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ð  Este artigo tem por objetivo identificar as alterações promovidas pela Lei n.º
12.030/2009, especificamente ao assegurar autonomia técnica, científica e funcional aos peritos
oficiais de natureza criminal. ‘

°  1. Introdução ± 2. Autonomia ± 2.1 Autonomia funcional ± 2.2 Autonomia funcional


i  independência funcional ± 2.3 Autonomia funcional i  autonomia administrativa ± 2.4
Autonomia técnica ± 2.5 Autonomia científica ± 3. O veto ao artigo quarto ± 4. Conclusão‘

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 ‘

A prova pericial, em seara penal, representa a única prova que não precisa ser repetida em fase
processual. Todas as outras provas produzidas devem ser repetidas, quando então, à parte serão
assegurados o contraditório e a ampla defesa. ‘

Até por isso, alterou-se o Código de Processo Penal, mediante a Lei n.º 11.690/2008, criando a
figura do assistente técnico no procedimento penal. Esta criação possibilita, quando da realização
do exame pericial, às partes 1 questionarem os resultados obtidos no laudo pericial, permitindo o
contraditório em um momento bem próximo ao da produção da prova. É trazer o contraditório para
a fase pré-processual.‘

Ressalte-se que a possibilidade de atuação do assistente técnico do ac usado, somente se dará se,
por óbvio, existir investigado ou indiciado, ou seja, se os elementos coligidos forem suficientes para
indicar, mesmo de maneira indiciária, a autoria. Quanto ao assistente técnico do Ministério Público,
sempre será possível a sua atuação, independente da identificação da autoria. ‘

Em virtude da grande importância da prova pericial, devem -se assegurar garantias aos
profissionais responsáveis pela realização da prova pericial. A proximidade, ou mesmo a inserção
no órgão que realiza a investigação, que é a denominada polícia judiciária, é mais um fator que
contribui para uma maior possibilidade de ingerência nos trabalhos periciais. ‘

Este artigo busca identificar os contornos das formas de autonomia concedidas aos peritos oficiais
de natureza criminal, por meio da Lei n.º 12.030/2009. ‘

A Lei n.º 12.030/2009 teve origem no Projeto de Lei n.º 3.653/1997, de autoria do Deputado Arlindo
Chinaglia, apresentada em 23/09/1997. A justificação deste Projeto de Lei mostra nitidamente a
necessidade de autonomia para a realização dos trabalhos de natureza pericial. ‘

A perícia oficial compreende uma série de atividades indispensáveis para a investigação de


práticas ilícitas. Para ser eficiente essa perícia deve ser praticada num ambiente que
assegure a imparcialidade, estimule a competência profissional e o trabalho de precisão. É
portanto, em razão da importância e das peculiaridades da perícia pública que uma série de
entidades, como a Anistia Internacional, Associação Brasileira de Criminalística, So ciedade
Brasileira de Medicina Legal, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Federal de
Medicina defendem a autonomia dos órgãos responsáveis pelas atividades de Medicina
Legal e as de Criminalística. ‘
Além de viabilizar o reforço institucional e lo gístico, a autonomia da perícia oficial garantirá a
sua necessária independência dos órgãos policiais, o que é de fundamental importância
para que os exames periciais e demais laudos técnicos sejam feitos com a mais absoluta
imparcialidade e rigor científi co.‘

Ao desenvolver seu trabalho com balizamento técnico, a perícia oficial torna -se de
fundamental importância para a elucidação de praticas ilícitas, com a garantia, entretanto,
do respeito às garantias individuais. 2‘

Em 16/12/2008 o Projeto de Lei foi enc aminhado ao Senado Federal, recebendo a numeração SF
PLC 204/2008. Como não houve alteração no texto o Projeto de Lei foi encaminhado diretamente
ao Presidente da República para sanção, em 01/09/2009. ‘

Na Presidência da República, o Projeto de Lei foi conve rtido na Lei n.º 12.030, de 17 de setembro
de 2009, contando com veto ao artigo 4º, sob a seguinte argumentação: ‘

Ao determinar que µas atividades de perícia oficial de natureza criminal são consideradas
como exclusivas de Estado¶, o art. 4º poderá suscitar a interpretação de que restariam
derrogados os §§ 1º e 2º do art. 159 do Código de Processo Penal, que estabelecem a
possibilidade de, na falta de perito oficial, a perícia criminal ser realizada por particulares
designados pelo juiz. ‘

Tais dispositivos representam importantes garantias à adequada apuração das


circunstâncias e autoria das infrações penais, e sua eventual derrogação pelo presente
projeto de lei, de fato, não atenderia ao interesse público, haja vista o risco de paralisação
de inquéritos poli ciais e ações penais que, dependendo de exame pericial, não pudessem
contar, na comarca na qual tramitam, com perito oficial. 3‘

Em que pese a argumentação adotada para vetar o artigo 4º, as interpretações gramatical e
teleológica do artigo 2º conduzem à rev ogação dos §§ 1º e 2º do art. 159 do Código de Processo
Penal, extinguindo a figura do perito ad hoc .‘

