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[MATERIAL COMPLETO]

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[PARTE 01] [TEORIA]

[UNIDADE I] [FONOLOGIA]

CAPÍTULO 01 FENÔMENOS FONOLÓGICOS

A Fonologia é uma grande área da Linguística e da Gramática responsável pelo estudo dos sons.

No âmbito gramatical, que é o nosso foco, trata-se do destaque dado ao som que cada letra possui em uma determinada palavra, bem como sua capacidade de variação em diferentes ambientes. Em outras palavras,

a Fonologia é a responsável por nos fazer entender quando um S terá o som “tradicional” do S e quando ele terá som de Z, por exemplo. Normalmente, a Fonologia aparece sendo estudada em conjunto com a Fonética e as articulações

da fala, mas não as associaremos aqui. Nosso trabalho nesta apostila é focar no que cai nas provas, afinal

é

para isso que você está aqui, para aprender a acertar questões, certo? Então, vamos juntos desmistificar

o

primeiro conteúdo. Cola no pai!

1.

FONEMA:

Vamos começar do princípio. E, quando digo princípio, quero dizer a partir da unidade mais básica da Fonologia: o fonema. Como se fosse a célula para um grande organismo, o fonema é a menor unidade de som que uma palavra possui.

É importante destacar que suas principais funções são formar as palavras e diferenciá-las umas

das outras, o que ocorre porque uma simples troca de uma letra por outra (e, consequentemente, de um som por outro) muda totalmente o significado de um vocábulo. Dá uma olhada:

A garota passou a [b]ola para o colega. A garota passou a [c]ola para o colega.

Percebeu como a troca de um único som por outro (B por C) mudou o sentido completo de uma mesma oração? Fala sério, é bem legal, né? Mas é preciso ter cuidado. Lembre-se de que, aqui, estamos falando de sons, não de letras.

 

Tá, Willer, então qual é a diferença? O que são as letras?

É

o que eu vou explicar agora. Vem comigo!

2.

LETRA:

A

letra é a representação gráfica do som.

Espera! Então quer dizer que os sons vieram antes e as letras vieram depois, para ilustrá-los?

Exato! Por isso, é totalmente possível que uma palavra tenha mais letras do que fonemas. Veja:

Ca[r]o = 4 letras e 4 fonemas

Ca[rr]o = 5 letras e 4 fonemas

Perceba que apenas quatro fonemas aparecem na palavra carro, isso faz do segundo R, que não aparece pronunciado, uma letra diacrítica. Ou seja, só está lá para auxiliar a formar o som que desejamos. Exemplos:

Q[u]eijo = 6 letras e 5 fonemas – u diacrítico Aq[u]ático = 8 letras e 8 fonemas

3. DÍGRAFO:

Agora que entendemos que duas letras podem formar um único som, podemos dar nome a esse fenômeno: dígrafo!

Existem dois tipos de dígrafos: os consonantais, que são mais comuns e mais facilmente lembrados, e os vocálicos (ou nasais), que muitas vezes passam despercebidos pelos concurseiros e vestibulandos despreparados. Não é o seu caso!

a) Dígrafos consonantais: formados por um fonema consonantal e uma letra diacrítica. São eles:

gu- (guerra), qu- (querido), ch- (chalé), lh- (ilha), nh- (caminho), rr- (barro), ss- (assistir), sc- (ascender), sç- (desça), xc- (exceção) e xs- (exsudar).

b) Dígrafos vocálicos (ou nasais): formados pelas vogais (A, E, I, O ou U) seguidos de M ou N

na mesma sílaba. É preciso ter um cuidado especial com este tipo de dígrafo, pois não é qualquer nasalização que o configura. Eu explico: a palavra banana, por exemplo, tem a vogal A seguida de N duas vezes, mas nenhuma delas pode ser considerada dígrafo, uma vez que o N não é diacrítico, sendo pronunciado na sílaba seguinte. Porém, a palavra ventilador apresenta o dígrafo -en, no qual as duas letras formam o som único de .

IMPORTANTE: Se uma palavra TERMINA em -AM, -EM ou -ENS, tais terminações NÃO são consideradas dígrafos, mas ditongos descrescentes nasais. Vamos já entender o que significa isso! ;)

4. CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS:

o que são vogais e

consoantes, afinal? No que elas, de fato, se diferem? Existe alguma outra classificação que ainda não foi

citada? Vamos esclarecer todas essas questões agora!

a) Consoantes: são fonemas pronunciados com interferência na passagem do ar. Tal obstrução

ocorre na língua, nos dentes ou nos lábios, e a forma como é feita influencia diretamente no som que será produzido. As consoantes jamais funcionam sozinhas na Língua Portuguesa, precisando sempre de uma vogal para que formem uma sílaba. Nosso alfabeto tem 20 consoantes, representadas pelas letras: B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q,

R, S, T, V, W (quando tem som de V), X e Z, sendo que o H é considerado uma letra etimológica por ter se mantido desde o latim até o português atual, mesmo que não possua som próprio. Exemplos:

Bem, estamos falando sobre dígrafos vocálicos, dígrafos consonantais, mas

família = as consoantes são F, M e L hora = as consoantes são H e R (mesmo que o H não tenha som)

b) Vogais: diferente das consoantes, as vogais são fonemas pronunciados sem qualquer interferência na passagem do ar e são autossuficientes em relação às sílabas, ou seja, podem sustentar uma sílaba sozinhas, sem a necessidade de serem acompanhadas por uma consoante. São os núcleos de suas sílabas. O alfabeto da Língua Portuguesa tem 5 vogais, representadas pelas letras A, E, I, O e U. Exemplos:

zona = as vogais são O e A saúde = as vogais são A, U e E (perceba que o U, sozinho, sustenta uma sílaba)

c) Semivogais: eis aqui o nosso conceito novo. As semivogais são sons que se “apoiam” nas vogais para que possam existir. São sons mais fracos em sua pronúncia e são representados pelas seguintes letras do alfabeto da Língua Portuguesa: I, U, E (com som de I), O (com som de U), M, N, W (com som de U) e Y. Exemplos:

pai = o A é a vogal (o núcleo) e o I é a semivogal (menos tônica) chapéu = o E é a vogal (o núcleo) e o U é a semivogal (menos tônica) mãe = o A é a vogal (o núcleo) e o E é a semivogal (som de I, menos tônica)

IMPORTANTE: O fonema A sempre será considerado

vogal, mas os fonemas E e O, por assumirem os sons I e

U em algumas palavras, podem ser semivogais, como

em cães e pão. Portanto, fique atento!

O fonema Y é um caso curioso na Língua Portuguesa.

Apesar de ser popularmente considerado consoante, ele figura entre as semivogais e também pode atuar como vogal, sendo núcleo de sílaba. Veja os termos office boy e hobby, por exemplo. Temos um fonema semivocálico no primeiro e um fonema vocálico no segundo. Mas cuidado: o Y sempre aparece em vocábulos de origem estrangeira que passaram a fazer parte do nosso vocabulário (como nos exemplos) ou em nomes próprios.

Situação parecida ocorre com o W, que pode ser consoante, como em Wagner (som de V), ou semivogal, como no meu nome, Willer (som de U apoiado no som I). Assim como o Y, o W sempre aparece em nomes próprios ou palavras de origem estrangeira. ;)

5. ENCONTROS VOCÁLICOS:

Pois bem, conhecendo os tipos de fonemas, posso dizer a você que os encontros vocálicos são as ocorrências de contato entre fonemas vocálicos em uma palavra. Existem três tipos, vamos estudar cada um deles.

a) Ditongo: ocorre quando há dois sons vocálicos em uma mesma sílaba. O ditongo pode ocorrer

de duas formas: crescente, sob a fórmula semivogal + vogal; e descrescente, sob a fórmula vogal + semivogal. Ditongo decrescente nasal: trata-se de um fenômeno no qual as uniões -AM e -EM, ao fim das palavras, atuam como -ão e -ẽi. Exemplos:

faç[am] = faç[ão] exist[em] = exist[ẽi]

b) Tritongo: o encontro mais simples de ser entendido é o que ocorre entre três sons vocálicos na

mesma sílaba. Para que isso ocorra, é necessário lembrar que só pode haver um núcleo na sílaba, ou seja, um som vocálico e que, portanto, a ordem deverá ser: semivogal + vogal + semivogal. Saca só:

sag[uão] = o U é a primeira semivogal, o A é a vogal (núcleo) e o O é a segunda semivogal (som de U) Paraguai = o U é a primeira semivogal, o A é a vogal (núcleo) e o I é a segunda semivogal

IMPORTANTE: Existe o caso do tritongo nasal, que ocorre quando um M faz o papel da segunda semivogal. Quer um exemplo? Veja a palavra deságuam: o U é uma semivogal, o A é a vogal (núcleo de sua sílaba) e o M atua como um O semivocálico, de modo que a palavra é pronunciada como “deságuão”. ;)

c) Hiato: ocorre quando dois sons vocálicos aparecem seguidos em uma palavra. Como cada

sílaba só pode ter uma única vogal, elas acabam separadas. Observe:

saúde = sa – ú – de ruim = ru – im

IMPORTANTE: Existe um fenômeno chamado glide, que ocorre em palavras como praia e joio. Nelas, a semivogal se prolonga da primeira para a segunda sílaba, soando como prai – ia e joi – o, por exemplo. Não é muito comum, mas meus meninos não serão surpreendidos se um dia cair em prova! ;)

6.

ENCONTROS CONSONANTAIS:

São as ocorrências de dois sons consonantais em uma mesma palavra. Podem ser classificados em perfeitos (inseparáveis, permanecem na mesma sílaba) e imperfeitos (separáveis, sílabas diferentes). Exemplos:

[pr]ocurar = encontro consonantal perfeito e[sc]ola = encontro consonantal imperfeito

7. SÍLABA:

Agora que você entendeu a unidade sonora básica das palavras e suas interações, posso dar um passo adiante e explicar o que são as tais sílabas tanto citadas até agora. As sílabas são conjuntos de fonemas que giram em torno de um som vocálico e que são pronunciados em uma única emissão de voz.

– Espera aí, Willer! Mas eu não paro para respirar a cada sílaba que falo!

Eu sei, irmão, eu sei. Essa é apenas uma forma um pouco mais didática de dizer que as sílabas são os fenômenos que ocorrem entre uma interrupção da passagem de ar e outra. Deu ruim? Calma! Vamos dar uma olhada na prática para ficar mais fácil, olha só:

menino = me – ni – no biscoito = bis – coi – to

ou, se você preferir

bolacha = bo – la – cha

As palavras são classificadas de acordo com seu número de sílabas, sendo:

a) Monossílabas: as palavras formadas por uma única sílaba, como céu, de, pai e mãe. Pode ser

átona (de pronúncia fraca) ou tônica (de pronúncia forte).

b) Dissílabas: as palavras formadas por duas sílabas, como papel, vento, tênis e dedo.

c) Trissílabas: as palavras formada por três sílabas, como caderno, cadeira, impresso e estojo.

d) Polissílabas: as palavras formadas por quatro ou mais sílabas, como computador, travesseiro,

fotografia e dicionário. Curiosidade: a palavra mais longa da Língua Portuguesa, pelo menos até agora, possui vinte sílabas! É o nome dado a quem fica doente pela inalação de fumaça vulcânica. Tente pronunciá-la bem rápido:

pneu – mo – ul – tra – mi – cros – co – pi – cos – si – li – co – vul – ca – no – co – ni – ó – ti – co

Ufa! Acredita se eu disser que consigo em dois segundos? Tenho testemunhas! Enfim A partir de agora, começaremos a aprofundar ainda mais o nosso estudo e daremos gancho para o próximo tópico da nossa apostila: a acentuação. Mas, primeiro, precisamos falar um pouco sobre as

sílabas mais fortes e as sílabas mais fracas das palavras.

8. TONICIDADE:

É a característica da sílaba que mais fortemente é pronunciada em uma palavra. A tonicidade

também é uma das formas de classificar as palavras, podendo separá-las em:

a) Oxítonas: cuja sílaba tônica é a última, como em Chapecó e amador.

b) Paroxítonas: cuja sílaba tônica é penúltima, como em mochila e caneta.

c) Proparoxítonas: cuja sílaba tônica é a antepenúltima, como em época e bárbaro.

Precisamos deixar claro que não importa a quantidade de sílabas que uma palavra tem, a

tonicidade máxima sempre poderá ir somente até a antepenúltima.

E agora? Que tal darmos uma olhada em como os concursos costumam abordar o assunto da

Fonologia e resolvermos juntos algumas questões? Não esqueça: temos uma seção inteirinha só de exercícios nesta apostila para você praticar o que estudamos aqui. Lembre-se de que a prática leva à perfeição. Vamos ao exercício resolvido deste capítulo. Cola no pai!

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

1. (FUNDATEC – 2018 – Adaptada) Em qual alternativa as palavras apresentam, cada uma, o número de letras igual ao número de fonemas?

a) produtividade – ambiente

b) Califórnia – histórico

c) cerebrais – econômico

d) Marcos – excesso

e) conquistados – nacional

Muito bem. Esta é uma questão simples, mas que pode eliminar muitos candidatos. Pensa só:

quando se fala de dígrafos, normalmente o concurseiro ou vestibulando volta ao passado, na aulinha da Tia Doriscleide, e só se lembra dos dígrafos consonantais. Mas não os meus meninos! Vocês já sabem que as vogais também formam dígrafos quando seguidas de M ou N na mesma sílaba! Sabendo disso, vamos lá!

A palavra produtividade traz 13 letras e 13 fonemas, atendendo ao que o enunciado pede. Não é o

que acontece, porém, com a palavra ambiente. Perceba a presença de dois dígrafos vocálicos (ou nasais) e saberá que, apesar de apresentar 8 letras, temos apenas 6 fonemas, em uma leitura que soa como “ ãbiẽte”. Portanto, a alternativa A está ERRADA. A opção B traz o nome próprio Califórnia, com 10 letras e 10 fonemas, e o vocábulo histórico, com 9 letras e apenas 8 fonemas, visto que a letra H não possui som na Língua Portuguesa. Ou seja, ainda não temos nossa resposta. Em compensação, a alternativa C traz o termo cerebrais com 9 letras e 9 fonemas, assim como a palavra econômico, que também tem 9 letras e 9 fonemas. Deu bom? Deu bom! Temos a nossa resposta! Observe que, apesar da nasalisação do som do primeiro O da segunda palavra, não temos um dígrafo nasal, pois o som representado pela letra M aparece nitidamente na sílaba seguinte.

A letra D apresenta Marcos, com 6 letras e 6 fonemas, mas também traz excesso, com 7 letras e 5

fonemas, devido aos dois dígrafos -xc- e -ss-. Por fim, a letra E apresenta erro por conquistados, com 12

letras e 10 fonemas, graças aos dígrafos -on e qu-, mesmo que nacional tenha 8 letras e 8 fonemas.

2. (Instituto AOCP – 2018 – Adaptada) Referente aos aspectos fonológicos, assinale a alternativa correta:

a) Em gera[ç]ão e preci[s]arem, as letras destacadas representam o fonema s.

b) Em impregnam, destaca-se um encontro consonantal perfeito e um ditongo nasal.

c) Em afetuosa, há quatro vogais e um hiato.

d) Em encerra, as vogais e possuem a mesma pronúncia, evidenciando a mesma abertura vocálica.

e) Em sobrevieram, identifica-se um hiato, um encontro consonantal e dois ditongos.

Certo, vamos à explicação desta questão! Destaco que esta, assim como a primeira, é uma

questão voltada para candidados de nível superior e, ainda assim, extremamente simples. Basta que você preste atenção aos detalhes que o seu concorrente ignora. Vamos lá!

