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PROPRIEDADE INTELECTUAL:

PROTEÇÃO JURÍDICA
CONTRATOS E ROYALTIES*

IVNA OLIMPO LAURIA, ARISTIDES MOYSÉS, JEFERSON DE


CASTRO VIEIRA

Resumo: o presente artigo buscou-se abordar a propriedade intelectual,


e a sua respectiva proteção jurídica como instrumentos para o desen-
volvimento econômico do país, suas formas e divisões. Primeiramente,
analisou-se a proteção jurídica, os fundamentos constitucionais, as Leis Fe-
derais, os contratos e os acordos que asseguram seus direitos. Após, foram
abordadas as formas da Propriedade Intelectual e como ela se divide. Em
seguida, discutiu-se as questões e cláusula contratuais e também os royalties,
de forma a garantir sua proteção. Deste modo, verificou-se que no Brasil a
proteção jurídica existe, ainda que seja incipiente e pouco utilizada, exigin-
do-se um aprofundamento em seu estudo e emprego, frente aos benefícios que
podem gerar para o país.
estudos, Goiânia, v. 40, n. 3, p. 299-309, jun./ago. 2013.

Palavras-chave: Parques Urbanos. Arquitetura Paisasística. Paisagem Urbana.

E 
m muitos países tem se visto um alto investimento em pesquisa e desenvolvi-
mento, e com o direito protegido pela propriedade intelectual os impactos
tem sido positivos para o país e para a sociedade.
No Brasil, a Constituição Brasileira dá espaço para a adoção de políticas pú-
blicas que fomentam a proteção intelectual, de forma a garantir proteção jurídica ao
desenvolvimento econômico e tecnológico.
Definida pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), propriedade
intelectual refere-se às criações do espírito humano e aos direitos de proteção dos interesses
dos criadores sobre suas criações (JUNGMAN, 2010). 299
A importância da Propriedade Intelectual se deve ao fato de que o desenvolvi-
mento tecnológico de um país está relacionado com o conhecimento científico e com
o grau de proteção da propriedade intelectual relacionada.
A Propriedade Intelectual é um direito concedido pelo Estado, mesmo sendo
um ativo intangível, já que não significa a proteção dos objetos e suas cópias, e sim na
informação ou no conhecimento refletido nesses objetos e cópias (não se traduz nos
objetos e em suas cópias, mas na informação ou no conhecimento refletido nesses ob-
jetos e cópias, sendo, portanto, um ativo intangível) (INPI, 2012).
A proteção garantida pela Propriedade Industrial estimula a Pesquisa e De-
senvolvimetno (P&D) garante a exclusividade do bem protegido além de criar va-
lor sobre esse conhecimento e ser atualmente o melhor indicador para inovação
tecnológica.
Mas o Brasil ainda possui um grande desafio pela frente, no que se refere à Pro-
priedade Intelectual uma vez que registra poucas patentes, realiza poucos contratos
para licensiamento e produção dessas patentes e realiza ainda menos transferência de
tecnologia.
A economia é um importante ponto para alavancar o desenvolvimento ainda que
alguns autores compreendam que o desenvolvimento não se resume a crescimento
econômico.
Dos instrumentos utilizados pelas nações desenvolvidas, a propriedade intelec-
tual (PI) é a que busca maiores benefícios econômicos através da geração de desen-
volvimento tecnológico e cientifico ao país. A Organização de Cooperação e Desen-
volvimento Econômico (OCDE) calcula que mais da metade da riqueza destes países
advén de seu capital intelectual e não de seu capital físico e que oito de cada dez postos
de trabalho gerados destinam-se a “trabalhadores do conhecimento” (FERNANDEZ,
2005, p 2).
Boff (2007) propõe que:

A propriedade intelectual surge, nesta seara, como instituição necessária para conceder a pro- estudos, Goiânia, v. 40, n. 3, p. 299-309, jun./ago. 2013.

teção aos direitos dos criadores, impulsionando a capacidade de codificação do conhecimento


e, por conseguinte, o crescimento econômico e social.

