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ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DA URSS
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Instituto de Economia

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Série uCiência fctmómica ·suviética", 1

O SOCIALISMO:
SISIIMA fCDNDMICO


r--- Redaccão
"Ciências sociais contemporâneas"
Moscovo, 1987
ESTlMAf)OS LEITORES CONSELHO DE REDACÇÃO
Chama mos a sua atencio para o novo lanca rnen t o na P. FEDOSSEIEV - académico, presidente do Conselho
·"'P d e " Ciê nc i a económica soviétic a " I .GRIGULEVITCH - me mb r o correspondente da AC d a
., URSS, vice -presidente do Cons elho
URSS: DINAMIZAÇÁO DO DESE:NVOLVINENTO SOCIOECONOMICO V.EGOROV - secret~rio res pons~vel
(11 cadernos) . III trime stre Membros: V.A FANAS SIEV, a cadémico , G. ARBATOV , a cadémico;
HK 86-1 1(320) lu.BROMLEI, académico; V.CHA POCHNI KOV; Iu.CHlRIAEV,
Os autores da colectânea - cientistas das principais membro correspondente da AC da URSS; I.FROLOV; membro
instituições económicas da Academia das Ciências da correspondente da AC da URSS; M.CAPOTCHKA, candidat o
URSS - analisam as bases fundamentais do desenvolvimento a doutor em Ciências Filosófic as; Anat. GROMYKO, membro
económico e social da URSS aprovadas pelo XXVII Congresso corresponden t e da AC da URSS; I.GURIEV, doutor em
do PCUS, expõem a novidade e a env e rgadura das tarefas Ciências Económicas; D.GVICHIANI, académico ; P.JILIN,
que se colocam à sociedade soviética. A principal atenção membro correspondente da AC da URSS; .E.KAPUSTIN, me mbro
vai para as formas de aceleração do desenvolvimento so- correspondente do AC da URSS; T . KllATCHATUROV• académic o,
c ioe~onómico do país - a linha estratégica do Partido, S.KIIROM.OV, doutor em Ciências Hietóricas; G.KOMKOV,
apon tada para a transformação qualitativa de todos os doutor em Ciências Históricas; I.KOSTIUCHKO , doutor
aspectos da sociedade soviética, a profunda renovação em Ciências Históricas; B.KO VAL, doutor em Ciênci as
da base material e técnic a do país cofu base nas conquis- Históricas, I. KOVAL.TCl-lENKO, membro correspondente da
tas da revolução científico-técnica; a passagem da eco- AC da URSS; D.KUZNETSOV, candida to a doutor em Ciência s
nom ia ao crescimento intensivo; o aperfeiçoamento das Históricas; N.MASLOVA; D.MARKOV, académico ; Kh.MOt-t.J IAN,
relações de produção socialistas, da gestão e métodos do~tor em Ciências Filosóficas; M.MfCHEDLOV, doutor em
de administração; o asseguramento do bem-estar popular, Ciências Filosóficas; A.NAROTCHNITSKI, académico;
o melhoramento d as condições de vida e de trabalho do P.IPOTROVSKI, académico; E.PRIMAKOV, académico:
Povo Soviético, a criação de condições favoráveis ao V.SEMI ONOV, doutor em Ciências Filosófic a& ; S.TIKHVINSKI,
desenvolvimento harmoni oso da personali.dade, da energia académico; T. TIMOFElEV, membro correspondent·e da AC da
criativa e da iniciativa das massas. URSS; V.TRUKHANOVSKl, membro correspondente d a AC da _
URSS; Z,UDALTSOVA, membro correspo ndent e da AC da URSS;
Para encomendar as colectâneas de que tenha int eres~e V.VI NOGRADOV, académico ; V.VOLSKY, membro correspond ent~
no estrangeiro: da AC da URSS.
dirija-se âs firmas, centrais distribuidoras, livra -
rias que tratam de livros soviéticos e mantêm contac- A colectânea Socialismo: uú,tena económioo. edita-se
tos com o ~nico exportador de liv~os soviétirn~ - sob a redaccão geral do doutor em Ciências Económicas
V/O "Mejdunar·odnaia kniga"; V.KULIKOV.
na URSS: Redactor T.lARIKOVA.
ponham no sobrescrito o seguinte endereço : Publica-se em árahe, espanhol, inglês e portu~1ês.
MaraMH N" 3 "KMMnMtO'fl'~" ''ÀKIIAIIMKHMr• " (117192, Moce<aa.
Mwry,-.Hctadi np., 121 .
Redncto r responsável da edição portuguesa V.FARTUCHNY.
© Redacc;;ão "Ciências sociais contemporâneas" ,
1987. Direitos reservados. Autorizada a transcdcâo
dos artigos insertos desde que menc ionada a origem e
nos seja o facto comunicado.
Direcção da Redaccâo: Arbat 33/f2, Moscovo, GSP-2,
1? 181 8, URSS . 1-2
e ü604020000-p32 382 _ 87 (II)
042(02)-87
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SUMARIO
INTRODUÇÃO

ln t rodução ........ . . . . . . . . . . . . . . . 5
Em todo o conjunto de relações sociais c aracterísti-
1 •• Etapas do desenvolvimento do cas da sociedade socialista, o s istema económico ocupa o
V.KULIKOV sistema .económico do lugar central . ~ que é ele que , em última análise, deter-
socialismo ... . . . . . . . . . . . .. .. .. . . . 7 mina a n atureza e o grau de maturidade do sistema polí-
A economia socialista e a Revo- tico e social.
S. KHEINMAN lução Científico-Técnica ... .. .... 23 O sistema económico socialista não se forma de repente ,
logo após a vitória da revolução socialista, mas é fruto
Nova etapa na socialização da de uma longa etapa de desenvolvimento. No período de
V.1CHERKOVETS, produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3 transição do capitalismo para o socialismo , este sistema
O. I<ATIKHIN é apenas um dos vários regimes socioeconómicos que marcam
A propriedade de todo o povo ..... 67
O .Kp.TIKHIN a sociedade nessa etapa, embora d es empenhe uma função -
O carácter das contradições da importante. Só com o lançamento dos fundamentos do
V.KULIKOV economia socialista e as vias socialismo, isto é, com a liquidação das classes explo-
de sua solução ..... . . . . . . . . . . . . . . 82 radoras e com a afirmação da sociedade soc ial dos meios
de produção, o regime económico socialista se transforma
A lei económica fundamental do
V. TCHERKOVETS, socialismo e a ef icácia da
num sistema económico que engloba toda a economia nacio-
G.LATICHEVA produção ..... .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 00 nal. Note-se, aqui, que a criação do sistema económico
do sociali smo não se reduz, pura e simplesmente, à amplia-
Planificação da produção social .. 119 ção quantitativa dos limites do regime social ista, mas
P.SKIPETROV representa, sobretudo, uma transformação qualitativa do
O aperfeiçoamento das relações
E.KAPUSTIN de distribuição . . . . . . . . .......... 133 mesmo . O que se traduz na criação da base técnico-materi-
al do socialismo, na socialização da produção e na for-
As relações sociais e monetá- mação de uma economia que funciona obedecendo a um plano
E.GORODETSKI rio- mercantis no soc ialismo ...... 157 unico e no interesse da sociedade em geral . Ou seja, o
A intensif i cação da reprodução ... 173 sistema económico do socialismo é uma unidade das rela-
G.SOROKIN ções de produção socialistas e da respectiva base técnico-
O mecanismo da economia na material.
L.ABALKIN soc i edade socialista .......... ... 201 A propriedade social dos meios de produção é o alicer-
A partic i pação dos traba lhadores ce do sist ema económico do sociali smo ; ele funciona e
E .KAPUSTIN na gestão da produção . . . . . . . . . . . . 218 desenvolve- se no respeito das leis económicas objectivas
da nova sociedade. O sistema económico do socialismo
Bibliografia . . . . . . . ... ........ . . . 229 encontra- se em contínuo desenvolvimento e passa por uma
Autores da colectânea . ... . ..•.... 250 série de etapas, cada uma del~s com o seu próprio grau
de maturidade e íntegridade. A etapa do socialismo desen-
volvido também é historicamente lógica. A URSS foi o
primeiro país do mundo a construir uma sociedade socialis-
ta . Como nos diz a experiência, é uma etapa histórica
prolongada , enc ontrando - se o no~so país no sua fase
inicial.
O nível de desenvolvimento do socialismo alcançado pela
URSS significa que o nosso país atingiu o g rau de maturi-
-5-

~
d ade em q ue termi na a r e e s t rutur açã o de todo o conju n to
d a s r elações s o ci ais nos p ri ncípio s colec tivista s do ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA
s ocialismo . Uma das c o ndiçõe s indi s pen s á v eis dess a re - ECO NÓMICO DO SOC IALIS MO
estr u t uração é a d inami zação e a c e leraçã o do de senvolvi -
mento socioec onómico d o paí s . "Que en tendemos p o r a cele-
ração? Ant es d e tudo - diss e , ao dirigi r-s e ao XXVII Vs evo Zod KULIKOV,
Congre sso do PCUS , o Secretário Gera l do CC d o PCUS, do utor em Ciincias
Económicas
M.S.Gorbat c h ov -, a elevação d o ritmo de cres c imento
económico. Mas não só isso, A sua essincia reside n~
nova qua l idade do crescimento: intensificação Óptima da
produção na base no progresso técnico-científico, na A concepção do socialismo desenvolvido é considerada,
reestruturação da economia, em formas eficientes de com razão, o maior ixito ultimamente alcançado pela t e oria
gestão, na organização e estímulo do trabalho " 1 . Torna- marxista-leninista, tendo permitido precisar as leis do
se mais necessária uma abordagem integral do aperfeiçoa- avanço da sociedade para o comunismo. Esta base teórica
mento da economia nacional , que será transferida pars possibili t o u super ar conce i tos ant eriorment e divulgados
o desenvo l vimento intensivo. sobre as vias e os prazos d a passagem ã fase super i or do
No funcionamento e desenvo lv-imento d o sist ema econó- comunismo asse ntes na ideia da brevidade da etapa socialis-
mico do socialismo, um papel crescente cabe a quatro leis ta, o que não se confirmou na prática. Me todologicamente,
económicas do socialismo : a lei económica fundamerital, a concepção do socialismo desenvolvido assenta na dialéc-
a lei da planificação a l ei da distribu i ção segundo o tica ma terialista ciincia do desenvolvimento.
trabalho e a l ei do va l or. e por isso que, na presente
colectãnea, a nossa maior atenção vai para estas leis e As princ ipais etapas da formação do comunismo
as respectivas re l ações, para o aperfeiçoamento da base
t écnico-material do socialismo e dos mecanismos económ i - Os trabalhos modernos sob re a matéria apontarem mais
cos. de uma vez a importância dada por V. I.Lénine à n e cessida-
de de "distinguir com todo o rigor etapas de natureza di-
Redacçâo ferente, investi gar imparcialmente as condições em q ue
decorrem . .. •'1. Só assim , revelando as part i c u laridades
de cada etapa , s e us traços dominantes e tendincias h istó-
ricas, se poderá definir as potencial idades. direccões
e formas do progresso.
Neste plano, é sintomático o facto de o ob j ectivos dos
primeiros estudos económicos de Lénin·e ser já a dete rmina-
cio do nível socioeconómico da Rússia . Esses estudos de-
monstraram que a Rússia seguia a via capitalista, o que
possibilitou determinar a estratégia e a t áctica do mo-
vimento operário.
Para V.I . Lénine, um dos maiores méritos de Karl Marx
f o i o ter aplicado , pela primeira vez, a teoria do desen-
volvimento" .. . tanto a bancarrota próxima do capitalismô
corno ao desenvolvimento futuro do comunismo f uturo .. . 11 2
M. S . Gorbat chov, InfoY'171e Polltico do Connté Central O primeiro resultado desta aplicação foi a seguinte con-
do I>CUS ao XXVII Congresso do Parti do Co~nista da c lusão de Marx: " ... Entre a sociedade capital i sta e a
União Soviética, Moscovo, 1986 , p. 30. s ocieda d e comunista medeia um p e ríodo da transformacão

- 7-
r
11 bado, "o pleno socialismo", "a i, ociedade socialist a n a
revolucionária da primeira na s egunda 3 . Outro resultado
sua forma desen volvida", "o socialismo total", "as for-
foi a distinção entre os degraus de maturidade do comu-
mas acabadas de socialismo" são etapas que não poderu s e r
nismo (a fase inferior - um comunismo incompleto, ou seja,
alcançadas d e urna só vez7. Todas estas ideias foram avan-
o socialismo, e a fase superior - o pleno comunismo). Em
çadas para o primeiro plano a partir da segunda metade
síntese, em vez da t ese de que a formação e desenvolvi- dos anos 6 0 , sobretudo, após o XXVI Congresso do PCUS.
mento do comunismo decorre em duas etapas, apar'e ceu uma
A questão das etapas do período de transição será
outra , no sentido de q ue este regime atravessa no seu
analisada mais abaixo . Agora, ocupar -nos-emos pormenoi:-iza-
desenvolvimento t -r ês fases distintas . Destacando esta damente do lugar históric o d o período de t ransição . A
circunstância, Lénine, em O rrarxismo sobre o Estado questão essencial c os tuma ser assim formulada: o período
resumiu-a assim: de transição deverá cons id erar-se intennédio, ou seja, não
"I "parto difícil e prolon gado" integrado em nenhuma formação, ou encontrar-se-á dentr o
II "primeira fase da sociedade comunis ta" da formação comunista, sendo o seu elo inicial? Os autores
III "fase superior da sociedade comunista"4 modernos defendem tant o urna corno outra concepção.
É esta a p eriodiz ação mais generalizada do desenvol- A complexidade do problema d ecorre d e duas ci rc uns tin-
vimento do comunismo. Por outro lado, a durabilidade de cias: a durabi lidade da transição de uma ord e m social para
algumas etapas e o dinamismo ma ior ou menor do sistema ou tra · e o facto desse sa lto se concretiz ar fora do regime
s o cial de cada etapa impõem necessariamente uma sua maior socioeconômico anterior.
fragmen t ação. Cabe a Lénine o mérito de ter colocado esta Esta segunda circunstãnc i a não esteve pre sente, por
questão e formulado os princípios fundamentais da sua exemplo, q uando o feudalismo deu lu gar ao capita lismo:
resolução. "Este período (do capitalismo ao socialismo o salto ini ciou-se e decorreu na formação anterior, sig-
N. do A.) , no melhor dos casos, levari muitos anos - assi- nificando a finalização do processo que a subs tit uição
nalou Lénin e . - Dentro deste período, a nossa política d e urna ordem pe la outra tinha sido coucretizada. Todavi a,
divide- se em virias passagens ainda mais curtas . Neste BS relações soc ialistas de produção sô surgem apôs a
contexto, toda a importância da tarefa que assumimos , toda instauração do poder do povo trabalhado r, que ocupa
a comp lexidade da política e toda a arte política é saber imediatamente as posições dominant es na econo mi.a. A si-
levar em linha d e conta a particularidade da tarefa singu- tuaç ão r e sultante d e tal transformação de mane ira alguma
lar de cada trecho"S. pod e ser cons id erada capitalismo , ji que este pe rdeu as
Posteriormente, estas ideias de Lénine regeram a pos i ções dominantes e deixou d e d e finir a tendência-deci-
teoria e a pritica da construção do socialismo. Foi siva do desenvolvi mento. Não é igualme nte socialismo, pois
outro, porém , o destino da~ suas advertências sobre a du- este não se formou totalmente n e m conseguiu o domínio
ração da etapa socialista. As notas de L ,nine sobre isso ab so lut o , tra tando--se , na realidade, da conversão de
e o seu delineamento dos degraus d e maturidade do socialis- uma formação em outra .
mo foram desatendidos durante muitos anos . Todavia , as Ao mesmo tempo, urna v ez aparecidas a~ relações sociali!
obras leninistas contêm referências a este respeito. Por tas, isto é , as primeiras relações comu ni stas, é lôgico
exemp 1 o , em O Estado e a Revo Zw;;:ão , 1 i vro escrito , como vi s l umbrar o advento da formação comunista. "A e l iminação
se sabe, antes da Revolução de Outubro , ele apontou a do capita li smo e d os seus vestígios, a implantação das
natureza prolongada do processo de extinção do Estado, já bases do comunjsmo , esc reveu Lénine, são o conteúdo da
que não é nada fácil a transformação do trabalho na pri - nova época d a Hist(JrÍa Universal qu e acaba de iniciar-se"8.
meira necessidade vital nem a criação das condiç5es in- Por outras palavras, a amb iguidade da resposta i
dispensáveis à materialização do princípio " de cada um se- ques t ão se o período de t r ans ição~ ou nio parte da forma-
gundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas neces- -.:ão comu ni. Ata está obje c tivame nte detenn.inada. Segundo
sidades " 6. pare c e, a atitude di al~c tica na r eso lu çio desta ques tio
Das obras de Lénine ressalta igualmente a ideia de que nii o ser;Í a ubsnl1.1tÍZftçào d e uma <las <luas respostas possí-
11
"a sociedade socialista desenvolvida", 0 socialismo aca- :l-l -9-•
-8-
O sistema s ocialista mundia l as segu ra a ma nu tenç ão
vei s nem o r e conhec i mento da j uscez a de amba s . Em pr i-
da ord em soci al i s ta . Nes t e c ontexto , pode s urgir a imp r es -
mei r o lugar, é impo rtan te def i ni r com c lar e za em que
s ão de que não há di fer enç a s s ub sta nc i a i s en t r e o domí n i o
sentido é legí t ima cada uma delas. Em segundo lugar ,
de ve-se ve r as c ons e quênc ias pot enciais da abs o lutizaç ã o cot a i da s relaç õe s socia l i s t a s e o seu predomín io abso l uto.
Po rém, não é assim. A prátic a d emons t rou com t od a a cl are-
de uma d a s d uas respostas. za qu e en quan t o pers is ti rem sectores r e s tan te s da propri e-
Supon hamos q ue s e abso l uti za a a firmação de que e s s e
período se e ncon t ra entre a s d uas f o rma ções. Ne ste caso, dad e priva da , pe rs i s tirá a bas e soc ia l para a taqu es c o n t ra-
r e vo luc ioná rios , ist o é, para t en tativa s d os el e men to s
não é preciso o mome nto inicial da formação comunista, ·
reaccionários de fazerem andar para trás a roda da
pondo-se em sombra a tese fundamental de que a marcha
His t ória. ~ po r i s so q ue não podemos de s prezar as d i f eren-
pa ra o comu_n ismo parte da r evolução soc ialista. ças en t re o soc ialismo triunfante e o período de t ra ns içã o,
Ao absoluti zar-se a outra hipótes e - a do período de
mesmo que se trate da fas e final deste .
transição como etapa inicial da formação comunista -,
d e spreza-se o limiar que separa o período de transição do
Etapas da c r i ação da e c onomia soc ialista
socialismo triunfante. O limite entre estas etapas como
que deixaria de e xistir. Entretanto, o período de transi-
Após o triunfo da Revoluç ã o d e Ou tubro, V. I.Léni ne
ç ã o diz respeito ao socialismo em geral, não apenas a uma
re fe riu-se rep e tida mente i possib i lid a de da passagem ime -
e tapa d es te. Sendo o elo inici a l do comunismo, o período
diat a ao s ocia l ismo . A sub s titui ção da pol í tica d o "co mu-
d e transição é o da criação do socialismo . ni smo de guerra" pela NEP (nova política económi ca) ob rigo y
As etapas enquadradas na fase socialista e o período
o a di s pens ar pa rticular a tenção a esta q uest ã o.
de transição são fenómenos distintos. Quando a economia
Nas ob r as referentes ao "comunismo de guerra " e s te
do s ocialismo triunfante substitui a do período de tran-
é interpretado, normalmente, c omo um si-s tema de me did as
s ição , alteram-se radicalmente todas as l e is da produção
imposta pela guerra civil e a intervenção estran geira . Ta l
socia l (foram r e vogadas as leis' da propriedade privada).
con c epção é c orrecta, embora, não suficiente. Na al tu ra ,
Mas, o socialismo triunfante assenta, em todas as suas
o " c omunismo de guerra" foi visto não só c omo um sis tem,1
e tapas , nas mesmas leis económicas. de medidas exi gidas pelas c i r c unstânc ias, ma s também como
No período de transição rivalizam duas tendências:
um plano de construcio do socialismo , que pressupunha a
a soc ialista e a capitalista. Entretanto, não se conhecem
passagem di recta (quer dizer , sem· etapas intermédias)
tendências antagónicas em nenhuma das fases socialistas.
Quando se não faz a devida demarcação entre o período ao sociali s mo. Citemos, a este respeito, um resumo feito
por Lénine: "Influenciados , em parte, por numerosas tare -
de transição e a fase socialista, surgem premissas teóri-
fas militares que nos sibrevieram e pela situação da
c as para confundir as leis do socialismo em construção com
repúblic a , que parecia desesperada ...• influenciados por
as do socialismo já formad o . ~ sintomático que tanto os
estas circunstâncias e algumas outras, cometemos o erro
revis ionistas "de direita" como os "de esquerda" tendam
de empreender a passagem imediata à produçio e distribui cÃo
a identificar o socialismo com o período de transição.
comunistas. Não posso afirmar que foi com tal precisão
Tal unanimidade, à primeira vista paradoxal, é na reali-
e clareza que delineámos este plano, mas foi aprox imada-
dade absolutamente natural ("os extremos tocam-se") , já
mente neste sentido que actujmos''. A seguir, V.l.L,nine
que o me nosprezo pelas diferenças existentes entre o
anota: "e um fac to, lamentavelmente. Digo lamentavelment e ,
período de transição e o socialismo abre teoricamente
por que uma experiência não muito longa nos convenceu do
a porta, entre outras coisas, para a atribuição ao so- erro desta teoria ... "9
cia l ismo de métodos de gestão económica do período de
A conc lusão citada é fundamental, não perdeu a sua
trans ição. A diferença consiste apenas em que os " de
actualidade. Também hoje há quem tente elaborar planos de
e s querda" defendem a utili zação em grande escala de mé-
passagem directa ao socialismo e até ao comunismo, ou seja,
t odos extra-económic os, enquanto as preferências dos "de
enc arar o "comunismo de guerra" não como um sistema de me-
direita" vão para o efeito espontâneo das leis de merc ado.
2-2 -1 1-
-1 0-
didas impostas po r circunstâncias excepcionais , mas como
um ce rto plano universal de int rodução de uma nova ordem O ti po de contra dições em causa abrange t ambém o c on -
flit o entre a propriedade de todo· o povo sobr e os prin-
s ocia l. Est as tentativas têm , naturalmente , ou tras
cipais meios de prod uçã o e a s ua conc retizac ã o na econo-
des ignacões, assumem outras f ormas, mas, no essencial, são
mia, a qual depende da organização do novo sistema de
a mesma coisa que o "comunismo de guerra". E não hâ
gestão económica e, em Última análise , do níve l da base
garantias de que tentativas semelhan t es não s e repitam ,
técnico-mate rial do socialismo . Esta contradição vai sendo
visto que criam a ilusão da substituição ripida de um
ultrapassa~a a medida que se opera a soc ialização real da
regime social por outro.~ por isso que a t ese de Lénine
produção, e que significa a adopção da planificação da pro-
sobre a irrealidade da orientação para a passagem imediatA
dução socia l d e ·todo o povo no interesse dos t rabalhadores•
ao socialismo , a necessidade de fases intermédias e medi 0 controlo por todo o povo do fabrico e distribuição
das transitórias, a solução imprescindível de um grande
das mercadorias, a transformação da estrutura de produção
e comp lexo conjunto de questões, s obretudo , económicas , que
capita li sta, o aprofundamento da divisão do trabalho e a
deve preceder a entrada no socialismo, t em grande impor- concentração progressiva da produção baseada no cresci-
tânc ia hoj e em dia, quando são cada vez mais os povos que
mento das forças produtivas. A solução das contradições
o ptam pela transf ormação radical da sociedade em que vivem.
do sec tor socialista exige o aprofundame nto das relações
O ri t mo do avanço para o socialismo depende dos êxitos de produção socialistas.
alcançados na r esolução das contradições do período de
A presença das referidas contradições na etapa da
transição. Muitas delas foram j á profundamente analisadas
criação das relações socialis t as significa que, antes de
por investigadores, ainda que, porventura , não tenham
res olvidas tais contradições, a transformação e a elimina-
sido devidamente classificadas. ção dos sectores privados não conduz à construção doso-
As contradições económicas pode rão ser divididas em cialismo. Nisto reside uma das causas principais da impos-
dois grupos: primeiro, as contradições iner en tes às rela- sibilidade da transição directa para o socialismo.
ções socialistas em geral, isto é, que se mantêm em todas Os degraus da solução das contradições na a f irmação
as etapas do desenvolvimento des tas relações; segundo , as
das relações d e produção socialistas incidem nas próprias
qu e são próprias do pe ríodo de criação d e relações da etapas da criação dessas relações. Os actuais conhecimen-
produção socialistas. As contradições do segundo grupo sub- tos permitem- nos apontar três etapas desse processo.
dividem-se.por sua vez, em con tradições intersectoriais e
A primeira, que abarca a formaçã o do sector socialista,
intra-sectoriais ou próprias dest e ou daquele sector. t em o seu início com a conquista do poder pelos traba lha-
Entre as contradições interaectoriais figuram as que
dores, a nacionalizacão soci a lista das esferas-chave da
contrapõem o sector s ocialista, por um lado, e os secto- economia e as transforma ções agrárias. O sector socialis-
res capita li sta , da pequena produção mercantil e outros t a surge na cidade e no campo. A etapa culmina quando o
de propriedade privada, por outro. Estas contradições são Estado socialista, depois de ter conq.uistado pos i ções
reso lvidas à medida que se efectuam transformaçõe s socialis dominantes na economia, introduz uma x orma ini c ial d e um
t as e eliminam secto r es p rivados, o que pressupõe o alar- -
novo sistema de gestão económica. No nosso país , is t o acon-
gamento e aprofundamento das relações socialistas. teceu até 1923-1924 , quando adquiriu uma grande envergadu-
As contradições internas do sector socia lista incluem, ra o trabalho de órgãos económicos como o Conselho da
por exemplo, o confl ito e ntre as novas relações de produ- Economia Nacional da URSS e o Comité Esta t al de Planifi cR-
ção e as forças de produção herdadas do regime anterior . ção (GOSPLAN), e t erminou a estruturação do sector so-
A sol ução deste conflito exige a criação de uma base téc- cialista da indústria com base em trustã. Naque i e mesmo,
nico-material socia l ista, o que torna nec essário não só período , nesses trusts foi implantada a autogestão fin:in-
a criação de uma indústria mecanizada ~os países onde não ceira. O êxito da reforma monetária de 1922-1924 teve t am-
a havia antes da revolução , mas também a r eorientação bém grande importância para a organização do nov9 siste-
social das forças de produção herdadas e a sua adapt a ção ma de admini stração económica.
aos novos objec tivos socioeconómicos. Na segunda etapa da criação do sistema económico so-
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segunda met ade dos anos 30 na URSS qu e s e tornou o pri-
cialis ta , é dada prioridade ao aperf e içoamento do novo me iro país do sociali smo triunfante .
sistema de gestão económi ca, ao aumen to da e fi cácia do o a l argamento e aprofundamento da s r e lações de pr od u-
s e ctor socialista na economia nacional e ao incremento, ção socialistas são proce ss os e st re itamente i n te rl igados ,
nesta ba s e, do peso específico do se~tor socialista na 0
que não exclui momentos não síncronos no d e senvolvimento
produção s.oc.ial . Esta etapa finda quando as formas so- destes aspectos mutuamente relacionados da v i da soci al .
ciali s tas de gestão económica começam a predominar em to- Tal hipótese deve ser necessariamente levada em conta,
dos os ramos da economia e quando foram conseguidos êxi- em particular, quando se trata da determinação da etapa
tos . signi f icativos na organização do novo sistema de alcançada no desenvolvime nto do socialismo.
gestão económica e na formação da base técnico-militai do Assim , a experiência do nosso país na construção do
socialismo demonstra que o alargamento das relações de
socialismo.
Nos países caracterizados por pequena produção em produção socialistas pod e s e r mais rápida do que o seu
massa, o a largamen to do sector socialista concretiza-se, ap r ofundamento . A este mesmo fenómeno se assiste em outros
nesta etapa, principalmente através do movimento coopera- países . Caso ele adqui r a dimensões mais ou menos impor-
tivis t a entre os pequenos produtores (camponeses). Nos paí- tantes, poderá acontecer que a partir de alguns indicado-
ses em que se opera a industrialização socialista, na res (alargamento) seja já patente uma nova etapa do
segunda etapa são lançadas as bases da ind~stria. Como sistema económico do social ismo, enquanto a partir de
resultado, o período final da segunda etapa disting~e-se outros (aprofundamento) ainda não haja chegado.
por um amplo movimento cooperativista no campo e a forma- A entrada numa etapa subsequente da construção do
ção da bas e industrial do país. Nos documentos dos socialismo depe nde não só da propagação das formas socia-
partidos comunistas e nas investigaç~es económicas , esta listas de gestão económica n a produção social, como
etapa é designada como a da criação dos alicerces doso- também do grau da sua maturidade. Por conseguinte, ao de-
c i alismo , ou ainda da " criação das base s do socialismo". finir - se a etapa da construção socialista em que se
Na URSS , esta etapa foi consumada nos princípios dos encontra um ou outro país, não se deve absolutizar a
anos 30. Tinha já sido c umprido o primeiro plano quinque- importância de um i nd icador com o peso do sector socialis-
nal. No no sso país , no fim de 1930, estava liquidado o ta na economia nacional.
desemprego, fa c to que acontecia pela primeira vez na h is t ó- Esta tese é válida tanto para a determinação das et~pas
ria owndial . Até 1933, 65 por cento das exploraç~es campo- da construção do socialismo , como para a avaliação da
nes as es tavam cooperativizadas, concentrando os kolkhozes sua fase final. A expe riê ncia diz-nos que as formas
73,9 por cento das semen t eiras. A parte da ind~stria na socialistas de gestão económica poderão c h egar a abarcar
produção bruta da economia nacional atingi u 70,4 por prat i camente toda a produção social , mesmo antes de
cento. O grupo " A" (produção dos meios de produção) criada, em linhas ge rais, a base t écqico- materi al doso -
proporcionava 58 por cento do volume de produção das gran- cialismo. Porém, antes q ue a grande produção mecanizada
des empresas industriais. O XVII Congresso do Partido se t orne dominante e seja concluída a implantação do novo
Comunista (Janeiro-Fevereiro de 1934) conclufu, com razão, sistema de gestão económica , as possibilidades da concre-
que na URSS estavam ji construídas as bases da economia tização das leis económi cas do socialismo cont inuam a ser
bastante limitadas. Por seu turno , isto. si gni fica qu e
soei.alista.
Na terceira etapa prossegue a formação da base té cni- mesmo que tenha sido eliminado o carácter mult is ec t orial
co-económica do socialismo , o aperfeiçoamento da gestão da economia do país, as tarefas do período de transição
económica socialista. tanto na cidade como no campo, onde ainda não estão cumpridas.
o coope rativismo é forta lecido em termos o r ganizat ivos e Também no nosso país, dura nte algum t empo, observou-se
téc nicos. As relações d e produção socialistas dominam to- situação semelhante. O XVII Congresso do Partido ( 1939)
talmente. O fim desta etapa identifica-s e com o termo do considerou que, após a Revolução de Out ubro , haviam trans-
prrí:odo d e transição, ou seja, com o termo, em linhas corrido duas etapas: a primeira - desde a Revolução de
gerais, da construção do socialismo . Isso aconteceu na
-1 5-
-14-
A construção do soci a lismo desenvolvido significa,
Outubro até i eliminação das classes e xploradoras; a e m primeiro lugar, o aperfeiçoamento acentuado da base
segunda - desde a eliminação das classes exploradoras da técnico-material do socialismo, de modo a pennitir, por
cidade e do campo até ao triunfo pleno da g e stão e conómica sua vez, a evolução do sistema económico para a sua plena
socia1isca e à aprovação da Constituição de 1936. Conside- integridade . Tal evolução inclui: ' 'completamento" desce
~ou , ainda, que a tarefa principal da segunda fase fora sistema, ou seja, seu enriquecimento com novas formas
a impl antação da gescão económica socialista em todo o económicas; r eestruturação definitiva de todas re l ações
pais e a liquidação dos Gltimos v es tígios capitalistas , sociais nos princípios colectivistas inerentes ao social is-
assim como a realização da revolução cultural . mo ; maior integridade de todos os tipos d e relações de
A entrad a na fase do socialismo triunfante pressu~~e, produção que constituem o sistema económico do socialismo.
assim, não só o domínio tota l das formas socialistas de Neste processo, as formas iniciais do socialismo transfor-
gestão económica, mas t ambém um grand e desenvolvime nto mam-se , na tenninologia de Lénine , nas suas formas a c aba-
das forças d e produção e uma maturidade suficiente das das e absolutamente sólidas.~ precisamente na execucão
relações de produção socialistas, ou se j a, a resolução, de todos os processos acima citados que cons i ste a missão
em gera l, de todas as contradições do período da criação histórica da etapa conhecida pela d o "socialismo construido
das relações de produção socialistas. em linhas gerais".
As alterações qualitativas no domínio das forças de
Cri~~rios ~rnnómicn~ do socialismo d esenvolvido produç ão que, uma vez efectuadas, indicam <1ue o sacia l i.i=-mo
-- desenvolvido foi de facto construído, tim a sua manifesta-
º socialismo real avançou tanto que se tornou possí- ção mais concentrada na transformação do progresso têcni
vel interpretar em pormenor as teses de Lén ine sobre as co-científico em factor decisivo da reprodução ampliada,
etapas d e maturidade do soc ialismo entrando mais profunda- o que significa a preponderância, da r eprodução intensiva.
mente no conte~do de cada uma delas.· A construção do so - A i ntens i fi cação <la produção e a sua eficácia são
cialismo des e nvolvido esti ligada a alterações . quantita ti- coisas frequentemente confundidas. Todavia, trata-se de
va s e qualitativas cm todas as ár~as da vida e actividade processos distintos, apesar <le r e lac ionados entr e si. O
da socied ade . Daí, a grande variedade de criterios aumento da eficicia n ão j função exc lu s i.va de um só tipo
do soc ialismo desenvolvido, circunstãncia que caracteriza da reprodução ampliada . Esse aumento é possível também no
n io só a ava l iação da sociedade em geral, mas, em contexto da reprodução extensiva. Des te modo , a intensifi-
parti cular, do seu sistema e1.:onómico: este é complexo e caç ão i apenas um dos factores do aumento da eficá c ia da
multilat era l, visto que a sua periodização sinretiza todo producio, embora d e cres cente importância. Levando em
um conjunto de c rit érios . Levando ainda em conta a nio conta esta circunstância , a .int e n sificação da produção po-
sincronização das diversas esferas da sociedade, inc lusiv e derá ser definida como a concretização da reprodução
da sua infraestrutura econ6mica, torna-se claro que, ampliada numa base técnica e tecnológica c o nstant emente
segundo alguns critérios, o socialismo maduro pod e ser renovada , de forma a que baixe o custo de . cada unidade
atingi.do mais c edo , e segundo outros mais tard e . Por produz ida.
ou tras palavras, a entrada no socialismo desenvolvido nã o A intensificação global pressupõe o aperfeiçoamento
s e e(ectua instantaneamente, pois i um p r ocesso prolo11gado . de todos os factores d a p roduç ão. No fundo, trata-se
Daqui que as tentativas de alguns autores de indi car a de ampliar a produção a e m um acrésc imo substancial do
dato dessa entrada estejam condenadas ao fracasso. consumo de recursos mate r iais e laborais.~ n esta 6ptica
Os critérios económicos do socialismo desenvolvido que devem ser encarados problemas tio agudos como o encare-
constituem um s i stema em que, de certa maneira, estão cimento das matérias-prima s , ma teriais , combustíveis e
mu tuamente subrdi.nados. Os critérios económicos decisivos energia ou, por exemplo, a possibilidad e de melhorar a
do socialismo desenvolvido estão dir ec tame nte lig~dos is qualidade do produto no contexto das desproporçÕe5 econó-
alterações qualitativas das suas relações de prod1.11,;âo fun- micas ex iste ntes . O encarecime nto do s componentes acima
d Amentais e das suas forças produtivas. 3 -1 -17-
-16-
u social ismo p o de evoluir por v i as extensivas, ao social is -
referidos tem sido inevitável na r eprodução preponderan- ~o d~senvolvid~ correspond : a _reprodução ~mp:ia~a i~tensiva,
teme nte e x tensiva, e m que as taxas de crescimento d o pro- A intensificaçao da produçao e uma da s p r 1nc1pa1 s direc-
duto intermédio e do p roduto fin al sio qua s e equi valentes . ções da c r iaçio da base t~cnico-material d o comunisnm, di-
H.as tal inevitabilidade comeca a enfraquecer com a p a ssa - recçio que de v e s er traçada pelo socialismo de s envolvido
g em à r e produção intensiva e a implantação necessár ia e e c onsti t ui uma condiçio imprescindível da ace l eraçio do
gera l de t écnicas e tecnologias qu e economizam materiais, d ese nvo l v iment o soc ioeconom1co.
comhustíve is e energia. Destacando o significado espec i al da incensif.icação,
O predomínio de um ou outro tipo de reprod ução influi 0 secre t ário geral do CC do PCUS , Mikhail Gorba t c: ho v,
substancialmente na relação entre a quantidade e a qualida- afirmou: "A intensificaçio impõem-na as condições objecti-
d e da produção. Tradicionalmente, es ta r elação é assim vos e todo o curso do d esenvolviment o nacional . Nio hi
formulada: enquanto existir escassez de determinado artigo, out r a al terna tiva. Só uma economia intensiv a e que se
é difícil que melhore substancialmente a sua qualidade. desenvolva sobre a mais moderna ba se t~cn i co- cient í f ica
Tal atitude para com o problema é legítima para a repro- pode asse gura r n~terialme nte um melhor nCvel de vida aos
dução de tipo extensivo, em que a importãncia primordial trab a lhadores e o cumprimento das tarefas sociais qu e
vai para o volume da produção. Porém, poderá não o ser e nf r enta a soci e dade. Só uma economia intensiva e alta-
quando se trata de outro tipo de r eprodução. Melhorar a mente desenvolvida g a r a ntirá o fo rtal eci me 11to.d as p o s i -
qua lid ade é uma condições imprescind[v e l à intensificação cões do país no c enário int e rna ci on al e p e rm i. t ir-lhe-á
da prÓdução, pois essa melhoria deverá compensa r o já entrar condignamente no novo milénio, c omo uma p otência
a centuado esgotamento dos factores de crescimento extensi- grande e próspe ra"IÜ,
vo e, d es sa maneira, aumentar os ritmos da reprodução A passagem i r e produçio intens iva colocou i economia
ampliada , superando, por conseguinte, as d esproporções polí t ica uma terefa d e g rande importânc ia: a aná lise crítica
económicas mais caracter[sticas. de todas as formas econ6miças ex ist en t es , com vista a
Ao mesmo tempo, é evidente a impossib ilidade de uma determi nar em que medid a cada uma delas impu lsiona ou
rápida intensificação global da produção. Surge, então, difi culta es s a pass ag e m e a pon tar, e m . ~gu ida, q ue alt era-
o problema da determinação dos degraus deste processo e cões d e vem ser i ntroduzidas nas mesma& para se passa r
dos seus prazos. i r e p rodução intensiv a ampliada.
Nehum autor escl · e ceu também se a intensificação da O advento do socialismo desenvolvido faz- se acenmanh-
produção ê própria do socialismo desenvolvido ou não só. a r de modificações qu a litativas na social i zação d a pr.·o::
Todavia, alguns assinalam que, em certos países socialis- dução. O pr inci pal r esu lt ado neste d o mínio deve ser a
tas, a alteração do tipo de reprodução iniciou-se antes de formação de um único complexo económi c o em todo o país, o
e les alcancarem o necessário grau de maturidade. q u e significarã a superação dos desníveis ticnicos dos
Com efeito, essa alteração pode ocorrer em diferentes diferentes ramos e regiões, um p rogresso considerável nos
etapas do desenvolvimento social . Contudo, tal circunstân- sectore s dos transportes, energia, informa ção, comunicações,
c ia não invalida a tese de a intensi ficação da produção A partir desse grau de maturidade, as leis do
ser uma lei do socialismo desenvolvido. Já assinálamos 8ocialismo entram em pleno vigor. Esta afirmação refere-s e ,
acima que a ordem do aparecimento dos traços de uma nova sobretudo, às leis mais importantes do socialismo: a lei
etapa pode ser distinta nos diferentes países s o cialistas. do desenvolvimento planificado e à lei económica fu~damen-
Assim, terão que surgir em cada um deles certas pecu liari- tal . A este propósito, recordem-se as seguintes palavras:
dades da passagem entre o socialismo desenvolvido e as "o que foi alcançado.pelo socialismo no campo soci o e conó-
etapas prévias, o que, porém, não r evoga a necessidade mico, na elevação do nível material e cultural da vida das
de uma fase de socialismo desenvolvi.do para todos os p a fses pessoas constitui toda uma época"11 .
socialistas como um dete rminado g r au de maturidade da . É n ecessár io apontar, em relação a cada lei da econo-
econo mia socialista e da sua base t éc ni co-material. mia soc ialista, quais são modificac5es que o advento do
t impo rtante realçar q ue, enquAn to n a8 etapas prévi as
3-2 -19-
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novo grau d e maturidade do socialismo traz na acção
des sa lei. Vejamos, por exemplo, a lei da distribuição da etapa histo ricamente duradoura do sociali smo desen-
segundo o trabalho, a qual, sendo válida no socialismo, volv-ido - assinalou Mikhail Gorba tc hov .- Sobre Nesta base
não vigorará na fas e superior do comunismo. as~enta a c oncepção - criada pelo Partido - d e q ue a socie-
Poderá parecer, à primeira vista, que à medida que a dade socialista desenvolvida desfr uta de posstbilidades
sociedade avança para o comunismo pleno, esta lei, assim para imaginar melhor as coord enadas socioeconómicas em que
havemos de actuar" 12 .
como as o utras leis socialistas, deveria deixar de vigo-
ra~ ser revogada ou substituída. Tal conclusio, do ponto Segundo a dialéctica do degrau inicial do socialismo
de vista da lógica formal, poderá parecer impecável, embo- desenvolvião, po r um lado , foi criado no país um enorme
ra na realidade não reflicta a dialéctica do desenvolvi- potencial económico, t endo-s e atingido níveis que permi tem
mento . O estudo do desenvolvimento económico da URSS diz- uma transformação qualitativa das for ças de produção e
nos que, em comparação com as etapas prévias, no socialis- alcançar, num futuro previsí~el, o máximo nível mundial
mo d esenvolvido as possibilidades da materialização plena da produtividade do trabalho social e cumprir, nesta base,
grandes projectos socioeconómicos .
e consequente da lei da distribuição segundo o trabalho
não só não se reduzem como se tornam ainda mais amplas. Por outro lado, persistem ai nda problemas que poderiam
Acontece que estas possibilidades dependem decisivamente ter sido resolvidos nas etapas prévias, e conservam-se
de duas circunstâncias: a determinação mais precisa da ainda fenómenos não obrigatoriamente inerentes à etapa d o
quantidade e qualidade d o trabalho e dos seus resultados, socialismo des envolvido. Trata-se, sobretudo, de fenómenos
e do volume necessário da produção (quanto maior for a negativos que se tornaram patentes no limiar dos anos 80,
pro dução, mais possibilidades existem para diferenciar o como a queda das taxas do aumento da pro dutividade do
trabalho segundo a sua quantidade e qualidade). O advento trabalho, da produção e s ua ef i cácia e a existincia de
do socialismo desenvolvido elimina grandemen~e limitaçaes certas desproporções económi cas (nomeada mente, em r elacão
a vários bens de consumo e serviç os).
anteriores num e outro campo (as limitacaes do primeiro
campo são superadas at ravés do aperfeiçoamento da planifi- Portanto, haverá que, a curto prazo, materializar
cação da produção social; as do segundo, através do grandes projectos socioeconómicos e eliminar fenómenos
aumento do volume da mesma) . Deste modo é cada vez que não são o brigatórios no socialismo desenvolvido. Na
mai or o efeito da lei da distrib~ição segundo o trabalho. economia operar-se-ão tris tipos de alterações : extinção
Daqui que o aperfeiçoamento do sistema salarial, orienta- das fonnas esgotadas, melhoramento das formas obt'igatórias
do para uma mais perf eita correspondincia entre a dimensio no socialismo e surgimento de novas formas económicas.
do salário de cada trabalhador e a quantidade e qualidade Tudo isto conduzirá a o a perfeiçoament o d o socialismo r ea l.
do seu trabalho, constitua uma das mais tarefas práticas A nossa missão é colocar a vida da sociedade soviética
importantes da gestão económica. no níve l correspondente às máximas exigências· do sociDli s -
mo, fundamentad as pela teoria do cornu,nismo científico.
Particularidades d o d egrau inicial do socialismo Cumprida esta tarefa gigantesca, significará qu e findou o
degrau inicial do socialismo desenvolvido .
desenvolvido
As avaliações e conclusões sobre o degrau de d e sen -
A concepção do socialismo desenvolvido foi enriquecida, volvimento em que se encontra o · nosso país, feitas ultirn11-
nos Últimos anos, por várias e novas teses essenciais, mente pelo Partido, são particularmente importantes já q11<?
que se entrelaçam,em particular: primeiro, sobre a natu- "advertem-nos de que não sejamos precipitados nem conf1111-
reza prolongada do socialismo desenvolvido ; segundo, sobre damos . o que temos com o que deve mos alcancar. Ao mesmo
a necessidade que tem a sociedade 'de conhecer os seus de- tempo, dizem-nos claramente que não devemos ser lentos n :;i;
graus de desenvolvimento, terceiro, que a sociedade sovié- acções práticas, na solução dos problemas candentes e n~
superação das deficiências"13 .
tica se encontra num dos degraus iniciais. " Foi fund amenta-
da solidamente a conclusão de que nos encontramos no início ~ no degrau inicial do socialismo desenvolvido que é
necessário reduzir consideravelmente o trabalho manual
-20-
-21 -
pesado e não ~ualificado, acelerar o progresso técnico- A ECO NOMIA SOCIALISTA E A REVOLUCÃO
científico, passar ao tipo predo mi nant emente intensivo CIENTfFICO- TÉCNICA
da reprodução ampl i ada; alcança r um nível de social izaçio
da produção suficiente para a instaura ção de uma forma úni -
ca e geral de p r opri edade dos me ios de produção e a f orma Semion KJIEINMAN
da homogen eidad e classista da sociedade; garantir um nível doutor em Ciências
de vida dos soviéticos muito mais elevado, aumentar o con- Económicas
sumo para normas cazoáveis. Daqui, a orientação para a
aceleração do d esenvolvime nto socioeconómico do pais, o
aperfeiçoamento de todas as esf eras da vida da sociedad e , A formação da base técnico-material do sociali smo
Aobretudo, do s e u sistema económico. é uma das tarefas essencia is da eta pa de transição do
cap itali smo para o social ismo. O sistema de relações
socialistas de produção afirma-se apenas como resultad o
vo 1 . 9, p. 131 . da cr iação de uma ampla indústria mecanizada que eng l obe
1 ~v . I.Lénine, Obr'<lB CompZ.e taa,
todos os principais secto res da produção material, inclu-
2 .Ibtid .,
sive, a agr icultura. A construção do socialismo desen-
vol. 33 , p. 84. volvido realiza-se com base no aperfeiçoamento des sa ba-
vn l . 19, p. 2 7. se técnico-matecial , da preparação de premissas para a
3 K.Marx e V.En gels , Obras, aproximação gradual de um n ível da mesma que corresponda
vo l . 33 , p. 18 5 . às exigências da sociedade so c ialista madura e, poste-
4 V • T. . Len
- i. ne, op . c1,'t . ,
riormente , que i mpuls ion e a const rução da base técn ico-
material da fase superior, o comunismo .
5 Ibid., vo l. 40, p. 104.
A estrutura e o estado actual~ d_a_ _bas_e técnico_-rnaterial
6 Vide ibid., vol. 33, p. 97 .
do socialismo na URSS
104,
7 65,139, 306 ; vo1. 40, ~-
Vicie ·ibid., vo 1. 36 , PP· A base técni co- material (BTM) da sociedade entende-se
e outros.
v0 l . ,, 5 . p. 370 normalmente , em determinado momento histórico, como um
conjunto de elementos concretos das forças p rodutivas e
8 nn:d., vo 1 . 4 1 , p . 4 2 5 . de cond i ções t écnico-organiza tivas do funcionamento dRs
mesmas que a t ingirem ce rto nív e l de desenvo l vimento e
9 Tb·id. , vol. 44 , p. 157 . exis tem no contexto das relaçõ es de produção . dominantes
l O M.S . Gorbatchov, A Criá,?ão Vii>a do J'avo , M.. 1984, p.19 ·. na sociedade.
A BTM da sociedade é criada e acci.onada pelo trabalh:i-
do r, a f orca motriz principal da sociedade .
11 sohre o 609 Aniversario da Pundação da URSS. Resolução Visto que a BTM da sociedade existe no quadro de de-
do CC do PC/JS de 19 de f'evereiro de ]982, M., 1982 , p . 12 .
terminadas relações de produção, sofre por isso a inf l 11 -
12 7.
ência das mesmas, o que se reflect e na especificidade
M.S.Co rbatchov , op. c1,'t . , p. organizativa e estcutural da produção socia l, no grau
e f ormas de concentração, especialização, etc . Deste modo.
13 7dem . o próprio conceito de BTM de dado modo de produção está
organicamente relacionado com a sua forma social. A mesm;i
1 posiç~o exige-se também na determinação da BTH do soc i aliR-

-23-
mo· os s e us elementos mat e riais e técnico- or ganiz a tivos de produção a umenta ram 550%, ent r e 1961 e 198 4 , e os
po dem s u rgir , e surgem d e facto, no c a pita li smo . Contudo, da esf era não produ tiva 3257.. Os sec tores dos quais
a· BTM do socialismo forma-se, em tod?S a s etap as , aten- de pendem os ritmos do progresso técnico d e senvolveram- se
dendo aos critérios das r elaç6es de produç ã o soc ia listas. mais r a pidamente do que a média nacional. A ind~stria
Paralelamen t e â criação dos elementos materiais das d e construç ão de máquinas cresceu 220Z nos a nos 60;
f orças produt ivas d a sociedade s ocialista d e se~volvida 1607. n os anos 70 e 307. em 1981-84.
decorre O processo de d esenvo lvimento e fo rmaçao do homem No começ o dos an os 80, a URSS ocupava o prime iro l u-
novo. . gar d o mundo quanto â extracção de petrôleo, produç ão
Na produção, em progresso permanente e,_impul sionada do a~o e l aminados , adubos min e rais e cimen t o, densidade
pela revolução científico-técnica, as fun çoes do traba lha- d e maq ui n a s-f e rramentas e motores elêctricos na ind~s tria.
dor vão-se enriquecendo, t ornando -se cada vez mais comple- Aumentou consideravelmente o potencial energético da
xas. -No desenvolvimento geral do trab a lhador, no seu agricultura: de 153 milh ões d e CV , em 1960, para 710
nív e l profissional e intelectual (como s uj ei to do p ro gres~m " lhÕes de CV, em 1984. O consumo d e ene r g ia eléctri ca
so da ciência , técnica e produção)• um papel i mportante ,,,. _ : la agricultura cresceu 290% nos anos 60 (de 10 p a r a
cabe~ base material de um numeroso grupo de sectores 38 , 6 mil milhões kW/h) e 250% d e 1970 at é 1984
d a esfera nio produtiva que presta serviços, cria e divu l- \ ,para · tJ5 mil mi lh5es de kW/h). O parque de cami5e s uti-
ga conhecimentos e valores espirit ~a i~. . Lizadas na agricult~ra _aume ntou de 778 mil unidadas ,
Ao caracterizar-se a BTH do socialismo desenvolv ido,_ ~ 'rn 1960, para 1,6 m1lhoes , em 1980 . O consumo de energia
é também importante levar e m linha de conta transformaçl'lo-:, !los meio s d e transport e aumentou de 17 , 6 mil milhões
d a c i ência em força produtiva directa. O progresso das 1~~ ! kW /h em 1960, para 11 8 , 9 mil milh6es, em 1984. A per-
Ciências Naturais, tan t o fundamentais como ap licadas, · tagem do s t ransportes ferroviirios electrificados
é impossível sem o e nriquecimento qualitativo e quant!- de ntou de 2 1,8%, em 1960, para 59,3 %, em 1984.
ta t ivo s istemitico da BTH da ci~ncia e das invest i gaçoe a mixima d e Lénine ''Comunismo é igual a Poder Sovié-
científicas . '..: o mais electrificacão de t odo o p aís "! está a ser
A estrutura da BTM d a sociedade socialista é complexa, ~ate ri al i zada em todos os elos d a BTM do nosso p aí s. Foi
eng l obando virios aspectos: o aspecto funcional, que d e- con t inua a ser aperf ei çoada a poderosa bas e energitica
fine as funções de cada elemento material fonnador da de combustíveis , cu ja estrutura racional e capaci<la-
BT M (meios d e trabalho , instrumentos de trabalho , etc.); , ,,,~ satisfazem já a s necess idades económicas actuais .e
sectorial, que carac teriza os mais importantes complexos , m perspectiva. Temos uma indústria inéd ita de materiai s
sectoriais e sectores d a BTM (complexo agro-industrial, de construção: metais, cimento , madeiras , minérios . •.
-
infra es trutura produtiva, ene r gét ica e de combustíveis
produção de materiais de construça o, ~etalomecan1ca!
- . , Aumentou .. consideravelmente a produção de polímeros e , o
qu e e espec ialmente importante, criimos o maior parque
etc .); organizat ivo, que está liga do a especializaçao, do mundo de equipamen tos metalomecânicos.
combi nação e concentração da produção; regional, deter- Aumentaram consideravelmente os fundos básicos dos
minado p e la distribuição geográf ica da BTM e pelas espe- estabelecimentos científicos da URSS. Eis a dinâmica do
ci fi.c idades regionais, bem como pela necessidade de uma aumento das verbas canalizadas para a ciência: 45 mil
utilizaç ã o óptima das fo rças produtivas locais . ~i l h6es de r ublos em 1966-70; 77 · mil milhões em 1971 -75;
À estrutura da BTM e seu fu ncionamento , no proces so 98 mi l milhões em 1976-80 e 102,3 mil milhões em 198 1-
de produ ção , estio indi ssoluvelmente ligados a sua orga- ~.
nizacio, nível de socia lizaçio , c ondições de !mprego, i De um modo geral, o pot encial da BTM da URSS nos
todos eles d eterminados pelo sistema de relaçoe11 de ,neados dos anos 80 permite q ue a economia do país se
produçio e pelo grau de maturi~ade. . . ldesenvolva_numa base próp 7í!, ~perfe i çoando essa própria
Nos meados dos anos 80, ~ BfN do soc.1al1smo -º~ URSS ISTM e s~t1~fazendo as exigenc1.as colocadas pela socíe-
Rtingiu um grande desenvolvtmento . Os fundos bas1cos Idade socialista.
4 -1
- 24 - -25-
1