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A palavra autonomia apresenta vários significados. Para a interpretação da norma em comento,


pode-se mencionar o significado da autonomia da i nstituição e da autonomia do indivíduo. ‘

Tendo como destinatário a instituição, pode -se afirmar que autonomia se trata da ³faculdade que
possui determinada instituição de traçar as normas de sua conduta, sem que sinta imposições
restritivas de ordem estranha´ 4.‘

Sendo o destinatário o indivíduo, autonomia é o ³direito de um indivíduo tomar decisões livremente;


liberdade, independência moral ou intelectual´ 5.‘

Por ser um termo amplo, não é possível dotar determinada instituição ou indivíduo de autonomia
absoluta, sob pena desta instituição ou deste indivíduo cometer atos arbitrários e que violem
garantias constitucionais dos demais participantes da sociedade. Autonomia absoluta detém o
déspota, o tirano, que tudo pode e nada responde. Contornando este pro blema, pode-se dotar a
instituição ou o indivíduo de autonomia, não mais no sentido pleno, mas especificando que parcela
dos seus atos estará livre de ingerências. Confere -se uma autonomia limitada, criando as
denominações de autonomia administrativa, auto nomia financeira, autonomia funcional, autonomia
técnica e autonomia científica. ‘
O artigo 2º da Lei n.º 12.030/2009 assegurou a autonomia funcional, técnica e científica tanto para
a instituição quanto para o indivíduo, o que veremos na explanação das form as de autonomia
conferidas aos peritos oficiais de natureza criminal. ‘

j O       ‘

Apesar de ser a última apresentada no artigo 2º da Lei n.º 12.030/2009, a autonomia funcional
deve ser estudada antes da autonomia técnica e da autonomia científi ca, por servir de base, viga
mestra de sustentação destas duas últimas. ‘

É possível a existência de cada uma destas formas de autonomia separadamente, mas a ausência
da autonomia funcional dificulta a implantação da autonomia técnica e da autonomia científi ca.‘

O termo função, no sentido empregado no texto normativo, representa a ³obrigação a cumprir,


papel a desempenhar, pelo indivíduo ou por uma instituição´ 6, bem como ³atividade específica de
cargo assumido em uma instituição ou o próprio cargo´ 7.‘

A obrigação a cumprir, o papel que o indivíduo ou a instituição deve desempenhar, deriva de lei,
sempre em atendimento ao princípio da legalidade. Trata -se de impor, ao indivíduo ou à instituição,
um papel social 8.‘

No cumprimento do papel social imposto, o indivíduo realizará atividades específicas do cargo. No


caso da instituição, não é possível identificá -la como sujeito ativo na realização direta de atividades
específicas, não sendo aplicada à instituição a segunda definição. ‘

Estas duas definições guardam estreito relacionamento no caso específico dos peritos oficiais de
natureza criminal. Quando o perito criminal realiza determinado exame, realiza uma atividade
específica do cargo que ocupa, sendo obrigado por lei a desempenhar aquele papel social. ‘

A autonomia funcional da instituição pode ser conceituada como uma faculdade atribuída a esta
instituição de livremente traçar suas normas de conduta, limitada apenas pelas regras legalmente
impostas, na definição do seu papel social. ‘

No caso do destinatário ser o indivíduo 9, pode-se conceituar a autonomia funcional como um direito
garantido de tomar decisões livremente, atendo -se apenas aos seus preceitos éticos, morais e
intelectuais, sempre lembrando da limitação de fundo, de seguir seu papel social. ‘

O legislador acertou ao assegurar a autonomia funcional do indivíduo e não apenas da instituição a


qual está vinculado, possibilitando assim que o perito oficial de natureza criminal possa impor a
autonomia técnica e científica, sem receios de represálias. ‘

Porém, autonomia funcional não significa ausência de responsabilidade. A autonomia funcional


pressupõe desnecessidade de autorização de qualquer pessoa, física ou jurídica, para a realização
da atividade, não se afastando, em hipótese alguma, o princípio da legali dade. Caso a atividade
seja realizada em desacordo com alguma norma, plenamente viável a responsabilização
administrativa, cível e criminal, dependendo do caso concreto. ‘

O papel social imposto ao perito oficial de natureza criminal 10 é, por exemplo, a real ização de
exames técnicos e científicos, na área de formação daquele indivíduo 11. Na realização dos exames,
representará invasão na autonomia funcional qualquer forma de ingerência realizada por ocupante
de qualquer outro cargo, bem como por qualquer órgão .‘
O órgão pericial também desempenha seu papel social 12. O funcionamento do órgão pericial não
diz respeito a nenhum ocupante de qualquer outro cargo e a nenhum outro órgão, mesmo demais
órgãos inseridos em uma mesma estrutura que a sua, cabendo exclusiva e privativamente ao
órgão pericial determinar a sua forma de funcionamento. É mais fácil identificar a autonomia
funcional no caso de órgãos periciais que estão separados de outros órgãos, representando uma
instituição própria. Mas também é possível assegu rar a autonomia funcional para um órgão pericial
que se encontra inserido em um organograma de uma instituição com outros órgãos. ‘