Proteger os direitos da propriedade intelectual pode trazer grandes resultados
para o crescimento econômico de um país, mas a ausência de amparo jurídico à pro-
priedade intelectual pode trazer no entanto, prejuízos significativos.
Segundo Locatelli (2006):

a inexistência de proteção jurídica, por sua vez, permite o uso indevido dos direi-
tos da propriedade intelectual por terceiros, e, muitas vezes, além de não gerar
benefícios econômicos ao país, pode acarretar prejuízos.

A propriedade intelectual abrange três grandes grupos: Propriedade Industrial,


Direito Autoral e Proteção Sui Generis. Estes grupos ainda se dividem em vários pon-
300 tos conforme a Figura 1.
Figura 1: Curso Básico de Propriedade Intelectual (IFBA, 2012) e Propriedade Intelectual Conceitos e
Procedimentos/AGU (UFSC, 2011)

DA HISTÓRIA DA PROTEÇÃO INTELECTUAL - ACORDOS

A Convenção de Paris foi o primeiro acordo internacional que abordou a Pro-


priedade Intelectual e assinada em 1883 em Paris, para a Proteção da Propriedade
Industrial (CUP), continua em vigor em sua versão de Estocolmo, inclusive por força
do Acordo TRIPs.
A Convenção de Berna é referente à proteção das obras literárias e artísticas, tam-
bém chamada Convenção da União de Berna que constituiu o reconhecimento do direito
de autor entre nações soberanas, foi adotada na cidade de Berna, Suíça, em 1886. Con-
venção da União de Berna foi uma contrapartida no campo do Direito autoral.
A Convenção da União de Paris - CUP, de 1883, deu origem ao que chamamos
de Sistema Internacional da Propriedade Industrial que foi uma forma de tentar arre-
dondar diferentes sistemas jurídicos nacionais e internacionais concernentes a Proprie-
dade Industrial. A Convenção de Paris promoveu outras edições para que passasse por
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revisões: Bruxelas (1900), Washington (1911), Haia (1925), Londres (1934), Lisboa
(1958) e Estocolmo (1967). Conta atualmente com 173 (cento e setenta e três) países
signatários.
A Rodada Uruguaia aconteceu para a elaboração Acordo Geral de Tarifas e Tro-
ca (GATT) que se tornou a base para o estabelecimento da Organização Mundial do
Comércio e onde surgiu o TRIPS que é considerado o mais importante instrumento
multilateral para a globalização das leis de propriedade intelectual.

O Acordo TRIPS

O TRIPS trata dos direitos de autor e conexos, marcas, indicações geográficas,


desenhos industriais, patentes, topografias de circuitos integrados, proteção do segredo
de negócio e controle da concorrência desleal. Estabelece princípios básicos quanto à
existência, abrangência e exercício dos direitos de propriedade intelectual. 301
Foi o TRIPS que estabeleceu meios eficazes e apropriados para aplicação de
normas de proteção do direito de propriedade em relação ao seu comércio e devido e
garantido a proteção.
O conteúdo do Acordo TRIPs tem em seu arcabouço as disposições gerais e
princípios básicos para a proteção intelectual; estabelece os padrões relativos à exis-
tência, abrangência e exercício de direitos de propriedade intelectual; dispõe sobre a
aplicação de normas de proteção dos direitos de propriedade intelectual; obtenção e
manutenção de direitos de propriedade intelectual e procedimentos interpartes conexos;
prevenção e solução de controvérsias; arranjos transitórios e institucionais; entre outros.
Os substanciais direitos que constituem os padrões mínimos estão no Acordo e
aparecem assim designados:
1) Direitos de autor e direitos conexos;
2) Marcas;
3) Indicações geográficas;
4) Desenhos industriais;
5) Patentes;
6) Topografias de circuitos integrados;
7) Proteção de informação confidencial;
8) Controle de práticas de concorrência desleal em contratos de licença.
O princípio que surge em primeiro lugar no Acordo TRIPs fala sobre as leis
internas e de como os membros poderão promover, mas não estão obrigados, uma pro-
teção mais ampla do que específica o acordo. Com isso tira-se como conclusão a ideia
de que as normas do Acordo são um piso mínimo de direitos, garantidos aos titulares;
e a ideia da não aplicabilidade imediata do acordo, que será implementado segunda a
forma apropriada.
Enfim, apesar dos vários acordos, qualquer país buscando obter acesso fácil aos
mercados internacionais abertos pela Organização Mundial do Comércio devem de-
cretar as rigorosas leis estipuladas pela TRIPS. Por essa razão, a TRIPS é o mais
respeitável instrumento multilateral para a globalização das leis de propriedade inte-
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lectual, já que a afiliação à Organização Mundial do Comércio um impulso poderoso.


