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QUESTÕES COMENTADAS

TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DO AMAZONAS
NÍVEL MÉDIO
Fábio Silva

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS
NÍVEL MÉDIO
Fábio Silva

Coordenador Geral
Fábio Silva

Coordenador Editorial
Thayron Bezerra de Araújo

Diagramação de Capa
Rodrigo Locks

Diagramação e Revisão
Katia Cristina Fernandes

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

SILVA, Fábio
Seja o Melhor em Legislação do SUS. 1. Ed. – Manaus-AM. Publicação: Sou Concurseiro
e vou passar, 2019
ISBN
1. Educação 2. Escolas e institutos de formação profissional. Titulo.
CDD 370 CDU 377

Reservados todos os direitos. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida por fotocópia, microfilme,
processo fotomecânico ou eletrônico sem permissão expressa do autor.

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Sumário
PORTUGUÊS ..................................................................................................................... 4
INFORMÁTICA ............................................................................................................. 101
DIREITO ADMINISTRATIVO ....................................................................................... 120
DIREITO CONSTITUCIONAL ....................................................................................... 217
DIREITO PROCESSUAL PENAL ................................................................................... 304
PROCESSO CIVIL .......................................................................................................... 312
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ....................................................................................... 329
ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊCIA – LEI 13.146/2015.................................. 376
GEOGRAFIA.................................................................................................................. 398

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


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PORTUGUÊS
QUESTÃO Nº 1 – TEXTO CB1A1AAA
Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante
sobre ácido desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre a descoberta
de um novo modelo para a estrutura do ácido desoxirribonucleico, uma carta que
termine com “Muito amor, papai”. Francis Crick descobriu o desenho do DNA e escreveu
a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”. Estrutura, foi o que ele
falou. Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa, vou te mostrar o
modelo”. Não esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão, guarde o
resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu mostro a você o
mecanismo copiador básico a partir do qual a vida vem da vida.
Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções
genéticas que coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos
me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me espantam. A divisão celular não
me deixa dormir, e olha que eu moro bem no meio das montanhas. De vez em quando
vejo passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada — a noite se guarda
toda para o infinito silêncio.
Acho que uma palavra é muito mais bonita do que uma carabina, mas não sei se vem ao
caso. Nenhuma palavra quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem
montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os seus sinônimos, veja só, ácido
desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras
você acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra os canhões. Que
coisa mais linda esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho
da estrutura e descobri: a raça humana é toda brilho.
Matilde Campilho. Notícias escrevinhadas na beira da estrada. In: Jóquei. São Paulo:
Editora 34, 2015, p. 26-7 (com adaptações).
Julgue o item, a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto
CB1A1AAA, no qual a autora Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da
estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos cientistas James Watson e Francis
Crick.
Pode-se inferir da ausência de aspas e do estilo característico do texto que a passagem
“Não esqueça os dois pacotes de leite (...) a partir do qual a vida vem da vida” é uma
extrapolação imaginativa da autora a partir da carta escrita por Francis Crick a seu filho.
Certo
Errado

A alternativa está CORRETA.


A extrapolação imaginativa da autora é aquilo que foi imaginado, cogitado pela pessoa
que escreve o texto.
Vejamos:
Estrutura, foi o que ele falou. Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa,
vou te mostrar o modelo”. Não esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar
pão, guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu mostro a
você o mecanismo copiador básico a partir do qual a vida vem da vida.
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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


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GALERA, ATENÇÃO!
A autora cita literalmente algo dito pelo Francis (em negrito) e, por isso, coloca a fala
entre aspas "Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo". Percebam que, depois
disso, a autora para de usar as aspas e acrescenta mais algo à fala do Francis: Não
esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão...(em cinza). Ou seja, a autora
imagina o que mais o Francis poderia ter escrito ao filho e compartilha conosco:
extrapolação imaginativa, como diz a assertiva!
QUESTÃO Nº 2 – TEXTO CB1A1BBB
Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida é um
sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos
homens: o domínio sobre a mulher. Há outros casos. (...) Todos esses senhores parece
que não sabem o que é a vontade dos outros. Eles se julgam com o direito de impor o
seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes
dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro,
enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que há de mais sagrado em outro
ente, de pistola na mão. O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro;
os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não;
matam logo.
Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos
que matam as ex-noivas. De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de se supor que
quem quer casar deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a
máxima liberdade, com a melhor boa- vontade, sem coação de espécie alguma, com
ardor até, com ânsia e grandes desejos; como é então que se castigam as moças que
confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?
Todas as considerações que se possam fazer tendentes a convencer os homens de que
eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição não
devem ser desprezadas. Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher,
é coisa tão horrorosa que enche de indignação.
Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a insanidade
de generalizar a eternidade do amor. Pode existir, existe, mas excepcionalmente; e exigi-
la nas leis ou a cano de revólver é um absurdo tão grande como querer impedir que o
Sol varie a hora do seu nascimento. Deixem as mulheres amar à vontade. Não as matem,
pelo amor de Deus.
Lima Barreto. Não as matem. In: Vida urbana. São Paulo: Brasiliense, 1963, p. 83-5
(com adaptações).

Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB1A1BBB, julgue o item
que se segue.
A ideia principal do último parágrafo do texto é a de que as mulheres não devem ser
penalizadas em razão das decisões que tomam a respeito de seus sentimentos.
Certo
Errado

A alternativa está INCORRETA.

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


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MUITO CUIDADO!!!
Admito que esta assertiva não está fácil, pois ela fala genericamente que as mulheres
não devem ser penalizadas por decisões que tomem a respeito dos sentimentos delas
(quaisquer decisões, quaisquer sentimentos) e isso poderia ser adequado ao conteúdo
do último parágrafo.
Vale destacar, entretanto, que ele fala sobre um aspecto mais específico (e não sobre
qualquer decisão a respeito de qualquer sentimento): "o homem exigir que a mulher
fique com ele a todo custo", "a eternidade do amor exigida por alguns a cano de
revólver".
Assim, a banca considerou como errada esta assertiva por colocar como "ideia principal
do parágrafo" um tema bem mais genérico do que o tratado de fato no texto.
QUESTÃO Nº 3 – TEXTO 6A1AAA
Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não
confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem, o que
significa, se não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele
que não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como desculpa
universal que a todos nos absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe
deve perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar deveria tê-la sempre
presente o revisor, tanto mais que nem sequer precisaria sair de sua casa, do escritório
onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam se tivesse
tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que supõe saber, que daí
é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial ou a firme luz que é
sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do
revisor ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de informação,
embora um simples olhar nos revele que estão faltando no seu tombo as tecnologias da
informática, mas o dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é altura
de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe. Um dia, mas Alá é maior, qualquer
corrector de livros terá ao seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não tendo ele, e nós, mais que
desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado, como o diabo no
convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia
pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do
olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como
vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a
possibilidade duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio. Aqui, neste
escritório onde a verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas
máscaras variantes, estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais
e Aurélios, os Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor,
vademeco de ofício [...].

José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.
25-6.

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


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No que se refere às ideias, aos fatores de textualidade do texto 6A1AAA e à variação


linguística, julgue o seguinte item.
Infere-se dos sentidos do texto que, no trecho “também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação”, o autor se refere
à variação da língua no tempo, ou seja, ao fato de que, com a mudança linguística, novas
interpretações são atribuídas aos enunciados.
Certo
Errado

A alternativa está CORRETA.

Ela diz o seguinte:


→ Infere-se dos sentidos do texto que, no trecho “também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação”, o autor se refere
à variação da língua no tempo, ou seja, ao fato de que, com a mudança linguística, novas
interpretações são atribuídas aos enunciados.
Trecho: "Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma
galáxia pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera
do olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque
assim como vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes
parecera imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a
possibilidade duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio."
A variação da língua no tempo se refere a mudanças de normas, como as estabelecidas
no Novo Acordo Ortográfico. Ex: a supressão do trema, a modificação do uso do hífen,
mudanças na acentuação, eliminação de acentos diferenciais, etc.
No trecho destacado do texto, o autor se refere a "novas interpretações", a novos
sentidos que as sentenças assumem, e não a mudanças quanto à correção gramatical.
QUESTÃO N º 4 – TEXTO 6A1AAA
Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se
não confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha
errado, confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem,
o que significa, se não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem
aquele que não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como
desculpa universal que a todos nos absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem
não sabe deve perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar deveria
tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem sequer precisaria sair de sua casa,
do escritório onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o
elucidariam se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que
supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas
estantes, milhares e milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial
ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos,
enfim, a crédito do revisor ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes
de informação, embora um simples olhar nos revele que estão faltando no seu tombo as
tecnologias da informática, mas o dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este
ofício, é altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe. Um dia, mas Alá é
maior, qualquer corrector de livros terá ao seu dispor um terminal de computador que o
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manterá ligado, noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não tendo ele, e
nós, mais que desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado, como
o diabo no convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia
pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do
olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como
vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio .Aqui, neste escritório onde a
verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes,
estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e Aurélios, os
Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor, vademeco de
ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.
25-6.
No que se refere às ideias, aos fatores de textualidade do texto 6A1AAA e à variação
linguística, julgue o seguinte item.
Conclui-se do texto que é por falta de dinheiro que “o revisor” não tem ao seu dispor
“as tecnologias da informática”.
Certo
Errado

Gabarito: Certa.
Ela diz o seguinte:
→ Conclui-se do texto que é por falta de dinheiro que “o revisor” não tem ao seu dispor
“as tecnologias da informática”.
Trecho: "Lancemos, enfim, a crédito do revisor ter reunido, ao longo duma vida, tantas e
tão diversas fontes de informação, embora um simples olhar nos revele que estão
faltando no seu tombo as tecnologias da informática, mas o dinheiro,
desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é altura de dizê-lo, inclui-se entre
os mais mal pagos do orbe."
Os segmentos acima destacados em negrito indicam que o motivo de o revisor não
dispor de tecnologias da informática é realmente a falta de dinheiro ("o dinheiro [...] não
chega a tudo"). Além disso, o autor deixa claro que o trabalho de revisor é um dos mais
mal pagos, o que confirma a ideia de que não sobre dinheiro suficiente para adquirir
todas as tecnologias disponíveis no mercado. Afirmativa correta.

QUESTÃO Nº 5 – TEXTO 6A1AAA


Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não
confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem, o que
significa, se não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele
que não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como desculpa
universal que a todos nos absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe
deve perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar deveria tê-la sempre
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presente o revisor, tanto mais que nem sequer precisaria sair de sua casa, do escritório
onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam se tivesse
tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que supõe saber, que daí
é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial ou a firme luz que é
sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do
revisor ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de informação,
embora um simples olhar nos revele que estão faltando no seu tombo as tecnologias da
informática, mas o dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é altura
de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe. Um dia, mas Alá é maior, qualquer
corrector de livros terá ao seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não tendo ele, e nós, mais que
desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado, como o diabo no
convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia
pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do
olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como
vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio .Aqui, neste escritório onde a
verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes,
estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e Aurélios, os
Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor, vademeco de
ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.
25-6.
No que se refere às ideias, aos fatores de textualidade do texto 6A1AAA e à variação
linguística, julgue o seguinte item.
Na construção do texto, o autor, além de narrar fato que aconteceu com “o revisor”,
explora, repetidas vezes e de diferentes modos, a ideia de que a dúvida pode ser algo
positivo.
Certo
Errado

Afirmativa CERTA.
Ela diz o seguinte:
→ Na construção do texto, o autor, além de narrar fato que aconteceu com “o revisor”,
explora, repetidas vezes e de diferentes modos, a ideia de que a dúvida pode ser algo
positivo.
Trecho: "Quem não sabe deve perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão
elementar deveria tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem sequer precisaria
sair de sua casa, do escritório onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros
que o elucidariam se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente
naquilo que supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores, não da ignorância.
Nestas ajoujadas estantes, milhares e milhares de páginas esperam a cintilação duma

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


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curiosidade inicial ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu próprio
esclarecimento."
No início do texto, o autor narra que "o revisor" cometeu um erro. Ao longo do texto,
ele destaca que ter dúvidas é bom, já que "é sempre a dúvida que busca o seu próprio
esclarecimento". O autor afirma que os piores enganos vêm da suposição de que já
sabemos tudo. A dúvida nos leva a buscar conhecimento, portanto ela pode ser algo
positivo.
QUESTÃO Nº 6 – TEXTO 6A2AAA
Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer. De que vale aprender a conduzir
melhor seu carro quando se está no fim do percurso? Só resta pensar então em como
abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer, é unicamente o de
aprender a morrer e é precisamente o que menos se faz na minha idade, pensa-se em
tudo, menos nisso. Todos os velhos dão mais apreço à vida do que as crianças e a deixam
com maior má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos tiveram
essa mesma vida por objetivo, veem, no final, que perderam seus esforços. Todos os seus
cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas laboriosas vigílias, tudo deixam
quando se vão. Não pensaram em adquirir alguma coisa, durante a vida, que possam
levar com a morte.
Disse tudo isso a mim mesmo quando era tempo de mo dizer, e, se não soube tirar
melhor partido de minhas reflexões, não foi por não as ter feito a tempo e por não as ter
bem amadurecido. Lançado, desde a infância, no torvelinho da sociedade, aprendi cedo,
por experiência, que não era feito para viver nela, onde nunca conseguiria chegar ao
estado de que meu coração precisava. Cessando, portanto, de procurar entre os homens
a felicidade que sentia não poder encontrar, minha ardente imaginação já saltava por
cima da recém-iniciada época de minha vida, como sobre um terreno desconhecido, para
descansar em uma situação tranquila em que me pudesse fixar.

Jean Jacques Rousseau. Terceira caminhada. In: Jean Jacques Rousseau. Os devaneios
do caminhante solitário. Organização e tradução de Fúlvia Maria Luíza Moretto.
Brasília: Editor a da UnB, 1991, p. 16 (com adaptações).
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto 6A2AAA, julgue o item a seguir.
No primeiro parágrafo, apresentando-se como velho, o autor adota um tom de
autocomiseração ao afirmar que estudar o envelhecimento implica aprender a lidar com
a morte e que esse aprendizado deveria ter prioridade sobre outras reflexões humanas.
Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ No primeiro parágrafo, apresentando-se como velho, o autor adota um tom de
autocomiseração ao afirmar que estudar o envelhecimento implica aprender a lidar com
a morte e que esse aprendizado deveria ter prioridade sobre outras reflexões humanas.
Trecho: "Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer. De que vale aprender a
conduzir melhor seu carro quando se está no fim do percurso? Só resta pensar então em
como abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer, é unicamente o de

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aprender a morrer e é precisamente o que menos se faz na minha idade, pensa-se em


tudo, menos nisso. Todos os velhos dão mais apreço à vida do que as crianças e a deixam
com maior má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos tiveram
essa mesma vida por objetivo, veem, no final, que perderam seus esforços. Todos os seus
cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas laboriosas vigílias, tudo deixam
quando se vão. Não pensaram em adquirir alguma coisa, durante a vida, que possam
levar com a morte."
Autocomiseração significa compaixão por si mesmo, ter pena de si mesmo. É um
sentimento de piedade por si próprio. Não podemos dizer que o autor expressa isso no
texto, gente. Ao afirmar que os velhos "veem, no final, que perderam seus esforços", o
autor não se refere a ele mesmo. Percebam que ele usa a 3ª pessoa do plural, não se
incluindo nessa argumentação.
Essa ideia é reforçada no início do segundo parágrafo, quando o autor afirma que fez
essa reflexão na época correta:
"Disse tudo isso a mim mesmo quando era tempo de mo dizer, e, se não soube tirar
melhor partido de minhas reflexões, não foi por não as ter feito a tempo e por não as ter
bem amadurecido. Lançado, desde a infância, no torvelinho da sociedade, aprendi cedo,
por experiência, que não era feito para viver nela, onde nunca conseguiria chegar ao
estado de que meu coração precisava."
Assim, não há esse sentimento de piedade por si mesmo.
Outro problema da afirmativa é dizer que o autor se refere a um "estudo do
envelhecimento". O texto se refere às coisas que as pessoas velhas devem aprender, e
não ao ato de estudar o envelhecimento.
Por fim, há uma extrapolação ao afirmar que esse aprendizado deveria ter prioridade
sobre outras reflexões humanas. O autor não estabelece uma hierarquia entre as
reflexões humanas como um todo. Vejam que ele se refere especificamente à fase da
velhice.
QUESTÃO Nº 7 – TEXTO 6A2AAA
Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer. De que vale aprender a conduzir
melhor seu carro quando se está no fim do percurso? Só resta pensar então em como
abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer, é unicamente o de
aprender a morrer e é precisamente o que menos se faz na minha idade, pensa-se em
tudo, menos nisso. Todos os velhos dão mais apreço à vida do que as crianças e a deixam
com maior má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos tiveram
essa mesma vida por objetivo, veem, no final, que perderam seus esforços. Todos os seus
cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas laboriosas vigílias, tudo deixam
quando se vão. Não pensaram em adquirir alguma coisa, durante a vida, que possam
levar com a morte.
Disse tudo isso a mim mesmo quando era tempo de mo dizer, e, se não soube tirar
melhor partido de minhas reflexões, não foi por não as ter feito a tempo e por não as ter
bem amadurecido. Lançado, desde a infância, no torvelinho da sociedade, aprendi cedo,
por experiência, que não era feito para viver nela, onde nunca conseguiria chegar ao
estado de que meu coração precisava. Cessando, portanto, de procurar entre os homens
a felicidade que sentia não poder encontrar, minha ardente imaginação já saltava por

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

cima da recém-iniciada época de minha vida, como sobre um terreno desconhecido, para
descansar em uma situação tranquila em que me pudesse fixar.
Jean Jacques Rousseau. Terceira caminhada. In: Jean Jacques Rousseau. Os devaneios
do caminhante solitário. Organização e tradução de Fúlvia Maria Luíza Moretto.
Brasília: Editor a da UnB, 1991, p. 16 (com adaptações).
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto 6A2AAA, julgue o item a seguir.
Infere-se do texto que os jovens, quando conscientes da iminência de sua própria morte,
não se importam com essa condição.
Certo
Errado

Afirmativa ERRADA.
Esta questão trata de interpretação textual.
Ela diz o seguinte:
→ Infere-se do texto que os jovens, quando conscientes da iminência de sua própria
morte, não se importam com essa condição.
Vejamos o trecho seguinte: "Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer. De que
vale aprender a conduzir melhor seu carro quando se está no fim do percurso? Só resta
pensar então em como abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer,
é unicamente o de aprender a morrer e é precisamente o que menos se faz na minha
idade, pensa-se em tudo, menos nisso. Todos os velhos dão mais apreço à vida do que
as crianças e a deixam com maior má vontade do que os jovens. É que, como todos
os seus trabalhos tiveram essa mesma vida por objetivo, veem, no final, que perderam
seus esforços. Todos os seus cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas
laboriosas vigílias, tudo deixam quando se vão. Não pensaram em adquirir alguma coisa,
durante a vida, que possam levar com a morte."
O autor afirma que os velhos deixam a vida com mais má vontade que os jovens, ou seja,
eles não querem morrer. Segundo o texto, os velhos querem viver muito, evitam pensar
na morte. Isso significa que os jovens não se importa com a morte, gente?
Não! Essa afirmativa extrapola o conteúdo textual.
A única informação que temos é esta: os velhos morrem com mais má vontade que os
jovens, ou seja, os velhos aceitam a morte menos que os jovens. Isso de forma alguma
significa que os jovens ignoram essa condição.
QUESTÃO Nº 8 – TEXTO 6A2AAA
Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer. De que vale aprender a conduzir
melhor seu carro quando se está no fim do percurso? Só resta pensar então em como
abandoná-lo. O estudo de um Velho, se ainda lhe resta a fazer, é unicamente o de
aprender a morrer e é precisamente o que menos se faz na minha idade, pensa-se em
tudo, menos nisso. Todos os velhos dão mais apreço à vida do que as crianças e a deixam
com maior má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos tiveram
essa mesma vida por objetivo, veem, no final, que perderam seus esforços. Todos os seus
cuidados, todos os seus bens, todos os frutos de suas laboriosas vigílias, tudo deixam
quando se vão. Não pensaram em adquirir alguma coisa, durante a vida, que possam
levar com a morte.

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Disse tudo isso a mim mesmo quando era tempo de mo dizer, e, se não soube tirar
melhor partido de minhas reflexões, não foi por não as ter feito a tempo e por não as ter
bem amadurecido. Lançado, desde a infância, no torvelinho da sociedade, aprendi cedo,
por experiência, que não era feito para viver nela, onde nunca conseguiria chegar ao
estado de que meu coração precisava. Cessando, portanto, de procurar entre os homens
a felicidade que sentia não poder encontrar, minha ardente imaginação já saltava por
cima da recém-iniciada época de minha vida, como sobre um terreno desconhecido, para
descansar em uma situação tranquila em que me pudesse fixar.
Jean Jacques Rousseau. Terceira caminhada. In: Jean Jacques Rousseau. Os devaneios
do caminhante solitário. Organização e tradução de Fúlvia Maria Luíza Moretto.
Brasília: Editor a da UnB, 1991, p. 16 (com adaptações).
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto 6A2AAA, julgue o item a seguir.
Da coesão lexical que se estabelece por meio das relações semânticas dos termos “liça”,
“carro” e “percurso” resulta a imagem da vida como arena de desafios apresentada no
início do texto.
Certo
Errado

O item está CERTO.


Ele diz o seguinte:
→ Da coesão lexical que se estabelece por meio das relações semânticas dos termos
“liça”, “carro” e “percurso” resulta a imagem da vida como arena de desafios apresentada
no início do texto.
Gente, questão de interpretação textual. Vamos ver o trecho?
"Entramos na liça ao nascer; dela saímos ao morrer. De que vale aprender a conduzir
melhor seu carro quando se está no fim do percurso? Só resta pensar então em como
abandoná-lo."
Temos aqui uma metáfora! O autor compara a vida a um caminho cheio de obstáculos.
A palavra "liça" significa "pista" ou "arena", contribuindo para a imagem que o autor
quer formar.
O texto afirma que, ao nascer, já começamos essa luta na "arena da vida", e só saímos
dessa condição quando morremos.
Na frase seguinte, o autor nos coloca como motoristas que guiam um carro durante um
percurso. Esse percurso é justamente a vida, que é cheia de obstáculos, da mesma forma
que uma estrada (ultrapassagens, trânsito, buracos na pista, chuva, iluminação ruim, etc.).

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QUESTÃO Nº 9 – TEXTO 6A4CCC

Internet: <http://bloga.grupoa.com.br> (com adaptações).


No que concerne aos aspectos linguísticos do texto 6A4CCC, julgue o item a seguir.
O público a quem a mensagem do texto 6A4CCC se destina é específico: trata-se de
revisores e diagramadores.
Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.


Ela diz o seguinte:
→ O público a quem a mensagem do texto 6A4CCC se destina é específico: trata-se de
revisores e diagramadores.
O texto faz parte de uma homenagem ao Dia do Revisor e do Diagramador.
O pronome "você", portanto, foi empregado para se referir a esses profissionais.

QUESTÃO Nº 10 – TEXTO CB1A1AAA


No pensamento filosófico da Antiguidade, a dignidade (dignitas) da pessoa humana era
alcançada pela posição social ocupada pelo indivíduo, bem como pelo grau de
reconhecimento dos demais membros da comunidade. A partir disso, poder-se-ia falar
em uma quantificação (hierarquia.) da dignidade, o que permitia admitir a existência de
pessoas mais dignas ou menos dignas.
Frise-se que foi a partir das formulações de Cícero que a compreensão de dignidade
ficou desvinculada da posição social. O filósofo conferiu à dignidade da pessoa humana
um sentido mais amplo ligado à natureza humana: todos estão sujeitos às mesmas leis
da natureza, que proíbem que uns prejudiquem aos outros.
No círculo de pensamento jusnaturalista dos séculos XVII e XVIII, a concepção da
dignidade da pessoa humana passa por um procedimento de racionalização e
secularização, mantendo-se, porém, a noção básica da igualdade de todos os homens

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em dignidade e liberdade. Nesse período, destaca-se a concepção de Emmanuel Kant de


que a autonomia ética do ser humano é o fundamento da dignidade do homem.
Incensurável é a permanência da concepção kantiana no sentido de que a dignidade da
pessoa humana repudia toda e qualquer espécie de coisificação e instrumentalização do
ser humano.
Antonio da Rocha Lourenço Neto. Direito e humanismo: visão filosófica, literária e
histórica. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2013, p.148-9 (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue o item.
No primeiro parágrafo, os parênteses foram empregados para isolar palavras cuja função
é explicar o sentido do elemento que imediatamente lhes antecede.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ No primeiro parágrafo, os parênteses foram empregados para isolar palavras cuja
função é explicar o sentido do elemento que imediatamente lhes antecede.

Vejamos:
"No pensamento filosófico da Antiguidade, a dignidade (dignitas) da pessoa humana era
alcançada pela posição social ocupada pelo indivíduo, bem como pelo grau de
reconhecimento dos demais membros da comunidade. A partir disso, poder-se-ia falar em
uma quantificação (hierarquia) da dignidade, o que permitia admitir a existência de
pessoas mais dignas ou menos dignas."
No primeiro caso, os parênteses separam uma palavra em latim. Não se trata de uma
explicação do termo "dignidade", mas sim a forma em latim desse termo.
No segundo caso, temos a palavra "hierarquia" não explica o sentido da
palavra "quantificação" em si, mas sim o sentido que esse termo assumia no pensamento
filosófico da Antiguidade. Podemos até considerar que, nessa ocorrência, temos uma
ideia de explicação, mas não no primeiro caso. Assim, a afirmativa está errada.
QUESTÃO Nº 11 – TEXTO 6A2BBB
A obra de Maquiavel causou bastante polêmica por romper com a visão usual da
atividade política. Na tradição cristã, a política era vista como uma forma de preparar a
Cidade de Deus na terra. Na Antiguidade, era uma maneira de “promover o bem
comum”. Havia sempre a referência a um objetivo transcendente, a um padrão implícito
ou explícito de justiça. Para Maquiavel, o que importa, na política, é o poder real. Não é
uma questão de justiça ou de princípios, mas de capacidade de impor-se aos outros.
N’O Príncipe, Maquiavel ensina que a meta de toda ação política é ampliar o próprio
poder em relação aos outros. É necessário reduzir o poder dos adversários: semear a
discórdia nos territórios conquistados, enfraquecer os fortes e fortalecer os fracos; em
suma, dividir para reinar.
Os Discorsi são uma longa glosa dos dez primeiros livros da História de Roma, de Tito
Lívio, vistos como um documento histórico incontestável, embora hoje se saiba que o
autor não se furtava a alterar os fatos para robustecer seu caráter alegórico ou exemplar
— procedimento, aliás, que Maquiavel também adotaria em suas Histórias Florentinas.

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Na obra, ele procura, nos costumes dos antigos, elementos que possam ser utilizados na
superação dos problemas de sua época.
Ao buscar as causas da grandeza da Roma antiga, Maquiavel acaba por encontrá-las na
discórdia entre seus cidadãos, naquilo que tradicionalmente era estigmatizado como
“tumultos”. Trata-se de uma visão revolucionária, já que o convencional era fazer o
elogio da harmonia e da unidade. Até hoje, a busca do “consenso” e o sonho de uma
sociedade harmônica, sem disputa de interesses, estão presentes no discurso político e,
mais ainda, alimentam a desconfiança com que são vistas as lutas políticas. Para
Maquiavel, porém, o conflito é sempre um sintoma de equilíbrio de poder. Na sociedade,
uma parte sempre quer oprimir a outra — nobres e plebeus, ricos e pobres ou, na
linguagem que ele prefere usar, o povo e os “grandes”. Se o conflito persiste, é porque
nenhuma parte conseguiu atingir sua meta de dominar a outra .Portanto, permanece um
espaço de liberdade para todos.
L. F. Miguel. A moral e a política. In: L. F. Miguel. O nascimento da política moderna.
De Maquiavel a Hobbes. Brasília: Editora da UnB, 2015, p. 21, 23-4 (com adaptações).
Julgue o item, relativo às estruturas linguísticas do texto 6A2BBB.
Se a expressão “uma visão revolucionária” fosse substituída por ideias revolucionárias,
seria necessário alterar a forma verbal “Trata-se” para Tratam-se, para se manter a
correção gramatical do texto.
Certo
Errado

Afirmativa ERRADA.
Ela diz o seguinte:
→ Se a expressão “uma visão revolucionária” fosse substituída por ideias
revolucionárias, seria necessário alterar a forma verbal “Trata-se” para Tratam-se, para
se manter a correção gramatical do texto.
Trecho: "Trata-se de uma visão revolucionária, já que o convencional era fazer o elogio
da harmonia e da unidade."
Gente, aqui vai uma explicação curta para quem gosta de macetes: a expressão "trata-se
de" (sentido de ter como assunto, discutir) NUNCA deve ser empregada no plural.
Nunca! Não existe "Tratam-se de", ok?
Só isso já mataria sua questão, mas é óbvio que vamos ver o motivo, né?
Regrinha básica envolvendo concordância com a partícula "se":
Quando o "se" for partícula apassivadora, o verbo deverá concordar com o
sujeito paciente (que sofre a ação expressa pelo verbo).com
Quando o "se" for índice de indeterminação do sujeito, o verbo será invariável e
ficará na 3ª pessoa do singular.
Para diferenciar os dois casos, devemos ficar atentos à transitividade do verbo. É que a
voz passiva só pode ser feita com verbos que admitem objetos diretos (verbo transitivo
direto / verbo transitivo direto e direto)! Já o sujeito indeterminado ocorre com verbos
que não admitem complementos diretos.

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Quando acompanhar verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação (ou


seja, verbos que não aceitam objetos diretos), o "se" será ÍNDICE DE
INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. Nesse caso, o verbo sempre ficará no singular!
Pensem da seguinte forma:
* em regra, o verbo concorda com o sujeito;
* o que vem depois de "trata-se de" é objeto indireto, e não sujeito;
* logo, "trata-se de" fica no singular, não importa o que vier depois. Isso porque não há
uma concordância verbal que deva ser feita nesse tipo de construção.
Vamos ver como ficaria a reescritura da frase do texto:
⇒ Trata-se de ideias revolucionárias, já que o convencional era fazer o elogio da
harmonia e da unidade.
A forma verbal não seria alterada, portanto item ERRADO.
ATENÇÃO!!
Se o verbo "tratar" for empregado como transitivo direto, o "se" será pronome
apassivador. Teremos um sujeito que sofre a ação verbal (sujeito paciente), e o verbo
deverá concordar com esse sujeito.
Exemplo 1: Tratam-se os pacientes em estado grave numa ala separada do hospital. -
voz passiva sintética
Os pacientes em estado grave são tratados numa ala separada do hospital. - voz passiva
analítica
Exemplo 2: Trata-se esse crime com muita severidade no Oriente Médio. - voz passiva
sintética
Esse crime é tratado com muita severidade no Oriente Médio. - voz passiva analítica
Vejam que o ponto principal é verificar a existência da preposição associada ao verbo
(tratar-se x tratar-se de).
QUESTÃO Nº 12 – TEXTO 6A4AAA
Todo escritor convive com um terror permanente: o do erro de revisão. O revisor é a
pessoa mais importante na vida de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte
profissional sobre o autor. A inclusão ou a omissão de uma letra ou de uma vírgula no
que sai impresso pode decidir se o autor vai ser entendido ou não, admirado ou
ridicularizado, consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois autores:
quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que manda um texto para ser publicado, o
autor se coloca nas mãos do revisor, esperando que seu parceiro não falhe.
Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada, internacional, de revisores
significaria para a nossa civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque ainda
não se deram conta do poder que têm. Eles desestabilizariam qualquer regime com
acentos indevidos e pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis.
Grandes jornais seriam levados à falência por difamações involuntárias, exércitos inteiros
seriam imobilizados por manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações
de estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas e fórmulas de química
incompletas. E os efeitos de uma revisão subversiva na instrução médica são terríveis
demais para contemplar.

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Luis Fernando Veríssimo. Cuidado com os revisores. In: VIP Exame, mar./1995, p. 36-7
(com adaptações).
Em relação às estruturas linguísticas e às ideias do texto 6A4AAA e aos múltiplos aspectos
a ele relacionados, julgue o item seguinte.
A substituição da forma verbal “desencaminhadas” por desencaminhados manteria a
correção gramatical e a coerência textual, caso em que passaria a concordar com
“estudantes”.
Certo
Errado

Item ERRADO.
A substituição da forma verbal “desencaminhadas” por desencaminhados manteria a
correção gramatical e a coerência textual, caso em que passaria a concordar com
“estudantes”.
Trecho: "Os revisores só não dominam o mundo porque ainda não se deram conta do
poder que têm. Eles desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e
pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis. Grandes jornais seriam
levados à falência por difamações involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados
por manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações
de estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas e fórmulas de química
incompletas."
Esta questão trata de concordância. O item menciona "forma verbal" porque temos aqui
o verbo desencaminhar no particípio, formando a voz passiva analítica: verbo auxiliar
"ser" + verbo principal "desencaminhar" no particípio.
Gente, surgiu muita dúvida aqui por causa daquela regrinha que envolve sujeito formado
por expressão partitiva. Vamos lembrar?
Uma expressão partitiva é aquela que indica quantidade, geralmente não exata, usando
artigos, numerais ou pronomes indefinidos. São exemplos de expressões partitivas:
grande parte de, parte de, a grande maioria, metade de, o resto de, etc. Quando a
expressão partitiva acompanha um substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar
no singular (concordando com a expressão partitiva) ou no plural (concordando com o
substantivo ou pronome). A escolha vai depender do que o redator quer destacar: a ideia
de grupo (expressão partitiva) ou os indivíduos que formam o grupo.
Ex: Parte dos estudantes foi afetada pela greve. (concordância com a expressão partitiva)
Ex: Parte dos estudantes foram afetados pela greve. (concordância com o substantivo
"estudantes")
Pessoal, o sujeito "gerações de estudantes" NÃO TEM expressão partitiva. Essa regra
acima nada tem a ver com a nossa questão, ok?
A palavra "gerações" não indica parte, quantidade não exata. A ideia aqui é exatamente
oposta: um grupo inteiro de estudantes, mais de uma geração de estudantes.
Pense na geração dos seu avós, na geração dos seus pais, na sua geração, na geração
dos seus filhos, na geração dos seus netos, etc.
O expressão "gerações de estudantes" traz uma ideia de grupo, de coletivo. Existe uma
regrinha que permite a flexão verbal de acordo com o termo coletivo ("gerações") OU
com o substantivo especificativo ("de estudantes"). Assim, gramaticalmente falando,
até poderíamos considerar correta a substituição por "desencaminhados".

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O problema está na coerência textual, que também precisa ser mantida. O texto aponta
um verdadeiro caos que poderia ser provocado pelos redatores, envolvendo regimes
governamentais, exércitos, grandes jornais, gerações inteiras de estudantes. Para
transmitir essa ideia de CAOS, de desgraça em grandes proporções, é essencial que o
destaque seja dado ao termo coletivo "gerações", para enfatizar a ideia de que gerações
completas de estudantes seriam prejudicadas. O termo "desencaminhados" (masculino),
concordando com "estudantes", traria o foco para os indivíduos, o que prejudicaria a
coerência e a argumentação do texto.
Assim, a substituição não pode ser feita!
QUESTÃO Nº 13– TEXTO 4A4AAA
A linguagem — seja ela oral 1 ou escrita, seja mímica ou semafórica — é um sistema de
símbolos, signos ou signos-símbolos, voluntariamente produzidos e convencionalmente
aceitos, mediante o qual o ser humano se comunica com seus semelhantes, expressando
suas ideias, sentimentos ou desejos.
A linguagem ideal seria aquela em que cada palavra designasse apenas uma coisa,
correspondesse a uma só ideia ou conceito, tivesse um só sentido. Como tal não ocorre
em nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza, enganosas, porque
polissêmicas ou plurivalentes.
Isoladas de contexto ou situação, as palavras quase nada significam de maneira precisa,
inequívoca (Ogden e Richards são radicais: “as palavras nada significam por si mesmas”):
“...o que determina o valor da palavra é o contexto, o qual, a despeito da variedade de
sentidos de que a palavra seja suscetível, lhe impõe um valor ‘singular’; é o contexto
também que a liberta de todas as representações passadas, nela acumuladas pela
memória, e que lhe atribui um valor ‘atual’”. Assim, por mais condicionada que esteja a
significação de uma palavra ao seu contexto, sempre subsiste nela, palavra, um núcleo
significativo mais ou menos estável e constante, além de outros traços
semânticos potenciais em condições de se evidenciarem nos contextos em que ela
apareça. Se, como entendem Ogden e Richards, as palavras por si mesmas nada
significassem, a cada novo contexto elas adquiririam significação diferente, o que
tornaria praticamente impossível a própria intercomunicação linguística.

Othon M. Garcia. Comunicação em Prosa Moderna. 21.ª ed. Rio de Janeiro: Editora
FGV, 2002, p. 175-6 (com adaptações).
Considerando as relações sintático-semânticas do texto 4A4AAA, julgue o item.
Sem prejuízo para a correção gramatical do texto, a forma verbal “subsiste” poderia ser
flexionada no plural, passando, assim, a concordar, também, com “outros traços
semânticos”.
Certo
Errado

Gabarito: ERRADO
Um verbo é flexionado no singular ou no plural a depender do sujeito. Neste caso, a
forma verbal “subsiste” está flexionada no singular porque o sujeito é simples e está no

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singular: um núcleo significativo mais ou menos estável e constante subsiste nela, a


palavra.
Por esse motivo, não há como tal forma verbal ir para o plural concordando com “outros
traços semânticos”, que não é sujeito de “subsistir”.
Este termo influi na flexão de “evidenciarem”: outros traços semânticos em condições
de serem evidenciados nos contextos.

QUESTÃO Nº 14 – TEXTO 4A2AAA


O espaço urbano foi organizado de sorte a favorecer as operações de circulação, compra
e venda de mercadorias; e, ao mesmo tempo, nele se oferece ao consumo uma
diversidade de localizações, paisagens, topografias físicas e simbólicas que são de
diferentes modos incorporadas à dinâmica mercantil. Hoje, podemos talvez acrescentar
que a cidade se torna o lugar do consumismo e do consumismo de lugar. O que isso
quer dizer e que implicações isso tem para o compartilhamento da cidade como espaço
público?
Sabemos que a cidade é o lugar preferencial da realização do consumismo de bens. Mas,
também, vale dizer que, com o advento do urbanismo competitivo, é o lugar do
consumismo de lugares, por meio das dinâmicas da cidade-espetáculo, dos
megaeventos e do esforço de venda de imaginadores urbanos com suas obras fundadas
em um culturalismo de mercado. O planejamento estratégico do urbanismo de mercado
propõe-se, na atualidade, a realizar um esforço de venda macroeconômico dos lugares,
o que faz do consumismo de lugares um modo particular de articulação entre o rentismo
imobiliário e a competição interurbana por capitais. Para isso concorre o consumismo
publicitário privatizante dos espaços da cidade.
Por outro lado, conforme observa o economista Pierre Veltz, os novos requisitos da
espacialidade das empresas nas cidades exprimem hoje “o paradoxo segundo o qual os
recursos não mercantis não veem seu papel diminuir, mas, ao contrário, se afirmar e se
estender nas economias avançadas e concorrenciais”. Isso é exemplificado pela luta dos
pescadores artesanais da Associação Homens do Mar em defesa do caráter público da
Baía da Guanabara e pelas manifestações maciças de ciclistas pelo direito ao espaço
público nas cidades. Tratando-se de bens não mercantis em disputa, os conflitos por
apropriação dos recursos urbanos apresentam forte potencial de politização, seja na
busca de acesso equânime a ambientes saudáveis, seja na eliminação de controles
policiais discriminatórios.
Para Abba Lerner, Prêmio Nobel de Economia de 1954, toda transação econômica
realizada é um conflito político resolvido. Inversamente, podemos sustentar que toda
disputa pelos recursos não mercantis das cidades — saúde e saneamento, mobilidade,
meio ambiente, segurança — não redutível a relações de compra e venda configura
conflitos políticos em potencial.
Henri Acselrad. Cidade – espaço público? A economia política do consumismo nas e das
cidades. In: Revista UFMG, v. 20, n.º 1, jan.–jun./2013, p. 234-247 (com adaptações).

Com relação aos sentidos do texto 4A2AAA, julgue o item a seguir.


No segundo período do terceiro parágrafo, os termos “pela luta”, “pelas manifestações”
e “pelo direito" funcionam como agentes da passiva.
Certo

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Errado

Gabarito: ERRADO
A informação está errada, pois diferentemente das expressões “pela luta” e “pelas
manifestações” que funcionam como agentes da passiva da expressão verbal “é
exemplificado “ (observe a confirmação pela transposição para a voz ativa: a luta e as
manifestações exemplificam isso), a expressão “pelo direito” exerce a função sintática
de complemento nominal do substantivo “manifestações” — manifestações por algo –
manifestações “pelo direito”.
QUESTÃO Nº 15 – TEXTO CB1A1AAA
Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante
sobre ácido desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre a descoberta
de um novo modelo para a estrutura do ácido desoxirribonucleico, uma carta que
termine com “Muito amor, papai”. Francis Crick descobriu o desenho do DNA e escreveu
a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”. Estrutura, foi o que ele
falou. Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa, vou te mostrar o
modelo”. Não esqueça os dois pacotes de leite, passe para comprar pão, guarde o resto
do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu mostro a você o mecanismo
copiador básico a partir do qual a vida vem da vida.
Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções
genéticas que coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos
me comove. Cromossomas me animam, ribossomas me espantam. A divisão celular não
me deixa dormir, e olha que eu moro bem no meio das montanhas. De vez em quando
vejo passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada — a noite se guarda
toda para o infinito silêncio.
Acho que uma palavra é muito mais bonita do que uma carabina, mas não sei se vem ao
caso. Nenhuma palavra quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem
montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os seus sinônimos, veja só, ácido
desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras
você acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra os canhões. Que
coisa mais linda esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho
da estrutura e descobri: a raça humana é toda brilho.
Matilde Campilho. Notícias escrevinhadas na beira da estrada. In: Jóquei. São Paulo:
Editora 34, 2015, p. 26-7 (com adaptações).
Julgue o item, a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto
CB1A1AAA, no qual a autora Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da
estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos cientistas James Watson e Francis
Crick.
O vocábulo “os” remete a “sinônimos”.
Certo
Errado

A alternativa está CORRETA.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Vejamos o texto: Todos esses conceitos têm os seus sinônimos, veja só, ácido
desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das palavras
você acha. (grifos da professora)
Gente, percebam que a autora constrói o período falando que os conceitos têm
sinônimos e depois dá como exemplo ácido desoxirribonucleico e DNA afirmando que
eles são "a mesma coisa", ou seja, sinônimos. Depois fala: e os do restos das palavras
você acha. Considerando como o trecho foi construído, não nos resta dúvida: os faz
menção justamente a "sinônimos".
REESCRITURA PARA VISUALIZAR MELHOR: Todos esses conceitos têm os
seus sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma
coisa, e os sinônimos do resto das palavras você acha.
QUESTÃO Nº 16 – TEXTO CB4A1BBB
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um
domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo
horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de
seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, em
vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o
restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico
serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro,
certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua espécie. Ele pode então voltar
para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir
as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à
TV; acordar na segunda-feira feliz para o batente.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais
fácil e a única com satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para
dentro do espelho, sem glamour e também sem volta.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos.
Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que
nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer
reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana, são
trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores
que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme
enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido.
Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006,
p. 53-4 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item
que se segue.
A correção gramatical e o sentido original do texto seriam preservados caso o período
“Ele pode então (...) sua vida” fosse assim reescrito: Para o apartamento financiado em
quinze anos, pode ele voltar então, contente com sua vida.

Certo
Errado

22

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A alternativa está CORRETA.


Vejamos o trecho original:
TRECHO ORIGINAL: Ele pode então voltar para o apartamento financiado em quinze
anos satisfeito com sua vida.
REESCRITURA: Para o apartamento financiado em quinze anos, pode ele voltar então,
contente com sua vida.
Gente, essa vírgula empregada após "então" é aceitável para isolar o predicativo do
sujeito (contente com sua vida), mesmo ele estando no final da oração, considerando
que o predicado em análise é verbo-nominal. Se fosse um predicado apenas nominal
(com verbo de ligação) isso não seria permitido.
Poderíamos isolar o advérbio "então" com uma vírgula antes e uma depois (construção
mais comum e conhecida): Para o apartamento financiado em quinze anos, pode ele
voltar, então, contente com sua vida.
Poderíamos também retirar a vírgula e deixar o advérbio intercalado sem nenhum tipo
de isolamento: Para o apartamento financiado em quinze anos, pode ele
voltar então contente com sua vida.
Admito que é a construção trazida pelo CESPE nesta questão é bem incomum e que
facilmente derruba o aluno, pois estamos tendenciosos a olhar para o advérbio e querer
isolá-lo com duas vírgulas ou retirar ambas. Vale destacar que o isolamento do "então"
é facultativo por ser um adjunto adverbial pequeno.
Assim, alternativa CORRETA.
QUESTÃO Nº 17 – TEXTO CB1A1BBB
O conceito de direitos humanos assenta em um bem conhecido conjunto de
pressupostos, todos eles tipicamente ocidentais: existe uma natureza humana universal
que pode ser conhecida racionalmente; a natureza humana é essencialmente diferente e
superior à restante realidade; o indivíduo possui uma dignidade absoluta e irredutível
que tem de ser defendida da sociedade ou do Estado; a autonomia do indivíduo exige
que a sociedade esteja organizada de forma não hierárquica, como soma de indivíduos
livres. Uma vez que todos esses pressupostos são claramente ocidentais e facilmente
distinguíveis de outras concepções de dignidade humana em outras culturas, teremos
de perguntar por que motivo a questão da universalidade dos direitos humanos se
tornou tão acesamente debatida.
Boaventura de Sousa Santos. Por uma concepção multicultural dos direitos
humanos. Internet: <www.dhnet.org.br> (com adaptações).
Acerca do texto CB1A1BBB e de seus aspectos linguísticos, julgue o item que se segue.

Os dois pontos empregados logo após “ocidentais” introduzem uma explicação sobre o
porquê de os pressupostos serem considerados tipicamente ocidentais.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:

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→ Os dois pontos empregados logo após “ocidentais” introduzem uma explicação sobre
o porquê de os pressupostos serem considerados tipicamente ocidentais.
Trecho: "O conceito de direitos humanos assenta em um bem conhecido conjunto de
pressupostos, todos eles tipicamente ocidentais: existe uma natureza humana universal
que pode ser conhecida racionalmente; a natureza humana é essencialmente diferente e
superior à restante realidade; o indivíduo possui uma dignidade absoluta e irredutível que
tem de ser defendida da sociedade ou do Estado; a autonomia do indivíduo exige que a
sociedade esteja organizada de forma não hierárquica, como soma de indivíduos livres."
O sinal de dois-pontos foi inserido para anunciar quais são os pressupostos que
integram o conceito de direitos humanos, portanto a pontuação introduz um aposto
enumerativo (e não explicativo). O aposto é um termo ou expressão que explica ou
especifica outro termo da oração.
Não temos aqui uma ideia de motivo (o porquê de serem considerados tipicamente
ocidentais). O texto somente diz quais são esses pressupostos. Assim, a afirmativa
está ERRADA.
QUESTÃO Nº 18 – TEXTO CB1A2AAA
No direito brasileiro convencional, a relação entre a espécie humana e as demais espécies
animais limita-se à tutela dos animais pelo poder público em função da sua utilidade
enquanto fauna brasileira intrínseca ao meio ambiente equilibrado. Alguns
doutrinadores brasileiros inovadores defendem a existência de um direito animal, ou
seja, de direitos garantidos aos animais não humanos como sujeitos.
A Constituição de 1988 contém uma norma que protege os animais, independentemente
de sua origem ou classificação. Porém, a proteção que lhes é garantida baseia-se em um
argumento puramente utilitarista: os animais são protegidos com a finalidade de garantir
um hábitat saudável às atuais e futuras gerações humanas.
Desprovidos de valor próprio e de relevância jurídica no direito penal, os animais são
tema de direito civil. Ainda são estudados na atualidade brasileira, sob a influência do
direito romano, como simples coisas semoventes, como se desprovidos fossem da
capacidade de sentir dor ou apego. Em jurisprudência majoritária, são apenas objetos
que possuem a capacidade de se mover e que podem proporcionar lucros aos seus
proprietários.
Nathalie Santos Caldeira Gomes. Ética e dignidade animal. Internet:
<www.publicadireito.com.br> (com adaptações).

No que se refere aos aspectos linguísticos do texto CB1A2AAA, julgue o item seguinte.

A correção gramatical e a coerência do texto seriam mantidas caso o vocábulo


“inovadores” fosse isolado por vírgulas.
Certo
Errado

Gabarito: CERTO.

A correção gramatical e a coerência do texto seriam mantidas caso o vocábulo


“inovadores” fosse isolado por vírgulas.

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Item muito interessante e com uma "pegadinha". Inicialmente a proposta não implica
falha gramatical. Observemos agora o mais importante: o comentário não exige que o
sentido original seja conservado. O que o comando exige é que a coerência seja mantida,
ou seja, mesmo admitindo a possibilidade de alteração de significado, a frase deve
continuar coerente, deve fazer sentido. É o que justamente ocorre. O sentido é
modificado, dado que, ao inserir as vírgulas a isolarem o adjetivo, tal termo passa a ter
valor explicativo. Todavia a inserção da ideia explicativa não faz com que o período fique
sem sentido, conforme se observa com a seguinte reescrita: Alguns doutrinadores
brasileiros, porque inovadores, defendem a existência de um direito animal, ou seja, de
direitos garantidos aos animais não humanos como sujeitos.
QUESTÃO Nº 19 – TEXTO 4A4AAA
A linguagem — seja ela oral ou escrita, seja mímica ou semafórica — é um sistema de
símbolos, signos ou signos-símbolos, voluntariamente produzidos e convencionalmente
aceitos, mediante o qual o ser humano se comunica com seus semelhantes, expressando
suas ideias, sentimentos ou desejos.
A linguagem ideal seria aquela em que cada palavra designasse apenas uma coisa,
correspondesse a uma só ideia ou conceito, tivesse um só sentido. Como tal não ocorre
em nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza, enganosas, porque
polissêmicas ou plurivalentes.
Isoladas de contexto ou situação, as palavras quase nada significam de maneira precisa,
inequívoca (Ogden e Richards são radicais: “as palavras nada significam por si mesmas”):
“...o que determina o valor da palavra é o contexto, o qual, a despeito da variedade de
sentidos de que a palavra seja suscetível, lhe impõe um valor ‘singular’; é o contexto
também que a liberta de todas as representações passadas, nela acumuladas pela
memória, e que lhe atribui um valor ‘atual’”. Assim, por mais condicionada que esteja a
significação de uma palavra ao seu contexto, sempre subsiste nela, palavra, um núcleo
significativo mais ou menos estável e constante, além de outros traços semânticos
potenciais em condições de se evidenciarem nos contextos em que ela apareça. Se, como
entendem Ogden e Richards, as palavras por si mesmas nada significassem, a cada novo
contexto elas adquiririam significação diferente, o que tornaria praticamente impossível
a própria intercomunicação linguística.
Othon M. Garcia. Comunicação em Prosa Moderna. 21.ª ed. Rio de Janeiro: Editora
FGV, 2002, p. 175-6 (com adaptações).
Considerando as relações sintático-semânticas do texto 4A4AAA, julgue o item.
Sem prejuízo para a correção gramatical do texto, a vírgula inserida logo após
“semelhantes” poderia ser suprimida.

Certo
Errado

Gabarito: CERTO
A vírgula colocada após “semelhantes” marca o início de uma oração reduzida de
gerúndio e, neste caso, é facultativa. O emprego da vírgula antes de oração reduzida de
gerúndio será proibido quando este tipo de oração for adjetiva restritiva; e será

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obrigatório emprego da vírgula quando a oração reduzida estiver em ordem inversa, ou


seja, antes da oração principal.
QUESTÃO Nº 20 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018 (E MAIS 1
CONCURSO) – TEXTO CB4A1BBB
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um
domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo
horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de
seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, em
vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o
restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico
serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro,
certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua espécie. Ele pode então voltar
para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir as
grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à
TV; acordar na segunda-feira feliz para o batente.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais
fácil e a única com satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para
dentro do espelho, sem glamour e também sem volta.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos.
Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que
nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer
reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana, são
trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores
que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme
enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido.
Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006,
p. 53-4 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item
que se segue.
Sem prejudicar a correção gramatical tampouco alterar o sentido do trecho, a expressão
“serve para” poderia ser substituída por convém à.

Certo
Errado

A alternativa está INCORRETA.


Vejamos a sugestão de reescritura!

Trecho original: Um zoológico serve para muitas coisas...


Trecho reescrito: Um zoológico convém à muitas coisas...
Gente, podemos construir uma frase assim: à + palavra no plural? Não!! Inclusive,
muitos professores (inclusive eu) divulgam um macete que não nos faz refletir muito
sobre o porquê de não poder usar o acento grave, mas que ajuda a responder
rapidamente uma questão como esta:

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A + palavra no plural = crase nem a pau!


Mas por que ”crase nem a pau”? Crase é, em regra, união de duas vogais "a":
preposição "a" + artigo definido feminino "a".
Na construção "convém a muitas coisas" temos apenas a preposição "a", não temos o
artigo definido feminino, por isso crase nem a pau!
E como eu sei que nessa frase só tem a preposição "a"? Muito simples: você diz "a
cadeiras são bonitas" ou "as cadeiras são bonitas"?
O meu artigo precisa concordar com o termo que ele define, né isso? Assim, se na
construção "convém a muitas coisas" tivesse artigo definido feminino, a frase estaria
assim: convém a + as muitas coisas = convém às muitas coisas.
QUESTÃO Nº 21 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 4 CONCURSOS) – TEXTO CB4A1AAA
As discussões em torno de questões como “o que é justiça?” ou “quais são os
mecanismos disponíveis para produzir situações cada vez mais justas ao conjunto da
sociedade?” não são novidade. Autores do século XIX já procuravam construir análises
para identificar qual o sentido exato do termo justiça e quais formas de promovê-la eram
possíveis e desejáveis ao conjunto da sociedade à época. O debate se enquadra em torno
de três principais ideias: bem-estar; liberdade e desenvolvimento; e promoção de formas
democráticas de participação. Autores importantes do campo da ciência política e da
filosofia política e moral se debruçaram intensamente em torno dessa questão ao longo
do século XX, e chegaram a conclusões diversas uns dos outros. Embora a perspectiva
analítica de cada um desses autores divirja entre si, eles estão preocupados em
desenvolver formas de promoção de situações de justiça social e têm hipóteses concretas
para se chegar a esse estado de coisas.
Para Amartya Sen, por exemplo, a injustiça é percebida e mensurada por meio da
distribuição e do alcance social das liberdades. Para Rawls, ela se manifesta
principalmente nas estruturas básicas da sociedade e sua solução depende de uma nova
forma de contrato social e de uma definição de princípios básicos que criem condições
de promoção de justiça. Já para Habermas, a questão gira em torno da manifestação no
campo da ação comunicativa, na qual a fragilidade de uma ação coletiva que tenha
pouco debate ou pouca representação pode enfraquecer a qualidade da democracia e,
portanto, interferir no seu pleno funcionamento, tendo, por consequência,
desdobramentos sociais injustos. Em síntese, os autores argumentam a favor de
instrumentos variados para a solução da injustiça, os quais dependem da interpretação
de cada um deles acerca do conceito de justiça.
Augusto Leal Rinaldi. Justiça, liberdade e democracia. In: Pensamento Plural. Pelotas
[12]: 57-74, jan.-jun./2013 (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB4A1AAA, julgue o item.
A correção gramatical do texto seria mantida caso se empregasse o acento indicativo de
crase no vocábulo “a” em “a esse estado de coisas”:

Certo
Errado

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INCORRETA. Em geral, NÃO ocorre crase antes de pronomes demonstrativos, ok?


Questão tranquila, apenas tenhamos cuidado com as exceções:

EXCEÇÕES: AQUELE, AQUILO, AQUELA, quando o verbo reger a preposição a".


Você assistiu àquele filme? (assistir a algo)
José obedeceu àquilo que acordamos. (obedecer a algo)
Diga àquela professora que a vaga é dela. (dizer algo a alguém)
Comprei aquela bolsa maravilhosa ontem. (o verbo comprar NÃO rege a
preposição "a", é VTD e, por isso, não ocorre a crase!)

QUESTÃO Nº 22 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS) – TEXTO CB2A2AAA
O pensamento do filósofo grego Sócrates, no século V a. C., marcou uma reviravolta na
história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo com base na
observação das forças da natureza. A partir de Sócrates, o ser humano voltou-se para si
mesmo.
A preocupação do filósofo era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à
sabedoria e à prática do bem. Para o filósofo grego, o papel do educador é, portanto,
o de ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que
ele consiga, por si próprio, iluminar sua inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que
desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua
função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma
forma que ele contesta os argumentos dos alunos. Para esse pensador, só a troca de
ideias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão, condição imprescindível para o
aperfeiçoamento do ser humano.

Sócrates. In: Coleção Grandes Pensadores. Revista Nova Escola. Ed. 179, jan.–fev./2005.
Internet: <https://novaescola.org.br> (com adaptações).

A respeito das propriedades linguísticas do texto CB2A2AAA, julgue o item


subsequente.
O emprego do sinal indicativo de crase em “à sabedoria” e em “à prática do bem”
justifica-se por serem termos regidos pela forma verbal “levar” e por estarem precedidos
por artigo definido feminino.
Certo
Errado

Gabarito: CERTO.

Analisando o item a seguir, temos:


O emprego do sinal indicativo de crase em “à sabedoria” e em “à prática do bem”
justifica-se por serem termos regidos pela forma verbal “levar” e por estarem
precedidos por artigo definido feminino.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

O verbo "levar" é transitivo direto e indireto, em que o termo "as pessoas" é objeto direto
(levar ALGUÉM). e os termos "à sabedoria" e "à prática do bem" (levar alguém A ALGUMA
COISA), objetos indiretos com preposição "a". Como os substantivos "sabedoria" e
"prática" são femininos - daí precedidos do artigo "a" -, fica plenamente justificado o
emprego do acento grave indicativo de crase.
QUESTÃO Nº 23 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/APOIO
ESPECIALIZADO/REVISÃO DE TEXTO/2018 – TEXTO 6A1AAA
Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não
confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado,
confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem, o que
significa, se não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele
que não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como desculpa
universal que a todos nos absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem não sabe
deve perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar deveria tê-la sempre
presente o revisor, tanto mais que nem sequer precisaria sair de sua casa, do escritório
onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o elucidariam se tivesse
tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que supõe saber, que daí
é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas estantes, milhares e
milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial ou a firme luz que é
sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos, enfim, a crédito do
revisor ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes de informação,
embora um simples olhar nos revele que estão faltando no seu tombo as tecnologias da
informática, mas o dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este ofício, é altura
de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe. Um dia, mas Alá é maior, qualquer
corrector de livros terá ao seu dispor um terminal de computador que o manterá ligado,
noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não tendo ele, e nós, mais que
desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado, como o diabo no
convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia
pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do
olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como
vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio .Aqui, neste escritório onde a
verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes,
estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e Aurélios, os
Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor, vademeco de
ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.
25-6.
Com relação à variação linguística bem como aos sentidos e aos aspectos linguísticos do
texto 6A1AAA, julgue o item.
A vírgula empregada logo após “flutuando” poderia ser suprimida sem prejuízo das
informações veiculadas no texto.

Certo

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Errado

Afirmativa CERTA.
Ela diz o seguinte:
→ A vírgula empregada logo após “flutuando” poderia ser suprimida sem prejuízo das
informações veiculadas no texto.
Trecho: "Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma
galáxia pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera
do olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim
como vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes parecera
imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio."
Pessoal, a vírgula destacada em negrito separa um adjunto adverbial de modo ("à espera
do olhar") ligado ao termo "as palavras".
Essa pontuação somente destaca o sentido do advérbio, portanto não é obrigatória.
Retirando a pontuação, as informações permanecem as mesmas, o texto continua
coerente. Vejam, inclusive, que os vocábulos "as" (as irá fixar) e "nelas" concordam com
"palavras", portanto fica muito claro (mesmo sem a vírgula) que o adjunto adverbial se
refere a "palavras".
QUESTÃO Nº 24 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/APOIO
ESPECIALIZADO/REVISÃO DE TEXTO/2018 – TEXTO 6A1AAA
Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se
não confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha
errado, confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem,
o que significa, se não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem
aquele que não errasse. Porém, esta suprema máxima não pode ser utilizada como
desculpa universal que a todos nos absolveria de juízos coxos e opiniões mancas. Quem
não sabe deve perguntar, ter essa humildade, e uma precaução tão elementar deveria
tê-la sempre presente o revisor, tanto mais que nem sequer precisaria sair de sua casa,
do escritório onde agora está trabalhando, pois não faltam aqui os livros que o
elucidariam se tivesse tido a sageza e prudência de não acreditar cegamente naquilo que
supõe saber, que daí é que vêm os enganos piores, não da ignorância. Nestas ajoujadas
estantes, milhares e milhares de páginas esperam a cintilação duma curiosidade inicial
ou a firme luz que é sempre a dúvida que busca o seu próprio esclarecimento. Lancemos,
enfim, a crédito do revisor ter reunido, ao longo duma vida, tantas e tão diversas fontes
de informação, embora um simples olhar nos revele que estão faltando no seu tombo as
tecnologias da informática, mas o dinheiro, desgraçadamente, não chega a tudo, e este
ofício, é altura de dizê-lo, inclui-se entre os mais mal pagos do orbe. Um dia, mas Alá é
maior, qualquer corrector de livros terá ao seu dispor um terminal de computador que o
manterá ligado, noite e dia, umbilicalmente, ao banco central de dados, não tendo ele, e
nós, mais que desejar que entre esses dados do saber total não se tenha insinuado, como
o diabo no convento, o erro tentador.
Seja como for, enquanto não chega esse dia, os livros estão aqui, como uma galáxia
pulsante, e as palavras, dentro deles, são outra poeira cósmica flutuando, à espera do
olhar que as irá fixar num sentido ou nelas procurará o sentido novo, porque assim como

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vão variando as explicações do universo, também a sentença que antes parecera


imutável para todo o sempre oferece subitamente outra interpretação, a possibilidade
duma contradição latente, a evidência do seu erro próprio .Aqui, neste escritório onde a
verdade não pode ser mais do que uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes,
estão os costumados dicionários da língua e vocabulários, os Morais e Aurélios, os
Morenos e Torrinhas, algumas gramáticas, o Manual do Perfeito Revisor, vademeco de
ofício [...].
José Saramago. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.
25-6.
Ainda no que se refere aos aspectos linguísticos do texto 6A1AAA, julgue o item que se
segue.
As orações “se não errou” e “se não confundiu” poderiam ser isoladas por vírgulas, sem
prejuízo da correção gramatical do texto.

Certo
Errado

Afirmativa CERTA.
Ela diz o seguinte:
→ As orações “se não errou” e “se não confundiu” poderiam ser isoladas por vírgulas,
sem prejuízo da correção gramatical do texto.
Trecho: "Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu,
que se não confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não
tenha errado, confundido ou imaginado nunca."
Os dois segmentos destacados em negrito são orações subordinadas adverbiais
condicionais introduzidas pela conjunção "se", com sentido de condição. Essas duas
orações estão intercaladas (no meio do período), por isso poderiam SIM ser isoladas por
vírgulas. Como o período já possui outras vírgulas, o mais recomendado seria utilizar
outra pontuação, como os travessões, para que a redação ficasse mais "limpa". Porém, o
uso das vírgulas também estaria gramaticalmente correto, ok?
QUESTÃO Nº 25 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/APOIO
ESPECIALIZADO/REVISÃO DE TEXTO/2018 – TEXTO 6A2BBB
A obra de Maquiavel causou bastante polêmica por romper com a visão usual da
atividade política. Na tradição cristã, a política era vista como uma forma de preparar a
Cidade de Deus na terra. Na Antiguidade, era uma maneira de “promover o bem
comum”. Havia sempre a referência a um objetivo transcendente, a um padrão implícito
ou explícito de justiça. Para Maquiavel, o que importa, na política, é o poder real. Não é
uma questão de justiça ou de princípios, mas de capacidade de impor-se aos outros.
N’O Príncipe, Maquiavel ensina que a meta de toda ação política é ampliar o próprio
poder em relação aos outros. É necessário reduzir o poder dos adversários: semear a
discórdia nos territórios conquistados, enfraquecer os fortes e fortalecer os fracos; em
suma, dividir para reinar.
Os Discorsi são uma longa glosa dos dez primeiros livros da História de Roma, de Tito
Lívio, vistos como um documento histórico incontestável, embora hoje se saiba que o
autor não se furtava a alterar os fatos para robustecer seu caráter alegórico ou exemplar

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— procedimento, aliás, que Maquiavel também adotaria em suas Histórias Florentinas.


Na obra, ele procura, nos costumes dos antigos, elementos que possam ser utilizados na
superação dos problemas de sua época.
Ao buscar as causas da grandeza da Roma antiga, Maquiavel acaba por encontrá-las na
discórdia entre seus cidadãos, naquilo que tradicionalmente era estigmatizado como
“tumultos”. Trata-se de uma visão revolucionária, já que o convencional era fazer o elogio
da harmonia e da unidade. Até hoje, a busca do “consenso” e o sonho de uma sociedade
harmônica, sem disputa de interesses, estão presentes no discurso político e, mais ainda,
alimentam a desconfiança com que são vistas as lutas políticas. Para Maquiavel, porém,
o conflito é sempre um sintoma de equilíbrio de poder. Na sociedade, uma parte sempre
quer oprimir a outra — nobres e plebeus, ricos e pobres ou, na linguagem que ele prefere
usar, o povo e os “grandes”. Se o conflito persiste, é porque nenhuma parte conseguiu
atingir sua meta de dominar a outra .Portanto, permanece um espaço de liberdade para
todos.
L. F. Miguel. A moral e a política. In: L. F. Miguel. O nascimento da política moderna.
De Maquiavel a Hobbes. Brasília: Editora da UnB, 2015, p. 21, 23-4 (com adaptações).

Julgue o item, relativo às estruturas linguísticas do texto 6A2BBB.


