae 93 zoo mel dru

Croton blanchetianus Euphorbiaceae 174 aut mel esq

Croton heliotropiifolius Euphorbiaceae 857 aut mel esq

Erythrina velutina Fabaceae 30 zoo mel leg

Jatropha molíssima Euphorbiaceae 51 aut mel esq

Luetzelburgia auriculata Fabaceae 44 ane mel nuc

Manihot glaziovii Euphorbiaceae 93 aut mel esq

Maytenus rigida Celastraceae 40 zoo mel cap

Mimosa ophthalmocentra Fabaceae 123 aut mel leg

Mimosa tenuiflora Fabaceae 1 aut mel leg

Myracrodruon urundeuva Anacardiaceae 44 ane mel dru

Pilosocereus glaucescens Cactaceae 53 zoo qui bag

Pilosocereus gounellei Cactaceae 41 zoo qui bag

Piptadenia stipulacea Fabaceae 64 aut mel leg

Poincianella pyramidalis Fabaceae 109 aut mel leg

Pseudobombax marginatum Malvaceae 64 ane mel cap

Sapium glanduloson Euphorbiaceae 44 aut orn esq

Schinopsis brasiliensis Anacardiaceae 11 ane mel sam

Spondias tuberosa Anacardiaceae 2 zoo qui dru

Tacinga palmadora Cactaceae 434 zoo orn bag

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 127


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A síndrome de dispersão mais representativa foi a autocoria com 11 espécies (37,9%),


seguida de zoocoria com 10 (34,48%) e anemocoria com apenas oito (27,5%). As espécies estão
distribuídas nas síndromes de forma equilibrada, no entanto quando analisada a expressividade de
indivíduos em cada síndrome, evidenciamos que 59,75% dos indivíduos são autocóricos, 25%
zoocóricos e 15,25% anemocóricos (Figura 2).

Figura 2. Síndromes de dispersão por espécie, e indivíduos da comunidade arbustivo-arbórea da Serra da


Arara.

Quanto aos tipos de fruto, a maioria das espécies possuem frutos do tipo legume (7
espécies), cápsula (7) e esquizocarpo (5), sendo ainda evidenciadas espécies com frutos do tipo
drupa (4), baga (3) e criptosâmara, núcula e sâmara com uma espécie cada. Frutos esquizocarpos foi
o tipo mais representativo entre os indivíduos, sendo este evidenciado em 39,82% dos indivíduos
(Figura 3).

Figura 3. Tipos de frutos por espécie e indivíduos, da comunidade arbustivo-arbórea da Serra da Arara.

Em relação as síndromes de polinização foram evidenciadas as seguintes síndromes:


melitofilia com 20 espécies; quipterofilia com cinco espécies; ornitofilia com duas espécies, uma

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

espécies com esfingofilia, e para Allophylos sp. não foram encontrados registros para seu vetor de
pólen. A melitofilia foi a síndrome de polinização mais representativa, tanto entre as espécies,
quanto em relação ao número de indivíduos, de modo que 63,41 %, dos 3061 indivíduos possuem
abelhas como vetores de pólen (Figura 4).

Figura 3. Síndromes de polinização, entre as espécies e indivíduos da comunidade arbustivo-arbórea da Serra


da Arara.

DISCUSSÃO

A alta riqueza de espécies evidenciadas no presente estudo corrobora o pressuposto de que


regiões serranas do semiárido representam refúgios vegetacionais, (Silva et al., 2014), apesar da
área aqui estudada não ser uma unidade de proteção ambiental notamos uma elevada riqueza de
espécies arbustivo-arbóreas, sendo esta equivalente a encontrada em unidades de conservação (Silva
et al., 2013a). Essa maior riqueza de espécies encontrada nas regiões montanhosas pode estar
relacionada também ao fato dessas áreas coincidirem com gradientes altitudinais os quais são
responsáveis por uma elevada heterogeneidade ambiental (Bertoncello et al., 2011; Olsen;
Klanderud, 2014), a qual proporciona a formação de micro-habitats distintos ao longo do gradiente,
comportando uma maior diversidade de nichos, sendo assim, capaz de alocar um maior número de
espécies (Bernard; Verdier et al, 2012).
Em relação a fenologia reprodutiva foi evidenciada uma maior predominância de vetores
abióticos na dispersão de sementes, se contrapondo ao pressuposto de que espécies de ambientes
tropicais possuem animais como principais vetores a dispersão de sementes (Howe e Smallwood,
1982), de modo que na comunidade analisada 75% dos indivíduos possuem autocoria e anemocoria
como síndromes de dispersão corroborando estudos anteriormente realizados em áreas de Caatinga
(Griz & Machado 2001, Barbosa et al., 2002; Silva, et al., 2013a).
Vale ressaltar que no presente estudo essa maior predominância de agentes abióticos na
dispersão de sementes foi melhor evidenciada quando analisada a nível de indivíduos, alguns

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 129


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

trabalhos que tem apontado a zoocoria como principal síndromes de dispersão, em áreas de
Caatinga, analisaram apenas a nível de espécies (Freire et al., 2016; Gomes e Quirino, 2016),
havendo uma carência em relação a quantificação dos indivíduos, sendo este um importante
aspecto, sobretudo em meio a comunidades vegetais com uma baixa equitabilidade entre as
espécies. Apesar de no presente estudo o número de espécies autocóricas ter sido similar ao de
zoocóricas, as autocóricas aparentemente possuem um maior sucesso na colonização e
estabelecimento em regiões de Caatinga, o que pode ser comprovado pelo elevado número de
indivíduos descrevendo essa síndrome.
Essas diferenças na expressividade das síndromes dispersivas, entre a mata seca e outras
formações florestais úmidas, podem ser atribuídas a características endógenas da Caatinga,
desenvolvidas em respostas ao estresse hídrico local, de modo que em ambientes com maiores taxas
de precipitação há um predomínio de vegetais zoocóricos e à medida que o grau de sazonalidade é
elevado em ambientes áridos, vetores abióticos, tais como o vento e a gravidade, assumem maior
destaque na dispersão de sementes (Griz et al., 2002; Silva e Rodal, 2009; Vicente et al., 2003).
A maior predominância de frutos secos tem sido evidenciada em fisionomias de Caatinga
(Barbosa et al., 2002; Gomes e Quirino, 2016), sendo essa consistência predominante em vegetais
com síndromes abióticas (Silva et al., 2013a). A maioria das espécies possuem frutos do tipo
legume e cápsula ambos com sete espécies, conforme evidenciado em outras áreas de Caatinga
(Silva et al., 2013a) e em uma floresta ciliar, no Cerrado (Santos-Filho, 2016). Apesar da maioria
das espécies possuírem esse tipo de fruto, vale ressaltar que a nível de indivíduos há uma
predominância de frutos do tipo esquizocarpo, indicando um maior sucesso de colonização na área
de estudo, por espécies com esse tipo de fruto.
As síndromes de polinização desempenham um papel fundamental na estruturação das
comunidades vegetais (Reis et al., 2012). As diferentes síndromes de polinização presentes na
comunidade arbustivo-arbórea da Serra da Arara podem ser explicadas por diferenças nas condições
ambientais entre os estágios sucessionais da comunidade, as quais promovem variações no nicho
ecológico dos polinizadores (Silva et al, 2012). A predominância da melitofilia como síndrome de
polinização também foi evidenciada em um estudo desenvolvido na Fazenda Almas, também
localizada no Cariri, próximo à área estudada (Quirino; Macchado, 2014). A eficiência de abelhas
como vetores de polinização, está diretamente ligada a seu conjunto de adaptações morfológicas
para obtenção de pólen, o qual garante a esse grupo maiores vantagens em relação a outros grupos
quanto a quantidade de flores visitadas e a velocidade da visita (Mascena, 2011). O grande número
de espécies e indivíduos que possuem abelhas como vetores de polén confere as abelhas papel
preponderante na manutenção da comunidade arbustiva-arbórea (Reis et al., 2012), sendo

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 130


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

necessário que em projetos de manejo da flora sejam integrados a estratégias de conservação da


fauna melífera do semiárido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A expressiva riqueza de espécies presente na região montanhosa analisada, eleva a


importância dessas áreas da Caatinga como refúgios vegetacionais. Ambientes semiáridos possuem
vetores abióticos como principais agentes dispersores de sementes, sendo essa característica melhor
evidenciada quando se analisa a distribuição das síndromes pelos indivíduos, onde é possível
evidenciar o sucesso de colonização que espécies vegetais, pertencentes a esse grupo dispersivo
possui em regiões de Caatinga. As diferentes síndromes de polinização evidenciadas podem ocorrer
devido a variação nos estágios sucessionais presentes ao longo da montanha, os quais oferecem
maior disponibilidade de nicho aos polinizadores. A alta representatividade das abelhas como
vetores de pólen se deve a seu desenvolvido aparato adaptativo, para essa função, e eleva a
importância desse grupo na manutenção das comunidades vegetais do semiárido brasileiro.

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 135


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

FITOSSOCIOLOGIA EM FRAGMENTOS DE MATA DE BREJO DE ALTITUDE,


SERRA DO ESPINHO, PILÕES - PB7

Jenifer Freitas DIAS


Aluna de graduação em Licenciatura Plena em Geografia-UEPB-Campus III
jeniferfreitasd@hotmail.com
Ramon Santos SOUZA
Graduado em Licenciatura Plena em Geografia-UEPB-Campus III
Aluno de mestrado em Geografia-UFPB
ramonssouza93@gmail.com
Joel Maciel Pereira CORDEIRO
Aluno de Doutorado em Agronomia, UFPB
joelmpcordeiro@yahoo.com.br
Profª. Drª. Luciene Vieira de ARRUDA
Professora do departamento de Geografia UEPB-campus III
luciviar@hotmail.com

RESUMO
Os brejos de altitudes no Nordeste são considerados ecossistemas prioritários para a manutenção da
biodiversidade brasileira, porém, existem poucas informações sobre a composição florística
existente nestas regiões, especialmente no estado da Paraíba. Desta forma, o trabalho objetiva
realizar levantamentos fitossociológicos em fragmentos de matas de Brejos de altitude localizados
na Serra do Espinho (Pilões, PB), nas comunidades rurais de Veneza e Titara. Foi empregado o
método dos quadrados, onde foram plotadas duas parcelas (10 × 10m) em fragmentos de mata de
cada comunidade. Todos os indivíduos que apresentarem DAP (diâmetro à altura do peito) ≥ 2cm e
altura ≥ 1,30m foram inclusos. No total, foram amostrados 272 indivíduos e 43 espécies. O índice
de diversidade de Shannon H‘ foi de 2,93, enquanto o índice de equabilidade de Pielou (J‘) foi de
0,85, o que sugere a ocorrência de uma alta uniformidade na relação de indivíduos e números de
espécies na comunidade vegetal.
Palavras-chave: Fitossociologia, Conservação, Brejos de altitude.
ABSTRACT
Brejos de altitude in the Northeast are considered priority ecosystems for the conservation of
Brazilian biodiversity, however, there is little information on the floristic composition in these
regions, especially in the state of Paraíba. The purpose of this research was to make a
phytosociological surveys on fragments of forests of the Brejos de altitude located in Serra do
Espinho (Pilões, PB), in the rural communities of Veneza and Titara. The squares method was used,
where two plots (10 × 10m) were plotted in forest fragments of each community. All plants ≥ 1.5m
high and ≥ 2cm of stem diameter were included. In total, 272 individuals and 43 species were
sampled. The Shannon diversity index (H') was 2.93, while the Pielou equability index (J') was
0.85, which suggests the occurrence of a high uniformity in the relation of individuals and species
numbers in the community vegetable.
Keywords: Phytosociology, Conservation, Brejos de altitude.

7
Orientador Profº Dr° Carlos Antônio Belarmino Alves - Professor do Departamento de Geografia - UEPB- Campus III

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTRODUÇÃO

A Mata Atlântica é um dos principais biomas brasileiros que necessitam de prioridades para
a conservação da fauna e flora. Na região Nordeste estima-se que haja apenas 5% dos
remanescentes originais (ANDRADE et al. 2002). Parte da Mata Atlântica nordestina é composta
pelos Brejos de altitude, que formam ―ilhas‖ de floresta úmida ou ―matas serranas‖ em meio à
vegetação de Caatinga (TABARELLI e SANTOS, 2004).
O estado de conservação dos brejos de altitude é crítico em todo o Nordeste, pois a expansão
da agropecuária, em particular da lavoura da cana-de- açúcar, praticamente devastou aquelas
formações, restando apenas pequenas manchas (LINS e MEDEIROS, 1994). As áreas rurais dos
Brejos de Altitude perpassam atualmente por um processo de crescimento imobiliário, acarretando a
criação de condomínios horizontais e loteamentos privados, ocupando, inclusive, áreas de
preservação permanente (MARQUES et al., 2016).
A substituição da vegetação nativa por sistemas de produção, aliada a coleta seletiva de
plantas e caça aos animais silvestres, contribui para a descaracterização de habitats com a
consequente perda de diversidade biológica (SILVA, 2013). Desse modo, é de fundamental
importância que haja um fortalecimento das políticas públicas para que se faça cumprir as ações que
garantam a preservação e manutenção dos ecossistemas naturais, especialmente dos Brejos de
altitude, que estão entre os mais ameaçados (THEULEN, 2004).
A análise dos componentes estruturais de fragmentos florestais é um recurso útil à pesquisa
ecológica, permitindo qualificar a fitodiversidade e desenvolver estudos biogeográficos (FIEDLER
et al., 2004; MEDEIROS & MIRANDA, 2008). Entre os métodos para se estudar a vegetação, a
fitossociologia aparece entre os mais empregados, pois permite estudar as causas e efeitos da
coabitação de plantas de um determinado ambiente, além do surgimento, constituição e estrutura
dos agrupamentos vegetais, assim como os processos que implicam sua continuidade ou sua
mudança ao longo do tempo (PETER, 1991; MARTINS, 2003). A fitossociologia demonstra ainda
com seus valores paramétricos o nível de conservação ou perturbação antrópica em determinado
fragmento florestal, possibilitando subsidiar estratégias conservacionistas em áreas naturais.
O referente trabalho tem como objetivo realizar um levantamento fitossociológicos em
fragmentos de mata de Brejo de altitude, localizados na Serra do Espinho (Pilões, PB), com o
intuito de conhecer sua composição florística e seus parâmetros estruturais, aliando tais informações
para subsidiar a conservação da flora local.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 137


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

MATERIAL E MÉTODOS

Área amostral - O referente trabalho foi realizado na Serra do Espinho (Pilões-PB), em


fragmentos de mata localizados nas comunidades rurais de Veneza (06°52‘06‖S; 35°35‘48‖W) e
Titara (06°52‘48‖S; 35°35‘15‖W) (Figura 1). A região apresenta altitude entre 500 e 700 metros,
com vales profundos e estreitos-dissecados; a hidrografia pertence ao rio Mamanguape, sendo
composta por rios perenes com pequena vazão, destacando-se o rio Cuitegí como afluente principal;
O clima da região é do tipo As‘ quente e úmido com chuvas de outono-inverno, apresentando
temperatura média de 23°C e precipitações entre 900 e 1200 mm anuais (CPRM, 2005).

Figura 1. Localização geográfica da área amostral, comunidades de Veneza e Titara, Pilões, PB.

Levantamento Fitossociológico - Para o levantamento fitossociológico foi empregado o


método de parcelas (MUELLER-DOMBOIS & ELLENBERG, 1974), onde foram plotadas duas
parcelas (10 × 10m) em fragmentos de mata nas comunidades de Veneza e Titara. Todos os
indivíduos que apresentarem DAP (diâmetro à altura do peito) ≥ 2cm e altura ≥ 1,30m foram
inclusos (ANDRADE et al., 2006; FELFILLI et al., 2011). Para cada espécie amostrada, foram
calculados os parâmetros fitossociológicos de frequência e densidade conforme Mueller-Dombois e
Ellenberg (1974). As espécies foram coletadas e identificadas por meio de chaves de identificações,

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 138


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

literatura especializada e morfologia comparada com exsicatas depositadas em herbários virtuais.


Os espécimes em idades férteis foram coletados e enviados ao herbário Professor Jaime Coelho de
Moraes (EAN) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Campus II, no Centro de Ciências
Agrárias (CCA), Areia-PB.

Figura 2 - Delimitação da parcela na comunidade de Figura 3 - Identificação das espécies na parcela


Titara, Pilões -PB. Fonte: pesquisa de campo, Titara, na comunidade de Pilões - PB. Fonte:
2016/2017 pesquisa de campo, 2016/2017

Figura 4 - Realização da medição do Diâmetro a Figura 5 - Coleta das espécies na parcela, na


Altura do Peito - DAP, na comunidade de Titara, comunidade de Titara, Pilões-PB. Fonte: pesquisa de
Pilões-PB. Fonte: pesquisa de campo, 2016/2017 campo, 2016/2017

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nos fragmentos de mata pesquisados foram amostrados 272 indivíduos e 43 espécies, destas
duas permaneceram indeterminadas (Tabela 1). O índice de diversidade de Shannon H‘ foi de 2,93,
enquanto o índice de equabilidade de Pielou (J‘) foi de 0,85. Entre as espécies, destacam-se pelo
maior número de indivíduos Astronium fraxinifolium (49), Inga ingoides (28), Senegalia polyphylla
(28) e Guazuma ulmifolia (20), compondo juntas 45,95% das espécies registradas.

Tabela 1. Parâmetros fitossociológicos das espécies vegetais encontradas em fragmentos florestais na Serra
do Espinho (Pilões-PB).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Espécies N DA DR FA FR
Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. 49 816,7 17,95 100 8,22
Inga ingoides (Rich.) Wlld. 28 466,7 10,26 33,33 2,74
Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose 28 466,7 10,26 50 4,11
Guazuma ulmifolia Lam. 20 333,3 7,33 66,67 5,48
Lonchocarpus araripensis Benth. 18 300 6,59 50 4,11
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke. 17 283,3 6,23 66,67 5,48
Cordia trichotoma (Vell.) Arrab. ex Steud. 12 200 4,4 33,33 2,74
Cupania revoluta Radlk. 10 166,7 3,66 16,67 1,37
Tabernaemontana cf. catharinensis A.DC. 8 133,3 2,93 33,33 2,74
Miconia albicans (Sw.) Triana 8 133,3 2,93 16,67 1,37
Coccoloba mollis Casar. 7 116,7 2,56 33,33 2,74
Indet. 1 5 83,3 1,83 16,67 1,37
Spondias mombin L. 4 66,7 1,47 16,67 1,37
Manihot carthaginensis subsp. glaziovii (Müll.Arg.) Allem 4 66,7 1,47 16,67 1,37
Amorimia rigida (A.Juss.) W.R.Anderson 4 66,7 1,47 16,67 1,37
Vismia guianensis (Aubl.) Pers. 3 50 1,1 50 4,11
Handroanthus serratifolius (Vahl.) S.O.Grose. 3 50 1,1 16,67 1,37
Talisia esculenta (Cambess.) Radlk. 3 50 1,1 33,33 2,74
Albizia polycephala (Benth.) Killip. ex Record. 3 50 1,1 16,67 1,37
Senna georgica H. S. Irwin & Barneby 3 50 1,1 33,33 2,74
Casearia sylvestris Sw. 3 50 1,1 33,33 2,74
Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose 3 50 1,1 33,33 2,74
Psidium guineense Sw. 3 50 1,1 16,67 1,37
Samanea inopinata (Harms.) Barneby & J. W. Grimes 2 33,3 0,73 33,33 2,74
Genipa americana L. 2 33,3 0,73 33,33 2,74
Psidium guineense Sw. Sw. 2 33,3 0,73 33,33 2,74
Lantana camara L. 2 33,3 0,73 33,33 2,74
Samanea inopinata (Harms.) Barneby & J. W. Grimes. 2 33,3 0,73 16,67 1,37
Strychnos parvifolia A. DC. 2 33,3 0,73 16,67 1,37
Artocarpus heterophyllus Lam. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Crescentia cujete L. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Ziziphus joazeiro Mart. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Guapira hirsuta (Choisy) Lundell. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Cecropia pachystachya Trécul 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Campomanesia aromatica (Aubl.) Griseb. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Handroanthus impetiginosus ( Mart. ex DC.) Mattos 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Fridericia pubescens (L.) L.G.Lohmann 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Mangifera indica L. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Stenocarpus sinuatus (A. Cunn.) Endl. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Casearia hirsuta Sw. 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Cnidoscolus urens (L.) Arthur 1 16,7 0,37 16,67 1,37
Indet. 2 1 16,7 0,37 16,67 1,37

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

O número de espécies (43) é considerado elevado para uma pequena área amostral (200m 2),
característica esta comumente encontrada em áreas de floresta úmida, seja na Mata Atlântica
litorânea (AMAZONAS & BARBOSA, 2011; CAMPOS et al., 2011) ou em brejos de altitudes de
outras regiões do Nordeste brasileiro (ANDRADE et al., 2006; OLIVEIRA et al., 2006). O registro
de espécies como Inga ingoides entre as que apresentam maiores valores de densidade e frequência
também reforça as características de elevada umidade dos Brejos de altitudes, tendo em vista que a
maioria das espécies deste gênero geralmente ocorre em áreas de matas ciliares (ANDRADE et al.,
2006; GOMES et al., 2014).
A espécie Astronium fraxinifolium apresentou maiores valores de frequência e densidade na
área amostral. A espécie consta na lista da flora brasileira ameaçada de extinção, na categoria de
espécie com deficiência de dados (MMA 2008). Isto reforça a importância da manutenção dos
Brejos de altitude para a conservação da biodiversidade brasileira, pois muitas espécies que ocorrem
nesses ambientes ainda são pouco estudadas ou mesmo desconhecidas pela comunidade científica.
Em contrapartida, a ocorrência de espécies exóticas, como Mangifera indica e Artocarpus
heterophyllus na área amostral demonstra certo nível de interferência antrópica na comunidade
vegetal estudada, tendo em vista que estas espécies estão entre as plantas frutíferas mais cultivadas
nas comunidades rurais do Brasil (LORENZI, 2002).
Comparando as espécies registradas na área amostral com levantamentos florísticos
realizados em Areia, município também inserido nos Brejos de altitude na Paraíba (OLIVEIRA et
al., 2006), verifica-se que 24 espécies (55,8%) ocorrem em ambos os ambientes amostrados, além
de valores aproximados nos índices de diversidade de Shannon (H‘) e de equabilidade de Pielou
(J‘), demonstrando que os fragmentos de matas que formam os Brejos de altitude apresentam
significativa similaridade florística.
O registro das espécies vegetais aliado aos parâmetros estruturais da vegetação nos
fragmentos de matas nas comunidades rurais pesquisadas oferece subsídios para a adoção de
estratégias de conservação na região, tendo em vista que muitas das espécies registradas podem ser
empregadas para diversas finalidades pelos moradores locais. Espécies como Guazuma ulmifolia,
Spondias mombin, Manihot carthaginensis, Handroanthus serratifolius, Talisia esculenta, Albizia
polycephala, entre outras, são comumente citadas em estudos que discutem utilizações de plantas
nativas por comunidades rurais, inclusive para fins não madeireiros (SILVA & ANDRADE, 2005;
SOLDATI et al., 2011; SILVA et al., 2014). Desta forma, diversos usos como espécies forrageiras
para rebanho caprino e bovino, plantas medicinais, plantas usadas na apicultura e espécies de valor
ornamental, podem ser obtidos nas matas da região sem que haja a necessidade da extração
madeireira desordenada e derrubada destas plantas.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Além do uso racional dos recursos naturais existentes na região, outras ações, como a
criação de unidades de conservação, a criação de corredores ecológicos entre os fragmentos de
matas remanescentes, e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental junto aos
moradores das comunidades rurais poderiam contribuir para uma maior conservação da diversidade
natural existente na Serra do Espinho, assim como em outras áreas de Brejos de altitude no
Nordeste brasileiro.

CONSIDERAÇOES FINAIS

O levantamento fitossociológico realizado em fragmentos de mata de Brejo de altitude na


Serra do Espinho, município de Pilões, Paraíba permitiu o registro de 273 indivíduos e 43 espécies,
das quais se destacam pelo número de indivíduos e valores estruturais de densidade e frequência
Astronium fraxinifolium, Inga ingoides, Senegalia polyphylla e Guazuma ulmifolia. A composição
florística, de forma geral, se assemelha a outras áreas de Brejos de altitude da Paraíba,
demonstrando certa similaridade florísticas entre estas regiões.
Entre as espécies registradas, Astronium fraxinifolium apresentou-se como importante
indicador ecológico, tendo em vista que a mesma consta na lista da flora brasileira ameaçada de
extinção e foi um dos componentes mais abundantes nos fragmentos pesquisados, demonstrado a
importância dos Brejos de altitude na conservação da biodiversidade brasileira.
Informações da literatura demonstram que a maior parte das espécies registradas pode ser
usada para diversas atividades não madeireiras, como forragem para caprinos e bovinos, plantas
medicinais, plantas usadas na apicultura e espécies de valor ornamental. O uso racional das espécies
vegetais, aliada a criação de unidades de conservação, corredores ecológicos e o desenvolvimento
de atividades voltadas à educação ambiental podem contribuir para a conservação da diversidade
florística existente na Serra do Espinho e de outras áreas de Brejos de altitude no Nordeste
brasileiro.

REFERÊNCIAS

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remanescente de Floresta Atlântica Estacional na microbacia hidrográfica do rio Timbó, João
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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

ESTUDO DO MEIO: CONHECENDO UM REMANESCENTE FLORESTAL


OMBRÓFILO DENSA SUBMONTANA EM ESTÁGIO DE REGENERAÇÃO MÉDIO

Juma Gomes da SILVA


Graduanda no curso de Ciências Biológica-UNEB/Campus II
Jjuma.gomes22@gmail.com
Diele Gonçalves dos SANTOS
Graduanda no curso de Ciências Biológica-UNEB/Campus II
dieliysantos@hotmail.com
Zilvânia Martins de OLIVEIRA
Graduanda no curso de Ciências Biológica-UNEB/Campus II
zmosyagrus@gmail.com
Edilma Nunes de JESUS
Doutoranda Universidade Federal de Sergipe
edilmanunes@hotmail.com

RESUMO
Estudo do meio faz-se de extrema relevância para compreensão da dinâmica ambiental de diferentes
ecossistemas, promovendo uma concepção da influência mútua existente no meio, vinculando de
forma sistemática a teoria com a prática. Estudo do meio tornaram-se importantes ferramentas
associadas ao ensino de Ciências e Biologia. Nesse sentido, os Diretores da Verde Empresa Jr. de
Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia- Campus II- Departamento de Ciências
Exatas e da Terra de Alagoinhas, com uma parceria com o Campus II, promoveram uma vivência
de uma turma de 4º semestre do Curso Técnico de Meio Ambiente da Escola Estadual Polivalente,
com a vegetação situada no referido Campus. Com esta atividade buscou-se incentivar os discentes
a desenvolverem habilidades como observação, analise e reflexão. Assim o objetivo do trabalho foi
de promover a vivência e análise dos aspectos ecológicos de uma mata, por meio da técnica de
estudo do meio. A trilha foi percorrida com 30 alunos e as professoras de biologia da escola
visitante, analisando e discutindo os aspectos ecológicos encontrados no percurso, associando as
aulas teóricas com a observação. Foi possível observar a grande diversidade vegetal da área,
apresentando espécies de portes variados desde ervas a árvores com até 30m de altura. Foram
avaliadas características vegetais como: folhas, flores, frutos e odores das famílias locais, entre elas
Fabaceae, Rubiaceae, Asteraceae, Melastomataceae, Bignoniaceae entre outras. Além disso,
realizou-se uma a reflexão acerca da importância da conservação vegetacional que serve de abrigo
para uma diversidade de artrópodes, aves, répteis e anfíbios. Concluímos que o estudo do meio
contextualizado proporciona uma rica aprendizagem, promovendo o desenvolvimento intelectual e
social dos discentes, sensibilizando-os para o desenvolvimento de uma consciência ambiental.
Palavras-Chave: Ecologia; Botânica; Mata atlântica; Educação Ambiental.
ABSTRACT
The study of the environment is of extreme relevance for understanding the environmental
dynamics of different ecosystems, promoting a conception of mutual influence in the environment,
systematically linking theory with practice. Study of the environment have become important tools
associated with teaching science and biology. In this sense, the Directors of the Green Enterprise Jr.
of Biological Sciences of the State University of Bahia - Campus II - Department of Exact Sciences
and Land of Alagoinhas, in partnership with Campus II, promoted an experience of a group of 4th

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

semester of the Environmental Technical Course of the State Polyvalent School, with the vegetation
located in said Campus. With this activity, the aim was to encourage students to develop skills such
as observation, analysis and reflection. Thus the objective of the work was to promote the
experience and analysis of the ecological aspects of a forest, through the medium study technique.
The trail was traversed with 30 students and the biology teachers of the visiting school, analyzing
and discussing the ecological aspects found in the course, associating the theoretical classes with
the observation. It was possible to observe the great vegetal diversity of the area, presenting species
of sizes ranging from herbs to trees up to 30m in height. Plant characteristics such as leaves,
flowers, fruits and odors of local families were evaluated, among them Fabaceae, Rubiaceae,
Asteraceae, Melastomataceae, Bignoniaceae and others. In addition, a reflection was made on the
importance of vegetation conservation that shelters a diversity of arthropods, birds, reptiles and
amphibians. We conclude that the study of the contextualised environment provides a rich learning,
promoting the intellectual and social development of the students, sensitizing them to the
development of an environmental conscience.
Key-words: Ecology; Botany; Atlantic forest; environmental education

INTRODUÇÃO

O trabalho de campo através do estudo do meio se apresenta como peça fundamental no


ensino.Neste contexto, a aula de campo para ensino técnico foi fundamental para o estudante
vivenciar as práticas elencada em sala, transcendendo as teorias na formulação de novos
conhecimentos e técnicas.
Para Bazarra et al. (2006, p.88) (...) ―a educação precisa universalizar a pessoa, colocá-la em
contato com a complexidade, os mistérios e os encantos do mundo que habitamos‖. Visivelmente
atividades complementares como observação, experimentação e campo são recursos pedagógicos
no ensino de Biologia, que dinamizam e motivam, facilitando a associação da realidade entre teoria
e prática, importantes na análise do conhecimento.
Nesse contexto Freire (1996) ressalta que conteúdos cuja compreensão, tão clara e tão lúcida
quanto possível, deve ser planejada com uma prática formadora. É preciso, desde o princípio
assumir o estudante como sujeito importante na produção do saber, e viabilizar definitivamente o
fato que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a
sua construção.
A atividade de campo pode constituir uma excelente alternativa metodológica que permite
explorar múltiplas possibilidades de aprendizagem dos alunos, desde que bem planejada e elaborada
(VIVEIRO E DINIZ, 2009, p. 27). As observações dos fenômenos naturais fortalecem o processo
de ensino e aprendizagem em Ciências e principalmente em Biologia, uma vez que, motivam os
estudantes a serem críticos e criativos em relação ao aprendizado acerca dos fenômenos naturais
(SILVA, et al. 2016, p. 5660).
Compreendendo assim, o Estudo do Meio como um método de ensino interdisciplinar que
visa proporcionar para alunos e professores contato direto com uma determinada realidade, um

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

meio qualquer natural ou urbano, que se decida estudar. Concretizada pela imersão orientada na
complexidade de um determinado espaço geográfico, do estabelecimento de um diálogo inteligente
com o mundo, com o intuito de verificar e de produzir novos conhecimentos (LOPES e
PONTUSCHKA, 2009).
Ressalvando ainda o fato, que atualmente só se preserva e conserva aquilo que conhecemos
e conhecer a biodiversidade e a sua importância para a manutenção dos ecossistemas terrestres é
fundamental para gerenciar políticas públicas futuras, de preservação e conservação das espécies
(SILVA, et al.2016, p. 5660). Para tal, os futuros profissionais da área ambiental, necessitam
conhecer as áreas que precisam ser conservadas em seu município, partido do histórico de
degradação da Floresta Atlântica, é indispensável orientar e divulgar quanto aos riscos e problemas
que esta foi e está submetida ao longo da história do Brasil.
Na atualidade, as florestas do Brasil sofreram mudanças que geraram alterações nos
processos ecológicos. Quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil, em 1500, a Mata
Atlântica cobria aproximadamente 15% do território brasileiro, área equivalente a 1.306.421 km2,
ainda segundo o último levantamento divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, (2013), o
percentual de remanescentes bem conservados, é de apenas 8,5%. Deste modo, compreender os
processos ecológicos associados ao histórico de degradação ambiental ao longo do tempo,
possibilita ao aluno abarcar novas ideias e teoria que somem na investigação e criação de técnicas
inovadoras para viabilizar a preservação das florestas.
O estudo ecológico de campo vem proporcionar a observação do ambiente natural, onde as
informações obtidas são analisadas de acordo com o conhecimento prévio adquirido em sala de aula
(FERREIRA E PASA, 2015). Para Cirino et al. (2009) espera-se que o aluno vá além, onde as
transformações das mentalidades exigem diálogo, dúvidas, questionamentos e principalmente o
auto-questionamento, aonde o aluno vai se perguntar o quê é, e como ocorrem os processos e
transformação do espaço em que vive.
Na Universidade do Estado da Bahia/Campus II, situada em Alagoinhas-Bahia, apresenta-se
uma considerável cobertura de vegetação remanescente no domínio da Floresta Ombrófilo Densa
Submontana em estágio de regeneração médio, área de refúgio e abrigo biológico. Essa área
abrange pesquisas diversas no campo da biologia pelos graduandos do curso de Licenciatura em
Ciências Biológicas ofertada pela universidade e, devido à sua importância esta área foi selecionada
para a atividade de campo.
Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo promover a vivência e análise dos
aspectos ecológicos de uma mata, por meio da técnica de estudo do meio caracterizada como
remanescente no domínio da Floresta Ombrófilo Densa Submontana em estágio de regeneração
médio. A partir desta atividade, foi possível observar a grande diversidade vegetal presente na área;

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

visualizar os métodos e técnicas utilizados em pesquisas botânicas; ponderar sobre a ecologia local;
vivenciar e analisar os aspectos ecológicos desse ambiente, como por exemplo, a interação entre os
seres vivos.

METODOLOGIA

O agendamento da aula de campo ocorreu a partir da necessidade de praticar os conceitos


trabalhados em sala de aula, com isso os professores de biologia da Escola Estadual Polivalente de
Alagoinhas, solicitaram a Diretora do Departamento um passeio ecológico pelo Campus, e os
integrantes da Diretoria da Verde Empresa Jr. de Ciências Biológicas da Universidade do Estado da
Bahia- Campus II- Departamento de Ciências Exatas e da Terra de Alagoinhas, se disponibilizaram
para realizar turnê em conjunto com os professores e alunos da escola.

Figura: Área de estudo de campo.


(A) Mapa de localização da cidade de Alagoinhas e
(B) o Complexo da Universidade do Estado da Bahia, Campus II.

Fonte: Google Earth, (2016).

Para isso anterior a data marcada, demarcamos o percurso do passeio, sinalizando com fitas
vermelhas os locais que seriam visitados. Visando a segurança dos visitantes. O passeio ecológico
ocorreu no dia 26 de setembro de 2016, encontramos a delegação às 7h da manhã e verificamos os
requisitos que havíamos repassado para os professores, quanto às roupas leves e confortáveis
prioritariamente calça e blusas ou camisas de marga longa, sapatos preferencialmente tênis ou
botas, utilização de bonés ou chapéu devido à exposição ao sol, utilização de protetores solares e
repelentes devido à grande quantidade de insetos na área, salientamos também quanto a não
utilização de perfumes e desodorantes, pois muitos insetos são atraídos a partir desses odores,
evitando assim ataques desses pequenos animais.
Com todas as informações complementares repassadas, nos apresentamos para a turma e
prosseguimos para os estornos da mata, onde apresentamos algumas das espécies da borda. Em

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

muitas literaturas torna-se consenso que espécies de bordas de fragmentos possuem composição de
espécies diferente do interior (BROTHERS & SPINGARN, 1992; FRAVER, 1994; MATLACK,
1994). Conceituamos e exemplificamos bordas de um fragmento para a delegação.
Continuamos nosso passeio analisando a fauna e flora do remanescente para instigar alunos
a analisarem as interações bióticas ocorrentes no meio, como adaptabilidade para captação de
alimentos ou apenas abrigo, além da fauna que possibilitar a dispersão de sementes, garantindo a
propagação de determinadas espécies vegetais.
Em campo explicamos as principais formas de identificação de algumas famílias botânicas,
indicando as características marcantes de cada grupo como tipo e coloração das folhas, tipos de
flores e inflorescência, salientando que para analisar as flores é necessário levar o material botânico
para laboratório e avaliar com a ajudar de microscópio óptico, além desses caracteres é de grande
importância verificar se a planta possui algum odor. Evidenciando os métodos e técnicas para coleta
do material botânico, herborização e identificação.
No decorrer do percurso podemos visualizar e discutir sobre uma pesquisa de campo
relacionado à fitossociologia, pesquisa de uma aluna do curso de Ciências Biológica do Campus II,
onde questionamos sobre o processo e procedimentos da pesquisa, como delimitação da área,
plaqueteamento das espécies e importância dessas pesquisas para comunidade. Finalizamos o
passeio ecológico, visitando o laboratório de Zoologia (Museu) da Universidade, onde foi possível a
observação das coleções biológicas de insetos presentes no Campus, além de visualizar algumas
espécies marinhas conservadas.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A atividade em campo teve a duração de 4 horas, iniciando às 7 horas e completamos o


percurso às 11 horas. Com os discentes devidamente equipados adentramos a mata e iniciamos as
observações, orientamos os mesmos a indicarem o que lhes chamavam atenção, para partilhamos,
discutir, analisar e conceituar os questionamentos apontados.
Em primeiro momento denominamos a mata expondo suas características, esta foi
caracterizada como Florestas Ombrófila Densa pela presença de árvores de grandes e médios portes,
além de lianas (cipós) e epífitas em abundância. Estende-se pela costa litorânea desde o Nordeste
até o extremo Sul. Sua ocorrência está ligada ao clima tropical quente e úmido, sem período seco,
com chuvas bem distribuídas durante o ano (MATA ATLÂNTICA, 2010).
Prosseguindo, falamos sobre a degradação da Floresta Atlântica, relacionando alguns
conceitos como fragmento, corredores ecológicos, efeito de bordas, perda da biodiversidade.
Instigamos os alunos a conceituar degradação ambiental, e eles apontaram que seria a perda de
espécies de animais e vegetal devido à caça, e derrubada de árvores, a fim de gera renda. Com isso

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 149


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

complementamos as respostas enfatizando que ―degradação das florestas refere-se às modificações


impostas pela sociedade aos ecossistemas naturais, alterando as suas características físicas,
químicas e biológicas, comprometendo, assim, a qualidade de vida dos componentes bióticos‖
(RESERVA DA BIOSFERA DA MATA ATLÂNTICA, 2000).
A degradação das florestas acorrenta em uma serie de problemas, que dificultam a
estabilidade do ambiental entre eles destacamos o empobrecimento dos solos, assoreamento de rios
e reservatórios, fragmentação dos ecossistemas e perda da diversidade biológica. Caso que está
acontecendo a Floresta Atlântica. E é a Floresta na qual estávamos explorando corresponde a um
fragmento do todo da Floresta Atlântica.
Analisamos as características das espécies de borda (figura 2), onde os discentes apontaram
que as espécies de bordas eram menores que as do interior do fragmento, explicamos que as bordas
estão mais perceptíveis as ações antrópicas e biológicas, por estarem expostas. ―As bordas de um
fragmento são comumente distintas ecologicamente do interior do fragmento, e os padrões
ecológicos mudam próximos ás bordas, assim como a dinâmica no nível da paisagem, e os impactos
na fragmentação‖ (FAHRIG, 2003). Enfatizando que apesar dessa influencia e diferenças entre as
populações de bordas e interior, os organismos da comunidade interagem ente si exercendo
influencias recíprocas garantindo a estabilidade do fragmento.