Além disso, diferente de outros acordos em propriedade intelectual, a TRIPS tem um
influente mecanismo de execução. As nações podem com este mecanismo da Organi-
zação Mundial do Comércio na resolução de disputas.

Legislação e Proteção Jurídica

A Constituição Federal de 1988 em seu art 5º, XXIX prevê a Proteção Intelec-
tual visando o interesse social, o desenvolvimento social, tecnológico e econômico:

XXIX - A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário


para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade
das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista
302 o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País.
Locatelli ressalta que somente protegendo estes direitos, a função social, tecno-
lógica e econômica da propriedade intelectual será constitucional:

[...] a idéia de função social da propriedade (...) ampara-se no fundamento de que


o direito de propriedade não pode mais ser exercido somente para garantir o bem
estar, mas deve ser exercido de forma que, além de garantir a justa recompensa
individual, desempenhe uma função construtiva na melhoria das condições de
vida da sociedade (LOCATELLI, 2008, p. 53).

Nos artigos seguintes, a CF/88, preocupou-se ainda em difundir e fortalecer a


propriedade intelectual no Brasil, como no seu art. 218, §2º e 4º, onde antecipa incen-
tivos a pesquisa tecnológica para a saída e contribuição a empresas que investiram em
pesquisas.
Várias normas foram promulgadas no Brasil visando regular e regulamentar a
propriedade intelectual, através de um complexo de leis federais, que junto com a
Constituição Federal protegem invenções intelectuais, sua exploração mercantil ou
benefício econômico para o inventor e na satisfação de interesses morais dos autores.
Na parte de direitos e garantias fundamentais da Constituição Brasileira, ainda
no art. 5°, podemos verificar a proteção ao Direito Autoral (bens publicados ou não,
relativos a obras artísticas, cientificas, literárias e os softwares) e o Direito da Proprie-
dade Industrial (proteção as invenções e os modelos de utilidade, como as marcas,
indicações geográficas, cultivares e desenho industrial), que são institutos da Proprie-
dade Intelectual, resguardados pelos seguintes incisos:

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou


reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da
imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem
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ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas represen-


tações sindicais e associativas;.

As leis mais utilizadas no Brasil no campo da propriedade intelectual são as que


descrevemos a seguir:

Lei 9.279 de 14/05/96 – Lei de Propriedade Industrial


Lei 9.456 de 25/04/97 – Lei de Proteção de Cultivares
Lei 9.609 de 19/02/98 – Lei de Proteção de PI de Programa de Computadores;
(lei de software).
Decreto 2.556 de 20/04/98 Regulamenta o artigo 3° da lei 9.609, que indica o
registro no INPI;
Lei 9.610 de 19/02/98 – Lei de Direitos Autorais;
Lei 11.484 de 31/05 de 2007 – Lei de proteção à Topografia de Circuitos Integrados; 303
Lei 4.131/62 do Capital Estrangeiro;
Lei 8.884/94 de Direito à Concorrência;
Lei 8.995/94 da Franquia.