O emprego das vírgulas que isolam o advérbio “aliás” é obrigatório, razão por que
suprimi-las comprometeria a correção gramatical do texto.

Certo
Errado

Item CERTO.
Ele diz o seguinte:
→ O emprego das vírgulas que isolam o advérbio “aliás” é obrigatório, razão por que
suprimi-las comprometeria a correção gramatical do texto.

Trecho: "Os Discorsi são uma longa glosa dos dez primeiros livros da História de Roma,
de Tito Lívio, vistos como um documento histórico incontestável, embora hoje se saiba
que o autor não se furtava a alterar os fatos para robustecer seu caráter alegórico ou
exemplar — procedimento, aliás, que Maquiavel também adotaria em suas Histórias
Florentinas."
Temos aqui uma expressão retificadora, que indica correção de ideias no texto. As
expressões retificadoras, continuativas, explicativas ou enumerativas devem ser
separadas por vírgula. Quando essas expressões vierem intercaladas (no meio da oração),
elas deverão ser completamente isoladas por duas vírgulas.
Exemplos: isto é, a saber, aliás, ou melhor, além disso, ou seja, por exemplo, etc.
Assim, a supressão da pontuação que isola a expressão "aliás" realmente prejudicaria a
correção gramatical. Item correto.
QUESTÃO Nº 26 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018 (E MAIS 1
CONCURSO) – TEXTO CB4A1BBB
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um
domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de


seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, em
vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o
restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico
serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro,
certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua espécie. Ele pode então voltar
para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir as
grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à
TV; acordar na segunda-feira feliz para o batente.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais
fácil e a única com satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para
dentro do espelho, sem glamour e também sem volta.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos.
Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que
nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer
reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana, são
trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores
que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme
enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido.

Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006,
p. 53-4 (com adaptações).

Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item
que se segue.
A forma verbal “passara” denota um fato ocorrido antes de duas outras ações também
já concluídas, as quais são descritas nos dois períodos imediatamente anteriores ao
período em que ela se insere.

Certo
Errado

A alternativa está INCORRETA.

MUITO CUIDADO!!!
Antes de tudo, responda: como um período acaba? Com ponto final, de interrogação, de
exclamação.
Maravilha, pois, sabendo disso, identificaremos quais os dois períodos imediatamente
anteriores ao período citado nesta assertiva, ok? Vamos lá!
O largo horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao
alcance de seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado.
O que temos no texto é isto aí de cima!
Em azul temos o período imediatamente anterior e em verde o outro período
imediatamente anterior: a questão refere-se aos dois períodos imediatamente anteriores.
Destaquei os verbos de cada um dos períodos em negrito para que você me diga: em
que tempo e modo verbal eles estão? Pretérito Imperfeito do Indicativo!

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Considerando isso, a alternativa pode estar correta? Não, pois ela fala que a forma verbal
"passara" indica um fato ocorrido antes de duas outras ações também concluídas e que
são descritas nesses dois períodos anteriores.
Gente, esses verbos no pretérito imperfeito do Indicativo têm sentido de ação que
ocorria com regularidade, com frequência, e não de ação concluída. Qual o tempo
verbal que denota classicamente sentido de ação concluída? O pretérito perfeito do
indicativo.
QUESTÃO Nº 27 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TAQUIGRAFIA/2017 – TEXTO 4A4AAA
A linguagem — seja ela oral ou escrita, seja mímica ou semafórica — é um sistema de
símbolos, signos ou signos-símbolos, voluntariamente produzidos e convencionalmente
aceitos, mediante o qual o ser humano se comunica com seus semelhantes, expressando
suas ideias, sentimentos ou desejos.
A linguagem ideal seria aquela em que cada palavra designasse apenas uma coisa,
correspondesse a uma só ideia ou conceito, tivesse um só sentido. Como tal não ocorre
em nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza, enganosas, porque
polissêmicas ou plurivalentes.
Isoladas de contexto ou situação, as palavras quase nada significam de maneira precisa,
inequívoca (Ogden e Richards são radicais: “as palavras nada significam por si mesmas”):
“...o que determina o valor da palavra é o contexto, o qual, a despeito da variedade de
sentidos de que a palavra seja suscetível, lhe impõe um valor ‘singular’; é o contexto
também que a liberta de todas as representações passadas, nela acumuladas pela
memória, e que lhe atribui um valor ‘atual’”. Assim, por mais condicionada que esteja a
significação de uma palavra ao seu contexto, sempre subsiste nela, palavra, um núcleo
significativo mais ou menos estável e constante, além de outros traços semânticos
potenciais em condições de se evidenciarem nos contextos em que ela apareça. Se, como
entendem Ogden e Richards, as palavras por si mesmas nada significassem, a cada novo
contexto elas adquiririam significação diferente, o que tornaria praticamente impossível
a própria intercomunicação linguística.
Othon M. Garcia. Comunicação em Prosa Moderna. 21.ª ed. Rio de Janeiro: Editora
FGV, 2002, p. 175-6 (com adaptações).
Considerando as relações sintático-semânticas do texto 4A4AAA, julgue o item.
A correção gramatical e os sentidos do primeiro período do segundo parágrafo seriam
preservados caso as formas verbais flexionadas no futuro do pretérito do indicativo e no
modo subjuntivo fossem alteradas para o presente do modo indicativo, da seguinte
forma: A linguagem ideal é aquela em que cada palavra designa apenas uma coisa,
corresponde a uma só ideia ou conceito, tem um só sentido.

Certo
Errado

Gabarito: ERRADO

As trocas dessas formas verbais sugeridas pela questão são estas:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A linguagem ideal seria/é aquela em que cada palavra designasse/designa apenas uma
coisa, correspondesse/corresponde a uma só ideia ou conceito, tivesse/tem um só
sentido. Como tal não ocorre em nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza,
enganosas, porque polissêmicas ou plurivalentes.
Gramaticalmente, tais substituições, neste parágrafo não causariam erro; porém, em
relação ao parágrafo anterior causam incoerência, e isso promove irregularidade de
articulação ou correlação verbal entre o primeiro e o segundo parágrafos.
Isso ocorre porque o primeiro parágrafo apresenta o conceito de linguagem existente; o
segundo parágrafo apresenta uma linguagem ideal hipotética, que contrapõe o
conteúdo do parágrafo anterior. Como este conceito é hipotético e se contrapõe ao
parágrafo anterior, não há relação de sentido coerente substituir as formas verbais
hipotéticas (futuro do pretérito do indicativo e pretérito imperfeito do subjuntivo) pelas
formas verbais de certeza (presente do modo indicativo).
QUESTÃO Nº 28 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 2 CONCURSOS) – TEXTO CB4A1AAA
As discussões em torno de questões como “o que é justiça?” ou “quais são os
mecanismos disponíveis para produzir situações cada vez mais justas ao conjunto da
sociedade?” não são novidade. Autores do século XIX já procuravam construir análises
para identificar qual o sentido exato do termo justiça e quais formas de promovê-la eram
possíveis e desejáveis ao conjunto da sociedade à época. O debate se enquadra em torno
de três principais ideias: bem-estar; liberdade e desenvolvimento; e promoção de formas
democráticas de participação. Autores importantes do campo da ciência política e da
filosofia política e moral se debruçaram intensamente em torno dessa questão ao longo
do século XX, e chegaram a conclusões diversas uns dos outros. Embora a perspectiva
analítica de cada um desses autores divirja entre si, eles estão preocupados em
desenvolver formas de promoção de situações de justiça social e têm hipóteses concretas
para se chegar a esse estado de coisas.
Para Amartya Sen, por exemplo, a injustiça é percebida e mensurada por meio da
distribuição e do alcance social das liberdades. Para Rawls, ela se manifesta
principalmente nas estruturas básicas da sociedade e sua solução depende de uma nova
forma de contrato social e de uma definição de princípios básicos que criem condições
de promoção de justiça. Já para Habermas, a questão gira em torno da manifestação no
campo da ação comunicativa, na qual a fragilidade de uma ação coletiva que tenha
pouco debate ou pouca representação pode enfraquecer a qualidade da democracia e,
portanto, interferir no seu pleno funcionamento, tendo, por consequência,
desdobramentos sociais injustos. Em síntese, os autores argumentam a favor de
instrumentos variados para a solução da injustiça, os quais dependem da interpretação
de cada um deles acerca do conceito de justiça.

Augusto Leal Rinaldi. Justiça, liberdade e democracia. In: Pensamento Plural. Pelotas
[12]: 57-74, jan.-jun./2013 (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB4A1AAA, julgue o item.
Embora haja semelhança de sentido entre os verbos divergir e diferir, a substituição da
forma verbal “divirja” por difere prejudicaria a correção gramatical do texto.
Certo

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Errado

CORRETA.
Gente, antes de tudo: cuidado com o enunciado!! A questão afirma que a substituição
da forma verbal "divirja" por "difere" PREJUDICARIA a correção gramatical, ok?
Vejamos o trecho original: "Embora a perspectiva analítica de cada um desses
autores divirja entre si...".
Percebam que o verbo "divergir" está empregado no presente do Subjuntivo, justamente
para haver uma harmonização com a conjunção "embora". Assim, a conjugação ideal
seria "difira" (verbo deferir conjugado no presente do Subjuntivo), e não difere.
QUESTÃO Nº 29 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS) – TEXTO CB2A2AAA
O pensamento do filósofo grego Sócrates, no século V a. C., marcou uma reviravolta na
história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo com base na
observação das forças da natureza. A partir de Sócrates, o ser humano voltou-se para si
mesmo.
A preocupação do filósofo era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à
sabedoria e à prática do bem. Para o filósofo grego, o papel do educador é, portanto, o
de ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que
ele consiga, por si próprio, iluminar sua inteligência e sua consciência.
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que
desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua
função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma
forma que ele contesta os argumentos dos alunos. Para esse pensador, só a troca de
ideias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão, condição imprescindível para o
aperfeiçoamento do ser humano.
Sócrates. In: Coleção Grandes Pensadores. Revista Nova Escola. Ed. 179, jan.–fev./2005.
Internet: <https://novaescola.org.br> (com adaptações).

A respeito das propriedades linguísticas do texto CB2A2AAA, julgue o item


subsequente.
O pronome na forma verbal “voltou-se” denota reciprocidade, aspecto enfatizado pela
expressão “para si mesmo”.

Certo
Errado

Gabarito: ERRADO.
Analisando o item a seguir, temos:
O pronome na forma verbal “voltou-se” denota reciprocidade, aspecto enfatizado
pela expressão “para si mesmo” .

Inicialmente não há ideia de reciprocidade, situação em que um faz algo a outro e recebe
do outro a mesma ação. Um detalhe importante: o pronome "se" não é reflexivo, mas
sim parte integrante do verbo, uma vez que o verbo "voltar-se" no sentido de "dirigir-

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se" é pronominal. Há a ideia de reflexividade, todavia indicada pela expressão "para si


mesmo".
QUESTÃO Nº 30 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018 – TEXTO CB4A1BBB
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um
domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo
horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de
seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, em
vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o
restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico
serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro,
certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua espécie. Ele pode então voltar
para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir as
grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à
TV; acordar na segunda-feira feliz para o batente.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais
fácil e a única com satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para
dentro do espelho, sem glamour e também sem volta.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos.
Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que
nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem
sequer reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana,
são trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a
caçadores que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a
quem dorme enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido.
Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006,
p. 53-4 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item
que se segue.
Ao empregar o termo “nem sequer”, a autora reforça a contraposição entre adivinhar “as
selvas úmidas da Ásia” e não reconhecer as estrelas.
Certo
Errado

A alternativa está CORRETA.


Vejamos o trecho: Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as
estrelas.
O contraste entre as ações (adivinhar as selvas úmidas e reconhecer as estrelas) é
estabelecido pela conjunção "mas" (tipicamente adversativa) e reforçado pela
expressão "nem sequer".
Sem muitas delongas, alternativa CORRETA.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 31 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 2 CONCURSOS) – TEXTO CB1A1AAA
No pensamento filosófico da Antiguidade, a dignidade (dignitas) da pessoa humana era
alcançada pela posição social ocupada pelo indivíduo, bem como pelo grau de
reconhecimento dos demais membros da comunidade. A partir disso, poder-se-ia falar
em uma quantificação (hierarquia.) da dignidade, o que permitia admitir a existência de
pessoas mais dignas ou menos dignas.
Frise-se que foi a partir das formulações de Cícero que a compreensão de dignidade
ficou desvinculada da posição social. O filósofo conferiu à dignidade da pessoa humana
um sentido mais amplo ligado à natureza humana: todos estão sujeitos às mesmas leis
da natureza, que proíbem que uns prejudiquem aos outros.
No círculo de pensamento jusnaturalista dos séculos XVII e XVIII, a concepção da
dignidade da pessoa humana passa por um procedimento de racionalização e
secularização, mantendo-se, porém, a noção básica da igualdade de todos os homens
em dignidade e liberdade. Nesse período, destaca-se a concepção de Emmanuel Kant
de que a autonomia ética do ser humano é o fundamento da dignidade do homem.
Incensurável é a permanência da concepção kantiana no sentido de que a dignidade da
pessoa humana repudia toda e qualquer espécie de coisificação e instrumentalização do
ser humano.
Antonio da Rocha Lourenço Neto. Direito e humanismo: visão filosófica, literária e
histórica. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2013, p.148-9 (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue o item.
No terceiro parágrafo, com o emprego de “porém”, o autor expressa uma oposição entre
a ideia de “racionalização e secularização” do conceito de dignidade humana e a
manutenção da “igualdade de todos os homens em dignidade e liberdade”.

Certo
Errado

Gabarito: ERRADO.
(ATENÇÃO! Este comentário foi ajustado!)
Questão extremamente perigosa do CESPE!
Julguei-a como correta inicialmente, pois o conector "PORÉM" expressa sim sentido
de oposição e não há problema nenhum em relação ao sentido! O problema reside em
um detalhe do comando da questão, vejamos:
ENUNCIADO: No terceiro parágrafo, com o emprego de “porém”, o autor expressa uma
oposição entre a ideia de “racionalização e secularização” do conceito de dignidade
humana e a manutenção da “igualdade de todos os homens em dignidade e
liberdade”.
SEGUNDO O ENUNCIADO, a conjunção PORÉM estabelece oposição entre:
A IDEIA DE RACIONALIZAÇÃO E SECULARIZAÇÃO DO CONCEITO DE DIGNIDADE
HUMANA
X

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A MANUTENÇÃO DA IGUALDADE DE TODOS OS HOMENS EM DIGNIDADE E


LIBERDADE
Trecho: "No círculo de pensamento jusnaturalista dos séculos XVII e XVIII, a concepção da
dignidade da pessoa humana passa por um procedimento de racionalização e
secularização, mantendo-se, porém, a noção básica da igualdade de todos os homens em
dignidade e liberdade."
Segundo o texto, a conjunção PORÉM estabelece oposição entre:
A IDEIA DE RACIONALIZAÇÃO E SECULARIZAÇÃO DA CONCEPÇÃO (CONCEITO) DE
DIGNIDADE HUMANA
X
A MANUTENÇÃO DA NOÇÃO BÁSICA DE IGUALDADE DE TODOS OS HOMENS EM
DIGNIDADE E LIBERDADE
Perceberam a pegadinha infeliz?
O enunciado fala em oposição entre a ideia de racionalização e secularização do
conceito de dignidade humana e a manutenção da igualdade, enquanto o autor tece a
oposição entre a ideia de racionalização e secularização do conceito de dignidade
humana e a manutenção da NOÇÃO BÁSICA de igualdade.
A PEGADINHA ENCONTRA-SE BASICAMENTE NESTE DETALHE: Uma coisa é manter
a igualdade, outra é manter a noção básica de igualdade. Assim, a conjunção "porém"
expressa sentido de oposição, mas não entre os termos apontados no comando da
questão.

CESPE sendo CESPE.


QUESTÃO Nº 32 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TAQUIGRAFIA/2017 – TEXTO 4A4AAA
A linguagem — seja ela oral ou escrita, seja mímica ou semafórica — é um sistema de
símbolos, signos ou signos-símbolos, voluntariamente produzidos e convencionalmente
aceitos, mediante o qual o ser humano se comunica com seus semelhantes, expressando
suas ideias, sentimentos ou desejos.
A linguagem ideal seria aquela em que cada palavra designasse apenas uma coisa,
correspondesse a uma só ideia ou conceito, tivesse um só sentido. Como tal não ocorre
em nenhuma língua conhecida, as palavras são, por natureza, enganosas, porque
polissêmicas ou plurivalentes.
Isoladas de contexto ou situação, as palavras quase nada significam de maneira precisa,
inequívoca (Ogden e Richards são radicais: “as palavras nada significam por si mesmas”):
“...o que determina o valor da palavra é o contexto, o qual, a despeito da variedade de
sentidos de que a palavra seja suscetível, lhe impõe um valor ‘singular’; é o contexto
também que a liberta de todas as representações passadas, nela acumuladas pela
memória, e que lhe atribui um valor ‘atual’”. Assim, por mais condicionada que esteja a
significação de uma palavra ao seu contexto, sempre subsiste nela, palavra, um núcleo
significativo mais ou menos estável e constante, além de outros traços semânticos
potenciais em condições de se evidenciarem nos contextos em que ela apareça. Se, como
entendem Ogden e Richards, as palavras por si mesmas nada significassem, a cada novo
contexto elas adquiririam significação diferente, o que tornaria praticamente impossível
a própria intercomunicação linguística.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Othon M. Garcia. Comunicação em Prosa Moderna. 21.ª ed. Rio de Janeiro: Editora
FGV, 2002, p. 175-6 (com adaptações).
Considerando as relações sintático-semânticas do texto 4A4AAA, julgue o item.
O vocábulo “Como” introduz no segundo período uma ideia de comparação.
Certo
Errado

Gabarito: ERRADO
O “Como” empregado no texto não relaciona dois elementos, por isso não introduz ideia
de comparação, mas sim a ideia de motivo, portanto ideia de causa. Observe: “Como tal
não ocorre em nenhuma língua conhecida”, ou seja, como em nossa língua uma palavra
não designa apenas uma coisa nem corresponde a uma só ideia ou conceito, “as palavras
são, por natureza, enganosas, porque polissêmicas ou plurivalentes”.
Dessa forma, podemos entender que o fato de as palavras não terem apenas um sentido
possível é o motivo, a causa de elas serem enganosas por natureza.
QUESTÃO Nº 33
A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos.
Muitas pessoas são suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve
ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma educação de qualidade para
todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos
preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.

Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com


adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item
a seguir.
A substituição de “teremos conquistado” por conquistaremos manteria os sentidos
originais do texto.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ A substituição de “teremos conquistado” por conquistaremos manteria os sentidos
originais do texto.

Trecho: "Devemos preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do
passado. Nesse futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira
justiça social."

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A locução verbal "teremos conquistado" está no futuro do presente composto do modo


indicativo. Esse tempo verbal expressa uma ação que acontece no futuro, mas antes de
outra ação ter começado. A ideia do trecho é a seguinte: a ação de conquistar "a utopia
de uma verdadeira justiça social" acontece antes de a corrupção ser um fenômeno do
passado. Vamos ver as ações numa linha do tempo:
conquista de uma verdadeira justiça social ⇒ fim da corrupção ⇒ surgimento de uma
geração em que a corrupção não exista mais.
A substituição de "teremos conquistado" para "conquistaremos" flexiona o verbo no futuro
do presente simples do modo indicativo, expressando uma ação que ainda vai acontecer
no futuro, mas sem a ideia de que ela ocorre ANTES de outra ação futura. Com essa
modificação, a linha do tempo seria a seguinte:
fim da corrupção ⇒ surgimento de uma geração em que a corrupção não exista mais ⇒
conquista de uma verdadeira justiça social

Percebeu como o sentido é alterado??


Assim, a afirmativa está ERRADA.

QUESTÃO Nº 34
O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da
modernidade. Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços
do passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não
deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o tecido, o pergaminho e o papel forneceram
os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na
humildade dos objetos mais simples, a escrita teve como missão conjurar contra a
fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os
manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de destruição,
a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro perigo: o
de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o
acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto seu
contrário. Embora fosse temido, o apagamento era necessário, assim como o
esquecimento também o é para a memória. Nem todos os escritos foram destinados
a se tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns
foram traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de
novo.
Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.:
Luzmara Curcino Ferreira. São Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).

No texto, as relações sintático-semânticas do período “Embora fosse temido, o


apagamento era necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória”
seriam preservadas caso a conjunção “Embora” fosse substituída por:

a) Por conseguinte.
b) Ainda que.
c) Consoante.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

d) Desde que.
e) Uma vez que.

A alternativa "B" é a CORRETA.


Galera, "embora" é uma clássica conjunção concessiva, ok? Assim precisamos buscar
uma conjunção que expresse esse mesmo sentido, não há muito o que "enrolar" aqui,
certo? Questão rapidinha e sem problemas.

A) Por conseguinte.
INCORRETA. Conjunção conclusiva.

B) Ainda que.
CORRETA. Conjunção concessiva! Ideia de oposição, contradição.

C) Consoante.
INCORRETA. Conjunção conformativa.

D) Desde que.
INCORRETA. Conjunção, em regra, condicional, ou temporal.

Vamos ver exemplos:


- condicional: O seu resultado será bom desde que se esforce.
- temporal: Desde que você chegou, não consigo mais dormir... (quem lembrar a
música, avisa!
E) Uma vez que.
INCORRETA. Conjunção causal.
QUESTÃO Nº 35
O Brasil é um país de cidades novas. A maior parte de seus núcleos urbanos surgiu no
século passado. Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo.
Contemporâneas dos primeiros tempos da colonização, algumas delas já ultrapassaram
inclusive a marca do quarto centenário. Poucas são as cidades brasileiras, contudo, que
ainda apresentam vestígios materiais consideráveis do passado.
Se hoje o Rio de Janeiro, fundado em 1565, vangloria-se de seu “corredor cultural”, que
preserva edificações da área central construídas na virada do século XIX para o XX, é
importante lembrar que as edificações aí situadas substituíram inúmeras outras antes
existentes no mesmo local. Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais, arrasado
devido à destruição do Morro do Castelo em 1922. E o que falar de São Paulo, fundada
em 1554? Da pauliceia colonial e imperial quase mais nada existe, e, se ainda temos uma
boa noção do que foi a cidade da primeira metade do século XX, é porque contamos
com a paisagem eternizada das fotografias e com os belíssimos trabalhos realizados
pelos geógrafos paulistas por ocasião do quarto centenário da cidade.
Há outros exemplos. Olinda, fundada em 1537, orgulha-se de ser patrimônio cultural da
humanidade, mas esse título não lhe foi conferido em razão dos testemunhos que
sobraram da cidade antiga, em grande parte substituída por construções em estilo
eclético ou art déco do início do século passado. E se Salvador, criada em 1549, e Ouro
Preto, fundada em 1711, podem gabar-se de manter ainda um patrimônio histórico-
arquitetônico apreciável, isso se deve muito mais à longa decadência econômica pela

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

qual passaram, que atenuou os ataques ao parque construído, do que a qualquer


veleidade preservacionista local.
Em suma, não é muito comum encontrarem-se vestígios materiais do passado nas
cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há bastante tempo. Há, entretanto,
algo novo acontecendo em todas elas. Independentemente de qual tenha sido o estoque
de materialidades históricas que tenham conseguido salvar da destruição, as cidades do
país vêm hoje engajando-se decisivamente em um movimento de preservação do que
sobrou de seu passado, em uma indicação flagrante de que muita coisa mudou na forma
como a sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias.
Mauricio Abreu. Sobre a memória das cidades. In: Ana Fani Alessandri Carlos et al
(Orgs.). A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios. São
Paulo: Editora Contexto, 2013, p. 21-2 (com adaptações).

No texto I, a conjunção “entretanto” introduz, no período em que ocorre, uma ideia de:

a) condição.
b) causa.
c) consequência.
d) oposição.
e) adição.

A assertiva "D" é a CORRETA.


Devemos indicar a ideia introduzida pela conjunção "entretanto" no seguinte trecho:
"Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo."
O termo "entretanto" é uma conjunção adversativa, que exprime ideia de oposição,
assim como "mas", "porém", "contudo", "todavia", etc.

Assim, a alternativa "D" é a CORRETA (oposição).


Vejamos as incorretas com exemplos:

Alternativa "A": condição


Exemplos de conjunções condicionais: desde que, se, caso, contanto que, etc.
Alternativa "B": causa
Exemplos de conjunções causais: porque, uma vez que, como (com sentido de porque,
empregada no início da frase), já que, visto que, etc.

Alternativa "C": consequência


Exemplos de conjunções consecutivas: de sorte que, de modo que, que (quando
tivermos umas dessas palavras na oração principal: tão, tanto, tamanha, tamanho), etc.
Alternativa "E": adição
Exemplos de conjunções aditivas: e, não só... mas também, não só...como também, nem,
etc.
QUESTÃO Nº 35 – TEXTO II
Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes impactos ambientais,
causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações do solo, dos
lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela proliferação de

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insetos transmissores de inúmeras doenças. São, portanto, um perigo constante à saúde


e à qualidade de vida de todos. Os lixões deverão dar lugar a aterros sanitários, que, se
não representam uma solução perfeita, ao menos são locais mais adequados para o
depósito dos rejeitos, uma vez que evitam problemas como os citados anteriormente.
As cidades precisam se comprometer a dar cumprimento à Lei Nacional de Resíduos
Sólidos. Uma maneira de fazer isso é adotar políticas de gestão eficiente dos resíduos a
fim de que a menor quantidade possível desses materiais precise ser encaminhada para
os aterros. Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação da
coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas
de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas de trabalho são
requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das condições de vida e
de trabalho desses profissionais. Mais de um milhão de pessoas trabalham e sobrevivem
da reciclagem, muitas delas em condições bastante precárias.
O Brasil produz mais de 220 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, o que resulta em
mais de um quilo de lixo por pessoa. Ao menos 90% de todo esse material poderia ser
reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Apenas 3% acabam sendo efetivamente
reciclados, um destino mais nobre do que o de se degradar e contaminar o nosso
ambiente. Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de
reais por ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país.
Reinaldo Canto. As cidades brasileiras conseguirão tratar seu lixo? Internet:
<www.cartacapital.com.br> (com adaptações).
Seriam mantidos o sentido original e a correção gramatical do texto II caso o trecho
“por não reciclar” fosse substituído por:
a) quando não recicla.
b) se não reciclar.
c) sem reciclar.
d) para não reciclar.
e) porque não recicla.

A alternativa "E" é a CORRETA.


Devemos indicar a substituição CORRETA para o seguinte trecho, mantendo-se o
sentido original e a correção gramatical:
"Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de reais por
ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país."
A preposição "por" foi empregada com sentido de causa. O segmento destacado em
negrito indica o motivo de o Brasil deixar de ganhar ao menos 8 bilhões de reais por ano.
Para que esse sentido original seja mantido, na substituição devemos empregar um
termo que também tenha sentido de CAUSA. Vamos lá?
Alternativa "A": quando não recicla.
INCORRETA. A conjunção "quando" tem sentido de tempo, e não de causa. Assim, a
substituição altera o sentido original.
Alternativa "B": se não reciclar.
INCORRETA. A conjunção "se" tem sentido de condição, e não de causa. Essa
substituição altera o sentido original.

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Alternativa "C": sem reciclar.


INCORRETA. A expressão "sem reciclar" não deixa explícito o sentido de causa. A ideia
geral é mantida, mas não exatamente o sentido original. Assim, a substituição
estaria incorreta.
Alternativa "D": para não reciclar
INCORRETA. A preposição "para", nesse caso, tem sentido de finalidade. Essa
substituição, portanto, alteraria o sentido original.
Alternativa "E": porque não recicla
CORRETA. A conjunção "porque" indica sentido de causa ou explicação. Assim, o sentido
original está mantido, além de preservar a correção gramatical. Veja que o sujeito "o
Brasil" está implícito nesse trecho, podendo ser representado pelo pronome "ele". Assim:
porque [o Brasil] não recicla.
QUESTÃO Nº 36 – TEXTO III
A história do grafite no Brasil iniciou-se na década de 70 do século XX, precisamente na
cidade de São Paulo, em uma época conturbada da história do Brasil, época essa
silenciada pela censura resultante da chegada dos militares ao poder.
Paralelamente ao movimento que despontava em Nova York, o grafite surgiu no cenário
da metrópole brasileira como uma arte transgressora, a linguagem da rua, da
marginalidade, que não pedia licença e que gritava nas paredes da cidade os incômodos
de uma geração.
A partir disso, a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de
comunicação urbano, corroborando, de alguma maneira, a existência de outras vozes,
de outros sujeitos históricos e ativos que participam da cidade.
É importante ressaltar que o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela autoria
anônima, por meio da qual o grafiteiro transformava a cidade em um importante suporte
de comunicação artística sem delimitação de espaço, de mensagem ou de mensageiro.
Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu
autor. Por esse motivo, os ditos “cânones” são retirados de sua posição central e
imperativa para dar lugar a uma arte de todos e para todos; arte da rua, na rua e para a
rua; arte da cidade, na cidade e para a cidade: o grafite. Nesse sentido, a arte se funde
com a vida do cidadão da metrópole por meio do movimento mútuo de transformação
e de identificação de seus sujeitos.
Internet: <www.todamateria.com.br> (com adaptações).
Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto III caso a palavra “Portanto”,
no trecho “Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome
de seu autor”, fosse substituída por:
a) Pois.
b) No entanto.
c) Logo.
d) Entretanto.
e) Porquanto.
A alternativa "C" é a CORRETA.

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Devemos indicar uma substituição correta para a palavra "Portanto", mantendo-se o


sentido e a correção gramatical do seguinte trecho do texto:
"Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor."
O termo destacado em negrito é uma conjunção conclusiva, que introduz sentido
de conclusão, assim como por isso, logo, pois (depois do verbo), por conseguinte, etc.
Para que o sentido original seja preservado, precisamos substituir essa palavra por outro
termo que indique conclusão.
Entre as alternativas que temos, o único termo com sentido conclusivo está na letra
"C": Logo.
A frase ficaria assim:
→ Logo, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor.

Vejamos as incorretas:
Alternativa "A": Pois
O termo "pois" será conjunção conclusiva quando empregado APÓS O VERBO. Quando
empregado antes do verbo, essa palavra assume um sentido de explicação.
Exemplo: Chegou atrasado, pois demorou para sair de casa. (sentido de explicação)
Exemplo: João demorou para sair de casa; chegou, pois, atrasado. (sentido de conclusão)
Alternativa "B": No entanto
Essa é uma conjunção adversativa, que introduz sentido de oposição.
Alternativa "D": Entretanto
Essa é mais uma conjunção adversativa, portanto o sentido é de oposição, e não de
conclusão.
Alternativa "E": Porquanto
O termo acima pode assumir sentido de explicação ou de causa (conjunção explicativa
ou causal), mas não de conclusão.
QUESTÃO Nº 36 – TEXTO II
Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes impactos ambientais,
causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações do solo, dos
lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela proliferação de
insetos transmissores de inúmeras doenças. São, portanto, um perigo constante à saúde
e à qualidade de vida de todos. Os lixões deverão dar lugar a aterros sanitários, que, se
não representam uma solução perfeita, ao menos são locais mais adequados para o
depósito dos rejeitos, uma vez que evitam problemas como os citados anteriormente.
As cidades precisam se comprometer a dar cumprimento à Lei Nacional de Resíduos
Sólidos. Uma maneira de fazer isso é adotar políticas de gestão eficiente dos resíduos a
fim de que a menor quantidade possível desses materiais precise ser encaminhada para
os aterros. Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação
da coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas
cooperativas de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas de
trabalho são requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das
condições de vida e de trabalho desses profissionais. Mais de um milhão de pessoas
trabalham e sobrevivem da reciclagem, muitas delas em condições bastante precárias.

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O Brasil produz mais de 220 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, o que resulta em
mais de um quilo de lixo por pessoa. Ao menos 90% de todo esse material poderia ser
reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Apenas 3% acabam sendo efetivamente
reciclados, um destino mais nobre do que o de se degradar e contaminar o nosso
ambiente. Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de
reais por ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país.
Reinaldo Canto. As cidades brasileiras conseguirão tratar seu lixo? Internet:
<www.cartacapital.com.br> (com adaptações).
No texto II, sem prejuízo do sentido original e da correção gramatical do trecho “Para
que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação da coleta seletiva
de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas de catadores”
as palavras “possível” e “efetivo” poderiam ser substituídas, respectivamente, por:
a) frustrado e real.
b) realizável e verdadeiro.
c) factível e duvidoso.
d) imaginável e completo.
e) exequível e iminente.
A alternativa "B" é a CORRETA.
Devemos indicar uma substituição correta para os termos destacados abaixo em negrito:
"Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação da coleta
seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas de
catadores."
Possível = algo que pode ser realizado; realizável, executável, praticável, factível.
efetivo = real, concreto, verdadeiro
Vamos às alternativas.
Alternativa "A": frustrado e real. - INCORRETA.
frustrado = que falhou; fracassado. Não é sinônimo de "possível".
O termo "real", como vimos, pode ser empregado como sinônimo de "efetivo", nesse
caso.

Alternativa "B": realizável e verdadeiro. - CORRETA.


realizável = que pode ser realizado. É sinônimo de "possível".
O termo "verdadeiro" pode ser empregado como sinônimo de "efetivo", como vimos
acima.

Alternativa "C": factível e duvidoso. - INCORRETA.


factível = que pode ser feito; realizável. É sinônimo de "possível".
duvidoso = que gera dúvida; incerto. Não é sinônimo de "efetivo".
Alternativa "D": imaginável e completo. - INCORRETA.
imaginável = que pode ser imaginado; concebível. Pode ser sinônimo de "possível".
completo = pleno, perfeito, absoluto. Esse termo não tem exatamente o mesmo
sentido de "efetivo".
Alternativa "E": exequível e iminente. - INCORRETA.
exequível = que pode ser executado; realizável. É sinônimo de "possível".

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iminente = que está prestes a ocorrer. Esse termo não tem o mesmo sentido de
"efetivo".
QUESTÃO Nº 37 – TEXTO CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar mãos à obra.
Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia precisava de estradas,
escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio, imprensa, biblioteca, hospitais,
comunicações eficientes. Em especial, necessitava de um governo que se
responsabilizasse por tudo isso. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808,
quarenta e oito horas depois de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo
gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de ação. A
primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D. João tomou, logo
ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias, estimular o povoamento e
o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra frente era externa. Visava ampliar as
fronteiras do Brasil, em uma tentativa de aumentar a influência portuguesa na América.
Era também uma forma de punir os adversários europeus de Portugal, ocupando seus
territórios e ameaçando seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram
precários e sem consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma segunda ofensiva seria a anexação da
chamada Banda Oriental do Rio da Prata, atual território do Uruguai, em represália à
aliança da Espanha com a França napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A
Guiana se livrou das tropas de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua
independência em 1828.
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na
primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com adaptações).

Julgue o item subsecutivo, referente aos sentidos do texto CB8A1BBB.


Sem prejuízo do sentido do texto, a palavra “retaliação” poderia ser substituída
por revide, desforra.

Certo
Errado

GABARITO: "CERTO"
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão.

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A invasão da Guiana Francesa pelos soldados brasileiros e portugueses era uma


retaliação, ou seja, um troco (em linguagem coloquial), um revide, uma desforra (em
linguagem culta) à invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão.
As palavras retaliação, revide, desforra fazem parte do mesmo campo semântico, que é
o de reação em sentido contrário contra uma ação anterior realizada pelo adversário.
QUESTÃO Nº 38 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:
<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.


Os sentidos originais do texto seriam alterados caso, na linha 28, a palavra “certas” fosse
deslocada para imediatamente após “pessoas”.

Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.

Ela diz o seguinte:


→ Os sentidos originais do texto seriam alterados caso, na linha 28, a palavra “certas”
fosse deslocada para imediatamente após “pessoas”.
Trecho: "A mídia tem um papel básico na discussão desses casos de amortecimento,
esquecimento e 'jeitinho', porque ela ajuda a politizar o velho hábito que insiste em situar
certos cargos e as pessoas que os empossam como acima da lei, do mesmo modo e pela
mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres)
implacavelmente debaixo da lei."

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Na expressão "certas pessoas", o termo "certas" é pronome indefinido com sentido de


"algumas". O que esse significado confere a esse termo é justamente a posição dele antes
do substantivo "pessoas".
Na expressão "pessoas certas", teríamos o adjetivo "certas", com sentido de "corretas".
Veja que a ideia seria completamente diferente.
Assim, a modificação indicada realmente alteraria o sentido original. A afirmativa
está CERTA.
QUESTÃO Nº 39
A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos.
Muitas pessoas são suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve
ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma educação de qualidade para
todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos
preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com
adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item
a seguir.
No texto, a forma verbal “acomete” está empregada com o significado de afetar,
contagiar:
Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.


Ela diz o seguinte:
→ No texto, a forma verbal “acomete” está empregada com o significado de afetar,
contagiar.
Trecho: "A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a
todos."
O verbo "acometer", nesse contexto, significa "manifestar-se; atingir; afetar ou
contagiar".
A palavra foi empregada em sentido figurado, fazendo parte de uma metáfora: "A
corrupção é uma doença da alma". Note que o texto refere-se à corrupção como uma
DOENÇA, por isso há esse sentido de "contagiar".
QUESTÃO Nº 40 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto

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de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.

Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:


<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.
A palavra “Agora” exprime uma circunstância temporal.
Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ A palavra “Agora” exprime uma circunstância temporal.
Trecho: Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários
públicos do meu país. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da
receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho”
virando corrupção.
O termo destacado, nesse contexto, introduz uma afirmação com sentido oposto ao do
período anterior. Sendo assim, o termo "agora" funciona como conjunção adversativa,
podendo ser substituído por "Porém" ou "Contudo", por exemplo. Não há uma ideia de
tempo. A afirmativa está errada.
Vamos ver uma frase em que essa palavra indica tempo (advérbio temporal):
Ex: Preciso de uma resposta agora.
QUESTÃO Nº 41 –TEXTO II
Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes impactos
ambientais, causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações do
solo, dos lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela
proliferação de insetos transmissores de inúmeras doenças. São, portanto, um perigo
constante à saúde e à qualidade de vida de todos. Os lixões deverão dar lugar a aterros
sanitários, que, se não representam uma solução perfeita, ao menos são locais mais
adequados para o depósito dos rejeitos, uma vez que evitam problemas como os citados
anteriormente.

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As cidades precisam se comprometer a dar cumprimento à Lei Nacional de Resíduos


Sólidos. Uma maneira de fazer isso é adotar políticas de gestão eficiente dos resíduos a
fim de que a menor quantidade possível desses materiais precise ser encaminhada para
os aterros. Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação
da coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas
cooperativas de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas de
trabalho são requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das
condições de vida e de trabalho desses profissionais. Mais de um milhão de pessoas
trabalham e sobrevivem da reciclagem, muitas delas em condições bastante precárias.
O Brasil produz mais de 220 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, o que resulta em
mais de um quilo de lixo por pessoa. Ao menos 90% de todo esse material poderia ser
reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Apenas 3% acabam sendo efetivamente
reciclados, um destino mais nobre do que o de se degradar e contaminar o nosso
ambiente. Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de
reais por ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país.
Reinaldo Canto. As cidades brasileiras conseguirão tratar seu lixo? Internet:
<www.cartacapital.com.br> (com adaptações).
Levando em conta os sentidos do texto II, assinale a opção correta.

a) O trecho “Capacitar essas pessoas” foi empregado com o sentido de Conferir


capacidade a esses empregados.
b) No trecho “em condições bastante precárias”, a palavra “bastante” pode ser
corretamente substituída por muito.
c) O trecho “depósitos sem qualquer controle” tem significado equivalente ao de
depósitos descontrolados.
d) Em “lugares responsáveis”, a palavra “responsáveis” pode ser substituída
adequadamente por que se responsabilizam.
e) No trecho “coleta seletiva de lixo”, a palavra “seletiva” significa capaz de efetuar
seleção.

A alternativa "B" é a CORRETA.

Devemos indicar a opção correta, levando em conta os sentidos do texto.


Vamos lá?

Alternativa "A": O trecho “Capacitar essas pessoas” foi empregado com o sentido
de Conferir capacidade a esses empregados.
INCORRETA. Trecho completo: "Para que isso seja possível, será necessária a implantação
ou a ampliação da coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido
pelas cooperativas de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas
de trabalho são requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das
condições de vida e de trabalho desses profissionais."
A expressão "essas pessoas" refere-se aos catadores cooperados, e não aos
empregados. Os catadores mencionados não são empregados de uma empresa, mas sim
membros de uma cooperativa. Assim, a alternativa está errada.
Alternativa "B": No trecho “em condições bastante precárias”, a palavra “bastante” pode
ser corretamente substituída por muito.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

CORRETA. Trecho: "Mais de um milhão de pessoas trabalham e sobrevivem da reciclagem,


muitas delas em condições bastante precárias."
O termo "bastante" foi empregado como advérbio de intensidade equivalente a
"muito". Note que, como advérbio, o termo não deve flexionar-se, mas sim permanecer
no singular (invariável), ainda que faça referência a termos que estejam no plural
("condições bastante precárias"). Assim, a substituição estaria correta, já que os termos
são sinônimos.
Alternativa "C": O trecho “depósitos sem qualquer controle” tem significado equivalente
ao de depósitos descontrolados.
INCORRETA. Trecho: "Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes
impactos ambientais, causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações
do solo, dos lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela proliferação
de insetos transmissores de inúmeras doenças."
A expressão "depósitos sem qualquer controle" indica que os lixões não
são fiscalizados, supervisionados, monitorados. Na expressão "depósitos
descontrolados", o termo "descontrolados" assume um sentido de instabilidade,
de desequilíbrio. O sentido original de "falta de fiscalização" é prejudicado, portanto
a alternativa está incorreta.
Alternativa "D": Em “lugares responsáveis”, a palavra “responsáveis” pode ser substituída
adequadamente por que se responsabilizam.
INCORRETA. Trecho: "Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes
impactos ambientais, causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações
do solo, dos lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela
proliferação de insetos transmissores de inúmeras doenças."
No trecho original, a expressão "lugares responsáveis" indica que os lixões causam a
proliferação de insetos transmissores de doenças, ou seja, os lixões são os culpados
dessa proliferação. Na expressão "que se responsabilizam", existiria a ideia de que os
lixões assumem a responsabilidade, comprometem-se com a proliferação. Veja que esse
é um sentido completamente diferente do original e que, inclusive, tornaria o texto
incoerente. Assim, a alternativa está incorreta.
Alternativa "E": No trecho “coleta seletiva de lixo”, a palavra “seletiva” significa capaz de
efetuar seleção.
INCORRETA. Trecho: "Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a
ampliação da coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido
pelas cooperativas de catadores."
Na expressão "coleta seletiva de lixo", o termo "seletiva" indica que a coleta de
lixo passa por uma seleção, e não que a coleta é capaz de efetuar a seleção. Não é a
coleta de lixo que faz a seleção, mas sim as pessoas responsáveis por essa coleta. Assim,
a alternativa está errada.
QUESTÃO Nº 42 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.

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A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O
“jeitinho” se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria
ser obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não
é a existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela
se livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente
aristocrático, que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o
governador, o presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na
discussão desses casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda
a politizar o velho hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os
empossam como acima da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que
colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:
<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.
Em “temos o ‘jeitinho’ virando corrupção”, os termos ‘jeitinho’ e “corrupção” funcionam
como complementos diretos da forma verbal “temos”.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ Em “temos o ‘jeitinho’ virando corrupção”, os termos ‘jeitinho’ e “corrupção”
funcionam como complementos diretos da forma verbal “temos”.
O elemento "o jeitinho" complementa o verbo transitivo direto "ter" (ter alguma coisa).
Esse é um objeto direto.
O termo "virar" é um verbo de ligação, que indica uma mudança de estado, e não uma
ação. Assim, "corrupção" é predicativo do sujeito "o jeitinho".
Os termos mencionados exercem funções diferentes: "o jeitinho" é complemento direto
de "temos"; "corrupção" é predicativo do sujeito.

O predicativo do sujeito é um termo que qualifica o sujeito e está presente no predicado


nominal, ou seja, acompanha um verbo de ligação.
QUESTÃO Nº 43
A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos.
Muitas pessoas são suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve
ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma educação de qualidade para
todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos

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preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com
adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item
a seguir.
Os dois-pontos empregados introduzem um aposto.

Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.

Ela diz o seguinte:


→ Os dois-pontos empregados introduzem um aposto.
Trecho: "A corrupção é uma doença que deve ser combatida por meio de uma vacina: a
educação."

Aposto é um termo ou expressão que explica ou específica outro termo da oração. O


elemento "a educação" esclarece qual é a "vacina" que combate a corrupção. Assim,
estamos mesmo diante de um APOSTO.
QUESTÃO Nº 44
O Brasil é um país de cidades novas. A maior parte de seus núcleos urbanos surgiu no
século passado. Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo.
Contemporâneas dos primeiros tempos da colonização, algumas delas já ultrapassaram
inclusive a marca do quarto centenário. Poucas são as cidades brasileiras, contudo, que
ainda apresentam vestígios materiais consideráveis do passado.
Se hoje o Rio de Janeiro, fundado em 1565, vangloria-se de seu “corredor cultural”, que
preserva edificações da área central construídas na virada do século XIX para o XX, é
importante lembrar que as edificações aí situadas substituíram inúmeras outras antes
existentes no mesmo local. Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais,
arrasado devido à destruição do Morro do Castelo em 1922. E o que falar de São Paulo,
fundada em 1554? Da pauliceia colonial e imperial quase mais nada existe, e, se ainda
temos uma boa noção do que foi a cidade da primeira metade do século XX, é porque
contamos com a paisagem eternizada das fotografias e com os belíssimos trabalhos
realizados pelos geógrafos paulistas por ocasião do quarto centenário da cidade.
Há outros exemplos. Olinda, fundada em 1537, orgulha-se de ser patrimônio cultural da
humanidade, mas esse título não lhe foi conferido em razão dos testemunhos que
sobraram da cidade antiga, em grande parte substituída por construções em estilo
eclético ou art déco do início do século passado. E se Salvador, criada em 1549, e Ouro
Preto, fundada em 1711, podem gabar-se de manter ainda um patrimônio histórico-
arquitetônico apreciável, isso se deve muito mais à longa decadência econômica pela
qual passaram, que atenuou os ataques ao parque construído, do que a qualquer
veleidade preservacionista local.

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Em suma, não é muito comum encontrarem-se vestígios materiais do passado nas


cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há bastante tempo. Há, entretanto,
algo novo acontecendo em todas elas. Independentemente de qual tenha sido o estoque
de materialidades históricas que tenham conseguido salvar da destruição, as cidades do
país vêm hoje engajando-se decisivamente em um movimento de preservação do que
sobrou de seu passado, em uma indicação flagrante de que muita coisa mudou na
forma como a sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias.
Mauricio Abreu. Sobre a memória das cidades. In: Ana Fani Alessandri Carlos et al
(Orgs.). A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios. São
Paulo: Editora Contexto, 2013, p. 21-2 (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta um termo que exerce a função de objeto direto na
oração do texto I em que ocorre.
a) “o berço histórico da cidade”
b) “vestígios materiais do passado”
c) “muita coisa”
d) “cidades”
e) “esse título”

A alternativa "D" é a CORRETA.


Devemos indicar a alternativa que exerce a função de OBJETO DIRETO na oração. O
objeto direto é o complemento verbal de um verbo transitivo direto ou de um verbo
transitivo direto e indireto.
Vamos lá?
Alternativa "A": “o berço histórico da cidade”
INCORRETA. Trecho: "Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais, arrasado
devido à destruição do Morro do Castelo em 1922."
A expressão destacada exerce a função de sujeito do verbo "existir", e não de objeto
direto. Nesse caso, o verbo é intransitivo, pois não exige complementos. A ideia é a
seguinte:
→ O berço histórico da cidade nem mesmo existe mais...
Alternativa "B": "vestígios materiais do passado"
INCORRETA. Trecho: "Em suma, não é muito comum encontrarem-se vestígios
materiais do passado nas cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há
bastante tempo."
O verbo "encontrar" é transitivo direto, portanto o "se" é partícula apassivadora que
forma a voz passiva sintética. Apesar de "encontrar" ser um verbo transitivo direto,
a expressão destacada não exerce a função de objeto direto, mas sim de sujeito
paciente da oração. Esse é o elemento que sofre a ação descrita pelo verbo. Vamos
passar a oração para a voz passiva analítica, o que facilita a visualização:
→ ... não é muito comum que vestígios materiais do passado sejam encontrados nas
cidades brasileiras.
Alternativa "C": “muita coisa”
INCORRETA. Trecho: "Independentemente de qual tenha sido o estoque de materialidades
históricas que tenham conseguido salvar da destruição, as cidades do país vêm hoje

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engajando-se decisivamente em um movimento de preservação do que sobrou de seu


passado, em uma indicação flagrante de que muita coisa mudou na forma como a
sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias."
A expressão destacada exerce a função de sujeito do verbo "mudar", e não de objeto
direto.
Alternativa "D": "cidades"
CORRETA. Trecho: "Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo."
O verbo "haver" no sentido de existir é transitivo direto (haver alguma coisa). Assim, o
termo "cidades" exerce a função de OBJETO DIRETO do verbo. Vale ressaltar que,
quando tiver sentido de "existir", o verbo "haver" será IMPESSOAL, ou seja, deverá ficar
sempre na 3ª pessoa do singular. Nesse caso, a oração não terá sujeito. Essa é a
alternativa correta.
Alternativa "E": "esse título"
INCORRETA. Trecho: "Olinda, fundada em 1537, orgulha-se de ser patrimônio cultural da
humanidade, mas esse título não lhe foi conferido em razão dos testemunhos que
sobraram da cidade antiga, em grande parte substituída por construções em estilo eclético
ou art déco do início do século passado."
A expressão destacada exerce a função de SUJEITO da oração, que está na voz passiva.
Esse é um sujeito paciente, que sofre a ação descrita pelo verbo ("não lhe foi conferido").
QUESTÃO Nº 45
O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da
modernidade. Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços
do passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não
deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o tecido, o pergaminho e o papel forneceram
os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na
humildade dos objetos mais simples, a escrita teve como missão(d) conjurar contra a
fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os
manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de destruição,
a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro perigo: o
de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis(e) e abafa o pensamento sob o
acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande(a) quanto seu contrário.
Embora fosse temido, o apagamento era necessário, assim como(b) o esquecimento
também o é para a memória. Nem todos os escritos foram destinados a se
tornar arquivos(c) cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns
foram traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de
novo.

Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.:
Luzmara Curcino Ferreira. São Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).
Seria mantida a correção gramatical do texto, embora com alteração do sentido original,
caso se inserisse uma vírgula logo após a palavra:
a) “grande”.
b) “como”.

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c) “arquivos”.
d) “missão”.
e) “inúteis”.
A alternativa "C" é a CORRETA.

a) “grande”.
INCORRETA. Vejamos o trecho original: ...foi considerado um perigo tão grande quanto
seu contrário.
Não podemos inserir uma vírgula após a palavra "grande", pois haveria quebra da oração
subordinada adverbial comparativa (em negrito).
b) “como”.
INCORRETA.
Gente, não devemos utilizar vírgula após a locução "assim como", exceto se houver
alguma expressão intercalada, vejamos:
TRECHO REESCRITO: ...o apagamento era necessário, assim como, na mesma
proporção, o esquecimento também o é para a memória.
Percebam que a vírgula empregada na reescritura acima tem por objetivo isolar o
adjunto adverbial "na mesma proporção" (expressão intercalada), e não isolar a locução
"assim como.

C) “arquivos”.
CORRETA, vejamos o trecho original: Nem todos os escritos foram destinados a se
tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história.
A oração em negrito é ADJETIVA RESTRITIVA, gente! A inserção de uma vírgula após
"arquivos" é possível, mas há mudança de sentido, visto que a oração se tornará
adjetiva explicativa. Como a questão pede apenas MANUTENÇÃO DE CORREÇÃO
GRAMATICAL, tudo certo!
TRECHO REESCRITO: Nem todos os escritos foram destinados a se tornar arquivos, cuja
proteção os defenderia da imprevisibilidade da história.
d) “missão”.
INCORRETA. Vejamos o trecho: ...a escrita teve como missão conjurar contra a
fatalidade da perda.
Não devemos separar o verbo de seu complemento. A oração em negrito funciona como
objeto direto do verbo "teve".
A escrita teve o que como missão? Conjurar contra a fatalidade...
e) “inúteis”.
INCORRETA. Vejamos o trecho: "O excesso de escrita, que multiplica os textos
inúteis e abafa o pensamento sob o acúmulo de discursos, foi considerado um perigo
tão grande quanto seu contrário.
No trecho em negrito temos duas orações subordinadas adjetivas explicativas ligadas
por uma conjunção aditiva. Não devemos utilizar vírgula entre orações ligadas por
conectivo com sentido aditivo, mas vale destacar o mais importante: se usarmos a vírgula
como sugere a questão, o período ficará truncado, olhem só:

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REESCRITURA: "O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis, e abafa o


pensamento sob o acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto
seu contrário.
Se usarmos a vírgula após "inúteis", apenas a oração em negrito fará referência ao
"excesso de escrita", ou seja, haverá problemas na construção do período. Já disse
algumas vezes a vocês que as orações adjetivas podem ser eliminadas sem gerar grande
prejuízo para compreensão do período não é? Usando esta informação, vamos eliminá-
las no trecho original e no reescrito e ver o que acontece, que tal?
TRECHO ORIGINAL: "O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o
pensamento sob o acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande
quanto seu contrário."
ELIMINANDO AS ORAÇÕES EM NEGRITO: O excesso de escrita foi considerado um
perigo tão grande quanto seu contrário. PERÍODO PERFEITO.
TRECHO REESCRITO: "O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis, e abafa
o pensamento sob o acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande
quanto seu contrário.
ELIMINANDO A ORAÇÃO EM NEGRITO: O excesso de escrita e abafa o pensamento
sob o acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto seu
contrário. PERÍODO TRUNCADO.
Perceberam o porquê da inserção da vírgula após "inúteis" ser errada? É isto!
QUESTÃO Nº 46 – TEXTO IV
A metrópole de São Paulo vem se tornando mais heterogênea econômica, social e
espacialmente e menos desigual quanto a renda, inserção no mercado de trabalho e
condições de vida de seus habitantes, mesmo nas áreas mais precárias. A imagem
emerge dos treze ensaios que compõem o livro A Metrópole de São Paulo no Século
XXI – Espaços, Heterogeneidades e Desigualdades, os quais abordam temas
específicos, a partir de um diagnóstico comum, para construir um panorama atual da
região metropolitana. Tal retrato resulta das mudanças de diversas dimensões pelas
quais a metrópole passou na última década, do perfil da pobreza às dinâmicas
migratórias e ligadas ao crescimento demográfico, dos moldes de segregação social à
produção habitacional e à mobilidade urbana.
A fisionomia da metrópole, central na economia do país, reflete a conjuntura de modo
especial, segundo o organizador. Assim, tiveram impactos particulares na região
metropolitana a redemocratização, na década de 80 do século XX (com a volta das
eleições regulares e com a constituição de sistemas nacionais de políticas públicas), a
estabilização econômica, a abertura do mercado interno da década de 90 e o
crescimento econômico vigoroso da primeira década do século XXI.
Internet: <www.fflch.usp.br> (com adaptações).
Seriam mantidos o sentido original e a correção gramatical do texto IV caso fosse
suprimida a vírgula empregada logo após:

a) “demográfico”.
b) “renda”.
c) “comum”.

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d) “metrópole”.
e) “redemocratização”.
A alternativa "E" é a CORRETA.
Devemos indicar o trecho em que a supressão da vírgula indicada não prejudicaria o
sentido original e a correção gramatical.
Vamos lá?
Alternativa "A": vírgula após "demográfico"
INCORRETA. Trecho: "Tal retrato resulta das mudanças de diversas dimensões pelas quais
a metrópole passou na última década, do perfil da pobreza às dinâmicas migratórias e
ligadas ao crescimento demográfico, dos moldes de segregação social à produção
habitacional e à mobilidade urbana."
A ideia é a seguinte:
Tal retrato resulta → das mudanças de diversas...
→ do perfil de pobreza...
→ dos moldes de segregação...
Veja que os três segmentos indicados acima são introduzidos pela preposição "de", pois
complementam o sentido do verbo transitivo indireto "resultar". Assim, a vírgula após
"democrático" é obrigatória, já que separa elementos coordenados que exercem a
mesma função sintática (objeto indireto do verbo). Por ser uma pontuação obrigatória,
a vírgula não pode ser suprimida sem que haja prejuízo para a correção gramatical.

Alternativa "B": vírgula após "renda"


INCORRETA. Trecho: "A metrópole de São Paulo vem se tornando mais heterogênea
econômica, social e espacialmente e menos desigual quanto a renda, inserção no mercado
de trabalho e condições de vida de seus habitantes, mesmo nas áreas mais precárias."
A ideia é a seguinte:
A metrópole de São Paulo vem se tornando [...] menos desigual quanto a → renda
→ inserção no mercado de trabalho
→ condições de vida...
A vírgula após "renda" separa os elementos da enumeração, todos complementando a
expressão "quanto a". Assim, essa é uma vírgula obrigatória, que não pode ser
suprimida.
Alternativa "C": vírgula após "comum"
INCORRETA. Trecho: "A imagem emerge dos treze ensaios que compõem o livro A
Metrópole de São Paulo no Século XXI – Espaços, Heterogeneidades e Desigualdades, os
quais abordam temas específicos, a partir de um diagnóstico comum, para construir um
panorama atual da região metropolitana."
A vírgula destacada, juntamente com a vírgula após "específicos", isola o adjunto
adverbial intercalado "a partir de um diagnóstico comum". Como esse é um adjunto
adverbial de longa extensão (mais de três termos), a pontuação é obrigatória, não
podendo ser suprimida.
Alternativa "D": vírgula após "metrópole"
INCORRETA. Trecho: "A fisionomia da metrópole, central na economia do país, reflete a
conjuntura de modo especial, segundo o organizador."

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A vírgula após "metrópole" isola o aposto explicativo "central na economia do país",


juntamente com a vírgula após "país". Essa é uma pontuação obrigatória, portanto a
supressão prejudicaria a correção gramatical.
Alternativa "E": vírgula após "redemocratização"
CORRETA. Trecho: "Assim, tiveram impactos particulares na região metropolitana
a redemocratização, na década de 80 do século XX (com a volta das eleições regulares e
com a constituição de sistemas nacionais de políticas públicas), a estabilização econômica,
a abertura do mercado interno da década de 90 e o crescimento econômico vigoroso da
primeira década do século XXI."
A vírgula após "redemocratização" separa o adjunto adverbial de tempo "na década de
80 do século XX". Esse adjunto está em sua posição normal, no final da oração. Como
não está deslocado nem intercalado, o adjunto não precisa ser separado do restante da
oração, mesmo que seja de longa extensão. Assim, a pontuação destacada é facultativa,
um recurso estilístico que pode ser suprimido sem que haja prejuízo para a correção
gramatical ou para o sentido original.
QUESTÃO Nº 47 –TEXTO CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar mãos à obra.
Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia precisava de estradas,
escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio, imprensa, biblioteca, hospitais,
comunicações eficientes. Em especial, necessitava de um governo que se
responsabilizasse por tudo isso. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808,
quarenta e oito horas depois de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo
gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de ação. A
primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D. João tomou, logo
ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias, estimular o povoamento e
o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra frente era externa. Visava ampliar as
fronteiras do Brasil, em uma tentativa de aumentar a influência portuguesa na América.
Era também uma forma de punir os adversários europeus de Portugal, ocupando seus
territórios e ameaçando seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram
precários e sem consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma segunda ofensiva seria a anexação da
chamada Banda Oriental do Rio da Prata, atual território do Uruguai, em represália à
aliança da Espanha com a França napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A
Guiana se livrou das tropas de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua
independência em 1828.
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na
primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com adaptações).
Com relação a aspectos linguísticos do texto CB8A1BBB, julgue o item subsequente.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

No início do último parágrafo do texto, os travessões foram empregados para isolar


informação adicional que se intercala no discurso.

Certo
Errado

GABARITO: "CERTO"
No início do último parágrafo do texto, os travessões foram empregados para isolar
informação adicional que se intercala no discurso.
Último parágrafo:
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na
primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
A ideia principal transmitida pelo parágrafo acima é a de que D. João acabou decidindo
se concentrar na primeira de suas tarefas, que era a mudança do Brasil para reconstruir
o sonhado império americano de Portugal.
A informação de que essa tarefa era não só a primeira mas também a mais ambiciosa
poderia ter sido escrita no curso normal da oração. Contudo, a fim de chamar a atenção
do leitor para o caráter ambicioso do empreendimento de D. João, decide empregá-la
de forma destacada em relação à informação principal, usando, para tanto, os travessões.
Semelhante efeito pode ser conseguido com o uso de vírgulas e de parênteses.
QUESTÃO Nº 48 – TEXTO CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar mãos à obra.
Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia precisava de estradas,
escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio, imprensa, biblioteca, hospitais,
comunicações eficientes. Em especial, necessitava de um governo que se
responsabilizasse por tudo isso. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808,
quarenta e oito horas depois de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo
gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de ação. A
primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D. João tomou, logo
ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias, estimular o povoamento e
o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra frente era externa. Visava ampliar as
fronteiras do Brasil, em uma tentativa de aumentar a influência portuguesa na América.
Era também uma forma de punir os adversários europeus de Portugal, ocupando seus
territórios e ameaçando seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram
precários e sem consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma segunda ofensiva seria a anexação da
chamada Banda Oriental do Rio da Prata, atual território do Uruguai, em represália à
aliança da Espanha com a França napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A
Guiana se livrou das tropas de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua
independência em 1828.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na


primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com adaptações).
Com relação a aspectos linguísticos do texto CB8A1BBB, julgue o item subsequente.
Seriam mantidas a correção gramatical e as informações veiculadas no texto caso o
ponto final empregado logo após “tempo” fosse substituído por dois-pontos, da
seguinte forma: D. João não perdeu tempo: no dia 10 de março (...).
Certo
Errado
GABARITO: CERTO
Trecho original:
D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808, quarenta e oito horas depois
de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo gabinete.
Substituição proposta:
D. João não perdeu tempo: no dia 10 de março de 1808, quarenta e oito horas depois
de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo gabinete.
O período "No dia 10 de março de 1808, quarenta e oito horas depois de desembarcar no
Rio de Janeiro, organizou seu novo gabinete." tem caráter explicativo em relação ao
anterior: D. João não perdeu tempo já que quarenta e oito horas depois do desembarque
ele já havia organizado seu novo gabinete.
Orações explicativas podem ser introduzidas pelo sinal de dois pontos.
QUESTÃO Nº 49

Internet:<www.cgu.gov.br> (com adaptações).

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Acerca das propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item subsequente.


No trecho “Diga não às ‘corrupções’ do dia a dia”, seria correto o emprego do sinal
indicativo de crase no vocábulo “a” em “dia a dia”.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ No trecho “Diga não às ‘corrupções’ do dia a dia”, seria correto o emprego do sinal
indicativo de crase no vocábulo “a” em “dia a dia”.
Assunto bastante cobrado em provas de concurso, a crase é o fenômeno em que duas
vogais idênticas se unem e, quando isto ocorre, empregamos o acento grave para indicar
a tal contração.
a (preposição) + a (artigo) = à (com acento grave)
a (preposição ) + a qual/as quais = à qual/às quais
a (preposição) + aquele/aquilo/aquela = àquele/àquilo/àquela
a (preposição ) + a (pronome demonstrativo) = à
São casos PROIBITIVOS de crase:
1. Antes de palavras masculinas (exceto quando a expressão "à moda de" estiver
implícita, ou quando estiver implícita uma palavra feminina).
Ex: O livro pertence a João.
Ex: Fui à Joaquim Nabuco comprar livros. (está implícita a palavra "rua" - Fui à rua
Joaquim Nabuco)
2. Antes de verbos: não temos a contração da preposição "a" com o artigo "a" , assim
não ocorre a crase.
Mesmo que haja a preposição "a", não temos o artigo "a" (o verbo não admite artigo).
Ex: Estamos dispostos a solucionar a questão.
Ex: Ela começou a cantar para você dormir.
3. Depois de outra preposição.
Ex: Maria foi para a Europa.
Ex: Brindes serão distribuídos após a reunião.
Ex: O deputado é contra a proposta de emenda constitucional.

4. Entre palavras repetidas de uma locução.


Ex: Ela conversa no dia a dia sobre questões polêmicas.
Ex: Queria conversar face a face com ela.

5. Antes de pronomes pessoais, interrogativos, indefinidos, demonstrativos e relativos


Ex: Refiro-me a ela.
Contarei o fato a qualquer pessoa.
A quem vocês se referem?
Não falaram sobre mim a esta mulher?

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6. Antes de palavra feminina no plural, quando o "a" estiver no singular


Ex: Não vou a festas durante a semana.
Teceram críticas a religiões do passado.
7. Antes da expressão Nossa Senhora e de nomes de outras santas e mulheres ilustres
Ex: Pedi a Nossa Senhora a aprovação no concurso.
Tenho devoção a Santa Terezinha do Menino Jesus.
Veja que NÃO ocorre crase entre palavras repetidas de uma locução. Assim,
estaria ERRADO empregar o sinal de crase em "dia a dia".
QUESTÃO Nº 50 – TEXTO CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar mãos à obra.
Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia precisava de estradas,
escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio, imprensa, biblioteca, hospitais,
comunicações eficientes. Em especial, necessitava de um governo que se
responsabilizasse por tudo isso. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808,
quarenta e oito horas depois de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo
gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de ação. A
primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D. João tomou, logo
ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias, estimular o povoamento e
o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra frente era externa. Visava ampliar as
fronteiras do Brasil, em uma tentativa de aumentar a influência portuguesa na América.
Era também uma forma de punir os adversários europeus de Portugal, ocupando seus
territórios e ameaçando seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram
precários e sem consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma segunda ofensiva seria a anexação da
chamada Banda Oriental do Rio da Prata, atual território do Uruguai, em represália à
aliança da Espanha com a França napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A
Guiana se livrou das tropas de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua
independência em 1828.
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na
primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com adaptações).
Com relação a aspectos linguísticos do texto CB8A1BBB, julgue o item subsequente.
Ocorre crase em “represália à aliança” porque “represália” exige complemento regido
pela preposição a e “aliança” está antecedido do artigo a.