1
1
"I

Os s e gu i n tes dados caracterizam bem a saturação Vias de a perfeiçoament o da BTM


d a 8TH da URSS c om meios e i n strumetos de trabalho
e tecnologias modernas : A fa se actua l da revo lução cie n tífico - téc nica altera
Em 1981-85, 70% do acréscimo da pr o dução de energia os parâmetros essencia is d e t odos os elemen t os q ue in-
no pa ís, e q u ase que a t otalidade desse acrés c imo na tegram as forças produtivas materiais e influe nc ia to-
parte europeia , f oi obtido em centrais nucleares e dos os componentes da actividade do homem nas esf eras
hidro eléctricas. material, intelec tual e es pi ritual. A RCT oferece condi-
O número de linhas automáticas de produção na indús- ções para uma profunda transformação das relaçõe s entre
tria aumentou de 6 mil, em 1965, para 30,9 mil em 1983. 0 Homem e o mundo em que ele vive, e altera radicalme nte
Avança rapidamente a produção de material informático e as funções do homem na produção social.
s e u emprego. O número de computadores e de centros auto A criação da BTM da primeira fase da formação comu-
matizados de direcção colocados em exploração em 1966- nista só pode realizar- se como consequência da união or-
70 foi de 414; em 1971-75, de 2300; 1976-80, de 2374, gânica das possibilidades oferecidas pela RCT com as
e em 1981-8~ de 2375. vantagens do socialismo. A RCT altera radicalmente o
A produção de polímeros aumentou a r itmos mais ele- papel do h omem e da própria ciência no sist ema de forças
vados do que o resto. Entre 1960 e 1984 , a produção produtivas. Diferentemente de todas as revoluções técn i -
de ~ço aumentou 130%, e a de resinas sin téticas e de pd cas e i n dustriais do passado, que apenas multiplicavam
límeros 14 40%. No mesmo período, a produção de fibra s as potencialidades físicas do homem corno sujeito do
naturais (algodão, linho, lã) aumentou de 5,07 proc es so produtivo, a actual RCT cria múltiplas premis-
para 13,7 milhões de t, e de fibras sintéticas de 211 sas para o aumento do potencial intele ctual , cir cuns t ân-
para 1401 mi 1 t. cia que encerra numerosas e importantes consequências.
São do conhecimento público os êxitos da ciência De participante direc to no ciclo produtivo, o homem passa
soviética e da indústria na aplicação do laser, ultras- a ser, cada vez mais, dirigente de toda a produção:
sons, erosão eléctrica, plasma, pressões superaltas, preparação, projetçio, programação e manutenção do fun-
temperaturas superbaixas e superaltas, tecnologias . de c ioname nto dentro de determinados parãmetros.
explosão. A RCT exerce uma enorme influênc ia sobre a esfera
Os fund o s básicos de produção, a componente mais im-' es p iritual e outras da vida do home m; aumenta como
portante da BTM, aumentaram 1167. nos anos 70, tendo nunca o volume e o leque de informações; os mod e rnos
alcançado 1489 mil milhões de rublos em 1984. A URSS fo me ios de transporte e telecomunicações possibilitam ~ma
o país que mais investiu na esfera produtiva, na produ- crescente parti cipação nos mais diversos acontecimentos
ção de máquinas-ferramentas, tractores, ceifadoras-de- que se dão em qualquer lugar e a qualquer momento;
bulhadoras, locomotivas "diesel" e elêctricas. Por outr altera-se r ad icalmente o conteúdo dos art igos de consumo
lado, os resultados e os ritmos do crescimento da pro- e dos serviços a que estamos habituados; modifica-se a
dução (rendimento nacional e produtividade do trabalho) própria natureza das necessidades humanas, etc.
bem como a qualidade de muitos meios de produção e arti Assim, a RCT oferece os pressupostos ma teriais para
gos de consumo corrente não alcançaram ainda o nível um desenvolvimento das forças produtivas que permite
adequado aos ritmos do aumento e ao volume do's recursos superar o atraso numa série de elementos da BTM doso-
disponíveis. Para colmatar esta deficiência, é de p arti cialismo. Isto pennite solucionar tarefas •ocioeconómi-
cular importância utili zar as potencialidades organiza - cas de impo rtância cardinal.
tivo-estruturais da produção e enveredar pela intensifi Um importante traco da RCT é a alteração radical do
cação económica. Aqui , há que aperfei çoar a e strutura conteúdo. do papel e do lugar da c iência, a qual assume
funcional, sectorial e o r ganizativa da BTM e da pro<luç â uma fun ção liderante na tríade ''ciência-técni ca-produção".
social em geral. A produção torna-se num ramo cada vez mais "ciência-in-
tensivo ". A ciência e t oda a investigação científica
-2~- . 4-2 -27-
vão-s e torn ando um elo impo rtantí ss imo e relativamente dor é inserido no movimento da energia , ficando o homem
independente da p r odução social , cuj os ritmos de c re s- como controlador d e todo o proces so. Neste ca s o, os
cime nto u lt r apassam os da econ omia em geral. turbogeradores s ão um mei o d e trans f ormação de energia;
A RCI e x erce acentuada in fluência s obre o e st a do e são s ubmetidos à a cção d a e n er gia do cal or , da água ou
o des envolvimento do s principais elemen tos f un cionais do átomo, e o p roces so cu l mina com a obtenção de energia
da p r oduçã o social . Assis t e-s e i fo rmação de uma nova elé c t ri ca. Mas , regressando à etapa inici al d o ciclo -
e tapa de des e nvolvime nto da grande ind~stria mec ani zada. a obtenção d a energia primária e ncerrada n um objecto,
Além das profundas alterações sofridas pelos meios quer se trà te_de c al o r ~u d e energia do ã~omo~_vemos
e objectos de .trabalho tradicionais por influência da que aqui tambe m, na acçao sob re o c ombust1.vel mineral
RCT (inclusive, meios de transporte e comunicações), a (carvão, p e trõle o, gás) ou sobre o combustível n uc lear,·
segunda metade do século X..'< é marcada• també m, p e lo como me io de t rab a lho intervém apenas a energia, já que
aument o do papel dos el~mentos funcionais dos meios de é el a que conduz à combustão ou ao a quec i me nto do pl asma
produçio como a energia, informação, t ecnologia e téc- (na f utu ra energética termonuclear). Na energia n u cl ear,
nic a utilizadas nas investigações científicas. tal acção não existe, pois a e nergi a liberta- se durante
Na solução das tarefas socioecon6micas e técnico- a fissão dos núcleos do urânio o u do plutónio num p rocesso
produtivas mais importantes enfrentadas pela socieda d e , espontâneo , qu e sõ pode ser controlado recorrendo à
assumem parti c ular importãnc ia a tec nologia e meios de acç ã o da lei física que conhecemos.
trabalho e, particularmente, os instrumentos de traba lho Nos equipamentos metalú rgicos, q uímico s, de ref i nação
As tendências para o aperfeiçoamento dos meios de do petr6le o e outros , d is tintos dos da p rodução de ener-
traba lho estão organ icamente rela c ionadas com as altera- gia e léctrica, está presente o ob jec to de trabalho sob
çõe s sectoriais na produção. No fim dos anos 70, pouco a forma d e uma c a r ga (no alto-forno) o u de produtos quí-
meno s de metade d os fundos bisicos da produção industri - micos, ou d e petr6leo bruto . A energ i a (calor ou elect ri-
al conce ntrava-se na elect r oenergética, metalurgia, cidade ), ao agir sobre o objec to d e trabalho , transforma
refinação de petróleo , química e petroquímica. Neste s este noutras substâncias e intervém, portanto, como
ramos, os meios d e trabalho são equipamentos pesados, instrument o de trabalho. Proce ssos análogos são intro d u-
nos quais a energia mecãnica se transforma em eléctrica, zidos nout ros sectores: metalomecânica, al i mentar, etc.
ou os onde se processam r e acções químicas por acção da Já existem e s erão rapidamente postos em prática
energia térmica, eléctrica ou química. proce ssos em que o agente activo de trabalho será a
Todos esses equipamentos são muito diferent es dos energia de processo s biolÕgicos.
descritos por K.Marx no primeiro tomo de O Capitai . Ess e conjunto vasto, poderoso e em permanente e xpansão
No proce sso tradicional, através dos meios de traba lho de me ios de trabalho, transformadores de energia e subs -
que agem sobre o objecto do trabalho,produz-se um deter- tância, tem um forte impacto sobre a situação e as ten-
minado produto de trabalho, Mas em alguns desses equi - d ências de todos o·s elementos da BTM , · sobre o seu fun c io-
pamentos, uma variedade de energia (calor, movimento da namento, e provoca consequências de ordem socioe conómica.
i gua, energia libertada durante a fissã o dos n~cleos de ~ isso que exp lica a alteração radical do conteúd~ e d a
elementos pesados e, no futuro, durante a síntese de natureza do trabalho dos ope r ários . Estes, ao partic ipa-
n~cleos de elementos ~eves) transforma-se em energia rem no processo produtivo, viem as suas funç~es red uzidas
mecânica e, a seguir, em eléct r ica (ou, novamente , em tê, ao controlo dos equipame ntos , à manutenção do s mesmos,
mica). Nas centrais eléctricas, por exemplo, a energia, ao regulamento do fornecimento de energia e substâncias
ao pôr em movimento o seu transfromador, transforma-s e obtidas . As funções do trabalhador são desta forma limi-·
noutra forma de energia. tadas ao controlo da aparelhagem. Graças à mecanização
A função do homem e do produto da sua actividade e automa tização dos processos auxiliares e de manutenç8o,
espiritual - a ciincia - reduz-se cada vez mais à tais funções assemelham-se , cada v ez mais , às do enge-
criação de um transfon nador de energ.i a; esse transforma- nheiro e do té c ni co , g nestes sectores q ue se materiali-
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zam as ideias de Marx no send ido de que o homem s e conver- grande indústria_mecanizada , mod i fi c ando- s e ass i m a
teri a em obs e rvador e con tro l ador do process o produtivo. natureza e conteudo do tra balho.
Outra exp l icação do f enômeno indi~ado é a seguinte: Partindo das tendincias da a u toma t iza ção , imaginamos
os meios de trabalho deste t ipo, cuja potência por uni - 8 s eguinte estrutura , a qual abrang e q uatro níve is d e
dade a umenta rapi damente, dispensam muito pessoa l , pelo sist emas de produção aut omatizada , corresponden te à
que têm uma maior produtividade do que nos sect ores con- BTM da fo rmação comunista. Primei r o nível : equi pamentos
vencionais e contribuí para o aumento da produtividade de produç ão de energia; segundo: máqu inas automáticas
do traba lho na indústria em geral . ou automatlzadas com feed- baak; terce iro : máquinas ci-
Modificam-se substancialmente também o s meios de bernéticas, informáticas , geralment e , el ec trõnicas , de
trabalho nos sectores tradi cionais: me ta l omecânica, tipo modelizador, computador. e direc tor, as quai s efec-
serraçã o de madeira, têxteis, confec ções, etc. Es tas tuam cálcu l os de planeame nto, t ecnológicos e de opt imi-
modificações devem-se, sobretudo, a determinadas altera- zação e determinam os regimes e c ondições de traba lho
ções estruturai s , ã redi s tribuição das funções entre os &ptimo da produção em geral e das máquinas e equipamentos
sectores produto res de materiais de consumo industrial isolados, além de fornecerem decisões e ordens d e cor-
e os produtores do produto fina l. O progresso científico- recção e dire cção; quarto: sis t emas de servomecanismos -
técnico leva a que o pr i meiro grupo assuma cada vez dispositivos que transmitem impulsos de comando ou cor-
mai s funções de formador de formàs primárias , ao produ- reccão às máquinas utilizando o f eed-baak .
zir produtos semi-acab.adosa· que, pela forma, se asse- Na ·e tapa ac tual, os equipamentos tecno lógic os avançam
melham cada vez mais ao produto final. Isto permite re- para um aumento da sua capa cidade tec nológica e para a .
duzir o núme ro das operações rea lizadas na indústria miniaturização e emprego de meios cada vez mais po ten t es
transformadora. Criam- se novos meios de trabalho, englo- e precisos de acção sobre o objecto de trabalho, com uma
bando todo ou quase todo o conjunto de operações neces- fácil readaptação dos equipamentos ãs necessidades alte-
sárias a produção dos vários artigos acabados. radas.
As modificações dos meios de trab a lho tradicionais Os dispositivos t écnicos destinados à deslocação e
devem- se , sobretudo, aos avanços reg istados na automati- transport e precisam de s e r aperfeiçoados mais rapidame nt e .
zação que, sem dar o rigem a quaisque r novos meios de Entre um terço e metade de todas essas operações, depen-
traba l ho que ajam de modo difer e nte sobre os obj e ctos dendo ·do sector, são realizadas manualmente. Impõe-s e
de t rabalho , criam e utilizam equipamentos técnicos a criação contínua de novos e poderosos sectores indus-
própr i os para introduzir novos métodos de direcção dos t r iais que produzam todos os equipamentos para d es loca-
meios de trabalho , dos proces sos de produção e de mento e transporte. Tem-se em vista também a prod ução
p roduções inteiras. Os meios de automatização são imunes de todo o tipo de manipuladores, inc l us i ve , robot s , aos
às condições extremas de produção, em que~ homem não quais cabe deslocar e transportar as pecas executadas
pode a ctuar, são muito mais r~pidos, têm mais capacida- nos quadros de um proc esso produtivo,i
de de carga e conseguem lidar com grandes quantidades g importante e inadiável, ainda, a criação e i ntro-
de dados em rápida sucessão do que o h omem, e dispensam dução de uma nova e rapidamen te crescente c l asse de
cada vez mais . o homem do controlo directo dos equipa- técnica: aparelhos e dispositivos de medi ç ão, controlo
mentos. e comando. En tre os novos tipos de equipamentos técni -
O mesmo relacionamento liga a automatização à tecnolo- cos figuram, em medida consideráve ~ os dispositivos de
gia . A automatização, que não é tecnologia nem seu proteccão à Natureza e prestação de serviços , nomeadamen-
subs tituto, aumenta consideravelmente as po ssibi lidades te, nas áreas do ensino. e da s aúde, be.m como os utiliza-·
de pro jecção e introdução de tecnologias cada ve z mais dos nos tempos-livres e descanso e na difusão de va l ores
avançada s. · espiri tuai~ .
As vias mestras da automatiz ação influem de modo Os sectores da meta lomecânica deparam com um impo r-
dec isivo na formação de uma nova etapa, superior, d a tante prob lema orga nizativo-pr odutivo : aumentar a r ap i -
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~e produc io. Isto deve-s e, sobretudo , ao s progressos
dez do progress o técnico e, apesar da frequente substi- verific ados na química de sí nt ese, que produz novos
tuição de tipos e modelos ve lhos de t éc nLca por novos, polímero~ que, alim d e substituirem matirias naturais ,
evi tar que a produção encare ça muito. Isto ex ige a possuem os parâmetros desejados para s erem empregues em
criação de sLstemas meios e sistemas de t r abalho flexív el conscruç5es. Um novo tipo de materiais de construcio,
e de tipos de produç ão facilmente ad aptáv e is a qualquer em cerâmica, é cada v e z ma is utilizado. As suas carac-
terí s ticas técnicas e económicas leva m-nos a supor que,
nova s ituação . num futuro previsível, ocuparia um lugar importante
A flexibilidade pressupõe uma ampla unificação e
normalização das peças e uma atitude funcional para ½om entre os materia is utilizados na construção .
a projecção dos equipamen tos, a q ual permite revelar as Uma orientação prometedora do aumento da mobi ljda d2
peças que des empenham funçõ e s idênt i cas (vários motores, e actividade dos objectos de trabalho é o recurso a os
redutores e transmissões, bombas, sistemas de arrefeci- êxitos da Física do s Sólidos, os quai s permitem alterar,
mento, etc.) , Se tais peças forem conveni entemente pro- ã escala industrial , a estrutura e as propriedades dos
jectadas , poderão ser produ zidas em série por empresas materiais t r adicionais . Deste modo, foram aper.feicoadas
especializadas e montadas em linhas de produção; confor- 89 caract erísticas de metais e o u tros materiais e redu-
me a necessidades, estas linhas poderão ser facilmente zido o consumo dos mesmos na produçio .
Outra tendência importante do melhoramen to dos
desmontadas e montadas de novo , de acordo com novos
objectos de trabalho é a s imb i os e de materiais novos e
requisitos apresentados à produção. tradicionais , por exemplo, a produção de metais revesti-
O necessário grau de fl exib ilidad e cons egue-se,
dos d e plásticos e a criação de um grande número <le
também, através do a per feiçoame nto da estrutura organi-
zativa da produção , nomeadamente, de uma Óp tima combina- materiais compósitos .
A curto prazo , o mais tardar at é ao fim do século,
ção de pequenas, médias e grandes empresas . Isto
a produção de materiais tradicionais - metais (ferro s os
reveste-se de grande si gnific ado social, pois permite
e não ferrosos) , cimento, cimento armado, madeiras (in-
um desenvolvimento harmonioso de pequenas cidades e vi-
clusive, tábuas de a paras prensadas de madeira) , aumen-
las e um emprego mais racional dos recursos laborais,
t ará e a qualidade dos mesmos melhora r á. Os materiais
etc.Outra alteração importante da natureza e estrutura tradici o nais existirão paralelamen te aos novos e mante-
dos meios de trabalho deve-se a o progresso da inEorrniti- rão a sua importância, tanto mais que uma grande parte
dos novo s materiais não vai substituir os tradicionai s ,
ca , Os computadores e , agora, os minicomputadores e micro
processadores, executam as ma is variadas funções . Os mas complemen tá-los.
K.Marx não refere a energia como elemento indepen-
equipamentos informáticos instalados em conjuntos de má-
dente da produção. A fonte de energia ti po "máqu i na-
quinas e em máquinas isoladas, assim como em meios de
motor" (a vapor) e r a parte integran te do sistema de
tr ansporte, permitem automatizar, intensificar e aper-
máquinas ent ão existente. Não existiam sectores espe-
feiço a r consideravelmente todas as fases da produç ão e
ciais da indústria produtores de e nergia (quer dizer,
transporte . esta produção ainda não se tornara autónoma). No sé-
Computadores e microprocessadores ganham as esferas
culo XX, atendendo ao aument o vertical do consumo de
tradic ionais do trabalho intelectual, aumentando a sua
energi a pela indústria, a energi a e o calor tornaram-se
efi.ciência e modificando profundamente as funções dos produt os de sectores i ndustriais altamente especializa-
trabalhadores intelectua is. O significado socioeconómi-
dos. A "máquina-motor" e o mecanismo de transmi ssão fo-
co deste c onjunto de máquinas é extremamente importante ,
ram suplantados pelos mo tores eléctricos in stalados nas
devido ao seu impacto radical sobre a estrutura da mão-
máquinas-ferramentas. A energia tem quatro funções:
de- obra nos elos t anto produtivos como de direcção .
como força motriz, fon te de calor, fonte de ilumina--
À revolução científico-técnica altera de forma radi-
cão e como melo de trabalho. pois age directamente
cal a natureza e o papel dos objectos de trabalho. con-
v ertendo-os num elemento muito móvel e activo dos meios -" 5-1 - 13-
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s o bre o objecto de t r ab alho ou sobre o trans for mador
de energia. Critérios e etapas da construção e aperfeiçoamento
Al é m de ampliar a s funç~es da e nergia na produção , a da bas e tecn i c o -material do socia li smo
RCT altera as p r6prias fon tes de e n ergia. Á RCT s e deve
não s 6 a energia do átomo, ma s também a apl icação prática o aperfeiçoame nto d a BTM do soc ialismo~ um processo
das fontes renováveis d e energia: so l , v ento, mares, l ongo e passa por vár ias fases.
calor geotérmico . Al ém disso, fo i criada uma nova tecno- Por conseguinte, torna-se neces sário e laborar a
logia de transformação de energia - o gerador MHD. es tra t égia da c ons trução e melhoramen to d a BTM doso-
E, por último, os progressos da Física dos Sólidos, cialismo por etapas , bem como aind a detenni na r as par-
de Electrónica, da Óptica e de outras ciências fundamen- ticularidades de cada etapa e subetapa, de formular as
t ais continuam a criar numerosos tipos de tecnologias t a refas e as vias da sua solução em cada período his t ó-
r e v o luc ionadoras, que aumentam consideravelmente a efi- rico .
ciênc ia de várias ind~strias. o estudo e p l anificação d e ssas etapas exige um exame
Papel análogo é desempenhado cada vez mais pela ener- dos critérios da sua maturidad e , isto é , dos parâme tros
gia dos proc essos químicos e , num futuro previsível , essenciais n ecessários e suficientes i colocação das ta-
p e la dos processos biológicos. Note-se que a RCT está refas a serem resolvidas no advento da formação comunis-
relacionada com o desenvolvimento da energética nuclear, t a.
já de peso considerável na produção d e energia (10 Este e xame é, como que uma encomenda da sociedade,
ou 12%, ou até mais, em vários país es industrializados), r azão por que a sua formulação exige uma abordage m s oc i o-
que será utilizada brevemente também n a produção de económic a . Os objectivos, tarefas e critérios d e maturi -
calor. As neces ;idades energéticas da sociedade dependem dade de cada e t apa devem assentar n as leis científicas
cada vez menos dos recursos naturais de combustíveis mi- que regem a sociedade socialista e, num futuro ma is
nerais e de madeira. distante, a sua transformação em sociedade comunista
O aumento da envergadura e da complexidade da divisão nas condições históricas reais da situ ação socioeconõrni-
do trabalho e da especialização no contexto do progresso ca da URSS.
científico-técnico t em impacto sensível sobre o volume, Além disso, a URSS aperfeiçoa a BTM do socialismo no
o conte~do e o lugar da informação n a produção, b em como , contexto da coexistência da comunidade mundial socialista
sobre os métodos, técnicas e organização do seu proces- com o sistema capitalista e numa época em que
samento e emprego. A informação, a par da energia, é existem muitos países em vias de desenvolvimento. A.reali -
um elemento cada vez mais importante das forças produti- zação das vantagens económicas do socialismo e do avanço
vas. contínuo para a vitória na emulação económica com o capi-
~ mais necessário o tratamento do crescente volume talismo continuam a ser tarefas centrais da edificação
de informação de natureza científica, de projecção, tec- comunista.
nológica, organizativa e administrativa . Ao mesmo temço, Os critérios da BTM do socialismo têm dois aspectos.
surgem novos e novos meios técnicos de recolha, trata- Primeiro: t~ata-se de critér~os-tarefas, isto é, dos re-
mento e transmissão de informação, alarga-se o empre go sultados socioeconómicos a atingir com a criação da
de técnica informátic a, cria-se toda uma indústria espe- base técnico-material. Segundo: critérios de ordem téc-
cializada de tratamento e armazenagem d e informação, e nico-produtiva, principais parâmetros da estrutura fun-
uma indústria de telecomunicações que, num futuro pre- • cional, sectorial, organizativa e regional da BTM, que
visível, incorporará à técnica informáti ca. solucionem as tarefas indicadas.
A construção socialista na URSS passou por três
etapas da criação e aperfeiçoamento da BTM do socialismo.
A primeira etapa abrangeu a construção da BTM do
socialismo no estádio final do período de transição
(primeiro e segundo quinquénios, 1929-37) .
-34-
5-2
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e solvid as a s s e guintes t a r~fa s: l a t ~ra l e ult erior d a BTM do soci a l i smo des envolvid o
ç9fll 'economia s oviética d~ a grãric-ín-
de fo r~a a p e rmi tir c ompl e ta concre t ização das v antagens
.-,P f: ~ ô, 1 e as se gurame.nc.o d a i nd ep endên- do socia lismo.
C,:1-"" r . ;;, 0 -~1-• À etapa actua l estão estrei tament e vincu lad~ s as in-
Ne sta e f:O'"- ro~"" i;:rJ. dic acõea d o XXVI Congres s o do PCUS no s e ntido d~ que o
_ t1: an s 10 d a s r elsçoes de produçao socia-
i<'vl..2 i 5 , - -
s oc iali smo ma d uro ~ um período nec essiri o. legí c.imo
du strisl _e';' eº; e ôºc11J.~ 11 propri~dad e sociali s ta d os meios e hist oricament e prolongado, dura nte o qual se forma rá,
e ia econo (TlJ.. ;;o dº, fo-rmas), inclusive• a reestrutura-
• .....n.3ç c;I.J
em linhas gerais, uma sociedade s em clas s es.
_ afJ.L•·· t,l'.'e .2utl-s ·cLlltura; Os fundadores do marxismo ob s erva ram que é a parti r
s o ...., u ..,.-e J. • ~ • ' l' d. '
listas, ' ( e••· sv pr1.oc1.p1.os soc1.a 1stas: 1. rei. to
do dese nvolvim~n to miximo das forças produtiva s que su r-
de produÇ 3 • t:°' ~ o ôª íiº ~ do des emprego . elevaçao permanente
.205 -
giri uma sociedade s em classes. Ma s quais os g r aus mais
çâo s acia l l-~ ,i.'.Z-.a.C. 0 ç ~o -cibuição segundo a q uantidade e
important e s d e ste desenvolvimento nos quadros da soc ieda-
- ccrocre e"-tJ. dJ.s:o• de s ocialista madura?
a o traba l ho • -.,J.· da.•t'~t>ª 1••1 • e superacao - do atraso sec u 1 ar
O primeiro, que se verificou nos anos 70, estende-se
do nível de d º t t,.1:LtlJt':i.sta; a os a nos 80 e, pelo visto, 90 ou até, depe ndendo do
a qualida.de çsº ':' ,a. c2'- 8
8 rio potencial defensivo. progress o económico da URSS, ao começo do próximo sécu l o .
_ t'e'-'º ll.J gJs s :t- !l ec e 55 Ll-se o fortalecimento da BTM do
herda do d 8 ~
Neste grau; ·
ôº aP:J oeell'l linhas gerais, e a construção
0 a) s e rão atingidas as norma s r acionais e científicas
- c-rJ.• ,a.<;~ d8, e· t ri.ª dº des envo l v1'd o.
Na :e g LlJ:l, J~ • eti5~ o dª restaur~c~o - d o potenc ia • 1 . 1.n
• d us- do consumo
quantitativa
individual,
dos concei
a s
tos
quais
mode
c onstituem
rnos de
uma express5o
necessidad es r a -
socia.l1StllO c J..ª 1ecn cJaS destru1çoes que os fasc1.stas
0 8 cionais do i ndiví duo, tendo presente a s sua s modifi ca çãe a
da BTH dO s l>l'a. • a.Çã,o ode Guerra Pátria, ha via q ue colo-
e aperfeiçoamento, por influência das forças produtiva s
NesC<> "' et: rei' D-,: (13G'ª "vel correspo nd ente ao n o vo estad.10 • •
em expansão e do aumento das receitas ;
trial e d~ ..... era.[!l (\o 11 7 0 -t é cnico da segunda me tade do
- j:1." ·a r,tJ..,f.,.c 1e" ar a e feito . . b ) a c elerado o melhoramento da esfera não produtiva ,
alemaes •.,,_tt'l-. import antes altera-
o que pe rmitirá resolver, no e ssencial, o probl ema hab i-
car a 1-tl • dt.J sº ., e i. e_se d e "ºlume e na estrutura dos pot e n-
tacionaL aumentar o consumo de s e rvicoe e bens esp i rituai s
do prosre~a.t:.a.".'a. g.!I Cl'; ti'fico-técnico da s ociedade ; con-
11 e os tempos-livres com base na c riação de condições ma t e-
século · 1'. t.,,c1."" e c:i.e crial que criasse cond i ções mat e -
cõe s qual.1. ó1Jlic 0 i.ClduS .-.to da sociedade "numa bas e própria"
riais para a valorização dos mesmo s .
. c oíl e • (11e•· Tudo isto poderá ser a lcançado intensificando e
c i s.1.s e bf'J. 9 0 tvl- etapa.: aumentando consideravelment e a eficiência da producão
11
seguir uitl:es e!l"eg il11Ô i.11dus trial e, com bose nisto, i.n-
ria:i.9 a 0 dl:l ~Oleflco (1\Jção agrícola, com o respectivo material, bem como a partir da acumulação produtiva, o
Tar.e fª~vol"J.dª P'º que possibilitará a passagem gradual para um maior
.J ge•· ,. o re 18ções de produc ão socialistas no aumento da acumulação não produtiva. :
- ue . a.ç.8 ., 9 s A passagem a normas científi c as de 1 consumo para tod a
dustr1.ª •meflt o u
• 1:1.7.- aderna base tecn1c - • a que sustentasse
a população no ano 2000 só poderá realizar-se acelerando
fortale c l. 0 0,1~ ~j_sta oa agri c ultura; o cres c imenc.o económico da URSS .
c nmpo; -~ç o _de ocJ.:ições para o progresso das ciências
9 9
- crJ..2'- 3 ç8~ col1 das de modo a c orresponderem aos Para o efeito será necessárí;:
- acelerar o progresso científico-técnico, paralela-
a soc ia~'J. ção e ~pli~ª 3 ções· da RCT; ·
- c~,.:~is e re1J1-..zeote de poderosos complexos cientí- mente a uma elevada eficiência do mesmo;
fund~~~05 ~~ 9 cººgeq~i"ersos es ~alões da economia nacio- j - mecanizar. amplamente os processos produtivos,
liquidar o .trabalho manual pesado e não qualificado e
9
requ:1.S~ gça. 0 p0 .
- fo r:(11 "ºg
dôti• , . cer1st1.ca d a terceira • etapa ( actual) 1 reduzir
de
acentuadamente (nio menos de 40 ou 50%) o n~mero
trabalhado res ocupados em operacões manuais. Crescecá
fico-P~º ~ car 8 c ,~0 s e que se prolongari. tudo o
na , • ci.r- , .,9., gl-' f tJ. -
•ntO seco 1 o, e• o aperfeiçoamento
. multi•' a parte de traba lhadores int e lec tuais. Além disso, nas
~ •e,pr~iOl-,
1 0 89
'ciº
90 1'
ró~:1. -J6- .
1 -37-
a cuJ 8 r;e
indica,
p r o d ução dos meios d e produç ã o - s emen t e s, g ado de raça
f unçõe s dos traba lha dore s ma nuai s a ume nt ará o t ra b alho d e a lto r end i me n t o, f orragen s; i n trod ução de si stema s
i n te lec t ual, enqua n t o n a act ivid a d e d o s tra ba lhadore s d e máq u i na s a vançadas q u e ca usam o mín imo d ano à s plan-
i n telect u a i s aumen ta r á c ons id erav e l ment e a ap l icação t as e anima is; a cri a ção de u ma mo de rna ind ústria espe-
d e equi pa me ntos informáticos e d e o u t r a téc nica modern a ; c i ali z ada, c o m capa cidades d e res e r v a , de tra n sformação
- tra n sfer i r a agricultura para uma mo d e rna b a se primária dos produtos agr ícolas , e um d e senvo l v i me nto
industrial, com um for t e aumento da sua produtivid a de adequado da inf rae strut u ra do CAI . Tudo i s to s e
e r e ndime nto; intro dução d e novos s istemas d e máqu ina.s , enquadra no Prog r-ama Al ~me ntar d a URSS .
as quais c onverte r ã o o trabalho a g rícola n u ma variante o a pe rfeiço a mento d a s ocieda de socialista , sobre tudo ,
do trabalho indus tria l . d a sua BTM, s e ri marc ado por um rápido a ume nto da pr-o du -
A importincia da mecanização global da produção cividade do t rabalho, que inicialmente s e rá igua l e , e m
de c orre d a exist ê ncia de cerca de 50 milhõ es de trabalha- seguida, superio r ao aume nto'da produção materia l e d a
dores braçais na nossa economia, da situação demográfica, esfera não produtiva, o que permitirá e stabiliza r e,
do crescente significado do aumento da efici ênc i a socio- em termos futuros, baixar relativament e o núme ro dos
económica dos processos laborais, da transferência mais ocupados na produção material, aumentando assim o núme r o
rápida d a produção para r e giões do Norte e do Oriente . 1 d o s trabalhador e s da e s f e ra dos serviço s , do e n s ino,
~ também i mport a nte não esquecer que a mecanizaçã o global s a úde, e tc.
é um dos pressupo stos nec essários à automa tização da Nest e perí odo , são c ondições import a nte s da int e nsi -
produção. ficaç ã o da produç ão : ape rfeiçoamento radical dos meio s
Para r e duzir o trabalho manual necessária se forma de produção e dos artigos de consumo, que deverão
uma mec anização global as s ente no melhorame nto organiza- equipar a r-se aos melhore s padrõ e s do me r c ado mund i a l ;
tivo e e s trutural da produção. Os complexos e caros pro- orientaç ão do produtor para a satisfação mais ple na e
jectos vi s ando a mecanização gl~bal devem ser precedidos prioritária das necessidades soc iais e individuais; e fi -
de um plane amento Óptimo das secções de produção, do ciência não apenas da "sua" produção, ma s também a no
trajecto racional da deslocação de peças e de eliminação processo de consumo do respectivo produto. A solução
das operações não racionais e desnecessárias. deste c onjunto de tarefas exige o reequipamento téc nico
O ponto de partida para os objectivos enumerados da produção, o melhoramento de uma série de parâmetros
situa-se depois da passagem da economia para a via da dos equipamentos tecnológicos básicos, o melhoramento
dinamização. A esta meta está organicamente ligado o de toda a espécie de acabamento e elevação da resisten -
aperfeiçoamen t o da ·es trutura existente e a formação de c ia dos artigos, o aperfeiçoamento do sistema de indic a -
uma estrutura das principais esferas da produção social dores de planifi c ação e de controlo, tendo presente os
mais avançada. indicadores de qualidade e eficiência da prodvção.
Profundas alterações estruturais de grande importân- Ao mesmo tempo, a sociedade socia list a deve preserv ar
cia dar-se-ão graças ao rápido e necessário aperfeiçoamen- o meio-ambiente e o equtlíbrio ecológico . A produção
to da infraes trutura produtiva , incluindo estradas, material não deverá causar danos ao meio- ambiente.
serviços empresariais e manutenção de equipamentos Podemos esboçar uma ideia geral da quarta etapa
industriais e agrícolas . Isto não só alterará radicalmente da BTM do socialismo, na qual serão resolvidas as tare-
a estrutura da BTM, como intensificará notavelmente fas socioeconómicas relacionadas com a passagem gradual
a reprodução ampliada, permitindo reduzir muito as con- para a construção da BTM da fase superior da formação
sideráveis perdas do produto social. comunista.
Outra orientação refere-se à formação e desenvolvi- Nesse período, surgirão novos elementos e uma nova
mento do comp lexo agroindustrial (CAI). Neste processo, est rutura da vida dos cidadãos, tanto no que d~z respeito
d e vem aliar-se os factores biogenéticos e agrotécnicos ao consumo de bens materiais como de serviços , c o nheci-
do aume nto do rendimento da agricultura e da produtivi- mentos e bens espiri tuais, distribuição do tempo de
dn<l e do trabalho. Verificar-se-á uma espec ialização da
-39- '
-38-
....~'.
trabalho e dos tempos-livre s ; a ssist ir-se-á à form a - ~ 6 obretudo, na pr odução de eleccricidade e calo r.
ção do homem harmonio same n t e de senvo lvido da f o r mação Na área dos me ios de trabalho, s erão i n trod u zidos
c omuni s ta . na produção de mãquipas c om e l ementos cibernéticos;
Alter ações rad i c ai s hão-de . reg is tar-se também na parte notável de t~d~ a produção será.produzida com
esfera laboral; será conc luída a industrializa ção da equipamentos automaticos dotados de sistemas de comando,
agricu ltura. Os nívei s d e vida urba no e rural aproximar- de modo a assegµrar um f u ncionamento Óptimo. Se rão ampla-
se-ão con sideravelmente, e n ã o s6 no tocante às forç as mente utilizados os manipuladore s automáticos (robots
produ tivas, natureza do trabalho e formas de rel açõ es industriais) , os quais se ocuparão de trabalhos pesados,
d e produção, ma s também no que diz respeito às cond ições nocivos à saúde e monótonos em muitos sec t ores da in-
d e vida, habitacionais e bem-estar. dústria, agricultura, tran~portes e construção civil;
Simultaneamente, aumentará e tend erá p ara um nivela- além disso, serão utilizadas produções automáticas rea da p-
men to a cult ura dos soviéticos. táve i s.
· A construção da BTM da fase superior da formação g de supor que, neste período, surgirão novos siste-
comunista deve basear- se na utilização de novas e mais mas técnicos inspirados nas descobertas da Biologia Mo~
sofistic~das realizações científico-técnicas. As reali- lecu lar e da Biônica; novos ixitos ·serão alcançados no
zaçõe s e pot encialidades da actual RCT serão preponderan- campo da miniaturização e microminiaturizacão. $erá
tes ne s te se n tido, ~liando-se, ao mesmo tempo, is reali- dado um salto qualitativo na produtividade, economização
zações da ciincia e técnica que surgirão na nova etapa de recursos, intens.ificação e eficiênc.ia da produção .
da RCT, nos fins do século, e serão rapidamente aplicadas Alargar- se-á o leque dos meios de acção sobre os
e aperfeiçoadas no começo do séc. XXI. O conteúdo mat e- objectos de trabalho. Além de mitodos cad~ vez mais
rial da técnica, tecnologia e objectos de trabalho, avançados e económicos de tratamento mecânico, div ulgar-
nesse p e ríodo, a natureza da nova etapa da grande pro- se-ão técnicas baseadas em raios.electr6nicos, em pro-
dução i ndustrial, cuja fonnação está estreitamente ligada cessos electro-químicos e biológicos . As alterações
a essa nova técnica e tecnologia, ap enas em linhas que se vão verificar nos meios de trabalho provocarão
gerais po d em ser descritos. as consequentes alterações no conteúdo e natureza dome s-
Tudo indica que , nesse p eríodo, a energética recorrerá mo , reforçando a aliança orgânica do trabalho intelec-
(além d a s três actuais fontes d e energia - hidrocarbone - tual ao físico.
tos - carvão, petróleo , gás, e nergia hídrica e atómica - Aumentará a variedade e a sofisticação técnica dos
f issão de núcleos de ele me ntos pesados) a novas fonte s : equipamentos utilizados na produção e na difusão dos
síntese termonuclear (na opinião dos cientistas, que conhecimentos e valores espirituais, bem como dos electro·-
será uma realidade à escala industrial no fim do séc. XX - doinésticos, o que fará cre s c er os tempos- livres e impul-
começo do séc. XXI) e energia de fontes renováveis: vent~ sionará o desenvolvimento harmonioso do homem. O desen-
calo r geotermal, marés , sol; · os num~rosos detritos e volvimento do homem, o aumento do seu nível intelectual
resíduos industriais e não industriais serão também uma e espiritual, a sua participaçio na produção equipada
importante fonce de energia , bem como a bioenergética; com máquinas sofisticadas e baseada nas última s r eali-
a produção de biomassa para ela poderá transformar -se, zações científic as transformará o trabalho numa necessi-
no futuro , num sector importante da produção agrícola. dade vital.
Para a solução dos futuros problemas energét icos, No respeitante aos objectos de trabalho. espera-se
será de muita importincia o fomento prior i tirio das que as realizações da síntese química e da Física dos
tecnologias e sectores industria i s que poupem ener gia; o Sólidos baixem o peso e o volume dos materiais de constru-
des envolvimento de e q uipamentos cada vez mais eficientes ção o-que diminuirá o respectivo indicador de todo o
qLte r e duzam o consumo físico de energia. aumentando o produto social. Para tal, concorr~ri a utilização comple-
Tendimento; o desenvolvimento e aplicação de novas , tecno- xa de todos os componentes <las matérias-primas extraídas
1.ogias d e tratamento de energi a em todas as etapas , 6-1
- 40- - 41-
e dos residuos industr i ais , que serão considerados matéria- NOVA ETA PA NA SOCIAL IZAÇÃO DA PRODUCÃO
pri~a para outras produções.
Segundo parece, operar-se-ão alterações radicais
nas tecnologias produtivas , c om a introdução de tecno- Viktor TCHERJ<OVE:TS ,
logia s eléctricas e electrónicas, químicas e biológicas; doutor em Ciências·
a Cibe r néti ca optimizará todas ess as tecnologias e Económicas,
aume ntará a parte das t ecno l ogias não ou pouco resid uosas. Ol ea KATIKHIN,
Importantes alterações qualitativos e quantitativos candidato a doutor em
terão luga r nas t e lecomunicações. Os computadores da ter- Ciênc ias Económi cas
ceira, quarta e outras gerações serão os mais usados;
s erá simplificada a linguagem dos computadores e, por
conseguinte , o contacto do homem com os mesmos. A Na etapa actual do socialismo na URSS, a socialização
criação de uma infraestrutura informáti c a possibilitará da produção é um passo avante na socializacão social ista,
uma recolha e transmissão ultra-rápidas de quaisquer alcançado com a finalizacão do período transitório doca-
informações a qualquer distância e momento. pitalismo ao socialismo e a construção. no fundamental·,
Estes são alguns traç os da futura "tecnosfera", da deste último
qua l ~u ito dependerão os traços e parâmetros de etapa Do ponto de vista hi stórico, a s ocia lização .socialista
d e construção da BTM da fase superior da formação comu - da produção como que prossegue a reso lucâo da tare fa
ni sta . encetada pelo capita lismo neste domínio, aliis, numa for-
ma social diferente da do capitalismo, em outras f ormas
de r e lacões de propriedade e com outro objectivo.
Ao esclarecer a miss ão histórica do capitalismo, en-
quanto regime socioeconómico específico , Lénine carac-
V.I.Lénine, Obras Escothidaa, em três tomos , terizou-a como '' el evação de forcas produtivas do traba l ho
Lisboa-Moscovo, 1979, t. 3, p. 429. s ocia l e sua socia lizacão"1 . O capitalismo pre c isa do
crescimento do rendimento do trabalho para extra ir o
valor excedentário . Criado r da grande indústria mecani-
zada. o capitalismo aperfeiçoou a natureza social d~
processo produtivo . consolidando. em vez da forma ind i -
vidual, uma forma cooperativa de trabalho e criando um
sistema ramificado da divisão socia l do trabalho; depoi s ,
conseguiu aumentar enormemente a concentração da produ-
cão, o que l evou o capitalismo à sua Última fase. Com
base em processos tecno-produ tivos , o capitalismo conver-
teu, também, os alicerces do seu sistema económico - a
propriedade capitalista privada sobre os meios de produ-
ção - em propriedade monopolista - individual, corpora-
tiva e estatal.
A socialização soc i alista da produção atravessa vá-
rias fases. Numa primeira, soluciona a contradicão funda-
mental do capitalismo - a liquidação da propriedade capi-
talista e a consolidação da propriedade social. Estes
são os processos mais importantes do período de transição
6-2
-43-
do capitalismo para o soci ali smo , e têm como res ul tado r elações de pr oduç ão, sendo, por cons e gu inte, a s mesma s
a eliminação da economia de vários regime s, a v itória que se tornaram domina ntes na s e gunda me tade dos anos
total d e relações s ocialistas de produção e o f ortalec i - 30, Além di sso , graças ao crescimento das forç as de
mento do sistema e conómico s ocialista. A social i zação produção e ao desenvolvimento da base técni co- mat erial
socialist a da produção caracteriza- se, no período ·ao socialismo, e l as tornaram-se mais maduras, adquirindo
t.ransitório, como predominantemente extensiva (socialis - também novos traços qualita tivos.
mo "em expansão"). · Assinale-s e , sobretudo, que no final dos anos 60
N~m s egundo período, a expansão da socialização desaparece1ram pra ticament e da URSS relaçõe s económicas
socialis ta pros ~egue, embora com out r o sentido: consoli- privadas* . Essa_ circunstàn:-ia, fenômeno histórico_
dam-se as relações de propriedade socia li sta, afirma-s e exclusivo da URSS , embora nao tenha ver com a missao
a b a se material da socialização, aumenta a sua maturidade , principal da etapa indicada, ·t~m muita importãncia para
prossegue o seu aperfeiçoamento qualitativo. Tudo iss o ã compreensão da essência do socia lismo e da social i za-
evidencia que a contínua socia l ização da produção e, no ção socia lista da produção.
contexto do socialismo v itorioso, eminentemente intensi- A socialização socialist a da produção significa não
va , o que não acontecia no· período precedente. Hoje, o apenas a liquidação da propriedade privada sob re os
crescimento da socialização socialista mant,m-se , con- meios de produção (embora seja essa a primei ra tarefa
solidando- se em termos quantitativos e qualitativos. do Estado socialista na luta contra o capitalismo, que
Aqui, ·o aprofundamento da socialização funde-s e com o pro- desaparece da cena histórica como regime económico). En-
cesso de transição para a reprodução intensiva, abrindo - quanto persistir a economia capitalista p rivada, não é
possibilidades para a conjugação orgânica das conquistas possível, obviamente , falar na construção das bases do
do progresso científ i co- técnico com as vantagens da socialismo. i outra a atitude do operário perante a
propriedade socialista sobre os meios de produção, de propriedade individual adqui rida pelo camponês ou artí-
modo a - aumentar significativamente o rendimento do tra- fice com o seu trabalho. Esses pequenos produtores indi -
ba lho social. viduais vão sendo envolvidos paulatinamente, através da
Ent r etanto, na presente etapa, o aprofundamento da· cooperação, na construção do social i smo. Aliás, a pequena
soc ial ização socialista é parte da c onstrução socialista economia individual também não é socialista pela sua na-
e condição necessária do reforço da h omogeneidade social tureza s oc ioeconómi ca, At é à construção final das bases
da s ociedade e sua passagem para uma estrutura sem classes do socialismo, isto é, até que se reserva a princ i pal ta-
refa do períod·o de t ransição, ela perdura numa ou noutra
Desenvolvimento da forma socialista da socialização forma, embora ocupa lugar insignificante na produção e
da produçao

