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Á SUA PREZADA ESPOSA

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DEDICA ESTE LIVRO

O AUTOR.

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k SUA PREZADA ESPOSA

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DEDICA ESTE LIVRO

O AUTOR.

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:

J. PINTO E SILYA

TQRIETAS
(LEITURA PARA PRINCIPIANTES)
:
:

I
ODra approvada pelo Governo do Estado de S. Paulo :
e adopfada em todas as suas escolas

DÉCIMA SÉTIMA EDIÇÃC REVISTA E MELHORADA PELO AUTOR ■;

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casa Espíndola — Rua Direita, 14-A
SÃO PAULO


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.

HISTORIETAS
u 0 VENDEDOR DE OVOS

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:J M
ÍMASSAVA todos os dias por
iMBá uma rua um italiano a gri-
i
ri !plpÍP tar: «Ovo gordo! Ovo gordo
freguez!»
i. 0 negociante da esquina, desejando
ti corrigir a linguagem do vendedor de
óvos, falou-lhe: «Olá, amigo, não se
diz ovo gordo, mas sim fresco, po­
r\^; dre, etc.; gordo é que não se pode
&
dizer.»
0 italiano tomou nota do que ou­
m vira, e, no dia seguinte, veiu gritando:
-JS
•5S
■ ífÊ «Ovo podre, freguez! Ovo podre, ba­
m rato, freguez!»
d. Foi necessário o negociante corri-
:
■Ò*A
gir de novo a linguagem do pobre

1
:
s I
HISTORIETAS 7

homem; ninguém mais lhe queria com­ ■

prar óvos. Já era mais de meio dia,

•:
i

f-

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!
'

.1
e o coitado ainda não tinha vendido
um só ovo!

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í
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■illl.f,

8 HISTORIETAS

0 MALFAZEJO
i

! MBONHECI um menino muito


máu; sentia prazer em mal-
tratar os animaes.
Certo dia elle agarrou um cão, pela
colleira, e começou a dar-lhe panca­
das sobre pancadas.
0 pobre animal gania que causava
dó; mas, quanto mais gritava, mais
!
apanhava.
Eí De repente o cão deu um bóte e,
-
\ com uma terrivel dentada, quasi que
h arrancou uma orelha do menino.
0 malfeitor ficou sem um pedaço
de orelha. Soffria muito sempre que
precisava explicar a causa de ter uma
2
orelha defeituosa. Todos ahi ficavam /

i
HISTORIETAS 11

A mãe de Justino, quando soube


disso, abraçou-o, cheia de satisfação.

i
r

12 HISTORIETAS


0 ASSEIO
'
i

ÃO ha quem não aprecie uma


creança asseada, isto é, uma
creança que anda sempre com
o corpo e o vestuário bem limpos.
Eu sei duma menina que, por falta
de asseio, passou uma vez por um
- grande desgosto.
0 caso foi assim:
i
No dia de seus annos deram-lhe,
.
i de presente, um lindo vestido cor de
r a
;
í rosa, todo enfeitado de rendas e fitas.
A’ mesa ella deixou cahir nelle

.
í i um pouco de sopa, e não tratou de
laval-o.
s No dia seguinte o vestido estava
todo roido pelos ratos.

.
il
HISTORIETAS 9

:
sabendo que elle tinha sido um mal­
fazejo.

I
I!

!l
|K
li!
Felizmente se emendou e nunca
:
mais judiou dos animaes. :
í
- |

/■:

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'1111

10 HISTORIETAS

0 SABIÁ

|||Í|rUSTINO caçou um lindo sa-


^§k biá, que estava cantando, mui-
SNRPi to alegre, numa laranjeira.
Caçou-o e pôl-o numa gaiola.
Logo que o passaro se viu preso,
começou a ficar muito triste e arre- -
piado. Era uma pena vêl-o assim!
Justino pensou: «E si me agarras­
sem e me prendessem longe da ma­
mãe e do papae?! E’ uma cruel­
dade prender os passarinhos! Vou já
soltal-o.»
E, si bem o disse, melhor o fez.
0 prisioneiro, nem bem recuperou
a liberdade, voou pelo campo e foi
pousar numa- paineira, cantando ale­
gremente.

.
HISTORIETAS 15

Agora, quando avista o rabecão,


foge delle, com terror.

:
'

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\ m
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;

—— 4-X-* .

*
lí.
*
16 HISTORIETAS

.*{

6
í: OS POMBINHOS
r
!

i
|i&j|OIS alegres pombinhos anda­
vam viajando. Eram duas
<•
$ o aves formosas, as mais for­
mosas do pombal onde nasceram.
r
Ao atravessarem uma montanha,
cahiu sobre elles um feroz gavião,

que queria devoral-os.


;
As avezitas, cheias de pavor, re­
.
dobram o voo e conseguem penetrar
í num buraco, que, por felicidade, en­
contram no tronco duma arvore.
s
fjl
0 gavião, que vinha furioso sobre
os pombinhcfs, não viu a arvore e
í
í bateu em cheio contra o tronco, ca-
i hindo morto no chão.
'!
Pobre gavião!

■l
I

HISTOF TETAS 13

A menina chorou muito, e teve


que andar de vestido remendado.

j
t;

14 HISTORIETAS

fi
!
0 MACACO E 0 RABECÃO
i:
A

m
t
j'

M macaco mui travesso, quiz


'
M um clia fazer de musico. Pega
^ no rabecão do seu senhor, que
era maestro, e começa a tocar umas
I
'
j!
musicas que só elle podia ouvir.
De repente uma das cordas do ins­
trumento se parte e bate-lhe na cara,
S:•! com violência. Elle faz uma careta
!'■

u: muito feia, dá um salto e sai cor­


rendo e gritando, sem parar.
I! 0 dono do macaco tinha obser­
í vado tudo, occulto atraz duma porta
i1
e ria-se a f erder.
:■
Desde esse dia o nosso macaco
*• nunca mais quiz saber de metter-se
|!
i
naquillo que não era da sua conta.
HISTORIETAS 17

Mais felizes do que elle foram os


innocent.es pombinhos, que só passa­
ram por um grande susto.
>

.

l'fa ,m.
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v
IR HISTORIETAS
V
t

0 ENTERRO
a
i 4
i
ragUCTOR era ainda muito novo,
5lWÍf> mas já andava na escola.
flilpíP Um dia, logo ao sahir da
i
aula, viu passar um enterro. Notou
t que todos os homens, que iam acom­
panhando o morto, traziam os seus
1 chapéos nas mãos.
5
f
Quando Victor chegou a sua casa,
i
pediu á mamãe que lhe explicasse qual
a razão por que os homens, que acom­
panham um morto, vão de cabeça des­

i coberta.
Então sua mãe lhe disse que fa­
h
zem isso em signal de respeito, que
:
os vivos devem tributar aos mortos.
Desde essa vez, quando Victor via
'
S
passar um enterro, inclinava-se e tirava
lií seu chapéozinho, mui respeitosamente.
!
HISTORIETAS 19
I

f?
20 historietas
I-
R

5
j.
OS PASSARINHOS :
-
I í
! ■

f'
JR&IL-OS alegres, em bando >
r
nervosos, leves voando
pelas campinas além.
São elles meigos cantores,
que primeiro erguem louvores
:,m• : á luz do sol que já vem.
V
: Como creanças inquietas
r,
—aves do lar predilectas,

:
passando a vida a folgar—
eil-os em franca alegria,
desde os albores do dia,
de ramo em ramo a saltar.
Têm tanto amor aos filhinhos,
!
que roubar-lh’os, coitadinhos,
; é matal-os de afflicção • • •
!
HISTORIETAS 21

Oh! deixai-os sempre em paz;


Quem o contrario lhes faz,
é um ser sem coração.
Deixai-os, livres, contentes,
andar nos campos virentes,
pousando sobre as corollas.
São entes mui delicados;
vivem alegres nos prados,
morrem de dor, nas gaiolas.

:
s !
I

22 HISTORIETAS
í-
i •

! '
:
A FIEIRA
.r»
V:
■m
^g^RISTIDES ganhou um pião
Pgl|| e Miguel, outro.
3 Faltavam-lhes as fieiras.
l
í Sua mãe deu-lhes uma, muito bo­
i
nita e comprida, para ser dividida
r entre os dois.

í
Era só cortar o cordel ao meio, e
cada um delles ficaria com a sua fieira.
13 Si haviam de fazer isso, não; cada
ii
lii qual queria a fieira toda para si.
iH Começa a luta: puxa daqui, puxa
: dalli, de repente o cordel se parte e...
bumba! lá se vão os dois meninos

:
de costas ao chão.
! A mãe ficou tão zangada, por causa
da briga, que lhes tomou as fieiras'
y
HISTORIETAS 23

Nem um, nem outro, poude nesse


dia, brincar com o seu pião.
1
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1
l\
íl 24 HISTORIETAS
li
f.i

.
0 CÀVALLO e o burro
l!
.
.
ar*"|iERTO cavallo, todo dado a
! espirituoso, querendo zombar
È
** dum burro, disse-lhe:
— Ó compadre, para que queres
umas orelhas tão grandes, tão com­
: pridas ?
f
— Para com ellas poder tapar bem
os ouvidos, e assim não ouvir as to­
lices dos bobos, respondeu-lhe o burro.
O cavallo, envergonhado com a
>
;• resposta, metten a viola no sacco, e
foi-se embora, muito depressa.
.

f
.
HISTORIETAS 25

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1
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\

•, í 26 HISTORIETAS

[y.
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/
0 GATO e o tico-tico
»! ' M0

|í|íM lindo tico-tico vivia, muito


i
m % alegre, num jardim. Elle es-
I

tava construindo o seu ninho


sobre uma roseira. Esta arvore pendia
para um tanque algum tanto fundo.
M
Achava-se elle muito contente, em­
. bebido no seu trabalho.
Um gato, que de longe o espreitava,
S
:
foi se chegando, mui de mansinho, mui
r
de mansinho. De repente... zás! deu
um pulo para agarral-o. Errou, porém >
I o bóte e cahiu no tanque.
0 passarinho, cheio de pavor, fu­
giu para longe, bem longe.
0 gato miava, miava, sem poder
sahir do tanque. 0 pobre animal já
estava quasi a afogar-se.
i
\

HTSTORrETAS 27

Appareceu, porém, o bom do jar­


dineiro, que o salvou duma morte
certa.