Certo
Errado

GABARITO: CERTO

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CRASE é o sinal gráfico que representa a contração da preposição a com o artigo


definido feminino a. Ela ocorre, regra geral, quando o termo antecedente requer a
preposição a e o termo seguinte aceita o artigo definido feminino a. Na frase Fazíamos
alusão à paralimpíada, o termo alusão requer a preposição a e o
termo paralimpíada aceita o artigo definido feminino a, ocasionando a crase.
Em “represália à aliança”, a explicação é a mesma: “represália” é um termo cuja regência
exige a preposição a (quem age em represália, age em represália a alguém ou a alguma
coisa) e o substantivo “aliança”, que é feminino, aceita o artigo definido feminino a. Ao
juntarmos a preposição com o artigo em uma única palavra, teremos à.
QUESTÃO Nº 51 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:
<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.
Seriam mantidos a correção gramatical e os sentidos originais do texto caso o trecho “O
‘jeitinho’ se confunde com corrupção” fosse reescrito da seguinte forma:
Confunde- se o “jeitinho” e corrupção.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.

Ela diz o seguinte:


→ Seriam mantidos a correção gramatical e os sentidos originais do texto caso o trecho
“O jeitinho’ se confunde com corrupção” fosse reescrito da seguinte forma:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Confunde-se o “jeitinho” e corrupção.


Quando o "se" for partícula apassivadora, o verbo deverá concordar com o sujeito
paciente (que sofre a ação expressa pelo verbo).
Quando o "se" for índice de indeterminação do sujeito, o verbo será invariável e ficará
na 3ª pessoa do singular.
Para diferenciar os dois casos, devemos ficar atentos à transitividade do verbo. É que a
voz passiva só pode ser feita com verbos que admitem objetos diretos (verbo transitivo
direto ou verbo bitransitivo)! Já o sujeito indeterminado ocorre com verbos que não
admitem complementos diretos, ou seja, com verbos transitivos indiretos, intransitivos
ou de ligação.
O verbo "confundir" é transitivo direto, portanto o "se" é pronome apassivador que
forma a voz passiva sintética. Vamos passar a frase para a voz passiva analítica, o que
facilita a visualização da concordância:
⇒ O jeitinho e a corrupção são confundidos.
Veja que o verbo deve concordar com o sujeito paciente, que nesse caso é "O jeitinho e
a corrupção" (sujeito composto, com dois núcleos: "jeitinho" e "corrupção").
O correto seria: Confundem-se o "jeitinho" e corrupção.
A afirmativa está ERRADA, pois a reescritura prejudicaria a correção gramatical.
QUESTÃO Nº 52 – TEXTO CB8A1AAA
A democracia participativa pressupõe várias formas de atuação do cidadão na condução
política e administrativa do Estado. No Brasil, destacam-se as audiências públicas
previstas constitucionalmente e em diversas normas infraconstitucionais.
As audiências públicas constituem um importante instrumento de abertura participativa
que proporciona legitimidade e transparência às decisões tomadas pelas diferentes
esferas de poder.
Tal instituto possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no princípio da justiça
natural. Esse princípio atualmente se traduz no dever de escutar-se o público antes da
edição de normas administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de decisões de
grande impacto para a comunidade.
As audiências públicas integram o perfil dos Estados democráticos de direito, modelados
pelo constitucionalismo europeu do pós-guerra, segundo o qual o poder político não
apenas emana do povo, sendo em nome dele exercido, mas comporta a participação
direta do povo.
É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às diversas
opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que irão sofrer
os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho.
Janaína de Carvalho Pena Souza. A realização de audiências públicas como fator de
legitimação da jurisdição constitucional. In: De Jure – Revista Jurídica do Ministério
Público do Estado de Minas Gerais, v.10, n.º 17, jul.-dez./2011, p. 392 (com adaptações).
Em relação aos elementos linguísticos do texto CB8A1AAA, julgue o item a seguir.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A forma verbal “manifestarem” está flexionada no plural para concordar com “as
pessoas”.

Certo
Errado

GABARITO: "CERTO"
No trecho "É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às
diversas opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que irão
sofrer os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho.", "as pessoas" é
sujeito da forma verbal "manifestarem". O verbo fica na terceira pessoa do plural para
concordar com o sujeito, que está no plural.
O que dificulta um pouco a percepção dessa ligação entre o sujeito e o verbo é a
presença da oração subordinada adjetiva restritiva que irão sofrer os reflexos da
deliberação entre eles:"(...) as pessoas(...) se manifestarem antes de seu desfecho."
QUESTÃO Nº 53 –TEXTO III
A história do grafite no Brasil iniciou-se na década de 70 do século XX, precisamente
na cidade de São Paulo, em uma época conturbada da história do Brasil, época essa
silenciada pela censura resultante da chegada dos militares ao poder.
Paralelamente ao movimento que despontava em Nova York, o grafite surgiu no cenário
da metrópole brasileira como uma arte transgressora, a linguagem da rua, da
marginalidade, que não pedia licença e que gritava nas paredes da cidade os incômodos
de uma geração.
A partir disso, a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de
comunicação urbano, corroborando, de alguma maneira, a existência de outras vozes,
de outros sujeitos históricos e ativos que participam da cidade.
É importante ressaltar que o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela
autoria anônima, por meio da qual o grafiteiro transformava a cidade em um importante
suporte de comunicação artística sem delimitação de espaço, de mensagem ou de
mensageiro.
Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor.
Por esse motivo, os ditos “cânones” são retirados de sua posição central e
imperativa para dar lugar a uma arte de todos e para todos; arte da rua, na rua e para a
rua; arte da cidade, na cidade e para a cidade: o grafite. Nesse sentido, a arte se funde
com a vida do cidadão da metrópole por meio do movimento mútuo de transformação
e de identificação de seus sujeitos.
Internet: <www.todamateria.com.br> (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta um trecho do texto III que contém uma oração na voz
passiva.
a) “o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela autoria anônima”.
b) “os ditos ‘cânones’ são retirados de sua posição central e imperativa”.
c) “a arte se funde com a vida do cidadão da metrópole”.
d) “A história do grafite no Brasil iniciou-se na década de 70 do século XX”.

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e) “a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de comunicação


urbano”.
Essa questão é um pouco confusa e gerou polêmica. O gabarito preliminar apontou a
alternativa "D" como correta. O gabarito definitivo, porém, trouxe a alternativa
"B" como CORRETA.
A questão trata da voz ativa e da voz passiva.
Na VOZ ATIVA, o sujeito PRATICA a ação expressa pelo verbo. Chamamos de sujeito
agente.
Na VOZ PASSIVA, o sujeito RECEBE a ação expressa pelo verbo. Chamamos de sujeito
paciente.
Voz passiva sintética: Verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto + pronome
apassivador "SE"
Voz passiva analítica: verbo auxiliar (ser, estar) + verbo no particípio
Devemos indicar a oração que está na voz passiva. Veja que o enunciado não trouxe
uma especificação (passiva analítica ou sintética). Vamos lá?
Alternativa "A": “o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela autoria anônima”.
INCORRETA. A frase está na voz ativa, e não passiva. O verbo "ser", nesse caso, não
funciona como auxiliar, mas sim como verbo de ligação.
Alternativa "B": “os ditos ‘cânones’ são retirados de sua posição central e imperativa”.
CORRETA. Na oração acima, o sujeito "os ditos 'cânones'" claramente é paciente, pois
sofre a ação descrita pelo verbo "retirar" (que é transitivo direto). Assim, essa oração está
na voz passiva analítica, formada por verbo auxiliar "ser" + verbo principal "retirar" no
particípio.
Alternativa "C": “a arte se funde com a vida do cidadão da metrópole”.
INCORRETA. Na oração acima, o "se" é pronome reflexivo. A ideia é a seguinte: a arte
funde a si própria com a vida do cidadão da metrópole. Assim, o "se" não é pronome
apassivador, portanto a voz não está na voz passiva.
Alternativa "D": “A história do grafite no Brasil iniciou-se na década de 70 do século XX”.
INCORRETA. Essa oração, a princípio, foi considerada como voz passiva sintética. A ideia
seria a seguinte: A história do grafite no Brasil foi iniciada na década de 70 do século XX.
Veja, porém, que não existe no texto esse sentido de que a história do grafite sofreu a
ação de ser iniciada por alguém, mas sim que ela começou nessa época, teve início na
década de 1970 (verbo pronominal). A ideia de que a história do grafite "foi iniciada"
poderia até estar correta, mas numa interpretação forçada.
Nesse contexto, o "se" é partícula integrante do verbo pronominal "iniciar-se", e não
pronome apassivador. Não estamos diante, portanto, da voz passiva sintética. Essa é
a interpretação mais adequada para esse trecho.
Alternativa "E": “a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de
comunicação urbano”.
INCORRETA. Mais uma vez, o "se" é parte integrante do verbo pronominal
"transformou-se", que tem sentido de "tornou-se" (mudança de estado). Também não
podemos considerar que essa oração esteja na voz passiva sintética, com sentido de "ser
transformada" por alguém.

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QUESTÃO Nº 54
Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre outro, temos logo(d) a
(c)

impressão de que se está falando em superioridade, mas, no caso da relação entre


oralidade e escrita, essa é uma visão equivocada, pois não se pode afirmar que a fala seja
superior à escrita ou vice-versa. Em primeiro lugar(e), deve-se ter em mente
o aspecto(a) que se está comparando e, em segundo, deve-se considerar que essa
relação não é nem homogênea nem constante(a). A própria escrita tem tido uma
avaliação variada ao longo da história e nos diversos povos.
Existem sociedades que valorizam mais a fala, e outras que valorizam mais a escrita. A
única afirmação correta é a de que a fala veio antes da escrita. Portanto, do ponto de
vista cronológico, a fala tem precedência sobre a escrita, mas, do ponto de vista do
prestígio social, a escrita tem supremacia sobre a fala na maioria das sociedades
contemporâneas.
Não se trata, porém, de algum critério intrínseco nem de parâmetros linguísticos, e sim
de postura ideológica. São valores que podem variar entre sociedades e grupos sociais
ao longo da história. Não há por que negar que a fala é mais antiga que a escrita e que
esta lhe é posterior e, em certo sentido, dependente. Mesmo considerando a enorme e
inegável importância que a escrita tem nos povos e nas civilizações ditas “letradas”,
continuamos povos orais.
Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio. Princípios gerais para o tratamento
das relações entre a fala e a escrita. In: Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva
Dionisio. Fala e escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 26-7 (com adaptações).

No texto,

a) o vocábulo “constante” foi empregado para qualificar o termo “aspecto”.


b) a expressão “sobre a”, nas linhas 7 e 8, tem o sentido de a respeito da.
c) o trecho “Quando nos referimos” tem o mesmo sentido de Caso nos refiramos.
d) o vocábulo “logo” tem o sentido adverbial de imediatamente.
e) o termo “lugar” foi empregado para delimitar parte de um espaço ou região.

Gabarito: D
A) o vocábulo “constante” foi empregado para qualificar o termo “aspecto”.
INCORRETA. A palavra "constante" qualifica o termo "relação": que essa relação não é
nem homogênea nem constante.
O que não é constante? A relação.

B) a expressão “sobre a”, nas linhas 7 e 8, tem o sentido de a respeito da.


INCORRETA. A expressão tem sentido de "acima de": a fala tem precedência sobre
a escrita

C) o trecho “Quando nos referimos” tem o mesmo sentido de Caso nos refiramos.
INCORRETA. O advérbio "quando", na frase em análise, indica noção temporal,
enquanto "caso" tem noção condicional.
FRASE ORIGINAL: Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre
outro, temos logo a impressão de que se está falando em superioridade.
Percebam que há sentido de "no momento em que nos referimos".

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D) o vocábulo “logo” tem o sentido adverbial de imediatamente.


CORRETA. Sim, essa palavra está empregada com sentido adverbial de "imediatamente",
vejamos no texto: Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre outro,
temos logo a impressão de que se está falando em superioridade...

E) o termo “lugar” foi empregado para delimitar parte de um espaço ou região.


INCORRETA, pois o termo faz parte de uma expressão que indica "ordem": Em primeiro
lugar, deve-se ter em mente o aspecto que se está comparando...

QUESTÃO Nº 55 – TEXTO III


A história do grafite no Brasil iniciou-se na década de 70 do século XX, precisamente na
cidade de São Paulo, em uma época conturbada da história do Brasil, época essa
silenciada pela censura resultante da chegada dos militares ao poder.
Paralelamente ao movimento que despontava em Nova York, o grafite surgiu no cenário
da metrópole brasileira como uma arte transgressora, a linguagem da rua, da
marginalidade, que não pedia licença e que gritava nas paredes da cidade os
incômodos de uma geração.
A partir disso, a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de
comunicação urbano, corroborando, de alguma maneira, a existência de outras vozes,
de outros sujeitos históricos e ativos que participam da cidade.
É importante ressaltar que o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela autoria
anônima, por meio da qual o grafiteiro transformava a cidade em um importante suporte
de comunicação artística sem delimitação de espaço, de mensagem ou de mensageiro.
Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor.
Por esse motivo, os ditos “cânones” são retirados de sua posição central e imperativa
para dar lugar a uma arte de todos e para todos; arte da rua, na rua e para a rua; arte da
cidade, na cidade e para a cidade: o grafite. Nesse sentido, a arte se funde com a vida do
cidadão da metrópole por meio do movimento mútuo de transformação e de
identificação de seus sujeitos.
Internet: <www.todamateria.com.br> (com adaptações).
No texto III, o pronome isso, em “A partir disso”, refere-se:
a) à história do surgimento do grafite no Brasil.
b) ao contexto histórico brasileiro na década de 70 do século XX.
c) a “arte transgressora”.
d) às características do grafite.
e) a “paredes da cidade”

A alternativa "A" é a CORRETA.

Devemos indicar a que se refere a expressão "A partir disso", empregada no trecho
seguinte:
"Paralelamente ao movimento que despontava em Nova York, o grafite surgiu no cenário
da metrópole brasileira como uma arte transgressora, a linguagem da rua, da
marginalidade, que não pedia licença e que gritava nas paredes da cidade os incômodos
de uma geração.

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A partir disso, a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de


comunicação urbano, corroborando, de alguma maneira, a existência de outras vozes, de
outros sujeitos históricos e ativos que participam da cidade."
Reproduzimos o trecho completo para facilitar a explicação.
Vamos lá?

Alternativa "A": à história do surgimento do grafite no Brasil.


CORRETA. O início do texto explica o surgimento do grafite no Brasil, indicando que essa
arte começou como uma linguagem de rua, num momento marcado pela repressão
imposta pelo regime militar. O grafite expressava nas paredes da cidade aquilo que as
pessoas não podiam dizer abertamente por causa da censura. A expressão "A partir
disso" retoma esse cenário mencionado no início do texto, referindo-se à história do
surgimento do grafite no Brasil e indicando o que ocorreu a seguir. A alternativa
está correta.
Alternativa "B": ao contexto histórico brasileiro na década de 70 do século XX.
INCORRETA. O contexto histórico brasileiro da década de 1970 implica muitos outros
aspectos que não são retomados pela expressão "A partir disso". Esse segmento não
retoma o período em si, mas especificamente o surgimento do grafite no Brasil, que
ocorreu nesse período.
Alternativa "C": a "arte transgressora"
INCORRETA. A expressão destacada em negrito retoma toda uma ideia, e não apenas
um segmento isolado.
Alternativa "D": às características do grafite
INCORRETA. A expressão "A partir disso" é ANAFÓRICA, pois retoma uma
ideia anterior. As características do grafite são apontadas apenas depois desse trecho,
portanto a expressão não pode estar se referindo a esse aspecto do texto. Vejamos:
"A partir disso, a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de
comunicação urbano, corroborando, de alguma maneira, a existência de outras vozes, de
outros sujeitos históricos e ativos que participam da cidade.
É importante ressaltar que o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela
autoria anônima, por meio da qual o grafiteiro transformava a cidade em um importante
suporte de comunicação artística sem delimitação de espaço, de mensagem ou de
mensageiro."

ATENÇÃO!!!
Anáfora: faz referência a termos antecedentes. Os pronomes ESSE, ESSA e ISSO são
anafóricos, ou seja, retomam termos anteriores (Macete para facilitar a associação:
Anafórico = Anterior). Ex: A prática leva à perfeição: devemos nos concentrar nisso.
Catáfora: faz referência a termos que ainda serão mencionados. Os pronomes ESTE,
ESTA e ISTO são catafóricos, ou seja, anunciam termos posteriores. Ex: Digo apenas
isto: a prática leva à perfeição.
Alternativa "E": às "paredes da cidade"
INCORRETA. Como vimos na letra "C", a expressão não retoma um segmento isolado
do texto, mas sim uma ideia mencionada anteriormente (o surgimento do grafite no
Brasil).

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QUESTÃO Nº 56 – TEXTO CB8A1AAA


A democracia participativa pressupõe várias formas de atuação do cidadão na condução
política e administrativa do Estado. No Brasil, destacam-se as audiências
públicas previstas constitucionalmente e em diversas normas infraconstitucionais.
As audiências públicas constituem um importante instrumento de abertura participativa
que proporciona legitimidade e transparência às decisões tomadas pelas diferentes
esferas de poder.
Tal instituto possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no princípio da
justiça natural. Esse princípio atualmente se traduz no dever de escutar-se o público
antes da edição de normas administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de decisões
de grande impacto para a comunidade.
As audiências públicas integram o perfil dos Estados democráticos de direito, modelados
pelo constitucionalismo europeu do pós-guerra, segundo o qual o poder político não
apenas emana do povo, sendo em nome dele exercido, mas comporta a participação
direta do povo.
É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às diversas
opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que irão sofrer
os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho.
Janaína de Carvalho Pena Souza. A realização de audiências públicas como fator de
legitimação da jurisdição constitucional. In: De Jure – Revista Jurídica do Ministério
Público do Estado de Minas Gerais, v.10, n.º 17, jul.-dez./2011, p. 392 (com adaptações).
No que se refere à tipologia e aos sentidos do texto CB8A1AAA, julgue o item que se
segue.
As expressões “Tal instituto” e “Esse princípio” retomam, pelo sentido, a expressão “As
audiências públicas”.

Certo
Errado

GABARITO: ERRADO
No trecho "Tal instituto possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no
princípio da justiça natural. Esse princípio atualmente se traduz no dever de escutar-se o
público antes da edição de normas administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de
decisões de grande impacto para a comunidade.", as expressões destacadas retomam,
respectivamente, as expressões "As audiências públicas" e "princípio da justiça
natural".
O que possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no princípio da justiça
natural é o instituto das audiências públicas.
QUESTÃO Nº 57 – TEXTO CB8A1AAA
A democracia participativa pressupõe várias formas de atuação do cidadão na condução
política e administrativa do Estado. No Brasil, destacam-se as audiências públicas
previstas constitucionalmente e em diversas normas infraconstitucionais.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

As audiências públicas constituem um importante instrumento de abertura participativa


que proporciona legitimidade e transparência às decisões tomadas pelas diferentes
esferas de poder.
Tal instituto possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no princípio da justiça
natural. Esse princípio atualmente se traduz no dever de escutar-se o público antes da
edição de normas administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de decisões de
grande impacto para a comunidade.
As audiências públicas integram o perfil dos Estados democráticos de direito, modelados
pelo constitucionalismo europeu do pós-guerra, segundo o qual o poder político não
apenas emana do povo, sendo em nome dele exercido, mas comporta a participação
direta do povo.
É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às diversas
opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que irão
sofrer os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho.
Janaína de Carvalho Pena Souza. A realização de audiências públicas como fator de
legitimação da jurisdição constitucional. In: De Jure – Revista Jurídica do Ministério
Público do Estado de Minas Gerais, v.10, n.º 17, jul.-dez./2011, p. 392 (com adaptações).
No que se refere à tipologia e aos sentidos do texto CB8A1AAA, julgue o item que se
segue.
A oração “que irão sofrer os reflexos da deliberação” é indispensável ao sentido do
período, pois delimita a referência de “pessoas”.

Certo
Errado

GABARITO: CERTO
O que atualmente se traduz no dever de escutar-se o público antes da edição de normas
administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de decisões de grande impacto para
a comunidade é o princípio da justiça natural e não as audiências públicas.
No trecho "É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às
diversas opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que
irão sofrer os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho." a
oração destacada classifica-se como subordinada adjetiva restritiva. Nessa oração,
o pronome relativo "que" retoma o termo anterior "pessoas" para indicar quais, dentre
todas, terão a oportunidade de se manifestarem antes do desfecho do debate sobre
determinada matéria nas audiências públicas. Terão a oportunidade de se manifestarem
antes do desfecho do debate sobre determinada matéria nas audiências públicas apenas
aquelas pessoas que irão sofrer os reflexos da deliberação.
Então, está correta a afirmação de que a mencionada oração é indispensável ao sentido
do período acima por delimitar (restringir) o sentido da palavra "pessoas".
QUESTÃO Nº 58 – TEXTO CB8A1AAA
A democracia participativa pressupõe várias formas de atuação do cidadão na condução
política e administrativa do Estado. No Brasil, destacam-se as audiências públicas
previstas constitucionalmente e em diversas normas infraconstitucionais.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

As audiências públicas constituem um importante instrumento de abertura participativa


que proporciona legitimidade e transparência às decisões tomadas pelas diferentes
esferas de poder.
Tal instituto possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no princípio da justiça
natural. Esse princípio atualmente se traduz no dever de escutar-se o público antes da
edição de normas administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de decisões de
grande impacto para a comunidade.
As audiências públicas integram o perfil dos Estados democráticos de direito, modelados
pelo constitucionalismo europeu do pós-guerra, segundo o qual o poder político não
apenas emana do povo, sendo em nome dele exercido, mas comporta a participação
direta do povo.
É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às diversas
opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que irão sofrer
os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho.
Janaína de Carvalho Pena Souza. A realização de audiências públicas como fator de
legitimação da jurisdição constitucional. In: De Jure – Revista Jurídica do Ministério
Público do Estado de Minas Gerais, v.10, n.º 17, jul-dez./2011, p. 392 (com adaptações).
Em relação aos elementos linguísticos do texto CB8A1AAA, julgue o item a seguir.
O pronome ele, em “dele”, refere-se a “o poder político”.

Certo
Errado

GABARITO: ERRADO
No trecho "As audiências públicas integram o perfil dos Estados democráticos de direito,
modelados pelo constitucionalismo europeu do pós-guerra, segundo o qual o poder
político não apenas emana do povo, sendo em nome dele exercido, mas comporta a
participação direta do povo.", o pronome ele, em "dele" refere-se a "o povo" e não a "o
poder político".
O poder político é exercido em nome dele. = O poder político é exercido em nome do
povo.
QUESTÃO Nº 59 – TEXTO CB8A1AAA
A democracia participativa pressupõe várias formas de atuação do cidadão na condução
política e administrativa do Estado. No Brasil, destacam-se as audiências públicas
previstas constitucionalmente e em diversas normas infraconstitucionais.
As audiências públicas constituem um importante instrumento de abertura participativa
que proporciona legitimidade e transparência às decisões tomadas pelas diferentes
esferas de poder.
Tal instituto possui raízes no direito anglo-saxão e fundamenta-se no princípio da justiça
natural. Esse princípio atualmente se traduz no dever de escutar-se o público antes da
edição de normas administrativas ou legislativas de caráter geral, ou de decisões de
grande impacto para a comunidade.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

As audiências públicas integram o perfil dos Estados democráticos de direito, modelados


pelo constitucionalismo europeu do pós-guerra, segundo o qual o poder político não
apenas emana do povo, sendo em nome dele exercido, mas comporta a
participação direta do povo.
É por meio dessas audiências que o responsável pela decisão tem acesso às diversas
opiniões sobre a matéria debatida e abre a oportunidade para as pessoas que irão sofrer
os reflexos da deliberação se manifestarem antes de seu desfecho.
Janaína de Carvalho Pena Souza. A realização de audiências públicas como fator de
legitimação da jurisdição constitucional. In: De Jure – Revista Jurídica do Ministério
Público do Estado de Minas Gerais, v.10, n.º 17, ju.-dez./2011, p. 392 (com adaptações).
Em relação aos elementos linguísticos do texto CB8A1AAA, julgue o item a seguir.
No trecho “segundo o qual o poder político não apenas emana do povo (...) mas
comporta a participação direta do povo” , a locução “não apenas (...) mas” introduz no
período ideia de adição.

Certo
Errado

GABARITO: "CERTO"
No trecho “segundo o qual o poder político não apenas emana do povo
(...) mas comporta a participação direta do povo” , a locução “não apenas (...) mas” indica
que o poder político emana do povo e comporta a participação direta dele. Funciona,
portanto, como um elemento coesivo que soma as duas ideias, introduzindo no
período o sentido de adição.
QUESTÃO Nº 60 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:


<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.


A palavra “que” retoma o termo que a antecede e relaciona duas orações no período.

Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.

Ela diz o seguinte:


→ A palavra “que” retoma o termo que a antecede e relaciona duas orações no período.

Trecho: "Por exemplo: estou na fila; chega uma pessoa precisando pagar sua
conta que vence naquele dia e pede para passar na frente."
Esse é um pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva:
"que vence naquele dia".
O pronome destacado retoma o substantivo "conta". A ideia é a seguinte:
⇒ A conta vence naquele dia.
As orações adjetivas funcionam como adjuntos adnominais no período, em relação ao
termo antecedente (que é "conta", nesse caso).
O pronome relativo destacado relaciona a oração adjetiva à oração anterior "pagar sua
conta".
QUESTÃO Nº 61 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:


<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
Com relação às ideias do texto CB2A1AAA, julgue o item a seguir.
O “jeitinho” é uma transgressão de uma lei ou de uma regra que deveria aplicar-se
igualmente a todos os cidadãos.

Certo
Errado

Afirmativa está CERTA.


A questão aborda a interpretação de texto, que, conforme já destacamos algumas vezes,
é aprendida por meio de muito treino. Como a chance de um texto ser repetido em prova
de concurso é mínima, o candidato deve resolver o maior número de questões possíveis
da banca organizadora do concurso pretendido e até de outras bancas para ir pegando
"o jeito" de interpretar.
Realizar uma interpretação de texto eficaz é mais viável quando conseguimos,
primeiramente, identificar o tema abordado e as ideias que a partir dele são
desenvolvidas.
O texto é justamente um conjunto de ideias que partem de uma principal, por isso
devemos ficar atentos às fundamentações, às ideias secundárias e às explicações para
que possamos assinalar com segurança as alternativas corretas sobre ele.
Para que o candidato consiga bom aproveitamento nas questões de interpretação deve:
comentar o texto, reescrever ideias dele com outras palavras (parafrasear), resumir o
conteúdo do texto em poucas palavras.

DICA IMPORTANTE!!!
Não podemos extrapolar o conteúdo textual em questões de interpretação: se o texto
disse apenas "isto", é apenas "isto". Mesmo que tenhamos outros conhecimentos sobre
o tema ou imaginemos algo a partir do que lemos, não devemos considerar essas ideias
durante a interpretação, pois será grande a chance de erro.
Outro detalhe importante: não devemos reduzir o conteúdo do texto ou nos apegarmos
a apenas um ponto, mas considerar que ele é um conjunto de ideias que devem ser
analisadas como um todo.
Ela diz o seguinte:
→ O “jeitinho” é uma transgressão de uma lei ou de uma regra que deveria aplicar-se
igualmente a todos os cidadãos.
Todos sabemos o que significa esse termo "jeitinho" que usamos com frequência, não
é? Mesmo assim, não podemos usar nossas ideias sobre o uso dessa palavra, pois isso
poderia extrapolar o conteúdo textual. Lembre-se: devemos sempre nos restringir ao que
está no texto! Assim, vamos buscar no texto alguma informação que nos ajude aqui.
Trecho: "A questão sociológica que o 'jeitinho' apresenta, porém, é outra. Ela mostra
uma relação ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos,
com o pressuposto de que essa regra universal produz legalidade e cidadania.

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[...] O 'jeitinho' se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que


deveria ser obrigatoriamente tratado com igualdade."

O texto afirma que o "jeitinho" brasileiro fere uma lei ou uma regra que deveria ser
seguida igualmente por todos. Assim, a afirmativa está CORRETA.
QUESTÃO Nº 62 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:
<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
Com relação às ideias do texto CB2A1AAA, julgue o item a seguir.
O texto confirma que a mídia desmonta uma lógica naturalizada segundo a qual a
aplicação das leis varia em razão da vontade de uma minoria.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ O texto confirma que a mídia desmonta uma lógica naturalizada segundo a qual a
aplicação das leis varia em razão da vontade de uma minoria.
Trecho: "A mídia tem um papel básico na discussão desses casos de amortecimento,
esquecimento e 'jeitinho', porque ela ajuda a politizar o velho hábito que insiste em
situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima da lei, do mesmo
modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas (negros, pobres e
mulheres) implacavelmente debaixo da lei."

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O texto afirma que a mídia contribui para a ideia de que certas pessoas estão acima da
lei, assim como outras estão debaixo da lei. A mídia não DESMONTA essa ideia, não a
desconstrói. O que acontece é exatamente o oposto: a mídia reforça essa lógica, ajuda a
torná-la um senso comum.
QUESTÃO Nº 63 – TEXTO CB2A1AAA
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:
<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
Com relação às ideias do texto CB2A1AAA, julgue o item a seguir.
Conforme o texto, a caracterização do “jeitinho brasileiro” como um comportamento
ético ou antiético depende das suas consequências.
Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.


Ela diz o seguinte:
→ Conforme o texto, a caracterização do “jeitinho brasileiro” como um comportamento
ético ou antiético depende das suas consequências.
Vejamos o que diz o texto: "O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra
transgredida não causa prejuízo, temos o 'jeitinho' positivo e, direi eu, ético. Por
exemplo: estou na fila; chega uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele
dia e pede para passar na frente. Não há o que reclamar dessa forma de 'jeitinho'."
No exemplo citado, o "jeitinho brasileiro" envolve apenas uma fila para pagar uma conta.
Não há prejuízos para as partes, não há uma infração legal: apenas se tenta ajudar uma

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pessoa, sem prejudicar os demais. Esse seria um "jeitinho" considerado ético, apenas
uma "gentileza".
Vejamos o trecho seguinte: "Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir
dos funcionários públicos do meu país. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque
o delegado da receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal 'vista grossa', aí temos o
'jeitinho' virando corrupção."
Nesse outro exemplo, o "jeitinho" representa uma infração à lei: a sonegação de
impostos. Esse é um exemplo de "jeitinho" negativo, antiético, corrupto.
Podemos concluir que o fato de o "jeitinho brasileiro" ser considerado ético ou antiético
depende das consequências do ato.
QUESTÃO Nº 64
O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da
modernidade. Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços
do passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não
deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o tecido, o pergaminho e o papel forneceram
os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na
humildade dos objetos mais simples, a escrita teve como missão conjurar contra a
fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os
manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de destruição,
a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro perigo: o
de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o
acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto seu contrário.
Embora fosse temido, o apagamento era necessário, assim como o esquecimento
também o é para a memória. Nem todos os escritos foram destinados a se tornar
arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns foram
traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de novo.
Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.:
Luzmara Curcino Ferreira. São Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).

Infere-se do texto que a escrita é uma:


a) tecnologia ambígua, pois é capaz de, ao mesmo tempo, preservar informações
úteis e contribuir para a disseminação de textos inúteis.
b) atividade que transforma escritos em arquivos, garantindo, assim, a integridade
das informações frente às inconstâncias da história.
c) invenção da primeira fase da modernidade, voltada a manter vivas as memórias
sociais e culturais.
d) forma de evitar o desaparecimento de informações importantes que não
deveriam ser esquecidas ou perdidas.
e) manifestação efêmera, que podia ser registrada, depois apagada e, mais tarde,
recuperada pela reescrita.

A alternativa "D" é a CORRETA.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) tecnologia ambígua, pois é capaz de, ao mesmo tempo, preservar informações úteis
e contribuir para a disseminação de textos inúteis.
INCORRETA.
Gente, confesso que de cara esta alternativa pareceu bem correta, mas observem o
trecho em vermelho "PODERIA criar TALVEZ outro perigo", assim esse perigo não é
apresentado como desencadeamento certo da escrita.

"No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na


humildade dos objetos mais simples, a escrita teve como missão conjurar contra a
fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os
manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de destruição, a
tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro
perigo: o de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem
nem limites. O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis abafa o
pensamento sob o acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto
seu contrário."
b) atividade que transforma escritos em arquivos, garantindo, assim, a integridade das
informações frente às inconstâncias da história.
INCORRETA. É dito expressamente que não há garantia total de integridade. A escrita
foi utilizada como meio de preservar os documentos, mesmo sabendo-se que há
possibilidade de perda dos manuscritos.
c) invenção da primeira fase da modernidade, voltada a manter vivas as memórias sociais
e culturais.
INCORRETA, não há nada no texto afirmando que a escrita é invenção da primeira fase
da modernidade, apenas relato sobre o uso da escrita pelas sociedades europeias
daquela época a fim de evitar o esquecimento.
d) forma de evitar o desaparecimento de informações importantes que não deveriam
ser esquecidas ou perdidas.
CORRETA. Gente, segundo o texto, a escrita de fato foi utilizada para evitar o
desaparecimento de informações importantes, vejamos dois trechos:
INÍCIO DO TEXTO: "O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da
primeira fase da modernidade. Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da
escrita, os traços do passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos os
textos que não deveriam desaparecer."
FIM DO TEXTO: "Nem todos os escritos foram destinados a se tornar arquivos cuja
proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns foram traçados sobre
suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de novo."
Percebam que há destaque no início e no fim do texto sobre a escrita ser utilizada para
viabilizar a manutenção de arquivos/informações considerados importantes, e não de
qualquer um.
e) manifestação efêmera, que podia ser registrada, depois apagada e, mais tarde,
recuperada pela reescrita.
INCORRETA. A escrita é apresentada como capaz de evitar o desaparecimento de
informações importantes, assim não podemos fazer essa inferência a partir da leitura do
texto. O texto cita que essa manutenção não era tarefa fácil, mas deixa claro ser possível.
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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 65
Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre outro, temos logo a
impressão de que se está falando em superioridade, mas, no caso da relação entre
oralidade e escrita, essa é uma visão equivocada, pois não se pode afirmar que a fala seja
superior à escrita ou vice-versa. Em primeiro lugar, deve-se ter em mente o aspecto que
se está comparando e, em segundo, deve-se considerar que essa relação não é nem
homogênea nem constante. A própria escrita tem tido uma avaliação variada ao longo
da história e nos diversos povos.
Existem sociedades que valorizam mais a fala, e outras que valorizam mais a escrita. A
única afirmação correta é a de que a fala veio antes da escrita. Portanto, do ponto de
vista cronológico, a fala tem precedência sobre a escrita, mas, do ponto de vista do
prestígio social, a escrita tem supremacia sobre a fala na maioria das sociedades
contemporâneas.
Não se trata, porém, de algum critério intrínseco nem de parâmetros linguísticos, e sim
de postura ideológica. São valores que podem variar entre sociedades e grupos sociais
ao longo da história. Não há por que negar que a fala é mais antiga que a escrita e que
esta lhe é posterior e, em certo sentido, dependente. Mesmo considerando a enorme e
inegável importância que a escrita tem nos povos e nas civilizações ditas “letradas”,
continuamos povos orais.
Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio. Princípios gerais para o tratamento
das relações entre a fala e a escrita. In: Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva
Dionisio. Fala e escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 26-7 (com adaptações).
Conforme as ideias do texto,

a) o desenvolvimento da fala e o surgimento da escrita são eventos que, sob o


enfoque histórico, se deram exatamente nessa ordem.
b) há uma ideologia compartilhada pelas sociedades contemporâneas de associar a
escrita a uma manifestação superior à fala.
c) do ponto de vista linguístico, fala e escrita são manifestações idênticas, não
havendo diferenças entre elas nem superioridade de uma sobre a outra.
d) ao longo da história e nas diversas civilizações, identificam-se momentos de
maior e de menor valorização da língua escrita.
e) em sociedades letradas, a comunicação por meio da escrita supera a
comunicação por meio da fala.
A alternativa "A" é a CORRETA.
A) o desenvolvimento da fala e o surgimento da escrita são eventos que, sob o enfoque
histórico, se deram exatamente nessa ordem.
CORRETA. Gente, o texto evidencia isso em mais de um trecho: a fala vem antes da
escrita, assim, sob o enfoque histórico (que pode ser encarado como narrativa que
segue ordem cronológica), os eventos se deram nessa ordem: desenvolvimento da fala
e surgimento da escrita.
B) há uma ideologia compartilhada pelas sociedades contemporâneas de associar a
escrita a uma manifestação superior à fala.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


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INCORRETA. O texto afirma que essa valoração de uma ou de outra forma de


comunicação varia de sociedade para sociedade, assim não podemos dizer que há uma
ideologia compartilhada, vejamos: "Existem sociedades que valorizam mais a fala, e outras
que valorizam mais a escrita."
C) do ponto de vista linguístico, fala e escrita são manifestações idênticas, não havendo
diferenças entre elas nem superioridade
de uma sobre a outra.
INCORRETA. Em nenhum momento, o texto afirma que são manifestações idênticas.
Extrapolação!
D) ao longo da história e nas diversas civilizações, identificam-se momentos de maior e
de menor valorização da língua escrita.
INCORRETA. As informações que temos são: "A própria escrita tem tido uma avaliação
variada ao longo da história e nos diversos povos. Existem sociedades que
valorizam mais a fala, e outras que valorizam mais a escrita."
Percebam que o texto traz algo diferente do enunciado! Parece ser, no geral, a mesma
informação, mas não é!
No texto: existem sociedades que valorizam mais a fala e outras que valorizam mais a
escrita.
No enunciado: ao longo da história e nas diversas civilizações identificam-
se momentos de maior e menor valorização da língua escrita. (Como se, em dado
momento, a fala estivesse mais valorizada por uma sociedade e em outro a escrita
passasse a ser mais valorizada por ela, mas o texto fala que algumas sociedades
valorizam mais a escrita e outras a fala.)

E) em sociedades letradas, a comunicação por meio da escrita supera a comunicação por


meio da fala.
INCORRETA, vejamos: "Não há por que negar que a fala é mais antiga que a escrita e
que esta lhe é posterior e, em certo sentido, dependente. Mesmo considerando a enorme
e inegável importância que a escrita tem nos povos e nas civilizações ditas
“letradas”, continuamos povos orais."
Assim, o autor deixa claro que a comunicação por meio da fala é mais recorrente até em
civilizações consideradas letradas. Vale destacar que não estamos falando sobre
superioridade de uma ou de outra forma de comunicação, visto que o texto defende não
haver essa superioridade.
A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos.
Muitas pessoas são suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve
ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma educação de qualidade para
todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos
preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com
adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item
a seguir.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A substituição de “teremos conquistado” por conquistaremos manteria os sentidos


originais do texto.
A afirmativa está ERRADA.
Ela diz o seguinte:
→ A substituição de “teremos conquistado” por conquistaremos manteria os sentidos
originais do texto.

Trecho: "Devemos preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do
passado. Nesse futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira
justiça social."
A locução verbal "teremos conquistado" está no futuro do presente composto do modo
indicativo. Esse tempo verbal expressa uma ação que acontece no futuro, mas antes de
outra ação ter começado. A ideia do trecho é a seguinte: a ação de conquistar "a utopia
de uma verdadeira justiça social" acontece antes de a corrupção ser um fenômeno do
passado. Vamos ver as ações numa linha do tempo:
conquista de uma verdadeira justiça social ⇒ fim da corrupção ⇒ surgimento de uma
geração em que a corrupção não exista mais
A substituição de "teremos conquistado" para "conquistaremos" flexiona o verbo no
futuro do presente simples do modo indicativo, expressando uma ação que ainda vai
acontecer no futuro, mas sem a ideia de que ela ocorre ANTES de outra ação futura. Com
essa modificação, a linha do tempo seria a seguinte:
fim da corrupção ⇒ surgimento de uma geração em que a corrupção não exista mais ⇒
conquista de uma verdadeira justiça social
Percebeu como o sentido é alterado??
Assim, a afirmativa está ERRADA.
QUESTÃO Nº 66
O medo do esquecimento obcecou as sociedades europeias da primeira fase da
modernidade. Para dominar sua inquietação, elas fixaram, por meio da escrita, os traços
do passado, a lembrança dos mortos ou a glória dos vivos e todos os textos que não
deveriam desaparecer. A pedra, a madeira, o tecido, o pergaminho e o papel forneceram
os suportes nos quais podia ser inscrita a memória dos tempos e dos homens.
No espaço aberto da cidade, no refúgio da biblioteca, na magnitude do livro e na
humildade dos objetos mais simples, a escrita teve como missão conjurar contra a
fatalidade da perda. Em um mundo no qual as escritas podiam ser apagadas, os
manuscritos podiam ser perdidos e os livros estavam sempre ameaçados de destruição,
a tarefa não era fácil. Paradoxalmente, seu sucesso poderia criar, talvez, outro perigo: o
de uma incontrolável proliferação textual de um discurso sem ordem nem limites.
O excesso de escrita, que multiplica os textos inúteis e abafa o pensamento sob o
acúmulo de discursos, foi considerado um perigo tão grande quanto seu
contrário. Embora fosse temido, o apagamento era necessário, assim como o
esquecimento também o é para a memória. Nem todos os escritos foram destinados
a se tornar arquivos cuja proteção os defenderia da imprevisibilidade da história. Alguns
foram traçados sobre suportes que permitiam escrever, apagar e depois escrever de
novo.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Roger Chartier. Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (séculos XI-XVIII). Trad.:
Luzmara Curcino Ferreira. São Paulo: UNESP, 2007, p. 9-10 (com adaptações).
No texto, as relações sintático-semânticas do período “Embora fosse temido, o
apagamento era necessário, assim como o esquecimento também o é para a memória”
seriam preservadas caso a conjunção “Embora” fosse substituída por:
a) Por conseguinte.
b) Ainda que.
c) Consoante.
d) Desde que.
e) Uma vez que.

A alternativa "B" é a CORRETA.


Galera, "embora" é uma clássica conjunção concessiva, ok? Assim precisamos buscar
uma conjunção que expresse esse mesmo sentido, não há muito o que "enrolar" aqui,
certo? Questão rapidinha e sem problemas.
A) Por conseguinte.
INCORRETA. Conjunção conclusiva.

B) Ainda que.
CORRETA. Conjunção concessiva! Ideia de oposição, contradição.

C) Consoante.
INCORRETA. Conjunção conformativa.

D) Desde que.
INCORRETA. Conjunção, em regra, condicional, ou temporal.
Vamos ver exemplos:

- condicional: O seu resultado será bom desde que se esforce.


- temporal: Desde que você chegou, não consigo mais dormir... (quem lembrar a
música, avisa!)
E) Uma vez que.
INCORRETA. Conjunção causal.
QUESTÃO Nº 67
O Brasil é um país de cidades novas. A maior parte de seus núcleos urbanos surgiu no
século passado. Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo.
Contemporâneas dos primeiros tempos da colonização, algumas delas já ultrapassaram
inclusive a marca do quarto centenário. Poucas são as cidades brasileiras, contudo, que
ainda apresentam vestígios materiais consideráveis do passado.
Se hoje o Rio de Janeiro, fundado em 1565, vangloria-se de seu “corredor cultural”, que
preserva edificações da área central construídas na virada do século XIX para o XX, é
importante lembrar que as edificações aí situadas substituíram inúmeras outras antes
existentes no mesmo local. Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais, arrasado
devido à destruição do Morro do Castelo em 1922. E o que falar de São Paulo, fundada
em 1554? Da pauliceia colonial e imperial quase mais nada existe, e, se ainda temos uma
boa noção do que foi a cidade da primeira metade do século XX, é porque contamos

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

com a paisagem eternizada das fotografias e com os belíssimos trabalhos realizados


pelos geógrafos paulistas por ocasião do quarto centenário da cidade.
Há outros exemplos. Olinda, fundada em 1537, orgulha-se de ser patrimônio cultural da
humanidade, mas esse título não lhe foi conferido em razão dos testemunhos que
sobraram da cidade antiga, em grande parte substituída por construções em estilo
eclético ou art déco do início do século passado. E se Salvador, criada em 1549, e Ouro
Preto, fundada em 1711, podem gabar-se de manter ainda um patrimônio histórico-
arquitetônico apreciável, isso se deve muito mais à longa decadência econômica pela
qual passaram, que atenuou os ataques ao parque construído, do que a qualquer
veleidade preservacionista local.
Em suma, não é muito comum encontrarem-se vestígios materiais do passado nas
cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há bastante tempo. Há, entretanto,
algo novo acontecendo em todas elas. Independentemente de qual tenha sido o estoque
de materialidades históricas que tenham conseguido salvar da destruição, as cidades do
país vêm hoje engajando-se decisivamente em um movimento de preservação do que
sobrou de seu passado, em uma indicação flagrante de que muita coisa mudou na forma
como a sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias.
Mauricio Abreu. Sobre a memória das cidades. In: Ana Fani Alessandri Carlos et al
(Orgs.). A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios. São
Paulo: Editora Contexto, 2013, p. 21-2 (com adaptações).
No texto I, a conjunção “entretanto” introduz, no período em que ocorre, uma ideia de:

a) condição.
b) causa.
c) consequência.
d) oposição.
e) adição.

A assertiva "D" é a CORRETA.


Devemos indicar a ideia introduzida pela conjunção "entretanto" no seguinte trecho:

"Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo."

O termo "entretanto" é uma conjunção adversativa, que exprime ideia de oposição,


assim como "mas", "porém", "contudo", "todavia", etc.

Assim, a alternativa "D" é a CORRETA (oposição).

Vejamos as incorretas com exemplos:

Alternativa "A": condição


Exemplos de conjunções condicionais: desde que, se, caso, contanto que, etc.

Alternativa "B": causa


Exemplos de conjunções causais: porque, uma vez que, como (com sentido de porque,
empregada no início da frase), já que, visto que, etc.

Alternativa "C": consequência

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Exemplos de conjunções consecutivas: de sorte que, de modo que, que (quando


tivermos umas dessas palavras na oração principal: tão, tanto, tamanha, tamanho), etc.
Alternativa "E": adição
Exemplos de conjunções aditivas: e, não só... mas também, não só...como também, nem,
etc.
QUESTÃO Nº 68 – TEXTO II
Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes impactos ambientais,
causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações do solo, dos
lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela proliferação de
insetos transmissores de inúmeras doenças. São, portanto, um perigo constante à saúde
e à qualidade de vida de todos. Os lixões deverão dar lugar a aterros sanitários, que, se
não representam uma solução perfeita, ao menos são locais mais adequados para o
depósito dos rejeitos, uma vez que evitam problemas como os citados anteriormente.
As cidades precisam se comprometer a dar cumprimento à Lei Nacional de Resíduos
Sólidos. Uma maneira de fazer isso é adotar políticas de gestão eficiente dos resíduos a
fim de que a menor quantidade possível desses materiais precise ser encaminhada para
os aterros. Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação da
coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas
de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas de trabalho são
requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das condições de vida e
de trabalho desses profissionais. Mais de um milhão de pessoas trabalham e sobrevivem
da reciclagem, muitas delas em condições bastante precárias.
O Brasil produz mais de 220 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, o que resulta em
mais de um quilo de lixo por pessoa. Ao menos 90% de todo esse material poderia ser
reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Apenas 3% acabam sendo efetivamente
reciclados, um destino mais nobre do que o de se degradar e contaminar o nosso
ambiente. Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de
reais por ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país.
Reinaldo Canto. As cidades brasileiras conseguirão tratar seu lixo? Internet:
<www.cartacapital.com.br> (com adaptações).
Seriam mantidos o sentido original e a correção gramatical do texto II caso o trecho
“por não reciclar” fosse substituído por:
a) quando não recicla.
b) se não reciclar.
c) sem reciclar.
d) para não reciclar.
e) porque não recicla

A alternativa "E" é a CORRETA.

Devemos indicar a substituição CORRETA para o seguinte trecho, mantendo-se o sentido


original e a correção gramatical:

"Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de reais por
ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país."

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A preposição "por" foi empregada com sentido de causa. O segmento destacado em


negrito indica o motivo de o Brasil deixar de ganhar ao menos 8 bilhões de reais por ano.
Para que esse sentido original seja mantido, na substituição devemos empregar um
termo que também tenha sentido de CAUSA. Vamos lá?
Alternativa "A": quando não recicla
INCORRETA. A conjunção "quando" tem sentido de tempo, e não de causa. Assim, a
substituição altera o sentido original.

Alternativa "B": se não reciclar


INCORRETA. A conjunção "se" tem sentido de condição, e não de causa. Essa
substituição altera o sentido original.

Alternativa "C": sem reciclar


INCORRETA. A expressão "sem reciclar" não deixa explícito o sentido de causa. A ideia
geral é mantida, mas não exatamente o sentido original. Assim, a substituição
estaria incorreta.
Alternativa "D": para não reciclar
INCORRETA. A preposição "para", nesse caso, tem sentido de finalidade. Essa
substituição, portanto, alteraria o sentido original.
Alternativa "E": porque não recicla
CORRETA. A conjunção "porque" indica sentido de causa ou explicação. Assim, o sentido
original está mantido, além de preservar a correção gramatical. Veja que o sujeito "o
Brasil" está implícito nesse trecho, podendo ser representado pelo pronome "ele". Assim:
porque [o Brasil] não recicla.
QUESTÃO Nº 69 – TEXTO III
A história do grafite no Brasil iniciou-se na década de 70 do século XX, precisamente na
cidade de São Paulo, em uma época conturbada da história do Brasil, época essa
silenciada pela censura resultante da chegada dos militares ao poder.
Paralelamente ao movimento que despontava em Nova York, o grafite surgiu no cenário
da metrópole brasileira como uma arte transgressora, a linguagem da rua, da
marginalidade, que não pedia licença e que gritava nas paredes da cidade os incômodos
de uma geração.
A partir disso, a arte de grafitar se transformou em um importante veículo de
comunicação urbano, corroborando, de alguma maneira, a existência de outras vozes,
de outros sujeitos históricos e ativos que participam da cidade.
É importante ressaltar que o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela autoria
anônima, por meio da qual o grafiteiro transformava a cidade em um importante suporte
de comunicação artística sem delimitação de espaço, de mensagem ou de mensageiro.
Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu
autor. Por esse motivo, os ditos “cânones” são retirados de sua posição central e
imperativa para dar lugar a uma arte de todos e para todos; arte da rua, na rua e para a
rua; arte da cidade, na cidade e para a cidade: o grafite. Nesse sentido, a arte se funde
com a vida do cidadão da metrópole por meio do movimento mútuo de transformação
e de identificação de seus sujeitos.
Internet: <www.todamateria.com.br> (com adaptações).

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto III caso a palavra “Portanto”,
no trecho “Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome
de seu autor”, fosse substituída por:

a) Pois.
b) No entanto.
c) Logo.
d) Entretanto.
e) Porquanto.

A alternativa "C" é a CORRETA.

Devemos indicar uma substituição correta para a palavra "Portanto", mantendo-se o


sentido e a correção gramatical do seguinte trecho do texto:
"Portanto, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor."
O termo destacado em negrito é uma conjunção conclusiva, que introduz sentido
de conclusão, assim como por isso, logo, pois (depois do verbo), por conseguinte, etc.
Para que o sentido original seja preservado, precisamos substituir essa palavra por outro
termo que indique conclusão.
Entre as alternativas que temos, o único termo com sentido conclusivo está na letra
"C": Logo.
A frase ficaria assim:
→ Logo, o que importava naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor.
Vejamos as incorretas:

Alternativa "A": Pois


O termo "pois" será conjunção conclusiva quando empregado APÓS O VERBO. Quando
empregado antes do verbo, essa palavra assume um sentido de explicação.
Exemplo: Chegou atrasado, pois demorou para sair de casa. (sentido de explicação)
Exemplo: João demorou para sair de casa; chegou, pois, atrasado. (sentido de conclusão)

Alternativa "B": No entanto


Essa é uma conjunção adversativa, que introduz sentido de oposição.
Alternativa "D": Entretanto
Essa é mais uma conjunção adversativa, portanto o sentido é de oposição, e não de
conclusão.

Alternativa "E": Porquanto


O termo acima pode assumir sentido de explicação ou de causa (conjunção explicativa
ou causal), mas não de conclusão.
QUESTÃO Nº 70 – TEXTO II
Os lixões são depósitos sem qualquer controle, fontes de enormes impactos ambientais,
causadores de contaminações — como, por exemplo, contaminações do solo, dos
lençóis freáticos, das fontes de água — e lugares responsáveis pela proliferação de
insetos transmissores de inúmeras doenças. São, portanto, um perigo constante à saúde
e à qualidade de vida de todos. Os lixões deverão dar lugar a aterros sanitários, que, se

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

não representam uma solução perfeita, ao menos são locais mais adequados para o
depósito dos rejeitos, uma vez que evitam problemas como os citados anteriormente.
As cidades precisam se comprometer a dar cumprimento à Lei Nacional de Resíduos
Sólidos. Uma maneira de fazer isso é adotar políticas de gestão eficiente dos resíduos a
fim de que a menor quantidade possível desses materiais precise ser encaminhada para
os aterros. Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação
da coleta seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas
cooperativas de catadores. Capacitar essas pessoas e dar-lhes condições dignas de
trabalho são requisitos fundamentais para o sucesso da lei e para a melhoria das
condições de vida e de trabalho desses profissionais. Mais de um milhão de pessoas
trabalham e sobrevivem da reciclagem, muitas delas em condições bastante precárias.
O Brasil produz mais de 220 mil toneladas de lixo domiciliar por dia, o que resulta em
mais de um quilo de lixo por pessoa. Ao menos 90% de todo esse material poderia ser
reaproveitado, reutilizado ou reciclado. Apenas 3% acabam sendo efetivamente
reciclados, um destino mais nobre do que o de se degradar e contaminar o nosso
ambiente. Os especialistas calculam que o Brasil deixa de ganhar ao menos 8 bilhões de
reais por ano por não reciclar toda essa grande quantidade de resíduos gerados no país.
Reinaldo Canto. As cidades brasileiras conseguirão tratar seu lixo? Internet:
<www.cartacapital.com.br> (com adaptações).
No texto II, sem prejuízo do sentido original e da correção gramatical do trecho “Para
que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação da coleta seletiva
de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas de catadores”
as palavras “possível” e “efetivo” poderiam ser substituídas, respectivamente, por:

a) frustrado e real.
b) realizável e verdadeiro.
c) factível e duvidoso.
d) imaginável e completo.
e) exequível e iminente.

A alternativa "B" é a CORRETA.

Devemos indicar uma substituição correta para os termos destacados abaixo em negrito:

"Para que isso seja possível, será necessária a implantação ou a ampliação da coleta
seletiva de lixo, além de apoio efetivo ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas de
catadores."

Possível = algo que pode ser realizado; realizável, executável, praticável, factível.
efetivo = real, concreto, verdadeiro

Vamos às alternativas.

Alternativa "A": frustrado e real. - INCORRETA.


frustrado = que falhou; fracassado. Não é sinônimo de "possível".
O termo "real", como vimos, pode ser empregado como sinônimo de "efetivo", nesse
caso.
Alternativa "B": realizável e verdadeiro. - CORRETA.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

realizável = que pode ser realizado. É sinônimo de "possível".


O termo "verdadeiro" pode ser empregado como sinônimo de "efetivo", como vimos
acima.

Alternativa "C": factível e duvidoso. - INCORRETA.


factível = que pode ser feito; realizável. É sinônimo de "possível".
duvidoso = que gera dúvida; incerto. Não é sinônimo de "efetivo".

Alternativa "D": imaginável e completo. - INCORRETA.


imaginável = que pode ser imaginado; concebível. Pode ser sinônimo de "possível".
completo = pleno, perfeito, absoluto. Esse termo não tem exatamente o mesmo
sentido de "efetivo".

Alternativa "E": exequível e iminente. - INCORRETA.


exequível = que pode ser executado; realizável. É sinônimo de "possível".
iminente = que está prestes a ocorrer. Esse termo não tem o mesmo sentido de
"efetivo".
QUESTÃO Nº 71 – TEXTO CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar mãos à obra.
Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia precisava de estradas,
escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio, imprensa, biblioteca, hospitais,
comunicações eficientes. Em especial, necessitava de um governo que se
responsabilizasse por tudo isso. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808,
quarenta e oito horas depois de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo
gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de ação. A
primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D. João tomou, logo
ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias, estimular o povoamento e
o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra frente era externa. Visava ampliar as
fronteiras do Brasil, em uma tentativa de aumentar a influência portuguesa na América.
Era também uma forma de punir os adversários europeus de Portugal, ocupando seus
territórios e ameaçando seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram
precários e sem consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma segunda ofensiva seria a anexação da
chamada Banda Oriental do Rio da Prata, atual território do Uruguai, em represália à
aliança da Espanha com a França napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A
Guiana se livrou das tropas de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua
independência em 1828.
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na
primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com adaptações).
Julgue o item subsecutivo, referente aos sentidos do texto CB8A1BBB.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Sem prejuízo do sentido do texto, a palavra “retaliação” poderia ser substituída


por revide, desforra.
Certo
Errado
GABARITO: CERTO

No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada


por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão.

A invasão da Guiana Francesa pelos soldados brasileiros e portugueses era uma


retaliação, ou seja, um troco (em linguagem coloquial), um revide, uma desforra (em
linguagem culta) à invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão.
As palavras retaliação, revide, desforra fazem parte do mesmo campo semântico, que é
o de reação em sentido contrário contra uma ação anterior realizada pelo adversário.
QUESTÃO Nº 72
A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos.
Muitas pessoas são suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve
ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma educação de qualidade para
todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos
preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com
adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item
a seguir.
No texto, a forma verbal “acomete” está empregada com o significado de afetar,
contagiar:

Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.


Ela diz o seguinte:
→ No texto, a forma verbal “acomete” está empregada com o significado de afetar,
contagiar.

Trecho: "A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a
todos."

O verbo "acometer", nesse contexto, significa "manifestar-se; atingir; afetar ou


contagiar".

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A palavra foi empregada em sentido figurado, fazendo parte de uma metáfora: "A
corrupção é uma doença da alma". Note que o texto se refere à corrupção como uma
DOENÇA, por isso há esse sentido de "contagiar".
QUESTÃO Nº 73 – TEXTO II

Internet:<www.cgu.gov.br> (com adaptações).


Acerca das propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item subsequente.
No trecho “Tentar subornar o guarda para evitar multas”, a oração “para evitar multas”
expressa a causa, o motivo que leva alguém a cometer suborno.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.

Ela diz o seguinte:


→ No trecho “Tentar subornar o guarda para evitar multas”, a oração “para evitar multas”
expressa a causa, o motivo que leva alguém a cometer suborno.

O segmento "para evitar multas" é uma oração subordinada adverbial final reduzida de
infinitivo. A preposição "para" foi empregada com sentido de finalidade. Assim, a ideia
não é de CAUSA, mas sim de FINALIDADE.
Vejamos como ficaria a oração desenvolvida:
⇒ Tentar subornar o guarda para que / a fim de que evite multas...
Observe o uso de locuções conjuntivas finais: "para que" e "a fim de que".

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QUESTÃO Nº 74
O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho”
se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser
obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a
existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se
livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático,
que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o
presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses
casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho
hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima
da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas
(negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.

Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:


<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.
A palavra “Agora” exprime uma circunstância temporal.
Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.


Ela diz o seguinte:
→ A palavra “Agora” exprime uma circunstância temporal.
Trecho: Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários
públicos do meu país. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da
receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho”
virando corrupção.
O termo destacado, nesse contexto, introduz uma afirmação com sentido oposto ao do
período anterior. Sendo assim, o termo "agora" funciona como conjunção adversativa,
podendo ser substituído por "Porém" ou "Contudo", por exemplo. Não há uma ideia de
tempo. A afirmativa está errada.
Vamos ver uma frase em que essa palavra indica tempo (advérbio temporal):
Ex: Preciso de uma resposta agora.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 75 – TEXTO CB2A1AAA


O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa
prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega
uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na
frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.
A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação
ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto
de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos
integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se
eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo
ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O
“jeitinho” se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria
ser obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não
é a existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela
se livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente
aristocrático, que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o
governador, o presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na
discussão desses casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda
a politizar o velho hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os
empossam como acima da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que
colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.
Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet:
<https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.


Em “temos o ‘jeitinho’ virando corrupção”, os termos ‘jeitinho’ e “corrupção” funcionam
como complementos diretos da forma verbal “temos”.

Certo
Errado

A afirmativa está ERRADA.

Ela diz o seguinte:


→ Em “temos o ‘jeitinho’ virando corrupção”, os termos ‘jeitinho’ e “corrupção”
funcionam como complementos diretos da forma verbal “temos”.

O elemento "o jeitinho" complementa o verbo transitivo direto "ter" (ter alguma coisa).
Esse é um objeto direto.
O termo "virar" é um verbo de ligação, que indica uma mudança de estado, e não uma
ação. Assim, "corrupção" é predicativo do sujeito "o jeitinho".
Os termos mencionados exercem funções diferentes: "o jeitinho" é complemento direto
de "temos"; "corrupção" é predicativo do sujeito.
O predicativo do sujeito é um termo que qualifica o sujeito e está presente no predicado
nominal, ou seja, acompanha um verbo de ligação.

A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos.
Muitas pessoas são suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve
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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

ser combatida por meio de uma vacina: a educação. Uma educação de qualidade para
todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica argumentada e,
principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos
preparar uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse
futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com
adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item
a seguir.
Os dois-pontos empregados introduzem um aposto.
Certo
Errado

A afirmativa está CERTA.


Ela diz o seguinte:
→ Os dois-pontos empregados introduzem um aposto.
Trecho: "A corrupção é uma doença que deve ser combatida por meio de uma vacina: a
educação."
Aposto é um termo ou expressão que explica ou específica outro termo da oração. O
elemento "a educação" esclarece qual é a "vacina" que combate a corrupção. Assim,
estamos mesmo diante de um APOSTO.
QUESTÃO Nº 76
O Brasil é um país de cidades novas. A maior parte de seus núcleos urbanos surgiu no
século passado. Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo.
Contemporâneas dos primeiros tempos da colonização, algumas delas já ultrapassaram
inclusive a marca do quarto centenário. Poucas são as cidades brasileiras, contudo, que
ainda apresentam vestígios materiais consideráveis do passado.
Se hoje o Rio de Janeiro, fundado em 1565, vangloria-se de seu “corredor cultural”, que
preserva edificações da área central construídas na virada do século XIX para o XX, é
importante lembrar que as edificações aí situadas substituíram inúmeras outras antes
existentes no mesmo local. Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais,
arrasado devido à destruição do Morro do Castelo em 1922. E o que falar de São Paulo,
fundada em 1554? Da pauliceia colonial e imperial quase mais nada existe, e, se ainda
temos uma boa noção do que foi a cidade da primeira metade do século XX, é porque
contamos com a paisagem eternizada das fotografias e com os belíssimos trabalhos
realizados pelos geógrafos paulistas por ocasião do quarto centenário da cidade.
Há outros exemplos. Olinda, fundada em 1537, orgulha-se de ser patrimônio cultural da
humanidade, mas esse título não lhe foi conferido em razão dos testemunhos que
sobraram da cidade antiga, em grande parte substituída por construções em estilo
eclético ou art déco do início do século passado. E se Salvador, criada em 1549, e Ouro
Preto, fundada em 1711, podem gabar-se de manter ainda um patrimônio histórico-
arquitetônico apreciável, isso se deve muito mais à longa decadência econômica pela

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

qual passaram, que atenuou os ataques ao parque construído, do que a qualquer


veleidade preservacionista local.
Em suma, não é muito comum encontrarem-se vestígios materiais do passado nas
cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há bastante tempo. Há, entretanto,
algo novo acontecendo em todas elas. Independentemente de qual tenha sido o estoque
de materialidades históricas que tenham conseguido salvar da destruição, as cidades do
país vêm hoje engajando-se decisivamente em um movimento de preservação do que
sobrou de seu passado, em uma indicação flagrante de que muita coisa mudou na
forma como a sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias.
Mauricio Abreu. Sobre a memória das cidades. In: Ana Fani Alessandri Carlos et al
(Orgs.). A produção do espaço urbano: agentes e processos, escalas e desafios. São
Paulo: Editora Contexto, 2013, p. 21-2 (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta um termo que exerce a função de objeto direto na
oração do texto I em que ocorre.
a) “o berço histórico da cidade”.
b) “vestígios materiais do passado”.
c) “muita coisa”.
d) “cidades”.
e) “esse título”.
A alternativa "D" é a CORRETA.
Devemos indicar a alternativa que exerce a função de OBJETO DIRETO na oração. O
objeto direto é o complemento verbal de um verbo transitivo direto ou de um verbo
transitivo direto e indireto.
Vamos lá?
Alternativa "A": “o berço histórico da cidade”
INCORRETA. Trecho: "Nem mesmo o berço histórico da cidade existe mais, arrasado
devido à destruição do Morro do Castelo em 1922."
A expressão destacada exerce a função de sujeito do verbo "existir", e não de objeto
direto. Nesse caso, o verbo é intransitivo, pois não exige complementos. A ideia é a
seguinte:
→ O berço histórico da cidade nem mesmo existe mais...

Alternativa "B": "vestígios materiais do passado"


INCORRETA. Trecho: "Em suma, não é muito comum encontrarem-se vestígios
materiais do passado nas cidades brasileiras, mesmo naquelas que já existem há
bastante tempo."
O verbo "encontrar" é transitivo direto, portanto o "se" é partícula apassivadora que
forma a voz passiva sintética. Apesar de "encontrar" ser um verbo transitivo direto,
a expressão destacada não exerce a função de objeto direto, mas sim de sujeito
paciente da oração. Esse é o elemento que sofre a ação descrita pelo verbo. Vamos
passar a oração para a voz passiva analítica, o que facilita a visualização:
→ ... não é muito comum que vestígios materiais do passado sejam encontrados nas
cidades brasileiras.

