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MANUAL DE FORMAÇÃO

PRIMEIROS SOCORROS
UFCD 3564
25 Horas

Formador: João Carlos Fonseca Varela


3564 – Primeiros Socorros

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO/ APRESETAÇÃO DO CURSO …………………………………………………………….. 3


1.1. OBJECTIVOS DA APRENDIZAGEM ……………………………………………………………………….. 3
1.2. CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS ………………………………………………………………………….. 3
1.3. CARGA HORÁRIA …………………………………………………………………………………….……… 4
2. COMPORTAMENTOS PERANTE O SINISTRADO ………………………………………………………… 5
2.1.1. Prevenção do Agravamento do Acidente …………………..………………………………………….. 5
2.1.2. Alerta dos Serviços de Socorro Público …………………………………….………………………… 6
2.1.3. Exame do Sinistrado …………………………………………………………………………..…………… 6
2.1.4. Socorros de Urgência …………………………………………………………………….………………. 9
2.1.5. A Posição Lateral de Segurança …………………….…………………………………………………. 10
2.2. PRIMEIROS SOCORROS E CONSELHOS DE PREVENÇÃO NOS DIFERENTES CASOS DE
DIFICULDADE RESPIRATÓRIA ………………………………………………………………………………… 12
2.2.1. Dificuldades Respiratórias/ Descrição ………………………………………………………………. 12
2.2.2. Dificuldade Respiratória Agudizada/ Cuidados ……………………………………………………… 14
2.2.3. Obstrução da Via Aérea ………………………………………………………………………………… 14
2.2.4. Reanimação Cardiorrespiratória ……………………………………………………………………… 16
2.3. FERIDAS, FRACTURAS, ACIDENTES RESPIRATÓRIOS, ACIDENTES DISGESTIVOS,
ACIDENTES PELOS AGENTES QUÍMICOS, ENVELHECIMENTO …………………………………….. 22
2.4. ACIDENTES INERENTES À PROFISSÃO ………………………………………………………………. 28
2.4.1. Queimaduras ……………………………………………………………………………………………… 28
2.4.2. Hemorragias …………………………….………………………………………………………………… 31
2.4.3. Comportamentos a Seguir ………………………………………………………………………………. 32
2.4.4. Esterilização dos Instrumentos ………………………………………………………………………… 32
2.4.5. Prevenção dos Acidentes de Trabalho, Supressão de Risco, Protecção Colectiva, Protecção
Individual …………………………………………………………………………………………………………… 34
3. SERVIÇO NACIONAL DE PROTECÇÃO CIVIL ………………………………………………………… 41
3.1. SISTEMA INTEGRADO DE EMERGÊNCIA MÉDICA …………………………………………………. 41
3.1.1. Componentes, Intervenientes e Forma de Funcionamento ……………………………………….. 41
3.1.2. Subsistemas do SIEM ……………………………………………………………………………………. 46
BIBLIOGRAFIA

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1. INTRODUÇÃO/ APRESENTAÇÃO DO CURSO


A aprendizagem é um processo que acompanha toda a vida de um indivíduo. Desde o início até ao fim da
vida estamos em constante aprendizagem, sendo as aprendizagens contínuas e continuadas que nos
permitem estar onde estamos e ser o que somos.
Na formação profissional é fundamental que esta aprendizagem se vá realizando através de acções
promovidas pelas entidades competentes pois só assim se pode tender para a optimização do trabalho e a
qualificação de todos os colaboradores.
Baseado nesta permissa concebeu-se o presente manual como instrumento de apoio à unidade de
formação de curta duração nº 3564 – Primeiros socorros, de acordo com o Catálogo Nacional de
Qualificações.

1.1.OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM
Identificar os diferentes tipos de acidentes;
Reconhecer o Serviço Nacional de Proteção Civil;
Recpnhecer a importância da prevenção de acidentes e de doenças profissionais.

O presente manual, que pretende ser um documento de apoio à realização da formação que vai ser
realizada e ficando, esperamos, mais tarde como documento de apoio para consulta quando tal se revelar
necessário.

1.2.CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

 Tipos de acidente
o Comportamento perante o sinistrado
 - Prevenção do agravamento do acidente
 - Alerta dos serviços de socorro público
 - Exame do sinistrado
 - Socorros de urgência
 - Primeiros socorros e conselhos de prevenção nos diferentes casos de
dificuldade respiratória
 - Dificuldades respiratórias – descrição
 - Socorros de urgência
 - Reanimação cardiorrespiratória
o Feridas, fraturas, acidentes respiratórios, acidentes digestivos, acidentes pelos agentes
físicos, envelhecimento
o Acidentes inerentes à profissão
 - Queimadura

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 - Por corrente elétrica


 - Hemorragia externa por ferimento (corte)
 - Comportamento a seguir
 - Esterilização dos instrumentos
 - Prevenção dos acidentes de trabalho, supressão de risco, proteção coletiva,
proteção individual, sinalização
 Serviço Nacional de Proteção Civil
o Socorrismo e realidade
 A profissão confrontada com a doença
o Prevenção de acidentes e doenças profissionais
 - Higiene do profissional
 - Higiene do meio ambiente
o Revisão de atuação em diferentes casos
 - Revisão dos efeitos tardios em certos acidentes

1.3.CARGA HORÁRIA

25 horas

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2. TIPOS DE ACIDENTES

Segundo o Dicionário Electrónico


Houaiss, acidente é «acontecimento casual, fortuito, inesperado;
ocorrência». E também «qualquer acontecimento, desagradável
ou infeliz, que envolva dano, perda, lesão, sofrimento ou morte».
E ainda «fato acessório; qualidade particular, pormenor».
Acidentes acontecem e, a todo o momento estamos
expostos a inúmeras situações de risco que poderiam ser
evitadas se, no momento do acidente, a primeira pessoa a ter
contacto com o sinistrado soubesse proceder corretamente na
aplicação dos primeiros socorros. Muitas vezes esse socorro é
decisivo para o futuro e a sobrevivência da vítima.

2.1. COMPORTAMENTOS PERANTE O SINISTRADO


Quando o acidente acontece o comportamento perante o sinistrado assume primordial
importância, e toma o nome de “Primeiro Socorro” ou “Primeiros Socorros”.
De um modo geral, definem-se Primeiros Socorros como a prestação de ajuda imediata a uma
pessoa doente ou ferida até à chegada de ajuda profissional. Centra-se não só no dano físico ou de
doença, mas também com no atendimento inicial, incluindo o apoio psicológico para pessoas que sofrem
emocionalmente devido a vivência ou testemunho de um evento traumático. O melhor é ter treino em
primeiros socorros antes de precisar usar os procedimentos em quaisquer situações de emergência.
Qualquer pessoa pode e deve ter formação em primeiros socorros, sendo que a formação do
público é uma medida fundamental para que o socorro seja prestado de uma forma rápida e eficaz. No
entanto, deve-se ter em atenção que a implementação dos primeiros socorros não substitui nem deve
atrasar a ativação de ajuda diferenciada, mas sim impedir ações desadequadas/incorretas, alertar e
ajudar, evitando o agravamento do acidente. A prestação de primeiros socorros poderá contribuir para que
o processo de cura e/ou recuperação seja mais rápido, e evitar ou minimizar
Princípios gerais do Socorrismo:
• PREVENIR o agravamento do estado da vítima e acidente
• ALERTAR correctamente o 112 (número europeu de socorro)
• SOCORRER a vítima até à chegada de pessoal especializado na emergência

2.1.1. Prevenção do Agravamento do Acidente


Perante uma ocorrência da qual tenha resultado uma vítima o socorrista deve ter em consideração
uma sequência de procedimentos a tomar, segundo uma ordem específica. Estes procedimentos visam
manter a integridade do socorrista, permitindo a prestação de primeiros socorros de uma forma rápida e
eficaz, com activação atempada dos meios de ajuda diferenciada adequados.
Assim sendo, os princípios básicos de actuação perante uma vítima são:

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1º - Garantir a segurança do socorrista;


2º - Garantir a segurança da vítima;
3º - Solicitar ajuda dos circulantes;
4º - Determinar prioridades;
5º - Pedir Ajuda Diferenciada.

2.1.2. Alerta dos Serviços de Socorro Público


O pedido de ajuda diferenciada é realizado através do contacto telefónico para o número 112. Este
é o Número Europeu de Emergência, podendo ser utilizado em situações de emergência relacionados
com a saúde, como também noutras situações, tais como incêndios, assaltos. A chamada será atendida
pela Central de Emergência 112. Nas situações de emergência médica, a chamada é transferida para o
Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM.
Quando contacta o 112 deve fornecer algumas informações essenciais para que sejam ativados
os meios adequados à situação de emergência em causa.
Como tal o socorrista deve informar, de forma simples e clara:
• Local exacto da ocorrência e pontos de referência para o encaminhamento dos meios de
socorro;
• Tipo de ocorrência (acidente, doença súbita, parto...);
• Número e estado das vítimas;
• Número de telefone onde se encontra;
• Responder às perguntas que a central de emergência faz, respeitando as indicações
dadas;
• Desligar o telefone somente quando a central de emergência indicar.
Deve-se siuir sempre as instruções que lhe derem, elas constituem o pré-socorro e são
fundamentais para ajudar a(s) vítima(s). Desligue o telefone apenas quando lhe for indicado e esteja
preparado para ser contactado posteriormente para algum esclarecimento adicional.

A nossa colaboração é fundamental sempre que se encontre em risco uma vida humana.
Prestemos atenção às perguntas efetuadas, respondendo com calma e siguido as instruções indicadas.

2.1.3. Exame do Sinistrado


Antes de iniciar qualquer procedimento o socorrista deve avaliar o sinistrado com o intuito de
identificar as lesões sofridas e desta forma definir as prioridades da sua atuação. Até que possa realizar
uma avaliação adequada da ocorrência deve mover o mínimo possível o sinistrado.
A avaliação da vítima divide-se em duas partes: avaliação primária e avaliação secundária.
As prioridades durante a avaliação de uma vítima são as seguintes:

1) Garantir a segurança da vítima, de terceiros e da equipa durante toda a intervenção;

2) Identificar e corrigir as situações que implicam risco de vida;

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3) Não agravar o estado da vítima;

4) Limitar o tempo no local ao mínimo necessário para estabilizar a vítima, iniciar a correção das
situações que carecem de intervenção e preparar o seu transporte em segurança;

5) Recolher informações relevantes: CHAMU (Circunstâncias, História, Alergias, Medicação e


Última refeição).

Existem 5 etapas constituem a avaliação inicial ou primária da vítima, pela seguinte ordem de
prioridade:

A. Airway: Permeabilização da Via Aérea com controlo da coluna Cervical;

B. Breathing: Ventilação e Oxigenação;

C. Circulation: Assegurar a Circulação com controlo da Hemorragia;

D. Disability: Disfunção Neurológica;

E. Expose/Environment: Exposição com controlo de Temperatura.

Qualquer condição com risco de vida deve ser imediatamente abordada e se possível resolvida
antes de continuar o processo de avaliação (avaliação vertical).
A única exceção a esta regra é perante uma hemorragia exsanguinante (lesão de uma artéria de
grande calibre), em que a prioridade é o controlo imediato através da compressão manual direta ou com o
uso do garrote caso a primeira medida se revele ineficaz.
A avaliação inicial deve demorar apenas 60-90 segundos a realizar, no entanto, se forem
necessárias intervenções e/ou procedimentos poderá levar mais tempo.
Começa-se por avaliar o estado de consciência da vítima: verificar se responde a estímulos
verbais e/ou dolorosos (bater levemente nos ombros, tentar chamar e perguntar o nome, pedir para abrir
os olhos). O socorrista deve observar todo o corpo da vítima, começando pela cabeça e comparando os
dois lados do corpo.