Figura 2: Trilha percorrida pelos os alunos no complexo da UNEB, Campus II.

Fonte: Silva, (2016).

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 150


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Exemplificou-se como ocorre a coleta para trabalhos botânicos, para isso mostramos aos
discentes os materiais que usamos durante as coletas entre eles: Prensas provisórias de trabalho com
base de madeira junto com papelão, jornal e cordas para amarração das prensas, ficha de campo
para anotações, sacos plásticos grandes para guardar o material coletado; aparelho de GPS e
máquina fotográfica para o registro, etc.
Quanto às técnicas explicamos que devemos seguir algumas regras para garantir a
viabilidade do material coletado durante a identificação, bem como possibilitando a identificação
segura. Para isso alertamos sobre a contratação de mateiros para compor a equipe de campo, pois,
estas pessoas conhecem a localidade e dominam os nomes populares das espécies. Alertou-se
também que é necessário coletar no mínimo três exemplares de cada espécie observada. O material
botânico deve ser fértil contendo folhas, flores, frutos, dependendo do organismo coletado. Feito
isso todo material coletado será levado pra laboratório para o processo de herborização. A coleta e
herborização são realizadas conforme as técnicas usuais em botânica citadas por Fidalgo & Bononi
(1984).
No laboratório as prensas de madeira são encaminhadas às estufas para secagem através do
calor, para preservar as estruturas vegetais, prosseguindo com a produção de exsicatas de forma que
o ―material seco será fixado em papel cartolina ou similar com dimensões padronizadas pela
instituição‖ (Rotta et al. 2008, p26). Foram avaliadas características vegetais como: folhas, flores,
frutos e odores das famílias locais, entre elas Fabaceae, Rubiaceae, Asteraceae, Melastomataceae,
Bignoniaceae. Características essas que facilitam a identificação das famílias para um bom
pesquisador.
Visitando uma área experimental de Fitossociologia (figura 3) elucidada pela graduanda
Zilvania Martins de Oliveira, onde a mesma discorreu sobre os métodos utilizados na sua pesquisa,
a demarcação de 17 parcelas de 10 x 10, de modo que as plantas do interior das parcelas com DAP
(diâmetro da altura peito) =/> 1.30, foram plaqueteadas e conferindo parâmetros como
circunferência, altura e coletado material botânico e anotado informações importantes em uma ficha
de campo. Levantamento esse essencial para análise da diversidade florística local.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 151


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 3: Área da fitossociologia e a amostra das árvores plaqueteadas.

Fonte: Silva, (2016).

No Museu da universidade, os alunos conheceram alguns insetos da fauna local, entre eles
formigas, escorpiões, besouros, borboletas entre outros. Coletados durante pesquisas zoológicas no
Campus II. Além de visualizar algumas espécies marinhas conservadas no laboratório advindas de
pesquisas fora da Universidade em outras regiões baiana.

Figura 4: laboratório de Zoologia na Universidade do Estado da Bahia, Campus II, Alagoinhas.

Fonte: Silva, (2016).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Segundo Hodson, (1992) atividades que possibilitam os estudantes a utilizam os processos e


métodos da Ciência na investigação de fenômenos, resolvendo problemáticas como meio de
acrescentar e desenvolver seus conhecimentos, e fomentam elemento poderoso para o currículo. E o
método de investigação torna-se eficaz para aprender ciência como para aprender sobre as ciências.

CONCLUSÃO

O ensino de Ciências e Biologia necessitam de complementos como experimentos,


dinâmicas, observação, e aulas de campo, que comprovem a aplicabilidade deste componente
curricular no dia a dia do alunado. Precisamente comprovando as teorias, métodos e técnicas
repassados em sala de aula, além de tornar prazeroso tal aprendizado, concretiza-se com
experimentação, propiciando ao pesquisador/discentes/Professor apreciar o desenvolver da
ampliação de novos conhecimentos.
Há necessidade de deslumbrar os discentes, apresentando para os mesmo o nosso laboratório
vivo, aprendendo os conceitos ecológicos essenciais para carreira de um técnico em meio ambiente,
viabilizado o mantra ―É preciso conhecer para preservar.‖ Principalmente a Floresta Atlântica que é
o nicho de muitas espécies que precisam ser preservadas, e para isso é fundamental fomentar
projetos de educação ambiental nas escolas.
Além disso, a conservação de matas e florestas perpassa pela sensibilização humana e, as
atividades de estudo do meio possibilitam que espaços-não-formais de ensino promovam este
processo, o que contribui diretamente para a formação de estudantes, principalmente na área
ambiental.
Logo, conclui-se que técnicos em meio ambiente precisam familiarizar-se com seu ambiente
de trabalho matas, florestas, campos, ecossistemas diversos, como meio de explorar os
conhecimentos e métodos elencados em aulas discursivas, tornado de grande importância a prática
(práxis) no desenvolvimento profissional desses discentes.

REFERÊNCIA

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de mudança. São Paulo: Paulinas, 2006.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

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FRAVER, S. Vegetation responses along edgeto-interior gradients in the Mixed hardwood Forests
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro:
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- Bibliografia Eletrônica:

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 154


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2013/06/04/restam-85-da-
vegetacao-original-da-mata-atlantica-diz-levantamento.htm

www.sosma.org.br

www.inpe.br

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 155


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DIVERSIDADE DA FLORÍSTICA DO SÍTIO FUNDÃO


E DA FLONA DO ARARIPE- APODI/CE

Lidiane Marinho TEIXEIRA


Graduanda do Curso de Engenharia Ambiental do IFCE- Campus Juazeiro do Norte
lidy.mt@outlook.com
Girlaine Souza da Silva ALENCAR
Profa. Dra. Orientadora e Titular em Ciências Ambientais do IFCE-Campus Juazeiro do Norte
girlainealencar@gmail.com
Hugo Hermógenes de ALENCAR
Prof. Dr. Orientador e Titular em Ciências Agrárias do IFCE- Campus Juazeiro do Norte
hugohermogenes@gmail.com

RESUMO
O estudo da diversidade biológica torna-se importante para a conservação das espécies e dos seus
recursos. A Floresta Nacional (FLONA) do Araripe-Apodi localiza-se no Sul do Ceará e é
reconhecida por fazer a manutenção do equilíbrio hidrológico, climático e ecológico regional. O
Parque Estadual Sítio Fundão está localizado na cidade do Crato, é uma das reservas ecológicas
mais importantes da região do Cariri, pois abriga Geossítio Batateiras. O objetivo desta pesquisa foi
comparar a diversidade biológica de duas parcela intencional, uma do Parque Estadual Sitio Fundão
e outra da FLONA do Araripe-Apodi que sofreram diferentes interferências antrópicas. Para isto,
foi realizado o levantamento arbóreo-arbustivo de uma parcela de 200m2, considerando apenas
plantas vivas com altura ≥ 1m, sendo classificadas como arbustos espécies com altura ≤ 2 m e como
árvores espécies com altura > 2 m. No Sitio Fundão (Parcela 1), foram identificados 171 indivíduos,
sendo que 64,33% arbustos e 35,68% árvores, com densidade absoluta estimada em 8.55 ind-1ha.
Na parcela 2 localizada na FLONA foram identificados 345 indivíduos, sendo 58,26 % composto
por árvores e 41,74 % por arbustos, com densidade absoluta estimada em 17.250 ind-1ha. A parcela
1 apresentou média diversidade biológica de espécies vegetais, segundo o índice de Shannon-
Wiener, supõe-se que isto ocorre, pois o parque está localizado próximo a zona urbana. Na parcela
2 apresentou um valor baixo de diversidade biológica, acredita-se que este fato ocorre, pois a
FLONA está localizada próximo a uma rodovia estadual e próximo ao acampamento de coletores de
pequi (Caryocar brasiliensis).
Palavras-chaves: Diversidade biológica, Levantamento florístico, Parcela internacional
ABSTRACT
The study of the biological diversity gets important for the conservating of the species and its
resources. The national forest of Araripe-Apodi (FLONA) is located in the south of Ceara and is
known for making the maintenance of the hydrological, climatic and regional balance. The state
park Sítio Fundão is located in the city of Crato. It's one of the more important ecological reserves
of the Cariri's region, because it houses the Batareira's geosite. This research's objective is
comparing the biological diversity of two international portions, the first one of the state park Sítio
Fundão and the other one the "FLONA"(national forest) of Araripe-Apodi that suffered different
anthropic interferences. For doing so, was realized the surveys of tree and shrub in a portion of
200m², considering just living-trees with a height of more than 1m, being classified as shrubs, only
the species with more than 2m and the trees was considered only those with more than 2m. In the
Fundão site (Portion 1), were identified 171 individuals, of which 64,33% are shrubs and 35,68%
are trees, with absolute density estimated in 8.55 ind-1ha. In the 2nd portion located in the national
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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

forest were identified 345 individuals, of which 58,26% are composed of trees and 41,74% from
shrubs, with absolute density estimated in 17.250 ind-1ha. The first portion presented median
biological diversity in what is related to vegetable species, according to the Shannon-Wiener index,
it's supposed it happens because the park is located next to the urban area. The second parcel
presented a low value of biological diversity, it is believed that it occurs because the national florest
is located next to the state highway and next to the acampment of pequi collectors (Caryocar
brasiliensis).
Keyword: Biological diversity; floristic survey; international portion.

INTRODUÇÃO

O conhecimento da composição estrutural e florística das populações de espécies arbustivo-


arbóreas é fundamental para a adoção de estratégias de manejo e conservação de remanescentes
florestais e de restauração de áreas degradadas com chances de grande sucesso para a recuperação
(MARTINS et al., 2007).
Sampaio et al., (2011), afirmam que o conhecimento fitossociológico de comunidades
vegetais nativas em diversos níveis de intervenção antrópica são necessárias para entender a
diversidade do ecossistema como um todo, pois fornece uma visão básica sobre a composição
arbórea-arbustiva dos ecossistemas, bem como os parâmetros estruturais como dominância,
densidade e frequência.
Estudos como este, fornecem informações do conhecimento florístico de determinada
vegetação e também informações complementares sobre as espécies mais importantes e/ou
representativas das comunidades florísticas (BRAUN-BLANQUET, 1950).
A Floresta Nacional (FLONA) do Araripe-Apodi foi criada em 1946. Localizada no extremo
Sul do estado do Ceará, nas coordenadas 07º 11‘ 42‖ e 07º 28‘ 38‖ Sul e 39º 13‘ 28‖ e 39º 36‘ 33‖
Oeste, abrange os municípios de Barbalha, Crato, Jardim e Santana do Cariri, possui uma área de
39.333 ha. De acordo com Toniolo e Kazmierczak (1998) possui quatro diferentes formações: Mata
Úmida, Cerradão, Carrasco e Cerrado.
O Parque Estadual Sítio Fundão é uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral
do Estado do Ceará, criada pelo Decreto Estadual n° 29179 de 08 de fevereiro de 2008 (SEMACE,
2014). Localiza-se nas coordenadas 07°14' 03‖ Sul e 39°24'34‖ Oeste, no sopé da Chapada do
Araripe, com área de 93,54 ha. Possui diferentes tipos de coberturas vegetais: Mata Ciliar, Caatinga
Hiperxerófita e Áreas Antropizadas (LIMA, 2003).
Tendo em vista a importância do estudo da vegetação nativa para a manutenção e
conservação das espécies e dos seus recursos, a presente pesquisa teve como objetivo comparar a
diversidade biológica de duas parcela intencional, uma do Parque Estadual Sitio Fundão, Crato - CE

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

e a outra um fragmento de Cerradão da FLONA do Araripe-Apodi que sofreram diferentes


interferências antrópicas.

METODOLOGIA

Caracterização da Área De Estudo

Foram analisados, duas parcelas intencionais, a Parcela 1 localiza-se no município do Crato


- CE, nas coordenadas 07°13' 56,1‖ Sul e 039°26'15,3‖ Oeste (Figura 1). O clima predominante é
do tipo AW tropical chuvoso, segundo a classificação Koeppen, com precipitação pluviométrica
anual de 800 a 900mm (OLIVEIRA, 2009), o solo é arenoso com horizontes O, A, B e C, e em
pontos mais baixos, os solos aluviais são arenosos com presença de matéria orgânica oriunda das
áreas de maior latitude (LIMA, 2003).

Figura 1: Localização do Parque Estadual Sitio Fundão


Fonte: Autor,2017.

A Parcela 2 localiza-se nas coordenadas 07º 27‘ 07,3‖ Sul e 39º 19‘ 52,4‖ Oeste (Figura 2), a
892 m de altitude, a 2 km de um acampamento de coletores de Pequi (Caryocar brasiliensis) as
margens da rodovia CE 040.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 2: FLONA do Araripe/Apodi com localização e vegetação da parcela em estudo..


Fonte: SANTOS, 2012

O clima predominante na área pesquisada é o tropical quente subúmido (classificação de


Koepen), os solos são bem desenvolvidos e a classe dominante é a dos Latossolos com
predominância dos Amarelos Distróficos (EMBRAPA, 2006). A precipitação média anual é de
1.061 mm, a temperatura média é de aproximadamente 25°C (SRH/CE, 2011) e a umidade relativa
do ar varia entre 32 e 92% (LOPES; SILVA, 1998).

Coleta de Dados

As áreas foram georeferenciadas utilizando-se o GPS Garmin modelo eTrex Vista H. Para o
levantamento arbóreo e arbustivo, foram alocadas vinte parcelas de 1m², totalizando 200m², com
dimensões de 10 x 20m, em cada parcela. Consideraram-se apenas árvores vivas com altura ≥1m.
Os parâmetros coletados foram: Diâmetro a Altura do Solo (DAS) a 3,0 cm, de acordo com a
metodologia de RODAL et al., (1992), Diâmetro a Altura do Peito (DAP) a 1,30 m, o Diâmetro da
Copa (DC) e altura de planta (H), apenas dos arbustos.
Posteriormente as árvores e arbustos foram etiquetados e identificados pelo nome popular,
identificadas por um nativo da região. Para calcular a diversidade de Shannon-Wiener (H‘),
utilizou-se o software DivEs.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Os dados coletados foram direcionados ao Laboratório de Estudos Ecológicos (LEECO) do


Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará – Campus Juazeiro do
Norte, onde foram tabulados.

RESULTADOS

Na parcela 1 foram identificados 171 indivíduos vivos, sendo que 64,33% arbustos e
35,68% árvores (Figura 3). A densidade absoluta foi estimada em 8.55 ind-1ha. Nesta
parcela 19 indivíduos adultos mortos foram registrados, evidenciando intervenção
antrópica na área nas últimas décadas.

Legenda: Arbusto; Árvores


Figura 3: Croqui com o levantamento arbóreo e arbustivo da parcela do Sitio Fundão

Em relação aos parâmetros coletadas, os arbustos (Ab) apresentaram uma altura média (H)
de 1,15m, diâmetro a altura do solo (DAS) 9,00mm, diâmetro a altura do peito (DAP) 4,2mm e o
diâmetro de copa (DC) 1,42m. Quanto às árvores (Ar) o DAS e o DAP em média, foram maiores do
que os dos arbustos, como esperado. Sendo 8,8cm de DAP e 11,5cm de DAS.
Na parcela 2 foram identificados 345 indivíduos, sendo 58,26 % composto por árvores e
41,74 % por arbustos (Figura 4), com densidade absoluta estimada em 17.250 ind-1ha.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Legenda: Arbusto; Árvores


Figura 4: Croqui com o levantamento arbóreo e arbustivo da parcela da FLONA DO ARARIPE- APODI/CE

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A área estudada do Parque Estadual Sítio Fundão apresentou média diversidade biológica de
espécies vegetais, segundo o índice de Shannon-Wiener, supõe-se que isto ocorre devido ao parque
localizar-se na Zona Urbana da cidade. Por haver predominância de arbustos esta área encontra-se
em fase de sucessão ecológica.
A Floresta Nacional do Araripe-Apodi apresentou baixa diversidade biológica de espécies
vegetais, acredita-se que este fato ocorre, pois próximo a FLONA localiza-se às margens da
Rodovia Estadual O40 e próximo ao acampamento dos coletores de Pequi (Caryocar brasiliensis).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

DIVERSIDADE DE SAMAMBAIAS DA FONTE DAS GUARIBAS, CAMPO ALEGRE,


MUNICÍPIO DE CRATO, CEARÁ

Matheus Pereira da SILVA


Graduando em Ciências Biológicas da URCA
Matheuspereira1836@hotmail.com
Elaine Cristina Conceição de OLIVEIRA
Professora mestre do Curso de Ciências Biológicas da URCA
elainecryca@hotmail.com
Eliete Lima de Paula ZÁRATE
Professora Associada Doutora do Curso de Ciências Biológicas da UFPB
lilazarat@hotmail.com
Sírleis Lacerda RODRIGUES
Professora Doutora do Curso de Ciências Biológicas da URCA
sirleisrl@gmail.com

RESUMO
O presente trabalho teve por objetivo realizar um levantamento florístico das samambaias da Fonte
das Guaribas, localizada no distrito de Campo Alegre, município de Crato, Ceará. Foram realizadas
coletas mensais no período de novembro/2015 a novembro/2016. A flora da referida Fonte esteve
representada por oito espécies de samambaias, distribuídas em seis famílias e seis gêneros. As
famílias registradas como mais representativas foram Cyatheaceae e Polypodiaceae, ambas com
duas espécies e os gêneros mais representativos foram Cyathea e Polypodium, ambos com duas
espécies também. O baixo número de espécies de samambaias pode ser atribuído ao grande
desmatamento da área, com a consequente fragmentação de habitats e exposição do solo à luz solar.
Por necessitarem de ambientes sombreados e úmidos, as samambaias são sensíveis a qualquer
desmatamento. Assim, mediante os dados de baixa diversidade registrados, sugere-se que haja uma
maior fiscalização e monitoramento das matas da Chapada do Araripe e que se promova uma
campanha de educação ambiental para conscientizar a comunidade local sobre a importância de
conservar esses ambientes.
Palavras-chave: Pteridófitas, Mata Úmida, Chapada do Araripe
ABSTRACT
The present study aimed to carry out a florístic survey of the ferns of the Guaribas Fontain, located
in Campo Alegre district, Municipality of Crato, Ceará. Monthly collections were carried out during
the period from november 2015 to november 2016. The flora of the Fountain of the Guaribas was
representated by eight species, distributed in six families and six genera. The most representative
families were Cyatheaceae and Polypodiaceae, both with two species and the most representative
genera were Cyathea and Polypodium, both with two species too. The low number of species of
ferns can be attributed to the great deforestation of the area, with the consequent fragmentation of
habitats and exposure of the soil to sunlight. Ferns are sensitive to any deforestation, because they
require shaded and humid environments. Thus, it is suggested that there is a greater control and
monitoring of the forests of the Araripe plateau and that an environmental education campaign is
promoted to raise awareness in the local community about the importance of conserving the
Chapada do Araripe.
Key words: Pteridophytes, fountain of the Guaribas, Campo Alegre

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 163


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTRODUÇÃO

As plantas vasculares sem sementes são plantas que apresentam uma marcante alternância
de gerações com uma fase gametofítica, haploide (n), efêmera, de tamanho pequeno e que não
possui tecido vascular para condução de água e nutrientes; e uma fase esporofítica, que é mais
conspícua, perene, de porte maior, diploide (2n) e dotada de tecido vascular, formando assim raízes,
caules e folhas (PRADO & SILVESTRE, 2010).
Essas plantas foram durante muito tempo agrupadas sob o nome de pteridófitas, porém, de
acordo com estudos moleculares recentes, estão incluídas em duas divisões: Monilophyta e
Lycophyta (PRYER et al., 2001; PRYER et al., 2004; SMITH et al., 2006; SMITH et al., 2008).
Essas duas divisões juntas compreendem cerca de 13.600 espécies, com 3.500 destas encontradas na
América do Sul (MORAN, 2008), e 1.325 registradas para a flora brasileira (LISTA DE ESPÉCIES
DA FLORA DO BRASIL, 2017).
Esses grupos podem ser encontrados em vários ambientes, desde desertos até florestas
tropicais (ZUQUIM et al., 2008), entretanto, é nas florestas úmidas que são mais comuns por causa
das condições de umidade e sombreamento que esses habitats propiciam, e que assim favorecem a
diversidade e abundância desse grupo de plantas (SENNA & WAECHTER, 1997; XAVIER &
BARROS, 2005).
De acordo com Paula et al. (2007), o grupo das monilófitas, ou samambaias, junto com as
licófitas, desempenham um importante papel na manutenção da umidade no interior da floresta, e
dentre outras importâncias, são utilizadas no controle da erosão do solo, algumas espécies são
utilizadas como alimento e/ou para fins medicinais, como para tratamento de verminose,
reumatismo ou úlceras. Bem como para fins ornamentais, tanto vivas como secas.
No estado do Ceará, ainda são poucos os estudos encontrados sobre esses dois grupos, sendo
estes concentrados apenas em monografias e teses de doutorado (LOPES, 2000; ALVES, 2002;
PAULA-ZÁRATE, 2004; BRITO, 2013). Dessa forma, o objetivo desse trabalho foi realizar um
levantamento florístico das espécies de samambaias da Fonte das Guaribas, uma importante área de
mata úmida inserida no município de Crato, e assim contribuir para o conhecimento da diversidade
desses vegetais na região do Cariri, Sul do Ceará.

MATERIAL E MÉTODOS

Local de Estudo

A Fonte das Guaribas (Figura 1), é uma zona de mata úmida inserida na Chapada do Araripe
e localizada no distrito de Campo Alegre, município de Crato – CE. Situada a 74,7 km do centro do
município, entre as coordenadas S 07º13‘11.7‖ e W 039º28‘22.4‖ e com uma altitude de 679 m.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A área vem sofrendo grande desmatamento, além de suas fontes serem utilizadas pelos
moradores para lavagem de roupas, contaminando assim, com sabão e outros produtos, as águas da
localidade também.

Figura 1 – Entrada da mata da Fonte das Guaribas, distrito de Campo Alegre, Crato - Ceará.

Coleta, Herborização e Identificação

Foram realizadas coletas mensais na Fonte das Guaribas durante o período de


novembro/2015 a novembro/2016, sendo o material biológico herborizado de acordo com
metodologia estabelecida por Windisch (1992), com testemunhos depositados no Herbário
Caririense Dárdano de Andrade Lima – HCDAL da Universidade Regional do Cariri - URCA.
A circunscrição adotada para as famílias de samambaias seguiu Smith et al. (2006) e os
nomes dos autores dos táxons foram abreviados de acordo com Pichi-Sermoli (1996).
A identificação das amostras coletadas foi realizada com base em comparações com
espécimes revisados por especialistas e depositados no Herbário Lauro Pires Xavier, da
Universidade Federal da Paraíba, assim como com base em chaves analíticas e textos especializados
como os de Paula-Zárate (2004) e Alves (2002).

RESULTADOS

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Na localidade da Fonte das Guaribas foram registradas oito espécies de samambaias,


distribuídas em seis famílias e seis gêneros (Tabela 1). Tais dados se aproximam aos de Brito
(2013) para o Parque Riacho do Meio em Barbalha – Ceará, onde a autora encontrou 10 espécies,
distribuídas em cinco famílias e seis gêneros, e aos de Alves (2002), que registrou uma flora de 11
espécies, distribuídas em sete famílias e oito gêneros para o sítio Grangeiro, no Município de Crato
– Ceará.
Porém o número de espécies constatado pelo presente trabalho é pouco representativo se
comparado com o resultado de outros estudos na região nordeste (SANTIAGO & BARROS,
PIETROBOM & BARROS, 2003; PIETROBOM & BARROS, 2007; FARIAS et al., 2012;
SILVESTRE & XAVIER, BARROS & XAVIER, 2013). Essa baixa diversidade de samambaias
pode ser atribuída ao desmatamento da área e a consequente fragmentação de habitats e exposição
do solo à luz solar. De acordo com Xavier & Barros (2003), qualquer desmatamento compromete
seriamente a sobrevivência dessas plantas que têm o seu ambiente natural destruído, sendo,
portanto, ótimas indicadoras do grau de preservação de áreas florestais.

Tabela 1 - Espécies de samambaias registradas na Fonte das Guaribas, distrito de Campo Alegre, Município
de Crato - Ceará.
Família/espécies
Blechnaceae
Blechnum occidentale L.
Cyatheaceae
Cyathea sp1.
Cyathea sp2.
Lygodiaceae
Lygodium venustum Sw.
Polypodiaceae
Polypodium sp1.
Polypodium polypodioides (L.) Watt.
Pteridaceae
Adiantum sp.
Thelypteridaceae
Thelypteris interrupta (Willd.) Iwastls.

As famílias registradas como mais representativas foram Cyatheaceae e Polypodiaceae, com


duas espécies cada, e os gêneros mais representativos encontrados foram Cyathea e Polypodium,
ambos também com duas espécies cada. Cyatheaceae também foi uma das famílias mais
representativas (4 spp.) no estudo desenvolvido por Brito (2013) em três áreas da Chapada do
Araripe, sendo também uma das famílias com maior número de espécies encontradas no Ceará
(cinco spp.) por Paula-Zárate (2004).
Polypodiaceae também já foi registrada em muitos estudos como uma das famílias de maior
riqueza específica, como nos trabalhos de Conceição & Ruggiere (2010), Pereira et al. (2011),
Góes-Neto et al. (2012), Barros et al. (2013), Barros & Xavier (2013) e Santiago (2014). De acordo

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

com Santiago (2006), essa é uma das famílias que mais se destacam em diversidade nos
levantamentos realizados na região nordeste e em outras áreas do território brasileiro.
Cyathea é um gênero cosmopolita e também foi um dos mais representativos no estudo de
Brito (2013) para áreas também da Chapada do Araripe e áreas adjacentes, com quatro espécies. O
gênero não é comumente encontrado entre os mais representativos nos trabalhos florísticos, porém,
para o Ceará, Paula-Zárate (2004) cita apenas quatro espécies igualmente ao encontrado no trabalho
anteriormente citado. Polypodium também foi o gênero com maior número de espécies (quatro)
registrado por Xavier & Barros (2003) para a serra negra de Bezerros, em Pernambuco.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo foram encontradas apenas oito espécies de samambaias, um número pouco
representativo em relação à flora já registrada em outros estudos na região, o que pode ser atribuído
à vasta degradação da mata, com a consequente fragmentação de habitats e exposição do solo ao
sol.
Assim, mediante os dados de baixa diversidade registrados, sugere-se que haja um maior
monitoramento e fiscalização na localidade, além de educação ambiental para conscientizar a
comunidade local sobre a importância de conservar a Chapada do Araripe.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 170


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

CHECKLIST DOS FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES NA REGIÃO


NORDESTE DO BRASIL

Mayara Alice Correia de MELO


Graduanda do Curso de Ciências Biológicas com Ênfase em Ciências Ambientais da UFPE
maya_alice@hotmail.com
Larissa Cardoso VIEIRA
Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Biologia de Fungos da UFPE
lari360@gmail.com
Daniele Magna Azevedo de ASSIS
Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Biologia de Fungos da UFPE
dma.assis@gmail.com
Gladstone Alves da SILVA
Professor do Departamento de Micologia da UFPE
gladstonesilva@yahoo.com

RESUMO
Os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) são organismos cosmopolitas que formam com as
plantas uma associação simbiótica mutualista, disponibilizando nutrientes do solo para os vegetais.
O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento das espécies de FMA registradas na região
Nordeste do Brasil, contribuindo para o conhecimento da biogeografia deste grupo. Para isso foi
realizada uma pesquisa bibliográfica da ocorrência dos FMA nos estados nordestinos a partir de
estudos desenvolvidos em áreas naturais e cultivadas. Foi registrado um total de 140 espécies de
FMA, cerca de 50% da diversidade total conhecida. A realização deste estudo permitiu a detecção
de 15 novos registros de espécies de FMA para a região nordestina, possibilitando o aumento do
conhecimento da diversidade de FMA. Estes resultados indicam que esta região abriga elevada
riqueza de táxons, contribuindo inclusive para o conhecimento de novos taxa deste grupo,
reforçando a importância da realização de estudos sobre as comunidades de FMA.
Palavras Chave: Glomeromycotina, Diversidade, Nordeste do Brasil, Distribuição geográfica.
ABSTRACT
Arbuscular mycorrhizal fungi (AMF) are cosmopolitan organisms that do with plants a symbiotic
mutualistic association, providing nutrients from the soil to the plants. The objective of this work
was to perform a survey of FMA species recorded in the Northeast region of Brazil, contributing to
the knowledge of the biogeography of this group. For this, a bibliographical research was carried
out on the occurrence of AMF in the North American states from studies carried out in natural and
cultivated areas. A total of 140 FMA species were recorded, about 50% of the known total
diversity. The realization of this study allowed the detection of 15 new records of AMF species for
the northeastern region, making possible an increase in the knowledge of AMF diversity. These
results indicate that this region is rich in taxa, contributing to the knowledge of new groups of this
group, reinforcing the importance of conducting studies on the communities of AMF.
Keywords: Glomeromycotina, Diversity, Brazilian Northeast, Geographic distribution.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTRODUÇÃO

Os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) estão classificados no filo Mucoromycota e no


subfilo Glomeromycotina (Spatafora et al., 2016), são biotróficos obrigatórios e formam com as
plantas uma simbiose mutualística, na qual há transferência dos nutrientes do solo para as plantas,
através da interação das hifas e estruturas especializadas dos fungos com as raízes, e o fungo por
sua vez recebe carboidratos do vegetal (Smith & Read, 2008). Os FMA estão presentes nos mais
diversos ecossistemas terrestres, sendo considerados organismos cosmopolitas, com ocorrências
registradas em florestas tropicais e temperadas, desertos e pradarias (Davison et al., 2015).
Atualmente, são conhecidas cerca de 300 espécies desses organismos, as quais podem se associar a
mais de 200.000 táxons vegetais, sendo esta associação, a mais comum encontrada na natureza
(Kivlin et al., 2011).
O conhecimento da composição das comunidades de FMA é essencial para a compreensão
das suas funções nos ecossistemas, uma vez que a diversidade destes fungos tem conseqüências
ecológicas significativas, pois as espécies variam em seu potencial para promover benefícios aos
vegetais, causando um forte impacto sobre a estrutura e a diversidade das comunidades de plantas
associadas (Jeffries et al., 2002), influenciando na produtividade vegetal (Wagg et al., 2015). Como
a sobrevivência dos FMA está diretamente associada às espécies vegetais, sua distribuição está
relacionada aos fatores dos hospedeiros (Antoninka et al., 2015), além de fatores bióticos e
abióticos.
A biogeografia permite a compreensão de fatores que influenciam a distribuição das
espécies no espaço, possibilitando o conhecimento de mecanismos que geram e mantêm a
diversidade (Martiny et al., 2006), de modo que esta pode ser avaliada em nível local ou regional
dependendo do tamanho da área geográfica e dos habitats analisados (Ricklefs, 2010).
A região Nordeste do Brasil compreende nove estados com predominância dos biomas
Caatinga e Mata Atlântica, incluindo os ecossistemas associados, como brejos de altitude, restinga e
mangues que podem variar desde o litoral até o interior do continente, de acordo com as condições
climáticas locais (MMA, 2017). Diante da grande variedade ambiental, diversos estudos foram
realizados para determinar a diversidade de FMA na região Nordeste, em áreas naturais e de
cultivo, a investigação desses locais permitiu que novas espécies fossem conhecidas (Goto et al.,
2012a; Mello et al., 2013; Pontes et al., 2013b; Marinho et al., 2014a; Pereira et al., 2016).
O objetivo deste trabalho foi realizar o levantamento e analisar a distribuição das espécies de
FMA presentes na região Nordeste do Brasil.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

MATERIAL E MÉTODOS

O levantamento das espécies de FMA foi realizado através dos estudos registrados na região
Nordeste do Brasil. A bibliografia utilizada inclui Assis et al. (2016), Carneiro et al. (2012), Dantas
et al. (2015), de Souza et al. (2010), Goto et al. (2010), Goto et al. (2011), Goto et al. (2012a), Goto
et al. (2012b), Goto et al. (2013a), Goto et al. (2013b), Jobim; Goto (2016), Maia; Trufem (1990),
Marinho (2014b), Mello et al. (2012a), Melo et al. (1997) Menezes et al.(2016), Mergulhão et al.
(2009), Nobre (2014), Pagano et al. (2013), Pereira et al. (2014), Pereira et al. (2015), Pereira et al.
(2016), Pontes et al. (2013a), Pontes et al. (2013b), Pontes et al. (2017), Santos et al. (2013), Silva
et al. (2005), Silva et al. (2007), Silva (2010), Silva et al. (2012), Silva et al. (2015a), Silva et al.
(2015b), Silva et al. (2017a), Silva et al. (2017b), Souza et al. (2003), Souza et al. (2010), Souza et
al. (2012), Souza et al. (2013), Sousa et al. (2014), Teixeira-Rios et al. (2013).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na região Nordeste do Brasil foram encontradas 140 espécies de FMA, com a realização
deste trabalho foi possível constatar a ocorrência de aproximadamente 50% da riqueza conhecida
para esse grupo de fungo. Anteriormente, através do levantamento realizado por de Souza et al.
(2010) foram registradas 81 espécies, enquanto Silva et al. (2014) registraram 125 espécies de FMA
nessa mesma região. Portanto, a realização deste estudo permitiu um aumento de 14,4% no
conhecimento da diversidade destes fungos para o Nordeste brasileiro.
A maioria dos estudos sobre diversidade de FMA no Nordeste do Brasil tem sido realizada
em Pernambuco, onde há maior número de espécies catalogadas, seguido por Bahia e Paraíba. No
Piauí e Alagoas existem poucos registros de espécies de FMA, e apenas o estado de Sergipe
permanece sem estudos sobre a comunidade desses fungos, formando uma lacuna para a região, que
pode ser explorada para obtenção dos dados de biodiversidade.
Todas as classes, ordens e famílias dos FMA estão representadas nesta região, dos 38
gêneros conhecidos desses fungos foram observados 30 neste inventário (Tabela 1). Houve
predominância do gênero Acaulospora com 30 espécies, seguido por Glomus (21), enquanto os
demais gêneros foram menos representativos: Racocetra (10), Rhizoglomus (9), Gigaspora (6),
Ambispora, Dentiscutata e Scutellospora (5), Claroideoglomus, Entrophospora, Funneliformis,
Fuscutata, Paraglomus e Sclerocystis (5), Diversispora, Cetraspora, Pacispora e Septoglomus (3),
Corymbiglomus, Kuklospora, Paradentiscutata e Orbispora (2), Archaeospora, Redeckera,
Sacculospora, Simiglomus, Dominikia, Quatunica, Intraornatospora e Bulbospora (1).
Acaulospora e Glomus são os gêneros que possuem os maiores números de espécies
descritas (50 e 54 taxa respectivamente), maior riqueza de espécies destes taxa tem sido constatada

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

frequentemente em estudos realizados nesta região (Silva et al., 2014; Silva et al., 2015; Assis et al.,
2016; Pontes et al., 2017). Acaulospora scrobiculata foi identificada em todos os oito estados que
possuem registros de espécies de FMA. Outros táxons estiveram presentes em sete estados:
Ambispora appendicula, Acaulospora morrowiae, Glomus macrocarpum, Sclerocystis sinuosa e
Fuscutata heterogama. Segundo o levantamento realizado por de Souza et al. (2010) para as
espécies de FMA no Brasil, Acaulospora morrowiae, A. scrobiculata, Ambispora appendicula,
Glomus macrocarpum, Sclerocystis sinuosa são espécies de ampla distribuição geográfica no país,
pois estão presentes na maioria dos Estados. Além disso, as espécies citadas acima, somadas a
Fuscutata heterogama foram identificadas em mais de 70% de ambientes analisados.
Espécies recentemente descritas (a partir de 2014) com material da região representam
novos registros para a ciência: Acaulospora reducta, Acaulospora minuta, Acaulospora papillosa,
Bulbospora minima e Rhizoglomus natalensis. Além destas, Ambispora reticulata,
Claroideoglomus lamellosum, Corymbiglomus tortuosum, Gigaspora rosea, Orbispora
projecturata, Pacispora robigina, P. franciscana, Paraglomus laccatum, Racocetra alborosea e
Rhizoglomus arabicum são novas ocorrências para o Nordeste, totalizando 15 registros inéditos.
Na região Nordeste, alguns gêneros foram representados por 100% das espécies que os
compõe: Bulbospora, Entrophospora, Intraornatospora, Kuklospora, Orbispora, Paradentiscutata,
Quatunica, e Simiglomus, sendo estes formados por uma ou duas espécies apenas. Acaulospora,
Claroideoglomus, Rhizoglomus, Gigaspora, Sclerocystis e Scutellospora foram representados por
60 a 67% das espécies conhecidas, enquanto que para Racocetra e Fuscutata foram encontrados
>80% dos táxons descritos para esses gêneros (Tabela 1).
Quatro gêneros (Bulbospora, Intraornatospora, Orbispora e Paradentiscutata) e 16
espécies foram descritos a partir de material coletado em áreas da região Nordeste: Acaulospora
reducta Oehl et al. (Pereira et al., 2015), A. papillosa C.M.R. Pereira & Oehl (Pereira et al., 2016),
A. endographis B.T. Goto), Bulbospora minima Oehl et al. (Marinho et al., 2014a), Dentiscutata
colliculosa B.T. Goto & Oehl (Goto et al., 2010), Fuscutata aurea Oehl et al. (Mello et al., 2012),
Glomus trufemii Goto et al. (Goto et al., 2012a), Intraornatospora intraornata (B.T. Goto & Oehl)
Goto et al. (Goto et al., 2012b), Orbispora pernambucana Oehl et al. (Oehl et al., 2011),
Paraglomus pernambucanum Oehl et al. (Mello et al., 2013), Paradentiscutata maritima Goto et al.
(Goto et al., 2012b), P. bahiana Goto et al. (Goto et al., 2012b), Racocetra tropicana Oehl et al.
(Goto et al., 2011), Rhizoglomus natalense (Błaszk. et al.) Sieverd. (Sieverding et al., 2014),
Septoglomus titan B.T. Goto & G.A. Silva (Goto et al., 2013b) e Scutellospora alterata Oehl et al.
(Pontes et al., 2013).