A alternativa A diz que os dois destaques trazem a mesma pronúncia – o s –, mas nós sabemos

que a palavra precisarem soa como “preci[z]arem”, o que torna a opção errada.

A opção B, porém, traz a análise perfeitamente correta do vocábulo impregnam. Temos a nossa

resposta! Lembrando o conceito, o encontro consonantal perfeito é aquele em que as duas consoantes

ficam juntas na separação silábica e isso ocorre com o encontro pr-. Já o ditongo nasal ocorre quando um som vocálico é seguido por M ou N na mesma sílaba, o que ocorre em im-. ATENÇÃO: o encontro -am, no fim da palavra, configura um ditongo descrescente nasal, lembra? Como se fosse “ão”. Não vá confundir! Ah, uma coisa importante: a pronúncia de impregnam é “imprégnam”, ok? A tonicidade está no e, não no g, como muitos fazem ao dizer “impre[gui]nam”.

A opção C nos diz que há quatro vogais na palavra afetuosa e é esse o erro da questão. De fato,

há um hiato formado por u e o, exatamente por isso todos os sons vocálicos presentes são VOGAIS.Não há semivogal neste vocábulo. O erro da alternativa D é semelhante ao da opção A, pois as ocorrências de e são totalmente diferentes uma da outra – uma é nasal e a outra é oral. Por fim, a alternativa E traz como erro a afirmativa de que há dois ditongos no vocábulo sobrevieram. Na verdade, há apenas um e ele é o decrescente nasal -am. O hiato está em i-e e o encontro consonantal ocorre em br-.

IMPORTANTE: Existe um fenômeno na Língua Portuguesa chamado DÍFONO, que é exatamente o oposto do dígrafo. Nesse fenômeno, uma única letra exerce dois sons. A letra que tem tal capacidade no Português é o X. Exemplos: tóra[x] = tóra[ks], a[x]ila = a[ks]ila. ;)

CAPÍTULO 02 ACENTUAÇÃO

Pois bem, meus filhos, para falar de acentuação gráfica, preciso que tenham em mente que trabalharemos sempre com o Novo Acordo Ortográfico, que trouxe mudanças para a grafia de algumas palavras da Língua Portuguesa a fim de unificá-la em todos os países que a falam. Venham comigo! A acentuação é a colocação dos acentos gráficos em palavras que deles necessitam. É um assunto que costuma cair muito em todos os tipos de provas, então peço que preste bastante atenção a ele. A primeira coisa que preciso deixar clara para vocês é que somente o acendo agudo ( ´ ), o acento circunflexo ( ^ ) e o acento grave ( ` ) são acentos gráficos. As outras marcas, como til ( ~ ), cedilha (ç), apóstrofo ( ' ) e trema ( ü), são chamados apenas de sinais. Portanto, se, por exemplo, alguma questão na sua prova afirmar que a palavra órfão recebe dois acentos e não apenas um, tenham certeza de que se trata de uma afirmativa ERRADA.

IMPORTANTE: As palavras da Língua Portuguesa só podem receber UM acento gráfico. Contudo, não se assustem se um dia chegarem a ver, em algum dicionário muito bom, a palavra démodé. Trata-se de um vocábulo francês incorporado à Lingua Portuguesa devido ao uso. Existe, inclusive, a forma aportuguesada, demodê, mas não é tão comum, considerando o meio em que a palavra original é utilizada. ;)

1. PROPAROXÍTONAS:

Nestas palavras, conforme vocês já aprenderam, a antepenúltima sílaba é a mais forte. Escolhi listá-las primeiro porque não há mistério para sua acentuação, afinal todas, TODAS as proparoxítonas são acentuadas. Sem exceção. Vejam: ótica, básico, cômico, síndicos, hélices.

2. OXÍTONAS:

Só para relembrar, oxítonas são as palavras nas quais a última sílaba é a mais forte. São acentuadas todas as oxítonas terminadas em:

a) -a e seus plurais: Pará, ingás, maracás, Macapá, etc.

b) -e e seus plurais: axé, pajés, mané, cabarés, etc.

c) -o e seus plurais: cipós, abricó, jiló, avó, etc.

d) -em e -ens: também, parabéns, além, etc.

e) Ditongos decrescentes abertos e seus plurais: chapéu, arpéu, heróis, etc.

f) -i e -u, somente quando em hiato, e seus plurais: baús, açaí, Piauí, Maraú, etc. Percebam a ênfase em somente quando em hiato no caso das terminações em -i e -u. Que fique claro que palavras como caqui e caju, que são oxítonas, não devem ser acentuadas!

3. PAROXÍTONAS:

Mais uma vez relembrando, as paroxítonas são as palavras com tonicidade na penúltima sílaba, e sua acentuação ocorre, na maioria dos casos, de forma contrária à das oxítonas. Não recebem acento gráfico as paroxítonas:

a) terminadas em -a e seus plurais: casa, mesa, chama, filas, dias, etc.

b) terminadas em -e e seus plurais: padre, caule, filmes, etc.

c) terminadas em -o e seus plurais: beijo, sonho, livros, jogos, etc.

d) terminadas em -em e -ens: pajem, vagem, viagens, etc.

e) com tonicidade em ditongo aberto e seus plurais: heroico, assembleia, jiboias, etc.

Porém, são acentuadas as paroxitonas com qualquer terminação diferente das listadas acima (-N, -R, -L, -X, -NS, -I, -IS, -UM, -US e -PS) e as que forem:

f) terminadas em ditongo crescente: dicionário, ambíguo, espécies, etc.

g) terminadas em ditongo decrescente: águam (lê-se águão), órgãos, jóqueis, etc.

IMPORTANTE: Embora a acentuação não mude, as palavras paroxítonas terminadas em ditongo crescente podem ser separadas de duas formas, criando o que chamamos de proparoxítona acidental. Vou mostrar! A palavra secretária, por exemplo, é regularmente separada nas quatro sílabas: se – cre – tá – ria; mas pode ser separada assim: se – cre – tá – ri – a. Perceba que essa segunda forma de separação a transformou em uma proparoxítona. Aí o estudante me pergunta: por que você está me dizendo isso, Willer? Simples: as bancas de concurso simplesmente ADORAM cobrar isso, e um aluno meu não vai se deixar ser pego de surpresa. Confio em vocês! Vamos em frente! ;)

Prestem muita atenção às palavras terminadas em -en, pois elas possuem dois plurais e demandam um cuidado com a acentuação que precisa ser triplicado. Deem uma olhada:

Singular: hífen, glúten, abdômen, pólen. Plural feito com -s: hifens, glutens, abdomens, polens (não são acentuadas, pois se encaixam na regra de acentuação das paroxítonas terminadas em -ens). Plural feito com -es: hífenes, glútenes, abdômenes, pólenes (são acentuadas por se tornarem proparoxítonas, que SEMPRE serão acentuadas).

IMPORTANTE: Muito cuidado com as palavras Méier e destróier. Embora sejam paroxítonas com tonicidade em ditongo aberto, elas se encaixam na regra das terminadas em -r e, por causa disso, DEVEM SER ACENTUADAS. ;)

4. MONOSSÍLABOS ÁTONOS x MONOSSÍLABOS TÔNICOS:

Os monossílabos átonos são palavras compostas por uma única sílaba e que não têm autonomia fonética (seu som se “apoia” em outra palavra) e, normalmente, têm sua pronúncia alterada. Querem ver? Apresento a vocês, neste momento, uma frase nunca vista antes, juro que é um exemplo inédito:

[O] menino lavou [o] carro.

Percebem a pronúncia alterada das palavras destacadas (“O” soa como “U”) e a pronúncia das demais? São os monossílabos átonos! A diferença deles para os tônicos é justamente a independência fonética que estes últimos possuem, por isso os tônicos são acentuados. Observe a seguinte frase e note a diferença entre as palavras destacadas:

[Dê] água a ele ou sofrerá [de] desidratação.

Em “Dê” (verbo), temos uma palavra com absoluta autonomia fonética, ao contrário do que acontece em “de” (preposição). Outros exemplos de monossílabos tônicos são: céu, , , mês, pôs

5. HIATOS TÔNICOS (I e U) E VOGAIS REPETIDAS:

Bem, as vogais I e U, formando hiatos, só serão acentuadas quando estiverem sozinhas na sílaba

ou acompanhadas de S. Outros casos proíbem o uso do acento gráfico. Veja:

pa[í]s: pa – ís ju[í]zes: ju – í – zes ju[i]z: ju – iz ra[i]nha: ra – i – nha (o i está sozinho na sílaba, mas o dígrafo -nh repele o acento)

Já as ocorrências de vogais repetidas, EE e OO, que antes eram acentuadas, perderam tal característica. Portanto, palavras como vôo, enjôo e lêem passaram a ser escritas como voo, enjoo e leem.

Tudo certo até aqui? Muito bom! Antes de encerrarmos esta unidade, trago mais uma curiosidade:

vocês sabiam que somente UM verbo da Língua Portuguesa é acentuado em sua forma infinitiva (sem conjugação)? É o verbo pôr. Isso acontece porque os verbos no infinitivo são palavras oxítonas terminadas em -r (falarei mais sobre as características verbais em breve) e, portanto, não devem ser acentuadas!

– Tá, Willer, então por que o verbo pôr tem acento?

Para diferenciá-lo da preposição por. Isso é algo abordado pelo tema dos acentos diferenciais. Vamos conversar um pouquinho sobre eles?

6. ACENTOS DIFERENCIAIS:

São acentos que servem para estabelecer distinção de significado entre palavras escritas da

mesma maneira (homógrafas). Pois bem, antes do Novo Acordo Ortográfico, existiam várias ocorrências de acentos diferenciais, como em pêlo (substantivo) / pelo (preposição por + artigo o) e pára (verbo parar) / para (preposição). Agora, apenas três casos mantêm o acento diferencial:

a) Diferenciando classes gramaticais: pôr (verbo) / por (preposição);

b) Diferenciando tempos verbais: pôde (pretérito perfeito do indicativo do verbo poder) / pode

(presente do indicativo do verbo poder);

c) Diferenciando plural de singular: tem (forma singular do verbo ter conjugado) / têm (forma

plural do verbo ter conjugado) e vem (forma singular do verbo vir conjugado) / vêm (forma plural do verbo vir

conjugado). Isso também ocorre com os derivados desses verbos, como obter (obtém / obtêm), manter (mantém / mantêm), intervir (intervém / intervêm), convir (convém / convêm)

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

1. (FGV – 2017 – Adaptada) Os vocábulos cuja acentuação gráfica pode ser justificada simultaneamente por duas regras são:

a) herói – papéis

b) econômico – histórico

c) pátria – tênue

d) gás – três

e) têm – vêm

Muito bem, vamos à resolução! Entendamos, primeiro, que a questão pede as palavras que possuem DUAS regras de acentuação ao mesmo tempo. Com base em tudo o que já estudamos, qual é o

único caso em que isso acontece? Isso mesmo! O das paroxítonas terminadas em ditongo crescente! São elas que estamos buscando.

A primeira alternativa traz duas palavras oxítonas terminadas em ditongo aberto, não é nossa

resposta. A alternativa B apresenta duas palavras proparoxítonas, e nós sabemos que estas palavras

SEMPRE são acentuadas. Sendo essa a justificativa, continuamos sem a nossa resposta.

A alternativa C, por sua vez, mostra exatamente aquilo que estamos procurando. Observem que

pátria e tênue, pela regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente, têm as seguintes separações silábicas: pá – tria e tê – nue. Porém, pela classificação de proparoxítonas acidentais, podemos separá-las assim: pá – tri – a e tê – nu – e. Temos a nossa resposta!

A regra que aparece representada pelas palavras da alternativa D é a dos monossílabos tônicos,

acentuados devido à autonomia fonética que possuem. Por fim, a alternativa E traz exemplos acentos diferenciais para representar as formas plurais dos verbos ter e vir. CUIDADO! Muitos podem achar que também se tratam de monossílabos tônicos, mas não é esse o caso.

2. (FGV – 2017 – Adaptada) Com relação aos ditongos -ei e -oi, o Novo Acordo Ortográfico retirou os acentos do seguinte par de palavras:

a) destróier – caracóis

b) jibóia – Odisséia

c) Méier – alcalóide

d) constrói – colméia

e) pastéis – ovóide

Vamos responder à segunda questão da unidade de Acentuação! A alternativa A traz duas

palavras que não tiveram seus acentos retirados. Lembre-se de que destróier, apesar de ser paroxítona, é terminada em -r e, por isso, deve ser acentuada. Já a regra para caracóis é a das oxítonas terminadas em ditongo aberto, que também devem ser acentuadas. Vamos para a próxima.

A opção B é a que apresenta a resposta que queremos. Vejam que temos aqui duas palavras

paroxítonas com tonicidade em ditongo aberto. Tais palavras não devem mais receber acentuação gráfica. Temos a nossa resposta!

A alternativa C traz Méier, que é acentuada pela mesma regra de destróier, e alcaloide (grafia

correta), que perdeu o acento. Como queremos as duas palavras da alternativa, não podemos considerar

esta opção como correta.

A opção D e a opção E trazem exatamente a mesma análise. Os vocábulos constrói e pastéis

permanecem acentuados por se encaixarem na regra das oxítonas terminadas em ditongo aberto. Já colmeia (grafia correta) e ovoide (grafia correta) perderam o acento por serem paroxítonas com tonicidade em ditongo aberto.

Excelente, pessoal! Sinto que estamos avançando muito bem no conteúdo. Acreditem, essas duas primeiras partes foram as mais suaves. Isso não quer dizer que vocês não devem dar a devida atenção a elas. Pelo contrário: é justamente por serem as mais simples que muita gente as subestima e acaba errando questões bobas por negligência. Sei, porém, que vocês não farão isso. Também não quer dizer que devem ter medo do que vem pela frente. Não temam o desafio, encarem-no de frente, pois tenho certeza de que vocês conseguem.

[UNIDADE II] [MORFOLOGIA]

CAPÍTULO 03 A PALAVRA E SUA FORMAÇÃO

Agora entraremos em uma parte mais profunda do estudo da Gramática: a Morfologia. É aqui que está a base para tudo que estudaremos mais adiante, em Sintaxe, e faço questão dividir esta área em algumas unidades de estudo, para que não fique confuso ou mesmo cansativo para você. Precisamos entender muito bem o que será tratado a partir de agora para que, lá na frente, possamos aplicar as funções certas nos lugares certos. Vamos começar a brincadeira?

A Morfologia é o estudo da estrutura das palavras, de como elas se formam, quais processos sofrem e em que grupos se encaixam.

IMPORTANTE: Existe uma diferença entre palavra e vocábulo. De maneira simples, a palavra é como um “ser mais evoluído” e tem significação própria e independente, carregando informação válida mesmo que apareça sozinha em uma frase. O vocábulo não necessariamente possui tal propriedade. Exemplo:

– Então, seu bebê é um menino ou uma menina?

– Menino! (exemplo de palavra)

Resumindo, toda palavra é um vocábulo, mas nem todo vocábulo é uma palavra. ;)

1. PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS:

As palavras são formadas a partir da combinação das chamadas formas presas, que são os afixos (prefixo e sufixo), o radical (parte principal da palavra, a raiz), as desinências e a vogal temática (falaremos destas duas últimas mais tarde). Mas o que realmente importa aqui é entender as principais maneiras pelas quais esse processo de formação pode acontecer, afinal é isso que as bancas irão cobrar. Antes de chegarmos lá, porém, permita-me explicar alguns conceitos básicos:

Palavra primitiva: trata-se da palavra que dá origem a outras, não derivando de nenhuma outra da Língua Portuguesa. Exemplos: flor, pedra, casa. Palavra derivada: é a que resulta, após a interferência de algum processo de formação, de uma palavra primitiva. Exemplos: florista, pedregulho, caseiro. Palavra simples: só possui uma raiz (radical) e não sofreu processo de composição. Exemplos:

menino, carro, azul, terra. Pois bem, podemos (finalmente!) partir para os processos de formação propriamente ditos!

