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Quais são as “funções psíquicas superiores”?

*
anotações para estudos posteriores
Achilles Delari Junior**

Q uem estuda as obras de Vigotski e seus colabora-


dores talvez tenha notado que, ao exporem quais
são as funções psíquicas propriamente humanas,
mos notar isso: “reflexo de reflexos” (Vygotski, 1924/
1991; 1925/1991), “vivência de vivências” (Vygotski,
1925/1991). E também, como lembra Leontiev (1982/
muitas vezes terminam a lista com um lacunar e intri- 1991), Vigotski gostava de dizer que a consciência
gante “etc.”. Ou seja, a lista fica incompleta, e o autor [soznanie] é “co-conhecimento”. 2 Ao mesmo tempo, não
demonstra ter por pressuposto, que nos seria simples podemos assumir como objeto da psicologia uma
completá-la com nosso conhecimento anterior na área. consciência abstrata que paira acima de qualquer
Infelizmente não é sempre assim que acontece, e muitos processo e/ou função psíquica, o que soaria como uma
de nós ficamos sem saber quais outros processos fariam forma de idealismo. Mesmo sendo a consciência um
parte daquele mesmo grupo. O objetivo dessas breves processo reflexivo mais geral, as funções psíquicas “em
anotações é o de levantar do modo mais detalhado particular”, também são de interesse como objeto de
possível os nomes de funções psíquicas citadas pelo estudo. Desde que consideremos as formulações mais
próprio Vigotski, e com isso lançar um pequeno convite tardias de Vigotski sobre o caráter interfuncional e
ao leitor a realizarmos buscas mais detalhadas sobre esse sistêmico da consciência, na relação entre as variadas
assunto, seja na mesma obra de cujos primeiros capítulos funções, as quais só ganham sentido na atividade de um
eu parto – “História do desenvolvimento das funções homem concreto, e num dado jogo de relações sociais.3
psíquicas superiores” (Vygotski, 1931/2000) – ou em As anotações que se seguem estão organizadas em
outras que a ela venhamos acrescentar no futuro.*** apenas quatro partes: (I) levantamento geral em quatro
Recentemente, Nikolai Veresov disse, em uma de suas passagens distintas; (II) “o conceito de funções psíquicas
conferências, que o objeto de estudo da psicologia de abarca dois grupos de fenômenos”; (III) funções
Vigotski não são as “funções psíquicas superiores”1, mas psíquicas rudimentares; (IV) referências; e uma tabela em
sim “o processo de desenvolvimento das funções anexo. Aguardo a colaboração do leitor para ampliar a
psíquicas superiores”. Como já sabemos, Vigotski nos discussão.
orienta a “estudar não ‘objetos’ mas sim processos”. A
entender o objeto no seu processo de mudança. Não se
pode compreender as funções psíquicas, e o entrelaça-
mento dialético de suas linhas genéticas biológica e I – Levantamento geral em quatro
cultural, se não for historicamente. No que estamos de
pleno acordo. Entretanto, em Vigotski, nem sempre se vê
passagens distintas
assim tão explícito qual seja “o” objeto de estudo da
psicologia. Podemos ver claramente a “consciência” (1) “funções psíquicas das crianças”
tomar esse lugar, no famoso texto de 1925. Mas mesmo
que toda função superior seja (pela leitura de Wertsch, Logo na página 12, temos que são “funções psíquicas das
1985, e.g.), “consciente”, “social”, “mediada” e “volun- crianças” (Vygotski, 1931/2000, p. 12):
tária”, não se pode fazer uma identificação direta da
consciência, em seu conjunto, com apenas a soma ou  A linguagem (oral, entende-se)
justaposição das funções superiores como suas partes.  O desenho
Há algo de especial na categoria “consciência” que é  (O domínio da) leitura e da escrita
seu caráter “duplicado” – em diferentes definições pode-
2
A palavra russa para consciência, tal como usada por Vigotski
*
Para referência: DELARI JR., A. (2011) Quais são as funções envolve os radicais: (1) “so_” = partícula de duplicação e/ou acompa-
psíquicas superiores? Anotações para estudos posteriores. Mimeo. nhamento, muito próxima ao nosso “co_” (comando, cooperação,
Umuarama. 6 p. Disponível em: http://www.vigotski.net/fps.pdf etc.); e (2) “znanie” = de “znat’” = saber; conhecer.
3
Críticas e sugestões de correção envie para delari@uol.com.br Vigotski chegará a assumir que as próprias funções são “relações
**
Psicólogo desde 1993 pela UFPR, mestre em Educação pela sociais”, nas quais somos conosco tal como somos com os demais.
Unicamp, desde 2000. Professor universitário aposentado. Restaria então a questão: poderíamos dizer que as “relações entre as
1
Ele usou os termos “higher mental functions” – mas manteremos funções” são “relações entre relações sociais”? É complexo esse tema
“psíquicas” e não “mentais”, apenas porque no próprio russo temos pois as funções são sociais, podem ser consideradas relações sociais
“psikhítcheskii” que é um adjetivo cognato em relação ao nosso do ser humano consigo mesmo, mas não é fácil sustentar um
“psíquico”. “Mental” não é incorreto, evidentemente, talvez o autor “paralelismo” psico-social, de modo que minha memória por exemplo
entenda ser um termo mais “moderno”, não temos como saber. Mas seja tal e qual minha relação social com meus pais ou meus alunos...
existe também uma palavra russa para dizer “mental”/”intelectual” Há um percurso a percorrer para dar mais solidez a tal definição. Fica
que é “umstvennii”, e não é essa usada por Vigotski nesse caso, ao aqui pontuada a necessidade de retornar a este tema posteriormente.
menos na obra que consultamos (Vygotski, 1931/2000).

