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CAPÍTULO 5 – REPRESENTAÇÃO DE

COMPONENTES E CIRCUITOS
PNEUMÁTICOS

5.1 INTRODUÇÃO

A correta documentação dos componentes e circuitos pneumáticos e eletropneumáticos é tão


importante quanto a correta elaboração do projeto da instalação. Testes, inspeções e a manutenção
periódica da instalação exigem informações detalhadas dos componentes e do sistema como um
todo.
O conjunto de documentos que compõe um projeto pneumático se resume em:
 Diagramas de seqüência, temporal e funcional (representação das seqüências
efetuadas);
 Circuitos pneumáticos e/ou eletropneumático, circuitos elétricos (representação e
interação de todos os componentes);
 Lista de componentes com a identificação e descrição dos componentes usados
no projeto pneumático;
 Esquema da instalação.
Toda a documentação deve ser direcionada de acordo com uma normalização adequada, o
que garante uma interpretação mais clara, sem ambigüidades e de fácil entendimento.
A seqüência de movimentos de sistemas pneumáticos freqüentemente tem utilizado os
chamados diagrama trajeto-passo e diagrama trajeto tempo, os quais são usados para descrever a
seqüência efetuada pelos atuadores e/ou o tempo necessário para cada atuador desempenhar
determinada função, respectivamente, segundo norma VDI standard 3260, a qual está, em termos de
normalização, em desuso. Ultimamente tem-se dado preferência pelo uso do GRAFCET: Diagrama
Seqüencial Funcional (SFC – Sequential Function Chart), adotado em 1988 pela IEC (International
Eletrotechnical Commission) como norma internacional IEC 60848.
Embora esta norma tenha sido preparada visando aplicações eletrotécnicas, ela pode ser
aplicada também a sistemas não elétricos (hidráulicos, pneumáticos ou mecânicos, por exemplo),
pois descreve as etapas de trabalho de determinado sistema, independente do campo de aplicação.
O método de representação serve como ferramenta de comunicação entre as diferentes áreas
envolvidas no desenvolvimento e utilização de sistemas automatizados. No Capítulo 8 são
apresentados os principais elementos de um diagrama funcional, que corresponde à forma
normalizada do GRAFCET.
CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

5.2 DIAGRAMAS DE REPRESENTAÇÃO DE PROJETOS


SEQUENCIAIS

A seguir, é dada uma breve explanação a respeito dos principais diagramas usados na
representação de projetos de comandos seqüenciais, e na seqüência, por meio de um estudo de
caso, são introduzidos os principais passos para a elaboração de um circuito pneumático.

