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Atividade

Atividade de
de enriquecimento
enriquecimento 61

A SIDA (síndroma da imunodeficiência adquirida) é uma doença não hereditária causada pelo
vírus da imunodeficiência humana (VIH) que enfraquece o sistema imunitário do nosso orga-
nismo, destruindo a capacidade de defesa em relação a muitas doenças.
Em 2008, os cientistas confirmaram que VIH teve origem nos chimpanzés selvagens numa região
remota dos Camarões, em África. Os cientistas sabem há muito tempo que os primatas não humanos
têm a sua própria versão de vírus da SIDA, chamada VIS (vírus da imunodeficiência símia). A análise
genética identificou comunidades de chimpanzés perto do rio Sanaga, nos Camarões, cujas estirpes
virais estão mais estreitamente relacionadas com os mais comuns dos subtipos de VIH.

1 2 5

3
RNA

Classes de

Instrumentos de exploração
fármacos

Inibidores de fusão Inibidores da transcriptase reversa Inibidores da protease


Droga: Droga: Droga:
Enfuvirtida Zidovudina (AZT), Didanosia, Zalcibatina, Stavudina, Amprenavir, Atazanavir,
Lamivudina, Abacavir, Emtricitabina, Tenofovir, Indinavir, Fosamprenavir,
Nevirapina, Delavirdina, Efavirenz. Nelfinavir, Lopinavir,
Ritonavir, Saquinavir.
Figura 1 · Ciclo de vida do vírus da imunodeficiência adquirida, localizando o local de atuação de alguns medicamentos
antivirais. O VIH é um retrovírus, pelo que é composto por ARN, uma molécula que se integra no genoma dos linfócitos T,
infetando-os através do recetor CD4 (1). O vírus liga-se à célula através de recetores (CD4), infeta-a e insere o seu ARN no
núcleo (2). Para que o VIH se junte à célula, o ARN do vírus tem de se transformar em ADN (3). Esta transformação é feita
por uma enzima chamada de transcriptase inversa. O ADN do VIH é combinado com o ADN das células hospedeiras atra-
vés de outra enzima, a integrase (4). As células infetadas produzem novos vírus que são expelidos e entram no sangue (5).

O sistema imunitário atua em todo o organismo, defendendo-o dos microrganismos capazes


de causarem infeções. Deste sistema fazem parte os linfócitos (um tipo particular de glóbulos
brancos), que se encontram em circulação no sangue periférico ou acumulados nos órgãos linfá-
ticos: timo, gânglios linfáticos e baço.
Existem duas grandes famílias de linfócitos: os linfócitos B são responsáveis pela produção de anti-
corpos (produzidos especificamente para cada microrganismo e que conduzem à sua neutralização e
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destruição); os linfócitos T atacam diretamente o microrganismo invasor. Dentro destes linfócitos T


existe uma classe, denominada T4 (T CD4+ ou T-auxiliadores), que tem um papel de extrema impor-
tância no desencadear da resposta imunitária e na coordenação dessa mesma resposta.

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Atividade de enriquecimento 6 (continuação)

O HIV, ao infetar os linfócitos T CD4+, conduz assim à descoordenação do sistema imunitário e

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à sua progressiva inoperância, acabando por se estabelecer uma imunodeficiência. Em conse-
quência dessa imunodeficiência, o indivíduo infetado acaba por ficar vulnerável a toda a espécie
de invasores microbianos. Surgem assim as infeções oportunistas, características da SIDA, e que
são os verdadeiros responsáveis pela morte do indivíduo infetado com o vírus da SIDA.

Fase aguda Fase crónica SIDA

Síndroma aguda, grande


Infeção disseminação do vírus Morte
1200 primária 107
1000
1000 Infeções
oportunistas 106
900 Latência clínica (fase sem sintomas)

Número de 800 Cópias de HIV


Sintomas 105 por ml de
linfócitos CD4 700
clínicos
(células/mm3) 600 plasma
500 104
400
300
200 103
100
0 102
0 3 6 8 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Semanas Anos
Figura 2 · Estágios de progressão da SIDA.

