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1º MOSTRA IN.

RIO 1

a
1 mostra de design editorial
ORGANIZAÇÃO: RUBENS PAIVA E CAROL CAVALEIRO
A MOSTRA
Este livro reúne trabalhos de in-
fografia e design de página dos
maiores jornais e revistas do Brasil.
Nossa intenção é fornecer um pa-
norama atualizado do design edi-
torial brasileiro com bons exemplos
que circularam em 2015 e início de
2016. Como toda mostra, ela é im-
perfeita pois não consegue revelar
todos os talentos que estão espa-
lhados em nosso imenso país. Em
nossas próximas mostras espera-
mos que mais e mais profissionais
apareçam aqui, de forma a termos
um retrato ainda mais rico de nos-
sa produção.

A mostra faz parte do evento In.Rio,


um encontro para promover a troca
de experiências entre designers,
jornalistas, pesquisadores e desen-
volvedores dentro do universo do
DESIGN DE INFORMAÇÃO. Trata-se
de uma oportunidade única dada
EQUIPE IN.RIO a profissionais e estudantes para
Rubens Paiva conhecerem mais sobre o universo
dos grandes veículos de comunica-
Carol Cavaleiro
ção e também aprenderem sobre
Luciane Costa os especialistas que dão visualida-
Fabio Vasconcellos de ao conteúdo.
1º MOSTRA IN.RIO 3

PREFÁCIO
POR MARIO KANNO, EDITOR-ADJUNTO cortes etc. e o Infolide deu uma para- pessoas de vídeo, 3D.
DE ARTE DA FOLHA , FORMADO PELA ECA-USP da. (Mas tá vivo, rs) Além disto, em 2006 a infografia era
quase restrita a mídia impressa. Hoje
Bom, o design editorial e a infografia ela invade a web, os livros didáticos, a
É com a maior alegria do mundo que brasileira não pararam como provam publicidade e o mundo corporativo.
vejo de volta uma “Mostra de Infogra- as maravilhosas páginas a seguir!
fia” no Brasil. Criei a primeira “Mostra Convido a todos a verem as edições Esse documento histórico e o en-
Nacional de Infografia” em 2006 — anteriores da Mostra (>> LINK) e confe- contro In.Rio são fundamentais não
exatos dez anos atrás— porque ia dar rir como temos hoje um trabalho mais apenas para apontar os bons profis-
umas aulas e não queria usar apenas profissional, menos decorativo e mais sionais, mas também para apontar
meu portfolio pessoal nem ficar ba- informativo. as boas práticas do jornalismo visual
bando ovo nos trabalhos estrangeiros para que nosso trabalho e nosso es-
sabendo e conhecendo gente aqui Explico do meu ângulo de vista. Em paço continue a evoluir.
mesmo no Brasil que já fazia infográ- 2006 a maior parte dos infografistas
ficos de altíssima qualidade estética integravam a ponta final da linha de
e jornalística. produção, fazendo infográficos sobre –––
demanda de outros jornalistas. Em IMPORTANTE:
Depois, junto com outros designers e 2016 boa parte dos bons infografistas Não fique apenas nas figurinhas. Leia
infografistas evoluímos para os even- criam seu próprio conteúdo: pau- cada um dos artigos com atenção
tos do Infolide (>> LINK), com palestras tam, escrevem e/ou editam os textos, pois há neles muitas soluções para
e workshops. Depois, fomos atrope- e trabalham em equipe integrando problemas que você encontra no seu
lados pelas mudanças nas equipes, redatores, webdesigners, ilustradores, dia a dia e não sabe como resolver.
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ARTIGOS
1º MOSTRA IN.RIO 5

SOMOS
POR RUBENS PAIVA,
EDITOR DE ARTE DO
GLOBO

POUCOS
Formado em desenho
industrial na UNB

Quando cursava Desenho Industrial


em 1996 na UnB soube que o jornal
e desprovidos de vida, sem aquela
plasticidade e liberdade típicas de 1996
Correio Braziliense estava renovando que os ilustradores usufruíam em seus
INFLUENCIADORES
a Editoria de Arte e procurava novos cartoons, charges e outros desenhos
profissionais. Eu era então um humil- fascinantes que permeavam as pági-
Amaro
Júnior
de bolsista do CNPQ e a possibilidade nas do jornal. Mas eu precisava muito Chico
de conseguir um emprego no maior de um emprego e tratei de aprender Amaral
Lui
jornal do DF me fascinou imediata- tudo o que podia sobre as misteriosas Kleber
Sales
mente. Meu portfolio de design ainda infografias. Me dediquei e depois de
era insipiente e o melhor que tinha um breve estágio probatório fui con-
para mostrar era meu caderno de de- tratado. E é desde aquele dia que eu eio Brazilie
no Corr nse
senho a mão livre. Imaginei na época sou infografista. Foram 20 anos dedi- Eu
que teria mais chances na carreira de cados a isso (Posso até confidenciar
ilustrador, mas quando fui entrevista- que sou uma espécie de animal cria-
do pelo editor de arte ele foi direto: do em cativeiro, cativo das redações). CABELÃO
precisava de um infografista. E foi De lá para cá trabalhei na Folha, na POCHETE
HORRÍVEL
aquela a primeira vez que ouvi o ter- Editora Abril, Estadão, O Globo e tam-
mo infografia, sendo imediatamente bém trabalhei como freelancer para
convidado a ver exemplos que relu- uma infinidade de agências de publi-
ziam nas telas dos poderosos Macs G1 cidade. Sempre criando infografias.
do departamento de arte.
E nesse percurso profissional, nada foi
À primeira vista, devo confessar, mais importante para aperfeiçoar o Ary Gabriel
Morais Góes
não me empolguei com as infogra- meu trabalho do que o contato com
fias. Os mapas, gráficos estatísticos outros infografistas. Eu sempre vi e
e fluxogramas me pareceram frios li muita coisa sobre design, aprendi Maurenilson Jeff
Freire Goertzen
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INFLUENCIADORES

Eduardo
Asta
Massimo
bastante coisa sozinho, mas acompa- mação. É nos outros infografistas que Gentile Marcelo
nhar bons infografista desenvolvendo reside o conhecimento e é por isso Mario Pliger
seus trabalhos foi o que impulsionou que devemos nos falar mais. Kanno
meu aprendizado verdadeiramente.
Com a equipe do Correio Braziliense Parece fácil, certo? Mas não é.
eu aprendi os fundamentos da profis-
são e a importância de se ver a pági- Vamos agora ao primeiro ponto:
na como um todo. Foi com a equipe Diferente do que acontecia nos dis-
na Folha de São Pau
da Folha de São Paulo que percebi tantes anos 90, a palavra infografia Eu lo
a beleza da síntese e a importância é hoje bastante difundida no Brasil.
de aplicar metodologia de projeto à Proliferam “infos” nos jornais, revistas,
infografia. Com os profissionais da sites e na publicidade. Vi até páginas
CORTE
Editora Abril eu conheci as mais so- da web que “criam infográficos ins- MILITAR
CALÇA
fisticadas maneiras de usar imagens, tantâneos” para você, bastanto para MODERNA
expandindo ao limite o uso das cores tanto imputar algumas informações. E
e da fotografia. No Estadão me ensi- existem mais “infos” no Brasil porque
naram a importância das multiplata- obviamente proliferaram também
formas, assim como a necessidade e os infografistas. Mas é indiscutível
a urgência de abraçar novas tecnolo- que esse incremento na quantidade
gicas. E hoje, é com a equipe do não veio acompanhado de qualida- Alexandre Thea
Globo que partilho tudo isso, rece- de (perdoem minha franqueza). Sei Affonso Severino
bendo em troca mais e mais apren- que os nossos infografistas tiram o tal
dizado e boas razões para continuar leite de pedra e trabalham em condi-
amando minha profissão. ções adversas, mas a verdade é que a Patricia Marcio
tática de guerrilha com “grupos iso- Brandstatter Freitas
Resumindo, a troca de experiências lados” e “soldados solitários” não vai
é fundamental para nossa profissão, levar a infografia brasileira a lugar
principalmente porque praticamen- nenhum.
te não existem cursos de infografia
no Brasil e muito menos bibliografia Segundo ponto: se temos no Brasil
suficiente para nossa adequada for- infografistas que possuem valioso
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INFLUENCIADORES Carol Carlos