Uma vez protegido o direito, é preciso fomentar as políticas públicas de fomento
à PI e procurar alcançar mais instituições de apoio, estimular a economia e o desenvol-
vimento tecnológico, gerando, assim o desenvolvimento econômico do país, de forma
a minimizar as desigualdades regionais.

FORMAS DE PROTEÇÃO INTELECTUAL

A expressão “propriedade intelectual” se divide em três tipos: propriedade in-


dustrial, direito autoral e proteção sui generis.

Quadro 1: Tipos de propriedade intelectual


Propriedade Industrial Direito Autoral Sui Generis
Patentes Direitos Autorais/Copyright Cultivares
Marcas Direitos Conexos Circuitos Integrados
Conhecimentos tradicionais e
Desenhos Industriais Softwares
Biodiversidades
Indicações geográficas

Direito Autoral

O Direito Autoral é regido pela Lei de Direito Autoral, de nº 9.610, de 19 de


fevereiro de 1998, que protege os direitos de autor e os direitos que lhes são conexos.
A Lei protegeos autores (escritores, artistas, compositores musicais etc.) em re-
lação às obras por eles criadas. Já no domínio das ciências, a proteção recai sobre a
forma literária ou artística, não abrangendo o seu conteúdo científico ou técnico. Os
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direitos de autor compreendem:


• Os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;
• As obras coreográficas e pantomímicas;
• As composições musicais;
• As obras fotográficas e as audiovisuais, inclusive as cinematográficas;
• As obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;
• As ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;
• Os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topo-
grafia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência;
• As adaptações e traduções de obras originais;
• As coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de da-
dos e outras;
• Os programas de computador.
304 São protegidos os direitos morais e patrimoniais do autor/criados das obras.
O criador de uma obra tem o direito moral protegido de reivindicar, a qualquer
tempo, a autoria da obra; ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou
anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; conservar a obra inédita;
assegurar a integridade da obra, ou seja, o direito de rejeitar modificações na obra ou,
ainda, utilizações em contextos que possam causar prejuízos à reputação ou à honra do
autor (PROTEC, 2012).
Os direitos patrimoniais permitem ao criador autorizar ou proibir os a repro-
dução parcial ou integral de uma publicação impressa, na gravação da obra em fitas
cassete, em CDs ou DVDs; a edição, a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras
transformações em sua obra, novela, peça teatral ou cinema; a tradução para qualquer
idioma; a distribuição ou venda ao público de cópias da obra; a interpretação e execu-
ção públicas, radiodifusão e comunicação ao público via rádio, tv, cabo ou satélite de
sua obra; entre outros (PROTEC, 2012).

Propriedade Industrial

A Prorpiedade Industrial compreende:

a) Patentes que protegem as invenções em todos os domínios da atividade humana;


A patente é o título legal que documenta e legitima, temporariamente, o direito do
titular de uma invenção ou de um modelo de utilidade. Ela visa tanto às criações
novas como ao aperfeiçoamento das criações existentes.
b) Marcas, nomes e designações empresariais e segundo a OMPI, marca é o sinal dis-
tintivo, visualmente perceptível, que identifica um produto ou serviço.
c) Desenhos e modelos industriais que protegem o aspecto ornamental ou estético de
um objeto que pode ser constituído de características tridimensionais, como a for-
ma ou a superfície do objeto, ou de características bidimensionais, como padrões,
linhas ou cores.
d) Indicações geográficas, a OMPI aponta que indicação geográfica é um sinal utili-
zado em produtos estabelecendo que são originários de uma determinada área geo-
estudos, Goiânia, v. 40, n. 3, p. 299-309, jun./ago. 2013.

gráfica e que possuem qualidades ou reputação relacionadas ao local de origem. No


