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Título : 1ª aula - Da sucessão em geral

Conteúdo :

APOSTILA 1
DA SUCESSÃO EM GERAL

1. Sentido (s) da palavra Sucessão

Sucessão em sentido amplo = substituição de alguém por outrem, ou seja, ato pelo
qual uma pessoa assume o lugar de outra, substituindo-a na titularidade de determinados bens.
Sucessão no Direito das Obrigações = as obrigações não sendo personalíssimas
operam-se entre as partes (sujeito ativo e sujeito passivo), como entre seus herdeiros.
Sucessão no Direito das Coisas = tradição simples (móveis) ou solene (imóveis)
Sucessão no Direito de Direito de Família = na hipótese dos pais decaírem do poder
familiar e serem substituídos pelo tutor, nomeado pelo juiz, para o exercício de determinados
deveres elencados na lei.

• As hipóteses acima se tratam de sucessões “inter vivos”.


Sucessão no Direito das Sucessões (sentido estrito) = transmissão do patrimônio (ativo
e passivo) do de cujus (autor da herança) aos seus sucessores.

• A sucessão no Direito das Sucessões é, portanto, “causa mortis”.

O Direito das Sucessões consiste num complexo de princípios jurídicos que disciplinam
a transmissão do patrimônio (ativo e passivo) de uma pessoa que faleceu a seus sucessores.

“A sucessão causa mortis é a transferência, total ou parcial, de herança, por morte de


alguém, a um ou mais herdeiros.” (Diniz, Maria Helena, Código Civil Anotado, Ed. Saraiva,
2005).

2. Histórico

A transmissão dos bens de uma pessoa falecida remonta à mais alta Antigüidade, ou
seja, séculos antes da Era Cristã (o direito sucessório achava-se presente entre os egípcios,
hindus, babilônicos, romanos).

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- No Direito Romano - sucessão testamentária - era desonroso alguém falecer sem
deixar testamento e, sendo assim, todo pater falimia tratava de fazer um testamento
manifestando sua vontade de disposição patrimonial.
Caso alguém falecesse sem testamento, a sucessão se devolvia segundo três classes
distintas:
· Classe do SUI: filhos, netos e esposa.
· Classe dos AGNATI: parentes mais próximos (irmão consangüíneo, tio filho de
avô paterno e sobrinho desse tio).
· Classe dos GENTILE: pessoas que (imaginava-se) descendiam de um tronco
comum.
Com Justiniano (era cristã), o parentesco considerado passou a ser somente o consangüíneo.
A vocação hereditária era: 1° os descendentes; 2° os ascendentes em concurso com irmãos e
irmãs bilaterais; 3° os irmãos e irmãs consangüíneos ou uterinos; 4° outros parentes colaterais.

- No antigo direito germânico – sucessão legítima - ignorava-se o testamento e a


herança era atribuída aos herdeiros legítimos do falecido.
- No direito francês, desde o século XIII fixou-se o droit de saisine = a propriedade e a
posse da herança passam aos herdeiros com a morte do hereditando (autor da
herança).

- Direito Pátrio = Sucessão Legítima e Sucessão Testamentária


· Até 1917, vigoravam as ordenações portuguesas e a ordem de vocação
hereditária era a seguinte:

*Descendentes
*Ascendentes
*Colateral até 10º grau
*Cônjuge sobrevivo
*Fisco

· Código Civil de 1917

Art. 1603

*Descendentes
*Ascendentes
*Cônjuge sobrevivente
*Colaterais (até 4º grau)
*Municípios, Distrito Federal ou à União.

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· Código Civil de 2002

Art. 1829
*Descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente (salvo se casado com o
falecido no regime de comunhão universal, ou na separação obrigatória de bens ou,
ainda, no regime de comunhão parcial, se o autor não houver deixado bens
particulares)
*Ascendentes, em concorrência com o cônjuge
*Cônjuge sobrevivente
*Colaterais (até 4º grau)
* Município ou Distrito Federal, ou à União.

3. Princípio Saisine (Le mort saisit le vif)

Art. 1784, CC: “Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros
legítimos e testamentários”.

A morte é o pressuposto e a causa das transmissão da herança

Abertura da sucessão = instante da morte do de cujus (morte real - art. 6°; presumida
com declaração de ausência - art. 6°, segunda parte cc. art. 26 ao 39; presumida sem
declaração de ausência – justificação ou declaração judicial, conforme o caso - art. 7°, I e II,
parágrafo único + Lei 6015/73.

* Comoriência = art. 8°, CC – se duas ou mais pessoas morrem na mesma ocasião,


somente interessa saber qual delas morreu em primeiro se uma for herdeira ou beneficiária da
outra. O efeito da presunção da morte simultânea é que, não tendo ocorrido a oportunidade
para a transferência de bens entre os comorientes, um não herda do outro. Exemplo: Se num
acidente morre um casal sem descendentes, nem ascendentes, os colaterais da mulher ficarão
com sua meação e os colaterais do marido com a meação dele. Se fosse possível determinar
que pré morreu, a solução seria: o que viveu um pouco mais herdaria a meação do outro e
então, com sua morte, transmitiria a herança aos seus colaterais.

Herança = somatória de bens, créditos, débitos, direitos, obrigações, pretensões e


ações de que era titular o falecido, desde que transmissíveis.
A massa patrimonial deixada pelo autor da herança = espólio (universalidade de bens
sem personalidade jurídica). O Direito confere ao espólio legitimidade ad causam –

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representação ativa e passiva pelo inventariante – art. 12, CPC , salvo se dativo ou se
administrador provisório e o inventário não tiver sido instaurado.

Transmissão imediata = independe de qualquer ato (transmissão do domínio e da


posse da herança ao(s) sucessor (es)).
Os herdeiros tornam-se donos da herança ainda que não saibam que o autor da
sucessão faleceu. Contudo, necessitam aceitar a herança, podendo também repudiá-la
(renúncia). O artigo 1804 dispõe que a aceitação tem o efeito de tornar definitiva a transmissão
que já havia ocorrido por força do art. 1784 (morte do autor da herança)

Com a abertura da sucessão devolve-se a herança aos herdeiros. Assim, a segunda


etapa do fenômeno sucessório a DELAÇÃO ou DEVOLUÇÃO SUCESSÓRIA, ou seja, aberta a
sucessão, a herança é oferecida a quem quer que a ela tenha direito .

A terceira etapa resume-se à aceitação ou renúncia. Veremos adiante que a


transmissão se aperfeiçoa com a aceitação tácita, presumida ou expressa.

Legatários = adquirem a propriedade bens infungíveis, desde a abertura da sucessão, a dos


bens fungíveis somente com a partilha. Em ambos os casos, a posse deve ser requerida aos
herdeiros, que só estarão obrigados a entregá-la com a partilha, desde que comprovada a
solvência do espólio (art. 1923< CC e seguintes).

4. Foro competente para a abertura do inventário

- art. 1785, cc cc. Art. 96, CPC caput = último domicílio do falecido, ainda que o óbito
tenha ocorrido no estrangeiro.
- Se o falecido não tinha domicílio certo = o foro competente é o da situação dos bens
( art. 96, I, CPC)
- Se o falecido não tinha domicílio certo e possuía bens em lugares diferentes = foro
competente é o lugar onde ocorreu o óbito.

São hipóteses de competência relativa, podendo pois ser prorrogada.

· Competência internacional

Art. 89, II, CPC Compete à autoridade brasileira, com exclusão de qualquer outra
proceder o inventário e partilha de bens, situados no Brasil ainda que o autor da
herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional.

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Trata-se de competência absoluta. Situando-se o bem no Brasil, não importa a
nacionalidade do autor da herança e dos herdeiros, tampouco onde tenha residido no
estrangeiro. O foro competente para processar o inventário será o Juízo da comarca onde se
situa o bem inventariado.

Bens situados no estrangeiro = o inventário deverá ser processado no local da situação


dos bens – interpretação inversa do art. 89, II do CPC. O inventário de bens situados fora do
Brasil escapa à jurisdição brasileira.