No caso específico do Departamento de Polícia Federal, o órgão pericial central denomina -se
Diretoria Técnico-Científica, que está inserida no organograma do Departamento, ligada
diretamente ao Diretor Geral. Em atendimento à autonomia funcional, caberá apenas à Diretoria
Técnico-Científica gerir seu funcionamento, nas atividades de natureza pericial, não sendo possível
ingerência nem mesmo de órgãos superiores hierárquicos a este órgão. ‘

É necessário que estejam bem definidas quais são as atribuições dos peritos oficiais de natureza
criminal e de seus órgãos, pois, a partir destas atribuições é que será possível identificar em qua is
atividades este profissional encontra -se amparado pela autonomia funcional, técnica e científica e
em quais atividades afasta -se a proteção conferida com as autonomias. ‘

Outra atividade que compõe o papel social do perito oficial de natureza criminal é a convocação,
pela autoridade judiciária, para o comparecimento em juízo, para prestar esclarecimentos sobre os
procedimentos e laudos periciais. Representa outra hipótese onde qualquer ingerência deve ser
afastada. Assim, considera -se ilegal qualquer inger ência, mesmo de seu superior hierárquico, para
que o perito oficial de natureza criminal fale ou deixe de falar algo sobre os procedimentos e laudos
periciais por ele realizados. ‘

Os órgãos periciais oficiais de natureza criminal estaduais encontram -se divididos em dois grandes
grupos: os que estão inseridos na estrutura da polícia civil e os que compõem estrutura própria,
fora da polícia civil do estado. O órgão pericial oficial de natureza criminal federal encontra -se
contido na estrutura do Departamento d e Polícia Federal. ‘

A existência da polícia científica, órgão separado da polícia civil, é um fenômeno recente,


ocasionado pela ausência de autonomia funcional atribuída a estes profissionais, que sofriam toda
a sorte de ingerências 13, sendo o êxodo para a formação de institutos próprios a única saída
encontrada para possibilitar a realização do papel social do perito criminal de forma plena e isenta. ‘

De acordo com o estado da federação, foram observadas naturezas jurídicas diversas para a
polícia científica , alguns configurando como pertencente à administração direta, com ou sem
atribuição policial; e em outros casos assumindo a forma de autarquia, pessoa jurídica pertencente
à administração indireta, mas, em todos os casos, vinculadas à Secretaria de Segura nça Pública
do estado.‘

Este fenômeno já pode ser observado em dezessete estados 14, ultrapassando a metade dos
estados da federação. Além dos estados que já se encontram desvinculados da polícia judiciária,
em Minas Gerais tramita na Assembléia Legislativa uma Proposta de Emenda à Constituição
Estadual, desvinculando o órgão pericial da polícia civil. No Rio de Janeiro já foi aprovada a
Emenda à Constituição Estadual que trata da desvinculação, carecendo apenas de
regulamentação por Lei Complementar Estadual . Nos sete estados restantes e no Distrito Federal,
não foram encontrados projetos de desvinculação. ‘

A Diretoria Técnica Científica, órgão central das perícias criminais federais, compõe o organograma
do Departamento de Polícia Federal, estando, desta form a, incorporada a um órgão policial de
natureza persecutória. A manutenção do órgão pericial federal na estrutura do Departamento de
Polícia Federal deu -se principalmente pelo menor grau de ingerências nos trabalhos periciais. ‘
A Lei n.º 12.030/2009 veio em boa hora, pois afasta qualquer entendimento de subordinação dos
peritos criminais a qualquer ocupante de outro cargo, bem como afasta qualquer forma que procure
diminuir a importância do trabalho realizado pelos peritos criminais. A autonomia conferida mos tra,
de forma clara, que a prova pericial apresenta como seu destinatário a autoridade judiciária e, por
esta razão, devem-se assegurar estas modalidades de autonomia. ‘

O destinatário da prova pericial é a autoridade judicial, tendo acesso a ela, antes do d estinatário
final, o delegado de polícia e o membro do Ministério Público. O acesso destes à prova pericial não
faz destas pessoas as destinatárias finais da prova pericial. As demais provas produzidas durante o
inquérito policial podem ter como destinatár io o delegado de polícia e o membro do Ministério
Público, até porque serão repetidas em juízo, e, neste novo momento produzidas para o
destinatário final autoridade judicial. ‘

Constitui erro de lógica entender que o trabalho pericial é uma atividade meio para a realização do
inquérito policial. O fato dos exames periciais auxiliarem o delegado de polícia e o membro do
Ministério Público na identificação da autoria e da materialidade não faz da prova pericial mero
meio para a realização do inquérito policia l.‘

Pensamento desta natureza diminui a importância dos exames periciais a mera prova pré -
processual, útil apenas ao delegado de polícia e ao membro do Ministério Público o que, por
imposição legal não são. ‘

Os exames periciais constituem meio para o livre c onvencimento motivado do juiz, da mesma
forma que o inquérito policial constitui meio para o convencimento do membro do Ministério Público
oferecer a denúncia. Esta é a forma logicamente correta de interpretar o significado da prova
pericial e do inquérito policial.‘