5.2.1 Diagramas de representação em forma gráfica


Os diagramas de representação são utilizados para a descrição das seqüências efetuadas
por atuadores mecânicos, pneumáticos, hidráulicos, elétricos, eletromecânicos, e as combinações
oriundas destes elementos de trabalho.
Na representação de comandos seqüenciais, se distinguem vários tipos de diagramas:
diagrama de movimento, diagrama de comando, diagrama trajeto-tempo, diagrama funcional, dentre
outros difundidos para representação das seqüências realizadas em processos de produção.
O diagrama funcional consiste em descrever o comportamento do sistema de acordo com
uma seqüência de passos, sendo cada passo caracterizado por um estado em que o sistema se
encontra. Os elementos principais de um diagrama funcional, segundo normalização da IEC 60848 e
DIN 40719-6, correspondem à forma normalizada do GRAFCET, o qual é apresentado com detalhes
no Capítulo 8.
O diagrama trajeto-passo representa a seqüência de operação de vários elementos de
trabalho, especialmente atuadores lineares, indicando a dependência entre as seqüências de
movimento de cada um com relação a uma condição de transição e a determinado passo do ciclo de
operação. Isto significa que para ocorrer um passo, a ação do passo anterior deverá ter sido
finalizada e confirmada por meio de um sinal de habilitação enviado mediante um sensor ou algum
dispositivo de controle ou monitoração.
No diagrama trajeto-tempo, destaca-se a dependência de movimentação dos atuadores
lineares com relação ao tempo. Neste diagrama ainda é possível mostrar também a dependência dos
movimentos seqüenciais, a qual depende, sobretudo, das condições de transição. No diagrama
trajeto-tempo é necessário incluir uma escala de tempo, geralmente em segundos ou minutos,
objetivando informar os tempos médios previstos para a realização das tarefas de cada passo.
Enquanto o diagrama trajeto-passo oferece uma visão muito clara das seqüências e
intertravamentos, no diagrama trajeto-tempo pode-se apresentar as diferentes velocidades de
trabalho e o tempo total requerido por determinado ciclo de produção.
Para os atuadores rotativos, temporizadores, sensores e demais elementos que não
dependem de um curso específico de trabalho, podem ser utilizadas as mesmas regras anteriormente
apresentadas, contudo, as condições de mudanças de estado são representadas diretamente na
linha vertical do passo, desconsiderando a representação da trajetória do atuador linear para
mudança de estado, como por exemplo, do estado recuado para avançado.
O diagrama de comando representa o estado de comutação, dependente do tempo ou da
seqüência de passos, de válvulas, temporizadores, atuadores rotativos e sensores, de acordo com as
exigências de projeto. Isto quer dizer que todas as mudanças de estado de válvulas e demais
componentes do circuito são mostradas no diagrama, a fim de permitir visualizar o comportamento
sistêmico e as interligações entre os atuadores e demais elementos que ocorrem durante o
funcionamento do processo. Contudo, como esta forma de representação abrange uma quantidade
muito grande de detalhes e informações, seu uso tem-se tornado pouco prático, sendo raramente
utilizado ou tem sido substituído por “diagramas de estado” de softwares de simulação que permitem
a visualização dinâmica dos componentes do circuito.

5.2.2 Estudo de caso: representação de um projeto seqüencial


O estudo de caso, apresentado na seqüência, se limita na estruturação de um projeto
pneumático, considerando apenas aspectos lógicos e seqüenciais, sem a preocupação com as

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variáveis físicas de dimensionamento dos componentes, tais como vazão, pressão, velocidades de
trabalho, forças de carga envolvidas, etc.
O objetivo deste estudo de caso é o fornecer embasamento para a elaboração e estruturação
de diagrama e circuitos, de acordo com as normais vigentes utilizadas na área pneumática.
Os passos a serem seguidos para uma elaboração ordenada de um projeto pneumático
podem ser resumidos como segue:
Passo 1: Descrição do problema
Esta etapa inicial objetiva propiciar o correto entendimento do problema, sendo essencial para
garantia funcional e qualitativa do projeto.
Passo 2: Representação do esquema da instalação.
Nesta etapa, podem ser elaborados croquis e desenhos técnicos do dispositivo, os quais
servirão de base nas fases de instalação e implementação dos componentes.
Passo 3: Lista de componentes
A lista de componentes deve conter todas as informações necessárias para o projeto
pneumático e eletropneumático. Dependendo da abrangência do projeto, profissionais de outras
áreas também deverão participar da elaboração, dimensionamento e especificação dos
componentes.
Passos 4 e 5: Elaboração do diagrama funcional e dos diagramas trajeto-passo e trajeto-
tempo.
Esta fase depende, sobremaneira, da descrição do problema obtida a partir do funcionamento
requerido pela máquina ou processo a ser automatizado. Os diagramas, além de estruturar a
seqüência e as condições de prosseguimento das diferentes fases de evolução do processo de
operação, auxiliam ao projetista a dirimir dúvidas que possam surgir durante as fases de
planejamento.
Passo 6: Elaboração do circuito pneumático
De posse dos diagramas de funcionamento, inicia-se a elaboração propriamente dita do
circuito pneumático, eletropneumático ou pneutrônico. Para tanto, devem ser empregadas
metodologias pertinentes de projeto, visando aumentar a produtividade do projetista, minimizando o
tempo de elaboração e a ocorrência de erros lógicos e técnicos.
Passo 7: Simulação computacional
Esta fase final é realizada a fim de analisar as possíveis divergências verificadas entre os
resultados planejados e os obtidos virtualmente. A fase de simulação é essencial na detecção de
erros de dimensionamento e lógica, uma vez que ela apresentará os supostos problemas permitindo
a correção antes da implementação física local. Na simulação podem ser considerados aspectos
estáticos e dinâmicos, dependendo das exigências e da complexidade do projeto.
Passo 8: Aquisição de materiais e implementação física do dispositivo.
Estudo de caso: A elaboração de um circuito pneumático seqüencial referente ao estudo de
caso de um protótipo de um equipamento de compactação de lixo doméstico é apresentada a seguir.
Passo 1: Descrição do problema
Um protótipo de um equipamento de compactação de lixo doméstico utilizado dois cilindros
pneumáticos para a realização da compactação. O atuador 1A realiza a pré-compactação e o atuador
2A realiza a compactação principal, forçando os entulhos contra um triturador mecânico. Se o cilindro
2A, de compactação principal não alcançar a posição de final de final 2S, entretanto, for alcançada a
pressão de compactação de 3 bar, ele deve retornar a posição inicial da mesma maneira. O retorno
de ambos os atuadores deve ser simultâneo. Elaborar um circuito pneumático para este
equipamento.