!
i.

i
MI
>;

tj
í
28 HISTORIETAS

!
:
A MÃEZINHA
t
I:

m
'-ÍLí/
t [*UIZINHA é filha unica de
BWm, paes muito ricos. Ella, porém,
não se orgulha por isso.
Um domingo, depois da missa, sua
!

' mãe a levou ao «Asylo de Orphams».


I Ahi ella viu um bando de creanças—
coitadinhas, que não tinham pae, nem
mãe!
Teve muita pena dos pequeninos.
Agora não se passa um domingo
em que ella não vá, em companhia de
! sua mãe, visital-os e distribuir-lhes do­
ces, brinquedos, etc.
I
As pobres creanças, logo que a avis­
! tam, correm alegres e risonhas ao seu
i encontro, gritando: «Lá vem a mãezinha,
lá vem a querida mãezinha!
nt)
• HISTORIETAS ••

A boa menina abraça-as toclas,


uma por uma, e brinca no meio dei-

las, sentindo-se feliz, por dar tanto


prazer áquellas pobrezinhas.
!

I
30 HISTORIETAS
!!
t
I f

:
j •
língua de palio e ieio
w1

i lliyf Josepha era conhecida na es-


cola por—Lingua de Palmo
Wãm e Meio.
r
I.
E querem saber porque?
Porque nada havia que Josepha
visse ou ouvisse, que já não fosse le­
si
f var a noticia á professora.
i A todo o momento era só: «Minha
s! mestra, Carolina não se penteou hoje;
Arminda não fez o desenho; Catharina
está roendo as unhas;» e outras coi­
i ’
sas mais, que só serviam para incom-
modar a professora.
Por mais que a mestra a repre-
hendesse e até a castigasse, pelo seu
mau habito, a menina não se ciorri-
I

i! !
t
J
i
h- il
HISTORIETAS 31

gia. Não havia o que fizesse Jose-


pha perder o feio costume. Por isso

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[P^'íS ».

rjiHpa j&a ■

lhe chamavam — Lingua de Palmo


e Meio.
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;I 32 HISTORIETAS
'; í
;•
•:
í
m meninos estavam maltra-

m
i
f
ií j tando um pobre sapo.
Chiquinho approximou-se
delles e disse-lhes:
— Não façam isso; deixem o in-
b nocente animalzinho, que não faz mal
a ninguém
f.
— Ora, não seja bobo, tornou-lhe
um dos meninos.
t
—Não seja tolo, disse-lhe outro
menino.
; — Bobos são vocês... Si soubes­
1 sem a utilidade que têm esses ani-
maes, estou certo, não os maltratariam.
j — Para que servem elles? pergun­

tou-lhe o mais joven dos rapazes.


b
—Servem para destruir os bichi­
i nhos que estragam as plantações, res-
ÔISTORIETAS 33

pondeu Chiquinho; são animaes muito


úteis. E, mesmo que não o fossem, é
muito mal feito iiidiar dos animaes;
portanto vocês de^em deixal-o.

Üs meninos ouviram o conselho de


Chiquinho, e deixaram o sapo socegado.
i
I

34 HISTORIETAS

u
l
!
í

t •' radiante, ■
;!
Ü
1 um disco doirado,
: de luz scintillante.


Mil raios fulguram
:
no prado virente;
as aves murmuram
i um canto innocente.
í- Saúdam a aurora,
Ui
;; risonha a hrilhar,
Iíí e vão, sem demora,
nos campos' voar.
: ;
: 0 orvalho nas flores
gentis e cheirosas,
li! desata em fulgores,
w as folhas mimosas.
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I)t'1
H
I
HISTORIETAS 35
•%
Oh! quanta belleza!
que doce harmonia!
Oh! quanta grandeza,
aos raios do dia!

.
I

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36 HISTORIETAS

i
r
1:
: 0 DIA DE FINADOS

U 1' i
JgcABEIS o que vem a ser dia

B E’ um grande dia consa­


: .
grado aos mortos; é um dia de máxi­
r mo respeito.
I Nesse dia os sinos dobram tris- •
.
! !. temente. Parece que choram de sau­
;
\l

dades dos que morreram.
W Então nos lembramos, saudosos,
dos nossos parentes e amigos que já
não existem; honramos as suas cinzas,
indo depositar sobre os seus tumulos >
i
um punhado de flores, em signal de
;
respeito e de amor.

i ii-l

á
HISTORIETAS 37

i
%

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• V
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38 HISTORIETAS

■■

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i?! í *
$ A vem o sol apparecendo por
2
sobre o monte. Parece uma
: * bola de oiro pendurada no
E céo. As nuvens, que lhe ficam ao re­
ÍB
U:
dor, assemelham-se a rendas doiradas.
í ■
t Pelo campo as florinhas abrem as
Hi
sS
corollas perfumosas, para receberem
íf os seus quentes raios. As gottas de
orvalho, que as cobrem, brilham como
outras tantas pedrinhas preciosas.
Is Que belleza!
i'
A passarada sai pela campina fora,
n entoando hymnos festivos ao astro que
aquece os ninhos, onde se acham os
i seus filhotes.
Todos os animaes saúdam conten­
■i •'
tes o sol bemfazejo, que começa o seu
i;i
I
HISTOKHtTAS 39

passeio diurno lá no alto, no campo


azulado do céo. ■
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■ -■•

f
Saudemol-o também, levantando-
nos cedo, para contemplarmos o seu
nascimento.

!
i .

!:
40 HISTORIETAS
:•

0 INCORRIGÍVEL
ii
í
iisv
:■»
gSÍÍyEBASl IAO foi expulso da
:■

||j||l escola, e bem o mereceu, pois


E pí era um menino incorrigível.
fíI Nas outras escolas não foi acceito,
:
I porque os professores já sabiam quem
era Sebastião.
i Encontrei-o hoje, todo sujo, a puxar
:
o queixo dum burro.
\lii Coitado! Nada sabia e por isso não
ponde conseguir um emprego melhor.
Disse-me que estava muito arre­
i pendido de não ter sido um menino
obediente; que, si tivesse ouvido os
I bons conselhos do seu mestre, pode­
í?

ría estar agora empregado num ser­


viço mais suave e mais limpo.
.
;!]
HISTORIETAS 41

Fiquei com pena delle e offereci-


me para ensinar-lhe alguma coisa.
r; ■; 'r"m S
■ -

i
:
»
:


5
:

:
!
í
V
'x.-i-T •' x!
X --
S.-

■N.
.
,X‘
r.j

Elle acceitou, muito alegre, o meu


offerecimento; por isso vou, amanhã,
dar-lhe a primeira lição.
i !
ri, r.

42 HISTORIETAS

OS DIAS FERIADOS
i :
[;
«El
semana passada houve tres
HBp.) dias seguidos feriados, na es-
cola onde Antonico aprendia.
Que fez elle durante esses dias?
Não passou o tempo todo a brin­
!
r car, não. Preparou primeiramente as
Vi lições novas; depois recordou tudo
! : quanto já tinha aprendido.
i. No primeiro dia de aula, depois das
,
ferias, compareceram todos os alumnos.
O professor, então, lhes falou as­
':
.
i
sim: «Vocês tiveram tempo de sóbra
para estudar, durante a semana que
i
I'
passou. Vou, hoje, portanto, fazer uma
.1 !'
f!: especie de sabbatina das lições expli­
i cadas. Darei um prêmio áquelle que
;
: i
mostrar mais applicação.»
f

li
i
t
-

HISTORIETAS 43

Todos os meninos ficaram assus­


tados e fizeram papel triste. K

,
i

.1

'!

■i

0 nosso Antonico, porém, sahiu-se


.
muito bem. Foi abraçado pelo profes­
sor e ganhou um rico estojo escolar.


i
i
\
>
44 HTSTORTF.TAS

«
'r
!
0 MORCEGO

4> BBpftRA ao escurecer.


i
JEjk Um grande morcego en-

trou pela janella a dentro, e


*• começou a esvoaçar pelo teclo da sala,
onde se achavam tres meninos: Augus­
I to, Fernando e o pequenino Alberto
ii
—o Albertinho, como lhe chamavam.
:■

iííf II
Albertinho, logo que viu o morcego,
ficou muito alegre e poz-se a gritar:
.'J
í! «Mamãe, ó mamãe, venha pegar aquelle
'< passalinho pala mim!»
1
Augusto, ao ouvir isto, começou a
!
zombar do irmãozinho e a chamar-lhe
i! bobo.
í: Fernando não gostou do procedi­
mento de Augusto, e reprehendeu-o
i |i
assim: «Bobos são aquelles que, em
ft
HISTORIETAS 45

vez de ensinarem aos ignoranl.es, zom­


bam delles.» i

i
!
1

E ensinou ao Albertinho que aquelle


animal era um morcego; que voava,
mas não era ave, etc.; emfim lhe disse
tudo quanto sabia a respeito do mor­
cego.
Ay
\
i !
í-
\ a
\

46 HISTORIETAS

 CHUVA
i
A
■í
1-
;r.
IpAURO veiu, hontem, da es-
: cola, muito zangado, por causa
V
da chuva que lhe tinha mo­
ii lhado os livros.
Logo que chegou a casa disse a
*
sua mãe:
11- —Mamãe, não seria melhor que
• nunca chovesse? A chuva é uma coisa
r , tão ruim!. • •
u*; —Não digas isto, filho. É a chuva
Ri'
: Ri que faz as plantas hrotarem e produ­
zirem alimentos para nós e para todos
1 :
i;
os animaes. Si não fosse ella, as plan­

tações morreriam e os animaes tam­
bém succumbiriam á fome. E nós?
Nós, da mesma fórma, morreriamos,

porque não teriamos o que comer.

i$ •/
T
;
!
»• HISTORIETAS 47

:
Mauro prestou muita attenção ás
palavras de sua mãe. Dahi em diante,
mmgmsi
«-

I ' ■wa

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k. • 'i*' 'I- :|
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: • '% ■ ■

■ . m 1 *
: ' i-cí' S'", -

quando chovia, elle gritava: «Viva a I1 !