Com a construção · do socialismo e sua maior maturidade , _


forma-se definitivamente e consolida-se. a propriedade * Segundo o recenseamento de 1970, os artezãos não coope ra-
social ista, sempre com o papel dominante . e sempre cres- tivizados (carpinteiros, marceneir os, pedreiros de larei-
cente da propriedade de todo o povo sobre os meios de r as, alfaiates e sapateiros) e-ainda os pintores que
produção . A importãnci~ do estudo das relações de pro- trabalham por conta própria, professores de música , den-
priedade ~a economia soviética impõe~s e , hoje em dia, de- tistas e outros constituíram cerca de 0~1% dos empregados
vido às mtr-danças que se operaram na fo rma socialista de na economia sovi ética. O Art. · ~7Q da Constituição da
socialização da produção após o período de -transição do URSS . reza que é -permi dAo, de acordo com a lei, o trahalno
capitai'ísmo· para o socia lismo, ou seja, na primeira etapa individuaLna produção artezanal e nos pequenos ofícios,
do sociarísmu.,. em progressão para a economia socialista na agricultura, nos serviços, bem como out r os tipos de
desenvo·lv:i:da-~ actividade baseados exclus i vamente no traba l ho pessoal
Na URSS-, o s·o-cial i s:roo evoluído tem por base as mesmas dos cidadãos e dos membros das suas famílias.
-44- - 45-
na ci rculação . No entanto, a pequena economia indivi- Quadro 1
dual não pode ser um elemento predominante, o que seria Peso relativo do s e ctor s ocialista na
um factor permane nte d e instabilidade nas rela ções de economia dos países do CAME em 1981 (%)
produção e ou t ras. Além di sso, à medida que se consolidam
as bases do socialismo e se constrói a economia socialis-
ta desenvolvida , os ves t ígios das relações económi cas p ri. Países Produ to Produto Circu laç ão me r -
vadas vão-se apagando . bru to da b ruto da cantil da r ede
Assim, na URSS , em 1939, altura da finalização, no. indústria a gric ultu- a tacad is ta, i n-
fundamental, da construção do soc iali smo, 2 ,67. dos campo- ra c luindo a al ime n-
neses e a rtífic es não es tavam cooperativizados , pe r c enta- tação pública
gem que ca íu para 0 ,37. em 1959, quando o XXI Congresso do Bul gária .99 , 9 99,9 100
Partido Constatou a vitória t o tal e completa do soc ialis- Checos l ováquia 100 97 , 4 100
mo, e a sua parcela no rendimento nacional tornou-se in- Cuba 100 77 ,6 100
significante. O censo de 1970 praticamente não r egis ta Hungr ia 99 , 3 98 , 9 99 ,t
es se grupo s ocia l . · Mongó lia 100 100 100
A soc i alização socialista re~resenta, por sua forma, a Po l ónia 95 , 5 19 , 7 98,4
passagem dos meios de p rodução privados pa ra propriedade RDA 98, 1 94,8 88,4
social. Por força dis so, -o trabalho privaQ o (em s ent ido Romê nia 99,7 82, 1 100
socioeconómico) transforma-se em socializado . O traba lho URSS 100 100 100
direc t amente socializado como relação social de produção
isto é, como f orma soc ial do trabalho é o trabalho coope-
rativizado que se realiza com a ajuda dos me ios de produ- Presentemente, tanto na URSS como em outros países
ção na propriedade social dos próprios trabalhadores. Na- socia listas, o níve l da socta lização ma terial da produção
t u ralmente, a s ocia l ização soc ialist a da produção, bem ainda não atingiu o grau n e cessá rio na especiali zação
c omo a socia li zação do trabalho que lhe corresponde, detalhada e tec nológica , sendo consid erável a parcela
opõem-se a qualque r tipo de produção privada e a q ualquer do trabalho braçal. Em certa medida, isto limita a concre-
t ipo d e relações económicas privadas. Na sociedade so- tização de todas as vantagens da grande produção soc ialis-
cia l ista desenvolvida, e lementos desse tipo de r elações ta, c riando condições objectivas e a necessidade do r e -
s ão inexis tentes (ver Quadro 1)2. curso a dife rent es formas da pequena produção . Por vezes,
Isto é fund ament"al para a compreensão marxista-leni- escreve-s e que as "pequenas" empresas são um element o
nista do soc iali smo . " Os comunistas - escreve ram Marx e específico da estrutura socioeconómi ca da so~iedad e so-
Engels no "Mani fes t o do Partido Comunista" - podem cialista , partindo do facto de que t odas as fo rmas so-
condensar a sua teori a numa única expressão : supressão ciais da pequena produção possuem os ~esmos traços : menor ,
da propriedade privada"3. Ond e venceram revoluções prole- em relação às grandes empresas , dependê nc ia das decisões
tárias, a propriedade social q ue se es tab e lec eu numa ou "de c ima", maior democratismo na gestão , maior r esponsa -
noutra forma sobre os meios de produção t o rnou-se também bilidade de cada trabalhador pel os r esu ltados da empresa,
o factor pr incipal da existência do socialismo e fonte maiores fac i lidade s de planificaç ão (que em certa nome n-
importante do seu progresso. Existem etapas h i stóricas clatura deve ceder lugar às alavancas de custo), a utono-
a que o socialismo, na sua evolução, não pode e s quivar- mia económica e financeira cons ideravelmen te maior .
sé . O marxismo-leninismo esteve sempre contra programas No entanto , todos esses traços não exprimem , longe
ide alistas da remodelação da sociedade. Entretanto, no disso, nem o especifismo da produção cooperativizada , nem,
s ocia lismo não há lugar para relações económicas priva- certamente, o da pe quena produção mercan til privada e da
das, i sto é, não s9cialistas. Não há facto res históricos peque na produção capita li sta .
que invalidem a orientação final da socialização soc i a list
- 46- -47-
t
Evidenciam apenas uma ori entação geral das mudanças tf. rio s referidos, as cooperativas onde o rend imento ~
dos mecanismos económicos dos países s ocialistas no distribuído não só conforme o trabalho mas também con -
sen tido do aprofundamento da ind ependência das empresas fonne a s contribuições, com o emprego ne las de trabalho
estatais socialistas - tanto pequenas como (e não em me- assalar i ado , podem ser consideradas formas transitciria s
nor grau) grandes. A mediàa con cre ta da possível amplia- da propriedade privada i propriedade socialista.
ção da independênc ia das empresas estatais não depende Nes ta relação, surge o problema da economia a ux il iar
tanto das suas dimensões quanto do gra u da sua especiali- individua l no socialismo. No socialismo , a economia
zaçao . individual auxiliar é de carácter adicional e sobretud o
Ultimamente, a imprensa soviética tem sugerido, com consumista* . O seu peso na produção mercantil agrícola
mais frequência, a reorganização, em diferentes sectores i hoje insignificante. Basta dizer que 86-87% da produção
económicos, de médias empresas estritamente especializa- mercantil pertence aos kolkhozes e sovkhozes. Poderá
das na produção de peças em bruto, em encomendas de cer- parecer que , ao considerarmos os traços econcimicos bá-
tas peças e até em operações para grandes empresas de sicos do socialismo desenvolvido, nio há ra~ão para avan-
artigos acabados . Essas pequenas empresas elevam a sociali- çar - essa questão para o primeiro plano . Por~m, tal s6
zação real da produção, vis t o que se caracteri zam por uma numa primeira aproximacio. No estrangeiro, há mu ita
organização da produção só nos qua~ros da estreita espe- gente, tanto inimiga como amiga do socialismo, que con -
cialização. f unde os conceitos econ6micos de "privado" e "indivi-
O critério marxista-leninista obrigatório para distin- dual", bem como d e "propried ade individual" e "priva da".
guir os diferentes elos (regimes) da estrutura socioeconó- Inclui a economia privada no sist e ma de r e lac5es d e pro-
mica da produção, em geral, e socialista, em particular, dução socia listas, fech a ndo os olhos ao fact o d e a e c ono-
são as relações d e propriedade sobre os meios de produção . mia privad a ser um sector específico da economia de um
Num país em que tenham sido estabelecidas as bases doso- país socialis ta .
cialismo, mas estejam ainda por resolver cabalmente os A economia auxi l iar individual (com os s e u s especi fis-
problemas da etapa de transição, podem existir, sob forma mos socioeconómicos, qu e d ependem de dela se oc upar uai
de "pequena p·rodução " ou "p equenas empresas", as seguintes operári o , um empregado ou urn kolkhoziano de um.:i empresa
f ormas socioeconómicas de produção: esta tais (de todo kolkhoziano-cooperativ a ) e a economia privada baseada no
o povo); cooperativas; economias individuais auxiliares; traba l ho i n d ividual são tipos dif e rentes de relac5es de
empresas privadas baseadas no trabalho do proprietário; produção. A maior d iferen ç a entre elas consiste em codo
empresas privadas com trabalho assalariado e cooperação aque le q ue p ossui uma e conomia auxiliar individual partici-
de empresas de diferentes tipos. De todas essas formas, pa na economia social (p~blica), trabalhando num estabele -
só as três primeiras são socialistas. cimento p ~blico, numa empresa o u num kolkhoze. A act ivi-
No que toca à forma cooperativizada de pequena pro- dade ess enci al do proprietário duma economia auxili a r i n-
dução a sua natureza socialista, tanto no período de divid ua l é o trabalho social directo, s ua principal fonte
transição como no socialismo desenvolvido, decorre in- de rendi mentos. O produtor privado, por sua vez , trabalha
teiramente do facto de a propriedade de todo o povo na aua economia exclusivamente por p r ópria conta e no
( es~talYocupar posição dominante na economia nacional . seu interesse individua l, e é essa a f ont e de seus rendi-
~ precisamente isso que impede a prevalecêucia dos intere s - mentos . .Por cons eguin te, no soçialismo, o dono duma eco-
ses de grupos económicos sobre os de todo o povo. Assina- nomi a a uxilia r individual cria o produto necessário prin-
le- se que as uniões ( cooperativas) de várias empresas cipa lmente na eco nomia social, sob forma de salário, remu-
privadas são insuficientes para transformar a propriedade neraFão do trab al ho e distribuição em espécie~ de
privada na forma cooperativizada socialista. A coopera-
ção só se torna socialista quando se ins ere num plano es-
tatal único e as suas relações cooperativizadas se baseam * Conforme certas estimativas, sua produção mercan til
em princípios do soc{alismo. Do ponto de vista dos crité- atinge 25%, variando muito de zona para zona do país. ·
,:.
.- 48- 7-l -49-
aco rdo com o trabalho, no kolkhoze , bem como a partir do s de consumo . Outra parte é r epre s entada pel a e conomia in-
f undos s ociais de cons umo, e só parc ialmente a par t ir da d ividual auxiliar, ou s eja , apres e n ta- s e em forma produ-
:economia individ ual awcilia r, con tra riamente ao produ tor tiva ainda q ue ad icional , como propri edade adquirida com
privad_o , que a ssesura a ~i _p rópr i o o pro~uto necessário_: os /endimentos a uferidos a partir des s a pr o priedade . Es -
A economia indi vidual auxiliar é pro pried ad e pessoal sas duas partes têm des tinos, pa pé i s e fontes diferentes.
dos trabalhado res da produção socialista. O car ácter A primeira par te reflec te um especifismo rad ical do
dessa economia forma-se, no socialismo, em virtude de socialismo e, se partirmos d e que exi stem notórias dife-
enormes transformações verificadas nas relações d e pro- r enças no trabalho e deste ser ainda predominantemente
duç ão. A economia auxiliar individual integra-se organi- um meio d e subsistência e de necessitar de estímulos
camente no sistema de relações da produção socialistas. veremos toda a importância da propriedade individual nes-
A propriedade pessoal sobre o s objec tos de consumo, e sa cadeia de dependências. Ela estimula o rendimento do
meios de produção empregues na economia individual, não trabalho, a qualificação do trabalhador, a economia de ma-
são, naturalmente, propriedade social, mas uma das formas teriais e matérias-primas . Tudo indica que essa função
subordinadas de propriedade sociali s ta. da propriedade pessoal perdurará enquanto vigorar a lei
No contexto das relações de proprie~ade socialista, a da distribuição conforme o trabalho e o interesse mate-
pro priedade individual ocupa um certo lugar, legalmente rial individual pe los resultados do trabalho.
consagrado na Constituição da URSS. O Art . 13 reza: "A Outra parte da propriedad e individual está historica-
base da propriedade pessoal dos cidadãos da URSS são as mente ligada a ·causas menos profundas - ao grau de desen-
receitas provenientes do trabalho . Podem ser propriedade volvimento das forcas produtivas na agricultur a e,
· pessoal os objectos usuais, de consumo e comodidades teoricamente, não é uma forma que abarca todo o estádio
pessoais e da economia doméstica auxiliar, a casa de ha- socialista. Deste modo, é necessário fazer uma clara dis-
bitação e as economias procedentes do trabalho. A pro- tinção entre a economia individual auxiliar e a economia
priedade pessoal dos cidadãos e o dire ito de h e rdá-la doméstica. A economia doméstica, que _se transforma com
são protegidos pelo Estado. os progressos registados na esfera dos e lectrodomésticos,
Os cidadãos podem receber para usufruto parcelas d.e poderá man t er-se mesmo até um futuro mui to lon gínquo.
terreno concedidas dentro da ordem estabelecida pela lei Mesmo com uma maior produtividad e do trabalho na produção
para utilizá-las como economia auxiliar {incluindo a material , os c idadãos talvez queiram passar os seus
criação de gado e aves de capoeira), para fruticultura e tempos- livres fora d e casa, no campo ou no bosque , ~riar
horticultura, assim como para a construção de casas de e cultivar, digamos, va riedad es exóticas de tomates ou
habitação individuais. e dever dos cidadãos utilizar de de maçãs, ou belíssimas r osas. Mas a própria economia do
modo racional as parcelas de terreno que lhes são conce- trabalho doméstico será diferente. A economia particular
didas. O Estado e os kolkhozes prestam a sua assistência e o lot e de terra perto de c asa são necessários à pro-
aos cidadãos no aproveitamento das economias auxiliares". dução do pr oduto necessário. Tra ta- _s·e d e uma necessidade
A Constituição da URSS limita o número dos objectos económica, de uma forma de r eprodução do trabalhador
susceptíveis da posse pessoal, proibindo o uso dos seus e da s ua f a mília. Mas tal necessidade não é eterna.
bens individuais para auferir rendimentos não provenien- ~~is: à medida que crescem a s f orças produtivas, a socie-
tes do trabalho ou em detrimento dos interesses da socie- dade socialista procura e rradicar a sua base económica.
dade. A propriedade pessoal, no socialismo, é secundária, e porque a economia . particular é, hoje, uma forma de
sendo determinada inteiramente, por seu carácter, pela · economia socialista, forma não desenvo lvida. Representa,
propriedade social sobre os meio~ de produção. de facto, • um dia de trabalho prolongado, influindo
Ao mes·mo tempo, dentro da propriêdade individual exis- sobre o modo de vida ê dificu ltando o aperfeiçoamento
tem diferenças. Parte dessa propriedade forma-se total- espirit ual. A economia particular "divide" o interesse
mente â custa dos rendimentos auferidos nos termos da individual do trabalhador de um ko-Íkhoze ·ou s ovkttose , dand o
distribuicão de acordo com-0 trabalho e dos fundos sociais origem a uma determinada contradição entre os dois aspec-
- 50- 7 -2 -5 1-
tos deste interesse de vido à participação do trabalha- ta permite fo r mu lar com realismo, s em atrasos n em preci -
dor na ec o nomia social e pa rticular. pitações, os ob~ectivos d~ ~esenvolvimenco eco~ómico,
Em determinada me dtda, esta contradição poderá ser forma r os me canismos economicos ad e quados ao ni vel da .
s oluc ionada através dos processos mais recentes da cha- so~ialização da produção e aos requisitos existentes,
mada integração da economia individual e s ocial, coope- Se um país que se lançou na cons trução do s ocialismo
rativi sta. Neste plano, é ·sintomático o exemplo da se encontra no período d e transição do capitalismo para
Hungria, seguido no nosso país, com algumas alterações, 0 social ismo, isso significa que nele existem diversos
pe los kolkhozes de algumas regiões da Estónia, Letónia e r egimes económi cos, com o inevitável recurso a vár i as
Ceorgia. A integração processa-se, sobretudo, na criação formas de propriedade privada, inclusive, capitalista.
de gado: os memb r os da cooperativa recebem p ara a ceva A presença destas formas de propriedade (com o papel
po rcos, coelhos e aves ; as rações são fornecidas _pelo preponderante e obrigatório da fo rma estatal, de todo
kolkhoze, que remunera bem os que se encarregam de 0 povo) não coloca novos problemas teóricos. Isto também
criar, na sua economia particul ar, gado pertencente à diz respeito aos casos em que este ou aquele país so-
he rdade . Este método faz aumentar rapida mente a produ- cialista, por força das condições modificadas do proces-
ção de carne. so de transição ou como consequência de uma nova ava-
Na actua l etapa, na URSS, a economia particular liação da experiência passada, a lt era as proporções e as
auxi~iar contribui para um melhor abastecimen to da popu- condições em que funciona o sector privado. Seja como for .
lação, sobretudo , aos que se ocupam desta actividade 8 existênc i a na economia de um país de el ementos de tra-
económica , com produtos a l imen t ares . As economias parti - balho assa l ariado , bem como o papel i mportan te d o s ector
culares produzem cerca de 28- 29% do produto agrícola privado , indica bem que o período de transição ainda
bruto do país. não foi concluído.
Do ponto de vtsta da lei da transformação do socialie. A liquidação das relações económicas privadas possui
mo em cornuns.imo, as perspectivas da economia particular também um outro aspecto, positivo: a afinnação das rela-
auxiliar são claras. À medida do crescimento das forças ções de propriedade social, com a conservação da sua
produt i vas , do melhoramento e aumento da produção, as principal forma - a propriedade de t odo o povo . Na
causas económicas da existência deste tipo de economia URSS, o socialismo triunfou no contexto da existência de
terão cada vez menos força. O seu papel já diminuiu duas formas de propriedad e social dos meios de produção:
bastante du r ante a construção do soc i al i smo des envolvido, de todo o povo e kolkhoziano-cooperativista. Na etapa
Se. em 1940 , a s ec onomias particulares produziam cerca do socialismo desenvolvido, esta propriedade possui
de 13% de legumes e ou tros prod utos da fit ocu ltura e 54% ainda essas duas formas, as quais formam, como está con-
da carne, em 1984 essas percentagens já só foram de sagrado na Constituição da URSS, a base do no~so sistema
13 e de 10%4 . Esta t endênc ia far -se-á sentir também no económico . Agor a, contudo, são mais maduras e as propor-
futuro e reflec tirá um i mportante aumento da socialização ções entre elas s ão diferen tes, o que; evidentemente, é
da produção no socia lismo desenvolvido. um indi c ador importante do contínuo aprofundamen to da
A solução científica da correlação de dive rsas formas socialização da produção e do trabalho s ocia lista em
de utili zação da produção partic ular (o seu volume , pere• geral.
pect ivas, estru tura sectorial) nas economias dos países Actualmente, têm-se multiplicado c onside ravelmente os
socialistas deve assentar' nas par ticul aridades de cada fundos fixos pertencentes a todo o povo. Entre 1940 e
etapa concreta da e dificação do socialismo em cada país. 1984 , os fundos fixos da indúst ria aumentaram 30,69
Note-se em r elação a isto que a p eriod ização da cons- vezes, dos transportes e comunicações , 16,1 6 vezes, da
trução do socialismo e a d ivisão de etapa s relativamente construção . civil , 81 vezesS. O c resc imento quantita tivo ,
importantes neste processo reveste - se de i mportância contudo, não ofuscou alterações qualitativas. Os fundos
t eórica e prática. O conhecimento exac to da etapa em q ue fi xos colocados em exp l o r ação de 1981 a 1984 constituíram
s e encontra em dado momento est e ou aquele país soc ial is - 2 1,1% do total dos f undo~ fixos da economia da URss 6.
-52- -53-
Em cada uma des t as e sferas operaram- se profundas al- rendimento líquido da soc iedade, das quais resulta a
terações. Diminui u o número dos kolkhozes, sobretudo, separação de uma determinada parte s ob a f orma de fundos
devido à fu são de herda de s mai s pequenas, aumentando , co- das organizações sociais, é a característica fundamental
mo consequência, a s uperfície das her dades isoladas. Em da propr i edade das organizações s ocia is, f orma derivada
1984, havia 26,6 mil kolkhozes, ou seja, nove vezes menos e funcional assente nas relações de propriedade de todo
do que em 1940, enquanto o número dos sovkhozes, que era 0 povo sobr e os meios de produção.
de 21,1 mil na primeira data, quintuplicou7. A produção
global cresceu tanto nos kolkhozes como nos sovkhozes: A formação do complexo económico .nacional único
No entanto, a partir de 1979, o produto global dos
sovkhozes superou o dos kolkhozes. Em 1984, os kolkhozes ·oado o papel dominante da propriedade de todo o povo
(exceptuando os de pesca) produziram 46ã3 mil milhões de sobre os meios de produção e.a planificação da produção
rublos ; e os sovkhozes 49,4 mil milhões . colectiva e socializada, a âmbito de toda a sociedade
A socialização directa da produção aprofundou-se e na base técnico-material do socialismo, em permanente
graças ao aumento indeclinável do papel económico e social desenvolvimento, formou-s~ no nosso país um complexo
da propriedade de todo o povo e ao reforço da proprieda- económico nacional único - o CENU.
de kolkhoziana. O aparecimento de um complexo económico nacional único
Na URSS, no conjunto das suas relações de propriedade ~ uma consequincia da intensificação da socialização da
socialista, existe, entre outras, a propriedade das orga- produçio socialista. A Constituição da URSS atendeu
nizações sociais, fixada juridicamente na Constituição e fixou este facto no seu Art. 16: "A economia da URSS
da URSS.O lugar da mesma no conjunto das relações de constitui um conjunto económico nacional uno que abrang~
propriedade socialista deve-se à sua condição de forma todos os elos da produção social, da distribuição e do
derivada, pois não faz parte da base do sistema económico intercâmbio dentro do território do país". Se atentarmos,
do socialismo. Essa natureza secundária deve-se não -só hoje, nos elementos mais essenciais do novo grau de so-
ao lugar predominante, nela, dos fundos destinados aos cialização da produção, poderemos ver: a} em comparação
fins socioculturais. Isto explica-se, antes de mais, com a fase inicial do socialismo, construído em linhas
pelo facto de as relações de produção surgi~ab da junção gerais, reforçou-se 'o papel económico e socia'l da pro-
da força de trabalho dos trabalhadores directos com os priedade populár dos meios de produção; b) formou-se,
objectos da propriedade das organizações sociais serem, em linhas gerais, o complexo económico nacional uno·.
de facto, idênticas -às decorrentes do funcionamento dos A União Soviética é vista no mund~ como uma família
meios do património de todo o povo. unida de repúblicas @ntregues à construção do comunismo.
Sé é verdade que, ~a esfera da produção, em consequên- Constituiu-se uma nova comunidade histórica - o Povo So-
cia da actividade das organizações sociais, . não se formam viético. A base material da amizade fraternal·dos povos
relações de produção específicas, devido à união da força da URSS é o CENU. .
de trabalho com os meios de produção, é igualmente certo Assim, falando-se do complexo econ~mico nacional uno
que, na área das relações de distribuição, se verificam tem-se em vista a base material da sociedade soviética.
algumas modificações . As organizações sociais, ao P.xer- A ciincia ainda não nos deu uma definição . definitiva .
cere m funções de gestão económica, redistribuem, através do CENU. Existem abordagens diferentes.
dos seus orçamentos, uma parte do· rendimento líquido Alguns autores relacionam ou até identifi~am o CENU
da sociedade de modo a satisfazerem as necessidades com o estado ou o progresso actual dos mecanismos econó-
socioculturais dos trabalhadores. A propriedade~ em gera~ micos _da sociedade socialista • .Os mecanismos económicos ,
e a das organizações sociais, em particular, resulta não são formas e métodos de gestão económica, objecto do sis-
apenas da produção directa, mas também dá distribuição tema de ge~tão e da actividade económica. l exactamente
e troca, ou seja, de todo o processo social de reprodução. isso que di~ o Art. 16 da Constituição da URSS: "A econo-
As modificações apontadas nas relações de distribuição do mia é dirigida com base nos planos estatais de _desenvolvi-
-54- -55-
s oc i oeconómico , f o rmou -s e c omo cons e quênc ia d a s o ciali -
menco e c onomi c o e soc ial, tend o em cont a os pri nc íp i o s zaç ã o da p r o duç ã o o que s e v e ri f~ cou no período de t r a n-
s ec cori a l e t errito r ial e con j ugando a admini st ração s iç ã o . Fo i entã o que s e u ltimou a c ri a ção d a base técni -
centralizada com a economi a e a iniciativ a económic a das co- ma teria l d o soc i a l i smo, com o r e cur s o às p remi ss a s
empres as, gr upos e ou tras ent i dades". Quando o s mecani s- materi ais herdadas do cap i t a lismo. No me smo per í odo, •
mos económic os s e con f undem com o própri o CENU , des apare- af irmo u - se def ini tivament e , -em todos os s ecto re s da ec o-
ce a bas e objec t iva d o a pe rf eiçoa men t o d es s es me smo s me- nomia, o domínio da propri ed ade socia l social i s ta , com o
c anismos . A práti c a vê -s e privada d a ba s e c ientíf ica pa ra predomínio da proprie dade d e todo o povo sobre os mei o s
de te rminar os c r i tér i os des t e a pe rf e i çoamen to . Entre t an t o , de produção. Esta última realiza- se no plano ec onómico
o CEN1J -c o loca problemas importantes aos me c a nismo s ec o- em fo rma d a a ctivida d e económica no âmbi to de todo o
nómi cos , e x i gindo o a perfe i çoa men to c on t í nuo d os mesmo s. povo coord enada por um ~ni co centro económi co, no interes -
Qu era op i n ião é a de q ue o CENU é u ma nova f or ma da se de toda a sociedade e à custa da mesma . Ass i m nasceu
ma ni f es cação d a lei d o des e nvo lvimento cadencia do e a co~peração laboral em todo o país.
pla nific a do da economi a . ~ óbv i o que o CENU se fo rmou Se é que após se ter apropriado do s me ios de produção,
no c ontex t o da planif i c açã o d a produção s oci a l e sob a a economia sovié t ica c arac ter iza va-s e pe la sua in t egrida -
a c ção da l e i d o d esenvol vi men t o c ad enc iado e pl a nif i cado. de , no fim do período de transição , já no p l ano t é cnico
}ws parar aqu i s eria igno rar a ampli t ude d o p roblema. e mate rial, isto é , do ponto de vista d a s forças produti-
O CENU formou-se em linhas ge r ais e va i progredind o no vas e d e uma p~rte das relações de produção, aq ue la que
c ontexto e sob ' a i n fluênc ia d e t od o o n~cleo c omuni s ta se lhes junta, a economia soviética ainda não pos s u ía
gera l do si s t ema de relações de produção, que são rela- esta ínte gridade. Não h avia ainda urna uni dade ma te·ria l
ções de pro priedade de t odo o po vo sobre o s meios de sufici en t emente forte en tre os s ectore s , muitos dos
produção paralelamente ã natu reza plan i ficada e popular quais eram sistemas fechados e auto-suficientes , c om
da p r odução c olect i va, à s le i s económi cas que das leis poucos vínculos que os unissem aos outros ramos . Fr e-
quent e mente, empre s as de certos sectores f uncionav am c omo
e c onómicas do socialismo fazem um si s tema, figurando
aqui a lei econômi ca f undamen tal, a lei da planificacão, empresas universais, sa t isfazendo a s suas n e cess i dades
através d os seus próprios esfor ços e continuando à marge m
etc O . compl exo económic o nscional uno é. um r esultado da da divisão socia l do trabalho. Havia grandes d e sníveis
interacção e n tre as forcas produt i va s e as relações de técnico-económi cos entre os vários sect~res, o que_
produção o qual se traduz no actual g rau de socia li zaçio t ambém limitava as possibilidad e s do apr.ofundamento da
da produção, com particu l ar relevo para os aspectos téc- divisão do trabalho. A e conomi a nacional não possuía a
nico e económico, Tal s ocialização é uma condição i nt egridade material também d evido à i nexistênc ia d e
indispensável para o domínio da prop riedade de todo o um ú nic o s i s tema de transportes , t elecomunicações e abas-
povo sob re os mei o s de p rodução. Neste plano, o CENU tecime nto d e ene rgia, materiais, equipamentos, e t c .,
é a sua manifestação material (a " forma " transfo rma- se si stema que abrangesse todo o t err itór io nacional.
em "conteÜdo", e vice- versa) . As relações d.:! p-ropriedade Quanto às repúblicas e regiões i soladas , também e ram
de t od o o povo e as r elaçõ es de produção socialistas muito distintas umas das outras quanto a o seu desenvolvi-
t ornam a noss a p rodução, patrimóni o de todo o povo , uma mento té c nico e económico. Por out r as palavras, na altura
íntegridade s ocioeconómic a, enquan to que o CENU t r a duz do lanç amento dos fundamentos do soc ialismo no nosso país,
d i rec tamente a s ua i ntegr idade material . Por sua vez, a economia soviética era muito heterogénea , tanto no plano
es ta Últi ma é a bas e ma t erial , factor inic ial e , em sectorial como regional, e não di spunha de· um sistema
úl tima aná l ise , de t e rminant e do r ef o rço e aperfei çoa mento suficie ntemente de s envolvid o de divisão soc ial do trabalho
das r e lações d e p r opri e dad e d e todo o povo , de tod a s as Impnha-se, por isso, liqu ida r e ss es desníveis económicos
formas d e p r opried a de s ocialis ta , de t odas a s rela ç ões e t écnicos entre as regiões , elemen t o s estruturai s d a eco -
nomia naciona l. o que s e foi fa z endo à medida do aperfei-
d e pr odução e out ras r e laç õ e s soei.a is.
A e c onomia sovi ética , s istema i n t egral , uno no pla no 8-l -57-
-Só-
çoamento da bas e material e técni c a do socialismo e do
fomento da soc i alização da produção. assim a ba se ma terial a dequada à propri edade de todo o
Com o aperfeiçoamento da base técnico-materi al , a povo.
.' economia naci on al t ransformou- s e num c omplexo económico Ma s quai s são na URSS, os traços ess e nci a is do CENU?
naciona l uno . O CENU é uma etapa importante no progresso 1. Um dos mai s importa n tes é a inexi s t ência de desní-
da socia li zação da produção . SÓ é possível revelar o vei s no de senvolvimento das r epúb lic as federadas, eleme n-
con t eúdo desse complexo uno com base nos parâmetros da tos estrut urais específicos d o CENU.
divi são social do trabalho, da c onc e ntração , especializa- A construção do socialismo desenvolvido no nosso país
ção e c oope ração da produção. Mas as formas técnicas e liqu idou , de um modo gera l, os desnívei s no desenvolvi-
económica s devem ser c onsideradas tanto no aspecto secto- mento das república s individua is. Is to criou amplas pos-
ria l como regional. sibilidades ao aprofundamen t o e ampliação dos contac t os
Ao se caracter i zarem as premissas objectivas da c riação económicos e industriais, como o t es temunham as es t é ti-
de um CENU, as nossas considerações não devem l imitar-se cas das trocas intersect oriai s e ntre as r e públ i cas fed e-
às forças produtivas , embora sejam elas a base material radas. A indústria da RSS do Casaques t ão, por exemplo ,
de todo o progresso da sociedade. Como se s abe , apes ar utiliza artigos de 96 s ectores das outras repúb licas
do elevado níve l das forças produtivas dos países capita- do pa ís, forn ecendo por sua v ez arti gos a 74 sec tores
list as alt amente desenvolvidos , a socialização da produção de out ras repúblicas fed e radas. A RSS da Moldivia recebe
não conduz à criação de um CENU , já que os meios de produ- os artigos de 93 sectores de o utras repúblicas e fornec e
ção são propriedade capitalista privada. A premissa mais para 72 sectores .
importante da formação de um CENU , como forma de sociali- Ac tualme nte, as r e públicas federadas atingiram mais
zação ulte rior da produção, é o domínio da propriedadé ou menos o mesmo níve l no tocante ao rendimento nacional
socia l socia l ista , sobre tudo, de todo o povo, sobre os per capita , aproximando-s e os r espec tivos nívei s d a
meios de produção. produtividade do traba lho e t ecnológico .
A essência da propriedade de todo o povo sobre os 2. Um indicador i mportan tí ssimo do CENU soviético
me io s de produção é a junção sistemática e planeada dos é a grande divisão social do trabalho, praticada a
produto r es aos meios de produção à esca l a nacional. Iito âmbito de república. Cada república federada e reg i ão
realiza-s e através da actividade económica una, orientada especializa-se economicamente , levando em linha de
para os interesses da sociedade e à custa da mesma. SÓ conta, sobretudo, os interesses esta tais .
com a e xis t ê ncia da propriedade de todo o povo é possível Um dos principais indicadores da divi são social do
uma organização sistemática e planeada de um CENU . trabalho é a estrutura sec torial da economia, a qual
Ao mesmo tempo, o CENU, que aparece no contexto de se complicou extremamente durante o aperfeiçoamen to
domín io d a propriedade de todo o povo, é um factor do da sociedade socialista. Como consequência do aprofun-
seu desenvolvimento e ape rfeiçoamento .~ que o grau ' damento da divisão social do trabalho multiplica ram- se o s
de d esenvolvimento da própria associação dos produtores vínculos entre os sectores e aumentou verticalmente
à es c ala n ac ional, bem como a planificação da união dessa o volume das trocas entre eles, o que se nota particu lar-
associação com os meios de produção, isto é, as carac- mente na agricultura, área importante da produção ma te-
terí sticas essenciais da própria propriedade de todo o rial. A percentagem· da produção agrícola utilizada pela
povo , aperfeiçoam- se permanentemente. Mas a formação e indústria aumentou de 39,6%, em 1959, para 52,4 %, em
o fomento do CENU significam que o grau de unidade desta 1972, e para 60,2%, em 1980 9. Por sua vez, a agricu ltura
assoc iação se reforça, porque é graças a ele que se consome muitos artigos manufacturados . Mais de 60% das
c onsegue melhor harmonizar os interesses locais, departa- despesas dos sovkhozes e kolkhozes vão para a aquisicão
mentais e de todo o povo, c om re l evo para estes últimos. de meios de produção e serviços forn ec idos por sectores
O CENU impulsiona a consolidação da integridade tecno- não agrícolas .
lógica e económica da economia nacional, representando 3 . Com base numa grande divisão do trabalho al cançado
em todo o pa ís, obteve-se a unidade orgânica de todos os
- 58- B-2
-59-
elos da produção social, da repartição, troca e consumo especialistas . A i n tegração da ciência na produção tem
no território da URSS. Por outras palavras, formou - se como resultado cada vez mais evidente o aumento da efi-
um úni co sist ema de reprodução à es ca la nacional. A eco- cácia da produção e um melhor equi l íbrio ec onómico.
nomia nacional soviética não é, pura e simplesmente, uma 6. A integridade material da economia nacional, no
soma de empresas, grupos e sectores individuais, ou das aspect o sectorial e regiona l, fundamenta - se na criação
economias das repúblicas federadas e autónomas, regiões, de um sis tema energético uno, de um sistema de transpo r-
di stritos e circunscrições; é, isso sim, um sistema orgâ- tes uno, de sistemas unos de comunicações automáticas,
nico e integral, cujos elementos estão relacionados entre fornecimento de petróleo e gás e gestão automatizada
si e e são reciprocamente dependentes. dos recursos à escala nacional. Muitos dest es sist emas
A economia - o CENU - caracteriza-se pela ausência de foram já criados em linhas gerais, ou estão em fas e de
desníveis substanciais técnico-económicos e socioeconómi- conclusão .
cos entre seus element os estruturais , tanto no plano Para transformar a economia num CENU , é de importân-
sectorial como regional. Qualquer diferenciação acentuada cia capital a electrificação e a criação de um sistema
entre o desenvolvimento dos sectores ou regiões impossi- energético uno. Como se sabe , V. I . Lénine atribuía enorme
bilitaria uma ampla e sólida inte racção ent re eles. importância a este problema , considerando-o um "segundo
Essa diferenciação desestabiliza a cooperação entre os programa do Partido", sem a solução do qual será incon-
elementos individuais da economia, incentiva a aspiração cebível a passagem para o c·omunismo .
dos elementos mais avançados à autarquia e auto-isola- Actualme nte, está a ser ultimada a criação do Sistema
mento, à satisfação das necessidades à custa própria . O Energético Uno da URSS, parte importantíssimo do CENU,
que trava a especialização da produção. do qual fazem parte nove sub-si stemas energéticos: Central ,
4.Como elementos estruturais mais importantes da do Curso médio do Volga, dos Urais, do Noroeste, do
economia entendida como CENU afirmam-se , cada vez mais, Sul, do Cáucaso Norte, da Transcaucásia, Casaquestão e
os complexos de produção inters ec toriais e territoriais. Sibéria. A partir de um posto de comando _c entral, é hoje
Importância especial é crescentemente atribuída aos possível dirigir a distribuição de 85% da energia produ~
complexos intersectoriais globais, designadamente , além zida no país.
da agricultura, a energética e extracção de combustíveis , A curto prazo, ao sist ema energético nacional serão
finanças, transportes e outros. Estes complexos abarcam ligados os sistemas energéticos da Ásia Central e, em
um grande número de sectores mutuamente relacionados seguida, graças à electrificação do caminho de ferro
no plano produtivo, que mantêm contactos económicos Baikal- Amur, do Extremo Oriente.
estáveis entre si e se desenvolvem em estreita unidade . No reforço da integridade tanto da economia nacional
A formação dos complexos de produção inters ectoriais como dos seus elementos, é cada vez mais importante a
e t erritoriais em todo o país facilita a superação do reêolha de informações a nível de todo o país necess árias
bairrismo e departamentalismo, aprofundando a integridade à estatística, planificação e gestão. : Para o efeito, está
socioeconómica e té cnico-material da economia e reforcando a ser montado, um sistema informático à escala naciona-1
a natureza social da produção . baseado na rede de centros de cômputo e no sistema de
5. A integridade da economia soviética como um CENU transmissão de dados . Segundo um programa existente,
pressupõe que, na divisão ~ocial do.trabalho, se dê essa retle de - centros de cômput o estará pronta até ao ano
uma importância crescente aos sectores não produtivos, 1990. Como primeiro passo para a realização deste
bem como· é evidente, aos sec to res da esfera da produção programa , foram criados quat ro centros de cômputo ter-
materia l. Sem isso, a unidade entre a reprodução , repar- ritoriais de uso colectivo : em Riga , Tallin , Tula e Omsk:
tição, troca e consumo , nos ·quadros da economia nacional, Nos anos mais próximos, aparecerão 40 ou 50 - cen tros se-
não será plena. me lhantes . Existe já um projecto-padrão desses centros,
No CENU., um µapel -cada vez -mais í • pnrtante cabe à o que faaititarã a sua criação e m série. Foi realizado um
-esfera científica, a qual ocupa mpis d~ 1 ,4 ~ilhÕes de important~ •trabalho visando unif ormizar a base informa-
. - 60- -61-
senvolvida ou medianamente desenvolvida . No s países c u-
cional; foi elaborado um sistema uno de classificação e jas fo r ças p r odutivas estão altamen te des e nvo lvida s , a
codificação de informação t écnico-económica composto d e situação pode ser outra . Esta tese dirige-se c o n tra a
26 classificadores que processam informações à escala transferência mecânica da expe riência de alguns países
nacional e 8 1 classificadores sectoriaib . p ara a realidade da construção do so c ialismo de outros
7. A economi a, e ntendida como um CENU , consiste de países. A certos países é possível cri a rem mais rapida-
elementos es truturais diferentes dos do período ante rior men te a bas e técnico-material d o soc ia lismo d esenvo lv i-
Isto diz respeito, sob r et udo, ao principal elo do sis te- do e, por consegu in te , formar um CENU.
ma de cãlcu l o económico - a empresa. Em vez de fábricas A economia da URSS e dos outros países irmão s é in-
e outras produções isol a das , a principal forma de empre- fluenciada, na e tapa ac tua l , p e los processo s d e i n teg ra-
sa é , agora, o grupo (associação) de empresas (fábricas, ção económica dos países soc~alistas. O Prog rama global
produções), tanto na indústria como noutras esferas da orientado para o aprofundamento e aperfeiçoamento da
produção material . coope ração e d e fomento da integ ração económica so-
8 . O r esu ltado s ocioeconómico da passagem ao grupo, cialista dos países do CA~IB, aprovado em 1971, refle~ r P
elemento básico no sistema de cálculo económico , é o as a lterações qualitati vas r eg istadas na fo rmação da
r e forço da integridade da economia nacional, visto que economia socialista mundial. Ele procura n ão só uma mera
se formam p remis sas mais favo r áve is, à organização e aproximação mútua d as economias d esses países, mas
ges tão da economia a partir d e um centro. ainda o seu envo lvime nto orgãnico n a divisão socialista
A transformação da economia soviética num CENU não internac ional do trabalho, a actividade conj un ta no
implica a sua transformação num sistema produtivo fecha- domínio de planificação, etc. T rata-se de uma complemen~
d o . Ind icam-no o aprofundamento da divisão socialista in- tacão e penet ração mútua de economias nac i onais de
ternacional do trabalho, o r efo rço da cooperação cientí- Estados soberanos , ou seja , de um novo grau , mais el e -
fico-técnica, a cons trução e exploração conjunta de vado, de sociali zação int e r nac iona l socialista d a produ-
empresas por organi smos de vários p a íses e outras f o r- ção. A integração vai-se tornando a condição de uma
mas de cooperação, além do comércio externo. A natureza maior maturidade da economia socialista dos países
f ech ada não é p róp ria do c ompl exo económico nacional uno irmãos .
d a URSS , assim como também não caracteriza os CENUs d os Ao mesmo tempo, o r eforço da integração da produção
outros países soc ialistas, cuja dependênc ia d a divisão dos países socialistas torna-se, só por si e e m cres cen tP
int e r naciona l do trabalho é muito maior do que em rela- medida, um indicador impo rtante da maturidade doso-
ção ao nosso país. cialismo como regime social, visto que as economias so-
Num contexto em que os principais meios de produção cialistas começam a afirmar-se como um sistema económi c o
se encontram nas mãos do povo, a eficiênc ia do CENU mundial. O que representa o primeiro passo para um
deve-se a um conjunto de factores relacionados com as complexo económico uno do sistema soc~alista mund ial .
forças produtivas do país, sobretudo, o nível de indus- Constatar a transformação da economia soviética n um
trialização existente antes da revolução socialista, CENU não significa que este Último e s teja já definit iva -
o desenvolvimento do carácter social da produção, as mente formado. Ainda é preciso reso lver uma série d e
dimensões territóriais, a realidade geográfica, histó- . tarefas ligadas ao aperfeiçoamento desse complexo eco -
rico-nacional, etc. A· especifieidade da formação de uni nómico. _Por enquanto, não foi concluída a criação de
CENU deve-se, em . grande medida, às particularidades 4a .um sistema energético único, facto que refe rimos acima.
construção e aperfeiçoamento da base técnico-material do Terá que ser profundamente aperfeiçoado e desenvolvido
soc ialismo. Na URSS, a criação da base material e técnica o sistema de transportes; é p~e~isa uma melhor articula-
adequada ao socialismo fez-se já após a afirmacão dos ção entre os diversos tipos de transportes e superar bar-
fundamentos do socialismo. Pelos vistos, trata-se de um reiras departamentalistas entre eles. f necessário
caminho a seguir para todos os países que se iniciam na melhorar a coorde nação do . funcionamento de vários tipos
construção do socialismo a partir de uma economia subde-
- 63-
- 62-
d~ t ransporte s e a s ua interacção com os outros secto-
res da economia nacional. introduzir tecno logias esta t orna- se cada vez mais complexa), já que os resul -
mais modernas . tados económicos finais dependem , cada vez mais, do
Há uma necessidade premente de melhor ar todo o sis tema elll8ranhado de vínculos entre e dentro dos sectores.
de fornecimento de recursos materiais e técnicos e de Graças a isto, na prática da planificação e gestão da
r eforçar a natureza e envergadura nacional deste sistema. economia nacional, aumentam as possibilidad ~s de utilizar
O bairrismo e o departamentalismo no fornecimento de a lei económica fundamental do socialismo, que deixa
recursos, a ausência de um sistema de gestão automatizada de ser apenas um instrumento de análise teórica da econo-
mia socialista . .
de recursos ã escala nacional conduzem ao congelamento
e aumento dos stocks de recursos materiais. A articulação mais estreita da actividade económica
O reforço do CENU é assegurado pelo melhoramento com os resultados finais dessa mesma actividade cria con-
da distribuição geográfica das forças produtivas e pelo dições para uma melhor satisfação das necessidades
desenvolvimento global das economias das repúblicas sociais. Isso possibilita superar melhor os fenómenos de
bairrismo e departamenta li smo , contrários à apropr i acão
federadas e das regiões ec~nómicas . Nos últimos, anos,
tem sido feito muito nesta esfera. Agora, o obj ec tivo é pôr todo o povo dos meios de produção e fomentadores dos
distribuir geograficamente as f~rças produtivas com interesses estreitamente locais em detrimento dos interes-
ses de todo o povo.
base no aprofundamento da especialização, no interesse
do desenvolvimento equilibrado das economias das repúbli-
~ evidente que o aperfeiçoamento da planificação é
de enorme importância para o reforco do CENU. Entre
cas federadas e das regiões económicas , nos quadros de
muitas orientações determinadas pelo Partido Comunista
um complexo económico uno da URSS. Posto isto, há que
e Governo Soviético nos Últimos anos visando o aper-
limitar a construção ou ampliação de produções que conso-
fei çoamento da · planificação possui especial importância
mem mu ita e nergia e água na parte europeia da URSS e nos 0
desenvolvimento e a introdução na prática da pl anifica-
Urais; nes~~ zona, a indústria crescerá sobretudo, à
ção de progra mas conc r etos apontados para determinados
custa da modernização, e reconstrução das empresas exis-
object i vos . Com a sua aplicação satisfazem- se as exigên-
tentes. No plano .do m~lhoramento da distribuição geográ-
cia s essenciais decorrentes da transformação da econo-
fica das forças produtivas, atriçui- se particular atenção
mia num CENU: a subordinação de toda a econom i a nacional a
ao fomento intens ivo do potencial económico da parte obtenção dos melhores resultados finais, o carácter
asiática do país, na qual estará concentrada a indústria global e equilibrado do s eu desenvolvimento.
de extracção de combustíveis e a produção de energia .
Para que o CENU seja eficaz é importante aperfeiçoar
O aperfeiçoamento da distribuição geográfica das a estrutura organizativa da economia . Por um lado,
forças produtivas assumirá a forma de formação intensiva
isto implica a eliminação dos elos desnecessários no
de novos complexos de produção territor iais e de fomento
aistema de gestão e a passagem para um sistema de gestão
dos já existentes. com apenas dois ou três escalões , na indústria e constru-
A solu·ção des te e de outros prob l emas económicos ção civil. Por outro l ado, o me lhoramento da estrutura
assenta , por um lado , no desenvolvimento das fo rcas produ- organizativa s ignifica a criação dos escalões que fazem
tivas e , por outfo, n o aperfeiçoamento da estrutura or- falta .. Actualmente, é preciso montar sistemas de gestão
ganizativa da economia e dos mecanismos económicos. dos grupos de sectores interligados.
O aparecimento do CENU torna possíve l e absolutamente
Outra orientação .do aperfeiçoamento da referida ea tru-·
necessário avaliar os r esul tados da actividade económica tura é a instituição de comissões governamenta is que diri-
com base no resultado final. Os resultados da actividade jam a c ons trução civil em determinados territórios. E
dos e l os intermé dios d es te compl exo não passam também -de elas já existem. Em 1981 , por exemplo, foi criada um.a
resultados i ntermédios , não podendo ser considerados fi- comissão do Presidium do Conselho de Ministros da URSS
nais à escala de toda a economia . Tal abordagem impõe-se e uma comissão interdepartamental junto da GOSPLAN da
cada vez mais à medtda do crescimento da economia (e URSS , para tratar da exploração dos Jaz i gos de petró l eo
-64- na Sibéria Ocide~tal .
9-1 -65-
A PROPR IEDADE DE TODO O POVO
Uma direcção i mportante no desenvolvimento e reforço
do CENU é a ampliação da pro teccão do meio- amb iente, de
modo a uma ut ilização global dos recursos através de O'le g XATIKHIN,
tecnologias que reduzam ou eliminem os r esíduos. - , c andidato a doutor
O grau de desenvolvimento do CENU e a sua inte-gridade em Ciências Económicas
dependem ainda da medida em que todo este conjunto e os
respectivos elos estruturais con tribuam para o objec tivo
s upremo da produção social. A utilizaç ão mais plena das O estudo do sistema económico do socialismo é impos-
potencialidades do CENU permitirá aumentar satisfatoria- sível sem a análise do processo de s ocialização da pro-
mente a eficâcia da produção e transferir a economia dução. O objectivo princ ipa l consiste na definição dos
para o desenvolvimento i ntensivo. vectores desse proc esso, o que p or sua vez deve contri-
buir para a formação d o mecanismo da economia que em
plena medida corresponda às condições da presente etapa
V.I.Lénine. Obros Completas, vo 1. 3 , p • 5 9 7 •
de des envolvimento da sociedade.
Na fase actual , a socialização da produção na URSS
2 Anuário Estatistico do CAME, Moscovo, 1982 , p. 37. expressa-s e e m primeiro lugar, na elevação do papel
económico e social da propriedade de t odo o povo no
3 K.Marx e F.Enge l s , Obros , vo 1. 4 • p . 4 38 . conjunto de relaçõe s d a pr opriedade socialista. Em
segundo lugar, a socialização condiciona a transformação
4 Economia Soviética em 1984. Anuário Estatietico,· dos s ectores da economi a num complexo económico como um
Moscovo, 1985, p. 234. todo uno que abrange a produção, distribuição, trocas e
consumo
5 Ibid., p. 60. A etapa actual do socialismo difere da etapa anterior
devido ao facto de todas as relaç ões económicas d o so-
6 pp. 59-60.
Ibid. , cialismo possuírem hoj e um grau d e maturidade mais eieva-
do. Trata-se, antes de mais nada. das relações comunistas
7 Ibid., p . 223. que englobam também a propriedade de todo o povo . Toynam-
se mai s evident es as vantagens da pro priedade socialista
8 pp . 2 94, 304 .
Ibid., que se vai transformando em propriedade comunista .
No estudo do processo de evolução da propri edade d e
9 Formação e Desenvolvimento do Complexo Agro-Industriai todo o povo não se deve cair em extremos, ou seja, pura
à Eeca"la Nacional, Moscovo, 1984, p . 6 1. e simplesmente retirar esse probl ema. Alguns autores
afirmam que a propriedade de t odo o povo sobre os meios
de produção não se altera n o decorrer da passagem da
fase inferior do comunismo para a superior. Rea lme nte ,
as relações de p r opriedade de t odo o povo são re lações
comunistas gera i s que abrangem ·o s ocialismo~ o comunismo
completo. "Na medida em que os meios de 1:iroduc,;ão -
escreveu V. I.Lé nine - se tornam propriedade comum, a
palavra 'comunismo' pode ap licar-se também aqui, se não
se esquecer que ist o naÔ, é o comunismo completo "l .
Isto nã o permite considerar o soc ialismo e o comuni smo
como modos de produção isolados, eles são apenas fases
9 -2 -67-
de um Único modo de produção. Con t udo existem diferenças r mu itos investigadores comecem a iden t i fic a r a base ma-
e n tre as duas fases do modo de produção comunista que te r ial da propriedade de todo o p ov o E a própria p ropri e-
nem só s e devem â existência de relações de produção dade quando se trata das via s de a perfeiçoament o des ta
específicas, próprias de uma o u outra fa s e do comun ismo. ·I ~ltirna . As diferen ças entre a base da propriedade e a
Existem ainda diferenças no nível de desenvolvimen to das própria propriedade de todo o povo apenas são observadas
relações económicas, comuns às duas fases do comunismo. quando s e define o lugar, papel e natureza da prop r ieda-
Por conseguinte, nas diversas etapas da formação de socialista de todo o povo. Ao analisar as d i recções
comunista existem diferenças nas relações de propriedade do desenvolvimento desta , muitos e s pecia listas apontam
de todo o povo. Há também diferenças entre os p eríodos ou para o crescimento quantitativo e qualitativo dos
diversos dentro duma mesma fase, embora, em espaços de objectos materiais na esfera das relações da propriedade
tenipo relattvamente pequenos, não sejam tão evidentes. de todo o povo ou· para o desenvolvimento da concentração,
A via mestra de evolução da propriedade de todo o povo especializaçio e cooperação ~a produção , ou seja para
sobre os meios de produção passa, por um lado, pelo tais formas económicas que caracterizam directamente a
forLalecimento nela daquel es elementos que se mantêm e evolução do carácter social da produção, mas não a forma
se desenvolvem durante a fase superior do comunismo e,' de apropriação. ·
por outro lado, pelos aperfeiçoamento constante dos ele- € evidente que não obstante a complexidade da pr oprie-
mentos específicos do socialismo como fase inferior do dade de todo o povo c omo categoria económica, seria er-
c omun·ismo . roneo reduzir o seu aperfeiçoamento a uma melhoria ou
O problema da definição -das direcções de aperfeiçoamen- ' reforço da base material, o que constitui, na essência,
to da propriedade , da revelação das formas económicas um outro aspecto do problema e diz respeito às condiçÕ e $
concretas em que se realiza esse processo, é extremamen- e premi ssas de aperfeiçoamento da propriedade socialista
te complexo, devido à posição específica que a proprieda- de todo o povo, sendo descuradas as próprias direcções
de de todo o povo ocupa no sistema das relações de produ- deste processo .
ção socialistas. Como já foi assinalado, a propriedade, f natural que a evolução da propriedade de todo o povo,
ao contrário de outras relações de produção, manifesta-se. I assim como de todo o sistema das relações de produção
em cada relação do sistema, como ·um elemento que reúne as socialistas, se realiza com base no crescimento das
relações de produção separadas num sistema económico uno, f orças produtivas, no aceleramento do progresso cientí-
atribuindo-lhe a determinação socioeconómica qualitativa·. fico-técnico. O mecanismo, através do qual as mudanças
Por isso a análise pormenorizada da propri~dade, bem como qualitativas e quantitativas na bas e técnico-material da
das v i as de seu aperfeiçoamento, tem que ser feita atra- sociedade exercem influênc~a sobre o desenvolvimento
vés do estudo de todas as relações do sistema económi~o. da propriedade de todo . o povo sobre os meios de produção,
A procura de formas mais eficientes de aperfeiçoamen- consiste no fomento do carác ter social de produção e
to da propriedade de todo o povo socialista agrava-se das formas da organização social das torças produtivas.
pelo facto de a propriedade, enquanto rel ação e conómica, Toda a história das forças produtivas-; é a afirmação do
existir sob uma forma jurrdica determinada. Afem disso, seu carácter social que se expressa na dinâmica da divi-
a consciência encara a propriedade, antes de mais nada, são social e cooperação do trabalho. Os impulsos que
como uma forma jurídica, daí que a procura das vi~s nP fortalecem o carácter social dà'produção estão condiciona-
seu aperfeiçoamento não ultrapassa frequen temente os dos pelo desenvolvimento dos meios de produção, entre
marcos jurídicos. Esta circunstância é de particular os quais os instrumentos de trabalho d esempenham um papel.
importância para o fortalecime nto da propriedade de todo primordial.
o povo. As formas jurídicas, aliás, não a brangem todo o Os instrumentos de trabalho, que admitem e exigem
conteúdo do reforco da propriedade d e todo o povo. a sua utilização individual, não podem servir de base
A necessidade de tomar em consideração aquele aspecto adequada para a propriedade de todo o povo; isso explica-
durante a análise de dete~inacio problema faz com que se pelo facto de, nesta bas~, não exi§~ir a cooperaçio do
-68-
-69-
s ejam as fo rma s s oc iais da prod ução , os t r aba lhadores
crabalho como única e n ec essár ia fo rma de p roduç ão . Al ém e os meios de produção s ão s empre os s eus fa c t ore s . . . O
disso, a coop e ração com bas e em ins t rumen tos manua is de modo em que s e e fectua e ssa combi nação d i s t i n gu e a s d i -
trabalho não pode e vo l uir até atingir a escala nac ional. vers as é pocas económi cas da estrutu ra soci a l " 2. São preci-
A bas e material da propriedade d e todo o povo deve s e1 same nte o carácter e o modo d e li gação dos factor es da
consti t uída por inst r umentos de trabàlho completam~nte J produção que expressam a essênc i a socioeconómica da forma
diferentes, por aqueles que transformam a c ooperaç ao do 1 histórica concreta de p r opriedade dos meios de pr odução .
trabalho numa necess idade técni ca, dado que a sua utili- t Quando queremos de te rmi nar as direcções do aper f eiçoamen to
zação individual se torna impossíve l. Tai s são as máqu~- f da propriedade de todo~ povo em r egime social ista , deve-
nas que , . como meios de trabalho, substituem os i nstru- mos , antes de mais nada, analisa r a tentamen te as mudanças
mentos manuais. no carácter e o modo de relação dos traba lhado r es com os
No entanto , os meios de traba lho mecânico nem sempre meios d e produção.
transformam a cooperação do trabalho à esca la nac ional Nesse sentido , a ess ênc i a da forma nacional de proprie-
numa forma de produção única possível. Na sua base a dad e sobre os meios de produção consist e na combinação
cooperação é obrigatória , mas a sua escala pode ser plani fi cada e directa dos produtores a ssociados à escala
apenas local. Pelos vi stos , é necessário um nível de de toda a sociedade com os meios de produção global.
desenvolvimento das máquinas tal que a coope ração local Sendo assim a propriedade de todo o povo dos me i os de
do traba lho se t orne insu fi cient e , exigindo a c ooperação produção difere de todas as forma s de propriedade conheci-
do trabalho nac i onal. As tendências actuais de evolução das porque, pela primeira vez na história, ela expre ssa
dos meios d e trabalho consistem na criação de máquinas a unidade entre a assoc iação nacional de produtores e os
automáticas ou, sendo mais preciso, dum s istema automa- meios de produção globais . A título de comparação podemos
tizado d e máquinas , qu e deve existir em t odos os ramos assinalar que para a pequena propriedade privada, resul-
e esferas d e produção social . tante do trabalho, a característ i ca é a unidade entre os
Historicamente, a propriedade de t odo o povo, surgi u produtores individuais e os me ios de produção, enquanto
com base na produção mecanizada . No entanto, naquela que para a forma cooperativa (colectiva) de pr opriedade ,
altura , o seu nível de desenvolvimento ainda e ra insu- independe ntemente da sua natureza social, a unidade do
ficient e para fazer a cooperação do trabalho a n ível grupo· l oca l dos produtores com os meios de produção é
nacional uma necessidade técnica . Isso signi'fica que a que é a característica.
propriedade de todo o povo em r egime socialista ainda Semelhante especi ficidade da propriedade de todo o
não se baseia nos instrumentos de trabalho, completamente povo sobre os meios de produção mantém-se em todas as
adequados à propriedade .comunista. Por isso a evolução etapas do seu desenvolvimento até à fase superior do
e o reforco do carácter nacional de apropriação dos comunismo . No entanto, o grau de desenvolvimP.nto da
meios de produção em direcção à fase superior do comunismo associação nacional dos produtores, ~a unidad e técnico-
se baseia na substituição dos .ins trume ntos de trabalho industrial dos meios de produção que · lhe pertencem, as-
existentes por radicalmente novos, na passagem para a sim como do seu carácter e modo de combinação, condi-
produção mecanizada, completamente automatizada. A criação cionados por esses factores, não são imutáveis ao l ongo
de tais meios de ·trabalho · decorre precisamente na etapa das diversas etapas do modo de produção comunista. Em
do socialismo desenvolvido. Ness a etapa, as r eal izações geral, as alterações dessas características da propriedade
da revolução científico-téenica tornam-se mais significa- que ocorrem no movimento ascensional rumo à fase supe rior
tivas, o que abre via . para o aparecimento de novos meios do c.o munismo, identificam-se com o reforco do carác ter ·
de trabalho, reforça a necessidade de desenvolver todas social de·· apropriação dos meios de produção.
as formas de ~rganização social do trabalho. A existência de um sujeito uno da propriedade à escala
O carácter específico e o modo de ligação entre os de toda a produção social é um importante traço caracte-
f actores pessoal e concreto da produção são o critério rístico da propriedade de todo o povo em regime socialistn
que distingue a foma de propriedade, " ~uaisquer que
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~70-
Nele se revela o carácter social da apropriação dos resse económico nacional, desconhecido nas formações
meio s de produção. Esse sujeito é a s ociedade que se mo-
socieconõmicas precedentes que se baseavam na proprieda-
difica também com base nas forças produtivas em c onstan-
de privada. Em todas as etapas de evo l ução da pr oprieda-
te expansão. À medida que a un ida de e homogeneidade da
de de todo o povo es s es inceresses existem em unidade,
associ ação nacional de produ tores, enquanto sujeito da
sendo o interesse nacional o principal e detern1inance.
propriedade, cresce, o carácter social de apropr i ação dos
i através da unidade do s interesses económicos que se
meios de produção t ambém pr ogride .
revela a maturidade da propriedade de todo o povo, o
A evolução da propriedade de todo o povo em regime· desenvolviment o do seu s ujeito .
socialista e do carácter social da apropriação dos meios
de produção não significa a conve rsão dos sujeitos da Ness e sentido c abe a s sinalar a cHracterística da so-
ciedade cpmun ista dada por Fried rich Engels . Ele consi~
propriedade em um sujeito uno. Em toda s a s etapas do
d erou- a como uma s oc iedade onde "a c omunhão dos interes-
d esenvolvimento da propriedade de todo o povo, ela tem
s es constitui o princípio bàsico , por força do qual o
um s ujei to uno que é a soc ied~de socialista no seu todo.
interesse social j~ não se distingue do interesse de
Os membros da sociedade, as empresas, os ministérios c ada i nd i víduo ... " 3.
e instituições não s ão proprietários por si me smo .
Uma sirie de factores, entre os quais ressalta~ o
Isto c ontradi ria a pr6pria essência da pr oprieda de de
nível e o carãcter das forças produtivas , determinam a
t odo o povo.
possibilidade e o grau de coincidência enr~e os interes-
Aliás, a noção de s ujei to uno d a propriedade de todo
o povo em r egime socialista não é i dêntic a à de sujeito ses econõmicos dos trabalhadores e o interesse nacional.
únic o em ge ra l, ou seja, o sujei to da pro priedade de Qualquer atraso no desenvolvimento das forças produtivas
dificulta a s atisfaçio das necessidades dos membros da
todo o povo em regime socialista é um o rgani s mo complexo,
representado pelos trabalhadores, colectivos laborais, sociedade, aumentando desse modo a hipdtese de os . interes-
cla ss e s e camadas s ociais, bem como pe lo Estado e s eus s es econõmicos da sociedade em geral e os dos seus m~mbros
entrarem em cont radic io , não co i ncidi rem. No fim de
6rgãos. As relações entre os elementos estruturais iso la-
dos desse o rganismo estão em c on stante mu t a ção, alterando- contas, com uma base mater.ial como a que estamos a supor,
se o seu c arác ter , ou sendo mais preciso , o grau de inte- a ua t isfacâo das necessidades de uns limita objectivamente
gridade . a sat is fação das nece s sidades de outros membros da socie-
A contra dição interna existente entre os interesses dade. Numa situação destas , a propriedade socialista de
económicos dos t rabalhadores isol ados e os interesses dos todo o povo precisa de um sistema de normas jurídic~
diversos grupos sociais em condições q uando não e xist e e administrativas que a defendam . A sua existência seria
total c oincidência entre o interesse material de todo o i nconcebív el se nos baseassemos apenas no carácter monolí-
povo e os interes ses econ6micos i ndividuais e colectivos t ico da sociedade como suje i to da propriedade . Do mesmo
faz com que s e torne necessária a existência dum 6rgão modo seria impossível explicar muitos fenómenos da vida
r eal quando membros individuais da sociedade não agem
especial i n c umbido de compat ibilizar , o i n teres se nacio-
nal,que t em a importânc ia primordial , com os int eresses como donos da propriedade de todo o povo m~s consideram-
na apena s c orno um objecto da sua propriedade pessoal .
individuais . No socialismo, essa tarefa é cumprida pelo
Estado que a ssume as funçõ es da sociedade como sujeito O reforço do c arácter social da apropriação dos meios
de produção tem dois aspectos que se relacionam e condi -
da propriedade. Nisso reside uma das particularidade s
cionam mutuamente. Trata-se de dois contririos cuj a
específicas da propriedade de todÓ o povo .
unidade dialéc ti c a pr od uz o fenõme no económico conhecido
Cada trabalhador , assim como cada colectivo, é o.
como carác t er social de apropriaç ão . O primei ro aspecto
portador dos· seus interesses materiais específi_c os ,.
desse processo consiste no fortal ecimento do c en tralismo
Além disso, todos eles, na qualidade de membros da
na esfera da prod ução , distribuic~o , t rocas e consumo.
socieda~e n~ qual as relações económicas emanam da pro-
O r eforç o do carácter social de a propriação dos meios
priedade de todo o povo, .são também portadores do inte-
de produção signifi c a o aperfeiçoamento do cen t ro econó-
-72- 10- 1 - 73-
mico ~ni co e o crescim~nto do s eu papel c omo s uj ei to de apropriação dos meios e res ul t a d o s de produç ã o, a
e conómico d a sociedade . Ess a nec essi dad e aumenta à med i- soci e dade socialista reforc a o papel do centro ec onóm i-
d11 que s e a larga a cs c11l a dEI p r odução s oci.al e as rela- c o ~nico. Hoje em dia, tal necessidade s ent e-se com e ~pe-
ç ões económicas se tornam mais complexas. ci al acuidade na esfera das r elaç ões de distribuição .
Ne sirn s c o ndições, é mais difíci.l conseguir o ne ces- O aperfeiçoamento desta tem po r objt>ctivo f azer e.l a
11~ri o equi I Íhri o no des envol vi mt- n t o da econom ia e da quant idad e e qualidade real do trabalho ga e to o pri nc i-
lnd~s tr ia al ~m de que qualquer desequil(brio comporta . pa l critério de di stribuição .
c onsiderá veis perdas para a s oc iedade. . O aperf e i çoamen to do papel económico do Estado ,
A necessidade de reforçar o papel do c e ntralismo para 1
1 que acentua o carácter social na apro pri ação dos meios
garantir o ca rá c ter soci11l de apropriação dos m~ios e de produção, realiza-se nio só atrav~s da consoliduçáo
resultados de produção é uma tarefa suscitada pelo apro- 1 do centro económico Ünico que constitui uma pHrt e do
funda mento do carácter soclal da produção. Daí q ue esta 1 p róprio si stema das relações de produção soc ial i s ttts,
n e r. e Rsidade se mantenha em todas as etapas da fonnação ;j mas também mediante o aperfeiçoamento d o control o e da
s~ciocconómica comunista , incluind o a sua fa~e superior~ f legalização da actividade económica. Assim, no1:1 Ültimos
nao podendo ser desprezada mesmo que tenha stdo consegut- 1 anos, foram aprovadas leis que dizem respiet o a esfe ras
d11 R máxima homo geneidade social e deixado de existir que outrora não eram regul adas j u ridl cumen t e (por
certos interesses económicos específ icos no seio dos par- exemplo , a protecção do meio umbit-n tc, etc .).
ti ci.pántcs da produção social, ex c eptuando os interess es O cre scimento da a ctiv idad e soc ioec onómica d~ todos
de todo o povo. Por [A RO , a elevnçào do papel do centro os membros da sociedade eu partlciµ a çà o cada vez maior
económico Ünico da sociedade constitui uma direc ção do dos trabalhadores na direcção da economit1 con s t.itut;•fll
desenvolvimento da propriedad e de todo o povo sobre os um outro aspecto que caracteriza o proc ~sso de co ns o lida-
meios de produçio , própria de todo o modo comunista d e ção do carácter social de apropriação Ju s me ios de pro-
produção. dução.
Esse processo não é idêntico à c rPsce nte acumulação das A propriedade de t odo o povo sobre os me l oH de produção
funções do centro económico único, maR muito mais compli- é um poderoso factor que contribui para a formação duma
cado . Além de cumprir novas func~es, o centro económico atitud e consciente e honesta em rt-laçào ao traba lho de
único pode l ibertar-se das velhas, entr egando-as a outros todos os membros d a sociedade. O c arác ter unlv e raal do
sec tores , inferiores na hierarqui~ da produçã o social. traba lho e o interesse J e t odos os membros da sociedade
Nesse s e ntido, ultlmamente, tem-se post o a tónica po r uma maior produtividade são inerente s à propriedade
no aperfiçoamento do trabalho do GOSPLAN da URSS (Comitê de todo o povo. Contudo , nio existe uma relação funcional
Estatal de Planeamento), dos ministérios e instituições. directa entre a pr opriedade de todo o povo e a nova
A consolidação do centralismo como um dos factores que atitude para com o trabalho.
concorrem para o carácter social de apropriação dos meios O fa c to de, no socialismo, todos os mcmbroa da •ocie-
de produção no socialismo está condicionada pelo facto de, dade serem donos dos meios de produçio, iguais em
neste período. o trabalho ainda não se poder transformar direi tos, não exclui casos de trans gresaão da disciplina
numa necessidade vital premente. Nele ainda se mantém con- laboral, esbanjamento e outros fenómenos ~ntl-sociai~.
sideráveis contrastes de natureza socioeconómica. e o Todas as manifestac~es de tra ba lho irres ponsivel , de tra-
nível da produção social é tal que a sociedade não pode balho pouco produtivo, testemunham q ue a• vantagens da
satisfazer em plena medida as necessidades razoáveis de propriedade de todo o povo não são utili~~d.a plenamente
todos os seus membros. Isso é comprovado pela existência , pela sociedade.
no seio dos membros da sociedade e dos colectivos labo- ~~ Na etapa actual do desenvolvime nto, a consolidação da
raia de interesses económicos específicas que podem ~•l actividode laboral constitui uma d1u1 fort11.as c1e reforçAr
entrar em contradição com o interess e público. Consequen- · o carácter soci nl da propriedade aocialiata o r evelam
temente, para assep;urar o caráct e r ve rd ~deíramente social mais plenamente as suaa vantagens.
- 74- 1 0-2
-75-
Com a realização da pr opried a de de t odo o povo, eleva-
exp er iência hi s tórica conhec en1m di.versas forma s de parti -
ae a efici ê ncia da produção social sem ser necessá rio
cioação dos t r abalhado re s na gestão <la produção, formas
mobilizar recursos materiais, f i nanceiros e labora is
es~as que se desenvolvem e e nriquec em cons tantemente.
adi c ionais. Além disso , o incremento da actividad e
Nas c ondiçõe s do s ociali smo maduro a brem- se g randes
labo ral permite gastar mai s parcimon i os amente o s r ecurs os
pers pec tivas para uma maior parti c i pação dos trabalhado-
de que dispõe a sociedade , acelerando c onsi de ravelmente
r es na gestão da prod ução . Em primeiro lugar, is so é
a sua repos ição. condicionado pelo a l a rgamen t o da esf era d e a cção da lei
Con sol i dar o c arácte r s oc i al de a prop ria ç ão s i gnif i c a ec onómi c a f undamen ta l do soc iali smo que se reve l a na
nio só i nc r emen t a r a ac tivi dad e l aboral d e todos os r ea l ização ma is p lena do obj e c tiv o s upr emo da pr odução
memb r os da s ocieda de , mas t ambém r eforçar a s ua pa rtici- socia l .
pação cada vez ma i o r na di recçã o da e conomia , o u s e j a , fo- A s ocie da d e soc ialis ta a vançada destin a c a da v ez
men tar a a c t ividad e s oc ioeconómica dos t raba lh adores em
mai s verbas pa ra o de s envolvime nto harmon i os o d e todos
todos os aspectos . Po r ma i s per fei t o que seja o pa pe l
os se us membros. Di s so depende , an tes de mais , a poss i bi-
do cen tro económic o ún ico ( no sociali smo, cumprido pe l o lidade d e est es par t iciparem na gestã o da p r odução e
Estado ) na material i zação das relaçõe s da propriedad e da socied ade e m geral . A dia léctica des s e p r oce sso é tal
de todo o povo, a eficiênci a de todos os proc es s os econó- que o s r e cursos económicos da sociedade , que se apresen -
mico~ no s ocialis mo depende consideravelmente do modo como tam como c ausa primeira do desenvolvimento harmonioso
os membros da sociedade participam na gestio de produçio. dos membros da sociedade na e tapa do soc i alismo a vançado,
A materialização das r e l aç5es de pro priedade de t odo o são, simu l tane ame n te , o efei t o de sse me smo desenvolvi -
povo t orna- se possível s e a actividade do Estado como mento . Por iss o , a soc iedade s ocialista mad ura não só
centro socioeconómico único se combina com a partici pação cria ma i ores possibilidades de participação dos trabalha-
dos trabalhadores na ges t ão da produção . do res n a gestã o da produção, t omo também impõe c ada vez
A direc ção da economia soc ial i sta é assegurada nã o só mais a sua nec e ss idade.
pelos Órgãos estatais que no seu conjunto constit uem o ~ natura l que, hoje em dia, as formas c o nhecidas de
centro económico único do país, mas também po r uma rede participação na gestão da produção não s ó s e aperfeiçoam
ramificada das organizações soc iais de massas, pelos pró- como também ad q ui rem um novo conteúdo . Com base no rápido
prios trabalhadores e col ectivos laborais. A participação cresc i mento da s forças produtivas e da socia l ização da
dos trabalhadores na gestão da produção social constitui produção, surge a necessidade de novas formas de parti -
um atributo necessário da propriedade de todo o povo. cipação dos trabalhadores na gestão da produção . Isto
Ela realiza- se na economia atravis de um organismo eco- exigem tan1bém o s pr.oces sos em curso na nossa economia,
nómico uno que ab r ange toda a produção social. No entanto , tais como a intensa formação d e associações de produçio
o mé todo de direcção da economia~ escala do país partin- e a transfo rmação destes em elemento fundamental da eco-
do apenas do centro soc i oeconómico uno é insuficiente nomia, o s urgimento de complexos territoriai s de produção ,
para caracterizar a propr iedade de todo o povo. Cada t ra- sec t o riai s ou inter.sectoriais, a ~onvérsação dos sectores
b alhador deve realizar- se come proprietário mediante a da economia do país num complexo IIL3croeconómico ·.único.
sua participaçio na gest i o econõmic~ do país. Isto apenas A eficiência das formas de participação dos trabalha-
se t orna possível q uando os membros da sociedade duma ou dores depende sobretudo do aperfeiçoamento do mecanismo
doutra fo rma participam na gestão da produção. Deste modo , da economia. Com a adopção de critérios ·c1e avaliação da
o princípio do central i smo democrático transforma-se num act i v ida<le dos diversos sectores da produção social se-
pri ncípio d~cisivo da gestão económica socialista. A gundo os resultados económicos finais e a elaboraçã o
part i c ipação dos trabal hadores na gestão de ~redução , bem dos indicadores necessi~i os em todos os níveis da
como o seu empenho laboral são importantes i ndicador es economia, melhora rj o mecanismo da economia. Seme lhante
do n ível de i~p!ant3Ç~o dA propriedade de todo o povo. avaliação do trabalho estimula o interesse dos trabalha-
A URSS e o,:tros países socialistas, ao longo da sua fur es pela reali zacio de todo o processo de prod uçio
- 76- - 77 -
social. ~~terializar esse interesse sem atra ir ostra-
balhadores para a g estão da produção é impossível. nalar a cont r adição entre a social iza ç ão directa da
A própria essincia da propriedade de todo o povo en - produção soc i alista e o rela t ivo i s olamento e c onómico
das empresas .
cerra contra dição que c o nsiste em que,po r um lado , a
apropriação dos r e sulta dos e condições da produção social O isola mento económico está sempre li gado à exi s tên-
é realizada pe la sociedad e através de um centro económico cia de intere s ses económicos es pe c íficos nos diversos
único, por outro lado, s emelhante apropria ção é realizada s ectores da economia. Contudo , a existência de interesses
por cada membro da soc iedade como do no dos meios de pro- económicos específicos d e uma dada empresa ainda não
dução. Em todas as etapas do de senvolvimento da formação s igni fica por si só o seu is olamento e conómico. Para o
1 isolamento económico da empresa é es senci a l que tal in-
socioeconómica comunista a propriedade de todo o povo
existe apenas na unidade desses dois contrários que se ' t eresse possa exercer influência positiva ou negativa
s o bre a marcha da produção. Nas condições da produção
excluem e , ao mes mo tempo, se condicionam mutuamente.
O processo de solução dessa contradição de modo algum
I altamente automatizada e profundamente especiali zada a
s ignifica a sua e liminação ou a liquidação de uma das
1 dependência entre a marc ha do processo de produção social
componentes da unidade interna. O de sapare cimento de um e as aspirações subj ec tiva s das empresas é mínima. Se o
dos polos da propriedade de t oda o povo provocaria tam- nível técnico e geral da produção for ba ixo, essa depen-
bém o des aparecimento da própria propriedade de todo o dência cresc e ve rtic a lmente . Neste último caso , o i nte-
povo. Rea lme nte, se duran t e o proces so d e apropriação r es s e económico espec ífico po ssui a bas e objectiva para
das condições e resultados da produção não for realizada a s ua r ealização . Consequentemen te, o inter esse econó-
a função do c en tro económico únic o, a propriedade de mico espec íf ico de uma emp r esa trans f orma-se de po s sibi-
todo o povo t r ansformar-se-á no seu contrário, ou seja, lidade abstracta em forma realme nt e exi stente, o qu e
na propriedad e dos representante s da sociedade ou dos pressupõe a existência de uma tal base material que per-
seus colectivos. Nes se caso, ela tornar- se- ia uma varie- mit e à empresa demonstrar a sua "independência" na con-
dade da propriedade privada.
Se durante o processo de a c tividade económica não
1 cre tização da actividade económica. Precisamente tal
possibilidade de realização assim como a própria r ealiza-
ae realizar o outro aspecto do carácter social da pro- ção do interess e económico de uma empresa significam o
seu isolamento económico.
priedade , esta Última será para os membros da soc iedad e
uma espéc ie de forca alheia que fará desaparecer as rela- Devido a causas objectivas, que se prendem com a
ções de colectivismo directo. Portanto, durante a acti- ma nutenção de um determinado isolamento económico das
vidade económica em regime socialista devem ser realiza- empresas s ocialistas, a con tradi ção ent re a existênc ia
dos os dois aspectos da apropriação social dos meios e de t al isolame nto e a socialização directa é um factor
resultados da produção. objectivo que não resulta da política económica.
A contradição interna, inerente à propriedade socialie- Nas condições do socialismo maduro ocorrem mudanças
ta de todo o povo. possui várias formas de manifestação ,
substanciais na forma de realizacão da propriedade de
mesmo no interior do mecanismo da economia. ·Existem f o r- todo o povo sobre os meios de produçãb; a política eco-
mas próprias de todas as etapas do desenvolvimento do nómica visa ·satisfazer as necessidade s materiais e espi-
modo de produção comunista em ge ral, entre elas podemos rituais do povo, acelerar a elevação do bem-estar d o
destacar o princípio do centralismo democrátic o - um país . Essa viragem é um traço característico da crescen-
te maturidade da propriedade de todo o povo.
princípio universal da gestão da produção comunista.
Além disso. exis tem formas de manifestação da contra- A realização da política do Partido, que significará
dição da propriedade de todo o povo que caracterizam o· a elevação substancial do bem-estar do povo, bas eia - se
no programa socioeconómico elaborado pelo PCUS.
etapa socialista de evolução social e r~velam a não
realização plena da propriedade de todo o povo nesse Para resumir, determinemos as principais direcções do
pe ríodo . Entre as contradições desse género podemos assi- ap erfeiçoamento das relações d e propriedade de todo o
povo em regime socialista.
- 78-
-79-
Em primeiro lugar, esse pr ocess o pressupõe o fo r tale-
cimento do c e ntralismo na s es feras da produção, distri- sibilidades de progresso soc ioc ul t ural e participação
na ges tão .
buição , t r ocas e c ons umo. Cresce o papel económico do
Estado socialis ta e, a o mesmo tempo, a umentam os direi t os Todas as direcções as s inaladas de real i zação mais
e a responsabilidade dos colectivos l aborais . ~ preciso plena da pr o prie dade de todo o povo e que significam o
aperfeiçoar a planificação, a estru tura da economia, aumento ào 2:rau da sua maturidade marlifes tam-se no cres-
erradicando o apego aos interesses locais e departamen- cimento do papel econômi c o e social da propriedad e de
1
tais, subordinar a produção social ao seu objectivo su- 1 t odo o povo. O aumento da ruatJrídade du propri~dadc de
premo, tornar a uni dad e de todos os grupos de interesses todo o povo não esgoca o processo d e crc:sc i o1f•t1 to do seu
económicos mais coesa e, simultaneamente, mai s adequada papel e conónúco e social que se revela também nas 1:1e-
aos interesses superiores do país. '
1 guint es fo-rmas.
Em segundo lugar, durante o processo de f or talecimento 1 1. Au~enta o peso da proprieda d e estatal nos princi-
da actividade socioeconómica d e todos os membros da pais indic adores concretos da producio social. Os fundos
sociedade a propriedade de todo o povo realiza-se cada 1 fixos de producio são renovados numa nova base tecnoló-
vez mais plenamente. Essa activid ade sign i fica tanto o gica. Esses processos sio evidentes , embora sejam acompa-
fome nto da dina mização l a boral, como uma maior part ic i- 1 nhados, simultaneamente do crescimento absoluto dos
pação "de todos os trabalhadores na gestão da produção objecto8 de propriedade colectiva e do aperf~içoarnento téc-
.social. nico dos meios de producão.
Em terceiro lugar , com base no fortalecimento doca- 2. Prossegué o processo de intensa aproximac ã o entre
rácter social da produção que se concretiz a no aprofunda- as pr op riedades c olectiva e de todo o povo. Como conse-
mento da divisão social do trabalho e da especia liz ação, quência, apagam-se as diferenças entre essas duas form~s
de: propriedade.
no ulterior desenvolvimento da cooperação económica, de-
corre o processo de superação gradual do isolamento eco- 3. Cresc e o papel e
t odo o povo no a i mportância da propriedade de
n6mico relativo das empresas socialistas. Em suma, o r es . aumenco do cons umo pessoal do9 trabal li ado-
desenvolvimento das relações de propriedade nessa direcção
es t á ligado, antes de mais, à socialização técnico-econó- 4. Cres ce o papel social da propriedad e de todo o povn
mica de produção. Todos os factore s de activação deste o que se reflecte no crescimento numirico da cJa9s,~ op ~-
~ltimo processo são, ao mesmo tempo, fac to res de progre ~- r ári a . Aumen ta o papel desta c omo força motriz da
so da pr opriedade de todo o povo . construç ão do comunismo .
Em qpa rto lugar, · a realização e f ectiva da propriedade
de todo o povo manifesta- se também no fact o de a i gual-
dade ( e xpressa por ela) de todos os membros da sociedade
se reflectir n a criação de iguais possibilidades de des en- V. I. Lénine, Obras Completa s, vol. 33, p. 98,
volvi mento harmonioso para todo s os trabalhadores, Os 2
membros da sociedade, sendo donos dos meios de produção K.Marx e F . Engels. Obros . vol . 24, pp . 43-44 .
e iguai s em direitos, não têm possibilidades iguais de 3
Ibid., vol. 2, p. 538.
utilizar esses meios na prática o q ue se revela tanto
no trabalho, como no consumo e condições da vida. Des se
modo, a igualdade dos trabalhadores como proprietários
a inda não encontrou formas adequadas de sua expressão.
As mudanças no si s tema de divisão social do trabalho
favorecem considerave lment e a redução da desigualdade
en tre os membros d~ sociedade no que diz respe ito ao
ní vel do consumo, conte~do e condições do trabalho , pos -
11-1
- 80-
~ ·

