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BIOPOLÍMERO: ESCALA INDUSTRIAL EM 2010

O longo processo para obter licenças ambientais e estruturar uma estratégia


comercial adequada forçou a Pedra Agroindustrial, antiga PHB S.A., a adiar para
2010 o início da produção industrial do Biocycle , plástico biodegradável
desenvolvido a partir do açúcar, afirma Sylvio Ortega Filho, diretor-executivo da
empresa, cujo controle é dividido entre o Grupo Balbo e a família Biagi, tradicionais
empresários do setor sucro-alcooleiro. A partir dessa data, a indústria instalada em
Serrana, no interior paulista, passa a produzir 30 mil toneladas de polímeros para
atender um crescente mercado consumidor de produtos definidos como
sustentáveis, por terem origem vegetal e não agredirem o meio ambiente como os
polímeros fósseis, produzidos a partir do petróleo. Foram definidos três grandes
segmentos de atuação: embalagens plásticas, indústria automobilística e mercado
de construção civil. As aplicações são variadas: os biopolímeros podem ser usados
na fabricação de cartões de crédito, embalagens de frutas e revestimentos para
automóveis e computadores. Apesar da demanda ainda incipiente, a empresa
registrou 17 patentes no Brasil e no exterior para se proteger do crescimento da
concorrência, provocado pelo interesse por parte do consumidor em produtos
ecologicamente corretos. A patente foi depositada até na temida China, onde já
existe produção de plásticos biodegradáveis, mas à base de milho. "Isso nos dá, em
princípio, uma vantagem porque o açúcar como fonte de matéri a-prima é mais
competitivo do que o milho", enfatiza Ortega. Uma planta -piloto com capacidade de
60 toneladas por ano está em operação para o desenvolvimento de produtos e
aplicações através de parcerias com a iniciativa privada e o meio acadêmico. A
empresa tem, inclusive, equipamentos e equipe dentro da Universidade Federal de
São Carlos, além de parceria de pesquisa com universidades européias como a de
Ulm, na Alemanha.
http://inovacao.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808 -
23942007000600003&lng=es&nrm=iso

Biopolímeros
Amido substitui petróleo na produção de embalagens biodegradáveis
Há que se considerar, ainda, que as
Criar produtos capazes de substituir os embalagens feitas a partir do amido não
tradicionais plásticos fabricados à base retornarão, já que são, naturalmente,
de petróleo é o desafio de vários degradadas, havendo necessidade de
pesquisadores, que estão trabalhando constante reposição desses produtos´,
em seus laboratórios para obter material pondera.
semelhante, tendo como matriz de A pesquisadora da Universidade Federal
transformação os biopolímeros, que são da Bahia, Pricila Veiga dos Santos,
encontrados em seres vivos, como desenvolve estudos com filmes de fécula
plantas e microorganismos. de mandioca desde o ano 2000. Atuando
Neste processo ganha destaque a na área de Ciência e Tecnologia de
utilização do amido/fécula de mandioca Alimentos, Pricila, que pesquisou
como fonte fornecedora de polímero, diversos aditivos, obteve filmes com
que são compostos químicos de elevada melhores propriedades mecânicas
massa molecular, formado por unidades utilizando como plastificantes o açúcar
estruturais menores denominadas de invertido e a sacarose.
monômeros. O principal membro de sua Ela explica que estes dois itens atuam
família é o plástico. Mas, também fazem como plastificantes, conferindo maior
parte da constituição do corpo humano, plasticidade e flexibilidade ao produto
integrando a composição do código final. ³Nas pesquisas conseguimos
genético: o DNA. desenvolver um filme de amido/fécula de
Algumas pesquisas já demonstram mandioca que tem a mesma aparência
resultados positivos, como a criação de dos filmes de PVC comercializados nos
três tipos de embalagens pela mercados e usados para embalar
engenheira agrônoma, Marney Pascoli alimentos. Em um ambiente com
Cereda, Pesquisadora do Centro de umidade controlada o filme de fécula
Tecnologias para o Agronegócio apresentou até 60% de alongamento em
(CeTeAgro/UCDB), de Campo Grande, relação ao filme de PVC stretch´,
Mato Grosso do Sul. compara.
Os resultados dos estudos podem ser No entanto, o filme de amido perde
definidos em três diferentes grupos: o umidade muito facilmente para o meio
dos materiais expandidos, similares ao ambiente, o que o torna quebradiço
isopor, que também podem absorver quando exposto a ambientes secos.
aromas e sabores, sendo comestíveis, e Porém, há, segundo ela, várias
utilizados nos setores de embalagem e pesquisas em andamento que buscam
acondicionamento de alimentos; os descobrir uma forma de se evitar esta
produtos prensados, que além do amido facilidade em perder ou ganhar umidade.
são constituídos por grande quantidade Em suas pesquisas, Pricila também
de fibras, atribuindo resistência a trabalhou com o filme de amido/fécula
choques, podendo ser utilizados como servindo como matriz para embalagens
tubetes para mudas, cantoneiras para indicadoras de temperatura. Patenteado
proteção de pallets e de caixas, e como pela Agência Inova, da Unicamp
lixeiras para lixo seletivo; e, os filmes de (Universidade de Campinas), o filme
amido, que podem ser comestíveis ou como indicador de temperatura, muda
espessos, na forma de de cor de acordo com o aumento de
impermeabilizantes. temperatura (acima de 80 graus
Os filmes de amido podem ser usados centígrados).
como embalagens ou proteção de Devido a esta peculiaridade, o produto
alimentos, e ainda na forma de sacos pode ser utilizado, por exemplo, para
para doses únicas de detergentes, indicar quando os alimentos que
utilizados na lavagem de roupas, sendo necessitam de aquecimento em forno
colocados diretamente na máquina de estão prontos para ser consumidos.
lavar, sumindo com o processo de ³Nesta pesquisa nos baseamos na
lavagem, que libera o produto. reação de caramelização do indicador
Para a Pesquisadora, a grande vantagem contido no filme (de amido, no caso).
do biopolímero na indústria é a obtenção Desta forma, se aplicarmos um pedaço
de produtos finais biodegradáveis, sendo do filme indicador do lado de fora da
viável produzir materiais de todos os embalagem, através de mudança de cor
tipos, a partir da fécula/amido, uma vez que ocorrerá durante o aquecimento do
que, para a transformação dos sistema embalagem-alimento, podemos
biopolímeros em produtos acabados, as verificar que tal alimento estaria pronto
indústrias poderão utilizar as mesmas para o consumo´, detalha.
máquinas utilizadas para a fabricação de Como vantagem, ela destaca, também,
plásticos de polietileno, sendo o fato do filme de amido ser comestível.
necessárias, apenas, algumas alterações Assim, caso o produto indicador seja
nos processos. ³Não se requer grandes acidentalmente ingerido, não acarretará
investimentos e se tem a vantagem de danos à saúde do consumidor. Outras
se ter uma opção para a produção de vantagens apontadas por Pricila são o
materiais que não agridem o meio fato do produto ser biodegradável, e ser
ambiente´, destaca Marney. obtido de fonte renovável, produzida no
No entanto, economicamente, esta País, e de baixo custo: o amido.
produção apresenta alguns fatores Estas, e outras pesquisas, demonstram
negativos, como a baixa resistência à as inúmeras possibilidades de emprego
umidade, o que torna elevado o custo do biopolímero natural, que é obti do a
para a utilização destes materiais. ³Por partir do amido/fécula de mandioca,
ser um produto biodegradável ele sofre além de vislumbrar maior diversificação
com a ação da água, pois, em contato para a utilização dessa matéria-prima no
com o líquido, o material pode se setor industrial.
deformar ou degradar. Para o uso sem
problemas dessas embalagens é preciso
a realização de um processo de
impermeabilização, o que eleva o custo
da produção´, explica a Pesquisadora.
Ela ressalta que há grande demanda por
produtos ambientalmente corretos, e
que a substituição dos materiais
provenientes do petróleo por itens
fabricados a partir do amido ocorrerá
quando aquele tiver seu preço
aumentado. ³O processo produtivo se
equilibrará, como conseqüência do
aumento do preço do petróleo, pois, a
demanda de mercado é muito grande.

http://www.abam.com.br/revista/revista14/biopolimeros.php
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m m  m m  m - São polímeros derivados de
fonte não renovável / fóssil (petróleo). Os polímeros petroquímicos são 100%
recicláveis e possuem um alto valor energético.
Normalmente este tipo de polímero não é biodegradável a não ser quando
produzido com essa finalidade.
m     m - A degradação é causada por atividade biológica de
ocorrência natural, por ação de enzimas. Este tipo de degradação é denominado
Biodegradação e pode acontecer de duas formas.
m     m - A degradação resulta da luz, que pode ou não
chegar até a biodegradação.
Este tipo de degradação é denominado Foto-degradação.
m     m - A degradação resulta da oxidação, que pode ou não
chegar até a biodegradação.
Este tipo de degradação é denominado Oxo-degradação.

m  m     m - Polímeros (Plásticos) Biodegradáveis,
são polímeros de origem fóssil (petróleo) ou renovável (biopolímeros) cujo processo
de degradação deve culminar na biodegradação / compostagem dentro das
condições determinadas pelas normas nacionais e internacionais de biodegradaçã

Literalmente, ou decompondo a palavra em seus dois elementos,


biodegradabilidade quer dizer a capacidade de um material ser degradado sob a
ação de elementos vivos.
A "degradação" (passagem de um estado de referência a um estado degradado) é
uma modificação estrutural do material caracterizado por uma diminuição de suas
qualidades e desempenho .
Na realidade, além dos elementos vivos, é necessário levar em consideração o
biótopo do conjunto ( orgânico, mineral e climático) necessário para que a
biodegradação ocorra.
Biótopo é o meio complexo onde ocorrem as reações. Nele, devem ser considerados
todos os parâmetros físicos (temperatura, pressão, ação mecânica dos ventos,
chuva e neve, de alagamentos, ação da luz, ...), a composição química da água, do
ar e do solo, além dos parâmetros biológicos (ação dos ani mais, vegetais e
microorganismos).
Todos os parâmetros são interdependentes. Por exemplo, os microrgamismos não
podem estar ativos a não ser em condições físicas, químicas e biológicas bem
particulares.
A degradação também pode resultar da ação de parâme tros unicamente físicos
(deformação, ruptura e modificação da estrutura cristalina sob a ação de pressões
mecânicas ou da temperatura).
Ela pode ainda resultar de uma reação química (modificação grande ou parcial da
composição molecular sob a ação de agentes químicos ou minerais provenientes de
organismos vivos).
De forma mais complexa, ela pode ser resultado da combinação de todos esses
parâmetros como, por exemplo, a degradação química resultante da ação física da
luz.
A biodegradação não é, portanto, re sultado de uma simples ação de
microorganismos, porque as condições nas quais eles atuam estão relacionadas
com todas as características do meio.
As diferentes possibilidades de degradação dos polímeros
Se considerarmos a problemática da eliminação dos resíduos sólidos, a simples
perda das propriedades de um material, sem redução de sua massa, não possui
grande interesse. A perda de massa deve ser quase total.
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Nesse fenômeno, o fator determinante da degradação é a ação da luz e, mais
particularmente, dos raios ultravioleta.
Todos os polímeros são sensíveis à luz em graus diferentes. Por esta razão, eles
possuem aditivos para retardar esse efeito. Da mesma forma, eles podem conter
aceleradores de fotodegradação que entram em ação assim que os retardadores
sejam consumidos.