8
chuva! Viva a chuva!»
1 ;|
í:

1

í
J
\ í ■,

48 HISTORIETAS

f
; 0 BULIÇOSO
fii
Lf NHO tinha o mau cos-
de bulir em tudo o que
f:
r:
4 Sua mãe sempre o reprehendia, mas
í|
: ; qual! o Pedrinho não se emendava.
í': t Na cozinha estava armada uma
\í ratoeira, dessas de dentes. Pedrinho
í! cai na tolice de ir bulir no pedaço
i de toucinho, que nella se achava, como
fc isca, para caçar um rato.
:
•t.
Foi só o menino encostar o dedo
no toucinho e a ratoeira fechar-se ra-
Í
qjidamente.
v Ha sala de jantar sua mãe ouviu
ii-
I !:• ' o ruido e correu, dizendo: «Arre! que
«í agora segurei o bicho; vamos vêr esse
Ii :i ratão! • • .»
I
jíif1
ii
i
!

f
HISTORIETAS 49

0 ratão era Pedrinho, que gritava


como um doido. .

!
i
!í:
'

■ Quasi que ficou sem um dedo, mas


também nunca mais quiz ser buliçoso. !
|

;;
\
*
i
l
\
50 HISTORIETAS I

f
AS ANDORINHAS
I
!:

■ ||j|LEMPRE alegres, prasenteiras,


i: T| essas meigas mensageiras
da manhã que vem nascendo,
í
'
vão em bando pelos.ares,
í
; ;
sem temores, nem pezares,
por toda a parte correndo.
íE:
Umas vão com seus biquinhos
I j*
arrebatando os bichinhos
M
da flor da terra—o seu pão.
1 tf; E depois mui joviaes
vêm pousar sobre os beiraes,
onde os filhinhos estão.
i
f
Quando os rigores do Inverno
I ti,
lhes transformam num inferno
a vida curta e feliz.
Ii|;
1
.
1

$ HISTORIETAS 51
í

eil-as já todas, em bando, I


»'
*• ontras plagas procurando, ;
procurando outro paiz. • i
Assim é que as andorinhas .

—as formosas avezinhas


da risonha Primavera,
passam na terra de leve,
sua existência tão hreve
como um sonho, uma chimera.

!
•»!

52 HISTORIETAS

Tl
 AMBIÇÃO
ü JE menino ambicioso era o
W. Arthur! Queria tudo para si
i\
í e nunca ficava satisfeito!
Um domingo seu tio lhe deu li­
': •
mt;=
cença para apanhar algumas ameixas
i8!
no quintal.
r- Que faz Arthur?
lí ii Arranja um sacco, sóbe á amei-
- xeira, enche de ameixas, primeiro to­
I dos os bolsos, e depois começa a en­
\: cher o sacco. Este já estava cheio até
I.
á bocca, mas o ambicioso menino aper­
: •:
tava as ameixas, para vêr si cabiam
i mais.
Tanto fez que o sacco se furou e
e lá se foram todas as ameixas ao
14 chão, e rolaram por um rego de aguas
snjas, que por alli passava.
I
m i
!
>
-
HISTORIETAS 53 -

i
Arthur não poude aproveitar as a

frutas, que cahiram, perdendo assim i

.1
!
I

í
' í

i
í
:

i
i

j
;
:

.
:

>
i

I
todo o seu trabalho, e tudo isso por
causa da sua louca ambição.
I
ii'

ti
TI
;!
<

54 HISTORIETAS

r
i
>
0 LADRÃO
i !;
;i

ti-
,•

1 ■ :.'S:

|M ladrão entrou numa casa


para roubar.
Estava já arrombando a
gaveta duma commoda, quando per­
111 cebeu alguns passos.
m Era o dono da casa, que se appro-
ximava.
:lí :
O ladrão sai correndo, entra pela
ÍJfS cozinha e dahi salta por uma janella.
li Ora, em baixo da janella havia
um poço mui fundo, e nessa occasião
estava destampado.
li;
ít 0 ladrão cai lá dentro, com grande
ruido.
Mais tarde compareceu a policia
Üi
lí! e ordenou que o ladrão fosse retirado
h do poço.

j'
HISTORIETAS 55
*

Retiraram-n-o, porém já sem vida,


em virtude da quéda que levou.
:

í'.

: *'

■;

.
I
i
;
H
'K ’•

I
'
I
- Como acabou tristemente sea, mas
esse infeliz homem, e tudo p !:

da preguiça de trabalhar I :
■; 1

=
i
/
i
::R ;
I .í ■í
!:
í'
I 56 HISTORIETAS

,
r
NEGLIGENCIA
íi
i?»
WS
ISIUNCA devemos deixar para
araanhã o que pudermos fa-
(P: zer hoje.
ui

: ii' Narcizo não pensava assim, e por


isso passou por um grande desgosto.
Is Elle tinha um hellissimo cão.
I Um dia o animal ficou muito
I doente.
tl<
ij
Um amigo de Narcizo, sabendo o
quanto elle adorava o seu «Pharol» j

deu-lhe um remedio para cural-o.


íííi: Narcizo tinha muito tempo para
tratar do animal, mas todos os dias
II'
r“ruído. «Fica para amanhã; amanhã
m
■i
:
Marei do meu «Pharol».
e ordencim o tempo foi se passando,
j! jííf do poço. n bello dia. em que o me-
iü« \V
l
\
HISTORIETAS 57

nino resolveu curar o cão, foi encon- ■

tral-o morto, lá no fundo do quintaL

t
j
! ll!!
-1

t

i
Narcizo chorou muito, e muito se
arrependeu da sua negligencia, mas !

!
já tarde.


íi

ui
' I*>1

58 HISTORIETAS

f;
%
FORÇA DE VONTADE
i:
EI de ficar com boa letra, hei
fím- de escrever bem,» dizia Raul,
}■ i copiando, já pela quinta vez,
I uma mesma escripta.
r Raul ia muito bem na escola em
m
!: i todas as matérias, mas não podia
mna
i
fazer progresso em calligraphia. Por
m isso, todos os dias, quando voltava
! ?• da aula, escrevia seis, oito, dez e mais

f vezes a mesma coisa. Tanto escreveu,
que, a final, conseguiu ficar com boa
!l letra.
m Um bello dia o nosso Raul apre­
•! sentou ao professor uma escripta, como
ainda não tinha apparecido melhor na
! !p
escola.
0 professor, que já sabia do es­
I forço que Raul empregava para escre-

1
■li

HISTORIETAS 59 j :
!
? ■

ver bem, deu-lhe um bonito prêmio,


dizendo-lhe: «Bravo, Raul! A força de
.

i
:

!
!
i
!!

. 3
i
í
íS
■]

vontade é uma grande coisa; por meio


delia póde-se conseguir muito. Bravo!» i

iS
i
vr
! Kil
::
60 HISTORIETAS
:i

0 CUMPRIMENTO DA PALAVRA
J
f
I• Ite^AULO possnia um lindo ca-
\V-\
-Hi |UBÉ sal de coelhos.
7 Seu primo Annibal dese­
í java muito obter esses coelhos, e offe-
I! íií
j: g|! receu por elles dois mil réis.
í;:i' Entraram os meninos em negocio,
e Annibal disse i
l!
d?
•' —Bem, Paulo; guarda-me os coe­
i ••. lhos, que no fim do mez virei bus-
; pi cal-os. Até lá não m’os vendas a outra .
It .
! fí
pessoa.
—Não ha duvida; fica tranquillo,
>;
; 1

Annibal.
A
PT No dia seguinte appareceu Julio,
>
que veiu offerecer tres mil réis pelos
,!!T
li coelhos.
m «Sinto muito não te poder ven-
del-os, Julio, porque já dei minha
m b
i

i
r
HISTORIETAS 61

palavra a Annibal, e quero cumpril-a,»


disse Paulo.
Julio insistiu para vêr si levava i
-
;

\
i

I i.
;
os coelhos; offereceu por elles até
cinco mil réis, mas nada conseguiu, -
II .
porque Paulo preferiu deixar de ga­
nhar mais, a faltar com sua palavra. ■;

íi
i
H ■

I,
'
h j ■
62 HISTORIETAS

! MÁ COMPANHIA

III
M
■ pRA João zinho um
dÜÉ menino.
excellente
jj

Não sei por que razão um


t!
!
menino tão hom gostava de andar com o
: Julio—um peralta bastante malcriado!
Certo dia Julio brigou na rua e
li feriu a cabeça dum companheiro. Foi
$
preso.
$
íí! Joãozinho, que infelizmente vinha
em sua companhia, também foi agar­
I rado pelos soldados e conduzido á
Ir
policia. De nada lhe valeu chorar
i
muito e dizer que estava innocente,
íi *ii
que nada tinha feito de mal.

i[i
i Desde essa vez Joãozinho nunca
mais quiz saber de andar em compa­
nhia de Julio. Fugia não só deste, como
I :
dos meninos maus como o Julio.

i \\
i-
I
i '
:

I ;

1
. >
'
í w. ill

I
;■ J

i,

I
i
n.
64 HISTORIETAS

.. j
I
■ lARI0, um §'ran(^e falador,
i
m§ comprazia-se em zombar dos
seus collegas pobres.
;
;!í Havia na sua escola um menino
!I!Í
: ;
! muito pobre, que, no inverno, não po­
! dendo comprar um sobretudo, vestiu
Aí o casaco do pae.
SI 0 casaco tinha sido concertado por
f5r
!.T; 4
:; sua mãe, mas ficou algum tanio com­
! prido.
> ; Estavam os meninos reunidos no
li recreio, quando Mario se chega ao pé
• :: do seu collega pobre e, zombando, lhe
gr*
!| i diz:
: —Quando chegará o dia em que
t te resolverás a cortar o rabo dessa
casaca, José?