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 174


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Classes (3) Ordens (5) Famílias (15) Gêneros (30)

*Nº de espécies Representatividade


(%)**
Paraglomeromycetes Paraglomerales Paraglomeraceae Paraglomus (4) 50

Archaeosporomycetes Archaeosporales Archaeosporaceae Archaeospora (1) 33

Ambisporaceae Ambispora (5) 45


Dominikia (1) 9
Funneliformis (4) 36,4
Glomus (21) 38,8
Glomeraceae Rhizoglomus (9) 64
Sclerocystis (5) 62,5
Septoglomus (3) 27,3
Glomerales Simiglomus (1) 100
Claroideoglomus (4) 67
Entrophosporaceae Entrophospora (1) 100

Racocetraceae Cetraspora (3) 37,5


Racocetra (10) 83,3
Dentiscutata (5) 55
Dentiscutataceae Fuscutata (4) 80
Quatunica (1) 100
Glomeromycetes Gigasporales Intraornatosporaceae Intraornatospora (1) 100
Paradentiscutata (2) 100
Gigasporaceae Gigaspora (6) 66
Bulbospora (1) 100
Scutellosporaceae Orbispora (2) 100
Scutellospora (5) 62,5
Pacisporaceae Pacispora (3) 37,5
Sacculosporaceae Sacculospora (1) 50
Acaulosporaceae Acaulospora (29) 60
Diversisporales Kuklospora (2) 100
Corymbiglomus (2) 50
Diversisporaceae Diversispora (3) 16
Redeckera (1) 16,7
Total 140
Tabela 1. Espécies de fungos micorrízicos arbusculares (FMA) registradas na região Nordeste do Brasil. *Número de
espécies por gênero registrado no Nordeste do Brasil. **Representatividade (%) de espécies registradas no Nordeste do
Brasil em relação ao número total de espécies descritas.

CONCLUSÕES

Foram relatados 15 novos registros de espécies de FMA para o Nordeste brasileiro,


indicando que esta região abriga elevada riqueza de táxons destes fungos. O aumento do
conhecimento da biodiversidade propicia maiores chances e vantagens na manutenção e
preservação dos ecossistemas nordestinos. Os resultados reforçam a importância da realização de
estudos sobre os FMA em áreas desta região, especialmente nas que permanecem com esta
diversidade ainda desconhecida, os dados gerados podem ser usados como base para políticas
públicas de conservação destes locais.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 175


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 180


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DAS ESPÉCIES VEGETAIS NA


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, CERES-CAICÓ

Paulo Jerônimo Lucena de OLIVEIRA


Graduando do curso de Geografia pela UFRN/Campus de Caicó
Paulojeronimo.geo@gmail.com
Carlos Roberto da SILVA FILHO
Graduando do curso de Geografia pela UFRN/Campus de Caicó
carloslamma@gmail.com
Mioquides de Souza MEDEIROS
kidsmedeiros07@gmail.com
Diógenes Félix da Silva COSTA
Professor do departamento de Geografia da UFRN/Campus de Caicó
diogenes.costa@pq.cnpq.br

RESUMO
O Campus de Caicó da UFRN localiza-se na zona urbana de Caicó na microrregião do Seridó
Ocidental do Estado do Rio Grande do Norte. Percebeu-se que boa parte de sua área dispõe de
vegetação da Caatinga, bioma nativo onde a área de estudo em questão está inserida. Sabendo que
em meio a zonas urbanas, existe pouca vegetação nativa de Caatinga por serem poucas as espécies
da mesma usadas na arborização e também da importância de obter-se mais estudos sobre seu
bioma, o presente trabalho teve como objetivo elaborar um levantamento quantitativo de todos os
espécimes de porte arbustivo-arbóreo presentes nas delimitações do campus, quantificando também,
espécies exóticas utilizadas na arborização e outras que estão espontaneamente dentro de seu
território. Foram catalogados 1899 indivíduos, divididos em 34 espécies, 14 famílias, sendo elas:
Euphorbiaceae, Anacardiaceae, Annonaceae, Apocynaceae, Arecaceae, Bignoniaceae, Cactaceae,
Meliaceae, Brassicaceae, Chrysobalanaceae, Combretaceae, Myrtaceae, e a Rhamnaceae. A família
Fabaceae merece destaque, por ter 11 espécies representadas, concretizando como a Família com
mais indivíduos da vegetação no campus. A espécie com mais indivíduos foi a Mimosa tenuiflora
(Willd.) Poir. Fabaceae-Mimosoideae (jurema preta) com 763 indivíduos, equivalendo a 40,2% de
todas as espécies encontradas, e logo em seguida a Jatropha mollissima (Pohl) Baill. Euphorbiaceae
(pião bravo) com 629 espécimes, representando 33,1% das espécies. Constatou-se que o Campus de
Caicó apresenta uma considerável representatividade ecológica das espécies nativas devido ao
elevado números de espécies, podendo ser inserido como uma Área de Preservação Permanente
(APP).
Palavras-Chave: Caatinga; Seridó-Potiguar; CERES-Caicó.
ABSTRACT
The Campus from Caicó of UFRN is placed on urban area of Caicó in a micro area of the state Rio
Grande do Norte that is called Seridó Ocidental. Was seen that a big area from this place have the
vegetation Caatinga, that is the native biome from where the study area is located. Is understanded
that under the urbans areas, there is not so much vegetation native of Caatinga because there are just
a bit species of it used in the afforest and is important too gain more studies about your biome, the
present work had the objective of make a quantitative pool of all species of bushs in campus
perimeter, counting exotic species that has been used to afforest and others that are under them
territory. Was cataloged 1899 types, being 34 sepcies, 14 family's, like: Euphorbiaceae,

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 181


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Anacardiaceae, Annonaceae, Apocynaceae, Arecaceae, Bignoniaceae, Cactaceae, Meliaceae,


Brassicaceae, Chrysobalanaceae, Combretaceae, Myrtaceae, e a Rhamnaceae. The Fabaceae family
needs a spotlight, it have 11 species presented, so they are the family with most subjects of
vegetation on campus. The specie with more subjects was Mimosa Tenuiflora(Wild.) Poir.
Fabaceae-Mimosoideae (Jurema Preta) with 763 subjects, being 40,2% of all species found, right
next the Jatropha presents a bigeco-representativeness of native species because of the high number
of species, might be inserted like a Área de Preservação Permanente (APP).
Keywords: Caatinga; Seridó-Potiguar; CERES-Caicó.

INTRODUÇÃO

Devido ao crescimento desordenado, as cidades estão se desenvolvendo de forma não


planejada, fazendo com que áreas de vegetação nativa sejam afetadas gradativamente, sendo que
este fato traz problemas não só aos componentes vegetais, mas aos próprios residentes da zona
urbana. De acordo com Machado (2013), espaços integrantes do sistema de áreas verdes de uma
cidade exercem, em função do seu volume, distribuição no espaço, densidade e tamanho, inúmeros
benefícios ao seu entorno e àqueles que as utilizam. Evidenciando os benefícios obtidos das áreas
verdes aos residentes da zona urbana, pode-se citar redução térmica e também desempenharem um
importante papel na diminuição da poluição atmosférica.
Com base nestes fatores, ao que se refere às cidades interioranas do Nordeste brasileiro que
predomina o bioma Caatinga, outro ponto que deve ser levado em consideração, é que estas cidades
pouco são arborizadas com espécies nativas.
Dando ênfase a o que foi dito em relação a trechos urbanos das cidades rodeadas pela
vegetação da Caatinga, o Campus da UFRN em Caicó/RN chama atenção pela sua extensa área com
presença de vegetação nativa, levando-se em conta o fato de que ele está inserido dentro da cidade
de Caicó-RN.
A vegetação de Caatinga é caracterizada por apresentar diferentes tipologia vegetal,
principalmente se tratando de porte e densidade das plantas. Segundo Amorim (2005) no Bioma
Caatinga, em mudanças de escala local com poucas dezenas de metros, é fácil uma variação de
ambiente claramente identificável, por exemplo: em ambientes serranos e de vales, consiste em uma
vegetação de maior porte, e menor porte em um ambiente de lajedos e solos rasos, por consequência
de maior ou menor estresse hídrico.
A Caatinga do Seridó se destaca por estar inserida dentro de um núcleo de desertificação
devido ao baixo nível de pluviosidade e forte presença da ação antrópico com o processo de
ocupação do espaço e industrialização, formando heterogeneidades na sua vegetação (Perez-Mari et
al, 2012).

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 182


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A região do Seridó, apresenta um solo pouco desenvolvido, segundo Duque (2004) afirma
que o solo do Seridó é muito pedregoso, ou seja, muito erodido, parcialmente coberto de seixos
rolados. É por causa dessas características que o Seridó Potiguar está inserido dentro dos 4 núcleos
de desertificação do Brasil (MMA, 2004).
Com chuva se concentrando no primeiro semestre do ano, sendo mais frequentes nos meses
de fevereiro e março e abril. Em Caicó, a média anual segundo SUDENE (1990) é de
aproximadamente 684 milímetros anuais, com uma altitude de 143 metros ao nível do Mar, com
uma temperatura média anual de 26,7 °C.
Caicó está inserido na mesorregião central potiguar, dentro da microrregião Ocidental do
Seridó, inserido dentro no polígono das secas, com uma vegetação predominantemente de Caatinga.
No CERES de Caicó, é notável a presença das espécies de Caatingas, pois são elas que
predominam por quase toda a área de estudo, sendo utilizada também no reflorestamento
juntamente com as exóticas e invasoras, como por exemplo: Tabebuia aurea (Caibreira), Licania
rigida (Oiticica), Copernícia prunifera (Carnaúba), Miracroduon urundeuva (Aroeira), e a
Caesalpinia ferrea (Jucá).
Visando ampliar os conhecimentos sobre o tema, o estudo teve como objetivo o
conhecimento da vegetação em área de fragmento de caatinga, no Seridó potiguar, inserido na
Universidade federal do rio Grande do Norte, Campus de Caicó, contribuindo para o planejamento
de uma área de preservação permanente.

2- MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 Área de Estudo

O Trabalho foi realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Campus de


Caicó-RN. Localizado na mesorregião Central, inserido na região semiárida do sertão potiguar, na
microrregião do Seridó Ocidental do Estado do Rio Grande do Norte na cidade de Caicó-RN, (6°27'
S e 37°5' O) (figura 01).

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 183


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 01: Mapa de localização – UFRN - CERES, Caicó-RN

De acordo com a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado do Rio Grande do Norte


(SERHID, 1998) a Geologia da Depressão Sertaneja é relacionada a litologias Pré-Cambrianas dos
complexos Caicó e Seridó, sobressaindo-se migmatitos, gnaisses migmatizados, quartzitos,
calcários cristalinos, entre outros, com os topos dos Planaltos Residuais se caracterizando por
sedimentos relacionados à Formação Serra dos Martins, do Terciário, onde se destacam arenitos
caulínicos e arenitos ferruginosos.
A temperatura média anual da região situa-se entre 26 e 28ºC, a insolação é de 3.240
horas/ano, a umidade relativa do ar gira em torno de 64% e a precipitação pluviométrica média
anual varia entre 645 e 750 mm, com uma taxa alta de evapotranspiração (SEPLAN, 2000).
A estação chuvosa é curta e concentrada entre os meses de janeiro e maio (87% do total de
precipitação total do ano), com chuvas esparsas e irregulares (DUQUE, 2004 MEDEIROS, 2004;),
com presença de grandes cheias no período de aproximadamente 10 em 10 anos. O objeto de estudo
tem uma área de aproximadamente 320 metros quadrados, inserido como agente modelador fixo da
paisagem, pela a dinâmica que o envolve com os processos de migração de alunos e funcionários
que diariamente habitam esse local.
Trata-se de uma pesquisa de identificação quantitativa das espécies vegetais do estrato
arbustivo-arbóreo da Caatinga e plantas exóticas inseridas como arborização ou que estão
espontaneamente dentro das limitações do campus-Caicó.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 184


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

2.2 Procedimentos Metodológicos

Primeiramente realizou-se uma revisão bibliográfica, com vista à obtenção de aporte teórico
sobre os procedimentos a serem desenvolvidos e sobre os métodos adotados dentro da temática da
pesquisa.
Em seguida, foram realizadas visitas in loco na área de estudo para catalogar todos os
indivíduos do estrato arbustivo-arbóreo, onde foram utilizadas fitas de isolamento de áreas em
forma de quadrantes, com uma área de aproximadamente 10 metros quadrados para obter controle
da quantificação dos indivíduos de cada espécie.
Na construção dos mapas, foram utilizados arquivos vetoriais referentes aos logradouros do
município disponível no sítio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foram
coletados diversos pontos de Coordenadas com o suporte do GPS do tipo Garmim Portátil Montana
650 onde esses dados foram espacializados com os softwares Google Earth Pro 2015 e o ArcGIS
10.3 (ArcMap) versão acadêmica. Utilizou-se também uma Câmera fotográfica da marca NIKON
com a finalidade de obter fotografias para identificação de espécies.
Na parte de gabinete, inicialmente foram tabulados os dados utilizando o Software Excel
2016 da Microsoft, onde foram separados por nome científico da espécie, sua família, e em nome
popular. Em seguida gerou-se uma tabela com todos a tabulação dos dados. Na identificação das
famílias, foram separadas por cada uma espécie, onde gerou um produto do tipo gráfico de pizza,
para que fosse possível encontrar a família dominante. Na escrita do trabalho, utilizamos o
programa da Microsoft, o Word também na versão 2016.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a análise de campo, a flora local é classificada como caatinga Savana-
Estépica hiperxerófila, com solos rasos que cobrem rochas do embasamento cristalino com presença
de solo exposto cuja fisionomia é caracterizada por árvores de pequeno porte, frequentemente com
altura inferior a 6,0 m, apresentando distribuição esparsa e menor número de espécies quando
comparada a outros tipos de caatingas (IBGE, 2012).
Para a identificação das espécies vegetais encontradas no CERES-Caicó, foi adotado uma
altura mínima de 1,6 metro, onde a partir dessa altura foram identificados 1.899 espécimes em toda
a área do CERES. Pôde-se constatar a presença de 34 espécies vegetais dentre das quais podemos
destacar as espécies mais predominante: Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Fabaceae-Mimosoideae
(Jurema preta) com 763 indivíduos, equivale a mais de 40% de toda as espécies encontrada no
CERES, e logo em seguida a Jatropha mollissima (Pohl) Baill. Euphorbiaceae (Pião bravo) com 629
espécimes, equivale a aproximadamente 33% das espécies (ver tabela 01).

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Tabela 01: Espécies encontradas no CERES-Caicó


Nome Científico Família Nome popular N° de indivíduos Valor %

Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Fabaceae-Mimosoideae Jurema preta 763 40,2%


Jatropha mollissima (Pohl)
Baill. Euphorbiaceae Pião bravo 629 33,1%
Prosopis juliflora (Sw) DC. Fabaceae-Mimosoideae Algaroba 108 5,7%
Pilosocereus gounellei (Weber). Cactaceae Xique-xique 64 3,4%
Azadirachta indica A. Juss. Meliaceae Nin 62 3,3%
Aspidosperma pyrifolium Mart. Apocynaceae Pereiro 46 2,4%
Tabebuia aurea (Silva Manso)
S. Moore. Bignoniaceae Caibreira 39 2,1%
Cereus jamacaru DC. Cactaceae Mandacaru 28 1,5%
Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul.
Var. Fabaceae-Caesalpinoideae Jucá 28 1,5%
Combretum leprosum Mart. Combretaceae Mufumbo 21 1,1%
Bauhinia forficata Link. Fabaceae Mororó-branco 18 0,9%
Cnidoscolus urens L. Euphorbiaceae Urtiga 12 0,6%
Cnidoscolus quercifolius Pohl. Euphorbiaceae Faveleira 11 0,6%
Ziziphus joazeiro Mart. Rhamnaceae Juazeiro 11 0,6%
Cabralea canjerana (Vell.)
Mart. Meliaceae Cajarana 7 0,4%
Crateva tapia L. Brassicaceae Trapiá 6 0,3%
Piptadenia stipulacea (Benth.)
Ducke. Fabaceae-Mimosoideae Jurema branca 6 0,3%
Ricinus communis L. Euphorbiaceae Carrapateira 6 0,3%
Calotropis procera (Willd.) Apocynaceae Papai noel 6 0,3%
Spondias purpurea L. Anacardiaceae Siriguela 6 0,3%
Tamarindus indica L. Caesalpiniaceae-Fabaceae Tamarindo 3 0,2%
Cocos nucifera L. Arecaceae Coqueiro 3 0,2%
Tabebuia impetiginosa (Mart. ex
DC.) Bignoniaceae Pau-d'arco 3 0,2%
Erythrina verna Vell. Conc. Fabaceae-Papilionoideae Mulungu 2 0,1%
Angico
Anadenanthera colubrina (Vell.) Fabaceae-Mimosoideae vermelho 2 0,1%
Myracrodruon urundeuva Fr. Anacardiaceae Aroeira 1 0,1%
Bauhinia variegata L. Fabaceae Mororó-roxo 1 0,1%
Enterolobium contortisiliquum
(Vell.) Fabaceae-Mimosoideae Timbaúba 1 0,1%
Copernicia prunifera (Miller). Arecaceae Carnaúba 1 0,1%
Licania rigida Benth. Chrysobalanaceae Oiticica 1 0,1%
Anacardium occidentale L. Anacardiaceae Cajueiro 1 0,1%
Psidium guajava L Myrtaceae Goiabeira 1 0,1%
Annona squamosa L. Annonaceae Pinheiro 1 0,1%
Poincianella pyramidalis Tul. Fabaceae-Caesalpinoideae Catingueira 1 0,1%
TOTAL: 1899 100%

A partir desses dados, foi possível notar que as espécies M. tenuifloea e a J. molíssima são
responsáveis por mais de 73% de todas as espécies. Isso comprova que a vegetação do campus é
dominada basicamente por essas duas espécies. As outras espécies não representam um número
elevado de espécies, apenas a P. juliflora (algaroba) juntamente com as já citadas acima atingiram
ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 186
Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

um número superior a 100 espécies, as demais espécies representam um número bem abaixo das
espécies com o maior número, tendo as espécies M. urundeuva (Aroeira), B. variegata, (Mororó-
roxo), E. contortisiliquum (Timbaúba), C. prunifera (Carnaúba), L. rigida (Oiticica), A. occidentale
(Cajueiro), P. guajava (Goiabeira), A. squamosa (pinheiro), C. pyramidalis (Catingueira)
registradas com apenas 1 indivíduo, representando assim apenas 0,1% do valor total.
A partir dos dados tabulados, dividimos as espécies em suas respectivas famílias, onde
tivemos o valor de 14 famílias, são elas: Euphorbiaceae, Anacardiaceae, Annonaceae,
Apocynaceae, Arecaceae, Bignoniaceae, Cactaceae, Meliaceae, Brassicaceae, Chrysobalanaceae,
Combretaceae, Myrtaceae, e a Rhamnaceae. A família fabaceae merece destaque, pois são mais de
11 espécies dessa família, concretizando como a Família dominante da vegetação no Campus.
As famílias com maiores números de representantes foram as Fabaceae com mais de 31%, a
Euphorbiaceae com aproximadamente 11%, e a Anacardiaceae com 8%, somando essas famílias,
elas representam mais de 50% de toda a família encontrada no Campus. As demais famílias
representam um número menor de espécies, tendo com as famílias Brassicaceae, Chrysobalanaceae,
Combretaceae, Myrtaceae, Rhamnaceae com apenas uma espécie (Ver figura 02).

Famílias encontrada no CERES


3%
3% 3%
3%3%
6% 31%
6%
6%
6%
11%
6%
5% 8%

1. Fabaceae 2. Euphorbiaceae 3. Anacardiaceae 4. Annonaceae

5. Apocynaceae 6. Arecaceae 7. Bignoniaceae 8. Cactaceae

9. Meliaceae 10. Brassicaceae 11. Chrysobalanaceae 12. Combretaceae

13. Myrtaceae 14. Rhamnaceae

Figura 02: Gráfico do tipo pizza das famílias vegetais do CERES

DISCUSSÃO

Em um trabalho realizado no núcleo de desertificação o núcleo de desertificação do Seridó


(RN/PB) realizado por Costa, Thomaz C. et al. (2009) eles dividiram o Seridó em 16 fragmentos,
onde foram amostrados 3472 indivíduos, identificadas 15 famílias e 31 espécies. Onde podemos
perceber que eles obtiveram apenas 1 família a mais do que o nosso resultado.

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Nos levantamentos feitos por Amorim et al (2005) na estação ecológica do Seridó, ele
afirma que há uma ―grande‖ riqueza e diversidade florística com 3. 4247 indivíduos sendo
distribuídos em apenas 16 espécies e 10 famílias no Campus foram constatados que há em torno de
34 espécies distribuídas por todo o seu espaço.
Em uma análise realizado por Andrade et al (2005) no município de São João do Cariri
estado da Paraíba, a flora arbustivo-arbórea estudadas foram registrados 910 indivíduos,
representada por 8 famílias, e 16 espécies.
Em uma análise fitossociológica no agreste Paraibano, dentro de um remanescente florestal
arbustivo-arbóreo, Pereira, et al (2002) de acordo com a sua análise dos dados, foram registrados
um conjunto florístico de 1952, representado por 54 espécies, e 22 famílias. Dessas 22 famílias, 12,
ou seja, mais da metade foram representadas por apenas uma espécie. As famílias com maior
número de espécies foram Mimosaceae e Euphorbiaceae. Isso mostra que em diferentes ambientes,
seja em regiões mais úmidas ou na depressão sertaneja, a família Euphorbiaceae consegue se
adaptar e se proliferar, mantendo entre as famílias mais dominantes da Caatinga.
Araújo et al (2012) em uma área de Caatinga degradada no Seridó paraibano, em uma
fazenda situada no município de Santa Luzia, estado da Paraíba, de acordo com os dados de campo,
foram catalogados 545 indivíduos, distribuídos em 20 espécies vegetais dentro de 12 família. Tendo
a espécie M. tenuiflora como a espécie dominante com cerca de 49, 83% das demais espécie. Nota-
se que a presença da ação antrópica em esses dois ambientes (tanto no Campus como na fazenda)
tornou-se um agente modelador da paisagem, pois a M. tenuiflora é uma espécie pioneira de áreas
degradadas. Podemos notar que mesmo sendo em ambientes diferentes, suas peculiaridades
existem, como por exemplo: o número bastante elevado de uma única espécie, a M. tenuiflora.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O levantamento quantitativo das espécies vegetais elaborado no CAMPUS de Caicó


apresenta sua composição florística constituída basicamente por espécies da Caatinga hiperxerófila,
com ocorrência de espécies exóticas introduzidas para a arborização, a exemplo da A. indica (Nim)
e outras que ocorrem espontaneamente, como por exemplo a ocorrência da P. juliflora (Algaroba).
De uma forma geral, a vegetação da área de estudo é composta por extrato arbustivo‐arbóreo
que em sua maior parte apresenta espécies de médio porte. Constatou‐se, que área abriga um grande
número de espécimes, adversa de um ambiente urbano.
Levando em consideração esse trabalho, o Campus de Caicó seria uma área de grande
importância para a conservação e diversidade de espécies, pois a área apresenta uma grande riqueza
na diversidade de espécies, podendo ser aplicada uma Área de Preservação Permanente (APP), para
que se possa conservar essa grande riqueza de inúmeros de espécies.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao CERES – Centro de Ensino Superior do Seridó e ao LAMMA –


Laboratório Multiusuário de Monitoramento Ambiental (UFRN – Campus de Caicó), pelo apoio
logístico e instrumental. A PROPESQ/UFRN (PIG – 13692/2016 e PVF – 13748/2016), ao CNPq
(MCTI/CNPQ/Universal Proc.447227/2014-9), ao CERES – Centro de Ensino Superior do Seridó e
ao LAMMA – Laboratório Multiusuário de Monitoramento Ambiental (UFRN – Campus de
Caicó), pelo apoio logístico e instrumental.

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Volume 1 (Diagnóstico). Caicó – RN, 30 de setembro de 2000.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 190


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

LEVANTAMENTO FLORÍSTICO E ESTRUTURAL DE UM FRAGMENTO DE


CAATINGA E SEU POTENCIAL DE CAPTURA DE CARBONO

Pedro Henrique Freitas OLIVEIRA


Graduando do curso de Engenharia Ambiental e Sanitário do IFCE - Bolsista do LEEABC
henriquehameson@gmail.com
Lucas da SILVA
Professor do IFCE - Campus Quixadá
Ronny Cruyjff Dias dos SANTOS
Estudantes do curso Técnico em Meio Ambiente do IFCE - Bolsistas do PIBICJr/CNPq/IFCE
Samuel Cabral Da SILVA
Estudantes do curso Técnico em Meio Ambiente do IFCE - Bolsistas do PIBICJr/CNPq/IFCE

RESUMO
O conhecimento dos aspectos florísticos e ambientais das espécies nativas dos biomas brasileiros,
pode ser um instrumento eficaz para elaboração de estratégicas ambientais sustentável para
minimizar dos impactos antrópicos nos espaços naturais, principalmente utilizar no melhoramento
dos estudos da Caatinga no semiárido brasileiro. O objetivo principal deste trabalho é realizar o
inventário florístico e estrutural de um fragmento de caatinga no IFCE campus Quixadá, identificar
e classificar, a flora da área de estudo, georeferrênciar espacialmente as espécies da flora, mapear as
espécies da flora. Preliminarmente conclui-se que o inventário florestal estrutural da área do campus
IFCE é um primeiro passo para uma série de benefícios para o ambiente e um bom conhecimento
acadêmico. O levantamento florístico constitui-se um instrumento estratégico para a mitigação dos
impactos antrópicos nas áreas de remanescentes de caatinga.
Palavras-Chave: CO2. Caatinga. Levantamento Florístico.
ABSTRACT
Knowledge of the floristic and environmental aspects of native species of Brazilian biomes can be
an effective tool for the elaboration of sustainable environmental strategies to minimize anthropic
impacts in natural spaces, mainly to improve Caatinga studies in the Brazilian semiarid region. The
main objective of this work is to carry out the floristic and structural inventory of a caatinga
fragment at the IFCE campus Quixadá, to identify and classify the flora of the study area,
georeferrênciar spatially the species of the flora, to map the flora species. It is preliminary to
conclude that the structural forest inventory of the IFCE campus area is a first step towards a
number of environmental benefits and good academic knowledge. The floristic survey constitutes a
strategic instrument for the mitigation of the anthropic impacts in the areas of caatinga remnants.
Keywords: CO2. Caatinga. Floristic Survey.

INTRODUÇÃO
Um dos grandes desafios da humanidade atual é a definição de um modelo de
desenvolvimento sustentável, que possa adelgaçar ações antrópicas causadores de impactos
ambiental do planeta. Tendo em vista, que o desequilíbrio ambiental que está acontecendo, decorre

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 191


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

das ações provocadas por seres humanos, sendo os grandes respondíveis de poluição e
contaminação dos espaços naturais, principalmente, pela queima de combustíveis fósseis para a
produção de energia e extração dos recursos naturais. O reconhecimento de que é importante
preservar o meio ambiente, passando a ser objetivo de interesse de todos, exige de todos, um
comprometimento sustentável ainda maior como condicionantes para sobrevivência do homem.
O início de levantamentos fitossociológicos na caatinga deu-se a partir de uma série de
inventários florestais realizados por Tavares et al. (1969a; 1969b; 1970; 1974a; 1974b; 1975) na
finalidade de determinar o potencial madeireiro (Carvalho, 1971; Girão e Pereira, 1971; Sudene,
1979). Posteriormente as pesquisas tiveram como objetivos estabelecer padrões de vegetação e
florísticos, ou correlacionar fatores ambientais com as características estruturais da vegetação
(Gomes, 1979; Araújo et al., 1995).
Nesse sentido os inventários florestais devem ser executados periodicamente para permitir
ao proprietário ou ao gerente florestal a planificação das atividades em função das mudanças
ocorridas em determinados períodos de tempo considerado. Avaliar o crescimento, as mudanças
ocorridas após a exploração florestal, planejar a produção e os tratamentos silviculturais visando o
equilíbrio e a recuperação das florestas, exigem trabalhos árduos de campo.
Por isso tem-se como objetivo principal realizar o inventário florístico e estrutural de um
fragmento de caatinga no IFCE campus Quixadá, identificar e classificar, a flora da área de estudo,
georeferrênciar espacialmente as espécies da flora, mapear as espécies da flora.

METODOLOGIA

O estudo foi desenvolvido em um fragmento de vegetação do bioma caatinga, localizado na


área pertencente ao de Quixadá do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
Em uma área de amostragem de aproximadamente 90.000 m2 na Av. José de Freitas Queiroz, 5000,
sob coordenadas de latitude: -4.977819° e longitude: -39.057674.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 1– Imagem mostrando o campus IFCE-Quixadá. Fonte: Google Earth, Satélite Quickbird 2016.

Para o levantamento florístico, foram utilizados em clinômetro para medir a altura de todos
os indivíduos maiores de um metro. Todos esses indivíduos foram georeferenciados como GPS.
Para determinação dos parâmetros fitossociológicos foram quantificados, em cada parcela, todos os
indivíduos vivos que com Circunferência à Altura da Base (CAB) > a 9 cm e altura (h) > a 100 cm
(Rodal, 1992).
A estimativa da biomassa foi realizada usando-se o método não destrutivo. Esse método, que
não exige a derrubada das árvores da floresta é, muitas vezes, considerado a alternativa mais precisa
do que o método direto, visto que neste último as informações obtidas costumam vir de parcelas de
pequeno tamanho, em pequeno número e selecionadas de forma intencional, geralmente em áreas
que sejam mais representativas do todo (BROWN et al., 1989, RIBEIRO et al., 2009). A biomassa
será calculada de acordo com a equação alométrica proposta por Chave (2005). O valor de
densidade básica das espécies foi obtido em literatura específica (LORENZI, 1992,1998, 2003;
CHAVE et al., 2009; ZANNE et al., 2009.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram analisados 139 indivíduos de 14 famílias diferentes, constatando uma espécie como
Credrela fissilis da família Miliaceae com 1 indivíduo. E outros em grande quantidade como os da
família Anacardiaceae. Foram consideradas somente as áreas sem edificações perfazendo 35 mil
metros quadrados de parcelas, abrangendo 40% da área total do campus Quixadá.

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Tabela 1
Famílias Biomassa (kg) Indivíduos Porcentagem (%) Carbono (kg)
Anacardiaceae 83590,06 35 41795,03
25,36
Arecaceae 50282,46 33 25141,23
23,91
Boraginaceae 5,608941 2 2,80
1,45
Brassicaceae 1993,466 8 996,73
5,80
Caparaceae 11,93127 2 5,96
1,45
Euphorbiaceae 10,23963755 2 5,11
0,72
Fabaceae 1230,97 18 615,48
1,45
Fabaceae -Mimosoideae 39739,39 20 19869,69
13,04
Leguminose 224,50 2 112,25
14,49
Malpighiacea 22,7 2 11,35
1,45
Malvaceae 1372,80 3 686,402
0,72
Miliaceae 6,01 1 3,0078
2,17
Rhamnaceae 24,25 3 12,129
2,17
Rubiaceae 65,87 8 32,9388
5,80
Fonte: Autor, 2017.

Podemos perceber na tabela a distribuição de acordo com as famílias das espécies seguido
da biomassa por família, número de indivíduos, porcentagem e kg de carbono obtidos a partir da
compilação dos dados em planilha do Microsoft Excel® para calcular os dados a partir dos métodos
citados em literatura. Assim, podemos perceber que temos como o maior representante de biomassa
a família Anacardiaceae que tem 21 espécies de Mangifera indica de grande ponte. A segunda
família Arecaceae com quase 24% da biomassa que tem sua principal espécie a Archontonphoenix
(Palmeira real) de grande porte, dessa forma, percebemos que as maiores biomassas do local
estudado são de espécies que não pertencem ao bioma Caatinga, pois as outras espécies são de
pequena significância quando comparado às nativas no quesito estoque de carbono.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos identificar dados importantes para a mensuração estimada das diversas espécies da
Caatinga, Porém a técnica usada não nos permite uma grande exatidão, pois não temos densidades
específicas das árvores do local, tendo em visto a pouca quantidade de indivíduos por hectare. Com
isso, podemos perceber que ainda se carece de estudos específicos de metodologia para mensuração
de biomassa em ambientes antropizados e com espécies invasoras. Assim sendo, o trabalho se trona
relevância estratégica para o aprofundamento de estudos de inventário florístico e estrutural nesse
nicho tão importante das instituições de ensino no nosso país, contribuindo para o avanço da
sustentabilidade em ambientes acadêmicos para servir de modelo de gestão ambiental.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

REFERÊNCIAS
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TAVARES, S.; PAIVA, F. A.F.; TAVARES, E. J. de. S.; CARVALHO, G. H. de. Inventário florestal
na Paraíba e no Rio Grande do Norte. I. Estudo preliminar das matas remanescentes do Vale do
Piranhas. Recife, PE: SUDENE, 31 p. 1975. (SUDENE. Série Recursos Naturais 3

TAVARES, S.; PAIVA, F. A.F.; TAVARES, E. J. de. S.; LIMA, J. L. S. de. Inventário florestal do
Ceará. III. Estudo preliminar das matas remanescentes do município de Barbalha. SUDENE.
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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 196


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

EMPREGO DO PREDADOR Euborellia annulipes NO CONTROLE BIOLÓGICO DO


PULGÃO Brevicoryne brassicae SOB DIFERENTES TEMPERATURAS

Thais Aparecida Vitoriano DANTAS


Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Graduando do Curso de Ciências Biológicas
thaisvitorianodantas@gmail.com
Robério de OLIVEIRA
Universidade Federal da Paraíba - UFPB. PNPD do curso de Pós-graduação em Agronomia
roberio_b19@yahoo.com.br
Mileny dos Santos de SOUZA
Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Graduanda do Curso de Agronomia
mileny.lopes67@gmail.com
Jacinto de Luna BATISTA
Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Professor do DFCA- UFPB
jacinto@cca.ufpb.br

RESUMO
O estudo avaliou a predação de Euborellia annulipes quando alimentada com pulgões Brevicoryne
brassicae em três temperaturas. Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Entomologia
do Departamento de Fitotecnia e Ciências Ambientais da Universidade Federal da Paraíba,
Areia/PB. Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado em esquema fatorial.
A pesquisa foi realizada em câmaras climatizadas, nas temperaturas de 25, 30 e 35 ± 1ºC, umidade
relativa de 70 ± 10% e fotofase de 12 horas. A predação foi avaliada para ninfas de 1º e 3º instares
do predador E. annulipes, tendo como presa, ninfas de 1º e 2º instares e adulto de B. brassicae, com
10 repetições por tratamento. O maior consumo de B. brassicae por ninfas de E. annulipes ocorreu
para ninfas de 1º ínstar do pulgão.
Palavras-chave: Consumo, Dermáptero, Inseto-praga.
ABSTRACT
The study evaluated the predation of Euborellia annulipes when fed with aphids Brevicoryne
brassicae in three temperatures. The experiment was conducted in the Laboratory of Entomology,
Department of Plant Science and Environmental Science of the Federal University of Paraíba,
Areia/PB. We used the experimental design completely randomized with factorial scheme. The
search was realized in air-conditioned chambers at temperatures of 25, 30 and 35 ± 1ºC, 70 ± 10%
RH, and photophase of 12 h. Predation was evaluated for nymphs of 1st and 3rd instars of the
predator E. annulipes on the nymphs of 1st and 2nd instars and the adult stage of the prey B.
brassicae with 10 replicates per treatment. The higher consumption of B. brassicae by E. annulipes
nymphs occured to nymphs of 1st instar of the aphid.
Keywords: Consumption, Cabbage aphid, Earwigs.