A Lei n.º 12.030/2009 nada menciona sobre a necessidade dos órgãos periciais pertencerem ou
não às polícias civis ou ao Departamento de Polícia Federal, diferente do Projeto de Lei n.º
3.653/1997 15, em alguns de seus momentos durante o processo legislativo, que vedava a
subordinação técnico -administrativa a órgão policial. Desta forma, cada ente federativo pode
legislar da forma que entender, mantendo ou desvinculando o órgão pericial da policia judiciária. ‘

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Autonomia e independência são conceitos distintos, cada qual delimitando um conteúdo. A Lei n.º
12.030/2009 concedeu autonomia funcional aos peritos oficiais de natureza criminal, mas não a
independência funcional. ‘

Para conceituarmos a diferenciação entre autonomia funcional da independência funcional, a


melhor forma é identificar em outras instituições que as têm asseguradas, como é o caso do
Ministério Público. Tomando por base a previsão de autonomia funcional 16 e independência
funcional 17 atribuídas ao Ministério Público, pode afirmar que a autonomia funcional refere -se à
³autonomia do ofício exercido pelo Ministério Público em face de outros órgãos estatais,
especialmente em faze dos governadores, legisladores e juízes´ 18, ao passo que a independência
funcional é a liberdade com que ³exercem seu ofício agora, em face de outros órgãos da própria
instituição do Ministério Público´ 19.‘

Pela distinção apresentada, a autonomia funcional refere -se à ingerência no relacionamento entre
o indivíduo e outras instituições; enquanto que a independência funcional refere -se à ingerência no
relacionamento entre os integrantes de uma mesma instituição, independente do cargo ou da
posição hierárquica.‘
Divergindo em parte do entendimento esposado, pode-se diferenciar a autonomia funcional da
independência funcional defendendo que a primeira recaí apenas na instituição; enquanto que a
segunda recaí sobre os membros da instituição 20. Desta forma, a autonomia funcional é a
"insujeição (...) a qualquer outro Poder do Estado" 21, em tudo o que tange ao papel social do perito
oficial de natureza criminal. ‘

Não deve prosperar tal entendimento, simplesmente porque através da Lei n.º 12.030/2009
conferiu-se autonomia funcional diretamente aos indivíduos. A tese apontada pode até ser
defendida no caso de outras instituições, onde a atribuição da autonomia funcional não foi feita
diretamente aos indivíduos, mas, não deve ser utilizada no caso em análise. ‘

A forma tradicional de atribuição de autonomia funcional e d e independência funcional era


assegurar a autonomia funcional do órgão e a independência funcional do indivíduo 22. Tomemos o
exemplo do Ministério Público, que detém tanto a autonomia funcional como a independência
funcional. Desta forma, atribui -se autonomia funcional ao Ministério Público enquanto instituição e
atribui-se independência funcional ao agente político que ocupa o cargo de promotor de justiça ou
procurador da república. ‘

Outra distinção que pode ser apontada entre autonomia e independência é qu e a independência
alçou o a de princípio, enquanto que a autonomia representa uma garantia que assegura a
autogestão, nas atividades inerentes ao papel social daquele órgão. ‘

Com a autonomia funcional, a instituição Ministério Público encontra -se livre de ingerências para
realizar todas as atividades relacionadas com as funções do Ministério Público, podendo criar suas
normas internas, desde que não colidam com o ordenamento legal posto, realizar as remoções e
lotações de servidores conforme melhor lhe aprouver, dentre outras expressões da autonomia
funcional.‘

Os peritos oficiais de natureza criminal, uma vez que se assegurou apenas a autonomia funcional,
têm a possibilidade de afastar qualquer ingerência que diga respeito a órgãos que se encontrem
fora da instituição. Interessante a situação, pois, os órgãos periciais que se encontram
desvinculados da polícia judiciária apresentam maior autonomia, uma vez que nestas não existem
cargos dentro da própria estrutura que possam causar ingerências, situação di versa do caso dos
órgãos periciais que estão inseridos na polícia judiciária. Contudo, para evitar que a autonomia
funcional transforme -se apenas em um garantia sem efetividade prática, não representando, de
fato, autonomia alguma, deve -se interpretar a norma no sentido de que, a partir de agora, os
órgãos periciais que se encontram inseridos na polícia judiciária devem ser vistos como vinculados
na estrutura organizacional aos órgãos centrais de perícia, notadamente nas atividades periciais. ‘

Em síntese, a autonomia funcional do órgão pericial significa que depois da lei, as atividades
inerentes ao papel social do perito oficial de natureza criminal devem ser regradas tão somente
pelo órgão pericial, não devendo sofrer ingerências nem de órgãos externos à in stituição onde o
órgão pericial se encontra e nem de órgãos internos a esta, na atividade fim pericial, visando
efetivar a autonomia funcional dos integrantes do órgão pericial. ‘

j        i        ‘

Outra diferenciação ne cessária é entre a autonomia funcional e a autonomia administrativa,


lembrando mais uma vez que a Lei n.º 12.030/2009 assegurou apenas a primeira aos peritos oficial
de natureza criminal.‘