Existem dois grandes grupos de processos: composição e derivação. Vamos a eles!

a) Composição por aglutinação: dois ou mais radicais se unem e ocorre perda de elementos

fonéticos e estruturais. Não há hífen nestas formações. Exemplos:

alvinegro = alvo + negro nordeste = norte + leste vinagre = vinho + acre embora = em + boa + hora

b) Composição por justaposição: dois ou mais radicais se unem e NÃO ocorre perda de

elementos fonéticos ou estruturais. Podem aparecer com hífen em sua grafia ou não. Exemplos:

guarda-chuva = guarda + chuva passatempo = passa + tempo paraquedas = para + quedas

c) Derivação prefixal: ocorre quando o afixo é posicionado ANTES do radical de uma palavra

primitiva. Exemplos:

arqui-inimigo = o prefixo é arqui- autoavaliação = o prefixo é auto- subgerente = o prefixo sub-

d) Derivação sufixal: ocorre quando o afixo é posicionado DEPOIS do radical de uma palavra

primitiva. Exemplos:

criancice = o sufixo é -ice gentileza = o sufixo é -eza harmonioso = o sufixo é -oso

e) Derivação prefixal e sufixal: ocorre quando um prefixo e um sufixo são SIMULTANEAMENTE

adicionados ao radical de uma palavra primitiva. É importante destacar que, se um dos afixos for retirado, a palavra restante ainda existe na Língua Portuguesa. Observe:

re- + produzir + -ção = reprodução (prefixo e sufixo adicionados ao mesmo tempo) re- + produzir = reproduzir (somente prefixo adicionado) produzir + -ção = produção (somente sufixo adicionado)

des- + leal + -dade = deslealdade (prefixo e sufixo adicionados ao mesmo tempo) des- + leal = desleal (somente prefixo adicionado) leal + -dade = lealdade (somente sufixo adicionado)

f) Derivação parassintética: podendo aparecer com o nome de circunfixação, também recebe

prefixo e sufixo simultaneamente, mas o detalhe especial aqui é que, na retirada de um dos afixos, a palavra restante simplesmente não existe na Língua Portuguesa. Olha só:

a- + cebola + -ado = acebolado (prefixo e sufixo adicionados ao mesmo tempo) a- + cebola = acebola (oi?? Isso não existe!) cebola + -ado = cebolado (isso também não!)

em- + pobre + -cer = empobrecer (prefixo e sufixo adicionados ao mesmo tempo) em- + pobre = empobre (mais uma vez, isso não existe!) pobre + -cer = pobrecer (nem isso!)

g) Derivação regressiva: ocorre quando a palavra formada deriva de um verbo que indica ação.

Essa palavra será um substantivo abstrato (calma, falarei das classes de palavras daqui a pouco) e também indicará ação. Esta derivação é chamada de regressiva porque há uma diminuição no número de elementos quando a nova palavra surge. Veja os exemplos:

dançar → dança debater → debate chorar → choro

h) Derivação imprópria: acontece quando uma palavra muda de classe de gramatical (e, consequentemente, de sentido) devido ao contexto. A justificativa para o nome desta derivação se dá pelo simples fato de não haver qualquer mudança na forma da palavra em questão, somente na classe gramatical em que ela se encontra. Observe as palavras destacadas nos exemplos abaixo:

O príncipe achou aquela plebeia [linda]. (adjetivo, qualidade) José disse à sua filha [Linda] que o parque não abriria naquele dia. (substantivo próprio, nome)

Muito bem, esses são os processos de formação mais cobrados pelas bancas de concursos e vestibulares, mas existem ainda alguns outros que valem a pena ser citados. Vem comigo, que eu te mostro:

i) Onomatopeia: palavra que imita um som. Exemplos: bangue-bangue, tique-taque e bem-te-vi.

j) Abreviação: redução de uma palavra. Exemplos: Floripa (Florianópolis) e pneu (pneumático).

k) Abreviatura: representação de um nome através de suas iniciais (sigla, lendo-se letra por letra)

ou das primeiras sílabas das palavras que o compõem (acrônimo, lendo-se silabicamente). Exemplos:

ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) e DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito). As reduções de palavras que parecem “interrompidas no meio do caminho” também são abreviaturas. Exemplos: Gram. (Gramática), nov. (novembro), jun. (junho).

l) Neologismo: palavra inventada, não reconhecida pelo VOLP (olha aí a abreviatura para

Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e nem pelos dicionários. Exemplos: willerização (nem vem,

seria legal se todo mundo willerizasse a forma de ensinar Português!) e embuchar (engravidar).

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

1. (UECE – 2018 – Adaptada) Assinale a opção em que os três exemplos seguem o mesmo

processo de formação de palavras:

a) contracheque – impunidade – firmemente

b) estradinha – igualmente – poderosos

c) desgraça – intocável – servidão

d) firmemente – contracheque – igualmente

Vamos analisar a primeira questão, que é um exemplo bem fiel de como o assunto estudado nesta primeira unidade de Morfologia é cobrado nas provas de concurso. A primeira alternativa traz a palavra contracheque, formada a partir de derivação prefixal (contra-), e impunidade e firmemente, formadas a partir de derivação sufixal (-idade e -mente). Como um dos três elementos difere dos demais, temos uma opção errada.

A opção B, porém, traz os três elementos formados por derivação sufixal: estradinha, com o sufixo

-inha; igualmente, com o sufixo -mente; e poderosos, com o sufixo -osos. É exatamente o que buscamos, então temos a nossa resposta! O impedimento na opção C está na última palavra: servidão, formada por derivação sufixal com -idão. As palavras desgraça e intocável são formadas por derivação prefixal, trazendo com elas os prefixos des- e in-. Já na opção D, o elemento que difere é contracheque, que já vimos que é formado por derivação prefixal. Tanto firmemente quanto igualmente, como também já vimos, são formadas por derivação sufixal e apresentam o sufixo -mente.

2. (IADES – 2018 – Adaptada) De acordo com o processo de formação de palavras, assinale

a alternativa que indica, respectivamente, uma palavra formada por derivação parassintética e uma formada por derivação prefixal e sufixal:

a) nutricional – desequilibrada

b) fundamental – cientificamente

c) regularmente – intocável

d) mergulhador – dificilmente

e) enfraquecer – infelizmente

Antes de analisarmos as opções trazidas por esta questão precisamos nos lembrar da diferença básica entre a derivação parassintética e a prefixal e sufixal: na primeira, a retirada de um dos afixos ou até mesmo dos dois ao mesmo tempo impossibilita a existência da palavra restante; na segunda, ao contrário, podemos retirar qualquer um dos dois (ou, novamente, os dois ao mesmo tempo) e o que sobra ainda é uma palavra existente e com sentido na Língua Portuguesa. Vamos lá!

A opção A é invalidada pela palavra nutricional, formada por derivação sufixal a partir de nutrição.

A palavra desequilibrada é formada por derivação prefixal e sufixal a partir de equilíbrio, como o enunciado solicita, mas ter somente um dos pedidos atendidos não é o suficiente.

A opção B apresenta duas palavras formadas por derivação sufixal: fundamental, a partir de

fundamento, e cientificamente, a partir de ciência. Nenhuma das duas atende à solicitação feita pelo

enunciado da questão e, portanto, a opção está errada.

A alternativa C é invalidada por dois motivos: regularmente é uma palavra formada a partir de derivação sufixal a partir de regular; já intocável é uma palavra de derivação parassintética, uma vez que a retirada do sufixo -ável faria sobrar a palavra intoque (que não existe na Língua Portuguesa), mas, apesar disso, ela deveria ser o primeiro elemento da alternativa. A opção D é invalidada por mergulhador, que é um vocábulo formado por derivação regressiva – a palavra de origem é o verbo de ação mergulhar –, e por dificilmente, que deriva de forma sufixal da palavra difícil. Duplamente errada. Por fim, temos a nossa resposta na alternativa E, que traz corretamente, inclusive na ordem pedida pelo enunciado, as palavras enfraquecer, por derivação parassintética (visto que nem enfraque e nem fraquecer são palavras existentes), e infelizmente, por derivação prefixal e sufixal (note que tanto infeliz quanto felizmente são vocábulos válidos para o léxico da Língua Portuguesa).

Bem legal, né? Nem vem, é muito legal, sim! Às vezes, falamos as coisas e nem percebemos a quantidade de processos que cada palavra sofreu até chegar ao que pronunciamos. Agora que passamos por esta primeira parte aqui e vimos como o assunto é cobrado nas provas, creio que posso seguir com você para o estudo das classes de palavras. Muito cuidado: finalmente mergulharemos no assunto mais essencial para tudo o que virá depois! Peço que dê toda a atenção que puder para este estudo e que retorne a ele quantas vezes precisar para a compreensão. Não tenha medo e muito menos vergonha de revisar e revisar, fazer exercícios e revisar mais um pouco. Acredite em mim: você vai precisar muito do que estudaremos a partir de agora. Vamos com tudo!

CAPÍTULO 04 CLASSES DE PALAVRAS

As classes são agrupamentos nos quais as palavras da Língua Portuguesa são encaixadas. Preciso deixar claro que, embora haja a propriedade de serem variáveis ou invariáveis, essas classes não são necessariamente estáticas.

– Willer, o que você quer dizer com isso?

Simples. Uma palavra vai receber classificação de acordo com o contexto em que se encontra, com os elementos que a cercam. Existem dez classes de palavras, e, às vezes, um verbo pode virar um substantivo ou um substantivo pode virar um adjetivo, por exemplo. Calma!! Eu sei que estou usando vários termos técnicos e ainda não expliquei o que cada um deles é realmente, mas não se preocupe. Não deixo meus meninos na mão! Antes de começarmos a falar das classes separadamente, dê uma olhada em alguns exemplos do que acabei de falar (recomendo que, depois de ler todas as descrições, volte aqui e releia os exemplos):

VERBO – EM DESTAQUE:

Tudo soa lindo quando aquela moça começa a [cantar]. VERBO TRANSFORMADO EM SUBSTANTIVO – EM DESTAQUE:

O [cantar] daquela moça é lindo!

SUBSTANTIVO – EM DESTAQUE:

A [pimentinha] que estava sobre a mesa, tão inocente, era a mais forte de todas. SUBSTANTIVO TRANSFORMADO EM ADJETIVO – EM DESTAQUE:

Dênis é realmente um pimentinha!

Conseguiu perceber a diferença de aplicações? Você vai entender ainda melhor a partir de agora. Vamos começar a falar de cada classe gramatical e dar exemplos de suas aplicações. Lembre-se de prestar bastante atenção e revisar quantas vezes forem necessárias. Observação importante: deixarei o verbo e o pronome por último, pois precisarei dar um foco especial a eles mais tarde, beleza? Só vem!

IMPORTANTE: A variabilidade de uma palavra ocorre principalmente em três áreas: gênero, número e grau.

a) Gênero: masculino e feminino;

b) Número: singular e plural;

c) Grau: aumentativo e diminutivo (para os substantivos), comparativo e superlativo (para os advérbios e para os adjetivos). ;)

1. SUBSTANTIVO:

É uma das classes mais importantes para a construção das frases. Semanticamente, ou seja, falando sobre significado, o substantivo é a palavra variável que determina os nomes dos seres. “Seres”, para a Língua Portuguesa, equivalem a tudo o que existe ou imaginamos que exista, ou seja, tudo o que você consegue nomear de alguma maneira. Quanto à Morfologia (forma, grafia), o substantivo pode variar em gênero, número e grau, sendo bastante versátil em sua aplicação nas frases. Quer ver um exemplo? Lá vai:

O menino lavou o carro. (Frase original e inédita) As meninas lavaram os carrinhos. (Variações de gênero, número e grau)

Por fim, em relação à Sintaxe (conjunto de regras que regem as relações entre os termos nas orações), o substantivo pode exercer a função de núcleo dos termos sintáticos. Em outras palavras, é no

substantivo que está a informação principal do sujeito, dos objetos, dos adjuntos, etc. Falarei de cada um destes termos futuramente, não vamos colocar a carroça na frente dos bois. Existem vários tipos de substantivos. Vejamos exemplos de cada um deles:

a) Comum: é a palavra que nomeia seres de um mesmo tipo de maneira genérica. Veja, por

exemplo, que o nome cadeira tem o poder de evocar VÁRIAS imagens na sua cabeça, mas todas elas apresentam um móvel com encosto, banco e pernas para que se possa sentar, certo? Essa é a ideia.

b) Próprio: já o substantivo próprio é o que designa seres únicos. Enquanto cadeira pode trazer à

tona vários modelos de um mesmo “ser”, o nome Roraima só representa um único estado do Brasil, não

podendo ser atribuído a outro lugar. O mesmo ocorre com os nomes das pessoas. Tá certo que existem

por aí, mas não podemos usar esses

nomes para generar todos os homens e mulheres do mundo. Portanto, mesmo que repetidos, os nomes de pessoas são únicos à sua maneira.

c) Concreto: esqueça aquela historinha da tia Doriscleide que dizia que “concreto é o que a gente

pegar”. Pode até “funcionar” quando somos crianças, mas não podemos carregar isso para a vida por ser

um conceito incompleto. Substantivo concreto designa os seres que não dependem de outros seres para que possam existir. E, sim, podem ser criaturas do mundo imaginário ou coisas que não conseguimos tocar. Calma, não é complicado. Olha só, homem, mulher, cachorro, papagaio, cimento, ventilador,

oxigênio

nenhuma dessas coisas necessita de outro ser para que possam existir. Da mesma forma ocorre

se eu disser elfo doméstico, vampiro ou sereia, pois são criaturas independentes, mesmo que imaginárias.

d) Abstrato: agora, perceba a diferença que existe quando falo de amor, saudade, carinho, raiva,

irritação, beleza, vida

Todas essas coisas só existem se um ser humano, por exemplo, possuí-las. Não

são, portanto, independentes e, por isso, são considerados substantivos abstratos! Tá entendendo?

e) Coletivo: muito cuidado aqui para não confundir com a definição dos substantivos comuns. O

vários Leonardos, várias Silvias e vários Willers (ok, nem tantos

)

substantivo coletivo é aquele que nomeia CONJUNTOS de seres iguais. Em outras palavras, podemos ter um lobo (substantivo comum) caminhando pela floresta, mas também podemos ter uma alcateia (substantivo coletivo que nomeia um conjunto de lobos). f) Primitivo e derivado: você se lembra dos processos de formação das palavras? Pois bem, o substantivo primitivo é aquele que dá origem a outras palavras a partir de um mesmo radical. As palavras geradas, por sua vez, são os substantivos derivados! É exemplo clássico que você quer? Então veja a

palavra primitiva pedra, por exemplo. Dela derivam pedreiro, pedregulho, pedraria, pedreira mesma origem em pedra.

g) Simples: ainda na linha dos processos de formação das palavras e de suas raízes, apresento o

substantivo simples, que é formado por um único radical. Ou seja, o substantivo simples tem uma única palavra primitiva por origem, como carro, computador, armário

h) Composto: já o substantivo composto tem mais de um elemento ou radical em sua formação.