As aplicações mais conhecidas são os filmes agrícolas fotodegradáveis para
recobrimento do terreno em culturas rasteiras. O problema, nesses casos, é que
somente a parte exposta à luz se degrada, ou seja, a parte enterrada fica intacta
ou fracionada em pedaços, tornando difícil sua extração ao final da colheita. Por
outro lado, isso acaba sendo somente uma fotofragmentação onde as
macromoléculas não foram transformadas, mas sim cortadas pela fragilização dos
aditivos.
O resultado é um pó do plástico que estará presente em quantidade quase idêntica
à massa de filme utilizada e essa se mistura ao solo cultivado ano após ano. Não há
inconveniente para o meio ambiente pois esse processo de eliminação é assimilado,
no entanto, não há qualquer vantagem ambiental.
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Somente esse modo de degradação é susceptível de modificar a estrutura física do
material e de transformá-la em substâncias assimiláveis pelo meio natural. A maior
parte do tempo, ele consiste em uma oxidação, uma digestão ou uma hidrólise,
mais ou menos complexa.
A depolimerização de uma poliamida (PA) ou de um polimetacrilato de metila
(PMMA) conduz à transformação completa do polímero, seguindo uma reação
química inversa à sua polimerização, em produtos que lembram os monômeros que
os originaram, os quais poderiam vir a servir novamente à síntese do mesmo
material.
Esse é um dos processos de "reciclagem química" ou de "valorização das matérias-
primas".
A biodegradação é uma das variedades da qui miodegradação. Os compostos
quimicamente ativos (as enzimas, na maior parte do tempo) são, nesse caso,
produzidos por parte dos microrganismos.
Para os polímeros contendo partes biodegradáveis inseridas em suas cadeias
macromoleculares, a reação pode ser apenas parcial. Obtemos, então, uma
biofragmentação onde o resultado é similar àquele obtido na fotofragmentação.
A quimiodegradação também pode ser completa. Isso se passa, em geral, nos
polímeros hidrolisáveis e que se decompõem, seja em CO2 e água (na presença de
Oxigênio), seja em Metano (em meio anaeróbico). Os polímeros melhor adaptados
a uma biodegradação completa são os polímeros naturais (celulose, amido,
borracha natural, gelatinas) e os polímeros sintéticos que possuam estruturas
próximas à essas.
Os polímeros sintéticos "ditos" biodegradáveis
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Eles contém, em sua cadeia molecular, grupos químicos hidrolisáveis. Eles são,
então, biofragmentáveis. Mas, salvo aqueles com cadeia molecular curta, as
pequenas cadeias obtidas são diferentemente bioassimiláveis. As dificuldades e o
tempo de fragmentação são dependentes da formulação.
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A incorporação de um amido de milho altamente disperso em um polímero, servirá,
essencialmente, para responder às preocupações de "eco-marketing" porque,
apesar dos efeitos anunciados, a eficácia é praticamente nula. Somente uma
pequena parte das partículas de amido estarão acessíveis à biodegradação. A maior
parte do amido estará preso dentro da massa polimérica.
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Eles contém, em proporções diversas, enxertos de amido na cadeia polimérica (em
geral do tipo éster em cadeias curtas).
Os ensaios de degradação se revelaram verdadeiramente decepcionantes. Os mais
degradáveis apresentaram propriedades (permeabilidade, estabilidade à água)
muito distantes daqueles outros materiais plásticos e muito mais próximos das do
papel.
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Eles apresentam, em intervalos muito curtos, os grupamentos hidrolisáveis do tipo
éster:
Poliglicóis e Polilactídeos Família dos produtos bioassimiláveis pelo organismo,
utilizados na fabricação de fios cirúrgicos;
Policaprolactonas Degradabilidade total mais lenta (mais de um ano);
Poli hidróxido butirato Síntese bioquímica dos copolímeros;
Poli hidróxido valerato Degradação aeróbica rápida, anaeróbica mais lenta.
Podemos, então, agrupar os polímeros biodegradáveis em duas categorias:
Os verdadeiramente biodegradáveis
Quase exclusivamente representados por polímeros naturais como a borracha
natural, papel, papelão e a madeira. Se trata, no entanto, de polímeros com
mercados de aplicação muito especializados.
As propriedades dos polímeros sintéticos biodegradáveis estão, geralmente, muito
próximas da celulose, ou seja, que atende a um mercado muito distante dos
materiais plásticos, e mais próximos das aplicações voltadas ao papel e papelão.
Em razão de seu preço mais elevado, eles não podem ser escolhidos, a não ser em
casos muito particulares onde possam trazer características importantes e
determinantes (pureza, rigidez, elasticidade, transparência, bioassimilabilidade,...)
e que excede às obtidas com o uso do papel ou papelão.
Por outro lado, as dezenas de milhões de toneladas de materiais plásticos
consumidos a cada ano em todo o mundo servem justamente a aplicações nas
quais são impostas características essenciais de segurança que tornam muito difícil
o uso dos biodegradáveis (proteção de alimentos, construção, transportes, etc.).
É, portanto, totalmente ilusório imaginar que os biodegradáveis podem vir a
substituir os materiais plásticos não degradáveis na totalidade de suas aplicações.
Conseqüentemente, os mercados tecnicamente acessíveis aos biodegradáveis serão
aqueles ligados ao papel, papelão e madeira e, mesmo assim, onde tenham um
preço competitivo.
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Parcialmente degradáveis ou fragmentáveis, eles não apresentam, a não ser em
raras exceções, função outra que não seja a exploração publicitária pseudo-
ecológica.
O cúmulo da exploração abusiva das pretendidas qualidades ecológicas se encontra
em certas aplicações dos polímeros hidrosolúveis.
Fora de seus usos específicos, é injustificada sua aplicação. Algumas vezes, eles
são apresentados como tendo a propriedade de "desaparecer" na água sendo,
assim, qualificados como biodegradáveis. É, portanto, uma qualificação imprópria.
Esses produtos não são biodegradáveis, mas simplesmente solúveis.
Esses produtos não são biodegradáveis, mas simplesmente solúveis.
Eles não desaparecem, eles somente são colocados em solução na água e, mesmo
esses produtos dissolvidos, são pouco ou nada biodegradáveis. Na realidade, a
dissolução somente aumenta os teores de DQO - demanda química de oxigênio e
DBO - demanda bioquímica de oxigênio, parâmetros essenciais na medição da
poluição das águas.
A biodegradação como desperdício de um material nobre
A biodegradação não permite valorizar o material ao final de sua vida, a não ser
uma fração muito pequena dos recursos utilizados.
A digestão anaeróbica permitiria recuperar um pouco do metano, isso se coletado,
mas os plásticos biodegradáveis reagem em meio aeróbico onde não há a formação
de metano.
Os processos de reutilização do plástico normal são incontestavelmente mais
ecológicos que os da biodegradação.
Já o composto obtido após a biodegradação teria uma qualidade muito ruim como
fertilizante em razão da ausência dos oligo-elementos e dos compostos de azoto
que encontramos normalmente nas biomassas.
Já os materiais plásticos normais possuem múltiplos modos de valorização: reuso,
reutilização, reciclagens mecânica, química e valorização energética. A re-
introdução dos resíduos plásticos no ciclo de fabricação de um produto ou de uma
energia permite obter redução dos recursos naturais não renováveis muito superior
a qualquer coleta de metano proveniente da degradação dos biodegradáveis.
Mesmo levando em consideração os conceitos do Desenvolvimento Sustentável, os
processos de reutilização do plástico normal são i ncontestavelmente mais
ecológicos que os da biodegradação.
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Os conceitos de biodegradabilidade e a propaganda enganosa, caso não explicados
de forma correta, podem sugerir ao consumidor que ele pode abandonar os
resíduos plásticos na natureza, uma vez que eles seriam reintegrados ao meio
ambiente, da mesma forma que fazemos com as cascas de laranja. Em vez de
reduzir o problema ambiental, ocorreria o contrário. É portanto, fundamental,
mostrar que, mais ecológico seria o tratamento correto do plástico tradicional, uma
vez que ele é estável e não polui o ar, a água nem o solo.
Degradabilidade = Poluição
A compostagem aeróbica dos plásticos degradáveis produz o gás carbônico,
responsável pelo efeito estufa. O balanço desses gases não pode ser considerado
nulo.
Por outro lado, todo polímero deve conter aditivos complexos para que possam ser
transformados. Quais são os produtos dessa degradação ? São eles nocivos ou bio -
acumuláveis ? Estas respostas são importantes pois a degradação dos materiais
pode gerar efeitos negativos, diferentemente da degradação dos vegetais, por
exemplo.
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Nas aplicações onde estão acessíveis as características de degradabilidade, os
materiais naturais satisfazem perfeitamente os requisitos necessários. Nos outros
casos, há a necessidade de substituí-los pelos materiais sintéticos. Em razão de sua
biodegradabilidade, os materiais naturais (papel, papelão, madeira e borracha) não
podem satisfazer a todos os usos. É por esse motivo que é indispensável manter a
disponibilidade de materiais não degradáveis.
O problema ambiental deve ser resolvido através da disposição correta desses
materiais e coleta seletiva para seu posterior reaproveitamento material ou
energético.
Ratificando o exposto, há aplicações específicas onde o uso de materiais
biodegradáveis é justificada e necessária, caso dos fios cirúrgicos, por exemplo.
Fora dessas aplicações, o uso dos materiais sintéticos vem trazendo enormes
benefícios à sociedade há centenas de anos. O problema ambiental deve ser
resolvido através da disposição correta desses materiais e coleta seletiva para seu
posterior reaproveitamento material ou energético.
Fonte: www.plastivida.org.br
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O lixo é um problema com um impacto social e ambiental muito negativo. Há quem


considere que um meio de lidar com este problema é utilizar o plástico
biodegradável, como uma solução amiga do ambiente para certas coisas, como os
sacos de plástico. À primeira vista pode parecer aceitável, mas será realmente
melhor para o ambiente?
O lixo é fundamentalmente um problema de comportamentos irresponsáveis, e que
deve ser tratado mais pela mudança de atitudes das pessoas do que pela alteração
dos produtos que são deitados fora. A criação de produtos biodegradáveis pode de
facto piorar o problema do lixo, porque leva as pessoas a pensar que é correcto
deitar fora recursos com valor como o plástico. Por exemplo, um saco de plástico
biodegradável, que se deita fora para a valeta, leva anos a desaparecer e, no
entanto, há quem pense que dura apenas alguns dias. Até mesmo uma casca de
banana, quando deitada fora, necessita de 1 a 3 anos e é biodegradável!
Acrescenta-se ainda, que o plástico biodegradável requer condições específicas para
poder degradar-se correctamente (micro organismos, temperatura, e humidade) e,
se não houver um grande cuidado em manejá-lo, pode tornar-se para o ambiente
pior do que o plástico convencional. Quando o plástico biodegradável é lançado
numa lixeira, o que em todo o caso deve ser sempre evitado, produz gases com
efeito de estufa ao degradar-se.
O que significa plástico biodegradável? É plástico que pode ser degradado por
micro-organismos (bactérias ou fungos) na água, dióxido de carbono (CO2) e
algum material biológico. É importante reconhecer que o plástico biodegradáv el não
é necessariamente produzido por material biológico, ou seja, por plantas. Vários
plásticos biodegradáveis são igualmente produzidos a partir do petróleo como os
convencionais.