Rozendo Lemos
Fabio
Sales

Eu no Estadão
conhecimento da profissão por que namento urgente. E esse aprendizado
eles não partilham o conhecimento? só pode acontecer quando os mais
Essa é a pergunta difícil de respon- experientes e os mais bem sucedidos
BARBA
der e a razão deste texto. Acredito passarem adiante o que sabem. Ne- CRESCENDO
que o nosso problema é uma infeliz cessitamos de mais profissionais que ROUPA
CARETA
conjunção de fatores desfavoráveis. falem sobre “como fazer infografia”.
Os principais problemas na minha Precisamos identificar melhor os de-
opinião: 1- nós brasileiros temos or- signers de referência e aprender com
gulho demais de sermos autodidatas eles. Com um panorama melhor con-
(aprender sozinho é bom, mas pode seguiremos então estabelecer uma Glauco Andrea
também alimentar nossa arrogância e “memória para a infografia brasilei- Lara Pahim
isolamento); 2- Seguimos referências ra”, solidificando nosso status e posi-
Tcha Carol
ruins pois nos deslumbramos demais ção dentro de um cenário mundial. Tcho Cavaleiro
com a forma e dedicamos pouco tem-
po na edição e geração do conteúdo E como fazer tudo isso acontecer?
(ter como referência apenas gráficos Bem, essa resposta eu não tenho, mas
estéticos é o maior erro que um info- quero acreditar que encontros como 2015
grafista pode cometer); 3- competi- esse são um começo. Um bom começo. o jornal O Globo
mos entre nós da pior forma possível, Eu n
retendo informações (competir é sau-
dável, mas só quando a autocrítica e
a capacidade de reconhecer o talento
do outro andam juntas)
Concluindo: Parecem muitos, mas de BARBA ROUPA DE
GRANDE TIOZINHO
fato são poucos os infografistas que
têm bagagem para ensinar. Nosso
exército de infografistas, feito de sol-
dados que mal sabem o que acontece
na trincheira ao lado, precisa de trei-
Alessandro Ivan
Alvim Luiz
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EM DEFESA
POR DANIEL LIMA,
EDITOR-ASSISTENTE
NO GLOBO

DA PLANILHA
Formado em jorna-
lismo pela Faculdade
Cásper Líbero

A geometria angular e sisuda de uma tos em situações que deveriam ser O dado estruturado permite checa-
planilha de Excel ainda causa suor frio usadas taxas etc. gens mais sólidas, identificação de
e agonia existencial na maior parte Em texto, eventuais imprecisões e “buracos” com mais rapidez e, pela
dos jornalistas com quem trabalhei. buracos conseguem ser superados natureza dinâmica das tabelas, a
É pena, pois essa ferramenta é uma com certa facilidade - “aproximada- possibilidade de novos cruzamentos.
dos mais abnegadas aliadas do jor- mente”, “cerca de”, entre outros recur- Cenários diametralmente opostos de
nalismo e da infografia que conheço. sos (inclusive “entre outros”). Em um dados dispostos em arquivos de tex-
Não necessariamente a planilha em si, infográfico, porém, tais fragilidades tos ou PDFs.
mas sua estrutura e o que ela induz: o ficam mais expostas. A infografia é
rigor e a precisão do dado. um instrumento de precisão que, por Outro aspecto importante é o cami-
natureza, precisa conferir aos dados nho mais fácil para a colaboração
O cotidiano dentro de um depar- ordem, estética e clareza. entre profissionais, seja entre repór-
tamento de infografia costuma ser teres como também entre repórte-
pouco tedioso: problemas surgem o Aí que entram as planilhas. Como qual- res e infografistas. Em tempos de
tempo todo. Um dos mais comuns é quer ferramenta, elas auxiliam o cum- fechamentos cada vez mais caóticos
o dado desestruturado, pautado para primento de tarefas, mas não fazem e multiplataforma, a própria integri-
uma infografia que nasce disforme todo o trabalho. A apuração e o faro do dade dos dados em circulação pode
e precisa de um esqueleto para se repórter permanecem fundamentais, contribuir para tomadas de decisão
sustentar. Esse desarranjo da matéria assim como infografias de visual aca- mais eficientes.
prima do info - a informação - apare- chapante são essenciais para encantar
ce de várias maneiras. Números com o leitor, mas é preciso cultivar cada Ok, eis uma utopia um tanto nerd.
unidades diferentes, comparações de vez mais nas redações a cultura do Mas vale a tentativa.
períodos desiguais, números absolu- dado estruturado, “à prova de balas”.
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A INFOGRAFIA
POR VINICIUS
MACHADO, DESIGNER
NO GLOBO

E O USUÁRIO
Formado em Design
pela UFRJ

Trabalho como designer e infografista zem estes saberes de modo eficiente. va, um ponto-chave, e desenvolvê-lo
digital do O Globo há três anos; um Isto se reflete diretamente no design em termos de criatividade, platafor-
tempo curto, principalmente se com- e na infografia dos jornais, sobretudo ma e usabilidade. O usuário comum,
parado a colegas que estão lá prati- no ambiente digital, e nos provoca a por exemplo, tende a não ler páginas
camente toda a sua vida profissional. responder uma questão cada vez mais web na ordem em que organizamos
Mas este período já me mostrou que o pertinente: para além do perfil econô- o conteúdo; na imensa maioria dos
ambiente agitado da redação é poten- mico e social, quais são os hábitos de casos ele explora e avalia o todo
cialmente instigante, porque permite interação do leitor, o receptor direto (tamanho dos textos, títulos, gráficos,
e induz a movimentação entre repór- do nosso trabalho? ilustrações), buscando compreender
teres, editores, designers, infografistas, do que se trata, e só então seleciona
videografistas, fotógrafos, desenvolve- Surge então, também para o jorna- o que considera importante ler. Isto, é
dores e ilustradores. Estou diariamente lismo de dados, a figura do usuário, a claro, caso tenha sido “fisgado”, tor-
transitando por esta multidisciplinari- necessidade de conhecer os interes- nando o design e a infografia o ponto
dade, sendo influenciado por ela, e, de ses de quem consome informação na nevrálgico do trabalho.
quebra, convivendo com excelentes web e como se comporta em relação
profissionais. Neste sentido, a redação a ela. Gostaria de compartilhar, por- Pode ser surpreendente como gráfi-
sem dúvida é um lugar que concentra tanto, algumas impressões que tenho cos ainda são considerados de difícil
talentos capazes de desenvolver con- a respeito disso, apenas com o intuito compreensão para o leitor, embora
teúdo de alta relevância. A tal “crise de provocar a discussão. sejam feitos para diluir estas difi-
do jornalismo” e o estabelecimento culdades, facilitar a visualização e a
da internet como o grande meio onde Construir narrativas digitais não sig- comparação e até promover a síntese
circulam as notícias, acentuou a con- nifica optar por conteúdos densos, da análise dos dados. Mas a energia
corrência pela informação e obriga frios e enciclopédicos, mas envolve que o leitor investe na compreensão
diariamente que as redações atuali- cada vez mais adotar uma perspecti- de gráficos muito complexos é baixa.
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É preciso então pensar em alternati- do e sua mensagem e (3) se enga jar, mento de produtos como aplicativos
vas para apresentá-los de modo mais aprender, reproduzir. e sites), mas a ideia é encontrar uma
interessante e didático, muitas vezes intersecção entre o dinamismo multi-
não abrindo mão de guiar o usuário Alguns métodos de usabilidade po- disciplinar da redação e a realização
pela sua leitura. E ter em mente algu- dem sugerir caminhos, e destaco aqui de projetos que levarão em conta a
mas perguntas: “o que há de impor- o chamado Lean UX, que propõe eficiência do conteúdo em relação às
tante aqui?”; “como alguém que não receber feedbacks do usuário ainda expectativas do usuário. Isto significa
está envolvido neste trabalho gosta- no processo de produção do traba- incorporar mais ao processo de tra-
ria de interagir com ele?” ou, como lho. É claro que o ritmo dos jornais balho das redações o conhecimento
me ensinou a editora Gabriela Alle- e a rotina do hard news são obstá- dos hábitos do leitor e as ferramentas
gro, “para que estamos fazendo isso?”. culos consideráveis na organização criativas para lidar com isso. Trata-se,
O leitor precisa: (1) se interessar em de projetos com esta demanda de sobretudo, de design.
ler, (2) entender facilmente o conteú- etapas (mais utilizada no desenvolvi-
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O FIM DA
POR EDUARDO ASTA,
INFOGRAFISTA DA
FOLHA DE S.PAULO