INTRODUÇÃO
O pulgão das brássicas, Brevicoryne brassicae (Linnaeus, 1758) (Hemiptera: Aphididae), é
considerado praga-chave da couve, Brassica oleracea L. (Salgado 1983), em praticamente todo o

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

território do Brasil. Este afídeo causa o engruvinhamento e a redução do tamanho das folhas, além
disso, são vetores de vírus (Nunes et al., 1999). Seu controle é realizado principalmente por
aplicações sucessivas com produtos químicos, pois segundo Pinto et al. (2005) causam problemas
ao ambiente, tanto de forma indireta contaminando os alimentos, quanto indiretamente, afetando a
vida silvestre, prejudicando a saúde do homem, além de desencadear problemas de resistência
(Celoto et al., 2008).
O controle biológico natural é responsável por cerca de 95% da supressão de artrópodes-
praga em áreas cultivadas no planeta (Lenteren, 2009). Nesse sentido, esse método pode ser
empregado dentro de um programa de Manejo Integrado de pragas (MIP), pois compreende um
conjunto de ações que visam particularmente a minimização do uso de agrotóxicos no campo (De
Bortoli et al. 2005), considerando os aspectos ecológicos, econômicos, tecnológicos e sociais para a
tomada de decisão de controle (Fernandes e Carneiro 2006).
A ordem Dermaptera possui predadores vorazes que apresentam comportamento agressivo,
tornando-se um promissor agente de controle biológico para pulgões e ovos de diversas espécies de
lepidópteros. Dentre as espécies de dermápteros, a Euborellia annulipes (Lucas, 1847)
(Dermaptera: Anisolabididae) destaca-se por ser um agente controlador de populações de bicudo-
do-algodoeiro Anthonomus grandis (Boheman, 1843) (Coleoptera: Curculionidae) na região
Nordeste, consumindo larvas em diferentes estádios e pupas em cultivos de algodão (Oliveira et al.
2011); de ovos e larvas de Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae)
(Silva et al. 2009a) e de pulgões Hyadaphis foeniculi (Passerini, 1860) (Hemiptera: Aphididae)
(Silva et al. 2010ab ).
Informações a respeito do desempenho predatório de ninfas E. annulipes em diferentes
temperaturas são significativas para a inserção destes predadores em programa de MIP. De Clercq
& Degheele (1992) ressaltam que o emprego de entomófagos predadores em MIP depende da
compreensão das relações entre temperatura e o desenvolvimento biológico dessas espécies. Lemos
et al. (1998), avaliando o efeito de oito temperaturas no desenvolvimento biológico de E. annulipes,
concluíram que o período de desenvolvimento e sobrevivência está relacionado ao ínstar, estágio e
sexo do predador. Diante do exposto, a pesquisa tem por objetivo avaliar a predação de E. annulipes
quando alimentadas com ninfas e adultos de B. brassicae em três temperaturas.

METODOLOGIA

A criação de E. annulipes no Laboratório de Entomologia – LEN do Departamento de


Fitotecnia e Ciências Ambientais do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da
Paraíba – CCA/UFPB, Areia/PB, à temperatura de 25 ± 2ºC, umidade relativa de 70 ± 10% e
fotofase de 12 horas. Ninfas e adultos de E. annulipes foram criados em recipientes retangulares

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 198


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

transparentes (22,5 x 15,0 x 6,0 cm) com tampa escura, apresentando um orifício vedado com
tecido tipo ―filó‖, a fim de fornecer um ambiente sem incidência de luz e com oxigenação. No
recipiente foi colocado papel absorvente como refúgio e substrato para oviposição, umedecido
diariamente, com água destilada. A alimentação dos dermápteros era composta pela dieta artificial
contendo leite em pó (130g), levedo de cerveja (220g), farelo de trigo peneirado (260g), ração
inicial para frango de corte peneirado (350g) e nipagin (40g).
A criação do afídeo B. brassicae foi estabelecida em ambiente ―telado‖, utilizando plantas
de couve B. oleracea var. acephala cultivadas em vasos com capacidade de 10L, contendo em seu
interior terra vegetal, esterco e areia na proporção de 1:2:1 sendo regado diariamente. A infestação
da couve com B. brassicae foi realizada através da transferência dos insetos adultos de plantas já
infestadas para as mudas com três folhas definitivas.
Para avaliar a predação foram individualizaram-se 180 ninfas de 1º e 3º instares de E.
annulipes com 12 horas de idade, correspondendo a 90 indivíduos para cada ínstar. Os instares de
E. annulipes foram separados em três grupos de 30 indivíduos que continha em cada grupo 10
repetições para os pulgões de 1º ínstar, 2º ínstar e adulto nas temperaturas de 25, 30 e 35 ± 1ºC em
câmaras climatizadas com umidade relativa de 70 ± 10% e fotofase de 12 horas. Espécimes de E.
annulipes foram individualizadas em placas de Petri (9,0 x 1,5 cm) contendo no seu interior papel
absorvente umedecido. Os recipientes foram vedados com fita adesiva, para se evitar a fuga dos
insetos. As presas, após sua identificação, foram fornecidas em quantidade superior ao que cada
ínstar ninfal de E. annulipes consumia diariamente definidas em testes preliminares.
O delineamento estatístico adotado foi inteiramente casualizado em esquema fatorial, cujos
valores de predação foram submetidos à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo
teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os dados obtidos foram analisados pelo software Assistat 7.6
(Silva & Azevedo 2009).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O consumo total de B. brassicae por E. annulipes variou de 23,5 a 149,7 e 42,9 a 540,6
presas para os instares de 1º e 3º do predador nas temperaturas, respectivamente (Tabela 1). A
predação foi maior para o 1º ínstar do pulgão por ninfas de E. annulipes. Contudo, à temperatura de
30ºC não teve diferença significativa para ninfas de 1º ínstar do predador quando consumiram
ninfas de 1º e 2º instares de B. brassicae. Ao analisar o consumo por alimento, verificou-se que a
predação do predador foi maior na temperatura de 25ºC em seu 1º ínstar (ninfas de 1º ínstar) e 3º
ínstar (ninfas de 1º e 2º instares) sobre B. brassicae. Tal comportamento evidencia o efeito desse
fator abiótico sobre o predador quanto a sua capacidade predatória. Lemos et al. (1998) constataram
que o melhor desenvolvimento de E. annulipes acontece no intervalo entre 25 a 28ºC. Estudos

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

conduzidos por Silva et al. (2009a) inferem que o maior consumo de E. annulipes por ovos de
Spodoptera frugiperda (J.E.Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae) é de acordo com o
desenvolvimento embrionário da praga independentemente do ínstar do predador e, por último,
Silva et al. (2010a) evidenciaram o alto consumo deste dermáptero sobre ninfas do pulgão
Hyadaphis foeniculi (Passerini, 1860) (Hemiptera: Aphididae), consumindo em maior número
ninfas de 1º e 2º instares.

Tabela 1 – Predação total e diária (± EP) de ninfas de Euborellia annulipes quando alimentada com estágios
de Brevicoryne brassicae em três temperaturas1 (Areia, Paraíba, Brasil).

Ninfas de 1º ínstar de E. annulipes Ninfas de 3º ínstar de E. annulipes2

Pulgões Temperatura (ºC)

25 30 35 25 30 35

Consumo total

1º ínstar 149,7 ± 5,52 aA 117,1 ± 5,55 aB 125,0 ± 4,06 aB 540,6 ± 15,21 aA 375,3 ± 33,76 aB 241,9 ± 12,93 aC

2º ínstar 70,4 ± 4,49 bB 106,4 ± 7,49 aA 68,4 ± 5,55 bB 302,4 ± 17,01 bA 224,5 ± 11,35 bB 168,4 ± 13,20 bB

Adulto 23,5 ± 1,74 cB 26,4 ± 1,95 bAB 42,5 ± 4,16 cA 163,0 11,02 cA 122,1 ± 7,72 cA 42,9 5 ± 3,55 cB

CV (%) 18,82 26,96

Consumo diário

1º ínstar 19,1 ± 0,81 aA 12,9 ± 0,80 aB 9,5 ± 0,63 aC 50,7 1 ± 1,59 aA 40,1 ± 2,44 aB 23,9 ± 0,80 aC

2º ínstar 8,8 ± 0,66 bA 8,0 ± 0,46 bA 7,3 ± 0,47 bA 21,7 1 ± 0,84 bB 28,8 ± 0,78 bA 14,5 ± 0,56 bC

Adulto 2,6 ± 0,15 cA 3,1 ± 0,30 cA 2,9 ± 0,16 cA 14,1 ± 0,45 cA 16,0 ± 0,72 cA 3,6 ± 0,10 cB

CV (%) 21,07 15,11

1
Médias seguidas pela mesma letra, minúscula nas colunas e maiúscula nas linhas, não diferem entre si pelo
teste de Tukey (P = 0,05); 2Ninfas de E. annulipes em seu 1° e 2° instares foram alimentadas com dieta
artificial.

O consumo diário de B. brassicae por ninfas de E. annulipes foi maior para ninfas de 1º
ínstar da presa nas temperaturas analisadas (Tabela 1), alcançando valores de 19,1; 12,9 e 9,5
afídeos para o 1º ínstar do predador nas temperaturas de 25, 30 e 35ºC, respectivamente.
Similarmente, ocorreu em seu 3º ínstar. Esse comportamento pode esta relacionado a necessidade
de alimento para desenvolvimento do predador em função dos seu ínstar, além disso, estes afídeos
possuem cutícula fina e frágil. O consumo de pulgão por E. annulipes de 1º ínstar, foi influenciado
apenas para o 1º ínstar da presa na temperatura de 25ºC, constatando que houve redução no
consumo do predador em função da elevação da temperatura. No entanto, não houve influência
quando forneceram presas de 2º ínstar e adultos. Desempenho idêntico foi registrado, em seu 3º

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 200


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

ínstar, com exceção quando a predação ocorreu em quantidade maior de ninfas de 2º ínstar na
temperatura de 30ºC e para afídeos adultos. Essa variação da predação à temperatura de 30ºC
certamente ocorre em função do estresse, pois se encontra fora da faixa ótima de desenvolvimento
do predador afetando o seu desempenho predatório. Estudos conduzidos por Silva et al. (2009b)
com os alimentos ovos e larvas de 1º e 2º instares de S. frugiperda para E. annulipes demonstram
que seu consumo, é crescente preferindo a fase de ovo da praga.

CONCLUSÃO

O consumo de B. brassicae por E. annulipes, foi inversamente proporcional ao aumento da


temperatura sendo o 1º ínstar do pulgão mais consumido, independente da idade do predador.

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 201


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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 202


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

FAUNA URBANA: OS ANIMAIS SINANTRÓPICOS NO CAMPUS I DA UDESC -


FLORIANÓPOLIS/SC

Weslley Luan SOARES


Graduando do curso de Geografia UDESC
weslley850@hotmail.com
Jairo VALDATI
Professor do Departamento de Geografia UDESC
javaldati@hotmail.com
Hariany da Silveira CARGNIN
Graduanda do curso de Geografia UDESC
harianyscargnin@gmail.com

RESUMO
O presente trabalho faz parte de um estudo da fauna urbana que está em andamento no Campus I da
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), estes animais por se adaptarem aos ambientes
urbanos, são denominados animais sinantrópicos. O objetivo geral do estudo é o de reconhecer e
localizar as espécies que transitam ou habitam a área do Campus I. O levantamento da fauna, até o
momento está sendo realizado por observações de campo, através de busca ativa e de sentinela
durante diversos períodos do dia e nas quatro estações do ano, buscando observar os hábitos das
espécies, localizar suas áreas de preferência ou de nidificação. Há uma grande diversidade de
animais silvestres no Campus, dentre eles, podemos citar a presença de muitas aves, como quero-
queros, corujas-buraqueiras, também répteis como o jacaré-de-papo-amarelo, as rãs representando a
classe dos anfíbios, saguis, macacos, gambás e morcegos a classe dos mamíferos. Os resultados
preliminares indicam que existe uma significativa diversidade de fauna na área de estudo, mas que a
mesma não está distribuída de forma homogênea pelo Campus. Os diferentes ambientes naturais,
como mangue, lago, área florestada, gramados e a disponibilidade de alimento são os fatores que
condicionam a presença e a distribuição das espécies.
Palavras Chave: Fauna Urbana; Sinantropismo; UDESC; Florianópolis.
ABSTRACT
The present paper is part of a study of the urban fauna that is in progress in Campus I of the State
University of Santa Catarina (UDESC), these animals for adapting to urban environments are called
synanthropic animals. The general objective of the study is to recognize and locate the species that
transit or inhabit the Campus I area. So far, the survey of the fauna is being carried out by field
observations, through active search and sentinel during various periods of the day and in the four
seasons. The aim of the fieldwork is observe the habits of the species, locate their areas of
preference or nesting. There are a great diversity of wild animals in the Campus, among them, we
can mention the presence of many birds, such as southern lapwing, burrowing owls, also reptiles,
such as the broad-snouted caiman. Frogs representing the amphibian class; marmosets, possums and
bats in the class of mammals. The preliminary results indicate that there is a significant diversity of
fauna in the study area, but it is not homogeneously distributed across the Campus. The different
natural environments, such as mangrove, lake, forested area, lawns and the availability of food are
the factors that provide the presence and the distribution of the species.
Keywords: Urban Fauna; Synanthropism; UDESC; Florianópolis.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 203


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTRODUÇÃO

O crescimento dos centros urbanos é fato que há tempos vem ocorrendo, gerando o aumento
das áreas urbanizadas brasileiras. A grande maioria das áreas ocupadas pela expansão urbana ocorre
em detrimento de áreas vegetadas, com isso, a flora e a fauna são as mais prejudicadas devido à
perda de seus habitats naturais. Com a diminuição das áreas originais ocupadas pela fauna, tendo
como consequência a diminuição de recursos, tanto na alimentação quanto em área para
reprodução, alguns animais encontraram nas áreas urbanas meios de sobreviverem.
A fauna urbana é caracterizada por animais de diversas espécies que fazem uso dos
ambientes urbanos, tanto para alimentação, como também para proteção e nidificação. Estes
ambientes são completamente distintos de seus habitats naturais. As espécies da fauna que ocupam
as áreas urbanas podem ser divididas em três grupos, os animais domésticos (gatos e cães), animais
nocivos (ratos e baratas) e os animais silvestres, os quais se adaptaram a viver nas áreas urbanas, ou
simplesmente as utilizam de maneira transitória (como as aves migratórias) (SÃO PAULO, 2013).
Os ambientes naturais, por terem suas áreas reduzidas, não suportam maiores quantidades de
indivíduos das mesmas espécies por questões de equilíbrio dos ecossistemas. Os habitats que antes
abrigavam as espécies de forma natural, buscando o equilíbrio, quando se adaptaram aos ambientes
urbanos se interpuseram dentro de novos ecossistemas, conhecidos como sistemas urbanos.
Atualmente a fauna urbana se desenvolve em meio aos centros urbanos, criando novas relações
sistêmicas que também buscam atingir o equilíbrio, assim como nos sistemas não interferidos pelo
ser humano.
Os ecossistemas são divididos em quatro componentes básicos, sendo eles os abióticos, os
produtores, os consumidores e os decompositores, cada um desses componentes se inter-relacionam
em diversas escalas de um ecossistema. Este é um sistema aberto e as inter-relações geram fluxos
de energia onde ocorre a ciclagem de materiais (ODUM, 1988 e PETERSEN; SACK; GABLER,
2014). O componente abiótico é considerado o espaço onde ocorre às inter-relações dos demais
componentes dos ecossistemas, sem participar das relações caracterizadas pelas relações inter e
intraespecíficas, mas recebe e também é fonte de energia para o sistema. Estes fluxos de energia que
ocorrem devido às inter-relações num ecossistema, podem ser representados pelos níveis tróficos
(RICKLEFS, 2003).
Este trabalho tem por objetivo reconhecer e localizar as espécies que transitam ou habitam a
área do Campus I da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), para assim estabelecer as
conexões dos motivos pelos quais este espaço foi escolhido por cada espécie, além dos fatores que
se tornam atrativos para elas, seja por questões de proteção, nidificação, alimentação ou apenas
passagem.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 204


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

FAUNA URBANA - O CASO DO SINANTROPISMO

Troppmair (2008) afirma que para o desenvolvimento, equilíbrio e dinâmica espacial dos
seres vivos são necessários que haja as relações ecológicas ou também inter-relações, em que, para
cada tipo de relação são necessários dois ou mais organismos. Dentre os mais diversos autores que
estudam questões ligadas aos ecossistemas referem-se às relações ecológicas nas mais diversas
interações, sendo elas de cunho positivo ou negativo para as espécies (DAJOZ, 1983; ODUM, 1988
e RICKLEFS, 2003). As relações interespecíficas são àquelas voltadas as espécies distintas, as
quais podem gerar como, por exemplo, o mutualismo (relação positiva) ou o parasitismo (relação
negativa). Já as relações intraespecíficas são relações que ocorrem entre indivíduos da mesma
espécie, podemos citar as colônias (relação positiva) e o canibalismo (relação negativa).
Segundo Figueiró (2015), as áreas urbanas podem ser consideradas grandes sistemas, os
quais recebem enormes proporções de matéria e energia, estando estas disponíveis aos organismos
que compõe esse sistema. Esta energia é processada e que por fim, seguirá para distintas
localidades dos limites urbanos, onde será acumulada. Um dos maiores problemas dos grandes
centros urbanos é o descarte da matéria orgânica. Matéria essa que poderia ser reciclada de volta ao
sistema, mas que são tratadas como resíduos, atraindo assim, algumas espécies (nativas ou exóticas)
que já se adaptaram a viver nos sistemas urbanos. Além do material descartado, o plantio de árvores
exóticas, algumas frutíferas, e geralmente com intuito paisagístico, acabam atraindo muitas aves e
outros animais, causando assim, a permanência dos mesmos em meios às áreas urbanas
(FIGUEIREDO, 1989).
O descarte incorreto dos resíduos, primeiramente atrai espécies que vão usá-los como fonte
de alimento, mas à medida que a matéria orgânica entra em estágio de decomposição, gera efluente,
trazendo desequilíbrio ao sistema (FIGUEIRÓ, 2015). Isto pode contaminar o lençol freático
através de elementos químicos que serão disseminados por processos distintos. Este fato acaba
afastando ou causando doenças às espécies que ora haviam sido atraídas para a malha urbana. Nos
casos das aves, além de alimento, o material descartado serve principalmente para construção de
seus ninhos, dentre os materiais preferidos por esses animais estão pedaços de tecidos, barbantes,
fios de linhas, entre outros (HÖFLING; CAMARGO, 2002).
Tendo em vista os sistemas urbanos e as inter-relações das espécies que compõe os
ecossistemas, chegamos à definição de sinantropismo. Conceito este atribuído pela Instrução
Normativa 141/2006 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA), definindo que os animais sinantrópicos são todas as populações de animais silvestres,
exóticas ou nativas e que sua relação com as áreas urbanas sejam de, apenas como via de
deslocamento, local de descanso ou que por adaptação fizeram de uma área seu habitat, excluindo-
se desta definição os animais domésticos e aqueles ameaçados de extinção (BRASIL, 2006).
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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Tendo como referência o conceito de sinantropismo, procuramos identificar as espécies que


ocupam o Campus I da UDESC, distinguindo estas espécies primeiramente em quatro classes: aves,
mamíferos, répteis e anfíbios, posteriormente identificando-os pelo nome comum e científico. Além
disto, estamos acompanhando os locais onde os indivíduos destas classes são vistos, identificando o
ambiente de preferência de cada espécie.

CARACTERIZAÇÃO DO CAMPUS I DA UDESC

O Campus I da UDESC está localizado no bairro Itacorubi, Florianópolis/SC. A área de


estudo (Figura 1) é uma faixa de transição entre os ambientes de Mata Atlântica e manguezal. A
área de Mata Atlântica compõe a paisagem do Morro da Lagoa, formando a bacia do rio Itacorubi.
E o manguezal se encontra junto à foz do rio Itacorubi, abrange delimitações próximas à UDESC
até o estuário, possuindo uma área de aproximadamente de 1.875 km².
Além de espécies nativas destes dois ecossistemas, encontramos no Campus diversas plantas
frutíferas exóticas, tais como as nespereiras (Eriobotrya japonica Sp.). Esta espécie foi plantada
com intuito paisagístico, mas por produzirem frutos carnosos, acabam por atrair espécies de
morcegos (Chiroptera Spp.), pelo fato de fornecerem alimentos para esses e alguns outros animais.
Por fim, além da presença do mangue em pequenas faixas, em torno do Campus são encontradas
algumas residências, centros de pesquisas, campos de esportes, encostas com vegetação de Mata
Atlântica e proximidade (não explorada) com o Jardim Botânico de Florianópolis.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 1 - Mapa de localização da área de estudo. Fonte: elaborado pelos autores.

MATERIAIS E METÓDOS

Para execução deste trabalho, foram feitos inicialmente levantamentos de espécies que
podem ser encontradas na área onde está localizado o Campus, em documentos oficiais como,
Estudos de Impacto Ambiental/Relatórios de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA)
disponibilizados pela Fundação do Meio Ambiente (FATMA). Buscando averiguar as informações
obtidas estão sendo realizadas observações in loco para coleta de dados das espécies para assim
estabelecer quais os motivos destas estarem ocupando os perímetros do Campus e em qual ambiente
se encontra.
Assim como os animais variam em sua morfologia, o intervalo biológico se faz muito
importante nos estudos de campo da Biogeografia, então o emprego de técnicas para observação
também teve de diferir para cada classe (FURLAN, 2011). Sendo assim, inferiu-se que o
levantamento de dados será realizado durante as quatro estações do ano, tendo duas (verão e
outono) já completas. Além da variação estacional, as espécies comportam-se diferentemente ao

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

longo do dia, seja por questões meteorológicas como por questões de variação de luz solar, isto
também está sendo levado em consideração. Para as coletas de dados realizadas até o momento,
foram efetuadas inúmeras pesquisas de campo com observações de forma direta e indireta, por meio
de busca ativa e também de sentinela com duração de 1 hora, buscando-se observar espécies de
répteis, anfíbios, mamíferos e aves dentro do perímetro do Campus I.
Para as observações estão sendo utilizadas máquinas fotográficas digitais e gravadores de
áudio e imagem, faz-se o uso também de binóculos para observações à distância e lanternas para
observações noturnas. Os dados de campo são registrados em uma tabela (Figura 2) previamente
testada, bem como caderneta de campo. A localização dos animais observados está sendo assinalada
em uma imagem aérea da área de estudo, para mapeamento direto sobre cartas básicas, delimitando
as áreas aonde foram encontradas as espécies, a fim de obtermos a localização das espécies nas
diferentes estações do ano e assim associar com os ambientes de preferência de cada espécie.

Figura 2 - Tabela para registros de campo durante as observações. Fonte: elaborado pelos autores.

RESULTADOS PARCIAIS

Os dados coletados até o momento registram a ocorrência de uma grande variedade de


animais silvestres, tanto nativos como exóticos, em toda a área de estudo delimitada pelo Campus I
da UDESC. A classe das aves é a que se apresenta em maior número, tanto de indivíduos como
também em espécies, seguida dos mamíferos e répteis e, por fim, dos anfíbios. Levantamentos da
fauna para a bacia do rio Itacorubi feito para o EIA da empresa VPC/Brasil (2008), apresenta em
seus dados a existência de 62 espécies de aves, as quais regularmente podem ser encontradas na
área. Em relação às outras três classes, apenas os animais de maior porte têm destaque, como o
jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). No EIA citado acima não são listados animais

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

pertencentes à classe dos mamíferos terrestres e anfíbios que possam ser encontrados na área de
estudo, no entanto eles são vistos com frequência.
Os dados do levantamento feito até o momento indicam um grande número de espécies de
aves, destacam-se principalmente no Campus os quero-queros (Vanellus chilensis), a garça-branca-
pequena (Egretta thula) e o íbis-preto (Plegadis falcinellus), estes podem ser observados durante
todo o ano nas mais diversas partes do Campus. Os quero-queros (Figura 3 - A) são vistos quase
sempre nas áreas mais abertas da universidade, geralmente entre quatro a seis indivíduos, ocupam
os campos abertos próximo ao Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (ESAG),
sendo este o local de preferência para nidificação. Nos estacionamentos e próximo à Academia
Prof. Dr. Ruy Jornada Krebs, além de nidificação, a espécie usa os locais para alimentação.
A garça-branca-pequena (Figura 3 - B) ocupa principalmente as áreas com presença de água,
principalmente onde se encontra um dos afluentes do rio Itacorubi, nos limites da área da
universidade. A espécie usa este ambiente principalmente para alimentação, visto que ali existem
pequenos peixes que fazem parte da dieta da mesma. Pode-se observar geralmente entre um ou dois
indivíduos em pontos distintos, podendo ser encontrada praticamente em todo o período de coleta
de dados do verão e outono.
O íbis-preto (Figura 3 - C) geralmente apresenta-se em grupos de mais de dois indivíduos,
ocupam as mesmas áreas que os quero-queros e a garça-branca-pequena, quanto maior a área, mais
animais podem ser observados. Além destes, num levantamento inicial, também foram registrados
gralhas-azuis (Cyanocorax caeruleus), corujas-buraqueiras (Athene cunicularia), joão-de-barro
(Furnarius rufus), pombas (Columba spp.), periquitos (Melopsttacus spp.), sabiás-do-campo
(Mimus saturninus), chupins (Molothrus bonariensis), entre outros.

Figura 3 - Avifauna encontrada no Campus I. A - Quero-quero em ambiente de campo, próximo à ESAG; B -


Garça-branca-pequena dentro de um dos afluentes do rio Itacorubi em frente ao CEART; C- Íbis-preto em
ambiente de campo próximo à ESAG. Fotos: Hariany da Silveira Cargnin e Weslley Luan Soares, março de
2017.

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Entre os répteis, o jacaré-de-papo-amarelo (Figura 4 - A) é o que chama mais atenção, pode


ser observado em dias com temperaturas acima da média, fazendo uso de uma pequena estrutura
similar a uma ilha no lago da academia para seu descanso. Em dias muito quentes passa a maior
parte do tempo na água, enquanto no período do outono pode ser visto com mais facilidade fora da
água por longos períodos de tempo. Além de descanso, a área serve também para sua alimentação,
uma vez que, por ter ligação com um afluente do rio Itacorubi, existem no lago alguns peixes que
fazem parte da dieta da espécie.
Além do jacaré, foram observados os lagartos-teiú (Tupinambis merianae), os quais podem
ser encontrados durante dias mais quentes, pois preferem locais mais abertos e ensolarados. São
mais difíceis de serem observados na área de estudo por utilizarem das construções do Centro de
Artes (CEART) para seus abrigos. Fazem uso de buracos abaixo das estruturas de alvenaria que
propiciam sua segurança. Além disto, acredita-se que estes lagartos (Figura 4 - B) aproveitam-se da
época de reprodução dos quero-queros para se alimentarem dos ovos, ou também dos ovos das
galinhas que são criadas nos terrenos vizinhos à UDESC.

Figura 4 - Répteis encontrados no Campus I. A - Jacaré-de-papo-amarelo descansando sobre a ilha no lago


da academia; B - Lagarto-teiú saindo de um dos buracos no CEART. Fotos: Weslley Luan Soares e Diogo
Andrade, agosto e março de 2017.

Representando os anfíbios, foram observadas até o momento somente as rãs (Ranidae spp.)
(Figura 5). Sua área de ocorrência se restringe apenas a uma pequena área banhada em frente ao
Centro de Ciências Humanas e da Educação (FAED). Dificilmente são vistos indivíduos fora
daquela área, porém podem ser ouvidos sons característicos destes animais ao entardecer e durante
a noite. Apesar de existir uma lagoa nas proximidades da academia, não foi observada ou ouvida
nenhuma sonorização de anfíbios na área. Acredita-se que a ausência de anfíbios neste lago é
devido à entrada de água salina em períodos de maré alta, fazendo, com que o lago não seja
propício ao desenvolvimento destas espécies, visto que sua pele possui características osmóticas.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 5 - Rã observada atravessando a área do estacionamento da FAED para a área úmida do mesmo
centro. Foto: Weslley Luan Soares, maio de 2017.

Dentre os mamíferos, o macaco-prego (Sapajus nigritus), se tornou um grande atrativo no


campus, principalmente para os frequentadores da FAED, pois este tem aparecido com certa
frequência nos períodos da manhã e da tarde durante todo o outono e início do inverno. Cada vez
mais este indivíduo tem se aproximado dos seres humanos, pois lhe é ofertado comida, além
daquela que o mesmo consegue das árvores frutíferas que podem ser encontradas em sua área de
abrangência. Não só o macaco-prego (Figura 6 - A) se aproveita desta fonte de alimento, mas
também os saguis (Callithrix penicillata) (Figura 6 - B) são bastante comuns nessa área, mesmo
havendo um grande número de indivíduos desta espécie na área de estudo, as duas espécies de
macacos nunca foram vistas no mesmo período, talvez por uma relação de competição do espaço ou
alimento. Além destes sabe-se da presença de outros mamíferos como, morcegos (Chiroptera spp.),
gambás (Didelphis spp.), ratos (Rattus spp.), tamanduá (Myrmecophaga sp.), entre outros.

Figura 6 - Mamíferos encontrados no Campus I: A - Macaco-prego nas proximidades da FAED; B - Sagui


usando as estruturas das árvores para atravessar o Campus até os limites urbanos. Fotos: Weslley Luan
Soares, agosto e maio de 2017.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

CONCLUSÃO

Existe uma grande diversidade de espécies animais silvestres que se adaptaram a viver nas
áreas dentro dos limites da UDESC. Nota-se que muitas destas usam os espaços de acordo com suas
necessidades, algumas encontram alimentos com mais facilidade, outras abrigo e/ou apenas um
local de descanso. As inter-relações entre as espécies sinantrópicas necessitam de maior análise para
que possam ser apresentadas, porém inegáveis, visto que cada animal de acordo com suas
necessidades estabelece uma área de dominância, onde pode se alimentar e desenvolver-se.
A preservação desta diversidade faunística é muito importante para que haja o equilíbrio do
ecossistema. Entretanto, não somente a fauna como também a flora presente nas áreas do entorno da
universidade também precisam ser mais bem preservadas, visto a proximidade com o Jardim
Botânico de Florianópolis. Poderia haver um projeto que ligasse estas duas áreas, assim, valorizaria
ambas as localidades, pois facilitariam a passagem dos transeuntes. A criação de corredores
ecológicos também seria de grande importância para a preservação da fauna principalmente para os
animais que usam estes espaços apenas como passagem. Isso evitaria que os mesmos fossem
atropelados em locais onde há transito de automóveis ou mesmo sendo feridos por cercas de casas,
fiação elétrica ou ataques de outros animais domésticos.
Para finalizar, destacamos a importância dos estudos sobre os animais sinantrópicos na
Biogeografia abrangendo também seu potencial atrativo e não somente o grau de perigo que estes
podem oferecer. Sugerimos que estudos sobre a fauna, dentre eles o da fauna urbana, sejam mais
incentivados na Geografia, pois ao realizarmos esta pesquisa sentimos falta de trabalhos nesta área
na biogeografia.

REFERÊNCIAS

DAJOZ, R. Ecologia geral. 4. Ed. Petrópolis: Vozes, 1983. 472p. Tradução: GUIMARÃES, F. M.

FIGUEIREDO, L. F. de A. Boletim CEO. nº 2 (Reedição). São Paulo. Centro de Estudos


Ornitológicos, 1986. p. 1 - 38.

FIGUEIRÓ, A. S. Biogeografia: dinâmicas e transformações da natureza. São Paulo. Oficina de


Textos, 2015. v.1. 400p.

FURLAN, S. A. Técnicas de Biogeografia. In: VENTURI, L. A. B. (Org.). Geografia: práticas de


campo, laboratório e sala de aula. São Paulo: Editora Sarandi, 2011. p. 135 – 170.

BRASIL. Instrução normativa nº 141, de 19 de dezembro de 2006. Regulamenta o controle e o


manejo ambiental da fauna sinantrópica nociva. Disponível: em:
<http://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/IN%20141%20IBAMA%20DE
ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 212
Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Z%2006.pdf >. Acesso em: 22 de abr de 2017.

HÖFLING, E. CAMARGO, H. F. da A. Aves no campus. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2002. 157 p.

SÃO PAULO (Estado) Secretária do Meio Ambiente/Coordenadoria de Educação Ambiental.


Fauna urbana, Vol. I. PIEDADE, H. M. São Paulo: SMA/CEA, 2013. 216p.; (Cadernos de
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ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 1988. 434p.

PETERSEN, J. F. SACK, D. GABLER, R. E. Fundamentos de geografia física. São Paulo:


Cengage Learning, 2014. Tradução NASCIMENTO, T. H. Revisão técnica VIEIRA, M. V.

RICKLEFS, R. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2003. 503 p.

TROPPMAIR, H. Biogeografia e meio ambiente. 8. ed. Rio Claro: Divisa, 2008. 227p.

VPC/BRASIL tecnologia ambiental e urbanismo ltda. (Florianópolis). Prefeitura Municipal de


Florianópolis. Estudo de Impacto Ambiental – EIA: Desassoreamento dos Rios da Bacia do
Itacorubi. Florianópolis: VPC/brasil, 2008. 258 p.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

REGISTRO DA FAUNA SILVESTRE ATRAVÉS DE FICHAS CATALOGRÁFICAS:


PARQUE MUNICIPAL DA LAGOINHA DO LESTE, FLORIANÓPOLIS, SC.

Jairo VALDATI
Professor Doutor em Geografia na Universidade do Estado de Santa Catarina
javaldati@hotmail.com
Willian Sartor PREVE
Graduando em Geografia na Universidade do Estado de Santa Catarina
williansartor@gmail.com
Bruna Cesário PEREIRA
Graduada em Geografia na Universidade do Estado de Santa Catarina
cp.bruninha@hotmail.com

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo aplicar as fichas catalográficas desenvolvidas por Troppmair
(1984), para a fauna, como subsídios para a educação ambiental. A área selecionada para este
estudo foi o Parque Municipal da Lagoinha do Leste (PMLL), localizado em Florianópolis – SC.
Esta Unidade de Conservação foi criada em 1992 e desde então vem sofrendo ameaças à
biodiversidade, algo que se manifesta na quantidade de lixo depositada no parque, na captura de
espécies e na introdução de animais domésticos. Visando atingir nosso escopo, realizou-se
inicialmente uma abordagem acerca da preservação dos animais no PMLL, seguido por uma
apresentação das classificações ecológicas para a fauna. Na sequência há uma breve descrição da
área de estudo e apresenta-se a aplicação das fichas catalográficas para 2 espécies presentes no
Parque. Concluímos que há uma necessidade de se realizar estudos sobre a fauna em Biogeografia,
sobretudo pesquisas que ultrapassem um levantamento geral do número de espécies. Ademais, ao
aplicar as tabelas catalográficas como placas/avisos aos frequentadores do local, disponibiliza-se
informações mais específicas sobre a fauna, alertando sobre os possíveis perigos (veneno,
transmissão de doenças) e informando sobre seu potencial atrativo (a cor, o canto), contribuindo
assim para a preservação.
Palavras-Chave: Fauna Silvestre, Registro de Fauna, Educação Ambiental, Florianópolis.
ABSTRACT
This article aims to apply the cataloging file elaborated by Troppmair (1984), for fauna, as subsidies
for environmental education. The area of study chosen is Lagoinha do Leste Municipal Park
(PMLL), located in Florianópolis - SC. This Conservation Unit was created in 1992 and since then
has been suffering threats to biodiversity, manifested in the amount of garbage deposited in the
park, in the capture of species and with the introduction of domestic animals. Aiming to reach our
scope, it was carried out an approach about the preservation of animals in the PMLL, followed by a
presentation of the ecological classifications for fauna. Following is a brief description of the area
of study and the application of the cataloging file for 2 species present in the Park. We concluded
that there is a need to carry out studies about fauna in Biogeography, especially research that goes
beyond a general survey of the number of species. In addition, when applying the catalog tables as
signs/warnings to local visitors, more specific information about the fauna is made available,
alerting them to possible dangers (poison, disease transmission) and informing about their attractive
potential (color, bird‘s singing), thus facilitating preservation.
Keywords: Sylvan Fauna, Record of Fauna, Environmental Education, Florianópolis.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

INTRODUÇÃO

Os animais desempenham um papel fundamental para a manutenção do equilíbrio da


natureza, tendo sua preservação atrelada à conservação da biodiversidade da flora, uma vez que
muitas espécies de plantas dependem da fauna para serem disseminadas. A fauna exerce importante
papel na manutenção ambiental, visto ser responsável pela dispersão de sementes, quebra de sua
dormência, manutenção e estabilidade de populações de insetos, roedores, entre outros.
De acordo com Silva (2009), algumas das principais causas da perda da biodiversidade da
fauna são: a destruição dos hábitats, a exploração desordenada dos recursos naturais, o
desmatamento, a degradação dos ambientes naturais, a caça, o aprisionamento de exemplares
(tráfico) e a introdução de espécies exóticas. Assim, a degradação do meio ambiente já levou
inúmeras espécies faunísticas à extinção e outras tantas encontram-se ameaçadas.
O presente trabalho vem contribuir para o conhecimento da fauna presente no Parque
Municipal da Lagoinha do Leste (PMLL), situado em Florianópolis – SC. O local de estudo é uma
Unidade de Conservação que dispõe de uma paisagem natural composta por Mata Atlântica, praia,
restinga e lagoa formada por canais de drenagem provenientes das encostas do morro do Matadeiro
e Pântano do Sul. Sua paisagem é, por consequência, originária da correlação entre os aspectos
físicos (geologia, relevo e solo) associados ao clima mesotérmico (subtropical úmido), que
ocasionou uma cobertura vegetal peculiar (floresta e vegetação litorânea) e uma fauna diversificada.
O PMLL está localizado na porção sudeste da Ilha de Santa Catarina (Figura 1) e possui
atualmente uma área de aproximadamente 790 hectares. O parque foi criado pela Lei Municipal nº
3.701/92 e Decreto Municipal nº 8.701, com o objetivo de proteger a paisagem natural, a fauna e a
flora e o manancial hídrico da Bacia Hidrográfica da Lagoinha do Leste.
A presente área de estudo está inserida em uma capital do Mercosul, a qual tem no turismo
uma das principais atividades econômica desenvolvidas, recebendo na temporada de verão de 2016
aproximadamente 2 milhões de turistas (G1 SANTA CATARINA, 2016). Neste sentido, o turismo
ecológico passa a despertar interesse como mais uma alternativa de lazer, colocando o Parque em
evidência.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 1 – Mapa de localização do PMLL.

