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MODELO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO EM SENTIDO

ESTRITO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ª


VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA
DE____________________

Autos nº: ___________

_________________________, qualificado a fls. , nos autos do


processo em que o Ministério Público lhe move, por seu
advogado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, inconformado com a respeitável decisão de
pronúncia interpor RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com
fundamento no art. 581, IV, do Código de Processo Penal.
Requer, após o recebimento deste, com as razões inclusas, e
intimado o Ministério Público para, querendo, apresentar contra-
razões, seja exercido o juízo de retratação, com a finalidade de
impronunciar o Recorrente. Assim não entendendo Vossa
Excelência, requer o processamento do recurso, encaminhando-
se os autos, na sequência, ao Egrégio Tribunal de Justiça, onde
será processado e provido o presente recurso.
Termos em que,
Pede deferimento.

(nome da cidade), data de interposição.

_________________________
Advogado

1 Tratando-se de recurso contra a decisão de pronúncia, a petição de interposição deve ser dirigida ao
Juiz da Vara do Júri.
2 O prazo para a interposição do recurso em sentido estrito é de 5 dias.
3 Convém examinar as hipóteses que justificam a interposição do recurso em sentido estrito, sempre
recordando que alguns incisos foram revogados pelo art. 197 da Lei nº 7.210/84.
4 A norma prevista no art. 588 do Código de Processo Penal concede prazo de 2 dias para a apresentação
das razões.
5 O recurso em sentido estrito possui efeito regressivo, isto é, possibilita ao juiz prolator da decisão
contra a qual se insurge a parte que refaça o seu entendimento, modificando o julgado, nos termos do
art. 589 do CPP, razão pela qual JAMAIS se esqueça de pedir a retratação.
6 Atenção para a norma prevista no art. 583 do CPP, pois o recurso em sentido estrito poderá ou não
subir nos próprios autos. No caso sob comento, o recurso sobe nos próprios autos do processo principal,
não sendo formado o “instrumento”. Nas hipóteses em que deve ser formado o instrumento, deverá
indicar as peças, podendo usar a seguinte redação: “Termos em que, para a formação de instrumento,
indica as peças de fls. para o traslado e pede deferimento”.

MODELO DE RAZÕES – RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

AUTOS Nº
RECORRENTE:
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO

RAZÕES

Egrégio Tribunal de Justiça,


Colenda Câmara,
Nobres e cultos desembargadores,

I – DA SINTESE DA DEMANDA
_________________________________, qualificado nos autos, foi
denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime
previsto no art. , porque________ . Regularmente processado,
adveio para o feito a decisão de fl., sendo o recorrente
pronunciado pela prática do crime de__________________.

II - DA FUNDAMENTAÇÃO

No caso vertente, a queixa-crime substitutiva oferecida por


Raul Seixas, que preenche todos os requisitos legais para tal,
que agiu após findado o prazo legal para o Ministério Público
atuar e que nada fez, por seu turno, foi rejeitada pelo Juiz da
5ª Vara Criminal da Comarca de Imaginária do Estado de São
Paulo cuja decisão foi fundamentação na alegação da
ilegitimidade de Raul para atuação que, para o juiz, é
“exclusivamente titularizado e exercido pelo Ministério
Público”.

Deve-se observar que a titularidade exclusiva da denuncia


não é citada dentre as causas de rejeição (ou não
recebimento) da peça acusatória, que estão listadas no art.
395 do CPP, a saber: I - for manifestamente inepta; II - faltar
pressuposto processual ou condição para o exercício da ação
penal; III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.

Outro ponto a se observar é que nos casos de crimes de ação


penal pública, quando findado o prazo legal e o Ministério
Público se mantiver inerte, será admitida a ação penal
privada de forma subsidiária, como previsto no art. 5º, LIX da
Constituição Federal, no art. 100 § 3º do Código Penal e no
art. 29 do Código de Processo Penal.

Dessa forma, com a devida vênia, a decisão de pronúncia não


pode prevalecer. Deve-se observar que em conformidade com o
art. 581, I do Código de Processo Penal “caberá recurso, no
sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença que não
receber a denuncia ou a queixa ”

É nesse sentindo o entendimento do STF, ao editar a súmula


709 que diz “Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o
acórdão que provê o recurso contra a rejeição da denúncia
vale, desde logo, pelo recebimento dela”. Na mesma linha de
pensamento, segundo a súmula 60 do TRF da 4a Região, “da
decisão que não recebe ou que rejeita a denúncia cabe
recurso em sentido estrito.

Assim, deve ser cassada a decisão de pronúncia.