5. Espécies de Sucessão

5.1. Quanto à fonte (art. 1786)

a) Testamentária (por última disposição de vontade)


b) Legítima ou ab intestato (por lei)

Caso exista o testamento, a vontade do testador se sobrepõe à vontade da lei. Com o


falecimento de alguém, analisa-se a eventual possibilidade de tal indivíduo ter deixado
testamento. A vontade do testador afasta a vontade da lei, lembrando que, em nosso
ordenamento jurídico, qualquer pessoa capaz para testar, pode dispor de 50% do seu
patrimônio via sucessão testamentária. Os outros 50% pertencem aos herdeiros necessários,
também denominados legimatários ou reservatórios, (descendentes, ascendentes e cônjuge) –
art. 1789 cc. 1845.

Logo, em nosso ordenamento, a liberdade de testar não é absoluta como no Direito


Romano, uma vez que o testador, em havendo herdeiros necessários, pode dispor tão somente
da metade do seu patrimônio.

Uma pessoa só pode dispor de seus bens para depois da morte pela via
testamentária?

Art. 2018 – É válida a partilha feita por ascendente, por ato inter vivos (sic.doação – ver
arts 544 e 549, CC) ou de última vontade, contanto que não prejudique a legítima dos
herdeiros necessários.

A partilha em vida, se feita pelo ascendente, por ato inter vivos, podendo abranger parte
ou totalidade de seus bens, só poderá ser efetivada desde que não prejudique a legítima dos
herdeiros necessários (não exige a presença da autoridade judiciária, mas pode estar sujeita a
revisão judicial).

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A partilha (doação), por produzir efeito imediato, constitui adiantamento da legítima,
sendo nula se excluir herdeiro necessário, exceto se o excluído premorrer, for declarado
indigno ou renunciar à herança.

Lembre-se: Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva (pacto
corvina).

Conclusão: Caso uma pessoa faleça ab intestato (sem testamento) a herança é


transmitida a seus herdeiros legítimos conforme a ordem preferencial estabelecida no art. 1829
(ordem da vocação hereditária). Pode ocorrer, ainda, que um testamento seja declarado
judicialmente nulo. Nesse caso, a sucessão será legítima. Outra hipótese é a caducidade do
testamento (veremos adiante). Novamente a sucessão será legítima. Por fim, a sucessão pode
ser legítima e testamentária, quando o testamento não compreender todos os bens do de
cujus.

5.2. Quanto aos efeitos

A sucessão pode ser a título universal e a título singular. A sucessão legítima é sempre a
título universal e a sucessão testamentária pode ser a título universal e a título singular
(legado).

A título universal = herança legítima ou testamentária ( conjunto de direitos e


deveres).
A única maneira de se receber bens a título universal é por meio da herança legítima ou
testamentária.

Assim, os herdeiros podem ser: legítimos (aqui se incluem os necessários:


descendentes, ascendentes e cônjuge) ou testamentários (toda pessoa pode dispor de metade
do seu patrimônio caso tenha herdeiros necessários)

(Ex: Deixo para Pedro, meu sobrinho, minha metade disponível = sucessão a título
universal testamentária)

ou

(Faleço ab intestatio = sucessão legítima a título universal)

A título singular = somente via testamento = legado (Deixo para Pedro uma casa –
Pedro é legatário) . Legatário não é o mesmo que herdeiro (este sucede sempre a título

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universal). O legatário sucede a título singular, coisa certa e individuada (ou coisas certas e
individualizadas).

Conclusão = herdeiros podem ser legítimos, necessários e testamentários. O herdeiro


único é denominado herdeiro universal. A pessoa contemplada em testamento com coisa certa
não é herdeiro testamentário mas sim legatário.

6. Lei reguladora da legitimação para suceder – art. 1787

A lei vigente ao tempo da abertura da sucessão (morte do autor da herança) é que


fixa a legitimação ou capacidade sucessória do herdeiro e disciplina a sucessão,
regendo-a. Nenhuma modificação legal, anterior ou posterior ao óbito, poderá modificar o poder
aquisitivo dos herdeiros, visto que a lei do dia do falecimento do autor da herança é que regula
o direito sucessório.

Exemplos: Se um dos cônjuges faleceu antes da entrada em vigor do novo Código Civil,
o outro cônjuge nunca poderia concorrer com os descendentes ou ascendentes do falecido,
ainda que o inventário fosse aberto após a entrada em vigor do novo diploma regulador. No
Código Civil revogado, o cônjuge não concorria com os demais herdeiros. Da mesma forma,
caso alguém falecesse antes da promulgação da Constituição de 1988 e tivesse filhos
consangüíneos e filho adotivo pelo sistema do antigo Código Civil, este último nada receberia
de herança. Caso o indivíduo falecesse após a entrada em vigor na Constituição de 1988,
todos os filhos herdariam em igualdade de condições.

7. Da herança e sua administração – arts. 1791, 1792, 1796 e 1797.

Princípio da indivisibilidade da herança – Até a partilha, o direito dos herdeiros quanto


à propriedade e posse da herança é indivisível, ou seja, trata-se de hipótese de condomínio
forçado ou legal, mas temporário, ou seja, é finalizado com a partilha.

A herança é uma universalidade de direito, nos termos do art. 91, CC, sendo indivisível
até a partilha, Pode ocorrer que, na partilha, fique estipulado que algum bem permaneça em
estado de comunhão, ficando em condomínio entre os herdeiros (art. 2019,CC).

Cada co-herdeiro pode exercer os seus direitos desde que não exclua os direitos dos
demais comunheiros. Pode, pois, exercer atos possessórios, reclamar mediante ação
reivindicatória a totalidade dos bens da herança de terceiro. Este não pode opor exceção
alegando o caráter parcial do direito nos bens da sucessão hereditária, em virtude ao princípio
da indivisibilidade da herança.

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Inventário – é o processo judicial tendente à relação, descrição, avaliação e liquidação
de todos os bens pertencentes ao de cujus ao tempo de sua morte, para partilhá-los e distribuí-
los entre seus herdeiros. Deve ser requerido, para fins de liquidação e partilha da herança, no
juízo competente, dentro de trinta dias da morte do autor da herança. O atraso na abertura do
inventário importa em penalidade de ordem tributária.

Administração provisória da herança – art. 1797

Até o prestação do compromisso pelo inventariante no processo de inventário, é o


administrador provisório quem tem a posse do espólio e a legitimidade para representar ativa e
passivamente a herança (CPC, ats. 985 e 986). A administração do espólio compete
sucessivamente: a) ao cônjuge, ou companheiro, sobrevivente, se convivia com o de cujus ao
tempo da abertura da sucessão; b) ao herdeiro que estiver na posse e administração dos bens,
e se houver mais de um, ao mais velho; c) ao testamenteiro; d) à pessoa de confiança do juiz,
na falta ou escusa dos indicados pela lei, ou quando tiverem de se afastados por motivo grave
levado ao conhecimento do juiz.

8. Cessão de Direitos Hereditários – arts. 1793 a 1795, CC

Cessão de direitos hereditários é o ato gratuito ou oneroso mediante o qual o herdeiro


transfere a outrem seus direitos hereditários.
Para ocorrer a cessão não é necessário que esteja aberto o inventário, porém a cessão
somente pode se dar após a abertura da sucessão (óbito do autor da herança).
A cessão de direitos hereditários deve ser celebrada por meio de escritura pública – art.
1793 (o direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel por determinação da lei – art. 80,
II).
A cessão diz respeito somente aos bens existentes no momento da mesma (art. 1793,
§ 1º) , podendo se referir a alguns bens ou à totalidade da herança.
Considerando ser a herança uma universalidade, não pode o co-herdeiro ceder
separadamente seus direitos hereditários sobre um determinado bem considerado
singularmente (§ 2° do art. 1793).

Nos termos do § 3°
, pendente a indivisibilidade, somente com autorização judicial, poderá qualquer co-
herdeiro dispor de bem componente do acervo hereditário. A disposição refere-se à alienação
do bem singularmente considerado e não do direito à herança. Os direitos hereditários podem
ser cedidos gratuita ou onerosamente em favor de terceiros, independente de autorização
judicial, desde que efetuada por todos os herdeiros. A autorização somente para a disposição
de bem singularmente considerado.

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O art. 1794 assegura aos co-herdeiros o direito de preferência quando a cessão de
direitos for feita a uma pessoa estranha à sucessão. Caso a cessão seja feita a outro herdeiro,
não existe o direito de preferência.