Então para que é que o plástico biodegradável é bom? Por princípio o plá stico tem
valor pela sua capacidade de criar produtos resistentes e duráveis (por exemplo na
embalagem de produtos alimentares, no transporte e construção civil). A
biodegradabilidade deve, pois, ser encarada como uma funcionalidade adicional,
quando a sua aplicação exige uma forma barata de destruição do produto, depois
de ter cumprido a sua função (por exemplo para embalagem e protecção de
alimentos e para os manter frescos).
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Embalagem que pode ser decomposta conjuntamente com o seu conteúdo, quando
o produto termina a data de validade ou se deteriora
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Lâminas de plástico que podem ser misturadas na terra com o composto e as
sementes
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Suturas absorvíveis; pequenos dispositivos contendo medicamentos, que se
desfazem no interior do corpo
A capacidade de ser biodegradável é uma propriedade material que depende muito
das circunstâncias do ambiente biológico (o corpo humano é diferente do solo).
Considerando isto, poder-se-ia dizer que fazer um produto, como um saco de
plástico compostável, não faz muito sentido porque esta capacidade de se
biodegradar não resolve a questão do lixo (condições diferentes no compostor e no
solo).
Para concluir, é errado centrar a atenção em descobrir formas para, em nome da
protecção do ambiente, ser mais fácil deitar fora. O plástico biodegradável é um
material útil e interessante, mas só deve ser utilizado quando oferecer vantagens
para um determinado produto. A melhor maneira de salvar o planeta é poupar
energia e desenvolver meios de reciclar e recuperar todo o plástico.
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/plasticos/plasticos-biodegradaveis.php
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Todos os materiais plásticos são degradáveis, embora o mecanismo de degradação
possa variar. A maior parte dos plásticos se degradará por meio de fragmentação
das cadeias de polímeros quando expostas à lu z ultravioleta (UV), oxigênio, ou
calor elevado.
A biodegradação, no entanto, só ocorre quando microorganismos vivos quebram as
cadeias de polímeros consumindo o polímero como fonte de alimento. Muitos
plásticos ditos biodegradáveis, no entanto, não são co mpletamente consumidos por
microorganismos.
Para que um plástico seja considerado biodegradável, ele precisa se degradar
dentro de um período de tempo que não pode exceder a 180 dias, de acordo com
as normas internacionais.
Os plásticos biodegradáveis, por sua vez, de acordo com as recomendações da
Avaliação do Desempenho de Embalagens Plásticas Ambientalmente Degradáveis e
de Utensílios Plásticos Descartáveis para Alimentos, não podem simplesmente ser
descartados na natureza ou em aterros, pois não há ambiente propício para sua
degradação nesses locais. O melhor destino para os plásticos biodegradáveis é a
compostagem.
'()*+,)m-+.+/#01à/(2#+)mm

O  é um componente comum na vida moderna, utilizado em todos os tipos


de embalagens, bem como em aplicações comerciais e domésticas. Seus benefícios
de baixo custo, resistência, impermeabilidade a gases e água, transparência,
capacidade de vedação e impressão, são altamente valorizados. Mas, as mesmas
características de resistência e durabilidade que tornam o plástico tão útil e
econômico podem ser um grande problema quando seu descarte se faz necessário.
A ciência agora encontrou a solução para este problema.
É importante distinguir entre os diversos tipos de plástico biodegradável, uma vez
que seus custos e aplicações são muito diferentes.
'()*+,)m-+.+/#01à/(2#+)3
Esta nova tecnologia produz plástico que se degrada através de um processo de
OXIdegradação.
A tecnologia se baseia na introdução de uma quantidade muito peq uena de aditivo
pró-degradante durante o processo de fabricação convencional, resultando em uma
mudança de comportamento do plástico. A degradação do plástico começa quando
sua vida útil programada chega ao fim e o produto não está mais em uso (tal
período controlado pela composição do aditivo utilizado).
Quando o aditivo reduz a estrutura molecular a um nível que permite o acesso de
microorganismos ao carbono e hidrogênio3, o plástico é consumido por bactérias e
fungos.
Por causa disso ele pode ser chamado ³biodegradável´. O material deixa então de
ser plástico e se torna uma fonte de alimento. Tal processo continua até que o
material tenha se biodegradado em CO2, água, e húmus. Isto não deixa
fragmentos de petro-polímeros no solo.
Sacolas oxi-biodegradáveis são adquiridas e distribuídas pela Associação Britânica
para o Solo (UK Soil Association), e utilizadas para contato com produtos
alimentícios orgânicos. Filmes oxi-biodegradáveis têm recebido certificações 4 de
segurança para contato prolongado com qualquer tipo de alimento a temperaturas
de até 40°C. Isto os torna ideais para embalar alimentos congelados, uma vez que
podem ser armazenados por longos períodos a temperaturas baixas, e se degradam
rapidamente quando se tornam rejeitos à temperatura ambiente.
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As sacolas reutilizáveis de longa vida tão pouco são a solução. Os consumidores
nem sempre vão de suas residências, onde as sacolas reutilizáveis estão
guardadas, às compras. Então seria improvável que o consumidor tivesse consigo
as sacolas reutilizáveis quando fosse comprar itens por impulso, tais como roupas,
frutas e verduras, discos, revistas, artigos de papelaria, etc.
As sacolas reutilizáveis longa vida são muito mais grossas e caras, e seria
necessário um grande número delas para as compras semanais de uma família de
porte médio.
Elas também não são higiênicas, a menos que sejam limpas após o uso. Apesar de
às vezes serem chamadas ³embalagem para a vida inteira´, sua vida útil é limitada,
dependendo do tratamento que recebem do usuário, e acabam por se tornar
detritos extremamente resistentes quando descartadas. Contudo, para aqueles que
acreditam em sua utilidade, as sacolas reutilizáveis de longa vida podem ser
fabricadas de plástico oxibiodegradável de longa duração.
m      são degradados por microorganismos quando
descartados no solo, em aterros. A diferença dos plásticos de origem de petróleo
está no tempo de degradação. O tempo para degradar vai depender do que foi
adicionado à resina considerada biodegradável, mas a orde m de grandeza é de
meses (6 a 12 meses) contra 40 a 50 anos ou até 200 anos no caso de PET. O
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado ao governo do Estado de São
Paulo, identificou uma nova bactéria, a Burkholderia sacchari, isolada em solo de
plantação de cana, que produz esse tipo de plástico. "Agora estamos trabalhando
para aumentar a produtividade da bactéria", diz a pesquisadora Luiziana Ferreira da
Silva, do IPT, que coordenou as atividades de microbiologia do projeto. "Há nichos
importantes que poderão usar o produto a curto prazo, como a área de medicina,
por exemplo". Cápsulas que liberam remédio lentamente na corrente sangüínea,
próteses ósseas e fios de sutura que podem ser absorvidos pelo organismo serão
fabricados em plástico, num futuro bem próximo, pelo novo organismo, que
substitui o plástico derivado de petróleo em suas diversas aplicações, como sacos
de lixos, embalagens de alimentos, cosméticos, de produtos de limpeza e outros
vilões da poluição ambiental.
O grupo de cientistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que iniciou as
pesquisas nesta área em 1992, é liderado por Celso Lellis Bueno Netto, inclui José
Gregório Gomez, Marilda Keico Taciro, Luiziana Ferreira da Silva e o engenheiro
Carlos Rossell da Copersurcar. Eles descobriram em 1994 uma nova espécie
bacteriana capaz de transformar açúcar em plástico. Ela alimenta-se diretamente
de açúcar, transformando o excedente do seu metabolismo em um plástico
biodegradável chamado PHB (polihidroxibutirato). Sua vantagem é levar de um a
dez anos para se degradar no ambiente, enquanto que o plástico de origem
petroquímica pode levar centenas de anos para se degradar. Esta bactéria,
denominada Burkholderia sacchari, está sendo testada na Usina de Pedra, em
Serrana (SP).
O objetivo é empregar a B. sacchari na produção industrial de PHB. A vantagem
seria que ela pode ser integrada totalmente à linha de produção da usina de
açúcar. A energia para cultivo da bactéria vem da queima de bagaço de cana. O
alimento é o próprio açúcar e o solvente usado para retirar o polímero das bactérias
é um derivado da produção de etanol. Até os efluentes da linha de produção têm
aplicação dentro da cadeia produtiva: são usados para adubar e irrigar plantações.
Segundo pesquisadores do IPT, para cada 3 quilos de açúcar utilizado para
alimentar as bactérias é possível obter 1 quilo de plástico.
Descobertos há cerca de dez anos, os plásticos biodegradáveis ainda têm uma
participição mínima no mercado internacional (cerca de 1%), dominado pelos de
origem petroquímica. Apesar da vantagem no critério ambiental, os plásticos
biológicos são mais caros e, por serem menos flexíveis, têm aplicações mais
limitadas que os sintéticos. As perspectivas, no entanto, são animadoras, segundo
Sylvio Ortega Filho, assessor financeiro e comercial da PHB Industrial, empresa que
produz plástico biodegradável a partir de bactérias, com a tecnologia licenciada da
Copersucar.
"O PHB vai atender aos requisitos de uma área específica de mercado", prevê o
pesquisador José Gregório Gomez, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT),
que participa de estudos com o novo plástico. Na indústria, pesquisas com o PHB
estão centradas em produtos de rápido descarte, como barbeadores, embalagens
de cosméticos, copos e talheres plásticos. "Muitas empresas reconhecem que ter
um produto feito com plástico biodegradável é um diferencial importante. O que é
preciso agora é atender o que o mercado requer desse polímero", diz Gregório.
Algumas empresas estudam o uso do PHB na fabricação de garrafas do tipo PET.
Outra aplicação promissora do PHB é na medicina, em cápsulas gelatinosas para a
ingestão de medicamentos ou na forma de pinos, fios de sutura e enxertos ósseos
que podem ser assimilados naturalmente pelo organismo.
Em meados da década de 90, teve início no Brasil o desenvolvimento de tecnologia
para a produção de plásticos biodegradáveis e biocompatíveis empregando matéria-
prima renovável pela agricultura, em especial derivados da cana-de-açúcar, a partir
de um projeto cooperativo desenvolvido pelo IPT, Copersucar e Universidade de
São Paulo. Após um levantamento de oportunidades, selecionou-se um grupo de
polímeros da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) que podem ser produzidos por
bactérias em biorreatores a partir de carboidratos. Tais polímeros, em condições
apropriadas de cultivo bacteriano, são acumulados na forma de grânulos
intracelulares, os quais podem ser separados e removidos após a lise celular
gerando uma resina com propriedades semelhantes às dos plásticos de origem
petroquímica, com a vantagem de poderem ser biodegradados no ambiente por
microrganismos nele existentes em curto espaço de tempo após o descarte.
Além de propriedades termoplásticas, que lhes permitem serem moldados ou
transformados em filmes para aplicações diversas, são também biocompatíveis,
com potencial para aplicações médico-veterinárias, como suturas, suportes de
culturas de tecido para implantes, encapsulação de fármacos para liberação
controlada etc. Polihidroxibutirato (P3HB) foi o produto -alvo inicialmente estudado.
