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CAPITULO

IííI emperismo
t Erosão
“Os picos de nossas terras são, deste modo, nivelados com as praias;
nossas planícies férteis são formadas das ruínas de montanhas."
J a m e s H u t t o n ( 1788)

Intemperismo, erosão e ciclo das rochas odas as rochas - mesmo aquelas que, por serem
171
Por que algumas rochas meteorizam-se
mais rapidamente que outras? 172
T muito duras, parecerem indestrutíveis -, assim co­
mo automóveis antigos que enferrujam e jornais
velhos que ficam amarelados, também podem enfraque­
cer-se e esfacelar-se quando expostas à água e aos gases
da atmosfera. Entretanto, diferentemente dos automóveis
Intemperismo químico 174
e dos jornais, as rochas podem levar milhares de anos pa­
Intemperismo físico 181 ra se deteriorar. Neste capítulo, examinaremos de perto
dois processos geológicos que colapsam e fragmentam
Solo: o resíduo do intemperismo 185
as rochas: o intemperismo e a erosão.
Os humanos como agentes do Intem perism o1é o processo geral pelo qual as rochas
intemperismo 188 são destruídas na superfície da Terra. O intemperismo
produz todas as argilas,2 todos os solos e as substâncias
O intemperismo gera a matéria-prima dissolvidas e carregadas pelos rios para os oceanos. As ro­
dos sedimentos 188 chas meteorizam-se de dois modos:
• O intemperismo químico ocorre quando os minerais de
uma rocha são quimicamente alterados ou dissolvidos. O
desgaste ou esmaecimento de inscrições gravadas em lápides ou monumentos antigos é
causado principalmente pelo intemperismo químico.
• O intemperismo físico ocorre quando a rocha sólida é fragmentada por processos me­
cânicos que não mudam sua composição química. Os escombros de colunas e blocos de
pedras que eram parte dos imponentes templos da Grécia antiga resultaram principal­
mente do intemperismo físico, que causou, também, rachaduras e fraturas de antigos tú­
mulos e monumentos do Egito.
Os intemperismos químico e físico reforçam-se mutuamente. A decomposição quí­
mica deteriora os fragmentos das rochas e toma-os mais suscetíveis ao rompimento.
Por sua vez, quanto menores os blocos produzidos pelo intemperismo físico, tanto
maior a superfície disponível para a ação do intemperismo químico.

Intemperismo, erosão e ciclo das rochas


Depois que os processos tectônicos e vulcânicos formaram as montanhas, a decomposi­
ção química e a fragmentação física, juntamente com a chuva, o vento, o gelo e a neve,
172 Para Entender a Terra

desgastam essas regiões elevadas. A erosão é o conjunto de pro­ ção e a decomposição das rochas são as propriedades da roc
cessos que desagregam e transportam solo e rochas morro abai­ matriz, o clima, a presença ou a ausência de solo e o tempo
xo ou na direção do vento. Esses processos transportam o mate­ exposição das rochas à atmosfera. Esses quatro fatores es
rial alterado da superfície da Terra de um local e depositam-no sumarizados no Quadro 7.1.
em outro lugar. Como a erosão move o material sólido alterado,
novas porções de rocha fresca e inalterada vão sendo expostas ao As propriedades da rocha-matriz
intemperismo.
O intemperismo e a erosão são processos geológicos impor­ A natureza da rocha-matriz controla o intemperismo porque i
tantes no ciclo das rochas e nos sistemas da Terra, como descri­ os minerais alteram-se com taxas diferentes e (2) a estrut
to no Capítulo 4. Juntamente com a tectônica e o vulcanismo das rochas influencia sua suscetibilidade de fraturar-se e fra.
(outros dois elementos do ciclo das rochas), o intemperismo e a mentar-se. Inscrições em lápides antigas oferecem boas evidê
erosão modelam a superfície terrestre e alteram os materiais ro­ cias da variação das taxas em que as rochas se alteram. As 1
chosos, convertendo rochas ígneas, bem como as demais, em tras recém-esculpidas numa lápide apresentam-se bem níti
sedimentos e formando solos. De certa forma, o intemperismo em relação à superfície polida de inscrição. Entretanto, ap
e a erosão são inseparáveis. Quando rochas como o calcário pu­ centenas de anos de exposição num clima de chuvas mode
ro ou as rochas evaporíticas são alteradas pela chuva, por exem­ das, a superfície polida da lápide de calcário estará fosca e
plo, todo o material é complctamcnte dissolvido e levado pela letras inscritas terão quase se dissolvido, da mesma forma q
o nome inscrito numa barra de sabão desaparece logo depois
água como íons em solução. O material do intemperismo quí­
pouco uso (Figura 7.1). Por outro lado, o granito mostrará
mico constitui-se no principal aporte de matéria dissolvida nos
mente algumas poucas mudanças. As diferenças entre a alten
oceanos.
ção do granito e a do calcário resultam das distintas compos
As seções iniciais deste capítulo enfatizarão o intemperismo
ções mineralógicas dessas rochas. Entretanto, depois de
químico porque ele é, de alguma maneira, o fator controlador de
certo tempo, mesmo uma rocha com mais resistência inevi
todo o processo. Os efeitos do intemperismo físico, embora sem­ velmente decompor-se-á. Após centenas de anos, o monum
pre importantes, dependem largamente da decomposição quími­
to de granito também será consideravelmente alterado e apr
ca. Antes de aprofundar ainda mais o assunto, porém, examina­ sentará uma superfície opaca e letras esmaecidas. Se utilizás
remos os fatores controladores do intemperismo. mos uma lupa para observar mais de perto a alteração do gr
to, veriamos diferentes padrões de alteração dos seus grãos
nerais constituintes. Os cristais de feldspato mostrariam sin
de corrosão e suas superfícies estariam opacas e cobertas co
que algumas rochas uma película fina e amolecida de argila. A composição quí
eteorizam-se mais rapidamente ca das porções externas dos grãos de feldspato teria mudad
originando-se novos minerais. Os cristais de quartzo aparec
que outras? riam frescos - claros e sem alteração.
A estrutura da rocha também afeta o intemperismo físic
Todas as rochas alteram-se, mas a maneira e a taxa em que isso Monumentos de granito podem permanecer inteiros e sem
ocorre é variável. Os quatro fatores que controlam a desintegra­ chaduras mesmo depois de séculos de exposição, embora

Quadro 7.1 Principais fatores controladores das taxas de intemperismo

Taxa de alteração
Lenta Rápida

PROPRIEDADES DA ROCHA PARENTAL


Solubilidade do Baixa Moderada Alta
mineral na água (p. ex.. quartzo) (p. ex., piroxênio e feldspato) (p. ex., calcita)
Estrutura da rocha Maciça Algumas zonas Muito fraturada ou acama-
de fraqueza mento muito delgado
CLIMA
Chuva Baixa Moderada Alta
Temperatura Frio Moderada Quente

PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE SOLO E VEGETAÇÃO


Espessura do perfil de solo Nenhuma - rocha exposta Fina a moderada Espessa
Conteúdo orgânico Baixo Moderado Alto

TEMPO DE EXPOSIÇÃO Curto Moderado Longo


CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 173

Figura 7.1 Lápides sepulcrais do início


do século XIX, em Wellfleet,
Massachusetts (EUA). A rocha à direita é
um calcário e está tão alterada que suas
inscrições ficaram ilegíveis. A rocha à
esquerda é ardósia, a qual mantém a
legibilidade de suas inscrições sob as
mesmas condições da outra lápide.
[Cortesia de Raymond Siever.]

■ rr apresentar evidências de certo intemperismo químico. Ro- De outro modo, climas que minimizam o intemperismo quí­
:gneas intrusivas, incluindo muitos granitos, podem ser mico podem acentuar o intemperismo mecânico. Por exemplo,
k o ç a s - isto é, grandes massas que não exibem mudança do a água congelada pode atuar como uma cunha, abrindo fissuras
■ t :e rocha ou estrutura. Rochas maciças não têm planos de e rochas.
TT-^-eza que contribuem para o fraturamento ou fragmentação.
Dcerentemente, um folhelho - rocha sedimentar que se rompe Presença ou ausência de solo
fc- mente ao longo dos planos de acamamento - quebra-se em
aey-ços pequenos tão rapidamente que os taludes de uma estra- O solo, um dos nossos mais importantes recursos naturais, é
_ moém-aberta em terrenos dessa rocha ficam cobertos de pe- composto por fragmentos de rocha, argilominerais formados
«fcmr-lhos em apenas poucos anos. pela alteração química dos minerais da rocha-matriz e pela ma­
téria orgânica produzida por organismos que nele vivem. Em­
bora o solo seja ele próprio um produto do intemperismo. sua
C ma: chuva e temperatura presença ou ausência pode afetar o intemperismo químico e fí­
E m visita às lápides expostas no continente norte-americano, sico dos materiais. Um prego antigo que foi enterrado no solo.
os Estados Unidos até o Canadá e o Alasca, revelaria que por exemplo, torna-se tão enferrujado que você pode quebrá-lo
m m a s de intemperismo, tanto químico como físico, variam como se fosse um palito de fósforo. Já um prego arrancado da
t>: ipenas devido às propriedades da rocha, mas também por madeira de uma casa centenária poderá estar ainda bem resis­
— do clima - a quantidade de chuva e a temperatura. Altas tente, embora coberto por uma fina película de ferragem. Da
*mm2 raturas e chuvas intensas aumentam a taxa de crescimen- mesma forma, um mineral de um solo espesso nas terras baixas
■ re organismos e, assim, promovem o intemperismo químico. de um vale pode estar intensamente alterado e corroído, en­
3 ~ . i e a aridez, por seu turno, impedem esse processo. Lápi- quanto o mesmo mineral exposto na rocha de um penhasco pró­
antigas em clima quente e úmido, como o da Flórida ximo estará muito menos alterado. Embora o penhasco também
El*A i. sofrem intensa alteração química, mas aquelas de mes- esteja exposto a chuvas ocasionais, a rocha de sua parede geral­
u_ iade em clima quente e seco do Sudoeste Norte-America- mente seca e o intemperismo atua de forma muito lenta. Ne­
l l o dificilmente afetadas. Por sua vez, lápides em regiões nhum solo se forma em penhascos porque a chuva rapidamen­
iras e secas do Ártico mostram bem menos alteração química te carrega as partículas soltas para as áreas mais baixas, onde se
4 que aquelas do Sudoeste Norte-Americano. Em climas frios, acumulam.
a rgrja não pode dissolver os minerais porque está congelada. A produção do solo é um processo de retroalimentação p o si­
P r >ua vez, em climas áridos, ela está relativamente ausente. tiva - isto é, o produto do processo impulsiona o próprio proces­
Eai ambos os casos, as populações de organismos são muito so. Uma vez iniciada a formação do solo. ele funciona como um
y ucas e o intemperismo químico atua lentamente. agente geológico que acelera a alteração da rocha. O solo retém a
1 74 Para Entender a Terra