Exemplos desse tipo de substantivo são as palavras embora (em + boa + hora) e beija-flor (beija + flor).

todos com a

2. ARTIGO:

Falando inicialmente dentro do campo da Semântica, o artigo não tem significação se o analisarmos sozinho. Esse é o erro de muitos linguistas e até mesmo gramáticos, que chegam a questionar a posição deste elemento como classe de palavra. O questionamento morre quando unimos um artigo a um substantivo. Sua importância fica clara nessa situação, uma vez que é ele o responsável por determinar ou indeterminar um substantivo, bem como individualizá-lo ou generalizá-lo, mostrar intimidade e apreciação – ou a falta delas – e até mesmo mudar completamente seu significado a depender do gênero do artigo. Observe:

João era [o cabeça] daquela reunião. (“o líder”) Maria, em compensação, sentia [a cabeça] doer. (parte do corpo)

Em relação à análise morfológica, o artigo é uma classe composta por palavras também variáveis, mudando sua escrita de acordo com gênero (como já foi demonstrado no exemplo acima) e número:

[O] feriado foi maravilhoso! (singular) [As] férias acabaram, mas meu organismo ainda não percebeu isso

(plural)

Por fim, em relação à Sintaxe, o artigo sempre funcionará como um adjunto adnominal. A presença

do artigo é o que, em inúmeros casos, vai ajudar você a identificar se uma palavra atua ou não como substantivo na oração analisada. Isso significa que o artigo é o responsável pela possível ocorrência do fenômeno da substantivação de um termo, do qual falei lá no início desta unidade. Eles são agrupados em:

a) definidos: normalmente indicam um substantivo já conhecido pelo enunciador e pelo ouvinte

ou leitor. Os artigos definidos individualizam e determinam o substantivo que os acompanham. São eles: o e a (no singular), os e as (no plural). Exemplo:

“Fui até [a] escola com [as] minhas sobrinhas ontem.” (artigos “a” e “as”) “[Os] rapazes farão [o] churrasco!” (artigos “o” e “os”)

b) indefinidos: são exatamente o contrário dos definidos. Estes aqui indicam algo desconhecido,

para o enunciador e para o ouvinte ou leitor. Os artigos indefinidos generalizam, indeterminam, a informação

trazida na oração. São eles: um e uma (no singular), uns e umas (no plural). Exemplos:

“Fui até uma escola ontem para levar umas apostilas.” (artigos “uma” e “umas”)

“Ontem vi [uns] rapazes perto de [um] parque abandonado.” (artigos “um” e “uns”)

IMPORTANTE: O uso do hífen é irremediavelmente necessário quando substantivamos uma locução (mais de uma palavra atuando como termo único de uma classe). Tome como exemplo a seguinte saudação: “Bom dia!” Sem hífen, certo?

Agora veja a seguinte frase: “Ela me disse um bom-dia bastante animado hoje.” Percebe que o que antes era uma saudação agora se tornou apenas o nome dela? Isso é a substantivação! E, nesses casos, é necessário o uso do hífen!

CUIDADO: Nem sempre a presença do artigo causará uma substantivação. Observe que a frase “Desejo um bom dia a você!” tem o mesmo valor de “Desejo que você tenha um dia bom.” Nesse caso, a palavra bom está atuando como um adjetivo para a palavra dia. Falaremos dos adjetivos a seguir! ;)

3. ADJETIVO:

Semanticamente, trata-se da classe de palavras responsável por trazer características a um ser, representado por um substantivo (na maioria dos casos), por uma expressão substantivada, por um pronome ou por uma oração substantiva (falaremos dos tipos de orações quando chegarmos à Sintaxe). Em relação à Morfologia, os adjetivos são variáveis em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e, embora nem sempre apareça, grau (comparativo e superlativo). Observe:

“Aquela casa [bonita] é minha.” (feminino, singular, sem variação de grau) “Eles são [mais altos] que eu.” (masculino, plural, grau comparativo) “Os atores são [famosíssimos]!” (masculino, plural, superlativo)

Já em relação à Sintaxe, o adjetivo pode exercer as funções de adjunto adnominal, predicativo do

sujeito ou predicativo do objeto na oração em que se encontra. Você vai entender tudo isso na nossa seção de estudos sintáticos. Vamos ver, agora, as classificações dos adjetivos:

a) Simples: apresenta apenas um radical. Exemplos: casa azul, casa verde.

b) Composto: apresenta mais de um radical. Exemplo: casa azul-esverdeada.

c) Primitivo: não tem afixos (prefixo e/ou sufixo) em sua grafia. Exemplo: camisa amarela.

d) Derivado: apresenta afixos em sua grafia. Exemplo: camisa amarelada (sufixo -ada).

e) Restritivo: acrescenta um sentido NÃO inerente ao ser, um estado passageiro. Pode vir com

sinal de pontuação ou sem, o que pode mudar completamente o sentido da oração. Exemplos: “A jovem feliz chegou à cidade.” / “A jovem, feliz, chegou à cidade.” f) Explicativo: acrescenta um sentido inerente ao ser, que sempre pertenceu a ele. SEMPRE vem com algum sinal de pontuação. Exemplos: prédio grande, carro motorizado. g) Pátrio e gentílico: pátrio é referente aos países, cidades, regiões, etc.; gentílico é referente aos povos e raças. Exemplos: europeu, japonês, gaúcho, nordestino, indígena, negro, pardo, etc.

IMPORTANTE: Existe um tipo de adjetivo que não muito comum para outras bancas, mas bem modinha para a FGV desde 2015, chamado adjetivo de relação. Trata-se do adjetivo que não expressa subjetividade ou opinião pessoal, vem sempre depois de um substantivo, deriva de um substantivo por sufixação e não varia em grau superlativo (não pode ser intensificado). Quer um exemplo? “Expansão [acelerada]” pode virar “expansão [aceleradíssima]” (adjetivo derivado), porém “economia [mundial]” não pode virar “economia [mundialíssima]” e teremos, portanto, um adjetivo de relação. Eles podem ser classificados em tempo (aulas semanais), origem (rapaz chileno) e pertencimento (camisa masculina) . ;)

4. NUMERAL:

É uma das classes de palavras menos cobradas em concursos e vestibulares, mas, dependendo da aplicação, pode aparecer em uma questão extremamente traiçoeira. Quer um exemplo? Dentro dos artigos, existe o indefinido um, certo? É exatamente aí que mora o perigo. A banca que cobrar numeral vai, provavelmente, tentar te confundir. Lembre-se de que o artigo indefinido um indica uma informação incerta, indeterminada, desconhecida, já o numeral um vai indicar quantidade! A semântica dos numerais é esta:

indicar quantidades ou posições em uma organização. Em relação à área da Morfologia, os numerais são palavras que podem ser variáveis ou invariáveis. Daqui a pouco eu mostrarei onde isso se aplica. Já no campo da Sintaxe, o numeral pode atuar como um adjunto adnominal quando acompanha substantivo. Caso ele esteja substituindo um substantivo, sua função será de núcleo do sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial ou aposto.

IMPORTANTE: Tenha muito cuidado nessa parte da substantivação do numeral. Uma prova, certa vez, trouxe a seguinte questão: “Os três atravessaram o salão [ O avaliador pedia para classificar o termo três. A presença do artigo faz parecer que se trata de um substantivo, certo? É esse o equívoco, pois estamos falando sobre quantidade – pode significar “os três dançarinos”, “os três rapazes”, “os três amigos”, etc.

Minha dica para você é: coloque a palavra “número” antes do termo que está causando dúvida. Se fizer sentido, é um substantivo. Vamos ver um exemplo:

“O [dois] que escrevi ficou bonito.” → “O [número dois] que escrevi ficou bonito.”

Sacou? Lembre-se sempre de ter cautela. As bancas gostam de tentar confundir os despreparados. ;)

Os numerais podem ser classificados em:

a) Cardinais: são os nomes INVARIÁVEIS (em sua maioria) dos números naturais e indicam

quantidade. Os únicos cardinais que variam em gênero são um (para uma), dois (para duas) e as centenas, a partir de duzentos, (duzentas, trezentas, etc.). Exemplos: um/uma, dois/duas, três, quatro, cinco, quinhentos/quinhentas.

b) Ordinais: são os termos VARIÁVEIS em gênero, número e grau (na oralidade) que indicam

posição, ordem (como o próprio nome diz). Exemplos: primeiríssimo lugar, segundo em comando, terceiras intenções, quarto colocado, etc.

c) Multiplicativos: indicam, é claro, os múltiplos. Também são INVARIÁVEIS. Exemplos: dobro,

triplo, quádruplo, etc.

d) Fracionários: indicam quantidades repartidas, não inteiras. São VARIÁVEIS em número e

metade é o único termo de gênero feminino. Exemplos: o meio, a metade, os terços, três quartos, etc.

OBSERVAÇÃO: após o indicativo fracionário de dez (décimo), utilizamos o nome do número de forma cardinal e acrescentamos a palavra avos. Exemplos: onze avos, vinte e três avos, quarenta e cinco avos

Isso só não ocorre nas centenas, ficando centésimo, ducentésimo, trecentésimo com os ordinais.

e) Coletivos: indicam uma quantidade exata em um conjunto, uma porção. São VARIÁVEIS em

gênero e número. Exemplos: par de brincos, dúzia de bananas, centos de salgados.

exatamente como ocorre

5. ADVÉRBIO:

Uma das classes de palavras mais importantes da Língua Portuguesa é a dos advérbios. Semanticamente, são palavras (ou locuções) que indicam circunstâncias e que atuam como modificadores ou ampliadores de sentido. Além disso, os advérbios são extremamente versáteis em sua possibilidade de significação. Um mesmo advérbio pode trazer ideia de modo em um contexto e de intensidade em outro, por exemplo.

Morfologicamente, o advérbio é uma palavra INVARIÁVEL para número e gênero! Faço questão

de deixar isso bem enfatizado porque a fala trai muita gente. Quer um exemplo? Atire a primeira pedra

Irmão do céu, não faça isso, não. As únicas

aquele que nunca ouviu alguém dizer “Estou meia cansada

aplicações de meia que são aceitáveis na Língua Portuguesa são o substantivo (sim, aquela peça de tecido que nós calçamos) e o numeral fracionário que indica metade. Estamos entendidos? Ótimo! (Só pra constar:

menos também não existe.) Quanto ao ponto de vista sintático, o advérbio exerce apenas a função de adjunto adverbial,

fazendo referência (leia-se: modificando ou ampliando o sentido) a verbos, adjetivos, a outros advérbios ou a orações inteiras que exerçam uma das funções citadas. Existem MUITAS circunstâncias adverbiais a serem estudadas, mas apenas algumas são realmente cobradas nos concursos e vestibulares. Vejamos quais são agora:

a) Modo: retrata de que forma a situação exposta no enunciado ocorre. Exemplos: assim, bem,

mal, depressa, devagar, de propósito, à toa, cara a cara

b) Tempo: indica o período em que a situação exposta no enunciado acontece, aconteceu ou

acontecerá. Exemplos: agora, sempre, nunca, um dia, em breve, temporariamente, atualmente,

constantemente c) Lugar: indica a localização da informação. Exemplos: aqui, , acima, abaixo, em cima, embaixo, internamente, à distância

d) Causa: indicam o motivo para que algo venha a acontecer ou tenha acontecido. Exemplos: “O

turista sofria com o calor de Roraima.” / “Ele estuda por prazer.”

e) Conformidade: indica que a situação exposta no enunciado ocorre de acordo com alguma

premissa. Exemplos: “De acordo com o edital, Português terá um peso grande.” / “Segundo o cantor, a música é uma declaração para a família.”

”!

Outros, também importantes e que aparecem um pouco menos, são:

f) Afirmação: indica uma informação positiva. Exemplos: sim, decerto, com certeza, indubitavelmente, verdadeiramente, de fato

g) Negação: é o oposto do advérbio de afirmação. Ou seja, apresenta uma informação negativa.

Exemplos: não, tampouco, de jeito nenhum, de forma alguma, por nada

h) Intensidade: é, como o próprio nome diz, o termo intensificador do enunciado. Exemplos:

bastante, tanto, quanto, quase, de todo, por completo, extremamente, demasiadamente

i) Dúvida: apresenta a ideia de incerteza. Exemplos: acaso, talvez, quiçá, por acaso, possivelmente

j) Concessão: apresenta uma oposição ao fato principal do enunciado, mas NÃO o anula.

Exemplos: “Terminei o trabalho com folga, apesar do tempo curto.” / “Mesmo aparentando saúde, a garota

não parava de tossir.”

k) Finalidade: indica o objetivo a ser alcançado. Exemplo: “Estudo para alcançar minha estabilidade.” / “Economizei para aproveitar as férias.”

j) Condição: limita a situação do enunciado, permitindo que ela aconteça apenas dentro de

determinados requisitos. Exemplo: “Na dúvida, estude mais um pouco.”

Os advérbios seguintes são muito mais raros, realmente não costumando aparecer. Por isso, apenas irei citá-los aqui para que você saiba quem são (os nomes, inclusive, são autoexplicativos): meio, instrumento, assunto, companhia, preço, quantidade, referência, ordem, medida, peso, matéria, proporção, reciprocidade, favor, exclusão, inclusão, conclusão. Qualquer dúvida que você venha a ter sobre eles, recomendo que dê uma lida n'A Gramática para Concursos Públicos, do meu amigo Fernando Pestana.

A variação em grau (intensidade) dos advérbios ocorre com o uso de outros advérbios ou de sufixos. Existem duas possibilidades: comparativo e superlativo. Observe:

“Ela é [tão] alta [quanto] ele.” (comparativo de igualdade) “Ela é [mais] alta [que] ele.” (comparativo de superioridade) “Ela é [menos] impulsiva [que] ele.” (comparativo de inferioridade)

“O bebê era [muitíssimo] grande para sua idade.” (superlativo sintético, sufixo -íssimo) “Apesar da dúvida de certas pessoas, eu cozinho [muito] bem.” (superlativo analítico, uso de outro advérbio)

6. PREPOSIÇÃO:

A preposição é a palavra invariável responsável por estabelecer relações de sentido entre dois termos, criando efeito de subordinação entre eles. Ou seja, um dos termos é regido pelo outro. É importante lembrar que todos os efeitos semânticos trazidos pelas preposições vão depender do contexto em que se inserem. Observe os seguintes exemplos:

“Maria falou [com] José.” “Maria falou [de] José.” “Maria falou [contra] José.”

Embora não exerça nenhuma função sintática por si só, a preposição é a responsável por estabelecer o sistema de transitividade, introduzindo os complementos verbais e nominais, ou pela construção de adjuntos adnominais e adverbiais. Resumindo toda carga técnica que falei aqui: a preposição é aquela palavrinha que se faz necessária para que você possa complementar um verbo, um substantivo, um adjetivo ou um advérbio. Sem ela, a oração fica sem sentido, não funciona. Duvida? Responda, então: você diz “preciso dinheiro” ou “preciso de dinheiro”? Hein? Esse de que apareceu aí, totalmente necessário, é a preposição! Existem duas classificações para as preposições:

a) Essenciais: são as preposições propriamente ditas, as aplicações clássicas. Exemplo: “Gosto

de estudar por videoaulas!”

b) Acidentais: são palavras que pertencem a outras classes gramaticais, mas que atuam como

preposições em determinados contextos. Exemplos: “Ele tinha a honra e a coragem como lema lema”).

(“por

As preposições também possuem algumas habilidades especiais, chamadas de CONTRAÇÃO e COMBINAÇÃO. Basicamente, ocorrem quando uma preposição se une a um artigo definido, a determinados pronomes ou a um advérbio. Contração: há perda fonética, ou seja, um ou mais sons desaparecem na união das palavras. É o caso mais comum e alguns exemplos são:

“Os lutadores já estão [no] ringue.” (em + o) “A maioria dos meus alunos é [daqui] do meu estado.” (de + aqui)

OBSERVAÇÃO: Quando a preposição a se une ao artigo definido feminino a, ocorre uma contração chamada CRASE, representada graficamente pelo acento grave (`) sobre a letra A. Não se preocupe! Teremos uma unidade inteira só para o estudo desse assunto!