Como a idéia era utilizar derivados de cana, duas linhas de busca do microrganismo
ideal foram adotadas: (i) A partir de uma linhagem de coleção de culturas capaz de
produzir P3HB a partir de glicose e frutose, mas não a partir de sacarose, o
Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo desenvolveu um
trabalho de melhoramento genético da bactéria de modo a torná -la capaz de
acumular o polímero utilizando a sacarose e (ii) simultaneamente, o Laboratório de
Microbiologia Industrial do Agrupamento de Biotecnologia (LMI-AB) do IPT partiu
para um programa de isolamento e seleção de bactérias de solo capazes de utilizar
a sacarose e produzir P3HB com alta eficiência. Para completar o desenvolvimento
da tecnologia, o Laboratório de Fermentações Industriais (LFI), também do
Agrupamento de Biotecnologia desenvolveu a estratégia para cultivo e acúmulo de
PHA em biorreatores e, junto com a Copersucar, o processo de separação do
polímero e ampliação de escala.
Amostras de solo foram submetidas a condições laboratoriais que inibiam o
crescimento de bolores e leveduras e, ao mesmo tempo, favoreciam o crescimento
bacteriano em sacarose, açúcar predominante na cana, bem como seus derivados.
Cerca de 300 clones foram capazes de utilizar sacarose. Estes foram então
submetidos a testes que verificavam aqueles capazes de além de crescer em
sacarose, utilizá-la para produzir PHA. Destacaram-se 75 clones bacterianos
produtores de PHA (PHA+). Uma identificação preliminar já demonstrou a grande
variabilidade de espécies bacterianas encontradas. Outro resultado que convém ser
destacado refere-se ao fato de que, além de produzirem o P3HB (polímero com
unidades monoméricas de 4 carbonos e propriedades termoplásticas) que era o
produto alvo, muitas das bactérias produziam outros polímeros de interesse.
Destacamos entre estes polímeros produzidos, aqueles que contêm monômeros
com 6-12 átomos de carbono, denominados PHAMCL (do inglês, medium chain
length) e que apresentam propriedades elastoméricas, assemelhando-se mais à
borracha e com outro tipo de aplicação (filmes para revestimento de embalagens
de papelão, fraldas, absorventes, adesivos, etc.). Foi também descoberta uma
linhagem bacteriana capaz de produzir, a partir de sacarose, uma mistura de P3HB
com 3HPE, este último consistindo de monômeros de ácido 3-hidroxi-4-pentenóico,
o qual, por ter uma insaturação, pode ser modificado quimicamente, ampliando
suas propriedades e aplicabilidade. Algumas linhagens também se mostraram
capazes de utilizar xilose e outros açúcares presentes no hidrolisado do bagaço de
cana, até então um rejeito de baixo valor econômico, produzindo P3HB.
Os 75 clones PHA+ foram então comparados, selecionando -se dois deles com
melhor capacidade de produzir P3HB: IPT 045 e IPT 101. Foi feita uma identificação
preliminar e as duas linhagens correspondiam, respectivamente a uma Burkholderia
cepacia e Burkholderia sp. Estas duas linhagens foram avaliadas em ensaios em
biorreator. Foram comparados velocidade de crescimento, capacidade de acúmulo
de polímero e eficiência em converter sacarose em polímero. Por seu melhor
desempenho e por não ser patogênica, a linha gem IPT 101 foi selecionada. No
sentido de se fazer uma identificação completa, a IPT 101 foi enviada a alguns
centros especializados no Brasil e na Alemanha. Entretanto, as características da
espécie não coincidiam com nenhumas daquelas já conhecidas de b actérias do
gênero Burkholderia. Somente em 1999, em cooperação com o Laboratory of
Microbiology, Universiteit Gent (Bélgica) e com o Institut für Mikrobiologie de
Münster (Alemanha), após comparar resultados de testes bioquímicos, da
composição de ácidos graxos, da seqüência de genes de rRNA 16S, verificou-se que
trata-se de uma nova espécie que foi então denominada Burkholderia sacchari,
justamente por ter sido isolada a partir de solo de canavial. A descoberta será
publicada no International Journal of S ystematic and Evolutionary Microbiology
numa das próximas edições.
O coordenador dos trabalhos no IPT, José Geraldo Pradella, explicou que para se
chegar a esse plástico foram selecionadas algumas bactérias do Banco de Cepas do
Mercado e que se desenvolvem em meio ao solo dos canaviais. Entre elas as do
gêneros Ralstonia e burkholderia, esta última eleita para a produção em projeto
piloto. Uma vez isolada a cepa, esta é mantida em condições próximas a seu meio
de cultura e desenvolvida a base de carbono (em forma de sacarose ou açúcar) e
nitrogênio (em forma de sais como sulfato de amônia e fosfato de magnésio).
Passa, depois, por estágios que implicam no emprego de recipientes airados e
agitados (reatores) e fermentadores até ter em suas células o reprocessamento da
sacarose em forma de uma pasta. Este material é extraído com o uso de solventes
e submetido à secagem, resultando em um pó granulado. No mercado mundial, já
existem outros tipos de plásticos biodegradáveis como por exemplo o obtido com
amido de milho, nos Estados Unidos, e por manipulação genética, processo
transgênico, na Suíça. Mas o único a utilizar a cana-de-açúcar é o Brasil, frisa Vaz
Rossel, lembrando que por mais que se avance em tecnologia "não vamos ter a
supremacia de um custo mais baixo do que o convencional, mas da mesma forma
que levamos 60 anos para multiplicar as variedades de uso do polietileno, desde a
sua descoberta em 1940, vamos entrar para uma etapa de novas opções".
Todo este desenvolvimento teve o apoio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (PADCT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico (CNPq) do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em diferentes períodos.
Como resultado, ao final da década de 90, obteve-se um processo de produção de
poli-3-hidroxibutirato (P3HB) e seu copolímero poli -3-hidroxibutirato-co-3-
hidroxivalerato (P3HB-co-3HV) utilizando como fonte de carbono principal o açúcar
da cana.
Em 1996, uma unidade piloto de produção foi instalada nas dependências da Usina
da Pedra, interior do Estado de São Paulo, utilizando a tecnologia desenvolvida no
país. A produção é realizada em tanques agitados e aerados em condições
controladas de pH, temperatura, oxigênio dissolvido e aporte de matérias-primas. O
copolímero é produzido pela adição concomitante de ácido propiônico e açúcar. O
processo de separação e purificação do produto garante alta pureza e peso
molecular adequados ao processamento do polímero. Dando pros seguimento ao
projeto, já foi feito um melhoramento genético em Burkholderia sacchari IPT 101,
obtendo-se um mutante IPT 189 que tem maior capacidade de acúmulo do
copolímero P3HB-co-3HV, quando alimentado com sacarose e ácido propiônico.
Este copolímero é mais maleável e tem aplicações mais amplas que as do P3HB.
Em conjunto, CTC e IPT solicitaram patente para a linhagem, seu mutante e
processo de produção. O grupo de Biotecnologia do IPT tem desenvolvido além da
linha de plásticos biodegradáveis a produçã o de bioinseticidas para controle de
pragas urbanas (pernilongo, borrachudo etc.) e no caso do campo (lagarta do
cartucho de milho), além da produção de inoculantes para substituição de adubação
nitrogenada, principalmente para culturas de soja e feijão.
O plástico biodegradável, desenvolvido a partir da cana-de-açúcar, ganha agora
uma nova versão. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, de São Paulo,
realizou pesquisas para a obtenção do produto com a utilização do bagaço de cana
hidrolisado. "Esse substrato, que está disponível em grande quantidade, pode
produzir algo mais nobre, tornando -se uma alternativa economicamente
interessante", observa a pesquisadora do IPT, Luiziana Ferreira da Silva, que é
coordenadora do projeto. Segundo ela, o órgão está aberto à realização de
parcerias para a produção industrial desse plástico. Antes disso, o IPT desenvolveu
o plástico biodegradável, diretamente da sacarose, que já é produzido pela PHB
Industrial, instalada junto à Usina da Pedra, em Serrana (SP). O plástico do bagaço
utiliza a xilose e a glicose, que são açúcares resultantes do processo de hidrólise
dessa biomassa. Mesmo produzindo 50 toneladas anuais, em caráter experimental,
desde 1995, a PHB já exporta o produto para os Estados Unidos, Europa e Japão. A
bactéria Burkholderia sacchari se alimenta do açúcar, transformando o excedente
do seu metabolismo no plástico biodegradável chamado de PHB
(polihidroxibutirato). O mesmo processo ocorre com o bagaço hidrolisado por meio
da ação dessa bactéria e da Burkholderia cepacia. A grande vantagem na produção
do plástico biodegradável é o aproveitamento dos recursos já existentes na usina
de açúcar, como o bagaço e o melaço.
A planta piloto (que já custou o equivalente a R$ 28,7 milhões em investimentos
aos grupos sucroalcooleiros Biagi e Balbo) produz de 50 a 60 toneladas por ano do
PHB, que é exportado para o Japão, os EUA e a Europa. Por sua vez, o novo
processo, usando o bagaço, ainda não foi aplicado comercialmente. A resina
biodegradável custa quatro vezes mai s que a normal, mas há dois pontos a
destacar, sustentam Silva e Taciro: a escala ainda é muito reduzida e ninguém
consegue produzi-la mais barata que o Brasil. "O quilo do PHB de açúcar (ou do
bagaço da cana) custa US$ 5. O equivalente na Inglaterra custa US$ 14. Por isso
há mercado lá fora", diz Silva. A competitividade do preço aliada à maior
consciência dos consumidores e ao maior nível de exigência da legislação ambiental
em alguns países desenvolvidos animam a PHB Industrial de Serrana a tentar
produzir em escala comercial a partir de 2005. As pesquisas em torno do plástico
biodegradável começaram nos anos 80 em todo o mundo. Vêm sendo testados os
usos de beterraba, ácido láctico, milho e proteína da soja; algumas aplicações já
começam a sair dos laboratórios. Na prática, as resinas já são usadas em sacolas
que podem virar adubo naturalmente e talheres descartáveis (produzidos pela
empresa californiana Biocorp) e até em peças de notebooks da Fujitsu japonesa. Os
estudos apontam ainda possibilidades de u so na medicina, por exemplo, em
suturas internas e cápsulas para liberação gradual de medicamento.
Tecnicamente, o PHB possui propriedades mecânicas semelhantes ao polipropileno,
é resistente à água, tem boa estabilidade à radiação ultravioleta e barreira à
permeabilidade dos gases. Quanto à biodegradabilidade, ele se decompõe em uma
diversidade de meios, liberando apenas água e gás carbônico. Em fossas sépticas, a
perda da massa chega a 90% em 180 dias e em aterro sanitário perde 50% da
massa em 280 dias. Ecologicamente correto e não muito distante de seu emprego
também no mercado interno, o plástico biodegradável brasileiro, obtido a partir da
cana-de-açúcar, começa a ser produzido em escala comercial em junho próximo. A
informação é do chefe da Divisão de Processos do Centro de Tecnologia da
Copersucar (Cooperativa de Produtores de Cana-de-açúcar e Álcool do Estado de
São Paulo), Carlos Vaz Rossel. De acordo com ele, as primeiras remessas,
estimadas em 50 toneladas ao ano, destinam-se a duas empresas da Alemanha que
atuam na área da saúde e de embalagens. Na sua avaliação, apesar de o custo de
produção dessa resina superar em torno de seis vezes o de plásticos convencionais,
a aceitação do mercado deve elevar a oferta mundial de 20 mil toneladas ao ano
para algo próximo a 250 mil toneladas num prazo de dois anos. É visando a
concorrência por este filão, que a Copersucar investiu cerca de US$ 5 milhões na
busca de um polimero que pudesse competir com os demais plásticos
biodegradáveis no comércio internacional.