A autonomia administrativa representa a possibilidade de o órgão ter disponível crédito para a


realização de suas atividades. Assim, com a autonomia administrativa repassa -se ao órgão um
determinado valor das receitas e este tem o poder de gerir este monta nte, guiado apenas pelos
preceitos legais. Com a autonomia administrativa é possível ao órgão adquiri bens e contratar
serviços, editar atos de aposentadoria, organizar um quadro próprio para os servidores de carreira
e para os serviços auxiliares e realiz ar atos de provimento inicial, promoção, remoção e outras
formas de provimento derivados 23.‘

Já a autonomia funcional diz respeito apenas à possibilidade dos atos realizados serem feitos sem
a ingerência de ocupantes de outros cargos ou outros órgãos, inter na ou externamente. Contudo,
com a autonomia funcional não é possível o recebimento direto de recursos para a gestão. Desta
forma, os órgãos periciais que continuam inseridos na polícia judiciária, não têm a possibilidade de
se considerarem unidades gestor as, mantendo o atual quadro existente. ‘

Feitas as considerações sobre a autonomia funcional, parte -se para a autonomia técnica e a
autonomia científica. ‘

j       ‘

A autonomia técnica refere -se à possibilidade da instituição ou do indivíduo deter minar-se quanto
às atividades técnicas desenvolvidas. Assim, cabe ao perito criminal e, somente a ele definir qual
método de trabalho utilizará na realização dos exames periciais. Nada impede, contudo, que o
órgão central pericial regulamente, sob forma de recomendações ou sugestões, rotinas de trabalho,
em áreas onde a técnica adotada já se encontra sedimentada, visando uma padronização e melhor
apresentação do trabalho pericial para o cliente final, qual seja, a autoridade judicial. Estas
regulamentações não terão caráter coercitivo, servindo apenas de recomendações. ‘

Ressalte-se que a autonomia técnica não atinge elementos diversos do papel social de perito oficial
de natureza criminal. Desta forma, pode o órgão central pericial instituir modelo quanto à f orma de
confecção do laudo, por exemplo, contendo a forma de letra a ser utilizada, etc., devendo ser
seguido obrigatoriamente pelo perito oficial de natureza criminal. ‘

Se, para a realização de um exame pericial há mais de uma técnica disponível, ambas ace itas pela
comunidade científica, cada uma apresentando particularidades quanto à precisão, amplitude do
resultado, etc., caberá apenas ao perito criminal a determinação da técnica para realizar os
trabalhos, não podendo ser imposta outra técnica, mesmo se seu chefe imediato entenda que outra
metodologia deveria ser utilizada. A decisão cabe única e exclusivamente ao perito criminal, da
mesma forma que a responsabilidade pela adequação entre os quesitos formulados e as respostas
advindas.‘

Um exemplo, fora da área pericial, de aplicação da autonomia técnica é da Imprensa Nacional,


que, de acordo com o artigo 5º do Decreto n.º 4.521/2002 funciona com autonomia técnica,
incluindo a fixação de critérios e condições para a edição, impressão, disponibilização e
distribuição das publicações oficiais. Neste exemplo, se o editor decidir que utilizará a impressão
ofsete com determinadas características, atendendo às especificações técnicas, estará livre para
seguir este caminho, não necessitando de prévia autorização pa ra realizar o trabalho. ‘

j       ‘

A autonomia científica refere -se diretamente ao processo de pesquisa, ou seja, de alteração do


estado da arte em determinada área do conhecimento científico. ‘

Exemplo clássico são as universidades que têm autonomia científica para livremente definir,
programar e executar a investigação e demais atividades científicas e culturais 24.‘
Confere ao órgão pericial o direito de definir livremente os meios de investigação científica. Assim,
caberá ao órgão pericial identificar quais modalidades de pesquisa científica têm interesse para o
serviço, não sendo aceitável a ingerência de outros órgãos, mesmo componentes da mesma
instituição.‘

A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada em Brasília, no período de 27 a 30 de


agosto de 2009, definiu como a segunda diretriz a ser adotada promover a autonomia e a
modernização dos órgãos periciais criminais, por meio de orçamento próprio, como forma de
incrementar sua estruturação, assegurando a produção isenta e qua lificada da prova material, bem
como o princípio da ampla defesa e do contraditório e o respeito aos direitos humanos 25. Seguindo
esta diretriz, o passo seguinte é assegurar a autonomia financeira dos órgãos periciais, o que pode
ser obtido, no nosso entendimento, mantendo o órgão pericial inserido ou não na estrutura da
polícia judiciária. ‘

     ‘

O Projeto de Lei 3.653/1997 foi sancionado pelo Presidente da República com veto parcial,
atingindo o artigo 4º, que afirmava que as atividade s de perícia oficial de natureza criminal são
consideradas como exclusivas de Estado. ‘

Nas razões do veto argumentou -se que sendo as atividades periciais consideradas exclusivas de
Estado, poder-se-ia afirmar que os §§ 1º e 2º do artigo 159 do Código de Pro cesso Penal estariam
derrogados.‘

Reza os supracitados dispositivos: ‘

Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial,
portador de diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) ‘

§ 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas,
portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as
que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame. (Redação dada pela
Lei nº 11.690, de 2008) ‘