Combinação: não há perda fonética. É a união da preposição a com o artigo o ou com o advérbio de lugar onde. Veja:

“Levarei meu afilhado [ao] jogo de futebol amanhã.” “Diga-me [aonde] você está indo para que eu possa encontrá-lo!”

IMPORTANTE: O conselho clássico para saber quando usar onde ou aonde é a “ideia de movimento”. Minha dica para você escolher a opção correta é substituir pela locução para onde. Se fizer sentido, use aonde. Veja:

“Para onde você vai?” → “Aonde você vai?” “Para onde você mora?” (feião) → “Onde você mora?”

7. CONJUNÇÃO:

A conjunção é um dos assuntos mais cobrados em provas, especialmente nos concursos públicos. Mas não pense que as questões aparecerão para você perguntando, simplesmente, o que é uma conjunção ou pedindo para você apontá-la em um período. A banca vai querer saber funções das orações, análises de períodos, e, para isso, você precisa saber qual conjunção se faz presente em cada um dos enunciados. Mas não se assuste. É exatamente para isso que estou aqui: para simplificar as coisas e fazer você aprender de verdade. Vamos juntos? Muito bem! No campo semântico, a conjunção é a palavra com sentido próprio responsável por conectar termos ou orações. CUIDADO: a preposição une dois termos para que eles tenham sentido, estabelecendo-os como regente e regido; a conjunção dá o tom do período que a contém, trazendo o

sentido necessário embutido nela mesma (a exceção é a conjunção integrante). Em relação ao seu estudo morfológico, trata-se de uma palavra invariável. E, em relação ao aspecto sintático, é importante frisar que a conjunção não tem função, mas participa ativamente das construções de coordenação e de subordinação, ligando parágrafos, períodos, orações e termos de mesma função sintática. Observe o exemplo:

“Preto [e] branco são opostos, [mas] se complementam.”

Vê que os termos destacados são os responsáveis pelas ligações que ocorrem? São conjunções! O primeiro destaque traz o sentido de adição de um termo a outro na oração em que se encaixa, o segundo destaque traz sentido de oposição entre uma oração e outra. Viu? Não é difícil identificá-las!

IMPORTANTE: Algumas conjunções trabalham em duplas, formando uma unidade de sentido, ocasionando o que chamamos de CORRELAÇÃO. Exemplo:

“[Tanto] me dedico à leitura [quanto] aos exercícios!”

Vamos falar sobre as classificações? a) Coordenativas: as conjunções coordenativas são as que ligam orações ou termos que possuem INDEPENDÊNCIA sintática. Isso significa que podemos retirá-las das construções sem que haja qualquer prejuízo. Dê uma olhada:

“Naquele mercado, comprei uvas, morangos [e] cerejas.” (com conjunção) “Naquele mercado, comprei uvas, morangos, cerejas.” (sem conjunção)

Dividem-se em:

I. Aditivas: exprimem ideia de soma, acréscimo. São elas: e (pode ter outras aplicações),

tampouco, bem como, nem, “nem

como”, “tanto

nem”,

não só

mas”, “não só

como”, “não só

quanto” e “mais” (em linguagem matemática ou coloquial). Exemplos:

senão”, “tanto

“[Não só] fiz o ensino médio lá, [como também] voltei para dar aula.” “Não gosto [nem] de uva-passa [nem] de maçã na maionese!”

II. Adversativas: apresentam oposição, contraste, quebra de expectativa, compensação, restrição. Também podem realçar o conteúdo das orações nas quais estão introduzidas. São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão (no sentido de mas sim), agora, antes, no entanto, não obstante, ainda assim. Exemplos:

“Querer passar no concurso é fácil, agora fazer sacrifícios é difícil.” “João é bagunceiro, [mas] é bom aluno.” (realce)

III. Alternativas: exprimem ideia de exclusão, inclusão, escolha, alternância, retificação.

outras vezes”,

São elas: ou, “ou

talvez

ou”, “ora

ora”, “quer

quer”, “seja

seja”, “

”, “umas vezes

talvez”. Exemplos:

“Não sei se uso a camiseta laranja [ou] a preta.” (exclusão/alternativa) “[Ou] vou à festa [ou] entrego o trabalho.” (sempre exclusão) “[Ora] mexe no computador, [ora] brinca no celular.” (sempre alternância)

IV. Conclusivas: dão a ideia de desfecho ou consequência. São elas: logo, portanto, pois, assim, então, com isso, por isso, por conseguinte, em vista disso. Exemplos:

“Eu a amo, [então] farei tudo por ela.” “Perderam muito tempo assistindo a filmes, por isso não estudaram.”

V. Explicativas: trazem ideia de justificativa e, muitas vezes, aparecem depois de verbos no imperativo. São elas: porque, que, porquanto, pois (antes do verbo). Exemplos:

“Aceita, [que] dói menos.” “José deve estar com calor, porque não para de se abanar!”

b) Subordinativas: as conjunções subordinativas ligam orações que possuem DEPENDÊNCIA sintática. Ou seja, a construção fica totalmente sem sentido sem a conjunção. Fica incompleta. Veja:

“Não sei [se] ela virá hoje.” (com conjunção) “Não sei ela virá hoje.” (sem conjunção e totalmente sem sentido)

Dividem-se em:

I. Integrantes: são as responsáveis por introduzir orações com valor de subtantivo, que

completarão o sentido de outras orações. Falarei mais sobre isso quando estivermos trabalhando a Sintaxe. Por ora, quero que tenha uma pequena dica em mente: para identificar uma conjunção integrante, tente trocar a oração iniciada por ela por isto ou isso e, se fizer sentido, você conseguiu. Só existem duas: que e se! Exemplos:

“Quero [que] estudem com disciplina.” → “Quero ISSO.” “Maria não sabe se vai conseguir.” → “Maria não sabe ISSO.”

II. Adverbiais causais: introduzem orações com valor de advérbio de causa, denotam a

razão para que algo aconteça. São elas: porque, que, porquanto, pois, como (só no início da oração), pois

que, dado que, visto que, visto como, já que, sendo que, uma vez que, na medida em que. Exemplos:

“[Como] gostava muito de Informática, virou programador.” “Conseguiu nadar mais rápido, [visto que] treinou incansavelmente.”

III.

Adverbiais comparativas: iniciam orações com valor de advérbio e exprimem ideia de

analogia, podendo ser quantitativa ou qualitativa. São elas: qual, como, tal qual, tal e qual, tal como, assim

como, como se, “tão

como”. Também se encaixam aqui as construções

mais (do) que, menos (do) que, maior (do) que, menor (do) que, melhor (do) que, pior (do) que. Exemplos:

como”, “tão

quanto”, “tanto

“Português é [mais] fácil [que] matemática.” “Gosto [tanto] de sushi [quanto] de churrasco.”

IV. Adverbiais concessivas: exprimem contrariedade a uma ideia sem, contudo, torná-la

inválida. São elas: embora, malgrado, conquanto, ainda que, ainda quando, mesmo que, posto que, nem que, em que pese (muito raro), se bem que, apesar de que. Também aparecem aqui, indicando grau, as formas por mais que, por menos que, por menor que, por maior que, por melhor que, por pior que, por muito que. Exemplos:

“Gosto de Português [mesmo que] precise fazer muitos exercícios.” “[Ainda que] eu fale a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria.”

V. Condicionais: exprimem a ideia de hipótese, condição para que algo aconteça. São

elas: se, caso, contanto que, exceto se, salvo se, desde que (seguido de subjuntivo), sem que (com sentido

de se não), a menos que, uma vez que (seguido de subjuntivo), a não ser que. Exemplos:

“[A menos que] comece a se exercitar desde já, José terá sérios problemas!” “[Se] eu te contar, você tem que prometer que materá em segredo.”

VI. Conformativas: exprimem ideia de acordo, de um modelo que deve ser seguido. São elas: conforme, segundo, como, consoante (não é muito comum). Exemplos:

“[Conforme] indicado pelo edital, o candidato deve apresentar o RG para fazer a prova.” “[Segundo] o médico, ela deve tomar o antibiótico a cada oito horas.”

VII. Consecutivas: exprimem ideia de resultado, consequência de algo. São elas: de sorte

que”,

que, de maneira que, de modo que, de forma que, “tão

que”, “tanto

que”, “tamanho

que”, “tal

de tal modo/maneira

que”, “a tal ponto

que”, “tanto assim

que”. Exemplos:

“[Tal] foi seu empenho [que] conseguiu a aprovação.” “[Tamanha] era a amizade [que] se entendiam só pelo olhar.”

VIII. Finais: apresentam a ideia de objetivo, propósito a ser alcaçado. São elas: para que, porque (com sentido de para que, não é muito comum), de modo que, de maneira que, de forma que, de sorte que, a fim de que. Exemplos:

“Levantaram as espadas e formaram um corredor [para que] o rei passasse.”

“Chego sempre cedo [a fim de que] não me atrase para os outros compromissos.”

IX. Proporcionais: apresentam ideia de simultaneidade, proporcionalidade. São elas: à

(tanto)

propoção que, à medida que, ao passo que, "quanto mais/menos/maior/menor/melhor/pior mais/menos/maior/menor/melhor/pior". Exemplos:

"Seu conhecimento cresce [à medida que] você se esforça em seus estudos." "[Quanto mais] alto o brinquedo, [maior] a adrenalina!"

X. Temporais: exprimem ideia de tempo (que surpresa, não?). São elas: quando, enquanto, mal (com sentido de logo que), apenas (com sentido de logo que, mas não é muito usual), logo que, depois que, antes que, sempre que, assim que, agora que, até que, desde que, primeiro que (com sentido de antes que, mas também não é muito comum), cada vez que, todas as vezes que, ao mesmo tempo que. Exemplos:

“[Mal] cheguei, começou a confusão!” “[Assim que] isso acabar, ela voltará para nós.”

8. INTERJEIÇÃO:

Chegamos à classe de mais fácil entendimento! A interjeição é palavra ou expressão pronunciada com entonação característica, a fim de transmitir alguma emoção. Desse modo, é possível atribuir vários significados a uma interjeição, dependendo apenas do contexto em que ela se insere. Morfologicamente, podemos dizer que a interjeição é uma palavra INVARIÁVEL. Por fim, dentro do estudo da Sintaxe, a interjeição não desempenha qualquer função. Dá uma olhada nestes exemplos:

“[Ah], como eu queria passar logo naquele concurso!” “[Cuidado]! Tem um cachorro nessa casa!”

“[Poxa]

é uma pena que acabou.”

A respeito da pontuação, normalmente veremos o ponto de exclamação (!) acompanhando a interjeição. Porém, é muito comum que haja apenas uma vírgula (,) ou simples reticências (…) na construção. É importante frisar que, quando houver interjeição com exclamação seguida de uma frase igualmente exclamativa, a frase deverá começar com letra minúscula. Assim:

“Ah! como ela é linda!”

Viu como é simples? Vamos falar sobre as classificações! As interjeições são agrupadas em:

a) Advertência: “cuidado!”, “atenção!”;

b) Afugentamento: “fora!”, “rua!”;

d)

Alívio: “ufa!”, “arre!”;

e) Animação: “coragem!”, “avante!”;

f) Aplauso: “bravo!”, “bis!”;

g) Aprovação: “boa!”, “apoiado!”;

h) Chamamento: “olá!”, “alô!”;

i) Desagrado: “puxa!”, “francamente!”;

j) Desejo: “oxalá!”, “tomara!”;

k) Dor ou prazer: “ai!”, “ui!”;

l) Espanto: “eita!”, “céus!”;

m) Impaciência: “Hm/Hum!”, “aff!”

n) Indignação: “fora!”, “raios!”;

o) Saudação: “ave!”, “viva!”;

p) Silêncio: “silêncio!”, “shh!”;

q) Terror: “cruzes!”, “credo!”

Além dessas classificações, existem também as locuções interjetivas, como: “puxa vida!”, “não diga!”, “meu Deus!” e, duas que eu uso muito, “irmão do céu!” e “deu ruim!” (ou “deu bom!”).

9. PRONOME:

Chegamos à penúltima das classes de palavras! Tá acabando a preparação! Daqui a pouco chegamos à brincadeira de verdade e vou precisar de toda a sua atenção, ok? Tá comigo ainda? Excelente! Então vamos começar a falar desta belezinha aqui: o pronome. Semanticamente, o pronome é a classe de palavras que acompanha ou substitui um nome, podendo apresentar vários sentidos dependendo do contexto. Do ponto de vista morfológico, o pronome é uma palavra VARIÁVEL em gênero e número apenas. Por fim, em relação à sintaxe, o pronome pode funcionar como substantivo (ao substituir um outro substantivo) ou como adjunto adnominal (ao acompanhar um substantivo, é chamado de pronome adjetivo nesses casos).

IMPORTANTE: Os pronomes servem para marcar as pessoas do discurso. O discurso é um enunciado comunicativo, oral ou escrito, que depende de um emissor (1ª pessoa), de um receptor (2ª pessoa) e de um referente (3ª pessoa, que pode ser um indivíduo ou não). Ou seja, o discurso é formado por aquele que fala, por aquele que ouve e pelo assunto falado. ;)

Existem seis classificações para que possamos identificar os pronomes. Vamos descobri-las!

a) Pessoais: servem para apontar as pessoas do discurso, aparecendo no singular e no plural.

Dividem-se em retos e oblíquos. I. Pronomes pessoais do caso RETO: são os responsáveis por conjugar os verbos,

normalmente exercendo função de sujeito na oração. Também pode atuar como aposto, vocativo e predicativo do sujeito. O pronome reto NÃO exerce função de complemento para os verbos. Quer ver um exemplo? Observe a letra de música a seguir:

“O nome dela é Jenifer, eu encontrei [ela] no Tinder

Feião, né? Ridículo! Mas todo mundo fala assim no dia a dia. Eu falo, você fala, todo mundo fala. Costumo dizer que é um mal do brasileiro, pois somos acostumados a falar errado desde cedo. Tanto que, muitas vezes, o errado parece até soar mais bonito aos nossos ouvidos, mas o certo seria:

“ eu [a] encontrei no Tinder

Os pronomes retos são:

eu – 1ª pessoa do singular tu – 2ª pessoa do singular ele, ela – 3ª pessoa do singular nós – 1ª pessoa do plural vós – 2ª pessoa do plural eles, elas – 3ª pessoa do plural

II. Pronomes pessoais do caso OBLÍQUO: podendo ser átonos ou tônicos, são os que atuam, normalmente, como complemento para os verbos (embora os átonos raramente também possam aparecer como sujeito, complemento nominal e adjunto adnominal). Não se preocupe com todos esses nomes estranhos que estou falando aqui. Logo, logo, quando começarmos a falar de cada parte das orações, explicarei um por um. Os pronomes oblíquos átonos são:

me – 1ª pessoa do singular te – 2ª pessoa do singular se, o, a, lhe – 3ª pessoa do singular nos – 1ª pessoa do plural vos – 2ª pessoa do plural se, os, as, lhes – 3ª pessoa do plural (sim, o se também aparece aqui)

Os pronomes oblíquos tônicos, que normalmente vêm precedidos de uma preposição, são:

mim, comigo – 1ª pessoa do singular ti, contigo – 2ª pessoa do singular si, consigo – 3ª pessoa do singular ou do plural nós, conosco – 1ª pessoa do plural vós, convosco – 2ª pessoa do plural

a ele(s), a ela(s) – 3ª pessoa do singular ou do plural

IMPORTANTE: Os pronomes de tratamento são pronomes pessoais utilizados para fazer referência às pessoas do discurso de forma respeitosa. Também conhecidos como axiônimos, são estudados na parte do Português que chamamos de Redação Oficial. Alguns dos pronomes de tratamento mais importantes são Vossa Excelência (V. Ex.ª – para altas autoridades dos três poderes e militares acima do posto de general), Vossa Santidade (para o papa) e Vossa Eminência (V. Em.ª – para cardeais). ;)

b) Possessivos: são os responsáveis por criar relação de posse entre os termos da oração e as pessoas do discurso. Concordam sempre com o substantivo a que se ligam, variando em gênero e número. Olha lá a nossa oração tradicional passando por uma pequena alteração para trazer sentido de posse:

“O menino lavou o carro.” → “O menino lavou [seu] carro.”

