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Journal homepage:  Scire Salutis, Aquidabã, v.3, n.1, 
www.arvore.org.br/seer  
Out, Nov, Dez 2012, Jan, Fev, Mar 
  2013. 
ESTUDO COMPARATIVO DE TÉCNICAS  
PARASITOLÓGICAS BASEADA NO PRINCÍPIO DE ISSN 2236‐9600 
SEDIMENTAÇÃO ESPONTÂNEA (HOFFMAN) E  
PARASITOKIT® SECTION: Articles 
RESUMO TOPIC: Biomedicina 
 
As parasitoses, entre as quais se destacam as enteroparasitoses, são mais
frequentes na população mais carente. Diante de várias metodologias conhecidas
para realização do exame parasitológico de fezes para identificação de cistos,
protozoários, ovos e larvas de helmintos dos parasitos intestinais, e do surgimento
 
DOI: 10.6008/ESS2236‐9600.2013.001.0001 
de novas técnicas, o presente trabalho tem como objetivo avaliar o grau de
concordância de um novo teste (Parasitokit®) com base em uma metodologia de  
reconhecida eficiência para o diagnóstico de helmintos e protozoários, em relação a  
outro método tradicionalmente utilizado em Análises Clínicas (Hoffman, Pons e
Janner - HPJ). A técnica do Parasitokit® tem como vantagem o dinamismo na  
confecção e a organização no que diz respeito ao menor espaço utilizado para a Lorena Mota Lopes Sant'Anna 
preparação e leitura do exame; o método de HPJ requer maior volume de vidraria Universidade Tiradentes, Brasil 
na bancada para a confecção e leitura dos exames. Foram avaliadas quatrocentas http://lattes.cnpq.br/7135441400640283  
amostras no período de doze meses e a análise dos dados foi feita por meio de lorenamotalopes@hotmail.com  
estatística descritiva. O método do Parasitokit® demonstra fácil manuseio, custo  
baixo e pequena demanda no espaço físico, apresentando um grau de não Fernanda de Jesus Oliveira 
conformidade insignificante já que ocorreu concordância em 99,5% em relação ao Universidade Tiradentes, Brasil 
método de HPJ que utiliza o cálice de sedimentação. http://lattes.cnpq.br/2064553152351510  
feh.nanda.oliver@gmail.com  
PALAVRAS-CHAVE: Diagnóstico; Fezes; Parasitokit®.  
Cláudia Moura de Melo 
Universidade Tiradentes, Brasil 
http://lattes.cnpq.br/0905716723973397  
COMPARATIVE STUDY OF PARASITOLOGICAL claudiamouramelo@hotmail.com  
TECHNIQUES BASED ON THE PRINCIPLE  
SPONTANEOUS SEDIMENTATION (HOFFMAN) E  
PARASITOKIT®  
ABSTRACT
 
 
The parasites, among which stand out the parasitic infections, are more common  
among the poor population. In front of many known methodologies in making the
parasitological examination of feces for identification of cysts, protozoa, eggs and  
helminth larvae of the intestinal parasites, and the emergence of new techniques,  
the present work aims at evaluating the agreement degree of a new test
(Parasitokit®) based in a methodology recognized efficiency to the diagnosis of Received: 12/09/2012 
protozoa and helminths, compared to another method traditionally used in Clinical Approved: 20/02/2013 
Analysis (Hoffman, Pons and Janner - HPJ). The Parasitokit® technique has as an Reviewed anonymously in the process of blind peer. 
advantage the dynamism in the making and organization with respect to the smaller  
space used for the preparation and reading exam; HPJ method requires a larger
volume of glassware on the bench for making and reading tests. Four hundred  
samples were evaluated in twelve months and the data analysis took place by  
means of descriptive statistics. The Parasitokit® method demonstrates easy
handling, low cost and demand in the physical space, presenting a negligible degree  
of non-compliance, because agreement occurred in 99.5% compared to the HPJ  
method that uses the cup of sedimentation.
 
KEYWORDS: Diagnostic; Feces; Parasitokit®.  
 
