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Campo elétrico revoluciona fabricação de cerâmica

Redação do Site Inovação Tecnológica - 21/04/2010

Importância da cerâmica

Peças de cerâmica têm papel importante muito além da cozinha e das louças sanitárias.

Isoladores elétricos de alta tensão, velas de ignição, células a combustível, escudos à prova de
bala, turbinas a gás, varetas de reatores nucleares e rolamentos de alta temperatura são
alguns exemplos de outras utilidades onde esses materiais alcançam alto valor agregado.

Campo elétrico

Agora, pesquisadores descobriram como utilizar um campo elétrico para moldar peças de
cerâmica, o que torna o processo muito mais eficiente energeticamente.

O campo elétrico transforma a cerâmica em um material superplástico, que pode ser moldado
com uma força que essencialmente tende a zero.

O processo deverá resultar em economias de custo significativas para a indústria de cerâmica


por ser muito superior aos métodos de produção tradicionais.

Material cristalino

A cerâmica é um material cristalino. E uma das características dos materiais cristalinos está nos
defeitos que se formam entre os minúsculos grânulos que os formam.
"Um desses defeitos é chamado de contorno do grânulo, que é onde os cristais com átomos
alinhados em diferentes direções se encontram no material," explica o Dr. Hans Conrad, da
Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, coordenador da pesquisa.

"Nós descobrimos que, se aplicarmos um campo elétrico ao material, esse campo elétrico
interage com as cargas nas fronteiras dos grânulos e torna mais fácil para os cristais deslizarem
uns sobre os outros ao longo desses limites. Isso torna muito mais fácil de deformar o
material," diz Conrad.

Cerâmica superplástica

Em outras palavras, o material torna-se superplástico, permitindo que a cerâmica seja


moldada na forma desejada usando uma força muito menos intensa.

Na verdade, os pesquisadores falam em uma força para deformar o material que


essencialmente tende a zero.

O campo elétrico necessário também é bastante reduzido. "Nós estamos falando entre 25 e
200 volts por centímetro, de modo que a eletricidade de uma tomada comum seria adequada
para algumas aplicações," diz o pesquisador.

Coletes à prova de balas de cerâmica

Estes resultados significam que os fabricantes de cerâmica poderão passar a fazer suas peças
usando muito menos energia - a energia do campo elétrico necessário para tornar a cerâmica
superplástica é mais do que compensada pela energia quase desprezível que passa a ser
necessária para moldar as peças.

"Isso vai tornar os processos de produção mais rentáveis e diminuir a poluição," diz Conrad.

Conrad e seus colegas planejam agora utilizar a técnica para fabricar coletes à prova de bala de
cerâmica que serão mais baratos e mais resistentes.
” das cargas positivas e “dentro” das cargas negativas

Campo elétrico é uma grandeza física vetorial que mede o módulo da força elétrica exercida
sobre cada unidade de carga elétrica colocada em uma região do espaço sobre a influência de
uma carga geradora de campo elétrico.

Veja também: Lei de Coulomb

Em outras palavras, o campo elétrico mede a influência que uma certa carga produz em seus
arredores. Quanto mais próximas estiverem duas cargas, maior será a força elétrica entre elas
por causa do módulo do campo elétrico naquela região.

Leia mais: Vetor campo elétrico

Como calculamos o campo elétrico?

Para calcularmos o campo elétrico produzido por cargas pontuais (cujas dimensões são
desprezíveis), dispostas no vácuo, podemos utilizar a seguinte equação:

Para que a unidade do campo elétrico (E) esteja definida no Sistema Internacional de
Unidades, é necessário que as outras grandezas da equação também estejam. As legendas
abaixo mostram quais são os termos da equação do campo elétrico e as suas unidades no SI:

Legenda:

E – módulo do campo elétrico [N/C ou V/m]

Q – carga geradora do campo elétrico [C – Coulomb]

k0 – constante eletrostática do vácuo [8,99.109 N.m²/C²]

d – distância do ponto até a carga geradora [m – metro]


Confira também: Campo elétrico gerado por uma carga pontual

Campo elétrico e força elétrica

Toda carga elétrica apresenta seu próprio campo elétrico. No entanto, para que surja a força
elétrica, é necessário que o campo elétrico de pelo menos duas cargas interajam. A resultante
vetorial dos campos elétricos de cada uma das cargas dita, nesse caso, para qual direção e
sentido surgirá a força sobre as cargas. Em posições nas quais o campo elétrico resultante é
nulo, por exemplo, não é possível que haja força elétrica.

A relação que pode ser estabelecida entre o campo elétrico e a força elétrica é dada pela
seguinte equação:

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Legenda

E – campo elétrico [N/C ou V/m]

F – força elétrica [N - Newton]

q – carga elétrica de prova [C - Coulomb]

Na equação mostrada acima, F é o módulo da força elétrica e pode ser calculado com base na
Lei de Coulomb.

Direção e sentido do vetor campo elétrico

O campo elétrico das cargas positivas sempre deve apontar para “fora” das cargas, na direção
do seu raio, enquanto o campo elétrico das cargas negativas deve apontar para “dentro” delas.
Para facilitar a visualização do campo elétrico, desenhamos linhas cujas direções tangentes
sempre indicam a direção e o sentido do campo elétrico. Essas linhas são chamadas de linhas
de força:

Veja também: Linhas de força

Atração e repulsão entre cargas elétricas

A atração e a repulsão elétrica dependem do sinal das cargas elétricas envolvidas. As cargas de
mesmo sinal sofrem repulsão elétrica ao passo que as cargas de sinais diferentes sofrem
atração. Observe as figuras que mostram as linhas de força entre cargas elétricas:

Entre cargas de sinal diferente, a resultante do campo elétrico aponta sempre em direção à
outra carga. Com isso, surge a força de atração elétrica.

