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Incerteza na

Medição
Métodos e Aplicações

Marco Antônio Ribeiro


Incerteza da Medição
Métodos e Aplicações

Marco Antônio Ribeiro

Quem pensa claramente e domina a fundo aquilo de que fala, exprime-se


claramente e de modo compreensível. Quem se exprime de modo obscuro e
pretensioso mostra logo que não entende muito bem o assunto em questão
ou então, que tem razão para evitar falar claramente (Rosa Luxemburg)

© 1998, Tek Treinamento & Consultoria Ltda


Salvador, Primavera 1998
Prefácio
O presente trabalho foi escrito como suporte de um curso ministrado a
engenheiros e técnicos ligados, de algum modo, à medição de alguma grandeza
física. Ele enfoca os aspectos técnicos, físicos e matemáticos da incerteza da
medição de uma grandeza física. Ele apresenta métodos e aplicações para cálculo
da incerteza na medição.
Na primeira parte, Métodos, baseada totalmente no ISO Guide TAG4/WG3, são
apresentados Definições e Conceitos, consistentes com a portaria 29 do
INMETRO, de 10 de março de 1995. Concordando ou não com a terminologia, ela
deve ser usada por questão legal. São apresentados também os Conceitos
Estatísticos e Conceitos Básicos sobre medição, erro e incerteza. Nos capítulos
seguintes, são apresentados os métodos para avaliar, determinar e expressar a
incerteza da medição.
Na segunda parte do trabalho, Aplicações, são vistas as Malhas Típicas de
Instrumentação, de Pressão, Temperatura, Vazão e Análise, onde são
apresentados os cálculos das incertezas, considerando-se as incertezas aleatórias e
sistemáticas de todos os componentes das malhas.
Como Apêndice, é apresentada a tradução livre da norma NIS 3003: The
Expression of Uncertainty and Confidence in Measurement for Calibrations, Ed. 1,
Sep. 1994, NAMAS.
O trabalho deverá ser revisto logo, quando são melhorados os desenhos,
editadas figuras melhores e atribuídos os créditos a todas as fotografias usadas.
Sugestões e críticas destrutivas são benvindas ao endereço do autor: Rua
Carmen Miranda 52, A 903, CEP 41820-230, Fone (071) 452-3195 e
Fax (071) 452-3058, Móvel (071) 9989-9531 e ou no e-mail: marcotek@uol.com.br

Marco Antônio Ribeiro


Salvador, BA, primavera 97

1
Autor
Marco Antônio Ribeiro nasceu em Araxá, MG, no dia 27 de maio de 1943, às
7:00 horas A.M.. Formou-se pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em
Engenharia Eletrônica, em 1969.
Foi professor de Matemática, no Instituto de Matemática da Universidade Federal
da Bahia (UFBA) (1974-1975), professor de Eletrônica na Escola Politécnica da
UFBA (1976-1977), professor de Instrumentação e Controle de Processo no Centro
de Educação Tecnológica da Bahia (CENTEC) (1978-1985) e professor convidado
de Instrumentação e Controle de Processo nos cursos da Petrobrás (desde 1978).
Foi gerente regional Norte Nordeste da Foxboro (1973-1986). Já fez vários
cursos de especialização em instrumentação e controle na Foxboro Co., em
Foxboro, MA, Houston (TX) e na Foxboro Argentina, Buenos Aires.
Possui dezenas de artigos publicados em revistas nacionais e anais de
congressos e seminários; ganhador do 2o prêmio Bristol-Babcock, no Congresso do
IBP, Salvador, BA, 1979.
Desde agosto de 1987 é diretor da Tek Treinamento & Consultoria Ltda, firma
dedicada à instrumentação, controle de processo, medição de vazão, aplicação de
instrumentos elétricos em áreas classificadas, Implantação de normas ISO 9000 e
integração de sistemas digitais.
Suas características metrológicas são:
altura: (1,70 ± 01) m;
peso correspondente à massa de (76 ± 2) kg;
cor dos olhos: castanhos (cor subjetiva, não do arco íris)., cor dos cabelos
(sobreviventes): originalmente negros, se tornando brancos;
tamanho do pé: 40 (aplicável no Brasil, adimensional).
Gosta de xadrez, corrida, fotografia, música de Beethoven, leitura, trabalho, curtir
os filhos e a vida. Corre, todos os dias, cerca de (10 ± 2) km e joga xadrez
relâmpago (5 min para cada jogador) todos os fins de semana. É provavelmente o
melhor jogador de xadrez entre os corredores e o melhor corredor entre os
jogadores de xadrez, o que não é nenhuma vantagem e não tem nada a ver com
Metrologia.

2
1
Definições e Conceitos
As definições dos termos metrológicos gerais relevantes para
este trabalho são dadas a partir do International vocabulary of basic
and general terms in metrology (abreviado VIM), 2a ed. , publicado
pela ISO, elaborado por especialistas e em nome das sete
organizações que suportam seu desenvolvimento:
1. Bureau Internacional de Poids et Mesures (BIPM)
2. International Electrotechnical Comission (IEC)
3. International Federation of Clinical Chemistry (IFCC)
4. Organization International of Standardization (ISO)
5. International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC)
6. International Union of Pure and Appplied Physics (IUPAP)
7. International Organization of Legal Metrology (OIML)
O VIM deve ser a primeira fonte consultada para as definições
dos termos não incluídos aqui. Nas definições seguintes, o uso de
parênteses em torno de certas palavras de alguns termos significa
que as palavras podem ser omitidas se isto não causar confusão.
Os termos em negrito em algumas notas são termos metrológicos
adicionais definidos nestas notas, explicita ou implicitamente.
Os termos estão também consistentes com a Portaria 29, de 10
de março de 1995, do Instituo Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial INMETRO.

1.1
Definições e Conceitos

Exemplo - A velocidade do som no ar seco


1. Grandezas e Unidades de composição (fração molar):
N2 = 0,780 8
O2 = 0,109 5
1.1. Grandeza (mensurável)
Ar = 0,009 35
Grandeza ou grandeza é o atributo de um CO2 = 0,000 35
fenômeno, corpo ou substância que pode ser à temperatura T = 273,15 K e
distinguido qualitativamente e determinado pressão p = 101 325 Pa.
quantitativamente. O termo grandeza pode se referir
a uma grandeza no sentido geral (ver exemplo 1) ou 1.3. Grandeza de base
a uma grandeza particular (ver exemplo 2). No Sistema Internacional de Unidades
Exemplos: (SI), é a grandeza aceita como
1. grandeza no sentido geral: independente de uma outra grandeza, por
comprimento, tempo, massa, convenção e função.
temperatura, resistência elétrica, Atualmente, há sete grandezas de
concentração e grandeza de base:
substância; 1. comprimento
2. grandezas particulares: 2. massa
comprimento de uma dada barra 3. tempo
resistência elétrica de um dado fio de 4. temperatura
cobre 5. corrente elétrica
concentração de etanol em uma dada 6. quantidade de substância
amostra de vinho. 7. intensidade luminosa
As grandezas que podem ser
colocadas em ordem de valor relativo a 1.4. Grandeza suplementar
uma outra são chamadas de grandezas de No SI, é a grandeza aceita como
mesma espécie. Grandezas da mesma independente de uma outra grandeza, por
espécie podem ser agrupadas juntas em convenção e função. Por questão histórica,
categorias de grandezas. Por exemplo: é chamada de suplementar, quando pode
1. trabalho, calor, energia ser considerada também de base.
2. espessura, circunferência, raio de As duas grandezas suplementares são:
círculo e comprimento de onda. 1. ângulo plano
Grandezas de mesma espécie são expressas com a 2. ângulo sólido
mesma unidade SI. Os nomes e símbolos para as
grandezas são dados pelo SI (Sistema Internacional 1.5. Grandeza derivada
de Unidades) Grandeza definida, em um sistema de
grandezas, como função de grandezas de
1.2. Grandeza medida (Mensurando) base deste sistema. A grandeza derivada é
O primeiro passo na medição é geralmente obtida pela multiplicação e
especificar a grandeza a ser medida ou o divisão de grandezas de base e outras
mensurando. O mensurando não pode ser derivadas.
especificado por um valor mas somente Exemplos de grandezas derivadas:
por uma descrição de uma grandeza. 1. área é uma grandeza derivada do
Porém, em princípio, um mensurando não quadrado do comprimento.
pode ser completamente descrito sem uma 2. volume é uma grandeza derivada
grandeza infinita de informação. Assim, do cubo do comprimento
para a extensão que lhe deixa espaço para 3. velocidade é uma grandeza
interpretação, a definição incompleta do derivada do comprimento dividido
mensurando introduz na incerteza do por tempo
resultado de uma medição uma 4. aceleração é uma grandeza
componente de incerteza que pode ou não derivada da velocidade dividida por
pode ser significativa com relação à tempo ou do comprimento dividido
exatidão requerida da medição. pelo tempo ao quadrado
A definição de um mensurando
especifica certas condições físicas.

1.1
Definições e Conceitos

5. força é uma grandeza derivada da unidade de comprimento é o metro,


massa multiplicada pelo símbolo m.
comprimento e dividida pelo Unidades de grandezas de mesma
quadrado do tempo. dimensão podem ter os mesmos nomes e
Há uma infinidade de grandezas símbolos, mesmo quando as grandezas
derivadas; algumas com nomes e não são de mesma natureza. Por exemplo,
unidades próprias. energia (elétrica, química, termodinâmica
ou mecânica) tem unidade de joule,
1.6. Grandeza, dimensão de uma simbolizada por J.
Expressão que representa uma
grandeza de um sistema de grandezas, 1.8. Unidade, símbolo de
como produto das potências (positivas ou Símbolo de uma unidade é um sinal
negativas) dos fatores que representam as convencional que a designa. Símbolo não
grandezas de base deste sistema. é abreviatura. Símbolo de metro é m,
Exemplos: símbolo de kilograma é kg; símbolo de
2
1. Dimensão de área: L corrente elétrica é A.
3
2. Dimensão de volume: L
3. Dimensão de velocidade: LT
-1 1.9. Unidade, sistema de
-2
4. Dimensão de aceleração: LT Sistema de unidades de medição é um
-2
5. Dimensão de força: MLT conjunto das unidades de base,
Os fatores que representam as grandezas de base suplementares e derivadas, definido de
são chamados de dimensões dessas grandezas. A acordo com regras específicas, para um
área possui dimensão de comprimento ao quadrado. dado sistema de grandezas. Já existiram
Grandeza adimensional é aquela vários sistemas de unidades: CGS, MKSA,
onde todos os expoentes das dimensões inglês e chinês. Hoje, o sistema de
das grandezas de base são zero. Na unidades a ser usado por todo técnico é o
prática, grandeza adimensional não tem SI, (símbolo de Sistema Internacional de
dimensão. Exemplos: Unidades).
1. densidade relativa (densidade de O SI é um sistema de unidades
fluido dividida pela densidade da coerente, completo, decimal, universal.
água ou do ar)
2. coeficiente de atrito 1.10. Valor (de uma grandeza)
3. número de Mach O valor é a magnitude ou a expressão
4. número de Reynolds quantitativa de uma grandeza particular
geralmente expresso como uma unidade
1.7. Unidade (de medição) de medição multiplicada por um número.
Grandeza específica definida e adotada Exemplos
por convenção, com a qual outras ¾ comprimento de uma barra: 5,34 m
grandezas de mesma natureza são ou 534 cm;
comparadas para expressar suas ¾ massa de um corpo: 0,152 kg ou
magnitudes em relação àquela grandeza. 152 g;
Cada grandeza deve ter uma única ¾ grandeza de substância de uma
unidade de medição. Quando os números amostra de água (H2O): 0,012 mol
associados do valor da grande forem muito ou 12 mmol.
grandes, deve-se usar múltiplos decimais Notas:
ou quando forem muito pequenos, usam- 1. O valor de uma grandeza pode ser
se submúltiplos. Por exemplo, kilômetro é positivo, negativo ou zero.
um múltiplo de metro e milímetro é um 2. O valor de uma grandeza pode ser
submúltiplo de metro. expresso em mais de um modo.
Unidades de medição tem nomes e 3. Os valores das grandezas de
símbolos aceitos por convenção. Por dimensão 1 são expressos como
exemplo, a unidade de massa é o números isolados.
kilograma, símbolo kg. Outro exemplo: a 4. Uma grandeza que não pode ser
expressa como uma unidade de

1.2
Definições e Conceitos

medição multiplicada por um número diferença entre esta grandeza e o


pode ser expressa por referência a mensurando de modo a prever o que o
uma escala padrão convencional ou resultado da medição teria sido se a
por um procedimento de medição ou grandeza realizada, de fato, satisfizesse
por ambos. totalmente a definição do mensurando. O
resultado da medição da grandeza
1.11. Valor verdadeiro (de uma realizada é também corrigido para todos os
grandeza) outros efeitos sistemáticos significativos
O valor verdadeiro é aquele consistente reconhecidos. Embora o resultado final
com a definição de uma dada grandeza corrigido final seja geralmente visto como a
particular. melhor estimativa do valor verdadeiro do
1. Este é um valor que seria obtida por mensurando, na realidade o resultado é
uma medição perfeita simplesmente a melhor estimativa do valor
2. Valores verdadeiros são, por da grandeza que se quer medir.
natureza, indeterminados Como exemplo, suponha que o
3. O artigo indefinido um, em vez do mensurando é a espessura de uma dada
artigo definido o, é usado em folha de material em uma especificada
conjunto com valor verdadeiro, temperatura. A peça é trazida para a
porque pode haver vários valores temperatura próxima da temperatura
verdadeiros. especificada e sua espessura, em um
determinado local, é medida com um
1.12. Valor verdadeiro convencional micrômetro. A espessura do material neste
(de uma grandeza) local e temperatura, sob a pressão
O valor verdadeiro convencional é aplicada pelo micrômetro, é a grandeza
aquele atribuído a uma grandeza particular realizada.
e aceito, algumas vezes por convenção, A temperatura do material na hora da
como tendo uma incerteza apropriada para medição e a pressão aplicada são
um dado objetivo. determinadas. O resultado não corrigido da
Exemplos medição da grandeza realizada é então
a) em um dado local, o valor atribuído à corrigido levando em conta a curva de
grandeza realizada por um padrão calibração do micrômetro, o afastamento
de referência pode ser tomada como da temperatura do equipamento da
um valor verdadeiro convencional; temperatura especificada e a leve
b) o valor recomendado pelo CODATA compressão da peça sob a pressão
(1986) para a constante de aplicada.
23
Avogrado: 6,022 136 7 x 10 mol .
-1 O resultado corrigido pode ser
1. O valor verdadeiro convencional é chamado a melhor estimativa do valor
geralmente chamado de valor verdadeiro, verdadeiro no sentido que é o
atribuído, melhor estimativa do valor, valor da grandeza que se acredita
valor convencional ou valor de satisfazer totalmente a definição do
referência. mensurando mas tem o micrômetro sido
2. Freqüentemente, um número de aplicada a diferença parte da folha de
resultados de medições de uma material, a grandeza realizada teria sido
grandeza é usado para estabelecer diferente com um diferente valor
um valor verdadeiro convencional. verdadeiro. Porém, este valor verdadeiro
seria consistente com a definição do
1.13. Valor verdadeiro, erro e mensurando porque o último não
incerteza especificou que a espessura era para ser
determinada neste determinado ponto da
O termo valor verdadeiro tem
folha. Assim, neste caso, por causa de
tradicionalmente sido usado em
uma definição incompleta do mensurando,
publicações sobre incerteza mas não neste
o valor verdadeiro tem uma incerteza que
trabalho pelas seguintes razões.
pode ser avaliada das medidas feitas em
O resultado de uma medição da
diferentes pontos da folha. Em algum nível,
grandeza realizada é corrigido para a
cada mensurando tem uma incerteza

1.3
Definições e Conceitos

intrínseca que pode, em princípio, ser sujeita à medição, assim valor de um


estimada de algum modo. Esta é a mínima mensurando significa valor de uma
incerteza com que um mensurando pode grandeza particular sujeita à medição.
ser determinado e cada medição tem tiver Desde que grandeza particular é
esta incerteza pode ser vista como a geralmente entendida para significar uma
melhor medição possível do mensurando. grandeza definida ou especificada, o
Para obter um valor da grandeza em adjetivo verdadeiro em valor verdadeiro de
questão tendo uma menor incerteza requer um mensurando (ou em valor verdadeiro
que o mensurando seja definido com mais de uma grandeza) é desnecessário - o
detalhes. valor verdadeiro do mensurando (ou
1. No exemplo, a especificação do grandeza) é simplesmente o valor do
mensurando deixa muitos outras mensurando (ou grandeza). Além disso,
informações em dúvida que como indicado na discussão acima, um
poderiam afetar a espessura: único valor verdadeiro é apenas um
pressão barométrica, umidade, conceito idealizado.
atitude da folha no campo
gravitacional, o modo como ela é 1.14. Valor numérico (de uma
suportada. grandeza)
2. Embora um mensurando seja O valor numérico é o número que
definido em detalhe suficiente, de multiplica a unidade na expressão do valor
modo que qualquer incerteza de uma grandeza. Exemplo,
resultante de sua definição • No valor do comprimento de uma
incompleta seja desprezível em barra: 5,34 m; 5,34 é o valor
comparação com a exatidão numérico.
requerida da medição, deve ser • No valor da massa de um corpo:
reconhecido que isto pode nem 0,152 kg; 0,152 é o valor numérico.
sempre ser praticável. A definição
pode, por exemplo, ser incompleta
porque ela não especifica
parâmetros que deveriam ser
assumidos, injustificadamente, tendo
efeito desprezível; ou ela pode
implicar condições que nunca são
totalmente satisfeitas e cuja
realização imperfeita é difícil de
considerar. Por exemplo, a
velocidade do som implica ondas
planas infinitas com pequena
amplitude. Para o objetivo que a
medição não satisfaz estas
condições, a difração e os efeitos
não lineares devem ser
considerados.
3. Especificação inadequada do
mensurando pode levar a
discrepâncias dos resultados das
medições da ostensivamente
mesma grandeza feitas em
diferentes laboratórios.
O termo valor verdadeiro de um
mensurando ou de uma grandeza (muitas
vezes truncado para valor verdadeiro) é
evitado neste trabalho porque a palavra
verdadeiro é vista como redundante.
Mensurando significa grandeza particular

1.4
Definições e Conceitos

2.6. Mensurando
2. Medição Mensurando é o objeto da medição ou
a grandeza particular sujeita à medição.
2.1. Metrologia Por exemplo - pressão de vapor de uma
o
Metrologia é a ciência que trata das dada amostra de água a 20 C.
medição, tratando de seus aspectos A especificação de um mensurando pode requerer
teóricos e práticos, incluindo a incerteza, declaração de grandezas como tempo, temperatura
em todos os campos da ciência ou da e pressão.
tecnologia. 2.7. Grandeza de influência
2.2. Medição É a grandeza que não é o mensurando
Medição é um conjunto de operações mas que afeta o resultado da medição.
com o objetivo de determinar um valor de Exemplos
uma grandeza. 1. temperatura de um micrômetro
As operações podem ser feitas usado para medir comprimento
manualmente ou automaticamente. 2. freqüência na medição da
amplitude de uma diferença de
2.3. Princípio de medição potencial elétrica alternada.
Princípio é a base científica de uma 3. concentração de bilirubin na
medição. Exemplos medição de concentração de
1. efeito termelétrico aplicado à hemoglobina em uma amostra de
medição de temperatura; plasma sangüíneo do homem.
2. efeito Josephson aplicado à 4. A grandeza de influência inclui
medição de diferença de potencial valores associados com padrões de
elétrico; medição, materiais de referência e
3. efeito Doppler aplicado à medição dados de referência dos quais o
de velocidade ou de vazão; resultado de uma medição pode
4. efeito Raman aplicado à medição depender, bem como os fenômenos
do número de onda de vibrações tais como flutuações rápidas do
moleculares. instrumento de medição e
grandezas tais como temperatura
2.4. Método de medição ambiente, pressão barométrica e
umidade.
Método é a seqüência lógica de
operações, descrita genericamente, usada 2.8. Grandeza de modificação
para fazer medições
Métodos de medição podem ser É a grandeza que não é o mensurando
qualificados em vários modos, tais como: mas que afeta o resultado da medição,
1. direto
alterando o seu valor justo na medição,
2. substituição
diretamente no elemento sensor.
3. comparação ou balanço de nulo
Exemplos
1. temperatura e pressão na medição
2.5. Procedimento de medição da vazão volumétrica de gás. Como
o volume depende da pressão e da
Procedimento é um conjunto de
temperatura do gás, estas variáveis
operações, descrito especificamente e
modificam o valor medido da vazão
usado para fazer medições particulares de
volumétrica do gás.
acordo com um dado método
2. densidade na medição de nível de
Um procedimento de medição é
líquido através da pressão
usualmente registrado no documento que
diferencial. Como a pressão
é geralmente chamado de procedimento
diferencial exercida pela coluna
de medição (ou um método de medição) e
líquida depende da densidade do
é usualmente em detalhe suficiente para
líquido, aceleração da gravidade e
possibilitar um operador fazer uma
da altura do líquido, o nível é
medição sem informação adicional.
modificado pela densidade.

1.5
Definições e Conceitos

A modificação pode ser eliminada ou 3. Resultado da Medição


diminuída através da compensação da
medição, quando se fazem as medições
que afetam a variável medida e o cálculo 3.1. Resultado de uma medição
matemático para eliminar a modificação. É o valor atribuído a um mensurando,
Por exemplo, na medição de nível de obtido por medição.
líquido com densidade variável através da 1. Quando um resultado é dado, deve
pressão diferencial, medem-se a pressão ficar claro se ele se refere a
diferencial e a densidade do líquido e - uma indicação
aplicam-se os dois sinais a um divisor de - um resultado não corrigido
sinais. A saída do divisor é proporcional - um resultado corrigido
apenas ao nível. - média de vários valores
2. Uma apresentação completa do
2.9. Sinal de medição resultado de uma medição inclui
Sinal é a grandeza que representa a informação acerca da incerteza da
quantidade medida ao qual está medição.
funcionalmente relacionada. O sinal
contem a informação. Exemplos de sinais: 3.2. Resultado não corrigido
1. deslocamento na saída de um Resultado de uma medição antes da
sensor mecânico de pressão correção devida aos erro sistemáticos.
2. sinal padrão de 4 a 20 mA na saída
de um transmissor eletrônico de 3.3. Resultado corrigido
temperatura Resultado de uma medição depois da
3. sinal padrão de 20 a 100 kPa na correção devida aos erros sistemáticos.
saída de um transmissor
pneumático de nível. 3.4. Erro (da medição)
4. tensão ou força eletromotriz de um Erro é o resultado de uma medição
termopar usado para medir a menos um valor verdadeiro do
temperatura de um processo. mensurando.
O sinal de entrada de um dispositivo 1. Desde que um valor verdadeiro não
pode ser considerado estímulo; o sinal de pode ser determinado, na prática é
saída pode ser considerado resposta. usado um valor verdadeiro
O sinal pode sofrer várias modificações convencional.
ao longo do sistema de medição, porém 2. Quando for necessário distinguir
deve preservar inalterada a informação da erro de erro relativo, o erro é
medição. Por exemplo, ele pode ser geralmente chamado de erro
filtrado, amplificado, convertido em outra absoluto da medição, que não deve
forma de energia, compensado, blindado. ser confundido com o valor absoluto
do erro, que é o módulo do erro.
2.10. Ruído 3. Se o resultado de uma medição
Grandeza da mesma natureza que o depende dos valores de outras grandezas
sinal que afeta a medição, provocando erro diferentes do mensurando, os erros dos
de influência. O ruído pode ser eliminado valores medidos destas grandezas
ou diminuído através de várias técnicas, contribuem para o erro do resultado da
como medição.
1. posição relativa entre instrumento
de medição e fonte de ruído 3.5. Erro relativo
2. blindagem e aterramento quando Erro relativo é erro da medição dividido
ruído for de natureza elétrica por um valor verdadeiro do mensurando
Nota - Desde que um valor verdadeiro
não pode ser determinado, na prática,
é usado um erro verdadeiro
convencional.

1.6
Definições e Conceitos

3.6. Erro aleatório


3.9. Fator de correção
Erro aleatório um resultado de uma
medição menos a média que resultaria de Fator numérico pelo qual o resultado
um número infinito de medições do mesmo não corrigido de uma medição é
mensurando feitas sob as condições de multiplicado para compensar o erro
repetitividade. sistemático
1. Erro aleatório é igual ao erro menos
3.10. Incerteza
o erro sistemático.
2. Como pode ser feito somente um A palavra incerteza significa dúvida e
número finito de medições, é assim em seu sentido mais amplo
possível determinar somente uma incerteza da medição significa dúvida
estimativa do erro aleatório. acerca da validade do resultado de uma
medição.
3.7. Erro sistemático
3.11. Incerteza (da medição)
Erro sistemático é média que resultaria
de um número infinito de medições do A incerteza da medição é um
mesmo mensurando feitas sob as parâmetro associado com o resultado de
condições de repetitividade menos um uma medição que caracteriza a dispersão
valor verdadeiro do mensurando. dos valores que podem razoavelmente ser
1. Erro sistemático é igual ao erro atribuídos ao mensurando.
menos o erro aleatório. 1. O parâmetro pode ser, por exemplo,
2. Como o valor verdadeiro, o erro um desvio padrão (ou um dado
sistemático e suas causas não múltiplo dele) ou a meia largura de
podem ser completamente um intervalo com determinado nível
conhecidos. de confiança.
3. Para um instrumento de medição, o 2. A incerteza de uma medição
erro sistemático é chamado de compreende, em geral, muitos
polarização (bias) componentes. Alguns destes
4. O erro do resultado de uma medição componentes podem ser avaliados
pode geralmente ser considerado como da distribuição estatística dos
resultante de um número de efeitos resultados de séries de medições e
aleatórios e sistemáticos que contribuem podem ser caracterizados por
com componentes individuais para o erro desvios padrão experimentais. Os
do resultado. outros componentes, que também
podem ser caracterizados por
3.8. Correção (do erro) desvios padrão, são avaliados de
Correção do erro é o valor somado distribuições de probabilidade
algebricamente ao resultado não corrigido assumidas baseadas na experiência
de uma medição para compensar o erro ou em outras informações.
sistemático 3. O resultado da medição é a melhor
1. A correção é igual ao negativo do estimativa do valor do mensurando e
erro sistemático estimado. todos os componentes da incerteza,
2. Como o erro sistemático não pode incluindo os que aparecem de
ser perfeitamente conhecido, a efeitos sistemáticos, tais como os
compensação não pode ser componentes associados com
completa. correções e padrões de referência,
contribuem para a dispersão.
A definição anterior de incerteza de
medição é um operacional que focaliza o
resultado da medição e sua incerteza
avaliada. Outros conceitos de incerteza da
medição podem ser:
1. uma medida do erro possível no
valor estimado do mensurando

1.7
Definições e Conceitos

como o fornecido pelo resultado de o conhecimento incompleto das grandezas


uma medição; de influência e seus efeitos podem
2. uma estimativa caracterizando a geralmente contribuir significativamente
faixa de valores dentro da qual cai o para a incerteza do resultado de uma
valor verdadeiro de um mensurando. medição.
Embora estes dois conceitos
tradicionais sejam válidos como ideais, 3.12. Incerteza padrão
eles envolvem grandezas desconhecidas Incerteza do resultado de uma medição
como o erro do resultado de uma medição expressa como um desvio padrão.
e o valor verdadeiro do mensurando (em
contraste com o seu valor estimado), 3.13. Incerteza padrão combinada
respectivamente. Incerteza padrão do resultado de uma
Uma vez que os valores exatos das medição quando este resultado é obtido
contribuições para o erro de um resultado dos valores de várias outras grandezas,
de uma medição são desconhecidos e iguais à raiz quadrada positiva de uma
desconhecíveis, as incertezas associadas soma de termos, os termos sendo as
com os efeitos aleatórios e sistemáticos variâncias ou covariâncias destas outras
que provocam o erro podem ser avaliados. grandezas com pesos de acordo com o
Mas mesmo se as incertezas avaliadas modo que o resultado da medição varia
são pequenas, ainda não há garantia que com alterações destas grandezas.
o erro no resultado da medição é pequeno;
para a determinação de uma correção ou 3.14. Incerteza expandida
na avaliação do conhecimento incompleto, Grandeza que define um intervalo
um efeito sistemático pode sido omitido por dentro do qual o resultado de uma
que ele não é reconhecido. Assim, a medição que é esperado incluir uma
incerteza de um resultado de uma medição grande fração da distribuição de valores
não é necessariamente uma indicação da que podem razoavelmente ser atribuídos
probabilidade que o resultado da medição ao mensurando.
está próximo do valor do mensurando; ele 1. A fração pode ser vista como a
é simplesmente uma estimativa da probabilidade de cobertura ou nível
probabilidade de proximidade ao melhor de confiança do intervalo.
valor que é consistente com o 2. Associar um nível específico de
conhecimento atualmente disponível. confiança com o intervalo definido
A incerteza da medição é assim uma pela incerteza expandida requer
expressão do fato que, para um dado hipóteses explícita ou implícita com
mensurando e um dado resultado da relação à distribuição de
medição dele, não há um valor mas um probabilidade caracterizada pelo
número infinito de valores dispersos em resultado da medição e sua
torno do resultado que são consistente incerteza padrão combinada. O nível
com todas as observações e dados e seu de confiança que pode ser atribuído
conhecimento do mundo físico e que, com a este intervalo pode ser conhecido
graus variáveis de credibilidade, podem ser somente na extensão em que tais
atribuídos ao mensurando. hipóteses possam ser justificadas.
Felizmente, em muitas medições 3. A incerteza expandida é também
práticas, muito da discussão deste Anexo chamada de incerteza total.
não se aplica. Exemplos são quando o
mensurando é adequadamente bem 3.15. Avaliação Tipo A (de incerteza)
definido, quando padrões ou instrumentos Método de avaliação da incerteza por
são calibrados usando padrões de análise estatística de séries de
referência bem conhecidos que são observações, geralmente aplicado às
rastreáveis a padrões nacionais; e quando incertezas aleatórias, cuja distribuição é
as incertezas das correções da calibração normal ou gaussiana.
aparecem de efeitos aleatórios nas
indicações de instrumentos ou de um
número limitado de observações. Todavia,

1.8
Definições e Conceitos

3.16. Avaliação Tipo B (de incerteza)


Método de avaliação da incerteza por 4. Instrumento de Medição
meios diferentes de análise estatística de Há muitos termos empregados para
séries de observações, geralmente descrever os artefatos utilizados nas
aplicado às incertezas sistemáticas, cuja medições. Eles não são mutuamente
distribuição não é normal e geralmente é excludentes. Alguns são precisos outros
retangular. são ambíguos, alguns são genéricos
outros são específicos, alguns são usados
3.17. Fator de cobertura
por técnicos, outros por leigos. Os
Um número que, quando multiplicado principais nomes são:
pela incerteza padrão combinada, produz 1. elemento
um intervalo (incerteza expandida) em 2. componente
torno do resultado da medição que pode 3. parte
ser esperado englobar uma grande fração 4. transdutor de medição
especificada (e.g., 95%) da distribuição 5. dispositivo de medição
dos valores que podem razoavelmente ser 6. medidor
atribuídos à grandeza medida. 7. instrumento de medição
Fator numérico usado como um 8. aparelho
multiplicador da incerteza padrão 9. equipamento
combinada de modo a obter uma incerteza 10. malha de medição
expandida. Um fator de cobertura, k, é 11. instalação de medição
tipicamente na faixa de 2 a 3. 12. sistema de medição
Em Instrumentação, uma malha de
medição é constituída dos seguintes
componentes, que podem estar
fisicamente separados ou alojados em um
único invólucro:
1. sensor
2. condicionador
3. display

4.1. Instrumento de medição


Dispositivo utilizado para realizar uma
medição, isolado ou em conjunto com
outros dispositivos complementares.

4.2. Medida materializada


Dispositivo destinado a reproduzir ou fornecer, de
maneira constante durante seu uso, um ou mais
valores conhecidos e confiáveis de uma dada
grandeza. É também chamado material de
referência certificado. Exemplos:
1. Massa padrão
2. Bloco padrão de comprimento
3. Medida de volume (de um ou vários
valores, com ou sem escala
graduada)
4. Resistor elétrico padrão
5. Gerador de sinal padrão
6. Solução padrão de pH

4.3. Transdutor de Medição


Genericamente, transdutor é qualquer dispositivo
que modifica a forma de energia, da entrada para a

1.9
Definições e Conceitos

saída. As formas de energia na entrada e saída são A indicação pode ser analógica,
diferentes, porém há uma relação matemática (contínua ou discreta), através de escala e
definida entre ambas. Exemplos: ponteiro ou digital, através de dígitos.
1. termopar Um indicador pode apresentar os
2. transformador de corrente valores de várias grandezas
3. célula extensiométrica para medir independentes, de modo simultâneo ou um
pressão eletricamente valor de cada vez, de modo selecionável
4. eletrodo de pH manual ou automaticamente.
O indicador pode também estar
4.4. Transmissor associado às funções de
Instrumento que sente uma variável de processa e 1. transmissão
gera na saída um sinal padrão proporcional ao valor 2. registro
da variável medida. Pode ser de natureza eletrônica 3. controle
(sinal de 4 a 20 mA cc) ou pneumática (sinal de 20 a O leigo também chama o indicador de
100 kPa). relógio, mostrador ou medidor, que são
É utilizado para nomes ambíguos e devem ser evitados.
1. usar o sinal remotamente
2. isolar processo do display 4.8. Registrador
3. padronizar sinais Instrumento de medição que sente uma
variável e imprime o resultado histórico ou
4.5. Cadeia de medição de tendência em um gráfico através de
Seqüência de elementos de um instrumento ou penas com tinta.
sistema de medição formando o trajeto do sinal de Exemplos:
medição, desde o estimulo (entrada) até a resposta 1. registrador de temperatura
(saída). O instrumentista diz: malha de medição 2. registrador de vazão, pressão e
(measuring loop). temperatura
Uma cadeia de medição de temperatura pode ser O registro pode ser contínua, com uma a quatro
formada por: termopar, fios de extensão, junta de penas independentes ou pode ser discreto, quando
referência e indicador de temperatura. cada ponto de registro é feito um de cada vez, em
uma seqüência fixa definida (registrador multiponto).
4.6. Sistema de medição Um registrador pode apresentar os
Conjunto completo de instrumentos de valores de várias grandezas
medição e outros equipamentos independentes, de modo simultâneo ou um
associados para executar uma valor de cada vez, de modo selecionável
determinada medição. Em certos casos, manual ou automaticamente.
equivale à cadeia ou malha de medição. O registrador pode também estar
Um sistema de medição pode incluir associado às funções de
medidas materializadas e reagentes 1. indicação
químicos. 2. controle
Sistema de medição instalado de modo
4.9. Totalizador
permanente é chamado de instalação de
medição. Instrumento de medição que determina o valor de
uma grandeza por meio do acúmulo dos valores
4.7. Indicador parciais, durante determinado intervalo de tempo. É
Instrumento de medição que sente uma também chamado de integrador. Geralmente a
variável e apresenta o resultado integração é feita em relação ao tempo. O
instantâneo em uma escala com ponteiro totalizador multiplica a variável totalizada por um
ou através de dígitos. intervalo de tempo, de modo que a integração da
Exemplos: velocidade é distância, da potência é energia, da
1. voltímetro vazão volumétrica é volume.
2. frequencímetro Exemplos:
3. termômetro 1. totalizador de potência elétrica, que
4. manômetro apresenta o valor totalizado no
tempo em energia.

1.10
Definições e Conceitos

2. totalizador de vazão, que apresenta 4. pena de registrador


o valor totalizado no tempo em 5. lâmpadas ou LEDs (diodo emissor
volume ou massa. de luz) que se acendem em um
3. totalizador de velocidade, que conjunto
apresenta o valor totalizado no
tempo em distância. 4.13. Escala
O totalizador pode receber em sua Régua graduada do indicador, em ordem crescente
entrada sinal analógico ou digital. Sua ou decrescente, contínua ou discreta, sobre a qual
saída é sempre um contador. Quando um um ponteiro se posiciona para fornecer o valor
totalizador pára de totalizar, a sua saída indicado da medição. No conjunto escala e ponteiro,
fica congelada no último valor acumulado. um dos dois é fixo e o outro, móvel. Geralmente, a
O display do contador é geralmente escala é fixa e o ponteiro é móvel.
digital, porém é possível ter display A graduação da escala pode ser
analógico. uniforme ou linear ou pode ser não linear
específica.
4.10. Instrumento analógico e digital Quanto maior a escala e o número de
O fato de um instrumento ser analógico marcas (divisões), maior é a precisão e
ou digital depende de quatro parâmetros, resolução da indicação e maior é a
cada um podendo analógico ou digital: quantidade de algarismos significativos no
1. sinal resultado da indicação.
2. função Escala de valor de referência ou escala
3. tecnologia de referência convencional é usada para
4. display comparar grandezas específicas, como a
Na prática, quando se fala de um escala de dureza Mohs, escala de pH,
instrumento analógico ou digital, está-se escala de índice de octanas para gasolina.
referindo implicitamente ao display e não
necessariamente aos outros três 4.14. Escala com zero suprimido
parâmetros. Assim, instrumento analógico Escala cuja faixa de indicação não
é aquele que apresenta a indicação inclui o valor zero. Por exemplo, escala do
através do conjunto escala e ponteiro e o
termômetro clinico, que vai de 35 a 42 C.
instrumento digital é aquele que apresenta
a indicação através de dígitos. 4.15. Escala com zero elevado
Escala cuja faixa de indicação onde o
4.11. Mostrador valor 0% é negativo e por isso o zero está
Mostrador é a parte do indicador que apresenta a elevado em relação ao 0%. Por exemplo,
indicação. Quando analógico, é o conjunto escala e escala de termômetro que vai de -20 a 50
o o
ponteiro e quando digital, o conjunto de dígitos. C. O valor 0 C está elevado em relação
o
O mostrador pode ter diferentes ao 0% (-20 C).
1. formatos: circular, reto horizontal,
reto vertical, 4.16. Escala expandida
2. tamanhos Escala na qual parte da faixa de indicação ocupa
3. cores um comprimento da escala que é
4. princípios de operação ou desproporcionalmente maior do que outras partes.
acionamento: eletrônico,
pneumático ou mecânico 4.17. Sensor
Sensor é o elemento de um
4.12. Índice
instrumento de medição ou de uma malha
Parte fixa ou móvel de um dispositivo mostrador, de medição que é diretamente afetado
cuja posição em relação às marcas da escala define pela quantidade medida. O sensor detecta
o valor indicado. a variável, gerando um sinal proporcional a
O índice pode ser ela. Nomes alternativos de sensor:
1. ponteiro detector, elemento primário, elemento
2. ponto luminoso transdutor, captador, probe.
3. superfície de um líquido

1.11
Definições e Conceitos

Em função de seu sinal de saída, o


sensor pode ser mecânico (saída é um 4.18. Faixa de indicação
deslocamento ou movimento) ou eletrônico Conjunto de valores compreendidos entre 0 e 100%
(saída é uma tensão ou variação de das indicações. O 0% é o limite inferior e o 100% é
parâmetro eletrônico, como resistência, o limite superior da indicação.
indutância, capacitância). A faixa de indicação pode ser expressa
O sensor depende umbilicalmente da em unidade de engenharia ou em
variável medida, ou seja, o sensor é percentagem.
determinado pela variável medida. O início da escala (0%) e o fim da
Exemplos: escala (100%) podem ser iguais a zero,
1. termopar, que gera uma tensão em negativos ou positivos.
função da diferença da temperatura
medida e a de referência 4.19. Amplitude de faixa
2. detector de temperatura a Diferença algébrica, em valor absoluto,
resistência (RTD) que varia a do limite máximo (100%) e mínimo (0%) da
resistência elétrica em função da faixa de indicação. Exemplos:
temperatura medida o
1. Amplitude da faixa de 0 a 100 C é
3. placa de orifício que gera uma o
100 C
pressão diferencial proporcional ao o
2. Amplitude da faixa de 20 a 100 C é
quadrado da vazão volumétrica o
80 C
4. bourdon C que gera um pequeno o
3. Amplitude da faixa de -20 a 100 C
deslocamento em função da o
é 120 C
pressão aplicada o
4. Amplitude da faixa de -40 a -20 C é
5. bóia de um sistema de nível o
20 C
6. tubo magnético de vazão que gera
uma fem proporcional à vazão 4.20. Escala linear
volumétrica de um líquido Escala linear possui graduações ou
eletricamente condutor que passa marcações uniformemente separadas. O
em seu interior instrumento possui escala linear quando
Às vezes, o sensor indica apenas a há uma relação constante entre as saídas
presença ou ausência de uma grandeza, e entradas de todos os componentes da
sem fornecer necessariamente o seu valor malha de medição, incluindo o sensor.
numérico. Por exemplo, detector de Quando aparece uma não linearidade
vazamento de gases, papel tornasol para na malha, ela pode ser corrigida
indicar se uma solução é ácida ou básica. imediatamente por alguma operação não
linear inversa, através de circuito,
instrumento ou programa. Quando o sinal
de medição que chega à escala é linear,
usa-se uma escala linear; quando for não
linear, usa-se uma escala não linear
específica. As escalas não lineares mais
utilizadas em instrumentação são a
logarítmica (escala do ohmímetro
analógico) e a raiz quadrática (associada à
medição de vazão com placa de orifício,
incorretamente chamada de quadrática).

1.12
Definições e Conceitos

5. Características do As condições limites de armazenagem,


transporte e operação podem ser
Instrumento de Medição diferentes.
As condições limites podem incluir
Alguns dos termos utilizados para valores limites para a quantidade medida e
descrever as características de um para as grandezas de influência.
instrumento de medição podem ser
igualmente aplicáveis a sensores, 5.5. Condições de Referência
condicionadores de sinal ou sistema de Condições de uso prescritas para
medição e também a medida materializada ensaio de desempenho de um instrumento
ou material de referência certificada. de medição ou para intercomparação de
resultados de medições.
5.1. Faixa nominal As condições de referência geralmente
Faixa de indicação que se pode obter em uma incluem os valores de referência ou as
posição específica dos controles de um instrumento faixas de referência para as grandezas de
de medição. influência que afetam o instrumento de
A faixa nominal coincide geralmente medição.
com a faixa de medição ou de calibração
do instrumento. 5.6. Constante de um instrumento
Fator pelo qual a indicação direta de
5.2. Valor nominal um instrumento de medição deve ser
Valor teórico, arredondando ou aproximado de uma multiplicada para se obter o valor indicado
característica do instrumento de medição que auxilia do mensurando ou de uma grandeza
na sua utilização. Exemplos: utilizada no cálculo do valor do
1. Resistor padrão de 100 Ω. mensurando.
2. Recipiente volumétrico de 1 L Instrumentos de medição com diversas
3. Concentração da quantidade de faixas com uma única escala, têm várias
matéria de uma solução de ácido constantes que correspondem, por
clorídrico, HCl, de 0,1 mol/L exemplo, a diferentes posições de um
o
4. 24 C como temperatura de mecanismo seletor.
referência para calibração de um Quando a constante é igual a 1, ela
instrumento. geralmente não é indicada no instrumento.
Quando não se diz qual é a constante,
5.3. Condições de Utilização entende-se que ela é igual a 1.
Condições de uso para as quais as Medidores de vazão possuem uma
características metrológicas especificadas constante, que relaciona o seu sinal de
de um instrumento de medição mantêm-se saída com o valor da vazão medida. Este
dentro dos limites especificados. fator K ou constante deve ser
As condições de utilização geralmente periodicamente calibrada.
especificam faixas ou valores aceitáveis
para a quantidade medida e para as 5.7. Característica de resposta
grandezas de influência, como valor e Relação entre a saída (resposta) e a
freqüência da alimentação, ruídos entrada (estímulo) de um instrumento, sob
externos, posição, vibração mecânica, condições definidas. Exemplos: a força
temperatura e pressão ambientes. eletromotriz de saída do termopar como
função da entrada de temperatura.
5.4. Condições Limites A relação pode ser expressa por uma
Condições extremas nas quais um equação matemática, tabela numérica ou
instrumento de medição resiste sem danos gráfico.
e degradação das características Quando a saída varia em função do
metrológicas especificadas, as quais são tempo, a forma característica de resposta
mantidas nas condições de funcionamento é a função de transferência da resposta
em utilizações subseqüentes. dividida pela da entrada.

1.13
Definições e Conceitos

5.8. Sensibilidade 2. em termos da variação de uma


Variação da saída (resposta) de um característica em um determinado
instrumento de medição dividida pela período de tempo.
correspondente variação da entrada
5.13. Discriminação
(estímulo). A sensibilidade nem sempre é
linear e pode depender do valor da Aptidão de um instrumento de medição
entrada. em não alterar o valor da quantidade
medida.
5.9. Limiar de mobilidade
5.14. Deriva
Maior variação da entrada (estímulo)
que não produz variação detectável na Variação lenta de uma característica
saída (resposta) de um instrumento de metrológica de um instrumento de
medição, sendo a variável no sinal de medição. Geralmente a deriva é devida à
entrada lenta e uniforme. variação da temperatura ambiente ou do
O limiar de mobilidade pode depender, tempo ou de ambos.
por exemplo, do ruído, atrito e também do
5.15. Tempo de resposta
valor da entrada (estímulo).
Intervalo de tempo entre o instante em
5.10. Resolução que uma entrada é submetido a uma
Menor diferença entre indicações de variação brusca e o instante em que a
um dispositivo mostrador que pode ser resposta atinge e permanece dentro de
percebida significativamente. limites especificados em torno do seu valor
Para mostrador digital, é a variação na final estável.
indicação quando o dígito menos
5.16. Exatidão da medição
significativo (o da extrema direita) varia de
um dígito. Exatidão é o grau de concordância
entre o resultado de uma medição e um
5.11. Zona morta valor verdadeiro do mensurando
Intervalo máximo no qual uma entrada 1. Exatidão é um conceito qualitativo
(estímulo) pode variar em ambos os 2. O termo precisão não deve ser
sentidos, sem produzir variação na saída usado para exatidão.
(resposta) de um instrumento de medição . 3. A exatidão está relacionada com os
A zona morta pode depender da taxa erros sistemáticos do instrumento.
de variação. 4. A exatidão é obtida através da
A zona morta, algumas vezes, pode ser calibração periódica do instrumento.
deliberadamente ampliada, de modo a
5.17. Classe de exatidão
prevenir variações na saída (resposta)
para pequenas variações na entrada Classe de instrumentos de medição
(estímulo). que satisfazem a certas exigências
metrológicas destinadas a conservar os
5.12. Estabilidade erros dentro de limites especificados. A
Aptidão de um instrumento de medição classe de exatidão é geralmente indicada
em conservar constantes suas por um número ou símbolo adotado por
características metrológicas ao longo do convenção e denominado índice de
tempo. classe.
A estabilidade pode ser estabelecida
em relação a outra grandeza que não o 5.18. Repetitividade (de resultados
tempo, mas isto deve ser explicitamente de medições)
declarado. Repetitividade é o grau de
A estabilidade pode ser quantificada de concordância entre os resultados de
vários modos, por exemplo: medições sucessivas do mesmo
1. pelo tempo no qual a característica mensurando feitas sob as mesmas
metrológica varia de um valor condições de medição A repetitividade
determinado ou representa o grau de dispersão de várias

1.14
Definições e Conceitos

medidas repetidas feitas de um mesmo 5.20. Erro


valor do mensurando. Um resultado correto da medição não é
1. Estas condições são chamadas de o valor do mensurando - isto é, ele está
condições de repetitividade com erro - por causa da medição
2. As condições de repetitividade imperfeita da grandeza realizada devido a
incluem variações aleatórias das observações
- o mesmo procedimento de (efeitos aleatórios), determinação
medição inadequada das correções para os efeitos
- o mesmo observador sistemáticos e o conhecimento incompleto
- o mesmo instrumento de de certos fenômenos físicos (também
medição, usado sob as mesmas efeitos sistemáticos). Nem o valor da
condições grandeza realizada nem o valor do
- o mesmo local mensurando pode ser conhecido
- repetições em um curto período exatamente; tudo que pode ser conhecido
de tempo são seus valores estimados. No exemplo
3. A repetitividade pode ser expressa acima da medida da espessura da chapa
quantitativamente em termos da pode estar com erro, isto é, pode diferir do
dispersão característica dos valor do mensurando (a espessura da
resultados. chapa), por causa de cada uma das
4. A repetitividade é a precisão do seguintes contribuições para um erro
instrumento. desconhecido para o resultado da
5. A precisão está relacionada com os medição:
erros aleatórios do instrumento. a) pequenas diferenças entre as
6. A precisão é mantida através da indicações do micrômetro quando
manutenção programada do é repetidamente aplicada à
instrumento. mesma grandeza realizada;
b) calibração imperfeita do
5.19. Reprodutibilidade
micrômetro;
Reprodutibilidade é a proximidade de c) medição imperfeita da
consenso entre os resultados de medições temperatura e da pressão
sucessivas do mesmo mensurando feitas aplicadas;
sob condições diferentes de medição d) conhecimento incompleto dos
1. Uma expressão válida da efeitos da temperatura, pressão
reprodutibilidade requer a barométrica e umidade na peça
especificação das condições ou no micrômetro ou em ambos.
variadas. O resultado de uma medição menos
2. As condições variadas podem um valor verdadeiro da grandeza medida
incluir: (não precisamente quantificável por que o
- princípio de medição valor verdadeiro cai em algum ponto
- método de medição desconhecido dentro da faixa de
- observador incerteza).
- instrumento de medição
- padrão de referencia
- local
- condições de uso
- tempo
3. A reprodutibilidade pode ser
expressa quantitativamente em
termos da dispersão característica
dos resultados.
4. Os resultados são aqui entendidos
como os resultados corrigidos.

1.15
Definições e Conceitos

5.22. Limite de Erro Admissível 5.27. Erro intrínseco


Valor extremo de um erro admissível Erro de um instrumento de medição,
por especificação, norma, legislação, para determinado sob condições de referência.
um dado instrumento de medição.
5.28. Tendência
5.23. Erro de um instrumento de Erro sistemático da indicação de um
medição instrumento de medição. A tendência de
Indicação de um instrumento de um instrumento de medição é
medição menos um valor verdadeiro da normalmente estimada pela média dos
grandeza de entrada correspondente. erros de indicação de um número
Como, na prática, não existe um valor apropriado de medições repetidas.
verdadeiro, usa-se o valor verdadeiro
convencional, dado por um padrão 5.29. Isenção de Tendência
confiável. Para uma medida materializada, Aptidão de um instrumento de medição
a indicação é o valor atribuído a ela e o dar indicações isentas de erro sistemático.
valor verdadeiro convencional é o
fornecido por padrão rastreado. 5.30. Erro fiducial
Erro de um instrumento de medição
5.24. Erro no ponto de controle dividido por um valor especificado para o
Erro de um instrumento de medição em instrumento. O valor especificado é
uma indicação especificada ou em um geralmente chamado de valor fiducial e
valor especificado do mensurando, pode ser, por exemplo, a amplitude da
escolhido para controle do instrumento. faixa nominal ou o limite superior da faixa
nominal do instrumento de medição.
5.25. Erro no zero
Erro no ponto de controle de um
instrumento de medição para o valor zero
do mensurando. Um instrumento
apresenta erro de zero, quando sua saída
for diferente de zero para entrada igual a
zero. Diz se que um instrumento apresenta
erro de zero quando a curva real de
calibração que deveria passar pela origem,
não passa.

5.26. Erro no span


Um instrumento apresenta erro de
zero, quando a inclinação de sua curva de
calibração for diferente da inclinação
nominal. Diz se que um instrumento
apresenta erro de span quando a curva
real de calibração tem inclinação diferente
da ideal.

1.16
Conceitos Estatísticos

6. Conceitos estatísticos
[7]
As definições dos termos básicos estatísticos dados aqui foram tiradas da ISO 3534-1 .
Esta norma deve ser a primeira fonte consultada para as definições de termos não incluídos
aqui.

6.1. Estatística 6.5. Função distribuição


Uma função das variáveis aleatórias Uma função dando, para cada valor x,
da amostra. a probabilidade que a variável aleatória X
Uma estatística, como uma função de seja menor ou igual a x:
variáveis aleatórias, é também uma
variável aleatória e como tal, assume F(x) = Pr(X ≤ x)
diferentes valores para a amostra. O
Distribuição de probabilidade (de uma
valor da estatística obtida usando-se os
valores observados nesta função pode variável aleatória).
ser usado em um teste estatístico ou Uma função dando a probabilidade
com uma estimativa de um parâmetro da que uma variável aleatória tome qualquer
população, tal como uma média ou um valor dado ou pertença a um dado
desvio padrão. conjunto de valores.
A probabilidade de um conjunto
6.2. Probabilidade inteiro de valores da variável aleatória é
igual a 1.
Um número real na escala 0 a 1
atribuído a um evento aleatório. Função densidade de probabilidade
A probabilidade pode se referir a uma (para uma variável aleatória contínua)
freqüência relativa de ocorrência em A derivada (quando ela existir) da
longo período de tempo ou a um grau de função distribuição:
confiança que um evento possa ocorrer.
Para um alto grau de confiança, a f(x) = dF(x)/dx
probabilidade é próxima de 1.
f(x)dx é o elemento probabilidade:
6.3. Variável aleatória
Uma variável que pode tomar f(x)dx = Pr(x < X < x +dx)
qualquer valor de um específico conjunto
Função massa da probabilidade
de valores e com a qual é associada uma
Uma função dando, para cada valor xi
distribuição de probabilidade.
de uma variável aleatória discreta, a
1. Uma variável aleatória que pode
probabilidade pi que a variável aleatória
tomar somente valores isolados é
X seja igual a xi:
chamada de discreta. Uma variável
pi = Pr(X = xi)
aleatória que pode tomar qualquer
valor dentro de um intervalo finito Desvio padrão (de uma variável
ou infinito é chamada de contínua. aleatória ou de uma distribuição de
2. A probabilidade de um evento A é probabilidade).
denotada por Pr(A) ou P(A). A raiz quadrada positiva da variância:
Variável aleatória centrada
Uma variável aleatória cuja σ = V( X )
expectativa é igual a zero.
Se a variável aleatória X tem uma Momento central de ordem 1
expectativa igual a µ, a variável aleatória Em uma distribuição de uma única
a
característica, a média aritmética da q
centrada correspondente é (X - µ).
potência da diferença entre os valores
observados e sua média x é:

1.17
Conceitos Estatísticos

s( z ) = s( z i ) / n é o desvio padrão
1 n

n i =1
( x i − x) q experimental da média z com n = ν - 1
graus de liberdade.

