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A longa marcha das desigualdades – 1

O período 1953/77 e o fim do regime fascista em Portugal

Quando nos concentramos na conjuntura, nas pequenas mudanças ou no folclore


mediático encenado pelos membros das classes políticas; quando nos focamos
exclusivamente nas pequenas diferenças nos preços do combustível ou nos
rendimentos, acreditando que virá amanhã o aumento prometido no ano passado
estamos, decididamente, a ser enganados ou, melhor, a ser toureados.

Aquela atitude compreende a visão obscurecida pela estúpida crença de que umas
eleições que se seguem, onde os feitos do governo se cruzam com as promessas
cantadas pela oposição, trarão alguma coisa de substantivo para as nossas vidas.

Nessa rotina, arriscamo-nos a morrer sem nunca termos entendido as estratégias de


que somos vítimas nem a beneficiar das promessas que nos foram feitas durante a
vida, adiadas todos os quatro anos, pelas dificuldades da conjuntura; e morremos sem
jamais alcançarmos os amanhãs que cantam, sem nos arriscarmos a mudar as
estruturas. Os cemitérios estão repletos de muitos de quantos acreditaram nos tais
amanhãs, em seguidores de farsantes à procura de votos, daqueles que nunca
fizeram nada para tirar as vendas dos olhos e menos ainda para se apossarem do seu
próprio futuro. Acomodados pela crença ou crentes para encaixar o comodismo

É nessa mentira, nessa obscuridade que nos querem manter. Ainda recentemente, na
paróquia lusa houve nutrida grita em torno do aumento em alguns cêntimos dos
preços dos combustíveis; porém, essa grita, com os animadores partidários em
êxtase, não deu origem a uma atitude coletiva contra a imensa carga fiscal que recai
sobre os combustíveis; como não deu origem a campanhas de desobediência face ao
ignóbil pagamento de portagens sempre que se pretende circular em estradas mais
rápidas; ou perante a ausência de transportes; ou por um SNS cada vez mais pasto de
adjudicações a empresas, contratações de trabalhadores através dos negreiros atuais
(as ETT), para além da pachorrenta aceitação do pagamento anual de € 800 per
capita, em nome de uma dívida pública tão eterna quanto, em larga medida, ilegítima,
constituída para compensar as perdas de capitalistas e banqueiros.

Claro que a mistificação do caráter da dívida pública irmana toda a classe política,
sejam os gestores do partido-estado PS/PSD com o apoio de um seu produto derivado
de reserva, o CDS; como inclui a “esquerda” do regime pós-fascista que aceita sem
pestanejar a dívida pública como legítima, clamando, numa atitude complacente com o

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capital financeiro, por uma reestruturação1 que, se alguma vez se fizesse, teria um
impacto mínimo.

As alterações estruturais são tão mais visíveis quanto maior for o lapso de tempo
observado. É interessante comparar a evolução dos rendimentos do trabalho como os
do capital, em Portugal, depois de 1953, a partir de quando se encontram séries
estatísticas regulares. Por rendimentos do trabalho consideram-se os pagamentos
efetuados aos trabalhadores e ainda as contribuições patronais para a Segurança
Social. Por rendimentos de capital compreende-se o excedente bruto da produção dos
serviços de habitação e ainda os lucros distribuídos ou, os ganhos em rendas e juros,
por parte de quem tem propriedades ou capitais. Essa comparação é acompanhada
por uma outra, habitual, com o PIB, aferidor do rendimento anualmente gerado, na
parte em que é conhecido; sabendo-se que há rendimentos efetivos que escapam ao
cômputo, como aliás foi inicialmente referido pelo próprio criador do conceito do PIB,
Kuznets. Em Portugal, essa compósita gama de rendimentos não contidos na
contabilidade nacional, corresponde a cerca de 25% do referido PIB.

Para o período 1953/93 utilizámos as Séries Longas para a Economia Portuguesa,


produzidas pelo Banco de Portugal e, para depois de 1977, os elementos constantes
nos dados estatísticos correntes, presentes na página daquela instituição. Há, assim,
duas séries de dados que iremos considerar.

Dividimos aquele primeiro período de 40 anos em dois gráficos; um, tomando como
base o ano de 1953 e que termina em 1977, contendo os últimos 21 anos do regime
fascista e os anos de transição para o actual regime pós-fascista, dito de…
democracia, só porque não há pide; o que é pouco para que se possa falar de
democracia2. E o segundo, com o lapso de tempo decorrido entre 1977 e 1995, dentro
da série estatística anterior.

