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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS

Departamento de Letras - Tecnologias da Edição


Processos de transcriação: teorias e técnicas da tradução aplicadas à literatura e
outras artes - Prof.ª Dr.ª Mírian Sousa Alves
Aluna: Ana Luísa Araújo de Albuquerque

Questões sobre o seminário - O caçador de pipas

Como o espaço narrativo e o espaço poético apresentam-se na HQ e no filme visto?


O que evoca a mudança de espaço geográfico nessa narrativa? Em um pequeno
texto, discorra sobre os principais pontos abordados nesse seminário.

De acordo com Santos e Oliveira, no livro Sujeito, tempo e espaço ficcionais:


introdução à teoria da literatura, o espaço, de modo genérico, trata-se de um conjunto
de indicações que constitui um sistema variável de relações (SANTOS; OLIVEIRA.
2001). De tal forma, na literatura, é possível situar uma personagem em relação ao lugar
físico em que se encontra (espaço geográfico), ao tempo (espaço histórico), às outras
personagens (espaço social), às próprias características existenciais (espaço
psicológico), à forma como se expressa (espaço de linguagem), entre outros aspectos.
Tanto na versão literária, quanto nas versões em quadrinhos e cinematográfica
de O caçador de pipas, o espaço narrativo se dá pela volta da personagem Amir à terra-
natal, Cabul, que lhe provoca uma série de lembranças de sua infância, que constituem a
narrativa da obra. Na história, acompanhamos a narrativa do tempo presente, com Amir
já adulto, formado, escritor consagrado, que recebe uma ligação e decide retornar ao
Afeganistão para visitar um amigo doente; e a narrativa do tempo passado, em que a
personagem, por meio de comparações e lembranças, revisita acontecimentos de sua
infância e sua amizade com Hassan. Durante toda a história, há um jogo entre o passado
e o presente.
O espaço poético, por sua vez, se dá na relação entre Amir e Hassan na infância.
Os dois, apesar de suas diferentes etnias, religiões e classes sociais, eram grandes
amigos, vencendo o preconceito na época. Amir tinha um grande carinho por Hassan,
como demonstram as cenas em que o menino lê suas histórias para o amigo. E, Hassan,
por sua vez, tinha uma enorme admiração por Amir, como demonstra a cena em que sai
correndo para buscar a pipa que o amigo derrubou e diz "Por você, faria isso mil
vezes!". Essa relação, no entanto, muda após Amir presenciar o amigo ser violentado
por Assef e fugir ao invés de tentar ajudar Hassan, passando a carregar a culpa pela
desgraça do amigo.
A mudança do espaço geográfico ocorre após o afastamento entre Amir e
Hassan. Em seu aniversário, Amir ganha um relógio do pai e acusa Hassan de tê-lo
roubado. Apesar de inocente, o garoto assume a culpa pelo roubo e se muda da casa
onde vivia. Pouco tempo depois, ocorre a invasão soviética no Afeganistão, e Amir e
seu pai se mudam para os Estados Unidos, onde reconstroem suas vidas. Anos mais
tarde, ao retornar à terra-natal, Amir descobre ser irmão de Hassan e decide procurá-lo.
Este, no entanto, havia sido morto pelos talibãs, e seu filho levado para um orfanato,
onde sofria abusos. Amir então decide resgatar o sobrinho, talvez, como forma de
redenção, tomando a coragem que não teve anos atrás quando era Hassan que estava
sendo violentado. Esse retorno à Cabul evoca as lembranças do passado e tomada de
atitude de Amir.

Referência bibliográfica

SANTOS, L. A. B.; OLIVEIRA, S. P. Sujeito, tempo e espaço ficcionais: introdução à


teoria da literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2001.