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15.

Treinamento em técnicas de remoção, atendimento, transporte


de acidentes

Como socorrista remete a uma outra profissão, chamaremos aqui de Apoiadores os profissionais
responsáveis pelos primeiros procedimentos após um acidente. Estes Apoiadores devem estar
conscientes da importância de seu papel e devem ser preparados para:

 Resgate do acidentado;

 Transporte do acidentado do local do acidente a um local seguro;

 Acalmar a vítima;

 Prolongar o máximo que puder a consciência da vítima;

 Evitar que existam acidentes ou lesões secundários;

 Reduzir a chance de óbito;

 Minimizar o efeito ou o impacto do acidente na integridade do acidentado;

 Comunicar a equipe habilitada para os primeiros socorros.

É claro que, quanto mais a equipe de trabalho em SEP tiver treino e qualificação para se
tornarem brigadistas, socorristas, ou Apoiadores, melhor para todos.

Omitir-se ou esquivar-se de prestar socorro à vítima, podendo fazê-lo, constitui-se em crime


segundo o Código Penal Brasileiro. Dependendo da circunstância do acidente, se caso o Apoiador ou o
parceiro de trabalho não se sentir seguro para iniciar algum procedimento com a vítima, o simples fato
de chamar a equipe habilitada médica já se constitui em atendimento.

Para realizar qualquer atendimento a vítima, o Apoiador deve verificar se não há nenhuma
condição que coloque em risco a sua própria vida. Em caso de choques elétricos, é muito comum o
impulso de segurar na vítima para puxá-la da fonte energizada e, neste caso, tornam-se duas vítimas, ao
invés de uma apenas. O Apoiador deve conseguir verificar na ocorrência até onde pode intervir sem
colocar em risco a sua própria vida.
É onde entra a inteligência emocional do Apoiador, que precisa se manter calmo para verificar as
circunstâncias do acidente, analisar a presença de demais riscos até para sua própria atuação, e iniciar
os procedimentos de Apoio. Ao se acidentar, a vítima se encontra numa situação fragilizada, mesmo que
consciente. Pode estar atordoada, confusa e precisa de ajuda externa, pois geralmente não tem
condições de cuidar de si sozinha neste momento. Ter a companhia de alguém apoiando com o
estancamento de sangue, por exemplo, ou uma simples conversa para aguardar ser colocada em local
seguro, são atitudes que parecem básicas, mas primordiais para a integridade da pessoa acidentada.
Transmitir confiança e solidariedade são as primeiras atitudes do Apoiador.

Diversas atitudes ajudam:

 Evitar fazer comentários sobre o estado de saúde ou o grau dos ferimentos;

 Cobrir partes íntimas se estiverem expostas;

 Cobrir a vítima, em caso de óbito;

 Evitar histerias ou cenas de desespero;

 Isolar a área;

 Evitar brigar ou discutir com a vítima;

 Tirar fotos ou filmar com o celular;

 Nunca medicar ou prescrever medicamentos à vítima;

 Não discutir com outra pessoa sobre como proceder naquela ocorrência.

Agir com bom senso e rapidez

Compreender que não se possui condições psicológicas ou técnicas de realizar o atendimento é


item fundamental, pois alguma ação inadequada pode piorar o quadro da vítima ou mesmo provocar o
óbito. A exemplo do transporte. Há técnicas de resgate que não podem ser ignoradas para não piorar o
quadro de traumas ou mesmo expor a vítima ao óbito por consequência de uma lesão pós-acidente.

Se a vítima estiver consciente e com suas faculdades mentais normais, ela tem o direito de
recusa. A empresa onde a vítima está trabalhando, neste caso, precisa se resguardar pois pode ser que
a vítima venha a ter convulsão ao se deslocar para sua casa. É importante sempre seguir as vias
institucionais e técnicas. Quem realmente pode atestar que “está tudo bem”, “não foi nada” é o médico.
Mesmo se a vítima insistir em não ser atendida, o relatório de investigação de acidentes deverá conter
esta informação, com os protocolos todos que foram aplicados ao caso, e, mediante recusa do não
atendimento, deve-se ter a assinatura da mesma.

