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ESCRITA FORMAL E ESCRITA VIRTUAL: orgulho e preconceito*1

Camila Franco Aguiar-UNIFSJ


Dayane Bartholazi Costa Campos-UNIFSJ
Lis de Oliveira Barroso-UNIFSJ
Lenise Ribeiro Dutra-UNIFSJ/UEMG
Marcos Antônio Pereira Coelho-UEMG

RESUMO
As transformações no modo de comunicar-se, na contemporaneidade, em consequência das
tecnologias de comunicação e de informação, ocasionam a formação de novos estilos de vida e de
utilização da língua. O uso dessas tecnologias instituiu, portanto, uma inovação na forma
comunicativa: a escrita virtual. A proposta deste trabalho é analisar como a escrita virtual se
estabelece como esta nova maneira de comunicação, suas implicações e interferências na
linguagem formal, e seus diferentes olhares. Para isso, faz-se um breve passeio pelos conceitos de
linguagem formal e de linguagem virtual; verifica-se a origem do chamado internetês, e
observam-se, ainda, as ocorrências diárias da escrita utilizada na internet, em especial, nas redes
sociais digitais e de que maneira essa escrita pode gerar preconceito.

Palavras-chave: Linguagem. Comunicação. Escrita formal e virtual.

INTRODUÇÃO
As transformações que ocorrem na sociedade, em consequência das tecnologias de
comunicação e de informação, ocasionam a formação de novos estilos de vida; do mesmo modo
produz novas formas de utilização da língua que refletem de uma maneira rápida, sensível e
momentânea, a mudança social.
A linguagem, propriedade exclusiva do homem, constitui a ferramenta que possibilita sua
comunicação/interação com os outros. No entanto, ela não é imutável, o que significa que para
cada espaço/contexto há uma linguagem para ser utilizada. Todas as manifestações devem,
portanto, ser respeitadas. Estabelecer que uma forma ou outra de comunicação consista na mais
correta gera, em termos de linguagem, o chamado preconceito. Não é difícil observar, entretanto,
que uma linguagem específica pode influenciar outra modalidade, sem que para isso questões de
discriminação linguística ocorram.
Na contemporaneidade, com a entrada de tecnologias da comunicação e da informação na
sociedade, é claro que outras formas comunicativas fizeram-se necessárias. Assim, aparece a
linguagem virtual.
A relevância desta pesquisa reside na observação de como a entrada da escrita virtual
estabelece o preconceito àqueles que fazem uso dessa nova modalidade de comunicação, tão
necessária às exigências do mundo contemporâneo, e tem como objetivo apresentar
características da linguagem formal escrita como também da linguagem virtual, e a partir daí
verificar ocorrências da escrita virtual, apontando os mecanismos validados pelos usuários dessa
modalidade escrita.
Para concretização deste estudo, utilizou-se a pesquisa bibliográfica e o levantamento de
ocorrências de comunicação virtual.

LINGUAGEM FORMAL E LINGUAGEM VIRTUAL

A faculdade da linguagem é uma prerrogativa do ser humano. Como a linguagem é


considerada reflexo da cultura e, portanto, determinante nas formas de pensamento, o código
linguístico não apenas reflete a estrutura de relações sociais, mas também a regula. “Sendo uma
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* XII EVIDOSOL e IX CILTEC-Online - junho/2015 - http://evidosol.textolivre.org

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forma cognitiva, com ela podemos expressar nossos sentimentos, crenças, ideias e desejos. Em
resumo: mais do que uma forma, [...] é uma forma de ação pela qual podemos agir fazendo
coisas.” (MARCUSCHI, 2008, p. 240).
A linguagem oral e toda sua complexidade é aprendida nas interações com o próximo. Ela
ocorre na interação entre pessoas em tempo real, num espaço e numa situação que abrange a
totalidade do momento. Por mais que haja a riqueza da linguagem não verbal, a linguagem falada
tem grande importância, não apenas na comunicação, mas também na expressão do próprio
pensamento.

A conversa é como dança que, de forma sincronizada e precisa, envolve os


padrões da fala não somente com os movimentos do corpo de quem fala, mas
também com os movimentos do corpo de quem ouve (MARQUES, 1999).