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 A lógica (da criança) um tanto sincrética, por assim dizer, no estabelecimento
 A (sua) concepção de mundo de critérios para o que seja uma função psíquica superior.
 A representação Embora esta não seja uma lista assumida pelo próprio
 As operações numéricas (inclusive a “psicologia Vigotski, mas lembrada por ele desde a psicologia tradi-
da álgebra”) cional.
 Os conceitos*

* Ele diz “a formação de conceitos”. Fica ambivalente. (3) Funções complexas inadequadamente estudadas
Pode ser uma ênfase casual, pois se supõe que tudo se
“forma”, já que é do desenvolvimento de todas essas Várias páginas à frente (Vygotski, 1931/2000, p. 53), o
funções que se trata. Então por que não dizer “formação autor fala de “processos e funções complexos e
da representação”, “formação da lógica”, etc.? Pode ser superiores” que foram estudados inadequadamente. Tais
que “formação” no original tenha outra acepção, tal como seriam estes “processos complexos”***:
“arranjo”, “modo de disposição” (por exemplo, as
formações de uma banda, as formações de um pelotão  reconhecimento
militar, etc.). Mas eu não penso, com toda a sinceridade,  diferenciação
que possa ser aqui o segundo caso, para mim está mais  eleição
para uma redundância mesmo. De modo que as funções  associação
psíquicas superiores seriam “os conceitos” (científicos e  juízos
cotidianos, e.g.), ou até o “pensamento conceitual”, os
quais como o desenho, a lógica, a representação, se *** Gostaria que o leitor confirmasse se minha impressão
formam, se desenvolvem. Qual o entendimento do leitor? é correta ou não... Mas mesmo eu saiba que “reconhe-
cer”, por exemplo, um padrão de códigos com a finalida-
de de decifrá-los, ou “diferenciar” entre matrizes episte-
(2) Funções superiores versus funções elementares mológicas historicamente distintas, etc., possa ser algo
bastante complexo e de caráter de função psíquica supe-
Mais adiante (Vygotski, 1931/2000, p. 18), há uma lista rior, não se nota que esta lista é um tanto distinta das
de funções superiores em diferenciação com as elementa- anteriores? Não se parecem tais processos, de algum
res para criticar que sua separação era feita de modo modo, mais com algo do plano das “operações” do pen-
estanque e idealista na psicologia tradicional.** samento e/ou das funções psíquicas? A “eleição”, por
exemplo, é tipicamente um processo inerente à volição.
Apenas se acrescenta que o próprio Vigotski, anterior-
 Memória lógica | Memória mecânica
mente, cita a diferença entre vontade previsora e vontade
 Atenção voluntária | Atenção involuntária
impulsiva, o que poderia fazer pensar em eleições previ-
 Imaginação criadora | Imaginação reprodutora soras e outras impulsivas, do mesmo modo. “Associa-
 Pensamento em conceitos | Pensamento figurativo ções”, por sua vez, geram ainda mais desconforto, pesan-
 Sensações superiores | Sensações inferiores (!!!) do que há toda uma crítica em Vigotski (1934/2001) à
 Vontade previsora | Vontade impulsiva concepção de que as relações entre palavra e seu
significado sejam só associativas. Mas entende-se, e.g.,
** Nota-se, no texto, que Vigotski critica o dualismo que uma associação no sentido daquela que se dá no divã
entre estas funções, mas não demonstra explicitamente do analista não pode ser uma função elementar. Quanto
que não haja qualquer distinção real entre elas. Qual a aos “juízos” já se torna mais difícil pensá-los senão como
posição do leitor? Será que alguma das ditas funções funções psíquicas superiores, e o fato de figurar nesta
inferiores poderia ser considerada como fundida à lista assim não causa estranheza. Que me dizem os
superior correspondente já nos momentos mais iniciais do leitores? Poderia haver, digamos, funções mais genéricas
desenvolvimento? Tenho impressão de que não seja o que são capazes de compor a organização de outras, sem
caso. Cada par, por sua própria adjetivação já dá muito serem as primeiras elementares por definição? Por
que discutir. Não é o mesmo critério que sempre exemplo, o “pensamento por conceitos” ser composto por
diferencia uma das outras. Fala-se em “memória lógica “diferenciação”, “reconhecimento” e “associação”: uma
versus mecânica”, mas a atenção superior não é nomeada função superior composta por outras funções superiores?
como “lógica” e sim como “voluntária”. Às vezes o
caráter intelectualizado, lógico, se destaca, às vezes o
caráter voluntário, volitivo. E o mesmo para “criação (4) Tentativas de extrair elementos do indivisível.
versus reprodução”, no caso da imaginação; “previsão
versus impulsividade”, no caso da vontade. O que gera Retornando mais ao início do livro (Vygotski, 1931/2000,
uma reentrância. Digamos que a atenção seja voluntária, p. 15), já notamos, inversamente, que o autor se referia a
ela poderá ser, por sua vez, “voluntária previsora” ou “elementos primários”, que a velha psicologia****
“voluntária impulsiva”? Forma-se uma rede conceitual

