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CIÊNCIAS SOCIOECONÓMICAS

CARLOTA MATIAS, Nº7


CAROLINA VIEIRA, Nº8
RAQUEL SILVA, Nº22
RITA MARREIROS, Nº24
11ºE

REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

GEOGRAFIA A
PROFESSORA TERESA SINTRA

PORTIMÃO, NOVEMBRO DE 2017


ÍNDICE

INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 2
1. LOCALIZAÇÃO ........................................................................................................................ 3
2. FATORES CONDICIONANTES DA AGRICULTURA.................................................................... 3
2.1. Fatores Naturais ............................................................................................................ 3
2.2. Fatores Humanos .......................................................................................................... 4
3. ESTRUTURA DAS EXPLORAÇÕES AGRÍCOLAS ........................................................................ 4
3.1. Composição da SAU ...................................................................................................... 5
4. SISTEMAS DE CULTURA ......................................................................................................... 5
5. NATUREZA JURÍDICA DO PRODUTOR .................................................................................... 5
6. POVOAMENTO AGRÁRIO ...................................................................................................... 7
7. POPULAÇÃO E MÃO-DE-OBRA AGRÍCOLA............................................................................. 7
7.1. Nível Etário Dos Produtores .......................................................................................... 8
7.2. Nível De Instrução ......................................................................................................... 9
7.3. Mão-De-Obra Não Familiar ........................................................................................... 9
7.4. Mão-De-Obra Familiar................................................................................................. 10
8. PRODUÇÃO ANIMAL............................................................................................................ 10
9. MÁQUINAS AGRÍCOLAS....................................................................................................... 11
10. PRINCIPAIS PRODUÇÕES ................................................................................................. 12
10.1. Culturas temporárias ............................................................................................... 12
10.2. Culturas permanentes ............................................................................................. 12
11. PRÁTICAS AGRÍCOLAS...................................................................................................... 13
CONCLUSÃO ................................................................................................................................ 14
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................... 15
INTRODUÇÃO

Historicamente, o setor dominante na economia da Madeira é a agricultura. Dela


depende a maioria da população e, devido à riqueza dos solos e amenidade do clima
subtropical, é possível cultivar quase todos os produtos. Muitas das terras eram de difícil
acesso, e os terrenos pequenos e inclinados, o que impossibilitou a utilização de
maquinaria pesada, obrigando a um árduo trabalho manual.

Neste trabalho vamos realizar uma caracterização da mais pequena região agrária
portuguesa, a região autónoma da Madeira. Mais especificamente, vamos abordar a sua
geografia e implicações na agricultura, a morfologia agrária, o sistema de cultura e a
mão de obra, as principais produções e práticas e os recursos disponíveis.

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1. LOCALIZAÇÃO

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (2005), uma região agrária é “uma área
de intervenção, no âmbito das competências das Direções Regionais de Agricultura,
que agrupam zonas agrárias, tendo por finalidade o apoio direto aos setores agrário e
alimentar a nível regional e local, de acordo com a política e os objetivos de âmbito
nacional definidos para aqueles setores”.

A Região Autónoma da Madeira


localiza-se no oceano Atlântico, a
978km a sudoeste de Lisboa, e tem
cerca de 801 km2 de área.

Figura 1. Localização da Região Autónoma da Madeira

2. FATORES CONDICIONANTES DA AGRICULTURA

2.1. Fatores Naturais

I. Clima: as condições meteorológicas predominantes na ilha são principalmente


determinadas pelo anticiclone dos Açores sendo que o seu clima apresenta
características subtropicais. A temperatura média anual é de 18.8 graus e os valores
médios da precipitação são maiores na costa norte do que costa sul, aumentando com
altitude sendo, em regra, maiores nas encostas voltadas a norte do que nas encostas
voltadas a sul, o que propicia o desenvolvimento de certas espécies.

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II. Relevo acidentado: A constituição vulcânica das ilhas determina o relevo
acidentado com vales muito profundos e montanhas cujo ponto mais alto é o de 1861
metros, o que leva à construção de socalcos. O relevo acidentado tem impactos
negativos na modernização da agricultura, pois dificulta o acesso das máquinas ás
culturas, e também na fertilidade dos solos. Para além disto, este tipo de relevo conduz
também a uma maior irregularidade da forma das explorações agrícolas.

2.2. Fatores Humanos

O relevo montanhoso existente na Região Autónoma da Madeira dificultava a


fixação de população no interior, conduzindo assim á fixação da grande maioria da
população no litoral. A baixa densidade populacional é mais um fator humano que
condiciona a agricultura.