Feita a cessão para estranho sem o oferecimento aos demais herdeiros, quem
pretender exercer tal direito deverá fazê-lo depositando o valor nos próprios autos de
inventário, no prazo de até 180 dias após a transmissão sob pena de decadência. Sendo vários
os co-herdeiros a exercer a preferência, entre eles se distribuirá o quinhão cedido, na
proporção das respectivas quotas hereditárias (art. 1795, par. Único)

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Título : 2ª aula - Da vocação hereditária
Conteúdo :

Apostila 2
I. Da vocação hereditária

1. Da legitimação para suceder

A legitimação para suceder é a qualidade para que alguém possa invocar a


sua vocação hereditária (legítima) ou o seu direito de herdar por testamento.
É a aptidão da pessoas para receber os bens deixados pelo autor da herança.

1.1.Regra geral (art. 1798): somente pessoas nascidas ou já concebidas no


momento da abertura da sucessão. A disposição legal engloba a
sucessão legítima e a testamentária. Assim, a condição para herdar (pela
lei ou testamento) ou receber o legado é a existência dos herdeiros ou
dos legatários ao tempo da morte do autor da herança.

• Caducam disposições testamentárias que beneficiarem pessoas já falecidas

• Somente pessoas vivas (pessoas jurídicas, por testamento) podem herdar ou


ser legatárias. Animais não podem, uma vez que não podem ser sujeitos de
relações jurídicas.

• Nascituro: a capacidade sucessória do nascituro é excepcional, já que só


sucederá se nascer com vida, Havendo um estado de pendência de
transmissão hereditária, recolhendo o representante legal a herança sob
condição resolutiva. O concebido adquire a herança (posse e domínio) com
a abertura da sucessão como se fosse nascido, porém em estado potencial
(falta-lhe personalidade jurídica material). É nomeado um curador do ventre
(em regra, a mãe). Mas será nomeado um curado diverso se a mãe não tiver
o poder familiar, ou estiver interditada, sendo que neste caso o seu curador
também será do nascituro (art. 1779 e parágrafo único).

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1.2.Exceção (art. 1799, I): Por sucessão testamentária, podem ser
chamados a suceder, os filhos, ainda não concebidos, de pessoas
indicadas pelo testador, desde que vivas estas, ao tempo da morte
daquele (autor da herança).

Com a abertura da sucessão e a partilha, com quem ficarão os bens


da prole eventual?

R: art. 1800, caput, § § 1° e 2°.


Com o curador nomeado pelo juiz, após a liquidação e a partilha. Salvo
disposição testamentária em contrário, a curatela ficará à pessoa cujo
filho o testador esperava ter por herdeiro (mãe da prole eventual) e
sucessivamente às pessoas indicadas no art. 1775.

E se o herdeiro esperado não nascer com vida?

R: art. 1800, § 3°, interpretação ao contrário sensu.


Os bens reservados, salvo disposição testamentária em contrário,
voltam aos herdeiros legítimos.

Até quando os bens ficarão reservados à prole eventual?

R: art. 1800, § 4°
Até dois anos após a abertura da sucessão, se não for concebido o
herdeiro esperado, os bens reservados voltam aos herdeiros legítimos,
salvo se o testador tiver disposto de forma diversa, no testamento.

1.3.Pessoas jurídicas podem ser chamadas à sucessão?

R: Sim, nos termos do art. 1799, II e III, somente via testamento.


Pessoa jurídica já existente ao tempo da abertura da sucessão e
fundações (instituídas via testamento).

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2. Pessoas que não podem ser nomeadas herdeiras ou legatárias – art.
1801 (falta de legitimação).

As pessoas abaixo relacionadas, por razões especiais, não podem receber via
testamento, tendo incapacidade relativa, uma vez que poderão ser chamadas a
suceder em outro testamento.

a) Pessoa que escreveu o testamento, a rogo, nem seu cônjuge ou


companheiro, ascendeste e irmãos.
b) Testemunhas do testamento
c) Concubino do testador casado, salvo se, sem culpa sua, estiver separado de
fato do cônjuge há mais de cinco anos (conflito com o art. 1723)
d) O tabelião, civi, ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se
fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento.

• Nulidade absoluta – art. 1802 e parágrafo único= disposições testamentárias


em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas ou
feita mediante interposta pessoa (ascendentes, descendentes, irmãos,
cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder).

• Deixa testamentária deixada a filho do concubino é válida (art. 1803), desde


que o mesmo também o seja do testado. Aliás, esse filho, além de
beneficiado com a deixa testamentária, também é herdeiro legítimo. Filho é
filho!

II. Da aceitação e renúncia da herança


Art. 1804 ao 1813

A sucessão se abre no momento da morte do transmitente (momento em que


nasce o direito hereditário). A segunda etapa do fenômeno hereditário é a delação ou
devolução, ou seja, aberta a sucessão, a herança fica a disposição do herdeiro,
independentemente dele a ter reclamado.

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A terceira etapa do fenômeno sucessório se trata da aceitação ou renúncia da
herança.

1. Aceitação (ou adição)

É o ato pelo qual o herdeiro declara que aceita a herança do de cujus. Nos
termos do art. 1804, a aceitação torna definitiva a transmissão da herança desde a morte
do autor da herança.
Aceitação é negócio jurídico unilateral, uma vez que se aperfeiçoa apenas com
uma única manifestação de vontade, não receptícia, indivisível e incondicional.
A aceitação apenas confirma o direito que o falecimento do de cujus atribui ao
herdeiro, consolidando-o, uma vez que ninguém pode ser herdeiro contra a sua vontade.

• Não é aceitação (§ § 1° e 2° do art. 1805):

- Atos oficiosos como funeral do finado, atos meramente conservatórios,


administração e guarda provisória da herança.
- Cessão gratuita pura e simples aos demais herdeiros (todos) não é aceitação,
mas renúncia abdicativa.

Logo, aceitação (direito potestativo) com efeito meramente confirmativo do


domínio e da posse.

1.2. Espécies de aceitação

1.1.1.Expressa – por declaração escrita, geralmente nos autos do inventário,


podendo ser por instrumento particular ou público (1ª parte do art. 1.805).

1.1.2. Tácita – inferida por meio de atos, positivos ou negativos, somente


compatíveis à condição de herdeiro, que indiquem a intenção de aceitar a
herança. Por exemplo: intervenção no inventário, representado por advogado;
cobrança de dívidas do espólio; cessão de direitos hereditários; transporte de
bens da herança para o seu domicílio, etc. ( 2ª parte do art. 1.805).

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1.1.3.Presumida – (art.1807) – herdeiro permanece silente, depois de notificado,
para que declare, em prazo não superior a trinta dias, a pedido de alguém
interessado (geralmente credor do espólio), se aceita ou não a herança. O
silencia do herdeiro significa aceitação (silêncio circunstanciado).

1.3.Impossibilidade de aceitação parcial da herança (art. 1808 e


parágrafos).

A herança é uma universalidade indivisível até a partilha, não sendo possível


aceitá-la, nem renunciá-la em parte.
Contudo, aquele que sucede a título universal, na qualidade de herdeiro e a título
singular, na qualidade de legatário, pode aceitar somente o legado e repudiar a herança;
ou pode aceitar somente a herança e repudiar o legado e pode aceitar ou repudiar a
ambos.
Caso seja chamado a suceder a mais de um quinhão hereditários, sob títulos
sucessórios diversos, pode, livremente escolher quis os quinhões que aceita e quais os
que renuncia.

1.4. Impossibilidade de aceitação ou renúncia sob condição ou termo

A aceitação (e a renúncia) é ato puro e simples não comportando imposição de


qualquer condição ou termo.

1.5. Falecimento do herdeiro antes da aceitação da herança – art. 1809

Caso o herdeiro faleça antes de declarar se aceita a herança, o seu direito de


aceitar passa a seus herdeiros.
Entretanto, não poderá ocorrer a aceitação dos sucessores do herdeiro falecido
(antes da aceitação), na pendência de condição suspensiva estipulada pelo testador ainda
não verificada.

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A condição suspensiva impede a aquisição do direito (art. 125) e se o herdeiro que
deveria aceitar falecer antes do implemento da condição, ocorre a extinção de seu
direito (não se transmite o que se extinguiu).

1.6. Aceitação da segunda herança (parágrafo único do art. 1809)

Os chamados a suceder o herdeiro que faleceu antes da aceitação da herança,


apenas poderão aceitar (ou renunciar) a primeira herança se concordarem em receber a
segunda. Primeiro devem aceitar a segunda herança, para depois decidirem se querem
ou não a primeira.