Brasil, as indicações geográficas estão definidas na Lei de Propriedade Industrial e
são classificadas em denominação de origem e indicação de procedência.
e) Segredo industrial e repressão à concorrência desleal que pode ser definido como
qualquer ato contrário às práticas honestas, na indústria ou no comércio, que detur-
pe o livre funcionamento da propriedade intelectual e a compensação econômica
que ela oferece.
A Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, regulamenta os direitos e obrigações
relativos à propriedade industrial que é conhecida como Lei de Propriedade Industrial
(LPI) que tem no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) como órgão
responsável por todo e qualquer procedimento de pedido, concessão e negociação de
propriedade industrial no território nacional.
A Propriedade Industrial compreende a indústria e o comércio, mas também
agricultura, a indústria extrativa e a todos os produtos naturais ou manufaturados. 305
Segundo Sachs (apud VARELLA, 2005, p. 3), os países podem ser divididos
em três categorias conforme a produção de tecnologia e o interesse pelos direitos de
propriedade industrial. A propriedade industrial é um importante instrumento para de-
senvolvimento de um país.

Proteção Sui Generis

A proteção sui generis abrange:


a) Topografias de circuitos integrados (chips);
b) As cultivares, que é uma nova variedade de planta com características específicas
resultantes de pesquisas em agronomia e biociências;
c) Conhecimentos tradicionais que envolvem saberes empíricos, práticas, crenças e
costumes passados de pais para filhos das comunidades indígenas ou de comuni-
dade local, quanto ao uso de vegetais, microorganismos ou animais cujas amostras
contêm informações de origem genética.

CONTRATOS E ROYALTIES

A estrutura destes contratos de Propriedade Intelectual contém preâmbulo, qua-


lificação das partes, cláusulas e validação.
As principais cláusulas do contrato são: Qualificação das Partes, Objeto, Paga-
mento, Propriedade Intelectual, Confidencialidade, Vigência, Exclusividade, Obriga-
ções, Rescisão, Foro e Anexos.

Instrumentos, Anexos e Aspectos de Negociação

Podemos aqui destacar e definir alguns dos mais importantes instrumentos e


anexos constantes em um contrato de propriedade intelectual: estudos, Goiânia, v. 40, n. 3, p. 299-309, jun./ago. 2013.

• Exclusividade é um ponto estratégico em um contrato de transferência de tec-


nologia e sua exploração já que eleva a valoração do negócio.
• Acordo de confidencialidade onde se garante o sigilo das informações e questões
fundamentais para a empresa e que assegure o uso das informações genéricas para
fins de ensino e pesquisa e tem por objetivo proteger a tecnologia e possibilitar o
processo produtivo econômico, protegendo ambas as partes: o titular e o licenciador.
• Acordo de transferência de material biológico tem como finalidade controlar o
uso de material biologico que é tranferido entre instituições. São considerados
materiais biológicos incluindo plantas, virus, bactérias, fungos entre outros.
• Contratos de Direitos de Propriedade Intelectual e co-propriedade que tem
por finalidade definir o percentual de co-participação entre as partes além dos
direitos e deveres de cada um.
• Contratos de P&D é o contrato que assegura o desenvolvimento tecnológico
306 em conjunto de um processo ou produto já iniciado ou não por uma das partes,
unindo esforços em busca de um resultado.
• Contratos de transferência de Know How é a forma como uma parte concede a
outra o direito de explorar um conhecimento, formulas e/ou processos, secretos
ou não, por um prazo determinado.
• Contrato
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de exploração Patente/licenciamento é o contrato que autoriza o li-
cenciamento de uma patente requerida ou concedida.