Percebeu como o pronome possessivo concordou com o substantivo carro? Para não restar dúvidas, tente trocar o termo por casas, por exemplo. Você vai ver que o pronome muda totalmente, mas seu sentido continua o mesmo: Os pronomes possessivos são:

meu, minha – 1ª pessoa do singular teu, tua – 2ª pessoa do singular seu, sua – 3ª pessoa do singular ou do plural nosso, nosso – 1ª pessoa do plural vosso, vossa – 2ª pessoa do plural

c) Indefinidos: são os pronomes que fazem referência à 3ª pessoa do discurso de forma imprecisa, genérica, indeterminada. Veja este exemplo:

“[Todos] os meus alunos passaram.”

Note que o termo todos não deixa claro o número exato de alunos, apenas generaliza, deixando tudo em um único grupo de informação imprecisa quanto à quantidade. É este o papel dos pronomes indefinidos, que se dividem em invariáveis e variáveis (em gênero e número). São eles:

I. Invariáveis: algo, tudo, nada, mais, menos, quem, alguém, ninguém, outrem, (os)

demais, cada, que.

outra(s), muito(s), muita(s), bastante(s), pouco(s), pouca(s), certo(s), certa(s), vários, várias, diversos, diversas, quanto(s), quanta(s), tanto(s), tanta(s), qualquer, quaisquer, qual, quais, um(ns), uma(s), tal, tais.

d) Interrogativos: apresentam um questionamento direto (com ponto de interrogação) ou um questionamento indireto (sem ponto de interrogação). São eles: que, quem, qual, quais, quanto(s), quanta(s). Exemplos:

“Não sabemos [quem] é aquele rapaz.” (Pergunta possível: “[Quem] é aquele rapaz?”) “Gostaria de saber [que] horas são.” (Pergunta possível: “[Que] horas são?”)

e) Demonstrativos: são os que marcam a posição de um ser em relação a uma das pessoas do

discurso em tempo e espaço, seja fora ou dentro de um texto. Os principais pronomes demonstrativos são:

este, esta – 1ª pessoa do singular esse, essa – 2ª pessoa do singular aquele, aquela, aquilo – 3ª pessoa do singular estes, estas – 1ª pessoa do plural esses, essas – 2ª pessoa do plural aqueles, aquelas – 3ª pessoa do plural

Existem outras palavras na Língua Portuguesa que também são consideradas pronomes demonstrativos e é preciso tomar certo cuidado para utilizá-las. São os termos mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s), tal, tais, semelhante(s), o(s) (substituindo aquele(s)) e a(s) (substituindo aquela(s)). Agora observe a seguinte construção:

“Antes de entrar no elevador, verifique se o [mesmo] se encontra no andar.”

Tenho certeza de que você já viu uma frase como essa em algum elevador por aí. Irmão do céu, isso está errado! Os termos mesmo e próprio (bem como suas variações em feminino e plural) servem como REFORÇADORES e aparecem junto de artigo, têm sentido de igual, exato, idêntico ou em pessoa. Portanto, meu caro, a forma correta de utilizar essas palavras é:

“Silvia pegou o [mesmo] elevador que eu.” “A [própria] professora disse que daria aquela aula ontem.”

O outro jeito é FEIÃO! Não cometa um erro desse!

f) Relativos: são o tipo de pronome que mais costuma ser cobrado em provas devido à sua

aplicação sintática. O pronome relativo é o elemento que faz referência a um termo já citado anteriormente

(ou seja, tem valor anafórico) e também é o responsável por introduzir as orações subordinadas adjetivas. Não se preocupe, teremos uma parte da apostila para falar só deste tipo de oração. São eles:

que – para coisas ou pessoas quem – para pessoas ou personificações quanto – aparece após tudo, todo e tanto (e suas variações), valor de sujeito e objeto direto como – após as palavras modo, maneira, forma e jeito quando – para tempo onde – para lugares (reais ou virtuais)

Gosto de deixar separado desses acima o pronome relativo cujo, pois é muito comum vermos seu uso ocorrer de forma errada quando uma pessoa simplesmente decide “falar bonito”. Irmão, aprenda uma coisa: falar bonito é falar certo, não difícil e nem com palavras diferentes, ok? O que eu quero dizer com isso é que construções como “O assunto [cujo] foi abordado na última sessão era importante” são completamente erradas!

– Tá, Willer, mas por quê?

Simples: o pronome cujo possui algumas regrinhas básicas e não pode atuar como um sinônimo de o/do qual. Ele traz ideia de posse e vem entre dois substantivos, sendo que o primeiro é o que possui e o segundo é o objeto de posse. Por esse motivo, não pode haver artigo antes ou verbo depois de cujo. Além disso, ele sempre concorda com o termo à frente (o objeto de posse). Observe:

“A família [cuja] casa é amarela é antiga na cidade.”

Percebe que a casa amarela PERTENCE à família antiga na cidade? É esse o jogo! Podem acontecer casos em que uma preposição vai aparecer imediatamente antes do cujo, mas isso tem a ver com a exigência que determinado verbo fará e NÃO com o uso do pronome. Olha só:

“A família [de] [cuja] casa falei se mudou.”

Veja que a preposição une o verbo falar à casa que foi citada (“falei da casa”) e nada tem a ver com o pronome relativo que estamos estudando. Nesses casos, é permitida a presença de outro elemento depois do primeiro substantivo, mas só nesses casos!

10. VERBO:

Finalmente chegamos à classe de palavras mais importante de todas: o verbo! É ele que vai dizer o que vai acontecer na oração, é ele que vai concordar com o sujeito e fazer as exigências necessárias de complemento (se for o caso) para que o sentido fique completo. Também é o verbo que vai dizer quantas orações há em um enunciado. Mas o que é o verbo, afinal de contas? Vamos a ele! Semanticamente falando, é a classe de palavras responsável por indicar ação, estado (ou mudança de estado) ou fenômeno da natureza. O verbo SEMPRE estará intimamente ligado a uma perspectiva temporal, indicando-a em sua própria conjugação. Veja alguns exemplos de verbos:

“O menino [lavou] o carro.” “Toda vez [trago] esse exemplo.” “E você [gostará] disso sempre.”

Em relação ao campo da Morfologia, o verbo é uma palavra variável em modo, tempo, número e pessoa. Esses quatro aspectos de variação formam, juntos, o que chamamos de flexão verbal, ou seja, o verbo precisa concordar em modo, tempo, número e pessoa para estar perfeitamente de acordo com as necessidades demandadas por quem emite a mensagem. Por fim, em relação à Sintaxe, o verbo é o termo essencial para que exista uma oração. Sim, sem verbo, não tem oração! Ele é o núcleo do predicado, a parte mais importante daquilo que se fala sobre o sujeito ou daquilo que é feito pelo sujeito. E acredite: até mesmo se não houver um sujeito em uma oração, haverá um verbo. Mas calma, falaremos disso detalhadamente adiante. Um passo de cada vez. Identificar um verbo em sua forma neutra não é difícil: são as palavras com as terminações (conjugações) -ar, -er e -ir, nas quais as letras A, E e I são chamadas de vogais temáticas. Claro que nem todas as palavras assim terminadas são verbos. Meu nome, Willer, por exemplo, termina em -er, mas não indica ação, nem estado (ou mudança de estado) e nem fenômeno da natureza (há quem discorde hahaha, brincadeirinha!). É preciso preencher todos os requisitos. Além disso, todo verbo é uma palavra oxítona.

– Beleza, espertinho, mas e os verbos terminados em -or?

Calma, jovem, relaxa! Os verbos com essa terminação se encaixam na segunda conjugação, -er. Tratam-se de verbos muito antigos e derivados de poer, que, hoje, conhecemos como pôr. Todos os que

vêm desse verbo (como depor, transpor, contrapor, etc.) recebem a mesma conjugação e a mesma flexão. Vamos começar a falar sobre elas? Trabalharemos uma a uma para que o entendimento fique bem claro, ok? Vem comigo!

a) Número: é a variação entre singular e plural que você já viu em várias outras classes

gramaticais, não tem mistério!

b) Pessoa: variação entre as pessoas do discurso – 1ª, 2ª e 3ª do singular ou do plural. Também

não tem mistério, você já conhece cada uma delas. É importante apenas lembrar que os pronomes utilizados para a conjugação verbal são os pessoais RETOS!

c) Flexão em MODO: é a maneira como o verbo é apresentado para indicar a mensagem que se

pretende passar. Existem três modos pelos quais podemos expressar um verbo.

I. Indicativo: traz certeza do acontecimento trazido pelo verbo, ideia de verdade e convicção. Exemplo:

“José [passou] naquele concurso.”

II. Subjuntivo: exatamente o contrário do indicativo. O modo subjuntivo traz a incerteza, a

dúvida. O leitor ou ouvinte não tem como saber se a ação trazida pelo verbo de fato acontece. Exemplo:

“Desejo que José [passe] naquele concurso.”

Percebe a diferença entre o verbo destacado no exemplo acima e o que citei para o modo indicativo? Aqui, não há certeza se José passará ou não no referido concurso, apenas a possibilidade. A grafia dos verbos passa por uma mudança na transformação da forma infinitiva para o modo subjuntivo: os verbos terminados em -ar passam a ter terminação em e; os verbos terminados em -er, -or e -ir passam a ter terminação em a. Exemplos:

fal[ar] → fal[e] com[er] → com[a] comp[or] → componh[a] imprim[ir] → imprim[a]

III. Imperativo: exprime uma sugestão, um pedido ou uma ordem, dependendo do tom utilizado ao expressar o verbo em questão. Exemplos:

“[Faça] isso para mim, sim?” “Não me [deixe]!”

Algo importante a ser dito sobre o modo imperativo é que ele não tem conjugação em primeira pessoa. Pensa só: não posso dar uma ordem para eu, certo? No momento em que me olho no espelho e decido me dar uma palavra de motivação, por exemplo, é como se estivesse falando com outra pessoa, não comigo mesmo. Quer ver? Imagine a cena:

“Eu, [paro] de beber cerveja se quiser perder minha minúscula protuberância abdominal!”

Primeiro: você me deixe e deixe minha cervejinha em paz! Segundo: feião, pô! Ninguém fala desse jeito, simplesmente não funciona! Observe como a fala poderia fazer sentido:

“Willer, [pare] de beber cerveja se quiser perder sua minúscula protuberância abdominal!”

Viu só? É só você se imaginar diante do espelho e vai perceber que dará a ordem ou fará o pedido como se estivesse falando com outra pessoa.

d) Flexão em TEMPO: lembra que, lá no início da nossa conversa sobre verbos, eu disse que esta classe gramatical sempre estará intimamente ligada a uma perspectiva temporal? Pois é. É aqui que eu explico a você o que eu quis dizer. Você já sabe que os verbos indicam ação, estado (ou mudança de estado) ou fenômenos da natureza, certo? Mas tais acontecimentos ocorrem em algum momento determinado em relação a quem transmite a mensagem, a quem a recebe e ao assunto do qual se trata. Vamos ver cada um dos tempos agora. Peço que imagine uma linha temporal para que isso ocorra. I. Pretérito mais-que-perfeito: é o que se refere ao ponto mais antigo da linha e, praticamente, só aparece na literatura. Trata-se de um fato ocorrido no passado de algo que já está no passado. Confuso? Calma. Imagine que estou contando uma história e começo a falar de algo que ocorreu

antes dos fatos dessa história. Isso é o pretérito mais-que-perfeito. Olha o exemplo:

“Maria começou a falar aos netos sobre as aventuras que [vivera] em sua juventude.”

Percebeu que o verbo destacado traz a ideia de um fato ocorrido antes de todo o contexto e que esse contexto também está no passado? Essa é a ideia. Verbos regulares (sem mudança no radical) no pretérito mais-que-perfeito do indicativo conjugados na 3ª pessoa do singular (ele/ela) terminam em -ara (infinitivo -ar), -era (infinitivo -er) ou -ira (infinitivo -ir). II. Pretérito perfeito: trata-se da ação que começou e terminou em um único ponto da linha do tempo. Ou seja, não era uma ação usual, mas algo que aconteceu em determinado momento e não aconteceu mais. Veja:

“Maria [começou] a falar aos netos sobre as aventuras

Observe o verbo que foi destacado agora. A forma apresentada por ele indica que a ação de começar a falar ocorreu unicamente naquele momento, não se estendendo para outras situações. Verbos regulares no pretérito perfeito do indicativo conjugados na 3ª pessoa do singular terminam em -ou (infinitivo -ar), -eu (infinitivo -er) ou -iu (infinitivo -ir). III. Pretérito imperfeito: exprime a ação que começou no passado e não terminou completamente assim que foi iniciada, mas durou por algum tempo. Exemplo:

“Em seguida, levantou-se e foi para a cozinha, onde [fazia] seus deliciosos biscoitos.”

Note que o verbo destacado agora traz a ideia de um costume, algo que fazia parte do dia a dia. Os verbos no pretérito imperfeito do indicativo conjugados na 3ª pessoa do singular terminam em -ava (infinitivo -ar) ou -ia (infinitivos -er e -ir).

IMPORTANTE: Como gostam de ser os diferentões, os verbos terminados em -or em sua forma infinitiva têm as seguintes terminações quando conjugados na 3ª pessoa do singular: -usera (pretérito mais-que-perfeito do indicativo, como em opusera, compusera, propusera); -ôs (pretérito perfeito do indicativo, como em opôs, compôs, propôs) e -unha (pretérito imperfeito do indicativo, como em opunha, compunha, propunha).

Que fique claro que todos os exemplos que dei aqui e acima servem para verbos REGULARES e são apenas exemplos comuns para que você identifique mais facilmente, mas a 3ª pessoa do singular não é a única conjugação possível. ;)

IV. Futuro do pretérito: parece esquisito misturar futuro e passado em um único tempo verbal, mas não é difícil. Este é o tempo da ação que tinha tudo para acontecer, mas não aconteceu. É uma hipótese que já não pode mais ser comprovada ou refutada. Observe o exemplo:

“Eles [comemorariam] cinco anos de casados amanhã.”

V. Presente: é o tempo atual. O verbo conjugado no presente denota uma ação ocorrida no momento em que a frase é escrita, lida ou falada. Exemplo:

“[Quero] um sorvete.”

VI. Futuro (do presente): é o futuro como nós bem conhecemos, o que ainda irá acontecer, que está nos planos e ainda não foi executado. Exemplo:

“[Darei] uma aula amanhã.”