água da chuva e hospeda diversos vegetais, bactérias e outros or­ quanto ele. Este mineral é apenas um dos muitos silicatos que se
ganismos. Essas formas de vida geram um ambiente ácido, que, alteram por reações químicas para formar outras espécies que
juntamente com a umidade, promove o intemperismo químico, o contêm água, conhecidas como argilominerais. O comportamen­
qual altera e dissolve os minerais. Raízes de plantas e cavidades to do feldspato durante o intemperismo ajuda-nos a entender ce
feitas por organismos no solo promovem o intemperismo físico, maneira geral o processo de alteração, por duas razões:
pois ajudam a criar fraturas na rocha. O intemperismo químico e
1. Há uma grande abundância de minerais silicosos na Terra.
físico, por sua vez, leva à formação de mais solo.
2. Os processos de dissolução e decomposição química que pro­
Tempo de exposição vocam a alteração do feldspato são os mesmos que causam a al­
teração de outros tipos de minerais.
Quanto maior o tempo de alteração de uma rocha, maior sua
decomposição química, mais forte sua dissolução e mais inten­ No início deste capítulo, quando descrevemos a mudanç-
sa sua desagregação física. As rochas que têm sido expostas na que os minerais sofreram numa lápide de granito alterado, ob­
superfície terrestre por alguns milhares de anos formam um servamos que os cristais de feldspato encontravam-se corroídos
manto de intemperismo - uma capa externa de material altera­ e alterados. Porém, o exemplo extremo de alteração do feldspa­
do com espessura variando desde alguns milímetros até muitos to pode ser observado em matacões de granito nos solos de re­
centímetros - que envolve a rocha sã e inalterada. Em climas giões tropicais úmidas. Aí, muitos dos fatores que promovem
secos, alguns mantos desenvolvem-se lentamente, com taxas de intemperismo - chuva intensa, temperatura alta e a presença de
0,006 mm por mil anos. solo e abundante atividade orgânica - estão presentes. Mata­
Derrames e depósitos de cinza vulcânicos recentes, portan­ cões de granito em regiões tropicais encontram-se tão fragiliza­
to com um período curto de exposição na superfície terrestre, dos que podem ser facilmente quebrados com um pontapé ou
encontram-se, ainda, relativamente pouco alterados. Como co­ esmigalhados num monte de grãos minerais soltos. A maioru
nhecemos as datas das erupções mais recentes, podemos medir dos grãos de feldspato desses matacões foi alterada para argila.
o tempo necessário para que sejam alcançados os diversos está­ Quando observado num microscópio eletrônico sob grande au­
gios do intemperismo. Nos anos anteriores à erupção do vulcão mento, qualquer grão de feldspato remanescente mostraria si­
Santa Helena (EUA), em 1980, por exemplo, os depósitos de nais de corrosão e estaria revestido por uma capa de argila (Fi­
cinza vulcânica encontravam-se intensamente meteorizados e gura 7.2). Os cristais de quartzo, ao invés disso, estariam rela­
os minerais originais estavam alterados em outras espécies. tivamente intactos e inalterados.
Contudo, os derrames de lava solidificada formados no mesmo Em uma amostra de granito são, a rocha é dura e sólida por­
período de tempo dos depósitos de cinza encontravam-se rela­ que uma rede de ligação intergranular mantém os cristais de
tivamente frescos. A diferença do grau de alteração deveu-se,
principalmente, ao fato de que a cinza é constituída por partícu­
las muito pequenas, as quais se alteram bem mais rápido que as
rochas vulcânicas, que são muito mais maciças.
Abordaremos a seguir, com mais detalhes, os dois tipos de
intemperismo: o químico e o físico ou mecânico.

fíitemperismo químico
As rochas alteram-se quimicamente quando seus constituintes
minerais reagem com o ar e a água. Nessas reações químicas,
alguns minerais dissolvem-se. Outros, combinam-se com a
água e alguns componentes da atmosfera, como o oxigênio e o
gás carbônico, formando minerais novos. Algumas dessas rea­
ções químicas podem ser deduzidas a partir de observações de
campo. Quando conseguimos combinar tais observações com
experimentos de laboratório que simulam os processos natu­
rais. melhoramos nossa visão sobre os mecanismos do intem­
perismo químico. Iniciaremos nossa investigação pelo exame
da alteração química do feldspato, o mineral mais abundante da
crosta da Terra.

O papel da água no intemperismo do


Figura 7.2 Fotomicrografia, obtida por microscópio eletrônico
feldspato e de outros silicatos de varredura, de um feldspato marcado e corroído pelo intempe­
O feldspato é um mineral-chave num grande número de rochas rismo químico no solo. [Extraído de R. A. Berner e C. R. Holden
ígneas. sedimentares e metamórficas. Muitos outros tipos de mi­ Jr., “ Mechanism o f Feldspar Weathering: Some Observational Evi-
nerais silicosos formadores de rocha também se alteram tanto dence", Ceology 5(1977): 369]
CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 175

| O granito é constituído por 0 As fissuras formam-se ao longo | A decomposição progride e.


cristais de vários minerais, que se dos bordos do cristal. O feldspato com as fissuras abertas, a rocha
decompõem com diferentes taxas. a biotita e a magnetita começam fragiliza-se e desintegra-se.
a se decompor, enquanto o
quartzo permanece inalterado.

Feldspato

Magnet

Biotita

Quartzo

ç - '3 7.3 Vistas microscópicas diagramáticas dos estágios de desintegração do granito. [Chip Clark]

B rtz o . feldspato e outros firmemente juntos. Entretanto,


B z i o o feldspato é alterado para uma argila com fraca ade- Cafe, Feldspato Chuva
moido \
a rede intergranular torna-se debilitada pelo desenvolvi-
B e:: de fissuras na borda dos grãos, facilitando sua separação A água dissolve alguns
B - (Figura 7.3; ver também a Figura 5.1). Nesse exemplo, sólidos, deixando
Bn-.;mperismo químico, por meio da produção de argila, tam- como resíduo um
material alterado,...
B r contribui para o intemperismo físico, pois a rocha passa a
■LC“ .entar-se mais facilmente pelo alargamento das fissuras
B " bordos dos minerais. ... e produz uma
solução contendo
f A argila de cor branca a creme produzida pela alteração do substâncias retiradas
B c-cato é a caulinita. cujo nome deriva de Gaoling, que é um do sólido original.
y situado no sudoeste da China, de onde ela foi extraída pe-
B primeira vez. Os artesãos chineses utilizavam-na pura, como Café líquido contendo Caulinita e outras
Bcrcria-prima na produção de cerâmica, muitos séculos antes de cafeína e outras substâncias substâncias
B europeus apropriarem-se dessa idéia no século XVIII.
§ 5 nmente em climas áridos muito rigorosos de alguns deser- Figura 7.4 O processo pelo qual o feldspato e outros minerais
e regiões polares o feldspato mantém-se inalterado. Essa decompõem-se e o soluto acumula-se em níveis mais inferiores
^kc~vação aponta a água como sendo o elemento essencial das do solo é análogo ao de filtragem do café, quando a água, ao
B a : res químicas pelas quais o feldspato se transforma em cau- passar pelos interstícios do pó, dissolve certas substâncias,
B r u . Esse argilomineral é um silicato de alumínio hidratado deixando para trás um resíduo alterado, e acumula-se com o
B h é. que contém água na estrutura cristalina). Na reação em soluto (cafeína e outros) no recipiente inferior da cafeteira.
B e _ caulinita é produzida, o feldspato sólido sofre hidrólise
»r ~ significa “água” e lysis significa “afrouxar, deslocar a
fce-ência”). O feldspato é fragmentado e, ao mesmo tempo,
aumenta muito à medida que diminui a média do tamanho das
pcrce vários componentes químicos. A alteração é análoga à
partículas, como mostrado na Figura 7.5.
>química que ocorre quando preparamos café. O café só-
reage quimicamente com a água quente para resultar numa A dissolução do feldspato na água pura Para entender mais
_.ão - o café líquido. A reação extrai cafeína e outros com­ sobre a alteração do feldspato, podemos efetuar um experimen­
entes do café sólido, deixando como resíduo o pó usado. De to de laboratório muito simples: imergir um feldspato em água
B •- ' análogo, a água da chuva infiltra-se no solo, alterando o e analisar a solução para cada tipo de material que vai sendo
fi - pato dos fragmentos da rocha e deixando para trás a cauli- dissolvido. Para tanto, primeiramente trituramos o feldspato
n :omo resíduo (Figura 7.4). mais comum do granito, o ortoclásio (KAlSi,Os ). até se tomar
-.penas a parte externa do sólido reage com o fluido, de sor- pó. Isso acelera a reação, pela exposição de uma área maior à
t (joe. quando aumentamos sua área superficial, aceleramos a água. Quando analisamos amostras da solução depois de um
ição. Por exemplo, quando trituramos os grãos de café em certo tempo, encontramos pequenas quantidades de potássio e
:.ulas cada vez mais finas, aumentamos a razão entre a área sílica (SiO-,) dissolvidas na água. A reação do feldspato com a
Birerficial e o volume dos mesmos. Quanto mais finos os grãos água libera sílica e íons de potássio i K* i dissolvidos e deixa co­
B e raie são moídos, mais rápida sua reação com a água e mais mo resíduo um novo mineral, a caulinita: A l,S i,05(0H )4. Po­
a bebida se toma.3 De modo similar, quanto menores os demos descrever uma reação química para o intemperismo do
fc_rnentos dos grãos minerais e das rochas, maior a área super- granito a partir do exemplo do feldspato que reage com a água
B n _ dos mesmos. A razão entre a área superficial e o volume para formar caulinita.
1 7 6 : Para Entender a Terra

O papel do dióxido de carbono no intemperismo A reação


do feldspato com a água pura em laboratório é um processo ex­
tremamente lento. Sob condições laboratoriais, seriam necessá­
rios milhares de anos para que uma pequena quantidade de
feldspato fosse completamente alterada. Desse modo, essa rea­
ção não pode ser a causa do aumento da rapidez do intempero
1 cm mo amplamente observada na natureza. Se quisermos acelerar
poderemos adicionar ácidos fortes (como o ácido clorídrico i a
nossa solução e, assim, dissolver o feldspato em poucos dia?
Um ácido é uma substância que libera íons de hidrogênio (H“
1 cm x 1 cm =■1 cm2 para uma solução. Um ácido forte produz muitos íons de hidro­
1 cm2 X 6 faces = 6 cm2 gênio; já um ácido fraco, relativamente poucos. A forte tendên­
6 cm2 x 8 cubos = 48 cm2
cia do íon hidrogênio em se combinar quimicamente com ou­
(área superficial total)
tras substâncias toma os ácidos excelentes solventes.
D Proporcionalmente a sua Q ... do que blocos menores,
Na superfície terrestre, o ácido natural mais comum - e res­
massa, os grandes blocos de I de modo que, quanto ponsável pelo aumento das taxas de intemperismo - é o ácido

Lrocha têm menos área


superficial exposta ao
intemperismo químico...
menores os blocos, mais rá-
| pido se dá o intemperismo.

Figura 7.5 Quando uma massa de rocha se fragmenta em


carbônico (H2CO,). Esse ácido fraco forma-se quando o gá-
dióxido de carbono (C 02) contido na atmosfera dissolve-se na
água da chuva:

dióxido de carbono + água —> ácido carbônico


blocos menores, maior se torna a superfície disponível para as
reações químicas do intemperismo.
CO, H ,0 H ,C 03