Com o aparecimento e desenvolvimento das relações


O CARÁCTER DAS CONTRADICÕES DA ECONOM1A de produção s ocialistas aparecem as respect i vas contra-
SOCIALISTA E AS VIAS DE SUA SOLUÇÃO dições, de carácter não antagón ico . O que Lénine acen -
t uou: "O antagoni smo e a cont radição não são a mesma
coisa. O primeiro desaparecerá e a s egunda continuará a
Vsevolod KVLIKOV, existir no socialismo"4 .
douto r em Ciências A tese da existência de contradições no socialismo
Económicas possui uma importância enorme, fundamental, Durante
mui to tempo, o sentido profundo desta ideia de Lénine
não foi devidamente revelado. Difundiram- se substancial-
Actualízar o sistema de gestão planificada da produ- mente ideias de que, com a passagem ao socialismo , s e
ção social · e todo o mecanismo da economia, pô-los em c or- modifica radicalmente a fonte de movimento própr io: além
respondência com os requisitos da etapa actual de des en- das c ontradições, ou até mesmo em vez destas , é a " unida-
volvimento do socialismo é um dos principais v ectores dÔ ·- de" que se tornaria tal fonte . E se é que as cont r adições
aperfei çoamento do regime socialista. Esta importantís-· no socialismo atrai"ram a a t enção dos invest i gadores, estes,
sima tarefa pressupõe que o mecanismo da economia deva via de regra, deram mais atenção não às contradições
utilizar de modo sistemático e planificado aquelas for- imanentes do novo regime social - muitas vezes, elas ·nem
mas de ~anifestação das leis objec tivas do socialismo sequer eram mencionadas, ou então eram negadas - mas sim
que asseguram o movimento e a solução das contradições às contradições q ue podemos, convenc i onalmen te, chamar
que a economia socialista ainda encerra. O insuficiente "negativas ". Isto é, as contradições entre as necess ida-
c onhecimento das contradições económicas próprias do des amadur ecidas objectivamente e a• prát ica económica, a~
socialismo é um dos maiores obstáculos na elaboração contradições relacionadas com as sobrevivências e rei n-
científica das principais direcções de aperfe içoamento cidências do passado, com as anomalias, di ficuldades,
do mecanismo da economia da sociedade soviética . f enómenos negativos da vida económica da sociedade so-
c ialista.
* * * Essas c ontradições existiram e lamentavelmente con-
t inuam a existir na nossa economia. Mas elas não podem
A questão das contradições diz respeito à própria s er consideradas como fonte, na v erdadeira acepção 4a
essência do método dialéctico ãe cognição da Natureza e palavra , d e progresso da sociedade soc ialista. A prática
da sociedade . "A coexistência de dois contrários, a s ua eco nómica que não corresponde aos requisitos apresenta~
lut8 e a sua fusão numa nova categoria - sublinhou dos pelas leis económicas do socialismo pode dar origem
Mar;< - constituem o movimento d i aléctico" 1. O conheci- a situações em que essas leis começam a actuar "da
du escrito de Lénine Sob~e o PT'oblema da Dialéctioa mesma forma como as fo rças da Natureza: de um modo cego,
começa pelas seguintes palavras: "A divi são do todo violento, dest:rut:ívo"S (F.Engels), o que provoca e.spasmos
uno e o conhecimento das suas partes contraditórias . . . no processo norma l de reprodução e consideráveis per-das
é a essência (uma das "essênciasn, uma das particulari- materiais e morais . Para iesolver e ss as contradições
dades, ou traços, principais, para não dizer a princi- é preciso superar os fenómenos negativos, por. exemplo,
pal) da dialéctica"2. Lénine, ao partir de que apenas e rradicar as deficiências exis tentes na prática económica
esta atitude permite revelar o "movimento próprio " de com base num conhecimentc .mais profundo das leis económi-
todas as formas de ser, escreveu: "A condição da cognicão cas e na assimilação eficiente dos mecanismos de a cção d
de todos os processos do mundo real no seu '' movimento destas, sem desrespeitar os princípios socialistas na
próprio", no. seu desenvolvimento espontilneo, na sua esf era da produção e rep artição.
vida r ea'l , é a cognição dos mesmos como unidade dos O postulado da "unidade" corno fo;ça motr"i-z do d esen-
contrários. O desenvolvimento é a "luta dos contrários"3 . volvimento da nóssa sociedade e a redução, no soc ialisrao
11-2
- 83-
-82-
de todas as contcadiçÕes exclusivamente ac seu tipo A sLbestimacão do papel das contr2dições na sua uni-
"negativo" estão estreitamente ligados entre si. Se dad~ tem .: sua ra zão de ser , pelo que os investigadores
tai redução reflecte a realidade ol;jectiva é lógico se sentem dum.: cu dou tra forma inclinados para absolt..ti -
afirmarmos qÜe a fonte de desenvolvimen~o nãc é a con- zá-la. Uma destas razões f0i descci:erta poc Harx e dizia
tradição mas outra c oisa qualquer. respeito ao sistema económico da sociedade burguesa, an-
Estas concepções, além de não orientarem para a tagónica por natureza . O momento real de posicionamento
-revelação das contradições im~nentes do socialismo, mútuo, o deslocamento em dois s~ntidos dos dois aspectos
constituíram uma séria barreira de ordem metodológica de uma dada relação de produção , de um para o outro,
neste caminho. Embora nos Últimos anos tenha sido criam a ilusão de que não exis tem diferenças de maior nem
pcestada mais atenção ao estudo das contradiçõ es imanentef; contradição nestes aspectos, gerando a impressão de que
ela produção socialista, ainda temos muito a fazer pela há identidade. Marx, ao acentuar esta circunstância,
frente. A universalidade absoluta da principal lei da escreveu: "Quando a relação económi c a - e, portanto, as
dialéctica significa que não existe nenhllma relação de categ:,rias que a exprimem - contém c ontrários, é uma
produção que não contenha cont-radições. A tarefa do contradição e é exactamente a unidade dos contrários, ele
investigador é detectá-las nas formas de movimento que (trata-se de James Hill - N.A.) assinala a unidade dos
ll1es sio próprias. contrários e nega os contrários. Converte a unidade dos
As contr.adicões imanentes do socialismo são a fonte e contririos em imediata identidade destes ccntrár.í.0s 11 6.
a forca motriz reais e o estímulo para o progresso da Nos sistemas sociais não antagónicos existem ainda
produção social. A compreensão dest e facto orienta para outras razões, mais pro.f:undas, par.a tal absolutização
as buscas das potencialidades construtivas encerrodas da unidsde. Prim::iro, a "polarização" dos contrários· não
nas con tradições específicas do socialismo, para a tem um carácter agressivo, nitidame"lte e:-:pressc e nem
descoberta das formas concretas ele movimente e resolução sempre aumenta. Segundo, os c ontrários aqui não só
destas contradições à luz das partic ularidades da etapa p1:essupõem um e outro nem simplesmente mudem de po siç~o
presente. entre si. As contradições imanentes do socialismo têm uma
~ essencial ter presente também que se as contradições mesma orientaçã:, e a sua unidade não enfraquece mas
não antagónicas imanentes do socialismo nã0 forem estuda- aumente. Não é m~:nos importante também o seguinte: as
das nem levadas em linha de conta na pritica económica, classes em presença não são contrários nntagônic:,s. Isto
podem provocar. fenómenos desag'!:'acláveis e conflitos sérios , leva o investigador. a conclui·r ainda que involuntariamen-
tomando a forma de contradiçõ es de tipo "negativo" que te, que os asfectos contrários se fundem gradualmente em
condu~em a r upt~ras no processo de reproduçãc. algo atsolutamente idêr-tico, qua a ur.idade "se liberta"
Pôr. a tónica na detecção da contradição contida err do carácter contraditório. Na verdade, o aumento deste
cada relação de produção e em cada lei económica, revelar aspec~o - o da unidade - dos contrários num si stema não
cada contradição não em si mesui.a mas como agente activo, antagónico -é uni proces so infinito e U$O leva à sua ft;são
como fonte de desenvolvimento e de inter-relação dos total à formação de uma "identidade" . ·.'
processos económicos sio os critirios essenciais que deve- Dizer que a u~iclade é uma fonte indepe~dente de des~n-
rão nortear a ciência económica na abo·rdagem das contradi- volvimanto equiv~le a afirmar que ela se divorcia da
ções cio socialismo. Aqui está a condição indispe:isável contradição, a encari-las como ~a t egorias ;, a~tononw. e
do reforco da ligação entre· a teoria· e a ·-prática económi- paralelamente posici onadas". Entretanto; a unidade, além
ca. g isto o que foi acentuado pelo s Plenários do CC do de incluir i nevitavelmente uma contradiçã o , só se realiza
PCUS em Junho de 1983 e em Abril de 1985. através da interaccão e luta dos contrários. No socialis-
mo, não há outras vias para conseguir a unidade a não
* * * ser a interecção dos contrários. Sabe- se, por exemplo,
que os interesses da sociedade em geral, dos colectivos
l aborais e de c ada trabalhador são os mesmos . A especifi -
-84- ~ 85-
cidade da unidade dos i nteresses é traduzida pela sua
orientação comum e pela ausência d e antagon ismos, o que forma que resolve as contradi ções internas da me rcadoria,
é extremamente importante e faz com que a unidade dos mantend o-as e resolvendo-as. Has para r e solver estas
interesses referidos se realize, c ada vez, mais, .atra- contradições, no sentido de eliminá- las, ê preciso supe-
vés da sua inter-relação, através da realização de cada r ar a forma mercantil da produção e, por consegu inte,
um deles como elemento re l ativamente particular no eliminar as condições que a geram. ·
processo desta inter-relação. A absolutização de quais - Da mesma forma, o monopólio e o capitalismo monopolista
quer um destes interesses em detrimento dos outros . de Estado são formas de movimento e de solução da princi -
quebra a sua unidade. Só é possível subordinar a produção pal contra'tlição do capitalismo, em que este se mantém e
ao interesse social se se satisfaz o interesse colectivo agrava. Mas para el iminar esta contradição é preciso
e individual. Mas é também justo o inverso : a realização liquidar o próprio modo capitalista de produção.
dos interesses colect ivo e individual só contribui Apesar de todas as diferenças substanciais entre os
para o fortalecimento da unidade dos interesses se tem 1
a mesma orientação do interesse social. 1 •hâ umatipos
dois de solução das contradições, entre eles não
fronteira nitidamente delimitada . A resolução
Não existe a unidade fora da inter-relação dos
aspectos diversos e opos tos, não existindo portanto
( da principal contradição do capitalismo na passagem do
l capitalismo para o socialismo, no quadro de determinado
a "unidade não contraditória" do.ponto de vista díalécti- lapso de tempo histórico, deve ser considerada do segundo
co. ~ exactamente por força disto que parece infundada tipo. Mas na história da sociedade humana em geral, esta
a própria maneira de colocar a questão alternat i va: é a passagem não é senão achar uma forma d e movimento desta
"unidade" ou a "contradição" que serve de fon te de desen- contradição entre as forças produtivas· e as relações de
volvimento? No socialismo, esta fonte é a interacção produção em face da nova condição das primeir as:· ·
dos aspectos opostos, que conduz à consolidação da sua Por outro lado, o prime iro tipo de solução das contr~-
unidade orgânica. dições inclui, como c omponente obrigatória, a eliminação
Para compreendermos que é precisamente a contradição de alguns e lementos e o aparecimento de outros. Exemplo:
é fonte de desenvolvimento, é muito importante o conheci- o desenvolvimento das formas do valor pre ssupõe a sua
mento da essência da solução desta contradição . Pel os substituição consecutiva .
vistos, vale a pena distinguir entre dois tipos básicos A solução das contradições através da busca das formas
de solução da· contradição. O primeiro realiza-se através de . seu movimento significa a sua reprodução, uma reprodu-
da criação d e novas formas de expressão da contradição ção não propriamente idêntica ao seu estado primi tivo
interna, de formas do seu movimento no processo do qual mas duma forma um tanto modificada, a lt erada . Não descu-
se conservam e se desenvolvem os contrários. O out ro r ar esta circunstâ ncia é muito importante para compreender
verifica-se através da eliminação da refer ida cont radição, as contradições c omo fonte interna de desenvolvimento.
o que pressupõe o desaparecimento do próprio fenómeno a As alterações das forças produtivas, por exemplo, condi-
que é imanente ~al contradição. Marx carac terizou assim cionam outras tantas no modo social d~ seu func ionamento
o primei ro destes dois tipos de resolução das contradições: isto é, nas re lações de produção, o que, por sua vez,
" •• . a troca de me r cadorias encerra elementos contraditó- abre novas possibilidades de desenvolvimento das forças
rios que se excluem mutuamente. A evolução das mercado- produtivas. Cada um dos aspectos opostos influi sobre o
rias não faz cessar essas contradições, mas gera a forma outro, a ssegurando assim o progresso social em geral.
de movimento delas. Este é, afinal . de contas, o método As alterações então ocorridas envolv~m todas as
de solucionar contradições reais. t uma contradição , por "eamadas" do sistema . de relações de produção, e não só
exemp lo , um corpo ser continuamente atraído e repelido as formas económicas concretas da gestão que representam'
por outro. A elipse é uma das formas de movimento em o conteúdo, do conC'eito de "mecanismo da economia". Por
que essa contradição se dá e se resolve ao mesmo tempo"7 um lado, o aperfeiçoamento deste mecanismo reflecte al-
O valor de troca e o .dinheiro são precisamente aquela t erações que s e impuseram nos ''escalões" mais profundos
do sistema de relações de produção, servindo, por ou tro
-86-
-87-
centralismo ou liquidá-l o por c ompleto , reforçando em
lado, de instrumento obrigatório de realização destas con trapartid a a autonomia económi ca da s e~presas.
Ambas as conc lusões não são mai s do que exemplos do
alterações.
Aqui encontra-se mais um aspecto ·da relação entre o sen s o comum , e possuem uma mesma bas e me todológica :
problema da rei:rodução das contraciç.Ões (sob uma forma recusa a "unii: contrários" . Em v e z de ten ta tivas de en-
modific ada, como já assinalámos) e as questões de aper- contrar tais forma s de combinação do centralismo com a
feiçoamento do mecanismo da economia. Nas obras de econo- autonomia económica que não permitam aos níveis inferio-
mia política é lugar comum pensar- se que o momento de res ignorar as instruções vindas de cima e aos níveis
estabilidade, de identidade deste mecan i smo .com s i próprio supei:iores , abafar a iniciativa empresarial, propõe-
está condicionado pela n atureza das leis económicas do se uma deci s ão voluntarista, sem base cient ífica, não
socialis mo enquanto todas a s alteraçõ es decorrem das conducente ao resul t ado desejado: elevar a eficiência
condições económicas conci:etas nesta ou naquela etapa económica a todos os níveis funcionais do nosso organis-
de desenvolvimento da s ociedad e socia li st a . }las na verd a- mo económico. Ninguém conseguiu ainda el iminai: um dos
de o facto de as leis económicas e as respectivas contra- aspectos, conceitos opostos de uma contradição se está na
dições i manentes serem r epi:oduzida s de forma modificada na própria essência do objecto . Mais: se não foi encontra-
detennina, objectivamente, não só os elementos estáveis da a forma adequada de união dos conti:ários estes podem
no mecanismo da economia mas também o que é essencial na entrar em agudo conflito, " .. . pois estes concei t os opos-
tos - assinalou Lénine - podem s e r unidos de maneira a
evolução deste . obter uma c acofonia ou de maneira a obter urna sinfonia 1 •9.
A absolutização do s~gundo tipo de so lução das
contradições - eliminando a s ~ltimas - é uma das fontes Esta citação diz respei t o directa mente às contradi-
metodológicas que assistem às opiniões s obre a possibi- ções surgidas na repartição pelo trabalho. Mas este po.st;;u-
lidade de s ubstitui ção da contradição (como fo-rca motriz l ado também t em importância metodológica na aná li se d~
do des envolvimento das relações de produção ·socialistas) todas as contradições próprias do soc ial ismo. Ele dá- 006
pela própria unidade . Aqui, contudo, pe rde-s e de vista a chave para compreendermos também que a harmon i a de in-
que o essencial e , ao mesmo tempo, o mais complexo é teresses inerente ao socialismo está longe de excluir as
assegurai: a união dos contrários na prática económica. contradições. Esta harmonia consegue-se sempre que encon-
Mas é exactamente para isto que nos orientam as obras tramos a forma de movimento da contradição não ant agónica .
de Lénine. "No entanto - escreveu-, estudamos um pouco o De acordo com a realidade objecti va , assegura-se a uni ão
marxismo, a prendemos como e quando se pode e se deve unir orgânica dos contrários, ou seja, a "sinfonia" de que
os contrários, e o que é importante: na nossa revolução, f alou Lénine . Mas a consecução da mesma dificulta, para-
há três ano s e meio, unimos os contrários praticamente doxalmente, a compreensão do facto de que as contradições
e em mu itas ocasiões"ª · internas, além de existirem obrigatoriamente , são fonte
A un i ão do s con trários desafia o "bom senso". Face a de desenvolvimento.
uma contradição, tende para procurar uma solução que . A dificuldade na compreensão do problema da "união dos
considera natural : elimina i: um dos a spectos opostos e , contrários" agrava-se ainda mais porque a contradição
por conse guinte, a ~rópria contradição. Na vida, por interna não pode ser resolvida de uma vez para sempre.
exemplo , não é difícil encontrar casos em que as empresas, Posto que nos seus diversos aspectos se ope ram modifica-
ao obterem a autonomia económica , não cumprem os planos ções p e rmanentes, a forma da s ua união deve modi fi car- se
ou praticam actos incompatíveis com os interesses de respectivamente. Não fosse assim, as con tradições não
todo o povo. Nesta situação, pai:ece lógica a seguinte poderiam ser a forca motri z do desenvo l vi mento dos
solução: r eforcar o centralismo diminuindo ou até eliminan- fenómenos.
do a autonomia d a empi:esa. O funcionamen to e desenvolvimento planificado do
Não menos raros são os casos quando o centralismo sistema econõmico do socialismo signifi ca que a a ctivida-
conduz à paralisação da iniciativa dos "níveis inferi.ores" de consc i ente e ci entificamente fundamentada dos homens
da economia . E a saída parece simples: enfraquece·r o 12-J. -89-
- 88-
organizados num colectivo laboral se t orna um meio
s ocialismo. Mas e sta não é senão uma das formas possíveis
específico de movimento e solução da contradição . Se
(mas não obriga tórias) de expressão externa das contradi-
s e emprega este meio, a i nf luência objectivada de t al
ç ões próprias da economia sociali s ta. As acções activas
col~ctivo sobre as a l terações num dos aspectos opostos
e bem obj ectivadas de todos os níveis do sistema de
fa z- se acompanhar, inevitavelmente, de actividade aná loga
direcção planificada n o senti do de erradicar as contradi-
para alterar o outro aspecto e encon trar f o rmas r espec-
ções relacionadas com tal falta de conco rdânc ia q ue se dá
tivas de e xpres são da unidade dos contrários em foco .
por vezes,são, o que é natural , necessár ias e consti tuem
A busca de stas f ormas deve , ao mesmo tempo, partir do
uma etapa obrigatória da realização da política económica
postulado len inis ta de que a coincidência t o tal "não
do Partido. Mas essas acções não passam de uma etapa no
aparece mesmo nos fenómenos elementares da Natureza11 10
processo cuja essência consiste em achar forma de mov imen-
O método de . solução planificada das contradições também
to das contradições internas imanentes que, d{ferentemente
não pode assegurar esta "coincidência total". A presença
das contradições "negativas", não se eliminam mas se re-
d e "elementos não coincidente s " ou de "coincidência produzem, em maior escala, numa nova base.
parcial" é uma situação perfeitamente natural que, com
a detecção oportuna de tais elementos, além de não pre- Parece poder concluir-se que as contradições "negativas"
acima referidas não se encontram na alçada da e c onomia .
j ud i car, faz parte do process o de resolução das contra- - po"iíticã 11por não serem imane ntes do socialismo. Mas tal
dições e é mais um incentivo a fazer emendas no aspecto
"snobismo científico seria nocivo tanto no plano teórico
"at r a·sado"
como prático. Na verdade, as contradições imanentes e
A situação é diferente se estas emendas não se fazem
oportuname nte. Nest e caso, os e lementos não coincidentes "negativas" estão estreitamente relacionadas. As primeiras,
ao determinarem a complexidade dos processos económi c os,
aumentam, como que artificialmente, o que c onduz a dese-
criam a pos s ibilidade real de serem cometidos ·e rros nas
quil íbrios mais ou menos graves na economia, a ruptura
decisões administrativas; e as segundas agudizam artific ial
no processo normal de reprodução, a perdas significati-
mente a polarização dos contrários i nternos, conferindo -
vas. E se não se tomam medidas enérgicas as contradições formas espontâneas e destrutivas de expressão externa à
não antagónicas podem conduzir a colisões sérias e
combinação destes . Atendendo exactamente àquelas circunstâg
transformar-se, durante um certo tempo, de fonte de
cias, uma das_ t._él._refas mais impor tantes da economia po líti-
desenvolvimento num freio da produção socialista.
ca do socialismo é detec tar as consequências negativas
Esta marcha dos acontec imentos não decorre da natureza
do funcionamento das c ontradições i mane n tes do socialismo
do método . de solução planificada das contradições. Pelo
as quais podem ser possívei s ou a té inevitáveis se as
contrário, este método oferece vantagens porque pode
f ormas de sua realização e ·solução a dequa das a determina-
evitar as formas espontâneas, por si mais destrutivas, da etapa não forem oportunamente encon tra das. Mas se
de expressão das contradições. As recessões , o desemprego
e ssas consequências já .s e f a zem sentir , a ecÕ~~mia polí-
ou a i nflação não são fenómenos próprios do socialismo. tica a o a nalisá-las d~ve estabelecer de q ue éontradição ·
Mas os elementos de não concordância podem hipertrofiar-se fn t e rna e l as são expressão. Esta é 'a condição sine qua
na economia socialista se durante o processo de planea- non de busca das vias ma is• eficazes de eliminacão das
mento forem cometidos sérios erros: não consideração da contradições "negativas". · ·
acção das leis económicas objectivas; conservação das
formas próprias de um determinado pérÍodo de desenvolvi- IID
mento mas inadequadas num outro · período; alterações feitas t-
Q)
* * ~

num dos aspectos sem as respectivas alterações do outro N


Muit os elementos do· mecani smô da· economia det e rminam:..s e
aspecto oposto, isto é, a falta de harmonia entre os em função dos prin~ip~is trac~i di· relação inicial e
dois aspectos· opostos. universal do sistema económico do socialismo: a f o rma
A não concordância flagrante entre diversos .elementos de . produção directamént~ social e ~lanificada. 2 eviden-
do AÍA~Pm.<1 figura entre as contradições existentes no
t e, portanto, que na anâl i se das v ias de aperfeicoamento
- 90- 12-2 -9 l-
no sector orientado para a ·sat isfação de determinada
~os métodos economLcos a r evelação das contradições ima- nec essidade s ocial; o sector à escala da economia, cujo
nentes desta dada forma se reveste de particular importân- fim é assegurar a mais plena satisfação do conjunto das
cia. Estas últimas, contudo, estão longe de c aracterizar necess idades sociais com os recursos disponíveis). O pri-
' codo o sistema de contradições económicas do soci alisrr.o mado dos i nteresses superiores da economia pressup6e,
mas a primeira e tapa deste trabalho de revelação teórica como se vi, a avaliação da actividade de c ada escalão da
relaciona-se, obrigatoriamente, com a investigação economia a partir de níveis mais elevados; pressupõe que
1 esta avaliação s e faça em função do grau alcançado de
das Amas s a s. de produção direc t amente social e plani ficada , 1
forma satisfação ·das n eces sidades concre tas dum consumi dor
1
qu~ con s titui a ~ais elementar relação económica doso- 1 concreto.
cialismo, possui uma estrutura interna complexa, com uma Todas a s variantes conheci das de avaliação da activi-
detennÍnada hierarquia de "estra tos" e de "nív eis". Um 1 dade de c ada escalão da economia que não l e v em em linha
deles diz r espeitb ao ·e sta do de socialização efectiva ; de conta o contributo deste último para a satisfação de
outro, i posição dos trabalhadores em função des te esta- 1 determinada necessidade ·social concreta estimulam a
do; o terceiro, ao modo específico de articulação da chamada "táctica dos recursos", que con siste no facto
e strutura da produção social ~om as necessidades sociais . 1 de que o adminis trador de uma e mpresa não se i n tere ssa
O nível de soci alização que constitui a base ma terial por intensificar a produção e fabricar artigos, dentro
da forma directamente social de produção, caracteriza-se, da s possibilidades oferecidas pelos r ecursos disponíveis
por um· lado, pela fusão dos processos de produção anti- c ujos parâmetros qualitativos e quantitativos correspon-
gamente dispersos , isolados, num único processo social dem plenamente à necessidade real, mas sim " j us tificar".
'de produção de que é prova estruturação da economia a necess idade de custos elevados por unidade de produção
como um todo uno expresso no complexo macroeconómico com o fim de obter recursos suplementares do Estado.
do país na etapa do socialismo desenvolvido. Por outro A "táctica dos recursos" é uma das razões por que se
lado , este nível relaciona-se com a manutençaÕ da locali- mantém ou agrava a falta de uma série de recursos, ape-
zação celativa dos processos técnicos e tecnológicos, sar do aumento permanente da produção dos mesmos.
de escala e ·orientações diversas . O primeiro exige a Esta táctica, incompatível com o princípio da dina-
gest30 centralizada da economia, o primado ~a abordagem mi zação e desenvolvimento intensivo, deve-se, em alguns
de a~ordo com os interesses superiores do país e o segun- casos, à prátic a corrente de f ormação de preços segundo
do impõe uma determinada autonomia de todos os sectores os cust os totais . Como se sabe, Marx provou, em polémica
com Smith, que o valor não é uma soma de elementos di-
de actividade.
O mecanismo da economia existente nem sempre consegue versos, antes se divide por estes. O v alor é criado
garantir a realização consequente do primado referido . como um todo uno , e não por todos os custos más apenas
Uma das suas principais deficiências consiste em que , ao pelos custos socialmente necessários .. Entretanto, a
se avaliarem as acti vidades de todos os nív eis da economia , adição simples dos gastos, ao se determinar o preço ,
des de o local de t rabal ho , estes ainda se consideram, l eva a que este Último perca o seu papel de normativo
em certa medida.como que isolados ou fechados em si mesmos . social , fazendo recair s~bre a sociedade os gastos
Ent Letan to , no contexto de um elevado nível de s ocializa- e l evados, não incentiva as empre·sas e os sectores diver- .
ção da produção ba seada na propri edade de t odo o povo cada sos a procurar as soluções t écnic as e tecnológicas mais
um dest es sectores não é senão um e l ement o de um sector efica zes .
mais a l to oa hie rarquia e, em última a ná lis e , de t oda A condi ção ind i spensável que permi t i u o êxi t o do s en-
a economia , · oaí que s e j a necessár io, por t anto, que em saios experi mentais r ealizados à esca la do pa í s c om o
cada caso conc r e to se v e r i fique qual foi o c ontributo do fim de aperf e i çoar o mecanis mo da e c onomia f o i a.. ob ediência
s e c tor infe rior para os resultados do trabalho do s ector firme à linha conducent e à elevação do p res tígio dos acor-
que es t á acima (um operá rio no contexto da s ua equipa de dos e c ontrat o s económi cos e aument o das sançõ es pela não
produçã o ; uma e quipa, na o fi cin a na empres a ; uma empres a,
- 93-
- 92-
obs e rvância dos mesmos . Outras condi ções foram a procura
de novas forma s de i nf luência do consumidor. s obre o produ- Os fundadores do ma rxis~o- leninismo sempre relaciona-
tor ( inclusive , o contr olo extradepartamenta l), além da r am a organização plani ficada com a direcção centraliza-
compatibilização dos critérios de avaliação da activ ida- da de toda a soci edade. "O socialismo é inconceb ível. .. -
de de todos os escalões da economia com o r e sultado final es c reveu Lénine - sem uma o r ganização estat al planificada
da a c tivida de económica. que submeta dezenas e dezenas de milhões de pessoas à
Para elevar o nível de organização planificada, mais r igorosa obs ervância de uma mesma norma única na
directamente social da produção, há que pôr a tónica na produção e na distribui ção dos produtos. Nós , os marxis -
incentivação da autonomia dos diversos sectores de acti- tas, sempre o afirmámos, e não vale a pena perder do i s ·
vidade, medida prevista na resolução do CC do PCUS e do segundos sequer a conversar com gen t e que não compreen-
Çonselho de Ministros da URSS "Das medidas suplementares deu · nem sequer isto ... "tt. Ao mesmo tempo, Marx, Eng els
para ·ampliar os direitos das uniões de empresas (empresas) e Lénine, além de nunca terem afirmado que a direcção
da indústria na planificação e actividade económica, e planificada e centralizada elimina ria a autonomia dos
aumentar a sua responsabilidade pelos r esultados do diversos seé tores da produção, insistiram inequivoca-
trabalho". A limitação artificial desta autonomia impede mente na conservação desta autonomia. Ao formular os
a atitude criat iva in loco , trava a iniciativa e capaci- fundamentos teóricos da organização da produção naciona-
dade de acção. _ lizada, Lénine escreveu~ '' ... O centralismo, na sua verda-
Nas obras de economia política, a autonomia economica deira acepção democrática, pressupõe, pela primeira ve z
de alguns sectores da economia socialista relaciona- se na História, a poss ibilidad~ de um desenvolvimento,
frequentemente com a conservação e utilização das rela- pleno e livre de obstácu los não só das particularidades
ções monetário-mercantis. e claro que esta relação exi s te, locais mas também da inic iativa local, com uma variedade
de vias, métodos e meios de movime nto rumo ao objectivo
mas além disso a autonomia económica pode ter outros comum"12.
fundame ntos, condensados no carácter contraditório
da p rópria s ocialização da produção. O aumento conside- Na literat ura, foi já expressa a opinião de que Marx
rável da socialização, que se r ef lecte na formação e Engels se tinham limitado, na análise da sociedade
do complexo mac r o económico do país, não elimina, como futura, ao exame da economia nacional em geral, sem t ocar
já referimos, o carácter relativamente local de processos no pape l dos diversos escalões inferiores da economia.
distintos, n em as diferenças de escala e orien tação . Entretanto, podemos encontrar os fundamentos metodológi-
Mai s: à medida que se verifica o aumento e a intens ifi ca- cos de tal análise, por exemplo, na obra de Engels
cão das . relaçõe s técnicas e tecnológicas entre os sectores, Da Autoridade , onde existe a seguinte conclusão cardinal :
esferas , regiões e unidades de produção, a dependência "A autoridade e a autonomia são coisas relativas,
dos resultados finais da actividade económica à escala cujos âmbitos variam nas diferentes fases do des envolvi-
nacional, da situação em cada·um dos es calões, longe de mento social •• • A organização social do futuro restringirá
diminuir, c resce bruscamente. a autoridade dentro dos limites em q~ as condições da
produção a tornam inevitável. . • "13. ·:
A multiplicação dos vípcul os económicos leva a que
os facto res de d esenvolvimento económico adquirem cada O problema inicial do aperfeiçoamento do sistema de
vez mais variedade e mobilidade. Já por força desta gestão da produção socialista c9nsiste exactamente em
cirunstância; é pura e simplesmente impossível levar to- que, em cada etapa concreta do desenvolvimento, é preciso
dos eles em linha de conta num único centro dirigente, encontrar uma medida concreta de cent ralismo e autonomia
o que é, ~liás, desnecessário. Para ass e gurar o des en- dos sectores de produção , b·em como, as formas de combina-
volvimento planificado da economia (relacionamento ção de ambas as coisas impostas objectivamente pela espe-
cificidade de determinada etapa.
a priori da produção social e do consumo socia l} ao
níve l mais elevado da estrutura hierárquica da gestão Depara~os por vezes com concepções s implistas sobre a
planif icada só. é prec iso determi na r os pa râmetros básicos autonomia dos diversos sectores da economia. Ne las . tudo
ou princ~pais~ -94-
-95-
se reduz, de fac t o, ã questão s obre o n~mero dos indica- ac t ual de socialização da produção consiste em qu e o
papel dos elementos que f ormam as estrutura s é des em-
dores que devem ser impostos ã empresa d e cima ou a o
chamado _"auto fina nciament o" . B c e rto que estes parâmetros penhado, cada vez mais, não pelas fábric a s (o u outras
possuem uma enorme imporcância ma s a autonomia n a a ctivi- unidades de produção) mas sim pelas uniões (gru pos)
dade económica é um fenómeno muito mais complexo . Ela de empresas , pe l os complexos intersecto riais e pelos
pressupõe, em particu l ar , a possibil i dade de esco lha de complexos terri t oriais de produção. Como s e comp reende-
variant e s de realização das orientações gerais de desen- não se trata do desaparecimento dos sector e s mas sim
duma t endência s egundo a qual este s vão pe r dendo o papel
vo l vimento estabelecidas pelo c en t ro ; a responsabilida-
de não só dos e scalões inferiores da economia p erante d e princ ip a l elemento e s trutura l na economia. Com a
os mais altos, mas também vice-versa; a participação de exist ência do princípio sectorial , básico na planificação
todos eles assim como dos c ol ectivos laborais na elabora- e direcção da economia , torna-se cada vez mais premente
ção dos p lanos de produção e na de ter minação dos pd.nc i- a necessidade, ditada pe la tendência acima ind icada , de
procur a de formas de dire c ção Óptima dos s ub-complexo s
pai s parâmetros do desenvolvimento . ~ óbvio, pois , que
a elaboração dos pla no s económicos não pode possuir uma que fa zem pa rte do c ompl exo mac r oeconómico . do pa ís.
só direcçéo - de cima para baíxo - mas deve obrigator ia- Sabe-se q ue a fo rma direc t amente socia l de produção,
a o transformar a sa ti s f ação das necessidades individuais
mente incl uir o movimento no sentido contrário. de assunto particu lar de cada indivíduo em causa comum
Nos quadros de uma economia que f unciona c omo um
da associ a ção dos produtores , assegura um determinado
todo uno exi stem c endências de formação d e estruturas
nível de consumo individual. Trata-s e , por um lado, de
estáveis , po r um lado, e de remodelação das estrutur as
uma da s maiores conqui stas do socia li smo; por outro, com
exis tentes , por outro. A medida q ue a umenta o dinamismo
o insuficiente n ível de consc i encialização dos membros
a segunda tendência for t alece-s e . E, claro, quanto menos
da sociedade, isto prepara o t err e no para o aumento da
mobilidade houver entre as estruturas e a economia tanto
mentalidade consumista, do imobilismo e de c ertos ele-
mais fácil é assegurar o respectivo equilíbrio, Contudo ,
mentos próprios da estagnação. AÍ está uma contradição
num c ontexto de passagem para o tipo es s encialmente inten-
objectiva. Um dos principais problemas da economia plani~
sivo de reprodução ampliada , a imporcância das altera-
fi c ada é, portanto, sem refutar a referida conquista, que
ções estruturais como factor de aumento da eficiê ncia
deve ser consolidada~ · aperfeiçoar os métodos de dinamiz~-
da produção e de satisfação das necessidades variadas 1
ção da a c tividade labora l próprios do socialismo .
aumenta drasticamente. Entretanto, as formas e métodos
A co l ocação do probl-ema das contradições imanentes do
existentes de di recção planificada da economia na nova
modo planific ado de articular a produção e o consumo
situação ainda não permitem a devida harmonia entre a pressupõe, antes de mais, que no social ismo a passagem
estab il i dade e a mobilidade das proporções es trutur ais.
de um estado do sistema económico para um outro (de um
Uma das f ormas eficaze s de solução desta c on tradição,
cic lo de reprodução para um outro) seja mediatizada pe l o
encon trada n a pcática e c onómica , é a el aboração e plano de dese nvolvimento .económico. Este último afecta,
realização de programas integrais de longo prazo que a priori , a distribuição dos r ec ursos produtivos em
visam um objectivo c onc r eto . As pesquisas nesta esfera
relação ao sistema de necessidades sociais . Neste pro-
c ontinuam. ces so, as contradições revelam-se tanto no plano das
Para determina1: a s vias de aperfeiçoamento do meca-
cond ições e necessidades objectivas do des envolvimento
nismo da e c onomia, reveste-se de particula r importância
como no movimento desde o estipulado pe lo plano para a
a questão dos principais elementos que formam as estru- concret ização r ea l da produção e do trabalho. A existên -
turas da economia . Não é por acaso qu e e la t em sido cia des tas contradições determina a necess idade de verifi-
viva mente d eba tida nos últimos itempos . 11'. que o comp l exo car a correspondência entre os produtos fabricados e as
macroe~o nÓ~i~o único se baseia nos sub-complexos que necessidade s sociais e x i stentes, e a necessidade d e
dele fazem p a rte e cuja rápida formação é uma realidade.
comparar os custos reais com os socialmente neces s~rios
Uma das principa i s particularidades ob j ectivas da e t apa
1.3-1 -97-
-96-
(e de aperfeiçoamento dos métodos de v erificação e compa- Os r eferidos "s ubsistemas" das contradições económi -
ração) e de aumentar a respons abilidade dos órgãos e es ca- cas , bem como, as contradições exis tentes entre diversos
l ões sup eriores pelas dec i s ões t omadas perante os esca- g r upos e s t r uturais de relações de produção, na e ta pa ini~
lõ es in fe rio r es . cial do s oc ialismo avançado , possuem traços espec í ficos ,
Nas obras especializadas da ár ea da Economi a Política Os estudos profundos do s me~mos e a s ua consideração na
dos últimos anos assinala-se com razão que o factor r eal teori a e prática são de extrema importância para a ree stru-
das dificuldades surgidas na dir ecção planificada são turação integral do mecanismo de direcção planificada da
as enormes proporções da nossa economia actual, os economia numa base verdadeiramente cien t ífica.
efeitos produzidos pela envergadura da economia do país,
o aumento em progressão geométrica do número dos vínculos 1
económicos , etc. Ao mesmo t empo, é importante ter pre- l K.Marx e F . Engels, Obr'as,
sente o seguinte: o aumento das proporções da economia I vo 1. 4, p. 136 .
socialista só pode criar empecilhos ao desenvolvimento 1 2
planificado se na teoria e na prática se ignoram as V.I.Lênine, Obras Completas, vo l. 29, p. 3t6 .
contradições imanentes da forma socia l mente directa de 3
Ibid. , p. 317 .
produção , se se conservam aqueles elementos do mecanismo
da economia existente que não são formas r eais de movi- 4
mento e solução destas contradições . O aume nto da pro- Coleatêna Leninista XI, p . 357 .
dução e do níve l da sua socialização efectiva abre, 5
K.Marx e F.Enge ls, Obras,
de facto, novas possibilidades ao aperfeiçoamento plani- vol. 20 , p. 290.
ficado de t odo o sistema económico do socialismo. 6
Ibid .• vol. 26, I II parte , p. 86 .
O conjunto das contradições das relações de produção
do socialismo desenvo lvido, como já se assinalou , está 7
lopge de poder ser reduzido às contradições da forma Ibid. • vol. 23, pp. 11 3-11 4.
directamente social de produção. A sua investigação deve 8
ser completada, antes de mais nada, pela análise das V. l.Lénine, op. ait., vol. 42, p . 21 1.
contradições da principal relação de produção e da l ei 9
Ibid.
económica fundamental. Também deve ser totalmente escla-
recida a questão da principal contradição do novo tOib 1,·a• •
VO 1. 2 6 , p , 15 3 •
modo de produção.
As contradições também existem nas relações de distri- 11 .
Ibid., vol. 36, p . 300.
buição próprias da primeira fase do comunismo. O aper-
feiçoamento do mecanismo de incentivação económica deve, 12
Ibid., p. 152, 185.
precisamente, assegurar as formas de movimento e de
solução dessas contradicões adequadas ao nível real de 13
desenvolvimento. K.Marx e F. Engels, Obras , v ol . 18, pp. 304-305 .
A formação do sistema comunista de relações de produção
enquanto sistema integral ~ão exclui a existência, na
primeira fase da sua evolução histórica, de elementos
heterogéneos não imanentes no aspecto genético. Posto
isto, a revelação e a solução das contradições introduzi-
das na nossa economia pelas relações monetário-mercantis,
são uma importante componente que concorrerá para a eleva-
ção da eficiência da sua utilização na construção do comu- 13-2
nismo.
-98-
to tal e da renda n acional, entendendo-se, aqui , por
A LEI ECONÓMICA FUNDAMENTAL DO SOCIALISMO fundo integral não apenas o fundo de consumo social pro-
E A EF I CÁCIA DA PRODUÇÃO pri amente dito, mas t ambém o increme nto d o s cap i t ais não
produtivos r esponsávei s pelo aperfeiçoamento d a saúde
pública, ens ino e cultura. O crescimento do fundo int e g r a l
Vikt or TCHERKOVETS, de consumo pode a tra sar- se d o crescimento da r e nda n a cio-
dou t o r e m Ci ê ncias nal. Situação idêntica é també m pos s í vel na soc ied ade
Eco nómicas, socialis t a, que, por força de c e rtas causas obj e ct i vas
Galina LATICHEVA, (necessida d e s da defe sa, calamidades naturais, programa s
c andidata a do utor a eco lógi cos , i ndustrialização d e novas r e giões , investi-
em Ciência s Económicas g a ç ão e spacial , etc . ) pode j~lgar nec es sário d a r priori -
d ade ao incremen t o do f undo de acumulação produtiva . O
bin ómio consumo/acumulação contém uma contradição não
antagónica: o crescimento da a c umulação reduz e m cada de-
termin ado momento o consumo corrente, e vice-versa.
Novas condi ç õ es do Func i onamen tn d~ lei económica A acumu l ação socialista é um meio de multipl i car a
fun damentãT pro?r iedade socia l e a riqueza n acional e ainda de
elev a r o bem-estar d as massas trabalhadoras , promover
Patalelamente ao a s censo da s oci edad e socialista a o seu desenv olvimento i n t egra l . Po r out r o lado, a acumu-
uma maior ma t uridad e, os efeitos da lei econ ómica funda - la ção apresenta uma certa a u tonomi a . Ne m sempre se dist ri-
mental do socialismo vio adquirindo maior evidência , ao bui na me s ma p r o porção entre o Grupo I (produção de meios
md smo tempo q ue se alarga o horizonte para a s ua r ealiza-
d e p r odução)· e o Grupo II ( pr odução de b ens de consumo)
ção. Nesta etapa, são condições indispe n siv eis p a r a o q u e compõem a e sfera de produç ão material , podendo , no
funcionamento dess a lei as mudanças v e r ifica das n a vida Grupo I , s er utilizada em p e r centage ns vária s pa ra aumentar
económica d a sociedad e, tanto nas f o rça s p rodut i vas como
o fabrico de meios de produção destinados aos Grupos I
nas relações de p r odução . e II . En t retanto , a r elação entre a mbos os Grupos não é
Como r esu lta d o d e t od a a evolução d as forças produti-
s i mples nem direc t a. O progr esso científico e técnico, ou
vas , do aumento do v o lume e ape r f e içoamento da estrutura
diga mos, os interesses da d e fesa podem impulsionar o de-
da p rodução s oci a l, as possi bili dades mat eri a i s do senvolvimento de cert os ramos d e produção, exigi r um
aumento do bem-es tar dos trabalh a dores crescer am c onsi-
aumento da acumu l ação , o q u e~por seu l a d o , pod e i n f l ui r
de r avel mente em t e rmos quan tita t ivos e , tamb ém em q ual ita-
n o f un c i o namen t o r eal d a l ei f un d amen tal. I sso n ec e ssita
t i vos . E s t a s poss i b ilida des d eco r r em , a cima de tudo , do
d e med i da s que ap r oximem de f o r ma pla nif i c a da·o d esen-
po t e ncial económico , o q u al d e pen d e d as p ropo rç õe s da vo l viment o e c o n ó mico d as me t a s de corre n tes d a l e i e c o n ó-
produção , volume e estrutura do s s e u s f undo s b ás icos, mi c a f undame nt a l . g preci same nte a l o h go prazo que os
efec tivo da mã o-de-obra ocup a d a n a produç ã o mat e ria l , ef e itos d e qua l q u e r l ei e conómica o bjec t iva se r eal i zam
produt ivida d e do trabalho . Além disso , s ão aind a fru to
ma i s ple n a me n te . .
da i nterac ção dos referidos factor e s, ou s e j a , d o v a l o r
Segundo , t e n ha- se em vis ta a corr e l a ç ão e n t r e a di n âmi-
d o produto s o c ial total, renda n a c i ona l e c onsumo p essoal.
ca dos resultado s materi a i s gerais d a p r odução e as a l te-
As a ltera ções verificadas neste domí ni o a part i r d a se- r açõ e s demográf icas (cresc i mento d a p r o dução) . Po r con-
gunda me t a de dos anos 30 testemunha m o g r a n d e crescimento
seguint e , o s indi c a do r e s do c r esc i mento da produção d eve-
da s pre missas mater iais nec essá rias d o b e m-e star do rão s e r a c ~ua liza d o s c om bas e e m v a lore s per capita .
po vo. Es sa actualiza ç â o fe z com q u e a r e nda nac i on a l (com
Assinal e-se, neste conte xto, dua s c irc un stâncias.
uma tax a d e a cumu l ação e s t á ve l, r egista-s e o c r escimen t o
Primeiro, o crescimento dinâmi co do f~ndo int e gra l
pro po r c i o na l do f undo d e cons umo) a wne ntas s e 100% 1 ent re
de consumo c ons ideràdo como e l e me n to do prod u to soc ial
- 10 1-
-1 00-
1940 e 1984, tendo a produção industrial de bens de con- as fas es do socialismo . No seu condicional ismo ob ject i -
s umo per capita aumentado 8 26% 2. De 1965 a 1984, o vo e no seu significato económi co real, este objectivo
a umento da ren da nacional e do fundo. de cons umo (descon - atrav essa determinado s graus, dependen t es do nív el das
t a ndo a a cumula ção não produ t iva) praticamen te co i ncidi- forças produtivas e da maturidade das r e lações d e produ-
ram, tendo crescido (a preço s reais) 19 1 e 1887. 3 , ção s ocialis tas .
respectivamente. Ao mesmo tempo, o s rendimentos r eais Um aspec to novo e import ante do cond i cionalis mo ob j ec ti-
per capita subiram, no mesmo período, 220,357.4, dife- vo do fim da produção soc i alista é determinado pelas
rença que, entre outras causas , se d eve ao crescimento exigências q ue a economia moderna apresenta aos próprios
da população que, entre 1966 e 1984,foi de 41,6 milhÕesS trabalhadores, a força produtiva mais importante . O de-
As estimativas das possibilidades materiais do aumento s e nvolviment o integral do indivíduo e das suas capacida -
do bem-estar e desenvolvimento integral dos c idadãos de- des é object i vamente indispensável à o rganização do tra-
vem efectuar-se a partir de uma análise dos ind icadores balho, que utiliza novo material técnico e métodos mode r-
qualitativos e quantitativos da dinâmica dos ramos do nos de gestão, incluindo a direcção da produção social,
Grupo I I da produção material, incluindo criação de fun- dos seus ramos, uniões fabris, unidades produtivas e
dos básicos para o comércio, a esfera de serviços, secçoes .
tra nspo rtes de passageiros, esfera não produtiva, etc. Numa é poca em que o t rabalho a i nda não é a primeira
Ao se estudar as alte rações materiais do funcionamento nece ssidade vital do indivíduo , o fu ncionamento da lei
da lei económica fundament a l do socialismo, há que l evar económica fundamenta l as senta no trabalho para ganha~ em
em conta diversos factores det e rminantes d as possibili- primeiro lugar, o s me i os de subsistência, ou seja, é um
dades reais da satisfação das necessidades individuais. meio d e ganhar o pão , conside r a do o f enómeno na s ua
Uma vez estabelecidas as rel ações de produção socialis - dimensão nacional . Tal trabalho precisa de estímu los mate-
tas, o crescimento dessas possibilidades depende directa- riais através da distribuição de bens e serviços segundo
mente do desenvolvimento das forças produtivas. Não se a quantidade e a qualidade do trabalho executado. À
deve esquecer, por outro l ado , q ue um nível elevado das medida que o socialismo amadurece, a distribuição segundo
forças produtivas alarga o lequ e das necessidades habi- o trabalho ape rfeiçoa-se para atingir a sua maior efi cá-
tuais (tradicionais) da população, surgem mais e mais cia, quando aumenta o inte resse dos trabalhadores pelos
necessidades derivadas do crescimento do seu bem-estar resultados Óptimos da sua actividade laboral.
material e enriquecimento da sua cultura. Portanto, a Surgem, portanto , várias razões adicionais que
contradi ção entre a produção e as neces sidad es não se estimulam a orientação interna, objectiva da produção
supera ã medida que· as últimas vão se satisfazendo. E para garantir o aume nto do consumo individual, premissa
não só porque é preciso prover constantemente às neces- do aceleramento do crescimento económico. A consciência
sidades existentes enquanto não se saturem, ao mesmo a adquirir deste facto pelos organismos de planificação
tempo que o grau da sua satisfação t e m que ser cada vez e de gestão é uma premissa indispensável ã realização
mais elevado (de acordo com as regras médica s e fisioló- mais plena (mediante, por exemp lo, uma remodelação e
gicas científicas e os critérios de um modo de vida aperfeiçoamento das proporções económicas, melhoramento
planif icado). Uma outra causa é o crescimento, igualmente da gestão planificada da produção social, etc.) dos
permanente e cada vez mais rápido e imperioso, das exi- efeitos da lei económica fundamen tal do socialismo, con-
gências para com a esfera produtiva, que terá que oferecer siderando, evidentemente, os factores específicos ineren-
novos artigos, condizentes com as novas necessidades. tes à primeira fase do comunismo.
· À medida que o socialismo se des e nvolve,consolida, Presentemente, a crescente incidência dessa l ei funda~
aumenta o condicionalismo obje c tivo do fim supremo da mental traduz-se, também, numa crescente importância, pa-
produção socialista. Será certamente um erro julgar que ra o desenvolvimento da produção, do trabalho encarado
o objectivo da produção socialista é absolutamente inva- como uma necessidade. A transformação gradual do trabalho
riável nos aspectos qualit~tivo e quantitativo, em todas na primeira necessidade vital é decisiva para a formação
-1 02- -1 03-
de uma person alidade int egra l men te d e s envo lvida . Uma
sua s três funçõe s mais i mpor t antes:
nova atitude , socia lment e s uperior , para com o t r abalho
e s tá a nasc er como resultado das transfo rmaç ões do con- - c r escimento gradua l do consumo ind ividua l dos c ida -
dãos e s eu desenvolvimen t o cultural;
• t eúdo e da natureza do trabalho durante a revolução
ci entífica e técnica, A necessidad e de tra ba lhar não ape- - d efinição e aplicação do critério de optimização
nas como meio de subsistir, mas também como fo rma de econ ómica o u critério sup r e mo d e Óptima pr o p o rcio nal i dade
da produção social;
atingir uma suprema satisfação, caracteriza uma pers ona-
lidade in t egralmente desenvolvida. formação e realização do critério de eficácia econó-
Nas nem a necessidade de aperfeiçoar a principal força mica e social ou critério supremo de eficácia económica e
social da produção social.
produtiva, nem a obrigatoriedade de reforçar os efeitos
estimuladores do conusmo individual para melhorar a efi- O socialismo maduro caracteriza-se não apenas por
cácia da produção poderão ser consideradas causas únicas aperfeiçoar a p r imeira função . da l e i fundamental, função
ou decisivas d e uma orientação mais consequente da pr o- que materializa a relação estável causa/efeito, o que
dução social para elevação da vida do povo e desenvolvi- constitui o seu aspecto mais importante . Uma particulari-
mento de c a da indivíduo. São, sem dúvida, causas substan- dade do socialismo maduro consiste, ainda, em q u e as d uas
ciais. O socialismo , porém, aperfeiçoa a personalidade não outras funções da referida lei principal v ão-se reforçan-
porque t a l seja ne cessário ao crescimento d a produção. do e concretizando em medida crescente. Sublinhe -se
Não, a razão é outra: o crescimento e o melhoramento da que as três funções (orientadas par a o bem-estar, a
produção são factores necessários ao des e nvolvimento proporcionalidade e a eficácia da produção soc ial) se
int egral de todos os membros da sociedade socialista. A juntam
menta l. para formar o mecanismo da l ei econó mi c a funda -
p ol ítica económica dirigida para o consumo individual
reflecte um novo grau d e maturidade social das relações
de produção socialistas. O que , obviamente, não significa Ob'ectivo su remo da redução social e critério de
optimizaçao da economia nacional
que o objectivo supremo da produção socialista seja
contrário à necessidade de aperfeiçoar a força produtiva
principal e r e forçar a função estimuladora do consumo in- O aperfeiçoamento do mecanismo económico da sociedad~
dividual para melhorar a eficácia da produção. socialista parte de um estudo aprofundado da lei económi-
· Nesta etapa, os efeitos da lei económica fundamental ca fundamental do socialismo, designadamente, da solução
realizam-se com a adopção definitiva de formas predomi- científica da optímização da economia nacional.
nantemente de reprodução ampliada intensiva. Essas . formas Uma economia nacional Õptima é um estado da produção
pressupõem que a produtividade do trabalho aumente, e social (das suas dimensões, estrutura e proporções) cujas
excluem praticamente a necessidade de um aumento absoluto potencialidades se realizam ao máximo através da planifica-
da mão-de-obra ocupada na produção material, considerada ção, com base num certo critério que , no plano nacional,
corno f onte do seu crescimento. surge como a tarefa principal do desenvolvimento econó-
No socia lismo, o objectivo supremo da produção social mico e soc ial no período abrangido pela planificação.
e humanista, não é introduzido do exterior, da esfera O problema da optimização do plano nacional (e, atra-
soc ial (não económica), da esfera espiritual, mas reside vés do plano, da própria economia) colocou-se simulta-
no próprio regime económico e social da formação comunis- neamente com a organização da planificação . Uma economia
ta, na sua essência. De referir ainda, neste plano, a que obedece a um plano necessita de um critério de opti-
orientação da própria produção, orientada tanto para mizacão Único. Na história da planificação na União
o aumento do bem-estar material, como para o desenvolvi- Soviética abundam buscas e aplicações de tal critério •
men to integral da personalidade. ~videntemente que a evolução das concepções desse crité-
Hoje em dia, o conteúdo da lei económica fundamenta l, .rio levaram algum tempo, e continuam a evoluir à medida
fac tor que regu la a produçio social, manifesta-se nas que se vão generalizando as experiincia~ a~guiridas na
planificação e na prática económica ào , pa[s. Durante o
-104- 14-1
-105-
A proporcionalidade Óptima como problema pratico (e,
conseque n temen te, o problema de se e nc ontrar u"m critério
período de trans i ç ão, na União Soviética, a optimização
de optimização para a economi a nacional) é ine rente à
não era uma questão tão premente como o f oi posterior- produção s oci al imediata. As re lações de produção so-
~ ente. No entanto,· o XV Congress o do Partido,em 1927, ciais imediatas, nasc idas com base na propriedade pública
apontou já a necess idade de se e ncontrar uma proporção dos meios de produção , evidenciam a n a tu reza social do
ent re a acumulação e o consumo.
À medida que s e foram edificando as r elações de produ-
trabalho e são a medula do conteúdo económico da produção
socialista planificada, uma expressão da forma soc ial de
ção socialistas, formou -se um c ritério objectivo de o pti-
mização económica, inerente às mesmas. Simultaneamente, trabalho específica para esta produçã o (e para todo o modo
· de produ ção comunista). A lei do desenvolvime nto planifi-
intensificou-se a n ecessidade do seu conhecimento cientí- cado impõe uma r ealização consciente e perman ente, ou
fico. A economia política do socialismo procurou pontos
seja, planificada, da proporcionalidade optimizada, cor-
de p ar tida para uma gestão planificada da economia so-
r espondente a de terminado critério social .
cialista (incluindo uma base objectiva para o critério A necessidade de optimizar a produção social numa
de optimização da economia nacional), elaborando e aper-
e conomia planificada foi, na essência, pr evista por K.Marx
feiçoando um conjunto científico de lei s económicas do e F.Engels, os qua is vinculavam esse proce s so ao estabe-
s oc ialismo.* A economia política do socialismo caminhou
para tal critério a partir de leis económicas. Guiando-se lec imento , no plano económi co nacional, de relações di-
por ~sse princípio, em rigorosa conformidade com as leis rectas e ntre a es trutura e o volume das neces s idades
sociais e o volume da produção social e da d i stribu ição
do materialismo histórico, a economia política entende
que o critério em causa terá que se e stabi lizar ao longo do trabalho pelas s uas diversas esferas . " . .. Só quando
de toda a existência d o socialismo, que ele é objectiva- a produção s e sujeitar a um controlo público efectivo
mente inerente às suas relações produtivas e funciona que predetermina essa produção - diz K. Marx, no volume
III de O Capital-. é que a sociedade estabelece uma
como uma premissa , sobretudo da definição de um plano
relação entre a quantidade do t empo de traba l ho soci al
nacional.** gasto na produção de um certo objecto e as proporções
da necessidade social que esse ob jecto sati s fará ... 11 6.
* Além de economistas políticos , a optimização do plano Para uma sociedade organizada segundo um plano, a
nacional e dos programas economicos locais (nos seus vá- ref e rida vinculação pressupõe uma escolha da melhor•
rios níveis) têm sido examinados por representan tes dos variante (ou de um conjunto de melhores variantes) do
ramos económicos e matemáticos , por teóricos da optimi- ponto de vist a da sua capacidade de satisfazer plenamen te
zação da planificação, modelagem económica e cibernéti- as necessidades sociais em r ecursos materiais e laborais,
isto é, resolver o prob l ema da optimizacão do plano na-
ca económic~. - ciona l único consoante a utilidade social dos produtos
** Neste aspecto, a economia política do socialismo e a sua correlação com as des pe sas. " ... A sociedade tem
diverge profundamente das concepções de certos teóricos, \ que saber - obs e rva F.Engels - quanto trabalho é nec es-
os quais pensam que. o critério de optimização da econo- sário para se produz ir cada objecto. Terá que f azer com
mia nacional é determinado d~rante a feitura do próprio que o seu plano de produção corresponda aos meios de
plano. Confundem, portanto, questões diferentes. O cri- produção, aos quais também pertence, em particular, a
tério d e optimizacão da economia nacional, sendo uma força de trabalho. Esse plano será determinado , em últi-
expressão da lei fundamental do socialismo constitui . ele ma análise, após ponderação e confrontação dos efeitos
próprio, portanto, um fenómeno objectivo. Entretanto, úteis dos diversos objectos de consumo e das quantidades
na elaboração do.plano são estabelecidos indicadores de trab alho necessárias à sua producão .. . "7
quantitativos desse critério, os mesmos utilizados no Para Engels, por conseguinte, a escolha de variant e
pTÓprío plano . Isto em cada período determinado. defini.t i va do plano é dete rminada pela unidade de dois
1 4-2 -1 07-
-1 06-
factores: 1 ) cálculo · do f efeito - útil da utilização " · do
· teóric a primordial · 1~1' os d e b ates sobre f
produ to a p roduzir, con r ontaçao dos possiveis efeitos dores da economia so . •t. os actores regula-
• . • . d . - . - v1e ica travados no 20
ute1.s dos - var1.os. pro - utos e determ1naçao s 1.multanea . do as referidas questo- es nao eram ' .
devidam st a d.nos . e 30 '
grau de nao sat1sfaçao - - destas ou daquelas . necessidades - Procurava-se
. ap ena s uma a 1 ternativa a 1 · d O . ~ en e iscr1.min adas.
comparadas; 2 ) calculo do consumo de meios de produçao a discussão em torno d 1 . ei valor. Mas
e de trabalho desta ou daquela variante d o plano. lador das propor~õe da ei do.valor, encarada como regu-
,.. .d d • f • . . " s a economia mercant 1· 1 . .
"
~ a uni ade dos 01s actores que torna necessar10
,, · •
tinha e m vista de fa t O
- ' c , o modo de forra
_ cap1.tal1.sta,
d
ponde rar os resultados e os gastos, o que e poss1vel çoes, ou seja a regul - _ açao as propor-
resolvendo o chamado " prob l ema duplo" que consiste em a lei fund~me~tal do aç~ol~spontanea de mercado. Porém,
alcançar o resultado (utilidade soc i al) máximo com os alternativa à lei da so~ia is~o (que representa umà
. . 1· . , . . . ma1s-val1a lei fund t 1 d
gastos suJeitos a certos imites , ou os gastos min1mos p 1.ta l 1.smo) não é uma lt . • . 1 1. amen a o ca-
com um valor previamente estabelec i do para o resultado função reguladora Eª ernlativa.a ~ do valor, na sua
. ) - . ssa a ternat1.va t .
( fim da produçao. . - d 1 . . #
avançada pelo social ·
• ismo nos anos 50. a 1 . d d
e oura, e foi
A previsao e F.Enge s tem sido confirmada pela pra- volv1mento planificad0 . · e1. o e sen-
tica da planificação da economia soviética. A necessidade nal*; • proporcional da economia nacio-

de enc ontrar uma proporcionalidade planificada Óptima


· · · · 1 · 1 · Por outro lado • ni 0 s_ra p • •
Justo dizer q

.
e o aspecto.. · mais importante da lei de desenvo v1.mento ismo, a
• lei do valor e o un1.co regulad ue, n· o capita-
· - .
plan1.f1cado. sequer e O regula-dor . . . or, pois nem
_ • • • 1 - principal E: ev1dent
A formaçao de um complexo economico nacional uno e o fOes da produção capit 1 . . :. e que as propor-
a madurecimento da economia socialista oferecem grandes neamente em virtude da i~ta sao r emodeladas esponta-
. • 1 . d d 1 . " f" l 1~ • os interess<>s da ma1· 1·
perspe ctivas a e1 o esenvo vime nto plan1. 1.cado, pe o LCazem s urgir um mecan • . - s - va 1.a, e
que impõem que se busque, de forma consciente e planifi- farno s q ue garante O f~smo ~speci~l ?e con corrência i nter-
0
cada, uma proporcionalidade óptima da economia nacional, a ltera O próprio valo uxo .e1 cap1.tais, que, no fundo,
· •- , ,. • - . 1 r soei.a O qual s t
mul tissec t o rial e cada vez mais complexa, com base num c usto da produção Por '. e ransforma em .
. - . • . d . . - • . d . . 1 - • conse guinte O crit · • d f
cr1 terio unico e op t 1m1.zaçao economica. To avia, a lei cao espontânea das pr - • • . erio a orma-
. 1 ·t· - t· .d ~- oporçoes e deternunad .
d o d e s envo 1 v1mento p ani 1.cado nao de ine o conteu o 1
t ismo, pela sua lei f un d amenta 1 · a da mai °, no
1 1· cap .,.. ita-
.., f -
• • • •

con creto do cr1.terio de op t1.m1zaçao econom1.ca nacional.