INFOGRAFIA
Formado em arquite-
tura pela FAU-USP

Na economia em que a infografia e distribuem conteúdo diariamente. O escolhe as pautas que o leitor deve ler,
nasceu, os bens eram escassos. Na leque de assuntos se expande além da vai sendo substituído por algoritmos
área de comunicação, para produzir, divisão editorial das redações tradicio- preemptivos que conectam o leitor ao
imprimir e distribuir a informação era nais. Fala-se de qualquer assunto. Há conteúdo que ele deseja, e que tam-
necessária uma empresa grande e uma multiplicidade de pontos de vista bém garantem sua maior permanên-
muito capital. A informação era mo- e tudo é intensamente discutido. A cia dentro da plataforma.
nopolizada pelas empresas e produ- produção é um trabalho coletivo, que
zida por profissionais especializados, cria suas próprias maneiras de contar O know-how dos profissionais tem sido
sempre de cima (empresa) para baixo as histórias. A infografia não faz parte substituído por linhas de código. Isto
(consumidores). Esses profissionais de- deste repertório narrativo. significa que cada vez mais pessoas
terminavam como as histórias seriam têm acesso a recursos que antes eram
contadas. A infografia faz parte desse Para as grandes empresas de comu- domínio de alguns poucos profissio-
repertório narrativo. nicação é difícil se manter nesse ne- nais. O que é bom, pois há menos in-
gócio. Em parte porque perderam a termediários entre leitores e conteúdo.
A tecnologia reduziu o custo de produ- distribuição da informação para as
zir e distribuir a informação, provocan- redes sociais, logo a renda publicitária. Se você estiver pensando em gráficos
do a entrada de milhões de pessoas e O custo é alto e o retorno é baixo. e mapas, por exemplo, serviços como
novas empresas em algo que conhecí- CartoDB e Infogram permitem ao jor-
amos como mercado. Isso quebrou o Junto com as redações tradicionais nalista manipular e visualizar os dados
monopólio das grandes corporações e desaparecem muitos postos de tra- a um custo baixo – e com resultados
democratizou a comunicação. balho e algumas especialidades. O melhores, sem ter que recorrer a um
diagramador, por exemplo, necessário infografista. Ou seja, um intermediário
Hoje, a informação é um bem abun- no impresso, sumiu com a ascensão a menos.
dante. Milhões de pessoas produzem do digital. O editor, ou o jornalista que
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Em todas as áreas empresas grandes de produção, bens que eram caros por Um mercado para pequenos.
têm tido dificuldades para se manter serem raros passam a ser baratos por
em pé ao mesmo tempo que peque- se tornarem abundantes. Empresas O infografista não pode mais ficar es-
nas empresas e coletivos entram na grandes sucumbem para dar espaço perando o conteúdo cair em seu colo
disputa pelo mercado. A indústria au- às pequenas e aos coletivos. As trocas, para então moldá-lo para o consumo.
tomobilística nos EUA e na Europa têm sejam monetárias ou de informação, Uma máquina já faz isso e as redações
sofrido concorrência forte das empre- ocorrem lateralmente, e não mais de não sobrevivierão tempo o suficiente.
sas de compartilhamento de carros, cima para baixo. O número de inter- O profissional precisar estar envolvido
da mesma que os hóteis sofrem com mediários entre você e a informação, na criação do conteúdo, na sua distri-
o Airbnb. Os aplicativos de táxi aca- produto ou serviço cai a cada minuto. buição e venda.
baram com as cooperativas, enquanto
o Uber quer colocar seus motoristas Essa mesma tecnologia que fecha as Aquele que enxerga-se como um es-
para transportar pessoas e cargas pe- portas para grandes corporações abre pecialista de visualização, é apenas
las cidades impactando as empresas diversas outras para empresas peque- um intermediário. A infografia por ele
de logística. nas e indivíduos, que podem produzir produzida faz parte do repertório de
conteúdo com qualidade superior ao contar histórias das redações conven-
O paradigma econômico está mu- das redações convencionais com um cionais. Se não mudarem, ambos vão
dando rapidamente. De uma maneira custo muito menor. Mais empreende- morrer junto com as redações conven-
geral, é possível perceber que a me- dores significa mais clientes em poten- cionais.
dida que a tecnologia baixa os custos cial. Um novo mercado está surgindo.
1º MOSTRA IN.RIO 13

O DESIGNER
POR CAROL ROZENDO,
WEB DESIGNER E DESEN-
VOLVEDORA NO ESTADÃO

CURIOSO
Formada em Editoração
e graduanda em Design
pela USP, foi estudante vi-
sitante no MIT Media Lab

“Especialização é para insetos” - já que uma vida humana não é comple- mamente diversas, que podem passar
ouviu esta frase? Pode ser uma afir- ta se não puder explorar diferentes pelas humanidades, pelas ciências
mação dura hoje, uma época em que aspectos do seu mundo e do conheci- exatas, pela biologia e ciências natu-
o profissional que escolhe ir a fundo mento disponível para ser descoberto. rais, são as que se revelam as melho-
numa só área em toda sua vida é tão res designers, mais do que aqueles
valorizado. O autor é Robert A. Hein- Mas para um designer, esta ideia me que passam anos aperfeiçoando técni-
lein, ou seu personagem Lazarus Long, parece especialmente importante. cas específicas.
do livro “Time enough for love”. Desde Seja uma peça gráfica para mídia
que a ouvi, eu emoldurei esta frase e a impressa, um móvel, uma página web, Independente de sua intenção, o pro-
coloquei numa parede nobre do meu um eletrodoméstico ou mesmo um duto do seu trabalho sempre irá con-
cérebro, parede a ser revisitada men- game, a criação de um designer curio- ter parte da sua experiência de vida.
talmente sempre que alguém pergun- so se mostra, se destaca porque co- Pequenas partes desse imenso mundo
tasse: “Certo, mas qual a sua especia- munica uma intenção que transcende em que seres reais vivem - um mun-
lização?” a simples forma ou a técnica. A inten- do complexo, em que disciplinas são
ção de entrar em uma vida que não é divisões artificiais e abstratas. Se uma
Claro, ninguém precisa se sentir mal a do criador, e se fazer útil de modo pessoa limita sua existência a somen-
por ter se especializado. MBAs e cur- sutil e elegante, tão invisível quanto te um tipo de experiência, ela estará
sos de pós graduação enchem os for possível. Se para o usuário de um bastante viciada em projetar para
currículos. Pessoas que acumulam produto a técnica for mais aparente si mesma. Mas quanto maior e mais
conhecimento em uma área recebem que a funcionalidade, o designer pro- ampla a vivência do designer, mais ele
valorização e têm seu lugar na socie- vavelmente falhou. conseguirá se aproximar das diferen-
dade. Não quero aqui despejar uma tes pessoas que irão usar o que ele
regra sobre as vidas das pessoas, E é por isso que as pessoas com inte- projetou.
ainda que eu acredite profundamente resse em cultivar habilidades extre-
1º MOSTRA IN.RIO 14

OS INFOGRAFISTAS
POR ALESSANDO ALVIM,
EDITOR-ASSISTENTE NO
GLOBO

“ON THE SPOTLIGHT”