Passo 2: Representação do esquema da instalação.

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Figura 1 – Esquema de funcionamento de um protótipo pneumático de compactação de lixo.

Passo 3: Lista de componentes


Tabela 1 – Lista de componentes.
Componentes Descrição
0Z1 Unidade de condicionamento de ar
0Z2 Válvula de seqüência
1A Cilindro de dupla ação
2A Cilindro de dupla ação
1S1 Válvula direcional 3/2, normalmente fechada com acionamento
manual
1S2, 1S3, 2S Válvula direcional 3/2, normalmente fechada com acionamento
por rolete
0V Válvula alternadora OU
1V, 2V Válvula direcional de comando 5/2, acionamento por aplicação
de pressão

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Passo 4: elaboração do diagrama funcional

INICIO
INÍCIO
1S1

&
1S2

1. Pré-
S Avanço 1A 1S3
compactação

1S3

2. Compactação
S Avanço 2A 2S
2S principal

>=1
2Z2

3. Retorno dos
R Retorno 1A, 2A 1S2
atuadores

=1

Figura 2 – Diagrama funcional de um protótipo pneumático de compactação de lixo.

Passo 5: Elaboração dos diagramas trajeto-passo e trajeto-tempo.

passos
1S1
1 2 3 4=1
1S1 1S3
1 2 3 4=1 1
1S3 1A
1 condições de
estados do 0
atuador
1A transição 1S2
0
1S2 2S+0Z2
1
2A
2S+0Z2
1 0
2A
0
Tempo (s)

(a) (b)

Figura 3 – Diagramas de um protótipo pneumático de compactação de lixo: (a) trajeto-passo, (b)


trajeto-tempo.

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Passo 6: elaboração do circuito pneumático.

1A 2A
1S2 1S3 2S

1V 2V
4 2 4 2
14 12 14 12

5 3 5 3
1 1

1S2
0V
1 3 2
1 1

1 S1 2 2 2

1S3 2S

1 3 1 3 1 3

0 Z2 2

0Z1

12 1

Figura 4 – Circuito pneumático de um protótipo pneumático de compactação de lixo.


Passo 7: Simulação.
A simulação do circuito mostrado na Figura 4 foi realizada utilizando o software
fluidSIM_Pneumatic, fabricante FESTO.

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5.3. SIMBOLOGIA FUNCIONAL

Nos projetos pneumáticos, os diagramas e componentes são representados por símbolos


gráficos, os quais são normalizados segundo ISO 1219-1 e ISO 1219-2. Por meio de símbolos
funcionais, é possível reconhecer as seguintes características:
 Tipo de atuação;
 Número de portas e as respectivas identificações;
 Número de posições de comutação definidas.
As identificações das linhas de trabalho e linha de pilotagem estão de acordo com a norma
ISO 5599-3, a qual normaliza a identificação dos pórticos de válvulas pneumáticas. A Tabela 2
resume as informações de maior relevância contempladas pela norma.
Tabela 2 – Identificação das linhas de trabalho.
Linhas Função Identificação
Linha de trabalho Pórtico de suprimento 1
Pórticos de trabalho 2, 4
Pórticos de exaustão 3, 5
Linha de pilotagem para válvulas Pórtico de suprimento fechado 10
diretamente e indiretamente
Conexão entre os pórticos 1 e 2 12
atuadas
Conexão entre os pórticos 1 e 4 14
Linha piloto externa 81, 91
Dreno externo da linha piloto 12 82
Dreno externo da linha piloto 14 84

Os símbolos elétricos são representados em um circuito por meio de símbolos gráficos,


normalizados de acordo com a norma DIN 40900.
Os símbolos mostrados a seguir se referem aos componentes utilizados com maior
freqüência em circuitos pneumáticos e eletropneumáticos.