No que diz respeito aos meios de acesso, tem-se a presença de duas trilhas, sendo a trilha
pela praia do Matadeiro a mais extensa, 4 km, e a segunda com 2,3 km, localizada em terreno mais
íngreme, tem início pela praia do Pântano do Sul. Durante o verão há também outra alternativa para
chegar ao parque, pois alguns barcos também fazem o transporte até a praia. Pode-se afirmar que
essa relativa dificuldade de acesso tem servido, ao longo do tempo, como escudo protetor do lugar.
A vegetação predominante na área é a Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), sendo,
segundo Coura Neto e Klein (1991), um dos últimos redutos de Mata Atlântica ainda preservados
em Florianópolis. Este tipo de formação florestal apresenta-se em diversos estágios de sucessão,
com fisionomias que vão de capoeirinha a capoeirão. Em menor área, localizada sobre as dunas e
nos cordões arenosos, existe a vegetação de restinga.
O estudo tem por objetivo aplicar as fichas catalográficas desenvolvidas por Troppmair
(1984) como subsídios para a educação ambiental da fauna, presente nesta Unidade de
Conservação. Para tal fim, abordam-se primeiramente as questões concernentes à preservação da
fauna no PMLL, expondo posteriormente as classificações fisionômicas utilizadas para a fauna. Na
sequência apresenta-se a área de estudo, os procedimentos realizados para o estudo da fauna e por
fim, aplica-se as fichas catalográficas para 2 espécies previamente selecionadas.

A PROBLEMÁTICA DA PRESERVAÇÃO DA FAUNA NO PMLL

Com o desenvolvimento do ecoturismo, pautado na prática de trilha, o número de visitantes


que adentra o PMLL vem colocando em risco a preservação da fauna. Embora seja proibido

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

introduzir animais domésticos no parque, muitos visitantes levam seus animais (principalmente
cães) para visita. Estes animais acabam comprometendo ninhos, matando alguns exemplares e
afugentando animais nativos que circulam nas proximidades da trilha.
O crescente número de visitantes no PMLL resulta em um aumento de barulho, o que
afugenta as espécies e causa muito estresse a esses animais, que tendem a ter baixa na imunidade,
ficando mais vulneráveis às doenças. Além disso, tem-se a prática de camping que vem ocorrendo
de forma desregrada nas áreas do parque, pois alguns visitantes fazem cortes de árvores a fim de
tirar lenha para fogo, abrindo assim clareiras que interferem na vida de muitas espécies animais.
Emerge ainda outras questões em relação aos turistas que frequentam o PMLL e
aproximam-se das espécies animais, adentrando seu hábitat. Há espécies que se constituem como
atrativos e outras como perigos, podendo ser nocivas ao ser humano. Animais nocivos são todos
aqueles que direta ou indiretamente são capazes de atingir a saúde e integridade física do homem ou
lhe causar algum dano, sendo que alguns animais podem ocasionar graves problemas ao homem,
tais como: escorpião, cobra, aranha, anfíbios em geral, entre outros. Outros animais, como
mosquito, mosca, carrapato, pulga, barata e roedores, podem causar ou transmitir doenças.
Por sua vez, os animais atrativos são todos aqueles benéficos ao homem ou que chamam a
sua atenção, seja por sua beleza exuberante, som emitido, como o canto ou por serem muito
diferentes, dificilmente identificados no dia-a-dia, despertando assim a curiosidade de quem os
encontra. São atrativos também aqueles que auxiliam na dispersão de sementes e na polinização.
Na natureza, segundo Furlan (1995), muitos animais podem ser atrativos e nocivos ao
mesmo tempo, algumas espécies de anfíbios e cobras, por exemplo, apresentam coloração viva,
muito bonita e que chama a atenção, especialmente de crianças. No entanto, muitos desses são
venenosos e podem também ser agressivos, atacando o homem, que se aproxima por curiosidade
para fotografar ou até mesmo para tocar nesses animais.

A CLASSIFICAÇÃO ECOLÓGICA DAS ESPÉCIES

Do número total de espécies vivas conhecidas, cerca de 1.750.000, mais de 90% destas são
animais (TOLEDO, 2013). Segundo Troppmair (2012), para melhor compreensão os cientistas
classificam os seres vivos de duas formas: as classificações artificiais (ou ecológicas) e as naturais
(genéticas). Esta última leva em consideração os aspectos genéticos e do aparato reprodutivo. Por
sua vez, as classificações ecológicas baseiam-se em aspectos externos, fisionomia e ecologia, sendo
muito utilizada pelos geógrafos.
Dentre as duas principais subdivisões da Biogeografia, Fitogeografia e Zoogeografia, existe
um maior número de estudos sobre a flora em detrimento aos estudos sobre a fauna, principalmente
nos que tangem sua classificação. Dentre as principais classificações ecológicas da vegetação

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

podemos citar as que se referem ao porte (herbáceo, arbustivo e arbóreo), outra a que se refere ao
espectro biológico (ou classificação de Raunkier), que se baseia nas condições de sobrevivência dos
vegetais nos períodos desfavoráveis. Há ainda a classificação proposta por Kuechler (1949), que
leva em consideração a classificação climática de Koeppen.
Já no que diz respeito à fauna, cabe ressaltar a importância em realizar trabalhos sobre a
mesma em Biogeografia (Zoogeografia), pois segundo Troppmair (2012), estes estudos carecem de
fundamentos consistentes e de comprovações, sendo que muitas vezes se limitam ao levantamento
do número de espécies ou indivíduos em uma determinada área. Segundo o autor citado acima, uma
das dificuldades a pontuar é que devido à grande mobilidade dos animais, estes marcam a paisagem
de forma pouco evidente, portanto, as classificações ecológicas são pouco utilizadas, valendo citar
duas: a do tamanho e aquela elaborada por Troppmair (1984).
Há três categorias de tamanho para a fauna, a saber: Macrofauna, Mesofauna e Microfauna.
A primeira abrange os grandes animais (boi e cavalo, por exemplo), a Mesofauna corresponde a
animais de porte mediano (besouros e borboletas, por exemplo) e a última, por sua vez, inclui todos
os animais de tamanho reduzido, que são geralmente visíveis no microscópio, podendo citar os
protozoários. A segunda classificação utilizada para a fauna foi elaborada por Troppmair (1984) e
baseia-se no aspecto fisionômico e no habitat dos animais, sendo que é fundamentada na
classificação desenvolvida originalmente por Stefenelli (1977), que cataloga a flora alpina por meio
de técnicas visuais.
Dessa forma, há uma sistematização para a fauna que pode ser ampliada e adaptada às
exigências da área em estudo e ao grau de detalhe desejado. Para a representação das características
do animal em estudo deve-se colorir o retângulo correspondente ao desenho e ao que é explicado na
legenda abaixo. Esta catalogação ocorre de forma ilustrada e contém as seguintes informações: tipo
do animal, cor, locomoção, cadeia trófica, habitat, hora de atividade, sociabilidade, qual a formação
vegetal em que vive, altitude, tamanho e fenologia. Abaixo encontram-se as figuras condizentes a
tabela de Stefenelli (figura 2) para a flora e a de Troppmair (figura 3) para a fauna.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 2 – Tabela desenvolvida por Stefenelli


Figura 3 – Tabela desenvolvida por Troppmair
(1977). Uma das vantagens dessa catalogação
(1984), a qual tem como base os trabalhos de
consiste na leitura e interpretação fácil, podendo
Stefenelli (1977).
ainda uma foto acompanhar cada tabela.

PROCEDIMENTOS ADOTADOS PARA O ESTUDO DA FAUNA NA LAGOINHA DO LESTE

Com o intuito de aplicar as fichas catalográficas desenvolvidas por Troppmair (1984) como
subsídio para educação ambiental, classificando 2 espécies silvestres presentes no PMLL, foram
realizadas pesquisas bibliográficas sobre o tema (Biblioteca Pública, BU-UDESC, FATMA e sites),
visita de campo e conversas com alguns frequentadores habituais do parque. Foi possível constatar,
in loco, a presença de alguns animais, assim como alguns frequentadores do parque afirmaram ter
visualizado tais espécies.
O levantamento da fauna local, realizado previamente8, foi feito tendo como base livros
sobre o assunto, sites, observações in loco e conversa com sete pessoas que são frequentadores
assíduos. Após esta etapa, foram selecionados vinte exemplares, sendo dez com potencial atrativo
(turístico) e outros dez considerados com potencial perigo. Dentre os vinte animais selecionados,
foram novamente elegidas 2 espécies, sendo um exemplar de réptil e uma espécie de mamífero, as
quais foram apresentadas por breve descrição e pelo preenchimento da ficha catalográfica.
Algumas modificações foram realizadas no modelo de Troppmair (1984): inseriu-se uma
fotografia do animal e alterou-se o layout da legenda, tornando-a de mais fácil visualização. A
legenda foi dividida em duas colunas e os aspectos relativos ao animal em questão foram

8
Consultar o levantamento em Pereira (2015).

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 219


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

sublinhados. Vale ressaltar que a cor vermelha foi utilizada para o preenchimento do animal de
potencial perigo, o réptil, e a cor verde para representar o animal de potencial atrativo, o mamífero.

RESULTADOS: APLICAÇÃO DAS FICHAS CATALOGRÁFICAS

Constata-se que entre as espécies da fauna de possível presença no PMLL, há mais de 20


espécies de anfíbios, mais de 180 espécies de aves, mais de 25 tipos de mamíferos, mais de 30
espécies de répteis e uma infinidade de insetos, crustáceos e aracnídeos. Na sequência são descritos
os 10 animais atrativos e, posteriormente, os 10 animais que possuem potencial perigo.
As espécies selecionadas que representam atrativo são: Teiu (Tupinambis merianae),
Tucano-Bico-Preto (Ramphastos vitellinus), Martim-Pescador-Verde (Chloroceryle amazona),
Coruja-Buraqueira (Speotyto cunicularia), Lontra (Lutra longicaudis), Lagartinho-Listrado-da-
Restinga (Cnemidophorus lacertoides), Picapauzinho-Verde-Carijó (Viniliornis spilogaster),
Cachorro-do-Mato (Cerdocyon thous) e Gralha-Azul (Cyanocorax caeruleus).
Aquelas espécies que, por sua vez, constituem potencial perigo são: Coral-Verdadeira
(Micrurus corallinus), Caninana (Spilotes pullatus), Aranha-Marrom (Loxosceles laeta), Jaracuçu
(Bothrops jararacussu), Formiga (Pachycondyla sp.), Jararaca (Bothrops jararaca), Abelha (Apis
sp.), Marimbondo (Philanthe sp), Cupim (Cornitermes sp.) e Aranha-Armadeira (Phoneutria
keyserlingia).
Na sequência, apresenta-se uma breve descrição das espécies nas quais se aplicou a ficha
catalográfica, a Coral Verdadeira (Figura 4) e o Cachorro do Mato (Figura 5).

CORAL-VERDADEIRA (Micrurus corallinus)

A coral-verdadeira é uma espécie de cobra de pequeno porte e muito venenosa, sendo uma
das mais venenosas do Brasil. Possui corpo alongado com anéis vermelhos e preto alternados por
distâncias iguais, cabeça arredondada com olhos pequenos e pupila circular, escamas lisas e
brilhantes sobre o corpo. Costuma ficar escondida no solo (subterrâneo), em cupinzeiros, sob as
folhas e em troncos em decomposição. Sua alimentação é baseada principalmente em outras cobras
e lagartos ápodos, mas também pode comer artrópodes, rãs e pequenos mamíferos. Apesar de muito
venenosa, não é agressiva e tende a fugir na presença de intrusos, no entanto, quando cercada se
movimenta freneticamente, podendo morder. Esta cobra tem importante papel na manutenção do
equilíbrio ambiental, pois auxilia no controle populacional de outras espécies, além de servir de
alimento para outros animais.

CACHORRO-DO-MATO (Cerdocyon thous)

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Canídeo de porte médio, pesando cerca de 7kg, possui hábitos crepusculares e noturno.
Assemelha-se muito com as raposas, apresentando pelagem acinzentada, amarela na base, com as
extremidades das patas mais escuras. Este canídeo alimenta-se de uma grande variedade de itens,
como pequenos mamíferos (roedores), répteis, insetos e frutos, sendo um importante dispersor de
sementes. O cachorro-do-mato costuma fugir na presença do homem. No PMLL, segundo relatos de
alguns visitantes, este animal tem se mostrado manso ao se aproximarem dos acampamentos, sendo
sua docilidade um atrativo aos visitantes que acampam no parque.

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Figura 4 – Ficha catalográfica referente à Coral Verdadeira.

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Figura 5 – Ficha catalográfica referente ao Cachorro do Mato.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Constatamos com este estudo que a catalogação de espécies animais apresentadas por meio
da ficha catalográfica, representa um excelente instrumento para conhecermos mais a espécie e com
isso contribuir para a sua preservação. Contudo, sugerimos que algumas alterações sejam feitas, tais
como introdução dos ecossistemas onde o animal vive, o período que ele é mais visível aos turistas,
o tipo de alimentação e etc.
Ao tratar da necessidade de estudos sobre a fauna em biogeografia, não devemos atentar
somente para a preservação de indivíduos isoladamente. Devemos nos conscientizar de que
determinado representante de uma espécie poderá vir a reproduzir-se, ou poderá ser responsável
pela orientação de um bando durante a atividade migratória para a reprodução. Dessa forma,
devemos estar cientes de que cada exemplar de nossa fauna tem seu papel na manutenção e
reprodutibilidade de sua espécie e consequentemente, na estabilidade dos ecossistemas (SILVA,
2009).
Além dos problemas mencionados anteriormente, e que afeta de forma direta a fauna do
PMLL, gostaríamos de registrar a questão do lixo, que acaba sendo deixado de forma displicente
pelos visitantes. São garrafas plásticas, restos de corda e tecido, restos de cigarros, latas e vidros,
estes últimos podem até causar queimaduras em dias quentes. Muitos animais se cortam ou ficam
presos nesses objetos, vindo a morrer ou virando presa fácil de outros animais e de algumas pessoas
que se aproveitam para se aproximar e capturar estas espécies.
Sugerimos então a implantação de placas informativas/alertas sobre a presença de animais
nocivos e atrativos e sobre cuidados importantes que se deve ter quando na área do PMLL. As
placas devem ser ilustrativas e de fácil entendimento, utilizando-se a ficha catalográfica aplicada
neste estudo, porém com uma maior simplificação para facilitar a compreensão do público usuário.
Recomenda-se elaborar material didático, através de folhetos educativos, sobre a preservação
ambiental da flora e da fauna presente no Parque.
Para concluir, salientamos que, conforme já mencionado no texto, existem poucos trabalhos
em Biogeografia que tratam sobre a fauna, ainda menos se considerarmos a sua forma de
representação, além do nome cientifico e origem. É, portanto, um campo que o Biogeógrafo com
formação em Geografia tem muito a contribuir.

REFERÊNCIAS

COURA NETO, A. B.; KLEIN, R. M. Síntese da Vegetação Atual da Ilha de Santa Catarina. In:
FLORIANÓPOLIS, Instituto de Planejamento Urbano – IPUF. Atlas de Florianópolis.
Florianópolis, 1991.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 224


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Florianópolis espera aumento de 20% no número de turistas em 2017. G1 Santa Catarina,


Florianópolis, 29 set. 2016. Disponível em: <http://g1.globo.com/sc/santa-
catarina/noticia/2016/09/florianopolis-espera-aumento-de-20-no-numero-de-turistas-em-
2017.html>. Acesso em: 24 jun. 2017.

FURLAN, S. A. Técnicas de Biogeografia, In: VENTURI, L. A. BITTAR. (Org). Praticando a


Geografia: técnicas de campo e laboratório em geografia e análise ambiental. São Paulo: Oficina
de Textos, 2005. p. 99 – 129.

KUECHLER, W. A Physionomic Classification of Vegetation. Ann of the Am. Geor., 39 (3), 1949.

PEREIRA, B. C. Atrações e Perigos da Fauna Silvestre: estudo de caso no Parque Municipal da


Lagoinha do Leste, Florianópolis, SC. 2015. 101 f. TCC (Graduação) - Curso de Geografia,
Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2015. Disponível em:
<http://sistemabu.udesc.br/pergamumweb/vinculos/00000f/00000f73.pdf>. Acesso em: 15 jun.
2017.

SILVA, K. S. da. Educação ambiental e preservação da fauna. 2009. Disponível em


<http://www.webartigos.com/artigos/educacao-ambiental-e-a-preservacao-da-fauna/19726/>.
Acesso em: 05 nov. 2015.

STEFENELLI. I Fiori della montagna. Priuli e Verluca, Iuera, 1977.

TOLEDO, K. Ao menos 70% das espécies da Terra são desconhecidas. 2017. Agência FAPESP,
São Paulo, 25 fev. 2013. Disponível em:
<http://agencia.fapesp.br/ao_menos_70_das_especies_da_terra_sao_desconhecidas/16867/>.
Acesso em: 22 jul. 2017.

TROPPMAIR, H. Biótopos: Importância e Caracterização. Boletim de Geografia Teorética, vol.


14, n. 27/28, p. 57-67, 1984.

TROPPMAIR, H. Biogeografia e meio ambiente. 9. ed. Rio de Janeiro: Technical Books, 2012.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 225


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Geoecologia das Paisagens

© Antonio David Diniz

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 226


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ANÁLISE MACROMORFOLÓGICA, FÍSICA E QUÍMICA DOS SOLOS DA


COMUNIDADE VENEZA NA SERRA DO ESPINHO, PILÕES/PB

Dayane Ferreira GUILHERME


Graduanda do Curso de Geografia da UEPB/ Campus III9
ferreiradayane16@hotmail.com
João Lucas Freitas de SOUSA
Graduando do Curso de Geografia da UEPB/ Campus III10
Joaolucasfreitas521@gmail.com
Carlos Antônio Belarmino ALVES (Orientador)
Prof. Dr. do Curso de Licenciatura Plena em Geografia da UEPB/Campus III11
c_belarminoalves@hotmail.com
Luciene Vieira de ARRUDA (Orientadora)
Prof Dr do Curso de Licenciatura Plena em Geografia da UEPB/ Campus III12
a a

luciviar@hotmail.com

RESUMO
A Serra do Espinho é o nome dado às elevações situadas na vertente oriental do Planalto da
Borborema, na área ocupada pelo município de Pilões/PB, em direção ao município de Cuitegi/PB.
Apesar de ser um ambiente ocupado por pequenas comunidades, de proporcionar a produção
agrícola e pecuária, a manutenção de florestas e animais e de forte potencial turístico, essa área
possui muitas limitações e instabilidades por conta do relevo acentuado e impermeabilidade de seus
solos. Atualmente os solos estão sendo muito explorados pela agricultura e pecuária, fatores que
mais contribuem para o processo de degradação. O objetivo dessa pesquisa é avaliar é realizar uma
análise macromorfológica física e química dos solos do Projeto de Assentamento (PA) Veneza,
Pilões/PB. Os métodos utilizados na pesquisa seguiram os escritos de Tricart (1977), Tedesco et al
(1995), Alvarez et al (1999), Lepsch (2010), Santos et al (2013) e Embrapa (2009; 2013). Os
estudos foram divididos em etapas de gabinete, campo e laboratório. Das 4 amostras de solo
coletadas no PA Veneza, três se encontram com pH ideal, (solos 1, 2, 3). O solo 4 é ácido e
necessita de calagem. Todos os solos analisados em Veneza são distróficos, não sendo ideias para
serem utilizados como base para as culturas existentes na comunidade.
Palavras-Chave: Solos, Análises Macromorfológicas, Potencialidades
ABSTRACT
Serra do Espinho is the name given to the elevations located on the eastern slope of the Borborema
Plateau, in the area occupied by the municipality of Pilões / PB, towards the municipality of Cuitegi
/ PB. Despite being an environment occupied by small communities, providing agricultural and
livestock production, maintenance of forests and animals and strong tourism potential, this area has
many limitations and instabilities due to the marked relief and impermeability of its soils. Soils are
currently being extensively exploited by agriculture and livestock, factors that most contribute to
the degradation process. Thus, the objective of this research is to evaluate is to perform a physical

9
Bolsista do PIBIC/CNPq-Membro do Grupo TERRA, CNPq.
10
Bolsista do PIBIC/CNPq -Membro do Grupo TERRA, CNPq.
11
Vice-líder do Grupo TERRA, CNPq.
12
Líder do Grupo TERRA, CNPq.

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and chemical macromorphological analysis of the soils of the Venice Settlement, Pilões / PB. The
methods used in the research followed the writings of Tricart (1977), Tedesco et al (1995), Alvarez
et al (1999), Lepsch (2010), Santos et al (2013) and Embrapa (2009; 2013). Following the
hypothetical-deductive method, with the General Theory of Systems as the basis for an integrated
study of the environment. The studies were divided into cabinet, field, and laboratory steps. The
importance of macromo - logical, physical and chemical diagnosis of the soils of the Venice
community in the Serra do Espinho lies in the fact that these soils provide agricultural and livestock
production, the maintenance of forests and animals, and still have relevant tourism potential. Of the
4 soil samples collected in the PA Veneza, three are found at ideal pH, (solos 1, 2, 3). All the soils
analyzed in Veneza are dystrophic, and are not ideas to be used as the basis for the cultures existing
in the community.
Keywords: Solos, Macromorphological Analyzes, Potentialities

INTRODUÇÃO

As serras e planaltos do Nordeste totalizam 124.241 km2, o referente a apenas 8% do total


da região, sendo que somente o Planalto da Borborema possui área total de 43.460 km2 e abrange os
estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas1 (SOUZA,1999). Na Paraíba o
Planalto da Borborema adquire importância fundamental na disposição dos recursos naturais, pois
condiciona os tipos de recobrimento vegetal, solos, climas e a disposição hidrológica, que vão
influenciar diretamente nas atividades econômicas, políticas e sociais.
A Serra do Espinho são as terras localizadas na porção leste do município de Pilões,
cortadas pela Rodovia PB 077 e compreende, aproximadamente, 40% da área municipal. A região é
formada, predominantemente, por material cristalino dissecado em colinas e lombas alongadas, de
topografias forte-onduladas a montanhosas, com densa rede de drenagem de padrão dendrítico e
sub-dendrítico. Apresenta ainda, quedas d‘água e vales em forma de ―V‖. (CPRM, 2005;
FERREIRA, 2012).
Apesar de ser um ambiente ocupado por pequenas comunidades, de proporcionar a produção
agrícola e pecuária, a manutenção de florestas e animais e ainda ter relevante potencial turístico,
essa área possui muitas limitações e instabilidades naturais devido ao relevo acentuado e a
impermeabilidade de seus solos, sujeitos a constantes deslizamentos (CARDOSO et al, 2012).
Nessa perspectiva objetivou-se nessa pesquisa fazer um diagnóstico macromorfológico, físico e
químico das terras no PA Veneza, na Serra do Espinho, Pilões/PB.

METODOLOGIA

A metodologia proposta para a presente pesquisa está dividida em: levantamento


bibliográfico e cartográfico; pesquisa de campo; análises laboratoriais; materiais utilizados e
caracterização da área da pesquisa. Foi realizado o trabalho de campo para obter os dados a serem
inseridos na base cartográfica. Foram escolhidas quatro áreas agrícolas no PA Veneza, listadas em

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

uma tabela, com as seguintes informações: localização geográfica; coordenadas geográficas e UTM,
altitude (tabela 1), área, nível de declividade, e cultivo atual. As amostras de solo foram coletadas
com o uso do trado de caneco de 4‖, numa profundidade aproximada de 0-40 cm. Em seguida, as
amostras foram armazenadas em sacos plásticos e identificadas com a localização do ponto
(coordenadas UTM), o número e a data da coleta.

Tabela 1. Altitude e coordenadas geográficas dos solos coletados no PA Veneza na Serra do Espinho,
Pilões/PB.
Coleta Altitude local (m) Declividade Área (ha) Coordenadas UTM Cultivo atual
1 305 13% - 25% 0,5 0213176 – 9239992 banana
2 300 13% - 25% 0,2 0212843 – 9240071 banana
3 305 13% - 25% 0,6 0212958 – 9331656 mandioca
4 400 13% - 25% 0,3 0214046 – 9238883 urucum
Fonte: Trabalhos de campo 2017.

As amostras de solos coletadas foram analisadas em suas características físicas e químicas


nos laboratórios de Física do Solo e de Química e Fertilidade do Solo do Departamento de Solos e
Engenharia Rural do CCA/UFPB, conforme Tedesco et al (1995) e Embrapa (2009). As análises
físicas das amostras de solos consistiram apenas da classificação textural. As análises químicas
foram as rotineiras de fertilidade, com a determinação do potencial hidrogeniônico (pH) em água,
Fósforo (P), Potássio (k+), Sódio (Na+), Cálcio (Ca2+), Magnésio (Mg2+), Acidez Potencial (H + Al),
e Carbono orgânico. Em seguida, partimos para os cálculos das amostras de cada um dos solos, tais
como a Capacidade de Troca Catiônica (CTC), Saturação de Bases (V%), Saturação por Alumínio
(m%) e Soma de Bases (SB).

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DA PESQUISA

O município de Pilões é um dos menores da microrregião do Brejo, tanto em área territorial


quanto em população, distribuída entre a sede e os distritos ou comunidades (CPRM, 2005; IBGE,
2010). É na porção leste de pilões onde está localizada a Serra do Espinho, um ambiente com área
aproximada de 25 km2, ocupado por quatro comunidades rurais, entre estas, o Projeto de
Assentamento (PA) Veneza, situado a 3 km da sede do município (Figura 1). Trata-se de um
ambiente que possui diversas formas naturais (corredeiras, quedas d‘água, formações rochosas,
vales, cobertura vegetal exuberante) e desenvolve atividades humanas que estimulam a visitação,
como as apresentações culturais, o artesanato, o Memorial da casa de farinha e a gastronomia local.
Os 26 assentados que vivem no PA Veneza são cadastrados em políticas públicas federais,
estaduais, e municipais, promovendo um bom desenvolvimento social, referentes à infraestrutura
básica, tais como abastecimento de água, energia, habitação, educação e transporte. Os assentados
de Veneza exploram as terras com culturas tradicionais, marcadas por plantios morro abaixo,

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

praticam queimadas, desmatam cabeças de morros, vertentes e áreas ribeirinhas, se utilizam de


agrotóxicos, praticam a caça aos animais silvestres e lançam resíduos sólidos e líquidos sobre as
águas e sobre os solos, justificando a falta de assistência pública municipal na coleta desses
resíduos.

Figura 1. Localização da Serra do Espinho, Pilões/PB, identificação do PA Veneza e dos pontos de coleta de
solos.

Fonte: Trabalhos de campo, 2017.

Nesse contexto, os agricultores se apropriam do relevo de modo a desestabilizar as vertentes,


quando da retirada de sua cobertura vegetal, que vai promover os processos erosivos e o
assoreamento dos cursos d‘água, indo refletir diretamente em perdas de solos, ao que Tricart (1977)
e Casseti (1991) definem como Sistema de Degradação do Meio Ambiente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para facilitar a compreensão das características da camada arável dos solos estudados em
Veneza, é importante relembrar os conceitos e a importância dos principais parâmetros
macromorfológicos do solo: cor, textura, estrutura e consistência (Tabela 2). A cor do solo é função
principalmente da presença de óxidos de ferro e matéria orgânica (MO), além das condições de
drenagem e aeração do solo, da lixiviação, do material de origem, da intensidade dos processos de
alteração da rocha e da distribuição do tamanho das partículas (FERNANDEZ e SCHULZE, 1992).
Alguns solos refletem diretamente as cores do material geológico que o originou.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Tabela 2. Características Macromorfológicas da camada arável dos solos coletados no PA Veneza, da Serra
do Espinho Pilões/PB.
Z
Coleta Cor1 Textura Estrutura Consistência
7,5YR 4/4 Marrom Ligeiramente duro,
Franco-
1 2,5y R 2,5/ 2 Granular média friável, plástico,
arenoso
Vermelho muito forte muito pegajoso
10YR 3/3 Bruno escuro Ligeiramente duro,
Franco
2 10YR 2/2 Bruno muito Granular média firme, plástico,
arenosa
escuro pegajoso
5YR 4/6 Vermelho
Duro, firme,
amarelado Franco Granular
3 ligeiramente plástico,
5YR 3/4 Bruno arenoso pequena
ligeiramente pegajoso
avermelhado escuro
5YR 3/2 Bruno avermelh. Franco- Ligeiramente duro,
Granular
4 Escuro Argila firme, plástico,
pequena
5YR 2,5/1 Preto arenosa pegajoso

A textura tem relação direta sobre a fertilização do solo, ou seja, solos arenosos tendem a ser
menos férteis que solos argilosos; também tem relação com o nível de conservação do solo, ou seja,
solos arenosos têm alta permeabilidade à água, mas podem também ser mais susceptíveis à erosão
hídrica (KONDO, 2008). Juntamente com a textura, a estrutura do solo influencia na quantidade de
ar e de água, bem como na penetração e distribuição das raízes, necessárias às plantas para sua
fixação ao solo, absorção de nutrientes, atividade microbiana e na resistência à erosão, entre outros
(SANTOS et al, 2013). A análise da consistência se define com o tato, ou seja, a força imposta à
dureza ou mesmo à facilidade que uma amostra de solo tende a quebrar.
Das quatro amostras de solos coletadas em Veneza, as duas primeiras estão ocupadas com
bananicultura. O relevo regional é ondulado e a declividade local está entre 13 e 25%, apresentam
erosão do tipo laminar e em sulcos de grau moderado ou forte, em área não pedregosa e não
rochosa. O solo 3 está ocupado com plantação de roça e mandioca (Manihot esculenta Crantze), se
dispõe em relevo ondulado e ligeiramente inclinado com declividade entre 13-25%. Apresenta
erosão do tipo laminar e em sulcos, de grau forte, em área não pedregosa e não rochosa. O solo 4
está ocupado com urucum ou urucu (Bixa orellana). O relevo regional é ondulado e o relevo local é
inclinado (13 à 25%), apresenta erosão do tipo laminar e em sulcos de grau moderado, além de não
aparentar pedregosidade e rochosidade. A cobertura vegetal dos quatro solos é composta por mata
secundária.

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DOS SOLOS ESTUDADOS NA COMUNIDADE VENEZA


NA SERRA DO ESPINHO, PILÕES/PB

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Com relação à discussão dos parâmetros químicos dos solos do PA Veneza (Tabela 3), estes
seguem as classes de interpretação de fertilidade do solo utilizadas no Estado de Minas Gerais
(ALVAREZ et al., 1999).

Tabela 3. Características Químicas da camada arável dos solos coletados no PA Veneza, Serra do Espinho
Pilões/PB.

pH
Coleta M.O. P K+ Na+ Ca2+ Mg2 Al3+ SB (H+Al) CTC V
(H2O) +

..............................cmolc dm- ..%..


g/kg mg/dm3 3
................................
PA Veneza
1 5,9 13,2 5,8 62,4 0,04 0,70 0,65 0,10 1,56 1,98 3,54 44,07
2 6,0 21,0 44,9 406,0 0,15 0,78 1,11 0,00 3,08 5,86 8,94 34,46
3 5,8 11,4 30,4 168,6 0,06 0,93 0,42 0,05 1,84 3,96 5,80 31,77
4 5,3 23,4 9,7 144,6 0,07 0,74 0,27 0,45 1,45 8,66 10,12 14,36
Fonte: Laboratório de Química e Fertilidade do Solo do Departamento de Solos e Engenharia Rural do
Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em Areia/PB.