1
j

V
HISTORIETAS 65

—No dia em que te resolveres a


*
cortar a ponta da tua lingua, tão i
comprida quão faladora.

I
.
i
'i
s!
;
j
ÍV

II • ■

tf
&

i

!

Os outros meninos riram-se muito


j;

de Mario, que ficou desapontadissimo f


com a resposta de José. a-

t »iv!
k
fíÜ
••
.1
\

! 66 HISTORIETAS

I Ir

0 TUIM E 0 GATO
y '
f;
,lí:!
.1'
verde tuim
h
gJS contente vivia
3 r em uma gaiola,
!h :
i !•
que do alto pendia.
;
*Um gato querendo,
Ji por força, o pegar,
um dia o convida
I:
1 í 11:
- l í p’ra irem brincar.

. i; h «Mil graças, compadre, »


-
■-
I:. i
Í
lhe diz o tuim;
«já sei o que queres, • • #
1 ;■'!
-
)1 í i conheço o teu fim.

m
i Por isso daqui
:
não hei de descer.
v tííj Caminha, que ainda
í
:::
| í| t j não me has de comer.»
■N
§ í;
vil ; ■I
I >
V

HISTORIETAS 67

0 gato se foi,
p’ra longe a miar; ■

l
i
o verde tuim
se poz a cantar.
i

*
i
N
i: i
B
;
i'\

Ii
ti• •
I

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I I
V
I :
1 ; i
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\
\
j * 68 HISTORIETAS

;
i
■ ! ■

I
Ü
0 D0RM1NH0C0
; II

. ' j|g|EM bem escurecia já estava


!.í :
f, : ÊgKíãj Octaviano mettido na cama,
I
1
roncando a bom roncar.
(1 Dormia o que dava a noite, e, no

-
i dia seguinte, era preciso sua mãe ir
tiral-o á força do leito, sem o que o
mI
menino era bem capaz de dormir o
É|!
mk
dia inteiro.
Os raios brilhantes do sol penetra­
i
vam pelas frestas da janella, illumi-
;i
nando o seu aposento, mas qual! Octa­
íi
viano acordava-se, voltava-se para outro
ii lado e... tornava a roncar.
Síí «Olha, meu filho,» disse-lhe sua mãe
uma noite, «amanhã, bem cedo, vamos
m passear no sitio do vovô; si não te acor­
i ll; ti!. dares, ficarás em casa com os criados;
3 Mi eu não irei te despertar.»
1 I; r
!■
'
HISTORIETAS 69
-

Octaviano gostava immensamente


de passear no sitio, por isso fez pro-
posito firme de se levantar cedo. Como

r
I

I! !

s
!
SI!
B!

porém já estivesse habituado a dormir .!


de mais, no dia seguinte perdeu o :
passeio. :
?

í
l
V i
.
i i i ,
!: i'
\
‘ !'
:• i 70 HISTORIETAS

'i
'
í i
! \ 0 CÉGO
Ü
ií;
Htll
I MF OJE Lulú foi muito cedo para
ir a escola. Pouco antes de ter
chegado a uma esquina da<

1r rua em que móra, encontrou-se com


si
m :
i

um pohre cégo. Este lhe pediu uma


esmolinha, pelo amor de Deus.
itt" 0 nosso hom menino teve muita
!
pena do mendigo. Quiz dar-lhe uma
• V í ii: esmola, mas como? Não trazia comsigo
Ék
ISf.:
nem um vintém! Sentiu tanta afflicção
que esteve a ponto de chorar. Quasi
Mi'

.
i(
ao mesmo tempo, porém, sorriu cheio
í ! de alegria. É que teve uma feliz idéa
i
tM

s i i
' e executou-a immediatamente. Abriu a
sua bolsinha de couro, tirou de dentro
delia o lanche e deu-o ao pobre. Este
4. II
« agradeceu muito a Lulú e foi-se con-
,
ll!i!
TT
1 i- •i
r?

HISTORIETAS 71

tente, comendo o qne o menino lhe ha­


via dado. Coitado! Tinha tanta fome!... í: f
A mãe de Lulú estava á janella
e observou tudo. Por isso, auando o 5
-
i •;

5
l
ii
.
1 l
3
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iiUI
B
íSf
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:í ;

; 4
i J1
1
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1
í
i
- ■ I

i;íi «.
menino voltou da escola, ella o abra­ Ii:
çou e o beijou, feliz por ter um filhi- V.
nho tão bom e caridoso, i
f >■

Sili 5
I !.
■ I I M||,
! '
! !;:
IV 72 HISTORIETAS
i-.*Í
:í.

0 TRABALHO
»
í r ti lTÍlTffM homem morreu, deixando a
im cada nm de seus filhos—
> !.
Joaquim e José, um rico 'po­
s
1 mar carregado de frutos.
Ü
: Joaquim, o mais velho, colheu to­
19 m
11 íi. dos os frutos e vendeu-os mnito bem
I i vendidos. Emquanto teve dinheiro, não
l';"
y.ti
se lembrou do pomar que recebera.
?i
r.
José também fez a sua colheita.
. i
f: Vendeu os frutos, mas nunca deixou
5 r ?. ; I-. í
de tratar do seu pomar. Limpava-o
■j
* sempre, e sempre adubava a terra.
t
■ j ;. Chegou o tempo de nova colheita.
\ • No pomar abandonado não havia quasi
1 ji' frutos. No outro as arvores estavam
*•* ü
’• ! vergando ao peso delles.
/,
i Joaquim ficou muito triste, e só
Kl Ji
jl então comprehendeu o quanto vale o
Ti
•:/
I
à r

M
>

HISTORIETAS 73 i

trabalho. Começou a trabalhar como ■

seu irmão mais moço. No anno se­


guinte obteve uma abundante colheita. I
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P ; •: ipM : i

.•fwmmm ,~í
M
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I! ■
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ü II:
II# I *

u
í

:
\ •■•■ :. • . M f, ; | L
i
llí
i
Satisfeitíssimo, nunca mais abando­ Eli
nou o pomar. Tratava-o com carinho ii
! 1
I L-í•: !j
e todos os annos colhia muita fruta. U
•V
ü ;■
l;
f! il
i;
1 : ti

IIs ; >
íí
I

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fi

I I
74 HISTORIETAS

0 CÃO RECONHECIDO
is
i
!
M!;•
j,jí

'!
is B
[M caçador ia indo por uma
estrada. De repente avista um
Hj cão JU

terrci-nova, que vinha


perseguido por uma onça.
\\ jj I: ímmediatamente o caçador sóbe á
J ► i

1k í ÉS'
primeira arvore que encontra á beira
do caminho.
A onça já estava péga-não-péga o
1 ;í f: pobre cão. 0 homem aponta a espin­

flííf
:t;
!■ t 'í

garda e desfecha um tiro certeiro na


!.
lí til
• í
f féra, que cai morta.
K\ Nesse momento, porém, o caçador
I i escorrega e cai da arvore sobre as
aguas profundas dum rio que por ali
•y 1

passava. Ia morrer afogado, porque

É não sabia nadar, quando o terra-nova


se atira á agua e dahi o retira, não

I sem grande esforço.


|*

1
f
V 1
HISTORIETAS 75

0 cão mostrou assim o seu reco­


nhecimento, e nunca mais quiz sepa- :
j
I

i;' :
■ I;
!
ii j
I s
. •;
i
j V

!
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•i
;
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.
I .I
u
!
íi i
II i ■

:
• { \\
:\

rar-se do seu salvador. Este tambero 'ú


■ I5
o tinha como um excellente amigo. 8 ««

; It
! ; !
s !
i
:
llr
i! ,«•
hi Mi1

i í
!
76 HISTORIETAS

í I.' i :

f
; A INGRATIDÃO
' l:
-j
m
J
Ml
fi

es
Ü BTÁ era noite. Um homem che-
SfiSf
ÍÜ Íj|p gou a uma casa, á beira duma
I ! S! estrada, e pediu ao dono uma
Ml!
üsi
m pousada e alguma coisa para comer.
Dizia elle que estava muito fatigado
e que tinha muita fome.

. O dono da casa deu-lhe, com todo


*
ti :;i" fji o gosto, a melhor cama e a melhor
I ü;
*
■ comida que tinha.
? Alia noite o homem levanta-se e,
i li
pé por pé, vai ao aposento do outro,
- iííí; rouba-lhe todo o dinheiro que acha
A j ir
i !|li num cofre, e depois fóge.
» i:!
,■
f Si

U ingrato pagou assim todo o be­
l neficio que havia recebido. Dahi a
.!
!• 1!* algum tempo, porém, foi preso e en-
1 lí
«i5
;

i. « t
T
HISTORIETAS 77 •I

carcerado numa cadeia, onde morreu :


i
depois de muito ter soffrido. I

r
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V :
y<: .
y: mmm !i
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í
i:
78 HISTORIETAS

; ■

wi;
v;
PRIMEIRO AS OBRIGÃÇOES ■ ■ ■

:
B i li
RNESTO estava preparando
íÜ Ü !i:
ir; as suas lições, quando entra­
ram seus priminhos, com um
í
r

i
í :
bonito papagaio de papel, e convida-
9 ram-n-o para empinal-o.
íp
r Ta !