O momento central de ordem 1 é 6.6. Parâmetro


igual a zero. Uma grandeza usada para descrever
Momento central de ordem q a distribuição de probabilidade de uma
Em uma distribuição com uma variável aleatória.
a
variável, a expectativa da q potência da
6.7. Característica
variável aleatória centrada (X - µ):
Uma propriedade que ajuda a
E[(X - µ) ]
q identificar ou diferenciar entre itens de
O momento central de ordem 1 é a uma dada população.
variância da variável aleatória X. A característica pode ser quantitativa
(para variáveis) ou qualitativa (para
Distribuição normal; distribuição de atributos)
Laplace-Gauss
A distribuição de probabilidade de 6.8. População
uma variável aleatória continua X, a A totalidade de itens sob
função de densidade de probabilidade de consideração.
que é No caso de uma variável aleatória, a
2
1  x−µ 
−  
distribuição de probabilidade é
1 2 σ 
f( x) = e considerada para definir a população
σ 2π desta variável.

para -∞ < x < +∞ 6.9. Freqüência


µ é a expectativa e σ é o desvio O número de ocorrências de um dado
padrão da distribuição normal. tipo de evento ou o número de
observações caindo em uma classe
Distribuição t; (Student) específica.
A distribuição t ou distribuição de
Student é a distribuição de probabilidade Distribuição de freqüência
de uma variável aleatória continua t cuja A relação empírica entre os valores
função densidade de probabilidade é de uma característica e suas freqüências
ou suas freqüências relativas.
 ν + 1 A distribuição pode ser graficamente
 ν + 1
Γ   t 2  −  2  apresentada como um histograma,
p( t, ν) =
1  2  1+
  gráfico de barra, polígono de freqüência
πν Γ  ν   ν cumulativa ou como uma tabela de duas
2
  vias.

onde Γ é a função gama e ν > 0. A


expectativa da distribuição t é zero e sua
variância é ν/(n - 2) para ν > 2. Quando n
→ ∞, a distribuição t se aproxima da
distribuição normal com µ = 0 e σ=1.
A distribuição probabilidade da
variável ( z − µ z ) / s( z) é a distribuição t se a
variável aleatória z é normalmente
distribuída com expectativa µz, onde z é
a média aritmética de n observações
independentes zi de z, s(zi) é o desvio
padrão experimental de n observações e

1.18
Conceitos Estatísticos

1. Considerando a série de n valores


6.10. Expectativa (de uma variável como uma amostra de uma
aleatória ou de uma distribuição de distribuição, q é uma estimativa
probabilidade; valor esperado;
não polarizada da média µq e s (qk)
2
média). é uma estimativa não polarizada
1. Para uma variável aleatória discreta X tomando da variância σ , desta distribuição.
2

os valores xi dentro das probabilidades pi, a


2. A expressão s( q k ) / n é uma
expectativa, se existir, é:
estimativa do desvio padrão da
µ = E( X ) = ∑ pi x i distribuição de q e chamado de
desvio padrão experimental da
a soma sendo estendida sobre todos os média.
valores de xi, que pode ser tomado por 3. O desvio padrão experimental da
X. média é, às vezes, chamado
2. Para uma variável aleatória incorretamente de erro padrão da
contínua X tendo a função densidade de média.
probabilidade f(x), a expectativa, se
6.12. Estimativa
existir, é
A operação de atribuir, a partir de
observações em uma amostra, valores
µ = E( X ) = ∫ xf ( x )dx
numéricos para os parâmetros de uma
distribuição escolhida como o modelo
a integral sendo estendida sobre todo o estatístico da população da qual a
intervalo de variação de X. amostra é retirada.
Um resultado desta operação pode
6.11. Desvio padrão ser expresso como um valor único (ponto
O desvio padrão é a raiz quadrada positiva da estimado; ou como um intervalo
variância. estimado).
Uma vez que uma incerteza padrão do Tipo A é
Estimador
obtida tomando a raiz quadrada da variância
Uma estatística usada para estimar
estatisticamente calculada, é geralmente mais um parâmetro da população.
conveniente quando determinando uma incerteza
padrão do Tipo B para avaliar um desvio padrão Estimado
não estatístico equivalente primeiro e depois obter O valor de um estimador obtido como
a variância equivalente elevando ao quadrado o um resultado de uma estimativa.
desvio padrão. Intervalo estatístico de cobertura
O desvio padrão da amostra é um Um intervalo para o qual se pode
estimador não polarizado do desvio estabelecer, com um dado nível de
padrão da população. confiança, que ele contem no mínimo
Desvio padrão experimental uma proporção especificada da
Desvio padrão para uma série de n população.
medições do mesmo mensurando é a 1. Quando dois limites são definidos
grandeza s(qk) caracterizando a por estatística, o intervalo tem dois
dispersão dos resultados e dado pela lados. Quando um dos dois limites
fórmula: não é finito ou consiste do limite da
n variável, o intervalo é de um lado.
∑ ( q k − q) 2 2. Também chamado de intervalo de
s( qk ) = k =1 tolerância estatística. Este termo não
n−1 deve ser usado porque ele pode causar
a
qk sendo o resultado da k medição e q confusão com intervalo de tolerância.
sendo a média aritmética dos n
resultados considerados

1.19
Conceitos Estatísticos

Coeficiente de confiança, nível de definida para ser o momento centro de


confiança ordem 2 da amostra.
A probabilidade que o valor da
grandeza medida caia dentro da faixa A variância de uma variável aleatória
cotada de incerteza. é a expectativa de seu desvio quadrático
em relação a sua expectativa. Assim, a
Graus de liberdade variância da variável aleatória z com
Em geral, o número de termos em função densidade de probabilidade p(z) é
uma soma menos o número de dada por
limitações nos termos da soma.
Média aritmética σ 2 ( z) = ∫ ( z − µ z ) 2 p( z)dz
A soma dos valores dividida pelo
número de valores.
1. O termo média pode se referir a
onde µz é a expectativa de z. A variância
σ (z) pode ser estimada por
2
um parâmetro da população ou ao
resultado de um cálculo dos dados
1 n
obtidos em uma amostra.
2. A média de uma única amostra
s 2 ( zi ) = ∑ ( z i − z) 2
n − 1 i=1
aleatória tomada de uma
população é um estimador não onde
polarizado da média de sua 1 n
população. Porém, outros z= ∑ zi
n i=1
estimadores, tais como média
geométrica, média harmônica,
mediana ou moda, podem também e zi são n observações independentes de
ser usados. z.
1. O fator (n -1) na expressão de
2
6.13. Variância s (zi) vem da correlação entre zi e
Uma medida da dispersão, que é a z e reflete o fato que há somente
soma dos quadrados dos desvios de (n - 1) itens independentes no
observações de sua média dividida por conjunto {zi - z )
um menos o número de observações. 2. Se a expectativa µz de z é
Por exemplo, para n observações x1, conhecida, a variância pode ser
x2,..., xn com média estimada por:
1 n
x= ∑ xi
n i=1 s 2 (zi ) =
1 n
∑ ( z − µ) 2
n i =1 i

a variância é A variância da média aritmética das


observações, no lugar da variância das
1 n
s2 = ∑
n − 1 i=1
(x i − x )2 observações individuais, é a medida
apropriada da incerteza de um resultado
da medição. A variância de uma variável
1. A variância da amostra é um z deve ser cuidadosamente distinguida
estimador não polarizado da da variância da média z . A variância da
variância da população. média aritmética de uma série de n
2. A variância é n/(n - 1) vezes o observações independentes zi de z é
momento central de ordem 2. dada por
A variância definida aqui é mais
apropriadamente chamada de estimativa σ 2 ( zi )
da amostra da variância da população. A σ 2 ( z) =
n
variância de uma amostra é usualmente

1.20
Conceitos Estatísticos

e é estimada pela variância experimental matriz covariância. Os elementos


diagonais, ν(z,z) = σ (z) ou s(zi,zi) =
2
da média
2
s (zi), são as variâncias e os elementos
s 2 ( zi ) 1 n fora da diagonal, ν(y,z) ou s(yi,zi) são as
s 2 ( z) =
n
= ∑
n(n − 1) i=1
( z i − z) 2 covariâncias.

Variância (de uma variável aleatória ou 6.15. Correlação


de uma distribuição de probabilidade). A relação entre duas ou várias
A expressão do quadrado da variável variáveis aleatórias dentro de uma
aleatória centrada distribuição de duas ou mais variáveis
aleatórias.
σ 2 = V( X ) = E{[ X − E( X )] 2 } Muitas medidas estatísticas de
correlação medem somente o grau de
6.14. Covariância relação linear.
A covariância de duas variáveis Coeficiente de correlação
aleatórias é uma medida de sua O coeficiente de correlação é uma
dependência mútua. A covariância de medida da dependência mútua relativa
variáveis aleatórias y e z é definida por: de duas variáveis, igual à relação de
suas covariâncias para a raiz quadrada
cov(y,z) = cov (z,y) = E{[y-E(y)][z - E(z)]} positiva do produto de suas variâncias.
Assim,
que leva a
ν( y, z) ν( y, z)
cov(y,z) = cov (z,y) ρ( y, z) = ρ( z, y) = =
ν( y, y) ν( z, z) σ( y)σ( z)

= ∫ ∫ ( y − µ y )( z − µ z )p( y, z)dydz com estimativas

= ∫ ∫ yzp( y, z)dydz − µ y µ z r( y i , z i ) = r ( z i , y i ) =
s( y i , z i )
=
s( y i , z i )
s( y i , y i )s( z i , z i ) s( y i )s( z i )
onde p(y,z) é a função densidade de
probabilidade conjunta de duas variáveis O coeficiente de correlação é um
y e z. A covariância cov(y,z)] também número puro tal que -1 ≤ ρ ≤ +1 ou -1 ≤
denotada por ν(y,z)] pode ser estimada r(yi,zi) ≤ +1.
por x(yi,zi) obtido de n pares Notas
independentes de observações 1. Como r e r são números puros na
simultâneas yi e zi de y e z, faixa de -1 a +1 inclusive,
1 n enquanto as covariâncias são
s( y i , z i ) = ∑ ( yi − y)( zi − z)
n − 1 i=1 usualmente grandezas com
dimensões físicas e tamanhos
onde
inconvenientes, os coeficientes de
1 n
z = ∑ zi correlação são geralmente mais
n i =1 úteis que as covariâncias.
2. Para distribuições de probabilidade
A covariância estimada de duas multivariáveis, a matriz de
médias y e z é dada por s( y , z ) = coeficientes de correlação é
usualmente dada no lugar da
s(yi,zi)/n matriz de covariância. Desde que
Matriz de covariância ρ(y,y) = 1 e r(yi,yi) = 1, os
Para uma distribuição de elementos da diagonal desta
probabilidade multivariável, a matriz V matriz são 1.
com elementos iguais às variâncias e 3. Se as estimativas de entrada xi
covariâncias das variáveis é chamada de são correlatas e se uma variação δi

1.21
Conceitos Estatísticos

em xi produz uma variação δj em da medição é uma estimativa confiável


xj, então o coeficiente de do valor do mensurando e que sua
correlação associado com xi e xj é incerteza padrão combinada é um
estimado aproximadamente por medida confiável do erro possível.
1. Na Fig. 1.1(a) as observações são
u( x i )δ j mostradas como um histograma
r( x i , x j ) = para fins ilustrativos.
u( x j )δ i
2. A correção para um erro é igual ao
negativo da estimativa do erro.
Esta relação pode servir como base Assim, na Fig. 1.1 e na Fig. 1.2,
para estimar experimentalmente os uma seta que ilustra a correção
coeficientes de correlação. Ela também para um erro é igual em
pode ser usada para calcular a variação comprimento mas aponta no
aproximada em uma estimativa de sentido oposto à seta que ilustra o
entrada devido à variação em outra se o erro e vice-versa. O texto da figura
coeficiente de correlação for conhecido. torna claro se uma seta particular
ilustra uma correção ou um erro.
6.16. Independência Fig. 1.2 mostra algumas das idéias
Duas variáveis aleatórias são ilustradas na Fig. 1.1 mas de modo
estatisticamente independentes se sua diferente. Mais ainda, ela também mostra
distribuição de probabilidade conjunta é o a idéia que pode haver muitos valores do
produto de suas distribuições de mensurando se a definição do
probabilidades individuais. mensurando é incompleta (entrada g da
Se duas variáveis aleatórias são figura). A incerteza resultante deste
independentes, sua covariância e definição incompleta como medida pela
coeficiente de correlação são zeros, mas variância é avaliada da medição de
o inverso nem sempre é verdade. realizações múltiplas do mensurando,
usando o mesmo método, instrumentos,
6.17. Representação gráfica local.
A Fig. 1.1. mostra algumas das idéias Na coluna Variância as variâncias são
2
discutidas na cláusula 3 deste trabalho e entendida serem as variâncias ui (y)
neste Anexo. Ela ilustra por que o foco definidas na eq. (11); assim elas se
deste trabalho é a incerteza e não o erro. somam linearmente, como mostrado.
O erro exato de um resultado de uma
medição é, em geral, desconhecido e
desconhecível. Tudo que se pode fazer é
estimar os valores das grandezas de
entrada, incluindo correções para os
efeitos sistemáticos reconhecidos, junto
com suas incertezas padrões (desvios
padrão estimados), ou de distribuições
de probabilidade desconhecidos que são
amostradas por meio de observações
repetidas ou de distribuições subjetivas
ou a priori baseadas em um pool de
informação disponível e então calcular o
resultado da medição dos valores
estimados das grandezas de entrada e a
incerteza padrão combinada das
incertezas padrão destes valores
estimados. Somente se há uma base boa
para acreditar que tudo isso possa ser
feito corretamente, com nenhum efeito
sistemático significativo tendo sido
omitido, pode-se assumir que o resultado Apostila\Incerteza CalculoIncerteza1.doc 01 DEZ 97

1.22
Conceitos Estatísticos

(a) Conceitos baseados em grandezas observáveis

Média aritmética não Média aritmética


corrigida das observações corrigida das

A média aritmética
corrigida é o valor
estimado do mensurando

Incerteza padrão da
média não corrigida Incerteza padrão
Correção de todos combinada da média
devida à dispersão das
efeitos sistemáticos
Inclui a incerteza da média
não corrigida devida à
dispersão das observações e
à incerteza da correção

(b) Conceitos baseados em grandezas desconhecidas

Distribuição desconhecida da
população inteira de observações
Distribuição desconhecida (aqui corrigidas possíveis
assumida ser normal) da população
inteira de observações não
corrigidas possíveis

Erro desconhecido na média corrigida


Média da população desconhecida devido ao erro aleatório desconhecido na
(expectativa) com desvio padrão Erro desconhecido devido a todos media não corrigida e ao erro desconhecido
desconhecido (indicado pelas linhas efeitos sistemáticos conhecidos na correção aplicada
verticais)
Erro residual desconhecido na média
Erro aleatório desconhecido da média corrigida devido ao efeito sistemático não
não corrigida das observações conhecido.

Valor do mensurando
não conhecido

Fig. 1.1. Ilustração gráfica de valor, erro e incerteza

1.23
Conceitos Estatísticos

Grandeza Valor Variância


(não em escala) (não em escala)
Valor crescente

a) Observações não Única


corrigidas

b) Média aritmética não


corrigida das
observações

c) Correção de todos os
efeitos sistemáticos
conhecidos

(Não inclui a variância devida à


definição incompleta do
mensurando)
d) Resultado da
medição

e) Erro residual
(desconhecível)

f) Valor do mensurando
(desconhecível)

g) Valores da
mensurando devidos à
definição incompleta
(desconhecível)

h) Resultado final da
medição

Fig. 1.2. Ilustração gráfica de valores, erro e incerteza

1.24
2
Expressão da Incerteza
A definição incompleta do mensurando
1. Conceitos Básicos pode fazer aparecer um componente da
incerteza suficientemente grande que deve
ser incluído na avaliação da incerteza do
1.1. Medição
resultado da medição.
O objetivo de uma medição é o de Em muitos casos, o resultado de uma
determinar o valor de uma quantidade medição é determinado em base de séries
particular a ser medida (mensurando). de observações obtidas sob condições de
Uma medição envolve repetitividade.
1. uma especificação aproximada do Deve aparecer variações em
mensurando, observações repetidas por causa das
2. o método de medição e quantidades de influência que não são
3. o procedimento de medição. mantidas completamente constantes e
Em geral, o resultado de uma medição podem afetar o resultado da medição.
é somente uma aproximação ou estimativa O modelo matemático da medição que transforma o
do valor do mensurando e assim é conjunto de observações repetidas no resultado da
completo somente quando acompanhado medição é muito importante porque, além das
por uma expressão da incerteza desta observações, ele geralmente inclui várias
estimativa. quantidades de influência que não são conhecidas
Na prática, a especificação requerida exatamente. Esta falta de conhecimento contribui
ou a definição de um mensurando é
para a incerteza do resultado de medição, tal como
definida pela precisão requerida da
as variações de observações repetidas e qualquer
medição. O mensurando deve ser definido incerteza associada com o modelo matemático em
completamente com relação à precisão si.
requerida de modo que para todos os
objetivos práticos associados com a 1.2. Erros, efeitos e correções
medição seu valor é único.
Em geral, uma medição tem
Por exemplo, se o comprimento de
imperfeições que provocam um erro no
uma barra de aço nominalmente com um
resultado da medição. Tradicionalmente,
metro é para ser determinado com a
-6 um erro é visto como tendo dois
precisão de um micrômetro (10 m), sua
componentes, chamados de componente
especificação deve incluir a temperatura e
aleatório e componente sistemático.
a pressão em que o comprimento é
definido. Assim, o mensurando deve ser O erro é um conceito idealizado e os
especificado como o comprimento da barra erros não podem ser conhecidos
o
em 25,00 C e 101,325 kPa mais qualquer exatamente.
outro parâmetro definido associado O erro aleatório presumidamente
necessário, tal como o modo como a barra aparece de variações imprevisíveis ou
é suportada. Porém, se o comprimento é estocásticas de tempo e espaço de
para ser determinado com precisão de quantidades de influência. Os efeitos de
-3
milímetro (10 m), sua especificação não tais variações, a partir de agora chamados
requer temperatura ou pressão definidas. de efeitos aleatórios, provocam variações
em observações repetidas do mensurando.
Embora não seja possível compensar o

2.1
Expressão da Incerteza

erro aleatório de um resultado da medição, Por exemplo, uma correção devida à


usualmente ele pode ser reduzido pelo impedância de um voltímetro usado para
aumento do número de observações; sua determinar a diferença de potencial através
expectativa ou o valor esperado é zero. de um resistor de alta impedância é
O desvio padrão experimental da média aplicada para reduzir o efeito sistemático
aritmética de uma série de observações sobre o valor da medição resultante do
não é o erro aleatório da média, embora efeito de carga do voltímetro. Porém, os
isso possa aparecer em algumas valores das impedâncias do voltímetro e do
publicações. Em vez disso, ele é uma resistor, que são usados para estimar o
medida da incerteza da média devida aos valor da correção e que são obtidos de
efeitos aleatórios. O valor exato do erro na outras medições, são também incertezas
média resultante destes efeitos não pode em si. Estas incertezas são usadas para
ser conhecido. avaliar o componente da incerteza da
Os termos erro e incerteza não são determinação da diferença de potencial
sinônimos, mas representam conceitos que aparece da correção e assim do efeito
completamente diferentes e eles não sistemático devido à impedância finita do
devem ser confundidos entre si ou mal voltímetro.
usados. Muitas vezes, os instrumentos e
O erro sistemático, como o erro sistemas de medição são ajustados ou
aleatório, não pode ser eliminado mas calibrados usando se padrões de medição
geralmente ele também pode ser reduzido. e materiais de referência para eliminar os
Se um erro sistemático aparece de um efeitos sistemáticos, porém, as incertezas
efeito reconhecido de uma quantidade de associadas com estes padrões e materiais
influência sobre o resultado da medição, a devem também ser consideradas.
partir de agora chamado de efeito
sistemático, o efeito pode ser quantificado 1.3. Incerteza
e, se ele tiver um tamanho significativo em A incerteza do resultado de uma
relação à precisão requerida da medição, medição reflete a falta do conhecimento
pode se aplicar uma correção ou fator de exato do valor do mensurando. O resultado
correção para compensar este efeito. É de uma medição depois da correção dos
assumido que, depois da correção, a efeitos sistemáticos conhecidos é ainda
expectativa ou valor esperado do erro apenas uma estimativa do valor do
resultante de um efeito sistemático seja mensurando por causa da incerteza
zero. resultante dos efeitos aleatórios e da
A incerteza de uma correção aplicada a correção imperfeita do resultado dos
um resultado da medição para compensar efeitos sistemáticos.
um efeito sistemático não é o erro O resultado de uma medição após a
sistemático, muitas vezes chamado de correção pode ser desconhecidamente
polarização (bias), no resultado da muito próximo do valor do mensurando (e
medição devido ao efeito como ele é assim ter um erro desprezível) mesmo
geralmente chamado. Em vez disso, ele é assumido que ele tenha uma grande
uma medida da incerteza do resultado incerteza. Assim, a incerteza do resultado
devido ao conhecimento incompleto do de uma medição não deve confundida com
valor requerido da correção. O erro que o erro remanescente desconhecido.
aparece da compensação imperfeita de um Na prática, há várias fontes possíveis
efeito sistemático não pode ser conhecido de incerteza em uma medição, incluindo:
exatamente. Os termos erro e incerteza a) definição incompleta do
devem ser usados corretamente e deve-se mensurando
cuidar para distinguir um do outro. b) realização imperfeita da definição
É assumido que o resultado de uma de um mensurando
medição tenha sido corrigido para todos os c) amostra não representativa - a
efeitos sistemáticos reconhecidamente amostra medida pode não
significativos e que tenha sido feito esforço representar o mensurando
para identificar estes efeitos. definido

2.2
Expressão da Incerteza

d) conhecimento inadequado dos ambígua quando aplicada genericamente.


efeitos das condições ambientais Por exemplo, um componente aleatório da
na medição ou a medição incerteza em uma medição pode se tornar
imperfeita das condições um componente sistemático da incerteza
ambientais em outra medição em que o resultado da
e) polarização pessoal na leitura de primeira medição é usada como um dado
instrumentos analógicos de entrada. Classificando os métodos de
f) resolução ou limite de avaliação dos componentes da incerteza
discriminação finito do instrumento em vez dos componentes em si evita tal
analógico ambigüidade. Ao mesmo tempo, a
g) erro de quantização do classificação exclui de coletar
instrumento digital componentes individuais que possam ter
h) valores inexatos dos padrões e sido avaliados pelos dois métodos
materiais de referência de diferentes em designando grupos a serem
medição usados para um objetivo particular.
i) valores inexatos de constantes e O objetivo da classificação do Tipo A e
outros parâmetros obtidos de Tipo B é indicar os diferentes modos de
fontes externas e usados no avaliar os componentes da incerteza e é
algoritmo de redução de dados por conveniência de discussão apenas; a
j) aproximações e hipóteses classificação não significa indicar que há
incorporadas no método e qualquer diferença na natureza dos
procedimento de medição componentes resultantes dos dois tipos de
k) variações em observações avaliação. Os dois tipos de avaliação são
repetidas do mensurando sob baseados em distribuições de
condições aparentemente probabilidade e os componentes de
idênticas. incerteza resultantes de qualquer tipo são
Estas fontes não são necessariamente quantificados por desvios padrão ou
independentes e algumas fontes (a) até (i) variâncias.
2
podem contribuir com a fonte (j). Um efeito A variância estimada u caracterizando
sistemático não reconhecido pode não ser um componente da incerteza obtido de
considerado na avaliação da incerteza do uma avaliação do Tipo A é calculada de
resultado de uma medição mas contribui séries de observações repetidas e é a
com seu erro. estatisticamente familiar variância
2
As normas [p. ex., INC-1 (1980)] estimada s . O desvio padrão estimado,
2
agrupam os componentes da incerteza em u, é a raiz quadrada positiva de u , e tem-
duas categorias baseadas em seu método se então u = s e por conveniência é
de avaliação, A e B. Estas categorias se chamada de incerteza padrão do Tipo A.
aplicam a incerteza e não são substitutas Para um componente de incerteza obtido
para as palavras aleatória e sistemática. A de uma avaliação do Tipo B, a variância
2
incerteza de uma correção para um efeito estimada u é calculada usando-se o
sistemático conhecido pode, em alguns conhecimento disponível e o desvio padrão
casos, ser obtido por uma avaliação do estimado u e é chamada de incerteza
Tipo A, enquanto em outros casos por uma padrão do Tipo B.
avaliação do Tipo B, como pode a Uma incerteza padrão do Tipo A é
incerteza caracterizando um efeito obtida de uma função densidade de
aleatório. probabilidade derivada de uma
Em algumas publicações, os distribuição de freqüência observada,
componentes da incerteza são enquanto uma incerteza padrão do Tipo B
classificados como aleatórios e é obtida de uma função de densidade de
sistemáticos e são associados com erros probabilidade assumida baseada no grau
que aparecem de efeitos aleatórios e de confiança que um evento irá ocorrer
efeitos sistemáticos conhecidos, (muitas vezes chamada de probabilidade
respectivamente. Tal classificação dos subjetiva). Ambos os enfoques empregam
componentes da incerteza pode ser

2.3
Expressão da Incerteza

interpretações reconhecidas de Como o modelo matemático pode ser


probabilidade. incompleto, todas as quantidades
Uma avaliação do Tipo B de um relevantes devem ser variadas no máximo
componente de incerteza é usualmente de sua extensão possível de modo que a
baseada em um conjunto de informação avaliação da incerteza possa ser baseada
comparativamente confiável. em dados observados, o máximo possível.
A incerteza padrão do resultado de Sempre que possível, o uso de modelos
uma medição, quando este resultado é empíricos da medição encontrados em
obtido de valores de um número de outras dados quantitativos de longa data e o uso
quantidades é chamada de incerteza de padrões rastreados e cartas de controle
padrão combinada e representada por uc. que podem indicar se uma medição está
É o desvio padrão estimado associado sob controle estatístico, devem ser parte
com o resultado e é igual à raiz quadrada do esforço para se obter avaliações
positiva da variância combinada obtida de confiáveis da incerteza. O modelo
todos os componentes de variância e matemático deve ser sempre revisado
covariância, porém calculados usando a quando os dados observados, incluindo o
lei de propagação de incerteza. resultado de determinações independentes
Para atender as necessidades de do mesmo mensurando, demostrar que o
algumas aplicações industriais e modelo é incompleto. Um experimento
comerciais, bem como exigências nas bem projetado pode facilitar grandemente
áreas de saúde e segurança, uma avaliações confiáveis da incerteza e é uma
incerteza expandida U é obtida, parte importante da arte de medição.
multiplicando-se a incerteza padrão Para decidir se um sistema de medição
combinada uc por um fator de cobertura k. está funcionando corretamente, a
O objetivo pretendido de U é fornecer um variabilidade observada
intervalo em torno do resultado de uma experimentalmente de seus valores de
medição que pode ser esperado incluir saída, quando medido por seus desvios
uma grande fração da distribuição de padrão observados, é geralmente
valores que podem razoavelmente ser comparada com o desvio padrão previsto
atribuídos ao mensurando. A escolha do obtido pela combinação dos vários
fator k, usualmente na faixa de 2 para 3, é componentes da incerteza que
baseada na probabilidade de cobertura ou caracterizam a medição. Em tais casos,
nível de confiança requerido do intervalo. somente estes componentes (quer sejam
O fator de cobertura k deve ser sempre obtidos de avaliações do Tipo A ou do Tipo
estabelecido, de modo que a incerteza B) que poderiam contribuir para a
padrão da quantidade medida possa ser variabilidade observada
recuperada para uso em cálculo da experimentalmente destes valores de
incerteza padrão combinada ou outros saída devem ser considerados. Tal análise
resultados da medição que possam pode ser facilitada tomando-se estes
depender desta quantidade. componentes que contribuem para a
variabilidade e os que não contribuem em
Considerações práticas
dois grupos separados e identificados
Se todas as quantidades que afetam o
corretamente.
resultado de uma medição são variadas, a
Em alguns casos, a incerteza de uma
incerteza da medição pode ser avaliada
correção para um efeito sistemático não
por meios estatísticos. Porém, como isto é
necessita ser incluída na avaliação da
raramente possível, na prática devido à
incerteza do resultado de uma medição.
limitação de tempo e recursos, a incerteza
Embora a incerteza tenha sido calculada,
do resultado de uma medição é calculada
ela pode ser ignorada se sua contribuição
usando um modelo matemático da
para a incerteza padrão combinada do
medição e a lei da propagação da
resultado da medição seja insignificante.
incerteza. Assim, é implícito neste trabalho
Se o valor da correção em si é
que toda medição pode ser modelada
insignificante comparado com a incerteza
matematicamente com um grau imposto
pela sua precisão requerida.

2.4
Expressão da Incerteza

padrão combinada, ele também pode ser cálculos de incerteza não pretendem
ignorado. considerar tais enganos.
Na prática, especialmente no domínio Embora as normas forneçam referência
da metrologia legal, um equipamento é para estabelecer a incerteza, elas não
calibrado com um padrão de medição e as podes ser substitutas de pensamento
incertezas associadas com o padrão e o crítico, honestidade intelectual e habilidade
procedimento de calibração são profissional. A avaliação da incerteza não é
desprezíveis em relação à precisão nem uma tarefa de rotina nem é
requerida do teste. Um exemplo é o uso de puramente matemática; ela depende do
um conjunto de padrões de massa bem conhecimento detalhado da natureza do
calibrados para testar a precisão de uma mensurando e da medição. A qualidade e
balança comercial. Em tais casos, como os utilidade da incerteza expressa para o
componentes da incerteza são tão resultado de uma medição depende
pequenos que podem ser ignorados, a principalmente do entendimento, análise
medição pode ser vista como a crítica e integridade de quem contribui para
determinação do erro do equipamento o estabelecimento de seu valor.
calibrado.
A estimativa do valor de um 2. Avaliação da Incerteza
mensurando fornecido pelo resultado de
uma medição é geralmente expressa em
Padrão
termos do valor adotado de um padrão de
medição em vez de ser em termos da 2.1. Modelando a medição
unidade relevante do Sistema Internacional Na maioria dos casos, um mensurando
de Unidades (SI). Em tais casos, o Y não é medido diretamente, mas é
tamanho da incerteza atribuída ao determinado de N outras quantidades X1,
resultado da medição pode ser X2, ..., XN, através de uma relação
significativamente menor do que o funcional f:
resultado que é expresso em unidade SI.
(Com efeito, o mensurando tem sido Y = f(X1, X2, ..., XN) (1)
redefinido como a relação do valor da
quantidade a ser medida para o valor Por economia de notação, neste
adotado do padrão.) Por exemplo, um trabalho, o mesmo símbolo é usado para a
padrão de voltagem Zener de alta quantidade física (mensurando) e para a
qualidade é calibrado por comparação com variável aleatória que representa a saída
uma base de referência de voltagem a possível de uma observação desta
efeito Josephson. A incerteza padrão quantidade. Quando se diz que Xi tem uma
combinada uc(Vs)/Vs da diferença de particular distribuição de probabilidade, o
potencial calibrada V do padrão Zener é 2 símbolo é usado no último sentido; é
-8
x 10 quando Vs é reportada em termos do assumido que a quantidade física em si
-7
valor convencional, mas uc(Vs)/Vs é 4 x 10 pode ser caracterizada por um valor
quando Vs é reportada em termos da essencialmente único.
o
unidade SI de diferença de potencial, V, Em uma série de observações, o k
por causa da incerteza adicional associada valor observado de Xi é denotado por Xi,k;
com os valores SI da constante de assim se R denota a resistência de um
o
Josephson. resistor, o k valor observado da
Enganos em registrar ou analisar resistência é denotado por Rk.
dados podem introduzir um erro A estimativa de Xi (estritamente
desconhecido significativo no resultado de falando, de sua expectativa) é denotada
uma medição. Grandes enganos podem por xi.
usualmente ser identificados pela revisão Por exemplo, se uma diferença de
adequada dos dados; enganos pequenos potencial V é aplicada aos terminais de um
podem ser mascarados por ou mesmo resistor dependente da temperatura que
aparecer como variações aleatórias. Os tem uma resistência definida Ro em uma
temperatura to e um coeficiente termal

2.5
Expressão da Incerteza

linear da resistência α, a potência P (o comparação de duas determinações da


mensurando) dissipada pelo resistor à mesma quantidade X.
temperatura t depende de V, Ro, α e t de O conjunto de entradas X1, X2, ..., X3
acordo com pode ser classificado como
1. quantidades cujos valores e
V2 incertezas sejam diretamente
P = f ( V,R o , α, t ) = [1 + α( t − t o )] determinados na medição em curso.
Ro
Estes valores e incertezas podem
ser obtidos de, por exemplo, uma
Outros métodos de medição de P única observação, observações
podem ser modelados por outras repetidas ou julgamento baseado na
diferentes expressões matemáticas. experiência e pode envolver a
As quantidades de entrada X1, X2, ..., determinação de correções para
XN das quais a quantidade de saída Y leituras do instrumento e correções
depende podem ser vistas como para as quantidades de influência,
mensurandos e podem depender de outras tais como temperatura ambiente,
quantidades, incluindo correções e fatores pressão barométrica e umidade.
de correção para efeitos sistemáticos, 2. quantidades cujos valores e
gerando assim uma relação funcional incertezas sejam trazidos para a
complicada f que pode nunca ser escrita medição de fontes externas, tais
explicitamente. Além disso, f pode ser como quantidades associadas com
determinada experimentalmente ou existir os padrões calibrados da medição,
somente como um algoritmo que deve ser materiais de referência certificada e
calculado numericamente. A função f, dados de referência obtidos da
como ela aparece neste trabalho, é para literatura técnica.
ser interpretada neste contexto mais Uma estimativa do mensurando Y,
amplo, em particular como a função que denotado por y, é obtida da eq. (1) usando
contém cada quantidade, incluindo todas estimativas de entrada x1, x2, ..., xN. Assim,
as correções e fatores de correção, que a estimativa da saída y, que é o resultado
pode contribuir um componente da medição é dado por:
significativo de incerteza para o resultado
da medição. y = f(x1, x2, ..., xN) (2)
Assim, se os dados indicam que f não
modela a medição ao grau imposto pela Em alguns casos a estimativa é obtida
precisão requerida do resultado da de
medição, quantidades de entrada 1 n 1
adicionais devem ser incluídas em f para y=Y= ∑
n k =1
Yk = ∑ f ( X 1,k , X 2,k ,..., X N,k )
n
eliminar a inadequação. Isto pode requerer
a introdução de uma quantidade de Isto é, y é tomado como a média
entrada para refletir o conhecimento aritmética de n determinações
incompleto de um fenômeno que afeta o independentes Yk de Y, cada determinação
mensurando. No exemplo da influência da tendo a mesma incerteza e cada uma
temperatura no valor do resistor, sendo baseada em um conjunto completo
quantidades de entrada adicionais de valores observados de N quantidades
poderiam ser necessárias para considerar de entrada Xi, obtidas ao mesmo tempo.
a distribuição não uniforme da temperatura Este modo de fazer média, em vez de
através do resistor, um possível coeficiente y = f ( X 1 , X 2 ,..., X N ) ,
termal da resistência não linear ou uma
possível dependência da resistência com a onde
pressão barométrica.
Apesar disso, a eq. (1) pode ser tão 1 n
elementar como Y = X1 - X2. Esta Xi = ∑ X i,k
n k =1
expressão modela, por exemplo, a

2.6
Expressão da Incerteza

é a média aritmética das observações repetidas devem ser obtidas por outros
individuais Xi,k, pode ser preferível quando métodos, que não os estatísticos.
f é uma função não linear das quantidades As observações individuais qk diferem
de entrada X1, X2, ,..., XN, mas os dois em valor por causa das variações
enfoques são idênticos se f for uma função aleatórias nas quantidades de influência ou
linear de Xi. efeitos aleatórios. A variância experimental
O desvio padrão estimado associado das observações, que estima a variância
σ da distribuição da probabilidade de q, é
2
com a estimativa de saída ou o resultado
da medição y, chamado de incerteza dada por:
padrão combinada e denotada por uc(y), é
determinado do desvio padrão estimado 1 n
associado com cada estimativa de entrada ∑ ( q k − q) 2
s 2 ( qk ) =
n − 1 k =1
(4)
xi, chamada incerteza padrão e denotada
por u(xi). Esta estimativa da variância e sua raiz
Cada estimativa de entrada xi e sua quadrada positiva s(qk), chamada de
incerteza padrão associada u(xi) é obtida desvio padrão experimental, caracteriza
de uma distribuição de valores possíveis a variabilidade dos valores observados qk
da quantidade de entrada Xi. Esta ou mais especificamente, sua dispersão
distribuição de probabilidade pode ser em torno da média q .
baseada na freqüência, isto é, baseada em
A melhor estimativa de σ ( q ) = σ /n, a
2 2
uma série de observações Xi,k de Xi, ou
pode ser uma distribuição a priori. variância da média é dada por:
Avaliações do Tipo A de componentes de
incerteza padrão são baseadas em s 2 ( qk )
s 2 ( q) = (5)
distribuições de freqüência enquanto as n
avaliações do Tipo B são baseadas em
distribuições a priori. Deve ser reconhecido A variância experimental da média
que em ambos os casos, as distribuições 2
s ( q ) e o desvio padrão experimental da
são modelos que devem ser usados para
representar o estado do conhecimento da média s( q ), igual à raiz quadrada positiva
quantidade medida. 2
de s ( q ), quantifica como q estima a
2.2. Avaliação da incerteza padrão do Tipo A expectativa µq de q e pode ser usada como
Em muitos casos, a melhor estimativa uma medida da incerteza de q .
disponível da expectativa ou valor Para procedimentos de medição bem
esperado µq de uma quantidade q que caracterizados sob controle estatístico,
varia aleatoriamente (uma variável uma variância combinada (pool) da
aleatória) e para que n observações amostra s 2p ou desvio padrão da amostra
independentes qk tem sido obtidas sob as
combinada sp para o procedimento pode
mesmas condições de medição, é a
ser disponível. Em tais casos, a variância
média aritmética q de n observações: da média de n observações independentes
1 n repetidas é s 2p /n e a incerteza padrão é
q= ∑ qk
n k =1
(3)
sp
u= .
n
Assim, para uma quantidade de
entrada Xi estimada de n observações Muitas vezes o valor estimado xi de
independentes repetidas Xi,k, a média uma quantidade de entrada Xi é obtida de
uma curva que foi construída de dados
aritmética X i obtida da eq. (3) é usada experimentais pelo método dos mínimos
como a estimativa de entrada xi na eq. (2) quadrados. A variância e a incerteza
para determinar o resultado da medição y, padrão resultante dos parâmetros que
isto é, xi = X i . Estas estimativas de caracterizam a curva e de qualquer ponto
entrada não calculadas de observações previsível pode facilmente ser calculada

2.7
Expressão da Incerteza

por procedimentos estatísticos bem quantidades das quais eles dependem, a


[19]
conhecidos. assim chamada análise de variância .
Os graus de liberdade νi de xi e u(xi), Em níveis mais baixos da cadeia de
igual a n - 1 no caso simples onde xi = X i e calibração onde os padrões de referência
são geralmente assumidos como
u(xi) = s( X i ) são calculados de n exatamente conhecidos por que eles tem
observações independentes, sempre sido calibrados ou padrões primários ou
devem ser dados quando documentando nacionais, a incerteza de um resultado de
avaliações do Tipo A de componentes de calibração pode incluir somente uma única
incerteza. incerteza padrão do Tipo A baseada em
Se as variações aleatórias nas um desvio padrão combinado do
observações de uma quantidade de procedimento da medição.
entrada são correlacionadas, por exemplo,
no tempo, a média e o desvio padrão da 2.3. Avaliação da incerteza padrão do Tipo B
média podem ser estimadores Para uma estimativa xi de uma
inadequados da estatística desejada. Em quantidade de entrada Xi que foi obtida de
tais casos, as observações devem ser observações repetidas, a variância
2
analisadas usando métodos estatísticos estimada u (xi) ou incerteza padrão u(xi) é
especialmente projetados para tratar uma avaliada por julgamento usando todas as
série aleatória correlata de medições. informações relevantes sobre a possível
Tais métodos são usados para tratar variabilidade de Xi. O pool de informação
medições de padrões de freqüência. pode incluir dados de medições anteriores,
Porém, é possível que quando se vai de experiência com ou o conhecimento geral
medições de curto prazo para medições de do comportamento e propriedades de
longo prazo de outras quantidades materiais e instrumentos relevantes,
metrológicas, a hipótese de variações especificações do fabricante, dados
aleatórias correlatas pode não mais ser fornecidos em calibração e outros
válida e os métodos especializados podem certificados e incertezas atribuídas a dados
ser também usados, por exemplo, para de referência tomados da literatura técnica.
2
uma discussão detalhada da variância Por conveniência, u (xi) e u(xi) estimados
chamada de Allan. deste modo são geralmente referidas
A discussão acima da avaliação do como, respectivamente, variância do Tipo
Tipo A da incerteza padrão não significa B e incerteza padrão do Tipo B.
que seja exaustiva. Há muitas situações, O uso apropriado do pool de
algumas mais complexas, que podem ser informações disponíveis para uma
tratadas por métodos estatísticos. Um avaliação da incerteza padrão do Tipo B
exemplo importante é o uso de projetos de exige uma visão baseada na experiência e
calibração, geralmente baseados no no conhecimento geral, mas é uma
método dos mínimos quadrados, para habilidade que pode ser aprendida com a
avaliar as incertezas que aparecem de prática. Deve ser reconhecido que uma
variações aleatórias de curto prazo e de avaliação da incerteza padrão do tipo B
longo prazo nos resultados de pode ser tão confiável quanto uma
comparações de artefatos materiais de avaliação do Tipo A, especialmente em
valor desconhecido, tais como blocos uma situação de medição onde uma
padrão de comprimento e padrões de avaliação do Tipo A é baseada em um
massa, com padrões de referência de valor número comparativamente pequeno de
conhecido. Em tais situações de medição observações estatisticamente
comparativamente simples, os independentes.
componentes da incerteza são Se a distribuição de probabilidade de q
freqüentemente tratados por avaliação é normal, então s[s( q )/s( q )], o desvio
estatística, usando projetos consistindo de
seqüências de medições do mensurando padrão de s( q ) relativo a s( q ), é
para um número de valores diferentes das aproximadamente [ 2(n − 1)] −1/ 2 . Assim,

2.8
Expressão da Incerteza

tomando s[s( q )] como a incerteza de s( q ) Pode não haver necessidade para tal
hipótese, se a incerteza tiver sido expressa
para n = 10 observações, a incerteza
através de um fator de cobertura.
relativa em s( q ) é 24%, enquanto para n = Por exemplo, um certificado de
50 observações é de 10%. calibração mostra que a resistência de um
Se a estimativa xi é tomada de uma resistor padrão Rs de valor nominal de 10
ohms é 10,000 742 Ω ± 129 µΩ @ 23 C e
o
especificação do fabricante, certificado de
calibração, handbook e sua incerteza que a incerteza cotada de 129 µΩ define
cotada é estabelecida como um múltiplo um intervalo tendo um nível de confiança
particular de um desvio padrão, a incerteza de 99%. A incerteza padrão do resistor
padrão u(xi) é simplesmente o valor cotado pode ser tomada como u(Rs) = (129
dividido pelo multiplicador e a variância
2
µΩ)/2,58 = 50 µΩ, que corresponde a
estimada u (xi) é a raiz deste quociente. incerteza padrão relativa u(Rs)/Rs de 5,0 x
Por exemplo, um certificado de -6 2
10 . A variância estimada é u (Rs) = (50
calibração estabelece que a massa de µΩ) = 2,5 x 10 Ω .
2 -9 2

padrão de aço inoxidável mS de valor Considere-se o caso onde, baseada na


nominal de um kilograma é de 1 000,000 informação disponível, pode-se
325 g e que a incerteza deste valor é 240 estabelecer que há uma chance de 50%
µg ao nível de três desvios padrão. A que o valor da quantidade de entrada Xi
incerteza padrão do padrão de massa é caia no intervalo a- a a+. Em outras
então u(mS) = (240 µg)/3 = 80 µg. Isto palavras, a probabilidade que Xi caia
corresponde a uma incerteza padrão dentro deste intervalo é 0,5 ou 50%. Pode-
-9
relativa u(mS)/mS de 80 x 10 . A variância se assumir que a distribuição de valores
estimada é possíveis de Xi seja aproximadamente
normal, então a melhor estimativa xi de Xi
u (mS) = (80 µg) = 6,4 x 10 g .
2 2 -9 2
pode ser tomada como o ponto médio do
intervalo. Mais ainda, se o ponto médio do
Em muitos casos pouca ou nenhuma intervalo é expresso como
informação é fornecida acerca dos a = (a+ - a-)/2, pode se tomar u(xi) = 1,48a,
componentes individuais dos quais é por que para uma distribuição normal com
obtida a incerteza cotada. Isto é expectativa µ e desvio padrão σ, o
geralmente pouco importante para intervalo
expressar a incerteza de acordo com as µ ± σ/1,48 inclui aproximadamente 50% da
práticas deste trabalho, pois todas as distribuição.
incertezas padrão são tratadas do mesmo Por exemplo, um mecânico estima que
modo quando se calcula a incerteza o comprimento de uma peça caia, com
padrão combinada de um resultado de probabilidade de 50%, no intervalo 10,07
medição. mm a 10,15 mm e reporta que L = (10,11 ±
A incerteza cotada de xi não é dada 0,04) mm, significando que ±0,04 mm
necessariamente como um múltiplo de um define um intervalo tendo um nível de
desvio padrão. Também, pode-se confiança de 50%. Assim,
estabelecer que a incerteza cotada define a = 0,04 mm e se é assumida uma
um intervalo tendo um nível de confiança distribuição normal para os valores
de 90, 95 ou 99%. A não ser que seja dito possíveis de L, a incerteza padrão do
diferente, pode-se assumir que uma comprimento é u(L) = 1,48 x 0,04 mm =
distribuição normal foi usada para calcular 2
0,06 mm e a variância estimada é u (L) =
a incerteza cotada e recuperar a incerteza 2 -3
(1,48 x 0,04 mm) = 3,5 x 10 mm .
2

padrão de xi dividindo a incerteza cotada Seja um caso similar ao anterior, mas


pelo fator apropriado para a distribuição onde, baseada na informação disponível,
normal. Os fatores correspondente aos pode-se estabelecer que há uma chance
três níveis de confiança são 1,64 (90%); de dois para três que o valor da
1,96 (95%) e 2,58 (99%). quantidade de entrada Xi caia no intervalo
a- a a+. Em outras palavras, a
probabilidade que Xi caia dentro deste

2.9
Expressão da Incerteza

intervalo é 0,67 ou 67%. Pode-se então improvável que α20(Cu) caia fora deste
razoavelmente tomar u(xi) = a, porque para intervalo. A variância desta distribuição
uma distribuição normal com expectativa µ retangular simétrica de valores possíveis
e desvio padrão σ, o intervalo µ ± σ inclui de α20(Cu) da metade do intervalo
-6 o -1
cerca de 68,3% da distribuição. a = 0,40 x 10 C é então, da eq. (7),
2 -6 o -1 2 -15
Deve-se considerar o valor de u(xi) u (α20) = (0,40 x 10 C ) /3 = 53,3 x 10
o -2
mais significativo que o obviamente C e a incerteza padrão é
garantido se fosse usar o desvio normal -6 o -1 -6 o -1
u(α20) = (0,40 x 10 C )/ 3 = 0,23 x 10 C .
0,967 42 que corresponde à probabilidade Em outro exemplo, as especificações
2/3, isto é, se fosse escrever do fabricante para um voltímetro digital
u(xi) = a/0,967 42 = 1,033a. estabelecem que entre um e dois anos
Em outros casos, pode ser possível após a calibração do instrumento, sua
estimar somente limites (superior e inferior) precisão na faixa de 1 V é de
para Xi, em particular, para estabelecer -6
14 x 10 vezes o valor medido mais 2 x 10
-
que a probabilidade que o valor de Xi caia 6
vezes a largura de faixa. Considera-se
dentro do intervalo a- a a+, para todos os que o instrumento é usado 20 meses após
objetivos práticos, é igual a um e a a calibração para medir em sua faixa de 1
probabilidade que Xi caia fora deste V uma diferença de potencial V e a média
intervalo é praticamente zero. Se não há aritmética de um número de observações
conhecimento específico acerca dos independentes repetidas de V dá um valor
valores possíveis de Xi, dentro do intervalo,
pode-se somente assumir que é de V = 0,928 571 V com uma incerteza
igualmente provável para Xi cair em padrão do Tipo A, u( V ) = 12 µV. Pode-se
qualquer lugar dentro dele (uma obter a incerteza padrão associada com as
distribuição uniforme ou retangular de especificações do fabricante de uma
valores possíveis). Assim xi, a expectativa avaliação do Tipo B assumindo que a
ou valor esperado de Xi, é o ponto médio precisão estabelecida fornece limites
do intervalo, xi = (a- + a+)/2, com variância simétricos para uma correção aditiva para
associada V , ∆ V , da expectativa igual a zero e com
(a − a − )2 igual probabilidade de cair em qualquer
u2 (x i ) = + (6)
12 lugar dentro dos limites. A metade a da
distribuição retangular simétrica dos
Se a diferença entre os limites a+ e a- é valores possíveis de ∆ V é então
denotada por 2a, então a eq. (6) se torna
-6 -6
a = (14x10 ) x (0,928 571 V) + (2x10 ) x (1
2
a V) = 15 mV
u2 (x i ) = (7)
3
e da eq. (7),
Quando um componente da incerteza
2 2
determinado deste modo contribuir muito u (∆ V ) = 75 mV
para a incerteza do resultado da medição,
é prudente obter mais dados adicionais e
para sua avaliação.
Por exemplo, um handbook dá o valor u(∆ V ) = 8,7 mV.
do coeficiente da expansão termal linear
do cobre puro @ 20 C, α20(Cu), como
o
-6 o -1
A estimativa do valor do mensurando V,
16,52 x 10 C e simplesmente por simplicidade, denotado pelo mesmo
estabelece que o erro neste valor não deve
-6 o -1 símbolo V, é dado por V = V + ∆ V = 0,928
exceder 0,40 x 10 C . Baseado nesta
571 V. Pode-se obter a incerteza padrão
informação limitada, é razoável assumir
combinada desta estimativa combinando a
que o valor de α20(Cu) caia com igual incerteza padrão do Tipo A, 12 mV com a
-6 o -1
probabilidade no intervalo 16,12 x 10 C incerteza padrão do Tipo B, 8,7 mV.
-6 o -1
a 16,92 x 10 C e que seja muito

2.10
Expressão da Incerteza

Como visto, os limites superiores e Isto leva à variância


inferior a+ e a- para a quantidade de (b+ − b− )
entrada Xi podem não ser simétricos com u2 (x i ) = b+ b− −
λ
relação a sua melhor expectativa xi, mais Para b+ > b-, λ > 0 e para b+ < b-, λ < 0.
especificamente, se o limite inferior é Quando não há conhecimento
escrito como a- = xi - b- e o limite superior específico acerca dos valores possíveis de
como a+ = xi + b+, então b- ≠ b+. Como Xi dentro de seus limites estimados a- a a+,
neste caso, xi (assumido ser a expetativa pode-se somente assumir que é
de Xi) não é o centro do intervalo a- a a+, a igualmente provável para Xi tomar
distribuição da probabilidade de Xi não qualquer valor dentro destes limites, com
pode ser uniforme através do intervalo. zero probabilidade de ser fora deles. Tais
Porém, como não há informação descontinuidades da função degrau em
disponível suficiente para escolher uma uma distribuição de probabilidade são
distribuição apropriada, diferentes modelos geralmente não físicas. Em muitos casos,
produzem expressões diferentes para a é mais realístico esperar que valores
variância. Na ausência de tal informação, a próximos dos limites sejam menos
aproximação mais simples é: prováveis que aqueles próximos do ponto
médio. É então, razoável substituir a
(b − + b + ) 2 ( a + − a − ) 2 distribuição retangular simétrica por uma
u2 (x i ) = = (8)
12 12 trapezoidal simétrica tendo iguais
inclinações dos lados (um trapézio
que é a variância de uma distribuição isósceles), uma base de comprimento
retangular com comprimento total de b+ + a+ - a- = 2a e uma altura de 2ab, onde 0 ≤
b-. b ≤ 1. Quando b →1, esta distribuição
Por exemplo - Se no exemplo da barra trapezoidal se aproxima da distribuição
de cobre, o valor do coeficiente é dado no retangular, enquanto para b = 0, é uma
handbook como α20(Cu) = 16,52 x 10 C
-6 o -1
distribuição triangular. Assumindo tal
e é estabelecido que o menor valor distribuição trapezoidal para Xi, acha-se
-6 o -1
possível é 16,40 x 10 C e o maior valor que a expectativa de Xi é xi = (a- + a+)/2 e
-6 o -1
possível =e 16,92 x 10 C então b- = sua variância associada é
-6 o -1 -6 o -1
0,12 x 10 C e b+ = 0,40 x 10 C e
-6 o -1
da eq. (8), u(α20) = 0,15 x 10 C . a 2 (1 + β 2 )
Em muitas situações práticas de u2 (x i ) = (9a)
6
medição onde os limites são assimétricos, que se torna uma distribuição triangular, β
pode ser apropriado aplicar uma correção = 0,
para estimar xi de magnitude (b+ - b-)/2 de
a2
modo que a nova estimativa xi' de Xi esteja u2 (x i ) = (9b)
no ponto médio dos limites: xi' = (a- + a+)/2. 6
Isto resulta em novos valores de b'+ = b'-
=(b+ + b-)/2 = (a+ - a-)/2 = a. Para uma distribuição normal com
Baseado no princípio de máxima expectativa µ e desvio padrão σ, o
entropia, a função densidade de intervalo
probabilidade no caso assimétrico pode µ ± 3σ engloba aproximadamente 99,73%
ser mostrado como sendo da distribuição. Assim, se os limites
superiores e inferior a+ e a- definem
p( Xi) = Ae − λ ( X i − x i ) 99,73% em vez de 100% e Xi pode ser
assumido aproximadamente com
com
distribuição normal em vez de não ter
1
A= λb −
conhecimento específico acerca de Xi,
(b − e + b + e λb + ) entre os limites., então u 2 ( x i ) = a 2 / 9 . Por
e comparação, a variância de uma
e λ( b− +b+ ) − 1 distribuição simétrica retangular de meia
λ= 2
b − e λ ( b − + b+ ) + b + largura a é a /3. [eq. (7)] e uma distribuição