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tentava extrair, separar, abstrair, de “vivências indivisí- entender uma diferenciação”, pois é uma passagem de
veis”. Tais seriam: difícil tradução. Mesmo no contexto, não é simples saber.
Muitas vezes os significados de “e” e “ou” se imbricam
(a) “Fenômenos psíquicos elementares” mesmo em português. E não analisaremos o russo nesse
 sensações
momento. (cf. Vygotski, 1931/2000, p. 12). No meu
 sentimento de prazer e desprazer
 esforço volitivo entendimento são conceitos diferentes*****:

(b) “processos e funções psíquicos elementares”  “As funções psíquicas superiores”


 a atenção E
 associações  “As formas culturais complexas de conduta”

**** Entende-se que é uma classificação da velha


***** Gostaria de dizer que a diferença não me parece
psicologia empírica subjetiva. No subitem “3”, havíamos
acabado de ver as “associações” como funções superiores trivial. Seriam as formas culturais complexas de conduta
erroneamente vistas como elementares. A “atenção” por (praticamente infinitas em número, qualidades e modos
sua vez não é apenas elementar, também pode ser volun- de ser) o mesmo que as “próprias funções psíquicas
tária. Sensações já foram citadas nas duas categoriais superiores”? Digamos: uma apresentação teatral não seria
(veja a página 2 destas anotações). Um tanto mais uma forma cultural complexa de conduta? Uma
intrigante é o “esforço volitivo”, que seria? Quanta ener- cerimônia religiosa? A pilotagem de um avião? Claro
gia se gasta para tomar uma decisão? Realmente é algo
está que não todos os seres humanos terão domínio de
abstrato demais para talvez sobreviver no conjunto de
funções do próprio Vigotski, mas fica mais evidente ser todas as formas complexas de comportamento cultural, é
algo elementar, se puder ser entendido assim como impossível, é infinito. E quando se fala, por exemplo, que
esforço físico (nervoso, etc.) para a realização de um ato o processo de “instrução” (“obutchenie”) leva ao desen-
volitivo. Ora, não poderia, do mesmo modo, haver volvimento das funções psíquicas superiores? (Vygotsky,
“esforço atencional”, “esforço cognitivo”, etc? Essa 1935/1987; Vigotskii, 1935/1988) Sim, ele leva, simulta-
categoria do esforço como função psíquica mesmo que neamente, à aquisição de formas complexas de conduta
elementar é algo novo para mim. Por outro lado,
cultural. Mas são o mesmo? Não foi o próprio Vigotski
estudando “perejivánie” (“vivência”), notamos que Vigo-
tski, “ao falar da chamada ‘perejivánie de esforço’, rela- que criticou a tendência behaviorista de identificar o
cionada ao domínio da atenção, diz que se trata de algo desenvolvimento com a simples acumulação quantitativa
incompreensível mediante a análise subjetiva. Tal ‘pereji- de novos aprendizados? Ou seja, na linha criticada pelo
vanie’ consiste em ‘orientar processos de atenção em autor, muito bem poderíamos dizer que “ao aprender a
outro sentido’ (idem, p. 223)” (Delari Jr. e Bobrova dançar eu me desenvolvi em dançar”, “ao aprender
Passos, 2009, p. 24).
matemática eu me desenvolvi em matemática”. Seriam o
mesmo processo: aprender/instruir-se e desenvolver-se.
Mas não parece ser isso que Vigotski propõe pensar.
II – Dois grupos de fenômenos psíquicos Vejo que aqui há algo a ser discutido com mais cuidado,
em três passagens. mas minha hipótese inicial é a de que ao falar de
“instrução” (“obutchenie”) e “desenvolvimento”, seja ao
Segundo o próprio Vigotski “O conceito de funções desenvolvimento das funções psíquicas superiores que o
psíquicas abarca dois grupos de fenômenos” (1931/2000, autor se refere. Mas se as próprias “formas culturais
p. 29). Aqui citarei três passagens, duas de “A história do complexas de conduta” já forem funções psíquicas
desenvolvimento...” e uma complementar de “O método superiores, algo precisará ser teoricamente ajustado.
instrumental em psicologia”.