Ora, Ernesto gostava immensamente


í íl.r&:• daquelle divertimento, mas se lembrou
t
F
li de que, si fosse brincar, não 'daria
íii 5l!
X) li- conta do seu trabalho.
PI
L V* Que fez elle?
-J' Preparou primeiramente as lições
••
e depois foi ao quintal, prompto para
L

li
y
V,
brincar. Lá chegando porém, ficou
11 í 5; : muito desapontado e triste, porque os
f kf-
primos já se tinham retirado.
. í 3
?!
«Não faz mal,» disse Ernesto, «antes
■iji- ú:

V' deixar de brincar, do que ir para a
. 1
ii! escola sem saber as lições. Nunca hei
th *
m
I *J.
' «1 1
!
;
:
HISTORIETAS 79 ;
1
de dar este desgosto ao meu bom pro­
fessor. Primeiro as obrigações, depois i
! :■
os brinquedos.» !I
;
i
-
-

1 .
1
;!

i:
il ?
:

í!

i
;
:
í
'
iK
i

•i
l

i;l
i
j
•:
: S
I
;i

Disse, e voltou para junto dos seus


livros.
ií í

I H
:
11:
W
;
80 HISTORIETAS

ESPERTEZA DUM RATO


Hi
m i:s
,
f U. j||||ERTO ratão estava na pra-
Bm teleira duma despensa, muito
::: r w.r
socegado, a roer um bom pe­
;l!!' daço de queijo de Minas.
íí3 Dalli a pouco chega um gato e
:1 diz: «Olá! aqui cheira a carne de rato;
lí P
I
úh\
temos, hoje, bom petisco!» E começa
a farejar pelo chão.
iMi' 0 pobre rato tremia de medo. Quiz
ii"
■r

. fugir mas se lembrou de que para


D’, isso precisava descer, e então o gato
ti
t o pegaria pela certa.
?í Que faz o nosso ratão?
U!;
jfK Empurra, não sem esforço, uma
í. ■
caçarola que se achava sobre a pra­
teleira, e a vasilha cai ao chão, com
j grande estrondo.
Era isso mesmo o que elle queria.
l!
.*

íl
1: %
/

):,
HISTORIETAS 81

0 gato, assustado com o barulho,


fóge da dispensa, emquãnto o rato, ii

•I

•!

í!
:

)
! íH
!

;
I ií :

i':í!; !

i
• :
$
í

ií !
mais que depressa, desce e vai se es­
conder no seu ninho. í
*
i Que ratão?
■;
í
;i
; Ü
}

t 1 U
! i
J)
\

IMk - v

82 HISTORIETAS

m
i
i,,

i
ídi% 0 AMANHECER
f h'
!
[\.'

.
|jgj«OMPE a manhã no horizonte.
*.
fíi IHK Na curvatura do monte
p
-Mi1
Esí
•h resurge a esphera do dia.
! A terra inteira palpita,
tl) '
na terra tudo se agita
' ;í : • • í*'
I

de gozo, paz e alegria.


• •
; !
K
fjji
•1 A lyra agreste das aves
- tem vibrações tão suaves J

que mais parecem divinas.


íi Üd;
•!
■i

Nos galhos tremem as flores,.


donde recendem olores,
1. st embalsamando as campinas.
11 í
f:
•Mt?

íi
.
;
HISTORIETAS 83 .!
\\i
I jj r’-
Como se expande a Natura
: .1
5
em graças, dons e ternura, ;.
por toda a parte a brilhar! ;

Por toda a parte ella impéra 1


j
j
em toda a parte exubéra, •J
í
1
no céo, na terra e no mar!
»:
■ '!

,
\
i
I
!
I
L
-

*
i
i I
t-
II
; ‘j

íI
t r. 84 HISTORIETAS

liv-l A BÍCYCLETÂ
I
i

1
•j }!•!*;.

;íÚ'
;
i*;
■ LA cidade de S. Paulo morava
D. Amélia, que tinha um filho
chamado Juvenal. Este meni­
no já estava na escola, havia muito
■j :
.• ' tempo. Como, porém, era muito vadio,
íyj.Á . ;
I nada sabia.
:à I ;ií- A avó de Juvenal residia em Santos,
ítini. ' e estimava muito a seu netinho. Um
t é :i
íl:!' dia escreveu a D. Amélia, dizendo-lhe
que mandasse o menino lhe dirigir
s •p

■ jíi
uma cartinha. Disse mais que, si a
3 L .
Illiíil ' cartinha estivesse bem escripta, elle
I!"!; ganharia uma bicycleta.
ü Juvenal ficou muito triste e até
. tt-i chorou, por não poder ganhar a bicycle­
ta. Não sabia ainda escrever uma só
i 41 i
íIj
palavra!
i i 1 Desde ahi, porém, se tornou estudio­
I ;!!!•D-,
so. Em pouco tempo poude escrever uma
i H| ■

s U i
HISTORIETAS 85 ‘
r í:

carta a sua avózinha. Juvenal já não se


:
lembrava mais da bicycleta. Elle agora
estudava por dever e não por interesse.
i'
.
1
v

,;r7' s, .

r
.
i

!
•!i i
f

;
! u
ii n
*: í
;
•is l
!

Sua avó, porém, muito alegre com a i


carta, não se esqueceu do presente :i;
• r
i B
i

;
promettido. !l 1

I ;!
í
I i;
■i •r
\
1'
\
i
* 86 HISTORIETAS
- ■m i
i !I:
f r ■
A PACA E 0 CACHORRO DO MATTO
i í:!
.
1 paca e o cachorro do matto
lllll brigaram, tornando-se bastan­
te inimigos. E a paca teve ra­
li
li;
! • zão, porque o chachorro do matto lhe fez
’ muito mal, comendo-lhe um filhinho.
1 :i IP Certo dia o cachorro do matto cahiu
P numa armadilha feita de madeira. Por
;h : mais esforços que fizesse, não poude

|f ! fugir, e ficou muito triste, pensando na
dura sórte que o esperava.
I : A paca, que nessa occasião por alli
:
m passava, condoeu-se da sorte do seu ini­
migo. Approximou-se da armadilha, e,
i Ü
como sabe roer muito bem, em breve
1 Sii. • : roeu alguns paus da prisão, e soltou o
I cachorro do matto, que começou a agra­
i.
ip b decer-lhe o beneficio. «Não é necessário
iil
,
i ::: agradecer», diz-lhe a paca; «é dever de
!: "i
i
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,
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HISTORIETAS 87

todos nós fazer bem até aos proprios I


!'
inimigos.»
0 cachorro do matto pediu perdão í

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i

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lu
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pelo mal qne tinha causado á sua


: i
companheira. Esta perdoou-lhe, e desde
ahi os dois aminaes se tornaram ami­ !
gos outra vez. -

|
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; i !1' - ^ -■ •

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\h I • 88 HISTORIETAS

í 0 MENDIGO


r
Mi.i

I M velho mendigo, iodo esfar­


rapado, andava pedindo es-
■C
J I ©
2 molas pelas ruas.
i|; Um homem, ao passar junto delle,
i
I deixou cahir uma carteira. 0 men­
I digo ergueu-a e viu que nella havia
muito dinheiro. Chamou o homem e
• r': entregou-lhe o que tinha achado.
: v;: •
1 «Oh! velho honrado! Não imaginas
•i
o bem que me fizeste, entregando-me
este. dinheiro! Si eu o perdesse, talvez
1*1
Ui •V
fosse preso como ladrão. 0 meu desejo
agora era dar-te metade desta quan­
:i!p tia, mas não posso fazel-o, porque ella
U:|.
i :
?!: i me não pertence; offereco-te, porém, de
: Mi
II hoje em deante, a minha casa, onde vive­
ií ■ rás com minha familia, sem precisares
«pi . mais de andar pedindo esmolas.»
IS"!!
É|
l! I
'!
8
1
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HISTUKlHTAS 89 ;

0 pobre acceitou e agradeceu o


convite, passando o resto da vida mui
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V I.
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tranquillo, em companhia do seu bem- \

feitor, que nunca lhe deixou faltar r


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nada. 3Í
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90 HISTORIETAS
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: A CALUMNIA
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jjÉPpjl mentira é um vicio muito feio,
i |-
5jl|||B porém a calumnia é a men-
tira mais baixa, mais horri-
vel que se possa imaginar.
• T
A calumnia é própria sómente dos
Lí corações de pedra, isto é, daquelles
!■';

corações onde só ha sentimentos vis.


?• Godofredo era um menino mau, e
1
como não gostava do seu collega Ar­
mando, calumniou-o ao mestre, dizen­
. do-lhe que Armando tinha furtado um
|i relogio numa relojoaria.
u!
0 professor não quiz acreditar em
semelhante coisa; pelo contrario, até
reprehendeu severamente Godofredo.
I;
(.■([
Quando Armando soube do que
i!
tinha havido contra elle, ficou tão
!V sentido, tão desesperado, que quasi
1& ;iiíiií: enlouqueceu de dôr.
*
,41
I
Si
t:
■M A
V!
!

HISTORIETAS 91

m
Mais tarde todos os meninos da i
escola souberam que Godofredo fora _

um calumniador, e nenhum mais quiz


saber de falar com elle.
*
:

I i

I
: '!
ti i!
i
!
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1

Godofredo viu-se tão despresado ?


pelos collegas, que foi obrigado a re­
tirar-se da escola. í
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] .

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II
tirr- HISTORIETAS

'

: O SAPO E O RATO
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i SMí
• lt‘: — -•
J 1 r M rato tinha escondido uns
m
gEgjg» bichinhos debaixo dumas fo-
•! !
í E'
lhas seccas, para comel-os
t í; quando tivesse fome.
m Compadre sapo encontrou-os e pa-
•i!'!
> Ip pou-os todos, muito satisfeito.
il; Quando o rato veiu procurar o ali­
B mento guardado, zangou-se por não
m i
achal-o. Soube que foi o sapo quem
comeu os bichinhos e jurou vingar-se
U:
' delle. Convidou-o para um passeio.
;iíi;
í: Ao atravessarem uma ponte, sobre um
t'!,í
i rio, o rato dá um empurrão no sapo.

