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Soluções

Construa um Cluster
Beowulf para Renderização
de Imagens Pa
r te
I

Como utilizar sua infra-estrutura e


tempo ocioso de máquina para a
João Carlos Camera Junior (IBILCE-UNESP)
construção de um cluster do tipo Nelson José Freitas da Silveira (IBILCE-UNESP)
beowulf Walter Filgueira de Azevedo Junior (IBILCE-UNESP)

Relembrando pode possuir um cluster beowulf, operacional e sem nenhuma mudan-


composto pelas máquinas de sua ça na rotina da empresa em questão.

N
o artigo “Clusters Beowulf rede interna. Esse cluster pode estar
de alto desempenho” rodando aplicações de grande porte Exemplo de Empresa Viável
(PC&Cia 10), vimos o que durante a noite (tempo em que essas
é um cluster do tipo máquinas estariam desligadas), e Vamos agora analisar uma empre-
beowulf e aprendemos durante o dia essas trabalhariam sa de médio porte que possua, por
que um cluster é um con- normalmente com qualquer sistema exemplo, 25 computadores distribu-
junto de máquinas interligadas por
uma rede interna de alta velocidade
que realiza processos em paralelo.
Em tal cenário, um processo é sub-
metido a uma máquina controladora
chamada front-end, e essa “quebra”
o processo (inicialmente muito gran-
de) em n pequenos processos que irão
rodar independentemente em cada
um dos nós ( as outras máquinas que
compõem o cluster). Por último, vi-
mos também que o software respon-
sável por essa quebra de processos
é chamado MPI ( Message Passing
Interface).

Introdução
Neste artigo aprenderemos como
utilizar estruturas computacionais já
prontas para a construção de clusters
beowulf. Este procedimento é muito
interessante, uma vez que ao utilizar-
mos máquinas já existentes para a
construção de um cluster, teremos um
custo praticamente nulo na implanta-
ção dessa máquina. Uma empresa
que possua vários computadores em
sua rede interna, e que tenha espaço
suficiente em seus HDs para a insta-
lação do sistema operacional Linux, Arquitetura de rede viável para a construção de um cluster beowulf.

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ídos, e que tenham as seguintes con- tes, pelo menos, ao padrão ATA 100 ções em toda a rede dos nós. No front
figurações, como mostrado na figura (100 MB/s). end, o Linux deve possuir vários com-
1. Note, por exemplo, que os 20 com- O cluster que propomos aqui é um piladores e bibliotecas UNIX, uma vez
putadores do setor de desenvolvimen- cluster de 21 nós, sendo que 20 de- que o MPI vai ser compilado nele.
to da empresa em questão, certamen- les serão representados pelas máqui- Uma dúvida que deve surgir agora
te estarão dedicados a rodar algum nas do setor de desenvolvimento e o é como será feita essa arquitetura de
software durante o dia (como o front end pela máquina da chefia. HDs, uma vez que o HD do front end
Autocad), ficando disponíveis ao pro- Contudo, o HD principal (onde serão não está fisicamente nessa máquina.
pósito de clusterização durante a noi- guardados os arquivos finais) deve Isso é bastante simples : nós vamos
te. pertencer a alguma das máquinas do instalar o Linux numa partição peque-
setor de desenvolvimento (devido à na do front end e, posteriormente, via
Como Planejar um Cluster Beowulf sua capacidade). NFS (Network File Service), importar
Para Renderização de Imagens a partição grande de alguma das má-
Configuração Passo-a-Passo quinas do setor de desenvolvimento,
Ao se planejar um cluster beowulf escolhida previamente.
(PC&Cia 10), devemos analisar que Em primeiro lugar, devemos
tipo de problema será resolvido por particionar os HDs das máquinas que Configuração da Rede Interna do
essa máquina. Neste exemplo, fare- irão compor o cluster, o que pode ser Cluster Beowulf
mos um cluster para renderização de feito com o próprio instalador da sua
imagens. Nesse tipo de problema, o distribuição Linux. Para usuários Basicamente, a rede interna de
acesso ao HD é relativamente alto, inexperientes, é recomendável o uso um cluster beowulf é composta por
mas não chega a ser alarmante ao de distribuições mais fáceis, tais IPs falsos. IPs falsos são números
ponto de se pensar em uma arquite- como Linux Mandrake ou Conectiva (endereços) de IPs pertencentes a
tura de HDs SCSI. Porém, é interes- Linux. Caso o seu Linux não possua uma faixa de IP que não existe den-
sante usarmos para arquivamento de uma ferramenta de particionamento tro do domínio da empresa. Neste
dados, um ou vários HDs pertencen- em seu instalador, você pode realizar exemplo, vamos usar IPs na faixa
essa tarefa com o Partition Magic , 192.168.1.—, onde as três últimas
Fdisk, ou qualquer outro particionador casas serão preenchidas respeitan-
disponível no mercado. Devemos res- do-se a numeração dos nós dos nos-
Figura 1
saltar que sempre se deve fazer uma so cluster.
desfragmentação do disco rígido O principal arquivo a ser configu-
antes de realizar o particionamento, rado é o /etc/hosts. Nele, estarão os
pois poderá haver perda de dados IPs, os nomes e apelidos de cada
caso esse passo seja ignorado. uma das máquinas que irão compor
As máquinas serão os nós, nas o cluster. Esse arquivo deverá ficar
quais o particionamento deve ser fei- como na tabela 1:
to de forma que haja
Tabela 1
espaço suficiente
para a instalação do
Linux e alguns com-
ponentes necessári-
os (aproximadamen-
te 6 GB). Já no HD da
máquina front end,
devemos ter espaço
suficiente para arqui-
var todos os resulta-
dos calculados pelo
cluster (em torno de
40 GB, dependendo
das aplicações).
Uma vez feito o
particionamento, de-
vemos realizar a ins-
talação do Linux que
pode ser padrão, sem
grandes complica- Organização do arquivo /etc/hosts

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As estações repre- Figura 4


sentam cada uma das
máquinas do setor de
desenvolvimento e o
front end é a máquina
da sala da chefia. É
importante ressaltar
que esta configuração
dos nomes das máqui-
nas deve ser feita em
cada um dos nós que
compõem o cluster,
assim como no front
end. A configuração in-
dividual do nome de
cada máquina e seu
endereço de IP pode
ser feita pelo utilitário
LinuxConf, obedecen-
do a seqüência de figu- Exemplo de configuração de um dos nós do
ras 2, 3 e 4. cluster.

Figura 2

Na figura 4, devemos
colocar o nome e o núme-
ro de IP da estação local,
repetindo esse processo
em cada uma das máqui-
nas.

Finalizando
Por fim, tendo monta-
da a rede do cluster, ire-
mos começar a configura-
Interface principal do utilitário LinuxConf - ção das permissões entre
acesso às configurações da rede. os nós e a configuração
do MPI, procedimento
Figura 3 esse que será apresentado no pró-
ximo artigo desta série.

Bibliografia

Referência:
www.bioinformatics.cjb.net
Agradecimento: Prof.Dr.
José Marcio Machado (IBILCE-
UNESP)

A opção “Networking” nos levará à


configuração de rede do PC.

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