Formado em gravura -
Belas Artes, trabalha com
infografia desde 1991

***CONTÉM SPOILERS*** da cúria de Boston para encobrir os por Sipe poderia ser confirmado? Os
casos: após o abuso, o padre rece- jornalistas Michael Rezendes e Sacha
No filme “Spotlight - Segredos Re- bia uma licença médica, seguia para Pfeiffer relacionaram as vítimas com
velados”, uma equipe de quatro jor- tratamento psiquiátrico e a reclama- os padres que constavam na lista. Já
nalistas do “Boston Globe” revela os ção da vítima nem virava denúncia. o editor responsável da equipe, Robin
subterrâneos de abusos sexuais co- A equipe do Spotlight descobriu que Robinson, buscou a confirmação de
metidos por padres, em Boston, cida- o fato era sistêmico quando chegou quantos dos 87 seriam padres pedó-
de com a maior comunidade católica a um psicólogo e ex-padre, Sipe, que filos e, para isso, procurou um advo-
dos EUA. Em 2002, foi publicada a trabalhou na reabilitação de padres gado que havia trabalhado no arqui-
primeira matéria denunciando 70 com transtornos sexuais. O psicólogo vamento das denúncias. Depois de
religiosos. Como a equipe de Spotli- estudou o distúrbio comportamental muita insistência a fonte confirmou,
ght chegou a esse número mágico? dos religiosos e chegou à conclusão eram 70 de fato.
Relembremos o roteiro... que existia uma razão matemática
para a incidência dos casos. Mas, depois de três parágrafos in-
Primeiro, eles encontraram um advo- teiros dando “spoilers”, atrás de
gado armênio, Mitchell Garabedian, Daí, um dos quatro repórteres, Matt “spoilers”, vem a pergunta crucial: o
que representava vítimas e alegava Carroll, buscou nos anuários das quê Spotlight tem a ver com infogra-
ter provas contra um padre especí- paróquias de Boston os nomes dos fia? Eu responderia: tudo! Seria muito
fico. Depois, escutaram Phil Saviano, padres afastados por motivo médico importante um infografista integrar
vítima na infância e fundador de uma e que seguiram para tratamento psi- a equipe se a reportagem fosse fei-
associação de crianças abusadas por quiátrico. Carroll começou a organi- ta nos dias de hoje. Porque, a análise
clérigos. Essas duas fontes fornece- zar os dados em uma planilha e che- sobre a planilha renderia inúmeros
ram inúmeros personagens e mos- gou ao número de 87 religiosos. Mas, cruzamentos com outros bancos de
traram como era o “modus operandi” como o padrão estatístico anunciado dados públicos dos EUA para se bus-
1º MOSTRA IN.RIO 15

Na foto, os personagens
da esquerda para
direita: Sasha Pfeifer
(Rachel McAdmas), Michel
Rezendes (Mark Ruffalo),
Matt Carroll (Brian D’arcy
James) e Robby Robinson
(Michael Keaton)

car outras análises, como por exem- das matérias e, no máximo, o leitor georreferenciada, com um mapa de
plo, qual a faixa de renda da família podia ver um ou outro documento. Boston conduzindo o leitor cronolo-
da vítima, se há chefes de família de- Hoje, temos infinitas possibilidades gicamente pelos casos e, à medida
socupados, se há família onde a mãe de edição: foto, vídeo, áudio e gráfico, que o leitor entrasse no casos, teria
é o chefe, se existe alguma relação que compõem as ferramentas possí- acesso informações específicas. En-
com imigrantes ou etnia e por aí vai. veis para uma boa narrativa. Outro fim, hoje não somente o conteúdo é
Porque, além do padrão dos agres- ponto, é a interação entre esses ele- importante, mas a apresentação mais
sores, poderíamos ter um perfil mais mentos e como a usabilidade se dá. adequada deste conteúdo — ou seja,
aprofundado da vítimas. Mas, para Por isso, é fundamental a presença do a forma — é fundamental.
todas essas análises funcionarem o infografista desde o gêneses inicial
infografista não pode ter uma postura da investigação, por que, com o esco- No dias atuais, um bom profissional
passiva diante do processo investiga- po total do material, é possível estru- de infografia precisar ter diversas ha-
tivo. Deve assumir a função que lhe turar melhor a entrega. A reportagem bilidades que vão além do “bom olho”
é reservada, a de ser um jornalista poderia ser apresentada de diversas e da maestria no uso das ferramentas
visual. Por que sem o envolvimento formas, por exemplo, o leitor entraria do design gráfico. Ele tem que apurar,
necessário lhe faltará a capacidade em um ambiente com as fotos das 70 editar, pensar a interação e a usabili-
de edição. vítimas quando crianças e a medida dade (como um trabalho vai estar no
que fôssemos ler sobre um caso es- desktop, tablet e celular) e deve in-
Outro aspecto, é a apresentação da pecífico teríamos um depoimento em tegrar os times de reportagem, por-
reportagem. Em 2002, o tratamento vídeo da vítima já adulta. Ou a entra- que a atividade jornalística deve ser,
dado na web foi o de fornecer o link da do ambiente poderia ser de forma acima de tudo, colaborativa.
1º MOSTRA IN.RIO 16

DADOS, IMAGENS
POR FÁBIO VASCON-
CELLOS, DO NÚCLEO
DE DADOS DO GLOBO

E CONHECIMENTO
Jornalista, doutor
em ciência política e
professor da ESPM e
da UERJ

Situação um. Faça um teste com um finalmente, 2016, 31%. Sabe qual é a que aciona a nossa mente a construir
amigo. Peça que ele, por alguns ins- tendência da taxa de preferência no uma imagem. Não temos controle
tantes, não pense em um elefante Brasil? sobre isso. As imagens simplesmente
branco, com três metros de altura. surgem dentro da nossa cabeça. O se-
Espere. Esse teste já era. Não tem mais Acalme-se. É pouco provável que você gundo caso é outro exemplo igualmen-
sentido prosseguir porque há uma tenha acompanhado cada um dos te simples de como a ausência de uma
probabilidade muito, muito grande de dados citados acima e, desde já, tenha imagem, quando lidamos com ele-
o seu amigo já ter visualizado mental- uma compreensão geral sobre esses mentos abstratos como os números,
mente esse animal tão exótico. Duvi- números. A continuidade de uma série reduz a nossa capacidade de compre-
da? Pergunte para ele. de dados, além de extremamente ender o que está acontecendo.
cansativa, reduz a nossa capacidade
Situação dois (essa é bem chata). A de memorizar e sintetizar os dados, ou As imagens são como pistas que uti-
taxa de preferência partidária, em melhor, de respondermos, afinal, o que lizamos para um entendimento rápi-
1989, foi de 42%, em 1990 passou para essa sequência de números me diz? do do mundo. Só depois passamos a
43%. Um ano depois, 1991, passou para Qual a conclusão que posso fazer a avaliar e a fazer julgamentos racio-
49%, seguido de 53%,49%,45% e 42% partir desses dados? nais. Primeiro vem as imagens, depois
em 1995. Já em 1996, passou para 47%, refletimos sobre elas, isto é, passamos
49%, 42%, 42% chegando ao ano 2000 As duas situações acima são um a raciocinar sobre o que as imagens
com 48%. Daí em diante, a sequência exemplo bem simples de como funcio- nos dizem. Claro que tem gente que
foi a seguinte: 48%,48%,44%,43%,46%. na a nossa relação com mundo ao nos- pula da imagem para o julgamento,
Depois, já a partir de 2006, registrou so redor. Vemos o mundo, inicialmente, mas isso é outra história. O fato é que,
39%,43%,40%. Em 2010, foi de 42%, através de imagens. No primeiro caso, diariamente, recorremos a imagens
em 2011, 43%, em 2012, 41%, em 2013, o simples fato de mencionar algo predefinidas por nossas experiências,
40%, em 2014, 32%, em 2015, 28% e, muito exótico serve como um estímulo cultura, crenças para enquadrar o
1º MOSTRA IN.RIO 17

53
49 49 49 48 48 48
47 46
45
44 43 43
42 43 42 42 42 42 42
40 41 40
39

32 31
28

1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

mundo à nossa volta. em imagens. Smartphones, tablets, te- Dados, imagens e possibilidade de pro-
levisão, computadores e tudo mais na duzir conteúdos através de imagens.
Você há de concordar comigo. A si- área de comunicação hoje está centra-
tuação dois expressa exatamente o do na imagem como código. Esse é ponto que tem me interessado
que a situação um indicou. Sentimos e que envolve o que vem sendo cha-
falta de aquela quantidade insuportá- O que quero dizer é que somos edu- mado de Jornalismo de Dados. Ou
vel de números, que exigem muito do cados desde criança a decodificar seja, temos mais do que nunca uma
nosso raciocínio, seja expressa num imagens. Esse é o primeiro código excelente oportunidade de produzir
simples gráfico de linha. Com o gráfi- que as crianças entendem porque ele informação e conhecimento através
co, aquilo que parecia difícil, complexo é, simplesmente, mais fácil, intuitivo, dos dados, mas precisamos também
e até mesmo incompreensível, ganha direto. No campo da comunicação, saber comunicar os dados através de
outro status. Olhamos e, rapidamente, vivemos outra mudança radical. Nun- imagens. Esse é o desafio porque cada
identificamos que a taxa de prefe- ca tivemos tantos dados disponíveis e dado traz determinadas característi-
rência partidária vem declinando nos digitalizados na web. cas que podem ser melhor exploradas
últimos anos. se soubermos construir imagens que
Esse é um mundo magnífico e que se a justem a elas.
Se pensamos por imagem, passamos aponta para uma sociedade do conhe-
a viver, mais do que nunca, imersos cimento mais do que nunca acessível.
1º MOSTRA IN.RIO 18