Verificar o local do acidente:

 Verificar as condições do acidente;

 Afastar curiosos e assumir o controle da situação;

 Identificar pessoas que possam ajudar, delegando comandos simples e objetivos;

 Observar se existem outros riscos e eliminar possibilidades de acidentes secundários;

 Certificar-se se alguém já desligou a corrente elétrica; se não, fazer esta solicitação


imediatamente para alguém capacitado;

 Se o acidentado estiver pendurado, estudar como será feita a remoção do mesmo, ou


aguardar a equipe dos socorristas;

 Se a vítima estiver inconsciente, não movimentá-lo até que se saibam os danos sofridos;

Verificar o acidentado:

 Verificar as condições do acidente para vítimas conscientes

a) Estado de consciência (avaliação de respostas lógicas – nome, idade, etc);

b) Respiração (movimentos torácicos e abdominais);

c) Hemorragia (avaliar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que se perde);

d) Pupilas (verificar o estado de dilatação e se estão simétricas entre si);


e) Temperatura do corpo pela sensação do tato na face do acidentado;

f) Perguntar pelas dores ou partes imobilizadas;

g) Verificar a pulsação da artéria carótida;

h) Conforme a vítima for respondendo sobre dor, tranquilizá-la até a chegada dos
socorristas.

 Verificar as condições do acidente para vítimas inconscientes

Importante observar as seguintes alterações antes de qualquer outra ação:

a) Falta de respiração;

b) Falta de circulação;

c) Hemorragia abundante;

d) Perda dos sentidos (ausência de consciência)

É considerado morte quando o cérebro pára sua atividade. As células nervosas do cérebro
sobrevivem até 3 minutos sem oxigenação. Mesmo que haja um pequeno fluxo de oxigênio para o
cérebro, alguns outros órgãos podem sofrer sérias complicações. Por isso, o tempo é decisivo para as
atitudes adequadas.

A avaliação clínica é fundamental e, bem realizada, pode salvar vidas. O Apoiador e seus
ajudantes podem se comunicar com os socorristas mesmo a distância, antes dos mesmos chegarem ao
local, para receberem orientação:

 Cuidar para que as vias aéreas superiores não estejam obstruídas;

 Proceder quanto à manobra de respiração cardiorrespiratória;

 Saber estancar hemorragias ou perda de membros;

 Cuidar quando a vítima estiver em estado de choque;

 Saber proceder em relação a demais complicações como diabetes, epilepsia;


 Proceder quanto a queimaduras.

Em caso de choques elétricos, poderá ter traumas internos, imperceptíveis para a vítima e
Apoiadores. As reações da vítima podem ser dos mais diferentes possíveis, pois ela não está nas suas
condições normais de ponderação. Alguma atitude da vítima pode ser inesperada e o Apoiador deve
estar preparado para saber lidar com a situação, passando confiança e credibilidade ao acidentado.

Com traumas ou hemorragias internas, somente os socorristas terão condições de fazer a


remoção e realizar o transporte da maneira mais adequada possível.

Não se deve dar água para o acidentado beber. Se ele tiver sede, molhar um algodão com água
potável e encostar em seus lábios. E, para manter a temperatura corpórea, cobrir a vítima.

O transporte de acidentados deve ser feito por pessoas habilitadas. Porém, dependendo da onde
o acidente acontece, o socorro demoraria muito para chegar, se considerarmos que operações com SEP
por vezes é em área rural com acesso por estradas.

Assim, deve-se considerar a remoção do acidentado, estudando a melhor forma de fazê-lo para
não causar traumas secundários. O modo de remoção dependerá das condições físicas do acidentado,
do Apoiador e companheiros de trabalho. Lembre-se que o transporte da vítima feito por outras pessoas
que não os socorristas será em último caso.