Referencing this: 
 
SANT'ANNA, L. M. L.; OLIVEIRA, F. J.; MELO, C. M.. 
Estudo comparativo de técnicas parasitológicas 
baseada no princípio de sedimentação espontânea 
(Hoffman) e Parasitokit®. Scire Salutis, Aquidabã, v.3, 
n.1, p.6‐15, 2013. DOI: 
http://dx.doi.org/10.6008/ESS2236‐
9600.2013.001.0001  

Scire Salutis (ISSN 2236‐9600)  
© 2013 Escola Superior de Sustentabilidade. All rights reserved. 
Rua Dr. José Rollemberg Leite, 120, Bairro Bugio, CEP 49050‐050, Aquidabã, Sergipe, Brasil 
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Estudo comparativo de técnicas parasitológicas baseada no princípio de sedimentação espontânea (Hoffman) e Parasitokit®  

INTRODUÇÃO

As doenças parasitárias ou as parasitoses são mais frequentes entre a população mais


carente. Para que se rotule um animal como parasito não existe um caráter único que possibilite
essa classificação, sendo o parasitismo apenas um entre vários tipos associações interespecíficas
(WILSON, 1980). O parasito se alimenta de seu hospedeiro, consumindo-lhe os tecidos e
humores ou o conteúdo intestinal, com base nutricional e/ou energética, geralmente não causando
lesões drásticas e evitando alterações que possam comprometer ou levar a perda deste
(MASCARINI, 2003).
A história da parasitologia não é uma história de grandes eventos; ela se desenrola ao
longo dos séculos XIX e XX nos laboratórios das Universidades, na maioria das vezes, em
precárias condições (MASCARINI, 2003). As oportunidades de desenvolvimento da parasitologia
aumentaram com a criação e o estabelecimento das escolas de medicina e hospitais nos trópicos,
fato que só ocorreu no final do século XIX, criando assim oportunidade de estudar os parasitas
tropicais (LACAZ, 1972).
No início de século XXI, as doenças parasitárias deixaram de mobilizar recursos
internacionais de diferentes ordens, cedendo lugar a outros problemas como as chamadas
“doenças da modernidade”, que são a SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), e as
chamadas doenças reemergentes, como a tuberculose. A história da saúde humana tem mostrado
que os males antigos persistem nos países subdesenvolvidos e também nos desenvolvidos, na
sua grande maioria associados às deficiências existentes nas condições sanitárias, higiênicas,
socioeconômicas, a não distribuição igualitária de renda e do acesso universal restrito à educação
e aos serviços básicos de saneamento e de saúde (MASCARINI, 2003).
Em vista da importância epidemiológica das infecções enteroparasitárias, o presente
trabalho propõe-se analisar qualitativamente o grau de concordância entre dois métodos
diagnósticos: Parasitokit® e a técnica de sedimentação espontânea de Hoffman, Pons e Janer
(1934), enfocando a eficácia diagnóstica e operacionalidade.

REVISÃO TEÓRICA

Parasitos intestinais apresentam ampla distribuição geográfica tanto no Brasil quanto nos
demais países em desenvolvimento, sofrendo variações de acordo com as condições de
saneamento básico, nível socioeconômico, grau de escolaridade, idade e hábitos higiênicos
(SATURNINO et al., 2003). Métodos laboratoriais para diagnosticar doenças transmitidas por
parasitas são de grande importância pela grande frequência de infecções enteroparasitárias que
comprometem a saúde humana mundial (MARIANO et al., 2005).
Os mais prevalentes agravos infecciosos são causados por infecções enteroparasitárias e
o número de infectados a nível mundial é de aproximadamente 3,5 bilhões de pessoas. No Brasil,

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SANT'ANNA, L. M. L.; OLIVEIRA, F. J.; MELO, C. M. 