Alternativa "C": “muita coisa”

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

INCORRETA. Trecho: "Independentemente de qual tenha sido o estoque de materialidades


históricas que tenham conseguido salvar da destruição, as cidades do país vêm hoje
engajando-se decisivamente em um movimento de preservação do que sobrou de seu
passado, em uma indicação flagrante de que muita coisa mudou na forma como a
sociedade brasileira se relaciona com as suas memórias."
A expressão destacada exerce a função de sujeito do verbo "mudar", e não de objeto
direto.
Alternativa "D": "cidades"
CORRETA. Trecho: "Há cidades, entretanto, que já existem há bastante tempo."
O verbo "haver" no sentido de existir é transitivo direto (haver alguma coisa). Assim, o
termo "cidades" exerce a função de OBJETO DIRETO do verbo. Vale ressaltar que,
quando tiver sentido de "existir", o verbo "haver" será IMPESSOAL, ou seja, deverá ficar
sempre na 3ª pessoa do singular. Nesse caso, a oração não terá sujeito. Essa é a
alternativa correta.
Alternativa "E": "esse título"
INCORRETA. Trecho: "Olinda, fundada em 1537, orgulha-se de ser patrimônio cultural da
humanidade, mas esse título não lhe foi conferido em razão dos testemunhos que
sobraram da cidade antiga, em grande parte substituída por construções em estilo eclético
ou art déco do início do século passado."
A expressão destacada exerce a função de SUJEITO da oração, que está na voz passiva.
Esse é um sujeito paciente, que sofre a ação descrita pelo verbo ("não lhe foi conferido").
QUESTÃO Nº 77 – TEXTO CB8A1BBB
Passados os atropelos da chegada de D. João ao Brasil, era hora de colocar mãos à obra.
Os planos eram grandiosos e havia tudo por fazer. A colônia precisava de estradas,
escolas, tribunais, fábricas, bancos, moeda, comércio, imprensa, biblioteca, hospitais,
comunicações eficientes. Em especial, necessitava de um governo que se
responsabilizasse por tudo isso. D. João não perdeu tempo. No dia 10 de março de 1808,
quarenta e oito horas depois de desembarcar no Rio de Janeiro, organizou seu novo
gabinete.
Caberia a esse gabinete criar um país a partir do nada. Havia duas frentes de ação. A
primeira, interna, incluiu as inúmeras decisões administrativas que D. João tomou, logo
ao chegar, para melhorar a comunicação entre as províncias, estimular o povoamento e
o aproveitamento das riquezas da colônia. A outra frente era externa. Visava ampliar as
fronteiras do Brasil, em uma tentativa de aumentar a influência portuguesa na América.
Era também uma forma de punir os adversários europeus de Portugal, ocupando seus
territórios e ameaçando seus interesses americanos. Nesse caso, os avanços foram
precários e sem consequências duradouras.
No final de 1808, uma tropa de quinhentos soldados brasileiros e portugueses, escoltada
por uma pequena força naval, invadiu a Guiana Francesa e sitiou a capital, Caiena, cujo
governador se rendeu sem resistência no dia 12 de janeiro. Era uma retaliação à invasão
de Portugal pelas tropas de Napoleão. Uma segunda ofensiva seria a anexação da
chamada Banda Oriental do Rio da Prata, atual território do Uruguai, em represália à
aliança da Espanha com a França napoleônica. Foram ambas conquistas efêmeras. A
Guiana se livrou das tropas de D. João oito anos mais tarde. O Uruguai conseguiria sua
independência em 1828.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na


primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.

Laurentino Gomes. 1808. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007 (com adaptações).
Com relação a aspectos linguísticos do texto CB8A1BBB, julgue o item subsequente.
No início do último parágrafo do texto, os travessões foram empregados para isolar
informação adicional que se intercala no discurso.

Certo
Errado

GABARITO: CERTO
No início do último parágrafo do texto, os travessões foram empregados para isolar
informação adicional que se intercala no discurso.

Último parágrafo:
Com os planos de expansão territorial fracassados, restou a D. João se concentrar na
primeira — e mais ambiciosa — de suas tarefas: mudar o Brasil para reconstruir nos
trópicos o sonhado império americano de Portugal.
A ideia principal transmitida pelo parágrafo acima é a de que D. João acabou decidindo
se concentrar na primeira de suas tarefas, que era a mudança do Brasil para reconstruir
o sonhado império americano de Portugal.
A informação de que essa tarefa era não só a primeira mas também a mais ambiciosa
poderia ter sido escrita no curso normal da oração. Contudo, a fim de chamar a atenção
do leitor para o caráter ambicioso do empreendimento de D. João, decide empregá-la
de forma destacada em relação à informação principal, usando, para tanto, os travessões.
Semelhante efeito pode ser conseguido com o uso de vírgulas e de parênteses.

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INFORMÁTICA
WINDOWS
QUESTÃO Nº 78 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 6 CONCURSOS)
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.
No Painel de Controle do Windows 7, pode-se ter acesso à categoria Rede e Internet, na
qual se podem executar atividades como, por exemplo, becape e configurações
do firewall do Windows para se restringir acesso a sítios indesejados.

Certo
Errado

Gabarito: ERRADO
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.
No Painel de Controle do Windows 7, pode-se ter acesso à categoria Rede e Internet, na
qual se podem executar atividades como, por exemplo, becape e configurações
do firewall do Windows para se restringir acesso a sítios indesejados.
Firewall é uma solução de hardware ou software (o mais usado pela maioria dos
usuários domésticos) que monitora o tráfego de dados e libera acesso apenas aos
sítios de interesse do usuário, ou seja, ele só aceita receber e enviar dados de e para
sítios considerados seguros, para evitar invasões perpetradas por hackers e crackers.
A configuração do Firewall do Windows 7 pode ser realizada através da
categoria Sistema e Segurança do Painel de Controle, como vemos na figura a seguir:

Assim sendo, O ITEM ESTÁ ERRADO.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 79 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STM)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 1 CONCURSO)
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.
No ambiente Windows 7, um arquivo, ao ser deletado, é enviado para a Lixeira, de onde
poderá ser recuperado por meio da opção Restaurar.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.
No ambiente Windows 7, um arquivo, ao ser deletado, é enviado para a Lixeira, de onde
poderá ser recuperado por meio da opção Restaurar.
No Windows existe um recurso justamente para permitir a recuperação de objetos
(arquivos ou pastas) excluídos, chamado Lixeira.
Lixeira é uma pasta que armazena objetos excluídos do HD, que podem
ser restaurados, em caso de exclusão acidental. Pela configuração padrão do Windows,
arquivos excluídos do HD são automaticamente enviados para a Lixeira. Arquivos
excluídos de outras unidades, são excluídos definitivamente.
Para restaurar um objeto da Lixeira, uma das opções é clicar com o botão direito do
mouse no arquivo da Lixeira a ser restaurado e, no menu exibido em decorrência desta
ação, clicar em Restaurar, como vemos na figura a seguir:

QUESTÃO Nº 80 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM


ESPECIALIDADE"/2018
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.
No Windows 7, a opção de segurança Proteção para a Família disponibiliza um pacote
de ferramentas contra spywares e vírus gratuito chamado Windows Defender.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.
No Windows 7, a opção de segurança Proteção para a Família disponibiliza um pacote de
ferramentas contra spywares e vírus gratuito chamado Windows Defender.
Segundo a Microsoft (https://www.microsoft.com/pt-br/security/resour...):
"Os controles dos pais são ferramentas de software e serviços projetadas para ajudar os
pais e profissionais responsáveis a monitorar o uso do computador pelas crianças –

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

desde filtragem de conteúdo da Internet e gerenciamento de contatos de e-mail até


configurações de limites para socialização online.
Projetadas para promover a proteção de crianças online, essas ferramentas são também
chamadas de controle de conteúdo ou configurações de proteção para a família.
Há configurações de proteção para a família no Windows 7, Windows Vista, Xbox 360,
Xbox Live, Bing e outros produtos Microsoft."
A proteção contra vírus é exercida por um antivírus, que é um programa de proteção
que tem a função de neutralizar os programas maliciosos, como vírus, worm,
ransomware, Trojan Horse, etc. qualquer malware é um programa, e que um programa
é um arquivo que contém uma lista de instruções que o computador segue para
desempenhar uma tarefa. Ao descobrir um novo malware, as equipes que criam e
mantém os antivírus executam um trabalho meticuloso ao analisar
o malware encontrado, até encontrar uma cadeia de caracteres que só exista
naquele malware.
QUESTÃO Nº 81 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
Com relação a noções de informática, julgue o item a seguir.
No ambiente Windows 7, os ícones de atalho facilitam o acesso a determinados locais
de rede, arquivos ou endereços, os quais são salvos na área de transferência.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Com relação a noções de informática, julgue o item a seguir.
No ambiente Windows 7, os ícones de atalho facilitam o acesso a determinados locais de
rede, arquivos ou endereços, os quais são salvos na área de transferência.
Um ícone de atalho é um arquivo muito pequeno, que contém apenas o endereço para
o objeto (que pode ser um arquivo, pasta ou programa) que o representa. Quando é
usado, o Windows acessa o local representado pelo endereço que o ícone representa,
e abre o respectivo objeto.
Área de Transferência é uma área criada na memória virtual, que, como o próprio nome
indica, serve como depósito temporário para objetos que estejam
sendo movidos ou copiados, mas não armazena ícones de atalho ou qualquer outro
tipo de dado de forma permanente, já que seu conteúdo é apagado quando o
computador é desligado. Na maior parte dos casos, ícones de atalho são exibidos
na Área de Trabalho (Desktop)mas podem ser criados em qualquer outra pasta do
usuário.

QUESTÃO Nº 82 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª REGIÃO)/APOIO


ESPECIALIZADO/TAQUIGRAFIA/2017
Julgue o item, relativo a conceitos de informática e ao sistema operacional Windows 8.
No Windows 8, apenas os arquivos localizados nas pastas Documentos, Músicas,
Imagens, Vídeos e Área de Trabalho e os arquivos do OneDrive disponíveis offline no
computador podem ser copiados pelo Histórico de Arquivos.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Julgue o item, relativo a conceitos de informática e ao sistema operacional Windows 8.
No Windows 8, apenas os arquivos localizados nas pastas Documentos, Músicas, Imagens,
Vídeos e Área de Trabalho e os arquivos do OneDrive disponíveis offline no computador
podem ser copiados pelo Histórico de Arquivos.
Segundo a Microsoft (https://support.microsoft.com/pt-br/help/17128/windows-8-file-
history):
"Antes de começar a usar o Histórico de Arquivos para fazer backup de seus arquivos, é
necessário escolher o local onde os backups serão salvos. Você pode escolher uma unidade
de conexão externa, como um pen drive, ou salvar em uma unidade em uma rede. Há
outras alternativas, mas as duas anteriores são as melhores para ajudar a proteger seus
arquivos contra falhas ou outros problemas do computador.
O Histórico de Arquivos só faz backup de cópias dos arquivos que estão nas pastas
Documentos, Músicas, Imagens, Vídeos e Área de Trabalho e dos arquivos do
OneDrive disponíveis offline em seu computador. Se você tem arquivos ou pastas em
outro local e quer fazer backup deles, pode adicioná-los a uma dessas pastas.
Se você vai usar uma nova unidade externa, conecte-a ao computador. Se aparecer uma
notificação perguntando se você quer configurar a unidade para o Histórico de Arquivos,
selecione-a nela e ative o Histórico de Arquivos na tela que aparece."
QUESTÃO Nº 83 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TAQUIGRAFIA/2017
Julgue o item, relativo a conceitos de informática e ao sistema operacional Windows 8.
Para fechar um aplicativo no Windows 8, é suficiente utilizar o atalho constituído pelas
teclas:

Certo
Errado

Gabarito: Errado!
Segundo a Microsoft (https://support.microsoft.com/pt-br/help/12445/...), Ctrl +
F4 permite especificamente "fechar o documento ativo (em aplicativos que sejam de
tela inteira e permitam vários documentos abertos simultaneamente)".
Assim sendo, se o usuário estiver com dois arquivos abertos no Word
chamados receitas.docx e carros.docx, e estiver editando o arquivo receitas.docx, ao
utilizar a combinação Ctrl + F4 apenas este arquivo será fechado: o
arquivo carros.docx permanecerá aberto, de forma que o aplicativo não será fechado.

Ainda segundo a Microsoft, para fechar o item ativo ou sair do aplicativo deve-se usar
a combinação tecla Alt + F4.

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QUESTÃO Nº 84 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STJ)/APOIO


ESPECIALIZADO/SUPORTE TÉCNICO/2018
Julgue o item, a respeito de becape em estações de trabalho Windows.
O Windows 10 permite que o usuário configure as opções de becape para um disco de
rede. Assim, o becape copia, para o local definido, todo o conteúdo da pasta
C:\Users\<username>, em que <username> equivale ao nome do usuário que
configurou o becape.

Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Segundo o suporte da Microsoft (https://support.microsoft.com/pt-br/help/17143/...) o
procedimento para o backup é o seguinte:

Assim sendo, O ITEM ESTÁ CERTO pois, de fato, após a escolha do local para armazenar
as cópias, o Windows 10 copiará automaticamente o conteúdo da
pasta C:\Users\<username> para o local definido, lembrando que <username> é o
nome do usuário responsável pela configuração do backup.
QUESTÃO Nº 85 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 6 CONCURSOS)
Julgue o seguinte item, relativo a noções de informática.

No processador de textos Word do ambiente Microsoft Office 2010, é possível incluir um


índice no documento que estiver sendo editado; para tanto, é necessário selecionar o
título ou parte do texto que se deseje incluir como palavra do índice, por meio da
opção Marcar Entrada.

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Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A criação de índice é um procedimento que consiste em duas etapas: primeiro as
entradas são marcadas e posteriormente o índice é construído. Em determinadas
circunstâncias, é conveniente indexar blocos grandes de texto que se expandem por um
intervalo de páginas, o que pode ser feito clicando-se na ferramenta Indicador, do
grupo Links, da guia Inserir, adicionar um nome na caixa Nome do indicador e
clicar Marcar Entrada, como vemos na figura seguinte:

Após informar a entrada de índice para o texto marcado e o nome do indicador


escolhido, o usuário estará pronto para criar o índice e inseri-lo no seu documento.
QUESTÃO Nº 86 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TAQUIGRAFIA/2017
Julgue o item, relativo a conceitos de informática e ao sistema operacional Windows 8.
Em um sistema de computação, um bite é composto de oito baites e corresponde à
menor unidade utilizada para representar os dados e informações.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Chip é um circuito eletrônico miniaturizado composto por milhões de dispositivos
semicondutores (transístores), usados hoje em dia em quase todos os equipamentos
eletrônicos. Os chips mais importantes de um computador são os de memória e os
processadores (CPUs). Falando de maneira bem simples, cada um dos transístores
funciona como um interruptor de luz; ele pode ou não deixar passar energia elétrica
por ele. Quando ele está permitindo a passagem de energia, dizemos que ele está
“ligado”; se não estiver passando energia, então ele estará “desligado”. É como se fosse
um conjunto de lâmpadas, umas acesas, outras apagadas, como na imagem abaixo:

Para facilitar a determinação do estado de cada transístor, ao invés de falarmos em


“ligado” e “desligado”, utilizamos uma maneira mais prática: atribuímos o valor 1,
quando o circuito está ligado, e 0, quando está desligado, como também pode ser

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visto na figura acima. Ao ler os dados destes chips, a CPU verifica a ordem em que estes
números aparecem, e dependendo desta ordem, a informação é interpretada; esta
verificação é executada numa velocidade altíssima. Tudo o que chega aos chips de um
computador é convertido para este sistema que transforma em 0 e 1 as ordens para ligar
ou desligar transístores. É por causa da utilização dos “zeros” e “uns” que dizemos que a
linguagem do computador é digital – pois ele só entende dígitos 0 e 1 – e binária, pois
estes números só podem ser ou 0 ou 1. Lembre-se que “bi” tem o significado de “dois”,
e como só se pode usar dois números, a linguagem é binária. Sendo assim, cada número
que representa o estado de um transístor é chamado de dígito binário; em inglês,
seria binary digit, e desta expressão é que surgiu o nome bit. Então, na figura acima, cada
0 ou 1 que representa o estado de um transístor é, na verdade, um bit.
Assim sendo, o bit é de fato a menor unidade usada para armazenar dados e
informações, mas 1 Byte (termo binário) é um conjunto de 8 bits e, por isto, O ITEM
ESTÁ ERRADO.
QUESTÃO Nº 87 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
Com relação a noções de informática, julgue o item a seguir.
Em um documento em edição no processador de textos Word do ambiente Microsoft
Office 2010, um duplo clique sobre uma palavra irá selecioná-la, e um clique triplo irá
selecionar o parágrafo inteiro.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Desde as versões mais antigas do Excel, o mouse pode ser usado da seguinte forma para
selecionar trechos de um documento:
• palavra: clique duplo
• frase: ctrl + clique
• parágrafo: clique triplo

QUESTÃO Nº 88 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª REGIÃO)/APOIO


ESPECIALIZADO/TAQUIGRAFIA/2017
Acerca da edição de textos, planilhas e apresentações no ambiente Microsoft Office 2013,
julgue o item subsequente.
No Word 2013, as barras de ferramentas, que foram projetadas para ajudar o usuário a
encontrar rapidamente os comandos necessários para o cumprimento de sua tarefa,
podem permanecer de forma oculta, dependendo da configuração do aplicativo.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Segundo a Microsoft (https://support.office.com/pt-br/article/mostra...):
"A faixa de opções é um conjunto de barras de ferramentas na parte superior da janela,
em programas do Office, e foi projetada para ajudar você a encontrar rapidamente os
comandos necessários para concluir uma tarefa.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Às vezes, a faixa de opções pode estar oculta e ser difícil de encontrar. A maneira mais
rápida de mostrar a faixa de opções é clicar em qualquer guia visível, como Página Inicial,
Inserir ou Design. Convém também ocultar a faixa de opções para maximizar o espaço
da tela."
QUESTÃO Nº 89 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 7 CONCURSOS)
O procedimento utilizado para atribuir integridade e confidencialidade à informação, de
modo que mensagens e arquivos trocados entre dois ou mais destinatários sejam
descaracterizados, sendo impedidos leitura ou acesso ao seu conteúdo por outras
pessoas, é denominado:
a) Criptografia
b) Engenharia Social
c) Antivírus
d) Firewall
e) Becape
Gabarito: A
Analisando as alternativas, temos que:
A - Certa: Criptografia é uma técnica para escrever em códigos, de forma que apenas
o destinatário decifre e compreenda a mensagem. Esta técnica transforma um
texto compreensível, denominado texto original em uma informação codificada,
chamada de texto cifrado, que tem a aparência de um texto gerado aleatoriamente
incompreensível.
B - Errada: Engenharia social é a técnica de obter informações explorando
as vulnerabilidades humanas e sociais dos funcionários da organização. Esta técnica
busca enganar pessoas assumindo-se uma falsa identidade a fim de que elas revelem
informações restritas. Um exemplo clássico, é aquele no qual atacante se faz passar por
um alto funcionário de uma empresa que tem problemas urgentes de acesso ao sistema.
Desta forma, o atacante representa um papel no qual ataca o elo mais fraco na cadeia
de segurança da informação: o ser humano. É um ataque de difícil identificação, pois
lida com a confiança, a psicologia e a manipulação das pessoas.
C - Errada: Antivírus é um programa de proteção que tem a função de neutralizar os
programas maliciosos, como vírus, worm, ransomware, Trojan
Horse, etc. qualquer malware é um programa, e que um programa é um arquivo que
contém uma lista de instruções que o computador segue para desempenhar uma tarefa.
Ao descobrir um novo malware, as equipes que criam e mantém os antivírus executam
um trabalho meticuloso ao analisar o malware encontrado, até encontrar uma cadeia de
caracteres que só exista naquele malware. Esta tarefa é árdua, pois há milhões de
programas diferentes em uso...
D - Errada: Firewall é uma solução de hardware ou software (o mais usado pela maioria
dos usuários domésticos) que monitora o tráfego de dados e libera acesso apenas aos
sítios de interesse do usuário, ou seja, ele só aceita receber e enviar dados de e para
sítios considerados seguros, evitando a ação de invasores. De forma mais técnica,
pode-se dizer que firewall é um ponto entre duas ou mais redes, que pode ser um
componente ou um conjunto de componentes, por onde passa todo o tráfego,

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permitindo que o controle, autenticação e os registros de todo o tráfego sejam


realizados.
E - Errada: Backup é um procedimento através do qual são criadas cópias de
arquivos de dados importantes que poderão ser recuperadas caso aconteça algum
imprevisto com os arquivos originais. Para maior segurança é sempre recomendável
que as cópias sejam armazenadas em locais diferentes dos arquivos originais. Se as
cópias estiverem no mesma unidade dos originais, e este dispositivo sofrer um defeito,
tanto os originais quanto as cópias serão perdidos; se as cópias estiverem em
diretórios fisicamente distintos, ou seja, em outra unidade, as cópias não serão perdidas
caso a unidade onde estejam os originais sofra uma pane. O ideal é que as cópias fiquem
em outro prédio, em outro bairro, em outra cidade e até mesmo em outro país.
QUESTÃO Nº 90 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017
Assinale a opção que apresenta um tipo de malware capaz de registrar as teclas que são
digitadas em uma estação de trabalho, fazer capturas de tela e até mesmo acessar
arquivos em drives locais e(ou) compartilhados.
a) Boot
b) Cavalo de Troia
c) Macro
d) Melissa
Gabarito: B
Analisando as alternativas, temos que:
A - boot
Errada: Boot é um procedimento através do qual programas de uso frequente do
sistema operacional são copiados da memória auxiliar (onde o sistema operacional fica
armazenado) para a memória RAM. Este procedimento tem como principal
finalidade melhorar o desempenho na execução de programas importantes do sistema
operacional: como todo programa executado pela CPU tem que estar na memória RAM,
Assim sendo, se o programa já estiver na RAM, o tempo que seria gasto para copiar o
programa da memória auxiliar para RAM é poupado.

B - cavalo de troia
Certa: Trojan ou Cavalo de Troia é um programa que, além de executar as funções
para as quais foi aparentemente projetado, também executa outras funções,
normalmente maliciosas, e sem o conhecimento do usuário. Exemplos de trojans são
programas que o usuário recebe ou obtém de sites na Internet e que parecem ser apenas
cartões virtuais animados, álbuns de fotos, jogos e protetores de tela, entre outros. Estes
programas, geralmente, consistem de um único arquivo e necessitam ser
explicitamente executados para que sejam instalados no
computador. Trojans também podem ser instalados por atacantes que, após
invadirem um computador, alteram programas já existentes para que, além de
continuarem a desempenhar as funções originais, também executem ações maliciosas.
Um Cavalo de Troia pode instalar um Spyware, que é um programa projetado
para monitorar as atividades de um sistema e enviar as informações coletadas para
terceiros. Executa ações que podem comprometer a privacidade do usuário e a

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segurança do computador, como monitorar e capturar informações referentes à


navegação do usuário ou inseridas em outros programas (por exemplo, conta de usuário
e senha).

C - macro
Errada: macro é um arquivo que contém comandos de aplicativos de escritório, para
permitir que tarefas executadas de forma recorrente sejam automatizadas, ou
seja, possam ser executadas indefinidamente. Depois de criada, a macro pode
ser editada para que sejam efetuadas alterações na maneira como ela funciona.

D - melissa
Errada: Melissa é um vírus de macro que envia e-mails sem a autorização do
usuário. escrito especificamente para o Word 97 e superiores (Word 98 para Mac e Word
2000) e, quando ativado, envia e-mails através do Outlook sem autorização do usuário
e com os últimos arquivos que usados no Word anexados. Este procedimento pode fazer
com que dados confidenciais sejam enviados sem a autorização do usuário. Em empresas
que possuem conexão dedicada com a Internet, há ainda o problema de que, caso vários
usuários estejam infectados, o servidor de e-mail da empresa ficará congestionado, por
causa da quantidade de arquivos anexados a serem enviados.
Vírus de macro é tipo específico de vírus de script, escrito em linguagem de macro, que
tenta infectar arquivos manipulados por aplicativos que utilizam esta linguagem como,
por exemplo, os que compõe o Microsoft Office (Excel, Word e PowerPoint, entre outros).
Como qualquer vírus insere cópias de si mesmo em outros programas ou arquivos.
QUESTÃO Nº 91 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
BA)/JUDICIÁRIA/2017 (E MAIS 8 CONCURSOS)
Assinale a opção que apresenta a solução que permite filtrar tentativas de acessos não
autorizados oriundos de outros ambientes e redes externas, contribuindo para a melhora
do estado de segurança da informação de ambientes computacionais.
a) Certificado Digital
b) Chave de Criptografia
c) Rookits
d) Firewall
e) Antivírus
Gabarito: D
A - Errada: Certificado digital é um documento eletrônico garantido por
uma Autoridade Certificadora, que contém dados sobre o emissor e o seu titular. Assim
sendo, ele contém a chave pública do titular, nome e endereço de e-mail, período de
validade do certificado, nome da AC que emitiu o certificado, número de série do
certificado e a assinatura digital da AC, entre outras informações). A função de um
certificado digital é vincular uma entidade a uma chave pública - no caso a AC - e seu
uso é obrigatório para que documentos sejam assinados digitalmente. Para adquirir este
certificado, o usuário deve procurar uma Autoridade Certificadora munido de
documentos pessoais (CPF, identidade, passaporte, título de eleitor, dentre outros) ou
empresariais, no caso de pessoa jurídica (estatuto, contrato social, ato constitutivo, CNPJ,
e outros mais). O certificado identificará o seu titular nas operações digitais.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

B - Errada: Criptografia é uma técnica para escrever em códigos, de forma


que apenas o destinatário decifre e compreenda a mensagem. Esta
técnica transforma um texto compreensível, denominado texto original em uma
informação codificada, chamada de texto cifrado, que tem a aparência de um texto
gerado aleatoriamente incompreensível.
Chave: programa utilizado para cifrar ou decifrar uma mensagem.

C - Errada: Rootkit é um conjunto de programas e técnicas que permite esconder e


assegurar a presença de um invasor ou de outro código malicioso em um
computador comprometido. O conjunto de programas e técnicas fornecido
pelos rootkits pode ser usado para:
• remover evidências em arquivos de logs de segurança;

• instalar outros códigos maliciosos, como backdoors, para assegurar o acesso


futuro ao computador infectado;

• esconder atividades e informações, como arquivos, diretórios, processos,


chaves de registro, conexões de rede, etc;
• mapear potenciais vulnerabilidades em outros computadores, por meio de
varreduras na rede;capturar informações da rede onde o computador
comprometido está localizado, pela interceptação de tráfego.

D - Certa: Firewall é uma solução de hardware ou software (o mais usado pela maioria
dos usuários domésticos) que monitora o tráfego de dados e libera acesso apenas aos
sítios de interesse do usuário, ou seja, ele só aceita receber e enviar dados de e para
sítios considerados seguros, evitando a ação de invasores. De forma mais técnica,
pode-se dizer que firewall é um ponto entre duas ou mais redes, que pode ser um
componente ou um conjunto de componentes, por onde passa todo o tráfego,
permitindo que o controle, autenticação e os registros de todo o tráfego sejam
realizados.

E - Errada: Antivírus é um programa de proteção que tem a função de neutralizar os


programas maliciosos, como vírus, worm, ransomware, Trojan
Horse, etc. qualquer malware é um programa, e que um programa é um arquivo que
contém uma lista de instruções que o computador segue para desempenhar uma tarefa.
Ao descobrir um novo malware, as equipes que criam e mantém os antivírus executam
um trabalho meticuloso ao analisar o malware encontrado, até encontrar uma cadeia de
caracteres que só exista naquele malware. Esta tarefa é árdua, pois há milhões de
programas diferentes em uso...

QUESTÃO Nº 92 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


PI)/ADMINISTRATIVA/2016 (E MAIS 3 CONCURSOS)
A remoção de códigos maliciosos de um computador pode ser feita por meio de:

a) Anti-spyware
b) Detecção de Intrusão
c) Anti-spam

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

d) Anti-pishing
e) Filtro de aplicações
Gabarito: A
A - Certa: O antivírus nos avisa quando tentamos abrir um arquivo infectado, através
de sons e mensagens exibidas na tela que nos alertam do perigo. É fácil entender como
o antivírus funciona: primeiro precisamos lembrar que qualquer malware é
um programa, e que um programa é um arquivo que contém uma lista de instruções que
o computador segue para desempenhar uma tarefa. Ao descobrir um novo malware, as
equipes que criam e mantém os antivírus executam um trabalho meticuloso ao analisar
o malware encontrado, até encontrar uma cadeia de caracteres que só exista
naquele malware. Como os antivírus não são eficazes no combate aos spywares,
existem programas anti-spyware, como o Windows Defender, que é da própria
Microsoft e distribuído gratuitamente aos clientes da empresa, e o Spybot, que é
um freeware. Assim como antivírus, o antispyware também precisa
estar atualizado para proteger o computador, e também é capaz de remover programas
maliciosos quando são encontrados ao executar uma operação que chamamos
de scan (varredura).

B - Errada: um tipo específico de firewall, chamado reativo, possui funções


de detecção de intrusão e alarmes de modo que a segurança é mais ativa do que
passiva; podem policiar acessos e serviços, além de serem capazes de mudar a
configuração de suas regras de filtragem de modo dinâmico, enviar mensagens aos
usuários e ativar alarmes, mas não é capaz de remover códigos maliciosos de um
computador.

C - Errada: spam é um termo usado para designar emails não solicitados, como
propagandas e correntes. Este tipo de e-mail pode ser usado para disseminar códigos
maliciosos, propagar golpes e promover a venda ilegal de produtos. Um programa anti-
spam tem o objetivo de evitar que tais mensagens cheguem a um usuário, mas não é
capaz de remover códigos maliciosos de um computador.

D - Errada: Phishing é um tipo de fraude por meio da qual um golpista tenta obter
dados pessoais e financeiros de um usuário, pela utilização combinada de meios
técnicos e engenharia social, ocorre por meio do envio de mensagens eletrônicas que
• tentam se passar pela comunicação oficial de uma instituição conhecida, tal
como banco, empresa ou site popular;
• procuram atrair a atenção do usuário, seja por curiosidade, por caridade ou
pela possibilidade de obter alguma vantagem financeira;
• informam que a não execução dos procedimentos descritos pode acarretar
sérias consequências, como a inscrição em serviços de proteção de crédito e o
cancelamento de um cadastro, de uma conta bancária ou de um cartão de
crédito;
• tentam induzir o usuário a fornecer dados pessoais e financeiros, por meio
do acesso a páginas falsas, que tentam se passar pela página oficial da instituição;
da instalação de códigos maliciosos, projetados para coletar informações
sensíveis; e do preenchimento de formulários contidos na mensagem ou em
páginas web.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Recursos anti-phishing tentam evitar que um usuário seja vítima desta fraude, mas não
removem códigos maliciosos de um computador, mas não é capaz de remover códigos
maliciosos de um computador.

E - Errada: filtro de aplicações normalmente é uma tarefa desempenhada


pelo firewall, já que é capaz de controlar acesso a jogos, chats e aplicativos em sites e
redes sociais. Usando a tecnologia de pacotes é possível bloquear aplicativos peer 2
peer (como BiTorrent e Emule). Além de preservar as informações e evitar invasões,
evita que o tráfego da rede fique lento com downloads, mas não é capaz de remover
códigos maliciosos de um computador.
QUESTÃO Nº 93 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 3
CONCURSOS)
Os mecanismos que contribuem para a segurança da informação em ambientes
computacionais incluem:
a) Certificado digital, criptografia e cavalo de troia
b) Backdoor, firewall e criptografia
c) Rookits, arquivos de configuração e becape
d) Firewall, worm e proxy
e) VPN, honeypot e senha

Gabarito: E
Os mecanismos de segurança citados nas alternativas são os seguintes:
Certificado digital é um documento eletrônico garantido por uma Autoridade
Certificadora, que contém dados sobre o emissor e o seu titular. Assim
sendo, ele contém a chave pública do titular, nome e endereço de e-mail, período de
validade do certificado, nome da AC que emitiu o certificado, número de série do
certificado e a assinatura digital da AC, entre outras informações). A função de um
certificado digital é vincular uma entidade a uma chave pública - no caso a AC - e seu
uso é obrigatório para que documentos sejam assinados digitalmente. Para adquirir este
certificado, o usuário deve procurar uma Autoridade Certificadora munido de
documentos pessoais (CPF, identidade, passaporte, título de eleitor, dentre outros) ou
empresariais, no caso de pessoa jurídica (estatuto, contrato social, ato constitutivo, CNPJ,
e outros mais). O certificado identificará o seu titular nas operações digitais.
Criptografia é uma técnica para escrever em códigos, de forma que apenas o
destinatário decifre e compreenda a mensagem. Esta técnica transforma um texto
compreensível, denominado texto original em uma informação codificada,
chamada de texto cifrado, que tem a aparência de um texto gerado
aleatoriamente incompreensível.
Backup é um procedimento através do qual são criadas cópias de arquivos de dados
importantes que poderão ser recuperadas caso aconteça algum imprevisto com os
arquivos originais. Para maior segurança é sempre recomendável que as cópias sejam
armazenadas em locais diferentes dos arquivos originais. Se as cópias estiverem no
mesma unidade dos originais, e este dispositivo sofrer um defeito, tanto os originais
quanto as cópias serão perdidos; se as cópias estiverem em diretórios fisicamente

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distintos, ou seja, em outra unidade, as cópias não serão perdidas caso a unidade onde
estejam os originais sofra uma pane. O ideal é que as cópias fiquem em outro prédio,
em outro bairro, em outra cidade e até mesmo em outro país.
Firewall é uma solução de hardware ou software (o mais usado pela maioria dos
usuários domésticos) que monitora o tráfego de dados e libera acesso apenas aos sítios
de interesse do usuário, ou seja, ele só aceita receber e enviar dados de e para sítios
considerados seguros, evitando a ação de invasores. De forma mais técnica, pode-se
dizer que firewall é um ponto entre duas ou mais redes, que pode ser um
componente ou um conjunto de componentes, por onde passa todo o tráfego,
permitindo que o controle, autenticação e os registros de todo o tráfego sejam
realizados.
VPN (Virtual Private Network) é uma rede que usa a infraestrutura da Internet, que é
uma rede pública, para permitir a comunicação entre escritórios e pessoas às suas redes,
numa forma mais econômica do que através de uma rede privada. Utiliza técnicas
de proteção, que criam uma espécie de túnel através do uso de criptografia, para evitar
que pessoas que não pertençam à VPN tenham acesso aos dados. O tunelamento é
obtido através do uso de protocolos específicos, como o PPTP: as informações são
todas criptografadas. A ideia é que quem esteja "do lado de fora" do túnel não
consiga visualizar o que estiver no seu interior. Como a comunicação se dá pela
Internet, o tempo para a transmissão de informações varia de acordo com as condições
de momento na Internet, o que pode ser um problema, caso a empresa necessite de
celeridade na obtenção das informações dos bancos de dados.
Honeypot é um recurso computacional de segurança dedicado a ser sondado,
atacado ou comprometido. Existem dois tipos de honeypots:
• baixa interatividade: são instaladas ferramentas para emular sistemas
operacionais e serviços com os quais os atacantes irão interagir. Desta forma, o
sistema operacional real deste tipo de honeypot deve ser instalado e configurado
de modo seguro, para minimizar o risco de comprometimento.

• alta interatividade: os atacantes interagem com sistemas operacionais,


aplicações e serviços reais.
Senha, também conhecida como password, é geralmente um código secreto
previamente convencionada para ser usada como sinal de reconhecimento entre
entidades. Serve para autenticar usuários.

Analisando as alternativas, temos que:


A - Errada: certificado digital e criptografia são mecanismos de segurança descritos
acima, mas Cavalo de Troia é um programa que, além de executar as funções para as
quais foi aparentemente projetado, também executa outras funções,
normalmente maliciosas, e sem o conhecimento do usuário. Exemplos de trojans são
programas que o usuário recebe ou obtém de sites na Internet e que parecem ser apenas
cartões virtuais animados, álbuns de fotos, jogos e protetores de tela, entre outros. Estes
programas, geralmente, consistem de um único arquivo e necessitam ser explicitamente
executados para que sejam instalados no computador. Trojans também podem ser
instalados por atacantes que, após invadirem um computador, alteram programas já
existentes para que, além de continuarem a desempenhar as funções originais, também
executem ações maliciosas.

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B - Errada: firewall e criptografia são mecanismos de segurança descritos acima,


mas Backdoor é um programa que permite o retorno de um invasor a um
computador comprometido, por meio da inclusão de serviços criados ou modificados
para este fim. Pode ser incluído pela ação de outros códigos maliciosos, que tenham
previamente infectado o computador, ou por atacantes, que exploram vulnerabilidades
existentes nos programas instalados no computador para invadi-lo. Após incluído,
o backdoor é usado para assegurar o acesso futuro ao computador comprometido,
permitindo que ele seja acessado remotamente, sem que haja necessidade de recorrer
novamente aos métodos utilizados na realização da invasão ou infecção e, na maioria
dos casos, sem que seja notado. Há casos de backdoors incluídos propositalmente por
fabricantes de programas, sob alegação de necessidades administrativas. Esses casos
constituem uma séria ameaça à segurança de um computador que contenha um destes
programas instalados pois, além de comprometerem a privacidade do usuário, também
podem ser usados por invasores para acessarem remotamente o computador.

C - Errada: backup é um mecanismo de segurança descrito acima. Arquivos de


configuração contém parâmetros para que um sistema ou software funcione de forma
adequada, mas não podem ser considerados mecanismos de segurança. Rootkit é
um conjunto de programas e técnicas que permite esconder e assegurar a presença
de um invasor ou de outro código malicioso em um computador comprometido. O
conjunto de programas e técnicas fornecido pelos rootkits pode ser usado para:
• remover evidências em arquivos de logs de segurança;
• instalar outros códigos maliciosos, como backdoors, para assegurar o acesso
futuro ao computador infectado;
• esconder atividades e informações, como arquivos, diretórios, processos,
chaves de registro, conexões de rede, etc.;
• mapear potenciais vulnerabilidades em outros computadores, por meio de
varreduras na rede;capturar informações da rede onde o computador
comprometido está localizado, pela interceptação de tráfego.

D - Errada: firewall é um mecanismo de segurança descrito acima. Proxy é


um servidor que atende a requisições repassando os dados
a outros servidores. Geralmente, máquinas da rede interna não possuem endereços
válidos na Internet, primeiro pelo fato da segurança nas redes privadas e também devido
à falta de IP’s válidos, portanto, não têm uma conexão direta com a Internet. Assim, toda
solicitação de conexão de uma máquina da rede local para um host da Internet
é direcionada ao proxy, este, por sua vez, realiza o contato com o host desejado,
repassando a resposta da solicitação para a máquina da rede local. Worm é
um programa capaz de se propagar automaticamente pelas redes, enviando cópias de si
mesmo de computador para computador. Diferente do vírus, o worm não se propaga por
meio da inclusão de cópias de si mesmo em outros programas ou arquivos, mas sim
pela execução direta de suas cópias ou pela exploração automática de
vulnerabilidades existentes em programas instalados em computadores.
E - Certa: VPN, honeypot e senha são mecanismos de segurança descritos acima.
QUESTÃO Nº 94 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
O mecanismo de embaralhamento ou codificação utilizado para proteger a
confidencialidade de dados transmitidos ou armazenados denomina-se:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) Assinatura digital
b) Certificação digital
c) Biometria
d) Criptografia
e) Proxy
Gabarito: D
Analisando as alternativas, temos que:
A - Errada: a assinatura digital é um recurso de segurança que busca assegurar que o
remetente de uma mensagem é realmente quem diz ser (autenticidade), através do uso
de criptografia e chaves, públicas e privadas: a mensagem assinada digitalmente é
criptografada pela chave privada do autor, e decifrada por sua chave pública. Esta
tecnologia também permite assegurar que a mensagem não sofreu alteração durante o
seu trajeto (integridade).

B - Errada: um certificado digital é um documento eletrônico garantido por


uma Autoridade Certificadora, que contém dados sobre o emissor e o seu titular. Assim
sendo, ele contém a chave pública do titular, nome e endereço de e-mail, período de
validade do certificado, nome da AC que emitiu o certificado, número de série do
certificado e a assinatura digital da AC, entre outras informações). A função de um
certificado digital é vincular uma entidade a uma chave pública - no caso a AC - e seu
uso é obrigatório para que documentos sejam assinados digitalmente. Para adquirir este
certificado, o usuário deve procurar uma Autoridade Certificadora munido de
documentos pessoais (CPF, identidade, passaporte, título de eleitor, dentre outros) ou
empresariais, no caso de pessoa jurídica (estatuto, contrato social, ato constitutivo, CNPJ,
e outros mais). O certificado identificará o seu titular nas operações digitais.

C - Errada: Biometria é uma palavra de origem grega, bios (vida) e metros (contagem
ou medida) e é a ciência que estuda, estatisticamente, as características físicas,
fisiológicas ou comportamentais dos seres vivos e atualmente é utilizada como forma de
identificar indivíduos através dessas informações.
A técnica de biometria explora o conceito de algo-que-você-é, e provê a segurança da
identidade de um requerente baseado em uma característica que ele possua e que
seja mensurável, como comportamento ou sua morfologia.
O uso desta tecnologia envolve as seguintes etapas:
• o usuário se registra no sistema permitindo a coleta do instrumento mensurável;
• características biométricas são extraídas e convertidas em um padrão único, que
é armazenado como um dado numérico criptografado;
• para ter acesso ao sistema, o usuário apresenta sua característica biométrica;
• a coincidência entre o padrão gravado e o coletado em tempo real raramente
será precisa: o sistema pode ser configurado para ser mais ou menos tolerante,
para minimizar o número de rejeições indevidas, e impedir que um falso usuário
obtenha acesso a um sistema ou a um dado indevidamente.

D - Certa: Criptografia é uma técnica para escrever em códigos, de forma que apenas
o destinatário decifre e compreenda a mensagem. Esta técnica transforma um texto
compreensível, denominado texto original em uma informação codificada,
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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

chamada de texto cifrado, que tem a aparência de um texto gerado


aleatoriamente incompreensível.

Chave: programa utilizado para cifrar ou decifrar uma mensagem.

Chave simétrica: neste sistema, usuários utilizam a mesma chave tanto para
a cifragem como para a decifragem. Também pode ser chamada de criptografia de
chave secreta ou única, tem como principal objetivo garantir a confidencialidade de
dados. Quando utilizada por equipamentos diferentes, é necessário combinar a chave
previamente por meio de um canal de comunicação seguro.

Chaves assimétricas (chave pública e privada): neste sistema, cada usuário tem duas
chaves, uma pública e a outra privada, e cada uma tem uma função específica. As
mensagens são cifradas através da chave pública e decifradas pela chave privada.
As chaves públicas ficam disponíveis para qualquer usuário da rede, em uma das pastas
compartilhadas. A chave privada de cada usuário é conhecida apenas pelo próprio
usuário, ou seja, fica no computador de cada pessoa.

E - Errada: o objetivo principal de um servidor proxy é possibilitar que máquinas de


uma rede privada possam acessar uma rede pública, como a Internet, sem que para
isto tenham uma ligação direta com esta. O servidor proxy costuma ser instalado em
uma máquina que tenha acesso direto à internet, sendo que as demais efetuam as
solicitações através desta. O proxy faz o papel de um procurador, no sentido de que o
sistema faz solicitações em nome de outros.
QUESTÃO Nº 95 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Acerca da realização de cópias de segurança ou becape do Windows, assinale a opção
correta.
a) Para que sejam efetivamente recuperados, os dados do becape são armazenados
em outra pasta da mesma unidade de armazenamento dos dados originais.

b) O becape é uma atividade executada exclusivamente por administradores de


redes.
c) Após a realização da cópia de segurança, gera-se um arquivo em formato .bkf, o
qual não pode ser alterado para outra extensão.
d) Na cópia de segurança, são copiados todos os arquivos existentes no
computador.
e) No becape incremental, são copiados apenas os arquivos novos ou os que foram
alterados a partir do último becape.
Gabarito: E
Backup é um procedimento através do qual são criadas cópias de arquivos de dados
importantes que poderão ser recuperadas caso aconteça algum imprevisto com os
arquivos originais. Para maior segurança é sempre recomendável que as cópias sejam
armazenadas em locais diferentes dos arquivos originais. Se as cópias estiverem no
mesma unidade dos originais, e este dispositivo sofrer um defeito, tanto os originais
quanto as cópias serão perdidos; se as cópias estiverem em diretórios fisicamente

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

distintos, ou seja, em outra unidade, as cópias não serão perdidas caso a unidade onde
estejam os originais sofra uma pane. O ideal é que as cópias fiquem em outro prédio,
em outro bairro, em outra cidade e até mesmo em outro país.
Os tipos de backup mais importantes são os seguintes:
• Backup Normal (ou completo, ou full): este método também é chamado de
backup completo ou global, quando são gravados todas as informações e
programas existentes no computador e, por armazenar todos os dados do
sistema, consome muito tempo e espaço em mídia.
• Backup Diferencial: gravam-se, a cada backup as diferenças entre os dados
salvos no último backup normal e a data de gravação do backup diferencial.
A principal desvantagem deste tipo de backup é que, na hora da gravação
do backup, se gasta muito tempo, pois todos os arquivos alterados desde o
último backup normal são armazenados, mesmo que já tenham sido copiados em
um momento anterior; a principal vantagem é que, caso seja necessário recuperar
o sistema, bastará o conjunto do backup normal e o último conjunto de
backup diferencial. O procedimento sempre é iniciado com a criação de um
backup normal.
• Backup Incremental: visa o incremento da informação após a criação do
backup normal. Ao contrário do diferencial, se for feito um backup incremental
após outro incremental, o segundo backup não irá conter os dados do primeiro.
Caso seja preciso restaurar o backup, será necessário restaurar o último backup
normal e todos os conjuntos de backups incrementais na ordem em que foram
gravados – esta é a principal desvantagem do backup incremental, já que a
restauração do sistema pode se tornar uma operação um tanto quanto complexa,
já que vários conjuntos de backup terão de ser utilizados. Apresenta como
vantagem menor gasto de tempo e espaço em mídia para a criação dos conjuntos
diários. O procedimento sempre é iniciado com a criação de um backup normal.

Analisando as alternativas, temos que:


A - Errada: como visto acima, o ideal é que o backup seja armazenado em
unidade diferente daquela onde estejam os dados originais: se o backup for
armazenado na mesma unidade dos arquivos originais, caso haja um problema com a
unidade, tanto os dados originais, quanto o backup, serão perdidos.

B - Errada: como backup é um procedimento simples de criação de cópias de


segurança, qualquer usuário pode efetuar este procedimento.

C - Errada: as cópias geradas pelo backup têm os mesmos formatos dos arquivos
originais. É possível que as cópias sejam compactadas: neste caso, ficarão com o
formato de arquivo compactado, quase sempre, zip, embora existam outros formatos
de arquivos compactados.

D - Errada: o backup normalmente copia arquivos de dados. Os programas podem ser


reinstalados a partir de seus CDs ou DVDs de instalação, caso haja alguma falha no
computador, e os arquivos originais sejam comprometidos. Assim sendo, normalmente,
os programas não são copiados.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

E - Certa: conforme visto acima, no backup incremental, são copiados apenas os dados
modificados desde o último backup. Se for o primeiro backup incremental do ciclo,
serão copiados os dados alterados desde o último backup completo; se for um
incremental após outro incremental, serão copiados os arquivos alterados desde
o último incremental.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

DIREITO ADMINISTRATIVO
QUESTÃO Nº 96 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
Com relação à administração direta e indireta, centralizada e descentralizada, julgue o
item a seguir.
O Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, um órgão classificado como autarquia em
regime especial, integra a administração indireta da União.

Certo
Errado

O item está ERRADO.


Órgãos são unidades desprovidas de personalidade jurídica. Podem integrar a
Administração Direta ou seres parte das entidades administrativas da Administração
Indireta. Explico.
O TRF é órgão do Poder Judiciário. E, no caso, é integrante da Administração Central ou
Direta da União.
Já a Administração Indireta da União é formada por: autarquias, fundações, sociedades
de economia mista, empresas públicas e por associações públicas (são os consórcios
públicos de Direito Público).
Só uma informação. Quando falamos que o INSS tem representação em vários Estados
não quer dizer que temos novas autarquias, novas pessoas jurídicas, não é isso. São
órgãos, distribuídos geograficamente, de uma mesma pessoa jurídica (é a
desconcentração dentro do processo de descentralização).

QUESTÃO Nº 97 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
Com relação à administração direta e indireta, centralizada e descentralizada, julgue o
item a seguir.
Administração direta remete à ideia de administração centralizada, ao passo que
administração indireta se relaciona à noção de administração descentralizada.

Certo
Errado

O item está CERTO.


Os conceitos de centralização e descentralização não são desconhecidos, por serem
decorrentes da simples formação das palavras. Pensando na vida real, sabemos que
“pessoas centralizadoras” são aquelas que realizam as tarefas sem qualquer distribuição
de parcela da atribuição a outras pessoas, ao passo que a descentralização pressupõe a
existência de, pelo menos, duas pessoas distintas.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Depois desse paralelo com o senso comum, temos que, na centralização administrativa,
é o próprio ente federativo quem age (a União, por exemplo). No caso, a União poderia
agir por meio de um único órgão (centralização-concentrada) ou de dois ou mais
órgãos(centralização-desconcentrada). No entanto, no campo administrativo, a
atuação centralizada por meio de um único órgão (concentrada) é de aplicação teórica,
haja vista as diversas atribuições constitucionais dos entes políticos.
Por sua vez, na descentralização administrativa, o ente federativo não atua sozinho,
repassando o exercício de parte de suas atribuições a outras pessoas, físicas ou jurídicas,
conforme o caso. Por exemplo: a emissão de moeda compete constitucionalmente à
União. No entanto, no lugar de realizar a atribuição por meio de seus próprios órgãos
(centralização), outorgou a competência ao Banco Central (autarquia federal)
(descentralização).
QUESTÃO Nº 98 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
No que diz respeito a organização administrativa, julgue o item que se segue.

Órgão público é ente despersonalizado, razão por que lhe é defeso, em qualquer
hipótese, ser parte em processo judicial, ainda que a sua atuação seja indispensável à
defesa de suas prerrogativas institucionais.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Os órgãos públicos são unidades administrativas despersonalizadas (desprovidas de
personalidade jurídica própria). Por conta disso, tais unidades não podem assumir, em
nome próprio, direitos e obrigações, e, consequentemente, não podem estar em juízo
(capacidade processual ou judiciária ou personalidade judiciária).
Portanto, quando um órgão precisa mover uma ação, quem figurará no polo ativo será
a pessoa jurídica da qual ele é unidade integrante. Idêntico raciocínio é válido para o
acionamento dos órgãos (polo passivo), ou seja, será a pessoa jurídica que responderá
ao processo. Isso se deve, basicamente, ao art. 7º do Código de Processo Civil, que diz
que toda pessoa que se acha no exercício de seus direitos tem capacidade para estar em
juízo. Órgão não é pessoa, logo, não pode, em regra, situar-se como parte no
processo.
Esse entendimento é confirmado pelo STF (Pet. 3674-00/DF), para quem o órgão
Conselho Nacional do Ministério Público não pode integrar o polo passivo de ação
popular.
Porém, essa é mais uma daquelas regras cercadas de exceções. É o caso dos órgãos de
estatura constitucional (os independentes e os autônomos), para defesa de suas
prerrogativas ou atribuições constitucionais. Daí o erro da questão!
A situação é especialmente relevante quando se pensa em conflito entre órgãos
integrantes da Administração Direta de uma mesma pessoa federativa. Por exemplo:
supondo que a Receita Federal se recuse a se submeter a uma auditoria do Tribunal de
Contas da União (TCU), por entender que isso implicaria revelar sigilo dos dados fiscais

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

de uma categoria de contribuintes. Caberia o processo ser movido pela União? Mas
contra quem? Contra a própria União? Seria um absurdo jurídico! Em circunstâncias
como essas é que faz sentido, em termos jurídicos, um órgão assumir o polo ativo ou
passivo de um processo.
QUESTÃO Nº 99 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item que se seguem à luz do Decreto-lei n.º 200/1967.
A supervisão ministerial sobre a administração indireta pode exercer medida de
intervenção por motivo de interesse público.

Certo
Errado

O item está CERTO.


São raras as questões que solicitam a literalidade do DL 200/1967, pela razão lógica de
ser extremamente velho e com várias questões não muito técnicas.
Porém, de uma forma geral, o estudante consegue resolver as questões só com base no
conhecimento tópico do tema organização administrativa. A supervisão ministerial recai,
também, sobre as entidades que integram a Administração Indireta.
Na Administração Indireta, temos pessoas jurídicas de Direito Público (exemplo das
autarquias) e de Direito Privado (exemplo das empresas estatais).
E tais entidades sofrem controle finalístico pelos Ministérios, aos quais se acham
vinculadas. Esse controle é feito nos limites da lei, podendo ser um controle de legalidade
ou de mérito.
Referência legislativa:
Art. 26. No que se refere à Administração Indireta, a supervisão ministerial visará a
assegurar, essencialmente:
Parágrafo único. A supervisão exercer-se-á mediante adoção das seguintes medidas, além
de outras estabelecidas em regulamento:
i) intervenção, por motivo de interesse público.
QUESTÃO Nº 100 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item que se seguem à luz do Decreto-lei n.º 200/1967.
Autarquias possuem personalidade jurídica e patrimônio próprios, embora não façam jus
a receitas próprias.

Certo
Errado

O item está ERRADO.


As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público, criadas diretamente por lei
específica, para o exercício de função exclusiva do Estado. São consideradas a extensão
do Estado na Administração Indireta. Contam com patrimônio e receita próprios. Daí,
inclusive, decorre o erro do quesito.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Abaixo, referência legislativa:


Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio
e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.
QUESTÃO Nº 101 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item que se seguem à luz do Decreto-lei n.º 200/1967.
As entidades que possuem personalidade jurídica de direito privado e são criadas para a
exploração de atividade econômica sob a forma de sociedades anônimas são
denominadas fundações públicas.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Pelo DL 200, há quatro entidades integrantes da Administração Indireta: as autarquias
(de direito público) e as de direito privado (fundações, empresas públicas e sociedades
de economia mista).
As fundações, pelo DL, são de Direito Privado, embora existam exemplos de fundações
com a personalidade de Direito Público. Inclusive, por essa razão, o STF as reconhece
natureza autárquica.
As fundações desempenham funções de interesse público, como saúde, cultura e
educação. Tais atividades, embora de interesse público, não são exclusivas do Estado,
podendo os particulares a desempenharem. Só que não são consideradas atividades
econômicas em seu sentido estrito.
As atividades econômicas, por sua vez, foram reservadas ao mercado. E o Estado, para
atuar em paralelo com o mercado, em caráter subsidiário e excepcional, pode criar
empresas estatais. E tal atividade é de natureza concorrencial, e lucrativa, distinta,
portanto, da área de atuação das fundações. E, assim, fica confirmado o erro do quesito.
QUESTÃO Nº 102 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM
ESPECIALIDADE"/2018
Considerando a doutrina majoritária, julgue o item, referente aos poderes
administrativos, à organização administrativa federal e aos princípios básicos da
administração pública.
Quando criadas como autarquias de regime especial, as agências reguladoras integram
a administração direta.

Certo
Errado

O item está ERRADO.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

São exemplos de autarquias em regime especial: as executivas e as reguladoras. As


executivas são antigas autarquias e fundações, que recebem o qualificativo por meio de
Decreto. Já as reguladoras surgem com esse status diretamente pela lei específica.
São pessoas de Direito Público, e integram a Administração Indireta do Estado.
QUESTÃO Nº 103 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
A respeito dos princípios da administração pública, de noções de organização
administrativa e da administração direta e indireta, julgue o item que se segue.
As autarquias são pessoas jurídicas criadas por lei e possuem liberdade administrativa,
não sendo subordinadas a órgãos estatais.

Certo
Errado

Sobre o tema, vejamos a definição constante no Decreto-lei 200/1967 (inc. I do art. 5.º):
“I – Autarquia – o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio
e receita próprios, para executar atividades típicas da administração pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.”
A definição é de 1967, mas é razoável. Todavia, omitiu-se a natureza da personalidade,
que é de Direito Público. E não poderia ser diferente, porque as autarquias
desempenham atividades exclusivas do Estado, sendo a personalidade de Direito
Público a garantia de tratamento diferenciado.
Por isso, vamos nos socorrer também de um conceito doutrinário. Para Diogo de
Figueiredo Moreira Neto, autarquia é uma entidade estatal da Administração Indireta,
criada por lei, com personalidade jurídica de Direito Público, descentralizada
funcionalmente, para desempenhar competências administrativas próprias e específicas,
com autonomia patrimonial, financeira, administrativa e financeira.
QUESTÃO Nº 104 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STM)/APOIO
ESPECIALIZADO/PROGRAMAÇÃO DE SISTEMAS/2018
Em relação à organização administrativa e à licitação administrativa, julgue o item a
seguir.

Por ser dotada de personalidade jurídica de direito público e integrar a administração


pública indireta, a empresa pública não pode explorar atividade econômica.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Há alguns erros. O primeiro é que as empresas públicas, assim como sociedades de
economia mista, são pessoas de Direito Privado.

O segundo é que as empresas públicas são criadas para a exploração de atividade


econômica ou para a prestação de serviços públicos. A Caixa Econômica Federal é um
exemplo de empresa pública que intervém no domínio econômico.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 105 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
No tocante ao controle da administração pública, julgue o item seguinte.
A supervisão ministerial exercida sobre as autarquias é exemplo de controle
administrativo hierárquico.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A questão versa sobre a relação entre a Administração Direta instituidora e as entidades
da Administração Indireta instituída. Nesse contexto, perceba que, de fato, não existe
relação de subordinação ou de hierarquia, mas, sim, relação de vinculação que
fundamenta o exercício do controle finalístico ou tutela, conforme podemos aferir das
lições de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado.
23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 26):
Na relação entre a administração direta e a indireta, diz-se que há vinculação (e não
subordinação). A primeira exerce sobre a segunda o denominado controle finalístico ou
tutela administrativa ou supervisão. Para exercício do controle finalístico é exigida expressa
previsão legal, que determinará os limites e instrumentos de controle (atos de tutela).
Por sua vez, o princípio da tutela administrativa (controle finalístico ou supervisão
ministerial) afirma que o Ministério, a que está vinculada (e não subordinada) à entidade
da administração indireta, poderá fiscalizar o cumprimento das finalidades desta
entidade, exercendo, sobre ela, o controle, conforme lecionam Vicente Paulo e Marcelo
Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p.
51):
Pode-se afirmar que, em linhas gerais, a supervisão, ou tutela, visa a assegurar que a
entidade controlada esteja atuando em conformidade com os fins que a lei instituidora lhe
impôs, esteja atuando segundo a finalidade para cuja persecução foi criada - por isso,
controle finalístico. É um controle que deve se concentrar, essencialmente, na verificação
do atingimento de resultados, pertinentes ao objeto da entidade.
QUESTÃO Nº 106 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
As empresas públicas:
a) Admitem a criação de subsidiárias, exigindo-se, para tanto, autorização
legislativa.
b) Dispensam, para sua extinção, autorização legislativa.
c) Integram a administração direta.
d) Possuem regime jurídico de direito público.
e) São criadas por lei.

A resposta é letra “A”.


A Administração Indireta é composta por pessoas de Direito Público e Privado. A clássica
de Direito Público são as autarquias. Já as de Direito Privado são algumas fundações e
todas as sociedades de economia mista e empresas públicas.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

O processo de criação das entidades exige SEMPRE uma prévia lei específica. Sempre! E,
por simetria, a extinção. Sem exceção. Porém, a criação propriamente dita nem sempre
é igual. As pessoas de Direito Privado não são criadas diretamente pela lei. Se o Estado
decide atuar como pessoa de direito privado deverá seguir as regras de tal ramo. Assim,
o ato de criação concretiza-se com o registro do ato constitutivo no órgão competente.
E, por fim, confirmamos a correção da letra “C”, a partir da leitura do inc. XX do art. 37
da CF:
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das
entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas
em empresa privada;
QUESTÃO Nº 107 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
Acerca do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos, julgue
o item a seguir.

A finalidade que um ato administrativo deve alcançar é determinada pela lei, inexistindo,
nesse aspecto, liberdade de opção para a autoridade administrativa.
Certo
Errado

O item está CERTO. Na tabela a seguir, serão apresentados os elementos essenciais,


com a indicação sobre a eventual vinculação ou discricionariedade, caso a caso. Vejamos:
VINCULADO
ELEMENTO
Competência SIM
Finalidade SIM
Forma SIM
Motivo Em regra, discricionário
Objeto Em regra, discricionário

Perceba que Motivo e Objeto são, em regra, elementos discricionários. Tais elementos
favorecem o surgimento do Mérito Administrativo, assim entendido como a margem de
conveniência e de oportunidade garantida pelo legislador ao administrador.
Já a finalidade, como bem indicado na alternativa, é elemento vinculado.
QUESTÃO Nº 108 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
TO)/ADMINISTRATIVA/2017
No que se refere aos vícios de competência na administração pública, assinale a opção
correta.

a) A remoção de ofício de servidor caracteriza abuso de poder.


b) Quando o vício de competência não pode ser convalidado, caracteriza-se
hipótese de nulidade absoluta.
c) A convalidação é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em
um ato ilegal, operando efeitos posteriores.
d) A usurpação de poder ocorre quando um servidor público exerce a função de
outro servidor na mesma repartição.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

e) Ocorre desvio de poder quando a autoridade policial se excede no uso da força


para praticar ato de sua competência.

Gabarito: Letra B
a) A remoção de ofício de servidor caracteriza abuso de poder. – alternativa incorreta.
A alternativa está equivocada. Isto porque a simples remoção de ofício do servidor não
caracteriza abuso de poder. A administração tem o poder de remover o servidor de ofício.
Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus:
“A remoção consiste no deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede (art.36). Registre-se que a remoção não é
forma de provimento de cargo público.
A remoção pode ocorrer de ofício ou a pedido do servidor.
A remoção se dará de ofício quando a Administração por sua iniciativa determinar a
remoção. A remoção de ofício do servidor sempre se dará em razão do interesse da
Administração, não dependendo da concordância do servidor.” (ALEXANDRE, Ricardo;
DEUS, João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-
book. P. 318).

b) Quando o vício de competência não pode ser convalidado, caracteriza-se hipótese de


nulidade absoluta. – alternativa correta.
A presente alternativa está correta. Realmente, quando a competência é exclusiva, por
exemplo, não há como convalidar o ato realizado com esse vício, nesse caso, será
considerado nulo. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“No caso de excesso de poder, há de verificar se a competência para a prática do ato foi
atribuída com caráter de exclusividade, hipótese na qual sequer seria possível a delegação
ou a avocação, o que demonstra que o ordenamento jurídico não admite qualquer situação
em que outro agente público venha a exercer a atribuição. Assim, a convalidação é vedada
e o ato é classificado como nulo. Se, de forma diversa, a competência não tem caráter de
exclusividade, o raciocínio oposto deve ser aplicado, sendo o vício classificado como
sanável, o que autoriza a autoridade competente a convalidá-lo.” (ALEXANDRE, Ricardo;
DEUS, João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-
book. P. 415).

c) A convalidação é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um ato


ilegal, operando efeitos posteriores. – alternativa incorreta.
Pelo contrário, a convalidação tem efeitos retroativos. Vejamos a lição de Fernanda
Marinela sobre o tema:
“A convalidação é o ato administrativo por meio do qual o administrador corrige os defeitos
de um ato anterior que contém um defeito sanável. Trata-se de um suprimento da
invalidade de um ato, apresentando efeitos retroativos; é uma recomposição da legalidade
ferida. O ato convalidador remete-se ao ato inválido para legitimar seus efeitos
pretéritos.” (MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 10ª ed. São Paulo: Saraiva,
2016. E-book. P. 442).
d) A usurpação de poder ocorre quando um servidor público exerce a função de outro
servidor na mesma repartição. – alternativa incorreta.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Pelo contrário, usurpação de poder é quando um particular indevidamente começa a


exercer função pública. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o
tema:
“A usurpação de função, por sua vez, acontece quando uma pessoa exerce atribuições
próprias de um agente público, sem que tenha essa qualidade. Por exemplo, uma pessoa
que, fingindo ser titular do cargo de juiz, passa a celebrar casamentos civis. A conduta é
tão grave que é tipificada como crime no art. 328 do Código Penal brasileiro. No que
concerne às consequências no âmbito administrativo, o ato praticado pelo usurpador de
função – que, inclusive, pratica o crime previsto no art. 328 do Código Penal – é considerado
inexistente.” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo
Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 360).

e) Ocorre desvio de poder quando a autoridade policial se excede no uso da força para
praticar ato de sua competência. – alternativa incorreta.
Pelo contrário, o desvio de poder atinge a finalidade do ato e não a competência – a
qual é atingida pelo excesso de poder. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de
Deus sobre o tema:
“O descumprimento de qualquer dessas finalidades, geral ou específica, acarreta o vício
denominado desvio de poder, também conhecido como desvio de finalidade. O desvio de
poder é vício insanável, não podendo por isso ser convalidado.
O art. 2.º, parágrafo único, alínea e, da Lei 4.717/1965 (que regula a Ação Popular)
estabelece que “o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a
fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência”. E a
regra legal atributiva de competência também estatui, explícita ou implicitamente, os fins
que devem ser perseguidos pelo agente público. No caso de o ato ser praticado visando a
fins diversos, estará presente o vício de finalidade.”
QUESTÃO Nº 109 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PI)/ADMINISTRATIVA/2016
Considere que determinada autoridade do TRE/PI tenha negado pedido administrativo
feito por um servidor do quadro, sem expor fundamentos de fato e de direito que
justificassem a negativa do pedido. Nesse caso, o ato administrativo praticado pela
autoridade do TRE/PI:
a) não possui presunção de veracidade.
b) pode ser editado sob a forma de resolução.
c) é considerado, quanto à formação da vontade, ato administrativo complexo.
d) classifica-se como ato administrativo meramente enunciativo.
e) apresenta vício de forma.

A resposta é letra “E”.