Malavolta (2006) afirma que é essencial conhecer a participação dos elementos minerais na
vida da planta e suas quantidades necessárias, bem como as condições de pH do solo, uma vez que
pH muito baixo ou muito alto implica em condições desfavoráveis no desenvolvimento das plantas.
Os parâmetros químicos analisados no presente trabalho são: Potencial hidrogeniônico (pH),
matéria orgânica (MO), fosforo (P), potássio (K+), sódio (Na+), cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2 +),
alumínio (Al3+), soma de bases (SB), capacidade de troca de cátions (CTC e saturação de bases
(V%).
O pH define a acidez ou alcalinidade relativa de uma solução e sua escala varia de 0 a 14,
consiste na remoção dos cátions básicos (Ca2+, Mg2 +, K+ e Na+) – do sistema do solo, substituindo-
os por cátions ácidos (Al e H+) (TEDESCO et al, 1995). O valor 7,0 que está no meio, é definido
como neutro; valores abaixo de 7,0 são ácidos e aqueles acima de 7,0 são alcalinos. Solos muito
ácidos ou alcalinos são indesejáveis para a maioria das plantas restringindo seu crescimento, sendo
que a faixa de pH ideal para cultivo é de 5,5 a 6,5 (MALAVOLTA, 2006; PRIMAVESI, 2016).
Quando o pH do solo é ácido (< 5), íons fosfato se combinam com ferro e alumínio
formando compostos de baixa solubilidade, indisponíveis às plantas. Concomitantemente os teores
de Ca2 e Mg2 serão baixos, a CTC efetiva será baixa, assim como a V%. Por outro lado haverá
maior disponibilidade de Fe, Cu, Mn e Zn, podendo até causar toxidez por esses micronutrientes
(TOMÉ Jr., 1997). Nesse caso, aconselha-se corrigir o solo com calagem. Do contrário, se o solo
apresenta alcalinidade, aconselha-se a gessagem (ALVAREZ et al,1999).
Todavia, Luz et al (2002) afirmam que a gessagem elimina o Al3+, aumenta os teores de
bases trocáveis (Ca2+, Mg2+ e K+, principalmente) na subsuperfície e fornece Ca2+e S (enxofre) para
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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

as plantas. Nesse contexto, das 4 amostras de solo coletadas na comunidade Veneza, os solos 1, 2 3
se encontra com pH ideal. O solo 4 é ácido e necessita de calagem. A condição de acidez ou
alcalinidade compromete os solos de Veneza, principalmente porque os agricultores não costumam
fazer a correção do solo, indo refletir no desenvolvimento das culturas.
A matéria orgânica do solo (MOS) é indispensável ao solo, pois indica a sua fertilidade.
Segundo Primavesi (2016) a MOS constitui-se em um dos melhores benefícios do solo à planta,
pois influencia nas características físicas, químicas e biológicas do solo; melhora a estrutura do solo
e, consequentemente, a aeração, drenagem e retenção de água; fornece carbono como fonte de
energia para os microorganismos, promovendo a ciclagem de nutrientes; interage, ainda com
metais, óxidos e hidróxidos metálicos, atuando como trocador de íons e na estocagem de nitrogênio,
fósforo e enxofre. A matéria orgânica da camada arável dos solos analisados variou entre 11,4 g/kg
até 23,4g/kg, uma quantidade muito boa (Alvarez et al,1999),
Rolim Neto et al., (2004) definem o P como um macronutriente que, apesar de ser exigido
em menor quantidade pelas plantas, em relação aos outros nutrientes, é um composto de energia que
faz extensa ligação com os colóides e constitui-se em fator limitante na produtividade da maioria
das culturas nos solos fortemente intemperizados, onde predominam formas inorgânicas de P
ligadas à fração mineral (com alta energia) e formas orgânicas estabilizadas física e quimicamente..
Nesse contexto, os solos analisados em Veneza apresentaram altas quantidades de P, sendo
que os solos 2 e 3 estiveram sempre acima de 30 mg/dm3. Em solos ácidos, como é o caso dos
solos 1 e 4, o P encontra-se precipitado com ferro, alumínio e magnésio, ou adsorvido a minerais
argilosos e óxidos e hidróxidos de ferro, alumínio e magnésio (EMBRAPA, 2009), podendo
comprometer as culturas.
No que diz respeito ao K, todos os solos estudados apresentaram altas reservas desse
nutriente, principalmente o solo 2, assegurando seu potencial para culturas frutíferas,
principalmente a bananeira, uma das espécies mais exigentes em potássio (BORGES, 1999) e que é
bastante cultivada nas áreas de serras nordestinas. O K influencia na resistência das plantas a
condições adversas, como baixa disponibilidade de água e altas temperaturas.
O Na+ corresponde ao sódio trocável e seu valor é utilizado na classificação de solos salinos,
sódicos e não salinos. Altas quantidades de Na+ causam dispersão do colóide argiloso no solo
(SALOMÃO e ANTUNES, 1998). Nenhuma das amostras de solos analisadas apresentou excesso
de Na+.
Com relação aos nutrientes Ca2+ e Mg2+, estes tendem a ser baixos em solos ácidos, assim
como a CTC e a V%. Considerando-se as 4 amostras de solos estudados na presente pesquisa, os
solos ácidos ou alcalinos (solo 4), apresentaram os menores teores, confirmando-se o que afirma a
literatura. Para Vale et al (1997) o Ca2+ é um nutriente imóvel que compõe a parede celular da

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 233


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

planta. O seu excesso altera o ritmo da divisão celular do vegetal. A sua falta reduz o crescimento
radicular, muda a coloração das raízes, provoca o curvamento dos ápices, deforma as folhas jovens,
causa clorose marginal podendo evoluir para necrose. Todos esses sintomas costumam apresentar-
se nas partes mais velhas do vegetal. Já o Mg2+ é um nutriente móvel essencial ao funcionamento
dos ribossomas, sendo um constituinte de cofactores enzimáticos, clorofila e proteínas (SALOMÃO
e ANTUNES, 1998). A sua falta nos vegetais provoca morte prematura das folhas, degeneração dos
frutos, cloroses intervenais, necrose foliar, redução do crescimento vegetal e inibição da floração,
iniciando-se, como nos demais casos, nas áreas mais velhas do vegetal. O excesso desse nutriente
altera absorção de K e Ca+ pela planta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a discussão dos resultados da presente pesquisa e ter constatado que todos os solos
estudados possuem um histórico de uso relacionado à agricultura canavieira e estão sendo utilizados
atualmente para a agricultura de subsistência, pastagem ou culturas permanentes, é possível fazer as
seguintes considerações:
 Das 4 amostras de solo coletadas no PA Veneza, três se encontram com pH ideal,
(solos 1, 2, 3). O solo 4 é ácido e necessita de calagem;
 O solo 4 é ácido e a V% foi baixa, associando-lhe a condição distrófica e por isso,
esse solo necessita de alguns cuidados para o seu melhor aproveitamento;
 Todos os solos analisados em Veneza são distróficos, não sendo ideias para serem
utilizados como base para as culturas existentes na comunidade.
A importância do diagnóstico macromofológico, físico e químico dos solos do PA Veneza
na Serra do Espinho reside no fato desses solos proporcionarem a produção agrícola e pecuária, a
manutenção de florestas e animais e ainda ter relevante potencial turístico. Assim, o estudo dos
solos do PA Veneza permitiu conhecer as potencialidades e as vulnerabilidades desse recurso
natural, que podem servir para orientação de futuros usos desses solos.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

EMISSÃO DE CO2 EM SOLO SOB PASTAGEM NA REGIÃO AGRESTE DA


PARAÍBA

Galileu Medeiros da SILVA


Graduando em Agronomia da UFPB
galileu.medeiros@hotmail.com
Tiago de Carvalho PESSOA
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo da UFPB
tiago.pessoavw@gmail.com
Vânia da Silva FRAGA
Professora associada da UFPB
vfraga@cca.ufpb.br
Rodolfo José Silva FELIX
Graduando em Agronomia da UFPB
rodolfojsfelix@hotmail.com

RESUMO
Há, atualmente, uma grande preocupação com a ocorrência de eventos que estão contribuindo com
as enormes mudanças do clima no planeta, e uma das principais e preocupantes mudanças é com o
aumento da temperatura. O objetivo deste trabalho foi quantificar o efluxo de CO2 do solo em
distintas posições do relevo em uma encosta sob pastagem, com 20 anos de implantação. O
experimento foi realizado na microbacia hidrográfica de Vaca Brava, localizada entre os municípios
de Areia/PB e Remígio/PB. A encosta onde ocorreu o presente estudo, é composta pela posição do
ombro, meia encosta e pedimento, onde foi coletado solo para análises físicas, em cada posição. As
medidas meteorológicas foram registradas durante todos os dias de coleta. Foi utilizado um
esquema fatorial 3x22 que correspondem a três posições do relevo (ombro, meia encosta e
pedimento) e vinte e duas avaliações do efluxo, com três repetições, totalizando 198 amostras. O
efluxo de CO2 foi avaliado semanalmente, até o final do período chuvoso, pela quantidade de CO2
capturado na superfície do solo, através da captura do dióxido de carbono (CO2) dentro de câmaras
estáticas, por 40 mL de uma solução de hidróxido de sódio (NaOH) a 1 Mol L-1 contidos dentro de
um recipiente durante 24 horas. Os valores médios das três repetições foram submetidos à análise
de variância e quando pertinente comparado às médias das posições pelo teste de Tukey (P≤0,05).
Os maiores valores de efluxo de CO2 do solo, encontram-se a partir de 4.46μmolm-2s-1 de emissão,
as maiores emissões ocorreram nos períodos chuvosos, ou com chuvas ocasionais, e as menores
emissões, ocorreram no período seco do ano. Conclui-se que a emissão de CO2 varia ao longo do
ano, de acordo com o período seco ou chuvoso e entre as posições do relevo, de acordo com a
textura do solo.
Palavras chave: Textura do Solo, Precipitação Pluvial, Encosta, Posições do Relevo.
ABSTRACT
Currently there is a great concern about the occurrence of events that are contributing to the
significant changes in the climate of the planet, and one of the major and worrying changes is with
the increase in the temperature of the planet. The aim of this work was to quantify the CO2 efflux of
the soil in different positions of the relief on a slope under pasture, with 20 years of implantation.
The experiment was carried out in the hydrographic basin of Vaca Brava, located among the
municipalities of Areia/PB and Remígio /PB. The slope, where the present study occurred, is

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composed by the shoulder position, half slope and pediment, where was collected soil for physical
analysis, in each position. Meteorological data were recorded during all collection days. A factorial
scheme 3x22 was used that corresponded to three relief positions (shoulder, half slope and
pediment) and twenty two efflux evaluations, with three replications, totalizing 198 samples. The
efflux of CO2 was evaluated weekly, until the end of the rainy season, by the amount of CO2
captured at the soil surface by carbon dioxide (CO2) captured inside static chambers, by 40 mL of a
solution of sodium hydroxide (NaOH) to 1 Mol L-1 contained in a vessel for 24 hours. The mean
values of the three replicates were submitted to analysis of variance and, when relevant, compared
to the means of the positions by the Tukey test (P≤0.05). The highest values of CO2 efflux from the
soil are from 4.46μmolm-2s-1 of emission, the highest emissions occurred in the rainy season, or
with occasional rainfall, and the lowest emissions occurred in the dry period of the year. It is
concluded that the CO2 emissions varies during the year, according to the dry or rainy period and
between the positions of the relief, according to the soil texture.
Keywords: Soil texture, Precipitation, Slope, Relief position.

INTRODUÇÃO

Há, atualmente, uma grande preocupação com a ocorrência de eventos que estão
contribuindo com as enormes mudanças do clima no planeta, e uma das principais e preocupantes
mudanças é com o aumento da temperatura. Evento este advindo de uma série de contribuições
antropogênicas, que resulta em um fenômeno denominado de efeito estufa. As principais
contribuições para a ocorrência deste fenômeno são as enormes emissões de gases, principalmente,
o dióxido de carbono (CO2) e outros gases, tais como o óxido nitroso (N2O) e o metano (CH4)
(IPCC, 2007).
A quantidade de carbono armazenado na matéria orgânica dos solos equivale a quase duas
vezes a quantidade de carbono encontrado na atmosfera na forma de CO2, determinando assim um
estoque de 1300 a 1500 Pg (1Pg = 109 toneladas) nos primeiros 100 cm de solo (LAL, 2004) e
outros 600 Pg de Carbono na vegetação, que quando se obtém seu produto equivale a
aproximadamente três vezes a quantidade de Carbono contido na atmosfera (LAL, 2008). O dióxido
de carbono (CO2) é produzido facilmente nos primeiros 10 cm da superfície do solo, por meio de
processos desencadeado por microrganismos, através da decomposição aeróbica da matéria
orgânica e respiração do sistema radicular das plantas (D‘ANDRÉA et al., 2010).
No Brasil, cerca de 75% das emissões de CO2 são contribuídas pelas mudanças no uso da
terra e agricultura (CERRI&CERRI, 2007). As emissões de CO2 é um dos principais parâmetros
que se relaciona com a respiração, processo este que é geralmente estimulado pelo preparo do solo,
umidade do solo, dentre outros. Entre os fatores bióticos e abióticos que controlam o efluxo de CO2
do solo; destaca-se a disponibilidade de água e a temperatura do solo como os principais
controladores (VINCENT et al.,2006).

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A avaliação da taxa respiratória ou atividade microbiana, gerada pela evolução do CO2


proveniente da respiração de microrganismos heterotróficos aeróbicos durante a oxidação de
compostos orgânicos, é uma das mais usadas (KENNEDY & SMITH, 1995).
Dentre os ecossistemas, as pastagens são consideradas promissoras no sequestro de carbono
atmosférico, por fazerem parte de grandes áreas plantadas no território nacional. Mas, grande parte
destas áreas, não são bem manejadas, ou encontram-se em estado de degradação, o que em vez de
estocar carbono no solo, serve como emissor de carbono à atmosfera. A recuperação de pastagens
degradadas pode ser uma das alternativas de sequestro de carbono, reduzindo assim uma quantidade
de até 104,5 milhões de toneladas de CO2 eq, que poderiam contribuir para agravar o efeito estufa
(LEITE, 2010).
Diante disso, esse trabalho tem como objetivo quantificar o efluxo de CO2 do solo em
distintas posições do relevo em uma encosta sob pastagem, com 20 anos de implantação.

MATERIAL E MÉTODOS

Localização da área de estudo, clima e solo

O experimento foi realizado na microbacia hidrográfica de Vaca Brava (compreendida entre


as coordenadas geográficas: 06o57‘48‖ e 06o59‘43‖ de latitude S e 35o44‘03‖ e 35o45‘59‖ de
longitude O) (Santos & Salcedo, 2010) que possui predominantemente dois tipos de uso do solo,
uma área de reserva ecológica e outra de agropecuária familiar (794 ha), que juntas ocupam uma
superfície de 1.500 ha distribuídos entre os municípios de Areia/PB e Remígio/PB.
A maior parte da microbacia incluindo a reserva ecológica está localizada no município de
Areia/PB, que possui clima tropical chuvoso (pluviosidade anual de 1.200 mm) com déficit hídrico
de setembro a janeiro, e um relevo ondulado a fortemente ondulado, com solos Argilosos como
solos predominantes. No município de Remígio/PB, com características edafoclimáticas de
transição, com solos arenosos, relevo suave ondulado e marcante declínio na pluviosidade anual
(820 mm), com déficit hídrico de setembro a fevereiro, uma parte da microbacia está antropizada,
explorada pela agricultura familiar, onde a principal atividade é a criação extensiva de animais a
pasto (SANTOS et al., 2002) sem qualquer suporte técnico.

Classificação da encosta

A encosta onde ocorreu o presente estudo, está localizada a 6°57‘55,9‖ de latitude S e


35°46‘14,4‖ de longitude O, a mesma é constituída por pastagem de Urochloa decumbens
estabelecida há 20 anos. No presente estudo, a encosta (Figura 1) é composta pela posição do

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ombro, meia encosta e pedimento, posições estas onde ocorreram as avaliações (SANTOS et al.,
2002).

Figura 1. Posições do relevo na topossequência (Santos et al., 2002).

Avaliação física do solo

Foram coletadas amostras de solo, até uma profundidade de 20 cm, em cada posição da
encosta, para a caracterização física do solo (Tabela 1). As amostras coletadas foram destinadas ao
laboratório de Física do solo do CCA-UFPB, onde foram secas ao ar e peneiradas em peneiras com
malha de 2 mm, para em seguida serem analisadas pela metodologia da Embrapa (1997).

AT Silte Argila ADA Ds Dp PT Classificação Textural


Posição
-----------g kg-1 ------------- ---g cm-3--- %

Ombro 652 71 277 19 1,59 2,59 39 Franco argilo arenoso

M. encosta 672 57 271 19 1,59 2,60 39 Franco argilo arenoso

Pedimento 777 67 157 13 1,52 2,58 41 Franco arenoso

Tabela 1. Atributos físicos do solo, na camada de 0-20 cm de profundidade, nas posições do ombro, meia
encosta e pedimento em uma pastagem plantada há 20 anos.

AT = Areia total; ADA = Argila dispersa em água; Ds = Densidade do solo em campo (Método do anel); Dp=
densidade de partícula; PT = Porosidade total (1-(Ds/Dp)); Caracterização determinada pelo método da Embrapa
(1997).

Medidas meteorológicas durante o experimento

Os dados meteorológicos como precipitação pluvial e temperatura do ar (Tabela 2), foram


coletados nos dias de avaliação do efluxo de C-CO2, no local da avaliação, por uma estação
meteorológica (modelo HOBO® U30/NRC da Onset, Massachusetts, EUA), instalada em área
aberta dentro da pastagem e protegida da ação dos animais por uma cerca, feita de estacas de sabiá e
tela de arame.
Coletas Datas* Chuva (mm)** Temperatura

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

(°C)***
1 30/04/2016 5,4 23
2 08/05/2016 43,2 22
3 13/05/2016 0 24
4 21/05/2016 0 23
5 27/05/2016 0 23
6 02/06/2016 5 23
7 08/06/2016 0 24
8 20/06/2016 3,8 22
9 02/07/2016 13,8 21
10 15/07/2016 0 22
11 22/07/2016 0 22
12 06/08/2016 0 22
13 12/08/2016 0 22
14 19/08/2016 10 22
15 25/08/2016 0 22
16 03/09/2016 1 23
17 09/09/2016 7,8 23
18 16/09/2016 0 23
19 28/09/2016 0 23
20 13/10/2016 0 24
21 11/11/2016 0 24
22 01/12/2016 0 24
Tabela 2. Dados meteorológicos referentes a cada dia das coletas.
*
Datas referentes aos dias em que foram realizadas as avaliações;
**
Precipitação pluviométrica acumulada referente aos dias em que foram realizadas as avaliações;
***
Temperatura média do ar referente aos dias em que foram realizadas as avaliações.

Efluxo de CO2

O efluxo de CO2 do solo foi avaliado na encosta em um estudo observacional com 66


tratamentos em um esquema fatorial 3x22 que correspondem a três posições do relevo (ombro, meia
encosta e pedimento) e vinte e duas avaliações do efluxo, com três repetições, totalizando 198
amostras. O efluxo de CO2 foi avaliado semanalmente, até o final do período chuvoso (onde a
atividade biológica estabiliza). Esta atividade foi medida pela quantidade de CO2 capturado na
superfície do solo usando a metodologia de Jenkinson & Powlson (1976) adaptada por Ivo &
Salcedo (2012).
Este método consisti na captura do dióxido de carbono (CO2) dentro de câmaras estáticas,
por 40 mL de uma solução de hidróxido de sódio (NaOH) a 1 Mol L-1 contidos dentro de um
recipiente durante 24 horas. As câmaras estáticas foram feitas a partir de um recipiente circular
(Bacia com diâmetro de 22,3 cm e altura de 8 cm) ocupando uma área de 0,0391 m 2, com suas
bordas voltadas ao solo, para proteger o NaOH no recipiente, do CO2 presente na atmosfera. Os
recipientes contendo o NaOH tem uma área de 0,0154 m2 e foram envoltos pela câmara.

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O efluxo de CO2 (respiração autotrófica (atividade radicular)e respiração heterotrófica


(atividade meso, macro e microbiana)) no campo prosseguiu os seguintes passos: 1) Corte da parte
aérea das plantas no local, com auxílio de tesoura; 2) Implante de uma armação de ferro nivelada no
solo, com um martelo e nível de pedreiro; 3) inserção do recipiente com a solução sobre a armação;
4) Cobertura do recipiente com a câmara estática (Bacia); 5) Cobrir totalmente a câmara estática
com uma sacola plástica contendo areia, para evitar o fluxo de CO2 da câmara para atmosfera; No
tratamento controle (branco) o recipiente ficou tampado e protegido durante as 24 h em um saco
plástico fechado, no entanto, o recipiente foi exposto ao ar atmosférico pelo mesmo período dos
demais tratamentos durante a colocação (≈ 5 segundos) e retirada (≈ 2 segundos) do recipiente.
Completadas as 24 h, os recipientes foram retirados, tampados, armazenados, identificados e
transportados até o laboratório de matéria orgânica do solo, onde a solução de NaOH foi transferida
para recipientes fechados e armazenados na geladeira. O teor de C foi determinado por titulação
potenciométrica com ácido clorídrico (HCl) a 0,05 N (SAMPAIO & SALCEDO, 1982) e calculado
usando a seguinte fórmula:
C-CO2 (mg m-2 h-1) = (((VGT - VGB)*0,05)*12) * (VCR / VUT) * (AB / TH)
Onde: VGT = Volume de HCl gasto na titulação da amostra; VGB = Volume de HCl gasto
na titulação do branco; 0,05 = Normalidade do HCl utilizado na titulação; 12 = Massa molecular do
carbono; VCR = Volume de NaOH contido no recipiente; VUT = Volume de NaOH titulado; AB =
Área da câmara estática (Bacia); TH = Tempo em horas da captura do C-CO2.
Os valores médios das três repetições foram submetidos à análise de variância e quando
pertinente comparado às médias das posições pelo teste de Tukey (P≤0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As maiores emissões ocorreram nas sete primeiras coletas, que estão entre as datas amostrais
de 30 de abril à 08 de junho de 2016 (Figura 1), onde se observa que os maiores valores de efluxo
de CO2 do solo, encontram-se a partir de 4.46μmolm-2s-1 de emissão (décima coleta, realizada em 15
de julho de 2016), e que após esses valores há um grande agrupamento das médias de emissões,
entre as demais coletas com pouca ou nenhuma diferença estatística entre elas. Em relação às
menores emissões de CO2 do solo, ocorreram nas duas últimas coletas (coletas 21 e 22, nas datas 11
de novembro e 01 de dezembro de 2016, respectivamente) apresentando valores de 1,86 e 1,11
μmolm-2s-1, respectivamente. Esta variação tendendo a um agrupamento de comportamento está
associada às variações meteorológicas ao longo do ano (Tabela 2), sobretudo à precipitação
pluviométrica, que propicia uma melhor condição para a atividade autotrófica (respiração radicular)
e heterotrófica (macro, meso e microbiana), verificando assim que as maiores emissões ocorreram

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nos períodos chuvosos, ou com chuvas ocasionais, e as menores emissões, ocorreram no período
seco do ano.
Este trabalho apresenta resultados semelhantes com o trabalho desenvolvido por Pinto-
Junior et al. (2009), no qual os mesmos encontraram em área de pastagem valores de efluxo de CO 2
mínimo de 1,44 ± 0,38 μmolm-2s-1 (estação seca), e máximo de 8,27 ± 2,70 μmolm-2s-1 (transição
chuvosa-seca), demostrando assim que no período mais seco do ano o solo encontra-se com uma
baixa umidade e consequentemente há uma menor atividade da biota do solo, resultando assim em
menores valores de emissão de CO2 do solo. Nunes (2003) verificou que com a ocorrência de
chuvas, há um aumento do efluxo de CO2 do solo, encontrando em seu trabalho, em área de
pastagem, os maiores valores de efluxo de CO2 do solo no mês de janeiro, devido a ocorrência de
chuvas, contribuindo assim para o aumento da atividade microbiana do solo.
A umidade do solo é um dos fatores primordiais quando se trata em efluxo de CO2 do solo,
pois a mesma tem uma relação direta com o efluxo, quando a umidade do solo encontra-se alta há
uma maior emissão de CO2 e quando a mesma encontra-se baixa há uma menor emissão de CO2
(DIAS, 2006). BUNNELL, et al. (1997) afirmaram que quanto maior a umidade do solo, maior será
a emissão de CO2, mas quando há um excesso de água no solo ocorre problemas nas trocas de CO 2
e O2 do solo com a atmosfera, causando assim uma queda nas emissões de CO2 do solo.

Figura 2: Efluxo de CO2 durante o ano de 2016, em uma encosta, sob pastagem plantada há 20 anos
* As coletas (de 1 a 22) foram realizadas nas datas listadas na tabela 2.

Pode ser observado na figura 2, as grandes diferenças no efluxo de CO2 do solo, entre a
época chuvosa e a época seca do ano, representadas de forma bem clara na figura 2, onde na coleta
ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 244
Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

1 (realizada em 30 de abril de 2016), no período chuvoso, foram registradas as maiores emissões de


CO2, e na coleta 22 (realizada em 01 de dezembro de 2016) registraram-se as menores emissões de
CO2, isso ocorre porque no período seco, com menor conteúdo de água no solo, houve menor
atividade biológica, o que gerou menor emissão, enquanto no período chuvoso há água no solo, em
quantidade adequada para atividade biológica, favorecendo as maiores emissões. Vale salientar que
em ambiente tropical e especialmente em zonas secas e úmidas, as chuvas representam a condição
Primming para o máximo da atividade biológica.
Na tabela 3 estão apresentadas as variações do efluxo de CO2 do solo, dentro do
agrupamentos de coletas, nas distintas posições da encosta (Ombro, Meia encosta e Pedimento),
onde no agrupamento de coletas (1, 3, 5, 6, 8, 10, 11, 12, 14, 20) não houve diferenças entre as
posições da encosta (ombro e meia encosta), mas houve diferenças significativas entre essas
posições e o pedimento, onde a posição do pedimento foi a que se destacou nas emissões de CO 2 do
solo. Isso pode ser explicado pelos dados apresentados na tabela 1 (onde é possível observar que
ombro e meia encosta possuem a mesma classe textural, e diferem da classe textural do pedimento)
através dessa informação observa-se que para as condições meteorológicas das datas amostrais
citadas, a textura mais arenosa e, portanto, mais macroporosa no pedimento, possibilitou maior
emissão que no ombro e meia encosta, que possuem textura mais argilosa e maior microporosidade
o que aparentemente dificultou a difusão do gás nessas datas.
Já no agrupamento das coletas (4, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22) não houve diferenças entre
as distintas posições da encosta (Ombro, Meia encosta, Pedimento), aparentemente, há uma época
no ano, onde a textura do solo não interfere na emissão de CO2, e isso ocorre quando há as menores
precipitações pluviométricas, podendo ser verificado na tabela 2, o que possivelmente, inibe as
difusões de CO2 do solo em menores quantidades no ano. No agrupamento das coletas (2, 7, 9)
houve diferenças nas emissões de CO2 do solo entre todas as três posições da encosta avaliada, em
que a posição do pedimento foi a que se destacou novamente no efluxo de CO2 do solo. Tais
resultados reforçam o que foi dito, anteriormente, de que a textura influi na emissão, mas não só a
textura e sim as características físicas como um todo (Tabela 1), onde o pedimento por ser uma
posição com maior teor de areia, possibilita maior emissão de CO2, que as demais posições do
relevo.
Dentre as características físicas do solo, a textura é uma das principais e mais importante no
que se refere a troca de gases entre a atmosfera e o solo, pois a mesma tem uma forte interferência
no que diz respeito a quantidade de água no solo, podendo assim facilitar ou dificultar a entrada ou
saída desses gases. Segundo Edwards (1975) a movimentação de CO2 nos poros do solo é
prejudicada pelo excesso de água.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 245


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A tabela 2 mostra as características físicas do solo de cada posição avaliada na encosta, onde
pode-se observar a diferença da textura de cada posição, onde a posição do ombro e meia encosta
apresenta textura franco argilo arenoso e a posição do pedimento apresenta textura franco arenoso, e
que o pedimento apresenta uma maior porosidade total em relação as demais posições avaliadas,
refletindo assim em seus resultados se expressarem no efluxo de CO2 do solo em relação ao ombro
e a meia encosta, dentro de cada grupo de coletas. Pois solos que apresentam textura mais arenosa,
tem uma maior quantidade de macroporos e consequentemente maior aeração, e como no solo tem-
se uma maior quantidade de CO2 em relação ao O2, esses solos apresentam uma maior facilidade na
difusão do gás (CO2). De acordo com LUCHESE, et al. (2001) a maior ou menor quantidade de
microporos e macroporos de um solo, depende de sua textura.
Coletas (1, 3, 5, 6, 8, 10, 11, 12, 14, 20)
Posição Diferenças
Ombro b
M. encosta b
Pedimento a
Coletas (4, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22)
Posição Diferenças
Ombro a
M. encosta a
Pedimento a
Coletas (2, 7, 9)
Posição Diferenças
Ombro c
M. encosta b
Pedimento a
Tabela 3. Agrupamento de coletas na encosta.
*As coletas foram realizadas nas datas listadas na tabela 2.

CONCLUSÕES

A emissão de CO2 varia ao longo do ano, de acordo com o período seco ou chuvoso; porém
os eventos de chuva ao longo do ano, sejam eles regulares ou não, representam um aumento na
emissão de CO2 do solo;
A emissão de CO2 varia ao longo do ano entre as posições do relevo, de acordo com a
textura do solo, sendo que há uma tendência de maior emissão de CO2 na posição do pedimento, em
relação ao ombro e meia encosta.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 246


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

AGRADECIMENTOS

Ao querido professor PhD. Ignacio Hernan Salcedo (In memorian) pelas valorosas
contribuições a esse trabalho. E a Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal da Paraíba
(PROPESQ-UFPB) pela concessão da bolsa de pesquisa.

REFERÊNCIAS

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS DO RIO ESPINHARAS NO TRECHO URBANO DO


MUNICÍPIO DE SERRA NEGRA DO NORTE/RN

Irami Rodrigues MONTEIRO JUNIOR


Graduando do curso de Geografia da UFRN/Campus de Caicó
iramirrodrigues@outlook.com
Ana Caroline Damasceno SOUZA
Graduanda do curso de Geografia da UFRN/Campus de Caicó
anacaroline.lama@gmail.com
Ana Clara Damasceno Souza de MEDEIROS
Graduanda do curso de Geografia da UFRN/Campus de Caicó
clarasouza.lama@gmail.com
Diógenes Félix da Silva COSTA
Professor Doutor do Departamento de Geografia UFRN/Campus de Caicó
diogenes.costa@pq.cnpq.br

RESUMO
No Brasil, a grande maioria das cidades surgiram as margens de rios, as atividades econômicas
dependiam desses fluxos de água que os rios ofereciam. Estes ambientes aquáticos proporcionam
diversos benefícios ao homem, sendo denominados serviços ecossistêmicos. O objetivo deste
trabalho foi identificar e classificar os serviços ecossistêmicos que são prestados desde a década de
1930 até atualmente no trecho urbano do rio Espinharas em Serra Negra do Norte/RN. As etapas
metodológicas consistiram em revisão bibliográfica do acervo local, pesquisa semiestruturada com
a comunidade, as visitas in loco e uma lista de checagem, utilizando a metodologia da Common
International Classification of Ecosystem Services – CICES, que classifica os serviços
ecossistêmicos em: 1) Provisão; 2) Regulação e Manutenção; e 3) Cultural. Em 1930, predominava
a criação de gado, abundância de capim, grande quantidade de plantas frutíferas, leques de
coqueirais ou canaviais, pescaria de subsistência, dessedentação animal, abastecimento da cidade,
lazer em contato direto com a água, enquanto que atualmente persistiram alguns desses serviços e
acresceram-se outros, como a criação de bovinos, equinos, ovinos, caprinos, suínos, o uso de
plantas para benzedeiras e rezadeiras. Sendo assim, a metodologia utilizada foi eficaz para
comparar e elencar os serviços ecossistêmicos presentes no trecho urbano do rio Espinharas, tendo
grande significação histórica, socioeconômica e cultural para a população.
Palavras chave: Caatinga; Fluxos de água; Biodiversidade.
ABSTRACT
In Brazil the vast majority of cities have emerged the banks of rivers, the economic activities
depended on these flows of water that the rivers offered. These aquatic environments provide
several benefits to man, being called ecosystem services. The objective of this work was to identify
and classify the ecosystem services that are provided in the 1930s and currently in the urban stretch
of the Espinharas river in Serra Negra do Norte/RN. The methodological steps consisted of a
bibliographical revision of the local collection, Semistructured research with the community, on-site
visits and a checklist, Using the methodology of the Common International Classification of
Ecosystem Services (CICES) which classifies ecosystem services in: 1) Provision; 2) Regulation
and Maintenance; Cultural. In 1930, cattle raising predominated, abundance of grass, large quantity
of fruit plants, fans of coconut trees or sugar cane, subsistence fishery, animal watering, supply of

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 249


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

the city, leisure in direct contact with water, while some of these services have persisted and others
have been added, such as cattle, horses, sheep, goats, pigs, the use of plants for healers and
mourners. Therefore, the methodology used was effective to compare and to list the ecosystem
services present in the urban stretch of the Espinharas river, having great historical, socioeconomic
and cultural significance for the population.
keywords: Caatinga; water flux; Biodiversity.

INTRODUÇÃO

As primeiras civilizações no oriente médio utilizavam os recursos associados aos rios para
sobrevivência. Desde os primórdios os povos procuram se estabelecer as margens dos rios para
usufruir dos fluxos de águas e sedimentos que eram trazidos pelas cheias apresentando solo rico
de nutrientes. O mesmo processo de ocupação das margens do rio ocorreu no Egito, na Inglaterra,
na Itália em outros diversos países e cidades do oriente e ocidente (BOULOS JUNIOR, 2013).
No Brasil, a grande maioria das cidades surgiram as margens de rios, as atividades
econômicas dependiam desses fluxos de água. O Seridó norte-rio-grandense ergueu-se diante da
ocupação das margens dos rios, surgindo assim as cidades que compõem o Seridó oriental e
ocidental (FARIA, 1980). Inicialmente, a principal atividade exercida relacionada a
disponibilidade hídrica foi à agricultura e a pecuária (MONTEIRO, 1984).
O município de Serra Negra do Norte/RN surgiu na margem oeste do rio Espinharas, com
vistas no uso dos recursos hídricos para a produção do algodão e rebanho bovino, sendo estes os
primeiros benefícios obtidos do ecossistema registrados na literatura local (CUNHA, 1971;
MONTEIRO, 1984; FARIA, 1980; LAMARTINE, 2004).
Entende-se atualmente que estes ambientes aquáticos proporcionam diversos serviços
ecossistêmicos ao homem (COSTA et al., 2014, 2015; OLIVEIRA et al., 2016; SOUZA et al.,
2016; MEDEIROS et al., 2017), os quais são entendidos como benefícios tangíveis (fluxos de
recursos naturais) e intangíveis (relacionados a valores e comportamentos humanos), prestados
pelos ecossistemas para o bem estar humano (CICES, 2011; ANRADE; ROMEIRO, 2009).
É necessário analisar o conhecimento e o registro dos benefícios obtidos às margens do rio
no trecho urbano, a fim de realizar uma comparação entre as atividades existentes na década de
1930 e os atuais serviços ecossistêmicos que são prestados, buscando através destas bases
científicas um maior empenho, visando a preservação dos recursos naturais diante de sua
importância nas esferas ambiental, social e econômica.
O objetivo deste trabalho foi identificar e classificar os serviços ecossistêmicos que são
prestados atualmente e na década de 1930 pelo trecho urbano do rio Espinharas em Serra Negra do
Norte/RN.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

METODOLOGIA

Área de estudo

A área a ser estudada é um recorte do trecho urbano da sub-bacia do Rio Espinharas


(RN/PB), situado no município de Serra Negra do Norte/RN (Mapa I) que está inserida na Bacia
Hidrográfica do Piranhas-Açu. O município de Serra Negra do Norte/RN, distante 318 km da
capital do estado, possui 8.152 habitantes (IBGE, 2016) e abrange aproximadamente 1.150 km do
rio Espinharas na área urbana.
O Rio Espinharas se forma pela confluência do Rio da Cruz, que nasce no município de
Imaculada/PB, como Rio da Farinha, originado no município de Salgadinho/PB, passando pelo
município de Patos/PB. Na divisa dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, o Rio
Espinharas deságua no Rio Piranhas, no município de Serra Negra do Norte/RN (SILVA; LIMA;
MENDONÇA, 2013).

Mapa I – Mapa de localização do trecho urbano do rio Espinharas em


Serra Negra do Norte/RN.
Fonte: Acervo dos autores, 2017.

Procedimentos metodológicos

As etapas metodológicas iniciaram com uma revisão bibliográfica digital, na biblioteca


pública, instituições privadas e estadual de ensino do município de Serra Negra do Norte (RN).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Foram utilizados livros, teses, dissertações, monografias e artigos científicos que foram de
fundamental importância teórica sobre a temática de rios urbanos e a história local.
Foi realizado um levantamento in situ utilizando 01 aparelho GNSS para reconhecimento da
área, além de pesquisa semiestruturada com moradores durante o trajeto do curso do rio com o
objetivo de aplicar a técnica de lista de checagem (SÁNCHEZ, 2013) afim de identificar os
principais serviços ecossistêmicos, através da metodologia da Common International Classification
of Ecosystem Services – CICES, que classifica os serviços em: 1) Provisão; 2) Regulação e
Manutenção; e 3) Cultural gerados pelo rio Espinharas, buscando aprimorar uma fiel descrição de
cada um.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A literatura da década de 1930 descreve as primeiras funções que o ecossistema oferecia no


município de Serra Negra do Norte/RN as margens do rio Espinharas (Tabela I), sendo uma região
acidentada ainda coberta de matas de angicos, aroeiras e cumarus, e a terra era pouco favorável à
agricultura (LAMARTINE, 2004). Então os serranegrenses, desde os tempos remotos de Manuel
Pereira Monteiro dedicam-se preferencialmente a criação de bovinos (FARIA, 1980).

TRECHO URBANO DO RIO ESPINHARAS EM SERRA


NEGRA DO NORTE (RN), 1930
Criação de gado
Abundância de capim
Grande quantidade de plantas frutíferas
Leques de coqueirais ou canaviais
Pescaria de subsistência
Vazantes nas margens
Servia de bebedouro para rebanhos
Presença da mata ciliar
Abastecimento da cidade
Lazer em contato direto com a água
Tabela I. Serviços ecossistêmicos prestados em 1930.
Fonte: Cunha (1971), Faria (1980) e Lamartine (2004).

A pecuária foi à primeira fonte de renda do município as margens deste corpo hídrico,
associado a plantações de capim para alimentar o gado, posteriormente a agricultura de vazante no
período de seca em que eram plantadas batatas, feijão de corda, melancia, jerimum, entre outras, as
margens do rio e em seu leito, utilizando a umidade do lençol freático (LAMARTINE 2004).
Nesta época, é descrita também a presença de grandes quantidades de plantas frutíferas,
coqueirais e plantações de cana-de-açúcar, que durante a época da produção de rapadura no fim do
ano, havia a colheita para as casas de engenho. Além deste, o rio servia como área de lazer e

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

interação entre os munícipes (figura I), tendo uma grande importância histórica, socioeconômica e
cultural para a população.

Figura I. Barragem do bairro Arécio Batista de 1930.


Fonte: Secretaria paroquial de Serra N. do Norte/RN, 2017.

A urbanização sem planejamento e a ausência de fiscalização e políticas apropriadas,


contribuíram para a degradação ambiental, onde foram desmatadas parte da mata ciliar, constando a
urgência em seu ordenamento, em busca de amenizar os impactos negativos trazidos a população
nos períodos de chuvas que ocasionam enchentes devido construções residenciais no terraço fluvial.
Devido à herança da intensa atividade pecuarista existente na área, até os dias atuais, é
possível encontrar animais ao longo de todo o percurso das margens do rio, como bovinos, caprinos,
suínos, equinos e ovinos, com isso, há uma exacerbada contribuição para que os recursos naturais
oferecidos sejam exauridos facilmente.
Ainda como serviços de provisão, destaca-se a água do leito do rio sendo utilizada para
irrigação de capim elefante e brachiaria, plantas frutíferas (mangueira, goiabeira, coqueiro, pinha),
agricultura de subsistência (feijão, batata, milho), além da dessedentação animal e utilização para
usos secundários, como regar plantas e canteiros, praças públicas e piscicultura (Quadro I).
SEÇÃO DIVISÃO GRUPO CLASSE TIPO DE CLASSE EXEMPLOS
Animais, por
Animais Bovinos, equinos, ovinos, caprinos, suínos
quantidade, tipo
Plantas, por quantidade,
Plantas Agricultura, fruticultura, capim
Biomassa

tipo
NUTRIÇÃO
PROVISÃO

Animais da Animais por quantidade,


Peixes
aquicultura tipo

Por quantidade, tipo e


Água

Água doce Irrigação, dessedentação animal


uso

Quadro I – Classificação CICES: Serviços de Provisão.


Fonte: Adaptado de Rabelo (2014).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Na observação de campo realizada às margens do rio, notou-se na categoria serviços de


regulação e manutenção (Quadro II), a espécie aguapé, Eichornea crassipes (Mart.)
Solms/Pontederiaceae (figura II), bioindicadora de baixa qualidade de água.
O aguapé é uma planta carnosa, com raízes longas, capaz de absorver metais pesados e
duplicar sua massa em até duas semanas, causando problemas de crescimento excessivo em
reservatórios, diretamente relacionada à disponibilidade de nutrientes e às condições de temperatura
e luminosidade, selecionando ambientes com maior incidência de radiação (LIMA et al., 2003).

Figura II: Proliferação da E. crassipes, no Rio Espinharas, Serra N.do Norte/RN.


Fonte: Acervo dos autores.