Caso a vítima se encontre CONSCIENTE segue-se a recolha de informação: - História: Saber


como ocorreu o acidente (também pode recorrer a testemunhas no local), identificar antecedentes
pessoais (alergias, doenças, medicação que toma regularmente) - Sintomas: as sensações descritas pela
vítima podem ser indicadoras de lesões (ex.: dor, tonturas) - Sinais: O que o socorrista pode identificar
através dos seus sentidos

Caso a vítima se encontre INCONSCIENTE, pode mesmo correr risco de vida, pois facilmente
ocorre a obstrução da via aérea, quer devido à queda da própria língua, quer pelo acumular de secreções,
vómito, sangue ou um corpo estranho na cavidade oral. Assim, perante uma vítima inconsciente, o
socorrista deve proceder à abertura da via aérea, utilizando a técnica correta em relação ao tipo de
ocorrência (se é de trauma ou de doença). Posteriormente avalia-se a presença de objectos estranhos ou
secreções na cavidade oral; caso se verifique a sua presença, estes só devem ser removidos se estiverem
visíveis. De uma forma rápida e eficaz, o socorrista deve verificar se a vítima respira e mantém sinais de

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circulação sanguínea. Para tal, após ter sido efectuada a abertura e permeabilização da via aérea,
aproxima-se a face da face da vítima observa-se o tórax. Em simultâneo deve-se colocar a extremidade de
dois dedos num local onde facilmente se possa verificar a presença de pulso (ex.: região da artéria
jugular). Esta avaliação pretende verificar a presença/ausência de sinais de respiração e circulação
sanguínea, tem uma duração de 10 segundos durante os quais o socorrista deve:
Ver movimentos torácicos
Ouvir ruídos respiratórios
Sentir a saída de ar na face
Pulso (palpar pulso)

Avaliação de sinais de respiração e circulação - VOS’P

Após a execução do VOS’P:


- Se mantém sinais respiratórios e circulatórios: garantir a segurança da vítima colocando-a em
Posição Lateral de Segurança (PLS);
- Se não apresenta sinais respiratórios nem circulatórios: iniciar procedimentos de Suporte Básico
de Vida, mas a este tema voltaremos mais à frente...

Vítima crítica ou vítima não crítica?

Para além de categorizar a vítima pelo mecanismo de lesão ou natureza da doença, devemos com
base em indicadores clínicos objetivos obtidos na avaliação primária determinar se a vítima é CRÍTICA ou
NÃO CRÍTICA.
A vítima instável – CRÍTICA, requer intervenções imediatas e uma abordagem mais célere e
enérgica e frequentemente um transporte mais precoce para o local onde ocorrerá o tratamento definitivo.
Em resumo, independentemente de ser uma situação de doença súbita ou de trauma, a base da
abordagem à vítima deve ser a avaliação primária (ABCDE) que permitirá identificar ou excluir situações
com risco de vida.
Em situações de TRAUMA a decisão de categorizar a vítima como crítica deverá ter por base não
só a avaliação ABCDE, mas também o mecanismo de lesão.
Os seguintes mecanismos/evidências podem potenciar e/ou aconselhar a que a vítima seja abordada
como crítica:
• Impacto violento na cabeça, pescoço, tronco ou pélvis;

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• Incidente de aceleração e/ou desaceleração súbita (colisões, explosões e outros;


sobretudo se resultante desse incidente existir alguma vítima cadáver);
• Queda superior a 3 vezes a altura da vítima;
• Queda que envolva impacto com a cabeça;
• Projeção ou queda de qualquer meio de transporte motorizado ou a propulsão;
• Acidentes de mergulho em águas rasas.

2.1.4. Socorros de Urgência


Diversas situações podem precisar de primeiros socorros. As situações mais comuns são
atendimento de vítimas de acidentes automobilísticos, atropelamentos, incêndios, tumultos, afogamentos,
catástrofes naturais, acidentes industriais, tiroteios ou atendimento de pessoas que passem mal: traição,
apoplexia (ataque cardíaco), ataques epilépticos, convulsões, etc. Tão importante quanto os próprios
primeiros socorros é providenciar o atendimento especializado. Como já see refriu anteriormente, ao
informar as autoridades, deve-se ser direto e preciso sobre as condições da(s) vítima(s) e o local da
ocorrência. Mais adiante abordaremos os cuidados de urgência inerentes a diversas situações...
Entretanto existe uma situação que se nos depara com relativa frequência, a qual nos provoca
algum tipo de stress e cujo socorro de urgência é relativamente simples e pode evitar uma deslocação aos
serviços de saúde mais diferenciados que é a Perda de Consciência (Desmaio).
Geralmente não dura mais do que uns minutos e é causada por uma redução momentânea do fluxo
sanguíneo que irriga o cérebro.
O restabelecimento é normalmente rápido e completo. Pode ser uma reação nervosa à dor ou ao
susto, o resultado de uma perturbação emocional, exaustão, fraqueza alimentar, ou até o resultado de
uma quebra de tensão.
O desmaio é frequente depois de grandes períodos de inatividade física, em que a concentração
de sangue nos membros inferiores, reduz a concentração no resto do organismo.
Os desmaios podem acontecer, especialmente, em saunas ou mesmo nos banhos turcos e por
norma só duram uns segundos e o paciente recupera normalmente a sua lucidez.
Como prevenção aconselha-se, a todas as profissionais, que tenham no seu gabinete um
esfigmomanómetro, a fim de tomar as providências necessárias antes de proceder ao início do tratamento.

Sintomas:

 Fraqueza, sensação de desmaio, ansiedade e inquietação;


 Náuseas ou vómitos;
 Sede;
 Pele fria, húmida e pálida;
 Pulsação lenta e fraca;
 Pode sobrevir o estado de inconsciência.

Ação
1) Posicione a vítima de forma que a gravidade faça fluir o sangue ao cérebro. Se a vítima sentir
falta de equilíbrio, ajude-a a sentar-se e a inclinar-se para a frente com a cabeça entre os joelhos.

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Aconselhe-a a inspirar profundamente. Se a vítima ficar inconsciente, mas respirar normalmente, deite-a
com as pernas levantadas e, se não recuperar logo, coloque-a em posição lateral de segurança. Mantenha
as vias respiratórias desobstruídas;
2) Desaperte quaisquer peças de roupas justas no pescoço, peito e cintura, para auxiliar a
circulação e a ventilação;
3) Certifique-se que a vítima tem bastante ar fresco para respirar. Dê-lhe água com uma colher ou
um pacote de açúcar, pois os desmaios podem ocorrer por baixo nível de açúcar no sangue;
4) Sossegue a vítima quando esta recuperar a consciência. Levante-a gradualmente até a sentar;
5) Examine a vítima e socorra qualquer lesão que possa ter feito ao cair;
6) Verifique a pulsação e os níveis de consciência de 10 em 10 minutos. Se a vítima não recuperar
a consciência rapidamente, proceda à reanimação e coloque-a em posição lateral de segurança, até
chegar a assistência médica;
7) Não ministre nada à vítima, por via oral, até que esta tenha recuperado totalmente a
consciência. Nessa altura dê-lhe apenas pequenos goles de água. Nunca dê bebidas alcoólicas.

2.1.5. A Posição Lateral de Segurança


Se a vítima respira normalmente mas está inconsciente, deve ser colocada em Posição Lateral de
Segurança (PLS).
Quando uma vítima se encontra inconsciente em decúbito dorsal, mesmo que respire
espontaneamente, pode desenvolver um quadro de obstrução da via aérea e deixar de respirar. A via
aérea pode também ficar obstruída por regurgitação do conteúdo gástrico, secreções ou sangue.
Neste caso a vítima deve ser colocada numa posição que mantenha a permeabilidade da via aérea,
garantindo a não obstrução por queda da língua e que permita a livre drenagem de qualquer líquido da
cavidade oral, evitando a entrada do mesmo nas vias respiratórias, nomeadamente no caso de a vítima
vomitar.

A PLS deve respeitar deve respeitar os seguintes princípios:


 Ser uma posição o mais “lateral” possível, e para que a cabeça fique numa posição em que a
drenagem da cavidade oral se faça livremente;
 Ser uma posição estável;
 Não causar pressão no tórax que impeça a respiração normal;
 Possibilitar a observação e acesso fácil à via aérea;
 Ser possível voltar a vítima em decúbito dorsal de forma fácil e rápida;
 Não causar nenhuma lesão à vítima;
 Não exista suspeita de trauma.

Como deve proceder para colocar uma vítima em PLS:


 Retirar os óculos e objetos volumosos (chaves, telefones, canetas, etc.) dos bolsos da vítima;
 Alargar a gravata (se apropriado) e despertar o colarinho;
 Ajoelhar ao lado da vítima e estender-lhe os braços e as pernas;

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 Permeabilizar a via aérea, efetuando a extensão da cabeça e elevação do maxilar inferior;


 Colocar o braço da vítima, mais próximo de si, dobrado a nível do cotovelo, de forma a fazer
um ângulo reto com o corpo da vítima ao nível do ombro e com a palma da mão virada para
cima;

 Dobrar o outro braço da vítima sobre o tórax e encostar a face dorsal da mão à face da
vítima, do lado do reanimador;
 Manter a mão da vítima nesta posição segurando com a palma da mão do reanimador;

 Com a outra mão segurar a coxa da vítima, do lado oposto ao reanimador, imediatamente
acima do joelho e levantá-la, mantendo o pé no chão, de forma a dobrar a perna da vítima a
nível do joelho;
 Manter uma mão a apoiar a cabeça e puxar a perna, a nível do joelho, rolando o corpo da
vítima na direção do reanimador;

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 Ajustar a perna que fica por cima de modo a formar um ângulo reto a nível da coxa e do
joelho;

 Se necessário ajustar a mão sob a face da vítima para que a cabeça fique em extensão;
 Verificar se a via aérea se mantém permeável, certificando-se que a vítima respira sem fazer
ruído; se necessário reposicionar a cabeça;
 Vigiar regularmente.
Se a vítima tiver que permanecer em PLS por um longo período de tempo, recomenda-se que ao fim
de 30 minutos seja colocada sobre o lado oposto, para diminuir o risco de lesões resultantes da
compressão sobre o ombro.
Se a vítima deixar de respirar espontaneamente é necessário voltar a colocá-la em decúbito dorsal.

2.2. PRIMEIROS SOCORROS E CONSELHOS DE PREVENÇÃO NOS DIFERENTES CASOS DE


DIFICULDADE RESPIRATÓRIA

2.2.1. Dificuldades Respiratórias - Descrição


Dificuldade para respirar envolve uma sensação de sufocamento e angústia por não conseguir cumprir um
dos movimentos involuntários do corpo e que é essencial para a vida: a respiração.

Esse sintoma costuma variar muito de intensidade. Ele pode ser somente um desconforto, que pode
passar com o tempo, como pode também ser a interrupção total da respiração, podendo levar a problemas
gravíssimos de saúde.

Esse sintoma costuma variar muito de intensidade. Ele pode ser somente um desconforto, que pode
passar com o tempo, como pode também ser a interrupção total da respiração, podendo levar a problemas
gravíssimos de saúde.

Causas

A falta de ar pode ter muitas causas diferentes:

 Bloqueio das passagens aéreas em seu nariz, boca ou garganta pode levar à dificuldade
para respirar

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 Doenças cardíacas podem causar falta de ar se o coração não conseguir bombear sangue
suficiente para fornecer oxigênio para o corpo. Se o cérebro, músculos ou outros órgãos
corporais não recebem oxigênio suficiente, uma sensação de falta de ar pode ocorrer
 Doença pulmonar pode causar falta de ar
 Às vezes, tensão emocional, como ansiedade, pode levar à dificuldade de respirar.

Os problemas a seguir podem causar dificuldade para respirar:

Problemas com os pulmões

 Coágulo sanguíneo nas artérias dos pulmões (embolia pulmonar)


 Bronquiolite
 Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)
 Pneumonia
 Hipertensão pulmonar
 Bronquite
 Asma
 Câncer de pulmão.

Problemas com as vias aéreas que levam aos pulmões

 Engasgar-se com algo preso nas vias aéreas


 Epiglotite.

Problemas com o coração

 Enfarte Agudo do Miocárdio


 Angina de Peito
 Doença cardíaca congênita
 Insuficiência cardíaca
 Arritmia cardíaca.

Outros problemas

 Alergias (como a mofo, pelos de animais ou pólen)


 Escalar até altas altitudes, onde há menos oxigênio no ar
 Compressão da parede torácica
 Poeira no ambiente
 Hérnia de hiato
 Obesidade
 Ataques de pânico.