• 1 .
• _

# • f
# • •

exactamen te a lei fund


1 • •,
t
amen a 1 que regula a 5
· s-va ª· i:.
-
e uma unçao que compete a e1 econom1.ca undamental ía1.s importantes embor· proporçoes
. . . - . . • a a n 0 ss 0 -
do soc1al1.smo,
. Nesta etapa, o r eforco - da sua influencia 1.stema económico capita 1•.1.sta se deve ver• a~ªacr re~ulaçao b. do
cons1_ste exactamente em que, na produçao, sua estrutura , essas duas leis que ex • d ,..ao com 1nada
e, p o rtanto, na estrutu ra do produ to social total, defi- '. suficiente) 0 conteudopdrimem e_forma basta nte integral
. . 1' ' d ( d" . 1) o conceito de "regu l - "
n 1.t1vo e 1qu1 o ren imeoto nac1ona se o p e ram certas \ sua expressão mais plen . açao ·
~ u danças q ue garantem mais plena e organicamente a
, - d d. - . . • . . 1 ~
, istema das leis econó. ª
edsse co~cei~o encontra no
micas o capitalismo
criaçao e con içoes mater:i.ais n e c es sar1.as a e. e v açao , ·
do bem- estar e do nível cultural da população.~ pre c isa-! ~
mente a lei fun damental, sempre com as outras leis eco- f Nào ê obrigatório referir O •
nómicas do socialismo, entre as quais a do desenvolvimentJesenvolvimento na fórmula d a :7rec~o 2 _proporcional _do
p lanificado, q ue encaminha a economia socialista (não
· · • - • ,
ixiste a l ei económica universa l
-
ª bei, porque, ~r1me iro
so re as necessa ·
automaticamente, e claro, mas atraves da acçao conscien - •roporçoes no caso de divisão"' . 1 d ri~s
t e dos cidadãos, o bediente a um plano nacional) para o :.Marx e F.Engels , Obras vol =;~ia ~ 6 i)abalho d(Vide:
seu estado Óptimo . 1 1orque a obrigatoriedade•ª"' um.a _' p. . ; ~eguu o,
- . • ·• d • - "' ' Drouorc1onalidad 1 · '
A. c orrelaçao entre a lei fundamental e a lei de desenJica a optima, embora s endo a f · ~· . . e P ani-
- 1
.
' f . 'd
.
vo l vimento p an1 1ca o na regulaçao o Ject1.va das pro-
porçoes da ec~nomia nac1.ona~- e _um problema de 1mportanci o.
- - b' .
. -. . 1- • • •
rª º ~ a unica funçio da lei do d e senvo
' unçao ma i s importante
. - .
1 v1.mento pla ' ·f' •
ni 1.ca-
- 108- 1 -1.G9 -
O mesmÓ se pode dizer -(no a specto me t odo lógico, não O defeito desse critério de optimização das propo rçõ es
tendo em vista o conteúdo) da lei do des e nvolvimento pla- económicas nac ionais reside na circ unstân cia de o va lór -
nificado e da lei económica fundamental do socialismo . de- uso, embora caracterize a especificidade da produção
Estas leis (com base na propriedade pública dos meios de socialis ta, em comparação com a capi talis ta , ainda não
produção) regulam objectivamen te as propo rçõ e s da economia traduzir a s ua es sência, man i f estada através da lei eco-
nacional no s ocialismo* . Ambas as lei s têm a ver dire cta- nómica f undamen tal do sociali smo . Não basta def inir o
mente t ambém com o cri t en.o de o p t i mização da economia ob j ectiv o supremo da produção socialista c omo sendo uni-
nacional; no entanto , neste plano as s uas f unções são • c amen t e criar valores-de-uso ( socia is , imediatamente
d ife r entes. sociais) , pois ele é determinado por um c r i tério supe rior ,
De uma maneira geral , uma produção directamente so- mais concreto : o da proporcionalidade Óptima da economia
cia lizada e organizada s egundo um plano s a tisfaz t odas naci onal , ou s e j a, a mais plena satisfação das necess i-
as necessidades sociais , sejam produ tivas ou não. ~ o dades mate r iais e espirituais dos c i dadãos .
produto social imedia to que f unc iona como resul t ado geral Donde s e depreende que :
do seu funcionamento e constit ui a primeira forma , a o grau de sujei ção da produção a o aumento do bem- estar
i nicial do resultado soc i al da produção socialis t a. Aqui, a o desenvo lvimento i ntegral do indivíduo e , ainda , à
o produto social i media t o, o produto único da empresa , gatant ia de um nível d e i gualdade s oc ial em matéria de
figura não como uma forma autónoma, isolada , mas como -satisfaç ã o das neces sidades de t odos os membr os da s ocie-
uma parte i ntegral de t odo o prod uto socia l ( porque dade, adequa do a det e rminada etapa histórica , é a med ida
para a aná lis e da produção s ocialista não se par t e de da r ealização da lei económica fundament al do s oci alismo .
uma empresa tomada em s eparado, mas da produção material o grau dessa sujeição é t ant o mai o r quant o ma is plena-
social no seu todo). O produto social global é um ment e forem satisfei tas a s crescentes n e ces sidade s ind i-
reflexo d ~s proporções da produção materia l social , viduais dos trabalhado res;
havendo a assinalar que todos os p r odutos (tanto da Is o objectivo supremo da produção s ocialista ao criar o
como da I l s divisões) i ntervêm como coisas ou como ser - produto socia l g lobal é o fundo inte gral d e consumo , q ue
viços mat e riais socialmente Úteis c aracter iza ndo-s e , compreende o f undo de consumo da renda nacional e o fund o
portanto , como valores-de - us o ( ou, para sermos ma is de acumulação não prod utiva. Pode s er avaliado e uti li-
exactos, como valores- de- uso directament e sociais). zado uniformement e (pelo menos, na sua f eicão monet ária) ,
" ... A ut ilidade de uma coisa faz dela um valor- de- uso .. . " por um lado , para s e construir a função de utilidade so-
afirma Kar l Marx. A utilidade, entre tanto, signific a q ue cia l; po r outro , como crité r i o supremo da op timização
dada coi sa ou servic·o co r respon de a d eterminada necessi- da produção social a longo prazo.
dade . Sendo assim , a dime nsão social do valor-de- uso, ~ através do fundo integ ral planificado de consumo que
considerado como medida da utilidade social (imediatamente a lei económica fundamenta l do socialismo act ua directa -
social) . poderi s er aval iada como o grau em que s ati sfaz mente como regulador das proporções da e conomia nacional .
esta ou aq uela nec es sidade . Deste ponto de vista, a Quer isso dizer q ue as correntes de inves timentos provo-
utilidade do produto social global, corno agregado de carão mudanças nas estruturas da economia, de forma a
toda a ma~sa dos valores-de- uso c riados na produção assegurarem o crescimento máxim9 do f undo integral d e
social, pode s er avaliada como o grau em que satisfaz , consumo no produto social líquido (com um val or igual
com determinado artigo, a t o talidade das necessidades ao do rendimento nacional), tendo- se e m; conta, como j á
sociais . s e disse, um período prolongado .
Sempre que se trata d a utilização prática da lei
* íra ta- s e das leis economic as qu e regul am das proporç5es . económica ~undamental do social ismo na sua função
Quanto ao mecanismo da sua realização , _a~ funções de ss as r egu lado ra d e proporções, pressupõe- se que ela tem um
leis sio mediatizadas p e l o papel econom1co do Estado papel ac tivo na formaç ão p l anificada d e uma estrutura
socialis ta q ue intervém como regulado r directo .
- 1 10 - - 11 1-
Óptima d a economi a nacional . Nes te cont e xto , de l ine i a-se fen ómeno de efic á cia s ocioec onómica, q u e expres s a um
uma sequ ên cia d e e l e mentos: determinado aspecto da prõpr ia " c ons trução'' da lei prin -
f undo inte gral de cons u mo - r e nd í men to naciona l. Nes te cipa 1.
ele ment o, o probl ema central está n a optimi zação d a s O c onceito de efic áci a pressupõ e s empr e urna relação
proporçõe s entre a acumulação e o consumo, s e gundo o entre o resu lta do (efe i t o ) e o s g a s t os . Pa r a expre ss ar o
critério do obj ectivo supremo; c onte~do e conómi c o g e ral da eficácia da p rodução social ,
rendimento nacional - produto social def i nitivo. Aqu i , ser v e (e a s ma is d as v e z es s e aplic a) o r e ndimento nacio-
o rendimento nacional (com uma correlação Óptima entre n al d i v i d i do pe l o n~mero d o s tra b a lha do r e s o c upados na
a acumulação e o consumo) funciona como critério de opti- produção mater ial. Trata-s e , por outras pala vras , d e u m
mização, a qual visa o máximo rendime nto nacional; indicador da produtividade d o tra ba l ho s o cial, utili z ad o
produto social definitivo - produto social global. nas estatísticas oficiais da União Sovi é ti c a e de o utros
Aqui, a optimização tem por função minimizar o produto pa íses. Ma s também serve p a r a fa ze r c o mparações inte rna-
intermédio (com a condição., evidentemente, de garantir a cio nais (uni ficados os cálculos s egundo uma meto d ologia
necessária especialização da produção). comum). O nível médio da pro du t ividade do trabalho
Todos e s tes eleme ntos estão relacionadas entre si. traduz o grau de desenvo l v i me nto hi s tó rico d as força s
Na feitura do plano há que observar uma coord e nação produtiv a s d a soci eda de, o c rit é rio hi stó ric o do progres -
permanente dos "objectivos" e "meios" inte rmédios nos s o s oci a l;
quadros do estimado produto social globa l e de todo o A po s sibilidade de s e ut il i zar o re ndimento naciona l
seu modelo planific a do ideal com as possibilidades reais, pa ra e xpres s a r a e ficácia económica d a p rodução e anal i-
com o potencial económico disponível. sa r o s seu s fac tores dec o rre d a p ró pr ia n atureza do ren -
dimen to nac ional, da sua, " est a bi lidade " como um todo , em
-E·ficácia socioeconómica da E_r .oducão socia 1
relação a es pecificida d es das r e laçõ e s d e produ ção d omi -
Uma das funções mais importantes da lei económica nant es (a inf luênc i a des tas r ela ç ões s e faz s entir a p en a s
fundamental é forma ção e concretização do critério da n a es t rutu r a do r e n d imen to nac ion a l). O r end i men to naci o -
eficácia socioe conómica ou critério superior da eficácia na l é um valo r novo q ue i ntervé m como re su ltado geral
socioeconómica da produção social. Embora seja uma fun- de todos o s ramo s d a produç ão ma teri a l, t a nto no capi t a -
ção intername nte inerente àquela relação substancial l ismo como no socialismo, sen do a sua função genera l iza -
estável que representa o conteúdo da lei económica fun- d o ra de uma g r a ndeza macroeconómi ca d eterminada por ·
damental, esta só se manifesta à medida do amadurecimento dois a sp e ctos: um s o matório, q ue cara c te riza os r es u l t a -
do socialismo. do s d e todos os e lementos d a d i v i são s oci al do tra ba l ho
_Como se sabe, a forma elementar de vinculação entre na esf~ ra da produção materi al, e uma g rande z a valori -
a lei fundamental, por um laqo, e a proporcionalidade mé trica, que nivela toda a v a ri e dade d e valores-d e -us o .
e/ou a eficácia da produção, por outro, consiste no Mas são precisamente e s t a s circunstâncias que c ond i -
seguinte: o melhoramento da eficácia da produção cria ci o nam a ins uf iciincia do rend i men to na cional c o mo um
premissas materiais para o aumento do bem-estar e o i n dicad or pa ra e xpre ssar o e feito máximo da p rodução
aperfeiçoamento da esfera não produtiva, o que, por sua num aspecto socioe conómico adequado às re l ações d e pro-
vez, incute nos trabalhadores e em toda a sociedade d ução socialistas. O rend i mento -nacional só s e adeq ua
interesse numa contínua elevação da eficácia da produção. ao referido aspecto n o caso de ele próprio estar repre -
Essa relação recíproca existe e não deixará de e xistir, sentado em termos mat eriais e traduzir com rigor a cor-
sendo a sua avaliação muito importante para a prática relação entre o fundo de acumulação e o fundo de consumo
económica. Mas esta ;forma · não esgota todo o conteúdo (incluindo a acumulação não produtiva). Só neste caso
das relações recíprocas entre a eficácia e a lei funda- será possíve l isolar no rendimento nacional um efeito
mental. Na sociedaéle socialista madura, assiste- se· a uma út i l def i nitivo supr emo que mate rializa o objectivo
interpenetração das mesmas, proc~sso do qual r~sulta o supremo d a p roduçio s o cial, ou s eia, o fundo in tegral d e
-112- 1 5 -J.
-113-
consumo . Além disso, existe uma forma mai s ampla de
expressar o objectiv o s upremo, o qual con sidera também socia l) para se t ornarem uma condição de desenvolvi men to
integral do indivíduo e ex ter iorizaç ã o da sua energi a
a fun ç ão da esfera não produtiva na satis faç ão das neces-
social e s e c onfund irem c om o f undo do bem-es tar mat e-
, sidades dos membros da s o c i edade: o fund o de bem- estar
ria l. E, por Último, a modificação da f o rma soci al de
material e d esenvolviment o integral de t odos os membros
produção (po r exemplo , a extinção gradua l da produção
d a sociedade. Utilizando os indicadores adaptados pela
me r cantil e, com ela , de todas as actividades comerciai s
econ omia nacional, e s te f undo pode-se conceber, em t ermos
não produtivas ) fará com que uma parte d o fundo d e
quantitativos, como a soma do f undo de consumo, a acumu-
c onsumo não p r odutivo se torne um element o d os fundo s
lação não produtiva e os serviços*.
Uma análise dos referidos elementos do fundo de bem- produtivos e deixe de perten cer aos fundos de con sumo
e de acumulação n ã o p rod ut iva. Sendo as sim , todas a s
estar que n em todas as peça s da s ua estrutura s ã o congé-
referidas peças serão homogéneas na sua i nfluênci a
n e res para a ssegurarem a realização do objectivo supremo
s obre o bem- es t ar e o desenvolvimento int egra l do i ndi-
da produção socialista. Ca da uma dessas p eças pode ,
se gundo o seu grau de influência sobre o bem-estar, v íduo. Hoje, porém, a s ua função na r ealização do objec-
subdividir- se em d uas partes: tivo supremo da produção s ocial ist a é d istinta, facto a
l evar sempre em conta.
1. Peças do fundo de bem-estar material e desenvolvi-
mento · i n tegral dos membros da soci edade. No trabalho es t a tístico e d e planifi cação, são calcu-
lados e lementos i ndividuais d o fundo d e bem-estar e
2. Peças c ons t itu tiva s do cons umo não prod uti vo da
s oc iedade, as quais não traduzem de forma directa os do desenvolvimento integral dos me mbros d a s ociedad e , nio
sendo aquele fund o encarado como um i ndicador geral .
objectivos da p roduç ão s ocialista, nem compõem o fundo
Ent r e tanto , urge que . se inclua no plano um indicador que
de b em-e st ar . Inc luem o consumo determinado pelas neces -
s idades da fo rma social de produçã o (por exemplo , d esen- sintetize a r ealização do objectivo supremo da produção
socialista e constitua o i ndicador central do programa
volvimen to da base material do c omérc i o, imposto .pela
necessidade d e c omercializar a me rcador i a como valor; . social do Es t ado socialista. Evidentemente que todos o s
p r oces sos ligados ao objectivo supremo nio se podem
o consumo nas instituições financeiras e creditícias,
etc .). No mesmo t erreno se si tua a parte do c onsumo s o - expressar através d e um s ó indic ado r . Por isso, a reali-
z ação do objec tivo supremo terá que t er c a racterizado
cial , re l ativa ao funcionamen to da st.Ípersti-utur-a polí-
por um conj unto de i ndicadores . Tal conjun to , todavia,
tica e jurídica (aparelho d e administração estatal , as
Forças Armadas, as organizações sociais, etc.). contém ind i cadores . d e maior e menor grau d e gene r alização.
As peças da segunda pârt·e sao--de ·natureza passagei - O fundo de bem-estar é um dos indicadore s mais important es
para avaliar a medida da r eal ização do o bj ectivo supremo
ra. No futur o, ou desaparecerão t otalmente (por exemplo ,
da produção soc ialista . A sua introduç ã o , portanto, é
as nec e ssidades da defe sa), ou sofrerão uma alteração
indispen sável ao controlo p l anifi cado d a efici cia socio-
subs tancial (digamos, o aparel ho de administração esta - ~conõ mica da produção na etapa presente.
tal, pode rá vir a transfonriar-s e num sistema· de autogestão
A relação entre o fundo d e bem-esta r e as d espes a s
com a produção ou os recursos utilizadbs é o indicado r
mais exacto para calcular a eficácia socioec o nómica da
*Note-se que n ão e um conglomerado, tnas sim uma f orma úni.:.. produ ção na soc iedade socialista na fas e actual. Tem
ca do produto que represen ta o fun do de satisfaç ão uma dinâmica idêntica â da eficá c i a cal cula d a com base
d as necessidad es individuais dos tra b a lhadores associados no rendime n t o nacional, considerando-se constante a
criado pela produção corrente . A sua estrutura, composta
taxa de acumu lação. Mas · uma variação da taxa de acumula -
de várias partes não se deve à natureza do resultado
ção altera t a mbém essas d inâmicas, o que d e termi na, a lém
económico e social _decorrendo, :isso · sim, das p articula- do mais, a nec essidad e d e um cr itério es pecia l, de um
ridades do conjunto de indicadores utilizados na critério supremo d e eficácia.
es tatística e planificação.
Podemos convenc ionar que a eficácia socioec onõmica serj
- 114- 15--2 -115-
·exp r essa por uma fórmula que considere o crescime nto do a ex tensão me c â nica do critério económico nac i onal a os
fun do int eg ral d e cons umo per capita . A estreita depen- o u tros níve is.
dê n cia entre a produção e o cons umo exige que as classi- As relações de produção também determinam de f orma
"ficaç ões da eficácia económica nac ional reflictam todos e s pecífica o aspecto da eficácia socio ec onómica que de-
os tactores que influem sobre o nível de vida real dos pende das despesas e que concretiza os meios de a tingir
cidadãos. Neste caso , esse factor será o crescimento da o obj ectivo supremo da p r odução social . A questão dos
população . "meios" que compõem o e lemento es trutura l da l ei econó-
Mais, se relacionarmos a variação do fundo integral mical fundamental ainda não foi exaustivamente estudada.
de consumo per capita observada na realidade com a dinâ- Todavia, a sua importância é pelo menos igual à do "ob-
mica da necessidade real do indivíduo (em média), então jectivo" da produção, tanto do ponto de vista teórico como
a fórmula da eficácia socioeconómica, sempre de acordo prático. Na sua estratégia económica, o PCUS aponta
com o grau de satisfação das n ecessidades, será a não apenas o objectivo supremo , mas t ambém os meios de
relação que compreenda por efeito útil o nível de satis- o atingir, estes elaborados para períodos mais curtos,
fação das necessidades do membro individual da sociedade ou seja, para os planos quinquenais.
mu l tiplicado pelo número d e habit antes e que tenha por A economia política relaciona os " meios" de
despesas as despesas correntes do trabalho passado e realização do objectivo da produção com a rela ç ã o funda-
vivo (pode-se t ambém utilizar as despesas de recur sos ou me ntal entre as pes soas, e ntre os grupos e as clas ses
de fundos e o efectivo do pessoal ocupado na produção sociais no proc esso de criação de bens . Deste ponto de
material). vista, a eficácia da produção é eficácia da relação fun-
Ao elaborar os planos das empresas, a sociedade prevê damental, como fonte criativa do r e sultado da produção.
não só a realização imediata do objec tivo supremo da pro- No capitalismo, por exemplo, a caracter ística mais
dução social pe l os ramos da II? divisão e da esfera não ampla da relação fundamental ,· e, por consegu int e, do .
produtiva, mas também a criação de condições materiais meio d e real ização do seu objectivo, é o cap ital . Mas,
para rea lização do objectivo supremo. Isso significa que, considerado nessa Óptica não diferenciada, intervém
no plano de criação do fundo integral d e consumo, são como bas e de lucro, não da mais-val ia . Para estabelecer
também incluídos planos das empresas da I? divisão, a relação entre o capital e a mais-valia, é preciso
inclusive as extractoras. O plano económico nacional, por- diferencia r o capital em fixo e variável, determinar a
tanto, preenche todos os requisitos da lei econ ómica relação ent re a mais-valia e o capita l variável. Mais
fundamental, da estratégia económica do Partido e da ainda, é preciso partir de que o capital variável é o
tarefa princ ipal do q uinquénio económico. Cada empresa trabalhador assalariado, que cria a mais-valia. O tra-
encarrega-se de uma tarefa que conta para a realização balho assalariado é fonte única de mais-valia . Mas o
de uma parte desse propósito , participando todas no seu trabalho assalariado não é um simples trabalho, nem um
cumprimento global. traba lho abstracto que cria valor. ~ :uma forma especial
O plano da empresa, seja qual for a forma em que é de trabalho , uma relação entre o capital e o trabalho,
p lanificada a produção (bruta, mercanti l, comercializada i.é, relação de uma forma específica de exploração , ou,
ou produção convencionalmente líquida), será exactamente mais concretamente, relação da criação da mais-valia. A
o efeito socioeconómico regulamentar cuja obtenção terá relação efectiva entre o cap itaiista e o trabalhado r
que ser compatível com as despesas da empresa (completas, assalariado é exactamente o que cria a mais-valia, é
correntes ou dos f undos) . Deste modo , o critério de o "meio" que realiza o "objectivo" da produção capita-
e ficácia da empresa será a economia do trabalho passado lista, - criar e , a seguir, apropriar- se da mais-valia .
ou vivo medida de um modo especial, ou somente. a produti- Entretanto, a taxa de mais-valia é correlação entre
vidade do trabalho vivo. o "obj ectivo " e o "meio", ou seja, expressão efectiva,
Portanto, a aplicação "vertical" de um mesmo· critério autêntica de eficácia do capital. Representa a essência
de eficácia de produção a todos os níveis não signi fica da eficácia capitalista, enquanto oue a taxa de lucro é
- 1 16-
-117-
uma forma tcansfonnad a da mesma , c om que o c ap ita lis t a PLAN IF I CACÃO DA PRODUCÃO SOCIAL
serop r.e d e pa ra na pr áti ca e conómica .
A de f i nição do s meios d e r e a l iz a ção do objecti vo atr a -
v és da relaç ão p rodu tiva fundame ntal 'é t amb ém aplicáv el PaveZ SKIPETRO V,
ã e conomia po lítica d o soci a lismo . A propr.i edade d e todo doutor em Ciênc i as
o povo do s mei os de produ ção é a bas e do sis tema econó- Económi c as
mic o do soc i a lismo . e nessa bas e q ue , no proces so d e
p roduçã o , funciona o trabalho s ocialis ta o r ga nizado ,
liv r e da e x ploração e d e nature za colectiva . Esse tra -· A propriedade d e t odo o pcvo s obre o s me i os d e produ-
balho , q ue e stá em ligaç ão or gânica coffi os maiores ê x i- ção é a necessár i a ba s e s ocioeconómi ca para a afirmação
tos da revoluç ã o c ientíf i c a e técnica contemporânea , é d o novo tipo de vínc ulos e conómicos e a p lanificaç ão d a
a fo n te mais i mportant e d e cond i ções mate riais para o prod u ção. A maturidade desta última d e pende d o ní ve l
au~e n'to do bem-estar e o d e senvolvimento integral d o s ci- das f o rças produtivas e do grau de soc ia l i z ação s o cialist a
dadãos. Ent r e tanto, a pro dutividade d e sse trabalho , expres - da pro dução .
s a no s eu r esultado que refle c te d a forma mais plena A p l anificação da pr odução tem como p r emi s sa ma t e rial
( no mais a l to gra u) a r ea liz a ç ão d o object i vo s upremo d a a produçã o a n teri or , capita l i s t a . Contudo , e s te processo
prod uçã o s o c ialista , é o d e terminant e bás ico de e ficáci a o corre p o r for ç a da s ~cialização soc i a l i sta d os meios d e
socioeco nómi ca des ta última . prod ução ·opera da na etapa d e tra nsição do cap ital i smo pa r a
No s o cialis mo , o progr e s so das forcas produ tiv as e o socia l ismo. Uma vez construído o socia lismo, a p rod ução
ou t r o s fa ctores direc t ame n t e r e spons ávei s pe l o a umen t o da pla nif ica d a a f irma - se c omo forma d omi n a n t e, aperfei ç oando-
produtividade d o t r a ba lho sub ordinam- s e a outro obj ec tivo ; s e à medida que s e vai crian do a base t écnico- ma t e r ial d o
portan t o , actuam c omo um fac tor d e a umento da efic ácia comunismo e a proprie dade s o cialista d e todo o povo se v ai
econóaiic a e social da p r oduçã o s ocial , s end o o t rabal ho tra ns f or mando em comunis t a . No entanto, e st e proce sso
principa l f on t e s ocialmen t e d e terminada d e cresc i me n to do o bjectivo é orien tado pe la s ociedade respe ita ndo o estad o
bem- e s t a r p úblic o . A s oc i edade s ocialis t a só consid era l e - das f o rças produtivas e a s r e lações de produ ção.
gítimos, "de fac t o" d e " de j ure", a s r ecei ta s proveni t nes A plani ficaçã o da produção c oncre t iza- se na prática
do t r aba lho de cada um, princípi o consagrado na s ua Cons ti- s ob a for ma de pla nif icação socia lista, elo c en tral do
siste ma e conómico da s oci edade s ociali s ta .
tuicão .

1 Economia S oviética em 1984 . Anuário Estat -Ístico,


.
A- elani ficaç ão no contexto das relações de produção

Moscov o , 198 5 , p . L125 .


2 Ibi .d. , pp . 5 , 1 29 . A planif ica ção é,de facto , uma d a s r e l ações d e p rodu -
ção ; este postulado permite compreender como funcio na o
J I b i d ., p. 426 . mecanismo da ge stão planificada da economia nacional.
4 O carácter planificado do desenvolvimento significa
Jb i d . , p. 5 2 . que a produção social é coordenada no âmb~to de toda a
5 rb id., p. 5 . sociedade e visa garantir o b em- estar c omp leto e o desen~
6 K.Ma rx e f .Engels, Obras, vol. 25 , parte I , p. 205 . volvimento .multi l ateral d e todo s os trabalhadores. Este
tipo d e desenvo lvimento t e m vários traços particulares .
7 Antes d e t udo, a plan ifica ção é uma forma económica imedia-
Tbid. , vol . 20 , p . 3 2 1 •
8 lhid ., vol. 23 , p . 44 .
tamen te s ocial (que r d i zer não de merc ado e , essenci a l-
ment e , não ma t erial de todo s os v ínculo s e r ela ções e ntre
-11 9-
' p ~od utores unidos pela propriedade de todo o povo sobre duto directamente social com o objectivo de garantir
05
meios de pr odução . Numa economia socializada à escala todas as necessidades s ociais, o bem- e s tar e o desenvol-
de t oda a sociedade, existem, d e f orma object iva, laços v imento multilateral dos membros da soci e dade. ~ precisa-
•e ' relaçÕes econ ómicas entre a sociedade como c e ntro econó-
mente por iss o que a planificação é a f orma social univer-
mico (no socialismo , sob a forma do Estado) e cada trabalha-
sal de funcionamento e desenvolvimento da produção s ocial
dor da associação de todo o povo; entre a sociedade e os
e que determina a forma comunista de direcção económica
elementos produtivos primários (empresas, uniões d e empre- que , aliás , se afirma. já no socialismo - a direcção
sas); entre os elos produtivos primários da economia nacio-
ec.onówica planificada. No comunis mo (socialismo) o s i st ema
nal una; entre as uniões (empresas ) corno componentes d a de relações de produção só pode funcionar e progredir s ob
produção social e o trabalhador . Portanto , o desenvolvi- a forma de ligações objectivas directamence sociai s .
mento planificado , é , antes de tudo, a forma económica Na produção s ociali zada de maneira c omunist a, e m
imediatamente social de vínculos económicos que existem todo o sistema de relações de produção do social ismo,
de forma objectiva entre o centro económico, colectivos
existe uma sequênc i a objectiva de ligações e dependências
de produção e membros da sociedade· em todas as fases do
tipo "causa- efeito" . Contudo, a s s ua s manifestações nas
processo re?rodutivo. · acções uni da s dos homens não podem a ss umir .fo r mas espon-
Mais , o carácter planificado apresenta-se como forma tâneas, pois nesta fase as relações de concorrência e
económica imediatamente social e objectiva de funciona- anarquia da produção ji estão completamen te superadas. Em
mento e desenvolvimento do trabalho·e produção sociais e qualquer fa se da sociedade comunista não hi lugar para
do produto global directament e social já criado. forças antagónicas . Em vez da acção cega e, não raro, des -
A final, neste contexto; o caracter planificado é a
tructiva das leis do desenvolvimento s o c ial da soci eda-
forma imediatamente social de estabelecimento e manuten- de capitalista, em vez da organização s egundo as regras do
ção da proporcionalidade permanente entre a massa e es tru-
mercado, cabendo a este ú ltimo o papel de reg ulado r da
t ura dos meios de produção imediatament e socializados, produção, surge a organização planificada da produção
do trabalho e do produto social global, por um lado, e a social na qual os próprios produtores, a sociedade de
massa e estrutura das necessidades sociais , por outro, trabalhadores livres dirige a produção e utiliza a s leis
ou seja, a forma de ligação entre a produção e o consumo. económicas nos interesses de toda a s o c iedade2.
O desenvolvimento planificado da economi a é a mais
Ora, enquanto a relação de produção principal, expressa
impor tan te expressão da sua socialização . V. I.Lénine na lei económica fundamental do socialismo, det e rmina o
sublinhou que, na prá t ica, a socializaç ão da produção desenvolvimento da produção no interes s e de t odos os
significa a criação "de uma rede extraordinariamente
membros da sociedade, a relação de desenvolvime nt o planifi-
complexa e delicada de novas relações de organização que cado expressa, por sua vez, a necess idade da gestão ec onó-
abarquem a produção e a distribuição planificada dos mica coordenada a n í vel e ·conveniincia de toda a socie-
produtos", a orga~ização, de umà maneira diferente, dos dade e , por conseguinte, a n ecessidade de planificar a
mais profundos fundamentos da vida de milhões de homens , economia nacional de forma centralizad a e proporciona l
a implementação "do registo e do controlo rigorosíssimos is exigências de distribuição do trabalho global entre os
a nível da produção~ a nível da distribuição nacional diversos s ec t ores da produçio social e a inda o sector n io
dos produtos 11 1. produtivo . A relação do desenvolvimento planifi cado en-
As particularidades acima referidas caracterizam quanto forma nova e tipo novo de vínculos económicos aba r -
de forma global o conteúdo obj ectivo da categoria econó- ca todas as esferas da p r oduçio social senso lato, ou s e j R .
mica d e p lanificação, organizacão planificada de toda a a . própria produçio, a d istribuiçio , a treca e o consumo,
produção social. A aplicação da planificação socialista a e, já nesta qua lidade específica, apresenta-se como fo nr ' •
escala da economia nacional é um seu traço. específico universal de todo o sistema d e r e1aç5es de produç~o so -
fund amental. A planificação quer dizer a rerulação, a dalista.
níve l de todo o povo, da produção e da distribui ç ão do p ro- A compreensãn d o car.iicter plani ficado apenas como
-120- 16-J. -121-
direcção económica consciente cond uz à conclusão de que A planificação diferencia- se de modo radical, ineren te
desenvolvimento planificado e a planificação ef ectiva à produção socialista, pela sua enverga dura e conteúdo
0
são noções idênticas . Daí a ideia de que o caracter pla - económico - social, da regulação da produção efeccuada em
'ntficado não é uma relação mater ial, básica. Na realidade, determinadas empresas capitalistas , grupos monopolistas
o des envolvimento planificado, que expressa um aspecto ou no sector público da economia capitalista. A regulação
importantíssimo das relações de propriedade de todo o capitalista é a fo rma com que o movimento de capitais
povo , tem também um conteúdo específico próprio . A ne ces- visa auferir a mai s-valia, l ucros máximos e reforcar a
sidade de planificar decorre do carácter planificado como exploração dos trabalhadores.
relação de produção objectiva e , ao mesmo t empo, apresen- Como o capitalismo monopolista não pode eliminar a
ta-se como forma de sua manife stação . Podemos traças concorrênc i~ ine rente a ~conomia capitalista, de igual
aqui uma certa analogia com a correlação ent re Q valor e modo qua lquer regulação burguesa não exclui a espont aneida-
o cus t o dentr o da relação mercanti l . A planificação como de . Sabe-se qu e G.V.Plekhanov propas que se incluísse no
relação cem uma le i "própria" - a do desenvolvimento p la- segundo projecto do Programa do Partido Operário Social-
nificado e proporcional da economia , e uma forma de ma- Democrata Russo a tese de q~e, no socialismo, a organização
nifestação a dequada a essa lei - a direcção económica capitalista da produção soc ia l seria substituída pela
planificada . Assim como no caso de pre ço, a direcção "organização planificada do processo social de produção
económi ca planificada e a planificação reflectem não s ó que visa satisfazer as necessidades tanto de toda a soc ie-
a le i do desenvolvimento planifi cado e proporcional da dade como de cada um dos seus membros". Lénine em relação
economia, como também todo o s istema de relações de prod u- com isto as sinalo u: " Isso é pouco. Os trusts , pelo visto,
ção e leis económicas do social i smo. Por isso , a c have podem criar esse tipo de o r ganização. ~~is exacto seria
para a solução dos pr oblemas do aperfeiçoamento da edifi- dizer . .. por conta de toda a sociedade (pois, isto inclui
cação económica encontra- se na e l evação do nível cientí- a planificação e indica quem a orien t a) .. . 11 3
fico da dir ecção p lanificada . Os referidos traços da pla - A sociedade de trabalhadores é a "orientadora" da
nif i cação como relação d e pr odução , de modo nenhum elimi- planificação da produção socialista . Com base nos i nteres-
nam a peculiaridade i mportante do soc i ali smo como primeira ses f undamentais comuns dos trabalhadores, proprietários
fnse do comuni smo segundo a qual, nesse período , continuam colectivos dos meios de produ ção modernos , torna-se pos-
vigentes as relações monetário-me r canti s e a lei do valor. sível e necessária a r egulação directamente social, a
A incompree n são da essência e das particularida des direcção planificada de t oda a economia n acional corno um
do car ácter i media t amente social da produção no socialismo, todo único, a distribuição do trabalho global da sociedade .
faz com que a r egulação social d irecta seja entendida dos seus recursos materiais e financeiros proporcionalmen-
pura e simplesmente como método administra tivo de direcção te às n ecessidades.
da economia. O carácter imediatamente social da produção Desta maneira, é absolutament e inadmissível iden ti fi-
socialista significa que a regulação planificada da econo~ 0 car a planificação uma relação espec if icamente socialista,
mia determina os métodos de testao económica e constitui 0 com a regulação capi ta lista . A planificação não pode sur g ir
conteúdo principal da função económica e organizadora do nas entranhas da sociedade capitalista de propri edad e pri-
Es tado socialista . A direcção social da produção directa, vada . ~ uma fonna económica de desenvolvimento e direcção
e imediata, que no socialismo assume a forma administrati- da economia , só inerent e ao modo de produção comunista.
va de ges tão e statal, não pode ser c~nfundida com os méto- ~ Na sua evolução, a p lanificação passa por determinadas
dos administrativos brutos e a perversão burocrática do ,' etapas ·correspondentes ao ní~el de socialização da produ-
centralismo democrático na gestão , fenómenos que normal- ção. Nos marcos da formação social comunista existem vá-
mente têm por b ase o desprezo pelas leis económicas objec ti rios graus de socialização da produção e , correspondente-
vas . O PCUS luta perseve rantemente contra · a administração mente, diferentes graus de cooperação do trabalho e de
burocrática e toma medidas para e l evar o nível da educação maturidade do trabalho e da produção imediatamente social .
económi ca e da competência a<lLlinistrativa dos quadros 16-2
, .
economlcos. -122- -123-
~este cont ex to , s era legítimo evocar os graus socialista Em "desenvolvimento" da concepção s obr-e o carácter
e comunista de s ocialização da produção. O primeiro, universal da planificação alguns autores burgueses
socialista, está li gado a determinadas diferenças quanto ao afirmam que as formas capitalistas, "i:i.dicativas" e
nível de apetrec hamento técnico do trabalho na cidade e "democraticas", da planificação são supeC"iores à planifi-
no campo, nas empres a s do Estado e nos kolkhozes, nos di- cação s ocialista por meio de directri zes.
verso s ramos industriais, e à existéncia de vestígios da Numa outra abordagem burguesa, são negadas a natureza
"antiga" d i v isão do trabal ho . Por isso, no s ocialismo, objectiva e o conteúdo económico da planificação da produ-
a par do trabalho socializado a nível da economia nacio- ç ão socialista. As formas de realização da planific ação
nal , existe também o trabalho socializado apenas à es cala são rotulada s de "mé todo s burcoráticos" de gestão econó-
de uniões cooperativas e até o trabalho não imediatamen te mica e contrapostos aos processos espontâneos de mercado
social iz ado (trata-s e da s economias auxiliares dos operá- "verdadeiramente económi cos"· - e a os métodos indirectos
rios, empregados e, em particular, dos kolkhozianos). que o Estado capitalista uti liza para influenciar esses
Estas particularidades da cooperação e socialização proc essos .
do traba lho são superadas â medida que progridem as No contexto ac tual, a incapaci dade da economi a capi -
f orças produtivas, que se reforça o carácter social da talista de superar uma série de crises agudas de ordem
produção, s e fortalecem os laços entre as f ormas estatal e cíclica e es t rutural põe em evidincia a inconsistincia
kolkhoziana de propriedade, as quais se aproximam para se das alegações dos teóricos burgueses sobC"e o "carácter
f und irem depois em propriedade una de todo o povo. Na planificado" do capitalismo e as vantágeos que os métodos
fase s uperior do modo de produção comunis ta, a cooperação espontâneos de mercado teriam em relaçio ao sis t ema so-
a barcará todos os trabalhadores e o carácter imediatamente cialista de planificação da economia, sistema que é a
s ocial do t rabalho e da produção desenvolver-se- á ao forma de realização cada v ez mais plena da l ei do desen-
máxi mo. volvimento planificado e proporcional.
A literatura económi ca burguesa concede bas tante aten- Os t eóricos burgueses fazem também investidas no
ção aos problemas do c arácter planificado da produção sentido de renovar e moderni zar a s suas i n terpretações
socialista, deturpando a essência~ o sign ificado deste do carácter planificado da produção socialista . Para o
concei t o , sendo s ecun dada pelos revisionistas de dir eita. efeito, avançam a tese de que, a medida que a economia se
As noções burguesas contemporâneas de organização pla- torna mais complexa e se amplia a revolução científico-
nificada da produção socialista reflectem duas abordagens técnica, a planificação socialista torna- se "obsole t a"
opostas mas, ao mesmo tempo, mutuamente complementares . e "entra em crise" .
Por um lado, a plan ificação é encarada como um traço so- Ao mesmo tempo , alguns au t ores burgueses complementam
c i almente ne utro e neces s ário , inerente a qualquer produ- e, parc i almente , substituem a t ese sobre as "i;ealizações"
ção , em particular , ã moderna. Por outro , divulga- se à económic as da espontaneidade capitalista ao afirmar que
tes e de que o mec anismo es pontâneo capitalista de merc ado esta t em vantagens , como forma de reali zação da liber dade
tem várias vantagens em comparação c om o mecanismo econó- e democracia económica, em comparação 'com o dik.tat; d:t
TIÍco soc ialista baseado na planificação . planificâção centralizada . Isto bâseía-s e na compreensão
Para "prova r " essas alegações , os t eóricos bur gue~ es bu r guesa da liberdade económica como liberdade
fazem algumas substituições furt ivas : os elementos de da empresa privada e d e exploração do home~ pelo homem.
consciênci a, próprios de · qualquer·~r ac tividade humana , No socialismo, a liberdade económica é a pos sibilidade
são identificados com a planificação ; os objec tivos da de c ada membr o da soci edade r eal izar as suas capac idades,
produção capit alistas são substituíd os pelos sociais ; par~icipar na direcção da -produção e da sociedade e
igua la-se a planificação da produção socialis t a e a regu- usufruir amp l amente dos benefícios da e conomia social .
lação monopolista - es t atal da e conomia nos pa í ses capita- As f ormas maduras de realização da planificação socialista
listas d esenv olvidos e ainda a planificação d entro das oferecem todas a s condições neces sárias para essas mani-
firmas . festações de l iberdade soci alista .
- 124- - 125-
modo o bj e ct i vo a r e gu l ação e c onómica que é , pe l o s eu c on-
As conc e pções d e econom i stas burgueses c omo L. Nis es, t eúdo ime diatament e s oci al e é e xercida por todo o povo,
F.Ha yek, L.Robbin s e outros s ervem de bas e t eó r ica para atravé s dum p lano económi co nac iona l uno e qu e expr essa
os conceitos revisio nistas de direita s o bre a pla n i f i ca- os la ç os d e t i po " causa- efeit o" objec t i vament e n e c e ssário s,
~ io nas c ondições do socia lismo rea l. e ssenciais e em constante rep e t ição que exis tem na pro-
A prática de direcção e conómica sociali s ta desmente dução socializa da entre a estrutura - das d espes as do
as teorias burguesas alicerçadas na contraposição me tafí- trabalho social (por conta de toda a soc i e dade), por
sica vulgar da planificação centralizada à iniciativa um lado, e · a e s trutura das necessidad es s oc iais, por
económica . Na realidade, ambos os elementos do mecanismo outro. Esta lei também e stabel ece o equilíbrio entre
da economia socialista entram em relação e interacção a distribuição do trabalho (recursos labo ~ais , materiais e
dialéctica cada v e z mais estreita à medida que esse me- financeiros) pelos diferentes sectores da economia e
canismo se vai ape rfeiçoando. Particularmente, a passagem as necessidades sociais globais; a direcção económica
para o sistema de direcção da economia nacional composto harmoniosa por meio da ma nutenç ão conscie nte das propor-
por dois ou tre& elos coloca no centro da planificação ções necessárias nesse momento .
centralizada, como seu objecto principal, uma grande união Ao materializar o domínio económico dos produtores
de produção organizada segundo princípios de cálculo econó- associados base ado na propriedad e de todo o povo e na
mico socialista e independente no pla no económico-operati - subordina ção total da produção à s neces sidades sociais
vo. Com e feito , os elos inferiores do aparelho produtivo conjuntas, a l e i da planificação assegura um d e s envolv i -
adquirem ma ior liberdade de manobra económica . Ao mesmo mento impetuoso das forças produtivas e das relações
tempo, as uniões de produção corno grandes elementos da eco- de produção. O socialismo e o comunismo são impossíveis
nomia nac i onal adquirem a possibilidade de participar sem a organizaç ão planificada da produção social e da
mais activa me nte e a níveis diferentes na e laboração e distribuição dos produtos a esc ala da sociedade .
concretiza ção cria dora dos planos económi cos . Neste contex- Assinalando o importante papel que o desenvolvimento
to, os Órgãos económicos centrais concentra m a atenç ão na planificado da economia t em para a consolidação do novo
manutenção das proporções económicas à escala global e · modo de produçãd, Lénine escreveu: "só uma construção
ocupam-se da gestão dos complexos regionais ou grupos de que se realize de acordo com um grande plano geral, pro-
ramos afins. curando aproveitar de forma harmoniosa os valores económi-
Além disso, o aperfeiçoamento das relações que as cos, merece chamar-se socialista" 4 . Na etapa actual,
uniões de produção mantêm uma com outra com base no reforça-se a socialização da produção, aperfeiçoa-se o
cálculo e conómico cria condições para o controlo reéíproco mecanismo de acção da lei do desenvolvimento planificado
em t oda a cadeia de vínculos horizonta is, inclusive os e proporciona½cresce a importância da planificação para
problemas d e qualidade dos artigos , estrutura e ritmo dos o aumento da produção social.
fornecimentos, etc. Em perspectiva o princípio da respon- A lei do desenvolvimento planific~do e equilibrado
sabilidade material mútua ampliar-se-á também na vertical, da economia possui um conteúdo específico inerente às
particu larme nte no que respeita à exac tidão da planificacão. relações de planificação e uma medida qualitativa, o tem-
po de trabalho imediatamente social . No capi tali smo ,
A lei do d esenvolvimento planificado e equilibrado da esta regulação concretiza-se através do movimento dos
economia e as suas aplicaçÔes preços de mercàdo. No comunismo (socialismo), no ámoito
da propriedade socia l sobre os meios de produção, a regu-
A planificação como a forma ma is geral de funciona - lação da produção decorre através do controlo direc to e
mento das relações de propriedade d e todo o povo expres s a- consciente .do tempo de trabalho, controlo realizado pela
se , praticamente, numa lei económica objecti va do modo sociedade.
d e produção comunista vigente em ambas as fases qo comu- No socialismo, a regulação da estrutura de produção
ni smo , a lei do d e s envolvime n t o pla nific a do e equ i librado do produto global efectua-se , consoante as necessidades
da economi a (lei da planific ação) . Es ta l e i de termina de
-127-
-126-
utiliz ação do tempo i med iata- trabalho , os recurs os materiais e financeiros sejam
, soe ia is. por inte nnédio da
ment e social d e trabalho . F . Engels, ao falar da s oc i eda de distribuídos pelos prin cipa i s s ectore s da economia nacio-
. 1
socialista futura. assina ou que a utilidade de diferen- nal consoant e um plano único e de acordo com as ne cessi-
li

~es objectos de uso será avali ada e comparada entre s.i. e dades da sociedade .
em r elaç5o à quantidade de t rabalho necess ario para produ- As proporções d o trabalho social, a ssumem n ovos traços>
zi- los e, em última análise, det e rminará o plano"5. o s eu objectivo e con teudo passam a incluir o bem- e star
A formação da es t rutura da produção s ocializ ada e o desenvolvimento multi lateral das c a pacida des de todo s
socialista é c ontrolada pelo Estado dos trabalhadores.· os membros da sociedade . Po r isso , a distribuição equili-
A sociedade de.termina a li ga ção entre a quantidade do brada do trabalho surge c omo forma objectivamen te necessá-
t empo social de trabalho n e cess ário para a produção de um ria de movimento da produção social dominada pela l e i eco-
objecto e o volume da nece ss idade social por ele satisfei t ~ nómica fundamental d o s o cialismo .
K. Nar x sublinhou a forma planificada e ime diatamente so- O dese nvolvimento planificado é impossíve l s e m a
cial do trabalho e do tempo de trabalho c orno medi da uti- interliga ção total da economia s oc ial, em que os diferentes
l izada pela sociedad e para regular a s proporções da produ- elos da cooperação geràl do trabalho são organizados pa ra
ção s ocializ ada : " Sua d istr.i.buição s ocialment e planeada a produção coordenada do produ to soci al globa l . Pressupõe -
e stabelece a proporção a dequada entre as d i versas funções se7por conseguint e, que à escala de t oda a sociedade
11
do trabalho e as diversas nece ssidades 6. existem o equilíbrio e a c oordenação o a actividade econó-
A discribuição ào trabalho s ocial segundo os t ipos de mica.
produção abrange t anto o trabal ho vivo corno o ma t eriali- A manutenção permanente. do referido equilíbrio não
zado ~m diferentes meios de produção . As p r oporções carac- q uer dizer, contudo , que a correla ção e n tre d i versos
terísticas dos diversos tipos de trabalho constituem uma s e ctores da economia permaneçam i mu táv eis ao longo dos
unidade e são elos interligados da economia nacional una. anos, pois isto prejudicaria o aumento da e ficácia e
O facto de as múltiplas proporções s erem reciprocamente a satisfação mais plena das crescentes necessidas mater iais
coordenadas e correspondentes, significa que o equilí brio e espirituais e por Último , s e ria contrário à lei econômica
depende de muitos factores à e s cala de t oda a economia . f undamental do socialismo. O equilíbrio permanente exige
A forma social e a maneir a c omo se estabelece o equilíbrio não a manutenção das proporcõ es estabelecidas , mas que se
na economia . dependem plenamence do regime econó mic o domi- garanta a c o ordenação r ecíproca e o equil í b rio e n tre todas
nante e, particularment e, das r elações de propriedade a s proporções de distribuição do trabalho social , por
dos meios de produção . um lado , e o volume e a estru tura das necessidades socia is
No capitali s mo , a di s tribuição do trab alho v i vo e globai s, por outro, que se veri fique o equilíbrio de
materializado assume a forma espontânea de merc ado , pelo toda a e conomia nacional face is alterações das ne ces s ida -
que as pr oporções econ6micas e os vínculos da prod ução so- des e proporç õ es económicas c oncretas nas condiçõe s do
cial se materializam median t e oscilações permanen t es , progresso técnico contínuo .
d issipando a rique za nacional e agravando a si t uação dos Na economia Dacional, as proporçõe s fo rmam-s e com
trabalhadores. 11
• O capitalismo, esc r e v eu Lénine,
•• base no progresso científico- técnico em todos os ramos d a
precisa da crise para cri ar um equilíbrio permanentemente produção sociálista . Daí, o dinamismo do equilíbrio
abalado ... "7, A situação típica da e conomia c apitalista económico que garante o incremento da eficácia da produção
é a permanente quebra do equilíbrio económico. li) social. A nova técnica pe rmite criar mais valores materia-
Uma v ez firmada a propriedade d e todo o povo sobre· t'-
'(l)
i s, e, res pec d.vamente, sa.tisfazer melhor as necessidades
os meios de produção, são radicalmente transformadas a '(li sociais crescente·s , mantendo ao mesmo nível (ou até redu-
fonoa económica dominante de distribuição do trabalho z indo) os gastos do trabalho social .
s o cial entre os diverso s elos da produção. social , e o A const rução da sociedad e socialista desenvolvida foi
carácter e a forma do equilíbrio económico ge ral. O so- acompanhada, na URSS , de notáveis transformações na escala
r. i a lismo oferece a possibilidade e exi ge q ue o tempo de e estrutura da produção soci a lista que~. tornaram mais
-128 - 17 - 1 -1 29-
,, ,1 • -
c ómplexas com a ampliaçao dos laços economicos e o avanço Na sociedade dominada pela propriedade privada, a
da revoluçã o científico-técnica . I sso s erv iu d e base produção é regulada p ela le i do cus to. A s ua acção é
ob j ectiva para a transfor mação das p r i ncipai s proporções garantida pelas osci laçõ e s espontâneas da oferta e da
~i produção social, facto corroborad o pelos números s e guin- procura e pelo respectivo movimento dos preç os de mercado
tes. De 1970 a 1983, a parcela dos trabalhadores da esfe- sob a influência da concorrência entre os produ tores.
ra de produção material baixou de 77,1 para 73,4%; Através da lei do valor realiza-se a lei da mais-valia
respectivamente, a parte dos ocupados na esfera não-produ- e outras leis económica s do capitalismo.
tiva subiu de 22,9 para 26,6%. No entanto, o produto social Nas condições da prod ução socialista imediatamente
bruto, a produção da indústria e agricultura, duplicou8. social, a economia é regulada pela lei do desenvolvimento
Para garantir as devidas proporções e o equilíbrio planificado e equilibrado. A revelação do seu conteúdo
dinâmico da economia nacional, realiza-se a regulação e o permite definir o mecanismo objectivo mediante o qual ela
controlo das proporções económicas gerais (entre a produ- é realizada,e a interligação num sistema único de todas
ção e o consumo do produto social, entre as duas subdivi- as outras leis económicas do socialismo.
sões da produção social , entre o consumo e a acumulação A lei do desenvolvimento planificado da economia ofere-
na estrutura do rendimento nacional, etc.). Também são ce condições favoráveis para o aumento da eficicia da
r e guladas as propor ções d entro e entre os ramos a nível produção, economia do tempo de trabalho e crescime nto
de tod-0 o complexo económico, regiões económicas e unida- indeclinável do rendimen to do trabalho social .
des administrativas territoriais, por exemplo, repúblicas A s a tisfação das necessidades e as alterações no
federadas, para o nivelamento geral do desenvolvimento rendimento do trabalho dependem não só dos meios de pro-
económico e a formação de um complexo económico único e dução que podem ser cria dos, mas também em medida consi-
eficaz à escala nacional. · derivel, dos meios de produção já existentes, do seu
O desenvolvimento da cooperação económica em geral aproveitamento racional e da economia de todos os recursos
e da cooperação internacional socialista em particular materiais e energéticos.
faz com que se amplie e aprofunde a socialização do tra - A orientação da produção socialista para a satisfação
balho e surjam condições para que a lei do desenvolvimento cada vez roais plena das necessidades dos trabalhadores e
planificado e proporcional da economia ·comece a actuar o desenvolvimen to multilateral do indivíduo determina o
à escala de toda a economia socialista mundial. Cresce incremento da produção e o aperfeiçoamento das relações de
a importância da actividade planificadora colectiva dos produção acompanhada da solução das tarefas sociais corres-
países socialistas e da regulação das proporções económi- pondente s, pbmeadamente, a transformação do carácter do
cas internacionais de acordo com os interesses gerais e trabalho e o aperfeiçoamento da distribuição dos produtos .
particulares dos parceiros. O desenvolviment o de todas as esferas da p rodução social
A manutenção permanente do equilíbrio económico deter- é regulada p ela socied a de com base na cogn ição da l ei
mina a necessidade de criar as respectivas reservas e da planificação e de todo o sistema de leis económi c as .
stock material Óptimo que garanta . a reprodução social A sociedade ut iliza conscientemente a lei do d esen-
normal e satisfaça necessidades imprevistas. A fundamenta- volvimento planificado e equilibrado e as o u tras leis
ção cientifica das normas (e de todo o material normati- e conómicas do socialismo. Daí , o pape l particular da
vo) e o respeito rigoroso p_~la disciplina do plano são actividade económica do Estado socialista, que, no pro-
particularmente importantes. (O cesso de organização planificada da produção social, as -
A regulação planificada. da economia nacional não só segura a coordena ção d os interesses económicos das clas-
estabelece proporções objectivamente condicionadas . entre fü
1 ses e grupos sociais de trab alhado res e a posição dominant e
o_gasto . do trabalho,os meios materiais e as necessidades dos interesses de todo o povo. Neste p r o c es so, as for.mas
sociais, mas também mantém a concordância permanente das e métodos de direcção e con omica realizada pelo Estado são
formas de organização social do trabalho e da produção ao obj ectivament e condicionados pela a cção da lei do desen-
nível e carácter das forças produtivas. volvimento planificado e equilibrado e p elo n ível atingido
-130- 17-2 -131 -
" nà construção s ocia li~ta e _comuni:t~. A ~ctividade dos O AP~RFEICOAMENTO DAS RELACÕES DE
6rgãos do Estado na d:recçao _eco~omica visa~ antes de DISTRIBUI CÃO
tudo, dominar o mecanismo obJec t i vo de funcionamento das
leis econômicas e modificar o mecanismo económico nacio-
, nal de modo a que corresponda a essas leis e às novas Evgueni KAPUSTIN,
condições de produção. membro corresponden te
O nosso país cem uma riquíssima experi ência de direc-• da AC da URSS
ção planificada. No entanto, face ã crescente envergadura
da economia e objectivos de intensificar e aumentar a
eficácia da produção e a qualidade de todo o trabalho, e Mediando entre a produção e o consumo, as relações
necessário melhorar ainda mais a planificação , empregar socia l istas de distribuição têm como principal missão,
habilmente todas as alavancas e estímulos económicos e por um lado, levar a produção atê ao consumidor, satis -
aperfeiçoar a es trutura organizativa e os métodos de fazer o mais plenamente possível a procura dos membros
direcção . da soci edade , des envolvê-las em todos os sentido s e,
As medidas toma das pelo Parti do Comunista para no final de contas, elevar o rendimento socioeconómico
aperfeiçoar a planificação decorrem dos traços e vantagens da produção; por outro lado , criar, manter e des envolv er
fundamentais da produção imediatamente social, e reflectem o incentivo materia l para que todos os membros da socie -
o grau mais elevado da sua concentração socialista atingi~ dade participarem o melhor possíve l na produção socia l .
da na sequência do desenvolvimento das uniões da produção· O aperfeiçoamento das relações de distribuição é uma
o mais alto grau de maturidade da propriedade socialista. das condições indispen sáveis à realização da política
económica do Partido, orientada para urna brusca mudança
para a intensificação económica , a fim de el evar a efi-
ciência da produção social . O aperfeiçoamento da distri-
V.I.Lénine, Obras Completas, vol. 36, p. 175. buição e o rigoroso controlo da proporcionalidade entre
2 a contribuição laboral e a distribuição são, ao mesmo
Ibid. , vol . 1 , p. 253. tempo, fac tores fundamentais da materialização da lei
3 econónµ.ca fundamental do socialismo.
Ibid., vol. 6, p . 232 .
4 Ibià., vo-1. 37, pp. 2 1- 22. As leis da distribuição socialista

5 A essência das relações de distribuição, parte orgâ-


K.Marx, F.Engel s, Obras , vol. 20 , p. 321 .
nica do sistema de r elações socialistas de produção, é
6 determinada pela propriedade social dos meios de prod uçã o .
Ibid., vol . 23, p. 89. Com base nas re l ações de distribuição·, a sociedade s o-
7 V.I.Lénine , cial ista as s egura: pri meiro, a par ticipação na produção
op . cit. vol. 3 , p. 62 1. soci a l de todos dos membro s da soc iedade aptos p ara o tra-
8 Econorrtia Nacional Soviética em 1983, M. , 1984, balho; segundo , a reprodução damão-de- obra, incluindo
pp . 47, 384 . instrução geral e profiss i onal; terceiro, sustento dos
memb r o s da s ociedade parcial ou totalmente incapacitados
para o trabalho .
No sociali smo , a s relações de distribuição são de
enorme importância para a realização da sua lei económica
fundamental. Elas influem activamente t anto no objectivo
da produção social ista, como nos meios de o atingir.
- 133-
_Subordinando-sei lei fundamental e sofrendo a influên- distribuição e consumo é incompatível com as concepçÕP~
cia da lei do desenvolvimento proporcional e de oucras, de K.Marx e F.Enge ls, que se opunham firmemente ao
as relações de distribuição, ao mesmo tempo , evol uem igualitarismo. A igualdade de direi tos e deveres peran-
, · obedecendo a lei s · económi cas p róprias . te a sociedade não significa urna igualdade na fruição
A distribuição, no socialismo, realiza-se em duas dos bens materiais. O igualitarismo na distribuição so-
formas: segundo o trabalho e através dos fundos sociais cialista não é um indício de maturidade, de maior igual-
de consumo. São distintas as leis económicas que expres- dade social ou de aproximação do pleno comunismo, mas de
sam a essência dessas duas formas de distribuição: no insuficiente desenvolvimento da sociedade socialista.
primeiro caso, actua a l ei da distribuição segundo o Como as outras leis económicas da fase inferior do
trabalho; no segundo, a lei da distribuição através dos comunismo, a lei da distribuição segundo o trabalho re-
fundos sociais de consumo. Aqui, a distribuição efec- vela-se da forma mais plena e ampla na etapa do socialis-
tua-se, em primeiro lugar, de acordo com a necessidade mo desenvolvido. Nesta fase, é preciso assegurar, pri-
dos membros da sociedade em bens e serv i ços, os quais meiro, uma correspondência cada vez maior imedida do
não são colocados em dependência do trabalho; em segundo trabalho, segundo, a aproximação da medida do consumo à
lugar, entre os membros da sociedade ainda ou i i inaptos medida do trabalho, e, terceiro, a aproximação das formas
para o trabalho. de distribuição segundo o trabalho nos sectores baseados
A distribuição da parte fundamental dos bens materiais na propriedade d e todo o povo dos meios de produção e na
e espirituais segundo o trabalho leva a que os trabalha- propriedade kolkhoziano-cooperativa socialista. A lei
dores se interessem pelos resultados do seu trabalho da distribuição s egundo o trabalho é a essência da form~
i ndividual e colectivo. A essência dessa lei objectiva bisica de distribuição no socialismo . Esta l ei influi
reside em que o grau de participação de cada trabalhador na reprodução da mão-de -obra e estimula o seu eficaz
na produção social (a quantidade e a qualidade do tra- emprego no processo de produção .
balho socialmente necessário em determinadas condições Ao mesmo tempo, uma necessidade objectiva, no social is-
de produção) representa , ao mesmo tempo, o critério de mo, é a distribuição de determinada parte dos bens
distribuição da parte principal do fundo de consumo . materiais e espirituais através dos fundos sociais de
Canalizar essa lei para o interesse da sociedade signi- consumo, independentemente ou apenas em dependência
fica garantir o interesse material individual do trabalha- i ndirecta do trabalho dos membros da sociedade que gozam
dor pelos resultados de seu t rabalho mediante a depen- desses subsídios e privilégios .
dência directa entre a sua contribuição para a produção Na l i teratura económica dos anos 50 predominava a
social e a parcela · do fundo de consumo. Tal necessidade opinião de que as relações soc i alistas de distribuição
emana de que, no socialismo, o trabalho apresenta dife- são geridas apenas pe l a lei da dis tribuição segundo o
renças socioeconômicas substanc iais e não se transformou trabalho. O que não correspondia evidentemente i realida-
ainda na primeira necessidade de todos os membroR da de; pois também naquela altura parte:considerável dos
sociedade. bens e serviços era distribuída . através dos fundos so-
A lei da distribuição segundo o trabalho é inerente ciais de consumo, em forma de subsídios e privi légios.
apenas à fase inferior do comunismo e reflecte as suas A posterior e brusca ampliação .do consumo dos trabalhado-
particularidades . A necessidade da sua utilização no res à custa dos fundos sociais, no período de transição
socialismo fo i convincentemente demonstrada pela teoria para o socialismo desenvolvido, mostrou que, no socialis-
marxista-leninista e confirmada na prática da construção mo, a distribuição realiza-se em duas formas, cuja essên-
socialista. cia não pode ser expressa unicamente pela lei da dist:ri-.
A distribuição· segundo o trabalho encontra-se em buição segundo o trabalho .
contradição antagónica com o igualitarismo pequeno- bur- A distribuição em forma de subsídios e privilégios
guês. Encarar o socialismo como uma "igualdade total" na dos fundos sociais de consumo tem como função:
- conceder a todos os membros da sociedade a possibi-
-134- -1 35-
lidade de sattsfazerem necessidades importantíssimas, Esta contradição objectiva soluci ona- se, no socialismo ,
'sacisfacio que nio pode depender do trabalho de cada um: at r avés da actividade planificadora da soc iedade, sobr etu-
instrução, reciclagem profis s ional , assistência médica, do do Estado, já que essa necessária propo rc ionalidade
etc .; não pode ser alcançada espontaneamente. Levando em linha
_ sustentar materialmente aqueles membros da socieda- de conta a realidade s ocioecon6mica , guiando- se pelas
de que, devido ao s eu estado de saúde, n ão podem, exigências da lei ec onómica fundamental e pela nece ss i -
temporária ou pennanentemente, participar na produção dade de elevar a eficiência da p r odução , a sociedade de-
social e, portanto, na distribuição do s fundo s de consumo termina, em cada sua etapa , a melhor correlação entt e as
segundo o trabalho; formas d e distribuição dos fundos d e consumo , r egendo-se
- reduzir as diferenças no consumo dos membros da pelos seguintes pri nc ípios:
so ciedade, a s q uais resultam da situação fanúl i ar, sobre- - o papel determinante da distribuição segundo o
tudo, do n~mero de f ilhos . Isso é muito importante, trabalho ;
tanto para elevar a e fi cácia dos estímulos materiais - o sustento dos membros da socied ade pe rmanente ou
como para solucionar problemas demográ fico s . tempora riamen te inaptos para o trab alho à custa dos
A aproximação en t re as medidas do trabalho, d a resul tados do traba l ho de t oda a soci edade ;
distribuição e do cons umo é feit a através dos fundos - a ob t enção de u ma u nidade cada vez maior entre tra -
sociais de consumo não somente mediante a concessão de balho, dist ribuição e consumo , inclusive , através de con-
subsídios aos casais com filhos, mas t ambém aos estabe- siderável e crescente auxílio às famílias na educação
lecimentos infantis, s ustentados, no fundamen t al, pelos dos filhos;
fundos sociai s de cons umo. I ss o permi t e a milhões de - a garan ti a da i gualdade social no que diz respeito
mães p articipar activamente no trabalho socialmente ã sa tisfação de necessidades sociais importantes, como
útil e, assim, equilibrar o orçamento familiar. instrução geral e especializada, assistência médica,
A existência de duas formas de distribuição d os bens descanso e desenvolvi mento fí sico , várias necessidades
materiais e e s pirituais provoca uma certa contradição esp irit uai s, etc .
não antag6nica, objec tivamente condicionada ent r e a A correlação entre as duas formas de dis t ribuicão
parte do fundo de consumo distribuída aos trabalh adores dos bens mater iais e a estrutura interna de cada uma
da produção socialista de acordo com a s ua contribuição ·delas é determinada , em grande parte , pela estrutura da
lobo ral, visando a reprodução da mão- de- obra e o est í- população e das suas necessidad es . Assim, o crescimento
mulo do trabal ho,~ a parte destinada à distribuição da parcela dos cidadãos de idade avançada e o aumento
em forma de subsídios e privilégios dos fundos s ociais das suas pensões , devido ao crescimento das necessidades,
de consumo . Tal contradição resolve-se melhorando a o papel cada v ez ma i or dos bens espi r ituais, principal -
proporcionalidade entre as duas partes, proporci onalidade mente da instrução , e m consequênc i a d o progresso t é cnico-
q ue não pode s er arbitrári a . · A ampli ação não fund amenta- cien t ífico , o aper f eiçoamento da ass i stência médica, etc.,
da de uma forma em detrimento da outra causa sensíveis cond icionam hoje (mesmo sem a i ntrodução de novos privi-
prejuízos à produção social , à elevação da sua eficiência légios) um r elati vo a umento dos subsídios e dos priv i lé-
e, no fundo, à satisfação das necessidades materiais e gios · d os fundos sociais de ~onsumo em comparação com os
esp irituais dos membros da sociedade . Ao mesmo tempo, a aumentos sa l ariais.
necessidade objectiva da existência das duas formas de Um lugar especial na distribuição através dos fundos
ti
distribuição s oci ali sta não signif i ca que ambas tenham t- sociais d e c o nsumo ocupam as pensões e subsídios aos per-
0)
a mes ma importânc i a para o crescimento d a produção o u qu e N
manente ou prov isoriamente i naptos para o tra balho, assim
não requeiram um determinado e permanente equilíb rio como o pa gament o da s férias. Este s gastos e as suas pro -
entre elas em todas as etapas da construção social is ta po r ções não são determinados pelo vo l ume das necessidade s
e do comunismo. Essa correlacão sofre inevitáveis dos c i dadãos, mas pelos resultados do s eu trabalho. Aqui
alterações . funciona a lei da distribuição segundo o trabalho, embo-
- 136- 1 8-1 -117-
·ca numa forma específica, indirecta, pois o montante
das referida s pen sões e sub sídios e as cond ições dares - dos traba lhador e s através da remuneraçã o do t rabalho
pec t i va concessão não são dete rminados pel o t rabalho pre- e a través dos fund os sociai s d e c onsumo, negando q ue
sen ce dos s ub s i d iados, ma s pelo trabalho q u e executaram estes ~ltimos assuma m um papel e st imul ado r . F.Engel s
no passado . Por isso, a o comparar-s e o cresci- s ublinhou q ue o crescimento da p rodução "ser ia f omentado,
mento d a remuneraç ã o segundo o trabalho e a dos fundos em primeiro lu gar, po r um regime de distribuição que
soci a is de consumo não s e poderá c o ncl uir que c resce o u permita a todo s os membros da s oc iedade desenvolve r.
dimi nui a pa rc ela da distribuição s egundo o trabalho.~ manter e exercer , em todos os a s pectos possíveis, as
preciso considerar q ue o crescimento dos fundos sociais sua s capacid a des"1.
de consumo na parte c ondicionada pelo aumento das pensões Uma das particularidades mais importantes das rela-
e subsídios é o crescimento do fundo distribuído indi- ções de distr i bu ição no socia l ismo desenvolvido é a
rectamente d e acordo com o tra balho . Essa s subvenções aproximação entre a med ida do traba lho e a do consumo
só são i ncluídas nos fundos sociais de consumo por não melhorando os s ubsíd i os dos que não podem trabalhar,
s erem geradas no momento pre sente pe los subsidiados nomeadamente, das crianças, à custa dos fu ndos sociais
(como no caso d a distribuição salarial), mas sim pelos de consumo , eliminando-se a ssim, uma das maiores, pa r a
membros da soc ied a d e que p4r ticipa m no momento na produ- usar uma expressão de Lénine, "injustiças" na d istri-
ção socia l. Trata-se d e uma subtração neces sária a o pro- buição social ista . Ao ampliar-se, no fut~ro , o n~mero de
duto do seu trabalho . subsidiados pelos fundos sociais de cons umo, deve- se ter
A relação entre a refer ida parte d o s fund os s o cia is e m v ista ess a impor tante cons e quência social.
de consumo e os resultados d o t raba lho refo rça considera- A parcela d os fundos soci ais de consumo no volume dos
velmente a influincia da lei da distribuição segundo o rendimen tos monetários e naturais dos trabalhadores
t raba lho no crescimen to da produção e sua efi ciinci a cresceu sub s t anci almen t e no s a nos 50 e 60 , principalmente.
e aumenta a f orça d o s estímulos materiais através dos devido à reforma d o sistema de aposentações, que fo i
salários e da distribuição segundo o trabalho nos a lar gado aos ko lkhozianos, à concessão de v antagens aos
kolkhoz es . casais com muitos filhos, ao rápido crescimento das ver-
O i nteress e material do colectivo de trabalhadores bas de s tinadas à instru ç ão e assistência médica. O pes o
s ofr e ainda acentuad a inf l uincia da parte dos fundos s o- específico desses fundos continua a aumentar.
cia is de c ons umo formada com os lucros das empresas e Um exame dos orçamentos familiares d o s o perários
dos kol khozes. O seu volume d epende d i rectamen t e d o da indústria ( quadro 1)2 demonstra que cresceu notoria-
trabalho do colectivo . Os i xi tos do c olectivo expressam- mente a parcela dos subsídios e vantagens dos fundos so-
s e no aumen to das verbas que as empresas canalizam para ciais de consumo na estrutura geral dos seus rendimentos
a melhori a das condições de trabalho e de vida dos tra- n os anos 50 e 60 . e uma certa estabilização dessa parcela
balhadores. Essas verbas s aiem do fundo social de consumo nos Últimos anos, paralelamente ao rápido aumento do
d a s empresas · e s~at ais, c hamadas a! fundos de a ctividades montante absoluto desses fundo s.
s ocioculturais e de cons trução habitacional . Os fundos Em 1982 as subv enções dos fundos sociais de consumo
soci alis d e consumo d as empresas têm uma acção positi- aumentaram mais de 27 veze s em relação a 1940. No entan-
va na . disciplina do trab a lho e reduz em a rotatividade to, pouco a pouco, baixam os ritmos prioritários de cres-
da mão-de-obra, já que visam melhoràr as condições de cimento dos fundos sociais de consumo. Em 1966-1970, o
(O crescimento dos subsídios dos fundos sociais .de consumo
trabalho e de vida, de descanso, elevar a qualificação ' I"-
profission·a1 dos trabalhadores, e assim por diante. superou em aproximadamente 1 ·, 3 vezes o crescimento do
' O)
C'II fundo salarial, en quanto que em 1971-1975 esse cresci-
Na etapa do socialismo desenvolvido cresce substancial-
mente a importância de todos os fundos sociais de consumo mento foi de 1,2 e em 1976-1980 de 1, 1 ·vezes3.
para o crescimento da produção. Por isso, não têm razão O aumento . dos rendimentos da população, no socialismo
os que contrapõem as f ontes de crescimento dos rendimentos desenvolvido, faz -s e no fundamental, através da elevação
dos salários, que estão estreitamente ligados à quantidade
-138-
18-2 -139-
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e q ual i dade do trabalho e à eficiência -da produção, e


e s timula- os em ma ior grau. O crescimento dos salários é-
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respons ável por cerca de 80% d o aumento dos rendimentos 0<') -'1" -
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dos trabalhado r e s, o que demonstra serem decisivos os - N

salários na distribuição (quadro 2J4.

Tendências das mudanças na diferenciação dos


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rendiment os laborai s
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A lei económica fund amen ta l do soc ialismo e ncaminha
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para a satisfação máxi ma , atendendo ao nível a produti-


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das n ecess idades materiais e espiritua i s dos cidad ãos e,
ao me s mo tempo , para a ut i lização dessas relações como
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um me io importantíssimo do crescimento da produção.