3. ESTRUTURA DAS EXPLORAÇÕES AGRÍCOLAS

Em 2009 foram recenseadas na Região Autónoma da Madeira 13 611 explorações


agrícolas, sendo que dessas 13 580 são com superfície agrícola utilizada (SAU).
Devido aos fatores que condicionam esta região, a agricultura é caracterizada pela
existência de microfúndios (parcelas com área inferior a 1 ha), que apresentam forma
irregular. O declive pronunciado torna necessária a construção de socalcos, onde
abunda a vinha, algumas árvores de fruto e a produção de batata.

Figura 2. Microfúndios em socalcos

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3.1. Composição da SAU

Madeira Portugal

culturas temporárias pousio horta familiar


culturas permanentes pastagens permanentes

Figura 3. Composição da SAU

A SAU da Madeira corresponde a menos de 1% da SAU nacional.


O número de culturas temporárias e de culturas permanentes é mais elevado na
Madeira, enquanto que a quantidade de pastagens permanentes, o número de parcelas
dedicadas ao pousio e as hortas familiares são superiores na média nacional.

4. SISTEMAS DE CULTURA

Na região autónoma da Madeira predomina o regime intensivo de culturas,


escalonadas com a altitude. O clima favorável e a fertilidade dos solos permitem a
produção de várias espécies que, juntamente com a pequena dimensão dos campos,
levam os produtores a recorrer á policultura. A maioria das explorações é gerida por
conta própria.

5. NATUREZA JURÍDICA DO PRODUTOR

Quanto à sua natureza jurídica os produtores podem ser singulares ou estar


organizados em sociedades.

5
2009 2013

Produtor Singular 13 514 11 883

Sociedade 63 127

Figura 4. Número de produtores quanto à sua natureza jurídica no ano 2009 e 2013

Na região Autónoma da Madeira, os responsáveis jurídicos e económicos das


explorações agrícolas são esmagadoramente produtores singulares (cerca de 99%) e
utilizam principalmente mão de-obra familiar. Apesar de o seu número ser muito pouco
significativo, as explorações detidas por sociedades e outras formas jurídicas
(explorações pertencentes ao Estado, por exemplo) são, em média, de maior dimensão
quando comparadas com as explorações dos produtores singulares (1,6 ha contra 0,4
ha no segundo).

Produtor agrícola singular


8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
0 - 50% 50 - 100% tempo 0 - 50% 50 - 100% tempo
completo completo
2009 2013

Figura 5. Tempo de atividade dos produtores singulares no ano 2009 e 2013

Apenas cerca de 10% dos produtores singulares dedicam a totalidade do seu


tempo à atividade agrícola. Dos restantes 90%, cerca de 50% dedicam entre 1 a 50%
do seu tempo à agricultura, e os outros 40% dedicam à mesma atividade entre 50 a
100% do seu tempo.

6
Estes produtores dividem o seu tempo entre a agricultura e outra atividade (como
o turismo ou o comércio), ou seja, recorrem à pluriatividade de forma a complementar o
rendimento proveniente da agricultura (plurirrendimento).

6. POVOAMENTO AGRÁRIO

Na Região autónoma da Madeira o


relevo acentuado e a vasta vegetação
dificultam a fixação da população, levando
a que o povoamento se encontre
aglomerado em aldeias concentradas no
litoral. Figura 6. Distribuição da população

7. POPULAÇÃO E MÃO-DE-OBRA AGRÍCOLA

2009 2013

53% 47% 52% 48%

Figura 7. Produtores agrícolas singulares

Na Região Autónoma da Madeira não existe uma grande disparidade entre o número
de mulheres e homens produtores, apesar de os primeiros existirem em maior número.
De um modo geral, o número de produtores agrícolas singulares diminuiu entre 2009
e 2013, passando de 13514 para 11883. Como resultado deste decréscimo, tanto o

7
número de produtores masculino e feminino diminuiu, mas esta diminuição ocorreu de
forma proporcional, não se verificando uma grande variação percentual.

7.1. Nível Etário Dos Produtores

7000

6000

5000

4000

3000

2000

1000

0
<35 35 a <45 45 a <65 >65 <35 35 a <45 45 a <65 >65
2009 2013

Figura 8. Nível etário dos produtores singulares

De acordo com o Recenseamento Agrícola de 2009 (RA 09), a idade média dos
produtores madeirenses em 2009 era 60 anos; em 2013 rondava os 61 anos, estando
assim abaixo da média nacional (63 anos).