2.11
Expressão da Incerteza

triangular simétrica de meia largura a é de probabilidade de Xi, que é amostrada


2
a /6 [eq. (9b)]. Os tamanhos das variâncias por meios de observações repetidas.
das três distribuições são Na Fig. 2.1a é assumido que a
surpreendentemente similares em vista quantidade de entrada Xi é uma
das grandes diferenças na quantidade de temperatura t e que sua distribuição
informação requerida para justificá-las. desconhecida é uma distribuição normal
com expectativa µ1 = 100 C e desvio
o
A distribuição trapezoidal é equivalente
padrão σ = 1,5 C. Sua função densidade
o
à convolução de duas distribuições
[10]
retangulares , uma com meia largura a1 de probabilidade é então:
igual à média da meia largura do
trapezóide, a1 = a(1 + β)/2; a outra com −
(i− µ 1 )2
1
meia largura a2 igual à largura média de p( t ) = e 2σ 2

uma das porções triangulares do σ 2π


trapezóide, a2= a(1 - β)/2. A variância da
a2 a2 A definição de uma função de
distribuição é u 2 = 1 + 2 . A distribuição densidade de probabilidade p(t) requer que
3 3
convolvida pode ser interpretada como a relação ∫ p( z)dz = 1 seja satisfeita
uma distribuição cuja largura 2a1 tem uma
incerteza representada por uma
distribuição retangular de largura 2a2 e
modela o fato que os limites em uma
quantidade de entrada não são
exatamente conhecidos. Mas, mesmo se
a2 é maior 30% que a1, u excede a1/ 3
por menos que 5%.
É importante não contar duplamente os
componentes da incerteza. Se um
componente de incerteza resulta de um
efeito particular obtido de uma avaliação
do Tipo B, ele deve ser incluído como um
componente independente de incerteza no
cálculo da incerteza padrão combinada do
resultado da medição somente no sentido
que o efeito não contribui para a
variabilidade observada das observações.
Isto é por que a incerteza devida a esta
porção do efeito que contribui para a
variabilidade já está incluída no
componente da incerteza obtido da análise
estatística das observações. Fig. 2.1. Ilustração gráfica da avaliação
A discussão da avaliação da incerteza da incerteza padrão de uma
padrão do Tipo B é importante somente quantidade de entrada de
por ser indicativa. Além disso, as observações repetidas
avaliações da incerteza devem ser
baseadas em dados quantitativos.
A Fig. 2.1b mostra um histograma de n
2.4. Ilustração gráfica da avaliação = 20 observações repetidas tk da
da incerteza padrão temperatura t que são assumidas serem
A Fig. 2.1 representa a estimativa do tomadas aleatoriamente da distribuição da
valor de uma quantidade de entrada Xi e a Fig. 2.1a. Para obter o histograma, as 20
avaliação da incerteza que esta estimativa observações ou amostras, cujos valores
da distribuição desconhecida de valores são dados na Tab. 1, são agrupados em
o
medidos possíveis de Xi ou a distribuição intervalos de largura de 1 C. (A

2.12
Expressão da Incerteza

preparação de um histograma não é casos mostrados, a quantidade de entrada


necessária para a análise estatística dos é ainda assumida como a temperatura t.
dados). Para o caso ilustrado na Fig. 2.2a, é
assumido que pouca informação é
disponível acerca da quantidade de
Tab.1. 20 observações repetidas da entrada t e que tudo que pode ser
temperatura t agrupadas em intervalos de assumido é que t é descrita por uma
o
1 C distribuição de probabilidade a priori,
Intervalo t1 ≤ t ≤ t2 Temperatura t retangular e assimétrica com limite inferior
o o o o o
t1/ C t2/ C t/ C a- = 96 C, limite superior a+ = 104 C e
94,5 95,5 - o
95,5 96,5 -
com meia largura a = (a+ - a-)/2 = 4 C. A
96,5 97,5 96,90 função densidade de distribuição de t é
97,5 98,5 98,18; 98,25 dada por:
98,5 99,5 98,61; 99,03; 99,49 p(t) = 1/2a a- < t < a+
99,5 100,5 99,56; 99,74; 99,89; 100,07;
100,33; 100,42 p(t) = 0, para os outros
100,5 101,5 100,68; 100,95; 101,11; valores
101,20
101,5 102,5 101,57; 101,84; 102,36
102,4 103,5 102,72
A melhor estimativa de t é sua
103,5 104,5 - expectativa
µ1 = (a+ + a-)/2 = 100 C
o
104,5 105,5 -

A incerteza padrão desta estimativa é


A média aritmética t das n = 20 a
u(µ 1 ) = ≅ 2,3 C
o
[ver eq. (7)]
observações, calculada de acordo com eq. 3
(3) é
t = 100,145 oC ≅ 100,14 oC Para o caso ilustrado na Fig. 2.2b, é
e assumido ser igual à melhor expectativa assumido que a informação disponível
µ1 de t baseando-se nos dados acerca de t é menos limitada e que t pode
disponíveis. O desvio padrão experimental ser descrita por uma distribuição de
s(tk) calculada pela eq. (4) é probabilidade a priori simétrica e triangular,
o
com o mesmo limite inferior a- = 96 C e
o
s(tk) = 1,489 C ≅ 1,49 C
o o
mesmo limite superior a+ = 104 C e
e o desvio padrão experimental da média portanto com mesma meia largura a = (a+ -
o
s( t ), calculado da eq. (5), que é a a-)/2 = 4 C.
A função de densidade de
incerteza padrão u( t ) da média t , é probabilidade de t:
o
p(t) = (t - a-)/a a- ≤ t ≤ (a- + a+)/2
2
u( t ) = s( t ) = s(tk)/ 20 = 0,333 C
≅ 0,33 C.
o
p(t) = (a- - t)/a (a- + a+)/2 ≤ t ≤ a+
2

p(t) = 0, para os outros valores


Embora os dados na Tab. 1 sejam A expectativa de t é µ1 = (a+ + a-)/2 =
o
plausíveis considerando o uso corrente de 100 C. A incerteza padrão desta
termômetros eletrônicos digitais de alta estimativa é
resolução, eles são para fins ilustrativos e
não devem ser necessariamente a
u(µ 1 ) = ≅ 1,6 C
o
interpretados como descrevendo uma [ver eq.
6
medição real.
A Fig. 2.2 representa a estimativa do (9b)].
valor de uma quantidade de entrada Xi e a
O valor acima, u(µ 1 ) ≅ 1,6 C pode ser
o
avaliação da incerteza desta estimativa de
comparada com u(µ 1 ) ≅ 2,3 C obtido de
o
uma distribuição a priori de valores
possíveis de Xi ou distribuição de uma distribuição retangular de mesma
largura 8 C. Com σ = 1,5 C da
probabilidade de Xi, baseada em toda o o

informação disponível. Para ambos os distribuição normal da Fig. 2.1a cujo


intervalo de -2,58s a +2,58s que inclui 99%

2.13
Expressão da Incerteza
o
da distribuição, é aproximadamente 8 C e combinada da estimativa y é chamada de
o
com u( t ) = 0,33 C obtido de 20 uc(y).
observações assumidas tendo sido A incerteza padrão combinada uc(y) é a
tomadas aleatoriamente da mesma raiz quadrada positiva da variância
distribuição normal. combinada u 2c ( y) , que é dada por

2
N
 ∂f 
u 2c ( y) = ∑   u2 ( x i ) (10)
i = 1  ∂x i 

onde f é a função dada na eq. (1). Cada


u(xi) é uma incerteza padrão calculada
como avaliação do Tipo A ou como
avaliação do Tipo B. A incerteza padrão
combinada uc(y) é um desvio padrão
estimado e caracteriza a dispersão dos
valores que poderiam ser razoavelmente
atribuídos ao mensurando Y.
A eq. (10) e sua contrapartida para
quantidades de entrada correlatas, eq.
(13), ambas são baseadas em uma
aproximação de primeira ordem de Taylor
de Y = f(X1, X2, ..., XN), expressa a lei de
propagação da incerteza.
Quando a não linearidade de f é
significativa, os termos de maior ordem na
série de expansão de Taylor devem ser
incluídos na expressão para u 2c ( y) , eq.
(10). Quando a distribuição de cada Xi é
simétrica em relação à sua média, os
Fig. 2.2. Ilustração gráfica da avaliação termos mais importantes da próxima
da incerteza padrão de uma ordem mais alta a serem adicionados aos
quantidade de entrada de uma termos da eq. (10) são:
distribuição a priori
  2 2 
N N
1 ∂ f ∂f ∂ 3 f  2
3. Determinação da Incerteza Padrão ∑ ∑  2  ∂x ∂x  ∂x ∂x ∂x 2 u ( x i )u 2 ( x j )
   +
i=1 j=1  i j
 i i j

Combinada

3.1. Quantidades de entrada não As derivadas parciais ∂f / ∂x i são iguais


correlacionadas a ∂f / ∂X i calculadas em Xi = xi. Estas
Esta seção trata do caso onde todas as derivadas, muitas vezes chamadas de
quantidades de entrada são coeficientes de sensitividade,
independentes. O caso onde duas ou descrevem como as estimativas de saída y
mais quantidades de entrada são variam com alterações nos valores das
relacionadas, isto é, são interdependentes estimativas de entrada x1, x2,..., xN. Em
ou correlatas, será discutido adiante. particular, a variação em y produzida por
A incerteza padrão de y, onde y é a uma pequena variação ∆xi na estimativa
estimativa do mensurando Y e assim o ∂f
resultado da medição, é obtido de entrada xi é dada por ( ∆y)i = ∆x i . Se
∂x i
combinando de modo apropriado as
incertezas padrão das estimativas de esta variação é gerada pela incerteza
entrada x1, x2, ..., xN. Esta incerteza padrão padrão da estimativa xi, a variação

2.14
Expressão da Incerteza

correspondente em y é ( ∂f / ∂x i )u( x i ) . A c 4 = ∂P / ∂t = − V 2 α / R o [1 + α( t − t o )] 2
variância combinada u 2c ( y) pode, portanto, = −Pα / [1 + α(t − t o )]
ser vista como uma soma de termos, cada e
um representando a variância estimada 2 2
 ∂P   ∂P  2
associada com a estimativa de saída y u (P) =   u 2 ( V) + 
2
 u (R o ) +
gerada pela variância estimada associada  ∂V   ∂R o 
com cada estimativa de entrada xi. Isto 2 2
 ∂P   ∂P 
sugere escrever a eq. (10) como +   u 2 (α ) +   u 2 ( t )
 ∂α   ∂t 
N N
u c2 ( y) = ∑ [ c iu( x i )] 2 ≡ ∑ ui2 ( y) (11a) ou
i=1 i =1
onde
u 2 (P) = [ c 1u( V )] 2 + [ c 2u(R o )] 2 + [ c 3u(α )] 2 + [ c 4 u( t )] 2
∂f
ci ≡ e ui ( y) ≡ c i u( x i ) (11b)
∂x i
ou ainda
Rigorosamente, as derivadas parciais
são ∂f / ∂x i = ∂f / ∂X i calculadas nas u 2 (P) = u12 (P) + u 22 (P) + u 23 (P) + u 24 (P)
expectativas de Xi. Porém, na prática, as
derivadas parciais são estimadas por:
Em vez de serem calculados da função
f, os coeficientes ∂f / ∂x i são determinados
∂f ∂f
= experimentalmente: medindo-se a variação
∂x i ∂X i X 1 , X 2 ,..., X N em Y produzida por uma variação em um
particular Xi, enquanto mantendo as outras
A incerteza padrão combinada uc(y) quantidades de entrada constantes. Neste
pode ser calculada numericamente caso, o conhecimento da função f (ou
substituindo c, u(xi) na eq. (11a) com porção dela quando somente alguns
coeficientes de sensitividade são
1 determinados) é reduzido a uma expansão
Z i = [ f ( x 1 ,..., x i + u( x i ),..., x N ) de primeira ordem da série de Taylor
2
empírica baseada nos coeficientes de
− f ( x 1 ,...,x i −u( x i ,..., x N )] sensitividade medidos.
Se a eq. (1) para o mensurando Y é
Isto é, ui(y) é avaliada numericamente expandida em torno de valores nominais
calculando a variação em y devida à Xi,0 das quantidades de entrada Xi, então
variação em xi de +u(xi) e de -u(xi). O valor para a primeira ordem (que é usualmente
de ui(y) pode então ser tomado como Z i e uma aproximação adequada),
o valor do coeficiente de sensitividade
correspondente ci como Zi/u(xi). Y = Yo + c 1δ 1 + c 2 δ 2 +...+ c Nδ N
Por exemplo, a potência dissipada, P,
no resistor com coeficiente de temperatura onde
α, com tensão aplicada de V, à
temperatura t, tem-se Yo = f ( X 1, 0 , X 2,0 ,..., X N,0 )

c 1 = ∂P / ∂V = 2V / R o [1 + α( t − t o )] = 2P / V ∂f
ci =
c 2 = ∂P / ∂R o = − V 2
/ R 2o [1 + α( t − t o )] = −P / R o ∂X i X i = X i ,0

e
c 3 = ∂P / ∂α = − V 2 ( t − t o ) / R o [1 + α( t − t o )] 2 δ i = X i − X i,0
= −P(t − t o ) / [1 + α( t − t o )]
Assim, para os objetivos de uma
análise de incerteza, um mensurando é

2.15
Expressão da Incerteza

usualmente aproximado por uma função


linear de suas variáveis, transformando Esta é da mesma forma que a eq.
suas quantidades de entrada de Xi para δi. (11a) mas com a variância combinada
Por exemplo, para o voltímetro digital u 2c ( y) expressa com a variância combinada
anterior, tem-se: 2
relativa [uc(y)/y)] e a variância estimada
V = V + ∆V 2
u (xi) associada com cada expectativa de
entrada expressa como uma variância
2
onde V =0,928 571 V, relativa estimada [u(xi)/xi] . A incerteza
padrão combinada relativa é uc(y)/ y e a
u( V ) = 12 µV, incerteza padrão relativa de cada
estimativa de entrada u(xi)/ x i com y ≠ 0
a correção aditiva ∆ V = 0 e e x i ≠ 0.
Quando Y tem esta forma, sua
u(∆ V ) = 8,7 µV.
transformação para uma função linear de
variáveis é facilmente conseguida fazendo
Desde que
Xi = Xi,0 (1 + δi), para assim resultar a
seguinte relação aproximada:
∂V / ∂ V = 1 e
( Y − Y0 ) N
= ∑ piδ i
∂V / d( ∆ V ) = 1, Y0 i=1
a variância combinada associada com V é
dada por Por outro lado a transformação logarítmica
Z = ln Y e W i = ln Xi leva a uma
u 2c ( V ) = u 2 ( V ) + u 2 ( ∆ V ) = (12µV ) 2 + (8,7µV ) 2 linearização exata em termos das novas
variáveis:
u 2c ( V) = 219 × 10 −12 V 2 N
Z = ln c + ∑ pi Wi
e a incerteza padrão combinada é uc(V) = i=1

15 mV, que corresponde a incerteza


padrão combinada relativa uc(V)/V de 16 x Se cada pi é +1 ou -1, a eq. (12) se
-6
10 . Este é um exemplo do caso onde o torna
mensurando já é uma função linear das
quantidades de que ele depende, com 2 2
 u c ( y)  N
 u( x i 
coeficientes ci = +1. Segue-se da eq. (10)  y  ∑ x  =
que se   i=1  i 

Y = c 1X 1 + c 2 X 2 +...+ c N X N que mostra que para este caso especial a


variância combinada relativa associada
e se as constantes ci = +1 ou -1, então com a estimativa y é simplesmente igual à
N soma das variâncias relativas estimadas
uc2 ( y) = ∑ u 2 ( x i ) associadas com as estimativas de entrada
i =1 xi.
Se Y é da forma Y = cX 1p1 X p22 ... X NpN e os
3.2. Quantidades de entrada
expoentes pi são números conhecidos
positivos ou negativos tendo incertezas correlatas
desprezíveis, a variância combinada, eq. As eq. (10) e as suas derivadas eq.
(10), pode ser expressa como: (11) e (12) são válidas somente se as
quantidades de entrada Xi são
2 2 independentes e não correlatas (as
 u c ( y)  N
 piu( x i ) 
 y  = ∑   (12) variáveis aleatórias, não as quantidades
  i=1  x i  físicas que são assumidas serem

2.16
Expressão da Incerteza

invariantes). Se algumas das Xi são


significativamente correlatas, as A incerteza padrão combinada uc(y) é
correlações devem ser consideradas. então simplesmente a raiz quadrada
Quando as quantidades de entrada são positiva de uma soma linear de termos
correlatas, a expressão apropriada para a representando a variação da estimativa de
variância combinada associada com o saída y gerada pela incerteza padrão de
resultado de uma medição é: cada estimativa de entrada xi (Esta soma
linear não deve ser confundida com a lei
N N
∂f ∂f geral de propagação do erro, embora
u c2 ( y) = ∑ ∑ u( x i , x j ) ambas tenham formas similares;
i=1 j = 1 ∂x i ∂x j
incertezas padrão não são erros).
2 Sejam duas médias aritméticas q e r
N
 ∂f  N−1 N
∂f ∂f
= ∑   u 2 ( x i ) + 2∑ ∑ u( x i , x j ) que estimam as expectativas µq e µr de
i=1  ∂ i 
x i = 1 j = i + 1∂x i ∂x j duas quantidades variáveis aleatórias q e r
(13) e sejam q e r calculadas de n pares
independentes de observações
onde xi e xj são as estimativas de Xi e Xj e simultâneas de q e r feitas sob as mesmas
u(xi, xj) = u(xj,xi) é a covariância estimada condições de medição. Assim, a
associada com xi e xj. O grau de
correlação entre xi e xj é caracterizado pelo covariância de q e r é estimada por:
coeficiente de correlação estimado.
n
1
u( x i , x j )
s( q,r ) = ∑
n(n − 1) k =1
( qk − q)(rk − r ) (17)
r( x i , x j ) = (14)
u( x i )u( x j )
onde qk e rk são as observações individuais
onde r(xi,xj) = r(xj,xi) e -1 ≤ r(xi,xj) ≤ +1. Se das quantidades q e r e q e r são
as estimativas xi e xj são independentes, calculadas das observações de acordo
r(xi,xj) = 0 e a variação de uma não implica com a eq. (3). Se de fato as observações
em variação esperada na outra. não são correlatas, a covariância calculada
Em termos de coeficientes de é esperada ser próxima de zero.
correlação, que são mais facilmente Assim, a covariância estimada de duas
interpretadas do que covariâncias, a quantidades de entrada correlatas Xi e Xj
covariância da eq. (13) pode ser escrito que são estimadas pelas médias X i e X j
como
determinadas de pares independentes de
observações simultâneas repetidas é dada
N N
∂f ∂f
2∑ ∑ u( x i , x j )r( x i , x j ) (15) por u( x i , x j ) = s( X i , X j ) com s(X i , X j ) calculado
i = 1 j = i + 1∂x i ∂x j
de acordo com eq. 17. Esta aplicação da
eq. (17) é uma avaliação de covariância do
A eq. 13 se torna, com a ajuda da eq.
Tipo A. O coeficiente de correlação
(11b):
estimado de X i e X j é obtido da eq. (14):
N N N
u 2c ( y) = ∑ c i2u 2 ( x i ) + 2∑ ∑ c i c ju( x i )u( x j )r ( x i , x j )
s( X i , X j )
i =1 i=1 j= i+1 r( x i , x j ) = r( X i , X j ) =
(16) s( X i )s( X j )
Para o caso muito especial onde todas
as estimativas de entrada são Pode haver correlação significativa
correlacionadas com coeficientes r(xi,xj) = entre duas quantidades de entrada se o
+1, a eq. (16) se reduz a mesmo instrumento de medição, padrão
físico de medição ou dado de referência
2 2
N   N ∂f  tendo uma incerteza padrão significativa é
u c2 ( y) = ∑ c iu( x i ) = ∑ u( x i ) usado em sua determinação. Por exemplo,
 i=1   i=1 ∂x i 

2.17
Expressão da Incerteza

se um certo termômetro é usado para


determinar uma correção de temperatura 4. Determinação da Incerteza
requerida na estimativa do valor da
quantidade de entrada Xi e o mesmo
Expandida
termômetro é usado para determinar uma
correção similar de temperatura requerida 4.1. Introdução
na estimativa do valor da quantidade de A Recomendação INC-1 (1980) do
entrada Xj. Porém, se Xi e Xj neste Working Group on the Statement of
exemplo são definidos para serem Uncertainties em que este trabalho se
quantidades não corrigidas e as baseia e as Recomendações 1 (CI-1981) e
quantidades que definem a curva de 1 (CI-1986) do CIPM aprovando e
calibração para o termômetro são incluídas reafirmando INC-1 (1980) advogam o uso
como quantidades de entrada adicionais da incerteza padrão combinada uc(y) como
com incertezas padrão independentes, a o parâmetro para expressar
correlação entre Xi e Xj é removida. quantitativamente a incerteza do resultado
Correlações entre quantidades de de uma medição. Realmente, de acordo
entrada não podem ser ignoradas se com suas recomendações, o CIPM tem
presentes e significativas. As covariâncias requerido que o que é agora chamado de
associadas devem ser calculadas incerteza padrão combinada uc(y) seja
experimentalmente se possível variando as usada por todos os participantes em dar os
quantidades de entrada correlatas ou resultados de todas comparações
usando o pool de informação disponível internacionais ou outros trabalhos feitos
sobre a variabilidade correlata das sob os auspícios do CIPM.
quantidades em questão (avaliação da
covariância Tipo B). Deve-se ter insight 4.2. Incerteza expandida
baseado na experiência e no A medida adicional da incerteza que
conhecimento geral quando estimando o satisfaz a exigência de fornecer um
grau de correlação entre quantidades de intervalo de confiança é chamada de
entrada aparecendo dos efeitos de incerteza expandida e é denotada por U. A
influências comuns, tais como temperatura incerteza expandida U é obtida
ambiente, pressão barométrica e umidade. multiplicando a incerteza padrão
Felizmente, em muitos casos, os efeitos de combinada uc(y) por um fator de cobertura
tais influências tem interdependência k.
desprezível e as quantidades de entrada
afetadas podem ser assumidas sem U = ku c ( y) (18)
correlação. Porém, se elas não podem ser
assumidas sem correlação, as correlações O resultado de uma medição é então
em si devem ser evitadas se as influências
convenientemente expresso como Y = y ±
comuns são introduzidas como
U, que é interpretado para significar que a
quantidades de entradas independentes
melhor estimativa do valor atribuído ao
adicionais.
mensurando Y é u e que y - U para y + U é
um intervalo que pode ser esperado incluir
uma grande fração da distribuição de
valores que podem razoavelmente ser
atribuídos a Y. Tal intervalo é também
expresso como y - U ≤ Y ≤ y +U.
Os termos intervalo de confiança e
nível de confiança tem definições
específicas em estatística e são aplicáveis
somente ao intervalo definido por U
quando certas condições são satisfeitas,
incluindo que todos os componentes de
incerteza que contribuem para uc(y) sejam
obtidos de avaliações do Tipo A. Assim,

2.18
Expressão da Incerteza

neste Guide, a palavra confiança não é devem ser aplicados ao resultado de uma
usada para modificar a palavra intervalo medição. Avaliando a incerteza de um
quando referindo ao intervalo definido por resultado de medição não deve ser
U; e o termo nível de confiança não é confundido com atribuindo um limite de
usado em ligado com este intervalo mas segurança para alguma quantidade.
como termo nível de confiança. Mais Idealmente, deve-se ser capaz de
especificamente, U é interpretado como escolher um valor específico do fator de
definindo um intervalo em torno do cobertura k que forneça um intervalo Y = y
resultado da medição que inclui uma ± U = y ± kuc(y) correspondendo a um nível
grande fração p da distribuição de particular de confiança p, tais como 95 ou
probabilidade caracterizado por este 99%. De modo equivalente, para um dado
resultado e sua incerteza padrão valor de k, deve-se ser capaz de
combinada e p é a probabilidade de estabelecer sem ambigüidade o nível de
cobertura ou nível de confiança do confiança associado com este intervalo.
intervalo. Porém, isto não é fácil de fazer, na prática,
Sempre que praticável, o nível de por que se requer um conhecimento
confiança p associado com o intervalo extensivo da distribuição de probabilidade
definido por U deve ser estimado e caracterizada pelo resultado da medição y
estabelecido. Deve-se reconhecer que e sua incerteza padrão combinada uc(y).
multiplicando uc(y) por uma constante não Embora estes parâmetros sejam de
fornece informação nova mas apresenta a grande importância, eles são insuficientes
informação previamente disponível em para o objetivo de estabelecer intervalos
uma forma diferente. Porém, também deve tendo exatamente níveis conhecidos de
ser reconhecido que, em muitos casos, o confiança.
nível de confiança p (especialmente para A Recomendação INC-1 (1980) não
valores de p próximos de 1) é bastante especifica como a relação entre k e p deve
incerto, não somente por causa do ser estabelecida. Em situações de
conhecimento limitado da distribuição de medição onde a distribuição de
probabilidade caracterizada por y e uc(y) probabilidade caracterizada por y e uc(y) é
(particularmente nas porções extremas), aproximadamente normal e os graus
mas também por causa da incerteza de efetivos de liberdade de uc(y) são de
uc(y) em si tamanho significativo, o que
freqüentemente ocorre na prática, pode-se
4.3. Escolhendo um fator de assumir que tomando k = 2 produz um
cobertura intervalo tendo um nível de confiança de
O valor do fator de cobertura k é aproximadamente 95% e que tomando k =
escolhido com base no nível de confiança 3 produz um intervalo tendo um nível de
requerido do intervalo y - U para y + U. Em confiança de aproximadamente 99%.
geral, k está na faixa de 2 a 3. Porém, para
aplicações especiais, k pode estar fora
desta faixa. A experiência com e o
conhecimento completo dos usos do
resultado da medição podem facilitar a
seleção do valor apropriado de k.
Ocasionalmente, pode se achar que
uma correção conhecida b para um efeito
sistemático não tem sido aplicada para o
resultado reportado de uma medição, mas
em vez disso se tenta levar em
consideração o efeito, aumentando a
incerteza atribuída ao resultado. Isto deve
ser evitado, somente em circunstâncias
muito especiais as correções para efeitos
sistemáticos significativos conhecidos não

2.19
Expressão da Incerteza

medição e sua incerteza das


5. Expressão da Incerteza observações experimentais e dos
dados de entrada
b) listar todos os componentes da
5.1. Recomendação geral
incerteza e documentar totalmente
Em geral, quando se move para cima como eles foram avaliados
na hierarquia da medição, mais detalhes c) apresentar a análise dos dados de
são exigidos acerca de como foram tal modo que cada passo importante
obtidos um resultado da medição e sua seja facilmente seguido e o cálculo
incerteza. Porém, em qualquer nível desta do resultado reportado possa ser
hierarquia, toda a informação necessária repetido independentemente, se
para a reavaliação da medição deve ser necessário
disponível claramente para quem pode d) dar todas as correções e constantes
necessitar dela. A diferença é que nos usadas na análise suas fontes.
níveis mais baixo da cadeira hierárquica, Um teste da lista anterior é se
mais informação além da necessária pode perguntar: foi fornecida informação
ser disponível na forma de relatórios de suficiente e clara, de modo que o resultado
calibração e testes publicados, pode ser atualizado no futuro, se novos
especificações de teste, certificados de dados ou novas informações aparecerem?
calibração e teste, manuais de instrução,
normas internacionais, normas nacionais e 5.2. Recomendação específica
normas locais. Quando reportando o resultado de uma
Quando os detalhes de uma medição, medição e quando a medida da incerteza
incluindo como a incerteza do resultado foi for a incerteza padrão combinada, uc(y),
calculada, são fornecidos através de deve-se
documentos publicados, como é a) dar uma descrição completa de
geralmente o caso dos resultados da como o mensurando é definido;
calibração que são reportados em um b) dar uma estimativa de y do
certificado, é imperativo que estas mensurando Y e sua incerteza
publicações sejam mantidas atualizados de padrão combinada uc(y);
modo que elas sejam consistentes com o c) dar sempre as unidades de y e uc(y);
procedimento da medição realmente em d) incluir a incerteza padrão combinada
uso. relativa, uc(y)/ y , com y ≠ 0,
Numerosas medições são feitas cada
dia na indústria e comércio sem qualquer quando apropriado;
relatório explicito da incerteza. Porém, e) dar a informação detalhada de como
muitas são feitas com instrumentos o resultado e a sua incerteza foram
sujeitos a calibração periódica ou inspeção obtidos ou se referir a documento
legal. Se os instrumentos são sabidos publicado que a contenha.
estar de conformidade com suas Se for julgado útil para os usuários do
especificações ou com os documentos resultado da medição, por exemplo, ajudar
normativos aplicáveis, as incertezas de no cálculo futuro dos fatores de cobertura
suas indicações podem ser inferidas ou assistir no entendimento da medição,
destas especificações ou destes pode-se indicar
documentos normativos. a) a estimativa efetiva dos graus de
Embora, na prática, a quantidade de liberdade;
informação necessária para documentar b) as incertezas padrão combinadas do
um resultado de medição dependa de seu Tipo A e do Tipo B ucA(y) e ucB(y) e
uso pretendido, o principio básico é: seus graus de liberdade efetivos
quando reportando o resultado de uma estimados νefA e νefB.
medição e sua incerteza, é preferível errar Quando a medida da incerteza é uc(y),
no lado de fornecer informação demais do é preferível estabelecer o resultado
que de menos. Por exemplo, deve-se numérico da medição em um dos
a) descrever claramente os métodos seguintes quatro modos de modo a evitar
usados para calcular o resultado da mal entendidos. (A quantidade cujo valor

2.20
Expressão da Incerteza

está sendo reportado é assumido ser um d) dar o valor de k usado para obter U
padrão de massa mS de 100 g; as palavras [ou, para a conveniência do usuário
em parênteses podem ser omitidas por do resultado, dar ambos k e uc(y)];
brevidade se uc é definido em algum outro e) dar o nível aproximado de confiança
lugar do documento reportando o associado com o intervalo y ± U e
resultado) apresentar como ele foi
1) mS = 100,021 47 g com (uma determinado;
incerteza padrão combinada) uc = f) dar a informação detalhada de como
0,35 mg. o resultado e a sua incerteza foram
2) mS = 100,021 47 (35) g, onde o obtidos ou se referir a documento
número em parênteses é o valor publicado que a contenha.
numérico da (incerteza padrão Quando a medida da incerteza é U, é
combinada) uc referido aos últimos preferível, para máxima claridade,
dígitos correspondentes do resultado apresentar o resultado numérico da
cotado. medição como no exemplo seguinte. (As
3) mS = 100,021 47 (0,000 35) g, onde palavras em parênteses podem ser
o número em parênteses é o valor omitidas por brevidade se U, uc(y) e k são
numérico da (incerteza padrão definidos em algum outro lugar no
combinada ) uc expressa na unidade documento reportando o resultado.)
do resultado cotado. mS = (100,021 47 ± 0,000 79) g,
4) mS = 100,021 47 ± 0,000 35 g, onde onde o número seguindo o símbolo
o número seguindo o símbolo ± é o ± é o valor numérico de (uma
valor numérico da (incerteza padrão incerteza expandida) U = k uc, com
combinada ) uc e não um intervalo de U determinada de (uma incerteza
confiança. padrão combinada) uc = 0,35 mg e
O formato ± deve ser evitado sempre (um fator de cobertura) k = 2,26
que possível porque ele tem sido baseado na distribuição t para ν = 9
tradicionalmente usado para indicar um graus de liberdade e define um
intervalo correspondendo a um alto nível intervalo estimado para ter um nível
de confiança e assim pode ser confundido de confiança de 95%.
com a incerteza expandida Além disso, Se uma medição determina
embora o propósito do formato em (4) seja simultaneamente mais do que um
evitar tal confusão, escrevendo Y = y ± mensurando, isto é, se ela fornece duas ou
uc(y) poderia ainda ser mal entendida para mais estimativas de saída yi então, além
implicar, especialmente se o formato é de dar yi e uc(y), dar os elementos da
acidentalmente omitido, que uma incerteza matriz de covariância u(yi,yj) ou os
expandida com elementos r(yi,yj) da matriz de coeficientes
k = 1 é pretendida e que o intervalo y - de correlação (e preferivelmente ambos).
uc(y) ≤ Y ≤ y + uc(y) tem um nível de Os valores numéricos da estimativa y e
confiança especificado p, associado com a sua incerteza padrão uc(y) ou incerteza
distribuição normal. expandida U não devem ser dados com
Quando reportando o resultado de uma um número excessivo de dígitos. É
medição e quando a medida da incerteza é usualmente suficiente cotar uc(y) e U [bem
a incerteza expandida U = kuc(y), deve-se como as incertezas padrão u(xi) das
a) dar uma descrição completa de estimativas de entrada xi] com, no máximo,
como o mensurando Y é definido; dois algarismos significativos, embora em
b) apresentar o resultado da medição alguns casos possa ser necessário reter
como Y = y ± U e dar as unidades dígitos adicionais para evitar erros de
de y e U; arredondamento em cálculos
c) incluir a incerteza expandida relativa subsequentes.
U/ y , com y ≠ 0, quando Reportando os resultados finais, pode
apropriado; ser apropriado, muitas vezes, arredondar
as incertezas para cima, em vez de
arredondar para o valor mais próximo. Por

2.21
Expressão da Incerteza

exemplo, uc(y) = 10,47 mΩ deve ser 6. Sumário do procedimento


arredondado para 11 mΩ, em vez de 10
para avaliar e expressar a
mΩ. Porém , o bom senso deve prevalecer
e um valor como uc(y) = 28,05 kHz deve incerteza
ser arredondado para 28 kHz. Estimativas Os passos a serem seguidos para
de entrada e saída devem ser avaliar e expressar a incerteza do
arredondadas para ficarem consistentes resultado de uma medição como
com suas incertezas; por exemplo, se y = apresentado neste Guide podem ser
10,057 62 Ω com uc(y) = 27 mΩ, y deve resumidos como segue:
ser arredondado para 10,058 Ω. 1. Expressar matematicamente a
Coeficientes de correlação devem ser relação entre o mensurando Y e as
dados com precisão de três dígitos se seus quantidades de entrada Xi das
valores absolutos são próximos de 1. quais Y depende: Y = f(X1, X2,...,
No relatório detalhado que descreve XN). A função f deve conter cada
como o resultado de uma medição e sua quantidade, incluindo todas as
incerteza foram obtidos, deve-se fazer o correções e fatores de correção,
seguinte: que podem contribuir um
a) dar o valor de cada estimativa de componente significativo de
entrada xi e sua incerteza padrão incerteza para o resultado da
u(xi) junto com uma descrição de medição.
como elas foram obtidas; 2. Determinar xi, o valor estimado da
b) dar as covariâncias estimadas ou quantidade de entrada Xi, ou com
coeficientes de correlação estimados base na análise estatística de
(preferivelmente ambos) associados séries de observações ou por
com todas estimativas de entrada outros meios.
que são correlatas e os métodos 3. Avaliar a incerteza padrão u(xi) de
usados para obtê-los; cada estimativa de entrada xi. Para
c) dar o grau de liberdade para a uma estimativa de entrada obtida
incerteza padrão de cada estimativa da análise estatística de séries de
de entrada e como ele foi obtido; observações, a incerteza padrão é
d) dar a relação funcional Y = f(X1,X2,..., avaliada como do Tipo A. Para uma
XN) e quando eles parecerem úteis, estimativa de entrada obtida por
as derivadas parciais ou coeficientes outros meios, a incerteza padrão
de sensitividade ∂f / ∂x i . Porém, u(xi) é avaliada como do Tipo B.
quaisquer coeficientes determinados 4. Avaliar as covariâncias associadas
experimentalmente devem ser com todas estimativas de entrada
dados. que sejam correlatas.
Como a relação funcional f pode ser 5. Calcular o resultado da medição,
muito complexa ou pode não existir isto é, a estimativa y do
explicitamente mas somente como um mensurando Y, da relação funcional
programa de computador, pode não ser f usando para as quantidades de
possível dar f e suas derivadas. A função f entrada Xi as estimativas xi obtidas
pode então ser descrita em termos gerais no passo 2.
ou o programa usado pode ser citado por 6. Determinar a incerteza padrão
uma referência apropriada. Em tais casos, combinada uc(y) do resultado da
é importante que seja claro como a medição y das incertezas padrão e
estimativa y do mensurando U e sua das covariâncias associadas com
incerteza padrão combinada uc(y) foram as estimativas de entrada. Se a
obtidas. medição determina
simultaneamente mais do uma
quantidade de saída, calcular suas
covariâncias.
7. Se for necessário dar uma incerteza
expandida U, cujo objetivo é

2.22
Expressão da Incerteza

fornecer um intervalo y - U a y + U Toda descrição detalhada da incerteza


que pode ser esperado incluir uma deve compreender uma lista completa de
grande fração da distribuição de seus componentes e indicar para cada um
valores que podem razoavelmente o método utilizado para lhe atribuir um
ser atribuídos ao mensurando Y, valor numérico.
multiplicar a incerteza padrão 2. Os componentes da categoria A
combinada uc(y) por um fator de devem ser caracterizados para as
2
cobertura k, tipicamente na faixa de variâncias estimadas si (ou os desvios
2 a 3, para obter U = k uc(y). padrão estimados si) e o número de graus
Selecionar k com base no nível de de liberdade νi. Onde apropriado, as
confiança requerido do intervalo. covariâncias devem ser dadas.
8. Reportar o resultado da medição y 3. Os componentes na categoria B
junto com sua incerteza padrão devem ser caracterizados pelas
2
combinada uc(y) ou incerteza quantidades uj que podem ser
expandida U, usar um dos cinco consideradas como aproximações às
formatos já recomendados. correspondentes variâncias, a existência
2
9. Descrever como y e uc(y) ou U das quais é assumida. As quantidades uj
foram obtidos. podem ser tratadas como variâncias e as
quantidades uj como desvios padrão. Onde
7. Recomendações do Grupo de apropriado, as covariâncias devem ser
Trabalho e CIPM tratadas do mesmo modo.
4. A incerteza combinada deve ser
caracterizada pelo valor numérico obtido
7.1. Recomendação INC-1 (1980) aplicando o método usual para a
O Grupo de Trabalho sobre o combinação das variâncias. A incerteza
Estabelecimento das Incertezas foi combinada e seus componentes devem
formado em outubro de 1980 pelo Bureau ser expressos na forma de desvios padrão.
Internacional des Poids et Mesures (BIPM) Se, para determinada aplicação, for
em resposta a um pedido do Comité necessário multiplicar a incerteza
International des Poids et Mesures (CIPM). combinada por um fator para obter uma
Ele preparou um relatório detalhado para incerteza total, o fator de multiplicação
consideração pelo CIPM que concluiu com usada sempre deve ser declarado.
a Recomendação INC-1 (1980).
7.2. Recomendação 1 (CI-1981)
Expressões des incertezas O CIPM reviu o report submetido a ele
experimentais pelo Working Group on the Statement of
Uncertainties e adotou a seguinte
Recomendação INC-1 (1980) o
recomendação em seu 70 encontro
1. A incerteza de um resultado de ocorrido em outubro de 1981:
medida compreende geralmente vários
componentes que podem ser agrupados Recomendação 1 (CI-1981)
em duas categorias baseadas no método Expressão das incertezas
utilizado para estimar seu valor numérico: experimentais
A. as que são avaliadas com ajuda de O Comité International des Poids et
métodos estatísticos, Mesures
B. as que não avaliadas por outros meios. considerando
Não há sempre uma correspondência - a necessidade de encontrar um modo
simples entre a classificação nas consensado de expressar a incerteza
categorias A e B e o caracter aleatório ou da medição na metrologia,
sistemático usado anteriormente para - o esforço que tem sido devotado a isto
classificar as incertezas. A expressão por muitas organizações durante
incerteza sistemática é susceptível de muitos anos,
conduzir a erros de interpretação e deve - o grande progresso feito em achar uma
ser evitada. solução aceitável, que resultou das
discussões do Working Group on the

2.23
Expressão da Incerteza

Statement of Uncertainties que se comparações internacionais ou outros


reuniu no BIPM em 1980, trabalho feito sob os auspícios do CIPM e
reconhece dos comités consultivos e que deve ser
- que as propostas do Working Group dada a incerteza combinada das incertezas
possam formar a base de um eventual do Tipo A Tipo B em termos de um desvio
acordo na expressão das incertezas, padrão.
recomenda
- que as propostas do Working Group
sejam difundidas universalmente,
- que o BIPM tente aplicar estes
princípios para comparações
internacionais feitas sob seus auspícios
nos próximos anos,
- que outras organizações interessadas
sejam encorajadas a examinar e testar
estas propostas e dirijam seus
comentários ao BIPM,
- que após dois ou três anos o BIPM
reveja a aplicação de sua proposta.

7.3. Recomendação 1 (CI-1986)


O CIPM considerou o assunto da
o
expressão das incerteza em seu 75
encontro realizado em outubro de 1986 e
adotou a seguinte recomendação.
Recomendação 1 (CI-1986)
Expressão das incertezas em trabalho
realizado sob os auspícios do CIPM
O Comité International des Poids et
Mesures,
considerando a adoção pelo Working
Group on the Statement of Uncertainties
da Recomendação INC-1 (1980) e a
adoção pelo CIPM da Recomendação 1
(CI-1981),
considerando que certos membros dos
Comités consultivos podem querer
esclarecimento desta Recomendação para
o objetivo de trabalho que caia sob sua
atividade, especialmente para
comparações internacionais,
reconhece que o parágrafo 5 da
Recomendação INC-1 (1980) relacionado
a aplicações particulares, especialmente
aquelas tendo significado comercial, está
agora sendo considerado por um grupo de
trabalho da International Standards
Organization (ISO) comum a ISO, OIML e
IEC, com a concorrência e cooperação do
CIPM,
requer que o parágrafo 4 da
Recomendação INC-1 (1980) deve ser
aplicado por todos os participantes em
dando os resultados de todas as Apostila\Incerteza CalculoIncerteza2.doc 24 SET 98 (substitui 09 DEZ 97)

2.24
3
Incerteza na Medição
4. nível: pressão diferencial, bóia,
1. Malha de Medição deslocador, radioativo, termal.
Toda malha de medição de qualquer 1.2. Condicionador de Sinal
variável de processo possui, de modo Como o sinal de saída do elemento
explícito ou implícito, os seguintes sensor ainda não é adequado para atuar
componentes, separados ou diretamente no apresentador de sinal,
combinados: por ser muito pequeno, não linear,
1. sensor ruidoso ou ter outras influências, ele
2. condicionador de sinal deve ser alterado antes de entrar no
3. apresentador do sinal instrumento de display. O instrumento
A malha de controle, além destes que adequa o sinal de saída do sensor
componentes da malha de medição, para entrar no instrumento display é o
possui ainda os seguintes componentes: condicionador de sinal. São exemplos de
1. tomador de decisão condicionadores de sinal:
2. elemento final de controle 1. amplificador, que aumenta o nível do
sinal
1.1. Sensor
2. filtro, que elimina os sinais
O sensor detecta a variável de indesejáveis
processo medida e gera um sinal de 3. extrator de raiz quadrada, que
saída proporcional. Este sinal de saída lineariza o sinal quadrático
pode ser mecânico (movimento, força, 4. computador para fazer compensação,
deslocamento) ou elétrico (resistência, que executa operações matemáticas
capacitância, tensão ou corrente). A de multiplicação, divisão, soma,
relação matemática entre a saída do subtração e outras funções mais
sensor e a variável medida pode ser complicadas
linear ou não linear (p. ex., quadrática 5. transmissor, que gera um sinal
como na placa de orifício na medição de padrão eletrônico (4 a 20 mA) ou
vazão). O sensor geralmente está em pneumático (20 a 100 kPa)
contato direto com o processo, mas pode proporcional ao sinal de entrada
ser remoto ou pode ter outros 6. conversor, que transforma a natureza
dispositivos auxiliares, como selo de do sinal para outra diferente, como
pressão ou poço termal. analógico para digital, digital para
O tipo do sensor depende analógico, freqüência para corrente,
exclusivamente da variável medida. corrente para freqüência.
Exemplos de sensores: 7. fios de extensão e de compensação
1. pressão: bourdon C, espiral, do termopar, que liga o termopar ao
helicoidal, strain gauge instrumento receptor.
2. temperatura: bimetal, enchimento
termal, termopar e resistência
detectora (RTD)
3. vazão: placa de orifício, tubo Venturi,
bocal, magnético, turbina, vortex,
deslocamento positivo

3.1
2

Calibração

Estágio Estágio do Estágio do Estágio


do transdutor condicionad do
Sinal

Processo
Estágio de
controle

Figura 4.1. Malha de medição e de controle

1.3. Instrumento apresentador do 1.4. Controlador


sinal Na malha de controle, há ainda um
O instrumento apresentador do sinal é instrumento tomador de decisão, que é o
também chamado de instrumento display, controlador. O controlador é um
read out ou de leitura. O instrumento instrumento que recebe dois sinais na
apresentador do sinal é a interface com o entrada:
operador. Ele apresenta o valor numérico 1. sinal de medição
da variável de processo medida. O 2. sinal de ponto de ajuste,
resultado pode ser apresentado dos estabelecido manualmente pelo
seguintes modos: operador ou automaticamente, por
1. indicação, que apresenta o valor outro instrumento.
instantâneo em um conjunto escala O controlador compara estes dois sinais e gera um
graduada e ponteiro (analógico) ou sinal de saída, padrão, que é função matemática da
através de dígitos (digital). diferença entre os dois sinais. Esta função
2. registro, que apresenta o valor histórico matemática pode ser
impresso em um conjunto gráfico e 1. proporcional
pena. 2. proporcional mais integral
3. totalização, que apresenta o valor 3. proporcional mais derivativo
acumulado durante determinado 4. proporcional mais integral mais
período de tempo através de um derivativo.
contador, geralmente digital. O A saída do controlador pode também ser zero ou
instrumento de saída do totalizador é 100% (controle liga-desliga).
um contador. No sistema de qualidade, quando se
4. alarme, que fornece sinais sonoros ou calculam as incertezas componentes das
luminosos para chamar a atenção do malhas, considera-se somente a indicação
operador e requerer sua atuação no do controlador.
sistema. O alarme não apresenta o
valor numérico da variável, mas é 1.5. Elemento final de controle
acionado quando a variável atinge O elemento final de controle recebe o
determinado valor pré-ajustado. sinal de saída do controlador e se ajusta
de conformidade com este sinal. O

3.2
Incerteza na Medição

elemento final de controle mais usado é a instrumentos cuja incerteza é expressa em


válvula com atuador pneumático. Outros % F.E.:
elementos finais incluem: damper, motor 1. indicador de qualquer variável,
de passo, inversor de freqüência. 2. transmissor convencional de
Para fins de cálculo de incerteza da qualquer variável,
malha, o elemento final de controle não é 3. registrador de qualquer variável
considerado. O instrumento com incerteza expressa em
% F.E. possui
2. Incerteza dos instrumentos 1. erro absoluto constante, ou seja, a
Há basicamente dois modos diferentes percentagem do fundo de escala.
de se expressar a incerteza de um 2. erro relativo inversamente
instrumento: proporcional à medição e portanto é
1. % do valor medido (% V.M.) maior para valores pequenos e
2. % do fundo de escala (% F.E.) menor para valores elevados. O
seu erro é mínimo no fundo de
2.1. Instrumento com incerteza % escala.
V.M. Um instrumento com ±1 % V.M. é
O instrumento cuja incerteza é sempre melhor que um instrumento com ±
expressa em % V.M. possui apenas o 1 % F.E., exceto no fim da escala, onde as
ajuste de largura de faixa. Este incertezas são iguais.
instrumento possui a condição de zero A grande limitação dos instrumentos
definida, de modo que não requer e nem com incerteza em % F.E. é sua pequena
possui ajuste de zero. Os sensores rangeabilidade, típica de 3:1. A faixa de
também possuem incerteza expressa em medição útil varia de 30 a 100%. Para
% V.M., pois eles não possuem nenhum valores abaixo de 30%, a incerteza da
ajuste e são escolhidos pela sua medição é três vezes maior que a
capacidade de medição. Exemplos de incerteza no fim da escala. O instrumento
instrumentos e sensores cuja incerteza é com incerteza em % F.E. não deve ser
expressa em % V.M.: usado para medir valores pequenos, pois
1. medidor de vazão tipo Coriolis, seu erro relativo fica muito grande.
2. medidor de vazão tipo vortex, Embora pareçam ser diferentes,
3. medidor de vazão magnético, incertezas expressas em % de largura de
4. placa de orifício, sensora de vazão, faixa (% span) e em unidade de
5. termopar ou RTD, sensores de engenharia (UE) são equivalentes à
temperatura incerteza em % F.E. Quando se tem a
6. transmissor inteligente com saída faixa de medição com zero elevado (faixa
digital de qualquer variável começando de valores negativos), deve-se
expressar a incerteza em % span, em vez
O instrumento com incerteza expressa em
de % F.E., pois se tem um número maior
% V.M. possui
que o fim da escala. Para faixas
1. erro absoluto proporcional à medição e começando de zero, % span e % F.E. são
portanto é maior para valores altos e iguais.
menor para valores pequenos, Quando se tem uma malha constituída
2. erro relativo constante, ou seja, a de vários componentes, com cada
percentagem do valor medido. incerteza expressão de modo diferente,
deve-se padronizar e escolher a incerteza
2.2. Instrumento com incerteza % que expressa o pior caso, ou seja, em %
F.E. F.E. ou em % span. Por exemplo, em uma
Os instrumentos cuja incerteza é malha de vazão com placa de orifício, tem-
expressa em % F.E. possui ajuste de zero se:
e ajuste de largura de faixa. Estes 1. placa de orifício, com incerteza em
instrumentos possuem incerteza em torno % V.M.
do zero, de modo que requerem e 2. transmissor convencional, em %
possuem ajuste de zero. Exemplos de F.E.

3.3
Incerteza na Medição

3. indicador de vazão, com % F.E. exposição à luz solar, temperatura


A incerteza final da malha é em % F.E. ambiente, umidade
2. estado da instalação, como trechos
3. Cálculo da Incerteza na retos em medidores de vazão,
proximidade de perturbadores do
Malha sensor de vazão, posição dos
sensores de temperatura
3.1. Coleta de dados 3. existência da plaqueta de
Para se calcular as incertezas das identificação e quando existente, os
malhas instaladas, deve-se usar dados dados gravados, como número de
confiáveis. Para garantir a confiabilidade série, tag, faixa calibrada, fabricante,
dos dados, várias fontes devem ser modelo, características de
consultadas e os dados devem ser construção
cruzados para verificar sua conformidade e 4. estado dos fios elétricos de
validade. Os dados para o cálculo da interligação dos instrumentos e
incerteza das malhas devem ser coletados, posição relativa com fiação de
comparados e consensados das seguintes potência, estados dos tubos
fontes: pneumáticos.
1. fluxogramas (P&I) do processo, de
onde são tiradas as funções, 3.2. Cadastro de Componentes
composições e tags das malhas Os dados atualizados e comparados
projetadas, localização e natureza com a instalação as built devem ser
dos instrumentos componentes; usados para se fazer o Cadastro dos
2. folhas de dados (data sheet) do Instrumento.
processo, de onde são tiradas as Este cadastro deve conter os seguintes
especificações dos instrumentos, campos para cada tag de malha:
faixas calibradas, ponto de trabalho; 1. Tag
3. folhas de fabricação dos 2. Tipo
instrumentos, com fabricante, 3. Fabricante
modelo, número de série e 4. Modelo
características extras; 5. Serial
4. diagramas de malhas que 6. Faixa calibrada
apresentam uma descrição mais 7. Precisão
detalhada das malhas;
Tag
5. catálogos de instrumentos dos
Deve ser atribuído um tag a cada
fabricantes, de onde são retiradas
componente da malha que apresenta uma
as especificações de operação,
incerteza inicialmente calculada e que
armazenagem, físicas e de
deve ser posteriormente calibrado ou
desempenho do instrumento
ajustado. O tag listado deve estar
(precisão, linearidade, repetitividade,
consistente com as normas de simbologia,
banda morta, histerese e drift de
tais como ISA S5.1.
temperatura);
6. padrão técnico de processo do
produto, de onde são coletados os
dados de ponto ou faixa de trabalho
e tolerância requerida.
Além da consulta à documentação
escrita, devem ser feitas visitas ao local de
montagem dos instrumentos, para verificar
a sua adequação, onde devem ser
observados os seguintes parâmetros:
1. local de montagem, onde deve ser
pesquisado o grau de sujeira,
contaminantes, vibração mecânica,

3.4
Incerteza na Medição

Lista para Cadastro de Componentes das Malhas Críticas Associadas à Incerteza

F-541-102
Tag Tipo Fabricante Modelo Serial Faixa de Entrada Precisão
3
FE Placa de orifício Omel 0 a 33500 Nm /h ± 1% F.E. ∆P
FT Transmissor d/p cell Foxboro E13DM 80892203 0 a 1000 mmH2O ± 0,5% span
FT-A Conversor I/V Foxboro 2AI-I3V 4 a 20 mA cc ± 0,25% span
FY-A Multiplicador/divisor Foxboro 2AP+MUL 0 a 10 V cc ± 0,5% span
FY-B Extrator raiz Foxboro 2AP+SQE 0 a 10 V cc ± 0,5% span saída
FY-D Conversor V/I Foxboro 2AO-V3I 0 a 10 V cc ± 0,5% span
FI Indicador Presys DMY-1550 121-12-94 4 a 20 mA cc ± 0,1% span ± 2 d
o o
TE-101 RTD Ecil Pt-100 0 a 200 C ± (0,3 + 0,005 V.M.) C
TY-101 Conversor Ω/V Foxboro 2AI-P2V 100 a 175.84 Ω ± 0,5% span
2
PT-102 Transmissor Foxboro E11GM 0 a 2 kgf/cm ± 0,5% span
PT-102A Conversor I/V Foxboro 2AI-I3V 4 a 20 mA cc ± 0,25% span

3.5
Incerteza na Medição

estar expressa em % do fundo de escala,


Tipo
% do valor medido ou unidade de
Cada componente da malha deve ser
engenharia e, quando digital, mais o erro
descrito com sua função e variável
de quantização, expresso em mais ou
associada, de modo simples. Por exemplo,
menos um número de dígitos.
elemento sensor de temperatura, fio de
extensão de termopar, fio de temperatura 3.3. Lista de Componentes para
da RTD, transmissor de vazão, registrador Cálculo das Incertezas das Malhas
de temperatura, controlador de pressão.
Críticas
Fabricante Deve-se fazer um formulário para
Cada instrumento tem o seu fabricante, que deve registrar os dados metrológicos dos
ser confirmado, in loco, pela plaqueta de componentes da malha e evidenciar o
identificação do instrumento. Principais fabricantes e cálculo da incerteza final resultante. Cada
fornecedores de instrumentos: Foxboro, Fisher, folha do formulário deve conter uma
Rosemount, Honeywell, Smar, Yokogawa, Moore. malha.
Modelo O formulário Lista de Componentes e
O modelo deve ser tirado da plaqueta Incertezas das Malhas Críticas, deve
de identificação do instrumento. Pela conter, no mínimo, os seguintes campos:
descrição do modelo completo, podem ser Função
encontradas inconsistências de malha Neste campo estar descrita a função no
calibrada e materiais usados. processo e o número da malha,
Serial associando ao equipamento como tanque,
O serial é o número de identidade do torre, reator, forno, caldeira, compressor,
instrumento e está gravado na sua trocador de calor.
plaqueta de identificação. A cada Faixa calibrada
instrumento deve corresponder um serial e Neste campo se coloca a faixa
a cada serial deve corresponder um calibrada, expressa em unidade de
instrumento. O número de série é o engenharia, obtida da folha de dados do
parâmetro necessário para se conseguir instrumento. Este campo é usado para
do fabricante a folha de fabricação do determinar a precisão do instrumento
instrumento existente. expressa em % da faixa calibrada.
Na prática, muitos componentes da
malha não possuem número de série Ponto de trabalho
(serial) por um dos seguintes motivos: Neste campo se coloca o ponto de
1. perdeu-se a etiqueta de identificação trabalho mais provável do processo,
2. número apagado na etiqueta expresso em unidade de engenharia,
3. nunca existiu obtido da documentação do processo do
Nestes casos, deve-se atribuir um produto. Este campo é usado para
número de série a todo instrumento e determinar a precisão do instrumento
registra-lo em um livro ou arquivo de expressa em % do valor medido.
controle. Em algumas malhas não há um único
ponto de trabalho mas vários, constituindo
Faixa de entrada uma faixa de trabalho. Nestes casos, se
Neste campo, deve estar registrada a utiliza o ponto da faixa que produz a
faixa de entrada do sinal de cada máxima incerteza.
instrumento componente da malha. Este
dado é importante para a calibração e a Tolerância do processo
escolha dos padrões de calibração do Neste campo se coloca a tolerância do
instrumento isolado. processo, que é a incerteza máxima da
variável medida aceita pelo processo para
Precisão fazer um produto dentro das
Este campo é preenchido com a especificações nominais. Esta tolerância é
precisão do componente da malha, obtida da documentação do Processo ou
retirada do catálogo do fabricante e pode da Produção . A tolerância pode ser

3.6
Incerteza na Medição

expressa em unidade de engenharia ou Precisão calculada


em % de valor medido. Este campo é obtido com a
Este campo é utilizado como referência computação dos dados dos campos
de comparação com a incerteza calculada Precisão Catálogo e (F.E., span ou V.M).
da malha instalada. Algum procedimento Quando a precisão do instrumento já é
da empresa deve estabelecer a condição indicada em unidade de engenharia, este
de conformidade da malha instalada com a valor é colocado diretamente neste campo.
exigência do processo. Um número Casos mais complexos envolvendo
sugerido é a incerteza instalada ser três cálculos para conversão de unidades e
vezes menor que a tolerância requerida compensação de vazão são feitos à parte
pelo processo, podendo haver exceções, e indicados por notas.
que devem ser documentadas e
justificadas. Referência
Neste campo deve ser a literatura
Número do Documento técnica, geralmente o catálogo do
Neste campo é colocado o número do fabricante do instrumento, com número de
documento ou do fluxograma (P&I), página, de onde foi retirada a
quando disponível. Este campo é utilizado especificação metrológica do instrumento.
como referência. Todo fluxograma deve Podem ser tiradas cópias destas páginas,
ser atualizado quando houver alteração que são arquivadas em uma pasta anexa,
documentada nas malhas do processo. para facilitar as auditorias.
Tag Período sugerido (semanas)
Neste campo é colocado o tag atribuído Neste campo estão listados os
a cada componente da malha e retirado do períodos iniciais de calibração sugeridos
fluxograma. para cada componente da malha,
Precisão Catálogo considerando tipo de instrumento,
Este campo é preenchido com a agressividade do local da instalação,
precisão do componente da malha retirada recomendação do fabricante. Estes
dos catálogos disponíveis do instrumento, períodos devem ser revistos no futuro,
expressa em usando-se o procedimento
1. percentagem do fundo de escala correspondente. Os períodos podem ser
(% F.E.), expressos em semanas; excepcionalmente
2. percentagem do valor medido (% em dias (analisadores) ou em meses,
V.M.), quando a disponibilidade dos instrumentos
3. percentagem da largura de faixa (% pela operação é problemática.
span) ou
4. em unidade de engenharia.
Quando o indicador é digital, soma-se o
erro de quantização, ± n dígitos.
F.E., span ou V.M.
Este campo é preenchido com um dos
três possíveis parâmetros:
1. F.E., fundo de escala, que é o valor
máximo da faixa calibrada
2. span, largura de faixa, que é o valor
da diferença entre o 100% e 0% da
escala. É aplicável quando a faixa
calibrada tem zero elevado (0% < 0).
3. V.M., valor medido, que é o valor do
ponto de trabalho da variável no
processo.