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2.2.2. Dificuldade Respiratória Agudizada - Cuidados


Os cuidados de socorros passam pelos passos descritos a seguir.
Exame da vítima:
 Verificar o estado de consciência. Os estados de sonolência são geralmente indicativos de
maior gravidade;
 Verificar o comportamento e posicionamento da vítima. Nas crises ligeiras, geralmente
preferem estar sentadas, nos ataques graves apresentar-se-á exausta e fazendo esforço para
ventilar, podendo estar confusa, prostrada ou agitada;
 Verificar a presença de cianose ao nível das mucosas e pele;
 Distensão venosa (veias do pescoço sobressaídas);
 Observar os movimentos do tórax procurando sinais de esforço ventilatório;
 Verificar a existência de estridor;
 Saber se tem febre, secreções ou tem história de doença arrastada ou recente (aponta mais
para uma bronquite agudizada);
 Saber se tem histórias de alergias e a quê.
Atuação:
 Manter uma atitude calma e confiante de modo a acalmar a vítima e os familiares;
 Remover a vítima do local onde se encontra, no caso de suspeitar da existência de
substâncias alergénicas e desencadeadoras da asma;
 Administrar O2 a 10 lit./ min, tendo o cuidado de obter a sua colaboração pois se for contra
sua vontade existe a probabilidade de se agravar a função respiratória;
 Despistar a febre e, caso exista, atuar em conformidade;
Transportar ao hospital e/ ou chamar ajuda (112), vigiando os sinais vitais.

2.2.3. Obstrução da Via Aérea


A obstrução da via aérea é uma
emergência absoluta que, se não for
reconhecida e resolvida, leva à morte em
minutos.
Uma das formas mais frequentes de
obstrução da via aérea é a resultante de uma
causa “extrínseca” à via aérea – alimentos,
sangue ou vómito. Qualquer objeto sólido,
pode funcionar como corpo estranho e causar
obstrução da via aérea – obstrução
mecânica.
A obstrução da via aérea por um corpo
estranho, nos adultos ocorre habitualmente
durante as refeições, com os alimentos, e
está frequentemente associada a tentativa de

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engolir pedaços de comida grandes e mal mastigados. Os doentes idosos com problemas de deglutição
estão também em risco de obstrução da via aérea por corpo estranho e devem ser aconselhados a comer
de forma cuidadosa.
Quando a obstrução é grave provoca aquilo a que chamamos de asfixia, ou seja há um impedimento
total da passagem do ar.
Obstrução ligeira: Consegue responder à pergunta: “Está engasgado?”; Consegue falar, tossir e
respirar;
Nestas situações, devemos incentivar o utente a tossir vigorosamente e desapertar as roupas para
que se sinta mais à vontade.
Obstrução grave: Não consegue falar; Não consegue respirar; Tentativas de tosse sem sucesso.
Quando a obstrução é grave devemos:
 Colocar-nos ao lado e por detrás da vítima;

 5 Pancadas interescapulares;

 Se falhar fazer 5 compressões abdominais;

 Repetir até libertação da via aérea ou inconsciência.

Se não conseguirmos ter sucesso com as manobras de desobstrução da via e o doente acabar por
ficar inconsciente, devemos ajuda-lo para que não caia desamparado e depois chamar o 112, chamar
ajuda e iniciar de imediato Suporte Básico de Vida.

EXERCÍCIO: VAMOS, DOIS A


DOIS, TREINAR OS PROCEDIMENTOS
DESCRITOS ANTERIORMENTE

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2.2.4. Reanimação Cardiorrespiratória

Cadeia de Sobrevivência
Não será improvável que no nosso quotidiano nos deparemos com pessoas em situação de
paragem cardiorrespiratória. A nossa atuação precoce, perante essa situação pode ser um pequeno, mas
vital, contributo para salvar uma vida.
À luz do conhecimento atual, considera-se que há três atitudes que modificam os resultados
nosocorro às vítimas de paragem cardiorrespiratória:
 Pedir ajuda, acionando de imediato o sistema de emergência médica;
 Iniciar de imediato manobras de SBV;
 Aceder à desfibrilhação tão precocemente quanto possível, quando indicado.

Estes procedimentos sucedem-se de uma forma encadeada e constituem uma cadeia de atitudes
em que cada elo articula o procedimento anterior com o seguinte. Surge assim o conceito de cadeia de
sobrevivência composta por quatro elos, ou ações, em que o funcionamento adequado de cada elo e a
articulação eficaz entre os vários elos é vital para que o resultado final possa ser uma vida salva.

Os quatro elos da cadeia são:


1. Acesso precoce aos serviços de emergência;

2. Suporte Básico de Vida precoce (SBV);

3. Desfibrilhação precoce;

4. Suporte avançado de vida precoce (SAV) / Cuidados pós – reanimação – Cérebro/


Coração.

Acesso Precoce:
O rápido acesso ao SIEM assegura o início da Cadeia de Sobrevivência. Cada minuto sem se
chamar o socorro reduz a possibilidade de sobrevivência da vítima. Para o funcionamento adequado deste
elo é fundamental que quem presencia uma determinada ocorrência seja capaz de reconhecer a
gravidade da situação e saiba ativar o sistema, ligando adequadamente 112 (para poder informar o quê,
onde, como e quem). A incapacidade de adotar estes procedimentos significa falta de formação. A
consciência de que estes procedimentos podem salvar vidas humanas deve ser incorporada o mais cedo
possível na vida de cada cidadão.

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Suporte Básico de Vida (SBV) precoce:


Para que uma vítima em perigo de vida tenha maior hipótese de sobrevivência é fundamental que
sejam iniciadas, de imediato e no local onde ocorreu a situação, manobras de SBV. Isto só se consegue
se quem presencia a situação tiver a capacidade de iniciar o SBV.
O SBV permite ganhar tempo, mantendo alguma circulação e alguma ventilação na vítima, até à
chegada de socorro mais diferenciado para instituir os procedimentos de Suporte Avançado de Vida
(SAV).

Desfibrilhação Precoce:
A maioria das Paragens Cárdio Respiratórias (PCR) no adulto ocorre devido a uma perturbação
do ritmo cardíaco a que se chama Fibrilhação Ventricular (FV). Esta perturbação do ritmo cardíaco
carateriza-se por uma atividade elétrica caótica de todo o coração, em que não há contração do músculo
cardíaco e, como tal, não é bombeado sangue para o organismo. O único tratamento eficaz para esta
arritmia é a desfibrilhação que consiste na aplicação de um choque elétrico, externamente a nível do tórax
da vítima, para que a passagem da corrente elétrica pelo coração pare a atividade caótica que este
apresenta. A desfibrilhação eficaz é determinante na sobrevivência de PCR. Também este elo da cadeia
deve ser o mais precoce possível. A probabilidade de conseguir tratar uma FV com sucesso depende do
fator tempo. A desfibrilhação logo no 1º minuto em que se instala a FV pode ter uma taxa de sucesso
próxima dos 100%, mas ao fim de 8 – 10 minutos a probabilidade de sucesso é quase nula.

Suporte Avançado de Vida (SAV) precoce:


Este elo da cadeia de sobrevivência é uma “mais – valia”. Nem sempre a desfibrilhação é eficaz, por si só,
para recuperar a vítima. Outras vezes a desfibrilhação pode não ser sequer indicada. O SAV permite
conseguir uma ventilação mais eficaz (através da entubação endotraqueal) e uma circulação também mais
eficaz (através da administração de fármacos). Idealmente, o SAV deverá ser iniciado ainda na fase pré –
hospitalar e continuado no hospital, permitindo a estabilização das vítimas recuperadas de Paragem
Cárdio Respiratória (PCR). Integram também este elo os cuidados pós – reanimação, que têm o objetivo
de preservar as funções do cérebro e coração.

As manobras de compressão torácica externa e de ventilação têm como objetivo manter algum grau
de circulação com sangue minimamente oxigenado, para preservação da viabilidade do coração e
cérebro. O SBV tem como função ganhar tempo até à chegada do desfibrilhador e da equipa de
SAV.

ETAPAS E PROCEDIMENTOS
O SBV inclui as seguintes etapas:
 Avaliação inicial;

 Manutenção de via aérea permeável;

 Ventilação com ar expirado;

 Compressões torácicas.

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3564 – Primeiros Socorros

POSICIONAMENTO DA VÍTIMA E DO REANIMADOR


O SBV deve ser executado com a vítima em decúbito dorsal, no chão ou sobre um plano duro. Se a
vítima de se encontrar em decúbito ventral deve ser rodada em bloco, isto é, mantendo o alinhamento da
cabeça, pescoço e tronco. O reanimador deve posicionar-se junto da vítima para que, se for necessário
possa fazer ventilações e compressões sem ter que fazer grandes deslocações.

SEQUÊNCIA DE ACÇÕES
A avaliação inicial consiste em:
1. Avaliar as condições de segurança no local;

2. Avaliar se a vítima responde;

Depois de se assegurar que estão garantidas as condições de segurança, aproxime-se da vítima e


pergunte em voz alta “Está bem? Sente-se bem?”, enquanto a estimula batendo suavemente nos ombros;

3. Se a vítima responder, deixe-a na posição em que a encontrou (desde que isso não piore a
sua situação), pergunte o que se passou, se tem alguma queixa, procure ver se existem sinais
de ferimentos e se necessário vá pedir ajuda;

4. Se a vítima não responder, informe o reanimador 2, se existir, e


prossiga a avaliação. Se estiver sozinho peça ajuda gritando em voz
alta “Preciso de ajuda, tenho aqui uma pessoa desmaiada!”. Não
abandone a vítima e prossiga a avaliação.

A etapa seguinte é a Via aérea


Pelo facto de a vítima se encontrar inconsciente pode haver obstrução da via aérea nos doentes que
estão em decúbito dorsal.
5. Assim, é fundamental proceder à permeabilização da via aérea.

 Desaperte a roupa à volta do pescoço da vítima e exponha


o tórax;

 Verifique se a vítima tem qualquer corpo estranho dentro


da boca (comida, próteses dentárias soltas, secreções)
que devem ser retirados, mas só se os conseguir ver;

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3564 – Primeiros Socorros

 Coloque a palma de uma mão na testa da vítima e os dedos indicador e médio da


outra mão no bordo do maxilar inferior;

 Efetue simultaneamente a extensão da cabeça (inclinação da cabeça para trás) e


elevação do maxilar inferior (queixo).

Após ter efetuado a permeabilização da via aérea passe à avaliação da existência de sinais de
circulação – ventilação e pulso.
6. Para verificar se a vítima respira deve manter a permeabilidade da via aérea, aproximar a
sua face da face da vítima e, olhando para o tórax, procurar:

 Ver – se existem movimentos torácicos;

 Ouvir – se existem ruídos de saída de ar pela


boca e nariz da vítima;

 Sentir – na sua face se há saída de ar pela


boca e nariz da vítima;

 Palpar – Pulso Central.

Esta avaliação deve ser feita durante 10 segundos.


7. Se a vítima respira normalmente deverá ser colocada em posição lateral de segurança
(PLS).

8. Após a colocação em PLS deverá ir pedir ajuda e regressar para junto da vítima reavaliando-a
frequentemente.

9. Se a vítima não respira mas tem sinais de circulação deve ser feito o pedido de ajuda
diferenciada e iniciar suporte ventilatório (10 ventilações por minuto), reavaliando sinais de
circulação a cada minuto.

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3564 – Primeiros Socorros

10. Se a vítima não tem sinais de circulação deve ser feito o pedido de ajuda diferenciada e
iniciar de imediato compressões torácicas.