Muito bem. Nossa conversa sobre verbos ainda não acabou. Preciso explicar brevemente algumas coisas importantes sobre a estrutura verbal. Não se assuste se aparecerem alguns termos aqui dos quais já falei lá nos processos de formação de palavras. O primeiro aspecto estrutural que preciso citar é o radical. É nele que está todo o sentido da palavra, toda a ideia da mensagem que se quer passar. Sem radical, sem verbo, sem mensagem. O segundo aspecto é a vogal temática, que são as letras A, E/O ou I que aparecerão no verbo. O terceiro aspecto é a desinência modo-temporal, que é marca indicadora de qual tempo verbal está sendo utilizado e em que modo. Por fim, o quarto aspecto é a desinência número-pessoal, que é a marca responsável por indicar se o verbo está conjugado no singular ou no plural e a que pessoa ele se refere. Além das partículas estruturais, apresento aos senhores as formas nominais dos verbos:

Infinitivo: é o nome da ação, a forma neutra do verbo. Termina em -ar, -er/-or ou -ir. Exemplos:

andar, comer, sobrepor, falir. Particípio: muitas vezes, parece um adjetivo. Indica, normalmente, passado e aparece sempre nas locuções verbais de voz passiva, de tempos compostos e em orações reduzidas. Termina, nos verbos regulares, em -ado e -ido. Exemplos: andado, comido, falido. Gerúndio: indica uma ação em curso, simultânea a alguma outra, anterior a alguma outra ou posterior a alguma outra. Termina em -ndo. Exemplo: andando, comendo, sobrepondo, falindo.

IMPORTANTE: Apesar do uso extremamente comum, especialmente na área de telemarketing, o gerúndio NÃO deve ser utilizado para indicar ações futuras. Tenho certeza de que você já disse algo como “Não poderei ir, [estarei estudando] para o concurso.” Irmão do céu, não cometa esse pecado. Diga estudarei ou vou estudar, mas gerúndio no futuro é feião! ;)

Preste EXTREMA atenção ao que explicarei agora: transitividade verbal, a importante relação de dependência entre os verbos e seus complementos. Os verbos podem ser:

Intransitivos (VI): não exigem complemento algum. Exemplos: nascer, cair, chorar Transitivos diretos (VTD): exigem complemento SEM preposição, o objeto direto. Exemplos:

lavar (quem lava, lava algo), comer (quem come, come algo), amar (quem ama, ama algo ou alguém) Transitivos Indiretos (VTI): exigem complemento COM preposição, o objeto indireto. Exemplos:

precisar (quem precisa, precisa de algo ou de alguém), gostar (quem gosta, gosta de algo ou de alguém), simpatizar (quem simpatiza, simpatiza com algo ou com alguém) Transitivos Diretos e Indiretos (ou Bitransitivos) (VTDI): exigem complemento direto (sem preposição) e apenas pedem complemento indireto (com preposição), não sendo indispensável o seu aparecimento. Exemplos: falar (quem fala, fala algo a alguém), dar (quem dá, dá algo a alguém), pagar (quem paga, paga algo a alguém) De Ligação (VL): verbos que indicam característica ou estado do sujeito, seu complemento é o predicativo do sujeito. Exemplos: ser (“O menino é rico.”), estar (“A mulher está grávida.”)

Terminamos o capítulo sobre as classes de palavras!!! Foi longo, eu sei, mas

eram informações que eu realmente precisava passar para vocês. Vamos resolver alguns exercícios só pra fixar? Entraremos, em seguida, na parte realmente pesada da nossa brincadeira, mas não se assustem. Sei que vocês conseguirão entender tudinho.

Nem acredito nisso

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

1. (CONSULPLAN – 2018 – Adaptada) Leia o trecho: “Marcando o tempo que demora para o

é

possível determinar o tamanho e a massa do planeta. Com isso, a missão estima que cerca de 5,4%

A expressão destacada

estabelece que tipo de relação entre o período por ela iniciado e o anterior?

dos planetas na nossa galáxia têm massa semelhante à da Terra (

planeta passar em frente à estrela, a diminuição do brilho e, se possível, o período da órbita (

),

)”

a) Adição

c) Explicação

b) Conclusão

d) Adversidade

Certo, a primeira coisa que precisamos lembrar é que a expressão destacada (“Com isso”) é uma locução conjuntiva e tem como função conectar duas palavras, duas orações ou mesmo dois períodos, como o que vemos no trecho. Sabendo disso, podemos fazer as seguintes análises: se substituirmos a expressão por “e”, a oração seguinte muda totalmente de significado, então não podemos considerar como uma adição; porém, se substituirmos por “deste modo”, “por isso” ou “portanto”, por exemplo, o sentido se mantém e fica claro que temos aqui a nossa resposta. O erro da opção C é dar a ideia de que a segunda oração apresenta um motivo para que os fatos da primeira ocorram, quando é justamente o contrário – é por causa do que é apresentado na primeira oração que temos os fatos da segunda. Já o erro da opção D é dar a ideia de que uma oração vai contra a outra, sendo que, na verdade, elas concordam e se complementam.

2.

(FGV – 2018 – Adaptada) “Mas valores como este não são bem desenvolvidos nas

escolas do Brasil,

Internacional de Avaliação dos Estudantes.” O conectivo que preenche corretamente a lacuna no

trecho é:

indica um relatório divulgado ontem com pesquisas do Programa

a) pois

c) conforme

b) mas também

d) todavia

Vamos analisar as opções e descobrir que sentido cada uma delas traz. A opção A apresenta uma ideia de explicação, que não se aplica ao trecho. Tanto que o verbo “ indicar”, logo em seguida, não concorda com o sujeito da oração anterior como deveria, se fosse o caso.

A opção B também apresenta a falta de concordância verbal como uma evidência de erro.

Observe que os valores citados não indicam um relatório, mas fica claro que são indicados por ele. É esse o sentido que estamos procurando. Temos a nossa resposta na opção C, que apresenta uma conjunção conformativa. Observe que podemos trocar a expressão por “como” ou por “segundo” e o sentido se manterá. O erro da opção D é apresentar a ideia de contrariedade, e o que buscamos como resposta é exatamente o contrário disso.

3. (FGV – 2018 – Adaptada) O par em que a troca de posição entre substantivo e adjetivo

não é possível, por se tratar de um caso de adjetivo de relação, é:

a) desidratação frequente

b) generalização equivocada

c) mapeamento contínuo

d) cultura brasileira e) crises graves

Olha aí um exemplo do que coloquei no quadrinho de IMPORTANTE dos adjetivos! A FGV realmente adora esse negócio, gente, sem brincadeira. Vamos lá!

A opção A traz desidratação frequente: há variação em grau para frequentíssima, mostra opinião

pessoal (é frequente para algo específico) e pode ser invertido sem prejuízo (frequente desidratação).

A opção B traz generalização equivicada: há variação para equivocadíssima, mostra opinião

pessoal (é equivocada para algo específico) e pode ser invertido sem prejuízo (equivocada generalização).

A opção C traz mapeamento contínuo: há variação para muito contínuo (superlativo analítico),

mostra opinião pessoal (é contínuo para algo específico) e pode ser invertido sem prejuízo ( contínuo

mapeamento). A opção D traz cultura brasileira: pode até existir o termo brasileiríssima na oralidade, mas não há

possibilidade de aplicação neste tipo de construção, apresenta ideia de origem (do Brasil) e não uma opinião pessoal ou subjetiva e não pode ser invertido (brasileira cultura, não faz sentido). Temos a nossa resposta!

A opção E traz crises graves: há variação para gravíssimas, mostra opinião pessoal (são graves

para algo específico) e pode ser invertido sem prejuízo (graves crises).

Pois bem, chegamos realmente ao fim do capítulo das classes gramaticais! Acredito que estamos indo muito bem em nossos estudos. Falaremos a seguir sobre colocação pronominal e finalizaremos a unidade de Morfologia tratando sobre vozes verbais e o uso da partícula “se”. Continuem comigo!

CAPÍTULO 05 COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Agora a parada ficou séria, meu irmão! Quer dizer, antes já era séria, mas agora é muito mais delicada. O que eu quero dizer é que, sabendo todas as classes de palavras (como eu sei que você sabe), podemos começar a ver suas aplicações possíveis e quais são os requisitos para cada uma dessas aplicações. A primeira da qual falarei é a colocação pronominal! Trata-se da posição onde os pronomes oblíquos átonos podem ficar em relação ao verbo. Sim, para formular uma oração, é necessário saber que cada coisa tem o seu lugar e que, se alguma mudança for feita, será necessário tomar algumas atitudes para que fique tudo certinho. Existem três tipos de colocação pronominal. Cola no pai e vem descobrir quais são e como cada uma delas funciona!

1. PRÓCLISE A próclise ocorre quando o pronome oblíquo átono é posicionado antes do verbo. Para saber se você pode usar a próclise ou não, é preciso verificar algumas coisas:

a) Palavras negativas: as palavras que indicam algum tipo de negação funcionam como um

atrativo para o pronome oblíquo átono. Exemplo:

“Por que você não [me] disse?”

b) Conjunções subordinativas: as conjunções que ligam orações sintaticamente dependentes

também funcionam como atrativo. Exemplo:

“Quero que [me] conte seu segredo.” (“que” – conj. subord. integrante)

c) Advérbio: mais um atrativo para o pronome oblíquo átono. Observe:

“Certamente [te] fiz compreender.”

d) Pronomes pessoais retos, relativos, demonstrativos ou indefinidos: basicamente, todos os

pronomes atraem o oblíquo átono, exceto o possessivo. Não coloquei aqui os interrogativos porque eles se encaixam no próximo caso. Exemplos:

“Ela [o] amou com todo o seu coração.” (“Ela” – pronome pessoal reto) “Foi João quem [lhe] disse essas coisas.” (“quem” – pronome relativo) “Aquilo [me] arrepia os cabelos da nuca!” (“Aquilo” – pronome demonstrativo) “Disseram que alguém [a] viu saindo daquela casa.” (“alguém” – pronome indefinido)

e) Orações interrogativas: aqui aparecem os pronomes interrogativos e quaisquer outras

expressões que denotem perguntas, também atuando como causadores de próclise. Exemplos:

“Quem [te] deu isso de presente?” “Por que [me] rejeita tanto?”

f) Orações exclamativas ou que exprimem desejo: também causam próclise. Exemplos:

“Seria bom se [te] dissessem isso antes!” “Quero [me] aperfeiçoar nessa técnica ainda hoje.”

g) Verbo no gerúndio antecedido de “em”: é normal, principalmente na fala, que haja algumas

construções deste tipo, e elas também causam a próclise. Exemplo:

“Em [se] tratando de Português, só confio no Willer Lira!”

IMPORTANTE: Nunca, JAMAIS haverá próclise no início de uma oração. O pronome oblíquo átono não tem nenhuma permissão gramatical para iniciar as frases. Portanto, por mais que soe mais bonito aos nossos ouvidos brasileiros mal-acostumados, não diga “ Te amo!” quando quiser se declarar para alguém, a menos que queira fazer o(a) infeliz sair correndo! ;)

2. MESÓCLISE:

É a colocação do pronome oblíquo átono entre o radical do verbo e a desinência modo-temporal. Não tem colocação pronominal mais fácil que a mesóclise. Primeiro, porque é de uso formal, então você provavelmente nunca vai usar no dia a dia. Segundo, porque ela só pode ocorrer nos futuros (do pretérito e do presente). Nenhum outro tempo verbal admite o uso da mesóclise. Veja os exemplos:

“Realizar-[se]-á uma reunião extraordinária amanhã.” “Contar-[te]-ia uma história, se não fosses tão antipático!”

3. ÊNCLISE:

A última colocação pronominal é a que posiciona o pronome oblíquo átono depois do verbo. Obviamente, ele aparece em todos os casos não contemplados pela próclise e pela mesóclise, ou seja:

a) Imperativo afirmativo: quando for dar uma ordem a alguém, use a ênclise. Exemplo:

“Envie-[lhe] o relatório amanhã cedo!”

b) Gerúndio: qualquer caso de gerúndio que não traga a preposição “em” antes. Exemplo:

“Viviam persuadindo-[nos] com suas falsas promessas.”

c) Infinitivo impessoal com preposição “a”: é o verbo no infinitivo que não se refere a um sujeito específico. Quando ele aparece e exigir a preposição “a”, devemos usar a ênclise. Exemplo:

“A história sobre a qual José me perguntou, decidi contar-[lhe].”

d) Início de frase: como eu disse no quadro IMPORTANTE ainda há pouco, o pronome oblíquo átono não inicia frases, portanto use a ênclise! Exemplo:

“Asseguro-[lhe] que Português é fácil, apesar de tantas regras.”

IMPORTANTE: Existem alguns momentos em que você poderá escolher livremente entre usar próclise, mesóclise ou ênclise, basta ter certeza absoluta de que há um atrativo ou causador para que isso ocorra. Exemplo:

“Ele [me] ensinará isso.” (pronome pessoal atrativo) “Ele ensinar-[me]-á isso.” (futuro do presente)

Outros casos possíveis ocorrem quando o verbo estiver no infinitivo e quando o sujeito da frase estiver claro. Nessas situações, você pode escolher entre próclise e ênclise. Veja:

“Maria [se] cortou com um caco de vidro.” (sujeito claro) “Maria cortou-[se] com um caco de vidro.” (sujeito claro) “Não queria o magoar.” (infinitivo) “Não queria magoá-lo.” (infinitivo)

Muito legal, né? Nem é difícil. Se você se lembrar das regras da próclise e não esquecer que os futuros, em geral, à mesóclise pertencem, o resto é tudo ênclise ou facultativo. Agora olha que caso engraçado: você conhece aquela música Eu Sei Que Vou Te Amar ? Essa música tem um verso (que, por sinal é o título) genial, porque você pode colocar o pronome oblíquo átono “te” em vários lugares sem qualquer prejuízo gramatical. Olha só:

“Eu sei que amar-[te]-ei.” (mesóclise causada pelo futuro do presente, eliminação do “vou”) “Eu sei que [te] vou amar.” (próclise em relação a “vou” atraída pelo “que”) “Eu sei que vou te amar.” (próclise em relação a “amar”, que está no infinitivo) “Eu sei que vou amar-te.” (ênclise causada por “amar”, que está no infinitivo)

O

único problema do último período é que o seu objeto de afeição pode entender que você tá ”

e aí pode sentir uma baita sensação de abandono. Melhor deixar a

cantando “Eu sei que vou a Marte ênclise de lado nesse caso!

CASO ESPECIAL – VERBO PRINCIPAL NO PARTICÍPIO:

Em casos de locuções verbais nas quais o verbo principal está no particípio, o pronome oblíquo átono JAMAIS poderá ser colocado em ênclise. Ainda assim, há duas posições nas quais ele pode ficar:

próclise ou ênclise, ambas em relação ao verbo auxiliar, ou próclise em relação ao verbo principal Observe:

“Não [me] haviam avisado da reunião.” (próclise relacionada ao auxiliar) “Tinham-[me] mostrado seu boletim.” (ênclise relacionada ao auxiliar) “Deveria ter me falado sobre o caso.” (próclise em relação ao principal)

Bem, uma última coisa antes de finalizarmos: o pronome “lhe(s)”, além de se referir somente à 3ª pessoa, só pode ser utilizado em casos de verbos que exigem preposição em seus complementos. Então, quando você for sair da sua casa e pedir a bênção aos seus pais, diga a eles que o certo é “ Que Deus [te] abençoe”, ok? Vamos ver um exercício resolvido!

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

1. (VUNESP – 2018 – Adaptada) Assinale a alternativa em que a mudança na posição do

pronome destacado, como consta nos colchetes, está de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal:

a) Relacionando-se com seus pares! [Se relacionando com seus pares!]

b) Eles têm se desenvolvido

c) Como eles aprendem a se relacionar, por exemplo? [Como eles aprendem a relacionar-se, por exemplo?]

d) E como se aprenderia a ter a privacidade? [E como aprenderia-se a ter a privacidade?]

e) Não é à toa que já se expôs na rede a privacidade de tantas crianças e jovens. [Não é à toa que já expôs-

se na rede a privacidade de tantas crianças e jovens.]