(2) Processos diferentes, mas que se relacionam


(1) O uso do “e” para falar de coisas distintas?
Já mais adiante na mesma obra (Vygotski, 1931/2000, p.
O autor, já bem no início do texto, vale-se da partícula 29) aparece explicitamente uma diferenciação entre (a)
aditiva “e” para compor uma série de dois termos, dando “processos de domínio dos meios externos do
a entender que os está “somando”, “diferenciando”, não desenvolvimento cultural e do pensamento”; e (b)
se vale do “ou”, indicando sinônimos. Digo “dando a “processos de desenvolvimento das funções psíquicas

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superiores especiais”. Como é comum no pensamento de  os diagramas
Vigotski ele aborda as duas séries como processos que  os mapas
são diferentes, mas se relacionam dialeticamente.  os desenhos
 todo o gênero de signos convencionais
(a) “processos de domínio dos meios externos do  etc.”
desenvolvimento cultural e do pensamento”

 a linguagem
III – Funções psicológicas rudimentares
 a escritura
 o cálculo
Esse é praticamente um capítulo à parte, mas é a base
 o desenho para toda a argumentação metodológica de Vigotski
 noutra parte do texto ele fala da “pintura” contra o modelo S-R predominante na pesquisa experi-
mental desde a velha psicologia (Wundt, e.g. tinha três
(b) “os processos de desenvolvimento das funções tipos de experimentos diferentes baseados no mesmo
psíquicas superiores especiais” paradigma S-R). As funções rudimentares, por princípio,
são “funções psíquicas superiores rudimentatres”, às
 atenção voluntária quais James Wertsch, e.g., contrasta com as “funções
 memória lógica psíquicas superiores avançadas”, ou “propriamente
 formação de conceitos ditas”. Diferenciação que no meu ponto de vista é útil,
 etc. (esse etc. é de Vigotski) pois Vigotski está tratando de formas culturais de
organização das funções psíquicas propriamente humanas
(a+b) nenhuma das duas partes pode ser resolvida em tão arcaicas que poderiam inadvertidamente ser
separado. confundidas com funções elementares, mas são na gênese
e no funcionamento funções psíquicas superiores. São
trabalhados os três seguintes exemplos:
(3) Processos semelhantes aos do item “a” da
passagem“2”  jogar a sorte para decidir
 usar um nó para lembrar
Para finalizar essa parte, eu gostaria de lembrar outros  usar os dedos para contar
processos semelhantes aos que vão na letra “a” da
passagem imediatamente anterior (2). Pergunto ao leitor Poderia ser dito, de passagem que “jogar a sorte”, “usar o
se não vê na lista abaixo algum ar de semelhança com os nó”, “usar os dedos” pode estar mais próximo do que
“processos de domínio dos meios externos do desenvolvi- acima foi chamado de “processo de domínio de meios
mento cultural e do pensamento”. A questão é pratica- externos”, entretanto, “lembrar” e “decidir” (ato volitivo)
mente a de diferenciar entre quando se acrescenta “pro- talvez se aproximem mais das funções psíquicas “espe-
cesso de domínio dos tais meios”, ou quando se lista um ciais”. Embora partamos do princípio da indissociabi-
conjunto possível de meios culturais que podem ser lidade, entende-se que o princípio da indiferenciação
dominados ou não em função das condições sociais e também não seja o mais apropriado. E a discussão fica
históricas de cada povo, sistema educacional e vida social lançada nesse sentido, para a compreensão das sutilezas
de cada ser humano. Citarei do texto “O método instru- das relações entre cultura e constituição do psiquismo, na
mental em psicologia” (Vygotski, 1930/1991, p, 65). O dialética biológico e cultural.
autor diz: “Como exemplos de instrumentos psicológicos
e de seus complexos sistemas podem servir:
* * *
 a linguagem
 as diferentes formas de numeração e cômputo Por Achilles Delari Junior.
 os dispositivos mnemotécnicos Umuarama-PR, 02 de março de 2011.
 o simbolismo algébrico. Produção voluntária.
 as obras de arte Este material passará por revisões posteriores.
 a escritura