1.7. Irrevogabilidade da aceitação da herança (art. 1812).

A aceitação (e a renúncia) e irrevogável. O Código anterior autorizava a retratação


da herança quando oriunda de violência, erro ou dolo. A aceitação com tais vícios é
passível de anulação no previsto prazo decadencial e não de retratação.
Se o herdeiro aceitou e não quer mais a herança, poderá cedê-la a quem se
interessar através de cessão de direitos hereditários. Este ato importará no pagamento de
dois impostos: o primeiro, causa mortis, em virtude da aceitação, e o segundo, inter
vivos, decorrente da cessão.

2. Renúncia

A renúncia é negócio jurídico unilateral e solene pelo qual o herdeiro manifesta


expressamente (art. 1806) a intenção de não aceitar a herança do de cujus.
A única espécie de renúncia é a expressa, por meio de instrumento público ou
por termo nos autos do inventário.
A renúncia por instrumento público é efetivada em um Ofício de Notas, onde é
celebrada por meio de uma escritura de Renúncia à Herança. O herdeiro de posse da
certidão da escritura junta-a nos autos de inventário.
A renúncia por termo é feita através de petição nos autos de inventário pelo
herdeiro renunciante, antes de praticar qualquer ato que demonstre aceitação.

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O Juiz determinará a ratificação por termo da petição e, após assinada pelo
herdeiro renunciante ou por procurador com poderes expressos, estará consumada a
renúncia.
Para se renunciar é preciso que a sucessão esteja aberta, pois não se aceita ou
repudia a herança de pessoa viva (proibição legal de pactos sucessórios).

2.1.Espécies de renúncia

2.1.1. Abdicativa (prevista no Código - parágrafo único do art. 1804 cc.


Art. 1805, § 2°.

A renúncia abdicativa é denominada pura e simples, ou ainda, em favor do


monte, sem indicação de qualquer favorecido. O herdeiro declara expressamente que
não aceita a herança que lhe foi deixada.
Uma vez operada a renúncia, não se verifica a transmissão da herança em
favor do renunciante (inexistência da transmissão e do conseqüente imposto causa
mortis devido pelo renunciante).

• Renúncia não é desistência. Quem desiste primeiro aceita e depois transmite


o seu quinhão por liberalidade. Na renúncia é a lei quem destina a parte do
renunciante, nos termos dos arts. 1810 e 1811. Na desistência, o destino da
herança é dada pelo renunciante.

2.1.2. Translativa – aceita pela doutrina e jurisprudência sob a vigência do


Código revogado, diante de sua omissão a respeito do assunto (não havia
previsão legal).

A renúncia translativa é cessão ou desistência da herança, na qual o herdeiro


“renunciante” renuncia em favor de determinada pessoa. O herdeiro, na verdade, pratica
dupla ação: primeiro aceita tacitamente a herança e, em seguida, renuncia. N renuncia
translativa são devidos o imposto causa mortis e o inter vivos.

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2.2. Restrições legais ao direito de renunciar

2.2.1. Capacidade jurídica plena

• Incapaz – necessária a representação ou assistência + autorização judicial


(art. 1691)
• Renúncia feita pelo mandatário ou representante convencional – exibição da
procuração com indicação dos poderes especiais para renunciar ( art. 661, 21
1°).

2.2.2. Outorga uxória ou marital

Exceto no regime de bens de separação absoluta, é necessário o


consentimento do cônjuge do renunciante casado, haja vista ser o direito à
sucessão aberta bem imóvel por determinação da lei (art. 80, II). Há quem
entenda não ser necessário o consentimento, uma vez que o art. 1647 utiliza
o termo alienar e quem renuncia nunca herdou e, assim não pode transmitir
aquilo que nunca teve.

2.2.3. Não prejudicialidade aos credores do renunciante (art. 1813).

Os credores do renunciante podem aceitar a herança em nome dele, nos


autos de inventário não encerrado, no prazo de trinta dias do conhecimento
da renúncia, mediante autorização judicial. Caso haja algum saldo, após a
quitação dos credores, ele será entregue aos demais herdeiros e não ao
renunciante. (§ 2°, art. 1813)
2.3. Conseqüências jurídicas da renúncia

2.3.1. Herdeiro renunciante é excluído da sucessão como se


jamais houvesse sido chamado.

2.3.2. Na sucessão legítima, a parte do renunciante acresce à


dos outros herdeiros da mesma classe (art. 1810). Sendo o

17
renunciante o único da classe, devolve-se a herança aos
da classe subseqüente.

2.3.3. Inexistência do direito de representação – ninguém pode


suceder representando herdeiro renunciante (art. 1811). A
parte do renunciante somente passará aos seus filhos se
ele for o único legítimo de sua classe, ou se todos da
mesma classe renunciarem. Assim os filhos do
renunciante herdarão por cabeça (direito próprio) e não
por representação

2.3.4. Renúncia da herança testamentária = caducidade da


liberalidade, salvo se o testador tiver indicado (no
testamento) substituto (art. 1947), ou se tiver direito de
acrescer entre os herdeiros (art. 1943).

2.4.Invalidade da Renúncia

• Absoluta: se for efetivada sem obediência à forma prescrita em lei (escritura


pública ou termo judicial) ou quando manifestada por pessoa absolutamente
incapaz sem o instituto da representação ou assistência mais a autorização
judicial.

• Relativa: quando proveniente de erro, dolo ou coação ou quando realizada


sem anuência do cônjuge do renunciante.

2.5.Ineficácia da renúncia

Os credores podem pedir ao juiz a suspensão temporária dos efeitos da


renúncia a fim de se pagarem, nos termos do art. 1813

18
Apostila 3
Dos Excluídos da Sucessão

I. Indignidade
Art. 1814 ao art. 1818

1. O que é?

Indignidade é uma pena civil aplicada aos herdeiros (legítimos ou testamentários)


ou legatários que praticaram alguma das faltas graves dispostas restritivamente na Lei
(incisos do art. 1814, CC).
Os atos ofensivos são contra a vida, a honra e a liberdade do de cujus ou de seus
familiares.

2. Causas de exclusão por indignidade (incisos do art. 1814)

a) Inciso I: autores; co-autores ou partícipes de homicídio doloso ou tentativa


deste contra o autor da herança, seu cônjuge (ou companheiro), ascendente ou
descendente.

Não é possível a incidência da indignidade:

• homicídio culposo
• erro contra a pessoa
• legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de um direito
• loucura ou embriaguez acidental e involuntária

*** o dolo é determinante para a exclusão

*** não cabe a defesa do excluído (apelação) alegando que não foi julgado
criminalmente, uma vez que a prova da indignidade pode ser produzida no cível.

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*** a absolvição por excludente de criminalidade no juízo criminal impede o
questionamento do fato no cível (art. 935, CC).

*** a extinção da pena (criminal) ou indulto não impedem o questionamento do fato no


cível.
Importante: para afastar por indignidade é imprescindível a prova do fato. A
mera suspeita impede o afastamento.

b) Inciso II: acusação caluniosa em juízo contra o autor da herança. Crime contra
a honra em relação ao autor da herança, seu cônjuge ou companheiro.

Reza o art. 339 do Código Penal que a denunciação caluniosa consiste em dar
causa a instauração de investigação policial ou de processo judicial de investigação
administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém,
imputando-lhe crime de que o sabe inocente.
Os crimes arrolados nos arts. 138, 139 e 140 do Código Penal (calúnia, difamação
e injúria) praticado contra o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro também são
hipóteses de afastamento legal por indignidade.
No caso da denunciação caluniosa, não é necessário que o autor da herança tenha
sido (injustamente) condenado, bastando que o crime praticado pelo herdeiro tenha
provocado a ação penal contra o de cujus.
Com relação aos crime praticados contra a honra do autor da herança (ou seu
cônjuge ou companheiro), é necessário a prévia condenação do indigno no juízo
criminal.

c) Inciso III: serão afastados da sucessão os herdeiros ou legatários que, por


violência ou fraude, inibiram ou impediram o autor da herança de dispor
livremente de seus bens por ato de última vontade (testamento).

Exemplos: herdeiros os legatários que constrangeram o autor da herança a fazer o


testamento; o impediram de revogar testamento anterior; suprimiram testamento
cerrado ou particular; elaboraram testamento falso.