No momento em que se confirma a paragem respiratória ou cardiorrespiratória, o reanimador 2


efetuará o pedido de ajuda diferenciada enquanto o reanimador 1 inicia o SVB.
Se estiver sozinho, após verificar que a vítima não respira ou não tem sinais de circulação, terá que
abandoná-la para pedir ajuda diferenciada. Se quando abandonou a vítima ainda existiam sinais de
circulação embora esta não ventilasse, deverá reavaliar os mesmos no seu regresso.
Para iniciar compressões torácicas a vítima deve estar em decúbito dorsal sobre uma superfície rígida
com a cabeça no mesmo plano do resto do corpo.
 Ajoelhe-se junto à vítima;

 Coloque a base de uma mão no centro do tórax;

 Coloque a outra mão sobre esta;

 Entrelace os dedos e levante-os, ficando apenas a base de


uma mão sobre o esterno, e de forma a não exercer
qualquer pressão sobre as costelas;

 Mantenha os braços esticados e sem fletir os cotovelos,


posicione-os para que os seus ombros fiquem
perpendiculares ao esterno da vítima;

 Pressione verticalmente sobre o esterno, de modo a que


este baixe 4 a 5 cm;

 Alivie a pressão, de forma que o tórax possa descomprimir


totalmente, mas sem perder o contacto da mão com
esterno;

 Repita o movimento de compressão e descompressão de


forma a obter uma frequência de 100/ min.;

 O gesto de compressão deve ser firme, controlado e executado na vertical;

 Os períodos de compressão e descompressão devem ter a mesma duração;

 Sincronize as compressões com as ventilações:

 Ao fim de 30 compressões, permeabilize a via aérea (extensão da cabeça e elevação


da mandíbula);

 Efetue 2 ventilações que deverão demorar cerca de 1 segundo cada;

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3564 – Primeiros Socorros

 Reposicione as mãos sem demoras na correta


posição sobre o esterno e efetue mais 30
compressões torácicas;

 Mantenha a relação compressões torácicas e


ventilações numa relação de 30: 2;

 Pare para reavaliar a vítima apenas se esta iniciar


respiração espontânea normal; em qualquer
outra situação não interrompa as manobras

Se as ventilações iniciais não promoverem uma elevação da caixa torácica, então na próxima tentativa
deve:
 Observar a cavidade oral e remover qualquer obstrução visível;

 Confirmar que está a ser efetuada uma correta permeabilização da via aérea;

 Não efetuar mais de 2 ventilações antes de reiniciar compressões torácicas.

Se estiver presente mais de um reanimador, devem alternar a realização de compressões torácicas a cada
2 minutos para prevenir a fadiga. A troca deve ser efetuada demorando o menor tempo possível.

Realizar SBV utilizando só compressões torácicas poderá ser efetuado nas seguintes situações:
 Se não for capaz ou não estiver disposto a efetuar as ventilações boca-a-boca, efetue apenas
compressões torácicas;

 Neste caso, as compressões devem ser efetuadas de forma contínua, a uma frequência de 100/
minuto.

 Pare para reavaliar a vítima apenas se ela começar a ventilar normalmente; em qualquer outra
circunstância deverão ser mantidas manobras

As manobras, uma vez iniciadas, devem ser continuadas sem interrupção até que:
 Chegue ajuda diferenciada e tome conta da ocorrência;

 A vítima inicie respiração normal;

 O reanimador esteja exausto.

EXERCÍCIO: EM GRUPO VAMOS PRATICAR SBV

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3564 – Primeiros Socorros

2.3. FERIDAS, FRATURAS, ACIDENTES RESPIRATÓRIOS, ACIDENTES DIGESTIVOS, ACIDENTES


PELOS AGENTES FÍSICOS, ENVELHECIMENTO

Feridas

Lesões fechadas

As lesões fechadas são lesões internas em que a pele se mantém intacta e normalmente estão
associadas a uma hemorragia interna. Este tipo de lesões é, na maior parte dos casos, originado por
impacto, mas pode surgir também em determinadas situações de doença.

Tipos de lesões fechadas

Classificam-se como lesões fechadas, aquelas em que a pele se encontra intacta. Podem ser hematomas
ou equimoses.

a) Hematoma

O hematoma surge aquando do rompimento de vasos sanguíneos de um calibre considerável, provocando


o acumular de sangue nos tecidos.

Em muitos casos pode estar associado a outros traumatismos, como fraturas. Este acumular de sangue
vai dar origem a um inchaço doloroso de cor escura.

b) Equimose

A equimose, normalmente conhecida por nódoa negra, é o resultado do rompimento de vasos capilares,
levando a uma acumulação de sangue em pequena quantidade nos tecidos.

Actuação

Os cuidados de emergência são iguais para ambos os tipos de lesão, mas é preciso lembrar que este tipo
de lesão pode estar associado a outras mais graves.
Por isso, deve se sempre efectuado o exame do doente.

Quando da presença de uma destas lesões, proceder da seguinte forma:

• Acalmar o doente;
• Explicar o que vai ser feito;
• Suspeitar de outras lesões associadas;
• Fazer aplicação de frio sobre o local;
• Imobilizar a região afectada;

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3564 – Primeiros Socorros

• Procurar antecedentes pessoais;


• Ligar 112 e informar:
- Local exacto;
– Número de telefone de contacto;
– Descrever a situação;
– Descrever o que foi feito;
– Respeitar as instruções dadas.
• Aguardar pelo socorro, mantendo a vigilância do doente.

Lesões ósseas

O esqueleto é o suporte e protecção do corpo humano. Quando submetido a uma força energética
superior à sua capacidade de absorção podem existir fracturas.

A fractura define-se quando existe toda e qualquer alteração da continuidade de um osso.

Fracturas

As fracturas podem classificar-se da seguinte forma:

• Fracturas abertas (expostas): quando existe exposição dos topos ósseos, podendo facilmente
infectar.
• Fracturas fechadas: a pele encontra-se intacta, não se visualizando os topos ósseos.

Sinais e sintomas de fracturas

• Dor localizada na zona do foco de fractura, normalmente intensa e aliviando após a imobilização;
• Perda da mobilidade. Pode, em alguns casos, existir alteração da sensibilidade;
• Existe normalmente deformação, podendo, em alguns tipos de fracturas, não estar todavia
presente;
• Edema (inchaço) normalmente presente, aumentando de volume conforme o tempo vai
passando.
• Exposição dos topos ósseos, no caso da fractura exposta, não deixa dúvidas em relação à
existência da mesma;
• Alteração da coloração do membro. Surge no caso de existir compromisso da circulação
sanguínea.

Cuidados a ter no manuseamento de fracturas

• Não efectuar qualquer pressão sobre o foco de fractura;


• Imobilizar a fractura, mantendo o alinhamento do membro, não forçando no caso de a fractura
ser ao nível do ombro, cotovelo, mão, joelho e pés;
• No caso de fracturas abertas, lavar a zona com recurso a soro fisiológico antes de imobilizar;

23
3564 – Primeiros Socorros

• Não efectuar movimentos desnecessários.

Imobilizações

Para imobilizar a fractura proceder da seguinte forma:

• Expor o membro. Retirar o calçado e roupa;


• Se existirem feridas, limpá-las e desinfectá-las antes de imobilizar;
• Se a fractura for num osso longo, alinhar o membro;
• Imobilizar a fractura, utilizando preferencialmente talas de madeira, devendo estas estar
obrigatoriamente almofadadas;
• No caso da fractura ocorrer numa zona articular, não forçar o alinhamento. Se necessário,
imobilizá-lo na posição em que este se encontra.

Lesões Articulares

Entorse

Rotura ou torção dos ligamentos que reforçam uma articulação, provocada por um repuxamento violento
ou movimento forçado a esse nível.

Sinais e Sintomas

 Dor forte, no momento do acidente, que aumenta com o movimento;


 Edema (inchaço) na região articular;
 Equimose (“nódoa negra”), em alguns casos.

Primeiro Socorro

 Instalar a vítima em posição confortável;


 Fazer aplicações frias no local;
 Conferir apoio à articulação, envolvendo-a em camada espessa de algodão que se fixa com uma
ligadura;
 Em caso de dúvida, imobilizar a articulação como se de uma fratura se tratasse e promover
transporte ao hospital.

Luxação

Perda de contacto das superfícies articulares por deslocação dos ossos que formam uma articulação, o
que acontece quando esta sofre uma violência directa ou indirecta.

Sinais e Sintomas

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3564 – Primeiros Socorros

 Dor violenta;
 Impotência funcional;
 Deformação;
 Edema.

Primeiro Socorro

 Instalar a vítima em posição confortável;


 Imobilizar sem fazer qualquer redução;
 Prevenir/combater o choque;
 Promover o transporte ao hospital.

Lesões Musculares

Distensão

Rotura das fibras que compõem os músculos, resultante de um esforço para além da sua resistência (ex:
levantar pesos).

Sinais e Sintomas

 Dor local de instalação súbita;


 Rigidez muscular;
 Edema.

Primeiro Socorro

 Instalar a vítima em posição confortável;


 Se o acidente é recente, fazer aplicações frias;
 Repouso absoluto do músculo, mantendo-o imóvel;
 Se houver dúvidas sobre o estado da vítima promover o transporte ao hospital.

Cãibra

Contração sustentada, involuntária e dolorosa de um músculo ou de um conjunto de músculos, provocada


por situações de fadiga muscular, sudação abundante ou qualquer outra situação que provoque
desidratação.

Sinais e Sintomas

 Dor local de instalação súbita;


 Rigidez muscular;

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3564 – Primeiros Socorros

 Edema.

Primeiro Socorro

 Distender os músculos afectados forçando o seu relaxamento;


 Massajar suavemente o local;
 Aplicar, localmente e de forma indirecta, calor.

Intoxicações

As intoxicações podem essencialmente ter três origens: acidental, voluntária ou profissional, sendo a mais
frequente a intoxicação acidental e normalmente por uso ou acondicionamento incorrecto dos produtos.

O agente tóxico pode entrar no organismo humano por uma das seguintes vias:

 Via digestiva – É a mais frequente, normalmente associada a ingestão de alimentos deteriorados


ou a ingestão de medicamentos;
 Via respiratória – Resulta da inalação de gases, fumos ou vapores, ocorrendo na maioria dos
casos em situações de incêndio ou de uma deficiência nas instalações de gás para uso
doméstico;
 Via cutânea – Quando o produto entra em contacto com o organismo através da pele;
 Via ocular – Surge geralmente por acidente, quando um jato de um produto atinge os olhos;
 Por injecção – via parentérica – Acontece com mais frequência nos toxicodependentes ou num
caso de erro terapêutico, quer ao nível da dose quer ao nível da própria substância;
 Picada de animal – Em Portugal as mais frequentes devem-se às picadas do escorpião, alguns
insectos, víboras e peixes;
 Via rectal ou vaginal – São situações raras, que podem surgir em alguns casos de tentativas de
aborto com recurso a substâncias químicas ou pela utilização de alguns medicamentos.

Quando se estiver perante uma intoxicação importa lembrar que, em muitos casos, o melhor socorro é não
intervir, devendo ter sempre presente que, em caso de dúvida, deve ser contactado o Centro de
Informação Antivenenos (CIAV) ou ligar para o número europeu de socorro 112.

No contacto com o CIAV ou com o 112 indicar:

a) Em relação ao tóxico:
• Identificar o tóxico:
– Nome do produto;
– Cor;
– Cheiro;
– Tipo de embalagem;

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3564 – Primeiros Socorros

– Fim a que se destina.

b) Em relação à vítima:
• Idade;
• Sexo;
• Peso;
• Doenças anteriores.

As embalagens devem acompanhar o doente à unidade de saúde, para facilitar a identificação do agente
tóxico e assim permitir uma intervenção no tempo mais curto possível.

Atuação para intoxicação por via respiratória

Antes de se actuar, verificar se o local é seguro e arejado. Caso seja possível abordar o doente em
segurança, retirá-lo do local para uma zona arejada, se possível administrar oxigénio e contactar os meios
de socorro.

Atuação para intoxicações por via digestiva

Muitas das intoxicações por via digestiva são de fácil resolução pela remoção do conteúdo gástrico
através da indução do vómito, no entanto, a sua realização está dependente do tempo decorrido e do
produto em causa. Assim, somente deve ser efectuada quando lhe for dada indicação pelo CIAV ou pelo
operador da central 112.

Atuação para intoxicações por via cutânea

Nestes casos, remover as peças do vestuário que estiverem em contacto com o tóxico e lavar a zona
atingida durante pelo menos 15 minutos. Logo que possível contactar o CIAV.