Royalties

Os royalties podem ser denominados valores pagos pelo uso de uma marca ou
produtos.
Atualmente, fala-se muito de royalties do petróleo que é uma compensação fi-
nanceira paga pelas produtoras de petróleo e gás natural ao governo pela exploração
desses recursos em território nacional.
O Estado recebe esses recursos, em seus três níveis, sendo que são repassados
aos estados e municípios de acordo com os critérios definidos em legislação específica.
(ANPROGÁS, 2010)
O valor do Royalty depende de seus contratos de exclusividade, do grau de de-
senvolvimento tecnológico (laboratório, planta, protótipo, indústria), da qualidade da
tecnologia que está sendo negociada, da efetividade da proteção de tecnologia, da di-
nâmica do mercado e da rentabilidade esperada.

CONCLUSÃO

Desde a Constituição de 1824, proteção intelectual esteve prevista na parte dos


direitos e garantias fundamentais. Atualmente, a Constituição Federal garante a prote-
ção à propriedade intelectual, atrelada ao interesse social e o desenvolvimento tecnoló-
gico e econômico do País. Quando adequadamente empregados, os direitos da proprie-
dade intelectual contribuem para o desenvolvimento de uma nação, principalmente, o
desenvolvimento econômico.
estudos, Goiânia, v. 40, n. 3, p. 299-309, jun./ago. 2013.

O Acordo TRIPs inseriu a propriedade intelectual em um sistema multila-


teral de comércio com maior segurança jurídica gerando maiores investimentos e
desenvolvimento econômico, devido à segurança jurídica, aumentando os meca-
nismos de solução de disputas (países desenvolvidos x subdesenvolvimento/ em
desenvolvimento).
O acordo TRIPS ainda enfrenta desafios, já que os países desenvolvidos não pro-
movem incentivos e não estimulam a transferência de tecnologia a empresas e institui-
ções de países subdesenvolvidos. A cooperação técnica entre esses países é incipiente,
o que torna isso um grande desafio, já que o objetivo real do acordo é promover bem
estar social como consequência da proteção da propriedade Intelectual.
O Brasil possui ainda poucos registros de patentes, poucos contratos e pouca
atividade de transferência de tecnologia; na comercialização de patentes o Brasil tra-
balha com um estágio incipiente de tecnologia e na transferência de conhecimento tem
dificuldade da passar da produção laboratorial para escala industrial. 307
É importante, neste contexto, reconhecermos a necessidade de se investir em
ciência e tecnologia, gerar desenvolvimento, incentivar as políticas públicas, mas prin-
cipalmente, atentar aos contratos e ao direito da Proteção Intelectual em todas as suas
esferas, de forma a proteger adequadamente os resultados destes investimentos.

INTELLECTUAL PROPERTY: LEGAL PROTECTION AGREEMENTS AND ROYALTIES

Abstract: in this article we sought to address intellectual property and their respec-
tive legal protection as tools for economic development of the country, its forms and
divisions. First, we analyzed the legal protection, constitutional fundamentals, Federal
Laws, contracts and agreements to ensure their rights. After, we discussed the forms
of intellectual property and how it is divided. Then, it was discussed the issues and
contractual clause and also the royalties, in order to ensure their protection. Thus, it
was found that in Brazil the legal protection exists, albeit incipient and little used, the
requirement of a deepening in their study and employment, about the benefits they can
generate for the country.

Keywords: Law. Contracts. Intellectual Property. Royalties

Referências
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* Recebido em: 10.09.2013. Aprovado em: 20.09.2013.

IVNA OLIMPO LAURIA,


Mestranda em Desenvolvimento e Planejamento Territorial, especialista em Gestão Empresarial,
graduada em Direito, todos pela PUC Goiás. Advogada da Prefeitura de Aparecida de Goiânia. E-mail:
ivnalauria@hotmail.com.

ARISTIDES MOYSÉS
Professor do Mestrado em Desenvolvimento e Planejamento Territorial da PUC Goiás. E-mail:
arymoyses@uol.com.br

JEFERSON DE CASTRO VIEIRA


Professor do Mestrado em Desenvolvimento e Planejamento Territorial da PUC Goiás. E-mail:
jcvieira@gmail.com. 309