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3. Procedimento para obter a exclusão (declaração jurídica da
indignidade)

A exclusão não opera de direito. Será aplicada mediante provocação dos


interessados, através de ação ordinária, promovida por quem tenha interesse na
sucessão. Será, pois, declarada por sentença.
Interessados em provocar o afastamento da sucessão por indignidade são: co-
herdeiro; legatário; donatário e qualquer credor prejudicado com a inércia dos
interessados.
Somente será caracterizada a exclusão do herdeiro por indignidade se a sentença
(transitada em julgado) assim o declarar.

• Prazo para propositura da ação: quatro anos da abertura da sucessão


• A ação deve ser proposta em vida do ofensor.
• A morte do ofensor extingue a ação de indignidade proposta contra ele, não
se estendendo aos seus sucessores.

4. Efeitos da indignidade

a) Os descendentes do excluído o sucedem, por representação, como se o


indigno já fosse falecido na data da abertura da sucessão (art. 1816). Assim,
os filhos ou netos ou bisnetos... do excluído herdam por representação (por
estirpe).

b) Retroação ex tunc dos efeitos da sentença declaratória da indignidade (1817,


parágrafo único). O afastado por indignidade deve restituir os frutos e os
rendimentos percebidos, uma vez que o ato de ingratidão que praticou resultará
em perda do direito à sucessão. Contudo, o excluído tem direito ao reembolso
das despesas feitas com a conservação dos bens do acervo hereditário.

c) A sentença não pode prejudicar os direitos de terceiros de boa-fé, daí


respeitarem-se os atos disposição a título oneroso e de administração praticados

21
pelo indigno antes da sentença de exclusão. Entretanto os co-herdeiros, se
prejudicados, poderão demandar-lhe e pleitearem perdas e danos,. ( art. 1817).

d) O excluído da sucessão não terá direito ao usufruto ou à administração dos bens


que a seus sucessores couberem na herança, nem à sucessão eventual desses
bens, (art. 1816, Parágrafo único)

e) O excluído da sucessão por indignidade, uma vez apurada a ocultação ou


destruição do testamento por culpa ou dolo, deverá responder por perdas e
danos, na forma do direito comum..

5. Reabilitação do indigno – art. 1818

A reabilitação do indigno deve ser feita expressamente pela pessoa ofendida.


O direito de perdoar é privativo e formal. Assim, a reabilitação deve ser expressa
através de testamento ou em outro ato autêntico (escritura pública).
O perdão é irretratável. Uma vez concedido, os co-herdeiros não têm legitimação
para reabri a questão.

• Reabilitação tácita via testamento – parágrafo único do art. 1818: Caso o


ofendido (autor da herança), ao fazer o testamento, já conhecesse a causa da
indignidade e, ainda assim, contemplar o ofensor em disposição
testamentária, este poderá suceder no limite da disposição testamentária.

II. Deserdação
Art. 1961 ao art. 1965

1. O que é?

Deserdação é o ato através do qual alguém, apontando como causa um dos motivos
descritos na lei, afasta de sua sucessão um herdeiro necessário, através do testamento.

22
A deserdação dirige-se somente aos herdeiros necessários, privando-os da
legítima. A indignidade atinge qualquer herdeiro, inclusive o legatários.
A indignidade tem a sua força na lei. A deserdação repousa na vontade do
testador.

Causas de exclusão por deserdação (art. 1962 e art. 1963)

a) Causa mencionadas no art. 1814 ( indignidade)


b) Deserdação dos descendentes feita (via testamento) pelos ascendentes – art.
1962:

• ofensa física
• injúria grave
• relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto
• desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade

c) Deserdação dos ascendentes feita (via testamento) pelos descendentes

• ofensa física
• injúria grave
• relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com
o marido ou companheiro da filha ou o da neta.
• desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.

• Importante: o cônjuge é herdeiro necessário que pode ser afastado via


deserdação se incidir numas das hipóteses elencadas no art. 1814, já que o
legislador não previu outras como fez com os ascendentes e os
descendentes.

3. Indicação da causa da deserdação


A causa da deserdação deve constar expressamente em testamento – art. 1964

23
4. Ação para provar a causa da deserdação – art. 1965 e
parágrafo único
A ação ordinária para provar a causa de deserdação é distribuída por dependência nos
autos de inventário do testador, e prescreve em quatro anos a contar da abertura do
testamento.

5. Reabilitação do deserdado

Um testamento mais novo revoga o mais velho. A deserdação por ser imposta por
testamento, só pode ser revogada por outro testamento

24
Título : 4ª aula - Herança Jacente e Herança Vacante
Conteúdo :

Apostila 4

Herança Jacente e Herança Vacante


Art. 1819 ao art. 1823, CC
+ arts 1142 e seg. do CPC
.
1. Herança jacente - conceito – art. 1819

Herança jacente ocorre na hipótese de alguém falecer sem deixar herdeiros


testamentários e (ou) legítimos ou, se havendo, não aceitarem a herança. Os bens da
herança, após arrecadação, ficarão sob guarda e administração de um curador, até a
entrega ao sucessor devidamente habilitado ou à declaração de sua vacância.
A herança jacente é um ente despersonalizado. Contudo, a lei processual lhe
reconhece legitimação ativa e passiva para comparecer em juízo - art. 12, IV, CPC
(representada pelo curador).
O Código de Processo Civil, no Capítulo V, dos Procedimentos Especiais de
Jurisdição Voluntária (art. 1142ao 1158) trata da formalização da herança jacente para
eventualmente ser ou não declarada vacante.

Com o falecimento de alguém sem que exista herdeiro aparente, o juiz promove
a arrecadação dos bens, na comarca onde o falecido tiver domicílio.

2. Arrecadação dos bens

O processo de arrecadação é regulado pela Lei adjetiva (processual) e visa


arrecadar os bens que serão administrados pelo curador nomeado pelo juiz, com função
equivalente à do inventariante.
A Procuradoria do Município e o Ministério Público se pronunciarão em todos
os atos processuais.

25
Com o final da arrecadação dos bens, haverá, por ordem judicial, a expedição de
edital, que será publicado, por três vezes, com intervalo de trinta dias, no órgão oficial e
na imprensa da comarca, convocando os herdeiros a se habilitarem (art. 1152, CPC).
Após um ano da primeira publicação e não havendo herdeiro habilitado, nem
habilitação pendente, a herança será declarada vacante (art. 1157, CPC cc art. 1820,
CC).
Caso apareça um herdeiro nesse período, deverá promover sua habilitação nos
autos, convertendo-se a arrecadação em inventário (art. 1153, CPC)
Os credores da herança poderão habilitar-se no procedimento de arrecadação, da
mesma forma que se habilitam no inventário ou propor ação de
cobrança (art. 1152, CPC cc. Art. 1821, CC).

3. Herança vacante – conceito – art. 1820

A declaração da herança vacante tem como pressuposto a herança jacente. Os


bens da herança serão declarados vacantes se praticadas todas as diligências, não
aparecerem herdeiros.
Após a declaração da vacância, os bens poderão ser incorporados ao domínio do
Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas circunscrições, ou
então ao domínio da União quando situados em território federal.
• Prazo para incorporação dos bens da herança vacante ao domínio dos entes
federados = 5 anos da abertura da sucessão. Antes desse prazo, a declaração
da vacância não prejudica os herdeiros que legalmente se habilitarem (art.
1822).
• Após os cinco anos da abertura da sucessão, os bens arrecadados passarão
aos citados entes federados. Caso apareça algum herdeiro para pleitear
direitos, poderá fazê-lo, através de ação própria.
• Os colaterais que não se habilitarem até a declaração da vacância ficarão
excluídos da sucessão (art. 1822, parágrafo único).
• Se todos os chamados a suceder renunciarem à herança, será esta desde logo
declarada vacante (art. 1823).

26
Petição de Herança
Art. 1824 ao art. 1828, CC

1. O que é?

A petição de herança é uma ação pela qual o herdeiro pode demandar o


reconhecimento de seu direito sucessório, para obter a restituição da herança, ou de
parte dela, contra quem, na qualidade de herdeiro, ou mesmo sem título, a possua.

• Prazo = a ação de petição de herança poderá ser exercida no prazo


prescricional de 10 anos contado da abertura da sucessão- art. 205, CC
(salvo se for absolutamente incapaz).