1 - O período 1953/77 e o fim do regime fascista

1
Como o sistema financeiro captura a Humanidade através da dívida (1, 2 e 3)
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2016/12/como-o-sistema-financeiro-captura.html
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/01/como-o-sistema-financeiro-captura.html
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/01/como-o-sistema-financeiro-captura_14.html

A dívida como troca


http://grazia-tanta.blogspot.pt/2016/11/a-divida-como-troca.html

2
Sobre democracia
https://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/09/democracia-eleicoes-democraticas-onde.html
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/06/social-democracia-afunda-se-ou-renova.html
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2017/06/social-democracia-afunda-se-ou-renova_17.html
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/05/quando-divida-aumenta-democracia.html
http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/06/quando-divida-aumenta-democracia.html
http://www.slideshare.net/durgarrai/para-um-novo-paradigma-poltico-a-re-criao-da-democracia
http://www.slideshare.net/durgarrai/sobre-a-democracia-a-democracia-e-a-sua-usurpao-1a-parte
http://www.slideshare.net/durgarrai/a-democracia-de-mercado-e-a-actuao-da-esquerda

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O gráfico abaixo (graf. 1) representa a evolução daqueles dois tipos de rendimento
para o período 1953/77 (preços correntes). Neste, como nos gráficos que se seguirão,
daremos relevância essencialmente à convergência ou à divergência entre as
variáveis, como reflexo das diferenças na afetação dos rendimentos globais gerados
pelos dois grupos sociais distintos – os trabalhadores e os capitalistas – durante os
últimos 21 anos do regime fascista e os quatro primeiros anos do actual regime, cujo
caráter reacionário e cleptocrático nos permite dar-lhe o epíteto de pós-fascista.
Procuraremos adiante uma explicação para um maior dinamismo dos rendimentos do
trabalho, comparativamente ao PIB e aos rendimentos do capital, neste período.
graf. 1

Fonte primária: Banco de Portugal - Séries Longas para a Economia Portuguesa

 Tomando como base o ano de 1953 verifica-se que os rendimentos do trabalho


cresceram no período 1953/77 quase 15 vezes, contra 12 e 8.5 vezes,
respetivamente, para os casos do PIB e dos rendimentos do capital; devendo ter-se
em consideração que grande parte desse crescimento é devido à inflação, que
acelera a partir de meados da década de 60 e, particularmente, após uma sucessão
de acontecimentos – a subida dos preços do petróleo em 1973, a crise política de
1974/75 que se seguiu ao fim do regime fascista e às dificuldades económicas nos
primeiros anos da normalização pós-fascista (gráf. 2).

graf. 2

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Fonte primária: Banco de Portugal

 Como se revela na tabela abaixo, até 1959 os rendimentos do capital têm uma
ascensão superior à marcha do PIB, bem como das remunerações do trabalho,
com poucas excepções. A partir daquele ano, o crescimento das remunerações do
trabalho, em regra, supera a evolução dos rendimentos do capital, até ao início do
actual regime político, que reverteu a situação, subalternizando a evolução dos
rendimentos do trabalho aos sacrossantos rendimentos do capital.

 O crescimento das remunerações dos trabalhadores tende a superar o do PIB,


grosso modo, em toda a década de 60 e, depois, durante os anos 1974/75, por
óbvia pressão das movimentações populares perante um poder de estado muito
debilitado. A comparação da evolução das remunerações do trabalho com a taxa de
inflação mostra ganhos relativos dos trabalhadores em todos os anos considerados,
excepto o último, 1977 – ano da primeira intervenção do FMI, na sequência da qual
surgiu, logo em janeiro do ano seguinte, o governo PS/CDS, durante o qual foi
criado o SNS, em breve desprezado, sabotado e tornado veículo da parasitação de
privados, como hoje é, escandalosamente, claro.

Variações percentuais face ao ano anterior


1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966
Remun. do trabalho 7,4 4,1 5,5 3,6 1,5 7,6 6,9 8,8 6,7 9,3 9,6 12,3 11,2
Rend. do capital 13,5 5,2 18,3 -6,3 7,6 7,2 4,6 1,5 6,4 6,4 9,3 5,8 8,9
PIB 6,1 4,6 6,9 6,2 6,7 6,1 5,9 4,1 12,2 3,3 8,6 16,3 6,7
Inflação 1,7 -1,9 0,3 2,9 1,1 2,2 1,4 2,6 0,5 2,4 1,7 3,1 4,7