3.7
Incerteza na Medição

Malha de Vazão Típica


Função Faixa Calibrada Ponto de Tolerância do No do
Trabalho Processo Desenho P&I
3 3 3
Vazão ar processo FP-100-01 0 a 33500 Nm /h 22500 Nm /h ± 1200 Nm /h TEK-423-028-4

Tag Precisão F.E. , span Precisão Período sugerido


Referência
Catálogo ou V.M. Calculada (semana)
FE ± 1% F.E. ∆P 1000 mmH2O nota 1 David Sptizer, pág. 162 156
FT ± 0,5% span 1000 mmH2O nota 1 Foxboro, GS 2A-1C1 E, pág. 1, nov/71 26
FT-A ± 0,25% span 1000 mmH2O nota 1 Foxboro, TI 2AI-130, pág. 2, fev/74 26
FY-A ± 0,5% span 1000 mmH2O nota 2 Foxboro, TI 2AP-130, pág. 2, out/73 26
3 3
FY-B ± 0,5% span saída 33500 Nm /h ± 168 Nm /h Foxboro, TI 2AP-170, pág. 1, jul/73 26
3 3
FY-D ± 0,5% span 33500 Nm /h ± 168 Nm /h Foxboro, TI 2AO-135, pág. 1, ago/74 26
3 3
FI ± 0,1% span ± 2 d 33500 Nm /h ± 101 Nm /h Presys, DMY-1550 26
o
TE-101 ±(0,3 + 0,005.V.M.) oC 150 C nota 1 Ecil, Termometria, pág. 78 156
o
TY-101 ± 0,5% span 200 C nota 1 Foxboro, TI 2AI-180 26
2
PT-102 ± 0,5% span 2 kgf/cm nota 1 Foxboro, GS 2A-1B3 A, pág. 1, nov/71 26
2
PT-102A ± 0,25% span 2 kgf/cm nota 1 Foxboro, TI 2AI-130, pág. 2, fev/74 26

Incerteza total da malha = ± 1,2% F.E.


Critério de aceitação: Como a tolerância do processo é maior ou igual a três vezes a incerteza calculada, a malha atende a exigência
do processo.

3.8
Incerteza na Medição

alguns seus manômetros como 2/1/2. Isto


4. Malha de Pressão significa que
1. entre 0 e 25% a precisão é 2% do
A medição de pressão é certamente a mais fácil fundo de escala,
entre as outras variáveis de processo. 2. entre 25 e 75, a precisão é de 1% do
Os elementos sensores de pressão são fundo de escala
tipicamente 3. entre 75 e 100%, a precisão é de
1. mecânico, baseado na deformação 2% do fundo de escala.
elástica de metais ou na pressão A eventual válvula de bloqueio entre o
exercida por coluna liquida, indicador de pressão e tubulação, usada
2. elétrico, baseado na variação da para facilitar a colocação e retirada do
resistência elétrica de fios finos instrumento não deve provocar erro na
(strain gauge) ou na geração de medição, desde que ela esteja sempre
uma pequena voltagem (cristal totalmente aberta.
piezoelétrico).
A medição da pressão é muito 4.2. Malha de pressão com
importante, pois através dela pode-se transmissor e indicador (PT + PI)
inferir valores de temperatura (enchimento Quando se quer a indicação remota da
termal), vazão (geração de pressão pressão, usa-se um transmissor,
diferencial) e nível (pressão da coluna geralmente eletrônico. Nesta malha devem
líquida). ser consideradas as incertezas dominantes
4.1. Indicação local de pressão (PI) do
1. transmissor, incluindo o sensor e
Esta é a malha mais simples possível. 2. indicador de painel.
O elemento sensor de pressão está A malha de registro de pressão é
embutido no instrumento indicador e todo o análoga à de indicação, substituindo-se o
conjunto é chamado de manômetro. A indicador pelo registrador.
precisão da indicação é diretamente a Após inspeção da malha de pressão no
fornecida pelo fabricante, em seus local, podem ser consideradas
catálogos. desprezíveis em relação às incertezas
consideradas, as devidas à tomada de
pressão.
PI
PI

Fig. 3.1. Medição direta de pressão


PT

A posição da tomada de pressão não é


crítica. O que é importante é a furação
para a tomada da pressão estática de
tubulações. Para que não haja erro
provocado pela tomada, Fig. 3.2. Medição de pressão com transmissor
1. não deve haver rebarba,
2. a tomada deve ser perpendicular à
tubulação
3. não deve haver chanfro na tomada
Geralmente, a precisão dos
manômetros depende da faixa medida. Por
exemplo, a Wika estabelece a precisão de

3.9
Incerteza na Medição

Malha de Pressão Típica


Função Faixa Calibrada Ponto Trabalho Tolerância No Desenho
Processo P&I
2 2 2
Pressão vaso C-681-101 0 a 15 kgf/cm 10,5 kgf/cm 0,5 kgf/cm Tek 681-20-014
PR-681-
106

Tag Precisão F.E. , span Precisão Referência Período


Nominal ou V.M. Calculada (semanas)
2 2
PT ± 0,5% span 15 kgf/cm ± 0,08 kgf/cm Yokogawa, IM, J6354(E), p. 2 26
DB-681-
2 2
DB ± 0,2% span 15 kgf/cm ± 0,03 kgf/cm Yokogawa, IM, J5268-02, p. 1 26 106

2 2
PR ± 0,5% span 15 kgf/cm ± 0,08 kgf/cm Yokogawa, GS 1B1B1-E 26

Cálculo da Incerteza total, it:


PT-681-
i t = i12 + i 22 + i 23 106

onde i1, i2, i3, são as incertezas do transmissor, conversor e registrador, respectivamente,
obtidos da coluna Precisão Calculada

i t = ( 0,08) 2 + ( 0,03 ) 2 + ( 0,08 ) 2 = ± 0,12 kgf/cm2

Incerteza total da malha = ± 0,8% span


Critério de aceitação: Tomando como critério default a incerteza instalada ser menor ou
igual a um terço da tolerância do processo, esta malha de pressão pode ser usada em
processos cujas condições de trabalho sejam iguais as citadas nesta malha e a tolerância
requerida seja maior ou igual a ±0,4 kgf/cm
2

3.10
Incerteza na Medição

calibração necessita de banho de


5. Malha de Temperatura temperatura que forneça um ambiente de
temperatura conhecida. Os sistemas usam
ar quente, óleo, areia ou blocos de
5.1. Introdução
alumínio para armazenar calor. O banho
A malha de medição de temperatura é de temperatura deve possuir um indicador
mais complexa que a de pressão, pois há de temperatura calibrado e rastreado, para
maior variedade de sensores e maior fornecer o valor confiável da temperatura
número de componentes com incertezas de calibração.
dominantes na malha. Na indústria, a
temperatura pode ser medida: 5.3. Enchimento termal
1. diretamente, com bimetal O sensor a enchimento termal é um
2. elemento de enchimento termal conjunto consistindo de:
3. termômetro com haste de vidro 1. parte sensível (bulbo)
4. termopar, com e sem transmissor 2. sensor de pressão (bourdon C)
5. RTD, com ou sem transmissor 3. capilar ligando bulbo e bourdon
6. pirômetro de radiação 4. fluido de enchimento
5.2. Bimetal
O sensor a bimetal consiste de dois
metais com coeficientes de dilatação
termal muito diferentes. A variação de
temperatura provoca uma variação de
comprimento do sensor bimetal,
provocando um pequeno deslocamento
que pode ser mecanicamente amplificado
e mover o ponteiro de indicação. A grande
vantagem do termômetro a bimetal é a
simplicidade e a não necessidade de
Fig. 3.11. Sensor com enchimento termal
alimentação externa. A desvantagem é a
pequena precisão, devida à grande
histerese e falta de repetitividade. A
Segundo SAMA (Scientific Apparatus
manipulação brusca do instrumento pode
Makers Association) o fluido de
afetar sua calibração. Mesmo assim, é
enchimento pode ter quatro classes, que
muito usado para indicações locais de
tem vantagens e limitações entre si:
temperatura. o
I - líquido não volátil (-200 a +300 C)
As partes externas do indicador são de o
II - líquido volátil (-40 a 300 C)
aço inoxidável ou tampa transparente de o
III - gás (-250 a 750 C)
vidro ou plástico. Os bulbos são de aço o
V - mercúrio (-40 a 650 C)
inoxidável, bronze ou ligas especiais. As
As faixas de medição variam com o tipo
dimensões da escala variam de 25 a 150
do fluido de enchimento e as indicadas
mm; os comprimentos do bulbo variam de
acima são típicas.
60 a 600 mm.
É também um sensor mecânico, que
As faixas de temperatura de medição
o não necessita de alimentação externa.
são de 50 a 450 C.
Suas vantagens são:
A incerteza do termômetro com bimetal
1. estabilidade,
inclui
2. robustez
1. a incerteza do sensor
3. simplicidade
2. a incerteza do indicador
4. segurança para uso em área
Às vezes, a incerteza informada no
classificada
catálogo do fabricante do termômetro já
Sua desvantagens são:
inclui as incertezas do sensor e do
1. alto custo quando comparado ao
indicador.
eletrônico (termopar e RTD)
O termômetro bimetal tem o sensor
integrado ao indicador e por isso sua

3.11
Incerteza na Medição

2. tempo de atraso grande, que O princípio de funcionamento do


depende do comprimento do capilar termopar é o de gerar uma pequena
3. não mede faixa com largura estreita militensão proporcional a
4. difícil manutenção ou substituição do 1. tipo do termopar
fluido, quando danificado 2. diferença de temperatura entre o
5. não mede alta temperatura. ponto medido (junta de medição) e
6. os sistemas Classe I, III e V um ponto de referência (junta de
requerem compensação parcial ou referência)
total da temperatura ambiente 3. homogeneidade do fio
7. os sistemas Classe I e V são Há 7 diferentes tipos (ISA) de
influenciados pela posição relativa do termopares, com diferentes materiais que
geram tensões típicas de 10 a 60 µV/ C. A
o
sensor e do indicador
Antigamente era muito usado, mas Tab. 1 mostra os principais termopares e
hoje, por causa da predominância da os compara.
instrumentação eletrônica sobre a A seleção do tipo do termopar depende
mecânica, ele é cada vez menos usado. O das seguintes exigências:
sistema com enchimento termal é superior 1. os materiais devem suportar os
ao elemento bimetal mas é inferior aos extremos de temperatura medida,
sensores eletrônicos. sem deterioração significativa,
A classe de precisão típica do sistema durante um determinado período de
de medição com enchimento termal é de tempo conveniente,
0,5 a 5% do fundo de escala. 2. o nível do sinal de voltagem gerada
O sistema de medição de temperatura deve ser detectado com precisão
com enchimento de fluido tem o sensor (resolução e sensitividade) pelo
está integrado ao indicador e por isso sua instrumento receptor para
calibração requer um banho de determinar pequenas variações de
temperatura, que forneça um ambiente de temperatura,
temperatura conhecida. Os sistemas usam 3. a militensão deve aumentar com o
ar quente, óleo, areia ou blocos de aumento da temperatura
alumínio para armazenar calor. O banho continuamente sobre a faixa de uso,
de temperatura deve possuir um indicador 4. os materiais devem manter suas
de temperatura calibrado e rastreado, para características (voltagem x
fornecer o valor confiável da temperatura temperatura) por longos períodos.
de calibração. 5. os materiais devem ser homogêneos
e capazes de fácil padronização.
5.4. Medição com termopar Eles devem ser comercialmente
O termopar fornece uma indicação disponíveis para permitir substituição
confiável e precisa da temperatura para sem a necessidade de recalibração
muitas aplicações industriais. Em sua do instrumento receptor.
forma mais simples, ele consiste de um par 6. os materiais devem ser capazes de
de condutores diferentes juntos nas duas se soldar em um conjunto robusto e
extremidades. estável, de conformidade com as
exigências da aplicação e
instalação.
Com o tempo o termopar sempre se
degrada e perde suas características
nominais termelétricas e por isso deve ser
periodicamente calibrado e substituído,
quando necessário. Esta periodicidade ou
freqüência de aferição e de substituição
Fig. 4.2. Medição com termopar depende de
1. natureza do atmosfera do processo,
se oxidante, redutora, hostil
2. temperatura do processo

3.12
Incerteza na Medição

3. tipo do termopar constante. Por exemplo, na faixa de 0 a


o
4. qualidade de fabricação do 1000 C, o coeficiente de Seebeck para o
termopar. termopar tipo K é praticamente constante e
vale 40 µV/ C. Em outras faixas, o
o
Mesmo o termopar de reserva, que
está armazenado no almoxarifado ou na coeficiente varia com a temperatura. No
oficina deve ter um tempo de validade de passado, isto implicava em escalas
calibração ou de vida, que depende especiais para estas faixas de medição
principalmente das condições físicas de que incluíam não linearidades. Hoje, em
armazenamento. instrumentos receptores
Periodicamente, o termopar deve ser microprocessados, usa-se a capacidade
calibrado, quando se verifica a de memória da microeletrônica para
conformidade de sua curva (temperatura x resolver este problema de não linearidade.
militensão) com a curva teórica, dentro de
Tabelas de termopar
uma tolerância compatível com a aplicação
Todas as tabelas de termopar
e o tipo do termopar. Porém, esta
encontradas na literatura técnica se
verificação é muito demorada e cara e por
baseiam na temperatura de referência de 0
isso, no caso de se necessitar da o o o
C (32 F). Só se tem 0 C quando usa um
evidência da calibração (exigência de ISO
banho de gelo na junção de referência.
9000), deve-se fazer uma avaliação de
Quando não é possível manter a junção
custo benefício entre o
de referência em 0 C, deve se usar um
1. calibrar o termopar ou
fator de correção aos valores de tensão
2. substituir o termopar por um
mostrados nas tabelas. Deve-se notar que
certificado, que custa mais caro que
a tensão produzida por um dado termopar
o termopar convencional, sem
deve ser diminuída quando a se aumente a
certificado.
diferença de temperatura entre a junção de
Em laboratórios de metrologia é
medição a junção de referência.
comum se usar termopar como padrão de
referência para calibração de outros Convertendo tensão para temperatura
termopares ou outros sensores de Para aplicar o fator de correção da
temperatura. A vida útil deste termopar junção de referência para uma dada
padrão é limitada pelo número de vezes de leitura, fazer o seguinte:
uso. Por exemplo, depois de 25 aplicações 1. Da tabela apropriada do termopar
o termopar é descartado ou degradado (tipo e grau), obter a militensão,
o
para uso como termopar comum. baseada em 0 C, correspondendo à
Tensão gerada temperatura real da junção de
referência do termopar.
O que o termopar lê é a diferença entre
2. Adicionar algebricamente o valor
as temperaturas de suas junções de
obtido no passo 1 para a leitura de
medição e de referência. Ele não pode
militensão no potenciômetro
medir a temperatura absoluta de um ponto;
3. A militensão corrigida pode então ser
ele apenas compara uma temperatura
convertida em termos de temperatura
conhecida contra uma desconhecida.
diretamente da mesma tabela.
Quando se conhece a temperatura de
referência, pode-se medir a temperatura Exemplo 1
desconhecida do processo, medindo a Um potenciômetro indica 13,019 mV,
tensão gerada pelo termopar. quando ligado a um termopar T e quer
converter este valor para sua temperatura
temperatura medida = tensão termopar/coeficiente equivalente. A temperatura real da junção
o
Seebeck + temperatura referência de referência é de 20 C, determinada por
um termômetro de vidro exato.
A relação tensão x temperatura do Interpolando da tabela do tipo T,
termopar não é linear em toda a faixa de
o o
medição. Na prática, o que se faz é 20 C = 0,787 mV, baseada em 0 C.
escolher a parte da curva que seja linear
ou que tenha o coeficiente de Seebeck Adicionando este valor à leitura, tem-se

3.13
Incerteza na Medição

temperatura real da junção de


13,019 + 0,787 = 13,806 mV referência do termopar.
2. Da mesma tabela, obter a militensão
que é a militensão corrigida baseada baseada em junção de referência
o o
em uma referência de 0 C. Interpolando igual a 0 C para a temperatura a ser
da Tab. 4.16hh, do tipo T, tem-se: verificada
3. Subtrair algebricamente o valor
o
13,806 mV = 282 C obtido no passo 1 do valor obtido no
passo 2.
Para fazer a interpolação entre dois
Exemplo 3
valores impressos, adicionar
Quer-se verificar a calibração de um
algebricamente ao menor uma parte o
instrumento em 149 C. O instrumento tem
proporcional da diferença entre os dois
uma escala graduada em graus Celsius
valores. Assim, para temperaturas
para termopar tipo T. A temperatura real
positivas o
da junta de referência é de 21 C.
o Da Tabela do tipo T,
248 F = 245 + 3/5 (250 - 245) o
21 C = 0,832 mV baseado em uma
o
referência de 0 C
Em termos de militensão o
149 C = 6,647 mV baseado em uma
o
referência de 0 C
248 = 5,147 + 3/5 (52,80 - 5,147)
Subtraindo-se estas duas militensões
= 5,147 + 0,0798 = 5,22 mV
algebricamente, tem-se
Para temperaturas negativas
6,647 - 0,832 = 5,815 mV
o
-248 F = -245 + 3/5 [-250 - (-245)] Exemplo 4
Quer-se determinar a entrada de
Em termos de militensão militensão corrigida requerida para verificar
-248 = -4,688 + 3/5 [-4,747 - (-4,668)] a calibração de um instrumento em -129
o
= -4,688 + 3/5 (-4,747 + 4,688) C. A escala do instrumento é graduada
= -4,688 - 0,0354 = -4,723 mV em graus Celsius para um termopar T. A
temperatura real da junta de referência é
Exemplo 2 o
de 20 C.
Um termopar tipo T sob condições
Da Tabela do tipo T,
estáveis de temperatura causa uma leitura o
20 C = 0,787 mV baseado em uma
no potenciômetro de -3,3757 mV. A o
referência de 0 C
temperatura da junção de referência é de o
o -129 C = -4,111 mV baseado em uma
21 C. o
o referência de 0 C
Da Tabela do tipo T, 21 C = 0,832 mV
o Subtraindo-se estas duas militensões
baseado em uma referência de 0 C.
algebricamente, tem-se
Somando-se estas duas militensões
algebricamente, tem-se
-4,111 - 0,787 = -4,898 mV
-3,357 + 0,832 = -2,525 mV.
Interpolando,
o
-2,525 mV = -72 C
Convertendo temperatura para tensão
Para determinar a entrada de
militensão apropriada para verificar a
calibração de um instrumento, fazer o
seguinte:
1. Da tabela apropriada do termopar
(tipo e grau), obter a militensão,
o
baseada em 0 C, correspondendo à

3.14
Incerteza na Medição

oferecem termopares com calibração


Compensação do hardware
especial (classe A) ou padrão (classe B), o
Antes do advento do microprocessador
que implica em um maior cuidado na
e o software de compensação de
seleção do fio, manuseio e fabricação. Mas
termopares, usava-se a compensação por
a seleção cuidadosa dos materiais,
hardware. A compensação com hardware
construção apropriada, instalação e
pode ser vista como inserindo uma bateria
manuseio não mantém a alta precisão, é
que cancela a tensão de offset produzida
necessário um programa de verificação.
pela junta de compensação. Estes circuitos
comercialmente disponíveis forneciam um 5.5. Medição com RTD
referência de ponto de gelo eletrônico para
O Detector de Temperatura a Resistência (RTD)
um ou mais termopares. Sua principal
fornece a indicação mais confiável e precisa da
vantagem relativa a compensação por
software é a velocidade, por que a o tempo temperatura para muitas aplicações industriais. Em
de computação é eliminado. A principal sua forma mais simples, ele consiste de uma
desvantagem da compensação por resistência metálica, geralmente a platina em um
hardware é que cada resistor de ganho é fino fio enrolado.
conveniente para compensar somente um
tipo de termopar, enquanto a
compensação por software aceita qualquer
termopar. Na prática, a compensação por
hardware é usualmente feita através de
resistores cujas curvas de coeficiente de
temperatura combinadas com as curvas de
temperatura-voltagem produzida pelas
junções de referência, cancelam qualquer
variação na temperatura da junção fria.
A fem Seebeck pode ser medida com
um milivoltímetro ou um circuito Fig. 3.3 Bulbos de temperatura
potenciométrico. Deve ser repetido que o
termopar mede apenas a diferença entre
suas junções de referência e de medição. O princípio de funcionamento do RTD é
A precisão da medição depende deste o de variar a resistência proporcional ao
casamento das curvas. As tabelas de fem valor da temperatura medida. Para se
usualmente se baseiam na temperatura de medir a variação da resistência é padrão
0 oC, por conveniência. usar um circuito chamado de ponte de
Para eliminar o problema de Wheatstone, que consiste de:
compensar a instabilidade da temperatura 1. quatro resistências, incluindo a
na junta de referência, pode ser colocada resistência medida
uma resistência de cobre ou níquel em 2. uma fonte de alimentação para
uma ponte de modo que a fem do polarizar o circuito
termopar seja oposta à fem 3. um galvanômetro para indicar o
correspondente à correção da temperatura balanço de nulo.
ambiente requerida. Operando com o O RTD é ligado à ponte de Wheatstone
principio de balanço de nulo, o por fios de cobre comum, que possui uma
potenciômetro resultante tende a reduzir resistência parasita finita, quando é
qualquer diferença de voltagem entre os comprido. O circuito da ponte vê a
pontos A e B para zero. resistência variável mais a resistência
parasita dos fios de ligação. Esta
Construção de termopar resistência parasita é variável, porque ela
Um termopar é tão exato quanto o fio também depende da temperatura
do qual ele é feito. Para uma boa precisão, ambiente, que é variável, ao longo do dia.
deve se fazer todos os termopares da Para compensar esta influência da
mesma bobina de fio. Isto garante a resistência parasita, usa um terceiro fio de
uniformidade do fio. Muitos fabricantes extensão. Em medições de laboratório,

3.15
Incerteza na Medição

pode ser necessário se usar mais dois fios


adicionais. 5.6. Indicação selecionável
Como o circuito da ponte de Quando se tem a indicação ou registro
Wheatstone possui uma fonte para de vários pontos em um único instrumento,
polarizar a resistência medida e fazer deve haver um sistema de multiplexação,
circular uma corrente elétrica por ela, esta com várias entradas e uma única saída.
corrente de polarização pode aquecer o No caso mais simples, esta multiplexação
sensor, provocando o chamado erro de e varredura são feitas através de chaves
auto-aquecimento. Geralmente este erro é elétricas, com resistência ideal igual a
desprezível quando comparado aos zero. Rigorosamente, esta chave seletora
dominantes acima listados ou se atribui um introduz erro e quando velha e enferrujada,
o
erro fixo de, por exemplo, 0,2 C. introduz um erro grande.
Embora seja muito mais estável que o Na prática, ninguém considera os erros
termopar, o RTD também sofre um drift ao da chave ou do sistema de seleção e
longo do tempo e necessita ser varredura.
recalibrado. Raramente o RTD se degrada
e altera suas características nominais 5.7. Instalação do sensor de
termelétricas (resistência elétrica versus temperatura
temperatura ou Ω x C) e por isso deve ser
o
A malha de temperatura deve ser
raramente calibrado e substituído, quando inspecionada in situ, para verificar as
necessário. Este período de aferição e de incertezas devidas à
substituição depende de 1. posição da instalação do sensor,
1. natureza do atmosfera do processo, 2. uso de bulbo,
se oxidante, redutora, hostil 3. uso de poço
2. temperatura do processo 4. efeitos da radiação, condução e
3. tipo da resistência convecção,
4. qualidade de fabricação da 5. auto-aquecimento do sensor
resistência. 6. comprimento de imersão do sensor.
Em laboratórios de metrologia é Geralmente estas incertezas são
comum se usar o RTD de platina como consideradas desprezíveis em relação às
padrão de referência para calibração de dominantes relacionadas com o sensor,
outros sensores de temperatura. A vida útil fios e instrumentos. Ou então, estabelece-
deste termopar padrão é limitada pelo se uma incerteza total que engloba todas
número de vezes de uso. Por exemplo, elas, por exemplo, ±1 C ou 1% do valor
o

depois de 100 aplicações o RTD é medido.


descartado ou degradado para uso como
sensor de medição.

3.16
Incerteza na Medição

Tab. 1. Designações, limites de medição e limites de erro de Termopares

Tipo Material Faixa de Incerteza Saída típica


ISA (positivo + negativo) temperatura (oC) (% ou oC) (mV ref. 0 oC)
B 70Pt-30Rh +94Pt-6Rh 870 a 1700 ±0,25% v.m. 1,241 @ 500
o
C
±1,7 C
o
E 90Ni-9Cr + 44Ni-55Cu 0 a 316 6,317 @ 100
o
Cromel + Constantan) 316 a 870 ±0,5% v.m. C
±2,2 C
o
J Fe + 44Ni-55Cu -70 a 430 5,268 @ 100
o
(Ferro + Constantant) 430 a 760 +0,75% v.m. C
±1,7 C
o
K 90Ni:9Cr + 94Ni:Al:Mn:Fe -100 a -60 4,095 @ 100
o
±2,2 C
o
(Cromel + Alumel) 0 a 280 C
280 a 1150 ±0,75% v.m.
o
N Ni:14,2Cr:1,4Si 0 a 280 +2,2 C 2,774 @ 100
±0,75% v.m.
o
(Nicrosil + Nisil) 280 a 1150 C
R 87Pt:13Rh + Pt 0 a 1480 ±0,25% v.m. 4,471 @ 500
o
C
±1,4 C
o
S 90Pt:10Rh + Pt -20 a 540 4,234 @ 500
o
540 a 1150 ±0,25% v.m. C
±0,8 C
o
T Cu + 44Ni-55Cu -75 a 95 4,277 @ 100
o
(Cobre + Constantant) 100 a 370 ±0,75% v.m. C
Notas:
1. As especificações acima se referem a termopar convencional (tipo B). Todos os
termopares de materiais não nobres (Tipos B, E, J, K, N) possuem graduação
premium (tipo A), onde as incertezas são a metade das indicadas.
2. Termos em itálico são composições proprietárias
3. As faixas de medição dependem e são limitadas ao material dos bulbos.
4. As incertezas podem variar levemente entre diferentes fabricantes.
5. v.m. significa valor medido.
Avaliação geral
1. O termopar J é o mais usado de todos os termopares na indústria. Ele tem uma alta e
o
uniforme sensitividade em mV/ C. É relativamente barato.
2. O termopar K tem custo moderado e é usado principalmente para medir alta
temperatura em atmosfera oxidante.
o
3. O termopar T é muito estável em temperatura abaixo de 0 C. É usado principalmente
para medir temperaturas criogênicas e em torno da temperatura ambiente.
o
4. O termopar E possui a maior sensitividade (mV/ C) entre todos os termopares e por
isso é adequado para aplicações com largura de faixa estreita ou para medir
diferença de temperatura.
5. O termopar N é o mais estável termicamente, mais durável e melhor precisão para
longos períodos do que o termopar K.
6. O termopar S e R (de materiais nobres) são usados em aplicações de alta precisão e
altas temperaturas.

3.17
Incerteza na Medição

Tab. 2. Características do Termopar

Vantagens Limitações
Custo: Embora os custos da RTD Precisão: Geralmente esperada, depois da
instalação, ±4 C, mas há exceções. Os termopares
o
estejam caindo, o termopar geralmente
continua sendo mais barato. requerem fios de extensão especiais e junta de
compensação. O sistema total de termopar inclui as
incertezas associadas com as duas medições
separadas de temperatura - a junta de medição e a
junta de referência.
Robustez: Em termos das condições Estabilidade: Menor do que a da RTD. Estimada em
±0,6 C por ano.
o
ambientais do processo, incluindo alta
temperatura e vibração, o termopar é
mais robusto que a RTD.
Faixa de medição: A faixa se estende Saída: A saída do termopar é uma militensão muito
o
até 1700 C, porém para temperatura pequena, que pode ser afetada por ruído elétrico.
criogênicas, a RTD tem maior faixa de
medição.
Calibração: O termopar é não linear nas faixas
normais e requer linearização. A calibração pode ser
alterada por contaminação. Por ter menor
estabilidade o período de calibração do termopar é
menor do que o da RTD

Tab. 3. Características do Detector de Temperatura a Resistência (RTD)

Vantagens Limitações
Precisão: Geralmente esperada, depois Custo: Geralmente maior do que o do termopar.
da instalação, ±0,5 C. O RTD de platina
o
Porém, RTD não requer junta de compensação,
é usado como padrão para definição de fios de extensão especiais e nem condicionamento
pontos da IPTS. especial de sinal para longas linhas de
Repetitividade: Cerca de ±0,01 C.
o
transmissão. Porém, a instalação requer 3
Estabilidade: menor que ±0,1% de desvio (aplicação industrial) ou 4 (aplicação de
em 5 anos. laboratório) fios de extensão.
Sinal de saída grande: A resistência de Robustez: Em termos das condições ambientais do
medição é convertida em um sinal de processo, incluindo alta temperatura e vibração, o
voltagem da ordem de 1 a 10 V, a RTD é menos robusta que o termopar.
facilitando as funções de indicação,
registro, monitoração e controle de
temperatura. Isto também diminui os
erros de redução dos dados e
computação matemática.
o
Largura de faixa estreita: Superior a do Faixa de medição: A faixa se estende até 870 C,
termopar, podendo medir faixa com porém para temperatura criogênicas, a RTD tem
o
largura de até 5 C. maior faixa de medição
Compensação: não requerida. Erro de auto-aquecimento: O RTD apresenta erro
de auto-aquecimento. Atualmente, o transmissor
inteligente faz esta correção, automaticamente.

Tab. 4. Comparação de especificações de principais tipos de transmissores de temperatura

3.18
Incerteza na Medição

Convencional Smart ou inteligente Descartável


Analógico Digital Analógico
Diferentes para termopar e Um único modelo manipula Limitado a uma entrada
RTD, alterações requerem termopar, RTD e termistor.
reconfiguração do hardware.
Custo moderado Custo maior, tendência de baixar Baixo custo
Largura de faixa variável, Largura de faixa variável, Única largura de faixa, faixa
faixa moderada. faixa larga limitada
Às vezes, isolado Isolado Não isolado
Variedade de aplicações Quase toda aplicação Somente uma aplicação
Às vezes, intrinsecamente Quase sempre Usualmente não
seguro intrinsecamente seguro intrinsecamente seguro
Pode ser reconfigurado no Pode ser reconfigurado Reconfiguração muito limitada
local ou na oficina remotamente. Diagnóstico
remoto
Desempenho de moderado a Desempenho superior Desempenho limitado
bom
RTD facilmente linearizado, Linearização selecionável Linearização no receptor
termopar geralmente
linearizado
Estabilidade depende do Alta estabilidade com a Estabilidade depende do
fabricante e da aplicação temperatura ambiente e fabricante e da aplicação
tempo. Necessita pouca
recalibração

3.19
Incerteza na Medição

5.8. Malha de temperatura com 5.9. Malha de temperatura com


termopar e fio de extensão transmissor a termopar
Devem ser consideradas as incertezas Devem ser consideradas as incertezas
dominantes devidas a dominantes devidas a
1. termopar, 1. termopar
2. fios de extensão e 2. transmissor
3. indicador (registrador). 3. indicador (registrador)

TX
TE TI TR
TE TT TI

Fig. 3.4. Malha de Indicação e Registro de


Temperatura com Termopar e fios de extensão Fig. 3.5. Malha de Indicação de Temperatura com
transmissor e termopar

A incerteza dos termopares depende


do tipo, se J, K, R, S, T, E ou B. Alguns Nesta malha, o elemento sensor
fabricantes ainda classificam o termopar termopar está ligado diretamente ao corpo
como A (melhor) ou B (pior). A literatura do transmissor, portanto não se tem o fio
dos fornecedores informa as incertezas do de extensão ou de compensação. O
termopar, tipicamente em ± C ou ±% do
o
transmissor possui e inclui a imprecisão da
valor, a que for maior. junta de compensação. O circuito da junta
O termopar pode ser ligado de compensação no transmissor, montado
diretamente ao instrumento receptor do no campo, deve ser mais eficiente que o
painel, indicador ou registrador, através de usado no instrumento receptor, montado
fios termopares (fios de extensão). na sala de controle, pois a variação da
Quando o termopar é nobre (e caro), temperatura no campo é maior que a da
usam-se fios diferentes mas com mesma sala de controle.
característica termelétrica dos termopares Em transmissor inteligente a
(fios de compensação). Os fabricantes compensação é feita por software.
também fornecem a incerteza devida aos Quando o elemento sensor termopar
fios de extensão ou de compensação, com não está ligado diretamente ao circuito e
a temperatura ambiente menor que 200 corpo do transmissor, usa-se também o fio
o
C. de extensão e neste caso deve-se incluir
O instrumento receptor, indicador ou também a imprecisão devida ao fio de
registrador tem sua imprecisão declarada extensão ou de compensação e devem ser
no catálogo do fabricante. Quando não consideradas as seguintes incertezas
explicitado, a incerteza devida à junta de dominantes:.
compensação está incluída na incerteza do 1. termopar
indicador (registrador). Caso contrário, 2. fio de extensão ou de compensação
deve-se estabelecer uma incerteza devida 3. transmissor
à junta de compensação, feita por 4. indicador (registrador)
hardware ou software. Em indústria de siderurgia e tratamento
de metais, é comum se usar termopar
descartável para a medição de
temperatura de metal fundido. A medição é
feita através da imersão de uma lança, que
contém o termopar e está ligada por fios
ao indicador ou registrador de temperatura.
Além das considerações feitas para a
indicação fixa, nesta malha deve ser

3.20
Incerteza na Medição

acrescentada uma incerteza devida ao


método de medição pois a medição é feita TX
TE TT TY TR
de modo portátil e depende de
1. operador,
2. profundidade da imersão,
3. ângulo de incidência
4. tempo de imersão. Fig. 3.6. Malha de registro de temperatura com
Mesmo havendo um procedimento para termopar, fios de extensão, transmissor
garantir que toda medição seja feita do
mesmo modo, esta medição tem maior
incerteza que a medição fixa. Por exemplo,
pode-se estimar um erro duas vezes maior 5.11. Malha de temperatura com
que o da medição fixa ou então resistência detectora de temperatura
acrescentar um erro sistemático devido ao Na malha de indicação ou registro com
método de RTD devem ser consideradas as
±2 C,
o
incertezas dominantes devidas a
A grande vantagem nesta aplicação é a 1. sensor RTD,
facilidade de determinação da vida útil do 2. fios de ligação (2 ou 3 ou 4 fios)
termopar (uma aplicação). 3. indicador ou registrador.
Quando a ligação dos sensores ao
5.10. Malha de temperatura com receptor for feita com três ou quatro fios,
termopar, fios de extensão, geralmente não se atribuí nenhuma
transmissor, conversor e registrador incerteza aos fios de ligação ou pode-se
Como visto, o sinal de militensão do atribuir uma incerteza fixa, por exemplo, de
±0,1 C.
o
termopar pode ir diretamente para o
instrumento receptor ou pode haver um Quando a resistência é ligada ao
transmissor, que envia um sinal padrão instrumento receptor através de um
analógico (4 a 20 mA cc) ou digitl (Hart, transmissor, sem fios de ligação,
Fieldbus, Foxcom) para o instrumento consideram-se as seguintes incertezas
receptor do painel. dominantes:
Em malhas com instrumentos mais 1. RTD
antigos, o sinal do termopar passa ainda 2. transmissor
por um instrumento condicionador de sinal, 3. receptor (indicador ou registrador).
que converte a militensão em voltagem de Quando se tem a indicação ou registro
0 a 10 V, 1 a 5 V para ser registrada ou selecionável da temperatura, pode-se
indicada. Nesta malha deve ser incluída a incluir a incerteza fixa devida à chave
incerteza devida a este conversor, seletora ou considerá-la desprezível.
geralmente fornecida no catálogo do
instrumento. Quando o conversor foi mais
antigo ainda e consistir de um resistor de
precisão, a sua incerteza não está
documentada em nenhuma lugar e pode-
se ler a tolerância da resistência de
conversão de corrente para tensão no seu
corpo. Tipicamente, tem-se um resistor de
250 Ω com tolerância de 0,1% do valor
medido.

3.21
Incerteza na Medição

Malha de Temperatura Típica


o
Função Faixa Calibrada Ponto Trabalho Tolerância Processo N Desenho P&I
o o o
Temperatura do forno 700 a 1800 C 1240 C ± 20 C TEK-974-002/3

Tag Precisão Catálogo F.E. , span Precisão Referência Período


ou V.M. Calculada (semana)
o o o
TE ± 1,5 C ou 0,25% V.M. 1240 C ±3 C Ecil, Termometria, tabela 5 pág. 40 156
o o
TX ±5 C ±5 C Ecil, Termometria, tabela 10 pág.54 26
o o
TI ±1 C ±1 C ICI, BT-270-85 26

±2 C
o
Método

Cálculo da Incerteza total, it:


i t = i 12 + i 22 + i 23 + i 24

onde i1, i2, i3, i4 são as incertezas do termopar, fio de extensão, indicador e método, respectivamente, obtidos da coluna Precisão
Calculada

i t = 3 2 + 5 2 + 12 + 2 2 = ±6 C
o

Incerteza total da malha = ± 6 oC


Critério de aceitação: Tomando como critério default a incerteza instalada ser menor ou igual a um terço da tolerância do processo, esta
malha de temperatura pode ser usada em processos cujas condições de trabalho sejam iguais as citadas nesta malha e a tolerância
requerida seja maior ou igual a ±18 C
o

3.22
Incerteza na Medição

4. Instrumento de display, que pode


6. Malha de Vazão ser um ou a combinação de
indicador da vazão instantânea,
registrador de vazão histórica,
6.1. Introdução
computador analógico ou totalizador
A vazão é a variável de processo que da vazão acumulada.
apresenta mais alternativas e opções de
sensores, tais como os favoritos: Vantagens e limitações
1. placa de orifício ou outro gerador de A placa de orifício é considerada um
∆p, padrão primário de vazão, não por causa
2. turbina medidora de vazão de uma alta precisão, mas por que se ela
3. medidor magnético for projetada, dimensionada, construída e
4. deslocamento positivo instalada conforme equações dadas por
5. área variável leis físicas, o resultado de sua medição é
6. medidor vortex previsível e certo. Por causa disso, sua
7. medidor ultra-sônico calibração não requer padrão de vazão. A
8. medidor coriolis calibração do sistema de medição de
9. medidor termal vazão com placa se reduz à calibração do
transmissor de pressão diferencial que
6.2. Malha com gerador de ∆P detecta a pressão gerada pela placa de
orifício. A placa de orifício está para a
Sistema de medição vazão assim como uma pilha padrão está
O sistema de medição com placa de para a voltagem: é padrão!
orifício é o mais usado, entre os medidores
de vazão. Ele é constituído de:
1. Placa de orifício, sensor de vazão
(FE) que gera um sinal de pressão
diferencial proporcional ao quadrado
da vazão que passa no seu interior.
(Muita gente custa acreditar que
placa é sensor de vazão e ainda
pensa que a placa detecta a pressão
diferencial).
Transmissor de pressão diferencial
(FT), cuja saída é linearmente proporcional
à pressão diferencial de entrada. Sua Fig. 3.7. Placas de orifício
saída também é proporcional ao quadrado
da vazão. Uma única placa pode ser
compartilhada por mais de um transmissor As vantagens do sistema de medição
e este sistema é usado quando se quer com placa, que justificam a sua grande
aumentar a rangeabilidade da medição. aplicação são:
Este transmissor é chamado de d/p cell. 1. Facilidade de calibração a seco,
2. Conversor (FY-1) do sinal de 4 a 20 baseada na calibração do
mA para 1 a 5 V cc. transmissor d/p cell
3. Extrator de raiz quadrada (FY-2), 2. Medição suportada por normas para
que pode ser um instrumento transferência de custódia, como
isolado (stand alone), um circuito AGA Report #. 3 (1985), ISO 5167
físico (hardware) incorporado ao (1991), ANSI/API 2530(1991) e
transmissor ou ao instrumento ASME MFC-3M (1995).
receptor, uma escala de indicador, 3. Grande acervo de dados relativos
uma escala de gráfico de registrador aos coeficientes experimentais.
ou programa de computador As desvantagens são:
embutido em ROM (firmware) ou 1. Relação raiz quadrática entre vazão
executado em RAM (software). e pressão diferencial ( F = K ∆p ),

3.23
Incerteza na Medição

que torna sua rangeabilidade 3. acabamento de sua superfície,


pequena (3:1), 4. estado do furo,
2. Sistema com incerteza total 5. excentricidade de montagem da
expressa em % do fundo de escala placa em relação ao eixo da
3. Apresenta grande perda de carga, tubulação
por ser intrusivo 6. tomadas da pressão diferencial
4. Grande incerteza, por causa dos 7. deposição de sujeira na placa.
fatores experimentais e dos vários A placa é dimensionada através de
instrumentos requeridos. programas de computador clássicos (p.
ex., ISA Flowel, versão 3) e deve ser
Incertezas atribuídas
periodicamente inspecionada, quando se
É comum se atribuir uma incerteza de
verifica se as dimensões se alteraram com
±0,6 a ±1,5% da vazão medida para a desgaste ou deposição de material
placa de orifício convencional (concêntrica,
estranho. Na prática, todos se preocupam
tamanhos entre 2” e 20 “, orifício de canto
com a dimensão do furo do orifício, porém
reto, tomada de flange), conforme Spitzer
[6] é igualmente importante a inspeção do
. Esta incerteza combinada inclui as
diâmetro interno da tubulação, que
incertezas devidas à geometria
também pode se alterar ao longo do tempo
(planicidade, dimensões, acabamento, tipo
com desgaste e incrustação.
e estado do furo), excentricidade de
A geometria da placa de orifício e pode
montagem, tomadas da pressão diferencial
ser verificada em uma mesa dimensional
e limpeza da placa. Ela não inclui a de um laboratório de metrologia, através
incerteza do transmissor d/p cell, cuja de procedimentos específicos. O
incerteza é expressa em % do fundo de acabamento da superfície e o estado do
escala. canto vivo do furo podem ser verificados
As placas montadas em meter run por inspeção visual.
podem ter incertezas da ordem de ±0,3% a A excentricidade entre a placa e a
±0,7% da vazão medida. A norma ISO tubulação pode ser evitada usando-se
5167 (1991) só se aplica para placas com meter run, que é uma tubulação com
diâmetros entre 2 e 20”. acabamento especial e dimensões
A incerteza de ±0,7% do valor medido definidas, onde é montada a placa de
pode parecer otimista (pequena), porém, orifício. O meter run é montado
ela pode ser aplicada quando se tem: diretamente na tubulação através de
1. Equipe especializada e dedicada ao flanges.
sistema de medição. Os erros devidos à tomada de pressão
2. As inspeções e calibrações das diferencial são evitados, montando-se a
estações tem programação placa de orifício e as respectivas tomadas
fielmente cumprida e documentada. de pressão de conformidade de
3. No caso de transferência de procedimentos que consideram o tipo de
custódia, quando houver fluido (liquido ou gás) e seu estado (liquido
monitoração permanente e contínua com vapor, gás com condensado, fluido
dos clientes e tendo-se estações limpo ou sujo). Inspeções periódicas da
adicionais ou o balanço do processo instalação evitam erros grosseiros de
(medição concomitante) para medição devidos a condensados e
comparar as medições do sujeiras).
fornecedor e reclamar sempre que Como estas numerosas incertezas são
as medições forem divergentes além difíceis de serem quantificadas
do estabelecido em contrato. individualmente e, embora a literatura
4. Um grande acervo de dados técnica se refira a elas em tabelas e
históricos sobre as medições ábacos, o comum é se atribuir uma
anteriores está documentado. incerteza total que inclua todos os
As incertezas devidas à placa de componentes. Por exemplo, pode-se
orifício incluem: atribuir uma incerteza de ±1% (otimista) ou
1. dimensionamento (β = d/D)
2. planicidade da placa,

3.24
Incerteza na Medição

±5% (pessimista) a todo a placa e seus Tubo Venturi


associados. Como o tubo venturi é menos usado
Os outros sensores de vazão que a placa de orifício e portanto possui
geradores de ∆p, como venturi, bocal, menor quantidade de dados experimentais,
pitot, tubo dall, lo-loss, annubar, como são é comum se atribuir uma incerteza de 2 a
proprietários, geralmente possuem a 4% do valor medido.
incerteza expressa pelo fabricante.
Quando esta informação não é disponível,
pode-se atribuir uma incerteza fixa, sempre
maior do que a da placa, pois o acervo de
dados experimentais é muito menor.
Na indústria é comum se encontrar
anéis, cotovelos ou outros elementos
sensores de vazão geradores de ∆p,
fabricados há muito tempo e com pouca ou
nenhuma documentação relativa. Às
vezes, a única informação disponível é a
vazão máxima associada a uma pressão Fig. 3.9. Tubo venturi clássico
diferencial máxima. Recomenda-se atribuir
uma incerteza de medição devida ao Transmissor d/p cell
sensor da ordem de 5 a 10% do valor O transmissor d/p cell (d/p cell é
medido. marca registrada da Foxboro, embora
todos os fabricantes tenham algo parecido,
como δ, delta π) é um transmissor de
pressão diferencial que mede pequenas
pressões diferenciais em uma grande
pressão estática da tubulação. Ele é
tipicamente usado na medição de vazão
com elemento gerador de ∆p e na medição
de nível com pressão diferencial. Embora o
transmissor seja calibrado para medir
Fig. 3.8. Orifício integral pequena pressão diferencial, da ordem de
vários milímetros de coluna d'água, ele
pode temporariamente ser submetido a
Quando se quiser saber mais detalhes pressões elevadas da ordem de vários
do sistema de medição é necessário ter MPa. Geralmente o transmissor se
um medidor de vazão padrão para fornecer descalibra, porém, não se danifica.
o valor da vazão que passa pelo sensor e Hoje são disponíveis transmissores d/p
partir deste dado, pode-se levantar tabelas cell inteligentes, onde é possível
e curvas características do elemento 1. se aumentar a rangeabilidade da
sensor. Quando possível, usa-se turbina medição até para 10:1
de inserção, medidor ultra-sônico ou tubo 2. linearizar o sinal quadrático
pitot, sempre rastreado, para o 3. alterar a faixa de calibração
levantamento dos dados de vazão do remotamente
processo. 4. todas as vantagens inerentes ao
instrumento microprocessado, como
Orifício Integral
autodiagnose, comunicação
É comum se atribuir incerteza de ±3%
bidirecional, comunicação digital.
do valor medido para o orifício integral, que
é uma pequena placa inserida na tomada
do transmissor de vazão, conforme
[2]
recomendação de Miller .

3.25
Incerteza na Medição

Fig. 3.11. Diafragma de pressão diferencial

Diferente de outras variáveis, a vazão


Fig. 3.10. Transmissor d/p cell pode
1. totalizar o sinal impresso no gráfico
Malha com uma placa e dois
através de um instrumento chamado
transmissores
planímetro,
Para se aumentar a rangeabilidade da
2. ter o valor totalizado diretamente,
medição de vazão com placa de orifício, é
durante determinado intervalo de
comum se usar uma placa de orifício
tempo.
compartilhada por dois transmissores. e
Atualmente, o totalizador de vazão é
um único receptor. Cada transmissor é
um instrumento microprocessado que faz
calibrado para uma determinada faixa de
simultaneamente as seguintes funções:
vazão: uma baixa e outra normal,
1. indica o valor instantâneo
aumentando assim a rangeabilidade da
2. integra a vazão, fornecendo um
medição. Cada malha pode ter incerteza
valor totalizado depois de
levemente diferente da outra, por causa da
determinado tempo
faixa calibrada ou do ponto de trabalho.
3. compensa as modificações feitas
Embora se tenha duas malhas, as
pela densidade ou pressão,
incertezas são independentes e se
temperatura e composição do fluido
considera a incerteza de uma única malha,
4. computa os resultados segundo
que é a selecionada.
equações da AGA Report número 3,
Diafragma de pressão diferencial ISO 5167 (1991), NX-19 ou outras
Em aplicações de indicação e registro configuráveis
de temperatura em locais onde não é 5. opcionalmente, pode ter contadores
disponível a alimentação elétrica ou não com predeterminação
pode ser usada ou se quer uma instalação
mais barata, usa-se o diafragma de
pressão diferencial (chamado também de
câmara Barton) no lugar do transmissor.
Embora tenha a vantagem de ser auto-
alimentado, o diafragma:
1. possui incerteza maior que o d/p cell
2. é muito menos flexível
3. é muito mais demorado e difícil de
ser recalibrado
Instrumento receptor
Fig. 3.12. Totalizador de vazão
Como as outras variáveis de processo,
a vazão pode ter
1. o valor instantâneo indicado
analógica ou digitalmente,
2. o valor histórico registrado, em
registrador convencional ou
armazenado em computadores
digitais.

3.26
Incerteza na Medição

As desvantagens são:
6.3. Malha de medição com turbina 1. Fragilidade e sensibilidade,
requerendo cuidados especiais de
Sistema de medição
manipulação e instalação (golpe de
O sistema de medição com turbina é
aríete, velocidade excessiva e
muito usado, por causa de sua altíssima
impurezas podem danificar
precisão. Ele é constituído de:
irreversivelmente a turbina)
1. Turbina medidora (rotor, mancais,
2. manipula apenas fluidos limpos,
palhetas, detector da velocidade quase sempre exigindo filtro a
angular), que gera um trem de montante,
pulsos com freqüência proporcional
3. apresenta grande perda de carga,
linearmente à vazão volumétrica, por ser intrusivo
2. Pré-amplificador, que reforça
4. dificuldade de calibração,
eletricamente o sinal de pulsos, envolvendo padrão de vazão ou
preservando a freqüência. Deve ser prover.
usado quando há ruídos elétricos na
área ou quando as distâncias Incertezas atribuídas
envolvidas são maiores que 30 Atribuiu-se uma incerteza para a
metros. Opcionalmente, ele pode turbina de ±0,25% da vazão medida,
converter o sinal de pulsos para o baseando-se no catálogo da Daniel e
padrão de 4 a 20 mA, para fins de considerando as turbinas instaladas em
registro ou controle. tubos de medição (meter run) e incluindo a
3. Instrumento de display, que pode incerteza do pré-amplificador montado
ser um computador de vazão ou um integralmente à turbina.
contador de pulsos com
escalonamento.

Fig. 3.14. Turbina medidora de vazão


Fig. 3.13. Turbina medidora de vazão

Vantagens e limitações
As vantagens do sistema de medição
com turbina, que justificam a sua aplicação
são:
1. Alta precisão (típica de ±0,25% do
valor medido, para turbina de líquido
da Daniel)
2. Medidor linear, rangeabilidade (10:1)
3. Medição suportada por normas para
transferência de custódia: AGA # 7
(1981), ISO 9951 (1992), ANSI/API
2540 (1987), ANSI/ASME 4M
(1978).