§ 2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o


encargo. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) ‘

O veto presidencial ao artigo 4º da Lei n.º 12.030/2009 não teve o condão de impedir a revogação
tácita dos §§ 1º e 2º do artigo 159 do Código de Processo Penal, pelas razões a seguir expostas. ‘

A Lei n.º 12.303/2009 define que somente pode realizar atividade de perícia oficial de natureza
criminal aquela pessoa que logrou aprovação e nomeação em concurso público, não sendo
expressa qualquer ressalva a respeito. ‘

O artigo 2º apresenta a locução verbal ³é assegurado´ e o verbo ³exigido´. Na locução verbal, o


sujeito encontra-se oculto, ou seja, é a lei que assegura, e a oração foi escrita na forma indireta.
Escrito na forma direta o cap apresenta a redação: a lei assegurará autonomia técnica, científica
e funcional, no exercício da atividade de perícia oficial de natureza criminal, exigido conc urso
público, com formação acadêmica específica, para o provimento do cargo de perito oficial. ‘

Pois bem, o verbo assegurar pode ser bitransitivo ou transitivo direto. O objeto direto é ³autonomia
técnica, científica e funcional´, que representa aquilo que a lei assegura. O restante do cap define
a quem se assegura a autonomia técnica, científica e funcional, representando o objeto indireto. A
lei assegura a autonomia técnica, científica e funcional aos peritos oficiais de natureza criminal, no
exercício de suas atividades.‘

A condição para que a autonomia técnica, científica e funcional esteja assegurada pela lei é que
ocorra no exercício da atividade de perícia oficial de natureza criminal. Desta forma, as três
modalidades de autonomia estão asseguradas ap enas no caso de atividade de perícia oficial, não
englobando os peritos não -oficiais nem os assistentes técnicos; e de natureza criminal, afastando
os peritos oficiais que atuam na área cível. ‘

Por fim, explicitando o conteúdo do termo de atividade de períc ia oficial de natureza criminal,
³exigido concurso público, com formação acadêmica específica, para o provimento do cargo de
perito oficial´. Nesta oração a norma exige que o perito oficial de natureza criminal tenha realizado
concurso público, excluindo a ssim os peritos ad hoc do conceito de perito oficial e mais, que este
concurso público, para o provimento do cargo de perito oficial exija formação acadêmica específica,
excluindo da categoria de perito oficial qualquer profissional que realizou concurso p úblico onde
fosse exigida apenas a graduação em qualquer área do conhecimento. ‘

Em síntese, não se assegura autonomia técnica, científica e funcional: ‘

Nas atividades desenvolvidas pelo perito criminal, em papel social diverso do papel social
de perito ofici al de natureza criminal. ‘
Nas atividades de perícia oficial de natureza cível. ‘
No caso de exames periciais realizados por profissional que não prestou concurso público,
como no caso dos assistentes técnicos e dos peritos ad hoc.‘
No caso de exames periciais realizados por peritos que prestaram concurso público,
contudo onde não se exigia formação específica. ‘

Concluí-se que o artigo 2º, além de assegurar a autonomia técnica, científica e funcional, definiu os
requisitos para identificar o perito oficial. ‘

A seguir deve-se realizar a interpretação teleológica da Lei n.º 12.030/2009, iniciando pelo estudo
do processo legislativo. Percebe -se que na Câmara dos Deputados, em função de um voto em
separado do Deputado Marcelo Itagibe, o relator da Comissão de Segu rança Pública e Combate ao
Crime Organizado, Deputado Laerte Bessa, apresentou um 2º Substitutivo ao Projeto de Lei n.º
3.653/1997, publicado no Diário da Câmara em 07/08/2008, onde se acrescentava o § 2º ao então
artigo 2º, com a seguinte redação. ‘

§ 2º Fica ressalvada da exigência do concurso público previsto no caput deste artigo a


designação de perito ad hoc, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 159 do Código de Processo
Penal 26.‘

Então, foi inserida, naquele momento do processo legislativo, uma ressalva à exi gência de
concurso público, na hipótese de designação de perito pela autoridade judicial, o denominado
perito ad hoc . Entretanto, quando a matéria foi submetida ao plenário da Câmara dos Deputados,
este parágrafo foi suprimido, concluindo os legisladores q ue não cabia qualquer ressalva à
exigência de concurso público no desempenho de atividades de perícia oficial de natureza criminal. ‘

A análise histórica do processo legislativo auxilia no entendimento de que a Lei n.º 12.030/2009
tem a finalidade de assegur ar a imparcialidade dos peritos oficiais de natureza criminal, conferindo
autonomias que não poderão ser ampliadas, por imposição legal, aos denominados peritos ad hoc.‘

Assim, tanto a interpretação gramatical do artigo 2º como a interpretação teleológica d o texto legal
conduzem à conclusão de que houve a extinção da figura do perito ad hoc. Caso vingue o
entendimento de que estes profissionais ainda existem, força é concluir que a eles não há que se
falar em autonomia técnica, científica ou funcional, o que , por si só representa uma incoerência
com o próprio sentido da norma, assecuratória de garantias a quem realiza as atividades de
periciais criminais, que se exige deste profissional. ‘