Fundada em 1959, a Copersucar - Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e
Álcool do Estado de São Paulo Ltda. conta atualmente com 91 associados. O quadro
social é composto por produtores rurais, que representam mais de 50% do número
de associados, por unidades agropecuárias e unidades agroindustriais que atuam
na produção de cana, açúcar, álcool e demais produtos e subprodutos da cana-de-
açúcar. A pesquisa tecnológica desempenha papel fundamental entre os objetivos
da Copersucar desde o final dos anos 60, quando foi criado o programa de
melhoramentos de variedades de cana-de-açúcar. Em 1979, os associados criaram
o CENTRO DE TECNOLOGIA COPERSUCAR - CTC, em Piracicaba/SP, hoje um dos
mais avançados na pesquisa tecnológica para o setor produtor de cana, açúcar e
álcool do mundo. Como um dos resultados do esforço realizado pelos associados
para manutenção do CTC, a Copersucar, em parceria com o Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo e a Universidade de São Paulo, desenvolveu o
plástico biodegradável que tem o açúcar como matéria-prima. Assim também, o
Centro de Tecnologia Copersucar mantém parcerias na área de pesquisa para
produção de álcool por meio da hidrólise do bagaço e palha de cana e também no
desenvolvimento de co-geração de energia elétrica a partir da gaseificação do
bagaço e resíduos da cana-de-açúcar, no qual desenvolve e gerencia projetos com
recursos do Global Environment Facility - GEF. Em parceria com a FAPESP-
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo está sendo desenvolvido
um dos mais amplos programas de melhoramento genético do mundo: o genoma
da cana. O objetivo é identificar os 50 mil genes da cana, em busca de variedades
mais sadias, produtivas e rentáveis.
A patente PI 9103116 PROCESSO PARA PRODUZIR POLI HIDROXIALCANOATOS A
PARTIR DE AÇÚCARES EXTRAÍDAS DA CANA DE AÇÚCAR trata de um processo de
produção de polihidroxialcanoatos, designados genericamente com PHA, obtidos por
fermentação submersa onde a principal, mas não única, fonte de carbono é
constituída por açúcares extraídos da cana-de-açúcar em sua forma bruta como
caldo, ou processada, como méis, charopes, melaços ou cristais com diversos graus
de pureza que contenham misturas de sacarose, glicose e frutose em qualquer
proporção. O processo de extração e preparo do mosto de fermentação para a
produção de polihidroxialcanoatos deve estar, preferencialmente, associado a uma
unidade de produção de açúcar e álcool da qual recebe não apenas a máteria-
prima, mas também, toda energia e demais utilidades neces sárias. Os agentes
biológicos responsáveis pela transformação destes açúcares em
polihidroxialcanoatos são microorganismos procarióticos especialmente bactérias
gram negativas usualmente solos naturais preferencialmente pertencentes ao
gênero Alcalígenes.
O processo de fermentação é caracterizado pela existência de duas faces; uma
primeira fase onde se emprega um meio rico em açúcares e nutrientes próprio para
o crescimento das bactérias e uma segunda fase onde o meio deve apresentar uma
carência nutricional preferencialmente em fontes de nitrogênio, capaz de direcionar
o metabolismo das bactérias para a síntese e acúmulo de polihidroxialcanoatos.
Nesta segunda fase além dos açúcares, devem estar presentes no meio de cultura
outras fontes de carbono que atue m como precursores de polihidroxialcanoatos
diferentes do polihidroxibutirato resultando, preferencialmente, na síntese do
copolímero polihidroxibutirato/polihidroxivalerato. O processo de separação e
purificação dos grânulos de polihidroxialcanoatos é bas eado no uso combinado ou
independente de solventes, não solventes, agentes surfactantes e preparados
enzimáticos. As operações de separação e purificação podem ser precedidas pelo
rompimento mecânico das células de bactérias e seguidas por uma operação de
secagem dos grânulos.
A patente PI 9302312 é referente a "PROCESSO DE EXTRAÇÃO DE
BIOPOLÍMEROS", em que as células contendo o biopolímero são submetidas a um
único solvente adequado, e em que a insolubilização do polímero no solvente se
verifica sem a presença de agente insolubilizante. A patente PI9805116 é referente
a "CEPA MUTANTE DE ALCALIGENES EUTROPHUS, CEPA TRANSGÊNICA DE
MUTANTE DE ALCALIGENES EUTROPHUS E MÉTODO DE OBTENÇÃO", dita cepa
interrompendo as vias metabólicas de utilização do propionato co mo fonte de
energia, levando ao desvio deste para unidades de hidrovalerato (HV), e
incorporando um plasmídio contendo um regulon -scr, definido por um conjunto de
genes, mais particularmente, os genes (K,Y,A,B e R) tornando-se capaz de
assimilar fontes alternativas de carbono, mais particularmente, sacarose,
otimizando dessa forma a utilização do substrato mais caro do processo de
obtenção dos co-polímeros PHB-PHV, o propionato, apresentando uma
procentagem maior de P (3HV) em dito copolímero, tornando possível uma maior
variedade de aplicações industriais e um preço mais competitivo no mercado.
A patente PI 9806581 é referente a ''CEPA TRANSGÊNICA DE ALCALIGENES
EUTROPHUS E SEU MÉTODO DE OBTENÇÃO'', dita cepa incorporando um plasmídio
contendo um regulon-scr, definido por cinco genes (K,Y,A,B e R) que codificam
proteínas, frutoquinase (scrK), porina (ScrY), enzima II^ scr^ (scrA), invertase
(scrB) e um repressor (scrR), tornando-se capaz de assimilar fontes de carbono
alternativas, dita cepa sendo obtida a partir da transferência de ditos genes para a
cepa natural de Alcaligenes eutrophus. O certificado de averbação 010433/01 de
14.05.2001 referente ao licenciamento da patente PI9103116 e dos pedidos de
patente PI9302312, PI 9805116 e PI 9806581 entre o ceden te Copersurcar e a
cessionária PHB Industrial. O valor para o licenciamento da patente PI9103116 é de
3% sobre o preço líquido das vendas.
Os m      representam uma área do conhecimento com
grandes oportunidades de inovação que são intensamente dependentes de
informação e tecnologia. As exigências crescentes para a sustentabilidade e
preservação do meio ambiente tornam os materiais biodegradáveis um fator
competitivo para muitos setores ligados ou dependentes desses materiais. Essa
configuração amplia a importância do domínio dos conhecimentos sobre a aplicação
e oportunidades desses materiais na indústria de um modo geral, sob o ponto de
vista de novos materiais e processamentos disponíveis ou em fase de
desenvolvimento. Além disso, o uso de plásticos biodegradáveis no
desenvolvimento de novos produtos pode se tornar uma estratégia da empresa, já
que estes podem propiciar inovações tecnológicas de grande repercussão para a
mesma [1,2,3].
Contudo, o processo de inovação tecnológica é complex o e dependente de diversos
fatores, dentre os quais, pode-se destacar a capacidade da empresa e dos outros
agentes envolvidos em buscar, obter e utilizar, no momento certo, a informação
apropriada às suas necessidades [4].
Os plásticos ou plásticos biodegradáveis constituem uma família de plásticos que se
degradam sob a ação de organismos vivos e também por meio de reações abióticas
tais como fotodegradação, oxidação e hidrólise, que podem alterar o plástico devido
a fatores ambientais [5,6].
Nos dias atuais, os plásticos fazem parte crescente da vida humana. Em países
desenvolvidos, o consumo per capita anual de plásticos é da ordem de 60kg/ano.
Devido à natureza não biodegradável da maioria dos plásticos, há uma grande
preocupação dos ambientalistas com relação ao lixo produzido pelos mesmos, o
qual contribui em grande parte pela poluição do meio ambiente. Nos EUA, 30% do
volume total de lixo produzido diariamente é constituído de plásticos. Já na cidade
de São Paulo, são produzidas 12.000ton./dia de lixo, dos quais cerca de 10%
constituem-se de material plástico. Os plásticos biodegradáveis oferecem uma
alternativa para os plásticos convencionais não biodegradáveis, em casos onde a
reciclagem não é praticada ou inviável economicamente [6,7,8].
As demandas sociais, econômicas, legais e ambientais por materiais biodegradáveis
vem aumentando de modo crescente, incluindo propostas lei pelo poder legislativo
de substituição de sacolas plásticas não biodegradáveis.
Segundo Narayan [9] as novas leis ambientais e a conscientização da sociedade
moderna sobre a preservação do meio ambiente têm levado à pesquisa de novos
produtos e processos que sejam ambientalmente compatíveis. Uma atual
abordagem no desenvolvimento de novos materiais está atenta a todo o seu ciclo
de vida, isto é, considera os impactos causados desde a matéria-prima empregada
até o destino final do produto (descarte). Embora relativamente poucos produtos
sejam concebidos considerando-se seu destino final (descarte ou reciclagem e
descarte), os plásticos de descartabilidade rápida têm sido os produtos criticados
com maior freqüência sob este aspecto. Tais materiais apresentam impacto
ambiental, na medida que embalagens de descartabilidade rápida assumem grande
proporção do lixo urbano [10].
Em resposta ao aumento da preocupação da população com relação ao risco
ambiental causado pelos plásticos convencionais, onde cada vez mais o lixo
proveniente dos mesmos está se tornando um sério problema ecológico, muitos
países estão implementando vários programas de gerenciamento do lixo,
principalmente os provenientes de embalagens, dentre os quais encontra-se o da
redução do lixo plástico através do desenvolvimento e estímulo pelo uso de
materiais plásticos biodegradáveis [1,11].
Um novo desenvolvimento que pode ajudar a resolver o problema do lixo plástico é
o uso dos chamados de bioplásticos, os quais são obtidos de materiais naturais
orgânicos, são biodegradáveis e em geral se degradam durante a compostagem. Os
bioplásticos são baseados em fontes vegetais renováveis e apresentam um preço
muito menor quando comparados aos plásticos biodegradáveis sintéticos [12].
Contudo, o grande interesse pelos pesquisadores voltados para a pesquisa de
plásticos biodegradáveis está relacionado com a diversidade de aplicação que eles
oferecem. Dentre as diversas aplicações de plásticos biodegradáveis, pode-se citar
as seguintes: em embalagens para remédios e para produtos alimentícios, sacos,
sacolas, talheres, copos, cartões de crédito, produtos de higiene, implantes
cirúrgicos, pele artificial, sutura cirúrgica, na agricultura na forma de liberação
controlada de fertilizantes e pesticidas e na proteção das raízes de plantas recém
cultivadas, como filmes protetores, os chamados ³mulch´ e na indústria
automotiva. Também, na biomedicina a aplicação de plásticos biodegradáveis e
biocompatíveis, resultam numa enorme quantidade de pesquisa e interesse
[5,13,14], devendo-se enfatizar que em geral as aplicações nesta área só é
possível através da utilização de plásticos biodegradáveis.
Outro fator que leva ao desenvolvimento de estudos na área de plásticos
biodegradáveis está relacionado ao fato da utilização dos plásticos pós uso para a
reciclagem mecânica e incineração apresentar limitações ecológicas.