8
7.2. Nível De Instrução

9000
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
Nenhum Básico Secundário Superior Nenhum Básico Secundário Superior
2009 2013

Figura 9. Nível de instrução dos produtores singulares

Em termos de habilitações literárias, podemos verificar que o número de produtores


que têm apenas o ensino básico, secundário ou superior diminuiu ligeiramente,
enquanto que o número de produtores com ensino secundário aumentou.

Nenhum Básico Secundário Superior

2009 4217 8451 473 373

2013 3055 7990 498 340

Figura 10. Número de produtores agrícolas por nível de instrução

7.3. Mão-De-Obra Não Familiar

Mão-De-Obra Não
Trabalhadores Trabalhadores
Contratada Pelo
Permanentes Eventuais
Produtor
Ano
2009 2013 2009 2013 2009 2013
Nº de
773 948 1032 701 110 73
trabalhadores

Figura 11. Distribuição da mão de obra não familiar

9
A mão-de-obra não familiar diminuiu de 1915 para 1722, entre 2009 e 2013.
Dentro da mão-de-obra não familiar, os trabalhadores permanentes aumentaram
(773-948), ao contrário dos trabalhadores eventuais, que diminuíram (1032-701). A
mão-de-obra não contratada pelo produtor, assim como os trabalhadores eventuais,
diminuiu (110-73).

7.4. Mão-De-Obra Familiar

Produção Praticada Pelo Produção Praticada Pelo Produção Realizada Por


Produtor Cônjuge Outros Membros Da Família

2009 2013 2009 2013 2009 2013

6913 5924 2968 2380 2564 2749

Figura 12. Distribuição da mão de obra familiar

A mão de obra familiar na Madeira aumentou de 12445 para 11053. Entre 2009 e
2013 a produção realizada pelo produtor diminuiu (6913-5924) tal como a produção
praticada pelo cônjuge (2968-2380), sendo que a única que aumentou foi a produção
realizada por outros membros da família (2564-2749).

8. PRODUÇÃO ANIMAL

Bovinos Suínos Caprinos Ovinos

2009 4503 16579 7066 4616

2013 4599 4585 6740 5682

Figura 13. Produção animal em 2009 e 2013

A produção animal divide-se em quatro espécies, bovinos, suínos, ovinos e caprinos.

De 2009 a 2013, a produção de bovinos e ovinos aumentou, de 4503 para 4599 e 4616

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para 5682, respetivamente. Pelo contrário a produção de suínos e caprinos diminuiu, de

16579 para 4585 e 7066 para 6740, respetivamente.

Efetivos animais
18000
16000
14000
12000
10000
8000
6000
4000
2000
0
bovinos suínos caprinos ovinos bovinos suínos caprinos ovinos
2009 2013
Figura 14. Efetivos animais

 O efetivo suíno contabilizado no RA 09 foi de 16 579 animais, espalhados por 2 135


explorações;
 Existiam 989 explorações com 4 503 bovinos;
 Identificaram-se 4 616 ovinos divididos em 952 explorações;
 Verificaram-se 7 066 caprinos divididos por 2 291 explorações.

9. MÁQUINAS AGRÍCOLAS

Em Portugal em 2009, 82% das explorações utilizavam tratores no desempenho da


sua atividade agrícola sendo que, na Madeira, apenas 3% das explorações recorrem ao
trator na sua prática agrícola.
A utilização de maquinaria agrícola na Região Autónoma da Madeira está
condicionada pela morfologia do terreno, pela estrutura fundiária e pelo sistema de
agricultura praticada. O número de tratores identificados nas explorações madeirenses
no RA 09 foi de 225, praticamente o dobro dos 115 recenseados em 1999. A Região
Autónoma da Madeira é a região do país com tratores mais recentes, visto que 31,6%
tem menos de 5 anos de idade, sendo que no país esta percentagem é de 11,9%.

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10. PRINCIPAIS PRODUÇÕES

10.1. Culturas temporárias

Uma das principais culturas temporárias na Região Autónoma da Madeira é a


batata.

Superfície (Ha) Produção (T) Produtividade (Kg/Ha)

Madeira 1244 37169 29869


Portugal 24622 486790 19770

Figura 15. Produção de batata na Região Autónoma da Madeira

Comparativamente com a média nacional, apesar de a batata ser a principal


cultura temporária da Madeira, a sua contribuição em termos de superfície e de
produção é reduzida. Relativamente à produtividade, a Madeira destaca-se de forma
positiva, devido ao grande aproveitamento que tem por hectare.