  ‘

A promulgação da Lei n.º 12.030/2009, após doze anos no Congresso Nacional, representa a
positivação de garantias aos peritos oficiais de natureza criminal, para que os trabalhos periciais
possam se realizar com isenção e imparcialidade, qualidades imprescindíveis para a prova pericial,
ainda mais quando produz idas em fase pré-processual, sob a égide do contraditório diferido. ‘

A Lei n.º 12.030/2009 assegurou autonomia funcional, técnica e científica aos peritos oficiais de
natureza criminal.‘

A autonomia pode ser vista em sua dimensão horizontal e em sua dimensão vertical. No plano
horizontal, a Lei n.º 12.030/2009 assegurou três formas de autonomia aos peritos oficiais de
natureza criminal, a autonomia funcional, técnica e científica. No plano vertical, a definição da
profundidade da autonomia somente será obtida através da análise do caso concreto, sopesando a
profundidade pretendida com os princípios constitucionais que regem a Administração Pública. ‘

A autonomia funcional da instituição pode ser conceituada como uma faculdade atribuída a esta
instituição de livremente traçar suas normas de conduta, limitada apenas pelas regras legalmente
impostas, na definição do seu papel social. ‘

A autonomia funcional não se confunde com a independência funcional, mais ampla e nem com a
autonomia administrativa, que se refere à possibilidade de praticar atos de gestão. ‘

Apesar de a autonomia funcional ser concedida, normalmente, ao órgão, a Lei n.º 12.030/2009
atribuiu esta autonomia ao perito oficial de natureza criminal, cabendo a interpretação do alcance
desta autonomia no sentido de proporcionar, nas atividades de natureza pericial, ausência de
ingerências, seja de órgãos estranho à instituição como de órgãos e ocupantes de cargos
presentes na instituição a que o órgão pericial encontra -se inserido. Trata-se de uma vinculação
parcial, somente para a atividade fim pericial. ‘

A autonomia funcional do indivíduo é o direito de tomar decisões livremente, atendo -se apenas aos
seus preceitos éticos, morais e intelectuais, sempre lembrando da limitação de fundo, de seguir seu
papel social.‘

A ausência de norma expressa assegurando a autonomia funcional ao perito oficial de natureza


criminal fez com que diversos órgãos periciais estaduais se desvinculassem da polícia judiciária,
formando institutos próprios. ‘

No âmbito federal, o órgão peric ial criminal encontra -se contido no organograma do Departamento
de Polícia Federal e não se desvinculou da polícia judiciária da União, principalmente pela menor
ingerência observada em suas atividades. ‘

Acredita-se que a implantação e correta interpretação da autonomia funcional prevista na Lei n.º
12.030/2009 freará a onda de desvinculações dos órgãos periciais das polícias judiciárias. ‘

A autonomia técnica refere -se à possibilidade da instituição ou do indivíduo determinar -se quanto
às atividades técnicas desenvolvidas e a autonomia científica refere -se ao processo de pesquisa. ‘

A interpretação gramatical do artigo 2º da Lei n.º 12.030/2009 revela que esta norma não se aplica: ‘
Nas atividades desenvolvidas pelo perito criminal, em papel social diverso do pape l social
de perito oficial de natureza criminal. ‘
Nas atividades de perícia oficial de natureza cível. ‘
No caso de exames periciais realizados por profissional que não prestou concurso público,
como no caso dos assistentes técnicos e dos peritos ad hoc.‘
No caso de exames periciais realizados por peritos que prestaram concurso público,
contudo onde não se exigia formação específica. ‘

Apesar do veto presidencial ao artigo 4º da Lei n.º 12.030/2009, restaram revogados tacitamente os
§§ 1º e 2º do artigo 159 do Código de Processo Penal, extinguindo a figura do perito ad hoc , a
partir da interpretação gramatical do artigo 2º da Lei n.º 12. 030/2009 e da interpretação teleológica
da referida norma, ambas convergindo para a mesma conclusão. ‘

Caso, a partir entendimento diverso do apresentado neste trabalho, entenda -se que persiste a
figura do perito ad hoc, força é concluir que a eles não há qu e se falar em autonomia técnica,
científica ou funcional, o que, por si só representa uma incoerência com o próprio sentido da
norma, de assegurar as garantias indispensáveis a quem realiza as atividades de periciais
criminais, que se exige deste profissio nal.‘

O conjunto de autonomias afasta qualquer entendimento de subordinação dos peritos oficiais de


natureza criminal a qualquer outro cargo existente na polícia judiciária. ‘

Os exames periciais constituem meio para o livre convencimento motivado do juiz, da mesma
forma que o inquérito policial constitui meio para o convencimento do membro do Ministério Público
oferecer a denúncia. ‘

Sem dúvida, trata-se de uma mudança de paradigmas, pois atualmente muito do que foi dito é
decidido por ocupantes de cargos e órg ãos diversos do pericial. Com a autonomia funcional,
técnica e científica a atribuição é repassada para o perito oficial de natureza criminal e para o órgão
central pericial.‘

Caberá a aplicação coerente das autonomias asseguradas por esta lei. Acredita -se que existirá
resistência de alguns setores na implantação das medidas ora propostas; mas espera -se que, a
partir do entendimento teleológico na norma, tais resistências se dissolvam, a partir dos benefícios
que é ter uma perícia oficial isenta, imparcial e livre de pressões.‘

Esta lei representa um postulado fundamentado de realização, cabendo a todos, autoridade


judicial, promotores, procuradores, delegados de polícia e principalmente os peritos oficiais de
natureza criminal, que se torne um estado real de vigência.