Pressupõe-se, por um lado , a satisfação mai s plena

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possível das necess ida d es de todos os membros da s oc ieda-


d e ; por outro l ado, a diferenciação· obrigatória da sa ti s- ·
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dição não é absolu t a, mas r elativa , pois ambas as coisas
visam, no fundo , o mesmo objectivo- a satisfação máxima
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soc i o económico. Es ta contradição r elativa res o lve-se ctl


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infl~ência no r endiment o da produç ão; (1)

* Nos rendimentos mínimos são incluídos t a mbém os subsí-


dios dos fundos soc iais d e con sumo não r elacionados com
o trabalho. - 140-
- - aperfeiç oamento da planificação sa larial, inclusive
dos métodos que a ss eguram r itmo s prioritários de cresci-
mento da produt ivi dade d o t ra balho sobre o s ritmos de
e l evação dos s alár i os e o melhor emp re go dos recursos la-
o ......
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subvençõe s de férias de g e stação e parto, de férias
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cerca da metade d e todos os subsídios provenientes des-
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1-1 •.-1 ~ § .....Do .. .. .. .. .. .. .. ..
\D -.:T r - N V'\NOOO

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s es fundos e mais de 90% das subvenções em dinheiro (in -
clu indo o pagamento das férias).
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.... .D UI e:: ::, -<t 00 ONI.O CJ"\M-.:T
Para que haja uma diferenciação na r e muneração do
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•111 Ili Cll .,, -e, <.)
1-1 ...... trabalh~ diferenciação objectivamente necessária e
(l)
p. o possível em determinadas condições socioeconómicas (de-
o <11
pendendo da complexidade, intensidade, r esponsabilidade
.....o (.),

....
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(1j
-e, e condições de trabalho , isto é, depe ndendo da qu~lidade
-e, 'QJ Q)

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,......"" _ C""'l...O do trabalho em s en tido lato), exige-se uma divisão Óptima
-e, s '°
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(l) ..-
-a-o°' -ooa-
...:r r-,.,O -lr"I CO _. .,....
em duas partes de todo o fundo de consumo individual, a
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Ei e:: !1--t <11
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rios â reprodução da mão - da-obra e a:segunda uma diferen-
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00 O'\ 0
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ciação dos rendimentos para além desses limites de acordo
com a quantidade e qua lidade do trabalho .
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11.1
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M V:, 00 O\ N I.O ,-...
- "'-° ......... A resolução prática dessa t arefa baseia-se na d efini-
ção do nível mínimo necessário e possível, em determinadas
....<11
•Ili
condições, da sat isfação das necessidades materiais e
ti) espirituais dos trabalhador es e · dos membros das suas
famílias (incluindo os i naptos para o trabalho) e o e s ta-
UI
o belecimento , ness a base, do salário mínimo (co ns i derando
O 0 0 V'\0 Ll"ION
ij -.:T U-, I.O \O r- r- 00 00 as subvenções dos fundos sociais de consumo).
°' °' °' °' °' °' °' °' A solução do p r oblema é obstaculizada pe l a dificuldade
em dividir o fundo de consumo em fundo de rendimentos
-143-

.,
~onetãrios e natu rais mínimos e f undo de es t í mu los. Tan to o si stema de t arifas c onsti t u i u n a e conomia n ac iona l d~
as n o nnas ·raciona is, cie ntíficas d e con s umo c o mo as s uas URSS , 66% do f undo geral dos s alá rios aos op erarias e
normas mínima s, de p e nden tes das primeiras , alteram-s e com 7 1% do fundo s ala rial dos e ngenhe iros e técnicos . Êssa
Q crescimenco das própria s necessid a des e, ainda mais, c o m parte fundamen t al do s alár i o d e v e s e r u t i li zada para
a maior possibilidade de satisfazê-las. Po r um lado, as estimular t an t o o s trabalhos ma is d ifíceis, c omo o s seu s
normas mínimas (e, por conseguin t e, o fundo necessário r e s ul t ados c onc re t os .
à s ua garantia) são objectivamente determinadas pelo v o l u - Na li t eratura e conómic a sov ié t ica, princip almen te na
me e estrutura das necessidades, -bem como pelo desenvolvi- p as s ada, s ublinhava- s e apenas um a specto do sistema de
mento das forç as produtivas da sociedade social ista em tarifa s - o estímulo, c om a sua ajuda ao traba lho mais
cada etapa. Por outro l ado , são, em c erta medida. subjec- comp lexo ( qua lif i cado), pesado e e m condições d e s a g ra -
tivas, já que são determinada s pela sociedade . diveis. Nã o era rec onhe cida a ou tra missão do s i st e ma de
Os crit érios da sua determinação são as normas racio- tarifas - e s t i mul ar não apena s a s poten cia lidad es do
nais de consumo. A transição dessas normas para normas trabalha do r , res ul t ant e s , da sua educaç ão , i n s trução
mín imas faz-se substituindo ci entificamente as mercado- g eral e e s peci alizada e capacidades a dq u irid a s, mas ma -
r ias e serviços mais em moda, de prest ígio e qualidade ter ializar essas capacidades na ac t i v idad e lab ora l, n a s
e, portanto, ~ais caros, por outros mais baratos, mas operações produtivas, ou seja, e s t imula r s i mu l taneamen-
sem baixar o número d e calorias dos produtos alimen tares te os resultados do t rabalho.
nem o sortido da roupa , do calçado e de outros artigos Em certa med ida, esta posição con t r ibu í a para d i v ul -
d e amplo consumo . . A est i mativa das necessidades mínimas gar a ideia incorreta de que a e s cal a s alari al e • os
a preços correntes permite passar das normas mínimas de vencimento s fix os eram a remunera çio d o tempo ~ ti l ga r a n -
c.o nsumo aos rendimen tos mínimos. Estes são determinados, tida pela sociedade e q ue para e s t i mular o s re s ul t a d o s
inicialmente, tendo- se em vista uma família com um n~me- do trabalho deveriam ser concedid o s obrigatoriamen te pré-
ro médio de pessoas que trabalha m e de pess oas a cargo . · mios , bónus e assim por diante.
Além diss o , os rendimentos mínimos consistem de duas par- Entretanto, o reforço dos estímulo s s alariai s req u e r
tes: uma, proveniente dos fund os sociais d e consumo em nec essariamente a sua dif erenci a ç ã o não de acordo com
forma mo n e tária e na tural; outra, d o salário mínimo em a s potencialidades do traba lhador, fix adas , na mai o r i a
dinheiro. das vezes , na s ua categoria pro Eis s ional ou habili t aç6 es
O vo l ume dos ~alários mínimos c o n;id e rando o n~mero adquiridas num estabelecimento de e nsino , mas em cQnfo r -
total dos ocupados na produção · social formam o fundo sala - midade c om os resultados e as carac terísti ca s qualit at i-
rial mínimo e o fundo de distribuição mí nimo segu ndo o vas do seu trabalho real, que exige dete1-minada qual i fi-
traba lho nos kolkhoies. A parte restante do fundo sala- cação. intensidade, dispêndio de energ i a físi c a e nervo -•
rial é utilizada para a diferenciação dos salários de sa. Portanto , o salário servirá para e s t imu l a r ma teria l-
acorde com a quantidade e a qualidad e do tra balho. Isto mente nio qualque r elevaçio de qual i f icaçã o, i ns truçã o
p e rmit e três forma s de estímulos mat e riais a o s trabalha- ou apti dão, mas somente, em primeiro lugar, a ne c e ssár i a
dore s: ~s t ímulos par.a a ex ecuç ão de trabalh o mais comple- à execução do trabalho e, em segun d o l u ga r , t raduzida
xo e responsável e menos atraente pelas suas condições"' em res u l t ados . Só assim se obterá um d u p l o efeito através
con'teúdo criativo, principalmente, físico e monótono; d o sistema de t arif a s para os operirios ou do sistema
e stímulos para os resultados individuais e colectivos (Ô d e vencime n t os fixos p a r a os e n g e nheiros, técn icos e
do trabalho; estímulo do interesse dos trabalhadores da l'- funciónários: Õ- e;-ttiiii:ifó\ t anto da execucão de trabalhos
(j)
empresa (assocíaçio de empresas) nos r e sultados globais mais complexo s , pesados e de responsabilidade corno melhor
n:i mesma . "' e mprego da qualificação e de todas as potencialidades do
Nos anos 70 a parte dos salirios* distribuída segundo trabalhador, da obtenção de melhores r esultados finais.
Ao mesmo tempo, isso não exc lui, mas, ao contrário,
.,, Ca l.C'tt lada sem considerar as férias e os acréscimos zona is
'pressupõe a canalização de determinada parte do fundo
(d:idn.s r.e l ativos a 1977).
-14 4- 19-1 - 145-
salarial para O es tímulo material suplementar dos re- me lhor qualidade da produç ão, c omo pelos resultados
sultados quanticativos e, principalmente , qualitativos globais do traba lho do sector, of icina, empres a ou de
do traba lhá . Os prémios do fundo salarial (inc luindo os todo o agrupamen t o ind us trial.
pagamentos do fundo da empresa para o estímulo material) Deste modo, no socialismo desenvolvido, a orientação
constituem para o s operários 16,6% e para os engenheiros
e técnicos 20,1%* de todo o fundo de remuneração do tra-
determinante da estrutura dos s alários não e a r edução,
mas, ao contrário, a ampliação da parte destinada a
balhos. Como é natural, apenas essa parte do salário estimular a execução de trabalhos mais complexos, pesados
r elativamen te p equena, não estimu la plenamente em termos e, o que é importante, d e maior rendimento individual
materiais elevados resultados laborais. t necessário que e colectivo. A t endência geral, a lógica da evo lução
todo o sal á r io seja u t ilizado com ess e fim, designadamen- a c urto prazo das relações de d i stribuição será o
te, a s ua parte fixada na escala salarial. Tal método aprofundamento da diferenciação da remuneração do trabalho.
isto é, a u t 1lização das t abelas salar i ais e dos v enci- I sso coaduna-se inteiramente com os princ í pios que
mentos fixos para estimul ar os r esultados reais do tra- regem a evolução das relações socialistas de produção.
bal ho , resolve, em gr ande medida, um problema que se Uma particu l a r idade impor tant íssima des t e processo é a
arrasta há muitos dec é n ios - a definição da parcela transição para relações do comunismo completo não em
Óptima da parte fixa do salário. resul t ado do gradua l debi litamento das leis económicas
Actualmente observam-se várias tendências na diferen: inerentes à fase inferior do comunismo - o s ocialismo -,
ciação dos rendimen tos laborais. Uma delas reve la- se na mas através da· sua materialização cada vez mais ampla
necessidad e objectiva de con t i nuar a aume ntar as distin- e profunda e da observância cada vez mais rigorosa dessas
ções na remuneração do trabalho complexo e do trabalho leis na direcção da economi a nacional.
simples face a o surgimento de cercos elementos de iguali- O mesmo se poderá dizer das relações socialistas de
tarismo na distribuição que se refle ctem negativamente distribuição . A redução das dif erenças salariais não
na produtivi dade do trabalho . Esses elementos sur giram constitui um problema da fase do aperfeiçoamento do
no pós-guerra com a e l evação periódica do salário mínimo. socialismo desenvolvido. Existem dois problemas distin-
A r edução da d i ferenciação salarial estava muito avançada tos, embora interligados: um é o aumento da diferenciação
em relação às respectivas mudanças no conteúdo do t rabalho atendendo à quan tidade e à qualidade do t rab a lho , às
Por isso, é preciso não só conservar a difer enciação condições em que é executado e, o que é importa nte, aos
salarial vigente, principalmente entre operári os, técni- seus resultados; outro é a diminuição, por todos os·
cos e engenheiros, como ainda aprof undá- l a nos próximos meios, das diferenças existen tes no conteúdo e nas con-
anos, de forma a que corresponda às distinções -i~bor aís . dições do próprio trabalho (eliminação do trabalho não
A out r a tendência 'd1.z respeito ao desequifibrio dos~- ou pouco qualificado , sua mecanização global , a elevação
recursos laborais e a necessidade, daí decorrente, de do seu carácter criador , et c.) e, somente nessa base ,
elevar a remuneração do trabalho pouco qualif1.cado, monó-' red ução das diferenças n os rendimentos do s trabalhadores
t ono e não criat i vo,sobretudo,qu ando executado emcondiçoes em estrita conformidade com as alterações da natureza
desfavoráveis, ou seja , não do agrado dos trabalhadores . do trabalho e seus resultados .
I sso conduz i nevitave l mente , por um l a dÓ, ao aument o Confundir e stes dois problemas, interligados, mas
da di ferenciação da r emuneração , atend endo às condições distintos, será ten tar a ument ar a homogeneidade da
de traba lho e, por outro , a- certa redução da difer enciação lO s oc iedade s em alterar a na tureza e o conteúdo do tra-
clos salários conforme a complexidade do trabalho, t--
ba lho, sem liquidar, pouco a pouco , as di sparidades so-
Uma maior diferenciacão da remuneração é necessár ia 1»
N cioeconómicas mais notórias, ou s e j a , s em erradicar a
também pa:,:-a aumentar o ·i n t er~sse materi al tanto por uma ca usa do pr.Óprio f enômeno, mas i ntroduzindo elementos
d e i gualitarismo na distribu ição dos bens mat eri ais e
* Para certos trabalhadores, essa parte do salário pode espir ituais, alterando assim a c onsequência e não a
ser significativamente superior~ mPni~- causa. Naturalmente, querer solucionar assim o problema
- 146- 19-2 -'147-
da homogenei zaçio s oc i al seri avoluma r as dificuldades o
• e desproporções, canto na economia nacional , c omo em .u

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-1 48-
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• dÚstria da URSS , no pós- g u erra


3.D •
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e q• ue , na a os tundos de re s erva dos ministérios.
•indústria (e e m toda a economia nac~onal, o s r itmo s d e Uma forma importante de reforçar a ligação entre os
crescimen to da produtividade do trabalho e dos s alários interesses mater iais d e cada trabalhador c o m os resulta-
foram-se aproximando pouco a pouco . Agora é muito impor- dos do trabalho de todo o c olec tivo é a utilização da
.i: ante alterar bruscamente essa tendência negat iva, pois poupança do fundo salarial da empresa(associação de
de outro modo não será possível intensificar os incenti- empresas). Tal poupan ça pode ser obtida reduzindo o nú-
vos materiais. mero de trabalhadores da empresa com elevação da produ-
A incorreta correlação entre os ritmos de cresciménto tividade do trabalho (com a condição indispen sável de que
da produtividade e dos salários agrava o problema da seja cumprido o plano de produção), sendo canalizada
equivalência mercantil aos rendimentos monetários da para o estímulo material complementar dos operários e dos
população, reflecte-se negativamente no equilíbrio de empregados que a proporciona~ e levando a produtividade
toda a economia nacional, na circulação monetária e, o do seu trabalho. Essa iniciativa foi tomada pelo Combi-
que· é especialmente importante para o caso, no estímulo nado Químico de Chiokino, que, durante o período em que
material do trabalho. Isto minimiza o significado dos a utilizou, mais que triplicou o volume da produção e
salários como importantíssimo estímulo material, consti- elevou a produtividade de trabalho em mais de 4 vezes.
tuindo, ao mesmo tempo, um obstáculo ao crescimento dos Tem grande importincia para a difusão desse mé todo a
fundos sociais de consumo. No fundo, a não observância . nova forma de planeamento do fundo salari al de acordo
dessa correlação é negativa para toda a vida económica, com norma·s por rublo de produção. Com normas estáveis
gera procura que não pode ser plenamente satisfeita, de fo.rmação do fundo salarial, o colectivo da empresa
impede a liquidação do "deficit" de vários artigos e pode elevar os salários dos trabalhadores economizando
serviços, e assim por diante. esse fundo com base na elevação da produtividade do
O desrespeito pelas correlações planeadas entre o trabalho e da redução do número de trabalhadores .
crescimento da produtividade do trabalho e dos ·salários Em 1980, nove ministérios industriais da URSS
decorre de muitos factores, sendo o mais frequente, adaptavam tais normas. Os ministérios de equipamentos
no passado, a correcção dos planos: no fim do ano, o pesados e e nergé ticos foram ainda mais long~ nesse sen-
volume da produção consagrado no plano era corrigido tido e estabeleceram a norma do salário com base na pro-
para menos, enquanto os salários correspondentes já dução líquida normativa, o que l iga ainda mais estreita-
haviam sido pagos . mente os resultados do trabalho do colectivo às possibi-
Foi decidido a melhorar a correlação entre 0 °cresci- lidades do estímulo material. O fundo salarial dos tra-
ment:o da produtividade do trabalho e dos salários, cor- balhadores das empresas a que se estendeu essa ambiciós~
~elação essa que passou a ser aprovada como elemento do experiência destinada a aperfeiçoar a gestão é formado··
plano. A partir de 1984, os planos indicam aos ministé- de acordo com os resultados do seu trabalho assente na
rios industriais, às suas associações e empresas indivi- ampliação do fundo salarial básico segundo uma norma
duais as correlações adequadas entre o crescimento da estável. Reduzindo-se o número de trabalhadores, assegura-
produtividade do trabalho e dos salários, incluindo os se, com esse fundo, ó crescimento dos salários médios.
prémios e outros bónus saídos do fundo de incentivbs A experiência deu resultados positivos. Verificou-se
materiais. Estas normas diferençiam-se de acordo com a conveniente estabelecer essa norma com base no produto
especificidade dos ramos, com a redução dos ga stos de -líquido real . Além disso, diferentes modificações do
trabalho previstos com base no progresso técnico- cientí- indicador da produção líquida são aplicáveis, em diferen-
fico, com o estado da organizaç~o e quotização do trabalho tes graus, para determinar a produtividade do trabalho ,
e com outros factores. Simultaneàmente, exige-se à a níveis diversos: brigada, empresa , associação de empre-
c ompensação dos gastos efectuados além do fundo salarial sas e ramo·. Em 1985 esses novos princípios abandonaram
~a s empresas e associações. Quando estas não possuem já a fase experimental e, em 1986, foram implantados em
~u ficientes meios pr6prios para esse objectivo, recorre-se empresas e associações responsáveis por 50% da produção
-15CJ- -151-
. in dus trL a l g l obal . Em 1987, o novo s i stema aba rcará a sar1a uma melhor ligação en tre os vencimentos do s diri-
parce re s t ant e da i nd~stria .. gentes e os result ados do t rabalho de todo o colectivo
Ao mesmo t empo, uma causa da pouca ef icácia dos estí- laboral, para que a res ponsabi lidade material dos diri-
mulos mate riai s é e les s erem, em muitos c a sos, apen as gentes a b rangesse não só os prêmios , como também os s eus
f o r mais , pois não se diferenciam em termos de efectiva v encimentos fixos .
c ontri buição laboral . A s ua i nf l uê ncia é tão afastada, Fo i positivo para a e fici ê ncia d a produção o aprofun-
no t empo , dos resultados do trabalho que, praticamente, damento , verificado durante a experiência, da r esponsab i-
perd em a s ua força acti va e s ignifica d o . Por isso, as lidade mate r i a l das empresas pelo não c umprimen to dos
medidas orientadas para o aperfeiçoamento da gestão eco- compromissos contratuais. Ao cumprirem-se as encomendas,
nómica não dão frequentemente o s res u ltados e s p erados, o fundo de incentivos materiais aumenta 151, enquanto que
posto q ue nio chegam ao produtor imediato. por cada ponto pe~c entual não cumprido esse mesmo fundo
Considera-s e normal e stend er automaticamente a cad a diminui 37..
t rabalhador as v antagens que a empresa r etira da melhoria Entretanto, continua a s er actual elevar o interesse
dos indicador es do tra balho . No en tanto~ em muitos c a sos, material de todo o colectivo l aboral pelos resultados
o s alário dos operários n ão depende do s res ul tados da a c- f inai s da produção. Não é lícito resolve r es sas questõe s
tividade da empresa, nem da oficina e, por vezes, nem do s omen te r ecorrend o à emulação socialista e a est í mulos
s ector de produção . O fundo de estímulo materia l também, mor ais. Cada memb ro d o colectivo , independentemen te do
frequentemente, n ã o aj uda a estabelecer uma relação seu lug ar n a produção, deve estar materialmente interes -
directa entre os r endimen tos do traba lhado r e os resu l - sado em como trabalha o seu vizinho, e m como são gastas
t ados do trabalho da empre s a , pois a administração res er- as matérias-primas e energia, na utilizaç ão eficaz dos
va d eterminada parte âesse f undo para,no ano seguinte, i nst r umen t os d e traba lho , no grau em que os artigos pro-
mesmo que o trabalho da empresa tenha sido infer ior , pa- duzidos pela empresa correspondem às necessidades da ·
gar incentivos. sociedade. Aqui, o interesse material individual do tra-
A dependên cia entre o salário do tra b a lhador e os balhador d eve ser corroborado pelos seus interesses so-
resultados da actividade de t odo o colectivo laboral, ciais como proprietário associado dos meios de produção .
i sto é, a deter minação do grau em que nã o só o t rabalho Mas os resultados colectivos não devem influir em toda
individ ual , mas o resultado do trabalho de todo o colec- a soma do salário dos operários e, menos ainda, na sua
tivo s e torna a medida da distribuição, é uma questão tabela salarial, mas apenas no prémio, que consti tui de-
bastante complexa . terminada parte do salário.
Pareceria 16gic~ medir a distribuição apenas pelo Para a resolução dessa tarefa é de grande importân-
resultado do trabalho indivi dual , pela s ua quantidade cia a distribuição dos lucros entre a empresa e a socie-
e qualidade. Cada um deve assumir responsabilidade ma- dade, de modo que determinada parte dos mesmos vá para
terial pelo c umprime nto da sua t a re fa na produção. Se o o fundo de incentivos materiais, a fim de garantir o in-
operário c ump re as suas taref as, n ã o deve ser mat erial- teresse material dos trabalhadores pelos resultados de
mente r esponsabilizado pelo f acto de a tarefa t er sido toda a empresa. Nos Últimos anos, a importância desses
incorretamente formulada ou . por não t erem sido os r esul- fundos aumentou consideravelmente. A partir de 1986-1987,
tados d o seu trabalho utili z ados eficazmente na fase se~á criado um fundo único de incentivos materiais, que
t ecnol6 gica seguinte. Po r is so,· deveri ser . responsabi- Íncluirá todos os recursos destinados a prémios que não
lizado materialmente quem colocou essa tarefa , ou seja," saiam do fundo salarial. -
o dirigente do sector de trabalho ou do c olectivo l abor a l. Outra questão muito complexa é a distribuição dos fun-
Do mesmo modo , pelos resultados finais do trab alho de dos de estímulo pelos resultados globais do trabalho
t oda a empresa deve r esponder o seu dirigente e o grupo entre os sectores da empresa em função da sua contribuição
de engenhei r os e téc nicos, d os q uais dependem, e m grand e laboral, assim como a distribuição dos incentivos pelos
medida , os r esultados da p rodução. Além disso, é n e ces- trabalhadores de cada sector.
-152- 20-1 -153-
A dific uldade con siste em determinar a l i gação neces- responsabilidade mútua pelos resultados finais do
sária e ntre a remunera ção d e cada grupo (ca t egoria) de trabalho do colectivo l aboral. Segundo, a remune raçao
trabalhadores e os resultados de t oda a empresa. O prin- c olectiva por tarefa relaciona-se com a viragem para
cíp io gera l é bas t ante simples - q uanto maior a parti- formas intensivas de produção, com a escassez de recur-
cipação de dete rminado trabalhador (grupo de t rabalhado- s os laborais, o que pressupõe o emprego do t empo de
res ) na ges t ão da emp resa, na t omada de decisões, na de- trabalho c om a máxi ma eficiência, o que , por sua vez , é
fini ção do trabalho diá rio e f utur o , q uanto maior a impossíve l sem a polivalência profissional e a j uda mú-
influência pessoal nos resultados gl oba i s da produção tua da br i gada . Terceiro, tudo is to e scá relacionado com
de acordo com a nature za do trabalho executado, maior o aper fei çoamento da e mulação socialista dos col ec tivos
se rá a parte do salário desse trabalhador do ( dos tra - laborais afins , is to é , dos t rabal ha dores l igados tecno-
balhadores do sector) que deve d epender dos resultados l ogicamen t e à produção d o artigo final, o que requer no-
do trabal ho da empresa . Entretanto, a materiali zação des- v as formas d e estímulo material.
te princípio exige ainda um sério estudo para verificar . I sso levou ao r econhe cimento, pe la soc i edade social is~
a eficiência das diver sas va riantes d e dif e renciação da ta, da forma colectiva (por brigada) da remuneração do
refer ida par t e do salário dos trabalhadores dirigente s, trabalho a n ível de colectivo labora l d e base c omo forma
dos distintos grupos de engenhei ros e técnicos , dos ope- fundame n tal de salário . A remuneração de trabalho por
rar ios- principais e a uxil i ares , dos funcionár i os e do brigada cor res pond e às exigências do socialismo ma duro
pessoal de serviços secundá rios . Tudo indica que é pre- relativas ao aperfei çoamento das relações colectivistas
ciso, no âmb ito dos fundos pla neáve is, ampliar os direito s e da ajuda mútua dos membro s do colec tivo laboral e con-
dos colectivos das empresa s na r eso lução dessas problemas corre para a universalização do t raba lhador, para a ele-
e buscar formas de continuar a ampliar o f undo de incen- vação da sua qualificaç ã o e criatividade do trabalho.
tivos materiais de aco rdo com os resultado s do traba lho A remuneraç ã o colect iva originou profundas mudanças
da empresa . na dis t r ibuição do salário dentro da bri gada , d i s tribuição
O aumento do i nt e resse ma t e ria l dos trabalha dores pelos que l e va em c onta não s 6 a tabela sa l a r i al de cada tra-
r esu l tados co l ectivos não s e r e s tri nge à relação entre balhador e o tempo que trabalhou , mas t ambém a participa-
o salário i ndividual d e cada traba lhador e os r es ultados ção real dos membros da brigada na obtenção dos resul-
do traba lho de toda a e mpres a (as sociação d e empresas). tados finai s colectivos.
O progresso técnico- c ientífico con temporâneo e a organi za- O trabalho e a sua remuneração por brigada aumentam
ção do trabalho, a· orientação de todas as divisões tecno- sensivelmen t e a influência do co l ect ivo na educaçãó
lógicas e est ru turais para o s resul tados finais pressupõem de cada um dos seus membros e for t a lec e a dis c i plina
o aprofundamento da interligação, no traba lho, dos membros • laboral. Esta forma de distr i buição concorre ainda para
dos col ec tivo s laborais (briga das) . A remuneração do tra- uma importan te t are fa social: a de integrar os membros
balho por . brigada é praticada desde há muito na constru- da b rigada para a gestão da produção s ocialista . A solu-
ção civil, ~gricultura e indústria dos países socialistas ção colectiva de todas as q uestões rel acionadas com a
Presentemente , estamos a assistir a uma viragem quali- produção , à participação na distribuição do salário co-
ta tiva para formas colectivas (por brigada) de organiza- lectivo ·. sus cita o i n teresse do trabalhador pelos r e -
ção do trabalho e sua remuneração, fac to que se deve, _s ult aA9_~- ~~__t ra!>~,l~o c<;1mum . Portanto . a brj._gadé!___açqy_ire.
em nossa opinião, aos seguintes fac tores . Primeiro , a uma nova qualidade social. A organização e a r emunera-
r emuneração individua l por tarefa contraria cada vez <D ção do trabalho por brigada· goza do apoio das massas
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mais os estímulos à produç ão de artigos acabados, e não O)

*
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laboriosas*.
intermediários, assim como a garantia da sua qualidade, T~~; -ein e-ada qua tro trabalhadores inqui r rdos de dez
o que com a actual divisão do traba lho, só pode ser empres as de diferent es ramo s das cidades d e Dnieprope-
alcançado através . de esforços c olec tivos , com controlo e trovsk, Krivoi Rog e Dnieprodzerjinsk manife s taram-se a
_favor?ª _res ponsabi lidade material e moral co lectiva .
- 154- 20-2 - 155-
Em dive r sos r amos da economia nacional trabalhou- se AS RELAÇÕES SOCIAI S E MONETÁRIO -
muit o no aperfeiçoamento de formas co lectivas de organi- MERCANTI S NO SOCIALISMO
zaçi o e estímulo do trabalho. S~ na indústria, em 1981 -
1983, o núme r o de operários que tra balharam em br igadas
cresceu 4,6 mil hões. Evgueni GORODETSKI,
Proximamen t e , a atenção priioordial d eve ir ·para o doutor em Ciências
trabalho em b rigada com base na resp ectiva r eorgan ização Económicas
do sistema de planifi cação e de e s tímulos e no aperfei-
coamento da organização da produção . Deve dar - se prio-
ridade à formação de grande s brigadas que trabalhem em A expe riência da União Soviética e dos outros países
au togestio finance ira e visando tarefas únicas, onde a socia listas d emonstra , convince ntemente , que, na produção
remune ração l e ve em conta os resultados f inais e social, con servam-se as relaçõe s da produção mercantil e
se ja distribuída d e acordo com o coeficient e de partici- a lei do valor, as quais influem no volume , es trutura
pação laboral . e métodos da organização da produção. A prática demons tra,
a inda , que exis t e uma determinada li gação entre as rela-
ções monetário-mercantis e a s r elações de interesse ma te-
rial imediato nos r esultados do trabalho e , portanto,
entre as ·formas de v a lor e o estímulo económico.
Na nova r edacção do Programa do PCUS., aprovada pelo
XXVII Congresso do PCUS , res sa lta - se a nec essidade de ut i -
K.Mar x e F.Engels, Obras, vol. 20 , p. 206 . lizar mais plena mente as relações monet ário-mercantis em
2 conformidade com o novo c onteúdo qu e elas adquirem no
A Economia NacionaZ da URSS em 1982, Moscovo. 1983 . socialismo.
p. 3?5. Por is so, é importante e actual estudar o lugar e o
3 papel das relações monetário-mercantis na produção
Ibid., p . 381. socialista, directamente social e planificada, bem como a
4 ligação e n tre as relaçÕe$ directamente sociais e mone tá-
Ibid. • p. 382. rio- mercantis.
5 V.L.Rakochi , O Aperfeiçoamento dos Prémios na Indústria
Moscovo, 1983. * * *
6 A transformação do produto do traba lho em mercadoria
Calculado com base nos seguintes trabalhos e s tatís- verifica-se em dife rentes formaçõ es socioeconómicas .
ticos: A Indústria da URSS, Moscovo, J964, p . 58; . Quanto. estas surgiram, ou seja, no p eríodo da decompo-
A Economia Nacional, da URSS em 1922. . 19 22 · sição da sociedade primitiva, as relações mercantis evo-
·1972, ·Moscovo·; · 1973, p. 356; A Economia Nacionat" d.Õs luíram espontaneamen~e e foram ~dquirindo, pouco a pouco,
Pa{ses do CAME em 1970, Moscovo, 1971, p. 402; A Economia traços inerentes à produção mercantil em geral. Po~ terior-
Nacional- .d a URSS em 1980, Moscovo, 1981 , pp. 137, 384 ; mente, o desenvolvimento da produção social levou ao aumen-
A Economia NacionaZ da URSS em 1982, Moscovo, 1983, to gradual e consequente da importância da forma mercantil
pp. 127~ 370. de economia, que à medida que se aperfeiçoava , superava•
e decompunha a ·forma natural de produção . A extinção da
forma natural de economia explica-se tanto pelo surgimento
de formas económicas completamente novas (val or, moeda,

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, p reço , l ucro, juros, e tc.), que subs tit ui ram as relações
·r tem que ser i n condicionalmente l i quidado tudo o que o
antigas, como pel o d e senvolv i mento de novos traços e capitalismo introduz i u na, há muito conheci da , economia
propr iedades no s eio das forma s antigas . Um claro exemplo mercanti l. Num aspecto mai s amp l o, isso exp r e ssa-se na
· deste Último caso é a renda fe udal . supressão das condições e caus as da transformação da
A seguir, a produção me rcantil madura começa a con- fo rça de trabalho em mercadoria, na eliminação, da área
verter-se, espontãn·e a e paulatinamente, numa forma gera l económi ca , de categorias como capital e ma is-va lia, da
e típ ica de e conomia. Esse processo, que se obs e rvou no paupe rização rel a tiva e absoluta da cla sse operária, da
períod o da decomposição do feudalismo e nasc ime nto dq superpop ulatão relativa, crises e conômicas de superpro-
novo sistema económico, o capitalismo , formalizou-se dução, renda absoluta, e tc .
juridicame nte e consolidou-se com a vitória da revolução A criação de relações socialistas de produção, como
burg uesa . Na sociedade burguesa, a produção mercantil atin- o demonstra a experiênci a da União Soviética e dos outros
ge a fase superior do seu des envo lvimento, assume um países socialistas, não l iquida plenamente as relações
carácter geral , torna-se a forma, típica , predominante monetário-mercantis nem a lei do valor n as rel ações
de produção . Ela penetra em todas as esferas da produ ç ão económicas d a fase inferior do comunismo . Entretanto ,
burguesa . Somente no capitalismo a formação socioeconõmi- as relações socialistas de produção, principalmente, a
c a pode ser vista como sistema de organização mercantil planif icação, como forma geral de e volução , como prin-
da produção . Entretanto, n ão se .pode deixar d e notar que , cipal relação de produção, i mbuindo as r elações monetá-
també m n esse caso, não é lícito iden tificar a produção rio-mercantis, definem a sua natureza , esfer a de acção
mercantil com a produção c apitalist a, nem que as rela- e tendências . A fórmula "relações monetário-mercantis
ções da produção me rcantil na sociedade burguesa são com um novo conteúdo, socialista", conhecida na l iteratu~
apenas processos superficiais. "No con j un to da sociedade ra eco nómica , r e fere-se a um dete~inado conjunto d e
burguesa actual - dizia K.Marx-, a fixação dos pr.eços t raços inerentes às r elações monetário- mercantis da p ro-
das mercadorias, sua circulação, etc., aparecem como dução social e planificada na sua fase infe rior. Trata-
um proce ss o s uperficial; mas é sabido q ue , no fundo, se, ma i s concre tamente, dos seguintes aspectos .
desenv olv e m~se movimentos completamente disti ntos, em 1. Nas rel a ç ões econó micas da fase i n feri or do comu-
que d esaparece esta aparente igualdade e liberda de dos n ismo existem formas rnonetário~mercantis que inf luem ,
indivíduos"l. em certo grau, n o volume e es trutura da produção . Isso
Por fim, a história diz-nos que em nenhuma das etapas é demonstrado p ela história da planificação do s preços,
da produção social as relaçõe s monetár i o -mercantis actua- pela utilização, na prática da economia socialis ta , do
ram como um conjunto completamente independente de preço d e custo, lucros e rentabilidade, moeda e circula-
relações económicas. O seu conteúdo, papel, esfera e ção monetária, crédi to e autogestão financeira. Estas
propor ções, as principais direcções e natureza de seu formas de mercadoria-valor mantêm ainda, por força de
desenvolvimento são determinados por relações econômicas causas objectivas, uma determinada ligação com a "pro-
específicas, sobretudo pela principal relaç ã~ de produ- dução mercantil em geral" .
ção. As relações monetário-mercantis não bastam para reve~ 2. A natureza do socia lismo, os seus traços essen-
lar a natureza de um sistema hi stórico de relações de ciais emprestam certa peculiaridade às relações monetá-
produção . rio-mercantis, e determinam o seu lugar específico no
A socialização socialista da produção, ao liquidar modo de produção. A produção mercantil, embora exista
as relações de produção ·capitalista, di( origem a uma no- no socialismo, não actua como forma económica geral,
va etapa da produção mercantil, Inicialmente, o surgimen- típica e dominante. Os aspectos das relações de produção
to e desenvolvimento das relações - socialistas de produ- organicamente ligados à socialização socialis~a e por
ção possibilitam e exigem a extinção da produção mercantil esta gerados subordinam as relaçoes de produção mercan-
corno forma generalizada e dominante dos ·processos econó- t i l , criam premissas e conômicas para a limitação do
micos . Estabelece ~se a economia planificada. Para isso, desenvolvimento espontâneo não previsto pela sociedade .
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3 . O principal produtor de mercadorias é , no sociali smo novos , que negam (mas não abolem) o antigo ~onceúdo,
• a un idade produtiva básica - a empr esa (associação de comecam a revelar-se na mercadoria , mo~da , valor, pre~o ,
empres as ). Em par te c onsiderável (abstraindo- se da econo- lucros , renda, juros , c r idicos, etc .
mia cooperativa) a unidad e produtiva básica é criada à
, c us ta d e toda a socieda de. A s ociedade , r epresentada • * ..
pelo Estado socialist a , reflectindo o i nteress e económi-
co fundame ntal dos trabalhadores, define as principais Como j á atrás sub linhámo s, a afirmacão das relaçÔed
funções produtivas de cada un idade básica de produção·e 1ocialistas de produção e a soc i ali z a ç ão social.isca da
estabelece , de forma planificad a , as suas ligaçõ es econó- producio e do trabalho nio superaram t ota lment ~ as r e l a -
micas com o ramo, sub-ramo, complexo inter-sectorial e ções de produçi o me rcantil e a l ei do valor. lsso i um
outras unidades produtivas básicas. fa c t o hi 11tórico c onfirmado pela expe r iência da União
4. Vár ias propriedades da "produção mercantil em geral " Soviét ica e d emais pa[s ~s s oc ialist as. Em c ertas propor-
foram já superadas pelo socialismo (por exe mplo, o papel cõ es , t a is · rel açõ es prolongam- se até à fase inf~rior
d eterminante do interesse particular , isolado , na produ- d o c omunismo. A esp ec ificidad e res i de e m q ue a esfera
ção; a contradição entre o trabalho privado e s ocial; as dessas r e laçõe s não es t á di.rec came nce li gada à liocializa-
relações de concorrência e a a narquia da produção; a fa- çio soc i al is ta , sendo por n atureza contrária aos pri n-
lência e diferenci a ção dos produtores imediatos). Na c [pios fundamentais da produção s oc iali sta . Ao mctõmo
sociedade soc ialis ta , o traba l ho dos operários é, j á no t empo , a s relações monetár i o-me rca n t is e as formas d e
próprio processo de produção , imediatamente social, plani- valor são componentes d e um mesmo sistema ec onómi co e
fi cado e coordenado. E, por na tureza, um trabalho colec- p l anif icadamente utilizad as pe lo Estado so ciali sta no i n-
tivis t a de p rodutores associados . Como tal , é encarado teresse da construc; ão do comunismo. Por iss o , coloca- se
pela socie dade e d is tri buído planificadamente por secto- um problema de importinci a t eórica e pritica: q ual a na -
res , ramos, regiões e empresas , de acordo com o volume tureza e a espe cificidad e , no socialismo, da liga c ão
e estrutura das necessidades sociais. entre as ralac;Ões monetário- mercantis e as r elacõt:s i me-
5. O desenvo lvimento das relações monetário- mercantis d i atamente sociais?
não é i g ual, nem nas dif e rentes etapas da c o nstrução do Uma das s o luções é c ons ider ~r as r elações monetá ri o -
socialismo , nem nas diferentes esferas da produção social . merca nt i s no social ismo como uma forma especia l, uma va-
São de destacar os seguintes níveis: economia nac ional, ria~te de relações planificad as , imediatamente socia i s.
ramo, r e lações entre ramos , entre as unidades produtoras Neste cas o , e l as actuam como produto da s ocia lização
básicas e ainda entre os sectores estatal e cooperativo soc ialist a da produc;ão . as contradicÕes ent r e uma s e
da economia , o movimento dos bens de consumo na esfer a out ras de saparecem e as r elac;Ões mone t ário-mercant is pa s -
da circulação. s am a ter uma nova essência.
Não se pode deixar de ver cer tas diferenças no fun- Ma s e s ta solução, apesar · da sua atractiv i dade , t orna-
cionamento das relações monetário-mercantis nas distin- se muito vulne r ável , se e xaminada com maia a tenção. An -
tas etapas da edificação do socialismo*. tes d e mais nad? , i mpõe- se q ue st ionar:
6. As re l ações monetário-mercantis e as formas de 1. Por q~e é que a social i zação soc ialista, l i ~ u ida ndo
valor , exis tentes na produção p l ~nifi cada , não só se as "velhas're l ac;Ões monetá rio - me rcanti s , dão origem , no
subordinam às re l ações especificamen t e soci ali stas, como en tanto , a '«novas" r elações mercantis, social i s t as ?
também vão assumindo, pouco a pouco, um novo con teúdo 2. Qual o lu gar d o conceito ' 'relações monetá ri o- mer-
social . uma nova função social. Traços completamente ~ can tis soc ialistas" na estrutura económica do sociali smo?
r--
cr'J Em que cons i ste a sua esp ec ificidade e qual a sua l iga-
k Esta questão merece uma atenção e special e por isso l.' I ção com as re l ações básicas?
1ão é analisado no presente art igo . 3. Só surgem no socialismo •nova~relacões monec a r Lo-
merca nt is e ~ o vi' lei do v alor, ou esse processo ob~erva -
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se s empre aqu a nd o d a transição de uma formação socio- relações monetário- mercantis devem d isti ng u i r-se t an to
económica para outra ? 08 seus pon t o s essen c iais, c omo as f orma s em que se
~ impossível d ar uma res pos ta convincente a todas expressam .
• estas quest õ e s. Es ta concepção bas e ia- se, d e facto, na A separação dos i nte re sses económicos dos produtores
id entificação meta fí sica da e ss ência e do c onteüdo , o directos , a natureza privada do trab alho e sua duplici-
que não é correto. Ao me smo t empo, a dialéctica mate- dad e, o valor e a le i do valor são t raços e prop rtedades
rialista d e monstra que , enqu anto determin ado obj ec to se essenciais da produção mercantil em geral.
cons erv a como tal, a essênc ia do mesmo não se altera. A O valor de troca , o dinhe iro, preço são formas de
sua mudança significa uma mudança no próprio objecto, o expressão dos traços es senciais da pro dução mercantil.
surgimento de um novo obj ec to, qualitativamente diferente Mas não se deixe de notar que, entre essas formas econó-
do antigo. Por isso, quando afirmamos que, em determina- micas, exist e certa interligação e inte r d e pendência his -
das condições socioeconómicas, conservam-se e funcionam, tó r ica e l9gica. O valor de troc a actua como uma forma
por ~xemp lo, relaç õ es monetário-mercantis, daí se segue, social "ind e p endente" de expressão do valo r, como disse
inev ita vêlme nte, que a sua essência não se alterou nas K.Marx2. O dinheiro, na economia mercantil, actua como
novas condições. Ao mesmo t empo , por influên c ia de forças me dida dos valores d e troca, e o preço como fixa cão dos
externas às r e lações monetário-mercantis e que r eflectem valores d e troca através do dinheiro.
a essên c i a das condições s oc ioeconómicas da respec tiva e sabido que a produção mercan til é um r ef l exo da
soc iedad e , é possível, na realidad e , qu e· o conteÜdo das e ituação económica, na qual a natureza social do trabalho
próprias re l ações monetário- me rcantis evolua . não se revela directamente n a própria produção. O tra-
O refe rido critério de definição do l ugar e papel balho apresenta- se directamente como trabalho p ri vado,
das r e lações monetário-mercanti s no s oc ialismo elimi na a e somente no processo de troca evidencia a sua naturE> ?'.A
queBtão da diferença qualitativa entre as relações ime- social.
diatamente sociais, geradas pela ruptura revolucionária Mas mesmo na produção merc a ntil existem relações de
do sistema económico burguês, e as relações monetário- trabalho imediatamente social. A sua espec ificidade
mercantis. Tal critério não pe rmite revelar o conteúdo estã em que o trabalho imediatamente social não fixa nes -
específico e, portanto, o lu gar, o papel e os princípios se caso a característica socioeconómica do trabalho que
dessas relações muito peculiares na prática do aperfeiçoa- cria a mercadoria, nem a sua qualidade espec ial, mas a
mento do socialismo desenvolvido. Tais tentativas con- sua _fase conclusiva. No p r ocesso de produção ou na sua
duzem à l iquidação formal, mecânica, das contrad i ções parte inicial, o trabalho assume uma natureza privada,
entre as relações mercantis e a planificação. e, por forca 4a estrutura económica existente, surre
Ao mesmo t empo, como o demonstra a prática social, o como forma de trabalho abstrac to. Mas, objectivamente,
problema não consiste em formular a tese de que, no deverá revelar-se como trabalho social. Esse r econhecimen-
socialismo, as relações mercantis actuam como uma forma to social, na produção mercantil, ocorre somente no
especia l de planificação e de que entre uma coisa e p r ocesso de troca, através de uma mercadoria específica
outra não existem contradições, mas em detectar as bases como o dinheiro . Ao mesmo tempo, a peculiaridade das
das contradições reais, apontar a natureza e tendêneias relações económicas numa sociedade em que o produ.to do
das mesmas. Só assim se poderão elaborar , métodos e trabalho adquire a forma de mercadoria, em que o v alor
formas eficazes que supe~em as contradições reais e actua como qualidade económica das mercadorias, está em
expliquem o seu carácter e tendênc ias principais . que o dinheiro personifica o trabalho directamen te
(D
O esclarecimento da natureza e formas principais de I"'
social, sendo a sua medida. Revelando ~ natureza do tra-
integração das relações imediatamente sociais e monetário- Ci) balho encerrado na forma equivalente (isto é, na troca
C'J
mercantis deve partir do reconhecimento de que: a) as imediata), K.Marx sublinhou: " ••. não obscante ser tra -
relações monetário-mercantis constituem uma esfera espe- balho privado , como qualquer outro que produz mercadod. -
cial da s r e laçõe s soc ialistas de produção e b) nas as, é também trabalho em forma dire ctamen te soci a l"J.
--:162- 21-2 -163-
f
Pensamos que es ta característica do valor de troca, preço de me r cado . Essa distinção decorr e não somen t e
o u melhor, d a sua f o rm~ monetária, gera cond içõe s para do facto d e que o preço, no s ocialis mo, ser estabele cido
a especificidad e das relaç õ es mo ne tário-me rcantis no so- plan i ficadamente pe lo Estado socialista. Uma cara cter ís-
'cial ismo, para a interpenetração de relações aparente- tic a do preço planificado é que exerce uma função socia l
men t e opostas - as relaçõ es de socialização imediata do qualitativamente n ova por influência das relaç5es _de
trabalho e da produção e as r elações da produção mercan- produção originárias e fundamentais .
til. O valor de troca, o preço e o dinheiro são as mais Adquirindo um conteúdo novo, socialista, o preço vai-
i mpo rtant es formas económicas em que se expressam as se . tornando, pouco a pouco, planificadamente dirig ível, e
r e laçõe s da produção mercanti l, constituindo a faixa, a transforma- se num instrumento do plano, numa alavanc a
zona fronteiriça que entra e~ contacto c om as relações económica de medição e estímulo·do crescimen~o da pro-
da socialização ime diata. dução de elevação da sua eficiência e da s olução de gran-
Se , no socialismo real, existem relações d• produção des problemas socioeconómicos que se deparam na construçio
mercahtil, isso significa que funciona tambim, em certo do· socialismo . Constituindo um.a f o rma económica específi-
grau, o mecanismo que transforma o trabalho social, c oro ca, o preço planificado começa a açtuar como uma forma
a ajuda da forma monetária de valor, em trabalho direct a- planificada especial que determina e comensura os gastos
mente social. O socialismo, como fáse da produção direc- de trabalho social. Ele perde o papel de único indica-
tamentc socia li zada~ planificada , determina apenas certa dor social da direcção necessária do desenvolvimento da
especificidade q ue se observa ao funcionamento de formas produção. O preço planificado deixou também de ser um re-
de valor quando domina a produção directamente soc i aliza- gulador do mercado, i nfluenciador do custo de produção,
da. Por isso, elas ocupam um lugar subordinado na pro- dos lucros e t axas de lucros, o que, por sua vez, provoca-
dução social. Como as próprias r elações monetário-mer- va, de uma forma ou de outra , o deslocamento de capita is,
cantis, sofrem a influência das relações fundamentais , reorientações dos ritmos e sentidos do desenvofvimento
que determinam a esfera e as formas p rincipais do seu das diferentes esferas e sectores da economia nacional.
funcionamento, bem corno as suas tendências hist6ricas. Ao mesmo tempo, porém continua ainda sujeito à acção da
Tais circunstâncias· revelam-se no facto de as forma s lei do valor.
d e valor; que p ela sua natureza e origem aio mercantis e A duplicidade das formas externas de movimento das
estio g e neticamente ligadas i produçio mercantil, começa- relaçces monetário-mercantis suscita objectivámente· certas
rem a actuar como fonnas · especiais de express,ão do tra- contradições na sociedade socialista. '
balho directamente social. Constituindo um reflexo de Por um lado, registam-se contradiçõ es entre as for.mas
traços e propriedades ant igas, mas func ionando no sistema de valor como t ais e as formas econômicas g e radas pela
de produç ão socialista e influenciadas p el as r elações socialização socialista da produção. Por exemplo, contra -
económicas básicas , as formas de valor assumem uma nova dições entre o plano como instrumento económico, gerado
função social. Como resultado, nessas formas económicas pelas r elações de planificação, e o dinheiro, o preço e
há muito conhecidas observam- se traços e propriedades d e os lucros, que são utilizados na · planificação e estímulos
relações directamente sociais. As formas externas de materiais.
manifesta ção das r·elacões monetácio- mercantis começam a Por outro lado, surgem contradições nas próprias
actuar como uma expressão, em mercadoria e valor, das re- formas de valor, entre os novos e antigos traços e
lações de produção, que , ,pelo seu con teúdo e origem; propriedades, introduzidos nessas formas pel a social iza -
cão socialista. Estas c ontradições são re solvidas durante
estão longe de ser meccantis.
Neste plano, aprese nta um certo interesse o exame da o cresci.n:ento da economia socialista, a eJevação do nível
n a tureza do preço planifi cado, ji analisado por vários de socialização e o aperfeiçoamentc das r elações d e plan:i-
ficaçio e da principal r elaçio de produçio.
auto res 4 . No soci ali smo , o preço é ainda a expressio
monet iri a do valor. Ma s a natureza do s ocialismo levo u Ao mesmo tempo, .frise-se que é er rônea a ideia de que
i diferenciac5o r adi cais entr e o preço planificado e o toda s as relaçGes directamen t e socials s e r e [ l éctem nas
-! 65-
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•f orma s de valor. As re l ações de plan i ficação n ão t ê m au tonom ia económica, d e re f orço d a s ua r e spon -
foLma mercanti l . O p l aneamento d a economi a n a cional e 0 direitos e inte r e s s e na ob ten ç ão de e lev ados r e s u lt ados
sabíl ida d e e
plano são cate gorias económi cas que reflec tem a s rel a çõe s
, ,de p l ani f icação , pelo que não sofrem influência d i Lecta f-inais" 5 .
p r is s o , o c álcu l o e c omp aração do s ga sto s d e tra -
0
das formas de valo r . Tão-pouco tem forma de me rcadoria balho s oc ia l , o e stabe l ec i mento do volume e estr~ tura
e valor a principal relação de produção e o método de das n e c e ssidade s sociai s, o movime nto do artigo do pro-
união da f o r ç a de trabalh<;> aos meios de produção. E"ncont ram. dutor at é ao cons umidor, o estímulo do cresc i men to e o
se fora da s formas de valor o colectivismo, a amizade e aperfeiçoamento da própria produção realizam-se com a
a cooperação, a emulação socialista e assim por diante. ajuda de formas de valor. .
Qua nto aos a spe ctos internos, essenciais das relações Não se pode deixar de ver que as relações monetario-
monetário-mercantis, aí a situação é um pouco diferente, mercantis, reflectindo as particularidades objectivas
O próprio facto de h aver no sociali smo, relações monetá- da estrutura económica da produção social na fase do
rio-mercantis demonstra a particularidade do nível e a Õcialismo, são: a) uma medida do volume e da estrutura
8
estrutura do trabalho directamente soc ializado. da produção social, assim como da sua eficiência; b) uma
forma d e movimento do produto desde o produtor até a o
* * * consumidor; c) um instrumento de estímulo económico ao
ctesci mento _e aperfeiçoamento da produção social e das
O conteúdo e a produtividade do trabalho, na fase suas partes integrantes . _
·inferior do comunismo, as diferenças socioeconómicas no Mas esta esfera de relações, integrando-se na produçao
trabalho, a necessidade económica de estimular material- directamente social e conservando ainda certos traços e
mente os resultados obtido~ tudo isto, r e fle ctindo o propri edades da produção mercantil, não pode. por sua
nível alcançado de maturidade do'trabalho directamente na tureza, ser directamente social , planificada . A pl~n~-
socializado, gera, ao mesmo tempo, uma certa especificida- ficação, forma gera l de movimento dos processos econom:-
de das relações de produção socialistas e tem a sua expres- cos no socialismo, estende-se também às relações moneta-
sã-o concreta nos interesses económicos , na sua interliga- rio-me rcantis. ~ justamente a planificação que possibili-
c~o- e formas de manifestação. Esta especificidade revela- ~a a utilização planificada das relações da produção mer-
se claramente no facto de que, ·paralelamente ao int~resse cantil no interesse de toda a sociedade. Mas não por que
económico de todo. que i o · principal e determipante, as rela ções monetário-mercantis no socialismo sejam di-
e~i~tirem interesses individuais, de uma unidade básica, rectame nte sociais, mas por que esse aspecto peculiar
de um ramo ou região. Como consequênci~, no âmbito da das relaç ões de produção da fase inferior do comunismo
p r opriedade única de todo o povo e nas condições em que existe no organismo socioeconómico da produção • directa-
c a da uhidade produtora básica actua como componenté ~i- mente socializada.
recto e orgânico da produção socializada, observa-se o Não é o socialismo que gera a corre lação entre as
isolamento económico relativo e restrito da empresa relações directamente sociais e · mercantis . Esse problema
(associação de empresas), existia Jª sobre as ruínas da sociedad~ primitiva, quando
Esse certo isolamento eéonómico da unidade produtora a e volução das forças produtivas e o crescimento da pro-
básica determina a especificidade da forma d~ sua auto- dutividade do trabalho originaram uma nova forma de pro-
nomia, . que terá que ser aperfeiçoada. Como se sublinha , dução em relação à forma natural - a mercantil, O referido
no Programa do PCUS, " . •• desenvolvendo os princípios processo constituiu uma solução peculiar da contradi~ão
centralizados na gestão , no planeamento e na solução das objectiva entre a forma de desenvolvimento da produçao
tarefas estratégicas, o partido irá levar activamente (natural) e o nível das forças produtivas, entre o grau
à prática medidas para a e levação do papel do principal ~e divisão social do trabalho e sua especialização. A
elo da produção - empresas e ~ssociações de empresas. irá Humanidade enfrentou também este p r oble ma nas épocas d o
seguir activamenté a política de ampliação dos seus e sc ravismo e do feudalismo, que, c omo se sab e ~ se caract e-
-16 6 - -167-
íy
soc i al i c u sta d e t oda a s o ciedade e em bene fíci o dos
i•izavam por uma economia natu ra l , em c ujo seio, no ent an- s eus inte r e s s e s e d e c ada um e t odo s os seus memb r os .
to, nasceu a produçio mercantil. A e r rad ic aç ã o das c ont r adições ent r e a na t ureza d ire c~
Nestas condições his tóricas , a produçio mercantil,
tame nte soc i a l da p r od uç ão s o c ialista e um cerco i s ola -
~mbors e sponcinea , corroí a e decompunha as relações di-
m;;nto econ6mic o d a uni d a de p rod u t ora bâ s i ca, e n tr e a s
·r ectamente sociai s, q ue, po ss ui ndo uwa forma natural,
r e l açõ es d e pla n ificação e as r e laçõe s mone t ã rio-mercan-
apo iavam- se numa base mater i al da produç ã o e x cremarnente
cís faz- s e d e f o rma planificada com bas e na u tilização
imperfeita e utilizavam ~eios de produção muito p r i miti -
da s fo r mas económicas e spe cíficas, refl e ctidas no pro ce s -
vos. E e mbora o própri o trabalho f osse soc ial , o grau
so específico de integraçio das relações monetário-me r-
dess a " s oci a lidade" era ins i gnifican [ e, l imitand o-se, nor-
cantis no sistema da produção directame n te social (por
malme n te, a o s estreitos limites da comu ni dade ou da e c o -
exemplo, a autogestio financeira). São uma questão de
nomia feudal. Nesse p e ríodo , as c o n tradições entre as
princ ípio,· tanto no plano teórico como pr ático, os mito-
relações directamente sociais e mercantis . eram c o nd i c iona-
dos , fo r mas e principais direcções da utilização, pela
das p ela ev o l ução desta s ~ltimas num s entido progress i sta
soc i edade socialista, das relações da produção mercantil
e pelo s eu p apel no a p erfeiçoamen t o d a nature z a socia l do
e da l ei do valor ao . serviço da con strução do socialisc.10
trabalho e da produção . As medidas t o madas, por exemplo ,
e d o comunismo .
pelos senhores feudais o u pela cúpula das oficinas medie-
As formas principais das relac5e s mon e tário-mercantis
vais para limitar as relaçõ e s monetári o-mercantis e rnm,
no aperfeiçoame nto da sociedade socialista e n contram uma
no fundo, reaccionári as e no curs o da história for am
expr e ssão concreta no mecanis~o e c onómico e suas partes
eliminadas pelo p rogre sso d a produçio social .
e struturais. Propriamente dito, a direcçio planificada
O social ismo é a fase da p r odução dire ctame nte soc i ali-
da economia nacional é rigorosamente o mecanismo atravé s
z ada q u e as s e nta numa ba s e cicnico- mat e rial altamen t e
desenvo lvida e tem como alicer ce a grande produção alta- do qual se utilizam as relações monetirio-mercan ~is no
me nte mec a n izada , s ua espe cializaçã o e concent ração. A interesse de toda a sociedade, Da perfeição do me rcanismo
económico,·da sua correspondência is tendincias o b jecti-
própria socializacã o da produçio com base na propriedade
de t odo o povo, as al te r a çõ es substanciais no conteúdo e v as da economia, ciência e ticnica, da sua capacidade de
produtividad e do trabalho , criam premissas materiais para influenciar os ' interesses económicos depende a eficiên-
a s u peração do isolamento e c onómico e , portanto , das cia das relações monetário-mercantis e da lei do valor.
relaçõ es monetário- mercantis e da lei do valor . Nestas O plano, os instrumentos e estímulos , que em grande
condiçõ es, a plani f i cação, c omo forma económica comunista medida assume m a forma de valor, são chamado s a mobilizar
não p ode de i xar de en t rar e m c ontradição com as relações todo s os elementos da produção social (sobretudo, a uni -
mo netá r i o -mercanti s , que con s tituem uma forma de economia dade produtora básica) para o cumprimento dos planos in-
inevit á v e l n a fa s e i nferi or do c omu nismo , ma s velha e tensivos de desenvolvimento socioeconómico, r edução do
custo de produção, elevaçio' da produtividade do trabalho,
h is tori c a ment e limit ada .
Mas agora, o futuro n ão e stá do l ado da produção mer- criação de novos artigos, de melhor qua lid ade e obtenção
cantil, que ref l ec te um cerco i s olame nto econ6mic o no de resultados económicos finais melh~res. Todas estas
sis t ema da p roduç io s o cial. A pr6p ri a natureza da produ- quest5es estão ligadas ao aperfeicoa~ento dos esiímulos
ção ma ter i al , o grau e p erspec tivas d o de s envolv i mento e conómicos, em particular, ao ult erior aperfeiçoamento e
dos meios d e produção s o b ret udo , dos i nstrumentos de fortalec i mento da autogestão financeira e sua conexão
trabalho, a s t end ê ncias p a r a a s o ci a li zação da produção orgânica com os objectivos do plano quinquenal. No ~ro-
a brem c aminho i s r e laçõe s dire c tame n te soc iais, i plani- (O grama do PCUS sublinha-se que as empresas e uniões
r-- empresaria is serão reguladas, cada vez mais , por normas
fi cação . Ge rada pel a s oc ializa ção s o c i al is ta da produção 0)
económicas de acção longa, que a_l;>rem campo à. ini,-.i :. r-iva
e r ef lecti ndo o c a rác t er mono l ític o e i dentidade de ob j eé-
tivos , a pla n i f i .c ação ac t ua como fo r ç a q ue cri a '· condi.:..
"' e criatividade dos colect i vos d e trabalho.
ç~es objectiva s para o cres c imento orien tado da p r odução € urgente utilizar amplame nte as normas sociais
22-1 -169-
- 168-
como meio impor t a ntí s simo para a ss egurar a intera cção
do plano. instrumentos e est ímulos económicos . As normas novos, ma is avanç ados, as empres as podem util iz ar uma
soci ais po ss ib ili t a m: parte dos meios do fundo único de de s envolvime nto de
- d e finir com preci são as fronteir as e formas princi - ciincia e da técnica. Este, como s e sabe, é formado com
p a is d e uti lização das r elaçõ es mon et ário-me r c a n t is; os l uc r os obtidos no ramo.
- reduzir ao mín imo . d e modo planificado, 4 e v ent uali- Ap r ofunda-se a ligaç ão entre os salários dos operar1os
dade d e manifestaçõ es espon tãn en s, não previstas pela e fu ncionários e os res ul tados finais d a un idad e em r e-
sociedade, das r e laç õe s monetário-mercantis; gime de aucogestão finan c ei r a. Isto consegue -se quando o
- influir mais plenamente e de maneira bem orientada fundo salarial para determinado pe ríodo dad o consta d e
nos int e resses económicos, de acordo com o princi:pio "o duas partes - a básica e a que depende do cresc ime nto.
que é vantajoso à sociedade é vantajoso à empresa"; Esta é formada colocando os aumentos salariais na depen-
- ligar organicamente a utilização das rel~ções dênc ia d o crescimento do volume da produção.
monet ário-me rcantis e a lei do valor a todo o sistema Foi estabelecido um novo mé tod o de distribuição dos
de fonnas económicas e indicadores do desenvolvimento da lucros, que faz com que as empresas em regime de auto-
econom ia n ac ional. gestão financeira se interessem pela elevação d as a c u-
Actualmcnte, é uma questão de prin cípi o criar pre mis- mulações monetárias e a amp liação dos seus pr6prios meios
sas favoráveis p a ra o influência de todas as formas de no processo de reprodução ampliada. Foi acordado o chama-
valor n a intensificaçno da prl Jução, n a elevação de sua do princípio normativo d e distribuição dos l uc r os , nos
eficiência e ace leração do prog r esso téc ni co-científico. termos d o qual os meios ao :spor da unidad e prod utora
A espec ificidade da utilizaçio das relações monetário- bási c a d e pendem directawente dos luc ros efectivamc nte
mercantis nas a c tuais condiçõe s, encontrou uma expressão obtidos. Além disso, as cont ri bui ções para o orçamento dos
concreta na ambiciosa experiência que se está o realizar Estado são feitas em te rmos de perce nt agem do s luc ros pla-
na indústria da União Soviética desde 1984, experiência neados, o que eleva o i nteresse das empresa s (ass oc iacõe s
que abarca, em primeiro lugar, o estudo d e novas formas de empresas) por uma melhor utili zação dos f undos de pro-
e mét odos d e planificação da produção e, em segundo lugar, dução e doe créditos banc ários. Foi também criado um n o vo
o aperfeiçoamento da autonomia económica das empresas mecanismo de formação dos fund o s de estLmulos, assente
(assoc iaçõ es de e mpresas) e - reforço do seu interesse numa ligação mais estreita com os r esu ltados finais d o co-
económico e responsabilidade pelos resultados finais . lectivo laboral. As proporções dos fund o s de esti:mulo são
A experiência tem como objectivo melhorar a planifica- determinadas , neste c aso, pelo seu nível no ano tomado
ção da economia nacional fortalecendo a função das como base estati:stica e por acréscimos que d e pende m da
normas sociais, reduzir os indicadores direcc ionais impos- dinâmica dos indicadores na base do qual se formam e sses
tos à unidade básica nos planos anuais e quinquenais, fundos . A fonte de estímulos continuam a ser os lucros
atribuir um papel det e rminante aos indicadores que, nor- da empresa, enc arados como um importante indicador da
malme nte, me lhor caracterizam os resultados finais das sua eficiência .
empresas. Trata-se d e faz er com que a planificação im- Durante a referida experiência, as associações de
pulsione cada vez mais a intensificação da produção e empresas da indústria mecânica podem fixar os preços por
a aceleração do progresso técni co-científico. atacado dos artigos semi-acabados, das pecas de e'mprego
Para se criarem c o ndi~Ões favoráveis ao reequipamento intra-sectorial e das amostras experimentais; é-lhes
técnico da produção, às empresas é concedida uma maior também permitido estabelecer diferentes acréscimos aos
autonomia no emprego do fundo de des e nvolvimento da pro- preços por atacado, de comum acordo com o cliente.
co
dução e do fundo d e d~preciação , assim como maiores faci- r--
0:,
lidades de recuri-o a créditos a longo prazo. Para a exe- C\J
Cl1cão d e tra ba lhos t e c no l ógicos e de projecç ão e a com-
pcnsacio d os elevados c ust os com a pro duçio de artigo s
-170-
22-2 -171-
A I NTENS IFICACÃO DA REPRODUCÃO
K.~~nc e F.Engels , Obroe, vol. 46 , parte I , p . 194 .
Guennadi SOROKIN,
2 Vide Jbid., vol . 49, p. 153 ; vol. 46 , parte I, p. 384, membro-corr e sponden te
da AC da URSS
3 Ibid., vo l. 23 , p. 68 .
4 Vid e K.N.Plotnikov, A.S.Gussarov, P:robterras Actuais da
Leis t endenciais da intensificação socialista
Teoria e Prática' da Fonrr:zção de Precoe, Moscovo, 1971;
N.l.Chekhet, O Preço Plani ficado no Siaterrr:z de Leis Cada modo de produção tem os seus métodos e limites
Económicas do Socialismo, Moscovo, 1972 ; l.V.lakovets, de intensificação. Há contudo leis objectivas gerais de
O Preco na Economia Planificada, Moscovo, 1974, et . al. intensificação , comuns a todas as formações . Assim, os
5 Prograrra do Partido Comunista da União Soviétioa, seus limites são função das potencialidades que os meios
de produção e a força de ~rabalho ·enc erram. Estes l i mi -
(Nova redaccão), Moscovo, 1986, p. 42. tes po ssuem suficiente mobi lida de, uma vez que o desen-
volvimento dos meios de produção é praticamente inexaur í-
vel. Todavia, embora as possibilidades de a perfeiçoamento
e melhor aproveitamento da mão-de-obra t enham os seus
limites, elas não são ainda utilizadas pl enament e.
e l ei geral da intensificação a sua li gação às neces -
sidades sociais. Quando surge a necess idade de fomentar
determinadas produções, a via mais ef icaz de satisfazê-la
está na util ização de meios,de produção mais avançados
cujas potencialidades ainda não estão esgotadas e no
aproveitamento mais produtivo dos r ecursos l aborais .
As l e is tendenciais da inte nsificação revelam~se de
modo diverso em condições socioeconómicas diferentes.'
O socialismo acelera a intensificação da produção e e l imi~
na o seu carácter antagónico. A esfera de acção dos méto-
dos intensivos alarga-se, abarcando mais pl enamente não
só a própria produção , como também a reprodução da força
de trabalho, além da reprodução do meio natura l .
A int ens ificação socialista ocorre sob a acção de l eis
e conómicas object i vas própri as do soc ialismo e em parti-
cular da lei económica fundamental. Uma've~ que a inten-
sificação e a e fi cácia permitem obter um volume maior
de produto social , r endimento nacional, fundo de repro-
dução da força de trabalho e fundo de acumulação em
mais curtos espaços de t empo e com menores c ustos , elas
estão em consonincia com o princ i pal objectivo da produ-
ção social ist a e obedecem no seu d esenvolvime nto i lei
económi ca fund a mental . Graç as i propriedad e socia l dos