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5.3.1. Unidade de suprimento e condicionamento de ar comprimido

Compressor de ar Reservatório de ar Fonte de pressão Filtro de ar Dreno manual


de deslocamento genérico
fixo

1 3

Válvula redutora Unidade de Unidade de Dreno automático Lubrificador


de pressão condicionamento de ar condicionamento do ar
(reguladora) comprimido (simbologia (simbologia
detalhada) simplificada)

5.3.2. Controle direcional

As posições de Representa uma As linhas indicam Representa o bloqueio As conexões de


comutação são válvula com duas as vias de das linhas de suprimento, exaustão
representadas por posições definidas escoamento e as escoamento e saída da válvula são
meio de quadrados setas o sentido representadas por
linhas externas ao
quadrado que indica à
posição inicial

2 2 4 2 4 2 4 2

1 1 3 1 3 5 3 5 3
1 1
Válvula direcional 2/2 Válvula direcional Válvula direcional Válvula direcional 5/2 Válvula direcional 5/3,
(duas vias e duas 3/2 (três vias e 4/2 (quatro vias e (cinco vias e duas cinco vias e três
posições) duas posições) duas posições) posições) posições, centro
fechado

4 2 2 2 4 2

3
12 12
5 3 1 1 10 5 3
1 1
Válvula direcional 5/3 Válvula de Válvula de Contador pneumático Válvula direcional 5/3,
(cinco vias e três retenção retenção pilotada cinco vias e três
posições, centro para abrir posições, centro
aberto negativo) aberto positivo

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5.3.3. Simbologia para acionamentos de válvulas

Símbolo geral de Botão de empurrar Botão de puxar Botão de puxar/ Alavanca


acionamento empurrar
mecânico (sem
indicação do tipo de
acionamento)

Pedal (de simples Mola Rolete fixo Rolete articulado ou Conversor


efeito) gatilho eletromagnético
linear com uma
bobina

Conversor Conversor Acionamento por Comando de duplo Acionamento com


eletromagnético eletromagnético pressão estágio: solenóide e botão com trava
linear com uma linear com duas pressão (detente)
bobina e de ação bobinas e de ação
proporcional proporcional

5.3.4. Controle de vazão

2 2
100% 12 1
3
100% 3
1

Válvula redutora de vazão Válvula temporizadora NF Válvula de escape rápido

2
100%
10

100% 3
1

Válvula redutora de vazão com Válvula temporizadora NA Válvula divisora de vazão


retenção (hidráulica)

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5.3.5. Controle de pressão

12 1

Válvula redutora de pressão Válvula de alívio Válvula de seqüência

1 3

1v
3

12 1

Válvula geradora de vácuo (venturi) Ventosa Válvula de controle de vácuo

5.3.6. Atuadores

Cilindro de simples Cilindro de simples Cilindro diferencial Cilindro simétrico Cilindro diferencial
ação (efeito) com ação com retorno (assimétrico) de dupla com amortecimento
retorno por mola por ação externa ação de final de curso

Cilindro telescópico Cilindro Cilindro com guia de Cilindro magnético sem Cilindro sem haste
de simples ação telescópico de dupla ação haste, de dupla ação
dupla ação

Atuador rotativo de Atuador rotativo de Cilindro de múltiplas Motor pneumático Motor pneumático
deslocamento deslocamento posições reversível reversível com
limitado, simples limitado, dupla deslocamento
ação ação variável

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5.3.7. Outros símbolos pneumáticos

2 2
1 1 1 1

Válvula de Válvula alternadora Sensor pneumático Porta de exaustão Porta de exaustão


simultaneidade (Função lógica OU) sem conexão com conexão
(Função lógica E)