Entre cargas de sinal igual, a resultante do campo elétrico aponta na direção oposta à posição
das cargas, promovendo uma força elétrica de repulsão entre elas.

Os efeitos elétricos que ocorrem nas proximidades de cargas elétricas são associados à
existência de um campo elétrico no local, este interage com a carga de prova.
Um exemplo típico é a interação do cabelo de uma pessoa com a tela de uma televisão
convencional, pois as cargas elétricas da televisão interagem com os cabelos deixando-os
eriçados.

É importante perceber que um campo elétrico só pode ser detectado a partir da interação do
mesmo com uma carga de prova, se não existir interação com a carga significa que o campo
não existe naquele local.

Campo elétrico é um vetor assim vamos estudar a direção sentido e intensidade do campo.

Quando o campo elétrico é criado em uma carga positiva ele, por convenção, terá um sentido
de afastamento.

Quando o campo elétrico é criado em uma carga negativa ele, por convenção, terá um sentido
de aproximação.

Que fique claro que o sentido do campo elétrico depende exclusivamente do sinal da carga
elétrica.

A intensidade de um campo elétrico E, sempre considerando a carga de prova puntiforme, pela


formula: E=Fq, assim voltando para a definição de campo podemos dizer que ele dependerá
diretamente a força elétrica entre as cargas e inversamente à carga de prova.

Unidades de campo elétrico.

[E]=[F][q]=N(Newton)C(Coulomb)

Partindo de que:

F=k⋅|q1|⋅|q2|d2 e que E=Fq , após alguns cálculos chegamos que :


E=k|q2|d2

sendo que q2 é a carga que gera o campo elétrico, d a distância entre as cargas e k a constante
elétrica do meio ( 9,0 . 109 unidades do SI).

ESTABILIDADE DE EMULSÕES DE ÁGUA-EM-ÓLEO NA PRESENÇA

DE CAMPO ELÉTRICO EXTERNO

Monique Lombardo de Almeida

Março/2014

Orientadores: Frederico Wanderley Tavares

Márcio Nele de Souza

Programa: Engenharia Química

A utilização de campo elétrico para desestabilizar emulsões e separar a fase

aquosa da fase óleo é um processo bastante utilizado industrialmente, principalmente na

indústria do petróleo, devido a sua alta eficiência. Nesta dissertação, foram produzidas

doze emulsões modelos do tipo água-em-óleo. Estas foram caracterizadas segundo o

tamanho de gotas da fase dispersa e reologia e, posteriormente, submetidas às analises

de estabilidade sob campo elétrico e centrífugo. Para os experimentos sob campo

elétrico, foi projetada e confeccionada uma célula de eletrocoalescência que permite a

aplicação de campo elétrico uniforme em um pequeno volume de emulsão. A célula,

juntamente com a fonte geradora de tensão e um computador com software de comando,

constituíram o aparato experimental desenvolvido especialmente para as medidas de

campo elétrico critico

Exemplos da aplicação do campo elétrico:

Na medicina, temos como exemplo o eletrocardiograma. Nós sabemos que o nosso corpo é
capaz de gerar correntes elétricas que percorrem o tecido muscular do coração, o que o faz
funcionar. Toda corrente elétrica gera campo elétrico que pode ser captado por aparelhos
específicos. É o caso do eletrocardiograma.

Outro exemplo é na área de pesquisa científica. Um processo muito importante para medicina
e para pesquisa biológica é a eletroforese, capaz de separar partículas minúsculas ao submetê-
las a um campo elétrico.
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Outra aplicação tecnológica está no vasto uso de capacitores. Os capacitores são dispositivos
capazes de armazenar cargas elétricas. O capacitor plano é feito por duas placas planas
paralelas com dois terminais. O fato das duas placas serem paralelas faz com que se forme,
entre elas, um CEU (Campo Elétrico Uniforme). Uma aplicação prática dos capacitores é o
FLASH de uma máquina fotográfica. Os capacitores, nesse caso, acumulam energia em campo
elétrico para fazer o FLASH disparar. Outras aplicações práticas do campo elétrico são as foto-
copiadoras, os dispositivos de despoluição do ar e os para-raios.

A observação de que o corpo elétrico humano é capaz de gerar campos elétricos permite o
desenvolvimento de uma tecnologia que poderá permitir nosso corpo de fazer parte
integrante de uma rede de informática: a Human Area Network, que, através da tecnologia
chamada de ‘’RedTacton’’, utiliza o campo elétrico formado no corpo humano como um ‘meio’
de transmissão rápida e segura, utilizando-se de um dispositivo transmissor/receptor
RedTacton. Assim, 2 corpos e 2 computadores poderiam trocar informações através do campo
elétrico do corpo dos usuários

Muitos equipamentos tecnológicos utilizam o campo elétrico na atividade médica. Uma das
mais recentes aplicações é o aparelho de ressonância magnética, que usa campos
eletromagnéticos na produção de imagens para o diagnóstico de várias doenças. Outros tipos
de equipamentos, como os de análises sanguíneas, também fazem uso de campos elétricos e
são amplamente utilizados

O Campo Elétrico (E) pode ser entendido como uma região ao redor das cargas elétricas, que
transmite as interações, como a Força Elétrica, a outras cargas, atraindo-as ou repelindo-as. A
intensidade do vetor campo elétrico está relacionada ao valor da carga e à distância onde se
quer medir.

As aplicações do campo elétrico são vastas, principalmente no meio tecnológico. O


Aparelho de ressonância magnética, por exemplo, usa campos elétricos e magnéticos para
localizar e identificar tumores no corpo humano.