Em nosso cotidiano, estamos familiarizados com soluções


de dióxido de carbono na água sob a forma de refrigerantes ga­
Duas questões principais sobre essa reação nos dão infor­ seificados. O engarrafador carbonata o líquido bombeando ne­
mações sobre os ganhos e perdas de material quando o fcldspa- le dióxido de carbono sob pressão. Uma grande quantidade de
dióxido de carbono dissolve-se na bebida, tornando-a ácida
to se altera:
Quando você abre a garrafa, a pressão diminui e o gás dissol­
1. Potássio e sílica são “perdidos” pelo feldspato e passam a vido efervesce, saindo da solução e tornando-a menos ácida. A
ocorrer como materiais dissolvidos na solução aquosa. quantidade de dióxido de carbono dissolvido no líquido de-
cresce à medida que o gás se transfere para o ar.4 Quando a
2. A água é absorvida na estrutura cristalina da caulinita. Essa quantidade de dióxido de carbono na bebida alcança aquela da
absorção de água é chamada de hidratação e é um dos principais atmosfera, não há mais efervescência do gás e a bebida toma-
processos do intemperismo. se “choca” e levemente ácida, como a água da chuva.
A quantidade de dióxido de carbono dissolvida na água da
chuva é pequena porque há muito pouco gás carbônico na at­
Dióxido de carbono, intemperismo e mosfera. Cerca de 0,03% das moléculas da atmosfera terrestre
geossistema climático são de dióxido de carbono. Contudo, essa quantidade tão dimi­
A variação da concentração de dióxido de carbono na atmosfe­ nuta é suficiente para fazer dele o quarto gás mais abundante
ra leva a uma variação correspondente na taxa de intemperis­ logo atrás do argônio (0,9%), do oxigênio (21 %) e do nitrogê­
mo (Figura panorâm ica 7.6). Por exemplo, níveis mais altos nio (78%). A quantidade de ácido carbônico formada pela águe
de concentração de dióxido de carbono na atmosfera causam da chuva é muito pequena, sendo de cerca de 0,0006 g/L. Com
níveis mais altos também no solo, aumentando a taxa de in­ a queima de gasolina, gás e carvão, aumentou a quantidade de
temperismo (ver Figura panorâmica 7.6a). Além disso, o dió­ dióxido de carbono na atmosfera e, assim, levemente, também
xido de carbono, um gás-estufa, toma o clima da Terra mais a quantidade de ácido carbônico na chuva.
quente e, assim, influencia o intemperismo. Este, por sua vez, A maior parte da acidez da chuva ácida, entretanto, não pro­
converte dióxido de carbono em íons carbonato (ver Figura pa­ vém do dióxido de carbono, mas dos gases dióxido de enxofre
norâmica 7.6b) e, desse modo, leva ao decréscimo da quanti­ e de nitrogênio, os quais reagem com a água para formar ácidos
dade de dióxido de carbono na atmosfera. Esse decréscimo, fortes como o sulfúrico e o nítrico, respectivamente. Esses áci­
por fim, pode resultar num clima mais frio. Dessa forma, o in­ dos são capazes de impulsionar mais o intemperismo do que c
temperismo na superfície do grão de feldspato não deixa de es­ ácido carbônico. Vulcões e pântanos costeiros emitem para a at­
tar relacionado com as causas das mudanças climáticas glo­ mosfera gases de carbono, enxofre e nitrogênio, mas, de longe
bais. A medida que mais e mais dióxido de carbono é consumi­ a maior fonte é a poluição industrial.5 (Ver o Capítulo 23 para
do, acarretando esfriamento do clima, novamente há um de­ mais informações sobre a chuva ácida.)
créscimo do intemperismo. Com isso, a quantidade de dióxido Embora a água da chuva contenha apenas uma quantidade
de carbono na atmosfera volta a aumentar e o clima aquece-se relativamente pequena de dióxido de carbono dissolvido (ácidc
de novo. completando-se o ciclo. Abordaremos mais profun­ carbônico), essa quantia é suficiente para alterar o feldspato e
damente esse sistema nos Capítulos 17 e 23. dissolver grandes quantidades de rochas em longos períodos de
CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 177

C l MO O DIOXIDO DE CARBONO ATMOSFÉRICO INFLUENCIA O INTEMPERISMO E O CLIMA

Q Quando a rocha se altera, o sistema


O SISTEMA TERRA do clima e a litosfera interagem. A taxa de intem­
perismo reduzida...
]
u . SISTEMA
Hidrosfera DO CLIMA As temperaturas ... leva ao aumento

Litosfera
L V baixas e a diminuição
na concentração de
da concentração de
C 02 atmosférico__
, SISTEMA DA C 02 reduzem o | A variação do dióxido de
Astenosfera | TECTôNICA
intemperismo. carbono (C 02) na atmosfera
„ . . . ,• / 1 DE PLACAS acarreta uma variação
Manto inferior
correspondente na taxa de
. " lNúcleo externo j SISTEMA DO intemperismo.
1 ' ... . . ; ~ y f\ GEODÍNAMO
Núcleo interno V-A ... o qual causa o
A baixa concentração
de C 0 2 causa o O intemperismo aquecimento global,
esfriamento climático.: reduz o C 0 2 na que faz o intempe­
atmosfera como rismo aumentar.
co 2-*- hco 3-.
C 0 2 exalado
| D Intemperismo dos silicatos C 0 2 resultante pelo vulcanismo
como o feldspato remove o da deposição
de carbonato
: -oxido de carbono da atmosfera.
C 0 2 retirado pelo í
intemperismo dos silicatos

dióxido de carbono (C 02) é


adicionado na atmosfera quando é
liberado por formações carbonáticas
dos oceanos e quando vulcões
dissolvem os carbonatos nas erupções.
OS IONS DE CARBONATO ACELERAM
O INTEMPERISMO

* | 0 ácido carbônico (H2CO j )


- Água da chuva
forma-se quando as moléculas
de C 0 2 e de H20 < - Ácido carbônico
na água da chuva.

n O ácido carbônico ioniza-se


para formar íons de hidrogênio
(H+) e de bicarbonato
(HCOj").

Calcita
Caulinita (calcário)

AI2Si2Os(OH)4

| Os íons de bicarbonato reagem


H C O ,;) ( ( í+ ) 1 | O ácido carbônico também
com o feldspato, alterando-o para ✓ / Si° 2 Si02 reage com a calcita do
caulinita e silicato e liberando —•Silicato calcário para produzir íons
HCO,- K’ ^ 3 HCOV de bicarbonato e cálcio.
ons de bicarbonato e potássio.

K e u r a 7.6 A concentração de dióxido de carbono atmosférico influencia o clima e o


btonperismo. (a) O ciclo natural das concentrações de dióxido de carbono atmosférico,
" r-p e ris m o e clima, (b) O ácido carbônico da chuva altera o feldspato e a calcita.
178 Para Entender a Terra

tempo. Podemos, a partir disso, escrever a reação química da tros minerais das rochas na subsuperfície. A respiração das bac­
_.teração do feldspato com a água: térias no solo pode aumentar a concentração de dióxido de car­
bono nele contido até muito mais de cem vezes aquela da at­
feldspato + ácido carbônico + água —> mosfera!
2KAlSi3Og 2H2C 0 3 H ,0 As rochas alteram-se mais rapidamente em climas tropica:-
úmidos do que em climas temperados ou frios, principalmentr
íons de íons dc
porque as plantas e as bactérias crescem de maneira acelerada
caulinita + sílica + potássio + bicarbonato
dissolvida dissolvida dissolvidos dissolvidos em climas quentes e úmidos, contribuindo com o ácido carbô­
Al2Si20 5(OH)4 4S i02 2K+ 2H C03- nico e outros ácidos que promovem a alteração. Além disso..
maioria das reações químicas, inclusive do intemperismo, ace­
Essa simples reação do intemperismo ilustra os três princi­ lera-se com o aumento dc temperatura.
pais efeitos químicos da decomposição dos silicatos. Ela lixi-
via, ou leva em solução, cátions e sílica. Além disso, hidrata O rápido intemperismo dos carbonatos
(ou adiciona água) os minerais e toma as soluções menos áci­
das. Especificamente, o ácido carbônico na água da chuva au­ Mesmo a olivina, o mineral silicoso que mais rapidamente se
xilia no intemperismo do feldspato da seguinte maneira (Figu­ altera, dissolve-se de maneira relativamente lenta quando com­
ra 7.6b): parada com alguns outros minerais formadores de rochas não-
silicosos. O calcário, constituído de minerais carbonáticos de
• Uma pequena proporção de moléculas dc ácido carbônico io­ calcita (cálcio) e dolomita (cálcio e magnésio), altera-se muite
niza-se, formando íons de hidrogênio (H+) e de bicarbonato rapidamente em regiões úmidas. Antigas construções de calcá­
(HC03 ) e, assim, toma as gotas da água da chuva levemente
rio mostram os efeitos da dissolução do mesmo pela chuva (Fi­
mais ácidas.
gura 7.7). A água subterrânea dissolve grandes quantidades dc
• A água levemente mais ácida dissolve os íons de potássio e sí­ minerais carbonáticos, escavando cavernas em formações cal­
lica do feldspato, deixando um resíduo de caulinita, que é uma cárias. Agricultores e jardineiros utilizam calcário moído par_
argila sólida. Os íons de hidrogênio do ácido combinam-se com contrabalançar a acidez do solo devido à propriedade que esu
os átomos de oxigênio do feldspato para formar a água na estru­ rocha tem de dissolver-se rapidamente nas épocas de plantio.
tura da caulinita. Esse novo mineral toma-se parte do solo ou é Quando o calcário se dissolve, nenhum argilomineral é forma­
transportado como sedimento. do. Os sólidos dissolvem-se completamente e seus componen­
tes são levados na solução.
• A solução toma-se menos ácida à medida que a reação pro­
O ácido carbônico contribui para a alteração do calcáric
gride.
justamente como faz com os silicatos (ver Figura panorâmica
• Sílica, íons de potássio e bicarbonato dissolvidos são levados 7.6b). A reação geral pela qual a calcita, o principal mineral
pela água da chuva e dos rios, sendo, por fim, transportados até o
oceano.

Na natureza: feldspato em afloramento rochoso e em solo


úmido Agora que já entendemos a reação química pela qual a
água ácida altera o feldspato, podemos compreender por que os
feldspatos numa superfície de rocha exposta são muito mais
preservados do que aqueles que estão enterrados em solos úmi­
dos. A reação química da alteração do feldspato fomece-nos
duas coisas separadas, porém relacionadas: as quantidades de
água e de ácido disponíveis para a reação química. O feldspato
numa rocha exposta altera-se somente enquanto a rocha fica
umedecida pela água da chuva. Durante todo o período seco,
apenas o orvalho umedece a superfície da rocha exposta. Já no
solo úmido, o feldspato está constanteinente em contato com as
pequenas quantidades de água que ficam retidas nos espaços
entre os grãos. Por isso, altera-se continuamente.
Há mais ácido na água do solo do que na da chuva. Esta úl­
tima leva o seu ácido orgânico original para o solo. À medida
que ela se infiltra no solo, obtém ácido carbônico adicional e
outros ácidos produzidos pelas raízes das plantas, por insetos e
por outros animais que lá vivem, bem como pelas bactérias que
degradam os restos dc plantas e de animais. Recentemente, foi Figura 7.7 Os blocos e colunas de calcário alterados de uma
descoberto que algumas bactérias liberam ácidos orgânicos, ruína grega de 2.500 anos em Segesta, Itália, mostram superfícies
rr.esmo em águas subterrâneas a centenas de metros de profun­ esburacadas e marcadas devido à dissolução química. [Ric
didade. Esses ácidos orgânicos alteram, então, o feldspato e ou­ Ergenbright]
CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 179

Ovário, dissolve-se com a chuva ou outra água contendo


de carbono é Quadro 7.2 Estabilidade relativa dos minerais
mais comuns sob o intemperismo
calcita ácido íons de íons de
carbônico cálcio bicarbonato
Estabilidade dos minerais Taxa de alteração
CaCCL h 2c o 3 Ca2+ 2H C O r

