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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Faculdade de Formação de Professores


Departamento de Geografia

Disciplina: Geologia
Prof. Rodrigo Coutinho Abuchacra
Aluno: Elvis Santiago

Resenha do Cap. 15(Em busca do passado do planeta: Tempo geológico) do livro


Decifrando a Terra

A ideia de q a Terra poderia ser extremamente antiga só emergiu nos últimos dois séculos
influenciada por dois grandes movimentos da cultura ocidental que consolidaram a geologia
como ciência: o iluminismo e a revolução industrial. Antes disso e até mesmo no início desse
processo o pensamento intelectual sofria forte influência religiosa. Por volta de 1650 o
Irlandês religioso Arcebispo Ussher publicou volumoso tratado sobre a cronologia bíblica
onde declara que a criação da Terra aconteceu na noite anterior ao dia 23 de outubro, um
domingo, do ano 4004 antes de cristo. No clima intelectual dos séculos XVII e XVIII começou
a surgir, timidamente, a geologia. Foi o dinamarquês Nicolau Steno quem primeiro enunciou
os princípios dessa nova ciência. Ele estabeleceu três princípios que regem a organização
de sequências sedimentares:

 Superposição - sedimentos se depositam em camadas, as mais velhas na base e as


mais novas sucessivamente acima.
 Horizontalidade original - depósitos sedimentares se acumulam em camadas
sucessivas dispostas de modo horizontal.
 Continuidade lateral – camadas sedimentares são contínuas, estendendo-se até as
margens da bacia de acumulação, ou se afinam lateralmente.
O conceito bíblico da formação da Terra refletia-se também nas primeiras tentativas
científicas de ordenar a história geológica do planeta por volta do século XVIII. Entre 1750 e
1760, Giovanni Arduino nos Alpes italianos e J. G. Lehmann na Alemanha denominaram as
rochas cristalinas com minérios metálicos, observadas nos núcleos das montanhas, de
primárias ou primitivas e as rochas estratificadas e bem consolidadas, com fósseis de
secundárias; as rochas estratificadas pouco consolidadas, com fósseis marinhos e
intercalações vulcânicas, receberam a designação de terciárias. Em 1829 o francês J.
Desnoyers cunharia o vocábulo quaternário para sedimentos recobrindo rochas terciárias na
bacia de Paris. Os termos "primário" e "secundário" já foram abandonados, mas os termos
terciário e quaternário ainda constam na escala moderna do tempo geológico, embora com
conceitos diferentes dos originais.
Na segunda metade do século XVIII, essa subdivisão simples foi interpretada à luz do relato
bíblico da separação das terras e das águas. De acordo com essa ideia quase todas as rochas
se precipitaram das águas do mar primordial, daí a razão do nome netunismo, em
homenagem a Netuno, o deus do mar da mitologia greco-romana. O netunismo teve no
professor alemão Abraão Gottlob Werner seu proponente mais carismático.
Nas primeiras décadas do século XIX o naturalista escocês James Hutton descreveu
evidências de metamorfismo de contato entre basalto e rochas sedimentares próximo a sua
casa em Edimburgo, interpretou como intrusivo (e não "precipitado") um granito que cortava
calcário, supostamente mais novo segundo netunistas. Juntando essas observações com
seus conhecimentos e suas experiências de fusão e resfriamento de materiais rochosos
realizados por colegas, Hutton demonstrou a natureza fluida, quente e intrusiva das rochas
ígneas, fundamentando, assim, o conceito de plutonismo, em contraposição ao netunismo de
Wernner. Hutton também percebeu que a história da Terra era bem mais longa do que se
pensava e que todo registro geológico pode ser explicado pelos mesmos processos que
atuam hoje, como erosão, vulcanismo, sedimentação etc. Reconheceu o caráter cíclico do
registro geológico, pois cada vez que procurava a base de uma sequência de rochas em
busca do suposto "início" da atividade geológica, sempre se deparava com rochas mais
antigas, representando ciclos mais antigos, muitas vezes dobradas ou metamorfizadase
separadas das rochas do primeiro ciclo por uma superfície discordante erosiva. Tal superfície
foi denominada discordância.
Como resultado do trabalho de Hutton reconhecemos hoje três tipos de discordâncias
originadas pela erosão ou pela ausência de sedimentação num dado lugar:

 Não-conformidade, quando o pacote sedimentar se assenta em contato erosivo


diretamente sobre rochas ígneas ou metamórficas;
 Discordância angular, quando o pacote se sobrepõe a outro, com contato bruscoem
relação ao pacote mais antigo, constituídos por camadas inclinadas com ângulo
diferente do pacote superior, mais jovem;
 Desconformidade, quando a descontinuidade entre os pacotes sedimentares, bem
como o acamamento dessas rochas são quase paralelos.
Ao reconhecer as relações de contato e de idade relativa entre corpos geológicos
justapostos, Hutton estabeleceu também o princípio das relações entrecortantes de corpos
rochosos que pode ser desdobrado em duas partes, uma regida pela lei das relações de corte
e outra pela lei das inclusões. Segundo essas leis, qualquer feição geológica cortada ou
afetada por outra é mais antiga do que a rocha que a corta ou que a contém ou que a estrutura
que a afeta.
Em meados do século XIX, outro escocês, Sir Charles Lyell popularizaria a ideia de que o
passado seria igual ao presente inclusive em gênero e intensidade nos processos da
dinâmica interna e externa. Depois surgiria o conceito de atualismo que mantém a ideia de
da constância das leis naturais que regem a Terra mesmo que no passado os produtos e
intensidade dos processos geológicos tenham sido diferentes daquilo que se observa
atualmente.
Aplicando os princípios de Steno o topógrafo inglês William Smith da Grã-Betanha eo
anatomista L.C.F.D. Cuvier em conjunto com o mineralogista A. Brongniart, na França,
notaram que os mesmos conjuntos de fósseis apareciam sempre na mesma ordem,
concluíram então que podia-se estabelecer uma equivalência temporal entre faunas e floras
fósseis iguais, mesmo que contidas em litologias diferentes e em sequências distantes entre
si, enunciando, assim, o princípio de sucessão biótica. Com o princípio da sucessão biótica
foi possível ordenar as principais sucessões geológicas dessas regiões em uma escala de
tempo geológico pela datação relativa das faunas e floras fósseis contidas nas rochas
estudadas. A definição de novos sistemas e períodos só podia ser feita em rochas contendo
fósseis facilmente reconhecíveis.
Entre 1862 e o início do século XX, Lorde Kelvin, ao observar que a temperatura da Terra
aumentava gradativamente a medida em que ganhava profundidade em minas subterrâneas
percebeu que há um fluxo de calor do interior para a superfície terrestre. Tal observação o
levou a acreditar que a Terra estava se mais fria com o tempo, através do mecanismo de
condução térmica, a partir de um estágio inicial incandescente, até atingir a temperatura atual
da superfície e imaginou que o mesmo aconteceria com o sol, então concluiu que a Terra
estaria recebendo cada vez menos energia solar ao longo do tempo. Mas para Kelvin faltava
considerar uma peça chave para seu esquema, a radioatividade, que só seria descoberta em
1896 por H. Beccquerel.
Estudos realizados por Marie e Pierre Currie e por Bertram Boltwood, no início do século
XX mostraram a possibilidade de empregar um método físico na determinação da idade da
Terra, através da observação do decaimento radioativo, uma reação espontânea que ocorre
no núcleo do átomo instável que se transforma em outro átomo estável. Os átomos de cada
elemento instável decaem a uma taxa constante. Em 1956 através da análise de decaimento
radioativo em átomos de meteoritos o geocronólogo Claire Patterson datou a idade da Terra
em 4,55 bilhões de anos partindo da premissa de que a Terra teria a mesma idade dos
meteoritos.