Conseqüentemente, plásticos biodegradáveis estão ganhando crescente aceitação
em reciclagem biológica nas áreas de tecnologia da agricultura e de embalagem
onde o produto descartado está localizado em um ambiente rico em micróbios [15].
Já há alguns anos diversos círculos dentro da economia alemã vem tentando
viabilizar a introdução de novos materiais biodegradáveis no mercado. O governo
alemão tem solicitado especialmente às empresas do setor de embalagens o
desenvolvimento e uso de plásticos que possam ser compostados de maneira
ecologicamente amigável em função de sua capacidade de biodegradação [14].
Segundo Amass et al. [6], a principal desvantagem da utilização de plásticos
biodegradáveis para embalagens é a diferença no preço dos mesmos se
comparados com os plásticos tradicionais. De acordo com esses cientistas, para que
ocorra mudança do panorama, é necessário encontrar aplicações onde seja possível
consumir quantidades grandes o suficiente desses materiais resultando na redução
do preço dos mesmos, permitindo que os plásticos biodegrad áveis tornem-se
capazes de competir economicamente no mercado. O excelente desempenho
apresentado pelos plásticos tradicionais atualmente é conseqüência do resultado de
continuados esforços de P&D nos últimos anos. Entretanto, a existência de plásticos
biodegradáveis veio a público há apenas alguns anos atrás e os preços dos plásticos
biodegradáveis podem ser reduzidos em produção de larga escala, o que só será
viável economicamente através de constante esforços de P&D para melhorar o
desempenho dos plásticos biodegradáveis [7] e da melhoria da disseminação dos
conhecimentos sobre as oportunidades com essa nova classe de materiais.
O governo alemão já fez concessões para a inovação relacionada aos plásticos
biodegradáveis através da introdução de uma emenda na legislação daquele país
sobre embalagens, que concede às aquelas feitas de materiais biodegradáveis
condições especiais no ano de 2002. O setor agrícola é favorável ao uso de
materiais biodegradáveis, uma vez que vislumbra a possibilidade de um novo
mercado para matérias primas renováveis. Por sua vez, as indústrias
transformadoras de plásticos já vêm desenvolvendo vários materiais
biodegradáveis, sendo esta a primeira vez na história da industrialização que uma
família de materiais está sendo desenvolvida tendo-se em mente o seu descarte. O
ponto de partida foi o ciclo do carbono na natureza, que degrada anualmente 60
bilhões de toneladas somente de celulose, tornado os produtos de degradação
disponíveis para uso em novos materiais [14].
Matérias-primas renováveis são usadas para a produção de materiais similares aos
plásticos. Estes podem ser transformados em produtos como embalagens,
utilizando-se os métodos convencionais de processamento para plásticos. Eles
devem ser degradados através de compostagem após o uso, a qual é uma
importante estratégia de gerenciamento do lixo. Os produtos de degradação
resultantes, ou seja, o composto orgânico (húmus), água e dióxido de carbono
estarão, portanto disponíveis para a próxima geração de matérias-primas
renováveis.
Além disso, os produtos da compostagem resultam em efeitos benéficos para o
solo, tais como: o aumento do carbono orgânico do solo, aumento da retenção da
água, aumento de nutrientes no solo, redução de aditivos químicos e redução de
fitopatógenos [9,10,15].
Já faz vários anos que o governo alemão autorizou o uso dos produtos
biodegradáveis nas embalagens que entram em contato com os alimentos. Por
exemplo, pode-se citar a celulose transparente (hidrato de celulose), a qual
encontra aplicações em confeitaria e na forma de pele sintética para salsichas. O
acetato de celulose é aprovado para a produção de alimentos secos, isentos de
gordura.
Desde 1998, já se encontram no mercado copinhos biodegradáveis de iogurte;
sacos feitos de filme e embalagens de preenchimento parcial (³loose fill´) tem
usado há muito mais tempo. Também já foram introduzidos no mercado saquinhos
de nervura dupla biodegradáveis para batatas.
Com relação à manufatura de produtos de higiene a partir de materiais
biodegradáveis tem-se realizado diversos estudos, sendo que o principal foco é
voltado para fraldas descartáveis.
No agronegócio brasileiro, o uso de plásticos biodegradáveis apresenta um enorme
potencial de aplicações, como, por exemplo, em filmes comestíveis para consumo
final e para recobrimento de alimentos, em tubetes biodegradáveis na formação de
mudas, em filmes biodegradáveis para aplicação em campo aditivados com insumos
agrícolas e formulações de plásticos biodegradáveis com fármacos veterinários.
Também na área da horticultura e da agricultura, a aplicação de plásticos
biodegradáveis é uma possível saída para a substituição de produtos plásticos
convencionais, cujo descarte é difícil e caro. Os candidatos incluem os filmes do tipo
³mulch´ (usados para proteção de raízes de plantas recém cultivadas), que devem
apodrecer nos campos, e vasos de plantas que se degradam no solo. [14,17].
Os plásticos ou polímeros biodegradáveis constituem uma família de plásticos que
se degradam sob a ação de organismos vivos e também por meio de reações
abióticas tais como fotodegradação, oxidação e hidrólise, que podem alterar o
polímero devido a fatores ambientais. Os microorganismos alimentam-se do
plástico, liberando gás carbônico (CO2) e água, comoprodutos finais. Como
exemplos de plásticos biodegradáveis temos o poli(hidróxi butirato) (PHB), o
poli(hidróxi butirato -co-valerato) (PHBV), o poli(ácido lático) (PLA), o poli(ácido
glicólico), a policaprolactama (PCL), o poli(tereftlato -co-adipato de butileno), os
amidos termoplásticos (TPS), os filmes de zeínas (proteínas do milho), e a misturas
entre estes materiais, as chamadas blendas.
No Brasil, encontram-se diversos grupos de pesquisa que vem desenvolvendo há
vários anos pesquisas voltadas para a produção de plásticos biodegradáveis assim
como para sua aplicação, dentre os quais podemos citar: Sistemas Encapsulados,
Produção e Avaliação de Alimentos e Filmes Protéicos Comestíveis da UNICAMP/SP,
Físico-Química Orgânica e de Biomateriais da USP-São Carlos/SP, CERAT (Centro de
Raízes Tropicais da UNESP-Botucatu/SP), Biomateriais: Materiais de Reconstrução
da FRMSJRP de S. J. Rio Preto/SP, NRPP da UFSCar, São Carlos/SP, Grupo de
plásticos biodegradáveis e soluções ambientais da USF-Itatiba/SP, com sólido
trabalho na área [18, 19] e do Agrupamento de Biotecnologia do IPT, SP/SP em
parceria com a Copersúcar.
Um grande desafio atual é o aumento da velocidade de mudanças tecnológicas,
associado a uma disponibilidade gigantesca de informações nem sempre confiáveis
ou adequadas para o seu emprego nas decisões. Para vencer esse desafio,
metodologias de análise para avaliação de propriedades de materiais que sejam
confiáveis e comparáveis entre si são importantes ferramentas para a tomada de
decisão.
A aplicação de polímeros biodegradáveis no agronegócio brasileiro apresenta um
enorme potencial, como, por exemplo, em filmes comestíveis para consumo final e
para recobrimento de alimentos, em tubetes biodegradáveis na formação de
mudas, em filmes biodegradáveis para aplicação em campo aditivados com insumos
agrícolas e formulações de polímeros biodegradáveis com fármacos veterinários.
A Embrapa Instrumentação Agropecuária vem pesquisando ao longo dos anos
polímeros biodegradáveis tais como amidos termoplásticos, polímeros a base de
zeínas, quistosana e blendas de amidos com zeínas, buscando inovar e agregar
estes novos materiais no agronegócio brasileiro.
+  m
Produtos fabricados a partir de plásticos vêm sendo largamente utilizados desde
meados dos anos 50 do século passado. O número de aplicações para esses
produtos continuou a crescer enquanto a ciência produzia resinas e blendas de
resinas que aprimoravam suas propriedades, assim como as tecnologias para o
processo dessas resinas em produtos e o seu uso. Algumas das características
gerais dos plásticos que os tornam atrativos para a maioria dos usos comuns a que
estão associados, incluindo embalagens, são a sua força e resistência, durabilidade
e longa vida, baixo peso, excelente barreira contra água e gases, resistência à
maioria dos agentes químicos, excelente processabilidade e baixo custo. Essas
propriedades, que fazem do plástico o material de escolha para várias aplicações,
são também um problema ao final da vida útil desses produtos, especialmente o
uso único em produtos como sacolas e outras formas de embalagem. A sua inércia
inerente permite que persistam no ambiente e o seu baixo custo fazem com que
sejam altamente descartáveis.
Os plásticos, apesar de presentes por toda parte, não são o principal componente
dos fluxos de resíduos municipais. Um estudo recente na Califórnia constatou que
9,6% dos resíduos em aterros sanitários eram plásticos, e que apenas uma fração
disso era representada por materiais de embalagem. Resíduos de papel, material
orgânico e resíduos de construção juntos representavam por quase ¾ do total de
resíduos. Apesar de tudo, produtos plásticos descartados têm aparência
desagradável e causam outros problemas quanto ingeridos pela vida selvagem ou
quando, na forma de sacolas, formam uma barreira entre o ambiente e o lixo que
contém, e limitam a capacidade do material em biodegradar.
Diversos níveis de influência ao redor do mundo utilizaram uma variedade de
estratégias para lidar com esta questão, particularmente no que se refere a sacolas
plásticas; Taiwan baniu as sacolas plásticas; a Irlanda aplica uma taxa sobre elas; a
Califórnia obriga ao uso de uma fração de material reciclado em sua fabricação; a
Europa obriga a sua exclusão do fluxo de lixo orgânico destinado à compostagem,
enquanto outros consideram o uso de tecnologias biodegradáveis. Existem prós e
contras associados a cada uma dessas estratégias - de natureza ambiental e/ou
econômica. O OPI representa uma indústria que oferece uma alternativa viável que
se encaixa neste espectro geral ± produtos degradáveis de custo relativamente
baixo, que retornam ao ambiente em certas situações de descarte, através de uma
rota cientificamente bem entendida.
O m
m m  
Plásticos oferecidos como degradáveis ou biodegradáveis estão comercialmente
disponíveis há mais de 20 anos. Foram desenvolvidos especificamente para lidar
com a questão da persistência de produtos plásticos descartados no ambiente,
sejam descartados em aterros sanitários, locais de compostagem ou, de forma
inapropriada, como lixo nos oceanos e cursos d'água. Os primeiros produtos eram
baseados nas resinas plásticas tradicionais ± por exemplo, polietileno ± que eram
misturados com uma quantidade inexpressiva de amido. Na presença de água, os
produtos feitos a partir desses materiais desintegravam em pequenos pedaços da
resina, e o amido então biodegradava. Nos Estados Unidos, em particular, esses
materiais foram duramente criticados, já que a base plástica não biodegradava;
simplesmente desintegrava em pequenos pedaços que não podiam ser percebidos.
A Comissão de Comércio Federal dos EUA forçou os produtores a remover o apelo
degradável, e esses produtos, em sua maioria, saíram do mercado. Ainda existem
companhias que oferecem produtos aparentemente similares, mas é importante
que se entenda como eles desempenham.