Pesquisadores residentes no Havaí projetaram um dispositivo (Eletronic Shark Defense


System – ESDS) capaz de gerar um campo elétrico perceptível por tubarões. De alguma forma,
os sinais elétricos emitidos por esse aparelho incomodam esse tipo de peixe e o afugentam.
Com isso, em locais de grande probabilidade de ataques de tubarões, surfistas e
mergulhadores tem utilizados os ESDS para poderem praticar seus esportes com menos riscos.

Gravação assistida por campo elétrico


Agora, pela primeira vez, a equipe do Dr. Tiejun Zhou, do Instituto de Armazenamento de
Dados de Cingapura, demonstrou, em condições reais de operação, a viabilidade da técnica de
escrita magnética em um disco rígido assistida por um campo elétrico.

Os pesquisadores modificaram as cabeças de discos rígidos comprados no mercado para


permitir a aplicação de um campo elétrico ao meio de armazenamento magnético - o prato do
HD - que é composto de um finíssimo filme compósito à base de cobalto.

Como as cabeças de leitura ficam muitíssimo próximas ao disco, foi suficiente a aplicação de
uma tensão de 3 volts, o que criou um campo elétrico forte o bastante para interceptar uma
média de 0,15 elétron por átomo de cobalto nas interfaces entre os grânulos da mídia.

As cargas elétricas aprisionadas pelo campo reduzem em 26% a energia necessária para alterar
os bits magnéticos na mídia de gravação, o que corresponde a uma redução de 13% no campo
magnético necessário e uma melhor relação sinal/ruído quando os dados são lidos de volta.

Nova geração de discos rígidos

A simplicidade da técnica poderá permitir sua aplicação também nas memórias magnéticas de
acesso aleatório.

Outra possibilidade, que abriria as fronteiras para a criação de uma nova geração de discos
rígidos, seria o uso da gravação assistida por campo elétrico em sistemas que usam outros
materiais, como filmes finos de ferro-platina, que não podem ser gravados com as tecnologias
atualmente disponíveis de cabeças de gravação.

Bibliografia:

Manipulation of magnetism by electrical field in a real recording system

Zhou, T., Leong, S.H., Yuan, Z.M., Hu, S.B., Ong, C.L. & Liu, B.

Applied Physics Letters


Vol.: 96, 012506 (2010)

DOI: 10.1063/1.3276553

Um campo elétrico aplicado na cabeça de gravação de um disco rígido (amarelo) induz cargas
(vermelho) na superfície dos grânulos metálicos (azul claro) na mídia de gravação (cinza)
ajudando a gravar dados em materiais magnéticos duros

Aplicação de campo elétrico durante formação aumenta a plasticidade da cerâmica dental

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By Dental Tribune International

July 13, 2018

WEST LAFAYETTE, Ind., EUA: Enquanto inerentemente forte, a maioria das cerâmicas tendem a
fraturar de repente quando um pouco tensionadas sob uma carga, a menos que isso seja feito
sob temperaturasaltas.Componentes cerâmicos estruturais também requerem altas
temperaturas para formar através de um longo processo chamado sinterização, em que um
material em pó se transforma em uma massa sólida.Pesquisadores da PurdueUniversity, em
West Lafayette descobriram que a natureza frágil das cerâmicas como elas sustentam cargas
pesadas podem ser superadas, resultando em estruturas mais resistentes que poderiam ser
usadas para muitas aplicações, incluindo implantes dentários.

O estudo demonstrou que aplicando um campo elétrico durante a formação da zircônia


estabilizada ítria (YSZ) — uma cerâmica típica de barreira térmica — faz com que o material
seja moldável à temperatura ambiente, quase como o metal. Em seus experimentos, os
pesquisadores da SchollofMaterialsEngineering da universidade também puderam ver
rachaduras mais cedo, desde que elas começaram a se formar lentamente a uma temperatura
moderada em oposição a temperaturas mais altas, dando-lhes tempo para resgatar uma
estrutura.

Estudos prévios mostraram que aplicando um campo elétrico, ou flash, acelera


significativamente o processo de sinterização que forma YSZ e outras cerâmicas, e
atemperaturas muito mais baixas de forno do que a sinterização convencional.Cerâmicas
flashsinterizadas também têm muito pouca porosidade, o que as torna mais densas e,
portanto, mais fáceis de deformar.A capacidade da cerâmica flashsinterizada de alterar a
forma em temperatura ambiente ou de temperaturas cada vez maiores, não tinha sido testada
anteriormente.

O que permite que os metais sejam resistentes a fratura e moldáveis, é a presença de defeitos,
ou localização — posições extras de átomos que se misturam durante a deformação para fazer
um material simplesmente se deformar ao invés de quebra sob carga. “Estes deslocamentos se
moverão sob compressão ou tensão, tal que o material não falhe”,disse o autor principal
Jaehun Cho, um estudante de graduação na universidade.

Cerâmicas normalmente não formam deslocações a menos que deformada em temperaturas


muito elevadas. A flash sinterização, no entanto, introduz essas deslocações e criam um menor
tamanho de grão no material resultante. “Grãos menores, tais como grãos de nanocristalina,
podem deslizar à medida queo material cerâmico deforma, ajudando a deformar melhor,disse
Dr. Haiyan Wang, Basil S. Turner Professor de engenharia na Scholl of Materials Engineering da
universidade.

Plasticidade melhorada resulta em maior estabilidade durante a operação em temperaturas


relativamente baixas. Os próximos passos seriam estaria usando estes princípios para projetar
ainda mais resistentes materiais cerâmicos.