Por ser contextualizada, a linguagem oral é dinâmica, e há uma tendência de


informalidade no discurso. No momento em que a comunicação oral é proferida com o outro
indivíduo, a palavra pode ser dita e repetida tanto por quem diz quanto por quem ouve, e está
sujeita a mudanças, pois se essa for mal pronunciada ou mal-ouvida, consequentemente outras
palavras surgirão. Novas situações requerem novo vocabulário que é convencionado e
estruturado pelo grupo que cria e recria uma língua comum de uma determinada sociedade,
conforme Labov (1996) “a variação na língua não só é previsível e sistemática, como também
está correlacionada ao grupo social que faz uso dela”.
No entanto, a articulação da linguagem na forma escrita é diferente da articulação da
linguagem oral. Uma vez que essa não é apenas a representação da língua falada, mas sim um
sistema mais disciplinado e rígido, não conta com o jogo fisionômico, as mímicas e o tom de voz
do falante; dispensa a situação face a face, materializando as funções abstratas da linguagem. É
mais objetiva, necessita de grande atenção e obediência às normas gramaticais; assim,
caracteriza-se por frases completas, bem elaboradas e revisadas, explícitas, vocabulário distinto e
variado, clareza no diálogo e uso de sinônimos. Devido a esses traços esta é uma linguagem
conservadora aos padrões estabelecidos pelas regras gramaticais. A linguagem escrita pressupõe
interlocutores ausentes temporal e espacialmente. Para Perissé (1996), “escrever é lapidar frases
e, portanto, exige o aprimoramento de uma técnica, a qual deve ser treinada. Afasta
peremptoriamente a ideia de escrita como ‘talento’ e reforça a ideia de trabalho que pode ser
aprendido por meio da autodisciplina e do rigor.”

A escrita se configura ao dispensar a copresença física dos corpos dos


interlocutores pela mediação de um terceiro suporte que é o documento habitado
por outra forma de articulação de linguagens, seja ele a parede de uma caverna,
seja o monumento-testemunho, seja a lajota, seja o papiro, o pergaminho, ou a
folha de papel (MARQUES, 1999, p.44).

Uma das discussões prementes está relacionada ao reconhecimento de quais situações


deve-se usar uma respectiva linguagem. Saber fazer essa distinção é a chave que cada indivíduo
tem para reconhecer a melhor forma de se comunicar.
A linguagem utilizada pelos indivíduos para se comunicar na internet é chamada virtual.
Esta linguagem tem fortes marcas da oralidade. No entanto, a linguagem virtual é vista com
preconceito assim como todas as outras linguagens consideradas não formais, pois não se adequa
a norma padrão da língua portuguesa. Na atualidade o sistema educacional preconiza o uso dessa
linguagem em ambientes formais cristalizando assim o conceito de certo e errado no ramo das
linguagens. Este conceito falho deveria ser substituído pelos termos adequado e inadequado e só
então depois dessa mudança a variedade adequada poderia ser escolhida, que deve se adequar ao
ambiente em que o indivíduo está interagindo; sua fala ou escrita irá mudar conforme o contexto
social.
Os usuários do “internetês” eventualmente são vítimas de preconceito, sendo
considerados pessoas que escrevem de maneira errada ou que não tiveram acesso à norma padrão.
Contudo, o uso dessa linguagem não deve ser estabelecido como erro; faz-se necessário um novo
olhar diante das pluralidades da língua.
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Do ponto de vista linguístico, observar o preconceito e não mudar de posição é uma
atitude que pode acarretar dificuldades sociais. Deve-se estar atento à linguagem, reconhecendo
que as línguas sofrem modificações, ao se apreciar a diversidade fonética e morfológica que cada
idioma possui.
Não se pode afirmar que a utilização de uma linguagem própria das redes sociais digitais,
portanto, possa colocar em risco a língua portuguesa padrão, basta que os internautas estejam
atentos ao utilizar essa linguagem em situações que exijam o cumprimento da norma padrão.

ESCRITA VIRTUAL E INTERNETÊS

O processo acelerado da globalização, no final do século XX, rompeu barreiras, diminuiu


as distâncias e tornou a comunicação mais fácil e ágil. O que se destaca na globalização é a
rapidez com que a tecnologia evoluiu. As informações são disseminadas para todas as partes do
mundo com praticidade e agilidade, para que esta comunicação ocorra faz-se necessário a
utilização de linguagens. A vantagem do mundo globalizado está em permitir a conexão do
indivíduo com o resto do mundo. Dessa maneira, ele interage e obtém as informações de forma
atualizada.

O maior instrumento da globalização cultural na sociedade tem sido certamente


o conjunto das redes de comunicação de massa. A abrangência, extensão e
eficácia dessas redes estão na raiz das maiores transformações na virada do
século (SOARES, 1997, p 53).

Nesse contexto, podemos afirmar que a globalização possibilita uma interação em tempo
real, por meio da internet. Esse sistema ampliado, modificado, virtualizado pode vir a alterar as
características tanto da escrita quanto da fala, possibilitando assim a criação de uma linguagem
própria.
Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das
comunicações e da Informática. As relações entre os homens, o trabalho, a
própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de
dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição,
criação e aprendizagem são capturados por uma Informática cada vez mais
avançada. (LEVY, 1994, p.74).