Mangueira Conexão de linhas Engate rápido não Escape de ar Silenciador


conectado contínuo

5.3.8. Componentes elétricos, sensores e indicadores


3 1 1 1 2

Contato NA Contato NF Botão NF Botão NA com trava Botão NA


1

K3 K6

Botão comutador Contato comutador Botão NF com trava Contato NA de Contato NA de


temporizador TON temporizador TOFF

5 5 5

Relé Relé Temporizador Relé Temporizador Relé de contagem Solenóide


TON TOFF

to

Contato de sensor Contato de sensor Contato de sensor Contato NA Contato NA termopar


magnético atuado NF magnético atuado NA magnético NA (reed acionado por rolete
(reed switch) (reed switch) switch)

Botão de empurrar Botão de empurrar Sensor de final de Sensor de final de Contato com retorno
NA NF curso NA curso NF automático NA (por
mola)

Contato atuado por Contato atuado por Contato atuado por Contato atuado por Contato com retorno
vazão nível de líquido pressão temperatura automático NF (por
mola)

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DC AC

Fonte DC Fonte AC Relé , tensão Capacitor Terra


alternada

Imã permanente Resistor Campainha Termopar Conversor


eletromecânico de
pressão diferencial

Sensor de Sensor de Sensor de Sensor de Chave limite de final


proximidade proximidade proximidade ótico proximidade de curso
capacitivo magnético indutivo
1

Pressostato Pressostato Transdutor de Indicador visual Indicador sonoro


diferencial pressão

Medidor de vazão Termômetro Manômetro tacômetro Medidor de torque

5.4. REGRAS GERAIS PARA IDENTIFICAÇÃO DE


COMPONENTES

5.4.1 Regras gerais


Todos os elementos devem ser desenhados e identificados nos diagramas, na posição inicial
(repouso) de trabalho: normalmente fechado (NF) ou aberto (NA).
Define-se como posição inicial, a posição que assumem os elementos pneumáticos após sua
montagem na instalação e conexão de ar comprimido na rede, com a qual se torna possível o
funcionamento da instalação. Os componentes eletropneumáticos são representados na condição de
desenergização da instalação elétrica.
O código de identificação do componente será fornecido próximo ao respectivo símbolo. Este
código deverá ser usado em todos os documentos relacionados.

5.4.2 Código de Identificação


O código de identificação conterá os seguintes elementos e deverá estar inserido dentro de
uma caixa de texto:

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CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

. . . - . . . . . . . . .

Instalação no.
Circuito no.
Código do componente
Componente n o.

Número da instalação
Este código consiste na numeração das instalações, cuja contagem deve iniciar
preferencialmente com o número um. O código será usado somente se o circuito geral for composto
por mais de uma instalação.
Número do circuito
Este código consiste na numeração dos circuitos cuja contagem deve iniciar
preferencialmente em zero para os componentes e acessórios instalados na unidade de potência ou
de suprimento. A numeração prossegue em ordem seqüencial para os elementos de trabalho
(circuitos 1A, 2A, 3A, etc.) da unidade geral.
Código do componente
Os componentes devem ser identificados por um código, em concordância com o seguinte
critério:
Bombas e Compressores: P
Atuadores: A
Motores de acionamento: M
Sensores: S
Válvulas: V
1
Solenóide Y
Todos os outros componentes: Z, ou outra letra, com exceção daquelas já utilizadas.
Número do Componente
Este código consiste na numeração dos componentes, cuja contagem deve iniciar
preferencialmente com o número um. Dentro de cada circuito, os componentes representados com o
mesmo código de identificação devem ser numerados em ordem de grandeza seqüencial.
Identificação das funções das linhas da tubulação (hidráulica)
As funções serão identificadas conforme segue:
P – para a linha de suprimento da pressão;
T – para a linha de retorno para o tanque (hidráulica);
L – para as linhas de dreno (hidráulica).
Identificação das portas de ligação e da conexão da tubulação
Os orifícios e as respectivas roscas devem ser identificados no diagrama do circuito pelas
especificações indicadas nos componentes, nas placas e sub-placas de ligação e blocos.