Investigando as causas da presença do aguapé, recorreu-se a elencar pressões que impactam


o ecossistema. Segundo a Secretaria de Saneamento, Recursos Hídricos e Abastecimento do
município, Serra Negra do Norte possui 95% do esgoto tratado e 5% de fossa céptica (na periferia
da cidade), com o objetivo de diminuir os impactos sob o rio ao receber resíduos.
A montante, o rio Espinharas percorre a área urbana do município de Patos/PB, em que parte
do esgoto é canalizado e direcionado para o rio ―in natura‖, acarretando na elevação de nutrientes e
alterando a biota, e essa condição altera a qualidade da água que o trecho urbano do rio Espinharas
em Serra Negra do Norte recebe (SILVA; LIMA; MENDONÇA, 2013).
Outra causa que pode ser apontada é a utilização de fertilizantes e utilização de elementos
químicos para correção do solo na agricultura, assim como as fezes dos animais que têm elevada
concentração de nutrientes, que a posteriori são carregados para o leito do rio.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

TIPO DE EXEMPLOS
SEÇÃO DIVISÃO GRUPO CLASSE
CLASSE
Biorremediação por Desintoxicação Bioquímica

RESÍDU

Mediaçã
MEDIÇ
Por quantidade,

ÃO DE

o pela
biota
micro-organismos (Aguapé)

OS
tipo e uso
Filtragem, retenção Filtragem biológica (Aguapé)
Estabilização de
Estabilização dos ecossistemas

Fluxo de massa
massa e controle de Redução do
(Capim elefante, mata ciliar)
taxas de erosão risco, área
Atenuação dos fluxos protegida
Transporte de sedimentos
MEDIAÇÃO DE FLUXOS

de massa
MANUTENÇÃO E REGULAÇÃO

Ciclo hidrológico e Por


manutenção do fluxo profundidade, Abastecimento de água
Fluxos líquidos

da água volume
Redução do
Proteção contra as enchentes
Proteção de enchentes risco, área
(Barragem Arécio Batista)
protegida
Polinização e Animais (beija-flor, abelha, insetos,
Manutenção do
ciclo de vida,
QUÍMICAS E BIOLÓGICAS

dispersão de sementes macacos)


Por quantidade
CONDIÇÕES FÍSICAS,

habitat
MANUTENÇÃO DAS

A manutenção de e fonte
Habitats (alevinos)
habitats

Amenidade da temperatura e
Regulação
climática

Regulação climática Por quantidade,


aumento da umidade devido as
local concentração
plantas

Quadro II - Classificação de CICES: Serviços de Regulação e Manutenção.


Fonte: Adaptado de Rabelo (2014).

O leito do rio está em um processo acelerado de assoreamento, este é um processo natural, e


com o barramento do curso do rio pela barragem do bairro Arécio Batista (que auxilia no controle
de enchentes), e a retirada da cobertura vegetal para o cultivo de capim elefante (Pennisetum
purpureum Schum/Poaceae) e brachiaria (Brachiaria decumbens Stapf. Prain./Poaceae) nas
margens para produzir forragem animal, e estabilizar a sedimentação e controle de taxas de erosão,
no entanto, diminui a profundidade do leito, com bancos de areia visíveis devido ao transporte de
sedimentos.
Observa-se em suas margens que a cobertura vegetal ripária, ao longo dos ambientes
ribeirinhos intermitentes, é importante na proteção dos ambientes aquáticos e na regulação e
manutenção da diversidade biológica bem como é fator importante na estabilidade dos solos e na
manutenção do ciclo hidrológico (LACERDA et al., 2007).
Ao percorrer o trajeto na passarela (Figura III) que foi construída para auxiliar e incentivar
práticas de bem-estar da comunidade (Quadro III), encontram-se animais polinizadores, como beija-
flor, insetos, e mamíferos em geral, que se alimentam de flores, sementes e frutos que disseminam e
equilibram o ecossistema (Quadro II), assim como oferecem uma melhor qualidade de vida a quem

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 255


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

frequenta este local, obtendo contato com a natureza. O rio também propicia o nicho ecológico de
alevinos, que se refugiam de predadores as margens do rio.

TIPO DE
SEÇÃO DIVISÃO GRUPO CLASSE EXEMPLOS
CLASSE

Simbólico Plantas para rezadeiras

Espiritual ou
emblemática
Pelo uso, plantas
ESPIRITUAIS E
Crenças populares
INTERAÇÕES

SIMBÓLICAS Sagrado ou religioso


(Benzedeiras)

Existência Por plantas, Contemplação da paisagem


Outros animais,
Disposição de preservar para
Legado
CULTURAL

paisagem
as gerações futuras

Passarela para caminhada


Interações

vivenciais
físicas e
INTERAÇÕES FÍSICAS E
INTELECTUAIS COM O

Recreativo Usos Academia da saúde


ECOSSISTEMA

Registros fotográficos

Estético Paisagem cênica


representativas
Intelectuais e

Registros históricos e
Interações

Herança cultural Por uso, registros,


fotográficos
plantas, animais
Experiência do mundo
Entretenimento
natural

Quadro III - Classificação de CICES: Serviços Culturais.


Fonte: Adaptado de Rabelo (2014).

Nos serviços culturais, são elencadas plantas como vassourinha, carnaubeira, pinhão-roxo,
para interações espirituais, por rezadeiras e benzedeiras, crenças populares para afastar mau olhado
e energias negativas. Assim como oferece práticas de bem-estar ao homem pela existência de aves,
plantas e animais que melhoram a saúde mental e espiritual de quem frequenta a passarela de
caminhada e praças públicas, as margens do rio Espinharas.

Figura III: Passarela as margens do rio Espinharas, Serra Negra do Norte/RN.


Fonte: Acervo dos autores.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 256


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

A tradição cultural vem sendo preservada ao longo dos anos passando para gerações futuras.
Crendice popular e tradição religiosa ainda se mantém presentes no seio da comunidade, as festas
religiosas e festa do agricultor são regularmente mantidas em datas especificas preservando as
características dos descendentes, valorizando a cultura local.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da revisão bibliográfica dos acervos locais, pesquisa semiestruturada com a


comunidade, as visitas in loco e uma lista de checagem de quais atividades existiam na década de
1930, e atualmente em 2017, constatou-se que o rio Espinharas perdeu, manteve e adquiriu usos,
pois com a modernização e o meio técnico-científico-informacional se fazendo presente nos dias
atuais, contam com tecnologias e técnicas que facilitam o modo de vida, mesmo que perpetuando
algumas técnicas antigas.
A utilização de recursos naturais, desde os primórdios, consistiu em uma estratégia
encontrada pelas civilizações para deter poder econômico, e em muitos casos, os serviços
oferecidos são utilizados até a exaustão, a exemplo da cana-de-açúcar que era cultivada para fazer
rapadura.
Mesmo com as intervenções humanas às margens, muitos são os serviços ecossistêmicos
prestados pelo rio Espinharas, embora com menor intensidade, como plantações de capim, lavouras,
pesca e pecuária, sendo esta a fonte de renda de algumas famílias que dependem desse ecossistema.
Os serviços ecossistêmicos de provisão, culturais, regulação e manutenção do equilíbrio
natural do meio biótico, são de suma importância para a comunidade, onde as pressões decorrentes
da ocupação antrópica às margens do rio Espinharas possam alterar as condições ambientais,
prejudicando a biota e a qualidade de vida da população que reside ou transita próximo a este
trecho, que tem grande significado histórico, socioeconômico e cultural para a população.
Os autores agradecem ao CERES- Centro de Ensino Superior do Seridó e ao LAMMA-
Laboratório Multiusuário de Monitoramento Ambiental (UFRN- Campus de Caicó), pelo apoio
logístico e instrumental.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

SITUAÇÃO ATUAL DOS DEPÓSITOS TECNOGÊNICOS URBANOS EM


IMPERATRIZ (MA) A PARTIR DO AGLOMERADO POPULACIONAL
DENOMINADO GRANDE CAFETEIRA

Jessica Conceição da SILVA


Graduanda de Ciências Biológicas – Universidade Estadual do Maranhão
jessicac.silva@hotmail.com.
Luiz Jorge Bezerra DIAS
Professor de Geografia Física, Universidade Estadual do Maranhão, Campus Paulo VI
luizjorgedias@hotmail.com
Jorge Diniz de OLIVEIRA
Professor de Química Analítica, UEMASUL, campus Imperatriz.
jzinid@hotmail.com

RESUMO
Demonstram-se os impactos causados pela tectogênese, como a formação de terrenos artificiais ou
tecnogênicos e suas implicações sobre a paisagem natural, a erosão do solo, o comprometimento de
vazão de pequenos corpos hídricos e mazelas relacionadas aos contextos sociais, como a saúde
humana e ambiental. Estes terrenos artificiais, tecnogênicos, ou antropogênicos, são também
denominados de depósitos, sendo estes com paisagens, solos, relevo e qualquer outra configuração
desencadeada direta ou indiretamente pela ação humana. O homem está filosoficamente
caracterizado como um ser que se diferencia espontaneamente da natureza, que sofre com suas
interferências e ação sobre a mesma. A intensidade da ação antrópica com intuito de ocupação de
terras para a fixação de população buscando maior desenvolvimento econômico trouxe consigo um
quadro de degradação ambiental jamais vista antes. Este trabalho aborda como se apresentam os
depósitos tecnogênicos partindo da revisão bibliográfica e posteriormente a ocorrência desses tipos
de configuração geológico-geomorfológicos urbanos na região denominada Grande Cafeteira no
município de Imperatriz, localizada no Sudoeste Maranhense. A área é entrecortada por dois
riachos, o Capivara e o Bacuri. Os depósitos estudados foram classificados de acordo com o tipo de
material constituinte. Certamente nas áreas estudadas há uma grande modificação da paisagem, do
relevo e do solo, alterações que trazem naturalmente situações de risco, principalmente inundações,
nos pontos próximos aos riachos.
Palavras chave: Análise da Paisagem. Depósitos Tecnogênicos. Impactos Socioambientais.
Imperatriz (Maranhão).
ABSTRACT
Impacts caused by tectogenesis, such as the formation of artificial or technogenic terrain and their
implications for the natural landscape, soil erosion, impairment of small water bodies, and hazards
related to social contexts such as human health and environmental. These artificial, technogenic, or
anthropogenic lands are also called deposits, these being landscapes, soil, relief and any other
configuration triggered directly or indirectly by human action. Man is ontologically characterized as
a being that spontaneously differs from nature, which suffers from its interference and action upon
it. The intensity of the anthropic action with the intention of occupying land for the fixation of
population seeking greater economic development brought with it a picture of environmental
degradation never seen before. This paper discusses how technogenic deposits are presented starting
from the bibliographical review and later the occurrence of these types of urban geological-

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

geomorphological configuration in the region known as Grande Cafeteira in the municipality of


Imperatriz, located in Southwest Maranhense. The area is intersected by two small rivers, the
Capivara and Bacuri. The studied deposits were classified according to the type of constituent
material. Certainly in the studied areas there is a great modification of the landscape, the relief and
the soil, changes that naturally bring situations of risk, especially floods, especially in the points
near the streams.
Keywords: Landscape Analysis. Technogenic Deposits. Socioenvironmental Impacts. Imperatriz
(Maranhão).

INTRODUÇÃO

A ação antropogênica é principal fator de alterações climáticas e geológico-geomofológicas


locais (TRICART, 1977). Para Tricart (1965 apud PENTEADO, 1980), as análises de formas de
relevo e suas alterações naturais e antropogênicas devem ser analisadas sob diferentes escalas.
Nesse contexto, a mais indicada para esse trabalho é a quinta ordem de grandeza, ou seja, a que
envolve espaços pequenos, circunscritos a poucos quilômetros quadrados de ocorrência. Por
conseguinte, a identificação de processos antrópicos associados a um espaço total local ou regional
é importante condição para o planejamento e ordenamento dos territórios (AB‘SÁBER, 2006).
Com base nesses ―recortes‖, é possível analisar com cautela as perturbações antrópicas
inseridas em um contexto territorial. Ao longo dos anos e com as alterações perceptíveis no
ambiente natural, o homem é colocado como um dos principais agentes geológicos em escalas
grandes (quer dizer, em espaços pequenos, como os urbanos) e precursor no que diz respeito ao
período geológico designado com Tecnógeno.
O acúmulo de diversos materiais com formas e composições heterogêneas inseridas muitas
vezes inadequadamente nos espaços naturais acabam por alterar as morfologias originais resultando
em novas formas de relevo, as quais implicam em modificações nas próprias relações ambientais
em curso no contexto geográfico em que essas perturbações ocorrem (RODRIGUES; GOUVEIA,
2013). Assim, a morfologia urbana acaba por ser di per si uma consequência das necessidades
humanas de incorporar mais áreas para atender às suas necessidades dentro das cidades, bem como
é a causa de processos severos socioambientais, como possibilidades de alterações na drenagem
superficial e erosão em vertentes (DIAS, 2015). E isso não seria real sem a interferência direta das
antropogêneses, que em função dos materiais heterogêneos dispostos nos mais variados espaços,
acabam por configurar novas formas de relevo através dos considerados depósitos tecnogênicos.
Desta maneira, depósitos tecnogênicos podem ser definidos como formas ou depósitos que
são resultantes da atividade humana, abrangendo depósitos construídos como os aterros, ou
depósitos induzidos, oriundos de sedimentos que se depositam em virtude da erosão decorrente do

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uso do solo (SUERTEGARAY et al., 2008, p. 236). Assim, a presença de vestígios humanos é
claramente um alterador considerável na configuração desse conceito.
Os depósitos tecnogênicos são encontrados em grande escala nas cidades, devido
principalmente às movimentações cotidianas urbanas e a produção de resíduos podem partir tanto
da ação residencial, quanto de grandes obras. Some-se a isso o descarte do consumismo urbano, que
por sua vez apresentam materiais que configuram ambientes tecnogênicos diferenciados. As áreas
que recebem as alterações antropogênicas ora mencionadas passam por perturbações irreversíveis, e
a tentativa de recuperação da natureza que se degradou passa a ser quase impossível.
Machado (2013) afirma que o sistema ambiental submetido a perturbações de ordem natural
ou antropogênica provoca em seus elementos componentes irregularidades nos processos de
transferência de matéria e energia, através dos quais a pesquisa científica pode utilizar-se para
detecção e monitoramento destas anomalias para predizer estados futuros ou passados da dinâmica
de funcionamento de um conjunto.
Podem-se mensurar as taxas de erosão, transporte e sedimentação em uma bacia hidrográfica
resultantes de desmatamento indiscriminado, ou ainda as alterações induzidas nas formas de relevo
fluvial por diferenças de débito e descarga da vazão da água. As consequências estendem-se por
todo sistema, entrelaçadas como elos de uma corrente provocando prejuízos ao ambiente e a
economia de uma região (MACHADO, 2013; DIAS, 2012). Rodrigues (2005), por sua vez, indica
que a ação antrópica deve ser considerada como ação geomorfológica, pois estas ações podem
modificar propriedades e localização dos materiais superficiais; interferir em vetores, taxas e
balanços dos processos e gerar de forma direta e indireta outra morfologia.
Destarte, no município de Imperatriz, mais precisamente em bairros afastados do centro
comercial, encontram-se diversas áreas em que facilmente são identificados depósitos tecnogênicos.
Comerciantes das áreas urbanas depositam em locais mais afastados do convívio da população do
município de Imperatriz materiais inorgânicos e orgânicos, permitindo o acréscimo de novos
terrenos à malha urbana pré-existente, ao passo que reconfigura as paisagens locais, causam
impactos ao solo e modificando a paisagem. Assim, na área da Região denominada grande
Cafeteira, Alto Bonito, Vila Cafeteira, Vila Ipiranga e Vila Zenira é possível encontrar muito dos
que são caracterizados como depósitos tecnogênicos, alguns mais afastados do convívio humanos,
outros até mesmo em seus quintais, trazendo assim riscos à saúde de animais domésticos e seres
humanos
Buscando contribuir no conhecimento sobre o assunto a nível local e melhor compreender a
ação antrópica no município de Imperatriz - MA, mais diretamente na área que compreende os
bairros da Vila Cafeteira, os quais são entrecortados pelos Riachos Bacuri e Capivara, propõe-se

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

mapear e caracterizar os depósitos tecnogênicos locais, com vistas à identificação dos espaços mais
críticos quanto a problemas ambientais atualmente em curso.

A NECESSIDADE DE COMPREENDER AS DINÂMICAS TECNOGÊNICAS

O termo tecnógeno é usado para se referir à situação geológico-geomorfológica atual, em


que a ação geológica humana ganha destaque significativo, no que tange aos processos da dinâmica
externa em relação à processualidade anteriormente vigente, ou seja, relacionada aos eventos
holocênicos (PELOGGIA, 1998). Nesse contexto, as formas geradas direta ou indiretamente por
esforços antropogênicos são denominadas de depósitos tecnogênicos, formas estas que cada vez
mais fazem parte da morfologia, principalmente em áreas de intensa urbanização (PEREIRA,
2011). Ademais, esses depósitos são constituídos dos mais variados tipos de materiais. Isso envolve
desde restos de materiais de construções, resíduos sólidos, resquícios de queimada, além dos
materiais minerais que compõem os grupos de solos naturais, como argila, areia e silte
(MIYAZAKI, 2014).
Os depósitos tecnogênicos constituem-se como materiais superficiais correlativos à
participação humana nos processos de degradação e/ou agradação do relevo terrestre. Nestas
acumulações sedimentares é possível encontrar artefatos manufaturados pelo homem moderno a
partir de sua relação com a natureza como, por exemplo, fragmentos de plásticos, vidro, cerâmica,
materiais mistos indiscriminados, como entulhos, dentre outros, os quais resultam da transformação
de elementos naturais (1ª natureza) em uma 2ª natureza (KORB e SUETERGARAY, 2005).
Os tecnógenos podem ser considerados como depósitos altamente influenciados pelo
homem e são, de acordo com Fanning e Fanning (1989 apud PELOGGIA, 1998), classificados nas
seguintes categoriais: 1) materiais ―úrbicos‖ (do inglês urbic), relativos a detritos urbanos, materiais
terrosos que contêm artefatos manufaturados pelo homem moderno, frequentemente em fragmentos,
como tijolo, vidro, concreto, asfalto, prego, plástico, metais diversos, dentre outros; 2) materiais
―garbicos‖ (do inglês garbage) que são materiais detríticos como lixo orgânico, de origem humana,
e que, apesar de conterem artefatos em quantidades muito menores que a dos materiais úrbicos, são
ricos em matéria orgânica para gerar metano em condições anaeróbias; 3) materiais ―espólicos‖ (do
inglês spoil), que correspondem a materiais terrosos escavados e re-depositados por operações de
terraplenagem em minas a céu aberto, rodovias ou outras obras civis. Incluem-se os depósitos de
assoreamento causados por erosão acelerada; 4) materiais ―dragados‖, oriundos de dragagem de
cursos d‘água e, em geral, depositados em diques, topograficamente alçados em relação à planície
aluvial.
As transformações, assim ligam-se às necessidades do Homem como indivíduo e formador
de uma sociedade, vivendo em cidades, e consequentemente refletindo às dinâmicas associadas a

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uma rede socioeconômica induzida pela globalização, permitindo a extensão da rede de cidades
globais com suas necessidades de infraestruturas, associadas também as necessidades decorrentes
do crescimento populacional (PELOGGIA, 2005; DIAS, 2015). Estas necessidades estimulam o
desenvolvimento de diversas técnicas que acabam tornando o homem fator geológicos, sendo as
áreas urbanas, principais locais de criação de depósitos tecnogênicos, onde a ocupação e expansão
urbana periférica provocam alterações significativas na paisagem (GOMES, et al., 2012).

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho foi desenvolvido no município de Imperatriz, localizada no Sudoeste do


Estado do Maranhão, especificamente nos bairros Alto Bonito, Vila Cafeteira, Vila Ipiranga e Vila
Zenira, todos localizados na zona urbana (Figura 1). A cidade de Imperatriz, localizada na
mesorregião oeste maranhense, se estende pela margem direita do rio Tocantins e é atravessada pela
Rodovia Belém-Brasília, possui (segundo os últimos dados disponíveis) 253.873 habitantes e área
de 1.368,987 km² (IBGE, 2016).

Figura 01: Carta temática de localização da área de trabalho, com os principais depósitos tecnogênicos
identificados. Fonte: Registros da Pesquisa (2016).

Os depósitos tecnogênicos podem ser encontrados em ambientes urbanos e ambientes rurais.


Contudo, são nas regiões urbanas que se nota maior presença dos artefatos de origem humana,

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resultantes do elevado grau de modificação da paisagem e consequentemente, geração de


diversificados materiais (DIAS, 2012). Mais precisamente nas áreas de planícies mais baixas,
associadas à inundação dos pequenos cursos fluviais urbanos no caso de Imperatriz (MA), já que
estas recebem materiais transportados pelas enchentes, consequentemente são onde se encontram
com maior facilidade os depósitos tecnogênicos.
Para que seja possível a determinação dos depósitos tecnogênicos faz-se necessária à
compreensão quanto à composição os tipos de materiais, como estes agem sobre o meio, as reações
ou relações entre determinadas formas, como ocorre o processo de urbanização, e como a população
se comporta ao interagir com o tecnogênico.
Para a localização dos depósitos tecnogênicos, primeiramente foram utilizados softwares
como Google Eath® 2015, para observação das áreas onde possivelmente pudesse ocorrer a
formação de depósitos tecnogênicos. Para a elaboração dos mapas foi utilizado GPS Garmin Etrex®
para coleta de dados das coordenadas geográficas, software ArcMap® versão 10.1, disponível no
Laboratório de Cartografia e Ensino (LABCARTE), da Universidade Estadual do Maranhão,
Campus Imperatriz. Por conseguinte, utilizando o software QuantumGis 2.18 foram produzidos
documentos cartográficos que embasaram a presente pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram capturadas imagens das atuais paisagens dos pontos estudados, e nesta feita a
classificação dos materiais constituinte do então denominados depósitos tecnogênicos. Quanto aos
pontos estudados, dois foram no bairro Vila Ipiranga, um no bairro Alto Bonito; um no bairro Vila
Zenira; e dois no bairro Vila Cafeteira. Destarte, dentre todos os materiais encontrados, foi
observada a predominância de materiais úrbicos, com predominância de materiais de construção
civil e plásticos, conforme demonstrado na Figura 02.
No bairro Vila Ipiranga foram caracterizados dois depósitos tecnogênicos: o primeiro,
localizado na Rua C, bairro Vila Ipiranga, segundo moradores da região, foi configurado
espacialmente cerca de cinco anos. Ademais, também foi relatado que os dejetos (sólidos e líquidos)
de casas próximas são lançados no terreno em que se encontra o fato tecnogênicos ora descrito. No
segundo, foi observada predominância de materiais tecnogênicos manufaturados, plásticos, vidros,
materiais de construção civil, assim denominados materiais úrbicos.
Na região estudada, além dos depósitos encontrados nas ruas, foram observados depósitos
irregulares de resíduos sólidos urbanos (RSUs) dispostos às margens do Riacho Capivara. Dentre os
materiais identificados, observou-se em maior quantidade materiais úrbicos e gárbicos. Para Dias
(2012 e 2015), os depósitos tecnogênicos são fatores que contribuem para a alteração do regime
hídrico e do fluxo das águas superficiais e subterrâneas. Isso faz com que haja maior intensidade de

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escoamento pelos talvegues, o que provoca alagamento das áreas de baixadas ou áreas que sofrem
com o processo de solapamento presentes em margens de canais onde também verifica-se o
alocamento de detritos humanos formadores depósitos tecnogênicos. Esses processos são
absolutamente comuns entre os meses de dezembro e março, em que as chuvas são mais intensas
nos pontos amostrados por ocasião da presente pesquisa.

Figura 02: Localização e situação espacial da distribuição dos principais depósitos tecnogênicos na área de
pesquisa. Fonte: Registros da Pesquisa (2016).

No Bairro Alto Bonito identificou-se um único depósito tecnogênico, localizado na Rua


Polígono, e foram observados materiais alocados com cerca de 2 metros de altura, a análise
qualitativa da massa de resíduos sólidos encontrados permitiu caracterizá-los como materiais
úrbicos compostos por papéis, papelão, vidro, resto de materiais de construção civil. O estudo
comparativo entre materiais encontrados nos bairros Vila Ipiranga e Alto Bonito permitiu a
diferenciação entre alguns materiais, como, por exemplo, sacos plásticos, papelão e madeira.
O depósito tecnogênico existente no bairro Vila Zenira, situado na Rua Goiás, próximo ao
cemitério Parque dos Anjos, como nos outros pontos foram encontrados materiais úrbicos, contudo
neste ponto também foram encontrados materiais detríticos com lixo orgânico, classificados de
materiais gárbicos consorciados aos entulhos. Embora não haja planície de detritos, este depósito
possui cerca de 200 m2 de área total, com altura média de 3,0 metros acima do nível do solo.

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Numa identificação analítica qualitativa dos materiais sólidos depositados, notou-se uma
maior quantidade de sacolas plásticas. Diferentemente dos depósitos apresentados nos bairros Vila
Ipiranga e Alto Bonito que dispõem apenas de materiais úrbicos, o depósito tecnogênico do bairro
Vila Zenira dispõe também de materiais gárbicos em formação.
No bairro Cafeteira, identificaram-se dois depósitos tecnogênicos: um entre as Ruas Onofre
Correia e Tancredo Neves e outro na Rua Tumalina. O primeiro tem cerca de 1,5 metro de altura em
relação ao nível do solo, com predominância de matérias úrbicos, exclusivamente materiais de
construção. O terreno onde está localizado este depósito é de baldio sem qualquer tipo de estrutura
que impeça a livre disposição dos materiais em sua extensão, o que contribuiu para o lançamento
destes detritos. Já possui mais de 100 m2 de área ocupada, próximo às margens do Riacho Capivara,
mesmo tendo menos de um ano de existência. O segundo depósito encontrado na Vila Cafeteira,
está localizado na Rua Tumalina, próximo aos fundos do cemitério Parque dos Anjos, cuja
classificação não divergiu dos demais pontos estudados e classificados como materiais úrbicos.
De acordo com Silva e Nunes (2014), uma questão importante refere-se à própria maneira
como uma sociedade compreende a natureza, se ela é vista como um bem ou como um recurso a ser
apenas apropriado. Os resultados da interferência humana nos aspectos naturais tem se apresentado
de forma surpreendentemente prejudiciais ao próprio ser humano. O objetivo deste trabalho não se
refere a futuras calamidades, aos eventuais riscos ou potenciais perigos que os processos
tecnogênicos induzem, mas a uma inquietação com o futuro da segurança do habitat humano local
em relação aos problemas ambientais socialmente construídos. Com o estudo das formações dos
estudos tecnogênicos é possível obter uma nova visão da geográfica e geomorfológica dos seus
principais efeitos sobre o meio ambiente. Assim também é possível determinar as condições
socioeconômicas da região da zona urbana de Imperatriz (MA) denominada Grande Cafeteira.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A deposição inadequada de resíduos sólidos nos compartimentos dos solos resultou na


alteração dos processos ambientais, como aqueles ligados a hidrodinâmica e ao escoamento
artificial principalmente, produzindo um quadro de degradação ambiental caracterizado pelo
assoreamento no Riacho Capivara e compactação do solo pelo uso de máquinas de terraplenagem
na retirada do mesmo.
A gênese dos depósitos tecnogênicos foi, portanto um indicativo qualitativo da relação
homem-natureza no tempo e no espaço, bem com a identificação e caracterização dos materiais
considerando sua composição e origem, permitindo subsídios para o entendimento da dinâmica das
paisagens nos bairros investigados. São conspícuas novas estruturas construídas ou induzidas pelo
homem. Foram encontrados dois tipos de depósitos tecnogênicos, o que reflete a existência de uma

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

correlação entre estes e suas concentrações em uma determinada classe social ou determinado uso
de solo.
No que diz respeito aos processos de ocupação e uso do solo na zona urbana do município
de Imperatriz, as mazelas de natureza geológica e geomorfológica ocorrem em terrenos recobertos
por colúvios ou elúvios. No entanto, deve-se dar uma atenção especial as áreas que possuem
materiais classificados como gárbicos, pois estes apresentam maiores riscos à saúde das
comunidades em geral.
Espera-se que novos trabalhos como este sejam realizados em outros bairros do município
de Imperatriz com intuito de orientar e amenizar os efeitos das ações antrópicas sobre os bairros
com vista a manter o equilíbrio da paisagem e identificar áreas apropriadas para a expansão
humana, estabelecimento de loteamento e áreas degradadas a serem recuperadas.

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 268


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

ANÁLISE SOCIOAMBIENTAL DO RIO APODI-MOSSORÓ


NO TRECHO DE PAU DOS FERROS/RN

Manoel Mariano Neto da SILVA13


Graduando em Engenharia Ambiental e Sanitária, UFERSA.
mariano.paiva@ufersa.edu.br
Wagner Bandeira da SILVA14
Graduando em Engenharia Ambiental e Sanitária, UFERSA.
wagnerbandeira2010@hotmail.com
Joel Medeiros BEZERRA
Professor do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, UFERSA
joel.medeiros@ufersa.edu.br

RESUMO
Os corpos hídricos são de fundamental importância para manutenção dos ecossistemas naturais e
atender as necessidades humanas. No entanto, a degradação desses recursos é um agravante global
quando se considerada a crise hídrica instaurada no início do século XXI. Assim, este trabalho tem
por objetivo realizar uma análise preliminar acerca dos aspectos socioambientais do rio Apodi-
Mossoró, no trecho limitado pelo município de Pau dos Ferros/RN. Para tanto, foram realizadas
aplicação de questionários à população alocada nas proximidades do rio e visitas in loco. A partir da
percepção ambiental dos moradores, evidenciou-se a representatividade deste corpo hídrico para a
criação de animais, irrigação e extração de areia. Entretanto, devido às fragilidades dos serviços de
saneamento, associado ao pouco conhecimento ambiental da população, ocorre com muita
frequência o descarte de resíduos sólidos e efluentes domésticos às margens do rio, contribuindo
para a intensificação da degradação da qualidade do curso d‘água. Mediante tais discussões,
percebe-se que existem danos ambientais causados ao rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros/RN,
que interagem diretamente com os meios econômico, ambiental e territorial, tendo em vista as
limitações ambientais para execução de atividades antrópicas, a propagação de agentes infecciosos
e contaminantes, além da desvalorização imobiliária da área devido à poluição.
Palavras-chave: percepção ambiental, recursos hídricos, corpos lóticos, qualidade ambiental.
ABSTRACT
The water bodies are of fundamental importance for the maintenance of natural ecosystems and
human needs. However, the degradation of these resources is a global aggravating factor when
considering the water crisis established at the beginning of the 21st century. Thus, this work has the
objective of conducting a preliminary analysis about the socio-environmental aspects of the Apodi-
Mossoró river, in the municipality of Pau dos Ferros / RN. For that, questionnaires were applied to
the population allocated in the vicinity of the river. From the environmental perception of the
residents, the representativeness of this water body for the creation of animals, irrigation and sand
extraction was evidenced. However, due to the weaknesses of the sanitation services, associated
with the population's lack of environmental knowledge, the disposal of solid wastes and domestic
effluents at the river banks is very frequent, contributing to the intensification of the degradation of
the watercourse. Through these discussions, it can be seen that there are environmental damages
caused to the Apodi-Mossoró river, in Pau dos Ferros/RN that interact directly with the economic,

13
Bacharel em Ciência e Tecnologia, Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA
14
Bacharel em Ciência e Tecnologia, Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 269


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

environmental and territorial means, considering the environmental limitations to carry out
anthropic activities, the propagation Of infectious agents and contaminants, besides devaluation of
the area due to pollution.
Keywords: Environmental perception, water resources, lotic bodies, environmental quality.

INTRODUÇÃO

Ao analisar o contexto histórico, percebe-se que as principais civilizações foram instauradas


às margens dos rios, o que evidencia a importância dos recursos hídricos para o desenvolvimento e
sobrevivência humana. Diante desta realidade, percebe-se que muitos fatores históricos e
ambientais foram alterados, mas as principais atividades antrópicas dependem direta ou
indiretamente da água para sua execução. Frente a isso, Walker et al. (2015) afirmam que a água
desempenha um papel fundamental em todos os aspectos da sobrevivência humana e dos
ecossistemas.
No entanto, o aprimoramento das atividades antrópicas trouxe consigo consequências que se
refletem na disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos. De acordo com Abed-Elmdoust e
Kerachian (2012), a redução da quantidade de água disponível é tido como uma grande
problemática, mas se evidencia que a qualidade dos recursos disponíveis passa a ser aceito como
fator fundamental no tocante à crise hídrica mundial.
Diante da conjuntura nacional, Souza e Moura (2015) apontam que o país apresenta grande
disponibilidade hídrica, mas a má distribuição deste recurso associada ao desperdício e a falta de
planejamento contribuem para um cenário de escassez. Sob esta perspectiva, o Ministério do Meio
Ambiente (2015) aponta que as maiores bacias hidrográficas do país ocupam uma área de 8,512 mil
quilômetros quadrados, proporcionando uma vazão de 182,17 m³/s, no entanto, ao comparar os
percentuais de distribuição dos recursos hídricos nas regiões brasileiras com os índices
demográficos, percebe-se que as regiões com maior disponibilidade hídrica acumulam os menores
contingentes populacionais, enquanto que as maiores concentrações de pessoas estão situadas nas
áreas com baixa concentração de recursos hídricos.
Em se tratando da Região Nordeste, conforme Bezerra e Bezerra (2016), há maior propensão
à ocorrência de longos períodos de estiagem são decorrentes dos fatores climáticos e antrópicos, o
que dificulta a manutenção das necessidades de alguns ecossistemas e contribui para a
descaracterização física e social dos ambientes mais afetados. Diante disso, a Agência Nacional das
Águas – ANA (2015) elenca que os volumes acumulados nas bacias hidrográficas da região
decresceram exponencialmente, considerando que em 2012, o percentual acumulado era de 75,2%,
reduzido a 45,9% em 2013, 33,0% em 2014, e 28,6% em 2015.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Não distante a tal realidade, o Estado do Rio Grande do Norte também convive com a
estiagem, visto que de acordo com a ANA (2015), apenas três bacias hidrográficas apresentavam
mais de 50% da capacidade volumétrica. Nesse sentido, Freitas, Guedes e Costa (2016) afirmam
que a Região do Alto Oeste Potiguar está inserida no polígono das secas, favorecendo longos
períodos de escassez dos recursos hídricos. Nesse contexto, situa-se o rio Apodi-Mossoró, que em
2015 apresentava 24,1% da capacidade, conforme a Secretaria de Administração e dos Recursos
Humanos – SEARH-RN.
Mediante tais discussões, este trabalho tem por objetivo realizar uma análise socioambiental
do rio Apodi-Mossoró, no trecho do município de Pau dos Ferros/RN. Dessa maneira, buscou-se
identificar as atividades antrópicas desenvolvidas a partir do rio, e, analisar a dinâmica
populacional, com base na percepção ambiental, no trecho correspondente à área de estudo.

METODOLOGIA

Caracterização do estudo

A pesquisa foi conduzida no município de Pau dos Ferros, situado na Mesorregião do Oeste
Potiguar, Estado do Rio Grande do Norte. Conforme dados do IBGE (2016), o município possui
uma população estimada em 30.206 habitantes, dos quais 92,07% estão situados na zona urbana,
enquanto que apenas 7,93% se encontra na zona rural. A densidade demográfica é de 116
habitantes/km², considerando a extensão territorial de 259,959 km².
No tocante à hidrologia, a área de estudo está totalmente inserida na Bacia Hidrográfica do
Rio Apodi-Mossoró, contribuindo com uma área de drenagem de aproximadamente 2.073 km², de
acordo com o Instituto de Gestão de Água do Rio Grande do Norte (IGARN), e, apresentando uma
média histórica de precipitação 801,4 mm, conforme a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio
Grande do Norte (EMPARN).
O trecho do Rio Apodi-Mossoró que passa por Pau dos Ferros apresenta características
distintas em relação ao uso e ocupação de seu entorno, que variam conforme as zonas urbana, rural
e de transição. Assim, foram selecionadas seis seções, considerando estes aspectos, afim de formar
uma amostra representativa.
Desta maneira, as áreas situadas na zona rural compreendem à Barragem de Pau dos Ferros
e à seção da ponte na BR 226; os ambientes de transição estão representados pelos bairros Manoel
Deodato e João XXIII; e, as áreas urbanas foram delimitadas através dos bairros São Benedito e São
Geraldo (Figura 1).

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 1 – Localização da área de estudo, com a identificação dos pontos de amostragem no município de
Pau dos Ferros-RN

Fonte: Autoria própria, 2017.

Métodos empregados

O questionário para análise de percepção ambiental tinha por finalidade compreender como
ocorre a dinâmica entre a população e o rio Apodi-Mossoró, no município de Pau dos Ferros/RN.
Nesse sentido, era constituído por perguntas objetivas de múltiplas escolhas, que seguiam as
seguintes diretrizes: uso e ocupação do ambiente, saneamento ambiental e educação ambiental.
Aplicou-se 60 questionários aos moradores das áreas estudadas, que posteriormente foram tratados
com auxílio do Software Microsoft Excel 2013.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A partir da percepção ambiental, foi possível identificar quais as principais atividades


antrópicas desenvolvidas no entorno do rio Apodi-Mossoró, no trecho em Pau dos Ferros, e
compreender como ocorre a dinâmica da população com o rio. Nesse sentido, a Figura 2 demonstra
o período de ocupação das áreas de entorno das seções avaliadas, com base na percepção dos
moradores.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 2 – Tempo de ocupação das proximidades do rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros/RN, conforme
percepção ambiental da população

6,67%
6,67%
Até 01 ano

Entre 01 e 03 anos
11,67%

Entre 03 e 05 anos

Há mais de 05 anos

75,00%

Fonte: Pesquisa, 2017.

