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Síntese da

subunidade

Alberto Caeiro,
O Mestre
Síntese da subunidade
Alberto Caeiro, o Mestre

Fernando Pessoa e os seus heterónimos

«Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este
mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as
quais esta, sucedida já em maioridade. [...] E assim arranjei, e propaguei, vários
amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta
anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo... E tenho saudades
deles. [...]»
Fernando Pessoa, Antologia Poética, Lisboa, Relógio D’Água, 2013
Síntese da subunidade
Alberto Caeiro, o Mestre

Os heterónimos

A palavra heterónimo deriva do grego e significa «outro nome». O


recurso aos heterónimos consiste numa passagem da expressão pessoal
para uma personificação estética do texto ou da escrita.

Segundo Pessoa, a origem dos seus heterónimos deriva do seu lado


histérico ou histeroneurasténico, o qual assume aspetos mentais que o
levam ao silêncio e à poesia.
Síntese da subunidade
Alberto Caeiro, o Mestre

Alberto Caeiro
 Nascimento: 1889, Lisboa (morreu em 1915).

 Formação e profissão: instrução primária; sem


profissão.
 Características físicas: estatura média, não parecia
tão frágil como era;cara rapada; louro sem cor,
olhos azuis.

 Contexto de escrita heteronímica: surgiu «por pura


e inesperada inspiração».

 Poeta simples que vive de um modo rústico, em


pleno contacto com a Natureza.
Síntese da subunidade
Alberto Caeiro, o Mestre

O fingimento artístico: o poeta bucólico

Deambulação e contemplação da Natureza.

Integração, comunhão e harmonia com os elementos naturais e afastamento


social.

No poema «O Guardador de Rebanhos», Caeiro apresenta-se como «um


pastor», usando essa máscara poética pela semelhança existente entre ambos:
um e outro deambulam; um e outro vivem em comunhão com a Natureza; um e
outro observam o ambiente que os rodeia.
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Alberto Caeiro, o Mestre

O fingimento artístico: o poeta bucólico

Simplicidade e felicidade primordiais.

Bucolismo como máscara poética.

Vivência tranquila no tempo


presente.
Charles-Émile Jacque,
Paisagem com Rebanho, 1872.

Caeiro vive em plena sintonia com os elementos da Natureza, sendo para


ele essencial a ausência de pessoas para a criação do ambiente de paz.
Síntese da subunidade
Alberto Caeiro, o Mestre

Ser parte da harmonia universal da


Natureza.

Fingimento artístico Abolir o pensamento.


de Caeiro
Viver tranquila e alegremente no
seio da mãe Terra.

Criação Artística

Negar a intelectualização Libertar-se da excessiva


de emoções. introspeção, da dor de pensar.
Síntese da subunidade
Alberto Caeiro, o Mestre

Reflexão existencial: o primado das sensações

Os sentidos (o tato, a visão, a audição, o paladar, o olfato) e as sensações


opõem-se ao conhecimento intelectual.

«Em Caeiro, imagina-se o encontro e a descoberta da “eterna novidade


do mundo”, numa atitude de “pasmo essencial”, num presente absoluto, no
fundo num tempo sem tempo que é o da visão “originária”: a visão em que se
vê tudo sempre da primeira vez, em que não há reencontros, mas encontros
sempre novos e puros.»
Manuel Gusmão, A Obra de Alberto Caeiro, Coleção «Textos Literários».
Lisboa, Editorial Comunicação, 1986, pp. 66-68
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Alberto Caeiro, o Mestre

O poeta das sensações

Sensacionismo: a sensação
sobrepõe-se ao pensamento.

Observação objetiva da realidade.

Rejeição do pensamento abstrato e


da intelectualização.

«Filosofia» da antifilosofia.
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Alberto Caeiro, o Mestre

Linguagem, estilo e estrutura

Alberto Caeiro tenta transmitir, através das suas palavras, a


inocência e a pureza da sua visão. Daí, algumas vezes, a simplicidade
quase infantil do estilo.

• Linguagem simples, familiar, objetiva, prosaica e oralizante.


• Presença de máximas e de aforismos.
• Vocabulário concreto.
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Alberto Caeiro, o Mestre

Linguagem, estilo e estrutura

 Predomínio de construções sintáticas coordenadas e subordinadas adverbiais


(comparativas, causais e temporais).

 Predomínio do presente do indicativo.

 Verso livre e, normalmente, longo.

 Irregularidade estrófica, rítmica e métrica.

 Ausência de rima (versos soltos).

 Recursos expressivos predominantes: comparação, metáfora, anáfora,


repetição.