• Natureza da ação = condenatória, devendo ser ajuizada no mesmo foro do


inventário, podendo ser acumulada com outra (e^. investigatória de
paternidade). O juízo do inventário é competente para as ações concernentes
à herança (art. 96, CPC).

2. Ação intentada somente por um herdeiro – art. 1825.

A ação de petição de herança, mesmo que tenha sido movida por um dos co-
herdeiros, poderá abranger todos os bens do acervo hereditário, com seus rendimentos e
acessórios, pois até a partilha a herança é indivisível. O demandado não poderá se
defender alegando que os bens não pertencem por inteiro ao demandante.

3. Efeitos da procedência da ação de petição de herança

3.1. A ação pode ser movida contra herdeiro (art. 1824) ou contra possuidor da
herança de boa ou má-fé.
3.2. O possuidor da herança está obrigado à restituição dos bens do acervo,
fixando-lhe a responsabilidade conforme sua posse (arts. 1826 cc arts 1214 a
1222, todos do Código Civil).
4. Ação promovida pelo herdeiro contra detentor da herança a outro título
– art. 1827

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O herdeiro pode mover ação contra possuidor originário que detém indevidamente
a herança a outro título. O possuidor ilegítimo da herança (herdeiro aparente) terá
responsabilidade pelo valor dos bens do acervo hereditário que veio a alienar, a título
oneroso.
Herdeiro aparente é aquele que por ser possuidor de bens hereditários, faz supor
que seja o legítimo titular (não o é, pis foi declarado não legitimado a suceder – indigno,
deserdado ou contemplado em testamento nulo, anulável, caduco ou revogado)

• E se o herdeiro aparente tiver feito alienação onerosa a terceiro de boa-


fé?

Parágrafo único do art. 1827 – O terceiro de boa-fé não poderá ser prejudicado. A
venda será válida e eficaz, mas o alienante deverá entregar ao verdadeiro herdeiro o
valor dos bens que alienou, respeitando o direito do adquirente de boa fé sobre eles.
Caso a alienação seja gratuita e o adquirente esteja de boa-fé, ela não terá eficácia. O
terceiro deverá restituir os próprios bens

5. Herdeiro aparente de boa fé que pagou legado – art. 1828

Caso o herdeiro aparente e de boa-fé tenha entregado o legado à pessoa indicada


no testamento do de cujus, não terá obrigação de3 pagar o equivalente ao verdadeiro
herdeiro. Este poderá agir contra quem indevidamente recebeu o legado, para obter a
devolução do bem ou o pagamento do seu valor correspondente

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Título : 5ª aula - Sucessão Legítima
Conteúdo :

Apostila 5
Sucessão Legítima

A sucessão legítima (ab intestato) decorre da lei, ou seja, os herdeiros são


designados pela lei, observando-se a ordem prevista no art. 1829, CC. Pode ocorrer
somente a sucessão legítima (nas hipóteses da falta de testamento ou deste vir a caducar
ou ser julgado nulo). Vale lembrar que a sucessão também pode ser mista (legítima e
testamentária).

5.1. Ordem da Vocação Hereditária – art. 1829

1. O que é ordem da vocação hereditária

A ordem de vocação hereditária é uma relação preferencial, estabelecida pela lei,


das pessoas que são chamadas a suceder o autor da herança (de cujus).
Diz-se que a sucessão legítima é o testamento dos que não fizeram disposições de
última vontade (vontade presumida do autor da herança).
O chamamento à sucessão legítima é feito por classes, sendo que a mais próxima
exclui a mais remota, e é por isso que tal ordem é denominada preferencial.
Em primeiro lugar, serão chamados os descendentes, a seguir, os ascendentes (se
não houver descendentes); o cônjuge sobrevivente (se não houver descendentes, nem
ascendentes) e os colaterais se não existirem descendentes, ascendentes, nem cônjuge.
As duas primeiras classes concorrem com o cônjuge sobrevivente.

2. Herdeiros necessários – art. 1845

Descendentes, Ascendentes e Cônjuge. Herdeiros necessários são também


denominados reservatários, forçados ou legitimários. A eles pertence metade da herança
que constitui a legítima (art. 1846).

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O testador, que tiver herdeiros necessários, não pode dispor da totalidade dos
bens, devendo respeitar a legítima dos citados herdeiros.

Como é calculada a legítima?

Art. 1847 Sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão, abatidas as
dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se, em seguida, o valor dos bens sujeitos à
colação.
Valor dos bens na data - dívidas do de cujus = acervo hereditário : 2 = legítima + bens a
serem colacionados da abertura da sucessão e despesas dos funerais

O herdeiro necessário não perderá o direito à legítima, se o testador lhe deixar a


parte disponível ou algum

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Título : 6ª aula - Dos Herdeiros Necessários – art. 1845 e seguintes
Conteúdo :

Apostila 6
Dos Herdeiros Necessários – art. 1845 e seguintes.

1. O que são herdeiros necessários?

Herdeiro necessário, também denominado legitimário ou reservatário, é o


descendente (filho, neto, etc.) ou ascendente (pai, avô, etc.) e o cônjuge. Tais parentes
devem ser sucessíveis, ou seja, não podem ser excluídos da sucessão por indignidade ou
deserdação.

2. Qual a parte da herança assegurada aos herdeiros


necessários?

A lei assegura a metade dos bens do testador (art. 1846), ou seja, a legítima dos
herdeiros necessários. A outra metade, denominada quota disponível, pode, obviamente,
ser deixada livremente pelo testador (via testamento).
Legítima ou reserva é a porção que a lei assegura ao herdeiro necessário.

3. Como é feito o cálculo da legítima?

Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão,


abatidas as dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se, em seguida, o valor dos
bens sujeitos à colação. (art. 1847)
As doações feita pelo de cujus (em vida) aos seus descendentes devem vir à colação.
A colação tem por finalidade conferir e igualar a legítima dos herdeiros
necessários (descendentes e cônjuge)
Doações a ascendentes não obrigam a colação.

4. Se não existirem herdeiros necessários, pode o testador


dispor, via testamento, de todo o seu patrimônio?

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Sim. O testamento é a via adequada para afastar os colaterais da sucessão. O
testador pode indicar as pessoas contempladas com a sucessão testamentárias, salvo nas
hipóteses dos arts. 1798 ao 1.801 (pessoas não legitimadas adquirir por testamento) .

5. O que são cláusulas restritivas à legítima dos herdeiros


necessários?

O testador, desde que haja justa causa declarada no testamento (art. 1848) pode
restringir a eficácia da legítima dos herdeiros necessários. Estes não perdem o direito à
herança, mas podem sofrer limitações. Cite-se, como exemplo, a cláusula testamentária
relativa a determinado herdeiro necessário considerado pródigo. O testador ao colocar a
restrição (inalienabilidade) deve indicar a causa no testamento. Caso o herdeiro
necessário venha a falecer, os bens clausulados por ele recebidos passarão aos seus
sucessores livre e desembargados.

6. Podem os bens clausulados serem alienados?

Sim, desde que haja justa causa e mediante autorização judicial, sendo que o
produto da venda deverá ser convertido em outro bem que ficará sub-rogado no ônus.

7. E os bens da herança testamentária podem ser clausulados?

Sim. Nos termos do art. 1911, a cláusula de inalienabilidade imposta aos bens por
ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e incomunicabilidade.

Do direito de representação – 1851 e seguintes.

1. Conceito: O direito de representação consiste na convocação


legal para suceder em lugar de outro herdeiro, parente mais
próximo do finado, mas anteriormente pré-morto, ausente, ou
incapaz de suceder (indignidade), no instante em que se abre a
sucessão.

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2. Representantes = herdam por estirpe e não por direito
próprio

3. A representação é restrita à sucessão legítima

Não se aplica o direito de representação à sucessão testamentária.


Nesta é admitida a substituição vulgar determinada pelo testador
(determina n testamento que em caso da pré morte do beneficiário do
testamento, os bens passem aos seus herdeiros legítimos).

4. Finalidade do direito de representação = diminuir o rigor da


regra de que o parente de grau mais próximo exclui o mais remoto

5. Requisitos do direito de representação

a) Representado tenha falecido antes do representante, salvo as hipóteses de


ausência, indignidade e deserdação.
b) Representante seja descendente do representado
c) Representante tenha legitimidade para herdar do representado no momento
da abertura da sucessão ( o excluído da sucessão do pai não o pode
representá-lo na sucessão do avô).
d) Não existência de solução de continuidade no encadeamento dos graus
entre representante e representado (não pode o neto saltar sobre o pai vivo a
fim de representá-lo na herança do avô, salvo em caso de ausência,
indignidade e deserdação).
e) Existência de pelo menos um filho do de cujus ou de um irmão na linha
colateral, pois se todos os filhos ou irmão do de cujus já morreram os netos
ou sobrinhos herdam por direito próprio (por cabeça) e não por
representação (estirpe).