Os medicamentos antirretrovíricos podem ser administrados em qualquer fase da infeção: na


fase aguda, no período sem sintomas, na fase sintomática ainda sem critérios de SIDA ou na fase
de SIDA. O principal objetivo do tratamento é reduzir a quantidade de vírus (reduzir a carga ví-
rica) até um ponto em que se torna quase indetetável (20 a 50 por mililitro de sangue). Quando
isto acontece e a quantidade de vírus no sangue é baixa, significa que o vírus se está a reproduzir
de forma mínima, que sofre menos mutações (ficando menos resistente aos medicamentos) e
que a doença não está a progredir.
Existem três tipos (classes) de medicamentos utilizados no tratamento da infeção com VIH,
que atuam de formas diferentes e em diferentes fases do ciclo de reprodução do vírus.
Os inibidores da transcriptase reversa impedem que o vírus consiga transformar o seu có-
digo genético de ARN em ADN, operação necessária para se multiplicar dentro das células.
Os inibidores da protease têm como função bloquear um dos componentes do VIH, a pro-
tease, conseguindo, desta forma, que as novas cópias do vírus não infetem novas células.
Quer os inibidores da transcriptase reversa quer os inibidores da protease atuam dentro da
célula CD4.
Para multiplicar-se, o vírus necessita de fundir-se com um linfócito T, e é precisamente essa ação
que os inibidores de fusão impedem. Com este tipo de medicamento, o VIH não consegue

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Atividade de deenriquecimento
Atividade 1
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completar o seu ciclo de reprodução, porque não chega a infetar os linfócitos T e a criar novas có-
pias do vírus. Os inibidores da fusão atuam fora da célula hospedeira (linfócito CD4), numa fase mais
anterior no ciclo de reprodução do vírus do que os inibidores da protease e da transcriptase reversa.
A transmissão sexual é a principal via de transmissão da infeção VIH em todo o mundo. As se-
creções sexuais de uma pessoa infetada podem, com grande probabilidade, transmitir o VIH sem-
pre que exista uma relação sexual com penetração – anal, vaginal ou oral – sem preservativo. O
risco associado ao sexo oral aumenta quando se verificam algumas infeções, nomeadamente úl-
ceras bocais, gengivas inflamadas, garganta irritada ou gengivas a sangrar após escovagem ou
utilização do fio dentário.
Outra via de transmissão é o contato com sangue infetado, pelo que a partilha de seringas,
agulhas, escova de dentes, lâminas de barbear e/ou material cortante com a pessoa infetada pelo
VIH constitui risco de transmissão. Os utensílios e objetos mencionados, depois de utilizados,
devem ser colocados em contentores rígidos com abertura e tampa (pode obtê-los nos centros
de saúde) ou, então, em garrafas de água ou sumo vazias, de material rígido e grosso, que tam-
bém são excelentes para este fim. Embora represente um risco menor, não devem ser partilhados
objetos cortantes onde exista sangue de uma pessoa infetada. É o caso, por exemplo, dos pier-
cings, instrumentos de tatuagem e de furar as orelhas e alguns utensílios de manicura.
Também se transmite da mãe para o filho durante a gravidez, parto e/ou amamentação. Se a mãe
estiver infetada, pode transmitir a infeção ao bebé durante a gravidez, através do seu próprio sangue,
ou durante o parto, através do sangue ou das secreções vaginais. Há ainda o risco de contágio durante
o período de aleitamento. Sempre que haja alternativas à amamentação, esta deve ser evitada.

Instrumentos de exploração
Sémen, fluidos vaginais ou
sangue contaminados

Relações sexuais entre heterossexuais e homossexuais De mãe para filho


Partilha de seringas e
transfusões

Figura 3 · Principais formas de contágio.

Portugal, durante o ano de 2013, manteve a tendência de decréscimo do número de novos


casos notificados de infeção por VIH. Os dados referentes a 2013, recolhidos até 31 de agosto de
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2014, revelam uma diminuição de 13,7%, relativamente a 2012. A distribuição por género man-
teve-se estável, relativamente ao ano anterior, com tendência de ligeiro decréscimo da propor-
ção de casos ocorridos no género feminino, verificada desde meio da década anterior.

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2500 1,00

2000 0,80

1500 0,60

1000 0,40

500 0,20

0 0,00
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
H F F:M
Figura 4 · Distribuição dos casos de infeção por VIH, por ano de diagnóstico, género e proporção por género.