A floricultura é mais uma importante cultura temporária na Madeira e gera um


rendimento médio anual de seis milhões de euros. O setor madeirense da produção de
flores tem registado um aumento das áreas de cultivo, uma dinamização no setor do
comércio do arquipélago e uma redução de exportações e importações.

De acordo com a Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, existem


135 explorações florícolas, que ocupam um total de cerca de 45 hectares (mais nove do
que em 2002), destacando-se a produção de orquídeas, antúrios, próteas, rosas e
gerberas.

Em 2014, a produção geral foi de 13 milhões de flores e hastes, mas registou-se uma
diminuição das exportações para 70.448 unidades, quando em 2010 tinha sido de
212.169.

10.2. Culturas permanentes

Nas culturas permanentes, a Madeira, com 28% da produção nacional, destaca-


se na produção de frutos subtropicais, sendo a segunda região agrária que mais

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contribui para a produção nacional. Nas restantes produções deste tipo produzidas a
nível nacional (frutos frescos, citrinos, vinha, etc.), a Madeira constitui apenas 1% da
produção nacional ou, no caso do olival, não contribui de qualquer forma para o total do
país, pois não há produção.

11. PRÁTICAS AGRÍCOLAS

Na Região Autónoma da Madeira, a prática agrícola mais utilizada é criação de


socalcos, que é uma das principais técnicas de conservação do solo (pois previne a
erosão) e, para além disso, é relevante para a paisagem, que é reconhecida como uma
componente fundamental do património rural, natural e cultural.

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CONCLUSÃO

A Região Autónoma da Madeira é a mais pequena região agrária de Portugal.


Caracteriza-se por uma agricultura intensiva, organizada em microfúndios e socalcos,
que é condicionada pelo clima e pelo relevo acidentado, que influencia a mecanização
das explorações agrícolas. Apesar da SAU madeirense representar menos de 1% da
SAU nacional, destaca-se para a economia a produção de frutos subtropicais, que
coloca região agrária no 2º lugar das regiões com maior produção deste produto. Quanto
à produção animal, destacavam-se em 2013 como gado predominante o ovino e o
caprino. Relativamente à mão de obra podemos concluir que a faixa etária predominante
se situa entre os 45 e os 65 anos de idade, e o número de produtores masculino supera
ligeiramente o feminino, sendo a mão de obra familiar a mais preponderante.

A realização deste trabalho torna-se relevante para a disciplina de Geografia A


no sentido em que permite uma visão dos contrastes existentes entre as várias regiões
agrárias, providenciando, no nosso caso, um conhecimento mais aprofundado sobre a
região agrária da Madeira.

Assim, podemos concluir que as características geográficas de cada região


agrária lhes conferem uma identidade e singularidade, que permite a sua diferenciação
na produção de certos produtos animais e agrícolas, que se tornam relevantes para a
economia portuguesa. Assim, as regiões agrárias completam-se nos seus principais
atributos, o que confere a tão grande variabilidade que a produção portuguesa tem.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Direção Regional de Estatística da Madeira (2011). Análise dos resultados. Disponível em


https://estatistica.madeira.gov.pt/download-now-3/economic/agricultura-floresta-e-
pescagb/recenseamento-agricola-gb/recenseamento-agricola-emfoco-
gb/finish/701-estrutura-das-exploracoes-agricolas-em-foco/2753-em-foco-
recenseamento-agricola-2009.html

Direção Regional de Estatística da Madeira (2016). Anuário estatístico da Região Autónoma


da Madeira. Disponível em https://estatistica.madeira.gov.pt/download-
now/multitematicas-pt/mutitematicas-anuario-pt/multitematicas-anuario-
publicacoes-pt/finish/196-anuario-publicacoes/6817-anuario-estatistico-da-ram-
2015.html

Instituto Nacional de Estatística (2005). Conceito: região agrária. Disponível em


http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/5013

Instituto Nacional de Estatística (2011). Recenseamento agrícola - análise dos principais


resultados. Disponível em
http://ra09.ine.pt/xportal/xmain?xpid=RA2009&xpgid=ine_ra2009_publicacao_det&
contexto=pu&PUBLICACOESpub_boui=119564579&PUBLICACOESmodo=2&selT
ab=tab1&pra2009=70305248

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