Questão interessante, porém, já é conhecida dos concursandos em geral.
Os atos administrativos são formados por elementos essenciais, como competência,
finalidade, forma, motivo e objeto.
O motivo do ato não se confunde com a motivação. O motivo é o pressuposto de fato e
de direito que fundamenta a prática do ato. A motivação, por sua vez, é a exteriorização

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

dos motivos. Trata-se, na verdade, de se formalizar os motivos enumerados pelo


administrador, seja de forma aliunde, seja contextual.
Então, na questão ora analisada, ou inadequação ou inexistência do motivo? Ou o motivo
existe e só não foi exteriorizado? Se inexistente ou inadequado, há vício no motivo. Se
não exteriorizado, há vício de forma.
Os fundamentos existem, só não foram formalizados, logo, apresenta vício de forma.
QUESTÃO Nº 110 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2016
A respeito dos atos administrativos, assinale a opção correta.
a) São elementos dos atos administrativos a competência, a finalidade, a forma, o
motivo e o objeto.
b) Apenas o Poder Executivo, no exercício de suas funções, pode praticar atos
administrativos.
c) Mesmo quando atua no âmbito do domínio econômico, a administração pública
reveste-se da qualidade de poder público.
d) Para a formação do ato administrativo simples, é necessária a manifestação de
dois ou mais diferentes órgãos ou autoridades.
e) Define-se ato nulo como ato em desconformidade com a lei ou com os princípios
jurídicos, passível de convalidação.

A resposta é letra “A”.

Registra-se que a nomenclatura varia de autor para autor. Alguns preferem a utilização
de elementos; outros, requisitos, ou, ainda, pressupostos. Na Lei da Ação Popular (Lei
4.715/65), por exemplo, mencionam-se elementos essenciais: competência, finalidade,
forma, motivo e objeto. Sem estes, o ato não se forma e torna-se nulo.

Só uma informação adicional. Abre-se um parêntese para esclarecer que os elementos


previstos na Lei da Ação Popular são essenciais, ou seja, sem estes o ato
administrativo não existe, é inexistente. Porém, ao lado dos essenciais, os atos podem
contar com elementos acidentais, aqueles que podem ou não estar presentes nos atos
administrativos (é um acidente!), são eles: termo, condição e encargo (modo).

Elementos Essenciais
Elementos Acidentais (ECT)
(CO FI FO M Ob)
PODEM ou não existir
DEVEM existir
CO mpetência Encargo ou Modo
FI nalidade
Condição
FO rma
M otivo Termo
Os demais itens estão errados. Abaixo:
b) Apenas o Poder Executivo, no exercício de suas funções, pode praticar atos
administrativos.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

No Brasil, a separação de poderes não é estanque, ou seja, ao lado da função primordial,


os poderes também realizam funções atípicas. Todos, por acaso, contam com a própria
estrutura administrativa, e, bem por isto, editam seus próprios atos administrativos.

c) Mesmo quando atua no âmbito do domínio econômico, a administração pública


reveste-se da qualidade de poder público.
A Administração Pública, ora é de Direito Público, ora é de Direito Privado. Quando o
Estado decide pela intervenção no domínio econômico atua na qualidade de particular,
e, por isto, sem a qualidade de poder público. Inclusive, não é possível conceder à
maquina estatal privilégios que não sejam extensíveis aos demais do setor, sob pena de
concorrência desleal.

d) Para a formação do ato administrativo simples, é necessária a manifestação de


dois ou mais diferentes órgãos ou autoridades.
O ato simples pode ser singular ou plural. O singular é o produzido por um único órgão,
mas sem caráter deliberativo. O plural também advém de um único órgão, porém de
natureza colegiada. A definição oferecida pela banca mais se aproxima do ato composto
e do complexo.

e) Define-se ato nulo como ato em desconformidade com a lei ou com os princípios
jurídicos, passível de convalidação.
Pela teoria dualista, ou os atos são nulos ou são anuláveis. A diferença é que os nulos
não admitem convalidação. E os anuláveis contam com vícios sanáveis, e, por isto,
sujeitos à sanatória ou convalidação.
QUESTÃO Nº 111 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos e
seu regime, julgue o item a seguir.
A imperatividade é o atributo pelo qual o ato administrativo é presumido verídico até
que haja prova contrária à sua veracidade.

Certo
Errado

O item está ERRADO.


Os atos são marcados por notas peculiares, os tais atributos. São eles: presunção de
legitimidade, imperatividade, autoexecutoriedade, exigibilidade e tipicidade.

Pela presunção de legitimidade, os atos são considerados praticados em conformidade


com o direito, até prova em sentido contrário. Reconhece-se, assim, sua natureza relativa
ou juris tantum.
Já imperatividade é o atributo que confere ao ato a prerrogativa de ser imposto a
particulares independentemente da concordância. É considerado como poder
extroverso. Claro que há exceções. Veja o exemplo dos atos negociais.
Perceba que a banca só fez misturar imperatividade com presunção de legitimidade.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 112 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM


ESPECIALIDADE"/2018
Considerando a doutrina majoritária, julgue o item, referente aos poderes
administrativos, à organização administrativa federal e aos princípios básicos da
administração pública.
De acordo com o princípio da autoexecutoriedade, os atos administrativos podem ser
aplicados pela própria administração pública, de forma coativa, sem a necessidade de
prévio consentimento do Poder Judiciário.

Certo
Errado

O item está CERTO.


A autoexecutoriedade é a prerrogativa de que certos atos administrativos sejam
executados imediata e diretamente pela própria Administração, independentemente
de ordem ou autorização judicial.
Para Lucas Rocha Furtado, a autoexecutoriedade decorre da presunção de legitimidade,
embora com esta não se confunde. Afinal, de nada valeria dizer que os atos
administrativos são presumivelmente legítimos caso a Administração precisasse de
autorizações judiciais para agir.
O atributo da autoexecutoriedade garante, até mesmo, o uso da força física, se for
necessária, no entanto, com uso de meios adequados e proporcionais.
No entanto, abre-se um parêntese para esclarecer que a autoexecutoriedade não
existe em todos os atos administrativos. Conforme a doutrina majoritária, só há
autoexecutoriedade quando:
a) expressamente prevista em lei; ou
b) tratar-se de medida urgente que, acaso não adotada de imediato, pode ocasionar
prejuízo maior para o interesse público.
QUESTÃO Nº 113 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item que se segue, a respeito dos atos da administração pública.
Todos os fatos alegados pela administração pública são considerados verdadeiros, bem
como todos os atos administrativos são considerados emitidos conforme a lei, em
decorrência das presunções de veracidade e de legitimidade, respectivamente.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Esta vertente de raciocínio tem como maior expoente Maria Sylvia Zanella Di Pietro, que
afirma a presunção de legitimidade ser dividida em dois: presunção de veracidade e
presunção de legalidade. Assim, de fato, a presunção de veracidade afirma que a
descrição dos fatos por parte da administração é verdadeira e, por sua vez, a presunção
de legalidade afirma que, se a atividade administrativa está submetida a lei, é presumível

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

que seus atos sejam legais, embora admita-se prova em contrário. Vejamos o que diz a
autora (Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 69):
Esse princípio, que alguns chamam de princípio da presunção de legalidade, abrange dois
aspectos: de um lado, a presunção de verdade, que diz respeito à certeza dos fatos; de
outro lado, a presunção da legalidade, pois, se a Administração Pública se submete à
lei, presume-se, até prova em contrário, que todos os seus atos sejam verdadeiros e
praticados com observância das normas legais pertinentes.

QUESTÃO Nº 114 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
A respeito dos atributos dos atos administrativos, assinale a opção correta.
a) O ato administrativo configura instrumento de realização do interesse público,
razão por que ele tem a coercibilidade como atributo absoluto.
b) A imperatividade é atributo que dota de coercitividade todos os atos
administrativos.
c) A presunção de legitimidade do ato administrativo é atenuada pela possibilidade
de o particular deixar de cumpri-lo quando houver alguma dúvida sobre sua
legalidade.
d) A autoexecutoriedade, como atributo, admite exceções, como nas hipóteses de
cobrança de multa e de desapropriação.
e) O contraditório e a ampla defesa suprimem a autoexecutoriedade dos processos
administrativos.
A resposta é letra “D”.
Questão bem interessante.
O atributo da autoexecutoriedade é o que confere à Administração produzir seu ato sem
depender de crivo prévio do Poder Judiciário. No entanto, há exceções, ou seja, situações
que, primeiro, a Administração precisa de o Poder Judiciário se manifestar. Veja o
exemplo da cobrança de multas. Primeiro, escreve-se em dívida ativa, para, só depois,
executar-se judicialmente. O mesmo ocorre com a desapropriação. O decreto do Chefe
do Executivo retira a propriedade do particular, mas o particular pode não concordar
com o valor da indenização, e socorrer-se do Judiciário. Assim, a desapropriação não
será amigável, mas sim judicial.
A seguir, vejamos os erros nos demais itens:
Na letra “A”, há dois possíveis erros. O primeiro é que a imperatividade não é absoluta.
Por exemplo, atos negociais são desprovidos de tal atributo. O segundo possível erro –
mas polêmico – é que a coercibilidade é um atributo do Poder de Polícia e não do ato
administrativo. A coercibilidade tecnicamente não se confunde com a imperatividade.
Na letra “B”, como sobredito, nem todos os atos são imperativos. Outro exemplo são
os atos enunciativos. Quando um particular requer, perante o INSS, uma certidão, não
há uma prerrogativa de o INSS emitir a certidão, há um dever. E dever não é
imperatividade.
Na letra “C”, o particular não pode deixar de cumprir o ato administrativo. Enquanto o
ato não for cancelado, o particular DEVE cumprir, independentemente de sua
concordância. A presunção de legitimidade é relativa? Sim. Porém, caberá ao particular
a prova em sentido contrário.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Na letra “E”, os atos, ainda que autoexecutórios, não prescindem da observância do


contraditório e da ampla defesa. Até quando há uma situação emergencial, o ato terá
contraditório, embora postergado ou diferido.
QUESTÃO Nº 115 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
O atributo que consiste na possibilidade de certos atos administrativos serem decididos
e executados diretamente pela própria administração, independentemente de ordem
judicial, denomina-se:
a) presunção de legitimidade.
b) autoexecutoriedade.
c) motivação.
d) tipicidade.
e) imperatividade.
A resposta é letra “B”.
Os atos administrativos contam com características que os diferenciam dos atos de
direito privado. Estas características distintivas fornecem aos atos atributos. E, para a
doutrina, são atributos, entre outros: imperatividade, presunção de legitimidade e
autoexecutoriedade.
A presunção quer dizer que o ato nasce legítimo. Na verdade, só presumidamente
legítimo. É que o particular pode impugnar o ato e demonstrar sua desconformidade
com o ordenamento jurídico. Portanto, a resposta não é presunção.
Pela imperatividade ou poder extroverso, os atos administrativos são impostos aos
particulares, e estes, independentemente da anuência, devem acompanhar a
determinação do Estado. Só que o enunciado menciona o poder de a Administração
executar suas próprias decisões.
Voilà! Chegamos ao atributo da autoexecutoriedade. Por esta característica, os atos
podem ser operacionalizados diretamente pela Administração, sem que depende de
crivo prévio por parte do Poder Judiciário. Exatamente como previsto no enunciado, e
assim confirmada a correção da letra B.
Só um detalhe adicional. Na letra “D”, mencionou-se a tipicidade. De fato, para parte da
doutrina, a tipicidade é um atributo do ato administrativo. Para cada finalidade almejada
pela Administração, há um ato típico previsto no ordenamento jurídico.
QUESTÃO Nº 116 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos e
seu regime, julgue o item a seguir.
A licença consiste em um ato administrativo unilateral e discricionário.
Certo
Errado

O item está ERRADO.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Os atos negociais podem ser discricionários ou vinculados. Um exemplo clássico de ato


negocial discricionário é a autorização de porte de arma. Ou seja, ainda que o particular
preencha os requisitos da lei, pode o administrador indeferir o pleito.
Já os atos vinculados são aqueles que a lei impõe ao administrador a sua edição, se o
particular tiver cumprido o iter da lei. Por exemplo, se o particular cumprir todos os
requisitos legais, a ele não poderá ser indeferida a licença para construir.
Isso mesmo. A licença é ato unilateral e, de regra, vinculado.
QUESTÃO Nº 117 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item a seguir, relativo aos atos administrativos.
São exemplos de atos administrativos normativos os decretos, as resoluções e as
circulares.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.

A questão versa acerca dos atos administrativos. Antes de respondermos a questão,


devemos conhecer os conceitos das espécies de atos apresentadas pela questão.
Primeiramente, temos o decreto, que são atos normativos de competência exclusiva dos
Chefes do Executivo, conforme Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro.
42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 204)
Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva
dos Chefes do Executivo,52 destinados a prover situações gerais ou individuais,
abstratamente previstas de modo expresso, explícito ou implícito, pela legislação.
Comumente, o decreto é normativo e geral, podendo ser especifico ou individual.
Por sua vez, as resoluções também são atos normativos expedidos pelas mais altas
autoridades do Executivo, abaixo dos Chefes do Executivo, e pelos presidentes
de tribunais, órgãos legislativos e colegiados administrativos, conforme lições de Hely
Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p.
208):
Resoluções são atos administrativos normativos expedidos pelas altas autoridades do
Executivo (mas não pelo Chefe do Executivo, que só deve expedir decretos) ou pelos
presidentes de tribunais, órgãos legislativos e colegiados administrativos, para disciplinar
matéria de sua competência específica.
Por fim, temos as circulares que são atos ordinatórios, contendo ordens escritas,
destinadas, de forma uniforme, a determinados agentes públicos, conforme ensina Hely
Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p.
209):
Circulares - Circulares são ordens escritas, de caráter uniforme, expedidas a determinados
funcionários ou agentes administrativos incumbidos de certo serviço, ou do desempenho
de certas atribuições em circunstâncias especiais. São atos de menor generalidade que as
instruções, embora colimem o mesmo objetivo: o ordenamento do serviço.
Portanto, como a circular não é um ato normativo, assertiva está INCORRETA.

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QUESTÃO Nº 118 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STJ)/JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018
Acerca dos princípios e dos poderes da administração pública, da organização
administrativa, dos atos e do controle administrativo, julgue o item a seguir,
considerando a legislação, a doutrina e a jurisprudência dos tribunais superiores.
Por ser um ato complexo, o reconhecimento da aposentadoria de servidor público se
efetiva somente após a aprovação do tribunal de contas. Por sua vez, a negativa da
aposentadoria pela corte de contas não observa o contraditório e a ampla defesa.

Certo
Errado

Gabarito: Certo.
De fato, a aposentadoria do servidor público é ato complexo, pois necessita da
manifestação do órgão em conceder a aposentadoria e da manifestação do Tribunal de
Contas em aprovar esta aposentadorias, ou seja, dois atos independentes aperfeiçoando
um ato administrativo.
Desse modo, temos os atos complexos só estão perfeitos e acabados com uma soma
de vontade absolutamente independentes. Por exemplo, temos a nomeação do
Procurador da Fazenda Nacional, que depende da conjugação de vontades do Ministro
da Fazenda e do AGU, bem como no exemplo dado pela questão, na qual a
nomeação diretor-geral da agência, pelo governador do estado, depende de aprovação
da Assembleia Legislativa do Estado. Neste sentido, confira-se Vicente Paulo e Marcelo
Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p.
492):
Ato administrativo complexo é o que necessita, para sua formação, da manifestação de
vontade de dois ou mais diferentes órgãos ou autoridades. Significa que o ato não pode ser
considerado perfeito (completo, concluído, formado) com a manifestação de um só órgão
ou autoridade.
Por sua vez, o STF entende ser necessária o contraditório e ampla defesa nos processos
perante o TCU, no entanto excetua dessa exigência a apreciação do ato de concessão
inicial de aposentadora, conforme a Súmula Vinculante n.° 3:
Súmula Vinculante 3
Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a
ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do
ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
QUESTÃO Nº 119 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
PE)/JUDICIÁRIA/2017
Um servidor público praticou um ato administrativo para cuja prática ele é incompetente.
Tal ato não era de competência exclusiva.
Nessa situação, o ato praticado será:

a) inexistente.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

b) irregular.
c) válido.
d) nulo.
e) anulável.

A resposta é letra “E”.


Questão bem interessante!
Em nosso sistema, admite-se a convalidação de atos administrativos. Ou seja, nem todo
vício incidente sobre o ato acarretará a necessária nulidade, enfim, o desfazimento do
ato operando-se efeitos retroativos (ex tunc).
Para vícios sanáveis, abre-se o caminho da convalidação. Surge, assim, a categoria de
atos anuláveis, com vícios que admitem convalidação.
A convalidação ou sanatório, ato privativo da Administração, recai sobre vícios nos
elementos competência e forma. E, ainda assim, se a competência não for exclusiva e se
a forma não for essencial.
Então, no caso exposto, temos um vício sobre que elemento? Competência. Perfeito. É
competência exclusiva? Não, logo, admite-se a convalidação. Por isto, pode-se
considerar ser um ato ANULÁVEL.
QUESTÃO Nº 120 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
De acordo com a doutrina, os atos administrativos que possuem todas as suas condições
e requisitos estipulados por lei, prevendo uma única e obrigatória atuação administrativa,
são classificados como:
a) complexos.
b) vinculados.
c) constitutivos.
d) Declaratórios.
e) discricionários.

A resposta é letra “B”.


A questão trata da classificação dos atos administrativos quanto ao regramento. Os atos
podem ser classificados em: discricionários e vinculados.
Os atos discricionários são aqueles praticados dentro das margens permitidas pelo
legislador. A lei, de forma expressa ou implícita, abre espaço para opções do
administrador. E a discricionariedade recai sobre os elementos motivo e objeto. Tais
elementos formam o mérito administrativo. Um exemplo clássico é a autorização de
porte de arma, ainda que o particular preencha todos os requisitos legais, o pleito do
particular ficará a critério do administrador.
Já os vinculados ou regrados são aqueles que não há flexibilidade, não há mérito, não
há escolhas. Isto porque o legislador já traçou previamente como será a ação do
administrador. Vide o exemplo da licença-maternidade, em que, uma vez ocorrido o fato
gerador (nascimento), não há como o administrador negar a concessão da licença.
Então, perceba, pelo enunciado, que todas as condições e requisitos foram estipulados
em lei, não havendo margem de discrição. E, assim, confirmamos a correção da letra “B”.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 121 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2017
A respeito dos atos administrativos, julgue o item seguinte, considerando o
posicionamento da doutrina majoritária.
Enquanto no ato complexo as manifestações de dois ou mais órgãos se fundem para
formar um único ato, no ato composto se pratica um ato administrativo principal que
depende de outro ato para a produção plena dos seus efeitos.
Certo
Errado

O item está CERTO.


O autor Hely Lopes Meirelles chama a atenção para o fato de que, no ato complexo,
integram-se as vontades de vários órgãos (duas ou mais unidades administrativas) para a
obtenção de um mesmo ato. O ato complexo, então, não é exemplo de procedimento, o
qual se configura como uma série de atos, produzidos com o objetivo de atingir um ato
final. O concurso público, para seleção de servidores, é exemplo clássico de
procedimento administrativo. E, note-se, no concurso haverá um ato complexo, dentro
do procedimento: a nomeação, que estará sujeita a registro junto ao Tribunal de Contas
competente.
Já os atos compostos são aqueles que resultam da manifestação de dois ou mais
órgãos, em que a vontade de um é instrumental em relação à de outro, que edita o
ato principal, praticando-se, em verdade, dois atos: um principal e outro acessório. Hely
Lopes Meirelles dá como exemplo de ato composto a autorização que depende do visto
de uma autoridade. Este último seria o ato complementar, necessário para que o primeiro
ganhe exequibilidade. Outro exemplo de ato composto é a homologação acessória no
procedimento de licitação.
QUESTÃO Nº 122 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
TO)/ADMINISTRATIVA/2017
Assinale a opção que apresenta espécie de ato administrativo vinculado quanto ao
conteúdo.
a) circular
b) permissão
c) despacho
d) portaria
e) licença
Gabarito: Letra E
a) circular – alternativa incorreta.
A circular é considerada um ato administrativo ordinatório, mas não é vinculado quanto
ao conteúdo. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“Os principais atos administrativos ordinatórios são:
(...)
b) Circular – ordem escrita e uniforme dirigida a determinados servidores incumbidos de
certo serviço. Diferem das instruções porque, embora possuam o mesmo objetivo, são atos

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

de menor generalidade;”(ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo


Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 397).
b) permissão – alternativa incorreta.
A permissão é considerada um ato administrativo negocial, mas não é vinculado quanto
ao conteúdo. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“Os principais atos administrativos negociais são:
c) Permissão – a permissão é tradicionalmente definida pela doutrina como ato
administrativo unilateral, discricionário e precário pelo qual o Poder Público faculta ao
particular a execução de serviços de interesse coletivo ou o uso especial de bens públicos.
Vale salientar que essa definição de permissão como ato administrativo unilateral,
discricionário e precário valia tanto para a permissão de uso de bens públicos quanto para
a permissão de serviços públicos. Contudo, posteriormente, diante do art. 175, parágrafo
único, I, da Constituição Federal, ficou explicitado no atual texto constitucional que o
vínculo entre o poder público e o permissionário de serviço público teria natureza
contratual. Tal entendimento veio a ser corroborado pela Lei 8.987/1995, que dispõe, no
art. 40, que “a permissão de serviço público será formalizada mediante contrato de adesão,
que observará os termos desta Lei, das demais normas pertinentes e do edital de licitação,
inclusive quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo poder
concedente”. Enquanto contrato administrativo, a permissão de serviço público não possui
natureza discricionária, visto que o poder público está vinculado aos termos previstos no
edital da licitação.” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo
Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 398).
c) despacho – alternativa incorreta.
O despacho é considerado um ato administrativo ordinatório, mas não é vinculado
quanto ao conteúdo. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“Os principais atos administrativos ordinatórios são:
(...)
h) Despachos – decisões de autoridades que exercem funções administrativas, proferidas
em processos e requerimentos sujeitos à sua apreciação.” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS,
João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P.
397).
d) portaria – alternativa incorreta.
A portaria é considerada um ato administrativo ordinatório, mas não é vinculado quanto
ao conteúdo. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“Os principais atos administrativos ordinatórios são:
(...)
d) Portaria – ato administrativo interno por meio do qual os chefes de órgãos ou repartições
expedem determinações gerais ou especiais a seus subordinados, servindo também para
designar servidores para funções e cargos;” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito
Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 397).
e) licença – alternativa correta.
A licença é considerada um ato administrativo negocial e é vinculada quanto ao
conteúdo. Portanto, essa é a alternativa correta. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e
João de Deus sobre o tema:
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“Os atos vinculados são aqueles em que a Administração não tem liberdade de escolha.
Uma vez comprovados os requisitos legais, a edição do ato é obrigatória, nos exatos termos
previstos na lei, como ocorre com a licença para o funcionamento de estabelecimento
comercial ou para a construção de imóvel.” (grifei) (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João
de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 385).
“Os principais atos administrativos negociais são:
a) Licença – ato administrativo unilateral, vinculado e definitivo pelo qual o Poder Público,
verificando que o interessado atendeu a todos os requisitos legais, faculta-lhe a realização
de determinada atividade ou fato material. Como exemplo, tem-se a licença ambiental
concedida a quem cumpriu todos os requisitos para o início da construção de uma usina
hidrelétrica;” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo
Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 398).
QUESTÃO Nº 123 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito dos poderes administrativos, da contratação com a administração pública e
do processo administrativo — Lei n.º 9.784/1999 —, julgue o item seguinte.
A desistência do interessado quanto a pedido formulado à administração pública impede
o prosseguimento do processo.

Certo
Errado

O item está ERRADO.


Assim dispõe a Lei:
Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente
do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.
§ 1o Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia atinge somente quem a tenha
formulado.
§ 2o A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, não prejudica o
prosseguimento do processo, se a Administração considerar que o interesse público assim
o exige.
Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua
finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato
superveniente.
Perceba que, se houver interesse público, a Administração Pública poderá prosseguir o
processo, independentemente da renúncia ou desistência do interessado.
QUESTÃO Nº 124 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
A respeito dos princípios da administração pública, de noções de organização
administrativa e da administração direta e indireta, julgue o item que se segue.

A competência pública conferida para o exercício das atribuições dos agentes públicos
é intransferível, mas renunciável a qualquer tempo.

Certo
Errado

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

O item está ERRADO.

Dispõe o art. 11 da Lei 9.784/1999 (Lei de Processo Administrativo Federal):


“Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi
atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos”.
Conforme Edmir Netto de Araújo, a competência é de exercício obrigatório, sendo
irrenunciável, como decorrência do princípio da indisponibilidade do interesse público.
No entanto, a irrenunciabilidade não impede que a Administração Pública transfira a
execução de uma tarefa, isto é, o exercício da competência para fazer algo. Transfere-se
o exercício, mas a titularidade da competência continua a pertencer a seu “proprietário”.
A irrenunciabilidade, porém, não é a única característica da competência. São apontadas,
ainda, as seguintes características:
I) sempre decorrente de lei: a competência não se presume, exigindo-se texto expresso
de norma. Fica a ressalva de que, na esfera federal, os decretos autônomos podem definir
o exercício da competência (inc. VI do art. 84 da CF/1988);
II) intransferível (inderrogável): a competência não se transmite por mero acordo entre
as partes. Mesmo quando se permite a delegação, é preciso um ato formal que registre a
prática (caput do art. 14 da Lei 9.784/1999);
III) improrrogável: no processo civil, é comum ouvir falar que, se um determinado vício
de competência relativa (em razão do valor ou território), não for alegado no momento
oportuno, o juiz de incompetente passa a competente, ou seja, fica “prorrogada” sua
competência. No Direito Administrativo não é isso o que acontece, pois os interesses que
estão “em jogo” não são particulares como no Direito Civil. Assim, o mero decurso do tempo
não transforma a incompetência em competência. Para a alteração da competência, é
necessária a edição de norma que especifique quem agora passa a dispor da competência;
IV) imprescritível ou incaducável: o não uso da competência não torna o agente
incompetente. Não se pode falar, portanto, em “usucapião” de competência; e
V) pode ser objeto de delegação (ato de repartir o exercício da competência) ou de
avocação (ato de trazer para si o exercício da competência), desde que não reservada
à competência exclusiva.
QUESTÃO Nº 125 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
A respeito dos poderes administrativos, de licitações e contratos e do processo
administrativo, julgue o item subsequente.
A fim de evitar a anulação de processo administrativo, em regra, deverá ser exigido que
os documentos juntados aos autos tenham firmas reconhecidas.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Dispõe o §2º do art. 22 da Lei 9.784/1999:
Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão
quando a lei expressamente a exigir.
§ 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver
dúvida de autenticidade.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

O reconhecimento de firma só quando houver dúvida quando à autenticidade, daí o erro


do quesito.
QUESTÃO Nº 126 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STM)/APOIO
ESPECIALIZADO/PROGRAMAÇÃO DE SISTEMAS/2018
Acerca do acesso à informação, dos servidores públicos e do processo administrativo no
âmbito federal, julgue o item que se segue.
Caso edite ato administrativo que remova, de ofício, um servidor público federal e,
posteriormente, pretenda revogar esse ato administrativo, a autoridade pública deverá
explicitar os motivos de sua segunda decisão, com a indicação dos fatos e dos
fundamentos jurídicos.

Certo
Errado

O item está CERTO.


A Administração tem o dever de motivar seus atos, sejam eles discricionários, sejam
vinculados. Assim, em regra, a validade do ato administrativo depende do caráter prévio
ou da concomitância da motivação pela autoridade que o proferiu com relação ao
momento da prática do próprio ato.
Nesse contexto, observemos o art. 50 da Lei 9.784/1999, o qual determina ser necessária
a motivação dos atos administrativos, como os que:
“I – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções,
II – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres,
laudos, propostas e relatórios oficiais, e
III – importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.”
Portanto, embora a revogação seja ato discricionário, a lei impõe a devida motivação.
QUESTÃO Nº 127 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
No que se refere aos poderes administrativos, julgue o item que se segue.

A legislação autoriza a avocação de competência atribuída a órgão hierarquicamente


inferior, desde que tal avocação seja excepcional, temporária e esteja fundada em
motivos relevantes devidamente justificados.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A questão versa sobre a Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. De fato, a avocação
temporária de competência é admitida, desde que seja efetuada em caráter excepcional
e se relacione a órgãos hierarquicamente subordinados, uma vez que decorrem do Poder
Hierárquico, acrescentando-se que, para se avocar, a autoridade superior deverá
apresentar motivos relevantes devidamente justificados, conforme o art. 15, da Lei do
Processo Administrativo Federal:

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente
justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão
hierarquicamente inferior.
QUESTÃO Nº 128 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STJ)/JUDICIÁRIA/"SEM
ESPECIALIDADE"/2018
Tendo como referência a jurisprudência dos tribunais superiores relativa a
desapropriação, improbidade administrativa e processo administrativo, julgue o seguinte
item.
Situação hipotética: João, ao ter completado cinquenta anos de idade, apresentou
requerimento a órgão público federal, o que culminou na abertura de processo
administrativo. No procedimento, ele anexou documento probatório da sua condição de
portador de doença crônica grave no fígado e requereu à autoridade competente a
declaração da prioridade de tramitação do feito. Assertiva: Nessa situação, o benefício
de tramitação prioritária deverá ser deferido.

Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A questão versa sobre a Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Nesse contexto, esta lei
determina quais processos terão tramitação prioritária perante os órgãos administrativos
federais, conforme o art. 69-A, da Lei Federal:
Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os
procedimentos administrativos em que figure como parte ou interessado:
I - pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos;
II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental; (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).
IV - pessoa portadora de tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna,
hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson,
espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da
doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de
imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, com base em conclusão da medicina
especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após o início do processo. (Rol
exemplificativo)
Perceba, desse modo, que a doença de João, por ser grave e por apresentar documento
probatório da sua condição de portador de doença crônica grave no fígado, confere-lhe
a tramitação prioritária no processo administrativo.
QUESTÃO Nº 129 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Acerca da licitação e do processo administrativo no âmbito da administração pública
federal, julgue o seguinte item.

O processo administrativo pode ser iniciado de ofício ou a requerimento do interessado,


devendo tal requerimento ser formulado por escrito, ressalvados os casos em que se
admitir a solicitação oral.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A questão versa sobre a Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Nesse contexto, de fato,
o processo administrativo pode ser iniciado de ofício (devido ao princípio do impulso
oficial ou da oficialidade) ou a requerimento do interessado, conforme o art. 5º, da Lei
Processual:
Art. 5º O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.
Além disso, permite-se a solicitação oral, como exceção, porém a regra é a formulação
do pedido por escrito, conforme o art.
Art. 6º O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida
solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados:
I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;
II - identificação do interessado ou de quem o represente;
III - domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações;
IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;
V - data e assinatura do requerente ou de seu representante.
QUESTÃO Nº 130 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Com base no disposto na Lei n.º 9.784/1999, assinale a opção correta a respeito dos atos
do processo administrativo.
a) Permite-se que tais atos sejam praticados oralmente, dados os princípios da
eficiência e da celeridade.
b) Tais atos devem ser praticados, preferencialmente, na sede do órgão
administrativo, sendo obrigatória a ciência ao interessado no caso de virem a ser
realizados em outro local.
c) Exige-se o reconhecimento de firma para todos os documentos que forem
assinados em razão da prática dos citados atos.
d) Os atos em questão podem ser realizados em qualquer dia e horário.
e) Exige-se forma específica e prevista em lei para a realização dos atos em apreço.
A resposta é letra “B”.
É o que determina expressamente a Lei. Abaixo:
Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se preferencialmente na sede do órgão,
cientificando-se o interessado se outro for o local de realização.
A regra é que os atos sejam praticados na sede do órgão. O interessado sabe disso, logo,
se houver uma decisão em sentido contrário, deverá o interessado ser cientificado.
Abaixo, os erros:
Na letra “A”, os atos não dependem de uma forma determinado, princípio do
formalismo moderado. Porém, os atos devem ser produzidos por escrito (§1º do art. 22).

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Na letra “C”, a regra é que só se exija reconhecimento de firma se houver dúvida quanto
à autenticidade (§2º do art. 22).
Na letra “D”, os atos devem ser produzidos em dias úteis, no horário normal de
funcionamento (art. 23).
Na letra “E”, como sobredito, vigora o princípio do informalismo. Se não houver uma
forma específica prevista, pode ser adotada qualquer forma.
QUESTÃO Nº 131 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Um processo administrativo instaurado no âmbito de um órgão público estará sujeito a
nulidade caso:

a) o administrado formule as alegações e apresente os documentos antes da


decisão.
b) haja a recusa de provas apresentadas pelos interessados por serem consideradas
protelatórias, mediante decisão fundamentada.
c) o administrado tenha obtido cópias de documentos do processo para a
elaboração de sua defesa.
d) haja a atuação de autoridade que tenha interesse, mesmo que indireto, na
matéria.
e) a intimação do administrado ocorra com antecedência de um dia útil, mesmo
com o seu comparecimento no local, na data e na hora determinados.
A resposta é letra “D”.
Dispõe o art. 18 da Lei de Processo Administrativo Federal:
Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que:
I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
Ou seja, a autoridade tem o dever de se reconhecer impedida de atuar, sob pena de
nulificar o processo administrativo. Inclusive, o art. 19 previu:
Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à
autoridade competente, abstendo-se de atuar.
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui falta grave,
para efeitos disciplinares.
Trata-se de um vício de capacidade. Enfim, a autoridade até pode ser competente para
atuar, mas lhe falta a capacidade.
Os demais itens não são hipóteses de nulidade.
Na letra “A”, é direito do administrado apresentar alegações finais, bem como
documentos antes da decisão. É só uma aplicação do princípio do contraditório.
Na letra “B”, o legislador não é bobo. Previu, expressamente, que as provas meramente
protelatórias podem ser recusadas. Há fatos que são tão notórios, que são comprovados
de plano.
Na letra “C”, é coerente com o princípio da ampla defesa abrir espaço para que o
administrador obtenha cópias de documentos.
Na letra “E”, foi o item mais interessante. A intimação deve ser feita com 3 dias úteis de
antecedência. Ocorre que o vício da intimação é suprido pela presença espontânea do
administrado.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 132 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


BA)/JUDICIÁRIA/2017
Em caso de recurso administrativo interposto perante autoridade incompetente, a
legislação prevê que:
a) o recurso seja remetido à autoridade competente.
b) a autoridade competente seja indicada ao recorrente, sendo-lhe devolvido o
prazo para recurso.
c) o seguimento do recurso seja negado.
d) o recurso seja conhecido, embora deva ser desprovido.
e) o processo administrativo correspondente seja arquivado.
A resposta é letra “B”.
Aqui é suficiente leitura de trecho da Lei de Processo:
Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto:
(...)
II - perante órgão incompetente;
§ 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo-
lhe devolvido o prazo para recurso.
Ou seja, se houve a interposição perante autoridade incompetente, não haverá a recusa
ou desprovimento. Haverá a sinalização da autoridade competente e reabertura de novo
prazo para recurso.
QUESTÃO Nº 133 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
De acordo com a Lei n.º 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito
federal e trata, entre outros assuntos, dos direitos e deveres dos administrados e da
administração pública, assinale a opção correta.

a) Do processo administrativo em que seja interessado, o administrado tem direito


a: ciência da tramitação; vista dos autos e obtenção de cópias de documentos,
ainda que se trate de processo classificado como sigiloso.
b) A administração pública tem o dever de motivar suas decisões de forma explícita,
clara e congruente, não podendo fazê-lo mediante simples declaração de
concordância com fundamentos de pareceres anteriores.
c) Em qualquer caso, o administrado tem o dever de fazer-se assistir por advogado
para que sejam observados os princípios constitucionais do contraditório e da
ampla defesa.
d) O administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos
antes e depois da decisão administrativa, os quais devem ser considerados pelo
órgão competente.
e) A administração pública tem o dever de emitir decisão nos processos
administrativos, mas não está obrigada a se manifestar sobre as reclamações dos
administrados.
A resposta é letra “A”.
Dispõe o art. 3º da Lei:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

“Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de


outros que lhe sejam assegurados:
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício
de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações;
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de
interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as
decisões proferidas;”
Perceba que o comando da assertiva confere quase que totalmente com a redação do
inc. II. A única diferença é a parte final, em que a banca afirma que o sigilo não poderá
ser oposto ao interessado.
No entanto, a meu ver, esta parte final torna a assertiva igualmente incorreta. Façamos a
leitura do art. 46:
Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias
reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos
de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem.
Ou seja, se há, no processo, informação de terceiro protegida por sigilo, ainda que o
interessado seja parte no processo, não poderá ter acesso. E a redação sugere que o
acesso é irrestrito.
Os demais itens estão errados. A seguir:
Na letra “B”, a motivação pode ser contextual ou aliunde. A aliunde é menos conhecida
dos estudantes. É uma motivação mais sintética, resumida, objetiva, afinal, no lugar de o
administrador criar uma nova motivação, reporta-se a precedentes, pareceres. Sobre o
tema, dispõe a Lei de Processo (§1º do art. 50):
“§ 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração
de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou
propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato”.
Na letra “C”, com a Súmula Vinculante 5, ficou afastada a necessidade de defesa técnica
nos processos administrativos. Portanto, a constituição de advogado é sempre uma
faculdade do administrado.

Na letra “D”, o direito só poderá ser exercido enquanto não houver decisão. É aquilo
que chamamos de apresentação de memorial. Porém, sempre antes da decisão, na
tentativa de dissuadir a convicção do julgador. Pelo inc. III do art. 3º, é direito “formular
alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de
consideração pelo órgão competente”.

Na letra “E”, nos termos do art. 48 da Lei, a Administração tem o dever de explicitamente
emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em
matéria de sua competência. E o prazo regra é de 30 dias para decidir.
QUESTÃO Nº 134 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
Acerca do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos, julgue
o item a seguir.
Em que pese ocuparem cargos eletivos, as pessoas físicas que compõem o Poder
Legislativo são consideradas agentes públicos.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Certo
Errado

O item está CERTO.


Os agentes públicos podem ser classificados como políticos. Os políticos exercem cargos
por nomeação (exemplo dos juízes e Ministros de Estado) e por eleição (exemplo dos
deputados, senadores e vereadores).
Portanto, no caso concreto, as pessoas físicas que exercem mandato eletivo devem ser
consideradas agentes públicos na espécie agentes políticos.
QUESTÃO Nº 135 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
BA)/JUDICIÁRIA/2017
O Poder Público deferiu título de organização social a uma pessoa jurídica de direito
privado, sem fins lucrativos, cuja atividade é dirigida à preservação do meio ambiente.
Considerando-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que
eventuais trabalhadores contratados pela referida entidade após a qualificação serão
considerados:
a) agentes honoríficos, sendo facultativa a promoção de processo seletivo objetivo
e impessoal.
b) empregados públicos, sujeitos à regra constitucional do concurso público.
c) servidores públicos, sujeitos à regra constitucional do concurso público.
d) empregados privados, selecionados mediante processo seletivo objetivo e
impessoal.
e) empregados privados, sendo facultativa a promoção de processo seletivo
objetivo e impessoal.
A resposta é letra “D”.
A banca aqui socorreu-se de precedente do STF.
Na ADI 1923/DF, o STF conferiu interpretação conforme a Constituição à Lei nº
9.637/1998 (Lei das OSs), fixando os seguintes parâmetros:
1º O procedimento de qualificação das OSs, a celebração do contrato de gestão, as
hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV) e a
outorga de permissão de uso de bem público (Lei 9.637/1998, art. 12, § 3º) devem ser
conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do
caput do art. 37 da CF;
2º A seleção de pessoal pelas OSs não é regida pelo princípio do concurso público
(inc. II do art. 37 da CF), porém, a seleção deve ser conduzida de forma pública,
objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da CF, e
nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade; e
3º Qualquer interpretação que restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo Tribunal
de Contas da União, da aplicação de verbas públicas deve ser afastada.
Ou seja, não são servidores públicos, não são empregados públicos. São empregados
privados. Porém, os recursos administrados pelas OSs são públicos, e, por isto, o STF
fixou a orientação de que há necessidade de processo seletivo com observância aos
princípios da Administração.

147

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 136 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
O particular que recebe a incumbência da execução de determinada atividade, obra ou
serviço público e os realiza em nome próprio denomina-se agente:
a) administrativo.
b) político.
c) delegado.
d) credenciado.
e) honorífico.
A resposta é letra “C”.
Aqui, bem provavelmente, o concursando ficaria entre as letras “C” e “D”. Falo isto
porque, por eliminação, já conseguiria eliminar letra “A” (agentes administrativos são os
estatutários, celetistas e temporários, integrantes da Administração), “B” (agentes
políticos são os definidores das políticas públicas, exemplo dos Ministros) e “E”
(honorífico são aqueles que exercem só por uma questão de cidadania, tanto que não
são remunerados, exemplo dos membros do júri).
Assim, ficamos entre as letras “C” e “D”.
Os agentes delegatários ou delegados são particulares que têm a competência para
a execução de certas atividades, obras ou serviços públicos, por sua conta e risco.
Tais agentes sujeitam-se às normas e à fiscalização permanente do Estado, em especial
do Poder Público delegante (da Administração direta e, conforme o caso, das agências
reguladoras). São exemplos de agentes delegatários: concessionários, permissionários e
autorizatários de serviços públicos, os titulares de cartório (tabeliães), leiloeiros e
tradutores oficiais.
Já os agentes credenciados são os que recebem da Administração o dever de
representá-la em determinado ato ou de praticar determinada atividade, em
momento ou tempo certo e mediante remuneração do Poder Público. É o caso dos
peritos credenciados pela Justiça, para que elaborem laudos necessários à tomada de
decisão por parte do magistrado. Muitas vezes, o magistrado precisa determinar a
indisponibilidade de bens de um particular para a satisfação de eventual dívida. Nesse
caso, ocorre a designação de perito credenciado para a avaliação.
Então, ficou mais tranquilo agora, não é verdade?
Estamos diante da definição de agentes delegados.
QUESTÃO Nº 137 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
A respeito dos agentes públicos, julgue o item seguinte.
Para que pessoas físicas que colaboram com o poder público sejam consideradas
agentes públicos é necessário que elas, obrigatoriamente, tenham vínculo empregatício
com a administração pública e sejam por esta remuneradas, como ocorre, por exemplo,
com os leiloeiros, tradutores e intérpretes públicos.

Certo

148

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Errado

O item está ERRADO.


Vou-me reportar ao conceito de agente público contido na Lei de Improbidade;
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego
ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.
Não há necessidade de vínculo empregatício e sequer de remuneração. Pode ser
simplesmente o exercício transitório e sem remuneração, mas sendo atividade pública,
será considerado agente públicos. Vide o exemplo dos agentes honoríficos (mesários e
membros do júri).
QUESTÃO Nº 138 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos e
seu regime, julgue o item a seguir.

As funções de confiança, correspondentes a encargos de direção, chefia ou


assessoramento, só podem ser exercidas por titulares de cargos efetivos.
Certo
Errado

O item está CERTO.


Aqui é suficiente a leitura de trecho da CF/1988 (inc. V do art. 37):
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos,
condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de
direção, chefia e assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
Perceba que as atribuições de chefia e direção podem ser entregues a servidores e até
mesmo a particulares, estranhos à Administração. E tais atribuições podem ser em forma
de funções de confiança e de cargos comissionados.
Ocorre que as funções de confiança, depois da redação da EC 19, são EXCLUSIVAS de
servidores de ocupantes de cargos efetivos. Isso mesmo. Impossível o desempenho por
particulares.
Os particulares podem até ser convidados para o desempenho de cargos
comissionados. E mesmo nessa hipótese, fica a informação de que um percentual
mínimo deverá ser reservado aos servidores de carreira.
QUESTÃO Nº 139 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
Acerca do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos, julgue
o item a seguir.
Os empregados das empresas públicas submetem-se ao regime celetista e, por isso,
estão fora do rol de agentes públicos.

149

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Certo
Errado

O item está ERRADO.

Os agentes administrativos ou servidores estatais submetem-se à hierarquia funcional e


ao regime jurídico estabelecido pela entidade à qual pertencem. São servidores estatais,
em sentido amplo:
• Servidores estatutários (efetivos e comissionados): sujeitam-se a regime
jurídico-administrativo, de natureza institucional, legal e unilateral, a exemplo dos
servidores públicos civis regidos, na esfera federal, pela Lei 8.112/1990.
• Empregados (popularmente chamados de celetistas): o regime jurídico é de
natureza contratual de direito privado. Regem-se pela Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT).
• Agentes temporários (contratados para atendimento a necessidades
excepcionais e temporárias, segundo o inc. IX do art. 37 da CF/1988): não
são servidores ou celetistas. Regem-se por contrato especial e de direito público.
Enfim, os empregados, embora celetistas, são sim considerados agentes públicos.
QUESTÃO Nº 140 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2016
No que diz respeito aos agentes públicos, assinale a opção correta.

a) Permite-se que os gestores locais do Sistema Único de Saúde admitam agentes


comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio de
contratação direta.
b) Não se permite o acesso de estrangeiros não naturalizados a cargos, empregos
e funções públicas.
c) O prazo de validade de qualquer concurso público é de dois anos, prorrogável
por igual período.
d) As funções de confiança somente podem ser exercidas pelos servidores
ocupantes de cargo efetivo.
e) Como os cargos em comissão destinam-se à atribuição de confiança, não há
previsão de percentual mínimo de preenchimento desses cargos por servidores
efetivos.

A resposta é letra “D”.


Os cargos em comissão e as funções de confiança destinam-se apenas às atribuições de
chefia, direção e assessoramento. A seguir, façamos a leitura do inc. V do art. 37 da
CF/1988:
“V – as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos,
condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de
direção, chefia e assessoramento.”
Perceba que as funções de confiança são sempre exercidas por servidores ocupantes
de cargos efetivos, não havendo a possibilidade, portanto, de assunção por pessoas
estranhas à estrutura formal do Estado.

150

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Os demais itens estão errados. Abaixo:


a) Permite-se que os gestores locais do Sistema Único de Saúde admitam agentes
comunitários de saúde e agentes de combate às endemias por meio de contratação
direta.
A CF determina que seja feito processo seletivo público de contratação.
b) Não se permite o acesso de estrangeiros não naturalizados a cargos, empregos e
funções públicas.
Nos termos da CF, os cargos públicos são acessíveis aos estrangeiros, nos termos da lei.
Trata-se de norma de eficácia limitada.
c) O prazo de validade de qualquer concurso público é de dois anos, prorrogável por
igual período.
Na verdade, o prazo é de ATÉ dois anos, e prorrogável por igual período. Logo, no caso
concreto, podemos ter um concurso público de 90 dias, prorrogável por mais 90 dias.
e) Como os cargos em comissão destinam-se à atribuição de confiança, não há
previsão de percentual mínimo de preenchimento desses cargos por servidores
efetivos.
Perceba, pela leitura do inc. V, que um determinado percentual mínimo DEVE ser
reservado aos servidores de carreira.
QUESTÃO Nº 141 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos e
seu regime, julgue o item a seguir.
Após ser empossado, o servidor que não entrar em exercício no prazo legal será
exonerado.
Certo
Errado

O item está CERTO.


Aqui é suficiente separarmos dois momentos do candidato aprovado. Enquanto só
candidato. Depois de transformado em servidor.
Se ainda não é servidor, não caberá a exoneração de cargo. Afinal, por razão lógica, ainda
não tem um cargo. Agora, se já está no cargo, caberá a exoneração.
Então, na questão, houve a posse? Sim. Logo, ele já tem o cargo. Portanto, ao não entrar
em exercício no prazo de 15 dias, será exonerado.
Agora, não foi empossado? Tem cargo? Não. Portanto, ao não tomar posse, o ato de
nomeação será tornado sem efeito.
QUESTÃO Nº 142 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017
Servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo,
desde que aprovado em avaliação especial de desempenho por comissão instituída para
essa finalidade, adquirirá estabilidade no serviço público ao completar:

151

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) quatro anos de exercício efetivo.


b) um ano de exercício efetivo.
c) dois anos de exercício efetivo.
d) três anos de exercício efetivo.
A resposta é letra “D”.

Assim prevê a CF/1988:


Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público.
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei
complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado,
e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração
proporcional ao tempo de serviço.
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em
disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado
aproveitamento em outro cargo.
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial
de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
O prazo é de 3 anos de efetivo exercício.
QUESTÃO Nº 143 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 2 CONCURSOS)
Acerca dos direitos e deveres e da remuneração de servidores públicos, julgue o item a
seguir.
A administração pública poderá determinar o desconto na remuneração do servidor
correspondente aos dias não trabalhados no caso de greve deflagrada em razão de
atraso no pagamento de salários.

Certo
Errado

O item está ERRADO.

No RE 693456, o STF fixou a seguinte tese:


“A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes
do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do
vínculo funcional que dela decorre, permitida a compensação em caso de acordo. O
desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por
conduta ilícita do próprio poder público”.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Ou seja, o desconto não será realizado se a paralisação for provocada por atraso no
pagamento ou se, em situações excepcionais, justificar-se o afastamento da relação de
trabalho. Daí o erro do quesito.
QUESTÃO Nº 144 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 2 CONCURSOS)
Acerca dos direitos e deveres e da remuneração de servidores públicos, julgue o item a
seguir.
Servidores públicos que paralisem suas atividades por trinta e um dias consecutivos em
razão de adesão ao movimento grevista, mesmo com o cumprimento das devidas
formalidades legais relativas à greve, poderão ser demitidos por abandono de cargo,
desde que respeitados os princípios do devido processo legal e da ampla defesa.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Já ouviram falar da inassiduidade imprópria?
Então, a Lei 8.112 prevê a inassiduidade habitual, que consiste em ausentar-se, no
período de 12 meses, por 60 ou mais dias, de forma interpolada, intercalada.
Nesse caso, será aberto PAD de rito sumário tendente à demissão do servidor público.
Porém, tratando-se de greve lícita, como é o caso do quesito, a ausência é considerada
inassiduidade imprópria, o que não acarreta o desligamento do servidor, e mesmo
abertura de processo administrativo disciplinar. Inclusive, é franqueado também ao
servidor em estágio probatório a participação do movimento, sem que isso implique
avaliação negativa apta à exoneração do estágio, assim entendeu o STF.

QUESTÃO Nº 145 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017
Acerca do instituto da revisão anual da remuneração e do subsídio dos servidores
públicos, assinale a opção correta.

a) O texto constitucional estabelece limites máximos para a referida revisão.


b) Tal revisão caracteriza-se como direito público subjetivo.
c) Admitem-se índices diversos de atualização anual da remuneração, conforme as
categorias de servidores.
d) A referida revisão deverá ser instituída por meio de ato infralegal.
A resposta é letra “B”.
Prevê a CF/1988:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
(...)
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de
índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998) (Regulamento)
Assegura a revisão anual! Ou seja, é direito público subjetivo. A inércia legislativa pode
permitir, inclusive, o ajuizamento de mandado de injunção.
Os demais itens estão errados. Abaixo:
a) O texto constitucional estabelece limites máximos para a referida revisão.
Não há qualquer limite para a revisão. O assunto é de reserva legal.
c) Admitem-se índices diversos de atualização anual da remuneração, conforme as
categorias de servidores.
A CF é categórica: SEM DISTINÇÃO DE ÍNDICES.
d) A referida revisão deverá ser instituída por meio de ato infralegal.
A revisão é por meio de LEI. E de iniciativa do chefe do Executivo.
QUESTÃO Nº 146 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 2 CONCURSOS)
Acerca dos direitos e deveres e da remuneração de servidores públicos, julgue o item a
seguir.
Em casos excepcionais, o reajuste da remuneração de servidores públicos poderá ser
fixado por meio de decreto do presidente da República.

Certo
Errado

O item está ERRADO.

Façamos a leitura de trecho da CF/1988 (inc. X do art. 37):


X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa
em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de
índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento)
Da mesma forma que a remuneração depende de lei específica, a revisão ou reajuste
idem. Daí a incorreção do quesito.
Inclusive, sobre o tema, destaco Súmula Vinculante do STF, que afasta até a possibilidade
de a matéria ser tratada judicialmente:
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de
servidores públicos sob o fundamento de isonomia.
QUESTÃO Nº 147 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
BA)/JUDICIÁRIA/2017
Um servidor entrou em exercício em um cargo público amparado por decisão judicial
liminar precária e, antes do julgamento final da ação mandamental, requereu, enquanto
ainda estava em exercício, sua aposentadoria por tempo de contribuição, visto que havia
efetuado legítimas contribuições ao sistema previdenciário. Após a concessão da
aposentadoria, ocorreu o julgamento final da demanda, e a segurança foi denegada.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Nessa situação, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a


aposentadoria desse servidor deve ser:
a) cassada, em razão da precariedade do vínculo de trabalho.
b) válida, por aplicação da teoria do fato consumado.
c) mantida, em razão da conversão do vício de forma.
d) anulada, com efeitos retroativos à data da aposentadoria.
e) revogada, com efeitos a partir da data do julgamento final da demanda.
A resposta é letra “B”.
Vamos aproveitar para tecer maiores esclarecimentos sobre a teoria do fato consumado.
No RE 608482/RN e no RMS 31538/DF, o STF fixou a orientação de inaplicabilidade da
teoria do fato consumado aos concursos públicos. Para melhor elucidação do
posicionamento do Supremo, passemos a um exemplo.
Tício prestou o concurso para Analista Tributário da Receita Federal do Brasil, e, por
apenas duas questões, ficou fora do número das vagas previstas no edital. Tício
ingressou no Judiciário, e, em decisão liminar, o juiz autorizou sua participação no curso
de formação, e, uma vez aprovado, conferiu-se o direito à nomeação, posse e exercício.
Tício sagrou-se aprovado e fora nomeado no cargo de Analista. Decorridos mais de 20
anos, o Judiciário concluiu pela improcedência da ação, em sentença transitada em
julgado. E a Receita Federal cancelou o ato de nomeação de Tício.
Então, está correto o posicionamento da Receita? Ou Tício acha-se protegido pela teoria
do fato consumado?
Para o STF, aquele que toma posse em concurso público por força de decisão judicial
precária assume o risco de posterior reforma desse julgado que, em razão do efeito “ex
tunc”, inviabiliza a aplicação da teoria do fato consumado. Não há como Tício invocar o
princípio da proteção da confiança legítima, afinal, não desconhece que o provimento
jurisdicional tem natureza provisória e, assim, pode ser revogado a qualquer momento,
acarretando automático efeito retroativo.
E se Tício tiver se aposentado? É exatamente o item trazido pelo examinador!
A resposta é encontrada no MS 20558/DF. Para o STJ, embora o vínculo de trabalho seja
precário, o vínculo previdenciário consolida-se com a reunião dos requisitos para a
concessão de aposentadoria. E, na hipótese, não há previsão legal para a cassação de
aposentadoria no caso de exercício de cargo amparado por decisões judiciais precárias.
Abaixo, teor da decisão:
Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o servidor se
aposentou, antes do julgamento final de mandado de segurança, por tempo de
contribuição durante esse exercício e após legítima contribuição ao sistema, a denegação
posterior da segurança que inicialmente permitirá ao servidor prosseguir no certame não
pode ocasionar a cassação da aposentadoria.

E, assim, confirmamos a correção da letra “B”.


QUESTÃO Nº 148 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 4
CONCURSOS)

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Com relação ao Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União (RJU),
assinale a opção correta.

a) A regra que estabelece a nacionalidade brasileira como requisito básico para a


investidura em cargo público não comporta exceções.
b) O RJU não é aplicável aos servidores das entidades da administração indireta,
mas apenas aos órgãos públicos.
c) Constitui competência comum dos Poderes Executivo e Legislativo a iniciativa de
lei que verse sobre o RJU dos servidores da administração direta da União.
d) As diversas categorias de servidores públicos, nelas incluídos os membros da
magistratura e da advocacia pública, submetem-se ao regime estatutário previsto
na Lei n.º 8.112/1990.
e) A relação jurídica estatutária não tem natureza contratual, tratando-se de relação
própria de direito público.
A resposta é letra “E”.
Os servidores públicos em sentido amplo dividem-se em: estatutários, celetistas e
temporários. É muito comum questões envolvendo a diferença da relação jurídico-
funcional entre os estatutários e os celetistas.
Ambos ingressam na Administração, de regra, via concurso público, de provas ou provas
e títulos. A remuneração ou o salário podem se submeter ao teto remuneratório. A
dispensa dos empregados pode ser imotivada, isto nas empresas governamentais
interventoras no domínio econômico. Já os empregados das prestadoras de serviços
públicos só podem ser demitidos com o respeito ao devido processo legal, mais ou
menos à semelhança do que ocorre com a demissão dos estatutários.
A relação do estatutário é legal ou institucional, ou seja, baseada em um Estatuto, em
uma lei. Já os celetistas, como o próprio nome denuncia, são regidos pela CLT
(consolidação das leis trabalhistas), portanto, uma relação bilateral ou contratual.
Vejamos os erros nos demais itens. Abaixo:
Na letra “A”, duvide das alternativas que tragam a afirmação de inexistência de exceções.
É que a ciência jurídica é a ciência das exceções, especialmente o Direito Administrativo,
marcado por um emaranhado de leis. No caso concreto, a Lei 8.112 admite que
instituições de pesquisa, por exemplo, admitam professores estrangeiros.
Na letra “B”, a Lei 8.112 é o Estatuto Federal, chamado, vulgarmente, de Regime Jurídico
Único. Tal regime se aplica a toda a Administração Direta (conjunto de ÓRGÃOS) e a
Indireta de DIREITO PÚBLICO, como é o caso das Autarquias, ainda que sob o regime
especial.
Na letra “C”, a competência é chamada de reservada ou exclusiva, no caso, do chefe do
Executivo.
Na letra “D”, os membros da magistratura são regulados pela LOMAN (Lei Orgânica da
Magistratura).
QUESTÃO Nº 149 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
No que se refere ao Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, assinale a
opção correta.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) A Lei n.º 8.112/1990 reúne as normas aplicáveis aos servidores públicos civis da
União, das autarquias e das empresas públicas federais.
b) Tanto os servidores estatutários quanto os celetistas submetem-se ao regime
jurídico único da Lei n.º 8.112/1990.
c) Os cargos públicos dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário são criados
por lei, e os dos órgãos do Poder Executivo, por decreto de iniciativa do
presidente da República.
d) O regime estatutário é o regime jurídico próprio das pessoas jurídicas de direito
público e dos respectivos órgãos públicos.
e) Consideram-se cargos públicos apenas aqueles para os quais se prevê
provimento em caráter efetivo.
A resposta é letra “D”.
A Lei Federal 8.112/1990 trata do chamado regime estatutário dos servidores públicos
civis da União. Mais especificamente, a Lei é válida para as pessoas jurídicas de Direito
Público da União. É um sistema legal e institucional, e não de natureza contratual (relação
dos empregados e a Consolidação das Leis do Trabalho), por se tratar de uma Lei, à qual
os ocupantes de cargos, em nível federal, aderirão.
Então, quer dizer que a Lei 8.112/1990 não se aplica aos demais entes políticos
(Estados, Distrito Federal e Municípios)?
Verdade! O campo de abrangência é restrito à União. Os Estados e Municípios detêm
competência para editar suas próprias leis referentes aos servidores de sua esfera, em
razão da autonomia concedida pelo art. 18 da CF/1988. E, como decorrência da
autonomia, não haveria óbice de o ente político, por exemplo, editar lei e recepcionar,
facultativamente, a Lei 8.112/1990. Para ter ideia do que se afirma, o Distrito Federal
adotava a Lei 8.112/1990.
Outra importante questão é saber a quem compete o encaminhamento do projeto de
lei para se estabelecer o regime jurídico dos servidores públicos.
Na União, a iniciativa é reservada ao presidente da República. Nos demais entes
federativos, por simetria, a competência para se estabelecer o regime próprio aplicável
aos servidores públicos, ou mesmo alterar o que já fora estabelecido, é do respectivo
chefe do Poder Executivo. Nesse contexto, na ADI 3167/SP, o STF reconheceu a
inconstitucionalidade, por vício formal, de lei do Estado decorrente de projeto de lei
encaminhado por membros da Assembleia Legislativa, uma vez que a competência para
modificar o estatuto dos servidores é de competência reservada do chefe do Executivo.
Enfim, não cabe a deputados, senadores e vereadores o encaminhamento de projetos
para alterar o regime jurídico aplicável a servidores públicos, ainda que para a melhoria
das condições desses. Fica a informação de que eventual sanção do chefe do Executivo
aos projetos de sua competência exclusiva, em que haja vício de iniciativa, não tem o
efeito de convalidá-los - ou seja, é vício formal insanável.
Por oportuno, esclareça-se que a expressão regime jurídico, constante do art. 1.º da
Lei 8.112/1990, é um conjunto de regras e princípios que regem determinado instituto
jurídico. No caso, a Lei 8.112/1990 cuida da “vida funcional” do servidor público, de seu
ingresso originário até o rompimento da relação jurídico-funcional, com ou sem extinção
definitiva do vínculo.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Houve a referência de que a abrangência da Lei é restrita aos cargos públicos existentes
na estruturadas pessoas de direito público. Então quer dizer que todos os cargos, na
esfera federal, serão regidos pela Lei 8.112/1990?
Não é bem assim! A Lei 8.112/1990 não abrange a totalidade dos agentes públicos, mas
somente os servidores públicos ocupantes de cargos públicos efetivos e comissionados
das pessoas jurídicas de direito público (Administração direta e indireta de direito
público, inclusive, agências sob o regime especial, como as reguladoras e as
executivas).O diploma não compreende, por exemplo, os agentes políticos (presidente
da República, deputados e magistrados), tampouco os particulares em colaboração
(leiloeiros e tradutores), os empregados públicos (celetistas) e os membros do Ministério
Público e Tribunal de Contas.
Vamos ver os erros nos demais itens:
Na letra “A”, a Lei n.º 8.112/1990 não alcança as empresas públicas federais. O regime
dos servidores das empresas é o celetista.
Na letra “B”, os celetistas submetem-se à CLT.
Na letra “C”, os cargos públicos dos órgãos dos Poderes Legislativo são criados por
resolução, e os dos órgãos do Poder Executivo e do Judiciário, por lei de iniciativa do
presidente da República (Executivo) e do Tribunal (Judiciário).
Na letra “E”, os cargos públicos estatutários podem ser efetivos ou comissionados. Isto
mesmo. O comissionado também é estatutário, apesar de seu regime previdenciário ser
o geral.
QUESTÃO Nº 150 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM
ESPECIALIDADE"/2018
Acerca das regras aplicáveis aos servidores públicos do Poder Judiciário, e considerando
o que dispõe a Lei n.º 8.112/1990 e a Lei n.º 11.416/2006, julgue o item a seguir.

Provimento é o ato emanado da pessoa física designada para ocupar um cargo público,
por meio do qual ela inicia o exercício da função a que fora nomeada.

Certo
Errado

O item está ERRADO.


O candidato aprovado, dentro do número das vagas indicadas no edital, deverá ser
nomeado no cargo público. Com a posse, o candidato muda sua condição para servidor
público. E, a partir da posse, tem o prazo de até 15 dias para entrar em exercício, sob
pena de exoneração.
É com o exercício que a pessoa física inicia suas funções.
O provimento do cargo pode ser originário e derivado. A única forma de provimento de
cargo originário é a nomeação, inconfundível, portanto, com o exercício. Um exemplo de
provimento derivado dá-se com a readaptação, quando o servidor é realocado para
outra função em razão de debilidade físico-mental, em cargo compatível, portanto.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 151 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STM)/APOIO


ESPECIALIZADO/PROGRAMAÇÃO DE SISTEMAS/2018
Acerca do acesso à informação, dos servidores públicos e do processo administrativo no
âmbito federal, julgue o item que se segue.
Se sofrer um acidente que o leve à incapacidade física, o servidor público federal poderá
ser readaptado em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com as suas
limitações, ficando em disponibilidade até a vacância do cargo adequado.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Façamos a leitura da Lei 8.112/1990:
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física
ou mental verificada em inspeção médica.
§ 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado.
§ 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação
exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência
de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de
vaga.
Perceba que, ainda que não haja vaga, o servidor exercerá suas funções, na condição de
excedente. Na disponibilidade remunerada, o servidor ficará em casa, até o mais breve
aproveitamento.
QUESTÃO Nº 152 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o seguinte item de acordo com as disposições constitucionais e legais acerca dos
agentes públicos.
A reversão constitui a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado,
e ocorre quando é invalidada a demissão do servidor por decisão judicial ou
administrativa. Nesse caso, o servidor deve ser ressarcido de todas as vantagens que
deixou de perceber durante o período demissório.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A questão versa sobre a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, que dispõe sobre o
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações
públicas federais. Nesse contexto, note que a assertiva conceitua a reintegração, que
surge quando um servidor recupera o cargo perdido por demissão, quando esta for
invalidada por decisão administrativa ou judicial, conforme dispõe o art. 28, caput, da Lei
nº 8.112/90:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as


vantagens
Por sua vez, a reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado invalidez quando
insubsistentes os motivos da aposentadoria ou no interesse da administração. Nesta
última, para que o servidor volte ao trabalho é necessário cumprir cinco requisitos e
administração deve mostrar interesse no seu retorno. Os requisitos estão dispostos no
art. 25, inciso II da Lei 8.112 de 1990:
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado:
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou
II - no interesse da administração, desde que:
a) tenha solicitado a reversão;
b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
c) estável quando na atividade;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
e) haja cargo vago.

QUESTÃO Nº 153 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


BA)/JUDICIÁRIA/2017 (E MAIS 8 CONCURSOS)
Renata, servidora pública do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ/BA), pediu vacância para
tomar posse no cargo de técnico judiciário do TRE/BA. Ao final do período de avaliação,
Renata foi inabilitada no estágio probatório referente ao novo cargo. O cargo por ela
ocupado anteriormente no TJ/BA não havia sido provido.