3.27
Incerteza na Medição

de custódia. Estão sendo


6.4. Malha de medição com tubo preparadas e escritas normas para
Coriolis seu uso pela OIML, ANSI/ASME e
ISO. Fabricantes dizem que estas
Sistema de medição normas já estão prontas; indique-as!
O sistema de medição de vazão 2. manipula apenas líquidos ou gases
mássica com tubo de Coriolis é constituído de alta densidade.
de: 3. requer medição de temperatura do
1. Tubo carretel que acopla o sistema tubo medidor para correções do
à tubulação. O tubo Coriolis fator de elasticidade (módulo de
geralmente tem forma de U e Young) do material do tubo.
perpendicular à tubulação, que gera 4. apresenta grande perda de carga,
a força de Coriolis, quando há por ser intrusivo.
interação entre vazão mássica, 5. dificuldade de calibração,
aceleração e ângulo do tubo envolvendo padrão de vazão ou
2. Transmissor de vazão associado ao prover.
tubo, que converte a força de
Coriolis em sinal de freqüência Incertezas atribuídas
(conveniente para totalização) ou A incerteza para o sistema de medição
analógico de 4 a 20 mA, Coriolis é de ±0,2% da vazão medida ,
(conveniente para controle e conforme catálogo do fabricante (Micro
registro) Motion, Foxboro) e considerando as
3. Instrumento de display, que pode incertezas devidas ao carretel, tubo e
ser um computador de vazão ou um transmissor.
contador de pulsos com
escalonamento acoplado ao ou
separado do transmissor.

Fig. 3.15. Tubo medidor de vazão mássica (Coriolis)

Vantagens e limitações
As vantagens do sistema de medição
com tubo Coriolis, que justificam a sua
aplicação são:
1. Medição direta de massa, sem Fig. 3.16. Diversos formatos do tubo Coriolis
necessidade de compensação de P
e T.
2. Alta precisão (típica de ±0,25 % do
valor medido, para tubo da Micro
Motion).
3. Medidor linear, rangeabilidade de
10:1.
As desvantagens são:
1. A literatura técnica ainda não
menciona normas para transferência

3.28
Incerteza na Medição

mA cc ou opcionalmente, em pulsos ou em
6.5. Malha de medição magnética de sinal digital.
vazão As principais vantagens do sistema de
O sistema de medição magnética de medição magnética de vazão são:
vazão é constituído dos seguintes 1. alta precisão
elementos: 2. alta rangeabilidade, por ser linear
1. tubo medidor magnético 3. não provoca praticamente nenhuma
2. transmissor de vazão perda de carga
3. instrumento receptor 4. manipula fluidos problemáticos
4. cabo blindado entre tubo e medidor 5. não possui peças móveis e portanto
(opcionalmente, o transmissor pode requer pouquíssima manutenção
ser montado integralmente ao tubo). 6. requer pequenos trechos retos a
montante e a jusante
Como desvantagens e limitações:
1. mede apenas fluidos eletricamente
condutores e por isso é pouco usado
em indústria petroquímica e de
refino de petróleo
2. deve haver cuidados para manter o
tubo sempre cheio do fluido para
não haver erros espúrios de
medição
3. deve haver cuidados de aterramento
para tubos não eletricamente
condutores.
4. requer calibrações periódicas, onde
Fig.3.17. Medidor magnético de vazão é verificado o seu fator K

O tubo magnético é feito de material


não ferromagnético, com duas bobinas
excitadas por corrente alternada 60 Hz ou
corrente continua pulsante. O fluido
eletricamente condutor que passa no
interior do tubo e corta as linhas do campo
eletromagnético criado pelas bobinas gera
uma força eletromotriz com amplitude
proporcional linearmente à vazão
volumétrica do fluido. A militensão gerada
é da mesma natureza que a tensão de
excitação das bobinas, corrente continua
alternada Hz ou contínua pulsante. Dois Fig.3.18. Tubo magnético e transmissor de vazão
eletrodos colocados diametralmente
detectam esta força eletromotriz induzida.
Para evitar o curto circuito desta tensão O medidor magnético seria quase o
induzida, o tubo é revestido internamente medidor universal, se não tivesse a
por material eletricamente isolante, como limitação de uma condutividade mínima
teflon, cerâmica, poliuretano. A (2µS/cm) para o fluido medido. Os
disponibilidade de vários materiais torna o fabricantes informam incertezas da ordem
medidor apto a manipular fluidos sujos, de ±0,5% do valor medido (não possui erro
com sólidos em suspensão, corrosivos e de zero).
mal comportados.
O sinal gerado pelo tubo é convertido
para o sinal padrão eletrônico de 4 a 20

3.29
Incerteza na Medição

6.6. Malha com deslocamento 6.7. Malha com rotâmetro de área


positivo variável
O medidor a deslocamento positivo O medidor de vazão com área variável
(DP) segrega a vazão em volumes é uma forma especial de gerador de
discretos e os totaliza em um volume total pressão diferencial, onde a área de
pela contagem dos volumes unitários que restrição do fluido é variável para manter
passam dentro do medidor. uma pressão diferencial constante. O
As principais vantagens do sistema de medidor consiste de um tubo vertical,
deslocamento positivo são: cônico, transparente, graduado, através do
1. totalizador direto de vazão qual o fluido se move para cima. Um
2. alta precisão deslocador esférico ou cônico (alguém o
3. alta rangeabilidade, por ser linear chama de bóia) com densidade maior que
4. robusto e de funcionamento a do fluido (por isso não é bóia) cria uma
transparente passagem anelar entre sua máxima
5. pode ser usado legalmente em circunferência e a parede do tubo
transferência de custódia (OIML graduado. Quando a vazão varia, o
R31, 1994) deslocador sobe ou desce para variar a
Como desvantagens e limitações: área de modo que a pressão diferencial
1. não possui base de tempo na através do deslocador equilibra o peso do
medição e por isso raramente é deslocador. A posição do deslocador mede
usado para indicar a vazão diretamente a vazão instantânea.
instantânea
2. possui peças móveis e portanto
requer manutenção periódica e
preventiva
3. não manipula fluidos com sujeira ou
pode requerer filtro a montante
4. há erro provocado pela variação da
viscosidade do fluido medido
5. pode ter defeito, bloqueando a
tubulação de medição
6. requer calibrações periódicas, onde
é verificado o seu fator K
O medidor DP é o medidor comumente Fig.3.20. Medidor com área variável
usado em aplicações de gasolina, gás
natural a baixa pressão e água. Os Como vantagens do rotâmetro de área
fabricantes informam incertezas da ordem variável tem-se:
de ±0,5% do valor medido (não possui erro 1. simplicidade
de zero). 2. baixo custo
3. medição direta
Como desvantagens, tem-se:
1. limitações de pressão (até 2400
o
kPa) e temperatura (até 200 C)
2. precisão média a ruim, típica de
±1% da vazão máxima, dependendo
do tipo, tamanho e calibração.

Fig. 3.19. Medidor a deslocamento positivo

3.30
Incerteza na Medição

6.8. Malha de medição com vortex 6.9. Malha de medição ultra-sônica


A formação de vórtices ou vortex é um Há dois tipos de medidores ultra-
fenômeno comum que faz pontes entrar sônicos de vazão:
em colapso e linhas de telefone cantar. A 1. tempo de trânsito
instabilidade do campo de vazão após ela 2. efeito Doppler
se separar em dois caminhos em torno de No tempo de trânsito uma onda de
objetos de formato definido causa vórtices pressão é emitida em uma ângulo agudo
que se forma nos lados alternados do através da tubulação. O tempo requerido
objeto em uma freqüência linearmente para a onda alcançar a parede oposta
proporcional à velocidade e portanto à depende do sentido do fluido que está
vazão volumétrica. Se a pressão senoidal vazando dentro da tubulação e da
ou a alteração da velocidade criada pelos velocidade do som através do líquido. A
vórtices móveis no fluido é detectada, a vazão é determinada através da medição
vazão pode ser determinada. A relação do tempo.
entre a velocidade do fluido e a freqüência No medidor a efeito Doppler, a frente
de formação de vórtices é linear e da pressão não atravessa a tubulação mas
independente da densidade do fluido. é refletida de volta ao detector por
partículas da matéria que se movem com o
fluido. A diferença entre e freqüência
refletida e uma freqüência fixa transmitida
implica na vazão volumétrica do fluido.
Como vantagens do medidor de vazão
ultra-sônico tem-se:
1. medidor não intrusivo, podendo ser
usado externamente à tubulação,
em aplicações portáteis.
Como desvantagens, tem-se:
Fig. 3.21. Medidor de vazão tipo vortex 1. precisão ruim, típica de ±5% da
vazão máxima, dependendo do tipo,
Como vantagens do vortex tem-se: tamanho e calibração.
1. alta precisão 2. há problema de repetitividade no
2. altíssima rangeabilidade medidor Doppler
3. grande estabilidade 3. a medição requer cuidados na
4. medidor multipropósito, o mesmo instalação e no método de
instrumento pode medir gás, líquido acoplamento
e vapor d'água 4. fluidos muito limpos não são
5. insensível às propriedades do fluido medidos pelo medidor Doppler
Como desvantagens, tem-se: 5. precisão depende da distribuição e
1. mede fluidos apenas com Re ≥ 10
4
concentração das partículas e da
2. pouco conhecido velocidade relativa das partículas e
3. tamanhos limitados a ½ a 16" (12 a do fluido.
400 mm)
4. apenas poucos países aceitam-no
em transferência de custódia
5. requer calibração periódica, para
verificação de seu fator K.

Fig. 3.22. Medidor de vazão ultra-sônico

3.31
Incerteza na Medição

6.10. Malha de medição termal Inserção


O medidor de vazão termal também O aumento da temperatura do fluido
mede a vazão mássica diretamente. Ele é quando é aquecido por uma bobina ou
adequado para medição da vazão mássica grade é uma medida da vazão mássica. O
de ar ou qualquer outro componente sistema consiste de dois sensores, que
gasoso. Há dois tipos básicos de medidor sentem
termal: 1. a velocidade do fluido
1. Fio aquecido 2. a temperatura do fluido e
2. Inserção automaticamente corrige as
Nos dois casos, a vazão mássica pode variações de temperatura.
ser computada de propriedades Cada sensor é um fio de platina (RTD)
conhecidas do fluido. enrolado em uma base cerâmica. A
Fio aquecido medição da resistência é feita por uma
Neste sistema, mede-se a taxa da ponte digital baseada em
perda de calor que ocorre quando um microprocessador. A diferença de
fluido (líquido, gás ou sólido em pó) passa temperatura é mantida constante pela
sobre um elemento aquecido. O elemento variação da potência elétrica e é inferida a
aquecido pode ser um termistor, um vazão mássica.
termopar ou um RTD. A temperatura do fio Como vantagens do medidor termal
é determinada de sua resistência elétrica. tem-se:
A temperatura do fio pode ser mantida 1. mede diretamente a vazão mássica
constante pela regulagem da potência e a 2. projetado para líquidos, lamas,
vazão mássica é uma função da potência. sólidos em pó e gases
Este método tem resposta mais rápida 3. oferecem pequena perda de carga
do que com o método alternativo de Como desvantagens, tem-se:
manter uma corrente constante e medir a 1. pouco conhecido
resistência para se obter a vazão mássica. 2. requer calibração periódica para
verificar seu fator K.
3. precisão moderada para ruim (±1 a
±2% do fundo de escala)

Fig. 3.23. Esquema do medidor termal de vazão

3.32
Incerteza na Medição

Quando se quer expressar a vazão em


6.11. Malha compensada com placa massa, o meio teórico mais direto seria
Esta malha de medição é complexa, medir a vazão mássica com sensores que
envolvendo maior quantidade de detectassem diretamente a massa. Já
instrumento e derivadas parciais e por isso existem medidores mássicos diretos de
pode ser tomada como paradigma de vazão, como o baseado no principio de
cálculo. Entendendo-a, torna-se fácil Coriolis e o termal.
calcular a incerteza de outras malhas mais
simples, como a malha com turbina,
compensação da densidade, malha com
compensação apenas de temperatura e Computador de
malha sem compensação.
Quando se mede a vazão volumétrica x/÷ √ FQ
de fluido compressível (gás), deve se
referir o volume a uma determinada PT FY FY FIC
condição de referência de pressão e sinal de vazão
temperatura. Fazer a compensação é não compensado sinal quadrático
compensado
medir continuamente a pressão e a
temperatura e fazer a computação para sinal linear
tirar estes efeitos. A relação matemática
entre a vazão volumétrica medida, pressão TT
e temperatura é dada por:

T
V =K (1)
P FCV
FE
onde K é uma constante que inclui a
constante universal dos gases e serve Fig. 3.24. Malha de compensação, linearização,
também para compatibilizar as unidades totalização e controle de vazão de gás
das diferentes grandezas físicas.
Para fazer a compensação, devem ser
feitas as operações matemáticas inversas, Quando se tem a medição volumétrica
ou seja, o computador de compensação da vazão e se quer expressá-la em massa,
faz a seguinte conta: o meio direto de conversão é medindo
também a densidade e multiplicando o
P volume pela densidade. Porém, na prática,
V =K (2)
é difícil medir diretamente a densidade. Os
T
sistemas de medição de densidade são
Quando se tem a placa de orifício, que pouco disponíveis comercialmente, são
gera uma pressão diferencial proporcional difíceis de operar e principalmente são
ao quadrado da vazão, deve-se ainda difíceis de calibrar. O que a
extrair a raiz quadrada do valor instrumentação já usa e domina
compensado. profundamente são os sistemas de
Com esta compensação de pressão e medição de pressão e temperatura, com
temperatura ainda não se tem a vazão padrões de calibração facilmente
mássica, pois a densidade depende da disponíveis. Por isso, a prática universal é
pressão, temperatura e composição do gás medir a pressão e a temperatura para
(ou peso molecular). inferir a densidade e supor que a
A maioria absoluta dos medidores de composição do gás seja constante, o que
vazão mede a vazão volumétrica, através na maioria dos casos, é o que realmente
da detecção indireta da velocidade do acontece. Conhecendo-se o valor da
fluido. Exemplos de medidores densidade na condição de referência da
volumétricos são: placa de orifício, turbina, medição do volume, pode-se determinar a
vortex e magnético. densidade do gás nesta condição e entrar

3.33
Incerteza na Medição

com este valor no computador de vazão As malhas de compensação incluem as


que faz a compensação de pressão e malhas de pressão e temperatura
temperatura. 1. transmissor com sensor integral e
A malha de medição de vazão com com tomada a jusante ou montante
compensação apresenta o erro devido aos da placa
instrumento maior que a malha sem 2. sensor de temperatura (RTD ou
compensação, pois possui uma maior termopar) acoplado ao transmissor e
quantidade de instrumentos componentes, inserida num bulbo, que é colocado
porém, as variações da pressão e no poço (TW)
temperatura do processo são 3. (cabo de extensão ligando o
compensadas pelos instrumentos. As termopar ao transmissor de
incertezas que afetam a malha com temperatura ou três fios ligando o
compensação são as incertezas dos RTD ao transmissor, nos casos do
instrumentos da malha de compensação, sensor não integral ao transmissor)
da ordem de 0,05%, 0,1% e no máximo 4. computador analógico para fazer as
1% do valor medido. três contas da compensação:
A malha sem compensação apresenta multiplicar, dividir e extrair a raiz
o erro devido aos instrumento menor que a quadrada (estas operações podem
malha com compensação, porém, a sua ser feitas em uma única etapa por
incerteza final é muito maior, por que não um único instrumento ou por
há instrumentos para corrigir as variações instrumento discreto, fazendo uma
de pressão e temperatura do processo, ou duas operações cada)
que influem muito na vazão volumétrica. 5. computador analógico para contar a
As incertezas que afetam a malha sem vazão totalizada acumulada e indicar
compensação são as variações totais da a vazão instantânea (estas funções
pressão e da temperatura, que são podem ser feitas pelo computador
tipicamente da ordem de 2 a 10% na analógico que faz a compensação)
temperatura e de 10 a 500% na pressão, A seguinte computação é realizada:
ambas tomadas em valores absolutos.
Para se calcular a incerteza da malha ∆P × P
F =K (3)
de indicação de vazão de gás, com T
compensação de pressão e temperatura, onde
consideram-se as incertezas dominantes ¾ F é a vazão volumétrica compensada,
das malhas de medição de vazão (placa de ¾ ∆P é a pressão diferencial gerada pela
orifício transmissor de vazão d/p cell), placa ,
pressão, e temperatura, computadores de ¾ P é a pressão estática do processo,
vazão e display. Porém, por causa das tomada em valor absoluto (valor
diferentes unidades e contas a manométrico + 1 atm),
combinação das incertezas não é tão ¾ T é a temperatura doo processo,o tomada
direta assim. em valor absoluto (t C + 273 C).
Na medição da vazão sem
compensação, se usaria apenas uma
malha, com
1. placa de orifício (incerteza típica de
±0,6% a 1,5%) do valor medido,
incluindo as incertezas devidas à
planicidade, acabamento, estado do
furo, excentricidade de montagem,
tomadas da pressão diferencial e
deposição de sujeira na placa
2. transmissor d/p cell (incerteza típica
de 0,1 a 0,5% do fundo de escala,
obtida de catálogo

3.34
Incerteza na Medição

Considerando-se a malha abaixo:

Legenda 1: Legenda 2:
FE - elemento vazão (placa de orifício) componentes da ∆P
FT - transmissor d/p cell
PT - transmissor pressão componentes da pressão
TE - elemento termal
TT - transmissor temperatura componentes da temperatura
FY-1, PY e TY – distribuidor-conversor
FY-2 - multiplicador-divisor-extrator de
raiz quadrada
FI – Indicador de vazão

FI

FY-2

FY-1 PY TT

FT PT

FE TE

O cálculo da incerteza total da vazão compensada tem o seguinte roteiro:

3.35
Incerteza na Medição

1. Calcula-se a incerteza da pressão 5. Faz-se a normalização das variáveis


diferencial gerada pela placa, da equação nos valores de projeto
considerando-se as incertezas do da temperatura e pressão e no
transmissor (iFT) e distribuidor- ponto de trabalho da vazão, para
conversor I/V (iFY1). Combinam-se tornar consistentes as diferentes
estas duas incertezas com o unidades envolvidas, obtendo-se
algoritmo RSQ; e se obtém a valores normalizados de ∆P, P e T
incerteza d∆p. para uso na eq. (9).
6. Normalização das unidades:
d∆P = iFT
2
+ iFY
2
1 (4) valor medido absoluto
uN = (10)
span total absoluto
Quando se usa o transmissor enviando
diretamente o sinal para o computador Por exemplo, para normalizar a
de vazão, tem-se simplesmente: pressão com faixa de 0 a 2 kgf/cm
2

manométrico, com pressão de trabalho em


d∆P = iFT (5) 2
1 kgf/cm manométrico.
2. Calcula-se a incerteza da Colocam-se os valores da pressão em
temperatura, considerando-se as valores absolutos: tem-se a faixa de
2
incertezas do RTD (iTE) e do trabalho de 0 a 3,0 kgf/cm A e a pressão
2
transmissor Pt/V (iTT). Combinam-se absoluta de trabalho de 2,0 kgf/cm
2
estas duas incertezas através do Para a pressão de 2,0 kgf/cm , tem-se
algoritmo RSQ e se obtém a valor medido absoluto = 2,0
incerteza dT. span total absoluto = 3,0
Assim, uN = 2/3 = 0,67
Outro exemplo, para normalizar a
dT = i 2TE + i 2TT (6)
temperatura com faixa de trabalho de 0 a
o o
50 C, com ponto de trabalho em 30 C.
3. Calcula-se a incerteza da pressão Em valores absolutos, tem-se:
estática, que é a incerteza do faixa de trabalho = 273 a 323 K
transmissor de pressão mais a do ponto de trabalho normalizado = 303 K
distribuidor-conversor I/V (iPY); span absoluto = 323 K
obtém-se dP. o
Então, a temperatura de 30 C (303 K)
vale, na forma normalizada, 0,94
dP = iPT
2
+ iPY
2
(7) Finalmente, normalizando uma pressão
diferencial de 0 a 2500 mm água, o ponto
de trabalho de 1000 mm normalizado dá
4. Para calcular a incerteza da
0,40 (1000/2500).
compensação, usam-se as
7. Colocam-se todos os valores
derivadas parciais da função de
numéricos já disponíveis para:
compensação em relação a pressão
a) d∆p
diferencial, pressão estática e
b) dP
temperatura, respectivamente e as
c) dT
combina segundo a expressão:
d) ∆p normalizado
2 2 2
e) P normalizado
 ∂F   ∂F   ∂F  f) T normalizado
ic =  d∆p +  dP +  dT (8)
 ∂∆P   ∂P   ∂T  obtendo-se a incerteza da vazão
compensada.
Fazendo-se as derivadas, tem-se 8. A incerteza do sinal proporcional à
vazão compensada, ic, é somada às
incertezas
∆P × P  1 
2 2 2
 1  1  (9)
ic = 
4 T   ∆P
d∆p +  dP +  dT
 P  T 
 • placa de orifício (iFE)
 
• multiplicador – divisor - extrator
de raiz quadrada (iFY2)

3.36
Incerteza na Medição

• indicador de vazão (iFI)


• resultando da incerteza total da
indicação da vazão compensada:

iF = i c2 + iFY
2
2 + i FI + i FE
2 2
(11)

Neste cálculo a incerteza da placa de


orifício foi considerada como percentual da
vazão e não da pressão diferencial.

3.37
Incerteza na Medição

Cálculo das Incertezas das Malhas de Medição de Vazão

Malha FQ-2408-302
Função: Totalização vazão de vapor
Faixa Calibrada 0 a 1,299 t/h
Ponto de Trabalho 0,400 t/h

Precisão F.E., V.M. ou Precisão Período


Tag (±) (±) Referência
Catálogo span Calculada Sugerido (sem)
FE 0,7% V.M. 1,299 t/h 0,009 t/h David Spitzer, jan/96, pg 162 104
FT 0,25% span 650 mm H2O 2 mm H2O Transmitel, MI 4256/4257, jun/91, pg 8 26
FY.1 0,2% span 650 mm H2O 1 mm H2O Yokogawa, GS, mod. 5368, fev/73, pg 1 26
2 2
PT 0,1% span 50 kgf/cm 0,05 kgf/cm Rosemount, Man 4593A00, Smart, jun/94, pg12 26
2 2
PY.1 0,2% span 50 kgf/cm 0,10 kgf/cm Yokogawa, GS, mod. 5368, fev/73, pg 1 26
o o o
TE (0,005T + 0,3) C 350 C 2 C Ecil, Catálogo de Termometria 104
o o
TX 0,5% span 400 C 2 C Yokogawa, GS, mod. 5351, jul/73, pg 1 26
FY.2 0,5% span 1,299 t/h 0,011 t/h Yokogawa, GS, mod. 5364, jul/92, pg 2 26
FY.3 0,5% span 1,299 t/h 0,006 t/h Yokogawa, GS, mod. 5361, jul/73, pg 1 26
FQ 1 dígito 1,299 t 0,001 t Yokogawa, GS, mod. 5217, jul/73 26

Incerteza total da malha = 0,017 t/h = 1,3% F.E.

3.38
Incerteza na Medição

Roteiro de Cálculo

1. Dados do processo utilizados para os cálculos


1.1. vazão de trabalho: 0,400 t/h
2
1.2. pressão de trabalho: 40 kgf/cm
o
1.3. temperatura de trabalho: 350 C
2
1.4. faixa calibrada de pressão 0 50 kgf/cm
o
1.5. faixa calibrada de temperatura 100 500 C

2. Cálculo da incerteza

2.1. Incerteza do ∆P (d∆P)

d∆P = (incerteza FT ) 2 + ( incerteza FY .1) 2

d∆P = 0,32% span

2.2. Incerteza da pressão (dP)

dP = ( in c e r t e z a P T ) 2 + ( in c e r t e z a P Y . 1 ) 2

dP = 0,22% span

2.3. Incerteza da temperatura (dT)

dT = ( in c e r te z a T E ) 2 + ( in c e r te z a T X ) 2

dT = 0,72% span

2.4. Normalização das variáveis


v a lo r m e d id o a b s o lu to
v a ria v e l n o rm a liz a d a =
s p a n a b s o lu to

3.39
Incerteza na Medição

2.4.1. Pressão diferencial


(% v a z a o ) 2
% ∆P = =
100 9%

∆P normalizada = 0,09

2.4.2. Pressão

P normalizada = 0,80

2.4.3. Temperatura

T normalizada = 0,81

2.5. Cálculo da incerteza da compensação(IC)

∆ PP  d ∆ P  2  dP  2  dT  2 
IC =   +  +  
4T  ∆ P   P  T 

Obs.: utilizar os valores normalizados de ∆P, P e T.

IC = 0,54% span

IC = 0,007 t/h

2.6 Cálculo da incerteza total (IT)

(in c e rte z a F E ) 2 + (in c e rte z a c o m p e n s a c a o ) + (in c e rte z a F Y .2 ) + (in c e rte z a F Y .3 )


2
=
2 2
I
T

Incerteza total = 0,017 t/h

3.40
Incerteza na Medição

Medição de vapor com compensação de pressão e temperatura


O sistema de medição de vazão de vapor consiste de
1. placa de orifício, FE
2. transmissor d/p cell, FT
3. transmissor de pressão estática com tomada a jusante da placa e sensor
incluído, PT
4. transmissor de temperatura, TT, com RTD (TE), inserida no poço (TW)
5. distribuidores para alimentar transmissores, FY-1, PY-1
6. computador analógico multiplicador divisor, FY-2
7. computador analógico extrator de raiz quadrada e integrador, FY3
8. contador, FQ

Legenda:
FE - elemento vazão
FT - transmissor d/p cell
PT - transmissor pressão
TW - poço termal FI FQ
TE - elemento termal
TT - transmissor temperatura
FY-1, PY e TY - distribuidor
FY-2 - multiplicador-divisor
FY-3 - extrator, integrador
FQ - totalizador vazão FY-3

FY-2

FY-1 PY TT

FT PT

FE TW+TE

Fig. 3.25. Estação de medição de vazão de vapor d’água com compensação de P e T

3.41
Incerteza na Medição

Medição de gás com compensação de pressão e temperatura


Este sistema consiste de duas malhas:
1. Malha principal (mostrada com preenchimento cinza no diagrama)
• placa de orifício em meter run e alojada em porta placa, FE
• transmissor d/p cell para faixa de medição baixa (partida), FT-1
• transmissor d/p cell para faixa normal, FT-2
• transmissor de densidade, DT
• computador de vazão, que converte vazão volumétrica em mássica, FQI
2. Malha secundária
• a mesma placa de orifício da malha principal, FE
• transmissor de vazão d/p cell, FT-3
• malha medidora de pressão, PT
•malha medidora de temperatura, TW, TE e TT
• computador analógico multiplicador-divisor FY-3
• computador extrator raiz quadrada e integrador da vazão compensada, FY-2,
• indicador, FI
• totalizador de vazão (FQ)

Legenda:
FE - elemento vazão
FT - transmissor d/p cell
DT - transmissor densidade
PT - transmissor pressão
TE - elemento termal
FQ
TW - poço termal
TT - transmissor temperatura
FY-1, PY e TY - distribuidor
FY-2 - multiplicador-divisor
FY-3 - extrator, integrador
FI - indicador vazão FY-3
FQ - totalizador vazão

FY-2

FQI

FY-1 PY TY
baixa vazão
vazão normal
FT-2 FT-1

DT TT
FT-3 PT

FE TW+TE

meter run porta-placa

Fig. 3.26. Estação de medição de vazão de gás com compensação de P e T

3.42
Incerteza na Medição

Medição de líquido com compensação de temperatura


O sistema principal consiste de
1. malha medidora de vazão, tipo turbina: rotor (8) e pré-amplificador (FT),
2. malha medidora de temperatura, TW, TE e TT
3. computador de vazão com compensação de temperatura, indicação e
totalização (FQI).
O sistema secundário não possui compensação e consiste de
1. placa de orifício, FE
2. transmissor de vazão d/p cell, FT
3.computador analógico extrator de raiz quadrada e integrador, FY-2
4. totalizador de vazão, FQ
5. distribuidores e conversores para os transmissores, FY-1, PY-1.

Legenda:
FE - elemento vazão
TW - poço termal
TE - elemento termal
TT - transmissor temperatura
FY-1, PY - distribuidor
FY-2 - extrator, integrador
FQ - totalizador vazão
FQI - indicador-totalizador vazão

FQ

FY-2

FY-1 FQI

FX TT
FT

8
FE
TW+TE

filtro turbina

Fig. 3.27. Estação de medição de vazão de líquido com compensação de temperatura

3.43
Incerteza na Medição

Medição de líquidos com Coriolis


O sistema de medição de vazão mássica consiste de
1. tubo de vazão Coriolis, (elemento sensor de vazão mássica)
2. transmissor com indicação e totalização da vazão mássica integradas

WQI

Legenda: WT
WE - carretel e tubo Coriolis
WT - transmissor de vazão
WQI - indicador, totalizador vazão mássica

WE - Carretel

Fig. 3.28. Estação de medição de líquido com medidor Coriolis

3.44
Incerteza na Medição

Turbina
Incerteza Turbina X Placa de Orifício X Coriolis
Precisão
Tag (±)
11,0% Catálogo
FT 0,25% V.M.
10,0%
FX Incluída no FT
o
TE (0,005T + 0,3) C
TT 0,2% span
9,0%
FY 0,1% F.E.
FQ 1 dígito
8,0%

Placa com Computador Daniel


7,0%
Precisão
Tag (±)
Catálogo
Incerteza (% F.E.)

6,0%
FE 0,7% V.M.
Turbina FT-2 0,25% span
Placa de Orifício
Coriolis PT 0,25% span
5,0% o
TE (0,005T + 0,3) C
TT 0,2% span
4,0% FY 0,1% F.E.
FQ 1 dígito

3,0%

Coriolis
Precisão
2,0%
Tag (±)
Catálogo
FE 0,2%V.M.+(zero stability/V.M.x100)%
1,0% FT Incluída no FE
FY * 0,1% F.E.
FQ * 1 dígito
0,0%

1,0% 5,0% 10,0% 15,0% 25,0% 35,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% 100,0%
% da Faixa Calibrada

Fig. 3.29. Incertezas da placa, turbina e coriolis

3.45
Incerteza na Medição

In c e rte z a P la c a d e O rifíc io c o m C o m p e n s a ç ã o d e P re s s ã o e C o m p u ta d o re s Y o k o g a w a
T e m p e ra tu ra P re c is ã o
T ag (± )
C a tá lo g o
3 2 ,0 %
FE 0 ,7 % V .M .
3 1 ,0 %
3 0 ,0 %
FT 0 ,2 5 % s p a n
2 9 ,0 % F Y .1 0 ,2 % s p a n
2 8 ,0 %
PT 0 ,2 5 % s p a n
2 7 ,0 %
2 6 ,0 % P Y .1 0 ,2 % s p a n
o
2 5 ,0 %
TE (0 ,0 0 5 T + 0 ,3 ) C
2 4 ,0 %
2 3 ,0 %
TX 0 ,5 % s p a n
2 2 ,0 % F Y .2 0 ,5 % s p a n
2 1 ,0 %
F Y .3 0 ,5 % s p a n
2 0 ,0 %
FQ 1 d íg ito
Incerteza (% F.E.)

1 9 ,0 %
1 8 ,0 %
1 7 ,0 %
1 6 ,0 %
C o m p u ta d o re s Y o k o g a w a
1 5 ,0 % C o m p u ta d o r D a n ie l
1 4 ,0 %
1 3 ,0 %
1 2 ,0 %
C o m p u ta d o r D a n ie l
1 1 ,0 % P re c is ã o
T ag (± )
1 0 ,0 %
C a tá lo g o
9 ,0 %
8 ,0 %
FE 0 ,7 % V .M .
7 ,0 % F T -2 0 ,2 5 % s p a n
6 ,0 % PT 0 ,2 5 % s p a n
5 ,0 % o
4 ,0 %
TE (0 ,0 0 5 T + 0 ,3 ) C
3 ,0 % TT 0 ,2 % s p a n
2 ,0 %
FY 0 ,1 % F .E .
1 ,0 %
0 ,0 %
FQ 1 d íg ito
0%

0%

0%
,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

0,
1,

5,

10

15

25

35

50

60

70

80

90

10

% d a F a ix a C a lib ra d a

Fig. 3.30. Incerteza da medição de vazão com placa de orifício e compensação de pressão e temperatura

3.46
Incerteza na Medição

Incerteza Placa de Orifício com Compensação de Densidade X


Compensação Densidade
com Compensação de Pressão e Temperatura
Precisão
Tag (±)
12,0%
Catálogo
FE 0,7% V.M.
FT-2 0,25% span
DT 0,25% span
10,0% FY 0,1% F.E.
FQ 1 dígito

8,0%
Incerteza (% F.E.)

Compensação D Compensação Pressão e Temperatur


6,0% Precisão
Compensação P e T Tag (±)
Catálogo
FE 0,7% V.M.
FT-2 0,25% span
4,0% PT 0,25% span
o
TE (0,005T + 0,3) C
TT 0,2% span
FY 0,1% F.E.
2,0%
FQ 1 dígito

0,0%
0%
%

%
0%

0%

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

0,
1,

5,

10

15

25

35

50

60

70

80

90

10

% da Faixa Calibrada

Fig.3.31. Incertezas com medição de densidade versus medição de pressão e temperatura

3.47
Incerteza na Medição

Incerteza Placa de Orifício com Compensação de Pressão e Temperatura X sem Compensada P e T


Compensação Precisão
Tag (±)
Catálogo
12,0% FE 0,7% V.M.
FT-2 0,25% span
PT 0,25% span
o
TE (0,005T + 0,3) C
10,0%
TT 0,2% span
FY 0,1% F.E.
FQ 1 dígito
8,0%
Incerteza (% F.E.)

Compensada P e T Não Compensada


6,0%
Não Compensada Precisão
Tag (±)
Catálogo
FE 0,7% V.M.
FT-2 0,25% span
4,0%
PT 8% span
TT 15% span
FY 0,1% F.E.
FQ 1 dígito
2,0%

0,0%
1,0% 5,0% 15,0% 25,0% 35,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% 100,0%
% da Faixa Calibrada

Fig. 3.33. Comparação das incertezas com compensação e sem compensação de pressão e temperatura
Nota: No gráfico da vazão não compensada, foram consideradas como incertezas da pressão (indicada na tabela como PT) e da
temperatura (indicada na tabela como TT), variações da pressão e da temperatura no processo que não são compensadas(foi
tomado como exemplo uma malha real de uma planta de hidrogênio).

3.48
∆P
6.12. Indicação de Vazão de Efluentes com Calha Parshall

Indicador
FT FI

FE
Distribuidor, conversor Painel
UY
Registrador
FR
Totalizador
FYA FYB FQ

FY IFC FI

Fig. 16. Medição múltipla de vazão de efluentes

• FI - indicador no monitor do SDCD


Sistema de medição
Um sistema típico de medição de Foram definidas como malhas criticas para o Meio
efluentes orgânicos é constituído de Ambiente as seguintes malhas:
quatro malhas: 1. Indicação local da vazão
1. Malha de indicação local 2. Registro da vazão (sala medição)
3. Indicação da vazão (sala de medição)
• FE - calha Parshall
4. Totalização da vazão (sala de
• FT - transmissor de vazão
medição)
• FI - Indicador local de vazão
2. Malha de indicação e totalização na Incertezas calculadas
sala de controle auxiliar As incertezas instaladas calculadas
são as seguintes:
• FE - calha Parshall
1. Indicação local da vazão = ±4,1%
• FT - transmissor de vazão 2. Registro da vazão (sala medição)
• FY - distribuidor, alimentador e = ±4,0%
conversor de 4 a 20 mA/1 para 5 V 3. Indicação da vazão (sala de medição)
• FY(A) - linearizador do sinal = ±4,4%
• FY(B) - integrador 4. Totalização da vazão (sala de
• FQ - totalizador de vazão medição) =±4,1%
3. Malha de registro da vazão
• FE - calha Parshall
• FT - transmissor de vazão
• FR - registrador de vazão
4. Malha de indicação do SDCD
• FE - calha Parshall
• FT - transmissor de vazão
• FY1 - distribuidor, alimentador e
conversor de 4 a 20 mA para 1 a 5 V
• FY2 - isolador de segurança
intrínseca
• IFC - módulo de entrada do SDCD

3.49
Indicação de Vazão de Sólidos K-Tron

6.13. Indicação de Vazão de Sólido K-Tron

KTron SDCD

f/D entrada vazão

D/A ISI IFC


CPU
Monitor

f/D SP ISI IFC


A/D
saída set point

SE

WE

Fig. 15. Esquema do sistema K-Tron de medição de vazão mássica de pó para a extrusora

Sistema de medição Princípio de Funcionamento


Na industria de plásticos, é comum a Uma célula de carga especial (WE)
medição de pó ou chips. O sistema detecta o peso em cima da esteira e um
clássico de medição de sólidos através de tacômetro (SE) detecta a velocidade da
um SDCD e com barreiras se segurança esteira.
intrinseca é constituído de: Tem-se que a incerteza do peso (iW )
WE - célula de carga especial como depende das incertezas do sensor e do
elemento sensor de peso conversor f/D, ou seja:
SE - tacômetro, como elemento sensor i W = iSW + i f /D
de velocidade
f/D - módulo de interface conversor Analogamente, a incerteza da
analógico/digital velocidade é dada por:
CPU - Unidade de Processamento
Central para computação matemática
i S = i SE + i f /D
D/A - Conversor digital/analógico
FY1 - isolador galvânico de segurança
intrínseca Nesta composição, foram verificadas
FY2 - módulo de entrada do SDCD desprezíveis em relação às dominantes
FI - indicador de vazão, no monitor do dos sensores, as incertezas dos
SDCD conversores de freqüência para digital (if/D),
antes da CPU.
Estes dois sinais, em freqüência, vão
para dois módulos de interface, que
convertem freqüência em sinal digital, que
vão para a CPU. A CPU faz a computação
matemática para compor uma vazão
mássica e gera um sinal digital, que é
convertido em analógico por um conversor
conveniente. O sinal analógico de 4 a 20

3.50
Indicação de Vazão de Sólidos K-Tron

mA entra no SDCD, através de um isolador • iQ é a incerteza da computação


galvânico de segurança intrínseca, ISI, matemática da vazão mássica,
para o módulo de entrada, IFC. O SDCD • iCPU é a incerteza da CPU que executou
também gera um sinal de ponto de ajuste, a computação matemática
que é convertido no sinal analógico de 4 a • iT é a incerteza total da malha, em um
20 mA por um módulo de saída. Este sinal determinado ponto de trabalho
analógico é convertido para digital, para • iD/A é a incerteza do conversor digital-
entrar também na CPU. analógico de saída do KTron
A computação matemática feita pela • iFY1 é a incerteza do isolador galvânico
CPU é a seguinte: de segurança intrínseca antes do
SDCD
massa peso • iIFC é a incerteza do módulo de entrada
=
tempo velocidade do SDCD
• iFI é a incerteza do monitor do SDCD
O sinal proporcional ao peso vem da Nesta computação, foram verificadas
célula de carga e o sinal proporcional à desprezíveis em relação às dominantes, as
velocidade vem do tacômetro. A CPU incertezas do CPU (iCPU), do conversor
possui uma base de tempo e executa esta digital para analógico (iD/A), depois da CPU.
computação matemática. Também se considerou desprezível a
A incerteza da computação para se incerteza da CPU que usa o sinal de saída
obter vazão mássica, iQ, depende da do SDCD para determinação do ponto de
incerteza do peso multiplicada por um fator ajuste (SP). A determinação do ponto de
de sensitividade, que é a derivada parcial ajuste na CPU tem uma incerteza que
da vazão em relação ao peso e da envolve as incertezas devidas a
incerteza da velocidade multiplicada por • módulo de saída do SDCD,
outro fator de sensitividade, que é a • conversor analógico digital
derivada parcial da vazão em relação à • computação da CPU
velocidade. Tem-se simplificadamente, A incerteza instalada da malha deve
ser calculada segundo este algoritmo, pois
∂Q ∂Q estes cálculos são feitos realmente.
iQ = iW + iS
∂W ∂S Porém, para calibração do sistema, em vez
onde de se calibrar individualmente os sensores
• iQ é a incerteza da vazão mássica e malhas de velocidade e peso, já se faz
• iW é a incerteza do peso uma calibração por malha. Nesta
• iS é a incerteza da velocidade calibração,
Determinando as derivadas parciais e 1. processo estabelece um determinado
combinando as incertezas pelo algoritmo ponto de ajuste de vazão mássica,
da raiz da soma dos quadrados (RSQ), 2. depois que a vazão se estabiliza,
tem-se: enche-se um balde com o produto,
3. pesa-se a quantidade de produto que
2 2 passou durante determinado intervalo
1  W  de tempo,
iQ =  i W  +  2 i s 
S  S  4. mede-se o intervalo de tempo,
5. divide-se a massa pesada pelo tempo,
onde W e S são os pontos de trabalho do para se obter a vazão mássica,
peso e da velocidade. 6. comparam-se as duas vazões: a
Para se obter a incerteza total da ajustada e a calculada segundo os
malha, incluindo os outros componentes, itens anteriores, para ajustar o sistema,
tem-se: a partir do resultado obtido e do critério
de aceitação.
Embora a incerteza deste método de
i T = iQ2 + i CPU
2
+ iD2 / A + iFY
2
1 + iIFC + iFI
2 2
calibração seja difícil de quantificar, é o
meio mais prático.
onde

3.51
Indicação de Vazão de Sólidos K-Tron

Observações
Há usuário que considera apenas três 6.14. Análise das incertezas das
componentes da malha e combinam malhas
linearmente as suas incertezas Para o cálculo das incertezas das
associadas: malhas de medição de vazão são feitas as
1. alimentador como um único seguintes hipóteses simplificadoras:
equipamento com incerteza de ±1% do 1. Usar a precisão nominal dos
span instrumentos, fornecida pelo
2. condicionador com ±0,3% do span fabricante através do catálogo, que
3. módulo do SDCD com ±0,3 % span é válida para instrumento novo nas
O presente trabalho desenvolve a condições de referência de 24 ± 2
o
função matemática realizada internamente C, o que é otimista. Geralmente,
na CPU do sistema e por isso o algoritmo não se faz nenhuma distinção para a
inclui derivadas parciais como coeficientes idade dos instrumentos.
e sensitividade. 2. Não atribuir nenhuma incerteza aos
Por causa do algoritmo usado, são considerados padrões usados nas calibrações,
todos os equipamentos do sistema, tomando as supondo que são usados padrões
incertezas individuais de catálogo. Estes com incertezas mínimas iguais a 1/3
componentes são: da incerteza dos instrumentos
sensor de peso calibrados.
sensor de velocidade Combinando todas as incertezas
conversor A/D da velocidade geradas pelas hipóteses acima, é provável
conversor A/D do peso que haja uma incerteza sistemática
CPU associada a várias malhas, que não
conversor D/A de saída invalidam as comparações e
isolador de segurança intrínseca considerações que são feitas a seguir.
módulo de entrada do SDCD
Placa de orifício versus turbina
monitor do SDCD
Sob o ponto de vista metrológico, a
Pelos valores tomados, algumas
turbina é melhor que a placa de orifício e
incertezas são desprezíveis e outras são
esta afirmação foi comprovada
dominantes. A incerteza final calculada por
experimentalmente, comparando-se as
este algoritmo é da ordem de 0,5% da
curvas da Fig. 7.
largura de faixa. A incerteza considerando
Na Fig. 7 tem-se a curva das incertezas
o sistema simplificado e combinando
da malha com turbina, compensação de
linearmente incertezas individuais é da
temperatura e totalização. Como a malha é
ordem de 1% da largura de faixa.
% do valor medido, a pior condição é no
fim de escala, onde se tem a incerteza
máxima de 0,8%. Embora a curva mostre
incerteza para vazões abaixo de 5%, na
prática este é o limite inferior de medição
da turbina e a incerteza vale 0,1%. Alguém
pode questionar a situação de se ter uma
incerteza final (0,1%) menor que uma
incerteza componente (0,25% da turbina).
A explicação está no modo de expressão
da incerteza, onde a incerteza final é 0,1%
do fundo de escala e a da turbina é 0,25%
do valor medido.
As curvas da Fig. 7 também mostram
que a incerteza do medidor Coriolis é um
pouco menor do que a da turbina, porque
foi tomada a incerteza nominal da turbina
como 0,25% e a do Coriolis igual a 0,2%,
ambas em relação ao valor medido e por

3.52
Indicação de Vazão de Sólidos K-Tron

que há apenas 4 instrumentos na malha do sem compensação chega a ser 9 vezes


Coriolis e 7 instrumentos na malha da maior que a incerteza com compensação,
turbina. quando a pressão varia de 8% a
Nas malhas de vazão com placa de temperatura de 15%, ambas em relação à
orifício, por causa do algoritmo usado, a largura de faixa.
incerteza final da malha será sempre maior
ou igual à incerteza da placa de orifício, 6.15. Algoritmos possíveis da placa
como mostra a curva da Fig. 7. A mesma malha de medição de vazão
com placa de orifício pode ter dois
Compensação com um computador de
algoritmos parecidos de cálculo que
vazão e com vários computadores
resultam em incertezas bem diferentes.
analógicos
Quando se assume que a placa de
As curvas da Fig. 8 mostram as
orifício tem uma incerteza de % VM da
diferenças de medição, quando se faz a
pressão diferencial, está sendo otimista
compensação de P e T através de um
para valores acima de 50% e pessimista
único computador de vazão da Daniel e
para vazões abaixo de 50%. Para vazões
quando se usam vários distribuidores e
acima de 50% é possível se ter a incerteza
computadores analógicos da Yokogawa.
combinada final menor que a incerteza da
Embora a incerteza de ambas as
malha isolada, por causa do fator de
malhas tendam para aproximadamente o
sensitividade.
mesmo valor próximo da incerteza isolada
Tem-se:
da placa de orifício, a malha com menos
instrumentos é três vezes melhor que a icomp = (f ∆pi∆p )2 + (fPiP )2 + (fT iT ) 2 (12)
malha com muitos instrumentos para
vazão de vazões pequenas (abaixo de
onde
10% da vazão máxima). Para vazões
icomp é a incerteza da compensação de
elevadas (acima de 70%) os
PeT
comportamentos são muito parecidos e
i∆p é a incerteza da medição de ∆p,
próximos (1% e 0,8%).
O melhor modo para melhorar a envolvendo incerteza da placa e do
incerteza da medição é este, de usar transmissor (eventualmente do distribuidor,
instrumentos mais modernos e em menor FY-1, se houver)
quantidade, pois se tem menor incerteza e iP é a incerteza da medição de P
menor custo de compra de instrumentos. iT é a incerteza da medição de T
A incerteza da compensação é
Compensação de P e T × compensação combinada com as outras incertezas para
de D se obter a final da malha:
As curvas da Fig. 9 mostram que
praticamente não há diferença entre fazer
compensação com P e T ou com D. Na
im = (icomp ) 2 + (iFY ) 2 (13)
compensação de P e T, a influência da T é
muito pequena e praticamente só há onde
influência do PT que aproximadamente im é a incerteza final da malha
tem a mesma incerteza do DT. iFE é a incerteza da placa de orifício
iFY é a incerteza do computador e
Malha com e sem compensação de P e
totalizador
T
Neste caso, a incerteza da malha (im)
As curvas da Fig. 10 mostram as
pode ser menor que a incerteza da placa
incertezas da malha com compensação de
(iFE)
P e T e da malha sem compensação, com
Quando se assume que a placa de
a pressão variando 8% da largura de faixa
orifício tem uma incerteza de % VM da
e a temperatura variando 15% da largura
vazão medida, está sendo otimista para
de faixa.
valores abaixo de 50% e pessimista para
As curvas mostram a necessidade de
vazões acima de 50%. Neste caso, como a
se fazer compensação de medição de
incerteza da placa entra no algoritmo final,
gases, pois, na vazão máxima a incerteza

3.53
Indicação de Vazão de Sólidos K-Tron

a incerteza final combinada é sempre


maior ou igual à incerteza da placa, pois
não há fator de sensitividade.
Tem-se

icomp = (f ∆pi∆p )2 + (fPiP )2 + (fT iT ) 2 (14


)

onde tudo é quase igual:


icomp é a incerteza da compensação de
PeT
i∆p é a incerteza da medição de ∆p,
envolvendo incerteza do transmissor (não
inclui a incerteza da placa)
iP é a incerteza da medição de P
iT é a incerteza da medição de T
A incerteza da compensação é
combinada com as outras incertezas para
se obter a final da malha:

im = (icomp )2 + (iFE )2 + (iFY )2 (15)

onde
im é a incerteza final da malha
iFE é a incerteza da placa de orifício
iFY é a incerteza do computador e
totalizador
Neste algoritmo, a incerteza da malha
(im) é sempre maior ou igual à incerteza da
placa (iFE). A incerteza da malha é igual à
da placa quando as outras incertezas de
compensação e do computador forem
desprezíveis em relação à da placa, o que
pode acontecer freqüentemente.
No presente trabalho, optou se pelo
algoritmo que usa incerteza da placa como
% VM de vazão, de modo que, para
vazões acima de 50% (as mais prováveis),
a incerteza final combinada da malha é
sempre maior ou igual à incerteza isolada
da placa de orifício.
As curvas das Fig. 11 mostra as
incertezas da placa referidas em % da
vazão e em % da pressão diferencial, para
vários computadores Yokogawa.
As curvas da Fig. 12 mostram
graficamente os comportamentos das
incertezas de ±1% do valor medido, ±1%
do fundo de escala de vazão e ±1% do
fundo de escala em pressão diferencial.

3.54
55

Incerteza Placa de Orifício com Compensação de Pressão e


Computadores Yokogawa
Temperatura
Precisão
Incerteza Placa em %Vazão X %Pressão Diferencial Tag (±)
48,0% Catálogo
47,0%
46,0% FE 0,7% V.M.
45,0%
44,0%
FT 0,25% span
43,0%
42,0%
FY.1 0,2% span
41,0%
40,0%
PT 0,25% span
39,0%
38,0%
PY.1 0,2% span
37,0% o
36,0% TE (0,005T + 0,3) C
35,0%
34,0% TX 0,5% span
33,0%
32,0%
FY.2 0,5% span
31,0%
30,0%
FY.3 0,5% span
29,0%
FQ 1 dígito
Incerteza (% F.E.)

28,0%
27,0%
26,0%
25,0% Incerteza %Vazão
24,0%
Incerteza %Pressão Diferencial
23,0%
22,0%
21,0%
20,0%
19,0%
18,0%
17,0%
16,0%
15,0%
14,0%
13,0%
12,0%
11,0%
10,0%
9,0%
8,0%
7,0%
6,0%
5,0%
4,0%
3,0%
2,0%
1,0%
0,0%
0%
%

%
0%

0%

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

,0

0,
1,

5,

10

15

25

35

50

60

70

80

90

10

% da Faixa Calibrada

Fig. 3.34. Algoritmos possíveis da incerteza da placa de orifício

3.55
Indicação de Vazão de Sólidos K-Tron

Fig. 3.35. Comparação de três expressões relativas a diferentes parâmetros

3.56
57

7. Indicação e Registro de Análise de Gases

She

VWS
ABB SDCD
H Vista
N AE + Work Monitor
AJT Station
Hexeno
Monito AR
C VIOC
C6nertes

Etileno

Etano AYT
Buteno CAC
AJ
THC

O2

Fig. 3.36. Esquema do sistema de Análise de O2, H2, N2, buteno, etano, etileno, hexeno e umidade

• AJT, transmissor multiplexador de


7.1. Sistema de Medição análise, sensor incluído, Asea
Um sistema típico de análise de Brown Boveri (ABB)
gases (H2, N2, O2, Etileno, Etano, Buteno, • AI, indicação de análise através de
Hexeno, THC e umidade) é constituído monitor, no shelter
dos seguintes componentes, para fins de 3. Indicação de Análise na Sala de Controle
cálculo de incertezas: Auxiliar
1. Registro Local de Análise • AT, transmissor de análise com o
• AJT, transmissor multiplexador de sensor incluído, da Asea Brown
análise, sensor incluído, Asea Boveri (ABB).
Brown Boveri (ABB) • VWS, Vista Work Station,
• AR, registrador de análise, sensor interface ABB/Fisher de
incluído, localizado no shelter de multiplexação e conversão
análise. • AI, indicação de análise na VWS,
O registrador é conectado, quando através de monitor
necessário. 4. Indicação de Análise na Sala de Controle
2. Indicação Local de Análise Principal, através de SDCD, com barreiras de
segurança intrínseca:

3.57
Incerteza na Medição

• AT, transmissor de análise com o


Indicador de Análise pela SDCD
sensor incluído, da Asea Brown
A VWS se comunica digitalmente
Boveri (ABB).
com o SDCD. Os sinais digitais da VWS
• VWS, Vista Work Station, interface entram num cartão virtual de entrada-
ABB/Fisher de multiplexação e saída (VIOC - virtual input-output card)
conversão do SDCD, que os interpreta. A incerteza
• ISI, isolador galvânico de do VIOC é considerada 0,0% V.M. O AI-3
segurança intrínseca é o indicador digital da análise, através
• Cartão virtual entrada/saída, do monitor do SDCD (incerteza de 0,0%
interpretador, do SDCD, da Fisher V.M.). O número de algarismos
• AI, indicação de análise no SDCD, significativos é estabelecido, por
através de monitor programação, no SDCD e deve ser
5. Quando se mede a análise de THC, tem-se um consistente com a incerteza do resto da
• AYT, transmissor com saída malha. Por exemplo, malha de
analógica (4 a 20 mA) temperatura cuja incerteza típica varia
• CAC, conversor analógico/digital em torno de unidade de grau, como ±4
• com o sinal de saída indo para as o
C, deve ter indicador no monitor com
estações do VWS e SDCD. nenhum algarismo depois da vírgula. O
indicador apresenta a percentagem de
7.2. Incertezas do Sistema cada componente da mistura gasosa e a
seleção é feita através do teclado. O
Registro de Análise
sinal ainda passa por um isolador
O transmissor de análise (AJT), que
galvânico de segurança intrínseca
inclui o sensor de análise, gera o sinal
(incerteza de ±0,1% F.E., @ 20 C).
o
padrão digital de transmissão eletrônica,
protocolo ABB, de modo multiplexado, A malha usada pela Operação, para
fim de qualidade é a indicação do SDCD.
em oito canais (incerteza de ±1% F.E.).
Junto do AJT, há o AR, que registra o Gás e mistura padrão
cromatograma dos gases, quando Embora não seja componente físico
requerido, através de sistema plug in. No da malha, o gás ou a mistura padrão
shelter, ainda há um monitor para usado para calibrar o transmissor,
apresentação de gráficos e valores indicador ou registrador de análise tem
numéricos da análise (AI-1), com uma incerteza da análise que é
incerteza de ±1% F.E. dominante em relação às incertezas dos
componentes físicos da malha. A
Indicador de Análise pela VWS
incerteza de análise dos gases padrão e
O sinal de saída do AT, vai para a
das misturas varia de ±1% a ±20%, em
Vista Work Station (VWS). A VWS é uma
função do tipo e do grau de pureza do
interface que compatibiliza os sinais
gás.
digitais com protocolo ABB com o
protocolo da Fisher, para entrada no
SDCD e também os multiplexa (incerteza
de 0,0% F.E.). Na VWS existe também
um monitor para apresentação dos
valores numéricos da análise (AI-2).