MAIS ESTÁVEL M a is le n ta
A reação ocorre somente na presença de água, a qual con-
o ácido carbônico e íons dissolvidos. Quando a calcita se Óxidos de ferro (hematita)
ve, os íons de cálcio e de bicarbonato são carregados pe- Hidróxidos de alumínio (gibbsita)
■hição. A dolomita, CaMg(C03)2, outro mineral carbonáti- Quartzo
irondante, dissolve-se da mesma maneira, produzindo igual Argilominerais
idade de íons de magnésio e de cálcio. Moscovita
Feldspato potássico (ortoclásio)
estabilidade química: um controlador da Biotita
Feldspato sódico (albita)
«k>cidade do intemperismo Anfibólios
ft rrea da superfície terrestre coberta por rochas silicosas é Piroxênio
i maior que aquela das rochas carbonáticas como o calcá- Feldspato cálcico (anortita)
>- Mas, devido ao fato de que os minerais carbonáticos dissol- Olivina
■sm-se mais rápido e em maiores quantidades que os silicosos, Calcita
■ii-rração do calcário contribui mais que qualquer outra rocha Halita
■ara o total de produtos do intemperismo formados anual men­ V
t e ra superfície terrestre. MENOS ESTÁVEL M a is rá p id a
Por que a taxa de intemperismo varia tão intensamente en­
t e diferentes minerais? Os minerais alteram-se em taxas distin-
at rorque têm estabilidade química diferente, na presença de
teL; numa dada temperatura da superfície. Taxa de dissolução A taxa de dissolução de um mineral é
A estabilidade química é uma medida da tendência que uma medida pela quantidade deste que se dissolve numa solução
■Ésiância tem de resistir numa dada fonna química, ao invés de não-saturada num dado intervalo de tempo. Quanto mais rápi­
Etexnr espontaneamente para tornar-se uma substância química do um mineral se dissolve, menor a sua estabilidade. O felds­
ârerente. As substâncias químicas são estáveis ou instáveis em pato dissolve-se em taxas muito mais rápidas que as do quart­
tejção a um determinado meio ambiente ou a um conjunto de zo e, principalmente por causa disso, é menos estável que este
■icdições específicas. O feldspato, por exemplo, é estável em no intemperismo.
aroáições encontradas em grandes profundidades da crosta ter-
t - e e (altas temperaturas e pequenas quantidades de água), mas Estabilidade relativa de minerais formadores de rocha co­
hoável em condições de superfície (baixas temperaturas e abun- muns Conhecendo as estabilidades químicas relativas de vários
B a c ia de água). O ferro metálico em um meteoróide no espaço minerais, pode-se descobrir a intensidade do intemperismo de
te z rio r é quimicamente estável. Ele pode permanecer inalterado uma determinada área. Numa floresta tropical, somente os mine­
f r bilhões de anos porque não é exposto ao oxigênio ou à água. rais mais estáveis permanecerão num afloramento ou no solo e,
p e. no entanto, o meteoróide viesse a cair na Terra, onde seria ex- assim, sabemos que lá o intemperismo é intenso. Numa região
testo a esses elementos, o ferro metálico tomar-se-ia quimica­ árida, como no deserto do Norte da África, onde o intemperismo
mente instável e reagiría de modo espontâneo para formar óxido é mínimo, monumentos de alabastro (gipsita) permanecem intac­
z :'erro. Como referido anteriormente, o calcário altera-se mais tos, assim como muitos minerais instáveis. O Quadro 7.2 mostra
■rido que o granito - uma conseqüência de sua menor estabili- a estabilidade relativa de todos os minerais formadores de rocha
jsoe no ambiente da superfície terrestre. Duas características de comuns. Minerais de sal e de carbonato são os menos estáveis,
mineral - solubilidade e taxa de dissolução - ajudam a deter- enquanto os óxidos de ferro são os mais estáveis.
«nr.ãr sua estabilidade química.

> ubilidade A solubilidade de um mineral específico é medi­ Diferentes silicatos formam diferentes argilas
ca pela quantidade deste dissolvida na água quando a solução Os argilominerais são os principais componentes dos solos e
ecá saturada. A saturação é o ponto no qual a água não pode dos sedimentos que cobrem a superfície terrestre. Alguém po­
nais conter a substância dissolvida. Quanto maior a solubilida- dería esperar que isso fosse mesmo ocorrer, pois os silicatos
z do mineral, menor a sua estabilidade no intemperismo. Ro- formadores de rocha constituem uma grande fração da crosta
dsis evaporíticas, por exemplo, são instáveis ao intemperismo. terrestre e o intemperismo na superfície é bastante extenso. De­
Efes têm alta solubilidade na água (cerca de 350 g/L) e são lixi- pósitos de argila suficientemente pura para ser utilizada como
*iadas do solo mesmo por pequenas quantidades deste líquido. matéria-prima na produção de objetos de cerâmica, como por­
3 -uartzo, pelo contrário, é estável em condições de intempe- celanas e artefatos industriais, são encontrados em alguns solos
~-mo. Sua solubilidade na água é muito pequena (cerca de e rochas sedimentares incomuns. Já tijolos, telhas e outras ce­
4 >)8 g/L) e ele não é facilmente lixiviado do solo. râmicas de construção requerem materiais menos puros.
Para Entender a Terra

As argilas formam-se por meio do intemperismo de vários mente encontrado em meteoritos, os átomos de ferro não têm
tipos de minerais de silicato, não apenas do feldspato. O anfi- carga: eles não ganharam nem perderam elétrons pela reação
bólio, a mica e outros silicatos do granito alteram-se para for­ com qualquer outro elemento. No ferro ferroso (Fe2+), encon­
mar argilas de forma muito semelhante à da alteração do felds­ trado em silicatos como o piroxênio, o átomo de ferro perdeu
pato. À medida que os minerais sofrem intemperismo, absor­ dois elétrons que possuía na forma metálica e, assim, tornou-se
vem água e sílica e perdem íons como os de sódio, potássio, um íon. O ferro presente no mais abundante óxido de ferro dê
cálcio e magnésio para a solução. A formação de diferentes ti­ superfície terrestre, a hematita (Fe20 3), é o ferro férrico
pos de argila, a partir desse processo, depende de dois fatores: (Fe3+); os átomos do ferro, nesse caso, perderam três elétron^
1. Composição dos silicatos parentais Os íons de ferro ferroso oxidam-sc pela perda adicional de um
elétron, mudando de 2+ (ferroso) para 3+ (férrico). Todos os óxi­
2. Clima dos de ferro formados na superfície da Terra têm valência 3+. Os
elétrons perdidos pelo ferro são ganhos pelos átomos de oxigê­
Por exemplo, a montmorillonita, um argilomineral que se nio, que se tomam íons de oxigênio (O2-). Assim, os átomos de
expande quando absorve grande quantidade de água, forma-se
oxigênio da atmosfera oxidam o íon ferroso, que então se con­
tipicamente a partir do intemperismo de cinzas vulcânicas. Ela
verte no íon férrico.
é, também, um produto comum da alteração dc outros silicatos,
especialmente em ambientes semi-áridos, como os dos planal­ Quando o piroxênio - e outros minerais ricos em ferro - é
tos do Sudoeste Norte-Americano. Como resultam de uma exposto à água, sua estrutura de silicato dissolve-se, liberando
grande variedade de silicatos parentais, climas e, mesmo, de ar- sílica e ferro ferroso para a solução, onde o íon Fe2+ é oxidado
gilominerais, predizer o caminho do intemperismo dos silicatos para Fe3+ (Figura 7.8). A força da ligação química entre o íor.
até a formação de um argilomineral específico é uma tarefa pa­ férrico e o oxigênio resulta na insolubilidade do ferro férrico na
ra geólogos especializados e cientistas dos solos.
Nem todos os silicatos se alteram para formar argilomine-
rais. Aqueles que se alteram rapidamente, como alguns piroxê-
nios e olivinas, podem se dissolver completamente em climas Q O piroxênio de ferro
úmidos, não deixando nenhuma argila como resíduo. O quart­ dissolve-se e libera, na
zo, que apresenta uma das menores taxas de alteração dentre os solução, sílica e ferro
inúmeros silicatos, também se dissolve sem formar qualquer ar­ ferroso.
gilomineral. Piroxênio (PeSiOj)
A alteração dos silicatos pode formar outros materiais que
não sejam apenas os argilominerais. Um outro produto, por
exemplo, é a bauxita, um minério composto de hidróxido de
alumínio, que é a principal fonte de alumínio. A bauxita forma- ir
se quando os argilominerais derivados do intemperismo dos si­
licatos continuam a se alterar até que tenham perdido toda a sua
sílica e outros íons que não os de alumínio. A bauxita é encon­
trada em regiões tropicais, onde a chuva e o intemperismo são
intensos. 0 O ferro ferroso é oxidado
pelas moléculas de oxigênio
para formar ferro férrico.
O papel do oxigênio no intemperismo: dos
silicatos de ferro aos óxidos de ferro
O ferro é um dos oito elementos mais abundantes da crosta ter­
restre, mas o ferro metálico, ou seja, o elemento químico na Ferro férrico
sua forma pura, é raramente encontrado na natureza. Ele está Q O ferro férrico combina-se
com a água para se
presente somente em certos tipos de meteoritos que caem na precipitar, a partir da
Terra vindos de outros lugares do sistema solar. A maior parte solução, como um óxido de @N
do minério de ferro utilizada para produzir ferro e aço é forma­ ferro sólido.
da pelo intemperismo. Esses minérios são compostos de óxi­
dos de ferro originalmente produzidos durante o intemperismo
de silicatos ricos em ferro, como o piroxênio e a olivina. O fer­
ro liberado pela dissolução desses minerais combina-se com o
oxigênio da atmosfera para formar óxidos de ferro. Essa rea­
ção química é chamada de oxidação, porque é a combinação Óxido de ferro (hematita)
de um elemento com o oxigênio. Assim como a hidrólise, a Fe2O j
oxidação é um dos mais importantes processos do intemperis­
mo químico. Figura 7.8 O percurso genérico das reações químicas pelas
O ferro pode estar presente nos minerais em três formas: fer­ quais um mineral rico em ferro, como o piroxênio, altera-se na
ro metálico, ferro ferroso ou ferro férrico. No ferro metálico, so­ presença de oxigênio e água.
Figura 7.9 Óxidos de ferro vermelhos e marrons colorem as rochas alteradas no Vale dos
Monumentos (Monument Valley), no Arizona (EUA). [Betty Crowell]

I | t - *ia das águas superficiais naturais. No entanto, ele se pre- O intemperismo físico em regiões áridas
p r "a. da solução formando um oxido de ferro sólido. Todos te­
Os afloramentos rochosos alterados em regiões áridas são co­
m - familiaridade com o óxido de ferro férrico em outra forma
bertos por um entulho de fragmentos de vários tamanhos, des­
k k MTência: a ferrugem que é produzida quando um metal de
de grãos minerais individuais de somente poucos milímetros de
fc —: e exposto à atmosfera.
diâmetro até matacões de mais de 1 metro. A diferença de ta­
E possível mostrar essa reação geral da alteração dos mine-
manho resulta cie uma variação dos graus de intensidade de in­
~ -.cos em ferro pela seguinte equação: temperismo mecânico e dos padrões de fraturamento da rocha-
matriz. Quando o intemperismo físico atua, as partículas maio­
i vpiroxênio + oxigênio —» hematita + sflica dissolvida res são rachadas e fragmentadas em pedaços menores. Alguns
4FeSi03 02 2F e,03 4SiO, desses fragmentos são separados ao longo de planos de fraque­
za da rocha-matriz (Figura 7.10). Os grãos de areia formam-se
Embora a equação não mostre de forma explícita, a água é quando os cristais individuais de vários minerais, como o quart­
I fc-r-sária para que ela ocorra. Os minerais de ferro, que são zo, desagregam-se dos demais ou quando rochas de grão fino,
amente onipresentes, alteram-se para as cores vermelha e como o basalto, desintegram-se.
m características do ferro oxidado (Figura 7.9). Os óxi- Embora o intemperismo físico seja a forma mais comum de
<*> ie ferro são encontrados como capas e incrustações que co­ intemperismo em regiões secas, mesmo aí o intemperismo quí­
o solo e as superfícies meteorizadas das rochas que con- mico preparou o caminho. Uma leve alteração química do
■fcr -erro. Os solos vermelhos na Geórgia (EUA) e em outras feldspato e dos outros minerais enfraquece as forças coesivas
fc_ões quentes e úmidas6 são coloridos pelos óxidos de ferro. que mantêm juntos os cristais de uma rocha. Quando pequenas
b -rnerais de ferro alteram-se tão lentamente em regiões frias fissuras se formam e se alargam, cristais individuais de quartzo
M-r : ferro dos meteoritos congelados na Antártida encontra-se e feldspato são desagregados por uma combinação de altera­
-e totalmente inalterado. ções físicas e químicas e caem no solo. As fraturas podem se
alargar e grandes blocos são separados do afloramento rochoso.

bttemperismo físico O intemperismo físico em outras regiões


O intemperismo químico, que promove o intemperismo físico, é,
H de termos investigado o intemperismo químico separa­ da mesma forma, impulsionado pela fragmentação, a qual abre
——ente. podemos, agora, retornar ao seu aliado, o intemperis- canais para que a água e o ar possam penetrar e reagir com os mi­
■ tísico. A ação desse intemperismo pode ser mais clara nerais do interior da rocha. A desagregação da rocha em pedaços
ji-^ d o examinamos seu papel nas regiões áridas, onde o in- menores aumenta a área superficial exposta à alteração e. assim,
e-rerism o químico tende a ser mínimo. também faz crescer a taxa das reações químicas.
' 5 2 Para Entender a Terra