ENTRE O FUNCIONAL
POR ARY MORAES,
PROFESSOR DA
ESCOLA DE BELAS
ARTES DA UFRJ

E A ARTE Doutor em Design


(PUC-Rio) e jornalista

Não importa o suporte, um infográfico começou a reportar os fatos para os nica. Assim, produzimos as imagens
é sempre uma forma de se responder outros, o jornal funciona dessa ma- que nossa técnica permite, e vemos o
perguntas. Quem faz a pergunta é o neira e isso só pode se dar através que nos é permitido ver pelo reconhe-
autor, motivado pelos fatos que estão do recorte: o autor abre uma janela cimento (nos objetos) da forma que
diante dele. Às vezes, ela corresponde na realidade e por ela faz chegar ao nosso grupo aceita.
ao que o público gostaria de saber e público aquilo que interessa. Essa sim-
o autor acaba reconhecido por essa plificação é, ela mesma, um recorte, Sempre nos comunicamos por ima-
sintonia, o tal do senso… Embora a uma vez que dispensa a infinidade de gens. A produção de objetos que car-
forma da resposta possa encantar, não teorias e correntes que se debruçam regam mensagens visuais é que cres-
é o encantamento que define a res- sobre essa peculiaridade do trabalho ceu notadamente a partir da invenção
posta. O que a juda a definir a forma jornalístico. Reportar, então, vem de- de Gutemberg, e intensamente a par-
da resposta é a sua utilidade, ou seja, pois de recortar. tir do final do século XX. O jornal, que
o que o sujeito vai fazer com ela. Por é um desses objetos, sofreu fortemen-
conta da variedade de possibilidades A imagem jornalística sempre foi um te as influências das tecnologias que
atualmente à disposição de quem faz recorte: do tema, do personagem, do se sobrepuseram entre esses períodos,
perguntas para oferecer respostas ao fato, dos números, do mundo, enfim. sobretudo a partir dos anos 1980. É
público, essa virou a grande questão A forma desse recorte se modificou por isso que, embora há muito estives-
de qualquer infográfico. à medida em que os modos de pen- sem por lá, só conseguimos enxergar
sar e as técnicas de representação se os infográficos nas páginas de notícias
No cotidiano, o jornal escolhe o que modificaram. Cada sociedade aceita depois que o Design se estabeleceu
publicar, prioriza, seleciona, processa um certo padrão de representação nas redações, modificando para sem-
(edita) e publica. As pessoas, então, (schematta), determinado pela cultu- pre os padrões visuais adotados pelo
escolhem o que querem desse ma- ra, assim como cada época também jornalismo.
terial publicado. Desde que alguém valoriza o seu, determinado pela téc-
1º MOSTRA IN.RIO 19

Agora, estamos diante de um des- elementar – a organização e compa- conta de expressar conceitos ou ideias
ses momentos históricos em que um ração de grandezas quantificáveis –, abstratas, igualmente importantes
padrão é confrontado por outro. É o porém impulsionado pela abundante na crônica. Essa categoria de coisas
ponto em que se deixa de reconhecer quantidade de dados que a tecnologia sempre se manifestou historicamente
o mundo (de onde vêm os fatos e as de nosso tempo coloca à disposição. através da iconografia, dos sistemas
perguntas que ensejam) nos padrões Do ponto de vista tecnológico, além pictóricos, e foi adaptada pela ilus-
usados até então para reportá-lo, mas de bastante viável para a portabilida- tração jornalística, que a tornou mais
ainda não se consegue reconhecê-lo de dos suportes quanto a formatos, próxima do homem comum. Foi a
nos padrões que se lançam. Aconte- carregamento e processamento, esse ilustração jornalística que possibilitou
ceu, por exemplo, quando a fotografia padrão também favorece a interativi- a esse homem o acesso à peças de
liberou a ilustração do compromisso dade. Do ponto de vista no negócio, arte e à outras formas de pensamento
com a realidade objetiva, ou, mais tar- a possibilidade de redução de cus- e expressão que não a verbal.
de, quando o preto e branco foi subs- tos pela substituição de funcionários
tituído pela policromia. Ocorreu tam- especializados por algoritmos ou Porém, aqui e ali começam a consi-
bém quando a infografia se consolidou sistemas preemptivos que alimentem derar a ilustração e os infográficos
como discurso jornalístico, rompendo o novo padrão o torna tão atraente ilustrados algo alegórico, anacrônico,
com a hierarquia vigente nas páginas quanto inevitável. exterior ao jornalismo, como se dele só
ao submeter o texto a outras lingua- pudessem fazer parte imagens assép-
gens ou modos semióticos. O nó da coisa toda pode estar naqui- ticas e funcionais. Em meio à crise dos
lo que o jornalismo tem de mais caro. jornais, a ilustração padece silenciosa-
Com tantos novos suportes e forma- Por mais que a tecnologia favoreça a mente, agarrando-se ao papel por não
tos para o jornalismo, o padrão que produção, não se pode reduzir a ima- ter onde se segurar com firmeza no
se lança é uma derivação dos gráfi- gem jornalística a gráficos quantitati- digital. Porém, mesmo multiplataforma,
cos informativos no que têm de mais vos, sob pena de não se ter como dar jornalismo ainda é literatura com pres-
1º MOSTRA IN.RIO 20

sa. Boa parte daquilo que motiva o fato


jornalístico, que faz parte dele ou dele
resulta não se pode medir nem tabular.
A ilustração jornalística não tem a pre-
cisão dos números, mas é exatamente
o fato de ser assim que a torna neces-
sária para se atingir algo tão impreciso
quanto ela: o ser humano

De autoria de Leonardo da Vinci, a Planta di


Milano é considerada por alguns pesquisa-
dores a primeira visualização da história. O
autor desenha um esquema detalhado da
cidade e, logo abaixo, uma perspectiva vista
de cima, em “olho de pássaro”. Através do de-
senho, Leonardo tornou possível aos homens
pela primeira vez verem seu mundo de uma
outra perspectiva. Não seria essa também a
função do jornalismo?
1º MOSTRA IN.RIO 21

4 PRINCÍPIOS DA
POR GABRIELA ALLEGRO,
EDITORA DE NARRATIVAS
INTERATIVAS NO JORNAL
O GLOBO

NARRATIVA DIGITAL
Há poucos dias soube que o Almana- TECNOLOGIA COM SABEDORIA sobre a disposição dos instrumentos
que Abril, tradicional anuário da edito- A cultura não acompanha a tecnolo- de uma orquestra sinfônica sem que
ra Abril, será fechado. gia. É preciso ter consciência de que os instrumentos tocassem. Não pode
essa é uma via de duas mãos. Como ter som? Não entra. Ponto final. Parece
Publicado por 42 anos, o Almanaque jornalista, incorporei no meu dia a dia óbvio, mas não era. E ainda não é.
foi minha escola. Lá aprendi o que é ri- a humildade necessária a quem não
gor com a informação. O que é editar é um nativo digital. Uso, mas não sou ABUNDÂNCIA, NÃO ACÚMULO.
uma obra de referência para jornalis- nativa. Nem a maioria dos meus leito- Não cabe no impresso? Vai pro digital.
tas, pesquisadores e estudantes. res o é. Ainda. Portanto é preciso ho- Quem nunca ouviu isso? Narrativas di-
nestidade para fazer uso correto dos gitais não são cabides de informação.
Com 900 páginas, o Almanaque se recursos que a tecnologia oferece. É pelo contrário. Justamente por não
comprometia a ser a mais atualizada tentador apresentar uma história com ser linear e ter mais de uma dimen-
enciclopédia em português. E levá- um recurso visual bacanérrimo. O efei- são, uma história contada no universo
vamos essa responsabilidade muito a to “UAU” é sedutor. Mas não embarque digital requer hierarquia de informa-
sério. nessa. Pergunte sempre: para que vou ção e rigorosa seleção dos itens que
usar esse recurso? Ele auxilia a com- a compõe, como textos, tabelas, gráfi-
O Almanaque me abriu as portas para preensão da informação? Sim. Então, cos, fotos, vídeos, animações, áudios,
o universo digital em 1995, quando use. Respeite o leitor. mapas ou links.
comecei a elaborar infográficos para
o CD-ROM. Lá aprendi que a complexi- Ao mesmo tempo, não dá para ficar à Isso requer habilidade para criar nar-
dade da narrativa nesse meio deman- margem de uma realidade que se im- rativas com diferentes formatos e
da diferentes habilidades de quem põe. Há vinte anos, já era vergonhoso camadas de informação, na qual todas
a produz. Escrevo aqui sobre quatro para um contador de histórias digitais as camadas fazem sentido e respei-
delas. digno desse nome, criar um infográfico tam a profundidade do interesse do
1º MOSTRA IN.RIO 22