1
Adotado como padrão conforme normas alemãs.

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CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

5.4.3 Leiaute
O leiaute de circuitos pneumáticos, a identificação e numeração dos símbolos funcionais
estão normalizados segundo norma internacional ISO 1219-2.
O desenho de linhas e conexões entre os componentes deverá ser realizado com o mínimo
de cruzamentos. Os dispositivos de emissão de sinais, como os sensores ou chaves de fim de curso
por exemplo, devem ser mostrados na posição de atuação. Se o sensor de final de curso de um
cilindro é acionado quando o mesmo estiver na posição recuada, faz-se então a indicação de uma
linha vertical e seu respectivo código de identificação no local da comutação.
Nos casos em que o acionamento do sensor ocorrer em apenas um sentido de movimentação
do atuador, uma seta deve ser acrescentada para indicar o sentido de atuação.
Os símbolos de componentes pneumáticos devem ser distribuídos de baixo para cima e
da esquerda para a direita, de acordo com a seguinte ordem:
 fontes de energia: parte inferior do circuito, no lado esquerdo;
 componentes de comando/ controle dispostos em ordem seqüencial: de baixo para cima
e da esquerda para a direita;
 atuadores (elementos de trabalho): posicionados na parte superior do circuito da
esquerda para a direita.

5.4.4 Informações técnicas


Dentre as informações referentes ao circuito, pelo menos as seguintes devem ser citadas no
diagrama e inseridas próximas ao símbolo pertinente.
Reservatório
Para os reservatórios pneumáticos indica-se:
 capacidade, em litros;
 pressão máxima permitida, em mega Pascal (ou bar).
Suprimento de ar
Os seguintes dados devem ser indicados:
 A vazão em litros por minuto e/ou o volume de fluido deslocado (volume geométrico), em
centímetros cúbicos;
 Faixa operacional da pressão de suprimento, em mega Pascal ou bar.
Bomba/ Compressor
Para bombas de deslocamento fixo, indica-se:
 a de vazão, em litros por minuto, e/ ou o volume de fluido deslocado por curso, em
centímetros cúbicos.
Para bombas com deslocamento variável, indica-se:
 vazão mínima e máxima, em litros por minuto, e/ ou o máximo volume deslocado por
curso (volume geométrico), em centímetros cúbicos.
 Indicações dos valores ajustados para controle da bomba.
Para compressores
 A faixa de trabalho da pressão de regime (em bar) e a vazão em lpm.
Motores de Acionamento
A potência de trabalho, em quilowatts, e a velocidade de rotação em revoluções por minuto
devem ser indicados.

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CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

Válvulas de controle de pressão e pressão de chaveamento (pressostato)


A(s) pressão(s) ajustada(s) para abertura das válvulas ou chaveamento do pressostato, em
mega Pascal (ou bar), deve ser indicada.
Cilindros
O diâmetro interno do cilindro, o diâmetro da haste (não é necessário indicar para cilindros
pneumáticos) e o curso máximo, em milímetros (por exemplo  100/56  50) devem ser indicados. A
função do cilindro também deve ser especificada (por exemplo elevação, fixação, dobramento,
prensagem, corte, etc.).
Atuadores Rotativos
Os seguintes dados devem ser indicados:
 o volume de fluido deslocado por curso, em centímetros cúbicos;
 ângulo de operação, em graus;
 a função (exemplos de aplicação: virar grandes peças, curvar tubos, manipulação de
peças, abertura de pequenas portas, etc.) deve ser especificada.
Motores
Para motores de deslocamento fixo, indicar o de volume do fluido deslocado em centímetros
cúbicos, e especificar a função (por exemplo furação, transmissão).
Para motores com deslocamento variável, indicar:
 mínimo e máximo volume de fluido deslocado, em centímetros cúbicos;
 torque, em Newton  metro;
 velocidade de rotação, em revoluções por minuto;
 sentido da rotação,
 especificar a função (por exemplo furação, transmissão).
Filtros
Nos circuitos pneumáticos, indica-se a capacidade de filtragem (tamanho nominal) das
partículas em micrometro.
Tubulação
Para tubos, indicar o diâmetro externo nominal e espessura da parede em milímetros (por
exemplo,  38  5). Para os tubos pneumáticos, indicar pelo menos o diâmetro interno em mm.
Termostato
A temperatura ajustada, em graus Celsius, deve ser indicada.
Temporizadores
O tempo ajustado no temporizador, em segundos, deve ser indicado.
Pressostato
A faixa de operação, em mega Pascal (ou bar) deve ser indicada.

