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16/08/2018 Segurança em sistemas fotovoltaicos - VINICIUS AYRÃO

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FOTOVOLTAICOS

FV E ELETRICIDADE

Segurança em
sistemas fotovoltaicos
 2743

POR VINICIUS AYRÃO19/11/2017

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16/08/2018 Segurança em sistemas fotovoltaicos - VINICIUS AYRÃO

Sou finalista do Prêmio Abracopel de Jornalismo, com minha


coluna Espaço Solar, na Revista Lumiere, com a série de
artigos de Segurança em Sistemas Fotovoltaicos.

Resolvi, nos próximos posts, transcrever os artigos da série


que é finalista no blog.

Segurança em sistemas
fotovoltaicos de microgeração
distribuídas conectadas a rede

A possibilidade dada pela resolução normativa (REN) n°


482/2012 (e suas alterações pela REN 687/2015) da Agencia
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) que permitem o
acesso ao sistema de distribuição de energia elétrica e o
sistema de compensação de energia elétrica tem propiciado
uma alta expansão desse mercado.

Essa expansão se deu tanto no número de consumidores


(residências, comércios e indústrias) gerando parte ou toda
sua energia como de empresas fornecedoras de materiais e
de serviços.

Muitos desses prestadores de serviços são de pequenas


empresas, sendo inegável, principalmente nesse momento
que o país atravessa, da importância de se criarem
empresas e empregos.

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No entanto, por mais que se apregoe nos treinamentos


dados pelas empresas de treinamento ou pelas empresas
distribuidoras dos sistemas fotovoltaicos (popularmente
conhecidos como kits solares) que a instalação e o projeto
são simples, esses sistemas são geradores elétricos, e
eletricidade oferece riscos, e sem as devidas precauções,
MATA.

Como está o mercado hoje

Tratando apenas do mercado de microgeração distribuída


(potência <75kWp), o mercado pode ser dividido conforme
figura abaixo:

Os fabricantes/montadores de kit compram (no mercado


nacional ou no exterior) os equipamentos necessários para a
montagem de um gerador fotovoltaico e preparam soluções
padronizadas para a venda, principalmente para as
empresas de instalações.

A fim de desenvolver mercado, essas empresas passaram a


dar treinamento para os integradores, que com isso estariam
(na visão dessas empresas) aptos a dimensionar e a instalar
seus produtos.

Com o crescimento do mercado, empresas especializadas


em treinamento no setor de energia solar surgiram, agora
não necessariamente ligadas a fabricantes ou montador de
kits.

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Após isso, o número de empresas que oferta a venda e


instalação de geradores fotovoltaicas cresceu
vertiginosamente.

É de senso comum do mercado que o dimensionamento, a


instalação e a manutenção e operação desse sistema é
simples e de baixo risco.

Essa conclusão é perigosa. Vejamos por que.

Projeto de um sistema de
fotovoltaico – Complexidade

Podemos ter uma noção da complexidade real, ou melhor do


nível de conhecimento normativo e técnico que se deve ter
pelo número de normas e regulamentos que se deve
conhecer para executar o serviço.

Na figura 1, podemos ver as principais normas para cada


parte da instalação (CC ou CA) e que certos equipamentos
possuem diferentes normas, não podendo utilizar um no local
de outro.

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A Nr-10 é aplicável para qualquer tipo de instalação, seja


baixa ou alta tensão, seja em corrente alternada, seja em
corrente contínua, desde a fase de projeto até a operação e
manutenção e desde a geração ao consumo, passando pela
transmissão de distribuição.

A NBR5410, em seu escopo, inclui instalações em CA até


1000V e em CC até 1500V, dessa forma, uma instalação
fotovoltaica precisa seguir suas premissas.

Qualquer estrutura precisa ser avaliada quanto a


necessidade ou não de proteção contra descargas
atmosféricas e como parte da instalação de uma geração
fotovoltaica está instalada na área externa, essa instalação
sempre vai obrigar a rever se o conjunto de medidas de
proteção contra descargas atmosféricas continua satisfatório
ou não após a instalação do sistema.

Um sistema conectado à rede também demanda uma


interface com a concessionária, visto que estaremos
interligados ao sistema elétrico de potência, dessa forma,
seus regulamentos técnicos para interconexão também
precisarão ser atendidos.

Para as normas citadas acima, a priori, qualquer empresa ou


profissional do setor de instalações já deveria ter domínio,
então, a complexidade de uma instalação fotovoltaica
residencial seria a mesma que o da instalação elétrica da
própria casa.

Diferenças de uma instalação


fotovoltaica

No entanto, a parte de corrente contínua de uma instalação


fotovoltaica tem algumas peculiaridades do dia a dia normal
de um profissional de instalações:

a) Tensão em CC elevada

Quando falamos em corrente contínua, os primeiros valores


que vem mente dos profissionais de instalações são tensões
baixas, na faixa de 12 a 48Vcc ou em aplicações especificas

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de 125Vcc, tensões essas que trabalhamos sem muitas


preocupações, visto estarem na faixa de extra baixa tensão.

Mas, as tensões de trabalho são da ordem de 600Vcc,


chegando a 1000Vcc em alguns inversores;

b) Baixa corrente de curto-circuito

Em corrente alternada, os princípios de proteção contra


choques elétricos (contatos indiretos) por seccionamento
automático da alimentação que utilizamos parte do princípio
que as massas estão ligadas à condutores de proteção
(“terra”) e que deve haver um dispositivo de proteção que
seccione o circuito sempre uma falta entre parte viva e
massa der origem a uma tensão de contato perigosa.