- 173-

intens if ic aç ã o ca so s e j a m a plicados meios de produçã o
mais e f icazes , a provei t ados ple namente o s exi s tentes ,
~ e ios d e p rod uç ão, tor na-se possíve l mo t ivar a s oc i e d a de
aumen t ado o pe so relat ivo dos ramo s in ten s i v o s (me smo
em gera l p ara a c a us a da in tensific a ção e da elevação
quan do a pe n as s e p r oce ss a o a l argamen to e x tens ivo e s e
,da eficácia . A inte n s i fi caçã o e o aume n to da e fi c ác i a
verif ica o melhorame n t o d a s c a p acid ades ins t alad a s s e m
cons t ituem a s principa i s pre missas para a el e v aç ão inc es-
a per feiço a mento ticnico) e melhor explo r ado s os r e c ursos
sante do bem-e star do povo. Por isso, estas c a t e gorias na t urais.
unem e enca r nam os interess e s vitais da socied a d e , d a s
No social ismo, o p r ogresso ti c n i co-científico o c o rre
classes a migas d e cada empresa e de cada trabalhador .
d e forma planificada, o q u e p e rmite maximizar o rendimen-
Em r egi me s ocialista, são muití ssimo mais favoráveis
to dos fundos fixos de produção~ A introduçio de máquina s
as condiç õe s de intensificação, o seu car ácter universal,
isoladas e d e melhorias parciai s nos processos tecnoló-
a sua influênc ia benifica, o clima laboral e o bem~estar
gico~ está a desaparecer. Assiste-se sim à intro duçã o d e
geral. Tudo isto transforma a intensifica ção socialis t a
centros de maquinagem, ao reapetrec hamento ticnico geral
num poderoso meio que proporcionará a vitória do sociali s-
dos ramos e das empresas a estes ligadas. O pro g resso téc-
mo na emulação e conómica com o capitalismo. nico é acompanhado de avanços no p·l ano social, torna o
A int e nsificação é um fenómeno múltiplice e complexo,
trabalho mais f ácil e de conteúdo rico, ajuda a impedir
cujo estudo de d e terminados asp e ctos p e rmite rev e lar urna
a deterioração do meio ambiente, et c ., o que , p o r seu
sirie de t e ndênc ias muito esp ec ífic a s: turno, se repercute de forma benéfica sobre todo o p r o-
apetrecha mento ticnico geral da produção, sendo d e sen- cesso de intensificação.
vo lvida de preferência e a longo prazo a prime ira
A enorme importância do progresso técnico para o
subdivisão (produção de meios de produção); processo de intensifica ção da produção soc ial condiciona
substituiçã o do trabalho manual pelo mecânico, com
a necessidade de escolha correcta das suas direcçõe s,
ala rgame n t o dos limites económicos que condic ionam
níveis e ritmos, que permitem resolver questõe s.. de natu-
a apli cação das máquina s; reza social e produtiva
intensifica ção do trabalho, reg istando-se a r e dução do
Os cálculos dos peritos mostram q ue terminou o período
tempo de trabalho e o aumento dos tempos livres, ou de utilização dos combustíveis baratos. Todavia, a sub i da
seja intensificação do trabalho executado pelo tra- dos custos de cada unidade de matérias-primas·, materiais
balhador colectivo; e equipamentos l eva inevitavelment e à baixa da eficiência
intensificação do processo de reprodução em todas as da reprodução. Impõe-se portanto n ã o só economizar, mas
suas fa s es , redução do ~iclo de reprodução~ também procurar novas soluções técnicas capazes de quebrar
intensificação do processo de reprodução simples e o encarecime nto das matérias-prima s e do9 bens de equi-
acumulação . pamento como tendência .
Estas tendências gerais da intensificação estão rela- O reapetrechamento técnico das e mpresas i o eixo central
cionadas com a inf luência do progresso tecnológ ico e do da intensificação. Ao traçarem-se a s perspectivas de
aperfeiç oamento da organização do trabalho sobre o proces- desenvolvimento económico e social a lo~go prazo hã que
so produtivo, devendo-se salientar que elas levam ao definir um novo nível técnico da p rodução que possibilite
aumento da eficácia económica . e social da produção. e l evar a eficiência económica. Daí que se deparem novas
A base do processo de intensificação é o progresso tec- tarefas perante cada sector da economia e ramo da indós-
nológico. A industrialização de t odos os ramos da produção tria.
e circulação, o aprofundamento da divisão do trabalho Assim, na ind~stria metalomecinica a taxa de utiliza-
e da cooperação inter-empresarial, a introdução de sis- ção de metal mantém- se entre 72 e 7 3% hã já quinz e anos .
temas de máquinas e proc_e ssos tecnol ógicos que ligam fase s Os inventores e construt o res devem p rocurar criar novas
do citlo produtivo anteriormente isoladas e aceleram todo tecnologias que permitam utilizar mn i~ ple na me nt e o me t a l
o processo de trabalho, adquirem wna importância cada vez e sistemas d e fabrico mai s produti vos com b a se e m t ecn o-
maior. - 17 5 -
O progresso tecnológico si g nifica tambim aumento da
-174-
1 og i as mais baratas e de concepção avançada. As deficiin-
l
, · se registam na meca lome cani
- · · ca pesa d a d evem-se De qualquer modo, a relação pode ter e c o rno numerador
·
eia 5 que . _ . . e o f undo dos me ios vitais dos trabal h a dores da esfera
essencialmente ã baixa efica c i a d os b ens de equipamento de produção mate rial (v) ou o tota l dos tr abalhad ores
produzidos. _ . _ _ . como denominado r . Os r e sult ad o s dos dtferentes cá l c u lo s
Na indústria me ca l u rgi ca, a reduçao do acrescimo de
f oram incl u [dos no Quadro 1 .
aço por metros quadrados de superfície do lar do forno
E a relaç ão entre os fundos de produção (gastos e
de Martin dev e -se a def ic iincias deste m~todo de fabrico.
ap li cados) a preços constantes e o tota l dos tra balhado-
Os baixos indicadores técnico-económicos desce método
res da e sfera d e produção maierial que , a nosso ver , di
de fundição são um argume nto ' indesme ntível em favor da
uma imagcru maii; exacta da composição técnic a d e produção.
adopção do conversor, fundição eléctrica e outras tecno-
A relação exclui a influência das variações d e preços
logias avançadas .
sobre os b e ns de e quipamento e aumen to d a taxa do p ro-
Os exemplos citados mostram como é actual a tarefa
duto necessirio. No e ntant o, as estat ísti cas dispon{veís
complexa de conceber e criar tecnologias mais aperfeiçoa-
não perm i.tem calcular esses valores. Os principais indi-
das q ue contribuam de forma efectiva para o relançamento
cadores ( c/v e cll_v) d o Quadro 1 podem ser utilizados
da economia.
para dar uma imagem da evolução da c omposicio técnica J a
Dum modo geral, o desenvolvimento intensivo baseado produção.
em técnica da ponta é função do aumen to da composição
técnica e orgânica da produção. Karl Mar~ constatou O indicad or g era l de intensificação da economia é
que existem mu i tos fac tores que contribuem para a intensi- igualmente o aumento da taxa do produto sup l emen t ar , post o
ficação do trabalho e pressupõem um aumento do capital que , segundo Marx, "a poupança d e traba lho n ece ssário
e a criação d e trab a lho suplement a r " 4 é própri o da apl i-
constante em relação ao variãvel l. V.I.Lénine enca r ou a
diminuição da relação entre o ~api tal variável e constan - cação de máquinas (expre ssão do processo de int ens ifi-
te como expressão do progresso t écnico. Um aumento mais cação) . O aumento da taxa do produto suplemeht ar no ~o-
r~pido do capital constante (sobretudo dos fu ndo s fixos cialismo significa que se criaram melhores co nd ições p a ra
de p rodução) cria condições para o incremento da produ- a elevaçio "do bem-estar e fomento da e s fera prod u tiva .
tividade do trabalho por unidade de tempo e desenvolvi- Qu a dro 1
mento ininterrupto do prç,cesso d e produção, pennitindo Composição ticnica e org~nica da producio na URss3
assim compensar a possível redução d a taxa de lucro
através do aumento da taxa do produto suplementar . 1965 1970 ., 975 1980
Tal como o progresso técnico, a variação ' da composi-
2 J 4 5
ção _técnica e orgânica da produção oco rre de mod.o
desigual. No regime capitalista "os períodos de revolu-
Meios de producao gastos (e);,
ções técnicas (em que a relação v/c baixa) são sucedi- . '
~i l milhões de rublos 226,5 353,6 499 , 4 61.),8
dos por períodos de progresso na mesma b ase té cnica
(quando a relação v/e . se mantém consta·nte ou pode excep- •
Total da popula ão ocu pada na
cionalmente aumentar)"2. produção material (milhões de
No socialismo desaparecem as contradições antagonicas pessoas) 84,4 90,5 96,4 100,9
pr6prias do processo de desenvolvimento das forças pro- c/y
dutivas, se bem que se mantenha uma certa desigualdade 2,68 . J, 91 5, 18 6,08
nos ritmos do progresso técnico e conseque ntemente, na (O
Total dos fundos produção
composição técnica da produção em diferentes períodos. r- aplicados (c 1), a preç os
(])
Os indicadores da composição técnica e orgânic a da ('lj de 1973, mil milhões de
produção podem ser calculados com base na soma de e rublos 568,9 857,0 1257,2 1694,6
totalmente aplicado ou de imputado ao v alor do produto.
cl/v ·6, 7 9,5 13,0
-17 6- 16,8
23-1
-177-
. ::.. 1 1 2 1 J .i 4 1
5 social pode s er hoje determinado com legitimid a de p e lo
148, 2 165, 8 total de ocupados na esfera do trabalh~ me cinico (mec a-
Produto neccssir i o vl 85,3 114 , ó
nizad o) e manual .
2, 7 3, 1 J,4 3 ,7 Na lit erat ura espec ia lizada , a re lação entre f accores
é/vl i n te ns ivos e extensivos é vulgarmente analisada pelos
6 ,7 7,5 8,5 10,2
al/vl inc rementas d o produto e não pelo seu valor ab soluto .
Al é m disso, existem virias métodos de determina ção do
peso r e lativo dos fa c tores inten sivos no . acréscimo de
* Me ios de produç~o g astos: parte do valor destes que produção. Assim, há quem sugira o cá l culo do pe s o r e la-
entra no cômputo do valor do produto social bruto. Fundos tivo através da "função de produç ão". Este método só é
aplic ado s: v a lor dos fundos fixos de produção, assim como válido para os casos em que a r e la ç ão fund os fixos /n . Q
o valor dos objcr. t os de trab~lho que entra no cômputo d o traba lhadores nio se altera. Se a r elação cresce e o
produto bruto. acris cirno de produção é superior ao acrescimo d o n~rne ro
Produt o necessirio: fundo de r e mune raç~es do trabalho de trab al hadores, não se pode afirmar que todo o inc re-
d a esfera de produç ão mate rial mento de produção foi cons eguido à custa d e factor es ex-
tensivos.
Se este facto for ignorado ao lidar-se com a "fun ç ão
são d ive rsos os métodos de cil cu lo da taxa do produto de produção", os resu ltados estarão viciados. Assim, ao
sup l ementa r. Segundo ce rtos dados estatísticos , a t axa d eterminar-se o peso dos factores intensivos no inc r e men-
d o produto s upl ementar no nosso pais no per[odo entre to do produto social final no per[odo comp reendido en tre
1959 e 1977 sofreu um aumento de 16% , segundo outros , 1951 e 1970 apurou-se ser ele igual a 44,7%, embora a
23%; nos anos seg uintes oco rreu ora uma d escid a o ra uma produtividade do trabalho soc ial e o volume do rendimento
subid a da t axa do produt o s,1plementar. Assinale-se que nacional tenham aumentado J,30% e 430% respectivamen te.
o fundo de reprodução alargada d a força de trabalho Os facta.res intensivos que contribuiram para o aumento
aume nt ou . da produção podem ser exactamente determina dos com base
A subs tituição do trabalh~ manual pelo trabnlho mecâni- na percentagem de produção obtida i custa do incremento
co~ uma impo rtante lei tendenc ial da intens ifi cação da de produtividade do trabalho.
produção so c ialista no presente. O trabalho mecân i co surge O aumento do produto industrial imputado a increme ntes
neste caso como s inónimo de tecnologi a que afasta o tra- de ~rodutividade do trabalho foi de 51 Z no Iº quinquJ nio
balho manual. Mas a produção mecânica n ão para. O seu (1929-1933) , 79% no 2. 0 quinqu énio ( 1933-1937), 68% no
d esenvo lvime nto também concorre para o proce sso de inten- 5. 0 (1951- 1955), 72% no 6. 0 ( 1956-1960), 62% no 7. 0
sific ação . (196 1-1965), 73% no B. 0 (1966-1970), 84% no 9. 0 (197 1-
O trabalho me câni co (ou mecanizado) é mais produtivo 1975) e 74% no 10 . 0 quinqué nio (1976-1980). O aumento do
e int enso d o qu e o manual, e quanto mais pess oas se rendimento nacional i mputado a incrementes de produtivi-
libe rt a r e m do trabalho manua l, mais intensivo serio dade do trabalho foi de 58% no 7. 0 quinquénio, 74% no
processo d e produção. O trabalho manual pod e ser em cer- 8. 0 e 85% no 10:0 quinquénio. Apesar das flutua ções causa-
t os ca so s mais inten s ivo do que o mecanizad o , mas, se das · particularmente p e los maus anos ag rícolas , a t endên-
a produção for t oma da na sua g lob a lidade e se se consi - cia geral é de aumento do peso dos factores intensivos na
d e rar o d esenvo l vimento da produção como tend~ncia histó- economia. No 1. 0 quinquénio processou-se a industriali-
ri ca , a difu s ã o do trabalho mec âni co equi.para -s e a o aumen- 1<0 zação forçada e · a reorganização estrutural da economia.
t o da i ntensidade da produção . Por i sso , em nossa opi- l'-
0) Foi um período de viragem, uma vez que depois o peso
n1 ~0 , o pes o r ela tiv o dos fa ctores int ens ivos e ex t ensi- C\I relativo dos factores intensivos nos inc rementas de pro-
v os cm tc•<lo o produ t o bruto social, r endimc•n t o 1w c: i ona l, d'uto bruto e rendimento na c ional passou a ser dominante.
a ssim como cm toda a populaç~o activa ocupada na pro<luçio Porém, não se deve sobrestimar a importância dos incre-
-178- 23-2 - 179-
T
.inentos d e produto , dado que nos Últimos anos foram rela- ·Ju l gamos s er import a nte, q ue r do po nto de v ista teor i -
tivamen t e pequenos (entre 3 e 4%). co como prático, quantificar o limi t e infe rio r de utili-
O peso r el ativo dos factores int ensivos no total do zação dos fundos fixos de produção. Este limite corres -
, produto e não no incremento deste é expresso por o u tras ponde ao nível de gastos de trabalho relacionados com a
grand e z as . Uma das proporç~es entre grandezas i n tens ivas en trada em funcio namento de novos fundos de produção e
e extens ivas pode ser a relação entre o t rabalho me cani- a o nível de poupança de trabalho causada pela s ua substi~
zado e manual . A evolução desta proporção não é, po rém, tuição, em que a re lação entr e as grande zas cit adas é
o único ind icador sob re int ens ificação. A sua efectiva igual a 1. Quando o valor dos f undos fixos po r trabalha-
caracterização exige a determinação da produ tividade do dor (ou seja a l go como o "custo de cada post o de tra -
trabalho, do r e nd imento dos f undos fixos, a r e dução da ba l ho") é inferior a o v alor do _rendimento naciona l que
intensidade d e metal e outros . Ne ste con texto, a substi- os trabalhadores substituídos pelos fund os criariam duran-
tuição do trabalho ma nual pe l o me cânico deveri verifi- te t odo o tempo de vida útil destes, o limite de u ti l iza-
car- s.e dentro de determinados limites económicos e so- ção dos fundos ( máquinas) eleva-s e acima do l imi te infe-
ciais . rior.
Os limites económicos de utilização d as máquinas são No Qu adro 2, são ins e rido s os cálculos, que mostram
fixados através do c otej o do valor destas com ·a pou panç a quan t as vezes, supe rior o limite inferior de aplicação
que pod e rá advir da sua a ctiv idade. Karl Marx escreveu : dos fundos fixos d e produção em dife r en tes anos .
" Se as máqui nas forem encarada s exc l us ivamente como meio Quando se verifi ca o subaproveitamen to d os f undos fixos,
de embaratecimento do produto, os limites d e sua utili- a r edução dos ritmos da produtiv idade do trabalho e o
zação são definidos pela condiç ão segundo a qual o tra - nível técnico dos fu ndos é defici ente , o s l i mit es econó-
balho gasto na sua prod ução deve ser menor do que o tra- micos de s ua utilização baixam. Pe lo s vistos, foi isso que
ba lho que é s ubstituído pela sua utilizacão"S . se v e r ifi cou nos inícios d es t a década ( ate 1983) .
A e sfera d e aplicação d as máquinas é mais limitada Os limites económicos de a pl icação das máqui nas
no c ap it alismo do que no soci ali smo. Dado q ue no capita- diferem de sector para s ec tor de actividade . A sociedade
li smo são tidos em a tençã o os gastos de capital, os cu s- não está livre de escolher qualquer limite de aplicação
t os das máquinas deverão se~ inferiores às r emuneraç ões d os fu ndos, devendo sim optar no mín imo por um l :i.mi t P.
d o trabalho (v). acima do inferior (igual a 1).
•No s o ciali s mo , o valor das máquinas ut ilizadas d e verá Cada novo ciclo de vi d a d o s fundos deve ser superior
s e r in fer ior à soma dos custos sociais de tra balho , e (em conf o rmidade com o progresso t éc nico e a me lhor
não s ó dos custos pagos , ou s e ja, a e sfera de aplicação o r gan ização da produção) ao anterio r e não a o limi te
das miq uinas alarga - se. Se a taxa do produto suplementar inferior. Caso contrário, é inevit áve l o abra nd:amento
for , po r hipótese, igual a 100% (como s upus e ram frequ en- dos ritmos d e crescimento eco nómico.
t e mente Marx e L~nine), os limites económico s de utili- Na prática, ao de te rminarem- se os limites· e conómi cos
zação das máquinas sob o s ocia lismo s erão d uas v e zes s u- de utilização d a s máquina s deve -s e levar em conside r ação
pe r iores . a inf l uinci a dos p reços sobre 6 valor dos fundos fixos,
O alargamento da esfera d e aplicação das máquinas no a eficácia e r endimento das máquin3s, a·depreciação
socialismo cria po s sibi lidades pro pícias• para . a mecani - por obsolescincia do s fundos e o tempo d e vida útil .
z a ç ão ge r al . No entanto, deve ter-se em atenção que_ um A d ilatação d os limites económicos de aplicação d as
t al alargamento acarret a·obj ec tivamente a redução dos máquinas constitui uma das t endincias gerais da intensi :
r equ isitos de e c onomicid a d e das miquinas. A utili zação fi c ação socialista qu e se veri fica ~ me dida que se vão
de máquinas pouco económi cas tende rá .a desaparecer se consolidando as vantage n s do socialismo . 2 indubitivel
forem const a nteme nte aumentados os limit es inf eriores que urge a lar gar os limit es económi c os de utilizaçio d ns
d e aplicação das miquinas . Esta tese diz r espei to a todos máqui nas nos pr6ximos t empos.
os fundos f ixos de eroduçio . Al~m dos l imi tes econ6micos d e ut i liznçio dos fu ndos
- 180- -1 8 1-
(máquinas ) existe~ l~rnites ~oc~ais cuja o~se~ãncia s e
Quadro 2 t õrna cada vez mais 1mpresc1nd1vel no socialismo. Os li -
Li mite s de utilização dos fundos fixo s d e produção iit es sociais nio estio relacionados com nenhuma bar -
na URSS reira sob a forma de valor dos fundos. Trata -se essen-
cialmente da n eces s idade de melhora r as condições de
traba lho, eliminar tipos de_trabal~o p enoso e nocivo à
saúde , acabar com as operaçoes monotonas que impedem a
1970 1975 1980 r e ve laçio do carjcter criativo duran te o processo d e
trabalho, etc. _
1 . Fundos fixos de produção A sociedade socialista empreende me didas d e g r ande
mil milhõe s de rublos 531 805 1149 escala para que o clima laboral seja o mais favorável
~ ossível. ~o período compreendid~ entre 198 1 e 1985 mais
2. Rendime nto nacional, de 10 milhoes de trabalhadores viram melhoradas as con-
mil milhões de rublos 289.5 382,7 469,6 dições de trabalho. Semelhante efeito social d e utiliza-
3. Número de ocupados na ção dos meios d e p~odução só~ possíve l se for consegui-
produção material, da a eficácia economica atraves do aumento do limite
milhões d e pessoas 90,5 96,4 100,9 inferior de utilização dos fundos (máquinas).
o segundo factor (por ordem de importância) após 0
4. Valor dos fundos fixos progresso t écni co que contribui para o desenvolvimento
por traba lhador ocupado, inte nsivo é o aperfeiçoamento da organização do trabalho
rublos 5867 8361 11 387 e gestão . A mecanização , o aumento dos fundos f i xos
por trabalhador e os novos equipamentos .são factores
5. Rendimendo nacional
por trabalhador ocupado, q ue poderão concorrer potencialmente para a intensifica-
3203 3970 4654 :ção. Para que se tornem rearidade há que l ança r mão d e
rublos
m~didas organizativas. O r eapetrechamento téc nico cres-
6. Média dos anos de vida ce-nte suscita o incremento da produtividade através da
útil dos fundos, com taxa organização social do traba lho. Karl Marx d emonstrou
cons t ante de amortizacão 28 28 . 28 que o funcioname nto do trabalho materializado depende
não só das suas propriedades, como ainda da capacidade
7. Rendimento nacional pof
do trabalho vivo para o utilizar intensivame nte7, qu e os
trabalhador ocupado durante
meios de trabalho "podem ser utili zados com maior efi cá-
o tempo de vida útil dos
cia ... através . . . do aumento da int e nsidade de sua
fundos, milhares de
_111 , 2 aplicação, não sendo necessário para tal gasta r mais
ruôlos 89,7 \30,3 dinheiro em capital fixo"9. Uma or g;-1nização do traba lho
8. Número de vezes que o mais perfeita é capaz de assegura r mesrn0 ritmos mais
limite inferior de utili- e levados de crescimen to da produtiv idade do trabalho
zação dos fundos foi r e lativamente ao rácio definido pel ;:i rel ação fundos f i xo"8 .
aumentado (7 :4) 15,3 13,3 11 •4 n.Q de traba lhadores e, ao invés, as vanta gens d o ·
trabalho com bastante ticnica incorpo rada podem r e duzir-
se a nada se a organizaçio do trabalho for m5 . Uma das
cond ições imprescindíveis de aumento d a intensificação
é o e quilíbrio da econornio , a mudança estrutura l p r ogres-
siva dos sectores de act ivid a<le , o s a lto s ritmos de ·
c re sc ime nto.
-1 83 -
Graç a s i int e nsifica ç ã o cem lu gar a lti do a ume nto Qua d r o 3
Ja p r odutividad e do trabalho, porquant o o trabalho com
t écnica i nc orp,)ra da é a base dos incres mentos de produ- Traba lhador global ( " colecc i.v o ") e su a
t ivid a de. O p r og resso t é cnico-ci en tífi c o fa z r eca ir o prod u ci vidadelO
f a rdo da intensificação sobre as máquin as .
F . Eng e ls entendia qu"' "a jocnada de trabalho justa
Indicadores 1970 11980 % de 1980
é a tal duração do dia d e trabalho e a t a l inte nsidade
do trabalho ex ecutado , pe la qual ao longo do dia é gasta sobee 1970
totalme nte a força de tra balho do operário, mas é gasta 1 . Popu lação activa ocupa da na
de tal modo que não sio afectadas as suas capacidades produção mate rial , milhÕeR
d e executar urna mes ma quantidade de trabalho tanto amanhi de pessoas 90 , 5 100 , 9 111 ,5
como depois de amanhã"9 . Presentemente, existem na URSS Operários , milhões 6l1, 9 78 , 8 12 1 , 4
possibilidades de aumen t ar a in tens i dade do trabalho Kolkhozianos, milhões 17, O 13 , 5 79,4
através do melhor aprove itamento do dia de trabalho.
As sinale- se que uma das tendinc i a s hi stóricas doso-
2. População activa ocupada nos
sec t ores :
cial i smo é a intens i f i cação racional do trabalho, acompa-
- ciência e ser v iç os cie ntí-
nhado no fu t uro , da redução do tempo de trabalho e o
aumento dos tempos livre s. A intensificação envolverá ficos, mi l hares de pessoas 299 9 4379 146 , 0
o trabalhador colectivo , processo que decorrerá à custa , - adminis tr ação e organiza-
primeiro , d a eliminação das perdas r elacionadas com a çõ es soc ia is , milhares 1838 2495 135 ,7
ana rqu ia da produção capitalistp , segundo, do aperfeiço a- - pro fi ssões da esfera de
mento da organiza ç ão social do trabalho e da estrutu ra produçã o materi~l . milhâres 7659 14937 195 , 0
- Total 12496 2 1811 174, 5
do trabalhador colec tivo, assim como da utilização das
vantagens da cooperação social do s trabalhad o res de di- 3 . Popu laçio ac civa ocupada
ferentes empres as a nível nacional. no domínio do ensino, saúde,
Nas cond ições do socialismo , nem s6 o trabalho indivi- cultura, arte , milhares 13562 171 36 125 , 7
dual i envolv ido pelo pro~esso de i ntensificação : Também
4. Rendimento nacional , mil
o é o trabalho global. Isto c onsegue- se po r mei.o duma
mel hor organ ização do trabalho e do planeamento do
progresso técnico-científico. A intensificação do trabalho
mílhÕes de rublos
5 . Rendiruerrto nacional:
283,0 458,5 16 2 ·º
glob~l , s em envolver os t r aba lha dores isolados , f az
subir bruscamente a produtividad e do t rabal ho social e - por trabalhador o cu pado
const it ui um aspecto _impo rtantíssimo da gest i o planif i cada na produção material, rublos 3127 4544 145,3
do tra balho . - por trab alhador ocupado
O trabalhador colectivo global é uma categoria nos sectores (2) 22647 2 1021 92 , 8
complexa que está a carecer de estudo profundo no quadro - por trabalhador ocupado
do sist ema econ6mico uno. Pa ra que se possa procede r à na es fera do ensino, saúde ,
sua caracterização há que levar em conta que a produção cultura, art e 20867 26756 128 , 2
ma terial da URSS empre ga cerca de 100 milhões de pessoas, - po r trabalhador ocupado
a ciência e a admin is tração (i nc l u indo profissões da na produção ma teria l, suas
o:)
esfera da produção materia l) abrangem d e 22 milhões de i-.' organ i zações e serviços
l> /1.+2.(deduzidos da s pro-
pes soas , enquanto os sec tores de reprodução da forc a de :1
trabalho (ensi no, , saúde pública, cu lt ura, etc . ) empregam fi ssões da esfera produção
17 milhões . Se forem excluídos os dados que s e repetem . ma terial)+ 3./ 2599 367 1 14 1 • 2
-184 -
24-1
. o tot al s e rá de 125 milhões. No entant o , a e s t rut u r a
' do traba l h ador g lobal não se man tém in a lt e ráve l
r s umo exc e ssivo de tra balho passado. De qua lquer maneira ,
a s oma t o t a l dos ga stos de trabalho vivo e pass a do deve rá
(Q uadro 3) . ba ixar.
O núme ro de operar1~s por cad a 100 ocupados na produ- A utilizacão intensiva da força de trabalho tem como
ção material aumentou 8% no período entre 1970 e 1980; o premissas o a umento da qualificação profissional e a
de ocupados no domínio da ciência e services científicos, intensificação da reprodução da força de trabalho, possí-
30%; o de ocupados no sec tor da admini s tração e organiza- veis no socialismo graças~ preparação e rec icla gem plani -
ções sociais, 25%; o de profissões dos ramos da produção ficada dos trabalhadores .
material, 74 %; o dos -ocupad6s n o domínio do eneino, saúde, O processo i mpetuoso da industrialização na URSS re-
cultura, arte, 13%. Estes ies~lt ados provam ter ha~ido quereu o consequente aumento do número de operários na
su ficientes técnicos e cientistas nos diversos sectores ind~stria . Assistiu- se nessa altura ao aumento extensivo
de actividade. Os ritmos de crescimento do número de da classe operária, ao engrossamento das suas fileiras
ocupados foi maior no domínio do ensino, saúde e cultura. i cu~ta de.operar1os sem preparação. Apena s cerca de 5%
Todavia, a reducão relativa dos ocupados na esfera mate- ·dos jovens operários que começaram a trabalhar no primeiro
rial e o aumento do peso dos serviços e da admini stração quinquénío tinham obtido preparação profissiona l . No
devem ser compensados com um acréscimo do rendimento início do primeiro quinquénio cerca de metade da popula-
nacional por element0 do trabalho col ectivo . No decénio cão era analfabeta . Em midia, os operirios tinham apenas
em causa não se regi stou este fenómeno. O rácio rendimento 2,5 classes de escola primária.
nacional/trabalhador colectivo aumentou 15% no período Nos anos seguintes, a reprodução da foica de trabalho
entre 1971 e 1980, enquanto na esfera produção material conhe ceu mudanç a s substanciais. A reprodução extensiva
foi de 46~. ~ evidente que em sectores como a · admi nistra- (aumento quantitativo) começa a perder de importância e
cão, ciência, arte e out ros o número de ocupados é i substituída pela intensiva (aumento da qualiÍicacão).
excessivo. Há que reduzi r o número de trabalhadores e A mão-de-obra t orna- se capaz de traba lhar nas condiçõe s
ele~ar a produtividade, tarefa que não só e nem tanto de interdependência e aceleração dos processos produti-
diz respeito aos ramos da produção material, quanto vos , de crescimento impetuoso d a metalomecânica.
aos "escalões intelectuais" do trabalhador colectivo. A taxa de crescimento numérico dos operários começa a
Uma vez que o progresso técnico, factor decisivo b a ixar g~adualmente e no 10. 0 quinquénio (1976-1980)
da intensificacão se revela no incremento da produtivi- perfaz 6%, Ao mesmo tempo, cresce bruscamente o peso
dad e do trabalho, este i ndicador s erve de meditlor da relátivo dos operários cultos e com preparacão profissio-
intensi f icação da produção e da utilizacão da mão-de- nal . A pirtir do 10. 0 quinquén io, o núme ro de operirios
obra. o processo de i ntensif icação envolve tanto a uti- preparados nas escolas de aprend i zagem técnico-profissio-
lização do trabalho vivo como do trabalho passado. A in- na l é superior ao acréscimo verificado na tota lida de dos
tens ificacão l eva â redução relativa dos gastos de ma- operários. No 10. 0 quinquénio em cada mil operários
téri as-primas e auxiliares , combustíveis, a um maior havia 787 com forma ção s uperior ou média. Operam-s e mu-
rendimento dos bens de equipamento e fundos fixos de danças na formação de quadros necessários aos kolkhozes.
produção, ao aumento da produç~o de cada trabalhador Assim . é no per~odo do socialismo desenvolvido qu~ se
por unidade de tempo. A r eduçao dos gastos de trabalho verifica a passagem definitiva para os mitodos intensi-
vivo e passado por artigo . fabricado em igualdade de cir- vos de reprodução da força de trabalho.
cunstâncias é um indicador de intensificação e eficácia.
A poupança de trabalho passado e vivo revela-se corno ten- (!)
A intensjficai~º do pro~esso de reprodução simples
r--
dincia durante l ongos períodos. Os ritmos de poupança 0) e da acumulaçao
dum e doutro podem ser diferentes em função das circunstân- .!'l
cias concretas, se bem que, em determinados períodos, A processo d e intensi ficação ocorre d e modo diverso
a poupanca de trabalho v ivo pode ser acompanhada de con- nas difere nt es fases e formas de Teprodução. !!. mu ito
-1 86- 24-2. -187-
fSpec ifica e intensificaçio da produção e da t r o c a, a
r A reprodução dos fundos f i xos e do produto s o cial é
intensificação em certos sectores de actividade e sobre- completada com a reproducão de força de trabalho, também
tudo na agricultura. onde os resultados da actividade envolvida pelo processo de intensificação. O mero cresci -
~rodutiva dependem das c ond ições na t ura i s. mento numérico da mão- ue- obra (reprodução ex tensiva)
· A e s fera da circ ulação exerce tamb~m uma i nfluência é cada vez mais completado ou então substituído pelo
subs tanc ial s obre a in t ensi fi cação e a eficác i a produção. aumento da qualificação, pela capacidade de laborar nas
" .. . O proc esso de circul aç ã o põe em movimento n ovas cond ições de expansão da indústria metalomecânica.
po ten cialida d es q ue c o ndicionam a esfera d e a c ção do . O pes o r ela tivo d os factores intensivos e intensivos
capi tal, a sua e xpansão e redução que não dep endem da no incremento da produção e na total idade desta condi-
·g ran d eza d o seu valor" 11. Karl Marx achou ser possível cionam a existência de dois tipos de reprod~ção: intens i-
f alar- se s obre a lei da r eposição do volume de capi tal . . .- ' . .
voe e xtensivo . Na prat i ca, ambos os t ipos coexistem con-
através da v e locidade da sua r o t acão12. A falta de quan ~o q ue o primeiro tende a prevalecer. .
coord ~nacã o entre as e sf eras de produção e circulação · O processo con cr eto de re produção ocorre sob c ondiç5 es
no ref ere nte is grandes linhas da intensificação caus a i nterna s e externas em constante mutação . Qualquer
enormes prejuízos. Um r esul tado positivo obtido na mud~nça nas condições de reprodução exerce uma acção d i-
esfera da produção pode perder- se em virtude de d efi - recta sobre a inteosificaçio e efi cácia . Os relativ amen t e
ciênci as existentes nos circuitos de distrib uição ou na limitados recursos laborais, o baixo rend ime nto dos
esfera da cirulação.· equipamentos, a exiguidade dos recursos energéticos e das
Ao . p r oceder- s e i análise do processo de re p rodu ção matérias-primas, assim como das t erras, por um lado, e
simples deve a tribu ir- se uma atenção e spe cial à e fi cáci a as necessictades sociais sempre crescentes, por outro,
da utili zação do fundo de re posição (redução do c onsumo exigem inevi tavelmente que se aumente a intensidade e a
de metal e da amortização por unidade d e valor consumid o). eficiência da produção, se resolva a contradição entre
Ao anali s ar- se o proce sso de reprodu ç ão alargada é neces- o aumen t o das necessidades e as possibilidades de satis-
sário determinar o níve l de i n tensif icação da acumu l a ção. f azê - las num dado mome~t~
Do ponto de vista do ciclo de reprodução a intensificação
é expressa pela redução.do t empo de produção e c ircula-
ção, e tc. Portan to, assinalá mos a tendência ge ral. Ao
mesmo tempo, a c omplexidade e dimens ão dos novos meios
de produção levam ao aumento do tempo de produção . Por De realçar ainda a importância do cálcu lo da duração
seu turno, as fon t es de matériais - primas situam- se do ciclo de investimento. Não há ainda um método de c ál-
longe dos locais onde são consumidas produtivamente culo comunmente acei t e . Os funcioná r ios do Banco do Inves -
timento para a cons trução civil suge rem dividir o ciclo
0 que constitui um f en6meno inevitável nas act uais
cond i ç5es de industrialização em grande escala, _daí que do investimento em dois perí odos: 1) o período de investi-
o tempo de c irculação também sej a aumentado. O cálc u lo men to e formação d e meios circulantes e 2) o perí odo de
do tempo dos ciclos concretos de reprodução permitiria retorno ou reposição . Segundo o's cá l c ulos efectu ados,
conhe cer melhor as possibilidades de r edução da sua nos últimos 20 anos a duração médi a do éiclo é de 14-16
duração*. anos. O p e ríodo de inves timen to é de 6- 8 a nos, enquan to
o p eríodo de re pos ição , de 8 anos . (O Banco e a Eficiên-
cia -dos Investimentos, M., 1980, p. 33).
* No Ins tit u to de Economia d a AC da URSS, o prof essor At en t e - se em que a determinação do ciclo só t e m signi -
J. Quacha propôs um método empírito de cá l culo da duração ficado para o estudo d a dinâmica . Al ém disso , os p r azo s
aproximada do ciclo produt i vo. O autor chegou à conclusão de retorno, a nosso ver , devem ser . c alculados não na
que fora ig ua l a 42,4 dias a duração do ciclo na ind~stria bas e do coefi ciente n ormativo de e fi cácia , mas sim do
e a 27 mes es na construção civil , em 1974 . ( J.Quacha , coefiéiente r eal .
(O Factor Tempo na Pr'odução Social, M., 19 79 , pp. 120,128).
- 188- - 189-
Na prática, tanto a reprodução simples coruo a alargada Quadro 4
se fundem corno numa só e a ctuam uma sobre a ou tra. Are- Estrutura (em val or) da reprodução simpl es
pr odução simp les constitui o elemento fundamental da re- e da ac~mulação em 1979
produção alargada, em que a acumu lação é a base material
das mudanças estruturais e do desenvo lvimento das pri n-
cipais direcções do progresso técnico. A alteração da
função qua l ita t i va dos elementos da reprodução simple s E~ mil milhões de rublos:
1
e
1
V
1
m
l Total

é a premissa ma t erial do.seguinte ciclo de r eprodução Produto soc i a l bruto 590, 1 220 ,0 218 ,0 1028 , 1
a l argada. Se o valor repo sto dos fundos baixa, a amorti- Reprodução s i mples 519 181 , 8 21 8 , 0 9 18, 8
zação é fonte de acumulação.
Todo s os a s pec tos particulares do p rocesso de inten-
Acumulação 71 , O - 109,3
si f i cação r evel a m-s e, no f inal de contas, no processo Em%:
de r eprodução à e scala da sociedade. Para fins de aná- Produto social bruto 31 ,4 "
lise, é conven iente d istinguir o processo de reprodução 57 , 4. 21 , 2 100,0
Reprodução simples 56 , 5 19 ,8 -21, 7 100,0
simples e o de acumulação. Deste modo, será po ss íve l oo·, o
detectar os factores de intensificação e as partic u lari-
Acumulação 64,9 35 , 1 - 1
d ades da reprodução.
O estudo da reprodução simples exige a a nál ise do Os cilcul os ~fec tuados obedecem is seguintes condições :
fundo de repos i ção; ~u sej a . do produto social bruto. C da reprodução simples é igua l a Cl + c2 ou seja 590, 1
As categorias " produto líquido" ou " final", total ou pa r- mil milhões de rublos. Se subtrairmos a e ste o valor do
cialmente ex purgadas dos elementos do "fundo de reposição". produto da I subdivisão, será de 7 1 ,1 mil milhões de rublos
não servem para a anál i se a que·nos propomos. o valor de -C imputado à ac umu l ação. A proporção entre
A teoria da reprodução divide o produto social em v·e m· a da média soc i al. Poss ivelmente , a par te c no
duas part es : uma q ue c orres ponde à reprodução simples, total da acumulação é superior . Na acumu l ação hR RÍ n n~
outra que r epr esent a a acumulação, d epois do que expõe as reservas em cuja estrutura predomina a.
a es t r utura r eprodut iva de cada uma delas.
A d i v i são da repr oduç ão em simples e alargada é ·
realmente compl exa e possível unicamente em termos apro- inferior à méd i a (61,3%).
ximados. A grandeza de a cumulação é a medida · do procf!SSO Assim, a definição da proporção entre reprodução
de reprodução a l argada. Em 1980, o produto bruto foi de s imples e alargada e da e strutura reprodutiva d,o produto
1078 , 5 mil mi lhões d e rublos, enquanto a acumulação social permi te sistematizar a equacion ar me l hor os
ascendeu a 108 , 6 mil mi l hões de rublos. Quer dizer, é vectores da intensificação . Mais impo r t ante é que hoje
de 10% o peso relativo do produto bruto destinado a· se ponha a tónica na reprodução simples, o que não quer
suprir as neces s i dades de reprodução alargada . Este valor dizer que a intens i fica ção do processo de · acumulação
foi mais ou menos o mesmo ( 10,6%) em 1974 e atingi u 12,8% não seja importante . Há que i ntens ificar a utili zação
em 1959. A proporção existente entre ambas as partes do do t r abalho passado não se descurando a i mportância do
produto b r uto sinali za-nos sobre a direcção que devemos aumento da produtividade do t raba l ho v ivo , d evido t anto
seguir se pretendemos a intensificação. A estrutura pro- aos -cons i deráveis gasto s de t r abalho c omo à f unção
dutiva da reprodução simpl~s e d-a- a-cumulação em 1974 é c riativa do traba l ho vivo que cri a nov os va lore s e as-
dada no Quadro 4 . segura a poupança de trabalho passado.
No qu e se refere à fonna concr eta do produto , pode- se Na reprodução simples, o peso do fund o de reposição
supor que, no c aso da acumulação, é relativamente alto no produto chega à atingir 56% . Trata- se essenci a lmente
o peso relativ o da I subdivisão (produção de meios de
produção) , e, no éaso da reprodução simples , é um pouco
-191 -
- 190-
de c us tos das ma térias (primas e subs i diárias ) e c om- ,iaci onal em termos físicos foi superior a o dos f undos
bustívei s . A a mo rtização (para r epor o valor da depre~ de. produção. A pa rtir dos anos 60, a i ntensidade dos
cia çi o dos meios de t rabalho) e igual a 6,6% do valor do fundos sobe para vir a estacionar no VIII quinqu i nio
produto em regime de re prod ução s i mples . Em valores (1 966- 1970). Nos anos 70, o r end i me nto dos fundos fixos
a bsolutos , o fundo de amort iz a ção dos ramos da produião bai.xou . No Quadro 5 pode acompanhar-s e a evolução da i n-
mate rial fo i de 68,1 mil milhões de r ublo s (ou s ej a 6 2 ,3% t ens id ade de fu ndos e trabalho dispendid os na produçio
d o fundo de acumulação) ~m 1980. O elevado peso relativo do r endimento nacional duran te os anos 70. Os cálcu l os
~o fun do de reposic iono val o r do produto i uma das razões efectuados pe r mitem inferir que os fundos fixo s aumen ta-
da neces s idade de intensificar a ut íli z ação t a nto dos r am a t axas supe r iores às do r endimento n aci onal . O
ob j ectos de t rab alho como d o fundo de acumulação. aumento da intensidade d e fu ndos nã o fora comp ensad o pela
A anilis e da e strutura dos fundos utilizados na produ- baixa da intensidade d e trabalho.
ção conv ence c ada vez mais da necessidade de red uzir os
custos de p r o d ução . Têm- se em vista os fund os d e produ-
ç ão , i n c l us iv e a amort ização dos fundos fixos de produção
q ue é imputada a o s produtos, e os cus t os directos (maté-
rias , mão- de- obra) d e fabrico. Em 1980, os f undos esti~ Quadço 5
mavarn-se em 1694 , 6 mi l milhões de rubl os e cada 1% de Re ndimento nacional e çec ursos apl i cados
trabalho pas sado economiz ado e cristali zado nos r e curso s
t apl i cados (meios de produção e ob j ectos de trabalho)
era igual a 3 ,7% do rendimento nacional . 11970 1975 -I 1980
Deste modo , intensif icar o processo de reprod uç ão·
simp les s ignifica utilizar intensivamente os meios de Rendimento nacional ( a ,preços
produção ( reduzindo o consumo de f undos fix os) , objectos constan t es ), em mi l mi l hões de
de trabalho (baixando o c onsumo de matérias), fundos de rubl os 28 9, 9 38 2 , 7 469,6
amortizaçio e a massa sala r ial (condicionada pelos níveis Fundos de produçã o aplicados ,
d e produtividade ) . Estas linhas de intensi ficaç ão em mil milhões de rublos 857,2 1257 ,0 16 94, 6
valem também para a esfera da acumulação . -fixos (de duzi das a s amor t izaçÕe s)53t, 0 805 , 0 1149,0
Há dois tipos intensivos de reprodução : a) economizado- - c irc ulan tes 326, 2 45 2,0 545 ,6
res de fundos e b ) fundo - int ens ivos . Estes dois tipos
d e pendem do consumo de .fundos de produção por unidade de Fund o de retri buiç ã o salarial
pr odução.~ importan t e que em c ada perí odo se de t e c te na pr odu ção mate r ial (produto
q ua l o· t i po predominant e e qua l a t end incia geral .· • necessário) , em mil milhões d P
A intensidade dos f undos deve ser analisada em c onj urito rublos 114 ,6 148 ,2 165.8
com a intensidade do trabalho . O aumento da pr i meira só Recursos aplicados por c a da
se justifica s e f or compensado po r uma mai or red ução rublo de rendimento nacional,
d a s egunda, se o s gastos de tr~balho passado e v i vo por rublos 3,36 3,67 3,96
unidade de produçã o baixarem . A i n t ensi fi cação mais
prog r essiva será a q uel a em que, r elativamente à massa de - fundos de produção 2,96 3,28 3,61
t rabalho vivo , a produção cresce mais r á pi do do q ue os
fu ndos fixos.
- ·mão- de-obra 0,40 0,39 o_,Js
<I)
Na URSS, a evolução do ind i cado r "ín-tensida de de fundos " r- 1ndice de pro d u tividade
tem sido irregular. Nos ~nos ~Ó , qua ndo foram postos em m social do traba lho 100 ,1 25 .146
N
circu l ação r e cur s o~ adicionai s ( e e ram melhor apr ove it a das
as po t i ncias ins t ~ l ~das) , o crescimen t o do re nd imento
-192- 25-1 -193-
em cert os anos, os r itmos de crescimen t o do nível t é c-
Em termos de valor, o qua dro já é outro. Como se sabe , ni co dos novos fund o s diminuem.
o va l or baixa em proporcionalidade directa com a produti- Sabe- se que Mane id entific ava o n[v e l de desenvolvimen-
vidade do traba l ho . t lógico que se p resuma que o valor t o té cnico coro o nív e l da produtividade do tra balho . O
dos produtos que compõ em a mass a salarial se t enha r edu- aumento (de 2/ ) ap roximadamente) na produ tividad e do t ra-
zi do proportionalmence ao Índice de produt i vidade. Foram balho é ess enci a l mente assegurada pe l a sub i da do n[vel
ne cessários 0 , 2 1 rub los e não 0,3 5 (40% ma is) de pa ga -
t é c ni co da produção . Po r consegu i nte , a reduç ão nos ri t-
mento pelo t ra ba lh o , em 198 0 , po r cada r ub l o de r endi- mo s de crescimen t o da p r odu tividade do traba l ho tem esta-
men to noc ional . Mesmo neste c a so , a perda devida ao do relac ionada n os ~ltimos anos com a i nsu fi c i ente sub i da
aumento da int ensidade de f undos não é t ota l men t e compe n-
do níve l técnico dos fundos f i xos .
Roda . No camputo ge ra l, cada r ub lo d e r endimen to naciona l
A utilização intensiva do s fundos c irculantes é
em 1980 foi 0, 60 rub los " mai s ca r o" em r e l a ção a 1970. habitualme nte a va liada pe l a e vo l ução do con sumo de mate-
E8tes cálc ul o s s ão a proximados . Em part i cu lar, d e ve riais por unida de de r e ndimento n ac i ona l . Durante os an o s
dizer- s e que os p reços não s ão tota l mente compa r áveis. 70, o produto s ocial bruto e o r e ndimen to naciona l aume n-
t de rea lçar que a i nt ens if icaç ão d a economia se taram 67 e 62%, respectiva ment e , ou se ja, o con sumo de
processa len t ame n t e , ni o assegura a neces sária sub ida na materiai s por unidade de rend i men to s ubiu um pouco .
ef icácia , nem todas as po tenci a lidades são postas em acção. Porém , dev e levar~ se em linha de cont a que o cálcul o
A utilização inten s iva dos fundos de produção dever á da int ens idade d e metai s se fa z com base no coefic i ente
ser examinada segund o a sun natu r eza ( f undos fi xos d e p ro- d e utilização duma grand e q uantid ade de di vers o s ma t e-
ducio ou me i os circulantes ). A ba i xa do r endime n t o dos riais que exerc em infl uênci a variada sobre a i nten s id ade
f undos fixos d e produção (se for em considerados a preços
da prod ução, po r um lado, entra - se e m con s id e r ação com
cons t antes , i.e . deduzidos eventua i s aumen tos de pr ecos a qualidade doa materiai s e a s a lt e ráçÕes nas t ec nolo-
n os f undos ou na produção) deve-se a uma das três r a zões : gias da produção, por outro. Assim, a utilizaçã o d e ma-
r e dução do t empo de uti lização dos fundos , lon go s prazo s tirias das • fontes mais a fastadas ou me no s rica s aume nt ~
d e entrada em fu nc i onamento dos novos f und os, ba ixa do s ubstanc ialmente a intens idade de consumo . Além di sso ,
nível téc nico dos fundos ;. ou seja quando cada un idade quanto mais rico s forem as mat é rias e os comb us t í v e i s ,
d e novos fundos , em igunldade d e ci r cunstânc i as , n ão é maior o pe s o dos materi a i s com elevadas c aract e rí s ti ca s
capa z de fabri c a r mais p rodut o s do que c ada unidade dos tecnológicas, maia perfeitos os processos tecnol óg i co s
Antigos fun dos . e mais houver materiais artificiais a aplicar, ma iores
O coeficiente de u t ilizacão d a s capacidades por turnos
s e rão as possibilidades d e me lho rar a u t ilização dos
na i nd~st ri a t em vindo a baixar nos ú l timos a nos. Se , por
fundos circulantes de produção.
e xemp l o , o s uba prove it amen t o das ca pacidades ins t a ladas e de realcar ainda a importância da intensific ação
é p e rfe i tnmen t e a dm i s síve l no I qu inquéni o, a redução da acumulação pa ra a carac t~rizacão do processo de r e pro-
d e 1oz nns capncidades, n os Últ imos anos , n ã o tem jus- d ução a largada . Ac umular signifi ca criar ramos ma is ape r-
t ificnc~o. Se a uti li za cão das capac idades por t urnos
feiçoados de ponto de vista téc nic o da produç ão, . i mplan-
nio baixasse , nio ba ixa ria o r e nd ime nto dos fundo s . tar novas gerações de máquinas e sistemas tecno l ó gi cos ,
Os pr azo s d e e ntrada e m fun c iona mento dos novos fundo s
aio 2 a 4 v ez e s supe ri o r es aos n orma tivos. A apli c ação criar novos centros de maquinagem na prod ução e as segura r
e f ec t iva dos pra1.os normativo s d e e ntrada em fun c ionamen- o constante e futuro aume nto da produtivid a de do traba lho .
Ora a nosso ver, será inco rrecto e ncara r a acumu l açã o
to equ i va l e ria a uma e conomia d e 40 e 45 mil milhõe s de

~
como uma das condições d e desenvo lvime nto extensivo d as
rublos n os fund os fixo s ou a uma s ubida d e 37. no rendi-
forças produtiva s.
men to des t es . No sociali smo , a a c umu l açã o e a expans ão da produção
Nã o há r a zões pa r a f a l a r em desc i da do nível t éc nico
do s novos f undos cm r e l ação aos ex i s t entes s e se cons id e- proc essam- se em grand e escal a . A cada momen t o, a acumu -
r ~rcm dad o s generalizados . No entan to , presume- se que , laçã o entra em cont radição c om o consumo . Em igualdade d~
25-2 - 195-
-1 94 -
circunstâncias, quanto meno r for o fundo de acumulação, em 1966- 1970, a 0, 38 em 1971 - 1975 e a 0 1 26 em 1975-1:J.'>D.
' maior será o fundo de con sumo . Por isso, a utilização O fundo de acumulação é uma das partes integrantes
racional do fundo de acumulacã~ é uma tarefa de primeira do rendimento nacional. Assinale - se que, em parte, a
_grandeza. amortização pode ser incluída na ac umulação. Se for
Quanto menores forem o s gastos de trabalho vivo e elevado o montante dos fundos fixo s de produção, durante
morto por unidade de meios acumulados, maiores serão o período de vida ~til acumula- s e um valor considerivel
os valores de uso que correspond em â forma c onc ret a da de amortizaçÕei. A ut Llízação de pa rt e das amortizações
a c umulação, consid e r ando inalte r ável a es trutura, em para fins de acumulação torna- se possível se o valor da
v alor , da acumulação . Por outras palavras, os me i os acu- reproduçã o dos fundos baixa ao longo do período de v i da
mulados a umentarão, em termos físicos, s e se veri f icar ~tiL e se entre a s oma das amortizações e o ~ator da
a utilização inten siva dos mesmos recursos l aborais apli - reprodução dos f undos surge uma diferença no fim do
c ados na acumulação. período de amorti zação . Este resultado que se deve ao
Sublinhe- se q ue Marx estudou casos análo gos , tendo p rogresso t é c;.,ico pode se r encarado c omo acumulação.
chegado à conclusão que, se o valor do capital adicional O aumen to da importância da r e produçio simples e
se man tiver constante ou me smo baixar ocorTe a acumulação a bus c a de novas f on tes de acumu l ação mul tiplicaram o
acelerada , desde que esse mesmo valor do c apital constante interesse dos economistas pela problemática da am~rti-
se exp r esse numa maiQr qu an tid ade de meios de produção , zação . No entanto , alguns es t udiosos che gam a conclusões
enquanto o c ap ital variável a tr ai ma i s trabalhadores. incorrectas. A nosso ver, não se pode contrapor o fundo
O traba l ho adic ional c aus ado por um maior esforço laboral de amortização e o so breproduto c omo fontes de acumu l a ç ão.
do operá ri o pode aumentar a substância da acumulação , Por vezes, é s obreest imada a i mportância do fund o de
i.e. o sobreproduto e a mais- valia, sem o respe~tivo amortização para a r eprodução alargada e subestimada a
aumento da par t e activa do capita11 3 , Em c onsequê ncia importãncia do sobrepro<luto. ~ indubitável que se impõ e
da rep rod ução i n t e nsiva dos fundos fixos deverá baixar intensifi c a r a utilização do fundo de reposição . ~e fosse
o valo r de reposição destes e subir a produtividade de poss ível, mantendo-se o valor , aumentar o valor de uso
cada unidade de potência instalada . dos fundos que são repostos , viria a acontecer a r e produ-
A aplicação de semelhantes métodos i ntensivos de ção a largada dos fun dos em valor de uso no caso da re-
acumulação também é pos sível no socialismo . produção simples em valor. Há que aumentar a ·utilizaç ão
O valor da acumu lação e r i t mos desta podem variar do fundo de amortiza ç ão para fins de reprodução. De '
mesmo no caso de aumen to da produção por via ex tensiva. qualquer modo, s ó s erá de recomendar a aplicaç ã o desta
Ass i m, relativamente ao ano an terior o . montante da acu- tese apôs o estudo profundo desta problemá tic a .
mulaç ã o b a ixou em 1963 , 1972, 1975, 1979, e 1980. Est a A a mortização deve ser espec ialmente anal is·a da no
r e dução variou entre 1,5 e 6% do fundo de acumulação e prisma do valor de reposição dos fundos . Se se confrontar
deveu-se fundamentalmente a quebras na produtividade a s oma das a mortizações com o valor de repos ição , será
agrícol a . possível ajuizar em q ue medida ,ó f undo de amort ização
A redução na eficácia da acumulação pode ser sus- pode ser fonte de acumulação. A r eavali?cão dos fundos
citada pelo aumento da intensidade de fundos da produção fixos em 1972 foi acompanhada duma subida de 11 %, ou
social. Assim, numa sit uação em que a taxa de acumulação seja 73 mil milhões de rublos , no valor de reposição.
,produtiva foi estável, o ~brandamento das taxas de cres- Isto que dizer que as amortizações efectuadas não cobriam
cimen to do rendimento nacional da URSS levou à redução o válor da d epreciação pelo que n~o podiam t o rnar-se f on tP
da eficácia económica da taxa de acumula ção produtiva. de acumulação. Nos anos que se segu iram, os custos de
O coeficiente de eficácia, expresso pela relação entre a produção da indústria e do sector da cons t rução (forne-
t axa média anual de crescimento do rendimento nacional cedores de fundos fixos) não sofreram qua lqu e r b aixa sig-
e a t ax a m~dia anual de acumulação produt iva, foi igual •'1 ificativa. quer dizer, não se verificou uma redução con-
a 0 .54 no período 1956-1960, a 0,4 em 196 1-1965, a o , 48 ", iderável do v a l o r de reposição. Por cons eguin•t e , o fundo
-1 96- _Jg7_
•Je amort i zação não pode ser utilizado na reprodu ção u m factor importantíssimo de intensificação.
alargada . O processo de reprodu ção socialista alargada deve
O fund o de acumulação p e rmite efec cuar invescimentos
ass en tar c ada vez mais na via intensiva. Nos d iversos
da expansão e de moderni zação , a umentar os meios circu-
sect o r e s da economia da URSS aumenca rapidamente o campo
lant e s, c r i ar re servas, etc . A e st r u t ura da acumulação
de acção e as cond i cionantes do proces so de intensificação.
é estável . De 60 a 687. do fu ndo de acumul ação destina- se Crescem o montant e dos f undos fi xos de produção, as
a aumentar os fund os fixos , cabendo de 33 a 407. à forma - potências ins ta ladas e os f undos por operário. As possi-
ção de meios c irc ulantes e r eservas. Ao melhorar- se a bil i dades de aumento da acção dos fa ctores intensivos não
forma concre ta da acumulacão (por exemplo, através da são p l enamen t e ap r oveitadas. Daí q ue se coloque com ba s -
adopção de me ios de produç ão ma i s avançados), aumenta a t ante acu id ade a necess idade d e meca~ização ~ automati za-
eficácia na ut ilizacão do fundo de acumu lação. A a p licacio ção, acele r ação do progresso técn ico-cien tífico e adop-
e m escala de mé todos de acumulação intens iva permite econo• cão de métodos int ensivos na produção , a superação do
mizar me io s ou incrementar ou tra s produções (de b ens de abrandamento ver i fi cado nos ri tmos qe intensificação.
con s umo). Presentemente, o centro de g ravidad e des l oca- se para
O grosso da acumulação de stina-se ao s ec tor da a u ti li zação dos factores de cres cime nto intens i vo (ca -
const rução. Por isso, as me lhorias n ece ssárias ne ste pacidades produtivas e mão-de-obra· dispon{veis, etc.).
Último são e ncaradas c omo a pr inc i pal via d e racionaliza- Dá- se grande atenção à poupança de matérias - primas e
ção do fundo de acumulação a utili zar. O agravamento nos combustíveis. Prevê~se que s e venha a ob t e r a maiori a d a
custos de construção em relação ao previsto pelo plano e p r odução à custa da util ização intensiva das c apac idades
ao orçamentado, os atrasos na entrada em funcioname nto instaladas, enquanto 90% do i ncremento do prod u to in-
de novas capacidades, o aumento do número de obras em dust r ial se deverá a · aumentos na produtividade do tra-
curso baixam a eficácia na utiliz ação do f undo de acu- balho.
mulação , "empatam" meios que poderiam ser encaminhados No passado , os investimentos c re sciam a t axas supe-
p a ra o consumo . Para podermos ajuizar das possibi l idades riore s às do rendimento nacignal. Hoj e as taxas de
de inten sificar o processo de acumulacão basta reco rdar crescimento do rendimento nacional são superiores às do
que entre 1975 e 1980 . o fundo de acumulação r eg i stou investiment o, sendo de r ealçar que estes ú ltimos sedes -
um acréscimo de 12 mil milhões de rublos, enquanto as tinam à modernizaç ão e conclusão de ob ras em curso . •A
obras ein curso sofre ram um ' incremento de 28,4 mil mi lhões poupança de combistíveis prevista para 198 1-1 985 fo i 4'
de rublos. vezes superior ao incr emento ve r i ficado na ext racção do
Nos dias de hoj e, a intensificação de t odo o procesao pet r óleo .
de acumulação socialista deve rá centrar- se nas potencia l i- A passagem da economia soviética para os t r ilhos d o
dades do factor tempo ou seja na r edução dos prazos ae desenvo lvimento intensivo é encarada p e lo Partido como
retorno dos meios investidos. uma tare fa apenas c omparável , quanto à sua grandeza ,
De molde a intensif icar o fundo de acumulação e elevar envergadu r a e signifi cado h is t ó;ico, com o processo de
a eficácia dos i nves timentos hã que promover a ampl i ação indust ria lizacão soc iali sta .
e a modernização das empresas. ' Segundo certas amostragens.
a produtividade de trabalho nas empres as modernizadas é .
superior às novas em 50%; o rendimento dos fundos, em 86%;
o prazo de recomo dos investimen tos é meio ano mais cur to
do que nas novas empresas . e evidente que a ampl iação e
a modernização têm os seuo limites. Os novos ramos e pro- Vi de K.Mar:~ e · F.Enge l s, Obras , vol. 25 ,
duções pode m ser cri ados somente em consequência do Parte I, p . 23 1-253.
aparecimento de no~as e mpresas . Daí que a modernização e o 2
1 V. I. Lénin e , Obras CompZ.etas , vol. 4 , p . 10 1. .
reapetrechamento técnico das ~mpresas existente s sejam hoje
-1 98- l
l -19 9-
..._-;-

3 Calcul ado com bas e no s dado s do anuá c io A Econorrria


O MECANISMO DA ECONOMIA DA SOCIEDADE
soe l ALI STA
Soviét i ca em 1980 , M. , 1981 , p . 49 , 282 , 355, 357 , 379 .