1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977

Remun. do trabalho 15,8 8,5 11,0 15,8 15,2 17,2 18,2 31,3 29,9 16,1 17,5

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Rend. do capital 8,9 11,4 5,9 9,1 13,0 17,5 16,8 -6,8 15,8 16,8 33,8
PIB 12,0 8,1 7,3 12,8 15,7 18,0 18,2 18,4 15,8 19,6 28,5
Inflação 6,6 4,5 5,8 8,6 4,4 10,9 11,2 13,0 26,1 17,4 19,9

Chave de interpretação
Remun. do trabalho Remun. do Rend. do capital Remun. do trabalho
> Rend. do capital trabalho > PIB > PIB > Inflação

 Em 1961 inicia-se a guerra colonial em Angola e, pouco depois, sucede a perda das
possessões coloniais na Índia; em 1963 a sublevação acontece na Guiné-Bissau e
em 1965, em Moçambique. Isso constituiu um bom motivo para a emigração e fuga
dos mais jovens e dos mais politizados, pouco interessados em participar num
contingente que chegou aos 250000 homens em armas e numa guerra que não
sentiam como sua. Curiosamente, o PCP não aconselhava essa fuga, defendendo
a integração nos contingentes militares e uma eventual deserção no teatro de
guerra (um verdadeiro suicídio!), numa expressão muito curiosa de
internacionalismo; que aliás mantém com a sua “política patriótica de esquerda”…

 O enorme contingente militar – completamente desmesurado para um país pobre e


com pouco mais de 9 M de habitantes – bem como o esforço de guerra, promovem
um aumento substancial dos gastos militares. Isso, porém não se reflete nas contas
públicas sob a forma de deficit pois Salazar sacralizava o equilíbrio orçamental
através de uma “contabilidade criativa”; considerava o produto da emissão de dívida
como uma… receita, desvalorizando o que isso representava como
responsabilidade, a constar num balanço. Esse enorme gasto público, sem
contrapartidas produtivas correspondeu a uma distribuição de rendimento que
contribuiu para incentivar uma escalada inflacionista a partir de meados dos anos
60.

 Por outro lado, a emigração legal referida por Joel Serrão em “A Emigração
Portuguesa”, é estável em 1955/62, entre 21300 e 27600 pessoas mas, dispara, a
partir de 1963, sabendo-se que o total dos emigrantes é de 15 a 30% superior aos
valores indicados como legais. Assim, em 1966 o número contabilizado de
emigrantes chega a 120239 e mantém-se sempre acima dos 50000 até 1973. Até à
crise que marcou o fim dos chamados 30 gloriosos anos de vigência do paradigma
keynesiano, os países da Europa Ocidental, sobretudo França, Bélgica e
Alemanha, recorreram massiva e sucessivamente à imigração de norte-africanos,
italianos, espanhóis e portugueses.

 Esse enorme contingente de emigrantes procedia ao envio de rendimentos, que


beneficiaram essencialmente as famílias mais pobres e conduziu a um aumento da
procura de bens, serviços e gastos na construção/reparação de casas. Esse
aumento de poder de compra que não encontrava capacidades adequadas no
aparelho produtivo, contribuiu também para a inflação. A importância das remessas
dos emigrantes no rendimento disponível bruto pode observar-se abaixo

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(%)
1953 1960 1965 1970 1971 1972 1973 1974 1977
2,5 4,1 4,4 8,2 9,2 9,7 9,4 8,3 7,6

 O maior crescimento das remunerações de trabalho face aos rendimentos do


capital que se observa a partir de meados dos anos 60 não surge, naturalmente, de
um processo reivindicativo ou de uma crise política; a incapacidade e depois a
morte de Salazar não provocaram grande abalo ao regime. Caetano, no poder,
permitiu alguma reivindicação salarial a qual contribuiu para um aumento dos
rendimentos das camadas mais organizadas dos trabalhadores, em interação com
a escalada dos preços. Em 1974/75, na sequência do fim do fascismo e perante
uma grande crise do poder do estado, há mudanças substantivas na relação
trabalho/capital, a favor dos trabalhadores mas, que se esfumam logo nos anos
seguintes.

 Em 1974/75 a entrada de gente vinda das colónias representou um aumento


populacional de umas 600000 pessoas, muitas das quais necessitadas do apoio
público, conseguido através da emissão de moeda pelo Banco de Portugal, criando-
se assim mais um impulso para a inflação.

Os últimos anos do fascismo revelam elementos que apontavam para uma inexorável
mudança; a guerra colonial era o maior obstáculo, quer a nível interno, quer externo.