130 milhões de habitantes são acometidos por alguma espécie de parasito (SHIMIZU et al., 2003).
Desta forma, o exame parasitológico de fezes é um dos exames de rotinas mais realizado em
Laboratório de Análises Clínicas. O presente trabalho propõe-se analisar qualitativamente o grau
de concordância entre o Parasitokit® e a técnica de sedimentação espontânea de Hoffman, Pons e
Janer (1934), enfocando a eficácia diagnóstica e operacionalidade.
O estudo coprológico ou exame de fezes visa o estudo das funções digestivas;
abrangendo as provas de digestibilidade macroscópico e microscópico, exame químico, pesquisa
de sangue oculto e outras provas, cujos resultados permitem estabelecer determinadas síndromes
coprológicas. Como exames complementares, ainda restam os protoparasitológicos e a
coprocultura, aliados aos exames radiográficos, bioquímica do sangue, tubagem gástrica,
duodenal e todo o arsenal da moderna propedêutica armada ao alcance do clínico especializado.
A principal função do trato alimentar é prover o organismo de um contínuo suprimento de água,
eletrólitos e nutrientes, devendo o alimento ser conduzido ao longo do tubo digestivo a uma
velocidade apropriada para que as funções digestivas e absortivas se realizem. Sofrendo
influência poderosa do psiquismo e comandada pelo sistema nervoso, desempenha suas funções
juntamente com o sistema endócrino (VALLADA, 1998).
Em análises coproparasitológicas, a recuperação e a identificação de parasitos em
diferentes estágios de desenvolvimento podem ser viáveis com a utilização de alguns métodos de
concentração, tais como Sedimentação Espontânea, Ritchie e Coprotest. Existem também os
específicos, sendo esses destinados à pesquisa e levantamentos epidemiológicos, como os
métodos de Baermann-Moraes, Faust, Graham e Kato-Katz (GRAEFF et al., 1997).
Dentre os métodos listados acima, os mais solicitados na prática médica para diagnóstico
clínico na rotina laboratorial são os de Sedimentação Espontânea e a Baermann-Moraes que têm
como objetivo principal a pesquisa de ovos/larvas de helmintos e cistos de protozoários (DE
CARLI, 2007). A maioria dos serviços de saúde voltados para diagnósticos, no entanto, adota
apenas a Sedimentação espontânea como metodologia, devido ao seu amplo espectro na
observação/identificação de espécies parasitas e ao seu baixo custo quando comparada com a de
Baermann-Moraes. Porém, apesar da técnica de Sedimentação Espontânea não necessitar de
centrifugação, dispensar reagentes e ainda economizar nas vidrarias, a água fria envolvida no
método não proporciona uma boa migração das larvas, exceto em infecções maciças (DE CARLI,
2007).
Geralmente a concentração de ovos e cistos das fezes visa o seu achado, de modo mais
rápido, nas infecções, mesmo ligeiras, em que o exame direto é negativo. Só o fato da existência
de numerosas técnicas de enriquecimento de ovos e cistos prova que nenhuma delas é de todo
eficiente. Via de regra, estas técnicas servem para concentrar os cistos de protozoários, e vice-
versa. O método de sedimentação espontânea por Hoffman, Pons e Janner (1934) é indicado
principalmente para pesquisa de ovos de Schistosoma mansoni, serve também para a de ovos e
larvas de outros vermes, sendo o mesmo de fácil execução e baixo custo.

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A técnica de sedimentação espontânea pelo método de Hoffmann, Pons e Janer foi