Em seguida a isso, várias companhias, algumas delas importantes empresas
químicas multinacionais, desenvolveram novos polímeros que biodegradam no
ambiente. Alguns destes utilizam amido e outros produtos "naturais" como
matérias-primas; outros utilizam derivados de petróleo. Essas matérias-primas são
quimicamente modificadas, algumas em fábricas químicas tradicionais; algumas em
reatores biológicos, buscando criar plásticos com propriedades úteis. Estes não
devem ser confundidos com as blendas de amid o mencionadas acima. Nenhum
desses caminhos ou matérias-primas é inerentemente melhor do ponto de vista
ambiental que o outro. Existem estudos reais publicados que mostram que as
necessidades gerais de energia de alguns dos processos baseados em materiais
naturais são maiores do que as necessidades gerais de energia dos processos
derivados de petróleo ( "O Quão Verdes são os Plásticos Verdes?", ["How Green are
Green Plastics?",] T.U. Gerngross and S.C. Slater, Scientific American (agosto de
2000)). Vários desses produtos estão atualmente disponíveis comercialmente. Eles
se enquadram na classe geral de polímeros hidrobiodegradáveis. Isso quer dizer
que a molécula de polímero reage com a água e hidrolisa para formar moléculas
menores que podem ser digeridas por microorganismos.
Um terceiro tipo de polímero degradável que está disponível há alguns anos é
baseado em poliolefinas tradicionais (polietileno, polipropileno, poliestireno) às
quais é adicionado um catalisador que acelera a oxidação do polímero, fazendo com
que este quebre em moléculas menores que, diferentemente do polímero base, são
passíveis de umedecidas por água. Esses fragmentos menores ficam então
disponíveis para os microorganismos sob a forma de uma fonte de energia - por
exemplo, alimento. É esse tipo de produto ± plásticos oxi-biodegradáveis ± que os
membros do OPI produzem.
3 m 4 m m/ 
 5
Um problema inerente que precisa ser superado no desenvolvimento de polímeros
que biodegradam, é que as propriedades que os tornam úteis como embalagens
são contrárias às propriedades que permitem a sua biodegradação. Por exemplo, o
amido/blendas plásticas originais apresentam dois problemas básicos. O primeiro,
mencionado acima, é que apenas a porção de amido da blenda realmente
biodegrada. O segundo, é que esses produtos careciam de resistência e
particularmente resistência à água. Quando sacolas fabricadas a partir desses
produtos eram usadas para reter produtos contendo água, como por exemplo,
rejeito doméstico, ou eram expostas à umidade ambiental (chuva), apresentavam
tendência de desintegração antes que os produtos nelas contidos atingissem o seu
destino.
Os novos produtos hidrobiodegradáveis, que são geralmente baseados em
moléculas de ocorrência natural quimicamente modificadas, como os amidos,
também apresentam o mesmo problema de desempenho na presença de água que
as antigas blendas de amido, apesar de isso estar de certa forma sendo tratado
pela nova tecnologia.
Os plásticos oxi-biodegradáveis ± ou OPB's - não sofrem esse problema, já que não
são afetados pela água; entretanto, existe um outro lado em relação a isso. Os
OPB's não biodegradam tão rápido quanto alguns dos produtos
hidrobiodegradáveis, apesar disso não ser geralmente uma questão/problema
prático. Além disso, a taxa de degradação dos OPB's é relacionada com a
temperatura ambiente. Apesar disso poder ser de certa forma controlado, são
necessárias temperaturas acima de 40°C, (como é comum em aterros sanitários)
instalações de compostagem controlada, e luz solar direta para a obtenção de taxas
de degradação comercialmente expressivas.
Existem exemplos em todas as famílias de produtos que se mostram eficazes nos
usos para que são projetados. É importante que os usuários escolham o produto
certo para o uso pretendido. Uma questão atual da indústria é que a terminologia
empregada vem apresentando diferentes significados para diferentes públicos, e
algumas afirmações tem trazido um certo descrédito em relação à indústria como
um todo.
Ö m 4 m#6

Um recente artigo na BioCycle [BioCycle, pp 43-45, (setembro 2004)], uma revista
de negócios ambientais, destacou uma questão que confronta os plásticos
biodegradáveis ± estes são mais caros do que os plásticos tradicionais. O benefício
da degradabilidade/biodegradabilidade não é gratuito. Além disso, as propriedades
dos plásticos com essas características são em geral relativamente diferentes
daquelas dos plásticos tradicionais que substituem.
O artigo da BioCycle compara sacolas baseadas em uma tecnologia
hidrobiodegradável (polímeros baseados em amido modificados quimicamente) com
aquelas baseadas na tecnologia oxi -biodegradável oferecida por diversas empresas
membros do OPI. As sacolas foram utilizadas para coleta de lixo para compostagem
de restaurantes na área de São Francisco. Concluiu-se que as sacolas OBP (nome
comercial ECOSAFE®) custavam ao redor de 55% a mais do que as sacolas não
biodegradáveis, enquanto as sacolas hidrob iodegradáveis custavam 700-900% a
mais do que as sacolas não biodegradáveis. Também importante mencionar que
enquanto as sacolas OBP mostraram-se ligeiramente mais frágeis do que as sacolas
não biodegradáveis (uma propriedade facilmente corrigível no caso das sacolas
OBP), o seu desempenho foi satisfatório, enquanto as sacolas hidrobiodegradáveis
não desempenharam de forma satisfatória para vários usuários.
De modo similar, já que a tecnologia oxi -biodegradável envolve apenas a adição de
materiais catalisadores às tradicionais poliolefinas, sem modificar as estruturas
químicas tradicionais desses materiais, podem ser processados nos produtos
acabados através a utilização do mesmo equipamento e praticamente dentro de
condições de processamento idênticas aos produtos que substituem. Este não é o
caso dos sistemas hidrobiodegradáveis, que exigem condições de processamento
muito diferentes.
Ö m  4 7m# 4 m m/ 4 
As blendas de amido/poliméricas foram desacreditadas porque, enquanto
anunciadas como biodegradáveis, apenas a porção de amido da blenda realmente
biodegradava. Recentemente, o Estado da Califórnia promulgou uma legislação que
exige o atendimento de Normas ASTM para que os produtos possam ser anunciados
como degradáveis, biodegradáveis ou compostáveis. Esta é uma reação à confusão
envolvendo esses termos, e enquanto parece fazer sentido, assume que as
especificações ASTM são atuais e precisas e se aplicam a todas as condições e
necessidades.
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Um plástico degradável no qual a degradação resulta da ação de microorganismos
de ocorrência natural, tais como bactérias, fungos e algas [a degradable plastic in
which the degradation results from the action of naturally occurring microorganisms
such as bactéria, fungi and algae.].
m,
 
Um plástico que experimenta degradação por processos biológicos durante a
compostagem, produzindo CO2, água, componentes inorgânicos e biomassa a uma
taxa consistente com outros materiais compostáveis conhecidos e que não deixa
qualquer material visível, perceptível ou tóxico. [a plastic that undergoes
degradation by biological processes during composting to yield CO2, water,
inorganic compounds, and biomass at a rate consistent with other known
compostable materials and leave no visible, distinguishable or toxic material.].
m/    
Um plástico projetado para experimentar uma mudança significativa em sua
estrutura química sob condições ambientais específicas, resultando em uma perda
de algumas propriedades que podem ser medidas por métodos de teste padrão
apropriados ao plástico e sua aplicação em período de tempo que determina a sua
classificação. [a plastic designed to undergo a significant change in its chemical
structure under specific environmental conditions, resulting in a loss of some
properties that may be measured by standard test methods appropriate to the
plastic and the application in a period of time that determines its classification.].
A especificação padrão ASTM e o correspondente Padrão Europeu EN13432:2000
fornecem os parâmetros de desempenho específicos que o plástico e as
embalagens plásticas devem atender para serem considerados como compostáveis.
Não existem padrões correspondentes que podem ser usados diretamente em
relação a plásticos que entram no meio-ambiente de formas diferentes da
compostagem ± por exemplo, lixo marinho ou em aterros sanitários, apesar do seu
desenvolvimento estar sendo considerado pela ASTM. Outro padrão -chave (não
uma especificação) é a ASTM D 6954-04. Este padrão reconhece a oxi-
biodegradação como um processo de dois estágios, e fornece um guia do caminho
para medir a eficácia relativa dos produtos que utilizam essa tecnologia.
* m m  4 m 
m =
m m   m m  m m à)*%8>?9 .
:9m  mmm  mm  m 
O Devem degradar ou desintegrar em fragmentos visualmente imperceptíveis em
um período de tempo especificado.
3 mDevem biodegradar, em uma determinada taxa mínima, em CO2, água, material
inorgânico e biomassa.
Ö mOs produtos resultantes da biodegradação não devem ser ecotóxicos ou danosos
ao meioambiente, e, no caso da compostagem não devem impactar negativamente
a qualidade do composto.
Como base de fundamentação a esses requisitos estão vários métodos de teste
padrão referenciados, pelos quais se mede o desempenho de produtos plásticos nas
áreas prescritas. Esses métodos incluem amostragem, configuração experimental,
interpretação de dados e seus assemelhados. Não é a finalidade deste artigo rever
todos esses métodos, mas é importante que quem quer que esteja realizando os
testes esteja bem informado sobre eles e siga os vários protocolos.
9 m m.    m
Os plásticos Oxi-biodegradáveis (OBP's) são plásticos que retornam ao ecossistema
através de um processo de 2 estágios. A maioria dos plásticos comumente usados
para aplicações únicas como embalagens, por exemplo, são poliolefinas ² cadeias
entrelaçadas e cruzadas de hidrocarbonetos simples. Essas cadeias possuem pesos
moleculares muito altos (centenas de milhares) versus pesos moleculares de 18
para a água e 44 para o CO2. Outros produtos familiares à base de hidrocarbonetos
são os combustíveis, como a gasolina e o óleo diesel. Uma propriedade dos
hidrocarbonetos é a insolubilidade em água e também o fato de que não são
passíveis de serem umedecidos por água.
Quando se fala em biodegradação, isto se refere ao processo pelo qual os
microorganismos utilizam o material em questão como uma fonte de energia ou
alimento. Enquanto a cadeia de hidrocarbonetos das poliolefinas é uma excelente
fonte de energia, existem dois problemas práticos. Primeiro, os microorganismos
comumente associados aos processos biológicos ³trabalham´ em meios aquosos. Já
que os hidrocarbonetos não são passíveis de serem umedecidos por água, não
podem ser acessados por esses microorganismos. Segundo, as cadeias poliméricas
são muito grandes para serem ingeridas por microorganismos, e não contêm
qualquer oxigênio.
Para que aconteça a biodegradação, essas cadeias poliméricas precisam ser
reduzidas, passíveis de serem umedecidas por água e incorporar oxigênio em sua
estrutura. É sabido [G. Scott el al, Ed. Atmospheric Oxidation and Antioxidants 2nd
ed, Elsevier, London (1993) [Oxidação Atmosférica e Antioxidantes]) que as
poliolefinas reagem muito lentamente com o oxigênio atmosférico, e que o processo
oxidativo ³quebra´ a cadeia polimérica em fragmentos menores passíveis de serem
umedecidos por água. Nas poliolefinas tradicionais, essa reação é muito lenta para
levar à biodegradação em um período de tempo significativo. Os OBP's contê m
aditivos que catalisam ou aceleram essa reação oxidativa sob condições específicas.
Essas condições são tais que o produto plástico não degrada até que seja
necessário, mantendo assim suas funcionalidades como material de embalagem.