5.4.5 Exemplo de circuito com a identificação de componentes


No circuito pneumático de uma máquina de corte mostrado da Figura 5 são aplicadas as
regras de identificação e representação de símbolos e circuitos conforme norma ISO 1219-1 e 1219-
2. O circuito utiliza blocos lógicos seqüenciais 0Z3 a 0Z10 para estruturação da seqüência de passos
realizada pelos atuadores, cuja sistematização obedece ao Método Passo a Passo para pneumático,
o qual é apresentado no Capítulo 8.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 167


CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

MESA DE
FIXAÇÃO CORTE POSICIONAMENTO
1 S1 1S2 2S1 2S2 3S1 3S2

1A 2A 3A

 50100  4080  61  32100


1Z1 2V4
2V5  61

0 Bar  61
1V3 3V2
1V2 2V3 3V1

2V1
 81  81
2 V2
 81

1V1

 61

 61 0Z3 0Z4 0 Z5 0Z6 0Z7 0 Z8 0Z9 0Z10


 61

0S3 0V3

 61
1S2

 61

2S2
0V2
3S1

2 S1
0S1

0S2 1S1
 61

3S2

0V1
 81

0Z1 0Z2 7 Bar

 81

Figura 5 – Identificação de um circuito pneumático conforme norma ISO 1219.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 168


CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

5.5 CIRCUITOS ELÉTRICOS

O diagrama elétrico mostra os componentes elétricos interligados e como eles efetuam a


lógica de processamento de sinais e o comando de componentes eletropneumáticos. Os diagramas
de circuitos elétricos estão normalizados em conformidade com as normas DIN/EN 61082-2.
Nos circuitos elétricos de comando, os símbolos gráficos dos componentes requeridos para
implementar as funções lógicas e as funções seqüenciais, estão distribuídos de cima para baixo e
da esquerda para a direita. Relés e solenóides são sempre desenhados na parte inferior do
diagrama, abaixo dos contatos e demais elementos. Os caminhos percorridos pela corrente elétrica
no circuito são desenhados e numerados seqüencialmente. Pode-se ainda relacionar a localização e
o tipo de contato às respectivas bobinas.
Considere o circuito elétrico mostrado na Figura 6 onde se observam numerados os 10
caminhos (vias) por onde pode circular a corrente elétrica. Observa-se ainda que, logo abaixo dos
relés K1, K2 e K3 estão relacionados à localização e o tipo de contato utilizado por cada relé, NA ou
NF. Na linha 2, por exemplo, dois contatos de K1 NA são utilizados nas vias designadas por 3 e 8 e
nenhum contato NF deste relé é utilizado.
No circuito elétrico cada componente recebe uma identificação que difere da representação
adotada para símbolos e circuitos pneumáticos, os quais obedecem à norma ISO 1219-1 e 2. A
identificação empregada para os componentes elétricos é mostrada na Tabela 3, a qual se baseia na
norma DIN 40719-2.
+24V

1
S1
2 4 2 3 4 6 8 9

13 13 23 13 13
S2 K1 K1 K2 K3
1B2 1B1
14 14 24 14 14

1 1
2S1 2S2
4 4
A1 A1 A1
H1 K1 K2 K3 1Y 2Y1 2Y2
0V A2 A2 A2

3 9 10
8

Figura 6 – Exemplo de identificação dos componentes em um circuito elétrico.


As identificações para terminais de ligação de contatos e relés estão listadas na Tabela 4.
Cada contato recebe uma designação que identifica o tipo de contato e um número referente a sua
posição seqüencial no circuito. Na Figura 7(a) são mostradas as identificações de acordo com o tipo
de contato e na Figura 7(b) é utilizado o exemplo da Figura 6 para mostrar a numeração seqüencial
dos contatos pertencentes ao relé K1 e a posição destes contatos (linhas 3 e 8) no diagrama elétrico.
Os circuitos elétricos são desenhados em seu estado desenergizado (fonte de alimentação da
instalação elétrica desligada). Se os sensores de final de posição são atuados na condição inicial
deve-se acrescentar uma seta para identificação do estado inicialmente atuado do sensor, e os
contatos relacionados devem ser desenhados na posição atuada. Por exemplo, observe que próximo
ao contato do sensor eletromecânico 2S1 de final de curso da Figura 6, está localizada uma seta na
linha de corrente 2, a qual indica o estado inicialmente atuado do sensor.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 169