desenvolvida para o diagnóstico das enteroparasitoses. Os principais objetivos das técnicas de
sedimentação são o aumento da concentração de ovos operculados e não-operculados, larvas ou
cistos e o isolamento de óleos e gorduras da maior parte dos detritos. Nessa técnica, os
organismos são sedimentados por igual pela gravitação ou quando centrifugados. A sedimentação
apresenta uma ação contrária quando comparada com a flutuação. Os cistos, oocistos, ovos e
larvas são retidos no fundo do recipiente, enquanto os detritos são suspensos para a superfície,
não interferindo no diagnóstico final, com ela podem ser encontrados ovos e larvas de helmintos,
bem como cisto (DE CARLI, 2007).
Geralmente, a solicitação de exames parasitológicos de fezes é feita por um profissional
com competência para tal, especificando a forma da coleta, o tipo de exame, amostra e o método
a ser utilizado de acordo com anamnese realizada na consulta clínica, pois sabendo que cada
parasita intestinal tem sua variabilidade morfológica e biológica, será solicitado o método
especifico para a detecção de tal parasita (SOUZA et al, 2009). Na prática, quem decide na
maioria das vezes a técnica a ser utilizada nestes casos é o responsável técnico do Laboratório de
Análises Clínicas, que escolhe o procedimento que proporcione um amplo espectro na
identificação de parasitas ao nível de espécie.
Mesquita et al. (1999) expõem que para que se obtenha um aumento da eficiência para
qualquer diagnóstico parasitológico fecal, é ideal que pelo menos duas técnicas com diferentes
fundamentos sejam utilizadas. Os estudos populacionais ou programas de controle são dirigidos
com frequência a um parasito em especial ou a um grupo de espécie parasitária, sendo assim
necessária apenas uma metodologia para a pesquisa do parasita em questão.
Diversos são os métodos já propostos com a finalidade de qualificar e quantificar ovos de
helmintos e cistos de protozoários em amostras fecais. Cada vez mais, são lançados no mercado
sistemas comerciais, utilizados nas rotinas laboratoriais, dentre eles podendo ser citado o
coprotest® que trata-se de um kit que propicia a coleta de volume padronizado de fezes e que
mostrou-se da fácil aplicação e viável, porém merece ser mais bem avaliado e aperfeiçoado para
aplicação em estudo populacional. Sua utilização requer um laboratório com centrifuga, além da
aquisição do próprio kit e outros suprimentos básicos (ARAÚJO et al, 2003).
No Parasitokit® são utilizadas diversas metodologias com fundamentos distintos. A
utilização simultânea de técnicas com diferentes princípios tem o objetivo de aumentar a acurácia
diagnóstica e, consequentemente diminuir os resultados falsos negativos utilizando o menor
espaço possível na bancada. O diagnóstico parasitológico deve ser realizado de maneira
apropriada, com maior sensibilidade e especificidade para detecção dos parasitos intestinais, vez
que dele dependerá o tratamento específico (ARAÚJO et al, 2003).
Conforme Frei (2008) afirma, por causa das más condições de vida das camadas
populacionais menos privilegiadas, as endoparasitoses, decorrente de protozoários e\ou helmintos
representam um problema de saúde pública grave. Existem três fatores indispensáveis para que

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ocorra a infecção, a clássica tríade epidemiológica das doenças parasitárias, que são: as
condições do hospedeiro apresentando fatores predisponentes como idades, condição nutricional,
fatores genéticos, culturais, comportamentais e profissionais, o parasito quando apresentando
resistência ao sistema imune do hospedeiro e os mecanismos de escape vinculado a
transformação bioquímicas e biológicas verificada ao longo do ciclo do parasito, e o meio
ambiente quando associado as condições do hospedeiro e do parasito.

METODOLOGIA

O trabalho foi realizado no Laboratório de Análises Clínicas Bio Saúde, na cidade de


Ribeira do Pombal, no estado da Bahia, situado a 300 km de Salvador e 200 km de Aracaju.
Trata-se de um estudo comparativo de técnicas parasitológicas sendo realizado da
seguinte forma: um quantitativo de 400 amostras fecais frescas foram coletadas em recipientes
universais para exames laboratoriais, com volumes entre 50 ml e 60 ml e tampa de rosca, sem
conservante. Este grupo amostral foi composto por usuários de demanda espontânea e induzida
do Laboratório de Análises Clínicas Bio Saúde, onde foram processadas e analisadas durante12
meses de funcionamento rotineiro.