6. Em quais hipóteses legais ocorre o direito de representação?

a) Na linha descendente ( art. 1852) e nunca na ascendente.

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b) Na linha colateral em favor dos sobrinhos quando com irmão do de cujus
concorrerem. (art. 1853)

c) Ninguém pode suceder representando herdeiro renunciante que é havido


como estranho à herança e, dessa forma, não pode ser substituído pelo seu
descendente.(art. 1811)

7. Efeitos do direito de representação

a) Atribuição de direito sucessório a pessoas que não sucederiam por existirem


herdeiros de grau mais próximo.

b) Os representantes são obrigados apenas pelas dívidas do de cujus até o limite


da força da herança.

c) O representante só herda o que o representado herdaria se não estivesse


afastado da sucessão por morte, ausência, indignidade ou deserdação.

d) O quinhão do representado partilha-se por igual entre os representantes (art.


1855).

e) O renunciante à herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão de


outra (art. 1856)

Exemplo: um filho do de cujus renuncia a herança para beneficiar o seu irmão


( o filho de renunciante não herda por representação). Contudo a renúncia à
herança do pai não significa a renúncia a herança do avô, para a qual o
renunciante poderá ser chamado representando seu pai pré-morto.

f) Obrigação do neto, representando seu pai (ou mãe), levar à colação as doações
que seu pai ou sua mãe receberam do avô (ou avó) (art. 2009).

34
Título : 7ª aula - Sucessão Testamentária
Conteúdo :

Apostila 7
Sucessão Testamentária
artigo 1798 ao 1803
artigo 1857 ao 1990

1. Introdução

Toda pessoa capaz pode dispor de seu patrimônio para depois de sua morte,
alterando a vocação hereditária prevista na lei (art. 1829).
Vale lembrar que, em havendo herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e
cônjuge), o testador deve respeitar a legítima desses herdeiros. Nessa situação, pode
dispor da metade do seu patrimônio, via testamento.
A sucessão testamentária requer manifestação expressa da vontade,
instrumentalizada por testamento ou codicilo.
A sucessão testamentária pode ser a título universal (herança testamentária) e a
título singular (legado).
“É valida a partilha feita por ascendente, por ato inter vivos (sic. doação) ou de
última vontade (sic. testamento), contanto que não prejudique a legítima dos herdeiros
necessários” – art. 2018, CC.

2. O que é o testamento?

O testamento é fato humano de última vontade, pelo qual o autor da herança


dispõe de seus bens para depois da morte e (ou) faz outras disposições
(reconhecimento de filhos, nomeação de tutor, instituição de fundação, etc.).

3. Características
3.1 Fato jurídico em sentido amplo; na espécie fato humano; ato jurídico na
modalidade negócio jurídico unilateral da vontade não receptícia.

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3.2. Ato jurídico personalíssimo – não é permissível a elaboração de testamento
via procuração (art. 1858, 1ª parte).
3.3. Revogabilidade (art. 1858, 2ª parte), salvo na parte que o testador tiver
reconhecido um filho havido fora do casamento ( art. 1609, III).
3.4. Solene – só será válido se ocorrer estrita obediência aos requisitos legais.
3.5. Gratuidade – não visa a obtenção de vantagens para o testador. O encargo
colocado na última disposição de vontade não lhe retira a característica de gratuidade.

4. Capacidade para testar (art. 1860 ao 1861)

As pessoas maiores de dezesseis anos podem testar.


O testamento de pessoas que ao testarem não tinham discernimento pleno do que
faziam, em razão de alguma doença ou de algum fato, pode ser invalidado.
Logo, o testador deve ter:

• no mínimo 16 anos completos,


• discernimento pleno

A incapacidade superveniente do testador não invalida o testamento, assim como a


capacidade superveniente do testador convalida o ato de última vontade

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Título : 8ª aula - Sucessão Testamentária
Conteúdo :

Apostila 8
Sucessão Testamentária
Disposições Testamentárias
Artigos
1897 - 1911

I. Introdução

O capítulo referente às disposições testamentárias trata do conteúdo dos


testamentos que pode ser tanto de ordem patrimonial ou encerrar outras disposições
alheias à disposição de bens.
Tal capítulo estabelece o que pode e o que não pode conter um testamento.
Contém, pois, regras permissivas e regras proibitivas quanto ao conteúdo do testamento.
No mesmo capítulo, há, ainda, disposições relativas à interpretação da vontade
do testador, ou seja, contém regras interpretativas.
Qualquer pessoa interessada juridicamente em anular o testamento com
fundamento no erro, dolo ou coação (em relação ao testador) poderá fazê-lo no prazo de
quatro anos a partir do conhecimento do vício – art. 1909.

2. Regras interpretativas

• Art. 1899 – se a cláusula testamentária for suscetível de várias


interpretações, deverá prevalecer a que melhor assegure a vontade do
testador (ver art. 112, CC)
• Art. 1902 – disposições em favor dos pobres, de estabelecimentos
particulares de caridade ou de assistência pública são entendidas como feitas
aos da localidade do domicílio do testador ao tempo de sua morte, salvo se o
testamento conter disposição em contrário (outro local).

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• Art. 1904– se o testamento nomear dois ou mais herdeiros, sem discriminar
a parte de cada um, partilhar-se-á por igual, entre todos, a porção disponível
do testador.
• Art. 1905 – nomeação individual e coletiva – herança é dividida em tantas
quotas quanto forem os indivíduos e os grupos relacionados (Maria e Ana e
os filhos de Josefa = as herança é dividia em 3 partes: uma para Maria,
outra para Ana e a terceira para os filhos de Josefa) .
• Art. 1906 – Se as quotas de cada herdeiro testamentário não absorverem
toda a herança, o remanescente pertencerá aos herdeiros legítimos,
observada a ordem de vocação hereditária.
• Art. 1907 – Se na sucessão testamentária o testador dispor dos quinhões de
alguns herdeiros e não os de outros, primeiramente são completadas as
porções dos primeiros e depois, o que restar será partilhado por igual entre
os segundos.
• Art. 1908 – Pode o testador deixar uma parte hereditária ao herdeiro
instituído mas dispor que não lhe cabe determinado objeto. Este ficará aos
herdeiros legítimos.
• Art. 1910 – A ineficácia de uma disposição testamentária importa a das
outras que, sem aquela, não teriam sido determinadas pelo testador.

3. Regras proibitivas

• Art. 1898 – São proibidas a nomeação de herdeiros a termo (com


designação do tempo em que deva começar e terminar o seu direito, salvo as
disposições fideicomissárias). Se o testador escrever o termo, vale a deixa,
uma vez que o termo é como se não existisse. Contudo, o testador pode
nomear legatário a termo (ver art. 1924).

• Art. 1900 – incisos – Leia-os!

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4. Regras permissivas

• Art. 1897 - A nomeação do herdeiro ou legatário pode ser pura (produz


efeitos assim que se abre a sucessão); condicional (a eficácia se subordina a
evento futuro e incerto (ler a respeito das condições na parte geral do
Código Civil); ou com encargo (para certo fim ou modo), quando o testador
impõe um ônus ou obrigação ao beneficiário; por certo motivo (o testador
declara a razão que o levou a fazer a liberalidade, ou seja, a disposição é
motivadas ( falso motivo é tipificado como erro no art. 140).

• Art. 1911 – Tal artigo permite que o testador imponha gravame sobre os
bens que compõem a metade disponível A cláusula de inalienabilidade (só
pode ser vitalícia ou temporária) implica a impenhorabilidade e
incomunicabilidade. Sobre os bens da legítima, só se houver justa causa
declarada no testamento (art. 1848)

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Título : 9ª aula - Sucessão Testamentária dos legados
Conteúdo :

Apostila 9
Sucessão Testamentária
Dos Legados

1. O que é legado?

O legado é liberalidade causa mortis a título singular, ou seja, de coisa certa e


determinada deixada a alguém, denominado legatário. O legado só pode ser transmitido
via testamento ou codicilo.