Figura 7.10 Padrões de juntas alargadas e alteradas, Figura 7.11 Organismos, como estas três raízes de árvores,
desenvolvidas em duas direções, nas rochas da Reserva Estadual penetram nas fraturas das rochas, alargando-as e promovendo
de Ponto Lobos (Point Lobos State Reserve), Califórnia (EUA). [Jeff ainda mais as alterações químicas e físicas. [Reter Kresan]
Foott/DRK]

Atividade dos organismos A atividade dos organism I


O intemperismo mecânico nem sempre depende do quími­ afeta tanto o intemperismo químico como o físico. As bactéri_J
co. Alguns processos, como o congelamento de água nas fissu­ e as algas penetram nas fraturas, produzindo microfraturas. E l
ras da rocha, fragmentam massas rochosas inalteradas. Algu­ ses organismos, tanto aqueles que estão em fraturas como oil
mas rochas tornam-se particularmente mais suscetíveis à altera­ que se incrustam na rocha, produzem ácidos, os quais prom -I
ção física devido ao fraturamento que ocorre quando forças tec- vem o intemperismo químico. Em algumas regiões, os fungoa
tônicas dobram e fragmentam as rochas durante a formação das produtores de ácidos são ativos nos solos, contribuindo para o
montanhas. Na Lua, a fragmentação mecânica trabalha sozi­ intemperismo químico. Os animais que escavam ou se move~J
nha, porque não há água para tomar possível o intemperismo pelas fissuras podem quebrar a rocha. Muitos já viram uma fra-l
químico. Nos terrenos lunares sem vida, as rochas são fragmen­ tura de uma rocha que tenha sido alargada pela raiz de um a; :
tadas em matacões e pó fino pelo impacto de meteoritos gran­ vore. O intemperismo físico ocorre quando a força do cresci-|
des e pequenos. mento do sistema radicular do vegetal ajuda a forçar as fratura,
a se abrirem (Figura 7.11).
O que determina o modo como as rochas se Acunhamento do gelo Um dos mais eficientes mecanismc i
fragmentam? de abertura de fissuras é o acunhamento do gelo9 - fragmen­
tação resultante da expansão da água ao congelar. Quando a
As rochas podem fragmentar-se por diversas causas, incluindo
água congela, exerce uma força para os lados, suficiente parz
esforços ao longo dc zonas de fraqueza e atividade química e
alargar uma fratura como se fosse uma cunha e, assim, frag­
biológica.
mentar a rocha (Figura 7.12). Esse é o mesmo processo que
Zonas naturais de fraqueza As rochas têm zonas naturais de pode abrir fissuras no bloco do motor de um carro caso o mes­
fraqueza, ao longo das quais tendem a se fraturar. Em rochas mo não esteja protegido por produtos anticongelantes. O acu­
sedimentares, como arenitos e folhelhos, tais zonas são os pla­ nhamento do gelo é mais importante onde a água, episodicui-
nos de acamamento formados por sucessivos estratos de sedi­ mente, congela e degela, como nos climas temperados e em
mentos litificados. Algumas rochas metamórficas, como a ar- regiões montanhosas.
dósia, têm planos paralelos de divagem que possibilitam sua Cristalização mineral Outras forças expansivas que podem
fácil separação em placas, que podem ser usadas como telhas.7 fragmentar as rochas são geradas quando os minerais cristalizam
Já os granitos e outras rochas são maciços e tendem a se frag­ a partir de uma solução retida nas fraturas destas. Nesse caso, ele-
mentar ao longo de planos regulares de fraturas, espaçados des­ forçam a abertura ulterior da mesma, pois, ao crescerem imperfe -
de um até vários metros, chamados de juntas8 (ver Capítulo 11 tamente, formam grandes redes porosas que passam a escorar as
para uma discussão adicional sobre juntas). Essas e outras fra­ fraturas abertas. Esse fenômeno é mais comum em regiões árida-,
turas menos regulares formam-se quando as rochas ainda se en­ onde substâncias derivadas da dissolução do intemperismo quí­
contram soterradas em zonas profundas da crosta terrestre. Por mico podem cristalizar quando a solução evapora. Os minerai-
meio do soerguimento e da erosão, as rochas ascendem lenta­ formados dessa maneira incluem o carbonato de cálcio (comu-
mente à superfície da Terra. Aí, livres do peso das rochas sobre­ mente), a gipsita (ocasionalmente) e o sal-gema (raramente).
postas. as fraturas abrem-se levemente. Uma vez que elas este­
jam um pouco abertas, tanto a alteração química como a mecâ- Alternância de calor e frio Uma idéia recorrente entre os
n:. a trabalham para alargá-las ainda mais. geólogos que estudam o intemperismo é a de que as rochas pc-
CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 183

Figura 7.12 Matacão de gnaisse


de 3 m de altura, fraturado pelo
acunhamento do gelo. Vale de Taylor.
Terra de Victoria (Victoria Land),
Antártida. [Michael Hambrey]

B r :ragmentar-se como resultado de um ciclo diário de dias chedos das quedas-d’água e corredeiras. As ações de abrasão e
e noites frias num deserto, onde as temperaturas no cre- remoção feitas por geleiras também podem desintegrar massas
^ k c u lo podem variar de 43 a 15°C, em um intervalo de uma rochosas, como veremos no Capítulo 16. No Capítulo 18, abor­
As rochas podem fragilizar-se com sua expansão no calor daremos como ondas com uma força igual a centenas de tone­
B e riração no frio. A queima de campos e florestas tem mos- ladas por metro quadrado, ao se chocarem contra as falésias,
- ' que o fogo alastrado sobre uma rocha pode rachar a su- fraturam o substrato rochoso exposto.
fc rS rie dela. Várias simulações da fragmentação natural causa­
d a rcr temperaturas extremas feitas em laboratório não têm
O intemperismo físico e a erosão
t 1- >borado essa hipótese. Entretanto, os apoiadores dessa
I b : - argumentam que o tempo de experimento em laboratório Como já foi enfatizado, o intemperismo e a erosão são pro­
B ã r 'Uficicntementc equivalente aos milhares de anos neces- cessos interativos e muito relacionados. O intemperismo físi­
■ : - para que o processo de expansão, no calor, e contração, co e a erosão estão estreitamente vinculados no modo como
■ ir . fragilize uma rocha, tomando possível seu fraturamen- o vento, a água e o gelo trabalham para transportar o material
^p . \ questão ainda não foi resolvida. alterado.

| t -‘ liação e alteração esferoidal Essas são duas maneiras de


B rr~ entação das rochas, não diretamente relacionadas às fratu-
fc- e antas preexistentes, causadas por um intemperismo ante-
k a A esfoliação é um processo de intemperismo físico no qual
B r r ies lâminas planas ou curvas da rocha fraturam-se e são des-
k o d a s do afloramento. Essas lâminas podem parecer-se com as
Bür.adas concêntricas que se descascam de uma grande cebola
f c r - ra 7.13). A alteração esferoidal é também um fraturamen-
I : iesprendimento de lascas curvas de um matacão geralmente
B B .áco. mas comumente numa escala muito menor (Figura
kl-i Mesmo que a exfoliação e a alteração esferoidal sejam co-
B r . ' '. nenhuma das explicações de sua origem que já tenham
B_-ç:do foram amplamente aceitas. É aparente que esses dois
B r eessos são outros exemplos de como o intemperismo quími-
e - iuz o fraturamento que acompanha, de alguma maneira, a
■ 1—a da superfície, particularmente em rochas com grande den-
ÍÈ£_áe de juntas. Alguns geólogos têm sugerido que tanto a esfo-
B açlo como a alteração esferoidal resultam de uma distribuição
[■“ rralar da expansão e contração causada pelo intemperismo
B eituco e pelas mudanças de temperatura.
[ Ostros fatores Os rios escavam o substrato rochoso dos vales
k ^ d o as partículas sólidas que transportam batem no leito ro- Figura 7.13 Esfoliação no HalfDome (Meio Domo), Parque
B n —o do canal e quando lançam sua própria força contra os ro­ Nacional de Yosemite. Califórnia (EUA). [Tony Waltham]
184 Para Entender a Terra

O intemperismo mecânico fratura os grandes blocos r -


chosos em pedaços menores, os quais são mais facilmer.*-±’
transportados e, assim, mais facilmente erodíveis que a gran­
de massa original. A primeira etapa no processo de erosãjj
são os movimentos de massa, tais como deslizamentos de ter­
ra, que transportam rocha alterada morro abaixo, bem coir »
o transporte individual de partículas pelo escoamento da ág_i
da chuva nas encostas. A declividade das encostas afeta tan-l
to o intemperismo físico como o químico. O intemperismo í -
sico e a erosão são mais intensos em encostas de alta decli' -
dade e esses processos, ao atuarem, tornam-nas ainda ma»
íngremes. O vento pode carregar as partículas mais finas e ■
gelo pode transportar grandes blocos rompidos do substra::»
rochoso.
As taxas de intemperismo químico são baixas em grande-í
altitudes; onde as temperaturas são geralmente baixas, o sole a
delgado ou ausente e a vegetação é esparsa. O intemperisn t
físico é maior nas grandes altitudes e nos terrenos glaciais, or-J
de o gelo despedaça a rocha. É possível verificar, também, q_zs
o tamanho do material formado pelo intemperismo físico esiá
estreitamente relacionado com os vários processos erosivos]
Quando o material alterado é transportado, pode novamer.eei
mudar sua forma e tamanho, e sua composição pode variar c
Figu ra 7.14 Esta notável estrutura é um produto da alteração mo resultado do intemperismo químico. Quando o transpor;
esferoidal. Da mesma forma que as camadas de folhas de um cessa, a deposição dos sedimentos formados pelo intemperi h
repolho se desprendem, um núcleo rochoso permanece, mo tem início.
mantendo a forma original da rocha numa escala menor. A Figura 7.15 apresenta um quadro sinótico dos proces­
[Michael Folio] sos do intemperismo físico e químico. Todos esses processos]

FATORES DO INTEMPERISMO
Há menos intemperismo, erosão e Há mais intemperismo, erosão e formação
1. Duração do intemperismo formação de solo quanto mais curto for de solo quanto mais longos forem os
o período de tempo períodos de tempo

2. Tipo de substrato rochoso Mais minerais estáveis (p. ex., quartzo) Menos minerais estáveis (p. ex., feldspato)
resultam em intemperismo menos intenso resultam em intemperismo mais intenso

3. Clima Temperaturas Menos intemperismo químico Mais intemperismo físico (expansão e


mais baixas (dissolução, alteração para ajudar o contração termais, acunhamento do gelo,
intemperismo físico, formação de rachadura do substrato rochoso,
argilominerais) fragmentação em tamanhos menores)
Temperaturas Menos intemperismo físico Mais intemperismo químico
mais altas

Quantidade Pouca chuva (menos dissolução de Muita chuva (mais dissolução de minerais,
de chuva minerais, intemperismo físico, produção de argilominerais, produção de
fragmentação e erosão) partículas de pequeno tamanho e erosão)

Acidez da chuva Baixa acidez (menos dissolução de Alta acidez (mais dissolução de minerais e
minerais e intemperismo físico) produção de argilominerais)

4. Relevo Encosta íngreme Menos intemperismo químico Mais intemperismo físico, mais erosão

Encosta suave Menos intemperismo físico, menos Mais intemperismo químico


erosão

Figura 7.15 Quadro sinótico do intemperismo. Os fatores considerados são a


proporção de minerais estáveis e instáveis numa rocha, o clima (incluindo temperatura
e chuva) e o relevo (incluindo encostas íngremes e suaves).
CAPITULO 7 • Intemperismo e Erosão 185

