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Rompimento da barragem de rejeitos em

Brumadinho
No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento da
barragem de Fundão, em Mariana, lançou no
ambiente 45 milhões de m³ de rejeitos de
mineração que contaminaram o Rio Doce e
mataram 19 pessoas. No mais recente episódio, em
Brumadinho, vazou uma quantidade bem menor de
rejeito, 3 milhões de m³, mas tudo indica que as
perdas humanas serão muito maiores.

Minas Gerais possui mais de 400 barragens de


rejeitos e quase 10% delas apresentam riscos de
ruptura, de acordo com o Ministério Público. O
rejeito é formado por restos de minério de ferro,
sílica (o componente mais abundante da crosta
terrestre) e aminas, que são compostos orgânicos
derivados da amônia e usados na separação do
minério.

“A amina degrada-se após seu lançamento nos


cursos d’água, transformando-se em nitrito e
depois em nitrato. Embora, em estudo recentes,
tenham sido observados baixos níveis desses
poluentes em águas de barragens de minérios de
ferro (Chaves, 2001), tanto o íon nitrito, quanto o
nitrato, em elevadas concentrações, podem
provocar o aparecimento da
doença metahemoglobinemia, especialmente em
crianças.” (TEODORO, Anderson Luiz; LEÃO,
Versiane Albis. Recuperação de aminas, utilizadas
na flotação de minério de ferro, utilizando-se
zeólitas naturais. In: Revista Escola de
Minas, vol.57 ,no.3 Ouro Preto setembro/2004). A
doença pode causar anemia.

Essas duas imagens mostram antes e depois do


rompimento de três barragens de rejeitos de
mineração em Brumadinho, MG. As barragens que
colapsaram, espalhando um mar de lama e
deixando uma rastro de destruição e morte, usavam
técnica insegura e barata, mais propenso a
rompimentos.

O minério de ferro é o terceiro principal produto


exportado pelo Brasil — atrás apenas da soja e do
petróleo. A mineradora Vale, a responsável por esse
crime ambiental, encerrou o terceiro trimestre de
2018 com lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 5,753 bilhões.

A despeito do fortes resultados econômicos da empresa, mesmo após o crime ambiental ocorrido em Mariana, em
2015, a Vale não investiu o suficiente para evitar outra tragédia.

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