O estudo, intitulado “Deformabilidade de alta temperatura de cerâmica dúctil flash sinterizada


através de compressão in situ”, foi publicado on-line em Nature Communications em 25 de
maio de 2018. A pesquisa foi conduzida em colaboração com o
OakRidgeNationalLaboratoryemOakRidge, a UniversityofCalifornia, Davis e a Colorado
StateUniversity, em Fort Collins.

XII Congresso Brasileiro de Engenharia

Química em Iniciação Científica

UFSCar – São Carlos – SP

16 a 19 de Julho de 2017

APLICAÇÃO DE CAMPO ELÉTRICO COM DESCARGA

CORONA PARA REDUZIR A DETERIORAÇÃO DE

TOMATES-CEREJA

M. F. HERMETO e M. C. FERREIRA

Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Engenharia Química

E-mail para contato: marcella.engquimica@gmail.com

RESUMO – Algumas técnicas, como o uso de campos elétricos de alta

tensão aplicadas no período pós-colheita, produzem uma atmosfera modificada


que contribui para reduzir a taxa respiratória dos frutos e retardar sua deterioração.

O objetivo do presente estudo, foi avaliar as características físicas e químicas de

tomates-cereja após a aplicação de campos elétricos, comparando com os frutos

não tratados. As variáveis avaliadas foram: peso do fruto, firmeza, teor de sólidos

solúveis, variação da cor da epiderme, e acidez total titulável. A partir dos

resultados encontrados, ainda não foi possível confirmar uma influência positiva

da aplicação do campo.

Michael Faraday (1791 – 1867), inglês, foi um dos maiores físicos que já existiram. Iniciou seus
trabalhos científicos em Química, onde fez muitas descobertas. Dedicou-se depois à Física,
interessando-se por Ótica, Acústica e Eletricidade. As idéias fundamentais que temos hoje em
Eletricidade e Magnetismo foram introduzidas por Faraday. Assim, foi ele quem fez a
importantíssima descoberta da existência do campo elétrico. Descoberta essa fundamental,
porque todas as ações de uma carga elétrica se fazem através de seu campo, desde um
simples caso de atração de outra carga, até as ondas de rádio e de radar. Antes de Faraday os
físicos pensavam que as forças eletrostáticas se exercessem diretamente entre as cargas, “à
distância”, sem considerarem o meio interposto. Fez descobertas em dielétricos,
condensadores, indução eletrostática, condução de eletricidade pelos líquidos e em
eletromagnetismo. Inventou o primeiro motor elétrico.

Michael Faraday

Figura de Michael Faraday

Faraday era filho de um ferrador de cavalos. Quando menino, trabalhou inicialmente


vendendo jornais, e depois como encadernador de livros. Lia sempre as obras que lhe davam
para encadernar. Dois livros tiveram muita influência em sua vida: um de Química, e a
Enciclopédia Britânica. Passou a repetir em sua casa, com os mais rudimentares recursos, as
experiências que lia. Quando teve oportunidade de trabalhar num laboratório, ali permaneceu
mais de 50 anos, dos quais 46 anos vivendo no mesmo prédio. É um dos grandes exemplos de
que a produção científica resulta de um trabalho metódico, e constante, e não de inspirações
instantâneas

Propriedade fundamental do campo elétrico

Antes de estudarmos a propriedade fundamental do campo elétrico, recordemos a


propriedade fundamental do campo gravitacional, que é conhecida de todos. Consideremos
um ponto A situado no campo gravitacional da Terra. A Terra tem massa que chamaremos M e
suporemos concentrada em seu centro. Imaginemos que no ponto A seja colocado um corpo
qualquer desses que estão na superfície da Terra, como uma pedra, um avião, etc.. Seja m a
massa desse corpo. Sabemos que m é sempre muito menor que a massa da Terra e que por
isso, quando colocamos em A a massa m o campo gravitacional da Terra não é alterado. A
massa M da Terra atrai a massa m com uma força , que chamamos peso do corpo. E a massa m
atrai a Terra com uma força de igual módulo e contrária, que é (fig. 39).

Figura 39

Suponhamos que retiremos do ponto A aquele corpo e coloquemos sucessivamente, no


mesmo ponto A, outros corpos de massa , todas suficientemente pequenas para não alterarem
o campo gravitacional da Terra. Esses outros corpos ficarão sujeitos respectivamente às forças
. A propriedade fundamental do campo gravitacional é: o quociente dessas forças pelas massas
correspondentes é uma grandeza vetorial constante para o mesmo ponto A. Isto é,

sendo constante em módulo, direção e sentido para o mesmo ponto A. A grandeza é


chamada aceleração da gravidade no ponto A. Isolando só uma igualdade, teremos:

, ou

Essa expressão nos mostra que a força que atua numa massa m depende de dois fatores: um,
é a própria massa m; o outro é a aceleração da gravidade , que não depende da massa m, mas
depende unicamente do ponto A no qual a massa m é colocada.

Considerando os módulos de e , temos: . Quando m = 1, fica: . Significa que a intensidade da


aceleração da gravidade num ponto é igual à intensidade do peso de um corpo de massa
unitária colocada nesse ponto.

Caso do campo elétrico – Imaginemos o campo elétrico de uma carga puntiforme Q.


Suponhamos que num ponto A desse campo coloquemos uma carga elétrica q,
suficientemente pequena para não alterar o campo de Q. A carga q ficará sujeita a uma força ,
e Q à força . Suponhamos que a carga q seja retirada do ponto A, e que no mesmo ponto, seja
colocada uma carga q1; esta carga q1 ficará sujeita a uma força . Suponhamos que
continuemos essa operação colocando sucessivamente no ponto A as cargas elétricas , todas
elas suficientemente pequenas para não alterarem o campo de Q. Elas ficarão sujeitas
respectivamente, às forças (fig. 41).