A.58
59

8. Indicação e Alarme do Limite Inferior de Explosividade(LIE)

alarme trip LIE (região perigosa) LSE

0% 20% 40% 100

Fig. 3.37. Valores e regiões da detecção de gases combustíveis

Tab. 5. LIE de alguns gases

Gás LIE (%)


Metano 5
Etano 3
Amônia 15
Etileno 2,7
Hidrogênio 4
Pentano 1,5
Nafta 0,9

Em condições normais (sem gás


8.1. Sistema de detecção combustível), a mola é aquecida pela
Um sistema clássico de detecção de passagem de uma corrente elétrica. Em
gases combustíveis e de oxigênio pode ser condição anormal (com gás combustível),
constituído de dois sistemas semi- o gás entra em contato com o pelistor, o
independentes: gás é oxidado e há uma produção de calor
1. Indicação de Análise e Alarme adicional, elevando a temperatura do
• elemento sensor (pelistor) pelistor. O aumento da temperatura
• transmissor provoca um aumento na resistência
• indicador elétrica, que faz parte de uma ponte de
• sistema de alarme Wheatstone, provocando um desbalanço
2, Intertravamento de Análise na ponte. As outras resistências da ponte
• elemento sensor (pelistor) são:
• transmissor 2. a resistência de referência também
em contato com a atmosfera com
• indicador
gás de combustão mas inerte a ele,
• Controlador Lógico Programável (CLP)
3. duas resistências de precisão de
8.2. Principio de funcionamento valor fixo.
Acoplado ao sensor há um transmissor,
O elemento sensor ou pelistor consiste
que gera um sinal padrão de 4 a 20 mA cc
de uma pequena mola de um fio de platina
proporcional à percentagem do gás no ar.
envolvido por uma gota de óxido refratário.
Este sinal de 4 a 20 mA vai para um
Esta gota contem um revestimento de sal
indicador de painel, com três dígitos, que
catalítico. Há um outro elemento de
possui lâmpadas indicadoras de alarme,
referência, para compensar as variações
que são atuadas no ponto de 20% e
de temperatura.

3.59
também para um Controlador Lógico 1. 20,8% do LIE, é um ponto de aviso
Programável (CLP), que executa as ações ou de advertência, quando os LED’s
de desligamento e atuação na inundação. do instrumento indicador da sala de
A platina é considerada um material controle se acendem,
catalítico, pois acelera a oxidação do Em função desta filosofia de alarme e
material da bolha sem se alterar. Outros atuação, as incertezas do sistema podem
materiais catalíticos incluem o níquel e o ser muito amplas. Por exemplo, o ponto de
paládio. Por isso, o pelistor é chamada 20% pode ter uma incerteza de 100% (0 a
também de sensor catalítico. O material 40%), que o ponto ainda estará distante do
catalítico provoca a combinação do gás LIE. O ponto de 40% pode também ter
combustível com o oxigênio da atmosfera uma incerteza de 100% (0 a 80%), que
(oxidação) em temperatura muito menor ainda não atinge o ponto de LIE. Nos
o
(500 C) que a requerida pela combustão procedimentos, foram estabelecidas
o
(800 C). O fio do material catalítico tolerâncias de processo de 25%, que são
também provoca a oxidação de misturas muito exigentes, portanto, poderiam ser
que normalmente não são inflamáveis em estendidas para evitar não conformidades
condição normal. Um disco de material com o processo.
sinterizado é colocado na frente do sensor
para evitar a propagação da chama para 8.3. Incerteza final da malha
fora da câmara do sensor e atinja a As incertezas da malha de detecção,
atmosfera externa. Os fios de conexão do alarme e desligamento do sistema de
pelistor com a ponte de Wheatstone pode gases combustíveis são devidas aos
ser a três (mais econômica) ou quatro fios seguintes componentes:
(melhor precisão) 2. Sensor e transmissor, com incerteza
O desbalanço da ponte modula um de ±10% do valor medido ou ±3%
sinal padrão de transmissão de 4 a 20 mA. do fundo de escala, o que for maior
Tem-se assim um sinal padrão 3. Indicador digital, com incerteza de
proporcional à quantidade de gás ±1% do fundo de escala ± 1 dígito
combustível no pelistor. 4. sistema apresenta desvio de ±10%
Gases podem provocar: do valor medido em 60 dias e é
1. envenenamento (perda irreversível sugerido um intervalo de calibração
da detecção): silicone, chumbo e de 90 dias .
fosfatos, Embora não seja componente físico da malha de
2. inibição (perda reversível da detecção, deve-se considerar ainda
detecção): enxofre, cloro, flúor e 5. A incerteza devida à mistura padrão
H2S usada na calibração do sistema. É
3. cozimento (quando há oxigênio razoável atribuir uma incerteza de
insuficiente para provocar ±10% do valor medido para a
combustão completa e há deposição análise da mistura usada na
de carbono no pelistor). calibração.
Entre o LIE e o LSI o gás se inflama ou 6. Se for usado o gás propano em vez
explode em contato com uma fonte de do metano, deve-se acrescentar
ignição com nível acima do mínimo. uma incerteza de 40% V.M.
O sistema de detecção de gás
combustível é calibrado em dois pontos
típicos:
1. 20% do LIE, é um ponto de aviso ou
de advertência, quando os LED’s do
instrumento indicador da sala de
controle se acendem,
2. 40% do LIE, é um ponto de
desligamento do equipamento,
geralmente comando por um CLP.
O sistema de detecção de oxigênio é calibrado em
um único ponto típico: Apostila\Incerteza CalculoIncerteza5.doc 09 DEZ 97 (substitui 01 DEZ 97)

A.60
4
Calibração das Variáveis

2. Calibração de pressão
Objetivos de Ensino
1. Apresentar padrões e métodos para 2.1. Introdução
calibração dos sensores e instrumentos A pressão é uma variável de processo
das malhas de medição de pressão, relativamente fácil de ser medida,
como manômetro padrão, coluna controlada e calibrada. Qualquer planta
líquida e testador de peso morto. industrial possui numerosos instrumentos
2. Apresentar procedimentos, padrões e indicadores de pressão (manômetros),
métodos para calibração dos sensores com diferentes classes de precisão, que
e instrumentos das malhas de devem ser calibrados periodicamente.
medição, temperatura como
termômetros de haste de vidro, 2.2. Classe de precisão de
enchimento termal, bimetal, manômetros
termopares e resistências detectoras A precisão dos manômetros é
de temperatura (RTD). tipicamente expressa em % da largura de
3. Apresentar procedimentos e padrões faixa. Largura de faixa é a diferença
para calibração dos sensores e algébrica entre os limites superior e inferior
instrumentos das malhas de medição da faixa de medição, tomada em valor
de vazão, como placas de orifício, absoluto. Por exemplo, um manômetro
turbinas, medidores magnéticos e para indicar 0 a 200 MPa possui uma
métodos gravimétrico, com bocal largura de faixa de 200 MPa; manômetro
sônico e comparação com medidores com faixa de 100 a 200 MPa possui
padrão. largura de faixa de 100 MPa e um
manômetro com –20 a + 20 kPa tem
1. Introdução largura de faixa de 40 kPa.
Se a precisão é dada em percentagem
A variável de processo determina
da largura de faixa, então o máximo erro
1. o sensor do instrumento de medição
permitido é determinado pela multiplicação
2. o tag da malha
da precisão nominal pela largura de faixa e
3. o padrão de calibração da malha
dividindo-se por 100, se a precisão for
As principais variáveis de processo
expressa em percentagem. Por exemplo,
incluem pressão, temperatura, vazão, nível
e análise. se o manômetro tem precisão de ±1% e a
Genericamente, para calibrar os largura de faixa é de 300 MPa, então a
sensores das variáveis de processo, deve- máxima incerteza permitida é de
se simular estas variáveis, medir as saídas
dos sensores com instrumentos padrão e 300 MPa x 1 x 1/100 = 3 MPa
comparar estes valores com os teóricos
esperados. Porém, cada variável possui Do mesmo modo, um desvio entre a
suas características próprias e diferentes pressão verdadeira e a pressão indicada
exigências de calibração. de 1,5 MPa em qualquer ponto dentro da

4.1
Calibração das Variáveis

faixa de 0 a 300 MPa eqüivale a uma


incerteza de 0,5%.

Tab.1. Graus de precisão conforme ANSI B40.1


Grau <25% 25< x < 75% >75%
A
4 0,1 0,1 0,1
A
3 0,25 0,25 0,25
A
2 0,5 0,5 0,5
A 2,0 1,0 2,0
B 3,0 2,0 3,0
C 4,0 3,0 4,0 Fig. 4.1. Manômetro
D 5,0 5,0 5,0

A precisão do manômetro determina:


1. tamanho da escala (quanto maior a 2.3. Programa de manutenção
precisão, maior é a escala O objetivo de um programa de
graduada) manutenção de manômetros é preservar a
2. existência de compensação da sua vida útil e a sua precisão continuada
temperatura ambiente ou não de indicação. A manutenção começa com
(manômetro de alta precisão possui a seleção correta do manômetro para o
compensação da temperatura uso pretendido. Depois, segue a sua
ambiente) instalação adequada. Finalmente, deve-se
3. local de uso (manômetro de alta fazer reparos corretivos ou preventivos
precisão deve ser usado apenas em durante seu uso. Quando há estrago sério,
laboratório climatizado). o manômetro deve ser substituído.
4. aplicação do instrumento (precisão A falha do elemento sensor é obvia e a
de laboratório, teste, medição de mais freqüente. A causa da falha deve ser
processo) determinada, para que a situação não se
5. custo (quanto mais preciso, maior o repita. As causas freqüentes da falha do
custo) sensor são:
6. período de calibração (quanto mais 1. corrosão interna (do processo) ou
preciso, mais freqüente é a externa (do ambiente)
calibração) 2. sobrepressão aplicada, excedendo o
7. filosofia de calibração (manômetro limite superior da faixa de medição
com pequena precisão é barato e 3. fadiga do material
descartável). As medidas corretivas para estas
8. tipo do sensor usado (bourdon, falhas são:
espiral, helicoidal, fole ou diafragma) 1. seleção correta do material do
Muitas condições afetam a precisão, a sensor, considerando as atmosferas
vida útil e os períodos de calibração do interna e externa do sensor
manômetro, sendo as mais importantes: 2. alteração da faixa do sensor
1. pulsação da pressão medida 3. colocação de característica extra
2. vibração da instalação para suportar sobrepressão
3. corrosão interna e externa. 4. uso de dispositivo de
É uma decisão econômica decidir amortecimento.
substituir ou calibrar um manômetro: os
instrumentos de classe comercial custam 2.4. Calibração de manômetro
relativamente pouco, de modo que é A calibração do manômetro consiste
preferível substituí-los, em vez de fazer em comparar a pressão indicada por ele
calibração ou manutenção programada. com a pressão indicada por um padrão
rastreado. Quando os valores forem
diferentes além dos limites da precisão do

A.2
Calibração das Variáveis

instrumento e do padrão, devem ser ar comprimido. Quando se quer uma


ajustados os pontos de zero e de largura pressão livre de contaminação,
de faixa do manômetro. recomenda-se o uso de tanque de
nitrogênio seco. Qualquer uma dessas
fontes representa um modo conveniente
Padrão de calibrar manômetros até cerca de 400
PI a ser calibrado
kPa (600 psi), desde que se tome os
seguintes cuidados, em ordem:
1. quando se usa um compressor, o ar
deve ser filtrado para remover
qualquer traço de óleo ou água,
Conexão T principalmente para calibrar
Válvula manômetro com aplicação em
oxigênio
Regulador 2. deve-se usar um regulador de
pressão para reduzir a pressão da
fonte para um valor próximo do fim
Para fonte Válvula bloqueio de faixa do manômetro calibrado.
de pressão Praticamente, é impossível testar
um manômetro de 80 kPa (100 psi)
que é conectado a uma fonte de
pressão de 800 kPa (1000 psi)
Fig. 4.2. Calibração de manômetro contra um através de uma única válvula. É
manômetro padrão também perigoso, desde que a
abertura involuntária da válvula pode
Para fazer a calibração, a pressão deve aplicar pressão suficiente para
ser aplicada ao instrumento sob teste e, ao estourar o elemento sensor do
mesmo tempo, através de uma conexão T, manômetro sob calibração
a um padrão de pressão de precisão 3. quando calibrando qualquer
conhecida e preferivelmente melhor que a manômetro ou com ar ou gás
do instrumento. As leituras obtidas do comprimido, recomenda-se usar
padrão e do instrumento sob teste são uma tela transparente protetora
comparadas para determinar os erros. entre o operador e o instrumento,
Todas as linhas de conexão devem ser principalmente, quando se manipula
livres de vazamento. Todos os padrões instrumentos com história
devem ser identificados pela classe e desconhecida e que podem estourar
devem ser rastreados contra padrões como resultado de defeito por
superiores e devem estar no período de corrosão ou fadiga.
validade. Para testar vácuo ou manômetro com
faixa composta, é necessário ter uma
Manômetros padrão e calibradores bomba de vácuo capaz de criar uma
Industrialmente são disponíveis pressão absoluta de 10 kPa (0,1 psia).
manômetros com altíssima precisão,
apropriados para uso como padrão de
calibração de outros manômetros de pior
precisão. Também são disponíveis
calibradores de bancada e portáteis, que
podem gerar pressão e fornecer
indicações analógicas ou digitais com
altíssima precisão.
Fonte de pressão
Um suprimento de ar pressurizado
pode ser obtido de um compressor ou, se
o uso for pouco freqüente, um tanque de

A.3
Calibração das Variáveis

Calibrador de peso morto


O calibrador (ou testador ou bomba) de
peso morto é freqüentemente usado como
padrão primário, desde que ele pode ter
precisão de ±0,03% da pressão indicada
com dados certificados fornecidos
rastreáveis ao laboratório nacional
(INMETRO, NIST). Ele pode manter esta
precisão durante longos período de tempo.
O testador de peso morto opera sob o
princípio de suportar um peso (força)
conhecido por meio de uma pressão
atuando sobre uma área conhecida, assim,
preenchendo a definição de padrão
primário baseado em massa, tempo e
Calibrador digital Calibrador analógico comprimento. Os pesos para um dado
testador são normalmente identificados em
(Transmation Inc.) (Wallace & Tierner)
termos de pressão (em vez de peso).
Para se obter uma alta precisão, vários
Fig. 4.3. Calibradores de pressão
fatores e correções devem ser
considerados e não basta dividir o peso
pela área do pistão. A força produzida
Para pressão acima de 80 kPa (600 pelos pesos de carga usados com o
psi) e até 20 MPa (15 000 psi), é mais testador é o resultado da aceleração da
seguro usar uma fonte hidráulica. Uma gravidade multiplicada pela massa total
bomba de peso morto é o meio mais dos pesos. A aceleração da gravidade da
comum de fornecer pressão hidráulica terra varia de ±0,5% em torno de 9,806 65
2
para fins de calibração, desde que ela m/s , dependendo da altitude (muito) e da
fornece simultaneamente a fonte de latitude (pouco) do local. Assim, os
pressão e um meio muito preciso de testador de peso morto são fornecidos
medir a pressão. Quando se usa algum com correção para a gravidade local. que
fluido hidráulico, é inevitável, algum significa que os pesos são feitos mais
dia, que algum manômetro seja pesados ou mais leves do que os
nominais, de modo que eles irão criar a
contaminado com traços deste fluido.
mesma força no local onde eles forem
Se esta contaminação for inaceitável, usados que o peso nominal na aceleração
deve-se usar água como fluido. da gravidade padrão.
É pouco provável a necessidade de
gerar pressão acima de 20 MPa (15 000
psi), de modo que uma bomba de peso
morto é suficiente. Quando se trabalha
com pressão acima deste valor, é
recomendável enviar os manômetros para
calibração externa, desde que há
necessidade de equipamentos e técnicas
especiais.

A.4
Calibração das Variáveis

Peso

PI
pistão

Fig.4.4. Princípio do testador a peso morto


Fig. 4.5. Bomba de peso morto

A pressão pode ser variada pela adição ou Coluna líquida


remoção de pesos no suporte. Pode ser O uso de colunas líquidas, água ou
necessário abrir a válvula de alívio, mercúrio, para a medição precisa de
dependendo do tamanho do peso pressão é baseado no princípio que uma
removido, para evitar elevar o pistão muito pressão aplicada suporta uma coluna
alto. Depois do teste, deve-se aliviar a observável de líquido contra a atração
pressão, abrindo a válvula de segurança. gravitacional do líquido. Quanto maior a
Não se deve retirar o instrumento até que pressão, mais alta é a coluna que pode ser
toda a pressão seja completamente aberta suportada. O líquido é contido em um tubo
para a atmosfera. Os pesos representam transparente de vidro, com furo constante
os incrementos definidos de pressão. Eles e escala graduada, de modo que a altura
podem ser tão pequenos quanto 6 kPa (1 possa ser facilmente lida. A força criada
psi). pela coluna e balanceada pela pressão é
É disponível testador de peso morto uma função de:
pneumático, para gerar e medir pressões 1. altura da coluna
nas faixas de 100 mm H2O a 200 kPa (4 “ 2. densidade do fluido
H2O a 300 psi) e 6 a 600 kPa (10 a 1000 3. aceleração da gravidade
psi). Usa-se uma esfera cerâmica em vez
de um pistão.
Os fatores que afetam a precisão da
medição da pressão quando usando um
testador de peso morto como fonte de
pressão são principalmente a precisão da
massa dos pesos e a área efetiva do
cilindro e pistão. Outros fatores que afetam
a precisão, mas são considerados H2O Hg
desprezíveis na calibração de qualquer
manômetro são:
1. efeito do empuxo do ar deslocado
pelos pesos,
2. efeito no pistão da tensão superficial
do fluido hidráulico, Fig. 4.6. Coluna líquida e meniscos
3. expansão termal do pistão e cilindro
4. deformação elástica do pistão e
cilindro
5. alinhamento vertical dos pesos
6. contaminação.

A.5
Calibração das Variáveis

Outros fatores podem influenciar estes 3. Calibração de Temperatura


três, tais como
1. efeito da temperatura na densidade
do fluido e na escala graduada, 3.1. Introdução
2. variação da aceleração da A medição precisa da temperatura
gravidade em função do local depende dos seguintes fatores:
3. tensão superficial do líquido 1. tipo do sensor utilizado
4. limpeza do sistema 2. tempo de resposta do sensor,
Como já notado, unidades de pressão 3. equipamento de conversão de sinal
usadas em colunas liquidas, como 4. condicionador do sinal
milímetros de coluna de água ou mercúrio 5. detalhes de instalação do sensor
não são SI, onde apenas o pascal é 6. condições do processo.
reconhecido. Porém, as colunas liquidas 7. calibração do sistema de medição.
são muito freqüentemente usadas para a Qualquer que seja o sistema de
medição de pequenas pressões e por uma medição de temperatura utilizado, todos os
questão de conveniência, o uso destas componentes devem ser calibrados
unidades provavelmente irá continuar. periodicamente, em intervalos de tempo
Colunas de mercúrio são que devem ser definidos pelo usuário e
freqüentemente usadas para medir que dependem de
pressão de vácuo, em que a pressão 1. faixa de temperatura calibrada
negativa é aplicada ao topo da coluna e o 2. precisão do sistema
poço fica aberto para a atmosfera. 3. condições ambientais
Mercúrio é uma substância 4. condições do processo
cancerígena e o líquido ou vapor pode 5. exigências do produto final
entrar no corpo através de ferimentos, 6. conseqüências de não
inalação ou ingestão. Se houver qualquer conformidades
respingo, o mercúrio deve ser
imediatamente limpo usando 3.2. Medição da temperatura
procedimentos e equipamentos corretos. Na prática industrial, há vários
Nunca deve se deixar o mercúrio entrar em sensores mecânicos de temperatura
contato com partes contendo cobre, disponíveis, como haste de vidro, bimetal e
bronze ou qualquer liga de cobre, pois eles enchimento termal e mas os sensores
formam um amálgama que causa falha na eletrônicos termopar e resistência
peça. detectora de temperatura (RTD) são mais
As colunas de mercúrio devem ser usados do que todos os outros tipos
equipadas com um reservatório para combinados. Isto se deve principalmente à
capturar qualquer vazamento devido à sua natureza elétrica, faixa de
operação errada. temperaturas envolvidas, robustez e
A leitura da coluna líquida envolve o durabilidade requeridas nas aplicações
menisco do líquido. Líquido que molha, industriais. Há maior número de
como a água, forma um menisco côncavo termopares instalados do que de
e líquido que não molha, como o mercúrio, resistências, porém, esta relação está
forma um menisco convexo. A tensão mudando quando as indústrias
superficial da água é menor que a do reconhecem a necessidade de medições
sólido e a tensão do mercúrio é maior. A mais precisas de temperatura para
leitura deve ser feita no centro da coluna e acompanhar os recentes avanços na
não na parede interna do tubo. instrumentação baseada em
microprocessador. A RTD é também
favorecida pelo Bureau International de
Poids e Méasures, que estabelece que o
sensor para altas temperaturas deve ser a
platina, substituindo o termopar tipo S
como o padrão de interpolação até o ponto
de fusão da prata (962 oC).

A.6
Calibração das Variáveis

Comparação entre RTDs e termopares 3. Uma voltagem de saída muito maior


Os termopares tem três vantagens pode ser obtida do conversor de
principais quando comparados com os sinal de RTD, facilitando e
RTDs: simplificando as funções do
1. medem maiores faixas de instrumento receptor de registro,
temperatura monitoração e controle. Isto
2. são mais flexíveis para varias também resulta em maior precisão
instalações da medição com RTD.
3. em temperaturas acima de 1000 4. A saída característica (resistência
oC, os termopares apresentam vs temperatura) do RTD é mais
melhor estabilidade do que os linear que a do termopar
RTDs. Porem, em temperaturas (milivoltagem vs temperatura).
moderadas, a estabilidade dos 5. não tem polaridade
RTDs é melhor ou equivalente do 6. não tem junta de referência
que a dos termopares. Faixa de Aplicações
A principal desvantagem dos A faixa de aplicações requerendo a
termopares está no seu princípio de calibração de temperatura se estende de
operação. Um termopar realmente indica a temperaturas criogênicas de nitrogênio e
diferença de temperaturas entre a junta de
oxigênio líquidos a -200 oC até
medição (que está usualmente localizada
temperaturas de fusão de metal, como
no processo) e a junta de referência (que
está no instrumento receptor). A junta de 2000 oC. As plantas petroquímicas são
referência é também chamada de junta provavelmente os maiores usuários de
fria. Historicamente, esta junta ficava instrumentos de temperatura, empregando
imersa em uma mistura de gelo saturado; milhares de sensores em locais críticos.
dai o seu nome. Por coerência, a outra Grandes plantas de processo consideram
junta de medição é também chamada de a calibração tão importante que eles
junta quente, mesmo que a temperatura designam técnicos especiais para manter
medida seja mais baixa que a de sua instrumentação dentro das
referência. especificações requeridas.
Para uma indicação da temperatura Na indústria de utilidades e nas plantas
absoluta do processo, deve-se medir e nucleares as calibrações certificadas são
compensar a temperatura da junta de necessárias, por causa da legislação.
referência. Deste modo, a precisão da Estas plantas possuem numerosos pontos
medição global da temperatura de um de detecção de temperatura que devem
sistema com termopar inclui as precisões ser calibrados. A temperatura na indústria
associadas com as duas medições alimentícia também deve ser medida com
separadas. Além disso, a voltagem de precisão de fração de grau Celsius.
saída de um termopar é inerentemente Fornalhas para tratamento térmico a vácuo
pequena e pode ser afetada seriamente são outro exemplo que exige controle
por ruído elétrico em sua sensitividade e critico de temperatura.
tolerância. Este problema restringe o Os laboratórios de pesquisa médica e
comprimento dos fios de extensão que biológica também requerem temperaturas
podem ser usados entre o termopar e o controladas com desvio dentro de ±0,1 oC,
módulo da junta de referência. exigindo calibração precisa de
As vantagens do RTD em relação ao instrumentos. Estas aplicações usam
termopar são: sensores tendo uma alta precisão sobre
1. melhor estabilidade em faixas uma faixa estreita de temperatura,
moderadas de temperatura impondo exigências rígidas de calibração.
2. A saída do RTD pode ser Os termopares ou RTDs estão
controlada pelo ajuste da corrente localizados em todos os lugares onde a
de excitação ou pelo projeto da temperatura é crítica para o processo. Os
ponte no módulo de conversão de termopares convertem a temperatura em
sinal. uma voltagem, chamada de forca

A.7
Calibração das Variáveis

eletromotriz termal, que pode ir para um desvio do termômetro depende de sua


indicador, registrador, controlador ou qualidade de construção e do ambiente em
sistema de aquisição de dados. Os RTDs que ele é usado.
convertem temperatura em uma variação
de resistência elétrica. 3.4. Exatidão
A definição de exatidão dada pela
3.3. Precisão da Medição de ANSI/ISA S5.1.-1979, Process
Temperatura Instrumentation Terminology
Há ainda alguma confusão acerca da Exatidão é o grau de conformidade de
definição de precisão na medição industrial um valor indicado com um valor padrão
da temperatura. Precisão é o grau de reconhecido ou valor ideal.
conformidade de um valor indicado para Embora esta definição seja clara, a
um valor ideal ou padrão. questão da exatidão em instrumentação e
Usando esta definição, a precisão da metrologia é confusa e ambígua, por causa
medição seria um valor único que do uso frouxo de vários termos
específica o grau de proximidade entre os relacionados com o desempenho do
valores medido e o verdadeiro. instrumento. Exemplos de termos
A precisão da medição de temperatura encontrados nas especificações de
é melhor expressa em termos de um único fabricantes são: precisão, exatidão,
número para uma faixa de temperatura ou tolerância, intercambiabilidade, resolução,
um conjunto de números tem temperaturas sensitividade, conformidade,
específicas. Por exemplo, pode-se dizer rastreabilidade, erro, incerteza,
que a precisão de um termômetro é de ±1 repetitividade, reprodutividade e
oC na faixa de 0 a 300 oC. Isto indica ao estabilidade. O problema é composto pela
usuário do termômetro que qualquer influência de todos os componentes da
temperatura indicada nesta dada faixa malha (sensor, condicionador e display) na
exatidão total do instrumento. Aqui, será
estará dentro de ±1 oC do valor considerado um sensor hipotético de
verdadeiro, desde que o termômetro seja temperatura e serão explorados os fatores
usado corretamente. Outro exemplo seria que afetam a exatidão total da medição.
dizer que o termômetro tem uma precisão O sensor termal varia alguma
de ±0,1 oC a 0 oC, ±1 oC em 300 oC. propriedade física (resistência elétrica,
Pode-se também expressar a precisão em deslocamento linear de um metal,
termos de percentagem da largura de faixa expansão volumétrica de um fluido, força
do termômetro, percentagem do valor eletromotriz produzida por metais
medido ou percentagem do fundo de diferentes) em função da temperatura
escala, embora estas expressões nem medida. A saída do sensor é chamada de
sempre sejam convenientes e claras em mensurando. Este sinal é melhorado e
medição de temperatura. alterado para um formato conveniente para
A próxima questão é como quantificar a ser usado pelo instrumento de display.
precisão de um termômetro. Isto depende O primeiro passo para desenvolver um
da precisão do termômetro quando ele foi sensor industrial prático é determinar a
calibrado pela primeira, logo depois de relação de sua saída (mensurando) com a
fabricado e a taxa de desvio do temperatura para um sensor de referência.
termômetro. Por exemplo, se a precisão Este sensor de referência deve fornecer
inicial do termômetro é de ±1 oC entre 0 e um valor repetitível do mensurando em
300 oC e seu desvio é de ±1 oC por ano, a várias temperaturas diferentes. O sensor
melhor precisão que pode ser obtida para de referência pode requerer uma pureza
qualquer medição com este termômetro de material muito maior e uma construção
mais cuidadosa que o sensor comum e
será de ±2 oC depois de um ano.
como conseqüência, custar mais. Seu alto
A precisão inicial de um termômetro
custo o torna impraticável para uso
depende do equipamento de calibração, do
industrial comum.
procedimento de calibração e dos
cuidados tomados em sua execução. O

A.8
Calibração das Variáveis

O sensor de referência é calibrado pela


medição do mensurando em certos pontos
fixos (como ponto triplo da água, ponto de

Saída sensor
gelo e ponto de vapor e outros pontos de

Saída sensor
mudança de estado de substancias puras)
ou por comparação com outros
termômetros que sejam aceitáveis e
tenham sido também calibrados.
É desejável que a relação entre a saída
do sensor e a temperatura seja linear, pois
esta linearidade simplifica a interpolação e Temperatura Temperatura
extrapolação na calibração e facilita o
projeto do instrumento de display. Fig.4.7. Curvas de calibração possíveis para um
A inclinação da curva da saída do sensor hipotético de temperatura
sensor versus temperatura é chamada de
sensitividade. Uma grande sensitividade é
desejável, porque simplifica as exigências
O fabricante do sensor então constrói o
do instrumento de display. Uma grande
termômetro. Em alguns tipos de
sensitividade não garante alta precisão,
termômetros é necessário ajustar a
mas uma grande sensitividade reduz as
quantidade de material (como em
necessidades do sistema de display (p.
termômetro com resistência ou termistor)
ex., amplificação) e portanto aumenta a
ou a posição da escala (como em
possibilidade de se ter uma maior precisão
termômetro de líquido em vidro) para obter
final do instrumento, pois há menos
o valor padrão da saída do sensor, em
componentes na malha de medição. Por
uma ou mais temperaturas. A diferença
exemplo, um sensor, com uma tensão de
entre o mensurando indicado e o valor
saída, fornece uma maior precisão final do
padrão é a tolerância do ponto de
instrumento se a sensitividade for igual a 1
referência. A tolerância total é devida à
mV/ C em vez de 1 µV/ C.
o o
tolerância do ponto de referência e a
Para produzir sensores industriais, o
tolerância dos materiais.
fabricante seleciona material para o sensor
A Fig. 1.3-2 ilustra o efeito das
que idealmente deve ter as mesmas
tolerâncias para sensores com
propriedades que o material usado para o
mensurando linear versus curvas de
sensor de referência. Porém, por causa
temperatura. As curvas não podem ser
das impurezas e efeitos de montagem, o
generalizadas para sensores com
material terá alguma diferença na curva de
característica não linear.
saída do sensor versus temperatura. Esta
Os pontos importantes relacionados
diferença é a tolerância do material. A com as tolerâncias são:
tolerância do material é também chamada As tolerâncias estão relacionados com
de conformidade com norma, quando se a pureza do material e os procedimentos
usa valores desta norma para relacionar a de fabricação.
saída do sensor com a temperatura. A As tolerâncias podem ser melhoradas
tolerância de material pode ser expressa usando vários pontos de calibração.
em três modos: A tolerância em uma temperatura é
1. desvio na saída do sensor do valor uma especificação inadequada, porque a
do termômetro padrão a uma dada tolerância geralmente aumenta quando se
temperatura aumenta a distância de um ponto de
2. desvio na temperatura indicada do calibração.
termômetro padrão em um dado As tolerâncias são os afastamentos
valor da saída do sensor máximos do desempenho nominal
3. desvio na sensitividade (útil permitidos. A maioria dos sensores de um
principalmente com relações mesmo lote tem pequenas tolerâncias.
lineares entre sinal de saída do
sensor e temperatura).

A.9
Calibração das Variáveis

3. Usar lógica no sistema de display


para considerar a relação não linear.
Inclinação nominal + Isto pode ser uma tabela na
memória digital ou um encaixe de
curva para a curva mensurando
Mensurando

Tolerância Inclinação nominal versus temperatura, como


ponto de
linearização por segmentos ou
Inclinação nominal – encaixe polinomial.
Em qualquer um destes enfoques, o
erro irá aumentar por causa das
Tolerância de materiais imperfeições na conversão do mensurando
em temperatura. Este erro é o componente
Temperatura de transformação da tolerância do display.
Muitos sensores industriais de
temperatura usam sistemas de display
(a) Um ponto de calibração eletrônicos, que podem ser analógicos ou
digitais. Estes instrumentos lêem variáveis
elétricas, como resistência ou tensão e são
sujeitos a erros inerentes a estas
Tolerância medições. Este erro é a componente
ponto de eletrônica da tolerância do display.
Qualquer que seja o método de
indicação, só é possível resolver a leitura
da temperatura para algum número finito
de dígitos. Esta resolução pode ser um
limite na precisão da medição, mas ela
também pode ser enganosa. Por exemplo,
um usuário poderia pensar que um
o
Temperatura indicador digital com resolução de 0,1 C
o
tenha uma precisão de 0,1 C, quando as
outras tolerâncias dos componentes
(b) Dois pontos de calibração (sensor, condicionador e circuito do
o
indicador) são muito maiores que 0,1 C.
Fig. 4.8. Tolerâncias para sensores com relação Claramente isto não é verdade. A
linear mensurando versus temperatura resolução limita a precisão possível mas
nunca pode melhorar a precisão.
A próxima consideração para As vezes o indicador inclui o sensor e
determinar a precisão total do instrumento condicionador no mesmo invólucro
é o instrumento de display. O projeto do integral, como o termômetro a bimetal ou o
display é baseado na curva mensurando termômetro com haste de vidro. Porém,
versus temperatura. Se a curva é linear, nos termômetros com termopar e RTD, os
então a escala do indicador é baseada sensores são separados do instrumento de
apenas em um fator de conversão display. É responsabilidade do usuário ligar
constante e ela é uniforme. Se a curva é e casar o sensor com o instrumento
não linear, então há várias opções para o receptor, através de fios de extensão ou
display: fios de compensação (termopar) ou três
1. Usar uma escala não linear para a fios (RTD). Obviamente, o instrumento de
leitura direta. Este método não pode display deve ser compatível com o
ser usado para indicação digital. determinado tipo de termopar ou RTD.
2. Incorporar um sistema de Também deve se considerar a questão
linearização para alterar o sinal de de intercambiabilidade. O efeito da
saída do sensor antes de ser intercambiabilidade é a alteração na
aplicado o fator de conversão. indicação que ocorre quando se troca o
sensor ligado ao instrumento de display. A

A.10
Calibração das Variáveis

intercambiabilidade é controlada pelas Em uma malha típica de temperatura,


tolerâncias do sensor. Por exemplo, se um envolvendo um termopar, o desempenho
sensor tem uma tolerância de ±1 C em
o
do módulo de compensação da junta fria é
alguma temperatura, então é esperada tão importante quanto o desempenho do
o
uma diferença de indicação de 0 a 2 C termopar (junta de medição). O usuário
quando o sensor for substituído por outro deve garantir que este módulo seja
com a mesma tolerância. calibrado e esteja funcionando
Reprodutividade é usada em dois corretamente para evitar erros de medição.
sentidos. A American Society for Testing O mesmo se aplica para os outros
and Materials – ASTM usa o temo para componentes da malha de medição.
medir a capacidade de um segundo No caso de RTDs, o transmissor de
testador obter a mesma calibração de um temperatura (que é um conversor de sinal)
termômetro usando o mesmo sensor e o contem circuitos como a ponte de
mesmo método mas não com o mesmo Wheatstone com ajustes que podem ser
equipamento de teste. A maioria usa o feitos para adequá-la para um dado tipo de
termo reprodutividade para se referir à RTD (platina, níquel, cobre, termistor). Em
capacidade de um sistema de medição muitos casos, há somente dois ajustes: de
indicar a mesma leitura repetidamente e zero e de largura de faixa (span), mesmo
com a substituição de um novo sensor, que a curva (resistência vs temperatura)
sem se preocupar com a precisão absoluta da RTD seja ligeiramente não linear. Isto
do termômetro. causa erros na indicação da temperatura,
A precisão fornecida por um sistema de independente da calibração do sensor e
medição de temperatura varia com o dos outros componentes da malha. Este
tempo. A tendência de um sistema de erro é pequeno quando o transmissor é
medição manter sua precisão é chamada calibrado para uma faixa estreita de
de estabilidade. A estabilidade geralmente medição de temperatura. Além disso,
é quantificada por taxa de desvio, meios matemáticos analíticos são
o
tipicamente %/tempo ou C/tempo. disponíveis para reduzir este erro. Por
A mensagem importante com relação a exemplo, uma linha reta pode ser feita
precisão é a de ter cuidado na para a curva do RTD para a faixa estreita e
interpretação das especificações. A usada para calibrar o transmissor. Isto
questão importante é a precisão da reduz os erros de não linearidade.
medição completa em todas as Para as medições transientes de
temperaturas de interesse na aplicação em temperatura, o tempo de resposta dos
questão. componentes na malha de temperatura
determina o atraso total de quando a
Desempenho do Termômetro
temperatura do processo varia para
No caso de RTD, o conversor de sinal
quando ela é indicada na saída da malha.
geralmente consiste de uma ponte de
Se não há filtros no canal de temperatura,
Wheatstone que converte a resistência da
a maior contribuição do atraso do tempo
RTD para um sinal de voltagem. Para
de resposta vem do sensor em si. O tempo
termopares, o circuito usualmente
de resposta de RTDs industriais em faixas
emprega uma compensação de junca fria
típicas de aplicação varia de alguns
ou de referência para determinar e
segundos dependo de
compensar as variações da temperatura
1. condições do processo,
da junta fria. Filtros são ocasionalmente
2. características de transferência de
usados em circuitos para remover ruído e
calor,
picos de tensão que estão presentes no
3. dimensões físicas e
ambiente industrial e amplificadores
4. instalação do RTD.
podem ser usados para escalonar o sinal
Os termopares são geralmente mais
para faixas apropriadas. Escalonar um
rápidos que os RTDs a não que eles sejam
sinal é transforma-lo diretamente em
usados em bulbos e poços de temperatura,
unidades de engenharia. O operador de
quando os tempos de respostas se tornam
processo deve ter diretamente oC e não equivalentes. O tempo de resposta do
milivoltagem ou resistência elétrica.

A.11
Calibração das Variáveis

restante de um canal típico de temperatura temperaturas de referência entre os pontos


o
varia de alguns milissegundos a um fixos de 0 e 650 C na IPTS-91.O
segundo. termômetro pode ser usado para medir a
temperatura de banhos de temperatura
3.5. Calibração do termômetro com precisão de ±0,01 C.
o

A precisão de instrumentos de
Geral
interpolação e das calibrações de
A calibração de um termômetro envolve
termômetros resultantes diminui na
a determinação de sua indicação de
proporção que se afasta dos pontos fixos
temperatura em um número de
definidos ou pontos de calibração e a
temperaturas conhecidas. Estas
situação piora mais ainda quando se
temperaturas podem ser conhecidas
extrapola para pontos fora da faixa de
1. pelo estabelecimento de uma
temperatura (abaixo do mínimo e acima do
condição altamente reprodutível,
máximo). A calibração de termômetros
como os pontos de mudança de
deve sempre incluir, no mínimo, um ponto
estados de substancias puras (ponto
abaixo e um acima dos limites da faixa de
de fusão ou solidificação, ponto de
temperatura.
ebulição ou liquefação, ponto triplo)
Aplicando temperaturas de calibração
2. pelo fornecimento de um ambiente
muito acima de sua faixa máxima pode
isolado termicamente, cuja
diminuir a exatidão resultante do
temperatura é medida precisamente
termômetro e até mesmo danificar o
por um termômetro padrão.
sensor.
Para se ter calibrações exatas, a
condição de referência de temperatura Pontos fixos de calibração
deve ser mantida constante, dentro dos As calibrações dos termômetros podem
limites de precisão, durante períodos ser feitas em vários pontos fixos de
longos de tempo comparados com as temperatura que são realizáveis
constantes de tempo dos termômetros. praticamente em um laboratório. Os
A interpolação entra na calibração de principais pontos são:
o
dois modos: 1. Ponto de gelo = 273,15 K ou 0 C,
1. a escala de temperatura (IPTS-90) é que pode ser realizada com
o
definida em 11 pontos de referência exatidão reprodutível de 0,05 C .
primários e 27 secundários. Apenas 2. Ponto de triplo d'água = 273,16 K ou
o
15 destes pontos caem entre 0 e 0,01 C, que pode ser realizada com
o o
1000 C. Não é prático reproduzir exatidão reprodutível de 0,01 C,
mais do que umas poucas destas usando equipamento disponível
condições definidas na calibração comercialmente .
prática de um termômetro, de modo 3. Ponto de ebulição d'água = 373,15
o
que deve-se usar a interpolação K ou 100,0 C, que pode ser
para determinar a temperatura de realizada com exatidão reprodutível
o
outros condições. de 0,1 C, @ pressão atmosférica
2. usando condições de ponto fixo ou de 760 mm Hg. A variação de 1 mm
um termômetro de referência Hg causa uma variação de
o
padrão, a calibração pode ser temperatura de 0,0037 C.
praticamente feita somente em um 4. Ponto de fusão do chumbo =
o
número limitado de temperaturas 505,1181 K ou 321,9681 C, que
dentro da faixa de aplicação do pode ser realizada com exatidão
o
termômetro a ser calibrado. Uma reprodutível de 0,05 C , usando
interpolação da calibração do banhos comerciais com tempos de
termômetro entre os pontos de repouso de, no mínimo, 10 minutos.
calibração deve ser feita para 5. Ponto de fusão do zinco = 692,73 K
o
fornecer uma tabela de calibração ou 419,58 C, que pode ser
de trabalho. realizada com exatidão reprodutível
o
Termômetro com resistência de platina de 0,05 C ,
padrão é empregado para fornecer

A.12
Calibração das Variáveis

6. Ponto de fusão do alumínio = termômetros padrão. Para os termômetros


o
933,52 K ou 660,37 0,1 C, que industriais, usa-se um método mais rápido,
pode ser realizada com exatidão simples e prático, envolvendo um meio
o
reprodutível de 0,1 C. simples como banho de gelo ou um banho
Outros pontos de fusão são definidos de óleo cuja temperatura seja medida com
pela IPTS 90 como temperaturas primarias um termômetro padrão de precisão. A
ou secundarias e podem ser usados para precisão ou o termômetro padrão é
calibração de sensor até o ponto do ouro, chamado de termômetro de referência.
o
1227,58 K ou 1064,43 C, porém, eles são
difíceis de implementar, na prática.
Ambientes de temperatura controlados Tab.1. Temperaturas de banhos termais
ou variáveis comumente usados na Tipo Temperatura (oC)
calibração de termômetros são banhos
agitados de água, óleo, mistura de sais, Banho líquido -160 a 630
câmara fluidizada de sólidos granulares e Pó fluidizado -70 a 980
blocos metálicos equalizados em fornalhas Tubular elétrico >620
aquecidas eletricamente. Quando se usa
ambientes isotermais, é necessário se ter
Os banhos termais podem ser líquidos
um termômetro padrão para determinar a
(água, óleo, soluções especiais) agitados,
temperatura de calibração verdadeira.
blocos metálicos uniformemente
Tradicionalmente, o sensor padrão
aquecidos, fornos tubulares elétricos, pó
usado é o de platina padrão, com invólucro
fluidizado usados com técnicas
de quartzo ou pyrex ou termopar tipo S (Pt
apropriadas e faixas de temperatura
– 10% RH/90% Pt).
determinadas. Os métodos assumem que
Para fazer a calibração,
os materiais sejam homogêneos e que
1. define-se a faixa calibração do
haja tempo de equilíbrio termal de, no
termômetro
mínimo, 10 minutos para cada ponto de
2. seleciona-se o número de pontos
calibração. Leituras rápidas significam
fixos ou um banho de temperatura
menor estabilidade de temperatura do
com termômetro padrão
banho com o tempo e calibração com erros
3. obtém-se um conjunto de pares de
nos procedimentos.
temperatura (indicada pelo
A indicação de um termômetro sob
instrumento e pelo padrão)
calibração é comparada com a do
4. faz-se uma curva ou uma função
termômetro de referência em vários pontos
matemática que descreva a relação
diferentes de temperatura cobrindo toda a
indicação x temperatura
faixa desejada. Este método é chamado de
5. aplica-se algum método de encaixe
calibração por comparação, diferente da
de pontos, para avaliar as incertezas
calibração em pontos fixos que envolve o
envolvidas
uso dos pontos notáveis de mudança de
produz-se uma tabela de calibração
estado. Um arranjo típico para a calibração
para o termômetro particular.
de comparação de temperatura envolve
Calibração de Termômetros um banho de calibração (banho de gelo ou
A calibração de qualquer termômetro de óleo), um termômetro de referência e
requer um meio cuja temperatura seja um meio para medir a leitura dos
conhecida com precisão. Uma escolha termômetros de referência e sob
óbvia seria usar o meio em que a calibração.
temperatura seja conhecida através de leis A precisão de uma calibração por
da natureza. Por exemplo, o ponto triplo da comparação é determinada pela precisão
água, o ponto de fusão do zinco e outros dos equipamentos e pelo procedimento de
pontos de mudança de estado de calibração. Usam-se vários dispositivos na
substâncias puras. Como estes meios calibração por comparação, que pode ser
requerem um esforço complicado para sua óptica,, eletrônica ou mecânica.
produção e manutenção, eles são usados O sucesso do método depende
principalmente para a calibração de principalmente de trazer o sensor sob

A.13
Calibração das Variáveis

calibração e o padrão para a mesma faixa equivalente para a temperatura seria


temperatura, dentro dos limites de 0,01 a 0,1 oC por ano.
precisão, considerando o meio e as Estes quatro componentes devem ser
condições ambientais nas quais se faz a considerados para a determinação da
comparação. precisão com que se pode medir a
Precisão do termômetro de referência. temperatura do meio ou banho de
A escolha do termômetro de referência calibração. Deve-se considerar também a
depende de fatores como: precisão em que se pode medir a saída do
1. faixa de temperatura calibrada termômetro sendo calibrado, que depende
2. tipo do banho termal usado da precisão inicial e do desvio do
3. precisão requerida equipamento de medição.
4. conveniência Considerações do Procedimento
5. preferência individual. Além dos limites de precisão
Termômetros ou sensores típicos de associados com o termômetro de
referência incluem: referência e o equipamento de medição,
1. RTD (Pt 100) em banho líquido, - deve-se considerar o procedimento. Os
o
180 a 630 C, com exatidão de componentes envolvidos aqui incluem a
±0,01 a 0,1 C
o
estabilidade e uniformidade do banho.
2. Termômetro de vidro, -180 a 400 Valores típicos para estes componentes
o o
C, exatidão de 0,01 a 0,2 C estão mostrados na Tab. 1 para
3. Termopar tipo R ou S, 630 a 1200 temperaturas abaixo de 300 oC. A
o o
C, exatidão de 0,05 a 2 C. uniformidade do banho deve ser expressa
Desvio do termômetro de referência. em termos da máxima diferença de
O desvio possível do termômetro de temperatura devida à distribuição espacial
referência deve ser considerado para o da temperatura que pode existir entre a
estabelecimento da precisão da calibração. temperatura do termômetro de referência e
Em caso de um termômetro recentemente o termômetro sendo calibrado.
calibrado que é conhecido ser estável de Um bloco equalizador feito de alumínio
sua historia passada, o desvio pode ser ou cobre ajuda a se manter o erro de
desprezado. Caso contrário, o desvio deve uniformidade o mínimo possível e pode
ser incluído no calculo da precisão total. melhorar a estabilidade. O erro devido a
Valores típicos de desvio são 0,005 a 0,05 instabilidade do banho pode também ser
oC por ano, dependendo da qualidade e reduzido fazendo-se medições múltiplas
da manipulação do termômetro de dos dois termômetros e fazendo-se a
referência. media das medições. A contribuição da
estabilidade do banho para a precisão da
Precisão do equipamento de medição. calibração pode ser expressa em termos
O equipamento de medição, como do desvio padrão das medições. O impacto
pontes, galvanômetros e multímetros negativo da uniformidade e estabilidade do
digitais são usados para medir a saída do banho na precisão final da calibração pode
termômetro de referência. O arranjo mais ser ainda minimizada fazendo-se o
preciso seria um termômetro com seguinte:
resistência de platina como referência e 1. fazer a medição uma ou duas horas
um ponto de relação. Neste caso, a depois que a temperatura do banho
precisão resultante em termos de tenha sido estabilizada em um dado
temperatura seria equivalente a alguns ponto de calibração. Isto reduz o
milésimos de oC. erro de uniformidade do banho.
2. fazer medições simultâneas da
Desvio do equipamento de medição. saída do termômetro de referência
A não ser que o equipamento de e do termômetro sendo calibrado.
medição tenha sido calibrado Isto minimiza o erro de estabilidade.
recentemente, deve-se incluir um valor de As medições anteriores podem ser
desvio à precisão total da calibração. A realizadas em um arranjo controlado por

A.14
Calibração das Variáveis

computador. Para máxima precisão e depende da qualidade do termômetro, sua


eficiência, o computador pode ser instalação, condições de processo e outros
programado para fatores.
1. monitorar e controlar o banho, As limitações de como um termômetro
2. monitorar a estabilidade do banho, industrial pode ser bem calibrado e manter
3. fazer medidores e sua calibração indicam que a faixa de ±0,1
4. processar os dados de calibração. a ±1,0 oC é a melhor precisão que se pode
O sistema pode incluir uma unidade de conseguir com um termômetro industrial
chaveamento para permitir a varredura de usado em faixa moderada de temperatura
vários termômetros calibrados em uma instalação típica industrial.
simultaneamente. obviamente, o termômetro pode indicar a
O computador pode estabelecer a temperatura verdadeira do processo mas o
temperatura do banho para um ponto de usuário não pode estar certo de que se
calibração desejado, monitorar a está medindo a temperatura melhor do que
temperatura até que ela fique estável de
±0,1 a ±1,0 oC. O afastamento da
acordo critérios predeterminados de
temperatura medida do valor verdadeiro
estabilidade, fazer as medições, coletar os
depende de vários fatores:
dados e processar os dados para fornecer
1. tipo do termômetro sendo usado,
a carta de calibração do termômetro. Com
2. faixa de temperatura sendo medida,
tal arranjo, os erros de estabilidade e
3. condições do processo e do
uniformidade pode ser minimizados.
ambiente onde o termômetro está
Agora, deve-se estimar a melhor
exposto.
precisão que pode ser obtida em um ponto
Geralmente, RTDs oferecem melhor
de calibração. Por simplicidade e para se
precisão do que os termopares. Também,
obter uma estimativa superficial, pode-se
em faixas moderadas de temperatura, uma
simplesmente somar as precisões
melhor precisão é conseguida no inicio da
mostradas na Tab. 1. Isto daria uma faixa
faixa do que na extremidade superior da
de precisão de cerca de 0,04 a 0,55 oC em faixa. Por exemplo, é muito mais simples
um ponto de calibração. Isto estabelece a medir com precisão a temperatura
faixa para a precisão que pode ser obtida o
ambiente de 30 C da sala do que a
em um dado ponto de calibração dentro de
temperatura de 300 oC no processo
uma faixa moderada de temperatura. Os
industrial.
termômetros devem ser calibrados em
mais de um ponto. Os pontos adicionais de 3.6. Calibração de termômetros de
calibração elevam os erros acima dos
vidro
limites de 0,04 e 0,55 oC.
Mesmo um termômetro de haste de
Os fatores adicionais que introduzem
vidro deve ser calibrado periodicamente,
erros na calibração incluem
onde se inspecionam visualmente e
1. auto-aquecimento em RTDs,
verificam as dimensões, permanência do
2. erros de imersão durante a
pigmento, estabilidade do bulbo e precisão
calibração em RTDs e termômetros
da escala. Depois da calibração, podem
de vidro,
ser feitas correções, aplicados fatores de
3. erros de resistência de isolação,
correção ou o termômetro pode ser
4. erros associados com redução de
descartado.
dados de calibração.
Para maiores detalhes, deve se
Estas considerações indicam que a
consultar a norma ASTM E 77 – 92:
melhor precisão conseguida para um
Standard Test Method for Inspeciton and
termômetro industrial não pode ser melhor
Verification of Thermometers. Várias
do que 0,1 oC, mesmo para um sensor normas ASTM cobrem os termômetros
novo que tenha sido calibrado clinicos.
recentemente. Uma vez que o termômetro
é instalado no processo, a precisão pode
começar a se deteriorar quando o sensor
envelhece. A taxa desta deterioração

A.15
Calibração das Variáveis

3.7. Calibração de termômetros a O mesmo resultado é obtido se as


bimetal extremidades de referência de dois fios
são ligadas diretamente aos terminais do
O termômetro a bimetal possui todos
voltímetro; estes terminais formam agora a
os componentes de medição – sensor,
junção de referência.
condicionador e indicador – em um único
Como a homogeneidade dos fios
invólucro. O sensor a bimetal integral ao
componentes do termopar pode se
instrumento não pode ser calibrado
modificar, o termopar e os fios de extensão
isoladamente mas somente pode ser
de termopar devem ser periodicamente
inspecionado visualmente, para verificar
calibrados. A calibração consiste em
corrosão ou danos físicos evidentes.
verificar se as suas características se
O que se faz é calibrar o sistema de
afastaram dentro da tolerância (termopar
indicação, colocando-se o termômetro em
bom) ou além da tolerância (termopar deve
um banho de temperatura e comparando
ser descartado).
as indicações do termômetro com as
Tanto na medição como na calibração
indicações de um termômetro padrão
com termopar, o usuário deve estar
colocado junto. O termômetro a bimetal
consciente de que se está medindo uma
pode ser calibrado e, se necessário,
tensão e não uma temperatura. Qualquer
ajustado nos pontos de zero e de largura
ruído de tensão e na indústria há tantos,
de faixa.
introduz erro que pode ser interpretado
Tudo acima se aplica ao sistema de
como temperatura.
medição de temperatura com sensor de
As técnicas de calibração do termopar
enchimento termal.
tem sido melhoradas constantemente em
3.8. Calibração de Termopares velocidade e confiabilidade, por causa do
uso do microprocessador. A técnica antiga
Os termopares transformam calor em
consistia em ligar o instrumento receptor
eletricidade. As duas extremidades de dois
do termopar aos terminais de um
fios de metais diferentes, como ferro e
potenciômetro portátil de milivoltagem,
constantant, são trançadas juntas para medir a temperatura destes terminais com
formar duas junções: uma de medição e um termômetro padrão, ajustar a saída do
outra de referência. Um voltímetro ligado potenciômetro para dar a indicação teórica
em serie irá mostrar uma voltagem no receptor e anotar o ajuste do
termelétrica gerada pelo calor. Esta potenciômetro. Finalmente, se procurava a
voltagem é função da temperatura correspondente em tabelas
1. diferença de temperatura entre a padrão. Este processo consumia muito
junção de medição e a junção de tempo e era susceptível a erros potenciais.
referência. A medição de temperatura nos
2. tipo do termopar usado terminais é necessária porque um
3. homogeneidade dos metais termopar contem inerentemente duas
junções de metais diferentes e não apenas
uma. A saída de voltagem deste sistema
Chave de termopar é afetada pelas temperaturas
de ambas as junções. A medição da
temperatura da junção de medição, deste
Fios da
chave modo, requer o conhecimento da
Potenciômetro
autocompensad
temperatura da junção de referência. Em
muitos instrumentos, a junção de
referência ocorre nos terminais de ligação
neste instrumento receptor.
Juntas de Fios de Fios de O microprocessador simplificou muito a
medição termopar extensão calibração do termopar. Sua memória pode
conter as curvas de temperatura (voltagem
x temperatura) para os diferentes
Fig. 4.9. Medição de temperatura com termopar termopares. Estas curvas são geradas

A.16
Calibração das Variáveis

usando-se equações publicadas pelo Tab.1. Faixas de temperatura e tipos de termopares


National Institute of Standards and
Technology. Um instrumento a Número Tipo Faixa
o
microprocessador também faz a medição 4 B 0 a 1820 C
o
da temperatura da junção de referência, 5 B 32 a 3308 F
o
incorporando-a em um resultado 6 E -270 a 1000 C
o
compensado corretamente. Quando a 7 E -454 a 1832 F
o
calibração do instrumento baseado em 8 J -210 a 1200 C
o
microprocessador recebe uma voltagem, 9 J -346 a 2192 F
o
ele imediatamente translada para a 10 K -270 a 1372 C
o
11 K -454 a 2500 F
unidade de temperatura (oC), de acordo o
12 N -270 a 1300 C
com tabelas contidas na sua memória e o
13 N -454 a 2372 F
indica digitalmente estes valores. o
14 R -50 a 1768 C
Para calibrar instrumentos com o
15 R -58 a 3214 F
termopar, a técnica básica é fornecer um o
16 S -50 a 1768 C
sinal conhecido para o instrumento o
17 S -58 a 3214 F
receptor para garantir que ele está dando 18 T -270 a 1300 C
o
uma indicação precisa e exata. O 19 T -454 a 2500 F
o
calibrador fornece este sinal de uma fonte
estável e monitora, ao mesmo tempo, o
sinal com o sistema de medição do próprio Vantagens da Calibração Inteligente
calibrador. A curva temperatura vs Os calibradores a microprocessador
voltagem armazenada no sistema do melhoram muito a precisão. Sem esta
microprocessador do calibrador é o ponto ajuda, o técnico começa com algum erro
de referência para gerar uma saída pelo fato de usar um termômetro separado
correta. Assim, o calibrador simula o na junção de referência que não está
termopar, gerando uma tensão colocado na junção de referência. A
correspondente à temperatura e indicando conversão manual de tabelas pode levar a
temperatura (e não tensão). erros humanos de operação. Usando a
Além de calibrar e ajustar o instrumento técnica de microprocessador, consegue-se
receptor (registrador, indicador, precisão de até 0,02%.
controlador), deve-se calibrar o sensor em Os calibradores digitais podem ter
si. O sensor pode ser substituído por um outras funções, oferecendo uma faixa de
sensor novo calibrado ou pode ser características para medir todos os tipos
removido e calibrado em um laboratório de de termopares e fontes de milivoltagens e
temperatura. Ele também pode ser para calibrar registradores, indicadores,
calibrado no local se um sensor padrão de controladores e outros tipos de circuitos
referência puder ser instalado potenciométricos e pirométricos. Os
temporariamente próximo do termopar de calibradores são portáteis e leves, com
trabalho. Este caso nem sempre é baterias recarregáveis e autocontidas.
possível, mas quando possível, ele deve Os instrumentos a microprocessador
ser preferido. Sua vantagem é que o podem medir e simular os sete tipos de
sensor instalado é aferido em sua termopares definidos pela ISA e outros
condição real de operação. Um calibrador padrões internacionais e adaptados para a
tendo dois canais de entrada torna este maioria das aplicações. Cada termopar
método prático. tem suas próprias ligas metálicas, faixas
de temperatura e códigos de cores. Estes
Compensação da Junção de Referência termopares são do tipo: B, E, J, K, R, S e
A temperatura da junção de referência T. Um oitavo tipo, N, foi definido e está
é detectada por um pequeno termistor sendo padronizado. As curvas destes
colocado na junção. Por causa do seu termopares, disponíveis na literatura
contato intimo, o sensor segue a o
técnica, mostram milivoltls versus C e
temperatura da junção de referência, podem ser armazenadas na memória do
respondendo rapidamente às variações da calibrador.
temperatura ambiente.