A permanência nas localidades por períodos prolongados permitiu aos moradores mais
antigos acompanhar as transformações sofridas pelo rio, desde os períodos em que ocorriam cheias,
práticas agrícolas e a pesca, até a atualidade, marcada pela degradação e esquecimento.
Pelo simples fato de estar inserida no ambiente, a população necessita interagir com este
meio, buscando suprir as necessidades cotidianas. Assim, pode-se afirmar que junto à ocupação das
proximidades do rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros, ocorre ainda a integração das principais
atividades sociais com o rio, considerando que conforme a Figura 3, destacam-se aproximadamente
40% dos entrevistados utilizam a área exclusivamente para fins de moradia, 15% praticam
atividades agrícolas, 18,33% instalaram pontos comerciais e 11,67% moram e desempenham
atividades agrícolas.
Além das atividades desenvolvidas pelos entrevistados, buscou-se analisar quais eram
perceptíveis à população local, considerando a atuação dos demais integrantes internos e à ação
externa. Logo, constatou-se que 8,33% da população identificam o uso para irrigação e
dessedentação animal, 26,67% afirmam que ocorre a criação de animais às margens do rio. Há os
casos em que não são identificados qualquer uso para a área, que corresponde a 8,33%, e, uma
considerável fração que aponta mais de um uso para o corpo hídrico. Essas informações reafirmam
a importância desse curso d‘água no contexto de Pau dos Ferros/RN, visto que mesmo em
condições pouco propicias favorece uma série de atividades que direta ou indiretamente beneficiam
a população.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Figura 3 – Atividades desenvolvidas pela população nas proximidades do rio Apodi-Mossoró, em Pau dos
Ferros/RN
1,67% 1,67% 1,67% Moradia
Prestação de serviços
6,67%
Atividades agrícolas
Comércio
11,67%
40,00%
Moradia e Prestação de serviços
1,67%
Moradia e Atividades Agrícolas
Moradia e Comércio
18,33%
Atividades agrícolas e comércio
Moradia, atividades agrícolas e comércio
15,00%
1,67% Prestação de serviços e atividades agrícolas

Fonte: Pesquisa, 2017.

Um dos fatores de maior importância social, considerando a qualidade de vida da população


e a preservação do meio ambiente são os serviços de saneamento, uma vez que permite o acesso à
água potável, coleta e tratamento dos efluentes domésticos e resíduos sólidos, e a drenagem urbana,
combatendo de diretamente a propagação de doenças, a degradação dos ecossistemas e a
desigualdade social. Nesse sentido, a Figura 4 apresenta informações sobre o abastecimento hídrico
nas áreas estudadas, de acordo com a percepção ambiental dos moradores.

Figura 4 – Caracterização do abastecimento hídrico nas áreas próximas ao rio Apodi-Mossoró, em Pau dos
Ferros/RN, de acordo com a percepção da população.

35,00% Caern
Poço
Misto
56,67%

8,33%

Fonte: Pesquisa, 2017.

Como ilustra a Figura 3, percebe-se que 56,67% dos entrevistados tem o abastecimento
direto da CAERN, 35% utilizam fontes mistas, que neste caso configuram o consumo de água
subterrânea e da distribuição realizada pela CAERN, enquanto que 8,33% consomem água advinda
unicamente de poços subterrâneos.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Diante dessa realidade, Araújo et al. (2016) apontam que no Brasil apenas 84% da
população era atendida pelo sistema de abastecimento de água, e na Região Nordeste, percebe-se
que esta problemática alcança maiores proporções em decorrência da escassez hídrica. No entanto,
ao observar o índice de abastecimento total de água do Rio Grande do Norte, os autores afirmam
que o estado se encontra entre os que estão em melhores condições, considerando uma faixa
percentual entre 70% e 80%.
No contexto local, sabe-se que o abastecimento hídrico está comprometido, uma vez que o
reservatório local se encontra inativo. Frente a tal realidade, o abastecimento ocorre mediante uma
adutora de engate rápido, que transporta água da Barragem Santa Cruz em Apodi/RN. Diante dessas
condições, o racionamento se apresenta como uma medida necessária para otimizar o processo de
distribuição. No entanto, induz a população a procurar novas alternativas, configuradas pela
exploração de água subterrânea.
Os outros pontos ligados ao saneamento, analisados ao longo da pesquisa foram os serviços
de esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos. Nesse sentido, as Figuras 5 e 6 apresentam os
gráficos desses segmentos.

16,67%
3,33%

48,33%
51,67%
80,00%

Sim, totalmente Sim, parcialmente Não Sim, totalmente Sim, parcialmente

Figura 5 – Caracterização do esgotamento sanitário Figura 6– Caracterização da coleta de resíduos


nas áreas próximas ao rio Apodi-Mossoró, em Pau sólidos nas áreas próximas ao rio Apodi-Mossoró,
dos Ferros/RN. Fonte: Pesquisa, 2017. em Pau dos Ferros/RN. Fonte: Pesquisa, 2017.

Devido à destinação inadequada dos efluentes, estes são direcionados às margens do rio
Apodi-Mossoró, comprometendo a preservação do corpo hídrico. Ao discutir a poluição ambiental,
Braga et al. (2005) pontua que os esgotos possuem muitos poluentes orgânicos, inorgânicos e
biológicos, altamente danosos aos corpos hídricos. Como resultado da poluição, tem-se a redução
dos índices de qualidade da água, a eutrofização e a redução ou modificação dos usos dos recursos
hídricos. Face a realidade apresentada, Galvão Júnior (2009) afirma que no Brasil o déficit dos
serviços de água e esgoto é mais acentuado nas populações de baixa renda, as quais apresentam
maiores problemas de saúde pública.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 275


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

No tocante à coleta dos resíduos sólidos, toda a área de estudo é atendida total ou
parcialmente. Entretanto, os resíduos são destinados ao lixão municipal, que por apresentar uma
estrutura deficiente, permite a contaminação do solo, e, possivelmente do lençol freático e dos
corpos hídricos superficiais situados em suas proximidades.
Conforme Ferreira (2014), entre 2011 e 2012 a produção de resíduos sólidos apresentou um
crescimento de 1,3%, superior ao crescimento populacional, que foi de 0,9% para o mesmo período.
Pereira, Rocha e Teixeira (2014) apontam que a produção de lixo impacta diretamente na saúde
pública, e, esta realidade tende a se agravar devido à ausência de política públicas. Afirma-se que
no Brasil ―tem-se uma produção de 241.614 toneladas de lixo por dia, onde 76% são depositados
em lixões a céu aberto, 13% são depositados em aterros controlados, 10% em usinas de reciclagem
e 1% são incinerados‖ (PEREIRA; ROCHA; TEIXEIRA, 2014, p. 1).
Ao analisar os fatores associados à educação ambiental da população situada próximo ao rio
Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros, enfatizou-se a importância do rio para o meio ambiente. Assim,
constatou-se que a maior fração dos entrevistados reconhecem que o rio apresenta grande
importância ambiental, no entanto, 21,67% afirmam que não há importância e 13,33% o classifica
como pouco importante. Assim, percebe-se uma carência em relação a educação ambiental,
considerando que este curso d‘água favorece o desenvolvimento de muitas atividades, como a
agropecuária e extração mineral.
Ao discorrer sobre as principais fontes poluidoras do ambiente em estudo, de acordo com os
entrevistados, tem-se o descarte de resíduos sólidos, efluentes domésticos, cadáveres de animais e a
extração de areia. Partindo dos pontos já discutidos anteriormente, percebe-se que todas as fontes
poluidoras citadas interagem diretamente com a fragilidade dos serviços de saneamento básico, da
limitação de conhecimentos relacionados à educação ambiental e da aparente irrelevância que o rio
apresenta para uma parcela dos entrevistados
Considerando as condições ambientais do Rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros/RN,
48,33% dos entrevistados o classificam como péssimo e 28,33% como ruim, enquanto que 13,33%
afirmam que as condições estão razoáveis, 8,33% indicam que as condições estão boas e 1,67% não
souberam responder.
A Figura 7 elenca as condições ambientais do rio Apodi-Mossoró em Pau dos Ferros/RN,
ressalta-se que esses quantitativos demonstram que uma considerável parcela da população tem
consciência de que as condições de preservação e conservação do rio estão em estado de
precariedade, o que leva ao apontamento de possíveis alternativas capazes de minimizar os danos
causados pelas atividades antrópicas.

Figura 7 – Análise das condições ambientais do Rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros, de acordo com a
percepção da população.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 276


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

1,67%
8,33%
Péssima
13,33% Ruim
48,33%
Razoável

28,33% Boas

Não sabe

Fonte: Pesquisa, 2017.


Ao discutir possíveis alternativas para melhorar as condições ambientais do rio Apodi-
Mossoró, em Pau dos Ferros/RN, os principais apontamentos da população são sobre os serviços de
saneamento ambiental, seguido da implementação de atividades de educação ambiental e ajustes
quanto aos usos e ocupações do rio, ver Figura 8.

Figura 8 – Alternativas para melhorar as condições ambientais do rio Apodi-Mossoró em Pau dos Ferros,
conforme a percepção ambiental dos moradores
Atividades de educação ambiental
1,67%
5,00%5,00%
Melhoramento do saneamento básico
8,33%
18,33% Atividades de educação ambiental,
Melhoramento do saneamento básico e
Adequação dos usos e ocupação do rio
Atividades de educação ambiental e
Melhoramento do saneamento básico

Melhoramento do saneamento básico e


20,00% Adequação dos usos e ocupação do rio
41,67%
Atividades de educação ambiental e Adequação
dos usos e ocupação do rio

Nenhuma

Fonte: Pesquisa, 2017.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O entorno do rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros possui uma ocupação muito
diversificada, que compreende a moradia, prestação de serviços, atividades agrícolas e o comércio.
Este fator decorre do fato deste trecho se estender em áreas com usos e ocupações distintas, na quais
o urbano e o rural produzem os maiores contrastes, e, fazem surgir ambientes de transição.

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 277


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Partindo da percepção ambiental dos moradores, o rio apresenta grande importância para o
município de Pau dos Ferros, uma vez que muitas atividades são desenvolvidas em seu entorno,
onde se destaca a criação de animais, irrigação e extração de areia. Entretanto, evidencia-se um
descaso com a conservação desse corpo hídrico, tendo em vista o descarte de resíduos sólidos e
efluentes domésticos, que limitam os seus usos múltiplos e reflete diretamente na qualidade
ambiental.
Portanto, os efeitos da poluição no trecho do rio Apodi-Mossoró, em Pau dos Ferros/RN,
impactam os meios social e econômico, quando se considera as limitações impostas às atividades
antrópicas. Ressalta-se as perdas em relação à saúde, que decorrem da contaminação do corpo
hídrico e propagação de vetores de doenças, além das perdas territoriais, caracterizadas pela
desvalorização e inutilização das áreas, devido a poluição e contaminação do ambiente. Diante
desta realidade, explicita-se a importância dos serviços de saneamento e a educação ambiental
frente a preservação do corpo hídrico, e, dos ecossistemas inseridos no contexto local.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 280


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

PERCEPÇÃO SOCIOAMBIENTAL DOS USUÁRIOS DA PRAIA DO OLHO D‘ÁGUA,


MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS, MARANHÃO

Maria Luiza Torres PIRES


Graduanda do curso de Oceanografia da UFMA
malutoresp@gmail.com
Vitor Martins MOREIRA
Graduando do curso de Oceanografia da UFMA
vitaomartins87@gmail.com
Laís Rodrigues ROCHA
Graduanda do curso de Oceanografia da UFMA
rlaisrocha@gmail.com
Flávia Rebelo MOCHEL
Profª Drª da Universidade Federal do Maranhão - UFMA
flavia.mochel@gmail.com

RESUMO
O estudo da percepção ambiental aplicado em ambientes costeiros, como instrumento de pesquisa
para a Educação Ambiental, ajustam-se como um importante estudo para o entendimento
comportamental, quanto a posturas e sensibilização do indivíduo para com o meio. Diante da
atuação da Oceanografia Socioambiental correlacionadas à percepção ambiental, o presente estudo
teve como objetivo realizar o diagnóstico da percepção dos frequentadores e/ou turistas sobre a
produção e descarte de resíduos na praia do Olho D‘Água, no município de São Luís, Maranhão.
Para isso, foram aplicados 41 questionários semiestruturados utilizando metodologias quali-
quantitativas e entrevistas. O estudo centrou-se em questões, como: informação sobre o
entrevistado, aspectos positivos e negativos observados pelos frequentadores; foi questionado
quanto a origem, consumação e como são descartados no ambiente. Indagaram-se também quais
alimentos eram mais observados e quais medidas poderiam ser tomadas para a preservação do
ambiente. Os resultados mostraram dentre os principais alimentos consumidos: coco, frutas e palitos
(de queijo), em culminância com os resíduos mais observados no ambientes: de caráter orgânico. As
medidas mais apontadas pelos entrevistados foram: a coleta seletiva, a introdução da Educação
Ambiental nas comunidades, políticas públicas, entre outros. Nesse cenário, a abordagem da
Educação Ambiental juntamente com os estudos da percepção é de fundamental importância como
forma de conscientização dos indivíduos com o meio, visando o desenvolvimento sustentável da
área.
Palavras-chave: Educação Ambiental; Produção de resíduos; Sustentabilidade.

ABSTRACT
The study of environmental perception applied in coastal environments, as a research tool for
Environmental Education, fits an important study for the behavioral understanding, based on the
actions and the sensitization of a person towards the environment. Claiming for a new performance
meaning Socioenvironmental Oceanography, The present study aimed to diagnose the perception of
visitors and / or tourists about the production and disposal of residues at Olho D'Água beach, in the
municipality of São Luís, Maranhão. For this purpose, 41 semi-structured questionnaires were used
using qualitative-quantitative methodologies and interviews. The questions focused on issues such
as: information about the interviewees, positive and negative aspects observed by the participants;

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the origin, consumption and how the wastes were discarded in the environment. It was also asked
which types of food and disposals were most observed as well what effective actions could be taken
to preserve the environment. The results showed that the main wastes were some type of foods like
coconut shells (bark), other remains of fruits and sticks of baked cheese, leading to the conclusion
that the wastes at that beach were mainly organic ones. The most claimed effective actions for
solving those problems were the selective sanitation, public Environmental Education and
environmental public policies related. In this scenario, the approach of Environmental Education
together with the studies of perception, are of fundamental importance as a way of raising public
awareness on environmental issues, focusing the sustainable development of the area.
Keywords: Environmental education; Waste generation; Sustainability.

INTRODUÇÃO

Os ambientes costeiros possuem relevante importância dentro da dinâmica das cidades


litorâneas (Macedo-Silva, Tchaicka & Sá-Silva 2016, p.406). Entre os variados ambientes, as praias
destacam-se por executar um importante papel, não apenas de lazer e/ou turismo, mas por abrigar
diversas espécies de seres vivos, e por propiciar serviços ao homem, como ajuste da manutenção do
clima, controle de inundações e a proteção costeira, segundo o Panorama da conservação dos
ecossistemas costeiros e marinhos no Brasil (2010, p. 7). Esses ambientes, conforme Mochel (2005)
estão em constantes conflitos quanto à ocupação intensa e má uso, devido ao fato do seu espaço ser
um fator limitante e a presença de atividade comuns na mesma área como turismo, industrialização
e urbanização.
Em conformidade com Macedo-Silva, Tchaicka & Sá-Silva (2016, p. 406) impactos sobre
esse ambiente, tem sido facilmente observados, por efeitos antrópicos adversos, resultantes da má
conservação do ser para com o meio, quanto à produção de resíduos, pela contaminação de água por
despejo de efluentes sem o seu devido tratamento, entre outros.
Portanto, a Educação Ambiental e o uso da percepção nesse aspecto executam
atividades/ações/intervenções quanto à compreensão da problemática atuante, e como ela e o
indivíduo podem trabalhar em diferentes áreas/ambientes, em relação aos seus posicionamentos
perante o meio.
Assim como o estudo da percepção ambiental de uma comunidade configura-se em uma
ferramenta essencial para a compreensão acerca de comportamentos vigentes e para o planejamento
de ações que promovam a sensibilização e o desenvolvimento de posturas éticas e responsáveis
perante o ambiente (MARCZWSKI, 2006). Dessa maneira, para a realização dessa atividade, a
percepção ambiental tomou como base metodológica, a abordagem fenomenológica. Para
Chistofoletti (2000, p.22)

A fenomenologia preocupa-se em analisar os aspectos essenciais dos objetos da


consciência, através da supressão de todos os preconceitos que um indivíduo possa ter sobre
a natureza dos objetos, como os provenientes das perspectivas científicas, naturalistas e do

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senso comum. Preocupando-se em verificar a apreensão das essências, pela percepção e


intuição das pessoas, a fenomenologia utiliza como fundamental a experiência vivida e
adquirida pelo indivíduo.

A abordagem da Educação Ambiental, juntamente com a percepção do meio, dar-se pela


compreensão da interrelação entre o ser e o ambiente, sendo um importante instrumento quanto aos
estudos de manifestações comportamentais ambientais e de conduta dos seres humanos. Posto isto,
a Educação Ambiental, procura saber por meio de diferentes ferramentas, como uma comunidade
visualiza e/ou trata da problemática ambiental de uma determinada área.
Diante da importância da atuação da Oceanografia Socioambiental inteiramente ligada às
atividades de percepção ambiental, o aspecto investigado nesta pesquisa foi a percepção ambiental
de frequentadores da praia do município de São Luís do estado do Maranhão, denominada Olho
D‘Água, a respeito da produção e destinação de determinados resíduos, produzido durantes as
atividades de lazer dos mesmos.

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo foi realizado em uma praia urbana do município de São Luís, precisamente na
praia do Olho D‘Água, estado do Maranhão, entre as coordenadas 2° 28‘ 43.25‘‘S e 44° 13‘
45.69‘‘W. Para o estudo, dividiu-se a área em duas zonas, delimitando-se a faixa praial (ponto
EA_1P) e a zona dos bares e restaurantes (ponto EA_2B), conforme demonstra a figura 1.

Figura 1-Área de estudo delimitada na faixa de praia arenosa do bairro do Olho D´Água,
município de São Luís.
Para a realização da atividade, a turma de Educação e Ética Ambiental, elaborou em sala de
aula, um questionário semiestruturado utilizando metodologias quali-quantitativas e entrevistas com

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o intuito de conhecer a percepção dos frequentadores, enquanto ao consumo e destinação de


resíduos, abordando de modo geral questões como produtos de consumo, descarte de resíduos
sólidos e a percepção a cerca do ambiente da região. Posto isto, o mesmo contendo seis perguntas,
sendo estas: ―De onde você é?‖, ―Em relação ao meio ambiente, o que você acha da nossa praia?‖,
―Diga três aspectos que lhe chamou atenção.‖, ―Você prefere trazer sua comida ou consome a
comida dos bares e restaurantes?‖, ―Você consome os alimentos que os ambulantes oferecem
(vendem)?‖, ―Você sabe para onde vão os resíduos que você consome dos ambulantes?‖, ―Quais
alimentos que você mais consome (ou usa) mais e os mais observados no ambiente?‖ e ―Como você
acha que os frequentadores (visitantes) podem colaborar para diminuir a degradação ambiental das
praias?‖.
A turma formada por quinze alunos, sob a orientação da docente responsável, realizou a
atividade durante os dias 21 e 29 de janeiro de 2017, no período da manhã, abrangendo a maior
parte de bares e extensão de praia possível, para que pudessem ter um fluxo mais considerável e
distinto de participantes. A atividade teve como público alvo frequentadores da região e turistas.
Para melhor visualização da atividade, foi feito registros fotográficos durante o estudo.
Após a obtenção dos dados, a análise de informações coletadas foram organizadas em
tabelas e contabilizadas no programa Microsoft Excel 2010, de acordo com a similaridade entre
cada resposta. E as respostas mais discrepantes (as que obtiveram diferentes respostas, sendo estas
abertas), foram reunidas em uma categoria nomeada outros e/ou de acordo com as respostas
observadas em cada questionário.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com Vasco & Zakrzevisk (2010) inúmeras técnicas são utilizadas para análise das
percepções ambientais, tais como: entrevistas, questionários, registros fotográficos e outros, porém,
as ferramentas mais abordadas, são as entrevistas e os questionários. Dessa maneira,a atividade
realizada, obteve no total de 41 questionários, dispondo como alvo: moradores e/ou visitantes
(brasileiros ou estrangeiros), que foram abordados de forma arbitrária, em diferentes extensões de
praia e bares, tendo assim um fluxo de entrevistados mais diversificado e considerável. O conteúdo
do questionário e das entrevistas aplicados (as) e o tipo de questionário (quali-quantitativo
semiestruturado) confeccionado foram determinados a partir do conhecimento acerca dos objetivos
propostos.
Deste modo, do grupo respondente ao questionário, através dos dados levantados, 76% dos
entrevistados residem no município de São Luís no estado do Maranhão, contrapondo aos 2% e 3%
residentes do município de Penalva e Viana respectivamente, também do estado do Maranhão. Já
outros municípios de outras federativas apresentaram 2%, sendo eles Belém, Curitiba e o estado de

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Santa Catarina, e 5% para os estado do Piauí e de São Paulo. Além dos 3% para estado do Rio de
Janeiro.
Com bases nos estudos da percepção, quando indagados à origem de alimentos consumidos
na praia, foram observados quatro resultados. Pouco mais da metade optará por levar de casa e
consumir seuspróprios alimentos (52%), já 33% optam por consumir em restaurantes, 10% em
ambos e 5% indicaram não levar seu alimento de suas casa e/ou consumir de bares ou restaurantes,
como constatado no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Origem dos alimentos consumidos na área de estudo.

As praias atraem tanto frequentadores locais como turistas, aumentando a movimentação de


vendedores ambulantes, que utilizam este meio para o seu sustento. Dessa forma, os vendedores
ambulantes acabam por se envolver indiretamente como fontes de resíduos sólidos presentes nas
praias.
Quando questionado sobre os alimentos vendidos por ambulantes em ambos os pontos, 59%
afirmaram não consumir nenhum alimento desse campo, 41% apresentaram consumir alimentos de
vendedores, mas em grande parte de forma complementar junto ao alimento trazido de casa e/ou
consumido em restaurantes ou em outros estabelecimentos.
Dentre os alimentos mencionados pelos frequentadores, ―água de coco‖, ―frutas‖ e ―queijo‖,
foram as opções mais mencionadas, como demonstra o gráfico abaixo.

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Gráfico 2 – Percentagem de alimentos consumidos pelos entrevistados.

Referente à percepção dos entrevistados com o meio, perguntou-se aos frequentadores quais
aspectos positivos e negativos em ambos os pontos mais lhe chamaram a atenção, o destino final de
resíduos produzidos pelos mesmos, materiais produzidos a partir da consumação e medidas que
podem ser tomadas em relação ao meio.
As áreas litorâneas ao longo dos anos vêm sofrendo severas modificações, sendo muitas
delas ocasionadas por ações antrópicas. De acordo com Sodré & Farias Filho (2010), vêm causando
a degradação ambiental dessas áreas, pela introdução de bares, pela ausência de saneamento e de
planejamento para essas áreas, além da falta de sensibilidade dos frequentadores para com o meio.
Segundo Drew (1998 p. 128),

―... As costas do mundo inteiro são focos de povoamento humano. De toda a população
mundial, vivem junto do mar, metade das cidades do mundo com mais de 1 milhão de
habitantes está a beira-mar. Dessa forma, a pressão sobre a zona litorânea é grande,
enquanto se generalizam as alterações que visam beneficiar o ser humano.‖

Posto isto, dentre os aspectos mencionados pelos frequentadores em relação a pontos


positivos e negativos observados na área do presente estudo, contabilizou-se para a opção ―área
suja‖ 39%, para ―área limpa‖ 18%, ―esgoto‖ com 15%, ―área desorganizada‖ com 11%, ―área
organizada‖ e ―animais‖ com 7%, ―transito de carros‖ com 6% e ―área desmatada com 2%. Como
demonstrado também nos estudos de Teles et al. (2009) mais da metade dos seus entrevistados
consideraram a área poluída, tendo como os principais pontos negativos detectados: a presença de
esgotos a céu aberto, escorrendo em direção ao mar; a grande quantidade de lixo disposta na areia
da praia e da pós-praia, a poluição sonora, oriunda dos bares e carros estacionados ao longo da
praia, dentre outros. Um dos principais pontos negativos observados (o esgoto), conforme Souza
(2009), é comum nas praias do município de São Luís, que acabam sofrendo quanto ao mal
planejamento e até pelo mau uso do solo.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Foi questionado, quanto ao destino dos resíduos produzidos pelos frequentadores e outros.
De acordo com a amostra, a metade (50%) afirmou que sabe o destino dos resíduos por eles
consumidos e/ou produzidos. Já outras opções, como a ―coleta seletiva‖ apresentaram 29% e 21%
como destino a própria praia, como mostra a Figura 2.

Figura 2 – Resíduos dispostos ao longo da faixa praial.

Quando novamente questionado o destino do lixo produzido pelos entrevistados durante sua
permanência na praia, no estudo de Teles et al. (2009), a maioria das respostas demonstraram
―atitudes ecologicamente corretas‖, porém observou-se ao longo da área uma considerável
quantidade de resíduos sólidos sobre a faixa praial. Segundo o Ministério do Meio Ambiente
(2005), o ―lixo‖ não pode ser considerado como material dispensável, já que o mesmo é um
material rico, sujeito a aproveitamento. Dessa maneira, se o mesmo for tratado de maneira correta,
tomando as devidas providências quanto à aplicação de instrumentos educacionais nessas áreas que
são as mais afetadas, para a disseminação da problemática tendo como base: a redução e/ou
aproveitamento (gestão) de resíduos.
Foram coletados dados referentes aos alimentos mais observados no ambiente, sendo o foco
da investigação como mostra o Gráfico 3. Dentre os mais observados pelos entrevistados, o coco
apresentou-se com 21%, frutas/queijos/água e pet com 14%, camarão e ostra com 13%, latas de
refrigerante com 7%, castanhas/amendoim e moda praia com 6% e descartáveis com 5%.

Gráfico 3 – Quantidade de alimentos mais observados no ambiente de acordo com os entrevistados.

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

Quanto ao estudo da percepção em relação aos materiais produzidos pela consumação,


foram identificados os seguintes resíduos: latas de refrigerante, casca de coco, sacolas plásticas de
embalagens, palito de assados, conchas de mariscos, descartáveis e garrafa pet. Este mesmo perfil
de resíduos foram apontados por outros estudos em praias brasileiras como Gama et al.(2011),
Guimarães e Garcia (2012), Oliveira (2013), entre outros. Como demonstra o estudo de Sodré &
Farias Filho (2010), tendo como principais problemas apontados pelos entrevistados em relação ao
ambiente: a quantidade de resíduos,como casca de coco, restos de alimentos deixados pelos
banhistas, latas e outros descartáveis.
A contaminação por lixo, incluindo resíduos sólidos, principalmente plásticos, pode ser
percebida em todas as zonas marinhas do mundo, sejam elas povoadas ou não (Santos et al., 2009).
No entanto, em zonas povoadas a contaminação mostra-se de forma mais evidente. Os tipos de
contaminantes que podem ser encontrados nessas áreas, variam-se de plásticos, vidros, até resíduos
de origem orgânica (como casca de coco, palitos e outros). Outros motivos relacionados aos lixos
encontrados nessas áreas são: presença de esgotos, o que acarreta na alteração na balneabilidade
dessas áreas.
Os impactos causados pelo homem no meio ambiente nas praias são intensos, porém são
poucas as medidas tomadas para diminuir a poluição, tanto pela população quanto pelo poder
público (SODRÉ & FARIAS FILHO, 2010). Posto isto, questionou-se quais medidas e/ou
precauções poderiam ser tomadas quanto à diminuição da degradação ambiental das praias. Sendo
contabilizadas ações como: a conscientização dos frequentadores e/ou turistas, a introdução da
Educação Ambiental nas comunidades dessas áreas, entre outros como mostra o gráfico a seguir.

Gráfico 4 – Medidas e/ou precauções em relação à poluição.

Dentre as ações mencionadas, questionou quanto ―a consciência dos frequentadores e/ou


turistas‖ perante o ambiente. Cada indivíduo age e tem diferentes posições sobre o meio e dentre
suas ações, atuando sobre o mesmo a fim de sanar suas necessidades. Para Carneiro e Gonçalves

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

(2013, p. 6) as interações que novos frequentadores têm com o meio, são bastante diferentes
daquela dos primeiros moradores, já que para os mesmos o ambiente é apenas para o seu lazer e
descanso, sem preocupar-se com os danos que possa estar provocando. Portanto o estudo da
percepção ambiental desenvolvidos nessas zonas baseia-se na tomada de medidas quanto à
consciência do ser e do ambiente.
Também como mencionado em uma das medidas positivas que poderiam ser tomadas, ―a
introdução da educação ambiental nas comunidades‖ é de suma importância, quanto à formação de
condutas mais equilibradas e sensibilizadas dos indivíduos com o ambiente. De acordo com Mochel
(2005) é importante que os profissionais educadores busquem meios para que os indivíduos
―descubram, construam e internalizem valores, princípios e novas técnicas compatíveis com a
sustentabilidade ambiental.‖ Desse modo a EA, é de suma importância quanto aplicados nessas
áreas, podendo-se conhecer a conduta de cada indivíduo acerca das questões ambientais. Mochel
(2005) ainda enfatiza que esses métodos inseridos ―nas atividades de EA, seja na escola ou fora
dela, seja em qualquer faixa etária, credo ou etnia.‖
Desse modo a educação ambiental, de acordo com Cascino (2000) se tornou uma ferramenta
para um mundo limpo e sustentável, orientando o ser quanto à conscientização e preservação, e com
isso contribuindo para que ocorram mudanças positivas e práticas corretas perante o meio. Neste
caminho o estudo da percepção ambiental é de fundamental importância para que possamos
compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, anseios,
satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas. (FERNANDES et al., 2002) Esses assuntos
como comentando por Mochel, Ribeiro e Correa (2014), devem ser assimilados e
desenvolvidas/expressados, para que posteriormente possam ser trabalhados, colocando assim a
Educação Ambiental como uma boa técnina e/ou método de estudo para modificar o
comportamento do ser através de uma base de aprendizado.
Entre outras ações comentadas, contabilizou-se a ―conscientização‖, ―mutirões de limpeza
da própria comunidade‖, ―coleta seletiva‖, entre outras que de certo modo se correlacionam com a
introdução da EA nas comunidades costeiras. À vista disto, como comentado por Mochel (2016), a
idéia/ciência da sustentabilidade deve-se chegar aoseducadores, lideres comunitários e outros, para
que estes possam adequar-se e repara as realidades locais.

CONCLUSÃO

O comportamento dos frequentadores está intimamente correlacionado às normas de


condutas pessoais. Dessa forma, podemos concluir, a partir dos resultados apresentados, uma
carência quanto às ações de planejamento de órgãos públicos e privados no que se refere ao manejo
e descarte de resíduos, bem como de planos de reutilização de resíduos sólidos. Constatou-se,

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

também, a necessidade de maior envolvimento de organizações não governamentais e da


implementação de programas e campanhas de Educação Ambiental sistemáticas, de modo a
desenvolver o bom senso individual e coletivo, implementando ações e atitudes transformadoras da
realidade atual.
Para um melhor gerenciamento dos resíduos sólidos dispostos na área costeira, recomenda-
se contêineres devidamente sinalizados em ponto estratégicos das praias, assim como a
implementação da coleta seletiva, já que a maioria dos resíduos encontrados podem ser reciclados.
Recomendam-se também campanhas de conscientização e/ou educação ambiental, para o
desenvolvimento sustentável da área quanto aos impactos gerados por resíduos.

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ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 291


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

TEOR DE CARBONO ARMAZENADO EM UM ARGISSOLO SOB UMA DISJUNÇÃO


DE FLORESTA OMBRÓFILA ABERTA, E SOB ÁREA DE PASTAGEM

Rodolfo José da Silva FELIX


Graduando em Agronomia da UFPB
rodolfojsfelix@hotmail.com
Tiago de Carvalho PESSOA
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo da UFPB
tiago.pessoavw@gmail.com
José Marcelino da SILVA JÚNIOR
Graduando em Agronomia da UFPB
jr.byke@hotmail.com
Matheus de Andrade BORBA
Graduando em Agronomia da UFPB
andrade.borba95@gmail.com

RESUMO
Para minimizar os efeitos adversos das mudanças climáticas, são realizadas pesquisas que visam
identificar os impactos no meio ambiente e as formas de mitigar esses efeitos. Com isso, novas
formas de minimizar os efeitos negativos ao meio ambiente foram criadas, sendo assim, a
agricultura sofreu algumas adaptações, tendo que adotar sistemas produtivos que minimizassem os
impactos ao meio ambiente. A determinação do teor de carbono total é a forma pela qual se
quantifica os teores de carbono que determinados sistemas armazenam no solo, assim esse teor
armazenado pode variar de um sistema para outro, sendo influenciado, principalmente, pelo manejo
adotado nesse sistema. Para melhor compreensão dessa variação, foi desenvolvido um trabalho no
município de Areia-PB, no brejo de altitude paraibano; para avaliação dos teores de carbono de um
Argissolo sob um fragmento de disjunção de Floresta Ombrófila Aberta, e de um Argissolo sob
pastagens de Braquiária (Urochloa Decumbens), vegetações predominantes no Município.
Objetivando, quantificar e comparar as variações nos teores de carbono total que esses dois sistemas
apresentam. Observou-se que os valores médios do teor de carbono no Argissolo sob um fragmento
de disjunção de Floresta Ombrófila Aberta foi de 67,5 g kg-1. Enquanto, o teor médio de carbono
em um Argissolo sob área de pastagem, bem manejada, foi de 23,23 g kg-1. Demonstrando a
elevada capacidade da floresta em estocar carbono em relação a pastagem, no mesmo solo, e nas
mesmas condições climáticas.
Palavras-chave: Estoque de carbono; Disjunção de mata atlântica; Sistemas pastoris; Emissão de
CO2; Efeito estufa;
ABSTRACT
To minimize the adverse effects of climate change, Research is conducted to identify impacts on the
environment and ways to mitigate these effects. With this, new ways of minimizing the negative
effects to the environment were created, thus, agriculture has undergone some adaptations, having
to adopt productive systems that minimize the impacts to the environment. The determination of the
total carbon content is the way in which the carbon contents that certain systems store in the soil are
quantified, so this stored content can vary from one system to another, being influenced, mainly, by
the management adopted in that system. For a better understanding of this variation, a work was
developed in the city of Areia-PB, in the swamp of Paraiba altitude; to evaluate the carbon contents

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Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

of an Argisol under an Open Ombrophylate Forest disjunction fragment, And of an Argisol under
pastures of Brachiaria (Urochloa Decumbens), predominant vegetation in the Municipality. Aiming,
quantifying and comparing the variations in the total carbon contents that these two systems
present. It was observed that the average values of the carbon content in the Argisol under an Open
Ombrophylate Forest disjunction fragment was 67.5 g kg -1. Meanwhile, the average carbon
content in an Argisol under well-managed pasture area was 23.23 g kg-1. Demonstrating the high
capacity of the forest to store carbon in relation to pasture, in the same soil, and in the same climatic
conditions.
Keywords: Carbon stock; Disjunction of Atlantic Forest; Pastoral systems; Emission of CO2;
Greenhouse effect;

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas as constantes mudanças climáticas levaram autoridades e órgãos


internacionais a reverem, como o homem utiliza os recursos naturais e seus impactos ao mesmo,
com isso, nos últimos anos, várias ideias foram pensadas para reduzir as emissões de gases de efeito
estufa (GEE). Dessa forma a agricultura sofreu uma adaptação, tendo que adotar sistemas
produtivos que minimizassem os impactos ao meio ambiente; e mitigassem a emissão de gazes
poluentes, assim foram implantados sistemas como o consórcio de milho com pastagem, o sistema
de plantio direto (SPD), integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistemas agroflorestais (SAFs)
entre outros, dessa forma evitando as práticas convencionais que emitiam uma grande quantidade de
gases para a atmosfera e aportavam pouco carbono ao solo.
O CO2 é um dos gases que mais contribuem com o aquecimento global. Para saber quanto
um determinado uso do solo aporta e retêm de carbono, reduzindo assim a emissão desse gás para a
atmosfera, um dos métodos que podem ser utilizados é a análise de carbono total (C total) e do
estoque de carbono do solo.
O C total do solo é o somatório do C orgânico e do C inorgânico, sendo que a maior parte do
C total está presente na matéria orgânica, para a maioria dos solos de clima tropical úmido. Em
geral, nas regiões de clima tropical, onde há lixiviação intensa do solo durante o processo de
formação e evolução, o C orgânico é a forma predominante, sendo o teor do C inorgânico
praticamente inexistente em solos ácidos e de baixa fertilidade (GUERRA & SANTOS, 1999). A
determinação desse C total envolve a conversão de todas as formas para dióxido de carbono (CO 2)
por combustão úmida; consequentemente quantifica-se o CO2 liberado por titulação com uma
solução de ferro (Fe2+).
Diante do exposto, objetivou-se analisar os teores de carbono total (C total) em uma área de
floresta preservada para ter como base de comparação quantitativa de carbono total (C total) com
áreas onde há outros sistemas de plantio. Para isso foram analisados os teores de carbono total do
horizonte A, na profundidade de 15 cm, em um Argissolo sob Floresta Ombrófila Aberta no brejo

ISBN: 978-85-68066-53-9 Página 293


Educação ambiental: biomas, paisagens e o saber ambiental

paraibano; e comparado esse teor com valores do teor de carbono em área de pastagem, na mesma
microrregião.

MATERIAL E MÉTODOS

Área da coleta

O trabalho foi realizado com amostras coletadas em um Argissolo sob um fragmento