* - estão detalhados nos Capítulos 12 a 16, contribuem para quenas tiras, lentes e crostas. A camada inferior, o horizonte C.
i formação de diferentes tipos de paisagem (Capítulo 17). é o substrato rochoso levemente alterado, fragmentado e de­
composto, misturado com a argila do intemperismo químico. A
transição de um horizonte para outro geralmente é indistinta.
Os solos são descritos como sendo residuais ou transporta­
Solo: o resíduo do intemperismo dos." Os primeiros evoluem num mesmo lugar desde o emba­
samento rochoso até os horizontes de solo bem desenvolvidos.
Sen todos os produtos do intemperismo são erodidos e imedia- A maioria dos solos é residual e forma-se mais rápido e adqui­
tErente carregados pelas correntes ou por outros agentes de re maior espessura onde o intemperismo é intenso. Mesmo sob
■nr.'porte. Em encostas moderadas e suaves, nas planícies e forte intemperismo, o horizonte A pode levar milhares de anos
s_' terras baixas, uma camada de material alterado, heterogê- para se desenvolver até o ponto em que é capaz de suportar o
t e desagregado permanece sobreposta ao substrato rochoso. plantio. Os solos formam-se lentamente porque o intemperismo
pode incluir partículas da rocha-matriz alterada e sã, de ar- químico mais ativo ocorre somente durante os curtos intervalos
çi' minerais, de óxidos de ferro e de diversos metais, bem co­ chuvosos. Durante os períodos secos, as reações continuam,
a s ie outros produtos do intemperismo. Engenheiros e traba- mas muito devagar e somente quando alguma umidade perma­
■_Jores da construção civil referem-se a toda essa camada co­ nece no solo. Quando o solo fica totalmente seco entre as chu­
r » “solo”. Os geólogos, entretanto, preferem a designação de vas, o intemperismo químico cessa quase por completo.
- -. dito, reservando o termo solo para a fina camada do topo, a Os solos transportados são comuns e podem acumular-se
— 1contém matéria orgânica e pode suportar a vida. Podemos em algumas áreas restritas das terras baixas, após terem sido
^r.lmente ver a diferença entre regolito e solo se considerar­ erodidos das encostas do entorno e carregados morro abaixo.
mos que o primeiro é encontrado na Lua, onde se constitui co- Esses solos devem sua espessura mais à deposição do que ao
ua uma camada desagregada de fragmentos rochosos e pó, intemperismo do lugar e, em alguns casos, partes do perfil de
-- io muito estéril. Ele contém pouca ou nenhuma matéria or- solo original das terras altas são preservadas. Eles podem ser
pziica e não pode suportar a vida. A matéria orgânica no solo confundidos com os sedimentos usuais depositados pelos rios.
- Terra é o húmus, o produto dos resíduos e dos restos de ventos e gelo. Mas, freqiientemente, são reconhecidos pela tex­
■ i l T plantas, animais e bactérias que nele vivem. Restos de tura e composição, que se assemelham mais aos solos do que
_-as, por exemplo, contribuem significativamente para o solo aos sedimentos comuns.
.es florestas.
A cor dos solos é variável, desde o vermelho e marrom in-
n s » dos solos ricos em ferro até o preto de solos ricos em ma-
Clima, tempo e grupos de solos
=ra orgânica. Os solos também variam de textura. Alguns são O clima afeta intensamente o intemperismo e, portanto, tem
-ep.etos de seixos e areia; outros são compostos quase que in- grande influência nas características do solo formado em qual­
eramente de argila. Os solos são facilmente erodíveis e, por is- quer tipo de rocha-matriz. Por exemplo, os solos de uma região
hl não se formam em encostas com alta declividade, onde as quente e úmida diferem daqueles de uma região árida e tempe­
atas altitudes ou o clima frio inibem o crescimento de vegetais. rada. Os cientistas do solo têm mapeado as características do
O solo, por ser uma parte essencial do meio ambiente e da solo em grande parte do mundo, com a esperança de prevenir a
r- nomia, tomou-se um campo de estudo separado, a ciência erosão do mesmo e promover práticas agrícolas eficientes. Pa­
fc solo, desenvolvida no século XX. Os cientistas do solo, bem ra nossos propósitos, podemos distinguir três grupos principais
- mo agrônomos, geólogos e engenheiros, estudam a composi- de solo —pedalfer, laterito e pedocal —com base na sua minera-
_i: e a origem do solo, sua aptidão para a agricultura e a cons- logia e composição química, as quais também podem ser corre­
r.-ão e seu valor como registro das condições climáticas do lacionadas com o clima (ver Figura 7.16).
rasado. Muitos cientistas estão concentrando especial atenção
i-ií maneiras de combater a séria ameaça da erosão do solo (ver Clima temperado: grupo pedalfer As características dos so­
~«_idro 7.1). los de regiões com chuva e temperatura moderadas dependem
do clima, do tipo de rocha-matriz e do intervalo de tempo que o
solo teve para se desenvolver e espessar. Tanto o intemperismo
=erfis de solo intenso como a longa exposição à meteorização diminuem a in­
- m corte de estrada ou trincheira num solo revela sua estrutura fluência da rocha-matriz. Por isso, um solo desenvolvido em
irrical, o perfil de solo (Figura 7.16). A camada superior do clima úmido com temperaturas moderadas sobre um embasa­
* o. em geral com espessuras de 1 até 2 metros, é comumente mento de granito, num intervalo de tempo relativamente curto,
* —.ais escura, contendo a maior concentração de matéria orgâ- pode diferir muito de um solo formado em um calcário sob as
. i. Essa camada superior é conhecida como horizonte A (um mesmas condições, pois a influência da rocha-matriz permane­
' S el particular numa secção de rocha é costumeiramente cha- ce grande. O solo do granito pode conter remanescentes de mi­
Tado de “horizonte” 10). Num solo espesso que se formou du- nerais silicosos e ser dominado por argilominerais formados a
BDte um longo período de tempo, os componentes inorgânicos partir do feldspato, um constituinte essencial da rocha-matriz.
je<sa camada de topo são predominantemente a argila e os mi- O solo do calcário pode ter poucos remanescentes do carbona­
:erais insolúveis, como o quartzo. Os minerais solúveis foram to de cálcio, mas a maioria dos fragmentos de calcário terá sido
i :viados dessa camada c, sotoposta a ela, está o horizonte B, dissolvida. Os argilominerais serão principalmente aqueles en­
ede a matéria orgânica é esparsa. Nesta camada, os minerais contrados como impurezas no calcário parental. Depois de
-diíveis e os óxidos de ferro podem ter se acumulado em pc- muitos milhares de anos, entretanto, as diferenças entre os dois
186 Para Entender a Terra

Horizonte A

Clima temperado

Horizonte B
Clima seco

Clima úmido Horizonte C

(a) Clima temperado (b) Clima úmido (c) Clima seco

PEDALFER
Húmus e solo PEDOCAL
lixiviado (quartzo LATERITO
e argilominerais Camada de húmus Húmus e
presentes) delgada ou ausente solo lixiviado

Alguns óxidos de Massa espessa de


Concreções e
ferro e alumínio óxidos de ferro e
nódulos de
precipitados; todos alumínio insolúveis;
carbonato
os materiais quartzo ocasional
de cálcio
solúveis, como
precipitado
carbonatos, foram
lixiviados Fina zona lixiviada
Substrato de
arenito, folhelho
Substrato de rochas e calcário
Substrato de ígneas máficas
granito

Figura 7.16 Perfis de solos. A espessura do perfil de solo mais ocasionalmente, o quartzo. Todos os materiais solúveis,
depende do clima, do tempo de formação do solo e da inclusive a sflica, que é relativamente insolúvel, são lixiviados;
composição da rocha-matriz. A transição de um horizonte para assim, todo o perfil de solo pode ser considerado como um
outro é geralmente gradativa, (a) Perfil de solo pedalfer horizonte A sobrepondo-se diretamente num horizonte C. (c)
desenvolvido em um granito numa região de chuva intensa. Os Perfil de solo pedocal desenvolvido em substrato sedimentar
únicos materiais da camada superior do perfil do solo são os numa região de pouca chuva. O horizonte A é lixiviado; o
óxidos de ferro e de alumínio e silicatos, como o quartzo e horizonte B é enriquecido em carbonato de cálcio precipitado
argilominerais, todos bastante insolúveis, (b) Perfil de solo laterito pela evaporação da água do solo. [Foto cortesia do
desenvolvido em rocha ígnea máfica numa região de clima Departamento de Indústrias Primárias (Department of Primary
tropical. Na camada superior, somente os precipitados mais Industries), Victoria, Austrália]
nsolúveis, como os óxidos de ferro e de alumínio, permanecem e,
C A PÍTU LO 7 • Intemperismo e Erosão 187

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7.1 Erosão do solo Apesar da grande difusão de técnicas agrícolas como essa.
os solos continuam a ser erodidos muito mais rapidamente do
A ntes de os colonizadores estabelecerem suas fazendas nas que a sua reposição. Em algumas regiões dos Estados Unidos
“ \pradarias dos Estados Unidos e do Canadá no século XIX, e do Canadá, mais de 24,7 toneladas de solo arável em cada
as solos eram moderadamente espessos. Eles se formaram de hectare de terra cultivada são perdidas anualmente. Somente
~ado relativamente rápido nessa área porque a glaciação que nos Estados Unidos, 2 bilhões de toneladas da camada arável
rerminou há cerca de 10 mil anos favoreceu a abundante de- são perdidos pela erosão a cada ano - duas vezes a quantida­
::$ição de material fragmentado e facilmente alterável do de de solo formado no mesmo período. Uma perda nessa es­
-òstrato. Mas os solos formam-se muito lentamente; mesmo cala é equivalente à destruição de 1.927.353,6 hectares de
r — regiões de rápido intemperismo, podem avançar em taxas terra agricultável. Perdas comparáveis estão ocorrendo em ou­
ssixas de até 2 mm por ano. tras regiões agrícolas do mundo, incluindo as estepes da Rús­
Como a formação dos solos envolve um longo tempo, eles sia, partes da África e a dizimação de florestas tropicais em
-§o podem ser renovados rapidamente depois de terem sido Madagascar e no Brasil. Os custos diretos e indiretos da ero­
3T>didos. Há um certo equilíbrio entre a erosão natural mode- são do solo são estimados como sendo de U S$44 bilhões nos
~:Z2 dos solos, feita pelo escoamento da água e pelos ventos, Estados Unidos e U S $400 bilhões no mundo inteiro. Se tais
i = enta formação de novos solos. Se o solo se forma e erode perdas persistirem neste novo século, a agricultura em solos
e - taxas aproximadamente semelhantes, sua espessura perma- delgados terá redução do rendimento, com o inevitável aban­
-ece constante. Se ele erode mais lentamente do que se for- dono dessa atividade nas regiões mais seriamente afetadas. E,
t k sua espessura aumenta. Se erode muito mais rapidamente uma vez perdido, o solo leva milhares de anos para se formar
: a que se forma, o novo solo não tem oportunidade de se de- novamente. A estimativa e a previsão da erosão do solo são a
renvolver e o solo existente é rapidamente perdido. base das decisões políticas para o uso de métodos agrícolas
Como regra geral, são necessários 30 anos para se for- adequados para manter a agricultura em níveis sustentáveis,
_ arem 2,54 cm da camada de topo. Contudo, esse intervalo como também para preservar a cobertura de solo da Terra.
: ode ser perdido em menos de uma década como resultado
re orâticas agrícolas equivocadas e pastagem excessiva. A agri-
rJtura acelera a erosão porque a aradura desagrega o solo e
r ~ina a cobertura natural de vegetais resistentes à erosão. A
rresão do solo tem sido particularmente intensa em muitas re-
rõ e s do mundo. Uma delas é a das pradarias norte-america-
-=s. onde a lavra do solo tem sido muito profunda e as práticas
fle conservação vêm sendo ignoradas há bastante tempo. Os
solos desagregados foram adelgaçados e carregados pelos
tos da região. As pradarias são, agora, vulneráveis ao incre-
~ento da erosão quando tempestades de pó têm lugar nos
:<~gos períodos de seca (ver Capítulo 15).
O plantio em curvas de contorno pode diminuir o dano
re.sado pela agricultura. Essa prática cobre o terreno com
. ~a sulcagem sinuosa que procura seguir o contorno das cur-
3s de nível das encostas naturais, ao invés de fazê-la paralela
=:s limites da propriedade, que podem cruzar a encosta em
r_=lquer direção. O plantio em curvas de contorno inibe a ero­
sãO' porque boa parte da água da chuva é conduzida ao longo
co sulco de contorno ao invés de escorrer diretamente encos-
ca abaixo. Erosão do solo em Madagascar. [Peter johnson/Corbis]