A nível interno, pelas razões atrás expendidas, mostraram-se pouco impactantes as


tímidas ou cosméticas medidas levadas a cabo por Marcelo Caetano, englobadas no
que o próprio chamou “evolução na continuidade”. A tropa, só muito próximo do final
de regime - que acabou por derrubar - encontrou capacidade política para
compreender a necessidade de encontrar um fim para o regime fascista, como forma
de se libertar de um próximo desastre militar. E a sua típica postura elitista fê-los
querer manter a população em casa, retirando-lhe o prazer e a festa, o gozo de
participar no fim do regime; e, rapidamente apresentaram, como novos dirigentes, um
punhado de generais, num retrato de cariz latino-americano, para sossegar
Washington e as capitais europeias.

Depois da integração na EFTA, em 1959 surgiu algum investimento estrangeiro mas,


com o início da guerra colonial, Portugal foi sujeito ao boicote e à animosidade dos
países então chamados do Terceiro Mundo. Por exemplo, o não reconhecimento da
integração de Goa na Índia impedia qualquer ligação comercial com aquele enorme
país, centrando-se Portugal numa relação com o vizinho Paquistão, em histórico
conflito com a Índia, mais recentemente por a última ter tido um papel relevante no
desmembramento do Paquistão, com a criação do Bangla Desh, em 1971.

O grande beneficiário desse boicote e do desgaste do esforço de guerra foi a Espanha


que, apesar do regime franquista, não tinha guerras coloniais em curso e enveredara
por uma certa evolução na continuidade através de um governo ligado à Opus Dei,
atraindo o investimento estrangeiro. As diferenças espelham-se muito claramente na
evolução populacional (milhares).

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1960 1970 1980
Espanha 30455 33814 37491
Portugal 8858 8680 9766

Na altura, ainda muito ligado à Grã-Bretanha, Portugal viu-se obrigado a negociar com
a CEE um acordo em 1972. E entretanto, procurava aproveitar a sua posição
estratégica, criando o porto de Sines para a atracação de navios-tanque com mais de
500000 t., uma reparação naval para os acolher e ainda um complexo petroquímico
para a venda de refinados na Europa. A reabertura do canal do Suez, em 1973,
reduziu radicalmente a dimensão necessária dos navios e o largo investimento
inerente a esta estratégia perdeu-se em grande parte, transitando os prejuízos para o
povo português, após a conveniente nacionalização das infraestruturas (Petroquímica,
Lisnave, Setenave, nomeadamente).

Uma réplica do processo de crescimento económico que atravessou os países da


OCDE na década de 60 exigia a passagem de um capitalismo baseado em unidades
empresariais artesanais, tão ao gosto ruralista de Salazar, para um capitalismo
moderno, com forte investimento em equipamentos e conhecimento, exigente de
trabalhadores qualificados e, obviamente, mais bem pagos, no contexto dos salários
de miséria tradicionais em Portugal. Essa capacidade para a passagem para um novo
patamar de desenvolvimento capitalista, simbolicamente, pode colocar-se em 1961,
com a criação da Siderurgia Nacional e da Lisnave, que se viriam a juntar ao antigo e
diversificado grupo CUF. Simbolicamente, na inauguração da primeira, o ministro
Ferreira Dias, um entusiasta da industrialização diria “país sem siderurgia, não é um
país, é uma horta”. Assim, de 1960 para 1967 os trabalhadores na indústria
transformadora passam de 680.7 mil para 903 mil, aumentando apenas 77 mil até
1974.

Uma indústria moderna exige gente qualificada e o fluxo crescente de emigração


constituía um elemento de concorrência pouco habitual para a maioria do
empresariato luso, beneficiário do corporativismo, do condicionamento industrial, da
mãozinha do estado… como hoje; e, na frágil camada de trabalhadores qualificados,
uns eram repelidos para o exterior para fugirem à guerra colonial e outros emigravam
sobretudo para a Alemanha, atraídos por melhores condições de vida e maior respeito
pelos direitos. E daí, aos capitalistas só restava aumentar as remunerações,
encolhendo nos rendimentos do capital.

A crise ocidental no princípio dos anos 70, iniciada com a desvalorização da libra em
1968, o fim da convertibilidade do dólar em 1971, a enorme subida dos preços do
petróleo em 1973 e, politicamente, o golpe fascista no Chile, apadrinhado pelos EUA,
significam a passagem do modelo keynesiano para o paradigma neoliberal; embora os
grandes emblemas da aplicação do neoliberalismo – Thatcher e Reagan - só tenham
chegado ao poder em 1979 e 1981, respetivamente. E essa passagem, que coloca um
fim aos “30 gloriosos anos” de crescimento do pós-guerra, reduz substancialmente a
procura de trabalhadores imigrados na Europa Ocidental.

próximo capítulo “Da primeira intervenção do FMI ao cavaquismo (1977/95)”

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Este e outros textos em:

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