A.17
Calibração das Variáveis

Tab. 1. Incertezas de calibração em termopares calibrados pelo método de comparação


A

o
Tipo Faixa, C Pontos de calibração Incerteza
Pontos Valores interpolados
observados
C
E 0 a 870 cada 100 0,5 1
C
0 a 870 300, 600 e 870 0,5 2
D
0 a 350 cada 100 0,1 0,5
D
-160 a 0 cada 50 0,1 0,5
C
J 0 a 760 100, 300, 500 e 750 0,5 1
D
0 a 350 cada 100 0,1 0,5
C
K 0 a 1250 cada 100 0,5 1
C
0 a 1250 300, 600, 900 e 1200 0,5 2
D
0 a 350 cada 100 0,1 0,5
D
-160 a 0 cada 50 0,1 0,5
C
ReS 0 a 1450 cada 100 0,3 0,5 a 1100 e 2 a 1450
C
0 a 1450 600 e 1200 0,3 1 a 1100 e 3 a 1450
C
B 0 a 1700 cada 100 0,3 0,5 a 1100 e 3 a 1700
C
0 a 1700 600 e 1200 0,3 1 a 1100 e 5 a 1700
D
T 0 a 370 cada 100 0,1 0,2
D
0 a 100 50 e 100 0,05 0,1
D
-160 a 0 cada 60 0,1 0,2

A
Valores foram extraídos da Circular 590 do National Bureau of Standards (hoje NIST)
C
Em fornos tubulares, por comparação com um termopar tipo S calibrado
D
Em banhos líquidos agitados, por comparação com um RTD de platina calibrado

secundário de vazão, que pode calibrar


4. Calibração de Vazão outros medidores menos precisos.
O afastamento das condições de uso
A calibração de vazão é uma das mais daquelas da calibração podem invalidar a
necessárias e freqüentes da calibração. As possíveis fontes de erro na
Instrumentação, embora seja também uma medição de vazão são:
das mais complexas e custosas, pois 1. variações das propriedades do fluido
envolve padrões simultâneos de massa e (densidade, viscosidade e
tempo ou de volume e tempo. temperatura)
A calibração se baseia no 2. orientação do medidor (alinhamento
estabelecimento de vazão de regime com a tubulação)
através do instrumento sendo calibrado e a 3. nível de pressão
medição subseqüente do volume ou 4. distúrbios na vazão (cotovelos,
massa do fluido que passa através do válvulas, obstáculos inseridos)
medidor durante um intervalo de tempo principalmente a montante (antes do
preciso. Se existir uma vazão constante, a medidor) e com menor influência, a
vazão volumétrica ou mássica pode ser jusante (depois do medidor).
inferida de algum procedimento. Qualquer A calibração do medidor de vazão
medidor preciso e estável calibrado através
consiste em verificar o desempenho do
de um método primário se torna um padrão
medidor, certificando que ele está
medindo a vazão dentro dos limites de

A.18
Calibração das Variáveis

precisão predeterminados, sob as Finalmente, como sistema de medição


condições de operação definidas. A de vazão com placa é calibrado sem
calibração de vazão é geralmente feita padrão de vazão, pode-se usar o sistema
para certificar a precisão do fator do com placa para fazer aferição de outros
medidor, pela medição da saída do medidores, embora sua precisão seja
média.
medidor sob condições de vazão que
sejam hidraulicamente similares à 4.2. Prover
instalação real, ou seja, com O prover balístico é útil para medidores
equivalência do número de Reynolds. com pequena constante de tempo e alta
Isto não garante que a precisão seja resolução, como turbina, deslocamento
mantida em toda a faixa de medição. positivo e vortex. Nos medidores com
Quando requerido, algum ajuste pode resposta rápida, a vazão atinge o estado
ser feito no instrumento (palhetas da de regime permanente muito rapidamente
turbina, eletrodos do medidor e a integração da vazão instantânea para
magnético, posição do probe do vortex) dar o volume total é conseguida pela
ou no circuito eletrônico do sistema). totalização dos pulsos da saída em um
Geralmente a precisão da medição de contador. A integração fornece uma vazão
vazão de líquidos é melhor que a de total precisa mesmo que a vazão não
gases, que são compressíveis e esteja perfeitamente constante.
dependem muito das variações de O calibrador usa um pistão acionado
pressão, temperatura e viscosidade. A pneumaticamente e selado com anéis de
maioria das vazões de líquidos em Teflon percorrendo um tubo de precisão
pequenas e médias tabulações, tem e deslocando um volume de fluido de
números de Reynolds iguais a cerca de calibração através do medidor de vazão a
6
10 ; as vazões de gases correspondem a ser calibrado. As medições precisas do
números de Reynolds iguais e maiores que tempo e do deslocamento do pistão móvel
7
10 . Alguns medidores não operam m são usadas em um sistema de aquisição
vazões com número de Reynolds muito de dados de um computador, que dá uma
4
baixo (por exemplo, abaixo de 10 ). precisão típica de ±0,02% do valor medido.
O prover balístico é geralmente
4.1. Métodos de calibração proprietário; sendo seus fabricantes
Há vários métodos disponíveis para a Daniels, Calibron Systems e Brooks.
calibração de medidores de vazão, mas
pode-se distingui-los em duas categorias
diferentes: in situ e no laboratório
O fluido medido pode ser líquido ou
gás. A calibração de medidores de
vazão de líquidos é mais direta e fácil
do que a de medidores de gases, pois
o líquido pode ser armazenado em
vasos abertos e a água pode ser usada Fig. 4.10. Prover para calibração da vazão (Daniel)
como o líquido padrão de calibração.
O principais fundamentos usados para
calibração de medidores de vazão de O prover não-balístico é um tubo
líquido, in situ ou em laboratório, para comprido em forma de U e um pistão ou
líquidos ou gases são: esfera elástica. O medidor de vazão a ser
1. uso de medidor master calibrado calibrado é instalado na entrada do prover
2. prover e a esfera é forçada a percorrer o
3. métodos volumétrico comprimento do tubo por um líquido
4. gravimétrico fluindo. Chaves são colocadas nas
5. gasômetro e o bocal sônico extremidades da tubulação e operam
(somente para gases) quando a esfera passa por elas. O volume
varrido da tubulação entre as duas chaves

4.19
Calibração das Variáveis

é determinado pela calibração inicial e este 4.5. Método gravimétrico


volume conhecido é comparado com o Nesta técnica, a vazão do líquido
registrado pelo medidor de vazão durante através do medidor sob calibração é
a calibração. divergida para um tanque que é pesado
continuamente ou depois de tempo
4.3. Medidor mestre (master)
predeterminado. O peso do líquido é
Por esta técnica, um medidor de comparado com a leitura registrada do
precisão conhecida e melhor do que a do medidor de vazão sob calibração.
medidor sob calibração, é usado como A calibração da vazão através do peso
padrão de calibração. O medidor a ser dinâmico cobre a faixa de 0,25 kg/h a 75
calibrado e o medidor mestre são ligados 000 kg/h e tem precisão de ±0,1% do valor
em série, de modo que a mesma vazão de medido.
regime passe pelos dois. Para garantir O sistema de calibração de peso
uma calibração consistente e precisa, o dinâmico envolve
medidor mestre também deve ser 1. um reservatório do líquido
recalibrado periodicamente, rastreado com 2. uma tubulação onde o medidor sob
um outro de maior precisão. Este outro calibração é montado
padrão, também deve ser rastreado com 3. bomba para fazer o líquido circular
outro superior. O instrumento mestre típico 4. outro tanque onde o líquido será
para padrão de vazão é a turbina, que pesado
rastreada pode dar precisões de até 0,05% 5. um atuador automático do
do valor medido. Para grandes vazões, é temporizador
típico usar o medidor magnético rastreado 6. balança onde o tanque com líquido
como padrão. é comparado com pesos de
Quando não se requer grande precisão
precisão, usam-se medidores de inserção 7. um temporizador
de velocidade, como o tubo pitot e o 8. válvula para variar o valor da vazão
Annubar como padrão de medição. A 9. válvula de retenção para permitir a
vantagem desses medidores é sua vazão em um único sentido
portabilidade. 10. trocador de calor para manter a
temperatura constante
11. válvula operada por solenóide.
12. filtro para manter o líquido limpo
O funcionamento do sistema é o
seguinte:
Preparação da operação
O fluido contido no reservatório é
bombeado através do circuito hidráulico
fechado. Primeiro ele entra por um filtro e
depois no trocador de calor que controla a
temperatura do processo em ±0,5 oC. O
fluido depois passa pela válvula de
controle, pelo medidor sob calibração, pela
Fig. 4.11. Turbina, usada como medidor master válvula de retenção, pelo tanque de
pesagem e volta para o reservatório.
4.4. Método volumétrico Quanto a válvula de controle é ajustada
Nesta técnica, a vazão do líquido para uma determinada vazão, um peso de
através do medidor sob calibração é tara é colocado na balança. A chave de
divergida em um tanque de volume começo do ciclo é acionada, reajustando o
conhecido. Quando o tanque é cheio temporizador e fechando a válvula que
totalmente, o seu volume é comparado permite encher o tanque de pesagem.
com a quantidade integrada pelo medidor
sendo calibrado.

4.20
Calibração das Variáveis

Enchimento preliminar (tempo de tara)


Quando o tanque de pesagem enche, o
Atuador da
prato da balança sobe, acionando o válvula
Temporizador
temporizador e começando a contagem
em milissegundos, começando o ciclo real
de pesagem. O enchimento preliminar, Controle da
balanceado pelo peso de tara antes da Braço do peso
back pressão
pesagem real começar, permite a medição
do novo líquido adicionado depois do Medidor sob
Atuador do
temporizador
enchimento preliminar. O método do calibração
enchimento preliminar permite a medição
de somente uma porção do ciclo,
Controle vazão
eliminando os erros mecânicos no início e
Peso de tara
no fim e cancelando os erros dinâmicos Trocador calor
simétricos. Filtro
Fim do enchimento e início da pesagem
Bomba
O ciclo de pesagem continua quando Reservatório
um peso de precisão é colocado no prato
da balança, ainda defletindo o braço. A
forma especial do defletor na entrada do
tanque de pesagem permite a distribuição Fig. 4.12. Sistema de calibração gravimétrica
uniforme do fluido medido.
Ciclo de pesagem em operação 4.6. Gasômetro
Quando o tanque enche, o prato do
A calibração de medidores de vazão de
peso levanta novamente e desliga o
gases pode ser feita com líquido, desde
temporizador, que indica o tempo com
que sejam seguidas as similaridades,
precisão de 10-3 segundos. Combinando o igualdade do número de Reynolds e
peso de precisão do teste com o intervalo fazendo as correções devidas de
de tempo medido, tem-se a vazão precisa densidade e expansão. Quando isso não é
em massa. aceitável, usa-se a calibração direta com o
Fim do ciclo de pesagem próprio gás, através do gasômetro.
Após o movimento do braço da balança Aqui, o gás flui através do medidor de
desligar o temporizador, o tanque de vazão durante um intervalo medido de
pesagem se esvazia automaticamente, em tempo e fica preso na campânula do
menos de 25 segundos, na máxima vazão. gasômetro e o seu volume é medido. A
O calibrador fica pronto para o próxima temperatura e a pressão permitem cálculo
vazão ajustada. da massa e a conversão de volume para
No método gravimétrico para gás, o qualquer condição desejada. Enchendo a
gás é divergido através do medidor sob campânula com gás, o topo se eleva e
calibração para um vaso coletor de gás adicionando-se pesos convenientes, tal
durante um período medido de tempo. sistema pode ser usado como um
Pesando-se o vaso coletor antes e depois fornecedor de gás para fazer o gás passar
da diversão, a diferença será devida ao pelo medidor quando a campânula
gás que entrou e a vazão pode ser gradualmente cai em uma taxa medida.
determinada. Esta vazão pode então ser Usando-se uma balança analítica precisa
comparada com a medida pelo medidor para medir a massa acumulada no vaso,
sob calibração. obtém-se precisão de ±0,02% para vazões
até 9 kg/s.

4.21
Calibração das Variáveis

4.8. Placa de orifício


Contra
A placa de orifício é um elemento
sensor de vazão. Quando colocada na
tubulação, provoca uma queda de pressão
através dela que é proporcional ao
Barômetro quadrado da vazão volumétrica que passa
por ela. A placa consiste de um círculo de
Gasômetro aço inoxidável, fino, com um furo
cientificamente cálculo em seu centro.
Fazem-se tomadas na tubulação ou nas
Gás
flanges de fixação da pressão diferencial.
Termômetr Manômetro Através do conhecimento desta pressão
diferencial, infere-se o valor da vazão
volumétrica.
Fig. 4.13. Gasômetro A placa é simples, fácil de ser fabricada
e relativamente barata. Porem, a sua
principal vantagem técnica é que ela não
4.7. Bocal sônico
requer outro padrão de vazão para sua
O bocal é um elemento sensor de calibração. A sua calibração baseia em
vazão, análogo à placa de orifício, que fórmulas matemáticas aceitas
gera uma pressão diferencial proporcional universalmente e em dados experimentais
ao quadrado da vazão volumétrica que coletados e constantemente atualizados. O
passa por ele. Porem, o bocal apresenta sistema de medição com placa de orifício é
uma propriedade única de manter um padrão primário, mesmo que sua
constante uma vazão de gás, quando se precisão não seja elevada. Mesmo que a
atingem determinadas condições. Ou seja, classe de precisão do sistema de medição
quando se aplica uma pressão a montante da placa, da ordem de ±1 a ±2% seja
do bocal e diminui a pressão a jusante, a muito pior que o da turbina (±0,1%), vortex
vazão aumenta. Quanto mais se diminui a
(±0,5%), medidor magnético (±0,2%) e
vazão a jusante, maior é a vazão através
mesmo que sua rangeabilidade seja pior
do bocal. Porem, há um limite, quando a
(3:1), quando comparada com os
velocidade do gás atinge a velocidade do
medidores lineares (10:1), na falta de um
som. Depois deste ponto, pode-se diminuir
padrão confiável de vazão, a placa de
mais ainda a pressão a jusante que a
orifício pode ser usada como padrão, pelo
vazão permanece constante.
menos para determinar erros grosseiros.
Este fenômeno serve para calibrar
medidores de vazão através de bocais.
Constrói-se o bocal cientificamente,
estabelecem-se as condições para ele
atingir a vazão constante e conhecida e
coloca o medidor sob calibração em série
com ele. O medidor deve indicar a vazão
do bocal.

Fig. 4.15. Placas de orifício

Fig. 4.14. Bocal sônico

4.22
Calibração das Variáveis

IPT, São Paulo, SP), que são mais


4.9. Laboratório de vazão versáteis e extensivos do que os mantidos
Um laboratório de vazão é uma pelos fabricantes. Finalmente, há os
facilidade construída com o propósito de laboratórios das universidades, como o de
medir a vazão através de tubulação, com Hidráulica da Universidade de São Paulo.
grande precisão. Como resultado das Há usuários de medidores de vazão
limitações práticas, a maioria dos que também possuem o seu sistema de
laboratórios usa a água e o ar como os calibração de vazão, consistindo
fluidos para líquido e gás, principalmente de um medidor mestre com
respectivamente, devido ao grande acervo desempenho rastreado em laboratório de
de dados experimentais precisos e vazão certificado, usado como padrão de
disponíveis. Para aplicações com outros comparação para outros medidores.
fluidos diferentes da água e do ar ou o A maioria dos laboratórios atuais usa
desempenho em outras condições de computadores para sentir as variáveis,
operação, usam-se fatores de correção calcular a vazão, documentar os
baseados no fluido real e procura-se resultados do medidor sendo calibrado e
manter o mesmo número de Reynolds, traçar as curvas de calibração.
para a calibração e para o serviço real. A calibração do medidor em uma
Neste caso, há incertezas introduzidas, facilidade de calibração é chamada de
que serão mínimas, quando as calibração hidráulica ou molhada.
propriedades do fluido forem bem definidas Dependendo do tipo do medidor, a
e conhecidas. calibração inclui o sensor e o transmissor,
ou como par casado ou independentes
entre si. A calibração seca é uma aferição
sem colocar o medidor em vazão. A
calibração a seco geralmente se restringe
ao elemento secundário e assume-se que
o elemento primário seja descrito com
precisão por relações empíricas
desenvolvidas de medidores
hidraulicamente semelhantes, em vários
laboratórios de vazão. A calibração a seco
é efetivamente uma calibração do
transmissor eletrônico ou pneumático.
O custo para desenvolver e montar um
laboratório de calibração de vazão é
proibitivo para o usuário, principalmente
quando o número de medidores a calibrar
é pequeno. É mais econômico e efetivo
usar laboratórios de calibração de
fabricantes ou credenciados pelos
laboratórios nacionais. No Brasil, o Instituto
de Pesquisas Técnicas (São Paulo, SP),
Laboratório de Hidráulica da USP (São
Fig. 4.16. Laboratório de vazão Paulo, SP), Engematic-Engistrel
(Sorocaba, SP), possuem laboratórios para
Os laboratórios de vazão são calibração de medidores de vazão, que
geralmente operados e mantidos por embora não pertençam (ainda) à Rede
fabricantes de medidores de vazão (por Brasileira de Calibração, possuem padrões
exemplo, Enginstrel/Engematic, Sorocaba, rastreados por laboratórios internacionais.
SP), que os utilizam para a calibração,
estudo e aferição dos medidores
fabricados. Existem também os
laboratórios independentes (por exemplo,
Apostilas\Metrologia CalibracaoVariaveis.doc 24 SET 98 (Substitui 04 ABR 98)

4.23
NIS 3003
Edição 8 * Maio 1995

Expressão da Incerteza e Confiança


na Medição para Calibrações

(Tradução livre de Marco Antônio Ribeiro)

Conteúdo
1. Introdução ...................................... 3
2. Conceitos ....................................... 4
3. Avaliação Tipo A da Incerteza Padrão 6
4. Avaliação Tipo B da Incerteza ........ 8
5. Incerteza Padrão Combinada ......... 9
6. Quantidades de Entrada Correlatas10
7. Incerteza Expandida e Nível de Confiança 10
8. Reportando os Resultados ........... 12
9. Procedimento Passo a Passo para a Determinação da Incerteza: Caso Geral 9
Calibração de um peso de valor nominal de 10 kg de OIML 14
10. Símbolos ............................................. 11
11. Referências Bibliográficas................... 12
Apêndice A: Derivando um fator de cobertura para quantidades de entrada não
confiáveis............................................... 13
Apêndice B: Componente de incerteza sistemática dominante 15
Apêndice C: Algumas fontes de erro e incerteza nas calibrações elétricas 16
Apêndice D: Algumas fontes de erro e incerteza nas calibrações de massa 18
Apêndice E: Algumas fontes de erro e incerteza nas calibrações de temperatura 19
Apêndice F: Algumas fontes de erro e incerteza nas calibrações de dimensão 20
Apêndice G: Exemplos de aplicação 21

© Crown, Copyright 1995


NAMAS Executive Physical Laboratory, Teddington, Middlesex, TW11 0LW, England
Tel.: 0181-943 7140 Fax: 0181-943 7134

A.1
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

NIS 3003 Edição 8: Maio 1995 - The Expression of Uncertainty and


Confidence in Measurement for Calibrations
Esta edição substitui a Edição 7 de Maio 1991 e foi escrita com a intenção de cobrir
todos os campos de medição para calibrações. Esta edição revisada foi considerada
necessária porque a edição 7 não era completamente consistente com as recomendações
sobre incerteza da CIPM e mais particularmente com a ISO Guide to the Expression of
Uncertainty in Measurement que tem tido uma grande aceitação mundial desde sua
publicaçào em 1993. A NIS 3003 Edição 8 é considente com a ISO Guide embora possa se
reconheça que a medição da incerteza é um assunto muito complexo e a referência ao
Guide pode ainda ser necessária onde a NIS 3003 não cobre certos aspectos.
A WECC Doc. 19-1990 Guidelines for the Expression of the Uncertainty of Measurement
in Calibration está atualmente sendo revisada e será re-impressa sob os auspícios da EAL,
em 1996. Esta edição revisada será consistente com o ISO Guide.
Os cálculos feitos usando NIS 3003 Edição 8 darão resultados levemente diferentes,
comparados com a Edição 7, para a incerteza total de uma medição. A principal diferença é
o uso de k = 2 como um multiplicador, no lugar de k = 1,96, que é a recomendação do EAL.
Onde há uma contribuição aleatório significativa o novo método de cálculo pode dar uma
incerteza total menor.
Os laboratórios que já calculam incertezas de acordo com a Edição 7 usando um nível
de confiança de 95% somente necessitam mudar o método de cálculo nos procedimentos
existentes quando eles forem revisados ou se houver uma probabilidade de haver uma
mudança significativa na incerteza reportada. Os cálculos de incerteza para novos
procedimentos de medição devem agora ser baseados na Edição 8.
Os laboratórios que se baseiam o estabelecimento da incerteza na soma aritmética
devem agora usar o método dado na Edição 8. A revisão de balanços de incerteza
existentes deve ser feita o mais rápido possível, quando for prático e não deve ser depois
de junho 1996.
A informação da incerteza nos certificados de calibração precisa ser revisada para ficar
de conformidade com as exigências do EAL e a nova informação é dada na Seção 8.1 da
Edição 8. Esta declaração não é a mesma que a dada no M25 Certificados de Calibração.
Porém, M25 ou um documento substituto, será reimpresso no futuro e incluirá a exigência
para a declaração revisada da incerteza. Quando os laboratórios calculam incertezas de
acordo com a Edição 8, eles devem usar a nova declaração dada na Seção 8.1, assim que
for possível. Todos os laboratórios de calibração precisam usar a mesma declaração nos
certificados de calibração, seguindo o formulário substituto da M25.
É claro que a introdução de qualquer exigência nova ou revisada na certificação pode
produzir trabalho extra para o pessoal do laboratório mas é obrigatório introduzir esta
mudança no cálculo de incerteza para garantir que os laboratórios de calibração
credenciados pelo NAMAS estejam alinhados com as exigências internacionais.

4.2
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Expressão da Incerteza e Confiança na


Medição para Calibrações
relativos à medição da incerteza em teste,
[4] [5]
1. Introdução notadamente NIS 80 e NIS 81 , que
também são consistentes com o Guide.
A Norma de Credenciamento NAMAS As edições anteriores da NIS 3003 têm
M10, requer um laboratório para produzir recomendado o uso do fator de cobertura
estimativas de incerteza de suas medições de
para todas as calibrações usando métodos k = 1,96, que se refere ao nível de
aceitos de análise. Esta exigência pode ser confiança de 95%, enquanto esta edição
satisfeita seguindo-se o procedimento recomenda k = 2, que se refere a 95,45%,
descrito nesta norma que substitui NIS entretanto, o nível de confiança é ainda
3003, Edição 7, 1991 e é prevista para arredondado para 95%. Além desta
aplicação em todos os campos da medição diferença, a estimativa da incerteza feita
para calibrações. usando esta edição da NIS 3003 produz os
A necessidade de um procedimento mesmos resultados das edições anteriores
aceito internacionalmente para expressar a para quase todos os cálculos de incerteza.
incerteza da medição fez, em 1981, o Nos poucos casos onde ocorre diferença,
Comité Internationel des Poids et as edições anteriores dão valores
Mesures (CIPM) aprovar recomendações levemente maiores para a incerteza. O
[1]
elaboradas por um grupo de trabalho de NAMAS não exige que os laboratórios
representantes de todos os laboratórios recalculem as incertezas anteriores, mas
dos países mais adiantados. A para as novas estimativas de incerteza e
International Organisation for quando existem balanços de custódia, a
Standardisation (ISO) desenvolveu um nova edição NIS 3003 deve ser seguida.
guia detalhado aplicável a todos os níveis É comum na calibração que o valor
de precisão de pesquisa fundamental para reportado para uma quantidade medida
operações de chão de fábrica. A seja obtido diretamente dos resultados
responsabilidade pela preparação de tal registrados das medições desta
documento compreensível para este largo quantidade, após feitas todas as correções
espectro de medições foi atribuída a um possíveis. Porém, pode acontecer que o
grupo de trabalho da ISO, o Technical valor de uma medição dependa de um
Advisory Group on Metrology modo mais complicado da quantidade de
(ISO/TAG4/WG3) e levou à publicação do entrada ou de duas ou mais quantidades
Guide to the Expression of Uncertainty in de entrada. A Seção 5 dá orientação de
[2]
Mesurement , em 1993, referida neste como tratar esta situação. O caso geral,
trabalho como Guide. baseado na formulação do modelo
Os cálculos da incerteza dados nesta matemático, pode ser encontrado no
publicação são consistentes com as Guide.
recomendações feitas no Guide. O Em edições anteriores da NIS 3003 foi
Western European Calibration considerado que as quantidades de
Cooperation (WECC) publicou influência que afetam a medição não são
orientações sobre incerteza em maio 1990, correlatas, que é usualmente uma hipótese
[3]
Document 19 . Este documento foi razoavelmente segura na calibração.
reimpresso pela EAL, uma cooperativa Porém, quando pode ser estabelecido que
européia para o credenciamento de tais quantidades são correlatas em algum
laboratórios que incorpora a WECC, e é grau, a incerteza total será afetada. A
também consistente com o Guide. O Seção 6 dá alguma orientação geral sobre
NAMAS, recentemente, publicou trabalhos quantidades de influência correlatas. Para

4.3
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

avaliar os efeitos em mais detalhe, a modo. O CIPM recomenda um desvio


formulação do modelo matemático é padrão como uma medida do
exigida e estas exigências podem ser espalhamento da distribuição (um desvio
encontradas no Guide. padrão), mas isto não é suficiente no
Os Apêndices C, D, E e F nesta norma campo da calibração, onde o intervalo de
fornecem detalhes de fontes comuns de confiança necessita ser definido. Pode se
erro e incerteza para vários campos dizer que o valor verdadeiro da medição
diferentes de medição e o Apêndice G (ou o erro) cai dentro da faixa estabelecida
fornece exemplos da aplicação da NIS com um certo grau de confiança (p. ex.,
3003 para a determinação da incerteza 95% ou 99%).
nestes campos. A base para o tratamento da incerteza
Sempre que possível, os termos e nesta publicação é a hipótese de que
símbolos usados nesta publicação tem todos os componentes da incerteza podem
sido alinhados com o Guide. Uma lista ser tratados do mesmo modo,
completa de símbolos e suas definições é independente da natureza de seus erros
dada na Seção 10. Definições de alguns associados. Em particular, é assumido que
termos genéricos de metrologia são dadas as distribuições de erro associadas podem
no Guide. ser combinadas através de procedimentos
estatísticos comuns, se eles são fixos (erro
2. Conceitos sistemático) ou variam aleatoriamente
(erro aleatório) durante o processo da
A expressão do resultado de uma medição.
medição é incompleta a não ser que ela Em muitas vezes, a distribuição normal
inclua uma declaração da incerteza ou gaussiana descreve adequadamente
associada. A incerteza resultante de uma um erro. Em outras vezes, quando está
medição é um parâmetro que caracteriza o faltando informação, pode ser apropriado
espalhamento dos valores que seriam modelar a distribuição como retangular,
razoavelmente atribuídos à medição. A atribuindo iguais percentagens a valores
incerteza estabelece a faixa de valores entre os limites extremos. Deve ser notado
dentro da qual a medição é estimada ficar, que, há circunstâncias em que esta
com um nível de confiança estabelecido. hipótese resulta em estimativas
É essencial distinguir o termo erro (em otimisticamente pequenas, p. ex., quando
um resultado da medição) do termo a distribuição tem forma de U. (O Apêndice
incerteza. Erro é a medição resultante C dá um exemplo). O pessimista supõe
menos o valor verdadeiro da quantidade que a distribuição seja trapezoidal. Em
medida. Quando possível, uma correção caso de dúvida, a distribuição retangular
igual e de sinal oposto ao erro é aplicada pode ser assumida; esta hipótese, porém,
ao resultado. Como o valor verdadeiro sempre deve ser registrada. Veja o Guide
nunca é conhecido exatamente (pois se o para informação sobre o tratamento de
fosse, não haveria necessidade de fazer várias distribuições. Quando várias
uma medição), as correções são sempre distribuições diferentes são combinadas,
aproximadas e permanece um erro pode-se mostrar que, exceto em um caso,
residual. A incerteza neste erro residual a distribuição de probabilidade resultante
contribui com a incerteza do resultado tende para a forma normal de acordo com
relatado. o Teorema do Limite Central . A
[6]

Dado o significado de erro, segue-se importância disto é que se torna possível


que a incerteza pode também ser definida atribuir um mínimo nível de confiança em
como a faixa em torno do zero em que o termos da probabilidade na incerteza total.
erro é assumido cair. A incerteza pode ser O caso excepcional aparece quando uma
caracterizada em termos do espalhamento contribuição à incerteza total predomina;
da distribuição de probabilidade para o nesta circunstância a distribuição
erro. Esta distribuição do erro pode ser resultante se afasta da contribuição
derivada da variação aleatória observada dominante.
nos resultados, do conhecimento teórico
do mecanismo do erro ou de algum outro

4.4
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Quando se tem a tarefa de identificar e Por causa da natureza do efeito de um


avaliar as incertezas em qualquer componente da incerteza poder variar, o
processo específico de medição, é CIPM recomenda agrupar os componentes
conveniente classificá-las em termos de da incerteza de acordo com o método
seu efeito na calibração. Quando uma usado para calcular seus valores
medição é repetida em um número de numéricos em:
vezes sob as mesmas condições, então, Tipo A: incertezas avaliadas por
desde que o processo de medição tenha métodos estatísticos.
suficiente sensitividade para detectar Tipo B: incertezas avaliadas por outros
pequenas diferenças, os resultados não métodos.
serão todos os mesmos devido aos efeitos O Guide diz que o objetivo da
cumulativos de pequenas variáveis classificação em Tipos A e B é o de indicar
aleatórias independentes. É por causa dos os dois modos diferentes para avaliar os
efeitos aleatórios observáveis que esta componentes da incerteza e é conveniente
indeterminação é chamada de componente apenas para discussão. Se os
aleatória da incerteza. componentes da incerteza são
Correções para erros na medição classificados como aleatórios e
podem ser necessárias para garantir a sistemáticos em relação a um processo
rastreabilidade do valor médio de uma específico de medição, ou descritos como
amostra de resultados ao padrão nacional. Tipo A ou Tipo B modelados pelo método
Os erros residuais nestas correções são de avaliação, todos os componentes,
sistemáticos em seu efeito no processo da independentes de classificação, são
medição no momento de seu uso e modelados pelas distribuições de
portanto, os componentes probabilidade quantificadas por variâncias
correspondentes da incerteza são ou desvios padrão. Assim, qualquer
normalmente classificados como convenção relativa à classificação não
sistemáticos, por associação. afeta a estimativa da incerteza total. Mas,
Quando se mantém a classificação sempre deve ser lembrado que, na
tradicional de descrever os componentes presente publicação, quando os termos
da incerteza como aleatórios e aleatórios e sistemáticos são usados, eles
sistemáticos, isto é válido para se aplicar se referem aos efeitos da incerteza em um
somente a um específico processo de específico processo de medição. É usual
medição. No sistema hierárquico nacional que os componentes aleatórios requeiram
de calibração, quando as incertezas se avaliações do Tipo A e os componentes
propagam para baixo através dos sistemáticos requeiram avaliações do Tipo
laboratórios, a classificação de uma B, mas há algumas exceções.
quantidade de influência como um Em geral, um processo de medição
componente aleatório da incerteza em um pode ser visto como tendo quantidades de
nível da cadeia muda para um componente entradas estimadas, dadas pelo símbolo x,
sistemático de incerteza no próximo nível que contribuem para o valor estimado da
mais baixo. Por exemplo, um laboratório quantidade medida ou de saída, dada pelo
de calibração encarregado de fazer a símbolo y. Onde, como em muitos casos,
calibração de um padrão de referência há várias quantidades de entrada, elas são
para outro laboratório em um nível mais representadas por xi e a incerteza
baixo reporta um único valor de incerteza associada com o valor estimado de cada
total da medição que combina os quantidade de entrada é representado por
componentes aleatório e sistemático da u(xi). A incerteza padrão e sua avaliação
incerteza deste laboratório para a medição. são discutidos nas Seções 3 e 4.
Quando o laboratório do nível mais baixo O processo de medição pode
usa o padrão calibrado, a incerteza total de usualmente ser modelado por uma função
seu valor terá então um componente entre as quantidades de entrada estimadas
sistemático em seu efeito dentro do e a saída é dada como:
balanço de incerteza de outras medições y = f ( x1 , x 2 ,..., x N ) (1)
do laboratório.

4.5
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Por exemplo, se a resistência elétrica R Se são feitas medições adicionais,


é medida em termos de tensão V e usando se as mesmas condições
corrente I, então a relação é R = f(V,I) = experimentais como as especificadas
V/I. O modelo matemático do processo de anteriormente, então, para cada amostra
medição é usado para identificar as de resultados considerada, são obtidos
quantidades de entrada que necessitam diferentes valores de média aritmética e de
ser consideradas no balanço da incerteza desvio padrão. Para grandes valores de n,
e sua relação com a incerteza total da estes valores médios se aproximam de um
medição. Em alguns casos, as unidades valor limite central da distribuição de todos
das quantidades de entrada não são iguais os valores possíveis. Esta distribuição de
à unidade da quantidade da saída, como densidade de probabilidade pode
no exemplo acima e cada incerteza de freqüentemente ser assumida como
entrada deve ser multiplicada por um fator normal. Na prática, o processo de medição
apropriado antes que seja combinada com pode ter várias limitações em resposta aos
as outras incertezas (Ver Seção 7). grandes desvios do valor médio e isto
causa a forma real da curva de distribuição
3. Avaliação Tipo A da ser truncada em sua extensão.
Dos resultados de uma única amostra
Incerteza Padrão
de medições, uma estimativa, s(xk), pode
Uma avaliação do Tipo A é ser feita para o desvio padrão da amostra
normalmente usada para obter um valor de valores possíveis da medição, através
para a repetibilidade ou aleatoriedade de da relação:
um processo de medição, exibidas em 1 n
uma determinada ocasião. Para algumas s( x k ) = ∑ (x k − x)2
(n − 1) k=1
(4)
medições, o componente aleatório da
incerteza pode não ser significativo em Deve ser notado que o resultado do
relação aos outros componentes da desvio padrão da amostra difere do
incerteza. Porém, é sempre desejável, resultado do desvio padrão de toda
para qualquer processo medição, que a população pelo fator 1/(n-1) em lugar do
importância relativa dos efeitos aleatórios 1/n, sob o sinal de raiz quadrada. A
sejam estabelecidos. Quando há um diferença se torna cada vez menor quando
grande espalhamento em uma amostra de o número de medições é aumentado.
resultados da medição, a média aritmética O desvio padrão estimado para o valor
dos resultados deve ser calculada. Se há n médio não corrigido da medição é dado
valores independentes repetidos para uma por:
medição, então o valor médio x é dado s(x k )
s(x ) = (5)
por n
1 n Nem sempre pode ser prático repetir a
x = ∑ xk (2)
n k =1 medição muitas vezes durante a
o calibração. Neste casos, uma avaliação
onde xk é o k valor medido da
mais confiável do desvio padrão do
quantidade x.
sistema de medição pode ser obtida da
O espalhamento nos resultados, ou
avaliação anterior do Tipo A, baseada em
seja, a faixa, indica o mérito ou
um maior número de leituras. Se uma
repetibilidade do processo de medição e
depende do instrumento usado, método e, avaliação anterior de s(xk) é usada, então
às vezes, da pessoa que faz as medições. o valor de n usado na eq. (5) para calcular
Uma estatística mais útil, porém, é o o desvio padrão da média é o número de
desvio padrão s de n valores que leituras repetidas feitas para a calibração e
compõem a população total, que é dado não o usado na eq. (4) para se obter o
por: desvio padrão estimado (Ver exemplo G5).
Sempre que possível, no mínimo, duas
1 n
s= ∑ (x k − x)2
n k=1
(3) medições devem ser feitas como parte do
procedimento da calibração, embora seja
aceitável fazer uma única medição quando

4.6
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

é conhecido que as contribuições possível estimar os limites da faixa dos


aleatórias na medição, incluídas as do valores indicados. Esta situação não é
instrumento sendo calibrado, são normal, mas quando ela ocorre, é
desprezíveis. Para algumas calibrações, necessário fazer a avaliação da incerteza
pode ser desejável fazer somente uma do Tipo B. Isto é feito como descrito no
medição no equipamento sendo calibrado, parágrafo 4.5 para o caso de um efeito
mesmo sabendo que se tem uma sistemático da incerteza quando somente
repetibilidade imperfeita e confiar na os limites superior e inferior podem ser
avaliação prévia da repetibilidade de tal estabelecidos.
equipamento. A confiabilidade de uma O termo incerteza padrão, u(xi), é
avaliação prévia depende do número de usado para a incerteza do resultado de
equipamentos amostrados e do modo uma medição expressa como um desvio
como esta amostra representa todos os padrão. Assim, a incerteza padrão de uma
equipamentos. Para evitar que se quantidade de entrada, xi, avaliada por
subestime a contribuição aleatória, é meio de medições repetidas é obtida de:
recomendado que o valor maior do desvio u( x i ) = s(x ) (6)
padrão, s(xk) seja usado em vez do valor
onde
médio. É também recomendado que os
dados obtidos da avaliação prévia sejam s(x) é calculado de acordo com a eq. (5).
regularmente revistos e atualizados, se
possível. Obviamente, quando somente
uma medição é feita no equipamento
sendo calibrado, o valor de n na eq. (5) é
1.
A estimativa prévia do desvio padrão
pode somente ser usada se não tiver
havido nenhuma alteração subsequente no
sistema ou procedimento de medição. Se
for encontrado um espalhamento
aparentemente excessivo nos valores da
medição, a causa deve ser investigada
antes de avançar.
Embora nenhuma correção possa ser
feita para um componente aleatório da
incerteza, a eq. (5) mostra a vantagem de
aumentar o número de medições mesmo
quando usando uma boa estimativa prévia
para o desvio padrão de toda a população
dos valores possíveis. Porém, o benefício
se torna progressivamente menor quando
o número é aumentado e é usualmente
não necessário fazer mais do que cerca de
10 medições e muitas vezes, 4 medições
são suficientes, desde que seja seguida a
orientação mencionada na Seção 7 para o
nível requerido de confiança.
A análise estatística dos valores da
medição, feita acima, é uma avaliação do
Tipo A para um componente aleatório da
incerteza. Porém, um efeito aleatório pode
produzir uma flutuação na indicação do
instrumento, que é parecida com o ruído
em caracter e significância em termos de
incerteza. Assim, somente pode ser

4.7
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

incertezas são dadas nos Apêndices C, D,


4. Avaliação Tipo B da E e F para calibrações elétrica, de massa,
temperatura e dimensional,
Incerteza respectivamente.
É provável que os componentes Sempre que possível, as correções
sistemáticos da incerteza, isto é, os que devem ser feitas para erros reveladas pela
contam para os erros que permanecem calibração ou outras fontes. A convenção é
constantes durante a medição, sejam que um erro é dado com um sinal positivo
obtidos das avaliações Tipo B. Em um se o valor medido é maior do que o valor
instrumento, o mais importante dos verdadeiro convencional. A correção do
componentes sistemáticos, geralmente é a erro envolve subtrair o erro do valor
incerteza associada com as correções medido. Em alguns casos, para simplificar
para os valores indicados no certificado de o processo de medição, pode ser preferível
calibração emitido por um laboratório de tratar tal erro, quando ele for pequeno
calibração em um nível mais elevado no comparado com outras incertezas, como
sistema de calibração nacional. Porém, sendo uma incerteza sistemática igual a
pode haver, e usualmente há, outras (±) o valor do erro não corrigido.
contribuições importantes para os erros Tendo identificado todos os possíveis
sistemáticos na medição feita no componentes sistemáticos da incerteza
laboratório do próprio usuário do baseados, sempre que possível, em dados
instrumento. A identificação e avaliação experimentais ou em bases teóricas, eles
bem sucedidas destas contribuições devem ser caracterizados em termos de
dependem muito do conhecimento desvios padrão baseados nas distribuições
detalhado do processo da medição e da de probabilidade avaliadas. Estas
experiência da pessoa fazendo a medição. distribuições usualmente são normal, mas
A necessidade de uma grande vigilância outras considerações podem determinar
em evitar erros não pode ser que as distribuições sejam diferentes.
superestimada. Exemplos comuns são os Quando é possível apenas avaliar os
erros nas correções aplicadas aos valores, limites superior e inferior do efeito
erros de transcrição e falhas em softwares sistemático na medição de uma
desenvolvidos para controlar ou relatar o quantidade de influência, pode-se assumir
processo de medição. Os efeitos de tais uma distribuição retangular. (Ver Seção
erros não podem ser incluídos na 2.5). Assim, se ai é a semi-faixa de
avaliação da incerteza. variação do desvio padrão, ainda referido à
Na avaliação dos componentes da incerteza padrão u(xi), é dado por
incerteza é necessário considerar e incluir, a
no mínimo, as seguintes possíveis fontes u( x i ) = i (7)
3
de erro:
(a) a incerteza reportada pelo padrão de O Guide dá alguma informação sobre a
referência e qualquer desvio ou obtenção desta expressão.
instabilidade em seu valor ou leitura, Uma incerteza obtida de um certificado
(b) o equipamento de calibração ou de calibração onde o nível de confiança ou
medição, incluindo acessórios, como um fator de cobertura, k, tem sido
fios de ligação e qualquer desvio ou reportado pode ser tratada como tendo
instabilidade nos valores ou leituras, uma distribuição de probabilidade normal e
(c) o equipamento sendo calibrado ou a incerteza padrão será dada por:
medido, por exemplo, sua resolução e incerteza expandida
u( x i ) = (8)
qualquer instabilidade durante a k
calibração, Ver a Seção 7.2 para a definição de
(d) o procedimento operacional, incerteza expandida. Por exemplo, um
(e) os efeitos das condições ambientais em certificado de calibração do NAMAS para
algum ou todos os itens acima. um instrumento reporta uma incerteza com
Outras orientações detalhadas uma probabilidade de confiança de não
relacionadas com fontes de erro e menos que 95% para a qual pode ser

4.8
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

usado um fator k = 2. O maior uso de onde U1 tem uma distribuição de


fatores de cobertura em lugar de níveis de probabilidade normal, a2 e a3 são limites
confiança significa que k pode ser obtido com distribuições de probabilidade
diretamente mas os valores seguintes, que retangular, todos obtidos de avaliação Tipo
se aplicam sob a hipótese de normalidade, B e u(x4) é obtido da avaliação Tipo A.
podem ser tomados: Os cálculos requeridos para obter os
coeficientes de sensitividade por
99% k = 2,58 diferenciação parcial podem ser um
99,7% k = 3. processo demorado, particularmente
quando há muitas contribuições individuais
Quando um instrumento é certificado e estimativas de incerteza são necessárias
como de conformidade com uma para uma faixa de valores. Se a relação
especificação então a incerteza na funcional não é conhecida para um
calibração deve ser considerada. Porém, sistema de medição particular os
não é a prática usual dos fabricantes de coeficientes de sensitividade podem, às
instrumento a informação dos níveis de vezes, ser obtidos pelo enfoque prático de
confiança para as tolerâncias e por isso as variando uma das variáveis de entrada por
distribuições retangulares de probabilidade um valor conhecido, enquanto mantendo
podem ser assumidas, ou seja: todas as outras entradas constantes e
limite tolerancia notando a variação na quantidade de
u( x i ) = saída. Este enfoque pode também ser
3
usado se f for conhecida, mas a
Nota: Se os limites de tolerância são
complicação de f é tal que a determinação
cotados com um nível de confiança, por
requerida de derivadas parciais
exemplo, correspondendo a 3 desvios
provavelmente contém erro. Neste
padrão da distribuição de probabilidade da
produção do fabricante, então deve-se enfoque, a derivada parcial ∂f / ∂x i é
tomar a contribuição da incerteza do substituída pelo quociente ∆f / ∆x i , onde ∆f
instrumento como: é a variação de f resultante de uma
limite tolerancia variação ∆xi de xi. É importante escolher o
u( x i ) =
3 tamanho da variação ∆xi cuidadosamente.
O tamanho deve ser balanceado entre ser
5. Incerteza Padrão Combinada suficientemente grande para obter
exatidão numérica adequada (número de
Como as incertezas padrão u(xi) das algarismos significativos) em ∆f e
quantidades de entrada xi foram derivadas suficientemente pequeno para fornecer
de ambas as avaliações do Tipo A e B, a uma aproximação matemática razoável
incerteza padrão da quantidade de saída y para a derivada parcial.
= f(x1, x2, ..., xN), também chamada de A relação funcional é aproximadamente
incerteza padrão combinada, pode ser linear se os valores relativos são usados
calculada como segue: no lugar das unidades reais e em muitos
casos as quantidades de entrada já são
(9) dadas em termos relativos nos certificados
ou especificações de calibração, p. ex., %
onde ci, um coeficiente de ou ppm. Isto simplifica os cálculos por
sensitividade, é a derivada parcial ∂f / ∂x i , causa dos coeficientes de sensitividade
ou, em alguns casos um coeficiente serem iguais a 1 em muitos casos, mas
conhecido, tal como o coeficiente de coeficientes conhecidos ainda precisam
expansão termal, (ver exemplo G6). Uma ser incluídos. (Ver exemplos G1, G3 e G4).
avaliação típica da incerteza padrão Se a função tem a forma
combinada é como segue: y = cx 1p1 × x 2p2 ×...× xNpN , onde os expoentes pi
2
 c U  c 2a 2 + c 2 a 2 são números positivos ou negativos
uc ( y) =  1 1  + 2 2 3 3 + c 24u2 ( x 4 ) conhecidos, a expressão geral para a
 k  3

4.9
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

incerteza padrão combinada expressa em Se há suspeita de que a correlação


termos relativos é: entre as quantidades de entrada aumenta
2 a incerteza padrão combinada mas seu
uc ( y) N  p u( x ) 
=∑ i x i  (10) efeito não pode ser facilmente
y i =1 
 i  estabelecido, então o enfoque mais direto
é somar as incertezas padrão destas
Esta equação tem a mesma forma que
quantidades antes de usar as eq. (9) ou
a eq. (9) mas com as incertezas padrão e
(10). Um enfoque detalhado ao tratamento
a incerteza padrão combinada expressas
das quantidades de entrada correlatas
em valores relativos. Em muitos casos, pi é
pode ser encontrado no Guide.
+1 ou -1, o que simplifica os cálculos.
Por exemplo, P = f(V,I) = VI
2 2 7. Incerteza Expandida e Nível
uc (P)  u( v)   u(I) 
=   +  de Confiança
P  V   I 
½ No campo da calibração há
ou V = f(P, Z) = (P.Z) e
necessidade de se estabelecer o nível da
2 2
uc ( V )  u(P)   u( Z )  confiança que pode ser associado com a
=   +  incerteza total calculada. É útil fazer
V  2P   2Z 
comparações válidas dos resultados da
medição e dar significado apropriado à
6. Quantidades de Entrada incerteza reportada no certificado de
Correlatas calibração em termos de probabilidade que
o valor reportado da medição com sua
As expressões dadas para a incerteza
incerteza associada (±) forneça uma faixa
padrão combinada, eq. (9) e (10), se
de valores que inclua o valor verdadeiro.
aplicam somente quando não há
Uma consideração adicional é a escolha
correlação entre qualquer uma das
do nível de confiança. Embora a melhor
estimativas de entrada, isto é, as
confiança em uma expressão da incerteza
quantidades de entrada são independentes
total para uma medição sempre pareça
entre si. Pode ocorrer que algumas
desejável, em um sistema hierárquico
quantidades de entrada sejam afetadas
nacional de laboratórios de calibração
pela mesma quantidade de influencia, p.
envolvendo a propagação de incertezas de
ex., temperatura ambiente, ou por erros
um nível para o próximo inferior, este alto
em um particular instrumento que é usado
nível de confiança não é possível para
para medições separadas no mesmo
muitas medições.
processo. Em tais casos, as quantidades
O Guide reconhece a necessidade de
de entrada não são independentes entre si
fornecer um nível de confiança associado
e a equação para obter a incerteza padrão
com uma incerteza e usa o termo incerteza
combinada deve ser modificada.
expandida, U, que é obtida multiplicando
Os efeitos das quantidades de entrada
se a incerteza padrão combinada por um
correlatas podem servir para reduzir a
fator de cobertura, k, assim
incerteza padrão combinada, quando um
instrumento é usado como um comparador
U = kuc ( y) (11)
entre um padrão e um desconhecido. Em
alguns casos, os erros de medição sempre
se combinam em uma direção e isto pode
resultar em um aumento na incerteza
padrão combinada. O conhecimento da
possibilidade de correlação pode, muitas
vezes, ser combinado com relação
funcional entre as quantidades de entrada
e a quantidade de saída mas pode
também ser necessário investigar os
efeitos de correlação fazendo uma série
planejada de medições.