A palavra virtual se origina do latim medieval virtuale ou virtualis, tendo mantido seu
radical do latim virtus. O significado desse vocábulo é “virtude”, “força” e “potência”. A
linguagem virtual não deixa de ser a língua portuguesa escrita – com variações relacionadas às
possibilidades expressivas do meio informatizado, porém ela apresenta marcas da oralidade, onde
notamos características da linguagem coloquial.
A linguagem virtual e/ou internetês, “é um neologismo (de: Internet + sufixo ês) que
designa a linguagem utilizada no meio virtual, em que ‘as palavras foram abreviadas até o ponto
de se transformarem em uma única expressão, duas ou no máximo cinco letras’, onde há ‘um
desmoronamento da pontuação e da acentuação’, pelo uso da fonética em detrimento da
etimologia, com uso restrito de caracteres” e não segue a linguagem padrão, pois apresenta suas
próprias características que foram inventadas/construídas no decorrer das necessidades do tempo
e do espaço virtual.
Segundo Marconato (2006),

o internetês é uma forma de expressão grafolinguística que explodiu


principalmente entre adolescentes que passam horas na frente do
computador no Orkut, Facebook, Twitter, Google+, Skype, Instagram,
Badoo, WhatsApp, Ask.fm, em chats ou qualquer outras redes sociais,
blogs e comunicadores instantâneos em busca de interação - e de forma
dinâmica.

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É importante admitir que a escrita virtual ou o “internetês” conta com uma criatividade
extraordinária de seus usuários, prova disso são as inúmeras “caracteretas” que podem expressar
os mais variados sentimentos. A linguagem virtual requer reduções, abreviações, letras
maiúsculas a fim de dar entonação à conversa, letras em tamanho menor para sussurrar, uso
excessivo dos sinais de pontuação (ponto de interrogação, reticências e exclamação),
alongamento de vogais e consoantes, sem falar nos recursos multimídias (áudio e vídeo),
informalidades, e também no uso de “emoticons” que são frequentes, já que não existe a
expressão facial, como nas conversas traçadas pessoalmente, além de elementos não lineares, que
são múltiplos e estão à disposição do internauta.
Essa linguagem usada em correios eletrônicos e em chats é baseada em mensagens
informais que oferecem ao texto praticidade e rapidez assim como em um diálogo. Em salas de
bate-papo e em chats o que se prioriza é a velocidade que as respostas são dadas, lembrando que
o tempo é primordial e torna a comunicação mais ágil. Quando é notada a atitude dos internautas
e sua despreocupação com a escrita correta da língua percebe-se que o importante é fazer com
que a mensagem seja compreendida dando menos relevância à forma correta de se escrever.

O internauta não se comunica dentro dos padrões linguísticos já normatizados,


escrevendo as palavras corretamente e obedecendo ao máximo às regras de
ortografia. Essa comunicação, no chamado tempo real, tem de ser ágil, dinâmica,
não se pode perder tempo digitando as palavras de forma rigorosamente correta,
consultando dicionários (MARCUSCHI, 2000).

Nesta perspectiva, o internetês está atualmente tão marcante na vida dos usuários que ele
vem sendo utilizado fora de seu contexto habitual. Seu uso está se tornando um hábito, por
exemplo, em bilhetes e em mensagens de telefones, as abreviações, as gírias, a falta de
acentuação e pontuação estão presentes nos diálogos dos usuários. Dessa forma, os indivíduos
acabam levando as características de uma escrita informal a situações formais.

COMUNICAÇÃO VIRTUAL: UM OLHAR OBSERVADOR

O ciberespaço - espaço virtual criado entre computadores conectados à rede - possui cada
vez mais adeptos. Pertinente é observar que a cultura digital viabiliza uma formação mais
dinâmica e rápida. Além disso, a estrutura e a funcionalidade da internet atendem às necessidades
de comunicação impostas pela contemporaneidade.
Consequentemente, a comunicação que se estabelece neste ciberespaço faz-se por
intermédio de uma linguagem específica: a linguagem virtual. Essa, por sua vez, vem
disseminando-se cada vez mais e rompendo suas próprias fronteiras. Em termos linguísticos,
sempre houve as modalidades de código escrito e de código oral, porém, uma nova modalidade
pode ter surgido com a junção da linguagem escrita e da linguagem oral - um código escrito,
todavia com caraterísticas da oralidade.
As transformações que ocorrem na sociedade, em consequência das tecnologias de
comunicação e de informação, ocasionam a formação de novos estilos de vida. Do mesmo modo
produz novos estilos de linguagem que refletem de uma maneira rápida, sensível e momentânea,
a mudança social.
No entanto, a internet não deve ser vista como uma “vilã” causadora de problemas
linguísticos. Devemos notar que ela é uma fonte rica de conhecimento. A grande questão está na
maneira que os indivíduos a utilizam, comumente ela é mais usada pelos jovens para diversão do
que para aquisição de conhecimento.
Os usuários do internetês têm, assim, seu próprio modo de se comunicar. Podemos
observar logo abaixo figuras de “emoticons”, “caracteretas” e abreviações que são
frequentemente usados para auxiliar o processo da comunicação virtual.