'1
", í ■
I Este cai na agua, más logo dalli sai
muito fresquinho, fazendo caçoada do
i:
!
v seu companheiro.
I
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HISTORIETAS 93 :i

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I
94 HISTORIETAS
p
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.
0 rato ficou bastante desapontado

I
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Julgava que o sapo não sabia nadar,
íi e o que elle queria era afogal-o.
\Í «i
0 sapo perdoou ao rato o mal que
í . este lhe quiz fazer. Dahi em deante
li ficaram muito amigos.
a
:i: 0 rato, por sua vez, envergonhado
pela generosidade do sapo, arrepen­
jlfi 1
deu-se muito da má acção que tinha
praticàdo. Prometteu nunca mais fazer
mal . aos outros.
;i
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HISTORIETAS 95

1:
if

A PREGUIÇA
-15
WÈÊt preguiça é um grande mal.
Vejamos o que aconteceu i

!
i a um menino preguiçoso.
Elle estava empregado numa li­ ;
i
vraria. Era elle quem abria e quem
fechava a casa, todos os dias, ! i
Uma noite sahiu da livraria, á hora
de costume. Já tinha dado alguns pas­ I
!
sos, quando se lembrou de que havia
deixado a chave na fechadura.
!
Si havia de voltar e tirar a chave, •

não quiz fazel-o, só de preguiça.


No dia seguinte o patrão veiu
5
muito cedo para a livraria, e dando !
com a chave na porta, ficou indig­ Íi
il
nado.
i

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TH » '■ ■ 1

H
i
96 HISTORIETAS

!
'
Quando o menino chegou, elle o
}
: : despediu, dizendo-lhe que não preci­

' sava de empregados que deixavam as
[ lojas abandonadas.
m,; I
O menino voltou para casa, muito
triste e, quando contou a sua mãe a
i
razão por que tinha sido despedido,
i..itj ella ainda o reprehendeu, dizendo que
o patrão tinha procedido muito bem.
i

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HISTORIETAS 97

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I OS HISTORIETAS
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A CREANCA 't

íi ■ ^S||REANÇA quorida,
S • S!
■■ xl§Pif risonha florinha,
do campo da vida ■

inquieta avezinha;
I •! aurora nascente,
no mundo a brilhar,
. p/*f. na quadra innocente
i
do rir e lolgar;
!

p escrinio sagrado
de graça e de amor }

perfume emanado
i i;‘
de candida flor,
/»•
:
u escuta; os teus hymnos
são cantos dos céos,
>!§i!
! fU!
que sóbem, divinos,
k
1
•%
lá junto de Deus.
si
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HISTORIETAS 99 .

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100 HISTORIETAS
í

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A GALLINHA INVEJOSA
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;•!
v.q
/IA gallinha muito invejosa
u
'■

assentou, um dia, de cantar


1 como gallo.
Ui Empertigou-se toda, ergueu altiva­
1 í
d mente a cabeça, bateu as azas, e co­
meçou um co-co-ro-cô, que ninguém
ar
!
podia ouvir, de tão desafinado e fa-
nhoso que era.
I;
à As outras gallinhas do terreiro
» olhavam desconfiadas para a sua com­
panheira, julgando que cila tivesse
i
%
endoidecido, e, assustadas, começaram

i a cacarejar, fazendo um barulho in­


;

tt. fernal.
E a gallinha continuava sempre o
seu co-co-ro-cô, cada vez mais espre­
II>
mido, cada vez mais desafinado.
1
HISTORIETAS 101 :

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'•-1 102 HISTORIETAS

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0 senhor do terreiro—um gallo
í
i
carijó, de esporas longas e afiadas,
$
achou que aquillo era um desaforo,
t e, chegando-se ao pé da gallinha, per­
;! guntou-lhe: «Minha senhora, faça-me o
'!■

favor de dizer uma coisa: Quem é


-..1
eü: que canta aqui? E gallo ou gallinha?»
rs E, antes que a impertinente tivesse
íí&
tempo de responder, levou um tremen­
;;s da esporada, que a pôz doente por
a tres dias.
w. Também nunca mais quiz cantar;

l cacarejava somente.
!

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;
•.
:
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I
II
HISTORIETAS 103

0 RELOGIO QUEBRADO

Jg|r travesso Juquinha entrou, hon-


tem, muito cedo, na escola. ji

c K8s
0 Apesar de se achar sózinho,
fez toda a sorte de diabruras. Andou
por cima das mesas, pintou caretas i f
i
nas lousas, etc., etc. Afinal tantas fez, !

que derrubou da parede um relogio,


deixando-o em cacos no chão.
Quando o professor chegou e deu
com o relogio todo despedaçado, ficou
muito aborrecido. Em seguida pergun­ k
tou pelo autor daquillo. I
:
Juquinha a principio quiz ficar
calado, mas achou indigno tal proce­ ■

i
!
dimento. Além disso, reflectindo no mal
«
í'
que ia causar aos seus collegas in-
nocentes, lévantou-se, resoluto, e disse: •i
!
5
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I
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:
104 HISTORIETAS
'

«Professor, fui eu quem quebrou o


: relogio. Não foi propositalmente, por
I

i isso queira desculpar-me.»


0 professor tomou-lhe: «Estás des­
culpado, porque acabas de mostrar
:: que és um menino de bons sentimen­
•í
tos. Falaste a verdade, embora contra
ti. Deixa, porém, de ser travesso, que
i •. ■
as travessuras não dão bom resul­
i
tado.»
I: Juquinha ouviu, com muita atten-
1
4 ção, o conselho do seu professor. Com­
portou-se, e desde esse dia tornou-se
•f
'! um menino modelo.

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Historietas 105

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- 106 HISTORIETAS
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j|j|j |M pobre bobo ia indo, muito
§ quieto, por uma rua. Uns mo-
:
’• leques começaram a atirar-lhe
íü pedras e a gritar: «Ó joão Bobo, ó
1 João Bobo!»
,!

:
Uma pedra já lhe havia ferido o
i!' nariz, e da ferida corria um fio de
sangue.
U infeliz começou então a chorar
I que causava dó.
;
Nisto passa um menino e diz aos
i
■?
moleques: «Não façam assim; não se­
jam maus!»
n
Os moleques avançam para o me­
.
nino, com o fim de o maltratarem,
iíí quando passa um homem e grita-lhes:
II « Alto lá! 0 primeiro que se atrever

:r
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HISTORIETAS 107

S
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-í 108 HISTORIETAS
1.
a pôr as mãos neste menino, tomará
i
uma grande sóva. E puxem, seus mal­
3fi
i
criados ! »
ÍM Os garotos deram de fugir, a toda
. carreira. 0 homem, voltando-se para
:!
o menino, disse-lhe: «Bravo! Muito'
hem, meu filho; praticaste uma bel-
lissima acção. Continua a proceder
li sempre assim. Desta fórma também
sempre acharás defensores dos teus
$! actos, e virás a ser um homem esti­
mado de todos.» E retirou-se.
O menino continuou o seu cami­
H nho, muito satisfeito pelo que aca­
bava de fazer.
í.
1 ;

I 4 4 TSV

!• 1

.
HISTORIETAS 109

c::;
HENRIQUE
\S r.
|pgENRIQUE, um menino que
contava apenas oito annos,
i 'BpÉ* estava na sala de visitas, pre­
parando a sua lição de leitura. De re­
pente ouviu palmas no corredor.
i
Immediaíamente fechou o livro e
foi ver quem hatia.
Era um homem que lhe perguntou:
—0 Sr. Fernando está em casa?
0 Sr. Fernando era o pae de Hen-
nque. ;
—Está, sim, senhor, respondeu Hen­
rique. Faça o favor de entrar; eu já
vou chamal-o.
:
0 homem entrou e Henrique, apre­ b
sentando-lhe uma cadeira, disse-lhe:- ■i
.
«0 senhor tenha a bondade de sen-

li
110 HISTORIETAS

í
:
tar-se e esperar ura pouco.» E correu
a chamar o pae.
Quando o pae de Henrique appa-
receu, ficou muito alegre e abraçou
o homem, que era um seu amigo a
quem já havia muitos annos que não
I
! via.
A primeira pergunta que a visita
fez ao Sr. Fernando, foi:
•! —Quem é este menino tão bem
! educado, que aqui me recebeu, Fer­
:
nando ?
.
—É meu: filho, respondeu o pae
1!
de Henrique, não cabendo em si de
I'
H
contente.
4
:■
ü homem tinha gostado immensa-
i
; mente da maneira delicada e atten-
ciosa por que Henrique o recebera.

tííSTORIKTAS 111

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112 HISTORIETAS

OS PECEGOS
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:! ÍwARíO Passava 11 ma vez junto


ifplP a um rauro> donde pendia um
vr" galho carregado de lindos pe-
cegos vermelhos, avelludados.
«Que vontade de comer algumas
destas frucías!» disse elle, parando e
•; olhando para a arvore.
.8 «E eu bem podia apanhal-as com
facilidade. Era só atirar umas pedras
:j
ao pecegueiro, que alguns pecegos
haviam de cahir. Mas não o farei,
porque isso é um roubo.»
s; E abalou, com agua na bocca.
l{
Quando chegou a casa, que havia
:■

de ver sobre a mesa de jantar? Uma


cegtinha com doze pecegos maduros,
f cheirosos.
l;

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historietas) 113

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!.
114 HISTORIETAS

Approximou-se da mesa e, com


surpresa, viu escripto numa pequena
i! tira de papel, que se achava sobre
ü os pecegos: «Para o menino Mario.»
Ficou muito alegre, mas não quiz
: bulir nos pecegos.
Soube, depois, por sua mãe, que o
dono do pecegueiro lhe havia mandado
aquelles pecegos, porque o tinha obser­
vado, quando passou ao pé da arvore,
e ficou gostando muitissimo do seu
bello procedimento.
3;
Mario, muito alegre, começou então
a comer as fructas, não sem primeiro
li ter offerecido as melhores á mamãe.