Nessa situação hipotética, seu retorno ao cargo anterior se dará por meio de:
a) redistribuição.
b) reintegração.
c) recondução.
d) aproveitamento.
e) reversão.
Gabarito: C
A questão versa sobre a Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990, que dispõe sobre o
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações
públicas federais. A questão trata, mais precisamente, acerca do instituto da recondução,
que, nos termos da Lei 8112, é a forma de provimento que ocorre em duas situações,
conforme previsão do artigo 29 da Lei 8.112:

Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e


decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
II - reintegração do anterior ocupante.
Assim, sendo o servidor estável e tendo sido aprovado em concurso público referente a
outro cargo, inicia-se, no novo cargo, o estágio probatório. E isso ocorre porque
a estabilidade ocorre no âmbito do serviço público, ao passo que o estágio
probatório é obrigatório a cada nova investidura em cargo público.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Com isso, caso o servidor estável não seja habilitado no estágio pertinente ao novo
cargo, terá o direito de retornar ao cargo público anteriormente ocupado, por meio da
recondução, uma vez que já possuía a estabilidade no serviço público.
Analisando os demais institutos, temos o seguinte:
a) redistribuição.
Diferentemente da remoção (deslocamento do servidor), a redistribuição, que não é
forma de provimento, é o deslocamento do cargo para outro órgão ou entidade do
mesmo poder, conforme conceitua o art. 37, da Lei nº 8.112/90:
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou
vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder,
com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos:
b) reintegração.
A reintegração surge quando um servidor recupera o cargo perdido por demissão,
quando esta for invalidada por decisão administrativa ou judicial, conforme dispõe o art.
28, caput, da Lei nº 8.112/90:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua
demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as
vantagens.
d) aproveitamento.
O aproveitamento é o retorno à atividade do servidor posto em disponibilidade, presente
no art. 30, da Lei Estatutária:
Art. 30. O retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-á mediante
aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o
anteriormente ocupado.
e) reversão.
A reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado. Para que o servidor volte ao
trabalho é necessário cumprir cinco requisitos e administração deve mostrar interesse no
seu retorno. Os requisitos estão dispostos no art. 25, inciso II da Lei 8.112 de 1990:
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado:
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou
II - no interesse da administração, desde que:
a) tenha solicitado a reversão;
b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
c) estável quando na atividade;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
e) haja cargo vago.

QUESTÃO Nº 154 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE BA)/APOIO


ESPECIALIZADO/ENGENHARIA CIVIL/2017 (E MAIS 1 CONCURSO)
Anderson, servidor do TRE/BA, sofreu grave acidente no exercício de suas funções, o que
resultou na amputação total de seu braço esquerdo. Após avaliação da equipe médica,

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

constatou-se que ele não poderia exercer as funções anteriormente exigidas pelo cargo
que ocupava. Diante disso, Anderson passou a exercer outra função, compatível com sua
limitação.
Conforme a Lei n.º 8.112/1990, a situação apresentada configura hipótese de:
a) aproveitamento.
b) readaptação.
c) reintegração.
d) recondução.
e) reversão.
A resposta é letra “B”.
Dispõe a Lei 8.112:
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física
ou mental verificada em inspeção médica.
§ 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado.
§ 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação
exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência
de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de
vaga. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
O caso apresentado encaixa-se, perfeitamente, na hipótese de readaptação. Se a
readaptação não for cabível, o servidor deverá ser aposentado por invalidez.
QUESTÃO Nº 155 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 7
CONCURSOS)
Aprovado em concurso para cargo público federal, Carlos foi nomeado no dia 6/11/2017
e tomou posse no dia 21 do mesmo mês e ano. Trinta dias depois, Carlos se apresentou
para entrar em exercício.
Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei n.º 8.112/1990, a administração pública
deverá:

a) demitir o servidor.
b) exonerar o servidor.
c) tornar sem efeito o exercício do servidor.
d) tornar sem efeito o ato de provimento do servidor.
A resposta é letra “B”.
São dois momentos. Se não há posse, o candidato não se transforma em agente público.
Portanto, ao não tomar posse, o ato de nomeação é tornado sem efeito. Agora, se houve
a posse, o candidato é investido no cargo público, transforma-se servidor. E, ao não
entrar em exercício no prazo de 15 dias, será exonerado.

Referência legislativa:
Lei 8.112
Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função
de confiança. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
(...)

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

§ 2o O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem efeito o ato de sua
designação para função de confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos neste
artigo, observado o disposto no art. 18.
QUESTÃO Nº 156 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017
De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, para que um cidadão seja investido em cargo
público, ele deverá comprovar alguns requisitos, entre os quais:

a) nacionalidade brasileira ou estrangeira.


b) gozo dos direitos políticos.
c) idade mínima de dezesseis anos.
d) aptidão apenas mental.
A resposta é letra “B”.
Aqui é suficiente a leitura do art. 5º da Lei. Vejamos:
Art. 5o São requisitos básicos para investidura em cargo público
I - a nacionalidade brasileira;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
V - a idade mínima de dezoito anos;
VI - aptidão física e mental.

Só uma informação. O §3º do art. 5º da Lei admite o ingresso de estrangeiros em cargos


públicos:

§ 3o As universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica federais poderão


prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as
normas e os procedimentos desta Lei.
QUESTÃO Nº 157 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017
Caso determinado cargo público seja extinto, o servidor estável ocupante desse cargo
ficará em disponibilidade:
a) com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até serem preenchidas as
condições necessárias para o seu adequado aproveitamento em outro cargo.
b) com remuneração integral, até serem preenchidas as condições necessárias para
a sua aposentadoria.
c) com remuneração integral, até o seu adequado aproveitamento em outro cargo.
d) sem remuneração, até o seu adequado aproveitamento em outro cargo.
A resposta é letra “A”.
Aqui é suficiente a leitura do §3º do art. 41 da CF/1988:
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em


disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado
aproveitamento em outro cargo.
Com nova redação, passou-se à previsão de que a disponibilidade é remunerada com
proventos proporcionais ao tempo de serviço.
QUESTÃO Nº 158 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/2017
De acordo com a legislação vigente, durante o estágio probatório, o servidor nomeado
para cargo de provimento efetivo será avaliado quanto a sua capacidade com relação a:

a) disciplina, aptidão mental, capacidade de iniciativa e assiduidade.


b) assiduidade, disciplina, produtividade, capacidade de iniciativa e
responsabilidade.
c) aptidão mental e física, disciplina, produtividade e capacidade de iniciativa.
d) assiduidade, disciplina, saúde física, capacidade de iniciativa e produtividade.
A resposta é letra “B”.
Vejamos o disposto no art. 20 da Lei 8.112:
Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo
ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual
a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo,
observados os seguinte fatores: (Vide EMC nº 19)
I - assiduidade;
II - disciplina;
III - capacidade de iniciativa;
IV - produtividade;
V- responsabilidade.
E, assim, fica confirmada a correção da letra “B”.
QUESTÃO Nº 159 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 4 CONCURSOS)
Considerando o Código de Conduta do Conselho da Justiça Federal de Primeiro e
Segundo Graus, as regras para provimento de cargos públicos, direitos e vantagens bem
como o regime disciplinar dos servidores públicos, julgue o item a seguir.
Situação hipotética: Em 2015, Lucas, servidor público federal, foi aposentado por
invalidez. Em 2016, a junta médica oficial declarou insubsistentes os motivos de sua
aposentadoria. Assertiva: Nessa situação, Lucas deverá ser reintegrado, mas, se o seu
cargo anterior estiver provido, ele deverá aguardar em disponibilidade até o surgimento
de nova vaga.

Certo
Errado

O item está ERRADO.

A reintegração é o retorno do servidor demitido. O retorno do aposentado é nominado


de reversão. Vejamos trecho da Lei 8.112:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: (Redação dada pela
Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
QUESTÃO Nº 160 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Considerando o disposto nas Leis n.º 8.112/1990 e n.º 8.429/1992, julgue o item que se
segue, acerca dos agentes públicos.
Servidor público estável poderá perder o seu cargo em virtude de sentença judicial
transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja
assegurada ampla defesa.

Certo
Errado

O item está CERTO.


Assim dispõe a Lei 8.112:
Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada
em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla
defesa.
Fica a informação de que a sentença judicial precisar ser definitiva. Já a administrativa,
na visão do STJ, não precisa aguardar os recursos, inclusive destituídos de efeito
suspensivo contra o ato demissório.
QUESTÃO Nº 161 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2017
Com base na Lei n.º 8.112/1990 e no regime jurídico aplicável aos agentes públicos,
julgue o item a seguir.

Servidor aposentado por invalidez poderá retornar à atividade caso junta médica oficial
declare insubsistentes os motivos da sua aposentadoria, hipótese em que se procederá
à reversão do servidor.

Certo
Errado

item está CERTO.


O retorno do aposentado é nominado de reversão. Vejamos trecho da Lei 8.112:
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: (Redação dada pela
Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)
Só acrescento que existe, também, a reversão a pedido. Mas essa é ato discricionário da
Administração, com outras palavras, ainda que o aposentado cumpra os requisitos, como
ter menos de 70 anos, e ter se aposentado nos últimos cinco anos, não terá direito
adquirido ao retorno.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 162 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
Considerando as Leis n.º 8.112/1990, 8.429/1992 e 9.784/1999, normas nacionais que
regulam o direito administrativo, julgue o item subsecutivo.
Situação hipotética: Sérgio, aprovado em concurso público, foi nomeado em vinte de
outubro de 2015. Um ano e dois meses depois, após ter sido aprovado em outro
concurso público, entrou em exercício no novo órgão público no dia quinze de janeiro
de 2017. No entanto, durante o estágio probatório, ele se arrependeu da nova
investidura e decidiu retornar ao cargo que havia ocupado
anteriormente. Assertiva: Nessa situação, Sérgio terá direito a retornar ao cargo
anteriormente ocupado em virtude do instituto da recondução.

Certo
Errado

O item está ERRADO.

Qual é o prazo para a aquisição da estabilidade? 2 ou 3 anos?

Sabemos que, atualmente, a estabilidade é adquirida depois de 3 anos de efetivo


exercício, e, ainda assim, depois de avaliação especial.
Ocorre que, no caso concreto, Sérgio ainda não adquiriu a estabilidade.

Mas, professor, no que isso é importante? Vai entender, a partir de leitura de trecho da Lei
8.112:
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e
decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
II - reintegração do anterior ocupante.
Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado
em outro, observado o disposto no art. 30.
Enfim, a recondução só será possível para servidores ESTÁVEIS. Portanto, se Sérgio quiser
desistir, será exonerado.
Fica a informação de que a hipótese de desistência não está expressa na Lei 8.112. Porém,
na visão do STF, não há impedimento de o servidor estável, enquanto não tiver
completado o estágio, desistir e ser reconduzido ao cargo anterior.
QUESTÃO Nº 163 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
TO)/ADMINISTRATIVA/2017
Larissa, servidora pública efetiva do TRE/TO, estava prestes a completar os requisitos
para a aposentadoria por tempo de serviço quando sofreu um acidente, que resultou,
após afastamento do serviço por razoável lapso de tempo, em aposentadoria por
invalidez. Meses após a aposentadoria de Larissa, a administração recebeu laudo
elaborado pela equipe médica oficial retificando o resultado que havia resultado na
aposentadoria por invalidez da servidora, que foi, então, avaliada como apta para o
trabalho, considerando as funções exercidas no cargo que ocupava.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Nessa situação hipotética, com base no que dispõe a Lei n.º 8.112/1990, deverá ser
declarada a:

a) reversão, devendo Larissa retornar às atividades anteriormente exercidas.


b) readaptação, devendo Larissa retornar ao cargo que exercia anteriormente.
c) recondução, devendo Larissa retornar às atividades que exercia.
d) redistribuição, se o cargo anteriormente ocupado tiver deixado de existir.
e) reintegração, se ainda existir a mesma categoria.
Gabarito: A
A questão versa sobre a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, que dispõe sobre o
regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações
públicas federais. Nesse contexto, perceba que Larissa fora aposentada por invalidez,
após acidente que deixou sequelas. Posteriormente, Larissa foi considerada apta para o
trabalho por junta médica oficial da entidade, devendo, pois, retornar às atividade por
meio da reversão, que é o retorno à atividade de servidor aposentado.
Neste caso, para que o servidor volte ao trabalho é necessário que a servidora seja
julgada apta por junta médica oficial. Nos demais casos, deverá cumprir cinco requisitos
e a administração deve mostrar interesse no seu retorno. Os requisitos estão dispostos
no art. 25, incisos I e II da Lei 8.112 de 1990:

Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado:


I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria; ou
II - no interesse da administração, desde que:
a) tenha solicitado a reversão;
b) a aposentadoria tenha sido voluntária;
c) estável quando na atividade;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
e) haja cargo vago.
Analisando os demais institutos, temos o seguinte:
b) readaptação, devendo Larissa retornar ao cargo que exercia anteriormente.
Incorreto. Não se trata de readaptação, pois esta é a forma de provimento que realoca
um servidor que sofreu perdas em sua composição física ou mental para um cargo
compatível com as limitações que surgiram, o que não ocorreu com Larissa, uma vez que
estava apta a exercer as suas antigas funções, conforme determina o art. 24, da Lei
8.112/90:
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física
ou mental verificada em inspeção médica.
c) recondução, devendo Larissa retornar às atividades que exercia.
Não se trata de recondução, que, nos termos da Lei 8112, é a forma de provimento que
ocorre em duas situações, conforme previsão do artigo 29 da Lei 8.112:
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e
decorrerá de:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;


II - reintegração do anterior ocupante.
Assim, sendo o servidor estável e tendo sido aprovado em concurso público referente a
outro cargo, inicia-se, no novo cargo, o estágio probatório. E isso ocorre porque
a estabilidade ocorre no âmbito do serviço público, ao passo que o estágio
probatório é obrigatório a cada nova investidura em cargo público.

d) redistribuição, se o cargo anteriormente ocupado tiver deixado de existir.


Incorreto. Nesse caso (cargo anteriormente ocupado tiver deixado de existir), Larissa
ficaria em disponibilidade até o seu adequado aproveitamento. Além disso, a
redistribuição é o deslocamento do CARGO (e não do servidor), para outro órgão ou
entidade do mesmo poder. Vejamos:
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago
no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder,
com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos:
I - interesse da administração;
II - equivalência de vencimentos;
III - manutenção da essência das atribuições do cargo;
IV - vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades;
V - mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional;
VI - compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão
ou entidade
e) reintegração, se ainda existir a mesma categoria.
Incorreto. Não é o caso de Larissa, uma vez que ela não foi demitida. A reintegração
surge quando um servidor recupera o cargo perdido por demissão, quando esta for
invalidada por decisão administrativa ou judicial, conforme dispõe o art. 28, caput, da Lei
nº 8.112/90:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua
demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as
vantagens.
QUESTÃO Nº 164 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PI)/ADMINISTRATIVA/2016
Após regular processo administrativo disciplinar, servidor público estável, ocupante do
cargo de técnico judiciário, regido pela Lei n.º 8.112/1990, foi demitido, tendo sua
demissão sido posteriormente invalidada por meio de decisão judicial.
A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta.

a) O referido servidor não terá direito ao ressarcimento das vantagens decorrentes


de sua reinvestidura no cargo.
b) Caso a demissão houvesse sido invalidada por decisão administrativa, o servidor
teria de recorrer ao Poder Judiciário para ser reinvestido no cargo anteriormente
ocupado.
c) O servidor em questão deverá ser reinvestido no cargo anteriormente ocupado
por meio da recondução.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

d) Na hipótese de o cargo de técnico judiciário ter sido extinto, esse servidor terá
de ser removido para cargo com atribuições semelhantes.
e) Na hipótese de o cargo de técnico judiciário em questão estar ocupado, o seu
eventual ocupante poderá ser reconduzido ao cargo de origem, sem direito à
indenização.
A resposta é letra E.
A questão trata do instituto da reintegração. Sobre o tema, dispõe a Lei 8.112/1990:
Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão
por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
§ 1o Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, observado
o disposto nos arts. 30 e 31.
§ 2o Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo
de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em
disponibilidade.

Perceba que o eventual ocupante é reconduzido ao cargo anterior e sem qualquer direito
à indenização. E, ainda assim, se estável.
QUESTÃO Nº 165 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PI)/ADMINISTRATIVA/2016
Teobaldo, servidor público do estado do Piauí, adquiriu sua estabilidade em 27/1/2012.
Em novembro de 2012, ele foi nomeado para o cargo de técnico judiciário no TRE/PI.
Dentro do prazo legal, Teobaldo tomou posse e entrou em exercício em seu novo cargo,
após solicitar vacância por posse em outro cargo inacumulável. Na avaliação de seu
estágio probatório, no tribunal, Teobaldo foi reprovado, ou seja, foi considerado inapto
para o exercício do cargo ocupado no TRE/PI.
Nessa situação hipotética, a administração deve aplicar, em relação a Teobaldo, o
instituto denominado:

a) recondução.
b) aproveitamento.
c) exoneração.
d) demissão.
e) readaptação.
A resposta é letra A.

A questão se fosse analisada em relação à Lei 8.112/1990, seria bem tranquila. Vejamos:
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e
decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
II - reintegração do anterior ocupante.
Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado
em outro, observado o disposto no art. 30.
Logo, no caso concreto, Teobaldo seria reconduzido, por ser estável no cargo. A
estabilidade decorre do fato de ter conseguido se afastar do cargo anterior para posse

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

em cargo não acumulável. É que, para servidores não estáveis, o caminho é pedir
exoneração e não a posse em outro cargo não acumulável.
E pela Lei Local?
A regra é idêntica. Ou seja, uma vez inabilitado em estágio probatório, caberá a
recondução. O tema é muito discutível, isto porque os servidores estaduais não contam
com direito de vacância para esferas distintas. Logo, a meu ver, caberia o pedido de
exoneração de Teobaldo. A Administração Federal, inclusive, só aceitará a posse de
Teobaldo com a sua declaração de exoneração. Logo, estamos diante de questão que
deveria ser objeto de anulação.
QUESTÃO Nº 166 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/CONTABILIDADE/2016 (E MAIS 9 CONCURSOS)
Conforme a Lei n.º 8.112/1990, o servidor que sofrer acidente que limite sua capacidade
física de forma a inviabilizar o exercício pleno das atribuições do cargo por ele ocupado
deverá:
a) desempenhar suas funções como excedente em cargo de atribuições afins, com
mesmo nível de escolaridade e equivalência de vencimentos, até a ocorrência de
vaga disponível.
b) ser mantido no mesmo cargo que ocupa, com eliminação das atribuições para as
quais não mais tiver capacidade.
c) ser exonerado de ofício.
d) ser revertido por invalidez.
e) ser posto em disponibilidade.
A resposta é letra A.
Questão bem tranquila. Façamos a leitura do art. 24 da Lei 8.112/1990:
Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física
ou mental verificada em inspeção médica.
§ 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado.
§ 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação
exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência
de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de
vaga.(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Logo, no caso concreto, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a
ocorrência de vaga.
QUESTÃO Nº 167 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2016 (E MAIS 1 CONCURSO)
De acordo com a Lei n.º 8.112/1990, que trata do regime jurídico dos servidores públicos
federais, a reversão:

a) não se aplica ao servidor aposentado que já tiver completado setenta anos de


idade.
b) ocorrerá quando a demissão do servidor for anulada por decisão administrativa
ou judicial.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) ocorre quando o servidor estável retorna ao cargo anterior, em decorrência de


inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo.
d) pode ocorrer no interesse do requerente aposentado, desde que haja solicitação
nos últimos cinco anos.
e) poderá ser aplicada quando o servidor aposentado por invalidez ou por tempo
de contribuição tiver a sua aposentadoria anulada por decisão judicial.
A resposta é letra A.
Vamos aproveitar a questão para tratar um pouco mais do instituto da reversão.
A reversão, que é o retorno do servidor aposentado à atividade. Pode ser de dois tipos:
por insubsistência de motivo de invalidez (de ofício) ou no interesse da Administração (a
pedido).
Na insubsistência de motivo de invalidez (reversão de ofício), a causa que levou à
aposentadoria (uma enfermidade) não existe mais. Em tal situação, o servidor em
processo de reversão deverá ser submetido ao exame da junta médica oficial, a qual
deverá declarar que inexiste o fato motivador da aposentadoria. Estando provido o cargo
do servidor revertido, este exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência
de vaga.
Note que o excedente pode surgir em duas circunstâncias: na readaptação e na
reversão de ofício. Atente-se para isso, pois, a princípio, o revertido não ficará na
condição de disponível, mas sim excedente, trabalhando e recebendo integralmente sua
remuneração.
Já na reversão no interesse da Administração (a pedido), os seguintes requisitos devem
ser satisfeitos, de acordo com o art. 25 da Lei 8.112/1990:
A) O SERVIDOR APOSENTADO REQUERER A REVERSÃO E NÃO TER COMPLETADO
70 ANOS;
b) a aposentadoria tenha sido voluntária, afinal se a aposentadoria foi por invalidez, a
reversão será de ofício;
c) o servidor era estável;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
e) existência de cargo vago (na reversão no interesse da Administração não há exercício na
condição de excedente).
Enfatiza-se que, embora preenchidos todos os requisitos legais, não há direito adquirido
à reversão, ficando a decisão a critério da Administração.

QUESTÃO Nº 168 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE PE)/APOIO


ESPECIALIZADO/OPERAÇÃO DE COMPUTADORES/2016 (E MAIS 1
CONCURSO)
Com relação ao regime jurídico dos servidores públicos da União, assinale a opção
correta nos termos da Lei n.º 8.112/1990.
a) A nomeação para cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia
habilitação em concurso público.
b) Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, acrescido
das indenizações que porventura sejam devidas ao servidor.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas comprovadamente


realizadas pelo servidor com moradia, sendo cabível o seu pagamento na
hipótese de deslocamento do servidor por força de alteração de lotação.
d) Constitui requisito básico para investidura em cargo público a quitação com as
obrigações trabalhistas, militares e eleitorais.
e) A demissão de ocupante de cargo em comissão pode dar-se a pedido do servidor
ou de ofício pela administração.

A resposta é letra A.
A regra é o princípio do concurso público, de provas ou provas e títulos. Logo, para
cargos efetivos, deve ser realizado concurso público. Exceção feita, por exemplo, para os
cargos comissionados, são cargos de livre escolha e exoneração.
Os demais itens estão errados. Abaixo:
Na letra “B”, temos a definição para remuneração. O vencimento é a parcela básica
prevista em lei.
Na letra “C”, o auxílio-moradia é um ressarcimento aos servidores que assumem cargos
comissionados e que, obviamente, na localidade não contam com moradia.
Na letra “D”, quitação das obrigações militares e eleitorais. Não há previsão para as
obrigações trabalhistas.
Na letra “E”, a demissão não se confunde com a exoneração. A exoneração é destituída
de natureza punitiva. Logo, não há pedido de demissão, há pedido de exoneração.
QUESTÃO Nº 169 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM
ESPECIALIDADE"/2018
Acerca das regras aplicáveis aos servidores públicos do Poder Judiciário, e considerando
o que dispõe a Lei n.º 8.112/1990 e a Lei n.º 11.416/2006, julgue o item a seguir.

A legislação que dispõe sobre o regime estatutário prevê a possibilidade de o servidor


público, em determinadas hipóteses, pedir remoção para outra localidade,
independentemente do interesse da administração pública.

Certo
Errado

O item está CERTO.

Há remoção a pedido, ato discricionário; e remoção a pedido, ato vinculado. Na primeira,


o servidor requer e a Administração pode ou não remover o servidor. Já, na segunda,
preenchidos determinados qualificativos, ao servidor será garantida a remoção. Um
exemplo desse último caso é quando o cônjuge do servidor foi removido de ofício, no
interesse da Administração.
Referência legislativa:
Lei 8.112
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de
remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
I - de ofício, no interesse da Administração;(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
III - a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da
Administração: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi
deslocado no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas
expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta
médica oficial; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados
for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou
entidade em que aqueles estejam lotados.
QUESTÃO Nº 170 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE BA)/APOIO
ESPECIALIZADO/ENGENHARIA CIVIL/2017 (E MAIS 1 CONCURSO)
Carlos, servidor do TRE/BA, foi removido de ofício, no interesse da administração pública,
para exercer suas funções em nova sede, razão por que teve de mudar de domicílio em
caráter permanente. Carlos é casado com Maria, também servidora do TRE/BA.
Nessa situação hipotética, conforme disposição da Lei n.º 8.112/1990, a remoção de
Maria:

a) deverá ser concedida pela administração se Maria a solicitar.


b) garantirá a ela o direito ao recebimento de ajuda de custo, ainda que Carlos já a
tenha recebido.
c) será automática, independentemente de solicitação.
d) será automaticamente desfeita se Carlos falecer no novo domicílio.
e) dependerá de análise de viabilidade pela administração pública.
A resposta é letra “A”.
Façamos a leitura da Lei 8.112:
Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de
remoção
I - de ofício, no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
II - a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
III - a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da
Administração: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi
deslocado no interesse da Administração;(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas
expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta
médica oficial; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

173

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados


for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou
entidade em que aqueles estejam lotados.
Perceba que nem sempre a remoção é ato discricionário da Administração. No caso
apresentado, em que o servidor foi removido de ofício, enfim, no interesse da
Administração, confere-se a Maria o direito adquirido ao acompanhamento do cônjuge
por remoção.
QUESTÃO Nº 171 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/MEDICINA DO TRABALHO/2017 (E MAIS 3 CONCURSOS)
Após a extinção de seu cargo, João, servidor público estável, passou a perceber
remuneração proporcional ao seu tempo de serviço, assegurada até o seu adequado
aproveitamento em outro cargo público.
Nessa situação hipotética, João ficará na condição de:
a) transposição.
b) vacância.
c) readaptação.
d) disponibilidade.
A resposta é letra “D”.
Façamos a leitura de trecho da Lei 8.112/1990:
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago
no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder,
com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes
preceitos: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
§ 3o Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, extinto o cargo ou
declarada sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for
redistribuído será colocado em disponibilidade, até seu aproveitamento na forma dos arts.
30 e 31.
Perceba que, com a extinção do cargo, o servidor estável ficará em disponibilidade. Essa
é remunerado com proventos proporcionais ao tempo de serviço.
QUESTÃO Nº 172 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
Tendo como referência o Código de Conduta da Justiça Federal de Primeiro e Segundo
Graus, as regras para provimento e vacância de cargos públicos, direitos e vantagens
bem como o regime disciplinar dos servidores públicos, julgue o item a seguir.
Quando um servidor público federal é removido a pedido, com mudança de sede,
independentemente do interesse da administração e por motivo de saúde própria, ele
faz jus à ajuda de custo no valor de uma remuneração.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


A remoção é o deslocamento do servidor, com ou sem mudança de sede. Pode ser de
ofício, no interesse da Administração (ato vinculado). Pode ser requerida pelo servidor.

174

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

E, nesse caso, temos a remoção que ocorre no interesse da Administração ou ainda que
não exista.
Das três formas, só haverá pagamento de ajuda de custo (indenização) se for de ofício.
Imagina o servidor solicitar para ser removido e ainda ser indenizado?! Inimaginável.
Sobre o tema, dispõe a Lei 8.112:
Art. 53. A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de instalação do servidor
que, no interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio
em caráter permanente, vedado o duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no
caso de o cônjuge ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter
exercício na mesma sede. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
o
§ 3 Não será concedida ajuda de custo nas hipóteses de remoção previstas nos incisos II
e III do parágrafo único do art. 36.
Enfim, os incisos II e III tratam da remoção a pedido. Logo, só existe a indenização para
o caso de remoção DE OFÍCIO.
QUESTÃO Nº 173 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/CONTABILIDADE/2016 (E MAIS 9 CONCURSOS)
Conforme a Lei n.º 8.112/1990, o deslocamento de cargo de provimento efetivo,
ocupado ou vago, no âmbito do quadro geral de pessoal para outro órgão ou entidade
do mesmo poder denomina-se:
a) transferência.
b) substituição.
c) redistribuição.
d) remoção.
e) reintegração.
A resposta é letra “C”.
Aqui o candidato poderia ter se confundido entre a remoção e a redistribuição.
A remoção é deslocamento do servidor, com ou sem mudança de sede, para
desempenhar suas atribuições em outra unidade do mesmo quadro (art. 36 da Lei).
Já a redistribuição é o deslocamento do cargo efetivo, ocupado ou não, no âmbito
do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade (art. 37 da Lei).
“Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago
no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder,
com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos: (...).”
Perceba, pelo enunciado, que houve o deslocamento do CARGO (e não do servidor).
Logo, está-se diante do instituto da redistribuição.
QUESTÃO Nº 174 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito dos poderes administrativos, da contratação com a administração pública e
do processo administrativo — Lei n.º 9.784/1999 —, julgue o item seguinte.
A contratação de prestação de serviços de manutenção predial está dentro da esfera do
poder discricionário da administração.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Certo
Errado

O item está CERTO.


Poder discricionário?! Lembra o significado? Vamos recordar. Nem sempre o legislador
consegue traçar, previamente, o iter a ser seguido pelos administradores, e, por isso, lhes
confere margem de conveniência e de oportunidade. Essa margem forma o mérito
administrativo. E mérito administrativo reside só em atos discricionários.

Portanto, poder discricionário é a flexibilidade conferida, implícita ou expressamente,


pelo legislador aos administradores.

Será que a Administração pode se utilizar de seus próprios recursos humanos para a
manutenção dos prédios públicos? Ou deve, necessariamente, contratar terceiros para
essa tarefa?
Se sua resposta for: DEVE contratar, o ato é vinculado. Se for: pode contratar, o ato é
discricionário.
No caso, a Administração não fica impedida de executar diretamente, enfim, a
contratação é ato discricionário.

QUESTÃO Nº 175 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Com base na Lei n.º 9.784/1999 e no entendimento da doutrina majoritária, julgue o
item, acerca de ato e processo administrativos.
Quanto à discricionariedade dos atos administrativos, entende-se por oportunidade a
avaliação do momento em que determinada providência deverá ser adotada.
Certo
Errado

O item está CERTO.


Os atos discricionários são marcados, em seu interior, pela presença do mérito
administrativo. E mérito administrativo existe nos elementos motivo e objeto, sendo
considerado, por lei, como a margem de conveniência e de oportunidade. Enfim, é a
flexibilidade conferida por lei, seja de forma expressa ou implícita (veja o exemplo dos
conceitos jurídicos indeterminados de valor).
Conveniência e oportunidade, embora formem o mérito, não se confundem, são
conceitos diversos. Ser conveniente é dar ao administrador a possibilidade de praticar
ou não o ato. Por exemplo: é conveniente ao Prefeito executar o orçamento para
construir escolas ou Praças Públicas. Já a oportunidade é quando o Prefeito vai
implementar sua escolha. Portanto, o item está perfeito ao nos mencionar que a
oportunidade tem ligação com o momento.

176

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 176 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM


ESPECIALIDADE"/2018
Considerando a doutrina majoritária, julgue o item, referente aos poderes
administrativos, à organização administrativa federal e aos princípios básicos da
administração pública.

No exercício do poder regulamentar, o Poder Executivo pode editar regulamentos


autônomos de organização administrativa, desde que esses não impliquem aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos.

Certo
Errado

O item está CERTO.


Existe certa divergência doutrinária se decretos autônomos são decorrência do poder
regulamentar. É que os decretos regulamentares são atos secundários e dão fiel
cumprimento às leis. Já os autônomos dão cumprimento direto à CF, e, por isso, para
parte da doutrina, decorrem do poder normativo e não simplesmente regulamentar.
Deixando de lado essa crítica devido à divergência doutrinária, temos que o inc. VI do
art. 84 da CF confere ao chefe do Executivo federal a possibilidade de extinguir cargos e
funções, quando vagos, como também organizar o funcionamento da Administração,
desde que, nesse caso, não implique aumento de despesas e extinção/criação de órgão
públicos.
QUESTÃO Nº 177 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STJ)/APOIO
ESPECIALIZADO/DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS/2018 (E MAIS 3
CONCURSOS)
Julgue o item a seguir, relativos aos poderes da administração pública.
O poder regulamentar permite que a administração pública complemente as lacunas
legais intencionalmente deixadas pelo legislador.
Certo
Errado

Gabarito: certo.
Conforme asseveram Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino:
“A doutrina tradicional emprega a expressão "poder regulamentar" exclusivamente para
designar as competências do Chefe do Poder Executivo para editar atos
administrativos normativos.” (PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito
Administrativo Descomplicado. 23ª ed. São Paulo: Método, 2015. P.253)
Assim, o poder regulamentar ou normativa é aquele conferido ao chefe do Poder
Executivo para detalhar a lei, visando à facilitação do seu cumprimento.
Nesse contexto, uma vez respeitados os ditames legais, é correto afirmar que o poder
regulamentar permite que a administração pública complemente as lacunas legais
intencionalmente deixadas pelo legislador.
Logo, o item deve ser considerado certo.

177

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 178 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Determinada agência reguladora, atuando em sua esfera de atribuições, editou ato
normativo de apurada complexidade técnica com vistas a elucidar conceitos legais e
regular determinado segmento de atividades consideradas estratégicas e de interesse
público.
Nessa situação hipotética, a atuação da agência configurou exercício do poder:
a) de polícia.
b) regulamentar.
c) discricionário.
d) disciplinar.
A resposta é letra “B”.
Não há resposta. Infelizmente, a banca examinadora, por pura vaidade, preferiu manter
o gabarito. Explica-se.
Em várias questões da banca examinadora Cespe, há a sinalização de que poder
normativo não se confunde com poder regulamentar. E mais, no caso das agências
reguladoras, o exercício de do poder REGULATÓRIO.
Poderia trazer aqui inúmeras sentenças já aplicadas pelo Cespe. Mas, pelo visto, ou
ninguém entrou com recurso, ou simplesmente o examinador preferiu sair pela tangente.
E viva à inexistência de controle judicial sobre as condutas das bancas examinadoras. Se
conta em favor do Cespe, esta costuma ser a banca que mais acata recursos bem
fundamentados.
Deixando de lado a crítica, o concursando marcaria letra “B”, por exclusão. Ou seja,
ninguém entrou com recurso, afinal, não há outra opção nem de perto que confunda o
concursando.
O poder regulamentar, pessoal, é PRIVATIVO do chefe do Executivo. Confere-lhe a
prerrogativa de expedir atos normativos, de natureza externa, para esmiuçar a aplicação
das leis.
E como gênero surge o Poder Normativo. Este é gênero, afinal todos os Poderes
administram, e, por esta razão, a eles confere-se a prerrogativa de editarem atos
normativos internos.
Logo, temos que o poder das agências é regulatório, espécie do gênero Normativo. E o
regulamentar idem, espécie do gênero Normativo.
Professor, não poderia ser hierárquico?
Não! O enunciado foi claro em afirmar que o ato da Agência vai alcançar terceiros, ou
seja, é daquelas resoluções que alcançam concessionárias e usuários, e tais pessoas não
fazem parte da estrutura interna da agência, enfim, refogem sua estrutura hierárquica.
QUESTÃO Nº 179 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 2
CONCURSOS)
Com referência aos poderes administrativos, julgue o item subsecutivo.

178

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Em regra, o poder regulamentar é dotado de originariedade e, por conseguinte, cria


situações jurídicas novas, não se restringindo apenas a explicitar ou complementar o
sentido de leis já existentes.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


Para Celso Antônio Bandeira de Mello, o exercício do poder regulamentar pode ensejar
abusos por parte da Administração, a qual poderia inovar no ordenamento jurídico e,
portanto, descumprir o basilar princípio da legalidade. De fato, atos regulamentares não
são instrumentos que devam trazer novidades(não tem o atributo da originariedade)
para o Direito, de modo geral. Para o autor, a norma regulamentar se propõe a:
• Dispor sobre o procedimento de operação da Administração nas relações que
decorrerão com os administrados quando da execução da lei.
• Limitar a discricionariedade administrativa.
• Caracterizar fatos, situações ou comportamentos enunciados na lei mediante
conceitos vagos.
• Decompor analiticamente o conteúdo de conceitos sintéticos, mediante
discriminação integral do que neles se contém.
Peço que não confunda o poder regulamentar, de natureza secundária, com o poder
normativo autônomo ou independente, também de competência do Presidente da
República. Esse último é sim originário.
QUESTÃO Nº 180 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STJ)/APOIO
ESPECIALIZADO/DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS/2018 (E MAIS 3
CONCURSOS)
Julgue o item a seguir, relativos aos poderes da administração pública.
O poder hierárquico impõe o dever de obediência às ordens proferidas pelos superiores
hierárquicos, ainda que manifestamente ilegais, sob pena de punição disciplinar.
Certo
Errado

Gabarito: errado.

O poder hierárquico, na lição de Ricardo Alexandre e João de Deus:


“é aquele conferido à autoridade administrativa para distribuir e escalonar funções de seus
órgãos, estabelecendo uma relação de coordenação e subordinação entre os servidores sob
sua chefia.”(ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª
ed. São Paulo: Método, 2015.E-book. P.223)
Tal poder, contudo, não impõe o dever de obediência às ordens manifestamente ilegais
proferidas pelos superiores hierárquicos.
Nesse sentido a Lei 8.112/90:
“Art. 116. São deveres do servidor:
(...)
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;”

179

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Logo o item está incorreto.


QUESTÃO Nº 181 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Assinale a opção correta com relação ao poder hierárquico.
a) Decorre do poder hierárquico o poder de revisão, por superior, dos atos
praticados por subordinado.
b) A disciplina funcional guarda relação com o poder disciplinar, não se ligando ao
poder hierárquico.
c) A avocação é regra ampla e geral cuja difusão deve ser estimulada em prol da
eficiência.
d) A hierarquia administrativa é restrita ao Poder Executivo.
e) Subordinação e vinculação, como decorrências do poder hierárquico, são
institutos que se confundem e que se caracterizam pelo controle que se dá no
âmbito de um mesmo ente.
A resposta é letra “A”.
Vamos aproveitar para indicar todas as principais decorrências do Poder Hierárquico.
Do poder hierárquico resultam, ainda, as prerrogativas dos superiores de: ordenar,
fiscalizar, rever, aplicar sanções, editar atos normativos, delegar ou avocar atribuições.
Como bem lembrado por Irene Patrícia Nohara, da relação hierárquica podem ser
excluídos determinados tipos de atividades, como aquelas dos órgãos consultivos,
pois a função é desempenhada com o máximo de liberdade, independentemente dos
posicionamentos dos órgãos superiores.
Os demais itens estão errados. Abaixo:
Na letra “B”, uma das decorrências do poder hierárquico é justamente a possibilidade
de superior aplicar penalidades aos subordinados.
Na letra “C”, a avocação – movimento inverso da delegação – diz respeito ao ato de
trazer para si o exercício da competência. A avocação é SEMPRE: motivada, temporária
e excepcional.
Na letra “D”, então quer dizer que, nos demais poderes, vigora a zona, o caos? Nem
pensar, né gente! Onde há Administração, há poder hierárquico. Portanto, quando o
legislativo ou judiciário administram atipicamente, há o poder hierárquico nas relações
funcionais.
Na letra “E”, é muito comum questões abordando o tema vinculação versus
subordinação. São institutos inconfundíveis entre si. Na vinculação, não há hierarquia.
Dá-se, por exemplo, entre a Administração Direta e Indireta do Estado.
QUESTÃO Nº 182 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Acerca dos poderes da administração pública e da responsabilidade civil do Estado,
julgue o item a seguir.

O poder disciplinar, decorrente da hierarquia, tem sua discricionariedade limitada, tendo


em vista que a administração pública se vincula ao dever de punir.

Certo

180

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Errado

Gabarito: Certo.

A questão versa sobre os poderes administrativos. Nesse contexto, o Poder Disciplinar é,


de fato, discricionário, significando dizer que a autoridade não está previamente
vinculada a definição da lei sobre a infração funcional e a respectiva sanção. É o que nos
diz Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros,
2016, p. 146):
Outra característica do poder disciplinar é seu discricionarismo, no sentido de que não está
vinculado a prévia definição da lei sobre a infração funcional e a respectiva sanção.
[...]
O administrador, no seu prudente critério, tendo em vista os deveres do infrator em relação
ao serviço e verificando a falta, aplicará a sanção que julgar cabível, oportuna e
conveniente, dentre as que estiverem enumeradas em lei ou regulamento para a
generalidade das infrações administrativas.
No entanto, essa discricionariedade é limitada, pois a autoridade não poderá deixar de
aplicar a penalidade, pois o exercício do poder disciplinar é um poder-dever, isto é, a
autoridade superior terá o poder e deverá exercê-lo, quando necessário, sob pena de
responsabilização criminal, conforme elucida Hely Lopes Meirelles (p. 147):
A aplicação da pena disciplinar tem para o superior hierárquico o caráter de um poder-
dever, uma vez que a condescendência na punição é considerada crime contra a
Administração Pública.
Portanto, assertiva CORRETA.
QUESTÃO Nº 183 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STJ)/APOIO
ESPECIALIZADO/DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS/2018 (E MAIS 3
CONCURSOS)
Julgue o item a seguir, relativos aos poderes da administração pública.
A aplicação de uma multa por um agente de trânsito retrata um exemplo de aplicação
do poder disciplinar da administração pública.
Certo
Errado

Gabarito: errado.

Primeiramente, importante destacar que o poder disciplinar:

“(...) autoriza à Administração Pública a apurar infrações e aplicar penalidades aos


servidores públicos e às demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa. Dessa
forma, somente está sujeito ao poder disciplinar aquele que possui algum vínculo específico
com a Administração, seja de natureza funcional ou contratual.” (ALEXANDRE, Ricardo;
DEUS, João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015.E-
book. P.225)
Logo, não é o poder disciplinar que permite a aplicação de multa por um agente de
trânsito, mas sim o poder de polícia.
Nessa linha, está incorreto o item.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 184 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
A aplicação de advertência a servidor público, em decorrência do cometimento de
infração funcional, demonstra o exercício do poder:

a) regulamentar.
b) disciplinar.
c) hierárquico.
d) vinculado.
e) de polícia.
A resposta é letra “B”.
Aqui, bem provavelmente, o estudante ficaria entre as letras “B” e “C”.
De fato, decorre do poder hierárquico a aplicação de sanções aos agentes públicos.
Porém, a aplicação da penalidade, propriamente, dita é o exercício do poder disciplinar.
O poder disciplinar é o que confere a prerrogativa de apurar e aplicar penalidades, seja
aos servidores da Administração, seja em relação a particulares contratados pelo Estado.
QUESTÃO Nº 185 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/2017
Para cumprir suas funções e finalidades, a administração pública pode, à luz do princípio
da supremacia do interesse público, exercer alguns poderes previstos na doutrina. Uma
das espécies de poder administrativo é o poder:
a) disciplinar.
b) de ordem jurídica.
c) negocial.
d) enunciativo.
Gabarito: Letra A.
Para Dirley da Cunha Junior, os poderes são instrumentos de trabalho com os quais
órgãos e entidades administrativas desenvolvem as suas tarefas e cumprem os seus
deveres funcionais. Por isso mesmo, são entendidos como poderes instrumentais,
consentâneos e proporcionais aos encargos que são conferidos aos agentes públicos.

Em contrapartida, por tutelarem interesses coletivos, impõe-se aos agentes públicos, de


modo geral, uma série de deveres, que correspondem, em certa medida, a poderes.
Sinteticamente: Enquanto o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado
remete-nos à ideia de poderes, o princípio da indisponibilidade vincula-se ao contexto
dos deveres, formando o binômio poder-dever.
QUESTÃO Nº 186 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 2 CONCURSOS)
Alguns meses após a assinatura de contrato de concessão de geração e transmissão de
energia elétrica, a falta de chuvas comprometeu o nível dos reservatórios, o que
deteriorou as condições de geração de energia, elevando os custos da concessionária. A
agência reguladora promoveu, então, alterações tarifárias visando restabelecer o
equilíbrio econômico-financeiro firmado no contrato. Todavia, sem que houvesse culpa

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

ou dolo da concessionária, o fornecimento do serviço passou a ser intermitente, o que


provocou danos em eletrodomésticos de usuários de energia elétrica.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue.

A alteração tarifária promovida pela agência reguladora é exemplo de exercício do poder


hierárquico da agência sobre as concessionárias.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


O poder hierárquico é o inerente à estrutura da Administração Pública. O vínculo de
subordinação existente entre os órgãos de uma mesma pessoa jurídica.
Agora, se a ação da Administração alcança particulares em geral, isso não é feito com
base no poder hierárquico, por razões lógicas.
Quando a agência promove alteração nas tarifas o faz com base em seu poder
regulatório, e, por vezes, com base nos contratos celebrados com as concessionárias,
isso porque não há impedimento de agência reguladora, além de normatizadora e
fiscalizadora, ser Poder Concedente.
QUESTÃO Nº 187 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2018
A respeito dos poderes administrativos, de licitações e contratos e do processo
administrativo, julgue o item subsequente.

Embora o poder de polícia da administração seja coercitivo, o uso da força para o


cumprimento de seus atos demanda decisão judicial.

Certo
Errado

O item está ERRADO.


Além da coercibilidade, o poder de polícia conta com o atributo da autoexecutoriedade.
A autoexecutoriedade consiste na possibilidade de os atos decorrentes do exercício do
poder de polícia ser imediata e diretamente executados pela própria Administração,
independentemente de autorização ou intervenção ordem judicial.
Logo, a autoexecutoriedade é pressuposto lógico do exercício do poder de polícia, sendo
necessária para garantir agilidade às decisões administrativas no uso desse poder.
Contudo, este importante atributo não está presente em todos os atos que decorrem
do poder de polícia administrativa. Enfim, haverá situações que o administrador precisará
bater às portas do Poder Judiciário para executar o particular.
QUESTÃO Nº 188 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
No que se refere aos poderes administrativos, julgue o item que se segue.

183

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

O poder de polícia consiste na atividade da administração pública de limitar ou


condicionar, por meio de atos normativos ou concretos, a liberdade e a propriedade dos
indivíduos conforme o interesse público.
Certo
Errado

A questão aborda o tema Poderes da Administração Pública, mais precisamente acerca


do Poder de Polícia. Nesse contexto, percebamos que o conceito de PODER DE POLÍCIA
está presente no art. 78 do CTN:
Art. 78. Considera-se PODER DE POLÍCIA atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à
ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Com efeito, o poder de Polícia serve para restringir a esfera de interesses do particular,
exigindo a prática de ato (conduta positiva) ou a abstenção de fato (conduta negativa),
pois é o mecanismo que dispõe a Administração Pública para conter os abusos do direito
individual. Vejamos nas lições de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro.
42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 134):
Em linguagem menos técnica, podemos dizer que o poder de polícia é o mecanismo de
frenagem de que dispõe a Administração Pública para conter os abusos do direito
individual. Por esse mecanismo, que faz parte de toda Administração, o Estado detém a
atividade dos particulares que se revelar contrária, nociva ou inconveniente ao bem-estar
social, ao desenvolvimento e à segurança nacional.

QUESTÃO Nº 189 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STJ)/JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018
Acerca dos princípios e dos poderes da administração pública, da organização
administrativa, dos atos e do controle administrativo, julgue o item a seguir,
considerando a legislação, a doutrina e a jurisprudência dos tribunais superiores.
Situação hipotética: Uma prefeitura determinou a cobrança de taxa de funcionamento
de estabelecimentos comerciais, mas os proprietários dos estabelecimentos
questionaram a medida sob o argumento de ausência de prova da
fiscalização. Assertiva: De acordo com o STJ, a cobrança é ilícita porque não foi
demonstrado o efetivo exercício da fiscalização.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.

A questão versa acerca do Poder de Polícia e sua remuneração mediante taxa. Nesse
contexto, a assertiva está INCORRETA, pois o STJ entende que não necessária a prova
efetiva de fiscalização para a cobrança de taxa, uma vez que é notória a atuação do
Município na fiscalização dos estabelecimentos. Vejamos a ementa:

184

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

TRIBUTÁRIO. TAXA DE FISCALIZAÇÃO DE ENGENHOS DE PUBLICIDADE. EFETIVIDADE DA


PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELA MUNICIPALIDADE. PRESCINDIBILIDADE DE
COMPROVAÇÃO. NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA.
DEMONSTRAÇÃO. SÚMULA 7/STJ.

1. A Primeira Seção deste Tribunal pacificou entendimento de que é prescindível a


comprovação efetiva do exercício de fiscalização por parte da municipalidade em
face da notoriedade de sua atuação. (Resp 261.571/SP, Min. Eliana Calmon, DJ
6.10.2003)
2. O reexame de matéria de prova é inviável em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ).
3. Agravo regimental não provido.
(STJ - AgRg no AREsp: 381859 MG 2013/0253627-4, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, Data de Julgamento: 15/10/2013, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação:
DJe 21/10/2013)
QUESTÃO Nº 190 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STJ)/APOIO
ESPECIALIZADO/DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS/2018 (E MAIS 3
CONCURSOS)
Julgue o item a seguir, relativos aos poderes da administração pública.
As atividades da polícia judiciária não se confundem, necessariamente, com o exercício
do poder de polícia administrativo.

Certo
Errado

Gabarito: certo.
Realmente, as atividades da polícia judiciária não se confundem com o poder de polícia
administrativo.
Conforme esclarece Matheus Carvalho:
“ (...) a polícia judiciária incide sobre pessoas, de forma ostensiva ou investigativa, evitando
e punindo infrações às normas penais. Por sua vez, a polícia administrativa incide sobre
bens (uso da propriedade) e direitos (exercício de liberdades), condicionando esses bens e
direitos à busca pelo interesse da coletividade.” (CARVALHO, Matheus. Manual de Direito
Administrativo. 5ª ed. Salvador: JusPodivm, 2018. P.132)
QUESTÃO Nº 191 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
O poder de polícia:
a) é indelegável.
b) é delegável no âmbito da própria administração pública, em todas as suas
dimensões, a pessoas jurídicas de direito privado e, também, a particulares.
c) é suscetível de delegação no âmbito da própria administração pública, desde que
o delegatário não seja pessoa jurídica de direito privado.
d) pode ser delegado em sua dimensão fiscalizatória a pessoa jurídica de direito
privado integrante da administração pública.
e) pode ser delegado em suas dimensões legislativa e sancionadora a pessoa
jurídica de direito privado integrante da administração pública.

A resposta é letra “D”.

185

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Segundo jurisprudência do STJ, o poder de polícia em sentido amplo – conceituado


como o dever estatal de limitar-se o exercício da propriedade e da liberdade em favor
do interesse público – vem sendo dividido em quatro grupos: (i) legislação; (ii)
consentimento; (iii) fiscalização; e (iv) sanção. Para o STJ, somente os atos relativos ao
consentimento e à fiscalização são delegáveis, pois aqueles referentes à legislação e
à sanção derivam do poder de coerção do Poder Público.
Nesse contexto, no REsp 759759/DF, o STJ referendou a legalidade dos equipamentos
eletrônicos de fiscalização de trânsito chamados, vulgarmente, de “pardais eletrônicos”.
Afinal, o equipamento utilizado no procedimento fiscalizatório é apenas instrumento
para a captura das informações. Em todo caso, a lavratura do auto de infração é de
competência do agente de trânsito competente.
QUESTÃO Nº 192 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Em relação ao poder de polícia, assinale a opção correta.

a) A polícia administrativa e a polícia judiciária se exaurem em si mesmas, ou seja,


se iniciam e se completam no âmbito da função administrativa de caráter
fiscalizador, tendo em vista que essas atividades se enquadram no âmbito da
função administrativa, representando atividade de gestão de interesse público.
b) A linha que reflete a junção entre o poder restritivo da administração e a
intangibilidade dos direitos assegurados aos indivíduos, tais como liberdade e
propriedade, é insuscetível de ser ignorada pelo agente público, visto que atuar
aquém dessa linha equivale a renunciar aos poderes públicos e agir além dela
representa arbítrio e abuso de poder.
c) Os guardas municipais não têm legitimidade ou idoneidade para atuar na
fiscalização, no controle e na orientação do trânsito, não podendo aplicar as
sanções pertinentes às infrações cometidas, pois não se trata de um mero poder
de polícia, mas de atividade afeta à segurança pública.
d) Em sentido amplo, o poder de polícia se configura como atividade administrativa
que consubstancia verdadeira prerrogativa conferida aos agentes da
administração, consistente no poder de restringir e condicionar a liberdade e a
propriedade, ao passo que, em sentido estrito, poder de polícia significa toda e
qualquer ação restritiva do Estado em relação aos direitos individuais.
e) Será válido o ato de polícia praticado por administrador de ente federativo que
não tenha competência constitucional para regular a matéria, se, por exemplo, o
ato consistir no exercício do poder disciplinar relativamente a agente público —
fato que configura o exercício do poder de polícia —, desde que a lei em que se
fundar a conduta do administrador seja supralegal.

A resposta é letra “B”.

Uma das condições de validade do poder de polícia é o pleno atendimento ao princípio


da proporcionalidade. O Estado não só pode, como deve restringir direitos, bens e
atividades, mas sempre dentro de um limite de razoabilidade, sob pena de a
discricionariedade típica do poder de polícia converter-se em arbitrariedade.
Os demais itens estão errados. Abaixo:

186

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Na letra “A”, a polícia administrativa não se confunde com a polícia judiciária. A primeira
é exercida por todas as pessoas de Direito Público, e é eminentemente preventiva. Já a
judiciária é exercida por corporações próprias, como corpo de bombeiros e polícia
federal. E tem natureza eminentemente repressiva, incidindo sobre as pessoas.
Na letra “C”, para o STF, os guardas municipais têm sim legitimidade ou idoneidade para
atuar na fiscalização, no controle e na orientação do trânsito. Não são estruturas policiais,
como a polícia militar. Porém, acham-se aptas, inclusive, à fiscalização do trânsito, dentro
da nova sistemática de segurança viária, prevista no art. 144 da CF.
Na letra “D”, a banca só fez inverter os conceitos. Pelo sentido amplo, temos a noção
mais abrangente do poder de polícia, como atividade normativa do legislador e do
administrador e a expedição de atos concretos. E, pelo sentido estrito, ao revés, temos a
noção de atuação do administrador, seja por meio de seus atos normativos, seja pela
prática de atos concretos, como a aplicação de multas de trânsito.
Na letra “E”, gente, aqui houve uma mistura de disciplinar com de polícia. Primeiro, o
exercício do poder de polícia compete ao ente que a CF atribuiu a competência própria,
sendo, assim, de regra, privativa de cada ente político. Já o ato disciplinar é interno à
Administração, distinto, portanto, do exercício de poder de polícia, fundamentado no
princípio da supremacia do interesse público sobre o privado.
QUESTÃO Nº 193 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
TO)/JUDICIÁRIA/2017
O secretário de segurança pública de determinado município brasileiro editou portaria
proibindo a venda de bebidas alcoólicas no dia do pleito eleitoral.

Nessa situação hipotética, o ato do secretário tem como fundamento o:


a) poder disciplinar, sendo a justiça eleitoral o juízo competente para processar e
julgar mandado de segurança que questione a sua legitimidade.
b) poder de polícia, sendo a justiça estadual o juízo competente para processar e
julgar mandado de segurança que questione a sua legitimidade.
c) poder de polícia, sendo a justiça eleitoral o juízo competente para processar e
julgar mandado de segurança que questione a sua legitimidade.
d) poder regulamentar, sendo a justiça estadual o juízo competente para processar
e julgar mandado de segurança que questione a sua legitimidade.
e) poder regulamentar, sendo a justiça eleitoral o juízo competente para processar
e julgar mandado de segurança que questione a sua legitimidade.

A questão aborda o tema Poderes da Administração Pública, mais precisamente acerca


do Poder de Polícia. Nesse contexto, percebamos que o conceito de PODER DE POLÍCIA
está presente no art. 78 do CTN:
Art. 78. Considera-se PODER DE POLÍCIA atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à
ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

187

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Com efeito, Administração Pública, em sentido amplo (incluído os poderes Executivo,


Legislativo e Judiciário), no exercício do Poder de Polícia faz uso de dois meios de
atuação: os atos normativos em geral e os atos administrativos e operações materiais,
podendo criar direitos e obrigações (por meio de lei) e, por meio de atos administrativos,
proíbem e punem, conforme lições de Maria Sylvia Di Pietro (Direito Administrativo. 27.
ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 126):
1. atos normativos em geral, a saber: pela lei, criam-se as limitações administrativas ao
exercício dos direitos e das atividades individuais, estabelecendo-se normas gerais e
abstratas dirigidas indistintamente às pessoas que estejam em idêntica situação;
disciplinando a aplicação da lei aos casos concretos, pode o Executivo baixar decretos,
resoluções, portarias, instruções;
2. atos administrativos e operações materiais de aplicação da lei ao caso concreto,
compreendendo medidas preventivas (fiscalização, vistoria, ordem, notificação,
autorização, licença), com o objetivo de adequar o comportamento individual à lei, e
medidas repressivas (dissolução de reunião, interdição de atividade, apreensão de
mercadorias deterioradas, internação de pessoa com doença contagiosa), com a finalidade
de coagir o infrator a cumprir a lei.
Assim, o Poder de Polícia é toda a atuação estatal que serve, de forma geral, para
restringir a esfera de interesses do particular, pois é o mecanismo que dispõe a
Administração Pública para conter os abusos do direito individual. Vejamos nas lições de
Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros,
2016, p. 134):
Em linguagem menos técnica, podemos dizer que o poder de polícia é o mecanismo de
frenagem de que dispõe a Administração Pública para conter os abusos do direito
individual. Por esse mecanismo, que faz parte de toda Administração, o Estado detém a
atividade dos particulares que se revelar contrária, nociva ou inconveniente ao bem-estar
social, ao desenvolvimento e à segurança nacional.

Desse modo, não poderia ser o poder disciplinar, pois o Poder Disciplinar decorre de
uma supremacia especial do Estado sobre aqueles que em razão de uma relação com
administração (inclusive particulares) subordinem-se às normas de funcionamento do
serviço ou do estabelecimento. É o que nos diz Hely Lopes Meirelles (Direito
Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 145):

É uma supremacia especial que o Estado exerce sobre todos aqueles que se vinculam à
Administração por relações de qualquer natureza, subordinando-se às normas de
funcionamento do serviço ou do estabelecimento que passam a integrar definitiva ou
transitoriamente.

Além disso, não poderia ser o poder regulamentar, pois é privativo dos Chefes do Poder
Executivo, faculdade destes de explicar a lei para a sua correta execução. Vejamos nas
palavras de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo:
Malheiros, 2016, p. 149):

O poder regulamentar é a faculdade de que dispõem os Chefes de Executivo (Presidente da


República, Governadores e Prefeitos) de explicar a lei para sua correta execução, ou de
expedir decretos autônomos sobre matéria de sua competência ainda não disciplinada por
lei.

188

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Ademais, para a administração, genericamente considerada, ficou o poder normativo,


nos quais se fundam os demais atos de caráter normativo da administração. Vejamos na
doutrina de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado.
23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 254):

As competências para a edição desses outros atos de caráter normativo não se fundam no
poder regulamentar, o qual, consoante acima exposto, é exclusivo do Chefe do Poder
Executivo. Dizemos que esses outros atos administrativos têm fundamento no poder
normativo da administração pública. É esse genérico poder normativo reconhecido à
administração pública que parcela da doutrina atual tem invocado para defender a
constitucionalidade dos denominados regulamentos autorizados [...]
Desse modo, o ato do Secretário tem como fundamento o poder de polícia, sendo a
justiça estadual o juízo competente para processar e julgar mandado de segurança que
questione a sua legitimidade, uma vez que o ato não versa sobre matéria eleitoral, mas,
sim, matéria de direito, conforme decidiu há muito o STJ:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA COMUM ESTADUAL E JUSTIÇA


ELEITORAL. MANDADO DE SEGURANÇA. RESOLUÇÃO DE SECRETARIA ESTADUAL DE
SEGURANÇA PÚBLICA. PROIBIÇÃO DE VENDA DE BEBIDA ALCOÓLICA EM DIA DE PLEITO
ELEITORAL. ATO ADMINISTRATIVO. PODER DE POLÍCIA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
COMUM ESTADUAL.
1. É da competência da Justiça Estadual o mandado de segurança em que se
questiona a legitimidade de ato da Secretaria de Segurança Pública, decorrente do
poder de polícia administrativo. Embora a motivação do ato seja a manutenção da
ordem pública para o transcurso normal das eleições, nem por isso a competência para a
causa se desloca para a Justiça Eleitoral.
2. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo de Direito de São Paulo - SP, o
suscitado.
(STJ - CC: 77328 SP 2006/0270011-2, Relator: Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de
Julgamento: 08/08/2007, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJ 27/08/2007 p.
177)
.

QUESTÃO Nº 194 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


TO)/ADMINISTRATIVA/2017
No exercício de suas obrigações, a administração pública detém a prerrogativa de limitar
o exercício de direitos individuais, desde que isto atenda ao interesse público. Essa
prerrogativa:
a) pode incluir medidas de coação direta como a aplicação de multa e a
impossibilidade de licenciamento do veículo enquanto não forem pagas as
multas de trânsito.
b) possui o condão de autoexecutoriedade, em todas as suas medidas.
c) pode contemplar o cumprimento de medidas de apreensão de mercadorias
previstas em lei.
d) é claramente uma atuação de caráter discricionário, a exemplo da outorga de
licença para dirigir veículos.
e) pode ser delegada às pessoas jurídicas de direito privado, desde que haja
previsão legal e autorização expressa do ente delegante.

189

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Gabarito: Letra C
a) pode incluir medidas de coação direta como a aplicação de multa e a
impossibilidade de licenciamento do veículo enquanto não forem pagas as multas de
trânsito. – alternativa incorreta.
A alternativa está equivocada ao afirmar que a multa é um meio de coação direto,
quando, na verdade, ela é uma meio indireto de coação. Vejamos a lição de Ricardo
Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“Ainda, de acordo com a ilustre professora, enquanto a exigibilidade está relacionada à
aplicação de meios indiretos de coação, tais como a aplicação de multa ou a
impossibilidade de licenciamento de veículo enquanto não pagas as multas de trânsito, a
executoriedade se consubstancia na utilização de meios diretos de coação, a exemplo da
apreensão de mercadorias, da interdição de estabelecimento, da demolição de prédio ou
da dissolução de reunião. Por fim, cabe advertir que a exigibilidade está presente em todas
as medidas de polícia, ao contrário da executoriedade, que somente se apresenta nas
hipóteses previstas em lei ou em situações de urgência.” (grifei) (ALEXANDRE, Ricardo;
DEUS, João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-
book. P. 242).
b) possui o condão de autoexecutoriedade, em todas as suas medidas. – alternativa
incorreta.
Pelo contrário, a autoexecutoriedade/executoriedade está presente apenas nas
hipóteses previstas em lei ou em situações de emergência. Vejamos a lição de Ricardo
Alexandre e João de Deus sobre o tema:

“Por fim, cabe advertir que a exigibilidade está presente em todas as medidas de polícia,
ao contrário da executoriedade, que somente se apresenta nas hipóteses previstas em lei
ou em situações de urgência.”(grifei) (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito
Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 242).
c) pode contemplar o cumprimento de medidas de apreensão de mercadorias previstas
em lei. – alternativa correta.
A alternativa está correta. O poder de polícia que dá a prerrogativa a administração
pública de limitar o exercício de direitos individuais, desde que isto atenda ao interesse
público pode comtemplar a apreensão de bens. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e
João de Deus sobre o tema:
“A seguir, são apresentados alguns exemplos que demonstram a dimensão da
multiplicidade de situações em que o poder de polícia é empregado:
a) Apreensão de mercadoria estragada em depósito alimentício;” (ALEXANDRE, Ricardo;
DEUS, João de. Direito Administrativo Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-
book. P. 234).

d) é claramente uma atuação de caráter discricionário, a exemplo da outorga de licença


para dirigir veículos. – alternativa incorreta.

Pelo contrário, licença é um ato de caráter vinculado. Vejamos a lição de Ricardo


Alexandre e João de Deus sobre o tema:

190

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

“A título de exemplo, comparemos os atos de concessão de alvará de licença e de


autorização, respectivamente. No caso do alvará de licença, o ato é vinculado, o que
significa que a licença não poderá ser negada quando o requerente preencher os requisitos
legais para sua obtenção. É o que ocorre com a licença para dirigir, para construir ou para
exercer certas profissões.” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo
Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 240).

e) pode ser delegada às pessoas jurídicas de direito privado, desde que haja previsão
legal e autorização expressa do ente delegante. – alternativa incorreta.
No que diz respeito a delegação do poder de polícia há divergência nos tribunais
superiores. Nota-se que o CESPE tem a seguinte praxe: caso seja solicitado o
posicionamento do STJ entende ser possível a delegação nas atividades de atividades de
consentimento e fiscalização; caso não seja solicitado explicitamente esse entendimento,
a banca entende ser indelegável o poder de polícia. Portanto, no caso da questão
incorreta. Vejamos a lição de Ricardo Alexandre e João de Deus sobre o tema:
“Assim, estão presentes características ínsitas ao regime jurídico de direito público, o que
tem levado o STF a genericamente negar a possibilidade de delegação do poder de polícia
a pessoas jurídicas de direito privado, ainda que integrantes da administração indireta (ADI
1717/DF).
Contudo, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça guarda importantes notas
distintivas daquele esposado pela Suprema Corte. Nesse contexto, passamos analisar
interessante julgado da lavra do STJ admitindo exercício de parcela do poder de polícia por
parte de uma pessoa jurídica de direito privado. (...)
Para o STJ, as atividades de ordem de polícia e de aplicação de sanções derivam de
indiscutível poder coercitivo do Estado e, justamente por isso, não podem ser delegadas a
pessoas jurídicas de direito privado. Já as atividades de consentimento e fiscalização seriam
compatíveis com a natureza de uma sociedade de economia mista, sendo, em tese,
passíveis de delegação.” (ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo
Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015. E-book. P. 244).

QUESTÃO Nº 195 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


PI)/ADMINISTRATIVA/2016
Determinado agente público, valendo-se de sua função e no exercício do poder de
polícia, aplicou multa manifestamente descabida a um desafeto pessoal.
Nessa situação, o ato administrativo:
a) funda-se em discricionariedade administrativa, razão por que somente está
sujeito a controle pela via administrativa, restando a via judicial como alternativa
subsidiária.
b) é passível de convalidação, se evidenciada a existência de razão justificadora da
sanção.
c) atenta contra a moralidade administrativa, se conhecidos os verdadeiros motivos
subjacentes à sua prática.
d) foi praticado com excesso de poder.
e) dispensa motivação expressa, o que dificulta seu controle
A resposta é letra “C”.