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1 Tanto o Ministério Público como a quem se imputa a autoria do fato delituoso.‘

2 Diário da Câmara dos Deputados do dia 07 de outubro de 1997, p. 31352. Disponível em:
<http://imagem.camara.gov.br/dc_20.asp?selCodColecaoCsv=D&Datain=7/10/1997&txpagina=31352&altura=
700&largura=800>. Acesso em: 25-09-2009.‘

3 Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Msg/VEP-758-09.htm> Acesso


em: 25-09-2009.‘

4 Houaiss. Dicionário eletrônico. Verbete: autonomia. Disponível em:


<http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=autonomia&stype=k > Acesso em: 25-09-2009.‘

5 Houaiss. Op. ci.‘

6 Houaiss. Dicionário eletrônico. Verbete: função. Disponível em:


<http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=fun%E7%E3o&stype=k> Acesso em: 25-09-2009.‘

7 Houaiss. Op. ci.‘

8 Para uma análise da teoria dos papéis sociais, ver RIZZATTO NUNES, Luiz Antonio. Comentários ao
Código de Defesa do Consumidor. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 38-46.‘

9 Em sentido contrário, entendendo que autonomia funcional deve ser empregada somente para o órgão e
independência funcional deve ser empregada para o indivíduo, ver TEIXEIRA, Francisco Dias. Princípios
Constitucionais do Ministério Público. ð iia Bail ia d @iência @iminai, São Paulo: Revista dos
Tribunais, v. 49, jul./ago. 2004, p. 291-315. Para uma diferenciação entre autonomia funcional e
independência funcional veja item 2.2.‘

10 O papel social do perito oficial de natureza criminal encontra-se delimitado nos instrumentos normativos
que especificam as atribuições daqueles profissionais.‘

11 Nas áreas do conhecimento que necessitam de curso próprio, o diploma em curso reconhecido é o
requisito para considerar apto o profissional, como no caso da engenharia química, engenharia elétrica,
contabilidade, economia, medicina veterinária. Nas áreas de conhecimento que não tem curso de graduação,
supõe-se que o curso de formação pericial, realizado nas respectivas Academias, irá fornecer os
conhecimentos específicos para a atuação, como no caso da documentoscopia, balística, merceologia e
locais de crime.‘

12 De acordo com as atribuições especificadas em diploma legal próprio.‘

13 Como por exemplo, a coação para a realização do laudo pericial com conclusão adequada à autoridade.‘

14 Os dezessete estados são Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo,
Sergipe e Tocantins.‘

15 Este Projeto de Lei foi apensado ao Projeto de Lei n.º 244/2007 e convertido na Lei n.º 12.030/2009‘

16 Artigo 127, § 2º, da CF/88 e artigo 3º, da Lei n.º 8.625/93. Da mesma forma a Defensoria Pública,
conforme artigo 133, § 2º da CF/88 e artigo 3º, da Lei Complementar n.º 80, de 12/01/1994.‘

17 Artigo 127, § 1º, da CF/88 e artigo 1º, parágrafo único da Lei n.º 8.625/93. Da mesma forma a Defensoria
Pública, conforme artigo 43, inciso I, da Lei Complementar n.º 80, de 12/01/1994.‘

18 MAZZILLI, Hugo Nigro. und p ndência do üiniio Público. In: CAMARGO FERRAZ, Antônio Augusto de
Mello de (coord.). üiniio Público: instituição e processo, São Paulo: Atlas, 1997, p. 107.‘

19 MAZZILLI. Op. ci., p. 107.‘

20 TEIXEIRA. Op. ci., p. 291-315.‘

21 MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. As Funções Essenciais à Justiça e as Procuraturas


Constitucionais. ð iia da Pocadoia G al do Eado d São Palo, dez. 1991, p. 27.‘

22 TEIXEIRA. Op. ci., p. 291-315.‘

23 Exemplos retirados de MAZZILLI. Op. ci., p. 105.‘

24 Conforme reza o artigo 207 da CF/88: ³As universidades gozam de autonomia didático-científica,
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre
ensino, pesquisa e extensão´.‘

25 Disponível em: <http://www.conseg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1554:1o‘

-conseg-define-qprincipiosq-e-qdiretrizesq-para-seguranca-publica&catid=49:noticias-gerais&Itemid=‘

226> Acesso em: 08-10-2009.‘

26 Trecho do 2º Substitutivo do Deputado Federal Laerte Bessa. Diário da Câmara dos Deputados do dia 07
de agosto de 2008, p. 35931. Disponível em: <http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD07A‘

GO2008.pdf#page=387>. Acesso em: 25-09-2009.‘


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