[Eles têm desenvolvido-se

]

Muito bem, vamos analisar. A opção A traz a possibilidade de iniciar a frase com o pronome oblíquo átono, o que está completamente errado! A opção B traz um verbo no particípio e ele não admite que a colocação pronominal seja feita em ênclise, o que torna a opção também errada. A alternativa C traz um verbo no infinitivo e, nesse caso, é FACULTATIVO o uso de próclise ou ênclise, mostradas na frase original e na sugestão de mudança, portanto temos a nossa resposta! A alternativa D traz um verbo no futuro do pretérito, um caso que exige mesóclise (a menos que haja algum fator atrativo de próclise). Por fim, a opção E tem um que atrativo de próclise, não há possibilidade de ênclise na construção e, portanto, a alternativa está errada.

O capítulo de sobre colocação pronominal caba por aqui. Não esqueça que temos uma seção

inteira de exercícios só para você praticar. Vamos para o próximo assunto!

CAPÍTULO 06 PARTÍCULA “SE” E AS VOZES VERBAIS

Agora que estudamos os pronomes, os verbos e as formas de colocação pronominal, posso conversar com vocês a respeito das vozes verbais. Antes, porém, preciso mostrar as principais funções (mais frequentes em provas) desta belezinha que é a partícula “se”. Para essa explicação, quero apresentar aos senhores uma criação da qual tenho muito orgulho. É um mapa mental que vai guiar seus estudos a respeito das funções do “se” de forma infalível. Venham ver!

P.R. Sim Sim sujeito = objeto? Não P.I.V. FUNÇÕES O agente é claro? DO “SE”
P.R.
Sim
Sim
sujeito = objeto?
Não
P.I.V.
FUNÇÕES
O agente é claro?
DO “SE”
Sim
P.A.
Não
Tem VTD?
Não
I.I.S.

1. FUNÇÕES DO “SE”:

Para entender as funções mais comuns da partícula “se”, montei o mapa mental acima. Basta fazer duas perguntas e seguir os caminhos das respostas para chegar à função que a partícula exerce na ocasião analisada.

a) Pronome Reflexivo (P.R.): o sujeito agente é também quem recebe a ação. Exemplo: “José

[se] cortou.” = “José cortou José.” / “José cortou a si mesmo.

b) Parte Integrante do Verbo (P.I.V.): é aquela situação que não nos permite tirar o “se” de perto

do verbo, mas a ação realizada não reflete no agente. Exemplo: “João desculpou-[se] com seu pai.” = “João pediu desculpas a seu pai.

c) Partícula Apassivadora (P.A.): de todas as funções do “se”, esta é a que mais cai em prova. É

a característica principal da voz passiva sintética, da qual falarei daqui a pouquinho. Só aparece em casos

de transitividade direta e o verbo concorda com o sujeito paciente. Exemplos: “Vendem-[se] casas.” = “Casas são vendidas.

d) Índice de Indeterminação do Sujeito (I.I.S.): toda vez que o agente do verbo não for claro e

que esse verbo for qualquer coisa diferente de um VTD, teremos um sujeito indeterminado e o “ se” será o

fator de marcação de tal indeterminação. Em casos como esse, o verbo deve ser conjugado na 3ª pessoa do singular. É a segunda função mais comum. Exemplos: “Precisa-[se] de ajudantes.

Além das funções acima, o “se” também costuma ser cobrado em provas como:

e) Conjunção condicional: exprime uma condição para que determinado fato aconteça. Exemplo:

[Se] você for, eu vou.

f) Conjunção integrante: inicia uma oração subordinada (dependente sintaticamente) do tipo

substantiva. Exemplo: “Pergunte [se] trouxe de volta o livro que emprestei.” = “Pergunte ISSO.

g) Expletivo ou Partícula de Realce: como o próprio nome diz, só serve para realçar. Não exerce

nenhuma função sintática e pode ser retirado da construção sem qualquer prejuízo gramatical. Exemplo:

Pedrinho [se] sentou no formigueiro.” = “Pedrinho sentou no formigueiro.

Muito bem. Agora que estudamos as principais funções da partícula “se”, posso seguir em direção às vozes verbais. Ainda está comigo? Ótimo! Vamos juntos!

2. VOZES VERBAIS:

São formas assumidas pelo verbo que podem indicar se o sujeito é agente e/ou paciente da ação verbal. Tome cuidado, as vozes verbais devem ser analisadas a partir do aspecto morfossintático da oração. O fato de o sujeito ser agente e/ou paciente nas vozes verbais é uma mera consequência da construção analisada.

a) Voz Ativa (V.A.): não possui nenhuma marca característica para a identificação, o sujeito

pratica a ação e o objeto a recebe. Exemplo (clássico):

“O menino lavou o carro.”

Note que quem lava é o sujeito (”O menino”) e o objeto direto (“o carro”) é quem sofre tal ação.

b) Voz Passiva Analítica (V.P.A.): só ocorre com VTD. Podemos identificar uma V.P.A. a partir da

fórmula verbo “ser” conjugado + verbo principal no particípio. Na transposição de uma V.A. para uma V.P.A.,

ocorre uma inversão na ordem de escrita dos termos e na classificação que eles recebem. Observe atentamente:

“O menino (sujeito agente) lavou (VTD) o carro (obj. direto).” (voz ativa)

agente) lavou (VTD) o carro (obj. direto).” (voz ativa) “O carro (sujeito paciente) foi lavado (ser

“O carro (sujeito paciente) foi lavado (ser conjugado + particípio) pelo menino (agente da passiva).”

c) Voz Passiva Sintética (V.P.S.): por fim, temos a forma reduzida da V.P.A. (por isso o nome

“sintética”). Na V.P.S., o agente da ação desaparece e o verbo concorda com o sujeito paciente. É

identificada pela presença do VTD e do “se” como partícula apassivadora. Exemplos:

“Perdeu-se o sinal.” (“O sinal foi perdido.”, não se sabe por quem, sujeito singular e verbo singular) “Alugam-se salas.” (“Salas são alugadas.”, não se sabe por quem, sujeito plural e verbo plural)

d) Voz Reflexiva (V.R.): identifica-se por um sujeito agente que é igual ao objeto da ação e pela

presença de um “se” reflexivo. Quando há mais de um sujeito ou a ideia de que haja mais de um ser

exercendo a ação um sobre o outro, a voz é chamada de reflexiva recíproca. Exemplos:

“Júlia se vestiu.” (voz reflexiva) “O rapaz e a moça se abraçaram com saudade.” (voz reflexiva recíproca)

IMPORTANTE: Existe algo chamado sujeito em passividade, que funciona principalmente com seres inanimados (que, por sua vez, nunca são agentes). Lembra-se de quando eu disse, ali no início do tópico de vozes verbais, que a condição de agente e/ou paciente do sujeito é uma mera consequência da construção da oração? Então, a passividade é uma característica semântica (de significado, apenas) e pode ocorrer mesmo quando o sujeito sofre a ação do verbo e não há NENHUMA marca que indique voz passiva. Exemplos:

“A bola caiu no lago.” “A janela quebrou.”

É claro que a bola não decidiu cair no lago e que a janela não decidiu quebrar a si mesma. Porém, tanto a bola quanto a janela sofrem a ação dos verbos de suas orações. Não há um agente claro, mas o sujeito está em passividade. ;)

Viu só? Nem é tão difícil assim! Peço que deem absoluta atenção ao fato de que o verbo SEMPRE concorda com o sujeito. Eu sei que é possível ver quinhentas mil placas espalhadas pela cidade dizendo coisas como “Aluga-se salas.” Pô, feião, cara! Se são “as salas”, no plural, o verbo também DEVE estar no plural! Vamos resolver alguns exercícios agora?

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

1. (FGV – 2018 – Adaptada) Assinale a frase em que o “se” sublinhado pode ter não só o valor de reflexividade, mas também o de reciprocidade:

a) “Nas grandes coisas, os homens se mostram como lhes convém se mostrar; nas pequenas, mostram-se

como são.”

b) “Com as roupas rasgadas mostram-se os vícios menores; as vestes de cerimônia e as peles escondem

todos eles.”

c) “Os maiores males sempre se infiltraram na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem.”

Vamos analisar uma a uma! Na alternativa A, temos a expressão “os homens” trazendo a ideia de humanidade e não de um amontoado de pessoas do sexo masculino. Assim, quando “os homens mostram a si mesmos”, não se mostram um ao outro. Há, portanto, a reflexividade, mas não a reciprocidade. Na alternativa B, temos um exemplo de voz passiva sintética. Observe que o agente não é claro, pois não sabemos quem mostra, e que há um verbo transitivo direto (“mostrar”) ligado à partícula “se”, que atua como apassivadora. Na opção C, temos um caso de “se” como parte integrante do verbo. Veja que o agente é claro (“Os maiores males”), mas o sujeito não é igual ao objeto do verbo. Por fim, temos a nossa resposta na alternativa D. O sujeito analisado é “todos”, trazendo a ideia é de que todos os grandes filósofos anteriormente citados conhecem muito bem uns aos outros, não a si mesmos.

2. (Instituto QUADRIX – 2018 – Adaptada) Em “quando se estabelece um equilíbrio”, a partícula “se” indica que o sujeito da oração é indeterminado:

a) Certo

b) Errado

Bem, façamos a análise que propus no mapa mental. Não sabemos quem está estabelecendo o equilíbrio, portanto o agente não é claro. O próximo questionamento a fazer é se há um verbo transitivo direto na construção. A resposta é sim, uma vez que quem estabelece, estabelece algo. Assim, o “se” atua como uma partícula apassivadora e a resposta para a nossa questão é a alternativa B.

Bem, terminamos aqui o nosso capítulo sobre o uso da partícula “se” e as vozes verbais. Também encerramos por aqui a unidade de Morfologia! Agora, passaremos para a parte da Sintaxe (inclusive, já até temos algumas pinceladas em alguns termos por aqui), que é a área mais trabalhosa da Gramática. Se, antes, eu já tinha pedido a sua atenção, agora ela se faz imprescindível! Vamos lá!

[UNIDADE III] [SINTAXE]

CAPÍTULO 07 CONSTRUÇÕES FRASAIS

Finalmente chegamos à Sintaxe! É aqui que estudaremos todas as funções e aplicações das classes gramaticais, como as orações se formam, quais são seus componentes principais e coadjuvantes e como as orações se relacionam umas com as outras. Além disso, também estudamos mais a fundo as exigências feitas pelos verbos e pelos substantivos e as relações entre as classes dentro das construções. Vamos conhecer os conceitos básicos para o nosso estudo. Cola no pai!

1. FRASE:

É a construção que possui sentido completo. A frase, sendo a formação textual mais básica da Língua Portuguesa, pode ser composta por uma ou mais palavras, por presença ou ausência de verbo, por uma ou mais orações. Em outras palavras, a única exigência da frase é ter sentido. Assim, toda oração e todo período são frases, mas nem toda frase será uma oração ou período. Para entender melhor, observe o seguinte diálogo como exemplo:

“– Você fez aquilo que pedi? – Sim!”

A segunda fala possui apenas uma palavra, mas podemos facilmente entender que a pessoa fez o que foi pedido sem que ela tenha dito com todas as palavras possíveis. Não há sequer um verbo na construção, mas temos o sentido completo. Uma frase pode ser afirmativa, negativa, interrogativa, exclamativa ou interrogativa e deve ser finalizada por pontuação,

2. ORAÇÃO:

Também chamada de período simples, é a construção frasal que gira em torno de um verbo para formar uma mensagem completa. Ou seja, enquanto a frase precisa minimamente de uma palavra com sentido, a oração exige um conjunto de palavras que, juntas, formarão o significado completo da ideia trazida pelo verbo. Observe o nosso mantra mais uma vez:

“O menino lavou o carro.”

Temos cinco palavras que atuam em total concordância umas com as outras na oração acima, sendo dois artigos, dois substantivos e um verbo, no mensagem está centrada. Cada palavra exerce uma função, e a oração possui algumas análises especiais a serem feitas:

a) Termos essenciais da oração: são a subdivisão básica feita em sujeito e predicado. É o sujeito que dita a conjugação que o verbo fará e o predicado é tudo aquilo que se refere ao sujeito. I. Sujeito simples: tem apenas um núcleo (palavra principal, responsável por informar a que pessoa do discurso o sujeito se refere, seja no singular ou no plural), que pode ser um substantivo, um pronome ou uma palavra substantivada. Exemplo:

“[A criança] quer chocolate.” (“criança” é o núcleo)

II. Sujeito composto: tem mais de um núcleo e obriga o verbo ser conjugado no plural.

Exemplo:

“[Eu e ela] somos amigos.” (“eu” e “ela” são os núcleos)

III. Sujeito oculto (desinencial): é o sujeito que não tem seu núcleo explícito na

construção frasal, mas que pode ser identificado pela desinência número-pessoal do verbo. Exemplo:

“[Fizemos] uma bela festa de aniversário para ele.” (o pronome “nós” é o sujeito oculto)

IV. Sujeito indeterminado: ocorre quando não é possível identificar com exatidão quem é o

sujeito da oração. É representado pelo verbo conjugado na 3ª pessoa do singular e acompanhado pela partícula “se” como índice de indeterminação ou na 3ª pessoa do plural. Ambas as situações ocorrem dentro de um contexto sem agente claro. Exemplos:

[Precisa-se] de funcionários.” “[Falaram] bem de você.

V. Sujeito inexistente (oração sem sujeito): ocorre na presença de verbos impessoais

(dispensam agentes) ou que representem fenômenos da natureza. Exemplo:

“[Há] cinco pessoas nesta sala.” (o verbo “haver” no sentido de “existir”é impessoal e, por isso, deve ser conjugado na 3ª pessoa do singular)

VI. Predicado verbal: é o mais comum, tem como núcleo (palavra principal, responsável

pela mensagem trazida pela oração) um verbo que denota ação. Exemplo:

“Manuel [comprou um computador novo].” (“comprou” é o núcleo)

VII. Predicado nominal: tem como núcleo um substantivo ou um adjetivo (predicativo do

sujeito) trazido por um verbo de ligação, que denota estado (temporário ou permanente) ou característica do

sujeito. Exemplo:

“Maria [é inteligente].” (“inteligente” é o núcleo)

VIII. Predicado verbo-nominal: indica, ao mesmo tempo, uma ação do sujeito e um estado (temporário ou permanente) ou característica, que pode ser do sujeito ou do complemento do verbo. Assim, este predicado tem como núcleos um verbo de ação e um substantivo ou adjetivo (que atuam como predicativo do sujeito ou predicativo do objeto). Exemplos:

“Juliana [chegou cansada].” → (“chegou” é o verbo de ação e “cansada” é o predicativo do sujeito) “Eles [terminaram aquele relacionamento desgastante].” (“terminaram” é o verbo de ação e “desgastante” é o predicativo do objeto)

b) Termos integrantes da oração: são as palavras necessárias para complementar o sentido de um verbo ou de um nome na oração.

I. Complementos verbais: objeto direto (sem preposição), para o verbo transitivo direto, e objeto indireto (com preposição), para o verbo transitivo indireto. Exemplos:

“O menino lavou [o carro].” (objeto direto) “Preciso [de você].” (objeto indireto)

II. Complemento nominal: termo preposicionado que complementa o sentido de um substantivo abstrato, de um adjetivo ou de um advérbio. Exemplo:

“Meu irmão esteve alheio [aos problemas].” (complementando o sentido de “alheio”)