■ a> podem diminuir ou mesmo desaparecer. Ambos podem Áreas com chuvas moderadas a altas, como no Leste dos
^penvolver os mesmos argilominerais, dependendo da exata Estados Unidos, parte do Canadá e grande parte da Europa, são
■-i-reza do clima, e terão perdido todos os minerais solúveis o lugar ideal do grupo de solos pedalfer (ver Figura 7.16a). Es­
— .amadas superiores. Assim, solos jovens são afetados pe- se nome deriva da palavra grega pedon. que significa “chão” ou
a .: reposição da rocha-matriz, mas solos antigos, principal- “solo”, e dos símbolos dos elementos químicos alumínio (Al) e
nec:e pelo clima. ferro (Fe). As camadas superior e intermediária do pedalfer
contêm abundantes minerais insolúveis, como o quartzo, argi-
1g8 Para Entendera Terra

1 'minerais e produtos da alteração do ferro. Carbonatos e ou- tender o clima antigo e, mesmo, para quantificar a concentr-
tr s minerais mais solúveis estão ausentes. O grupo pedalfer ção de dióxido de carbono e oxigênio na atmosfera de époc
reúne bons solos para a agricultura. passadas. A mineralogia de paleossolos de bilhões de anos ati
fornece evidências de que não houve oxidação dos solos n
Climas úmidos: grupo dos lateritos Em climas quentes e primeiros estágios da história da Terra e de que, portanto, o ox
úmidos, o intemperismo é rápido e intenso e os solos tomam-se gênio ainda não tinha se tomado em um dos principais eleme
espessos. Quanto maior a temperatura e a umidade, mais luxu­ tos da atmosfera.
riante a vegetação. Umidade, temperaturas altas e abundância
de vegetação aceleram tanto o intemperismo químico, que a ca­
mada superior do solo é lixiviada de todos os minerais solúveis
e facilmente alteráveis. O resíduo desse rápido intemperismo é umanos como agentes do
o laterito, um solo vermelho profundo no qual o feldspato e
outros silicatos foram completamente alterados, deixando para emperismo
trás, predominantemente, óxidos de ferro e alumínio e hidróxi­
dos (ver Figura 7.16b). Nos lateritos, a sílica e o carbonato de As pessoas têm uma tendência a não se considerarem parte
cálcio foram lixiviados. Embora esses solos possam sustentar paisagem natural, embora o sejam. Os humanos são respons.
uma luxuriante vegetação, como as florestas equatoriais, não veis pela chuva ácida, a qual intensifica o intemperismo quín
são muito produtivos para o plantio. A maior parte da matéria co. Este é promovido pelo intemperismo físico, e os human
orgânica é constantemente reposta na superfície pela vegetação, aceleram ambos os processos por meio de suas inumeráveis a'
o que chega a produzir, no máximo, uma delgada camada de vidades de desagregação das rochas, desde a escavação de fu
húmus no topo do solo. O desmatamento e o cultivo do solo fa­ dações de edifícios e construção de rodovias até as enorm
zem com que essa camada superficial rica em húmus oxide-se operações de mineração. Estima-se que somente a construç'
rapidamente e desapareça, deixando a descoberto o infértil ho­ de rodovias mova, por ano, 3 mil trilhões de toneladas de roc.
rizonte sotoposto. e solo.14
Por essa razão, muitos lateritos só podem ser cultivados in­ Os solos podem armazenar a poluição por um longo perí
tensivamente durante poucos anos, até se tomarem estéreis e do de tempo depois de terem sido contaminados por derram
serem abandonados. Grandes regiões da índia encontram-se, mentos de materiais tóxicos. Os contaminantes infiltram-se v
agora, nessa condição. Quando algumas áreas da floresta da garosamente a partir do solo até as águas subterrâneas e super
Amazônia,12 no Brasil, são desmatadas, elas também se tomam ficiais. Os humanos têm, também, dispersado sal no solo, pes­
inférteis em poucos anos. O reflorestamento de solos lateritos ticidas e derivados do petróleo, os quais podem interferir sign
em condições naturais levaria muitos milhares de anos.13 ficativamente no crescimento dos vegetais e, assim, acelerar
erosão.
Climas secos: solos do grupo pedocal Escassez de água e au­
sência de vegetação dificultam a ação do intemperismo, de mo­
do que os solos, nas regiões áridas, são delgados. Em áreas frias
e secas, onde o intemperismo químico é muito lento, a influên­ intemperismo gera a matéria-
cia da rocha-matriz é preponderante, mesmo quando os solos se
formaram num longo período de tempo. Como resultado, o ho­ ima dos sedimentos
rizonte A contém muitos minerais inalterados e fragmentos da
rocha-matriz. Quando a chuva é esparsa demais para dissolver O solo é apenas um dos vários produtos do intemperismo.
quantidades significativas de minerais solúveis, os mesmos po­ processos que decompõem e desintegram as rochas produzem
dem permanecer no horizonte A. fragmentos que variam muito em tamanho e forma, desde gran
Os pedocais são os solos dominantes nas regiões áridas. des matacões de 5 m de diâmetro até pequenas partículas tão fi
Eles são ricos em cálcio, derivado do carbonato de cálcio e de nas que não podem sequer ser vistas sem um microscópio. Par­
outros minerais solúveis neles contidos, e pobres em matéria tículas maiores que um grão de areia muito grosso (2 mm dc
orgânica. Os pedocais são encontrados no Sudoeste dos Esta­ diâmetro) tendem a ser fragmentos contendo grãos minerais dc
dos Unidos e em climas similares. A maior parte da água do rocha-matriz. As partículas de areia e silte são, em geral, grão
solo está próxima da superfície e evapora no período entre as cristalinos individuais de qualquer dos vários minerais forma­
chuvas, deixando para trás nódulos e concreções de precipita­ dores da rocha (Figura 7.17). As partículas mais pequenas de
dos de carbonato de cálcio, predominantemente no horizonte material alterado são os grãos finos de argilominerais produzi­
intermediário. A combinação da mineralogia e da aridez é pou­ dos pela alteração química de silicatos. Uma certa massa de
co favorável para uma grande população de organismos do so­ granito, por exemplo, é desintegrada pelo intemperismo nas se­
lo. tomando os solos desse grupo menos férteis que aqueles do guintes classes de materiais:
grupo pedalfer. • Fragmentos de rocha e mineral que ainda são identificáveis co­
mo pertencentes à rocha-matriz;
Paleossolos: investigando o clima antigo a partir do solo
Atualmente, tem havido muito interesse nos solos antigos que • Produtos sólidos da alteração química, tais como argilomine­
foram preservados como rochas no registro geológico. Alguns rais e óxidos de ferro;
têm idades de mais de 1 bilhão de anos. Esses paleossolos, co­
mo são chamados, estão sendo estudados como guias para en­ • íons dissolvidos nas águas da chuva e do solo.
CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 189

Figura 7.17 A areia é um sedimento composto de grãos de vários minerais desintegrados de


diversas rochas-matrizes por processos de intemperismo químico e físico. [Rex Elliott]

A m a s s a d e to d o s e s s e s p r o d u to s , e x c e to a á g u a e o d ió x id o aos de muitos outros tipos de silicatos. Ele se meteoriza na pre­


p : . i r b o n o o r iu n d o s d a a tm o s fe ra , é ig u a l à m a s s a o rig in a l d o sença de água por hidrólise. Na reação química do ortoclásio
K o i t o q u e fo i a lte ra d o . com a água, o potássio (K) e a sílica (S i02) são perdidos na so­
Dessa maneira, uma rocha granítica é transformada em lução aquosa e o feldspato sólido transforma-se no argilomine-
«areria-prima dos sedimentos e nos sais do mar. Os produtos ral caulinita, Al2S i,0 5(0H )4. O dióxido de carbono (C 0 2) dis­
b :r.:emperismo são, então, transportados do local de altera- solvido na água favorece a alteração química, pelo fornecimen­
ca relo vento, pela água e pelo gelo. Por fim, são depositados to de ácido, na forma de ácido carbônico (H2C 0 3). A água do
■ r : sedimentos de vários tipos, tais como areia, silte e argi- solo e das correntes superficiais carrega íons e sílica dissolvi­
h. ±-.eontrados nos vales fluviais, e como os calcários e evapo- dos. O ferro (Fe), que é encontrado na forma de ferro ferroso
fcs- dos oceanos. Enquanto o ciclo das rochas ocorre, esses (Fe2+) em muitos silicatos, altera-se pela oxidação, produzindo,
~entos são soterrados por deposições adicionais e lenta- nesse processo, o óxido de ferro férrico (Fe3+). Os carbonatos
■ d t e se transformam em rochas sedimentares, que consti­ alteram-se pela completa dissolução, não deixando resíduos.
p e —. o assunto do Capítulo 8. Esses processos operam em várias taxas, dependendo da estabi­
lidade química dos minerais submetidos ao intemperismo.
Quais são os processos do intemperismo físico? O intempe­
rismo físico desagrega as rochas em fragmentos, seja ao longo
RESUMO das bordas dos minerais, seja ao longo das juntas das massas
rochosas. O intemperismo mecânico é impulsionado pelo in­
■ que é o intemperismo e quais são os seus controles geoló- temperismo químico, o qual enfraquece as bordas dos grãos,
■ »? As rochas são desintegradas na superfície terrestre pelo como também pelo acunhamento do gelo, pela cristalização de
■ rnperismo químico - a alteração química ou dissolução de minerais e pelas escavações e buracos feitos por organismos e
p r mineral - e pelo intemperismo físico - a fragmentação das raízes de vegetais, processos esses que contribuem para a ex­
■ r * i: por processos mecânicos. A erosão desgasta a superfície pansão das fendas. Também o fogo e, talvez, a alternância de
B rinsporta os produtos do intemperismo, que são a matéria- extremos de calor e frio impulsionam esse tipo de intemperis­
qrma dos sedimentos. A natureza da rocha-matriz afeta o in- mo. Alguns padrões de desagregação mecânica, tais como a es-
pr-perismo porque os diversos minerais alteram-se em ritmos foliação e a alteração esferoidal, resultam das interações entre
p .-rentes. O clima influencia fortemente o intemperismo: a os processos de intemperismo químico e físico.
p -va intensa e o calor acelerando-o; e o frio e a aridez toman- De que modo os solos se formam como produtos do intempe­
p - lento. A presença de solo também acelera o intemperismo, rismo? O solo é uma mistura de argilominerais. partículas de
■ - fornece umidade, a qual promove o crescimento das raízes
rocha alterada e matéria orgânica que se forma pela interação
■ - •egetais. Estas, por sua vez, ajudam na desagregação mecâ-
dos organismos com a rocha alterada e a água. O intemperismo
p - i e tornam o ambiente mais ácido, fatores que impulsionam
é controlado pelo clima e pela atividade dos organismos, de
a . ríração química. Dadas as mesmas condições do conjunto
modo que os solos formam-se mais rapidamente em climas
p -es fatores, quanto maior o tempo de alteração, mais com-
quentes e úmidos do que em climas frios e secos. Solos recen­
■ c -imente a rocha se altera.
temente formados são afetados pela composição da rocha-ma­
C mo o intemperismo químico atua? O feldspato potássico triz, mas solos antigos são influenciados principalmente pelo
« . rtoclásio (KAlSi^Oj.) altera-se por processos semelhantes clima. Os três principais grupos de solo são: grupo pedalfer. en-
190 Para Entender a Terra

: entrado em climas temperados; grupo dos lateritos, encontra­ 2. No norte de Illinois, você pode encontrar dois solos desen\
do nos trópicos úmidos; e grupo pedocal, que se forma em cli­ vidos em um mesmo tipo de substrato rochoso: um tem 10 mil an ■
mas quentes e secos. o outro, 40 mil anos. Que diferenças você esperaria encontrar em -
composições ou perfis?