leitor pelo tema. Faça uso do princípio tais. Além de permitir a manipulação não existe herói em uma obra digital.
da abundância: ofereça ao leitor o que de grande quantidade de informação, Existe uma construção em equipe.
ele precisa no momento em que ele a organização dos dados em tabelas Para além da técnica, a boa história
precisa. Muita informação junta é acú- proporciona rápida comparação e digital demanda que o tripé jorna-
mulo. Não abundância. redução de erros. Além disso, sepa- lismo-design-programação esteja
rar forma e conteúdo mostrou-se, nos alinhado. Requer diálogo. Tecido. Co-
FORMA E CONTEÚDO SEPARADOS anos seguintes, uma estratégia eficaz laboração. Requer o outro. Os olhares
Antes mesmo da chegada do Win- para o reaproveitamento e ou mesmo são complementares, e todos ganham.
dows, a redação do Almanaque aco- a venda de conteúdos, otimizando, Sempre.
lheu um novo personagem do mundo assim, o custo da apuração.
digital: a base de dados. Há 20 anos Obrigada, Almanaque
abandonamos as laudas para tratar DIÁLOGO
centenas de indicadores sócio-econô- Talvez a lição mais importante da
micos com o rigor das planilhas digi- minha formação no Almanaque é que
1º MOSTRA IN.RIO 23

INFOGRAFIA
1º MOSTRA IN.RIO 24

O GLOBO
Alessandro
Alvim
1º MOSTRA IN.RIO 25

O GLOBO
Alessandro
Alvim
1º MOSTRA IN.RIO 26

O GLOBO
Alessandro
Alvim
1º MOSTRA IN.RIO 27

O GLOBO
Alessandro
Alvim
1º MOSTRA IN.RIO 28

O GLOBO O GLOBO
Núcleo de Renato
Jornalismo Carvalho,
de Dados Carol
e Carol Cavaleiro e
Cavaleiro Rubens Paiva
1º MOSTRA IN.RIO 29

O GLOBO O GLOBO
Rubens Núcleo de
Paiva Jornalismo
de Dados,
Vinícius
Machado
e Rubens
Paiva
1º MOSTRA IN.RIO 30

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 31

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 32

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 33

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 34

FOLHA DE
S.PAULO
Irapuan Campos
(capa), Marcio
Freitas (projeto
gráfico), Eduardo
Asta (infografia)
e Bruno Santos
(mapas)
1º MOSTRA IN.RIO 35

FOLHA DE
S.PAULO
Irapuan Campos
(capa), Marcio
Freitas (projeto
gráfico), Eduardo
Asta (infografia)
e Bruno Santos
(mapas)
1º MOSTRA IN.RIO 36

FOLHA DE FOLHA DE
S.PAULO S.PAULO
Luciano Alex Kidd
Veronezi
1º MOSTRA IN.RIO 37

FOLHA DE FOLHA DE
S.PAULO S.PAULO
Marcelo Marcelo
Pliger e Pliger
Mario Kanno
1º MOSTRA IN.RIO 38

FOLHA DE
S.PAULO
Alex Kidd
(texto e
página),
Willian Mur
(ilustrações)
e Clayton
Bueno (texto
e página)
1º MOSTRA IN.RIO 39

ESTADÃO
Glauco
Lara e
Jonatan
Sarmento
1º MOSTRA IN.RIO 40

ESTADÃO
Glauco
Lara
1º MOSTRA IN.RIO 41

ESTADÃO ESTADÃO
Jonatan Diogo
Sarmento, Shiraiwa
Marcos
Müller,
Gisele
Oliveira e
Edmilson
Silva
1º MOSTRA IN.RIO 42

ESTADÃO ESTADÃO
Diogo Gisele
Shiraiwa Oliveira
e Mauro
Girão
1º MOSTRA IN.RIO 43

ESTADÃO ESTADÃO
Glauco Lara, Gisele
William Oliveira
Mariotto,
Mauro
Girão,
Jonatan
Sarmento
e Marcos
Müller
1º MOSTRA IN.RIO 44

AGORA
SÃO PAULO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 45

AGORA
SÃO PAULO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 46

METRO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 47

METRO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 48

ZERO
HORA
Gabriel
Renner e
Leandro
Maciel
1º MOSTRA IN.RIO 49

ZERO
HORA
Gabriel
Renner
1º MOSTRA IN.RIO 50

O DIA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 51

O DIA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 52

O DIA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 53

O DIA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 54

ÉPOCA
Marcos
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 55

ÉPOCA
Marcos
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 56

ÉPOCA
Marcos
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 57

ÉPOCA
NEGÓCIOS
Danilo Bandeira
1º MOSTRA IN.RIO 58

ÉPOCA
NEGÓCIOS
Danilo Bandeira
1º MOSTRA IN.RIO 59

ÉPOCA
NEGÓCIOS
Danilo Bandeira
1º MOSTRA IN.RIO 60

ÉPOCA
NEGÓCIOS
Danilo Bandeira
1º MOSTRA IN.RIO 61

QUATRO
RODAS
Fabio Paiva
e Jonatan
Sarmento
1º MOSTRA IN.RIO 62

QUATRO
RODAS
Fabio Paiva
e Marco
de Bari
1º MOSTRA IN.RIO 63

QUATRO
RODAS
Fabio Paiva
e Marco
de Bari
1º MOSTRA IN.RIO 64

ALMANAQUE
ABRIL 2015
Fábio Bosquê
e Multi/SP

UMA HOMENAGEM
É com tristeza que recebemos a
notícia de que o Almanaque não será
mais publicado em 2016. O comunicado
foi feito pela página do Almanaque
no Facebook no dia 11 de março.

O Almanaque Abril, ao longo de quatro


décadas de existência se tornou uma
fonte crucial de informações para quem
estuda ou para quem precisa consultar
dados gerais atualizados sobre o Brasil
e o mundo. Esperamos que esse não
seja o fim definitivo do Almanaque
e que no futuro desfrutemos
novamente dessa incrível publicação.
1º MOSTRA IN.RIO 65

ALMANAQUE
ABRIL 2015
Fábio Bosquê
e Multi/SP
1º MOSTRA IN.RIO 66

ALMANAQUE
ABRIL 2015
Fábio Bosquê
e Multi/SP
1º MOSTRA IN.RIO 67

ALMANAQUE
ABRIL 2014
Fábio Bosquê
e Multi/SP
1º MOSTRA IN.RIO 68

GUIA DO
ESTUDANTE
Fábio Bosquê
e Multi/SP
1º MOSTRA IN.RIO 69

GUIA DO
ESTUDANTE
Fábio Bosquê
e Multi/SP
1º MOSTRA IN.RIO 70

GUIA DO
ESTUDANTE
Fábio Bosquê
e Multi/SP
1º MOSTRA IN.RIO 71

SUPER
Felipe van
Deursen,
Inara Negrão,
Arthuzzi e Luiz
Felipe Silva
1º MOSTRA IN.RIO 72

SUPER
Dalts (roteiro
e arte) Paula
Bustamante
(design) e
Felipe van
Deursen
(edição)
1º MOSTRA IN.RIO 73

SUPER
Dalts (roteiro
e arte) Paula
Bustamante
(design) e
Felipe van
Deursen
(edição)
1º MOSTRA IN.RIO 74

MUNDO
ESTRANHO
Alexandre
Jubran
(ilustração),
Thales Molina
e Mayra
Fernandes
(design)
1º MOSTRA IN.RIO 75

MUNDO
ESTRANHO
Alexandre
Jubran
(ilustração),
Thales Molina
e Mayra
Fernandes
(design)
1º MOSTRA IN.RIO 76

MUNDO
ESTRANHO
Thales Molina
1º MOSTRA IN.RIO 77

MUNDO MUNDO
ESTRANHO ESTRANHO
Kiko Mauriz Otávio
(ilustração), Silveira
Fabi Caruso (ilustração)
e Thales e Mayra
Molina Fernandes
(design) (design)
1º MOSTRA IN.RIO 78