Atuação para intoxicações por via ocular

Nestes casos, lavar o olho atingido, com recurso a água. A lavagem deve ser efectuada do canto interno
do olho para o canto externo e deve ser mantida durante 15 minutos. Assim que possível contactar o CIAV
– 112.

Os restantes casos, devido a sua especificidade, poderão apenas ser socorridos com intervenção médica.
Assim, devem ser accionados os meios de socorro o mais precocemente possível.

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3564 – Primeiros Socorros

2.4. ACIDENTES INERENTES À PROFISSÃO


2.4.1. Queimaduras
As queimaduras são lesões da pele e/ou tecidos subjacentes, resultantes do contacto com o calor
e/ou frio, substâncias químicas, electricidade e radiações. Embora as queimaduras atinjam principalmente
a pele, as suas repercussões acabam por ser sistémicas, com profundas alterações de todos os órgãos e
sistemas. As queimaduras constituem um dos acidentes mais frequentes, ocorrendo em variadíssimas
circunstâncias e em todas as idades. A maioria consiste em pequenas lesões sem grandes complicações
associadas. Contudo, algumas podem ser fatais ou potencialmente fatais, pelo que exigem um tratamento
adequado e o mais precoce possível, pois dele depende não só o resultado funcional e estético como
também a sobrevivência. A atuação pré-hospitalar consiste resumidamente em arrefecer a queimadura,
administrar oxigénio, prevenir a infecção, evitar a hipotermia. Sempre que existirem os meios humanos e
materiais para se proceder ao suporte avançado de vida, deve-se proceder à reposição da volémia e
controle da dor (solicitando apoio diferenciado).

CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS


As queimaduras podem classificar-se de várias formas. Alguns factores contribuem para avaliar a
gravidade de uma queimadura:
 A causa;
 A extensão (“regra dos nove”);
 A profundidade (1º, 2º e 3º grau);
 Gravidade (ligeira, moderada e grave)

A causa da queimadura:
 Fogo;
 Química;
 Radiação;
 Eléctrica:
 Eletrocussão
 Flash eléctrico ou arco voltaico
 Descarga directa (assume forma de chama)

A EXTENSÃO DA QUEIMADURA
Esta classificação baseia-se no cálculo da superfície corporal atingida, sendo a regra
universalmente mais aceite para proceder ao cálculo da área atingida, a denominada Regra dos Nove.
Esta regra varia consoante a idade do indivíduo queimado.

A PROFUNDIDADE DA QUEIMADURA
A classificação das queimaduras quanto à profundidade faz-se por graus.
Assim temos:

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3564 – Primeiros Socorros

1º Grau. São as menos graves pois envolvem apenas a epiderme. Sinais e sintomas: rubor, calor,
dor.
2º Grau. Envolvem a primeira e segunda camadas da pele, respectivamente a epiderme e a
derme. Localmente é possível visualizar pequenas bolhas com líquido – flictenas – situadas à superfície
da pele e que resultam da tentativa do organismo para proteger e arrefecer a área queimada. Sinais e
sintomas: dor intensa, flictenas.
3º Grau. Existe destruição de toda a espessura da pele (epiderme e derme) e dos tecidos
subjacentes. A pele apresenta-se acastanhada ou negra, sinal de destruição completa das células (morte
celular), denominando- se esta situação por necrose. Surpreendentemente estas queimaduras não doem
devido à destruição das terminações nervosas/sensitivas que se encontram nas estruturas afectadas.
Sinais e sintomas: necrose, coloração negra ou castanha ou branca, sem dor.

ATUAÇÃO PERANTE A QUEIMADURA


O primeiro passo na actuação é o afastamento do agente que provoca a queimadura ou em
alternativa da vítima relativamente ao agente.
No caso de fogo, a vítima deve ser deitada de modo a diminuir a inalação de fumos. As chamas
devem ser rapidamente extintas com um cobertor, com água (se disponível) ou soro;
Nas queimaduras químicas, a medida inicial consiste em remover a roupa contaminada, limpar a
pele com compressas secas e irrigar com grandes quantidades de água ou soro. Limpar com compressas
secas antes de iniciar a lavagem como soro ou água. A limpeza inicial com compressas é importante se o
agente for em pó (ex. cal) ou insolúvel em água (ex. fenol). A lavagem deve durar, se possível, pelo menos
30 minutos e prosseguir mesmo durante o transporte até o hospital;
A queimadura com ácido fluorídrico constitui excepção: a lavagem deve durar 5 a 10 minutos e a
vítima rapidamente evacuada para o hospital para tratamento específico;
De um modo geral, a neutralização química (utilização de um ácido para neutralizar uma base ou
vice- versa) provoca uma reacção em que se produz calor pelo que não deve ser realizada. A atitude
correta é diluir o químico, mesmo quando este reage com água;
Nas queimaduras eléctricas, é necessário desligar a corrente eléctrica e só depois observar a
vítima. Nos acidentes com corrente de alta tensão, não se deve aproximar da vítima sem indicação do
pessoal especializado no assunto (ex. companhia da electricidade, caminhos de ferro) dado o risco de se
provocar um arco voltaico, isto é a progressão da corrente eléctrica pela atmosfera através de um campo
magnético que existe em volta dos cabos ou terminais de alta tensão.
Controladas que estão as condições de segurança iniciar a abordagem segundo o Exame da Vítima.
Intervir sempre em função de AVALIAÇÃO PRIMÁRIA:
A. Permeabilizar a via aérea com controlo da coluna cervical
B. Ventilação e oxigenação
C. Assegurar a circulação com controlo da hemorragia
D. Disfunção neurológica
E. Exposição com controlo da temperatura

Abordar a vítima, imobilizando a cabeça desta em posição neutra na suspeita de coexistir um TCE
e/ou TVM; Deve ser colocado colar cervical em todos os queimados envolvidos em explosões ou
acidentes com desaceleração e/ou projecção;

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3564 – Primeiros Socorros

Assegurar a permeabilidade da via Aérea: As vítimas com queimaduras das vias aéreas ou com
traumatismo da face, pescoço, ou tórax devem ser identificadas imediatamente, uma vez que podem
necessitar de manobras de ventilação assistida. A inalação de vapor e gases quentes provoca edema da
via aérea superior, que pode evoluir rapidamente para obstrução. Rouquidão progressiva é um sinal de
obstrução iminente, pelo que deve redobrar a atenção e estar pronto a iniciar manobras de suporte básico
de vida, quando depara com esta situação;
Suspeitar que existe queimadura da via aérea quando:
 História de queimadura em espaço fechado;
 História de inalação de vapores;
 História de perda de conhecimento, eventualmente provocada por má oxigenação
do cérebro;
 Queimadura da face;
 Queimadura dos pelos nasais;
 Queimadura da língua, lábios e cavidade oral;
 Respiração ruidosa, rouquidão ou tosse;
 Expetoração que apresente cinzas ou carvão;

Administrar oxigénio:
 Garantir oximetria ≥ 95% (se grávida ≥ 97%; se DPOC entre 88-92%);
 10 L/min;

Se a vítima apresentar compromisso ventilatório (frequência respiratória inferior a 8 ou superior a


35) iniciar ventilação assistida, com insuflador manual, 10 a 12 ciclos por minuto (para melhorar a
quantidade de ar disponível para as trocas gasosas);
Avaliar e registar sinais vitais;
Despistar sinais de choque;
Recolher o máximo de informação sobre o mecanismo do trauma e sobre a vítima recorrendo à
nomenclatura CHAMU;
Efectuar a observação sistematizada de modo a detectar eventuais lesões associadas;
Não dar nada a beber;
Manter a temperatura corporal; Durante a exposição, observação sistematizada e transporte da
vítima devemos precaver o risco de hipotermia;
Passagem de dados ao CODU;
Considerar pedido de apoio diferenciado (CODU);
Perante uma vítima queimada e após o parar o processo de queimadura este deve ser
transportado sobre um lençol de queimados ou esterilizado e coberto com outro lençol semelhante;
Nas queimaduras não deve remover a roupa que se encontra aderente, de forma a não agravar as
lesões;
Nas queimaduras eléctricas deve sempre pesquisar a porta de entrada, a porta de saída e estar
desperto para as lesões ocultas no trajecto entre as duas portas;
Após a irrigação, para parar o processo de queimadura, as áreas queimadas devem ser cobertas
com compressas humedecidas em Soro Fisiológico se a área corporal queimada for inferior a 10%. Se a
área corporal queimada for superior a 10% cobrir queimaduras com compressas secas ou lençol
esterilizado.

30
3564 – Primeiros Socorros

É de extrema importância utilizar material esterilizado e cuidados rigorosos de modo a evitar a


infecção uma vez que o risco é elevado pois a pele constitui uma importante barreira protectora aos
microrganismos;
Irrigar as áreas queimadas com grande quantidade de Soro Fisiológico ou água de forma a aliviar
a dor e evitar o agravamento da queimadura em profundidade (no caso de queimaduras de 2º ou 3º grau,
com menos de 10% de área corporal, acima disto existe o risco de provocar hipotermia, algo não
desejável). O arrefecimento precoce reduz a progressão da queimadura em profundidade e diminui a dor.
Faz-se através de lavagem abundante com soro fisiológico ou água. É necessário cautela para evitar a
hipotermia que se pode instalar rapidamente. O gelo pode agravar a lesão cutânea pelo que não deve ser
utilizado;
Nas queimaduras químicas, o tempo de lavagem é variável. Nas queimaduras por bases fortes, a
lavagem pode prolongar-se por horas. No caso das queimaduras oculares, o tempo mínimo de lavagem
recomendado é de 30 minutos.

2.4.2. Hemorragias
Sempre que o sangue sai do espaço vascular estamos perante uma hemorragia. As hemorragias
sendo uma emergência necessitam de um socorro rápido e imediato. É imperioso que a equipa de socorro
actue de forma rápida e eficaz.
A perda de grande quantidade de sangue é uma situação perigosa que pode rapidamente causar
a morte.
As hemorragias externas podem ser observadas e são facilmente reconhecidas.
As hemorragias internas são de difícil reconhecimento e identificação. É necessário pensar na
hipótese e despistar a situação pelos sinais e sintomas indirectos.

CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS:


 HEMORRAGIAS ARTERIAIS - O sangue é vermelho vivo e sai em jacto, em simultâneo com
cada contracção do coração. É uma hemorragia muito abundante e de difícil controlo.
 HEMORRAGIAS VENOSAS - O sangue
é vermelho escuro e sai de uma forma
regular e mais ou menos constante. Não
obstante não ser tão grave como a
arterial, a hemorragia venosa poderá ser
fatal se não for detectada. De um modo
geral, estas hemorragias são mais fáceis
de controlar.
 HEMORRAGIAS CAPILARES - Têm uma cor intermédia (entre o vermelho vivo e o vermelho
escuro) e o sangue sai lentamente, devido à rotura dos minúsculos vasos capilares de uma
ferida. Estas hemorragias são de fácil controlo, podendo parar espontaneamente.

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3564 – Primeiros Socorros

2.4.3. Comportamento a Seguir


Intervir sempre em função de AVALIAÇÃO PRIMÁRIA:
A. Permeabilizar a via aérea com controlo da coluna cervical
B. Ventilação e oxigenação
C. Assegurar a circulação com controlo da hemorragia
D. Disfunção neurológica
E. Exposição com controlo da temperatura

Abordar a vítima, imobilizando a cabeça desta em posição neutra e assumindo sempre a


possibilidade de coexistir um TVM:
Administrar oxigénio:
 Garantir oximetria ≥ 95% (se grávida ≥ 97%; se DPOC entre 88-92%);
 Choque e Hemorragia graves: 10 L/min;
 Outras hemorragias: 3L/min;

Se a vítima apresentar compromisso ventilatório (frequência respiratória inferior a 8 ou superior a


35) iniciar ventilação assistida, com insuflador manual, 10 a 12 ciclos por minuto (para melhorar a
quantidade de ar disponível para as trocas gasosas);
Identificar e controlar a hemorragia externa, pela seguinte ordem de actuação:
1. Pressão directa;
2. Garrote;
3. Elevação do membro;
4. Compressão indirecta;

Avaliar, caracterizar e registar os Sinais vitais;


Despistar sinais de choque;
Suspeitar de eventual hemorragia oculta;
Recolher o máximo de informação sobre o mecanismo do trauma e sobre a vítima recorrendo à
nomenclatura CHAMU;
Efetuar a observação sistematizada de modo a detectar eventuais lesões associadas;
Não dar nada a beber;
Manter a temperatura corporal;
Transportar para a unidade de saúde adequada mantendo vigilância apertada dos sinais vitais;
Passagem de dados ao CODU;
Eventual pedido de apoio diferenciado (CODU).