4.10
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

O NAMAS, em linha com EAL, pelo procedimento desta publicação. Se


recomenda que um fator de cobertura de k um fator de segurança é requerido pelo
= 2 seja usado para calcular a incerteza usuário de um instrumento por razões
expandida. Este valor de k dá um nível de operacionais, tal fator deve ser
confiança de aproximadamente 95% reconhecido e estabelecido e não
(95,5%). Porém, se a contribuição aleatória incorporado na incerteza de calibração do
para a incerteza é relativamente grande instrumento.
comparada com outras contribuições e o Se um nível de confiança de 95% é
número de leituras repetidas é pequeno, considerado muito baixo para uma
há uma possibilidade que a distribuição de determinada calibração, então pode ser
probabilidade não seja normal e um valor usado um fator de cobertura de
de k = 2 dá um nível de confiança menor k = 3, dando um nível de confiança de
que 95%. Nestas circunstâncias, o aproximadamente 99,7%.
procedimento dado no Apêndice A deve Uma declaração de confiança não
ser usado para obter um valor para o fator pode, na prática, reportar um nível de
de cobertura que mantém o nível de probabilidade específico, tal como 95%,
confiança em aproximadamente 95%. Um pois isto requer um conhecimento da
critério que pode ser usado para distribuição de probabilidade real para
determinar se deve usar ou não o cada quantidade da qual o valor da
procedimento no Apêndice A é o seguinte: medição depende. Todavia, a habilidade
Geralmente, quando o de reportar um nível aproximado de
estabelecimento da incerteza confiança dá um significado muito valioso
envolve somente avaliação do Tipo para um resultado da medição.
A e o número de leitura, n, é maior Em algumas, admitidamente raras,
que 2 e a incerteza padrão do Tipo circunstâncias o valor de U calculado para
A é menor do que a metade da um nível de confiança de 95% usando o
incerteza padrão combinada, não procedimento dado neste documento será
há necessidade de usar o método maior do que a incerteza obtida pela soma
do Apêndice A para obter um valor aritmética e portanto representa um
para o fator de cobertura. resultado não realístico. Esta situação
Pode se notar que não foi necessário pode ocorrer onde há uma contribuição
usar o método do Apêndice A para dominante do Tipo B com uma distribuição
qualquer um dos exemplos incluídos no de probabilidade teórica em forma de U ou
Apêndice G. assumida retangular, quando o
Tem sido dito que o nível de confiança procedimento dado no Apêndice B deve
ideal para todas as medições deve ser o ser seguido para se obter o valor de U.
maior possível, que é tendendo para
probabilidade de 100%. Se cada
contribuição de incerteza fosse baseada
em uma distribuição retangular, a soma
aritmética de suas faixas resultaria em tal
nível de confiança. Porém, este
procedimento leva a valores
consideravelmente crescente de incerteza
total com muito pequena probabilidade que
os valores verdadeiros sejam realmente
próximos dos limites da faixa, quando as
quantidades de entrada não são
correlatas. A soma aritmética é, muitas
vezes, usada para fornecer uma
segurança contra a subestimativa das
contribuições da incerteza mas tais
considerações não são, em geral,
quantificáveis e assim não são cobertas

4.11
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

8. Reportando os Resultados 9. Procedimento Passo a Passo


Depois que a incerteza expandida é para a Determinação da
calculada para um mínimo nível de Incerteza
confiança de 95%, os valores da medição
e da incerteza expandida devem ser A seguir, tem-se um roteiro guia para o
reportados como y ( U e acompanhado uso deste código de prática para o
pela seguinte declaração de confiança: tratamento de incertezas, de modo
A incerteza reportada é baseada genérico. A seguir, tem-se o método
em uma incerteza padrão aplicado ao exemplo G5.
multiplicada por um fator de
cobertura de k = 2, fornecendo um Caso Geral
nível de confiança de 1. Se possível, determinar a relação
aproximadamente 95%. matemática entre as quantidades de
Nos casos onde o procedimento do entrada e a quantidade de saída:
Apêndice A é seguido, o valor real do fator y = f ( x1 , x 2 ,..., x N ) (1)
de cobertura deve ser substituído por k =
2. Identificar todas as correções que
2. Nas circunstâncias especiais de uma
contribuição dominante do Tipo B, referir devem ser aplicadas aos resultados das
ao Apêndice B. medições da quantidade medida para
As incertezas são usualmente as condições da medição.
3. Listar os componentes sistemáticos da
expressas em termos bilaterais (±), ou em
incerteza associados com as correções
unidade de engenharia da medição ou em
e os erros sistemáticos não corrigidos
valores relativos, por exemplo, como
tratados como incertezas.
percentagem (%), partes por milhão (ppm),
x 4. Procurar trabalho experimental ou teoria
1 em 10 .
anteriores como base para atribuir
O número de dígitos em uma incerteza
incertezas e distribuições de
reportada deve sempre refletir a
probabilidade para os componentes
capacidade prática da medição. Em vista
sistemáticos da incerteza.
do processo de estimar incertezas é
5. Calcular a incerteza padrão para cada
raramente justificado reportar mais do que
componente da incerteza, obtida da
dois algarismos significativos. As
avaliação do Tipo B, usando a eq. (7)
incertezas devem normalmente ser
para distribuições assumidas
arredondadas para o número apropriado
retangulares:
de dígitos mas pode ser arredondada para
a
menos quando isto não reduz u( x i ) = i (7)
significativamente a confiança no resultado 3
da medição. ou eq. (8) para distribuições assumidas
normal:
incerteza expandida
u( x i ) = (8)
k
ou se referir a outras fontes se a
distribuição de probabilidade assumida
não é coberta nesta publicação.
6. Usar conhecimento anterior ou fazer
medições experimentais e cálculos para
determinar se há tendência de um
componente aleatório de incerteza ser
mais significativo que o efeito dos
componentes sistemáticos listados da
incerteza.
7. Fazer medições repetidas para obter a
média, quando um componente

4.12
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

aleatório de incerteza for significativo, para kp e usar este valor para calcular a
usando a eq. (2): incerteza expandida.
1 n 14. Reportar a incerteza expandida no valor
x = ∑ xk (2) da medição de acordo com os
n k =1
parágrafos 8.1, 8.2, 8.3 e 8.4.
8. Calcular o desvio padrão do valor médio
pelas eq. (4) e (5):
1 n
s( x k ) = ∑ (x k − x)2
(n − 1) k=1
(4)

s(x k )
s(x ) = (5)
n
ou se referir aos resultados de
repetibilidade prévia de medições para
uma boa estimativa de s(xk) baseada
em um número grande leituras.
9. Verificar sempre a indicação do
instrumento, no mínimo uma vez, para
minimizar os erros de registro do
operador, mesmo quando um
componente aleatório da incerteza não
seja significativo.
10. Derivar a incerteza padrão para a
avaliação do Tipo A acima da eq. (6):
u( x i ) = s(x ) (6)
11. Calcular a incerteza padrão combinada
para quantidades de entrada não
correlatas usando a eq. (9) se são
usados os valores absolutos:
N N
uc ( y) = ∑ ci2u2 ( xi ) ≡ ∑ ui2 ( y) (9)
i =1 i=1

onde ci é a derivada parcial ∂f / ∂x i ,


ou um coeficiente conhecido.
Alternativamente, usar a eq. (10) se
as incertezas padrão são valores
relativos:
2
uc ( y) N p u( x ) 
= ∑ i x i  (10)
y i =1 
 i 
onde pi são expoentes positivos ou
negativos na relação funcional.
12. Usar a orientação do parágrafo 6.3. ou
referir a outro documento referenciado,
quando houver suspeita de correlação.
13. Calcular a incerteza expandida da
eq. (11)
U = kuc ( y) (11)
ou, se existir uma contribuição
aleatória avaliada de um pequeno
número de leituras (ver Seção 7.3), usar
o Apêndice A para calcular um valor

4.13
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

para calcular o desvio padrão da média


Exemplo G5: Calibração de um usando a eq. (5):
s(WR ) 25
peso de valor nominal de 10 kg s(W R ) = = = 14,4 mg
n 3
de OIML Classe M1.
A incerteza padrão é obtida da eq. (6):
É assumido que o peso desconhecido, u( x 5 ) = u( WR ) = s(W R ) = 14,4 mg
Wx, pode ser obtido da seguinte relação:
As unidades das incertezas padrão são
Wx = WS + D S + δC + Ab
as mesmas da medição, ou seja, mg e a
Não é prática normal aplicar correção relação funcional entre as quantidades de
para esta classe de peso e o comparador entrada e a medição é uma soma linear;
não tem erro de linearidade mensurável, portanto todos os coeficientes de
incertezas para estas contribuições tem sensitividade são unitários (ci = 1)
sido estimadas, portanto: Nenhuma das quantidades de entrada
Desvio de massa padrão desde última calibração = é considerada ser relacionada com
0 qualquer outra de modo significativo;
Correção para empuxo do ar = 0, portanto a eq. (9) pode ser usada para
Correção de linearidade = 0, calcular a incerteza padrão combinada:
Fonte de incerteza Limite Distribuição uc ( WX ) = 152 + 8,662 + 5,772 + 5,772 + 14,4 2 = 23,98 mg
W S Calibração da massa padrão ±30 mg normal
DS Desvio da massa padrão ±15 mg retangular
δC Comparador (linearidade) ±10 mg retangular U = 2 × 23,98 mg = 47,96 mg
Ab Empuxo do ar +10 mg retangular

Desde que n > 2 e u(W R)/uc(W X) >0,5,


Assim,
não foi considerado usar o Apêndice A
30
u( x1 ) = u(WS ) = = 15 mg para determinar o valor para kp. De fato, o
2 grau de liberdade efetivo de uc(W X) é
15 aproximadamente 69 que dá um valor para
u( x 2 ) = u(DS ) = = 8,66 mg
3 k95 - 2,04.
10 O valor medido do peso de 10 kg é:
u( x 3 ) = u(δC) = = 5,77 mg 10 000,025 g ± 0,050 g
3
A incerteza reportada é baseada em
10
u( x 4 ) = u( Ab) = = 5,77 mg uma incerteza padrão multiplicada por um
3 fator de cobertura de k = 2, que fornece
Do conhecimento prévio do sistema de um nível de confiança de
medição é sabido que há uma contribuição aproximadamente 95%.
aleatório significativa.
Três medições foram feitas da
diferença entre o peso desconhecido e o
peso padrão, das quais foi calculada a
diferença média:
0,015 + 0,025 + 0,020
WR = = 0,020 mg
3
Uma avaliação do Tipo A prévia foi feita
para determinar a repetibilidade da
comparação usando o mesmo tipo de
pesos de 10 kg. O desvio padrão foi
determinado das 10 medições usando a
técnica convencional e foi calculado pela
eq. (4), resultando num valor de 25 mg.
Como o número de leituras tomadas
quando calibrando o peso desconhecido
foi de 3, este é o valor de n que é usado

4.14
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

10. Símbolos
Os símbolos usados foram tomados principalmente do Guide. O significado tem sido
dado no texto, incluindo os apêndices, onde eles ocorrem, mas são repetidos aqui por
conveniência de referência.

ai semi-faixa estimada do componente sistemático não correlato da incerteza,


distribuições de probabilidade desconhecida, onde i = 1, 2, ..., N.
ad um componente sistemático da incerteza que domina as outras contribuições para a
incerteza em magnitude que deve ser dada consideração especial para sua
presença no cálculo da incerteza total.
ci coeficiente de sensitividade usada para multiplicar quantidades de entrada xi para
expressá-las em termos da quantidade de saída y
f relação funcional entre as estimativas da medição y e as estimativas de entrada xi
das quais y depende
∂f / ∂x i derivada parcial com relação à quantidade de entrada xi da relação funcional f entre
a medição e as quantidades de entrada
k fator de cobertura usado para calcular a incerteza expandida U
kp fator de cobertura usado para calcular uma incerteza expandida para um nível
especificado de confiança p onde uma distribuição de probabilidade normal não
pode ser assumida
n número de leituras ou observações repetidas
N número de estimativas de entrada xi das quais a medição depende
p probabilidade ou nível de confiança expressa em termos de percentagem ou na
forma normalizada de 0 a 1
s desvio padrão experimental que estima o desvio padrão verdadeiro σ
s(xk) desvio padrão experimental de uma variável aleatória x determinada de n
observações repetidas, quando n é um número relativamente pequeno
s( x ) desvio padrão experimental da média aritmética ( x )
tp(νef) fator t do Student para νef graus de liberdade correspondendo a uma dada
probabilidade p
u(xi) incerteza padrão da estimativa de entrada xi
uc(y) incerteza padrão combinada da estimativa da saída y
U incerteza expandida da estimativa da saída y que fornece um intervalo de confiança
Y=y±U
ν graus de liberdade (geral)
νi graus de liberdade da incerteza padrão u(xi) da estimativa de entrada xi
νef graus de liberdades efetivos de uc(y) usados para obter tp(νef)
xk ko observação da quantidade aleatória x
x média aritmética de n observações repetidas xk da quantidade variável aleatória x
xi estimativa da quantidade de entrada Xi
y estimativa da quantidade de saída, medição, Y

4.15
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

11. Referências Bibliográficas


1. CIPM, (70o Meeting, 1981) [Recommendation 1 (C1-1981), publicada em
Metrologia 18 (1982), p. 44

2. BIPM, IEC, IFCC, ISO, IUPAC, IUPAP, OIML, Guide to the Expression of
uncertainty in Measurement. International Organisation for Standardization,
Geneva, Switzerland. ISBN 92-67-10188-9, 1a. ed., 1993.

3. WECC Doc. 19: 1990, Guidelines for the expression of uncertainty of


measurement in calibrations.

4. NIS 80, Guide to the Expression of Uncertainty in Testing, Ed. 1, Sep. 1994,
NAMAS.

5. NIS 81, The Treatment of Uncertainty in EMC Measurements, Ed. 1, May 1994,
NAMAS.

6. DIETRICH, C.F., Uncertainty, Calibration and Probability, London, Adam Hilger,


Ed. 2, 1990.

7. WELCH, B.L., Biometrika, 1947, Vol. 34., p. 28 e ASPIN, A.A., Biometrika,


1949, Vol. 36, p. 290.

8. HARRIS, I. A. & WARNER, F.L., Re-examination of mismatch uncertainty when


measuring microwave power and attenuation, IEEE Proc. Vol. 128, Pt H No 1,
Feb. 1981.

9. WARNER, F. L., Microwave attenuation measurement, IEEE Monograph


Series, Peter Peregrinus, 1977.

10. NIS 4303, Coaxial connectors in radio frequency and microwave


measurement, Ed. 1, Dec. 1991, NAMAS

11. NIS 0416, Guidande on Weighing in NAMAS Accredited Laboratories, Ed. 1,


Jun. 1990, NAMAS

4.16
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice A

da confiabilidade da estimativa da
Derivando um fator de cobertura incerteza padrão. O Guide recomenda que
para quantidades de entrada não o grau de liberdade para as contribuições
confiáveis do Tipo B seja obtida da incerteza relativa
Na maioria das situações de medição é ∆ui(y)/ui(y) de ui(y). Um valor para a
possível avaliar as incertezas do Tipo B incerteza relativa é obtido, subjetivamente,
com alta confiabilidade, principalmente em do julgamento científico baseado em várias
laboratórios credenciados pelo NAMAS. informações disponíveis. Assim, para
Além disso, se o procedimento seguido contribuições do Tipo B:
−2
para fazer as medições é bem 1  ∆u ( y) 
estabelecido e as avaliações do Tipo B são νi ≅  i  A(2)
2  u i ( y) 
obtidas de um número suficiente de
observações, então o uso do fator de Geralmente é possível tomar o número
cobertura de k = 2 significa que a incerteza de grau de liberdade νi de uma
expandida, U, fornece um intervalo com contribuição do Tipo B como infinito.
um nível de confiança próximo de 95%. Nestes casos o grau de liberdade efetivo
Porém, em alguns casos pode não ser de uc(y) depende dos graus de liberdade
prático basear a avaliação do Tipo A em das contribuições do Tipo A e seu tamanho
um grande número de leituras, que em relação às contribuições do Tipo B.
resultaria no nível de confiança sendo Tendo obtido o valor para νef, usa-se a
muito menor que 95%, se fosse usado um tabela de distribuição t para encontrar o
fator de cobertura de k = 2. Nestas valor de tp(ν). A tabela seguinte dá alguns
situações, o valor de k, ou mais valores para t95(ν), ou seja, aqueles
estritamente kp, onde p é a probabilidade apropriados para um nível de confiança de
de confiança em termos de percentagem, 95%(*). Valores para outros níveis de
p. ex., 95, seria baseado em uma confiança podem ser encontrados no
distribuição t em vez de uma distribuição Guide.
normal. Este valor de kp dá uma incerteza Normalmente, νef é um número inteiro e
expandida, Up, que mantém o nível de é necessário interpolar entre os valores
confiança próximo do nível requerido p. dados na tabela. A interpolação linear é
Para se obter o valor de kp é suficiente para
necessário estimar o grau de liberdade νef > 3; interpolação de ordem maior deve
efetivo, νef, da incerteza padrão combinada
uc(y). O Guide recomenda que a equação * Um fator de cobertura de k = 2
de Welch-Satterwaite seja usada para realmente corresponde a um nível de
calcular um valor para νef baseado nos confiança de 95,45% para uma
graus de liberdade, νi, das contribuições distribuição normal. Por conveniência,
individuais da incerteza ui(y); portanto: isto é aproximado para 95%, que
u 4 ( y) corresponde a um fator de cobertura
ν ef = N c 4 A(1)
u i ( y) de
∑ ν k = 1,96. Porém, a diferença não é
i=1 i
significativa desde que, na prática, o
Os graus de liberdade, νi, para as nível de confiança é baseado em
contribuições obtidas de avaliações do hipóteses conservativas e em
Tipo B são n - 1, ou seja, o número de aproximações para distribuições de
leituras usadas para avaliar x i menos 1. probabilidade verdadeiras. Os valores
Para as contribuições do Tipo B, o grau de dados na tabela são para um nível de
liberdade precisa se estimado da confiança de 95,45%.
informação ou conhecimento disponíveis

4.17
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

ser usada nos outros casos.


Alternativamente, pode-se usar o valor
menor mais próximo.
O valor obtido para t95(ν) é o valor de
k95 requerido para calcular a incerteza
expandida U95, de
U 95 = k 95u c ( y) A(3)

4.18
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

νef 1 2 3 4 5 6 7 8 10 12 14 16
t95(n 13,9 4,53 3,31 2,87 2,65 2,52 2,43 2,37 2,28 2,23 2,20 2,17
) 7

νef 18 20 25 30 35 40 45 50 60 80 100 ∞
t95(n 2,15 2,13 2,11 2,09 2,07 2,06 2,06 2,05 2,04 2,03 2,02 2,00
)

Exemplo
Seja a avaliação do Tipo A de um
sistema de medição baseada em 4
observações, que dá um valor de ui(y) de
3,5 unidades e havendo 5 outras
contribuições todas baseadas em
avaliação do Tipo B para as quais se
assumem uma incerteza estimada muito
pequena e uma incerteza padrão
combinada, uc(y) igual a 5,7 unidades.
Então, da eq. A(1):

5,7 4
ν ef = = 211
,
3,5 4
+0+0+0+0+0
4 −1

Da tabela, obtém-se o valor de νef igual


a 20, que é o imediatamente menor que
21,1 e que corresponde a t95(ν) igual a
2,13 e este é o valor de kp que deve ser
usado para calcular a incerteza expandida.
O critério para determinar se é
necessário usar este Apêndice A se baseia
nos fatos;
(a) s( x )/uc(y) < 0,5
(b) n > 2
(c) todas as outras contribuições são
assumidas com graus de liberdade
infinito
então νef ≥ 30, dando um valor para kp <
2,09, que pode ser aproximado para k = 2.

4.19
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice B

o critério da eq. B(1) seja satisfeito.


Componente de incerteza Quando o critério não é satisfeito, então a
sistemática dominante contribuição dominante, ad, deve ser
Em alguns processos de medição pode extraída e um novo valor da incerteza
haver um componente da incerteza expandida calculada como segue:
derivado de avaliação do Tipo B que seja
dominante quando comparado com outros U = ad + U'
componentes. Quando o componente
dominante é caracterizado por limites para onde U’ é calculada das contribuições
os quais há uma alta probabilidade de remanescentes, usando as eq. (9), (10) e
ocorrência, uma incerteza expandida (11).
calculada, U, usando o fator de cobertura Quando há uma contribuição
de k = 2, pode ser maior do que a soma dominante com uma distribuição teórica
aritmética das semi-faixas de todos os em forma de U ou assumida retangular, a
valores individuais limitantes. Quando se obtenção de um intervalo de confiança
pode assumir a soma aritmética destas com probabilidade associada envolve a
contribuições em um ótimo nível de convolução das distribuições de
confiança, ou seja, próximo de 100%, há probabilidade. Como isto não seria
um grau de pessimismo em seguir o apropriado para ser apresentado nesta
procedimento normal recomendado pelas publicação, um nível de confiança de 95%,
eq. (9) e (10). Consequentemente, deve se baseado em um fator de cobertura de k =
dar consideração especial para a situação 2 pode somente ser aplicado para calcular
em que o componente sistemático total um valor para o termo U’ em B(2). Nestas
calculado da incerteza deixa de satisfazer circunstâncias especiais, a declaração da
o critério: confiança dada no parágrafo 8.1 é
substituída por:
U ≤ ∑ (semi - faixa dos valores limites individuais) A incerteza cotada é dominada
pela incerteza devida à resolução do
B1 instrumento sendo calibrado para o
qual foi assumido uma distribuição
Deve ser enfatizado que esta de probabilidade retangular.
consideração especial é somente
requerida quando puder ser
realisticamente estabelecido que há limites
para a faixa de variações no valor de uma
medição para cada quantidade de
influência individual.
Em muitos casos, o critério da eq. B(1)
é satisfeito, mas, por exemplo, quando se
fazem medições elétricas de rf e
microondas, o descasamento pode ser
uma contribuição dominante. Por causa de
a distribuição de probabilidade ter um
formato de U (ver Apêndice C) a incerteza
a a
padrão é i em vez de i para uma
2 3
distribuição retangular da mesma semi-
faixa limite ai. A incerteza padrão
aumentada torna isso menos provável que

4.20
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice C

a exatidão requerida determinam a


Algumas fontes de erro e incerteza periodicidade da calibração.
nas calibrações elétricas Com equipamentos eletrônicos
A seguir, tem-se uma lista das fontes complexos normalmente não é possível
mais comuns de erro sistemático e seguir este procedimento quando as
incerteza (após correção) com breves alterações no desempenho podem ser
comentários acerca de sua natureza. Além esperadas serem mais aleatórias em
disso, tem-se recomendações mais natureza durante períodos relativamente
detalhadas em outras publicações do longos. Verificações contra padrões
NAMAS, IEEE e outras fontes. passivos podem estabelecer se está sendo
mantida a conformidade com a
Calibração do instrumento especificação ou se é necessária uma
As incertezas atribuídas aos valores em calibração com subsequente ajuste do
um certificado NAMAS para a calibração equipamento.
de um instrumento, se equipamento de
medição ou padrão de referência, são Condições da medição ou serviço
certificadas por uma assinatura aprovada Se o ambiente da medição do
NAMAS como sendo corretas naquele laboratório é diferente do requerido pela
momento e sob as condições de calibração, então deve-se tomar a devida
calibração. Os valores podem ser usados providência para eliminar qualquer
para estabelecer conformidade ou não- condição de influência que possa afetar os
conformidade com a especificação ou para resultados da medição e possivelmente
corrigir indicações ou registros de determinar a necessidade de recalibração.
instrumentos. A temperatura ambiente é geralmente a
influência mais importante e a consulta do
Estabilidade secular coeficiente de temperatura das
Espera-se que o desempenho de todo resistências padrão tem de ser feita ou
instrumento se altere em alguma extensão, determinada. Variações na umidade
com a passagem do tempo. Equipamentos relativa também afetam os valores de
passivos como resistores padrão ou capacitores e indutores não selados. Em
atenuadores de microondas e rf podem se freqüências muito altas, a temperatura
alterar lentamente ao longo do tempo. ambiente pode afetar o desempenho de
Uma estimativa de tal desvio deve ser atenuadores, padrões de impedância que
atribuída, com base nos valores obtidos de dependem das dimensões mecânicas para
calibrações anteriores. Não se pode seus valores e componentes de precisão.
assumir que o desvio seja linear. Os dados Dispositivos que incorporam compensação
precisam ser mostrados em uma forma de temperatura, como sensores de
gráfica e deve ser seguido um potência, podem ser afetados pelas
procedimento de adequação à uma curva variações rápidas que podem ser
que dê um peso progressivamente maior introduzidas pela manipulação, exposição
para cada calibração mais recente para de luz solar ou abertura de portas.
permitir o estabelecimento do valor mais É também necessário tomar cuidado
provável com o tempo de uso. Sempre que dos efeitos possíveis das condições
se faz uma nova calibração, a elétricas de operação, tais como potência
característica do desvio deve ser dissipada, distorção harmônica ou nível de
atualizada. As correções que são voltagem aplicada, sendo diferente quando
aplicados para o desvio são sujeitas à um equipamento está em uso de quando
incerteza baseada no espalhamento dos ele está sendo calibrado. Padrões de
pontos de dados em torno da característica resistência, divisores de voltagem
do desvio. O tamanho do desvio, a resistivos e atenuadores em qualquer
instabilidade aleatório de um instrumento e freqüência são exemplos de dispositivos

4.21
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

sendo afetados pelo auto aquecimento e Arranjo dos equipamentos


da voltagem aplicada. O lay out físico de um item de
equipamento com relação a outro e as
Interpolação dos dados de calibração
relações destes itens com o plano de terra
Quando um instrumento com uma larga
podem ser importantes em algumas
faixa de capacidade de medição é
medições. Assim, um arranjo diferente
calibrado, há fatores práticos e
entre calibração e o uso subsequente de
econômicos que limitam o número de
um instrumento pode ser a fonte de erros
pontos de calibração. Consequentemente,
sistemáticos. Os efeitos principais são:
o valor da quantidade medida e sua
correntes de vazamento para terra,
freqüência podem ser diferente de
correntes de malha de interferência e
qualquer um dos pontos de calibração.
campos eletromagnéticos espúrios. Na
Quando o valor da quantidade cai entre
medição de indutância, é necessário definir
dois valores de calibração, é preciso
a configuração dos fios de ligação e
considerar os erros sistemáticos que, por
conhecer os efeitos possíveis de um plano
exemplo, resultam da não linearidade da
de terra ou material ferromagnético
escala.
adjacente.
Se a freqüência da medição cai dentro
de duas freqüências de calibração, é Força eletromotriz termal
também necessário estabelecer a Forças eletromotrizes são geradas nas
incerteza adicional devida a interpolação junções de materiais diferentes, quando há
que isto pode introduzir. Pode-se proceder diferença de temperatura entre as junções
com confiança se: e elas são significativas em medições de
(a) a teoria da operação do instrumento é corrente contínua quando se tem baixas
conhecida e da qual se pode prever voltagens. Em medições de transferência
uma característica de freqüência ou há de voltagem ca/cc, a polaridade da fonte
dados da freqüência adicional de outros cc é invertida e toma-se a média aritmética
modelos do mesmo instrumento. de dois conjuntos de medições cc.
e sempre que razoável Geralmente, dá-se uma tolerância para o
(b) o desempenho do instrumento real componente sistemático da incerteza
sendo usado tem sido explorado com resultante da presença das fems termais.
um sistema de medição de freqüência
Impedância de carga e fiação
varrida para verificar a ausência de
A impedância finita de entrada de
efeitos de ressonância ou aberrações
voltímetros, osciloscópios e outros
de desempenho devidas a imperfeições
instrumentos a base de voltagem pode
de fabricação
carregar o circuito no qual eles estão
Resolução ligados, causando erros sistemáticos
O limite da habilidade de um significativos. Pode-se fazer correções,
instrumento responder a pequenas desde que as impedâncias sejam
variações na quantidade sendo medida, conhecidas.
chamado de resolução, é tratado como um A impedância e o comprimento elétrico
componente sistemático da incerteza. Em finito dos fios ou cabos de ligação podem
um instrumento digital é ±½ do algarismo também provocar erros sistemáticos nas
menos significativo para o qual o medições de voltagem em qualquer
instrumento responde na faixa em uso. freqüência. Conexões com 4 terminais
Em um instrumento analógico, é minimizam tais erros em algumas
determinada pela habilidade prática de se medições de cc.
ler a posição do ponteiro na escala. A Para medições de capacitância, a
presença de ruído elétrico causando propriedade indutiva dos fios de ligação
flutuações nas leituras do instrumento pode ser importante, principalmente em
determinam usualmente a resolução altos valores de capacitância ou de
usável. freqüência.

4.22
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Erros e incerteza de descasamento de


RF
Em freqüências muito elevadas, como
em microondas, o descasamento entre a
impedância característica da linha de
transmissão e a dos componentes do
sistema de medição pode ser uma das
fontes mais importantes e o componente
sistemático da incerteza nas medições de
potência e atenuação, desde que as fases
dos coeficientes de reflexão de voltagem
não são geralmente conhecidas.

4.23
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice D

braço (assumindo que seja constante) de


Algumas fontes de erro e incerteza uma balança com braços iguais não
nas calibrações de massa precisa ser determinado se o processo de
A seguir, tem-se uma lista das fontes pesagem usa apenas técnica de
mais comuns de erros sistemáticos e substituição (método de Borda). O cálculo
incertezas na calibração de massa, com precisa incluir algum dos ou todos
breve comentários acerca de sua natureza. seguintes itens:
Eles podem não ser todos significativos em
todos os níveis de medição mas seu efeito
deve ser, no mínimo, considerado quando
estimando a incerteza total de uma
medição.
D1. Calibração do peso de referência
Os pesos de referência tem incertezas
estabelecidas no certificado de calibração
emitido por laboratório credenciado ou
aceitável pelo NAMAS.
D2. Estabilidade de pesos de referencia
É também necessário levar em conta a
variação provável na massa dos pesos de
referência desde sua última calibração.
Esta variação pode ser estimada dos
resultados de sucessivas calibrações dos
pesos de referência. Se tal histórico não é
disponível, então é usual assumir que eles
podem variar em massa por um valor igual
à sua incerteza de calibração entre
calibrações. A estabilidade dos pesos pode
ser afetada pelo material e qualidade de
fabricação, acabamento da superfície,
materiais de ajuste instável, desgaste e
estrago físicos e contaminação
atmosférica. O número adotado para a
estabilidade necessita ser reconsiderado
se o uso ou o ambiente dos pesos varia. A
periodicidade de calibração dos pesos de
referência precisa ser baseada na
estabilidade dos pesos.
D3. Processo e máquina de pesagem
O desempenho da máquina de
pesagem usada para a calibração deve ser
calculado para determinar a contribuição
que a máquina faz à incerteza total do
processo de pesagem. O cálculo do
desempenho precisa cobrir os atributos da
máquina de pesagem que são
significativos para o processo de pesagem.
Por exemplo, o erro do comprimento do

4.24
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

(a) repetibilidade da medição;


(b) linearidade dentro da faixa usada;
(c) tamanho do dígito ou valor do peso por
divisão de escala, ou seja, facilidade de
leitura (readability);
(d) excentricidade (peso fora do centro),
especialmente se os grupos de pesos
são colocados simultaneamente no
prato de pesagem; efeitos magnéticos,
como pesos magnéticos ou efeito dos
motores da balança de força sobre
pesos de ferro fundido;
(e) efeitos da temperatura, p. ex.,
diferenças entre a temperatura dos
pesos e da máquina de pesar;
(f) erro do comprimento do braço
(Orientação para este cálculo pode ser
encontrado na publicação NAMAS NIS
[11]
0416 .
D4. Efeitos do deslocamento do ar
A exatidão com que as correções do
deslocamento do ar podem ser feitas
depende de como a densidade dos pesos
é conhecida e como a densidade do ar
pode ser determinada. A densidade dos
pesos pode ser determinada por alguns
laboratórios, mas para a maioria das
aplicações de massa, são usados
números. A densidade do ar é usualmente
calculada de uma equação (ver NIS 0416)
depois da medição da temperatura,
pressão e umidade do ar. Para os mais
altos níveis de precisão, pode também ser
necessário medir o conteúdo de monóxido
de carbono no ar.
D5. Ambiente
Além dos efeitos do deslocamento do
ar, o ambiente em que se faz a calibração
da massa pode introduzir incertezas. Os
gradientes de temperatura podem provocar
correntes de convecção no caso de
balança, que afeta a leitura, bem como
gotas de condicionadores de ar. Variações
rápidas no nível de umidade no laboratório
podem provocar variações de curta
duração nas massas dos pesos, enquanto
baixo nível de umidade pode introduzir
efeitos de eletricidade estática em alguns
comparadores. A contaminação de pó
também introduz erros na calibração. O
movimento dos pesos durante a calibração
causa distúrbios ao ambiente local.

4.25
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice E

introduzida pelos fios de compensação


Algumas fontes de erro e incerteza e pela junta de compensação deve ser
nas calibrações de temperatura considerada. Do mesmo modo,
As fontes mais comuns de erros qualquer fem introduzida por chaves ou
sistemáticos e incerteza (após correção) unidades de varredura deve ser
estão listadas abaixo. Cada fonte pode ter investigada. Quando se calibram
vários componentes da incerteza. termômetros de líquido em vidro com
1. A incerteza atribuída ao termômetro de imersão parcial, deve ser considerado
referência da calibração. Esta incerteza um fator de incerteza adicional que
pode estar reportada no certificado de inclua os efeitos produzidos de
calibração. diferenças no comprimento de imersão,
2. A incerteza atribuída à calibração de mesmo quando a temperatura da
qualquer instrumento elétrico ou de coluna emergente é medida.
outro tipo usado nas medições, por 5. Deve ser avaliada a incerteza causada
exemplo, resistores padrão, multímetro pela interpretação matemática, p. ex.,
digital, termopares padrão. aplicação de correções ou desvios na
3. Incertezas adicionais na medição da escala ou no levantamento de curvas,
temperatura usando os termômetros de por causa das não linearidades, a partir
referência: da consulta das tabelas de referência.
(a) desvio desde a última calibração dos
instrumentos em 1 e 2,
(b) resolução da leitura; ela pode ser
muito significativa no caso de
termômetro de líquido em vidro ou
termômetro digital,
(c) instabilidade e gradientes de
temperatura no ambiente termal, p.
ex., banho ou forno de calibração e
devem incluir qualquer contribuição
devida à diferença na imersão do
padrão de referência e daquela
estabelecida em seu certificado de
calibração,
(d) quando se usa termômetro com
resistência de platina como padrão
de referência, qualquer contribuição
à incerteza devida aos efeitos de
auto aquecimento deve ser
considerada. Isto se aplica
principalmente se a medição corrente
e as condições são diferente das
usadas na calibração original, p. ex.,
no ar ou em líquido agitado.
4. As contribuições associadas com o
termômetro a ser calibrado. Isto pode
incluir os fatores elétricos do item 2
acima ou algum dos componentes
listados em 3. Quando se calibram
termopares, qualquer incerteza

4.26
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice F

ajuste da atitude do dispositivo com


Algumas fontes de erro e incerteza relação ao eixo da medição para encontrar
nas calibrações de dimensão os pontos de apoio relevantes que dão o
As fontes mais comuns de erros resultado máximo ou mínimo apropriado.
sistemáticos e incerteza nas medições de Pequenos erros residuais podem ainda
dimensão estão listadas abaixo. resultar onde, por exemplo, são feitas
hipóteses incorretas relacionadas com
1. Instrumentação e padrões de qualquer característica usada para o
referência alinhamento da base (datum).
As incertezas atribuídas aos padrões
de referência e as dos instrumentos de 5. Erros geométricos
medição usados para fazer as medições. Erros na geometria do dispositivo
sendo calibrado, qualquer padrão de
2. Efeitos termais referência usado ou características críticas
As incertezas associadas com dos instrumentos de medição usados para
diferenças em temperatura entre o fazer as medições podem introduzir
indicador sendo calibrado e os padrões de incertezas adicionais. Tipicamente, estão
referência e os instrumentos de medição incluídos pequenos erros na planicidade ou
usados. Isto é mais importante nos esfericidade das pontas do estilo,
comprimentos maiores e nos casos planicidade, paralelismo ou quadratura de
envolvendo materiais diferentes. Enquanto superfícies usadas como características de
se pode fazer correções para os efeitos da base e o estreitamento nos dispositivos
temperatura, há incertezas residuais cilíndricos e padrões de referência. Tais
resultantes da incerteza nos valores erros são geralmente maiores em casos
usados para os coeficientes de expansão e onde se fez a hipótese errada de assumir
a calibração do termômetro em si. geometrias perfeitas e onde os métodos
3. Compressão elástica de medição escolhidos não capturam,
As incertezas associadas com as suprimem ou acomodam os erros de
diferenças na compressão elástica entre geometria que prevalecem em um caso
os materiais dos dispositivos sendo particular.
calibrados e dos padrões de referência.
Estas são provavelmente as mais
significativas em calibrações de alta
precisão e em casos envolvendo materiais
diferentes e estão relacionadas com a
força usada na medição e o tipo do contato
do estilo com o dispositivo e o padrão de
referência. Embora se possa fazer
correções matemáticas, há incertezas
residuais resultantes da força de medição
e das propriedades dos materiais
envolvidos.
4. Erros de cosseno
Qualquer desalinhamento do
dispositivo sendo calibrado ou padrões de
referência usados, com relação ao eixo de
medição introduz erros nas medições. Tais
erros são geralmente referidos como erros
de cosseno e podem ser minimizados pelo

4.27
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Apêndice G

reduzir a incerteza e é somente necessário


Exemplos de aplicação considerar a diferença relativa nas leituras
As contribuições e valores dados nos do voltímetro devida à instabilidade e
seguintes exemplos não pretendem resolução que foi estimada ter limites de
implicar em exigências obrigatórias ou ±0,2 ppm para cada leitura.
preferidas. Os laboratórios devem Avaliação do Tipo A: 5 medições foram
determinar as contribuições da incerteza feitas para registrar o afastamento da
para a calibração particular que eles estão unidade na relação VX/VS em ppm. As
fazendo e reportar a incerteza estimada no leituras foram as seguintes:
certificado de calibração que é emitido.
+10,4
G1. Calibração de um resistor de 10 +10,7
kΩ por intercomparação de voltagem +10,6
Um voltímetro digital com grande +10,3
precisão é usado para medir a voltagem +10,5
desenvolvida através de um resistor Da eq. (2), tem-se o valor médio:
padrão e um resistor desconhecido do V = +10,5 ppm
mesmo valor nominal que o padrão, Da eq. (4) e (5),
quando os resistores ligados em série são 0,158
alimentados por uma fonte de corrente u( V) = s(V) = = 0,0706 ppm
constante. O valor do resistor 5
desconhecido, RX, é dado por: Resultado reportado
V O valor medido do resistor de 10 kΩ é:
R X = (R S + R D + R T ) X
VS 10 000,11 Ω ± 0,03 Ω
onde A incerteza reportada é baseada em
RS = valor de calibração do resistor uma incerteza padrão multiplicada por um
padrão, fator de cobertura de k = 2 que fornece um
RD = desvio em RS desde a última nível de confiança de aproximadamente
calibração, 95%.
RT = variação relativa devido à Nota: Este exemplo ilustra que mesmo
temperatura do banho de óleo, quando o componente aleatório da
VX = voltagem através de RX incerteza é observável, ele pode não ser
VS = voltagem através de RS significativo.

O certificado de calibração para o


resistor padrão reporta uma incerteza de
±1,5 ppm a um nível de confiança não
menor que 95% (k = 2).
Uma correção foi feita para o desvio
estimado no valor de RS. A incerteza nesta
correção, RD, foi estimada ter limites de
±2,0 ppm.
A diferença relativa na resistência
devida às variações de temperatura no
banho de óleo foi estimada ter limites de
±0,5 ppm.
O mesmo voltímetro é usado para
medir VX e VS e embora as contribuições
de incerteza sejam relacionadas o efeito é

4.28
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Balanço das incertezas

Símbolo Fonte de incerteza valor Distribuição Divisor ci ui(RX) νi ou


(ppm probabilidade (ppm νef
RS Calibração do resistor 1,5 normal 2,0 1,0 0,75 ∞
padrão
RD Desvio não corrigido 2,0 retangular 3 1,0 1,155 ∞
desde a última calibração
RT Efeito da temperatura do 0,5 retangular 3 1,0 0,289 ∞
banho de óleo
VS Voltímetro através de RS 0,2 retangular 3 1,0 0,115 ∞
VX Voltímetro através de RX 0,2 retangular 3 1,0 0,115 ∞
V Repetibilidade 0,071 normal 1,0 1,0 0,071 4

uc(RX) Incerteza combinada normal 1,418 >500


U Incerteza expandida normal (k = 2) 2,836 >500

4.29
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

menos que 0,01 µV que foi considerado


G2. Calibração de um Invólucro de ser uma contribuição desprezível para a
Célula Padrão incerteza combinada.
A medição envolve a calibração de um É conveniente calcular a incerteza no
invólucro de célula padrão interna no valor do Volt interno, U(VH) como um
laboratório contra um invólucro padrão de número separado.
transferência que foi calibrado por um Resultado reportado
laboratório credenciado pelo laboratório Uma tabela de resultados para as
nacional. O invólucro da célula padrão células individuais do invólucro
interna é então usada como padrão de acompanhado pela declaração:
calibração para invólucros desconhecidos
Incerteza dos valores medidos = ±0,6 µV
do usuário.
A incerteza reportada é baseada
A voltagem da célula padrão
em uma incerteza padrão
desconhecida, VX, é obtida do seguinte:
multiplicada por um fator de
cobertura de k = 2, que fornece um
VX = VTS + DH + TTS + TH + TX + RH + RX
nível de confiança de
+ EH + EX
aproximadamente 95%.
onde
VTS = calibração do padrão de
transferência
DH = desvio na célula interna
TTS = estabilidade da temperatura do
invólucro padrão de transferência
TH = estabilidade da temperatura do
invólucro padrão interno
TX = estabilidade da temperatura do
invólucro desconhecido
RH = resolução do detetor na calibração
do padrão interno
RX = resolução do detetor na calibração
do desconhecido
EH = fem termal na calibração do
padrão interno
EX = fem termal na calibração do
desconhecido
Todos os valores limitantes associados
com os acima são em termos de µV com a
exceção dos valores da estabilidade de
temperatura que são convertidos de mK
para mV (1 mK é equivalente a 0,06 µV).
O certificado de calibração para o
invólucro da célula padrão de transferência
dá a incerteza de (±0,5 µV) em um nível de
confiança de 95%
(k = 2).
Os limites para o desvio na valor do
padrão interno (±0,1 µV) é o desvio
residual após correções baseada nos
dados históricos de calibração.
Uma avaliação do Tipo A da calibração
do invólucro de célula padrão interna e a
calibração de um invólucro típico
desconhecido dá um desvio padrão de

4.30
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

convencional de tirar a média de


G5. Calibração de um peso de valor duas leituras (bracketing) para o
nominal de 10 kg de OIML Classe M1 padrão. Os resultados foram os
A calibração é feita usando-se um seguintes:
comparador de massa cujas
características de desempenho foram No peso no prato leitura
previamente determinadas e um peso comparador (g)
OIML Classe F2. O peso desconhecido, padrão +0,01
W X, é obtido de: 1 desconhecido +0,03
padrão +0,02
W X = W S + DS +δC + Ab 2 desconhecido +0,04
padrão +0,01
onde 3 desconhecido +0,03
W S = peso do padrão padrão +0,01
DS = desvio do padrão desde a última
calibração diferença média +0,02 g
δC = diferença nas leituras do
comparador peso do padrão 10 000,005 g
Ab = correção para o deslocamento do resultado calibração 10 000,025 g
ar
1. O certificado de calibração para a 6. Como o número de leituras tomadas
massa padrão dá uma incerteza de do peso desconhecido foi de 3, este
±30 mg, com nível de confiança de é o valor de n que é usado para
95%. calcular o desvio padrão da média:
2. O desvio da massa padrão foi s(WR ) 25
s(W R ) = = = 14,4 mg
estimado de calibrações anteriores n 3
como sendo zero com limites de ±15
Resultado reportado
mg.
O valor medido do peso de 10 kg é:
3. Uma avaliação prévia do Tipo A da
repetibilidade do processo de 10 000,025 g ± 0,050 g
medição, com 10 leituras, deu um A incerteza reportada é baseada em
desvio padrão, s(W R), de 25 mg. uma incerteza padrão multiplicada por um
4. Nenhuma correção é feita para o
fator de cobertura de k = 2, que fornece
deslocamento do ar, os limites de um nível de confiança de
incerteza foram estimados com aproximadamente 95%.
sendo de 1 ppm do valor nominal de
10 mg.
5. Três resultados foram obtidos para o
peso conhecido, usando a técnica

4.31
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Balanço da Incerteza
Símbolo Fonte de incerteza valor Distribuição Divisor ci ui(W X) νi ou
(ppm probabilidade ±mg νef
WS Calibração do peso 30,0 normal 2,0 1,0 15,0 ∞
padrão
DS Desvio não corrigido 15,0 retangular 3 1,0 8,66 ∞
desde a última calibração
δC Linearidade do 10,0 retangular 3 1,0 5,77 ∞
comparador
Ab Deslocamento do ar (valor 10,0 retangular 3 1,0 5,77 ∞
nominal de 1 ppm)
WR Repetibilidade 14,4 normal 1,0 1,0 14,4 9

uc(W X) Incerteza combinada normal 23,96 69


U Incerteza expandida normal (k = 2) 47,92 69

4.32
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

usando o bloco gauge K antes de


G6. Calibração de um bloco padrão cada leitura:
de comprimento nominal de 10 mm
A calibração é feita usando-se um No resultado No resultado mm
comparador com referência a um bloco mm
gauge de grau K.. O comprimento do bloco 1 9,999 91 7 9,999 92
gauge desconhecido, LX, é obtido de: 2 9,999 93 8 9,999 94
LX = LS + DC+ δΕ + δC + δL 3 9,999 94 9 9,999 90
4 9,999 94 10 9,999 92
onde 5 9,999 91 11 9,999 90
LS = comprimento do bloco gauge 6 9,999 91
padrão
DC = discriminação e linearidade do Da eq. (2), o valor médio L X = 9,999
comparador 923 mm
δL = diferença nas comprimentos Da eq. (4) e (5):
medidos 0,0162
δE = correções para diferença no u(L X ) = s(L X ) = = 0,005µm
11
coeficiente de expansão
δC= correções para diferença no Resultado reportado
coeficiente de compressão O valor medido do comprimento do
1. Nenhuma correção é feita por causa bloco gauge:
da discriminação e linearidade do
comparador (DC = 0). Os limites 9,999 923 mm ± 0,077 µm
(±0,057 mm) foram conseguidos de
medições anteriores. A incerteza reportada é baseada em
2. A diferença na temperatura entre o uma incerteza padrão multiplicada por um
bloco padrão e o bloco fator de cobertura de k = 2, que fornece
desconhecido foi estimada ser zero um nível de confiança de
com uma incerteza de ±0,5 C; este
o
aproximadamente 95%.
valor foi usado para caluclar a Nota: Este valor de incerteza compara
incerteza em δC e δE, da relação: com as incertezas do grau C aceitas pelo
o
0,02mm/ C. A temperatura é NAMAS de ±0,08 mm para gauges deste
controlada entre os limites e se tamanho e em linha com a incerteza da
considera que tenha uma medição de ±0,08 mm, com dado na Tab.
distribuição retangular. 1 da norma BS 4311: 1993.
3. As seguintes leituras foram obtidas
para o bloco gauge desconhecido, o
comparador sendo reajustado

A.33
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Balanço da Incerteza
Símbolo Fonte de incerteza valor Distribuição Divisor ci ui(LX) νi ou
± probabilidade ±µm νef
LS Calibração do bloco de 0,035 normal 2,0 1,0 0,0175 ∞
grau K µm
DC Discriminação e 0,057 retangular 3 1,0 0,033 ∞
linearidade do µm
comparador
o
δΕ Diferença no coeficiente 0,05 C retangular 3 0,0 0,006 ∞
de expansão 2
o
δC Diferença no coeficiente 0,05 C retangular 3 0,0 0,006 ∞
de compressão 2
LX Repetibilidade 0,005 normal 1,0 1,0 0,005 10
µm

uc(LX) Incerteza combinada normal 0,038 >500


5
U Incerteza expandida normal (k = 2) 0,007 >500

A.34
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

2. As indentações foram feitas e


G7. Calibração de um bloco de teste medidas com os seguintes
de dureza Rockwell resultados:
A calibração é baseada na exigência da
norma BS 891: 1989 sobre teste de No HRC No HRC
Dureza, através do método Rockwell e 1 45,4 6 45,3
para a verificação de máquinas de teste de 2 45,5 7 45,4
dureza. As unidades são para a escala C 3 45,4 8 45,4
da dureza Rockwell 9HRC0. 4 45,3 9 45,4
O comprimento da amostra, HX, é 5 45,5 10 45,4
obtido de:
Da eq. (2), o valor médio
HX = IC + DM + SM
H X = 45,4 HRC
onde
IC = calibração do indenter Da eq. (4) e (5), tem-se:
DM = medição da profundidade
SM = máquina de padrão secundário 0,073
1. A incerteza da calibração indenter é u(H X ) = s(H X ) = = 0,023HRC
10
em termos de HRC (±0,3 HRC). A
medição da profundidade e sua Resultado reportado
incerteza são convertidas O valor medido dureza da amostra é:
diretamente em unidades HRC (±0,1
HRC). A máquina de medição de 45,4 HRC ± 0,68 HRC
dureza é verificada por comparação
com uma máquina padrão nacional A incerteza reportada é baseada em
usando uma faixa de blocos de uma incerteza padrão multiplicada por um
teste. A incerteza nesta verificação é fator de cobertura de k = 2, que fornece
em unidades HRC (±0,5 HRC). um nível de confiança de
Todas estas contribuições são aproximadamente 95%.
tratadas como tendo distribuições de
probabilidade retangular.

Balanço da Incerteza

Símbolo Fonte de incerteza valor Distribuição Divisor ci ui(HX) νi ou


±HRC probabilidade ±HRC νef
IC Calibração do indenter 0,3 retangular 3 1,0 0,17 ∞
DM Medição da 0,1 retangular 3 1,0 0,06 ∞
profundidade
SΜ Máquina padrão 0,5 retangular 3 0,0 0,29 ∞
secundário 2
HX Repetibilidade 0,023 normal 1,0 1,0 0,023 9

uc(HX) Incerteza combinada normal 0,34 >500


U Incerteza expandida normal (k = 2) 0,68 >500

A.35
G8. Calibração de um termopar tipo N
Um termopar do tipo N é calibrado contra dois termopares padrão de referência do tipo
o
R em um forno horizontal, à temperatura de 1000 C. As medições são feitas usando se um
voltímetro digital e os termopares são ligados ao voltímetro através de uma chave
o
seletora/inversora. Todos os termopares são ligados a um ponto de referência de 0 C. O
termopar sob teste (Tipo N) é ligado ao ponto de referência através de cabos de
compensação.
Os termopares tipo R são fornecidos com certificados de calibração que relacionam a
fem de saída com a temperatura e cada um tem a incerteza estabelecida como ±0,3 oC com
um nível de confiança de 95%. Nenhuma correção é feita para desvio desde a última
calibração mas foi estimada uma incerteza de ±0,3 oC das calibrações anteriores.
O resultado reportado será a fem de saída do termopar sob teste para uma temperatura
determinada. Porém, como os termopares sob teste e de referência têm sensitividades
o
diferentes, a incerteza é calculada em termos de temperatura ( C) e então a incerteza
expandida será convertida para a incerteza da fem de saída.
A seqüência de medições é a seguinte:
1. primeiro padrão
2. termopar sob teste
3. segundo padrão
4. segundo padrão
5. termopar sob teste
6. primeiro padrão
A polaridade é então invertida e a seqüência é repetida. São obtidas 4 leituras para
todos os termopares.
Os resultados são os seguintes.

Termopar 1o termopar Termopar sob 2o termopar


padrão teste padrão
Voltagem, após qualquer correção +10 500 µV +36 245 µV +10 500 µV
para a calibração do voltímetro +10 503 µV +36 248 µV +10 500 µV
digital
-10 503 µV -36 248 µV -10 500 µV
-10 504 µV -36 251 µV -10 500 µV
Média dos valores absolutos 10 502,5 µV 36 248 µV 10 504 µV
Desvio padrão das saídas dos 1,73 µV 2,45 µV 1,15 µV
termopares
13,0 µV/ C 38,6 µV/ C 13,0 µV/ C
o o o
Sensitividade dos termopares
(nota 1)
o o o
Desvio padrão em temperatura 0,13 C 0,064 C 0,09 C
s(T)
o o
Temperatura do forno (nota 2) 1000,4 C 1000,6 C
o
Temperatura média do forno 1000,5 C

A.36
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

o
Nota 1: A sensitividade dos termopares de teste e padrão em 1000 C é obtida de tabelas
de referência padrão. O recíproco da sensitividade do termopar é o valor de ci é
usado para converter a incerteza da fem dos termopares em µV para a incerteza da
o
temperatura em C.
Nota 2: A temperatura quando medida por cada um dos termopares padrão é calcular de
seus certificados de calibração individuais. Neste exemplo, é assumido que os
procedimentos requeiram que a diferença entre estes dois valores não exceda 0,3
o o
C. Quando a diferença exceder 0,3 C, então a medição deve ser repetida e a razão
da diferença é investigada.
O maior dos dois desvios padrão, em termos de temperatura, é tomado como a
o
incerteza devida à repetibilidade dos termopares padrão, ou seja, 0,13 C. O desvio padrão
o
para o termopar sob teste, 0,064 C, também deve ser incluído.
Enquanto 4 leituras foram feitas no total, somente duas leituras foram feitas com cada
polaridade e este valor de n = 2 é considerado ser o mais apropriado para se usar no
cálculo dos desvios padrão da média.
Das eq. (4) e (5), tem-se:
s( T ) 0,13
u( TS ) = u( T S ) = S =
o
= 0,09 C
n 2
e
s(TT ) 0,064
u( TT ) = u( T S ) = =
o
= 0,045 C
n 2
A incerteza em termos de temperatura é ±1,3 oC
A incerteza em termos de fem de saída é
±1,3 C x 38,6 µV/ C = ±50 µV
o o

Resultado reportado:

Temperatura Saída do termopar


medida
1000,5 C ± 1,3 C 36,248 µV ± 50 µV
o o

A incerteza reportada é baseada em um incerteza padrão multiplicada por um fator de


cobertura de k = 2, que fornece um nível de confiança de aproximadamente 95%.

A.37
NIS 3003 * Incerteza e Confiança na Medição

Balanço das incertezas


Símbolo Fonte de incerteza Valor ± Distribuição Div. ci ui(T) νef
±C
o
probabilidad
e
o
ES Calibração termopares 0,3 C normal 2,0 1,0 0,150 ∞
padrão
o
DS Desvio nos termopares 0,3 C retangular 3 1,0 1,173 ∞
padrão
VS Calibração do voltímetro 2,0 µV normal 2,0 0,07 0,077 ∞
7
SS Contatos da chave 2,0 µV retangular 3 0,07 0,089 ∞
7
o
RS Determinação ponto 0,1 C retangular 3 1,0 0,058 ∞
referência
o o
TS Repetibilidade do 1 padrão 0,09 C normal 1,0 1,0 0,09 1
VT Calibração do voltímetro 2,0 µV normal 2,0 0,02 0,026 ∞
6
SS Contatos da chave 2,0 µV retangular 3 0,02 0,030 ∞
6
RS Determinação ponto 0,1 oC retangular 3 1,0 0,058 ∞
referência
CT Fios de compensação 5,0 µV retangular 3 0,02 0,075 ∞
6
o
FT Não uniformidade do forno 1,0 C retangular 3 1,0 0,577 ∞
o
TT Repetibilidade termopar de 0,045 C normal 1,0 1,0 0,045 1
teste

uc(T) Incerteza combinada normal 0,65 >500


U Incerteza expandida normal (k = 2) 1,3 >500

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