O POVO
Pedro
Turano e
Luciana
Pimenta
1º MOSTRA IN.RIO 79

O POVO
Pedro
Turano e
Luciana
Pimenta
1º MOSTRA IN.RIO 80

O POVO TIPOCRACIA
Luciana Marcelo
Pimenta Pliger
e Pedro
Turano
1º MOSTRA IN.RIO 81

CORREIO
BRAZILIENSE
Valdo Virgo
1º MOSTRA IN.RIO 82

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville
e André
Moscatelli
1º MOSTRA IN.RIO 83

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville
e André
Moscatelli
1º MOSTRA IN.RIO 84

SAÚDE
É VITAL
Thiago Lyra
e André
Moscatelli
1º MOSTRA IN.RIO 85

SAÚDE
É VITAL
Thiago Lyra
e André
Moscatelli
1º MOSTRA IN.RIO 86

SAÚDE
É VITAL
Erika
Onodera
e Ana
Cossermelli
1º MOSTRA IN.RIO 87

REVISTA O2
Erika Onodera
1º MOSTRA IN.RIO 88

REVISTA O2
Erika Onodera
1º MOSTRA IN.RIO 89

REVISTA O2
Erika Onodera
1º MOSTRA IN.RIO 90

REVISTA
21
Fabio
Abreu
1º MOSTRA IN.RIO 91

REVISTA
21
Fabio
Abreu
1º MOSTRA IN.RIO 92

TEMA
MAGAZINE
Andre
Moscatelli
1º MOSTRA IN.RIO 93

ZERO
HORA
Fernando
Gonda
1º MOSTRA IN.RIO 94

DIÁRIO
CATARINENSE
Fábio
Nienow
1º MOSTRA IN.RIO 95

GALILEU
Bernardo
Borges
1º MOSTRA IN.RIO 96

DAS AUTO
Rodrigo
Damati
1º MOSTRA IN.RIO 97

DAS AUTO
Rodrigo
Damati
1º MOSTRA IN.RIO 98

DAS AUTO
Rodrigo
Damati
1º MOSTRA IN.RIO 99

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 100

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 101

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 102

CALENDÁRIO O
QUE TEM PRA
JANTAR? 2016
Claudia Inoue,
Eduardo Bessa,
Ilustração: Hendric
Sueitt, Gabriel São
Marcos e Giovana
Medeiros
1º MOSTRA IN.RIO 103

ESPECIAL
MUNDO
DO VINHO
Claudia
Inoue, Edu-
ardo Bessa e
Olivia Ferraz,
Ilustração:
Hendric
Sueitt,
Renato
Faccini e
Zé Otávio
1º MOSTRA IN.RIO 104

DESENHO DE PÁGINA
1º MOSTRA IN.RIO 105

O GLOBO O GLOBO
Maurício Marcelo
Tussi Monteiro
1º MOSTRA IN.RIO 106

O GLOBO
Luciane
Costa e
Paulo Motta
1º MOSTRA IN.RIO 107

O GLOBO O GLOBO
Renato Chico
Dalcin e Amaral
Maurício
Tussi
1º MOSTRA IN.RIO 108

O GLOBO
Chico Amaral,
Luciane Costa
e Cavalcante
1º MOSTRA IN.RIO 109

O GLOBO REVISTA
O GLOBO
Leo Martins
e Mariana Ciro
Morgado Fernandes
1º MOSTRA IN.RIO 110

O GLOBO
André Mello
1º MOSTRA IN.RIO 111

O GLOBO
Maurício
Tussi
1º MOSTRA IN.RIO 112

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 113

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 114

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 115

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 116

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 117

EXTRA
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 118

FOLHA DE
S.PAULO

Thea
Severino
1º MOSTRA IN.RIO 119

FOLHA DE FOLHA DE
S.PAULO S.PAULO
Irapuan Fernanda
Campos Giulietti
1º MOSTRA IN.RIO 120

FOLHA DE
S.PAULO
Alex Kidd,
Carol Daffara,
Theo Lamar
e Fabiana
Martins
1º MOSTRA IN.RIO 121

FOLHA DE FOLHA DE
S.PAULO S.PAULO
Marciana Theo Lamar
Rodrigues, (design),
Irapuan Eduardo Asta
Campos e (infografia),
Bruno Santos Marcio Freitas
(ilustrações) (projeto gráfico)
1º MOSTRA IN.RIO 122

FOLHA DE REVISTA
S.PAULO SÃO PAULO
Luana Fernando
Santana Sciarra e Felipe
Morozini (foto)
1º MOSTRA IN.RIO 123

REVISTA AGORA
SÃO SÃO
PAULO PAULO
Fabio Editoria
Abreu de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 124

ESTADÃO ESTADÃO
Fabio Sales Fernando
Sciarra
1º MOSTRA IN.RIO 125

ESTADÃO ESTADÃO
Fabio Sales Adonis
Durado e
Fabio Sales
1º MOSTRA IN.RIO 126

CORREIO
BRAZILIENSE
Maurenilson
Freire
1º MOSTRA IN.RIO 127

CORREIO
BRAZILIENSE
Maurenilson
Freire
1º MOSTRA IN.RIO 128

CORREIO
BRAZILIENSE
Maurenilson
Freire
1º MOSTRA IN.RIO 129

METRO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 130

METRO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 131

METRO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 132

METRO
Editoria
de Arte
1º MOSTRA IN.RIO 133

ZERO
HORA
Gabriel
Renner e
Leandro
Maciel
1º MOSTRA IN.RIO 134

ZERO
HORA
Gabriel
Renner
1º MOSTRA IN.RIO 135

O POVO
Gil Dicelli e
Sara Maia
(foto)
1º MOSTRA IN.RIO 136

O POVO
Gil Dicelli,
Carlus
Campos
(ilustração)
1º MOSTRA IN.RIO 137

O POVO
Gil Dicelli
e Luciana
Pimenta
1º MOSTRA IN.RIO 138

ÉPOCA
Marco
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 139

ÉPOCA
Marco
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 140

ÉPOCA
Marco
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 141

ÉPOCA
Marco
Vergotti
1º MOSTRA IN.RIO 142

ISTOÉ
Marcos
Marques
1º MOSTRA IN.RIO 143

ISTOÉ
Marcos
Marques
1º MOSTRA IN.RIO 144

REVISTA
21
Fabio
Abreu
1º MOSTRA IN.RIO 145

REVISTA
21
Fabio
Abreu
1º MOSTRA IN.RIO 146

REVISTA
21
Fabio
Abreu
1º MOSTRA IN.RIO 147

MUNDO
ESTRANHO
Bruno Marçal
(foto), Thales
Molina
(ilustração),
Mayara
Fernandes
(design) e
Felipe van
Deursen
(edição)
1º MOSTRA IN.RIO 148

MUNDO
ESTRANHO
Thales Molina
(design),
Rodrigo
Bastos Didier
(ilustração)
e Marcel
Nadale
(edição)
1º MOSTRA IN.RIO 149

MUNDO
ESTRANHO
Bruno Rosal
(ilustração),
Thales Molina
(design) e
Felipe van
Deursen
(edição)
1º MOSTRA IN.RIO 150

MUNDO
ESTRANHO
Thales Molina
1º MOSTRA IN.RIO 151

SUPER QUATRO
RODAS
Vanessa
Kinoshita Fabio
Paiva e
Dulla
1º MOSTRA IN.RIO 152

QUATRO
RODAS
Fabio
Paiva
1º MOSTRA IN.RIO 153

QUATRO
RODAS
Fabio
Paivs
1º MOSTRA IN.RIO 154

QUATRO
RODAS
Fabio
Paiva e
Marco
de Bari
1º MOSTRA IN.RIO 155

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville,
Alex Silva e
Sergio
Bergocce
1º MOSTRA IN.RIO 156

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville,
Alex Silva e
Sergio
Bergocce
1º MOSTRA IN.RIO 157

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville
e Jonatan
Sarmento
1º MOSTRA IN.RIO 158

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville
e Jonatan
Sarmento
1º MOSTRA IN.RIO 159

SAÚDE
É VITAL
Glenda
Capdeville
e Jonatan
Sarmento
1º MOSTRA IN.RIO 160

EU SOU A
MUDANÇA
Claudia Inoue,
Eduardo Bessa
e Bernardo
Carvalho
1º MOSTRA IN.RIO 161