191

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Os agentes públicos contam com inúmeros poderes para o desempenho das funções
públicas. Porém, em todos os casos, o interesse a ser perseguido deve ser o público, sob
pena de incorrer-se em desvio de finalidade ou de poder. No caso em análise, houve
típico desvio de poder, pois a autoridade, embora competente, praticou o ato com
finalidade diversa da prevista na legislação.
Os demais itens estão errados. Abaixo:

Na letra “A”, temos que o poder judiciário não pode se imiscuir no mérito
administrativo. Ocorre que, no presente caso, o agente público praticou um ato ilegal. E,
nos termos do inc. XXXV do art. 5º da CF, nenhuma lesão ou ameaça a direito poderá ser
afastada da apreciação do Poder Judiciário.
Na letra “B”, a convalidação ou sanatória é a correção de vícios sanáveis. E apenas os
elementos competência e forma é que admitem correção. Logo, tratando-se de vício na
finalidade, não há espaço para a convalidação.
Na letra “D”, houve desvio de finalidade ou de poder.
Na letra “E”, toda aplicação de penalidade deve ser motivada, para se permitir ao
particular o exercício do contraditório e da ampla defesa.
QUESTÃO Nº 196 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PI)/ADMINISTRATIVA/2016
Determinada autoridade sanitária, após apuração da infração, em processo
administrativo próprio, aplicou a determinada farmácia a pena de apreensão e
inutilização de medicamentos que haviam sido colocados à venda, sem licença do órgão
sanitário competente, por violação do disposto nas normas legais e regulamentares
pertinentes.
Nessa situação hipotética, a autoridade sanitária exerceu o poder:
a) hierárquico, em sua acepção de fiscalização de atividades.
b) hierárquico, em sua acepção de imposição de ordens.
c) disciplinar, em razão de ter apurado infração e aplicado penalidade.
d) regulamentar, em razão de ter constatado violação das normas regulamentares
pertinentes.
e) de polícia, em razão de ter limitado o exercício de direito individual em benefício
do interesse público.

A resposta é letra “E”.


Bem provavelmente, o concursando ficaria entre as letras “C” e “E”.

Ocorre que o poder disciplinar exige que o particular tenha um vínculo especial com a
Administração. E o poder de polícia, por sua vez, atinge a todos os particulares, tenham
ou não vínculo jurídico com o Estado.
No caso concreto, o poder do Estado incide sobre um particular qualquer, logo, exercício
regular do poder de polícia.

Doutrinariamente, o poder de polícia é a faculdade colocada à disposição do Estado


para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais,
em benefício do coletivo e do próprio Estado.

192

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Poder de Polícia é atividade do estado consistente
em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público, este
manifestado nos mais variados setores da sociedade, como saúde, segurança, educação,
meio ambiente, defesa do consumidor, patrimônio cultural, propriedade.
QUESTÃO Nº 197 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2016
A respeito do poder de polícia, assinale a opção correta.
a) A competência, a finalidade, a forma, a proporcionalidade e a legalidade dos
meios empregados pela administração são atributos do poder de polícia.
b) O poder de polícia, quanto aos fins, pode ser exercido para atender a interesse
público ou particular.
c) O exercício do poder de polícia pode ser delegado a entidades privadas.
d) A atuação do poder de polícia restringe-se aos atos repressivos.
e) Prescreve em cinco anos a pretensão punitiva da administração pública federal,
direta e indireta, no exercício do poder de polícia.
A resposta é letra “E”.
A ação punitiva da Administração Pública Federal Direta e Indireta, no exercício do poder
de polícia, objetivando apurar infrações à legislação em vigor, prescreve em cinco anos,
a contar da data da prática do atoou, no caso de infração permanente ou continuada, do
dia em que tiver cessado.
Os demais itens estão errados. Abaixo:

a) A competência, a finalidade, a forma, a proporcionalidade e a legalidade dos


meios empregados pela administração são atributos do poder de polícia.
São condições de validade e não atributos. Os atributos são: discricionariedade,
coercibilidade e autoexecutoriedade (DICA).
b) O poder de polícia, quanto aos fins, pode ser exercido para atender a interesse
público ou particular.
O poder de polícia é uma prerrogativa do Estado para a preservação do interesse
público.
c) O exercício do poder de polícia pode ser delegado a entidades privadas.
Para o STF, o poder de polícia não pode ser delegado a particulares. O STJ admite a
delegação de determinadas etapas do poder de polícia, mas não o poder como um todo.
Admite-se a entrega dos atos de fiscalização e consentimento.
d) A atuação do poder de polícia restringe-se aos atos repressivos.
O poder de polícia administrativa é uma atividade tipicamente negativa. Ou seja, é
eminentemente preventiva. O Estado não quer que você faça, ao contrário, é para não
fazer. Ocorre que nem sempre os atos são preventivos, havendo situações de necessária
repressão, como ocorre nas interdições e destruição de bens.
QUESTÃO Nº 198 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
No que se refere aos poderes administrativos, julgue o item que se segue.

193

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Não configurará excesso de poder a atuação do servidor público fora da competência


legalmente estabelecida quando houver relevante interesse social.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A questão versa acerca do abuso de poder. O servido, ao atuar fora da competência legal,
praticou ato com abuso de poder na modalidade Excesso de Poder, uma vez que não
era competente para o ato, excedendo, assim, os limites de sua competência, conforme
explicam Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado.
23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 510):
Ocorre excesso de poder quando o agente público atua fora ou além de sua esfera de
competências, estabelecida em lei. O excesso de poder é uma das modalidades de "abuso
de poder" (a outra modalidade é o "desvio de poder", que corresponde a vicio no elemento
finalidade dos atos administrativos).
Perceba, assim, que atingir o interesse social não afasta o excesso de poder, visto que o
que se discute é se o agente é competente ou não para a prática do ato administrativo.

QUESTÃO Nº 199 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
No que se refere aos poderes administrativos, julgue o item que se segue.
O abuso de poder pode ocorrer tanto na forma comissiva quanto na omissiva, uma vez
que, em ambas as hipóteses, é possível afrontar a lei e causar lesão a direito individual
do administrado.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A questão versa acerca do abuso de poder. Atualmente, reconhece-se o poder-dever de
agir do agente público, pelo qual está obrigado legalmente a agir diante de
determinadas situações. Caso não haja o exercício deste poder-dever, o agente cometerá
abuso de poder por omissão, o que poderá gerar inclusive responsabilidade do Estado.
Vejamos com Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo
Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 240):
O poder-dever de agir do administrador público é hoje pacificamente reconhecido pela
doutrina e pela jurisprudência. Significa dizer que as competências administrativas, por
serem conferidas visando ao atingimento de fins públicos, implicam ao mesmo tempo um
poder para desempenhar as correspondentes funções públicas e um dever de exercício
dessas funções.
[...]
b) a omissão do agente, diante de situações que exigem sua atuação, caracteriza abuso de
poder, que poderá ensejar, inclusive, responsabilidade civil da administração
pública, pelos danos que porventura decorram da omissão ilegal

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 200 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Acerca dos poderes da administração pública e da responsabilidade civil do Estado,
julgue o item a seguir.
Em razão da discricionariedade do poder hierárquico, não são considerados abuso de
poder eventuais excessos que o agente público, em exercício, sem dolo, venha a cometer.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A questão versa acerca do abuso de poder. Nesse contexto, note que o excesso de poder
é uma das espécies de poder que ocorre quando o agente, mesmo com competência
para a prática do ato, ultrapassa-a em seus limites, conforme leciona Maria Sylvia Di
Pietro (Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 251):
O excesso de poder ocorre quando o agente público excede os limites de sua competência;
por exemplo, quando a autoridade, competente para aplicar a pena de suspensão, impõe
penalidade mais grave, que não é de sua atribuição; ou quando a autoridade policial se
excede no uso da força para praticar ato de sua competência.
Com efeito, a prática de abuso de poder, na modalidade excesso de poder, poderá
ocorrer com dolo ou culpa, mas sempre violando a regra de competência, o que
invalida o ato de plano, conforme ensina Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo
Brasileiro. 42. ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 123):
Essa conduta abusiva, através do excesso de poder, tanto se caracteriza pelo
descumprimento frontal da lei, quando a autoridade age claramente além de sua
competência, como, também, quando ela contorna dissimuladamente as limitações da lei,
para arrogar-se poderes que não lhe são atribuídos legalmente. Em qualquer dos casos
há excesso de poder, exercido com culpa ou dolo, mas sempre com violação da regra
de competência, o que é o bastante para invalidar o ato assim praticado.
QUESTÃO Nº 201 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (STJ)/APOIO
ESPECIALIZADO/DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS/2018 (E MAIS 3
CONCURSOS)
Julgue o item a seguir, relativos aos poderes da administração pública.
O desvio de poder ocorre quando o ato é realizado por agente público sem competência
para a sua prática.
Certo
Errado

Gabarito: errado.

Desvio de poder e excesso de poder constituem espécies do gênero abuso de poder.


Conforme esclarecem Ricardo Alexandre e João de Deus:

“O abuso de poder se divide em duas espécies:

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) Excesso de poder: quando a autoridade atua extrapolando os limites da sua


competência;
b) Desvio de poder (ou desvio de finalidade): quando a autoridade pratica um ato que
é de sua competência, mas o utiliza para uma finalidade diversa da prevista ou contrária
ao interesse público.”(ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João de. Direito Administrativo
Esquematizado.1ª ed. São Paulo: Método, 2015.E-book. P.246)
Logo, erra o item ao afirmar que no desvio de poder o ato é realizado por agente público
sem competência para a sua prática, uma vez que o agente tem competência, mas pratica
o ato com finalidade diversa da legalmente prevista ou contrária ao interesse público.
Nessa linha, incorreta a alternativa.
QUESTÃO Nº 202 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Considerando que os poderes administrativos são prerrogativas que se outorgam aos
agentes do Estado com vistas a viabilizar a consecução do interesse público, assinale a
opção correta.
a) Abuso de poder e desvio de poder são espécies do gênero excesso de poder que,
presentes quando da prática de um ato administrativo, ensejam sua nulidade.
b) Os poderes administrativos são facultados ao administrador, que pode ou não
lhes fazer uso, conforme critério subjetivo e as peculiaridades do caso concreto.
c) O não exercício de poderes administrativos não resulta necessariamente em
conduta omissiva ilegal, sobretudo em hipóteses em que a reserva do possível
justifique a impossibilidade de um agir estatal.
d) O agente público que, motivadamente, não necessitar dos poderes
administrativos para o desempenho de suas atribuições pode a eles renunciar.
e) Há desvio de poder sempre que o agente transcende os limites de sua
competência.
A resposta é letra “C”.
O quesito foi extraído do excelente Manual do autor José dos Santos Carvalho Filho.
Passo à reprodução de trechos da obra, com pequenas adaptações de estilo.

É ilegítima a situação de inércia do administrador: na medida em que lhe incumbe


conduta comissiva, a omissão (conduta omissiva) haverá de configurar-se como ilegal.
Desse modo, o administrado tem o direito subjetivo de exigir do administrador omisso
a conduta comissiva imposta na lei, quer na via administrativa, o que poderá fazer pelo
exercício do direito de petição, quer na via judicial, formulando na ação pedido de
natureza condenatória de obrigação de fazer.
No entanto, ressalve-se que nem toda omissão administrativa se qualifica como ilegal;
estão nesse caso as omissões genéricas, em relação às quais cabe ao administrador
avaliar a oportunidade própria para adotar as providências positivas.
Incide aqui o que a moderna doutrina denomina de reserva do possível, para indicar que,
por vários motivos, nem todas as metas governamentais podem ser alcançadas,
principalmente pela costumeira escassez de recursos financeiros.
Somente diante dos concretos elementos a serem sopesados ao momento de cumprir
determinados empreendimentos é que o administrador público poderá concluir no

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

sentido da possibilidade de fazê-lo, à luz do que constitui a reserva administrativa dessa


mesma possibilidade.
Por lógico, não se pode obrigar a Administração a fazer o que se revela impossível. Em
cada situação, todavia, poderá a Administração ser instada a demonstrar tal
impossibilidade; se esta inexistir, não terá como invocar em seu favor a reserva do
possível.
Vejamos os erros nos demais quesitos. Abaixo:
Na letra “A”, na verdade, abuso de poder é o gênero, sendo espécies o desvio de poder
e o excesso de poder. No desvio, o agente, embora competente, pratica ato com
finalidade diversa da prevista na regra de competência. No excesso, o agente atua fora
dos limites de sua competência.
Na letra “B”, os poderes não podem ser renunciados. O Administrador não pode
escolher em praticar ou não. É uma prerrogativa, mas que não lhe confere o direito de
abrir mão do exercício.
Na letra “D”, como sobredito, a competência não pode ser renunciada. O que o
administrador pode fazer é delegar, e, ainda assim, parcialmente o exercício da
competência.
Na letra “E”, houve a definição para excesso de poder. O desvio dá-se, por exemplo,
quando o agente político desapropria imóvel de inimigo político ou para favorecer
parente.
QUESTÃO Nº 203 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018
A respeito do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos e
seu regime, julgue o item a seguir.
No direito brasileiro, constitui objeto do direito administrativo a responsabilidade civil
das pessoas jurídicas que causam danos à administração.
Certo
Errado

O item está CERTO.


Dos critérios definidores do Direito Administrativo, surge o critério da Administração
Pública. Por esse, devem ser levados em consideração os sujeitos e os objetos de estudo.
Os sujeitos são os que realizam a função administrativa, como agentes, pessoas e
entidades. Já o objeto pode ser finalístico ou não. São finalísticos ou propriamente ditos:
poder de polícia, serviços públicos, fomento e intervenção.
Acima listamos a responsabilidade civil do Estado? Claro que não! Então quer dizer que
o tema não é objeto de estudo do Direito Administrativo? Claro que não!
Inclusive, nos termos do §6º do art. 37 da CF, aplica-se a teoria do risco administrativo,
teoria de natureza objetiva, para fincar-se a responsabilidade de Estado reparar os danos
que os agentes públicos causem a terceiros.
Portanto, não há dúvida de que a responsabilidade civil é um dos ingredientes objeto de
estudo do Direito Administrativo.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 204 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/APOIO


ESPECIALIZADO/ANÁLISE DE SISTEMAS/2018 (E MAIS 5 CONCURSOS)
Julgue o item a seguir, relativo ao regime jurídico dos servidores públicos civis da União,
às carreiras dos servidores do Poder Judiciário da União e à responsabilidade civil do
Estado.
Um servidor público federal que, no exercício de sua função, causar dano a terceiros
poderá ser demandado diretamente pela vítima em ação indenizatória.

Certo
Errado

O item está ERRADO.

É uma questão extremamente polêmica, porém, recomendo sempre que acompanhem


o entendimento do STF, quando a banca não é expressa.

Para o STJ e doutrina, não há impedimento de o particular acionar diretamente o agente


público. Não há, também, qualquer problema de os dois serem acionados em
litisconsórcio passivo. E, para o STJ, o Estado, se acionado diretamente, poderá, no curso
do processo, denunciar, facultativamente, a lide.
Já para o STF, o particular DEVE acionar diretamente o Estado, não havendo possibilidade
de litisconsórcio passivo. E quem tem a prerrogativa de se dirigir contra o agente público
é o Estado, na chamada ação de regresso. E, para o STF, não é admissível a denunciação
da lide.
Sempre oriento que, em provas, ao não se citar doutrina ou STJ, acompanhem o
entendimento do STF.

QUESTÃO Nº 205 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM


ESPECIALIDADE"/2018
João, servidor público civil, motorista do Exército brasileiro, enquanto conduzia veículo
oficial, no exercício da sua função, colidiu com o automóvel de Maria, que não possui
qualquer vínculo com o poder público. Após a devida apuração, ficou provado que os
dois condutores agiram com culpa.
A partir dessa situação hipotética e considerando a doutrina majoritária referente à
responsabilidade civil do Estado, julgue o item que se segue.
A União tem direito de regresso em face de João, considerando que, no caso, a
responsabilidade do agente público é subjetiva.
Certo
Errado

O item está CERTO.


A CF/1988 reconheceu, expressamente, a teoria do risco administrativo, que, por se
aplicar independentemente da existência de culpa ou de dolo, é de natureza objetiva:
“§ 6.º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.”

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Perceba que a dívida do Estado não ficará de forma gratuita. Primeiro, o Estado indeniza
os particulares pelos danos causados, independentemente de dolo ou culpa. Num
segundo momento, o Estado se voltará contra o agente, isso se este tiver agido com dolo
ou culpa. É que a responsabilidade do agente público será sempre subjetiva.

QUESTÃO Nº 206 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item a seguir, relativo à responsabilidade civil do Estado.
Excetuados os casos de dever específico de proteção, a responsabilidade civil do Estado
por condutas omissivas é subjetiva, devendo ser comprovados a negligência na atuação
estatal, o dano e o nexo de causalidade.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
No caso da responsabilidade por omissão, é subjetiva, devendo-se averiguar a culpa em
sentido amplo, a qual se funda na teoria da culpa administrativa. Assim, perquirir a
omissão do Estado é o que faz a teoria da culpa administrativa, ensejando a verificação
da responsabilidade subjetiva da Administração, devendo a pessoa que sofreu o dano
comprovar que houve nexo de causalidade entre a omissão estatal e o dano sofrido.
Vejamos nas palavras de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo
Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 856):

Nossa jurisprudência, entretanto, com amplo respaldo da doutrina administrativista,


construiu o entendimento de que é possível, sim, resultar configurada responsabilidade
extracontratual do Estado nos casos de danos ensejados por omissão do Poder Público.
Nessas hipóteses, segundo a citada jurisprudência, responde o Estado com base na teoria
da culpa administrativa. Trata-se, portanto, de modalidade de responsabilidade civil
subjetiva, mas à pessoa que sofreu o dano basta provar (o ônus da prova é dela)
que houve falta na prestação de um serviço que deveria ter sido prestado pelo
Estado, provando, também, que existe nexo causal entre o dano e essa omissão
estatal.
QUESTÃO Nº 207 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item a seguir, relativo à responsabilidade civil do Estado.
As empresas prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra
o responsável exclusivamente no caso de dolo.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

De fato, as empresas prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que


seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, conforme o art. 37, § 6º, da
Constituição Federal:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
[...]
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.

Por sua vez, a vítima pode acionar a Pessoa Jurídica, devendo esta, depois de ressarcido
o dano, ingressar com ação de regresso contra o agente público, se comprovada dolo
ou CULPA deste. Vejamos o que diz a respeito Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino
(Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 463)
A ação dita regressiva é sempre uma segunda ação. A primeira ação é movida contra o
Estado pela pessoa que sofreu o dano. Só depois que for condenado, com trânsito em
julgado, nessa primeira ação, a indenizar a pessoa que sofreu o dano é que o Estado,
visando a obter o ressarcimento do valor que foi condenado a indenizar, passa a ter ação
(regressiva) contra o agente que ocasionou o dano. Na ação regressiva, o Estado terá que
provar que houve culpa ou dolo do agente e, só se conseguir provar, será reconhecida a
responsabilidade civil do agente perante o Estado.

Portanto, como o direito de regresso também engloba a culpa, assertiva INCORRETA.


QUESTÃO Nº 208 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Julgue o item a seguir, relativo à responsabilidade civil do Estado.
A responsabilidade civil do Estado por atos comissivos abrange os danos morais e
materiais.

Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A questão versa sobre a Responsabilidade Civil do Estado. Nesse contexto, a
responsabilidade civil do Estado decorre da teoria do risco administrativo que institui a
responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas pelo danos materiais e morais causados
a terceiros, independentemente da verificação de dolo ou culpa, conforme elucidam
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São
Paulo: Método, 2015, p. 874):
Na ação de indenização, basta ao particular demonstrar a existência de uma relação direta
de causa e consequência entre o fato lesivo e o dano, bem como o valor patrimonial desse
dano (além do pedido de indenização pelo dano moral, se for o caso). Isso porque a
responsabilidade da Administração é do tipo objetiva, restando caracterizada com a mera

200

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

comprovação de que estão presentes os pressupostos nexo causal direto e dano


(patrimonial, moral, ou ambos).

Portanto, por atos comissivos (o agente comete o ato), nada impede que seja procedida
a indenização por danos materiais e morais, se houver. Assertiva CORRETA.

QUESTÃO Nº 209 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Acerca dos poderes da administração pública e da responsabilidade civil do Estado,
julgue o item a seguir.
É objetiva a responsabilidade do agente público em exercício que, por ato doloso, cause
danos a terceiros.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A questão versa sobre a Responsabilidade Administrativa do Estado perante os danos
causados a terceiros. Nesse contexto, o particular atingido pela conduta lesiva ao seu
patrimônio poderá pleitear a reparação dos danos sofridos com base na teoria da
responsabilidade objetiva do Estado, sob a modalidade do risco administrativo,
consagrada pelo art. 37, § 6º, da Constituição Federal:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
[...]
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.
Por sua vez, esta Teoria aduz que não se há que cogitar culpa da administração ou de
seus agentes, bastando a demonstração do nexo causal ao dano sofrido, conforme
explica Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 42. ed. São Paulo:
Malheiros, 2016, p. 781):
Aqui não se cogita da culpa da Administração ou de seus agentes, bastando que a vítima
demonstre o fato danoso e injusto ocasionado por ação ou omissão do Poder Público. Tal
teoria, como o nome está a indicar, baseia-se no risco que a atividade pública gera para
os administrados e na possibilidade de acarretar dano a certos membros da comunidade,
impondo-lhes um ônus não suportado pelos demais.
Desse modo, perceba que o agente não responde de plano, devendo, em ação
regressiva, o Estado apurar a responsabilidade, neste caso, subjetiva do agente público,
buscando identificar o dolo ou a culpa. Assim, a vítima pode acionar o Estado, devendo
este, depois de ressarcido o dano, ingressar com ação de regresso contra o agente
público, se comprovada dolo ou culpa deste. Vejamos o que diz a respeito Vicente Paulo
e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo Descomplicado. 23. ed. São Paulo:
Método, 2015, p. 463)

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A ação dita regressiva é sempre uma segunda ação. A primeira ação é movida contra o
Estado pela pessoa que sofreu o dano. Só depois que for condenado, com trânsito em
julgado, nessa primeira ação, a indenizar a pessoa que sofreu o dano é que o Estado,
visando a obter o ressarcimento do valor que foi condenado a indenizar, passa a ter ação
(regressiva) contra o agente que ocasionou o dano. Na ação regressiva, o Estado terá que
provar que houve culpa ou dolo do agente e, só se conseguir provar, será reconhecida a
responsabilidade civil do agente perante o Estado.

QUESTÃO Nº 210 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO


(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018
Acerca dos poderes da administração pública e da responsabilidade civil do Estado,
julgue o item a seguir.
Força maior, culpa de terceiros e caso fortuito constituem causas atenuantes da
responsabilidade do Estado por danos.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Na verdade, força maior, culpa de terceiros e caso fortuito são excludentes de
responsabilidade do Estado, inerentes a teoria do risco administrativo, que fundamenta
a responsabilidade objetiva do Estado no direito brasileiro. Assim, a teoria do risco
administrativo que informa a responsabilidade civil do Estado, admite excludentes de
culpabilidade, quais sejam, a força maior, o caso fortuito e a culpa exclusiva da vítima . É
o que nos dizem Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Administrativo
Descomplicado. 23. ed. São Paulo: Método, 2015, p. 848):

Embora haja divergência na doutrina, são usualmente aceitos como excludentes a culpa
exclusiva da vítima, a força maior e o caso fortuito (alguns falam ainda em "culpa de
terceiros"). Caso a administração pública demonstre que houve culpa recíproca - isto é,
dela e do particular, concomitantemente -, sua obrigação de indenizar será
proporcionalmente atenuada

QUESTÃO Nº 211 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
A responsabilidade do Estado por conduta omissiva:
a) é objetiva, dispensando-se, para sua caracterização, a demonstração de culpa,
exigindo-se, para tal, apenas a demonstração do dano.
b) é objetiva, dispensando-se, para sua caracterização, a demonstração de culpa,
mas exigindo-se, para isso, demonstração de nexo de causalidade entre a
conduta e o dano.
c) caracteriza-se mediante a demonstração de culpa, dispensando-se, para tal, a
demonstração de dano.
d) caracteriza-se mediante a demonstração de culpa, de dano e de nexo de
causalidade.
e) é descabida.
A resposta é letra “D”.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Questão bem legal!


Nos termos do § 6.º do art. 37 da CF/1988, a responsabilidade civil do Estado é objetiva
na ação de seus agentes. Por sua vez, na omissão estatal, há a responsabilidade
de natureza subjetiva, em que se exige do potencial prejudicado a comprovação da
culpa ou do dolo por parte da Administração Pública. Este é o entendimento doutrinário
e jurisprudencial dominante:
Jurisprudência
“Em se tratando de ato omissivo, embora esteja a doutrina dividida entre as correntes dos
adeptos da responsabilidade objetiva e aqueles que adotam a responsabilidade subjetiva,
prevalece na jurisprudência a teoria subjetiva do ato omissivo, de modo a só ser possível
indenização quando houver culpa do preposto” (STJ – REsp 602102/RS).
Note que o STJ menciona, expressamente, que há divergências doutrinárias significativas.
Contudo, na jurisprudência, a questão é mais ou menos pacífica: por atos omissivos, a
responsabilidade do Estado é do tipo subjetiva, tendo a vítima o dever de provar a
culpa do agente da Administração, para que possa ter o direito à indenização. Daí a
correção da letra “D”, pois, além da conduta e do nexo de causalidade, exige-se a
comprovação do ato ilícito (dolo ou culpa).
Sobre o tema, a jurisprudência do STF é idêntica à jurisprudência do STJ, reconhecendo
a natureza subjetiva para atos omissivos genéricos. A seguir, trecho do RE 130764/PR:
“Responsabilidade civil do Estado. Dano decorrente de assalto por quadrilha de que fazia
parte preso foragido vários meses antes.
No caso, em face dos fatos tidos como certos pelo acórdão recorrido, e com base nos quais
reconheceu ele o nexo de causalidade indispensável para o reconhecimento da
responsabilidade objetiva constitucional, e inequívoco que o nexo de causalidade inexiste,
e, portanto, não pode haver a incidência da responsabilidade prevista no art. 107 da
Emenda Constitucional 1/1969, a que corresponde o § 6.ºdo art. 37 da atual Constituição.
Com efeito, o dano decorrente do assalto por uma quadrilha de que participava um dos
evadidos da prisão não foi o efeito necessário da omissão da autoridade pública que o
acórdão recorrido teve como causa da fuga dele, mas resultou de concausas, como a
formação da quadrilha, e o assalto ocorrido cerca de vinte e um meses após a evasão.”

QUESTÃO Nº 212 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Em caso de acidente de trânsito que envolva automóvel particular e veículo pertencente
à administração pública, a comprovação de culpa exclusiva do particular pelos danos
causados caracteriza:
a) causa excludente da responsabilidade civil do Estado.
b) motivo para a responsabilização do Estado pelos prejuízos, em decorrência das
teorias civilistas.
c) causa atenuante da responsabilidade civil do Estado.
d) motivo para que nenhuma das partes envolvidas seja responsabilizada, por se
tratar de caso fortuito.
e) motivo para a responsabilização do Estado pelos prejuízos, em decorrência da
responsabilidade objetiva.
A resposta é letra “A”.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Vamos aproveitar a questão para aprofundar um pouco mais a culpa da vítima como
excludente ou atenuante da responsabilidade do Estado.
A primeira excludente de responsabilidade civil é a culpa exclusiva da vítima. Se o
prejudicado é o responsável integral pelo resultado danoso, não é vítima, devendo arcar
com os prejuízos materiais e morais causados a si mesmo.
Sobre o tema, o autor Lucas Rocha Furtado assinala que a culpa não é totalmente
irrelevante na teoria objetiva do risco administrativo. A culpa não precisa ser
demonstrada por aquele que pede a indenização contra o Poder Público. Todavia, se o
Estado demonstrar que houve culpa por parte do particular que pleiteia a indenização,
atenua-se ou se exime de responsabilidade, podendo, inclusive, acionar o particular para
que honre com os prejuízos.
Nesse contexto, a jurisprudência dos Tribunais Superiores tem admitido a pesquisa em
torno da culpa da vítima, para que o Estado possa abrandar ou mesmo excluir o dever
de indenizar. Assim, se houver culpa parcial da vítima, reduzir-se-á proporcionalmente
o quantum devido pelo Estado. É o que a doutrina denomina de culpa concorrente.
Sobre o tema, o STJ reconheceu culpa concorrente entre empresa ferroviária e a vítima,
esta atropelada na linha férrea depois de utilizar passagem clandestina aberta no muro.
Houve, na espécie, erro recíproco: da vítima, porque ciente do ato ilícito cometido; e da
empresa, porque não conservou o muro e sequer fiscalizou o trânsito de pedestres em
área proibida. Esse precedente do STJ só faz reforçar que a existência de concausas (duas
ou mais causas), que contribuam para o evento danoso, não afasta, necessariamente, a
responsabilidade objetiva do Estado.
Por outro lado, ainda quanto a acidentes ferroviários, caso fique comprovada a culpa
exclusiva da vítima, o Estado não terá o dever de indenização. Sobre o tema, no REsp
1210064/SP, o STJ reconheceu culpa exclusiva da vítima que se encontrava deitada nos
trilhos do trem, logo depois de uma curva. Na oportunidade, o maquinista tentou, em
vão, frear para evitar o sinistro, assim que avistou a vítima. No caso analisado, não haveria
razão para se imputar responsabilidade à concessionária, dado que a vítima é a única
causadora do prejuízo, aplicando-se, portanto, a excludente de responsabilidade do
Estado.
No caso de culpa concorrente, há uma concorrência de causas ou de culpas. A atuação
da vítima soma-se ao comportamento causal do agente, caso em que a reparação deverá
ser reduzida, na proporção da contribuição da vítima.

QUESTÃO Nº 213 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
João, servidor público federal, no exercício do cargo de motorista, colidiu com veículo
de Pedro, particular, causando a este grave abalo pessoal e danos materiais. Após a
investigação do ocorrido, foi verificada a culpa de João, que dirigia em alta velocidade
no momento do evento.
Nessa situação hipotética:
a) o Estado deverá indenizar o particular pelos danos materiais, e o servidor deverá
arcar com os danos morais.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

b) o servidor responderá objetivamente pela reparação dos danos materiais e


morais.
c) o Estado, caso seja condenado judicialmente ao pagamento de indenização,
poderá, mediante ação de regresso, reaver do servidor o quanto tiver de pagar
ao particular.
d) o direito do particular à reparação dos prejuízos sofridos será imprescritível.
e) a reparação dos danos sofridos pelo particular só poderá ser realizada por via
judicial.
A resposta é letra “C”.

O Estado responde objetivamente pelos danos, ou seja, independentemente de dolo ou


de culpa. Já os servidores só responderão SUBJETIVAMENTE. Ou seja, a responsabilidade
civil do servidor só ocorrerá se houver a comprovação de ação ou omissão dolosa ou
culposa.
Se configurada a responsabilidade do servidor, a dívida do Estado não ficará de graça. O
Estado poderá se voltar contra o servidor, dentro de uma ação de regresso. E o uso de
“poderá” não invalida a correção da assertiva, por ter sido usado genericamente como
uma prerrogativa de o Estado cobrar do agente causador do dano.
Os demais itens estão errados. Vejamos:

Na letra “A”, a responsabilidade é direta do Estado. E o Estado poderá ingressar com


ação de regresso.
Na letra “B”, os servidores sempre respondem subjetivamente. Impossível, no campo da
responsabilidade civil, termos a responsabilidade objetiva dos servidores.

Na letra “D”, o particular tem o prazo de 5 anos para reaver os danos em desfavor do
Estado. É o que se nomina de prescrição quinquenal.

Na letra “E”, infelizmente, são raras as situações em que o Estado reconhece seus erros,
e indeniza administrativamente. Portanto, é muito comum pensarmos que a via judicial
é a única cabível. Isto não é verdade. O melhor dos mundos é o reconhecimento da
dívida pelo Estado. Evitar-se-á o longo caminho judicial, com gastos para ambos os lados,
e a futura inscrição da dívida no “célere” sistema de precatórios.
QUESTÃO Nº 214 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Maria, professora de escola da rede pública, recebeu de um aluno ameaças de agressão
e, mais de uma vez, avisou à direção da escola, que se manteve inerte. Com a
consumação das agressões pelo aluno, a professora ajuizou ação indenizatória contra o
Estado.
A respeito dessa situação hipotética e de aspectos legais a ela pertinentes, assinale a
opção correta.

a) A responsabilidade civil por conduta omissiva independe da demonstração do


nexo de causalidade.
b) A ação deverá ser julgada improcedente, haja vista que o Estado só responde por
atos comissivos.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) A ação deverá ser julgada improcedente, tendo em vista que o causador do dano
não é agente estatal.
d) A responsabilidade do Estado derivou do descumprimento do dever legal, a ele
atribuído, de impedir a consumação do dano.
e) As condutas omissivas do Estado que causem danos a terceiros invariavelmente
dão ensejo à responsabilidade civil.
A resposta é letra “D”.
É muito importante o estudante fazer provas anteriores da banca. Recomendo, claro, o
uso do melhor sistema, o TECCONCURSOS.

Vejamos o item do ano de 2013, da prova do TRE-MS, por acaso CERTO:

Analista – TRE/MS – Cespe – 2013–Determinada professora da rede pública de ensino


recebeu ameaças de agressão por parte de um aluno e, mais de uma vez, alertou à direção
da escola, que se manteve omissa. Nessa situação hipotética, caso se consumem as
agressões, a indenização será devida pelo Estado, desde que presentes os elementos que
caracterizem a culpa.
No RE 633138/DF, o STF assentou que a professora foi agredida dentro do
estabelecimento educacional, havendo, portanto, inequívoco descumprimento do dever
legal do Estado na prestação efetiva do serviço de segurança. A atuação diligente do
Poder Público impediria a ocorrência da agressão física perpetrada pelo aluno. E, no caso,
o fato de haver no estabelecimento um policial militar não teve o condão de afastar a
responsabilidade do Estado, pois se evidenciou a má-atuação, consubstanciada na
prestação insuficiente e tardia, o que resultou na agressão à professora.
A seguir, os erros nas demais sentenças:
Na letra “A”, nenhum tipo de responsabilidade independe de nexo causal. A conduta
deve estar ligada ao resultado para gerar a responsabilidade do Estado. Ou seja, ainda
que haja omissão, o particular deverá comprovar o nexo de causalidade.
Na letra “B”, o Estado também pode ser responsabilidade por atos omissivos específicos.
Outro exemplo clássico é dos eventos danos em hospitais públicos e estabelecimentos
penais. São recorrentes questões do Cespe sobre o tema.
Na letra “C”, houve uma omissão específica, dever legal específico, e, por isto, de possível
geração de responsabilidade civil do Estado.
Na letra “E”, nem sempre uma conduta omissiva acarretará a responsabilidade do Estado.
Para a doutrina, a responsabilidade incide nos casos de omissão específica. Se a omissão
é genérica, não há como cogitarmos da responsabilização.
QUESTÃO Nº 215 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Assinale a opção correta a respeito da responsabilidade objetiva do Estado.
a) A responsabilidade objetiva, como qualquer outra modalidade de
responsabilização, demanda investigação sobre a existência do elemento culpa
na conduta administrativa.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

b) A compensação de culpas não é admitida na responsabilização estatal, mesmo


na hipótese de ficar demonstrada a culpa concorrente entre um terceiro e o
poder público.
c) Ao prestarem serviços públicos, as pessoas jurídicas de direito privado não se
sujeitam à responsabilidade objetiva por atos comissivos.
d) A responsabilidade objetiva do Estado se fundamenta na teoria do risco
administrativo.
e) Caso o agente estatal pratique conduta lesiva a terceiros fora de suas funções,
mas a pretexto de exercê-las, não se caracterizará a responsabilidade civil.

A resposta é letra “D”.

A teoria objetiva ou teoria da responsabilidade sem culpa é mais apropriada à


realidade do Direito Administrativo, pois afasta a necessidade de o administrador
comprovar dolo ou culpa por parte do agente público, e fundamenta o dever de
indenizar na noção de risco.

Quem presta um serviço público assume o risco dos prejuízos que eventualmente causar,
independentemente da existência de culpa ou dolo. A teoria objetiva baseia-se na ideia
de solidariedade social, distribuindo entre a coletividade os encargos decorrentes de
prejuízos especiais que oneram determinados particulares. É por isso, também, que a
doutrina associa tal teoria às noções de partilha de encargos e justiça distributiva.
Atualmente, esta teoria é encontrada no § 6.º do art. 37 da CF/1988, que será analisado
detalhadamente mais adiante.
Abaixo, vejamos os erros:
Na letra “A”, a responsabilidade é objetiva porque não demanda investigação sobre a
existência do elemento culpa na conduta administrativa. Ou seja, ainda que o ato seja
lícito, verifica a conduta estatal, o dano e o nexo de causalidade, o Estado será chamado
a responsabilizar.
Na letra “B”, a culpa não é totalmente irrelevante no campo da responsabilidade, isto
porque pode funcionar como excludente ou atenuante da responsabilidade do Estado.
Se a culpa é exclusiva, o Estado não será responsabilizado. Agora, se houver culpa
concorrente, haverá uma compensação das culpas, e o Estado só responderá em parte.
Na letra “C”, o §6º do art. 37 da CF é expresso ao mencionar pessoas de direito privado
prestadoras de serviços públicos. E, para o STF, a responsabilidade será objetiva perante
usuários e terceiros.
Na letra “E”, se o agente estatal se acha fora de suas funções, por exemplo, está em folga,
mas pratica ato de natureza pública, terá agido na qualidade de agente público, e assim
atrairá a responsabilidade civil do Estado.
QUESTÃO Nº 216 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
BA)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
A evolução da responsabilidade civil do Estado é marcada pela busca crescente da
proteção do indivíduo e da limitação da atuação estatal. Superada a fase da
irresponsabilidade estatal, iniciou-se a etapa de responsabilização do Estado
fundamentada na culpa dos agentes públicos, com a distinção entre atos de império e
atos de gestão. Essa distinção ampara-se na teoria do(a):

207

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) culpa do serviço.
b) responsabilidade objetiva.
c) risco integral.
d) risco administrativo.
e) culpa individual.
A resposta é letra “E”.
É bem provável que o estudante tenha tido algum grau de dificuldade para encontrar o
gabarito. Porém, com um pouco de calma, podemos eliminar algumas alternativas.
Vejamos.

O enunciado dispõe sobre a responsabilidade baseada na culpa, certo?

Então, a responsabilidade objetiva, no Brasil, é fundamentada na teoria do risco


administrativo. Nesse caso, o Estado responde pelos danos, independentemente da
comprovação de dolo ou de culpa.
Assim, afastamos as letras “B” e “D”.
E o risco integral, Professor? O risco integral é também de natureza objetiva, até mais
abrangente que a figura do risco administrativo. A diferença é que, pelo risco
administrativo, o Estado pode afastar sua responsabilidade alegando a figura das
excludentes, como a culpa exclusiva da vítima. E, pelo risco integral, o Estado responde
independentemente de dolo ou de culpa, em todos os casos, na função de verdadeiro
segurador universal.
E, assim, ficamos entre as letras “A” e “E”.
Na letra “A”, fala-se em culpa do serviço. Se a culpa é do serviço é porque não é,
necessariamente, atribuída aos agentes públicos. Inclusive, é chamada de culpa anônima
ou administrativa. Ou seja, o particular não precisa individualizar a conduta de qualquer
agente público, basta demonstrar que o serviço não existe ou, se existe, teve um
funcionamento irregular.
E, assim, por exclusão, chegamos à letra “E”.
Aproveito para apresentar um resumo sobre a culpa civil.
Em meados do século XIX, surgiu a teoria da responsabilidade com culpa civil do Estado,
superando-se a teoria da irresponsabilidade. Nesse caso, o Estado responderia pelos
prejuízos decorrentes de seus atos de gestão praticados pelos agentes públicos, por
serem atos desprovidos de supremacia estatal. E, para os atos de império, em que havia
uma posição privilegiada do Estado em relação aos particulares, o Estado mantinha-se
irresponsável.
Nesse contexto, fala-se na responsabilização do Estado baseada em sua dupla
personalidade. Enquanto produtor de atos de império (Direito Público), irresponsável;
já quando da prática de atos de gestão (Direito Privado), responsável civilmente.
Essa teoria da dupla personalidade é reconhecida, doutrinariamente, como teoria
do fisco. O fisco representaria uma entidade diversa da pessoa do monarca, sendo
responsável pelas atividades de caráter privado do Estado (os atos de gestão – jus
gestionis), em igualdade de condições, portanto, com os particulares, e, por isso,
submetidas à responsabilização pelos tribunais comuns.

208

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Esclareça-se que o nome teoria civilista decorre do fato de que só incidiria a


responsabilidade do Estado se o particular prejudicado identificasse nominalmente o
funcionário do Estado e, necessariamente, demonstrasse que o funcionário agiu com
dolo ou culpa (ação de natureza subjetiva). Com outras palavras, o cidadão lesado pelo
Estado tinha de discutir o que o agente público pensou ou deixou de pensar, para que
fizesse jus à reparação do dano causado.
Não há dúvida de que essa teoria é comparativamente melhor do que a anterior (a da
irresponsabilidade), afinal, os administrados têm a possibilidade de serem ressarcidos
pelos prejuízos. Contudo, os preceitos da teoria civilista são, por vezes, de difícil
aplicação, em razão da impossibilidade, no caso concreto, de se fazer separação nítida
entre atos de império e de gestão do Estado, de se identificar nominalmente o agente
público causador do dano e de se demonstrar a inequívoca existência de culpa ou
dolo.

QUESTÃO Nº 217 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 1
CONCURSO)
A respeito da responsabilidade do Estado, assinale a opção correta.

a) Caso fortuito consiste em acontecimento imprevisível, inevitável e estranho à


vontade das partes, excludente da responsabilidade do Estado.
b) O Estado pode ser responsabilizado pela morte do detento que cometeu suicídio.
c) Ação por dano causado por agente público deve ser proposta, em litisconsórcio,
contra a pessoa jurídica de direito público e o agente público.
d) Na época dos Estados absolutos, reinava a doutrina denominada teoria da
irresponsabilidade: quem, irresponsavelmente, fosse ensejador de dano a
terceiro, por ação ou omissão, seria obrigado a reparar o dano, inclusive o Estado.
A resposta é letra “B”.
Para o STJ, REsp 713682/RJ, “O Estado responde objetivamente por dano advindo de morte
de detento provocada por demais presidiários dentro do estabelecimento prisional”.
Obviamente, por ser inaplicável, entre nós, a regra da teoria do risco integral (só em
situações constitucionais pontuais, como acidente nuclear e danos ambientais), existe a
necessidade de a morte do detento decorrer de inobservância de dever específico do
Estado. Sobre o tema, no RE 841526/RS, o STF nos apresentou duas situações:
1ª – Se o detento que praticou o suicídio já vinha apresentando indícios de que poderia
agir assim, então, neste caso, o Estado deverá ser condenado a indenizar seus familiares.
Isso porque o evento era previsível e o Poder Público deveria ter adotado medidas para
evitar que acontecesse.
2ª – Por outro lado, se o preso nunca havia demonstrado anteriormente que poderia
praticar esta conduta, de forma que o suicídio foi um ato completamente repentino e
imprevisível, neste caso o Estado não será responsabilizado porque não houve qualquer
omissão atribuível ao Poder Público.
Em síntese, na omissão estatal, não há necessidade de “individualização” da culpa, ou
seja, não é necessário que o prejudicado aponte quem causou o prejuízo, em razão de
sua omissão! Basta que o prejudicado comprove omissão culposa estatal, sem importar

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

quem foi o agente omisso. Entretanto, a detecção do agente causador da omissão é


importante para o Estado, para que possa apurar as devidas responsabilidades, e, assim,
acionar o agente público em sede de ação regressiva.
Os demais itens estão errados. Abaixo:
a) Caso fortuito consiste em acontecimento imprevisível, inevitável e estranho à
vontade das partes, excludente da responsabilidade do Estado.
Há muita discussão em torno dos conceitos de força maior e caso fortuito. Há quem
defenda que a força maior é o fato imprevisível e inevitável, decorrente de eventos da
natureza, por exemplo. Já o caso fortuito decorre de falha humana, seria o caso de uma
greve de servidores. Independentemente da divergência doutrinária, temos que o caso
fortuito pode ser interno ou externo. O externo é realmente uma excludente de
responsabilidade. Já o caso fortuito interno é uma omissão específica. Por exemplo, a
falta de manutenção das rodovias gerando um acidente grave (caso fortuito interno).
c) Ação por dano causado por agente público deve ser proposta, em litisconsórcio,
contra a pessoa jurídica de direito público e o agente público.
Seja pelo STF, seja pelo STJ, a questão está errada. Para o STF, sequer se admite o
litisconsórcio passivo. Já, para o STJ, o litisconsórcio é facultativo. Perceba que a sentença
menciona DEVE ser proposta. Não pode para o STF, e PODE ser para o STJ.
d) Na época dos Estados absolutos, reinava a doutrina denominada teoria da
irresponsabilidade: quem, irresponsavelmente, fosse ensejador de dano a terceiro,
por ação ou omissão, seria obrigado a reparar o dano, inclusive o Estado.
Pela teoria da irresponsabilidade, vigorava exatamente entendimento diverso. Ou seja, o
Estado não tinha o dever de reparar.

QUESTÃO Nº 218 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª REGIÃO)/APOIO


ESPECIALIZADO/MEDICINA DO TRABALHO/2017 (E MAIS 3 CONCURSOS)
Após colisão entre dois automóveis — um, da administração pública, dirigido por
servidor público efetivo; e outro, particular —, ficou comprovada a culpa exclusiva do
particular
Nessa situação hipotética, arcará com o dano causado:
a) cada um dos envolvidos com seu respectivo prejuízo.
b) o servidor público subsidiariamente à administração pública.
c) o particular, por ser essa situação uma hipótese de causa excludente da
responsabilidade do ente público.
d) a administração pública, em decorrência da responsabilidade objetiva.
A resposta é letra “C”.

Uma clássica excludente de responsabilidade civil é a culpa exclusiva da vítima. Se o


prejudicado é o responsável integral pelo resultado danoso, não é vítima, devendo arcar
com os prejuízos materiais e morais causados a si mesmo. Por exemplo:
João, servidor público, vem dirigindo, com cautela, viatura do Estado. Daí um particular
qualquer avança o sinal e se joga contra o carro. Será que o Estado teria o dever de
indenizar essa “vítima”?

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Por motivos óbvios, NÃO, em razão da culpa exclusiva do prejudicado quanto ao resultado
danoso observado.
Só uma informação extra. A jurisprudência dos Tribunais Superiores tem admitido a
pesquisa em torno da culpa da vítima, para que o Estado possa abrandar ou mesmo
excluir o dever de indenizar. Assim, se houver culpa parcial da vítima, reduzir-se-á
proporcionalmente o quantum devido pelo Estado. É o que a doutrina denomina de
culpa concorrente.
QUESTÃO Nº 219 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 1 CONCURSO)
Prestes a ser morto por dois indivíduos que tentavam subtrair a sua arma, um policial
militar em serviço efetuou contra eles disparo de arma de fogo. Embora o policial tenha
conseguido repelir a injusta agressão, o disparo atingiu um pedestre que passava pelo
local levando-o à morte.
Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) O Estado não responde civilmente, pois houve o rompimento do nexo causal por
fato exclusivo de terceiro.
b) O Estado responde objetivamente pelos danos causados à família do pedestre,
ainda que o policial militar tenha agido em legítima defesa.
c) A ocorrência de legítima defesa por parte do policial militar afasta a
responsabilidade civil do Estado.
d) O Estado responde subjetivamente pelos danos, já que deve haver prova de falha
no treinamento do policial.
A resposta é letra “B”.
Prevê o §6º do art. 37 da CF:
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Ou seja, adota-se a teoria do risco administrativo, de responsabilidade objetiva. Pouco
importa se a conduta do agente público foi ou não ilícita, em havendo dano e nexo de
causalidade, o Estado é chamado a indenizar. Daí a correção da letra B.

Vejamos os erros.
Na letra A, não houve um evento provocado exclusivamente por terceiros. Ao contrário
disso, o disparo adveio de agente público.
Na letra C, a legítima defesa não é suficiente para afastar a responsabilidade do Estado.
Agora, em termos de ação regressiva, a legítima defesa é importantíssima para o agente
público, afinal, em não havendo excesso na conduta, não será acionado regressivamente.
Na letra D, a responsabilidade é objetiva pelos atos praticados. Não há necessidade de
comprovação de dolo ou de culpa.
QUESTÃO Nº 220 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/2017
A responsabilização do Estado é, em regra, objetiva. Existem, no entanto, situações em
que é possível o afastamento de tal responsabilização em razão das causas excludentes
de responsabilização, entre as quais se cita o seguinte exemplo:

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) o ferimento de um indivíduo, baleado por um policial durante uma perseguição


na rua.
b) a situação de calamidade pública que fosse decretada pelo governador de
determinado estado brasileiro se este eventualmente fosse atingido por tremor
sísmico devastador.
c) o falecimento de paciente em dia posterior ao da entrada em hospital público,
fato decorrente da não realização de exames prescritos pelo médico atendente.
d) a inundação de casas em decorrência da ausência de limpeza nos bueiros da
cidade.
A resposta é letra “B”.
O caso fortuito é definido por alguns doutrinadores como decorrente da manifestação
da vontade humana. Outros afirmam que a força maior é que seria um evento humano.
Há, ainda, aqueles que afirmam ser o caso fortuito ou a força maior, conforme o caso,
evento da natureza. Enfim, não há, na doutrina, conclusão precisa quanto a um e outro.
Já, para o autor José dos Santos Carvalho Filho, tanto o caso fortuito como a força
maior constituem fatos imprevisíveis, não imputáveis à Administração. E, por isso,
entende desnecessária essa “bifurcação” entre eventos naturais ou humanos, que são
imprevisíveis e que rompem a necessária causalidade entre a ação do Estado e o dano
causado.
Por exemplo. Professores, reivindicando maiores salários, entraram em greve pelo tempo
de 15 dias. Tal conduta gerou uma série de danos aos estudantes da rede municipal de
ensino e seus familiares. É direito líquido e certo dos munícipes receberem indenização
pelos danos gerados pela paralisação dos servidores municipais? Não, isso porque a
greve é um evento não decorrente de qualquer ação estatal.
Portanto, rompido o nexo causal, não há que falar em indenização. Muito bem, tanto o
caso fortuito quanto a força maior podem levar à exclusão da responsabilidade civil do
Estado.
E, ao analisarmos a sentença, o único fato que não decorre da ação do Estado e
totalmente imprevisível e incontrolável são os danos decorrentes de um abalo sísmico
(terremoto).
Os demais itens estão errados. Abaixo:
a) o ferimento de um indivíduo, baleado por um policial durante uma perseguição
na rua.
Houve uma conduta do Estado. Portanto, aplica-se a teoria do risco administrativo.
c) o falecimento de paciente em dia posterior ao da entrada em hospital público,
fato decorrente da não realização de exames prescritos pelo médico atendente.
Houve uma omissão do Estado. Ocorre que foi específica. E, dessa forma, pelo fato de o
Estado não ter adotado as providências cabíveis, é o caso de se aplicar a teoria objetiva.
d) a inundação de casas em decorrência da ausência de limpeza nos bueiros da
cidade.
Mais um caso de omissão específica. É a genérica que não gera responsabilidade civil do
Estado, ou, se gerar, deverá ser comprovada, responsabilidade subjetiva. Agora a
específica gera sim responsabilidade civil objetiva do Estado.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 221 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 2 CONCURSOS)
Alguns meses após a assinatura de contrato de concessão de geração e transmissão de
energia elétrica, a falta de chuvas comprometeu o nível dos reservatórios, o que
deteriorou as condições de geração de energia, elevando os custos da concessionária. A
agência reguladora promoveu, então, alterações tarifárias visando restabelecer o
equilíbrio econômico-financeiro firmado no contrato. Todavia, sem que houvesse culpa
ou dolo da concessionária, o fornecimento do serviço passou a ser intermitente, o que
provocou danos em eletrodomésticos de usuários de energia elétrica.
Considerando essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
A concessionária deverá ser responsabilizada pelos danos causados a usuários.
Certo
Errado

O item está CERTO.


A responsabilidade objetiva é encontrada no §6º do art. 37 da CF, de seguinte teor:
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Perceba que toda a Administração Pública de Direito Público responde objetivamente.

Mas, Professor, e se as concessionárias? Tranquilo!


Veja a segunda parte do dispositivo constitucional. Pessoas de Direito Privado,
prestadoras de serviços públicos, também respondem OBJETIVAMENTE.
QUESTÃO Nº 222 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Julgue o item, relativo ao tombamento administrativo e à responsabilidade civil do
Estado.
De acordo com a teoria da culpa do serviço, a responsabilidade do Estado depende da
demonstração de culpa do agente público, aspecto esse que a distingue da teoria do
risco administrativo.
Certo
Errado
O item está ERRADO.
Uma vez comprovada a conduta de agente público do Estado, como decorrência de ato
de gestão, por ato doloso ou culposo, a teoria civilista era aplicada.
A questão que se impôs foi como conseguir reparação pelos danos provocados pela
omissão estatal, exemplo dos prejuízos advindos de eventos da natureza.
Nesse contexto, surgiu a teoria da culpa anônima ou faute du service para os franceses,
para contornar a necessidade de se nomear o agente público.
Portanto, o principal acréscimo foi quanto à desnecessidade de se fazer diferença entre
os atos de império e os de gestão, competindo ao interessado provar a culpa do
Estado, mesmo que não fosse possível identificar o agente causador do prejuízo.

213

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Daí o erro do quesito ao mencionar a indicação, individualização do agente causador do


dano.
A referida teoria da culpa administrativa ou anônima pode se consumar de três modos
diversos:
1. o serviço não existe;
2. o serviço existe, funciona bem, porém, atrasou-se;
3. o serviço existe, porém, funcionou mal.
QUESTÃO Nº 223
Com relação a licitações e contratos administrativos, organização administrativa, controle
da administração pública e processo administrativo, julgue o item.
Indivíduo que tenha trabalhado na estrutura decisória de partido político, vinte e quatro
meses após o seu desligamento dessa atividade poderá ser indicado como membro do
conselho de administração de empresa estatal.
Certo
Errado

Gabarito: ERRADO
Primeiro. Só há impedimento de a pessoa atuou em estrutura decisória ou com trabalho
vinculado à campanha eleitoral. E o prazo de quarentena de entrada é de 36 meses. E a
questão menciona, equivocamente, 24 meses.
QUESTÃO Nº 224
Com relação à organização da administração pública e a licitações e contratos
administrativos, julgue o item que se segue.
Na estrutura da administração pública, a União, os estados, o Distrito Federal, os
municípios e as autarquias possuem natureza jurídica de pessoa jurídica de direito
público.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
O item reflete adequadamente previsão do CC/02, senão vejamos:
“Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas;
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.”
Logo, está correto.
QUESTÃO Nº 225
No tocante aos poderes administrativos e à responsabilidade civil do Estado, julgue o
item.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A responsabilidade civil do Estado por ato comissivo é subjetiva e baseada na teoria do


risco administrativo, devendo o particular, que foi a vítima, comprovar a culpa ou o dolo
do agente público.

Certo
Errado

Gabarito: ERRADO.
Se fossemos reescrever o item para que ele estivesse correto, ficaria assim "A
responsabilidade civil do Estado por ato comissivo é objetiva e baseada na teoria do risco
administrativo, de modo que não se faz necessário que particular, que foi a vítima,
comprove a culpa ou o dolo do agente público."
Para Alexandre Mazza, a teoria objetiva ou teoria da responsabilidade sem culpa é mais
apropriada à realidade do Direito Administrativo, pois afasta a necessidade de o
administrador comprovar dolo ou culpa por parte do agente público, e fundamenta o
dever de indenizar na noção de risco. Quem presta um serviço público assume o risco
dos prejuízos que eventualmente causar, independentemente da existência de culpa ou
dolo.
Atualmente, esta teoria é encontrada no § 6.º do art. 37 da CF/1988: a responsabilidade
civil do Estado é objetiva na ação (atos comissivos) dos seus agentes. Vejamos:
§ 6.º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
A responsabilidade civil do Estado será subjetiva, porém, no caso de omissão
genérica Estatal. Se a omissão for específica, a responsabilidade civil é objetiva.

QUESTÃO Nº 226
A respeito do direito administrativo, dos atos administrativos e dos agentes públicos e
seu regime, julgue o item a seguir.
No direito brasileiro, constitui objeto do direito administrativo a responsabilidade civil
das pessoas jurídicas que causam danos à administração.

Certo
Errado

O item está CERTO.

Dos critérios definidores do Direito Administrativo, surge o critério da Administração


Pública. Por esse, devem ser levados em consideração os sujeitos e os objetos de estudo.
Os sujeitos são os que realizam a função administrativa, como agentes, pessoas e
entidades. Já o objeto pode ser finalístico ou não. São finalísticos ou propriamente ditos:
poder de polícia, serviços públicos, fomento e intervenção.
Acima listamos a responsabilidade civil do Estado? Claro que não! Então quer dizer que
o tema não é objeto de estudo do Direito Administrativo? Claro que não!

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Inclusive, nos termos do §6º do art. 37 da CF, aplica-se a teoria do risco administrativo,
teoria de natureza objetiva, para fincar-se a responsabilidade de Estado reparar os danos
que os agentes públicos causem a terceiros.
Portanto, não há dúvida de que a responsabilidade civil é um dos ingredientes objeto de
estudo do Direito Administrativo.
QUESTÃO Nº 227
Julgue o item a seguir, relativo ao regime jurídico dos servidores públicos civis da União,
às carreiras dos servidores do Poder Judiciário da União e à responsabilidade civil do
Estado.
Um servidor público federal que, no exercício de sua função, causar danos a terceiros
poderá ser demandado diretamente pela vítima em ação indenizatória.
Certo
Errado

O item está ERRADO.


É uma questão extremamente polêmica, porém, recomendo sempre que acompanhem
o entendimento do STF, quando a banca não é expressa.
Para o STJ e doutrina, não há impedimento de o particular acionar diretamente o agente
público. Não há, também, qualquer problema de os dois serem acionados em
litisconsórcio passivo. E, para o STJ, o Estado, se acionado diretamente, poderá, no curso
do processo, denunciar, facultativamente, a lide.
Já para o STF, o particular DEVE acionar diretamente o Estado, não havendo possibilidade
de litisconsórcio passivo. E quem tem a prerrogativa de se dirigir contra o agente público
é o Estado, na chamada ação de regresso. E, para o STF, não é admissível a denunciação
da lide.
Sempre oriento que, em provas, ao não se citar doutrina ou STJ, acompanhem o
entendimento do STF.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

DIREITO CONSTITUCIONAL
QUESTÃO Nº 228 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
TO)/ADMINISTRATIVA/2017
Em determinado seminário sobre os rumos jurídicos e políticos do Oriente Médio, dois
professores debateram intensamente sobre a atual situação política da Síria. Hugo,
professor de relações internacionais, defendeu que o Brasil deveria realizar uma
intervenção militar com fins humanitários. José, professor de direito constitucional,
argumentou que essa ação não seria possível conforme os princípios constitucionais que
regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil.

Nessa situação hipotética, com base na Constituição Federal de 1988 (CF):


a) Hugo está correto, pois a intervenção humanitária é um dos princípios
constitucionais que rege as relações internacionais do Brasil.
b) José está correto, pois a não intervenção e a solução pacífica dos conflitos são
princípios constitucionais que orientam as relações internacionais do Brasil.
c) Hugo está errado, pois a defesa da paz e dos direitos humanos não são princípios
constitucionais que regem as relações internacionais do Brasil.
d) Hugo está correto, pois a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos
constitucionais do estado brasileiro e uma das causas que autorizam a
intervenção militar do Brasil em outros Estados soberanos.
e) José está errado, pois a declaração de guerra é ato político discricionário e
unilateral do presidente da República, não estando sujeito a limites jurídicos.
Gabarito: B
José está correto, pois a não intervenção e a solução pacífica dos conflitos são
mesmo princípios constitucionais que orientam as relações internacionais do Brasil, nos
termos do art. 4º da CF:
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais
pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Vejamos os erros das demais alternativas:
a) Hugo está correto, pois a intervenção humanitária é um dos princípios
constitucionais que rege as relações internacionais do Brasil. (ERRADO)

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Hugo está errado justamente porque a "intervenção humanitária" não é princípio


norteador das relações internacionais do Brasil. Muito pelo contrário, vimos que a regra
é a não-intervenção.

c) Hugo está errado, pois a defesa da paz e dos direitos humanos não são princípios
constitucionais que regem as relações internacionais do Brasil. (ERRADO)
Hugo está mesmo errado, porque defendeu a intervenção.
Contudo, o motivo apresentado pela alternativa para o erro de Hugo é inverídico, pois a
defesa da paz e dos direitos humanos são SIM princípios constitucionais que regem as
relações internacionais do Brasil:
CF, art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais
pelos seguintes princípios:
(...)
II - prevalência dos direitos humanos;(...)
VI - defesa da paz;

d) Hugo está correto, pois a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos


constitucionais do estado brasileiro e uma das causas que autorizam a intervenção
militar do Brasil em outros Estados soberanos. (ERRADO)

Hugo está errado justamente porque defendeu a intervenção militar.


Mas a alternativa erra também ao afirmar que a "dignidade da pessoa humana"
autoriza a intervenção militar do Brasil em outros Estados soberanos, pois, embora seja
de fato um dos fundamentos da República Brasileira (art. 1º, inciso III, CF), não se presta
a justificar uma intervenção.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:
I - a Soberania;
II - a Cidadania
III - a Dignidade da pessoa humana;
IV - os Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o Pluralismo político.

#FICAADICA: Esses fundamentos são muito cobrados em provas de concursos, de modo


que o aluno deve tê-los "na ponta da língua". Para isso há o famoso mnemônico SO CI
DI VA PLU, conforme destacado no artigo acima!!
e) José está errado, pois a declaração de guerra é ato político discricionário e
unilateral do presidente da República, não estando sujeito a limites
jurídicos. (ERRADO)
A alternativa está completamente errada porque, primeiro, José está certo (como já
vimos).
Segundo, porque a declaração de guerra NÃO é ato político discricionário e unilateral
do presidente da República, estando SIM sujeita a limites jurídicos, nos termos do art.
49, inciso II, da CF:

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:


(...)

II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir


que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam
temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar;

Confirmamos assim o gabarito: letra B.


QUESTÃO Nº 229 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE
PI)/ADMINISTRATIVA/2016
A respeito dos princípios fundamentais constantes da Constituição Federal de 1988 (CF),
assinale a opção correta.
a) O Estado brasileiro, atendidos os requisitos legais, é obrigado a conceder asilo
político a estrangeiro, em decorrência de princípio orientador de suas relações
internacionais constante na CF.
b) Princípios relativos à prestação positiva do Estado não figuram entre os princípios
fundamentais constantes da CF.
c) A eletividade e a temporariedade são conceitos inerentes ao princípio
republicano extraído da CF.
d) Em decorrência do princípio federativo, há relação de hierarquia entre a União e
os demais entes integrantes da Federação.
e) Os objetivos da República Federativa do Brasil estão previstos expressamente em
rol taxativo na CF.
Gabarito: C.

c) A eletividade e a temporariedade são conceitos inerentes ao princípio


republicano extraído da CF.
O Princípio Republicano diz respeito às características da forma de governo adotada
em nosso país, no que concerne e à aquisição, exercício e transferência do poder político.
Tem, dentre suas características:

i) Eletividade dos representantes políticos, por meio de eleições diretas;


ii) Temporalidade dos mandatos (prazo determinado);
iii) Responsabilidade ou dever de prestar contas à população;
iv) Formação dos poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo, é independente.
Demais alternativas incorretas:
a) O Estado brasileiro, atendidos os requisitos legais, é obrigado a conceder asilo
político a estrangeiro, em decorrência de princípio orientador de suas relações
internacionais constante na CF.
O ato administrativo que concede refúgio a estrangeiro é ato discricionário do Chefe
do Poder Executivo, motivo pelo qual o item está incorreto.
Entretanto, em alguns julgados o STF assentou que não está vinculado ao juízo
formulado pelo Poder Executivo na concessão administrativa do benefício, regido pelo
Direito das Gentes (direito internacional). Por exemplo, para o Supremo, "não caracteriza
a hipótese legal de concessão de refúgio, consistente em fundado receio de perseguição

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

política, o pedido de extradição para regular execução de sentenças definitivas de


condenação por crimes comuns, proferidas com observância do devido processo legal,
quando não há prova de nenhum fato capaz de justificar receio atual de desrespeito às
garantias constitucionais do condenado". (Dentre outros, Ext 1.085, rel. min. Cezar
Peluso, julg. em 16.12.2009);
De outra vertente, o Supremo considerou válida a lei que reserva ao Poder Executivo – a
quem incumbe, por atribuição constitucional, a competência para tomar decisões que
tenham reflexos no plano das relações internacionais do Estado – o poder privativo de
conceder asilo ou refúgio (Ext. 1.008 rel. p/ o ac. min. Sepúlveda Pertence,
julgamento em 21-3-2007).
b) Princípios relativos à prestação positiva do Estado não figuram entre os
princípios fundamentais constantes da CF.
Errado. Figuram entre os princípios fundamentais da República diversos preceitos de
prestação positiva, derivados da segunda dimensão de direitos fundamentais:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
.........
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:


..................
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e
regionais;

d) Em decorrência do princípio federativo, há relação de hierarquia entre a União e


os demais entes integrantes da Federação.
Não há relação de hierarquia entre os entes federativos, mas primazia de atuação,
definida pela Constituição da República, com a preservação da auto-organização, auto
governo e auto administração de cada ente federado. Assim, temos, por exemplo, as
competências materiais privativas da União (art. 21), as competências privativas dos
Estados (art. 25), dos Municípios (art. 30), além dos impostos da União (art. 153), dos
Estados e DF (art. 155), e dos municípios e DF (art. 156).
e) Os objetivos da República Federativa do Brasil estão previstos expressamente
em rol taxativo na CF.
Os objetivos definidos no art. 3º da Constituição, não afastam outros definidos na própria
Constituição, em leis ou nos tratados dos quais o Brasil fizer parte. Portanto, o rol não
é numerus clausus, e sim numerus apertus(exemplificativo).