Figura 41

A propriedade fundamental do campo elétrico é a seguinte: o quociente dessas forças pelas


carrgas elétricas corresndentes colocadas em A é uma grandeza vetorial constante para o
mesmo ponto A do campo elétrico. Isto é,

(constante em módulo, direção e sentido, para o mesmo ponto A).

Essa grandeza vetorial é chamada vetor campo elétrico, ou vetor campo, ou simplesmente o
campo no ponto A. Isolando uma igualdade, teremos:

, ou

Dizer que o quociente da força pela carga q e uma grandeza constante , significa que essa
grandeza não depende de q nem de . Para um mesmo campo, ela depende exclusivamente do
ponto A escolhido dentro desse campo. A propriedade fundamental consiste na existência
dessa grandeza vetorial perfeitamente determinada para cada ponto do campo elétrico.

Na equação , representa o vetor campo no ponto A do campo elétrico produzido pela carga
Q, e a força que atua sobre uma carga q colocada nesse ponto A. Portanto, a força que atua
sobre a carga q depende da carga q e de um fator que não depende da carga, mas do ponto
em que ela é colocada.

Considerando os módulos de e , temos:


. Quando , fica:

Significa que o módulo do campo elétrico num ponto é igual ao módulo da força que atua
sobre a unidade de carga elétrica colocada nesse ponto.

Vemos então que o campo gravitacional e o elétrico tem essa propriedade em comum. E que a
equação é análoga à equação . O campo corresponde, em eletricidade, à aceleração da
gravidade na mecânica, e a carga elétrica q à massa mecânica

Os estudos a respeito da eletricidade estática, criadora dos campos eléctricos, remontam ao


filósofo grego Tales de Mileto no século VI a.C. O filósofo e estudioso da natureza descreveu o
fenômeno que consiste em uma barra de âmbar (seiva petrificada) que atrai pequenos objetos
depois de atritada com uma pele de coelho. No cotidiano, é o mesmo que esfregar uma caneta
de plástico (material isolante) contra um pano ou o próprio cabelo. Em ambas as situações, o
objeto fica eletricamente carregado.

A explicação da força entre partículas através da existência de um campo vem desde a época
em que foi desenvolvida a teoria da gravitação universal. A dificuldade em aceitar que uma
partícula possa afetar outra partícula distante, sem existir nenhum contato entre elas, foi
ultrapassada na física clássica com o conceito do campo de força. No caso da força
eletrostática, o campo mediador que transmite a força eletrostática foi designado por éter; a
luz seria uma onda que se propaga nesse éter lumínico. No século XIX foram realizadas
inúmeras experiências para detectar a presença do éter, sem nenhum sucesso.

No fim do século chegou-se à conclusão de que não existe tal éter. No entanto, o campo
elétrico tem existência física, no sentido de que transporta energia e que pode subsistir até
após desaparecerem as cargas que o produzem. Na física quântica a interação elétrica é
explicada como uma troca de partículas mediadoras da força, que são as mesmas partículas da
luz, os fotões. Cada carga lança alguns fotões que são absorvidos pela outra carga; no entanto,
neste artigo falaremos sobre a teoria clássica do campo, onde o campo é como um fluido
invisível que arrasta as cargas elétricas.

Vetor campo elétrico


Campo elétrico gerado pela carga Q

O campo elétrico em um ponto é uma grandeza vetorial, portanto é representado por um


vetor. Para verificarmos a sua presença neste ponto, colocamos neste uma carga de prova
positiva. Se esta ficar sujeita a uma força eletrostática, dizemos que a região em que a carga se
encontra está sujeita a um campo elétrico. O vetor campo elétrico tem sempre a mesma
direção da força a que a carga está sujeita e, no caso da carga ser positiva, o mesmo sentido.
Se negativa o oposto. O módulo é calculado da seguinte forma:

{\displaystyle {\vec {E}}={\frac {\vec {F}}{q}}} {\vec {E}}={\frac {{\vec {F}}}{q}} onde, caso a
carga seja puntiforme, {\displaystyle |{\vec {F}}|={\frac {k.|Q|.|q|}{d^{2}}}} |{\vec {F}}|={\frac
{k.|Q|.|q|}{d^{2}}} (lei de Coulomb)

O módulo do vetor campo elétrico pode ser definido por:

{\displaystyle E={\frac {F}{q}}} E={\frac {F}{q}}

Substituindo {\displaystyle F\Rightarrow E={\frac {k.|Q|}{d^{2}}}} F\Rightarrow E={\frac


{k.|Q|}{d^{2}}}

{\displaystyle k={\frac {1}{4\pi \varepsilon _{0}}}=8,99\times 10^{9}} k={\frac {1}{4\pi


\varepsilon _{0}}}=8,99\times 10^{9}, é a constante eletrostática do meio e {\displaystyle
\varepsilon _{0}=8,85\times 10^{-12}} \varepsilon _{0}=8,85\times 10^{{-12}} é a constante de
permissividade do vácuo.[1][2]

Nota-se, por essa expressão, que o campo elétrico gerado por uma carga em um ponto é
diretamente proporcional ao seu valor e inversamente proporcional ao quadrado da distância.

Campo elétrico devido a uma carga elétrica

O campo elétrico sempre "nasce" nas cargas positivas (vetor) e "morre" nas cargas negativas.
Isso explica o sentido do vetor mencionado acima. Quando duas cargas positivas são colocadas
próximas uma da outra, o campo elétrico é de afastamento, gerando uma região entre as duas
cargas isenta de campo elétrico. O mesmo ocorre para cargas negativas, com a diferença de o
campo elétrico ser de aproximação. Já quando são colocadas próximas uma carga positiva e
uma negativa, o campo "nasce" na primeira, e "morre" na segunda.
Na equação: F = K.Q.q/d² , K é a constante eletrostática do meio e não a constante dielétrica.