Além disso, a água não é necessária à reação oxidativa e dela não participa. Isso
significa que os produtos fabricados com OBP's não são afetados pela presença de
água até que sejam oxidados, diferentemente dos produtos baseados em amido ou
hidrobiodegradáveis, que precisam da água para iniciarem a degradação.
Os aditivos usados para promover ou catalisar o processo de oxidação são
tipicamente de origem orgânica, (carbono ou hidrogênio) contendo sais de metais
de transição. Os metais de transição por si só são micronutrientes necessários, em
pequenas quantidades, à vida. As condições que provocam a iniciação da reação de
degradação nos OBP's são: temperatura e/ou luz, juntamente com a disponibilidade
de oxigênio atmosférico. Essa reação pode ser de certa forma programada para
permitir a diferenciação em determinadas condições e usos.
Tipicamente, esses plásticos são projetados para degradar em pequenos pedaços
imperceptíveis no período de alguns meses, dependendo do método de descarte.
Os pequenos pedaços, contendo uma proporção de cadeias reduzidas de polímeros
oxidados, continuam então a oxidar e as moléculas oxidadas a biodegradar.
A capacidade dos plásticos oxi-biodegradáveis em degradar (requisito 1 acima) e
biodegradar (requisito 2 acima) foi demonstrada em laboratório e em situações
reais de compostagem, aterros sanitários e lixões. A ausência de efeitos
ecotoxicológicos adversos (requisito 3 acima) também foi demonstrada e estes não
apresentam nenhum impacto negativo na qualidade do produto em uma situação
de compostagem. ["Environmental Degradable Plastics based on Oxo-
biodegradation of Conventional Polyolefins". N.C. Billingham et al, 7th World
Conference on Biodegradable Polymers and Plastics, Tirrenia (Pisa) Itália (4-8
junho, 2002)].
, 4 m  
É relativamente fácil demonstrar, através de testes aceitos e bem documentados, a
capacidade ou incapacidade dos produtos plásticos em degradar e biodegradar, na
extensão e velocidade com que isso acontece. Atualmente, entretanto,
especificações padrão somente estão disponíveis para degradação/biodegradação
em situações de compostagem. É importante definir os tipos de produtos que estão
sendo considerados (por exemplo, sacolas plásticas, outras embalagens plásticas,
utensílios plásticos, etc), o ambiente de descarte (lixões, solo, aterro sanitário,
compostagem) e entender os custos associados às várias opções de políticas.
#
m 7m m  mm  mm  mm & m m 
 5m
 mm mm    7m&m
  
O mDefinir o tipo de produto que será descartado.
3 mDefinir as condições sob as quais se espera que ocorra o descarte, incluindo:
O perfil de temperatura.
Exposição à água, luz solar, ar ± quanto e por quanto tempo
Método de descarte ± aterro sanitário, compostagem, lixões (terrestres ou
marítimos), solo
Ö Obter certificação do fornecedor, por exemplo, Folha de Dados de Segurança de
Material [Material Safety Data Sheet] confirmando que o produto é seguro.
9 m Amostras de teste do produto sob condições de laboratório que simulem o
ambiente de descarte em relação à sua capacidade de degradar e biodegradar.
A desintegração é tipicamente medida como a fração do produto que consegue
ultrapassar uma tela de 2 mm ou o teste de tensão do produto degradado ou a
redução de peso molecular.
A biodegradação é medida pela inoculação da amostra com microorganismos
adequados e a medição da evolução de CO2 ou evolução de metano (em condições
anaeróbicas) através de um período de tempo.
? mMedição da toxicidade do resíduo biodegradado através da observação de tópicos
como: taxas de germinação, taxas de sobrevivência, peso de organismos sensíveis
em meios contendo o resíduo.
A informação acima irá fornecer medidas relativas em relação à capacidade dos
vários produtos de degradar e biodegradar; entretanto, além das medidas de
toxicidade, não existem especificações "aprovado/reprovado" como algo necessário
ao atendimento dos objetivos da região/jurisdição de aplicação da política. Por
exemplo, se a visão desagradável do lixo em forma de sacolas plásticas for a
questão principal, a ação primária deve ser a educação da população para a sua
prevenção - através da promoção da reutilização, reciclagem e descarte final em
um meio aprovado ± por exemplo, lixões ou u ma instalação de compostagem.
Sacolas que degradam e biodegradam podem ser parte do "conserto", mas não
devem ser comunicadas como tal, já que isso simplesmente valida o ato de
descartar detritos.
m m mm m m  m 
m 
Um período de degradação em um ambiente externo típico da região (temperatura,
exposição à luz do sol, umidade, etc), com alongamento por tensão como uma
medida de degradação.
Evidência de biodegradação do produto degradado, através de medição por
respirometria.
Testes de ecotoxicidade demonstrando a ausência de impacto em organismos
sensíveis.
Qualidade do composto ou do solo.
As medições específicas para cada um desses pontos devem ser definidas pela
autoridade local. Alternativamente, diretrizes intermediárias podem ser adotadas
antes do estabelecimento de especificações para vários meios, a partir de
organismos internacionais normatizadores de padrões, como a ASTM e o CEN.
Essas diretrizes estão sendo desenhadas e o OPI é parte neste processo.
Entretanto, deve ser mencionado que este é um processo lento e que poderá levar
vários anos para ser concluído.
#
m m*  m# 
O Apêndice A (não disponível neste material) é uma breve compilação dos testes
que suportam as afirmações quanto ao desempenho da degradabilidade de
produtos baseados nas tecnologias oxi -biodegradáveis. Esses testes foram
fornecidos por cortesia da EPI, Environmental Products Inc, uma empresa membro
do Oxo-biodegradable Plastics Institute, e são indicativos dos tipos de testagem
exigida pelos usuários desta tecnologia antes da aquisição de produtos que a
utilizam.
Além disso, dependendo do ambiente de descarte, os mentores de políticas podem
exigir medições de biodegradação. A ASTM especifica os Métodos de Teste D5988 e
D5338 para medir a biodegradação em ambientes de compostagem e de solo,
respectivamente. Esses, em resumo, medem a taxa de mineralização dos plásticos
através da medição da geração de dióxido de carbono em um ambiente controlado
representativo das condições de descarte. Finalmente, será importante também
que os plásticos em questão não produzam resíduos ecotóxicos. Nesses testes, o
impacto de certas plantas e animais específicos (agrião, minhocas, daphnias),
medidos por taxas de germinação, taxas de sobrevivências e taxas de crescimento
em ambientes de descarte contendo os resíduos da degradação, é determinado em
relação aos mesmos ambientes sem esses resíduos.
m    m&mm"
Os artigos feitos de plásticos, desde as terríveis sacolas de compras e sacos de lixo,
até garrafas, canetas, copos, etc., são considerados poluidores e contaminadores
de rios, lagos, oceanos e praias.
A reciclagem e a conscientização nunca serão suficientes para deter essa poluição
que alcança níveis alarmantes.
A solução está na fabricação em larga escala desses materiais com plástico
biodegradável e leis severas que proíbam a fabricação do plástico poluidor,
principalmente as sacolas de compras e sacos de lixo.
Além de toda a praticidade e diversidade de uso que proporciona, o plástico agora
pode ser ambientalmente correto. Sacolas de compras para supermercados, sacos
de lixo, canetas, pratos, talheres, copos, cobertura para fraldas, vasos de plantas,
garrafas e frascos em PET, além de muitos outros tipos de embalagens, podem
ganhar características de degradabilidade, biodegradabilidade, compostabilidade
e/ou hidrossolubilidade se produzidos a partir de aditivos inertes ou matérias
primas de origem vegetal.
Felizmente já existe no Brasil uma empresa que importa com exclusivi dade a
matéria prima para a produção do plástico degradável.
A RES Brasil e uma empresa de representação, distribuição e licenciamento
industrial sediada no município de Cajamar, Estado de São Paulo.
A empresa fornece às fábricas de plásticos aditivos que, adicionados aos plásticos
comuns, tornam o produto final naturalmente degradável. Portanto, a matéria
prima é no mínimo 97% nacional no caso dos produtos aditivados. O aditivo
representa no máximo apenas 3% do material, o que não prejudica as empresas
locais.
Em outros casos, a empresa distribui a matéria prima de origem vegetal
(biopolímeros) para a fabricação de artigos biodegradáveis, compostáveis. Outros
produtos podem ser ainda solúveis em água. Dessa forma, são rapidamente
absorvidos na natureza e m certos casos podem até servir de adubo e alimentação
animal, eliminando o descarte em aterros sanitários (onde levam até 100 anos para
se decompor) e deixando de poluir rios, lagos e oceanos.
Os produtos de plástico "verde", longe de ser apenas um ideal, já estão em plena
fabricação no Brasil. Cerca de 600 toneladas de embalagens plásticas com este
conceito já foram fabricadas e distribuídas no Brasil desde outubro de 2003.
Explicando de maneira simplificada a ação do aditivo, este reduz o tamanho e o
peso das cadeias moleculares do plástico comum e fragiliza as ligações entre as
moléculas de carbono e hidrogênio que formam o plástico, fazendo com que o
material comece a se degradar sob condições comuns existentes no meio ambiente
ao ser descartado para o lixo. Posteriormente à degradação, os pequenos
fragmentos resultantes virão a ser mais facilmente digeridos pelas bactérias e
fungos existentes na natureza.
O tempo de decomposição, também pode ser regulado de acordo com a finalidade
do produto. Essas propri edades não alteram nenhuma das características originais
e desejáveis do plástico comum.
Uma vez quebradas as ligações entre os átomos de carbono e hidrogênio existentes
no plástico aditivado, estes átomos se ligarão aos átomos de oxigênio existentes na
atmosfera, resultando em dióxido de carbono (CO2) e água, as mesmas
substâncias que os seres vivos exalam durante a respiração .
,m
Apesar de representar um pequeno aumento de custo em relação ao plástico
comum, a versão aditivada ainda tem preço menor do que o papel, opção utilizada
na confecção de sacolas por empresas que dão preferência ao material por ele ser
100% orgânico. Apesar de ecologicamente viável, o papel é mais caro porque é
uma matéria prima renovável.
Com uma provável boa receptividade d o mercado, em tempos "ecologicamente
corretos e ambientalmente exigentes", a expectativa é que os produtos de plástico
biodegradável tenham seu custo reduzido.
O::@m A
Além do aditivo que fragiliza as moléculas do plástico comum, feitos com polietil eno
, polipropileno, BOPP, PET, PS, entre outros, a RES Brasil trouxe para o Brasil
resinas de amido feitas principalmente de mandioca, milho ou batata (não
transgênicas), que resultam em um plástico 100% orgânico.
O filme resultante se deteriora pela ação de microorganismos em contato com o
solo, em contato com resíduos orgânicos e em ambientes de compostagem e de
aterros sanitários, os chamados lixões, em um período de 40 a 120 dias, se
transformando em um composto orgânico que pode ser usado como humus n a
adubação.
Outra matéria prima representada pela empresa é destinada à fabricação de
plástico hidrossolúvel, à base de álcool polivinílico que se desmancha em contato
com a água sem deixar resíduos tóxicos ou nocivos. A principal aplicação desse
material é no envase de detergentes, desinfetantes e saponáceos em pó que
podem ser jogados diretamente na máquina de lavar roupa ou louça e no vaso
sanitário.
Como podemos ver, ha muitas alternativas para o uso consciente do plástico, basta
que as empresas invistam nessa alternativa e que nos consumidores demos
preferência por estes produtos na hora da compra.