2.4.4. Esterilização dos Instrumentos

As infecções continuam a ter um papel relevante em todo o mundo, não só pela morbilidade que
representam ao nível das populações, como também pelos gastos exorbitantes que determinam no
sistema de saúde.
Deve-se recorrer a métodos e técnicas de trabalho que visem impedir o circuito da contaminação
cruzada. Isto consegue-se pela adopção de normas e regras de trabalho que tenham por objectivo

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3564 – Primeiros Socorros

eliminar o risco de contaminação, como também pelo manuseio adequado de equipamentos e materiais,
sua limpeza e desinfecção.
A contaminação pode definir-se como a presença de microrganismos patogénicos ou
potencialmente nocivos sobre pessoas e/ou animais.

Da descontaminação fazem parte essencialmente três processos:


 Limpeza;
 Desinfecção;
 Esterilização.

Limpeza
Entende-se por limpeza o processo de remoção de sujidade que inclui a remoção e alguma destruição
de microrganismos, através da utilização de água e um detergente.
A limpeza deverá ser efectuada com água quente e um detergente, adequado à área a limpar. Deve-
se utilizar um detergente de diluições recentes e secar com papel limpo e seco.
Os detergentes não devem ser abrasivos e não se devem misturar com desinfectantes.
É importante reter que a limpeza é um método de descontaminação que remove os microrganismos
mecanicamente, ou seja, não destrói mas remove-os pelo seu arrastamento junto com água e o
detergente.

Desinfecção
É um conjunto de medidas que procuram conseguir a remoção e destruição de microrganismos
potencialmente patogénicos.
O desinfectante é todo e qualquer agente, químico ou biológico, que consegue destruir os
microrganismos patogénicos ou pelo menos atenuar a sua virulência (capacidade de invadir o organismo
hospedeiro), impedir a sua multiplicação e propagação. No entanto, para que sejam verdadeiramente
eficazes, é essencial que as superfícies a desinfectar tenham sido previamente lavadas, pois o
desinfectante apenas desinfecta a superfície após a remoção completa das matérias orgânicas como
secreções ou sangue.
Assim, se houver necessidade de desinfectar uma área, deve-se utilizar:
 Lixívia a 0,1% (1 litro de água para 1 cc de lixívia), quando pretendemos desinfectar
equipamentos e superfícies que estiveram em contacto;
 Lixívia a 1% (1 litro de água para 10cc de lixívia), quando pretendemos desinfectar
equipamentos e materiais conspurcados com sangue ou fluidos orgânicos. Os equipamentos
devem permanecer mergulhados nesta diluição, aproximadamente 30 minutos, após o que
devem ser passados por água corrente e bem secos;
 Outro desinfectante bem conhecido é o álcool a 70º. Este não destrói os microrganismos mas
reduz significativamente a sua virulência. Para além do seu custo, tem contra-indicações
quando o pretendemos utilizar em equipamentos que estiveram em contacto directo com o
fluido orgânico do doente.

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3564 – Primeiros Socorros

Esterilização
O último dos três processos da cadeia de descontaminação é a esterilização que compreende as
medidas ou o conjunto de medidas que visam a destruição de todos os microrganismos patogénicos e não
patogénicos que se encontram nos materiais.

2.4.5. Prevenção dos Acidentes de Trabalho, Supressão de Risco, Protecção Colectiva, Protecção
Individual, Sinalização

Acidentes de Trabalho
O que é acidente? Como já vimos “Acontecimento imprevisto, casual, que resulta em ferimento,
dano, estrago, prejuízo, avaria, ruína, etc...”
Os acidentes, em geral, são o resultado de uma combinação de factores, entre os quais se
destacam as falhas humanas e falhas materiais. Vale a pena lembrar que os acidentes não escolhem
hora nem lugar. Podem acontecer em casa, no ambiente de trabalho e nas enumeras locomoções que
fazemos de um lado para o outro, no nosso quotidiano.
Quanto aos acidentes de trabalho, o que se pode dizer é que a grande maioria deles ocorre
porque os trabalhadores se encontram mal preparados para enfrentar certos riscos.
Segundo a definição dada pelo Dec. Lei 100/97 DE 13/09 – “É acidente de trabalho aquele que
se verifique no local e no tempo de trabalho e produza directa ou indirectamente lesão corporal,
perturbação funcional ou doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho, ou a
morte”

Lesão Corporal é qualquer dano produzido no corpo humano, seja ele leve, como, por exemplo,
um corte num dedo, ou grave, como a perda de um membro.

Perturbação funcional é o prejuízo do funcionamento de qualquer órgão ou sentido. Por exemplo


a perda de visão, provocada por uma pancada na cabeça, caracteriza uma perturbação funcional.

Doença Profissional também é acidente de trabalho?


Doenças profissionais são aquelas que são adquiridas na sequência do exercício do trabalho em
si.
Doenças do trabalho são aquelas decorrentes das condições especiais em que o trabalho é
realizado. Ambas são consideradas como acidentes de trabalho, quando delas decorrer a incapacidade
para o trabalho. Um funcionário pode apanhar uma gripe, por contágio com colegas de trabalho. Essa
doença, embora possa ter sido adquirida no ambiente de trabalho, não é considerada doença profissional
nem de trabalho, porque não é ocasionada pelos meios de produção. Contudo, se o trabalhador contrair
uma doença ou lesão por contaminação acidental, no exercício da sua actividade, temos aí um caso
equiparado a um acidente de trabalho. Por exemplo, se o operador de um banho de decapagem se
queima com ácido ao encher a tina do banho de ácido isso é um acidente do trabalho. Noutro caso, se um
trabalhador perder a audição por ficar muito tempo sem protecção auditiva adequada, submetido ao
excesso de ruído, gerado pelo trabalho executado junto a uma prensa de enormes dimensões, isso
também consagra um acidente de trabalho.

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3564 – Primeiros Socorros

Um acidente de trabalho pode levar um trabalhador a ausentar-se da empresa apenas por


algumas horas, sendo neste caso um acidente sem afastamento (ex. Corte num dedo) ou então pode
deixar o trabalhador impedido de laborar por dias ou meses seguidos, sendo este um acidente por
afastamento e que pode resultar na incapacidade temporária, na incapacidade parcial e permanente ou
ainda na incapacidade total e permanente para o trabalho.
A incapacidade temporária é a perda de capacidade para laborar por um período limitado de
tempo, após o qual o trabalhador retorna às suas actividades normais.
A incapacidade parcial e permanente é a diminuição, por toda a vida, da capacidade física para
o trabalho. Ex. – Perda de um olho, um dedo, etc.
Incapacidade total e permanente é a invalidez incurável para o trabalho.
Neste último caso, o trabalhador não reúne condições para trabalhar (Ex. – se o trabalhador
perder a visão por completo num acidente de trabalho. Nos casos extremos, o acidente pode resultar na
morte do trabalhador.

Prevenção
Entende-se por Prevenção a acção: Evitar, Eliminar, Minimizar, Controlar – Os riscos profissionais
através de um conjunto de acções ou medidas que devem ser tomadas no projecto e/ ou em todas
as fases da actividade da empresa, do estabelecimento ou do serviço.

A Prevenção será o melhor processo de reduzir ou eliminar as possibilidades de ocorrerem problemas de


segurança com o trabalhador. A Prevenção consiste na adopção de medidas de protecção, na previsão de
que a segurança física do operador possa ser colocada em risco durante a realização do seu trabalho.
Nestes termos pode-se acrescentar que as medidas a tomar no domínio da higiene industrial não diferem
das usadas na prevenção dos acidentes de trabalho.

Princípios Gerais de Prevenção

Acções de prevenção de programação


 Identificação dos perigos;
 Avaliação dos riscos;
 Indicação das medidas de prevenção/ protecção;
 Analisar os postos de trabalho;
 Informação técnica (sobre equipamento, matérias-primas e produtos)

Acções de prevenção de vigilância


 Realizar exames de saúde periódicos obrigatórios e exames facultativos;
 Relatórios/ fichas de exames médicos;
 Participar os casos de doença profissional e de acidentes;
 Analisar as condições de trabalho, de grupos especialmente sensíveis a determinados riscos;
 Promover campanhas sanitárias.

Acções de prevenção de aconselhamento (consultivas)

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3564 – Primeiros Socorros

 Aconselhar sobre processos, métodos e organização do trabalho;


 Aconselhamento para a aquisição de novos equipamentos;
 Aconselhamento sobre a aquisição de matérias-primas e produtos;
 Exercer as suas funções consultivas junto de todos os trabalhadores.

A prevenção pode dividir-se em quatro fases:


1. Prevenção Intrínseca que actua directamente, no momento da concepção do edifício, das
instalações e dos processos de trabalho, pois todo o melhoramento ou alteração posterior já não
terá a eficácia desejada para proteger a saúde dos trabalhadores e será certamente mais onerosa;
2. Prevenção reactiva resume-se a um conjunto de medidas complementares às anteriores e
ocorrem principalmente logo após o fim do projecto/ construção e antes da disponibilização do
bem para uso comum. É a identificação de situações em que as medidas tomadas no momento da
idealização do projecto não foram eficazes. Estão geralmente ligadas:
 Com a própria máquina, em que é necessário complementar a instalação de protecções
(cobertura de partes móveis, limitar acessos...)
 Com o ambiente de trabalho, tem de ser adaptado ao tipo de meio disponibilizado;
 Com a organização da formação ao nível dos utilizadores e do pessoal da manutenção.
3. Prevenção integrada. Modo de prevenção que consiste em agir a montante (nos sistemas
organizacionais, nos sistemas ambientais) devendo actuar:
 Concepção do posto de trabalho;
 Cargas mentais e físicas;
 Factores de natureza psicossocial;
 Organização do trabalho e do espaço de trabalho;
 Planificação do trabalho, ritmos de trabalho, tempo de trabalho;
 Monotonia das tarefas;
 Procedimentação do trabalho.
4. Prevenção correctiva – estas acções são essencialmente de reparação, ocorrem principalmente
em três situações:
 Identificação de situações (desvios, falhas, deficiências) potencialmente causadoras de
acidentes. As inspecções de segurança e higiene detectam muitas situações de
necessidade de correcção:
i. Falhas de manutenção;
ii. Ambiente de trabalho desadequado;
iii. Comportamentos desajustados;
iv. As inspecções devem estender-se a todas as situações incluindo tarefas não
rotineiras;
v. As tarefas ou postos de trabalho devem ser analisadas, tanto com acções
preventivas como acções correctivas;
 Ineficiência ou falta de protecção do equipamento:
i. Comandos desajustados (arranque, paragem ou paragem de emergência);
ii. Ausência de blindagens sobre equipamentos com movimentos, ausência de
resguardos;

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3564 – Primeiros Socorros

iii. Ineficiência de protecções eléctricas (ou electrónicas). Muitas vezes são os


operadores que “eliminam” essas protecções;
iv. Adulteração dos sistemas de protecção (confiança excessiva);
v. Má gestão do número de peças de substituição em stock;
vi. Trabalhador sem a formação específica exigida para a tarefa;
vii. Na montagem de novos equipamentos, ou quando surgem mudanças, pode ser
desprotegidas certas situações
 Análise do pós-acidente (factores causais)
i. Máquinas;
ii. Materiais;
iii. Instalações e equipamentos;
iv. Espaço, acesso e superfícies de trabalho;
v. Ambiente de trabalho;
vi. Tipo e organização da tarefa;
vii. Formação, informação e comunicação
viii. Falhas de gestão;
ix. Factores individuais.