2. O herdeiro legítimo pode ser legatário?

Sim. Tal legado denomina-se prelegado ou legado precípuo e o beneficiário


prelegatário ou legatário precípuo.

3. Quem transmite o legado?

O herdeiro encarregado de g fazê-lo, denominado onerado.

4. Modalidades de legado

Quanto ao objeto, o legado pode ser de coisas; de crédito ou de quitação de


dívida; de alimentos; de usufruto; de imóvel; de dinheiro; de pensão periódica;
alternativo.

5. Legado de coisas

1.1. De coisa alheia

Nos termos do art. 1912, é ineficaz o legado de coisa certa que não pertença ao
testador no momento da abertura da sucessão. Contudo tal regra admite duas exceções:

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a. Art. 1913: quando o testador ordena que o herdeiro ou legatário entregue
coisa de sua propriedade a outrem, sob pena de entender-se que renunciou à
herança ou ao legado. Tal disposição é condicional, uma vez que o herdeiro
ou legatário só receberá a herança ou o legado se entregar coisa de sua
propriedade. O terceiro gratificado é o sublegatário. Caso o herdeiro ou
legatário não cumpra com a determinação do testador, há a presunção
absoluta de renúncia da herança ou do legado.
b. Art. 1915: Legado de coisa incerta maracá pelo gênero e quantidade. O
Código determina que tal legado deve ser cumprido, ainda que tal coisa não
exista entre os bens deixados pelo testador. Regra: o gênero não pertence a
ninguém.

1.2. Legado de coisa comum

Se a coisa legada for comum e somente em parte pertencer ao testador (ou no caso
do art. 1913), só quanto a essa parte valerá o legado.

1.3. Legado de coisa singulariza

O legado de coisa determinada só terá eficácia se a coisa for encontrada ou ainda


pertencer ao de cujus ao tempo de sua morte – art. 1916

1.4. Legado de coisa localizada

Nos termos do art. 1917, o legado de coisa que deva ser encontrada em certo lugar
só terá eficácia se nele for achada, salvo se removida a título transitório. (ex; móveis de
determinados cômodos; animais de certa fazenda que foram provisoriamente removidos
para pastagem em outro local.)

2. Legado de crédito ou quitação de dívida

Nos termos do art. 1918 o legado de crédito ou quitação de dívida é cumprido


entregando o herdeiro ao legatário o respectivo título (§ 1°). No legado de crédito, o

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devedor é terceiro, caracterizando-se verdadeira cessão, em que o legatário substitui o
testador (credor primitivo), podendo promover a respectiva cobrança Se o devedor for o
próprio legatário, o legado será de quitação de dívida, operando-se a remissão )art. 386),
pois o herdeiro devolverá ao devedor-legatário o título. Tal legado não abrange as
dívidas posteriores ao testamento (§ 2°)
Se o testador não declarar expressamente, o legado que ele fizer ao credor não
poderá ser reputado como compensação (o testador deve ao legatário).

7. Legado de alimento

Conforme disposto no art. 1920, o legado de alimentos abrange o sustento, a


cura, o vestuário e a casa enquanto o legatário viver, além da educação se for menor. É
o testador que deve fixar o valor da pensão alimentícia. Se não o fizer, cabe ao juiz fixá-
la, levando em conta as forças da herança e a condição social e necessidade do legatário.
Tais alimentos não se alteram em razão de modificação das circunstâncias e da situação
econômica do beneficiado (não se confundem com os alimentos legais).

8. Legado de usufruto
O legado de usufruto sem indicação do tempo é entendido como vitalício, ou
seja, por toda a vida do legatário, O nu-proprietário pode ser um herdeiro ou terceiro. Se
o testador não fez indicação, entende-se que é o herdeiro. Se o legado é deixado a
pessoa jurídica, extingue-se com esta ou se ele perdurar, aos trinta anos da data em
começou a exercer (art. 1410., III).

9. Legado de imóvel
No legado de imóvel não se compreendem novas aquisições que lhe tenha
ajuntado o testador, salvo expressa declaração em contrário – art. 1922. Tais aquisições
são as acessões artificiais (plantações e construções) e não as benfeitorias.

10. Aquisição dos legados


Princípio Saisine: com a abertura da sucessão, a coisa certa existente no acervo
hereditário já pertence ao legatário. O herdeiro legítimo e testamentário também adquire
a propriedade da herança.

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Contudo, somente os herdeiros adquirem a posse da herança. O legatário não. A
posse do legatário não é adquirida por sua própria vontade.
Se o legado for de coisa incerta e fungível, o legatário só a adquire com a
partilha.

Quem entrega a posse ao legatário é o herdeiro, que não é obrigado a entregá-la


de imediato, devendo verificar se o espólio é solvente.

Pedido do legado = formulado no inventário, podendo ser deferido, desde logo,


se todos os herdeiros concordarem.
Caso haja discordância, o legatário deverá aguardar a partilha – art. 1022, CPC.

Legado condicional = só pode ser reclamado com o implemento da condição –


art. 1923, § 1°. Se o legatário falecer antes da condição, caduca o legado – art. 1943.

Legado a termo = só pode reclamá-lo com o advento do termo inicial.

Legado com encargo = funciona como o puro e simples – poder o legatário pedir
desde logo aos herdeiros, desde que seja coisa certa.

Validade do testamento questionada em juízo = impede o exercício do direito de


pedir o legado – art. 1924.

11. Efeitos do legado quanto às suas modalidades

a) Frutos – art. 1923, § 2°


• No legado condicional ou a termo – o legatário só terá direito aos frutos
após o implemento da condição ou o advento do termo inicial.

Juros de legado em dinheiro – vencem desde o dia em que se constituir em mora


a pessoa obrigada a prestá-lo – art. 1925 (o legatário deverá interpelar o
herdeiro ou testamenteiro)
No legado de coisa incerta não são incluídos os frutos desde a morte do testador.

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b) Legado de renda vitalícia ou pensão periódica – o corre desde a morte do
testador – Ler os artigos 1926, 1927, 19288 e seu parágrafo.

a) Legado de coisa incerta – cabe ao herdeiro escolhe-la (meio termo – nem a


melhor, nem a pior) – art. 1929

• Se o testador dispôs no testamento a respeito da escolha, valerá a vontade do


mesmo
• Ler os artigos 1930 e 1931

b) Legado alternativo – art. 1932 – cabe ao devedor (herdeiro ) escolher, salvo


se o testador tiver estipulado de forma diversa.

12. Quem paga o legado?

Art. 1934º cumprimento do legado cabe aos herdeiros e, não os havendo, aos
legatário, na proporção do que herdaram, salvo disposição diversa no testamento.
O testador pode, via testamento, encarregar certos herdeiros ao cumprimento do
legado. Tais herdeiros são os onerados – parágrafo único do art. 1934.
Despesas com impostos, depósito e transporte = legatário (art. 1936), salvo
disposição contrária no testamento.

13. Caducidade dos legados

O legado pode deixar de produzir efeitos se o testador revogar o legado antes de


morrer.
O legado também não produz efeitos se o testamento for declarado nulo em
decisão judicial.
Por fim, o legado poderá deixar de produzir efeitos em decorrência da
caducidade = ineficácia devido a alguma causa ulterior à disposição testamentária
válida.

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• Causas objetivas

Art. 1939, I = modificação da coisa legada pelo próprio testador (transforme um


anel em ouro)

Art. 1939, II = alienação da coisa pelo próprio testador

Art. 1939, III = perecimento ou evicção da coisa sem culpa do herdeiro ou


legatário incumbido do seu cumprimento, estando vivo ou morto o testador.

• Causas subjetivas

Art. 1939, IV cc. Art. 1815 = exclusão do legatário por indignidade. Se a


indignidade ocorreu antes da feitura do testamento, o legado implica em perdão
tácito ao legatário (art. 1818, parágrafo único).

Art. 1939, V = falecimento do legatário. O legado não´e transmitido aos


herdeiros do legatário, salvo se o testador dispôs de forma diversa no
testamento. Se houver mais de um legatário respeito de uma só coisa, o legado
subsiste quanto ao outro legatário = direito de acrescer – art. 1942.

Art. 1943 = renúncia do legatário

Art. 1943 = falecimento do legatário antes do implemento da condição


suspensiva

Art. 1802 = falta de legitimação do legatário no momento da abertura da


sucessão

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