Campo elétrico uniforme

É definido como uma região em que todos os pontos possuem o mesmo vetor campo elétrico
em módulo, direção e sentido. Sendo assim, as linhas de força são paralelas e equidistantes.

Para produzir um campo com essas características, basta utilizar duas placas planas e paralelas
eletrizadas com cargas de mesmo módulo e sinais opostos. Um capacitor pode ser citado como
exemplo de criador de um campo elétrico uniforme.

Campo elétrico uniforme

Linhas de força

As cargas de prova positivas encontram-se em movimento dentro de um campo elétrico. A


partir da trajetória dessas cargas, traçam-se linhas que são denominadas linhas de força, que
têm as seguintes propriedades:

Saem de cargas positivas e chegam nas cargas negativas;

As linhas são tangenciadas pelo campo elétrico;

Duas linhas de força nunca se cruzam;

A intensidade do campo elétrico é proporcional à concentração das linhas de força.

Campo elétrico gerado por uma esfera oca condutora

Quando uma esfera está eletrizada, as cargas em excesso repelem-se mutuamente e por isso
migram para a superfície externa da esfera, atingindo o equilíbrio eletrostático. Assim, o
campo elétrico dentro da esfera (em equilíbrio eletrostático) é nulo.

Gr12.jpg

{\displaystyle E_{i}=0\quad } E_{i}=0\quad (No interior da Esfera)

{\displaystyle E={\frac {k\cdot Q}{R^{2}}}} E={\frac {k\cdot Q}{R^{2}}} (superfície exterior


próxima da esfera)
{\displaystyle E={\frac {k\cdot Q}{(R+d)^{2}}}} E={\frac {k\cdot Q}{(R+d)^{2}}} (distante da
esfera), onde R é o raio da esfera.

Campo elétrico produzido por cargas pontuais

A equação para o módulo do campo produzido por uma carga pontual pode ser escrita de
forma vetorial.[3] Se a carga Q estiver na origem, o resultado obtido é:

{\displaystyle {\vec {E}}={\frac {k\,Q}{r^{2}}}{\vec {e}}_{r}} {\vec {E}}={\frac {k\,Q}{r^{2}}}{\vec


{e}}_{r}

Campos produzidos por duas cargas de 4 nC e 9 nC em alguns pontos (lado esquerdo) e o


campo resultante nesses pontos (lado direito)

sendo r a distância até a origem, e {\displaystyle {\vec {e}}_{r}} {\vec {e}}_{r} o vetor unitário
que aponta na direção radial, afastando-se da carga.

Se a carga for negativa, a equação anterior continua válida, dando um vetor que aponta no
sentido oposto de {\displaystyle {\vec {e}}_{r}} {\vec {e}}_{r} (campo atrativo).

O vetor unitário {\displaystyle {\vec {e}}_{r}} {\vec {e}}_{r} calcula-se dividindo o vetor posição
{\displaystyle {\vec {r}}} \vec{r} pelo seu módulo, r.

Se a carga não estiver na origem mas numa posição {\displaystyle {\vec {r}}_{1}} {\vec {r}}_{1}
a equação acima pode ser generalizada facilmente, dando o resultado[3]:

{\displaystyle {\vec {E}}={\frac {k\,Q({\vec {r}}-{\vec {r}}_{1})}{\left|{\vec {r}}-{\vec


{r}}_{1}\right|^{3}}}} {\vec {E}}={\frac {k\,Q({\vec {r}}-{\vec {r}}_{1})}{\left|{\vec {r}}-{\vec
{r}}_{1}\right|^{3}}}

O campo produzido por um sistema de cargas pontuais obtém-se somando vetorialmente os


campos produzidos por cada uma das cargas.
Por exemplo o lado esquerdo na figura acima à direita mostra os campos produzidos por duas
cargas pontuais de 4 nC e 9 nC em alguns pontos. O lado direito mostra o campo resultante,
obtido somando vetorialmente os dois campos.

A equação anterior pode ser generalizada para um sistema de n cargas pontuais. Vamos
escrever a equação explicitamente, em função das coordenadas cartesianas no plano xy (a
generalização para o espaço xyz será evidente).

Se as cargas {\displaystyle q_{1},q_{2},...,q_{n}} q_{1},q_{2},...,q_{n}estiverem nos pontos


{\displaystyle (x_{1},y_{1}),(x_{2},y_{2}),...,(x_{n},y_{n}),}
(x_{1},y_{1}),(x_{2},y_{2}),...,(x_{n},y_{n}), , o resultado é:

{\displaystyle {\vec {E}}=\sum _{i=1}^{n}{\Bigg [}{\frac {k\,q_{i}\,(x-x_{i})}{[(x-x_{i})^{2}+(y-


y_{i})^{2}]^{3/2}}}{\Bigg ]}\,{\vec {e}}_{x}+\sum _{i=1}^{n}{\Bigg [}{\frac {k\,q_{i}\,(y-y_{i})}{[(x-
x_{i})^{2}+(y-y_{i})^{2}]^{3/2}}}{\Bigg ]}\,{\vec {e}}_{y}} {\vec {E}}=\sum _{{i=1}}^{n}{\Bigg
[}{\frac {k\,q_{i}\,(x-x_{i})}{[(x-x_{i})^{2}+(y-y_{i})^{2}]^{{3/2}}}}{\Bigg ]}\,{\vec e}_{x}+\sum
_{{i=1}}^{n}{\Bigg [}{\frac {k\,q_{i}\,(y-y_{i})}{[(x-x_{i})^{2}+(y-y_{i})^{2}]^{{3/2}}}}{\Bigg
]}\,{\vec e}_{y}

Lei de Gauss no Campo

O fluxo elétrico produzido por várias cargas pontuais, através de uma superfície fechada, é
igual à soma dos fluxos produzidos por cada uma das cargas. O fluxo das cargas pontuais que
estejam fora da superfície fechada será nulo, e o fluxo das cargas que estejam dentro da
superfície será {\displaystyle 4\,\pi \,k} 4\,\pi \,k vezes o valor da carga. Por exemplo, no caso
da figura abaixo, unicamente as duas cargas {\displaystyle q_{1}} q_{1} e {\displaystyle q_{2}}
q_{2} produzem fluxo, porque a carga {\displaystyle q_{3}} q_{3} encontra-se fora da
superfície.