,i
HISTORIETAS 115

MARGARIDA

MARGARIDA! Que menina


_|ÈP adoravel! Que coração de
oiro!
Sua mãe, ao contrario, é má e
bate-lhe quasi todos os dias.
Margarida tem um irmãozinho, que
i:
está começando a engatinhar. I
Ha poucos dias esta creancinha >
|j
brincava na despensa, em companhia
!
de sua irmã, e quebrou um copo.
A mãe corre e pergunta a Mar­
garida quem tinha feito aquillo.
A menina, sabendo que sua mãe :
seria capaz de castigar seu innocente :
I:
irmãozinho, disse-lhe resolulamente: i»

"Fui eu, mamãe, quem quebrou o copo;


perdoa-me!» ;|
'
o
.

i
I
116 HISTORIETAS
k
Mas qual! A mãe não só não lhe
. perdoou, como lhe deu muitas vara­
das.
A pobre Margarida sahiu chorando
e foi abraçar o irmâozinho, que lam­
bem chorava de susto.
«Não chores, meu querido irmão»,
dizia Margarida, soluçando e beijando
a creança. E, abraçando sempre o ir-
j mãozinho, continuava: Não importa;
;
fui castigada, mas te salvei!»
i
i Que bello coração o desta boa me
ninai
\
2
;.

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[
HISTORIETAS 117

I
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j-
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118 HISTORIETAS
)

0 MENTIROSO
illíyíUE menino mentiroso o Al­
V fredo! E estava tão habituado
a mentir, que era um horror!
i
Já o fazia mesmo, sem que desse por
í
: isso.
Uma vez seu pae trouxe para casa
nma gaiola doirada, onde vinha um
lmdo canario. Collocou-a, com muito
cuidado, sobre a mesa de jantar.
U canario começou a cantar tão
bem e tão -alto, que era um prazer
ouvil-o. Alfredo—muito amante de pas­
sarinhos, veiu correndo lá do fundo
do quintal. Vinha risonho, radiante de
;
alegria.
Quando entrou na sala de jantar,
seu pae, fingindo ignorar donde tinha
vindo o canario, perguntou-lhe:
I

HISTORIETAS 119
I

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O

120 HISTORIETAS

I
— !)c quem é este passarinho tão
bonito, Alfredo?
O menino reflectiu um pouco e
respondeu:
/
i —E meu, papae.
—Ah!. E quem t.’o deu, meu
filho?
!
!
—Foi o primo Luizinho quem m’o
trouxe, hoje, tornou o Alfredo, ficando
algum tanto corado.
—Rasta, disse-lhe o pae, severa­
mente. Eu ia fazer-te presente deste
canario. Como acabas, porém, de pro­
var que és um refinado mentiroso, fi­
carás sem elle.
E foi-se embora, levando a gaiola >
sem se importar com as lagrimas e
rogos de Alfredo.
O menino arrependeu-se da men­
tira, mas já tarde.
HISTORIETAS 121
C'

NENÊ E OS CARNEIROS
1 I

||gj|ENE morava numa fazenda,


ipi onde havia uma porção de
i
ÇpC carneiros.
Seu pae lhe deu um carneirinho
bellissimo, alvo como algodão.
Um dia Nenê viu que uns homens
tinham prendido todos os carneiros
dentro de um cercado. Armados de '
grandes tesouras, os iam agarrando,
um por um, e lhes cortando o pêlo. i
s
Os pobres animaes berravam, cheios
de terror. Os homens, porém, não se
importavam com os seus berros.
0 menino ficou muito afflicto, e s
foi chorando contar a seu pae o que
-
aquelles homens maus estavam fa­
zendo.

!—
122 HISTORIETAS

—Não são maus, disse-lhe o pae;


estão cortando a lã, para delia serem
feitos os tecidos das nossas roupas.
—Mas os coitadinhos não morre­
rão de frio, papae?
—Não, meu filho; agora faz muito
calor, e quando o inverno chegar,
clles já estarão outra vez com o pêlo
crescido.
—Mas o pêlo do meu carneirinho,
papae não deixará cortar, não é?
—Sim, meu amor; o teu carneiri­
nho nada soffrerá.
Nenê ficou mais tranquillo, e, cheio
de alegria, correu a abraçar o seu
carneirinho.
t)
!
!
.

HISTORIETAS 123

I
i

*

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'I

124 HISTORIETAS
!l

A VELHA E 0 MACACO
,i

I
11|MA velhinha possuía um ma-
»
■ mIBR caco chamado Venturoso.
í
! Era noite. A velha estava
na cozinha, frigindo uns bolinhos, para

i comel-os com café.


i
Venturoso, alli perto, olhava, mui
attento, para a panella e para a gor­
dura, que chiava.
A velha precisou retirar-se por um
t
momento.
Venturoso, aproveitando a occasião
de ter ficado só, mais que depressa
dá um pulo sobre o fogão, mette a
mão na panella, para furtar um bo­
linho, mas a queima na gordura e co­
meça a guinchar.
HISTORIETAS 125

t
\

\
I


■ ■

!(
;
I

126 HISTORIETAS
:
A velha corre a saber o que tinha
! acontecido e dá com Venturoso lá
num canto da cozinha, a coçar-se todo,
arregalando e piscando os olhos, e
; lambendo as mãos.
r
A mulher riu-se muito do macaco,
:
e quando foi lhe dar um bolinho,
s: elle sahiu correndo e foi se esconder
lá no fundo do quintal.
E não quiz saber de dormir em
h
. casa essa noite.
l
s
.
'

!:

:
!
---- ;r ___i—■

HISTORIETAS 12ü

0 PINTASILGO
a
y
i

ÍM formoso pintasilgo disse um


__% dia a seu filho: «Meu filhi-
nho, não saias ainda do teu
quente ninho. Lá fóra o inverno está i
í
muito rigoroso, e morrerás de frio.» \

E foi-se pelos campos, em busca !!;

de alimento para o querido filhote. *


I

\
Quando voltou, ai delle! o ninho ■

estava vasio. Louco de dor, o infeliz


1
voou pelas campinas, á procura do
filho amado. Depois de muito ter
voado, finalmente o encontrou, ao pé I
duma arvore. O filhote, porém, estava
quasi morto de frio..
O desobediente filhotinho, nem bem
o pae havia se afastado do ninho,
correu pelo campo fóra. Alli o frio
I*

í V

130 HISTORIETAS

o entanguiu de tal sorte, que o po-


brezito cahiu sem sentidos no sitio
onde foi encontrado.
0 pintasilgo, a muito custo, con­
duziu o filho para o ninho. Foi só de- í !
pois de mil cuidados e carinhos que i

o filhote voltou a si. Então pediu


perdão ao pae, não só por ter sido
desobediente, como por lhe haver cau­
i
sado tanta afflicção. f
0 passarinho foi perdoado, mas
! ficou doente por muitos dias. Com cer­I
teza, teria morrido, si não fossem os
1
grandes desvélos de seu carinhoso pae.j
' ! '

.
f
:

t
.

u

;
132 HISTORIETAS

1 • •';

i
0 CARACTER

i coronel Noronha é um velho


I||y|| mui sympathico e bondoso.
•i
Consagra um amor pro­
fundo a seus dois netinhos—Álvaro
1
r i e Julreta.
Todas as tardinhas elle tem por
habito contar-lhes uma historia qual­
!■' !
quer. As duas çreanças ouvem-n-o com
t
muita attenção e cheias de prazer.
■;

íla dias elle esteve lhes expli­


í
■■
cando o que quer dizer—caracter.
Ouçam o que elle dizia a seus
netinhos:
«É o caracler, meus filhos, uma
das qualidades mais preciosas que
todo o homem deve cultivar e aper­
feiçoar. .

i
y
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0 homem sem caracter está collo-
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cado abaixo dos animaes brutos; 6 um
ser que merece o despreso das pes­
soas de bem.
Todos podem ter bom caracter,
praticando sempre acções puras. Não
quer isto dizer que é sem bom cara­
cter aquelle que, involuntariamente,
commette uma falta. Não: é proprio
do homem errar. Todo aquelle, porém 5

que cahir num erro e não procurar


corrigir-se, mostrará que não tem ca­
racter bom.
Ter bom caracter é proceder sem­
pre bem, não só para com os outros,
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como também para comsigo mesmo.*
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HISTORIETAS ' . 135
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UM MENINO DE CARACTER !
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igliAUL© tinha muita raiva de j\


1 Jôaquim—seu collega. E sa- {
■ 'lS|jSif hem porque? Porque este con- '
]. V
seguia sempre melhores notas do que '
\
as de Paulo, nos trabalhos escolares.
Isto não era para admirar: Joaquim
estudava, ao passo qüe. -o outro só
tratava de ‘brincar.
i
Na sala de aula, perto de Joaquim,
sentava-se o pequeno André. Este me­
nino era muito applicado e de com- ,
portamento exemplar. -~^
> •
—O -André, disse Paulo, uma^ véz «V-
J ; -
1
: queres ganhar dois mil réis?
—Para que^ respondeu André.
| Olha: eu não gosto de Joaquim.
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Como és vizinho delle, quero que lhe

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I 1 ponhas um borrão na escripla. Assim


elle terá uma nota má.
*
—Retira-te daqui, traste, disse An­
• í dré, com o rosto afogueado. Tua pro­
K ; posta me envergonha. Pois, então, pen­
.
i f
sas cpie ha dinheiro no mundo que
compre o meu caracter?! Guarda os
■ teus dois mil réis, e, de hoje em
i i
deante, não fales mais commigo.
Dito isto, André voltou, com des-
M
preso, as costas ao seu collega. Este re­
tirou-se, todo confuso e envergonhado.
Parece que a dura lição de André
rt o corrigiu.