CAPÍTULO 5. REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS PNEUMÁTICOS

Na Figura 8 é ilustrada a representação esquemática de um relé, onde se verificam os


terminais de ligação do relé e os contatos por ele utilizados, juntamente com a identificação de cada
contato.
Tabela 3 – Identificação de componentes em circuitos elétricos.
Descrição do tipo de componente Identificação
Sensor eletromecânico S
Elementos de entrada, botões manualmente S
operados
Sensores de proximidade, sensor magnético B
Conversor eletromecânico de pressão B
Indicador H
Relé, contator K
Solenóide Y

Tabela 4 – Identificação de terminais de ligação de componentes elétricos.


Tipo de contato Identificação
Contato normalmente fechado NF 1, 2
Contato normalmente aberto NA 3, 4
Contato temporizado normalmente fechado 5, 6
Contato temporizado normalmente aberto NA 7, 8
Contato comutador 1, 2, 4
Contato comutador temporizado 5, 6, 8

3 8
sentido de 3 1
atuação 2 4
A1 11 21 33 43

K1
1 4 2

A2 12 22 34 44
contato contato NA contato NF
comutador

(a) (b)

Figura 7 – Identificação conforme: (a) o tipo de contato, (b) a seqüência.

Figura 8 – Representação esquemática de um relé.

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS 170


SUMÁRIO. VERSÃO REDUZIDA

CAPÍTULO 5 – REPRESENTAÇÃO DE COMPONENTES E CIRCUITOS


PNEUMÁTICOS.................................................................................................................153
5.1 Introdução .................................................................................................................153
5.2 DIAGRAMAS DE Representação dE PROJETOS SEQUENCIAIS.............................154
5.2.1 Diagramas de representação em forma gráfica ...................................................154
5.2.2 Estudo de caso: representação de um projeto seqüencial ...................................154
5.3. Simbologia Funcional ...............................................................................................159
5.3.1. Unidade de suprimento e condicionamento de ar comprimido ............................160
5.3.2. Controle direcional .............................................................................................160
5.3.3. Simbologia para acionamentos de válvulas ........................................................161
5.3.4. Controle de vazão ..............................................................................................161
5.3.5. Controle de pressão ...........................................................................................162
5.3.6. Atuadores ..........................................................................................................162
5.3.7. Outros símbolos pneumáticos ............................................................................163
5.3.8. Componentes elétricos, sensores e indicadores .................................................163
5.4. REGRAS GERAIS PARA IDENTIFICAÇÃO DE COMPONENTES............................164
5.4.1 Regras gerais .....................................................................................................164
5.4.2 Código de Identificação.......................................................................................164
Número da instalação ..............................................................................................165
Número do circuito ...................................................................................................165
Código do componente ............................................................................................165
Número do Componente ..........................................................................................165
Identificação das funções das linhas da tubulação (hidráulica) .................................165
Identificação das portas de ligação e da conexão da tubulação ................................165
5.4.3 Leiaute................................................................................................................166
5.4.4 Informações técnicas ..........................................................................................166
Reservatório.............................................................................................................166
Suprimento de ar......................................................................................................166
Bomba/ Compressor ................................................................................................166
Motores de Acionamento..........................................................................................166
Válvulas de controle de pressão e pressão de chaveamento (pressostato)...............167
Cilindros...................................................................................................................167
Atuadores Rotativos .................................................................................................167
Motores....................................................................................................................167
Filtros.......................................................................................................................167
Tubulação ................................................................................................................167
Termostato...............................................................................................................167
Temporizadores .......................................................................................................167
Pressostato ..............................................................................................................167
5.4.5 Exemplo de circuito com a identificação de componentes ...................................167
5.5 Circuitos elétricos ......................................................................................................169

FUNDAMENTOS DE SISTEMAS PNEUMÁTICOS v