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Figura 01. Emoticons que contribuem na comunicação do WhatsApp
Fonte: https://www.google.com.br

Em relação às abreviações pode-se perceber que se procura reduzir o máximo


possível a palavra, em alguns casos as vogais nem são utilizadas. Isso porque na
conversação virtual se preza a agilidade nas mensagens, as palavras são escritas de acordo
como são faladas, portanto, não há preocupação com a ortografia.

Figura 03. Charge usando abreviação


Fonte: http://digartmedia.files.wordpress.com/2013/05/001.jpg

A charge explicita que não há um comprometimento com a escrita, a intenção é transmitir


a mensagem com maior rapidez. Percebe-se pela charge abaixo que as vogais foram excluídas,
não se fazendo necessárias para que houvesse a compreensão da palavra.

Figura 4: Abreviações e emoticons


Fonte: http://emc.jornalacidade.com.br/dbimagens/3882e5f0-b991-4c47-9776-6eed03345021.jpg
Figura 4: Abreviações e emoticons
Presente no Fonte:
internetês, a transposição fonética, outra forma comunicativa - palavras são
http://emc.jornalacidade.com.br/dbimagens/3882e5f0-
representadas como se fossem pronunciadas e não na forma morfológica - pode ser vista como
b991-4c47-9776-6eed03345021.jpg
mais uma variante presente na língua portuguesa, esta que se modifica de acordo com o meio;
portanto, algumas mudanças morfofonológicas também podem ocorrer, como em “achu, nois,
beijaum, dexa,” entre outras.
O fato é que com o crescente número de adeptos à comunicação virtual, as pessoas
passam cada vez mais horas conectadas à rede, às exigências de uma interação mais acelerada, o
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que permite a criação de outra forma comunicativa que atenda aos anseios desta nova geração de
produtores linguísticos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo de comunicação se dá por intermédio da linguagem, porém, não podemos


considerar linguagem apenas aquilo que se estabelece a partir de regras normativas. Mas sim,
qualquer forma de comunicação, podendo ela ser expressa de vários modos, e tem como principal
objetivo fazer com que a mensagem seja passada e entendida.
Pertinente é observar que a cultura digital viabiliza uma comunicação mais dinâmica e
rápida - sua estrutura e a funcionalidade atendem às tais necessidades comunicativas. Os usuários
das tecnologias da comunicação e da informação criam sua própria linguagem cujo objetivo
principal é a comunicação que responde às exigências da sociedade contemporânea e conectada.
No entanto, essa nova maneira de se expressar no meio digital tem provocado discussões
e suscitado o preconceito. Muitos ainda não entendem esta forma comunicativa – a escrita virtual
- como mais uma manifestação linguística entre muitas a fim de se estabelecer o processo de
comunicação.
É importante ressaltar que, embora seja uma modalidade comunicativa emergente e de
valor interativo, os usuários da escrita virtual precisam escolher os contextos de uso, para que não
subvertam a ordem comunicativa. Assim, tanto a escrita formal, motivo de orgulho para uns, e a
escrita virtual, a razão de preconceito de outros, podem conviver em seus campos de utilização
harmonicamente.
O bom senso constitui, portanto, o equilíbrio que irá gerir as formas variadas de
comunicação que as linguagens oferecem.

REFERÊNCIAS
INTERNETÊS. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet%C3%AAs#cite_note -SM-2>. LABOV, W. The
Social Stratification of English New City. (Trad.) Washington: Center of Applied Linguistics,
1966.

LABOV, W. The Social Stratification of English New City. Washington: Center of Applied
Linguistics, 1966

LÉVY, P. As Tecnologias da Inteligência; O Futuro do Pensamento na Era da Informática.


Ed. 34, São Paulo, 1994.

MARCONATO, S. A revolução do internetês. Revista Língua Portuguesa.


Disponível em <www.revistalingua.uol.com.br>

MARCUSCHI, L. A. Produção Textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo:


Parábola Editorial, 2008.

MARQUES, M. O. A escola no computador: linguagens rearticuladas, educação outra. Rio


Grande do Sul: UNIJUÍ, 1999.

PERISSÉ, G. Ler, Pensar e Escrever. São Paulo: Arte e Cultura, 1996.

SOARES, D. A. Globalização numa perspectiva sociocibernética. In: Revista Contracampo, nº


1.Mestrado da UFF, jul/dez/1997. Disponível em: http://www.uff.br/ mestcii/cc2.htm.