Para isso, usamos disjuntores ou interruptores DR (decisão


tomada em função do tipo de aterramento da instalação e
das cargas a serem protegidas). Esse conceito de proteção
está intrinsicamente relacionado com a ordem de grandeza
da corrente de curto-circuito nessas situações.

No entanto, em sistemas fotovoltaicos interligados a rede e


sem acumulador de carga a corrente de curto-circuito no lado
de corrente continua é um pouco superior a corrente
nominal, sendo necessário o uso de premissas diferentes.

c) Sem botão de desliga

Ao contrário de um gerador a combustão ou da entrada de


energia da concessionária, os painéis solares não possuem
botão de desliga. Se há luz solar, então existe tensão nos
terminais dos painéis;

Como deveria ser o mercado


então?

A maiorias das empresas fabricantes/montadores do


chamado gerador fotovoltaico não possui corpo técnico com
conhecimento em instalações ou esse corpo técnico não se
preocupa ou não conhece as necessidades e riscos de

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instalações, nem se preocupa com a adequação dos


produtos importados às normas e cultura nacionais.

De imediato (o assunto será abordado mais a fundo em um


próximo artigo) podemos chamar atenção para os
dispositivos de proteção contra surtos (DPS).

A norma ABNT vigente NBR IEC 61643-1 de 11/2007


(Dispositivos de proteção contra surtos em baixa tensão –
Parte 1: Dispositivos de proteção conectados a sistemas de
distribuição de energia de baixa tensão – Requisitos de
desempenho e métodos de ensaio) tem em seu escopo DPS
em corrente contínua além dos de corrente alternada, mas
na Europa, existem normas mais novas visando apenas o
uso do DPS em sistemas fotovoltaicos, em função de suas
peculiaridades.

E essas diferenças tem impacto na segurança, com isso, o


fato de ainda não termos uma norma especifica para o
assunto, permite a alegação de que o DPS cujo os ensaios e
desempenham atendam a NBR IEC 61643-1 podem ser
usados em sistemas fotovoltaicos, mas na verdade não
deveriam ser usados.

Quem deveria se preocupar?

Seria muito mais simples que os fabricantes se


preocupassem com isso, pois provavelmente eles têm mais
conhecimento sobre as diferentes normas estrangeiras, do
que deixar para as instaladoras descobrirem que nossa
norma não previa o sistema fotovoltaico (a revisão da norma
é de 2007).

Temos que as empresas de treinamento, em quase sua


totalidade, considera que ensinando a estimar a geração de
energia e se comprando um kit está resolvido. Em virtude
disso, dessa falsa simplicidade vendida, as instalações estão
sendo feitas sem o devido projeto elétrico, que é a peça
principal para segurança.

Juntando a premissa errônea que o fabricante de


kit/fornecedor oferta um produto dentro dos princípios
normativos de instalação (ele fornece com os requisitos de

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fabricação, no entanto, pelas suas características, a grande


maioria não poderia ser instalado em residências, mas esse
conhecimento é de instalações e não de fabricação) com a
ideia de que um curso de 16 horas de integrador permite
dimensionar e instalar um gerador fotovoltaico, temos todos
os ingredientes necessários para que tenhamos a ocorrência
de acidentes.

Se dividirmos as etapas da cadeia de suprimento de


instalações de sistemas fotovoltaicos em função do exposto
anteriormente, teríamos o mercado com as
oportunidades/nichos conforme figura abaixo.

E já tivemos acidentes…

Apenas para citar, no dia 21/11/2016 houve um princípio de


incêndio de uma instalação fotovoltaica em Uberaba, MG,
em uma residência onde reside uma senhora acamada e
mantida por aparelhos e no dia 25/11/2016 um trabalhador
que instalava painéis solares caiu do telhado de uma agência
da CEF em Ituiutaba, MG.

Dessa forma, o mercado deveria/precisa de treinamentos


voltados para projetos elétricos, para profissionais que já

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conhecem as normas de instalações, análogo ao que temos


de cursos em sistemas EX.

Precisa também que os players do mercado entendam aquilo


que podem ou não fazer, e não trato do que diz o sistema
CREA/CONFEA quanto às atribuições legais, não é essa a
preocupação nos artigos em que abordarei sobre o assunto,
mas sim no que eles realmente sabem fazer.

Tendo isso em mente, iniciarei uma série de artigos com


problemas ou vícios que temos cometido quanto a segurança
no quesito de instalações nos sistemas fotovoltaicos
conectados à rede.

Devemos todos nos lembrarmos que nossas falhas põe a


vida e o patrimônio das pessoas em risco.

Fontes consultadas:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR


5410:2004 Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de
Janeiro: ABNT, 2004. 209p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR


10899:2013 : Energia solar fotovoltaica — Terminologia. Rio
de Janeiro: ABNT, 2013. 11p.

COTRIM, Ademaro A. M. B. Instalações Elétricas. 5 ed. São


Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

FRANCO, Vinicius Ayrão. Energia Solar é limpa, abundante,


confiável e segura. SEGURA?? #SQN. Rio de Janeiro, 2016.
Disponível em https://www.linkedin.com/pulse/energia-solar-
%C3%A9-limpa-abundante-confi%C3%A1vel-e-segura-sqn-
vinicius-ayr%C3%A3o?trk=mp-author-card Acessado em
21/01/2017.

Artigo publicado originalmente na


revista Lumière Electric 226 – Link da
revista AQUI

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