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IV - Referências

DELARI JR., A.; BOBROVA PASSOS, Iu. V. (2009).


Alguns sentidos da palavra perejivanie em L. S.
Vigotski: notas para estudo futuro junto à
psicologia russa. Mimeo. Umuarama/Ivanovo. 40 p.
Disponível em: http://www.vigotski.net/
perejivanie.pdf

LEONTIEV, A. N. (1982/1991) Artículo de introducción


sobre la labor creadora de L. S. Vygotski. In:
VYGOTSKI, L. S. Obras escogidas - Tomo I.
Madrid: Visor Aprendizaje y Ministerio de Educación
y Ciencia. p. 417-449.

VYGOTSKI, L. S. (1924/1991). Los métodos de


investigación reflexológico y psicológicos. In:
______. Obras escogidas - Tomo I. Madrid: Vysor
Aprendizaje y Ministerio de Cultura y Ciencia. p. 3-
37.

VYGOTSKI, L. S. (1925/1991) La consciencia como


problema de la psicología del comportamiento. In:
______. Obras escogidas - Tomo I. Madrid: Visor y
Ministerio de Educación y Ciencia. p. 39-60.

VYGOTSKI, L. S. (1930/1991) El método instrumental


en psicología. In: ______. Obras escogidas - Tomo I.
Madrid: Visor y Ministerio de Educación y Ciencia. p.
65-70.

VYGOTSKI, L. S. (1931/2000) Historia del desarrollo de


las funciones psíquicas superiores. In: ______. Obras
escogidas - Tomo III. 2. ed. Madrid: Visor. p. 11-
340.

VIGOTSKI, L. S. (1934/2001) A construção do


pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins
Fontes. 496 p.

VYGOTSKY, L. S. (1935/1987) Interação aprendizado e


desenvolvimento. In: ______. A formação social da
mente. São Paulo: Martins Fontes. P. 89-103.

VIGOTSKII, L. S. (1935/1988) Aprendizagem e


desenvolvimento intelectual na idade escolar. In:
LEONTIEV, A. N.; LURIA, A. R.; VIGOTSKII, L. S.
Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São
Paulo: Edusp, Ícone. p. 103-107.

WERTSCH, J. V. (1985b) Vygotsky and the social


formation of mind. Cambridge, Massachusetts and
London, England: Harvard University Press

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ANEXO ÚNICO
No quadro abaixo, apenas a primeira linha após os títulos está tal e qual Vigotski explicitamente “separa” os processos. Nas demais
linhas formam encaixadas as funções citadas em proximidade com essa “separação”. Não pretendermos categorização estanque, mas
assim fica visível a repetição de termos, alguns deles em categorias divergentes (marcarei com asteriscos o número de vezes que o
termo aparece). Um estudo mais detalhado de diferentes obras talvez venha nos ajudar a fazer um “mapa” mais fidedigno.