Análise das técnicas parasitológicas

Uma fração de cada amostra fecal foi submetida a processamento pelo Parasitokit®. Cada
unidade do referido Kit contêm: sistema de filtragem, tubo cônico, bastões de vidro (Figura 1), uma
estante que comporta 36 Parasitokit®. O tubo cônico tem capacidade para 11 ml de volume. Deste
sedimento foi retirada uma alíquota de 700 µl, para subsequente observação em microscopia ótica
(100X). Uma segunda fração de cada amostra fecal foi submetida à técnica coproparasitológica de
Hoffman, Pons e Janer (1934) (Figura 2), considerada padrão ouro por ser a técnica mais utilizada
nos laboratórios de parasitologia pelo fato de apresentar fácil manuseio, custo baixo e detectar
cisto de protozoários, larva e ovos de helmintos em amostras formada, pastosa e semi-pastosa.

Figura 1: Parasitokit®. Fonte: Laboratório Bio Saúde.

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Figura 2: Cálice de Sedimentação - 150 ml; Tamis. Fonte: Laboratório Bio Saúde

A avaliação da operacionalidade dos dois procedimentos diagnósticos, segundo a


demanda por espaço físico, foi precedida de simulação de ocupação destes em bancadas do
setor de Parasitologia do Laboratório de Análises Clínicas Bio Saúde.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi avaliado o espaço físico para o experimento, onde houve simulação de ocupação deste
aplicado às duas técnicas em bancada do setor de Parasitologia do Bio Saúde Laboratório de
Análises Clínicas. A bancada de trabalho com 1m de comprimento por 0,40 m de profundidade
comportou um microscópio de luz e cinco taças com capacidade de 150 ml para Sedimentação
Espontânea, enquanto no caso do Parasitokit®, houve espaço para abrigar uma galeria contendo
até 36 aparelhos (Figura 3).

Figura 3: Bancada de Parasitologia contendo 5 cálices e 36 Parasitokit®.


Fonte: Laboratório Bio Saúde.

Durante o desenvolvimento das técnicas, ambas apresentaram manuseio fácil, porém o


Parasitokit® apresentou vantagem no que diz respeito à demanda de espaço na bancada de
manipulação e na bancada de leitura. Para cada três cálices pode-se utilizar uma galeria contendo

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trinta e seis aparelhos de Parasitokit®. Com a otimização espacial da bancada para manipulação,
diminuem as chances de acidentes de trabalho, pois os tubos cônicos são acondicionados em
galerias contendo tampas bem vedadas, podendo até serem utilizados em trabalhos de campo
para estudos epidemiológicos ou preparados em Unidades de coletas distantes do laboratório-
sede. O Parasitokit®, de acordo com levantamento de custo, apresentou vantagem sobre os
materiais utilizados na técnica de Hoffman em 42% (Tabela 1).

Tabela 1: Levantamento de custos dos materiais utilizados nas Técnicas de Hoffman, Pons e Janer e no
Parasitokit®.
MATERIAIS CUSTO POR UNIDADE (R$) HOFFMAN PARASITOKIT®
Bastão de vidro 1,40 X X
Cálice de plástico (200 ml) 1,80 X
Tamis 0,50 X
Parasitokit® 1,20 X
CUSTO TOTAL 3,70 2,60
Fonte: Labovida: Materiais para laboratório.

É grande a evidência das desvantagens da utilização de cálices de sedimentação, uma vez


