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Contribuições de Piaget para a educação

Piaget baseia sua teoria na chamada “Epistemologia Genética”, dividindo em


fases a formação do conhecimento humano, trazendo uma síntese do apriorismo e
empirismo. É um dos principais nomes da psicologia da educação, trazendo a ideia
do “construtivismo”, ideia essa essencial na teorização de práticas educativas
escolares, indo de contra a ideia tradicional do “professor que detém a sabedoria,
passando para o aluno, receptor do conhecimento”. O construtivismo sugere a
construção do conhecimento a partir da interação do professor com os alunos e o
ambiente.
O ambiente, a cultura em que o indivíduo está inserido, é um fator
determinante na educação e formação do conhecimento no aluno. Por ser o
ambiente da qual o indivíduo vive que ele tira seus conceitos, seus valores, é
também tido que cada indivíduo tem sua experiência própria de vida, dessa forma,
cada indivíduo tem seu próprio desenvolvimento pessoal, a partir do qual consegue
desenvolver o conhecimento com percepções de mundo distintas. Dessa forma,
sendo inútil a busca de ordenar conteúdos a serem ensinados com base na faixa
etária, mas sim, em níveis específicos de complexidade em relação as
possibilidades evolutivas do aluno.
A abordagem construtivista vai de contra a perspectiva de aulas com
conteúdos e respostas expositivas, a qual geram estímulos para a memorização de
um conteúdo objetivo. Ela enfatiza o aprendizado do indivíduo através de interações,
estimulando as atividades, causando conflitos e superando contingências a qual o
aluno é capaz de associar o conteúdo de sua própria forma. Abordagem essa que
possível ser inserida em diversos campos da aprendizagem.
As teorias de Piaget quanto ao aprendizado estimula pesquisas e postula
outras diversas teorias no campo da psicologia da educação. No estudo das
Ciências Naturais, a atividade manual estimula a formação de dúvidas, questões, as
experiências empíricas despertam a curiosidade, e a busca de soluções perpetuam
o aprendizado, é a resposta da pergunta adquirida através de um conhecimento
adquirido e construído pelo indivíduo. Mesmo na Matemática, a construção do
conhecimento deve ser visado antes com a observação de contextos diferentes das
atividades aplicadas, a qual incluem as complexidades que envolvem as equações e
números, na construção do conhecimento.
É na aplicabilidade da teoria de Piaget na aprendizagem escolar que se tem a
noção da necessidade da análise dos conteúdos escolares em sua complexidade
estrutural, suas competências operatórias necessárias para sua assimilação, bem
como a necessidade de estudos sobre as formas de construção dos conteúdos
pelos alunos. Por se tratar de conhecimentos adquiridos e construídos pelo ser
humano tanto como indivíduo como por pessoa social, é observável uma certa
compatibilidade entre processos gerais do pensamento e os conceitos frutos da
história científico-cultural da humanidade, dentro da transmissão social-cultural
através da aprendizagem escolar.
Cooperação, atividades em grupo, entre outras, são formas de trazer uma
mais ampla construção do conhecimento na sala de aula. Com os estudos das
teorias de Piaget, se tem a importância de estimular as atividades em conjunto. Elas
proporcionam o aluno ao debate, ver de diferentes ângulos, encontrar diferentes
soluções para os dados problemas. A cooperação com outros indivíduos trazem
novas óticas, visões do problema, cada uma particular do indivíduo, que ao se
juntarem, trás uma construção crítica do problema.
Sendo o aluno um agente ativo, não passivo, da formação do conhecimento,
o professor estimula a participação, como também participa. O aluno tem sua forma
de pensar, sua ótica, suas individualidades, onde o professor não tem o papel
tradicional de transmissor de conhecimento, deixando de lado repetição da resposta
correta para uma organização bem-sucedida pelo aluno da sua própria experiência.
Mas essa análise não foca apenas no aluno. A problemática também é suscetível ao
professor, uma vez que, tendo em mente as diferentes capacidades de abstração e
complexidade que o aluno é capaz de trabalhar, o professor deve repensar a forma
de transmitir o conteúdo, uma vez que o professor, já tendo o conhecimento
construído, deve pensar formas de adequar o conteúdo à diferentes formas
compatíveis com os níveis de cognição do aluno para uma mais eficiente
transmissão e construção do conhecimento.