QUESTÃO Nº 230 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


PI)/ADMINISTRATIVA/2016
A respeito dos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988 (CF), assinale a
opção correta.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

a) A soberania nacional pressupõe a soberania das normas internas fixadas pela CF


sobre os atos normativos das organizações internacionais nas situações em que
houver conflito entre ambos.
b) A dignidade da pessoa humana não representa, formalmente, um fundamento
da República Federativa do Brasil.
c) Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa visam proteger o trabalho
exercido por qualquer pessoa, desde que com finalidade lucrativa.
d) Em decorrência do pluralismo político, é dever de todo cidadão tolerar as
diferentes ideologias político-partidárias, ainda que, na manifestação dessas
ideologias, haja conteúdo de discriminação racial.
e) A forma federativa do Estado pressupõe a repartição de competências entre os
entes federados, que são dotados de capacidade de auto-organização e de auto
legislação.
Alternativa correta: Letra “e”.
e) A forma federativa do Estado pressupõe a repartição de competências entre os entes
federados, que são dotados de capacidade de auto-organização e de autolegislação.
Certo: A doutrina do professor Gilmar Mendes destaca a descentralização do poder
como característica fundamental da autonomia dos entes federados, inclusive a política,
quanto à elaboração de leis:
A autonomia importa, necessariamente, descentralização do poder. Essa
descentralização é não apenas administrativa, como, também, política. Os Estados-
membros não apenas podem, por suas próprias autoridades, executar leis, como também
é-lhes reconhecido elaborá-las. Isso resulta em que se perceba no Estado Federal uma
dúplice esfera de poder normativo sobre um mesmo território; sobre um mesmo território
e sobre as pessoas que nele se encontram, há a incidência de duas ordens legais: a da
União e a do Estado-membro. (Gilmar Mendes Ferreira e Paulo Gustavo Gonet Branco,
Curso de Direito Constitucional, 2012, grifo nosso)
Marcelo Novelino descreve às características da autonomia dos entes federados, dentre
elas a capacidade de auto-organização e de auto legislação, conforme vejamos:
A autonomia das entidades federativas pode ser desdobrada em quatro predicados: I)
autogoverno; II) auto-organização; III) autoadministração; e IV) auto legislação.
O autogoverno consiste na capacidade conferida aos entes federativos para escolher os
representantes de seus poderes Executivo e Legislativo.
Auto-organização é a capacidade de cada ente federativo de elaborar suas Constituições
– no caso dos Estados – ou Leis Orgânicas – no caso dos Municípios e do Distrito Federal.
Neste particular, não se deve olvidar a singularidade do caso brasileiro que atribui aos
Municípios a condição de ente federativo, inovação introduzida pela Constituição de 1988.
A autoadministração refere-se à capacidade conferida aos entes federativos para gerir,
de forma autônoma, as competências constitucionais que lhes forem outorgadas, da
maneira que melhor lhes aprouver, desde que não ponham em risco o pacto federativo.
Relaciona-se, portanto, com a execução fática das competências constitucionalmente
atribuídas.
Auto legislação consiste na competência para editar as próprias leis, dentro dos limites
delineados pela Lei Fundamental. (Marcelo Novelino, Manual de Direito Constitucional,
2014)

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Seguimos com a avaliação das demais alternativas:

a) A soberania nacional pressupõe a soberania das normas internas fixadas pela CF sobre
os atos normativos das organizações internacionais nas situações em que houver conflito
entre ambos.

Errado: Conforme leciona o mestre Marcelo Novelino a soberania está relacionada ao


poder político maior e independente de um País em relação aos demais, em aspecto
externo comparado aos demais países, o que necessariamente não vincula a
obrigatoriedade de supremacia das normas constitucionais aos atos normativos de
organizações internacionais, como podemos observar nas disposições constitucionais
relacionadas aos tratados internacionais sobre direitos humanos aprovador pelo
Congresso Nacional e que possuem a mesma hierarquia das demais normas
constitucionais, quando aprovadas via processo legislativo correlato.
Em seus primórdios, o conceito de soberania – para o qual não houve equivalente na
Antiguidade ou na Idade Média – designava precipuamente o poder supremo atribuído ao
príncipe no âmbito interno, e não a independência de um Estado em relação aos
demais. Posteriormente, a soberania passou a ser definida como um poder político
supremo e independente. Supremo, por não estar limitado por nenhum outro na ordem
interna; independente, por não ter de acatar, na ordem internacional, regras que não sejam
voluntariamente aceitas e por estar em igualdade com os poderes supremos dos outros
povos. Portanto, este conceito pode ser utilizado em dois âmbitos distintos. A soberania
externa com referência à representação dos Estados, uns para com os outros, na ordem
internacional; a soberania interna relacionada à supremacia estatal perante seus cidadãos
na ordem interna. (Marcelo Novelino, Manual de Direito Constitucional, 2014)
CF/88
(...)
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados,
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
b) A dignidade da pessoa humana não representa, formalmente, um fundamento da
República Federativa do Brasil.
Errado: Dentre os fundamentos que fazem parte da República Federativa do Brasil faz
parte a dignidade da pessoa humana
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa visam proteger o trabalho exercido


por qualquer pessoa, desde que com finalidade lucrativa.
Errado: Se trata de um dos fundamentos da República federativa do Brasil, conforme o
art. 1°, da CF/88 os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, ou seja, a livre
iniciativa deve necessariamente possuir características que respeitem os valores sociais
dos trabalhadores, propiciando o desenvolvimento do trabalho humano, transcendendo
os interesses do empregador.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.
De acordo com o brilhante ensinamento do mestre Uadi Bulos o princípio dos valores
sociais do trabalho e da livre-iniciativa defende a valorização do trabalho do homem
em relação ao capitalismo.
Princípio dos valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa (art. 1-º-, IV) - o trabalho,
certamente, dignifica a existência terrena, e, quando livre e criativo, liga o homem a Deus.
Daí a Constituição enfatizar o respeito e a dignidade ao trabalho em diversos lugares (arts.
52, XIII, 62, 72 etc.), para dizer que a garantia ao trabalho engloba empregados e
empregadores, autônomos e assalariados. Aliás, para alcançar o seu desígnio
constitucional, o labor deve ser livre. Daí o constituinte tê-lo encampado como um dos
fundamentos da República Federativa do Brasil, banindo o trabalho escravo. E, ao
prescrever os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa, a Constituição aduziu que
a ordem econômica se funda nesse primado, valorizando o trabalho do homem em
relação à economia de mercado, nitidamente capitalista. Priorizou, pois, a
intervenção do Estado na economia, para dar significação aos valores sociais do
trabalho. Estes, ao lado da iniciativa privada, constituem um dos pilares do Estado
brasileiro. (Uadi Lammêgo Bulos, Curso de Direito Constitucional, 2014, p.514, grifo
nosso)
d) Em decorrência do pluralismo político, é dever de todo cidadão tolerar as diferentes
ideologias político-partidárias, ainda que, na manifestação dessas ideologias, haja
conteúdo de discriminação racial.
Errado: A CF/88 instituiu o direito ao pluralismo político como um dos seus
fundamentos.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Marcelo Novelino nos ensina as vertentes relacionadas ao pluralismo político, dentre eles
o pluralismo ideológico. Nesse sentido identifica-se a tolerância as diferenças:
Consagrado na Constituição de 1988 como um dos fundamentos da República Federativa
do Brasil (CF, art. 1.°, V), o pluralismo político, em um sentido amplo, compreende:
o pluralismo econômico (economia de mercado; concorrência de empresas entre si; setor
público distinto do privado); o pluralismo político-partidário (existência de vários partidos
ou movimentos políticos que disputam entre si o poder na sociedade) e o pluralismo
ideológico (diversas orientações de pensamento; diversas visões de mundo; diversos
programas políticos; opinião pública não homogênea, não monocórdia, não
uniforme).O pluralismo está indissociavelmente ligado à diversidade e
à alteridade. Não há pluralismo sem respeito às diferenças, ao caráter do que é
outro, ao antônimo da identidade. (Marcelo Novelino, Manual de Direito Constitucional,
2014, grifo nosso).
Porém essa diversidade ideológica deve respeitar as disposições constitucionais, dentre
elas a expressa vedação a prática de racismo.
CF/88
(...)
Art. 5°
(...)
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de
reclusão, nos termos da lei.
QUESTÃO Nº 231 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2016
Constitui objetivo fundamental da República Federativa do Brasil:
a) a independência nacional.
b) a solução pacífica de conflitos.
c) a autodeterminação dos povos.
d) a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
e) a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
Gabarito: D.
d) a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

É o que dispõe o inciso I do art. 3º da CF:


Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação.

Demais alternativas correspondem a princípios de relações internacionais da República:


a) a independência nacional.
(art. 4º, I, CF).
b) a solução pacífica de conflitos.
(art. 4º, VII, CF).

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) a autodeterminação dos povos.


(art. 4º, III, CF).
e) a cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
(art. 4º, IX, CF).
Agora, não confunda estes termos, que podem não ser tão intuitivos:
Independência Nacional (Princípio de relações internacionais art. 4º)
com soberania (Fundamento da República art. 1º);
Prevalência dos direitos humanos (Princípio de Relações Internacionais art. 4º)
com dignidade da pessoa humana (Fundamento da República art. 1º);
Repúdio ao terrorismo e ao racismo (Princípio de Relações Internacionais art. 4) com
promoção do bem de todos sem preconceito de raça (Objetivo Fundamental da
República art. 3º).
QUESTÃO Nº 232 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 8ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/CONTABILIDADE/2016 (E MAIS 9 CONCURSOS)
Assinale a opção correta a respeito dos princípios fundamentais na Constituição Federal
de 1988 (CF).
a) A dignidade da pessoa humana é conceito eminentemente ético-filosófico,
insuscetível de detalhada qualificação normativa, de modo que de sua previsão
na Constituição não resulta grande eficácia jurídica, em razão de seu conteúdo
abstrato.
b) O valor social do trabalho possui como traço caracterizador primordial e principal
a liberdade de escolha profissional, correspondendo à opção pelo modelo
capitalista de produção.
c) A valorização social do trabalho e da livre-iniciativa não alcança,
indiscriminadamente, quaisquer manifestações, mas apenas atividades
econômicas capazes de impulsionar o desenvolvimento nacional.
d) O conceito atual de soberania exprime o autorreconhecimento do Estado como
sujeito de direito internacional, mas não engloba os conceitos de abertura,
cooperação e integração.
e) A cidadania envolve não só prerrogativas que viabilizem o poder do cidadão de
influenciar as decisões políticas, mas também a obrigação de respeitar tais
decisões, ainda que delas discorde.

Gabarito: E.
e) A cidadania envolve não só prerrogativas que viabilizem o poder do cidadão de
influenciar as decisões políticas, mas também a obrigação de respeitar tais
decisões, ainda que delas discorde.
Questão puramente teórica. O exercício da cidadania abrange um leque de direitos e
garantias que não se limitam aos direitos civis políticos (de primeira dimensão), como o
direito de votar e de ser votado, mas incluem, além do direito de participação social e
política, o direito à educação, à saúde, ao trabalho, todo um leque de direitos sociais que
permitem o efetivo exercício da pessoa humana como cidadão brasileiro.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A questão remete à vertente política da cidadania, o que nos leva à Teoria dos
Status formulada pelo alemão Georg Jellinek em fins do século XIX, que remanesce
atual e relevante para análise da posição do indivíduo frente ao Estado e do processo de
efetivação dos direitos fundamentais.
Os denominados 4 status de Jellinek são o status passivo (ou
status subjectionis), status negativo (ou status libertatis), status positivo (ou
status civitatis) e status ativo (ou de cidadania ativa).

No status passivo, o indivíduo se encontra em posição de obediência e subordinação


aos poderes públicos, como por exemplo, na obrigação de pagar tributos, de
alistamento eleitoral e alistamento militar, em certos casos e de respeitar as decisões
políticas tomadas pelos representantes eleitos, conforme indicado na questão. Ou
na imposição de proibições impostas pela Constituição ou pela lei, sob pena de sanções
pelo ente que detém o monopólio lícito da força: o Estado.
No status negativo, o indivíduo goza de uma série de garantais de liberdade e de não-
intervenção (lembra muito os direitos de liberdade de primeira geração), o poder lícito
de resistir a imposições ou restrições indevidas do Estado na esfera de direitos do
indivíduos. Exemplo são as limitações ao poder de tributar, do art. 150 da Constituição
Federal, pois embora se sujeite ao poder de tributar (status passivo), o indivíduo pode
opor-se a tributação indevida ou excessiva. A autoridade do Estado se exerce sobre
homens livres.
No status positivo, diz respeito às obrigações do Estado com os indivíduos e ao direito
de exigir os poderes públicos prestações positivas a seu favor. Podemos aqui
identificar os direitos de segunda dimensão, de caráter social, direitos de igualdade
material. Aqui, ocorrem os embates sobre quais os limites dessa prestação (teoria do
financeiramente possível) ou quais as garantias mínimas que podem ser exigidas
(mínimo existencial, teoria do limite dos limites, que será estudada adiante etc.).
Por fim, no status ativo, o indivíduo reveste-se de prerrogativas para influenciar na
formação da agenda política e da vontade estatal, seja por meio do voto direto, por
plebiscito, referendo, iniciativa popular de projeto de lei e outros instrumentos de
participação política.
Demais alternativas erradas:
a) A dignidade da pessoa humana é conceito eminentemente ético-filosófico,
insuscetível de detalhada qualificação normativa, de modo que de sua previsão na
Constituição não resulta grande eficácia jurídica, em razão de seu conteúdo
abstrato.
A dignidade da pessoa humana foi elevada à categoria de Fundamento da
República pelo Constituinte de 1988. Segundo o Supremo Tribunal Federal, "O
postulado da dignidade da pessoa humana, que representa – considerada a centralidade
desse princípio essencial (CF, art. 1º, III) – significativo vetor interpretativo, verdadeiro
valor-fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional vigente em nosso
País, traduz, de modo expressivo, um dos fundamentos em que se assenta, entre nós, a
ordem republicana e democrática consagrada pelo sistema de direito constitucional
positivo". (477.554-AgR, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 16-8-2011,
Segunda Turma).

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Materializa-se, por isso em diversos postulados jurídico-normativos como


impossibilidade da execução antecipada da pena, reconhecimento da união homoafetiva
como entidade familiar, limitações à cláusula da reserva de possível, a proteção dos
direitos e garantias fundamentais etc.
b) O valor social do trabalho possui como traço caracterizador primordial e
principal a liberdade de escolha profissional, correspondendo à opção pelo modelo
capitalista de produção.
Esse postulado é referente à livre iniciativa. Quanto ao valor social do trabalho, se de um
lado a Constituição assegura a livre iniciativa, de outro determina ao Estado a adoção
de todas as providências tendentes a garantir o efetivo exercício do direito à
educação, à cultura e ao desporto (arts. 23, V, 205, 208, 215 e 217, § 3º, da
Constituição).
c) A valorização social do trabalho e da livre-iniciativa não alcança,
indiscriminadamente, quaisquer manifestações, mas apenas atividades econômicas
capazes de impulsionar o desenvolvimento nacional.
A livre iniciativa é expressão de liberdade titulada não apenas pela empresa, mas também
pelo trabalho, em todas as suas manifestações.

d) O conceito atual de soberania exprime o autorreconhecimento do Estado como


sujeito de direito internacional, mas não engloba os conceitos de abertura,
cooperação e integração.
O conceito moderno de cidadania inclui os pressupostos de uma sociedade justa,
transnacional, com arrimo na solidariedade e na cooperação. A prevalência dos tratados
internacionais sobre as ordens jurídicas internas é exemplo dessa relativação do conceito
tradicional de soberania. Não obstante, o Brasil apenas excepcionalmente aceita que
tratado ou convenção internacional tenha o mesmo status das normas constitucionais,
nunca a ela superiores.
QUESTÃO Nº 233 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 5 CONCURSOS)
A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue, tendo como
referência a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
O rol dos direitos fundamentais previsto na Constituição Federal de 1988 é taxativo, isto
é, o Brasil adota um sistema fechado de direitos fundamentais.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue, tendo como
referência a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
O rol dos direitos fundamentais previsto na Constituição Federal de 1988 é
taxativo, isto é, o Brasil adota um sistema fechado de direitos fundamentais.
Correto. A enumeração constitucional dos direitos e garantias fundamentais não é
limitada, taxativa, haja vista que outros poderão ser reconhecidos ulteriormente, seja por

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

meio de futuras emendas constitucionais (EC) ou mesmo mediante normas


infraconstitucionais, como os tratados e convenções internacionais celebrados pelo Brasil
(art. 5º, § 2º).
Art. 5º..............
........
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes
do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.
QUESTÃO Nº 234 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 1
CONCURSO)
A respeito dos direitos e das garantias fundamentais previstos na Constituição Federal
de 1988 (CF), julgue o item a seguir.
I A concretização dos direitos sociais previstos na CF, dada a natureza prestacional desses
direitos, submete-se aos limites do financeiramente possível.
II Direitos e garantias previstos em normas e tratados internacionais sobre direitos
humanos assumem estatuto de norma constitucional automaticamente, no momento da
sua assinatura pelo Brasil.
III Em decorrência do princípio da máxima efetividade, as normas definidoras de direitos
e garantias fundamentais possuem, em quaisquer hipóteses, eficácia plena e imediata.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item I está certo.
b) Apenas o item II está certo.
c) Apenas o item III está certo.
d) Nenhum item está certo.
Gabarito: Letra A (apenas item I correto)
Análise do itens:
I - A concretização dos direitos sociais previstos na CF, dada a natureza prestacional
desses direitos, submete-se aos limites do financeiramente possível.
Correto, mas com ressalvas. A posição mais recente do STF é o reconhecimento da
inaplicabilidade da reserva do possível, sempre que a invocação dessa cláusula puder
comprometer o núcleo básico que qualifica o mínimo existencial:
"A fórmula da reserva do possível na perspectiva da teoria dos custos dos direitos:
impossibilidade de sua invocação para legitimar o injusto inadimplemento de deveres
estatais de prestação constitucionalmente impostos ao poder público. A teoria da 'restrição
das restrições' (ou da 'limitação das limitações')". (STA 223 AgR, rel. min. Celso de Mello,
j. 14/4/2008, Pleno)
"...a cláusula da reserva do possível - que não pode ser invocada, pelo Poder Público, com
o propósito de fraudar, de frustrar e de inviabilizar a implementação de políticas
públicas definidas na própria Constituição - encontra insuperável limitação na
garantia constitucional do mínimo existencial, que representa, no contexto de nosso
ordenamento positivo, emanação direta do postulado da essencial dignidade da pessoa

228

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

humana" (ARE 639.337 AgR, Relator Min. Celso de Mello, Segunda Turma, julgado
em 23/08/2011).
Portanto, a cláusula da reserva do possível é aplicada com temperamento pelo STF,
motivo pelo qual você deve ficar de olho nas questões que versam sobre garantia de
direitos sociais específicos, tais como direito à saúde e direito à educação:
"Como se pode perceber, tanto as normas relativas ao direito à educação (arts. 205 a 214),
como o artigo referente aos direitos das crianças e dos adolescentes (art. 227) possuem
comandos normativos voltados para o Estado, conforme destacado acima,
consubstanciando o direito ao ensino fundamental obrigatório como direito público
subjetivo (art. 208, § 1º), importando seu não-oferecimento ou sua oferta irregular em
responsabilidade da autoridade competente (art. 208, § 2º)". (SL 263, Relator Min.
Presidente Gilmar Mendes, julgado em 14/10/2008).
II - Direitos e garantias previstos em normas e tratados internacionais sobre
direitos humanos assumem estatuto de norma constitucional automaticamente, no
momento da sua assinatura pelo Brasil.

Errado. Apesar de parte da composição do Supremo Tribunal Federal defender essa tese,
a posição predominante no STF é de que os tratados internacionais de direitos humanos
somente adquirem status de norma constitucional se aprovados na forma do § 2º, do
art. 5º, da Constituição Federal:
Art. 5º............
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados,
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
III - Em decorrência do princípio da máxima efetividade, as normas definidoras de
direitos e garantias fundamentais possuem, em quaisquer hipóteses, eficácia plena
e imediata.
Errado. O Princípio da Máxima Efetividade também chamado princípio
da eficiência, encontra-se estritamente vinculado ao princípio da força normativa,
configurando um subprincípio deste, e orienta os aplicadores da Constituição para que,
sempre que possível, interpretem suas normas em ordem a lhes otimizar a eficácia, sem
alterar seu conteúdo. Em suma, no exercício da interpretação deve-se extrair da norma
aquele sentido que forneça a máxima eficácia para a Constituição.
Isso não implica, entretanto, que todas as normas constitucionais disponham da mesma
eficácia, ou seja, a aplicabilidade imediata de seu conteúdo, independentemente de
regulamentação infraconstitucional. Desse modo, as normas de eficácia limitada, por
exemplo, são dotadas de aplicabilidade mediata (só produzirão seus efeitos essenciais
posteriormente, depois da regulamentação por lei); indireta (não asseguram,
diretamente, o exercício do direito, dependendo de norma regulamentadora
intermediária para tal); e reduzida.

QUESTÃO Nº 235 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017
Quanto à geração ou à dimensão dos direitos fundamentais, os direitos sociais são
considerados de:
a) quarta geração ou dimensão.
b) primeira geração ou dimensão.

229

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) segunda geração ou dimensão.


d) terceira geração ou dimensão.
Gabarito: Letra C.
c) segunda geração ou dimensão.
Os direitos de segunda geração ou dimensão dizem respeito a uma prestação positiva
do Estado, são direitos de igualdade, mas uma igualdade em sentido material, efetiva e
não apenas formal, do ponto de vista político. Incluem-se dentre esses direitos o direito
à educação pública, à cultura, à saúde, ao seguro-desemprego, aposentadoria,
previdência social, assistência social etc.
Os direitos de primeira dimensão aparecem a partir do surgimento do Estado liberal,
e consolidam-se ao final do século XVIII, a partir da Revolução Francesa, da Constituição
dos Estados Unidos da América e da própria Constituição da França. Essa dimensão
outorga forte proeminência ao indivíduo, à livre iniciativa, e às liberdades individuais. A
partir daí, passam a ser assegurados certos direitos ditos de liberdade, ou seja, o direito
de não interferência do Estado na vida privada das pessoas.
Também chamados de direitos negativos (obrigações de não-fazer do Estado). O Estado
deveria existir para assegurar a propriedade, a segurança, o livre comércio e a livre
movimentação das pessoas. Como decorrência disso, devem ser assegurados os direitos
à vida, à honra, à nacionalidade, de não ser submetido à escravidão, enfim, à liberdade.

Os direitos de primeira dimensão compreendem também os de natureza civil


(propriedade, segurança, vida, comércio) e de liberdades políticas (direito de participação
popular, direito a voto, plebiscito etc.), considerados de prestação positiva do Estado.
Há ainda a terceira dimensão, também reconhecida no séc. XX, em que temos os
direitos de índole coletiva e difusa (pertencentes a um grupo indeterminável de
pessoas), com foco na fraternidade e solidariedade entre os povos, e que inclui o direito
à autodeterminação dos povos, de propriedade sobre o patrimônio público comum,
além dos direitos a um meio ambiente equilibrado, à paz, ao progresso etc.
Alguns autores, a partir das reflexões de Noberto Bobbio, reconhecem uma quarta
dimensão de direitos fundamentais, que diriam respeito aos respeitos inerentes ao
patrimônio biológico e genético do indivíduo, diante dos avanços nas pesquisas da
engenharia genética, células-tronco, manipulação de genes etc. Para Paulo Bonavides,
os direitos de quarta geração estariam ligados à universalização política, destacando-se
nesse contexto o pluralismo político, a democracia e ao direito à informação.

QUESTÃO Nº 236 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRE


PI)/JUDICIÁRIA/2016
A respeito dos princípios fundamentais e dos direitos e das garantias fundamentais,
assinale a opção correta.
a) Por constituírem direitos relativos às pessoas naturais, os direitos e garantias
fundamentais não são extensíveis às pessoas jurídicas.
b) Enquanto os direitos civis e políticos se baseiam em abstenções por parte do
Estado, os direitos sociais pressupõem prestações positivas do Estado.
c) De acordo com o STF, um direito fundamental constitucionalmente previsto
possui caráter absoluto e se sobrepõe a eventual interesse público.
230

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

d) A adoção da Federação como forma de Estado pela CF é embasada na


descentralização política e na soberania dos Estados-membros, que são capazes
de se auto organizar por meio de suas próprias constituições.
e) Em relação aos direitos políticos, o mandado de segurança coletivo e o habeas
corpus são formas de exercício direto da soberania popular, como previsto na CF.

Alternativa correta: Letra B


b) Enquanto os direitos civis e políticos se baseiam em abstenções por parte do Estado,
os direitos sociais pressupõem prestações positivas do Estado.
Certo: Os direitos civil e políticos representam direitos de primeira geração e se
relacionam a obrigação de abstenção por parte do Estado.

Conforme leciona Paulo Bonavides trata-se de direitos oponíveis ao Estado, sendo


faculdades ou atributos da pessoa.

“os direitos de primeira geração ou direitos de liberdades têm por titular o indivíduo,
são oponíveis ao Estado, traduzem-se como faculdades ou atributos da pessoa e ostentam
uma subjetividade que é seu traço mais característico; enfim, são direitos de
resistência ou de oposição perante o Estado.” (P. Bonavides, Curso de direito
constitucional, 25. ed., p. 563-564)
Já os direitos sociais, de segunda geração, buscam a necessidade de atuação positiva por
parte do Estado, são conhecidos como direitos de igualdade material, situando-se em
abrangência coletiva, que devem ser prestados pelo Estado através de forma justa e
distributiva. Abrangem o direito à saúde, trabalho, educação, lazer, repouso, habitação,
saneamento, greve, livre associação sindical, etc. Assim, requerem por parte do Estado
uma atuação positiva.

Passamos a avaliar as demais alternativas:

a) Por constituírem direitos relativos às pessoas naturais, os direitos e garantias


fundamentais não são extensíveis às pessoas jurídicas.
Errado: Os direitos fundamentais também são aplicados as pessoas jurídicas, desde que
haja compatibilidade junto aos respectivos dispositivos constitucionais.

Nesse sentido citamos como exemplo o direito de propriedade (art. 5º, XXII) e direito à
existência dos partidos políticos (art. 17).
c) De acordo com o STF, um direito fundamental constitucionalmente previsto possui
caráter absoluto e se sobrepõe a eventual interesse público.
Errado: Os direitos fundamentais não são considerados absolutos, motivo pelo qual,
conforme leciona Marcelo Novelino possuem a relatividade como uma das suas
características.
Por encontrarem limitações em outros direitos constitucionalmente consagrados, os
direitos fundamentais não podem ser considerados absolutos, razão pela qual
a relatividade (ou limitabilidade) costuma ser apontada como uma de suas
características. (Marcelo Novelino, Manual de Direito Constitucional, 2014)
Vejamos ainda o posicionamento da jurisprudência do STF acerca do tema:

231

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Ementa: (...) 2. O legislador ordinário atentou para a necessidade de assegurar a


prevalência dos princípios da igualdade, da inviolabilidade da honra e da imagem das
pessoas para, considerados os limites da liberdade de expressão, coibir qualquer
manifestação preconceituosa e discriminatória que atinja valores da sociedade
brasileira, como o da harmonia inter-racial, com repúdio ao discurso de ódio. (...) O
impetrante alega inconstitucional a criminalização da conduta, porém sem demonstrar a
inadequação ou a excessiva proibição do direito de liberdade de expressão e manifestação
de pensamento em face da garantia de proteção à honra e de repulsa à prática de atos
discriminatórios. (...) (HC 109676 / RJ - RIO DE JANEIRO)
(...) Os direitos e garantias individuais não têm caráter absoluto. (...) A quebra
do sigilo constitui poder inerente à competência investigatória das comissões
parlamentares de inquérito. – O sigilo bancário, o sigilo fiscal e o sigilo telefônico
(sigilo este que incide sobre os dados/registros telefônicos e que não se identifica com a
inviolabilidade das comunicações telefônicas) - ainda que representem projeções
específicas do direito à intimidade, fundado no art. 5º, X, da Carta Política - não se revelam
oponíveis, em nosso sistema jurídico (...)(MS 23452 / RJ - RIO DE JANEIRO)
d) A adoção da Federação como forma de Estado pela CF é embasada na
descentralização política e na soberania dos Estados-membros, que são capazes de se
auto organizar por meio de suas próprias constituições.
Errado: Não se deve confundir a autonomia, característica dos Estados federados, de
soberania, relacionada ao Estado federal e que se refere a possibilidade de um Estado
exercer seus direitos perante os demais.
Soberania do Estado federal: a partir do momento que os Estados ingressam na
federação perdem soberania, passando a ser autônomos. Os entes federativos são,
portanto, autônomos entre si, de acordo com as regras constitucionalmente previstas, nos
limites de sua competência; a soberania, por seu turno, é característica do todo, do “país”,
do Estado federal, no caso do Brasil, tanto é que aparece como fundamento da República
Federativa do Brasil (art. 1.º, I, CF/88). (...) (Pedro Lenza, Direito Constitucional
Esquematizado, 2013)
O livro do professor Gilmar Mendes destaca a descentralização do poder como
característica fundamental da autonomia dos entes federados, inclusive a política, quanto
à elaboração de leis:
A autonomia importa, necessariamente, descentralização do poder. Essa
descentralização é não apenas administrativa, como, também, política. Os Estados-
membros não apenas podem, por suas próprias autoridades, executar leis, como também
é-lhes reconhecido elaborá-las. Isso resulta em que se perceba no Estado Federal uma
dúplice esfera de poder normativo sobre um mesmo território; sobre um mesmo território
e sobre as pessoas que nele se encontram, há a incidência de duas ordens legais: a da
União e a do Estado-membro. (Gilmar Mendes Ferreira e Paulo Gustavo Gonet Branco,
Curso de Direito Constitucional, 2012, grifo nosso)
Por fim e para complementarmos os nossos estudos transcrevemos a contribuição do
mestre Marcelo Novelino quanto às características da autonomia dos entes federados:
A autonomia das entidades federativas pode ser desdobrada em quatro predicados: I)
autogoverno; II) auto-organização; III) autoadministração; e IV) auto legislação.

232

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

e) Em relação aos direitos políticos, o mandado de segurança coletivo e o habeas corpus


são formas de exercício direto da soberania popular, como previsto na CF.
Errado: O art. 14, da CF/88, estabelece á soberania popular, que deverá ser exercida pelo
plebiscito, referendo e iniciativa popular.
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e
secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I – plebiscito;
II – referendo;
III – iniciativa popular.
De acordo com o ensinamento do mestre Marcelo Novelino o princípio da soberania
popular fortalece a conexão entre a democracia e o Estado de direito por meio da
ampliação dos mecanismos de democracia representativa.
Na busca pela conexão entre a democracia e o Estado de direito, o princípio da soberania
popular se apresenta como uma das vigas mestras deste novo modelo, impondo uma
organização e um exercício democráticos do Poder (ordem de domínio legitimada pelo
povo). Além da ampliação dos mecanismos tradicionais de democracia representativa, com
a universalização do sufrágio para categorias antes excluídas do processo participativo
(como mulheres e analfabetos...), são consagrados instrumentos de participação direta do
cidadão na vida política do Estado, tais como plebiscito, referendo e iniciativa popular.
(Marcelo Novelino, Manual de Direito Constitucional, 2014)
Já o mandado de segurança coletivo e o habeas corpus tratam de remédios
constitucionais visando à garantia dos direitos fundamentais.
QUESTÃO Nº 237 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PI)/ADMINISTRATIVA/2016
A respeito dos direitos e das garantias fundamentais, assinale a opção correta.
a) Os direitos sociais, econômicos e culturais são, atualmente, classificados como
direitos fundamentais de terceira geração.
b) O direito ao meio ambiente equilibrado e o direito à autodeterminação dos povos
são exemplos de direitos classificados como de segunda geração.
c) A comissão parlamentar de inquérito tem autonomia para determinar a busca e
a apreensão em domicílio alheio, com o objetivo de coletar provas que
interessem ao poder público.
d) A entrada em domicílio, sem o consentimento do morador, é permitida durante
o dia e a noite, desde que haja autorização judicial.
e) A doutrina moderna classifica os direitos civis e políticos como direitos
fundamentais de primeira geração.
Gabarito: E.
e) A doutrina moderna classifica os direitos civis e políticos como direitos
fundamentais de primeira geração.
Exatamente. os direitos civis, como os de liberdade, de propriedade e o direito à vida,
bem como os direitos políticos, de votar e ser votado, de participação política, de ação
pública etc., são catalogados nos direitos de primeira dimensão ou geração.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Essa divisão em dimensões ou gerações de direitos foi estabelecida originalmente


pelo jurista francês Karel Vasak, em 1977, e tem função principalmente didática.
Algumas críticas a esse modelo afirmam que ele pode levar à dedução errônea de que
as “gerações” de direitos humanos mais jovens substituirão a “geração” mais antiga,
condenada a “falecer”, o que não é verdade.
As dimensões de interpenetram e coexistem progressivamente, à medida que esses
direitos vão sendo estabelecidos; por outro lado, poderia levar a crer que só as garantias
da “primeira geração” estabeleceriam direitos exigíveis juridicamente pelos indivíduos,
enquanto os direitos da “segunda geração” meramente conteriam obrigações a serem
realizadas progressivamente pelos Estados, mas não poderiam ser reclamados, o que
também não se coaduna com a realidade contemporânea desses direitos, inclusive à
luz da hodierna jurisprudência do STF, o que é extremamente relevante para sua prova.

Demais alternativas incorretas:

a) Os direitos sociais, econômicos e culturais são, atualmente, classificados como


direitos fundamentais de terceira geração.
Direitos de segunda dimensão. Os direitos de terceira dimensão ou geração dizem
respeito àqueles de índole coletiva e difusa (pertencentes a um grupo indeterminável
de pessoas), com foco na fraternidade entre os povos (direito a um meio ambiente
equilibrado, à paz, ao progresso etc.).

b) O direito ao meio ambiente equilibrado e o direito à autodeterminação dos


povos são exemplos de direitos classificados como de segunda geração.
O direito ao meio ambiente equilibrado e à autodeterminação dos povos incluem-se
entre os de terceira dimensão, e têm foco na fraternidade e solidariedade entre os povos,
e que inclui o direito à autodeterminação dos povos, de propriedade sobre o patrimônio
público comum, além dos direitos a um meio ambiente equilibrado, à paz, ao progresso
etc.
c) A comissão parlamentar de inquérito tem autonomia para determinar a busca e
a apreensão em domicílio alheio, com o objetivo de coletar provas que interessem
ao poder público.
Não. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a busca e apreensão em domicílio é
prerrogativa inerente ao Poder Judiciário.
d) A entrada em domicílio, sem o consentimento do morador, é permitida durante
o dia e a noite, desde que haja autorização judicial.
Durante a noite, apenas em caso de flagrante delito ou desastre ou para prestar socorro
(art. 5º, XI, CF):
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
QUESTÃO Nº 238 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STM)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 6 CONCURSOS)
Em relação aos direitos e garantias fundamentais e ao Poder Judiciário, julgue o item a
seguir.

234

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A Constituição Federal de 1988 prevê de maneira expressa que os crimes militares contra
a vida, culposos e dolosos, sejam julgados pelo tribunal do júri específico da justiça
castrense.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.

A Constituição Federal de 1988 prevê de maneira expressa que os crimes militares


contra a vida, culposos e dolosos, sejam julgados pelo tribunal do júri específico da
justiça castrense.
Errado. Aí temos duas situações distintas: a Lei 13.491/2017, alterou o art. 9º do Código
Penal Militar, para assentar que os crimes dolosos contra a vida praticados por
militares contra civil serão da competência do Tribunal do Júri.
Art. 9º..........
§ 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri.
Errada, portanto, a questão, pois não se afeta ao tribunal do júri os crimes
culposos contra a vida. Além disso, a lei ainda não criou o "tribunal do júri específico da
justiça castrense". Já com relação aos crimes dolosos contra a vida praticados por civis
contra militares a competência para processamento e julgamento é da justiça militar,
conforme já assentou o STF:
"Ementa. Crime doloso praticado por civil contra a vida de militar da aeronáutica em
serviço: competência da justiça militar para processamento e julgamento da ação penal:
art. 9º, inc. III, alínea D, do Código Penal Militar (...). A jurisprudência do STF é no sentido
de ser constitucional o julgamento dos crimes dolosos contra a vida de militar em serviço
pela Justiça Castrense, sem a submissão destes crimes ao Tribunal do Júri, nos termos do
o art. 9º, III, d, do CPM". (HC 91.003, rel. min. Cármen Lúcia, julgamento em
22/5/2007).
QUESTÃO Nº 239 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (STM)/JUDICIÁRIA/"SEM
ESPECIALIDADE"/2018
À luz da Constituição Federal de 1988, julgue o item que se segue, acerca dos princípios
fundamentais e do meio ambiente.
Ressalvada a hipótese de flagrante delito, a prisão decorrente da prática de transgressão
militar dependerá de ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
competente.

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Ressalvada a hipótese de flagrante delito, a prisão decorrente da prática de
transgressão militar dependerá de ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente.

235

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Errado. No caso de crime ou transgressão militar, a Constituição dispensa a ordem


judicial escrita (que atualmente é por assinatura eletrônica), conforme o inciso LXI, do
art. 5º, da CF.
Art. 5º.......
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada
de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime
propriamente militar, definidos em lei.
QUESTÃO Nº 240 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 5 CONCURSOS)
A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue, tendo como
referência a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
O racismo estrutural gera desigualdade material profunda entre os candidatos inscritos
em concurso público, razão pela qual é constitucional assegurar vantagens competitivas
aos que se autodeclararem negros.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue, tendo como
referência a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
O racismo estrutural gera desigualdade material profunda entre os candidatos
inscritos em concurso público, razão pela qual é constitucional assegurar vantagens
competitivas aos que se autodeclararem negros.
Correto, consoante a hodierna interpretação da Constituição dada pelo Supremo às
denominadas ações afirmativas ou discriminações positivas:
"É constitucional a Lei 12.990/2014, que reserva a pessoas negras 20% das vagas oferecidas
nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito
da administração pública federal direta e indireta, por três fundamentos. Ademais, a fim
de garantir a efetividade da política em questão, também é constitucional a instituição de
mecanismos para evitar fraudes pelos candidatos. É legítima a utilização, além da
autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação (e.g., a exigência de
autodeclaração presencial perante a comissão do concurso), desde que respeitada a
dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa" (ADC 41, rel.
min. Roberto Barroso, j. 8/6/2017, Plenário).
"Não há outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo decidido
combate aos fatores reais de desigualdade. O desvalor da desigualdade a proceder e
justificar a imposição do valor da igualdade. (...) Toda a axiologia constitucional é tutelar
de segmentos sociais brasileiros historicamente desfavorecidos, culturalmente sacrificados
e até perseguidos, como, verbi gratia, o segmento dos negros e dos índios" (ADI 3.330,
rel. min. Ayres Britto, j. 3/5/2012, Plenário)
QUESTÃO Nº 241 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/ADMINISTRATIVA/2018 (E MAIS 5 CONCURSOS)
A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue, tendo como
referência a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
236

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

O princípio da vedação ao anonimato impede que o Ministério Público, em regra, acolha


delação apócrifa como fundamento para a instauração de procedimento criminal.

Certo
Errado

Gabarito: certo.
A respeito dos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue, tendo como
referência a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
O princípio da vedação ao anonimato impede que o Ministério Público, em regra,
acolha delação apócrifa como fundamento para a instauração de procedimento
criminal.
Correto, consoante o art. 5º, da Constituição Federal, e a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal.
Art. 5º..............
..........
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
Para o STF, os escritos anônimos não podem justificar, só por si, desde que
isoladamente considerados, a imediata instauração da persecutio criminis, eis que peças
apócrifas não podem ser incorporadas, formalmente, ao processo, salvo quando tais
documentos forem produzidos pelo acusado, ou, ainda, quando constituírem, eles
próprios, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no delito de extorsão
mediante sequestro, ou como ocorre com cartas que evidenciem a prática de crimes
contra a honra, ou que corporifiquem o delito de ameaça). Entretanto, segundo o
Supremo:
"nada impede, contudo, que o poder público provocado por delação anônima ("disque-
denúncia", p. ex.), adote medidas informais destinadas a apurar, previamente, em
averiguação sumária, "com prudência e discrição", a possível ocorrência de eventual
situação de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a
verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso
positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa
desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas; e o Ministério
Público, de outro lado, independentemente da prévia instauração de inquérito policial,
também pode formar a sua opinio delicti com apoio em outros elementos de
convicção que evidenciem a materialidade do fato delituoso e a existência de indícios
suficientes de sua autoria, desde que os dados informativos que dão suporte à acusação
penal não tenham, como único fundamento causal, documentos ou escritos anônimos"
(Inq 1.957, rel. min. Carlos Velloso, rel. Min. Carlos Velloso, julgamento
em 11/5/2005)
QUESTÃO Nº 242 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018
Considerando a legislação, a doutrina e a jurisprudência dos tribunais superiores acerca
dos direitos e das garantias fundamentais e da aplicabilidade das normas constitucionais,
julgue o item a seguir.
Constitui crime de resistência bloquear o ingresso de oficial de justiça munido de
mandado de intimação no domicílio durante o período noturno do sábado.

237

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Constitui crime de resistência bloquear o ingresso de oficial de justiça munido de
mandado de intimação no domicílio durante o período noturno do sábado.
Errado, pois a entrada em domicílio de oficial de justiça munido de mandado de
intimação só é permitida durante o dia. Inteligência do art. 5º, XII, da Constituição
Federal:
Art. 5º.....
.......
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
Portanto, guarde que o mandado judicial só poderá ser cumprido durante o dia,
independentemente do consentimento do morador ou do dono do estabelecimento
profissional. Eventual oposição à entrada do oficial de justiça durante a noite não
configura crime de resistência, conforme já assentou o Supremo:
"Domicílio. Inviolabilidade noturna. Crime de resistência. Ausência de configuração. A
garantia constitucional do inciso XI do art. 5º da Carta da República, a preservar a
inviolabilidade do domicílio durante o período noturno, alcança também ordem judicial,
não cabendo cogitar de crime de resistência" (RE 460.880, rel. min. Marco Aurélio, j.
25/9/2007, 1ª Turma).
QUESTÃO Nº 243 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO
(STJ)/JUDICIÁRIA/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018
Considerando a legislação, a doutrina e a jurisprudência dos tribunais superiores acerca
dos direitos e das garantias fundamentais e da aplicabilidade das normas constitucionais,
julgue o item a seguir.
A prova obtida por interceptação telefônica decretada por juízo incompetente é ilícita,
ainda que o ato seja indispensável para salvaguardar o objeto da persecução penal.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.

A prova obtida por interceptação telefônica decretada por juízo incompetente é


ilícita, ainda que o ato seja indispensável para salvaguardar o objeto da persecução
penal.
Correto, consoante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:
"Nulidade da interceptação telefônica determinada por autoridade judicial
incompetente, nos termos do art. 102, inc. I, al. b, da Constituição da República e do art.
1.º da Lei n. 9.296/1996. 4. Ausência de remessa dos autos da investigação para o Supremo
Tribunal Federal, depois de apresentados elementos mínimos caracterizadores da
participação, em tese, de Ministro do Tribunal de Contas da União e de membro do
Congresso Nacional na prática de ilícito objeto de investigação. 5. Contaminação das

238

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

provas produzidas, por derivação, por não configuradas as exceções previstas no § 1° e no


§ 2° do art. 157 do Código de Processo Penal. ” (Inq 3.732, Rel. Min. Cármen Lúcia,
Segunda Turma, DJe 22/03/2016)
Entretanto, em outra assentada, o Supremo decidiu:
"A nulidade do processo criminal por incompetência do juízo processante não torna ilícitas
as provas colhidas em interceptação telefônica que fora deferida por juiz que, à época da
decisão, era competente" (HC 81.260-ES, rel. Min. Sepúlveda Pertence, julg. em
14/11/2001).
QUESTÃO Nº 244 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE
PE)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
A respeito dos direitos e deveres individuais e coletivos, assinale a opção correta.
a) É livre a manifestação do pensamento, seja ela exercida por pessoa conhecida ou
por pessoa anônima.
b) Ninguém pode fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
c) Todos poderão reunir-se pacificamente, em locais abertos ao público, desde que
haja prévia autorização do poder público.
d) É plena a liberdade de associação para fins lícitos, inclusa a de caráter paramilitar.
e) A expressão de atividade artística é livre, não estando sujeita a censura ou licença.
Gabarito: Letra E.
Comentando cada alternativa de acordo com o art. 5º da CF/1988:
A) É livre a manifestação do pensamento, seja ela exercida por pessoa conhecida ou por
pessoa anônima.
ERRADA.
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
B) Ninguém pode fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
ERRADA.
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei;
C) Todos poderão reunir-se pacificamente, em locais abertos ao público, desde que
haja prévia autorização do poder público.
ERRADA.
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao
público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;
D) É plena a liberdade de associação para fins lícitos, inclusa a de caráter paramilitar.
ERRADA.
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
E) A expressão de atividade artística é livre, não estando sujeita a censura ou licença.
CORRETA.

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QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,


independentemente de censura ou licença;
QUESTÃO Nº 245 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 1
CONCURSO)
Embora a CF preveja a inviolabilidade das comunicações telefônicas, é admitida a
interceptação das comunicações telefônicas, na forma da lei, para fins de investigação
criminal ou:
a) instrução processual penal, mediante autorização judicial, ou investigação de ato
de improbidade administrativa, por determinação do Ministério Público.
b) instrução processual penal, mediante autorização judicial, por determinação de
comissão parlamentar de inquérito regularmente instaurada, ou investigação de
ato de improbidade administrativa, por determinação do Ministério Público.
c) instrução processual penal, mediante autorização judicial.
d) instrução processual penal, mediante autorização judicial, ou por determinação
de comissão parlamentar de inquérito regularmente instaurada.
Gabarito: Letra C.
c) instrução processual penal, mediante autorização judicial.
Correto, por força do inciso XII, do art. 5º, da Constituição Federal:
Art. 5º.......
..........
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e
das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual
penal;
Lembre-se que a interceptação das comunicações telefônicas não se confunde com a
quebra do sigilo telefônico, esta última podendo ser determinada também por Comissão
Parlamentar de Inquérito, isto é, a quebra dos registros telefônicos – quem ligou para
quem, duração das chamadas, data e hora.
Demais alternativas incorretas:
a) instrução processual penal, mediante autorização judicial, ou investigação de
ato de improbidade administrativa, por determinação do Ministério Público.
Não é albergada a interceptação das comunicações telefônicas, no âmbito de processos
administrativos ou cíveis. Não há possibilidade, por exemplo, que num curso de
procedimento de separação judicial ou divórcio, um dos cônjuges solicite ao magistrado
a autorização para escuta telefônica do consorte, com o intuito de comprovar de
infidelidade conjugal. Também não é constitucionalmente cabível a interceptação
telefônica no curso de ação civil pública de improbidade administrativa.

Incorreta, portanto, a assertiva.

b) instrução processual penal, mediante autorização judicial, por determinação de


comissão parlamentar de inquérito regularmente instaurada, ou investigação de
ato de improbidade administrativa, por determinação do Ministério Público.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Errada, pois somente por ordem judicial pode ser requerida a interceptação de
comunicações telefônicas, no curso de investigação criminal ou instrução processual
penal.
isso não impede o uso emprestado de provas, ou seja, se no curso da investigação
penal surja fato envolvendo servidor público, por exemplo, as provas ligadas à
interceptação telefônica poderão ser utilizadas para punição do servidor, no âmbito de
processo administrativo disciplinar, ou, ainda, no âmbito de processo civil de
improbidade administrativa, mas apenas como prova emprestada, nunca como fonte
ou prova autônoma em processo civil ou administrativo.
A Primeira Turma do STF assentou que o fato de a escuta telefônica ter visado
elucidar outra prática delituosa não impede sua utilização em persecução criminal
diversa (compartilhamento de prova) (HC 128.102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, Julg.
9/12/2015).
O Supremo Tribunal Federal tem entendimento firmado no sentido de que é
constitucional a chamada gravação de conversa, telefônica ou ambiental, por um dos
interlocutores, sem o consentimento ou conhecimento por parte do outro. Em regra,
essa gravação é ilícita, por ofensa à privacidade ou à intimidade (Art. 5º, X) ou das
comunicações telefônicas (art. 5º, XII). Entretanto, a gravação constituirá prova lícita se
um dos comunicantes estiver em situação de legítima defesa (ameaça, chantagem,
coação, proposta ilícita). Dentre vários precedentes, o RE 583.937 QO/RJ, rel. Min.
Cezar Peluso, 19.11.2009.
São essas as chamadas situações excludentes da antijuridicidade (tais como legítima
defesa, estado de necessidade), em que a gravação poderá ser realizada validamente
sem necessidade de autorização judicial.

Também possível, nesse caso, a gravação de conversa realizada por terceiro, também
apenas se for utilizada em legítima defesa de um dos interlocutores, que poderá estar
sendo vítima de uma investida criminosa.

d) instrução processual penal, mediante autorização judicial, ou por determinação


de comissão parlamentar de inquérito regularmente instaurada.

Apenas a primeira hipótese.


QUESTÃO Nº 246 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRT 7ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017 (E MAIS 1 CONCURSO)
Acerca dos princípios, direitos e garantias fundamentais previstos na CF, assinale
opção correta.
a) Conforme entendimento do STF, o direito fundamental à liberdade de
pensamento e de livre expressão da atividade intelectual, independentemente de
censura, deve ser interpretado à luz do mandamento constitucional que prevê a
preservação da vida privada e da imagem da pessoa, de modo a ser exigível o
consentimento do interessado no caso de publicação de biografia que possa
causar sério agravo à intimidade.
b) As relações internacionais da República Federativa do Brasil são regidas pelos
princípios da prevalência da ordem democrática e do respeito à separação dos
poderes.

241

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

c) Ao julgar ação direta de inconstitucionalidade em face da Lei de Biossegurança,


o STF firmou entendimento acerca do descabimento de pesquisa com células-
tronco embrionárias, como decorrência do direito à vida.
d) Não cabe habeas corpus para o trancamento de processo por crime de
responsabilidade atribuído ao presidente da República, uma vez que as sanções
para tal espécie de infração são de índole político-administrativa.
Gabarito: Letra D.

d) Não cabe habeas corpus para o trancamento de processo por crime de


responsabilidade atribuído ao presidente da República, uma vez que as sanções
para tal espécie de infração são de índole político-administrativa.
Correto. Segundo o STF, o habeas corpus não é remédio adequado
a combater condenação imposta em processo de impeachment, por prática de crime
de responsabilidade, pois não se cuida, aqui, de prisão, a qual poderá ser ventilada em
eventual processo penal (HC 136.067, rel. min. Celso de Mello, julg. em 8/8/2016);

Também não cabe habeas corpus:

(i) impugnar sentença que implique em suspensão ou perda de direitos políticos;


(ii) impugnar penalidade de natureza administrativa de caráter disciplinar (suspensão,
demissão, destituição do cargo em comissão, aposentadoria por interesse público), ou
para trancar o andamento de processo administrativo disciplinar;
(iii) dirimir controvérsia sobre guarda de filhos menores;
(iv) obstar o cumprimento de sentença que determina o sequestro ou confisco de
bens, ainda que em processo criminal;
(v) impugnar o mero indiciamento em inquérito policial, uma vez presentes os
indícios da autoria e do fato que configurem crime em tese;

Demais alternativas incorretas:


a) Conforme entendimento do STF, o direito fundamental à liberdade de
pensamento e de livre expressão da atividade intelectual, independentemente de
censura, deve ser interpretado à luz do mandamento constitucional que prevê a
preservação da vida privada e da imagem da pessoa, de modo a ser exigível o
consentimento do interessado no caso de publicação de biografia que possa causar
sério agravo à intimidade.

A liberdade de manifestação do pensamento é um direito fundamental, e como todos


os demais, não é absoluto. Previsto no art. 5º, inciso IV, além do art. 220, essa liberdade
tem seu temperamento ou suas limitações estabelecidas, de uma maneira ou de outra,
nos incisos V (direito de resposta e indenização), IX (vedação de censura),
X (inviolabilidade da intimidade e da vida privada) e XIV (direito de acesso à
informação).

Na verdade, o próprio inciso IV do art. 5º já estabelece limitações ao vedar o anonimato;

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Entretanto, o STF declarou inexigível a autorização prévia para a publicação de


biografias, dando interpretação conforme à Constituição aos artigos 20 e 21 do Código
Civil, em consonância com os direitos fundamentais à liberdade de expressão da
242

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de


censura ou licença de pessoa biografada, relativamente a obras biográficas literárias ou
audiovisuais (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas) (ADI 4.815, rel. Min.
Cármen Lúcia, julg. em 10/6/2015).
Errada, portanto, a questão.
b) As relações internacionais da República Federativa do Brasil são regidas pelos
princípios da prevalência da ordem democrática e do respeito à separação dos
poderes.
Errado. Nenhum desses princípios integra o art. 4º da CF:
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos
seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
c) Ao julgar ação direta de inconstitucionalidade em face da Lei de Biossegurança,
o STF firmou entendimento acerca do descabimento de pesquisa com células-
tronco embrionárias, como decorrência do direito à vida.
Ação direta de inconstitucionalidade perante o STF questionou dispositivos da Lei de
Biossegurança (Lei 11.105/2005), que permitem a utilização de células-tronco
embrionárias produzidas por fertilização in vitro e não utilizadas para fins de pesquisa e
terapia, no âmbito da medicina regenerativa. O Supremo julgou improcedente a ação,
julgando constitucionais os dispositivos legais que permitem, para fins de pesquisa e
terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos
produzidos por fertilização in vitro e não usados no respectivo procedimento, e
estabelece condições para essa utilização. (ADI 3.510, rel. Min. Carlos Ayres Britto,
julg. em 29/5/2008)
QUESTÃO Nº 247 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRT 7ª REGIÃO)/APOIO
ESPECIALIZADO/TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/2017
Considerando a teoria dos direitos e das garantias fundamentais julgue os itens a seguir
a respeito das determinações inscritas no texto constitucional brasileiro.
I Apenas os direitos individuais explícitos são garantidos pela Constituição Federal, não
sendo admitida a invocação de direitos constitucionais implícitos.
II Admite-se a possibilidade de tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos terem força de emenda constitucional, desde que observado o procedimento
específico e qualificado para a sua aprovação.
III A livre manifestação do pensamento deve ser ampla, sendo protegido o anonimato.

243

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Assinale a opção correta.


a) Está certo apenas o item I.
b) Está certo apenas o item II.
c) Estão certos apenas os itens I e III.
d) Estão certos apenas os itens II e III.
Gabarito: Letra B (item II correto)

Análise dos itens:

I - Apenas os direitos individuais explícitos são garantidos pela Constituição


Federal, não sendo admitida a invocação de direitos constitucionais implícitos.
Errado. O Supremo Tribunal Federal admite a existência de direitos e garantias implícitos,
materializados em princípios como o da razoabilidade e o da proporcionalidade, bem
como de outros decorrentes dos princípios e regime pela Constituição adotados (art. 5º,
§ 2º):
Art. 5º.....
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes
do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.
A esse respeito, o STF se pronunciou, em decisão polêmica, na qual a Corte decidiu que
o suposto pai não pode ser constrangido a realizar o exame de DNA, invocando
princípios implícitos como a "intangibilidade do corpo humano" (como se um simples
exame de DNA com fio de cabelo representasse uma violação da integridade física de
alguém...):
"Discrepa, a mais não poder, de garantias constitucionais implícitas e explícitas –
preservação da dignidade humana, da intimidade, da intangibilidade do corpo humano,
do império da lei e da inexecução específica e direta de obrigação de fazer – provimento
judicial que, em ação civil de investigação de paternidade, implique determinação no
sentido de o réu ser conduzido ao laboratório, "debaixo de vara", para coleta do material
indispensável à feitura do exame DNA". (HC 71.373, rel. p/ o ac. min. Marco Aurélio, j.
10/11/1994, pleno)
II - Admite-se a possibilidade de tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos terem força de emenda constitucional, desde que observado o
procedimento específico e qualificado para a sua aprovação.
Correto, por força do art. 5º, parágrafo terceiro, da Constituição:
Art, 5º.......
......
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados,
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.
III - A livre manifestação do pensamento deve ser ampla, sendo protegido o
anonimato.
Errado, pois apesar de a Constituição assegurar a livre manifestação do pensamento (art.
5º, IV), a mesma Carta veda expressamente o anonimato, no mesmo inciso IV:
Art, 5º..............
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

244

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

QUESTÃO Nº 248 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/2017 (E MAIS 2 CONCURSOS)
Em relação à eficácia das normas constitucionais, aos direitos e garantias fundamentais
e às disposições gerais constitucionais sobre os servidores públicos, julgue o item a
seguir.

A Constituição Federal, ao prever, de forma exaustiva, os direitos e garantias


fundamentais dos indivíduos, faz que sejam desconsiderados outros direitos humanos,
mesmo que estejam previstos em tratados internacionais dos quais o Brasil seja parte.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.

A Constituição Federal, ao prever, de forma exaustiva, os direitos e garantias


fundamentais dos indivíduos, faz que sejam desconsiderados outros direitos
humanos, mesmo que estejam previstos em tratados internacionais dos quais o
Brasil seja parte.
Errado. O § 2º do art. 5º, da Constituição Federal define que os direitos e garantias
expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios
por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil
seja parte, notadamente tratados e convenções internacionais de Direitos Humanos, não
necessariamente aqueles aprovados pelo rito das Emendas à Constituição.
Incluem também os tratados de direitos humanos de caráter supralegal (acima da lei e
abaixo da Constituição), conforme designou o STF aqueles tratados não aprovados pelo
rito das emendas constitucionais:
Art. 5º..........
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes
do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.
QUESTÃO Nº 249 – CESPE - ANALISTA JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/JUDICIÁRIA/"SEM ESPECIALIDADE"/2017
Acerca dos direitos e das garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de
1988, julgue o item a seguir.
Entidade estatal que editar determinada lei poderá invocar a garantia da irretroatividade
para assegurar que a referida norma não prejudique ato jurídico perfeito, direito
adquirido e coisa julgada.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.
Entidade estatal que editar determinada lei poderá invocar a garantia da
irretroatividade para assegurar que a referida norma não prejudique ato jurídico
perfeito, direito adquirido e coisa julgada.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A União, os estados, o DF ou os municípios não podem invocar a garantia constitucional


do ato jurídico perfeito ou do direito adquirido para se insurgir contra a aplicação de
dispositivo de lei do próprio ente federado que concede vantagem retroativa, por
exemplo que conceda vantagem pecuniária a servidores públicos relativa a período já
trabalhado e anterior à própria edição da própria lei.
Nesse sentido, o STF possui verbete de Súmula a respeito:
Súmula 654/STF: "A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da
Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado”.
Significa dizer que a União não pode editar hoje uma lei que tenha efeitos retroativos
favoráveis a terceiros para depois ela mesma arguir a inconstitucionalidade da
mesma lei, pelo simples fato de ser retroativa, em suposta ofensa ao ato jurídico
perfeito e do direito adquirido (art. 5º, XXXVI, CF). Trata-se, isso sim, de uma garantia
constitucional do particular frente ao abuso do poder estatal e não de sua
complacência ou de seus benefícios, sempre bem-vindos!
Vale registrar ementa de julgado do Supremo sobre a matéria:
"Previdência Social: aposentadoria por tempo de serviço: conversão em aposentadoria
especial: aplicação da lei nova (L. 6.887/80) a situação pretérita: não invocável a garantia
constitucional da irretroatividade da lei pela entidade estatal que a tenha editado
(Súmula 654), não cabe ao STF, hoje limitado, no recurso extraordinário à função de
"Guarda da Constituição", rever a interpretação que à lei ordinária deu o Tribunal a quo:
RE não conhecido" (RE 118.074/SP, Rel. Min. Ilmar Galvão, julg. 25/5/2004).

QUESTÃO Nº 250 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª


REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/SEGURANÇA E TRANSPORTE/2017
Considerando o que dispõe a Constituição Federal de 1988 (CF) sobre direitos humanos,
julgue o item que se segue.
A CF assegura aos presos respeito a sua integridade física e moral, sendo vedado, nesse
sentido, o uso de algemas durante audiências nos recintos do Poder Judiciário.
Certo
Errado

Gabarito: Errado.
A CF assegura aos presos respeito a sua integridade física e moral, sendo vedado,
nesse sentido, o uso de algemas durante audiências nos recintos do Poder
Judiciário.
Questão que remete ao princípio da dignidade da pessoa humana e à Súmula Vinculante
11 do STF:
Súmula Vinculante 11:
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada
a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do Estado".

246

ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

A justificativa das algemas por escrito não necessita ser prévia, podendo ser
lavrada posteriormente. Então, qual o erro da questão? É permitido o uso de algemas
durante audiências judiciais, desde que haja fundamentação idônea, baseada nos
riscos à segurança do acusado e demais presentes, conforme a jurisprudência do STF:
"O uso de algemas durante audiência de instrução e julgamento pode ser determinado
pelo magistrado quando presentes, de maneira concreta, riscos a segurança do acusado ou
das pessoas ao ato presentes" (Rcl 94.68 AgR, Relator Ministro Ricardo Lewandowski,
Pleno, julgamento em 24/3/2011).
QUESTÃO Nº 251 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRF 1ª
REGIÃO)/ADMINISTRATIVA/SEGURANÇA E TRANSPORTE/2017
Considerando o que dispõe a Constituição Federal de 1988 (CF) sobre direitos humanos,
julgue o item que se segue.
Desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local,
todos podem reunir-se em locais abertos ao público, independentemente de
autorização, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
Certo
Errado

Gabarito: Certo.
Desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo
local, todos podem reunir-se em locais abertos ao público, independentemente de
autorização, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
Correto, por força do art. 5º, inciso XVI, da Constituição Federal:
Art. 5º.....
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade
competente;
Importante ressaltar que o direito de reunião, no Estado brasileiro, não exige
autorização prévia, o que não se confunde com a comunicação prévia à autoridade
competente, no caso a polícia militar, sem que haja frustração de outra reunião marcada
para o mesmo local.
Para combater a frustração ao direito de reunião o remédio adequado não é o habeas
corpus mas sim o mandado de segurança,

QUESTÃO Nº 252 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


TO)/ADMINISTRATIVA/2017
A respeito dos direitos e das garantias fundamentais, julgue os itens a seguir, de acordo
com a CF.

I O direito à liberdade de reunião é garantido pela CF, desde que exercido de forma
pacífica, sem armas, em locais abertos ao público e mediante prévia autorização do
poder público.
II As atividades das associações podem ser suspensas por decisão judicial, mesmo que
ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado.

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

III A pequena propriedade rural, desde que trabalhada pela família, usufrui de
impenhorabilidade no que se refere ao pagamento dos débitos decorrentes de sua
atividade produtiva.
IV O brasileiro naturalizado não poderá ser extraditado, ainda que tenha cometido crime
comum antes de ter adquirido a nacionalidade brasileira.
Estão certos apenas os itens

a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.

Gabarito: C

I - O direito à liberdade de reunião é garantido pela CF, desde que exercido de


forma pacífica, sem armas, em locais abertos ao público e mediante prévia
autorização do poder público. (ERRADO)
A Constituição Federal não exige "prévia autorização" para o exercício do direito de
reunião:
Art. 5º (...)
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao
público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;
II - As atividades das associações podem ser suspensas por decisão judicial, mesmo
que ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado. (CORRETO)
É o que diz o texto expresso da CF:
Art. 5º (...)
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades
suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
Assim, temos duas situações: (I) exige-se decisão com trânsito em julgado para a
dissolução compulsória das associações; (II)NÃO se exige trânsito de decisão judicial para
suspensão das atividades da associação, cabendo no caso inclusive antecipação de
tutela.
III - A pequena propriedade rural, desde que trabalhada pela família, usufrui de
impenhorabilidade no que se refere ao pagamento dos débitos decorrentes de sua
atividade produtiva. (CORRETO)
Correta nos termos do art. 5º, inciso XXVI da CF:
Art. 5º (...)
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

#FICAADICA: Uma ressalva importantíssima a ser feita sobre esse assunto: Cabe ao
credor, para fins de penhora, provar que a propriedade não é explorada pela
família, pois isso é presumido pelo simples fato de ser pequena a propriedade. (REsp
1408152)
IV - O brasileiro naturalizado não poderá ser extraditado, ainda que tenha
cometido crime comum antes de ter adquirido a nacionalidade
brasileira. (ERRADO)
Se for naturalizado, o brasileiro poderá SIM ser extraditado quando cometeu crime
COMUM ANTES de ter adquirido a nacionalidade brasileira:
Art. 5º (...)
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum,
praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
Confirmamos o gabarito: letra C.

QUESTÃO Nº 253 – CESPE - TÉCNICO JUDICIÁRIO (TRE


TO)/ADMINISTRATIVA/2017
O art. 5.º da CF estabelece que “não haverá juízo ou tribunal de exceção” (inciso XXXVII)
e “ninguém será sentenciado senão pela autoridade competente” (inciso LIII). Essas
disposições constitucionais expressam o princípio:
a) da independência judicial.
b) do contraditório.
c) do juiz natural.
d) do promotor natural.
e) da competência legal.

Gabarito: C

c) do juiz natural. (CORRETO)


Quando o art. 5.º da CF estabelece que “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, e
que “ninguém será sentenciado senão pela autoridade competente”, essas disposições
constitucionais expressam o princípio do juiz natural.
Pedro Lenza, inclusive citando Pontes de Miranda, explica que o conteúdo jurídico do
princípio é a inarredável necessidade de predeterminação do juízo
competente (ninguém será sentenciado senão pela autoridade competente), quer para
o processo, quer para o julgamento, proibindo-se qualquer forma de designação de
tribunais para casos determinados (não haverá juízo ou tribunal de exceção), sendo
um desdobramento da regra da igualdade, apontando que a proibição dos tribunais de
exceção representa, no direito constitucional contemporâneo, garantia constitucional,
sendo direito ao juízo legal. (Direito Constitucional Esquematizado, 19ª Ed, 2015, Saraiva,
Ebook, págs. 1706-1707)
Vejamos as demais alternativas
a) da independência judicial. (ERRADO)

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ELISANGELA DA SILVA MENEZES - 60083476253


QUESTÕES COMENTADAS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS | NÍVEL MÉDIO

Pode-se dizer que o princípio da independência judicial está ligada ao princípio do juiz
natural, mas com este não se confunde.
Os incisos XXXVII e LIII do art. 5º da CF vão mais além ao determinar que haverá um juiz
previamente designado para o surgimento deste ou daquele caso concreto. Ao depois,
instaladas as instituições judiciais para o cumprimento do princípio do juiz natural, é
imperioso que haja uma independência dos órgãos judiciais para que assim atuem com
imparcialidade e sem o "medo" de pressões externas a macular a atividade jurisdicional.
Ainda, o referido princípio vem garantir o livre convencimento do magistrado na atuação
do caso concreto.
b) do contraditório. (ERRADO)
A alternativa versa acerca de um dos mais importantes princípios do direito processual,
regendo todo e qualquer processo a fim de assegurar a paridade de armas entre as
partes que o compõem, mas está consagrado no art. 5º, inciso LV (eis o erro da
alternativa), da Constit