Eliminação e controle de riscos

Como já vimos, os acidentes são evitados com a aplicação de medidas específicas de segurança,
seleccionadas de forma a estabelecer maior eficácia na prevenção da segurança.

As prioridades são:
Eliminação do risco: significa torná-lo definitivamente inexistente
(Ex. Eliminação de um piso escorregadio)

Neutralização do Risco: o risco existe, mas está controlado


(protecções em partes móveis de máquinas)

Sinalização do risco: medida a ser


tomada quando não se consegue eliminar ou neutralizar (Ex. Máquinas em
manutenção devem estar sinalizadas; locais onde é
proibido fumar devem ser devidamente sinalizados)

Protecção Colectiva
As medidas de protecção colectiva, através dos equipamentos de protecção
colectiva (EPC), devem ter prioridade, conforme determina a legislação, pois
beneficiam todos os trabalhadores indistintamente.
Os EPC’s devem ser mantidos nas condições que os especialistas em
segurança estabelecerem, devendo ser reparados sempre que
apresentarem qualquer deficiência.
Exemplos;

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3564 – Primeiros Socorros

 Sistemas de exaustão de gases;


 Enclausuramento de máquinas ruidosas;
 Comando bimanual para manter as duas mãos ocupadas;
 Cabos de segurança

Quando não for possível adoptar medidas de segurança de ordem geral, para garantir a protecção contra
os riscos de acidentes e doenças profissionais, devem utilizar-se os equipamentos de protecção
individuais (EPI – Todos os de uso individual do trabalhador), destinados a proteger a integridade física e
saúde do trabalhador.

Os EPI’s não evitam acidentes, como acontece, de forma eficaz, com a protecção colectiva. Apenas
diminuem ou evitam lesões que podem decorrer de acidentes.

Olhos: Óculos contra impactos, que evita cegueira total ou parcial, a conjuntivite, entre outros.

Vias respiratórias: Protector respiratório, que previne problemas pulmonares, das vias respiratórias bem
como transmissão de infecções;

Face: Máscara de soldador ou


outras;

Ouvidos: Auriculares para


prevenção da surdez, cansaço,
irritação e outros problemas
psicológicos;

Mãos e Braços: Luvas de


protecção contra os mais variados
problemas, quer do trabalhador
como dos equipamentos que
manipula, ou ainda das pessoas
que cuida ou trata;

Pernas e Pés: Botas/ chinelos ou outro calçado com protecções variadas;

Tronco: Aventais ou outros, com as mais diversas protecções consoante o trabalho a executar.

A lei determina que os EPI’s sejam aprovados pelo Ministério do Trabalho,


mediante certificados de aprovação. As empresas devem fornecer os
EPI’s gratuitamente aos trabalhadores que deles necessitarem. A lei
estabelece também que é obrigação dos empregados usar esses
equipamentos.

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3564 – Primeiros Socorros

SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA
No interior e exterior das instalações das empresas, devem existir formas de aviso e informação rápida,
que possam auxiliar os elementos da empresa a actuar em conformidade com os procedimentos de
segurança.
Com este objectivo existe um conjunto de símbolos e sinais especificamente criados para garantir a fácil
compreensão dos riscos ou dos procedimentos a cumprir nas diversas situações laborais que podem
ocorrer no interior de uma empresa ou em lugares públicos.
Alguns exemplos:

Sinais de perigo
Indicam situações de risco potencial de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados em
instalações, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, etc...
Têm forma triangular, contorno e pictograma a preto e o fundo amarelo:

Sinais de proibição
Indicam comportamentos proibidos de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados em
instalações, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, etc... Têm forma circular, pictograma a preto
e fundo branco.

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3564 – Primeiros Socorros

Sinais de Obrigação
Indicam os comportamentos obrigatórios de acordo com o
pictograma inserido. Utilizados em instalações, acessos, aparelhos
e procedimentos, etc... Forma circular, fundo azul e pictograma em
branco.

Sinais de Emergência
Fornecem informações de salvamento de acordo com o pictograma inscrito. São utilizados em instalações,
acessos e equipamentos. Têm forma rectangular, fundo verde e pictograma branco.

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3564 – Primeiros Socorros

3. SERVIÇO NACIONAL DE PROTECÇÃO CIVIL

3.1. SISTEMA INTEGRADO DE EMERGÊNCIA MÉDICA

3.1.1. Componentes, Intervenientes e Forma de Funcionamento


As urgências médicas, nomeadamente traumatológicas, constituem, hoje em dia, um problema de
saúde a que o tradicional serviço de urgência hospitalar não pode isoladamente fazer face. No conceito de
abordagem destas situações, é de primordial importância a organização de um sistema integrado de
emergência médica (SIEM), e que pode, segundo a OMS, reduzir em 20% as mortes por acidente.
Um aspecto importante, que interessa esclarecer, é o conceito de emergência médica. Assim,
segundo o conceito actual, é um “Conjunto de meios e acções extra hospitalares, hospitalares e inter
hospitalares, com intervenção activa dos vários componentes da sociedade, logo pluridisciplinar,
programados de modo a possibilitar uma actuação rápida, eficaz e com economia de meios, em situações
de doença súbita, acidentes, catástrofes, nas quais a demora de diagnóstico ou terapêutica, podem
acarretar grave risco ou prejuízo ao doente”.
Cabe ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) o papel de “organismo coordenador das
actividades da Emergência Médica a executar pelas diversas entidades intervenientes no Sistema e cuja
actuação se desenvolverá segundo um esquema de organização regional”

Componentes e Organização
Face ao exposto anteriormente, torna-se fácil compreender que
para que este objectivo seja atingido tenhamos necessariamente uma
sequência de várias fases a cumprir:
 Deteção.
 Alerta.
 Pré-Socorro.
 Socorro.
 Transporte.
 Tratamento na unidade de saúde.

Detecção
A Detecção corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais
vítimas de doença súbita ou acidente.
Alerta
Esta fase corresponde ao momento em que se contactam os serviços de emergência.
Normalmente, o contacto com a Central de Emergência é feito através do Número Europeu de Socorro:
“112”.
Interessa agora perceber o que é na realidade uma Central de Emergência.
As Centrais de Emergência são centros telefónicos, criados ao nível de cada distrito, que fazem a
triagem e encaminhamento das chamadas feitas através do Número Europeu de Socorro ou seja, têm por

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3564 – Primeiros Socorros

função receber e encaminhar para a entidade adequada todos os pedidos de socorro que envolvem as
mais variadas situações:
 Segurança, geridas e/ou encaminhadas para a Polícia.
 Fogo, encaminhadas para os Bombeiros.
 Saúde, sempre que possível, encaminhadas para os CODU.

Os CODU (Centros de Orientação de Doentes Urgentes) são centrais rádio e telefónicas


coordenadas por um médico e que, dentro da área da saúde, fazem a gestão dos pedidos de ajuda e dos
meios de socorro disponíveis em cada momento na sua zona de actuação. Fundamentalmente, compete
ao CODU prestar, em tempo útil, orientação e apoio médico necessário ao eficiente socorro do doente, na
área da sua responsabilidade, quer em situações de emergência médica quer de doença súbita ou
acidentes. Nomeadamente, compete aos CODU:
 Proceder ao atendimento e triagem da situação de emergência médica.
 Proceder ao aconselhamento médico sobre a atitude a tomar pelo utente.
 Acionar, sempre que necessário, o transporte das vítimas para os serviços de saúde
adequados, utilizando meios próprios ou de outras entidades.
 Enviar uma equipa médica, tendo em conta a disponibilidade de meios e quando a
situação o justifique.
 Identificar e promover em conjunto com os centros de Formação credenciados a formação
de pessoal de emergência médica na sua área de influência.
 Coordenar os meios de socorro de emergência médica dentro da área da sua
responsabilidade, isto num espírito de cooperação e de uma forma concertada com outras
entidades e centrais.

Pré - Socorro
Esta fase corresponde ao aconselhamento feito no momento do contacto com o médico,
actualmente apenas possível no CODU.
Vimos então que os CODU são centrais coordenadas por médicos, logo dentro da área da saúde,
fazendo com que estas centrais se encontrem devidamente habilitadas a proporcionar a ajuda adequada a
cada situação de doença, dentro dos meios disponíveis, sendo o objectivo principal o início do tratamento
no local e o encaminhamento posterior para o local mais adequado.

Para que tal seja possível estas centrais encontram-se dotadas de meios humanos e técnicos:
 Médico 24 horas por dia que, para além da sua formação base, recebe um curso
direccionado para a triagem, aconselhamento e atendimento telefónico e gestão de meios de
socorro.
 Operadores, pessoal formado na área do atendimento rádio e telefónico.
 Protocolos de atendimento e triagem.
 Protocolos de actuação específicos para cada situação.
 Meios de gestão de comunicações, meios de telefone fixos e móveis, radio telecomunicações
para conversação com meios de socorro da sua área de influencia, possibilidade de ligação a
outras centrais de emergência na área do fogo e/ ou segurança, unidades hospitalares, etc.

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3564 – Primeiros Socorros

Socorro
Os meios ao dispor na área da saúde para serem accionados pelos CODU são de três tipos:
 Meios INEM.
 Meios Reserva.
 Meios não INEM.

Meios INEM
Os CODU têm à sua disposição diversos meios de comunicação e de actuação no terreno, com
sejam as Ambulâncias INEM, os Motociclos de Emergência, as VMER, as Viaturas de Intervenção em
Catástrofe (VIC) e os Helicópteros de Emergência Médica.
Ambulâncias INEM, também conhecidas por Ambulâncias de Socorro, destinadas à estabilização
e transporte de doentes que necessitem de assistência no local e durante o transporte, cujo a tripulação e
equipamento permitem providenciar a abordagem inicial em trauma, emergências médicas e Suporte
Básico de Vida. Estas Ambulâncias estão sediadas em vários pontos do País, quer associadas às diversas
Delegações do INEM quer em corpos de Bombeiros.
Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), são veículos de Base Hospitalar cuja
filosofia de funcionamento é servirem como extensão do Serviço de Urgência para a comunidade ou seja é
um “Serviço de Urgência Hospitalar sem paredes”. Estes veículos são tripulados por um Médico e um
Enfermeiro ou um Tripulante de Ambulância de Socorro. Além daquilo que se espera de uma Ambulância
INEM, podem executar manobras de Suporte Avançado de Vida e Suporte Avançado de Trauma.
Helicópteros de Emergência Médica, permitem um rápido acesso às Unidades de Saúde e
consequentemente, uma intervenção em tempo útil, mesmo a longas distâncias. Se a isto juntarmos a
agilidade e a versatilidade que vai desde o transporte de doentes, pessoal ou equipamento, rapidamente
percebemos a vantagem deste meio na Emergência Médica. Não é possível ter equipas médicas em todo
o lado, mas é possível ter equipas diferenciadas dotadas de uma grande mobilidade. Os Helicópteros
funcionam ao nível das unidades de cuidados intensivos e intervêm tanto no transporte primário (do local
de ocorrência para a unidade de saúde) como no transporte secundário (entre unidades de saúde
progressivamente mais diferenciadas).
Motociclos de Emergência (ME), que com a sua agilidade quando comparada com a de uma
ambulância no meio do trânsito citadino, permite a chegada mais rápida do primeiro socorro junto de quem
dele necessita. Reside aqui a sua principal vantagem relativamente aos meios de socorro tradicionais. A
carga da moto dispõe de equipamento que permite ao Tripulante a adoçam das medidas iniciais,
necessárias à estabilização da vítima até que estejam reunidas as condições ideais para o seu eventual
transporte.
Viaturas de Intervenção em Catástrofe (VIC) - É um veículo que se destina a dar apoio aos
operacionais destacados para as situações de excepção. Permite transportar e apoiar o Posto Médico
Avançado (PMA), garantir a iluminação do local, transportar material específico e garantir as
telecomunicações. O seu principal material é: macas, gerador, coluna de iluminação, tenda e material para
o PMA, material diverso e o centro de telecomunicações.