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HISTORIETAS 137
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138 HISTORIETAS
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A TRISTEZA DE CARLITO
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; rfÉORQUE yens assim tão triste
i llpl da escola? Porque choras,
meu amor?
ii
—Ah! mamãe! Si soubesses o que
aconteceu!...
I —Fala, meu filho. Que foi?... Que
foi que aconteceu?
.—0 professor, hoje, entrou na es­
cola muito triste, muito abatido. Em
seguida abraçou, um por um, a todos
i os seus discipulos, despedindo-se dei-
les, com as lagrimas nos olhos. Ah!
Não houve um só alumno que não
> i chorasse nesse momento! Coitado! E
••
tão bondoso, mas anda tão doente,
)
. que não póde mais continuar a edu­
car-nos!
:!

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HISTORIETAS 139

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140 HISTORIETAS
»:
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E os soluços interrompiam as pa­
lavras do bom Carlito.
—Chora, meu filho. Tens razão em
tf chorar. Perder um bom mestre como
o teu, é quasi o mesmo que perder
'! um pae.
'ii.
\ 0 meigo Carlito nunca se esquecia
do seu estimado professor. ía sempre
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m
i
i
!
visital-o. Um dia voltou para casa
com o coração a transbordar de ale­
gria. 0 mestre lhe dissera que já es­
If ;
:
! tava melhor e que, brevemente, iria
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continuar as suas lições.
' Carlito passou todo esse dia muito
:
contente. Á noite sonhou que já se
achava na escola, respondendo ás per­
i guntas do seu querido professor.

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1

: HISTORIETAS 141
'
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0 PINTASILGO E 0 PAPA-CAPIM

iTgj jFM pintasilgo muito vaidoso ti-


MpS nha construido o seu ninho
I IMpIS no cimo dum pinheiro. Dalli
i do alto zombava dum papa-capim, que
. tinha o ninho em baixo, num arbusto.
«bu, sim,» falava o pintasilgo ao
papa-capim, «avisto daqui todo o cam­
po, os bosques e as nuvens lá do céo,
ao passo que tu não sóbes mais do
que alguns palmos além do chão, e
nada vês.»
O papa-capim dizia humildemente:
«Não faz mal, não faz mal!...»
I
Súbito fórma-se uma tempestade.
0 dia torna-se carrancudo. e nuvens
í negras rolam em massas pelo firma­
• c
mento. Um vento fortissimo agita,
:

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1 . •
"...
.
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* !'
:Í 142 HISTORIETAS
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violento, os galhos das arvores e vai



zunindo pelo espaço além. A chuva
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começa a cahir em grossas gottas. Eis
que uma rajada arrebata pelos ares
f

i?

o ninho do pintasilgo. ?
0 orgulhoso passaro quasi que h
também foi, nesse momento, levado \j

!
j pela ventania.
i !&•—- Com muito esforço, porém, salvou-
- se e viu-se obrigado a ir pedir aga­

salho ao papa-capim. Este o serviu


j
:
com muito gosto, dando-lhe um canto

em seu ninho.
Tão grande acto de generosidade
serviu de proveitosa lição ao orgu­
lhoso pintasilgo, que nunca mais quiz
!
ridicularizar os seus companheiros. f
v

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HISTORIETAS 143

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* 144 HISTORIETAS

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0 PRESENTE DE GUILHERME

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■BUILHERME era o melhor
m alumno da escola, tanto em
I.
applicação, como em compor­
tamento. ií
Como um dia estivesse na aula mui­
V
to triste, o mestre chamou-o e disse-lhe:
—Que é isso, Guilherme? Porque
estás tão triste meu filho?
—Ah! professor! Mamãe faz annos,
hoje, e eu nada tenho para lhe dar!
i
Sou tão pobre!...
E começou a chorar.
—Comp nada tens?! Então um
bom menino como tu, não ha de ter
um presente para offerecer a sua mae? i
-
Olha: toma esta folha de papel e es­
1 creve ahi uma historia bem bonita.

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1
?-

HISTORIETAS 145

Guilherme fez o que o mestre lhe


disse, e, como o trabalho tivesse fi-

cado muito bem feito, obteve uma ;


excellente nota. í

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Y-— «r.

146 HISTORIETAS

Il
í
«Leva agora este presente a tua
mãe, Guilherme, e verás como ella fi­
cará satisfeita», disse o professor, en­
!•• ;; tregando-lhe a escripta, em cuja mar­
!í gem se via, a tinta vermelha:—Optirna
i com louvor.
0 menino tomou o papel, guardou-o
:
- com muito cuidado e, quando chegou
a casa, disse a sua mamãe: «Aqui
I!
está o presente dos teus annos.» E
entregou-lhe o papel.
i: A mãe de Guilherme leu a histo­
>1
ria e, em seguida, abraçando e bei­
jando o filho, disse-lhe: «Assim todas
:
as mães recebessem, no dia de seus
- annos, presentes preciosos como este!»
Guilherme chorou outra vez, mas
então chorou de contentamento.


HISTORIETAS 147

0 PATO E A CEGONHA

SR® comadre, dizia um pesado


Pat0 a uma cegonha, corta
(èessas pernas tão compri­
das e tão finas; isso é uma vergonha!
—Deixa estar as minhas pernas
que não te fazem mal algum.
—Bem o sei, porém nem dadas
eu as quereria.
Estavam nesta conversa, quando
apparece um cachorro do matto, para
pegal-os.
Nem uma das duas aves podia voar;
o pato por estar muito gordo e pesado;,
a cegonha por se achar ainda na muda,
e portanto com raras pennas nas azas.
Que fazer?
0 unico remedio era correr, e assim
fizeram.

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■ .

;
148 HISTORIETAS

A cegonha, valendo-se das suas


longas pernas, escapou logo do ca­
-i chorro do matto, porém o pato, coitado,
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com suas pernas curtas não podia
correr muito e começou a gritar: «Co­
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I madre, empresta-me, por piedade, um [
K pedacinho das tuas pernas! Tem dó í
! de mim!»
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Ü A cegonha de longe lhe dizia:


«Homessa! Pois tu não disseste, ainda
r*. ha pouco, que nem dadas as querias?!
Como é que agora mas pedes empres­
t tadas?! Em todo o caso trepa aqui nas
minhas costas, a ver si minhas pernas
prestam para alguma coisa.» E abai­
xou-se depressa, mas o pobre pato não
? teve tempo de pular-lhe ás costas, e
cahiu nas unhas do cachorro do matto.
HISTORIETAS 149

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A PRIMAVERA,, t
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,|á®ÍjfeH! como são bellas V

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Kn as flores de agora! •-
Tem brilhos de estrellas,
têm risos, de aurora!-
i.

. Nas verdes campinas •'I

ha^utos suaves;
•si
são notas divinas
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do peito das aves.


V.
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Gentis borboletas, •J
I de bellos fulgores, v.l
adejam, inquietas,
* • por cima das flores....
Saudemos, contentes,
a quadra florida, »« I
que aos campos virentes
i. dá luz e dá vida.
*

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HISTORIETAS 151

Oh! como são bellas


às flores de agora!
Têm brilhos de estrellas
têm risos de aurora!

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Pa;iius
O vcncíedor de óvos 6
O malfazejo................... S_
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O sabiá........................ 10 '
O asseio ........................ 12
O macaco e o rabecão 14
'

Os pombinhos .... 16
O enterro...................
Os passarinhos (poesia)-^ 4 4" ^± ± V t
A fieira ................... 22
O cavallo e o burro 24
O gato e o tico-tico 26
«9> ;
A mãezinha .... 2S í
Lingua de Palmo e Meio 30 1
O sapo............................ . 32
O dia (poesia) 4-4. J_ -I-4- 4- +- +34
O dia de finados 36
O sol................... 340/
\
O incorrigível . .
Os dias feriados . 42
O morcego . . . 44!
A chuva .... 46 \
O buliçoso . . . 48 '
?
As andorinhas (poesia) -f- f -f* 4- f -h 4"\+- ?P \
A ambição................................................................................. Ü2 s. ..
O ladrão 54 ^ . > :
Negligencia........................ 56 .
Força de vontade . . . •. 58 - :■

O cumprimento da palavra 60
Má companhia................... 62 J
O falador............................ 64
O tuim! e 0 gato (poesia)4 66
O dorminhoco........................................................................ , 68

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IV Pa*i*3>
■ L O cégo.........................................
; O trabalho............................................
i TC
72
<*r -S
O cao reconhecido............................. 74 :
A ingratidão................................. . 76

.
f .^Primeiro as obrigações . . . . ; 78 .
Esperteza dum rato........................ 30
: O amanhecer (poesia )f 4. 4- 32

/ 1 A bicycleta......................................
A. pacaj e 0 cachorro do matto .
S4
36
■ O mendigo .................................. S5
hy\
iL A calumnia . . , ........................ 9G
O sapo e 0 rato . ................... 92 c- ’
? A preguiça . .................................. 95 hx
ITA í A' creança (poesia)^/-f f. V +* f -*f V- *
A gallinha invejosa.....................................................
O relogio quebrado..................................................... .
9S
100
103
,-r^
!■*

V •
O bobo ............................................................................. 106 ..Vt
^ Henrique................... *................................................. 109 ££ -
\ j; Os pecegos................................................................... 112*
iv ^Margarida........................................................................ 115
1 mentiroso . ........................ ...................................... 118
( I ”í v° , ,Nenê e os carneiros..................................................... . 12!
1 • > A Velha e 0 macaco..................................................... 124
) */As ovelhas (poesia)./- ............................. 127
I ' Jf O pintasilgò................................................................... 129
i Vo -caracter........................................................................ 132
ií JUm menino de caracter................................................ 135
/ A tristeza de Carlito................... «....................... 13S
► I
O pintasilgò e 0 papa-capim.................................. . 141
K
í
rf Qy presente de Guilherme...................................... . . 144 r
s1 ■
LJ.s (jr pato; e a cegonha.....................................................
A primavera (poesia)^ ^ £ 4-........................
147
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