· 4 K. Ma rx e F . Engels, op. c it., vol. 46 , Parte I , p. 358 . l eonid 1l8ALKIN


me mbro-correspond e nte
5 flJ'1:d., v o l. 23, p. 404 . da AC da URSS
6 Calculado com base nos dados do anuá cio A Economia O progresso social do nosso pars está hoje r elaiionado
p. 42 , 282, 356 , 357, 379.
Soviétiaa em 1980 , com o me l hor aprovei t am~nto das vantagens históricas e
potencial i dades riquíssimas do socialismo desenvolvido e
7 K. Mat:x e F . Engels, op. cit., vo 1. 2 3 , p. 194. sua economia . A conc r etização desta tarefa é , em grande
medida , função da ef i cácia dos mecanismos da economia ,
8 Ibid., vol . 24 , p . 399 . da maior ou menor adopção de vias de crescimen t o intensi -
vo e dinamiza ção do pro g resso cientrfico-técnico ad e quad a s
9 Ibid., vol . 19, p. 256 . àqueles mesmos me canismos , cujo aperfeiçoamento, a par
1 ° Calculado com base nos dados do anuário
Soviét-iaa em ,1 980 , 254, 282, 355-357,
p.
A Economia
379.
da introdução de novos métodos e t écnicas de g e stão da
e conomia , c o nsricui uma par te integrante do proc esso
de desenvo l viment o planificado do socialismo avançado. O
e s tud o do s mecanismos da eco~ornia pressupõe que a econo-
11 K.Marx e F.Engels, op. cit., vol. 24 , p. 48. mia po lítica c omo teoria est e j a em Íntima ligação c om a
experiência prática de g~stão e com outras Ci ênciAs Eco-
12 lôid. • vol. 46, Par t e I I, pp. 8-9. nómicas.
13 I bid., vol. 24 , pp. 6 16-618.
Es sência, função e estrutura do mecanismo da eco nomia

Em obediência aos pos tulados da economLa política,


cada modo de produção tem o s e u própr i o mecanismo . A n~cu-
reza s ocioeconómica dos mecanismos do sistema econômico é
d e finida pelas relações dominantes de propriedade dos
me i os de produção e por isso mesmo o s i stema se mantim
ao longo do refet:i do modo dç produção. Ao mesmo tempo,
o c o nteúdo concreto do sistema económico e dos seus ele-
me ntos fundamentais sofre a l terações sob a acção das
forças produtivas e r elaçõe s de produção em co nstante
expansão e das mudanças de estrutura que se o peram na p r o-
d ução social e nas formas de organização des t a .
O modo de p r od ução e as re l a ções de propri~dade são
as principa i s cond i c i onante s da ge stão económica . No s i s -
;,o t ema económic o, t odos os e lementos e níve i s est ão inte r l i-
r- gados e hi eraror quiza dos . Os mé todos de ges tão são s ec un-
l)
dários em r e l ação à propri ed ade dos me i os de prod ução . O
" tipo d e propri edade condic iona um dado t ipo de si s tema
económico c om os seus mecani s mo s próp r ios.
26- 1 -20 1-
Toda a problemática dos mecanismos económicos doca- O mecanismo da economi a no socialismo é um modo
' ~ pitolismo foi analisada por Karl Marx no III volume d e de organiz a ção pl an ificada que assegu r a a accivida de
O Capital. f pr ecisamente aq u i q u e Marx, com base no estu- coord enada da s pess o as, e nq u a n to as l ei s económic a s
d o d o processo d e produção e circulação capitalista, abor- 5 ão utilizadas de forma consciente. ~ nomeada men te atra-
' • da as formas concretas que surgem no movimento do capital ~és de toda a estrutura do sist ema económico, através
e actuam à superfície da sociedade, como diferentes ca- da combinação das leis económicas objectivas com a acti -
pitais em interaccão e concorrência l . vidade consciente da sociedade e interesses económicos
Foi igualmente imp or tantí ss imo o contributo dado por (da sociedade em geral, das empresas, colectivo s laborais
Lénine para o desenvolvimento da teoria e mecanismo da e indivíduos), que se consegue a utilização racional e
economia da sociedade socialista. Logo nos primei ros eficaz de todo o sistema de leis económicas do socialismo.
meses de vida dos Sovietes , no VII Congresso do Partido, Ao definir-se o lugar do mecanismo do sistema econó-
Lénine apontou a necessidade de transformar todo "o me- mico no modo de produção é import a nte distinguir na sua
canismo económico do Estado numa grande máquina uniforme, estrutura as relações de economia como forma concret a
num organismo económico que labore de modo que centenas de exp r essão das próprias re l ações de produção (incluindo-
de milhões de pessoas sejam dirigidas por um único plano"2. se as fonnas de organização da produção social directamen-
P osteriorment e , Lénine continua a relacionar o mecanismo te ligadas is forças produtiva s e formas político-jurídi-
d a economia da sociedade socialista com a actividade do cas, eleme nto indispensivel do mecanismo. A anil ise d a
Estado, com a política económica e com _um plano uno. estrutura do sistema económico pressupõe igualmente qu e
A concepção de sistema socialista com os seus meca- si d eva destrinçar os seus mais diversos elementos que
nismos económicos surge condensada pe l a primeira vez compõem "bl ocos " relativamente autónomos. Atente-se no
na obra Tarefas Imediatas do Poder Soviético de Lé nine. facto de ser necessário constantement e lembrar que tod os
Na variante inicial deste traba lho. ele escreve que se os nív e is, elementos e mecanismos são apenas parte de um
impõe o cumprimento voluntirio e disciplinado dos regula- todo uno que representa o sistema económico.
mento s e disposições p ara que o mecanismo da economia fun- Do pont-o de vista das tarefas de aperfeiçoamento
cione realmente como um relógio 11 3 . Nesse mesmo trabalho, do sistema económico que se impõem , tem cabimento rea lçar
Lénine relaciona a formação do mecanismo do sistema econó- aqui os seguintes elementos interligados que dele fa zem
mico socialista com a efec tiva socialização da produção parte:
e r e g ular ização da "rede extremamente complexa e delicada
de novas relações de organização que abarquem o processo a) - o planeamento económico e social , considerado
de produção e distribuição planificada dos produtos nec es- elemento central do sistema económico ;
sirios à existência de dezenas de milhões d e pessoas 11 4 . b) - a estrutura e métodos de gestão dos sectores da
A criação do mecanismo do sistema económico era encarada economia, incluindo fonnas de participação dos
por Lénine como condição necessiria de transição do capi- trabalhadores na direcção da produção social;
tali smo para o socialismo, constituindo um dos principais c) - o conjunto de instrumentos de política económica
elementos do plano de cons trução do socialismo. e incent~vos, através dos quais é exercida accão
Ao nív el da economia podem distinguir-se duas cama- sobre os "agentes económicos" ;
das: profundas (directamente relacionadas com a essência d) - as formas de organização do processo de prodl1ção
das r e lações de produção) e mais superif i ciais . e sobretudo as formas concretas de especialização,
O s i stema económico dâ sociedade socialista é um cooperação e união entre empresas e secções destas
modo <le organização da economia socialista com as suas ao mais diverso nível;
estruturas e interligações, métodos de gestão e meios de
motivação das pessoas melhores resultados laborais. O
sistema possui uma estrutura bastante complexa e multí-
~
1
e) - as formas político- jurídicas atravé s das quais
se verifica na prática o funcionamento efectívo
dos mecanismos do sistema e conom1co.
pli ce em cons tant e aperfeiçoamento. Estes el e mentos fund ame ntais (primários) d a e3crut u ca

-202- 2õ-2 - 203-


do sistema eco nómic o da soci edade s o cialista subdividem- Estado e c olectivos laborais; o reforço do s i stema de
-~e em mêtodos económicos, administrativos e sociopsicoló- planeamento dos s ectores da economia, com base no aumen -
gicos de gestão organicamente i nterligados. Por sua vez. to da eficiênc ia s ocioeconórnica da prod ução social; a
, os mêtodos económicos , por exemplo, englobam os incenti- elevação da eficácia de todos os inst rumento s de políti-
vo s económicos (salários, prémios), preços, cálculo econó- ca e c onómica (preços, fi nanças, c rédito e técnicas de
mico, instrumentos financeiro-creditícios e outros. avaliação dos r e s u l tados da actividade económica , etc.)5
Po r força da s ua complexidade e multiplicidade, o Um dos aspectos de grande i mportância pa ra o e s tudo
mecanismo do sistema económico ê objecto de estudo de do mecani smo da economia são , sem dúvida, as suas funções.
t o do um conjunto de ciências, sobretudo económicas, embora Den tre elas, tem cabimento sa l ient a r as seguintes:
alguns dos seus aspectos sejam estudados pelo Direito, · 1 . O equilíbrio dinâmico e nt re o níve l d e dese nvolvi -
Sociologia, etc. A Economia Política tem por objecto o mento das fo r ç as produtivas e tipos de relações de produ-
mecanismo e as funções do sis t ema económico que abrangem: ção. Deste modo, o aperfeiçoamento do mecanismo do sistema
estud~ das r e lações de produção que constituem o conte~do económico intervêm como forma d e solução das c ontradiçõ es
do mecanismo ; a análise das forma s e mêtodos de utilização que surgem neste domínio, f orma essa própria da sociedade
do sis t ema de leis económicas objectivas ; a elabo r ação socia li sta . A. consecução e . manut~ntio do equilíbrio entre
da concepção de mecanismo da economia e definição das o n ível das forças produtivas e as formas concretas elas
principais direcçõ e s ~e seu aperfeiçoamen to em função das r e lações de produção s urgem c omo bas e do cresc imento
necessidades da soci~dad e socialista . incessante da produção socialista e d o aumento da sua
Apesar da complexidade e d e certa h omogeneidad e da efic ác ia . Assim, as r elações de produção desempenham a
estrutura , o mecanismo da economia não i urna mera soma função, que lhes cabe no soc ial ismo, de incent i va r o
mec inica d e e l ementos e constitui todo um sist ema Í ntegro . inc r emento d a produção e aceleração do progresso cientí-
Esta circunstânci a deverá ser conside rad a tanto no seu fi c o - têcnico no interesse de t oda a s ocied ade.
processo de estudo como de aperf e içoamento . A falt a d e 2. A realização económica da propriedad e s ocialis ta
articulação entre o s próprios elementos do mecan ismo dos me i os d e prod u ção. A af~rmação da propr i edade s o cia l
( entre os object i vos do p l ano e os instrumentos de polí- afast a os obstáculos sociais q ue travam o crescimento
tica económica, entre estes e. as · no r mas jurídicas que da produção e permite u t ilizar este crescimento na me lho -
re gu lam a actividade económica, entre as formas de orga- ria das condições de vida dos trabalhadores e-d e senvo lvi -
. nização da prod ução e o níve l e tendê~cias de desenvolvi: me n to harmonioso de c ada membro da sociedade. No e n tanto,
mente das forças produtivas) baixa a sua eficíência e sem um sistema económico com os seus me c ani smos a funcio-
não permite utilizar plenamente as v antage n s do si s t ema narem eficazmente aquelas possibilidades não se real iza-
económico do socialismo. O aperfeiçoamento das diversas rao.
estruturas do sistema político i condição i nd ispensáve l 3. A utilização c ons ci e nte do sistema de leis
d e s e u funcionamento eficaz. · e conómicas objectivas do socialismo . Com o aperfeíçoamen --
Semelhante compreensão da questão torna necessário to dos mecanismos do siste ma e c onómico, c onsegue-se a
um programa integral de aperfeiçoamen to do mecanismo articu lação dos interesses econõmicos da sociedade, colec-
de gestão que deve corresponder plenamente i economia d o tivo laboral e cada indivíduo, assegura~se a unidade de
socialismo desenvolvido e à natureza das tarefas a r e sol- a cção, sendo assim as forças sociais s ubmetid as ao c on-
ver . Segundo fo i assinalado no Plenário do CC do PCUS, t r olo da sociedade sem o qual é impensável a utilização
efectuado em Dezembro de t983, esse programa deverá pre- conicien te das leis econcimi cas.
ver: o aperfeiçoamento da estrut ura organizacionai do 4. A consecução dos objectivos a pres entados pela
sistema de gestão a todos os níveis e em todos os sectores política econ6mica do Partido e Estado socialista. Depois
da economia, incluindo a definição precisa das fun ções , de ter sido elaborada a estratégia económica, definidos
direitos e re sponsabi lidade dos organismos da administra-
ci o e empresas; a combinação orgânica dos interesses do
·I os prin cipais objectiv os e vias de cons e c ução, traçadas
as t arefas fundame ntais , . o centro d e grav idade -desloca-se,

- 204.- ' - 205-


~orno é eviden te , para a aplicação dessa política. Aqui zacional desta e os instrumentos de política económica.
os aspectos ma is relevantes são a articulação cre scente No social i smo , onde não há l u garpara a adaptaçã o espon-
entre os diversos níve is do sis tema de gestão, o aumento tânea d o me canismo d a economia às n o v as condiçõe s em muta-
da eficácia dos actuais mecanismos e s eu aperfeiçoamento. ção , v e rifica-se o seu aperfeiçoamento consciente com
O mecanismo da economia da sociedade · socialista pos- base na estratégia económica elaborada. Por i sso, o
sui um conte~do socioeconómico comum em todas as etapas problema se reduz ~a prát ica a orienta r o mecanis~o da
da sua evolução e em tod9s os países socialistas. São economia, todos os seus seccionamentos, para o cumprimen-
também comuns os princípios de gestão económica. No entan- to . das tarefas de política económica.
to, a identidade no fundamental não exclui, antes pressu- No processo de aperfeiçoamento do mecanismo da
p9e a multiplicidade de formas concretas de . organização economia, este é adequaáo aos objectivos e t 'arefas de po-
da vida económica. O avanço da economia socialista tem líti~a económica e, através desta , ao nfvel a lcançado de
a sua expressão no aumento incessan te da produção na desenyolvimento das forças prod ut ivas e grau de socializ a -
multiplicidade de ligações económicas, nas profundas cio da produção socialista. Reforça-se a acção do meca-
transformações no domínio científico-técnico, na estrutu- nismo da economia sobre a produção social e a eficácia.
ra da produção social e sistema de necessidades. Tudo isto E, ao invés, a não observância d esta relação, o surgime nto
suscita mudanças nos mecanismos do sistema económico. de contradições entre a amplitude e as tendências da
A profundidade e amplitude destes fenómenos estão economia,' os objectivos da politica económica, por um lado,
objectivamente condicionadas pelas transformações que se e as formas concretas de gestão, por outro, causam fenó-
verificam no próprio processo de produção social e, em menos desagradáveis e travam o crescimento da produção e
Última instância, no nível das forças produtivas. Por a resolução dos problemas sociais. ·
isso se pode distinguir dois tipos de alterações no meca- O desenvolvimento da economia e a utilização racional
nismo; primeiro, o seu melhoraménto parcial que se opera do potencial criado pressupõem a busca constante de for-
constantemente e atinge alguns sectores do mecanismo do mas e métodos de gestão mais eficazes.
sistema, mas não o faz ir além das formas conhecidas;
segundo, a reestruturação profunda do mecanismo da econo- O aperfeiçoamento do mecanismo - da economia
mia leva a que esta se desenvolva a um nível superior.
Semelhante reestruturação é ditada pelas necessidades da Com o aumento do nível de maturidade da sociedade
nova etapa de desenvolvimento da economia e de todos os socialista na URSS surgiu a necessidade de melhorar,
níveis e sectores do seu mecanismo. . ' reestruturar o mecanismo . da economia. Tornou-se evidente
As transformações no mecanismo do sistema económico que o mecanismo existente não se adequa às novas condições .
nao se processam automaticamente. A ligação entre a mudan- As formas e métodos de .gestão, plan eamento e incentivação
ça nas condições objectivas de desenvolvimento da'economia económica da produção que funcionaram no passado não cor-
e o aperfeiçoamento do mecanismo da economia é efectuada respondem ao novo nível elevado das forças produtivas do
pela politica económica do Partido e do Estado. As mudan- país e começaram a impedir o seu' progresso.
ças das condições objectivas de desenvolvimento da produ- A reforma económica de fi nida em Setembro de 1965 no
ção . social reflectem-se sobretudo na política económica Plenário do CC do PCUS, visou o aperfeiéoamento da plani-
que, como a política em geral, é a expressão concentrada ficação e da incentivação económica e foi o primefro passo
da economia. A ·política económica do Partido e do Estado no processo de formação do mecanismo adequado às condições
socialista assenta na generalização teórica da experiên- e objectivos da economia nessa altura. A exper iência do
cia histórico-económica e especif icidade de determinada passado demonstrou que a criação de seme lhante mecanismo
fase de desenvolvimento ·do país. é um processo bastante complexo que exige tempo.
Deste modo, as mudanças na economia repercutem-se na Em prime iro lugar, a gestão económica reformulou-se
política económic~ e nas tarefas a cumprir. Assim se al- e passou a existir em todos os ramos da ind1Ístria, o que
teram as técnicas e métodos de gestão, a estrutura organi- se coadunava com a tarefa de promover uma política cientí-

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L
• fic o - técnica una . Foi e liminada em grande parte a regula -
mencação excessiva da acc i vidade das empresas e reestru-
curado o sist ema de incen civaçio nas e mpresas em r egi me
l'·
·
aspectos da direccão da e conomia . que se orientasse a
gestão e o planeamento para a consecuçio de resultados
econõmicos finais.
Em Julho de 1979, o CC do PCUS aprovou a resolução
de cálculo económico, alargada a ut ilização de incenti- 11
0 aperfeiçoamento do mec an ismo da e conomia e as tarefas
vos econó mi c os na prática do planeamento e gestão es t ata l. do!i Órgão11 do Pa rtido e Estad o " e, e m conjunto c om o
As condições objeccivas s urgid as na economia sovié - Conselho de Ministros da URSS, pub licou a resolução
tica no i níc i o do s anos 70 exigiram o a per f eiç oamento do "Corno ruo:lhora r o planeamento e r e forcar a acção do meca -
mecanismo do sistema económico, f ac ilitado com a r emode- nismo da economia pa ra aumentar a eficácia da produção e
lação e stru tural da gestão da indús t ria que fora ef e ctuada elevar a qualidade do tra bal ho" . As referidas resoluções
em harmonia c om a r esoluçã o "Das medidas d e st ina das a contêm t odas elas medidas bem articuladas d e s ti nadas
aperfeiçoar a gestão da iod Ús tria" (1973) do CC do PCUS a fazer funcionar melhor cercos sect o res do mecanismo
e Cons e l ho d e Ministros da URSS. Como c onsequênc i a, o do s ist ema eco nómico e q ue vi sam a consec ução d e result a -
centro de g ravidad e na indústria passa a de s locar-se para 1 doa finais.
as uniõe s de produção e cientifico-fabris . A criação de Estas medidas propunham- se ap erfeiçoar o sistema de
uniões p~rmit! simpl~ fi c!r a es tru~u ~a da_ges ti~, el i minar 1 planos e indicadores do plano, reac tiv ar o cálculo eco -
a excess iva h i erarquizaçao e ap r oxima -la a gestao da nómic oi os instrume n tos d e pol ític a económica, melhora r
produção . Nos anos 70 foram promovidos vári os ensa i os as fo rmas organizativas de gestão da produção, fomen tar
experimentai s. Dentre eles r ea lce- se o que visava avaliar a deroocratiz acio na direcção e a umencar o papel dos
a viabilidade da adopç ão d o indicador "produto líquido c olectivos la borais. As sim, v isava- s e e nvo l ver os
( nor mativ o )". Numa série de r a mos da indústria e seccionamen t os da produção de re p rodu ç ão : fabrico ,
ministérios d a c onstrução foram elabor ada s técnicas cons trução, progresso ~ientí f ico-t éc n ico e relações fi -
progres siva s de pla neamen t o e incentiva ç ão económica como nanceiro- c reqi tíci as .
por exemplo a adopção de princípios nonnativos na O XXVI· Congr e sso d o PCUS (19 8 1) c oloc ou como t arefa
distribuição dos luccos , os n ovos indicadores de planifi- a int r odução no XI quinquéni o (19 8 1-1 985) dum.a série de
cação da Lndústria da construção . métodos e técnicas de med id as t enden t es a aper f eiçoar o mecanismo da economia
gestão do progresso científico- té cni co . Ne ss es anos, e a orientá-lo pa ra a consecução d uma ma i or efic á cia do
graças ã iniciativa criado~a das massa s surgiu uma sirie p r oce s so de produção e melhor qua lidad e de fabrico, pa ra
de formas interessant es e prome t edoras d e organização e a moderniz a ção d a e stru tu ra esgaoizativa d a gescão ,
incentivação do t ra bal ho (po r e x emplo , a -empreitada por
es tilo e mé t odos de traba lho , adequando estas tarefas
eq u i.pa ). isto e m conjunto criou condiç5es p a ra a a~opção às novas condições.
Tu~o
A n ecessidade d e a per fe i çoar o mec a n ismo da e conom ia
de nova s m~didas destinadas a aperfeiçoar o sistema ~ é equac ionada no programa de a c el eracão do desenvolvimen-
métodos de gestão e conómic a. O XXV Congresso do PCUS (197 6)
to económico e soc ial d o país. Como se frisou no XXV II
conclu i u que, nas condições exi s t e ntes nessa altura. o Congresso do P CUS, q ualque r que s e ja a questão q~e se
mecanismo da economia não corre spondia às exigênci as dos
tome e o modú como se abo rdam detenninados prob lemas eco-
sectores de ac t ivida de em constante expan s ão . Impunha- se
nómicos, no final de contas tudo se reduz à necessidade
a superação da contradição entre a produçã o social cre s-
de me lhora r sensivelmente a ges tão, o mecanismo da eco-
cente, os i mperativos do progres so científico-técnico
nomia em geral. A rees truturação do mecanismo do sistema
fort emente condicionados pelas ligaç5es interempresariai s,
económico como concepção base ia-se no impe r ativo de
por um l ado, e as forma s económicas concretas impostas
fomentar o centralismo nas questões e s tratégicas, ampliar
pelo mecani smo d a economia , por outro. os direitos das empresas, a sua autonomia, introduzir a
O Congresso exigi u que se acelerasse a reestru turaç ão
autogestão e, deste modo, respons ab ilizar mais e mo tivar
do mecanismo da econo mi a , elaborass e e aplicasse um siste-
os colectivos laborais p ara bons resultados finais.
ma un i forme de medidas c apazes d e abarcar os principa is
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-2 08 -
Trata - se aqui d o reforço paralelo e intercomplemen car
Aperfeiçoar o mecani smo da economia significa mud a r da eficj cia quer do centra lismo qu er d a d emocrat iz ac io.
·efectiva me nte o s ist ema de r el açõ es d e produçã o, as suas V. I.Lén i ne nunca op5s o c e nt rali smo ao democ raci s mo,
forma s con cr etas no ãmbit o d a s quai s f uncionam div er s os c on siderava - os organicamente in tegr ad os. lloje i mpõe- s e
s ec to res de actividade . Isto pr essupõe a adopção dos o reforço dos d o is princ í pios: o centralismo - à custa
r esp ec tivos documen tos normativos e não só. Ne sses doc u- da s uperação das visões "departame nt a listas" e "localistas"
mentos· são registados apenas os requisitos nonna tivos no que se re f ere ao incremento d a cr iatividade d a s ma s s a s,
a exigir. a toda a estru tura da economia. Todavia, o me- c olectivos labor ais, o rganismos loc a is; o democratismo
c a nismo que funciona de facto pode (por várias razões) â custa do fomento da autonomia e da iniciat i va das empre -
di[erir substancialmente do equacionado s egundo o prisma sas, ampliação dos direitos e ob rigações no interesse da
dos documentos normativo s. Assim, a condição de garantia economia em gera l.
da con gruê ncia nas medidas de aperfeiçoame nto do meca- · A rees.truturação do mecanismo da economia é impensáve l
ni s mo do sistema económico está no equilibrio e estabili- sem o reforco da importincia e pa pe l o r ganizad or do p lano
dade da principal forma · d e planeamento - o plano qu inque- estatal. Começou-se j i a r e j e itar a pritica d e submeter
nal - à escala de todos os s ectores da economia, a todos i aprovação das empresas um número excessivo d~ indic a do-
res do plano, a apreciaç io da execução do plano se gundo
os nivei s.
Se faltar a devida congruência ou a rticulação no resultados em cres cendo . Está a desaparecer a prática de
plan eame nt o , assim como se for def i ci e n te o trabalho corrigir os planos segundo o conse guido de f ac to, e t c .
organ iza tivo, pod erão surgir disparidades entre o meca- Dentre as medidas d es tinadas a reforçar o centralismo
nismo efect i vamente em vi gor e os requisitos obj ect ivos na gestão, é avançada pa ra primei r o plano a necessidade
exigidos i qualidade do mecanismo da economia. de reafinnar o primad o dos intere sses superiores d a econo-
Da i que seja importantissimo r esolve r a s seguintes mia. Is t o pressu põe antes de mais alt e r ações diversas no
questões : assegurar a conc e pção do mode lo teórico de a ctual sistema de planeamento. Presentemente, o plano ec o-
mecanismo da economia , ad equa do às cond ições actuais e nômico reduz-se em vários c a sos a uma súmula e i correc -
objec tivos d e política económica ; concret izar estas di - ção dos plano s sectoriais de desenvolvime nto económ i co.
r ec triz es teóricas funda~entais nos respectivos netos Assina l e- se que com o nivel actua l de socialização da
normativos , procurar conseguir a aplicação atempa d a das p r odução , a pr oporcionalidade na economia não e uma rela-
med idas traçadas. Tudo isto faz com que o factor organi- ç ã o secundária ligada a dados referenciados num dado stc-
zaç ão, cm sentido lato, passe pa ra primei ro plano . Nas t or,· é sim uma relaç ão primária, um ponto de pa rtida. Só
c~ndiç~ c ~ octuais, o alto niv el de organi z aéão, que englo- com base na proporcionali dade se podem r eferenciar os
ba o espiri to de iniciativa , o sentido de responsabilidade restantes sectores, as relações intersectori a is e in t e r-
e a dis c iplina, transforma -s e no t a l fio da meada que, regi ona i s.
se Eor bem agarrado e puxado, pode fazer vir i tona toda A t ónica no primado dos· interesses suptriores da eco-
a panópli a d e problemas que se avolumaram. nomia deverá concorrer para a alteração d os cri t érios
A nova concepção de mecanismo da economia obedece a os de avaliação da acc ividade dos ministér i os e órgijos regi o-
princ ípios l eninistas d e gestão económica. Estes princ í- nai s da administração, nomeadamente a apreciação se gundo
pios, formulados nos primeiros anos de existência do o contr ibuto para a consecução de altos re sultados fi-
Estado Soviético e que passaram pela prova do t e mpo, têm na is. A propósi t o, cabe lembrar aqui o critério a d op tado
a possibilidade de se desenvolver mais plenamente hoj e em relação ao trabalho dos ministérios e departamentos ,
nas condições do ·socialismo avançado. Nesta e tapa são que reside no grau de satis faç ão pelo sector das crescen-
l e vantada s as limitações históric as ã sua realização, mo- tes necessidades sociais.
tivadas pelo insuf iciente desenvolvimento da economia, fa l- Orientar a actividade económica para os result ad os
t a de expc-ri ê ncia e quadros formados. fi nais significa cons id erar obrigatoriamente os int eresses
Nn faRe ac tual , reveste-se de especia l importincia do consumido r (popu l ação, empresas, instituições). Es t e
o r e ~p c ito pe l o principio do centra li smo d emocrjti co . 27-2 - 2 11-
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, ~ facto condi ci ona igualmente o papel dos contratos entre alargar substancialmente a iniciativa e a autonomia,
·as emp'Cesas. Os contratos, como ainda a "carteira de assim como a responsabilidade das empresas, tema bas -
encomendas" que lhe dá origem, tornam- se o ponto de. par- tante abordado nos plen~rios do CC do PCUS. A fim de
tida para o c umprimento dos planos de produção, enquanto c onsegui - l o , o CC do PCUS e o Con s elho de Ministros da
os fornecimentos exe cu tados surgem como o principal indi- URSS aprovaram uma resoluçio em que, a par da utili zaçio
c ador da actividade da empre s a . de forma s e mitodos de gestio testados, se prev~ introdu-
A passagem ao planeame nto dos f ornecimentos de produ- . zír medidas s uplementares tendentes a ampliar os direitos
tos segundo contratos com os consumidores c riará uma nova da s empresas da indús tria na esfera do plane~men to e
situação. O cumprimen to total, incondici onal e atempado a ctivi<lade económica , a ass egurar o i n teres s e pel os resul -
das obri gaçõe s estipuladas nos contrato s será o critério t ado~ da empresa, pela efic~cia·da produçio,· e a aumentar
f undamental de apreciação da actividade tanto do colecti- a respor,is a bi l.idade p elos resultados laborais. ~ com este
vo laboral como dos di rigentes da empresa, sendo conside - objectivo que, a partir de 1 de Janeiro de 1984, começou
r ada aind a a poupança de matirias, energia e combus tí veis, o ~nsaio experimental em diversos ramos d a indGstria no
a redução dos c us t os e a sub i d a da produ t ivi dade do . intuito de a valiar a v iabil idade de c e rtas fo nnas de ge·stão
trabalho , o aumento do f abr ico c om menos pessoal . A eco- económic a.
nomi zação máxima será a melhor forma de c umprir o plano. O ensaio experimental demonstrou a sua _vitalidade
Uma das princ ipais vi as de cons e cução de altas t axas e revelou grande s pos sibilidades de aumentar a eficácia
de crescimento do produ t o é a criação dum sistema bem da produção e melhorar a qualidade do fab rico. Dando con-
estru t urado e flexí vel de reservas, i ncluindo ca pac idades tinuidade i experiincia, em 1985 houve empresas de vin te
de produção. A formação dum sistema, fundamentado cien tí- min isté rios de diversas repGblicas que passaram a funcio-
fica e economicamente, de reservas planificadas i uma das nar segundo novos métodos de ges tão .
c ondt çÕ es de gestão eficaz da economia , premissà i mpres- Isto signifi cou a expansão do ensaio experimental.
cindível de eq ui líb r io da e conomi a , de alta e f icácia dos Surgiu igualment e a necessidade nio só de alargar mas
instrúmentos d e po lí t i ca económi ca e de fomento da tambim aprofundar a experiência . Tr ata- se sobretudo do
fact9 de o mec anismo do sistema económico permitir acele-
iniciativa e aut onomi a • . rar o pr ogresso c ien tí fico - técni co, melhorar a qualidade
O refor co do pape l o rganizado r do plano na e tapa
actu-al pressupõe t amb i m uma ree st ru t u r ação substanc ial , da produção e motiv ar os c olectivos labor a{s ~ sec t ores
em ce r ta med id a uma r eorie ntaç ão , do cont e údo da próp ria da economia. Para t a l, impõe- se aproveitar melhor , as'
pl an ificação como activ idad e. A s ua direcção fundame ntal potenci a l idades do planeame nto, i ncent i vação, s i st ema de
começa a ser a gestão da eficác i a , o que el eva s e ns ivel- p r eços e ou t r os i nstrumen tos de pol íti ca e conómi ca , Al gu-
me n te a s i gnificância do s istema de norma s e normativo·s . mas medida s nes s e sen tido foram j á previs t as p e l a reso1u-
A ge s tão at ravés destes últimos permite assegurar o ção "Da ampla difusão de novos mé t odos de ges t ão e conómica
e qui líbr io e ficaz dos planos e mais altos resultados fi- e o con tributo destes para a acele raç ão do pr o gresso téc-
n a i s , o que constitui a condição s i ne qua non da passagem nico-científico" (1985) .
à via inten siva de reprodução socialista alargada . Estão hoje em fase de elabo'ração medidas que pos s ibi-
O significado profundo de todo o trabalho no sentido litarão passar do ensio experimenta l para a criação dum
d e aperfeiçoar o mecanismo da economia ~onsiste em asse- sistema integral de direcção da economia de tipo intensi-
gu rar condiç~es mais fav6riveis de melhor funcionamento vo • .
dos e lementos basilares da e conomia: as empresas, os De realçar aqui a importância política e socioeconó-
ko lkhozes e os sovkhoze s. ~ precis a me nte aqui que é criada mica da Lei dos Colectivos Laborais , aprovada em 1985,
toda a riqueza e a multipli c idad e de valores de uso, o e o aumento do significado destes na direcção de empresas,
produto necessirio e o s obre produ to , o rendimento nacion~l! insti tuiçÕes e organizações. Nela s ~i o contemplados os
Hodi e rnamc n te , su r giu a necessid ade impe riosa de direitos constitucionais dos colect ivos l aborais das
empre~as, organizações e in s tituiçõe s em ma téria de pln-
ala r ga r sub s tnncinlmcnte a i n i c i nt iv a e a a utonomia,
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neamento e gescão. A Lei cria assim condições favoriveis po r parte do mecanismo d a economia provoca t endências
para o fomento da iniciativa e autonomia dos coleccivos burcoráticas, comporta perdas de tempo e não permite o
l a bo rai s ao mesmo tempo que é maior a re spons a b ilidade aprov eitamento p l eno do potencial c riado e recursos
destes p e los resultados finais da actividade económica. existen te s.
' i De realçar o significado do peso relativo dos indi- O funcionamento do mecanismo da economia socialista
cadores físic os e valorimétricos para o ape r f eiçoamento nos moldes que p retendemos não tem nada a ver com proces-
da planificaçio e reforço da autogestão. A tónica sos espontâneos. Trata-s e de atributos da direcção plani-
nos resultados finais e a colocação em primeiro pla no ficada que se prendem também com aspectos importantíssimos
do grau de satisfação das necessidades sociais eleva tais como o aumento das necessidades no processo de ela-
substancialmente o papel dos indicadores físicos. boraçio dos planos de produção (com base na ~arteira de
Isto compreende-se perfeitamente porquanto as necessida- encome ndas e n as reservas a criar), a combinação das
des são satisfeitas por meio do valor de uso . Aliás, é características estabilidade e flexibilidade no sistema
incorrecto afirmar que o papel dos indicadores físicos dos preços, o reforço do papel dos mecanismos do crédito,
aumenta à custa do enfraquecimento dos valorimétricos. da distribuição dos lucros e da formação de fundos de
O desenvolvimento económico exige que se uti l i ze de modo inc ent ivacão económica. ·
racional tanto os indicadores físicos como os valorimétri- Se a autogestão for f omentada e reforçada, se for,
cos, dado que reflectem dois aspectos interligados e portanto, assegurada a unidade entre a medid a do traba lho
int ercomplementares do processo de reprodução socialist a e a medida do consuma , aumentari no trabalhador o sentido
alargada . de dono do país e da produção. Ao mesmo tempo, deixar-se-i
A difusão de semelhantes concepções sobre o papel dos de encarar os meios de p rodução da sociedade como "meios
i ndicadores físicos, ignorando o conteúdo social qualita- do Estado", e a propriedade social como uma "propriedade
tivamente novo das relações ,monetirio-mercantis na socie- de ninguém". O dito tem muito a ver com o reforço da dis -
d ade socialista, pretendendo afinnar que se contrapõe ao ciplina , condição fundamental para que o mecanismo da
desenvolvimento planificado, por um lado, e ã visão destas economia passe a funcionar d~ modo ef icaz. Tem~se em
categorias como antípodas incompatíveis, por outro, não vist a uma disciplina económica que pressupõe que o homem
se justifica do ponto de vista teórico nem pritico. A enc are os meios d e produção como t rabalho seu, como fruto
superaçio de tais concepções só ajudará a utilizar de do seu trabalho, e, portanto, esteja inte r essado na -
modo planificado e racional os instrumentos de política poupança, economização e multiplicação da riqueza. Este
económica no mecanismo da economi a. tipo de disciplina só é possível se se conseguir aproximar
Pensa-se que, numa Óptica de planeamento centralizado, o mecanismo econômico de realização da propriedade socialis
os instrumentos de política económica do mecanismo da t a, da actividade quotidiana de cada colectivo laboral e -
economia que poderão assegurar a relação inversa ·estão cada trabalhado r do sistema de produção socialista.
a carecer de sério contributo dos trabalhadores da ciên- Nesta direcção funcionam igualmente as medidas rela-
cia e de subs equente ensaio experimental (logo que conce- cionadas com o fomento da democ~atização no processo de
bidos). Tem em vista, portanto , as "alavancas" de planifi- 'direcção da economia. Frise-s e que tais ~edidas devem ser
cação que permitiram detectar e revelar as consequências encaradas não corno algo de adic ional mas sim como "subs-
das medidas e efectuar, reagir com eficáiia ao apareci- tância" ou corpo desse mecanismo .que funciona independente-
mento de novas necessidades e inovações científíco- t ecni- mente delas, ou seja como princípio inalienável de seu
cas . funcionamento. A democratização do processo de direcção
O mecanismo da economia deve reagir adequadamente ao da economia é uma etapa imprescindível no mecanismo de
grau de satisfa-ção --das necessidades, aos fenómenos positi- realização económica da propriedade socia l ista . Al ém disso,
vos e negativos da gestão económica originados por causas o grau de democratização do processo de direcção é um in-
objectivas e subjectivas. A falta dos alementos que asse- dicador de socialização efec tiva, conquanto que o pl anea
gurariam tamanha f l exibilidade e capacidade d t resposta mento centralizado funcione como el emento di.rig•cnte e
- 2 14- orientador. ? e
- ~ 1 ,_
Ao analisarem- se as vias de aperfeicoamenco do
Nas novas condições, cresce o pape l e a responsabi li-
mecanismo da economia, não dev~m ser descurados os con-
dade da Economia Política pela elaboraç ã o da concepção
dicionalismos em que funciona. Nas obras da especialíd3-
cienc[fica que d e ve ri assistir ao novo mecanismo da eco-
de nio é raro encontrar quem faça crer que as rnedidaa nomia, pelas grandes linhas d e forca que le varão i
rac i o nais c onducentes ao aperfeiçoamento da direcção
criacio do mecanismo ec onoru1co mais adequado i etapa do
da economia podem ser aplicadas com êxito sem observar 1 soc ialismo desenvo lvid o.
quaisquer condições prêv.ias. A experiência demonstra pre-
ci samente o inver~o. As c ondições de funcionamento eficaz
do mecanismo da economia podem es tar condi c i on adas pela
reproducio, pela organizaçio e pela ideologia, e assim
se d i stinguir, ern tris tipos . O primeiro tipo di~ res- K.Harx e F.Engels, Obras, vo l. 25, parte I ,
peito ao eq uilíbrio ec on6mico, o que exi ge pro grama s p. 29. . .
especi ais e respeccivas medidas. O segundo tipo, que se 2
prende com o aperfeiçoamento do mecani smo da economia, V.l . Lénine, Obroa Completas, vol. 36 . p . 7.
tem a ver com o r ápido aumento do grau de orga n ização e 3 .
.'
1:,
do sen t ido de responsabilidade . A s olução depende grande - Ibidem, p. 1J6.
mence do modo como é utilizado o mecanismo de funci o na- 4
mento do poder estatal, · a polí tic a de quadros e o ut ros Ibidem, p. 17 J.
as pect o s re lac i onados c om as condições organizacionais. 5
Atente-s e ainda no pe so que repr esen tam as pre missas de Af:zteriaia do Plenário do CC do PCUS de 26 e 27 de
índole ideol6gico- espiritual no processo de funcioname nto Dezerri>ro de 1983, M. , · 1983. pp. 21-22 .
do me canismo da economia . ·
Uma das causas que estio na base das dificuldades de
aperfe i çoamento do mecanismo da economia é a força da
inércia e da tradição que se fo rmou no período em que
predominavam cri térios quantita tivos (volum~tricos) no
planeame nto econômico; enquanto a qualidade era re l egada
para s egundo plano . O hábito de avaliar o progre sso eco-
nómico segundo indi cadores puramente volumétricos indepen-
dentemente da componente qua litativa, a subestimação da
importância do plano estatal e a tónica numa execução fá -
cil d este Último , as tendinc ias i gua litaristas , iãq hoje
as prime iras razões para as dificuldades que atravessamos
na introdução de métodos e técnicas eficazes de direcção
da economia. A superação da inércia e háb itos caducos
herdados dum passado recent e; a adopç ão duma visão concep-
tua l ista que desperte e oriente a opinião pública para
o crescimento económico pela via intensiva, a consecução
de r esultados finais, o combate ao departamentalismo,
ao " localismo" e burocratismo são as condi ções imprescin-
díveis para o aperfeiçoamento do mecanismo do sistema
econômico . Não é por acaso que apostamos forte na formação
dum novo pensament_o económico.

28-1
- 216-
1 1
A PARTI ClPACÀO DOS TRABALHADORES NA GESTÃO
DA PRODUCÃO
í "Os colectivos de t rabalhadores participam na discussão
e solução dos assuntos estatais e sociais, no planeamento
da produção e do desenvolvimento s ocial, na preparação
e distribuição dos quadro s, na discussão e solução dos
probl e mas d e administ racão das empresas e instituições ,
' ,, Evgueni KAPUSTIN , n a melho ria das condi ç õ e s d e t r abalho e de v i da, na u ti-
me mbro correspond ente li zaçã o d o s r ecu rso s d est i nados a o f o men t o d a produção ,
da AC da URSS bem c o mo a os e mp reen dimentos s oc i oc u lt u ra i s1 e ao e s t í -
mulo material. ·
Os co lectivo s d e trabalhado r es desenvo l vem a emu l acão
soc ial i st a , c o ntri b uem para a d ivu l gaç ã o do s métodos
Cada trabalhador de uma soc iedade socialista não sõ a van ç a d o s d o trabalho , para o f o rt aleciment o da d isc i p li-
é um empregado directo, mas t a mbém patrão associado de na l a bo r al·, educ a m os seu s membros n o esp írito da moral
toda -a producão social, o que determina o direito e a comu nista , zel a m p e lo aume n t o da s u a c on sc iênc i a p o l íti-
nec e s sidade d e cada membro da sociedade participar acti- ca . pe l a · sua cultu ra e p reparação pro f issional " •
vament e na gestão da producão aos seus dive rsos níveis, A a ct iva p ar t i c i p ação dos t rabalhadores na gestão das
O d e senvolviment o das forcas produtivas e o presente associações d e e mp resas (emp r esas e seus depa rt amentos)
pro g r e s so cientifico-téc nico mod e rno, ao me smo tempo visa, antes de ma is nada , a elevação da ef i c i ência do
que reforcam a soc ializacão da produção, tornam mais trabalho das un i d a des p rodutivas. Essa partic i pacão ma-
ac t u a l e, simu ltane a mente, mais difícil a partic ipação ni f esta- se s ob r e t ud o :
dos trabalhado res na ge stão da producão. O aume nto e o - na e l a boração d os p l anos de prod ução , apuração das
ap e rfeiçoame nto da par ticipação das massas ' trabalhado- r e s e rvas d e p rodução e concret i zaç ã o de medidas p ara a
ra s na gestão da producão constitui um.a das formas dq sua uti l i z ação, a p resen tação de pro postas e r ecomenda-
d esenvolvime nto da propriedad e social . A gestão da pro- çõe s v is a ndo o me l horamento d a t écnica , t e c nologia e
dução soc ial que todos os trabalhadores realizam de uma or ga nizaçã o da p rod ução, elab oração de p lanos soc i oeconõ-
forma c ada v e z mais act.iva, é condicionada pela essên- mi ~o s a longo p r azo;
- na pre paração e r e a l i z a ç ã o das medi d as d est i nad as
cia d o s o cialismo , à ut i liz a ç ã o ma i s efi c i ente d os fundos d e f omen t o de
~ - - - ~~ nartic ipação dos trabalhadores prod ucão ;
ais tonuc1<> u - r - -- ~ ~ª {AaaociacoP~ de
social a nive l d e emoLc <> ª~ - n a e l a bo raç ã o , a ssi na tura e con trolo do cump rimento
d o s contra t o s cole ctivos d e tra balho;
- no e xame de problema s r e lativos ã o r ganiza c ão do
Actualme n t e , a elevação do papel dos trabalhadores trabalho, introdução de formas cie ntífica s , estudo e
na ge s tão da produção social constitui um factor objecti- utilização de , normas científicas em tod as as f a s e s da
vo do ape rfeicoamento do socialismo d e senvolvido e um pro dução;
importante principio da evolução verdadeiramente demo- - n o exame d~ questões relac ionadas com o r e f o~co da
crática da sociedade socialista, o que se ref l ectiu na disciplina laboral, flutuação de quadros , etc ;
Constituicão da URSS , na Lei sobre os Colectivos de Tra- - no controlo da admi~is tracão, a qual deve mobili z ar
balhadores e nas medidas tendentes ao aperfeiçoamento os colectivos para o cumprimento dos planos, execução das
dec isões tomadas, melhoria das condições de trabalho,
d o aparelho económic
A Cons tituição dao.URSS
· (Art . 8) define nitidamente
etc .;
o papel dos c olectivos de tra b a lhadores, os s eus dire ito s Os trabalhadores parti c ipam também na aolução de pro -
e obrigaçõe s, nome adamente, no que diz res peit o à ges t ão blemas ligados à distribuicão dos bens ma t eriais e espL.
d a pro d uc ã o . Ne l a se f o rmu l a a se guinte tese i mport ante : rituais no s respectivos c olectivos; na elaboração de
28-2 -219-
- 2 18-
Praticamente todos o s trabalhadore s dos pa ís e s so-
projectos visando aperfe içoar os salirios; na u t ilização
c ialis tas estio sindicalizado s . As organizações sindi-
do rundo de estímulos ma t eria is . do fund o socioc ul t ural cais da URSS , at ra i ndo os trabalhadores para a gestão
e do f undo da construção hab itacional; na utilização do
da pr odução, tra balham sob a direcção do Partido e man-
s eguro social . Embo ra estas questõe s t enham a ver com têm estreito contacto com o Komsomol, utilizando formas
o aper feiçoamento das relações d e distribuição , elas de organização d iver sifi c adas: comis sões p ermanentes dos
es tio es tr e i t amente l igadas i melhoria da produção social . cornité s s indicais d e fábri ca e d e s ec ções de produção
Atr ibui ndo aos estím~los mo r a is grande importincia ( so bretudo, comi ssõe s de trabalho produtivo, de saliri os
como fo rma de cativar o s trabalhadores para a gestão e de nor mas de t raba lho, de segurança la boral, bem como
da pr odução, não podemos, na t uralmente , esquecer o papel comissõe s e nc arregadas de s oluc ionarem problemas habita-
dominant e dos es tímu l os materiais. O envolvimento das cionais, da vida quo tidiana, e tc.) tribunais de c amara-
massas traba lhadoras na gestão da produçio tem , obriga t o- das e comis sões que arb itram confli t os laborai s; reuniões
r iame nte, que relacionar- se c om o intere sse material, e, conferências operirias; ass i natura de contratos de
com a,possibilidade r ea l de , pa rticip ando directamente trabalho; confe rências de pr odução permanentes; as s o-
na solução d e problemas da produção , me lhorarem a sua efi- ciações artísticas de trabalhador es .
ciência e , sumu ltaneamente , os rendimentos do s trabalha- O aumento da partic i pa 6ão do~ traba lhadores na gestão
dores. da prod ução , a elevação da sua eficiência exigem o aper-
Devemos apontar t ambém a relação direct a que ex iste fei çoa mento do a parelho de decisões na área da ges tão
en tre a pa rticipa cãd dos trabalhadores na gestão da pro- da prod ução e no que res pei ta ks funçõe s deliberativas
dução e o fortalecime nto da gestio p lani fic ada centr a l i: e de cont rolo . Os co lectivos das empres as , face a decisões
z ada , para l e l amente a uma ma i or independência económica tomadas pela a dministração , não fazem uso ainda da melhor
r e l ativa da s empresas ( associações ) na solução de questõ es forma das s ua s funçõe s de liberativas e d e cootrolo , fun-
económicas . ç ões essas de gr a nde 'i mpor tânci a . Alim disso, t udo i ndi -
Ess e problema está também vinculado ao direito r e al ca que fu t ura ment e seri necessário estudar possibilida-
do co l ec tivo d e examinar os problemas de distribu ição e des de uma participa ção cad~ vez ma ior dos trabalhadores
utilização dos diversos fundos da empresa (o fundo de fo - tanto na e l a boração de propostas, c omo na tomada de
mento, o fundo sociocu ltural, o fundo d e incentivos ma- decisões.~ preciso ter em conta que s e trata , sobretu-
t e riais, etc.). do, de decisões r elativas à produçã o básica da empresa,
No en tanto será e rróneo reduz ir a participação dos por exemplo, a planificação da produção, não se limi t ando
trabalhadores na gestão da produção à possibilidad e de ape nas aos problemas sociais (construç ã o de casas, acti -
adquirirem maiores direitos na distribuição do produto vidades culturais, me lhoria das condições de vida, etc.).
criado ou dos lucros. Ela pressupõe, antes de mais a A participação dos trabalhadores na produçã~ está
participaçãó na gestão do próprio processo de produçio. indissoluve lmente ligada ao mecanismo económico. Por isso.
t precisamente a participação dos trabalhadores na pla- o aperfeiçoamento da gestão planificada da pr~dução so-
nificação e organização de produção que deve, no fim de cial exige o aumento d a participação dos trabalhador es
contas, levar à solução dos problemas de distribuição e nesse processo e uma maior eficiência dessa mesma parti-
uti lização da parte dos lucros e dos fundos que estão à cipação. Nas brigadas que reunem trabalhadores de várias
disposição da empresa, o que, por consequência, se profissões, um dos núcleos inferiores da produção social
reflecte no interesse material de cada membro do colecti- é onde melhor se combinam as medidas económicas com a
vo , SÓ será possível falar de possibilidades formais e iniciatiya dos trabalhadores. É aí que os trabalhadores
reais da participação de todos os trabalhadores sem agrupados em brigadas mais activamente participam na
excepção na gestão das empresas, quando os seus interes- gestão : eles elegem o chefe e o conselho da brigada;
ses materiais individuais estiverem ligados ~s decisões analisam o trabalho do seu colectivo; aprovam coeficien-
administrativas, na tomada das quais esses trabalhadores tes de participação l aboral durante a dístrib~íção do
participam. -221-
-220-
, ' salário colectivo; velam pel a àisciplina e educação do s
membros de b r igada; lutam pelo resultado final do tra-
dore s soviéticos. Todos os anos, ess as con ferênc ias
apre sentam cerca de 1, 5 mil hões d e propostas ; só em 1981,
balho do colect i vo. a s u a materialização pr.-itica pe r miti u economi zar mais de
Ass inale-s e que a organi zação do trabalho e do paga - 1000 milhões de rublos.
,. " mento por brigadas influencia o funcio namento de s e cções As c onferênc ias de produção permanentes e xami nam o
da fábrica, em particular no que respeita o s problemas cumpr imento dos pl ano s, a utilização dos r ecu rsos inter-
ligados à produç ão das br i gadas e à coordenação do tra- nos , a criação d e condições e estímu l o s ao trabalho alta-
balho. Em muitas empresis, exist em conselhos de chefes mente produtivo, aperfeiçoamento dos métodos de gestão
de brigada que reso lvem diversas questões a nível de das empresas, intensificação da produção, etc, A confe-
secção. O conselho dos chefes de brigada da empresa é o rência apresenta propostas orie~tadas para o melhoramento
órgão colectivo superior, o qual su per entende os da gestão na fábrica e do funcionamento do seu aparelho,
assuntos das brigadas que fazem pa rte d e uma empresa. EXftmina também problemas ligados à preparação e promoção
Além disso, a nível de secção e empresa , a assembleia dos quadros, fortalecimento da disciplina laboral e
geral de trabalhadores é a principal forma de pa rticipa- outros.
ção directa dos operários na ge s t ã o; a assembleia elabo- As relações entre a administração e a conferência
ra, e xamina e aprova propostas sobre as mais importantes de produção permanen·te são estruturadas com base no
direcções da actividade laboral e social do colectivo princípio de direcção única . A conferência não tem o
de trabalhadores . No entanto, ess a forma terá que ser direito de interf er ir directamente nos assuntos da pro-
ap erfeiçoada para se tornar mais operacional. Há que con- dução. Contudo, a administração deve fazer tudo pa ra o
ceder aos colectivos de trabalho ma i ores direito s na êxito do seu trabalho, eliminar os defeitos apontados
gestão do fundo de estímulos ma ter iais , do fundo socio- pela reunião e cumprir as suas recomendações.
cul tura l e de construção habitacional e, de ntro do possí- O aperfeiçoamento do trabalho das conferências de
vel, do fundo salaria l. Na nossa opinião , os co l ec tivos produção permanentes elevará o papel dos trabalhadores
devem ter mais pes o na determinação das formas de pagamen- na ge's tão das suas empresas.' e preciso regulamentar com
to, na definição do volume e dos Índices dos prémios rigor o leque de problemas que ' pod e m ser resolvidos pe-
( naturalmente, no quadr o do fundo s a larial do colectivo los trabalhadores, de forma a evitar repetição desne- ·
estabelecido segundo as normas es távei s). e importante cessâria. Ao nosso ver, as conferências devem . examinar,
t ambém que o colectivo apr ov_e it e da melhor mane ira o os problemas mais importantes respeitantes ao crescimento
seu direito a r e solver questões relac i on adas com acrés ci- da produção, sobretudo, medidas a longo prazo.
mos aos vencimentos. e preciso reforçar a sua participa- Em muitas empresas existe um controlo de massas,
ção na distribuição das habitações, na utilização de todo outra forma importante da participação dos trabalhadores
o fundo de actividades sociais e o fundo de cons trução na gestão da produção. A análise séria dos fenómenos
habitacional, resumindo, é necessário que os colectivos nega tivos detectados durante o controlo, a denúncia das
façam amplo uso dos direitos de que já dispõem . deficiências no jornal de fábrica e nos jornais de parede,
A reunião de produção permanente constituí uma impor- bem como nos programas radiofónicos, peTinitem rapidamente
tante forma de pa;f-t._i.ci.Ji>.ação das massas laboriosas na eliminar esses defeitos, evitar erros de cálculo e falhas
gestão da produção. Est'â °'Iõnna · de ·gestão caracteriza-se, possíveis.
sobretudo, pela grande divulgação que adquiriu no nosso Actualmente, na URSS há 650 mil grupos e quase o mesmo
país durante a sua ·relativamente breve, existência, Ac- número de postos de controlo popular, nos quais colaboram
tualmente, na URSS há mais de 143 mil de conferências 9,5 milhões de trabalhadores.
de produção permanentes; para e las foram eleitos mais de Nas empresas e associações foram cr i ados muitos comités
6 milhões de trabalhadores, dois terços dos quais da e comissões de voluntirios que elabora~ propostas tenden-
indústria . Anualmente, nessas conferências participam tes a ape~feicoar a tecnologia de produção, a ~orná-la
35 milhões de pessoas, ou seja, um em cada três trabalha- mais dperaciona l, etc. Foram c riados gabinetes sociais:
-222- - 22 3-
de análise económica, de estabelecimen to de no r mas do aspectos mo rais. Tais problemas devem ser resolv i dos pe-
' 1
trabalho, de projectos e desenhos , de informa ção técnic~ , las direcções, quadros activos dos kolkhozes e cons elhos
bem c omo conse lhos de inovadores , "institutos " de expe - dos kolkhozes . Nesse sentido, têm um papel importante
riência de ponta , etc. as reuniões gerais do kolkhoze , partic ularmente , as de
., prestação d e contas e eleiçõ es .
Sub linhe-se t a mbém o papel dos c ont ratos colectivos
de trabalho que as organizações sindicais, em nome dos
trabalhadores, assinam com a adm inistração da empresa. A participação dos trabalhado res na direcção dos
Na elaboração dos c ont ratos c olectivo s de tra balho par- processos socioeconomicos a es c al a de t oda a sociedade
ticipa grande número de activistas. O contrato tem que
ser aprovado nas reuniões gerais da emp resa; após isso, Na sociedade socialista desenvolvida a par tici pação
o seu cumprimento é controlado. A administração presta dos trabalhadores na gestão da produção s oc ial não s e
contas regularmente ao colectivo de como o contrato está limita aos· marcos da empresa, secção de produção ou
a ser executado. Esta forma de participação dos trabalha - sector de trabalho, pois abrange a direcção do s processos
dores na gestão, por um lado, obriga a administração a socioeconómicos a nível de toda a economia nac io nal .
melhorar as condições de trabalho , a criar as premissas Aponte-se à importância socioec onómica e polí tic a da tP.se
nece ss árias para o crescimento da produtividade, a aper- de que o socialismo não se limita a c umprir as t arefas
feiçoar a s condições sociais, etc; por outro, obriga o avancadas pelos sindicalistas soci.a l-reformistas na luta
colectivo de trabalho a cumprir os planos d e produç ão de classes, orientando os t rabalhadores apenas para a
em tempo oportuno e com qualidade . solução de prob lemas económi cos e a obtenção do direito
Uma me lho r participação .dos colectivos de trabalho de participar na gestão da empresa onde trabalham. O so-
na ge s tão depende do grau da sua informação sobre cialismo real, baseando-se na propriedade social i sta de
os assuntos da empresà, bem como dos seus conhecimentos todo o povo , gera a necessidade objectiva e a possibili-
de economia. Para que nos orientemos na área da gestão dade da participaçã o de cada membro da sociedade na
da produção são precisos profundos conhecimentos. Em gestão tanto das empresas, como de toda a econom ia nacio-
nossa opinião, os cursos económicos e outras formas de nal.
ensino de economia, existentes hoje em dia, ainda não dão A participação dos trabalhado r es na gestão de toda a
aos trabalhadores conhecimentos que lhes possibilitem produção social, ou seja, a nível nacional, fa z-se sobre -
participar, dum ou outro modo, na gestão da sua empresa. tudo através de representantes elei t os para o efeito
Nas zonas rurais, a participação dos trabalhadores na pela população : ~obrecudo, · os deputados dos Sovietes do
gestão do kolkhoze depende do grau de democracia e xi sten- Povo (a todos os níveis, desd e o distri t o até ao Estado).
te nas cooperativas agrícolas . Para o efeito, os Estatu- Os Sov ietes de Deputados do Povo são os órgão s mais
tos dos kolkhozes concedem aos membros destes grandes representativos do poder popular. Para os Sovie t es dos'
direitos no campo da produção' e distribuição do produto diferentes escalões são eleitas 2 milhões e 300 mil pes -
criado. No entanto, esses direi:tos ..·estão limitada pelos soas, sendo o corpo dos seus activistas co ns tituído por
marcos do kolkhoze dado. Assinale-se a importância dos 30 milhões de cidadãos. Entre os deputados há 900 mil
conselhos dos kolkhozes ·~~ra o reforço da participação operários, mais de 600 mil kolkhozianos e 24·5 mil.inte-
'dos kolkhozianos na gestão da produção social. Como se lectuais. Mais de cem nac ionalidade s e stão representadas
sabe, . cal .gestão vai além dos assuntos meram~nte agrí~ no s Sovietes . e cada vez m.aior a atenção q ue o partido
colas d do cada kolkhoze • .ais. · Actua_lme.nte, no país há, e o Estado tem dedicado, nos últimos anos, ao trabalho
mais de 2400 conselhos ~e kolkhozes a vários n-Íveis para 0 dos depu tados dos Sovietes. Os Órgãos partidários e
os quais foram eleitos 85 ~il ~eprese~tantes, incluindo b· estatais tomaram medidas no sentidb de elevar a respon-
,64 mi 1 ko lkhozianós de base . : s ab ilidade dos Sovietes pela gestão da economia nacional ,
Na vida soci~l - dos kolkhozes surgem muitos problemas conc~dendo-lhes maiore s direitos na elevação da eficiên-
que têm a ver não só com a produção, mas também com cia cia gescãci.
-224- 29-1 - 225..:.
po pular a nÍvê l d e t odo o país. A popul aç ã o da URSS
J O c r e~ cime nto do pa pe l dos Sov iet es de depu t ados do d ebateu c om grand e interess e o proj ec t o do CC do PCUS
1
Povo na ge stão da e conomi a n ac i o na l aumen tou as exi gê n- "As principais di.recçÕe s d a r e f o r ma da e ~co l a geral e
ci.as co l oc ada s aos p r óprio s d ep ut a do s . Hoj e em d i a , o profissional".
, ( ep u t ado t e m que a nal is a r d e f o rma mais completa e po r - Os trabalhado res participam a c tivame nte na gestão
menorizad a os prob lemas que preocupam os eleitores. da producio social utilizando t ambém as suas organiza-
Tem grande significado a pre st a çio de contas , periodica- cões s oc ia is, sindicais e out ras. Assinale - s e q ue os
mente , d o s d e putado s aos seus e leitores (este s têm o sindicatos soviéticos tomam parte na solução de t odos
dire ito de cass a rem o mandato do deputado , caso julguem os problemas econômicos e sociais importantes que tenham
insuficiente o seu traba lho). A importânc i a da participa- a ver com oe interesses dos trabalhado res. Por exemplo ,
cão dos trabalhadores na gestão da produção social atra- participam na elaboração dos planos de desenvolvimen t o
vés dos deputados revigora-se com a subordinação dos económico e social do país, na preparaçã o dos diplomas
órgãos executivos aos Sovietes respectivos. que regu lamentam a produção e a distribuicio, a organiza-
Deste modo , os interesses dos trabalhadores são acumu- cão do pagamen to dos salários, a assistência social, a
lados pelo seu delegado nos órgãos do poder, e através melhoria das condições de vida, segurança no trabalho,
dele , pe l6s Sov iet e s na direcção da economia e dos órgãos etc.
ex ecutivo s desses Sovietes.~ uma forma impo rtante, As cartas dos trabalhadores desempenham um importa nte
exist e nt e em t odo o país, d e p a rticipação dos trabalhado- papel no sistema de direcção de todos os aspectos da .
r e s na gestão da produção social a todos os níveis . vida social. Essas cartas constituem uma determinada f o r-
Aume ntou a importância dos relatórios q ue os deputados ma de participação de todos os membros da sociedade na
apres e ntam a os seus eleitores; as r ecomendaçõe s que os gestão da produçio e de outros proces sos sociais. A
trabalhadore s fazem ao seu deputado tornam-se mais imprensa contribui muito para que esse proces so se torne
concretas, e o controlo da sua execução mais- sistemáti- eficiente, publicando não apenas as cartas críticas ou
co. aumenta o número de activistas das comissões de depu- a s propost&s doa cidadãos, mas informando ainda das
tad os permanentes e provisórias. e óbvio que.posterior- medidas tomada s .
me nte, s e rá nec essário aperfeiçoar em todos os sentidos Devemos assinalar também a grande importância para a
essa di r ecção da participaçãó dos trabalhadores na gestão. gestão da produção social de ins tituições como a Asso-
A nosso ver, é preciso melhorar as formas e o conteúdo ciação Científico-Técnica da URSS e a Associação Sovié-
da6 r ecomendações que os eleitores fazem aos seus deputa- tica de Inovadores e Racionalizadores, que agrupam mais
dos, não só no período e le i toral, como também durante as de 20 milhões de pessoas e desempenham um papel cada vez
s essões dos Sovietes de deputados, especialmente, quando maior na d ef inição e r ea lização da política técnica
nelas são d ebatidas questõe s resp eitantes aos interesses única.
Hoje em dia, na URSS há 23 associações científico-téc-
dos Oeleitores .
Partido Comunista submete a e xame de todo o povo, nicas (ACT) em muitos r am9s da indústria, da agricultura
os mais importantes problemas da vida económica e polL e serv icos. Os núc leos dessas associações exis t em em
tica do pais. Muito antes da aprovação de documentos todas as repúbllcas, t e rritórios e r egiões, bem como
económi cos e políticos fundamentais, os projectos res- em todas as grande s empresas . A âmbito das ACT funcionam
pec tivos são amp l amente debat idos nas reuniões de tra- muitas instituições de carác t er criador, institutos e
balhadores e na i mprensa .. A discu ssão dos projectos dos laboratórios científico-técnicos, gabinetes de aná lis~
planos quinquenais constitui um exemplo desses d ebates económica e informação técnica, conse lhos para a organi-
a níve l de todo o país. A discussão do projecto da
1~ zação científica do trabalho, "unive rsidad es" de progres-
Constituição da URSS (na qual participaram mais de 140 .,~
)
so técnico na economia na cional. Importantes que stõe s
milhõe s de Soviéticos , isto é, mais de 80% da população são também resolvidas pe la Asso ciação Científico-Econó-
adulta, que aprese ntaram cerca de 400 mil propostas de mica que faz part e das ACT
emendas do projectq) foi uma viva demonstração da consulta 29-2 -227-
-226-
A Associação soviética de inovadores e racionaliza-
.ores d e ve canalizar os seus esforços, conhecimentos e
r:·
1
BIBLIOGRAFIA
1
:xperiincia para a resolução dos problemas mais premen- 1
; es, o melhoramento do nível técnico de produção, o Abalkin, L. I.
A Eccnomia Polí tic a e a Política
~r esctmcnto da produtividade do trabalho, da qualidade e Económica, H., 1970;
eficiência da produção social. Assinale- se qu e a socie-
dade atra í muitas c amadas de t rabalhadores para a gestão O Mechanismo da Economia da Socie-
da produção, incentivando, para o efeito , o traba lho de dade Socialista Desenvolvida,
organizações como as aginc ia s de pro j ecção e de lícenca.s , M., 1973.
c onselhos de inovadores, etc. -P articipam activamente nas A Dialéctica da Economia Socialis-
investigações des t inadas a melhora r o trabalho e a aper- ta. H., 1981.
feiçoar a ges tão diversas escolas de racionalizadores,
círculos sociais de cr iação técnica, i nst i tutos sociais A Economia Polí tica do Socialismv -
de pat en tes e licenças e outros organismos. Base Científica da Política Econó-
Deste modo , os núcleos de base da Associação de mi ca do PCUS, M. , 1983.
inovadores e racionalizadores e as associações científi- Abulkhanov. R.F. Os Princípios da Organização Social
c o-ticni cas res pondem pela iniciativa criadora dos da Produção, (Teoria da Forma So-
trabalhadores orientada para a aceleração do progresso cial de Trabalho Elaborada por
cientffíco-técnicc. SÓ o aproveitamento de inovações K.Marx), M., 1982.
e propostas de racionalização na produção industrial per- 1
Agafonov, A. K. A Produção Mercantil e a Lei do
mite poupar anualmente milhões e milhões de rublos. O
trabalho criador é um f ac tor importaote que con corre para i Valor no Soci alismo , Kiev, 1975.
a formação do operário de covo tipo, transforma o trabalho Agueiev, V. M. As Categoria s Económicas do Socialis-
quotidiano num proc es so cada vez mais rico de conteudo mo : Análise Sistémica, M. , 1 980.
impulsiona o desenvolvimento dos talentos humanos. A
c ombinação , no trabalho do operário, das funções de pro- Os Interesses Económicos e os Estí-
dução com a busca c riado r a, inovação e invençõe s conduz mulos do Soc ial i s mo, H., 1984.
ao desenvolvimento harmonioso do indivíduo, faz crescer Akopov, R.Ia. K.Marx e F . Engels eobre a Econo~ia
ne le o sen tido de dono da sua empresa. da Sociedade Comunis t a, Saratov ,
1979.
* Os Prob l emas Actuais do Desenvolvi-
ment o Planif icado da Economia Na~
cional , M. • 1980 .
* Os Proble!l12.s ACtua i s da Economia
Política , M., 1979.
* Os Problemas Ac tuais do Aperfeicoa-
mento das Relações ~e Produção
Socialistas, L. , 1978.

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