1800

1600

1400

1200

1000

800

600

400

200

0
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
HSH UDI Hetero
Figura 5 · Distribuição dos casos de infeção por VIH, por ano de diagnóstico e por categoria de transmissão, em Portu-
gal (HSH – homossexuais; UDI – utilizadores de drogas injetáveis; Hetero – heterossexuais).

30 000 4,00

3,50
25 000
25 894

3,13
25 032

3,00
24 124

23 968

20 000
2,50
19 700

2,53
18 151

15 000 2,00
16 816

2,16 2,24
1,94 1,84 1,50
14 258

10 000 1,74
11 539

1,00
8782

1,06
2684

5000
2337

0,89 0,89 0,91 0,93 0,91 0,96


5989

0,50
5643

0 0,00
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

N.º testes realizados Proporção testes positivos

Figura 6 · Testes realizados e proporção de resultados reativos (nos CAD), em Portugal continental (2000-2013).

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Atividade de deenriquecimento
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Estados-membros 2009 2010 2011 2012 2013


UE N.° Tx N.° Tx N.° Tx N.° Tx N.° Tx
Portugal 1864 18,00 1824 17,60 1613 15,60 1542 14,60 1093 10,40
Alemanha 2885 3,50 2723 3,30 2702 3,30 2975 3,60 3263 4,00
Áustria 308 3,7 321 3,8 314 3,7 320 3,8 260 3,1
Bélgica 1132 10,50 1199 11,10 1183 10,80 1229 11,10 1115 10,00
Bulgária 171 2,30 163 2,20 201 2,70 157 2,10 200 2,70
Chipre 38 4,80 41 5,00 54 6,40 58 6,70 54 6,20
Dinamarca 236 4,30 275 5,00 266 4,80 201 3,60 233 4,20
Eslováquia 53 1,00 28 0,50 49 0,90 50 0,90 83 1,50
Eslovénia 48 2,40 35 1,70 55 2,70 45 2,20 44 2,10
Espanha 3430 10,50 3666 11,20 3390 10,30 3611 9,50 3278 7,00
Estónia 411 30,80 376 28,20 366 27,50 315 23,80 325 24,60
Finlândia 172 3,20 184 3,40 172 3,20 156 2,90 157 2,90
França 5450 8,50 5538 8,60 5414 8,30 5660 8,70 4002 6,10
Grécia 600 5,40 634 5,70 946 8,50 1133 10,20 807 7,30
Holanda 1195 7,20 1187 7,20 1129 6,80 1036 6,20 949 5,70
Hungria 140 1,40 182 1,80 162 1,70 219 2,20 240 2,40
Irlanda 395 8,70 330 7,30 327 7,20 351 7,70 332 7,20
Itália 3797 6,60 3980 6,70 3838 6,50 4098 6,90 3608 6,00
Letónia 275 12,70 274 12,90 299 14,40 339 16,60 340 16,80
Lituânia 180 5,70 153 4,90 166 5,40 160 5,30 177 6,00
Luxemburgo 57 11,60 52 10,40 52 10,20 58 11,10 53 9,90

Instrumentos de exploração
Malta 19 4,60 18 4,30 21 5,10 30 7,20 36 8,50
Polónia 956 2,50 956 2,50 1115 2,90 1095 2,80 1089 2,80
Reino Unido 6630 10,80 6329 10,20 6165 9,90 6238 9,80 5994 9,40
Rep. Checa 156 1,50 180 1,70 153 1,50 212 2,00 235 2,20
Roménia 253 1,30 274 1,40 427 2,10 489 2,40 507 2,50
Suécia 431 4,70 457 4,90 391 4,20 381 4,00 354 3,70

Tabela 1 · Total de diagnósticos de VIH e taxas por 100 000 habitantes, por Estado-membro da UE e ano de diagnóstico,
2009-2013.

1. Distingue HIV de SIDA.


2. Descreve como é que o HIV se reproduz.
3. Explica porque é que a infeção por HIV provoca uma diminuição da eficiência do sistema imunitário.
4. Diz o que entendes por comportamentos de risco.
5. Refere as principais vias de transmissão do HIV.
6. Explica a importância dos testes de deteção do HIV tendo em conta os seus estágios de evolução.
7. Refere como variou a distribuição dos casos de HIV em Portugal por:
a) género; b) categoria de transmissão.
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8. Explica o modo de atuação do medicamento Zidovudina (AZT).

9. Compara a incidência do HIV em Portugal com os restantes países da União Europeia.

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