. Ora, de conformidade com o art. 419 do Código de


Processo Penal, “não se convencendo da materialidade do fato
ou da existência de indícios suficientes de autoria ou de
participação, o juiz, fundamentadamente, impronunciará o
acusado”.
Inclusive, citando ROGÉRIO L. TUCCI, anota MIRABETE
(1994, p.473), que “a impronúncia é um julgamento de
inadmissibilidade de encaminhamento da imputação para o
julgamento perante o Tribunal do Júri, porque o Juiz não se
convenceu da existência de prova da materialidade do crime ou
de indícios da autoria ou de nenhum dos dois”.
Sobre o tema, ensina OLIVEIRA (2002, p.561) que
Pronuncia-se alguém quando ao exame do material
probatório levado aos autos se pode verificar a demonstração
da provável existência de um crime doloso contra a vida,
bem como da respectiva e suposta autoria. Na decisão de
pronúncia, o que o juiz afirma, com efeito, é a existência de
prova, no sentido da materialidade e da autoria. Em relação à
primeira, materialidade, a prova há de ser segura quanto ao
fato. Já em relação à autoria, bastará a presença de
elementos indicativos,devendo o juiz, o tanto quanto
possível, abster-se de revelar um convencimento absoluto
quanto a ela. É preciso ter em conta que a decisão de
pronúncia somente deve revelar um juízo de probabilidade e
não o de certeza.

No caso vertente, não há prova da existência do crime


(exame de corpo de delito ou relatório de necropsia), bem como
indícios de que seja o Recorrente o seu autor, sendo
descumprida a norma estabelecida no art. 413 do Código de
Processo Penal. Ora, conquanto para a pronúncia não seja
necessária a prova incontroversa da autoria, faz-se necessária
pelo menos a existência de indícios sérios, conforme se infere
da norma do art 413 do Código de Processo Penal. Se
inexistentes indícios sérios, o agente deve ser impronunciado,
conforme dispõe o art. 414 do Código de Processo Penal.
Sendo assim, se todos os depoimentos estão a indicar que
o recorrente não participou do fato narrado na denúncia, deve
ser provido o recurso.
Conforme TÁVORA, “na sentença de pronúncia não há juízo
de certeza do cometimento do crime, porém é mister que haja
possibilidade da acusação, ou seja, o contexto processual deve
evidenciar que os fatos estão aptos a serem julgados pelos
leigos, seja para absolver ou condenar o acusado” (2009. p.
655).
Sobre a necessidade de motivação, vale transcrever
lapidar decisão do Excelsa Corte:

STF - HC 81646 / PE – PERNAMBUCO HABEAS CORPUS


Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE Julgamento:
04/06/2002 Órgão Julgador: Primeira Turma Publicação DJ 09-
08-2002 PP-00084 EMENT VOL-02077-01 PP-00076 RTJ VOL-
00191-01 PP-0021EMENTA: I. Habeas-corpus: cabimento:
direito probatório. 1. Não é questão de prova, mas de direito
probatório - que comporta deslinde em habeas-corpus -, a de
saber se é admissível a pronúncia fundada em dúvida
declarada com relação à existência material do crime. II.
Pronúncia: inadmissibilidade: invocação descabida do in
dubio pro societate na dúvida quanto à existência do crime.
2. O aforismo in dubio pro societate que -malgrado as críticas
procedentes à sua consistência lógica, tem sido reputada
adequada a exprimir a inexigibilidade de certeza da autoria
do crime, para fundar a pronúncia -, jamais vigorou no
tocante à existência do próprio crime, em relação a qual se
reclama esteja o juiz convencido. 3. O convencimento do juiz,
exigido na lei, não é obviamente a convicção íntima do
jurado, que os princípios repeliriam, mas convencimento
fundado na prova: donde, a exigência - que aí cobre tanto a
da existência do crime, quanto da ocorrência de indícios de
autoria, de que o juiz decline, na decisão, “os motivos do seu
convencimento”. 4. Caso em que, à frustração da prova
pericial - que concluiu pela impossibilidade de determinar a
causa da morte investigada -, somou-se a contradição
invencível entre a versão do acusado e a da irmã da vítima:
conseqüente e confessada dúvida do juiz acerca da
existência de homicídio, que, não obstante, pronunciou o réu
sob o pálio da invocação do in dubio pro societate, descabido
no ponto. 5. Habeas-corpus deferido por falta de justa causa
para a pronúncia. Decisão A Turma deferiu o pedido de
“habeas corpus”, nos termos do voto do Relator. Unânime.
1ª. Turma, 04.06.2002.

Assim, deve ser cassada a decisão de pronúncia.

III – CONCLUSÕES

Diante de todo o exposto, postula-se seja dado


provimento ao presente recurso, concedendo-se o
direito do recorrente em apresentar a queixa crime
ensejando a ação penal privada de forma subsidiária da
pública uma vez que o MP se manteve inerte e a partir
de então o MP da continuidade como prevê o art. 29 do
CPP, como medida da mais lídima justiça.

Ex positis, invocando em prol os doutos subsídios desta


AUGUSTA CORTE, conhecido o recurso requer o Recorrente a
despronúncia pela ausência de prova de autoria e materialidade.
Ita speratur justitia

(nome da cidade), data de oferecimento das razões


recursais.

_______________________
Advogado/ OAB nº