1 “processos de domínio dos meios 2.a “os processos de desenvolvimento 2.b funções psíquicas elementares
externos do desenvolvimento cultural e das funções psíquicas superiores
do pensamento” especiais”

 a linguagem* (1931/2000, p. 29)  atenção voluntária* (1931/2000, p. 29)


 a escritura* (1931/2000, p. 29)  memória lógica* (1931/2000, p. 29)
 o cálculo* (1931/2000, p. 29)  formação de conceitos* (1931/2000, p. 29)
 o desenho* (1931/2000, p. 29)  etc. * (1931/2000, p. 29)
 a pintura* (1931/2000, cf. página)
[no texto de 1930/1991, p. 65] [divisão da psicologia tradicional] [divisão da psicologia tradicional]
 a linguagem**  memória lógica (1931/2000, p. 18)  memória mecânica* (1931/2000, p. 18)
 as diferentes formas de numeração e  atenção voluntária** (1931/2000, p. 18)  atenção involuntária* (1931/2000, p. 18)
cômputo **(cálculo?)  imaginação criadora (1931/2000, p. 18)  imaginação reprodutora* (1931/2000, p.
 os dispositivos mnemotécnicos*  pensamento em conceitos **4(1931/2000, p. 18)
 o simbolismo algébrico.* 18)  pensamento figurativo* (1931/2000, p. 18)
 as obras de arte * [vide “pintura”]  sensações superiores (1931/2000, p. 18)  sensações inferiores* (1931/2000, p. 18)
 a escritura **  vontade previsora (1931/2000, p. 18)  vontade impulsiva* (1931/2000, p. 18)
 os diagramas *
 os mapas *
 os desenhos **
 todo o gênero de signos convencionais [...
envolve o já citado antes]
 etc.”
[“funções psíquicas das crianças”]5 [“funções psíquicas das crianças”] [“Fenômenos psíquicos elementares”]
 a linguagem *** (1931/2000, p. 12)  a lógica* (da criança) (1931/2000, p. 12)  sensações ** (1931/2000, p. 15)
 o desenho *** (1931/2000, p. 12)  a (sua) concepção de mundo* (1931/2000,  sentimento de prazer e desprazer*
 leitura e escrita *** (1931/2000, p. 12) p. 12) (1931/2000, p. 15)
 As operações numéricas *** (inclusive a  a representação* (1931/2000, p. 12)  esforço volitivo* (1931/2000, p. 15)
“psicologia da álgebra”)  os conceitos** (1931/2000, p. 12)
[funções complexas mal estudadas] [“processos e funções psíquicos
elementares”]
 reconhecimento* (1931/2000, p. 53)
 diferenciação* (1931/2000, p. 53)  a atenção**6 (1931/2000, p. 15)
 eleição* (1931/2000, p. 53)  associações**7 (1931/2000, p. 15)
 associação* (1931/2000, p. 53)
 juízos* (1931/2000, p. 53)
[funções psíquicas rudimentares] [funções psíquicas rudimentares]

 jogar a sorte para decidir8  decidir está ligado à “eleição”**, portanto, à


 usar o nó para lembrar [mnemotécnica**] vontade.
 usar os dedos para contar ****

4
“Pensamento em conceitos” e “formação de conceitos” não é o mesmo, mas considerando que a antiga psicologia os via de modo mais estático e
Vigotski os via em processo de formação, pode-se manter que seja a mesma função, embora vista de maneiras diferentes.
5
Aqui, como era previsto, não é simples utilizar a própria diferenciação de Vigotski feita noutra passagem de “História do des. das f.p.s” – pois
alguns processos que noutro lugar se poderia entender como recursos culturais a serem dominados socialmente no processo de desenvolvimento,
aqui já não se distinguem claramente das chamadas “funções especiais”.
6
A “atenção” nesse mesmo quadro figurou nas formas complexa e elementar. Mas nesse momento está se discutindo processos elementares.
7
Note-se que no mesmo quadro, na célula à esquerda, a “associação” figura como uma função erroneamente estudada como “elementar”. Isso
mostra apenas que, na página 15, Vigotski enumera processos tidos como inferiores na psicologia tradicional mas não faz uma discussão mais
detalhada sobre o que está incluído nesse grupo, nesse momento.
8
As funções rudimentares, por enigmáticas que pareçam ser, aqui podem lançar uma luz para a “indissociabilidade sem indistinção” entre as
práticas culturais complexas e as funções psíquicas especiais. Por exemplo, “jogar sorte para decidir”. A função é “decidir”, “eleger”, um “ato
volitivo”, mas jogar a sorte está como recurso cultural para a realização material dessa função. Lembrar pode ser uma função especial elementar
(imediata) ou superior (em sua forma lógica), mas aqui temos o nó como recurso cultural para lembrar. São indissociáveis, mas não são o mesmo.

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