3. Qual das duas rochas você esperaria que se alterasse mais rápide
Conceitos e termos-chave granito ou o basalto? Que fatores influenciaram sua escolha?
4. Considere que um granito com cristais de cerca de 4 mm de diãi.
• acunhamento do gelo (p. 182) • horizonte B (p. 185) tro e com um sistema retangular de juntas espaçadas aproximadam
• alteração esferoidal • horizonte C (p. 185) te de 0,5 a 1 m esteja se alterando na superfície terrestre. Que tama:
geral você esperaria encontrar para a maior partícula alterada?
(p. 183) • húmus (p. 185)
5. Compare a alteração de duas rochas: (A) um basalto rico em v:_
• bauxita(p. 180) • intemperismo (p. 171) vulcânico, com cristais muito pequenos de piroxênio e feldspato i
• caulinita(p. 175) • intemperismo físico (p. 171) em cálcio com cerca de 0,5 mm de diâmetro; e (b) um gabro com e
• erosão (p. 171-172) tamente a mesma composição mineral, mas com cristais maiores c:
• intemperismo químico (p. 171)
mm de diâmetro. O que você poderia dizer sobre a velocidade de
• esfoliação (p. 183) • junta (p. 182) ração nessas duas rochas?
• estabilidade química (p. 179) • laterito(p. 188) 6. Por que você esperaria que uma rodovia localizada em uma re;
• ferro férrico (p. 180) • oxidaçãofp. 180) úmida e fria e feita de concreto, que é uma rocha artificial, mostra
• ferro ferroso (p. 180) tendência a rachar e desenvolver uma superfície rugosa e desnivel
• pedalfer(p. 187) mesmo não estando sujeita ao tráfego pesado?
• hematita (p. 180) • pedocal (p. 188) 7. A pirita é um mineral no qual o ferro ferroso está combinado c
• hidrólise (p. 175) • regolitoíp. 185) o íon sulfeto. Qual o principal processo químico de alteração da -
• horizonte A (p. 185) rita?
• solo (p. 173)
8. Ordene as rochas a seguir de acordo com a rapidez com
elas se alteram num clima úmido e quente: um arenito de puro qu^r
Exercícios zo, um calcário de pura calcita, um granito c um depósito de sal-ge
(halita, NaCl).
9. Que diferenças você espera encontrar entre a alteração de uma
Este ícone indica que há luna animação disponível no sítio ele­
S
C O N tC M K t
trônico ique rpode ajudá-lo
j
na resposta.
r
vina magnesiana pura (Mg2S i04) c a de uma oüvina ferrosa (Fe2SíC
pura?
1. O que as diversas rochas utilizadas nos monumentos podem nos di­ 10. Como se parecería o mundo se não houvesse o intemperismo
zer sobre o intemperismo? sua superfície?
2. Quais minerais formadores de rocha encontrados em rochas ígneas 11. Vá até um cemitério e descreva, em um texto de uma página__
alteram-se para argilominerais? evidências visíveis da alteração de diferentes tipos de rochas utiliza^
nas lápides. Se você não encontrar tais evidências, explique por qu;
3. Como a chuva abundante afeta o intemperismo?
4. Qual das duas rochas altera-se mais rápido, o granito ou o calcário?
5. Como o intemperismo físico influencia o intemperismo químico?
6. Como o clima influencia o intemperismo químico?
Investigue você mesmo
7. Quais são os principais fatores que controlam a formação Como
dos se formam as estruturas hoodoos!
diferentes tipos de solo?
Como explicado neste capítulo, os processos dos intemperismos
8. O que acelera a erosão do solo? mico e físico reforçam-se mutuamente. As estruturas hoodoos (um
mo geológico técnico) são pináculos de rocha caprichosamente es
pidos e matacões equilibrados resultantes do intemperismo tanto
mico como físico, comuns em climas secos. O Canyon Bryce,
Questões para pensar Utah (EUA), é um parque nacional em grande parte devido à sua es:-:
tacular exibição de hoodoos (ver a fotografia no texto do sítio eletrc*
co). Os hoodoos tipicamente se formam cm rochas sedimentares i.
Este ícone indica que há uma animação disponível no sítio ele­
mo em Bryce), tufos vulcânicos e granitos. Um conjunto de fratur.
trônico que pode ajudá-lo na resposta.
C O -fC M JB ' verticais (juntas) é também um pré-requisito para que os hoodoos
1. Você está planejando utilizar lajotas decorativas de calcário polido senvolvam-se bem.
para erigir monumentos na cidade de Tucson, Arizona (uma região de No Canyon Bryce, siltitos e calcários formados no leito de um ai
clima árido e quente), e em Seattle, Washington (uma região chuvosa tigo lago estão expostos ao longo da borda do Planalto Paunsaugunt -
e fria». Como você acha que vai ficar a aparência de cada um desses erosão regressiva na borda do planalto criou um labirinto de hoodo
monumentos daqui a cem anos? O derretimento da neve e intensas tempestades de verão geraram ua
CAPÍTULO 7 • Intemperismo e Erosão 191

emento que rapidamente erodiu os sedimentos moles. Dada a Lepsch, I. F. 2002. Formação e conservação dos solos. São Paulo:
• altitude do planalto, muitos dias de condições de congelamen- Oficina de Textos.
: degelo também contribuíram para o intemperismo físico. A borda Primavesi, A. 2002. Manejo ecológico do solo: agricultura em re­
: malto está retrocedendo a uma taxa de 23 a 122 centímetros a ca- giões tropicais. São Paulo: Nobel.
O anos, a qual foi baseada em estudos de ancis de crescimento de
res impactadas pela erosão da borda.
Como os hoodoos do Canyon Bryce se formaram? Por que os hoo-
' e a maioria das rochas alteradas são tipicamente arredondados? Notas de tradução
que grau o intemperismo físico contribui com o intemperismo quí-
Explore as repostas dessas questões no texto publicado no se- 1Em português, meteorização e também alteração, que têm fle-
sítio eletrônico da Web: http://www.wMreeman.com/understan- xões em várias formas gramaticais, são sinônimos de intemperis-
earth.15 mo, que não têm a forma verbal. Por isso, é preferível utilizar o
primeiro vocábulo para expressar o processo. Mas. contraditoria-
mente, meteorização tem sido cada vez menos utilizada na lite­
ratura técnica, de sorte que haveria a necessidade de se criar as
Sugestões de leitura flexões de intemperismo, como o verbo intemperizar. para dar
conta dos vários sentidos do vocábulo. Seguiremos, aqui, utili­
Blatt, H. 1992. Sedimenlary Pettvlogy. 2d ed. New York: W. H. zando intemperismo, quando se trata do processo em geral, e al­
teração, quando for necessário expressar a ação do intemperis­
~_rroll, D. 1970. Rock weathering. New York: Plenum. mo - a chuva altera (ou meteoriza, mas não intemperiza, pois
I Iman, S. M., and Dethier, D. P. 1986. Rates o f Chemical Weathe- não existe essa forma) a rocha - ou o seu resultado - rocha alte­
■Rocks and Minerais. New York: Academic Press. rada (ou meteorizada).
:_uri. K. L. 1978. The preservation of stonc. Scientific American 2 O texto do presente livro, por ser introdutório, traz eventualmente
: 126 algumas simplificações. Nem todas as argilas são geradas por pro­
Loughnan, F. C. 1969. Chemical Weathering ofthe Silicate Mine- cessos do intemperismo: processos geológicos que ocorrem em bai­
New York: Elsevier. xas temperaturas, ligados à colocação de magmas na crosta e a pro­
dartini, I. P., and Chesworth, W. (eds.). 1992. Weathering, Soils cessos metamórficos, podem originar argilominerais.
-sleosols. New York: Elsevier. 3 Entretanto, a moagem do café em um diâmetro fino demais pode ser
•_hon, D. B. 1991. Introduction to the Pettvlogy o f Soils and Che- menos eficiente para a solubilização da cafeína e de outras substân­
? ■ Weathering. New York: Wiley.
cias. Isso porque a água, ao escoar pelos interstícios granulares, po­
-etallack, G. J. 1990. Soils o f the Past. Boston: Unwin Hyman. de abrir canalículos preferenciais, em vez de infiltrar-se por toda a
rede intergranular. Portanto, há uma granulometria ideal de moagem
do café. Para as máquinas de café expresso, feito sob pressão do va­
por, por exemplo, é utilizado um grão mais grosso que o da filtra­
Sugestões de leitura em português gem gravitacional.
4 Este é um processo de equilíbrio termodinâmico: se duas soluções
-mpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. 1999. Sistema bra­ com concentrações diferentes de um mesmo soluto (CO,) forem co­
de classificação de solos. Rio de Janeiro: Embrapa. locadas em contato, a tendência é que o soluto distribua-se unifor­
memente nas duas.
'-imieri, F. e Larach, J. O. I. 1998. Pedologia e geomorfologia. In:
. A. J. T. e Cunha, S. B. da (eds.). 1998. Geomorfologia e meio 5 Considerada a atividade vulcânica atual.
nte. Rio de Janeiro: Bertrand-Brasil. p. 59-122. 6 Como grande parte dos solos vermelhos no Brasil.
? rio, C. G. 1996. Intemperismo em regiões tropicais. In: Guerra. 7 É freqüente. na Europa e na América do Norte, o uso de placas de ar-
J. T. e Cunha, S. B. da (eds.). 1996. Geomorfologia e meio ambien- dósia e mesmo de madeira como cobertura de habitações.
’ . o de Janeiro: Bertrand-Brasil. p. 25-58. 8 O mesmo que fraturas das rochas.
S .guio, K. 2003. Geologia sedimentar. São Paulo: Edgar Blucher. 9 Em inglês, frost wedging. Para partir um bloco de rocha, o pedreiro
7--erra, A. J. T. 1999. Erosão e conservação dos solos: conceitos, faz um acunhamento ao longo de uma fissura e vai batendo nas cu­
-■ e aplicações. Rio de Janeiro: Bertrand-Brasil. nhas até atingir o objetivo. De forma análoga, a água. ao congelar-
2 Agostini, L. R. 1999. Erosão: o problema mais que o processo, se nas fraturas, forma cunhas de gelo (ice wedge). A expansão gera­
anópolis: Edufsc. da pelo congelamento ocasiona o processo de acunhamento do ge­
> Iva, A. M. da. e Schulz. H. E. e Camargo, P. B. de. 2003. Erosão lo, partindo a rocha.
. . - ssedimentologia em bacias hidrográficas. São Paulo: Rima. 10 O termo “horizonte” tem sido tradicionalmente utilizado para
2 garella, J. J., Becker, R. D. e Santos, G. F. 1994. Estrutura e ori- descrever estruturas ou níveis de rochas e depósitos sedimenta­
c.is paisagens tropicais e subtropicais: fundamentos geológicos­ res. Em rochas ígneas e metamórficas não-acamadas. o termo é
. • sficos, alteração química e física das rochas, relevo cárstico e mais comumente empregado para referir-se apenas às estruturas
co (v.l). Florianópolis: Editora da UFSC. horizontais ou quase horizontais resultantes de processos do in­
~ ledo, M. C.. Oliveira. S. B. B. de, e Melfi. A. J. 2000. Intempe- temperismo.
e formação do solo. In: Teixeira, W., Toledo, M. C. M. de, Fair- 11 “Solo residual” é um conceito utilizado por geólogos mais do que
T. R.; e Taioli, F. (orgs.) 2000. Decifrando a Terra. São Paulo: por pedólogos para diferenciar o regolito resultante da alteração da
- de Textos, p. 139-166. rocha subjacente do regolito formado pela deposição de materiais
192 Para Entender a Terra

alóctones, movimentados por processos erosivos, sobre um substra­


to rochoso qualquer (“solo transportado”).
- Além de lateritos, também ocorrem de forma expressiva na Amazô­
nia os latossolos, que contêm acumulações de caulinita e/ou óxidos
de ferro e alumínio no horizonte B. O laterito costuma ser formado
por crostas altamente endurecidas de óxidos de ferro, com caulinita
ou hidróxidos de alumínio. As crostas lateríticas podem ocorrer tan­
to no horizonte B dos solos como, também, na superfície, a partir da
erosão de um solo antigo.