SORRIA
Claudia
Inoue,
Eduardo
Bessa e
Nik Neves
1º MOSTRA IN.RIO 162

SORRIA
Claudia
Inoue,
Eduardo
Bessa e
Barlaven-
to Estúdio
Criativo
1º MOSTRA IN.RIO 163

ESPECIAL
MUNDO DO
CHOCOLATE
Claudia Inoue,
Eduardo Bessa,
Anna Luiza
Aragão
Ilustração:
Hendric Sueitt,
Renato Faccini
e Zé Otávio
1º MOSTRA IN.RIO 164

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 165

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 166

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 167

PEQUENAS
EMPRESAS

Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 168

PEQUENAS EDUCATRIX
EMPRESAS
Vanessa
Kinoshita
Jairo
Rodruigues
1º MOSTRA IN.RIO 169

PLAYBOY
Daniel
Almeida e
Vanessa
Kinoshita
1º MOSTRA IN.RIO 170

PLAYBOY
Daniel
Almeida e
Vanessa
Kinoshita
1º MOSTRA IN.RIO 171

ONLINE
1º MOSTRA IN.RIO 172

O GLOBO
MUSEU DO AMANHÃ

Alessandro Alvim, Igor


Machado, Anderson
Campos, Mateus Paulino
e Thaís Leão

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JOGO STAR WARS AS TOCHAS OLÍMPICAS DNA DO CONGRESSO

Gabriela Allegro, André Mello, Gabriela Allegro, Delfim Freitas, Carlos Ivan, Gabriela Allegro, Mateus Paulino,
Vinicius Machado, Mateus Paulino, Vinicius Machado, Flavio Taublib, Nathany Santos, Marcelo Coimbra E Flavio Taublib
Anderson Campos e Thaís Leão Kayan Albertin, Mateus Paulino e Thaís Leão
>> LINK
>> LINK >> LINK
1º MOSTRA IN.RIO 173

FOLHA DE S.PAULO
TUDO SOBRE O RIO EM
TRANSFORMAÇÃO

Mario Kanno, Rogerio Pilker,


Lucas Zimmermann, Rubens
Fernando Alencar (Design
and Development), Simon
Ducroquet, Eduardo Asta,
Lucas Tófoli, David Garroux
e Fabiana Martins

>> LINK

ROMARIA DO DIVINO STAR WARS TUDO SOBRE CONTRABANDO NO BRASIL

Lucas Zimmermann William Mur, Alex Kidd, Clayton Lucas Zimmermann, William Mur, Lucas
e Avener Prado Bueno, Fernanda Giulietti, Kleber Tófoli, Lydia Megumi, André Costa e
Bonjoan e Thea Severino Rogerio Pilker
>> LINK
>> LINK >> LINK
1º MOSTRA IN.RIO 174

ESTADÃO
OPERAÇÃO LAVA-JATO

Tiago Henrique, Gisele Oli-


veira, Renan Kikuche, Carlos
Marin, Regina Elizabeth,
William Mariotto, Vinicius
Sueiro e Glauco Lara

>> LINK

CLIMA EM TRANSFORMAÇÃO OS TOUPEIRAS: A HISTÓRIA DO FURTO MARVEL VS DC


AO BANCO CENTRAL
Marcos Muller, William Mariotto, Carlos >> LINK
Marin, Caroline Rozendo, Renan Kikuche, Marcos Muller, Marcos Brito, Carlos Marin,
Tiago Henrique e Vinicius Sueiro Jonatan Sarmento, Renan Kikuche, Tiago
Henrique, Vinicius Sueiro
>> LINK
>> LINK
1º MOSTRA IN.RIO 175

G1
AS PROMESSAS DE DILMA

Karina Almeida, Roberta


Jaworski, Thiago Kawano,
Hector Otavio, Fábio Rosa e
Rogerio Banquieri

>> LINK

AS NOTÍCIAS DO ANO DEPUTADOS COM PROCESSOS CRIMINAIS MATINÊS: COMO É UMA FESTA DOS
ADOLESCENTES DA CIDADE DE SP
>> LINK Karina Almeida, Roberta Jaworski,
Thiago Kawano, Fabio Rosa, Hector Karina Almeida, Thiago Kawano, Fábio
Otavio e Rogério Banquieri Rosa, Hector Otavio e Rogério Banquieri

>> LINK >> LINK


1º MOSTRA IN.RIO 176

GLOBOESPORTE.COM
PROLOGOS

Olavo Costa e Carlos Lemos

>> LINK

MAPA DAS CURTIDAS DOS TIMES AS FALTAS DE CENI EM 7 PASSOS ESCOLHA A SUA SELEÇÃO BRASILEIRA
DO BRASIL NO FACEBOOK
Alexandre Lage, Fabio Penna, Michel Lima, Ricardo Periago, Patrick
Carlos Lemos Mario Guilherme e Carlos Lemos Oliveira e João Paulo Parodi

>> LINK >> LINK >> LINK


1º MOSTRA IN.RIO 177

NEXO JORNAL
A ARTE DE MONDRIAN E OS
ARTISTAS DO STIJL

Murilo Roncolato,
Ralph Mayer, Ariel Tonglet
e Ibrahim Cesar

>> LINK

QUAL O TAMANHO DA CRISE ENTENDA AS PEDALADAS FISCAIS O SEU SALÁRIO DIANTE DA REALIDADE
BRASILEIRA
Ralph Mayer Renata Rizzi Lilian Venturini e Simon Ducroquet
Guilherme Prado Daniel Mariani, Júlia Rocha, Simon Du-
>> LINK croquet e Wellington Freitas
>> LINK
>> LINK
1º MOSTRA IN.RIO 178

PALESTRANTES
1º MOSTRA IN.RIO 179

DORIS MÁRIO IVAN


KOSMINSKY LEITE LUIZ
Professora da UFRJ e Infografista do Editor-assistente
líder do LabVis-UFRJ Globoesporte.com de Arte do Jornal
Extra

VISUALIZAÇÃO SOBRE COVERGÊNCIA DE MÍDIAS A INFOGRAFIA NOS DIÁRIOS


DADOS DE ENERGIA PARA O E STORYTELLING POPULARES
BANCO INTERAMERICANO
DE DESENVOLVIMENTO (BID) Os infográficos do Desenvolvimento da cultura
Globoesporte.com têm visual na redação de jornal
A prática interdisciplinar como forte característica o impresso popular. Criação
no “case” do projeto de aspecto de entretenimento e da linguagem, de peças, de
visualização sobre dados buscam valorizar ao máximo padrões e de uma parceria
de energia desenvolvido a experiência e interativida- sólida entre a arte e o texto.
para o Banco Interamericano de do internauta. Entender “Fazer um belo infográfico
de Desenvolvimento (BID). a progressão das mídias especial é muito bom
Este projeto contou com a de comunicação em massa para o portifólio. Fazer uma
participação das equipes do através da história e a tabela de fácil entendimento
LabVis-UFRJ (Laboratório forma como elas co-habitam e atraente é primordial para
da Visualidade e Visualiza- nas atuais plataformas o jornal”
ção) e do LCG-UFRJ (La- colocam o storytelling em
boratório de Computação um momento fantástico
Gráfica - professor Claudio e ímpar na capacidade
Esperança e sua equipe) humana de contar histórias.
1º MOSTRA IN.RIO 180

GABRIELA ALESSANDRO RICARDO


ALLEGRO ALVIM CUNHA LIMA
Editora de narrativas Editor Assistente Criador do podcast
interativas no jornal do Jornal O Globo Visual+Mente e Professor
O Globo de infografia no IED

COMO USAR A REDE. A O DESAFIO DE TRANSPOR O QUE É INFOGRAFIA?


CONSTRUÇÃO COLETIVA DE A INFOGRAFIA PARA A UMA ANÁLISE ACADÊMICA
UM PROJETO LINGUAGEM DIGITAL
O que é infografia jornalís-
A partir do artigo ‘A catedral Do papel ao digital. O tica? Tradicionalmente, a
e o bazar’, de Eric Raymond, trabalho com infografia infografia é vista como um
o pai do software aberto, digital envolvendo suas elemento complementar
Gabriela relata sua diversas plataformas, solu- ao texto jornalístico.
experiência na mobilização ções visuais e narrativas. Sob a ótica dessa análise,
de leitores e de públicos Como o papel do infografis- a infografia é uma forma
específicos para a produção ta aumentou com as novas de comunicação autônoma
de projetos colaborativos tecnologias. que pode conter todos os
e interativos nos jornais elementos informativos,
Estadão e O Globo representando a própria
matéria em si.