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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, LETRAS E ARTES VISUAIS


COORDENAÇÃO DO CURSO DE LETRAS
LITERATURA BRASILEIRA: POESIA

Felipe Thiago Cordeiro da Rocha1

Gregório de Matos Guerra, nascido em Salvador durante o século XVII, é o autor


mais expressivo do Barroco no Brasil. Por sua linguagem ferina com que tecia críticas à
política, costumes, governo e outras instituições à época em seus poemas satíricos, ficou
conhecido como “Boca do Inferno”. Embora tivesse tal alcunha, suas obras se dividiam,
além do satírico, em lírico-amoroso e também religioso.
O poema em análise abarca as principais características barrocas, tais como a
consciência da efemeridade da vida, dualidade, cultismo e conceptismo. E embora não
tenha escrito no soneto, a ideia do termo latino “Carpe Diem” é percebida no texto.
O poema ‘À Sua Mulher Antes de Casar’, é um soneto, portanto dividido em 4
estrofes, sendo dois quartetos e dois tercetos. Quanto a metrificação, é percebido um
decassílabo. Trata-se de um poema dedicado a uma mulher, a qual se acredita ser sua
própria esposa, Maria, em que o autor evidencia a oposição entre a juventude e a
velhice, característica própria do estilo Barroco. Esse dualismo é percebido nos dois
primeiros versos do primeiro terceto (“Goza, goza da flor da mocidade, / Que o tempo
trota a toda ligeireza,”).
É também notado a exaltação da juventude e beleza da musa do poema ao
evocar o deus grego Adônis (“O ar, que fresco Adônis te namora,”), retratado na
mitologia como deus de grande beleza que despertara o amor das deusas Afrodite e
Perséfone. Tal relação com essa mitologia colabora com a ideia da juventude ser capaz
de despertar amores inclusive em deuses, enquanto na velhice tudo se perde (“Te
converta em flor, essa beleza / Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.”).
Gregório retrata ainda a consciência da brevidade da vida ao falar da
transitoriedade da beleza que, decadente, vai da juventude para a velhice. Ainda em um
dos excertos supracitados que retomo aqui (“Goza, goza da flor da mocidade, / Que o
tempo trota a toda ligeireza, / E imprime em toda a flor sua pisada.”) é possível observar
tal ideia. Neste mesmo excerto aponto o uso de verbos no imperativo com o qual faz-se
relação direta com um dos termos latinos bastante agraciados por autores desse
período: Carpe Diem; ao fazer uso desse modo verbal o autor adverte sua amada sobre
a necessidade de se aproveitar a vida, o momento.

1 Acadêmico de Letras – Habilitação em Literatura - Universidade Federal de Roraima