O fluxo total é:

{\displaystyle \Phi _{\mathrm {e} }=4\,\pi \,k\left(q_{1}+q_{2}\right)} \Phi _{{\mathrm


{e}}}=4\,\pi \,k\left(q_{1}+q_{2}\right)
O fluxo elétrico através da superfície fechada depende unicamente da carga interna, neste
caso q1 + q2.

O resultado do exemplo da figura acima pode ser generalizado para qualquer sistema de
cargas e qualquer superfície fechada, e é designado de Lei de Gauss:

O fluxo através de qualquer superfície fechada é igual à carga total no interior da superfície,
multiplicada por {\displaystyle 4\,\pi \,k} 4\,\pi \,k

Em termos matemáticos, a lei de Gauss determina que o fluxo elétrico através de qualquer
superfície fechada é:

{\displaystyle {\Phi _{\mathrm {e} }=4\,\pi \,k\,q_{\text{int}}}} {\Phi _{{\mathrm {e}}}=4\,\pi


\,k\,q_{{{\text{int}}}}}

Se a carga total no interior for positiva, o fluxo será positivo, indicando que há linhas de campo
a saírem da superfície. Se a carga interna total for negativa, o fluxo é negativo porque há linhas
de campo a entrar na superfície.

O fluxo elétrico total à volta de uma carga pontual é diretamente proporcional à carga. Em
alguns casos é possível desenhar um número de linhas de campo proporcional à carga, para
dar uma ideia mais aproximada do valor do fluxo em diferentes regiões; por exemplo, na figura
anterior foram desenhadas 8 linhas de campo a saírem da carga de 4 nC, e 18 linhas a saírem
da carga de 9 nC.

A lei de Gauss é muito útil para calcular campos elétricos de sistemas com simetria.

Campo de um plano

Cilindro imaginário usado para calcular o campo do plano.

Consideremos um plano, com carga distribuída uniformemente. Visto de lado, o plano aparece
como um segmento de reta, e as linhas de campo serão semelhantes às linhas representadas
no lado direito da figura ao lado.[3]
Nas regiões perto do centro do plano, as linhas de campo são aproximadamente paralelas
entre si. Quanto maior for o plano, maior será a região onde as linhas são aproximadamente
paralelas. [3]

No caso idealizado de um plano infinito, as linhas serão completamente paralelas e


equidistantes, já que a aparência do plano seria a mesma em qualquer ponto.

Para calcular o campo elétrico usando a lei de Gauss, imaginamos um cilindro com as tampas
paralelas ao plano, como se mostra na figura.

Nas paredes laterais do cilindro não existe fluxo elétrico, porque o campo é paralelo à
superfície. Em cada uma das tampas circulares do cilindro, o campo é perpendicular e, com
módulo constante, devido a que todos os pontos na tampa estão à mesma distância do plano.

Assim, o fluxo em cada uma das tampas do cilindro é , {\displaystyle A\,E} A\,E , em que A é a
área da tampa, e o fluxo total através do cilindro é[3]:

{\displaystyle \Phi _{\mathrm {e} }=2\,A\,E} \Phi _{{\mathrm {e}}}=2\,A\,E

De acordo com a lei de Gauss, esse fluxo também deverá ser igual a:

{\displaystyle \Phi _{\mathrm {e} }=4\,\pi \,k\,Q} \Phi _{{\mathrm {e}}}=4\,\pi \,k\,Q

Onde Q é a carga na parte do plano que está dentro do cilindro. Igualando as duas últimas
equações obtemos o módulo do campo:

{\displaystyle E_{\mathrm {plano} }=2\,\pi \,k\,\sigma } E_{{\mathrm {plano}}}=2\,\pi


\,k\,\sigma

Em que {\displaystyle \sigma } \sigma é a carga superficial; nomeadamente, carga por unidade
de área:
{\displaystyle \sigma ={\frac {Q}{A}}} \sigma ={\frac {Q}{A}}

Campo de um fio retilíneo

Linhas de campo de um cilindro com carga distribuída uniformemente, e superfície usada para
calcular o campo.

Consideremos um fio retilíneo, muito comprido, com carga distribuída uniformemente. As


linhas de campo deverão ser nas direções radiais. Imaginemos uma superfície fechada que é
um cilindro de raio R e altura L, com eixo sobre o fio, como mostra a figura abaixo.[3]

Nas tampas circulares do cilindro o fluxo é nulo, porque o campo é paralelo à superfície; na
parede lateral do cilindro, o campo é perpendicular e com módulo constante.[3] Assim, o fluxo
total será:

{\displaystyle \Phi _{\mathrm {e} }=2\,\pi \,R\,L\,E} \Phi _{{\mathrm {e}}}=2\,\pi \,R\,L\,E

onde E é o módulo do campo à distância R do fio. De acordo com a lei de Gauss, esse fluxo
deverá ser também igual a:

{\displaystyle \Phi _{\mathrm {e} }=4\,\pi \,k\,Q} \Phi _{{\mathrm {e}}}=4\,\pi \,k\,Q

onde Q é a carga do fio que está dentro do cilindro S. Igualando as duas equações anteriores,
obtemos o módulo do campo:

{\displaystyle {E_{\text{fio}}={\frac {2\,k\,\lambda }{R}}}} {E_{{\text{fio}}}={\frac {2\,k\,\lambda


}{R}}}

em que {\displaystyle \lambda } \lambda é a carga linear (carga por unidade de comprimento):
{\displaystyle \lambda =Q/L} \lambda =Q/L
Campo de uma esfera condutora

Numa esfera condutora, com carga Q e raio a, a força repulsiva entre as cargas do mesmo
sinal, faz com que as cargas se distribuam em forma uniforme, na superfície da esfera. Existe
assim simetria esférica, e as linhas de campo deverão apontar na direção radial.[3]

Para calcular o campo, imaginamos uma esfera de raio r,concêntrica com a esfera condutora.
[3]Na superfície dessa esfera, o campo será perpendicular, e com módulo constante E ;
consequentemente o fluxo será:

{\displaystyle \Phi _{\mathrm {e} }=4\,\pi \,r^{2}\,E} \Phi _{{\mathrm {e}}}=4\,\pi \,r^{2}\,E

Segundo a lei de Gauss, o fluxo através da esfera de raio r será nulo, se {\displaystyle r<a} r<a,
ou igual a {\displaystyle 4\,\pi \,k\,Q} 4\,\pi \,k\,Q se {\displaystyle r>a} r>a. Portanto, o campo
elétrico é nulo, no interior da esfera.

Fora da esfera o campo é:

{\displaystyle E={\frac {k\,Q}{r^{2}}}} E={\frac {k\,Q}{r^{2}}}

Que é idêntico ao campo produzido por uma carga Q concentrada no centro da esfera.[3]

Campo elétrico induzido

Um campo magnético variável no tempo induz um campo elétrico, e um campo elétrico


variável induz um campo magnético.

O campo elétrico induzido é proporcional à derivada do fluxo magnético, e o campo magnético


induzido é proporcional à derivada do fluxo elétrico. Quando um campo é uniforme, o fluxo
através de uma superfície é maior se a superfície for perpendicular ao campo; isso implica que
o campo induzido é perpendicular ao campo variável.[3]
Campo elétrico induzido por um campo magnético uniforme mas variável(esquerda) e campo
magnético induzido por um campo elétrico uniforme ,mas variável (direita).

A figura ao lado mostra o campo elétrico induzido por um campo magnético uniforme mas
variável, e o campo magnético induzido por um campo elétrico uniforme e variável. No
primeiro caso, devido ao sinal negativo , o campo elétrico induzido é no sentido oposto ao
obtido com a regra da mão direita em relação à derivada do campo magnético; como o campo
magnético está a diminuir, a derivada do campo aponta para baixo e a regra da mão direita
indica rotação no sentido horário; portanto, as linhas do campo induzido estão orientadas no
sentido anti-horário.

O sinal positivo do último termo implica que as linhas do campo magnético induzido seguem a
regra da mão direita em relação ao aumento do campo elétrico. No caso do campo elétrico
variável no lado direito da figura , como o campo está a diminuir, a derivada do campo elétrico
aponta para baixo, e a regra da mão direita indica que o campo magnético induzido é no
sentido horário.[3]

Propriedades das linhas de campo elétrico

Linhas de campo elétrico perto de uma carga negativa (esquerda) e de uma carga positiva
(direita).

O campo elétrico pode ser representado por vetores que indicam o valor do campo em vários
pontos do espaço, como foi feito na figura acima. O problema com essa representação é que o
campo varia rapidamente com a distância, o que faz com que o vetor seja muito grande em
alguns pontos e muito pequeno em outros pontos.

A representação usando linhas de campo é mais conveniente. As linhas de campo seguem a


direção do campo. Em cada ponto numa dessas curvas, o campo é tangente à curva e no
sentido indicado pelas setas.

As linhas de campo elétrico têm várias propriedades:

Perto de uma carga pontual positiva há linhas a sair em todas as direções e perto de uma carga
negativa há linhas a entrarem em todas as direções .

Duas linhas de campo nunca se podem cruzar; no ponto de cruzamento o campo teria duas
direções diferentes, que não é possível.
A matriz jacobiana correspondente ao campo elétrico é sempre simétrica. Isso implica que os
valores próprios dessa matriz serão sempre reais e nunca complexos. Assim, os únicos pontos
de equilíbrio que podem existir num campo elétrico são nós e pontos de sela.

Campo elétrico criado por um dipolo (esquerda) e por um sistema de 7 cargas no segmento de
reta entre x = - 3 e x = 3.

Um nó pode ser atrativo ou repulsivo. Se for atrativo, será um ponto onde existe uma carga
pontual negativa; se for repulsivo, será um ponto onde existe uma carga pontual positiva. Os
pontos de sela são pontos onde o campo é nulo, mas não existe nenhuma carga nesse ponto.

Outro exemplo são as linhas de campo de um dipolo elétrico, formado por duas cargas iguais
mas de sinais opostos. Se admitirmos que as duas cargas estão localizadas nos pontos ( 1, 0) e
(1, 0), o campo desenha-se assim:

O resultado aparece no lado esquerdo acima à direita

Uma distribuição contínua de cargas pode ser aproximada por uma série de cargas pontuais.
Por exemplo, se existirem cargas distribuídas uniformemente no segmento do eixo dos x entre
x = - 3 e x = 3, podemos admitir um sistema de cargas pontuais, equidistantes, sobre o
segmento entre x = - 3 e x = 3.

Com 7 cargas pontuais, o gráfico obtido é apresentado no lado direito da figura ao lado.