Meios reserva

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3564 – Primeiros Socorros

São os meios de socorro habitualmente denominados por:


 Ambulâncias Reserva, em cada PEM - Posto de Emergência Médica - ou em Corporações
com protocolos específicos, existe uma Ambulância Reserva, cujo equipamento é
semelhante às Ambulâncias INEM. Mediante um protocolo e a utilização de verbetes
INEM os seus accionamentos equiparam-se às Ambulâncias INEM dos PEM.

Meios não INEM


É o conjunto de meios que pode ser utilizado no socorro de vítimas e que não pertencem ao
INEM. Assim temos:
 Ambulâncias não INEM, pertencentes às corporações que não são PEM ou reserva mas
que, mediante critério médico do CODU, poderão ser accionadas sendo o valor deste ato
da responsabilidade do INEM. Na prática, por vezes intervêm no socorro mas carecem de
enquadramento reconhecido no SIEM.
 Helicópteros da Força Aérea Portuguesa.
 Helicópteros do Serviço Nacional de Bombeiros.

Na fase de Socorro prestam-se os primeiros cuidados de saúde, ainda no local de ocorrência, às


vítimas de doença súbita ou acidente. Esta actuação pode englobar todas as áreas da emergência
médica, dependendo dos meios de socorro envolvidos:
 Suporte Básico de Vida.
 Suporte Avançado de Vida.
 Abordagem do traumatizado.
 Emergências médicas.
 Emergências obstétricas.
 Emergências pediátricas.
 Situações de excepção.

Transporte
Nesta fase, após a estabilização do doente, o médico responsável (no CODU ou no local) toma a
decisão do transporte. Pretende-se que a filosofia presente seja “o doente certo no sítio certo”. Assim, o
doente pode ser encaminhado para a unidade de saúde que mais se adequa à sua situação clínica. O
doente poderá ser encaminhado para os Serviços de Urgência Hospitalares; salas de Reanimação ou
Trauma, Unidades Cuidados Intensivos, Serviços de Atendimento permanente, entre outros.
Nesta fase torna-se igualmente importante ponderar o transporte: o meio de transporte certo com
o equipamento e pessoal certo garantem o nível de cuidados de emergência até ao destino.

Tratamento na unidade de saúde


Esta fase corresponde ao tratamento no serviço adequado ao estado clínico da vítima. Pode, no
entanto, incluir a intervenção de um estabelecimento de saúde (SAP, CATUS, hospital distrital, etc.), onde
são prestados os cuidados necessários com vista à sua estabilização definitiva e posterior transferência
para um hospital mais diferenciado e/ou adequado à situação.

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3564 – Primeiros Socorros

A organização deste sistema obedece a um planeamento central, enquanto a execução do programa


deve ser desenvolvida a nível regional. Os programas indispensáveis para o SIEM são:
o Formação específica dos profissionais;
o Incrementar a qualidade das comunicações;
o Incrementar a qualidade dos transportes;
o Dotar de melhores meios técnicos os hospitais;
o Divulgar e formar a população sobre o acesso ao sistema;
o Estabelecer planos de intervenção;
o Padronizar e protocolar a formação e actuação de todos os elementos do sistema
 Cruz Vermelha Portuguesa (CVP);
 Bombeiros;
 Polícia de Segurança Pública (PSP)
Em resumo, o SIEM é o sistema que foi pensado e operacionalizado com a meta de alcançar os
objectivos definidos no conceito de emergência médica, e são eles:
o Rápida actuação;
o Atuação correta e eficaz;
o Economia de meios.

O Símbolo do SIEM
A estrela da vida, símbolo internacional da emergência médica, “nasceu” nos EUA, e cada um dos
seus braços tem um significado bem concreto, tal como qualquer dos membros que a integram.
A sua utilização, entre nós ou no âmbito internacional, obedece a normas internacionais importantes
que devemos ter sempre presente.
A sua origem tem como fundamento a necessidade que o departamento de transportes americano viu
na adoção de um símbolo, que identificasse inequivocamente os cuidados a prestar no âmbito da
emergência médica.
Portugal aderiu ao símbolo em 1977, pedindo o registo para uso exclusivo do então Serviço Nacional
de Ambulâncias (SNA).

Significado do Símbolo
A estrela da vida é composta por seis
faixas, tendo localizada no seu centro, ao alto,
um bastão com uma serpente enrolada.
Porquê seis faixas e não outro número
qualquer? Pois bem, ela tem seis faixas, de
acordo com as fases que constituem o ciclo
completo de acções em termos de
emergência médica.
Com efeito, enunciando-as de cima para
baixo e segundo o movimento dos ponteiros
do relógio teremos:
 Deteção;
 Alerta;

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3564 – Primeiros Socorros

 Pré socorro;
 Socorro;
 Transporte ao Hospital de referência;
 Tratamento hospitalar.

Quanto ao bastão com a serpente enrolada, colocado no centro da estrela, simboliza a saúde.
Com efeito, lendo-se a mitologia grega por um lado e a bíblia por outro, aí vamos encontrar a
explicação para este símbolo aparecer desde há muito ligado às profissões dedicadas à cura, ou seja a
medicina e a farmácia.
“Faz uma serpente ardente e enrola-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido, olhando para a
serpente que fizeres, será salvo”. Livro dos números, capítulo 21, versículos 4 e 9

Propriedade do Símbolo e Normas para a sua utilização


Hoje em dia, e com a extinção do SNA, é o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que
detém o uso da Estrela da Vida, enquanto organismo tutelar da emergência médica em Portugal.
O INEM concederá autorização para uso da Estrela da Vida, sempre por escrito, nos seguintes
casos:
 Identificar veículos inseridos no SIEM;
 Identificar equipamentos dos veículos referidos anteriormente;
 Para indicar a localização dos serviços médicos de emergência;
 Como divisas a serem usadas somente por técnicos aprovados pelo INEM;
 Em artigos pessoais do SIEM;
 Em material impresso da responsabilidade do INEM;
 Os veículos mencionados no primeiro ponto só poderão usar o símbolo se garantirem
uma tripulação habilitada, conforme figura no quinto ponto.

3.1.2. Subsistemas do SIEM


Desde 1981, o INEM tem vindo a ampliar a sua rede de actuação através da criação de
subsistemas para a prestação de socorros com características específicas, como são os cuidados de
saúde aos recém-nascidos de alto risco, as intoxicações ou o socorro a vítimas a bordo dos navios.

Centro de informação antivenenos (CIAV)


O CIAV é um centro médico que funciona 24 horas por dia, todos os dias e atende consultas de
técnicos de saúde e público, de todo o país, e que sejam referentes a intoxicações agudas ou crónicas, de
exposição humana ou animal.
O Centro atua ainda nas áreas de toxico vigilância, prevenção, ensino e acidentes colectivos,
dando apoio e emitindo pareceres.
Telefone: 808 250 143.

Transporte de recém-nascidos de alto risco

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3564 – Primeiros Socorros

Consiste na realização de transporte, com equipas móveis especializadas de médicos e


enfermeiros com competência em neonatologia, de recém-nascidos que requeiram tratamento em
cuidados intensivos neonatais e nascidos em hospitais que não disponham deste tipo de cuidados.

Centro de orientação de doentes urgentes (CODU)


Ao CODU compete prestar, em tempo útil, na área da sua responsabilidade, orientação e apoio
médico necessários ao socorro eficiente de doentes em situação de emergência ou vítimas de acidentes.

Centro de orientação de doentes urgentes – mar (CODU Mar)


Ao CODU-MAR compete assegurar o atendimento, orientação médica e encaminhamento dos
pedidos de socorro que, em matéria de saúde, provenientes de embarcações ou navios,
independentemente do local em que ocorrem ou da nacionalidade, de acordo com as regras nacionais e
internacionais definidas sobre a matéria.

Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM)


O serviço de helicópteros foi criado com o objectivo de dotar o sistema de meios aéreos na área
da emergência médica.
A tripulação dos helicópteros é constituída por dois pilotos, um médico e um enfermeiro,
funcionam ao nível dos cuidados intensivos, com capacidade para executar manobras de suporte
avançado de vida, e permitem:
 Transporte Primário, levando a equipa a intervir directamente no terreno,
encurtando significativamente o tempo de chegada do doente ao local de
tratamento definitivo mais correto.
 Transporte Secundário, mantendo um nível de cuidados intensivos durante a
transferência de doentes críticos e urgentes entre unidades hospitalares.
 Em caso de necessidade, nomeadamente nas situações de excepção permitem
ainda o transporte rápido de equipas medicalizadas para qualquer ponto do país.

TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR PEDIÁTRICO (TIP)


O Subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco e Pediatria é um serviço de
transporte inter-hospitalar de emergência, permitindo o transporte e estabilização de bebés prematuros,
recém-nascidos e crianças em situação de risco de vida, dos 0 aos 18 anos de idade, para hospitais com
Unidades de Neonatologia, Cuidados Intensivos Pediátricos e/ou determinadas especialidades ou
valências.
As ambulâncias deste Subsistema
dispõem de um Médico especialista, um
Enfermeiro e um TAE, estando dotadas com todos
os equipamentos necessários para estabilizar e
transportar os doentes pediátricos.
Em 2010 foi concluído o processo de
alargamento do âmbito deste serviço ao transporte
de todos os grupos etários pediátricos. Este

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serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano.

MOTAS
As motas de Emergência são tripuladas por um TAE
e graças à sua agilidade no meio do trânsito citadino,
permitem a chegada mais rápida do primeiro socorro junto de
quem dele necessita. Reside aqui a sua principal vantagem
relativamente aos meios de socorro tradicionais.
Naturalmente limitada em termos de material a deslocar, a
carga da moto inclui DAE, oxigénio, adjuvantes da via aérea
e ventilação, equipamento para avaliação de sinais vitais e glicemia capilar entre outros. Tudo isto permite
ao TAE a adopção das medidas iniciais, necessárias à estabilização da vítima até que estejam reunidas as
condições ideais para o seu eventual transporte.

UMIPE
A unidade móvel de intervenção psicológica de emergência
(UMIPE) é um veículo de intervenção concebido para transportar um
psicólogo do INEM para junto de quem necessita de apoio
psicológico, como por exemplo, sobreviventes de acidentes graves,
menores não acompanhados ou familiares de vítimas de acidente ou
doença súbita fatal. É conduzida por um elemento com formação em
condução de veículos de emergência. Atuam na dependência directa
dos CODU, tendo por base as Delegações Regionais.

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4.BIBLIOGRAFIA

1 – Manual de Suporte Avançado de Vida (2013).Instituto Nacional de Emergência Médica.

2 – Manual de Emergência e Primeiros Socorros (2010). Instituto da Mobilidade e Transportes

Terrestres, disponível em www.forma-te.com;

3 – PINTO, Luís: Manual de Socorrismo (2014). Disponível em www.forma-te.com;

4 – ABORDAGEM À VÍTIMA (Manual TAS/ TAT, 2013). Disponível em www.forma-te.com;

5 - NORMAS, EMERGÊNCIAS PEDIÁTRICAS E OBSTÉTRICAS (Manual TAS, 2013). Disponível em

www.forma-te.com;

6 - EMERGÊNCIAS MÉDICAS (Manual TAS, 2013). Disponível em www.forma-te.com;

7 - EMERGÊNCIAS TRAUMA (Manual TAS, 2013). Disponível em www.forma-te.com;

8 – SITUAÇÃO DE EXCESSÃO (Manual TAS, 2013). Disponível em www.forma-te.com;

9 - TÉCNICAS DE EXTRAÇÃO E IMOBILIZAÇÃO DE VÍTIMAS DE TRAUMA (MANUAL TAS,

2013).Disponível em www.forma-te.com;

10 – SIEM - SISTEMA INTEGRADO DE EMERGÊNCIA MÉDICA. Disponível em www.forma-te.com.

11 - Eis alguns conselhos para prevenir acidentes (sem data). http://www.min-


saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/idosos/preveniracidentesidosos.htm

12 - Guia prático do cuidador (2008). Disponível em

http://bvms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf

13 - Como enfrentar as doenças cardiovasculares e pulmonares (2001). Disponível em


http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005646.pdf

14 - Como proceder em caso de intoxicação (sem data). Disponível em www.inem.pt

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