que o método de Hoffman em relação ao Parasitokit® apresenta custo mais elevado (Tabela 1),
manuseio difícil e grande demanda de espaço da bancada do laboratório, acreditando assim que a
sedimentação em tubo tende a torna-se rotineira em parasitologia clínica. Segundo Moitinho e
Ferreira (1994), não é necessário muito rigor no peso ou no volume de amostras fecais para
realização de exames parasitológicos de fezes. A avaliação visual da quantidade de fezes retirada
com a ponta de uma espátula, como a utilizada no Parasitokit®, é suficiente, entretanto, requer o
treinamento de pessoal técnico para que sejam usadas suspensões de aproximadamente 1,0%,
que por sua limpidez, permitem exames rápidos sem perda de rendimento em termo de
positividade ou de número de espécie de ovos e cistos por lâmina. O aumento da concentração
das suspensões fecais, como no método de Hoffman, não acarreta o aumento da sensibilidade
dos exames parasitológicos de fezes ou a quantidade de ovos de helmintos/lâmina microscópica.
Suspensões concentradas, por outro lado, tendem a gerar maior proporção de detritos fecais,
dificultando a identificação dos parasitas.
Em ambos os métodos os equipamentos são reutilizáveis após lavagem e secagem
apropriadas, porém o descarte é inevitável com o aumento do tempo de uso. O Parasitokit®
apresenta vantagem neste aspecto por obter um volume menor que o cálice e tamis juntos, já que
a vida útil de ambos é praticamente a mesma por se tratar da mesma matéria prima. A diferença
de volume deve ser levada em conta no que diz respeito ao descarte de lixo, especialmente ao
tratar-se de lixo biológico oriundo de resíduos de serviços de saúde (Laboratório de Análises
Clínicas) devido ao seu poder contaminante. Neste contexto, o Parasitokit® tem a vantagem
adicional de causar um menor impacto ambiental.
Das 400 amostras analisadas, 256 foram negativas (64%) e 144 positivas (36%) para
infecções por protozoários e helmintos em ambas as técnicas, Parasitokit® e Hoffman, Pons e
Janer (1934) (Figura 4).

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100%
90%
80%
70% 64% 64%
60%
50%
40% 36% 36%

30%
20%
10%
0%
Hoffman Parasitokit

Positivas Negativas

Figura 4: Percentagem das amostras negativas e positivas para ambas as técnicas: Hoffman, Pons e Janer
e Parasitokit®.

Para ovos de helmintos na técnica de Hoffman, Pons e Janner, das 400 amostras
analisadas, 22 apresentaram ovos de Ascaris lumbricoides (5,5%), 18 apresentaram ovos de
Ancylostomidae (5%), 3 apresentaram ovos de Trichuris trichiura (0,75%), 2 apresentaram ovos
de Schistosoma mansoni e Enterobius vermiculares (0,5%). Apenas houve não conformidade em
duas amostras, onde uma apresentou positiva para ovo de Ascaris lumbricoides no Hoffman e
negativo no Parasitokit® e a outra, ao contrário, apresentou positiva para ovo de Ascaris
lumbricoides no Parasitokit® e negativo no Hoffman, mostrando que o nível de discordância entre
as técnicas não foi estatisticamente significativo (Figura 5).

6,00% 5,5% 5,5%


5,0% 5,0%
5,00%

4,00%

3,00%

2,00%

1,00% 0,8% 0,8%


0,5% 0,5% 0,5% 0,5%

0,00%
Ascaris lumbricoides Ancylostomatidae Schistosoma Trichuris trichiura Enterobius
mansoni vermiculares

Hoffman Parasitokit

Figura 5: Percentagem de positividade para ovos de helmintos nas técnicas de Hoffman e Parasitokit®.

Ambas as técnicas apresentaram 100% de concordância para protozoários (Gráfico 3).

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SANT'ANNA, L. M. L.; OLIVEIRA, F. J.; MELO, C. M. 

12% 11,0% 11,0% 11,0% 11,0% 11,0% 11,0%

10%

8%

6%

4%
2,3% 2,3%
2% 1,0% 1,0%

0%
Entamoeba coli Endolimax nana Entamoeba Giardia lamblia Iodamoeba buchilli
histolytica/dispar

Hoffman Parasitokit

Figura 5: Percentagem de positividade para cisto de protozoários nas técnicas de Hoffmann, Pons e Janer
e Parasitokit®.

CONCLUSÕES

Diante dos dados coletados, conclui-se que os métodos de Hoffman, Pons e Janer e do
Parasitokit® apresentam um alto grau de concordância, sendo que a vantagem deste último é a
otimização do espaço físico para manuseio das amostras e para a leitura das mesmas, podendo
até mesmo ser transportados. Outra vantagem reside no descarte de equipamentos utilizados
uma vez que ambos são provenientes da mesma matéria prima, porém o Parasitokit® possui um
volume menor que o cálice e o tamis, causando assim um menor impacto ambiental.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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